quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A SOBERANIA E A AUTORIDADE DE DEUS

 

A SOBERANIA E A AUTORIDADE DE DEUS

 

Leitura Bíblica: Jeremias 18.1-10


"Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.?"(Jr 18:6)

O Direito Absoluto do Criador

A metáfora do oleiro e do barro (versículo 6) estabelece a prerrogativa divina de moldar, desfazer e refazer conforme a sua vontade. Assim como o oleiro tem plena autoridade sobre a massa disforme em suas mãos para criar um vaso para honra ou desonra, Deus possui soberania total sobre indivíduos, famílias e nações. Não há contestação legítima à vontade dEle, pois Ele é o Criador e nós somos a criação.

A Flexibilidade da Justiça e da Misericórdia Divinas

Os versículos 7 a 10 introduzem um princípio dinâmico na forma como Deus governa, muitas vezes chamado de teologia do concerto condicional. Deus declara que quando profetiza a queda de uma nação (ou a bênção sobre ela), essa palavra carrega um propósito corretivo ou relacional:

  • Se a nação ameaçada se arrepender do seu mal, Deus reconsidera o castigo que havia planejado enviar.
  • Se a nação abençoada praticar o mal e rejeitar a voz de Deus, Ele reconsidera o bem com que havia decidido galardoá-la.

Isso mostra que a soberania de Deus não é um mecanismo mecânico ou fatalista, mas interativo. A soberania dEle incluem e respeita a agência moral humana, respondendo ao arrependimento e à rebeldia.

A Graça do Vaso Quebrado


O texto traz um detalhe fascinante sobre o ofício do oleiro: quando o vaso que ele estava moldando "se estragava na mão do oleiro", ele não jogava o barro fora, mas "tornava a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe parecia" (versículo 4). Isso é um retrato vívido da paciência e da redenção de Deus. Mesmo quando falhamos, nos corrompemos ou quebramos o propósito original, a mão do Oleiro não nos descarta; Ele tem o poder e a disposição de nos amassar novamente e nos transformar em uma nova direção, segundo a Sua boa vontade.

Essa passagem nos convida a abandonar qualquer postura de autossuficiência ou orgulho, reconhecendo que dependemos inteiramente da graça dEle para sermos moldados, ao mesmo tempo em que nos desafia a uma vida de constante alinhamento e sensibilidade à Sua voz.

INTRODUÇÃO

Deus ensina a Jeremias uma importante lição sobre sua autoridade e soberania, utilizando o trabalho do oleiro na formação do vaso. Deus mostra ao profeta que Ele pode, como o oleiro, agir de acordo com a sua vontade, e através do seu poder restaurar a sorte do seu povo. O Senhor ordena que o profeta se dirija à Casa do Oleiro para ouvir o que o Senhor irá dizer, e antes que o Senhor lhe dirija a palavra, Jeremias assiste um pouco do trabalho do oleiro. Ele obedece ao Senhor e, naquele local, aprende uma importante lição a respeito da soberania divina.


I. A VISITA À CASA DO OLEIRO

1. A visita. Deus ordena que o profeta Jeremias se dirija à Casa do Oleiro para ouvir o que o Senhor irá dizer (18:2). Enquanto observava o trabalho, ficou claro para ele qual era a função do oleiro (18:4), das rodas (18:3), e do barro (18:4). Enquanto o observava a hábil mão do oleiro amassando o barro, percebeu que uma mensagem de Deus estava começando a se formar na sua mente. Diante dos olhos do profeta um vaso requintado começava a tomar forma. Então, subitamente, para a surpresa de Jeremias, o vaso se quebrou na mão do oleiro. Será que uma onda de profunda tristeza tomou conta do oleiro? Se sim, isso não o refreou de usar suas hábeis mãos. Ele quebrou o vaso desfigurado em uma massa disforme e começou novamente a amassar o barro. Depois de trabalhar e refinar o vaso, ele voltou a fazer outro vaso.


2. O simbolismo do incidente. Deus é o oleiro, Israel é o barro, e, evidentemente, as rodas representam as circunstâncias da vida. O tempo todo Deus tinha um propósito para Israel. Nas rodas da vida, Deus tem realizado seu propósito para a nação. Mas, algo aconteceu para estragar o plano de Deus. Algo em Israel – “uma pedra de tropeço” ou “uma rocha de ofensa” – desfigurou a obra do Artesão. Deus está triste com a impureza da vida da nação. As coisas não podem continuar como estão. Nessa situação, somente o perdão não será suficiente. O juízo é inevitável. Não há outro jeito senão quebrar e refinar a forma de vida nacional existente, e então tornar a fazer um outro vaso.


3. A verdade espiritual desta lição prática. A verdade desta lição é que Deus pode falar a uma nação para que se arrependa (como foi o caso de Nínive, e era o caso de Israel no livro de Jeremias) e voltar atrás do julgamento que iria aplicar se tal nação voltar atrás em seus pecados. Da mesma forma, se o povo não se arrependesse, traria sobre si o mal estipulado pelo Senhor. A sentença após o exemplo do oleiro foi: “Ora, pois, fala agora aos homens de Judá e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz o Senhor: Eis que estou forjando mal contra vós e projeto um plano contra vós; convertei-vos, pois, agora, cada um do seu mau caminho, e melhorai os vossos caminhos e as vossas ações” (18:11). Este texto fala sim de transformação iniciada por Deus, mas fala igualmente de um sério julgamento para aqueles que não se arrependem de seus erros.


4. O objetivo da lição. A lição objetiva ensinar acerca da soberania de Deus: “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro?” (18:6). Mas ela também ensina sobre a liberdade do homem – a reação do barro tinha frustrado o propósito do oleiro. Os homens estão livres para reagir aos procedimentos de Deus. Se eles reagirem positivamente ao toque do Oleiro, seu propósito é alcançado na formação de um vaso tal como foi planejado. Se os homens reagem negativamente, a obra de Deus é quebrada. Se na roda da vida, homens e nações resistem à vontade de Deus, ocorre o processo de quebra. Esse nunca é um momento agradável tanto para o oleiro quanto para o barro. Embora haja um elemento de esperança no fato de que um outro vaso será formado, isso não alivia os rigores de um juízo imediato!
Depois do refinamento ocorre o momento de formação do vaso novo, conforme o que pareceu bem aos seus olhos (do oleiro) fazer (18:4). O tempo que levou esse processo de quebra e remodelagem está escondido no propósito de Deus, mas fica claro com base nos versículos subsequentes de Jeremias, e dos evangelhos, que os homens chegam até um limite, onde não há mais esperança. Quando não há mais esperança, começa o processo de quebra.
Apesar da oferta de Deus em poupar a nação com base na obediência (arrependimento) moral, o povo desdenhosamente responde à ameaça do juízo divino: “Não há esperança, porque após as nossas imaginações (desejos, planos) andaremos” (18:12). A única alternativa que Deus tem é o castigo.


II. A SOBERANIA DE DEUS

A soberania de Deus é uma das mais difíceis doutrinas das Sagradas Escrituras. E só viremos a entendê-la corretamente, se nos mantivermos centrados nas Sagradas Escrituras, sem preconceito e de forma equilibrada.


1. Definição. Sendo um dos seus atributos (aquilo que lhe é próprio, qualidade), a soberania de Deus é a autoridade inquestionável que o Senhor detém sobre o Universo, pelo fato óbvio de que Ele é o Criador de todas as coisas (Is 44:6;45:6; Ap 11:17). Sua soberania está baseada em sua onipotência, onipresença e onisciência.


a) Quanto à onipotência, Deus tem todo o poder, ou seja, não existe ser mais poderoso do que Ele. Daí porque ter o Senhor afirmado, pela boca do profeta Isaías: “operando Eu, quem impedirá?” (Is.43:13) ou ter o apóstolo Paulo, ao verificar esta verdade bíblica, ter indagado: “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm.8:31), bem como o apóstolo João ter ressaltado que “Filhinhos, sois de Deus e já os tendes vencido, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (I Jo.4:4).
b) Quanto à Onisciência, Deus conhece e sabe todas as coisas (Sl.139:1-6; I Jo.3:20), nada se lhe pode ocultar (Sl.38:9; 139:15,23,24; Mt.6:6). Esta onisciência faz-nos ver, uma vez mais, a soberania de Deus, pois Deus está no absoluto controle de todas as coisas, pois tudo sabe, tudo conhece. Deus sabe todas as coisas e, por isso, jamais é surpreendido por qualquer fato ou ocorrência em todo o Universo.


A onisciência de Deus, aliada à sua eternidade, faz-nos conceber a presciência de Deus, ou seja, Deus já sabe, de antemão, o que irá acontecer, porque, para Deus, não há tempo, sempre é presente, um eterno presente. Assim, Deus conhece o futuro, pois, para Ele, passado, presente e futuro são uma só coisa.


c) Quanto à Onipresença, Deus está presente em todos os lugares, ao mesmo tempo. Diz a Bíblia Sagrada: “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? Diz o Senhor. Porventura não encho eu os céus e a terra? Diz o Senhor” (Jr.23:24). Deus está presente em todos os lugares, ao mesmo tempo. Esta presença de Deus é total, pois, como diz Jr 23:24 Ele enche os céus e a terra. Na verdade, como afirmou Salomão na oração que fez para a dedicação do templo, nem mesmo os céus e a terra O podem conter (1Rs 8:27).
Também, a onipresença de Deus nos faz enxergar a sua soberania. Como Ele está presente em todos os lugares, ao mesmo tempo, Deus pode impor a sua vontade no exato instante em que os fatos ocorrem, pois tudo vê, a tudo assiste. Disto temos inúmeras demonstrações nas Escrituras, notadamente na história de Israel, em que a presença do Senhor com o seu povo era nítida e a responsável por vitórias militares (Jz.4:15 e 5:21; 7:22; II Cr.20:22,23; 32:21). A onipresença divina informa-nos de que Deus, por estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo, impõe-se como, quando e onde quer, demonstrando, pois, sua total soberania.
Entretanto, a soberania divina não interfere na liberdade do homem, porque a soberania diz respeito a Deus, que está além de toda a criação, é algo imputável somente a Ele, faz parte da sua própria natureza e, por isso, não podemos querer transferir a soberania divina para algo que diz respeito apenas ao homem.


2. Soberania não é arbitrariedade. Quando afirmamos que Deus é soberano, estamos dizendo que Ele controla o universo e pode fazer o que lhe aprouver. Contudo, isso não significa que pelo fato de ser Deus ele fará algo errado, injusto ou perverso. Assim, afirmar a soberania de Deus é apenas reconhecer que Ele é Deus. Não podemos ter medo de declarar essa verdade ou nos desculpar por ela, pois é uma doutrina gloriosa e motivo de adoração.
Apesar de Deus escolher algumas pessoas para a salvação, Ele não escolhe ninguém para a perdição. Em outras palavras, apesar de a Bíblia ensinar a eleição, ela não ensina a reprovação. Alguém pode objetar: “Se Deus elege alguns para bênção, então necessariamente elege outros para a destruição”. Isso não é verdade! A humanidade como um todo foi condenada à destruição por seu pecado, e não por um decreto arbitrário de Deus. Se Deus deixasse todos irem para o inferno, como poderia muito bem ter feito, todos receberiam exatamente o que mereciam. A pergunta é: “O Senhor soberano tem o direito de se mostrar magnânimo e escolher um punhado de indivíduos condenados e, com eles, construir uma noiva para o seu Filho?” A resposta, evidentemente, é afirmativa. Em resumo, se as pessoas se perdem, é devido ao próprio pecado e a própria rebelião; se são salvas, é devido à graça soberana e eletiva de Deus.


3. Eleição e predestinação. Eleição divina é o ato pelo qual Deus, por sua graça e amor, escolhe um povo para si mesmo, para a salvação - Mas devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito e fé da verdade “(2 Ts 2:13). Portanto, todos aqueles que aceitam a Jesus como seu Salvador são “eleitos de Deus”.


Predestinação, na visão bíblica, é o ato divino pelo qual Deus determina o futuro do seu povo; o que o ocorrerá a esse povo. A predestinação dos salvos é precedida da sua eleição - “como também nos elegeu nEle antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em amor, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1:4,5).


Em sua soberania, Deus elegeu ou escolheu certos indivíduos para si. Mas, ao mesmo tempo que trata da eleição soberana por Deus, a Bíblia também ensina a responsabilidade humana. Apesar de ser verdade que Deus escolhe pessoas para a salvação, também é fato que elas devem aceitar a salvação por meio de um ato decisivo de vontade própria. É um tremendo erro crer na eleição soberana de Deus e negar a responsabilidade humana no tocante à salvação. A salvação, ao contrário do que muitos pensam, não é um ato único, um instante isolado, mas envolve todo um processo, ou seja, uma sequência de atos, com origem em Deus, mas também com participação humana, para que se tenha a sua consumação. Tanto a salvação é um processo, que o próprio Jesus nos ensina que é preciso “perseverar até o fim” para que seja salvo” (Mt.24:13), isto é, é preciso uma continuidade, uma constância até o instante final da nossa permanência nesta dimensão terrena, onde fomos postos pelo Senhor, por sua misericórdia, para termos a chance e oportunidade de sermos salvos
O aspecto divino da salvação é expresso nas palavras: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim”. O lado humano aparece na sequência: “e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37). Como cristãos, regozijamo-nos porque Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo (Ef 1:4). Temos igual convicção, no entanto, de que quem desejar pode receber de graça a água da vida (Ap 22:17).


D.L Moody propôs uma ilustração para essas duas verdades. De acordo com ele, quando chegamos à porta da salvação, encontramos um convite: “Aberta para quem quiser entrar”. Quando passamos pela porta, vemos escrito do outro lado: “Eleitos segundo a presciência de Deus”. Assim, ao chegarem à porta da salvação, as pessoas são confrontadas com a responsabilidade humana. A eleição soberana é uma verdade reservada aos que já entraram.
A predestinação, assim como a Eleição, refere-se ao corpo coletivo de Cristo (isto é, a verdadeira igreja), e abrange indivíduos somente quando inclusos neste corpo mediante a fé viva em Jesus Cristo.


No tocante à Eleição e à Predestinação, podemos aplicar a analogia de um grande Navio viajando para o Céu. Deus escolhe o Navio (a Igreja) para ser sua própria nau. Cristo é o Capitão e Piloto desse Navio. Todos os que desejam estar nesse Navio eleito, podem fazê-lo mediante a fé viva em Cristo. Enquanto permanecerem no Navio, acompanhando o seu Capitão, estarão entre os eleitos. Caso alguém abandone o navio e o seu Capitão, deixará de ser um dos eleitos. A predestinação concerne ao destino do Navio e ao que Deus preparou para quem nele permanece. Deus convida a todos a entrar a bordo do Navio eleito mediante Jesus Cristo” (Bíblia de Estudo Pentecostal).


A predestinação fatalista. Fatalismo é o sistema dos que atribuem tudo à fatalidade ou ao destino, negando o livre arbítrio. Na verdade, essa doutrina não possui bases bíblicas convincentes. Esta doutrina afirma que Deus, na sua soberania, escolheu pessoas, individualmente, para a salvação e perdição, negando o direito de o homem decidir sobre a sua vida.


Não encontramos na Bíblia uma predestinação fatalista, em que uns são destinados à vida eterna e outros, à perdição. Isto contradiz dois atributos divinos: a justiça e o amor. Primeiro, porque torce a justiça divina, pois nesse caso, Deus destinaria as pessoas antes mesmo de seu nascimento à perdição eterna. E segundo, porque põe em dúvida o ilimitado amor de Deus, por ensinar que o Senhor destinou os pecadores ao inferno sem lhes dar o direito a oportunidade de arrepender-se.


O Senhor quer que todos se arrependam (At.17:30) e a todos dá tempo para o arrependimento. Se todos já estivessem predestinados ao céu ou ao inferno, por que Deus haveria de dar oportunidades? Veja o caso da personagem descrito em Ap 2:20-21: Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição”. Se essa misteriosa Jezabel estivesse predestinada ao inferno, Deus não lhe daria tempo para se arrepender. Se ela estivesse predestinada ao céu, teria se arrependido no tempo que Deus lhe deu. Se sua condição de morte espiritual significasse incapacidade absoluta, Deus não lhe daria tempo para se arrepender, pois isto seria inútil. O Texto sagrado é claro: Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2:11). O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Tm 2:4). “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Para sermos fiéis às Escrituras, devemos crer na eleição soberana por Deus e crer, com a mesma intensidade, na responsabilidade humana. Somente assim podemos manter o devido equilíbrio bíblico entre as duas doutrinas.


4. O profeta Jeremias e a soberania de Deus. A parábola exarada no capítulo 18 de Jeremias, provavelmente escrita durante os primeiros anos do reinado de Jeoaquim, ilustra a soberania de Deus para lidar com a nação de Israel. Ele mostrou a Jeremias, como o oleiro, que é soberano e exerce plena autoridade sobre o barro (Judá), e continuaria a manipulá-lo para fazer dele um vaso útil e de honra. Mas Judá deveria arrepender-se rapidamente, caso contrário o barro endureceria antes de ganhar a forma dada pelo oleiro; se isto ocorresse, o barro não serviria, seria amassado novamente.


Jeremias viu que o vaso que era feito quebrou-se no processo de confecção, e que o oleiro utilizou o mesmo material para fazer um outro vaso. O mesmo material, mas um vaso diferente, de acordo com o que parecia bem aos olhos de quem o fazia. Assim Deus mostra ao profeta que Ele pode, como o oleiro, agir de acordo com a sua vontade.
Quando um vaso de barro era moldado na roda do oleiro, frequentemente surgiam defeitos. O oleiro tinha poder de decidir se o barro continuaria com suas imperfeições ou seria remodelado. Semelhantemente, Deus tem o poder para moldar seu povo, para fazer com que esteja em conformidade com os seus propósitos. Nossa estratégia não deve ser a de ficar descuidados e passivos, como o inanimado barro; devemos mostrar disposição e receptividade ao impacto de Deus em nossa vida. Quando nos rendemos ao Senhor, Ele começa a moldar-nos e a transformar-nos em vasos valiosos.


III. O CRENTE E A VONTADE DE DEUS


Como vimos na parábola, o oleiro não jogou fora o vaso que se lhe estragou na mão. Ele fez dele um outro vaso, um vaso novo conforme sua vontade. Deus amassa e pressiona, estica e comprime o barro. O trabalho do oleiro é reiniciado com habilidade e paciência. Deus não joga fora o vaso que foi danificado - Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel?” (Jr 18.6). Deus não desiste de nós. Ele nos dá uma segunda chance e nos oferece a oportunidade de recomeçar uma nova caminhada. Esse processo não é indolor, mas seu resultado é glorioso. Deus quebra o vaso e faz dele um vaso novo. Deus amolece o barro, amassa-o, molda-o e depois o leva ao fogo. Então, depois desse processo, renasce um vaso belo, útil e precioso, um vaso de honra!


Como povo de Deus, à semelhança de Israel, devemos cumprir todos os mandamentos estabelecidos, a fim de nos moldarmos à sua vontade. Deus estabeleceu, através de Jesus Cristo, uma aliança com a Igreja (Hb 12:23,24), e como Senhor de nossas vidas requer que cumpramos os ditames desta aliança. Caso contrário, seremos rejeitados como foi o povo de Israel na época de Jeremias. Não basta ser filho de Abraão; é necessário fazer as obras de Abraão (Mt 3.9; Jo 8.39).


CONCLUSÃO


Deus mostra ao profeta Jeremias que Ele pode e faz, sempre, o que é melhor. Deus desejava moldar seu povo. Eles precisavam aprender que o Criador tem poder sobre o barro (Judá) para fazer dele um vaso útil. Deus também deseja nos moldar e fazer de nós vasos de honra. Permitamos que o Oleiro Celeste, de conformidade com o seu querer, opere abundantemente em nossa vida.

 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

O SACERDÓCIO CELESTIAL

 

O SACERDÓCIO CELESTIAL

 

Texto Bíblico: Hebreus 9:11-15; Apocalipse 21:1-4

“Porque nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e exaltado acima dos céus” (Hb.7:26).

“Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote perfeito, porque, sendo Ele a Oferta e o Ofertante, garantiu-nos, no Calvário, uma salvação eficaz e eterna”.

O sacerdócio celestial é o ápice do plano redentor de Deus, revelado progressivamente nas Escrituras e consumado na obra de Cristo. Diferente do sacerdócio levítico da Antiga Aliança — que era terreno, passageiro, falível e exercido por homens pecadores em um santuário feito por mãos —, o sacerdócio de Jesus Cristo é celestial, eterno, perfeito e inaugurado na presença do próprio Deus.

O Santuário e o Sacrifício Definitivos

A Carta aos Hebreus contrasta de forma profunda a fragilidade do sistema antigo com a eficácia da nova ordem em Cristo. Enquanto os sumos sacerdotes da terra precisavam entrar anualmente no Santo dos Santos com sangue alheio (de bodes e novilhos) e oferecer sacrifícios constantes por seus próprios pecados e pelo povo, Cristo entrou no santuário celestial de uma vez por todas.

"Mas, quando Cristo veio como sumo sacerdote dos bens futuros, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos... entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, não pelo sangue de bodes e bezerros, mas pelo seu próprio sangue, obtendo antera redenção eterna." (Hb 9:11-12)

O sacrifício de Cristo no Calvário uniu perfeitamente as figuras do Ofertante e da Oferta. Ele não ofereceu algo externo a si mesmo; Ele ofereceu a sua própria vida imaculada. Por ser Deus e homem verdadeiro, Ele satisfez plenamente a justiça divina, rasgou o véu que nos separava da presença do Pai e garantiu uma via de acesso livre e permanente para todos os crentes.

A Efetividade e a Eterna Redenção

O texto de Hebreus 9:13-15 destaca a superioridade dessa obra: se o sangue de animais rituais podia purificar cerimonialmente a carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo?

O sacerdócio celestial não é estático; ele é ativo e intercessor. Cristo vive para sempre para interceder por nós (Hb 7:25). A sua intercessão não é baseada em rituais repetitivos, mas na apresentação constante da eficácia do seu sacrifício consumado. Ele é o mediador de uma nova aliança, assegurando que a promessa da herança eterna seja irrevogável.

A Consumação: A Habitação de Deus com os Homens

O desdobramento final desse sacerdócio celestial alcança sua plenitude na visão escatológica de Apocalipse 21:1-4. O ministério de Cristo no santuário celestial visa a restauração total da comunhão entre o Criador e a sua criação.

Quando João avista a nova Jerusalém descendo do céu, a grande proclamação ecoa:

"Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus." (Ap 21:3)

O sacerdócio celestial culmina na eliminação definitiva da dor, do pranto e da morte. O santuário já não é um lugar restrito ou oculto por véus, mas a realidade onde a presença de Deus preenche todo o cosmo renovado. Cristo, como Sumo Sacerdote perfeito, cumpriu a ponte definitiva entre o céu e a terra, garantindo que o destino final da humanidade remida seja a comunhão face a face com o Deus vivo, em um estado de paz e santidade eternas.

 

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos que o Tabernáculo levítico é um tipo do “Tabernáculo Celestial”, e Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote desse Tabernáculo Celestial, em que a Sua Igreja é constituída de sacerdotes. O antigo santuário terreno, com seu complexo sistema de ritos, dera lugar a um novo santuário, o celestial, onde o próprio Jesus oficia como Sumo Sacerdote. Mas Ele não é apenas um Sumo Sacerdote, Ele é o Sumo Sacerdote-Rei, que está assentado à destra do Pai para interceder pelo seu povo (Rm.8:34).

I. O SACERDÓCIO CELESTIAL TEM UM ÚNICO SUMO SACERDOTE



No livro do Êxodo constam as instruções dadas por Deus a Moisés para a construção do Santuário (Êx.25:1-9). As recomendações dadas a Moisés, conforme expõe o registro sagrado, eram destinadas à construção de um santuário, onde Deus habitaria com eles (Êx.25:8). Essa era, portanto, a finalidade terrena do Tabernáculo móvel e era nesse Tabernáculo que tanto os sacerdotes como o sumo sacerdote exerciam seus ministérios. Todavia, foi no Santuário Celestial que Cristo entrou para oficiar, como Sumo Sacerdote, em nosso favor. Para o escritor aos Hebreus, esse Tabernáculo é o próprio Céu, que é chamado de "verdadeiro Tabernáculo" por pertencer a dimensão celestial.

1. Cristo: o Sumo Sacerdote da Nova Aliança

Os sacerdotes de Israel eram apenas sombras do nosso grande Sumo Sacerdote, o Senhor Jesus Cristo. Algumas referências bíblicas nos dão uma compreensão da perfeição encontrada no caráter sacerdotal de Cristo:

a) Como Sacerdote, Cristo foi designado e escolhido por Deus Pai (Hb.5:5). Cristo foi constituído Sumo Sacerdote pelo Pai desde a eternidade. Realizou seu ministério de acordo com um propósito eterno. Todo sumo sacerdote procedia da tribo de Levi e da família de Arão; esse ministério era hereditário e sucessivo. Cristo, porém, não foi sacerdote da mesma ordem. Ele era da tribo de Judá. Por isso, não pertencia à classe sacerdotal levítica. Foi constituído sacerdote de uma ordem eterna, a ordem de Melquisedeque.

"Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Hoje te gerei".

b) Como Sacerdote, Cristo foi consagrado com um juramento (Hb.7:20-21). O sacerdócio Araônico foi instituído por lei divina; o sacerdócio de Cristo, por juramento divino. Uma lei pode ser anulada, um juramento dura para sempre. O sacerdócio de Cristo não vem de uma linhagem humana, mas do juramento divino. Os sacerdotes precisavam provar que pertenciam à tribo de Levi (Ne.7:63-65) e preencher os requisitos físicos e cerimoniais (Lv.21:16-24). O sacerdócio de Cristo, porém, foi estabelecido com base em sua obra vicária na cruz, em seu caráter impoluto e no juramento de Deus (Sl.110:4).

"E visto como não é sem prestar juramento (porque certamente aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes, mas este com juramento por aquele que lhe disse: Jurou o Senhor, e não se arrependerá; tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque)".

c) O sacerdócio de Cristo está fundamentado numa Aliança superior (Hb.7:22) - “de tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador” (Hb.7:22).

Cristo é o fiador de uma Nova Aliança - a Aliança firmada em seu sangue. O termo “fiador” significa aquele que garante que os termos de um acordo serão cumpridos. Judá se dispôs a servir de fiador para Benjamim, a fim de garantir ao pai que o menino voltaria para casa em segurança (Gn.43:1-4). Paulo se dispôs a servir de fiador para o escravo Onésimo (Fm.18:19).

Jesus é o fiador da Nova Aliança no sentido de que Ele mesmo é a Garantia. Por meio de sua morte, sepultamento e ressurreição, Ele proveu uma base de justiça sobre a qual Deus pode cumprir os termos da Aliança. Seu eterno sacerdócio também está vitalmente ligado ao infalível cumprimento dos termos da Aliança. Como nosso representante diante de Deus, Ele cumpre perfeitamente os termos da lei em nosso nome. Jamais seríamos capazes, por conta própria, de cumprir esses termos; mas, uma vez que cremos nele, ele nos salvou e garantiu que nos guardará.

d) O sacerdócio de Cristo é demonstrado pela sua atividade permanente (Hb.7:23-25). Os sacerdotes da ordem levítica não eram apenas imperfeitos, mas também tinham seu ministério interrompido pela morte.

Nenhum sacerdote em Israel viveu para sempre. Uma geração de sacerdotes dava lugar à próxima geração. Enquanto novos sacerdotes entravam, os mais antigos estavam se aposentando ou morrendo. Permanecia o sacerdócio, mas não havia um sacerdote específico de quem se pudesse depender o tempo todo.

O ministério de Cristo, porém, é perfeito e dura para sempre, pois ele morreu pelos nossos pecados, venceu a morte, ressuscitou para a nossa justificação, voltou ao Céu e está à destra do Pai intercedendo por nós. Ele vive para sempre (Ap.1:18); isso quer dizer que, quando nos aproximamos de Deus por meio dele, ele está sempre presente, sempre à disposição e jamais se ausenta. Sua presença no Céu como representante do pecador é garantia de que ninguém que nele confia será rejeitado. É sempre bem-sucedida e permanente a sua intercessão em favor dos fracos e falhos pecadores. Sua morte vicária foi consumada na cruz, mas seu ministério sacerdotal continua no Céu. Ele é o Advogado, o Justo (1João 2:1). Nenhuma condenação prospera contra aquele que está em Cristo, pois ele morreu, ressuscitou e está à destra de Deus, de onde intercede por nós (Rm.8:1,34,35). Ele é o único Mediador - "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1Tm.2:5).

 "E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque, pela morte, foram impedidos de permanecer; mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles".

e) O Seu oferecimento é perfeito e definitivo (Hb.7:26-28). Os sacerdotes levitas precisavam oferecer sacrifícios primeiro por si mesmos, pois eram pecadores. Mas Jesus é o sacerdote perfeito, santo, inculpável, separado dos pecadores. Ele é o sacerdote perfeito que não precisou oferecer oferta por si mesmo. Ele é a oferta perfeita e o ofertante perfeito. Nele, não havia pecado; ao contrário, ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus, que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados e, depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre”.

2. Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote no Céu


Atente para o seguinte texto sagrado:

“Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da Majestade, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem” (Hb.8:1,2).

Veja neste texto algumas preciosas características da superioridade do sumo sacerdócio de Cristo.

a) A dignidade superior da Pessoa de Cristo – “Ora, a suma do que temos dito é que temos um tal sumo sacerdote...”.

A expressão “sumo sacerdote tal” faz referência à dignidade de Cristo e a glória de Sua pessoa. Ele é santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e mais sublime que os céus (Hb.7:26). Os sacerdotes da ordem levítica eram homens imperfeitos, realizando sacrifícios imperfeitos, em favor de homens imperfeitos. Mas Jesus, nosso Sumo Sacerdote, é perfeito, ofereceu um sacrifício perfeito, a fim de aperfeiçoar para sempre homens imperfeitos.

b) A dignidade superior da Posição de Cristo – “...que está assentado nos céus à destra do trono da Majestade...”.

Na ordem levítica, um sacerdote não podia exercer a realeza nem o rei podia assumir o papel de sacerdote. Altar e trono estavam separados. Mas, Jesus, segundo a ordem de Melquisedeque, é tanto rei como sacerdote. Como Sacerdote, ele ofereceu a si mesmo na cruz, como o sacrifício perfeito; e, como Rei, ele foi exaltado, entronizado e está à destra da Majestade nos céus.

"Sentar-se" era frequentemente uma característica de honra ou autoridade no mundo antigo: um rei se sentava para receber seus súditos; uma corte se sentava, para julgar; e um professor sentava-se, para ensinar. O livro de Apocalipse, em particular, descreve Deus assentado no trono (Ap.4:2,10; 5:1,7,13; 6:16; 7:10,15; 19:4; 21:5), e Jesus como compartilhando esse trono (Ap.1:4,5; 3:21; 7:15-17; 12:5). O trono de Deus e o santuário (o verdadeiro tabernáculo) colocam o Rei e o Sumo Sacerdote juntos no mesmo lugar.

Portanto, Jesus não ministra no tabernáculo ou no templo, que são sombras terrenas da realidade celeste. Ele ministra na própria realidade celestial, na habitação do próprio Deus. Ele voltou aos Céu (Hb.4:14), foi feito mais alto do que os céus (Hb.7:26) e assentou-se à destra do trono da Majestade nos céus (Hb.8:1). Glórias sejam dadas a Ele!

c) A dignidade superior do Ministério de Cristo – “...ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem”.

Os sacerdotes da tribo de Levi ministravam numa tenda feita pelo homem, um tabernáculo terreno, sombra do verdadeiro tabernáculo celestial, erigido por Deus, e não pelo homem (Hb.9:24). Deus deu a Moisés uma cópia do tabernáculo verdadeiro (Êx.25:9,40; 26:30). A cópia estava na terra; mas o verdadeiro tabernáculo está no Céu. O tabernáculo e o trono estão interligados.

O profeta Isaías diz que viu o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo (Is.6:1). Nenhum sacerdote jamais foi exaltado à destra de Deus nem se assentou no trono à mão direita de Deus Pai. Embora Jesus tenha consumado sua obra de redenção na cruz, continua como nosso Advogado junto ao Pai (1João 2:1). Do tabernáculo de Deus, no Céu, fluem bênçãos que ultrapassam quaisquer bênçãos do sistema sacrificial levítico.

3. O sacerdócio coletivo dos cristãos

Jesus é o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, e os cristãos são seus sacerdotes (1Pd.2:9; Ap.1:6; 5:10).

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real...” (1Pd.2:9).

“Aquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, poder e glória para todo o sempre. Amém” (Ap.1:5,6).

O Sacerdote Celestial está conosco; nEle somos o sacerdócio real, o Corpo de Cristo chamado para servir. No Sacerdócio Celestial de Cristo é que está fundamentado o sacerdócio universal dos crentes.

Note que todos os crentes são sacerdotes, e não uma só pessoa de uma tribo específica. Na Nova Aliança não existe mais a figura do sacerdote, que, na Antiga Aliança, era o mediador entre o povo e Deus. O pastor não é sacerdote, ele é despenseiro; despenseiro é aquele que cuida da despensa. E dentro dessa despensa existem ovelhas (filhos de Deus – a igreja), e essas ovelhas têm dono, seu nome é Jesus Cristo, o nosso Sumo Pastor (1Pd.5:4).

Portanto, hoje, a mediação entre Deus e o ser humano não se aplica a nenhum indivíduo, senão ao próprio Cristo, que se constituiu Sumo Sacerdote do povo redimido. Na Nova Aliança, Cristo é o único mediador entre nós e o Pai Celeste (1Tm.2:5).

II. O SACERDÓCIO UNIVERSAL DA IGREJA

Sacerdote é o que se coloca diante de Deus no lugar do homem, levando suas necessidades à presença daquele que pode intervir miraculosamente na vida da raça humana.

A Igreja é o corpo de Cristo (1Co.12:27; Ef.4:12), e esta figura bíblica nos fala de que cabe à Igreja, na atual dispensação, iniciada com a subida de Cristo aos céus e a vinda do Espírito Santo para não deixar a Igreja órfã (Jo.14:18), continuar e ampliar as obras feitas por Jesus em Seu ministério terreno (Jo.14:12), de modo que a Igreja tem o dever de exercer os três ofícios que eram exercidos pelo Senhor Jesus. Assim, a Igreja é a portadora legítima e exclusiva dos ministérios profético, sacerdotal e real.

1. A Igreja, que é formada de sacerdotes, tem como Sumo Sacerdote o Senhor Jesus

Jesus é descrito nas Escrituras como o bom Pastor, o Pastor Supremo (João 10:11; 1Pd.5:4), Rei (Ap.19:16; Atos 2:29-36), Profeta (Dt.18:17-19; Atos 3:22-23; Lc.13:33), Mediador (Hb.8:6; 1Tm.2:5), Salvador (Ef.5:23). Cada uma destas descrições salienta alguma função que Jesus desempenha no plano da salvação. Contudo, a mais completa descrição de Jesus com respeito a sua obra redentora seja a de Sumo Sacerdote (Hb.5:10).

“Sendo por Deus chamado sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque”.

O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, foi imolado. Agora, uma nova ordem perpétua foi inaugurada. Cristo é sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque. Ele morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras. Foi sepultado e ressuscitou segundo as Escrituras (1Co.15:3). Sua morte não foi um acidente nem sua ressurreição foi uma surpresa. Ele está no Céu intercedendo por nós, por isso pode salvar-nos totalmente (Hb.7:25).

Como Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, Ele é maior que o sacerdócio do Antigo Testamento (Hb.4:14,15), porque está ligado a uma Nova Aliança (Hb.8:6-13) e ao culto do templo celestial (Hb.9:1-28).

Portanto, o sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque, é a consumação do sacerdócio levítico. Aquele era temporário e transitório, este é permanente e eterno; aquele era sombra, este é a realidade.

2. A Igreja foi chamada a exercer o sacerdócio

Pedro denominou a Igreja como sendo “o sacerdócio real” que tem como finalidade “anunciar as virtudes daquele que chamou a Igreja das trevas para a maravilhosa luz de Jesus” (1Pd.2:9), sendo corroborado por João que nos diz, no Apocalipse, que Jesus nos fez “reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai” (Ap.1:6); reis e sacerdotes que, a exemplo do próprio João, testificam da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo e de tudo o que têm visto (Ap.1:2). A Igreja deve exercer, na qualidade de corpo de Cristo, os ofícios sacerdotal, real e profético. 

Ocupar a função sacerdotal implica necessariamente em ministrar a Deus a favor dos homens. É verdade que todos têm acesso a Deus, através de Cristo Jesus, porém, é também verdade que a Bíblia nos exorta a orar uns pelos outros e fazer súplicas e intercessões por todos os homens. É um imperativo, um chamado, um dever, um privilégio.

Todavia, é válido ressaltar que o papel da Igreja não é o perdão dos pecados, muito menos a mediação entre Deus e os homens, como, equivocadamente, defendem alguns segmentos religiosos, como o catolicismo romano ou o mormonismo. O sacerdócio da Igreja não é o sumo sacerdócio, que é exclusivo de Cristo. Por isso, é falso o ensino a respeito do chamado “sacerdotalismo”, ou seja, a ideia de que, entre os fiéis, existem dois tipos de pessoas: os “sacerdotes”, estabelecidos para fazer a mediação entre Deus e os homens e os “leigos”, meros integrantes da Igreja.

3. Como sacerdotes, a Igreja deve exercer a Adoração, a Intercessão, a Santificação e o ensino da Palavra de Deus.

a) O exercício da Adoração. Cabe aos sacerdotes a responsabilidade pela oferta de sacrifícios, não mais sacrifícios pelo pecado, vez que Jesus removeu, com seu único sacrifício o pecado, mas de sacrifícios pacíficos ou “ofertas pacíficas”, que é o nosso “culto racional” (Rm.12:1), como também o nosso louvor (Os.14:2; Hb.13:15).

É importante que tenhamos uma liturgia apropriada e adequada em nossas reuniões, como também devemos ter uma vida de sincera, genuína e verdadeira adoração ao Senhor, para que não venhamos a ser reprovados como foram os filhos de Arão, que, por apresentarem fogo estranho perante o Senhor, foram mortos (Lv.10:1-3), algo que continua a ocorrer nos nossos dias (1Co.11:29,30), visto que, como a Igreja é um povo espiritual, a morte dos sacerdotes também é espiritual e não física, como se deu no caso de Nadabe e Abiú.

b) O exercício da Intercessão. “Interceder” significa “intervir a favor de alguém, pedir, rogar, suplicar”, palavra que vem do latim “intercedo”, cujo significado é “interpor-se, mediar”.  É tarefa da Igreja pôr-se entre cada membro seu e o Senhor, entre cada ser humano e o Senhor, pedindo o favor do Senhor para aquela pessoa em favor de quem se intercede, seja esta pessoa salva, ou não.

A Igreja é convocada para orar por si mesma (26:41; Lc.22:40), uns pelos outros (Tg.5:16), pela paz em Jerusalém (Sl.122:6), pelos inimigos da Igreja (Mt.5:44; Lc.6:28), pelos ministros do Evangelho e pela obra do Senhor (Ef.6:19; 1Ts.5:25; Hb.13:18), como também pelas autoridades constituídas (1Tm.2:2), como por todos os homens (1Tm.2:1).

Portanto, a intercessão é uma tarefa que incumbe à Igreja que se encontra nesta dimensão terrena. Aqueles que partiram para a eternidade não podem interceder por pessoa alguma que está sobre a face da Terra (Ec.9:10), pois não há comunicação entre mortos e vivos, como Jesus deixou bem claro ao nos contar a história do rico e de Lázaro (Lc.16:19-31). É falso, portanto, o ensino de que os crentes promovidos à glória possam interceder a favor dos salvos, como ensina, por exemplo, o catolicismo romano.

c) O exercício da Santificação. Os sacerdotes precisam ser santos (Lv.21:7). A Igreja é uma nação santa (1Pd.2:9) e, por isso, tudo quanto é levado até o altar tem de ser santo (Ag.2:12-15).

A Igreja precisa continuamente se santificar (Ap.22:11), devendo, para tanto, meditar de dia e de noite na Palavra de Deus, que a santifica (João 17:17), como, também, continuamente se deixar à disposição do Espírito Santo (2Ts.2:13; 1Pd.1:2), além de manter uma vida de oração (1Tm.4:5).

d) O exercício do ensino da Palavra. Cabe aos sacerdotes a instrução do povo de Deus (2Cr.17:7-9; Ed.7:6,10; Ne.8:7,8). Assim, toda a Igreja deve se dedicar ao ensino da Palavra (Cl.3:16), mas, especialmente, os pais em relação aos filhos (Dt.6:6-9) e os pastores e mestres nas igrejas locais (At.6:2,4; Ef.4:11; 1Tm.3:2).

III. O MAIOR E MAIS PERFEITO TABERNÁCULO


O Céu é o maior e o mais perfeito Tabernáculo. Cristo serviu e serve neste Tabernáculo. Ele é o Sumo Sacerdote eterno e perfeito.

“Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus” (Hb.9:24).

O Tabernáculo e o Templo terrenos eram sombras imperfeitas do verdadeiro e perfeito lugar de adoração: o Santuário Celestial (Hb.8:5). Os caminhos “antigos” do sacerdócio judeu não mais existem, eles foram substituídos por Jesus, que é o Caminho, a Verdade, e a Vida (João 14:6). Antes da vinda de Cristo, o sumo sacerdote só podia entrar em um lugar especial, o Santo dos Santos, para estar na presença de Deus. Hoje, através da oração, nós podemos entrar na sala do trono, no Céu, e um Dia nós viveremos eternamente na presença do Senhor.

1. O Santuário terrestre

O Santuário terrestre era transitório; foi feito por mãos humanas.

Os sacerdotes do santuário terrestre ministravam apenas as sombras ou imagens das coisas celestiais; Cristo ministrou a própria substância que lançava aquelas sombras - a vida e a luz eterna.

Os sacerdotes do santuário terrestre ofereciam o sangue de animais; Cristo ofereceu o próprio sangue.

Os sacerdotes do santuário terrestre entravam no santuário muitas vezes porque ofereciam o sangue de animais pelos pecados do povo; Cristo entrou de uma vez por todas porque ofereceu o seu próprio sangue.

O ministério dos sacerdotes do santuário terrestre era contínuo e insuficiente; o de Cristo foi único e obteve redenção eterna para nós.

Os sacrifícios do santuário terrestre eram isentos de mácula apenas física; Cristo entregou-se a si mesmo sem mancha a Deus, isento de toda mácula moral e espiritual. Ele não conheceu pecado. As bênçãos advindas por meio do santuário terrestre eram temporais; as que Cristo oferece são espirituais e eternas.

2. O Santuário Celestial

Este Santuário não foi feito por mãos humanas (Hb.8:2; 9:11). Neste santuário, Deus habitará para sempre com os seus filhos (Ap.21:3).

“Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação” (Hb.9:11).

Os sacerdotes da ordem de Levi entravam no santuário feito por Moisés, obra das mãos de homens, mas Cristo, o Sumo Sacerdote da ordem de Melquisedeque, entrou no Santuário Celestial, não feito por mãos humanas.

“Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da Majestade, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem” (Hb.8:1,2).

Por isso, o Santuário Celestial é infinitamente muito superior ao terreno, porque o Cristo exaltado é o Sumo Sacerdote desse santuário. Ele serve assumindo o seu lugar de direito como nosso Salvador e Mediador. Aliás, Ele é o único mediador entre Deus e o ser humano (1Tm.2:5). Nesse Santuário celeste, habita a plenitude da divindade.

3. O sacrifício perfeito de Cristo

Jesus claramente exerceu o papel de Sumo Sacerdote da Nova Aliança sobre a terra, quando ofereceu a si mesmo como o perfeito sacrifício por nossos pecados; mas, foi trazido à vida novamente para exercer a função de Sumo Sacerdote para sempre, servindo no Santuário Celeste, à mão direita de Deus Pai (Hb.8:1,2).

Os sacerdotes da ordem levítica eram homens imperfeitos, realizando sacrifícios imperfeitos, em favor de homens imperfeitos. Mas Jesus, nosso Sumo Sacerdote, é perfeito, ofereceu um sacrifício perfeito, a fim de aperfeiçoar para sempre homens imperfeitos.

Portanto, Jesus não é apenas o sacerdote perfeito, mas ofereceu o sacrifício perfeito e eterno. Ele é a própria oferta. Ele é o próprio sacrifício. Ele entregou a si mesmo, como oferta pelo nosso pecado. Sua oferta foi perfeita, completa e eficaz.

Resta afirmar, portanto, que, sendo Jesus Cristo o nosso Sumo Sacerdote, nunca haverá um tempo em que, ao nos aproximarmos de Deus, seremos rejeitados. Consequentemente, desviar-se de Cristo é uma consumada tolice, e a apostasia, a mais incontroversa loucura.

“porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados. mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus” (Hb.10:4,12).

CONCLUSÃO

O Tabernáculo mosaico findou-se. Agora temos um Santuário superior e irremovível, um sacrifício perfeito e uma salvação definitiva e perenal. Na Antiga Aliança, somente o sumo sacerdote podia entrar uma vez por ano no Santo dos Santos, mas nós, por causa do sangue de Cristo, podemos ter intrepidez para entrar livremente no Santo dos Santos, ou seja, na presença de Deus. A santidade de Deus não nos mantém do lado de fora. Podemos entrar porque a penalidade que merecíamos foi carregada por Cristo na cruz quando ele padeceu e morreu por nós. Existe acesso irrestrito a todo aquele que foi lavado no sangue de Cristo. Com a morte de Cristo, o Véu foi rasgado de alto a baixo, e o caminho para Deus foi aberto (Hb.10:20). Esse caminho é um novo e vivo caminho. Esse caminho não é um ritual, uma cerimônia ou uma liturgia, mas uma Pessoa. Esse caminho é Jesus (João 14:6).

Glórias a Deus!

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

FRUTOS NAS MÃOS DE DEUS


 FRUTOS NAS MÃOS DE DEUS

 

TEXTO BÍBLICO: João 14:12,13,15,26

“Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça...” (João 15:16).

  • A iniciativa divina e a vocação: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós...” (João 15:16). Os frutos não começam com a nossa capacidade de produzir, mas com a graça de sermos escolhidos. Estar nas mãos de Deus implica reconhecer que nossa existência tem uma direção intencional traçada pelo próprio Criador.
  • O propósito da permanência: O objetivo da escolha não é o conforto estático, mas a ação: “...para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça”. O verdadeiro fruto espiritual — que envolve transformação de caráter, amor prático, justiça e a proclamação do Evangelho — tem selo de eternidade. Ele não se desfaz com as intempéries do tempo.
  • A intimidade como fonte de poder: Em João 14:12-13, Jesus aponta para obras ainda Maiores que seriam feitas porque Ele estaria com o Pai, e conecta isso à oração respondida em Seu nome. O fruto nas mãos de Deus não é gerado por ativismo religioso, mas por uma videira verdadeira onde os ramos permanecem atrelados (João 15:5).
  • O motor da obediência e o Consolador: "Se me amais, guardai os meus mandamentos" (João 14:15). A obediência autêntica não é um fardo legalista, mas a evidência de um coração que confia. E para que essa jornada não seja solitária, Jesus promete o Espírito Santo (o Consolador) em João 14:26, que nos ensina e faz lembrar de todas as coisas. Ele é quem capacita o cordeiro a dar fruto e o sustenta na travessia.

Colocar os frutos nas mãos de Deus é um ato de entrega. É abandonar o controle da própria colheita, reconhecer que sem Ele nada podemos fazer, e permitir que o Agricultor podar o que for necessário para que a nossa vida produza muito mais.

INTRODUÇÃO

 “... eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça(João 15:16). Fruto aqui pode significar as virtudes da vida cristã, como amor, alegria, paz, benignidade, longanimidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança “(Gl 5:22). Ou pode significar ganhar almas para o Senhor Jesus Cristo. Há uma ligação intima entre os dois. É somente quando manifestamos o primeiro tipo de fruto que podemos dar o segundo. A expressão “e o vosso furto permaneça” faz-nos entender que fruto aqui significa a salvação de almas. O Senhor escolheu os discípulos para ir e dar “fruto permanente”. Ele não estava interessado em profissões de fé nele mesmo, mas em casos genuínos de salvação.

A maior evidência de maturidade espiritual em uma pessoa é o caráter de Cristo em sua vida (ver Gl 5:22). A Bíblia diz que foi na cidade de Antióquia que os crentes foram chamados de cristãos pela primeira vez (At 11:26). Até aquele momento e por muitos anos mais, eles foram chamados simplesmente de “o povo do Caminho” (At 19:23). Todos aqueles que são maduros espiritualmente começarão a parecer-se com Jesus e agir como Ele. Também passarão a mostrar mais e mais do caráter e das obras dele em sua vida.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

                                              

. A pessoa é identificada pelo seu fruto (Mt 7:16). Pelos frutos é possível saber se o homem mudou de vida, se é, agora, um novo homem, ou se apenas mudou de religião, e continua sendo o velho homem, envolto com as obras da carne. “Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (Mt 7:16), segundo afirmou Jesus. “... toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons” (Mt 7:17-18).

2. Os propósitos da frutificação espiritual

a) Evidenciar o discipulado. O Senhor Jesus Cristo afirmou: Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (João 15:8). Dar “muito fruto” é uma condição imposta por Jesus para aquele que quiser ser seu discípulo. Se o Senhor Jesus exigiu como condição o dar muito fruto para poder ser seu discípulo é porque ele sabia que o homem podia cumprir esta condição. É claro que o homem natural não pode ser seu discípulo, porque não pode, por si só, cumprir suas condições.

Para ser discípulo de Jesus, o homem natural precisa, primeiro, aceitá-lo como seu Salvador, precisa nascer de novo, precisa tornar-se um homem espiritual. Todavia, mesmo o homem nascido de novo, não poderia, por si só, fazer a vontade de Deus e cumprir a sua Palavra. Sabendo disto, Deus Pai, por intermédio de Jesus, enviou para estar com o homem o Espírito Santo, sobre o qual o Senhor Jesus declarou: Mas, quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade...” (João 16:13). Paulo complementou dizendo: “E da mesma maneira também o Espírito Santo ajuda as nossas fraquezas... (Rm 8:26).

Podemos afirmar, com absoluta convicção, que, se não nos deixarmos guiar e se não formos ajudados pelo Espírito Santo, não daremos fruto, nem muito, nem pouco! Quem não dá fruto não pode dizer que é discípulo de Jesus.

b) Abençoar outras pessoas. Na medida em que praticamos boas obras, na medida em que passamos a demonstrar o caráter cristão, estaremos, também, trazendo o bem às pessoas que nos cercam. O crente é sal da terra e luz do mundo e, portanto, iluminará os ambientes que frequenta, como também conservará a pureza ou curará os males do lugar onde está.

A Bíblia diz que o crente é a nascente de um rio de água viva (João 7:38) e, como nos ensina a geografia, o rio é um elemento primordial para que se constitua um núcleo humano de habitação, para que se construa uma sociedade, uma comunidade. O crente, portanto, é um elemento que traz a vida para as pessoas, que permite com que as pessoas possam ser despertadas para a realidade da necessidade da comunhão com Deus e com o próximo, mas isto tudo somente pode ocorrer se houver a produção do fruto do Espírito, sem o que este rio não nascerá, sem o que este rio não será água corrente, mas apenas uma cisterna rota, de água parada, malcheirosa e produtora de doenças (Jr 2:13).

c) Glorificar a Deus (João 15:8). Por fim, como diz o próprio Jesus, vemos que a presença de crentes frutíferos leva os ímpios a glorificarem a Deus (Mt 5:16). A Igreja em perfeita consonância com o Espírito Santo, faz com que os homens glorifiquem ao Pai que está nos céus. O trabalho do Espírito Santo é o de glorificar a Jesus (João 16:14), assim como o trabalho de Cristo na Terra foi o de glorificar o Pai (João 17:4). Nós, como corpo de Cristo, temos de prosseguir neste trabalho de glorificação do Pai e isto só será possível através das nossas boas obras, dos frutos.

 

I. SER COMO JESUS


Como Deus, Jesus é o mesmo (Hb 13:8). Como homem, é o último Adão, ou seja, um homem criado como o primeiro Adão, mas que, ao contrário deste, perseverou até o fim e venceu o mundo. Seu exemplo, portanto, pode ser seguido e é um exemplo que não comporta variação nem mudança. Por isso, se alguém quiser manifestar frutos característicos da maturidade espiritual deve ser feito usando o Senhor Jesus como paradigma - Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus(Hb 12:1,2).

O homem que aceita Cristo como Senhor e Salvador, alcança a vida, liga-se à videira verdadeira e passa a ser uma nova criatura. Como nova criatura, pode, então, iniciar a sua caminhada para produzir o fruto do Espírito, pois existe uma meta, um objetivo inafastável: a medida da estatura de varão perfeito, a estatura de Cristo (Ef 4:13).

Assim, Jesus é o alvo a ser buscado. Tendo sido gerado pelo Espírito Santo, Jesus foi criado, ao contrário de nós, sem a natureza pecaminosa e, ao contrário do primeiro Adão, nunca perdeu esta condição. Por isso, em Jesus temos uma perfeição que nós não possuímos. Nós, embora tenhamos sido criados perfeitos - “Vede, isto tão-somente achei: que Deus fez ao homem reto, mas ele buscou muitas invenções” (Ec.7:29) -, ao atingirmos a consciência, inevitavelmente, por causa da natureza pecaminosa que em nós habita, pecamos – “Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7:14,20).

Temos, então, de nascer de novo, mediante a fé em Cristo (João 3:3,5). Assim, somos novamente gerados – Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós(1Pe.1:3) - e, numa luta constante contra a natureza pecaminosa (Rm.8:1-17), da qual nos desprenderemos apenas quando deixarmos esta vida física (1Co.15:50), temos de caminhar em direção à perfeição, pois, se já santificados, temos de nos aperfeiçoar (Ef 4:12). Este aperfeiçoamento dar-se-á por intermédio da frutificação, que tem de ser cada vez mais intensa e de melhor qualidade (João 15:2,16). Por isso, não há outro exemplo a ser seguido, outro exemplo a ser imitado (1Co 11:1; Ef 5:1).

Se é verdade que devemos observar os demais homens e até imitá-los, como as personagens bíblicas e os nossos irmãos, entre os quais os pastores – Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver (Hb.13:7) -, o certo é que os homens só nos servem de parâmetro enquanto forem ramos ligados à videira verdadeira.

Paulo exorta os crentes a imitá-lo enquanto era imitador de Cristo e os pastores devem ser imitados enquanto homens de fé em Deus. Jesus é o modelo imutável e único; é a videira verdadeira. Como a Verdade é única, em nenhum outro poderemos nos espelhar.

Precisamos tomar a decisão de deixar a natureza divina se expressar em nós – “e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3:19).  Toda a plenitude da Divindade reside no Senhor Jesus (Cl 2:9). Quanto mais ele habita no nosso coração pela fé, mais tomados ficamos de toda a plenitude de Deus. Não é possível ficarmos absolutamente cheios de toda a plenitude de Deus. Porém, é esse o alvo que temos diante de nós.

Devemos também demonstrar alguns traços de caráter que são sinais de uma vida semelhante à Cristo, como: amor, humildade, obediência, mansidão etc. – “Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4:1-3).

II. MINISTÉRIO FRUTÍFERO

1. De Cristo (At 10.38) – “como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual há paz” (fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”.  Lucas enfatiza a utilidade do trabalho de Jesus, ao dizer que Ele andou por toda parte fazendo o bem. Esse Jesus, ao qual Deus ungiu [...] com o Espírito Santo, havia dedicado sua vida ao serviço abnegado, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo. Jesus é o padrão para um ministério frutífero.

2. Do Crente (João 14:12) – Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”. Uma evidência da maturidade cristã é o ministério de Jesus realizado pelo crente, através do Espírito Santo. Em João 14:12, o Senhor Jesus predisse que os que creram nele realizariam milagres como ele fez, e ainda maiores obras. Em Atos, lemos sobre os apóstolos realizando milagres de cura física, semelhantes aos do Salvador. Mas também lemos sobre milagres maiores, como a conversão de três mil almas no dia de Pentecostes. Sem dúvida, quando o Senhor usou a expressão “maiores obras” se referiu à proclamação mundial do Evangelho, à salvação de tantas almas e à formação da Igreja. É maior salvar almas que curar corpos. Quando o Senhor voltou ao Céu, Ele foi glorificado e o Espírito Santo foi enviado à Terra. Foi por meio do poder do Espírito que os apóstolos realizaram esses milagres.

3. Para a glória de Deus (João 4:34; 17:4).  A vida de Jesus aqui na Terra foi dedicada a cumprir os propósitos de Deus. Ele afirmou: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (João 4:34). Nutriente físico é de nenhum valor quando comparado a gloriosa missão de ganhar almas. Os discípulos estavam interessados em comida, pois foram à cidade comprar e voltaram com a comida. O Senhor estava interessado em almas. Ele se importava em salvar homens e mulheres do pecado e dar-lhes água da vida eterna. Ele também conseguiu o que almejava. Em que estamos interessados?

Por causa da visão terrena, os discípulos não conseguiram entender o significado das palavras do Senhor em João 4:34. Eles não apreciaram o fato de que a alegria e o deleite do sucesso espiritual podem, por um tempo, elevar o homem acima de comida e bebida material. Por isso concluíram que alguém deveria ter trazido comida para o Senhor Jesus (João 4:33).

Em sua oração intercessora, Jesus proferiu a todos com muita firmeza que Sua obra, Sua vida e Suas palavras eram de Seu Pai. Ele orou assim: “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (João 17:4). Quando o Senhor proferiu essas palavras, falava como se já estivesse morrido, sepultado e ressuscitado. Ele tinha glorificado o Pai por sua vida impecável, por seus milagres, por seu sofrimento e morte, e por sua ressurreição. Ele tinha consumado a obra que o Pai lhe confiara para fazer. Isso nos traz uma lição: revelamos maturidade espiritual quando buscamos glorificar a Deus em tudo o que fazemos ou falamos. É o seu desejo.

 

III. TRANSFORMAÇÃO ESPIRITUAL

O fruto do Espírito Santo é consequência de uma transformação, que é a salvação do homem que aceita a Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador. O fruto do Espírito Santo não é o resultado de uma reforma, de uma deformação, nem de uma formação, mas é produto de uma transformação, de um novo nascimento, nascimento da água e do Espírito.

1. Força na fraqueza.  “E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (2Co 12:9).

Em algumas ocasiões pensamos que não conseguiremos alcançar a maturidade espiritual por sermos fracos. Porém, quando uma pessoa se sente forte e segura em suas capacidades, a tendência é achar que não precisa de ninguém. O crente que reconhece suas limitações terá mais facilidade em perceber sua necessidade de buscar a ajuda de Deus.

Encontramos um bom exemplo na vida do apóstolo Paulo, pois, embora fosse uma pessoa que amava ao Senhor, possuía também muitas e persistentes fraquezas. Uma delas era o espinho na carne”, que ele mesmo orou para que Deus o retirasse.

O apóstolo Paulo descreve o espinho na carne como um mensageiro de Satanás, para esbofeteá-lo. Em certo sentido, é representado como uma tentativa de Satanás de atrapalhar o serviço de Paulo ao Senhor. Mas Deus é maior do que Satanás e usou o espinho para levar a obra do Senhor adiante ao manter Paulo em uma posição de humildade. Quando temos consciência de nossa fraqueza e inutilidade é que nos tornamos mais dependentes do poder de Deus. E é quando nós entregamos a ele em total dependência que seu poder se manifesta em nós e somos verdadeiramente fortes.

Paulo suplicou três vezes para que Deus afastasse dele o espinho na carne (2Co 12:8). O sofrimento levou Paulo à oração. O sofrimento nos mantém de joelhos diante de Deus para nos colocar de pé diante dos homens. Paulo sabe que Deus está no controle, não Satanás. A oração do apóstolo foi respondida, mas não da maneira pela qual ele desejava. Deus disse a Paulo, em outras palavras: “Não removerei o espinho, mas farei algo melhor: darei graça para você suportá-lo. Lembre-se, Paulo apesar de não ter atendido ao seu pedido, estou concedendo aquilo de que você mais precisa. Seu desejo é pregar com meu poder e força, não é? Então, convém que você permaneça em uma posição de fraqueza”. Essa foi a resposta de Deus à oração feita três vezes por Paulo e continua sendo sua resposta ao seu povo sofredor espalhado pelo mundo.

A companhia do Filho de Deus e a garantia de força e graça capacitante são melhores do que a remoção das tribulações e sofrimentos. Observe que Deus diz: “A minha graça de basta”. Deus não deu a Paulo o que ele pediu; deu-lhe algo melhor, melhor que a própria vida: a sua graça. A graça de Deus é melhor que a vida; pois por ela enfrentamos o sofrimento vitoriosamente. O que é graça? É a provisão de Deus para cada uma das nossas necessidades. O nosso Deus é o Deus de toda a graça (1Pe 5:10).

Temos a tendência de pensar que o sofrimento é algo que Deus faz contra nós, e não por nós. O espinho de Paulo era uma dádiva, porque, por meio desse incômodo, Deus protegeu Paulo daquilo que ele mais temia: ser desqualificado espiritualmente (1Co 9:27). Ele sabia que o orgulho destrói. Viu-o como algo que Deus fez a seu favor, e não contra ele. O apóstolo se contenta com a resposta do Senhor e declara: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo”. Em vez de murmurar e se queixar do espinho na carne, ele se gloriaria nas fraquezas. Dobraria os joelhos e agradeceria ao Senhor por elas. Suportaria de bom grado, desde que o poder de Cristo repousasse sobre ele.

O sofrimento do tempo presente não é para se comparar com as glórias porvir a serem reveladas em nós (Rm 8:18). A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória (2Co 4:14-16). Aqueles que têm a visão do céu são os que triunfam diante do sofrimento. Aqueles que ouvem as palavras inefáveis do paraíso são os que não se intimidam com o rugido do leão.

O sofrimento é por breve tempo; o consolo é eterno. A dor vai passar; o céu jamais! A caminhada pode ser difícil; o caminho pode ser estreito; os inimigos podem ser muitos; o espinho na carne pode doer; mas a graça de Cristo nos basta. Só mais um pouco, e nós estaremos para sempre com o Senhor. Então o espinho será tirado, as lágrimas serão enxutas não haverá mais pranto, nem luto, nem dor.

2. Dúvidas e culpa (1Tm 4:13-15). À medida que o cristão vai adquirindo maturidade espiritual, vai percebendo que outros desafios vão surgindo. Podem até surgir dúvidas quanto à capacidade para desempenhar algum trabalho para o Senhor. Mas, quando Deus nos chama, Ele promete que vai nos ajudar, pois foi Ele quem formou cada parte do nosso ser.

Paulo encoraja Timóteo com as seguintes palavras: Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos”. Aqui, Paulo encoraja Timóteo a se entregar completa e seriamente ao trabalho de Deus. Ele deve ser totalmente dedicado em seu esforço. Dessa forma, o seu progresso será manifesto a todos. Paulo não quer que Timóteo, no serviço cristão, se acomode em uma posição confortável. Ao contrário, ele o quer sempre progredindo nas coisas do Senhor.

3. Através do Espírito Santo (At 8:6-8) – “E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia, pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade”.

O livro de Atos fala a respeito da transformação que os discípulos de Cristo tiveram, pois, após a crucificação de Jesus, eles se espalharam e ficaram desanimados. Porém, quando o Espírito Santo desceu sobre eles, como o Senhor havia prometido (At 1:8), houve uma grande mudança de vida e atitude. Eles passaram a trabalhar e a testemunhar de Jesus com grande poder.

A dispersão dos cristãos não calou seu testemunho. Antes, por toda parte aonde iam, pregavam as boas-novas da salvação. Filipe, o “diácono” do capítulo 6, foi para o norte, para a cidade de Samaria. Além de anunciar Cristo, realizou muitos sinais. Os espíritos imundos foram expulsos, e muitos paralíticos e coxos foram curados. O povo recebeu o evangelho, e, como era de esperar, houve grande alegria.

A mesma oportunidade que os discípulos tiveram nós temos hoje por meio do poder do Espírito Santo. É Ele quem pode fazer com que sejamos capazes de nos firmar em nossos pés, capacitando-nos a realizar a obra que o Senhor tem para nós, e nos impulsiona em direção ao nosso objetivo de sermos semelhantes a Cristo.

 

CONCLUSÃO

O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano; plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes(Sl 92:12-14). Só pode progredir e dar fruto aquele que alcança a maturidade espiritual. A árvore só produz fruto depois que alcança crescimento e condições para tal. Todos fomos chamados para dar frutos para Deus. Na vida de muitos cristãos este processo é lento, gradual e doloroso. Isto vai depender da resposta de cada um à Palavra de Deus. Outros recebem a Palavra e permitem prontamente o tratamento de Deus. Que o Senhor Deus nos conceda a graça do crescimento e da maturidade cristã, pois só assim a natureza de Cristo será formada em nós e poderemos dar muitos frutos para a glória do Pai.

 

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