quinta-feira, 11 de junho de 2026

O JUÍZO CONTRA SODOMA E GOMORRA


O JUÍZO CONTRA SODOMA E GOMORRA

ESBOÇO DO ESTUDO

I – OS ANJOS VISITAM ABRAÃO

1. Abraão recebe a visita dos anjos do Senhor    

2. A hospitalidade de Abraão     

3. O riso de Sara    

II - DEUS ANUNCIA SEUS PLANOS A ABRAÃO

1. O anúncio da destruição     

2. O pecado leva à destruição   

3. A intercessão      

III – A DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA

1. DEUS “é fogo consumidor”    

2. Uma catástrofe sem igual       

3. Transformada em estátua de sal  


TEXTO BÍBLICO

Disse mais: Ora, não se ire o Senhor que ainda só mais esta vez falo: se, porventura, se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei, por amor dos dez.” (Gn 18.32)


VERDADE PRÁTICA

DEUS é misericordioso e dá tempo para o arrependimento, mas, quando o homem não quer, seu juízo é sem misericórdia.

INTRODUÇÃO

Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas. Amós 3:7

E disse o Senhor: Ocultarei eu a Abraão o que faço Gênesis 18:17 (Gn 20.7 Abraão é chamado de profeta).

Este estudo aborda Gênesis 18–19, um dos relatos mais marcantes do Antigo Testamento, no qual o Senhor visita Abraão acompanhado de dois anjos, reafirma a promessa do nascimento de Isaque e revela seus planos a respeito de Sodoma e Gomorra. A narrativa evidencia a hospitalidade do patriarca, a tensão entre fé e incredulidade (no riso de Sara), e a força da intercessão de Abraão diante da justiça divina. Ao longo do texto, veremos como a misericórdia e o juízo se manifestam lado a lado: DEUS ouve o clamor, examina a realidade do pecado, acolhe a oração do justo e, ao mesmo tempo, não compactua com a corrupção persistente. Para facilitar a compreensão, o conteúdo está organizado em três partes: (I) a visita dos anjos a Abraão, (II) o anúncio dos planos de DEUS e a intercessão, e (III) a destruição de Sodoma e Gomorra e suas lições espirituais. Por causa de Abraão e sua intercessão o justo Ló escapou do juízo de DEUS sobre o pecado de Sodoma, Gomorra e região.


 I – OS ANJOS VISITAM ABRAÃO

1. Abraão recebe a visita dos anjos do Senhor    

Segundo Gênesis 18, Abraão recebeu a visita de três homens (o Senhor JESUS e dois anjos) nos carvalhais de Manre, perto de Hebrom, no momento mais quente do dia. Abraão os acolheu com hospitalidade, oferecendo água e um banquete preparado por Sara. A visita confirmou a promessa de que Sara teria um filho no ano seguinte. 

Pontos principais da visita:

  • A Aparição: Três viajantes apareceram à entrada da tenda; Abraão prontamente ofereceu descanso e alimento.
  • A Promessa: Um dos visitantes (o Senhor JESUS) reafirmou que Sara, mesmo idosa (89 anos), daria à luz um filho, o que causou o riso de Sara por descrença.
  • A Intercessão:

 Após o almoço, os anjos seguiram para Sodoma, enquanto o Senhor JESUS revelou a Abraão seus planos de destruir Sodoma e Gomorra. Abraão intercedeu pelos habitantes, questionando se DEUS destruiria o justo com o ímpio.

  • Significado: Esse encontro destaca a hospitalidade de Abraão e o cumprimento da aliança divina. 

A visita é um dos momentos mais marcantes da vida de Abraão, demonstrando a intimidade de sua relação com DEUS e a certeza de que Sara teria um filho. 

2. A hospitalidade de Abraão     

Em Gênesis 18, Abraão recebe três visitantes misteriosos (o Senhor JESUS e dois anjos) nos carvalhais de Manre. Demonstrando extrema hospitalidade oriental e seu conhecimento espiritual, identificando que seus visitantes não eram da terra, ele corre ao encontro deles, oferece água para lavar os pés e prepara uma refeição generosa (vitela). A visita confirma a promessa de que Sara daria à Luz Isaque. 

A Hospitalidade de Abraão (Gênesis 18:1-15)

  • O Encontro: Durante o calor do dia (provavelmente ao meio-dia), sentado à porta da tenda, Abraão vê três homens. Ele imediatamente se curva e os convida a descansar e comer.
  • Ação Imediata: Abraão apressa-se e pede a Sara que prepare pão, enquanto ele escolhe um bom bezerro e separa a vitela para a refeição (melhor corte), demonstrando honra aos visitantes.
  • Serviço: Abraão não apenas serve a refeição, mas fica de pé ao lado deles sob a árvore enquanto comem.
  • A Promessa: Um dos visitantes (o Senhor JESUS) reafirma que Sara terá um filho no ano seguinte.
  • O Riso de Sara: Sara, ouvindo atrás da porta da tenda, riu por dentro devido à sua idade avançada, mas foi confrontada pelo Senhor, que declarou: "Há alguma coisa difícil ao Senhor?".
  • Significado: Este ato é considerado um exemplo bíblico ímpar de hospitalidade, frequentemente hoje está associado a receber mensageiros divinos sem saber. 

“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos”. Hebreus 13:2

O relato destaca a presteza de Abraão em servir, a cultura de acolhimento ao estrangeiro e a confirmação divina do pacto. Para ler o relato bíblico completo, consulte o texto em Gênesis 18.

 


3. O riso de Sara

Em Gênesis 18, três visitantes divinos (o Senhor JESUS e dois anjos) visitam Abraão nos carvalhais de Manre. Após receberem hospitalidade, anunciam que Sara teria um filho no ano seguinte. Sara, idosa e estéril, riu de incredulidade, mas o Senhor questionou: "Haveria coisa alguma difícil ao Senhor?". 

Detalhes da Visita e o Riso de Sara:

  • A Visita (Gênesis 18:1-15): Abraão, aos 99 anos, recebe três "varões" (JESUS e dois anjos) e oferece uma refeição generosa. Um deles, identificado como o Senhor JESUS (Cristofania), reafirma a promessa de um filho com Sara, que na época já tinha passado da idade de conceber (89 anos).
  • O Riso de Sara: Ouvindo atrás da tenda, Sara riu-se consigo mesma, duvidando da possibilidade de ter um filho na velhice. Ela questionou sua própria capacidade reprodutiva.
  • A Resposta Divina: O Senhor questionou o riso de Sara, perguntando: "Haveria coisa alguma difícil ao Senhor?".
  • A Negação e o Significado: Com medo, Sara negou ter rido, mas foi confrontada. O riso, inicialmente de dúvida, transforma-se após o cumprimento da promessa em Gênesis 21:1-7, quando Sara diz: "DEUS me deu motivo de riso; e todo aquele que ouvir isso vai rir-se juntamente comigo".
  • Isaque: O filho nascido dessa promessa foi chamado de Isaque, cujo nome significa "riso", simbolizando a transformação da descrença em alegria. 

Essa narrativa enfatiza o poder de DEUS acima das limitações humanas e a fidelidade às promessas. Para saber mais, veja o relato completo em Gênesis 18 e concretização da promessa em Gênesis 21. 

II - DEUS ANUNCIA SEUS PLANOS A ABRAÃO

1. O anúncio da destruição   

O anúncio de DEUS a Abraão sobre a destruição de Sodoma e Gomorra, relatado em Gênesis 18:16-33, é um momento crucial na narrativa bíblica que revela a intimidade entre DEUS e o patriarca, bem como a justiça e a misericórdia divinas. 

DEUS revela seus segredos aos profetas (Amós 3:7) e Abraão era um profeta conforme (Gn 20.7).  

Aqui estão os pontos principais desse episódio:

  • A Decisão de Revelar: Após a visita dos três mensageiros (o Senhor JESUS e dois anjos) e a promessa do nascimento de Isaque, DEUS decide não ocultar de Abraão o que estava prestes a fazer. A razão dada é que Abraão foi escolhido para ser uma grande nação e para ensinar seus descendentes a seguir o caminho do Senhor, praticando a justiça e o juízo.
  • O Motivo da Destruição: DEUS relata a Abraão que o clamor contra Sodoma e Gomorra é intenso e o seu pecado é extremamente grave. DEUS declara que descerá para verificar se a iniquidade corresponde ao relato que ouviu.
  • A Intercessão de Abraão: Sabendo que seu sobrinho Ló vivia em Sodoma, Abraão aproxima-se de JESUS (DEUS) e começa uma corajosa e respeitosa intercessão. Ele pergunta: "Destruirás o justo com o ímpio?".
  • A Intercessão de Abraão e a Misericórdia de DEUS: Abraão negocia com DEUS para poupar a cidade:
    • Se houvesse 50 justos, DEUS pouparia a cidade.
    • Abraão diminui para 45, 40, 30, 20 e, finalmente, 10 justos.
  • O Veredito: JESUS (DEUS) concorda que, se encontrar 10 pessoas justas em Sodoma, não a destruirá por amor a eles.
  • O Resultado: A história continua no capítulo 19, onde fica evidente que não havia sequer dez justos na cidade, resultando na sua destruição com fogo e enxofre, embora DEUS tenha poupado Ló e sua família devido à intercessão de Abraão. 

Este diálogo mostra Abraão como um amigo de DEUS, preocupado com a justiça divina, e destaca que a destruição de Sodoma foi um ato de julgamento contra a extrema iniquidade vivida ali (Glutonaria, embriaguez, prostituição, adultério, homossexualidade).

2. O pecado leva à destruição  

Segundo o relato bíblico em Gênesis, a destruição de Sodoma e Gomorra foi causada pela extrema maldade, corrupção, orgulho e falta de hospitalidade de seus habitantes (Glutonaria, embriaguez, prostituição, adultério, homossexualidade)O pecado intenso e a falta de arrependimento levaram ao julgamento divino, resultando em destruição total pôr fogo e enxofre. 

Principais Aspectos da Destruição:

  • Pecados Citados: A Bíblia menciona "pecado agravado", promiscuidade e, em Ezequiel 16:49, destaca-se o orgulho, a fartura, a falta de ajuda aos pobres e o desprezo pelos necessitados.
  • O Incidente de Ló: A tentativa de violência (queriam sexo com aqueles anjos-homens) contra os anjos enviados a Ló é o ápice narrativo da corrupção local.
  • A Justiça Divina: A narrativa serve como exemplo bíblico da paciência de DEUS que chega ao limite diante da persistência no pecado.
  • Consequências: A destruição foi repentina e total, frequentemente citada como um exemplo de julgamento. 

O episódio, detalhado em Gênesis 18-19, é amplamente debatido, com perspectivas que variam entre a imoralidade geral e a falta de hospitalidade. A historicidade e o pecado central são interpretados de diversas formas, incluindo o orgulho descrito em Ezequiel 16:49.

3. A intercessão 

A intercessão de Abraão por Ló e sua família, narrada em Gênesis 18, demonstra o poder da oração persistente e a misericórdia divina. Abraão intercedeu corajosamente, negociando com DEUS para poupar Sodoma se houvesse justos lá, resultando no resgate de Ló e sua família.

Pontos-chave da Intercessão de Abraão:

  • O Contexto: DEUS revelou a Abraão seus planos de destruir Sodoma e Gomorra devido à grave impiedade ali vigente, o que gerou a urgência de Abraão em interceder por Ló.
  • O Diálogo com DEUS: Abraão, com humildade e ousadia, iniciou uma negociação, perguntando: "Destruirás o justo com o ímpio?". Ele reduziu o número de justos necessários de 50 para 10, demonstrando persistência.
  • A Motivação: A intercessão foi motivada pelo amor ao seu sobrinho Ló e sua família, que residiam na cidade.
  • Resultado e Resgate: A oração de Abraão foi atendida. DEUS, lembrando-se de Abraão, enviou anjos para retirar Ló, sua esposa e suas duas filhas de Sodoma antes da destruição. 

Esse episódio ilustra a importância da intercessão baseada na comunhão íntima com DEUS e no conhecimento de seus propósitos. 

III – A DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA

1. DEUS “é fogo consumidor”    

A expressão “DEUS é fogo consumidor” (Hebreus 12:29) é uma metáfora bíblica que enfatiza a santidade, a justiça e o zelo divino, indicando que DEUS não tolera o pecado deliberado e a impiedade. A destruição de Sodoma e Gomorra (Gênesis 19) é frequentemente citada como um exemplo histórico desse julgamento ardente. 

Aqui estão os pontos-chave sobre essa relação:

  • Significado de "Fogo Consumidor": DEUS é descrito desta forma porque Ele é perfeitamente santo e justo. Assim como o fogo consome impurezas, a justiça de DEUS consome o que é ímpio, falso ou pecaminoso. Isso também reflete Seu "zelo" por Sua santidade e povo.
  • A Destruição de Sodoma e Gomorra: O relato bíblico narra que DEUS fez chover fogo e enxofre do céu sobre Sodoma, Gomorra e as cidades da campina, destruindo-as completamente. Isso ocorreu devido à grande maldade, soberba, imoralidade e falta de hospitalidade dos habitantes, crimes que atingiram um nível intolerável Glutonaria, embriaguez, prostituição, adultério, homossexualidade).
  • Contexto de Hebreus 12:29: O versículo situa-se em um contexto de adoração e serviço a DEUS. Ele alerta que, ao recebermos um "reino inabalável", devemos adorar a DEUS com reverência e temor.
  • Justiça e Graça: Embora o fogo consumidor sugira destruição, no contexto do Novo Testamento, ele também é interpretado como o poder de DEUS que purifica o crente de suas impurezas. A destruição de Sodoma serve como um aviso sobre o julgamento, mas a Bíblia também destaca a paciência de DEUS antes de agir. 

Em resumo, a destruição de Sodoma e Gomorra é vista como uma demonstração visível da característica de DEUS como "fogo consumidor", punindo o pecado extremo e a rejeição de Sua santidade.

2. Uma catástrofe sem igual       

A narrativa bíblica de Sodoma e Gomorra (Gênesis 18-19) descreve uma das catástrofes mais severas do Antigo Testamento, retratada como um juízo divino direto contra a corrupção, a imoralidade e a perversidade generalizada de seus habitantes a exemplo do dilúvio. Segundo o relato, DEUS fez chover "fogo e enxofre" dos céus sobre as cidades, destruindo não apenas os locais, mas toda a planície e seus habitantes, o mesmo fogo e enxofre que estará no Lago de Fogo e Enxofre no futuro escatológico. 

E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.

Apocalipse 20:10

Mas, quanto aos covardes, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte. Apocalipse 21:8

E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte

Apocalipse 20:14

Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos Lucas 17:29

Então o Senhor fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra; Gênesis 19:24

O Pecado de Sodoma e Gomorra

A destruição é frequentemente citada como um castigo por "relações sexuais antinaturais" (referência à tentativa de assédio aos anjos que visitaram Ló) e por uma conduta perversa, incluindo inospitalidade violenta. Ezequiel 16:49 adiciona contexto ao mencionar que a iniquidade incluía: 

  • Soberba e orgulho.
  • Fartura de pão e ociosidade.
  • Falta de auxílio aos pobres e necessitados

(Glutonaria, embriaguez, prostituição, adultério, homossexualidade).

A Catástrofe e a Salvação de Ló


DEUS enviou mensageiros (2 anjos) para salvar Ló, sobrinho de Abraão, e sua família, pois eram considerados justos em comparação ao restante da população. A esposa de Ló, no entanto, foi transformada em uma estátua de sal ao olhar para trás durante a fuga, desobedecendo a ordem divina (provou não estar convertida a DEUS – amava Sodoma).

Interpretação e Arqueologia

  • Significado Teológico: A história é usada no Novo Testamento como um exemplo eterno do julgamento de DEUS sobre o pecado.
  • Arqueologia: Alguns arqueólogos, como Steven Collins, sugerem que o sítio arqueológico de Tall el-Hammam, na Jordânia, pode ser a localização de Sodoma, argumentando que evidências de uma destruição por calor extremo (uma possível explosão aérea) coincidem com o relato bíblico, embora esta teoria não seja universalmente aceita na comunidade arqueológica.

3. Transformada em estátua de sal

A história bíblica de Gênesis 19 relata que a mulher de Ló desobedeceu à ordem divina de não olhar para trás ao fugir da destruição de Sodoma e Gomorra. Ao olhar para a cidade, ela foi instantaneamente transformada em uma estátua de sal, simbolizando a desobediência, o apego ao passado e as consequências de ignorar as advertências de DEUS. 

Pontos-chave da narrativa:

  • A Ordem: Anjos ordenaram que Ló e sua família fugissem sem olhar para trás.
  • A Desobediência: A esposa de Ló, movida por saudade ou curiosidade, olhou para trás durante a destruição.
  • O Resultado: Ela virou uma estátua de sal (ou coluna de sal).
  • Significado Espiritual: É usada como um alerta contra o apego às riquezas e ao mundo, e a importância de seguir em frente na fé. 

A passagem é frequentemente citada, inclusive por JESUS (Lucas 17:32), como uma lição sobre a falta de firmeza na fé.

Detalhes da Visita (Gênesis 18):

  • O Encontro: Abraão avista três visitantes junto à sua tenda, na hora mais quente do dia.
  • Hospitalidade: Abraão apressa-se em recebê-los, inclinando-se e oferecendo água para os pés e uma refeição preparada com a ajuda de Sara.
  • A Promessa: Um dos visitantes afirma que retornaria no ano seguinte e Sara teria um filho, o que a faz rir por dentro, duvidando devido à idade avançada.
  • O Senhor Interroga: O Senhor questiona por que Sara riu e reafirma: "Há alguma coisa difícil ao Senhor?".
  • Sodoma e Gomorra: Após a refeição, os visitantes seguem em direção a Sodoma. O Senhor JESUS revela a Abraão que destruiria a cidade por causa do seu grave pecado, levando Abraão a interceder pelo sobrinho Ló e família que moravam no local. 

Interpretações e Contexto:

  • Três Varões/Anjos: A Bíblia menciona três homens, e posteriormente dois anjos chegam a Sodoma (Gênesis 19). Acredita-se que um dos três fosse o próprio Senhor JESUS.
  • Identidade dos Visitantes: Algumas interpretações teológicas sugerem que o Senhor e dois anjos, ou até uma teofania (aparição de DEUS), incluindo uma possível manifestação de JESUS no Antigo Testamento, estavam presentes.
  • Tradição: O Talmude Judaico, livro de regras e interpretações do AT) identifica os anjos como Miguel, Gabriel e Rafael. 

Este episódio é citado no Novo Testamento como um exemplo de hospitalidade (Hebreus 13:2). 

Na realidade, JESUS visitou Abraão e Sara (Ele estava acompanhado de dois anjos).

O "Anjo do Senhor" (em hebraico mal'ak YHWH) aparece diversas vezes no Antigo Testamento, atuando não apenas como mensageiro, mas frequentemente manifestando-se como o próprio DEUS (teofania), sendo interpretado por muitos estudiosos como uma manifestação pré-encarnada de JESUS CRISTO. As aparições marcam eventos decisivos de intervenção divina, revelação e proteção. Para DEUS não existe passado, presente ou futuro, tudo é um eterno presente, portanto JESUS anda pela história e tempo humanos (Presciência, Onisciência).

Principais Aparições do Anjo do Senhor:

  • Agar (Gênesis 16:7-14): A primeira aparição registrada, onde o Anjo promete multiplicar sua descendência e Agar o identifica como "DEUS que me vê".
  • Abraão (Gênesis 22:11-18): Impede o sacrifício de Isaque e renova a promessa da aliança, falando como o próprio DEUS.
  • Moisés (Êxodo 3:2-6): Aparece na sarça ardente como uma chama de fogo, identificando-se como "o DEUS de Abraão, Isaque e Jacó".
  • Israel em Boquim (Juízes 2:1-4): O Anjo repreende os israelitas por desobediência e quebra da aliança.
  • Gideão (Juízes 6:11-24): Aparece debaixo do carvalho em Ofra, chamando Gideão para libertar Israel, sendo identificado como o Senhor.
  • Manoá e sua Esposa (Juízes 13): Anuncia o nascimento de Sansão, Ele aparece descrevendo seu nome como "maravilhoso".
  • Balaão (Números 22:22-35): Intercepta o profeta Balaão em seu caminho com uma espada desembainhada.
  • Josué (Josué 5:13-15): Apresenta-se como "Príncipe do exército do Senhor" antes da batalha de Jericó.
  • Elias (1 Reis 19:5-8): Alimenta o profeta Elias durante sua fuga para o monte Horebe.
  • Zacarias (Zacarias 1:11-12; 3:1-6): Intercede por Jerusalém e purifica o sumo sacerdote Josué, representando a restauração divina. 

Características Principais:

  • Identidade: Diferente dos anjos comuns, o Anjo do Senhor fala em primeira pessoa como DEUS, aceita adoração e intercessão e realiza feitos divinos, indicando ser uma manifestação do próprio DEUS, muitas vezes visto como o "CRISTO pré-encarnado," conforme discutido em análises bíblicas.
  • Significado: A expressão, que aparece dezenas de vezes, denota o mensageiro que é também o representante direto da divindade.
  • Frequência: As visitas focam em momentos históricos cruciais para o progresso da revelação. 

CONCLUSÃO:

Ao contemplarmos Gênesis 18–19, percebemos que a mesma narrativa que exalta a comunhão de Abraão com DEUS também nos confronta com a seriedade do pecado e com a santidade do Senhor. A hospitalidade do patriarca, o riso inicialmente incrédulo de Sara e a promessa reafirmada revelam que DEUS é fiel e poderoso para cumprir o que disse, mesmo quando as circunstâncias humanas parecem impossíveis. Em seguida, o diálogo entre DEUS e Abraão destaca o valor da intercessão: o justo pode e deve clamar com humildade e perseverança, confiando que o Juiz de toda a terra fará o que é justo. Por fim, a destruição de Sodoma e Gomorra nos lembra que a misericórdia divina não anula a justiça; DEUS salva e preserva quem lhe obedece, mas também julga a persistência na impiedade. Assim, este texto nos chama a viver com reverência, fé e obediência, praticando a justiça, acolhendo o próximo e intercedendo por aqueles que ainda precisam voltar-se para DEUS.

 


quarta-feira, 10 de junho de 2026

LÓ E AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS ERRADAS

 

LÓ E AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS ERRADAS

TEXTO BÍBLICO: Gênesis 13: 10,13

E levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes de o SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e p- partiu Ló para o Oriente; e apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR

Ao analisar as escolhas de Ló, podemos observar alguns pontos cruciais:

1. Uma Escolha Baseada nos Sentidos (Visão Terrena)

O texto enfatiza que "Ló levantou os seus olhos e viu". A escolha dele foi puramente visual e pragmática. Ele olhou para a campina do Jordão e a comparou ao "jardim do Senhor" e à "terra do Egito".

  • O erro de critério: Ló avaliou o local com base em sua fertilidade, prosperidade econômica e abundância de recursos (ser "bem regada"). Ele buscou o lugar que parecia oferecer o maior benefício para o seu gado e sua riqueza, ignorando o contexto moral e espiritual do local.

2. A Negligência do Fator Humano (O Contexto Social)

O versículo 13 é o divisor de águas dessa narrativa: "Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR".

  • A cegueira seletiva: Enquanto Ló focava na qualidade da terra, ele ignorava (ou minimizava) a qualidade das pessoas e da sociedade que ali habitava. Ele escolheu um ambiente fisicamente excelente, mas moralmente tóxico.
  • A aproximação perigosa: O texto narra uma progressão: ele começou escolhendo a campina, depois "habitou nas cidades da campina" e, por fim, "armou as suas tendas até Sodoma". Ló não foi direto para o epicentro do mal; ele se aproximou aos poucos, permitindo que o conforto daquela terra obscurecesse o perigo da convivência com uma cultura hostil aos princípios que ele deveria defender.

3. A Diferença entre Ló e Abrão

A comparação entre os dois personagens é inevitável neste capítulo:

  • Abrão (o tio): Agiu com desprendimento e fé. Ele deixou que Ló escolhesse primeiro, demonstrando que sua segurança não estava na posse de um terreno específico, mas na promessa de Deus.
  • Ló (o sobrinho): Agiu com autossuficiência e imediatismo. Ao escolher "para si", Ló se isolou da convivência com um homem de fé (Abrão) e se lançou em um ambiente que, embora economicamente atraente, acabaria por custar-lhe muito mais do que ele poderia lucrar.

4. A Lição sobre Prosperidade e Valores

A história de Ló serve como um alerta atemporal sobre as "escolhas de campina":

  • A ilusão da facilidade: Muitas vezes, as oportunidades que parecem "o jardim do Senhor" (que oferecem lucro rápido, conforto e status) podem estar situadas em terrenos espiritualmente estéreis ou moralmente destrutivos.
  • O custo da escolha: A prosperidade física de Ló na campina de Sodoma foi, em última análise, passageira e instável. A passagem nos ensina que, ao tomar decisões — seja no trabalho, em relacionamentos ou em mudanças de vida — olhar apenas para a "abundância" (os benefícios) sem avaliar o ambiente e as companhias (os valores) é um caminho arriscado.

Em suma, a escolha de Ló foi uma escolha de oportunidade econômica em detrimento de integridade de ambiente. Ele priorizou o "bem-estar da terra" sobre o "bem-estar da alma", um equívoco que moldaria negativamente o futuro de sua família e sua trajetória de vida.

Como você interpreta o fato de Ló ter se aproximado de Sodoma gradualmente em vez de ter se mudado para lá imediatamente? Você enxerga isso como um alerta sobre como pequenas concessões morais podem nos levar a lugares que inicialmente evitaríamos?

INTRODUÇÃO

As Escrituras Sagradas dão testemunhos de várias personagens bíblicas que fizeram más escolhas e boas escolhas. As más escolhas geralmente foram tomadas num contexto de precipitação ou extraordinária pressão. Neste estudo daremos maior ênfase a dois personagens bíblicos: Abraão, que fez uma excelente escolha e; Ló, sobrinho de Abraão, que fez uma escolha precipitada. Ló, em um gesto precipitado, tomou uma decisão que acabou por gerar uma crise que causou consequências nefastas para sua família (Gn.13:10-13). Uma escolha sem a direção de Deus pode trazer prejuízos irreparáveis para si e para outrem. Portanto, antes de tomar uma decisão e fazer uma escolha devemos pedir a orientação de Deus. Não devemos agir sem pensar e acima de tudo sem orar, pois somente Deus conhece todas as coisas. Somente Ele sabe aquilo que é melhor para todos nós.

I. O CUIDADO COM AS ESCOLHAS


Em nossa jornada somos desafiados a decidir e fazer escolhas. É nesse momento que a vida de uma pessoa será definida, para o progresso ou para a derrota. Todos os dias, temos de tomar decisões pequenas ou grandes. A maior delas é a de servir ao Senhor. Josué, no último momento como líder do povo de Israel, conclama o povo a tomar uma decisão acertada e pública; não havia lugar para indecisão, por isso foi tão enfático
: “Escolhei hoje a quem haveis de servir” (Js.24:15). A decisão tinha que ser “hoje”. A Bíblia diz: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hb.4:7). Diante de tantas influências que recebemos do mundo para o nosso viver, a nossa decisão deve ser tal qual à de Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Qual tem sido a decisão de vida para cada um de nós, pessoalmente, e para a nossa família? Corajosa e resoluta como a de Josué? Não espere ficar velho para tomar essa decisão, pois o Senhor virá como um ladrão, ou seja, não hora em que nós não esperamos (1Tes.5:2; 2Pd.3:10).

1. A prosperidade de Abraão. Deus abençoou Abraão com bênçãos materiais de forma abundante. Diz o texto sagrado que “... a sua fazenda era muita...” (Gn.13:6). O segredo do sucesso de Abraão: comunhão plena com Deus. Quanto mais Abrão mantinha comunhão com Deus mais próspero materialmente ele ficava. A obediência à Palavra de Deus era o combustível que o levava a uma vida abundante. O Altar era um marco sempre presente na vida de Abraão, em todos os caminhos de suas peregrinações (Gn.12:7,8; 13:4,18; 22:9). Era o local onde Abraão adorava a DEUS. Era o lugar onde ofertava sacrifícios a DEUS. Ele edificava seus altares em locais visíveis, diante dos povos pagãos que moravam ao seu redor. Que testemunho! Os crentes, que de contínuo vivem diante do Altar, dão testemunho de "terem estado com Jesus” (Atos 4:13).

Abraão viveu nas terras da promessa como um estrangeiro, morando em tendas, pois esperava a Cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é DEUS (Hb.11:9,10). Abraão nunca se prendeu a nenhum lugar da terra de suas peregrinações. Estava sempre em trânsito (Gn.12:8). Deixando um lugar, ficavam apenas as marcas de seu acampamento. Também nós, como crentes, somos peregrinos e forasteiros nesta Terra (1Pd.2:11). Não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura (Hb.13:14). Estamos no mundo, mas não somos do mundo (João 17:16,18). Devemos sempre estar prontos para partir.

 

Outra característica marcante na vida de Abrão: conquanto fosse muito rico, não punha seu coração nas riquezas daqui. Ele não ligava muito para isso. No dia que retornou da guerra contra os quatro reis, o rei de Sodoma quis compensá-lo com riquezas materiais, ele as rejeitou terminantemente (Gn.14:21-24). Para Abraão, riquezas não dadas por Deus não tinha nenhum valor – Levantei minha mão ao SENHOR, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, e juro que, desde um fio até à correia dum sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão(Gn.14:22,23). Muitos, hoje, dos que cristãos dizem ser, ao contrário de Abraão, só pensam em bens materiais, querem enriquecer com campanhas, sacrifícios, fogueiras santas etc. São pessoas que vivem como os gentios, que têm as mesmas preocupações e propósitos que os gentios e que, portanto, pertencem a este vasto grupo onde o amor está esfriando pelo aumento da iniquidade e que, buscando a riqueza material, não vê que se comporta como um pobre, desgraçado e nu (Ap.3:17). Vigiemos e não entremos nesta onda, que nos levará para a perdição eterna!

2. Abraão fez a escolha certa. Abrão teve um momento decisivo em sua vida. Quando ainda morava em Ur, o Deus da glória lhe apareceu e lhe fez uma chamada que compreendia três diferentes ordens: “sai da tua terra", "sai da tua parentela”, e “dirige-te à terra que eu te mostrar" (Atos 7:2,3). Abrão deveria decidir em obedecer e desobedecer a Deus. Como já disse na Aula 03, embora Deus seja soberano e livre para tomar as Suas decisões, como, por exemplo, o fato de ter escolhido Abrão e não outra pessoa dos milhares que existiam no mundo, vemos que Ele respeita, decididamente, a liberdade que deu ao homem, de forma que, embora tenha escolhido Abrão, não o forçou a que obedecesse ao Seu chamado, tendo Abrão decidido partir por sua livre e espontânea vontade. Esta é a grande diferença entre o filho de Deus e o filho do diabo, pois o adversário escraviza o homem, retira a sua liberdade, enquanto Deus sempre respeita o livre-arbítrio humano que, afinal de contas, é resultado da própria criação divina. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e esta imagem e semelhança comporta a liberdade, o poder de decisão, como se vê claramente em Gênesis 2:16,17.

Abraão foi desafiado a crer e obedecer, embora não conhecesse todo o projeto que Deus tinha para sua vida e, por conseguinte, para toda a humanidade. Abrão fez a escolha certa, resolveu obedecer ao chamado de Deus. Embora não tivesse noção de para onde iria, decidiu confiar em Deus. Em nossa jornada precisamos aprender a confiar em Deus e nos colocar em sua total dependência. Só assim teremos escolhas decisivas que podem nos proporcionar vida abundante.

 

3. Abraão desce ao Egito. A fé tem sempre deslizes, até mesmo nos mais destacados homens de Deus. Por causa de uma fome que atingiu a região, Abraão deixou o lugar que Deus lhe indicara e desceu ao Egito, símbolo do mundo. Essa mudança trouxe problemas a Abrão. Ao chegar no Egito foi acometido de um medo obsessivo de que Faraó o matasse, capturando sua formosa esposa Sara, e a levasse para seu harém. Com isso em mente, Abrão convenceu Sara a mentir e dizer que era sua irmã. É verdade que Sara era meia-irmã de Abrão (Gn.20:12), mas ainda assim era uma mentira com propósito de enganar. O artificio deu certo para Abrão (que foi recompensado generosamente), mas não funcionou para Sara (que, no fim, teve de se juntar ao harém de Faraó), nem mesmo para Faraó (ele e toda a sua casa sofreram grandes pragas). Quando Faraó descobriu a fraude, deu uma bronca no patriarca, o humilhou publicamente e o expulsou em desonra (Gn.12:19,20). Abraão voltou para Canaã. Mas, juntamente com o retorno de Abrão do Egito [...] até Betel (Gn.13:1-4), percebe-se a volta à comunhão com Deus. “Retornar a Betel” é o desejo latente de todos aqueles que se apartaram de Deus.

 

II. LÓ É ATRAÍDO POR AQUILO QUE VÊ


Ló, sobrinho de Abraão, é um exemplo bíblico de escolha precipitada. Ele foi atraído por aquilo que viu. Chamamos isso de concupiscência dos olhos. A concupiscência dos olhos diz respeito àquelas tentações que apelam para os desejos ambiciosos dos homens de obter e possuir. A concupiscência dos olhos nos leva a colocarmos as "coisas materiais" na frente do Senhor (Cl.3:15). Ao se separar de seu tio, ele escolheu um caminho que a seus olhos parecia ser o melhor. Ele não perguntou a vontade de Deus e não honrou Abraão, o chefe do clã, ao escolher primeiro as suas terras. Ló foi precipitado e seduzido pelo seu olhar. Pagou um preço muito alto pela sua atitude precipitada.

1. Briga entre os pastores de Abraão e Ló. Ao chegar a Canaã os pastores de Ló e Abrão brigaram por espaço para seus rebanhos. Apesar da deslealdade praticada por Abrão no Egito, ainda assim o Senhor decidiu abençoá-lo naquele lugar; Abrão e Ló prosperaram - possuindo servos, ovelhas e gado. A multiplicação dos rebanhos de Abrão e Ló foi tão significativa que eles chegaram à conclusão de que era impossível a coexistência nas mesmas terras de pastagens. A prosperidade gerou uma crise entre família, entre Abrão e seu sobrinho Ló, pois não havia mais espaço suficiente para ambos no local onde viviam. Faltava água e pastagem para tantos animais, e em pouco tempo, os pastores de Abrão e Ló começaram a brigar. A contenda estava instalada na família, e era preciso tomar uma decisão.

2. A decisão de Abraão. O patriarca logo tentou resolver a situação conflituosa. Ele não adiou o problema, mas chamou seu sobrinho para uma solução pacífica - “Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim...” (Gn.13:9). Às vezes, pessoas da mesma família devem separar-se em prol da paz (ver Atos 15:39; 1Co.7:10-16). A partir daquele instante cada um deveria escolher o próprio caminho - e escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a esquerda(Gn.13:9). Com cortesia, bondade e altruísmo, Abraão ofereceu a Ló a oportunidade de escolher em toda a terra onde desejava morar. Humilde, o patriarca considerava os outros superiores a si mesmo (Fp.2:3).

Abrão renunciou à campina com o melhor pasto, mas Deus entregou toda a terra de Canaã a Abrão e seus descendentes para sempre. Além disso, o Senhor prometeu ao patriarca uma descendência incontável. Após se mudar para Hebron, Abrão levantou ali um altar ao Senhor; como de costume, construiu um altar para o Senhor, mas nunca uma casa para si.

3. A escolha precipitada de Ló. Abraão, em um gesto de bondade e mansidão, fez a seguinte proposta ao sobrinho: "Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a esquerda" (Gn.13:9). Ló escolheu morar nas pastagens verdejantes da campina do Jordão, perto das cidades perversas de Sodoma e Gomorra E levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes de o SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e p- partiu Ló para o Oriente; e apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR” (Gn.13:10-13).

Ló foi seduzido pela aparência do lugar. Escolhas precipitadas, feitas somente pela aparência, podem causar muitos males. Apesar de crente verdadeiro (2Pd.2:7,8), Ló tinha um gostinho pelas coisas do mundo. Conforme alguém comentou, “Ló ficou com grama para seus rebanhos, enquanto Abrão ficou com graça para os seus filhos” (Gn.13:15,16).

“Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR(Gn.13:13). O fato de os homens de Sodoma e Gomorra serem maus e grandes pecadores contra o Senhor não influenciou a escolha de Ló. Foi uma sequência de decisões. Observe os passos que o levaram a mergulhar no mundanismo: Ló (por meio de seus pastores) experimentou contenda (Gn.13:7); depois viu (Gn.13:10) e escolheu (Gn.13:11); foi armando as suas tendas até Sodoma (Gn.13:12); passou a morar longe do lugar onde residia o sacerdote de Deus (Gn.14:12) e; sentava-se junto à entrada da cidade, lugar onde os grandes disputavam o poder político (Gn.19:1). Aparentemente, na cosmovisão humana, materialista e desviada de Deus, Ló tinha progredido na vida: ele se tornou um oficial local em Sodoma. Mas, quando se olha com os olhos de Deus, vemos que foi um péssimo negócio para Ló. De forma precipitada, fez a sua escolha optando por aquilo que parecia ser melhor aos seus olhos (Gn.13:10). Ele não buscou a Deus para tomar a decisão que seria a mais importante para o seu futuro e da sua descendência.

A precipitação é um grande mal que deve ser evitado sempre. Quando nos precipitamos não raciocinamos, não prestamos atenção ao bom senso, não andamos por fé, mas apenas por vista. Quem tem a mente de Cristo deve sempre manter os pés no chão, pedir orientação a Deus e aguardar o calor dos acontecimentos passarem. Fácil?! Não, não é uma tarefe fácil, mas sem dúvida trata-se de uma atitude responsável e madura que leva em conta o fator global da circunstância e não somente parte dela, nem prioriza o fator emocional do acontecimento.

 

III. LÓ, UM CASO DE PROSPERIDADE E PERDAS



1. Ló e suas riquezas. Não era só Abrão que era rico em rebanhos, vacas e tendas. Seu sobrinho Ló também tinha rebanhos numerosos (Gn.13:5,6) - E também Ló, que ia com Abraão, tinha rebanhos, gado e tendas. [...] porque os seus bens eram muitos; de modo que não podiam habitar juntos”. Mas, apesar da sua prosperidade, Ló andava por vista e não por fé (Gn.13:7-13). No momento mais decisivo de sua vida não consultou o Senhor para uma escolha correta.

- Ló fez uma decisão pelo que viu, deixou-se levar pelas aparências. Foi ganancioso e precipitado - “Então Ló levantou os olhos, e viu toda a planície do Jordão, que era toda bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, até chegar a Zoar. E Ló escolheu para si toda a planície do Jordão, e partiu para o oriente; assim se apartaram um do outro. Habitou Abraão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da planície, e foi armando as suas tendas até chegar a Sodoma(Gn.13:10-12). Foi um pecado em série – foi armando as suas tendas até chegar a Sodoma”.

A ambição é sinônimo de cobiça, e a cobiça é transgressão à Lei de Deus (vide Êx.20:17). A Palavra de Deus nos diz que não devemos ambicionar “coisas altas” (Rm.12:16) - “…não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes…”. A ambição sufoca a Palavra no coração, tornando-a infrutífera (Mc.4:19) - “Mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e a cobiça doutras coisas, entrando, sufocam a palavra e ela fica infrutífera”.

- Ló foi egoísta. Em nenhum momento ele pensou em seu tio. Só via a si mesmo. O egoísmo é a exaltação do próprio eu, do ego. O apóstolo Paulo diz que o egoísmo é uma característica dos homens dos últimos tempos - Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios(2Tm.3:1,2).

- Ló não observou o lado negativo de sua escolha (Gn.13:13) – Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores”. A Palavra de Deus nos alerta sobre os perigos de nosso envolvimento com o mundo - “Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus(Tg.4:4).

Não se deixe enganar pela beleza das coisas desse mundo passageiro. Não renuncie àquilo que é eterno!

2. A guerra dos reis. A terra que Ló havia escolhido era boa, mas seus vizinhos não eram. Não demorou muito e Ló teve que enfrentar uma grande crise, uma guerra. Diz o texto sagrado:

“1 - E aconteceu, nos dias de Anrafel, rei de Sinar, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim, 2 - que estes fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma, a Birsa, rei de Gomorra, a Sinabe, rei de Admá, e a Semeber, rei de Zeboim, e ao rei de Bela (esta é Zoar). 3 - Todos estes se ajuntaram no vale de Sidim (que é o mar de Sal). 4 - Doze anos haviam servido a Quedorlaomer, mas, ao décimo-terceiro ano, rebelaram-se. 11- E tomaram toda a fazenda de Sodoma e de Gomorra e todo o seu mantimento e foram-se. 12 - Também tomaram a Ló, que habitava em Sodoma, filho do irmão de Abrão, e a sua fazenda e foram-se. 13 - Então, veio um que escapara e o contou a Abrão, o hebreu; ele habitava junto dos carvalhais de Manre, o amorreu, irmão de Escol e irmão de Aner; eles eram confederados de Abrão. 14 - Ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã” (Gn.14:1-4;11-14).

No tempo de Abrão, a maioria das cidades possuía seus próprios reis, e eram comuns as guerras e rivalidades entre eles. Uma cidade conquistada pagava imposto ao rei vitorioso. Cinco cidades, incluindo Sodoma, havia pago impostos a Quedorlaomer durante 12 anos (Gn.14:4). Quando as cinco cidades fizeram uma aliança e se negaram a pagar os impostos (Gn.14:4), Quedorlaomer reagiu rapidamente e reconquistou todas elas. Ao derrotar Sodoma, foram capturados Ló, sua família e seus pertences. Ló foi levado cativo e todos os seus bens e alimentos foram tomados como espólio de guerra. Ele agora era um prisioneiro e todos os seus bens foram perdidos. Decisões precipitadas podem nos fazer viver tempos conturbados.

3. Abraão socorre Ló. Ao ser avisado do desastre militar que haviam sofrido as cidades do vale, Abraão armou seus 318 servos, conseguiu a ajuda de seus aliados amorreus e perseguiu os invasores. Abraão arrisca sua vida e fortuna para resgatar o seu sobrinho Ló, o qual foi sequestrado, perdeu suas posses e estava enfrentando escravidão. Abraão poderia ter se negado a ajudar Ló, pois ele mesmo tinha escolhido aquelas terras, mas o amigo de Deus não tinha um coração rancoroso, vingativo. Abraão recuperou os cativos e o despojo, mediante um ataque de surpresa à noite. Tudo que pertencia a Ló foi recuperado (Gn.14:16). Não obstante, o elemento mais importante foi a intervenção de Deus - “bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos” (Gn.14:20).

Nota-se que Abraão, o homem separado do mundo, não era indiferente aos sofrimentos dos que se encontravam ao seu derredor. Estava disposto a proteger seu indigno sobrinho e os de Sodoma. Isto demonstra que os que mantêm uma vida separada da pecaminosidade são os que atuam com mais prontidão e êxito em favor de outros no momento de crise.

CONCLUSÃO

Devemos aprender com as Escrituras que qualquer decisão importante que tomarmos não devemos fazê-la debaixo de pressão ou precipitadamente. Não se esqueça de que o Deus eterno tem todo o conhecimento e sabe o que é melhor para sua vida. Por isso, não faça nada sem consultar o Senhor. Porém, só consultar o Senhor e não confiar nele é inútil. Não confie nas suas próprias forças. O nosso fracasso decorre de acharmos que podemos conseguir por nós mesmos. Por isso, confie no Senhor e não nas suas forças e possibilidades. Não subestime os inimigos. A nossa luta não é contra a carne e o sangue em todas as instâncias da vida, mas contra os principados e potestades e dominadores do mal. Em toda a estrutura da sociedade há um poder maligno que opera e você precisa estar revestido da armadura de Deus para vencer (ver Efésios 6:10-18).

"O longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura" (Pv.14.29).

 

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