segunda-feira, 28 de setembro de 2026

O VERBO QUE SE TORNOU CARNE

O VERBO QUE SE TORNOU CARNE

Texto Bíblico: João 1.1-14

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14).

O Verbo que se Tornou Carne: Uma Reflexão sobre João 1.1-14

O trecho de João 1.1-14 apresenta um dos textos mais profundos, poéticos e teológicos de toda a Bíblia. O apóstolo João inicia seu Evangelho não com uma genealogia humana (como Mateus) ou com o nascimento em Belém (como Lucas), mas abrindo uma janela para a eternidade.

1. A Eternidade e a Divindade do Verbo (João 1.1-3)

  • "No princípio era o Verbo...": João remete ao primeiro versículo de Gênesis ("No princípio, criou Deus..."). O "Verbo" (em grego, Logos) não teve início; Ele já existia antes de todas as coisas.
  • "... e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus": O texto estabelece claramente a distinção de pessoas na Trindade ("estava com Deus") e, ao mesmo tempo, a plena divindade de Cristo ("e o Verbo era Deus").
  • Agente da Criação: Nada do que foi feito existe sem Ele. A Palavra criadora de Deus trouxe o universo à existência.

2. Luz, Vida e as Trevas (João 1.4-9)

  • A Luz que brilha nas trevas: Nele estava a vida, e essa vida era a luz dos homens. A luz representa a verdade, a pureza e a revelação de Deus.
  • A Rejeição Humana: Embora a luz tenha vindo ao mundo, "as trevas não a compreenderam" (ou não prevaleceram contra ela). A humanidade afastada de Deus muitas vezes prefere a escuridão ao confronto com a santidade divina.

3. O Privilégio da Filiação (João 1.10-13)

  • Veio para os seus: Jesus veio ao mundo que Ele mesmo criou, mas o Seu próprio povo não o recebeu.
  • O poder de ser filhos: No entanto, "a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" (v. 12). A filiação divina não vem por sangue, esforço humano ou tradição religiosa, mas é um ato de graça recebido pela fé.

4. O Clímax: A Encarnação (João 1.14)

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”

  • A Encarnação ("Se fez carne"): O Deus eterno, infinitamente grandioso e transcendente, esvaziou-se e assumiu a fragilidade da natureza humana. Ele não apenas "pareceu" humano; Ele se tornou carne, experimentando dores, cansaço, alegria e tentações, sem, contudo, pecar.
  • Habitou entre nós (Tabernaculou): No original, o verbo sugere "armou a sua tenda" ou "tabernaculou". Assim como a presença de Deus habitava no Tabernáculo no Antigo Testamento, agora Deus habita pessoalmente na pessoa de Jesus no meio da humanidade.
  • Graça e Verdade: Em Jesus encontram-se o equilíbrio perfeito. Ele não sacrifica a verdade para ser gracioso, nem usa a verdade sem amor e graça.

Aplicação Prática

A encarnação do Verbo é a maior prova do amor e do interesse de Deus pela humanidade. Ele não ficou distante no céu; Ele desceu para nos resgatar. Contemplar o Verbo que se fez carne nos convida a recebê-Lo diariamente como Senhor e Salvador, permitindo que a Sua graça e verdade transformem a nossa história.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos sobre o seguinte tema: “o Verbo que se tornou em carne”. O Evangelho de João se inicia com uma das declarações mais sublimes das Escrituras: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1). Esta afirmação enfatiza a divindade e eternidade de Cristo, revelando que Ele não apenas estava presente na criação, mas também é o próprio Criador. João utiliza o termo grego “Logos” (Verbo) para descrever Jesus como a plena expressão de Deus ao mundo, Aquele que traz vida e luz à humanidade.

I. O EVANGELHO DE JOÃO

1. Autoria e data

O Evangelho de João tem sido amplamente atribuído ao apóstolo João, um dos doze discípulos de Jesus e identificado como “o discípulo a quem Jesus amava” (João 21:20). A tradição cristã, desde os primeiros séculos, sustenta essa autoria, sendo corroborada por testemunhos dos Pais da Igreja, como Irineu de Lião (século II) e Clemente de Alexandria. Além disso, há forte evidência interna no próprio texto, especialmente no capítulo 21, onde o autor se refere a si mesmo de maneira indireta, indicando sua proximidade com Cristo e sua participação nos eventos narrados (João 21:24).

Quanto à data da escrita, a maioria dos estudiosos sugere um período entre 80 e 90 d.C. Diferente dos evangelhos sinóticos, que foram escritos anteriormente, João escreveu seu relato com uma abordagem mais reflexiva e teológica, destacando aspectos profundos da identidade divina de Jesus.

2. O propósito do Evangelho

O propósito do Evangelho de João não é apenas relatar os feitos de Cristo, mas estabelecer de maneira clara e inquestionável sua divindade. Isso se evidencia nos primeiros versículos, onde Jesus é descrito como o “Verbo Divino” (Logos), um conceito que aponta para sua existência eterna e sua função como a revelação suprema de Deus ao mundo (João 1:1). A afirmação “a Palavra que se fez carne” (João 1:14) é central para a cristologia joanina, pois destaca a encarnação de Cristo, demonstrando que o Deus eterno assumiu a natureza humana para redimir a humanidade.

Dessa forma, o Evangelho de João se distingue por sua profundidade teológica e seu propósito evangelístico, sendo um testemunho poderoso da divindade de Jesus e da salvação oferecida a todos os que nele creem.

“Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31).

3. A Natureza de Jesus

O Evangelho de João apresenta uma das mais ricas exposições sobre a dupla natureza de Cristo – sua plena divindade e plena humanidade. Desde o primeiro versículo, João enfatiza a pré-existência e divindade de Jesus ao identificá-lo como o Verbo que estava com Deus e era Deus (João 1:1). No entanto, esse mesmo Verbo se fez carne e habitou entre nós (João 1:14), revelando de forma inequívoca que Cristo assumiu a condição humana sem deixar de ser Deus.

Embora João tenha como ênfase principal a divindade de Cristo, ele também deixa claro que Jesus viveu como um verdadeiro ser humano. Em João 8:39,40, Jesus se refere a si mesmo como um homem que lhes dizia a verdade de Deus, mostrando sua identidade dentro da história humana. Além disso, João registra episódios que revelam aspectos genuinamente humanos de Jesus, como sua fadiga (João 4:6), sede (João 19:28), emoções (João 11:35), compaixão (João 6:5) e até sua morte física (João 19:30).

No entanto, a humanidade de Cristo não diminui sua divindade, mas a complementa no cumprimento do plano redentor. A morte expiatória de Jesus é um dos pontos centrais do Evangelho de João. João Batista já o apresenta como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29), antecipando seu sacrifício na cruz. A morte de Cristo não é um evento acidental ou apenas consequência da perseguição humana, mas parte essencial do plano divino para a salvação da humanidade. Como afirma João, “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João 3:16), demonstrando que o sacrifício de Jesus é um ato voluntário de amor redentor.

Portanto, o Evangelho de João apresenta uma cristologia equilibrada, afirmando que Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. A sua divindade garante que Ele tem poder para salvar, enquanto a sua humanidade assegura que Ele pode se compadecer de nossas fraquezas e ser o mediador perfeito entre Deus e os homens (Hb.4:15; 1Tm.2:5). Essa compreensão é essencial para uma fé cristã sólida e bíblica.

II. JESUS, O VERBO DE DEUS

1. A revelação que ultrapassa o passado

O Evangelho de João se inicia com uma declaração grandiosa e profundamente teológica: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1). Ao redigir essa introdução, João provavelmente fez uma alusão intencional a Gênesis 1:1, onde está escrito: “No princípio criou Deus os céus e a terra”. No entanto, enquanto Gênesis relata o início da criação do mundo, João aponta para a eternidade do Verbo (Logos), destacando que Ele já existia antes mesmo de todas as coisas serem criadas.

Essa afirmação revela três verdades fundamentais sobre o Verbo:

a)   Sua eternidade. O uso da expressão "no princípio" não significa um momento específico no tempo, mas sim a ideia de que o Verbo sempre existiu. Ele não foi criado, mas é eterno, sem começo nem fim, assim como Deus.

b)  Sua distinção dentro da Trindade. João declara que o Verbo estava “com Deus”, o que indica uma relação íntima e pessoal dentro da divindade. Isso aponta para a coexistência do Filho com o Pai desde a eternidade, revelando o mistério da Trindade.

c)   Sua divindade absoluta. A terceira afirmação, “o Verbo era Deus”, remove qualquer dúvida sobre a natureza do Verbo: Ele é da mesma essência de Deus. João não diz apenas que o Verbo estava com Deus, mas que Ele é Deus. Essa é uma das declarações mais poderosas sobre a divindade de Cristo em toda a Escritura.

O apóstolo João, ao descrever Jesus como o “Logos”, utiliza um termo que tinha grande significado tanto para os judeus quanto para os gregos. Para os judeus, o "Verbo" remetia à Palavra de Deus que criava e revelava (Sl.33:6; Is.55:11). Para os gregos, o Logos era o princípio racional que sustentava o universo. João revela que esse Verbo não é um conceito abstrato, mas uma pessoa real – Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Dessa forma, João apresenta Jesus como a revelação suprema de Deus, existente desde a eternidade e plenamente divino. Ele não apenas estava no princípio, mas transcende o tempo e a história, sendo o Criador de todas as coisas (João 1:3). Essa verdade central do Evangelho de João fundamenta a fé cristã e nos convida a reconhecer Jesus como o Deus eterno que veio ao mundo para trazer luz e vida à humanidade.

2. A natureza fundamental do Verbo

O apóstolo João, ao apresentar Jesus como o Verbo (Logos) de Deus, enfatiza sua eternidade e divindade. Assim como Deus é eterno, o Verbo também o é, pois Ele não teve princípio e jamais terá fim. Essa verdade é reforçada em Apocalipse 1:8, onde Jesus é descrito como “o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim”, um título que pertence exclusivamente a Deus. A sequência “que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso” reafirma que Cristo não apenas existia no passado, mas continua existindo no presente e para toda a eternidade.

No Evangelho de João, essa natureza divina do Verbo é central. O evangelista faz questão de mostrar que Jesus não é meramente um mestre ou profeta, mas a Palavra Encarnada de Deus. Ao dizer que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14), João utiliza o termo grego (skenóō), que significa "armar tabernáculo" ou "habitar temporariamente", remetendo à presença de Deus no tabernáculo no Antigo Testamento. Isso revela que, em Cristo, Deus veio habitar de forma plena entre os homens.

A encarnação do Verbo é um dos maiores mistérios e fundamentos da fé cristã. Deus não apenas se revelou por meio de palavras ou sinais, mas se fez homem, assumindo a nossa natureza para nos redimir (Fp.2:6-8). Essa verdade é confirmada ao longo do Evangelho de João, onde Jesus é reconhecido como Deus por aqueles que creram n’Ele. Após a ressurreição, Tomé, diante de Cristo, exclama: “Senhor meu, e Deus meu!” (João 20:28), demonstrando o reconhecimento pleno de sua divindade.

Assim, João apresenta Jesus como o Verbo eterno e Todo-Poderoso, digno de adoração, pois Ele é Deus manifestado em carne. Sua existência transcende o tempo, sua natureza é divina, e sua missão é trazer salvação à humanidade. Reconhecê-lo como tal é essencial para a fé cristã e para a adoração verdadeira.

3. “No princípio era o Verbo” (João 1:1)

O primeiro versículo do Evangelho de João, “No princípio era o Verbo”, contém uma das declarações teológicas mais profundas sobre a identidade de Cristo. No original grego, a palavra traduzida como “Verbo” é “Logos”, termo que possui uma riqueza de significados tanto na cultura judaica quanto na filosofia grega.

Para os judeus, o Logos estava associado à Palavra de Deus, que era viva, criadora e reveladora. No Antigo Testamento, Deus criou todas as coisas por meio de sua Palavra: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus” (Sl.33:6). Além disso, a Palavra de Deus era instrumento de revelação e comunicação divina com seu povo (Is.55:11).

Para os gregos, especialmente dentro da filosofia estoica, o Logos representava o princípio racional que ordenava e sustentava o universo. Era visto como a "razão suprema" ou o "princípio divino" que dava sentido ao cosmos.

João, ao iniciar seu Evangelho, não apenas se apropria desse conceito, mas o ressignifica de maneira singular e cristocêntrica: o Logos não é uma força abstrata ou um princípio filosófico, mas uma pessoa real – Jesus Cristo. Ele não apenas expressa a verdade de Deus, mas Ele é a própria manifestação de Deus na história humana.

O apóstolo explica que esse “Verbo’ estava no princípio, revelando sua eternidade; estava com Deus, demonstrando sua distinção dentro da Trindade; e era Deus, afirmando sua plena divindade. João enfatiza que Jesus é a revelação suprema de Deus ao mundo: “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (João 1:18).

Assim, Jesus Cristo é o Logos de Deus, a expressão visível do Deus invisível (Cl.1:15). Ele não apenas comunica a verdade de Deus, mas é a própria Verdade (João 14:6). Em Cristo, Deus se faz conhecido de maneira plena e acessível, trazendo luz e vida à humanidade. O Evangelho de João, portanto, apresenta o Verbo como a revelação definitiva do Pai, a encarnação da glória divina, e o meio pelo qual Deus se relaciona com os homens.

III. A ENCARNAÇÃO DO VERBO

1. A manifestação do Verbo e a Luz do mundo

João, ao introduzir Jesus como o Verbo Eterno, também o apresenta como o Criador de todas as coisas, afirmando que “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3). Essa declaração não apenas confirma a divindade de Cristo, mas também sua participação ativa na criação. Assim como Deus trouxe à existência o mundo por meio de sua Palavra (Gn.1:1-3), Jesus, o Verbo, é aquele por meio de quem toda a criação foi formada.

Em seguida, João estabelece um contraste fundamental entre luz e trevas. No Evangelho, a luz representa a vida e a verdade de Deus, enquanto as trevas simbolizam a obscuridade espiritual resultante do pecado e da alienação de Deus. João declara que “a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (João 1:5), demonstrando que, embora Jesus tenha vindo para iluminar o mundo, muitos rejeitaram sua mensagem.

Para preparar o caminho do Messias, Deus enviou João Batista como testemunha da Luz (João 1:6-8). João Batista não era a luz, mas foi o precursor de Cristo, aquele que anunciava sua chegada e chamava as pessoas ao arrependimento. Sua missão era conduzir os corações à verdadeira Luz, que é Jesus, o Salvador do mundo.

Entretanto, a reação da humanidade à Luz foi marcada por rejeição. João afirma que Cristo veio para o que era seu, mas os seus não o receberam (João 1:11). Os homens, presos às trevas do pecado e endurecidos espiritualmente, preferiram rejeitar a Luz em vez de aceitá-la. Essa rejeição não foi apenas um ato humano, mas a consequência da cegueira espiritual que domina aqueles que estão afastados de Deus.

Contudo, aqueles que receberam a Luz de Cristo foram transformados. João destaca uma promessa maravilhosa: “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (João 1:12). Isso significa que a encarnação do Verbo trouxe não apenas uma revelação divina, mas também a possibilidade de salvação e adoção espiritual para todos os que crerem em seu nome.

Portanto, Jesus não é apenas o Criador, mas também o Redentor, a Luz do mundo que veio dissipar as trevas do pecado. Seu convite continua ecoando: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12). Aqueles que o recebem experimentam uma nova identidade como filhos de Deus, sendo chamados das trevas para sua maravilhosa luz (1Pd.2:9).

2. O privilégio de nos tornarmos filhos de Deus

A declaração de João em João 1:12,13 é uma das mais sublimes promessas do Evangelho: “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome”. Esse versículo revela um privilégio extraordinário concedido àqueles que aceitam Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

No Antigo Testamento, Israel era considerado o povo escolhido de Deus, mas com a vinda de Cristo, a graça salvadora foi estendida a toda a humanidade. Enquanto muitos judeus rejeitaram a salvação oferecida por meio do Messias, Deus, em seu infinito amor, abriu as portas da redenção para todos, independentemente de raça, etnia ou origem. Tanto judeus quanto gentios agora têm igual acesso à filiação divina, não pelo nascimento físico ou herança cultural, mas pela fé em Cristo Jesus.

João enfatiza que essa nova filiação não ocorre por descendência natural, vontade humana ou esforço próprio, mas é resultado da graça de Deus: “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1:13). Isso significa que não é pelo mérito, mas pela soberana obra regeneradora de Deus que nos tornamos seus filhos.

Essa verdade é reafirmada em 1João 3:1: “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus”. Aqui, João exalta a imensidão do amor divino, que transforma pecadores em filhos legítimos do Senhor. Essa adoção espiritual confere uma nova identidade ao crente, garantindo acesso à presença de Deus, herança celestial e relacionamento íntimo com o Pai.

Portanto, ao crermos em Jesus, não apenas recebemos o perdão dos pecados e a salvação, mas somos adotados na família de Deus. Esse é um dos maiores privilégios da vida cristã: não somos apenas servos ou criaturas de Deus, mas seus filhos amados, herdeiros das promessas e participantes de sua glória eterna (Rm.8:16,17). Glórias sejam dadas a Deus pela Sua maravilhosa graça!

3. A manifestação e a habitação do Verbo

A declaração de João “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14) é uma das mais profundas e reveladoras verdades do Evangelho. Aqui, a eternidade toca o tempo, o transcendente se torna imanente, e Deus entra na história humana de forma definitiva. O apóstolo João não apresenta apenas um conceito teológico, mas uma realidade concreta: o Deus eterno se fez homem em Cristo Jesus.

A expressão “o Verbo se fez carne” significa que Deus não apenas se revelou, mas assumiu plenamente a natureza humana. Essa verdade contrasta com a mentalidade grega e filosófica da época, que considerava o mundo material inferior ou impuro. No entanto, João proclama que o próprio Logos eterno se tornou um de nós, assumindo um corpo físico, experimentando emoções, sofrimentos e limitações humanas, sem jamais perder sua divindade.

Outro aspecto relevante é a expressão “e habitou entre nós”. No original grego, a palavra usada para “habitou” (skenoo) significa literalmente “armar sua tenda” ou “tabernacular”. Essa linguagem remete ao Tabernáculo do Antigo Testamento, onde Deus habitava no meio do seu povo (Êx.25:8,9). Antes, a presença divina se manifestava em um santuário construído pelos israelitas; agora, em Jesus, Deus habita pessoalmente entre os homens.

Além disso, João enfatiza que nós contemplamos a sua glória (João 1:14), o que remete à Shekinah, a glória visível de Deus que enchia o Tabernáculo no deserto e, mais tarde, o Templo. Essa glória, agora, não é mais vista em uma nuvem ou coluna de fogo, mas na pessoa de Jesus Cristo, cheio de graça e verdade.

O apóstolo conclui essa revelação destacando que, enquanto Moisés deu a Lei, Jesus trouxe a graça e a verdade (João 1:17). A Lei revelava a justiça de Deus, mas Cristo revelou sua plenitude graciosa e salvadora. Em Jesus, Deus não está distante, mas acessível, visível e presente. Ele é a suprema revelação do Pai, e, por meio dele, podemos conhecer a Deus de maneira pessoal e íntima (João 1:18).

Portanto, a encarnação do Verbo não é apenas um evento histórico, mas o maior ato de amor e redenção da humanidade. Deus não apenas falou ao homem; Ele veio até nós, viveu entre nós e nos revelou plenamente sua glória e seu amor salvador.

CONCLUSÃO

A verdade de que o Verbo se tornou em carne. O Evangelho de João nos revela Jesus como o Logos eterno de Deus, que estava com o Pai desde o princípio e que, no tempo determinado, se fez homem para habitar entre nós. Ele não apenas veio ao mundo, mas manifestou a glória divina, trazendo a plenitude da graça e da verdade.

Vimos que João enfatiza tanto a divindade quanto a humanidade de Cristo, mostrando que Ele é o Criador, a Luz do mundo e o Redentor. Ao assumir a forma humana, Jesus revelou plenamente o caráter e o amor do Pai, oferecendo a todos a oportunidade de se tornarem filhos de Deus pela fé.

A encarnação do Verbo não é apenas um evento teológico, mas a maior demonstração do amor de Deus pela humanidade. Ele veio ao mundo para restaurar nossa comunhão com o Pai, iluminando aqueles que estavam em trevas e trazendo salvação e vida eterna.

Diante dessa revelação, nossa resposta deve ser de fé, adoração e compromisso com Cristo. Que possamos reconhecer a grandeza dessa verdade e permitir que a Luz do Verbo transforme nossas vidas, conduzindo-nos a um relacionamento mais profundo com Deus.

 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

COMO VENCER OS INIMIGOS

COMO VENCER OS INIMIGOS

Texto Bíblico: Neemias 4:8-20; 1João 4:4; 5:5

 “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm.8:37). 

Vencer os inimigos e as oposições da vida exige uma combinação de estratégia espiritual, vigilância e união. A história de Neemias e os ensinamentos do apóstolo João trazem lições profundas e práticas de como superar adversidades e adversários.

1. Vigilância e Oração (Neemias 4:8-9)

Quando Neemias começou a reconstruir os muros de Jerusalém, Sambalate, Tobias e seus aliados conspiraram para atacar a cidade e causar confusão. A primeira atitude de Neemias foi clara:

  • Não ignore a ameaça: Reconheça que a oposição existe, seja ela física, profissional ou espiritual.
  • Equilíbrio entre fé e ação: Os líderes não apenas oraram a Deus, mas também estabeleceram uma guarda dia e noite para se protegerem. A fé genuína não anula a prudência.

2. Fortalecer a Confiança em Deus (Neemias 4:14)

Diante do medo e do desânimo do povo, que dizia já não ter forças para continuar, Neemias os lembrou de quem estava no controle:

  • Foco no Senhor: Ele disse: "Não temais os seus rostos; lembrai-vos do Senhor, grande e terrível".
  • O tamanho do seu Deus deve ser sempre maior do que o tamanho do seu inimigo ou do problema que você enfrenta.

3. Trabalho em Equipe e Solidariedade (Neemias 4:15-18)

A estratégia de defesa de Neemias envolvia toda a comunidade:

  • Cada um no seu posto: Os construtores trabalhavam com uma mão na obra e a outra segurando a arma.
  • União na crise: Neemias posicionou o povo por famílias, com espadas, lanças e arcos, mostrando que a vitória coletiva depende do apoio mútuo e de que cada um faça a sua parte.

4. A Certeza da Vitória Espiritual (1 João 4:4 e 5:5)

O Novo Testamento nos dá a garantia fundamental de que a nossa batalha diária já tem um vencedor assegurado:

  • Maior é o que está em nós (1 Jo 4:4): "Filhinhos, sois de Deus e tendes vencido os vossos adversários, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo". A nossa força não vem de nós mesmos, mas da habitação do Espírito Santo.
  • A fé que vence o mundo (1 Jo 5:5): "Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?". A vitória sobre as pressões, tentações e oposições do mundo é fruto de uma fé perseverante em Cristo.

Resumo prático para vencer os inimigos:

  1. Ore constantemente e entregue a causa nas mãos de Deus.
  2. Seja prudente, vigiando e tomando atitudes sensatas diante dos problemas.
  3. Mantenha-se firme no propósito que Deus colocou em suas mãos, sem desanimar com as críticas ou ataques.
  4. Lembre-se da sua identidade: Você já está do lado do Vencedor.

Qual dessas áreas (oração, estratégia ou fortalecimento da fé) você sente que precisa aplicar mais na sua situação atual?

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos da oposição dos inimigos à obra realizada. Logo que a reconstrução dos muros de Jerusalém começou, a oposição se levantou. O capítulo 4 de Neemias é um resumo do que aconteceu durante os 52 dias de reconstrução. Sempre que o povo de Deus se levanta para fazer a Sua obra, isso incomoda o inimigo. Variados foram os métodos do inimigo para tentar paralisar a obra, mas Neemias resistiu a cada investida, porque ele confiava na vitória de Deus. Ainda hoje, sempre que a Igreja de Deus se levanta para fazer a obra de Deus, o inferno se agita, o mundo se levanta e há uma conspiração contra ela de todas as forças aliadas. A vida cristã é uma guerra contínua, é uma batalha sem trégua. É impossível realizar a Obra de Deus sem oposição.

I. QUAL A PROCEDÊNCIA DESSES ATAQUES?

A procedência era maligna. Satanás usou os seus fantoches dos quatro pontos cardeais do território de Israel para atacar o povo de Deus. Do Norte: Sambalate (governador de Samaria); do Leste, Tobias (da nobreza dos amonitas) e Gesém (o árabe – possível rei de Quedar, segundo descobertas arqueológicas); do Sul, os arábios, os amonitas e os asdoditas (Ne.4:7) se uniram a estes para se oporem ao povo de Deus. Houve uma orquestração maligna contra o povo de Deus. Como não bastasse, os judeus que moravam fora de Jerusalém trouxeram notícias de um ataque iminente. Neemias rapidamente colocou o povo por detrás do muro e entregou armas aos trabalhadores, encorajando-os com as palavras: “lembrai-vos do Senhor[...] e pelejai” (ler Ne.4:7-14).

1. A ira dos adversários

“E sucedeu que, ouvindo Sambalate que edificávamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito...” (Ne.4:1).

A restauração de Jerusalém provocou a ira dos adversários. Isso ocorreu desde o início. Quando Neemias teve permissão e recursos para voltar a Jerusalém, a oposição ficou profundamente perturbada (Ne.2:9,10); quando o povo declarou sua intenção de reconstruir os muros, a oposição zombou dele e o desprezou (Ne.2:18,19); quando o povo de fato começou a recons­truir os muros, a oposição “ardeu em ira, e se indignou muito, e escarneceu dos judeus” (Ne.4:1); quando o povo continuou a reconstruir os muros, a oposição ficou muito irada e conspirou atacá-lo e criar confusão (Ne.4:6-8); e, por fim, quando o povo concluiu a re­construção dos muros, a oposição fingiu aceitar, mas queria prejudicá-lo (Ne.6:1-9).

Sambalate, o líder opositor, mobilizou seu exército e procurou incitar o povo contra os judeus (Ne.4:2; ler Ne.4:7). Esses inimigos não queriam a restauração do povo de Deus. Enquanto Jerusalém estava debaixo de opróbrio, eles estavam calmos, mas bastou a disposição para a reforma, e eles se agitaram e se levantaram com grandes insultos.

Da mesma forma, hoje, os nossos inimigos não ficam sossegados quando alguém luta pela Igreja e se levanta para reconstruir a Casa de Deus. Onde o povo de Deus busca restauração, avivamento, ocorre a fúria do inimigo.

2. A falsa acusação

“O que ouvindo Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, e Gesém, o arábio, zombaram de nós, e desprezaram-nos, e disseram: Que é isso que fazeis? Quereis rebelar-vos contra o rei?” (Ne 2:19).

Sambalate e Tobias rotularam a reconstrução dos muros de Jerusalém como uma rebelião contra o rei Artaxerxes e não uma reforma, provavelmente ameaçando denunciar os construtores como traidores. Mas Neemias tinha uma resposta para eles que revelava não apenas a sua própria determinação de realizar o trabalho até à sua conclusão, porém mais significativamente a sua fé em Deus, que tinha o poder de ajudá-lo a executar o trabalho para o qual o próprio Senhor o havia chamado.

3. A resposta à insinuação caluniosa

A calúnia foi uma arma de ataque usada pelos inimigos. Neemias confiou em Deus, e recusou dar ouvidos às falsas acusações dos inimigos. Neemias, sempre prudente e sábio, respondeu-lhes:

“O Deus dos céus é o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos...” (Ne.2:20).

A confiança em Deus é o maior incentivo à obra. Isso sugere poderosa proteção: "O Deus dos céus..." (Ne.2:20). Isso sugere também providencial vitória: "[...] é quem nos fará prosperar [nos dará êxito –ARA]" (Ne.2:20). Quem confia em Deus não teme os adversários, não se rende diante de suas ameaças e falsas acusações.

Sem a ajuda de Deus, o nosso trabalho é vão - "Se o Senhor não edificar a cidade, em vão trabalham os que a edificam" (Sl.127:1). A Obra de Deus é feita não por força nem por violência, mas pelo Espírito de Deus (Zc.4:6). Jesus disse: "Sem mim, nada podeis fazer" (João 15:5). Paulo pergunta: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm.8:31). João foi contundente: "Maior é aquele que está em nós do que aquele que está no mundo” (1João 4:4).

A vitória vem de Deus, mas nós precisamos empunhar as ferramentas de trabalho e as armas de combate. É preciso se dispor e reedificar. A soberania de Deus não anula a responsabilidade humana. Neemias foi contundente diante da oposição: “... nos levantaremos e edificaremos...”.

Quando a reconstrução dos muros de Jerusalém terminou em cinquenta e dois dias, até mesmo os inimigos dos judeus tiveram de reconhecer que essa obra fora concluída com a ajuda de Deus (cf.Ne.6:15,16). Deus sempre cumpre a sua parte quando os fiéis cumprem a sua, com fé perseverante.

Aprendemos aqui que o verdadeiro líder não se deixa desencorajar por ataques pessoais injustos; o verdadeiro líder se preocupa com a causa em que está envolvido. O líder de Deus não se cansa enquanto não vê a obra das suas mãos concluída.

II. O INIMIGO PROCURA ATINGIR A NOSSA FÉ

Os inimigos usaram a ridicularização para tentar dissuadir o povo de realizar a obra de Deus. Usaram os meios mais diabólicos para causar desespero e desânimo no povo de Deus.

1. O Inimigo ataca com a arma do escárnio (Ne.4:1,3)

“Tendo Sambalate ouvido que edificávamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito, e escarneceu dos judeus” (Ne.4:1).

“Estava com ele Tobias, o amonita, e disse: Ainda que edifiquem, vindo uma raposa, derribará o seu muro de pedra” (Ne.4:3).

Esta é uma arma poderosa que os inimigos sempre usaram para destruir a obra de Deus e para desanimar o Seu povo, e os inimigos a usaram para enfraquecer o ânimo do povo de Deus. Quando os servos de Deus sofrem escárnio, são tentados a ficarem desanimados.

A obra de Deus sempre foi alvo de zombaria e escárnios. Constantemente, os féis de Deus enfrentam este tipo de agressão, pelo fato de, a cada dia, procurarem viver uma vida de retidão entre os que não conhecem a Deus. Mas, isto está escrito nas Escrituras que aconteceriam ao povo de Deus. Podemos lembrar aqui de alguns exemplos de escárnios e zombarias registradas nas Escrituras Sagradas:

a) Escarneceram do próprio Senhor Jesus. Jesus estava iniciando sua dolorosa caminhada rumo à cruz, e Satanás, usando pessoas, utilizou a zombaria para atacar o Senhor de maneira vil:

“E, despindo-o, o cobriram com uma capa de escarlate. E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, em sua mão direita, uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus! E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana e batiam-lhe com ela na cabeça. E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado” (Mt.27:28-31).

O Senhor era de fato Rei, porém seu reino não era terreno (João 18:36). Aproveitando a situação, o inimigo tentou humilhá-lo, através do escárnio e da violência! Contudo, o diabo não conseguiu afastá-lo de seu objetivo que foi a morte na cruz pelos nossos pecados. O "justo morreu pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1Pd.3:18).

b) Escarneceram da mensagem de Paulo. Certa feita, o apóstolo Paulo pregava no areópago, um centro de convenções na cidade de Atenas. Nesse lugar, havia altares para os mais diversos deuses. Ali, ele aproveitou o momento e, partir de um altar erigido ao "Deus desconhecido", mostrou-lhes o caminho da salvação. Porém, quando falou sobre a questão da ressurreição dos mortos, o clima de curiosidade foi transformado num clima de zombaria! O desprezo tomou conta dos presentes, que não queriam mais ouvi-lo:

“E, como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez” (At.17:32).

Como povo do Deus vivo, não podemos perder de vista o fato de que sempre houve e sempre haverá escarnecedores da obra de Deus. Tanto Pedro, como Judas nos alertam que esta artimanha diabólica tenderá a crescer nos últimos dias.

  • 2Pedro 3:3: “sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências”.
  • Judas 18: “os quais vos diziam que, no último tempo, haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências”.

Esses escarnecedores terão um estilo próprio e, escorados em suas tendências carnais pecaminosas, investirão contra os servos de Deus e sua obra. Isto faz parte da cruz que devemos aceitar quando seguimos a Jesus (Mt.10:38,39; 16:24,25). Os que são carnais procuram escapar do escândalo da cruz (Gl.5:11).

2. O Inimigo ataca com a arma do desprezo

“Que fazem estes fracos judeus?” (Ne.4.2).

Os inimigos tentaram diminuir a autoestima do povo de Deus, chamando-o de fraco. A força de um povo é constatada pelas suas atitudes que, na verdade, são reflexos da ação do seu líder, ou seja, a ação do líder determina a reação de um povo. Um líder fraco enfraquece a forte gente; um líder forte fortalece a fraca gente, e esta é uma realidade bíblica. Se Neemias tivesse demonstrado fraqueza naquele momento de escárnio e zombaria, o povo tinha recuado e a liderança de Neemias estaria arruinada.

Entre os pastores da Palestina contava-se uma história interessante e autodidática:

Certo pastor de ovelhas, no seu pastoreio diário, cumpria uma rotina de caminhada e, nesta caminhada, no início da tarde, chegava com suas ovelhas ao pasto que considerava ele ser o melhor, um extenso gramado a beira de um raso e calmo rio.

Certo dia, ao analisar minuciosamente o comportamento do rebanho, percebeu que, mesmo parecendo, ele não estava fazendo o melhor por suas ovelhas. Erguendo então os olhos, vislumbrou além do rio um pasto muito melhor e decidiu fazer as ovelhas atravessarem o rio a fim de alcançarem melhor pasto. Enfileirou-as e as instigava a atravessarem. Entretanto, a fila não andava, pois não havia ovelha que ousasse entrar nas correntes mansas e rasas do rio.

Então o pastor pensou e decidiu: “Vou colocar a mais robusta e saudável no início da fila. Assim, ao fazê-la atravessar, todas as outras a seguirão. Não adiantou, o rebanho não andou. Insistindo nisto várias vezes, sem êxito, se irritou e disse consigo mesmo: eu vou atravessar, e quem quiser o melhor me seguirá!”. As ovelhas o observaram atentamente.

O pastor empunhou o cajado com firmeza, olhou fixamente a outra margem e entrou nas rasas e mansas águas do rio e para sua surpresa, nenhuma das ovelhas deixou de atravessar. Até aquelas que ele julgava serem as mais fracas seguiram-no; e todas atravessaram e alcançaram o melhor pasto. Moral da história: se o líder quer que o povo faça, basta-lhe apenas dar o exemplo, agindo corretamente, pois a ação do líder determina a reação do povo.

Quando lemos o livro de Josué e sua trajetória de virtuosa liderança nos capítulos 3 e 4, na travessia do rio Jordão, nós compreendemos que as ações de Josué foram determinantes. Ele se levantou de madrugada, foi com os sacerdotes o primeiro a pisar nas águas transbordantes do Jordão. Parou no meio do rio e, enquanto o povo a pés enxutos atravessava, Josué ordenou que dali de perto das plantas dos pés dos sacerdotes se tirassem doze pedras para com elas erigir um monumento para memorial (ver Js.4:3).

Em toda a história de Josué você não o encontra se lamentando, se lastimando, desanimado, cabisbaixo ou coisa parecida. Desde Êxodo 17, nós o vemos lutando, e no final de sua carreira, o encontramos dizendo: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor!” (cf. Js.24:15).

3. O inimigo tenta atacar a comunhão do povo e o culto a Deus

“...Permitir-se-lhes-á isso? Sacrificarão?” (Ne.4:2).

Esta é uma tática corriqueira de Satanás. Quando ele vê que o povo de Deus está em comunhão, em consagração a Deus, fará de tudo para desfazer isso; por isso, o povo de Deus precisa estar sob alerta e discernente com relação aos ardis de Satanás.

4. O inimigo tenta desunir o povo de Deus

Percebendo Sambalate, o líder dos opositores, que o povo de Deus estava unido, indagou:

” acabá-lo-ão num só dia? Vivificarão dos montões do pó as pedras que foram queimadas?” (Ne.4:2).

A desunião e a divisão entre o povo de Deus são armas muito utilizadas por Satanás, talvez as mais usadas contra a Igreja do Senhor. Atualmente, o adversário de nossas almas tem conseguido causar grande prejuízo à obra de Deus porque tem criado, no meio do povo de Deus, o espírito de divisão, o ânimo da competição, gerando brigas, disputas e lutas entre quem deveria ser irmão. Este espírito faccioso tem origem diabólica (Tg.3:15,16), gerando tão somente perversão e animosidade. Fujamos, pois, de tal comportamento; busquemos estar debaixo da mão potente de Deus, em comunhão com Ele e com o Príncipe da Paz; enquanto depender de nós, devemos ter paz com todos os homens (Rm.2:13), o que significa termos, sempre, paz com os irmãos (1Ts.5:13).

5. O inimigo zomba do povo de Deus, ridicularizando o valor e a consistência do seu trabalho

“... Ainda que edifiquem, vindo uma raposa, derrubará facilmente o seu muro de pedra” (4:3).

O mundo continuamente despreza os padrões morais do cristão e zomba da sua dedicação a Cristo. O desprezo e a zombaria atacam nossas emoções e podem provocar reações das mais diversas - como ira, ódio, agressão etc. Porém, não podemos nos deixar levar por estes sentimentos, pois o desequilíbrio da Igreja é o que Satanás mais quer. Nossa confiança e nossa resposta devem ser as mesmas de Neemias: “o Deus dos céus nos ajudará e por fim vindicará os justos” (Ne.2:20).

Apesar de todos esses ardis dos inimigos do povo de Deus, Neemias não vacilou; em vez de trocar insultos, se revestiu da maior arma: a oração (Ne.4:4,5). A oração é a coisa mais prática que podemos fazer nos momentos que os inimigos escarnecem de nós, zombam de nós, criticam-nos. Todavia, ela não é um substituto da ação.

Neemias faz uma oração imprecatória por duas razões: Primeiro, porque os inimigos estavam provocando a própria ira de Deus. Segundo, porque os inimigos estavam desprezando o próprio povo de Deus. A oração nos capacita a dar vazão ao que sentimos e nos capacita a olhar o problema da perspectiva de Deus. Quando oramos, nossa ira e nossos ressentimentos se dissipam. Revestido desta arma, Neemias recobrou o ânimo para trabalhar (Ne.4:6) - “Assim, edificamos o muro, e todo o muro se cerrou até sua metade; porque o coração do povo se inclinava a trabalhar”.

Esse procedimento de Neemias nos traz duas belas lições:

·         Primeiro, quando formos escarnecidos por causa de nossa fé ou criticados por fazermos o que sabemos ser correto, recusemo-nos a responder da mesma maneira ou a tornarmo-nos desencorajados; digamos a Deus como nos sentimos e lembremo-nos de que a promessa dEle está conosco; isto nos dará encorajamento e força para continuarmos.

·         Segundo, não fomos chamados para contar os inimigos nem os temer; fomos chamados para fazer a obra de Deus apesar da oposição. Concentremo-nos, pois, em Deus e na sua obra, e não teremos tempo para sermos distraídos pelas críticas do inimigo.

6. O Inimigo usa como arma as ameaças

“Mas, ouvindo Sambalate e Tobias, os arábios, os amonitas e os asdoditas que a reparação dos muros de Jerusalém ia avante e que já se começavam a fechar-lhe as brechas, ficaram sobremodo irados. Ajuntaram-se todos de comum acordo para virem atacar Jerusalém e suscitar confusão ali (Ne.4:7,8).

Os inimigos dos judeus ameaçaram guerrear contra eles, a fim de espalharem medo e pânico entre o povo de Deus. Porém, Neemias disse: “Oramos ao nosso Deus e pusemos guarda contra eles!” (Ne.4:9). Os judeus não atacaram os samaritanos, mas defenderam a sua área de trabalho (Ne.4:13-20).

Ao perceberem que as sutilezas utilizadas não surtiram quaisquer efeitos sobre Neemias e seus comandados, os inimigos ficaram tremendamente irados - "...iraram-se sobremodo..." (Ne.4:7). Então, formaram uma grande coligação e ensaiaram uma guerra contra o povo de Deus – "...coligaram-se todos, para virem guerrear contra Jerusalém e fazer confusão ali" (Ne.4:8).

A confusão é tão perigosa quanto a violência do inimigo. A confusão visava a distrair o povo e tirar os seus olhos do foco. Eles queriam não apenas causar confusão, mas matar os judeus (Ne.4:11), obtendo, assim, o seu verdadeiro objetivo: paralisar a obra (Ne.4:11).

Esta é uma tática diabólica que assusta, mete medo! Muitos desistem dos planos de restauração, quando a resistência atinge este nível ameaçador. Porém, olhando para o texto bíblico, podemos perceber como Neemias orientou seu povo a não se intimidar com as ameaças, mas preparou-se para um possível ataque. Ele usou duas armas infalíveis contra Satanás: a oração e a vigilância – “Porém nós oramos ao nosso Deus e pusemos uma guarda contra eles, de dia e de noite, por causa deles” (Ne.4:9).

7. Os inimigos se orquestraram para paralisar a Obra de Deus (Ne.4:10-12)

10.Então, disse Judá: Já desfaleceram as forças dos carregadores, e os escombros são muitos; de maneira que não podemos edificar o muro.

11.Disseram, porém, os nossos inimigos: Nada saberão disto, nem verão, até que entremos no meio deles e os matemos; assim, faremos cessar a obra.

12. Quando os judeus que habitavam na vizinhança deles, dez vezes, nos disseram: De todos os lugares onde moram, subirão contra nós,

Os nossos inimigos estão sempre procurando uma brecha para nos atingir e assim paralisar a obra de Deus. Eles usaram três expedientes para impedir o avanço da obra de Deus:

a) Em primeiro lugar, os inimigos tentaram paralisar a obra provocando desânimo interno (Ne.4:10). Os problemas internos são mais perigosos do que os problemas externos. Os carregadores estavam sem forças, os escombros eram muitos e a conclusão óbvia era: "não podemos edificar o muro". Eles sentiram que não tinham capacidade para concluir a obra. Muitas vezes, o nosso maior problema somos nós mesmos. O maior obstáculo da obra são os obreiros, dizia Dwight Moody. Um povo desanimado sempre olha para as circunstâncias em vez de olhar para o Senhor; escuta mais a voz do inimigo do que a voz de Deus.

b) Os inimigos tentaram paralisar a obra espalhando boatos... (Ne.4:12). Aqueles que moravam fora de Jerusalém, próximos desses inimigos, traziam comentários assustadores e os espalhavam no meio do povo. Eles diziam:

"De todos os lugares onde moram, subirão contra nós. Estamos completamente cercados, não temos a mínima chance".

O boato visa destruir o espírito de coragem e cooperação. Boatos são setas do inimigo. Onde prospera a boataria, os obreiros de Deus ficam alarmados e a obra de Deus é paralisada. Os boatos sempre superdimensionam os problemas. Parecia uma invasão avassaladora, irresistível. O povo estava guardando os muros, mas não estava guardando seus ouvidos do que os inimigos diziam. Neemias enfrentou esse problema do desânimo de três formas diferentes:

1·    Advertiu o povo: "Não os temais".

2·    Animou o povo: "Lembrai-vos do Senhor".

3·    Motivou o povo: "Pelejai pelas vossas famílias”.

“E olhei, e levantei-me, e disse aos nobres, e aos magistrados, e ao resto do povo: Não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e terrível, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas mulheres e vossas casas” (Ne.4:14).

c) Os inimigos tentaram paralisar a obra destruindo o povo de Deus (Ne.4:11). A Bíblia diz que a nossa luta não é contra carne e sangue. O nosso inimigo é ladrão e assassino. Ele veio roubar, matar e destruir. Ele tem arruinado muitas vidas, destruído muitos lares, debilitado muitas igrejas, paralisado em muitos lugares a obra de Deus. O povo de Deus precisa ter sabedoria e discernimento nestes momentos de perseguição do inimigo, e tomar posse das armas adequadas de ataque e defesa contra as potestades do mal. É o que Paulo recomenda em Efésios 6:11-18).

III. QUAIS SÃO AS ARMAS DE COMBATE ÀS AMEAÇAS E SUTILEZA DO INIMIGO?

Neemias nos ensina cinco princípios (Adaptado do Livro Neemias, de Hernandes Dais Lopes):

1. Cada um deve defender sua própria família (Ne.4:13,14b)

13.então, pus o povo, por famílias, nos lugares baixos e abertos, por detrás do muro, com as suas espadas, e as suas lanças, e os seus arcos;

14.inspecionei, dispus-me e disse aos nobres, aos magistrados e ao resto do povo: não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e temível, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa casa.

Um líder precisa saber como repreender, encorajar e motivar os outros. Não podemos ter uma Igreja forte se não protegermos nossa própria família das investidas do inimigo. Neemias era sábio o suficiente para saber que cada um devia defender prioritariamente sua própria família. Neemias exorta: "[...] pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa casa".

2. Precisamos empunhar as armas de defesa e combate (Ne.4:13)

Não podemos enfrentar os inimigos sem usarmos nossas armas de defesa e combate. Cada obreiro é um soldado. Estamos em guerra. Nessa batalha espiritual enfrentamos inimigos invisíveis e tenebrosos. Nessa batalha não há trégua nem pausa. Nossos adversários não descansam, não tiram férias nem dormem. Eles vivem nos espreitando e buscando uma oportunidade para nos atacar. Precisamos vigiar e empunhar as armas.

As principais armas que Neemias utilizou para enfrentar a pressão e o ataque dos inimigos foram: a Oração e a vigilância:

 “Porém nós oramos ao nosso Deus e pusemos uma guarda contra eles, de dia e de noite, por causa deles” (Ne.4:9).

O apóstolo Paulo, também, exorta a Igreja a tomar posse destas armas: “orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef.6:18).

a) A oração – “Porém nós oramos ao nosso Deus...”. Neemias era um homem prático, um administrador por excelência. Ele tinha a capacidade de fazer as perguntas certas, de contatar as pessoas certas, de mobilizar essas pessoas, levantar seu ânimo e desafiá-las para uma grande obra. Mas, Neemias sabia que o sucesso da obra de Deus dependia também e, sobretudo, de oração. Esse grande líder sabia que fé (oração) e obra (puseram guarda) andam juntas. A oração não é um substituto da ação. Não podemos enfrentar os inimigos sem o socorro de Deus, sem a ajuda do céu.

b) Vigilância – “...pusemos uma guarda contra eles, de dia e de noite, por causa deles”. Neemias era um sujeito prático. Ele não era uma dessas pessoas de quem algumas vezes dizemos que são tão religiosas que não têm qualquer utilidade terrena. Ele mantinha os seus pés no chão. Ele sabia como organizar e atuar. Mas ele decidiu que, enquanto orava e trabalhava, deveria haver uma sentinela que vigiasse dia e noite, e que cada seção do muro deveria ser guardada pela vigília de um homem atento ao inesperado ataque do inimigo. Portanto, não basta orar, é preciso vigiar. É preciso manter os olhos abertos. É preciso existir estreita conexão entre o céu e a terra, confiança e boa organização, fé e obras. É preciso estar atento aos ardis, laços e ciladas do inimigo. Muitos caem porque deixam de vigiar.

3. Precisamos ter uma liderança firme e exemplar (Ne.4:14)

Neemias não abandonou o povo na hora da pressão. Ele inspecionou a obra. Ele tomou a frente. Ele desafiou os líderes. Ele deu exemplo.

A liderança ocupa uma posição de absoluta importância na hora do combate. Uma liderança fraca, medrosa, vacilante e sem vida não transmite segurança para o povo na hora da crise. Só líderes fortes e incorruptos podem conduzir o povo a grandes vitórias.

4. Precisamos colocar os olhos em Deus e não no inimigo (Ne.4:14)

O ponto básico do desafio de Neemias é: "Lembrai-vos do Senhor". Observe o que Deus já fez. Olhe para a sua fidelidade no passado. Veja os livramentos que Ele já deu ao Seu povo. Não será diferente agora.

Temos de ter muito cuidado com a festa da vitória. Nunca somos tão vulneráveis quanto depois de uma grande vitória. A tendência depois de uma consagradora vitória é ensarilhar as armas. Elias, depois de retumbante vitória no Monte Carmelo sobre os profetas de Baal, tirou os olhos de Deus e fugiu amedrontado diante das ameaças insolentes de Jezabel. O segredo da vitória contínua é mantermos continuamente nossos olhos em Deus em vez de colocá-los nas circunstâncias ou nas pessoas.

5. Precisamos redirecionar o foco do nosso temor (Ne.4:14)

“...lembrai-vos do Senhor, grande e temível”.

Em vez de temer o inimigo, devemos nos voltar para o nosso Senhor, grande e temível. Quem teme a Deus, não teme aos homens. Quando colocamos os nossos olhos em Deus, Ele frustra os desígnios do nosso inimigo. Muitos líderes naufragam porque em vez de temer a Deus, temem os homens; em vez de agradar a Deus, tentam agradar os homens; em vez de servir a Deus, tentam bajular os homens.

CONCLUSÃO

Em cada época existem aqueles que odeiam o povo de Deus e tentam impedir a realização dos seus propósitos. Mas, Deus é mais forte do que todos os seus adversários. Se confiarmos nele, teremos bom êxito no trabalho. Neemias sabia que o Senhor o havia enviado para Jerusalém, e que pelejava por eles. Esta certeza, acompanhada do compromisso com a oração foram importantes para que o servo do Senhor alcançasse êxito na sua missão.

“Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia” (1João 3:13).

 

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