sexta-feira, 27 de março de 2026

LÁZARO, O AMIGO DE JESUS

A Familia de Lazaro

LÁZARO, O AMIGO DE JESUS

Falar sobre Lázaro, aqui vemos o lado mais humano de Jesus — sua dor, seu cansaço e seu amor profundo por uma família comum de Betânia.

1. O Atraso Proposital (O Tempo de Deus)

Quando as irmãs de Lázaro, Marta e Maria, enviaram o recado: "Senhor, aquele a quem amas está doente", Jesus não correu. Ele esperou dois dias.

  • A Lição: O atraso de Deus não é indiferença, é estratégia. Jesus queria que a situação saísse do campo da "cura" (algo que ele já fazia muito) para o campo da "ressurreição", para que a Glória de Deus fosse inquestionável.
  • O Versículo Chave: "Esta doença não é para morte, mas para a glória de Deus" (João 11:4).

2. A Humanidade e a Divindade de Jesus

O encontro de Jesus com as irmãs em luto nos revela o versículo mais curto e um dos mais profundos da Bíblia: "Jesus chorou" (João 11:35).

  • A Empatia: Ele sabia que ressuscitaria Lázaro em minutos, mas ainda assim chorou ao ver a dor de Maria. Isso mostra que Ele se importa com o nosso sofrimento presente, mesmo sabendo que o final será feliz.
  • A Autoridade: Logo após chorar como homem, Ele age como Deus. Ele não pede permissão à morte; Ele dá uma ordem.

3. O Milagre e a Participação Humana

Um detalhe fascinante na ressurreição de Lázaro é que Jesus pede para os homens fazerem o que estava ao alcance deles: "Tirai a pedra".

  • Remover a Pedra: Jesus poderia ter feito a pedra desaparecer, mas Ele exige participação. Para o milagre acontecer, precisamos remover os obstáculos humanos (incredulidade, medo, orgulho).
  • Desatai-o: Depois que Lázaro sai do túmulo, ele ainda está preso nas faixas de linho. Jesus ordena: "Desatai-o e deixai-o ir". Isso nos ensina que, após a "vida nova", precisamos de ajuda da comunidade para nos livrar dos velhos costumes da morte.

Resumo para Reflexão

Personagem

Reação/Papel

Lição Espiritual

Marta

Racional e Prática

Fé que precisa de entendimento.

Maria

Emocional e Devota

Fé que se expressa na adoração e entrega.

Lázaro

Passivo (O milagre)

Testemunho vivo de que a morte não tem a última palavra.

Jesus

O Ressurreitor

Ele é a solução, mesmo quando parece tarde demais.

Dica de Estudo: Leia também João 12:1-11. Lá vemos que, após ser ressuscitado, Lázaro se tornou um "problema" para os fariseus, porque muitos criam em Jesus por causa do seu testemunho. Sua vida recuperada falava mais que qualquer sermão.

Um amigo é alguém de quem gostamos e em quem confiamos e com quem compartilhamos alegrias e tristezas. Lázaro teve o privilégio de ser considerado por JESUS um amigo (Jo 11.11), o que significa que ele tinha qualidades e virtudes segundo os padrões do Mestre.

1.1. A história de Lázaro   


Não sabemos muita coisa sobre Lázaro, apenas que tinha duas irmãs, Marta e Maria, e experimentou o milagre de ter sido ressuscitado por JESUS após quatro dias de morto. Ele era de Betânia da Judeia, onde morava com suas irmãs. Seu nome é uma forma abreviada do nome hebraico Eleazar, que significa “aquele a quem DEUS ajudou”.

Novo Dicionário da Bíblia: “Os estudiosos do Novo Testamento conhecem bem as duas irmãs da casa de Betânia, onde JESUS era sempre bem recebido, mas nada em absoluto sabem sobre o caráter e o temperamento de Lázaro. […J Ele aparece na história evangélica não por causa de quaisquer qualidades excelentes em sua personalidade, nem por causa de qualquer grande realização, mas unicamente por causa do maravilhoso milagre que foi operado nele. Talvez fosse do tipo mais comum possível de homem, dificilmente conhecido além de um quilômetro de sua casa; e, no entanto, foi com ele que aconteceu esse fato maravilhoso’.

1.2. A melhor parte    

JESUS foi visitar seu amigo Lázaro, onde foi recebido por Marta. Ela, então, disse a JESUS que sua irmã, Maria, não queria ajudá-la a preparar as refeições nem servir as visitas, e ela estava cuidando de tudo sozinha (Lc 10.38-40). Maria, por sua vez, estava aos pés de JESUS, ouvindo a Sua Palavra. Diante do embate, JESUS ressaltou o excesso de zelo de Marta e explicou a ela que Maria escolheu a melhor parte: aprender Seus ensinamentos.

Pr. Valdir Oliveira, no livro Ouro Refinado, comenta: “JESUS visita Marta e Maria em Betânia, uma pequena aldeia na encosta oriental do Monte das Oliveiras, cerca de 3km de Jerusalém. Ele se depara com uma situação desconfortável entre as duas irmãs anfitriãs, uma reclamando da outra por assuntos domésticos. JESUS tem uma saída digna, sem ofender nenhuma delas”.

1.3. O perigo do excesso de atividades       

Às vezes, estamos tão atarefados com as coisas deste mundo que deixamos a vida espiritual de lado. Devemos ter a organização e o empenho de Marta no serviço ao Mestre, mas também cultivar um coração disponível como o de Maria. JESUS não condenou Marta, apenas ressaltou que a ansiedade estava roubando o lugar da Palavra, algo que Maria estava priorizando (Mt 6.33).

Pr. Valdir Oliveira em Ouro Refinado: “O que fazer para ter o coração de Maria nos dias de Marta? Não deixe que a vida sufoque você ao ponto de perder JESUS de vista; não dê mais valor às ocupações na igreja do que a sua vida de integridade e intimidade com DEUS; não fique prestando atenção no seu irmão, faça o que é certo e desempenhe o seu papel; escolha sempre que possível a melhor parte, a qual não lhe será tirada. Invista mais no espiritual, que a ferrugem não corrói nem o ladrão rouba’.

Estamos tão atarefados com as coisas deste mundo que, por vezes, deixamos a vida espiritual de lado.

2- QUEM CRER VERÁ A GLÓRIA DE DEUS


Ao ver a tristeza de Marta pela morte de Lázaro, que estava morto há quatro dias, JESUS lhe disse: “Se creres verás a glória de DEUS’; Jo 11.40. Ele, então, mandou remover a pedra do túmulo de Lázaro. Enquanto todos esperavam ver para crer, JESUS ensina o contrário: é preciso crer para ver.

2.1. Presença do Senhor   

As irmãs de Lázaro ficaram apreensivas com a demora de JESUS após ter sido avisado que Lázaro, Seu amigo, estava doente. Quando JESUS chegou, elas disseram que se Ele estivesse ali, Lázaro não teria morrido (Jo 11.21,32). Realmente, se JESUS estivesse presente, o irmão delas não teria morrido, mas a incredulidade permaneceria: “Eu não estava aqui por amor a vós, para que acrediteis’; Jo 11.15.

Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento: “Nisto, Marta, como também Maria (Jo 11.32), são muito parecidas com você e comigo. Nós estamos convencidos de que JESUS tem poder para realizar milagres. Estamos convencidos de que Ele pode fazer qualquer coisa. Sabemos e estamos convencidos de que Ele morreu e ressuscitou por nós e, quando retornar, JESUS conduzirá os crentes que morreram à vida eterna. Mas será que uma grande parte de nossa fé no poder que JESUS tem para atuar limita a Sua obra a um passado distante, ou a um futuro longínquo? Quanto da nossa fé se concentra no agora? Com que frequência esperamos que Ele trabalhe em nós e para nós em nosso hoje?”

 

2.2. JESUS chorou    


Na Bíblia, encontramos registros sobre o choro de JESUS em duas ocasiões: na entrada triunfal em Jerusalém, quando disse que dias viriam em que os inimigos os cercariam com trincheiras, os sitiariam e os apertariam de todos os lados, porque não aproveitaram a oportunidade que DEUS concedeu para salvá-los (Lc 19.28-44); e quando chegou ao túmulo de Lázaro e viu as pessoas chorando. Isso nos mostra que JESUS se importa com o sofrimento humano, seja como consequência de rebeldia ou atitudes impensadas, seja pelas contingências da vida.

Comentário na Bíblia de Estudo Pentecostal: “JESUS Chorou. Neste pequeno versículo da Bíblia, está revelado o profundo pesar de DEUS pelas tristezas do seu povo. O verbo “chorou” (gr. dakruo) indica que, a princípio, JESUS derramou lágrimas e a seguir pranteou em silêncio. Que esse fato seja um consolo para todos aqueles que sofrem. CRISTO sente por você o mesmo pesar que Ele sentiu pelos parentes de Lázaro. Ele ama você de igual modo. E note-se que este versículo faz parte do livro da Bíblia que mais ressalta a divindade de JESUS. Aqui vemos JESUS, o DEUS feito homem, i.e., o próprio DEUS chorando. DEUS realmente tem amor profundo, emotivo e compassivo por você e pelos outros (Lc 19.41)’.

2.3. JESUS manda remover a pedra     

JESUS manda remover a pedra, um tipo de tampa do sepulcro naqueles dias. Na cultura judaica, o corpo deveria ser sepultado o mais breve possível, de preferência no mesmo dia da morte. Àquela altura, com certeza, já estava em estado de decomposição (Jo 11.39). Para o Senhor JESUS, o estado do corpo não era impedimento; mas, sim, a incredulidade. E Ele disse a Marta: “Se creres verás a glória de DEUS?”: Jo 11.40.

Pr. Valdir Oliveira comenta: “Pedra dá uma conotação de coração endurecido (a) A pedra da incredulidade: Sei que vai ressuscitar no último dia (Jo 11.24); Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido (Jo 11.21); Vamos nós também para morrer com ele (Jo 11.16); (b) A pedra da murmuração: Não podia Ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também que este não morresse? (Jo 11.37); (c) A pedra da insensibilidade: A trama para matar JESUS quer eliminar o profeta (Jo 11.53), mas também Lázaro; eliminando o milagre (Jo 12.10)”.

Enquanto todos esperavam ver para crer, JESUS ensina o contrário: é preciso crer para ver.

3- JESUS TRAZ LÁZARO DE VOLTA À VIDA  

Quando soube que Lázaro adoeceu, JESUS estava no lado leste do rio Jordão (Jo 10.40), região que ficava cerca de um dia de viagem de Betânia. Como JESUS não partiu de imediato, quando chegou, Lázaro já estava sepultado há quatro dias. JESUS sabia do milagre que iria fazer ali, mas provou a fé daquelas pessoas antes de trazer Seu amigo à vida novamente.

3.1. JESUS é a ressurreição e a vida    

“Eu sou a ressurreição e a vida”: Jo 11.25; declarou JESUS para ensinar que somente nEle temos a Vida Eterna. Assim confortou Marta e ressaltou a necessidade de crer: “todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá”: Jo 11.26. Embora JESUS estivesse falando da Vida Eterna, Marta não compreendeu bem: “Eu sei que ele ressurgirá na ressureição, no último dia” (Jo 11.24). E Ele ressaltou que Lázaro ainda não estava partindo para a eternidade, mas seria ressuscitado.

Pr. Amador Carlos dos Santos (Revista Betel, Evangelho de João, 2002) comenta: “A ressureição do corpo é uma doutrina fundamental das Escrituras e refere-se ao ato de DEUS de ressuscitar dentre os mortos o corpo do salvo e reuni-lo à sua alma e espírito, dos quais esse corpo esteve separado entre a morte e a ressureição. Em termos gerais, o corpo ressurreto do crente será semelhante ao corpo ressurreto de CRISTO: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor JESUS CRISTO, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” (Fp 3.20-21)’.

3.2. Lázaro, venha para fora              

Após removerem a pedra do sepulcro, JESUS ordenou que Lázaro viesse para fora, e ele veio, ainda envolto em faixas e com o rosto envolto num pedaço de pano (Jo 11.43,44). Esse milagre rendeu duas coisas: (1) muitos finalmente creram em JESUS como o enviado de DEUS; (2) a notícia se espalhou e, daquela hora em diante, os líderes judaicos começaram a planejar a morte de JESUS e também de Lázaro (Jo 11.45-53).

Pr. Amador Carlos dos Santos (2002): “Diante de uma caverna aberta e cheirando mal, JESUS dirigiu-se a um defunto de quatro dias e disse: “Lázaro, vem para fora” (Jo 11.43). Imediatamente, o defunto saiu ligado com faixas e o rosto envolto num lenço (Jo 11.45). Isto tem um simbolismo glorioso com o que acontecerá na ressurreição dos salvos (Jo 5.28-29; 1Ts 4.16-17). JESUS chamou a Lázaro pelo nome, com a autoridade que o Pai lhe conferiu. Tão logo JESUS falou, Lázaro surgiu à porta do sepulcro. Foi, então, que o Senhor disse: `Desatai-o e deixai-o ir”‘.

3.3. O privilégio de ser amigo de JESUS    

JESUS disse que dar a vida pelos amigos é uma grande demonstração de amor e que Seus amigos são os que obedecem aos Seus Mandamentos: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando’; Jo 15.13,14.

Comentário no Novo Testamento Interpretado versículo por versículo: …Nosso amigo… “Aqui temos uma expressão de amor e amizade de todo o coração do que os discípulos também participavam e deviam participar[…] Observamos, igualmente, o tipo de condescendência com que nosso Senhor compartilhava de sua amizade pessoal com os discípulos, JESUS chamou de “amigos” aos seus apóstolos (ver João 15.14-15 e Lucas 12.4). […] Compare-se com isso a declaração neotestamentária de que Abraão era “amigo de DEUS” (Tg 2.23). […] Essa expressão, pois, relembrou aos discípulos de JESUS que Lázaro era amigo, e precisava de sua ajuda, a despeito dos perigos que haviam sido frisados, e que envolveriam a volta de JESUS à Judeia’.

JESUS provou a fé daquelas pessoas antes de trazer Lázaro à vida novamente.

Reflexão:

A amizade com Lázaro destaca a humanidade e o cuidado de JESUS, enquanto o milagre de ressuscitar Lázaro aponta para o poder de JESUS como o Filho de DEUS.

 

quinta-feira, 26 de março de 2026

A SOBERBA DE NABUCODONOSOR


A SOBERBA DE NABUCODONOSOR

 

TEXTO BÍBLICO: Dn 4:10-18

 “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, e exalço, e glorifico ao Rei dos céus; porque todas as suas obras são verdades; e os seus caminhos, juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba” (Dn 4:37).

A passagem de Daniel 4 é um dos relatos mais fascinantes da Bíblia, pois é escrita, em grande parte, como um testemunho pessoal do próprio Rei Nabucodonosor. É uma história sobre a soberania divina versus o orgulho humano.

Aqui está um resumo estruturado dos principais acontecimentos:

1. O Sonho da Árvore Gigante

Nabucodonosor está no auge do seu poder quando tem um sonho que o aterroriza. Ele vê uma árvore de altura imensa, visível de toda a terra, que fornecia alimento e abrigo para todos os seres.

No entanto, um "vigilante" (um anjo) desce do céu e ordena:

  • Derrubem a árvore e cortem seus ramos.
  • Deixem apenas o toco com as raízes, preso com correntes de ferro e bronze.
  • O "coração de homem" seria tirado dele e lhe seria dado um coração de animal por "sete tempos".

2. A Interpretação de Daniel

Daniel fica perturbado ao ouvir o sonho, pois percebe que o presságio é terrível para o rei. Ele explica que:

  • A árvore é o próprio rei: Grande, forte e influente.
  • A queda: O rei seria expulso do convívio humano, viveria com os animais e comeria grama como os bois.
  • O propósito: Isso duraria até que ele reconhecesse que "o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens".

Daniel termina com um conselho ousado: "Renuncie a seus pecados e pratique a justiça".

3. O Orgulho e a Queda

Exatamente um ano depois, o rei estava caminhando no terraço do seu palácio em Babilônia e disse: "Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei... para a glória da minha majestade?"

Quando ele proferiu essas palavras, uma voz do céu anunciou que o reino havia sido tirado dele. Imediatamente, ele foi acometido por uma condição (que alguns psicólogos modernos associam à licantropia clínica) onde passou a se comportar como um animal.

4. A Restauração

Ao fim dos "sete tempos" (geralmente interpretados como sete anos), Nabucodonosor levantou os olhos ao céu e o seu entendimento retornou. Diferente do início do capítulo, onde ele exaltava a si mesmo, ele termina exaltando e honrando a Deus.

"Agora, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras e os seus caminhos, justos; e ele pode humilhar os que andam com soberba." (Daniel 4:37)

Por que essa história é importante?

  • Soberania: Reforça a ideia de que nenhum líder humano detém o poder absoluto; o poder é delegado por Deus.
  • Humildade: Serve como um aviso contra a arrogância e o auto engrandecimento.
  • Arrependimento: Mostra que, mesmo para alguém descrito como um tirano, há espaço para restauração quando há reconhecimento da verdade.

 INTRODUÇÃO

Neste Estudo acerca do capítulo 4 de Daniel. Neste capítulo, Daniel traz a imagem de uma árvore florescente representando a figura de Nabucodonosor, o imperador da Babilônia. Na imagem apresentada um homem anuncia que a árvore seria cortada e ficaria apenas o tronco com suas raízes. Isto demonstra o desastroso efeito da soberba. O sábio Salomão alerta: “A soberba precede a ruína, e altivez do espírito precede a queda” (Pv 16:18).

Um indivíduo soberbo é aquele que deseja ser mais do que é e ainda se coloca acima dos outros para humilhá-los e envergonhá-los. O soberbo superdimensiona a própria imagem e diminui o valor dos outros. É o narcisista que, ao se olhar no espelho, dá nota máxima e aplaude a si mesmo. É por isso que o sábio diz que, em vindo a soberba, sobrevém a desonra. A soberba é a sala de espera da desonra. É o corredor do vexame. É a porta de entrada da vergonha e da humilhação. A Bíblia diz que Deus resiste ao soberbo (Tg 4:6), declarando guerra contra ele. “Glória ao homem nas maiores alturas”, esse é o grito de guerra da humanidade orgulhosa e ímpia que continua desafiando Deus e tentando construir o céu na terra (Pv 11:1-9; Ap 18). Deus aborrece “olhos altivos” (Pv 6:16,17) e promete destruir “a casa dos soberbos” (Pv 15:25).

 

I. A PROVA DA SOBERANIA DIVINA (Dn 4:1-3)

A soberania de Deus é a autoridade inquestionável que o Senhor detém sobre o Universo, pelo fato óbvio de que Ele é o Criador de todas as coisas (Is 44:6;45:6; Ap 11:17). Sua soberania está baseada em sua onipotência, onipresença e onisciência. Quando afirmamos que Deus é soberano, estamos dizendo que Ele controla o Universo e pode fazer o que lhe aprouver. A soberba é um dos pecados da alma que afeta diretamente a soberania de Deus.

1. Nabucodonosor, chamado por Deus para um desígnio especial (Jr 25:9. “... Nabucodonosor [...] meu servo”.

Esta expressão não significa que o monarca babilônico adorava o Deus de Israel, mas apenas que era usado pelo Senhor para cumprir seus propósitos (à semelhança de Ciro, que é chamado de ungido do Senhor, em Isaías 45:1). Não há dúvida que ele foi submetido a um desígnio especial do Deus do Céu, o Deus de Daniel. Mesmo sendo um rei ímpio cumpria um desígnio especial de correção divina ao reino de Judá, por ter se corrompido com o sistema mundano, iniquo, inimigo de Deus. Ora, Deus tinha e tem o domínio de todos os reinos do mundo, e poder para fazer com que o ímpio Nabucodonosor, por um desígnio especial, se tornasse próspero em seu reino e crescesse em extensão, a ponto de se autodenominar “rei de reis”. O profeta Jeremias, que presenciou a investida babilônica contra o reino de Judá e seu exílio para Babilônia, diz que Deus chamou Nabucodonosor de “meu servo” (Jr 25:9). Na verdade, Nabucodonosor foi a “vara” de Deus de punição ao seu povo por ter abandonado o Senhor e tomado o caminho proibido da idolatria e dos costumes pagãos dos reinos vizinhos. Aprendemos que Deus, em sua soberania é Aquele “que muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis” (Dn 2:21).

 

2. A soberba de Nabucodonosor. Conquanto tenha sido um instrumento que Deus utilizou para corrigir e disciplinar o seu povo, Nabucodonosor foi traspassado pela arrogância, pela soberba. Por causa disso, Deus mostrou que ele seria punido severamente; ele seria, como a árvore do sonho, cortado até o tronco (Dn 4:18). Isto cumpriu-se literalmente na vida de Nabucodonosor, e ele, depois de humilhado, perdeu a capacidade moral de pensar e decidir porque seu coração foi mudado - de “coração de homem” (Dn 4:16) para “um coração de animal”. Ele foi dominado por uma insanidade sem precedente. A punição levaria “sete tempos”, período em que Nabucodonosor estaria agindo de forma irracional à semelhança dos animais do campo (Dn 4:28-33), tendo o seu corpo molhado pelo orvalho do céu. Esse estado de decadência do rei foi resultado de sua soberba.

O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que a soberba é a porta de entrada do fracasso e a sala de espera da ruína. O orgulho leva a pessoa à destruição, e a vaidade a faz cair na desgraça. Na verdade, o orgulho vem antes da destruição, e o espírito altivo, antes da queda. Nabucodonosor foi retirado do trono e colocado no meio dos animais por causa da sua soberba (cf. Dn 4:30-37). O rei Herodes Antipas I morreu comido de vermes porque ensoberbeceu seu coração em vez de dar glória a Deus (At 12:21-23). O reino de Deus pertence aos humildes de espírito, e não aos orgulhosos de coração.

Esse terrível mal também tem grassado igrejas locais. A Bíblia registra um exemplo: a igreja de Laodicéia. Esta igreja, a começar do seu líder, enchia o peito e dizia para todos, com evidente e louca arrogância: “Rico sou e de nada tenho falta” (Ap 3:17). Ora, é nesta tola manifestação de arrogância que se verifica a fraqueza espiritual. Só temos força espiritual quando reconhecemos a nossa insignificância, a nossa pequenez, o nosso nada diante de Deus. A autoglorificação é desprezível. A igreja de Laodicéia exaltou-se dando nota máxima a si mesma em todas as áreas. Mas Cristo a reprovou em todos os itens. A Bíblia diz:” Louve-te o estranho, e não a tua boca; o estrangeiro, e não os teus lábios” (Pv 27:2). Deus detesta o louvor próprio. Jesus explicou essa verdade na parábola do fariseu e do publicano. Aquele que se exaltou foi humilhado, mas o que se humilhou, desceu para sua casa justificado.

3. Nabucodonosor proclama a soberania de Deus (Dn 4:1-3). “Nabucodonosor, rei, a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra: Paz vos seja multiplicada! Pareceu-me bem fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, tem feito para comigo. Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas, as suas maravilhas! O seu reino é um reino sempiterno, e o seu domínio, de geração em geração”.

Nabucodonosor dá testemunho da grandeza e do poder de Deus. Chegou a esta conclusão depois da sua experiência humilhante de loucura. Foi restaurado de sua demência depois que se humilhou diante do Altíssimo. Reconheceu a soberania do Deus Onipotente e fez uma proclamação acerca do Eterno domínio de Deus (Dn 4:34-37). Ele aprendeu que o Senhor, em sua soberania, é “quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis” (Dn 2:21).

 

II. DEUS FALA NOVAMENTE A NABUCODONOSOR POR MEIO DE SONHOS (Dn 4:4-9).


 1. Deus adverte Nabucodonosor através de um sonho. Nabucodonosor sentia-se senhor de tudo a ponto de, mais uma vez, se permitir dominar por uma arrogância inconcebível. Então, Deus o adverte através de um sonho.

"tive um sonho" (Dn 4:5). À semelhança do capítulo dois quando teve o sonho da grande estátua representando seu reino e os reinos que o sucederiam, mais uma vez Deus fala com Nabucodonosor; mais uma vez ele ficou aflito por não entender o seu significado.

É interessante perceber que o modo como Deus falava com os homens nos antigos tempos era diverso. Ele utilizava de canais possíveis para se fazer inteligível aos seus servos. Pelo fato dos antigos, especialmente os caldeus, darem muita importância aos sonhos e a sua interpretação, Deus usou esse canal de comunicação para revelar o significado das imagens do sonho na cabeça do rei. É claro que esse modo de falar e revelar a sua vontade não seja o único modo da comunicação divina. Portanto, essa via de comunicação não era e não é uma regra que obrigue Deus ter que falar somente por meio de sonhos. Mas Ele o fez, porque os antigos acreditavam piamente que os sonhos tinham um sentido divino. Hoje, temos a Palavra de Deus como o canal revelador da fala de Deus aos homens. É bom que se diga que não existe dom de sonhar como afirmam alguns cristãos. Mas é certo que Deus pode usar esse meio e outros mais para revelar a sua vontade soberana aos seus servos (Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD).

2. Daniel é convocado (Dn 4:8,9). “Mas, por fim, entrou na minha presença Daniel, cujo nome é Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e no qual há o espírito dos deuses santos; e eu contei o sonho diante dele: Beltessazar, príncipe dos magos, eu sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum segredo te é difícil; dize-me as visões do meu sonho que tive e a sua interpretação”.

Há um contraste entre o sonho do capítulo 2 e o sonho do capítulo 4. O primeiro sonho foi esquecido pelo rei, mas o segundo sonho ele não o esqueceu (Dn 2:1,6 e 4:10-17). Como da vez passada (capítulo 2), todos os sábios da Babilônia, com seus magos, astrólogos, caldeus e os adivinhadores foram convocados à presença do rei para darem a interpretação do sonho e, mais uma vez, falharam (Dn 4:6,7). Finalmente, foi convocado Daniel, e este, ao ouvir do rei o relato pediu-lhe um tempo porque, por quase uma hora, estava atônito e sem coragem para revelar a verdade do sonho ao rei. Daniel ficou perturbado, e disse: “O sonho seja contra os que te têm ódio, e a sua interpretação para os teus inimigos” (Dn 4:19).

3. Daniel ouve o sonho e dá a sua interpretação (Dn 4:19-26). O rei conta a Daniel todo o seu sonho. Ele viu uma grande árvore de dimensões enormes que produzia belos frutos e que era visível em toda a terra. Os animais do campo se abrigavam debaixo dela e os pássaros faziam seus ninhos nos seus ramos (Dn 4:10-12). O rei viu descer do céu “um vigia, um santo” (Dn 4:13) e esse vigia clamava forte: “Derribai a árvore e cortai-lhe os ramos” (Dn 4:14). “Então Daniel... esteve atônito quase uma hora” (4:19). O tempo que Daniel levou para interpretar o sonho significava que ele ficou amedrontado em contar ao rei a verdade. De certo modo, Daniel gozava da confiança do rei como conselheiro e preferia, como homem, que as revelações do sonho não atingissem a pessoa do rei. Mas Daniel não pôde evitar, porque o próprio rei, percebendo a perplexidade de Daniel, o instou a que não tivesse medo e contasse exatamente o que o seu Deus havia revelado.

a) Uma árvore majestosa (Dn 4:11,12). A “árvore” do sonho de Nabucodonosor era formosa e bela. A visão esplêndida dessa árvore indicava a formosura, a grandeza, o poder e a riqueza que representavam a glória de Nabucodonosor. Ninguém na terra havia alcançado todo esse poder antes dele. Daniel declarou ao rei que aquela árvore que seria cortada era o próprio rei e disse: “Es tu, ó rei” (Dn 4:22). Imaginemos o semblante de espanto de Nabucodonosor ao ouvir esta declaração. Como resignar-se serenamente ante um fato inevitável revelado pelo Deus de Daniel. Assim é a glória dos homens, como uma árvore que cresce e se torna frondosa e, de repente, é derribada. Assim Deus destrói os soberbos (Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD).

b) Juízo e misericórdia são demonstrações da soberania divina. “Esta é a interpretação, ó rei; e este é o decreto do Altíssimo, que virá sobre o rei, meu senhor: serás tirado de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e te farão comer erva como os bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Dn 4:24,25).

Aqui é mostrado como Daniel começou a interpretação da “grande árvore” que o rei tinha visto no sonho. Daniel declarou que aquele monarca era a árvore e que seria cortada como quando o lenhador corta a árvore do bosque. Mas Daniel acrescentou que um tronco, com suas raízes, seria deixado na terra (Dn 4:15). Nabucodonosor devia saber que, ao passar o tempo de castigo, seria restaurado novamente no seu posto como governador do império babilônico. Isto mostra que a intenção divina não era destruir Nabucodonosor sem dar-lhe a oportunidade de se converter e reconhecer a glória de Deus. Ele foi tirado do meio dos homens e ficou completamente louco, indo conviver com os animais do campo por “sete tempos” (Dn 4:25). Depois desse período de demência, Nabucodonosor voltou ao normal e louvou ao Deus Altíssimo – “Mas, ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o meu entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração” (Dn 4:34).

O Deus Todo Poderoso sempre que aplica uma sentença, ela vem mesclada de misericórdia. Porém, é evidente que chegará o Dia quando não mais essa misericórdia existirá, e, a partir daí, Deus dará aos seus inimigos o cálice da sua ira (Ap 14:10). No presente século, o ser humano é convidado a tomar parte no “dia da salvação”, porém em breve chegará o momento em que ele tomará parte da ira de Deus e do Cordeiro (Ap 6:17).

 

III. A PREGAÇÃO DE DANIEL

 

“Portanto, ó rei, aceita o meu conselho e desfaze os teus pecados pela justiça e as tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres, e talvez se prolongue a tua tranquilidade” (Dn 4:27).

O texto mostra que Daniel aconselhou o rei a arrepender-se dos seus maus caminhos – “desfaze os teus pecados pela justiça e as tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres” -, mas tudo indica que o rei continuou a sua vida como antes: soberbo e arrogante. A Bíblia diz que a soberba torna os olhos altivos (Pv 21:4). Quando o homem não escuta a voz da graça, ouve a trombeta do juízo. Deus abriu para o rei a porta da esperança e do arrependimento, ele, porém, não entrou. Então, Deus o empurrou para o corredor do juízo. Deus o humilhou. O orgulho é algo abominável para Deus, pois Ele resiste ao soberbo (1Pe 5:5).

Após 12 meses o sonho se cumpriu literalmente (Dn 4:29-32). Nabucodonosor morou com os animais, comeu erva como boi, e seu corpo foi molhado pelo orvalho. Depois de restabelecido, o rei entendeu que tudo aconteceu por causa de seu orgulho. Então, ele declarou:

 “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, e exalço, e glorifico ao Rei dos céus; porque todas as suas obras são verdades; e os seus caminhos, juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba”.

Nabucodonosor, finalmente, foi restaurado, tanto da doença mental como da alma. Deus o transformou através das duras provas.

“A conversão de Nabucodonosor pode ser vista por intermédio de quatro evidências:

- Ele glorificou a Deus (Dn 4:34). Agora, ele olha para o céu, para cima. Nossa vida sempre segue a direção de nosso olhar. Até agora ele só olhava para baixo, para a terra. Como aquele rico insensato que construiu só para esta vida, e Deus o chamou de louco. Muitos levantam os olhos tarde demais, como o rico que desprezou Lázaro. Ele levantou seus olhos, mas já estava no inferno.

- “ele confessou a soberania de Deus (Dn 4.35).

- “ele testemunhou sua restauração (Dn4.36)

- “Ele adorou a Deus (Dn 4.37)”.

(Rev. Hernandes Dias Lopes – Daniel, um homem amado no céu).

 

CONCLUSÃO

Se desejamos viver vitoriosamente, tenhamos muito cuidado, para não sermos contagiados pela soberba, que tem levado muitos à queda, pois Deus resiste e continuará resistindo aos soberbos (Tg 4:6). Todavia, o Pai Celeste dá e dará graças, misericórdia e ajuda em todas as situações da vida, àqueles que têm o coração quebrantado e contrito, que se chega a Ele com humildade.

 

quarta-feira, 25 de março de 2026

JESUS E A CONVERSÃO DA MULHER SAMARITANA


 JESUS E A CONVERSÃO DA MULHER SAMARITANA

TEXTO BIBLICO

Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede e não venha aqui tirá-la” João 4.15.

O encontro de Jesus com a mulher samaritana, registrado no capítulo 4 do Evangelho de João, é um dos episódios da Bíblia. Ele quebra barreiras sociais, religiosas e de gênero, revelando a essência da missão de Jesus.

Aqui estão os pontos principais para entender a profundidade desse diálogo:

1. Quebrando Barreiras Invisíveis

No contexto da época, a conversa de Jesus foi um ato de rebeldia santa. Ele atravessou três fronteiras principais:

  • Geográfica/Social: Judeus e samaritanos se detestavam por questões teológicas e históricas. Os judeus geralmente evitavam passar por Samaria.
  • Gênero: Não era comum ou bem-visto um mestre judeu falar publicamente com uma mulher desconhecida.
  • Moral: A mulher era uma marginalizada dentro de sua própria comunidade (estava no poço ao meio-dia, o horário mais quente, provavelmente para evitar o julgamento das outras mulheres).

2. A Estratégia do "Dá-me de beber"

Jesus inicia o contato demonstrando vulnerabilidade. Ao pedir água, ele se coloca em um nível de igualdade humana, desarmando a mulher.

"Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?" (João 4:9)

A partir de uma necessidade física (sede), Jesus a conduz para uma necessidade espiritual, apresentando o conceito da "Água Viva": quem dela beber, jamais terá sede.

3. A Verdadeira Adoração

Quando a conversa toca em feridas pessoais (os cinco maridos dela), a mulher tenta desviar o assunto para uma polêmica religiosa: onde é o lugar certo para adorar?

A resposta de Jesus é um pilar do cristianismo:

  • Deus não está preso a templos ou montanhas.
  • A adoração deve ser em espírito e em verdade.
  • O foco mudou de onde para o quem e como.

4. A Revelação do Messias

Este é um dos raros momentos nos Evangelhos em que Jesus declara abertamente sua identidade antes da crucificação. Quando ela menciona o Messias, Ele responde:

"Eu o sou, eu que falo contigo."

5. O Resultado: De Rejeitada a Missionária

O impacto foi tão grande que a mulher abandonou seu cântaro e correu à cidade para anunciar Jesus. Ela, que se escondia das pessoas, tornou-se a primeira evangelista de Samaria, levando muitos a crerem.

 

Resumo Teológico

Elemento

Significado

O Poço

Simboliza a busca humana por satisfação em coisas temporárias.

A Água Viva

Simboliza o Espírito Santo e a vida eterna que só Cristo oferece.

O Cântaro Esquecido

Representa o abandono do passado para seguir uma nova vida.

 

Introdução

JESUS deixou Jerusalém porque seus milagres estavam atraindo as pessoas do tipo errado - espectadores curiosos que tinham do Reino um conceito errado.

Foi, portanto, para os distritos rurais, onde o povo tinha mais simplicidade e seriedade de coração. Ali ganhou muitos, que se converteram a Ele e aceitaram o batismo. Mais uma vez, porém, seu próprio sucesso fez periclitar o propósito do seu ministério. Os fariseus, ouvindo a notícia de que grandes multidões acorriam ao seu batismo, ficaram com inveja e alimentaram uma discussão entre os discípulos de JESUS e os de João Batista (cf. Jo 3.25; 4.1,2). JESUS, desejando evitar uma contenda com os fariseus, deixou a Judéia. Não havia finalidade em que ele se revelasse como Messias diante dos fariseus, porque, com suas mentes cheias de ideias preconcebidas, teriam entendido os seus ensinos de maneira errada. Era diante de pessoas de mente sincera e coração faminto como a mulher samaritana que JESUS se sentia livre para revelar-se, em vez de entrar em controvérsias teológicas com os fariseus.

 

Este trecho, bem como o que estudamos no capítulo anterior, são exemplos dos ensinamentos de CRISTO sobre o poder regenerador do ESPÍRITO SANTOagora, estudaremos seu encontro com uma mulher samaritana. Ele era um membro da sociedade que desfrutava de grande respeito; ela, uma mulher proscrita. Ela, era um homem da mais severa moralidade; ela, uma mulher vivendo no pecado. Ele era um culto ensinador de Israel; ela, uma analfabeta das classes inferiores. Ambos têm a mesma necessidade - a transformação espiritual para entrar no Reino de DEUS.

Este trecho descreve os passos mediante os quais o supremo Conquistador de almas conseguiu a conversão da mulher samaritana.

I – Conseguindo a Atenção (Jo 4.5-9)

“Foi, pois a uma cidade, de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José. E estava ali a fonte de Jacó. JESUS, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase a hora sexta”. Esta menção do cansaço de JESUS é a evidência de que, quando compartilhou da

natureza humana, o fez com toda seriedade: realmente tomou sobre si nossa natureza, e experimentou todas as limitações e fraquezas a que a carne humana está sujeita (menos as que são fruto direto do nosso pecado). “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28) foi dito por aquele que sabia como é a dor de músculos cansados e latejantes.

“Veio uma mulher de Samaria tirar água; disse-lhe JESUS: Dá-me de beber”. O propósito do Senhor era levar a mulher necessitada à água espiritual que satisfaz a sede da alma; assim, fez seu primeiro contato com ela ao pedir água. Ele de que tomar a iniciativa, porque a mulher, de si mesma, não teria falado com Ele

primeiro. Existiam quatro barreiras que impediriam semelhante conversação, e que o Senhor primeiramente teria de romper. 1) A barreira do sexo. Os próprios discípulos ficaram atônitos ao ver CRISTO agir contrariamente às bem conhecidas atitudes de sua época, falando assim a uma mulher em público (v. 27).

Geralmente, os preconceitos dos rabinos proibiam que as mulheres recebessem educação superior. 2) A barreira da nacionalidade. Não havia comunicação entre os judeus e os samaritanos. 3) A barreira do caráter moral. A mulher samaritana

sabia que nenhum rabino judeu chegaria perto de uma pecadora como ela. 4) A barreira da ignorância.

No decurso da conversação, foram rompidas todas as barreiras. A mulher recebeu novos horizontes para a sua vida, seu caráter foi transformado, e sua alma, iluminada.

Note a habilidade do Senhor em abrir caminho para esta conversação. Pediu um favor da parte dela, fazendo-a sentir- se, por um momento, em condições de superioridade. Mediante um apelo à simpatia da mulher, criou ambiente apropriado para conversar sobre assuntos espirituais.

Foi uma grande surpresa para a mulher quando a pessoa junto à fonte - que ela reconheceu como sendo um judeu, fez um pedido a uma mulher samaritana de sua condição. “Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos)”. Embora JESUS, como Messias, viesse da tribo de Judá, nunca se chamou “Filho de Israel”; sempre é chamado de “Filho do homem”, da humanidade inteira. Não havia lugar em sua mente e em seu coração para o preconceito.

II – Despertando o Interesse (Jo 4.10-14)

1. O desafio surpreendente.

A mulher samaritana aproveitou para se rir um pouco daquele judeu que, segundo pensava, fora forçado a mostrar franqueza e amabilidade por causa da intensa sede que sentia, e de não ter condições de conseguir água. Surpreendeu-se, no entanto, por Ele não se mostrar embaraçado; pelo contrário, suas palavras é que a deixaram intrigada: “Se tu conheceras o dom de DEUS, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.”

“Se tu conheceras”. Há pessoas que não percebem quantos poderes e oportunidades jazem escondidos ao nosso redor. Por não reconhecermos quantas bênçãos se nos oferecem, perdemos milhares delas! “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento” (Os 4.6). A mulher samaritana estava falando face a face com aquele que satisfaria a todos os seus anseios de paz e de vida – e não o sabia. Há muitas pessoas que passam pela vida bem perto daquilo que poderia revolucionar sua existência, e ficam alheias à verdadeira bem-aventurança por falta de saber e de considerar. Em dois assuntos, especificamente, faltava conhecimento à mulher.

1.1. Não conhecia o dom de DEUS, aquilo que DEUS queria graciosamente dar a ela.

A pobre mulher nem esperava bênçãos da parte de DEUS. Desiludida, esgotada, sem caráter, sem alegria, praticava a enfadonha rotina dos serviços diários. Ouvira falar sobre DEUS, mas nem sequer sonhava que Ele estivesse disposto a entrar na sua vida, fazendo com que sua existência valesse a pena.

A água “viva” é a que flui ou que jorra de uma fonte - a água em movimento, em contraste com a água parada (cf. Gn 26.19; Zc 14.8). Simboliza a vida divina que flui mediante o contato com DEUS (Jr 2.13; Ap 7.17; 21.6; 22.1). Assim como a água natural satisfaz a sede física, o ESPÍRITO SANTO satisfaz a alma que anseia por DEUS (cf. Sl 42.1,2).

 



1.2. A mulher não conhecia a identidade daquele que disse: “Dá-me de beber”.

A vinda do Messias era a esperança dos samaritanos, e não somente dos judeus, e ambas as nações tiraram encorajamento e forças desta promessa: suportavam os males do presente, sustentados pela visão do futuro, que se centralizava ao redor

da Pessoa do Messias. Agora, o Messias estava falando com esta mulher sem que ela o percebesse. Muitos são os que têm familiaridade com as palavras de JESUS, ouvindo-as como se escutassem uma canção. Não são transformados, porém, porque não se apercebem realmente de que as palavras que ouvem não

são as de um mestre humano, e sim as do próprio Filho de DEUS. Oxalá soubessem quem é o que lhes fala!

2. A pergunta feita com surpresa.

Refutando a sugestão de ela ser ignorante quanto ao dom de DEUS, a mulher responde: “Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água da vida?” A resposta a esta pergunta se encontra nos versículos 13 e 14. Quanto a ser acusada de ignorância sobre a Pessoa que fala com ela, a mulher responde: “És tu maior do que o nosso Pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?” Os versículos 25 e 26 respondem à objeção da mulher. Como Nicodemos, objeta: “Como pode suceder isto?” Quando se trata das coisas de DEUS, os que possuem boa educação não têm vantagem sobre os iletrados.

Todos, igualmente, precisam do “ESPÍRITO que provém de DEUS, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por DEUS” (1 Co 2.12).

3. A comparação que ilumina.

JESUS lança mão de uma comparação para esclarecer o significado das suas palavras: “Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte d’água que salte para a vida eterna”. A água natural é mencionada aqui como símbolo das fontes de prazer que há aqui na terra, e que só proporcionam satisfação momentânea. A totalidade da vida humana se compõe de desejos intermitentes que recebem apenas parcial satisfação: anseios e saciedade, enfado e novos desejos fortes se seguem num círculo vicioso. Realmente, nunca houve verdadeira satisfação para os desejos humanos; a alma humana nunca se aquieta, senão em DEUS. As fontes da terra podem oferecer satisfação temporária, mas é somente depois de o homem ter achado a DEUS que ele pode declarar ter satisfação completa e eterna. JESUS ensina à mulher que a água no poço de Jacó jaz sem vida ou movimento nas profundidades, enquanto a água celestial que ele oferece, embora fique nas profundezas da personalidade humana, não fica parada ali; vem brotando à superfície, revelando sua presença aos outros, fluindo com mais e mais força até que, na vida do porvir, o indivíduo recebe a plenitude desta bênção.

A fonte fica no indivíduo. O prazer do mundano depende das coisas externas; a Fonte da satisfação do cristão está dentro dele, independe das circunstâncias. A vida eterna, no Evangelho de João, é vinculada à fé em JESUS (Jo 3); provém da

ação de comer da sua carne e beber do seu sangue (Jo 6); é dádiva direta da parte dele. (Jo 10; 17). Neste capítulo, é considerada como resultado da vida do ESPÍRITO no homem, o fruto da vida espiritual, que é diferente da vida humana em qualidade, permanência e maturidade.

III – A Consciência da Necessidade (Jo 4.15-18)

1. O pedido urgente.

“Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que eu não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la.” A mulher ainda não havia percebido o âmago do ensino de JESUS. Nem sequer sonhava que Ele, falando sobre “água”, queria dizer algo diferente daquilo que ela carregava no seu cântaro. Ela ainda não percebera nada além dos seus desejos físicos e de suas necessidades diárias. Começou a sentir a convicção de que aquele estranho talvez a pudesse livrar da sua vida exaustiva de ter de caminhar até o poço com seu cântaro pesado. Seria um alívio ter a água bem à mão! Embora não tivesse compreendido o inteiro significado do dom prometido, entendeu, pelo menos, que se lhe oferecia uma grande vantagem - e seu desejo foi despertado.

2. Uma declaração perscrutadora.

Agora, JESUS leva a mulher a dar um passo adiante, despertando seu sentimento de necessidade espiritual. Faz com que ela se recorde de sua vergonhosa vida de pecados para que, esquecendo- se da água do poço de Jacó, tenha sede daquilo que a aliviaria da sua vergonha e miséria.

“Disse-lhe JESUS: Vai, chama o teu marido, e vem cá. A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido; porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade”.

JESUS trata do assunto do pecado a fim de que a mulher veja a causa da sua infelicidade. A nova vida deve começar com base na veracidade e na honestidade. O passado tem que ser enfrentado, por mais desagradável que seja, e o lixo da vida anterior deve ser varrido para longe.

 

IV – CRISTO Revela a Si Mesmo (Jo 4.19-29)

1. A expressão de perplexidade.

A mulher, atônita diante do discernimento de JESUS, exclama: “Senhor, vejo que és profeta”, e passa a levantar um problema religioso, da controvérsia entre os samaritanos e judeus: “Nossos pais adoravam neste monte [Gerizim] e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.” A pergunta surgiu não somente do desejo de desviar o problema do pecado dela para o campo de generalidades teológicas, como também de um real desejo de saber como procurar comunhão com DEUS e se erguer acima da sua baixa situação moral. Aproveitou a presença de um profeta para esclarecer suas dúvidas. JESUS, em resposta, mostrou que a verdadeira adoração é matéria de atitudes certas, e não do lugar certo; não se trata de onde, e sim de como.

2. CRISTO revelado.

Cheia de alegria pelas verdades que ouve, a mulher se lembra do que se lhe contou acerca de um grande Mestre que haveria de vir, enviado da parte de DEUS: “Eu sei que o Messias (que se chama o CRISTO) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. JESUS disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo”. JESUS não podia se revelar abertamente aos fariseus porque estes não percebiam as próprias carências espirituais. No entanto, sempre estava disposto a se fazer conhecido a todos aqueles que sentissem necessidade dele (cf. Mt 11.25-27).

CRISTO sempre se revela àqueles que amam a sua vinda. Foi assim que se revelou aos primeiros discípulos (Jo 1), e a Nicodemos (Jo 3.13; 9.35-38).

3. Começa o serviço cristão.

A mulher imediatamente tornou-se missionária do Profeta e Messias que acabara de descobrir. “Deixou, pois, a mulher o seu cântaro” - mostrando que, na alegria de descobrir a Água Viva, esquecera-se da sua procura pela água natural _ “e foi à cidade, e disse àqueles homens: Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito; porventura não é este o CRISTO?” (cf. Jo 1.41). Nada mais natural do que alguém que recebeu a Água Viva para beber levar outros à mesma Fonte.

V – Ensinamentos Práticos

1. Fontes escondidas.

A mulher samaritana não sabia que falava ao Messias, e que a poucos passos dela estava a Fonte de Água Viva; mas sua ignorância não alterava a realidade dos fatos. As águas do Rio Amazonas entram oceano adentro com tanta força que ainda há água doce a grande distância da praia.

Certo navio não tinha mais água potável a bordo, e os tripulantes, longe da terra firme, fizeram sinal a outro navio, pedindo água. Demoraram muito tempo para acreditarem na resposta: “Desçam os baldes no oceano, porque é de água doce”.

Finalmente experimentaram fazer isto e descobriram que realmente estavam cercados por água doce. Nós também estamos cercados em todos os lados por DEUS, sustentados por Ele e vivendo Nele, e tantas vezes não tomamos conhecimento deste fato, deixando de lançar nossos baldes para recebermos a plenitude da sua graça. O Senhor JESUS abriu os olhos da mulher samaritana para que ela enxergasse a fonte das águas vivas, e fará o mesmo por nós. No cansaço, Ele nos mostrará uma fonte de refrigério; na tristeza, uma fonte de consolação; a enfermidade, uma fonte de cura; no desencorajamento, uma fonte de esperança (cf. Gn 21.1619; Êx 17.1-6; Nm 20.9-11; Is 43.19).

2. Sede da alma.

“Qualquer que beber desta água tornará a ter sede”. Se nos colocássemos de vigia numa esquina, examinando o rosto de cada um dos inúmeros transeuntes, veríamos escrito nos semblantes da maioria desassossego, descontentamento insatisfação. A maioria das pessoas segundo parece, sofre a dor das ânsias não satisfeitas. Procurando a satisfação que seus corações tanto reclamam, uns vão ao cinema, outros procuram as drogas, outros procuram se esquecer dos problemas mediante vários tipos de atividades febris. Se realmente soubessem ler seu próprio coração, diriam, juntamente com o salmista: “A minha alma tem sede de DEUS, do DEUS vivo” (Sl 42.2). O ESPÍRITO SANTO é a Água Viva que satisfaz a alma, e JESUS CRISTO veio a este mundo para nos levar “para as fontes das águas da vida” (Ap 7.17).

3. O ESPÍRITO que habita em nós.

Spurgeon escreveu: “O poder do ESPÍRITO SANTO que habita em nós é superior a todos os reveses, como um rio que não pode ser forçado a ficar debaixo da terra, por mais que procuremos represá-lo... Quando o Senhor dá de beber a nossas almas, das fontes que brotam da grande profundidade do seu próprio amor eterno, quando nos dá a bênção de possuirmos em nosso íntimo um princípio vital de graça, nosso ermo se regozija, e desabrocha em flores como a roseira, e o deserto ao nosso redor não pode murchar o nosso crescimento verdejante; nossa alma fica sendo um oásis, mesmo quando tudo ao nosso redor é secura infrutífera.


CONCLUSÃO 

Neste estudo, focamos nos ensinamentos práticos de JESUS acerca da adoração e, por consequência, discutimos a doutrina da Adoração Cristã. O capítulo 4 do Evangelho de João revela duas lições valiosas. A primeira é que todo ser humano possui uma necessidade a satisfazer: a necessidade de DEUS. A segunda é que, em JESUS, a verdadeira adoração surge como um movimento que se inicia no interior. Tudo isso resulta de uma experiência viva com JESUS CRISTO.

 

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