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ORANDO
Falar
sobre "Orai sem cessar" 1ª Tessalonicenses
5:17é mergulhar em um dos mandamentos mais curtos da Bíblia, mas também um dos
mais profundos. À primeira vista, parece impossível — afinal, temos que
trabalhar, estudar e dormir.
No
entanto, o segredo não está na quantidade de palavras, mas na qualidade
da conexão. Vamos explorar o que isso realmente significa.
1.
O Contexto: Uma Vida de Preparação
Paulo
escreve aos Tessalonicenses sobre a vinda de Cristo. Ele termina a carta com
uma lista de "imperativos" (ordens diretas) para que a igreja
mantenha a saúde espiritual.
O
versículo 17 está cercado por:
- V. 16: "Regozijai-vos
sempre."
- V. 17: "Orai
sem cessar."
- V. 18: "Em
tudo, daí graças."
Esses
três formam a "trindade" da atitude cristã: alegria, oração e gratidão. Note que a oração
é o motor que sustenta a alegria e a gratidão.
2.
O que "Sem Cessar" NÃO significa
Para
entender o texto, precisamos desmistificar alguns conceitos:
- Não é
rezar 24h por dia de joelhos: Se assim fosse, negligenciaríamos o cuidado
com o próximo e com a própria vida.
- Não é
repetir palavras mecanicamente: Jesus condenou as vãs repetições (Mateus 6:7).
3.
O Significado Original: Adialeiptos
No
grego, a palavra usada é adialeiptos. Curiosamente, ela era usada na
época para descrever uma tosse persistente ou um ataque militar intermitente.
Não
significa que você está tossindo a cada segundo, mas que a tosse "não foi
embora"; ela está presente e se manifesta o tempo todo.
Na
prática, orar sem cessar é manter o "aplicativo da oração" aberto em
segundo plano no seu coração. É viver em constante consciência da presença de
Deus.
4.
Como aplicar na prática?
|
Forma de
Oração |
Descrição |
Exemplo Prático |
|
Oração
Formal |
Momentos
de joelhos e solicitude. |
Devocional
matinal ou antes de dormir. |
|
Oração
Flash |
Frases
curtas durante o dia. |
"Senhor, me
dá paciência agora" ou "Obrigado por este café". |
|
Atitude de
Oração |
Estar
consciente de que Deus ouve seus pensamentos. |
Decidir
não falar um mal de alguém porque Deus está ali. |
Conclusão: O Incenso
Contínuo
No
Antigo Testamento, o incenso no Tabernáculo deveria queimar continuamente. Para
nós, esse incenso é a oração. Orar sem cessar é transformar sua vida em um
diálogo, onde você não "desliga o telefone" para falar com Deus,
apenas muda o assunto conforme o dia passa.
A oração não é um evento na agenda; é o oxigênio da alma.
ORANDO
SEM CESSAR - “Orai sem cessar" (1Ts.5:17).
Texto
Bíblico: Mateus 6:5-13
Mateus
6:5-13
5-E,
quando orares, não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé
nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em
verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
6-Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando
a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que
está oculto, te recompensará.
7-E,
orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito
falarem, serão ouvidos.
8-Não
vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário
antes de vós lhe pedirdes.
9-Portanto,
vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus,
santificado seja o teu nome.
10-Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra
como no céu.
11-O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
12-Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos
nossos devedores.
13-E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu
é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!
INTRODUÇÃO
A
oração é uma das nossas "armas espirituais"
contra os ataques e ciladas do inimigo (Ef.6:18). Ela não é somente uma
fermenta na batalha contra o mal, ela é indispensável para uma vida cristã
saudável e revela a nossa dependência de Deus, fortalecendo a nossa comunhão
com Ele. A oração é o canal pelo qual o homem
exercita a sua submissão a Deus; é a forma pela qual se põe como um verdadeiro
servo do Senhor; é a própria exteriorização de nossa qualidade de servo de
Deus.
Nas
páginas das Escrituras Sagradas, vemos que os grandes homens e mulheres de Deus
tinham suas vidas dedicadas à oração, bem como que os grandes fracassos
espirituais ali descritos têm, como ponto em comum, a falta de oração, a falta
de diálogo com Deus. Jesus é o nosso modelo maior de dedicação à oração; em
Lucas 11:1 vemos que o que motivou os discípulos a se matricularem na escola de
oração foi o exemplo de Jesus como homem de oração.
Quando
o homem se distancia de Deus, podemos verificar que o distanciamento se deu,
num primeiro instante, pela perda de contato entre o homem e Deus através da
oração. Eis porque todas as forças do mal buscam retirar o nosso tempo de
oração, buscam eliminar a oração do nosso dia a dia.
A
oração, como bem afirmou Paulo, é indispensável para vencermos as hostes
espirituais da maldade; é a ferramenta que nos coloca em forma para podermos
utilizar adequadamente a armadura de Deus (Ef.6:13-18). O apóstolo Paulo
exorta-nos:
“orando em todo tempo com toda oração e súplica no
Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef.6:18).
Orar em
todo tempo significa nunca deixar de orar. Orar em todo tempo significa
que não há tempo nem lugar certo para orar. Orar em todo tempo significa
estarmos dispostos e prontos a orar ao Senhor a cada instante, em cada
situação. Diuturnamente devemos ter a nossa mente dirigida ao Senhor em oração;
mesmo enquanto fazemos os nossos afazeres, desempenhamos nossas tarefas do dia
a dia, devemos, em alguns instantes, dirigirmo-nos ao Senhor de coração e com
reverência, embora de forma silenciosa e sem qualquer alvoroço. Portanto, a
oração deve ser uma constante em nossas vidas, daí porque Paulo ter dito que
devemos "orar sem cessar"
(1Ts.5:17).
I.
ORAÇÃO
1.
O que é Oração? Oração
é o ato reverente e piedoso através do qual o crente adora e se aproxima de
Deus, mediante a intercessão do Espírito Santo e de nosso Senhor Jesus Cristo.
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus define oração como "o ato consciente, pelo qual a pessoa dirige-se a Deus
para se comunicar com Ele e buscar a sua ajuda por meio de palavra ou
pensamento".
No
Antigo e Novo Testamento, a oração é o supremo recurso usado pelo povo de Deus
para suplicar, agradecer, adorar, pedir, interceder e bendizer ao único e
verdadeiro Senhor. Na oração, a fé é manifestada, porque quando alguém se
dispõe a orar, é porque sabe que Deus existe e está pronto a atender ao clamor
dos que O buscam - “... é necessário que aquele que
se aproxima de Deus creia que ele existe...” (Hb.11:6).
Quando
oramos expressamos as seguintes verdades:
- Reconhecemos
a soberania de Deus,
pois estamos dizendo que Deus é o único que pode atender aos nossos
pedidos, bem como é o único que merece nosso louvor e adoração.
- Reconhecemos
a nossa insuficiência,
pois demonstramos a consciência de que tudo está no controle de Deus e
que, sem Ele, nada podemos fazer.
- Revelamos
nossa fé, pois
demonstramos que nossa confiança está em Deus e não em qualquer outro ser.
- Revelamos
a nossa obediência, pois
cumprimos a vontade de Deus expressa em sua Palavra, que quer que oremos
sem cessar (1Ts.5:17).
- Demonstramos
o nosso amor para com o próximo, pois
intercedemos por eles desejando que tal oração tenha uma eficácia benévola
em suas vidas, o que é o complemento do grande mandamento (Mt.22:39).
2.
Tipos de Oração. Pela
exortação do apóstolo Paulo a Timóteo pode-se observar os seguintes tipos de
oração: ações de graças; súplica; intercessão.
“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas,
orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens” (1Tm.2:1).
a)
Súplica ou Petição. Petição
é o tipo de oração mais usual. Uma criança, logo que aprende a orar, associa a
oração a pedidos de bênção para si mesma e para todos os familiares: “Abençoa papai, mamãe, vovó, vovô...”. A gratidão
e o louvor são acrescentados mais tarde: “Obrigado pela comida, pelo sono,
pelas brincadeiras, pelos presentes, pelo dia, pelos coleguinhas...”.
A
petição produz intimidade com Deus, pois é através dela, que o filho se
aproxima do Pai, para apresentar-lhe as suas necessidades, com inteira
liberdade. Aos poucos, o crente vai provando a bondade de Deus, ao receber
soluções para os seus problemas, alívio para a ansiedade e consolo na tristeza
e na angústia.
A
petição aumenta a confiança em Deus e dá convicção, ao crente de que Deus o
ouve e está pronto a atendê-lo nas mínimas coisas.
A
petição também dá segurança e paz na medida em que o crente se exercita na
paciência e na perseverança e constata, em sua própria vida, o cumprimento das
promessas, pelas respostas que recebe.
Uma
petição está sempre condicionada ao perdão, conforme Jesus ensinou na oração do
Pai Nosso: “… perdoa-nos as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mt.6:12).
“E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa
contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas
ofensas; mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos
não perdoará as vossas ofensas”
(Mc.11:25,26).
b)
Intercessão. É o
exercício da função sacerdotal. Todo crente está investido e capacitado por
Deus, pelo sacrifício de Jesus Cristo na cruz, a exercer o sacerdócio,
intercedendo por outros, apresentando-os a Deus. É uma forma de levarmos as
cargas uns dos outros, cumprindo, assim, a exortação de Gl.6:2 – “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei
de Cristo”.
Por
meio da oração intercessória, graves problemas são solucionados e, até mesmo,
evitados, quando nos antecipamos em interceder. Em resposta às orações
intercessórias, Deus põe em ação a sua graça, que concede perdão ao pecador,
cura o enfermo, conforta o aflito, dá livramento ao que está em perigo, levanta
o caído, faz justiça ao oprimido, supre as necessidades humanas etc. Por isso
mesmo, a intercessão muito incomoda as potestades do mal, e Satanás remete as
suas setas, procurando criar todo tipo de obstáculo ao trabalho intercessório.
Ele conhece a Palavra de Deus e sabe que "a oração feita por um justo pode
muito em seus efeitos" (Tg.5:16).
Estamos
intercedendo pelas almas perdidas? Pela obra de Deus? Suplicamos em favor da
Igreja de Cristo? Oramos pelas autoridades constituídas? Tem você intercedido
pelos maus? Ou limita-se a orar somente pelos bons? Tem implorado por seus
desafetos? (vide Mt.5:44). Nossa obrigação é interceder por todos, porque Jesus
incessantemente intercede por nós (Rm.8:34). Ou já não damos importância à
oração sacerdotal? Sem intercessão nenhum avivamento é possível; sem
intercessão a bênção de Deus não é manifestada.
c)
Ação de graças. Este é o
conteúdo essencial da oração, porque é a mais alta expressão do reconhecimento
da soberania de Deus e o maior tributo da criatura ao Criador. Este
aspecto da oração refere-se à nossa gratidão a Deus pelo que Ele é e pelo que
tem feito. A palavra grega eucharistia deixa claro que orar
não é apenas aproximar-se de Deus para adorá-lo por quem Ele é, e para rogar a
Ele suas bênçãos, mas também e sobretudo para agradecer por aquilo que Ele tem
feito. Paulo exorta a Igreja de Tessalônica: “Em
tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”
(1Ts.5:18).
3.
Objetivos da Oração. Segundo
o Pr. Claudionor de Andrade, cinco são os objetivos da oração: buscar a
presença de Deus; agradecê-lo pelos imerecidos favores; interceder pelo avanço
do Reino de Deus; apresentar a Deus nossas necessidades; confessar a Deus
nossos pecados e faltas (adaptados da LBM.CPAD_20.04.2008).
a) Buscar a presença de Deus. O
salmista assim se expressou: "Quando tu disseste: Buscai o meu rosto, o
meu coração te disse a ti: O teu rosto, Senhor, buscarei" (Sl.27:8).
Seja nos primeiros alvores do dia seja nas últimas trevas da noite, o salmista
jamais deixava de ouvir o chamado de Deus para contemplar-lhe a face. Tem você
suspirado pelo Senhor? Ou já não consegue ouvi-lo? Diante da sede pelo Eterno,
que invadia a alma de Davi, exorta-nos o pastor norte-americano Warren W.
Wiersbe: "Não se limite a buscar a ajuda de
Deus. Almeje a sua face. O sorriso de Deus é tudo o que você precisa para
vencer as ciladas humanas".
b) Agradecer a Deus pelos imerecidos favores. Se nos limitarmos às petições, nossa
oração jamais nos enlevará ao coração do Pai. Mas se, em tudo, lhe dermos
graças, até mesmo pelas tribulações que nos sitiam a alma, haveremos de ser, a
cada manhã, surpreendidos pelos cuidados divinos. Num dos mais belos cânticos
da Bíblia, o salmista manifesta toda a sua gratidão ao Senhor: "Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios
que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor.
Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo"
(Sl.116:12-14). Tem você agradecido a Deus? Ou cada vez que se põe a
orar apresenta-lhe uma lista de vaidosas e tolas reivindicações? Atente à
exortação de Tiago 4:3: “Pedis e não recebeis,
porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites”.
c) Interceder pelo avanço do Reino de Deus. Na
Oração do Pai nosso, insta-nos o Senhor Jesus a orar: "Venha
o teu Reino" (Mt.6:10). Os apóstolos de Jesus,
mesmo sendo perseguidos pelos gentios e pelos judeus rebeldes, oravam a fim de
que, em momento algum, a Igreja de Cristo acabasse por ser detida em seu avanço
rumo aos confins da terra. Se orássemos como John Knox, todo o nosso país já
estaria aos pés do Salvador. Diante da miséria de sua gente, Knox rogou: "Cristo, dá-me a Escócia se não morrerei".
Como resultado de seu clamor, um avivamento varreu aquele país, levando
milhares de pessoas ao pé da cruz.
d)
Apresentar a Deus nossas necessidades. Não temos de preocupar-nos com as nossas carências; em
glória, o Pai Celeste no-las supre – “O meu
Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória,
por Cristo Jesus “(Fp.4:19). Além disso, Ele "é poderoso
para fazer [...] além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em
nós opera" (Ef.3:20). Ao invés de nos fixar em nossas necessidades,
intercedamos. Enquanto estivermos rogando por nossos amigos e irmãos, estará
Ele suprindo cada uma de nossas necessidades. Não foi exatamente isto o que se
deu com o patriarca Jó? - "E o
Senhor virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o Senhor
acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía" (Jó
42:10).
e) Confessar a Deus nossos pecados e faltas. Exorta o apóstolo João: "Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça" (1João 1.9).
O pecado se
refere à nossa natureza corrupta e perversa. Na verdade, aquilo que somos é
muito pior que aquilo que já fizemos até agora. Graças a Deus, porém, porque
Cristo morreu por nossos pecados. Para que possamos andar
diariamente em comunhão com Deus e com nossos irmãos em Cristo, precisamos
confessar nossos pecados: pecados de comissão, de omissão, de
pensamento, de atos, pecados
secretos e pecados públicos. Precisamos trazê-los à tona e
colocá-los diante de Deus, chamá-los pelos seus devidos nomes, posicionar-nos
do lado de Deus contra eles e abandoná-los.
A verdadeira
confissão implica abandonar os pecados - “O que
encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa
alcançará misericórdia”(Pv.28:13). Tem
você confessado seus pecados a Deus? Saiba que Ele, em seu Filho Jesus, é fiel
e justo para não somente perdoar-nos as faltas, como também para nos restaurar
a comunhão consigo (1João 1:7).
4.
A oração deve ser feita com reverência. Jesus ensinou isso na oração do Pai nosso (Mt.6:5-13).
Ao orar, penetramos na sala de audiência do Altíssimo, e devemos ir à Sua
presença possuídos de santa reverência. Veja e sinta a reverência que os anjos
têm para com o Deus todo-poderoso, quando estão em sua presença, conforme
descrito em Isaías 6:2-3. Os anjos cobrem o rosto em Sua presença. Os querubins
e os serafins aproximam-se de Seu trono com solene reverência. Muitos que se
dizem cristãos, no momento da oração, demonstram uma tremenda irreverência:
mascam chicletes, balbuciam conversas paralelas nada condizentes com o momento
tão sublime e sobrenatural; sem falar em outros absurdos destoante de uma vida
genuinamente cristã. Isto é trazer fogo estranho ao Altar (Nm.26:61).
5.
A Quem devemos orar? Devemos
orar somente a Deus, e deve ser feito em nome de Jesus,
“porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem”
(1Tm.2:5).
Inúmeras
pessoas oram a Maria e a vários outros seres, como Pedro, José, Francisco,
Antônio, Padre Cícero etc. Tais orações não são bíblicas, são contra a vontade
de Deus e são, na verdade, uma ofensa ao nosso Pai Celestial. É pura idolatria. Deus
declara que não divide Sua glória com ninguém. Disse o Senhor: “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória,
pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Is.42:8).
6.
Onde devemos orar? O
local e a posição ocupam lugar secundário quando o assunto é oração. O
fundamental para Deus é a motivação e a intenção do coração. Disse o apóstolo
Paulo: “Quero que os homens orem em todo
o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda” (1Tm.2:8).
É
claro que não importa o lugar onde devemos orar, contudo, todo filho de Deus
deve ter um lugar reservado para estar a sós com Deus a fim de buscá-lo. Jesus
tinha seus lugares secretos para orar (Mt.14:23; Mc.1:35; Lc.4:42; 5:16; 6:12).
Nós, também, devemos disciplinar nossa vida a fim de mantermos nossa comunhão
com Deus e demonstrar nosso amor por Ele. A promessa é que nosso Pai nos
recompensará abertamente com a resposta à nossa oração e com sua presença
íntima.
O
Senhor Jesus recomenda-nos a entrar em nosso quarto, fechar a porta, e, no
segredo de nossos aposentos, oferecer clamores e ação de graças ao Pai Celeste
- “Mas tu, quando orares, entra no teu
aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e
teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará” (Mt.6:6).
O
momento de dedicação à oração individual é uma oportunidade que temos de ser o
que somos, podendo apresentar-nos a Deus sem as máscaras que, tantas vezes,
encobrem a nossa verdadeira identidade. Este é o melhor momento e o melhor
lugar para o exercício da humildade, da sinceridade e da purificação da fé. A
perseverança e a dedicação a esse tipo de oração secreta, longe das pessoas, é
que formará a estrutura de uma fé genuína e vigorosa que levará o crente a
alcançar uma vida plena com Deus.
II.
A SUPREMA IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO
1.
A oração estreita a comunhão com Deus.
A oração, mediante a fé, estabelece e desenvolve um relacionamento mais
profundo com Deus. Sem oração não há comunhão com Deus. A fé nos faz entender
que Deus existe, que é um ser real que pode e quer ouvir-nos. Simplificando,
orar é falar com o Senhor, expondo nossa gratidão, adoração, necessidades e
buscando socorro na hora da angústia (Sl.4:1; 46:1). O Espírito de Deus que
habita nos corações dos santos deixa-nos continuamente ligado ao Eterno,
possibilitando-nos falar com Ele a cada instante, independente do lugar onde
estejamos. Por exemplo: andando pelas ruas, dirigindo, numa fila de banco, trabalhando
etc. Pode-se orar em voz audível ou apenas em espírito. Se fizermos assim,
veremos que nossa comunhão com o Pai se estreitará maravilhosamente.
2.
Jesus era cônscio da suprema importância da Oração. Jesus considerava a oração uma prática
extremamente importante na sua vida e ministério. Por isso, ele buscava se
retirar para lugares solitários a fim de orar. Apesar das multidões, das
tarefas e das pressões das pessoas, Jesus nunca deixou de dedicar tempo para
estar a sós com Deus.
-
“Todavia, as notícias a respeito dele se espalhavam
ainda mais, de forma que multidões vinham para ouvi-lo e para serem curadas de
suas doenças. Mas Jesus retirava-se para lugares solitários e orava” (Lc.5:15,16).
- “subiu ao monte para orar, e passou a noite em oração a Deus( Lc.6:12).
- “despedida a multidão, subiu ao monte para orar à parte” (Mt.14:23).
Os
discípulos de Jesus vendo o exemplo dele, disseram:
“Senhor, ensina-nos a orar” (Lc.11:1), e Jesus atendeu prontamente o
pedido dos discípulos (cf. Mt.6:5-13). Lucas, descrevendo Jesus como o Homem
perfeito, ressalta sua intensa vida de oração (Lc.3:21; 5:15-17; 6:12,13;
9:18,28; 11:1; 22:31,32,39,40: 23:34). Se Jesus Cristo, o Homem perfeito e
Filho do Deus Altíssimo, não abiu mão de uma vida de oração nos dias de sua
carne (Hb.5:7), quanto mais nós, que somos fracos.
3.
Homens e mulheres da Bíblia reconheceram o valor da Oração. Os grandes homens da Bíblia foram
pessoas de rígidos hábitos de oração porque reconheciam o seu valor. O valor da
oração está para o crente, assim como a água está para a corça. Grandes homens
e mulheres de Deus, como Elias, Eliseu, Daniel, Samuel, Davi, Jó, Neemias,
Jeremias, Ezequiel, Ana (mãe de Samuel), etc., se valeram da oração para
realização de grandes feitos. Eles se dedicaram com fervor a essa função porque
sabiam do valor que a oração traz ao homem e à mulher de Deus.
O
apóstolo Paulo sabia
quão grande é o valor da prática da oração, por isso não se cansava de orar e
de pedir oração em seu favor e da obra do Senhor. O seu ministério era
alicerçado na oração. Ele gostava de estar em oração: com os irmãos (At.16:13);
com os anciãos (At.20:36) e com um grupo de discípulos (At.21:5). Ele não
somente orava, mas também rogava que outros irmãos orassem por ele (2Co.1:11);
(Cl 4.3); (1Ts.5:25); (2Ts.3:1). Quaisquer que fossem as circunstâncias de sua
vida, nada o arrebataria do sublime propósito de manter a comunhão com Deus
através da oração (vide At.14:23; 16:16,25; 20:6; 25:5; 22:17). Ele fez a
seguinte recomendação a Timóteo: “Admoesto-te,
pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de
graças por todos os homens” (1Tm 2:1).
O
líder da igreja local que não tem a marca da submissão a Deus, mediante o
exercício devocional da oração, que não estimula o povo a este mister,
certamente, verá uma igreja fracassada e o rebanho com espiritualidade anêmica
e altamente vulnerável aos ardis de Satanás.
O
apóstolo Pedro foi livre da morte porque a Igreja orou por ele. Em At.12:1-17, foi registrado que Herodes
exercia uma forte perseguição contra os cristãos e mandou prender Pedro, que
ficou sendo vigiado por 16 soldados. A Igreja orava continuamente pelo
apóstolo. O texto mostra que, enquanto os cristãos oravam, Deus movia o
sobrenatural, enviando um anjo para libertar Pedro. O que me impressiona nessa
história é que, antes mesmo de a oração cessar, a resposta foi enviada. Pedro
retornou são e salvo.
Matinho
Lutero venceu a luta contra a poderosa religião católica porque soube estar em
Oração. Certa vez,
Lutero tinha que comparecer a uma grande reunião convocada pelo imperador
Carlos V. Essa reunião deu-se na cidade de Worms, na Alemanha, em 1521. O
motivo da Assembleia eram os escritos de Martinho Lutero. As pessoas estavam
interessadas em conhecer aquele homem que havia se levantado contra os
ensinamentos da Igreja Católica. Lutero tinha uma poderosa arma para enfrentar
aqueles inimigos: a oração. Naquela noite, durante aquela vigília de oração,
Lutero venceu a guerra contra os seus inimigos. Assim
relata o livro “Heróis da Fé”:
“(...) sabendo que tinha de comparecer perante uma das mais
imponentes assembleias de autoridades religiosas e civis de todos os tempos,
Lutero passou a noite anterior em vigília. Prostrado com o rosto em terra,
lutou com Deus, chorando e suplicando. Um dos seus amigos ouviu-o orar assim:
‘Oh, Deus todo-poderoso! A carne é fraca, o diabo é forte! Ah, Deus, meu Deus;
que perto de mim estejas contra a razão e a sabedoria do mundo! Fá-lo, pois
somente tu o podes fazer. Não é a minha causa, mas sim a tua. Que tenho eu com
os grandes da terra? É a tua causa, Senhor, a tua justa e eterna causa.
Salva-me, ó Deus fiel! Somente em ti confio, ó Deus! Meu Deus... vem, estou
pronto a dar, como cordeiro, a minha vida. O mundo não conseguirá prender a
minha consciência, ainda que esteja cheio de demônios, e se o meu corpo tem de
ser destruído, a minha alma te pertence e estará contigo eternamente(...).” (BOYER, Orlando. Heróis da fé. CPAD: 2002,
p.24).
Por
causa daquela noite em oração, no dia seguinte Lutero conseguiu permanecer
firme na fé, desmascarando os enganos que cegavam a igreja do seu tempo.
Hoje,
se nós podemos experimentar a nossa liberdade em Cristo, devemos, em grande
parte, ao tempo de oração que Martinho Lutero dedicou a Deus naquele ano de
1521. Lutero venceu a sua mais difícil batalha através da oração. Era comum que
Lutero, quando tinha muitas tarefas para executar num determinado dia, orar uma
hora a mais, além do tempo normal que costumava orar diariamente. Tal prática
de oração Lutero não aprendeu por si mesmo; antes, ele a aprendeu de Jesus.
Nós, como Igreja do Senhor Jesus, se
compreendermos bem o valor da oração e adotarmos essa prática poderosa, com
certeza faremos a diferença. Precisamos orar sem cessar porque os desafios
deste tempo são grandes.
4.
Por ser importante, devemos nos dedicar à oração ainda que nos achemos bem
espiritualmente. É
estranhamente interessante, mas algumas pessoas param de buscar Deus em oração
por se acharem muito bem espiritualmente. Pensam que por já terem uma longa
caminhada com Deus, por já serem crentes há bastante tempo, por já terem obtido
várias respostas de oração, por já desenvolverem um ministério bem-sucedido,
por possuírem o reconhecimento de vários outros cristãos, pensam que não
precisam mais dedicar tanto tempo à oração a sós com Deus. Imaginam que não
precisam separar um período de oração diária, pois pensam que a sua vida, as
suas atividades e o seu trabalho em favor do Reino dos céus já são uma oração a
Deus. Contudo, Jesus não pensava assim. Apesar de ser o Filho de Deus,
completamente sem pecado, totalmente perfeito, dedicado ao ministério e cheio
do Espírito Santo, Jesus separava um período no seu dia para se dedicar à
oração. Ele não considerava que o desenvolvimento e o sucesso do seu ministério
o dispensavam de orar diariamente. Pelo contrário, Jesus, apesar de todas as
suas qualificações “retirava-se para lugares
solitários, e orava” (Lc.5:16). Com isto Ele nos mostra que devemos nos
dedicar à oração ainda que nos achemos bem espiritualmente.
5.
Por ser importante, devemos nos dedicar à oração ainda que as atividades sejam
muitas. A maior parte das
pessoas justifica a sua negligência com a oração dizendo que não tem tempo. São
homens e mulheres que afirmam estar ocupados demais para orar. Dizem que
precisam acordar muito cedo e se deitar muito tarde, e que por causa das tantas
atividades não possuem tempo para se dedicarem à oração. Jesus também era uma
pessoa extremamente ocupada. Constantemente as pessoas vinham procurá-lo,
desejando receber uma palavra de aconselhamento, o esclarecimento de uma
dúvida, o ensinamento acerca do Reino de Deus ou uma ministração de cura. As
pessoas não se perguntavam sobre a disponibilidade de Jesus. Elas não estavam
preocupadas se Jesus precisava comer, dormir ou descansar. Elas queriam
simplesmente obter a satisfação dos seus anseios. Jesus era tão requisitado que
houve ocasiões em que Ele não conseguia nem mesmo comer, porque as pessoas iam
e vinham para ouvi-lo e tocá-lo (Mc.3:20). Contudo, apesar disso, ele sempre
encontrava tempo para se dedicar à oração (Lc.5:16).
III.
PAI NOSSO: O MODELO DE ORAÇÃO
O Senhor Jesus nos deixou o modelo para nos dirigir ao Pai em
oração, a chamada “Oração do Senhor”, “oração dominical” ou, como é conhecido,
o “Pai nosso”. Quando os
discípulos viram Jesus orando ao Pai, buscando comunhão com Ele, foram
desafiados. O exemplo é impressionante, pois, em seguida, os discípulos pediram
que Ele os ensinasse a orar. Viram Jesus orando e também desejaram orar.
“E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar,
quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar,
como também João ensinou aos seus discípulos” (Lc.11:1).
O
fato de um dos discípulos pedir que Jesus os ensinasse a orar, como também João
Batista ensinou aos seus discípulos, reflete não só o costume da época, mas
deixa claro que a oração do “Pai nosso” se distinguia da oração judaica e da
oração dos discípulos de João Batista.
A
oração do “Pai nosso” não foi ensinada pelo Senhor para ser repetida
automaticamente como uma reza, como muitos a têm tornado, mas, muito pelo
contrário, nela temos uma verdadeira aula de como devemos orar corretamente e
de forma agradável ao Senhor. Vejamos:
1.
O endereço da Oração (Mt.6:9). – “...vós orareis assim: Pai nosso que
estás nos céus...”. Ao
reconhecermos Deus como nosso Pai, demonstramos que a relação que existe entre
Deus e o homem não é uma relação de senhorio, de propriedade, de domínio ou de
cruel submissão, como se vislumbra, por exemplo, entre os islâmicos, mas é,
sobretudo, uma relação de amor, de filiação, de intimidade e comunhão.
A
melhor tradução do original para “Pai”, aqui, é “Paizinho”.
Dessa forma soa em aramaico a palavra Abba, que é um
diminutivo, o modo como as crianças se dirigem ao pai delas. Essa foi a grande
novidade introduzida por Jesus. Deus não era somente o Deus dos patriarcas, o
Senhor dos Exércitos, o Senhor assentado num alto e sublime trono. Não. Jesus
nos revelou outra maneira de nos comunicarmos com Deus. Os judeus concebiam
Deus como o Pai do povo todo, mas não ousavam dirigir-se pessoalmente a Ele com
tanta intimidade. Jesus, porém, o fez (Mc.14:36), e ensinou os seus discípulos,
de todos os tempos, a endereçarem a Oração ao Pai nessa total intimidade e
confiança. Na verdade, dizendo "Paizinho", entramos na própria
intimidade que existe entre o filho e o Pai, pois Jesus fraternalmente nos fez
participar da sua própria filiação.
Ao
reconhecermos Deus como nosso Pai, estamos dizendo que confiamos em Deus e em
seu amor e que nada de ruim para nós pode ocorrer, pois Ele nos ama. É por isso
que Jesus insiste em que tenhamos, na oração, a imagem de Deus como a imagem do
Pai, daquele que é infinitamente muito mais bondoso do que nosso pai terreno e
que, portanto, nunca pode querer nos prejudicar ou nos causar dano.
Este
Pai bondoso, Amoroso e misericordioso está nos céus - “...que está
nos céus” -, ou seja, é o Senhor do universo, o Soberano, aquele
que tem todo o poder. Lembrar que Deus é Pai, mas está nos céus, é lembrar que
Ele não é nosso empregado, nem está à nossa disposição ou à disposição de
nossos caprichos.
2.
“...santificado seja o teu Nome” (Mt.6:9). O que é a santidade de Deus? É a manifestação da sua
glória através dos atos que realiza no mundo, na história e na nossa vida. A
oração do “Pai nosso” nos lembra que o nome do Senhor é santificado, ou seja,
que para termos uma verdadeira comunhão com Deus é necessário que estejamos em
santidade diante de Deus. Os nossos pecados fazem separação entre nós e Deus
(Is.59:2). Não é possível que queiramos orar a Deus sem que estejamos em paz
com Ele, o que somente se dá mediante a justificação pela fé em Jesus (Rm.5:1).
Para termos uma vida de oração correta e aceitável diante de Deus é imperioso
que estejamos vivendo de acordo com a sua Palavra, pois é ela quem nos
santifica (João 17:17).
3.
O primeiro pedido: “Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra
como no céu” (Mt.6:10). O
Reino de Deus é o centro e o objetivo final do seu plano e de toda a mensagem
de Jesus. É importante ressaltar que o Reino não está só no futuro; ele se
concretiza pouco a pouco, à medida que as pessoas aceitam o evangelho e vivem
fraternalmente, compartilhando a nova vida. O anseio pelo reino mostra a meta,
o alvo e a missão da comunidade cristã de proclamar o evangelho, porque todos
devem ter a mesma oportunidade de crer, até que Deus seja tudo em todos
(1Co.15:28).
-
“Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu”. A vinda do Reino consiste no
reconhecimento da vontade de Deus, que oferece uma nova vida a todos. Quando
dizemos "venha o teu Reino" estamos dizendo para Deus que queremos
que sua vontade se realize em nossas vidas, que Ele seja o nosso Senhor, Aquele
que comanda as nossas vidas. Quão diferente é a oração daqueles
"supercrentes", daqueles que, baseados nas falsas doutrinas da
confissão positiva e da teologia da prosperidade, acham que a vontade deles é
que tem de ser feita. Tiago exorta: “E esta é a
confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua
vontade, ele nos ouve” (1João 5:14).
4.
O segundo pedido: “O pão nosso de cada dia nos dá hoje” (Mt.6:11). A Oração também envolve o aspecto
material de nossas vidas, mas dentro de uma perspectiva de cumprimento da
vontade de Deus e de sua soberania. Deus não se esquece das necessidades
materiais do ser humano e sabe que, enquanto aqui estamos, precisamos de comer,
de vestir e de beber, razão pela qual está disposto a nos conceder o necessário
para a nossa sobrevivência (Mt.6:31-34), mas devemos priorizar o reino de Deus
e a sua justiça. Como se não bastasse isso, Deus se compromete com o
necessário, não com a opulência ou a riqueza desmedida, como têm defendido os
teólogos da prosperidade, numa perspectiva que mais os faz avarentos e, por
conseguinte, idólatras (Cl.3:5), do que servos de Deus.
Todavia, aqui, não se trata apenas de pedir o necessário para
viver cada dia e garantir o necessário para o futuro; mais que isso, o
"pão nosso de cada dia" é
o pão da vida eterna, é o alimento que nos dá a vida plena; é o pão do banquete
celeste. Assim, os verdadeiros cristãos não pedem a abundância material, mas
apenas o necessário para uma vida digna, sempre aberta para o que Deus tem para
cada um de nós.
5.
O terceiro pedido: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos
nossos devedores” (Mt.6:12). Essas
palavras nos levam a pensar que não temos o direito de pedir perdão se nós
mesmos não estamos dispostos a perdoar. O perdão de Deus para nós é
proporcional ao perdão que concedemos aos outros. A questão é séria. Nenhuma
igreja ou comunidade se mantém unida sem o perdão, porque viver juntos sempre
traz mal-entendidos, atritos, conflitos e ofensas e, mais do que nunca, o
perdão mútuo é necessário. Por isso, a pessoa que ora o “Pai nosso” não precisa
ser apenas criatura de Deus, mas uma criatura redimida (perdoada) por Deus;
redimida pela cruz, no sangue do Cordeiro ela não apenas deve ter encontrado
anulação dos pecados do passado, mas também a libertação da sua natureza não
reconciliável.
O
apóstolo Paulo disse em Romanos 5:6-11 que Deus nos amou quando éramos ainda
pecadores. Quando éramos seus inimigos, Deus nos reconciliou com Ele. E ainda
afirmou depois, em Efésios 4.32: “Antes sede uns
para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como
também Deus, em Cristo, vos perdoou”. Precisamos nos perdoar
mutuamente, porque Cristo já nos perdoou. O perdão de Deus foi concedido quando
nos convertemos, e nos incentiva a perdoarmos uns aos outros. Só o perdão
compartilhado pode garantir a continuidade da vida comunitária.
6.
O quarto pedido: “E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal...”
(Mt.6:13). Que
tentação Jesus se referiu aqui? A todo tipo de tentação, mas talvez,
principalmente, a de abandonar a fé em Cristo em troca das sugestões de
Satanás: abundância, riqueza, poder e prestígio (Lc.4:1-13). Esse abandono pode
ser motivado pela ganância, mas também pelo desânimo, pelo medo e pela
insegurança. Judas foi tentado, caiu e abandonou definitivamente o plano de
Deus (Lc.22:3-6,47,48). Pedro foi tentado, caiu, mas se arrependeu
(Lc.22:54-62). Jesus foi tentado e não caiu, foi vitorioso (Lc.22:39-46). Esse
é o pedido mais importante: que Deus nos poupe de o trairmos, de o negarmos,
pois assim trairíamos e negaríamos a nós mesmos e a todos aqueles que lutam
para que o Reino de Deus venha.
7.
Conclusão: “porque teu é o reino, e o poder, e a glória para sempre. Amém”
(Mt.6:13). A Oração-modelo
termina com uma expressão de adoração, parte indispensável em qualquer oração.
É através da oração que expressamos nosso amor ao Senhor, que lhe rendemos a
glória que só a Ele é devida. Lamentavelmente, nos nossos dias, oração tem significado
apenas um petitório. Somente pedimos, pedimos, pedimos e, para finalizar,
pedimos. Nem sempre nos lembramos de agradecer ao que Deus nos fez, que dirá
adorá-lo, render-lhe glória e louvor. É fundamental que a nossa oração, pelo
menos, tenha uma parte de adoração. É preciso que louvemos e glorifiquemos a
Deus em nossas orações.
A
oração de uma pessoa pode variar muito, pois depende de suas circunstâncias e
necessidades. Podemos orar como Pedro: Salva-me, Senhor! (Mt.14:30), quando
estava afundando no mar. Ou como o publicano arrependido do templo, quando
disse: “ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lc.18:13). Quando oramos assim,
com sinceridade, expressando de verdade o sentimento do nosso coração, Deus nos
ouve e atende.
CONCLUSÃO
A
Oração do Pai nosso, que Jesus ensinou, não pode ser feita como uma reza, mas
deve expressar a verdade do nosso coração. Como vai a sua vida de oração? Você
tem se dirigido a Deus, desfrutando da intimidade que Jesus nos proporcionou
com o Pai? Cultivamos a oração diariamente, ou já nos conformamos com o
presente século? Deus decidiu agir, em muitas ocasiões, através da oração dos
crentes. Lembre-se do apóstolo Paulo e da grandeza do seu ministério. Lembre-se
de Martinho Lutero e do impacto da sua vida em todo o mundo. Lembre-se de João
Wesley e do avivamento que varreu a Europa e os Estados Unidos. Lembre-se de
que, por trás de todas essas pessoas, existe uma vida de oração. A igreja pode
transformar o mundo; você pode transformar o mundo; qual o caminho? Uma vida de
oração. Marcos
11:24. "Portanto eu vos digo que todas as coisas que desejais, quando
orardes, crede que as recebereis, e tê-las-eis.".



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