quinta-feira, 19 de março de 2026

JEOSEBA A MULHER DE FÉ E CORAGEM QUE SALVOU UMA DINASTIA



JEOSEBA: A MULHER DE FÉ E CORAGEM QUE SALVOU UMA DINASTIA

A história de Jeoseba (ou Joseba) é um dos episódios mais cruciais do Antigo Testamento, embora muitas vezes ela seja uma heroína esquecida nas sombras dos grandes reis.

Sem a sua intervenção rápida e corajosa, a linhagem de Davi — da qual a tradição bíblica afirma que viria o Messias — teria sido extinta.

O Cenário de Terror

Tudo começa com a morte do rei Acazias de Judá. Sua mãe, a implacável Atalia, decide tomar o poder para si. Em um ato de crueldade sem precedentes, ela ordena o massacre de todos os herdeiros reais — seus próprios netos — para eliminar qualquer concorrência ao trono.

O Ato de Bravura

Enquanto o palácio estava mergulhado no caos e no sangue, Jeoseba, que era filha do Rei Jorão e irmã (provavelmente por parte de pai) do falecido rei Acazias, agiu com uma agilidade impressionante.

  • O Resgate: Ela conseguiu esconder o bebê Joás, o filho mais novo do rei, no meio dos corpos que seriam levados ou no caos dos aposentos reais.
  • O Esconderijo: Ela não apenas o salvou do momento imediato, mas o escondeu secretamente em um quarto de dormir dentro do Templo do Senhor.

A Aliança Estratégica

Jeoseba não era apenas uma princesa; ela era casada com o Sumo Sacerdote Jeoiada. Essa união entre a realeza e o sacerdócio foi a chave para o sucesso do plano.

  1. Proteção: Joás permaneceu escondido no Templo por seis anos.
  2. Educação: Durante esse tempo, ele foi criado sob a influência espiritual e política de Jeoseba e Jeoiada.
  3. A Restauração: No sétimo ano, Jeoiada organizou um golpe militar e religioso, coroou o menino Joás e executou Atalia, restaurando a dinastia de Davi ao trono.

Por que Jeoseba é um Exemplo de Fé?

  • Risco de Morte: Se Atalia descobrisse que Jeoseba havia escondido um herdeiro, ela certamente seria executada por traição.
  • Ação em vez de Paralisia: Diante de uma tragédia nacional, ela não se limitou a lamentar; ela identificou o que poderia ser salvo e agiu.
  • Preservação da Promessa: Para os leitores bíblicos, Jeoseba é a ferramenta divina que garantiu que a "lâmpada de Davi" não se apagasse, mantendo viva a linhagem que chegaria até Jesus.

"Mas Jeoseba... tomou a Joás, filho de Acazias, e o furtou dentre os filhos do rei, aos quais matavam, e o pôs... na recâmara; e assim o esconderam de Atalia, de modo que não foi morto." (2 Reis 11:2)

Em meio às complexas narrativas do Antigo Testamento, a história de Jeoseba (também conhecida como Josebate) emerge como um farol de fé, coragem e ação decisiva. Sua intervenção heroica foi crucial para preservar a linhagem real de Davi, da qual, séculos depois, nasceria o Messias. Longe dos holofotes e com poucas menções bíblicas, o impacto de suas ações reverbera poderosamente, revelando uma mulher que, impulsionada pela fé, desafiou a tirania e a morte.

Quem foi Jeoseba e o Contexto de Sua Ação?

Jeoseba é apresentada nas Escrituras como filha do rei Jeorão de Judá e, portanto, irmã do rei Acazias. Ela era casada com Joiada, o sumo sacerdote. Sua história está intrinsecamente ligada a um dos períodos mais sombrios da monarquia de Judá, após a morte de Acazias.

O cenário era de caos e perseguição. Atalia, mãe de Acazias e avó de Joás, era uma mulher implacável e sedenta por poder. Ao saber da morte de seu filho, ela orquestrou um golpe sangrento, exterminando toda a descendência real de Judá que restava, com o objetivo de assumir o trono e consolidar seu reinado. A narrativa é vívida em 2 Reis 11:1: "Vendo, pois, Atalia, mãe de Acazias, que seu filho era morto, levantou-se, e destruiu toda a descendência real."

Neste momento de extrema violência e desespero, surge a figura de Jeoseba.

O Ato Heroico de Jeoseba: Salvando Joás

Enquanto Atalia massacrava os príncipes, Jeoseba agiu com uma rapidez e determinação impressionantes. Ela resgatou secretamente seu sobrinho, Joás, que era apenas um bebê, da chacina.

2 Reis 11:2-3 (ACF 2011) descreve este ato:

"Mas Jeoseba, filha do rei Jorão, irmã de Acazias, tomou a Joás, filho de Acazias, furtando-o dentre os filhos do rei, aos quais matavam, e o pôs, a ele e à sua ama na recâmara, e o escondeu de Atalia, e assim não o mataram. E esteve com ela escondido na casa do Senhor seis anos; e Atalia reinava sobre o país."

Este ato não foi apenas um resgate de um bebê; foi um resgate da promessa de Deus. Joás era o único herdeiro restante da linhagem de Davi, através da qual o Messias viria. A fé de Jeoseba, embora não explicitamente detalhada, pode ser inferida por sua ação. Ela arriscou sua própria vida para proteger o futuro da dinastia davídica, demonstrando uma profunda confiança em Deus e em Suas promessas.

Jeoseba e Joiada: Uma Parceria na Fé

O sucesso da ocultação de Joás por seis anos deve-se, em grande parte, à parceria entre Jeoseba e seu marido, Joiada, o sumo sacerdote (cf. 2 Crônicas 22:11). O fato de Joás ter sido escondido no Templo (a "Casa do Senhor") por tanto tempo sublinha a importância da fé e da dedicação de Joiada também. Ele e Jeoseba foram instrumentais em educar Joás nos caminhos do Senhor e, mais tarde, em orquestrar sua ascensão ao trono.

Joiada, com o apoio de Jeoseba, liderou uma conspiração bem-sucedida para depor Atalia e restaurar Joás como o rei legítimo de Judá. Este evento é detalhado em 2 Reis 11 e 2 Crônicas 23, onde Joiada mobiliza os capitães, os levitas e o povo para ungir Joás.

O Legado de Jeoseba: Fé, Coragem e Obediência

Embora as Escrituras não dediquem muitos versículos a Jeoseba, seu impacto é imenso! Ela é um exemplo notável de:

  • Fé em Ação: Não basta crer; é preciso agir de acordo com a fé, mesmo diante do perigo.
  • Coragem Inabalável: Enfrentar uma rainha tirana e assassina exigia uma bravura extraordinária.
  • Discernimento Espiritual: Jeoseba compreendeu a importância da vida de Joás para a continuidade da promessa de Deus.

A história de Jeoseba nos lembra que Deus usa pessoas comuns (mesmo que da realeza) em situações extraordinárias. Seu ato de amor e sacrifício não apenas salvou uma vida, mas garantiu a continuidade da linhagem de Davi, culminando no nascimento de Jesus Cristo.

A narrativa de Jeoseba é um lembrete poderoso de que a fidelidade a Deus, mesmo em tempos de grande adversidade, pode ter consequências eternas. Que sua história nos inspire a agir com fé e coragem, confiando que o Senhor está conosco em cada passo, protegendo Seus propósitos e usando até mesmo os atos mais discretos para cumprir Sua vontade.




O REINADO DE JOÁS

Texto Bíblico: 2 Reis 11:1-3; 12:1-5,17-21 

“Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-os ao teu pescoço; escreve-as na tábua do teu coração e achando graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens” (Pv.3:3,4).

V.P.: “Para ter uma vida de constante comunhão com Deus é necessário abandonar todo tipo de idolatria, e confiar Nele inteiramente”.

2 Reis 11:

1.Vendo, pois, Atalia, mãe de Acazias, que seu filho era morto, levantou-se e destruiu toda a descendência real.

2.Mas Jeoseba, filha do rei Jeorão, irmã de Acazias, tomou a Joás, filho de Acazias, e o furtou dentre os filhos do rei, aos quais matavam, e o pôs, a ele e à sua ama, na recâmara, e o escondeu de Atalia, e assim não o mataram.

3.E Jeoseba o teve escondido na Casa do Senhor seis anos; e Atalia reinava sobre a terra.

2 Reis 12:

1.No ano sétimo de Jeú, começou a reinar Joás e quarenta anos reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Zíbia, de Berseba.

2.E fez Joás o que era reto aos olhos do Senhor todos os dias em que o sacerdote Joiada o dirigia.

3.Tão somente os altos se não tiraram; porque ainda o povo sacrificava e queimava incenso nos altos.

4.E disse Joás aos sacerdotes: Todo o dinheiro das coisas santas que se trouxer à Casa do Senhor, a saber, o dinheiro daquele que passa o arrolamento, o dinheiro de cada uma das pessoas, segundo a sua avaliação, e todo o dinheiro que trouxer cada um voluntariamente para a Casa do Senhor,

5.os sacerdotes o recebam, cada um dos seus conhecidos; e eles reparem as fendas da casa, segundo toda fenda que se achar nela.

17.Então, subiu Hazael, rei da Síria, e pelejou contra Gate, e a tomou; depois, Hazael resolveu marchar contra Jerusalém.

18.Porém, Joás, rei de Judá, tomou todas as coisas santas que Josafá, e Jeorão, e Acazias, seus pais, reis de Judá, consagraram, como também todo o ouro que se achou nos tesouros da Casa do Senhor e na casa do rei; e os mandou a Hazael, rei da Síria; e este, então, se retirou de Jerusalém.

19.Ora, o mais dos atos de Joás e tudo quanto fez mais, porventura, não estão escritos no livro das Crônicas dos Reis de Judá?

20.E levantaram-se os seus servos, e conspiraram contra ele, e feriram Joás na casa de Milo, que desce para Sila.

21.Porque Jozacar, filho de Simeate, e Jozabade, filho de Somer, seus servos, o feriram, e morreu; e o sepultaram com seus pais na Cidade de Davi; e Amazias, seu filho, reinou em seu lugar.

INTRODUÇÃO

Neste Estudo trataremos do reinado de Joás, o qual, quando tinha um ano de idade, foi salvo de ser assassinado pela cruel Atália, que governava Judá (2Rs.11:1-3); ela era filha de Acabe e Jezabel (2Rs.8:18). Jeoseba, esposa do sacerdote Joiada, foi quem escondeu Joás. Por ser ainda criança, recebia orientações e conselhos do sacerdote Joiada, e enquanto seguiu as orientações deste sumo-sacerdote, fez o que era reto diante do Senhor. Em seu reinado ele eliminou o baalismo, restaurou o culto ao Deus de Israel, reparou o Templo etc.; todavia, depois da morte de Joiada, Joás se deixou seduzir pelos líderes do povo, e mergulhou na impiedade, injustiça e idolatria. O castigo divino foi implacável; seu reino foi invadido pela Síria, e seus próprios servos voltaram-se contra ele e o mataram. Começou bem, mas terminou mal.

Quando a pessoa insiste em permanecer no pecado, ele se afasta de Deus, toma decisões erradas e a tendência é perder tudo o que conquistou; isto ocorreu com Joás. É uma lição para todos os crentes.

1. O LIVRAMENTO DE JOÁS 

1. As tramas reais

A disputa pelo poder, tanto no reino de Israel como no reino de Judá, movia-se para tremendas tramas com resultados trágicos; muitas das vezes, a morte do oponente era certa. Foi o que ocorreu no reinado de Acazias, filho único de Jeorão (2Cr.22:1) - filho do rei Josafá com Atália (filha de Acabe). Josafá, rei de Judá, foi um bom rei, mas teve a péssima ideia de se aparentar com a família de Acabe, permitindo que seu filho Jeorão se casasse com a filha de Acabe; é o que a Bíblia chama de jugo desigual.

Quando Jeú foi ungido rei de Israel - reino do Norte (2Reis 9:3) -, ele eliminou todos os descendentes de Acabe e Jezabel (2Reis 9:7; cap.10), inclusive Jezabel foi morta a mando dele (2Reis 9:33), cumprindo assim as profecias de Elias e de outros profetas. E no andamento de sua incursão contra a família de Acabe, Jeú também matou o rei Acazias, rei de Judá (cf. 2Reis 9:27), que era filho único de Atália (2Rs.11:1). Vendo que seu filho, Acazias, tinha sido morto, Atália usurpou o trono e começou a reinar em seu lugar (2Cr.22:12; 2Reis 11:3). Atália, foi o único regente não davídico da história de Judá. Seu reinado de terror durou seis anos.

2. A coragem do sacerdote Joiada

Quando o rei Acazias, filho único de Jeorão e Atália, foi morto no expurgo que Jeú fez na casa de Acabe numa visita ao Norte, a traiçoeira Atália assumiu o trono de Judá e, em uma atitude desesperada de manter o poder, tentou eliminar da sucessão todos os descendentes de Davi, inclusive todos os seus netos, dentre eles estava Joás, filho caçula de Acazias. Mas, esta tentativa dela, de matar todos os filhos de Acazias, foi inútil porque Deus prometera que o Messias nasceria dos descendentes de Davi (cf.2Sm.7).

Joás, o único sobrevivente, foi salvo e escondido por seus tios Jeoseba e Joiada; ele tinha 01(um) ano de idade quando foi escondido. O trabalho de Joiada como sacerdote tornou possível manter Joás escondido no Templo por seis anos (2Rs.11:2,3). Naquela ocasião, o Templo era o lugar prático e natural para esconder Joás, pois, Atália, que amava a idolatria, não se interessaria por este ambiente. E assim foi preservada a linhagem davídica, da qual nasceria o Messias (2Reis11:2,3; 2Sm.7:11,16; 1Rs.8:25; cf. Mt.1:8,9). Nesse período, Joiada preparou Joás para assumir o trono e lhe ensinou as leis mosaicas.

Há momentos na vida em que o perigo nos cerca sem que o percebamos. São nessas horas que o Senhor intervém nos concedendo escape e proteção. E muitas vezes não atentamos que a mão de Deus fizera tão grande feito por nós.

3. A estratégia bem-sucedida

Quando Joás completou sete anos, Joiada armou uma estratégia para empossar Joás. Ele mandou chamar os oficiais da guarda real e lhes mostrou o herdeiro do trono. Fez com eles aliança para derrubar Atália e coroar Joás. Em seguida, Joiada fez sair Joás e o apresentou ao povo. Colocou a coroa sobre a cabeça do menino e lhe deu uma cópia do Livro da Lei. O povo bateu palmas e gritou: “Via o rei!” (2Rs.11:4-12).

Quando Atália ouviu o clamor do povo, se dirigiu ao átrio da Casa do Senhor e, ao ver o que se passava, exclamou: “Traição! Traição!”. Joaida deu a ordem para aplicar a pena capital na ímpia governante, mas não desejava que ela fosse morta nos arredores do Templo. Ordenou, portanto, que fosse levada para fora por entre as fileiras de soldados e executada na entrada dos cavalos (cf. 2Rs.11:13-16). O rei Joás foi escoltado até o palácio num grande desfile, e alegrou-se todo o povo que presenciara este acontecimento (2Rs.11:17-21).

O sacerdote fez aliança entre o Senhor, o novo rei e o povo para servirem ao Senhor. Numa demonstração de lealdade a Deus, o povo removeu o templo de Baal, local de culto promovido por Atália, executou o sacerdote de Baal, despedaçou as imagens e altares, e refez a aliança com Deus (2Cr.23:16,17).

II. O REINADO DE JOÁS E A REPARAÇÃO DO TEMPLO



1. A arrecadação para reparar o Templo

A Bíblia diz que Joás fez o que era reto aos olhos do SENHOR todos os dias em que o sacerdote Joiada o dirigia (2Rs.12:2). Joás não contribuiu o suficiente para remover o pecado da nação, mas fez muitas coisas boas e justas, e a sua principal contribuição foi a reforma da Casa do Senhor. O Templo precisava de reparos porque fora danificado e negligenciado por líderes maldosos anteriores, especialmente por Atalia (2Cr.24:7) – “Porque, sendo Atalia ímpia, seus filhos arruinaram a Casa de Deus e até todas as coisas sagradas da Casa do Senhor empregaram em baalins”.

O Templo deveria ser um lugar santo, separado para a adoração a Deus, mas estava completamente desamparado, sem manutenção há muito tempo, e cessado os ritos prescritos por Deus. A condição descuidada do Templo revelava a que distância o povo estava do Senhor, por ter se desviado dele. Joás, vendo a precariedade do Templo, incentivou o povo e os sacerdotes a arrecadarem ofertas para a sua manutenção (2Rs.12:4,5; 2Cr.24:8-14).

“E deu o rei ordem, e fizeram uma arca e a puseram fora, à porta da Casa do Senhor.
E publicou-se em Judá e em Jerusalém que trouxessem ao Senhor a oferta que Moisés, o servo de Deus, havia imposto a Israel no deserto. Então, todos os príncipes e todo o povo se alegraram, e trouxeram a oferta, e a lançaram na arca, até que acabaram a obra.

E sucedeu que, ao tempo que traziam a arca pelas mãos dos levitas, segundo o mandado do rei, e vendo que já havia muito dinheiro, vinham o escrivão do rei e o comissário do sumo sacerdote, e esvaziavam a arca, e a tomavam, e a tornavam ao seu lugar; assim faziam dia após dia e ajuntaram dinheiro em abundância, o qual o rei e Joiada davam aos que dirigiam a obra do serviço da Casa do Senhor e alugaram pedreiros e carpinteiros, para renovarem a Casa do Senhor, como também ferreiros e serralheiros, para repararem a Casa do Senhor.

E os que dirigiam a obra faziam que a reparação da obra fosse crescendo pelas suas mãos, e restauraram a Casa de Deus ao seu estado, e a fortaleceram” (2Cr.24:8-13).

Os levitas foram negligentes quanto à sua responsabilidade de coletar dinheiro – eles “não se apressaram” (2Cr.24:5). Mas, agora, o imposto do Templo foi novamente instituído com a finalidade de gerar os recursos necessários conforme prescritos (Êx.30:12-16; Nm.1:50). Uma caixa de ofertas serviu a este propósito, e houve rapidamente bastante material à disposição dos trabalhadores e também os recursos necessários para a restauração dos utensílios sagrados.

Graças ao programa de arrecadação de fundos ordenado por Joás, o Templo foi restaurado. A sujeira que se acumulou no seu interior durante vários anos foi posta para fora; ídolos pagãos e outros objetos relacionados aos deuses falsos foram removidos; o ouro e o bronze foram polidos. Aqueles que administram os bens destinados para a obra de Deus devem fazê-lo com dedicação, sinceridade, honestidade, fidelidade e amor.

“E, depois de acabarem, trouxeram o resto do dinheiro diante do rei e de Joiada e dele fizeram utensílios para a Casa do Senhor, e objetos para ministrar e oferecer, e perfumadores e vasos de ouro e de prata. E continuamente sacrificaram holocaustos na Casa do Senhor, todos os dias de Joiada” (2Cr.24:14).

Este texto mostra que, durante as reformas, os valores arrecadados não foram usados para comprar utensílios para o Templo, mas depois de completadas as obras, os fundos restantes foram usados para este fim. Em obediência à Palavra de Deus (Lv.5:16; Nm.5:8,9), o dinheiro da oferta pela culpa e o dinheiro da oferta pelos pecados continuaram a ser entregues aos sacerdotes.

2. A fidelidade dos tesoureiros

“Também não pediam contas aos homens em cujas mãos entregavam aquele dinheiro, para o dar aos que faziam a obra, porque procediam com fidelidade” (2Reis 12:15).

Este texto já diz tudo sobre o caráter impoluto dos tesoureiros. Como eles eram homens honestos e leais, não havia necessidade de exigir prestação de contas pública dos fundos arrecadados. Observe que estes tesoureiros não eram sacerdotes e nem levitas que prestavam serviços no Templo. Porém, além de sua fidelidade, honestidade e lealdade, eram dedicados e fiéis na obra do Senhor. Algumas vezes a obra do Senhor é mais bem desempenhada por leigos dedicados.

3. Fidelidade, um atributo que enobrece

Fidelidade é a característica de quem tem bom caráter, é fiel e demonstra respeito por alguém e pelo compromisso assumido com outrem; é sinônimo de lealdade. Se Deus procura os fiéis da terra para que estejam com Ele (Sl.101:6), a fidelidade, entre outras virtudes, é algo que atrai a atenção de Deus. Está escrito: “Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-as ao teu pescoço; escreve-as na tábua do teu coração e acharás graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens” (Pv.3:3,4).

Os tesoureiros referidos em 2Rs.12:15, além de honestos demonstraram fidelidade, lealdade. Bem diz o pr. Claiton: “não importa a quantia que está sendo administrada, Deus jamais se agradará de qualquer subtração de valores financeiros ou vantagens pessoais”.

Houve um tempo em que a palavra de um homem tinha grande valor, e um aperto de mão era tão bom quanto um contrato assinado. Isto não parece ser verdade em nossos dias. Mas o homem que anda com Deus deve ser diferente, porque nele está a lealdade, honestidade e sinceridade. Como virtude do Fruto do Espírito, a fidelidade nos torna leais a Deus, leais a nossos companheiros, amigos, colegas de trabalho, empregados e empregadores. O homem leal apoiará o que é certo mesmo quando for mais fácil permanecer calado. Ele é leal, quer esteja calado, quer esteja sendo observado. Este princípio é ilustrado na Parábola dos Talentos, em Mateus 25:14-30 - os servos que eram fiéis e fizeram como foram instruídos mesmo na ausência do senhor foram elogiados e recompensados. O servo infiel foi castigado. Sem dúvida, a fidelidade, a lealdade e a honestidade são atributos que enobrecem o servo de Deus!

III. A CONSPIRAÇÃO CONTRA JOÁS 

1. O declínio do reinado

O declínio do reinado de Joás deu-se a partir da morte de seu principal líder espiritual: o sumo sacerdote Joiada (2Cr.24:15-25). Desprovido da influência piedosa do sacerdote, Joás buscou o conselho de idólatras, passou a adorar ídolos (2Cr.24:18) e a confiar em suas próprias forças (2Rs.12:17,18); o resultado foi a decadência de seu reino - “A desobediência a Deus e a confiança na força do próprio braço nos levam a escolhas ruins que afetam o destino de nossas vidas”.

Jeová enviou profetas para advertir Joás, mas em vez de se arrepender, o rei de Judá se rebelou. Diz o texto sagrado: “Porém, depois da morte de Joiada, vieram os príncipes de Judá e prostraram-se perante o rei; e o rei os ouviu. E deixaram a Casa do Senhor, Deus de seus pais, e serviram às imagens do bosque e aos ídolos; então, veio grande ira sobre Judá e Jerusalém por causa desta sua culpa” (2Cr.24:17,18). Deixar o Senhor e permanecer em desobedecer aos seus ditames, a consequência trágica é inevitável.

Joás era tão dependente de Joiada que há poucas evidências de que ele tenha alguma vez estabelecido um verdadeiro relacionamento com o Deus a quem Joiada servia e obedecia. Como muitos filhos, o conhecimento de Joás a respeito de Deus vinha de uma fonte indireta. Este foi um bom começo, mas o rei precisava investir em um relacionamento pessoal com Deus, que seria duradouro e o levaria a rejeitar os maus conselhos que recebeu. O melhor conselho é ineficaz se não nos ajudar a tomar decisões sábias.

É interessante observar o seguinte: se tudo ia tão bem em Judá quando adoravam a Deus, por que se afastaram dele? A prosperidade pode ser tanto uma bênção como uma maldição. Embora seja um sinal da bênção de Deus, concedida àqueles que o seguem, pode trazer consigo o potencial do declínio moral e espiritual. Um povo próspero pode ser tentado a tornar-se orgulhoso e autossuficiente, e pensar que Deus está em suas vidas a despeito do modo como age. Em nossa prosperidade, não devemos nos esquecer de que Deus é a fonte de nossas bênçãos.

2. Conspiração e morte no reino

Quando o rei Joás e a nação de Judá abandonaram a Deus, Zacarias, filho do sumo sacerdote, foi enviado para conclamá-los ao arrependimento. Antes de distribuir seu julgamento e castigo, Deus lhes deu mais uma oportunidade. Da mesma forma, Ele não nos abandona nem lança imediatamente sobre nós seu juízo, quando pecamos. Pelo contrário, procura falar conosco por meio de sua Palavra, de seu Espírito que habita em nós, também por meio dos nossos semelhantes e, às vezes, por meio da disciplina. Deus não deseja nos destruir, e sim o nosso urgente retorno. Zacarias, filho de Joiada, transmitiu a advertência de Deus ao povo, mas seus ouvintes o apedrejaram, por mandado do rei. Joás nem mesmo se lembrou da beneficência que Joiada lhe fizera. Diz assim o texto sagrado:

“E o Espírito de Deus revestiu a Zacarias, filho do sacerdote Joiada, o qual se pôs em pé acima do povo e lhes disse: Assim diz Deus: Por que transgredis os mandamentos do Senhor? Portanto, não prosperareis; porque deixastes o Senhor, também ele vos deixará. E eles conspiraram contra ele e o apedrejaram com pedras, por mandado do rei, no pátio da Casa do Senhor. Assim, o rei Joás não se lembrou da beneficência que Joiada, pai de Zacarias, lhe fizera; porém matou-lhe o filho, o qual, morrendo, disse: O Senhor o verá e o requererá” (2Cr.24:20-22).

Talvez em resposta à oração final de Zacarias antes de sua morte, o Senhor tenha enviado o exército pouco numeroso dos sírios para saquear Judá e matar os oficiais e príncipes. Aqueles que deram conselhos ímpios a Joás foram mortos. Jerusalém só foi salva porque Joás retirou os tesouros do Templo e os mandou a Hazael, rei da Síria; e este, então, se retirou de Jerusalém (2Reis 12:18). Após a batalha, ferido, os próprios servos de Joás conspiraram contra ele e o mataram em sua cama. Diz assim o texto sagrado:

 “E sucedeu, no decurso de um ano, que o exército da Síria subiu contra ele, e vieram a Judá e a Jerusalém, e destruíram dentre o povo a todos os príncipes do povo, e todo o seu despojo enviaram ao rei de Damasco. Porque, ainda que o exército dos siros viera com poucos homens, contudo, o Senhor deu nas suas mãos um exército de grande multidão, porquanto deixaram ao Senhor, Deus de seus pais. Assim executaram os juízos de Deus contra Joás. E, retirando-se dele (porque em grandes enfermidades o deixaram), seus servos conspiraram contra ele, por causa do sangue do filho do sacerdote Joiada, e o mataram na sua cama, e morreu; e o sepultaram na Cidade de Davi, porém não o sepultaram nos sepulcros dos reis” (2Cr.24:23-25).

Por haver abandonado o Senhor, as boas realizações anteriores de Joás não tiveram valor nenhum. Ele reparou e reabasteceu o Templo de mobília e utensílios, mas entregou seus tesouros a Hazael, rei da Síria (2Rs.12:17,18).

É importante começar bem, mas é mais importante ainda terminar bem. Ciente da tendência humana de perder o zelo com o tempo, o apóstolo João nos adverte: “Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão” (2João 8).

CONCLUSÃO

Joás foi salvo da morte certa pela ímpia Atalia, foi educado na Casa do Senhor pelo um dos melhores sacerdotes que Judá já teve, o sacerdote Joiada (2Cr.24:16), mas caiu na desgraça quando esteve sozinho, sem uma liderança espiritual por perto. Apesar de ter recebido tantos ensinamentos pelo sacerdote Joaida, pelo exemplo e por doutrinas, Joás não se interessou em absorvê-las e adquirir maturidade espiritual suficiente. Seu coração sempre esteve no mundo, mesmo se dizendo que era crente, e estando constantemente na Casa do Senhor. Chegou a adorar ídolos e perdeu completamente a noção de justiça ao mandar assassinar o profeta Zacarias, filho de Joiada. Por isso, o juízo de Deus seria inevitável. O reinado e Joás entrou em decadência e ele acabou assassinado por dois de seus servos.

Joás, por não ter o cuidado necessário de guardar a sua fé em Deus, fracassou desgraçadamente, e este fracasso foi porque abandou os mandamentos do Senhor e os bons conselhos de seu líder espiritual, que não estava mais vivo, valorizando mais os maus conselhos dos amigos que não temiam a Deus.

Joás fracassou de forma lamentável, e o criticamos por isso, porém, muitas vezes nós também caímos frequentemente nas mesmas armadilhas. Muitas vezes seguimos conselhos tolos sem considerar a Palavra de Deus. Quem é você quando está sozinho, quando o seu líder espiritual não está por perto, quando você está com pessoas que dizem ser seus amigos?

 


quarta-feira, 18 de março de 2026

A MULHER SÁBIA DE ABEL-BETE-MAACÁ

 


A MULHER SÁBIA DE ABEL-BETE-MAACÁ

Ela não Era Rainha ou profetisa, não tinha Exército, sequer seu nome foi citado!

TEXTO BÍBLICO: II SAMUEL 20

A sedição de Sebá e a sua morte 

1 Ora, sucedeu achar-se ali um homem de Belial, cujo nome era Sebá, filho de Bicri, homem de Benjamim, o qual tocou a buzina, e disse: Não temos parte em Davi, nem herança no filho de Jessé; cada um à sua tenda, ó Israel!

2 Então todos os homens de Israel se separaram de Davi, e seguiram a Sebá, filho de Bicri; porém os homens de Judá seguiram ao seu rei desde o Jordão até Jerusalém.

3 Quando Davi chegou à sua casa em Jerusalém, tomou as dez concubinas que deixara para guardarem a casa, e as pôs numa casa, sob guarda, e as sustentava; porém não entrou a elas. Assim estiveram encerradas até o dia da sua morte, vivendo como viúvas.

4 Disse então o rei a Amasa: Convoca-me dentro de três dias os homens de Judá, e apresenta-te aqui.

5 Foi, pois, Amasa para convocar a Judá, porém demorou-se além do tempo que o rei lhe designara.

6 Então disse Davi a Abisai: Pior agora nos fará Sebá, filho de Bicri, do que Absalão; toma, pois, tu os servos de teu senhor, e persegue-o, para que ele porventura não ache para si cidades fortificadas, e nos escape à nossa vista.

7 Então saíram atrás dele os homens de Joabe, e os quereteus, e os peleteus, e todos os valentes; saíram de Jerusalém para perseguirem a Sebá, filho de Bicri.

8 Quando chegaram à pedra grande que está junto a Gibeão, Amasa lhes veio ao encontro. Estava Joabe cingido do seu traje de guerra que vestira, e sobre ele um cinto com a espada presa aos seus lombos, na sua bainha; e, adiantando-se ele, a espada caiu da bainha.

9 E disse Joabe a Amasa: Vais bem, meu irmão? E Joabe, com a mão direita, pegou da barba de Amasa, para o beijar.

10 Amasa, porém, não reparou na espada que está na mão de Joabe; de sorte que este o feriu com ela no ventre, derramando-lhe por terra as entranhas, sem feri-lo segunda vez; e ele morreu. Então Joabe e Abisai, seu irmão, perseguiram a Sebá, filho de Bicri.

11 Mas um homem dentre os servos de Joabe ficou junto a Amasa, e dizia: Quem favorece a Joabe, e quem é por Davi, siga a Joabe.

12 E Amasa se revolvia no seu sangue no meio do caminho. E aquele homem, vendo que todo o povo parava, removeu Amasa do caminho para o campo, e lançou sobre ele um manto, porque viu que todo aquele que chegava ao pé dele parava.

13 Mas removido Amasa do caminho, todos os homens seguiram a Joabe, para perseguirem a Sebá, filho de Bicri.

14 Então Sebá passou por todas as tribos de Israel até Abel e Bete-Maacá; e todos os beritas, ajuntando-se, também o seguiram.

15 Vieram, pois, e cercaram a Sebá em Abel de Bete-Maacá; e levantaram contra a cidade um montão, que se elevou defronte do muro; e todo o povo que estava com Joabe batia o muro para derrubá-lo.

16 Então uma mulher sábia gritou de dentro da cidade: Ouvi! ouvi! Dizei a Joabe: Chega-te cá, para que eu te fale.

17 Ele, pois, se chegou perto dela; e a mulher perguntou: Tu és Joabe? Respondeu ele: Sou. Ela lhe disse: Ouve as palavras de tua serva. Disse ele: Estou ouvindo.

18 Então falou ela, dizendo: Antigamente costumava-se dizer: Que se peça conselho em Abel; e era assim que se punha termo às questões.

19 Eu sou uma das pacíficas e das fiéis em Israel; e tu procuras destruir uma cidade que é mãe em Israel; por que, pois, devorarias a herança do Senhor?

20 Então respondeu Joabe, e disse: Longe, longe de mim que eu tal faça, que eu devore ou arruíne!

21 A coisa não é assim; porém um só homem da região montanhosa de Efraim, cujo nome é Sebá, filho de Bicri, levantou a mão contra o rei, contra Davi; entregai-me só este, e retirar-me-ei da cidade. E disse a mulher a Joabe: Eis que te será lançada a sua cabeça pelo muro.

22 A mulher, na sua sabedoria, foi ter com todo o povo; e cortaram a cabeça de Sebá, filho de Bicri, e a lançaram a Joabe. Este, pois, tocou a buzina, e eles se retiraram da cidade, cada um para sua tenda. E Joabe voltou a Jerusalém, ao rei.

Este é um dos relatos mais fascinantes e subestimados do Antigo Testamento. Localizada em 2 Samuel 20, a história da mulher sábia de Abel-Bete-Maaca nos apresenta uma figura de liderança diplomática, autoridade cívica e discernimento espiritual em um momento de crise nacional.

1. O Contexto Histórico e Geográfico


A narrativa ocorre logo após a revolta de Absalão. O rei Davi está tentando consolidar seu reino novamente quando surge uma nova ameaça: Seba, filho de Bicri, um benjamita que incita uma rebelião contra Davi.

  • A Fuga: Seba foge para o extremo norte de Israel, refugiando-se em Abel-Bete-Maaca.
  • O Cerco: Joabe, o general de Davi, cerca a cidade e começa a construir uma rampa de assalto para derrubar os muros. A destruição total de uma cidade israelita estava prestes a acontecer por causa de um único rebelde.

A Importância da Cidade

Abel-Bete-Maaca era conhecida como uma "mãe em Israel". Esse termo sugere que era uma cidade metrópole, um centro de sabedoria e aconselhamento jurídico e espiritual.

2. O Perfil da Mulher Sábia

Diferente de outros personagens, ela não tem nome próprio registrado, o que realça seu papel funcional: ela personifica a Sabedoria.

  • Iniciativa e Coragem: Enquanto os homens da cidade se preparavam para o impacto ou para a morte, ela subiu ao muro. Ela não esperou ser consultada; ela convocou o general do exército inimigo.
  • Autoridade Reconhecida: O fato de Joabe parar o ataque para ouvi-la indica que ela possuía um status social ou profético respeitado na região.

3. A Estratégia Diplomática (O Diálogo)

O diálogo entre a mulher e Joabe (2 Samuel 20:16-22) é uma aula de negociação e teologia aplicada:

  1. O Resgate da Identidade: Ela lembra a Joabe que a cidade é antiga e famosa por resolver disputas pacificamente. Ela cita um ditado: "Quem quiser conselho, peça-o em Abel".
  2. A Identificação como "Fiel e Pacífica": Ela se coloca como representante dos que são leais a Israel. Ela questiona Joabe: "Por que queres destruir a herança do Senhor?".
  3. A Distinção entre o Culpado e a Comunidade: Ela consegue separar o problema (Seba) do local (a cidade). Ela propõe uma solução cirúrgica: a cabeça do rebelde em troca da preservação de milhares de inocentes.

4. Lições Espirituais e Práticas

A. Sabedoria como Ferramenta de Pacificação

Ela aplicou o que Provérbios 21:22 diz: "O sábio escala a cidade dos poderosos e derruba a fortaleza em que ela confia". A força bruta de Joabe foi vencida pela retórica correta.

B. A Responsabilidade de Interceder

Muitas vezes, cidades ou famílias estão sob "cerco" devido a erros de terceiros. A mulher sábia nos ensina que uma pessoa com discernimento pode intervir e mudar o destino de toda uma comunidade.

C. Fidelidade à "Herança do Senhor"

Ela não defendeu Seba, o rebelde. Ela defendeu a paz e a aliança com Deus. Ser sábio não é ser "neutro", mas saber o que deve ser sacrificado (o pecado/rebelião) para salvar o que é sagrado (o povo/a vida).

5. Conclusão do Estudo

A mulher sábia de Abel-Bete-Maaca entra para a história bíblica como um contraponto à violência da época. Ela prova que a palavra certa, dita no momento certo, tem mais poder que um exército de batedores. Ela salvou sua cidade não com espadas, mas com identidade, história e justiça.

Texto Chave: "Então, a mulher, na sua sabedoria, foi a todo o povo, e cortaram a cabeça de Seba... e Joabe tocou a trombeta, e se retiraram da cidade..." (2 Samuel 20:22)

[Curso de Água da Casa de Maacá].

Uma cidade fortificada de Naftali, na Palestina setentrional, provavelmente a 7 km ao ONO de Dã, identificada com Tell Abil (Tel Avel Bet Maʽakha). Estava situada convenientemente na estrada que de Hazor seguia para o norte, na encruzilhada da rota E-O de Damasco a Tiro.

Os homens de Davi, sob as ordens de Joabe, sitiaram a cidade quando o rebelde Seba se refugiou ali. Daí, uma mulher sábia, falando em nome ‘dos pacíficos e dos fiéis de Israel’, rogou a Joabe que não destruísse Abel, que desde a antiguidade era o lugar onde se indagava por julgamentos sábios, portanto, uma “mãe em Israel”; significando provavelmente também uma metrópole ou cidade com aldeias dependentes. Atendendo o pedido desta mulher, os habitantes lançaram a cabeça de Seba por cima da muralha e a cidade foi poupada. — 2Sa 20:14-22.

Instigado por Asa, de Judá, o sírio Ben-Hadade I derrubou Abel-Bete-Maacá para fazer Baasa, de Israel, desistir de construir Ramá. (1Rs 15:20; veja RAMÁ N.º 1.) Abel de Bete-Maacá foi capturada por Tiglate-Pileser III, da Assíria, durante o reinado de Peca, e seus habitantes foram mandados ao exílio. (2Rs 15:29) Esta cidade, chamada nos textos assírios de Abilakka, aparece nas inscrições de Tiglate-Pileser III, na lista das cidades que ele conquistou. Os circundantes campos férteis, bem regados, sem dúvida deram origem a outro nome merecido, Abel-Maim (significando “Curso de Água de Águas”). Sua localização tornava-a excelente lugar de armazenagem. — 2Cr 16:4.

Abel-Bete-Maaca

Abel-Bete-Maaca uma cidade no norte da Palestina, na tribo de Naftali. Era um lugar de considerável força e importância. É chamado de “mãe em Israel”, ou seja, uma metrópole (2Samuel 20:19). Foi cercado por Joabe (2Samuel 20:14), por Benadade (1Reis 15:20), e por Tiglate-Pileser (2Reis 15:29) em 734 aC. É em outro lugar chamado Abel-Maim, prado das águas, (2Crônicas 16:4). Seu local é ocupado pela Abil al-Qamh moderna, em um terreno em ascensão a leste do riacho dedara, que flui através da planície de Hula até o Jordão, a cerca de 10 km a oeste-noroeste de Dã.

“Então, uma mulher sábia gritou de dentro da cidade: Ouvi, ouvi, peço-vos que digais a Joabe: Chega-te cá, para que eu te fale”, 2 Samuel 20.16

Quem é a mulher sábia de Abel-Bete-Maacá? Em 2 Samuel 20:14-22, essa mulher se levanta contra Joabe, o comandante do exército do rei Davi, e negocia habilmente a salvação de sua cidade. Por que Joabe a ouve?

Em seu artigo “A Mulher Sábia de Abel-Bete-Maacá”, publicado na edição de julho/agosto/setembro/outubro de 2019 da revista Biblical Archaeology Review, Nava Panitz-Cohen e Naama Yahalom-Mack, da Universidade Hebraica de Jerusalém, investigam essa figura bíblica. Juntamente com Robert Mullins, da Universidade Azusa Pacific, Panitz-Cohen e Yahalom-Mack dirigem escavações no sítio arqueológico de Tel Abel-Bete-Maacá, no norte de Israel. Suas escavações fornecem informações sobre a figura da Mulher Sábia de Abel-Bete-Maacá.

A Bíblia menciona duas mulheres sábias: a Sábia de Tecoa (2 Samuel 14) e a Sábia de Abel-Bete-Maacá (2 Samuel 20). Ambas aparecem em narrativas relacionadas ao reinado do Rei Davi. Elas agem com sabedoria e autoridade, dando conselhos que são acatados por homens poderosos — o Rei Davi, no primeiro caso, e Joabe, no segundo.

CONCLUSÃO

Apesar de não revelar o seu nome, a Bíblia nos apresenta uma sábia mulher que foi fundamental para que o seu povo não fosse destruído. Quando um homem chamado Seba se levantou contra Davi, esse homem viajou por várias cidades falando mal do rei. Receoso que este se tornasse um inimigo pior do que Absalão, Davi ordenou que Joabe e seu exército perseguissem a Seba.

Quando Joabe e seus soldados chegaram na cidade de Abel de Bete-Maaca, intentaram derrubar sua muralha, essa sábia mulher bradou solicitando que Joabe a ouvisse e disse a ele: “Eu sou uma das pacíficas e das fiéis em Israel; e tu procuras matar uma cidade que é mãe em Israel; por que, pois, devorarias a herança do Senhor?”, 2 Samuel 20.19.

Joabe se justificou informando que não tinha o desejo de destruir aquela cidade, mas que algo precisava ser feito a respeito de Seba. Foi então que ela se posicionou e disse: “... Eis que te será lançada a sua cabeça pelo muro”, 2 Samuel 20.21b. O versículo seguinte mostra que aquela mulher reuniu o povo, que cortou a cabeça de Seba e a jogou a Joabe. Sendo assim, a cidade não foi invadida.

Extraímos três lições importantes nesta história: não devemos deixar o inimigo entrar em nosso território; devemos ser pacíficas e nos manifestarmos evitando guerras e mortes, sejam elas emocionais ou físicas; e que precisamos saber exatamente o que queremos e agirmos de forma objetiva e determinada.

Aquela mulher se mostrou uma grande líder, alguém que se colocou na brecha para resolver problemas. Ao terminar seu diálogo com Joabe ela mobilizou a cidade a tomar uma decisão de salvação. É essa atitude que Deus espera de nós, precisamos mobilizar aqueles que fazem parte do nosso território espiritual a tomar decisões de salvação e de vida. Que você seja essa mulher!

 


terça-feira, 17 de março de 2026

CELEBRAÇÃO DA PRIMEIRA PÁSCOA


 CELEBRAÇÃO DA PRIMEIRA PÁSCOA

Texto Bíblico: Êxodo 12:1-11

"Assim, pois, o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do Senhor” (Ex 12:11)

A passagem de Êxodo 12:11 não descreve apenas uma refeição, mas um estado de prontidão. Após séculos de escravidão no Egito, este era o "momento zero" da liberdade de Israel.

O Contexto da Prontidão

O texto diz: "Assim pois o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do Senhor."

Deus não queria que o povo estivesse relaxado. Cada detalhe do "figurino" para o jantar tinha um propósito prático e simbólico:

  • Lombos cingidos: Naquela época, as pessoas usavam túnicas longas. Para correr ou trabalhar, era preciso amarrar a vestimenta com um cinto na cintura para não tropeçar. Significava: "Estejam prontos para partir a qualquer segundo".
  • Sapatos nos pés: Normalmente, entrava-se em casa e tirava-se as sandálias para descansar. Comer calçado indicava que a jornada começaria antes mesmo da digestão terminar.
  • Cajado na mão: O cajado era a ferramenta do caminhante e do pastor. Era o apoio para a longa travessia pelo deserto que estava por vir.
  • Comer apressadamente: Não era um banquete social; era uma refeição de sobrevivência. A libertação seria tão rápida que não haveria tempo para o pão levedar (por isso o uso de pães ázimos).

O Significado da Palavra "Páscoa"

A palavra hebraica é Pesach, que significa "passar por cima" ou "pular".

Enquanto os israelitas comiam prontos para sair, o anjo da morte passaria pelo Egito. O sangue do cordeiro nos umbrais das portas era o sinal para que o juízo "pulasse" aquela casa, poupando os primogênitos.

Conexão com o Novo Testamento

Para os cristãos, Êxodo 12:11 é uma prefiguração (um "tipo") de Jesus:

  • O Cordeiro: Assim como o sangue do cordeiro protegeu os hebreus, Jesus é chamado de "Cordeiro de Deus".
  • A Prontidão Espiritual: A recomendação de estar "cingido e pronto" é repetida por Jesus e pelos apóstolos (como em 1 Pedro 1:13), incentivando o fiel a estar sempre preparado para a "viagem" espiritual ou o retorno de Cristo.

Resumo dos Elementos Principais

Elemento

Significado Físico

Significado Espiritual

Cinto (Lombos)

Mobilidade para fugir

Prontidão mental e vigilância

Sandálias

Proteção para o caminho

Disposição para seguir o chamado

Cajado

Apoio para a caminhada

Confiança na autoridade de Deus

Pressa

Urgência da saída

Reconhecer que o mundo é temporário

 

Com certeza. Cada item colocado na mesa naquela noite não era apenas alimento, mas um símbolo visual e sensorial projetado para que o povo nunca esquecesse a experiência da libertação.

Aqui estão os três componentes principais da refeição da Páscoa original e o que eles representam:

1. O Cordeiro (O Sacrifício)

O cordeiro era a peça central. Ele deveria ser assado no fogo, inteiro, sem que nenhum osso fosse quebrado.

  • Significado: Representava o substituto. Para que o primogênito da casa vivesse, um cordeiro perfeito (sem defeito) tinha que morrer.
  • Conexão Espiritual: Para os cristãos, aponta diretamente para Jesus. O fato de ser "assado no fogo" simboliza o julgamento que Ele suportou, e a proibição de quebrar os ossos foi cumprida na crucificação (João 19:36).

2. Pães Ázimos (Pão sem Fermento)

O fermento, na Bíblia, é frequentemente usado como símbolo da corrupção, do pecado ou da influência do mundo.

  • Significado Físico: Representava a pressa. O povo não tinha tempo de esperar a massa crescer antes de fugir do Egito.
  • Significado Espiritual: Simbolizava a pureza e a separação. Ao comer pão sem fermento, o povo estava abandonando a "levedura" (os costumes e a idolatria) do Egito para começar uma vida nova e santa com Deus.

3. Ervas Amargas

Eles deveriam comer o cordeiro com ervas amargas (como alface brava, chicória ou raiz-forte).

  • Significado: Servia para lembrar o amargor da escravidão. O sabor forte e desagradável na boca trazia à memória o sofrimento, o chicote dos feitores e as lágrimas derramadas durante os 430 anos no Egito.
  • Lição: Deus queria que, mesmo no momento da festa e da alegria, eles se lembrassem de onde haviam sido tirados. A gratidão é maior quando lembramos da dor que foi superada.

O Ritual como Memorial

Até hoje, no Seder de Pessach (o jantar pascal judaico), esses elementos são usados. A ideia é que cada geração se sinta como se ela mesma estivesse saindo do Egito naquele momento.

Curiosidade: Na "Santa Ceia" (que foi uma celebração de Páscoa), Jesus pegou dois desses elementos — o pão e o vinho (que foi adicionado à tradição posterior) — e deu a eles um novo significado focado em Seu próprio corpo e sangue.

INTRODUÇÃO

Deus desejava que o os israelitas se recordassem do dia triunfal em que no Egito seus filhos primogênitos foram libertos da morte (Êx 12:1-30). O Senhor também almejava que as novas gerações conhecessem a sua história e os Seus feitos a fim de que temessem o Seu nome. Então, o Senhor instituiu a festa da Páscoa como comemoração perpétua. Seria, então, um memorial ao Todo-Poderoso, por isso deveria ser celebrada todos os anos. A refeição da Páscoa assinalava o início da Festa dos Pães Ázimos (Êx 12:18), que prenunciava a importância da fé no Cordeiro sacrifical e a obediência a Ele. Os fiéis deviam sinceramente arrepender-se do pecado e viver para Deus, em humilde gratidão.

A palavra “Páscoa” significa “passagem”, pois lembrava os primogênitos de Israel que foram poupados. Ao ver o sangue do cordeiro na verga da porta, o anjo da morte “passou” sobre a casa dos israelitas, sem retirar a vida do primogênito que ali se encontrava (Êx 12:12,13). O âmago do evento da Páscoa é a graça salvadora de Deus. Deus tirou os israelitas do Egito, não porque eles eram um povo merecedor, mas porque Ele os amou e porque Ele era fiel ao seu concerto (Dt 7:7-10). Semelhantemente, a salvação que recebemos de Cristo nos vem através da maravilhosa graça de Deus (Ef 2:8-10; Tt 3:4,5). A Páscoa era a figura mais proeminente da morte de Jesus, tendo servido de seu prenúncio desde o dia da primeira Páscoa até o dia mesmo da prisão do Senhor, que se deu no dia anterior à mesma (Lc 22:15).

 

I. A PÁSCOA

Depois de os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó passarem mais de quatrocentos anos de servidão no Egito, Deus decidiu libertá-los da escravidão. Suscitou Moisés e o designou como o líder do êxodo. Em obediência ao chamado de Deus, Moisés compareceu perante Faraó e lhe transmitiu a ordem divina: "Deixa ir o meu povo”. Para conscientizar Faraó da seriedade dessa mensagem da parte do Senhor, Moisés, mediante o poder de Deus, invocou pragas como julgamentos contra o Egito. No decorrer de várias dessas pragas, Faraó concordava em deixar o povo ir, mas, a seguir, voltava atrás, uma vez a praga sustada. Soou a hora da décima e derradeira praga, aquela que não deixaria aos egípcios nenhuma alternativa senão a de lançar fora os israelitas. Deus mandou um anjo destruidor através da terra do Egito para eliminar "todo primogênito... desde os homens até aos animais" (Êx 12:12).

Visto que os israelitas também habitavam no Egito, como poderiam escapar do anjo destruidor? O Senhor emitiu uma ordem específica ao seu povo; a obediência a essa ordem traria a proteção divina a cada família dos hebreus, com seus respectivos primogênitos. Cada família tinha de tomar um cordeiro macho de um ano de idade, sem defeito e sacrificá-lo ao entardecer do dia quatorze do mês de Abibe (Êx 12:4). Parte do sangue do cordeiro sacrificado, os israelitas deviam aspergir nas duas ombreiras e na verga da porta de cada casa. Quando o destruidor passasse por aquela terra, ele passaria por cima daquelas casas que tivessem o sangue aspergido sobre elas (daí o termo Páscoa, do hebraico “pessach”, que significa "pular além da marca", "passar por cima"). Assim, pelo sangue do cordeiro morto, os israelitas foram protegidos da condenação à morte executada contra todos os primogênitos egípcios. Deus ordenou o sinal do sangue, não porque Ele não tivesse outra forma de distinguir os israelitas dos egípcios, mas porque queria ensinar ao seu povo a importância da obediência e da redenção pelo sangue, preparando-o para o advento do "Cordeiro de Deus”, que séculos mais tarde tiraria o pecado do mundo (João 1:29).

Naquela noite específica, os israelitas deviam estar vestidos e preparados para viajar (Êx 12:11). A ordem recebida era para assar o cordeiro e não o ferver, e preparar ervas amargas e pães sem fermento. Ao anoitecer, portanto, estariam prontos para a refeição ordenada e para partir apressadamente, momento em que os egípcios iam se aproximar e rogar que deixassem o país. Tudo aconteceu conforme o Senhor dissera (Êx 12:29-36). A partir daquele momento da história, o povo de Deus ia celebrar a Páscoa, obedecendo às instruções divinas de que aquela celebração seria "estatuto perpétuo" (Êx 12:14). Era, porém, um sacrifício comemorativo, exceto o sacrifício inicial no Egito, que foi um sacrifício eficaz (Fonte:Bíblia de Estudo Pentecostal).

Diante do que foi exposto, o que significa a Páscoa para os egípcios, para Israel e para nós cristãos?

1. Para os egípcios. A saída do povo de Israel significava prejuízo financeiro. Evidentemente, o escravo representava um capital para o dono e este não aceitava facilmente perder o seu escravo. Assim também Faraó não aceitava facilmente perder os seus escravos, que construíram as suas cidades (cf. Êx 1:11), só se fosse obrigado por um Ser mais poderoso do que ele. Por isso, a história da saída de Israel do Egito relata a verdadeira batalha entre Deus dos hebreus e Faraó, para obrigar este a soltar os seus escravos, o povo hebreu. O desfecho final foi o julgamento de Deus sobre Faraó para com as atrocidades cometidas pelos egípcios contra os meninos hebreus. Deus é misericordioso, longânimo e deseja que todos se salvem (2Pe 3:9), porém, Ele é também um juiz justo que se ira contra o pecado e a idolatria (Sl 7:11). Está escrito: Porque Deus há de trazer a juízo toda obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau(Ec 12:14).

 

2. Para Israel. A Páscoa é para Israel o que o dia da independência é para um país, e mais ainda. O último juízo sobre o Egito e a provisão do sacrifício pascoal possibilitaram o livramento da escravidão, a passagem para a liberdade, para uma vida vitoriosa e abundante; significou também a peregrinação do povo para a Terra Prometida. O Egito, a escravidão e Faraó ficariam para trás. Além do livramento do Egito, a Páscoa se constituiu em primeiro dia do ano religioso dos hebreus e o começo de sua vida nacional (Êx 12:1). Em vista disso, se percebe a relevância desta celebração para a nação de Israel.

Assim como Israel não poderia se esquecer de tal celebração, nós também jamais poderemos nos esquecer do sacrifício remidor do nosso Redentor, Jesus Cristo. Jamais se esqueça que Cristo morreu em seu lugar. Este é um dos princípios da Ceia do Senhor. Todas as vezes que participarmos da Ceia temos que recordar da nossa passagem, da escravidão do pecado, para uma nova vida em Cristo (1Co 5:17). Jesus declarou: "Fazei isto em memória de mim" (1Co 11:24,25).

3. Para nós. Para nós cristãos, a Páscoa é um símbolo profético da morte de Cristo, da salvação e do andar pela fé a partir da redenção (1Co 5:6-8), isto é, a redenção pelo sangue de Jesus Cristo. Cristo veio ao mundo, morreu e ressuscitou ao terceiro dia, para nos libertar do jugo do pecado e nos dar vida abundante, vida eterna (João 3:16; 10:10). Israel foi salvo da ira divina e liberto da escravidão, nós também estávamos destinados a experimentar da ira divina, mas Cristo, o Cordeiro Pascal, nos substituiu na cruz do calvário. Em Cristo fomos redimidos dos nossos pecados - “[...] Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós” (1Co 5:7b).

II. OS ELEMENTOS DA PÁSCOA



1. O Pão - “pães ázimos”. De acordo com a descrição bíblica, o pão deveria ser sem fermento. A massa não deveria passar pelo processo de fermentação, ou seja, seria levada ao fogo tão logo estivesse pronta, sem ter de esperar para crescer. A ideia era mostrar que os israelitas teriam pouco tempo para preparar sua última refeição como escravos, pois logo sairiam para uma grande jornada.

Na Bíblia, o fermento normalmente simboliza o pecado e a corrupção (ver Êx 13:7; Mt 16:6; Mc 8:15). Os pães ázimos representavam a separação entre os israelitas redimidos e o Egito, isto é, o mundo e o pecado. Semelhantemente, o povo redimido por Deus, a Igreja, é chamado para separar-se do mundo pecaminoso e dedicar-se exclusivamente a Deus.

Na Páscoa cristã – a Santa Ceia – o Pão é também um dos elementos. O Pão da Ceia não é o corpo verdadeiro (literal) de Cristo, nem está ele presente invisivelmente, é somente o símbolo do Cristo perfeito. Representa a sua encarnação, que ele tomou um corpo humano e deixou sua glória (João 1:14), nasceu de uma virgem e viveu entre os pecadores em perfeição de conduta, doutrina e voluntariamente. Era ele um Homem perfeito, idôneo para servir de sacrifício pelos nossos pecados (Hb 7:26; 2Co 5:21). Ele partiu o pão da Ceia significando que ia se sacrificar em resgate da humanidade caída e escravizada pelo Diabo.

Na noite em que foi traído, Jesus e os discípulos estavam comendo o cordeiro pascal. Em dado momento da festa, Jesus pegou o pão e o abençoou e distribuiu aos discípulos dizendo: Tomai, comei, isto é o meu corpo”. Observe que Jesus após cear tomou o pão, ou seja, após comer o cordeiro pascal, que foi preparado pelos discípulos no dia dos pães ázimos, é que instituiu o cerimonial em sua memória tomando o pão e o abençoando (ver Lc 22:7) – “E, tomando o pão e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isso em memória de mim” (Lc 22:19). Jesus mandou que os discípulos pegassem o pão e comessem, pois o pão estava representando o seu corpo que fora entregue por todos nós. Jesus aponta o objetivo pela qual deveriam pegar e comer do pão: manter viva a memória do seu nome.

2. As ervas amargas – “E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão” (Êx 12:8). As “ervas amargas” simbolizam a amargura vivida no Egito, que não deveria ser esquecida, para que nunca mais fosse experimentada (Êx 1:14). O sacrifício se daria com sofrimento. O Senhor Jesus disse que no mundo teríamos aflições e que elas fariam parte da nossa caminhada, a exemplo do que aconteceu com Ele mesmo como homem.

3. O Cordeiro (Êx 12:3-7). O cordeiro pascal era um "sacrifício" (Êx 12:27) a servir de substituto do primogênito; isto prenuncia a morte de Cristo em substituição à morte do ser humano (ver Rm 3:25). Paulo expressamente chama Cristo nosso Cordeiro da Páscoa, que “foi sacrificado por nós” (1Co 5:7).

O cordeiro macho separado para morte tinha de ser "sem mácula" (Êx 12:5); esse fato prefigura a impecabilidade de Cristo, o perfeito Filho de Deus (João 8:46) - porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4:15). Esta escolha dava-se no dia dez do mês de Nisã (mês que se situa entre os meses de março e abril do nosso calendário). Após essa escolha, os israelitas deveriam guardar o cordeiro até o dia quatorze do mês, quando, então, seria imolado (Êx 12:5,6).

Verificado que o cordeiro pascal nenhuma mancha tinha, na tarde do dia quatorze, deveria ser sacrificado (Êx 12:6). Flávio Josefo, o grande historiador judeu, informa-nos que este sacrifício se dava entre as três e cinco horas da tarde, o que é mais uma demonstração de que apontava para a morte de Jesus, pois, como informa a Bíblia, Jesus morreu por volta da hora nona, ou seja, três horas da tarde (Mt 27:46; Mc 15:34; Lc 23:44), devendo ter sido retirado da cruz por volta das cinco horas da tarde, já no término do dia, que era o da preparação da páscoa (João 19:38-42).

O cordeiro, uma vez sacrificadodeveria ser assado, inteiro, sendo comido, então, à noite, com pães ázimos e ervas amargas (Êx 12:8,9), queimando-se tudo o que restasse naquele mesmo dia (Êx 12:10). Isto nos fala, também, que o sacrifício de Jesus era completo, não teria de ser repetido, nem restaria algo a ser realizado depois de sua efetivação. O sacrifício se daria com sofrimento (ervas amargas) e com sinceridade (os pães ázimos), mas traria vida ao povo de Deus. O fato de o cordeiro ser assado e, depois, retirado do forno para ser consumido, também tipificava a ressurreição de Cristo.

Cristo é o nosso Cordeiro Pascal (João 1:29). Ele morreu para trazer a redenção a toda humanidade. Ele é o nosso Redentor. Da mesma forma que, no Egito, o cordeiro pascal foi sacrificado, o Senhor Jesus Cristo também o foi. A diferença reside no fato de que o cordeiro do Êxodo não foi voluntário para verter seu próprio sangue. Jesus Cristo se ofereceu para esse sacrifício. O sacrifício de Cristo nos trouxe vida, da mesma forma que o sacrifício do cordeiro no Egito preservou a existência dos primogênitos hebreus. A diferença é que o sacrifício de Cristo oferece vida não apenas aos filhos mais velhos de cada família, mas a todos que aceitarem pela fé o sacrifício de Cristo, se arrependendo de seus pecados e se converterem dos seus maus caminhos.

 


III. CRISTO, NOSSA PÁSCOA

“[...] Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós” (1Co 5:7b).

1. Jesus, o Pão da Vida (João 6:35,48,51). Jesus, certa feita, disse que era o Pão da vida – “E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome...” (João 6:35). Jesus dizer que é o Pão da Vida é para Ele o mesmo que dizer: “Eu sou o sustento da vida de vocês”. Da mesma forma que o pão fornece aos nossos corpos força e nutrição, Jesus, o verdadeiro Pão do Céu, veio para fortalecer e nutrir o seu povo, para que jamais tenham fome e nunca tenham sede.

Ninguém além de Jesus é o Pão que dá a vida eterna. Por ocasião da jornada no deserto do povo de Israel, Deus o proveu de “maná”, o pão que descia do céu, mas o “maná” foi um pão físico e temporal. O povo o comia e se sustentava por um dia. Mas era necessário que conseguissem mais pão todos os dias, e este pão não poderia impedi-los de morrer. Sem diminuir o papel de Moisés, Jesus apresentou a Si mesmo como o Pão espiritual do Céu que satisfaz completamente, e que conduz à vida eterna.

2. O Sangue de Cristo (1Co 5:7; Rm 5:8,9). “O sangue de Cristo é a chave do céu”. Afinal, o que seria o Evangelho sem a morte de Nosso Senhor? Nem Evangelho haveria; ela é a garantia de nossa vida eterna. Portanto, seu Sacrifício era indispensável. Veja o que a Bíblia diz: “... Sem derramamento de Sangue não há remissão” (Hb 9:22). Aqui mostra que para Deus perdoar o pecado era preciso derramamento de sangue vicário. Daí, o nosso perdão depender da morte de Jesus na cruz.

Por ocasião da primeira Páscoa, no Egito, o sangue do cordeiro deveria ser aspergido na verga e nas umbreiras das portas dos israelitas. Essa atitude, em obediência ao mandato de Deus, deveria ser efetivada para que o anjo da morte passasse sobre a casa e não ferisse o primogênito (Êx 12:7). O sangue de Jesus foi derramado para que pudéssemos passar da morte para a vida (João 5:24), para que, antes longe de Deus, pudéssemos chegar perto dEle (Ef 2:13), e toda vez que houver acusação contra nós, Deus vê o Sangue de Jesus em nós (que são as casas – Hb 3:6) e, por isso, não somos dele separados, mas mantidos em comunhão com o Senhor. Aleluia!

Quando da instituição da Santa Ceia, por ocasião de sua última participação de refeição pascal (veja Mt 26:26-28), Jesus disse que a “Nova Aliança” da graça seria ratificada pelo seu precioso sangue derramado por muitos pares remissão dos pecados, ou seja, seu sangue seria eficaz para remir os pecados de todos aqueles que aceitarem pela fé o seu sacrifício - “Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados” (Mt 26:28). Portanto, “se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1João 1:7). O apóstolo Paulo expressou: “... Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5:8,9).

3. A Santa Ceia. À época de Cristo, a Páscoa era a festa por excelência, a grande festa dos judeus. O rito não só olhava retrospectivamente para aquela noite no Egito, mas também, antecipadamente, para o dia da crucificação.

A Ceia foi instituída pelo Senhor (1Co 11:23) na sua última refeição da Páscoa (Mt 26:26-29; Mc 14:22-­25; Lc 22:15-20). Ela é uma das festas mais solene da Igreja, de muitíssima importância. A sua importância relaciona-se com o passado, o presente e futuro.

- Quanto a sua importância no passado, é um ato “memorial” da morte de Cristo no Calvário, para nos remir da condenação (Lc 22:19; 1Co 11:24-26) – “...Fazei isto em memória de mim...”. Na celebração da Santa Ceia, as nossas mentes se voltam para o Calvário, relembrando o Sacrifício de Jesus, em nosso favor. Embora que em todo tempo devemos lembrar-nos deste santo sacrifício, todavia, temos um dia específico e oportuno para esta comemoração e meditação.

- Quanto a sua importância no Presente, a Santa Ceia expressa a nossa “comunhão” (gr. koinonia) com Cristo e, de nossa participação nos benefícios oriundos da sua morte sacrifical e ao mesmo tempo expressa a nossa “comunhão” com os demais membros do corpo de Cristo (1Co 10:16,17). A Santa Ceia é o símbolo da nossa união com Cristo.

- Quanto a sua importância no Futuro, a Santa Ceia é um ato que antevê a volta iminente de Jesus Cristo para arrebatar a Sua Igreja e, um antegozo em podermos participar com Cristo, na Ceia das Bodas do Cordeiro. Uma das expectações de Paulo com relação à vinda de Cristo era a comemoração da Ceia do Senhor Jesus, quando esperançoso ele disse aos coríntios: Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cáliceanunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1Co 11:26). Portanto, cada celebração da Ceia do Senhor Jesus é um antegozo e antecipação profética do grande banquete de casamento que está sendo preparado para a Igreja.

CONCLUSÃO

“Que culto é este vosso?” (Êx 12:26). Era dever dos pais hebreus usar a Páscoa para ensinarem aos filhos a verdade sobre a redenção da escravidão e do pecado, que Deus efetuara em seu favor e que através disso fez deles um povo especial sob seus cuidados e senhorio. Semelhantemente, a Ceia do Senhor – a Páscoa do povo de Deus da Nova Aliança - tem o propósito de lembrar-nos da salvação em Cristo e da nossa redenção do pecado e da escravidão a Satanás – Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha(1Co 11:25,26). Amém!!

 

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