quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

JOÃO BASTISTA – A VOZ DO QUE CLAMA NO DESERTO


JOÃO BASTISTA – A VOZ DO QUE CLAMA NO DESERTO

João Batista é uma das figuras mais fascinantes da Bíblia. Ele serve como a "ponte" entre o Antigo e o Novo Testamento, sendo o último dos profetas na tradição antiga e o precursor da era messiânica.

1. Identidade e Propósito

A vida de João não foi um acidente; foi uma profecia cumprida. Ele foi o "mensageiro" prometido séculos antes.

  • O Prenúncio: Sua vinda foi profetizada em Isaías 40:3 ("Voz do que clama no deserto") e Malaquias 4:5-6.
  • O Nascimento Milagroso: Filho de Zacarias e Isabel (parenta de Maria). Seu nascimento rompeu um silêncio profético de 400 anos (Lucas 1).
  • A Missão: Preparar o caminho do Senhor, endireitando as veredas e despertando o povo para o arrependimento.

2. A Mensagem: Arrependimento e Justiça

João não pregava para agradar ouvidos; sua mensagem era urgente e confrontadora.

  • O Batismo de Arrependimento: Diferente dos rituais de purificação judaicos repetitivos, o batismo de João simbolizava uma mudança pública de direção (Metanoia).
  • Frutos Dignos: Ele exigia que a fé se traduzisse em ações práticas (Lucas 3:10-14):
    • Aos ricos: Generosidade.
    • Aos publicanos: Honestidade.
    • Aos soldados: Justiça e contentamento.

3. O Caráter: Humildade Radical

Talvez a maior lição de João Batista seja como ele lidou com o próprio ego à medida que Jesus crescia em popularidade.

"Convém que ele cresça e que eu diminua." (João 3:30)

  • Desprendimento: Vivia no deserto, vestia pelos de camelo e comia gafanhotos e mel silvestre. Ele não buscava o conforto do templo, mas a verdade do Reino.
  • Foco no Cordeiro: Quando Jesus apareceu, João imediatamente redirecionou seus próprios discípulos para segui-lo: "Eis o Cordeiro de Deus" (João 1:29).

4. O Preço da Verdade

A fidelidade de João à verdade custou sua liberdade e, eventualmente, sua vida.

  • O Confronto com o Poder: Ele não hesitou em repreender o Rei Herodes por seu casamento ilícito com Herodias (Mateus 14).
  • O Momento de Dúvida: Mesmo os gigantes hesitam. Na prisão, João enviou discípulos para perguntar se Jesus era mesmo o Messias. Jesus respondeu apontando para os frutos: os cegos veem, os coxos andam (Mateus 11:4-5).
  • O Martírio: João foi decapitado, selando seu ministério como um fiel testemunha.

 

Tabela: João Batista vs. Jesus (A Diferença de Papéis)

Característica

João Batista

Jesus Cristo

Papel

O Precursor (Prepara)

O Messias (Cumpre)

Batismo

Com Água (Arrependimento)

Com o Espírito Santo e Fogo

Foco

Apontar para o Cordeiro

Ser o Cordeiro

Origem

Nascido de mulher (Terra)

Veio do Céu (Divino)

Reflexão Prática para Hoje

O ministério de João nos ensina que o sucesso espiritual não é medido por quantos seguidores nós temos, mas por quão bem apontamos as pessoas para Cristo. Ele nos convida a preparar o "deserto" do nosso próprio coração para a presença do Rei.

"A Lei e os Profetas duraram até João; desde então, é anunciado o Reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele" (Lc 16.16).

1. A Voz no Deserto (Preparação) João Batista pregava no deserto, um lugar de silêncio e poucos distrativos. Em um mundo tão barulhento e conectado como o de hoje, o que tem impedido você de ouvir a "voz" que clama pelo arrependimento no seu coração?

2. O Significado da Metanoia (Mudança) O arrependimento de João não era apenas um sentimento de culpa, mas uma mudança de direção (metanoia). Olhando para as orientações práticas que ele deu aos soldados e cobradores de impostos (Lucas 3:10-14), qual seria a orientação de João para a sua profissão ou rotina diária hoje?

3. O Desafio do Ego (Humildade) João disse: "Convém que Ele cresça e que eu diminua". Na nossa cultura de busca por curtidas, reconhecimento e autoridade, como podemos praticar essa humildade radical no nosso serviço à igreja ou na família?

4. Lidando com as Dúvidas (Fé) Mesmo tendo visto o Espírito descer sobre Jesus, João teve momentos de dúvida enquanto estava na prisão (Mateus 11). Como a resposta de Jesus — focada nos frutos e nas obras — pode nos ajudar quando passamos por momentos de crise na nossa fé?

5. O Custo do Discipulado (Integridade) João Batista não negociou seus valores diante do Rei Herodes, mesmo sabendo dos riscos. Você já se sentiu pressionado a comprometer sua fé ou ética para agradar alguém em posição de autoridade? O que o exemplo de João nos ensina sobre coragem?


INTRODUÇÃO
Após quatrocentos anos de silêncio, desde o último profeta pós-exílio, Deus novamente se manifesta através do ofício profético para se comunicar com o seu povo, desta vez para apresentar o Desejado das nações, o Messias prometido (vide Malaquias 3:1). É o clímax do ofício profético. O apóstolo Paulo denomina de plenitude dos tempos (Gl 4:4). Nascido da linhagem sacerdotal, João foi escolhido por Deus para ser profeta (assim como aconteceu com Jeremias) e alertar o povo sobre a vinda do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Ele é o personagem que demarca a transição da Antiga para a Nova Aliança, e seu trabalho foi essencial como elo profético entre o Antigo e o Novo Testamento, demonstrando que o tempo de Deus para a salvação da humanidade tinha chegado ao seu ápice e que era necessário, da parte do povo, o arrependimento para entrar no Reino de Deus. Nesta aula, trataremos da origem, ministério e mensagem deste último profeta veterotestamentário.

I. A ORIGEM DE JOÃO BATISTA


1. Sua família.
 João Batista veio de uma piedosa família, formada pelo sacerdote Zacarias e Isabel, sua esposa. Eles viveram no tempo que o malvado Herodes, o grande - que era da Iduméia, portanto, descendente de Esaú -, era o rei da Judéia.

Zacarias (que significa O SENHOR LEMBRA) foi sacerdote pertencente ao turno de Abias, um dos 24 turnos em que o sacerdócio judaico fora dividido por Davi (1Cr 24:10). Cada turno era chamado para servir no Templo em Jerusalém duas vezes no ano, de sábado a sábado. Havia tantos sacerdotes naquele tempo que o privilégio de queimar incenso no Santuário ocorria uma vez na vida, se ocorresse (Lc 1:8-10).

Isabel (que significa O JURAMENTO DE DEUS) descendia da família sacerdotal de Arão. Ela e o marido eram judeus devotos, cuidadosos em obedecer às Escrituras do Antigo Testamento, tanto no aspecto moral quanto no cerimonial.

Toda manhã um sacerdote deveria entrar no Lugar Santo e queimar incenso. Eram lançadas sortes para decidir quem entraria no santuário; um dia a sorte caiu sobre Zacarias. Mas não foi por acaso que ele estava a serviço e foi escolhido naquele dia para entrar no Lugar Santo; foi uma ocasião especial. Deus estava guiando os acontecimentos, preparando o caminho para a vinda de Jesus à Terra.

No verso 6 lemos o seguinte a respeito de Zacarias e Isabel: “Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor”. Eles não fingiam seguir as leis de Deus; a submissão exterior era fundamentada na obediência interior. Diferentemente dos líderes religiosos a quem Jesus chamou de hipócritas, Zacarias e Isabel não se detiveram apenas na letra da lei. A obediência deles era de coração; por esta razão foram chamados “justos perante Deus”.


Conquanto Zacarias e Isabel fossem “justos perante Deus” enfrentavam um problema que lhes tirava toda a alegria: eles não tinham filhos. De acordo com o verso 7, eles formavam um casal de velhos e não tinham filhos, à semelhança de Abraão e Sara (Gn 11.30; 21.2). Que grande tristeza para uma mulher judia! Apesar de tudo, Zacarias servia ao Senhor no Templo. Ele era da tribo de Levi e, naquele momento, estava servindo ao Senhor no altar da oração. Ele estava pondo incenso no altar quando lhe apareceu um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do incenso. Ao “vê-lo, Zacarias turbou-se”; nenhum dos seus contemporâneos já tinha visto um anjo. Mas o anjo o tranqüilizou com notícias maravilhosas. A oração de Zacarias e Isabel fora ouvida: “Isabel tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João” (Lc 1:13).


2. Seu nome e seu nascimento (Lc 1:13; 57-66). Quando se cumpriu o tempo de Isabel, ela deu à luz um filho. Os parentes e amigos se alegraram. No oitavo dia, quando a criança foi circuncidada, eles pensaram que, sem dúvida, ele seria chamado Zacarias, o nome do pai. Quando Isabel lhes falou que o nome da criança seria João, ficaram admirados, porque nenhum dos seus parentes tinha esse nome. Para chegar à decisão final, fizeram sinais a Zacarias (isso significa que ele não estava somente mudo, mas surdo). Pedindo uma tabuinha, ele resolveu o assunto: o nome da criança seria João. As pessoas se admiraram. O nome João significa “Favor ou Graça de Jeová”. Além de trazer prazer e alegria aos próprios pais, ele seria uma bênção para muitos (Lc 1:14), pois tal acontecimento era prova inequívoca de que o Senhor ainda amava Israel (Lc 1.65-80).

Mas tiveram uma surpresa maior quando perceberam que Zacarias voltara a falar ao escrever “João”. A notícia se espalhou rapidamente por toda a região montanhosa da Judéia, e todos se perguntavam sobre a futura obra daquela criança incomum. Eles sabiam que o favor especial do Senhor estava com ele (ver Lc 1:64-66).

3. Sua estatura espiritual e sua missão. “Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe” (Lc 1:15). “E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus (Lc 1:16). e irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos e os rebeldes, à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem-disposto” (Lc 1:17).
Em primeiro lugar, o anjo Gabriel discorre sobre a estatura espiritual de João Batista, declarando que ele seria "grande diante do Senhor" e "cheio do Espírito Santo, desde o ventre de sua mãe".


a) “será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte”. João seria grande diante do Senhor (o único tipo de grandeza que tem valor). Ele seria grande na sua separação pessoal a Deus, ele não beberia vinho (feito de uvas) nem bebida forte (feita de cereais). O filho de Zacarias e Isabel deveria ser nazireu. Informações mais detalhadas a respeito desse assunto são encontradas no Livro de Números. Os nazireus não tomavam vinho ou bebida forte, não cortavam os cabelos e achavam a sua alegria no Espírito de Deus. Essa é a razão por que o apóstolo Paulo diz: “E não vos embriagueis com vinho..., mas enchei-vos do Espírito Santo” (Ef 5:18). Infelizmente, muitas pessoas procuram em diversos produtos a alegria e o prazer. O verdadeiro crente se alegra e regozija na intimada com Deus.

b) “será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe”. Isso não pode significar que João era salvo ou convertido de nascença, mas somente que o Espírito de Deus estava nele desde o princípio a fim de prepará-lo para a missão especial como o precursor de Cristo.

Em segundo lugar, ele seria grande na sua função de arauto do Messias (Lc 1:16,17). A missão de João era semelhante ao dos profetas do Antigo Testamento: encorajar o povo a converter-se de seus pecados e seguir a Deus – “E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus”. Ele era o precursor do Messias. Como o texto sagrado diz: ele veio para converter os corações dos pais e dos filhos; converter muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus; converter os corações dos pais aos filhos; converter os desobedientes à prudência dos justos.

Tudo indica que havia um problema muito grande entre os pais e os filhos naquele tempo. É um problema que talvez acompanhe os séculos. Porém, o maior problema em nossos dias não está no relacionamento entre pais e filhos, mas entre os pais e Deus. Quando o pai tem um relacionamento correto com Deus, não terá dificuldades para relacionar-se com seus filhos.


4. A pregação de João Batista preparando o caminho do Messias (Lc 3:3-14). Neste texto de Lucas temos cinco características da pregação de João Batista:


a) Relativo à sua abrangência. Em relação ao local do seu ministério, devemos entender que, ao optar pelo ministério profético, e não pelo sacerdotal, João Batista percorreu toda a circunvizinhança do Jordão. Em relação aos seus ouvintes, ele pregou a todos, sem diferença de classe social. Pregou para as multidões, isto é, para as pessoas comuns, pregou para os publicanos e soldados e não deixou as autoridades sem ouvir a sua mensagem.


b) Relativo ao conteúdo de sua mensagem. João pregou o batismo de arrependimento para remissão de pecados. Tanto esse batismo como a lei dos sacrifícios não salvavam o pecador, mas como precursor do Messias, sua mensagem significava uma preparação para a nova época que chegaria. Significava que quem aceitasse o batismo estava predisposto a abraçar com disposição a nova etapa que seria inaugurada pelo Messias.


c) Relativo à base de autoridade da sua mensagem. João pregou de acordo com o Antigo Testamento, de acordo com o profeta Isaias (Is 40:3-5).


d) Relativo à maneira de entregar a mensagem. João foi contundente ao apresentar a sua mensagem. Chamou seus ouvintes de raça de víboras. Exigiu frutos dignos de arrependimento. Destacou que o machado estava colocado à raiz da árvore, isto é, o juízo divino já estava às portas. João pregou a mensagem de arrependimento, uma mensagem de conversão. Hoje, muitos pregadores estão mais preocupados com o seu auditório. Querem agradá-lo e, por isso, deixam de apresentar todo o conselho de Deus, toda a verdade da Palavra sobre a salvação, a vida, a moral e o comportamento. Infelizmente, hoje é anunciado mais o evangelho da adesão (aquele em que se vai a Cristo e se permanece como está, esperando as bênçãos e os benefícios divinos) do que o evangelho da conversão (aquele em que se é chamado por Cristo e uma verdadeira transformação é experimentada; em que o próprio eu sou negado; em que a cruz é diariamente tomada e, então, Cristo é seguido, conforme Lucas 9:23).


e) Relativo à aplicação prática que fazia da sua mensagem. João, diferentemente de muitos pregadores dos dias de hoje, não teve que fazer apelos e apelar. A sua palavra, certamente inspirada pelo Espírito Santo, provocou o desejo nos ouvintes de saber o que deveriam fazer. As multidões, os publicanos e até os soldados perguntaram a João o que deveriam fazer, como deveriam agir. João, de modo claro e prático, indicou a cada grupo quais ações demonstrariam o fruto de seu arrependimento.


f) Despertava atenção das autoridades. “Então, ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. E, vendo-o muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (Mt 3:5-7).
Séculos após o retorno do exílio, os fariseus e saduceus vêem o povo ir ouvir um homem vestido de forma peculiar, com uma mensagem radical, exigindo arrependimento até dos líderes da nação. Mateus 14:5 mostra a importância que João tinha para o povo de sua época. Herodes queria matar João Batista, mas “temia o povo, porque o tinham como profeta”. Aquele homem que pregava no deserto da Judéia e cobrava arrependimento de todas as pessoas foi reconhecido como um autêntico profeta enviado por Deus.
Uma das práticas mais importantes nas pregações ou estudos que fazemos é a aplicação, a sugestão prática que devemos dar aos ouvintes para que a Palavra tenha efeitos. João Batista usou esse recurso de forma espetacular.


Exatamente por isso, a melhor aplicação que podemos fazer dessa mensagem de João Batista é entendermos que não importa o que somos. Você pode dizer ao mundo o que é em Cristo através daquilo que faz, por meio da vida que vive. A vida do cristão deve ser uma mensagem para o mundo. Pelos frutos é que os outros nos conhecem e descobrem o que somos. Devemos produzir frutos de arrependimento, frutos da nossa salvação. Que possamos mostrar o que recebemos gratuitamente de Deus por meio de Cristo.


II. A PERSONALIDADE DE JOÃO BATISTA


1. O testemunho de Jesus. Herodes Antipas havia se casado com sua cunhada, Herodias, esposa de Filipe, seu meio-irmão. Ela abandonou o marido para viver com Herodes. João Batista condenou publicamente os adúlteros pela atitude imoral (ver Mc 6:17,18). Por causa disso, João Batista foi encarcerado por ordem de Herodes.


Na prisão, desanimado e sozinho, João começou a pensar. Se Jesus fosse realmente o Messias, por que permitiria que seu precursor adoecesse na prisão? Como muitos grandes homens de Deus, João sofreu uma perda temporária de fé. Então ele enviou dois dos seus discípulos a perguntar se Jesus realmente era quem os profetas haviam prometido, ou se eles deveriam ainda estar à procura do Ungido. Então Jesus mandou que contassem a João Batista "as coisas que ouvis e vedes: Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho" (Mt 11.4,5). Jesus relembrou a João que ele estava fazendo os milagres preditos acerca do Messias: cegos vêem (Is 35:5), coxos andam (Is 35:6), leprosos são purificados (Is 53:4; cf Mt 8:16-17) e surdos ouvem (Is 35:5). Jesus também relembrou a João que o evangelho estava sendo pregado aos pobres no cumprimento da profecia messiânica em Isaias 61:1. Os líderes religiosos comuns frequentemente concentram sua atenção nos ricos e aristocratas. O Messias trouxera as boas-novas aos pobres. Com tantas evidências a identidade de Jesus era óbvia.
Se você às vezes tem dúvidas quanto à sua salvação, ao perdão de seus pecados ou à obra de Deus em sua vida, olhe para as evidências existentes nas Escrituras e para as mudanças que ocorrem em sua vida. Se estiver em dúvida não se afaste de Cristo: antes, apegue-se ainda mais a Ele. A vida de um homem não é composta por um único capítulo. Analisando a vida de João na totalidade, encontramos um registro de fidelidade e perseverança.

2. Sua espiritualidade e devoção (Mt 11:7-8). Logo que os discípulos de João partiram com as palavras de consolo de Jesus, o Senhor se dirigiu ao povo com palavras de grande elogio a João Batista. Jesus disse: “Que fostes ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento?”.
Essa mesma multidão fora ao deserto quando João estava pregando por lá. Por quê? Para ver um homem como uma cana fraca, vacilante, agitada por todo vento passageiro de opinião humana? Certamente que não! João era um pregador destemido e cheio do Espírito Santo, que preferiria sofrer a ficar calado, e preferiria morrer a mentir. Ele pregava a verdade e os mandamentos de Deus sem temer os homens e sem jamais temer a opinião popular. As autoridades judaicas ignoraram o pecado de Herodes, mas João nem por um momento jamais fez isso. Ele opôs-se ao tal pecado, com firmeza total, demonstrando nisso fidelidade absoluta a Deus e à sua Palavra. Ele foi fiel a Deus ao condenar o pecado, embora tal atitude viesse a custar-lhe a vida (Mt 14:3-12). Portanto, ele não era "uma cana agitada pelo vento", mas um vigoroso cedro capaz de resistir a fortes tempestades. Ele é o tipo de pregador digno de ser imitado.


3. Sua personalidade (Mt 11:8). “Sim, que fostes ver? Um homem ricamente vestido? Os que se trajam ricamente estão nas casas dos reis”. Com estas perguntas retóricas, Jesus estava dizendo que esse tipo de personalidade não caracterizava João. Ele era um simples homem de Deus, cuja austeridade era uma repreensão ao grande mundanismo das pessoas.
A vaidade, o orgulho, a soberba, jamais estiveram presentes em João Batista. Por sua austeridade e fidelidade cristã, ele é confundido com o próprio Cristo, mas, imediatamente, retruca: "Eu não sou o Cristo" (João 3:28) e “não sou digno de desatar a correia de sua sandália" (João 1:27). Quando seus discípulos hesitavam, sem saber a quem seguir, ele apontava em direção ao único caminho, demonstrando o Rumo Certo, ao exclamar: "Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1:29).


III. JOÃO BATISTA, O ÚLTIMO PROFETA


1. "Muito mais que profeta" (Mt 11:9). O testemunho público de Jesus confirma o que o Espírito Santo havia falado pela boca de Zacarias: João seria "profeta do Altíssimo" (Lc 1.76). O Senhor não indicou aqui que ele era maior em relação ao seu caráter pessoal, à sua eloquência ou persuasão; ele era maior por causa de sua posição como precursor do Rei Messias, Jesus Cristo. Isto fica claro no versículo 10. João fora o cumprimento da profecia de Malaquias 3:1 – o “mensageiro” que precederia o Senhor e “prepararia” o povo para a sua vinda. Outros homens profetizaram a vinda de Cristo, mas João fora o escolhido para anunciar sua efetiva chegada.


Jesus acrescentou que “entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista” (Mt 11:11). E isso, por algumas razões: João Batista foi o único que viu o que todos os profetas desejaram ver: ele viu o Filho de Deus, encarnado; não apenas viu, mas, tocou-O; não apenas tocou-O, mas, batizou-O; foi escolhido, por Deus, para apresentar Seu Filho, ao mundo - “... Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1: 29).


2. O término da dispensação da Lei - “Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João” (Mt 11:13). Lucas 16.16: “A Lei e os Profetas duraram até João”. Com estas palavras, o Senhor descreveu a dispensação da lei que começou com Moisés e terminou com João Batista. Mas agora uma nova dispensação estava sendo inaugurada, a dispensação da Graça.
De Gênesis a Malaquias, todos os escritos predisseram a vinda do Messias. Quando João apareceu na história, seu único papel não era apenas profetizar, mas anunciar o cumprimento de todas as profecias a respeito da primeira vinda de Cristo.
Desde o tempo de João, o evangelho do reino de Deus está sendo pregado. João Batista saiu anunciando a chegada do legítimo Rei de Israel. Ele avisou o povo que o arrependimento faria Jesus reinar sobre eles. Como resultado da sua pregação, e a pregação do próprio Senhor, e dos discípulos mais tarde, houve resposta positiva da parte de muitos.

3. "O Elias que havia de vir" (Mt 11:14). Malaquias predisse que antes do surgimento do Messias, Elias viria como precursor (Ml 4:5,6). Jesus confirma essa profecia ao comparar o ministério de João Batista ao de Elias. João não era Elias reencarnado (ele negou ser Elias em João 1:21), mas ele foi adiante de Cristo no espírito e poder de Elias (Lc 1:17), ou seja: exercendo um ministério igual ao de Elias. E o Senhor Jesus o reafirma em outra ocasião (Mt 17.12,13). João não era Elias reencarnado por duas razões básicas: Elias foi arrebatado vivo para o céu, portanto, não morreu (2Rs 2.11). Além disso, reencarnação é algo que não existe e nem é permitido por Deus (2Sm 12.23; Sl 78.39; Hb 9.27).


Conforme disse o pr. Esequias SoaresElias e João Batista tinham as mesmas características: ambos se vestiam de pelos e usavam cinto de couro (2Rs 1.8; Mt 3.4), ministravam no deserto (1Rs 19.9,10,15; Lc 1.80), e eram incisivos ao pregarem contra reis ímpios (1Rs 21.20-27; Mt 14.1-


CONCLUSÂO
João Batista é um exemplo para todos os cristãos autênticos: em simplicidade (sua vida era plenamente desprendida das coisas efêmeras desta vida, do hedonismo), em austeridade espiritual (não era conformado com o mundo) em coragem (não media esforço para que a mensagem de Deus fosse entregue aos destinatários, seja ele quem fosse, mesmo que as consequências lhe fossem desfavoráveis). Como profeta de Deus, foi submisso à vontade do Espírito Santo, falando somente aquilo que lhe foi consentido falar; nunca falou o que não lhe foi autorizado; não se preocupou em ser “politicamente correto” para falar somente aquilo que o povo queria ouvir. Seu compromisso era com o Deus de Israel, era alertar o povo para a chegada do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. É lamentável que sua morte fora tão prematura (na nossa percepção), mas creio que aos olhos de Deus, o tempo de João neste mundo tinha-se encerrado. Ele cumpriu sua missão como “profeta do Altíssimo” (Lc 1:76), então, por que ficar aqui neste mundo, tendo em vista que o lugar do crente não é neste mundo (João 14:1-3). Que o Senhor Deus preserve os seus remanescentes mensageiros, que têm compromisso sério e inevitável com a sã doutrina, e que Ele continue a levantar homens e mulheres santos, destemidos e cheios do Espírito Santo para a expansão do Seu Reino.

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

ELIAS UM HOMEM DE DEUS EM DEPRESSÃO

 



ELIAS UM HOMEM DE DEUS EM DEPRESSÃO

Texto Bíblico: 1Reis 19:2-8

“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2Co 4:8,9)

A história de Elias é um dos relatos mais humanos e honestos da Bíblia. Ela mostra que até os "gigantes da fé" não são imunes ao esgotamento emocional e ao desespero profundo.

O Contexto: Do Pico à Depressão

Logo após uma vitória espiritual estrondosa no Monte Carmelo, onde Elias enfrentou 450 profetas de Baal, ele recebe uma ameaça de morte da rainha Jezabel. Mesmo tendo visto o poder de Deus de perto, o medo e o cansaço acumulado o atingiram de forma avassaladora.

Os Sinais da Depressão de Elias

A Bíblia descreve comportamentos que hoje identificamos facilmente como sintomas depressivos:

  • Isolamento: Ele abandonou seu servo e foi sozinho para o deserto (1 Reis 19:3).
  • Desejo de morte: Ele orou: "Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida" (1 Reis 19:4).
  • Exaustão física: Ele simplesmente se deitou e dormiu profundamente debaixo de um zimbro.
  • Visão distorcida da realidade: Ele sentia que era o único fiel que restava, sentindo-se abandonado e inútil ("Não sou melhor que meus pais").

Como Deus tratou a depressão de Elias

O que mais chama a atenção é que Deus não deu um "sermão" ou o repreendeu por estar triste. O tratamento divino foi feito em etapas:

Etapa

Ação de Deus

O que aprendemos

Cuidado Físico

Deus enviou um anjo com pão e água e o fez dormir.

Às vezes, o "problema espiritual" é cansaço extremo e falta de nutrição.

Presença Silenciosa

Deus não estava no vento forte, nem no terremoto, mas num sopro suave.

Deus se aproxima na mansidão, não apenas em grandes eventos.

Escuta Ativa

Deus perguntou duas vezes: "Que fazes aqui, Elias?"

Deus permite que desabafemos nossas frustrações e medos sem julgamento.

Novo Propósito

Deus deu a ele novas tarefas e revelou que havia mais 7.000 fiéis.

O isolamento nos faz achar que estamos sozinhos; o propósito nos ajuda a sair do abismo.

 

Um detalhe importante: Elias era um homem sujeito às mesmas paixões (sentimentos) que nós (Tiago 5:17). A Bíblia faz questão de humanizá-lo para nos mostrar que ter uma crise emocional não é pecado, nem sinal de falta de Deus.

Elias não foi "demitido" por Deus por estar deprimido. Pelo contrário, após esse episódio, ele ainda realizou grandes coisas e foi transladado ao céu em um redemoinho.

Aqui estão alguns textos que dialogam diretamente com o que Elias sentiu e com o que qualquer pessoa em sofrimento emocional enfrenta:

1. O Alívio para o Cansaço Mental

Jesus deixou um convite que foca justamente naqueles que estão sobrecarregados (seja por tarefas ou por peso emocional).

  • Mateus 11:28-30: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei... porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve."
    • O que isso nos diz: Você não precisa estar "bem" para buscar a Deus. O convite é justamente para quem está no limite.

2. Quando a Tristeza parece sufocar

Nos Salmos, encontramos homens que, assim como Elias, "gritaram" suas dores para Deus.

  • Salmo 34:18: "Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido."
  • Salmo 42:11: "Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus..."
    • O que isso nos diz: É permitido questionar a própria alma e admitir o abatimento. Deus não se afasta na tristeza; Ele se aproxima.

3. A Promessa de Renovação

Assim como Deus deu pão e água para Elias recuperar as forças físicas, Ele promete renovar o vigor interno.

  • Isaías 40:29-31: "Ele dá força ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor..., mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão..."

Conselhos Práticos à Luz da Bíblia

Se você (ou alguém que você conhece) está passando por algo semelhante ao deserto de Elias, lembre-se destes três pilares bíblicos:

  1. Não se isole: Elias se isolou no deserto e isso piorou sua visão das coisas. Procure um "Eliseu" (um amigo, um pastor ou ajuda profissional).
  2. Cuide do corpo: Deus priorizou o sono e a comida de Elias antes de ter uma conversa teológica com ele. O descanso é espiritual.
  3. Fale a verdade: Deus perguntou "Que fazes aqui?". Diga a Deus exatamente como você se sente, sem filtros. Ele aguenta a sua verdade.

 

 


INTRODUÇÃO

Sempre que realizamos ou estamos prestes a realizar algo importante para Deus, enfrentamos o ataque do inimigo. Até ao triunfo do Carmelo quando Elias sozinho enfrentou quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e quatrocentos do poste-ídolo Aserá, não se observa nele segundo as Escrituras nenhum traço de depressão espiritual. Mas depois do Carmelo e mais precisamente quando Elias aguardava à entrada de Jezreel boas notícias que dentro de um prognóstico seu viriam da casa real, tudo mudou (1Reis 18:46). Elias fez um prognóstico que uma vez exterminados os falsos profetas de Baal, Deus, de imediato, enviaria o avivamento espiritual sobre toda a nação. Isto fica mais evidente quando depois da vitória sobre os falsos profetas, Elias disse a AcabeSobe, come e bebe, porque já se ouve ruído de abundante chuva (1Reis 18:41). A chuva era o sinal! Quando Acabe deu a notícia a Jezabel, ela prontamente enviou um mensageiro dizer a Elias: Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles (1Reis 19:2). Elias esperava uma renovação espiritual na realeza face a presença de Deus incidida no Monte Carmelo, demonstrando que só Ele é Deus e Senhor em Israel. Entretanto, ouve uma ferrenha oposição ao profeta de Deus e isto lhe causou depressão, levando-o a desistir de lutar. Ele tirou os olhos de Deus e colocou-os nas circunstâncias. Isso pode acontecer com qualquer um de nós, por isso precisamos ter muito cuidado.

 

I. DEPRESSÃO

 

1. O que é depressão. É uma doença física como outra qualquer, só que desorganiza as reações emocionais. Ela é muito complexa e difícil de ser diagnosticada, pois um dos seus principais sintomas pode ser confundido com tristeza, apatia, preguiça, irresponsabilidade e em casos crônicos como fraqueza ou falha de caráter. É muito comum ouvir as pessoas dizer que estão deprimidas, quando apenas estão chateadas, estressadas ou porque se desentenderam com alguém.

 

Muitas pessoas, até aquelas consideradas muito calmas, perderia a paciência ou se chatearia numa briga de trânsito, invertida profissional, falta de dinheiro, doença na família, perda de um ente querido, desemprego, crise conjugal etc. Isto é comum na vida das pessoas, oscilamos o nosso humor diariamente. Só que depois de um curto período voltamos ao normal, sem grandes dramas, correndo atrás do prejuízo. Já a pessoa deprimida ou com predisposição, às vezes com uma chateação corriqueira, pode ser nocauteada e cair num abismo sem fim. Porque é assim mesmo que se sente um deprimido. Uma pessoa sem perspectiva de vida, sem amor-próprio, pessimista, desanimada que não vê graça em nada a não ser no seu isolamento e luto em vida. Na realidade este desânimo perante a vida não é falta de atitude e sim um mau funcionamento cerebral. Porque embora muitas pessoas acham que depressão é tolice, “ela é uma doença, um desequilíbrio bioquímico dos neurotransmissores (mensageiros químicos do impulso nervoso) responsáveis pelo controle do estado de humor. Em alguns casos, a cura não depende, como se costuma pensar, da vontade própria”

Devemos ter cuidado para não associar a depressão com pecado, o que costuma acontecer em muitas igrejas. Essa doença, dependendo do caso, pode ser tratada tanto com medicação quanto por meio de terapia e aconselhamento. Não podemos descartar a possibilidade de uma cura divina, e, quando necessário, atentar para a necessidade de uma intervenção médica (Mt 9:12).

 

2. Sintomas da Depressão. Os sintomas da pessoa com depressão podem passar completamente despercebidos e só tomamos consciência da situação quando a pessoa comete alguma "asneira". Depois é demasiado tarde. Alguns dos sintomas são: Após um período de tristeza, a pessoa esmorece e fica "isolada do mundo". Não sente vontade de reagir, não acha graça em nada, se sente angustiada, sem energia, chora à toa, tem dificuldade para começar uma tarefa, dificuldade em terminar o que começou, persistência de pensamentos negativos e um mal-estar generalizado: indisposição, dores pelo corpo, insônia ou sonolência, alterações no apetite, falta de memória, concentração, vulnerabilidade, fraqueza, taquicardia, dores de cabeça, suores ou outros sintomas físicos que joga a pessoa pra baixo; pessimismo, hipocondria, autocrítica; sentimento de culpa, de vergonha, de desamparo; sentimento de que não é digno; perda de interessa no trabalho e/ou na vida sexual, tensão, tendência a acidentes, etc.

 

3. Causas da depressão. A depressão pode ser causada pela maneira como se vive no trabalho, no lar, na escola. O emprego que não oferece recompensa, mas não pode ser deixado porque não há outro em vista; muita tensão de horários e prazos; tensão doméstica, econômica, déficit de sono, pouco exercício físico, problemas pessoais, problemas de criação, problemas na infância, problemas de relacionamento, distância de Deus, a meia-idade (difícil para o homem, ainda mais difícil para a mulher), desapontamentos, enfermidade, depressão após o parto, rejeição, alimentação inadequada, efeito de entorpecentes, perda de emprego, perda de posição, perda de pessoas queridas por morte, divórcio, abandono etc., etc. Outras causas não têm sentido aparente, porém, na verdade, são provocadas por um desequilíbrio interno, como desordens glandulares ou hipoglicemia.

 

A verdade é que a depressão é uma condição da qual Satanás se aproveita para tornar o povo de Deus inútil para a Obra do Mestre. Entende o cristão deprimido que Deus dá perdão, mas não o experimentou ou acha que não foi salvo ou que perdeu a salvação (coisa que a Bíblia não ensina), ou ainda que cometeu o pecado imperdoável (sem saber defini-lo). Satã ataca o cristão com o cansaço que deprime, e, assim, vem o sentimento de fraqueza, ansiedade e medo. Medo da morte, medo do amanhã, medo de gente, medo de coisas específicas, e medos mal definidos também.

 

Como se vê, as causas da depressão podem ser as mais diversas, inclusive não podemos descartar os casos hereditários. Há pessoas que, ao que tudo indica, têm alguma propensão, vinda dos seus pais, para desenvolver esse tipo doença. Mas, na maioria das vezes, a causa da depressão é cultural, isto é, depende do estilo de vida no qual as pessoas se integram e a que são expostos.

 


II. ELIAS - UM HOMEM COMO OS OUTROS

Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e orou com fervor para que não chovesse, e durante três anos e seis meses não choveu sobre a terra. E orou outra vez e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto" (Tg 5:16-18).

Elias foi um homem levantado por Deus em tempo de crise política e apostasia religiosa em Israel. Ele, ousadamente, confrontou os pecados do rei Acabe, dizendo-lhe que em seu reino não choveria por três anos, e chamou a nação indecisa a colocar sua confiança em Deus. De uma forma milagrosa multiplicou o alimento da viúva de Sarepta; também orou a Deus em favor do filho da viúva, que havia morrido, e Deus o ressuscitou. Elias desafiou os quatrocentos e cinquenta profetas do deus Baal e os quatrocentos do poste-ídolo Aserá, no alto do monte Carmelo, e triunfou valentemente sobre eles, Deus deu-lhe uma vitória espetacular diante do povo de Israel; depois da vitória, ou seja, de provar que “só o Senhor é Deus”, Elias motivou o povo a que os falsos profetas do falso deus Baal fossem mortos.

Pergunto: como é possível nos dias de hoje nos identificarmos com uma pessoa tão extraordinária como o profeta Elias? Todavia, Tiago disse: "Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós...”.

É difícil tentar ver alguma semelhança com um homem que tinha esse tipo de fé. Seria mais fácil nos identificarmos com alguém como Pedro. Pedro era um indivíduo, que antes de ter sua vida controlada pelo Espírito Santo, estava sempre metendo os pés pelas mãos, quebrava promessas e ainda negou ao Senhor; mesmo depois de muitos anos de convertido ainda cometia atitudes incondizentes com o padrão espiritual de um apóstolo (cf. Gl 2:11-13). Também seria fácil nos identificar com Davi, às vezes ele tinha problemas com Deus; tinha problemas com os filhos; não sabia em quem confiar; caiu em adultério; mandou matar. Estes sim, eram homens sujeitos às mesmas paixões que nós.

No entanto, Tiago não falou sobre Davi, nem sobre Pedro. Falou daquele habitante do deserto, de origem humilde e insignificante humanamente falando: Elias. O que Tiago queria dizer era que Elias era um ser humano de natureza semelhante à que temos - com sentimentos, disposições de ânimo e constituição física igual. Era alguém tão humano quanto nós; ele tinha também os pés de barro. Não era um super-homem nem um super-crente. Depois de retumbantes vitórias, Elias ficou deprimido e pediu para si a morte.

Precisamos parecer com Elias nos seguintes aspectos: um distanciamento do mundo, fidelidade a Deus e um comprometimento com a Palavra de Deus. Aliás, a fidelidade inabalável de Elias a Deus e o comprometimento com a sua Palavra, faz dele um exemplo de fé, destemor e lealdade a Deus, ante a intensa oposição e perseguição às falsas religiões e aos falsos profetas. Temos habilidade de imitar esse grande homem de Deus?

 

III.  AS CAUSAS DOS CONFLITOS DE ELIAS

1. Decepção. O sentimento de incapacidade ou fracasso, diante da realização de um trabalho aparentemente inútil, pode nos levar à depressão. Disse a ímpia Jezabel: “Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles” (1Reis 19:2). Elias não estava preparado para esta resposta da realeza, pois entendia que todo o problema em Israel se resumia aos falsos profetas. Concluiu que uma vez exterminados, não só a chuva cairia, mas a fome deixaria de assolar a nação, o pasto ressurgiria para alimentar o gado; lagos, córregos e rios alegrariam o povo em abundância de água. Que mais a realeza e a multidão queriam? Mas, o seu prognóstico foi uma decepção; por isso, caiu em depressão. Elias caiu em depressão por se achar um fracassado em sua missão espiritual para com o povo e, sobretudo com Acabe e Jezabel. As bênçãos materiais, Deus tinha derramado; mas as espirituais, como a salvação e a mudança de atitude da realeza para com Ele mesmo e seu povo, o Senhor não realizara. Isso foi o bastante para o mundo de Elias ruir. Disse o profeta: “Basta; toma agora a minha alma, não sou melhor do que meus pais” (1Reis 19:4). Elias não teve poder de reação para lidar com o ocorrido. É um perigo quando objetivamos algo e em prol deste algo empenhamos toda a nossa força sem lograr êxito. Elias se sentiu assim. Julgou que seu esforço foi em vão porque Deus não agiu na realeza de Israel conforme seu ponto de vista. A vontade do Senhor é soberana!

 

2. Medo. Quando Elias soube da oposição da realeza ao seu grande feito no Monte Carmelo, a sua reação imediata foi esta: “Temendo, pois, Elias, levantou-se e, para salvar sua vida...” (1Reis 19:3). O profeta valente e ousado agora estava fugindo de medo das ameaças da rainha que poderia lhe tirar a própria vida. Num dado momento, Elias pensou que sua vida dependia da ímpia Jezabel e não de Deus. Por isso, ele temeu e fugiu. Sempre que tiramos nossos olhos de Deus para colocá-los nas circunstâncias adversas afundamos num pântano de desespero.

IV. AS CONSEQUENCIAS DOS CONFLITOS

1. Fuga e isolamento. Fugir é a primeira reação quando nos sentimos incapazes diante do inimigo (1Reis 19:3). Moisés, incompreendido pelos filhos de Israel e procurado por Faraó, fugiu para Midiã (Ex 2:15). Davi tomou a mesma atitude; durante prolongada crise, fugiu para Aquis, rei de Gate, fazendo-se de louco (ler 1Sm 21:10-15).

Elias realizou grandes feitos perante o Senhor: extirpou a idolatria de Israel (1Reis 18:19-40) e fez chover sobre a terra, após um longo período de seca (1Rs 18:41,42; Lc 4:25; Tg 5:17,18). Todavia, isso não impediu que o profeta ficasse apavorado diante das desprezíveis ameaças de Jezabel (1Rs 19:4,9). Então, fugiu! Ele entrou na caverna da solidão quando mais precisava de pessoas à sua volta. A depressão prega esse artefato: quando mais precisamos de companhia queremos nos trancar nos quartos escuros. Elias dispensou o seu moço, quando mais precisava dele. Muitos, por não confiarem plenamente em Deus, usam o sono, o isolamento, o entretenimento, e tantas outras coisas para fugir da realidade. Se você estiver enfrentando um problema difícil, a ponto de desejar esconder-se em uma cisterna (1Sm 13:6), saiba que o Senhor tem um escape para você (Sl 91; Hb 13:5).

2. Autopiedade e desejo de morrer. Depois de percorrer muitos quilômetros, Elias deixou o seu discípulo e se prostrou debaixo de um zimbro de tanta exaustão. Observemos que a Palavra é clara: e ali deixou o seu moço” (1Rs 19:3). Elias perdeu o ânimo para ensinar o seu discípulo e o amor por si próprio - Ele, porém, entrou pelo deserto caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, dizendo: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” (1Reis 19:4). Ele perdeu completamente a perspectiva do futuro. Elias pediu para si a morte. Ele julgou que o melhor tempo da sua vida havia ficado no passado e que o futuro só lhe reservava um espectro de desespero. A angústia de Elias lhe trouxe um estado espiritual mórbido. Um anjo lhe acorda com pão e água, ele come e volta a seu estado mórbido anterior: dormir. Se antes uma pequena nuvem era sinal de milagre, agora nem um anjo é capaz de lhe mostrar a vitória (1Reis 19:5,6).

V. O SOCORRO DIVINO


Deus tratou a depressão de Elias através de vários recursos.

1. Deus o tratou por meio da sonoterapia (1Reis 19:5,6)

A depressão deixa a mente agitada. Uma pessoa deprimida fica com o corpo cansado, mas a mente não desliga. Elias precisou dormir e descansar para sair do buraco da depressão. Deus encontrou o seu servo num momento de desmotivação e desespero. A depressão lhe era tão intensa que desejou a morte (1Reis 19:4). E nessa condição sentou-se debaixo de uma árvore e dormiu profundamente. Deus permitiu que o seu servo tivesse um momento de descanso.

2. Deus o tratou por meio da alimentação adequada (1Reis 19:6)

Deus preparou uma refeição para Elias no deserto. Deu-lhe pão e água e ele recobrou suas forças. Uma pessoa deprimida, muitas vezes, sente náuseas do alimento. É preciso fortalecer o corpo no tratamento dessa doença. O Senhor, através de seu anjo, o alimentou e permitiu que repousasse. Não houve nenhuma reprimenda, sermão ou repreensão. Deus providenciou uma refeição de pão quente e água fresca e o deixou descansar. Era preciso recobrar suas forças físicas. Creio que isto é necessário não só no caso de Elias. É preciso repousar, descansar e ter uma alimentação adequada. Podemos prevenir a depressão proporcionando um período de descanso.

3. Deus tratou Elias por meio da mudança de ambiente

Elias precisava de tempo e de um novo ambiente, para considerar sua vida sob um novo ponto de vistaDeus tirou Elias do deserto (1Rs 19:7,8) e levou-o à sua presença, em Horebe. 1Reis 19:9 diz: “Ali entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do Senhor e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?”. O profeta passou uma noite inteira no “aposento” de Deus. Foi o próprio Senhor que o conduziu à sua presença. Os versos 7 e 8 deixam claro isto: “Voltou segunda vez o anjo do senhor, tocou−o e lhe disse: Levanta−te, e come, porque o caminho te será sobremodo longo. Levantou-se sê, pois, comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus”. Deus estava em silêncio quando Elias estava prostrado no chão pedindo para si a morte. Agora, no monte Horebe é diferente, Deus lhe dirige a palavra: Que fazes aqui Elias?”. Deus não o condenou por sua atitude. Ao invés disso faz essa pergunta. Deus queria entender. Não que Ele não entendesse, mas queria que o profeta expressasse, verbalizasse o seu problema. Certas vezes precisamos colocar para fora os nossos sentimentos, mas devemos fazê-lo de uma maneira responsável. Deus também fez Elias entender e enfrentar a realidade. Para vencer a depressão é preciso entender e enfrentar a realidade.

Quem não anela ouvir em meio às tempestades a voz inconfundível de Deus? A palavra de Deus é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos (Sl 119:105). E mais: “Na tua presença há plenitude de alegria” (Sl 16:11). O profeta deprimido, como qualquer outro crente, precisava da amável e confortadora presença de Deus. Foi somente no trono do Pai que Elias se reencontrou com a verdadeira alegria que a depressão espiritual lhe tirou.

4. Deus o tratou dando-lhe a oportunidade do desabafo

Elias estava dentro da caverna, quando Deus lhe perguntou: “O que fazes aí, Elias?”. Deus, assim, o ordena a sair da caverna para destampar a câmara de horror da alma e espremer o pus da ferida – “Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem” (1Reis 19:10). O desabafo é uma necessidade vital para a assepsia da alma. Faça o mesmo: conte a Deus, conte a um bom amigo que lhe seja instrumento de Deus.

 

5. Deus o tratou dando-lhe bem-estar espiritual - Deus se revelou maravilhosamente a Elias

Em 1Reis 19:11 está escrito: Disse−lhe Deus: Sai, e põe−te neste monte perante o Senhor. Eis que passava o Senhor...”. São poucos os casos bíblicos em que Deus se revela de uma maneira especial para os seus filhos. Abraão foi chamado amigo de Deus (Tg 2:23). Enoque andou com Deus (Gn 5:24). Jó depois da provação, quando perdeu bens, amigos, filhos, saúde, pôde dizer: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso me abomino no pó e na cinza” (Jó 42:5,6). Existe um anelo em todo cristão para contemplar a grandeza do Senhor, à semelhança de Moisés que suplicou a Deus: “Rogo−te que me mostres a tua glória. Respondeu−lhe, o Senhor: Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êx 33:18,19). É na vontade soberana de Deus que está o segredo de sua manifestação pessoal aos seus. Isto não implica dizer que não devamos pedir e orar pela bênção. Devemos sim, buscar acima de tudo o Deus da bênção e não meramente a bênção como é corrente nos dias de hoje! Elias, assim como os outros, foi agraciado por Deus com sua maravilhosa manifestação.

Em 1Reis 19:11, Deus não estava num grande e forte vento; muito menos no terremoto. Em 1Reis 19:12, o Senhor não estava no fogo, mas numa brisa suave e tranquila. À suave manifestação de Deus, Elias envolveu o rosto no seu manto...” (1Rs 19:13). O profeta sentiu o marcante poder santificador e renovador do Senhor. Não há depressão espiritual que resista ao tratamento do Médico dos médicos. É Ele quem unicamente amassa o barro porque Ele é o oleiro!

6. Deus deu uma lição no profeta Elias

Em 1Reis 19:18 Deus fala assim: Também conservei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou”. Deus é o mestre por excelência. Ele ensinou ao rebelde e insensível profeta Jonas o valor do verdadeiro amor ao próximo através da morte de uma simples planta (Jn 4:6−11). O salmista aprendeu o valor da disciplina divina, pois escreveu: “Antes de ser afligido andava errado, mas agora guardo a tua palavra. Bem sei, ó Senhor, que os teus juízos são justos, e que com fidelidade me afligiste” (Sl 119:67,75). Elias experimentou a correção celestial em sua vida, mas antes disto se estribou em sua fidelidade a Deus para reclamar sua proteção. Em 1Reis 19:14 ele repete com mais intensidade o que falara no versículo 11: “Tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar−me a vida”. Não é correto quando temos a oportunidade de ficar frente a frente com o Altíssimo e ficamos querendo nos justificar, com autocomiseração, se fazendo de vítima, tentando convencer a Deus de nosso extremo zelo (1Reis 19:14). Deus não nos mandou ser extremamente zeloso, mas sim zeloso apenas. Todo extremo é perigoso.!!

O profeta ouviu do próprio Deus: Também conservei em Israel”, Elias, “sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou” (1Rs 19:18). Deus mostra-nos nosso equívoco: tem mais gente passando pelo que estamos passando - Sete mil joelhos que não se dobraram a Baal. Elias estava se achando o último dos profetas. Talvez imaginasse que nele se resumisse a esperança de Israel. Elias aprendeu que Deus é Deus. Que lição!

7. Deus renovou a vocação profética de Elias

1Reis 18:15,16 evidencia isto: Então o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; quando lá chegares, ungirás a Hazael para ser rei sobre a Síria. E a Jeú, filho de Ninsi, ungirás para ser rei sobre Israel; bem como a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás para ser profeta em teu lugar” (1Reis 19:15,16).

 

Uma vez revigorado, Elias, o tesbita, tinha que ungir Hazael como rei da Síria; Jeú como rei de Israel; e a tarefa mais difícil, que era ungir a Eliseu como profeta em seu lugar. Elias tinha agora que passar o cajado. Talvez não imaginasse que este dia chegasse nestas circunstâncias. Contudo, tinha sido renovado para tal missão! Já que pediu a morte, Deus prepara seu sucessor na sua “barba”. Sempre precisaremos do renovo de Deus em nossas vidas. Grandes homens de Deus precisaram! Elias necessitou! Portanto, busquemos o trono da graça do Senhor, pois de lá, somente de lá vem o reavivamento que nos curará de toda depressão espiritual.

8. Deus providenciou um amigo próximo (1Reis 19:19-21)

É interessante observar que Deus não lhe deu apenas um sucessor, mas alguém que o amava e o compreendia suficientemente bem para servi-lo e encorajá-lo. Todos nós precisamos de outros cristãos em nossa vida para nos ajudar e encorajar. É por isso que Deus estabeleceu a igreja, para vivermos em comunhão, em amizade e em encorajamento mútuo.

 

CONCLUSÃO

Como Elias, podemos estar sujeitos às mesmas situações. Há crentes que passam por momentos de depressão, perdem o ânimo e acreditam que Deus sequer está ao lado deles. Mas veja o que aconteceu com Elias. Deus o socorreu e o alimentou de forma sobrenatural, convidou-o para uma caminhada, para mais perto de si, e mostrou quem seria o seu substituto no Reino do Norte. Mesmo em momentos de depressão, os servos de Deus podem contar com o seu cuidado proteção e orientação. Deus não só habita no alto e santo lugar, mas também com o contrito e quebrantado de coração (Is 57:15). Jeová jamais deixaria seus filhos sozinhos, no quarto escuro e solitário da depressão espiritual. O hino 193 da harpa cristã traz a confiança inabalável em Deus oriunda do usufruto de Sua presença apesar da depressão“Ele intercede por ti, minh’alma; Espera Nele, com fé e calma; Jesus de todos teus males salva, E te abençoa dos altos céus”.

 

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