A LÂMPADA ARDERÁ CONTINUAMENTE NO ALTAR
Texto Bíblico: Levítico 24:1-4
“Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12).
A passagem de João 8:12 é uma das declarações mais profundas e emblemáticas de Jesus, conhecida como um dos sete "Eu Sou" do Evangelho de João. Para compreender a profundidade desse ensino, é interessante analisar tanto o contexto histórico quanto o significado prático dessa promessa.
1.
O Contexto Histórico: A Festa dos Tabernáculos
Jesus
proferiu essas palavras provavelmente durante a Festa dos Tabernáculos (Sucot),
em Jerusalém. Durante essa celebração, quatro grandes candelabros de ouro eram
acesos no Pátio das Mulheres no Templo, iluminando toda a cidade durante a
noite.
- O
Simbolismo: Ao dizer "Eu sou a luz do mundo" nesse cenário, Jesus estava afirmando que
Ele era a realidade espiritual que aqueles candelabros apenas
simbolizavam. Ele não era apenas uma luz para Israel, mas para a
humanidade inteira.
2.
A Função da Luz
Na
Bíblia, a metáfora da luz carrega três funções principais que Jesus cumpre:
- Revelação: A luz expõe o que está escondido.
Jesus revela a verdadeira natureza de Deus e a real condição do coração
humano.
- Direção: Em um mundo confuso, a luz mostra o
caminho. "Quem me segue não andará em trevas" significa ter
clareza moral e espiritual para tomar decisões.
- Vida: Fisicamente, sem luz não há vida
(fotossíntese). Espiritualmente, Jesus afirma ser a fonte da "luz da
vida", essencial para a existência eterna.
3.
A Condição: "Quem me segue"
A
promessa de não andar em trevas não é automática; ela está condicionada ao ato
de seguir.
- Seguir a
Jesus no grego bíblico (akoloutheo) implica um compromisso
contínuo, como um soldado que segue seu capitão ou um discípulo que imita
seu mestre.
- As
"trevas" mencionadas representam não apenas o pecado, mas a
ignorância espiritual, o vazio e o desespero de viver sem um propósito
divino.
Reflexão Prática
Viver sob a "Luz do Mundo" traz implicações para o dia
a dia:
- Segurança
nas Escolhas: Quando
pautamos nossos negócios, relacionamentos e ética nos ensinos de Jesus, as
"sombras" da incerteza diminuem.
- Identidade: A luz de Cristo remove as máscaras e
nos permite ver quem realmente somos e quem fomos chamados para ser.
- Responsabilidade: Mais adiante, no Sermão do Monte,
Jesus diz aos seus seguidores: "Vós
sois a luz do mundo". Isso significa que, ao recebermos a luz
d'Ele, passamos a refleti-la para aqueles que ainda estão em situações de
"trevas" (sofrimento, injustiça ou falta de fé).
Essa declaração é, acima de tudo, um convite para sair da
confusão e encontrar um caminho de clareza e paz duradoura.
INTRODUÇÃO
Neste
Estudo falaremos a respeito do significado de um dos objetos de maior destaque
do Tabernáculo: o Candelabro de sete hastes. Era de maior destaque por ser todo
de ouro batido e pela luz que emitia de forma contínua. Ficava no lado esquerdo
de quem entrava no Santuário. Tinha sete lâmpadas. Ele simbolizava o povo de
Deus, Israel. Ensinava que Israel devia ser “luz dos gentios” (Is.49:6; 60:1-3;
Rm.2:19), dando testemunho ao mundo por meio de uma vida santa e da mensagem
proclamada do Senhor. Israel havia sido escolhido por Deus para testemunhar o
único criador de todas as coisas. O povo não podia deixar de representar esse
reino divino um dia sequer. Por isso, a luz do Candelabro não podia se apagar.
O Candelabro, também, prefigura a Igreja de Jesus Cristo (Ap.1:20). Assim como
o tronco do candelabro unia os sete braços e suas lâmpadas, assim também Jesus
Cristo está no meio de suas igrejas e as une. Embora as igrejas locais sejam
muitas, constituem uma só Igreja em Cristo (Hb.12:23). Hoje,
pela fé em Jesus Cristo, fomos feitos reis e sacerdotes e temos a
responsabilidade de ser “luz do mundo” (Mt.5:14).
I.
O CANDELABRO DE OURO
O
Candelabro (hb. menorah) era uma peça sólida fabricada em ouro puro, contendo
sete hastes, cada uma terminando em um cálice com pavio para queimar óleo. As
sete lâmpadas formavam uma única lâmpada, e em alusão a isto o bendito Espírito
da graça é representado por sete lâmpadas de fogo diante do trono (Ap.4:5).
A
localização do Candelabro no Lugar Santo do Tabernáculo ficava no lado
esquerdo, para quem entrava no Lugar Santo, defronte da mesa dos pães asmos da
proposição (Êx.40:24) - “Pôs também na tenda da
congregação o castiçal defronte da mesa, ao lado do tabernáculo para o sul”. Esta
posição foi uma ordenança do Senhor (Nm.8:2,3). Nessa posição, o candelabro,
plenamente aceso, proporcionava uma visão única e emblemática da glória de
Deus. A luz brilhava sobre a “área na frente do
candelabro”, iluminando assim o Lugar Santo, que continha também o Altar de
Ouro para incenso. Se por um lado, lembrava o próprio Cristo, por outro,
fazia uma clara referência à Jerusalém Celeste (Ap.1:12,13; 21:23,24).
As
lâmpadas do Candelabro precisavam ficar acessas continuamente, e para isso o
povo tinha que fornecer o azeite, o combustível que alimentava as chamas. Era
necessário encher o candelabro com azeite puro de oliveira a fim de que ardesse
e iluminasse ao seu redor. O azeite é símbolo do Espirito Santo. Se o crente
não tem a presença e o poder do Espírito em sua vida, não será uma boa
testemunha.
Todos
os dias um sacerdote trazia azeite fresco para o Candelabro, de modo que a luz
ardesse desde a tarde até o amanhecer (Ex.27:20,21). Do mesmo modo o crente
necessita receber todos os dias o azeite do Espirito Santo (Sl.92:10) para que
sua luz brilhe diante dos que andam na escuridão espiritual. Se a Igreja de
Cristo vier a perder o seu fulgor, que diferença haverá entre nós e o mundo? É
chegada a hora, pois, de mantermos nossas lâmpadas acesas, pois o Cordeiro de
Deus anda por entre os candelabros, exigindo, de cada um de nós, perfeito
brilho (Ap.1:13).
1.
O fabrico do Candelabro. O
fabrico desse emblemático objeto foi ordenado por Deus (Êx.25:31-40). O Senhor
ordenou que fabricasse um Candelabro e o colocasse no Santuário, com azeite
para garantir a luz das lâmpadas (Êz.25:6), a fim de mostrar ao povo de Israel
que este fora separado para exercer a função profética, sacerdotal e real no
mundo. Era plano de Deus que, por intermédio dos israelitas, todos os povos
viessem a ser abençoados com a vinda do Messias, Jesus Cristo. Veja a ordenança
de Deus:
31.
Também farás um castiçal de ouro puro; de ouro batido se fará este castiçal; o
seu pé, as suas canas, as suas copas, as suas maçãs e as suas flores serão do
mesmo.
32.
E dos seus lados sairão seis canas: três canas do castiçal de um lado dele e
três canas do castiçal do outro lado dele.
33.
Numa cana haverá três copos a modo de amêndoas, uma maçã e uma flor; e três
copos a modo de amêndoas na outra cana, uma maçã e uma flor; assim serão as
seis canas que saem do castiçal.
34.
Mas no castiçal mesmo haverá quatro copos a modo de amêndoas, com suas maçãs e
com suas flores;
35.
e uma maçã debaixo de duas canas que saem dele; e ainda uma maçã debaixo de
duas outras canas que saem dele; e ainda mais uma maçã debaixo de duas outras
canas que saem dele: assim se fará com as seis canas que saem do castiçal.
36.
As suas maçãs e as suas canas serão do mesmo; tudo será de uma só peça, obra
batida de ouro puro.
37.
Também lhe farás sete lâmpadas, as quais se acenderão para alumiar defronte
dele.
38.
Os seus espevitadores e os seus apagadores serão de ouro puro.
39.
De um talento de ouro puro os farás, com todos estes utensílios.
40.
Atenta, pois, que o faças conforme o seu modelo, que te foi mostrado no monte.
A
fabricação do Candelabro, conforme o modelo que o Senhor Jeová revelou a Moisés
(Êx.25:9,40; 39:43), foi feita sob a supervisão de Bezaleel, da tribo de Judá
(Êx.31:2), e Aoliabe, da tribo de Dã (Êx.31:6). Esse objeto sagrado foi de tal
forma trabalhado, que formava uma só peça com o seu pedestal, hastes, cálices,
maçanetas e flores. Toda a peça era rigorosamente simétrica e harmônica para
que a luz brilhasse com intensidade e a perfeição que Deus requeria, tal como
deve ser a luz que os filhos de Deus devem brilhar neste mundo (Mt.5:16).
2.
A Luz do Candelabro. Por
si só o Candelabro não tinha o seu significado pleno, mas quando as lâmpadas
fossem acesas o seu real significado viria a ter a devida evidência e
importância. As lâmpadas acesas representavam a presença contínua de Deus entre
o seu povo (Jr.25:10; Ap.21:22-26). A congregação e Israel devia ter abundante
luz, vida e presença de Deus.
Mas,
para que as lâmpadas fossem acessas era necessário combustível, azeite. O
Senhor ordenou que a congregação levasse o azeite para as lâmpadas. E assim foi
trazido, voluntária e generosamente, pela congregação de Israel (Êx.25:6). Note
que as lâmpadas não podiam continuar a arder sem a cooperação e a obediência do
povo.
“E
falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Ordena aos filhos de Israel que te tragam
azeite de oliveira, puro, batido, para a luminária, para acender as lâmpadas
continuamente. Arão as porá em ordem perante o SENHOR continuamente, desde a
tarde até à manhã, fora do véu do Testemunho, na tenda da congregação; estatuto
perpétuo é pelas vossas gerações. Sobre o castiçal puro porá em ordem as
lâmpadas perante o SENHOR continuamente” (Lv.24:1-4).
O azeite do Candelabro tinha que ser puro, conforme modelo
especificado pelo Senhor Jeová. O "azeite puro" representa a graça do
Espírito Santo, baseada na obra de Cristo, representada por sua vez pelo
Candelabro de "ouro batido".
Observe
que o azeite puro de oliveira era batido em vez de ser moído em moinho – “Tu,
pois, ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras,
batido, para o candeeiro, para fazer arder as lâmpadas continuamente”
(Êx.27:20).
O
azeite mais puro que dava melhor queima era obtido por este método, usando
azeitonas selecionadas antes de amadurecer. Este procedimento exigia mais
cuidados que o processo habitual; o azeite é amplamente considerado tipo do Espírito
Santo.
A "azeitona" era batida para dar o "azeite",
e o ouro era "batido" para formar o castiçal. Por outras palavras, a
graça e luz do Espírito estão baseadas na morte de Cristo e mantidas, com
clareza e poder, pelo sacerdócio de Cristo.
O
azeite puro era para fazer arder as lâmpadas continuamente. Não significava dia
e noite, visto que as lâmpadas eram acesas à tarde (Êx.30:8; 1Sm.3:3). Este
fogo tinha de estar aceso sempre pela noite inteira. Que simbologia extraímos
daqui? Jesus requer de cada um de nós uma luz de comprovada excelência
(Mt.6:23). Luz de comprovada excelência é aquela que glorifica o Pai que está
nos céus. Jesus disse: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para
que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus”.
Nós somos a luz do mundo (Mt.5:14), que herdamos do próprio Jesus (João 9:5).
A lâmpada de ouro espalhava a sua luz em todo o recinto do
santuário, durante as tristes horas da noite, quando as trevas cobriam toda a
nação e todos estavam envolvidos no sono. Em tudo isto temos uma intensa
representação da fidelidade de Deus para com o Seu povo, qualquer que pudesse
ser a sua condição exterior. As trevas e a sonolência podiam estender-se sobre
eles, mas a lâmpada devia arder "continuamente".
O
sumo sacerdote tinha a responsabilidade de velar para que a luz do testemunho
ardesse durante as horas enfadonhas da noite - "Arão as porá em ordem
perante o SENHOR continuamente, desde a tarde até à manhã, fora do véu do
Testemunho, na tenda da congregação" (Lv.24:3).
Veja
que a conservação da luz do Candelabro não dependia de Israel. Deus havia
ordenado alguém cujo dever era velar por ela e pô-la em ordem continuamente.
À luz do dia, Arão limpava o Candelabro e provia-o de azeite; e, quando a noite
chegava, ele já estava pronto a reluzir novamente. Portanto, para que a luz
perdurasse, era imperioso que Arão e seus filhos cuidasse diariamente do
Candelabro.
“Na tenda da congregação fora do véu, que está diante do
Testemunho, Arão e seus filhos as porão em ordem, desde a tarde até pela manhã,
perante o SENHOR” (Ex.27:21).
Tal
é o trabalho dos ministros do Evangelho na Nova Aliança; eles devem manter a
Luz de Deus brilhando continuamente; eles devem apresentar a Palavra de vida,
não deve acender novas lâmpadas, mas expor e pregar a Palavra, tornando a sua
Luz mais Clara e abrangente. Não somente os ministros, mas todos os sacerdotes
da Nova Aliança (1Pd.2:9) devemos agir em relação ao mundo. Só viremos a
reluzir se nos dermos à leitura da Bíblia Sagrada, à oração, ao jejum à
comunhão dos santos e ao serviço cristão.
Observe
que para manter a luz brilhando continuamente, era preciso: (a) o trabalho do
povo: a preparação (Êx.27:20a); (b) o trabalho dos ministros: a perpetuação
(Êx.27:21); (c) o trabalho do Espírito Santo: a iluminação (Êx.27:20b).
II.
JESUS, A LUZ ETERNA E PERFEITA
O
Candelabro de ouro apontava para Jesus Cristo, a luz eterna e perfeita, mas
também simboliza a sua Igreja e cada um de nós.
1.
Jesus, a Luz do mundo. De
todos os seres vivos do planeta, pouquíssimos são os que podem viver sem luz.
Para o ser humano a luz é crucial. Espiritualmente, milhões de pessoas vivem
imersas em verdadeira escuridão espiritual. Por isso Jesus disse as palavras de
João 8:12: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue de
modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida”.
-
Jesus é a Luz do mundo. Ao
se declarar como sendo a própria luz, Jesus estava reivindicando a Sua própria
divindade. Na Bíblia, o termo “luz” simboliza a santidade de Deus (cf. Salmo
27:1; 36:9; Atos 9:3; 1João 1:5). Como luz, Jesus ilumina a verdade, dá às
pessoas o entendimento espiritual, nos revela o próprio Deus- e aquilo que Ele
tem feito por nós.
-
Jesus é a Luz do mundo. Afirmando
ser a Luz do mundo, Jesus definiu a sua posição incomparável como a única luz
verdadeira para todas as pessoas, não apenas para os judeus (Is.49:6). Ele veio
a este mundo exatamente para iluminar as regiões da sombra e morte (Is.9:2). A
morte traz trevas eternas, porém, seguir Jesus significa não tropeçar nas
trevas, e sim, ter a luz que conduz à vida. Os crentes não andam mais cegamente
em pecado; em vez disso, a luz de Jesus mostra o pecado e a necessidade de
perdão; traz direção e conduz cada um de nós à vida eterna com Ele.
-
Jesus é a Luz do mundo.
Sem Jesus, o mundo está mergulhado em densas trevas. Sem Jesus, prevalece a
ignorância espiritual. Sem Jesus, as pessoas estão cegas e não sabem para onde
vão. Sem Jesus, as pessoas estão perdidas, confusas e sem rumo. Sem Jesus, as
pessoas caminham para as trevas eternas.
-
Jesus é a Luz do mundo.
Ele é o único que pode trazer salvação para este mundo amaldiçoado pelo pecado.
Para as trevas da falsidade, Ele é a luz da verdade; para as trevas da
ignorância, Ele é a luz da sabedoria; paras as trevas do pecado, Ele é a luz da
santidade; para as trevas do sofrimento, Ele é a luz da alegria; e para as
trevas da morte, Ele é a luz da vida.
A
Luz, portanto, está intimamente ligada à vida. João afirmou: “Nele estava a vida,
e a vida era a luz dos homens” (João
1:4). Rejeitar a luz é recusar a vida, é morrer. Naturalmente, nós fomos feitos
para a vida, para a luz; só existimos sob o sol. Nossos olhos foram feitos para
a luz; sem ela, eles são inúteis; se não se abrem à luz, ficam cegos. A noite é
somente o manto que o sol estende sobre nós para que repousemos, enquanto ele
nos vigia e acalanta com a luz das estrelas, acordando-nos ao amanhecer, para
dele nos alimentarmos. Não fomos feitos para viver num constante sono, às
escuras. Somos como as plantas, que precisam da luz para realizar a
fotossíntese. Portanto, sem a luz não há vida; sem Jesus não há vida. Jesus é
categórico em afirmar que aqueles que o seguem não andarão em trevas (João
8:12b), mas terão a luz da vida. A vida com Jesus é uma jornada na luz da
verdade, na luz da santidade e na luz da mais completa felicidade.
2.
A Igreja é a luz do mundo. A
Igreja de Cristo é a luz do mundo, ela resplandece no mundo; Ela herdou do
Senhor Jesus a responsabilidade de brilhar no mundo como luz do Senhor. Segundo
o apóstolo Paulo, nós resplandecemos "como astros no mundo"
(Fp.2:15). Assim, somos herdeiros do nosso Senhor para iluminar o mundo.
O
apóstolo João, em sua visão do Cristo glorificado, viu Jesus andando livremente
entre os candelabros – “E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me,
vi sete castiçais de ouro; e, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao
Filho do Homem, vestido até aos pés de uma veste comprida e cingido pelo peito
com um cinto de ouro” (Ap.1:12,13).
Observe
que antes de ver o Noivo, Jesus, em seu fulgor e majestade, João viu a Noiva, a
Igreja; ele a vê como a luz do mundo (Ap.1:12); antes de ter a visão do Cristo
exaltado, João teve a visão da Igreja. Isso significa que ninguém verá a Jesus
em glória senão por meio da sua Igreja aqui na terra. O mundo vê Cristo através
da Igreja e no meio da Igreja.
Você
precisa da Igreja. O que é a Igreja? Ela é a luz do mundo. Por isso, ela é
comparada a candelabro (castiçais), a sete candelabros (Ap.1:20), que tem o
dever de refletir luz. Se uma lâmpada do candelabro deixar de proporcionar luz
ela será afastada (Ap.2:5).
A
luz da Igreja é emprestada ou refletida, como a da lua. Se as lâmpadas têm de
luzir, elas devem permanecer na presença de Cristo. Cristo está não apenas
entre as igrejas, mas as têm em suas próprias mãos; Ele tem o controle total de
tudo.
A
figura do Candelabro, portanto, é um símbolo incomum para representar o caráter
sobrenatural da Igreja, seja através dos seus membros, seja através dos seus
líderes, as estrelas (Ap.1:20). Na descrição do apóstolo, observamos que
somente a luz do Cordeiro é capaz de levar os castiçais a refulgirem.
3.
O crente como luz do mundo. Jesus
disse: “Vós sois a luz do mundo...” (Mt.5:14). Veja
que o Senhor Jesus declarou ser Ele próprio a Luz do mundo enquanto estava no
mundo – “enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (João 9:5). Ele
quis dizer que, depois de Sua ascensão, os discípulos seriam a luz do mundo ao
refletir a Sua luz.
Assim
como Jesus Cristo é a Luz do mundo, os seus seguidores devem refletir a Sua
Luz. Nós recebemos dele essa luz para alumiarmos o mundo. Os seguidores de
Jesus não devem tentar ocultar a sua luminosidade, como se tivessem acendido
uma lâmpada para depois escondê-la; não “se acende a candeia e se coloca
debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa”
(Mt.5:15). Ser discípulo de Cristo significa difundir luz a todos aqueles com
quem tivermos contato.
Mediante
o comportamento e testemunho. O crente não pode esconder a sua luz, mas deve
irradiar a luz do Evangelho mediante o seu comportamento e testemunho aos que
se encontram ao seu redor. A finalidade disto não é granjear agradecimentos e
louvor para si, mas fazer com que o seu Pai que está nos céus seja glorificado
por aqueles que veem as boas coisas que ele faz, sendo assim por sua vez
iluminados pelo Evangelho de Cristo. Jesus disse: “Assim
resplandeça a vossa luz diante dos homens...” (Mt.1:16). Assim como a luz
brilha a partir de um pedestal, os discípulos de Cristo devem deixar sua luz
brilhar perante os outros “... para que vejam as vossas boas obras e
glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt.5:16). Jesus deixou bem claro
que não haveria nenhum erro quanto à fonte das boas obras de um crente. A luz
do crente não brilha para ele mesmo; essa luz deve ser refletida em direção ao
Pai, levando as pessoas a Ele.
Somos
exortados a brilhar não somente como um candelabro, mas como verdadeiros astros
(Fp.2:15). O crente brilha pelo Senhor Jesus, tendo em si a luz do Evangelho,
da qual dá testemunho aos que o rodeiam. Veja o exemplo de Estêvão; a sua luz
brilhou de tal forma, que os seus algozes lhe viram o rosto como se fosse a
face de um anjo (At.6:15). Apesar de apedrejado, o seu testemunho ainda hoje
reluz, legando-nos um exemplo de pureza, fé e coragem.
Portanto,
ser Luz do mundo significa:
-
Iluminar o mundo. Ou
seja, fazer resplandecer a luz do Evangelho de Cristo (2Co.4:4), o que somente
se faz quando praticamos a verdade, quando temos um comportamento de total
submissão às Escrituras (2Co.4:2). Quando vivemos conforme a Palavra de Deus,
os homens veem que estamos na luz e identificam que somos filhos de Deus e, por
isso, glorificam ao nosso Pai que está nos céus, pois sabem que nossas obras
são boas (Mt.5:16).
-
Ter comunhão com Deus. O
que significa viver sem pecar e, se pecarmos por acidente, pedirmos
imediatamente perdão a Deus e a quem ofendermos, como também termos comunhão
uns com os outros, com a “família de Deus” (Ef.2:19), pois só assim teremos
condição de estar debaixo do poder purificador do sangue de Cristo (1João
1:5-7).
-
Amar o próximo como a si mesmo. Não
é apenas dizer que amamos, mas tomarmos atitudes reais que demonstram o nosso
amor pelo outro (1João 3:17-19), guardando, assim, os mandamentos do Senhor
(1João 3:24).
-
Trazer calor para o mundo. A
luz também produz calor e é necessário que o cristão traga, ao mundo, fervor
espiritual (Rm.12:11). Para termos fervor espiritual, faz-se mister que vivamos
uma vida de santificação, de oração e de jejum, para que sejamos vasos de honra
na casa do Senhor e nossas palavras possam “ferver”, atingindo os corações
(Sl.45:1). Uma vida de separação do pecado é indispensável para que tenhamos
“fervor”, que não se confunde com “barulho” nem tampouco com “emocionalismo” ou
“movimentos carnais”.
-
Produzir ânimo. O cristão
verdadeiro traz ânimo e estimula os demais a buscar a Deus, a temer a Deus. O
verdadeiro cristão é um dínamo, uma testemunha de Cristo que, revestida de
poder, leva multidões aos pés do Senhor com o seu exemplo (1Pd.2:21). Quando o
cristão vive uma vida de sinceridade, todos que estão à sua volta percebem a
sua condição de santo homem de Deus (2Rs.4:9) e, por isso, passam a desejar a
sua companhia, ainda que inconscientemente, pois todo homem tem dentro de si um
vazio do tamanho de Deus. Muitas vidas têm se rendido a Cristo por causa do
testemunho da “luz do mundo”, que está a brilhar pelo mundo afora (Fp.2:15).
III.
MANTENDO A LUZ BRILHANDO CONTINUAMENTE
“A
fim de que a nossa luz brilhe continuamente, mantenhamos estas três coisas
básicas: nossa união com Cristo, nossa comunhão fraternal e nosso testemunho
diário”.
1.
Nossa união com Cristo. Para
reluzirmos como luz do mundo, nossa união com Cristo é imprescindível. Mas como
saber que temos união com Cristo? Somente através de sinais visíveis e
sensíveis, que não deixa margem a dúvidas, comprovamos se uma pessoa vive, ou
não, uma vida de União com Cristo. Se nossas palavras conferem com nossas
obras, ou atos; se o nosso testemunho pessoal é compatível com o viver em
Cristo e para Cristo, então há um grande indício de que temos união com Cristo.
Não basta apenas dizermos, com palavras, que somos cristãos, ou que somos
crentes, precisamos através de nosso testemunho, ou da nossa maneira de viver,
tornar visíveis as evidências da nossa união com Cristo.
É
a nossa união com Cristo que nos mantém salvos (João 15:4,10). E essa união não
consiste numa simples relação afetiva com Jesus, mas numa inserção integral no
Ser divino (João 15:5,6).
“Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele,
este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer. Se alguém não estiver
em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo,
e ardem”.
Portanto:
-
Tornar-se evangélico não é uma evidência de união com Cristo. Na igreja de
Antioquia, as evidências da união com Cristo eram comprovadas pela mudança de
vida que as pessoas podiam constatar na vida dos então chamados crentes ou
cristãos. A denominação que se dava não era evangélica, mas cristãos: “... e em Antioquia foram os discípulos, pela
primeira vez, chamados cristãos” (Atos 11:26). Isto aconteceu por causa
das evidências da união com Cristo que havia na vida daqueles irmãos.
-
O batismo nas águas não é uma evidência da nossa união com Cristo. O
batismo nas águas é um ato material e visível, realizado pelo pastor. Por ele o
homem adquire o direito de ser membro de uma igreja evangélica, mas, não o
direito ou privilégio de ser membro do corpo de Cristo, que é a igreja
triunfante -” A universal assembleia e Igreja dos
primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hb.12:23). Nesta Igreja só
se entra através do Novo Nascimento, e este só se torna possível quando o homem
crê no evangelho de Cristo. Portanto, qualquer pessoa que tenha sido atraída
por promessas materiais, ou que tenha sido convencida por argumento humano,
vindo a passar pelo batismo nas águas, este não terá nenhum valor, não serve
como evidência de nossa união com Cristo.
-
O batismo no Espírito Santo não é uma evidência de nossa união com Cristo.
Talvez esta afirmação “apriori” assuste alguém. É evidente que o batismo no
Espírito Santo, genuinamente bíblico, é uma promessa para os salvos, conforme
Pedro afirmou em Jerusalém no dia de Pentecostes (Atos 2:38), mas, se o crente
que foi batizado com o Espírito Santo não soube conservar a santidade de seu
corpo, mas entregou-se ao pecado, deixou de ser o templo e a morada do Espírito
Santo, conforme João 14:23 e 1Co.3:16. Desta feita, o fato de ter sido batizado
no Espírito Santo não é uma evidência de estar em união com Cristo. Veja o caso
de Demas, cooperador de Paulo: “Porque Demas me
desamparou, amando o presente século...” (2Tm.4:10.
-
Prosperidade, riquezas materiais, saúde física não são evidências da nossa
união com Cristo. As grandes fortunas do mundo ou de nossa cidade não
estão nas mãos dos filhos de Deus, dos crentes fiéis, mas estão nas mãos de
pessoas que pecam contra Deus de forma deliberada. Assim, para o crente fiel, o
importante não é o que tem agora, mas, o que ele terá no futuro. Portanto,
todos os sinais de prosperidade, de riquezas, de saúde física, visíveis nos
pecadores, não são evidências de que estão em união com Cristo.
“...porque a vida de qualquer não consiste na abundância do
que possui” (Lc.12:15); “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais
miseráveis de todos os homens” (1Co.15:19).
Devemos
ser semelhantes a um candelabro que, para manter uma iluminação contínua, é
preciso que suas hastes conduzam o azeite para iluminação de forma
ininterrupta. Bem diz o Pr. Claudionor de Andrade: “Jesus é a “oliveira”, na
qual fomos enxertados (Rm.11:17-24). Unidos a Ele, jamais nos faltará o
precioso azeite, para vivermos uma vida plena e vitoriosa” (1João 2:20).
2.
Nossa comunhão fraternal. A”
Comunhão” é a principal característica da Igreja. É a sua marca perante a
humanidade, a característica indispensável para que o Senhor possa realizar a
sua obra através do seu povo. Pela comunhão, a Igreja mostra-se como um povo
perante os demais seres humanos e, graças a ela, pode cumprir todas as tarefas
determinadas a ela.
Argumenta
o Pr. Claudionor de Andrade: “o candelabro, embora
se destacasse por seus ricos e variados detalhes, formava uma única peça
(Êx.25:31). O mesmo podemos dizer da Igreja de Cristo. Embora formada por
membros de várias procedências e origens, constitui um único corpo (1Co.12:13).
Agora, todos somos um em Cristo” (Rm.12:5).
Portanto,
só existe um corpo de Cristo, uma Igreja, um rebanho, uma Noiva. Todos aqueles
que nasceram de novo e foram lavados no sangue do Cordeiro fazem parte dessa
bendita família de Deus. Esta unidade é construída sobre o fundamento da
verdade (Ef.4:1-6). Esta unidade não é externa, mas interna. Ela não é unidade
denominacional, mas espiritual. Por isso, a tendência ecumênica de unir todas
as religiões, afirmando que doutrina divide enquanto o amor une é uma falácia.
Não há unidade cristã fora da Verdade.
A
Igreja não é um clube de amigos ou uma associação humana secular, também não é
uma empresa; é o conjunto ou comunhão dos redimidos em Cristo, que compartilham
da “unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef.4:3); é o corpo místico de
Cristo, e cada crente em particular é membro desse corpo glorioso
(1Co.12:12,13). Se os membros desse corpo se amarem como Cristo recomenda,
serão conhecidos como seus discípulos (João 13:35) – “Nisto todos conhecerão
que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.
Uma vez que o crente é Templo e habitação do Espírito de Deus
(João 14:16,17; Rm.8:14; 1Co.3:16; 6:19), somos todos “um só corpo” (Ef.4:4),
servindo e amando a “um só Senhor”, compartilhando de “uma só fé”, “um só
batismo”, “uma só esperança”, “um só Deus e Pai de todos” (Ef.4:5,6). Uma
igreja unificada é uma fortaleza extraordinária contra qualquer inimigo.
Portanto,
como o Candelabro de sete lâmpadas, a Igreja de Cristo deve ser reconhecida por
sua unidade, por seu amor fraternal e por sua comunhão no Espírito Santo
(2Co.13:13). Não há luz tão intensa como a comunhão cristã. Guardemos, pois, a
“unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.
3.
Nosso testemunho diário. O
testemunho de uma vida transformada muitas vezes fala mais alto que as palavras
ditas na pregação do evangelho. Os descrentes não leem a Bíblia, senão no
testemunho dos crentes. Pedro orienta que as mulheres ganhem seus maridos pelo
seu procedimento (1Pd.3:1,2).
No
princípio da Igreja os crentes tinham um testemunho tal que as pessoas não
ousavam se aproximar e se misturar com eles (cf. At.5:13); pela sua vida de
santidade, pela sua comunhão com o Senhor, geravam temor, respeito e estima
entre os incrédulos. Isto também já presenciamos décadas atrás na nossa
sociedade em relação à igreja evangélica brasileira. Infelizmente, nos últimos
tempos, não há mais isto em nosso meio. Pelo contrário, não são poucos os
crentes que fazem questão de se parecer com os incrédulos; não são poucos os
crentes que querem se envolver, se misturar com os incrédulos, de tal maneira
que já não é tão fácil identificar uma pessoa que se diz crente da que não é.
Não estou aqui falando de aparência, de vestimenta ou de coisas semelhantes, mas
de algo muito mais profundo: de uma espiritualidade diversa.
Segundo
Paulo, o testemunho do cristão deve ser confirmado pela sua maneira
de andar e pelo seu falar - “Andai com sabedoria para com os que estão de
fora... A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal...”. Fica
claro que o crente não pode separar o que ele faz daquilo que ele é. Não
tendo uma maneira de andar conforme deve andar um seguidor de Jesus,
então, também, não pode falar que é um crente em Jesus. Conta-se que
um “crente” estava falando de Jesus e de sua Palavra. Uma pessoa que
o conhecia, disse-lhe: “O que você faz fala tão alto que eu não consigo
ouvir o que você diz”. Assim, para poder dizer que é um discípulo de
Jesus, para poder dar o seu testemunho de crente, para que a sua luz continue
brilhando é preciso viver como um discípulo de Cristo e andar como Ele andou.
É
bastante audível a exortação de Pedro: “Tendo
o vosso viver honesto entre os gentios, para que naquilo em que falam mal de
vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no Dia da visitação, pelas boas
obras que em vós observe” (1Pd.2:12).
Tem
você vivido como cristão? Como está o seu testemunho como salvo? Pode o mundo
ver a luz de Cristo sendo refletida por você cotidianamente? Se o nosso
testemunho diário está intimamente relacionado à luz de Cristo, então nosso
candelabro cumpre fielmente a sua missão: ser luz do mundo (Mt.5:14).
O
Candelabro era adornado por figuras de amendoeiras, nas quais brotavam a luz
gloriosa (Êx.25:33). Isto nos faz lembrar a visão de Jeremias. Deus mostrou ao
profeta Jeremias “uma vara de amendoeira” (Jr.1:11,12), e “vara”, como sabemos,
indica orientação, direção, julgamento. A Palavra de Deus é um guia para o
homem, é a seta que indica a Cristo, o Caminho que conduz à vida eterna. O
salmista exalta a Palavra como uma lâmpada: “Lâmpada
para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (Sl.119:105).
A Palavra aponta qual deve ser o Caminho a andar. No entanto, a Palavra é “uma
vara de amendoeira”, ou seja, ela nos julgará pela decisão que tomamos em
relação a ela, um julgamento que é, como a amendoeira, pronto, prioritário e
que não poderá ser impedido por ninguém – “Quem me
rejeitar a mim e não receber as minhas palavras já têm quem o julgue; a palavra
que tenho pregado, essa o há de julgar no último Dia” (João 12:48).
CONCLUSÃO
Ao
herdarmos de nosso Senhor a incumbência de ser Luz deste mundo não podemos
deixá-la que se apague. Devemos mantê-la brilhando continuamente. Isto só é
possível estando em Cristo, vivendo uma comunhão verdadeira com Ele. O que nos
mantém em comunhão com o Senhor é: a santificação contínua e incessante, sem a
qual ninguém verá o Senhor (Hb.12:14); a obediência à Palavra do Senhor, porque
ela é Lâmpada para os nós pês, e luz para o nosso caminho. Seguindo os seus
ditames não erraremos o alvo. Como está a nossa lâmpada? Está brilhando
intensamente e continuamente neste mundo tenebroso? Então tem azeite, tem o Espírito
Santo. Continuemos, pois, sempre assim, porque Jesus anda por entre os
candelabros, supervisionando-os, e quem não estiver brilhando Ele remove
(Ap.2:5). Que as nossas vestes estejam sempre alvas e que nunca falte azeite,
ou seja, o Espírito Santo, em nossa vida.


