sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O PROPÓSITO DA VERDADEIRA PROSPERIDADE


- O PROPÓSITO DA VERDADEIRA PROSPERIDADE

             

 Texto Bíblico:

“[...] o que semeia pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará” (2Co 9:6).

Na Bíblia, o conceito de "verdadeira prosperidade" é muito mais profundo do que o saldo de uma conta bancária. Enquanto o mundo geralmente mede o sucesso pelo acúmulo de bens, a perspectiva bíblica foca na totalidade do ser — paz mental, integridade espiritual e provisão física.

Aqui estão os pilares do que a Bíblia define como prosperidade real:

 

1. Prosperidade da Alma (A Base)

A Bíblia sugere que o sucesso externo é um reflexo da saúde interna. Em 3 João 1:2, lemos: "Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma."

  • O que significa: Não adianta ter o bolso cheio e a mente em guerra. A verdadeira riqueza começa com uma alma em paz com Deus e consigo mesma.

2. Contraste com o "Ter"

Jesus foi bem direto ao dizer que a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui (Lucas 12:15). Ele alertou sobre o perigo de ganhar o mundo inteiro, mas perder a própria alma.

  • Riqueza Genuína: É baseada em tesouros que não se deterioram (amor, bondade, fé e justiça).
  • O Contentamento: Paulo escreveu em Filipenses que aprendeu o segredo de estar contente tanto na fartura quanto na escassez. A prosperidade bíblica inclui a capacidade de ser grato com o que se tem hoje.

3. A Sabedoria como Moeda de Troca

No livro de Provérbios, a sabedoria é descrita como sendo mais valiosa que a prata ou o ouro fino.

"Feliz o homem que acha sabedoria... O seu lucro é melhor do que o da prata, e o seu rendimento melhor do que o do ouro fino." (Provérbios 3:13-14)

4. O Propósito da Provisão

A Bíblia não condena a posse de recursos, mas condena o amor ao dinheiro. A prosperidade financeira, quando ocorre biblicamente, tem um objetivo: generosidade.

  • Abençoado para abençoar: A ideia é que você prospere para poder ajudar o próximo e apoiar boas causas.
  • A Promessa de Josué: Em Josué 1:8, a chave para "prosperar e ser bem-sucedido" não é o esforço humano bruto, mas a meditação e a obediência aos princípios divinos.

 

Resumo Comparativo

Visão do Mundo

Visão Bíblica

Acúmulo de bens e status.

Paz, saúde e retidão de caráter.

Foco no eu e no prazer imediato.

Foco no propósito e no serviço ao próximo.

Medo da escassez e ganância.

Confiança na provisão e contentamento.

Independência de Deus.

Dependência e relacionamento com o Criador.

 


 

1. Sobre Planejamento e Trabalho

A Bíblia incentiva a diligência e o olhar para o futuro, condenando tanto a preguiça quanto a impulsividade.

  • Provérbios 21:5: "Os planos bem elaborados levam à fartura; mas a pressa excessiva, inevitavelmente, à pobreza." (O foco aqui é a estratégia em vez da busca por dinheiro fácil).
  • Provérbios 13:11: "O dinheiro ganho com desonestidade depressa se acaba, mas quem o ajunta aos poucos terá cada vez mais." (Valorização da constância e da ética).

2. Sobre Dívidas e Escravidão Financeira

Há um aviso severo sobre como o descontrole financeiro limita a nossa liberdade.

  • Provérbios 22:7: "O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo de quem empresta." * Romanos 13:8: "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros..."

3. Sobre a Ganância e o Perigo do Coração

Este é o ponto onde a Bíblia mais nos alerta: o dinheiro é um excelente servo, mas um péssimo senhor.

  • 1 Timóteo 6:10: "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." (Note que o problema é o amor ao dinheiro, não o dinheiro em si).
  • Mateus 6:24: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas."

4. Sobre Generosidade (A Quebra da Escassez)

A lógica bíblica é contraintuitiva: para ter mais (em termos de paz e propósito), você deve estar disposto a dar.

  • Provérbios 11:24: "Ao que distribui mais se lhe acrescenta, e ao que retém mais do que é justo, é para a sua perda."
  • 2 Coríntios 9:7: "Cada um contribua conforme determinou em seu coração; não com tristeza ou por necessidade, pois Deus ama quem dá com alegria."


 

Dica Prática de Gestão: A Regra do Contentamento

Uma das maiores lições bíblicas para as finanças é o que Paulo escreveu em 1 Timóteo 6:8: "Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes." Isso não significa falta de ambição, mas sim a liberdade de não ser controlado pelo consumo desenfreado. Quando você está contente, você gasta menos do que ganha, evita dívidas e tem margem para ser generoso.

INTRODUÇÃO

A Palavra de Deus garante a cada ser humano a possibilidade de auferir bens materiais e de deles usufruir para a satisfação de suas necessidades. Todavia, estabelece que o objetivo do homem e da mulher não deve ser o acúmulo de riquezas para si ou para sua exaltação por causa dos bens que tenha a seu dispor, mas que tudo isto seja um instrumento para que a glória de Deus se manifeste na administração destes bens que lhe forem confiados por Deus, o único e verdadeiro dono de todas as coisas. Não façamos dos bens materiais o objetivo e a intenção de nossas vidas. Quem passa a viver em função dos bens materiais, quem passa a pôr o seu coração nos tesouros desta vida, passa a ser um avarento, um ganancioso e, como tal, será um idólatra (Cl 3:5) e, assim, está fora do reino dos céus (Ap 22:15).

 

Não se está aqui afirmando que o cristão não deve procurar uma melhoria de vida, um melhor emprego, capacitar-se para obter melhores posições, ou seja, em absoluto se nega ao servo de Deus a busca de melhores oportunidades, um progresso maior, mas se está afirmando, isto sim, que não devemos colocar como alvos únicos e exclusivos de nossas vidas uma prosperidade material, que é efêmera (Pv 27:24). Nunca nos esqueçamos que, se cremos em Cristo só para esta vida, seremos os mais miseráveis de todos os homens! (1Co 15:19).

Quando o homem tenta progredir na vida material tendo consciência de que existe uma dimensão eterna, de que é mero administrador do que Deus lhe confiou, ele jamais se comporta de forma nociva ao seu semelhante, jamais busca usar de todos os métodos, lícitos ou não, visando à acumulação de riquezas, pois tem pleno conhecimento de que nu saiu do ventre de sua mãe e de que nu terminará a sua existência (Jó 1:211Tm 6:7). Como dizem as Escrituras, aqueles que se envolvem na ilusão das riquezas, trazem para si somente males e problemas, já nesta vida, que dirá quando se encontrar com o reto e supremo Juiz de toda a Terra (Pv 28:221Tm 6:9Hb 9:27).

Dentro desta perspectiva, o cristão deve, consciente de que o que tem amealhado de bens materiais, é para ser um instrumento de satisfação da vontade divina. Deve administrar o seu patrimônio de forma a obter o agrado de Deus, fazendo-o conforme a Sua Palavra.

 


I. A PROSPERIDADE NÃO É UM FIM EM SI MESMA

Quando falamos em prosperidade, falamos de uma mensagem que se tem repetido, às escâncaras, nos púlpitos das igrejas evangélicas de nossos dias. O “evangelho da prosperidade” é proclamado de norte a sul, de leste a oeste, passando pelo centro, como sendo a maior prova do amor de Deus para os nossos corações. Não resta dúvida de que a Bíblia Sagrada contém promessas de prosperidade material para o homem, mas esta prosperidade, como já temos visto neste trimestre, é secundária diante da prosperidade espiritual, que é a efetivamente prometida pelo Senhor.

O que estes propagadores da “Teologia da Prosperidade” esquecem de dizer aos seus ouvintes é que, em vindo a prosperidade material solicitada, o "novo rico" não será um senhor de riquezas, não será sequer o proprietário dos bens que o Senhor lhe conceder.

 A mensagem do “evangelho da prosperidade” faz questão de alardear que Deus tem obrigação de nos dar bens e uma vida regalada, pois "Deus é o dono de toda prata e de todo o ouro" e que nós somos "filhos do rei", o que, em parte, é uma realidade e uma verdade constante das Escrituras, mas não dizem que, quando ganharmos toda esta prosperidade, o Senhor continua sendo Senhor, continua sendo o "dono de todo o ouro e de toda a prata", assim como, também, continua sendo o "Rei dos reis" e "Senhor dos senhores", ou seja, ao contrário do que querem fazer crer os evangelistas da prosperidade, ser rico, ser próspero materialmente não é um privilégio ou um direito do cristão, mas, muito mais do que isto, é uma obrigação a mais que o servo do Senhor assume diante do seu Deus. Quem tem riquezas, passa a ser mordomo destas mesmas riquezas diante do Senhor e, como tal, assume muitas outras obrigações.

 

1. Deus, a Fonte de todo bem. Num mundo dominado pela obsessão do ter e pelo amor ao dinheiro, o cristão apresenta-se como alguém que sabe que tudo pertence a Deus e que somos apenas mordomos, devendo prestar contas ao verdadeiro dono do universo do que nos foi dado para administrar.

Deus é a fonte de todo bem, é o Criador de todas as coisas, razão por que todas as coisas lhe pertencem – Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Sal 24:1). Ninguém é dono de nada; tudo pertence a Deus, incluindo nossa vida e nosso corpo (cf 1Co 6:19). PortantoDeus é o Senhor de todo bem e que o homem é mordomo de seus bens. O mordomo tem que administrar de acordo com a vontade de seu Senhor, caso contrário dará conta do mau uso que fizer dos bens que lhe foram confiados.

Infelizmente, nestes tempos pós-modernos em que vivemos, o homem tem transformado a sua vida numa constante e frenética busca pelos bens materiais, como se a sua vida terrena fosse perene. A Teologia da Prosperidade inverteu os polos e colocou o objeto no lugar do sujeito. E o que é pior: acabou por transformar o sujeito em objeto. Deus foi transformado em um objeto e o ser humano em mercadoria. O homem foi "coisificado" para se transformar em uma mercadoria vendável. A busca pelo poder, fama e riqueza converteu-se no principal objetivo desta geração perdida.

Muitas pessoas pensam: Ah! Se eu morasse naquele bairro, em um apartamento duplex; se eu trabalhasse na empresa que gosto, e tivesse o carro dos sonhos, eu seria feliz!”. Pensam que a felicidade está nas coisas. Pensam que a felicidade está no ter. Assim, só se preocupam com o que é terreno e correm atrás de ilusões. Se essa teoria fosse verdadeira, os ricos seriam felizes e os pobres infelizes. No entanto, a experiência prova o contrário. A riqueza tem sido fonte de angústias. Os ricos vivem tencionados pelo desejo insaciável de ganhar sempre mais e com o pavor de perder o que acumularam. Muitas pessoas que ceifam a própria vida são abastadas financeiramente.

O dinheiro não produz contentamento. O verdadeiro contentamento vem da piedade no coração e não do dinheiro na mão. O contentamento nunca provém da posse de objetos externos, mas de uma atitude interna para com a vida. Alguém disse acertadamente que o contentamento não ocorre quando todos os nossos desejos e caprichos são satisfeitos, mas quando restringimos nossos desejos às coisas essenciais. O contentamento significa uma suficiência interior que nos mantém em paz apesar das circunstâncias. O apóstolo Paulo disse: “[...] aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4:11).

2. Despenseiros de Deus. Para que possamos entender o que a Bíblia diz a respeito da conduta do ser humano frente aos bens materiais é imperioso verificarmos a primeira declaração da revelação de Deus ao homem. Em Gn 1:1, a Bíblia deixa claro que Deus criou os céus e a terra, o que repete em Gn 1:31-2:3. Assim, tanto no início quanto no término do relato da criação, a Palavra não deixa qualquer dúvida de que Deus é o Senhor do Universo, ou seja, o dono de tudo. Assim, não deve causar espanto a declaração do salmista (Sl 24:1), segundo a qual “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam”. Com efeito, por ter criado o mundo e tudo o que nele há, Deus é o legítimo dono de todas as coisas. Se isto é assim, o homem é apenas um administrador da criação. Com efeito, ao criar o homem e a mulher, Deus concedeu a eles o domínio sobre toda a criação (Gn 1:26,28), domínio este que não representa senhorio, mas uma autoridade, uma autorização para administrar a criação terrena (observemos que no mandato dado ao ser humano por Deus não se incluem as criações celestiais. É por isso que o salmista afirma que o homem foi feito pouco menor do que os anjos (Sl 8:5).

Partindo deste pressuposto, não pode o homem achar-se dono de coisa alguma sobre esta terra e deveria comportar-se desta maneira, ou seja, plenamente consciente de que é apenas um administrador daquilo que Deus lhe deu. É exatamente esta a consciência do cristão, a de que é apenas um mordomo, um despenseiro de Deus (1Co 4:1,2Tt 1:7; 1Pe 4:10).

 


II. A PROSPERIDADE E O SUSTENTO PESSOAL

Apenas os seres espirituais não precisam comer, vestir-se e ter onde se abrigar, como é o caso dos anjos. Mas nós, seres humanos, precisamos subsistir em um mundo que possui regras próprias. Precisamos de abrigo onde reclinar nossas cabeças, comida para manter ativo nossos corpos e vestimentas, para que estejamos protegidos das intempéries naturais, como frio e calor. Deus não despreza essa situação, e nos proporciona o sustento pessoal por meio do trabalho digno.

1. As carências humanas. Carência é algo que todos nós já experimentamos, e cada um respondeu a ela de maneira diferente. Ela não acontece apenas no âmbito material. As necessidades financeiras, as adversidades do dia a dia, a doença, a derrota profissional, as perdas, a solidão são apenas algumas das muitas facetas da carência que abatem o ser humano. Porém, por trás de todas está a pior manifestação desse problema: a carência emocional e espiritual.

A Bíblia nos fornece inúmeros exemplos de vidas que mergulharam em situação de carência extrema.

Abraão experimentou a carência de filhos. Tudo o que o velho Patriarca possuía era uma promessa do Senhor (ler Gn 17:1-6). Porém, Abraão decidiu confiar que ela se cumpriria, em vez de concentrar-se no problema, e viu sua carência se transformar em fartura.

Poderíamos falar da carência de Jó. Lemos na Bíblia que ele era um homem próspero, com filhos e filhas, justo e temente a Deus. Porém, seu império desmoronou, seus filhos foram mortos, e o que era um corpo saudável tornou-se enfermo. Jó não compreendia o motivo de tanto sofrimento, de tanta carência. Contudo, ele tinha plena convicção de sua fé em Deus. Ele confiava nEle de uma maneira superlativa; tanto que fez a seguinte declaração: Ainda que ele [Deus] me mate, nele esperarei; contudo, os meus caminhos defenderei diante dele” (Jó 13:15). E sabemos o resultado da sua fidelidade a Deus. O Senhor lhe concedeu tudo novamente: restaurou a saúde, os negócios, a família. E, mais importante do que essas bênçãos, foi o conhecimento que Jó obteve de Deus ao vivenciar toda aquela situação em que Ele converteu a carência em fartura; daí a declaração do patriarca: Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos” (Jó 42:5 NTLH).

Enfim, poderíamos falar situação dramática do profeta Elias. Ele viveu um período de extrema carência por ele mesmo profetizado, em que não haveria chuva nem orvalho. Até mesmo o ribeiro de Querite já havia secado (1Reis 17:7). Sem chuvas, não havia mais água, produtos agrícolas nem rebanhos. Os mantimentos do povo tinham se esgotado, e a escassez se espalhava pela terra de Israel.

Deus vendo a carência dramática de Elias mandou-o à cidade de Sarepta e ali ficasse, a fim de ser sustentado por uma viúva (1Reis 17:9). Deus poderia ter encaminhado Elias ao homem mais rico do local, com uma profecia que anunciasse a Sua vontade e convencesse o homem a manter Elias até quando fosse necessário. Mas Deus ordenou que o profeta buscasse o destino mais improvável, a casa mais humilde – uma viúva sem eira nem beira. O texto bíblico diz que a situação daquela mulher era tão crítica, que ela estava prestes a preparar sua última refeição e aguardar, com o único filho, a morte (ler 1Rs 17:8-16).

 Por que Deus enviou o profeta à viúva de Sarepta, que estava vivendo um momento de dificuldade e escassez muito maior que a experimentada por ele? Deus não age com base naquilo que queremos, nos planos que fazemos e que consideramos os mais racionais e lógicos. A lógica de Deus não é, nem de longe, parecida com a nossa. Ela leva em conta nossa obediência e nossa fé, e também o fato de Deus ser onisciente, onipotente, onipresente, enquanto a nossa lógica considera apenas superficialmente as coisas, por meio de nossa visão limitada.

 

Por que Deus nos conduz a pessoas tão ou mais carentes, necessitadas e desprovidas que nós nos momentos de escassez, como fez com Elias? A lógica divina nos responde: para que possamos aprender a depender somente do Senhor, e de mais nada ou ninguém. Este é o milagre planejado por Ele.

Quando, em meio a uma gigantesca necessidade, Deus nos coloca diante de alguém com uma necessidade maior ainda e afirma que de tal pessoa virá a ajuda, é porque o milagre está sendo preparado, o milagre da dependência total do Senhor. E você sabe por que o Senhor age dessa maneira? Porque assim podemos servir como instrumento para solucionar o problema do outro e, ao mesmo tempo, resolver o nosso. Aconteceu dessa forma com Elias. Enviado a alguém que sofria com extrema carência, foi instrumento de Deus para resolver as dificuldades da viúva e do filho dela e, consequentemente, teve suas necessidades supridas.

2. O cuidado divino. O Eterno, o Guardador da nossa vida, é tão preocupado conosco que realmente não precisamos estar ansiosos por nada. É uma honra para Ele assumir todas as nossas preocupações. Por isso Pedro diz: "lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós" (1Pe 5:7).

 Quando Rute procurou ansiosamente um campo de cereal maduro para poder sobreviver com sua sogra, está escrito: "Por casualidade entrou na parte que pertencia a Boaz" (Rt 2:3). Isso foi mero acaso, ou foi o Senhor que a dirigiu? Quando Rute voltou para sua sogra Noemi com bastante cevada e lhe contou tudo, será que ela disse: "Oh, que coincidência!"? Não, ela sabia muito bem que isso fora o cuidado de Deus por elas e se regozijou, dizendo: "Bendito seja ele [Boaz] do Senhor, que ainda não tem deixado a sua benevolência nem para com os vivos nem para com os mortos" (Rt 2:20). A graça e o fiel cuidado de Deus estavam por detrás da vida dessas duas mulheres. Portanto, não devemos andar ansiosos por nada desta vida, pois o Pai Celeste está atento a todas as nossas necessidades.

 

A Bíblia está cheia de exemplos da providência de Deus para com o Seu povo e para com os Seus filhos:

 ·       Israel esteve por 40 anos no deserto. Nunca faltou pão e água aos israelitas, e suas sandálias não se gastaram nos seus pés (Dt 29:5). Quando Josué e Calebe entraram na Terra Prometida, ainda tinham nos pés as mesmas sandálias que usavam quando saíram do Egito!

 ·      Nenhum pardal cairá no chão sem o consentimento do Pai. Alguém disse: "Deus participa do funeral de cada pardal". Quanto mais preciosos somos nós do que um pardal (Lc 12:6 e Mt 10:29)?!

·         Ele veste os lírios no campo com glória e esplendor maiores que a glória de Salomão (Mt 6:28-30).

·         Ele que se preocupa com cada boi, quanto maior cuidado tem de nós (1Co 9:9-10)!

·         Ele conta os cabelos da nossa cabeça, e nossas lágrimas são recolhidas por Deus e inscritas no Seu livro (Mt 10:30 e Sl 56:8). Qual pai ou mãe já fez isso, alguma vez, com seus filhos?

·         Aquele que nos guarda não dormita nem dorme (Sl 121:3-4).

·         Ele nos compreende mesmo sem palavras, disse o rei Davi (Sl 139:2).

·         Ele é tão grande que entregou Sua vida por nós (João 10:11), e não cuidaria de nós todos os dias?

 ·         E em Hebreus 13:5 lemos: "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei".

 ·       Não estamos expostos ao destino cruel, nem entregues ao acaso. Pelo contrário, está escrito que Ele – por amor do Seu nome – nos guia pelas veredas da justiça (Sl 23:3).

 

III. A PROSPERIDADE NA AJUDA DO PRÓXIMO

Deus quer que nós, além de sermos justos em tudo, amemos a beneficência. O Salmo 41:1,2 diz o seguinte: “Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal. O Senhor o livrará e o conservará em vida; será abençoado na terra, e tu não o entregarás à vontade de seus inimigos”.

Provérbios 19:17 diz: “Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, e ele lhe pagará o seu benefício”. Em outras palavras, quem ajuda o pobre está na verdade, emprestando a Deus; por isso, há bênçãos financeiras reservadas por Deus àqueles que se compadecem dos menos afortunados.

O texto de Efésios 6:8 enfatiza: “cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre”. Em Tiago 4:17 lemos: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comente pecado”.

Como você age quando vê um necessitado? Você compartilha o quê com ele? Jamais diga: “eu sou pobre; vou pedir esmola para dois?”. Jamais fale assim, porque senão você continuará sofrendo desse jeito. Certo pregador disse o seguinte: “Aquilo que você faz aos outros, Deus fará a você”. Então, quando você abençoar alguém, prepare-se, porque Deus irá abençoá-lo.  Se você pensa que pobre deveria apenas receber, observe o que Paulo disse da igreja da Macedônia: “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia; como, em muita prova de tribulação, houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente” (2Co 8:1-3). Observe neste texto que os cristãos pobres da Macedônia ajudaram os mais pobres da Judéia. Portanto, o fato de alguém ser pobre não o torna isento da responsabilidade de contribuir financeiramente com outros em pior situação.

1. Um mandamento divino. Na lei de Moisés foi bem especificado que o fundamento, a essência do relacionamento de Deus com o homem é o amor e que este amor não se limitava tão somente ao interior do homem que aceita Cristo, mas que se espraia aos semelhantes, tanto que Jesus fez questão de complementar a inquirição do doutor da lei com uma afirmação extremamente relevante: “...amarás o próximo como a ti mesmo” (Mt 22:39). O amor ao próximo é determinado pelo Senhor, é seu mandamento – “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15:12). Quando amamos o próximo da forma determinada na Palavra de Deus, melhoramos sensivelmente o ambiente em que vivemos.

 

Amar o próximo não é apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar este alguém a uma vida de comunhão com Deus, a um equilíbrio em todos os aspectos da sua vida. Medidas emergenciais serão necessárias, como nos mostra a parábola do bom samaritano, mas é extremamente necessário que levemos o próximo a entender que deve, sobretudo, amar a Deus, para que também ame o próximo, como nós o amamos.

Amar o próximo não é dizer a alguém que o ama, mas um amor que se mostra por atitudes concretas, por ações efetivas, por obras. Amor ao próximo não é amor de palavra nem de língua, mas amor por obras e em verdade (1João 3:18). Para Tiago, a fé sem as obras mantém-se no campo da teoria e para nada serve: Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhe dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?” (Tg 2:15,16, ARA). O apóstolo Paulo exorta-nos a praticarmos o bem e a sermos ricos em boas obras (1Tm 6:18).

Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O individualismo e o egoísmo têm dificultado, e até impedido, gestos de amor ao próximo, até mesmo entre cristãos. Quem é o nosso próximo? É qualquer ser humano, como bem nos explicitou Jesus na parábola do bom samaritano (Lc 10:30-37), e este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição.

2. Quando contribuímos para ajudar o próximo, nossa oferta glorifica a Deus. A generosidade da igreja promove a glória de Deus, pois aqueles que são beneficiários do nosso socorro glorificam a Deus pela nossa obediência. O apóstolo Paulo escreve: “Visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão, quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos” (2Co 9:13, ARA). Paulo destaca dois pontos importantes nesse versículo:

a) Quando a teologia se transforma em ação, Deus é glorificado. Os judeus crentes glorificaram a Deus ao ver que os gentios não apenas confessavam a teologia ortodoxa, mas também agiam de maneira ortoprática (2Co 9:13a).

Jesus falou do sacerdote e do levita que passaram ao largo ao verem um homem ferido (Lc 10:31,32). Não basta ter boa doutrina, é preciso colocar essa doutrina em prática. Os crentes da Judéia glorificaram a Deus não apenas porque os gentios creram, mas, sobretudo, porque obedeceram.

 Warrem Wiersbe relata o caso de um cristão rico que, em seu culto doméstico diário, orava pelas necessidades dos missionários que sua igreja sustentava. Certo dia, depois que o pai terminou de orar, o filho pequeno lhe disse: Pai, se eu tivesse seu talão de cheques, poderia responder as suas orações” (Comentário bíblico expositivo, v. 5.2006:p.867).

 

b) Quando o amor deixa de ser apenas de palavras Deus é glorificado. Os gentios contribuíram com liberalidade não apenas para os crentes da Judéia, mas, também, para outros necessitados (2Co 9:13b). Eles não amaram apenas de palavras, mas de fato e de verdade (1João 3:17,18). O amor não é aquilo que se diz, mas o que se faz.


CONCLUSÃO

Nesta lição, aprendemos que não podemos perder o foco da verdadeira prosperidade. A questão não é somente prosperar, mas para quê prosperar. O nosso trabalho, dinheiro e bens não devem ser usados apenas para o nosso deleite pessoal, mas, prioritariamente, atender aos propósitos do Senhor. Enfim, a busca pelos bens materiais deve ser com vistas à satisfação de Deus e não a uma incessante corrida pelo prazer, pelo luxo e pela autossuficiência. A ética cristã prega que não há que se buscar o lucro máximo, mas, bem ao contrário, deve-se buscar o suficiente para se ter uma vida digna, uma vida sossegada, mas sem a “febre do ouro” que tem dominado o mundo de hoje. Diz o sábio Salomão que devemos, sempre, buscar a “porção acostumada de cada dia” (Pv 30:8,9) e ninguém melhor do que Salomão para nos afirmar que a posse de riquezas em demasia não representa bem algum para a alma humana. Que Deus nos ajude.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

JESUS E O AMOR AO DINHEIRO

 


 JESUS E O AMOR AO DINHEIRO


 Texto Bíblico: Lucas 18:18-24

 “E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas!” (Lc 18:24)

Estudar o que a Bíblia diz sobre dinheiro é abrir uma janela para o nosso coração. Afinal, como diz um dos versículos mais famosos sobre o tema, "onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração" (Mateus 6:21).

O dinheiro em si não é bom nem mau; ele é uma ferramenta. A Bíblia foca muito mais na nossa relação com ele do que na quantidade que possuímos.

1. A Perspectiva da Propriedade: Tudo é de Deus

O primeiro passo para um relacionamento saudável com as finanças é entender quem é o "Dono". Nós não somos donos, somos mordomos (administradores).

  • Salmo 24:1: "Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem."
  • Ageu 2:8: "Minha é a prata, e meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos."

Reflexão: Se o dinheiro que está na minha conta pertence a Deus, como Ele gostaria que eu o usasse hoje?

2. O Perigo do Amor ao Dinheiro

A Bíblia nunca diz que o dinheiro é a raiz de todos os males, mas sim o amor a ele. O dinheiro é um excelente servo, mas um mestre terrível.

  • 1 Timóteo 6:10: "Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé..."
  • Mateus 6:24: Jesus afirmar categoricamente que não podemos servir a dois senhores: Deus e o Dinheiro (Mamom).

O risco aqui é a idolatria: quando buscamos no dinheiro a segurança, a paz e a alegria que só Deus pode dar.

3. Sabedoria na Administração

O livro de Provérbios é um manual prático de finanças. A Bíblia incentiva o planejamento e condena a preguiça e a imprudência.

  • Trabalho: "As mãos preguiçosas empobrecem o homem, mas as mãos diligentes trazem riqueza" (Provérbios 10:4).
  • Dívidas: A Bíblia nos alerta a evitá-las. "O rico domina sobre o pobre; quem toma emprestado é escravo de quem empresta" (Provérbios 22:7).
  • Planejamento: Jesus fala sobre a importância de "sentar e calcular os custos" antes de começar uma construção (Lucas 14:28).

4. Generosidade e Contentamento

O antídoto para a ganância é a generosidade. Deus abençoa o homem para que ele seja um canal, não um reservatório.

  • O Princípio da Semeadura: "Lembrem-se disto: quem planta pouco, colhe pouco; mas quem planta muito, colhe muito" (2 Coríntios 9:6).
  • Contentamento: "Aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância... Tudo posso naquele que me fortalece" (Filipenses 4:11-13).
  • Nota: este versículo é sobre estar satisfeito com o que se tem, seja muito ou pouco.

Resumo dos Princípios Bíblicos

Princípio

Descrição

Mordomia

Deus é o dono; eu sou o administrador.

Prioridade

Buscar primeiro o Reino de Deus (Mateus 6:33).

Integridade

Ganhar dinheiro de forma honesta.

Generosidade

Dar com alegria, não por obrigação.

 

A Bíblia nos ensina que a verdadeira riqueza não se mede pelo que acumulamos na terra, mas pelo que investimos na eternidade e no próximo.

Jesus falava surpreendentemente muito sobre dinheiro. Estima-se que cerca de 25% de Suas palavras nos Evangelhos (e 16 das 38 parábolas) tratem de posses, riquezas e como lidamos com elas.

Para Jesus, o dinheiro não era um tema econômico, mas um tema espiritual. Ele o via como o principal concorrente pela lealdade do coração humano.

1. O Concorrente de Deus: MAMOM

Jesus deu um nome ao dinheiro: Mamom (uma palavra aramaica para riqueza). Ao personificar o dinheiro, Ele mostrou que as riquezas podem agir como uma divindade que exige adoração e serviço.

  • Mateus 6:24: "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e a Mamom."

2. Onde está o seu Coração?

Jesus ensinou que o uso do dinheiro é o melhor diagnóstico da nossa vida espiritual. O extrato bancário (ou o destino das moedas, na época) revela o que realmente valorizamos.

  • Mateus 6:21: "Pois onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração."

3. O Perigo da Acumulação (A Parábola do Rico Insensato)

Jesus alertou contra a ideia de que a vida consiste na abundância de bens. Em Lucas 12:16-21, Ele conta sobre um homem que guardou tudo para si e morreu naquela mesma noite, sendo chamado por Deus de "louco".

A lição: A verdadeira segurança não vem de celeiros cheios (ou contas poupança), mas de ser "rico para com Deus".

4. O Dinheiro como Teste de Fidelidade

Jesus apresentou o dinheiro como um "treinamento". Se não conseguimos ser fiéis cuidando de algo temporário e material, como receberemos o que é espiritual e eterno?

  • Lucas 16:11: "Assim, se vocês não forem dignos de confiança em lidar com as riquezas deste mundo ímpio, quem lhes confiará as verdadeiras riquezas?"

5. A Generosidade Radical

Jesus frequentemente elogiava quem dava o que lhe era precioso, focando mais no sacrifício do que no valor nominal.

  • A Oferta da Viúva (Marcos 12:41-44): Ele observou que a viúva deu mais do que os ricos, pois deu "tudo o que possuía para viver", enquanto os outros davam do que sobrava.
  • O Jovem Rico (Mateus 19:16-22): Jesus pediu que ele vendesse tudo não porque o dinheiro fosse pecado, mas porque, para aquele homem específico, o dinheiro era um ídolo que o impedia de seguir o Mestre.

Tabela: O contraste de Jesus sobre Riquezas

Visão do Mundo

Ensino de Jesus

Ter muito é sinal de sucesso e favor.

Ter muito é uma responsabilidade perigosa

(Mateus 19:24).

O dinheiro me dá segurança.

O dinheiro é incerto; Deus é o provedor

(Mateus 6:31-33).

Dou o que sobra após minhas despesas.

Dou com prioridade e sacrifício.

Conclusão

Para Jesus, o dinheiro é uma ferramenta para abençoar outros e investir no Reino, mas é também uma "isca" que pode escravizar a alma através da ansiedade ou do orgulho. Ele não condenou A POSSE, mas condenou A OBSESSÃO.

 


 INTRODUÇÃO

 O Dinheiro é o maior senhor de escravos do mundo. Há indivíduos que fazem do dinheiro a razão da sua vida. Pessoas se casam, divorciam, matam e morrem pelo dinheiro. Muitas pessoas, sem uma dimensão da eternidade, têm sua vista obscurecida pelas coisas temporais e passageiras e, portanto, acaba se deixando dominar pela avareza, pelo desejo de acumulação de riquezas, que é uma insensatez total, como deixou bem claro Jesus na parábola do rico insensato (Lc 12:13-21) - “porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lc 12:15). Lamentavelmente, não são poucos os que acabam se perdendo na caminhada para o céu por causa do dinheiro.

Riquezas e glórias vêm de Deus, contudo, o dinheiro não é um tesouro para ser usado de forma egoísta, apenas para o nosso deleite. Deus nos dá o dinheiro para O glorificarmos com ele, e fazemos isso, quando cuidamos da nossa família, dos domésticos da fé e de outras pessoas necessitadas, inclusive nossos inimigos (Mt 5:44). A Bíblia revela que a avareza tem sido um obstáculo para muitos alcançarem a salvação, como nos casos do mancebo de qualidade (Mt 19:22; Lc 18:23), de Judas Iscariotes (Lc 22:3-6; João 12:4-6), de Ananias e Safira (At 5:1-5,8-10), de Simão, o mago (At 8:18-23) e de muitos outros, como afirmou Paulo em sua carta a Timóteo (1Tm 6:9,10). Deus assim nos exorta: se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração” (Sl 62:10).


I. DINHEIRO, O DEUS MAMOM

O Dinheiro é mais que uma moeda, é um deus, é Mamom. É o ídolo que tem o maior número de adoradores neste mundo. Milhões de pessoas se prostram em seu altar todos os dias e dedicam tempo, talentos, vida e devoção a esse deus. Muitas pessoas pisam arrogantemente no próximo e sacrificam até a família para satisfazerem os caprichos insaciáveis dessa divindade. No sermão do monte, Jesus disse que não podemos servir a Deus e às riquezas ao mesmo tempo. Ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Ninguém pode servir a Deus e às riquezas. A confiança em Deus implica no abandono de todos os ídolos. Quem coloca a sua confiança no dinheiro, não pode confiar em Deus para a sua própria salvação. Nossos corações somente têm espaço para uma única devoção e nós só podemos nos entregar para o único Senhor.

 

Que lugar o dinheiro ocupa na sua vida? O relato de Lucas 18:18-24 revela a situação espiritual de muita gente. O texto fala de um homem que sentia sede de salvação, porém, tinha o grande obstáculo da riqueza, dos bens materiais, um dos maiores inimigos da vida espiritual. De todas as pessoas que vieram a Cristo, esse homem é o único que saiu pior do que chegou. Ele foi amado por Jesus, mas, mesmo assim, desperdiçou a maior oportunidade da sua vida. A despeito do fato de ter vindo à pessoa certa, de ter abordado o tema certo, de ter recebido a resposta certa, ele tomou a decisão errada. Ele amou mais o dinheiro do que a Deus, mais a terra do que o céu, mais os prazeres transitórios desta vida do que a salvação da sua alma.

1. Esse homem possuía excelentes qualidades, porém vivia insatisfeito. Destacamos várias qualidades excelentes desse jovem. Entretanto, todas essas qualidades que alistamos não puderam preencher o vazio da sua alma.

a) Ele era riquíssimo (Lc 18.23). Esse jovem possuía tudo que este mundo podia lhe oferecer: casa, bens, conforto, luxo, banquetes, festas, jóias, propriedades, dinheiro. Ele era dono de muitas propriedades. Embora jovem, já era muito rico. Certamente, ele era um jovem brilhante, inteligente e capaz.

b) Ele era proeminente (Lc 18:18). Lucas diz que ele era um homem de posição. Ele possuía um elevado status na sociedade. Ele tinha fama e glória. Era também líder famoso e influente na sociedade. Talvez ele fosse um oficial na sinagoga. Tinha reputação e grande prestígio.

c) Ele era virtuoso (Lc 18:21; Mt 19.20) - "Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?". Aquele jovem julgava ser portador de excelentes predicados morais. Ele se olhava no espelho da lei e dava nota máxima para si mesmo. Considerava-se um jovem íntegro. Não vivia em orgias nem saqueava os bens alheios. Vivia de forma honrada dentro dos mais rígidos padrões morais. Possuía uma excelente conduta exterior. Era um modelo para o seu tempo.

d) Ele era insatisfeito com sua vida espiritual (Mt 19:20). "Que me falta ainda?". Ele tinha tudo para ser feliz, mas seu coração ainda estava vazio. Seu dinheiro e reputação não preencheram o vazio da sua alma. Estava cansado da vida que levava. Nada satisfazia aos seus anseios. Ser rico não basta; ser honesto não basta; ser religioso não basta. Nossa alma tem sede de Deus.

e) Ele era uma pessoa sedenta de salvação (Lc 18:18). Sua pergunta foi enfática: "Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”. Ele estava ansioso por algo mais que não havia encontrado no dinheiro. Ele sabia que não possuía a vida eterna, a despeito de viver uma vida correta aos olhos dos homens. Ele não queria enganar a si mesmo. Ele queria ser salvo.

f) Ele foi a Jesus com pressa (Mc 10:17). "E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro". Naquela época, pessoas tidas como importantes não corriam em lugares públicos, mas esse jovem correu. Ele tinha pressa. Muitos querem ser salvos, mas deixam para amanhã e perecem eternamente. Esse jovem não pode mais esperar, ele não pode mais protelar. Ele não aguentava mais. Ele não se importou com a opinião das pessoas. Ele tinha urgência para salvar a sua alma.

g) Ele foi a Jesus de forma reverente (Mc 10:17). "[...] e ajoelhando-se...” (Mc 10:17). Esse jovem se humilhou caindo de joelhos aos pés de Jesus. Ele demonstrou ter um coração quebrantado e uma alma sedenta. Não havia dureza de coração nem qualquer resistência. Ele se rendeu aos pés do Senhor.

h) Ele foi amado por Jesus (Mc 10:21). "E Jesus, fitando-o, o amou". Jesus viu o seu conflito, o seu vazio, a sua necessidade; viu o seu desespero existencial e se importou com ele e o amou.

2. Esse homem possuía excelentes qualidades, porém vivia enganado (Lc 18:18-23). As virtudes do jovem rico eram apenas aparentes. Ele superestimava suas qualidades. Ele deu a si mesmo nota máxima, mas Jesus tirou sua máscara e revelou-lhe que a avaliação que fazia de si, da salvação, do pecado, da lei e do próprio Jesus era muito superficial.

a) Ele estava enganado a respeito da salvação (Lc 18:18). Ele viu a salvação como uma questão de mérito e não como um presente da graça de Deus. Ele perguntou: "Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?". Seu desejo de ter a vida eterna era sincero, mas estava enganado quanto à maneira de alcançá-la. Ele queria obter a salvação por obras e não pela graça. Todas as religiões do mundo ensinam que o homem é salvo pelas suas obras. Na índia, multidões que desejam a salvação se deitam sobre camas de prego ao sol escaldante; balançam-se sobre um fogo baixo; sustentam uma das mãos erguida até se tornar imóvel; fazem longas caminhadas de joelhos. No Brasil, vemos as romarias, onde pessoas sobem conventos de joelhos e fazem penitência pensando alcançar com isso o favor de Deus. Muitas pessoas pensam que no dia do juízo Deus vai colocar na balança as obras más e as boas obras e a salvação será o resultado da prevalência das boas obras sobre as obras más. Mas a salvação não consiste naquilo que fazemos para Deus, mas do que Deus fez por nós em Cristo Jesus.

b) Ele estava enganado a respeito de si mesmo (Lc 18:18-21). O jovem rico não tinha consciência de quão pecador ele era. O pecado é uma rebelião contra o Deus santo. Ele não é simplesmente uma ação, mas uma atitude interior que exalta o homem e desonra a Deus. O jovem rico pensou que suas virtudes externas poderiam agradar a Deus. Porém, a Escritura diz que todas as nossas justiças são como trapo da imundícia aos olhos do Deus santo (Is 64:6).

O jovem rico pensou que guardava a lei, mas havia quebrado os dois principais mandamentos da lei de Deusamar a Deus e ao próximo. Ele era idólatra. Seu deus era o dinheiro. Seu dinheiro era apenas para o seu deleite. Sua teologia era baseada em não fazer coisas erradas, em vez de fazer coisas certas.

Jesus disse para o jovem rico: "Ainda te falta uma coisa: vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me." (Lc 18:22). O que faltava a ele? O novo nascimento, a conversão, o buscar a Deus em primeiro lugar. Ele queria a vida eterna, mas não renunciou os seus ídolos. 

c) Ele estava enganado a respeito da lei de Deus (Lc 18:20,21). Ele mediu sua obediência apenas por ações externas e não por atitudes internas. Aos olhos de um observador desatento ele passaria no teste, mas Jesus identificou a cobiça em seu coração. Esse é o mandamento subjetivo da lei. Ele não pode ser apanhado por nenhum tribunal humano. Só Deus consegue diagnosticá-lo. Jesus viu no coração desse homem o amor ao dinheiro como a raiz de todos os seus males (1Tm 6:10). O dinheiro era o seu deus; ele confiava nele e o adorava.

d) Ele estava enganado a respeito de Jesus (Lc 18:18; Mc 10:17). Ele chamou Jesus de Bom Mestre, mas não está pronto a lhe obedecer. Ele pensou que Jesus era apenas um rabi e não o Deus verdadeiro, feito carne. Jesus queria que o jovem se visse a si mesmo como um pecador antes de ajoelhar-se diante do Deus santo. Não podemos ser salvos pela observância da lei, pois somos rendidos ao pecado. A lei é como um espelho; ela mostra a nossa sujeira, mas não remove as manchas. O propósito da lei é trazer o pecador a Cristo (Gl 3:24). A lei pode trazer o pecador a Cristo, mas não pode fazer o pecador semelhante a Cristo. Somente a graça pode fazer isso.

e) Ele estava enganado acerca da verdadeira riqueza (Lc 18:22). Depois de perturbar a complacência do homem com a constatação de que uma coisa lhe faltava, Jesus o desafia com uma série de cinco imperativos: "Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e vem, e segue-me". Esses cinco imperativos são apenas uma ordem que exige uma só reação. Ele deve renunciar aquilo que se constitui no objeto de sua afeição antes de poder viver debaixo do senhorio de Deus.

O jovem rico perdeu a riqueza eterna, por causa da riqueza temporal. Ele preferiu ir para o inferno a renunciar ao seu dinheiro. Mas que insensatez, ele não pode levar um centavo para o inferno. Ele rejeitou a Cristo e a vida eterna. Agarrou-se ao seu dinheiro e com ele pereceu. Saiu triste e pior, por ter rejeitado a verdadeira riqueza, aquela que não perece. O homem rico se tornou o mais pobre entre os pobres.

II. O DINHEIRO, BENS E POSSES NAS PERSPECTIVAS SECULAR E CRISTÃ



 1. Perspectiva secular. Na perspectiva secular, o dinheiro tem sido apresentado como a principal fonte de felicidade. Nós vivemos num mundo materialista e consumista. As pessoas valem quanto têm. Presenciamos uma brutal inversão de valores. As coisas externas estão se tornando mais importantes que os valores internos. Neste mundo, embriagado pela avareza, a riqueza material vale mais que a honra. O dinheiro passou a ser mais importante que o caráter. O brilho do ouro tem entenebrecido a mente de muitas pessoas e corrompido suas almas. O dinheiro é a mola que gira o mundo.

Por que as pessoas amam tanto o dinheiro? Há duas razões: Primeiro, elas pensam que se tiverem dinheiro poderão comprar muitas coisas e exercer influência sobre outras pessoas. Mas será que a posse de bens materiais e a influência sobre outras pessoas nos garantirão felicidade? Segundo elas pensam que se tiverem dinheiro, posses, se sentirão seguras. Muitas pessoas pensam: Ah! Se eu morasse naquele bairro, em um apartamento duplex; se eu trabalhasse na empresa que gosto, e tivesse o carro dos sonhos, eu seria feliz! Pensam que a felicidade está nas coisas. Pensam que a felicidade está no ter. Assim, só se preocupam com o que é terreno e correm atrás de ilusões. Se essa teoria fosse verdadeira, os ricos seriam felizes e os pobres infelizes. No entanto, a experiência prova o contrário. A riqueza tem sido fonte de angústias. Os ricos vivem tensionados pelo desejo insaciável de ganhar sempre mais e com o pavor de perder o que acumularam. Muitas pessoas que ceifam a própria vida são abastadas financeiramente.

 

O que a Palavra de Deus tem a dizer? O apóstolo Paulo diz que a piedade com o contentamento e não o dinheiro é grande "[...] fonte de lucro" (1Tm 6:5). O dinheiro não produz contentamento. O contentamento significa uma suficiência interior que nos mantém em paz apesar das circunstâncias exteriores. Disse Paulo: "[...] porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação" (Fp 4:11).

Nós não nascemos apenas para esta vida. Somos destinados à eternidade. A morte não é o fim da linha. O dinheiro, porém, tem vida curta. Ele não dura para sempre. Está fadado a se extinguir. O dinheiro não pode cruzar conosco a fronteira do túmulo. Ele não irá conosco para a eternidade - "Porque nada temos trazido para o mundo, nem cousa alguma podemos levar dele" (1Tm 6:7).

Nenhuma das coisas que as pessoas cobiçam tem qualquer permanência. Quando uma pessoa morre, ela deixa tudo. O seu dinheiro não pode ser levado para o outro mundo. Não tem carro de mudança-transportando valores num enterro, nem gavetas em caixões, nem bolsos em mortalhas. Entre o nascimento e o falecimento, podemos juntar muito ou pouco, mas na hora final teremos de deixar tudo. Quando o primeiro bilionário do mundo, John Rockfeller, morreu, alguém perguntou ao seu contador: "Quanto o dr. John Rockeffeler deixou?" Ele respondeu: "Ele deixou tudo, não levou um centavo".

Portanto, quando falamos de perspectiva secular, nos referimos a maneira individualista, egoísta e mesquinha de lidar com o dinheiro. A iniciativa de acumular bens para si é diametralmente oposta à do Evangelho, que ordena compartilharmos o que se tem. Uma parábola de Jesus que sugere isso é a do "Rico Insensato", uma pessoa obstinada a somente acumular bens nesse mundo e não atentar seriamente para o que importa. Qual é a importância dos tesouros que você busca acumular aqui em relação à vida porvir?

 2. Perspectiva cristã. A perspectiva cristã não incentiva a busca pela riqueza material, pelo contrário, desestimula (cf. Lc 12:33; Lc 16:25; Lc 18:22-24; 1Tm 6:8,17; Tg 5:1-3). As coisas espirituais, por serem de natureza eterna, ganham primazia sobre os materiais, que são apenas temporais.

Na perspectiva cristã, o dinheiro, como valor material, não é visto como senhor, mas apenas como um servo. Desta feita, não deixe o dinheiro dominá-lo, domine-o. Não deixe o dinheiro ser seu patrão, faça dele um servo. O problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. O problema não é ter dinheiro, mas o dinheiro nos ter. O problema não é carregar dinheiro no bolso, mas carregá-lo no coração.

Na perspectiva cristã coloca-se os bens a serviço dos outros, como fez Barnabé (At 4:36,37). Qual foi a última vez que você fez algo que trouxe glória ao nome de Deus e alegria para as pessoas? Qual foi a última vez que fez uma oferta generosa para ajudar uma pessoa necessitada? Qual foi a última vez que enviou uma oferta para um missionário? Qual foi a última vez que entregou uma oferta de gratidão a Deus? Qual foi a última vez que repartiu um pouco do muito que Deus lhe tem dado? O apóstolo Paulo dá o belo exemplo da pobre igreja da Macedônia que se doou e ofertou generosamente aos pobres da Judéia, pessoas que a Igreja não conhecia pessoalmente (2Co 8:1-4).

 


III. DINHEIRO, BENS E POSSES NOS ENSINOS DE JESUS

1. Jesus alertou sobre os perigos da riqueza (Lc 18:24-25; Mc 10.23-25). Jesus não condena a riqueza, mas a confiança nela. Os que confiam na riqueza não podem confiar em Deus. A raiz de todos os males não é o dinheiro, mas o amor a ele (1Tm 6.10). Há pessoas ricas e piedosas. O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo patrão. A questão não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele.

Jesus ilustrou a impossibilidade da salvação daquele que confia no dinheiro: "É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus'' (Lc 18:25). O camelo era o maior animal da Palestina e o fundo de uma agulha o menor orifício conhecido na época. Alguns intérpretes tentam explicar que esse fundo da agulha era uma porta da muralha de Jerusalém onde um camelo só podia passar ajoelhado e sem carga. Contudo, isso altera o centro do ensino de Jesus: a impossibilidade definitiva de salvação para aquele que confia no dinheiro.

2. Jesus ensinou a confiança em DeusA confiança em Deus é a disposição espiritual pelo qual o crente entrega-se, sem reservas, aos cuidados de Deus. Confiar em Deus é estar convicto de que Ele está no comando de todas as coisas. Vós, os que temeis ao Senhor, confiai no Senhor; ele é seu auxílio e seu escudo” (Sl 115:11). “Aqueles que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se abala, mas permanece para sempre” (Sl 125:1).

Se você quer entender melhor o que é confiar, imagine-se fazendo o seguinte: escolha uma pessoa que você conhece bem e em que você confia; imagine que esta pessoa está parada atrás de você; você fecha os olhos, relaxa o corpo e se deixa cair livremente para trás; se você acreditar que esta pessoa não vai deixá-lo cair de jeito nenhum, então você confia nesta pessoa. Basicamente, confiar significa entregar-se completamente nas mãos de outra pessoa, acreditando que ela vai fazer o que prometeu. Confiar em Deus é viver convictos de que tudo está em suas mãos.

Podemos confiar em Deus até nas coisas mais sofridas. Como no caso de Abraão, que nem sempre, ou quase nunca, sabia por que Deus fazia as coisas, mas confiava que Deus sabia o que fazia e iria fazer tudo bem-feito. Assim também nós podemos acreditar que os planos de Deus a nosso respeito são sempre os melhores. Muito melhores do que nós poderíamos querer ou imaginar. Mesmo que muitas vezes não sabemos por que Deus nos deixa doentes, ou sem dinheiro, ou com outro problema qualquer, devemos saber que Deus faz tudo para o nosso bem. Ele assim prometeu: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8:28).

A confiança no Senhor não serve como desculpa para a preguiça. A fé conduz à ação e não à inércia. Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance e depois descansar em Deus, confiando que ele cuidará daquilo que nós não podemos fazer.

A confiança em Deus não elimina a oração. Pelo contrário, é por confiarmos no Senhor que levamos a Ele os nossos pedidos – Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças” (Fp 4:6). A criança confia no pai e por isso descansa, não se preocupando com o alimento do dia seguinte. Quando entramos em um ônibus e dormimos, estamos confiando nossas vidas aos cuidados do motorista. Confiemos em Deus, entregando-lhe a direção da nossa existência.

 

IV. DINHEIRO, BENS E POSSES NA MORDOMIA CRISTÃ

Desde que o homem pecou, houve uma desorganização de valores na sua vida. Em consequência disto, a posse de bens passou a ser um alvo na existência do homem sem Deus e sem esperança. Isto só tem se aguçado na história da humanidade e, como nunca, vivemos num mundo onde o ter sobrepuja o ser.

Pela Bíblia sabemos que não é pecado ser rico e não é uma virtude ser pobre. Ninguém irá para o céu por ser pobre; ninguém irá para o inferno por ser rico. O Senhor Jesus morreu tanto pelo pobre como pelo rico. Não é a riqueza nem a pobreza que irá definir onde o homem irá estar na eternidade, mas o aceitar ou o rejeitar o Senhor Jesus como Salvador.

O Mordomo Fiel, rico ou pobre, no exercício da Mordomia Cristã, faz do dinheiro que possui uma bênção para a obra de Deus, para si mesmo, para sua família, bem como para a comunidade que o cerca.

Assim, ao mesmo tempo em que a Palavra de Deus garante a cada ser humano a possibilidade de sujeitar bens de acordo com a sua vontade e de deles usufruir para a satisfação de suas necessidades, também estabelece que o objetivo do homem e da mulher não deve ser o acúmulo de riquezas para si ou a sua exaltação por causa dos bens que tenha a seu dispor, mas que tudo isto seja um instrumento para que a glória de Deus se manifeste na administração destes bens que lhe forem confiados por Deus, o único e verdadeiro dono de todas as coisas.

1. Avaliando a intenção do coração. A maneira que lidamos com o dinheiro reflete quem somos internamente. Nós pertencemos a Deus? Nós confiamos em Deus? O nosso tesouro está em Deus ou no dinheiro? Você tem sentido alegria ao doar? Tem pedido a Deus para multiplicar sua sementeira para poder ajudar ainda mais pessoas?

Mas é bom enfatizar que não basta apenas dar sua oferta ao necessitado, ou sua oferta ou dízimo na igreja, mas a atitude com que se faz essas coisas. A questão não é apenas doar, mas doar-se. Como bem disse o pr. José Gonçalves, “o ensino de Jesus sobre o uso das riquezas vai muito além da simples doação de bens e ações filantrópica. Ele não se limitava a avaliar apenas as ações exteriores, mas, sobretudo, voltava-se para as atitudes interiores. Dessa forma, Jesus valorizou as atitudes da mulher pecadora na casa de Simão, o leproso, e de Maria de Betânia, irmã de Marta e de Lázaro (Lc 7:36-50). Não era, portanto, apenas se desfazer dos bens, mas a atitude e intenção com que isso era feito (Lc 11:41; 21:1-4)”.

2. Entesourando no céu. A falsa prosperidade leva o homem a correr desenfreadamente para acumular riquezas, alcançar elevadas posições na sociedade e obter notoriedade e fama. Muitos, quando não estão entregues aos prazeres, quase sempre estão mergulhados no trabalho, empenhando-se para alcançar o sucesso. Salomão, também, agiu dessa maneira. Ele dedicou-se a construir mansões, palácios, pomares, açudes... e até mesmo um luxuoso Templo dedicado ao Senhor, mas seu coração continuou vazio. Ele achou que o acúmulo de riquezas lhe traria felicidade, entesourando prata, ouro, objetos de arte, imóveis e tudo mais que o dinheiro e o poder podem comprar, mas sua alma continuou insatisfeita. Depois de muito trabalhar, chegou à conclusão de que todo aquele empreendedorismo e acúmulo de riquezas eram destituídos de sentido e de valor permanente. Disse ele: “E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e que proveito nenhum havia debaixo do sol (Ec 2:11).

Portanto, entesoure riquezas para a vida eterna. O que você semeia é o que colhe. Exorta assim o apóstolo Paulo: “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente e sejam comunicáveis; que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna” (1Tm 6:17-19).

 

CONCLUSÃO

O dinheiro não é um mal em si. A riqueza é uma bênção de Deus, tanto que Deus a concedeu a Salomão (1Rs 3:13), mas, e aqui está um caso típico, não podemos pôr nas riquezas o nosso coração (Mt 6:19-21). Devemos, sempre, buscar servir a Deus e lhe agradar. Esta deve ser a intenção do cristão. Se Deus nos conceder a riqueza, que nós a usemos para agradar a Deus. Se nos der a pobreza, que nós a usemos para agradar a Deus. O importante é que não façamos dos bens materiais, do dinheiro, o objetivo e a intenção de nossas vidas. Quem passa a pôr o seu coração nos tesouros desta vida, passa a ser um avarento, um ganancioso e, como tal, será um idólatra (Cl 3:5) e, assim, estará fora do reino dos céus (Ap 22:15). Aprendamos, pois, com Jesus o uso correto do dinheiro e como ser bons mordomos dos bens que nos foram confiados.

LEMBRE-SE. Jesus não condenou A POSSE, mas condenou A OBSESSÃO.

 

 


Postagens

O PROPÓSITO DA VERDADEIRA PROSPERIDADE

- O PROPÓSITO DA VERDADEIRA PROSPERIDADE                 Texto Bíblico: “[...] o que semeia pouco também ceifará; e o que semeia em ab...

Postagens Mais Visitadas