ZOROBABEL RECOMEÇA A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO
“Ao vigésimo quarto dia do mês nono, no segundo ano de
Dario, veio a palavra do SENHOR pelo ministério do profeta Ageu, dizendo: [...]
Ponde, pois, eu vos rogo, [...] desde o dia em que se fundou o templo do
SENHOR, ponde o vosso coração nestas coisas” (Ag.2:10,18).
Esdras
5:
1.E
Ageu, profeta, e Zacarias, filho de Ido, profeta, profetizaram aos judeus que
estavam em Judá e em Jerusalém; em nome do Deus de Israel lhes profetizaram.
2.Então,
se levantaram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesua, filho de Jozadaque, e
começaram a edificar a Casa de Deus, que está em Jerusalém; e com eles os
profetas de Deus, que os ajudavam.
Ageu
1:
1.No
ano segundo do rei Dario, no sexto mês, no primeiro dia do mês, veio a palavra
do SENHOR, pelo ministério do profeta Ageu, a Zorobabel, filho de Sealtiel,
príncipe de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, dizendo:
12.Então,
ouviu Zorobabel, filho de Sealtiel, e Josué, filho de Jozadaque, sumo
sacerdote, e todo o resto do povo a voz do SENHOR, seu Deus, e as palavras do
profeta Ageu, como o SENHOR, seu Deus, o tinha enviado; e temeu o povo diante
do SENHOR.
Zacarias
4:
6.E
respondeu e me falou, dizendo: Esta é a palavra do
SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força, nem por violência, mas pelo meu
Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos.
7.Quem
és tu, ó monte grande? Diante de Zorobabel, serás uma campina; porque ele trará
a primeira pedra com aclamações: Graça, graça a ela.
8.E
a palavra do SENHOR veio de novo a mim, dizendo:
9.As
mãos de Zorobabel têm fundado esta casa, também as suas mãos a acabarão, para
que saibais que o SENHOR dos Exércitos me enviou a vós.
10.Por
que quem despreza o dia das coisas pequenas? Pois esse se alegrará, vendo o
prumo na mão de Zorobabel; são os sete olhos do SENHOR, que discorrem por toda
a terra que discorrem por toda a terra.
Essa
passagem em Zacarias 4:6 é um dos pilares de encorajamento em toda a
literatura bíblica. Para entender o peso dessa frase, precisamos olhar para o
cenário de "obra parada" e desânimo que Zorobabel enfrentava.
1.
O Contexto Histórico: O Peso de Zorobabel
Zorobabel
era o governador de Judá após o retorno do exílio na Babilônia. Ele tinha a
missão hercúlea de reconstruir o Templo de Jerusalém.
- O
Obstáculo: Os
recursos eram escassos, a oposição política era feroz e o povo estava
desanimado.
- A
Crise de Identidade:
Diante da grandiosidade do antigo Templo de Salomão, a nova construção
parecia "pequena" e insignificante aos olhos de muitos.
2.
A Visão do Candelabro
Antes
dessa frase, Zacarias vê em visão um candelabro de ouro com dois ramos de
oliveira que fornecem azeite diretamente para as lâmpadas. O azeite na Bíblia é
um símbolo clássico do Espírito Santo.
A
mensagem da visão era clara: o combustível para que a luz brilhasse não vinha
de esforço humano de reabastecimento, mas de uma fonte divina contínua.
3.
"Não por força, nem por violência"
Deus estava redefinindo a estratégia de sucesso para Zorobabel:
- "Não
por força" (chayil):
Refere-se à força militar, exércitos ou recursos financeiros. Deus diz que
o Templo não seria erguido pelo poder do "braço" humano.
- "Nem
por violência" (koach):
Refere-se à força física individual, energia ou vigor.
- "Mas
pelo meu Espírito":
O sucesso da obra dependeria da capacitação sobrenatural de Deus, que move
corações e remove montanhas de impedimentos.
4. A Montanha que se torna Planície
Logo
após o versículo 6, o texto continua dizendo: "Quem
és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel serás uma planície"
(Zacarias 4:7).
A
lição central: Quando Deus
designa uma tarefa, os obstáculos que parecem montanhas intransponíveis são
nivelados não pela truculência humana, mas pela presença do Espírito.
Aplicação Prática
Essa
passagem é frequentemente citada para lembrar que:
- Dependência
é Força: Reconhecer
que não temos o controle total é o primeiro passo para o agir de Deus.
- Equilíbrio: Não significa que Zorobabel não
precisaria trabalhar (ele teve que colocar as mãos na obra), mas que o resultado
final e a sustentação vinham do alto.
Em resumo, é um "pare de tentar carregar o mundo nos
ombros". Se a obra é de Deus, o fôlego para completá-la também vem d'Ele.
INTRODUÇÃO
Neste
estudo falaremos da reconstrução do segundo Templo, o de Zorobabel, que ficou
parado por muitos anos. A reconstrução fora interrompida pelo rei da Pérsia, o
rei Artaxerxes, atendendo uma carta dos samaritanos (Ed.4:24). Estes se
sentiram ameaçados, por isso armaram, traiçoeiramente, emboscadas contra o povo
de Deus, atrapalhando assim a obra; eles alugaram conselheiros e aparentemente
deram uma impressão enganosa sobre os judeus ao rei da Pérsia. Isso desanimou o
povo e os líderes de tal forma que parecia que o Templo jamais iria ser
reconstruído novamente. O povo ficou sem fé, sem coragem e sem esperança. Ficou
evidente que somente Deus poderia ajudá-los. Então, o Senhor usou os
profetas Ageu e Zacarias para incentivar e exortar o Seu povo a concluir a Sua
Casa.
Por
que a reconstrução do Templo era tão importante? Como fora previsto na lei de
Moisés, o Templo era o lugar onde o povo deveria se reunir para adorar ao
Senhor, trazer ofertas e sacrifícios, bem como Deus manifestar-se perante o
povo, cobrindo os pecados e ouvindo o clamor do povo. O Templo, que é
chamado de “casa” ou “casa de Deus”, era apenas um local escolhido por Deus
para que se tornasse visível a Sua aliança com o Seu povo, jamais representando
o local onde Deus estivesse, pois o Senhor jamais poderia ser contido em um
edifício, como reconheceu o próprio Salomão, que, no dia da dedicação do
primeiro Templo, afirmou que “…os céus
e a terra não Te podem conter, quanto menos esta casa que tenho edificado…” (2Cr.6:18b).
O Templo, portanto, era um local onde Deus manteria fixos os Seus olhos e o Seu
coração todos os dias, a fim de que o Seu nome fosse perpetuamente estabelecido
em Israel (2Cr.7:16).
Sabemos
que aquilo que é estabelecido por Deus não pode ser alterado pelo homem nem
pela história. Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que Se
arrependa (Nm.23:19), de modo que, a partir da construção do Templo por
Salomão, esta edificação passaria a acompanhar a própria história de Israel e
isto continuará ocorrendo ao longo dos séculos.
I.
DEUS SUSCITA OS PROFETAS AGEU E ZACARIAS
Quando
as circunstâncias adversas chegam, pode causar grande estrago na vida
espiritual do povo de Deus, caso ele não esteja debaixo do sobrenatural de
Deus. A fé e a esperança podem sofrer reveses ou a até ruir, se o povo não
buscar ajuda de Deus.
O
povo regresso do cativeiro, após receber permissão do rei Ciro para voltar à
sua terra e de obter provisão para reconstruir o Templo (Esdras 1:1-4),
enfrentou algumas dificuldades: a primeira foi a estrema miséria e opróbrio em
que se encontrava o território de Israel, e a pobreza extrema dos restantes que
tinham ficado na terra (Ne.1:3); a segunda foi a oposição amarga dos
samaritanos depois que foram descartados como parceiros da reconstrução
(Ed.4:1-23); a terceira foi o decreto de Artaxerxes ordenando paralisar a obra
de reconstrução (Ed.4:24). A confluência desses fatores levou os judeus a
abandonarem o projeto da reconstrução e dedicarem-se somente aos seus
interesses. É nesse contexto que dois profetas, Ageu e Zacarias, se levantaram
para exortar o povo, denunciar seus pecados e encorajá-lo a fazer a Obra de
Deus. Primeiro veio Ageu (Ag.1:1); depois levantou-se Zacarias (Zc.1:1,2;
4:1,6).
“No ano segundo do rei Dario, no sexto mês, no primeiro dia do
mês, veio a palavra do Senhor, pelo ministério do profeta Ageu, a Zorobabel,
filho de Sealtiel, príncipe de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo
sacerdote” (Ageu 1:1).
“No oitavo mês do segundo ano de Dario, veio a palavra do Senhor
ao profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ido, dizendo: O Senhor tem
estado em extremo desgostoso com vossos pais” (Zc.1:1,2).
“E tornou o anjo que falava comigo, e me despertou, como a um
homem que é despertado do seu sono. Então, respondeu o anjo que falava comigo e
me disse: Não sabes tu o que isto é? E eu disse: Não, Senhor meu. E respondeu e
me falou, dizendo: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por
força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc.4:1,5,6).
Note
que os profetas foram enviados pelo Senhor para proferir “a palavra do Senhor”.
Eles se dirigiram ao povo não com uma mensagem de sua autoria, mas “segundo a
mensagem do Senhor” (Ag.1:13). O profeta não é a fonte da mensagem; ele não
cria a mensagem, apenas a transmite. A mensagem não é do profeta, é de Deus por
meio do profeta. O profeta é o instrumento e o canal, e não o reservatório, de
onde emana a mensagem. O profeta de Deus deve ser escravo da Palavra
de Deus; seu lema deve ser o do profeta Micaías: “O
que o SENHOR me disser, isso falarei” (1Rs.22:14).
“Ageu e Zacarias foram enviados do Senhor, e não profetas da
conveniência. Não pregaram o que o povo quis ouvir, mas o que Deus os mandou
falar. Não deram ao povo a palha seca de seus sonhos, mas o trigo nutritivo da
Palavra de Deus. Eles não pregaram para encorajar o povo a buscar prosperidade
e riqueza, mas para denunciar sua ânsia por conforto e luxo. Não pregaram
amenidades, mas a verdade absoluta. Eles não foram um alfaiate do efêmero, mas
escultores do Eterno” (Dias Lopes,
Hernandes. Obadias e Ageu).
2.
Ageu e Zacarias animam povo a prosseguir com a reconstrução (Ag.5:1,2)
Estes
dois profetas incentivaram os israelitas a retornar as obras do Templo, em vez
de ficarem construindo casas luxuosas para si (Ag.1:4). Continuar o projeto era
um ato de fé, pois, nessa época, a comunidade trabalhadora dificilmente
sobreviveria (cf.Ag.1:5-11). As mensagens vieram aos dois principais líderes,
Zorobabel e Josué, e ao povo. A resposta dos líderes e do povo à Palavra de
Deus foi pronta e imediata:
“Então, ouviu Zorobabel, filho de Sealtiel, e Josué, filho de
Jozadaque, sumo sacerdote, e todo o resto do povo a voz do SENHOR, seu Deus, e
as palavras do profeta Ageu, como o SENHOR, seu Deus, o tinha enviado; e temeu
o povo diante do SENHOR” (Ag.1:12).
A
pregação que não suscita reações é inútil. A pregação deve produzir efeitos.
Três verdades merecem destaque (adaptado do livro “Obadias e Ageu, de Hernandes
Dias Lopes):
a)
A resposta à Palavra de Deus começa pela liderança (Ag.1:12). Zorobabel e Josué - O líder político e o
líder religioso, o governador e o sumo sacerdote, o poder civil e o poder
religioso -, receberam uma mensagem pessoal. Estes dois líderes deram exemplo e
foram os primeiros a aceitar a Palavra de Deus; eles obedeceram ao Senhor e
ordenaram o início das obras do Templo. Observe que não foi por força do
decreto do rei que a construção foi retomada, mas pelo poder do Espírito Santo,
que falava por meio dos profetas de Deus (Zc.4:6).
Os
líderes precisam ser o exemplo e dar o primeiro passo, precisam ser modelos
para o povo. Quando a liderança acerta sua vida com Deus, os liderados seguem
seus passos. Se de um lado a vida do líder é a vida de sua liderança, por outro
lado os pecados do líder são os mestres do pecado do povo. O líder é um
influenciador; ele influencia sempre, para o bem ou para o mal. Zorobabel e
Josué foram líderes que influenciaram para o bem.
b)
A resposta à Palavra de Deus manifesta-se pela obediência (Ag.1:12). Quando a liderança obedece a
Deus, os liderados seguem seus passos. Quando o povo viu seus líderes atendendo
à voz de Deus, eles prontamente se dispuseram a também obedecer. A obediência é
a única evidência de que alguém de fato ouviu a voz de Deus. A obediência à Sua
Palavra é o que Deus mais espera do Seu povo. Deus diz através do profeta
Samuel: “Tem, porventura, o Senhor tanto
prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra do Senhor?
Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a
gordura de carneiros” (1Sm.15:22).
c)
A resposta à Palavra de Deus passa pela reverência (Ag.1:12) – “...e temeu o povo diante do
SENHOR”. Isto quer dizer que o povo manifestou
reverência para com o Senhor. Em lugar de fugirem ao cumprimento da sua tarefa
por recearem a hostil oposição dos vizinhos, o povo, agora, começa a temer
àquele cujo poder é infinitamente maior, que faz abalar os céus e a terra e
destrói reinos e nações (Ag.2:6,22).
A
falta de temor diante do Senhor havia levado o povo ao cativeiro e agora os
desviara da obra de reconstrução do Templo. Mas o temor os fez voltar para Deus
e colocar as mãos na Obra de Deus. É impossível ouvir a Deus sem temê-lo. É
impossível temer a Deus sem obedecer-lhe.
Onde
não há temor de Deus, a vida espiritual é decadente. Uma postura sem temor em
relação a Deus esposada por muitos crentes é responsável pela inanição
espiritual de tantas igrejas locais em nossos dias. A falta de temor de Deus,
de reverência, tem desembocado em decadência espiritual em todo o mundo; veja o
exemplo das igrejas nos Estados Unidos e na Europa; lá, o cristianismo
verdadeiro está em falência, exatamente porque o povo, sob uma liderança
secularizada e liberal, tem demonstrado falta de temor a Deus.
3.
O povo recebeu também uma mensagem de Deus
O
profeta Ageu mostrou ao povo que os prejuízos materiais, que haviam sofrido,
eram consequência da omissão frente ao dever que tinham com a Casa do Senhor
(Ag.1:6,9). Ageu falou-lhes do prejuízo que sofre o homem que busca somente a
sua prosperidade material, e deixa a Casa de Deus deserta (Ag.1:4). O profeta
deu ao povo uma ordem estimulante:
“Subi o monte, e trazei madeira, e edificai a casa; e dela me
agradarei, e eu serei glorificado” (Ag 1.8).
O
profeta Ageu falou em nome do Senhor dos Exércitos, trazendo algumas verdades
solenes para o povo (adaptado do livro “Obadias e Ageu, do reverendo Hernandes
Dias Lopes):
a)
Antes de investir na obra de Deus, precisamos rever nossas motivações” (Ag.1:7) – “Assim
diz o Senhor dos Exércitos: Considerai o vosso passado”.
Antes
de ordenar que o povo suba ao monte e traga madeira a fim de reconstruir o
Templo, o profeta ordena que eles novamente considerem o seu passado. Na
construção do primeiro Templo, houve uma atitude oposta à atitude que eles
estavam adotando. Davi pensou em fazer o melhor para Deus (2Sm.7:2); mas, o
povo que estava sob a liderança de Zorobabel estava pensando em fazer o melhor
para si mesmo. Davi colocou Deus e sua casa em primeiro lugar; mas, o povo
estava colocando a si mesmo e suas casas em primeiro lugar. O problema deles
não era falta de recursos, mas falta de prioridade.
O
capital do povo de Deus é a fé. O povo de Deus que se propõe a dar glória ao
nome de Deus realiza coisas extraordinárias para Deus; porém, sempre que
colocamos os nossos interesses à frente dos interesses de Deus, deixamos Sua
Casa em ruinas.
b)
Deus se agrada e é glorificado quando investimos em Sua Casa (Ag.1:8) – “Subi o
monte, e trazei madeira, e edificai a casa; e dela me agradarei, e eu serei
glorificado”.
O
povo estava usando as madeiras nobres para embelezar com requinte e luxo suas
casas, ao mesmo tempo que abandonava a Casa de Deus. Agora, Deus ordena o povo
a subir ao monte, trazer madeira e edificar a Casa. Duas coisas o Senhor
afirma:
ü Deus
se agradava de Sua Casa (Ag.1:8). Deus tomou a decisão de habitar
no meio do Seu povo (Ex.25:8). Quando o Templo de Salomão foi consagrado, Deus
afirmou ter escolhido aquele lugar para habitar. Deus tem prazer em habitar no
meio do Seu povo, por isso se agradava da Sua Casa.
ü Deus
era glorificado em Sua Casa (Ag.1:8). Quando o povo de Deus ia à
Casa de Deus para adorá-lo, Deus era glorificado. Esse Templo era apenas um
tipo do verdadeiro templo em que Deus habita, a Igreja. Nós somos a habitação
de Deus; nós, povo remido pelo sangue do Cordeiro, somos o verdadeiro santuário
do Espírito Santo (1Co.6:19). Quando investimos na obra de Deus, isso agrada e
glorifica o Seu glorioso nome.
c)
O Deus que abençoa é também o Deus que retém as bênçãos (Ag.1:10,11). O profeta Ageu conclui:
“Por isso, retêm os céus o seu orvalho, e a terra retém os seus
frutos. E fiz vir a seca sobre a terra, e sobre os montes, e sobre o trigo, e
sobre o mosto, e sobre o azeite, e sobre o que a terra produz, como também
sobre os homens, e sobre os animais, e sobre todo o trabalho das mãos”.
O
pecado produz amargas consequências; jamais ficará impune aquele que não
confessa o seu pecado e não o abandona. O desprezo pelos mandamentos de Deus e
as racionalizações humanas para retardar a Obra de Deus produziram resultados
trágicos para o povo. Destacamos dois pontos importantes:
a) Deus é o Agente da disciplina (Ag.1:10,11). A natureza está a serviço de Deus
para trazer juízo sobre o povo. Os céus e a terra são instrumentos da
disciplina de Deus. Os céus retiveram o orvalho e a terra reteve
seus frutos. E por quê? Para disciplinar o povo de Deus, que estava retendo em
suas mãos o que deveria investir na Casa de Deus. É Deus quem faz vir a seca
sobre a terra, sobre os montes, sobre o cereal, sobre o vinho, sobre o azeite e
sobre o que a terra produz, bem como sobre os homens, os animais e todo o
trabalho das mãos. A seca castigou as pessoas, os animais e todas as
plantações. Não foi um acidente ou o acaso de uma natureza caprichosa, foi ação
divina (leia Dt.28:22-24).
b) Deus impediu o povo de usufruir o que deixaram de investir
em Sua Casa (Ag.1:10,11). A
retenção do orvalho dos céus e a escassez de frutos da terra, bem como a seca
que atingiu as lavouras, os homens, os animais e todo seu trabalho, são provas
de que, quando retemos o que é de Deus, isso de nada nos aproveita. Quando
deixamos de entregar o que pertence a Deus, na Casa de Deus, isso vaza pelos
dedos, é o mesmo que colocar salário num saco furado. Deus não deixa sobrar!
Foi isto que ocorreu com o povo de Israel daquela época. Em suma, a ordem
divina é: coloque Deus em primeiro lugar (Ag.1:1-4); creia nas promessas de
Deus (Ag.1:5,6,9-11); glorifique o nome de Deus (Ag.1:7,8).
II.
O DESPERTAMENTO DE DEUS AO SEU POVO (Ag.1:14,15)
“O Senhor despertou o espírito de Zorobabel, filho de Salatiel,
governador de Judá, e o espírito de Josué, filho de Jozadaque, o sumo
sacerdote, e o espírito do resto de todo o povo; eles vieram e se puseram ao
trabalho na Casa do Senhor dos Exércitos, seu Deus, ao vigésimo quarto dia do
sexto mês”.
Despertado
pelo Senhor, através dos seus profetas, o povo retomou a construção do Templo.
Três verdades nos chamam a atenção neste texto (Adaptado do livro “Obadias e Ageu, de Hernandes Dias Lopes):
1.
Deus trabalha em nós antes de trabalhar por nosso intermédio (Ag.1:14)
“E o Senhor levantou o espírito de Zorobabel, filho de Sealtiel,
príncipe de Judá, e o espírito de Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e
o espírito do resto de todo o povo...” (Ed.1:14).
O
Eterno deu ânimo e coragem aos dois líderes. O impacto do ânimo divino não
ficou apenas no coração; desceu às mãos. Antes de Deus trabalhar por nosso
intermédio, Ele trabalha em nós. Na verdade, é o próprio Deus quem faz a Sua
obra por nosso intermédio. Deus é o Agente, somos apenas os instrumentos. Um
planta, outro rega, mas só Deus pode dar o crescimento (1Co.3:6). Deus é quem
opera em nós tanto o querer quanto o realizar (Fp.2:13).
2.
Um povo motivado demonstra entusiasmo coletivo (Ed.1:14)
“...eles vieram e se puseram ao trabalho...”.
Quando
Deus despertou o espírito dos líderes e dos liderados, todos se ergueram para o
trabalho. O que faltava era motivação e entusiasmo. Um povo motivado é um povo
ativo. Um povo despertado por Deus é um povo dinâmico e operoso. Onde falta
entusiasmo e motivação, há acomodação espiritual e cada um começa a correr
atrás apenas de seus interesses.
Na
construção do segundo Templo, depois de motivados, todos colocaram as mãos na
obra. Os líderes na frente e em seguida todo o povo. O trabalho é grande e
precisa da participação de todos. Hoje, infelizmente, cerca de vinte por cento
dos membros realizam a obra enquanto os demais assistem. Precisamos entender
que somos um corpo no qual cada membro tem sua função. Somos uma família na
qual cada um exerce o seu papel. Somos um exército onde cada soldado tem seu
campo de luta. Somos construtores do santuário de Deus no qual cada um deve
trabalhar com zelo e alegria. Pense nisso!
3.
Um povo despertado por Deus engaja-se na obra de Deus (Ed.1:14,15)
“...eles vieram e se puseram ao trabalho na Casa do Senhor dos
Exércitos, seu Deus, ao vigésimo quarto dia do sexto mês”.
A
Casa de Deus havia sido abandonada por, aproximadamente, quinze anos. Os
fundamentos tinham sido lançados, mas a Casa ainda estava sem teto. Os
escombros, os obstáculos, a oposição e o edito do rei persa lançaram uma pá de
cal na disposição do povo. Porém, ao ouvir a voz de Deus, o povo se encheu de
entusiasmo e todos se puseram ao trabalho na Casa do Senhor.
Vinte
e quatro dias após a mensagem do Senhor ter sido transmitida ao povo pela
instrumentalidade de Ageu, a obra da reconstrução do Templo teve início. Esse
intervalo de tempo decorrido não indica uma demora em responder ao desafio
lançado; antes, constituiu o tempo necessário para planejamento e organização.
O material tinha de ser reunido (Ed.1:8) e técnicos competentes precisavam ser
contratados (Ed.3:7).
Somente
quando o povo obedece à Palavra de Deus é que pode chamar-lhe de “seu Deus”
(Ed.1:14). Eles não tinham o direito de chamar-lhe de “seu Deus” enquanto não
começassem a escutá-lo e a aproximar-se dEle.
III.
UMA NOVA OPOSIÇÃO EXSURGE (Ag.5:3-17)
Os
inimigos novamente não deixaram escapar a oportunidade de utilizar as suas
artimanhas para impedir a obra de Deus. Certamente sabiam do êxito logrado há,
aproximadamente, 15 anos atrás, e agora se levantam novamente para opor-se à
obra de Deus. Porém, agora, os líderes e o povo não usaram da força própria
para debelar a oposição; agora, era o Espírito Santo quem lutava pelo povo;
agora, os profetas de Deus os motivavam a continuar a obra.
1.
O governador daquela região enviou carta ao rei, informando sobre a construção
(Ed.5:3-5).
“Naquele tempo, veio a eles Tatenai, governador daquém do rio, e
Setar-Bozenai, e os seus companheiros e disseram-lhes assim: Quem vos deu ordem
para edificardes esta casa e restaurardes este muro? Então, assim lhes
dissemos: E quais são os nomes dos homens que construíram este
edifício? Porém os olhos de Deus estavam sobre os anciãos dos
judeus, e não os impediram, até que o negócio veio a Dario, e, então,
responderam por carta sobre isso”.
O
governador persa e seus companheiros vieram a Jerusalém para saber que
autoridade os judeus tinham para retornar as obras e quais os nomes dos homens
encarregados da reconstrução (cf.Ed.5:9,10). Os trabalhadores informaram os
nomes dos líderes judeus ao governador. Em vez de ordenarem a interrupção
imediata dos trabalhos, esses oficiais persas foram mais sensatos que os
mencionados em Esdras capítulo 4, e enviaram uma carta ao rei Dario para
verificar a legalidade das obras. Por terem voltado a obedecer à Palavra de
Deus, os olhos do Senhor voltaram-se para os judeus a fim de cumprir Sua
vontade.
Tatemai e Setar-Bozenai escreveram uma carta ao rei Dario relatando toda a
conversa com os judeus (cf. Ed.5:6-17). Em primeiro lugar, os anciãos judeus
falaram sobre a autoridade divina e se declararam servos do Deus verdadeiro que
haviam sido entregues aos babilônios por causa de seus pecados, mas Deus os
trouxera de volta e ordenara que reconstruíssem o Templo. Na esfera da
autoridade humana, declararam que Ciro deu ordem, autorizando a reconstrução do
Templo, e contribuiu generosamente para o projeto. Em vista dessas informações,
o governador solicitou uma busca nos arquivos reais, a fim de verificar se de
fato o rei Ciro autorizara a reconstrução. Além disso, pediu ao rei Dario que
comunicasse o que deveria ser feito sobre isto.
2.
O rei Dario autoriza a continuidade das obras do Templo (Esdras capítulo 6)
Em
seguida, Dario transmitiu ordens a Tatenai e a seus
companheiros informando como proceder com os judeus: além de não interromper a
obra, deveriam pagar a despesa da reconstrução com o dinheiro dos tributos
guardados na tesouraria real. Além disso, deveriam abastecer o serviço do
templo segundo a determinação dos sacerdotes (Ed.6:9), a fim de que os judeus
voltassem a desfrutar do favor de Deus e, desse modo, suas orações fossem
ouvidas quando intercedessem pelo rei e por sua família. Dario também
acrescentou que interromper as obras seria considerado crime sujeito à pena de
morte e invocou o Senhor para que tomasse providências contra qualquer pessoa,
incluindo reis, que tentasse destruir esta Casa de Deus no futuro (cf. Esdras
6:6-12).
As
ordens de Dario foram cumpridas com presteza, e os judeus retornaram as obras
de reconstrução do Templo. Com o incentivo dos profetas, além dos suprimentos
fornecidos por Dario, a obra terminou quatro anos depois (cerca de dezenove de
dezembro ou vinte anos após o término da fundação. O rei Artaxerxes reinou
depois de Dario e contribuiu para a manutenção do Templo, não para a construção
(estudaremos sobre isto na próxima Aula).
“Então, Tatenai, o governador de além do rio, Setar-Bozenai e os
seus companheiros assim fizeram apressuradamente, conforme o que decretara o
rei Dario. E os anciãos dos judeus iam edificando e prosperando pela profecia
do profeta Ageu e de Zacarias, filho de Ido; e edificaram a casa e a
aperfeiçoaram conforme o mandado do Deus de Israel, e conforme o mandado de
Ciro, e de Dario, e de Artaxerxes, rei da Pérsia. E acabou-se esta casa no dia
terceiro do mês de Adar, que era o sexto ano do reinado do rei Dario” (Ed.6:13-15).
3
A Dedicação do Templo (Ed.6:16-22)
16.E os filhos de Israel, e os sacerdotes, e os levitas, e o
resto dos filhos do cativeiro fizeram a consagração desta Casa de Deus com
alegria.
17.E ofereceram para a consagração desta Casa de Deus cem
novilhos, duzentos carneiros, quatrocentos cordeiros e doze cabritos, por
expiação do pecado de todo o Israel, segundo o número das tribos de Israel.
18.E puseram os sacerdotes nas suas turmas e os levitas nas suas
divisões, para o ministério de Deus, que está em Jerusalém, conforme o escrito
do livro de Moisés.
19.E os que vieram do cativeiro celebraram a Páscoa no dia
catorze do primeiro mês;
20.porque os sacerdotes e levitas se tinham purificado como se
fossem um só homem, e todos estavam limpos; e mataram o cordeiro da Páscoa para
todos os filhos do cativeiro, e para seus irmãos, os sacerdotes, e para si
mesmos.
Os
israelitas e seus líderes celebraram com regozijo a dedicação do Templo. Após
anos de fracassos, dificuldades, frustrações e tristezas, finalmente as obras
do Templo terminaram. Foi com esse objetivo que voltaram da Babilônia e, se
alguns semearam com lágrimas, foi com alegria que colheram. Depois disso, o
povo celebrou a “Páscoa e a Festa dos Pães Asmos com regozijo” (Ed.6:22), pois
percebeu claramente a mão de Deus por meio dos favores que recebera de Dario.
“E celebraram a Festa dos Pães Asmos os sete dias com alegria,
porque o Senhor os tinha alegrado e tinha mudado o coração do rei da Assíria a
favor deles, para lhes fortalecer as mãos na obra da Casa de Deus, o Deus de
Israel” (Ed.6:22).
O
texto se refere a Dario como rei da Assíria porque este passou a governar sobre
o antigo Império Assírio.
CONCLUSÃO
Pela
graça motivadora de Deus ao seu povo, pela instrumentalidade dos profetas Ageu
e Zacarias, o povo foi despertado a reconstruir o Templo, a Casa do Senhor. O
Templo construído e o culto verdadeiro praticado eram a declaração de que a
vida religiosa estava normalizada. Uma nova etapa na vida de Judá tinha
começado. No futuro, algo glorioso aconteceria naquele Templo: “A glória desta última casa será maior do que a da
primeira, diz o Senhor dos Exércitos” (Ag.2:9). O próprio
Senhor da glória entraria nessa Casa e daria a ela um novo significado. Seu
corpo oferecido na cruz seria o santuário que seria destruído para ser
reconstruído pelo poder da ressurreição e, então, o santuário vivo de Deus
seria sua Igreja (1Co.6:19). Deus Pai habita na Igreja (Ef.3:19). O Deus Filho
habita na Igreja (Ef.1:23). O Espírito Santo habita na Igreja (Ef.5:18). A Trindade excelsa habita em nós (João 14:23).
Deus faz morada em nós. A Trindade tem sua
morada no cristão. Isso é maravilhoso? Pense nisso!



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