A VELHICE E A MELHOR IDADE COM DEUS
SALMOS [92]
1 Bom é render graças ao Senhor, e
cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo,
2 anunciar de manhã a tua
benignidade, e à noite a tua fidelidade,
3 sobre um instrumento de dez cordas,
e sobre o saltério, ao som solene da harpa.
4 Pois me alegraste, Senhor, pelos
teus feitos; exultarei nas obras das tuas mãos.
5 Quão grandes são, ó Senhor, as tuas
obras! quão profundos são os teus pensamentos!
6 O homem néscio não sabe, nem o
insensato entende isto:
7 quando os ímpios brotam como a
erva, e florescem todos os que praticam a iniquidade, é para serem destruídos
para sempre.
8 Mas tu, Senhor, estás nas alturas
para sempre.
9 Pois eis que os teus inimigos,
Senhor, eis que os teus inimigos perecerão; serão dispersos todos os que
praticam a iniquidade.
10 Mas tens exaltado o meu poder,
como o do boi selvagem; fui ungido com óleo fresco.
11 Os meus olhos já viram o que é
feito dos que me espreitam, e os meus ouvidos já ouviram o que sucedeu aos
malfeitores que se levantam contra mim.
12 Os justos florescerão como a palmeira,
crescerão como o cedro no Líbano.
13 Estão plantados na casa do Senhor,
florescerão nos átrios do nosso Deus.
14 Na velhice ainda darão frutos, serão
viçosos e florescentes,
15 para proclamarem que o Senhor é reto.
Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.
A Bíblia enxerga a velhice sob uma ótica muito
diferente da cultura moderna do "descartável". Em vez de focar apenas
no declínio físico, ela enfatiza o valor da experiência, a dignidade e a
continuidade do propósito.
Aqui estão os pontos principais sobre o que as
Escrituras dizem sobre essa fase da vida:
1. Uma Coroa de Honra
A velhice não é vista como um fardo, mas como um
sinal de uma vida bem vivida. O embranquecer dos cabelos é simbolizado como um
troféu de sabedoria.
- Provérbios 16:31: "O
cabelo branco é uma coroa de glória para quem seguiu o caminho da
justiça."
2. Fonte de Sabedoria e Conselho
A Bíblia incentiva as gerações mais jovens a
ouvirem os mais velhos, reconhecendo que o tempo traz uma perspectiva que os
livros não podem ensinar.
- Jó 12:12: "A sabedoria se encontra entre os idosos, e a vida longa traz
entendimento."
3. Frutificação Contínua
Um dos conceitos mais bonitos é que o "prazo
de validade" espiritual não existe. Mesmo quando as forças físicas
diminuem, a alma pode continuar florescendo.
- Salmo 92:14: "Mesmo na velhice darão frutos, permanecerão viçosos e
verdejantes."
4. O Dever do Cuidado e Respeito
Há mandamentos diretos sobre como a sociedade e a
família devem tratar os idosos. O desrespeito à velhice é visto com muita
gravidade.
- Levítico 19:32: "Levantem-se na presença dos idosos, honrem os anciãos."
- 1 Timóteo 5:8: Ressalta
que cuidar da própria família (incluindo os pais idosos) é um dever
central da fé.
5. A Promessa do Cuidado Divino
Para quem teme o envelhecimento, a Bíblia oferece o
consolo de que Deus não muda conforme os anos passam.
- Isaías 46:4: "Mesmo na sua velhice, quando tiverem cabelos brancos, eu serei
o mesmo e continuarei a carregá-los."
Resumo: Na perspectiva bíblica, envelhecer é uma
transição de fazer para ser. É o momento de ser um mestre, um conselheiro e um
exemplo de resiliência.
- Salmos
71:18: "Agora que estou velho e de cabelos
brancos, não me abandones, ó Deus, para que eu possa falar do teu poder
aos nossos filhos e da tua força a todos os que virão."
- Aplicação: Celebra o legado e a importância de passar a história adiante.
- 2
Coríntios 4:16: "Por isso não desanimamos. Embora
exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo
renovados dia após dia."
- Aplicação: Uma mensagem poderosa sobre como a alma permanece jovem e vibrante.
Para o Cuidado com os Pais
(Reflexão e Dever)
Se o objetivo é entender a
responsabilidade dos filhos e netos, estas passagens são fundamentais:
- Provérbios
23:22: "Oua o seu pai, que o gerou; não despreze a sua
mãe quando ela envelhecer."
- Aplicação: Um lembrete de que a dignidade dos pais não diminui com a perda da
autonomia.
- 1
Timóteo 5:4: "Mas, se uma viúva tem filhos ou netos,
que estes aprendam primeiramente a colocar a sua religião em prática
cuidando da sua própria família..."
- Aplicação: Mostra que o cuidado com os idosos é a expressão máxima da prática
da fé no dia a dia.
Uma Curiosidade Bíblica
Você sabia que a Bíblia usa a
palavra "Ancião" não apenas para idade, mas como um título de liderança?
Isso mostra que, no contexto bíblico, envelhecer é sinônimo de estar
qualificado para guiar os outros.
A VELHICE DE DAVI
Texto Bíblico:
2Smauel 23:1-7
“Ainda que a
minha casa não seja tal para com Deus, contudo estabeleceu comigo um concerto
eterno, que em tudo será ordenado e guardado. Pois toda a minha salvação e todo
o meu prazer estão nele, apesar de que ainda não o faz brotar” (2Sm.23:5).
2Samuel 23:
1-E estas são as
últimas palavras de Davi. Diz Davi, filho de Jessé, e diz o homem que foi
levantado em altura, o ungido do Deus de Jacó, e o suave em salmos de Israel:
2-O Espírito do
SENHOR falou por mim, e a sua palavra esteve em minha boca.
3-Disse o Deus
de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Haverá um justo que domine sobre
os homens, que domine no temor de Deus.
4-E será como a
luz da manhã, quando sai o sol, da manhã sem nuvens, quando, pelo seu
resplendor e pela chuva, a erva brota da terra.
5-Ainda que a
minha casa não seja tal para com Deus, contudo estabeleceu comigo um concerto
eterno, que em tudo será ordenado e guardado. Pois toda a minha salvação e todo
o meu prazer estão nele, apesar de que ainda não o faz brotar.
INTRODUÇÃO
Estudo sobre o “Governo Divino em mãos humanas”. Trataremos aqui sobre “a velhice de Davi”. Mesmo nessa fase da vida, Davi não teve
sossego. As consequências do pecado de Davi invadiram a sua terceira idade, e
perturbava o ocaso de sua vida; mas, ele finda sua missão em comunhão com Deus
e com uma grandiosa ação de graças ao Senhor, que o chamara desde a meninice.
Seus salmos relatam a comunhão profunda e íntima que ele mantinha com o Senhor,
desde a sua tenra idade; e, dessa forma, o rei segundo o coração de Deus, finda
sua vida, enaltecendo o Deus de Jacó (cf.2Sm.23:1-7).
A velhice faz
parte do processo evolutivo do ser humano. Todos nós envelheceremos um dia;
esta é uma realidade da qual ninguém pode fugir. As pessoas que conseguem
superar o medo de envelhecer encaram a terceira idade como qualquer outra fase
da vida, repleta de desafios a serem enfrentados. Ao chegar a velhice, devemos
viver esse período de modo que glorifique a Deus e com alegria no coração,
respeitando, claro, as limitações que ela impõe.
O envelhecimento
é uma fase natural da vida que pode ser vivida de maneira saudável ou não; isso
dependerá da forma como vivemos cada fase de nossa existência. Ter Deus como regente de nossa vida nos
garantirá um final feliz. Portanto, temamos a Deus e sejamos sábios (Ec.12:1), pois a essência da vida
consiste em viver cada momento com Deus e para Deus. Que possamos, na nossa
velhice, dar ainda frutos, ser cheios de seivas e de verdor, como lembra o
Salmo 92:14.
I. UMA VISÃO
GERAL SOBRE A VELHICE
1. Concepções
equivocadas acerca da Terceira Idade
Segundo a
Organização Mundial de Saúde - OMS, a terceira idade começa entre 60 e 65 anos;
para os cientistas, ela começa aos 65; para outros, a aposentadoria deve ser o
referencial para determinar o início da terceira idade. A fixação do início
desta fase da vida não tem nenhum fundamento científico; serve, apenas, para
orientar as pesquisas cientificas e para a elaboração da política governamental
nas áreas da saúde e social. Toda dificuldade advém do fato de que as pessoas
são muito diferentes entre si.
A questão da
idade é mais uma questão psíquica. É possível encontrar alguém com 80 anos com
uma cabeça melhor e uma disposição física superior à de outra com 50 anos, ou
menos; velhos que ainda sonham, que ainda possuem metas para serem alcançadas,
que não se sentem realizados - velhos com ideais ainda vivos. Em muitas Igrejas
temos exemplos desta natureza. Obreiros que já ultrapassaram a barreira dos
oitenta e que podem fazer suas as palavras de Calebe:
“...e agora eis
que já hoje sou da idade de oitenta e cinco anos. E ainda hoje estou tão forte
como no dia em que Moisés me enviou; qual a minha força então era, tal é agora
a minha força, para a guerra, e para sair e para entrar” (Js.14:10,11).
Todavia, é
possível encontrarmos pessoas com menos de 50 anos, e já completamente velhos
vivendo em plena terceira idade. Pessoas que, por razões diversas, perderam a
motivação para lutar pela vida. A velhice chega quando sepultamos nossos
sonhos!
O envelhecimento
não é, pois, uma questão de idade cronológica; ele está ligado, basicamente, a
quatro fatores: biológicos, psíquico, social e econômico. Estes fatores podem
antecipar, ou retardar o início da terceira idade.
Muitos acreditam
que a velhice é sinônimo de doença e fraqueza. Naturalmente, com o avanço da
idade, a memória começa a falhar e, em face disso, muitos passam admitir que
não conseguem aprender mais nada e que suas habilidades intelectuais entraram
em declínio inevitável. Por conta dessa imagem, o idoso acredita não mais ser
criativo e priva-se de muitas atividades temendo o fracasso ou a censura. Essa
atitude, quase sempre, leva o idoso ao isolamento e à sensação de ser rejeitado
pelas gerações mais jovens.
A velhice não é
um distúrbio da criação, nem muito menos um castigo divino. Em termos de
longevidade, é uma grande bênção. Acredite nisso. Se você alcançou essa fase da
vida, é porque Deus achou por bem conservá-lo aqui na terra, acreditando que
você ainda é útil e tem alguma missão a cumprir. Deus é o Senhor do tempo. Ele
tem em suas mãos o cronômetro da vida de cada um de nós. Creia que a velhice é
uma forma de bênção divina. Salomão acreditava nessa forma de soberania divina.
E todas as vezes que expressou essa sua crença, o fez em termos de bênçãos:
” Porque eles
aumentarão os teus dias, e te acrescentarão anos e vida e paz” (Pv.3:2);
“Ouve, filho
meu, e aceita as minhas palavras, e se te multiplicarão os anos de vida” (Pv.4:10).
O único
mandamento com promessa, aquele que ordena honrar pai e mãe, fala do prêmio da
longevidade:
” ... para que
se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus de dá” (Ex. 20:12).
2. Concepção
bíblica
Ao analisar a
velhice na Bíblia, constatamos que o idoso não é abandonado nem rejeitado por
Deus, como acontece comumente a alguns, que são jogados numa instituição por
familiares que nem sequer têm a lembrança de visitá-los, negando-lhes o afeto e
o carinho necessário. No livro do profeta Isaias lemos que Deus permanece com
os que lhe pertencem até à velhice:
“Até à
vossa velhice, eu serei o mesmo, e ainda até às cães, eu vos carregarei; já o
tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos levarei” (Is.46:4).
Se enxergarmos o
idoso como um ser abençoado por Deus, certamente, teremos uma visão dele bem
diversa daquela que o mundo costuma oferecer a esta faixa etária, também
chamada de terceira idade. Infelizmente, muitas pessoas nessa faixa etária
sofrem abusos e desrespeito, enquanto outras de maneira equivocada assumem que
já nada podem oferecer. Em razão disso, sentem-se inadequadas e inferiorizadas
socialmente. Mas a Bíblia, ao contrário do mundo, ensina que os justos na
"velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes"
(Sl.92:14). A Bíblia apresenta homens como Abraão, Moisés, Simeão e outros que,
na velhice, realizaram trabalhos magníficos que ainda hoje têm grande
significado para nós.
Para sabermos,
hoje, como a Terceira Idade deve ser vista e tratada no seio das
famílias e na Igreja, precisamos conhecer o pensamento bíblico a
respeito dos idosos e como eles sempre foram tratados, de acordo com
a Bíblia.
a) Segundo a
Bíblia, o velho, ou idoso, deve ser tratado com honra, dignidade e respeito.
Tratar bem, e
respeitosamente, uma pessoa idosa é sinal de temor a Deus. A Bíblia, na
primeira parte de Levíticos 19:32, diz: “Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do
velho, e terás temor do teu Deus. Eu sou o SENHOR”. A Bíblia na linguagem de hoje diz assim: “Fiquem de pé na presença das pessoas
idosas e as tratem com todo o respeito...”. Foi o próprio Deus quem proferiu estas
palavras. Por elas é possível avaliar o pensamento de Deus a respeito do velho, ou idoso.
“Cãs”, significa “cabelos brancos”, que antes
do uso das tinturas, eram considerados honrosos e dignos de respeito; uma
verdadeira “coroa de honra” - “Coroa de honra são as cãs...” (Pv.16:31); um símbolo de beleza - “O ornamento dos mancebos é a sua
força, e a beleza dos velhos, as cãs” (Pv.20:29).
A Bíblia também
registra que os idosos devem ser respeitados pela sua sabedoria e experiência:
“Com os idosos está a sabedoria, e na abundância de dias o entendimento” (Jó
12:12).
Pelas declarações
de Eliú, podemos compreender o respeito que havia pelos mais velhos. Os jovens
permaneciam calados diante deles e só falavam quando estavam certos de que os
mais velhos nada mais tinham para dizer: “E respondeu Eliú, filho de Baraquel o buzita, e disse:
eu sou menor de idade, e vós sois idosos; ar receei-me e temi de vos declarar a
minha opinião. Dizia eu: falem os dias, e a multidão dos anos ensine a
sabedoria” (Jó 32:6,7).
Ou como diz a
Bíblia, na linguagem de hoje: “Eu
sou moço, e vocês são idosos. Foi por isso que não me atrevi a dar a minha
opinião. Pensei assim, que fale a voz da experiência, que os muitos anos
mostrem a sua sabedoria” (Jó 32:6,7).
Os filhos são
instruídos a ouvir e não desprezar seus pais idosos: “Ouve a teu pai que te gerou, e não
desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer” (Pv.23:22).
Na promessa do
Pentecostes, Deus não se esqueceu dos velhos, ou idosos: “E há de ser que, depois, derramarei o meu
Espírito sobre toda a carne, e os vossos filhos e vossas filhas profetizarão,
os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões” (Joel 2:28).
Assim, a Família
e a Igreja devem, também, tratar as pessoas idosas com honra, dignidade e
respeito.
b) Na Bíblia,
ser velho ou idoso, não significa ser inútil, incapaz e descartável
Está escrito: “O
justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano... Na velhice
ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes” (Sl.92:12-14). Isto é
possível devido os cuidados do Senhor:
“Os jovens se
cansarão e se fatigarão, e os mancebos certamente cairão, mas os que esperam no
Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águias; correrão, e não
se cansarão; caminharão, e não se fatigarão” (Is.40:30,31).
-Noé tinha seiscentos anos quando Deus
enviou o Dilúvio. Entre milhares de famílias com liderança jovem, a Bíblia
informa que Noé, embora com idade avançada foi escolhido por Deus para
coordenar a repovoação da Terra após a destruição pelo dilúvio.
“No ano
seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês,
naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas
dos céus se abriram” (Gn.7:17).
-Abraão e Sara não eram jovens quando seguiram para
a terra que o Senhor lhes mostraria - “...e era Abraão da idade de setenta e cinco anos quando
saiu de Harã”(Gn.12:4).
Sara, ou Sarai, era dez anos mais nova que Abraão. Deus esperou que ficassem
velhos para dar-lhes o filho prometido - “E era Abraão da idade de cem anos, quando lhe nasceu
Isaque seu filho” (Gn.21:5). Cumpriu-se o que, muito depois, escreveria
o Salmista: “Na velhice ainda darão frutos...”.
-Moisés disse as seguintes palavras: “A
duração de nossa vida é de setenta anos ...” (Sl.90:10). No entanto, quando
Deus o chamou para ser o libertador de seu povo, ele estava já com oitenta anos
– “E Moisés era da idade de oitenta anos... (Êx.7:7).
Moisés
necessitava de um auxiliar, mas em vez de alguém na faixa entre trinta e
quarenta anos, alguém em pleno vigor físico e mental, Deus lhe deu, como
auxiliar, o seu irmão mais velho, que estava com oitenta e três - “...e Arão da Idade de
oitenta e três anos, quando falaram a Faraó” (Êx.7:7).
Quando Deus quer
usar alguém não existe um limite de idade. Deus renova a força dos cansados - “Dá esforço ao cansado, e multiplica as
forças ao que não tem nenhum vigor” (Is.40:29).
c) os homens
justos na velhice ainda darão frutos
Embora os
velhos, ou idosos, possam ser vistos pelos homens, com um certo
preconceito, às vezes, até com desprezo, contudo, a Bíblia Sagrada afirma que
os homens justos “na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes”
(Sl.92:14). Moisés, Calebe e Arão confirmam esta verdade bíblica. Calebe, aos
oitenta e cinco anos, considerava-se em plena forma para fazer a obra de Deus,
segundo sua própria declaração (Js.14:10,11).
“E, agora, eis
que o SENHOR me conservou em vida, como disse; quarenta e cinco anos há agora,
desde que o SENHOR falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no
deserto; e, agora, eis que já hoje sou da idade de oitenta e cinco anos.
E, ainda hoje, estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual a
minha força então era, tal é agora a minha força, para a guerra, e para sair, e
para entrar”.
Muitos outros
exemplos bíblicos podem ser citados; muitos exemplos atuais, também. Existem
obreiros que já ultrapassaram a barreira dos oitenta anos, e permanecem à
frente de grandes Igrejas, como provas vivas de que homens “na velhice ainda
darão frutos, serão viçosos e florescentes”.
Outros, no
entanto, que ainda poderiam estar realizando a obra do Senhor, foram
torpedeados e descartados por obreiros jovens, e pretensiosos, que não souberam
aplicar em suas vidas aquele princípio adotado por Davi, enquanto Saul ocupava
o Trono de Israel - “Esperei
com paciência no Senhor...” (Sl.40:1).
d) os homens
justos na velhice ainda darão bons conselhos
Um dos papéis
mais importantes da terceira idade é o de promover o conselho, a orientação. A
Bíblia fala-nos da excelência de vivermos junto a conselheiros (Pv.11:14) e não
há melhores conselheiros do que os dos mais idosos.
-Roboão. Quase todo o seu reino foi perdido, porque
não quis dar ouvido aos conselhos dos mais velhos de sua corte (1Rs.12:1-15).
-Jacó, um velho, abençoador. Aos 147 anos de
idade (Gn.47:28), faz a seguinte declaração: “...o Deus, em cuja presença
andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou, desde que eu
nasci até este dia” (Gn.48:15). Em gratidão a este Deus, Jacó nos deixou o
exemplo de um homem avançado em idade, porém, um abençoador.
“pela fé,
próximo da morte, abençoou cada um dos filhos de José, e adorou encostado à
ponta do seu bordão” (Hb.11:21).
-Davi, na sua velhice, com aproximadamente
70 anos de idade, deu o seguinte conselho ao seu filho Salomão (1Rs.2:1-3):
“E
aproximaram-se os dias da morte de Davi; e deu ele ordem a Salomão, seu filho,
dizendo: Eu vou pelo caminho de toda a terra; esforça-te, pois, e sê homem. E
guarda a ordenança do Senhor teu Deus, para andares nos seus caminhos, e para
guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus
testemunhos, como está escrito na lei de Moisés; para que prosperes em tudo
quanto fizeres, e para onde quer que fores”.
Não importa sua
idade, você pode ser um instrumento de bênção para muitos. Deus quer isto de
você. Para Deus, ser velho, ou ser idoso, não significa ser inútil, incapaz e
descartável.
Certamente, a
velhice virá para todos os mortais, mas o importante é ter Deus na vida, pois,
dessa forma, poderá ser encarada com naturalidade, longe de qualquer
estereótipo.
II. PROBLEMAS NA
VELHICE DE DAVI
1. A velhice de
Davi
Mesmo na
velhice, Davi teve alguns problemas. Sua força física havia definhado, ele não
estava bem de saúde. O texto de 1Reis 1:1-4 descreve isso. Apesar de sua vida
ter sempre sido marcada por grandes batalhas, ele teve um problema consigo
mesmo. O texto de 1Reis 1:1 descreve um problema que acometia o rei Davi em sua
velhice: ele não se aquecia, ainda que se colocasse sobre ele qualquer veste -
“Sendo, pois, o rei Davi já velho e entrado em dias, cobriam-no de vestes,
porém não aquecia”.
Pelo texto,
entendemos que havia certa dificuldade para que o corpo do rei Davi estivesse
em uma temperatura adequada. Tendo em vista essa dificuldade, e baseado nos
costumes da época, buscou-se uma jovem donzela para que ficasse ao lado do rei,
a fim de que pudesse, através dela, transmitir calor do seu corpo físico ao rei
que estava enfermo. O nome da jovem era Abisaque, de Suném. Crê-se que ela
ficava bem perto de Nazaré, talvez 11 quilômetros. Diz o texto sagrado:
“Então,
disseram-lhe os seus servos: Busquem para o rei, nosso senhor, uma moça virgem,
que esteja perante o rei, e tenha cuidado dele, e durma no seu seio, para que o
rei, nosso senhor, aqueça. E buscaram por todos os termos de Israel uma moça
formosa; e acharam a Abisague, sunamita, e a trouxeram ao rei” (1Rs.1:2,3).
“...e o rei era
mui velho; e Abisague, a sunamita, servia ao rei” (1Rs.1:15).
Com
aproximadamente 70 anos de idade, Davi veio a falecer (2Sm.5:4), talvez por
causa de sua saúde debilitada, devido às grandes batalhas enfrentadas que lhes
trouxeram desgastes físicos e emocionais, e, também, muitos creem, devido aos
sofrimentos que teve que enfrentar nos últimos dias de sua vida, como a
rebelião de Absalão, que lhe causou grande impacto emocional, contribuindo
sobremaneira para definhar ainda mais a sua vida.
A Bíblia não
nega os problemas que a velhice traz, como aconteceu com Davi. Dentre eles
podemos destacar os seguintes:
No aspecto
físico. O corpo
vai sofrendo diversas mudanças, passando a padecer fraquezas.
Aparência
física. Rugas,
cabelos branqueados, perda de dentes, diminuição do tamanho, rugas, flacidez da
pele, isso pode acontecer antes dos 65 anos.
Percepção. Vai
perdendo a capacidade de ouvir bem, diminui o olfato e também a capacidade de
visão.
Movimentação. Não tem mais a mesma agilidade como
antes e passa a ter um andar mais lento.
Capacidade
sexual. Os mais
velhos não perdem o prazer de estar com alguém que amam e necessitam de contato
físico; é claro, na relação sexual, há mais dificuldade para a satisfação
plena.
Aumento
de doenças. Com a idade, pode acontecer de os mais velhos ficarem
vulneráveis a doenças, tais como: artrite, hipertensão, doenças cardíacas,
diabetes, catarata....
Autoestima. Por
vezes os mais velhos se sentem sem ânimo, coragem, não somente por causa da
idade, mas pelo desprezo que vem dos mais novos, usando conceitos e
preconceitos de que eles são idosos demais para atuarem em algo ou tomarem
certa decisão.
Questões
existenciais. Os mais velhos temem a velhice não somente por medo da
morte, mas por se preocuparem com a saúde, com a questão financeira, em não
ficar dependendo dos outros.
É importante
entender, observando a velhice de Davi, que o homem é uma criatura, que seus
dias vão chegar, e que a velhice não faz exceção, ela alcança quem quer que
seja, inclusive um rei, um missionário, um pastor…. Devemos estar preparados
para este período inevitável da nossa vida, e esperar que Deus nos dê bonança,
paz com todos e estabilidade emocional.
2. Enfrentando mais um filho rebelde
Adonias, ao que
parece, era o filho mais velho com vida (cf. 2Sm.2:22); daí considerar-se o
próximo na linha de sucessão ao trono. Amnom, Absalão e, provavelmente,
Quiliabe, haviam falecidos (2Sm.3:2-4).
O poder sempre
fascinou o homem e não seria agora que esse estigma da personalidade humana
deixaria de manifestar-se naqueles que são obcecados pelo poder e o querem a
qualquer custo. Adonias, vendo que seu pai estava doente e sem forças
aproveita-se desse instante para declarar-se rei. Ele preparou uma comitiva
majestosa e obteve o apoio de Joabe e Abiatar. O príncipe de aparência mui
formosa (1Rs.1:6) conseguiu reunir grande número de seguidores. Adonias
imaginava que não haveria qualquer entrave para o seu plano, pois fora criado
sem qualquer disciplina; o texto de 1Reis 1:6 afirma que Davi era um pai
tolerante, e Adonias um filho mimado – “e nunca o pai o tinha contrariado, dizendo: por que
o fizeste assim?” (1Rs.1:6).
Adonias vendo
que seu plano era bem arquitetado, ofereceu vários sacrifícios perto de uma
fonte chamada de Rogel, e convidou toda a corte para a festa,
exceto os servos leais a seu pai, a saber, Natã, o profeta, Benaia, e os
valentes de Davi, e a Salomão (cf. 1Rs.1:9,10). Como bem diz o pr. Osiel Gomes,
Adonias representa aqueles que querem ser líderes segundo sua própria vontade,
que exaltam a si mesmos, desprezando a vontade de Deus. Essa postura lhe
custaria a vida.
Mas, antes de
Salomão nascer, Deus havia dito a Davi que Salomão seria o próximo rei de
Israel (cf.1Cr.22:9,10). Natã desejava ver a palavra do Senhor se cumprir.
Preocupado com a ameaça de Adonias, expôs a questão a Davi.
Conforme as
instruções do profeta, Bate-Seba apresentou-se ao rei enfermo (1Rs.1:11) e
informou-o da trama de Adonias. Lembrou-o de sua promessa (não registrada nas
Escrituras) de que Salomão, seu filho, seria o próximo rei. Quando concluiu o
pedido para que Davi apresentasse Salomão publicamente como seu sucessor, Natã
chegou, e Bate-Seba se retirou. Natã repetiu as notícias sobre o plano de
Adonias de tomar o reino e perguntou o que o rei desejava fazer. Quando Davi
chamou Bate-Seba de volta à sua presença, Natã se retirou. Davi garantiu a
Bate-Seba que Salomão seria, de fato, seu sucessor. Em seguida, instruiu
Zadoque, o sacerdote, e Natã, o profeta, e Benaia, a levarem Salomão a Giom,
uma fonte do lado de fora da cidade, montado na mula do rei, e ungi-lo rei
sobre Israel.
O primeiro erro
de Adonias foi tentar antecipar um título que não lhe pertencia - “Então,
Adonias, filho de Hagite, se levantou, dizendo: Eu reinarei. E preparou carros
e cavalheiros e cinquenta homens que corressem adiante dele” (1Rs.1:5). O texto
deixa bem claro o desejo de Adonias em usurpar o trono de seu pai Davi. Ele
seguiu os mesmos passos de Absalão, seu irmão. Mas Davi tomou ciência do fato e
constituiu Salomão rei, acabando assim com a rebelião de Adonias.
O fim de Adonias
foi a morte, visto que, quando ele pede para que Bate-Seba interceda junto ao
rei a fim de que pudesse tomar Abisague como esposa, Salomão entendeu o que
estava por trás daquele pedido: o trono. Nesse caso, ele sempre iria ser uma
ameaça ao rei, por isso é sentenciado à morte. Esse é o destino de todos
quantos têm sede de poder, que, a qualquer custo, sem disciplina, honra,
respeito, contrariando a todos e a tudo, busca alcançar destaque.
3. Constituindo
Salomão como rei
Como nesta vida
tudo é passageiro, chegou o momento de Davi apresentar o seu sucessor. Ele
chama Zadoque, Natã e Benaia, e passa-lhes as necessárias instruções, seguindo
os costumes da escolha de um rei: a unção e o anúncio público. A unção de
Salomão foi feita por Zadoque com o óleo do tabernáculo, perante todo o povo.
Desta forma, Davi cumpre a vontade de Deus, quando confirma Salomão no trono:
“E, de
todos os meus filhos (porque muitos filhos me deu o Senhor), escolheu Ele o meu
filho Salomão para se assentar no trono do reino do Senhor sobre Israel. E me
disse: Teu filho Salomão, ele edificará a minha casa e os meus átrios, porque o
escolhi para filho e eu lhe serei por pai. E estabelecerei o seu reino para
sempre, se perseverar em cumprir os meus mandamentos e os meus juízos, como até
ao dia de hoje” (1Cr.28:5-7).
A unção pública
por Zadoque, o sacerdote, foi motivo de grande alegria (1Rs.1:40) para os
seguidores de Davi, mas de consternação para Adonias e todos os convidados de
sua festa. Quando estes ouviram que Salomão estava assentado no trono e que
Davi expressara gratidão a Deus por isso, perceberam que a trama de Adonias não
teria sucesso (1Rs.1:49). Este buscou asilo no tabernáculo, onde pegou nas
pontas do altar, ato que supostamente lhe concederia segurança contra qualquer
punição. Salomão decretou que o irmão seria poupado, caso se mostrasse ser um
homem de bem, mas que morreria se agisse com maldade no futuro. Depois de
pronunciar a sentença, o novo rei mandou Adonias para casa.
Salomão foi o
escolhido de Deus para dar continuidade a linhagem davídica, de onde, séculos
depois, viria o Senhor Jesus. Salomão, portanto, chegou ao trono por uma
escolha divina, e esta escolha fora feita antes mesmo de Salomão nascer, e Davi
era cônscio disso (1Cr.22:8-10).
“Eis que o filho
que te nascer será homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os
seus inimigos em redor; portanto, Salomão será o seu nome, e paz e
descanso darei a Israel nos seus dias. Este edificará casa ao meu nome; ele me
será por filho, e eu a ele por pai; e
confirmarei o
trono de seu reino sobre Israel, para sempre” (1Cr.22:9,10).
4. As palavras
de Davi a Salomão e sua morte
Davi tinha
consciência de que estava morrendo; é isto o que se constata em 1Reis 2:1-4.
Pouco antes de morrer, ele incumbiu Salomão de algumas tarefas, instou-o a ser
obediente ao Senhor e o instruiu a tomar as providencias cabíveis em relação a
certos indivíduos. Nessa hora, brotam dos seus lábios profundas palavras com as
quais aconselha seu filho Salomão:
1.E
aproximaram-se os dias da morte de Davi e deu ele ordem a Salomão, seu filho,
dizendo:
2.Eu vou pelo
caminho de toda a terra; esforça-te, pois, e sê homem.
3.E guarda a
observância do SENHOR, teu Deus, para andares nos seus caminhos e para
guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus
testemunhos, como está escrito na Lei de Moisés, para que prosperes em tudo
quanto fizeres, para onde quer que te voltares.
4.Para que o
SENHOR confirme a palavra que falou de mim, dizendo: Se teus filhos guardarem o
seu caminho, para andarem perante a minha face fielmente, com todo o seu
coração e com toda a sua alma, nunca, disse, te faltará sucessor ao trono de
Israel.
Davi tinha
consciência plena de que uma vida de santidade só era, e é possível pela
observância e obediência completa à Palavra de Deus.
Após reinar
quarenta anos, Davi faleceu e foi sepultado em Jerusalém (1Rs.2:10,11).
“E Davi dormiu
com seus pais e foi sepultado na Cidade de Davi. E foram os dias que Davi
reinou sobre Israel quarenta anos: sete anos reinou em Hebrom e em Jerusalém
reinou trinta e três anos”.
O escritor de
1Crônicas assim descreve: “E morreu numa boa velhice, cheio de dias, riquezas e
glória; e Salomão, seu filho, reinou em seu lugar” (1Cr.29:28). Quando um homem
de Deus morre, nada de Deus morre. Quando um homem de Deus morre, nenhum dos
princípios divinos morre. Em lugar algum isso é visto mais claramente do que na
vida de Davi.
Que lições
podemos aprender desse homem? Aprendemos esperança, apesar da sua humanidade;
aprendemos coragem, mesmo em meio ao seu próprio medo; aprendemos encorajamento
e louvor nas canções que brotaram em suas horas de desespero; aprendemos perdão
em seus momentos sombrios de pecado; e aprendemos o valor de servir o desígnio
de Deus em nossa geração, embora nossos sonhos, algumas vezes, não sejam
realizados.
III. O LEGADO DE
DAVI
1. O legado
político institucional
Davi foi nada
mais e nada menos do que o maior monarca na história judaica. Ele derrotou os
seus inimigos; conquistou Jerusalém e transformou-a no centro político e
religioso; consolidou as 12 tribos de Israel em uma única nação, forte e unida;
e transformou Israel em uma terra segura e próspera, que legou de herança a seu
filho, o rei Salomão.
Davi, enquanto
governou, esboçou as bases organizacionais, criou o exército, estabeleceu o
regime administrativo e firmou a unidade do povo com a capital Jerusalém,
centro da vida civil, política e religiosa de Israel. Seu reinado foi um
período marcado por muitas guerras, contudo, no final do seu reinado
encontramos as instituições de Israel bastante consolidadas:
Montou e
organizou um exército capaz de vencer grandes batalhas – havia 288 mil homens
no exército, divididos em 12 turmas de 24 mil que serviam de mês em mês, todos
os meses do ano (1Cr.27:1-15), e aparelhou a guarda real (1Cr.18:15-17).
Embora agisse
como juiz do povo de Israel (1Cr.18:14), ele organizou o sistema judiciário -
nomeara oficiais e juízes para cuidar da política externa e dos negócios da
coroa real: 1.700 oficiais e juízes foram constituídos do lado oeste do Jordão
para cuidar dos negócios do rei e dois mil e setecentos do lado leste
(1Cr.26:29-32).
Foi hábil na
organização até mesmo das minúcias do reino, como, por exemplo: 12 mordomos
responsáveis pelos tesouros (1Cr.27:25-31); 8 outros oficiais e conselheiros
(1Cr.27:32).
Enfim, Davi
entregou o governo ao seu filho Salomão em perfeita ordem com suas instituições
bastantes sólidas. Salomão, quando assume o governo, ao invés de guerrear, vai
diplomaticamente criar alianças e manter a paz, bem como finalizar algumas
obras civis iniciadas por seu pai; moderniza o exército com carros e armas, vai
fortificar as cidades e criar uma linha de praças fortes; implanta uma via
comercial que ia do Egito até a Síria.
2. O legado
religioso
Sem dúvida, o
maior legado deixado por Davi ao seu filho Salomão foi o espiritual. Este mesmo
testemunhou isso, quando o Senhor lhe apareceu em sonho em Gibeão:
“E disse
Salomão: De grande beneficência usaste tu com teu servo Davi, meu pai, como
também ele andou contigo em verdade, e em justiça, e em retidão de coração,
perante a tua face; e guardaste-lhe esta grande beneficência e lhe deste um
filho que se assentasse no seu trono, como se vê neste dia” (1Rs.3:6).
Davi, líder
justo e inteiramente devotado a seu povo, foi, acima de tudo, um homem da mais
profunda fé, responsável por abrir as portas do arrependimento para todas as
gerações futuras. Ele deixou a todos os judeus e a toda a humanidade, um legado
de fé e coragem, bem como a dinastia real de Israel da qual viria o Messias.
Escreveu 73 salmos dos 150 que fazem parte do livro de Salmos.
Ao longo de sua
vida, Davi demonstrou por diversas vezes que era dependente da orientação
divina para realização de suas conquistas e de seus planos (1Sm.23:2; 30:8;
2Sm.2:1). E ele sabia que para o seu sucessor obter êxito no seu governo era
necessária uma dependência total aos ditames da Palavra de Deus. Por isso,
antes de morrer, deu a Salomão suas últimas instruções:
“E tu, meu filho
Salomão, conhece o Deus de teu pai e serve-o com um coração perfeito e com uma
alma voluntária; porque esquadrinha o SENHOR todos os corações e entende todas
as imaginações dos pensamentos; se o buscares, será achado de ti; porém, se o deixares,
rejeitar-te-á para sempre” (1Cr.28:9).
Este texto traz
uma ordem, uma promessa e uma advertência:
- A ordem: “Tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e serve-o com um
coração perfeito e com uma alma voluntária”.
- A promessa: “Se o buscares, será achado de ti” (ou, “ele deixará achar-se por
ti”).
- A
Advertência: “Se o deixares, rejeitar-te-á para sempre”.
Isto foi
bastante instrutivo, firme e contundente, e cabia a Salomão, juntamente com
seus súditos, observar esse importante legado. E o povo de Israel não ficou
livre dessa advertência, pois antes disso Davi lembrou ao povo a guardar todos
os mandamentos do Senhor (1Cr.28:8):
“Agora, pois,
perante os olhos de todo o Israel, a congregação do SENHOR, e perante os
ouvidos do nosso Deus, guardai e buscai todos os mandamentos do SENHOR, vosso
Deus, para que possuais está boa terra e a façais herdar a vossos filhos depois
de vós, para sempre”.
E isto se
aplica, também, a nós, povo de Deus da Nova Aliança.
3. O que não
devemos aprender com Davi
Embora a Bíblia
o apresente como o grande rei de Israel, o construtor do apogeu da história
israelita, o grande guerreiro, o escolhido para fundar a dinastia de onde
proviria o Messias, o mavioso salmista de Israel, não esconde as suas falhas,
os seus vergonhosos erros. Além do compromisso com a verdade, até porque a
Palavra de Deus é a verdade (João 17:17) e a revelação de um Deus que é a
Verdade (Jr.10:10), a narrativa das falhas e erros dos grandes homens e
mulheres de Deus são, também, uma lição para os salvos, contraexemplos, ou
seja, ao vermos os erros destas personagens, aprendemos como não devemos fazer,
para que não se repitam as drásticas consequências constantes da narrativa
bíblica.
a) não devemos
ser impulsivos no aspecto conjugal
Nossos
relacionamentos sentimentais não podem ser guiados pela “paixão”, entendida está
como sendo “inclinação emocional violenta, capaz de dominar completamente a
conduta humana e afastá-la da desejável capacidade de autonomia e escolha
racional”. Na “paixão”,
a pessoa perde o controle de seus sentimentos, é “passivo”, não domina, mas é
dominado pelo seu “coração”, pela sua própria natureza.
O verdadeiro
cristão não pode ser movido por paixões, pois, como ensina o apóstolo Paulo,
“todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as
coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (1Co.6:12).
A paixão é passageira, superficial e não corresponde ao sentimento que se deve
ter em um relacionamento que tem de ser duradouro e para toda a vida, como é o
casamento. Agindo por paixão nos seus casamentos, Davi acabou por construir
relacionamentos temporários e fugazes, sendo, até por causa disto, um
contraexemplo como pai de família.
Veja o caso que
aconteceu com Abigail (esposa de Nabal); Davi afeiçoou-se a Abigail por causa
da intervenção dela em favor de seu então marido Nabal, desposando-a logo após
a sua viuvez (1Sm.26:39-42). Como se isto fosse pouco, também, não muito tempo
depois de ter se casado com Abigail, casou-se com Ainoã (1Sm.26:43), tendo, uma
vez estabelecido no reino, demonstrado toda esta inconstância ao tomar para si
mais mulheres e concubinas (2Sm.5:13).
Estas narrativas
mostram-nos que, em termos sentimentais, Davi era impulsivo, guiava-se pela
paixão, pelo desejo incontido em relação ao sexo oposto, circunstância que foi
habilmente explorada pelo adversário para que o rei cometesse o adultério com
Bate-Seba e, por causa dele, o homicídio de Urias, o heteu. Evitemos, pois,
esse erro de Davi!
b) não se deve
casar por interesse
Desde o primeiro
casamento de Davi, vemos que, com relação a este aspecto, Davi é um
contraexemplo. Ao chegar aonde estava o exército, Davi fica sabendo que o rei
Saul havia prometido dar a mão de sua filha em casamento a quem enfrentasse
Golias. Embora o motivo de sua ação contra o gigante tenha sido a indignação
causada pelo Espírito de Deus quanto às afrontas de Golias a Deus, o fato é que
o jovem Davi demonstrou grande interesse em se tornar genro do rei
(1Sm.17:25-27). A filha em questão era Merabe (1Sm.18:19), que, porém, foi dada
para casar-se com outrem, apesar de Davi ter vencido o gigante. Mas, como o
objetivo de Davi era ser genro do rei e não o amor que devotasse à mulher, não
se importou com tal fato, resolvendo casar-se com Mical, mesmo sem amá-la,
embora por ela fosse amado (1Sm.18:20-29).
Casamento por
interesse não é um casamento que agrade a Deus e o resultado foi que esta união
nunca foi salutar. Mical acabou sendo dada a Palti, quando da fuga de Davi, e
este, embora tenha tomado de volta Mical, quando se tornou rei, com ela nunca
teve um bom relacionamento.
c) o servo de
Deus nunca deve ficar ocioso na missão que lhe foi confiado pelo Senhor
Era tempo de os
reis saírem à guerra, mas Davi preferiu ficar em seu palácio, mandando que
Joabe fizesse aquilo que o rei deveria fazer (1Sm.11:1). Qual foi o resultado
dessa desocupação? O adultério com Bate-Seba e o consequente homicídio de
Urias, considerado o pecado mais lembrado de Davi.
Quando deixamos
de fazer aquilo que nos é necessário fazer, notadamente quando servimos a Deus,
armamos uma arapuca para nós mesmos. Ao ficar no palácio em vez de sair à
guerra, Davi ficou à mercê do adversário de nossas almas que, sabedor da
fraqueza de Davi para com as mulheres, armou-lhe uma astuta cilada. Não podemos
ignorar os ardis do inimigo (2Co.2:11).
d) o servo de
Deus não deve esconder as suas culpas, mas urge confessá-las ao Senhor
A tentativa de
cobertura de um pecado leva a outros. Um abismo chama outro abismo (Sl.42:7), e
o resultado desta batalha para esconder o adultério foi o homicídio de Urias,
um leal soldado, um de seus valentes (2Sm.23:39).
Não devemos
esconder as nossas faltas, mas confessá-las e deixar de pecar se quisermos ter
vitória, pois ao cobrirmos um pecado, tão somente iniciaremos um monturo de
faltas que, a seu tempo, serão reveladas para vergonha nossa e escândalo que
pode abalar a fé de outros, sobre os quais seremos responsabilizados (Mt.10:26;
18:16; Mc.4:22).
e) não se deve
desprezar a família, pois na escala de prioridade da vida do cristão ela está
em segundo lugar
A Bíblia
mostra-nos Davi como sendo um pai ausente durante toda a sua vida. Sua ausência
e seu distanciamento para com os seus filhos foi a brecha para que houvesse
tantas tragédias na família real. Amnom, o primogênito de Davi, era um jovem
mimado, que se deixou levar pela paixão pela sua meia-irmã Tamar e o levou a
cometer a loucura de violentá-la sexualmente (2Sm.13:1-22). Davi nada fez para
reprovar a conduta de seu primogênito, e Absalão acabou por assassinar o
próprio meio-irmão (2Sm.13:23-36).
A distância com
que Davi tratou o caso e como se comportou com relação a Absalão, mesmo depois
de permitir a sua volta para Israel, foi a brecha utilizada para que Absalão
costurasse a sua rebelião (assunto estudada na Aula anterior), tendo-o feito à
porta do palácio do pai, a demonstrar quão distante era Davi de seus filhos
(2Sm.15:1-6). Aliás, o fato de Absalão ter abusado publicamente das concubinas
de seu pai é um exemplo de quanto era abominado pelos filhos de Davi a sua
conduta “apaixonada” em relação às mulheres. Esta mesma distância é demonstrada
no que toca a Adonias, um filho a quem jamais Davi disse não, ou seja, um filho
criado sem qualquer disciplina (1Rs.1:6). O próprio Salomão somente desfrutou
de uma intimidade maior com seu pai nos instantes finais de vida de Davi, pois
até sua entronização necessitou de uma intervenção de Bate-Seba, que, pelo que
se verifica do texto sagrado, também já vivia num certo distanciamento do rei
(cf.1Rs.1:13-17).
f) o servo de
Deus não se deve levar pela vaidade, pelo orgulho
Devemos estar
sempre vigilantes para que não entendamos que a posição de destaque que nos for
concedida por Deus seja fruto de nossa capacidade. A Bíblia afirma que Davi,
grande em poder, se deixou levar pelo inimigo (1Cr.21:1) e quis saber sobre
quantos israelitas estava sob o seu domínio, sem que, para tanto, fizesse
qualquer expiação a Deus, mediante a oferta à tenda da congregação, como
mandava a lei (Ex.30:11-16). Contudo, aqui se vê, mais uma vez, a humildade de
espírito de Davi que se arrependeu de ter determinado a contagem,
arrependimento genuíno, vindo do interior do rei (2Sm.24:10), e que se traduziu
num gesto público de humilhação, com a compra da eira de Ornã, o jebuseu, e a
oferta de sacrifício ao Senhor para aplacar a Sua ira, no local onde, aliás,
mais tarde seria construído o Templo (1Cr.21:18-30).
Portanto, a
arrogância, a vaidade, é fatal para o servo de Deus. Se é verdade que o inimigo
procura derrubar aqueles que Deus exalta, não é menos verdadeiro que também
busca exaltar o homem acima da posição que Deus lhe confiou, pois, em assim
fazendo, a queda será inevitável. Veja o exemplo de Saul. Que o Senhor nos
guarde e que nos dê um coração segundo a sua vontade!
CONCLUSÃO
O legado de Davi para a história bíblica e universal e, particularmente, para a Igreja atual, é muito importante, pois nele está materializada a história de Israel, bem como uma marcante experiência espiritual. Apesar dos seus maus e reprováveis procedimentos, que a Bíblia não omite por ser ela imparcial, tinha o propósito de amar ao Senhor, buscá-lo e consultá-lo em oração, adorá-lo e sempre fazer sua vontade. Por isso, o seu reinado em Israel tornou-se forte e estável.
Que Deus
abençoe, sobremaneira, a todos que me acompanharam nesta empreitada! Que o
Senhor conceda a todos um feliz 2020, com muita saúde física, emocional,
relacional e espiritual! E até o próximo trimestre letivo, quando estudaremos
sobre o seguinte Tema: “A raça humana –
Origem, Queda e Redenção”. Até lá, então, se Deus quiser!


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