segunda-feira, 18 de maio de 2026

EU E MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR

 


EU E MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR

Texto Bíblico: Josué 24:14-18,22,24

 “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Josué 24:15).

A frase "Eu e a minha casa serviremos ao Senhor" é uma das declarações de fé e liderança espiritual mais conhecidas e repetidas do mundo cristão. No contexto de Josué 24, ela não é apenas um lema bonito para colocar em uma placa na parede da sala; é uma decisão radical, um posicionamento público e um pacto de fidelidade.

Vamos analisar o contexto histórico, o significado profundo dessa escolha e como ela se aplica às nossas famílias hoje.

O Contexto Histórico: O Momento da Decisão

Josué já estava velho e se aproximava do fim de sua vida. Ele reúne todas as tribos de Israel em Siquém para um discurso de despedida. Siquém era um lugar de memória espiritual profunda (foi ali que Deus fez as primeiras promessas a Abraão).

Antes de lançar o desafio do versículo 15, Josué faz uma retrospectiva histórica (Js 24:1-13). Ele lembra o povo de onde eles vieram:

  • Deus tirou Abraão da idolatria do outro lado do Rio Eufrates.
  • Libertou o povo do Egito com sinais e prodígios.
  • Entregou a Terra Prometida, com cidades que eles não edificaram e vinhas que não plantaram.

É com base nessa gratidão e na fidelidade de Deus que Josué fundamenta o seu apelo.

Os Três Pilares de Josué 24

O texto bíblico sugerido nos traz lições cruciais sobre o que significa, de fato, servir a Deus em família:

1. O Temor e a Sinceridade (v. 14)

"Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade..."

Servir a Deus não pode ser um teatro social ou uma mera tradição religiosa herdada. Josué exige sinceridade (integridade, de coração inteiro) e verdade. Além disso, ele dá uma ordem clara: "deitai fora os deuses". Não dá para servir ao Deus verdadeiro mantendo "estimimação" por velhos ídolos ou velhos hábitos que desagradam a Deus.

2. A Liberdade de Escolha (v. 15)

"Escolhei hoje a quem sirvais..."

Deus não força ninguém a amá-Lo ou servi-Lo. O serviço a Deus é um ato de livre arbítrio. Josué expõe as opções da época:

  • Os deuses do outro lado do rio (o passado idólatra dos antepassados).
  • Os deuses dos amorreus (a cultura pagã do presente, onde eles habitavam).

Hoje, o cenário é parecido. As famílias enfrentam a pressão do "passado" (padrões familiares disfuncionais) e a pressão do "presente" (os valores de uma sociedade que ignora a Deus). A neutralidade não é uma opção. Não escolher já é uma escolha.

3. A Liderança e o Posicionamento Individual (v. 15b)

"...porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor."

Repare na ordem das palavras: "Eu e a minha casa".

  • "Eu": Josué assume a sua responsabilidade como líder. Ele não pode obrigar o coração de todo o Israel a mudar, mas ele tem autoridade e influência sobre si mesmo e sobre o seu lar. A transformação da família começa pelo posicionamento individual dos pais ou líderes do lar.
  • "Minha casa": No conceito bíblico, "casa" vai além das paredes físicas; representa a família, a posteridade, o legado. Josué estava definindo a cultura e a identidade da sua família para as próximas gerações.

A Resposta do Povo e a Responsabilidade (v. 22, 24)

O povo, impactado pelas palavras de Josué, responde com entusiasmo: "Longe de nós deixarmos o Senhor para servir a outros deuses".

No entanto, Josué os adverte (v. 22) de que eles seriam testemunhas contra si mesmos. Dizer "amém" na igreja ou na comunidade é fácil; o desafio é manter a palavra no dia a dia. No versículo 24, o povo reitera o compromisso: "Ao Senhor, nosso Deus, serviremos e obedeceremos à sua voz". Servir e obedecer caminham juntos.

Aplicação Prática para os Dias de Hoje

Trazer Josué 24:15 para a realidade atual exige três atitudes práticas da família:

  • Definição de Prioridades: O que governa a rotina da sua casa? O trabalho, o lazer, as telas ou a busca pelo Reino de Deus? Servir ao Senhor significa que Ele tem a palavra final sobre as decisões do lar.
  • Altar Familiar: Onde não há oração, leitura da Palavra e comunhão em casa, dificilmente haverá serviço sincero a Deus. A fé precisa ser praticada no ambiente mais íntimo: o lar.
  • Exemplo Prático: Os filhos e aqueles que vivem conosco aprendem mais com o que vemos fazer do que com o que ouvimos dizer. O "Eu" de Josué mudou a sua "casa" porque o seu exemplo era legítimo.

Resumo: "Eu e minha casa serviremos ao Senhor" é uma declaração de independência cultural. É dizer que, não importa o que o mundo lá fora esteja adorando ou valorizando, dentro das portas do nosso lar, o único Deus vivo, que nos libertou e nos abençoou, é Quem será soberano.

 INTRODUÇÃO

Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”.  

Este versículo expressa o coração de um grande líder espiritual no final de sua vida. Nestas palavras simples encontramos a vontade de Deus expressamente afirmada. Josué é o exemplo de um homem que persistiu em ser fiel a Deus e que foi recompensado por sua fé. Mas ele fez questão de reafirmar a fé em Deus para a sua família.

Josué tomou a decisão junto com sua família para servir ao Senhor. Será que você e sua casa servirão ao Senhor? Precisamos estar cientes de que nossas decisões têm consequências boas ou más, não só sobre nós, mas também sobre outras pessoas. A decisão egoísta afeta nossas famílias de forma negativa. Da mesma forma, a decisão de servir a Deus influencia positivamente nossas famílias.  A família que serve fielmente ao Senhor jamais será destruída. Devemos servir ao Senhor e fazer tudo ao nosso alcance para ver que a nossa família siga o nosso exemplo. Que possamos dizer com ousadia: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.

I. JOSUÉ – UMA DECISÃO EXEMPLAR


 

1. A firme tomada de posição. Josué, ao término de seu governo, tomou uma posição firme e resoluta ao lado de sua família. Quando exortava o povo a se definir, ante a idolatria, ele disse: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Js 24:15). Ele deixou patente aos olhos do povo que a vida de adoração e fidelidade a Deus não pode dispensar a dimensão familiar.

A vida espiritual de Josué era tal que não bastava que ele, individualmente, servisse a Deus, mas se fazia necessário que fosse acompanhado de sua família e, por isso, havia se dedicado a cuidar para que sua casa também lhe seguisse. Obviamente que o fato de os seus filhos e demais descendentes serem fiéis a Deus era consequência de uma opção própria, mas a fidelidade, a obediência e o exemplo de Josué tinham sido fundamentais, preponderantes para que os seus resolvessem seguir-lhe no serviço e adoração ao Senhor. Certamente, Josué reforçara esta necessidade ao vislumbrar o triste caso de Acã que, no seu desatino, acabou levando toda a sua família à perdição (Js 7:24-26). Acã pecara e levara toda a sua família a pecar com ele, pois, do modo como procedeu, fica claro que sua família estava ciente do pecado e com ele consentiu, dele se fazendo participante. É realmente triste quando a família deixa a graça de Deus (“Acã” significa “desgraça”) e se deixa levar pelo pecado. Pense nisso!

 2. O perigo da omissão dos pais. A maior parte dos ataques contra a família cristã tem sucesso porque os líderes do lar não tomam posição desde cedo. Muitas vezes, as crianças são criadas fazendo o que bem querem e entendem. Os adolescentes ficam entregues a si mesmos, e os jovens têm absoluta independência. Esse é um modelo de família que não corresponde aos princípios bíblicos. A educação tardia, quando já são adolescentes ou jovens, tende a perder sua eficácia. A decisão de servir a Deus com a família deve ser o mais breve possível. Famílias que aceitam a Cristo, quando os filhos já são grandes tem maior dificuldades em levá-los aos pés do Senhor. A Palavra de Deus recomenda aos pais que criem os seus filhos “na doutrina e admoestação do Senhor” (Ec 6:4b). Essa decisão deve ser prioritária na vida dos pais. Assim agiu Josué, porque ele sabia que, de outra forma, não haveria esperança para o seu lar.

Paulo nos adverte: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (1Tm 5:8). O sacerdote Eli viu a glória de Israel desvanecer-se porque não corrigiu com energia os seus filhos néscios. Por não ter cuidado dos seus, teve sua casa amaldiçoada, perdeu os dois filhos num único dia e morreu com a péssima notícia do roubo da arca da aliança.

II. O EXEMPLO DECISIVO E CORAJOSO DE NOÉ


 
1. Noé andou com Deus. “Noé era varão justo e reto em suas gerações; Noé andava com Deus” (Gn 6:9). Noé tinha qualidades importantíssimas para um servo de Deus: era "varão justo" e "reto em suas gerações". Além disso, ele tinha a "graça" de Deus (Gn 6:8).

Não seria maravilhoso se um dia Deus dissesse de você: "este é um homem justo e reto." Ou: "esta é uma mulher reta(íntegra)”. Não é isto que você gostaria de ser? Mas por que Noé foi considerado um homem justo e reto? A Bíblia afirma: "Noé andava com Deus".

Lembra-se de Abraão? Ele é chamado "o Pai da Fé". Um dia Deus Se apresentou a ele e disse-lhe: "...Eu sou o Deus Todo-poderoso, anda na minha presença e sê perfeito" (Gn 17:1). Tudo que Deus esperava de Abraão era que ele andasse com Deus. O resultado disso seria uma vida de perfeição.

O que dizer de Davi? A Bíblia afirma que: "... achei a Davi filho de Jessé, varão conforme o meu coração..." (Atos 13:22). Ah se um dia Deus pudesse dizer isso de nós! O que mais poderíamos esperar? Mas, por que foi que Davi tornou-se "o homem conforme o coração de Deus"? Qual era a maior obsessão da vida de Davi? Nos Salmos 116 encontramos: "Andarei perante a face do Senhor, na terra dos viventes(Salmos 116:9).

Você percebeu que existe uma frase que é denominador comum na vida de todos os homens mencionados? Isso mesmo! A frase é: "Andou com Deus". Todos eles foram perfeitos porque andaram com Deus. Existia um relacionamento maravilhoso de amor entre Deus e eles. Em sua experiência, tinham chegado ao ponto de não conseguirem mais viver separados de Deus. Por isso Deus os considerou perfeitos, santos, justos, íntegros e retos.

O interessante é que há sempre alguma coisa curiosa na vida de todos eles:

- Noé um dia ficou embriagado a tal ponto que tirou a roupa e ficou nu, dando um vexame para toda sua família. A despeito disso, Deus diz que ele era justo e reto entre seus contemporâneos.

- Abraão um dia foi tão covarde que teve medo de dizer que Sara era sua mulher e afirmando que era sua irmã, quase empurrou Faraó ao adultério. Os resultados teriam sido terríveis se Deus não interviesse milagrosamente. Mas, sabe o que Deus diz dele? "Abraão era perfeito". O apóstolo São Paulo até o chama de "o pai da fé".

 

- E o que dizer de Davi? Um dia ele mergulhou nas águas turvas do assassinato, da intriga e do adultério. E sabe o que a Bíblia diz dele? Que Davi era um homem "conforme o coração de Deus".

Para os seres humanos, uma pessoa é perfeita, santa, justa, íntegra, quando nunca comete nenhum erro, quando faz tudo certinho, quando cumpre todas as normas, leis e regulamentos. Para Deus, uma pessoa é perfeita quando se dispõe a andar com Ele, quando faz de Cristo o mais importante da vida. Quando compreende tudo o que Cristo fez na cruz por ele e clama por um novo coração capaz de amar, quando sente dor por todo o sofrimento que causou a Cristo com seus erros passados. Para Deus uma pessoa é perfeita quando olha para a cruz e se apaixona por Cristo a ponto de dizer: Ó Senhor Jesus, eu Te amo. Eu Te amo tanto que sem ti a vida não tem sentido. Ajuda-me, por favor a andar contigo!

Nesse instante, o maravilhoso Deus de amor derrama lágrimas de alegria e segura a fraca mão do homem com Sua mão poderosa. E no instante daquele toque, o passado fica apagado para sempre, não importa se fomos bêbados ou covardes, adúlteros ou assassinos, tudo fica enterrado. Porque naquele momento passamos a ocupar o lugar de Cristo. Ele nos oferece Seus méritos, sua vida vitoriosa, seu caráter perfeito e ao mesmo tempo toma sobre Si os nossos pecados e sofre a punição que merecemos por causa deles.

Enfim, Noé andou com Deus fielmente num mundo todo entregue ao pecado; nós devemos e podemos também. Ele é um exemplo significante para os pais de família de hoje, que vivem num mundo cujas características morais são semelhantes às do mundo na época de Noé. Os pais precisam andar com Deus para poderem ver sua família salva.

2. Vivendo numa sociedade corrompida. E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gn 6:5,11,12). Noé viveu numa das épocas mais terríveis, em termos morais e espirituais, um mundo corrompido, como o mundo atual, que desdenha da santidade, e valoriza a promiscuidade pecaminosa do homem sem Deus. A corrupção, a violência, a depravação sexual e outros males eram globais. Em toda a história, houve pecaminosidade, mas atualmente essa pecaminosidade tem sido aumentada em índices muito elevados que ultrapassam o que havia no tempo do patriarca do Dilúvio. Este é o tempo que precede a volta de Jesus (Mt 24:37,39). Pais de família estão perplexos quando veem seus filhos sendo levados pela onda avassaladora de imoralidade e corrupção. O que fazer? O exemplo de Noé é marcante e inspira confiar no Deus Todo-Poderoso.

3. A salvação de Noé e sua família. Apesar de todo o clima de rebeldia e de maldade reinantes na face da Terra, Noé alcançou graça aos olhos do Senhor. E como era um homem justo e temente ao Senhor, Deus revelou a Noé o Seu propósito de destruir o mundo, mas também o de salvá-lo da destruição, não somente a ele, como também a toda a sua família (Gn 6:18). Após essa revelação divina, Noé se esforçou para que o propósito divino se tornasse realidade.

Deus prometeu que salvaria Noé, mas Noé teve de construir a arca, como sinal de sua fé e obediência. Além de fé na palavra do Senhor e da obediência à ordem divina, o gesto de Noé em construir a arca revelou, também, o amor que tinha aos seus familiares (Hb 11:7). Esse amor de Noé também se evidencia pelo fato de ter propagado a mensagem divina a todos os homens de seu tempo durante a construção da arca (2Pe 2:5). Esta pregação, naturalmente, começou com a sua própria família, pois Noé tinha o propósito de salvar a sua família e, ao iniciar a construção da arca, deu conhecimento aos seus familiares do que se tratava.

A família de Noé foi salva, mas porque creu na mensagem pregada por ele. A salvação da família de Noé estava no propósito de Deus e a arca foi construída de forma a acolhê-la durante o dilúvio, porém esta salvação somente foi possível porque cada integrante da família de Noé entrou na arca (Gn 7:7). Caso os filhos e noras não tivessem entrado na arca, não teriam se salvado do dilúvio.

Noé fez a sua parte, construindo a arca, pregando a palavra, sendo o exemplo de fé e obediência a Deus para os seus familiares, mas a salvação dependeu do gesto de cada integrante da família. Obviamente que a fidelidade, a obediência e o exemplo dados por Noé foram decisivos para que seus familiares cressem na palavra do Senhor e entrassem na arca. Deus criou todos os meios e as condições para que a família toda fosse salva e cumpriu a Sua promessa de salvá-la, tendo os seus integrantes confiados no Senhor.

Assim é que devemos também fazer com relação a nossas famílias: crer na palavra do Senhor, obedecer às ordens divinas, pregar a palavra aos nossos familiares e vivê-la para servirmos de exemplo. A decisão de se salvar é individual, depende de cada integrante da família, mas, se nos esforçarmos, seremos um elemento preponderante na escolha pela vida de nossos familiares. Deus tem interesse em salvar nossas famílias e devemos agir de modo a que isto se torne uma realidade.


III. O EXEMPLO DOS RECABITAS

Na história Deus sempre teve um remanescente fiel que lhe agradava e não se conformava com o sistema vil do mundo. Esses lhe eram peculiares pelo fato de servirem de modelo para os povos contemporâneos e futuros. Foi assim que aconteceu com a família dos recabitas.

1. Uma família exemplar. Os recabitas eram nômades, provavelmente descendentes dos quenitas (ou queneus). Moisés era casado com uma quenita (Juízes 1:16), filha de Jetro. Este povo se juntou aos hebreus em sua caminhada para a terra de Canaã.

O ascendente direto dos recabitas foi Recabe (1Cr 2:55), sobre quem pouco sabemos. Sabemos mais sobre um de seus descendentes, Jonadabe (Jr 35:6).

O rei Saul demonstrou bondade para com eles (1Sm 15:6), pela simpatia que sempre demonstraram para com os hebreus.

Jonadabe trabalhou com Jeú, no século 9 a.C., quando o rei, contemporâneo de Eliseu, se empenhou na destruição dos seguidores de Baal em Israel (cf 2Rs 10:15-28).

A maioria dos quenitas morava em cidades, adotando um estilo de vida urbano (1Sm 30:29). No entanto, Jonadabe convocou seus descendentes a um novo tipo de vida, renovando-lhes o sentido de sua existência. Jonadabe pediu ao seu clã que conservasse uma vida simples, sem consumo de bebida alcoólica (vinho), sem construção de casas e sem a formação de fazendas. Até à época de Jeremias permaneciam fiéis ao estilo de vida implantado pelo fundador: Jonadabe, filho de Recabe. Eram miais de 200 anos de fidelidade.

Os recabitas entram na história do povo de Deus de maneira heróica. Jonadabe, fundador do clã, participou com Jeú (rei de Israel) do extermínio da casa de Acabe e dos sacerdotes de Baal, conforme 2Reis 10:15ss. Jonadabe identificou-se com aquele que zelava pelo Senhor e por fazer cumprir as palavras proféticas contra a casa de Acabe. Apesar dos desvios de Jeú e de outros líderes em Israel, os recabitas mantiveram-se fiéis à Lei de Deus, embora não passassem de forasteiros entre os hebreus.

Honravam a tradição de seus antepassados. Os recabitas foram obedientes e demonstraram respeito às tradições de seus pais -” Assim, ouvimos e fizemos conforme tudo quanto nos mandou Jonadabe, nosso pai" (Jr 35:10). Jonadabe é um exemplo de pai. Ele deixou uma instrução. Certamente, não falou apenas uma vez, mas ensinou com palavras e com atos de compromisso, e com tal intensidade, que marcou seus filhos, netos e bisnetos. É uma família exemplar. Se quisermos agradar ao Senhor, precisamos obedecer-lhe. A obediência é uma prova do nosso amor a Deus.

2. Um exemplo de fidelidade. Quando Nabucodonozor invadiu a terra de Judá, os recabitas se refugiaram em Jerusalém (Jr 30:11), e lá Jeremias foi encontrá-los, enviado por Deus. Talvez Jeremias já os conhecesse, porque eles exerciam a profissão de metalúrgicos, tão importantes à época. Talvez Jeremias deva ter pensado: "vamos ver se esse pessoal resiste ao meu convite". Imagino que Jeremias sabia que aquela gente era cônscia de que ele era um profeta de Deus; logo, eles iam levar a sério sua palavra. Muitos, talvez, duvidassem que aqueles nômades resistissem a prova de Jeremias. Quem sabe se muitos não faziam até mesmo apostas, semelhantes àquelas que ainda são feitas quando há um desafio a enfrentar por parte de alguém que será provado. Todavia, a resposta deles foi de uma fidelidade a toda prova (cf Jr 35:6-11). Os recabitas permaneceram fiéis às suas convicções, e não desobedeceram aos princípios estabelecidos por seu antepassado (Jonadabe). Com essa dramatização, Deus queria exortar ao povo de Judá que o exemplo de fidelidade e temperança dos recabitas era digno de ser imitado. Por meio dessa dramatização Jeremias chamou a atenção para fidelidade e obediência dessa família à ordem do seu antepassado.

 

Por sua fidelidade, Deus recompensa os recabitas: “E à casa dos recabitas disse Jeremias: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Visto que obedecestes ao mandamento de Jonadabe, vosso pai, e guardastes todos os seus mandamentos, e fizestes conforme tudo quanto vos ordenou, assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Nunca faltará varão a Jonadabe, filho de Recabe, que assista perante a minha face todos os dias” (Jr 30:18,19). Todos os crentes que conhecem os ensinos divinos e os praticam fielmente para honrarem ao Senhor, à igreja e aos pais receberão a bênção e a recompensa do Senhor.

Os recabitas tornaram-se um singular exemplo de moderação, prudência e fidelidade a todo o povo de Deus. Isto nos mostra que, mesmo em tempos de grande apostasia, Deus tem servos fiéis, que não se afastam de seus mandamentos. A fidelidade aos princípios divinos fez a diferença no caso dos recabitas, e o mesmo acontece com aqueles que insistem em ser fiéis ao Senhor em tempos de esfriamento espiritual.

A fidelidade e a temperança dos recabitas ficaram gravadas para sempre nos anais da literatura bíblica como um exemplo vivo de uma devoção completa que Deus procura no homem. O propósito dos recabitas viverem separados do mal deve ser o alvo dos verdadeiros seguidores de Cristo. Todos os pais crentes devem, da mesma maneira que Jonadabe, ensinar aos filhos os princípios santos que os ajudarão a permanecer fiéis a Deus e à sua Palavra. Pense nisto!

CONCLUSÃO

Assim como Josué deu um bom exemplo para sua família seguir a Deus, cada homem cristão deve fazer uma declaração semelhante à família que o Senhor lhe deu.  A quem você servirá hoje? “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.

Que as bênçãos espirituais e o Grande Amor de Deus esteja sobre sua Família “O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz” (Nm 6:24-26).

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

ADÃO, O PRIMEIRO HOMEM CRIAÇÃO DE DEUS

 


ADÃO, O PRIMEIRO HOMEM

 Texto Bíblico: Gênesis 2:1-8

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn.1:26).

Gênesis 2:

1.Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados.

2.E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.

3.E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que

Deus criara e fizera.

4.Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o SENHOR Deus fez a terra e os céus.

5.Toda planta do campo ainda não estava na terra, e toda erva do campo ainda não brotava; porque ainda o SENHOR Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.

6.Um vapor, porém, subia da terra e regava toda a face da terra.

7.E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.

8.E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado.

INTRODUÇÃO

A narrativa da criação do homem e a história de Adão no livro de Gênesis representam um dos pilares fundamentais da literatura bíblica, estabelecendo as bases para a compreensão da natureza humana, do propósito e da relação entre o Criador e a criatura.

1. A Criação do Homem (Gênesis 1 e 2)

O texto bíblico oferece duas perspectivas complementares sobre a origem da humanidade:

A Perspectiva Teológica (Gênesis 1:26-27)

Neste relato, a criação do homem é o ápice da obra divina. Diferente de outros seres, o homem é criado conforme a "imagem e semelhança" de Deus.

  • Domínio: Recebe a responsabilidade de governar sobre a terra e os animais.
  • Dualidade: Criados como "homem e mulher", indicando que a imagem de Deus se reflete na humanidade como um todo.

A Perspectiva Antropológica (Gênesis 2:7)

Este relato detalha o "como" da criação, focando na formação física e espiritual:

  • O Pó da Terra: O nome Adão (Adam) está intimamente ligado à palavra hebraica para solo (Adamah). Isso enfatiza a fragilidade e a conexão do homem com a matéria.
  • O Fôlego de Vida: A vida humana só se inicia quando Deus sopra em suas narinas o neshamah (fôlego). O homem torna-se, então, uma "alma vivente", possuindo uma centelha divina que o diferencia do restante da criação.

 

2. O Jardim do Éden e a Responsabilidade

Adão foi colocado no Éden não apenas para desfrutar, mas com propósitos específicos:

  1. Trabalho e Cuidado: Ele deveria "lavrar e guardar" o jardim, mostrando que o trabalho é uma parte digna da existência humana original.
  2. Identidade: Ao dar nome aos animais, Adão exerce sua autoridade e capacidade racional, percebendo que, entre todos os seres, não havia um par que lhe fosse igual.
  3. Livre-arbítrio: A presença das duas árvores centrais — a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal — estabeleceu o cenário para o exercício da liberdade e da obediência.

3. A Criação de Eva

Gênesis 2 descreve que "não era bom que o homem estivesse só". A criação da mulher a partir da costela de Adão simboliza:

  • Igualdade de Natureza: Ela não foi feita da cabeça (para estar acima) nem dos pés (para ser pisada), mas do lado, para ser uma "ajudadora idônea" (parceira equivalente).
  • Instituição da Família: O texto conclui que o homem deixará pai e mãe para se unir à sua mulher, tornando-se "uma só carne".

4. O Significado de Adão

Para a teologia, Adão é a figura representativa da humanidade. Suas ações no Gênesis carregam significados profundos:

  • O Primeiro Homem: O ancestral comum de todos os povos.
  • O Arquétipo: Ele representa a busca humana por autonomia e os desafios de viver em harmonia com as leis naturais e divinas.

 

“Vede, isto tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele buscou muitas invenções” (Ec.7:29).

I. A DOUTRINA BÍBLICA DO HOMEM

Quem é o homem? De onde ele veio? Para onde ele vai? Estas são perguntas que inquietam aqueles que se debruçam sobre a realidade à sua volta. Os filósofos, em sua maioria absoluta, formada por materialistas, ateístas ou pretensos agnósticos, respondem que o homem é apenas um “animal que pensa”, ou fruto da evolução aleatória das espécies. Eles atribuem a existência do ser humano ao acaso, como se fosse descendente de um animal irracional, que teria evoluído de um microrganismo unicelular que povoara as águas dos mares. Todavia, a Bíblia Sagrada é clara e contundente: o ser humano teve sua origem em Deus (Gn.1:26; 2:7). Num tempo que não podemos determinar, a Trindade Santa se reuniu e decidiu formar o homem: “Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn.1:26).

1. Doutrina Bíblia do Homem

A Doutrina Bíblica do Homem é chamada de Antropologia, do grego antropos que significa homem logia, que significa estudo, portanto, estudo do homem. A estudar essa doutrina, temos que refletir sobre a origem do homem, sua constituição, sua finalidade, seu destino e como ele se relaciona com outros homens e com Deus.

A Antropologia humana exalta a teoria da evolução das espécies, por meio do acaso e da chamada “seleção natural”. A Antropologia bíblica fundamenta-se na Palavra de Deus, que afirmar categoricamente: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.1:26; 2:7). Esse é o ponto de partida, diante do qual o cristão, que crê na revelação divina, jamais se renderá diante de teorias humanas, evasivas, materialistas, contrárias às Escrituras Sagradas.

2. Fundamento

O principal fundamento da doutrina bíblica do homem encontra-se nas Escrituras Sagradas, que é a fidedigna Constituição e infalível regra de fé e prática do povo de Deus nesta Terra. Qualquer outro documento é considerado apenas um tratado ordinário, passível de alteração ao longo do tempo, e que deve estar estritamente balizado na Palavra de Deus.

-A Criação do Homem difere das outras criações. Quando Deus criou os animas, os peixes as estrelas, o sol e a lua, Deus utilizou o verbo, a palavra, para criar tudo no universo infinito e na terra; exemplo: “E disse Deus haja luz. E disse Deus haja um firmamento no meio das águas. E Disse Deus haja luminares no firmamento do céu (Gn.1:3,7,14); mas, na criação do homem Deus utilizou de material já existente para fazer o corpo físico – o pó da terra -, e, na parte espiritual, soprou em suas narinas, e o homem tornou-se alma vivente (Gn.2:7).

-O Homem foi criado superior aos outros seres vivos. Quando Deus criou o homem, ele já havia criado todos os outros seres vivos, as plantas, os peixes, os animais, e por isso Deus fez o homem superior a tudo o que existia até então, e os deu ao homem, e disse: “dominai sobre os peixes do mar, sobre todas as aves do céu, e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Gn.1:28). O homem desde a sua criação é superior a tudo na terra; entre o homem e as demais criaturas existem uma grande diferença: o homem possui um nível muito elevado intelectual, moral e espiritual (Gn.1:31, 2:19,20, Salmo 8:4-8).

3. Objetivos

Por que o estudo do homem é importante? Porque nos ajuda a entender como Deus planejou se relacionar conosco e o que Ele espera de nós. Um outro fato importante é o discernimento que essa doutrina nos dá quando a compreensão bíblica do homem é confrontada pela opinião e exposição das outras ciências afins como a psicologia e a sociologia.

A Lição Bíblica do Mestre apresenta 04(quatro) objetivos, que exponho:

Responder às perguntas do ser humano: Quem sou eu? De onde vim? O que represento? Qual a minha missão? E para onde vou?

Mostrar a dependência do homem em relação a Deus, o Criador e o Mantenedor de toda as coisas.

Levar o homem a reatar a sua comunhão com Deus através de Jesus Cristo, o Homem Perfeito.

Consolar-nos quanto ao nosso destino eterno por meio do sacrifício de Jesus no Calvário – Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.

II. A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA





A criação dos Céus e da Terra é um fato histórico que aconteceu exatamente como está escrito no Livro de Gênesis. Por que Deus criou tudo isto? Simplesmente porque Ele é livre para criar, e seu propósito baseia-se no fato da eterna bondade que Ele manifesta para sua criação. Ao criar o universo, não significa que Deus precisasse de alguma coisa para si, já que Ele possui tudo (Salmos 24:1). Ele criou todas as coisas para manifestação da sua glória (Sl.19:1-5; Is.6:3; 43:7). A criação da Terra foi aplaudida pelos anjos, os quais foram criados antes da criação do mundo material, conforme Deus revelou a Jó: “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? ... Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?” (Jó 38:4,7).

1. A criação dos Céus e dos anjos

“Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus; e todo o exército deles, pelo espírito da sua boca” (Sl.33:6).

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1).

a) A criação dos Céus (Gn.1:1; Sl.33:6)

É através dos céus que nós podemos entender a grandeza de Deus, ver o Seu grande poder e como Ele é maravilhoso. Vemos que Deus fez os céus e o céu dos céus, porque Ele é o único Criador, criou tudo para a Sua glória, e para mostrar a todos os incrédulos e aos seus inimigos (Satanás e os seus demônios) que Ele é o único, e que tudo foi feito por Ele e para Ele.

A Palavra de Deus mostra que não existe apenas um céu; o texto sagrado fala em “céus”, no plural:

“Eis que os céus e os céus dos céus são do SENHOR, teu Deus, a terra e tudo o que nela há” (Dt.10:14).

“Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados” (Gn.1:1).

“Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus...” (Sl.33:6).

O apóstolo Paulo narra uma experiência que teve em sua vida, em que ele foi arrebatado até o terceiro Céu; isto nos faz entender que não existe apenas um céu, mas sim três céus.

“Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos (se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe), foi arrebatado até ao terceiro céu” (2Co.12:1,2).

a.1) O Primeiro Céu: o Firmamento. É onde se encontram os planetas e as estrelas agrupadas em constelações, e estas em galáxias (Gn.1:16,17). Segundo os estudiosos deste assunto, existem, no mínimo, 2 trilhões de galáxias espalhados pelo universo observável, contendo mais estrelas do que grão de areia no planeta Terra. Os planetas giram em torno do sol, e junto com as demais estrelas, giram em torno de um ponto comum no meio da galáxia. Todos os planetas e estrelas têm o seu percurso perfeitamente traçado, onde se revolvem em perfeita simetria. Assim como os planetas, também, as galáxias têm o seu percurso, onde giram em torno de um ponto central do universo. Os cientistas não sabem o que é este centro do universo que mantém as galáxias ligadas a ele por uma força imaginavelmente poderosa; contudo, a Bíblia nos afirma que Deus é quem comanda todas estas estrelas, planetas e galáxias, girando harmoniosamente em volta do Seu trono.

a.2) O Segundo Céu: as Regiões Celestes (Ef.6:2) – “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.

Estas regiões celestes ou celestiais não podem ser vistas com olhos carnais. É um céu onde se encontram tudo o que é espiritual. É também onde os anjos de Deus travam as batalhas espirituais com Satanás e seus demônios (Dn.10:1-13; Ap.12:7). É o lugar onde se encontram os anjos e os demônios os quais não podemos ver com olhos humanos. É onde Satanás e seus demônios planejam as suas estratégias, para derrubar os crentes e destruir igrejas inteiras. Mas também é o lugar onde os anjos de Deus estão a todo o momento preparado para nos defender (Sl.34:7,8; Hb.1:14; 1Pd.5:8;).

“Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb.1:14).

a.3) O Terceiro Céu: A morada de Deus – O Céu dos céus (Dt.10:14). Este é o lugar que Deus escolheu para estabelecer o seu Trono, a Sua habitação (Dt.26:15; Is.66:1; Is.63:15; Sl.47:8; Sl.103:19). Embora a Bíblia diga que Deus é Onipresente, e Ele enche toda a Terra, e está em todo lugar, o Céu dos Céus é o lugar de Sua habitação (Dt.26:15).

“Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono... (Is.66:1).

“Olha desde a tua santa habitação, desde o céu, e abençoa o teu povo...” (Dt.26:15).

“Deus reina sobre as nações; Deus se assenta sobre o trono da sua santidade” (Sl.47:8).

“O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobretudo”” (Sl.103:19).

Neste lugar encontra-se o Paraiso (2Co.12:3,4). O apóstolo Paulo narra a experiência que teve, quando foi arrebatado até este maravilhoso lugar (2Co.12:3,4); lugar este onde estaremos brevemente a esperar a ressurreição por ocasião da vinda do Senhor Jesus (1Ts.4:16,17):

“E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar”.

Como o relato deixa claro, o lugar visitado por Paulo é o mesmo para o qual o Senhor Jesus levou o ladrão arrependido depois da morte deste último, ou seja, o lugar onde Deus habita. Paulo ouviu a língua do Paraíso e entendeu as palavras, mas foi proibido de repeti-las aqui na Terra. As palavras eram inefáveis no sentido de que eram sagradas demais para serem proferidas e, portanto, não deviam ser anunciadas.

Um Dia todos nós, os remidos pelo sangue de Jesus Cristo, estaremos com o Senhor neste Terceiro Céu, onde bem de perto ouviremos e participaremos destas palavras inefáveis, juntamente com todos os santos de todos os tempos e com os anjos de Deus. Neste lugar estaremos livres do poder e da presença do pecado; lá não sofreremos mais as acusações de Satanás; lá não haverá mais dor, tristeza e morte, e juntos com os anjos e nossos irmãos em Cristo, teremos felicidade plena e indelével, e glorificaremos o Senhor Jesus Cristo e o nosso Deus Pai para sempre.

“E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap.21:4).

b) A criação dos anjos (Sl.33:6)



Após criar os Céus, Deus criou os seres espirituais, os anjos. Os anjos são, assim como os homens, criaturas de Deus. Gênesis 1:1 e Colossenses 1:16 são incisivos ao mostrar que Deus foi o criador dos anjos, de forma que os anjos são criaturas, ou seja, seres inferiores a Deus, embora sejam superiores aos homens. Isto é muito importante, pois não temos como confundir os anjos com o próprio Deus, nem podemos atribuir a anjos quaisquer atributos divinos, pois Deus é o criador, enquanto os anjos são apenas criaturas.

Por serem espirituais, ou seja, ao contrário do homem que é formado de uma parte material (corpo) e de outra parte imaterial (alma e espírito), os anjos são puro espírito. O escritor da carta aos hebreus diz que os anjos são “espíritos ministradores enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hb.1:14).

Por serem espirituais, os anjos não estão sujeitos às leis da física, podendo aparecer e desaparecer (Jz.6:21; Lc.1:11; 2:13), contrariar a lei da gravidade (Jz.13:20), ter poder de ferir milhares de pessoas ao mesmo tempo (2Sm.24:16,17; 2Rs.19:35; 1Cr.21:16; 2Cr.32:21; Is.37:36), fechar a boca de leões famintos (Dn.6:22), remover grandes pedras (Mt.28:2), fazer emudecer (Lc.1:20), entrar e sair de lugares que estavam e continuaram fechados (At.5:19; 12:7-11), ferir uma pessoa em particular de modo fulminante e fatal (At.12:23), entre outros poderes, a mostrar que as leis vigentes para o mundo físico e material não atingem estes seres, já que são puramente imateriais.

Por não possuírem limitações físicas, a "lei da gravidade" não exerce qualquer influência sobre os anjos. Pela falta de gravidade de seus corpos espirituais, os anjos podem locomover-se de um lugar para outro com extrema rapidez.

Por serem superiores à matéria, os anjos podem tomar formas humanas para se fazerem perceptíveis aos sentidos físicos do homem, se houver necessidade. A Bíblia registra várias aparições de anjos; exemplos: feitas a Abraão, Ló, Jacó, Josué, Pedro, Paulo (Gn.18:1-10; 28:10-22; Js.5:13-15; Atos 12:7,8; 27:23).

Por serem plenamente espirituais, os anjos também são assexuados, ou seja, não são nem do sexo masculino, muito menos do sexo feminino. Assim, a sexualidade é uma característica exclusiva da dimensão terrena, sendo algo que não tem correspondência na dimensão celestial, como, a propósito, bem nos ensinou o Senhor Jesus em Seu diálogo com os saduceus (Mt.22:29,30; 12:25). Não há, portanto, “anjos do sexo masculino” nem tampouco “anjas”.

2. A criação da Terra (Gn.1:1; Sl.33:6) - Deus a criou com inigualável sabedoria

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1).

Observe que a Bíblia não diz que no princípio começou Deus a criar a Terra, e que após milhões, bilhões de anos, em sucessivas eras geológicas, a Terra ficou pronta para ser habitada. Não. A Bíblia diz que “no princípio criou Deus os céus e a Terra” (Gn.1:1). Deus não precisa de tempo para criar, para fazer, para aperfeiçoar alguma obra Sua. Sendo um Deus perfeito e Todo Poderoso, num só ato Ele cria ou faz uma obra perfeita, sem necessidade de acabamentos ou retoques.

A Terra que Deus criou era acabada, perfeita e bela

A Palavra de Deus afirma que Deus é perfeito e que não há imperfeição naquilo que Ele faz.

“Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos juízo são. Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é” (Dt.32:4).

Deus jamais chamaria de “céus e terra” um número infinito de átomos isolados e que se aglutinariam num tempo indeterminado, uma quantidade quase infinita de poeira cósmica jogada no espaço de forma aleatória. Não. De maneira alguma isso foi considerado “céus e terra” pelo Espírito Santo de Deus, no princípio. No princípio, a Terra que Deus criou era uma Terra acabada, perfeita e bela.

Os anjos foram os primeiros seres vivos a contemplarem a Terra tal como Deus a criou. Certamente, o que eles viram não foi uma Terra “sem forma e vazia”, coberta pelas águas (Gn.1:2). Na expressão do próprio Criador, os anjos, chamados de “estrelas da alva” e “filhos de Deus”, ao contemplarem a Terra recém-criada, rejubilaram e alegremente louvaram a Deus. Veja este depoimento dado pelo próprio Deus, falando a Jó:

“Onde estavas tu, quando eu fundava a Terra? Faze-me saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?” (Jó 38:4-7).

Deus criou a Terra para ser habitada

Pela informação que nos dá a Palavra de Deus e de forma clara narrada pelo profeta Isaías, Deus criou a Terra para ser habitada.

 “Porque assim diz o Senhor que tem criado os céus, o Deus que formou a Terra, e a fez, ele a estabeleceu, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada. Eu sou o Senhor e não há outro” (Is.45:18).

-Num primeiro momento, segundo tudo indica, ao criar a Terra Deus entregou o seu governo a um Querubim ungido (Ez.28:14). Esse Querubim falhou, pecou, e, em consequência, a Terra se tornou “sem forma e vazia” (Gn.1:2).

-Num segundo momento, Deus restaurou a Terra, devolvendo-lhe suas características originais. E para cuidar dela, Deus criou o homem, um ser diferente de todas as demais criaturas que já havia criado. O homem permanece cuidando da Terra e o fará até que o Senhor Jesus Cristo venha para implantar o Seu Reino milenar sobre ela.

No princípio, Deus constituiu um Querubim para cuidar da Terra original

“Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas” (Ez.28:14).

A Terra era como um Paraíso, reconhecida como sendo o Monte santo. É claro que não se pode afirmar com verdade matemática, mas, por inferência de várias passagens bíblicas, podemos entender que Deus entregou o governo da Terra original a um Querubim ungido e a seus anjos. É claro que respeitamos as opiniões contrárias. Esse “Querubim ungido” era como estrela radiante, ou “estrela da manhã, filha da alva!” (Is.14:12), razão por que convencionou-se chamá-lo de Lúcifer. Não há como determinar, nem mesmo imaginar, por quanto tempo a Terra original permaneceu tal como fora feita pelas mãos de Deus.

A Terra Original foi subvertida, transformada em caos, como consequência do pecado de Lúcifer

“E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono ... Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Is.14:13,14).

Em consequência deste ato tresloucado de Lúcifer querendo destronar o Criador, o juízo de Deus foi tão grande contra ele que alcançou também a própria Terra, a qual passou a ser vista tal como descrita em Gênesis 1:2 - “E a terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”. Neste estado, a Terra é conhecida como Terra caótica. A Terra que Deus criara, perfeita e bela, foi transtornada.

A Terra foi submersa pelas águas e envolta na escuridão. Porém, com muita propriedade, a Palavra de Deus afirma que “o Espírito de Deus se movia sobre a face da água”. Isto pode significar que a presença de Deus ali estava para garantir o seu direito de propriedade sobre a Terra. Satanás nunca se tornou senhor, ou proprietário dela. A Terra sempre foi propriedade exclusiva de Deus.

“Eis que os céus e os céus dos céus são do Senhor teu Deus, a terra e tudo o que nela há” (Dt.10:14).

“Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl.24:1).

Não se pode quantificar em números – em séculos ou milênios, em milhões, talvez bilhões de anos -, o tempo em que a Terra permaneceu neste estado caótico - “sem forma e vazia”. Porém é certo que ela permaneceu o tempo suficiente para cobrir todas as eras geológicas defendidas pela ciência. Afirma a maioria dos comentaristas que a Terra original era povoada por animais, mas, não pelo homem. Isto justificaria o encontro de fósseis com milhões ou bilhões de anos.

A Terra foi restaurada em seis dias

Após o estado caótico, Deus não criou céus e nem uma nova Terra. A expressão “criar”, do verbo hebraico, barah” - no sentido de trazer à existência algo que antes não existia, ou trazer do nada, ou fazer existir aquilo que não é material -, somente é usada três vezes no capítulo 1 de Gênesis - versículos 1,21 e 27.

Em relação à Terra, no terceiro dia, não há qualquer menção do verbo criar ou “barah”. Isto significa que Deus não criou uma Terra, mas, restaurou aquela que ele havia criado “no princípio”, e que tinha sido transtornada como consequência do pecado de Lúcifer, sendo envolta em escuridão e coberta pelas águas. Em razão disto, Deus ordenou:

“... ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca. E assim foi” (Gn.1:9).

Portanto, a Terra já existia, apenas estava encoberta pelas águas.

“E chamou Deus a porção seca Terra, e ao ajuntamento das águas chamou Mares. E viu Deus que era muito bom” (Gn.1:10).

A Terra foi coberta pelo verde da vegetação

Mais uma vez, em Gênesis 1:11, não aparece o verbo criar, ou “barah”. Isto significa que Deus não criou plantas, mas, que ordenou às sementes de todas as plantas que antes existiam na Terra original, e que permaneceram em estado latente para que germinassem.

“E disse Deus: produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera cuja semente está nela conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã o dia terceiro” (Gn.1:11-13).

Assim, a antiga Terra, criada por Deus, “no princípio”, após permanecer em estado caótico por um tempo que só Deus conhece sua duração, está finalmente renovada e pronta para ser habitada outra vez.

Após tudo isto, ou seja, a restauração da Terra, Deus formou o homem para cuidar de tudo aquilo que Deus criou e que estava sobre a Terra

“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).

III. A CRIAÇÃO DE ADÃO, O PRIMEIRO SER HUMANO

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn.1:26).

“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn.1:27).

“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).

Há três palavras-chave para a atividade criadora de Deus nestes textos: criar, fazer e formar. Esses três verbos definem o caráter da obra criadora de Deus, que tanto criou do nada, como formou criaturas daquilo que criara anteriormente.

É bom enfatizar que o capítulo 2 não é um outro relato da criação nem uma continuação do capítulo 1; não é independente, mas dependente do primeiro, ampliando e explicando uma das atividades de Deus que apenas foi citada no relato anterior. É como se o ator de Gênesis desse um zoom no versículo 27 do capítulo 1, usando o versículo 7 do capítulo 2:

“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).

Refletir sobre a formação do homem requer um estudo de Genesis 2:7. Vamos começar com o verbo que descreve a atividade de Deus: formar. A mesma palavra empregada para o oleiro que molda o vaso (cf. Is.29:16; Jr.18:4-6). A palavra descreve a ação de um Criador habilidoso que molda a coroa da Sua criação e sopra vida nela. O material usado é o mesmo que o oleiro usa para formar o vaso: o pó da superfície da terra que dá o barro, que pode ser moldado e mantém a forma do molde. Essa figura é tão importante que é usada no restante do Antigo Testamento ao mencionar aspectos específicos da natureza do homem e de seus relacionamentos. Vamos ver algumas passagens bíblicas:

Deus é o oleiro que forma Israel (Jr.18:6).

O pó é a origem e o destino do homem (Gn.3:19).

O homem é frágil por causa do material de que foi feito (Sl.103:14).

Se pararmos para refletir, o homem (em hebraico adam) e terra (em hebraico adamah) estão sempre em pares na sua história. Em Gênesis 2, o homem é formado da terra, depois recebe a ordem de cultivá-la, da terra virá também o seu alimento, e por fim, a terra é a sua casa depois da morte (Gn.3:19).

1. O concílio da Divindade sobre a criação do homem

A criação do ser humano foi uma decisão amorosa e soberana da Santistíssima Trindade: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (Gn.1:26). O verbo “fazer”, na primeira pessoa do imperativo, no plural, denota que o Criador não estava sozinho, na criação do homem. A compreensão humana não alcança a grandeza daquele momento único e singular, totalmente distinto de todo processo criador dos demais seres. Apesar disso, pode-se entender que, num ponto do planeta, no Oriente, Deus (o Pai, o Filho e o Espírito Santo) se reuniram solenemente para fazer surgir o novo ser: o homem à imagem e semelhança de Deus, obra prima da criação, que haveria de revolucionar toda a criação. O fato de que os membros da Trindade falaram entre si indica que este foi um ato transcendental e a consumação da obra criadora.

“...o homem à nossa imagem...”. Que significa isto? Não se refere a aspecto físico, já que Deus é espírito, e não tem corpo. A imagem de Deus no homem tem quatro aspectos: (a) somente o homem recebeu o sopro de Deus, e, portanto, tem um espírito imortal, por meio do qual pode ter comunhão com Deus; (b) é um ser moral, não obrigado a obedecer a seus instintos, como os animais, porém possui livre-arbítrio e consciência; (c) é um ser racional, com capacida­de para pensar no abstrato e formar ideias; (d) é um ser que tem domínio sobre a natureza e sobre os seres vivos, à semelhança de Deus; é o representante de Deus, investido de autoridade e domínio (Gn.1:26), como visível monarca e cabeça do mundo.

2. A matéria prima do homem

O corpo do homem foi formado do pó da terra, à semelhança do que se deu com os animais (Gn.2:7,19), o que nos ensina que ele se relaciona com as outras criaturas. Não obstante, não há elo biológico entre o homem e os animais.

A ciência tem demonstrado que a substância do corpo humano contém os mesmos elementos químicos do solo. Seu nome em hebraico "Adão" (homem), é semelhante a "Adama" (solo). Usa-se a palavra "bara" (criar algo sem precedentes) em Gn.1:27, que indica que sua criação foi algo especial.

Gênesis 2:7 diz: “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra…". A palavra "formou" dá, no original, a ideia de "manipulação", trabalho com as mãos.

Que o corpo do homem é feito do pó da terra não se pode negar, cientificamente. Eis a sua constituição segundo os estudiosos deste assunto:

3. O sopro divino (Gn.2:7)

“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”.

O fôlego de vida soprado por Deus não é o ar que conhecemos, mas a própria vida dada ao homem, a própria imagem e semelhança de Deus. O homem é imagem e semelhança de Deus exatamente porque Deus lhe imprimiu algo de Sua essência, algo que veio diretamente dEle, ao contrário do restante da criação, que foi feito a partir da vontade divina expressa por Sua Palavra.

Este texto narra a criação da parte imaterial do homem, que é constituída da alma e do espírito. Deus soprou nos narizes do homem e ele foi feito "alma vivente", ou seja, surgiu desse sopro uma alma e essa alma tinha consciência de que vinha de Deus e estava ligada a Ele. Temos, então, as duas instâncias do homem interior: a alma e o espírito. Este é o aspecto totalmente diverso entre o homem e os demais seres vivos criados na Terra. Esta parte imaterial coloca o homem acima da natureza e que lhe permite dominar sobre ela. Esta parte imaterial, resultado do sopro de Deus, é o que Paulo denomina de "homem interior", porque é a parte do homem que não aparece aos nossos olhos, parte esta que as Escrituras identificam figurativamente como "mente" (Rm.7:25) e "coração" (Pv.4:23; Ap.2:23).

Ao se dizer que o homem foi feito "alma vivente”, está sendo dito que o homem é uma alma que tem vida, ou seja, é uma alma que está em comunhão com Deus, pois vida, aqui, não é uma mera existência, mas é uma demonstração de existência de uma comunhão entre Deus e a Sua criatura.

- A alma é a sede dos pensamentos e dos sentimentos do homem; a sede da sua personalidade, da sua individualidade; a parte do homem que tem consciência de si mesmo.

- O espírito é a parte do homem que faz a relação dele com Deus; é a sede da consciência, o instrumento que nos permite discernir o certo do errado; é o elo entre Deus e o homem, a instância em que tomamos consciência da existência e da soberania de Deus.

Alguém disse que o homem tem espírito para ter comunhão com Deus, vontade para obedecê-lo e corpo para servi-lo.

IV. A MISSÃO E A TAREFA DO HOMEM

Por que Deus criou o homem? Não há apenas uma única resposta para esta pergunta. Através da Escrituras Sagradas, podemos notar várias razões que levaram o Senhor a criar o homem e mantê-lo no mundo criado como administrador de tudo. Veja a seguir três motivos:

1. Glorificar a Deus

Deus não precisava criar o homem, mas criou-o para a sua própria glória. Deus não precisa de nós nem do resto da criação para nada, porém, nós e o restante da criação o glorificamos e lhe damos alegria. Como por toda a eternidade sempre houve perfeito amor e comunhão entre os membros da Trindade (João 17:5,24), Deus não nos criou porque estava só ou porque precisasse da comunhão de outras pessoas – Deus não precisava de nós por motivo nenhum. No entanto, Deus nos criou para a sua própria glória.

O fato de Deus nos ter criado para a sua própria glória determina a resposta correta à pergunta: Qual o nosso propósito na vida? Nosso propósito dever ser sempre cumprir a meta para qual Deus nos criou: glorificá-lo.

A humanidade sofreu com a Queda do primeiro homem criado, mas Deus se glorificou providenciando Jesus Cristo que, através de Seu ministério e morte, redimiu os filhos do Senhor. O profeta Isaías afirma que Deus criou o homem para o louvor da Sua glória.

“Cantai alegres, vós, ó céus, porque o SENHOR fez isso; exultai vós, as partes mais baixas da terra; vós, montes, retumbai com júbilo; também vós, bosques e todas as árvores em vós; porque o SENHOR remiu a Jacó e glorificou-se em Israel” (Is.44:23).

O salmista, do Salmo 148, recomenda a toda ser humano a louvar ao Senhor:

11.reis da terra e todos os povos, príncipes e todos os juízes da terra;

12.rapazes e donzelas, velhos e crianças.

13.Que louvem o nome do SENHOR, pois só o seu nome é exaltado; a sua glória está sobre a terra e o céu.

14.Ele também exalta o poder do seu povo, o louvor de todos os seus santos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado. Louvai ao SENHOR!

2. Propagar a espécie

“E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn.1:28).

Quando Deus criou o homem, Ele o preparou fisicamente para obedecer à Sua vontade, tais como:

  • Multiplicar-se.
  • Povoar a terra.
  • Dominar os peixes, aves e animais.

O Perfeito Criador colocou no corpo humano tudo que seria necessário para cumprir os ideais divinos, pois o homem para se multiplicar, necessita primeiro possuir desejo sexual, e depois prazer sexual, e depois o esperma para fecundar o óvulo da mulher, para que enfim possa gerar o filho; tudo isto foi previsto pela Trindade santa, em nada o Criador falhou; não houve testes, não houve cobaia; o primeiro homem já era dotado de tudo aquilo que Deus planejou para sua existência e procriação.

3. Governar e administrar o planeta

Após decidir criar o homem à Sua imagem e semelhança, o Senhor anunciou que o homem teria domínio sobre o restante da criação. Essa decisão de Deus a respeito do homem foi tanto um privilégio como uma responsabilidade que o homem recebeu. Está assim escrito:

“E disse Deus: [...] domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra [...] dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn.1:26,28).

É importante observar que o homem devia dominar a terra, mas não como se fosse o dono dela, porque toda a terra pertence ao Senhor (Lv.25:23, Sl.24:1, 1Co.10:26). O homem é apenas o "mordomo de Deus", com a função de tomar conta das obras das Suas mãos.

Conforme bem explica o comentarista do Comentário Bíblico Beacon, esse direito dado por Deus ao homem dominar sobretudo na Terra ressalta o fato de que Deus o equipou com aptidão para agir como governante.

-Aptidão para governar implica em capacidade intelectual adequada para argumentar, organizar, planejar e avaliar.

-Aptidão para governar implica em capacidade emocional adequada para desejar o mais alto bem-estar dos súditos, apreciar e honrar o que é bom, verdadeiro e bonito, repugnar e repudiar o que é cruel, falso e feio, ter profunda preocupação pelo bem-estar de toda a natureza e amar a Deus que o criou.

-Aptidão para governar implica em capacidade volitiva adequada para escolher fazer a toda hora o que é certo, obedecer ao mandamento de Deus indiscutivelmente e sem demora, entregar alegremente todos os poderes a Deus em adoração jovial e participar em uma comunhão saudável com a natureza e Deus.

-Aptidão para governar ou exercer domínio sobre a Criação não significa que o homem pudesse fazer o que desejasse, que destruísse os animais (matança de forma indiscriminada) ou poluísse a Terra. Como um ser criado por Deus, o homem deveria usar de sabedoria na administração da Terra, usando-a para habitação, para seu prazer, tendo boa alimentação a seu dispor, preservando as obras criadas, tratando-as com equilíbrio. Sempre cônscio que a criação não pertence ao homem, mas ao Criador (cf.Sl.24:1). Infelizmente, atualmente, temos negligenciado essa responsabilidade quando ficamos passivos ante a destruição do mundo criado por Deus, e até quando nós mesmos, com atitudes irresponsáveis, colaboramos com essa devastação, quando, por exemplo: desperdiçamos água; quando colocamos lixo nas praias, nos rios; quando devastamos a natureza.

CONCLUSÃO

Aprendemos aqui neste estudo que o Primeiro homem, Adão, foi criado por Deus, por um ato consensual da Santíssima Trindade (Gn.1:26,27); criado à imagem de Deus, conforme à Sua semelhança; macho e fêmea foram criados por Deus (Mc.10:6), e não formado no decurso de milhões de anos de processos macro evolucionários.

 

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