segunda-feira, 20 de julho de 2026

AS PROMESSAS DE DEUS

 


AS PROMESSAS DE DEUS

Texto Bíblico: Isaias 55:6-13

“E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la” (Jr.1:12).

 

Isaías 55:6-13

6.Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.

7.Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é perdoar.

8.Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor.

9.Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.

10.Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come,

11.assim será a palavra que sair da minha boca ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei.

12.Porque, com alegria, saireis e, em paz, sereis guiados; os montes e os outeiros exclamação de prazer perante a vossa face, e todas as árvores do campo baterão palmas.

13.Em lugar do espinheiro, crescerá a Faia, e, em lugar da sarça, crescerá a murta; isso será para o Senhor por nome, por sinal eterno, que nunca se apagará.

 

Para compreendermos o peso dessas promessas, podemos dividir o texto em três eixos principais:

1. O Convite ao Encontro (vv. 6-7)

"Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto."

A primeira "promessa" implícita aqui é a de disponibilidade. Deus não está escondido ou indiferente; Ele se deixa encontrar por quem o busca com sinceridade.

  • O arrependimento como chave: O texto condiciona esse encontro ao abandono do caminho mal e dos pensamentos perversos.
  • A promessa de misericórdia: O versículo 7 encerra com a garantia: "porque ele é generoso em perdoar". Para Deus, o perdão não é apenas um ato jurídico, mas um gesto de Sua natureza bondosa.

2. A Distância entre o Pensar Humano e o Divino (vv. 8-9)

"Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos..."

Aqui, Deus oferece uma perspectiva de segurança. Muitas vezes, nos frustramos porque tentamos limitar Deus à nossa lógica limitada.

  • A promessa é que os planos de Deus são infinitamente superiores e mais altos do que os nossos. Isso significa que, mesmo quando não entendemos o "como", podemos descansar no "quem" — pois os caminhos de Deus levam a um propósito que nossa visão limitada ainda não consegue alcançar.

3. A Eficácia da Palavra de Deus (vv. 10-13)

Este é o ponto alto do texto, onde Deus compara a Sua Palavra aos ciclos da natureza (chuva e neve):

  • A Promessa da Produtividade: Assim como a chuva não volta para o céu sem antes ter cumprido seu papel de fazer a terra brotar e florescer, a Palavra de Deus possui uma força ativa. Ela nunca volta vazia.
  • A Garantia do Propósito: Tudo o que Deus libera — seja uma promessa específica, um mandamento ou um consolo — carrega consigo o poder necessário para se realizar.
  • A Transformação do Cenário: O texto termina com uma imagem triunfante: em vez de espinhos, surgirão ciprestes; em vez de sarças, surgirá a murta. É a promessa de restauração absoluta. Onde havia dor, esterilidade ou desolação, a intervenção de Deus traz vida, beleza e um "sinal eterno" de Sua fidelidade.

Reflexão para o seu dia

Ao ler estes versículos, percebemos que as promessas de Deus não são baseadas nos nossos méritos, mas na fidelidade da Sua Palavra.

Quando você se sentir perdido ou sobrecarregado pelas circunstâncias, lembre-se: a mesma Palavra que rege o ciclo da natureza está trabalhando nos bastidores da sua vida para que, no tempo certo, ela produza o fruto que Ele determinou.

 

INTRODUÇÃO

As Promessas de Deus” conforme reveladas na Bíblia Sagrada. As promessas divinas têm o propósito de cumprir os planos de Deus, exigindo nossa fé total nele e em Sua Palavra para se realizarem. Ao longo do Trimestre, analisaremos não apenas o que são essas promessas, mas também como estão fundamentadas nas Escrituras.

As “Promessas de Deus” e como elas estão fundamentadas. Além disso, classificaremos os tipos e os propósitos das Promessas de Deus, compreendendo seu impacto em nossa vida cristã.

I. UM CONVITE DE DEUS

1. Um convite, uma Promessa

Isaías 55:6-13 é um dos textos mais ricos da Bíblia em termos de promessa divina e convocação para a redenção. Neste trecho, Deus convida o povo de Israel a buscar Sua face e a se arrepender, oferecendo-lhes uma oportunidade de transformação e bênção. Este convite, no entanto, não é apenas uma simples oferta, mas uma promessa carregada de poder e propósito.

Em Isaias 55:11, lemos: “assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei”. Este versículo destaca a soberania de Deus e a eficácia de Sua Palavra. A Palavra de Deus, quando proclamada, carrega em si a certeza do cumprimento. Ela é viva, eficaz e sempre alcança o objetivo para o qual foi enviada, seja para a redenção daqueles que a recebem com fé ou para a condenação daqueles que a rejeitam.

Este texto de Isaias sublinha a importância de responder ao convite divino. Deus não apenas convida, mas garante que Sua Palavra, quando acolhida, trará consigo o cumprimento das Promessas. No entanto, para que essas Promessas se manifestem na vida do crente, é necessário um movimento ativo em direção a Deus — buscar ao Senhor enquanto se pode achar, invocar enquanto está perto (Isaias 55:6).

2. É preciso Buscar ao Senhor

O primeiro passo essencial para viver as promessas de Deus é buscar ao Senhor de forma ativa e contínua. Em Isaías 55:6, lemos: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto”. Este versículo é um chamado urgente para um relacionamento profundo e constante com Deus. Ele não é apenas um conselho, mas um imperativo que destaca a necessidade de uma busca diligente e persistente por Deus.

Buscar ao Senhor implica em dedicar tempo à oração, meditação na Palavra e em cultivar uma vida espiritual que reflita um desejo genuíno de conhecer e experimentar a presença de Deus. No contexto do Antigo Testamento, essa busca era uma resposta ao convite de Deus para o arrependimento e restauração. Era uma convocação para o povo de Israel retornar ao Senhor com todo o coração.

O Novo Testamento reafirma essa necessidade de buscar a Deus, como ensinado por Jesus em Mateus 7:7,8: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre”. Aqui, Jesus assegura que a busca sincera por Deus não é em vão. Ele promete que aqueles que O buscam de coração encontrarão Sua presença, Sua direção e Suas bênçãos.

A busca por Deus, conforme Jesus ensinou, não é passiva; ela requer esforço, perseverança e fé. É um processo que envolve pedir com humildade, buscar com determinação e bater com insistência. Essa busca é uma expressão de dependência total de Deus, reconhecendo que Ele é a fonte de toda provisão, sabedoria e direção.

Além disso, essa busca deve ser feita “enquanto se pode achar” e “enquanto está perto”, como destaca Isaías. Isso sugere que há um tempo oportuno para buscar ao Senhor, que não deve ser desperdiçado. Deus está sempre acessível, mas é vital que aproveitemos o momento presente para nos voltarmos a Ele, pois a oportunidade de buscar Sua face pode não estar disponível para sempre.

Buscar ao Senhor é, portanto, um ato de fé e obediência, essencial para que as Promessas de Deus se tornem realidade em nossas vidas. Essa busca deve ser caracterizada por sinceridade, arrependimento e uma entrega total ao propósito de Deus. Quando buscamos ao Senhor com todo o coração, não apenas encontramos a realização de Suas Promessas, mas também experimentamos uma transformação profunda em nosso relacionamento com Ele.

3. É preciso se Arrepender



O Segundo passo para se viver as Promessas de Deus: “É preciso se arrepender”. Isaías 55:7 chama ao arrependimento: “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar”. Esse arrependimento é essencial para que as Promessas de Deus se cumpram plenamente. Deus promete abundância e bênção, mas estas estão condicionadas à obediência e à transformação do coração.

Além disso, Isaías 55:7 chama ao arrependimento: “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar”. Esse arrependimento é essencial para que as Promessas de Deus se cumpram plenamente. Deus promete abundância e bênção, mas estas estão condicionadas à obediência e à transformação do coração.

As Promessas de Deus muitas vezes vêm com condições que exigem a obediência do Seu povo para que sejam cumpridas. Aqui estão três exemplos bíblicos de bênçãos que dependiam da obediência a Deus:

a)   A Promessa de vida longa e prosperidade na Terra Prometida (Êx.20:12 e Dt.5:33)

Promessa: Deus prometeu ao povo de Israel que, se obedecessem aos Seus mandamentos, teriam vida longa e prosperariam na terra que Ele lhes deu.

Condição: A obediência à Lei, especificamente o mandamento de honrar pai e mãe, é destacada em Êxodo 20:12: "Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá."

Cumprimento: Essa promessa de vida longa e prosperidade estava diretamente ligada à prática da obediência.

b)   A Promessa de vitória sobre os inimigos (Dt.28:1-7)

Promessa: Deus prometeu que, se Israel obedecesse diligentemente à Sua voz e guardasse todos os Seus mandamentos, Ele os exaltaria sobre todas as nações da terra e garantiria a vitória sobre os inimigos.

Condição: A obediência total a Deus é a chave para receber essa bênção: "E será que, se ouvires a voz do Senhor teu Deus... o Senhor entregará os teus inimigos, que se levantarem contra ti, feridos diante de ti" (Dt.28:1,7).

Cumprimento: A vitória sobre os inimigos estava condicionada à obediência completa aos mandamentos de Deus.

c)   A Promessa de ser feito povo de Deus (Dt.28:9,10)

Promessa: Deus prometeu que Israel seria estabelecido como Seu povo santo, separado para Ele, se obedecessem aos Seus mandamentos.

Condição: "O Senhor te confirmará para si por povo santo, como te tem jurado, quando guardares os mandamentos do Senhor teu Deus, e andares nos seus caminhos" (Dt.28:9).

Cumprimento: Ser reconhecido como povo santo de Deus, com todas as bênçãos que isso traz, estava ligado à obediência fiel aos caminhos do Senhor.

Esses exemplos demonstram que as Promessas de Deus frequentemente exigem uma resposta de fé expressa em obediência para que sejam plenamente realizadas na vida de Seu povo.

Portanto, o convite de Deus em Isaías 55 é uma oferta de redenção fundamentada na veracidade e no poder de Sua Palavra. As Promessas de Deus não são apenas palavras vazias; elas são garantias do cumprimento de Seu propósito em nossas vidas, desde que respondamos com fé, arrependimento e busca contínua por Sua presença.

II. AS PROMESSAS E SEUS FUNDAMENTOS



1. A Promessa na Bíblia

As Promessas de Deus são um tema central na Bíblia, refletindo o comprometimento divino em realizar Seu propósito na vida das pessoas. Desde o início das Escrituras, vemos Deus fazendo Promessas a Seus servos, estabelecendo um relacionamento baseado na confiança e na fé em Sua Palavra.

No Antigo Testamento, as Promessas de Deus aparecem de forma implícita e explícita em diversos momentos. Embora a palavra "promessa" nem sempre seja mencionada diretamente, o conceito é claramente manifestado nas alianças que Deus fez com Abraão, Isaque, Jacó e o povo de Israel. Por exemplo, em Gênesis 12:1-3, Deus prometeu a Abraão que ele seria pai de uma grande nação, que sua descendência seria abençoada, e que todas as nações da terra seriam abençoadas por meio dele. Essas Promessas estabeleceram a base do relacionamento de Deus com Israel e antecipavam o plano de redenção que se desenrolaria ao longo da história bíblica.

O Novo Testamento, por sua vez, revela o cumprimento dessas Promessas na pessoa de Jesus Cristo. Ele é o cumprimento das Promessas messiânicas do Antigo Testamento, trazendo à plenitude a obra redentora que Deus prometeu realizar. Por exemplo, em Lucas 4:16-21, Jesus lê na sinagoga a profecia de Isaías e declara que ela se cumpriu nele. O apóstolo Pedro, em Atos 2:29-31, também afirma que as Promessas feitas a Davi foram realizadas em Cristo, que foi ressuscitado dos mortos e exaltado à direita de Deus.

Além disso, o Novo Testamento introduz novas Promessas que se estendem à Igreja e a todos os crentes. Essas Promessas incluem a ressurreição dos mortos e a transformação dos corpos dos fiéis por ocasião do Arrebatamento da Igreja, conforme 1Tessalonicenses 4:13-18. Essas Promessas não são apenas esperanças futuras, mas são fundamentos da fé cristã, reforçando a certeza de que Deus cumprirá tudo o que prometeu.

Os fundamentos das Promessas de Deus estão enraizados na Sua natureza imutável e fiel. A palavra "promessa" na Bíblia refere-se ao ato de Deus comprometer-Se a realizar algo. E esse compromisso é infalível porque Deus é fiel e justo, incapaz de mentir ou falhar em Sua palavra. Como declara o autor de Hebreus: "Guardemos firme a confissão da nossa esperança, sem vacilar, pois, quem fez a promessa é fiel" (Hebreus 10:23).

Portanto, as Promessas de Deus são mais do que simples declarações; elas são garantias de que Ele cumprirá Sua vontade no tempo certo. Elas são a base sobre a qual a fé dos crentes é edificada, oferecendo segurança e esperança inabaláveis. Ao longo da Bíblia, vemos que Deus é zeloso em cumprir o que promete, e é essa confiança que sustenta a vida e a fé de todos que nele confiam.

2. Deus é Infalível

A infalibilidade de Deus é uma verdade central e confortadora da fé cristã. Ela se fundamenta nos atributos incomunicáveis de Deus, que O diferenciam de toda a criação e garantem que Suas Promessas e propósitos jamais falharão. Quando afirmamos que Deus é infalível, estamos reconhecendo que Ele é absolutamente perfeito em poder, conhecimento e presença, qualidades que são exclusivas da Sua natureza divina.

Em primeiro lugar, Deus é Onipotente — Ele possui todo o poder. Em Sua onipotência, Deus é capaz de realizar tudo o que deseja, sem limitações. Não há circunstância ou força no universo que possa frustrar Seus planos ou impedir que Suas Promessas se cumpram. Isso está claramente refletido em Isaías 43:13, onde Deus declara: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?”. Essa declaração de poder absoluto reforça que, quando Deus decide agir, nada nem ninguém pode impedir Sua vontade.

Em segundo lugar, Deus é Onisciente — Ele conhece todas as coisas. O conhecimento de Deus é perfeito e abrangente, abrangendo o passado, o presente e o futuro em sua totalidade. Ele conhece todos os detalhes do universo e da vida humana, desde o mais insignificante até o mais grandioso. Como Deus sabe todas as coisas, Ele nunca é surpreendido ou enganado, e Suas Promessas são feitas com pleno conhecimento de tudo o que acontecerá. A onisciência de Deus garante que Suas palavras são verdadeiras e fiéis, pois Ele nunca promete algo sem saber exatamente como e quando irá cumprir.

Em terceiro lugar, Deus é Onipresente — Ele está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. Isso significa que não há lugar no universo onde Deus não esteja plenamente presente. A onipresença de Deus assegura que Ele está sempre perto de nós, acompanhando cada detalhe de nossa vida e sustentando a criação. Essa presença constante é um lembrete de que Deus nunca nos abandona, e que Suas Promessas se aplicam a nós em todos os momentos e circunstâncias.

Esses atributos incomunicáveis — Onipotência, Onisciência e Onipresença — constituem a base da infalibilidade de Deus. Diferente dos seres humanos, que são limitados e falíveis, Deus é absolutamente confiável em todas as Suas ações e palavras. Sua infalibilidade significa que Ele nunca falha, nunca muda, e nunca deixa de cumprir aquilo que prometeu. Como o profeta Isaías afirma em Isaías 55:11, a Palavra de Deus “não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei”.

Portanto, quando confiamos nas Promessas de Deus, podemos ter plena certeza de que elas serão cumpridas, porque elas são sustentadas pela natureza infalível do próprio Deus. Ele é imutável e eternamente fiel, e é por isso que Suas Promessas são um fundamento seguro para a nossa fé e esperança. Ao entendermos a infalibilidade de Deus, somos levados a uma confiança mais profunda nele, sabendo que, independentemente das circunstâncias, Ele jamais falhará.

3. Deus zela por Sua Palavra

A expressão "Deus zela por Sua Palavra" encapsula uma verdade profunda sobre o caráter divino: Deus é absolutamente fiel e comprometido com o cumprimento de tudo o que Ele declara. Sua Palavra não é meramente uma comunicação sem consequência; ela é viva, eficaz e carregada de poder para realizar exatamente o que Ele determina.

Em Isaías 55:11, lemos: “assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei”. Este versículo enfatiza que a Palavra de Deus é enviada com um propósito específico e infalível. Quando Deus fala, Suas palavras não são ocas nem vazias. Elas carregam a autoridade e o poder do próprio Deus e, portanto, são irresistíveis e inalteráveis. O que Deus declara será cumprido, sem exceção.

A fidelidade de Deus em cumprir Sua Palavra é ilustrada de maneira vívida em Jeremias 1:11,12, onde o profeta tem uma visão de uma vara de amendoeira. Quando Deus pergunta a Jeremias o que ele vê, e ele responde corretamente, Deus confirma a visão dizendo: “Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir”. A vara de amendoeira, uma árvore que floresce precocemente na primavera, simboliza vigilância e prontidão. Assim como a amendoeira floresce no tempo certo, Deus está constantemente vigiando para assegurar que Sua Palavra se cumpra exatamente como foi proferida.

Esse zelo de Deus por Sua Palavra revela Sua imutabilidade e integridade. Diferente dos seres humanos, cujas Promessas podem ser falíveis ou não cumpridas, Deus não pode mentir, nem Se contradizer. Sua Palavra é um reflexo perfeito de Seu caráter: fiel, verdadeiro e constante. Quando Deus faz uma promessa, Ele se compromete a realizá-la com todo o Seu ser, porque Ele é fiel a Si mesmo e à Sua Palavra.

Além disso, o zelo de Deus por Sua Palavra também nos oferece segurança e confiança. Podemos depositar nossa fé nas Promessas de Deus, certos de que Ele cumprirá cada uma delas. Nenhuma circunstância, adversidade ou força contrária pode impedir o cumprimento daquilo que Deus declarou. Este zelo é um sinal da soberania divina, mostrando que Deus não apenas decreta, mas também vela atentamente para garantir que tudo ocorra conforme Seu plano perfeito.

O entendimento de que Deus zela por Sua Palavra deve impactar profundamente nossa vida de fé. Ele nos chama a confiar plenamente em Suas Promessas, sabendo que elas são inquebrantáveis. Em um mundo onde tantas palavras são ditas sem responsabilidade, a Palavra de Deus se destaca como um alicerce sólido e imutável. Podemos viver em paz, sabendo que aquilo que Deus disse se cumprirá, porque Ele mesmo está atento e comprometido com a realização de cada uma de Suas Promessas.

III. TIPOS E PROPÓSITOS DAS PROMESSAS DE DEUS


1. Promessas incondicionais

As Promessas Incondicionais de Deus são declarações soberanas que Ele faz, garantindo que Seu propósito se cumprirá independentemente de qualquer condição ou resposta humana. Essas Promessas não dependem de circunstâncias, tempo, ou atitudes do destinatário. Elas são fundamentadas unicamente na vontade imutável de Deus, que, em Sua soberania e fidelidade, assegura que o que Ele determinou acontecerá de maneira infalível.

Um dos exemplos mais claros de uma promessa incondicional na Bíblia é a profecia do nascimento de Jesus Cristo. Isaías 9:6 anuncia: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Esta profecia foi dada séculos antes de seu cumprimento, independentemente das circunstâncias que pudessem ocorrer ao longo da história. Deus prometeu e, na plenitude dos tempos, Ele cumpriu essa promessa ao enviar Seu Filho ao mundo, nascido de uma virgem, como anunciado em Isaías 7:14.

Outro exemplo é a promessa do local de nascimento de Jesus. Em Miquéias 5:2, lemos: “E tu, Belém Efrata, pequena demais para estar entre os milhares de Judá, de ti sairá aquele que será dominador em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Esta profecia específica que o Messias nasceria em Belém, uma pequena e aparentemente insignificante cidade, mas escolhida soberanamente por Deus para este propósito. Nada que a humanidade pudesse fazer mudaria essa realidade, pois estava estabelecida pelo decreto incondicional de Deus.

Além das Promessas já cumpridas, a Bíblia também apresenta Promessas incondicionais que ainda aguardam cumprimento. Um exemplo significativo é a promessa do Arrebatamento da Igreja, conforme descrito em 1Tessalonicenses 4:13-17. Esse evento escatológico inclui a ressurreição dos que morreram em Cristo e a transformação dos crentes que estiverem vivos na vinda do Senhor. Não há condições anexadas a essa promessa; ela ocorrerá no tempo determinado por Deus, independentemente das ações humanas. Isso reflete a soberania de Deus sobre a história e Seu plano redentor.

A incondicionalidade dessas Promessas é uma garantia para os crentes de que o plano de Deus será realizado de maneira perfeita e imutável. Mesmo quando Promessas parecem distantes ou quando as circunstâncias parecem contradizer o que foi prometido, os crentes podem ter plena confiança na fidelidade de Deus. Como Hebreus 10:23 nos exorta: “Guardemos firme a confissão da nossa esperança, sem vacilar, pois, quem fez a promessa é fiel”.

Portanto, as Promessas Incondicionais são um testemunho do poder soberano e da fidelidade de Deus. Elas revelam que Deus está no controle absoluto de toda a criação e que Seu propósito será realizado sem falha. Para os crentes, essas Promessas são uma fonte de esperança e segurança, lembrando-nos que, independentemente das circunstâncias, a Palavra de Deus é firme, imutável e digna de total confiança.

2. Promessas Condicionais

As Promessas Condicionais de Deus, diferentemente das Promessas Incondicionais, requerem uma resposta ou ação específica por parte do ser humano para que se cumpram. Elas estabelecem uma relação direta entre a obediência ou cumprimento de certas condições e a recepção das bênçãos prometidas. Ao longo das Escrituras, essas Promessas são frequentemente apresentadas como parte de alianças e instruções divinas, demonstrando que o relacionamento de Deus com Seu povo envolve responsabilidades mútuas.

Um exemplo clássico de uma Promessa Condicional é encontrado em Êxodo 15:26, onde Deus faz uma promessa de saúde plena ao povo judeu, condicionada à obediência às Suas ordenanças:

"Se ouvires atento a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e deres ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre os egípcios; porque eu sou o Senhor, que te sara".

Aqui, Deus oferece proteção contra as doenças, mas essa proteção está condicionada à obediência e fidelidade a Ele.

Outro exemplo de Promessa Condicional é encontrado em Deuteronômio 28:1,2, onde Deus promete bênçãos abundantes ao povo de Israel, mas com a condição de que eles obedeçam cuidadosamente a todos os Seus mandamentos:

"E será que, se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor, teu Deus".

Neste capítulo, Deus detalha tanto as bênçãos pela obediência quanto as maldições que viriam pela desobediência, enfatizando a natureza condicional das Suas Promessas.

No Novo Testamento, vemos Promessas Condicionais ligadas ao perdão e à comunhão com Deus. Em Mateus 6:14,15, Jesus ensina que o perdão de Deus está condicionado ao perdão que oferecemos aos outros:

"Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas".

Esta Promessa ressalta a importância do perdão na vida cristã, mostrando que a misericórdia que recebemos de Deus depende de nossa disposição de mostrar misericórdia aos outros.

Jesus também condiciona o permanecer no amor de Deus à obediência aos Seus mandamentos. Em João 14:23, Ele afirma:

"Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada".

Da mesma forma, em João 15:10, Ele declara:

"Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço".

Nessas passagens, o vínculo com o amor de Deus e a intimidade com Ele são condicionados à nossa fidelidade e obediência a Cristo.

Essas Promessas Condicionais sublinham a importância da responsabilidade humana no relacionamento com Deus. Elas nos lembram que, embora Deus seja gracioso e desejoso de abençoar, Ele espera que respondamos à Sua graça com obediência e fidelidade. O cumprimento dessas Promessas depende de nosso comprometimento em seguir as diretrizes divinas.

Em resumo, as Promessas Condicionais são um reflexo da aliança entre Deus e a humanidade, onde as bênçãos divinas estão ligadas à nossa obediência e à forma como respondemos ao Seu chamado. Elas nos encorajam a viver de maneira que honre a Deus, sabendo que nossas escolhas podem influenciar a realização das bênçãos que Ele deseja derramar sobre nós.

3. O propósito das Promessas de Deus

As Promessas de Deus, conforme reveladas na Bíblia, carregam propósitos profundos e multifacetados que envolvem tanto a realização dos planos divinos quanto o desenvolvimento de um relacionamento íntimo e duradouro com a humanidade. Cada promessa divina é uma expressão do amor, da graça e da soberania de Deus, e o cumprimento dessas promessas serve para evidenciar o caráter imutável e fiel de Deus.

-O primeiro propósito das Promessas de Deus é estabelecer uma aliança com o ser humano. Desde o início da criação, Deus demonstrou Seu desejo de se relacionar com a humanidade de maneira íntima e significativa. Em Gênesis 1:27-30, Deus cria o homem à Sua imagem e semelhança e concede-lhe domínio sobre a terra. Logo depois, em Gênesis 2:16,17, Deus estabelece um mandamento, formando assim uma aliança inicial com Adão e Eva. As Promessas associadas a essa aliança refletem o desejo de Deus de que a humanidade viva em harmonia com Ele, seguindo Suas direções e desfrutando das bênçãos que Ele preparou.

-Outro propósito significativo é a reconsideração do destino da raça humana, particularmente evidente na história de Noé. Após a corrupção generalizada da humanidade, Deus, em Sua justiça, decide trazer um dilúvio para purificar a terra, mas em meio à destruição, Ele faz uma promessa a Noé. Em Gênesis 9:11-17, Deus estabelece um pacto com Noé, prometendo nunca mais destruir a terra por meio de um dilúvio e dando à humanidade uma nova oportunidade para recomeçar. Esta promessa revela a graça e a misericórdia de Deus, que, mesmo diante da rebeldia humana, oferece redenção e uma nova chance de viver segundo os Seus preceitos.

-Além disso, as Promessas de Deus também servem para mostrar a eleição de um povo específico, Israel, como parte de Sua aliança com Abraão. Em Gênesis 12:1-3, Deus chama Abraão e promete fazer dele uma grande nação, através da qual todas as famílias da terra seriam abençoadas. Essa promessa é reiterada em Êxodo 19:5,6, onde Deus, após libertar os israelitas da escravidão no Egito, reafirma Seu compromisso de fazer de Israel um “reino de sacerdotes e uma nação santa”. As Promessas relacionadas à eleição de Israel mostram que Deus escolhe agir por meio de pessoas e nações para realizar Seus propósitos redentores no mundo.

-Outro grande propósito das Promessas de Deus é zelar pela Sua Palavra e aprofundar o Seu relacionamento com a humanidade. Em Isaías 55:11,12, Deus declara que a Sua Palavra não voltará vazia, mas cumprirá tudo o que Ele deseja. Quando experimentamos o cumprimento das Promessas de Deus, percebemos Sua presença ativa em nossas vidas e Sua fidelidade em cumprir o que foi prometido. Isso nos dá a certeza de que Deus está intimamente envolvido em nossa jornada, fortalecendo nossa fé e nos assegurando que não estamos sozinhos no mundo. A realização das Promessas divinas reforça a confiança de que Deus é um Pai amoroso e zeloso, comprometido com o bem-estar e a redenção de Seus filhos.

-Em última análise, o cumprimento das Promessas de Deus visa a demonstrar Sua glória e promover Seu reino. Cada promessa cumprida aponta para o caráter soberano e fiel de Deus e nos chama a uma vida de fé e obediência, sabendo que Ele é digno de confiança.

Quando entendemos os propósitos das Promessas de Deus, somos levados a uma adoração mais profunda e a um compromisso renovado com Sua vontade, confiando que Ele sempre age para o nosso bem e para a Sua glória eterna.

CONCLUSÃO

Deus, em Sua soberania, é fiel e comprometido com a realização de Suas Promessas; essas Promessas são compromissos profundos que revelam Sua natureza imutável e amorosa. Aprendemos que existem Promessas incondicionais, como o nascimento de Jesus e a redenção, que Deus cumprirá independentemente das circunstâncias, e Promessas condicionais que dependem da nossa obediência e resposta às Suas orientações. Vimos também que os propósitos das Promessas incluem estabelecer alianças, oferecer oportunidades de redenção e aprofundar nosso relacionamento com Deus. O cumprimento dessas Promessas confirma a fidelidade divina e fortalece nossa confiança de que Deus está constantemente presente em nossas vidas. Somos chamados a esperar com paciência e fé, sabendo que cada promessa reflete o amor e a graça de Deus, e que Sua Palavra jamais retorna vazia.

 


sexta-feira, 17 de julho de 2026

A ORAÇÃO SÁBIA DE SALOMÃO

 


A ORAÇÃO SÁBIA DE SALOMÃO

Texto Bíblico: 2Cr 6:12,21,36,38,39

“E, acabando Salomão de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor encheu a casa” (2Cr 7:1).

A oração de Salomão na dedicação do Templo, registrada em 2 Crônicas 6, é um dos momentos mais solenes e instrutivos da Bíblia. Ela revela não apenas a humildade de um rei diante da vastidão de Deus, mas estabelece um padrão de intercessão que conecta a necessidade humana à soberania divina.

Os Pilares da Oração de Salomão

Ao analisar os versículos citados, percebemos que a oração de Salomão não é um pedido egoísta, mas um compromisso de aliança.

1. Humildade e Reconhecimento (2Cr 6:12)

Salomão coloca-se diante do altar, na presença de toda a congregação, e estende as mãos. O ato de orar publicamente após construir a estrutura mais grandiosa da época demonstra que ele sabia que o Templo não continha a Deus, mas era apenas um lugar de encontro. Ele reconhece que, por mais grandioso que fosse o edifício, o Deus dos céus não poderia ser contido por ele.

2. O Templo como o "Lugar de Escuta" (2Cr 6:21)

O pedido central de Salomão é que Deus "ouça as súplicas" quando o povo se voltasse para aquele lugar. Ele entende o Templo como um ponto de convergência espiritual. Salomão sabia que o perdão e a intervenção de Deus não eram automáticos pelo ritual, mas dependentes da sinceridade do arrependimento manifestado ali.

3. O Reconhecimento da Fragilidade Humana (2Cr 6:36)

Este é um dos pontos mais profundos da oração: "Pois não há homem que não peque". Salomão apresenta uma teologia realista da condição humana. Ele não pede a Deus que o povo seja perfeito, mas que, quando o pecado inevitavelmente ocorresse, houvesse um caminho de retorno e restauração.

4. O Arrependimento como Chave (2Cr 6:38-39)

Salomão condiciona a restauração do povo a um retorno genuíno: "se se converterem a ti de todo o seu coração e de toda a sua alma". Ele não pede que Deus ignore o erro, mas que Deus responda ao arrependimento sincero, trazendo justiça e perdão.

A Resposta Imediata: O Fogo e a Glória (2Cr 7:1)

A transição de 2 Crônicas 6 para 2 Crônicas 7 é impactante. A oração de Salomão termina e, imediatamente, o fogo desce.

  • O Fogo: Representa a aceitação divina. O sacrifício foi consumido porque o coração do rei e a disposição do povo estavam em sintonia com os propósitos de Deus.
  • A Glória (Shekinah): A presença de Deus tornou-se tão densa e real que os sacerdotes não puderam permanecer no lugar.

Reflexão: A sabedoria de Salomão, neste momento, não esteve em seus discursos ou em sua riqueza, mas em sua capacidade de desviar o olhar de si mesmo para Deus. O Templo foi construído pelas mãos de Salomão, mas a glória foi trazida pela resposta de Deus à sua oração de contrição.

Essa oração nos ensina que o sucesso de qualquer projeto (seja um templo, uma vida pessoal ou uma obra) não depende da perfeição de quem executa, mas da disponibilidade de quem se humilha para clamar pelo perdão e pela presença de Deus.



INTRODUÇÃO


Como podemos avaliar se uma oração é sábia? É claro que nós não podemos estipular algum parâmetro que possamos tomar como referência para dizermos com precisão: “esta oração se enquadra dentro do parâmetro estabelecido, logo é uma oração sábia”, não. O Espírito Santo é o avaliador da oração; Ele ajuda as nossas fraquezas e aperfeiçoa os ingredientes certos do incenso (a nossa oração) a ser posto diante do Deus Pai (ler Rm 8:26). Todavia, não podemos deixar de destacar que a melhor maneira de apelarmos a Deus é quando vamos a Ele como servos. Muitos querem determinar que Deus faça isto ou aquilo, ao seu bel prazer, esquecendo-se que o Senhor nos ensina a servidão. Uma condição basilar a uma oração sábia e eficaz não deixa de ser a que nos comportemos diante do nosso Senhor com um coração de servo. Ser servo, humilde, submisso é essencial e indispensável para estarmos diante do Senhor em oração; é a essência do caráter cristão. Davi tinha um coração de servo! Deus mesmo o chamou de servo (Sl 78:70; 89:20). Jesus é o maior exemplo de servo humilde e obediente (João 4:34; Fp 2:5-8).


I. VIVENDO A DIFERENÇA


Salomão viveu num lar marcado por sucessivos problemas morais. Davi foi cuidadoso em construir um reino, trabalhou arduamente para isso. Como líder e administrador da monarquia, ele se saiu muito bem, todavia, quase nada vemos ser feito dentro de casa. Havia um dualismo reino-família que pareciam ser mutuamente excludentes. Os maiores inimigos de Davi não foram as nações vizinhas, mas uma anarquia generalizada que se instaurou dentro de sua própria casa: Amnon estupra sua irmã; Absalão mata seu irmão; as concubinas do rei são possuídas sexualmente pelo seu próprio filho; Adonias usurpa o trono etc. São todos fatos de certa forma ligados à vida familiar. Uma família desestruturada assemelha-se a um trem que descarrilou; é uma tragédia. O que podemos dizer com segurança é que Davi se saiu muito bem como rei, mas o mesmo não pode ser dito como pai. Davi estruturou o seu reino, mas deixou sua casa ruir. Não adianta ganhar tudo e perder a família. Já ouvi alguém dizer acertadamente que nenhum sucesso justifica o fracasso da família.
O apóstolo Paulo bem disse em 1Corintios 16:19, quando se refere a um casal de crentes da Igreja Primitiva: “... muito vos saúdam Áquila e Priscila e, bem assim, a Igreja que está na casa deles”. A nossa casa deve ser uma extensão do Reino de Deus e o Reino de Deus precisa estar dentro de nossa casa. Um não pode existir sem o outro.


Conquanto tenha falhado na educação dos seus filhos por se dedicar ao reino de Israel, Davi deixou um legado, que foi referência na vida de Salomão: o legado espiritual. O próprio Salomão testemunhou isso, quando o Senhor lhe apareceu em sonho em Gibeão: “E disse Salomão: De grande beneficência usaste tu com teu servo Davi, meu pai, como também ele andou contigo em verdade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a tua face; e guardaste-lhe esta grande beneficência e lhe deste um filho que se assentasse no seu trono, como se vê neste dia” (1Rs 3:6). Líder justo e inteiramente devotado a seu povo, Davi foi, acima de tudo, um homem da mais profunda fé, responsável por abrir as portas do arrependimento para todas as gerações futuras. Ele deixou a todos os judeus e a toda a humanidade, um legado de fé e coragem, bem como a dinastia real de Israel da qual viria o Messias.
Ao longo de sua vida, Davi demonstrou por diversas vezes que era dependente da orientação divina para realização de suas conquistas e de seus planos (1Sm 23.2; 30.8; 2Sm 2.1). E ele sabia que para o seu sucessor obter êxito no seu governo era necessária uma dependência total aos ditames da Palavra de Deus. Por isso, antes de morrer, deu a Salomão suas últimas instruções: “E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e serve-o com um coração perfeito e com uma alma voluntária; porque esquadrinha o Senhor todos os corações e entende todas as imaginações dos pensamentos; se o buscares, será achado de ti; porém, se o deixares, rejeitar-te-á para sempre” (1Cr 28:9). Esse aviso foi bastante instrutivo, firme e contundente; e cabia a Salomão, juntamente com seus súditos, observar esse importante legado. E o povo de Israel não ficou livre dessa advertência, pois antes disso Davi lembrou ao povo a guardar todos os mandamentos do Senhor (1Cr 28.8).


Salomão levou em consideração o legado espiritual deixado por seu pai Davi. Ele começou seu reinado com fé no Senhor e amor a Ele (1Reis 3:3). Como uma demonstração de seu caráter piedoso, ele foi a Gibeão para lá sacrificar ao Senhor, e sacrificou mil holocaustos (1Rs 3:4). Nesse local apareceu-lhe o Senhor de noite, em sonho, e disse-lhe: “Pede o que quiseres que te dê”. Diante dessa oportunidade inigualável, Salomão proferiu uma das mais belas orações da Bíblia; uma oração que agradou a Deus (1Rs 3:10). Ele orou pedindo sabedoria e um coração entendido isto é, capacidade para tomar decisões coerentes com a verdade revelada na Lei de Moisés (1Rs 3:5-9). Com esse pedido, Salomão demonstrou reconhecer três verdades importantíssimas: (1) ele era humanamente incapaz de governar Israel; (2) seu sucesso dependia única e exclusivamente do favor de Deus; e (3) o povo de Israel não era propriedade sua, e sim do próprio Jeová, Deus de Israel. Deus se agradou de seu pedido (1Rs 3:10) e atendeu sua oração (1Rs 3:11-14). Todavia, o dom da sabedoria que Deus deu a Salomão não era uma garantia de que ele sempre andaria em retidão. Por essa razão, Deus acentuou que a vida longa de Salomão dependeria de “andares nos meus caminhos” (1Rs 3:14). A infidelidade de Salomão posteriormente, impediu a realização integral da vontade de Deus na sua vida (1Rs 11:1-8).




A oração de Salomão na inauguração do Templo (1Rs 8.1—9.9; 2Cr 5—7). Durante sete anos e meio Salomão construiu o Templo – entre o quarto ano do seu reinado, até o décimo primeiro ano (1Rs 6:37,38). Quando o Templo ficou todo pronto, Salomão convocou todo o Israel para uma grande festa de dedicação. Ele convocou os principais líderes do povo e todo o povo, e ordenou o translado da Arca da Aliança para o Templo. No dia do cortejo, que foi feito com grande pompa, em que todos os sacerdotes e levitas cantavam salmos e o povo festejava, foi imolado um imenso número de ovelhas e bois em sacrifício. A Arca foi colocada no local chamado de Santo dos Santos, sendo que aí somente uma vez por ano era permitida a entrada do sumo sacerdote. Depois de um breve discurso (2Cr 6:1-11), Salomão se dirigiu a Deus, com uma das mais belas orações da Bíblia (2Cr 6:14-42). Depois da dedicação do Templo, o Senhor apareceu mais uma vez a Salomão e ordenou que ele obedecesse à Lei e conduzisse o povo à obediência, com a promessa de que, sob estas condições, os olhos do Senhor estariam sempre sobre aquele lugar, mas caso Israel desobedecesse, seria submetido à severa disciplina (1Rs 9:1-9; 2Cr 7:11-22).


Davi começou muito bem; esteve muito mal, cometendo pecados terríveis, mas soube se erguer, não se deu por vencido; terminou os seus dias em comunhão com Deus, a ponto de o Senhor se agradar em fazer um pacto com ele, e prometer que o seu reino não teria fim. Com Salomão, infelizmente, os seus dias finais foram uma decepção, o que resultou na divisão do reino de Israel.


O que é mais admirável num crente não são os dons e prováveis unções que ele aufere, mas a capacidade espiritual de ultrapassar e vencer as barreiras inibidoras de sua jornada até ao alvo pretendido. A nossa maratona é de resistência. Não há classificação na chegada, mas há grande recompensa quem resistiu os obstáculos e chegou até o fim. Quem chegar no final da maratona será premiado. A maratona só termina com a glorificação do crente, e ela não acontece aqui na terra.


II. AS CARACTERISTICAS DA ORAÇÃO DE SALOMÃO


1. Salomão confessou que Deus é único (2Cr 6:14 – “e disse: Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus semelhante a ti, nem nos céus nem na terra, como tu, que guardas o concerto e a beneficência aos teus servos que caminham perante ti de todo o seu coração”. Salomão proferiu estas palavras ajoelhado (2Cr 6:13), como sinal de reverência e de submissão ao Deus supremo e único. Naquela época, era bastante incomum que um rei se ajoelhasse perante outro, sobretudo diante de seus súditos, porque o ato significava submissão a uma autoridade superior. Salomão demonstrou seu grande amor, submissão e respeito por Deus ao ajoelhar-se diante dele. Sua atitude revelou que reconhecia Deus como supremo Rei e Autoridade; isto encorajou o povo a fazer o mesmo.


A Bíblia Sagrada mostra-nos, com absoluta clareza, que, além de existir, Deus é único. Os estudiosos e historiadores ficam a indagar por que o povo hebreu chegou, ao contrário de todos os povos à sua volta, à concepção de um único Deus, mas, a verdade, como sabemos, é que isto não foi fruto de qualquer mente humana, mas o resultado da revelação divina, que, desde quando chamou Abrão para que saísse de Ur dos caldeus, revelou-Se ser um único Deus (Gn 15:7; Ne 9:7).


Moisés proferiu, também, que Deus é único: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor (Dt 6:4). Deus, através de Isaias, foi enfático:” Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim” (Is 46:9). Jesus em sua oração sacerdotal também fez menção deste fato (João 17:3). O apóstolo Paulo também fez menção de que Deus é único (Rm 16:17; 1Tm 1:17). Judas versículo 25: “ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora e para todo o sempre. Amém”!


2. Salomão proclama a fidelidade de Deus (2Cr 6:14,15) – que guardaste ao teu servo Davi, meu pai, o que lhe prometeste; porque tu, pela tua boca, o disseste e, pela tua mão, o cumpriste, como se vê neste dia”. Salomão reconheceu que Deus é fiel e soberano sobretudo; cumpre promessas e é misericordioso para com todos os que têm um coração reto. Ele mesmo, no momento da inauguração do Templo, estava vivendo o cumprimento das ricas e infalíveis promessas divinas feitas a Davi (1Cr 22:9,10; 2Sm 7:12,16).


Todos os pactos constantes na Bíblia que foram firmados entre Deus e o homem sempre tiveram, da parte de Deus, seu pleno cumprimento. No Éden, Deus prometeu vida ao homem enquanto ele não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, o que foi rigorosamente cumprido.


A Noé, Deus prometeu salvá-lo do dilúvio, juntamente com sua família, através da arca, o que cumpriu; posteriormente, prometeu nunca mais destruir a Terra com um novo dilúvio, o que tem se cumprido desde então, pois nunca mais houve um dilúvio universal.

A Abraão, homem sem filhos e já idoso, prometeu uma descendência e que dele sairiam povos e reis; Deus tem cumprido este compromisso, como podem testemunhar os milhões de judeus e árabes que hoje existem.


A Israel, Deus prometeu que seria sua propriedade peculiar, seu reino sacerdotal; e tem cumprido até aqui a sua parte no pacto, preservando a nação israelita, apesar da incredulidade dela, ao longo dos séculos, de forma evidentemente miraculosa, como foi a restauração do Estado de Israel na Palestina, como prova de mais um compromisso que Deus tem cumprido, a de entregar a Terra de Canaã a Israel.


A Davi, Deus prometeu que sua descendência governaria eternamente sobre Israel; e sabemos que a vinda de Cristo, que é descendente de Davi e vivo está, é a demonstração do cumprimento desta promessa, pois para sempre o Senhor reinará sobre Israel.

Aos homens pecadores, Deus prometeu perdão dos pecados aos que crerem em Jesus Cristo e tem cumprido este compromisso, como nós mesmos somos testemunhas, pois fomos alcançados por este amor e por este perdão e hoje desfrutamos da comunhão com o Senhor.

À Igreja, Jesus prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt 16:18), e isto tem sido cumprido, pois a igreja tem prevalecido sobre todas as sórdidas investidas de Satanás. Nosso Deus é Aquele que vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12).

Hoje, a igreja mística do Senhor Jesus espera o cumprimento da mais sublime promessa: a vinda do Senhor para levá-la ao Céu (João 14:1-3; 1Ts 4:17). Com absoluta certeza Ele virá; e, então, estaremos para sempre com Ele na sua glória (Ap 7:17; 21:4)


Portanto, Deus ao falar algo, ao assumir um compromisso, assume um compromisso com Ele mesmo (Is 55:10,11). Ele é fiel, como dizem as Escrituras (1Co1:9; 10:13; 2Co 1:18), ou seja, cumpre a sua Palavra, porque o caráter de Deus diz que Ele não muda (Ml 3:6), é a verdade (Dt.32:4; Jr.10:10), é justo (Ex.9:47; 2Cr.12:6; Sl.11:7) e que, portanto, sua Palavra só pode ser “sim e amém” (2Co 1:20).


3. Salomão era sensível ao bem-estar de seu povo (ler 2Cr 6:14 – 42). Pelas palavras de Salomão podemos observar este sentimento, que é próprio do líder que está em submissão e obediência ao Deus único e verdadeiro. O líder que é temente a Deus busca o melhor possível para os seus liderados, quer no aspecto social, moral ou espiritual. Foi assim com Moisés, com Josué, Samuel, Davi, Neemias e outros homens de Deus ao longo da história do povo de Israel.


Observe as palavras de Salomão dirigidas a Deus em oração, exaradas em 2Cr 6:24-40, solicitando o cuidado especial de Deus sobre o povo que escolhera para que fosse seu, entre todos os povos da terra (1Rs 8:51-53). Todavia, em sua oração, Salomão demonstra consciência de que as bênçãos e as provisões de Deus estão relacionadas a ações concretas no sentido de satisfazer aos requisitos e condições divinos. Esquecer esse fato é orar em vão.
O procedimento espiritual demonstrado por Salomão naquele momento diante do povo de Israel, o qual foi sincero, haja vista que Deus atendeu a sua oração de imediato (2Cr 7:1), deve ser o valor padrão na vida de todos os líderes hodiernos do povo de Deus. O líder cristão deve ser uma pessoa conhecida por meio de sua qualidade espiritual e atitude moral impoluta, e sua autoridade embasada diretamente na Palavra de Deus. Ele deve ser uma pessoa fervorosa em oração! Ele deve ser uma pessoa que vive sob os ditames da Palavra de Deus e através disso desafia os seus liderados a seguir o seu exemplo. O seu modo de vida, de agir, de falar, deve ser inteiramente controlado ou guiado pelo Espírito Santo.
O líder é alguém que deixa uma marca na vida, bem como no coração das pessoas. O seu proceder fará com que alguém sinta o desejo de fazer o que a Palavra de Deus diz. Ele procura causar um impacto na vida dos liderados não para querer receber glória ou querer aparecer, mas para que seja um fruto para toda a eternidade. Salomão, por ocasião da manifestação pública de sua submissão e adoração a Deus, apresentava uma marca visível a todo o povo de Israel, a marca da liderança e da submissão à autoridade de Deus.


III. A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA



Orar de forma intercessora indica que entramos na presença de Deus para suplicar por outras pessoas, e que naquele momento não somos o alvo de nossas próprias orações. A oração intercessora é um imperativo; quem não o faz não exerce seu sacerdócio. Paulo é enfático ao dizer: "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações e intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens” (1Tm. 2:1). Na verdade, não oferecer oração intercessora a favor de outras pessoas é pecado; o profeta Samuel reconhecia isso: “Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós...” (1Sm 12:23).


Interceder por alguém é estar na brecha como Ezequiel 22:30 menciona: "Procurei entre eles um homem que erguesse o muro e se pusesse na brecha diante de mim e em favor desta terra, para que eu não a destruísse, mas não encontrei nenhum". A passagem de Ezequiel descreve a intercessão por uma nação inteira na sua rebelião contra Deus.
Portanto, a oração intercessora é puramente uma demonstração de amor, porque é desinteressada; ela se concentra nos outros. Através dela provamos que o bem-estar do semelhante está acima do nosso.


1. No Antigo Testamento. No Antigo Testamento, muitos homens de Deus foram fervorosos na prática da oração intercessora em favor de outrem. Através dela situações foram alteradas e reinos restabelecidos.


Abraão suplicou por Ló e este foi liberto da destruição de Sodoma e

Gomorra. Moisés chegou a abdicar de sua bem-aventurança eterna ao interceder pelos filhos de Israel: "Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito" (Êx 32:32); esta sua intercessão foi tão eficaz, que levou Deus a poupar os rebelados israelitas.


Outra demonstração clássica de intercessão está em Números 14; ali é demonstrada uma das melhores narrativas sobre oração intercessora registradas na Bíblia; o povo se rebelou contra Deus provocando-o à ira, mas Moisés prontamente intercedeu pelo povo e Deus o perdoou (Nm 14:19,20).


Samuel orou constantemente pela nação de Israel (1Sm 12:23). Daniel orou pela libertação do seu povo do cativeiro (Dm 9:3). Davi suplicou pelo povo; intercedeu pelo seu filho (ler 2Sm 12:14-23). O patriarca Jó livrou-se de seu cativeiro quando intercedia por seus amigos (Jó 42:7-12).


Jeremias, intercedeu pelos filhos de Judá, mesmo sabendo que eles se achavam afastados de Deus e mergulhados numa apostasia crônica. Ele nos dá exemplo de oração intercessora em tempo de calamidade. Trata-se uma oração motivada pela compaixão, pelo sofrimento do seu povo: “Os meus olhos derramem lágrimas de noite e de dia e não cessem porque a virgem, filha do meu povo, está ferida de grande ferida, de chaga mui dolorosa” (Jr 14:17). A “filha do meu povo” é Jerusalém, mergulhada em grande sofrimento por causa de uma seca prolongada, que provocava uma onda de crimes, de banditismo (Jr 14:18). 

Jeremias sente que, no meio da desgraça, pode fazer alguma coisa: compadecer-se, sofrer com os outros, interceder por eles. Salomão, em sua oração na dedicação do Templo, demonstrou o mesmo sentimento desses homens de Deus (2Cr 6:24-40).


2. No período Inter bíblico. Depois do cativeiro Babilônico, Deus continuou, ainda durante um tempo, levantando profetas para não permitir que o povo se mantivesse num indiferentismo em relação às coisas de Deus. Estes profetas foram Ageu, Zacarias e Malaquias. Porém, apesar das mensagens destes profetas o povo judeu manteve-se num indiferentismo e num formalismo que levariam o Senhor a não levantar profetas no meio do povo durante cerca de quatrocentos anos, período que é conhecido como o "período do silêncio" ou "período Inter bíblico". Todavia, como nunca deixou de existir remanescente fiel a Deus, certamente, nesse período, houve alguém que esteve diante de Deus em temor e tremor, como se pode deduzir pelo capítulo 10 versículo 22 do evangelho de João, ou seja, a “Festa da Dedicação”, em memória à retomada do Templo pelos Macabeus, em 166 a.C., das mãos do rei sírio Antíoco IV, que tinha profanado o Templo de Deus (em 175 a.C). Lucas 2:25-38, também, denota o viver de pessoas piedosas, como Ana (a profetiza) e Simeão (homem justo) e muitos que esperavam a redenção de Jerusalém.


3. Em o Novo Testamento. No Novo Testamento, a Igreja é convocada para orar por nós mesmos (Mt.24:20; 26:41; Mc.13:18,33; Lc.22:40); uns pelos outros (Tg.5:16; Cl 1:3); pelos inimigos da Igreja (Mt.5:44; Lc.6:28); pelos ministros do Evangelho e pela obra do Senhor (Ef.6:19; 1Ts.5:25; Hb.13:18), como também pelas autoridades constituídas (1Tm.2:2), como por todos os homens (1Tm.2:1). Cristo rogou por Seus discípulos e fez especial intercessão por Pedro; também, intercedeu em favor dos seus inimigos (Lc 23:34). A Igreja orou por Pedro preso; Paulo é exemplo de constante intercessão (Cl 1:9-11).

O Novo Testamento declara que somos o sacerdócio santo (1Pe 2:4), o sacerdócio real (1Pedro 2:8) e um reino de sacerdotes (Ap 1:5). Observe que o apóstolo Pedro usa duas palavras para descrever este ministério sacerdotal: "Santo" e "real". Santidade é algo necessário para que possamos comparecer perante o Senhor (Hb 12:14). Somos capazes de fazer isso apenas por causa da justiça de Cristo, não da nossa justiça. “Realeza” faz parte da autoridade majestosa a nós delegada como membros da “família real”, por assim dizer, com acesso legítimo à sala do trono de Deus.


Nos dias pelos quais passamos, em que muitos se têm deixado contaminar pelo amor de si mesmo (2Tm 3:1,2), poucos são os que se dedicam à tarefa intercessora nas igrejas locais. Há, na verdade, uma verdadeira banalização a respeito dos “pedidos de oração” que, em muitos lugares, nem sequer são lidos e que, uma vez apresentados à igreja, são imediatamente “jogados fora”, em cestos de lixo providencialmente colocados nos púlpitos. Não há acompanhamento dos pedidos de oração, não há envolvimento da igreja local no clamor ao Senhor. Urge voltarmos ao primeiro amor (vide At 2:46).


CONCLUSÃO
No exercício da oração intercessora, como cristãos piedosos da fé em Cristo, devemos nos dispor a interceder pela Igreja, pelos que ainda não são Igreja e pelos que a Igreja há de alcançar. Ajamos assim, e teremos mais resposta dos céus e menos orações frustradas. “Orar e interceder pelos fracos da igreja e pelos perdidos do mundo é importante missão a ser desempenhada pelos que tem no coração o amor de Deus. Não ore de forma mecânica. Ore, suplique e interceda. Há muitos por quem orar!” (Souza, Estevão Ângelo. Guia Básico de Oração).

 


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