terça-feira, 11 de agosto de 2026

A FIDELIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS


 A FIDELIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS

 

Texto Bíblico: Oséias 1:1,2;2:14-17,19,20

A Fidelidade no Relacionamento com Deus

O livro do profeta Oséias apresenta uma das mensagens mais profundas e comoventes de toda a Bíblia sobre o amor, a aliança e a fidelidade no relacionamento com Deus. Para ilustrar a aliança quebrada entre Deus e o Seu povo, o Senhor ordena que Oséias se case com Gômer, uma mulher com um histórico de infidelidade, simbolizando exatamente a postura de Israel em relação ao Criador.

1. A Realidade da Infidelidade e a Graça do Chamado

Oséias 1:1,2 "Palavra do Senhor que foi dirigida a Oséias... Vai, toma uma mulher de prostituições e filhos de prostituição, porque a terra se prostituiu grandemente, desviando-se do Senhor."

  • O pano de fundo espiritual: O povo de Israel havia abandonado a exclusividade devida a Deus, correndo atrás de ídolos, falsos deuses e deuses da fertilidade de sua época (como Baal). Espiritualmente, isso era considerado adultério contra a Aliança.
  • A analogia do casamento: O casamento de Oséias com Gômer não foi um erro de percurso, mas um ato profético vivo. Deus escolheu demonstrar a Sua dor de "marido traído", revelando que a quebra de aliança com Ele fere profundamente o coração do Criador, mas também revelando a extensão da Sua graça disposta a resgatar.

2. O Processo de Retorno: Do Deserto à Esperança

Oséias 2:14-17 — "Portanto, eis que eu a atrairei e a levarei ao deserto, e lhe falarei ao coração. E lhe darei as suas vinhas dali e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias de sua mocidade... E naquele dia, diz o Senhor, tu me chamarás: Meu marido, e não mais me chamarás: Meu baal."

  • O Deserto como lugar de tratamento: Para resgatar o coração desviado, Deus precisa muitas vezes conduzir o Seu povo ao "deserto" — um lugar de isolamento, silêncio e escassez onde as distrações do mundo e os ídolos perdem o encanto.
  • Falar ao coração: No deserto, longe do barulho, Deus não vem para destruir, mas para falar ao coração. É o convite para recomeçar.
  • A mudança de nomes: Chamar Deus de "Meu marido" (Ishi) em vez de "Meu baal" (que significa senhor/dono de forma distante ou associada a ídolos) representa intimidade profunda, respeito genuíno e exclusividade no afeto.

3. As Marcas da Aliança Restaurada

Oséias 2:19,20 — "E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao Senhor."

Deus sela a restauração do relacionamento através de quatro pilares inegociáveis que definem a verdadeira fidelidade:

  • Justiça e Juízo (Retidão): O relacionamento com Deus não se baseia em sentimentos passageiros, mas em integridade e alinhamento com os Seus princípios morais.
  • Benignidade e Misericórdias (Graça): O amor de Deus por nós não cessa por causa das nossas falhas; Ele nos acolhe com compaixão todas as vezes que nos arrependemos e voltamos.
  • Fidelidade (Emunah): A palavra hebraica transmite a ideia de firmeza, lealdade e constância. Deus promete ser fiel, e espera de nós uma resposta de lealdade recíproca.
  • O Conhecimento de Deus: O clímax da fidelidade é "conhecer ao Senhor". Na Bíblia, "conhecer" (Yada) vai muito além do intelecto; é uma experiência íntima, profunda e transformadora de comunhão diária.

Aplicação Prática para os Dias de Hoje

  • Identificar os "Baals" modernos: Ídolo não é apenas uma estátua de madeira; tudo o que toma o lugar de Deus em nossa prioridade, tempo, afeto e confiança (seja o trabalho, o dinheiro, o ego, relacionamentos ou o status) constitui uma forma de infidelidade espiritual.
  • Valorizar a constância: A fidelidade a Deus se prova nos detalhes do dia a dia — na obediência silenciosa, na manutenção da vida de oração e na recusa de negociar os princípios da Palavra.
  • Experimentar o amor incondicional: Assim como o amor de Oséias por Gômer refletia o amor implacável de Deus, somos lembrados de que, por mais distantes que tenhamos estado, o Senhor sempre estende Seus braços para nos chamar de volta para a comunhão.

INTRODUÇÃO

A relação de Deus com Israel era como uma aliança conjugal. Israel havia se “casado” com o Senhor no Sinai. Israel prometeu a Deus fidelidade. Porém, logo se desviou da aliança e começou a flertar com outros deuses. Não tardou para que Israel abandonasse a Deus, seu “marido”, para prostituir-se com outros deuses. A idolatria é infidelidade a Deus; é rompimento da aliança; é quebra dos votos de fidelidade. A idolatria é uma torpeza.

A profecia de Oséias foi a última tentativa de Deus em levar Israel a arrepender-se de sua idolatria e iniquidade persistentes, antes que Ele entregasse a nação ao seu pleno juízo. A ideia central da mensagem de Oséias é que o amor poderoso e inextinguível do Senhor por Israel não descansará enquanto não reconciliar toda a nação consigo. Mas, consequências trágicas se seguem quando o povo persiste em desobedecer a Deus, e em rejeitar-lhe o seu amor redentor.

I.  O LIVRO DE OSÉIAS


1. Contexto histórico.
 O contexto histórico do ministério de Oséias é situado nos reinados de Jeroboão II, de Israel, e de quatro reis de Judá (Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias; ver Oséias 1:1), isto é, entre 755 e 715 a.C. As datas revelam que o profeta não somente era um contemporâneo mais jovem de Amós, como também de Isaías e Miquéias. O fato de Oséias datar boa parte de seu ministério mediante uma referência a quatro reis em Judá, e não aos breves reinados dos últimos seus reis de Israel, pode indicar ter ele fugido do Reino do Norte a fim de morar na terra de Judá, pouco tempo antes de Samaria ter sido destruída pela Assíria (722 a.C.). Ali, compilou suas profecias no livro que lhe leva o nome (Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal).

Oséias, cujo nome significa “salvação”, é identificado como filho de Beeri (Os 1:1). Nada mais se sabe do profeta, a não ser os lances biográficos que ele mesmo revela em seu livro. Oséias profetizou ao reino de Israel (reino do Norte – formado das 10 tribos). O ministério de Oséias, ao Reino do Norte, seguiu-se logo depois ao ministério de Amós que, embora fosse de Judá, profetizou a Israel. Amós e Oséias são os únicos profetas do Antigo Testamento, cujos livros foram dedicados inteiramente ao Reino do Norte, anunciando-lhe a destruição iminente. Oséias é um dos dois únicos profetas do Reino do Norte a terem um livro profético no Antigo Testamento (o outro é Jonas).

Oséias foi vocacionado por Deus a profetizar ao Reino de Israel, que desmoronava espiritual e moralmente, durante os últimos quarenta anos de sua existência, assim como Jeremias seria chamado a fazer o mesmo em Judá. Quando Oséias iniciou o seu ministério, durante os últimos anos de Jeroboão II, Israel desfrutava de uma temporária prosperidade econômica e de paz política, que acabariam por produzir um falso senso de segurança. Porém, logo após a morte de Jeroboão II (753 a.C.), a nação começa a deteriorar-se, e caminha velozmente à destruição em 722 a.C. Passados quinze anos da morte do rei, quatro de seus sucessores seriam assassinados. Decorridos mais quinze anos, Samaria seria incendiada, e os israelitas deportados à Assíria e, posteriormente, dispersados entre as nações.

Foi nesse cenário de luxo e de lixo, de glória humana e opróbrio espiritual, de ascendência econômica e decadência moral, que Deus levantou Oséias para confrontar os pecados da nação e chamá-la ao arrependimento. A riqueza sem Deus é pior do que a pobreza. A riqueza sem Deus afasta o homem da santidade mais do que a escassez.

Deus ordenou a Oséias que tomasse uma mulher de prostituições” (Os 1:2) a fim de ilustrar a infidelidade espiritual de Israel. Embora há os que interpretem o casamento do profeta como alegoria, os eruditos conservadores consideram-no literal.

Nesse declínio moral de Israel, todas as classes da sociedade se desmoralizaram. Os príncipes, amantes da riqueza e do luxo, viviam desenfreados no pecado. Os sacerdotes, que deveriam ensinar a verdade ao povo, tornaram-se bandidos truculentos e cheios de avareza.

As coisas foram de mal a pior, até que o profeta exclamou: "não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus. O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios" (Os 4:1,2).

A religião de Israel tornou-se sincrética, e o povo misturou o culto a Deus com o culto a Baal. A idolatria sensual desembocou na mais repugnante imoralidade. A vida Familiar caiu no abismo da dissolução. Não resta dúvida de que Oséias viveu durante os tempos mais turbulentos e inquietos pelos quais a nação jamais passara. Os séculos passaram, e hoje ainda assistimos a esse mesmo desvio religioso denunciado por Oséias.

2. Estrutura. O Livro de Oséias é o primeiro dos Profetas Menores e o mais extenso deles. Como nenhum outro, este Livro aborda de forma eloquente o amor perseverante de Deus a um povo rebelde e recalcitrante. Ele contém cerca de 150 declarações a respeito dos pecados de Israel, sendo que mais da metade deles relaciona-se à idolatria. Mais do que qualquer outro profeta do Antigo Testamento, Oséias relembra aos israelitas que o Senhor havia sido longânimo e fiel em seu amor para com eles.

O Livro pode ser dividido em duas partes principais: A primeira parte, composta dos capítulos 1-3, descreve o casamento entre Oséias e Gômer. Os nomes dos três filhos são sinais proféticos a Israel: Jezreel (“Deus-espalha”), Lo-Ruama (“Não-compaixão”) e Lo-Ami (“Não-meu-povo”). A infidelidade da esposa de Oséias é registrada como ilustração da infidelidade de Israel. O amor perseverante de Oséias à sua esposa adúltera simboliza o amor inabalável de Deus por Israel. Se o casamento de Oséias com Gômer retratava o amor de Deus a um povo ingrato e infiel, os filhos de representavam o juízo de Deus a esse povo.

A segunda parte, composta dos capítulos 4-14, contém uma série de profecias que mostram o paralelismo entre a infidelidade de Israel e a da esposa de Oseías. Quando Gômer abandona Oséias, e vai à procura de outros amantes (cap. 1), está representando o papel de Israel ao desviar-se de Deus (caps. 4-7). A degradação de Gomer (cap. 2) representa a vergonha e o juízo de Israel (caps. 8-10). Gomer vai atrás de outros homens, ao passo que Israel corre atrás de outros deuses. Gomer comete prostituição física; Israel, prostituição espiritual. Ao resgatar Gomer do mercado de escravos (cap. 3), Oséias demonstra o desejo e intenção de Deus em restaurar Israel no futuro (caps. 11-14).

O Livro de Oséias enfatiza este fato: por ter Israel desprezado o amor de Deus e sua chamada ao arrependimento, o juízo já não poderá ser adiado.

3. Mensagem. O Livro de Oséias fala de julgamento e esperança. Cada uma das três partes principais do livro começa com a ameaça de juízo divino sobre Israel (Os 1:2-2:13; 4:1-10:15; 12:1-13:16) e termina com a promessa de restauração divina (Os 2:14-3:5; 11:1-11; 14:1-9).

O teor da profecia de Oséias é um testemunho dinâmico e severo contra o Reino do Norte por ter se apostatado do concerto firmado. Todos conheciam bem a corrupção que campeava pela nação no âmbito das questões públicas e particulares. O propósito de Oséias era o de convencer seus compatriotas sobre a necessidade de se arrependerem, restabelecerem a relação de concerto e dependerem do Deus paciente, compassivo e perdoador.

O próprio Deus chama o povo a voltar-se para ele: "Volta, ó Israel, para o Senhor teu Deus; porque pelos teus pecados estás caído. Tende convosco palavras de arrependimento e convertei-vos ao Senhor" (Os 14:1,2). Deus promete curar a infidelidade do povo (Os 14:3) e ser para ele o bálsamo restaurador (Os 14:5-7).

II. O MATRIMÔNIO


O matrimônio é uma feliz celebração do amor. É o santo mistério de duas pessoas que se tornam uma, o início de uma vida em comum e de compromissos. O casamento é um mandamento de Deus e ilustra seu relacionamento com seu povo. Portanto, não pode existir tragédia maior do que a violação desses votos sagrados.

Deus ordenou a Oséias que buscasse uma esposa e revelou-lhe antecipadamente que ela lhe seria infiel. Embora desse à luz muitos filhos, alguns deles seriam de outros pais. Em obediência a Deus, Oséias casou-se com Gômer e seu relacionamento com ela, a infidelidade dela e seus filhos tornaram-se exemplos vivos e proféticos de Israel.

Esse casamento é certamente um símbolo do adultério espiritual de Israel.  A sua profanação por parte de Gômer, fez o profeta compreender o verdadeiro significado do pecado de Israel: adultério espiritual e até prostituição. O pecado do adultério tem sido definido como "busca de satisfação em relações ilícitas”. A prostituição é ainda pior, é o pecado de "prostituir bens superiores por causa de dinheiro e de lucro”. A prostituição é tanto física quanto religiosa. O povo de Israel era culpado de ambas.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, em seu livro “Oséias” (o amor de Deus em ação), destaca duas interpretações principais acerca do casamento do profeta Oséias:

- Em primeiro lugar, Gômer era uma mulher casta antes do casamento, mas tornou-se infiel depois do matrimonio. Vários eruditos entendem que Gômer era uma mulher casta antes do casamento e só se prostituiu depois que contraiu matrimonio com Oséias. A razão principal para essa interpretação é que seria incompatível com o caráter santo de Deus ordenar a seu profeta algo moralmente reprovável e expor seu mensageiro a tal opróbrio.

Embora essa interpretação nos seja mais aceitável, não é isso que o texto diz. Vejamos: "Quando pela primeira vez falou o Senhor por intermédio de Oséias, então lhe disse: Vai, toma uma mulher de prostituições e terás filhos de prostituição; porque a terra se prostituiu, desviando-se do Senhor" (Os 1:2, ARA). Como Gômer, Israel começou como idólatra, "casou-se" com Jeová e acabou voltando à idolatria. Se Oséias tivesse se casado com uma mulher casta que mais tarde tornou-se infiel, a expressão "mulher de prostituições" em Oséias 1:2 deveria significar, então, "uma mulher com tendência ao meretrício que viria a prostituir-se posteriormente", o que parece uma interpretação forçada desse versículo.

- Em segundo lugar, Gômer já era uma mulher prostituta antes do profeta se casar com ela. Embora esse fato ofereça algumas dificuldades e nos cause certo constrangimento, é exatamente isso que o texto afirma. Vários eruditos subscrevem essa posição. Oséias amava Gômer não com base em suas virtudes, mas apesar de seus pecados. É importante ressaltar que Oséias está representando o amor incompreensível de Deus a um povo infiel. Quando Deus chamou Abrão para formar por meio dele uma grande nação, tirou-o do meio de um povo idólatra. Israel continuou ao longo dos anos sendo infiel a Deus, quebrando sua aliança e indo após outros deuses. Ao se envolver com outros deuses, Israel adulterou, e o esposo podia receitá-lo. A insistência de Israel na idolatria, com várias divindades, configurava mais que adultério; era prostituição. O casamento estava terminado; havia motivo mais que justificado.

É importante destacar, ainda, que Oséias não desobedece, não questiona nem protela a ordem de Deus. O Senhor lhe disse: "Vai, toma uma mulher de prostituições e terás filhos de prostituição..." (Os 1:2). A resposta de Oséias é imediata: "Foi-se, pois, e tomou a Gômer..." (Os 1:3). Nada se diz a respeito dos sentimentos de Oséias nem sobre o processo pelo qual ele cumpriu a ordem. A palavra eficaz de Deus Jeová estava em ação. A desobediência seria inconcebível.

III. A LINGUAGEM DA RECONCILIAÇÃO

1. O casamento restaurado. Na ira, Deus se lembra da sua misericórdia e faz promessas de restauração ao seu povo. Os três oráculos desastrosos são totalmente alterados. O nome de cada filho é transformado, passando de sinal de juízo para sinal de graça.

De modo repentino, Oséias passa da tragédia para a promessa. Ele reúne palavras de muito conforto às suas sombrias predições. Nos textos de 1:10 a 2:1, o profeta prediz cinco grandes bênçãos a Israel: (a) crescimento nacional (Os 1:10a); (b) conversão nacional (Os 1:10b); (c) reunião nacional (Os 1:11a); (d) direção nacional (Os 1:11b); (e) restauração nacional (Os 2:1). Portanto, a restauração é maior do que a queda.

Por não ter ouvido a voz de Deus, Israel precisou receber a disciplina de Deus. O cativeiro tornou-se o amargo remédio da cura. O fracasso de Israel, porém, não destruiu os planos de Deus. Onde abundou o pecado do povo, superabundou a graça divina. O amor de Deus prevaleceu sobre a sua ira; seu povo foi restaurado, e sua infidelidade curada. Da noite escura do pecado brotou a luz da esperança.

Embora Deus castigue seu povo pelos pecados cometidos, Ele encoraja e restaura os que se arrependem. O verdadeiro arrependimento abre o caminho para um recomeço. O Deus de toda a graça ainda restaura o caído. Deus ainda cura a infidelidade do seu povo. Ele ainda se apresenta como orvalho para aqueles que vivem a aridez de um deserto. A mensagem de Oséias ecoa em nossos ouvidos. A palavra de Deus é sempre atual.

Ainda existe esperança para os que se voltam para Deus. Nenhuma lealdade, realização ou honra pode se comparar ao amor a Ele. Volte-se para o Senhor enquanto o convite ainda está de pé. Não importa o quanto você tenha se desviado, Deus sempre está disposto a perdoá-lo. É tempo de nos voltarmos para o Senhor!

2. O vale de Acor e a porta de esperança. Deus rejeita Israel: é este o vale de Acor. Deus reivindica Israel: esta é a porta da esperança. Deus transforma desespero em esperança - "E lhe darei, dali, as suas vinhas, e o vale de Acor por porta de esperança; será ela obsequiosa como nos dias da sua mocidade, e como no dia em que subiu da terra do Egito” (Os 2:15, ARA). Deus descreveu seu argumento contra a nação de Israel; isto é, seus pecados a levariam à destruição (caps. 4, 6, 7 e 12), provocariam sua ira e resultariam em castigo (caps. 5; 8 a 10; 12 a 13). Mas, mesmo em meio à imoralidade de seu povo, Deus se mostra misericordioso, oferece-lhe a esperança como a expressão de seu infinito amor por Israel (cap. 11), e mostra-lhe que o arrependimento traria as suas bênçãos (cap. 14).

vale de Acor foi o lugar na entrada da terra prometida onde Israel foi derrotado por aí, em virtude do pecado de Acã (Js 7:24-26). Agora, Deus transforma o cenário de desespero, tribulação e derrota, o vale da inquietação, em porta de esperança. O vale de Acor é batizado por outro nome; em lugar de derrota e fracasso, despontam a esperança e a vitória. Assim Deus afugenta os fantasmas do passado de Israel.

3. A reconciliação. Deus transforma separação amarga em casamento permanente. A sentença de divórcio (Os 2:2) será anulada: "desposar-te-ei comigo para sempre" (Os 2:19). Essa aliança é eterna. Não haverá divórcio nesse casamento. É evidente que o tom deste texto é escatológico. Essa reconciliação terá seu ápice quando Cristo (o Messias) for reconhecido e aceito pela nação de Israel no Dia de sua vinda (Os 3:5).

O propósito divino era e é a recuperação de Israel, e seu elemento motivador era e é o seu amor. Deus queria o povo de volta, perdoaria, refaria o casamento, passaria uma borracha em tudo o que houve e se dispunha a amar com mais intensidade uma esposa que não valia a pena. Nessa nova aliança, a esposa conhece ao seu marido, o Senhor.” [. . .] e conhecerás ao Senhor" (Os 2:20b). Conhecer, neste caso, não significa a percepção de um objeto por um sujeito ou observador, mas, antes, o contato íntimo e a comunhão que dois associados experimentam quando entre eles existe o verdadeiro amor. Esta é uma das promessas supremas da nova aliança com Israel – Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás com o coro dos que dançam” (Jr 31:34). Esse conhecimento não será apenas teórico, mas experimental. Haverá intimidade, comunhão, lealdade e amor. Israel se deleitará em Deus, e Deus se deleitará em seu povo, Israel.

IV. O BANIMENTO DA IDOLATRIA EM ISRAEL


1. Meu marido, e não meu Baal. Deus transforma infidelidade em fidelidade - "E acontecerá naquele dia, diz o Senhor, que me chamará: Meu marido; e não me chamará mais: Meu Baal" (Os 2:16). Temos aqui um nítido tom escatológico. “Naquele dia”, aponta para o grande dia, o Dia do Senhor. Para nós, esse dia raiou no primeiro advento, embora só vá alcançar o seu pleno fulgor no segundo. Quando esse Dia chegar, em vez de Israel dirigir-se a Baal chamando-o de Baali, "meu senhor, meu mestre", se dirigirá ao Senhor, chamando-o de ishi, "meu marido''. Nesse tempo, a infidelidade cessará, e a fidelidade a Deus será declarada. Esse será o tempo da restauração. É importante esclarecer que Baal não é propriamente o nome de uma divindade; é um termo genérico, significando "dono, senhor, possuidor, marido, mestre".

Israel deixará o amante Baal, com quem vivia, e voltará para o esposo que a espera, Jeová. Baal era um título padrão para divindades, desde o litoral da Filístia até o vale da Mesopotâmia. Entretanto, foi Acabe quem, incentivado por sua ímpia esposa Jezabel, de Tiro, na Fenícia, tentou combinar o culto a Baal com a adoração a Deus, de forma que o primeiro veio a suplantar o segundo.

2. O fim do baalismo. “E da sua boca tirarei os nomes de baalins, e os seus nomes não virão mais em memória (Os 2:17). A idolatria cega as pessoas. Israel chegou a consultar um pedaço de pau (Os 4:12). Aqueles que se entregam à idolatria, Deus os entrega ao engano de seus corações. Eles ouvem a resposta de seus ídolos mortos (Os 4:12b) para a sua própria destruição. Israel correu atrás dos ídolos, seus amantes, e atribuiu a eles as dádivas que vinham das mãos de Deus. Mas, no devido tempo, Deus restaurará Israel. Inteiramente purificado do culto a Baal, o povo se esquecerá dos nomes dos baalins”.

Após a primeira diáspora o povo judeu já não mais pratica idolatria a ídolos, a ponto de serem dezenas, senão centenas os casos de martírios e genocídios de judeus, ao longo dos séculos, precisamente pela recusa terminante de adoração a outros deuses. Aliás, esta é a principal razão pela qual os judeus afirmam rejeitar a Jesus e ao Cristianismo, por entenderem que há, entre os cristãos, indevida divinização de Jesus e do Espírito Santo.

O “baalismo” praticado pelos israelitas desprezava a religião espiritual que o Senhor dos céus e da terra, o Redentor de Israel, exigia do seu povo. Essa religiosidade focada no material, na prosperidade financeira mais do que nas coisas espirituais, está de volta em nossos dias com outras roupagens. Nossa geração corre atrás das bênçãos, mas não quer o abençoador. Nossa geração anda atrás de coisas, e não de Deus. Ela está interessada no que Deus pode dar, e não em quem Deus é. Mas chegará o Dia em que, conforme Jeremias 10:11 e Zacarias 13:2, os ídolos desaparecerão da Terra.

3. A conversão de Israel. Após o período de provação, de perda das instituições políticas e religiosas (Os 3:4), Israel (entendido aqui não o reino do norte, mas o remanescente fiel das doze tribos), finalmente, converter-se-á ao Senhor e ao Seu Ungido, aqui chamado de Davi, na verdade, o Messias (Os 3:5). Israel ressurgiu enquanto nação politicamente organizada, mas ainda tem de ressurgir espiritualmente, como reino sacerdotal peculiar de Deus (cf. Ex 19:5,6), o que somente se dará por ocasião da vinda gloriosa de Jesus ao término da Grande Tribulação (Zc 12:1-3; Ap 1:7;19:11-21).

A conversão de Israel é fato que ocorrerá somente no término da septuagésima semana de Daniel (Dn 9:24). Somente com esta conversão é que haverá a extinção da transgressão na nação israelita, em que Israel, enquanto povo escolhido de Deus, será libertado do pecado (cf. Rm 11:25-32; Is 59:20Sl 14:7; Zc 13:1).

CONCLUSÃO

Assim como Gômer, corremos o risco de procurar outros amores — amor ao poder, ao prazer, ao dinheiro ou à fama. As tentações deste mundo podem ser muito sedutoras. Será que somos leais a Deus e permanecemos completamente fiéis a Ele, ou outros “amores” vieram ocupar seu legitimo lugar? Não deixe que os costumes mundanos diminuam seu amor por Deus, ou o sucesso cegá-lo para a necessidade de seu amor divino.

Lembre se, Deus não quer que o nosso relacionamento com ele seja constituído de palavras bonitas e de rituais vazios, de corações que se enchem de entusiasmo num dia e no dia seguinte estão frios. Um ritual superficial jamais pode substituir o amor sincero e a obediência fiel (l Sm 15:22,23; Am 5:21-23; Mq 6:6-8; Mt 9:13; 12:7).

 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

DAVI É UNGIDO REI

DAVI É UNGIDO REI

Texto Bíblico: 1Samuel 16:1-13

“Então, Samuel tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi. Então, Samuel se levantou e se tornou a Ramá” (1Sm.16:13).

1 Samuel 16:1-13

1-Então, disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche o teu vaso de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.

2-Porém disse Samuel: Como irei eu? Pois, ouvindo-o Saul, me matará. Então, disse o SENHOR: Toma uma bezerra das vacas em tuas mãos e dize: Vim para sacrificar ao SENHOR.

3-E convidarás Jessé ao sacrifício; e eu te farei saber o que hás de fazer, e ungir-me-ás a quem eu te disser.

4-Fez, pois, Samuel o que dissera o SENHOR e veio a Belém. Então, os anciãos da cidade saíram ao encontro, tremendo e disseram: De paz é a tua vinda?

5-E disse ele: É de paz; vim sacrificar ao SENHOR. Santificai-vos e vinde comigo ao sacrifício. E santificou ele a Jessé e os seus filhos e os convidou ao sacrifício.

6- E sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse: Certamente, está perante o SENHOR o seu ungido.

7-Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.

8-Então, chamou Jessé a Abinadabe e o fez passar diante de Samuel, o qual disse: Nem a este tem escolhido o SENHOR.

9-Então, Jessé fez passar a Samá, porém disse: Tampouco a este tem escolhido o SENHOR.

10-Assim, fez passar Jessé os seus sete filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a Jessé: O SENHOR não tem escolhido estes.

11-Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os jovens? E disse: Ainda falta o menor, e eis que apascenta as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Envia e manda-o chamar, porquanto não nos assentaremos em roda da mesa até que ele venha aqui.

12-Então, mandou em busca dele e o trouxe (e era ruivo, e formoso de semblante, e de boa presença). E disse o SENHOR: Levanta-te e unge-o, porque este mesmo é.

13-Então, Samuel tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi. Então, Samuel se levantou e se tornou a Ramá.

INTRODUÇÃO

A Unção de Davi: O Escolhido de Deus

A narrativa da unção de Davi em 1 Samuel 16 é um dos episódios mais marcantes das Escrituras Sagradas. Ela marca a transição de liderança em Israel e revela princípios profundos sobre como Deus avalia, escolhe e capacita as pessoas, indo muito além das aparências humanas.

1. O Contexto Histórico e a Frustração de Saul

  • A rejeição de Saul: O rei Saul havia desobedecido a Deus de maneira recorrente (especialmente nas ordens referentes aos amalequitas, relatadas em 1 Samuel 15). Por causa disso, o Senhor o rejeitou como rei sobre Israel.
  • A dor de Samuel: O profeta Samuel amava profundamente a Saul e ficou de luto por sua queda. No entanto, Deus o desperta de sua tristeza com uma pergunta cortante: "Até quando lamentarás a Saul, havendo-o eu rejeitado?" (1Sm 16:1).
  • Uma nova direção: Deus ordena que Samuel encha seu chifre de azeite e vá à casa de Jessé, o belemita, pois o Senhor havia providenciado para si um novo rei entre os filhos dele.

2. O Erro Humano e o Critério Divino

Ao chegar a Belém, Samuel vê o filho mais velho de Jessé, Eliabe, e pensa imediatamente que ele é o escolhido, impressionado por sua estatura e porte físico. É nesse momento que surge uma das lições mais importantes da Bíblia:

"Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração." (1 Samuel 16:7)

  • Sete filhos rejeitados: Jessé apresenta sete de seus filhos a Samuel. Um por um, o profeta descarta todos, pois nenhum deles era o escolhido de Deus.
  • O esquecido do campo: Quando Samuel pergunta se os jovens acabaram, Jessé lembra do caçula, Davi, que estava apascentando as ovelhas. Na cultura da época, o trabalho com o rebanho era considerado menor, e Davi era tão jovem que nem havia sido chamado para a cerimônia com o profeta.

3. A Unção e a Transformação

  • A chegada de Davi: Quando Davi chega, a Bíblia o descreve como ruivo, de belos olhos e de boa presença. Imediatamente, Deus ordena a Samuel: "Levanta-te, e unge-o, porque este mesmo é".
  • O símbolo do azeite: Samuel toma o vaso de azeite e unge o jovem no meio de seus irmãos. O azeite na Bíblia é o símbolo clássico da habitação, consagração e capacitação do Espírito Santo.
  • A capacitação divina: O texto destaca que, "desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi". A unção não era apenas um título honorífico; era revestimento de poder e autoridade espiritual para a missão que viria pela frente.

Lições Práticas para os Nossos Dias

  • Deus vê o coração: Enquanto a sociedade valoriza status, aparência, currículo ou conexões, Deus examina a essência, a integridade e a sinceridade de quem O serve.
  • Os planos de Deus não são frustrados: Quando o homem erra ou falha (como Saul), Deus já tem uma providência preparada.
  • O preparo no oculto: Antes de reinar no palácio, Davi foi preparado no campo, cuidando de ovelhas, enfrentando ursos e leões, e desenvolvendo sua intimidade com Deus através dos salmos. O lugar da humilhação e do serviço invisível é sempre a escola onde Deus forma os seus líderes.

 


I. DAVI: O REI UNGIDO

“Então, Samuel tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi. Então, Samuel se levantou e se tornou a Ramá” (1Sm.16:13).

A unção é o que dava legitimidade e autoridade ao rei. Davi foi ungido por Samuel para ser rei em lugar de Saul que havia abandonado os mandamentos do Senhor. A unção de Davi não se tratou apenas de um simbolismo, mas da presença do Espírito Santo na vida de Davi, capacitando-o para o reinado, enchendo-o de coragem nas batalhas e contra o gigante Golias, guiando-o e inspirando-o. Mas é bom enfatizar que Davi só assumiu o trono de Israel após a morte de Saul, 14 (quatorze) anos após a sua unção, e nunca teve a ousadia de forçar a saída de Saul, mas manteve-se sob o auspício de Deus, esperando o momento certo do que Deus faria dele – até que saiba o que Deus há de fazer de mim (1Sm.22:3).

1. Significado e propósito da unção

Unção é a capacitação especial que o Espírito Santo concede a uma pessoa, vocacionada por Deus, para realizar a Sua obra. No Antigo Testamento, antes mesmo da monarquia judaica, a unção já era usual. Na época dos juízes, estes eram separados e ungidos para propósitos específicos (Jz.9:8-15). À época da lei judaica e da monarquia, a prática da unção de reis e sacerdotes, acontecia para que fossem separados para desempenhar sua missão conforme as normas divinas (Êx.40:13-15; 1Sm 9:16; 10:1; 16:13). No caso do profeta, sua unção não era feita por homem algum, mas vinha diretamente de Deus (1Rs.19:16).

No Novo Testamento, biblicamente falando, não há unção na separação de pessoas para missões específicas ou para o ministério eclesiástico. O procedimento é, simplesmente, efetivado com imposição de mãos. Paulo e Barnabé estavam ministrando em Antióquia quando o Espírito Santo os chamou para uma tarefa específica – “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram (At.13:2,3).

No Antigo Testamento, objetos sagrados eram separados e eram ungidos para o serviço de Deus (cf.Êx.30:26-28). No Novo Testamento, porém, depois que Jesus veio e cumpriu a sua missão, realizando-se, assim, aquilo que fora figurado na Antiga Aliança, não há mais motivo algum para que se proceda à unção de objetos, pois um objeto não é santificado ou consagrado pelo derramamento de azeite em si, mas, sim, nós, como filhos de Deus, é que devemos ter a unção do Espírito Santo e, em função da nossa santificação, utilizarmos dos nossos bens para que façamos boas obras e, por meio destas obras, os homens glorifiquem ao nosso Pai que está nos céus (Mt.5:16).

Os que defendem a unção de objetos - tais como carro, casa, chave -, dizem que devemos ungi-los apenas como um “reforço à fé”, uma “materialização” da fé, um “meio” para que a fé das pessoas progrida, cresça, desenvolva-se. Este argumento, porém, não tem cabimento algum; é o mesmo argumento utilizado pelos adeptos do catolicismo romano para justificar o uso de imagens e pinturas em seus cultos, ou seja, é um argumento idólatra, que, por isso mesmo, deve ser repudiado pelos sinceros e verdadeiros servos do Senhor. A fé existe quando não precisamos “ver algo”. Ela é a prova das coisas que não se veem (Hb.11:1). A fé não é por vista (2Co.5:7), mas, pelo contrário, quem realmente crê é aquele que não vê (João 20:29).

A única unção que está autorizada no compêndio neotestamentário da Igreja é a unção com óleo sobre os crentes enfermos (Tg.5:14), a ninguém mais; e essa unção com óleo deve ser feita à moda bíblica, ou seja, na cabeça, pois assim é a unção que se encontra nas Escrituras (2Rs.9:3,6; Sl.133:2). Outrossim, não há qualquer base para se fazer a unção nas partes enfermas, como tem sido feita em algumas igrejas, para não dizer de unção de partes íntimas para “santificação”, “purificação sexual” ou “libertação da prostituição”, como se veem nos chamados “encontros” gedozistas.

Fora esta hipótese, não se deve proceder a qualquer unção, pois a “necessidade de unção” em outras hipóteses, mesmo sobre pessoas, é fruto de superstição, é resquício de animismo, e não tem qualquer base bíblica.

2. O simbolismo da unção

No Antigo Testamento, cada rei e sumo sacerdote de Israel eram ungidos com óleo, símbolo do Espírito Santo; isto os comissionava como representantes de Deus para a nação. Metaforicamente, o Espírito Santo é chamado de “óleo fresco” (Sl.92:10), “óleo precioso” (Sl.133:2), “excelente óleo” (Amós 6:6), “óleo de alegria” (Sl.45:7).

O óleo, portanto, tomado neste sentido, simboliza o Espírito Santo como “unção especial” para os salvos em Cristo, o qual quer dizer “ungido”. Jesus foi ungido para desempenhar com eficiência a Obra de Deus (Is.61:1; Lc.4:18). Seu ministério foi marcado por milagres, curas, maravilhas, pregação e ensino poderoso, porque, de fato, estava ungido. Assim, Jesus era um servo ungido sob a dependência do Espírito Santo para fazer a obra do Pai (At.10:38). Paulo descreveu essa mesma unção sobre os cristãos (2Co.1:21,22).

No Antigo Testamento, quando uma pessoa era ungida, declarava-se que ela estava sendo separada para um propósito especial e que a partir de então estaria sobre essa pessoa a presença do Espírito Santo de Deus, que a guiaria e orientaria para desempenhar com sucesso a missão para a qual fora designada – “E o Espírito do SENHOR se apoderará de ti, e profetizarás com eles e te mudarás em outro homem(1Sm.10:6).

Davi foi ungido em meio aos seus irmãos e, a partir daí, o Espírito do Senhor se apoderou de Davi, concedendo-lhe sabedoria, poder, orientação, para que pudesse cumprir os propósitos divinos.

“Então, Samuel tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi” (1Sm.16:13).

Com o Espírito Santo na vida, o rei, o profeta e o sacerdote podiam desempenhar com coragem a obra de Deus. Isto nos ensina que unção é revestimento de poder do Espírito Santo sobre a vida daquela pessoa que foi ungida. O sucesso na obra de Deus só acontece se estivermos debaixo da unção do Espírito Santo, razão pela qual Paulo fala de sermos cheios dele. (Ef.5:18).

No Novo Testamento, portanto, a unção passou a simbolizar o derramamento do Espírito do Senhor sobre os cristãos, dotando-os de poder para testemunhar as verdades do Evangelho (Atos 1:8: 1João 2:20,27) e cumprir com eficácia a missão para a qual foram designados (Rm.1:1).

3. A unção sobre Davi

A unção de Davi foi uma missão arriscada, pois Saul ainda continuava sendo o monarca, apesar do Espírito de Deus não está mais nele. Ele faria qualquer coisa para destruir algum empecilho no seu caminho; e Samuel era cônscio do risco que corria, por isso perguntou ao Senhor: “Como irei eu? Pois, ouvindo-o Saul, me matará” (1Sm.16:2). Ele, então, foi orientado por Deus a fazer um banquete e um sacrifício naquela região. Certamente, o sacrifício foi realizado (cf.1Sm.16:5).

Davi foi ungido rei, mas em segredo; nem o pai e nem os irmãos de Davi sabiam o propósito da unção naquele instante, pois o real propósito não havia sido revelado; por isso, alguns pensavam que tal unção era para que ele fosse discípulo de Samuel ou, quem sabe, no futuro, um profeta. Somente muito mais tarde Davi foi apresentado publicamente como sendo o rei escolhido por Deus (2Sm.2:4; 5:3).

A unção com óleo sobre a cabeça de Davi significava separação. Essa cerimônia era utilizada para separar pessoas ou objetos ao serviço de Deus. É bom ressaltar que, por ocasião daquela cerimônia particular, Saul era legalmente o monarca, mas Deus preparava o filho de Jessé para assumir responsabilidades futuras. Embora Deus rejeitasse a monarquia de Saul e não permitisse que qualquer um de seus filhos se sentasse no trono de Israel, ele permaneceu em sua função até falecer.

No contexto da efetivação da unção de Davi por Samuel, dois detalhes importantes podem ser destacados:

a) A piedade de Samuel por Saul (1Sm.16:1) – “Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche o teu vaso de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei”.

A compunção de Samuel é profunda e dolorosa, pois ele gostava muito de Saul; mas, o Senhor confronta Samuel e ordena que ele siga adiante. Fica evidente que ele não faz parte de uma conspiração contra Saul; por fim o rei perde o trono por desaprovação divina, e não por traição humana. Devido a seus pecados, Saul não poderia continuar como rei. Então Deus busca na casa de Jessé, o belemita, neto de Boaz e Rute, um de seus filhos para reinar (Rt.4:17).

b) A eleição pela aparência (1Sm.16:6). No cumprimento da ordenança divina para ungir o próximo homem que assumiria o trono de Israel, Samuel usou os olhos físicos para observar quem seria esse homem escolhido por Deus. Samuel, provavelmente, tentava encontrar alguém que parecesse com Saul – alto, bonito e impressionante - para ser o próximo rei de Israel, mas Deus o advertiu de que não seria pela aparência que o homem de sua preferência seria escolhido (1Sm.16:7).

A aparência não revela como a pessoa é na verdade ou quais são os seus verdadeiros valores. Felizmente, Deus julga pela fé e pelo caráter, não pela aparência. E porque só Deus pode ver o interior, apenas Ele pode julgar com precisão.

A maioria das pessoas preocupa-se muito com sua aparência externa; mas, elas deveriam fazer muito mais para desenvolver seu caráter. Enquanto todos podem ver o seu rosto, apenas você e Deus sabem como é realmente o seu coração. Que passos devemos dar para melhorar a atitude do nosso coração?

4. Em que se baseou o Senhor para escolher Davi

Certamente, o Senhor baseou a escolha de Davi na qualidade do seu caráter. Quando Saul foi escolhido para ser rei, a aparência física imponente dele contou muito; os israelitas consideravam este aspecto muito pertinente, a exemplo das nações circunvizinhas (1Sm.8:5; 9:2; 10:23,24). O próprio Samuel mostrou esse modo superficial de pensar, quando concluiu que, dos filhos de Jessé, Eliabe, rapaz bem apessoado (1Sm.16:7), seria o rei escolhido por Deus (veja também suas palavras em 1Sm.10:24). Mas Deus disse, exortativamente, a Samuel:

“...Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração” (1Sm.16:7).

O coração é considerado a sede das emoções (1Sm.1:8; 4:13; 17:32; 25:36; 28:5), da volição (1Sm.6:6; 7:3), das motivações (1Sm.17:28), da razão (1Sm.21:12) e da consciência (1Sm.25:31; 2Sm.24:10). O “coração” ou a mente da pessoa é relativamente inacessível a outros seres humanos, mas o Senhor é capaz de sondar até suas regiões mais profundas e avaliar seu verdadeiro caráter (Jr.11:20; 20:12).

Os seres humanos têm a tendência de observar a aparência exterior ao avaliarem a aptidão de alguém para realizar uma tarefa, ao passo que Deus se preocupa mais com o que há em seu coração. Deus se conformou aos desejos e critérios do povo quando escolheu Saul, mas escolheu o substituto de Saul de acordo com seus próprios critérios.

“...já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração e já lhe tem ordenado o SENHOR que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou” (1Sm.13:14).

Hoje, estamos vivendo a síndrome de Samuel: escolher pela aparência, pelo Ter e não pelo Ser. Se os líderes do povo de Deus fossem escolhidos sob a ótica dele., a Igreja não estaria passando por tantas oscilações espirituais. O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, deu as diretrizes corretas para escolher aqueles que liderarão o povo de Deus; só precisa cumprir o que está escrito em 1Tm.3:1-13, e a Igreja terá líderes segundo o coração de Deus.

II. DAVI: O REI QUE ERA SERVO

Conquanto tenha recebido a unção de Deus através do profeta Samuel, Davi nunca se vangloriou ou quis sobrepor-se aos demais que o cercavam. A unção não lhe tirou da posição que ele sempre quis estar, a de servo. Jamais procurou demonstrar espírito de grandeza ou orgulho; antes, continuou em sua simplicidade, desempenhando o trabalho de um servo. Davi veio a ser o que foi porque soube muito bem conduzir-se desta maneira. Mesmo ungido por Samuel, ele não criou nenhum tipo de rebelião contra Saul para tomar posse do trono. O próprio Deus, que é presciente, deu testemunho disto: “Achei a Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi” (Sl.89:20).

1. O ungido de Deus servindo com humildade e sem alarde

Davi foi chamado para servir na residência oficial do rei - “Davi, porém, ia a Saul e voltava, para apascentar as ovelhas de seu pai, em Belém” (1Sm.17:15).

Mesmo servindo na corte real, Davi jamais relatou a Saul a unção de Samuel sobre sua vida, ou seja, que seria o rei de Israel. Na verdade, ele contentava-se com cada momento que lhe era concedido por Deus, nunca ambicionando coisas altas demais, como mais tarde o apostolo Paulo proferiu (Rm.12:16). Davi demonstrou ser um homem simples e humilde, características estas de um autêntico servo de Deus.

A convivência de Davi com o rei Saul em seu palácio(1Sm.18:2) foi uma experiência totalmente diferente para ele. Acostumado à beleza do campo onde passava a maior parte do seu tempo, cuidando de suas ovelhas, em contato direto com a natureza, ocasião em que dedilhava a sua harpa e entoava belos hinos ao Senhor, como podemos perceber no registro dos Salmos, certamente ele não se achou muito à vontade nos primeiros dias naquele suntuoso lugar onde tudo era controlado e orientado. Mesmo ali, naquele ambiente de luxo e de fartura, Davi preservou um coração simples e temente a Deus. Não se envaideceu, não se precipitou e nem mesmo se achou injustiçado por não ter sido levado ao trono e recebido a coroa real, mesmo sabendo que Deus já havia rejeitado Saul. A Bíblia diz que há um tempo para todas as coisas (Ec.3:1-8), e quem espera os acontecimentos no tempo certo, com toda a certeza será bem-sucedido.

Quando Saul pediu a Davi que o servisse, obviamente não sabia que aquele filho de Jessé fora ungido rei secretamente (1Sm.16:12). O convite do monarca de Israel apresentou uma excelente oportunidade para que o jovem e futuro rei obtivesse informações em primeira mão sobre como liderar uma nação.

Às vezes nossos planos – mesmo os que pensamos serem aprovados por Deus – não podem ser considerados definitivos. Como Davi, podemos usar esta espera de forma proveitosa. Podemos aprender e crescer espiritualmente em quaisquer circunstâncias da vida.

2. O Espírito do Senhor se retirou de Saul (1Sm.16:14)

“E o Espírito do SENHOR se retirou de Saul, e o assombrava um espírito mau, da parte do SENHOR”.

O fato de o Espírito do Senhor ter saído de Saul indicava que ele não era mais o rei escolhido pelo Senhor e que não tinha mais o poder do Senhor durante uma batalha (cf.1Sm.10:6,10; 11:6). Se o Espírito do Senhor saíra de Saul, então outro ocuparia o espaço; foi o que ocorreu: um espírito maligno o assombrava. A chegada do “espírito maligno” indicava que Saul era, agora, objeto de juízo divino e inimigo de Deus (cf.1Sm.28:16-18). Segundo estudiosos, a palavra hebraica traduzida como “maligno” pode referir-se a um desastre ou uma calamidade enviada por Deus como castigo; neste caso, o espírito maligno foi enviado para solapar a eficácia de Saul como líder e evidenciar sua rejeição pelo Senhor.

Devido à ausência do Espírito Santo em Saul (1Sm.16:14), e o espírito maligno ter passado a atormentá-lo (1Sm.16:15), então buscou-se alguém que soubesse tocar bem um instrumento e que o acalmasse; e Davi foi eleito para cumprir essa missão, haja vista que sua fama como bom tocador de harpa era notória (1Sm.16:18).

Davi podia multo bem ter dito: “em hipótese nenhuma eu irei, pois fui ungido para ser rei e não para tocar instrumento musical, e nem para ser exorcista”. Não, ele não disse nada disso, e nem pensou nisso, pois tinha um coração de servo; era ungido, mas era servo. Ele aceitou, sem reserva, a tarefa de servir ao rei como músico no afã de expulsar o espírito maligno. Aliás, sem o efeito calmante da música de Davi, Saul não conseguia fazer coisa alguma (1Sm.16:23). Ainda hoje, a música é uma forma reconhecida de terapia, frequentemente prescrita para reverter estados de perturbação mental.

“E sucedia que, quando o espírito mau, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e a tocava com a sua mão; então, Saul sentia alívio e se achava melhor, e o espírito mau se retirava dele” (1Sm.16:23).

Além de exímio músico, Davi possuía outras qualidades: “...valente, e animoso, e homem de guerra, e sisudo em palavras, e de gentil presença; o SENHOR é com ele(1Sm.16:18). Está escrito aqui que Davi era “homem de guerra”. Ora, Davi nunca tinha ido a uma guerra e não pertencia ao exército de Saul, como então podem dizer que ele era homem de guerra? Certamente, o narrador quis dizer que Davi era visto como homem e não como um adolescente incapaz e covarde. Ele mesmo, um dia, disse para seu filho Salomão: esforça-te e sê homem (1Rs.2:2). Ser homem de guerra é ser responsável e disposto a enfrentar os desafios e as lutas com destemor. Um covarde nunca será homem de guerra. Ir à guerra é pôr a mão no arado e não olhar para traz.

Por meio das palavras do servo de Saul, o texto enfatiza as muitas qualidades de Davi, mas, talvez, a mais importante era: “o Senhor é com ele”.  Poderia haver algo mais sublime do que essa constatação e testemunho a respeito de alguém? Acredito eu, que esse último tópico do currículo de Davi apresentado por aquele jovem servo de Saul, suplanta extraordinariamente todos os demais. Isso é simplesmente a assinatura de tudo o que se disse antes, ou seja, o verdadeiro motivo de todas as qualidades que Davi apresentava, era o fato de que o Senhor era com Ele. Que o Senhor nos ajude a perseguir essas virtudes, de tal maneira que nos apresentemos como cristãos verdadeiros, homens ou mulheres de Deus, obreiros aprovados para toda boa obra.

Em outras passagens de Samuel é narrado a presença de Deus na vida de Davi (cf. 1Sm.18:12,14,28; 2Sm.5:10; 7:3). Um servo de Deus é notado até mesmo pelas pessoas que não são do círculo íntimo; o seu testemunho é vibrante e salta aos olhos do observador. Quando ele passa alguém o observa e diz: “...este que passa sempre por nós é um santo homem de Deus” (2Rs.4:9).

“A unção divina torna-nos conscientes de que somos servos e separados para fazer a vontade daquele que nos consagrou. Não é para termos pensamento de grandeza, de que somos alguma coisa, de que a seleção divina aconteceu por sermos os mais perfeitos, e sim porque fomos alcançados pela misericórdia e graça divinas. Por isso, é sempre bom dizer como Paulo: “[...] pela graça de Deus, sou o que sou” (1Co 15.10). É triste dizer isto, mas muitos hoje não querem ser servos, desprezando, assim, o exemplo de Cristo, o qual diz que veio para servir, e não para ser servido (Mc 10.45)” (Pr. Osiel Gomes. O governo divino em mãos humanas).

3. Saul dá testemunho de Davi (1Sm.16:22)

“Então, Saul mandou dizer a Jessé: Deixa estar Davi perante mim, pois achou graça a meus olhos”.

“...achou graças a meus olhos”. Em outras palavras: “estou satisfeito com ele”. Esta expressão é usada em outras passagens em que uma pessoa desfruta da bondade de outra ou é o alvo da bondade dela. Essa bondade é demonstrada voluntariamente, sem implicar obrigação (Gn.19:19; 47:25; Rt.2:2), mas pode ser motivada pelo caráter ou pelas ações de quem a recebe (Gn.6:8,9; 39:3,4; Rt.2:10-12), como é o caso aqui (cf. 1Sm.16:21,23). O texto de 1Samuel 16:22 mostra que Saul testemunhou acerca do caráter de Davi. Isso mostra que, desde o princípio, Davi foi um servo fiel, que tentou ajudar o rei.

Na Nova Aliança, o serviço é uma parte indissociável da vida do salvo; logo, todo salvo tem de servir a Deus, tem de lhe prestar um serviço. Cada um na função que foi estabelecida pelo Senhor, temos de servi-lo: pregando o Evangelho; integrando os salvos na igreja local; aperfeiçoando os santos mediante o estudo da Palavra de Deus; adorando a Deus; buscando influenciar o mundo para que ele viva de acordo com a vontade de Deus; dando um bom testemunho para que os homens glorifiquem ao Senhor; lutando pela preservação da sã doutrina e pela manutenção de uma vida avivada na igreja local a que pertencemos. Temos feito isto que o Senhor nos determina? Temos cumprido as tarefas cometidas pelo Senhor?

III. DAVI: O REI QUE ERA GUERREIRO


Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu vou a ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado” (1Sm 17:45)

Depois de ungido, Davi teve diante de si um grande desafio, o qual foi temido por todo Israel: lutar contra Golias. Davi enfrentou o gigante Golias e foi vitorioso; ele estava certo de sua vitória não porque confiasse simplesmente na sua destreza, mas porque acreditava que o filisteu havia desafiado o Exército do Deus vivo. A luta, portanto, não era simplesmente entre ele o gigante, mas entre o gigante e o Senhor que havia sido desafiado. Essa forma de enxergar as coisas diferenciava Davi de um guerreiro presunçoso.

1. O gigante Golias

“Então, saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, da altura de seis côvados e um palmo” (1Sm.17:4).

Pelo texto, percebe-se que Golias era enorme. Se levarmos em consideração a medida do côvado de 0,45m, e considerando que 01(um) palmo correspondia 0,20m, podemos afirmar que a altura de Golias era de, aproximadamente, dois metros e noventa centímetros de altura. Presumindo que Golias tinha as proporções da maioria dos homens, ele deveria pesar quase trezentos quilos. Eram trezentos quilos de músculo, não de gordura. Golias era soldado desde a juventude (1Sm.17:33). Era um veterano experiente em duelo. Devia ser assustador encarar um gigante como Golias. A diferença física entre Davi e Golias era tão grande que, aos olhos do gigante, Davi era desprezível -” E, olhando o filisteu e vendo a Davi, o desprezou” (1Sm.17:42).

Davi respeitou a envergadura do inimigo, mas não se acovardou; dispôs-se a enfrentá-lo e a vencê-lo. Ele não tomou a possibilidade de luta contra Golias como um fato isolado, uma questão sua, mas encarou a batalha como uma coisa de Deus, pois era o exército de Israel, a tropa do Senhor, que estava sendo afrontado por Golias (1Sm.17:26). Por isso Davi enfatizou: “...quem é, pois, este incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?”.

Quem tem a unção do Espírito Santo e confia no poder Deus não teme o inimigo, por mais feroz e hábil que este se apresente, antes, entra na batalha confiante, sabendo que pode vencê-lo (2Co.1:10; 2Tm.4:17,18).

Uma das justificativas de Davi enfrentar o enorme oponente seria a de mostrar a todos o poder do seu Deus, e não sua coragem ou sua perícia bélica. Ele disse: “... deste modo toda terra saberá que existe um Deus em Israel” (1Sm.17:46). Imbuído dessa certeza de vitória, Davi foi ao encalço do inimigo. Saul e os soldados estavam recuados com medo. A covardia de Saul, o seu medo e a apatia dos soldados eram resultado da ausência do Espírito Santo de Deus em suas vidas. Davi, entretanto, era cheio do Espírito Santo, e quem é cheio do Espírito Santo vence gigantes e o nome de Deus é exaltado.

Na hora do perigo, da adversidade, existe um Deus Todo-poderoso em nossa vida, ao nosso lado. Desta feita, não devemos temer os gigantes que se levantam contra nós, porque somos de Deus e temos vencido o inimigo - “porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (1João 4:4).

2. As armas de Davi para enfrentar o gigante

Primeiramente, quais eram as armas do gigante Golias? Ele era um guerreiro; um guerreiro enorme armado até os dentes, com capacete, armadura, lança e espada; sua armadura pesava cerca de sessenta e oito quilos, e a haste de sua lança era como um eixo de tecelão, cuja ponta pesava cerca de nove quilos. Na verdade, Golias era um inimigo temível. Diz assim o texto sagrado (1Sm.17:4-7):

“Então, saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo. Trazia na cabeça um capacete de bronze e vestia uma couraça de escamas; e era o peso da couraça de cinco mil siclos de bronze. E trazia grevas de bronze por cima de seus pés e um escudo de bronze entre os seus ombros. E a haste da sua lança era como eixo de tecelão, e o ferro da sua lança, de seiscentos siclos de ferro; e diante dele ia o escudeiro”.

E Davi, quais eram as suas armas? Um jovem, pastor de ovelhas, armado “apenas” com uma funda (usada para espantar os lobos que rondavam o rebanho) e cinco pedras. Com estas armas, era humanamente impossível Davi derrotar o gigante Golias. Podemos dizer, então, que a principal arma de Davi para enfrentar o gigante era a sua fé e confiança em Deus. A Bíblia declara que “as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas” (2Co.10:4).

Os soldados de Israel estavam com muito medo de Golias. Olhavam para ele e fugiam (1Sm.17:24); mas, Davi foi lá e o abateu; ele lançou apenas uma pedra com sua funda, acertando o gigante, que caiu atordoado. Prontamente, ele toma a espada do gigante e cota-lhe a cabeça.

Uma coisa a pensar: por que ele pegou 5 pedras? Porque ele não era arrogante. Ele sabia que poderia errar na primeira, segunda, terceira vez; ele sabia que ser eficiente, necessariamente, não é acertar na primeira tentativa, nem acertar sempre. Poderia ser que precisasse de todas as pedras. O importante era acertar o gigante e derrotá-lo.

Davi obteve vitória porque confiou, não no sistema, não na técnica, não nas suas aptidões, não nas suas armas, não nas armas de Saul, mas confiou no poder do seu Deus. Golias confiava na sua experiência e na sua força; Davi, porém, confiava na força do Senhor dos Exércitos. Foi ele mesmo quem disse: “... Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu vou a ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado” (1Sm,17:45).

Todos nós temos gigantes em nossas vidas - coisas que parecem grandes em nossas vidas e que temos de encarar, problemas que temos de vencer se quisermos continuar vivendo. Pode ser uma batalha judicial, um impasse com um empregador, um mau hábito, uma tentação irresistível, uma mania incontrolável, uma busca para melhorar um relacionamento difícil; pode envolver pessoas ou pressões; pode resultar em preocupações e medos. Se você ainda não teve de encarar um gigante na vida, garanto que em algum momento isso acontecerá.

Todos nós enfrentamos nossos gigantes, desafios que tomam conta de nossos horizontes, problemas que fazem os nossos joelhos se enfraquecerem. Mas, não importa o tamanho do gigante, ele vai cair. Às vezes somos como os espias da terra prometida (com exceção de Josué e Calebe) que disseram: “Somos como gafanhotos perto daqueles gigantes”. Para vencer gigante não podemos nos sentir como gafanhoto. Devemos dizer de forma confiante: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp.4:13); “Em todas as coisas somos mais que vencedores em Cristo Jesus” (Rm.8:37). Portanto, o cristão que deseja ser vitorioso contra as forças de Satanás precisa se revestir da armadura de Deus (Ef.6:13-17). 

3. O poder do Senhor é decisivo na batalha e a fé nesse poder pode ser o catalizador para a vitória

A fé de Davi é exemplar. Diante de um inimigo truculento e aparentemente invencível ele se recusou a se fixar naquilo que via e ouvia no campo de batalha. Ele depositou sua fé no Deus vivo, que, como ele sabia por experiência própria, era digno de confiança.

Como seres humanos frágeis, facilmente influenciados pelo que nossos sentidos indicam, temos a tendência de deixar que os desafios do presente século obscureçam aquilo que aprendemos no passado e nos paralisem. A fé de Davi, porém, não permitiu que isso acontecesse. Ele se lembrou de como Deus o livrou de predadores ferozes e tinha certeza de que o passado se repetiria no presente.

Certamente, Davi tinha habilidade com as armas de pastor, incluindo a funda, arma que pode ser mortal; no entanto, não contou vantagem acerca dessa aptidão nem depositou confiança falsa nela. Ele sabia que a capacitação para a batalha vem do Senhor, bem como a coragem e a força para usar seu treinamento e suas armas com eficácia. Para Davi, o Senhor é digno de plena confiança, pois é o Deus vivo e atuante, que determina o resultado das batalhas e dá vitória e salvação a seu povo.

Viver em função do que vemos restringe a fé e causa medo paralisante. Era o que estava ocorrendo com Saul e o exército de Israel. Diante da ameaça do gigante, o que restava a Israel era ficar parado, esperar e estremecer enquanto o filisteu os desafiava e, indiretamente, desafiava o Deus deles. Quando o povo de Deus reage dessa forma, envia uma mensagem equivocada ao mundo acerca de Deus, e de sua graça provedora e protetora. Davi, com sua atitude de fé e confiança em Deus, desejou que todos os observadores reconhecessem a soberania divina e o compromisso de Deus com o seu povo.

CONCLUSÃO

Deus escolheu e ungiu Davi para abençoar a nação de Israel, cujo descendente legítimo, Jesus Cristo, reinará dessa nação toda a humanidade por mil anos (Ap.20:6), um reinado como nunca houve até agora – de Justiça e Paz – Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos”.

 

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