segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

TER PACIÊNCIA

 

TER PACIÊNCIA


Texto Bíblico: Tiago 5:7-11

“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação [...]" (Rm.12:12).

A Bíblia aborda a paciência não apenas como uma "espera passiva", mas como uma virtude ativa e uma demonstração de força espiritual. No grego do Novo Testamento, a paciência é frequentemente traduzida de duas formas: makrothumia (paciência com as pessoas) e hupomone (perseverança sob circunstâncias difíceis).

Aqui estão os pilares do que as Escrituras ensinam sobre o tema:

1. A Origem da Paciência

Para a Bíblia, a paciência não é algo que fabricamos sozinhos, mas um reflexo do caráter de Deus e uma evidência de maturidade espiritual.

  • Fruto do Espírito: Em Gálatas 5:22, a paciência é listada como parte do "Fruto do Espírito". Isso significa que ela cresce naturalmente à medida que a pessoa se aproxima de Deus.
  • O Exemplo de Deus: Deus é descrito como "longânimo" (lento para se irar). A paciência humana é vista como uma imitação dessa misericórdia divina.

2. Paciência nas Tribulações

A Bíblia reconhece que a vida é difícil, mas sugere que o sofrimento tem um propósito educativo.

  • Tiago 1:2-4: Este trecho afirma que a "prova da vossa fé produz paciência" e que essa paciência deve completar sua obra para que o indivíduo seja "perfeito e íntegro".
  • Romanos 5:3-4: Paulo escreve que nos gloriamos nas tribulações, porque a tribulação gera paciência, a paciência gera experiência e a experiência gera esperança.

3. Paciência nos Relacionamentos

Ter paciência com os outros é visto como um ato de amor e humildade.

  • Efésios 4:2: Recomenda suportar uns aos outros em amor, com toda humildade e mansidão.
  • 1 Coríntios 13:4: A famosa definição de amor começa com: "O amor é paciente".

4. Exemplos Práticos e Metáforas

A Bíblia utiliza figuras do cotidiano para ilustrar a espera confiante:

Exemplo

Lição

O Lavrador

Assim como o agricultor espera a chuva e a colheita, devemos esperar o tempo de Deus (Tiago 5:7).

Citado como o maior exemplo de perseverança diante de perdas catastróficas.

Abraão

Esperou décadas pelo cumprimento de uma promessa, sendo fortalecido na fé.

Resumo em uma frase:

"A paciência bíblica é a confiança de que Deus está no controle, mesmo quando o relógio ou as pessoas parecem estar contra você."

1. Para manter a calma nas adversidades

Salmo 40:1 "Esperei com paciência pelo Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor."

  • Reflexão: A paciência aqui não é um silêncio vazio, mas uma espera com expectativa. Este verso nos lembra que Deus não ignora o tempo de espera; Ele está "se inclinando" para ouvir, mesmo quando parece que nada está acontecendo.

2. Para lidar com as tensões do dia a dia

Provérbios 15:18O homem iracundo suscita contendas, mas o longânimo aplaca a luta."

  • Reflexão: A paciência é apresentada como um "poder de paz". Em um momento de estresse ou discussão, a pessoa paciente tem a habilidade de desarmar conflitos em vez de alimentá-los. Ser paciente é, muitas vezes, uma escolha estratégica pela paz.

3. Para quando os resultados demoram a aparecer

Gálatas 6:9 "E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos."

  • Reflexão: Às vezes a paciência se desgasta porque não vemos o retorno do nosso esforço. Este versículo funciona como uma promessa: existe um "tempo próprio" para a colheita. A paciência aqui é sinônimo de persistência.

INTRODUÇÃO

Neste estudo a respeito da Paciência ou Longanimidade, como Fruto do Espírito, e as Dissensões, como obra da carne. Poucas pessoas podem fazer suas as palavras do Salmista Davi: “Esperei com paciência no Senhor...” (Salmos 40:1). O mundo vive, hoje, numa ansiedade neurótica. As pessoas, a cada dia, estão mais ansiosas, o que contribui para o aumento das dissensões. Basta ler ou assistir os noticiários para vermos casos de brigas e confusões por coisas frívolas. Muitos desses casos acabam em tragédia e famílias destruídas. Mas o crente fiel precisa fazer a diferença: mostrar amor, tolerância, dar provas de paciência, pois “... o Fruto do Espírito é... Paciência...”, ou Longanimidade.

I. PACIÊNCIA: ATO DE RESISTÊNCIA À ANSIEDADE

 1. A Paciência como Fruto do Espírito. O termo Paciência no grego é “makrothümia” (em que "makros" é "grande", "longo" e "thumos" quer dizer "paixão", "sentimento") e significa Longanimidade - Mas o fruto do Espírito é....Longanimidade...” (Gl.5:22). Longanimidade, aqui, significa ser equilibrado em vez de ter pavio curto, ser demorado em irritar-se, ter boa vontade para com quem fere, sofrer por um longo tempo. No latim, longânimo é ânimo longo.

Conforme as Escrituras Sagradas, ser longânimo é não retaliar, é não vingar a ofensa; é amar os inimigos, que são todos aqueles que nos fazem mal (Mt.5:43-45); é andar a segunda milha (Mt.5:41).

 

No Antigo Testamento, Longanimidade é geralmente atribuída a Deus, por sua capacidade de reter sua indignação diante da provocação humana - “Misericordioso e piedoso é o Senhor, longânimo e grande em benignidade” (Salmo 103:8). Nosso pecado provoca a ira de Deus, mas Ele não a descarrega sobre nós, bem diferente daqueles discípulos de Jesus referidos em Lucas 9:51-56. Diante da falta de hospitalidade por parte dos samaritanos os apóstolos Tiago e João perguntaram: “Senhor, quer que mandemos descer fogo do céu para os consumir?”. A resposta de Jesus foi rápida e incisiva: “Vocês não sabem de que espírito são vocês, pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las”.

 A Longanimidade de Deus nos salva. Se não fosse, há muito tempo, o homem e a Terra não mais existiriam. É o Espírito Santo que, na formação de Seu Fruto, em nós, nos transmite esta virtude de Deus. Isto faz a diferença entre o homem de Deus e o ímpio – “O longânimo é grande em entendimento, mas o de animo precipitado exalta a loucura(Pv.14:29).

Portanto, para ser discípulo de Jesus, para ser um crente frutífero, é necessário ter Longanimidade – Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de [...] longanimidade” (Cls.3:12). Você é um discípulo de Jesus?

 2. A Paciência e a Ansiedade. Você sabe o que significa a palavra Ansiedade na língua grega? Significa estrangulamento, apertar o pescoço, tirar o oxigênio, sufocar. É uma perturbação interior causada pela incerteza, pelo medo. Ela gera angústia e sofrimento, porém Deus não quer que seus filhos vivam com o coração perturbado, ansioso (João 14:1).

A Ansiedade é a maior doença do século. De acordo com a organização mundial de saúde, mais de 50% das doenças são psicossomáticas. A maioria das pessoas que passam pelos hospitais é vítima da ansiedade. Hoje, o remédio mais receitado é o Rivotril, um ansiolítico (ou, popularmente, um calmante); é prescrito por psiquiatras a pacientes em crise de ansiedade. Vivemos hoje o império dos medicamentos ansiolíticos.  As pessoas dormem um sono artificial. As pessoas estão buscando uma "paz química".

A Ansiedade atinge homens e mulheres, jovens e velhos, doutores e analfabetos, religiosos e ateus; as pessoas andam com os nervos à flor da pele; são como um vulcão prestes a entrar em erupção; são como um barril de pólvora pronto para explodir. Este aspecto assustador por que passa o homem e a mulher é uma prova contundente da ausência da presença de Deus em suas vidas.

A Ansiedade tem afastado muitas pessoas de Deus; ela é o útero onde é gestada a incredulidade. Onde começa a ansiedade termina a fé. A ansiedade nos leva a perder o testemunho cristão.  

Muitos cristãos vivem sofrendo por antecipação, pois se esquecem do que Jesus nos ordenou: "[...] Não andeis ansiosos quanto à vossa vida [...]" (Mt.6:25). O Eterno, o Guardador da nossa vida, é tão preocupado conosco que realmente não precisamos estar ansiosos por nada. É uma honra para Ele assumir todas as nossas preocupações. Por isso, Pedro diz: "lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós" (1Pd.5:7). Certamente, uma coisa não funciona sem a outra. Somente quando lançamos todas as nossas ansiedades sobre Jesus, Ele cuida de nós. Mas se arrastamos as nossas ansiedades junto conosco, então nós mesmos criamos muita aflição, muito sofrimento e muita inquietação. Além disso, toda preocupação não adianta nada, pois o próprio Senhor Jesus diz"Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida... vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas" (Mt.6:27,32b).

Você crê que o Senhor Jesus ouve as orações? Você crê que Deus cuida de nós? Você crê que Deus zela pelos nossos interesses? Você crê que Deus consegue resolver as nossas maiores dificuldades? Você crê que nada em nossa vida passa despercebido para o Senhor Jesus? Você crê que Deus é o Todo-Poderoso? Você crê que Deus nos dirige e faz com que tudo contribua para o nosso bem? Se você pode responder a todas estas perguntas afirmativamente, então por que ainda se preocupa? Muitos sabem decorado o Salmo 23: “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará…”; mas, mesmo assim, ainda não aprenderam a entregar as suas preocupações totalmente ao Senhor. Quando surgem novos problemas, voltam a se preocuparem e ficam ansiosos, exatamente como fez Israel no deserto. Assim vemos que a ordem "não andeis ansiosos" é de fato uma das tarefas mais difíceis para o verdadeiro cristão.

Nós devemos decidir quem deve carregar os fardos da nossa vida: Deus ou nós. É preferível que entreguemos a Deus. É claro que não se preocupar mais com os problemas não quer dizer que eles são retirados de nós instantaneamente, mas, sim, que é levado o peso que esses fardos representam em nossas vidas. Os problemas nem sempre são solucionados imediatamente, mas somos libertos da pressão deles. Então podemos experimentar o que diz o Salmo 68:19"Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação". Portanto, não devemos andar ansiosos por nada desta vida, pois o Pai Celeste está atento a todas as nossas necessidades (Ler Mt.6:25-33).

Os sofrimentos ao longo de nossa jornada não são para nos destruir, mas servem para nós lapidar, para nos tornar mais pacientes e perseverantes (Hb.12:7-11). Precisamos aprender a esperar com paciência e tranquilidade em Deus, tendo a certeza de que todas as coisas cooperam para o nosso bem (Rm.8:28). Creia nisso!

 


3. Jó, exemplo de Paciência em meio à dor. Paciência é a capacidade de resistir as aflições, com resignação. Jó é um exemplo de crente paciente, de fé e persistente diante das tribulações. Foi pela capacidade de resistir às aflições, com resignação, que Jó se tornou um símbolo da paciência – “Eis que temos por bem-aventurado os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso” (Tg.5:11).

 Jó era um homem piedoso, justo, próspero, bom pai, sacerdote da família, preocupado com a glória de Deus. O próprio Deus dá testemunho a seu respeito. Deus o constitui Seu advogado na terra. Satanás prova Jó com a permissão de Deus. Jó perdeu todos os seus bens, perdeu todos os seus filhos e perdeu também a sua saúde (Jó 1:22; 2:10). Jó perdeu o apoio da sua mulher. Jó perdeu o apoio dos seus amigos. Jó faz 16 vezes a pergunta: “por quê?”. Jó expressa sua queixa 34 vezes. Mas, no auge da sua dor, ele disse para Deus: "Ainda que Deus me mate, nele esperarei..." (Jó 13:15).

 Deus restaura a sorte de Jó, dando-lhe o dobro dos bens. Jó esperou pacientemente no Senhor e Deus o honrou. Ele não explicou nada para Jó, mas apesar de Jó não conhecer os porquês de Deus, ele pôde conhecer o caráter de Deus (Jó 42:5). A maior bênção que Jó recebeu não foi saúde e riqueza, mas um conhecimento mais profundo de Deus. Jó passou a conhecer o Senhor de uma forma nova e mais profunda.

O propósito de Satanás era fazer de Jó um homem impaciente com Deus, isto porque um homem impaciente com Deus é uma arma nas mãos do maligno. Mas o propósito de Deus em permitir Jó sofrer foi fortalecê-lo e fazer dele uma bênção maior para o mundo inteiro.

Como Jó, devemos esperar para que o Senhor complete seu amoroso propósito em nós, mesmo em meio ao sofrimento. Não perca a sua paciência! Em tudo dê graças, pois neste mundo tudo é passageiro, até mesmo as aflições (1Ts.5:18).

II. DISSENSÕES, RESULTADO DA IMPACIÊNCIA

Só lembrando, Dissensão significa sedição, rebelião, e também posicionar-se uns contra os outros. Trata-se daquele sentimento que só pensa no que é seu, e não também no que é dos outros.

 1. Exemplos bíblicos de impaciência. A impaciência é um dos males que atormenta a humanidade, a causa de muitas doenças psíquicas, e até somáticas. Nos dias em que vivemos, em que a imediatidade e a pressa são a regra, falar em paciência soa estranho e se apresenta como um desafio. Ninguém quer esperar, mas em qualquer lugar aonde se vá, impõe-se a necessidade de esperar. Para saber esperar é preciso ter paciência: paciência para esperar o transporte coletivo; paciência para esperar nos congestionamentos do trânsito; paciência nos bancos, nos supermercados; paciência para pagar e receber; paciência para ser atendido nos consultórios e nos hospitais públicos, até mesmo particulares; paciência para registrar uma queixa, ou elaborar um Boletim de Ocorrência; paciência de Jó, se precisar bater às portas do Poder Judiciário; paciência para com tudo e para com todos. Em consequência, os homens sem Deus vivem no limite de poder suportar as tensões motivadas pelo ritmo da vida moderna. Todos estão prestes a explodir. Mas o crente fiel precisa dar provas de paciência, pois “... o fruto do Espírito é... paciência...”, ou longanimidade.

Na Bíblia encontramos exemplos de pessoas que foram extremamente pacientes e impacientes:

- No teste final de Pedro, Jesus fez questão de ressaltar ao apóstolo, que até então fora um depósito de impaciência e precipitação, que ele deveria apascentar suas ovelhas (João 21:15-17). Vemos, portanto, que a própria ideia de apascentar o rebanho de Deus está relacionada com a indispensável longanimidade que deve acompanhar o ministério pastoral. Nas chamadas epístolas pastorais de Paulo (1 e 2Timóteo e Tito), vemos quanto está qualidade é importante para o exercício do dom ministerial de pastor. Paulo, em 1Timóteo, na saudação inicial, lembra a incumbência que havia dado a Timóteo quando determinou que ele ficasse em Éfeso; ele aconselhava a Timóteo que também fosse paciente, procurando antes ser um intercessor, alguém que escolhesse homens igualmente ponderados para o ministério, bem como persistente no ensino da Palavra e perseverante na doutrina, bem como cuidadoso no trato com os irmãos. Vemos, portanto, que a paciência é uma qualidade extremamente necessária para os ministros do Evangelho e que deve sobressair dentre as demais.

- Sarai, esposa de Abrão, é outro exemplo de impaciência registrada na Bíblia. Devido à sua esterilidade e idade avançada, ela é tomada pela impaciência e decide agir por conta própria, oferecendo sua serva Agar a Abraão para que ele tivesse um filho com ela (Gn.16:1-4). Esperar com paciência até que as promessas de Deus se cumpram não é fácil. Por isso, precisamos estar cheios do Espírito Santo a fim de que não venhamos a tomar decisões por nossa conta (Ef.5:18).

- Saul, primeiro rei de Israel, é outro exemplo de impaciência. O Senhor havia ordenado que Ele ficasse em Gilgal até a chegada de Samuel (1Sm.13:1-9). Saul esperou durante sete dias, mas depois perdeu a paciência e ofereceu ele mesmo os holocaustos. Essa era uma tarefa exclusiva dos sacerdotes (cf. Hb.9:7). O texto bíblico afirma que, acabando ele de oferecer sacrifício, Samuel chegou (1Sm.13:10). A impaciência de Saul e a sua desobediência o levaram a perder o trono e a alma (1Sm.13:11-14).

2. Deixe de lado toda Dissensão. Dissenção significa “desunião, divisão, sedição”. É a ação de dividir, de desunir, algo que é sinal da ausência do Espírito Santo na vida da pessoa (cf. Jd.19). Segundo o apóstolo Paulo, “Dissensão” é uma manifestação da Carne (Gl.5:20). Se em uma igreja há brigas e divisões, isso mostra que os crentes são carnais (cf. 1Co.3:3). Quem é guiado pelo Espírito Santo não incentiva e nem faz parte de discussões, contendas e nem de divisões.

O homem carnal vive separado de Deus por causa do pecado e, portanto, a sua natureza é própria da divisão, da separação, do desconhecimento do que é unir. Todos quantos estão a fomentar a desunião entre os irmãos, que estão a promover dissensões, separações e divisões são pessoas diretamente envolvidas com a carne, pessoas dominadas pelo pecado e que, portanto, jamais podem ter lugar em nossas vidas ou em nossas igrejas locais.

Não nos esqueçamos de que o semear contendas entre os irmãos é algo abominável diante de Deus (Pv.6:16-19). Deus opera na união (Sl.133). Quantos ministérios já foram despedaçados e as ovelhas dispersadas por causa de contendas. Paulo, em Romanos 16:17, exorta os crentes a ficarem atentos àqueles que estavam promovendo dissensões e escândalos a fim de se apartarem deles. Onde há dissensões não existe vencedor, pois todos saem perdendo. Exorta o apóstolo Paulo: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer” (1Co.1:10). Dissensões é resultado da impaciência, é resultado da ausência de maturidade espiritual.

3. Evitando o partidarismo. O partidarismo na igreja traz severos prejuízos à espiritualidade e ao desenvolvimento da obra de Deus. Contudo, o maior prejuízo está ligado aos relacionamentos entre os irmãos em Cristo. Paulo foi severo e contundente no combate a espírito divisionista que imperava na igreja de Corinto, que a despeito de sua pretensa espiritualidade, ficou na história como um alerta às igrejas cristãs de todo o mundo, registrado na carta que Paulo lhes escreveu. Ele comparou a igreja a um corpo - “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo”(1Co.12:12); “E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós” (1Co.12:21); “Para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros”(1Co.12:25); “Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros” (1Co.12:27).

Nada debilita mais a unidade do que os crentes estarem engajados no serviço de Deus sem unidade. A obra de Deus não pode avançar quando cada um puxa para um lado, quando cada uma busca mais seus interesses do que a glória de Cristo. O sentimento partidarista promove rupturas relacionais motivadas por inimizades.

Como é possível estarem duas pessoas ligadas ao mesmo Deus e inimigas? O profeta Amós escreveu: “Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?” (Am.3:3).

Como é possível duas pessoas afirmarem viver no amor de Deus e se odiarem? O apóstolo João orienta: “Se alguém disser: amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1João 4:20).

Como é possível duas pessoas louvar a Deus, cantar ao seu Santo nome, se estão em desacordo? O Senhor Jesus afirmou: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mt.5:23,24).

A igreja precisa resgatar a sua identidade de comunidade unida, de um grupo de pessoas que irmanadas na cruz de Cristo, trabalham, se motivam mutuamente e se doam ao próximo. Jesus não morreu na cruz por uma igreja dividida, mas para formar um só corpo a fim de que os perdidos possam se voltar para o Pai (João 17:21). Que venhamos a fazer todo o possível para manter o vínculo da paz, e não deixar que as disputas e partidarismos venham macular a Igreja do Senhor. Jesus disse que todo reino dividido não subsistirá, por isso, tenhamos cuidado (Mt.12:25).

 

III. PACIÊNCIA, PROVA DE ESPIRITUALIDADE E MATURIDADE CRISTÃ

 

1. Pacientes até a volta de Jesus. Devemos ser pacientes até Jesus voltar. Tiago consolou os irmãos que estavam sofrendo com a opressão dos ricos injustos, afirmando que a vinda de Jesus estava próxima (Tg.5:8); está às portas (Tg.5:9). Enquanto Jesus não volta não esperamos vida fácil neste mundo (João 16:33); Paulo nos lembra que é em meio a muita tribulação (At.14:22).

Se você está sofrendo e enfrentando alguma situação de injustiça, não se desespere, pois em breve Jesus voltará e dará fim a toda a dor, sofrimento e injustiça - “Sede, pois, irmãos, pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração, porque já a vinda do Senhor está próxima(Tg.5:7,8).

Mas, como podemos experimentar esse tipo de paciência até Jesus voltar? Tiago dá três exemplos de paciência para encorajar os crentes:

a) A paciência do lavrador (Tg.5:7,8). O lavrador ilustra a necessidade de paciência, pois não colhe no mesmo dia em que planta. Antes, vêm as primeiras chuvas que fazem a semente germinar; depois, no final da estação, vêm as últimas chuvas, necessárias para a plantação produzir os frutos. Por que o agricultor espera? Porque o fruto é precioso (Tg.5:7).

Se uma pessoa é impaciente, ela nunca deve ser um agricultor. Em Israel o agricultor dependia totalmente das primeiras chuvas que vinham em outubro (para o plantio), e das últimas chuvas que vinham em março (para a colheita). O tempo está fora do seu controle. Ele tem que confiar e esperar. É Deus quem faz a semente brotar, germinar, crescer e frutificar. Ele não pode fazer nada nesse processo (Mc.4:26-29). Uma vez que as injustiças da Terra serão corrigidas quando o Senhor voltar, o povo de Deus deve ser paciente como o lavrador. Seu coração deve estar firmado na certeza da vida do Senhor.

b) A paciência dos profetas – “Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor” (Tg.5:10). Os profetas foram homens que andaram com Deus, ouviram a voz de Deus, falaram em nome de Deus, mas passaram também por grandes aflições. Eles trilharam o caminho estreito das provas e foram pacientes. Os profetas foram perseguidos sem piedade por terem proclamado a Palavra de Deus fielmente. Ainda assim, permaneceram firmes “como quem vê aquele que é invisível” (Hb.11:27,32-40).

Admiramos profetas como Isaias, Jeremias e Daniel com grande respeito. Honramos esses homens por sua vida e zelo e devoção. Devemos nos lembrar, porém, de que passaram por grandes tribulações e sofrimentos e os suportaram com paciência.

 Privilégio e sofrimento, sofrimento e ministério caminharam lado a lado na vida dos profetas. Isaías não foi ouvido pelo seu povo; ele foi serrado ao meio. Jeremias foi preso, jogado num poço e maltratado por pregar a verdade; ele viu o cerco de Jerusalém e chorou ao ver o seu povo sendo destruído. Daniel foi banido da sua terra e sofreu pressões quando jovem; sofreu ameaça e perseguição por causa da sua fidelidade a Deus, a ponto de ser jogado na cova dos leões. Ezequiel também foi duramente perseguido. Estêvão denunciou o sinédrio da seguinte forma: "A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que dantes anunciaram a vinda do justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e homicidas" (At.7:52).

Quando você estiver enfrentando sofrimento, não coloque em dúvida o amor de Deus, pois pessoas que andaram com Deus como você, também passaram pelas aflições. Seja paciente!

c) A paciência de Jó – “Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso(Tg.5:11). Jó é um excelente exemplo de paciência ou firmeza. Talvez ninguém na história do mundo tenha sofrido tantas perdas em tão pouco tempo quanto Jó. Em momento algum, porém, amaldiçoou a Deus ou se afastou dele. No final, sua perseverança foi recompensada. Deus se revelou a ele cheio de terna misericórdia e compassivo, como sempre. Veja mais sobre a Paciência de Jó no item I.3.

 2. Quando a paciência é provada. O Senhor prova a paciência e a fé dos seus filhos. O alvo de Deus em nossa vida é a maturidade cristã (Tg.1:2-4,12; Rm.8:29; Cl.1:28). À medida que somos provados, precisamos pedir a Deus para nos mostrar o que Ele está fazendo. Deus nos prova para nos fazer desmamar de atitudes infantis.

 Deus trabalhou 25 anos na vida de Abraão antes de lhe dar o filho da promessa. Deus trabalhou 13 anos na vida de José antes de colocá-lo no trono. Deus trabalhou oitenta anos na vida de Moisés antes de usá-lo como líder do seu povo. Jesus trabalhou três anos na vida dos apóstolos antes de enviá-los ao mundo.

 As provações, portanto, visam a glória de Deus. Jesus disse que o cego de nascença nasceu cego para que nele se manifestasse a glória de Deus (João 9:1-7). De Lázaro, Jesus disse: "Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus..." (João 11:4). Depois de provado por Deus e restaurado por Ele, Jó disse: "Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te veem os meus olhos" (Jó 42:5).

Qual deve ser a atitude com que vamos enfrentar as provações da vida? Tiago responde: "... tende por motivo de grande gozo..." Tg.1:2). Em vez de murmurar, de reclamar, de ficar amargo, de enfiar-se em uma caverna, devemos nos alegrar intensamente. Essa alegria é confiança segura na soberania de Deus, de que Ele está no controle, de que Ele sabe o que está fazendo e sabe para onde está nos levando.

Se você está sendo provado, não desanime, permaneça firme no Senhor. Disse Tiago: em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias provações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo (1Pd.1:6,7).

3. Maturidade cristã. A Paciência é uma característica da maturidade cristã e do crescimento espiritual. Os crentes imaturos são sempre impacientes. A impaciência pode acarretar graves consequências: Abraão coabitou com Agar; Moisés matou o egípcio; Sansão contou seu segredo para Dalila e; Pedro quase matou Malco.

Como você descreveria alguém espiritualmente maduro? Leonard Wedel diz: "Uma pessoa madura não se leva a sério demais... mantém sua mente alerta... não entra em pânico sempre que uma situação adversa se levanta... É alguém notável demais para passar despercebida, mas nunca se sente importante demais para fazer coisas nem tão importantes assim. Nunca é orgulhosa demais para assumir tarefas humildes... nunca aceita o sucesso ou o fracasso como permanentes... é capaz de controlar seus impulsos... não tem medo de cometer erros... tem fé em si mesma, e essa fé torna-se mais forte ao ser fortalecida pela fé em Deus".

E então? Considerando esse padrão, como você avalia sua maturidade espiritual? É bom ressaltar que maturidade não se alcança apenas lendo um livro, é preciso passar pelas provas. O crente maduro permanece firme diante das perseguições e aflições. Jesus disse: "Bem-aventurado sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós" (Mt.5:11,12).

Quando somos provados, desenvolvemos a paciência triunfadora. Quando somos provados somos aprovados por Deus. Quando somos provados somos galardoados por Deus. Quando somos provados temos a oportunidade de demonstrar nosso amor por Deus. A Bíblia diz que nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória (2Co.4.17). Como Lutero expressou no hino Castelo Forte, ainda que percamos família, bens, prazeres, Deus continua sendo nosso Castelo Forte.

- Maturidade é atitude prudente. As Escrituras Sagradas dizem que são as suas atitudes que determinam se você é maduro ou não. Deus quer que você cresça e tenha atitudes como as de Cristo (cf. Ef.4:13, Gl.4:19, Cl.1:28). A atitude faz a diferença, é o seu caráter; Caráter é o que você é no escuro. Não busque apenas o reconhecimento, dê prioridade ao caráter. Reconhecimento é o que as pessoas dizem a seu respeito, Caráter é o que Deus diz de você.

- Maturidade é saber reagir positivamente diante das adversidades e correções. Diz Tiago: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma” (Tg.1:2-4).

As provações de nossa fé trabalham por nós, e não contra nós, visto que produzem perseverança. A perseverança visa nos levar à maturidade. Paulo diz em Romanos 5:3-5 que as tribulações são pedagógicas, levam-nos à maturidade.

Deus está no controle de nossa vida. Tudo tem um propósito. Diz o apóstolo Paulo: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus..." (Rm.8:28). Paulo diz ainda que a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória (2Co.4:17). Em Efésios 2:8-10, Paulo diz que Deus trabalha por nós, em nós e através de nós. Ele trabalhou em Abraão, em José, em Moisés, antes de trabalhar através deles. É assim que Deus faz com você ainda hoje. Lembre-se disso!

- Maturidade é sinônimo de estabilidade emocional. O crente maduro sabe administrar suas emoções de raiva, de ódio, de ira, de tristeza, ele sabe conviver com tudo isto, sabe sentir, porém, não permite isto dominar. Dizem as Sagradas Escrituras: “Irai-vos, mas não pequeis” (Ef.4:26); “Perturbai-vos e não pequeis; falai com o vosso coração sobre a vossa cama, e calai-vos” (Salmos 4:4); “De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais (2Ts.1:4); “Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?” (Hb.12:7).

CONCLUSÃO

A Paciência é seguramente a virtude que torna o homem semelhante a Deus. Que venhamos crescer na graça e na sabedoria de Deus, buscando desenvolver esta virtude do Fruto do Espírito e deixando de lado as dissensões, pois em breve o Senhor Jesus voltará. Israel é o maior sinal de sua volta; é o relógio de Deus. Esteja atento!

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

ACABE E O DEUS DO PROFETA ELIAS

 


ACABE E O DEUS DO PROFETA ELIAS

 

Texto Bíblico: 1 Reis 16:29,30; 17:1-7; 18:17-21

“Saberás, pois, que o SENHOR, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Dt.7:9).

 

V.P.: Deus é pai de amor, bondade e misericórdia abundantes, contudo, todo pecado e desobediência ao Senhor trazem consequências inevitáveis à vida humana”.

A relação entre o profeta Elias e o rei Acabe é um dos embates mais dramáticos de toda a Bíblia. Ela representa o conflito direto entre a fidelidade a Deus e a apostasia estatal.

Aqui está um resumo desse cenário inicial em 1ª Reis 16 e o desdobramento imediato:

O Contexto de Corrupção (1ª Reis 16)

O capítulo 16 de 1º Reis estabelece o cenário para a entrada de Elias. Acabe assume o trono de Israel e é descrito como o rei que "fez o que era mau perante o Senhor, mais do que todos os que foram antes dele".

Os pontos cruciais desse período foram:

  • Casamento com Jezabel: Acabe casou-se com a filha do rei dos sidônios, uma adoradora fervorosa de deuses pagãos.
  • Institucionalização da Idolatria: Ele construiu um templo e um altar para Baal em Samaria e levantou um poste-ídolo (Aserá).
  • Abandono da Fé: Sob a influência de Jezabel, o culto ao Deus de Israel foi substituído pelo culto à fertilidade e às divindades cananeias.

O Surgimento de Elias

Embora Elias apareça fisicamente apenas no início do capítulo 17, sua missão é a resposta direta às abominações listadas no capítulo 16.

Ele surge como um "contraponto" vivo a Acabe.

Personagem

Papel

Representação

Acabe

Rei de Israel

O poder terreno corrompido e a complacência espiritual.

Elias

Profeta Tisbita

A autoridade divina e o julgamento sobre a idolatria.

 

1 Reis 16:

29.E Acabe, filho de Onri, começou a reinar sobre Israel no ano trigésimo oitavo de Asa, rei de Judá; e reinou acabe, filho de Onri, sobre Israel em Samaria, vinte e dois anos.

30.E fez acabe, filho de Onri, o que era mal aos olhos do SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele.

1 Reis 17:

1.Então, Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra.

2.Depois, veio a ele a palavra do SENHOR, dizendo:

3.Vai-te daqui, e vira-te para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão.

4.E há de ser que beberás do ribeiro; e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem.

5.Foi, pois, e fez conforme a palavra do SENHOR, porque foi e habitou junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão.

6.E os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã, como também pão e carne à noite; e bebia do ribeiro.

7.E sucedeu que, passados dias, o ribeiro se secou, porque não tinha havido chuva na terra.

1 Reis 18:

17.E sucedeu que, vendo Acabe a Elias, disse-lhe Acabe: És tu o perturbador de Israel?

18. - Então, disse ele: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do SENHOR e seguistes os baalins.

19.Agora, pois, envia, ajunta a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Asera, que comem da mesa de Jezabel.

20.Então, enviou acabe os mensageiros a todos os filhos de Israel e ajuntou os profetas no monte Carmelo.

21.Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o. Porém o povo lhe não respondeu nada.

INTRODUÇÃO

Acabe sucedeu seu pai, Onri, no trono de Israel (1Rs.16:28). Ele reinou sobre Israel vinte e dois anos (1Rs.16:29). O período do seu reinado é considerado uma das eras mais sombrias da história do Reino do Norte. O texto de 1Reis 16:30-33 faz um resumo sobre os atos desastrosos desse rei durante o seu reinado:

“E fez Acabe, filho de Onri, o que era mal aos olhos do Senhor, mais do que todos os que foram antes dele. E sucedeu que (como se fora coisa leve andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate), ainda tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e se encurvou diante dele. E levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria. Também Acabe fez um bosque, de maneira que Acabe fez muito mais para irritar ao Senhor, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele”.

Acabe governou entre os anos de 874 e 853 a.C., e o seu reinado marcou a conciliação dos elementos do culto cananeu com a adoração a Jeová. Uma primeira leitura dos capítulos 16:30 a 22:40 do livro de 1Reis, revela que essa mistura provou ser desastrosa ao povo de Israel. Na prática, o culto ao Deus verdadeiro foi substituído pela adoração ao deus falso Baal, trazendo como consequência uma apostasia sem precedentes, pondo em risco até mesmo a identidade do povo de Deus. Os estudiosos estão de acordo em dizer que pela primeira vez a verdadeira fé no Deus vivo corria real perigo. A apostasia, que teve raízes no final do reinado de Salomão, que cresceu durante o reinado de Jeroboão, e que havia se generalizado no reinado de Acabe, tornara-se a razão principal do Senhor ter levantado o profeta Elias, um dos maiores profetas da história bíblica.

Acabe foi grandemente influenciado por Jezabel, sua malévola esposa, os quais fizeram de tudo para eliminar a adoração a Deus em Israel. Mas o próprio Deus, usando o profeta Elias, entrou no conflito e decisivamente derrotou os deuses pagãos, trazendo o povo de volta à fé verdadeira, e dizer: “Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!” (1Reis 18:39).

I. O CASAMENTO DE ACABE COM JEZABEL



1. Consequências de escolhas erradas

O Casamento do rei Acabe com Jezabel, filha do rei de Sidom (1Rs.16:31), trouxe consequências nefastas ao povo do Reino do Norte. Jezabel ocupa o lugar de esposa mais ímpia na Bíblia. Ela era devota de Baal e Aserá, dois falsos deuses adorados pelas nações vizinhas de Israel (1Rs.16:31; 18:19). A Bíblia até usa seu nome como um exemplo das pessoas que rejeitam completamente o Senhor (Ap.2:20,21).

Muitas mulheres pagãs casaram-se em Israel sem reconhecer o Deus que seus maridos adoravam; elas trouxeram consigo as suas religiões. Mas, nenhuma foi tão determinada quanto Jezabel para fazer com que todo o Israel adorasse os seus falsos deuses; ela transformou o rei Acabe num adorador de Baal. Esse casamento levou quase todo o Israel à apostasia, num dos períodos mais críticos da história de Israel. Esse casamento foi tão nefasto que acabou por levar o rei de Judá, Josafá, a casar seu filho Jeorão com uma das filhas de Acabe, Atalia (2Cr.18:1; 2Rs.8:18), casamento este que, além de ter desvirtuado Jeorão, tornando-o um péssimo rei para Judá (2Cr.21:1,20), também gerou outro rei muito ruim, Acazias (2Cr.22:2,3), pondo em sério risco a própria descendência de Davi à frente do povo de Judá, o que significou o próprio risco à ascendência de Cristo (2Cr.22:10).

Assim como seu pai, Onri, Acabe se entregou a uma vida pecaminosa e idólatra que, certamente, ofuscou tudo aquilo que conseguiu realizar. O seu exemplo de iniquidade teve continuidade na vida de seu filho e filha, que governaram os dois reinos. A Bíblia diz que “ninguém fora como Acabe, que se vendera para fazer o que era mau aos olhos do Senhor, porque Jezabel, sua mulher, o incitava” (1Reis 21:25).

Um casamento de um crente com um ímpio pode causar muitos males! Os casamentos mistos trazem a destruição da Igreja, mesmo efeito que tem ocorrido com a proliferação de divórcios que hoje contagia o povo de Deus. Não há arma mais eficaz para se retirar a santidade das igrejas locais; não há instrumento mais poderoso para comprometer o povo de Deus com o pecado e o mundo. Tomemos cuidado, pois as consequências de escolhas erradas podem trazer sérios danos a si mesmos e a todos que o cercam!

2. A rainha perversa

A história de Jezabel encontra-se em 1Reis 16:31 a 2Reis 9:37. Seu nome é usado como um simbolismo para a grande iniquidade em Apocalipse 2:20. Ela era uma mulher muito má e de um feminismo extremada. No reino, seu marido praticamente nada mandava; era ela que ditava as regras. Não só controlava seu marido, Acabe, mas tinha também 850 sacerdotes pagãos sob seu controle. Estava comprometida com seus deuses e a conseguir o que desejava.

Depois de seu casamento com o rei Acabe, Jezabel surge como o poder por trás do trono. Sua união representou uma aliança política, na intenção de trazer vantagens para ambas as nações. Também foi uma oportunidade para ela promover a propagação da sua religião maligna, tendo como deus principal o ídolo Baal; em seus cultos era praticado o sexo ritual com muitas prostituas no ambiente de culto. 

Pela sua influência e de seus ímpios sacerdotes, o povo fora ensinado que os ídolos que haviam sido erguidos eram divindades que regiam por seu místico poder os elementos da terra, fogo e água. Todas as dádivas do Céu – os riachos, as fontes de águas vivas, o suave orvalho, as chuvas que refrigeravam a terra e faziam que os campos produzissem com abundância – eram atribuídos ao favor de Baal e Astarote, em vez de tributar ao Doador de toda boa dádiva e todo dom perfeito. O povo esqueceu-se de que montes e vales, rios e fontes, estão no controle do Deus vivo, que controla o Sol, as nuvens do céu e todos os poderes da Natureza.

Jezabel odiava a religião hebraica monoteísta, e quando ela se tornou rainha, os israelitas foram impedidos de adorar o Deus Jeová e forçados a adorar os falsos deuses Baal e Aserá. Como sinal da aversão à religião judaica, ela destruiu os profetas do Senhor (1Rs.18:4), procurou de forma determinada matar o profeta Elias (1Rs.19:2), ordenou injustamente a morte de Nabote para satisfazer a ganância do marido (1Rs.21:10), e ainda praticou a prostituição e a feitiçaria (2Rs.9:22). Portanto, era uma mulher extremamente perversa.

Porém, sua perversidade não ficou impune. O profeta Elias predisse que ela não seria sepultada, mas que os cães a devorariam, pois sua maldade e abominação contrariaram a justiça divina (1Rs.21:23-27). Antes de morrer, sofreu a perda do seu marido em combate e seu filho nas mãos de Jeú, que tomou o trono à força. A morte de Acabe veio comprovar a profecia de Elias (1Reis 21:19) e de outros profetas (1Reis 20:22,20) – “E, lavando-se o carro no tanque de Samaria, os cães lamberam o seu sangue” (1Rs.22:38). Jezabel faleceu da mesma maneira hostil e desdenhosa como viveu. “Deus é misericordioso, mas julga com rigor aqueles que insistem em permanecer na prática do mal”.

II. ELIAS PREVÊ A GRANDE SECA



A idolatria e a insistente desobediência do rei de Israel provocaram, da parte de Deus, uma grande seca que durou muito tempo (1Rs.17:1). A total falta de discernimento espiritual para perceber o que Deus estava fazendo através de Elias, e a impossibilidade de se arrepender, mesmo com todas as evidências de que ele era o culpado de todos os males que estavam acontecendo (1Rs.18:17,18), trouxeram consequências ainda mais danosas sobre Israel.

1. A intervenção divina

Chegou o momento da intervenção divina. A idolatria, a imoralidade e a injustiça social foram uma tríade pecaminosa que atraiu a justa ira de Deus. O cálice da Sua ira foi se enchendo até que os pecados do rei Acabe e de toda a sua casa, e do povo, atraíram inevitavelmente o juízo divino.

Elias, profeta do Senhor, foi o homem que Deus usou para falar contra as perversidades do reinado de Acabe e de sua mulher - a malévola Jezabel. A punição de Deus sobre as atrocidades desta mulher tinha chegado ao extremo. Ela praticamente havia eliminado quase todos os profetas; os que ainda restavam, estavam no ostracismo. O terror foi espalhado sobre o reino. Baal tinha sido decretado como o deus de Israel. Para Jezabel, a lei era seu desejo, a ordem era seu pensamento. Mas, a Palavra de Deus veio a Elias para decretar a sentença:

“Então Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o Senhor Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra” (1Reis 17:1).

A ordem de Deus foi imperativa, Elias tinha que chegar até o rei Acabe e dizer as palavras que o Senhor havia ordenado. Imagine a revolta de Jezabel, por ter sido desacreditada, pois, quem mandava no reino era ela!

Quando Deus dá uma ordem aos seus servos, não precisamos se preocupar com o futuro, pois Ele está no controle de tudo. Começava, assim, a punição de Deus através da seca; foram três anos e meio sem chover (Tg.5:17). Animais mortos, a plantação não existia mais, a fome e as doenças proliferavam todo Israel. Nem mesmo diante de tal situação, Acabe se arrependeu dos seus vis pecados. A apostasia causa esse tipo de transtorno: a cauterização da mente do ser humano (Pv.29:1).

2. O preço da obediência a Deus

Obedecer de coração a Deus é melhor do que qualquer forma exterior de adoração, serviço a Deus, ou abnegação pessoal. O culto, a oração, o louvor, os dons espirituais e o serviço a Deus não têm valor aos seus olhos, se não forem acompanhados pela obediência explícita e consciente, a Ele e aos seus padrões de retidão. A obediência é o que Deus requer do ser humano, é a sua única exigência (Dt.10:12,13). É uma das condições para termos nossas orações respondidas (1João 3:22). Está escrito que obedecer é melhor do que sacrificar e o atender é melhor do que a gordura de carneiros (1Sm.15:22).

Porém, em muitas situações, há um preço a pagar. No caso de Elias, ele teve de enfrentar a perseguição insistente do rei e de sua mulher, Jezabel, e de seus asseclas, que o ameaçaram de morte (1Rs.19:2); enfrentou as dificuldades da falta d’água e de alimento. Muitos profetas contemporâneos de Elias pagaram com a própria vida por terem sido obedientes e fiéis ao Deus de Israel (1Rs.19:14).

Mas, Deus cuidou de seu servo em todos os momentos. Ele deu uma ordem explícita a Elias: “Retira-te daqui, e vai para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão. E há de ser que beberás do ribeiro; e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem. Partiu, pois, e fez conforme a palavra do Senhor; foi habitar junto ao ribeiro de Querite, que está ao oriente do Jordão” (1Reis 17:2-5). Ao receber a ordem de Deus para esconder-se junto ao ribeiro de Querite, Elias não hesitou, obedeceu-a prontamente.

Contudo, denunciar o pecado e anunciar o juízo divino não é uma tarefa fácil; o serviço a Deus traz inevitável aborrecimento do mundo e dos pecadores. Não pensemos nós que servir ao Senhor é alcançar popularidade, respeito e medo dos ímpios. Não. Mas bem ao contrário, é acirrar os ânimos das hostes espirituais da maldade contra nós. Deus mandou que Elias fugisse e fosse até a um ribeiro, provavelmente situado na região de Gileade, para que ali ficasse protegido e não sofresse os danos da seca que havia anunciado.

Certamente não foi fácil para Elias acatar a ordem divina de desafiar o próprio rei, mas, ao fazê-lo, Deus, que bem sabia os riscos que o profeta passaria a correr, encarregou-se de providenciar ao profeta proteção e sustento, já que o juízo divino afetaria a própria subsistência do povo.

Deus passou a sustentar o profeta junto a um ribeiro, onde havia água necessária à sua sobrevivência; ali, passou a ser alimentado por corvos, que lhe traziam pão e carne pela manhã e pela noite (1Rs.17:6). Como diz o apóstolo Paulo, “…Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias, e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes, e Deus escolheu as coisas vis deste mundo e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são: para que nenhuma carne se glorie perante Ele” (1Co.1:27-29).

Como poderia Elias ser alimentado por corvos, animais que se alimentam daquilo que estão apodrecendo, daquilo que está se desfazendo, e num momento em que passou a haver escassez de alimentos? Como ser alimentado por um animal tão asqueroso, tão repugnante? Entretanto, como disse o Senhor, Ele havia dado uma ordem aos corvos para alimentar o profeta e, ante a ordem divina, não há como haver recusa. Elias, toda manhã e toda noite, era servido pelos corvos, que, pontualmente, cumpriam a ordem do Senhor. Deus, assim, mostrava ao profeta, duas vezes ao dia, que Ele estava no controle de todas as coisas, e que toda a natureza estava sob as Suas ordens.

Quando estamos abrigados em Deus, podem vir as maiores pestes, fome, doenças etc., pois Deus é quem nos sustenta. Hoje passamos por momentos difíceis, salário baixo, desemprego, assistência médica sendo insuficiente, educação deficitária, isolamento social etc. O mundo atravessa maus momentos, mas assim como Deus sustentou e protegeu Elias, Ele também pode nos sustentar, desde que sejamos obedientes à Sua Palavra.

A desobediência foi sempre a razão do fracasso de todos quantos decidiram servir a Deus (Dt.8:20; Dn.9:11; Atos 7:39). O pecado é desobediência e a desobediência gera a indignação e a ira divinas (Rm.2:8). Aos desobedientes é negado o repouso divino (Hb.3:18), bem como reservado um triste fim (1Pd.4:17). É válido ressaltar que obedecer é um princípio fundamental da vida cristã. Lembremo-nos de que Jesus foi obediente até a morte, pelo que Deus, o Pai, o exaltou soberanamente (Fp.2:5-8).

3. Deus sempre cuida dos seus filhos

Apesar das dificuldades pelas quais passou o profeta, a bondade e o cuidado de Deus o acompanharam, pois foi alimentado com pão e carne duas vezes ao dia (1Rs.17:6). E, quando a água do ribeiro de Querite secou, Deus deu novamente uma ordem ao profeta para ir até a cidade de Zarefate, que pertencia a Sidom, pois ali o Senhor havia ordenado a uma viúva que sustentasse o profeta (1Rs.17:9). Vemos, aqui, que Deus, depois de mostrar que tinha controle sobre a natureza, estava agora a mostrar ao profeta que também era o controlador da humanidade e das estruturas sociais.

Ao mandar que Elias fosse para Zarefate, uma cidade sob o domínio de Sidom, o Senhor dava mais uma demonstração de sua superioridade em relação a Baal. Ora, Sidom era, precisamente, o reino que cultuava a Baal. Jezabel era filha do rei de Sidom e, portanto, Deus iria providenciar, nas próprias terras dedicadas a Baal, a sobrevivência do seu profeta. Deus mostrava que tinha domínio sobre todas as estruturas políticas do mundo, passando a sustentar o seu profeta na “terra do inimigo”. Por isso, não devemos temer “as investidas do vil tentador”, porque, mesmo neste mundo que repousa no colo do diabo, quem tem o controle da situação é o nosso Deus. Aleluia!

Ao chegar naquele lugar, o profeta encontrou a viúva apanhando lenha, e pediu-lhe que trouxesse um vaso com pouco d’água para que bebesse e, depois, lhe pediu um bocado de pão. Ante a afirmativa da mulher de que não tinha senão o suficiente para uma última refeição, o profeta mandou-lhe que, primeiro, fizesse um bolo pequeno para ele e, depois, então, preparasse alimento para ela e para seu filho, pois, enquanto houvesse seca, haveria alimento para eles (1Rs.17:14,15). Elias já sabia que Deus garantiria a sua sobrevivência, e se havia ordenado que aquela viúva lhe sustentasse, esta garantia se estendia também a casa dela.

Foi nesse lugar, na casa dessa viúva, que aconteceu o primeiro caso de “ressurreição de mortos” registrado nas Escrituras Sagradas, e teve como objetivo a glorificação do nome do Senhor e a demonstração de que Ele é o verdadeiro Deus, e não Baal, que, como considerado deus da saúde, não tinha podido impedir o filho da viúva de adoecer, nem tampouco pôde restituir a vida ao moço, algo que também era atribuído a Baal, que dizia ser o responsável pelo “renascimento” da natureza após o inverno, após uma luta em que sempre conseguia vencer o “deus da morte”. Vemos, assim, que a experiência inédita de Elias tinha como propósito a exaltação do nome do Senhor e a consolidação da necessária experiência pessoal que Elias tinha de ter com Deus, para ter plena certeza de que “Javé é Deus”.

III. O ENCONTRO DE ELIAS COM ACABE

1. Um coração endurecido

Decorridos mais de três anos, Elias recebera uma nova ordem do Senhor: teria de comparecer novamente perante o rei Acabe. Então, resignado, lá estava o servo do Senhor obedecendo-lhe (1Rs.18:1,2). Foi nessa ocasião que ocorreu o grande desafio entre Elias e os profetas de Baal (1Rs.18:19). O encontro entre Elias e Acabe bem mostra como não há comunhão entre a luz e as trevas (2Co.6:14).

Elias havia profetizado e a profecia se cumpriu integralmente, o que mostrava ser ele um profeta que vinha da parte de Deus (Dt.18:21,22). Deveria, pois, o rei Acabe respeitá-lo, considerá-lo. Mas, a total falta de discernimento espiritual para perceber o que Deus estava fazendo através Elias, e a impossibilidade de se arrepender, mesmo com todas as evidências de que ele era o culpado de todos os males que estavam acontecendo (1Rs.18:17,18), com consequências graves sobre a nação, não trouxeram arrependimento ao rei Acabe. Pelo contrário, ao se encontrar com Elias, o rei o chamou de “o perturbador de Israel” (1Rs.18:17). O seu coração estava tão endurecido em razão da recorrência do pecado, que não havia mais jeito de ele voltar atrás e rever seu deplorável estado espiritual.

Sem temer por sua própria vida, Elias respondeu ao rei num tom condenatório; culpou-o pelo sincretismo do culto a Jeová e a Baal, e o desafiou a reunir os profetas idólatras para um confronto no monte Carmelo, a fim de determinar quem era o Deus verdadeiro (cf. 1Reis 18:16-19) - “Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor e seguistes os baalins. Agora, pois, envia, ajunta a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Aserá, que comem da mesa de Jezabel” (1Reis 18:18,19). Mesmo vendo bem de perto Deus operar de forma extraordinária, o rei Acabe não se arrependeu da sua idolatria; o seu coração estava inflexível. Os apóstatas são assim mesmo!

2. A sequidão espiritual do rei

A seca espiritual sobrevém sobre uma pessoa quando ela atinge o ápice da falta de comunhão com Deus. Foi o que ocorreu com o rei Acabe; ele apostatou-se, abandonou o Deus de Israel e os seus mandamentos de modo precipitado e consciente. Um apóstata dificilmente se volta novamente para Deus, sua mente está cauterizada (Pv.29:1). O escritor aos Hebreus faz um relato sobre isto: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro, e recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento...” (Hb.6:4-6).

O pior de tudo é que, no caso do rei Acabe, sua apostasia levou também o povo de Israel à sequidão material e espiritual (1Rs.17:1). Por causa dessa situação, Deus impediu que chovesse durante três anos e meio (Tg.5:17) nas terras de Israel e vizinhanças. Muito antes, Deus tinha advertido sobre este tipo de juízo, caso o povo se desviasse de Deus (cf. Dt.11:13-17). Esse juízo humilhou o deus falso Baal, pois seus adoradores criam que ele controlava a chuva e que era responsável pela abundância nas colheitas. A verdade é inconteste: “Só o Senhor é Deus, só o Senhor é Deus”.

CONCLUSÃO

No reinado de Acabe, o culto a Baal substituiu o verdadeiro culto a Deus. Havia uma idolatria institucionalizada e financiada pelo poder estatal. Desde a sua criação como nação eleita, Israel foi identificado como povo de Deus (Ex.19:5). A identidade dessa nação como povo escolhido é algo bem definido nas Escrituras Sagradas. Todavia, nos dias do rei Acabe o povo estava dividido. As palavras de Elias: “até quando coxeareis entre dois pensamentos?” (1Rs.18:21), revela a crise de identidade dos israelitas do Reino do Norte. A adoração a Baal havia sido fomentada com tanta força pela casa real que o povo estava totalmente dividido em sua adoração. Quem deveria ser adorado, Baal ou o Senhor? Sabemos pelo relato bíblico que Deus havia preservado alguns verdadeiros adoradores, mas a grande massa estava totalmente propensa à falsa adoração. A nação que sempre fora identificada pelo nome do Deus a quem servia, estava agora perdendo essa identidade.

A fim de que a nação não viesse a perder de vez a sua identidade espiritual e até mesmo deixar de ser vista como povo de Deus, o Senhor enviou o seu mensageiro para trazer um tratamento de choque à nação. Sem dúvida, Elias se distinguia dos falsos profetas, porque enquanto estes prediziam o que o povo gostaria de ouvir, aquele anunciava o que estava na mente de Deus. E hoje, que tipo de profecia estamos ouvindo? Parece que os “profetas” de hoje se renderam à inspiração triunfalista, pois somente “profetizam” o que é bom. Um verdadeiro profeta de Deus não se rende aos apelos da cultura que o cerca!

 

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