TEMPOS
DE CRISE, DEUS MOSTRA A SUA FACE
Texto Bíblico: Neemias 1:1-11
"E disseram-me: Os restantes, que não foram
levados para o cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo, e
o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo"(Ne
1:3).
A história de Neemias no capítulo 1 é um estudo fascinante sobre como a liderança equilibrada e a fé profunda operam em momentos de caos. Neemias não era um sacerdote ou um profeta, mas um leigo (o copeiro do rei Artaxerxes) que se tornou o catalisador de uma restauração nacional.
Aqui
está uma análise de como a crise se manifestou e como a providência divina
começou a agir:
1. O Choque da Realidade (A Crise Exposta)
A
crise em Neemias 1 não é apenas estrutural, é moral e emocional. Quando
Hanani traz as notícias de Jerusalém, o cenário é desolador:
- Muros
derrubados: A cidade
estava indefesa contra-ataques.
- Portas
queimadas: Símbolo de
uma cidade sem governo e sem honra.
- Povo
em miséria: Os
sobreviventes viviam em constante humilhação.
O
Insight de Neemias: Ele
entendeu que muros caídos eram apenas o sintoma; o problema real era o
afastamento espiritual do povo.
2. A Resposta da Fé: O Tripé de Neemias
Antes
de pegar em ferramentas, Neemias recorreu a três atitudes que abriram caminho
para a providência de Deus:
A.
Empatia e Lamento
Neemias
não ignorou a dor. O texto diz que ele "sentou-se, chorou e lamentou por
alguns dias". A providência de Deus muitas vezes começa com um coração que
se permite sentir a carga da crise.
B.
O Jejum como Estratégia
O
jejum foi a forma de Neemias dizer que a solução não viria do palácio da
Pérsia, mas do trono do céu. Ele buscou clareza antes de buscar recursos.
Diferente
de quem aponta o dedo, Neemias se incluiu no erro. Ele orou: "Eu e a casa
de meu pai pecamos". Ele não pediu que Deus mudasse as circunstâncias, mas
que Deus o usasse para ser a mudança.
3. A Providência de Deus nos Detalhes
A
providência divina em Neemias 1 não aparece como um milagre sobrenatural
visível (como o mar se abrindo), mas como uma preparação silenciosa:
|
Elemento da
Providência |
Descrição |
|
O Posicionamento |
Deus
colocou Neemias como copeiro do rei, a posição de maior confiança no império. |
|
O "Timing" |
Neemias
esperou meses (de Quisleu a Nisã) em oração, permitindo que Deus preparasse o
coração do rei e o seu próprio plano. |
|
A Resposta Interna |
Deus
deu a Neemias a coragem de pedir, algo que poderia custar sua vida (aparecer
triste diante do rei era proibido). |
Reflexão: O Propósito da Reconstrução
Para
Neemias, reconstruir os muros não era apenas sobre engenharia civil; era sobre remover
o descaso. A providência de Deus se manifesta quando alguém decide que a
situação atual é inaceitável e se coloca à disposição para ser o instrumento da
restauração.
Neemias
termina o capítulo 1 com um pedido específico: "Concede
hoje sucesso a este teu servo e dá-lhe favor diante desse homem" (o
rei). Ele sabia que a mão de Deus agiria através da mão do homem.
INTRODUÇÃO
Estudaremos “Neemias, integridade e coragem em tempos de crise”. Vamos
estudar a vida, a obra e o ministério de Neemias. Como líder, ele enfrentou um
tempo de crise espiritual e moral. Foi um homem extraordinário, usado por Deus
na reconstrução dos muros de Jerusalém, quando Israel encontrava-se no
cativeiro, e uma parte da nação tentava sobreviver e reconstruir a cidade que
um dia fora orgulho do povo hebreu. Era um tempo de crise geral, consequência
da desobediência a Deus. Deus havia advertido ao seu povo a que não segue os
costumes dos outros povos, adorando seus deuses e desviando-se do verdadeiro
Deus. Todavia, não seguiu as ordens divinas, e pagou o preço de sua
desobediência. Mas Deus não se esqueceu do Seu povo. Ele utilizaria a pessoa de
Neemias para restaurar a cidade de Jerusalém e deixá-la pronta para o retorno
dos exilados.
O exemplo de Neemias é de um tempo muito longínquo, de milênios atrás, mas seu
exemplo é de grande valor para a igreja do Senhor Jesus Cristo. Estamos
percebendo uma escassez de nomes de peso na liderança na obra do Senhor. Ela
nos conclama a espelhar-nos na vida, exemplo e testemunho de líderes como
Neemias.
A Igreja do Senhor Jesus está vivendo, certamente, o momento mais difícil de
sua história. As forças do mal querem amordaçá-la. Como destruí-la é
impossível, os inimigos querem silenciá-la. Mas, confiamos no Líder Maior, que
é o Senhor e Salvador Jesus Cristo, que dará vitória ao Seu povo.
I. A CRISE EM JERUSALÉM
O povo voltou para
Jerusalém, mas a restauração ainda não havia acontecido. O Templo, a cidade e o
povo estavam debaixo de grande miséria e opróbrio. Jerusalém estava em plena
crise.
Neemias recebeu a visita de Hanani na cidadela de Susã, a residência de inverno
dos reis persas, no ano 444 a.C, no vigésimo ano de Artaxerxes I (464-423), ou
seja, treze anos depois de Esdras subir a Jerusalém, e 142 anos depois do
cativeiro babilônico (Ed 7:7). Essa visita de Hanani foi providencial. A partir
dela um novo horizonte se abriu na vida de Neemias e um novo futuro chegou para
a cidade de Jerusalém. Aquele foi o kairós de
Deus, o tempo da oportunidade. E Neemias não perdeu a oportunidade dada por
Deus de restaurar a cidade dos seus pais.
1. Aspectos da crise em Jerusalém. A feição da crise é
tenebrosa, amedrontadora. Ela se acomoda com maior incidência nos mais fracos e
nos desvalidos. Para combatê-la é necessário conhecer bem a sua causa. A
seguir, apresentamos alguns aspectos da crise em Jerusalém na época de Neemias.
a) Insegurança pública. Hanani disse a Neemias: "[...] os muros de
Jerusalém estão derribados" (1:3). A cidade estava desguarnecida,
o povo estava sem defesa; não havia segurança; os invasores podiam entrar a
qualquer hora. Um povo sem segurança sente-se vulnerável e ameaçado.
Esse é o maior problema das grandes cidades hoje. Vivemos sob o espectro do
medo. Trancamo-nos dentro de casa e temos medo de sair às ruas. Há violência,
arrombamentos, assaltos e sequestros. Nossas cidades estão se transformando num
campo de sangue, num anfiteatro onde tombam as vítimas indefesas da
criminalidade incontrolável. Nossas cidades estão sem muros e entregues ao
furor de hordas de criminosos.
b) Injustiça social. Disse ainda Hanani: "[...] e as suas portas,
queimadas" (1:3). Os juízes que julgavam as causas do povo
ficavam junto às portas da cidade. Com suas portas queimadas, Jerusalém estava
desassistida do braço repressor da lei, desprovida da ação do ministério
público e sem o ministério vital dos juízes. O judiciário estava falido.
Campeavam a corrupção e o desmando. Não havia lei, nem justiça.
A sociedade se desespera quando a justiça é torcida e quando aqueles que a
aplicam se corrompem. O povo fica com a esperança morta quando aqueles que
deviam ser os guardiões da lei mancomunam-se com esquemas criminosos para
praticarem toda sorte de injustiça. As portas das nossas cidades também estão
queimadas. Não somente estamos expostos às gangues do narcotráfico, aos
esquemas mafiosos dos crimes de mando, aos ataques cada vez mais violentos
daqueles que zombam do valor da vida e ceifam os inocentes sem que estes
ofereçam resistência, mas também estamos assombrados com o conluio criminoso
dos poderes constituídos, com essas forças ocultas do mal que espalham o pavor
e se embriagam com o sangue da nossa gente. A tragédia que se abateu sobre
Jerusalém no passado é uma dolorosa realidade também dos nossos dias.
c) Pobreza. Hanani concluiu seu relato: "Os restantes, que não foram
levados para o cativeiro e se acham lá na província, estão em grande
miséria..." (1:3). O povo judeu tinha voltado para Jerusalém.
Cento e vinte anos haviam se passado desde que foram levados para a Babilônia,
mas a pobreza ainda assolava o povo. Viviam no meio de escombros. Eles perderam
o ânimo para lutar. Viviam oprimidos pelos seus inimigos. Cada um corria atrás
da sua própria sobrevivência e, assim, o povo perdeu a noção de cidadania. Um
povo achatado pela opressão política, esmagado sob a bota cruel da pobreza,
capitula e enfrenta o maior de todos os naufrágios: o naufrágio da esperança.
d) Desprezo. Hananias conclui, dizendo: "...
e desprezo" (1:3). Além de viverem numa cidade sem segurança
e sem justiça; além de estarem golpeados pela pobreza, eram também ultrajados
pelo desprezo. Era um povo esquecido, abandonado à sua sorte.
Maior do que a dor da pobreza é a dor do abandono. O povo estava
desassistido e ainda encurralado pelos inimigos. Muitos vivem assim ainda hoje.
O desprezo não dói apenas no bolso e no estômago, mas, sobretudo, na alma. Ele
atinge o âmago, o íntimo. Ele tenta destruir o homem de dentro para fora.
2. Antecedentes históricos. Com a morte de Salomão, em 931 a.C, o
reino de Israel foi dividido. O Reino do Norte teve dezenove reis e oito
dinastias. Em um período de 209 anos, nenhum desses reis buscou a Deus, sendo
todos rebeldes. Deus enviou-lhes profetas, mas os nobres e o povo não se
arrependeram. Então, Deus enviou o “chicote” e os entregou nas mãos da
Assíria, em 722 a.C. Eles foram levados cativos e nunca foram restaurados.
O Reino do Sul teve vinte reis na mesma dinastia davídica. Judá não aprendeu a
lição do Reino do Norte e também começou a se desviar de Deus. Os reis taparam
os ouvidos à voz profética, prenderam e mataram os profetas. Então, Deus os
entregou nas mãos de seus inimigos. Em 586 a.C, veio Nabucodonosor contra
Jerusalém, derribou os seus muros e destruiu o Santo Templo. Em seguida, os
judeus foram levados cativos para a Babilônia e lá permaneceram setenta anos (Jr
25:11).
O que aconteceu com Israel nos adverte sobre uma nação que afronta o Deus
vivo. Maldições, cativeiro e miséria são o resultado de um comportamento
que escarnece a Deus. Nosso país está tomando um rumo perigoso. Os líderes da
nação brasileira, em seus variados poderes, estão afrontando e escarnecendo da
Lei de Deus. Leis infames e injustas que aprovam o que Deus condena estão tendo
o apoio até do Judiciário. Nuvens negras baixam sobre nossa terra. É hora de
clamar e orar para que Deus tenha misericórdia de nossa nação.
3. Deus dá o escape. A megalomaníaca Babilônia caiu. Ela confiou na sua grandeza,
orgulhou-se de sua pujança e a soberba a levou ao chão. Um novo império se
levantou e dominou o mundo: o Império Medo-Persa. A política desse reino era
diferente. A Babilônia arrancava os súditos da sua terra e os levava cativos,
enquanto, o Império Medo-Persa adotava a política de manter os súditos em seu
próprio território. Instigado por Deus, o rei Ciro permite que um grupo de
judeus retorne a Jerusalém, a fim de reconstruir os muros da cidade e reerguer
o Santo Templo (Dn 8:3; Ed 1:1). Ele cumpre as suas promessas (Jr 29:10-14),
mesmo que tenha que usar um ímpio como Ciro (vide Ed 1:1-4; Is 45:1). Sejam
quais forem as circunstâncias, Deus dá sempre o escape àqueles que o honram e
obedece a sua Palavra.
4. A volta com Zorobabel. De 3 milhões de pessoas que eram, ao
sair do Egito, menos de 50 mil retornaram a Jerusalém, com Zorobabel, Esdras e
Neemias. Muitos ficaram na Babilônia e não quiseram voltar. A geração que fora
para o cativeiro já estava idosa e a que nascera na Babilônia havia se
aculturado.
“O povo voltou em três levas: a) Sob a liderança
de Zorobabel para reconstruir o Templo; 2) Sob a liderança de Esdras para
ensinar a Lei; 3) Sob a liderança de Neemias para reconstruir os muros. Tanto
Esdras como Neemias voltaram sob o governo de Artaxerxes I (465-424 a. C). Os
judeus que voltaram para Jerusalém foram profundamente influenciados pela fé
dos seus pais mesmo no cativeiro. A criação das sinagogas no exílio para o
estudo da lei e dos profetas exerceu uma grande influência na inspiração da fé
religiosa daqueles que retornaram à Jerusalém” (ELLISEN, Stanley A. Conheça melhor o Antigo Testamento).
Os que voltaram enfrentaram a proposta sedutora dos samaritanos para se
associarem na reconstrução do Templo. Os judeus rejeitaram a proposta
veementemente. Perceberam que os samaritanos não estavam interessados na
reconstrução de Jerusalém, mas na destruição do próprio povo judeu (Ed 4:1-3;
2Rs 17:24,33,34). A rejeição foi motivada por sentimentos religiosos e não por
preconceito racial (Ed 6:21). A questão não era racismo, mas fidelidade
doutrinária.
A rejeição da oferta samaritana provocou forte oposição e a construção do
Templo foi paralisada por ordem do rei Artaxerxes (Ed 4:11-21). Mas, com a
subida de Dario ao trono, a reforma do Templo foi retomada e concluída (Ed 6).
O Santo Templo foi reinaugurado em 516 a. C (Ed 6:13-22).
II. O CHAMADO DE NEEMIAS
1. Quem era Neemias. Três
fatos são dignos de destaque a respeito de Neemias:
a) O seu nome (1:1). O nome
Neemias significa "aquele que consola". Neemias era um
consolador, um homem de coração aberto e sensível aos problemas dos outros.
Neemias era um servo de Deus, servindo ao rei da Pérsia e disposto também a
servir o seu desprezado povo. Possivelmente, Neemias tenha nascido no cativeiro
e tenha crescido num ambiente cercado por influências pagãs. No entanto, mesmo
cercado por ambiente hostil, cresceu como um homem comprometido com Deus.
b) Sua ocupação (Ne 1:11). Neemias provavelmente não
conhecia Jerusalém. Ele cresceu num contexto de politeísmo. Contudo, por causa
de sua integridade, capacidade e lealdade, ocupou um cargo de grande confiança
no reinado de Artaxerxes, em Susã, principal palácio e residência de inverno do
monarca. Ele era copeiro do rei Artaxerxes.
Pelo grande temor que os reis tinham de ser envenenados, o copeiro era um homem
de grande confiança. Ele provava o vinho do rei e cuidava dos seus aposentos.
Ele supervisionava toda a alimentação do palácio e, antes de o rei ingerir
qualquer bebida, devia tomar o copo, ingerindo-a ele mesmo. Isso tinha por fim
demonstrar que nenhuma traição ocorrera e que, portanto, não havia perigo de
envenenamento. O rei da Pérsia colocava a vida em suas mãos. Além de copeiro,
ele era uma espécie de primeiro-ministro, o braço direito do rei Artaxerxes.
c) Sua empatia (Ne 1:4). Seus ouvidos estavam abertos ao
clamor do seu irmão e seu coração profundamente sensível às necessidades do seu
povo. Neemias vivia no luxo, mas também vivia de forma piedosa. Ele vivia com
Deus e se importava com aqueles que viviam na miséria.
Jerusalém estava a 1.500 km de Susã. Neemias nunca vira antes a cidade dos seus
pais, mas ele se importava com ela. Os problemas da cidade eram os seus
problemas, a dor da sua gente era a sua dor. Na sua agenda havia espaço para
receber aqueles que estavam sofrendo. Era um homem que tinha conhecimento,
influência e poder, mas não se afastava daqueles que viviam oprimidos pelo
sofrimento. Muitos homens que vivem encastelados no poder aproximam-se do povo
apenas para auferir benefícios próprios; correm atrás do povo apenas à cata de
votos para depois se locupletarem com lucros abusivos, esquecendo-se
deliberadamente daqueles que os guindaram ao poder. Neemias caminha na direção
do povo para socorrê-lo e não para explorá-lo.
2. Chamado por Deus. Conquanto o
Templo estivesse funcionando conforme as leis levíticas, os muros estavam
fendidos “e as suas portas queimadas a fogo” (Ne 1:1-3). Neemias, então,
sente o chamado de Deus para deixar o conforto palaciano e viajar a Jerusalém,
a fim de reconstruir os muros e as portas da cidade. Isto ocorreu em 444 a. C,
14 anos após a expedição de Esdras a Jerusalém.
Bem disse o pr. Elinaldo Renovato, “Templo sem
muros é igreja sem doutrina. E as portas queimadas representam o liberalismo
que, infelizmente, predomina em muitas igrejas, facilitando a entrada de
costumes mundanos entre os santos”.
Portanto, cumprir os propósitos de Deus é mais importante do que viver
encastelado no nosso próprio conforto. Por isso, Neemias deixou sua zona de
conforto, o palácio de Artaxerxes, e foi reconstruir os muros caídos de
Jerusalém. O reverendo Hernandes Dias Lopes escreveu: “O
verdadeiro líder é aquele que renuncia ao seu conforto pessoal para lutar pelas
causas do seu povo ainda que isso lhe custe a própria vida. O verdadeiro líder
compreende que se um ideal é maior do que a vida, vale a pena dar a vida pelo
ideal”.
O grande esportista londrino Charles Studd, ao ser questionado sobre as
razões de ter abdicado da sua riqueza e sucesso para ser missionário,
respondeu: "Se Jesus Cristo é Deus e morreu
por mim, então nenhum sacrifício que eu faça por Ele pode ser grande
demais". Moisés, Ester, Davi, Neemias e Paulo aprenderam o que é
viver para realizar os propósitos do coração de Deus. E nós? Certamente, melhor
do que realizar os nossos próprios “sonhos” é
cumprir o soberano projeto de Deus.
3. Orando em tempos de crise – “... assentei-me e chorei” (Ne 1:4).
Ao tomar conhecimento da situação lastimável do seu povo (que estavam em grande
miséria e desprezo), em Jerusalém, e das condições do muro (fendido) e das
portas da cidade (queimadas a fogo), Neemias derrama a sua alma em fervente
oração (ler Ne 1:4-11); oração essa que foi regada com abundantes lágrimas; não
somente com lágrimas, mas, também, com jejum, lamento, adoração e confissão. Em
tempo de crise, não há modelo melhor a seguir pelo um líder responsável do que
este.
Neemias sempre foi um homem muito ocupado, mas não tão ocupado a ponto
de não ter tempo para Deus. Você encontrará dez de suas orações no livro de
Neemias (1:4s; 2:4; 4:4; 5:19; 6:9,14; 13:14,22,29,31). Sua confiança estava no
Todo-poderoso que ouve a atende as nossas orações.
Um dos truques do diabo é manter-nos tão ocupados que não encontramos tempo
para orar. Se Neemias não fosse um homem de oração, o futuro de Jerusalém teria
sido outro. A força da oração é maior do que qualquer combinação de esforços na
terra. A oração move o céu, aciona o braço onipotente de Deus, desencadeia
grandes intervenções de Deus na história. Quando o homem trabalha, o homem
trabalha, mas quando o homem ora, Deus trabalha.
III. A INTERCESSÃO DE NEEMIAS
Um intercessor é alguém que se levanta diante do trono de Deus a favor de
alguém. Esquilos foi condenado à morte pelos atenienses e
estava para ser executado. Seu irmão Amintas, herói de
guerra, tinha perdido a mão direita na batalha de Salamis,
defendendo os atenienses. Ele entrou na corte, exatamente na hora que seu irmão
estava para ser condenado e, sem dizer uma palavra, levantou o braço direito
sem mão na presença de todos. Os historiadores dizem que quando os juízes viram
as marcas do seu sofrimento no campo de batalha e relembraram o que ele tinha
feito por Atenas, por amor a ele, perdoaram o seu irmão.
1. Ele adorou a Deus. Um intercessor aproxima-se de Deus com
um profundo senso de reverência. Neemias começa a sua intercessão adorando a
Deus - "Ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e temível..."
(v. 5). Neemias entende que Deus é o governador do mundo. Ele focaliza
sua atenção na grandeza de Deus, antes de pensar na enormidade do seu problema.
Um intercessor aproxima-se de Deus sabendo que Ele é soberano, onipotente,
diante de quem precisamos nos curvar cheios de temor e reverência.
2. Ele intercedeu por seu povo - "Estejam,
pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração
do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de
Israel, teus servos..." (1:6). Um intercessor é alguém que
se coloca na brecha a favor de alguém. Ele sente a dor dos outros em sua
própria pele. Um egoísta jamais será um intercessor. Só aqueles que têm
compaixão podem sentir na pele a dor dos outros e levá-la ao trono da graça.
Neemias chorou, lamentou, orou e jejuou durante quatro meses pela causa do seu
povo. Muitas vezes, começamos a interceder por uma causa e logo a abandonamos.
Neemias, porém, orou 120 dias com choro, com jejum, dia e noite. Ele insistiu
com Deus. Sua oração foi persistente e fervorosa.
3. Ele fez confissão de pecados (Ne 1:6b). Neemias orou: "[...] e faço confissão pelos pecados dos
filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu
pai temos pecado". Neemias não ficou culpando o
povo, mas identificou-se com ele. Um intercessor não é um acusador, jamais
aponta o dedo para os outros, antes, levanta as mãos para o céu em fervente
oração.
Um intercessor faz confissões específicas. Muitas confissões são
genéricas e inespecíficas, por isso sem convicção de pecado e sem
quebrantamento. Neemias foi específico: "Temos
procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos,
nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo" (1:7). Para
que a oração tenha efeito, precisa ser acompanhada de confissão. Quem
confessa seus pecados e os deixa alcança misericórdia (Pv 28:13).
4. Um intercessor ora e age. Os homens práticos são aqueles
que oram e agem. Oração sem ação é fanatismo; ação sem oração é presunção.
Neemias orou, jejuou, lamentou e chorou por 120 dias. Ele colocou essa causa
diante de Deus, mas também colocou a mesma causa diante do rei. Neemias ora e
toma medidas práticas: vai ao rei, informa-o sobre a condição do seu povo, faz
pedido, pede cartas, verifica o problema, mobiliza o povo e triunfa sobre
dificuldades e oposição.
Neemias compreende que o maior rei da terra está debaixo da autoridade e do
poder do Rei dos reis. Neemias compreende que o mais poderoso monarca da terra
é apenas um homem. Ele sabe que só Deus pode inclinar o coração do rei para
atender ao seu pedido. Neemias compreende que a melhor maneira de influenciar
os poderosos da terra é ter a ajuda do Deus todo-poderoso. Ele vai ao rei
confiado no Rei dos reis. Ele conjuga oração e ação. Pela
oração de Neemias um obstáculo aparentemente intransponível foi reduzido a
proporções domináveis. O coração do rei se abriu, os muros foram
levantados e a cidade reconstruída. A oração abre os olhos para coisas antes
não vistas. Nossas orações diárias diminuem nossas preocupações diárias.
CONCLUSÃO
Neemias ergue-se como um dos maiores modelos do mundo de um líder servo.
Ele continua sendo uma referência depois de mais de dois mil anos de como
exercer a liderança no centro da vontade de Deus. Ele “foi
um líder que orava e agia, que falava e fazia, que planejava e motivava, que
confrontava e consolava, que buscava a glória de Deus e o bem do povo e não sua
própria promoção. Sua vida é um exemplo, sua liderança é um estandarte, seu
trabalho é um monumento. A poeira do tempo não pode apagar seus feitos. Sua
abnegação e coragem são tônicos que ainda fortalecem os braços de muitos
líderes. Sua piedade e engenho administrativo são faróis que alumiam a estrada
daqueles que abraçam a vida pública. Sua compaixão e lágrimas pelos
desassistidos de esperança são bálsamo que aliviam as feridas de muitos
peregrinos. Suas orações e zelo pela verdade balizam o caminho de muitos
embaixadores de Deus na História” (Dias Lopes, Hernandes – Neemias – O
líder que restaurou uma nação).
Seu modelo de liderança é apropriado, oportuno e necessário nestes dias, pois
atravessamos uma crise profunda de liderança no orbe evangélico e até mesmo
familiar. Estamos vivendo uma epidêmica crise de identidade, em que as palavras
"cristão" e "evangélico" em muito se esvaziaram de seu real
significado. Nossa oração é que Deus levante
líderes destemidos e comprometidos com os valores do reino de Deus; que
promovam a unidade e união do povo de Deus; que sejam desprovidos de interesses
egoístas; líderes de oração e de ação; líderes que promovam a restauração moral
e espiritual de nossa gente. Amém!






