sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O MENINO JESUS - NASCEU

 


O MENINO JESUS - NASCEU

 

Este é um tema maravilhoso para estudo, pois o nascimento e a infância de Jesus não são apenas histórias "bonitinhas" de Natal, mas o cumprimento de profecias milenares e o início do plano de redenção da humanidade.

Para este estudo, dividiremos o conteúdo em três pilares: as profecias, os eventos do nascimento e os silêncios da infância.

1. O Pano de Fundo: Promessas e Profecias

Antes de Jesus nascer, o Antigo Testamento já traçava o "DNA" do Messias. O nascimento não foi um improviso, mas um cumprimento rigoroso da Palavra de Deus.

  • A Linhagem: Ele deveria ser da tribo de Judá e da descendência de Davi (2 Samuel 7:12-13).
  • O Local: Profetizado que seria em Belém (Miqueias 5:2).
  • A Natureza: Nasceria de uma virgem (Isaías 7:14).

2. O Nascimento: Humildade e Glória

Os relatos de Mateus (focado no cumprimento legal e na realeza) e Lucas (focado na humanidade e nos detalhes históricos) se completam.

Os Personagens Principais

  • Maria e José: Exemplos de obediência e renúncia. Maria aceitou o impossível; José protegeu a reputação e a vida da família.
  • Os Pastores: Representam os humildes. Foram os primeiros a receber o anúncio angelical (Lucas 2:8-12).
  • Os Magos: Representam as nações. Eles reconheceram a realeza de Jesus e trouxeram ouro (rei), incenso (divindade/sacerdote) e mirra (sofrimento/morte).

 

3. Rituais e Infância: O Menino sob a Lei

Jesus não cresceu "fora" da cultura de seu povo. Ele viveu plenamente como um judeu fiel.

  • Circuncisão e Apresentação: Aos oito dias, Ele foi circuncidado. No Templo, Simeão e Ana o reconheceram como a "Luz para os gentios" e a "Consolação de Israel" (Lucas 2:25-38).
  • Fuga para o Egito: A perseguição de Herodes mostra que, desde o berço, o Reino de Deus sofre oposição do reino dos homens (Mateus 2:13-15).
  • O Retorno a Nazaré: Jesus cresceu em uma cidade simples e desprezada, trabalhando provavelmente como carpinteiro (tekton) com José.

4. O Incidente no Templo (Aos 12 Anos)

Este é o único registro bíblico da transição entre a infância e a fase adulta de Jesus (Lucas 2:41-52).

  • A Consciência da Missão: Quando Ele diz: "Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?", Ele revela que já compreendia Sua identidade divina.
  • O Crescimento Integral: O versículo 52 é a chave para entender Sua humanidade: "E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens".

 

Tabela de Comparação: Mateus vs. Lucas

Aspecto

Evangelho de Mateus

Evangelho de Lucas

Foco

Jesus como Rei (Messias Judeu)

Jesus como Homem (Salvador Universal)

Genealogia

Começa em Abraão (Linhagem Real)

Começa em Adão (Linhagem Humana)

Anúncio

Anjo aparece a José

Anjo aparece a Maria

Visitantes

Magos do Oriente

Pastores de ovelhas

REFLEXÃO

O estudo do nascimento de Jesus nos ensina que Deus utiliza o comum (uma manjedoura, uma família simples) para realizar o extraordinário. A infância de Jesus nos mostra que Ele santificou todas as fases da vida humana, inclusive o crescimento silencioso e a obediência aos pais.

Como podemos aplicar isso hoje?

  1. Confiança nas Promessas: Assim como cada detalhe profético se cumpriu, as promessas de Deus para sua vida permanecem firmes.
  2. Valorização do Ordinário: Jesus passou cerca de 30 anos no anonimato antes de seu ministério público. O tempo de preparação é tão sagrado quanto o tempo da colheita.

 

Falar sobre o menino Jesus é olhar para o momento em que a divindade se vestiu de simplicidade. A Bíblia não gasta muitas páginas com curiosidades sobre sua infância, mas o que ela revela é profundo: Jesus não "pulou" etapas; Ele viveu a experiência humana de forma completa e perfeita.

Aqui estão os pontos principais para entender quem foi o menino Jesus:

1. Um Menino de Verdade (Humanidade Real)

Diferente do que dizem alguns livros antigos que não estão na Bíblia (apócrifos), Jesus não era uma criança "mágica" que fazia passarinhos de barro voarem. A Bíblia enfatiza que Ele era um menino real:

  • Crescimento Normal: Ele sentia fome, cansaço e precisava aprender a falar e andar.
  • O Versículo Chave: Lucas 2:52 resume tudo: "E crescia Jesus em sabedoria (intelecto), em estatura (físico) e em graça (espiritual/social) diante de Deus e dos homens".

2. A Vida em Nazaré: O "Silêncio" Preparatório

Jesus passou a maior parte de sua infância e juventude em Nazaré, uma vila pequena e sem importância na época.

  • O Ofício: Ele era conhecido como "o filho do carpinteiro" (Mateus 13:55). Provavelmente passou anos ajudando José na oficina, lidando com madeira, pedras e ferramentas. Isso nos ensina que o trabalho comum é digno e sagrado.
  • A Educação: Como todo menino judeu, Ele frequentava a sinagoga e aprendeu a ler as Escrituras. Sua sabedoria não era apenas divina, mas fruto de uma vida de oração e estudo da Palavra.

3. O "Pequeno Mestre" no Templo (Aos 12 Anos)



O único relato detalhado da infância de Jesus acontece quando Ele vai a Jerusalém para a Páscoa (Lucas 2:41-52).

  • A Autonomia: Ele fica para trás no Templo sem que os pais saibam. Quando o encontram, Ele está sentado entre os doutores da lei, não apenas ouvindo, mas fazendo perguntas que os deixavam admirados.
  • A Identidade: É aqui que Ele diz suas primeiras palavras registradas: "Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?". Mesmo sendo criança, Ele já tinha plena consciência de que Deus era Seu Pai de uma forma única.
  • A Obediência: Apesar de sua consciência divina, o texto diz que Ele voltou com Maria e José e "era-lhes submisso". Ele honrou Seus pais terrenos perfeitamente.

4. O Menino Refugiado

A infância de Jesus também foi marcada pelo sofrimento. Pouco depois de nascer, Ele se tornou um refugiado no Egito para escapar do decreto de morte do Rei Herodes. Isso mostra que, desde o berço, Ele se identificou com os perseguidos e marginalizados da terra.

 

O que o "Menino Jesus" nos ensina hoje?

  • Deus valoriza a infância: Ao escolher vir como um bebê, Deus dignificou cada fase da vida humana.
  • O valor do anonimato: Jesus não teve pressa para aparecer. Ele passou 30 anos "escondido" em uma vida simples antes de começar seu ministério de 3 anos.
  • Equilíbrio: O crescimento de Jesus foi integral — mente, corpo, espírito e relacionamentos.

 

A INFÂNCIA DE JESUS

Texto Bíblico: Lucas 2:46-49; 3:21,22

 “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens” (Lc 2:52).

 INTRODUÇÃO

Uma das maiores prova de que Jesus Se humanizou é a Sua infância e adolescência, que, apesar de pouco mencionadas nas Escrituras, mostram-nos claramente que Jesus Se fez homem, semelhante a qualquer um de nós. A Bíblia pouco diz sobre a infância de Jesus, que vai de zero aos doze anos de idade, mas é o suficiente para mostrar que Jesus teve uma infância como qualquer ser humano. Fora da Bíblia, nada é confiável quando se fala sobre essa fase de vida de Jesus, haja vista que sua vida transcorreu normalmente como qualquer ser humano de vida simples e sem notoriedade. Os fatos que demonstraram a sua natureza divina, Maria guardava-os em seu coração (Lc 2:19).

I. FASES DA INFÂNCIA DE JESUS 

Jesus, ao se humanizar, submeteu-se a todas as fases do desenvolvimento humano. Ao contrário de Adão, que não teve infância, que já foi criado adulto, Jesus, segundo a promessa de Deus, deveria ser “nascido de mulher” e, portanto, haveria de passar por todas as fases de desenvolvimento humano que os descendentes de Eva, “mãe de todos os viventes”, se submeteriam, entre os quais a própria concepção (Gn.3:16). 

1. Jesus, o Menino Deus-HomemNa descrição bíblica do nascimento de Jesus, vemos estampadas sua divindade e humanidade. Jesus nasceu como qualquer outro ser humano. Sua mãe deu à luz a ele em uma estrebaria, pois o casal não havia encontrado lugar nas estalagens de Belém, que se encontrava lotada por causa do recenseamento, tendo, após o nascimento, envolto o menino em panos e o posto em uma manjedoura (Lc 2:7). Estas circunstâncias mostram-nos claramente que Jesus nasceu como um pequenino bebê, que carecia de calor dos panos e do estrito cuidado e carinho da sua mãe. Era um bebê como qualquer outro, um ser humano. 

Conquanto fosse um ser humano a sua deidade não pudera ser dele retirada, e, por isso, anjos vieram louvar seu nascimento. Este bebê não deixou de ser Deus, mas se despira de toda a sua glória, para nascer de mulher, para nascer sob a lei (Gl 4:4). Daí deve-se refutar toda narrativa fantasiosa que apresente um Jesus que nasceu e, de forma miraculosa, já se apresentou, ainda recém-nascido, como um “super-homem”, como um “ser especial”. 

Precisamos ter cuidado com os falaciosos evangelhos da infância” ou “evangelhos da natividade”, escritos não inspirados que surgiram ao longo dos primeiros séculos da igreja cristã, os quais tendem “aumentar” o caráter miraculoso do nascimento de Jesus, “acrescentando” dados fantasiosos e sobrenaturais a este episódio; algo, aliás, que costumamos ver, lamentavelmente, em “testemunhos” contados por alguns em nossos púlpitos. 

Estes escritos são puras invencionices, fruto da imaginação de pessoas que não tinham e nem tem qualquer compromisso com a verdade. Não passam de fábulas artificialmente compostas (2Pedro 1:16), que querem causar “impacto” nos leitores e ouvintes, como se isso fosse necessário para gerar temor e tremor diante de Deus ou para assegurar a dupla natureza de Jesus e seu caráter singular diante de todos os homens. São mentiras que foram rechaçadas pelos cristãos do tempo em que foram divulgadas e espalhadas e que, hoje, por força da operação do erro, do espírito do anticristo, renascem das tumbas para onde haviam sido lançadas pelos crentes primitivos, a fim de fazer com que os que rejeitam o Evangelho sejam cada vez mais enganados e iludidos (2Ts 2:7-12). 

Assim, por exemplo, o chamado “protoevangelho de Tiago” ou “livro de Santiago” diz que Jesus nasceu em uma gruta, depois de uma luminosidade intensa, ocasião em que teria, de imediato, se pegado ao peito de sua mãe, que, aliás, teria se mantido virgem. Bem se vê que é neste escrito que se construiu a tese do “nascimento virginal de Cristo”, ou seja, de que Maria se manteve virgem mesmo tendo dado à luz a Jesus, o que é totalmente contrário ao que nos ensinam as Escrituras que não só não diz que Maria tenha se mantido virgem (Mt 1:25), como que Maria teve outros filhos além de Jesus. Como se não bastasse, este livro conta que Jesus teria curado, ainda na gruta, uma mulher que não havia crido que Maria tivesse se mantido virgem, o que é um perfeito absurdo, pois, então, Jesus teria usado da sua divindade, logo no limiar da sua existência, contrariando, deste modo, toda a “kenosis (*), absolutamente necessária para nos abrir a porta da graça. 

O chamado “evangelho árabe da infância”, também, diz que, ainda no berço (que berço?), Jesus teria dito a Maria: “Eu sou Jesus, o filho de Deus, o Verbo, a quem tu deste à luz de acordo com o anunciado pelo anjo Gabriel. Meu Pai me enviou para a salvação do mundo”. Teria, também, ainda dentro da “gruta”, curado uma mulher de paralisia. Tal narrativa fantasiosa deve ter sido a fonte de inspiração de Maomé no Alcorão, onde Jesus, também, é apresentado como tendo falado logo após seu nascimento, dando conta de que era “Profeta de Alá”. 

Todos estes relatos são absurdos, porque jamais Jesus deixaria a sua condição de homem e assumiria a de Deus, negando, assim, toda a sua obra. Muito pelo contrário, a Bíblia nos revela que Jesus cumpriu toda a obra que o Pai lhe havia dado a fazer (João 17:4). 

2. A circuncisão de Jesus (Lc.2:21-24). De acordo com as prescrições da lei, a circuncisão de Jesus ocorreu no oitavo dia após o nascimento. A circuncisão de Jesus é o primeiro ato que demonstra que Jesus nasceu sob a lei (Gl 4:4), que deveria cumprir integralmente a lei de Moisés (Mt 5:17). A circuncisão simboliza a separação dos judeus dos gentios e seu relacionamento singular com Deus.  Obedecendo as instruções do anjo, José e Maria deram ao menino o nome de Jesus, que significa “o Senhor é Salvação” ou “Jeová é o Salvador”. 

É interessante observar que a narrativa de Lucas mostra um menino Jesus totalmente indefeso, dependente, como toda criança recém-nascida. Em toda a narrativa, Jesus não pratica qualquer ação, é sempre o objeto das ações dos outros homens: foi envolto em panos, deitado na manjedoura, visto pelos pastores, foi circuncidado e dado a ele o nome. Isto é uma demonstração de que Jesus, assim como qualquer outro recém-nascido, como qualquer outro neonato, dependia inteiramente de seus pais. 

3. O Menino Jesus é apresentado no Templo para resgate da Primogenitura, conforme a Lei (Lc 2:22-24). Depois dos dias de purificação, ainda de acordo com a lei, Jesus foi apresentado no Templo. O filho Primogênito era apresentado a Deus um mês após o nascimento. A cerimônia incluía o resgate da criança para Deus por meio de uma oferta. Deste modo, os pais reconheciam que o filho pertencia a Deus, o único com poder de dar a vida. 

A apresentação do menino Jesus segue-se do fato de que todo primogênito [lit. “que abre a madre”] (isto é, o filho primogênito da mãe, não necessariamente do pai) ao Senhor será consagrado (a citação de Lucas não é literal, mas dá o sentido de várias passagens: Êx 13:12,15; Nm 18:15,16). Embora Lucas não mencione o fato, sem dúvida os cinco siclos usuais foram pagos para redimir o primogênito (Nm 18:16). 

4. O Menino Jesus foi levado ao templo com seus pais, a fim de que se fizesse o sacrifício relacionado à purificação de sua mãe (Lc 2:22). Segundo Leon L. Morris, “a presença da criança não era necessária, mas era natural quando os pais estavam suficientemente perto de Jerusalém”. A lei levítica estipulava que, depois do nascimento de um filho, uma mulher ficaria impura durante os sete dias até a circuncisão do menino, e que, por mais trinta e três dias, devia manter-se afastada de todas as coisas sagradas (para uma filha, o tempo era dobrado – Lv 12:1-5). Na ocasião, devia sacrificar um cordeiro e um pombo (macho ou fêmea, Lv 12:6-8) como oferta pelos pecados. O sacerdote sacrificava estes animais e declarava a mulher purificada. Se um cordeiro fosse muito caro para a família, os pais poderiam ofertar dois pombos (macho ou fêmea). Isto foi o que Maria e José fizeram (Lc 2:24), numa demonstração de que José e Maria eram pobres. 

Tem-se aqui outra prova de que o parto de Jesus foi normal, porque só nestes casos é que havia a necessidade do sacrifício da purificação que, pela tradição judaica, é dispensado em outros casos, como o da cesariana, como se encontra no Talmude. 

Vemos, portanto, que Jesus nascia em uma família humilde, pobre, de modo que a pobreza de que nos fala o apóstolo em relação à pessoa de Jesus (2Co 8:9), não envolve apenas a questão da “kenosis”, mas também abrange a própria condição econômico-financeira da “sagrada família”. Ao contrário do que apregoam os “teólogos da prosperidade”, Jesus não nasceu rico, mas, sim, bem humilde, tanto que seus pais ofereceram o mínimo previsto na lei para a purificação de Maria. 



5. O Menino Jesus, ao entrar pela primeira vez no Templo, é identificado pelo Espírito Santo como o Messias (Lc 2:26,27). Quando o menino Jesus entrava, pela primeira vez, no Templo de Jerusalém, eram apresentadas tanto a sua humanidade quanto a sua deidade. Ao entrar no Templo, o Espírito Santo usou Simeão para apresentar aquela criança como sendo o Messias, o Salvador do mundo, o Verbo que se fez carneSimeão louvou a Deus cantando (Lc 2:25-35). Esse cântico muito conhecido é chamado em latim de Nunc dimittis, que significa “agora despede”. 

Ao mesmo tempo em que Simeão tomava o menino nos seus braços, indicando tratar-se de uma criança recém-nascida, era chamado pelo sacerdote de a Tua salvação preparada”, “luz para alumiar as nações e para glória de Teu povo Israel(Lc 2:30-32). Enquanto dizia já poder morrer em paz, porque já vira a salvação de Deus para o seu povo, também abençoava o menino e o casal, a indicar, pois, como Jesus é homem e é Deus simultaneamente. Como Messias, traria elevação e queda de muitos em Israel; como homem, provocaria grande tristeza em Sua mãe quando de Sua morte (Lc 2:35). 

Mas não foi apenas Simeão que viu aquele pequenino como o Salvador do mundo, uma visão que corresponde à dos pastores de Belém, mas também Jesus foi revelado como o Messias à profetisa Ana, da tribo de Aser, a demonstrar que Jesus estava vindo para toda a nação de Israel, para todos, homens e mulheres. Àquela viúva, idosa, mas que não se afastava do templo, o Espírito Santo também revelou quem era aquela criança e, assim como os pastores, Ana não pôde se calar e a todos divulgava a boa-nova, o Evangelho (Lc 2:36-38), o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1:16).

Estes episódios narrados por Lucas mostram-nos com grande clareza que Jesus, na aparência, era uma criança como qualquer outra, sem nada que O pudesse distinguir dos demais e que apenas pelo Espírito Santo poderia ser identificado como o Messias, identificações que foram feitas com o propósito de nos fazer compreender que, embora humanizadoJesus jamais perdeu a sua deidade. 

6. Cumpridos os ritos da lei, José e Maria passaram a residir em Belém de Judá (Mt 2:16). Mateus 2:11 registra o casal e o menino em uma casa, quando foram visitados pelos magos do Oriente, em Belém (Mt 2:16). Isto nos permite observar, pois, que as famosas cenas dos presépios, onde vemos a “sagrada família” recebendo a visita dos magos ainda na estrebaria não corresponde à realidade do texto bíblico. O presépio, aliás, foi uma criação de Francisco de Assis que, no século XIII, quis retratar o nascimento de Jesus de forma a realçar a sua pobreza, um de seus principais lemas que o levou a fundar a ordem religiosa dos franciscanos. Assim, acabou adotando a gruta dos escritos apócrifos e incluindo os magos, o que, porém, não tem respaldo das Escrituras.

 


7. O Menino Jesus é visitado pelos magos do Oriente (Mt 2:11). Tendo os magos visto a “estrela” no dia do nascimento de Jesus e até interpretarem o que isto significava e, por fim, resolvido viajar até Jerusalém para adorarem o “rei dos judeus”, decorreu um bom período, período este que é inferior a dois anos, diante da deliberação de Herodes de matar a todas as crianças de dois anos para baixo que haviam nascido em Belém. 

Os magos foram procurar o “rei dos judeus” em Jerusalém (Mt 2:1,2), mas acabaram encontrando o menino em Belém, em uma casa, prova de que o casal se instalara naquela cidade, pelo menos neste período de menos de dois anos após o nascimento de Jesus. Nada havia de especial no menino, como se pode perceber, tanto que preciso foi que a “estrela” os guiasse, depois que sua sabedoria humana os conduzira, equivocadamente, a Jerusalém. 

8. O Menino Jesus recebe presentes (Mt 2:11) – “...e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra”. 

Ao encontrarem o Menino, os magos O adoraram, apesar de ser um simples menino, tendo, ainda, trazido ofertas para a criança, de ouro, incenso e mirra, dádivas que simbolizavam o tríplice ministério de Jesus: de rei (ouro), sacerdote (incenso) e profeta (mirra), vez que o ouro representa a realeza, o incenso, que era usado pelos sacerdotes como parte acompanhante dos sacrifícios e, por fim, a mirra, resina de planta do mesmo nome de aroma agradável e gosto amargo, com propriedades adstringentes (isto é, que provocam constrição, compressão, em termos figurados, arrependimento) e antissépticas (isto é, que impedem a contaminação, que cura, que mata os germens, em termos figurados, o pecado), características que acompanham sempre aquele que é porta-voz do Senhor. 

9. A fuga do Menino Jesus para o Egito (Mt 2:13-15). Ante a revelação divina aos magos para que não dissessem a Herodes onde estava o menino, antes que houvesse a matança dos inocentes em Belém, José e Maria foram avisados para descerem ao Egito, o que lhes foi possível porque, com as dádivas recebidas pelos magos, tinham condições para se estabelecer naquela terra estranha, onde, afinal de contas, havia uma grande colônia judaica. A Bíblia não nos diz onde Jesus esteve no Egito, mas os cristãos coptas (como são conhecidos os cristãos do Egito, Etiópia e Eritréia, países do Norte da África), não sem muitas superstições, mantêm locais considerados como tendo sido visitados e habitados pela “sagrada família”, que, hoje, faz parte da chamada “Rota Sagrada”, um dos itinerários turísticos oficiais do governo do Egito. 

10. O Menino Jesus retorna do Egito (Mt 2:21). Jesus esteve no Egito até a morte de Herodes, quando José e Maria, novamente por revelação divina, deixaram o Egito e foram morar em Nazaré, já que José temeu retornar a Judéia, vez que ali reinava Arquelau, filho de Herodes (Mt 2:22), enquanto que, na Galileia, onde ficava Nazaré, o governante era Herodes Antipas, o mesmo que foi, certa feita, chamado de “raposa” por Jesus (Lc 13:32), que, apesar de também ser filho de Herodes, era pessoa de menor crueldade e menos apegado aos valores judaicos. 

A situação simples em que vivia a “sagrada família” obrigou-a voltar a morar em Nazaré, local completamente ignorado, mesmo na Galileia, alvo de todo tipo de preconceito (João 1:46). Quão diferente é a Bíblia das fantasias trazidas pelos “teólogos da prosperidade”. 

Nazaré era localidade que nem sequer foi objeto de menção no Antigo Testamento, nem mesmo quando houve a divisão da terra, também não tendo sido mencionada nenhuma vez por Flávio Josefo, apesar de ele ter sido governador da Galileia. Vemos, assim, que, tanto antes, quanto depois da passagem de Jesus por este mundo, Nazaré foi sempre aviltada e desprezada enquanto lugar. Por causa disto, alguns estudiosos chegam a pensar que Nazaré seria uma aglomeração urbana irregular, uma espécie de ajuntamento de pessoas desqualificadas ou marginalizadas na sociedade, algo como os “favelões” das metrópoles atuais. Foi nesta localidade obscura que José e Maria foram habitar, levando consigo Jesus e os filhos que já haviam nascido do casal. 

11. Na Pré-Adolescência, Jesus fora levado ao Templo a fim de assumir a sua responsabilidade perante a Lei (Lc 2:41-49). Era a festa da Páscoa, a primeira das 21 Páscoas em que Jesus cumpriria seu dever de se apresentar perante o Senhor no templo. 

O fato de Lucas registrar a ida de Jesus ao Templo em Jerusalém, aos 12 anos, demonstra a seriedade dos pais em seguir os costumes da religião judaica. Antes de completar 13 anos, todo menino judeu devia ir a Jerusalém para receber oficialmente o título de “filho da lei”, significando que se tornara um menino adulto da comunidade religiosa de Israel. 

Na condição de "filho da lei", Ele foi encontrado por seus pais depois que voltaram a Jerusalém para procurá-lo. Nessa condição, Jesus pôde assentar-se com os mestres da lei, ouvindo-os e interrogando-os. Destacam-se também a inteligência de Jesus ao responder as indagações dos mestres da lei, o que provocava admiração em todos os presentes, e a resposta que Jesus deu a Maria, sua mãe, diante da preocupação demonstrada por não o terem encontrado durante a viagem. Jesus contrastou de uma maneira bem interessante a expressão "teu pai" (Lc 2:48), que Maria usou referindo-se a José, com a que Ele usou para referir-se a Deus, "meu Pai" (2:49). Ao ser repreendido pelos seus pais, que O encontram três dias depois no templo, o adolescente Jesus mostra ter esta consciência quando diz a Maria: “… não sabeis que Me convém tratar dos negócios de Meu Pai?(Lc 2:49). Não era, porém, o momento para iniciar esta obra, o que se daria apenas quando tivesse trinta anos de idade, ou seja, dezoito anos depois. 

Em Lucas 2:48-50 fica patente que Jesus, mesmo tendo apenas 12 anos, tinha consciência da sua relação especial com Deus, o seu verdadeiro Pai, o Pai Celeste, embora esse fato não fosse claramente entendido por Maria e José.

12.  A submissão do Menino Jesus aos seus pais terrenos (Lc 2:51,52). Após esta demonstração de plenitude de consciência de sua condição de Filho de Deus, que faz o adolescente Jesus? Desce com seus pais para Nazaré, onde permanece sujeito a eles (Lc 2:51), ou seja, obediente e reverente a seus pais, como todo adolescente de seu tempo, como mandava a lei de Moisés, perante a qual assumira a responsabilidade quando fora a Jerusalém. Em Lucas 2:51 encontramos a última referência a José no Novo Testamento. Nas bodas de Caná da Galileia, ele não estava presente (João 2). Talvez já houvesse falecido. 

A sujeição de Jesus a seus pais terrenos foi uma característica predominante em sua infância e, na vida adulta, obedeceu aos pais em tudo. Isto serve de exemplo para as crianças nessa faixa etária. Em nossos dias, muitas crianças crescem em lares onde a obediência não foi nem ensinada nem cobrada, gerando uma rebeldia que se estende até a vida adulta. 

A obediência dos filhos é tão importante que é um pré-requisito para que uma pessoa possa ser ordenada ao santo ministério: que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará da igreja de Deus?(1Tm 3:4,5). 

Da infância até a crucificação, Jesus foi submisso ao Pai Eterno e aos seus pais mortais, deixando-nos um memorável exemplo, a fim de que cuidemos de nosso pai e mãe e a eles sejamos obedientes em tudo. Se o próprio Filho de Deus foi sujeito aos seus pais humanos, porque nós, algumas vezes, os desobedecemos? "Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo" (Ef 6:1). 

A partir daí, a Bíblia quase nada mais nos revela a respeito da adolescência de Jesus. Sabemos, apenas, por inferência, que, durante esses anos, Jesus exerceu o mesmo ofício de seu pai, ou seja, o de carpinteiro, em Nazaré, pois é chamado de carpinteiro e filho do carpinteiro pelos nazaritas, quando lá retorna, já quando iniciado o seu ministério público (Mt 13:55; Mc 6:3). Vemos, portanto, que, na adolescência, Jesus aprendeu o ofício de seu pai e o exerceu, em mais uma demonstração de que a “sagrada família” vivia a “porção acostumada de Agur” (Pv 30:8), dependendo do trabalho para a sua sobrevivência.

 

II. O CRESCIMENTO DE JESUS 

Em toda a sua humanidade, Jesus era um “menino”, que “crescia”. Estava submetido ao processo de desenvolvimento como todo indivíduo, porque realmente se fez carne e, em virtude disto, necessitava crescer tanto física quanto psíquica e espiritualmente. Crescia em sabedoria, conforme a graça de Deus. Era perfeito quanto à natureza humana, prosseguindo para a maturidade, segundo a vontade de Deus, plenamente consciente de que Deus era seu Pai (Lc 2:49). 

1. Jesus cresceu fisicamente“E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele(Lc 2:40). Jesus passou pelas mesmas fases de desenvolvimento físico, aprendendo a andar, falar, brincar e trabalhar. Por causa disso ele pode identificar-se conosco em cada fase do nosso crescimento. 

2. Jesus cresceu socialmente. “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens(Lc 2:52). Aqui vemos a verdadeira humanidade e o crescimento normal do Senhor Jesus: (a) Crescimento mental: crescia Jesus em sabedoria; (b) Crescimento físico: estatura; (c) Crescimento espiritual: e graça, diante de Deus; (d) Crescimento social: e dos homens. Jesus era perfeito em todo aspecto do seu crescimento. 

A narrativa de Lucas passa silenciosamente por cima dos dezoito anos que o Senhor Jesus passou em Nazaré como Filho de um carpinteiro. Esses anos nos ensinam a importância de preparação e treinamento, a necessidade de paciência e o valor do trabalho diário. Eles advertem contra a tentação de pular do nascimento espiritual ao ministério público. Espiritualmente falando, os que não têm infância e adolescência normal atraem desastre na sua vida e no seu testemunho posteriores. 

3. Jesus cresceu psicologicamente.  E crescia Jesus em sabedoria...” (Lc 2:52). Aqui, Lucas informa que Jesus crescia em sabedoria. Segundo o pr. José Gonçalves, “crescer em sabedoria é crescer em conhecimento. É desenvolver-se intelectual e mentalmente”. Jesus não apenas aprendeu o ABC, assimilou os conhecimentos da vivência humana do dia a dia, os números e todo o conhecimento geral daqueles dias, mas cresceu em sabedoria, isto é, na aplicação prática desse conhecimento aos problemas da vida. Ele “encheu-se de sabedoria” (Lc 2:40). 

4. Jesus cresceu espiritualmente.  “… crescia, e se fortalecia em espírito...” (Lc 2:39). Jesus passara a infância crescendo e se fortalecendo em espírito, enchendo-se de sabedoria, tendo sobre si a graça de Deus. A graça de Deus estava sobre ele. Jesus andava em comunhão com Deus e na dependência do Espírito Santo. Ele estudava a Bíblia, passava tempo em oração e se alegrava em fazer a vontade do Pai. 

Seu crescimento e fortalecimento, diz-nos o texto bíblico, era “em espírito”. O crescimento de Jesus se dava na comunhão com o Senhor. O espírito faz a ligação entre Deus e o homem, e Jesus crescia, enquanto homem, neste quesito, até, quando se tornou responsável diretamente diante de Deus, segundo a lei, a iniciar a tratar dos negócios de seu Pai (Lc 2:49).

O fato de a Bíblia dizer que o menino crescia e se fortalecia, é a prova de que a plenitude do Espírito Santo não estava ainda sobre o menino ou o adolescente Jesus. Tinha Ele tido a consciência do bem e do mal, escolhendo o bem, o que proporcionou o início do seu progresso espiritual, mas, de modo algum, pode-se admitir um Jesus milagreiro, como o apresentado pelos “evangelhos da infância”. Nem no Egito, nem em Nazaré, Jesus fez qualquer milagre, pois ainda não era chegada a hora. 

Se Jesus, sendo Deus, enquanto homem necessitava crescer e se fortalecer em espírito, que diremos de nós? Não se pode exigir de um ser humano que atinja de imediato a plenitude espiritual. Muito pelo contrário, a Bíblia é repleta de textos que nos indicam a necessidade de crescermos na graça e no conhecimento de Jesus (2Pedro 3:18), de nos aperfeiçoarmos continuadamente (Ef.4:11-14). 

5.  O Menino Jesus crescia em “graça para com Deus e os homens” (Lc 2:52). Além de ser “cheio de sabedoria”, o menino Jesus tinha a “graça de Deus sobre Ele”. Enquanto Deus, o Verbo era cheio de graça e de verdade. Enquanto homem, Jesus precisava que a “graça de Deus” estivesse sobre Ele. 

Se Jesus, sem pecado, tendo optado pelo bem e rejeitado o mal, necessitava que a graça de Deus estivesse sobre Ele, que diremos de nós? Nunca devemos nos esquecer de que a graça de Deus está sobre nós e que, por isso, podemos chegar à glorificação, por este motivo temos a vida eterna. É tudo pela graça, que se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens (Tt 2:11), graça esta que nos ensina a abandonar o mundo, a rejeitar o mal, assim como fez o menino Jesus assim que adquiriu consciência (Tt 2:12). 


CONCLUSÃO 

O limitado relato bíblico que temos a respeito da infância de Jesus é plenamente suficiente para a compreensão da sua vida. Ele é o modelo de criança que devemos ter em nossos lares, em nossas igrejas locais, em nossa sociedade. As crianças devem ser educadas a crescer, a se fortalecer em espírito, a se encherem de sabedoria, a terem sobre si a graça de Deus. Ao adquirirem a consciência, perdendo a inocência, devem ser ensinadas a rejeitar o mal, devem ser estimuladas e incentivadas a seguir o bem, a terem comunhão com Deus. Para tanto, precisam ser apresentadas a Jesus, o autor e consumador de nossa fé, para que, Nele e com Ele, venham a crescer, fortalecer-se em espírito, encher-se de sabedoria e ter a graça de Deus sobre si. Temos levado este ensino, esta instrução às nossas crianças?

 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

AGEU - COMPROMISSO E ALIANÇA

 



AGEU - COMPROMISSO E ALIANÇA

O livro de Ageu é uma das mensagens mais diretas e práticas do Antigo Testamento. Ele foca na reconstrução do Segundo Templo em Jerusalém após o exílio na Babilônia e destaca a importância de colocar Deus no centro das prioridades da vida.

Aqui está uma análise sobre o compromisso e a aliança presentes nessa passagem:

1. O Contexto: Prioridades Invertidas

Quando os judeus retornaram do exílio, eles começaram a reconstruir o templo, mas pararam devido à oposição e ao desânimo. Passaram-se 16 anos, e as pessoas focaram em construir suas próprias casas luxuosas ("casas apaineladas") enquanto a Casa de Deus permanecia em ruínas.

O profeta Ageu traz uma advertência severa: "Considerai os vossos caminhos" (Ageu 1:5). Ele mostra que a escassez que o povo enfrentava na agricultura e nas finanças era resultado direto de terem quebrado o compromisso com Deus.

2. O Compromisso: Ação sobre Intenção

A mensagem de Ageu não é apenas teológica, é prática. O compromisso exigido por Deus envolvia três passos:

  • Arrependimento: Reconhecer que a negligência espiritual causou a crise atual.
  • Obediência: Subir ao monte, trazer madeira e edificar a casa.
  • Coragem: Deus diz repetidamente a Zorobabel (o governador) e a Josué (o sumo sacerdote): "Esforçai-vos... e trabalhai; porque eu sou convosco" (Ageu 2:4).

3. A Aliança: "Eu sou convosco"

A base da aliança em Ageu é a presença de Deus. No capítulo 2, versículo 5, Deus relembra a aliança feita quando o povo saiu do Egito:

"Segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito habita no meio de vós; não temais."

Deus estava reafirmando que, apesar do pecado e do exílio, Ele não havia desistido do Seu povo. A reconstrução do templo era o sinal visível de que a aliança estava sendo restaurada e que Deus voltaria a habitar entre eles.

4. A Promessa de Glória e Paz

Deus faz uma promessa poderosa sobre o novo templo que seria construído. Embora ele parecesse menos grandioso que o templo de Salomão aos olhos humanos, Deus declarou:

  • Provisão: "Minha é a prata, e meu é o ouro" (Ageu 2:8).
  • Glória: "A glória desta última casa será maior do que a da primeira" (Ageu 2:9).
  • Paz: "Neste lugar darei a paz".

Essa promessa aponta para o futuro: a glória maior não seria apenas ouro físico, mas a presença do próprio Messias (Jesus) que pisaria naquele templo séculos depois.

 

Resumo da Mensagem para Hoje

A passagem de Ageu nos ensina que o nosso compromisso com Deus deve preceder nossos interesses pessoais. Quando honramos a nossa aliança com Ele, Ele assume a responsabilidade pela nossa provisão e nos dá uma paz que bens materiais não podem comprar.

 

TEXTO BÍBLICO: Ageu 1:1-9

“Veio, pois, a palavra do SENHOR, pelo ministério do profeta Ageu, dizendo: É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas, e esta casa há de ficar deserta? Semeais muito e recolheis pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário recebe salário num saquitel furado. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Aplicai o vosso coração aos vossos caminhos. Subi o monte, e trazei madeira, e edificai a casa; e dela me agradarei e eu serei glorificado, diz o SENHOR. A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos” (Ag 1:3,4,6,7; 2:9).

 

INTRODUÇÃO

Ageu é o primeiro profeta a exercer o ministério no período pós-exílio. Sua mensagem girava em torno da construção do segundo Templo. Os judeus estavam indiferentes, espiritualmente mornos e acomodados em relação à obra de Deus. O povo estava cuidando de embelezar suas próprias casas, enquanto a Casa do Senhor permanecia em ruínas. Na construção do primeiro Templo, houve uma atitude oposta à atitude que eles estavam adotando: Davi pensou em fazer o melhor para Deus (2Sm 7:2), eles estavam pensando em fazer o melhor para si mesmos; Davi colocou Deus e sua casa em primeiro lugar, eles estavam colocando a si mesmos e suas casas em primeiro lugar. O problema deles não era falta de recursos, mas falta de prioridade. Porém, tão logo a voz de Deus soou em seus ouvidos por intermédio de Ageu, o povo demonstrou arrependimento. Imediatamente, então, Deus os restaurou e os confortou com sua presença.

A presença de Deus conosco é a maior necessidade, o maior refúgio e o maior estímulo para fazermos sua obra. Tão logo o povo se voltou para Deus, Deus se voltou para o povo. Tão logo eles se humilharam e obedeceram, Deus se tornou favorável a eles e os fortaleceu com sua presença.

O problema do povo não era a presença dos inimigos nem a enormidade dos obstáculos, mas a ausência de Deus. Se Deus está conosco nenhum problema pode deter os nossos passos. O apóstolo Paulo pergunta: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8:31).

 


I.  O LIVRO DE AGEU

 

1. Contexto histórico. O livro do profeta Ageu é o segundo menor do Antigo Testamento. Ageu foi o primeiro profeta do período pós cativeiro babilônico. O livro de Esdras relata as primeiras décadas do período pós-exílio. 

Juntamente com Zacarias, seu contemporâneo, Ageu foi usado por Deus para encorajar o povo a reconstruir o Templo de Jerusalém, que havia sido destruído por Nabucodonosor em 586 a.C. Em 538 a.C., Ciro, rei da Pérsia, promulgara um decreto, permitindo aos judeus exilados voltarem à pátria para reconstruir Jerusalém e o Templo, cumprindo, assim, as profecias de Isaías e Jeremias (Is 45:1-3; Jr 25:11,12; 29:10-14), e a intercessão de Daniel (Dn 9). Dezesseis anos antes da reconstrução do Templo em Jerusalém, o remanescente, com aproximadamente 50 mil pessoas, voltava à Judéia sob a liderança de Zorobabel e Jesua (ou Josué) a fim de pôr em prática o decreto real (Ed 1 e 2), em 536 a.C. Dois anos depois, os alicerces do Templo haviam sido assentados, entre louvores e lágrimas (Ed 3:8-13), e as expectativas da reconstrução pareciam brilhantes. Todavia, os inimigos, da raça mista dos samaritanos, haviam-se colocado contra os judeus durante todo o reinado de Ciro, rei da Pérsia, até ao ano segundo do reinado de Dario, rei da Pérsia (Ed 4:24). A construção do Templo cessou pouco depois de ter começado, em 534 a.C. A letargia espiritual generalizou-se, induzindo o povo a voltar à reconstrução de suas próprias casas. Somente em 520 a.C, sob autorização de Dario (cf. Ed cap. 6) e, após este, sob autorização de Artaxerxes (cf. Ed 6:14), Ageu, acompanhado pelo profeta Zacarias, conclama Zorababel e o povo a retomar a construção da casa de Deus. Em 516 a.C., vinte e um anos após lançados os alicerces (Ed 3:10), o Templo foi completado e dedicado ao Senhor (cf Ed 4-6). A arca da aliança, contendo as duas tábuas da lei, não fazia parte do Templo novo. Ela teria sido destruída numa ocasião anterior desconhecida, da história de Israel.

O reinício e conclusão da construção do Templo só foi possível graças aos ministérios proféticos de Ageu e Zacarias (ver Ag 1:9-11). Suas profecias incluíam: (1) ordens diretas de Deus (Ag 1:8); (2) advertência e repreensão (Ag 1:9-11); (3) exortação (Ag 2:4); e (4) alento mediante a promessa de bênçãos futuras (ver Ag 2:6-9).

O inimigo surgiu e se opôs à obra (Ed 5:3). Sempre que houver progresso espiritual, podemos prever que virão oposição e provação da parte de Satanás e dos inimigos de Deus. O povo de Deus deve enfrentar tal oposição com oração contínua a Deus, confiando nele e avançando até a conclusão da obra.

Ageu profetizou apenas durante quatro meses (Ag 1:1; 2:1; 2:10; 2:20). Zacarias começou a profetizar dois meses depois de Ageu (Zc 1:1) e teve um ministério mais longo. O ministério destes dois profetas pós-exílio, em muito contribuíram para a conclusão das obras, apesar dos muitos obstáculos e reveses.

A obra de Deus sempre requer a participação dos seus profetas, na realização do seu propósito concernente a qualquer geração.

2. Vida Pessoal. O nome Ageu significa "festivo”. Provavelmente ele nasceu num dia de festas, e por isto foi chamado de "minha festa". Ageu só é citado fora do seu livro em Esdras 5:1 e 6:14. Alguns eruditos o consideravam membro da classe sacerdotal.

Há um consenso praticamente unânime de que Ageu foi o autor do livro que leva o seu nome. Pouco sabemos acerca dele. Nada sabemos sobre seu pai nem sobre o lugar do seu nascimento. Ageu é a única pessoa com esse nome mencionado no Antigo Testamento.

Possivelmente, Ageu conhecera as glórias do Templo salomônico (Ag 2:3). De acordo com a tradição judaica, ele viveu a maior parte de sua vida na Babilônia. Sendo assim, ele já devia ser um homem com mais de oitenta anos quando levantou sua voz profética em Jerusalém. Alguns estudiosos defendem que ele nasceu na Babilônia durante o exílio e conviveu com o profeta Daniel.

Ageu profetizou no segundo ano do rei Dario, no sexto mês e no primeiro dia da semana. Ageu apareceu repentinamente no ano 520.C. e de igual modo desapareceu. Nada se sabe de sua vida antes ou depois da sua pregação.

3.  Zorobabel. Zorobabel, governador de Judá, e Josué, o sumo sacerdote, eram os líderes-chaves para a reconstrução do Templo. Quando Ageu se levantou, a mando de Deus, para motivar o povo à reconstrução do Templo, ele dirigiu primeiramente a sua mensagem a estes líderes notáveis, a fim de encorajá-los a terminar a obra de reconstrução do Templo em Jerusalém.

“Zorobabel é uma das pessoas listadas nas genealogias de Jesus. Duas coisas fazem Zorobabel significativo e o ligam a Cristo: primeiro, Zorobabel é um sinal de um homem escolhido por Deus, de cuja natureza dedicada Deus fez fluir vida, liderança e ministério. O que Zorobabel fez em partes, Jesus fez por completo como o Servo do Senhor; segundo Zorobabel está, também, na linhagem do Messias. As listas dos ancestrais de Jesus em Mateus e Lucas incluem o nome de Zorobabel, o filho de Selatiel, cuja própria importância pessoal foi excedida por seu papel como um dos que apontaram à frente para a vinda do Salvador ao mundo” (Bíblia de Estudo Plenitude, p. 914).

Só relembrando, o povo judeu voltou do cativeiro babilônico em três levas: (a) Sob a liderança de Zorobabel, com a autorização do imperador Ciro, para reconstruir o Templo; (b) Sob a liderança de Esdras para ensinar a Lei; (c) Sob a liderança de Neemias para reconstruir os muros. Tanto Esdras como Neemias voltaram sob o governo de Artaxerxes I (465-424 a.C). Os judeus que voltaram para Jerusalém foram profundamente influenciados pela fé dos seus pais mesmo no cativeiro. A criação das sinagogas no exílio para o estudo da lei e dos profetas exerceu uma grande influência na inspiração da fé religiosa daqueles que retornaram à Jerusalém. O cativeiro babilônico foi decisivo para os judeus deixarem a idolatria.

4. Estrutura e Mensagem. O livro contém quatro mensagens, cada uma delas introduzidas pela frase: “a palavra do SENHOR” (Ag 1:1;2:1;2:10;2:20):

Primeira mensagem. Ageu repreende os repatriados por estarem tão interessados em suas próprias casas, revestidas de cedro por dentro, enquanto a Casa de Deus permanecia em desolação (Ag 1:4). O profeta exorta-os por duas vezes a considerar seus caminhos (Ag 1:5,7), revelando-lhes ter o Senhor Deus retirado a bênção sobre eles em consequência de seus maus caminhos (Ag 1:6,9-11). Zorobabel e Josué, juntamente com o restante do povo, reagindo à palavra do profeta, demonstram reverência a Deus, e recomeçam a obra (Ag 1:12-15).

 Segunda mensagem. Poucas semanas depois, a reação dos repatriados, que haviam visto a glória do primeiro Templo e que consideravam como nada o segundo, começava a desanimar o povo (Ag 2:3). Ageu, então, exorta os líderes a se mostrarem corajosos, porque:

-     (a) seus esforços faziam parte de um quadro profético mais amplo (Ag 2:4-7).

-     (b) “a glória desta última casa será maior do que a da primeira” (Ag 2:9).

Terceira mensagem. A terceira mensagem de Ageu conclama o povo a viver uma vida de santa obediência (Ag 2:10-19). Ageu afirma a inversão da sorte de Israel por causa da edificação do Templo.

Quarta mensagem. A quarta mensagem traz uma promessa relativa a Zorobabel; ele representaria a continuação da linhagem e da promessa messiânica (Ag 2:20-23).



 

II. RESPONSABILIDADES E OBRIGAÇÕES

1. A desculpa do povo (Ag 1:2). Os judeus que retornaram para a reconstrução do Templo afrouxaram as mãos e abandonaram a obra, dando a seguinte desculpa para Deus: "... Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do SENHOR deve ser edificada" (Ag 1:2). Observe que eles não diziam que a edificação não devia ser feita; apenas que ainda não havia chegado o tempo oportuno para fazê-la. O pecado deles foi de acomodação. Eles adiaram o projeto de Deus para priorizar seus projetos. Abandonaram a Casa de Deus para investir tudo em suas próprias casas. Julgaram que a oposição para fazer a obra era um sinal de que não era o tempo de fazer a obra. Fizeram uma leitura errada quando interpretaram que a presença de dificuldades devia levá-los a desistir da obra.

Enfatizamos que a presença de circunstâncias adversas jamais deve nos impedir de fazermos a obra de Deus. O servo de Deus deve olhar para as circunstâncias na perspectiva da soberania de Deus, da providência divina. O apóstolo Paulo assim se comportou, a ponto de dizer aos crentes de Filipo: “...as coisas que me aconteceram ou que tem me acontecido contribuíram para o progresso do Evangelho” (Fp 1:12). Ele era cônscio de “que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8:28).

 

2. Inversão de prioridades (Ag 1:3,4). Deus denuncia a inversão de prioridades do povo judeu em fazer os melhores investimentos em suas próprias casas e os piores investimentos na casa de Deus. Eles desistiram de investir na casa de Deus, mas estavam fazendo investimentos redobrados em suas próprias casas. As casas forradas tinham requinte e luxo. Eles deixaram a casa de Deus em ruínas, sem teto, para dar um toque de requinte, luxo e extravagância em suas casas. Os judeus tinham construído casas de fino e caro acabamento, até mesmo com paredes amadeiradas. Essa prática era considerada luxuosa até para um rei (Jr 22:14). Houve até quem sugerisse que os judeus usaram para suas casas a madeira de cedro reservada para o Templo. Os investimentos que eles haviam cortado da Casa de Deus estavam sendo usados para o seu próprio deleite. Que valor eles estavam dando a Deus se deixavam seu Templo em ruínas? Então Deus denuncia essa inversão de valores: “Veio, pois, a palavra do SENHOR, pelo ministério do profeta Ageu, dizendo: Porventura é para vós tempo de habitardes nas vossas casas forradas, enquanto esta casa permanece em ruínas?” (Ag 1:3,4). Essa inversão de prioridades do povo indicava a sua falta de saúde espiritual.

O povo tinha provas suficientes de que era da vontade de Deus que eles reconstruíssem o Templo. Deus já havia tocado o coração do rei Ciro para libertá-los e enviá-los a Jerusalém, provendo-lhes recursos com esse propósito (2Cr 36.22,23; Ed 1.1-4). Também os judeus conheciam a profecia de Isaías acerca de Ciro: "Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será reedificada; e do Templo: Será fundado" (Is 44:28). Apesar de estarem plenamente cônscios disso, o povo inverteu as prioridades: em vez de cuidar primeiro das coisas de Deus, estavam priorizando o seu progresso material: primeiro a minha vida, mais tarde a de Deus; primeiro cuidarei dos meus negócios, se tempo houver mais tarde cuidarei dos negócios de Deus; eu primeiro, depois Deus.

Em vez de honrar ao Senhor com os seus bens, eles estavam desonrando a Deus. Em vez de buscar em primeiro lugar o reino de Deus, eles estavam buscando antes de tudo os seus interesses. Era, portanto, uma clara e perigosa inversão de prioridades. Deus não aceita ser colocado em segundo plano (ler Is 42:8; 48:11).

O capital da igreja é a fé. A igreja que se propõe a dar glória ao nome de Deus realiza coisas extraordinárias para Deus. Porém, sempre que colocamos os nossos interesses à frente dos interesses de Deus, deixamos sua casa em ruínas.

3. Um convite à reflexão. Ora, pois, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Aplicai o vosso coração aos vossos caminhos(Ag 1:5). Deus chama o seu povo a olhar pelas lentes do retrovisor. Ele convida o seu povo a meditar, pensar com cuidado sobre o passado. Era hora de o povo fazer uma séria introspecção diante do Senhor.

O desprezo em relação a Deus e o descaso para com sua obra tinham levado o povo de Israel a quebrar sua aliança com Deus. A violação do pacto trouxe o chicote da disciplina às suas costas, a fome às suas casas e a insatisfação aos seus corações. Por não terem aprendido com as lições do passado, o povo estava caindo nos mesmos erros. Precisamos aprender com o passado para não cair nos mesmos erros.

O pecado não compensa. O pecado é uma fraude. O passado precisa tomar-nos pela mão, conduzir-nos no presente e orientar-nos rumo ao futuro. O passado precisa ser nosso pedagogo, não nosso coveiro.

III. A EXORTAÇÃO DIVINA.

1. Crise econômica. Nos versículos 6 e 9 há o contraste entre a ação do povo e a sua expectativa (muito) e o resultado (pouco). Nos versículos 10 e 11, a crise econômica é bem exposta e o seu causador é identificado; ou seja, é o próprio Deus o provocador da crise. O profeta Ageu, em nome do Senhor dos Exércitos, assim se expressa: "Tendes semeado muito e recolhido pouco; comeis, mas não chega para fartar-vos; bebeis, mas não dá para saciar-vos; vesti-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado" (Ag 1:6).

Reter em nossas mãos o que devemos empregar na obra de Deus gera em nós grande insatisfação. O profeta usa cinco situações de investimento, todas com resultados insatisfatórios: quem semeia muito colhe pouco; quem come não se farta; quem bebe não se sacia; quem se veste não se aquece; e quem recebe salário perde-o pelo caminho. Deus mesmo é o Agente dessa frustração. É Ele quem impede a colheita abundante. É Ele quem não deixa que a pessoa se farte, se sacie e se aqueça. O povo estava retendo em suas mãos o que deveria entregar na casa de Deus. O povo estava correndo atrás apenas dos seus interesses ao mesmo tempo que desprezava a Casa de Deus. O povo estava morando luxuosamente enquanto a Casa de Deus permanecia em ruínas, cobrindo suas casas com madeira importada, a passo que o Templo permanecia sem teto. Então, Deus lhe mostrou a loucura de abandonar Sua Casa, gerando dentro deles uma incurável insatisfação.

 

2. A solução. Só haveria uma saída para reverter a crise que o povo estava sofrendo: dispor-se a atender à convocação de Deus para fazer a sua obra, ou seja, reconstruir o Templo. O versículo 8 apresenta o que o povo devia fazer: “Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; dela me agradarei e serei glorificado, diz o Senhor”. O propósito de Deus nesse empreendimento era o regozijo especial que Ele teria nesse edifício e a honra apropriada que Ele, ali, receberia do seu povo.

A resposta do povo à Palavra de Deus foi pronta e imediata (Ag 1:12). O Espírito Santo atuou de maneira tão maravilhosa, que ocorreu um verdadeiro avivamento e a construção do Templo prosseguiu sob a liderança de Zorobabel e do sumo sacerdote Josué (Ag 1:14).

Três fatos merecem destaque:

a) A resposta à Palavra de Deus começa pela liderança (Ag 1:12). Zorobabel e Josué, o governador e o sumo sacerdote, o poder civil e o poder religioso, deram exemplo e foram os primeiros a aceitar a Palavra de Deus. Os líderes precisam ser o exemplo e dar o primeiro passo. Precisam ser modelos para o povo. Quando a liderança acerta sua vida com Deus, os liderados seguem seus passos. Se de um lado a vida do líder é a vida da sua liderança, por outro lado os pecados do líder são os mestres do pecado. O líder é um influenciador. Ele influencia sempre, para o bem ou para o mal. Zorobabel e Josué foram líderes que influenciaram para o bem.

b) A resposta à Palavra de Deus manifesta-se pela obediência. "Então Zorobabel... e Josué.... e todo o resto do povo atenderam à voz do Senhor, seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, as quais o Senhor, seu Deus, o tinha mandado dizer..." (Ag 1:12). Quando a liderança obedece a Deus, os liderados seguem seus passos. Quando o povo viu seus líderes atendendo à voz de Deus, eles prontamente se dispuseram a também obedecer. A obediência é a única evidência de que alguém de fato ouviu a voz de Deus.

c) A resposta à Palavra de Deus passa pela reverência. "... e o povo temeu diante do Senhor" (Ag 1:12). A falta de temor diante do Senhor havia levado o povo ao cativeiro e agora os desviava da obra. Mas o temor os fez voltar para Deus e colocar as mãos na obra de Deus. É impossível ouvir a Deus sem temê-lo.

Uma postura sem temor em relação a Deus esposada por muitos crentes é responsável pelo baixo nível espiritual de tantas igrejas em nossos dias. A falta de temor de Deus desemboca em decadência espiritual.

3. O segundo Templo. Na construção do segundo Templo, todos colocaram as mãos na obra. Os líderes na frente e em seguida todo o povo. O trabalho é grande e precisa da participação de todos. Hoje, infelizmente, cerca de vinte por cento dos membros realizam a obra enquanto os demais assistem. Precisamos entender que somos um corpo no qual cada membro tem sua função. Somos uma família na qual cada um exerce o seu papel. Somos um exército onde cada soldado tem seu campo de luta. Somos construtores do santuário de Deus no qual cada um deve trabalhar com zelo e alegria.

A glória do segundo Templo seria maior do que a glória do primeiro. Os anciãos de Judá estavam chorando diante da insignificância do segundo Templo, porque olhavam apenas para as aparências, para o exterior, para o visível e material. A grandeza de um Templo não está na suntuosidade do seu prédio, no luxo de seus mobiliários, nem na alta posição social e financeira dos seus membros, mas na presença de Deus. É a presença de Deus no Templo que o torna glorioso.

 CONCLUSÃO

 O descaso com a Casa de Deus desencadeou grandes transtornos materiais e espirituais para o povo de Judá. O povo de Judá lançou os fundamentos do Templo e paralisou a obra por dezesseis anos. Mesmo assim, eles continuaram oferecendo seus sacrifícios no altar que já havia sido levantado. Eles começaram a construção e abandonaram a obra no meio do caminho. Isso era um sinal evidente de desleixo com a Casa de Deus. Isso significa fazer a obra do Senhor relaxadamente. Ageu não pedia ostentação, mas também não aceitava descaso. O aspecto físico dos Templos revela os valores espirituais dos adoradores. A aparência externa da Casa de Deus diagnostica a realidade interna daqueles que a frequentam.

 

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