sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A SABEDORIA DE SALOMÃO.



A SABEDORIA DE SALOMÃO.

1. A Origem da Sabedoria (O Pedido)

Diferente de muitos líderes que buscam poder ou riqueza, o reinado de Salomão começou com um ato de humildade.

  • Texto Bíblico: 1 Reis 3:5-15
  • O Contexto: Deus aparece a Salomão em sonhos e diz: "Pede o que queres que eu te dê".
  • A Atitude: Salomão reconhece sua pequenez, chamando a si mesmo de "criança" (v. 7). Ele pede um "coração compreensivo" (ou um coração que ouve) para julgar o povo e discernir entre o bem e o mal.
  • A Lição: A sabedoria começa com a consciência de que precisamos de Deus. O resultado do pedido agradou tanto ao Senhor que Ele lhe deu também o que ele não pediu: riquezas e glória.

2. A Sabedoria em Ação (O Julgamento das Duas Mães)

A sabedoria bíblica não é teórica; ela é prática e perspicaz.

  • Texto Bíblico: 1 Reis 3:16-28
  • O Caso: Duas mulheres reivindicam a maternidade do mesmo bebê. Não havia testes de DNA ou testemunhas.
  • A Solução: Salomão usa a psicologia humana e a natureza do amor sacrificial para revelar a verdadeira mãe.
  • Conclusão: "Todo o Israel ouviu a sentença... e temeram ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus para fazer justiça" (v. 28).

3. A Produção Intelectual e Literária

A sabedoria de Salomão se estendeu à ciência, botânica, zoologia e literatura. Ele foi um polímata da antiguidade.

  • Estatísticas de sua obra (1 Reis 4:32-34):
    • 3.000 provérbios.
    • 1.005 cânticos.
    • Conhecimento profundo sobre árvores (desde o cedro ao hissopo) e animais.
  • Livros Atribuídos:
    • Provérbios: A sabedoria para o dia a dia, ética e conduta.
    • Eclesiastes: A sabedoria filosófica sobre o sentido da vida.
    • Cantares: A sabedoria sobre o amor e o relacionamento.

4. O Pilar Teológico: O Temor do Senhor

O conceito central da sabedoria salomônica está resumido em uma frase que aparece em quase todos os seus escritos:

"O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é a prudência." (Provérbios 9:10)

Neste contexto, "temor" não significa medo pavoroso, mas reverência profunda e o reconhecimento da autoridade de Deus sobre todas as coisas. Sem esse fundamento, a inteligência humana torna-se orgulho.

5. A Queda e a Lição Final

A história de Salomão também serve como um alerta. Ele teve sabedoria para governar um país, mas, no fim da vida, falhou em governar a si mesmo.

  • O Erro: Casou-se com muitas mulheres estrangeiras que desviaram seu coração para a idolatria (1 Reis 11).
  • A Reflexão de Eclesiastes: Muitos estudiosos creem que Eclesiastes foi escrito por um Salomão envelhecido e arrependido, concluindo que tudo "debaixo do sol" é vaidade se não estiver focado no Criador.
  • O Veredito Final: "De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem" (Eclesiastes 12:13).

Tabela Comparativa: Sabedoria Humana vs. Sabedoria de Deus

Característica

Sabedoria Humana

Sabedoria de Salomão (Divina)

Fonte

Experiência e intelecto

Revelação e Temor do Senhor

Foco

Sucesso e autossuficiência

Justiça e discernimento moral

Resultado

Orgulho ou cansaço

Paz e edificação do povo

Perguntas para Reflexão:

  1. Se Deus lhe fizesse a mesma pergunta que fez a Salomão hoje, o que você pediria?
  2. Como você pode aplicar o "temor do Senhor" em uma decisão difícil que precisa tomar esta semana?
  3. Salomão sabia muito, mas falhou na prática no fim da vida. Como podemos manter a sabedoria viva e ativa ao longo dos anos?

 

Texto Bíblico: 1Reis 4:29-34; 6:1,11-14

“E não podiam ter-se em pé os sacerdotes para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a Casa do Senhor” (1Rs.8:11).

1 Reis 4:

29.E deu Deus a Salomão sabedoria, e muitíssimo entendimento, e largueza de coração, como a areia que está na praia do mar.

30.E era a sabedoria de Salomão Maior do que a sabedoria de todos os do Oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios.

31.E era ele ainda mais sábio do que todos os homens, e do que Etã, ezraíta, e do que Hemã, e Calcol, e Darda, filhos de Maol; e correu o seu nome por todas as nações em redor.

32.E disse três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco.

33.Também falou das árvores, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que nasce na parede; também falou dos animais, e das aves, e dos répteis, e dos peixes.

34.E vinham de todos os povos a ouvir a sabedoria de Salomão e de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria.

1 Reis 6:

1.E sucedeu que, no ano quatrocentos e oitenta, depois de saírem os filhos de Israel do Egito, no ano quarto do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de zive (este é o mês segundo), Salomão começou a edificar a Casa do Senhor.

11.Então, veio a palavra do Senhor a Salomão, dizendo:

12.Quanto a esta casa que tu edificas, se andares nos meus estatutos, e fizeres os meus juízos, e guardares todos os meus mandamentos, andando neles, confirmarei para contigo a minha palavra, a qual falei a Davi, teu pai;

13.e habitarei no meio dos filhos de Israel e não desampararei o meu povo de Israel.

14.Assim edificou Salomão aquela casa e a aperfeiçoou.

INTRODUÇÃO

Neste Estudo “Ascensão de Salomão e a Construção do Templo”. Davi, o homem segundo o coração de Deus, envelheceu, e como nessa vida tudo é passageiro, chegou o momento de apresentar à nação o seu sucessor. Deus tinha avisado a Davi que Salomão lhe sucederia no trono, à revelia de muitos, como, por exemplo, de Adonias (o filho de Davi), de Joabe (comandante do exército), de Abiatar (um dos principais conselheiros de Davi) e de vários outros. Não sabemos se essa era a vontade de Davi, mas teve que cumprir a vontade do Senhor. O reino de Israel pertencia ao Senhor, não a Davi ou a qualquer outro. Por essa razão, o rei de Israel era um representante de Deus, que tinha como tarefa realizar a sua vontade para com a nação. Deste modo, Deus pôde escolher a pessoa que Ele mesmo quis estabelecer como rei, sem seguir as linhas habituais de sucessão. Davi não era herdeiro de Saul, e Salomão não era o filho mais velho de Davi. Mas isso não importava porque foram escolhidos por Deus. Portanto, Salomão não chegou ao trono por uma simples indicação de Davi, mas por uma escolha divina (cf. 1Cr.22.9); e mesmo antes de apresentá-lo ao povo, Davi já sabia dessa revelação divina.

Salomão foi escolhido por Deus para reinar sobre o povo de Israel, mas isto não significava que ele seria um homem impecável; geralmente, Deus não intervém no livre-arbítrio do ser humano. Infelizmente, no final de sua vida ele se deixou levar por interesses políticos e desejos pecaminosos, que trouxeram grandes prejuízos à nação de Israel, com sequelas quase infindas. A tragédia da vida de Salomão não foi uma catástrofe pessoal repentina, mas a diminuição gradual de sua completa devoção a Deus. Isto está relacionado com os interesses das suas “muitas esposas”, que no final resultaram em sua própria adoração idolátrica. Ele trilhou o repetido caminho para longe de Deus; o conhecimento do coração tornou-se somente um entendimento da mente; e o conhecimento da mente, no final, deu lugar à apostasia total. Tudo indica que no ocaso de sua vida, Salomão voltou-se novamente para Deus, e deu um conselho que ecoa até hoje: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” (Ec.12:13,14).

I. A SABEDORIA DE SALOMÃO

Qual a diferença entre inteligência e sabedoria? Inteligência é a habilidade de manejar conhecimento e aplicá-lo; sabedoria é o uso correto do conhecimento. Enquanto o conhecimento representa as nossas experiências e aprendizagens adquiridas do mundo exterior, a sabedoria, especialmente a proveniente de Deus, nos dá a condição de transformarmos estes conhecimentos em prática de vida, a fim de mantermos o equilíbrio, a coesão e a justiça.

Ao longo dos séculos, várias histórias lendárias sobre a vida de Salomão foram surgindo e sendo contadas pelo povo através das gerações. De todas elas, uma das mais conhecidas é a que narra como o sábio rei que julgou a disputa de uma criança por duas mulheres que afirmavam cada uma ser a sua verdadeira mãe. Ele ordenou que a criança fosse partida ao meio e cada metade fosse entregue a cada uma das mulheres. Ao ouvir isso, a verdadeira mãe gritou desesperada que ele não partisse a criança, mas que a entregasse à outra mulher. Dessa forma, a verdadeira mãe foi identificada, pois somente esta seria capaz de ver seu filho entregue a outra pessoa, vivo, do que vê-lo morto.

1. A virtude de Salomão

Acredito que a maior virtude de um homem, líder do povo de Deus, é a sabedoria e o temor a Deus. A Bíblia diz que Salomão amava ao Senhor (1Rs.3:3). Animado pelo sincero desejo de agradar ao Senhor, Salomão ofereceu mil holocaustos (1Rs.3:4), em Gibeão, onde ficava o Tabernáculo (1Cr.21:20). Isso ocorreu no início do seu reinado. Nesse local, o Senhor apareceu a Salomão de noite em sonhos e disse-lhe: “Pede o que quiseres que te dê “(1Reis 3:5). “E disse Salomão: De grande beneficência usaste tu com teu servo Davi, meu pai, como também ele andou contigo em verdade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a tua face; e guardaste-lhe esta grande beneficência e lhe deste um filho que se assentasse no seu trono, como se vê neste dia. Agora, pois, ó Senhor, meu Deus, tu fizeste reinar teu servo em lugar de Davi, meu pai; e sou ainda menino pequeno, nem sei como sair, nem como entrar. E teu servo está no meio do teu povo que elegeste, povo grande, que nem se pode contar, nem numerar, pela sua multidão. A teu servo, pois, dá um coração entendido para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; por que quem poderia julgar a este teu tão grande povo?” (1Reis 3:6-9).

Salomão, portanto, pediu o Dom da Sabedoria. Ele poderia ter pedido riquezas das entranhas da terra, se fosse ganancioso; ele poderia ter pedido glórias acima de todos os reis circunvizinhos, se fosse garboso; ele poderia ter pedido muitos anos de vida, se fosse vaidoso; ele poderia ter pedido a morte dos inimigos do seu povo, se fosse vingativo. Mas, ele pediu sabedoria para governar bem o povo de Deus; ele pediu a coisa certa, pois sem o Dom da sabedoria divina, se tornaria muito difícil governar o povo de Deus com equidade.

Com esse pedido, Salomão demonstrou reconhecer três verdades importantíssimas: (a) que ele era humanamente incapaz de governar Israel; (b) que seu sucesso dependia única e exclusivamente do favor de Deus; e (c) que o povo de Israel não era propriedade sua, e sim do próprio Deus.

Ser piedoso, ser integro, ser temente a Deus e ser sábio, são as grandes virtudes de um líder governante do povo de Deus.

2. O sábio pede sabedoria

Como se percebe em 1Reis 3:6-9, as palavras do rei pedindo sabedoria para governar o povo de Deus, agradaram ao Senhor, que, além de atender ao pedido, também lhe concedeu riquezas, glória e uma vida longa; porém, Deus impôs uma condição: que Salomão andasse em obediência a Ele e guardasse os seus mandamentos (1Rs.3:14).

A resposta de Salomão ao Senhor foi excepcional e exemplar pelo seu apreço por aquilo que Deus havia feito (1Rs.3:6), por sua humildade (1Rs.3:7), por seu senso de responsabilidade (1Rs.3:8), e por sua preocupação em ter o entendimento e o discernimento apropriados para liderar o povo de Deus (1Rs.3:9).

A sábia escolha do jovem Salomão, que escolheu Sabedoria, agradou muito ao Senhor, e Ele atendeu o jovem rei prontamente (1Rs.3:11,12) - “E disse-lhe Deus: Porquanto pediste esta coisa e não pediste para ti riquezas, nem pediste a vida de teus inimigos, mas pediste para ti entendimento, para ouvir causas de juízo; eis que fiz segundo as tuas palavras, eis que te dei um coração tão sábio e entendido, que antes de ti teu igual não houve, e depois de ti teu igual se não levantará”.

Nos dias de hoje, Deus oferece, a todos que desejarem, a dádiva suprema - o Senhor Jesus Cristo - “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl.2:3).

3. A sabedoria na prática de vida

Tiago escreveu em sua epístola que existe uma falsa sabedoria que se evidencia pela inveja e sentimento faccioso. Essa sabedoria não vem de Deus, mas é terrena, animal e diabólica (Tg.3.15).

Em primeiro lugar, essa falsa sabedoria se manifesta por meio de uma inveja amargurada (Tg.3:14,16). Isso está ligado à cobiça de posição e status. A sabedoria do mundo diz: promova a você mesmo; você é melhor do que os outros. Os discípulos de Cristo discutiam quem era o maior entre eles. Os fariseus usavam suas atividades religiosas para se promoverem diante dos homens (Mt.6:1-18). A sabedoria do mundo exalta o homem e rouba a Deus da Sua glória (1Co.1:27-31). O invejoso, em vez de alegrar-se com o triunfo do outro, alegra-se com seu fracasso. Ele não apenas deseja ter o que o outro tem, mas tem tristeza porque não tem o que é do outro. O invejoso é alguém que tem uma super preocupação com sua posição, dignidade e direitos.

Em segundo lugar, a falsa sabedoria manifesta-se através de um sentimento faccioso (Tg.3:14b,26b). Sentimento faccioso subentende a inclinação por usar meios indignos e divisórios para promover os próprios interesses. Paulo alertou em Filipenses 2:3 sobre o perigo de estarmos envolvidos na obra de Deus com motivações erradas, com vanglória e partidarismo.

A verdadeira sabedoria vem de Deus, do alto, visto que ela é fruto de oração (Tg.1:5), ela é dom de Deus (Tg.1:17). Essa sabedoria está em Cristo; Ele é a sabedoria que desejamos (1Co.1:30). Em Jesus nós temos todos os tesouros da sabedoria (Cl.2:3). Essa sabedoria está na Palavra de Deus, visto que ela nos torna sábios para a salvação (2Tm.3:15). Ela nos é dada como resposta de oração (Ef.1:17; Tg.1:5). Portanto, se alguém não tem a verdadeira sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente (Tg.1:5).

Tiago elenca vários atributos da verdadeira sabedoria que vem do alto (extraído do livro Tiago, de Hernandes Dias Lopes):

a) mansidão (Tg.3:13). Mansidão não é fraqueza, mas poder sob controle. É o uso coreto do poder, assim como sabedoria é o uso correto do conhecimento.

b) pureza (Tg.3:17). A sabedoria de Deus é incontaminada, sem qualquer defeito moral e sem motivos ulteriores. Ela é livre de ambição humana e da autoglorificação. A sabedoria de Deus nos conduz à pureza de vida. A sabedoria do homem conduz à amizade com o mundo.

c) paz (Tg.3:17). A sabedoria divina não é contenciosa nem facciosa e nem beligerante. A sabedoria do homem leva à competição, rivalidade e guerra (Tg.4:1,2), mas a sabedoria de Deus conduz à paz. Essa é a paz produzida pela santidade e não pela complacência ao erro. Não se trata da paz que envolve o pecado, mas da paz fruto da confissão do pecado.

d) Indulgência (Tg.3:17). Essa característica da sabedoria do alto trata da atitude de não criar conflitos nem comprometer a verdade para manter a paz. É ser gentil sem ser fraco.

e) tratável (Tg.3:17). Essa sabedoria é aberta à razão; é ser uma pessoa comunicável, de fácil acesso. Jesus era assim: as crianças, os leprosos, os doentes, as mulheres, os publicanos, as prostitutas, os doutores, todos eles tinham livre acesso a Ele.

f) bons frutos (Tg.3:17). As pessoas sábias são frutíferas. Quem não produz frutos, produz galhos. A sabedoria de Deus é prática. Ela muda a vida e produz bons frutos para a glória de Deus.

g) imparcial (Tg.3:17). Significa uma pessoa que não tem duas mentes, duas almas (Tg.1:6). Quando a pessoa tem a sabedoria de Deus, ela julga conforme a verdade e não conforme a pressão ou conveniência.

h) sincero, sem hipocrisia (Tg.3:17). O hipócrita é um ator que representa um papel diferente ao da sua vida real. Na sabedoria divina não existe jogo de interesse nem política de bastidor. O sábio não opera por detrás de uma máscara, supostamente para o bem de outros, mas visando seus próprios interesses; ele opera, sim, de forma transparente e sincero.

II. A CONSOLIDAÇÃO DO PODER

Salomão se tornou conhecido por sua sabedoria, bem como por ter tido um reinado longo, pacífico e próspero.

1. A glória do reino de Salomão

A glória do reino de Salomão foi uma promessa de Deus, resultado da sábia escolha que fizera no início do seu governo (1Rs.3:9), e que pareceu boa aos olhos do Senhor (1Reis 3:10). Durante o reinado de Salomão, a riqueza e o poder de Israel foram incomparáveis. Deus tinha prometido isso a Salomão (cf. 1Rs.3:13,14). Os quarenta anos do seu reinado foram de glória crescente para Israel. Vejamos algumas das principais características desse período:

·         Consolidação da paz, pela ostentação de poderio militar. O seu reinado não apenas se tornou amplo em termos territoriais, mas foi firmado e estabelecido em paz e justiça (1Rs.4:24). Durante o período do seu reinado, nenhuma nação poderosa atacou o povo de Deus.

·         Condições econômicas sem paralelo em toda a história de Israel. A nação de Israel tinha tanta fartura e vivia em tão boas condições que podia até festejar e se alegrar (1Rs.4:20).

·         Construção e dedicação do Templo idealizado por Davi, em Jerusalém. Sem dúvida, esta foi a maior obra realizada, ainda com reflexos atualmente.

Além do Templo, Salomão executou várias outras obras, como o palácio real e suas dependências e ainda fortificou as muralhas de Jerusalém e ergueu torres de vigia em diversos pontos. Todas essas obras demandaram elevados recursos, os quais, mais tarde, iriam refletir em impostos para o povo.

Outro ponto marcante de seu reinado foi a expansão comercial que trouxe abundantes riquezas. O comércio foi impulsionado, sendo que os israelitas estabeleceram laços comerciais com diversos povos vizinhos. No Golfo de Ácaba, ele mantinha uma frota de navios comerciais muito bem equipada. Conforme narra as Escrituras, os cedros utilizados na construção do Templo foram importados do Líbano.

Apesar de seu reinado ter sido pacífico, ele manteve seus exércitos bem equipados, principalmente com carros e cavalos de guerra. Ao contrário de seu pai, Salomão não foi e nem precisou ser um grande líder guerreiro. A extensão territorial herdada de Davi foi mantida durante seu reinado. Assim, ele se dedicou a desenvolver as atividades comerciais e também industriais, e melhorou o sistema administrativo, bem como estabeleceu e fortaleceu as relações diplomáticas com os povos vizinhos. Foi uma dessas alianças políticas que o levou a se casar com a filha de Faraó.

No Livro de Reis é mencionado que ele possuía setecentas mulheres e trezentas concubinas. Naqueles tempos antigos, e ainda mais no oriente, isso era considerado normal e aceito por todos. Por outro lado, de tempos em tempos surgia algum profeta contrário a essas práticas e as condenavam veementemente. E foi esses excessos que conduziram o rei a práticas de idolatria. Por causa disso, já no fim de sua vida, Deus falou-lhe que seu reino seria dividido. E assim aconteceu.

2. O orgulho precede a ruína

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa diz que a palavra “orgulho”, entre outros significados, quer dizer “sentimento egoísta, admiração pelo próprio mérito, excesso de amor-próprio, atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros”. O próprio Salomão disse que o orgulho precede a ruína (Pv.16:18). Infelizmente, ele caiu nesta armadilha.

O orgulho é um pecado que atua com força demolidora no coração humano. O orgulhoso julga-se grande e maior do que todos. Isso atenta contra Deus, pois só Ele é grande e glorioso. No princípio, quando o homem aceitou a proposta satânica de “ser igual a Deus”, estava se voltando para si mesmo, entendendo que poderia construir uma vida em que ele próprio fosse o centro e a razão de ser de tudo, em que se achava merecedor de ser o centro e o motivo da existência de todas as coisas, em que desprezava completamente a pessoa de Deus e tudo que o Senhor lhe havia feito até ali.

Salomão caiu na desgraça do ensoberbecimento. Por causa de seus relacionamentos e concessões realizadas com os reis ímpios circunvizinhos, Salomão, na sua velhice.11:4-6), se desviou dos caminhos do Senhor, deixou que o orgulho contaminasse sua índole. Deus estabeleceu uma condição a Salomão: “E, se andares nos meus caminhos guardando os meus estatutos e os meus mandamentos, como andou Davi, teu pai, também prolongarei os teus dias” (1Reis 3:14). Infelizmente, a grandeza do poder de Salomão fez com que ele se tornasse um rei orgulhoso, imoral e idólatra, quebrando assim o mandamento do Senhor. Isto o levou a ruína. A idolatria selou a queda de Salomão. Sem dúvida, a infidelidade de Salomão comprometeria não somente seu reino, mas tudo o que antes havia sido prometido ao povo de Deus, como descrito em Deuteronômio 11:16.

Como foi possível Salomão se desviar dos caminhos do Senhor depois de tudo quanto recebera dele? O relato do esplendor do reino de Salomão em 1Reis 10:14-29 é uma sugestão do que pode ter acontecido: rodeado de tamanha riqueza, seu coração esfriou-se para com Deus. Tudo o que antes era usado para louvor ao Senhor tornou-se um fim em si mesmo. No capítulo 11 de 1Reis vemos claramente os resultados de sua infidelidade. 

Tanto sua ascensão como sua queda foram inigualáveis na história do povo de Deus: nenhum rei excedeu Salomão em sua ascensão, e nenhum veio a precipitar-se de tão alto como ele. A principal consequência do seu pecado foi a divisão do Reino de Israel, ocorrido no reinado do seu filho Roboão. Essa divisão foi catastrófica para o sucessor de Salomão e para o povo de Israel.

III. A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO

Salomão iniciou a construção do Templo de Jerusalém no ano quatrocentos e oitenta depois da saída do povo do Egito, no quarto ano do seu reinado, no mês segundo (1Rs.6:1), tendo concluído a obra em sete anos e seis meses (1Rs.6:38), mais precisamente no ano undécimo do seu reinado, no mês oitavo.

O Templo de Salomão foi considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, e sua beleza foi notória a todos os povos daquela época, numa clara demonstração de que era, efetivamente, segundo o propósito de Deus, uma referência do Deus único e verdadeiro a todas as nações.

Elaborado com o melhor material de construção da época e com incontáveis tesouros, seguia, basicamente, a mesma estrutura estabelecida por Deus a Moisés para o Tabernáculo. Na verdade, tratava-se do próprio Tabernáculo, mas sem o seu caráter móvel e rústico que era adequado e apropriado para o tempo da peregrinação no deserto.

Assim como o Tabernáculo, o Templo era dividido em três partes: os átrios ou “alpendre”, que eram a parte externa do Templo (2Cr.3:4), acessível a quase todos, salvo aqueles que foram proscritos (Dt.23:1-3); o lugar santo ou “casa grande” (2Cr.3:5), onde só podiam ingressar os sacerdotes oficiantes e, por fim, o lugar santíssimo (2Cr.3:8), onde só poderia ingressar, uma vez ao ano, no dia da expiação, o sumo sacerdote e aonde ficava a Arca da Aliança (Lv.16).

Após o término da construção, Salomão convocou todo o Israel para uma grande festa de dedicação. Depois de um breve discurso (2Cr.6:1-11), Salomão se dirigiu a Deus, com uma das mais belas orações da Bíblia (cf. 2Cr.6:14-42). Depois da dedicação do Templo, o Senhor apareceu mais uma vez a Salomão e ordenou que ele obedecesse à Lei e conduzisse o povo à obediência, com a promessa de que, sob estas condições, os olhos do Senhor estariam sempre sobre aquele lugar, mas caso Israel desobedecesse, seria submetido à severa disciplina (cf. 1Rs.9:1-9; 2Cr.7:11-22).

1. O nobre propósito de Salomão

O nobre propósito de Salomão era o mesmo de Davi: “edificar uma Casa ao nome do Senhor” (1Rs.5:5). O Templo seria o lugar onde Deus manifestaria continuamente a sua presença e glória, e o lugar para o povo reunir-se para adorá-lo (1Rs.8:15-21). O Templo foi edificado em Jerusalém, no monte Moriá (2Cr.3:1; cf. Gn.22:2), e foi concluído em sete anos (1Rs.6:38). Deus deu a Davi a planta do Templo por revelação do Espírito Santo (1Cr.28:12), e Davi por sua vez providenciou muitos dos recursos para a obra, antes de morrer. Na construção do Templo foram empregados diversos materiais de altíssimo valor, tais como cedro do Líbano e muito ouro. Todo o edifício foi revestido de ouro. O Lugar Santíssimo teve as paredes, o teto e o piso revestidos de ouro puro (1Rs.6:20-22). Salomão queria dar o melhor para a Casa do Senhor.

O Templo que abrigava a Arca do concerto (Ex.25:16) simbolizava a presença e a Pessoa de Deus entre seu povo. Ele refletia a verdade que Deus desejava estar entre o seu povo (Lv.26:12). Era um sinal e testemunho visível do seu relacionamento pactual com o seu povo (Ex.29:45,46), e foi edificado a fim de que o nome de Deus habitasse ali (1Rs.5:5; 8:16; 9:3). O nome de Deus é “santo” (Lv.20:3; 1Cr.16:10,35; Ez.39:7), por conseguinte, Deus queria ser conhecido e adorado por Israel como o Santo e o Santificador do seu povo (Ex.29:43-46; Ez.37:26-28).

Quando o Templo foi dedicado, Deus o encheu da sua glória (2Cr.7:1,2), e prometeu que poria o seu Nome ali (2Cr.6:20,33). Por isso, quando o povo de Deus orava ao Senhor, podia fazê-lo, voltado em direção ao Templo (2Cr.6:24,26,29,32), e Deus o ouviria “desde o seu templo” (Sl.18:6). Todavia, o Templo não oferecia nenhuma garantia absoluta da presença de Deus; simbolizava a presença de Deus somente enquanto o povo rejeitasse todos os ídolos e obedecesse aos mandamentos do Senhor.

O Templo também representava a Redenção de Deus para com o seu povo. Dois atos importantes tinham lugar ali: os sacrifícios diários pelo pecado, no altar de bronze (cf. Nm.28:1-8; 2Cr.4:1), e o Dia da Expiação, quando, então, o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo a fim de aspergir sangue no propiciatório sobre a Arca para expiar os pecados do povo (cf. Lv.16). Essas cerimônias do Templo relembravam aos israelitas o alto preço da sua redenção e reconciliação com Deus.

2. O templo do Espírito Santo

Ao povo de Deus da Nova Aliança, a ênfase do culto transferiu-se do Templo judaico para o próprio Jesus Cristo. É Ele, e não o Templo, quem agora representa a presença de Deus entre o seu povo. Ele é o Verbo de Deus que se fez carne (João 1:14), e Nele habita toda a plenitude de Deus (Cl.2:9). O próprio Jesus declarou ser Ele o próprio templo (João2:19-22). Mediante o seu sacrifício na cruz, Ele cumpriu todos os sacrifícios que eram oferecidos no Tabernáculo e no Templo (cf. Hb.9:1-10:18). Note também que, na sua fala à mulher samaritana, Jesus declarou que a adoração dentro em breve seria realizada, não num prédio específico, mas “em espírito e em verdade”, isto é, onde as pessoas verdadeiramente cressem na verdade da Palavra de Deus e recebessem o Espírito Santo por meio de Cristo (cf. João 4:23).

Tendo em vista que Jesus Cristo personificou em Si mesmo o significado do Templo, e posto que a Igreja é o Seu corpo (Rm.12:5; 1Co.12:12-27; Ef.1:22,23; Cl.1:18), ela é denominada “o templo de Deus”, onde habita Cristo e o Seu Espírito Santo (1Co.3:16; 2Co.6:16; Ef.2:21,22). Mediante o Seu Espírito, Cristo habita na sua Igreja, e requer que o Seu Corpo seja santo.

O Espírito Santo não somente habita na Igreja, mas também individualmente no crente como Seu Templo (1Co.6:19). Daí, a Bíblia advertir enfaticamente contra qualquer contaminação do corpo humano por imoralidade ou impureza. A recomendação que ecoa é: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pd.1:15,16).

3. A glória do Senhor

Assim que a Arca (um tipo de Cristo) foi colocada no Templo, em seu devido lugar, a nuvem da glória do Senhor, que representava a presença de Deus, encheu o Templo.  O texto diz:

” Assim trouxeram os sacerdotes a arca do concerto do Senhor ao seu lugar, ao oráculo da casa, ao Lugar Santíssimo, até debaixo das asas dos querubins. E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a Casa do Senhor. E não podiam ter-se em pé os sacerdotes para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a Casa do Senhor” (1Reis 8:6,10,11).

Os sacerdotes não conseguiram continuar a ministrar porque a glória do Senhor enchera o Templo. Foi sem dúvida uma magnifica ocasião, um dia altamente sagrado, quando Deus assumiu o completo controle e, aqueles que normalmente seriam os condutores dos acontecimentos, passaram a um segundo plano.

A presença divina como uma nuvem escura, misteriosa e aterrorizante, representa duas grandes verdades a respeito de Deus. Por um lado, sugere que o Senhor, que é santo e transcendente, não pode ser visto pelos homens finitos. Por outro lado, sugere que Deus é imanente e que a sua morada é entre o seu povo.

A glória de Deus se refere à presença visível de Deus entre o seu povo, gloria esta que é conhecida como “shekinah”. Esta é uma palavra hebraica que significa “habitação [de Deus]”, empregada para descrever a manifestação visível da presença e glória de Deus.

Moisés viu a “shekinah” de Deus na coluna de nuvem e de fogo (Êx.13:21). Em Êx.29:43 é chamada “minha glória” (cf. Is.60:2). Ela cobriu o Sinai quando Deus outorgou a Lei (Êx.24:16,17), encheu o Tabernáculo (Êx.40:34), guiou Israel no deserto (Êx.40:36-38) e posteriormente encheu o Templo de Salomão (2Cr.7:1; 1Rs.8:11-13). Mais precisamente, Deus habitava entre os querubins no Lugar Santíssimo do Templo (1Sm.4:4; 2Sm.6:2; Sl.80:1).

Ezequiel viu a glória de Deus levantar-se e afastar-se do Templo por causa da idolatria contumaz do povo de Israel (cf. Ez.10:4,18,19).

No Novo Testamento, o equivalente da glória “chekinah” é Jesus Cristo que, como a glória de Deus em carne humana, veio habitar entre nós (João 1:14). Os pastores de Belém viram a glória do Senhor no nascimento de Jesus (Lc.2:9), os discípulos a viram na transfiguração de Cristo (Mt.17:2; 2Pd.1:16018) e Estevão a viu na ocasião do seu martírio (At.7:55). Onde a Palavra de Deus habita e é obedecida, ali permanece a glória divina.

CONCLUSÃO

Em Seu grande amor pelo povo escolhido, Deus lhe concedeu muitas promessas de bênção e prosperidade. Em tempo oportuno, muitas destas promessas, feitas ao longo da História foram cumpridas na ascensão de Salomão. Este grande rei de Israel, em seu governo, proporcionou ao povo de Deus um longo período de paz, harmonia e prosperidade. Mas muitas promessas eram condicionais. A fidelidade do Senhor deveria ser continuamente retribuída por meio de uma obediência genuína à Sua palavra. Salomão achou que sua sabedoria poderia ser um substituto para a obediência, e esta foi uma conclusão perigosa. Mais tarde todos os privilégios foram convertidos em provações, um contraste penoso para o povo de Deus no tempo de Salomão. Se antes de recebermos a ajuda divina somos dependentes do Senhor, muito mais deveríamos ser depois das bênçãos por Ele concedidas. 

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O BOM PASTOR E OS PASTORES INFIÉIS

O BOM PASTOR E OS PASTORES INFIÉIS

Este é um esboço de estudo bíblico preparado especialmente para pastores e líderes. O objetivo é revisitar a metáfora do Bom Pastor em João 10, trazendo-a para a realidade complexa do ministério no século XXI.

Estudo Bíblico: O Coração do Bom Pastor no Ministério Atual

Texto Bíblico: João 10:1-18

1. A Identidade: Pastor ou Mercenário? (v. 11-13)

Jesus faz uma distinção clara entre quem é dono e quem está apenas por um salário.

  • O Mercenário: Foge quando vê o lobo porque não se importa com as ovelhas (v. 13). No contexto atual, o "lobo" pode ser a crise financeira da igreja, o esgotamento emocional (burnout), ou críticas severas.
  • Reflexão para o Pastor: Qual tem sido sua motivação nos dias difíceis? O compromisso com o rebanho permanece quando o "custo" pessoal se torna alto?

2. A Intimidade: Conhecer e Ser Conhecido (v. 14-15)

"Eu conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem."

  • O Desafio Atual: Em tempos de igrejas grandes e redes sociais, é fácil o pastor se tornar uma "figura pública" distante. No entanto, o pastoreio bíblico exige proximidade.
  • A Aplicação: Pastorear não é apenas pregar para uma multidão, mas conhecer o nome, a dor e a história de quem está no banco.

Como manter a essência do cuidado individual em um mundo que exige resultados e números?

3. A Missão: Vida em Abundância (v. 10)

O ladrão vem para destruir, mas Jesus veio para que tenham vida.

  • A Distorção: Muitas vezes, a pressão ministerial foca no "fazer" (eventos, obras, metas) e esquece o "ser". Vida em abundância deve começar na casa do pastor.
  • O Cuidado Próprio: Um pastor exausto e sem vida espiritual dificilmente conduzirá o rebanho a águas tranquilas.

4. O Sacrifício: Dar a Vida (v. 17-18)

Jesus diz que ninguém tira a vida dele; ele a dá espontaneamente.

  • Liderança Servidora: O pastor atual é chamado a "morrer" para o seu próprio ego, títulos e desejos de poder para servir à comunidade.
  • Equilíbrio Necessário: "Dar a vida" não significa negligenciar a família ou a saúde física, mas sim ter um coração que prioriza o Reino acima de interesses pessoais.

 Aplicação Prática para Pastores

Desafio Contemporâneo

Atitude do Bom Pastor

Isolamento e Solidão

Buscar "outros apriscos" (comunhão com outros pastores).

Pressão Digital

Focar na "Voz" (Palavra) e não nos ruídos do mundo.

Ativismo Religioso

Descansar no pasto (priorizar o devocional e o lazer).

Conclusão e Oração

Ser um "subpastor" sob a autoridade do Supremo Pastor (1 Pedro 5:4) é um privilégio, não um peso. O sucesso do ministério não é medido pelo tamanho do rebanho, mas pela fidelidade à voz daquele que nos chamou.

Aqui estão as perguntas para reflexão focadas na realidade do ministério pastoral atual:

  1. O "Lobo" Moderno: Jesus diz que o mercenário foge quando vê o lobo chegar. No seu contexto ministerial hoje, o que representa o "lobo" (ex: polarização política, esgotamento emocional, pressão das redes sociais)? Como podemos proteger o rebanho e a nós mesmos sem fugir da responsabilidade?
  2. O Conhecimento Pessoal: No versículo 14, Jesus diz que conhece as Suas ovelhas e é conhecido por elas. Com agendas tão ocupadas e o crescimento das igrejas, como podemos evitar que o pastoreio se torne impessoal e puramente administrativo?
  3. Voz vs. Barulho: As ovelhas seguem o pastor porque conhecem a sua voz. Como pastores, como temos discernido a voz do "Supremo Pastor" em meio ao barulho das expectativas da congregação e das cobranças por resultados?
  4. O Limite do Sacrifício: Jesus deu a vida pelas ovelhas de forma voluntária. No ministério atual, como equilibrar o "dar a vida" (sacrifício) com a necessidade bíblica de cuidar do seu próprio corpo e da sua família (o seu primeiro rebanho)?
  5. Outras Ovelhas: Jesus menciona que tem "outras ovelhas que não são deste apriscou" (v. 16). Como o nosso ministério local tem olhado para fora das paredes da igreja para buscar os perdidos e os marginalizados?

 ” Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10:11).

Ezequiel 34:

1.E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

2.Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e diz aos pastores: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Aí dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?

3.Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentam as ovelhas.

4.A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza.

5.Assim, se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam.

6.As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque.

7.Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR:

8.Vivo eu, diz o Senhor JEOVÁ, visto que as minhas ovelhas foram entregues à rapina e vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas,

9. portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR:

10.Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu estou contra os pastores e demandarei as minhas ovelhas da sua mão; e eles deixarão de apascentar as ovelhas e não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e lhes não servirão mais de pasto.

11.Porque assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu, eu mesmo, procurarei as minhas ovelhas e as buscarei.

12.Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e as farei voltar de todos os lugares por onde andam espalhadas no dia de nuvens e de escuridão.

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo no livro de Ezequiel,


a mensagem do profeta Ezequiel a respeito dos pastores de Israel. Na época, os líderes do povo de Deus, principalmente os reis, sacerdotes, anciãos e os profetas, eram considerados como pastores. Eles foram extremamente negligentes e irresponsáveis na conduta moral e espiritual do povo de Judá. Eles perderam o senso de responsabilidade diante de Deus e fizeram com que as ovelhas (o povo de Judá) ficassem sem orientação. Quando os líderes são contaminados, o rebanho segue pelo mesmo caminho. Citamos como exemplo o rei Manasses que aproveitou a liderança que tinha e conduziu o povo à idolatria, e esta idolatria resultou no exílio de Israel, pois o povo não a abandonou, apesar de Deus ter dado tempo para que se arrependesse, mas o povo não queria ouvir a voz do Senhor, preferindo o engano dos falsos profetas (Jr.23:9-12). Os líderes eram movidos pela avareza e usavam o poder, que lhes fora conferido pelo Senhor, para legislar em causa própria. Deixavam-se subornar (Jr.22:17), extorquiam dinheiro das pessoas (Jr.22:17) e defraudavam o próximo para obter vantagens (Jr.22:13,14). O direito e a justiça não eram estabelecidos, e o povo cada vez mais se atolava no lamaçal do pecado. Deus foi enfático em seu julgamento dos maus pastores de Judá: "Aí dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! ... comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. ... as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque" (Ez.34:2-6).

I. SOBRE O REBANHO

1. Ovelhas

As ovelhas são um tipo de mamífero quadrúpede (de quatro patas) e herbívoros, pertencentes à família Bovidae e à ordem Artiodactyla (mamíferos ungulados com um número par de dedos nas patas). Algumas espécies de ovelhas são domesticadas e podem ser encontradas na maioria dos países. Já as espécies selvagens vivem apenas em locais restritos. Alguns estudiosos acreditam que as ovelhas foram domesticadas há mais de cinco mil anos, na região que compreende o atual Iraque. O macho da ovelha recebe o nome de carneiro, já o seu filhote é chamado de cordeiro. 

-Características das ovelhas: Possuem chifres permanentes, curtos e um pouco menos curvados em relação aos chifres do carneiro. Seu corpo mede cerca de 1,5 metro de comprimento. No entanto, o tamanho do comprimento está associado à sua utilização, uma vez que ovelhas utilizadas para fins específicos possuem mais de 1,5 m. São animais ruminantes (aqueles que precisam dos dentes pontiagudos superiores) e possuem a formação de quatro câmaras no estômago. Seu peso pode variar de 75 kg a 200 kg; possuem um focinho comprido e estreito, e uma pele coberta com lã fina e macia. Sua expectativa de vida é de 20 anos.

-Comportamento das ovelhas: Segundo afirmam os profissionais que lidam diretamente com ovelhas, elas são animais inteligentes, sensíveis e sociáveis. Elas conseguem facilmente identificar os integrantes pertencentes ao seu grupo, além de serem capazes de distinguir as várias expressões da face de outros animais do rebanho. Sua memória também é muito boa, pois conseguem lembrar de acontecimentos ocorridos há dois anos. Além disso, são animais dóceis que não possuem mecanismos de ataque. Também são ágeis e adaptam-se facilmente aos locais que habitam. Um estudo feito na Europa comprovou que as ovelhas são capazes de expressar emoções visivelmente; por exemplo, quando estão estressadas mostram sinais de depressão, assim como os seres humanos.

2. Natureza

A natureza da ovelha e sua relação com o pastor resultaram em diversas figuras que ilus­tram o relacionamento entre Deus, o Sumo Pastor, e o seu povo (Sl.23:1; 74:1; 100:3).

As ovelhas são animais indefesos e medrosos, que se assustam facilmente e, na ausência do pastor, se dispersam rapidamente (Zc.13.7). Poucos animais são tão indefesos como as ovelhas. No caso de um acidente, so­mente o ser humano pode socorrê-la; por isso, é necessária uma supervisão constante. Com muita pouca defesa contra inimigos naturais, pouco senso de direção e nenhuma capacidade para encontrar seu próprio alimento, as ovelhas são muito dependentes do pastor para prover suas necessidades.

No tempo em que não havia cercas, os proprietários de ovelhas tinham que ficar com elas no deserto ou no campo, algumas vezes durante meses de uma só vez. O pastor tinha que providenciar para as ovelhas tudo que elas não podiam providenciar para si mesmas. Ele procurava pastos verdes onde pudessem encontrar comida (1Cr.4:39,40) e as conduzia gentilmente para lá, sempre cuidadoso com as que estavam com filhotes (Is.40:11). Ele as protegia até com sua própria vida. O jovem Davi relatou a Saul como tinha arrancado um cordeiro da boca de um leão (1Sm.17).

3. O rebanho

Rebanho são muitos animais da mesma espécie agrupados e controlados pelo homem. No sentido metafórico, é o agrupamento de pessoas unidas por um mesmo vínculo. No Antigo Testamento, metaforicamente, o povo de Israel, por desfrutar do relacionamento pactual com Deus (Is.40:11), era considerado como rebanho (Nm.27:17). Diversas vezes Israel era visto como ovelhas sem pastor (1Rs.22:17; Jr.23:1, 50:6; Ez.34:10; 1Pd.2:25). Na Nova Aliança, o povo de Deus, a Igreja, também é identificada como rebanho (Mt.26:31; Atos 20:28; cf.1Pd.5:2,3). A nossa sobrevivência espiritual equilibrada depende essencialmente da orientação do Sumo Pastor, Jesus Cristo.

4. Os pastores

O pastor é aquele que cuida das ovelhas. No período do Antigo Testamento, todos os que tinham responsabilidades de liderança, como os profetas, os sacerdotes e os reis, eram considerados pastores do povo de Israel. Quanto ao Rei, a sua missão era aconselhar e guiar o povo de Deus (1Sm.9:16; ler Dt.17:14-20). Quanto ao Sacerdote, sua missão era santificar o povo, oferecer sacrifícios pelo povo e interceder pelos transgressores (Hb.5:1-3; ler Lv.10:8-11; 16; 21:1-24). Quanto ao Profeta, sua missão era preservar o conhecimento e manifestar a vontade do único e verdadeiro Deus (Ez.2:1-10; ler Dt.18:20-22). Os bons pastores cuidavam das “ovelhas” do Senhor; os maus pastores, os pastores infiéis, porém, maltratavam as “ovelhas” do Senhor, as exploravam para beneficiarem a si próprio. Deus os condenou por isso.

Na Nova Aliança, os líderes das igrejas locais são considerados pastores. O "Supremo Pastor" (1Pd.5:4; Hb.13:20) requer dos mesmos amor e cuidado pelas Suas “ovelhas” (João 21:15-17). Também, precisam defender o “rebanho” (Tito 1:9-11), precisam alimentar as “ovelhas” labutando na palavra e no ensino (1Tm.5:17), e precisam conduzir o “rebanho” sendo exemplos para ele (1P.5:3). Para cumprir tudo isto, eles precisam conhecer o “rebanho”, fazendo um esforço para conhecer cada “ovelha” pelo nome e ser conhecido por elas. Eles precisam ter cuidado para que nenhuma se perca; se uma estiver faltando (não apenas à assembleia, mas à fidelidade diária), eles precisam estar prontos a ir e encontrá-la para que possam admoestar as insubmissas, consolar as desanimadas, amparar as fracas, e ser longânimes para com todas (1Tes.5:14). Eles deverão estar dispostos a sacrificar até suas vidas por elas (1Ts.2:8). O bom pastor e despenseiro, age dessa maneira!

II. SOBRE OS PASTORES INFIÉIS

1. O pastor de ovelhas

Tenda em vista a vulnerabilidade que a ovelha apresenta por natureza, o pastor tem a obrigação de cuidar dela, alimentá-la, guiá-la e protegê-la dos predadores. Foi isso que Davi, como bom pastor, fez quando pastoreava o rebanho de seu pai (cf.1Sm.17). A parábola da ovelha desgarrada revela esse dever do pastor (Lc.15:4-6). Observe que nessa parábola a ovelha não foi perdida, ela se desgarrou do rebanho; ela foi atraída por novos horizontes, novas pastagens, novas aventuras, e afastou-se do convívio das outras ovelhas. Certamente não notara o risco de cair no abismo, nem de perder o rumo nos desertos, nem mesmo a possibilidade de ser apanhada por um animal predador.

A ovelha é um animal frágil, teimoso, indefeso, míope, que não consegue defender-se. Para estar segura, precisa do cuidado do pastor e da companhia das outras ovelhas. Na parábola, o pastor não desistiu da ovelha que desgarrou e se perdeu; não desistiu dela nem a culpou por sua fuga inconsequente. Antes, deixou as demais em segurança, procurou-a pelas montanhas escarpadas e valados profundos, e encontrou-a em situação desesperadora. Não podendo ela andar, o pastor a tomou no colo. Em vez de sacrificá-la, o pastor alegrou-se em encontrá-la e festejou sua reintegração ao rebanho. É assim que Deus faz conosco - Ele não abdica do direito que tem de nos tomar para si e nos manter em sua presença.

Em termos eclesiásticos, pastor é aquele que supervisiona o “rebanho”; ou melhor, ele é um mordomo do Senhor, por isso deve guardar cada uma das “ovelhas” que lhe confiou o Sumo Pastor; sua função principal é conduzir as “ovelhas” ao Senhor Jesus. Como bem diz o reverendo Hernandes Dias Lopes, ser pastor é estar disposto a investir a vida na vida dos outros sem receber o devido reconhecimento. Ser pastor é amar sem esperar a recompensa, é dar sem esperar receber de volta. Ser pastor é saber que o seu galardão não lhe é dado aqui, mas no Céu.

Nenhuma posição na terra deveria seduzir o coração de um pastor a desviar-se do seu foco ministerial. Ser embaixador de Deus é melhor do que ser embaixador da nação mais poderosa da Terra. Charles Spurgeon dizia para os seus alunos: "Filhos, se a rainha da Inglaterra vos convidar para serdes embaixadores em qualquer lugar do mundo, não vos rebaixeis de posto, deixando de serdes embaixadores do Céu”. Hoje, vemos muitos pastores deixando o ministério para serem vereadores, deputados ou senadores da República. Trocam o seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas. Isso é um equívoco e uma troca infeliz. Muito embora a vocação civil também seja uma digna vocação, aquele que Deus chamou para o ministério não deve desviar sua atenção com outros afazeres, ainda que dentre os mais nobres. Foi assim que ocorreu com os “pastores”, os líderes de Israel, contemporâneos de Ezequiel; eles se desviaram de suas funções.

Veja o que Deus diz através do profeta Ezequiel contra os pastores infiéis de Israel, isto é, seus reis, sacerdotes e profetas: “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores: Assim diz o Senhor Jeová: Aí dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?” (Ez.34:2,3).

Nota-se que as palavras do Senhor dirigidas aos líderes de Israel são de condenação absoluta desde o começo: "Ai dos pastores de Israel". Aqueles homens achavam que as posições que ocupavam eram tão dignificadas que os tornavam, automaticamente, isentos e imunes a toda e qualquer forma de crítica. Não entendiam que as posições que ocupavam, bem como as funções executadas por eles, realmente, não os isentavam de ter que admitir seus erros, de ter que confessar seus pecados e de sofrer as graves consequências dos juízos de Deus, caso não se arrependessem. Estas palavras, realmente duras da parte do Senhor, são motivadas pelo fato de que os pastores não são "donos" do rebanho de Deus, e por este motivo não podem tratar o rebanho de Deus de qualquer maneira e de forma abusiva. Pastores, como diz o apóstolo Pedro, não passam de cooperadores submetidos ao Senhor Jesus, que o Supremo Pastor (ver 1Pd.5:4).

2. O que os governantes faziam (Ez.34:2,3)?

“2. Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e diz aos pastores: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Aí dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? 3.Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentam as ovelhas”.

Os “pastores” de Israel, ou seja, os líderes, tinham a obrigação de cuidar do “rebanho do Senhor”, porém, foram infiéis à missão que Deus lhes entregou; maltratavam, em vez de cuidarem das “ovelhas” do Senhor. Deus ficou furioso com esses pastores infiéis e pedia-lhes severas contas pelo sofrimento que infligiam às “ovelhas” que lhes confiou.

O profeta Ezequiel acusa os pastores de estarem cuidando de si mesmos em vez de estarem cuidando das ovelhas: "Ai dos pastores que se apascentam a si mesmos!". Como se não fosse terrível o bastante ignorarem as necessidades das “ovelhas” por estarem por demais ocupados consigo mesmos, esses “pastores” ainda tratavam as “ovelhas” com extrema brutalidade, pois o profeta, metaforicamente, diz: “Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas" e "dominais sobre elas com rigor e dureza". O interesse daqueles “pastores” estava muito mais nos benefícios materiais que poderiam receber das “ovelhas” - carne, gordura, lã, do que nos benefícios espirituais que poderiam e deveriam repartir no cuidado do “rebanho”. Para Ezequiel, o interesse daqueles ‘pastores” não estava centrado no chamado de Deus e no pastoreio, e sim no poder e no controle que exerciam sobre as “ovelhas”. Deus se indignou com esses “pastores” que não respeitavam as “ovelhas” que lhes foram confiadas; não as respeitavam porque não as amavam. Também o profeta Jeremias os exortou:

“1. Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor. 2. Portanto, assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e delas não cuidastes; eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas ações, diz o Senhor. 3. E eu mesmo recolherei o resto das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão e se multiplicarão. 4. E levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e nunca mais temerão, nem se assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o Senhor” (Jr 23:1-4).

Preste atenção nos verbos que Jeremias usa para descrever a conduta desses infiéis pastores”:destruir”, “dispersar”, “afugentar” e “não cuidar”. Bons pastores devem juntar, alimentar, cuidar, guiar e proteger, mas os “pastores” de Israel faziam tudo ao contrário.

Uma coisa marcante que a gente percebe é a maneira que Deus fala do rebanho - Ele o descreve como “o meu povo”, “as ovelhas do meu pasto” e “as minhas ovelhas”. A linguagem de Deus mostra o problema raiz do comportamento errado dos líderes - eles não amavam o povo como Deus o amava. Para eles, ser pastor era uma posição de destaque, honra e privilégio. Para Deus, porém, ser “pastor” era uma posição de responsabilidade, sacrifício, abnegação e amor. Atualmente, ainda há muitos que olham para o cargo de pastor como uma posição de honra a ser cobiçada. Buscam o destaque e desejam a honra diante dos homens. Ao invés de agir humildemente como pastores no rebanho local (veja 1Pd.5:1-3), apresentam-se em todo lugar com o “título” de pastor. Em outras palavras, “amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens” (Mt.23:6-7). Tais pastores não cuidam do rebanho como deveriam.

3. O que os governantes não faziam (Ez.34:4,8)?

“A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza.

Vivo eu, diz o Senhor JEOVÁ, visto que as minhas ovelhas foram entregues à rapina e vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas”.

Outra triste constatação que o profeta descreve é a de que os “pastores” estavam negligenciando por completo suas responsabilidades, mesmo as mais básicas. O profeta diz: “A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes”. Era uma situação terrível! Por que estes “pastores” agiam desta maneira? Além da absoluta falta de interesse verdadeiro pelas “ovelhas”, eles agiam desta maneira em parte por ignorância e em parte por desídia. Isto está subjacente nos referidos textos. Diziam eles: “deixa o rebanho pra lá; o rebanho só me interessa pelo que posso conseguir dele, o resto é realmente irrelevante”. Pensavam e agiam assim porque sabiam que o povo os tinha em alta estima e ninguém ia realmente querer peitá-los por serem “ungidos”. O resultado direto deste descaso e ignorância não demoraria a ser sentido.

Ovelhas sem cuidados pastorais e maltratadas tendem a se espalhar, por não haver pastor, e acabam por tornar-se pasto para todas as feras do campo. Este é o triste fim de todas as situações de abuso espiritual que encontramos, mesmo nos dias de hoje: “ovelhas” dispersas, abandonadas e sendo devoradas por todos os tipos de "feras". O profeta constata, em nome do Deus-Pastor de Israel, está triste realidade ao dizer: “As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro”. Ovelhas abusadas só conseguem resistir até certo ponto; algumas chegam mesmo a morrer dentro do próprio redil - a comunidade local que, na Nova Aliança, chamamos de igreja local. Outras, não aguentando mais os abusos, preferem abandonar o redil. As palavras de Ezequiel estão repletas de desconsolo neste quesito: "as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque" (Ez.34:6).

Todavia, Deus tratou e tratará com firmeza aqueles que não viverem à altura dos compromissos assumidos como pastores e servos a serviço do povo de Deus. Ele diz: “Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor” (Jr.23:1). Porque somos ovelhas do pasto do Senhor, e Ele se mostra aborrecido quando Suas “ovelhas” são maltratadas por aqueles que deveriam realmente cuidar delas.

4. As ovelhas dispersas (Ez.34:5,6)

“5. Assim, se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam. 6. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque”.

Eze­quiel dirige esses oráculos divinos à casa de Judá, mas a mensagem diz respeito a todos os filhos Israel, até mesmo os dispersos pelos assírios (Ez.34:6). Por falta de cuidado dos “pastores”, as consequências foram desesperadoras – as “ovelhas” foram espalhadas e desgarradas. Trata-se de uma alusão ao cativeiro, sendo a dispersão do povo de Deus decorrente da omissão dos líderes, ou, nas palavras do profeta, “por não haver pastor”. E ninguém dá atenção nem faz nada para corrigir esse cenário.

Essa linguagem de dispersão do povo aparece também na visão do profeta Micaías, em 1Reis 22:17. No Evangelho de Mateus, Jesus se depara com uma situação análoga: “ao ver as multidões, Jesus se compadeceu delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mt.9:36). Nas palavras do pr. Esequias Soares, as funções pastoris são contrastadas no evangelho de João com as ações de mercenários: “o mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê o lobo chegando, abandona as ovelhas e foge; então o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas” (João 10:12,13).

Com a expressão “minhas ovelhas”, Deus identifica-se com elas, as quais não são propriedades dos pastores das igrejas locais. O uso deste possessivo demonstra o cuidado e a preocupação do Sumo Pastor para com as Suas “ovelhas”. O referido possessivo aparece também em Ezequiel 34:8,10,11,12,15,17,19,22,25,31). Diz o Senhor: “Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto!” (Jr.23:1).

III. SOBRE O BOM PASTOR

1. A reação divina contra os maus pastores (Ez.34:10-12)

10. Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu estou contra os pastores e demandarei as minhas ovelhas da sua mão; e eles deixarão de apascentar as ovelhas e não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e lhes não servirão mais de pasto. 11.Porque assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu, eu mesmo, procurarei as minhas ovelhas e as buscarei. 12.Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e as farei voltar de todos os lugares por onde andam espalhadas no dia de nuvens e de escuridão”.

Os “pastores” de Israel falharam como despenseiros do “rebanho” do Senhor, e as ovelhas se dispersaram, deixando-as à mercê dos lobos devoradores. Mas o Sumo Pastor de Israel, prometeu assumir o comando de seu “rebanho” disperso em toda parte do mundo; ou seja, todo o povo de Israel disperso pelo mundo inteiro – as dez tribos do Norte e as tribos do Sul – o Senhor os fará retornar à Sua terra prometida (Ez.34:12), e será seu Pastor e governará sobre elas durante o milênio. Veja o que o Bom Pastor fará, segundo a profecia de Ezequiel: “Eu as procurarei e buscarei” (Ez.34:11); “Eu as livrarei” (Ez.34:12); “Eu as tirarei”, “Eu as congregarei”; “Eu as introduzirei na sua terra” (Ez.34:13); “Eu as apascentarei” (Ez.34:14); “Eu as farei repousar” (Ez.34:15); “Eu ligarei a quebrada”; “Eu fortalecerei a enferma” (Ez.34:11). São profecias de esperança para o povo de Deus; sem dúvida, é a mais sublime esperança para o povo de Israel.

Veja que o retrato do pastor que busca as ovelhas desgarradas em Ezequiel 34:12 prefigura de forma notável a parábola da ovelha perdida de Lucas 15:1-7, para a qual, sem dúvida, Jesus se baseou nessa passagem de Ezequiel. Nessa linguagem metafórica, há um retrato tanto do animal quanto do ser humano, mais especificamente dos crentes no dia a dia. Essa são algumas das razões de Deus nos tratar como ovelhas. O pr. Ezequias Soares argumenta que “Deus promete buscar as suas ovelhas na dispersão, “no dia de nuvens e densas trevas” (Ez.34:12). A expressão está relacionada ao imaginário do julgamento no “Dia do SENHOR” (Ez.30:3; Jl.2:2; Sf.1:15), um Dia de vingança e libertação, mas também do aparecimento de Deus, como no Êxodo, para livrar Israel (Is.24:7; Sl.97:2). Dessa forma, a mensagem pode se referir tanto ao retorno escatológico dos judeus dispersos pelo mundo quanto ao fim do cativeiro babilônico”.

2. Jesus, o bom Pastor

O Messias Jesus nos é apresentado no livro de Salmos como o bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas (Sl.22), como o grande Pastor que vive para as ovelhas (Sl.23) e como o supremo Pastor que voltará para as ovelhas (Sl.24). No Evangelho de João, capítulo 10, Jesus se apresenta como o bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas - “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (João 10:11); “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim” (João 10:14). O sentido básico da palavra “bom” (gr. kalos) é “maravilhoso”. Esta palavra, aqui, indica o caráter excelente do bom Pastor Jesus. Ele corresponde a um ideal tanto em caráter como em sua obra. Ele é único em sua categoria. O autor aos Hebreus, no capítulo 13, versículo 20, nos fala que o Jesus ressurreto dentre os mortos é o grande pastor das ovelhas, aquele que nos aperfeiçoa em todo o bem para cumprirmos a vontade de Deus. E o apóstolo Pedro, em sua primeira Epístola, capítulo 5, versículo 4, fala-nos do supremo Pastor que se manifestará para dar às suas ovelhas a imarcescível coroa da glória. Como bem argumenta o pr. Esequias Soares, “assim como Yahweh vai trazer de todas as nações os judeus dispersos para a terra de seus antepassados, o que já está acontecendo, em Israel, no Oriente Médio, da mesma forma o Senhor Jesus está congregando, de todas as nações, as ovelhas para o seu redil (João 10:16).

3. O pastor cristão


O pastor cristão é aquele que é “despenseiro” do “rebanho” do Senhor Jesus; ele é mordomo das coisas santas de Deus. O Senhor Jesus concedeu pastores à igreja (Ef.4:11) para o aperfeiçoamento dos crentes e a edificação do Corpo de Cristo. A principal obrigação do pastor cristão é pastorear. Mas, o que é pastorear?

a) é alimentar o rebanho de Deus com a Palavra de Deus. Não cabe a ele prover o alimento, mas oferecer o alimento. O alimento é a Palavra. Reter a Palavra ao povo de Deus é um grave pecado. Infelizmente, vivemos dias difíceis; dias em que é notório o abandono do ensino da Palavra de Deus nas igrejas. Muitos dentre os crentes se dizem ser, como nos afirmam as Escrituras, terão comichões nos ouvidos e não sofrerão mais a sã doutrina (2Tm.4:3), ou seja, não quererão se dobrar aos ensinos da Palavra de Deus e os distorcerão, a fim de poderem praticar os seus pecados, construindo para si doutores que justifiquem seus pecados e iniquidades. São dias difíceis, mas nós, que conhecemos a Palavra, que fomos ensinados na boa doutrina, sabendo que estas coisas iriam mesmo acontecer, só devemos ser cautelosos e, sobretudo, submissos aos ensinos do Senhor, pois o ensino da Palavra de Deus é essencial para o crescimento espiritual do cristão.

b) é proteger o rebanho de Deus dos lobos vorazes. Paulo alertou para o fato dos pastores estarem vigilantes para que os lobos vorazes não penetrem no meio do rebanho. Jesus, também, fez o mesmo alerta: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mt.7:15).

c) é apascentar o rebanho de Deus. O pastor convive de perto com as ovelhas; leva-as para os pastos verdes as famintas, leva às águas tranquilas as sedentas, atravessa os vales escuros dando segurança à ovelha que está insegura e carrega a fraca no colo, resgata a que caiu no abismo, disciplina aquela que põe em risco a vida do rebanho.

c.1. O pastor cristão apascenta o rebanho de Deus com conhecimento. O pastor é um estudioso. Ele precisa conhecer a Palavra, alimentar-se da Palavra e pregar a Palavra. Aliás, a recomendação de Paulo é que “[...] o bispo seja [...] apto para ensinar” (1Tm.3:2). A vida do ministro está inseparavelmente vinculada ao ensino e à observância da sã doutrina (1Tm.1:3,10; 4:6,16; 5:17; 6:1,3; 2Tm.4:2,3; Tt.2:1,7,10). Paulo diz que devem ser considerados dignos de redobrados honorários aqueles que se afadigam na Palavra(1Tm.5:17).

c.2. O pastor cristão apascenta o rebanho de Deus com inteligência. Isso significa apascentar o rebanho de Deus com sabedoria e sensibilidade. Sabedoria é usar o conhecimento para os melhores fins. Precisamos tratar as ovelhas de Deus com ternura. Paulo diz que o pastor é como um pai e também como uma mãe (1Tess 2:7-12). O pastor chora com os que choram e festeja com os que estão alegres. O pastor trata cada ovelha de acordo com sua necessidade, com seu temperamento, com seu jeito peculiar de ser. Ele é dócil com as crianças como foi Jesus, que as pegou no colo. Ele trata os da sua idade como a irmãos e aos mais velhos como a pais. Uma coisa é amar a pregação, outra coisa é amar as pessoas para quem pregamos.

Que a profecia de Jeremias também se aplique em nossos dias - “E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência” (Jr.3:15).

CONCLUSÃO

O bom pastor exerce o seu pastoreado com eficiência e zelo, cônscio de que é um mordomo do Senhor Jesus. Paulo diz que aquele que aspira ao episcopado, excelente obra almeja (1Tm.3:1). O pastoreado é uma obra, e uma obra excelente. Não é uma obra para gente preguiçosa, mas uma obra que exige todo esforço, todo empenho e todo zelo.

Os obreiros infiéis são obreiros fraudulentos, gananciosos, avarentos e enganadores; são amantes do dinheiro e estão embriagados pela sedução da riqueza. Há pastores que mudam a mensagem para auferir lucros; pregam prosperidade e enganam o povo com mensagens tendenciosas para abastecer a si mesmos. Deus abominou as atitudes dos pastores infiéis de Israel e, certamente, aborrece as atitudes mercenárias de inúmeros pastores dos dias de hoje que ludibriam o rebanho com falsas mensagens e mentiras. Deus nos guarde!

 

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