ESDRAS E O ENSINO DA PALAVRA DE DEUS
Esse momento descrito em Neemias 8 é um dos divisores de águas na história bíblica. Esdras não era apenas um líder religioso; ele foi o arquiteto do reavivamento espiritual pós-exílio. Após décadas na Babilônia, o povo havia perdido o contato com sua identidade e com a Palavra de Deus.
Aqui
estão os pontos fundamentais sobre quem foi Esdras e o impacto desse evento:
1.
A Identidade de Esdras
Esdras
acumulava duas funções cruciais: era sacerdote (linhagem de Arão) e escriba
(especialista na Lei). A Bíblia diz que ele "tinha
preparado o seu coração para buscar a Lei do Senhor e para a cumprir, e para
ensinar em Israel" (Esdras 7:10). Ele não apenas lia o texto; ele o
vivia.
2.
O Cenário: A "Igreja" na Praça
Diferente
do que se poderia esperar, essa leitura não aconteceu dentro de um templo
fechado, mas na Porta das Águas, uma praça pública. Isso indica que a Palavra
de Deus deveria estar no centro da vida comunitária, acessível a todos: homens,
mulheres e crianças capazes de entender ("sábios").
3.
A Reverência e a Fome pela Palavra
O
texto destaca detalhes fascinantes sobre a postura do povo:
- Resistência
física: Eles ficaram
de pé "desde a alva até ao meio-dia"
(cerca de seis horas).
- Atenção
plena: "Os ouvidos de todo o povo estavam
atentos". Não era uma audição passiva; era uma busca
desesperada por direção.
- Exposição
explicativa: Esdras
não apenas leu. O versículo 8 do mesmo capítulo diz que eles "leram o
livro... e declarando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse".
Foi, essencialmente, a primeira grande escola bíblica da história.
O Impacto do Reavivamento
O
resultado dessa leitura foi o arrependimento coletivo. Ao ouvirem a Lei, as
pessoas choraram ao perceber o quanto estavam distantes dos mandamentos de
Deus. No entanto, Esdras e Neemias as acalmaram, proferindo uma das frases mais
célebres da Bíblia: "A alegria do Senhor é a vossa força" (Ne 8:10).
Por
que isso importa hoje? Esdras demonstra que a restauração de uma sociedade não
começa pela política ou pela economia, mas pelo retorno aos fundamentos
espirituais e éticos contidos na Palavra. Ele transformou uma multidão de
exilados em uma nação com propósito.
Texto
Bíblico: Neemias 8:1-12
“E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação [...] E leu nela [...] desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne.8:2,3).
Neemias
8:
1.É
chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o
povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e
disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o
SENHOR tinha ordenado a Israel.
2.E
Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação, assim de homens como
de mulheres e de todos os entendidos para ouvirem, no primeiro dia do sétimo
mês.
3.E
leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até
ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e entendidos; e os ouvidos de todo o
povo estavam atentos ao livro da Lei.
4.E
Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram para aquele
fim; e estavam em pé junto a ele, à sua mão direita, Matitias, e Sema, e
Anaías, e Urias, e Hilquias, e Maaséias; e à sua mão esquerda, Pedaías, e
Misael, e Malquias, e Hasum, e Hasbadana, e Zacarias, e Mesulão.
5.E
Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava acima de
todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé.
6.E
Esdras louvou o SENHOR, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém!?,
levantando as mãos; e inclinaram-se e adoraram o SENHOR, com o rosto em terra.
7.E
Jesua, e Bani, e Serebias, e Jamim, e Acube, e Sabetai, e Hodias, e Maaséias, e
Quelita, e Azarias, e Jozabade, e Hanã, e Pelaías, e os levitas ensinavam ao
povo na Lei; e o povo estava no seu posto.
8.E
leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que,
lendo, se entendesse.
9.E
Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que
ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao SENHOR,
vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo
chorava, ouvindo as palavras da Lei.
10.Disse-lhes
mais: Ide, e comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que
não têm nada preparado para si; porque esse dia é consagrado ao nosso Senhor;
portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força.
11.E
os levitas fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos, porque este dia é
santo; por isso, não vos entristeçais.
12.Então,
todo o povo se foi a comer, e a beber, e a enviar porções, e a fazer grandes
festas, porque entenderam as palavras que lhes fizeram saber.
INTRODUÇÃO
Neste
estudo falaremos do grande valor do ensino das Escrituras Sagradas ao povo de
Deus. E o ensino das Escrituras precisa ser realizado por pessoas que se
dedicam a este ministério. Esdras estava ciente de que para iniciar a
reconstrução religiosa do povo era necessário começar pelo ensino da Palavra de
Deus, pois sem ela não há identidade espiritual nem moral. Por isso, Esdras foi
a Jerusalém e ensinou o povo as Escrituras Sagradas; o avivamento do povo de
Deus foi tremendo, e teve início mediante um autêntico retorno à Palavra de
Deus e um esforço decisivo para a compreensão da sua mensagem (Ne.8:8).
Há
uma profunda conexão entre o ensino fiel das Escrituras e o avivamento
espiritual. Sempre que a Palavra de Deus é exposta com poder há uma profunda
manifestação do Espírito Santo, gerando despertamento espiritual na vida do
povo de Deus. Neemias 8 é um grande modelo da pregação que produz o verdadeiro
crescimento espiritual. Martin Lloyd-Jones disse que a pregação é a tarefa mais
importante do mundo, a maior necessidade da Igreja e a maior necessidade do
mundo. Podemos afirmar, portanto, que a Palavra de Deus é o elemento central
para gerar avivamento, crescimento e desenvolvimento do caráter do povo de
Deus.
I.
O POVO SE AJUNTOU NA PRAÇA PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS
“É chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas
cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das
Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés,
que o Senhor tinha ordenado a Israel” (Ne.8:1).
À
época de Neemias e Esdras o maior avivamento espiritual ocorrido em Jerusalém
foi a restauração da autoridade da Palavra de Deus sobre o povo. A leitura da
Bíblia por Esdras trouxe um grande impacto na vida do povo.
1.
O líder deve ser apto para ensinar
Entre
os crentes sempre há a necessidade de ensino e esta oportunidade não deve de
forma alguma ser negligenciada pelo líder; ele deve procurar aproveitá-la ao
máximo possível. O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo afirma que o verdadeiro
líder deve estar apto para ensinar (1Tm.3:2). Ele deve ensinar a outros e
treinar líderes (Tt.1:9). A maior necessidade da Igreja é de homens que
conheçam, vivam e ensinem a Palavra de Deus com aptidão. O ensino da Palavra de
Deus é a tarefa mais importante que existe no mundo. As pessoas não buscam
alguém para lhes contar bonitas experiências, mas procuram um fiel e apto
expositor das Escrituras.
2.
O povo se reuniu para ouvir a Palavra de Deus
Uma
das principais evidências de um avivamento bíblico entre o povo de Deus é a
grande fome de ouvir e ler a Palavra de Deus. Esdras subiu numa plataforma
especialmente construída para a ocasião e, ao lado de treze levitas, leu por
várias horas o que havia no Livro da Lei de Moisés. O povo demonstrou profundo
respeito pela Palavra de Deus (ler Ne.8:5,6), à medida que os levitas,
mencionados no versículo 7 do capítulo 8, forneciam explicações sobre o que
estava sendo dito (Ne.8:8).
O
ajuntamento do povo para ouvir a Palavra de Deus naquela ocasião tem quatro
características distintas que devem servir de modelo para a Igreja
contemporânea (Adaptado do Livro “Neemias”, de Hernandes Dias Lopes):
a) O ajuntamento foi espontâneo (Ne.8:1) – “É chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça...”. Deus moveu o coração do povo para reunir-se para buscar a Palavra de Deus. Eles não se reuniram ao redor de qualquer outro interesse. Hoje o povo busca resultados e não a verdade; coisas materiais e não a Deus; benefícios pessoais e não a Palavra de Deus; querem as bênçãos de Deus, mas não o Deus das bênçãos. Têm fome de prosperidade e sucesso, mas não têm fome da Palavra.
b) O ajuntamento foi coletivo (Ne.8:2,3). Todo o povo, homens e mulheres, reuniram-se
para buscar a Palavra de Deus. Ninguém ficou de fora. Pobres e ricos,
agricultores e nobres, homens e mulheres, jovens e crianças. Eles tinham um
alvo em comum: buscar a Palavra de Deus. Precisamos ter vontade de nos reunir
não apenas para ouvir cantores famosos ou pregadores conhecidos, mas para ouvir
a Palavra de Deus. O centro do culto é a pregação da Palavra de Deus.
c) O ajuntamento foi harmonioso (Ne.8:1) - "Todo o povo se ajuntou
como um só homem". Não
havia apenas ajuntamento, mas comunhão. Não apenas estavam perto uns dos
outros, mas eram unidos de alma. A união deles não era em torno de encontros
sociais, mas em torno da Palavra de Deus.
d) O ajuntamento foi proposital (Ne.8:1) - "[...]
e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés, que o
Senhor tinha prescrito a Israel". O propósito do povo era ouvir a
Palavra de Deus. Eles tinham sede da Palavra. Eles tinham pressa de ouvir a
Palavra. Não era qualquer novidade que os atraía, mas a Palavra de Deus.
Esse
método de Esdras e dos levitas tem sido abençoado por Deus ao longo dos séculos
e continua a ser um instrumento eficaz para levar o povo de Deus da Nova
Aliança à maturidade e ao despertamento espiritual. Pregações textuais e
temáticas podem, com frequência, ser inspiradoras e úteis, porém seus
benefícios espirituais não se comparam aos resultados alcançados por
ministérios semelhantes ao de Esdras. Abençoados são os cristãos que têm o
privilégio de ouvir pregações expositivas sobre as Escrituras Sagradas.
3.
O povo estava atento à leitura da Palavra de Deus
“E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das
Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e entendidos;
e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne.8:3).
De
pé sobre um púlpito de madeira, durante sete dias, seis horas por dia, Esdras
leu o livro da lei (Ne.8:3,18). O povo permaneceu desde a alva até ao meio-dia,
sem sair do lugar (Ne.8:7), com os ouvidos atentos. Eles queriam Pão do Céu, a
Verdade de Deus. Só o Pão nutritivo da Palavra de Deus pode saciar a fome
daqueles que anseiam por Deus.
4.
Homens preparados foram designados para o ensino (Ne.8:7)
“E Jesua, e Bani, e Serebias, e Jamim, e Acube, e Sabetai,
e Hodias, e Maaséias, e Quelita, e Azarias, e Jozabade, e Hanã, e Pelaías, e os
levitas ensinavam ao povo na Lei; e o povo estava no seu posto”.
Vemos
aqui neste versículo que Neemias e Esdras designaram instrutores para ensinar a
Palavra de Deus em todas as cidades de Judá. Até os levitas que serviam no
Templo foram envolvidos nesse mister (Ne.11:1). Esses líderes tinham plena
consciência de que a base do avivamento espiritual é o ensino da Palavra de
Deus e a sua obediência.
No
Novo Testamento, para cumprir a tarefa do ensino da Palavra, é preciso, em
primeiro lugar, que a Igreja se veja dotada de homens e mulheres preparados
para ensinar. Um dos grandes problemas que temos visto nas Igrejas Locais da
atualidade é o despreparo das pessoas para ensinarem a Palavra de Deus. Quando
falamos em preparo, não estamos nos referindo à escolaridade ou ao conhecimento
secular de alguém, mas, sobretudo, ao seu conhecimento bíblico, à sua
capacidade de manejar bem a Palavra da Verdade (1Tm.2:15). Atualmente temos
vistos que, à medida que a escolaridade nas igrejas evangélicas sobe, o
conhecimento bíblico decresce. É válido ressaltar que décadas passadas, grande
parte dos obreiros das Assembleias de Deus era composta de pessoas iletradas, semialfabetizados,
mas tinham profundo conhecimento bíblico; atualmente, estamos repletos de
obreiros dotados de diplomas universitários, mas que, biblicamente, são
completamente analfabetos. O que é isto? É falta de estudo da Palavra de Deus!
II.
A SUPREMACIA DA PALAVRA DE DEUS
- A própria
Bíblia faz menção da sua inspiração.
- O
Espírito Santo testifica em nosso íntimo que ela é a Palavra de Deus.
- Nenhum
outro livro apresenta tantos testemunhos a respeito da transformação de
uma pessoa; muitas conversões foram feitas por meio da leitura da Bíblia,
demonstrando o poder da Palavra.
- A unidade
da Bíblia: seus sessenta e seis livros apresentam a pessoa de Jesus
Cristo; o Antigo Testamento falava da vinda do Messias e as suas profecias
se cumpriram no Novo Testamento; o próprio Jesus destacou ser Ele o tema
do Antigo Testamento (Mt.5:17; Lc.24:27:44; João 5:39; Hb.10:7).
Três
verdades precisam ser destacadas aqui (Adaptado do Livro Neemias, de
Hernandes Dias Lopes):
1.
O pregador precisa estar comprometido com as Escrituras (Ne.8:2,4,5)
Esdras
era um homem comprometido com as Escrituras Sagradas (Esdras 7:10) - “Porque
Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a
cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos”. As
pessoas não buscam alguém para lhes contar bonitas experiências, mas procuram
um fiel expositor das Escrituras. A maior necessidade da Igreja é de homens que
conheçam, vivam e preguem a Palavra de Deus com fidelidade. A pregação é a
maior necessidade da Igreja e do mundo. A pregação é a tarefa mais importante
que existe no mundo. Precisamos nos tornar o povo "do Livro",
"da Palavra". Não há avivamento espiritual sem a restauração da
autoridade da Palavra de Deus.
2.
O povo precisa estar sedento das Escrituras (Ne.8:1,3)
A
Bíblia era o anseio do povo. Eles se reuniram como um só homem (Ne.8.1), com os
ouvidos atentos (Ne.8:3), reverentes (Ne.8:6), chorando (Ne.8:9) e alegrando
(Ne.8:12) e prontos a obedecer (Ne.8:17). O povo queria não farelo, mas trigo;
eles queriam Pão do céu, a verdade de Deus. Eles buscaram pão onde havia pão.
Muitos vão à Casa do Pão e não encontram pão; são como Noemi e sua família, que
saíram de Belém e foram para Moabe, porque não encontraram pão na Casa do Pão.
Quando as pessoas deixam a Casa do Pão, encontram a morte.
Há
muita propaganda enganosa nas Igrejas hoje. Prometem pão, mas só há fornos
frios, prateleiras vazias e algum farelo de pão. Apenas receita de pão não pode
matar a fome do povo. Só o pão nutritivo da Verdade pode saciar a fome daqueles
que anseiam por Deus.
3.
Vejamos as atitudes do povo de Israel em relação às Escrituras Sagradas
(Ne.8:1-8)
Quatro
atitudes nos chamam a atenção:
a) Eles estavam com os ouvidos atentos (Ne.8:3). O povo permaneceu desde a alva até ao
meio-dia, sem sair do lugar (Ne.8:7), com os ouvidos atentos. Não havia
dispersão, distração nem enfado. Eles estavam atentos não apenas ao pregador,
mas, sobretudo, ao Livro da Lei. Não havia esnobismo nem tietagem, mas fome da
Palavra de Deus.
b) A mente deles estava despertada para o conhecimento
(Ne.8:2,3,8). A
explicação era lógica, para que todos entendessem. O aviamento não foi um apelo
às emoções, mas um apelo ao entendimento.
c) Eles estavam reverentes (Ne.8:5) - "Esdras
abriu o livro à vista de todo o povo, porque estava acima dele; abrindo-o ele,
todo o povo se pôs em pé". Essa era uma atitude de reverência e
respeito à Palavra de Deus. Esse púlpito elevado não era para revelar o garbo
do pregador, mas a supremacia da Palavra de Deus.
d) Eles estavam em posição de adoração (Ne.8:6). Esdras ora, o povo responde com um
sonoro amém, levanta as mãos e se prostra para adorar. Onde há oração e
exposição da Palavra, o povo exalta a Deus e O adora.
III.
A PRIMAZIA DA PREGAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS
· É
a Verdade (João 17:17). A
Bíblia não apenas fala a verdade como também é a própria Verdade.
· É
viva e eficaz (Hb.4:12). A
Bíblia é viva porque ela age atuando em nossas vidas; sendo também eficaz, em
tudo que faz dá certo.
· É
inspirada por Deus
(2Pd.1:20,21). Embora tenha sido escrita por mãos de homens, a Bíblia foi
inspirada por Deus a eles. Prova disto é que foi escrita em lugares, épocas,
línguas e pessoas diferentes e mesmo assim ela trata dos mesmos assuntos sendo
coerente em tudo o que diz, pois o Autor é o mesmo Deus.
· É
útil (2Tm.3:16,17). A
utilidade da Bíblia é para diversos assuntos da vida, dando sabedoria e
conhecimento ao ser humano em todas as áreas de sua existência.
O
apóstolo Paulo, o maior bandeirante do Cristianismo, fechando as cortinas da
vida, na antessala de seu martírio, ordenou a Timóteo: “Prega a palavra…” (2Tm.4:2). Uma vez que temos a Palavra de Deus,
inspirada pelo Espírito de Deus, inerrante, infalível e suficiente, não podemos
guardá-la apenas para nós. A palavra que nos foi confiada precisa ser
transmitida.
Portanto,
não basta reconhecer a supremacia das Escrituras Sagradas, é preciso estar
comprometido com a primazia da pregação. Sonegar a Palavra é privar as pessoas
de conhecer a graça de Deus. Reter a mensagem da salvação é uma atitude cruel
com os perdidos, uma vez que a fé vem pelo ouvir a Palavra.
Deus
chama os seus escolhidos por meio da Palavra. A Palavra de Deus é poderosa, tem
vida em si mesma; é a divina Semente, que semeada em boa terra produz a trinta,
a sessenta e a cento por um; nunca volta para Deus vazia; sempre cumpre o
propósito para o qual foi designada.
Em
Neemias capítulo oito encontramos os três pontos principais da pregação
expositiva. Que pontos são esses? (Adaptado do Livro Neemias, de
Hernandes Dias Lopes):
1.
Ler o texto das Escrituras (Ne.8:2,3,5)
Por
ocasião do sermão, a leitura do texto é sobremodo importante, pois é a fonte da
mensagem e a autoridade do mensageiro. O texto é o fundamento do sermão. O
sermão é o texto explicado. O sermão só é legítimo quando se propõe a explicar
o texto lido. Muitos pregadores são descuidados na leitura do texto;
atropelam-no e leem-no atabalhoadamente, dando a impressão de que o desconhecem
ou o desprezam.
2.
Explicar o texto das Escrituras (Ne.8:7,8)
Pregar
é explicar o texto sagrado. A mensagem é baseada na exegese, ou seja, tirar do
texto, o que está no texto. Não podemos impor ao texto nossas ideias, isso é
eisegese. Calvino dizia que pregação é a explicação do texto. O púlpito é o
trono de onde Deus governa a sua Igreja. O texto governa o pregador. Lutero
dizia que existe a Palavra de Deus escrita, a Palavra de Deus encarnada e a
Palavra de Deus pregada. Muitos hoje dizem:
"Eu já tenho o sermão, só falta o texto". Isso não é pregação. Deus
não tem nenhum compromisso com a palavra do pregador, e sim com a Sua Palavra.
É a Palavra de Deus que tem a promessa de não voltar vazia e não a palavra do pregador.
3.
Aplicar o texto das Escrituras (Ne.8:9-12).
A
aplicação do texto é o alvo do sermão. O sermão precisa alcançar o coração dos
ouvintes como uma flecha. A mensagem não é só verdadeira, mas também relevante.
Para usar uma figura de John Stott, o sermão é uma ponte entre dois mundos -
ele liga o texto antigo ao ouvinte contemporâneo. O pregador traz o texto
antigo à audiência moderna. O sermão leva a voz de Deus aos ouvintes
contemporâneos. O pregador precisa ler o texto e sentir o povo; ele deve pregar
não diante da congregação, mas à congregação.
A
aplicação num sermão não é simplesmente um apêndice da discussão ou subordinada
a ela, mas é a coisa principal a ser feita. Onde começa a aplicação, começa o
sermão.
Entretanto,
há um grande perigo de heresia na aplicação de um texto; se não o
interpretarmos corretamente, vamos aplicá-lo distorcidamente, vamos prometer o
que Deus não está prometendo e corrigir quando Deus não está corrigindo. À
época de Neemias e Esdras a exposição e a aplicação correta da Palavra de Deus
produziram na vida do povo vários resultados preciosos que subsistiram por
muito tempo.
IV.
RESULTADOS DO ENSINO DA PALAVRA DE DEUS
A
Bíblia Sagrada é a revelação de Deus para a humanidade, e esta revelação contém
ensinos preciosos e indispensáveis para que o homem viva. O povo de Deus se
dispôs a seguir ao Senhor depois que Esdras e Neemias, em cumprimento à própria
Lei, ajuntou o povo para ler a Palavra de Deus para o povo. O avivamento foi
decorrência direta dessa reunião, em que não só o povo ouviu a leitura da Lei
como também teve lições a respeito de seu significado (Ne.8:7,8).
O
ensino da Palavra de Deus por Esdras e Neemias atingiu as seguintes áreas
vitais da vida do povo (Adaptado do Livro Neemias, de Hernandes Dias
Lopes):
1.
Atingiu o intelecto do povo (Ne.8:8)
“E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o
sentido, faziam que, lendo, se entendesse”.
A
pregação foi dirigida à mente. O culto foi racional. Esdras subiu numa
plataforma especialmente construída para a ocasião e, ao lado de treze levitas,
leu por várias horas o que havia no Livro da Lei de Moisés. O povo demonstrou
profundo respeito pela Palavra de Deus, à medida que os levitas, mencionados em
Ne.8:7, forneciam explicações sobre o que estava sendo dito (Ne.8:8). Uma vez
que o aramaico substituiu o hebraico após o cativeiro, era necessário explicar
ao povo muitas palavras hebraicas presente nas Escrituras.
2.
Atingiu a emoção do povo (Ne.8:9-12)
Esse
fato pode ser provado por duas reações do povo ao ouvir a exposição da Palavra:
a) A
primeira reação foi choro pelo pecado (Ne.8:9).
A Palavra de Deus produz quebrantamento, arrependimento e choro pelo pecado. O
verdadeiro conhecimento nos leva às lágrimas. Quanto mais perto de Deus você
está, mais tem consciência de que é pecador e mais chora pelo pecado. O
emocionalismo é inútil, mas a emoção produzida pelo entendimento é parte
essencial do povo de Deus. É impossível compreender a verdade sem ser tocado
por ela.
b) A
segunda reação foi a alegria da restauração (Ne.8:10). As festas deviam ser celebradas com alegria
(Dt.16:11,14). A alegria, como fruto do Espírito, tem três aspectos
importantes:
·
Uma origem divina. "A alegria do Senhor". Essa não
é uma alegria circunstancial, momentânea, sentimental, é a alegria de Deus,
indizível e cheia de glória.
·
Um conteúdo bendito. Deus não é apenas a origem, mas
o conteúdo dessa alegria. O povo regozija-se não apenas por causa de Deus, mas
em Deus - Sua graça, Seu amor, Seus dons. É na presença de Deus que há
plenitude de alegria.
·
Um efeito glorioso - "A alegria do Senhor
é a nossa força"(Ne.8:10). Quem conhece essa alegria não olha para
trás como a mulher de Ló. Quem bebe da fonte das delícias de Deus não vive
cavando cisternas rotas. Quem bebe das delícias de Deus não sente saudades do
Egito. Essa alegria é a nossa força. Foi essa alegria que Paulo e Silas
sentiram na prisão. Essa é a alegria que os mártires sentiram na hora da morte
- era “a alegria do Senhor”. Aleluia!
3.
Atingiu o anseio do povo (Ne.8:11,12)
11.E os levitas fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos,
porque este dia é santo; por isso, não vos entristeçais.
12.Então, todo o povo se foi a comer, e a beber, e a enviar
porções, e a fazer grandes festas, porque entenderam as palavras que lhes
fizeram saber.
Isso
pode ser conferido por duas decisões tomadas pelo povo depois de ouvir a
Palavra:
- Primeira,
obediência a Deus (Ne.8:12). O povo obedeceu à voz de Deus e deixou o
choro e começou a regozijar-se.
- Segunda,
solidariedade ao próximo (Ne.8:12). O povo começou não apenas a alegrar-se
em Deus, mas a manifestar seu amor ao próximo, enviando porções àqueles
que nada tinham. Não podemos separar a dimensão vertical da horizontal no
culto.
4.
Foi gerado no coração do povo temor a Deus (Ne.9:1-3)
1.E, no dia vinte e quatro deste mês, se ajuntaram os filhos de
Israel com jejum e com pano de saco e traziam terra sobre si.
2.E a geração de Israel se apartou de todos os estranhos, e
puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados e das iniquidades de seus
pais.
3.E, levantando-se no seu posto, leram no livro da Lei do
SENHOR, seu Deus, uma quarta parte do dia; e, na outra quarta parte, fizeram
confissão; e adoraram o SENHOR, seu Deus.
Como
resultado do ensino da Palavra de Deus, o povo confessou os seus pecados,
apartou-se de deuses estranhos, adorou ao Senhor seu Deus, e com Ele fez firme
concerto (Ne.9:1-3). Foi, na verdade, uma demonstração de grande avivamento
espiritual. A Palavra de Deus é poder de Deus (Rm.1:16). Pelo temor a Deus o
crente se aparta do mal (Pv.3:7), se desvia do mal (Pv.16:6), e aborrece o mau
caminho (Pv.8:13).
CONCLUSÃO
Vimos
neste estudo que a leitura, a explicação e a aplicação da Palavra trouxeram
choro pelo pecado e alegria de Deus na vida do povo. Vimos também que a
liderança se reuniu para aprofundar-se no estudo da Palavra e o resultado foi a
restauração da vida religiosa de Jerusalém. Essas reuniões de estudo
aconteceram durante 24 dias (Ne.8:1-3,8,13,18; 9:1). Havia fome da Palavra; o
estudo e a obediência dela trouxeram um poderoso reavivamento espiritual.
Qualquer
movimento espiritual que dispense o estudo das Escrituras Sagradas, que
dispense a meditação na Palavra do Senhor, não pode produzir vida espiritual
alguma. Para que tenhamos um verdadeiro avivamento, para que nos santifiquemos
e nos tornemos fortes espiritualmente, é mister que sejamos iluminados, e a
única luz que existe é a Palavra de Deus (Sl.119:105). Portanto, se quisermos Igrejas avivadas, comecemos pela
Palavra de Deus; sem ela, não pode haver despertamento espiritual.



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