quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

JESUS E O AMOR AO DINHEIRO

 


 JESUS E O AMOR AO DINHEIRO


 Texto Bíblico: Lucas 18:18-24

 “E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas!” (Lc 18:24)

Estudar o que a Bíblia diz sobre dinheiro é abrir uma janela para o nosso coração. Afinal, como diz um dos versículos mais famosos sobre o tema, "onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração" (Mateus 6:21).

O dinheiro em si não é bom nem mau; ele é uma ferramenta. A Bíblia foca muito mais na nossa relação com ele do que na quantidade que possuímos.

1. A Perspectiva da Propriedade: Tudo é de Deus

O primeiro passo para um relacionamento saudável com as finanças é entender quem é o "Dono". Nós não somos donos, somos mordomos (administradores).

  • Salmo 24:1: "Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem."
  • Ageu 2:8: "Minha é a prata, e meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos."

Reflexão: Se o dinheiro que está na minha conta pertence a Deus, como Ele gostaria que eu o usasse hoje?

2. O Perigo do Amor ao Dinheiro

A Bíblia nunca diz que o dinheiro é a raiz de todos os males, mas sim o amor a ele. O dinheiro é um excelente servo, mas um mestre terrível.

  • 1 Timóteo 6:10: "Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé..."
  • Mateus 6:24: Jesus afirmar categoricamente que não podemos servir a dois senhores: Deus e o Dinheiro (Mamom).

O risco aqui é a idolatria: quando buscamos no dinheiro a segurança, a paz e a alegria que só Deus pode dar.

3. Sabedoria na Administração

O livro de Provérbios é um manual prático de finanças. A Bíblia incentiva o planejamento e condena a preguiça e a imprudência.

  • Trabalho: "As mãos preguiçosas empobrecem o homem, mas as mãos diligentes trazem riqueza" (Provérbios 10:4).
  • Dívidas: A Bíblia nos alerta a evitá-las. "O rico domina sobre o pobre; quem toma emprestado é escravo de quem empresta" (Provérbios 22:7).
  • Planejamento: Jesus fala sobre a importância de "sentar e calcular os custos" antes de começar uma construção (Lucas 14:28).

4. Generosidade e Contentamento

O antídoto para a ganância é a generosidade. Deus abençoa o homem para que ele seja um canal, não um reservatório.

  • O Princípio da Semeadura: "Lembrem-se disto: quem planta pouco, colhe pouco; mas quem planta muito, colhe muito" (2 Coríntios 9:6).
  • Contentamento: "Aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância... Tudo posso naquele que me fortalece" (Filipenses 4:11-13).
  • Nota: este versículo é sobre estar satisfeito com o que se tem, seja muito ou pouco.

Resumo dos Princípios Bíblicos

Princípio

Descrição

Mordomia

Deus é o dono; eu sou o administrador.

Prioridade

Buscar primeiro o Reino de Deus (Mateus 6:33).

Integridade

Ganhar dinheiro de forma honesta.

Generosidade

Dar com alegria, não por obrigação.

 

A Bíblia nos ensina que a verdadeira riqueza não se mede pelo que acumulamos na terra, mas pelo que investimos na eternidade e no próximo.

Jesus falava surpreendentemente muito sobre dinheiro. Estima-se que cerca de 25% de Suas palavras nos Evangelhos (e 16 das 38 parábolas) tratem de posses, riquezas e como lidamos com elas.

Para Jesus, o dinheiro não era um tema econômico, mas um tema espiritual. Ele o via como o principal concorrente pela lealdade do coração humano.

1. O Concorrente de Deus: MAMOM

Jesus deu um nome ao dinheiro: Mamom (uma palavra aramaica para riqueza). Ao personificar o dinheiro, Ele mostrou que as riquezas podem agir como uma divindade que exige adoração e serviço.

  • Mateus 6:24: "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e a Mamom."

2. Onde está o seu Coração?

Jesus ensinou que o uso do dinheiro é o melhor diagnóstico da nossa vida espiritual. O extrato bancário (ou o destino das moedas, na época) revela o que realmente valorizamos.

  • Mateus 6:21: "Pois onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração."

3. O Perigo da Acumulação (A Parábola do Rico Insensato)

Jesus alertou contra a ideia de que a vida consiste na abundância de bens. Em Lucas 12:16-21, Ele conta sobre um homem que guardou tudo para si e morreu naquela mesma noite, sendo chamado por Deus de "louco".

A lição: A verdadeira segurança não vem de celeiros cheios (ou contas poupança), mas de ser "rico para com Deus".

4. O Dinheiro como Teste de Fidelidade

Jesus apresentou o dinheiro como um "treinamento". Se não conseguimos ser fiéis cuidando de algo temporário e material, como receberemos o que é espiritual e eterno?

  • Lucas 16:11: "Assim, se vocês não forem dignos de confiança em lidar com as riquezas deste mundo ímpio, quem lhes confiará as verdadeiras riquezas?"

5. A Generosidade Radical

Jesus frequentemente elogiava quem dava o que lhe era precioso, focando mais no sacrifício do que no valor nominal.

  • A Oferta da Viúva (Marcos 12:41-44): Ele observou que a viúva deu mais do que os ricos, pois deu "tudo o que possuía para viver", enquanto os outros davam do que sobrava.
  • O Jovem Rico (Mateus 19:16-22): Jesus pediu que ele vendesse tudo não porque o dinheiro fosse pecado, mas porque, para aquele homem específico, o dinheiro era um ídolo que o impedia de seguir o Mestre.

Tabela: O contraste de Jesus sobre Riquezas

Visão do Mundo

Ensino de Jesus

Ter muito é sinal de sucesso e favor.

Ter muito é uma responsabilidade perigosa

(Mateus 19:24).

O dinheiro me dá segurança.

O dinheiro é incerto; Deus é o provedor

(Mateus 6:31-33).

Dou o que sobra após minhas despesas.

Dou com prioridade e sacrifício.

Conclusão

Para Jesus, o dinheiro é uma ferramenta para abençoar outros e investir no Reino, mas é também uma "isca" que pode escravizar a alma através da ansiedade ou do orgulho. Ele não condenou A POSSE, mas condenou A OBSESSÃO.

 


 INTRODUÇÃO

 O Dinheiro é o maior senhor de escravos do mundo. Há indivíduos que fazem do dinheiro a razão da sua vida. Pessoas se casam, divorciam, matam e morrem pelo dinheiro. Muitas pessoas, sem uma dimensão da eternidade, têm sua vista obscurecida pelas coisas temporais e passageiras e, portanto, acaba se deixando dominar pela avareza, pelo desejo de acumulação de riquezas, que é uma insensatez total, como deixou bem claro Jesus na parábola do rico insensato (Lc 12:13-21) - “porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lc 12:15). Lamentavelmente, não são poucos os que acabam se perdendo na caminhada para o céu por causa do dinheiro.

Riquezas e glórias vêm de Deus, contudo, o dinheiro não é um tesouro para ser usado de forma egoísta, apenas para o nosso deleite. Deus nos dá o dinheiro para O glorificarmos com ele, e fazemos isso, quando cuidamos da nossa família, dos domésticos da fé e de outras pessoas necessitadas, inclusive nossos inimigos (Mt 5:44). A Bíblia revela que a avareza tem sido um obstáculo para muitos alcançarem a salvação, como nos casos do mancebo de qualidade (Mt 19:22; Lc 18:23), de Judas Iscariotes (Lc 22:3-6; João 12:4-6), de Ananias e Safira (At 5:1-5,8-10), de Simão, o mago (At 8:18-23) e de muitos outros, como afirmou Paulo em sua carta a Timóteo (1Tm 6:9,10). Deus assim nos exorta: se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração” (Sl 62:10).


I. DINHEIRO, O DEUS MAMOM

O Dinheiro é mais que uma moeda, é um deus, é Mamom. É o ídolo que tem o maior número de adoradores neste mundo. Milhões de pessoas se prostram em seu altar todos os dias e dedicam tempo, talentos, vida e devoção a esse deus. Muitas pessoas pisam arrogantemente no próximo e sacrificam até a família para satisfazerem os caprichos insaciáveis dessa divindade. No sermão do monte, Jesus disse que não podemos servir a Deus e às riquezas ao mesmo tempo. Ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Ninguém pode servir a Deus e às riquezas. A confiança em Deus implica no abandono de todos os ídolos. Quem coloca a sua confiança no dinheiro, não pode confiar em Deus para a sua própria salvação. Nossos corações somente têm espaço para uma única devoção e nós só podemos nos entregar para o único Senhor.

 

Que lugar o dinheiro ocupa na sua vida? O relato de Lucas 18:18-24 revela a situação espiritual de muita gente. O texto fala de um homem que sentia sede de salvação, porém, tinha o grande obstáculo da riqueza, dos bens materiais, um dos maiores inimigos da vida espiritual. De todas as pessoas que vieram a Cristo, esse homem é o único que saiu pior do que chegou. Ele foi amado por Jesus, mas, mesmo assim, desperdiçou a maior oportunidade da sua vida. A despeito do fato de ter vindo à pessoa certa, de ter abordado o tema certo, de ter recebido a resposta certa, ele tomou a decisão errada. Ele amou mais o dinheiro do que a Deus, mais a terra do que o céu, mais os prazeres transitórios desta vida do que a salvação da sua alma.

1. Esse homem possuía excelentes qualidades, porém vivia insatisfeito. Destacamos várias qualidades excelentes desse jovem. Entretanto, todas essas qualidades que alistamos não puderam preencher o vazio da sua alma.

a) Ele era riquíssimo (Lc 18.23). Esse jovem possuía tudo que este mundo podia lhe oferecer: casa, bens, conforto, luxo, banquetes, festas, jóias, propriedades, dinheiro. Ele era dono de muitas propriedades. Embora jovem, já era muito rico. Certamente, ele era um jovem brilhante, inteligente e capaz.

b) Ele era proeminente (Lc 18:18). Lucas diz que ele era um homem de posição. Ele possuía um elevado status na sociedade. Ele tinha fama e glória. Era também líder famoso e influente na sociedade. Talvez ele fosse um oficial na sinagoga. Tinha reputação e grande prestígio.

c) Ele era virtuoso (Lc 18:21; Mt 19.20) - "Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?". Aquele jovem julgava ser portador de excelentes predicados morais. Ele se olhava no espelho da lei e dava nota máxima para si mesmo. Considerava-se um jovem íntegro. Não vivia em orgias nem saqueava os bens alheios. Vivia de forma honrada dentro dos mais rígidos padrões morais. Possuía uma excelente conduta exterior. Era um modelo para o seu tempo.

d) Ele era insatisfeito com sua vida espiritual (Mt 19:20). "Que me falta ainda?". Ele tinha tudo para ser feliz, mas seu coração ainda estava vazio. Seu dinheiro e reputação não preencheram o vazio da sua alma. Estava cansado da vida que levava. Nada satisfazia aos seus anseios. Ser rico não basta; ser honesto não basta; ser religioso não basta. Nossa alma tem sede de Deus.

e) Ele era uma pessoa sedenta de salvação (Lc 18:18). Sua pergunta foi enfática: "Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”. Ele estava ansioso por algo mais que não havia encontrado no dinheiro. Ele sabia que não possuía a vida eterna, a despeito de viver uma vida correta aos olhos dos homens. Ele não queria enganar a si mesmo. Ele queria ser salvo.

f) Ele foi a Jesus com pressa (Mc 10:17). "E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro". Naquela época, pessoas tidas como importantes não corriam em lugares públicos, mas esse jovem correu. Ele tinha pressa. Muitos querem ser salvos, mas deixam para amanhã e perecem eternamente. Esse jovem não pode mais esperar, ele não pode mais protelar. Ele não aguentava mais. Ele não se importou com a opinião das pessoas. Ele tinha urgência para salvar a sua alma.

g) Ele foi a Jesus de forma reverente (Mc 10:17). "[...] e ajoelhando-se...” (Mc 10:17). Esse jovem se humilhou caindo de joelhos aos pés de Jesus. Ele demonstrou ter um coração quebrantado e uma alma sedenta. Não havia dureza de coração nem qualquer resistência. Ele se rendeu aos pés do Senhor.

h) Ele foi amado por Jesus (Mc 10:21). "E Jesus, fitando-o, o amou". Jesus viu o seu conflito, o seu vazio, a sua necessidade; viu o seu desespero existencial e se importou com ele e o amou.

2. Esse homem possuía excelentes qualidades, porém vivia enganado (Lc 18:18-23). As virtudes do jovem rico eram apenas aparentes. Ele superestimava suas qualidades. Ele deu a si mesmo nota máxima, mas Jesus tirou sua máscara e revelou-lhe que a avaliação que fazia de si, da salvação, do pecado, da lei e do próprio Jesus era muito superficial.

a) Ele estava enganado a respeito da salvação (Lc 18:18). Ele viu a salvação como uma questão de mérito e não como um presente da graça de Deus. Ele perguntou: "Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?". Seu desejo de ter a vida eterna era sincero, mas estava enganado quanto à maneira de alcançá-la. Ele queria obter a salvação por obras e não pela graça. Todas as religiões do mundo ensinam que o homem é salvo pelas suas obras. Na índia, multidões que desejam a salvação se deitam sobre camas de prego ao sol escaldante; balançam-se sobre um fogo baixo; sustentam uma das mãos erguida até se tornar imóvel; fazem longas caminhadas de joelhos. No Brasil, vemos as romarias, onde pessoas sobem conventos de joelhos e fazem penitência pensando alcançar com isso o favor de Deus. Muitas pessoas pensam que no dia do juízo Deus vai colocar na balança as obras más e as boas obras e a salvação será o resultado da prevalência das boas obras sobre as obras más. Mas a salvação não consiste naquilo que fazemos para Deus, mas do que Deus fez por nós em Cristo Jesus.

b) Ele estava enganado a respeito de si mesmo (Lc 18:18-21). O jovem rico não tinha consciência de quão pecador ele era. O pecado é uma rebelião contra o Deus santo. Ele não é simplesmente uma ação, mas uma atitude interior que exalta o homem e desonra a Deus. O jovem rico pensou que suas virtudes externas poderiam agradar a Deus. Porém, a Escritura diz que todas as nossas justiças são como trapo da imundícia aos olhos do Deus santo (Is 64:6).

O jovem rico pensou que guardava a lei, mas havia quebrado os dois principais mandamentos da lei de Deusamar a Deus e ao próximo. Ele era idólatra. Seu deus era o dinheiro. Seu dinheiro era apenas para o seu deleite. Sua teologia era baseada em não fazer coisas erradas, em vez de fazer coisas certas.

Jesus disse para o jovem rico: "Ainda te falta uma coisa: vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me." (Lc 18:22). O que faltava a ele? O novo nascimento, a conversão, o buscar a Deus em primeiro lugar. Ele queria a vida eterna, mas não renunciou os seus ídolos. 

c) Ele estava enganado a respeito da lei de Deus (Lc 18:20,21). Ele mediu sua obediência apenas por ações externas e não por atitudes internas. Aos olhos de um observador desatento ele passaria no teste, mas Jesus identificou a cobiça em seu coração. Esse é o mandamento subjetivo da lei. Ele não pode ser apanhado por nenhum tribunal humano. Só Deus consegue diagnosticá-lo. Jesus viu no coração desse homem o amor ao dinheiro como a raiz de todos os seus males (1Tm 6:10). O dinheiro era o seu deus; ele confiava nele e o adorava.

d) Ele estava enganado a respeito de Jesus (Lc 18:18; Mc 10:17). Ele chamou Jesus de Bom Mestre, mas não está pronto a lhe obedecer. Ele pensou que Jesus era apenas um rabi e não o Deus verdadeiro, feito carne. Jesus queria que o jovem se visse a si mesmo como um pecador antes de ajoelhar-se diante do Deus santo. Não podemos ser salvos pela observância da lei, pois somos rendidos ao pecado. A lei é como um espelho; ela mostra a nossa sujeira, mas não remove as manchas. O propósito da lei é trazer o pecador a Cristo (Gl 3:24). A lei pode trazer o pecador a Cristo, mas não pode fazer o pecador semelhante a Cristo. Somente a graça pode fazer isso.

e) Ele estava enganado acerca da verdadeira riqueza (Lc 18:22). Depois de perturbar a complacência do homem com a constatação de que uma coisa lhe faltava, Jesus o desafia com uma série de cinco imperativos: "Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e vem, e segue-me". Esses cinco imperativos são apenas uma ordem que exige uma só reação. Ele deve renunciar aquilo que se constitui no objeto de sua afeição antes de poder viver debaixo do senhorio de Deus.

O jovem rico perdeu a riqueza eterna, por causa da riqueza temporal. Ele preferiu ir para o inferno a renunciar ao seu dinheiro. Mas que insensatez, ele não pode levar um centavo para o inferno. Ele rejeitou a Cristo e a vida eterna. Agarrou-se ao seu dinheiro e com ele pereceu. Saiu triste e pior, por ter rejeitado a verdadeira riqueza, aquela que não perece. O homem rico se tornou o mais pobre entre os pobres.

II. O DINHEIRO, BENS E POSSES NAS PERSPECTIVAS SECULAR E CRISTÃ



 1. Perspectiva secular. Na perspectiva secular, o dinheiro tem sido apresentado como a principal fonte de felicidade. Nós vivemos num mundo materialista e consumista. As pessoas valem quanto têm. Presenciamos uma brutal inversão de valores. As coisas externas estão se tornando mais importantes que os valores internos. Neste mundo, embriagado pela avareza, a riqueza material vale mais que a honra. O dinheiro passou a ser mais importante que o caráter. O brilho do ouro tem entenebrecido a mente de muitas pessoas e corrompido suas almas. O dinheiro é a mola que gira o mundo.

Por que as pessoas amam tanto o dinheiro? Há duas razões: Primeiro, elas pensam que se tiverem dinheiro poderão comprar muitas coisas e exercer influência sobre outras pessoas. Mas será que a posse de bens materiais e a influência sobre outras pessoas nos garantirão felicidade? Segundo elas pensam que se tiverem dinheiro, posses, se sentirão seguras. Muitas pessoas pensam: Ah! Se eu morasse naquele bairro, em um apartamento duplex; se eu trabalhasse na empresa que gosto, e tivesse o carro dos sonhos, eu seria feliz! Pensam que a felicidade está nas coisas. Pensam que a felicidade está no ter. Assim, só se preocupam com o que é terreno e correm atrás de ilusões. Se essa teoria fosse verdadeira, os ricos seriam felizes e os pobres infelizes. No entanto, a experiência prova o contrário. A riqueza tem sido fonte de angústias. Os ricos vivem tensionados pelo desejo insaciável de ganhar sempre mais e com o pavor de perder o que acumularam. Muitas pessoas que ceifam a própria vida são abastadas financeiramente.

 

O que a Palavra de Deus tem a dizer? O apóstolo Paulo diz que a piedade com o contentamento e não o dinheiro é grande "[...] fonte de lucro" (1Tm 6:5). O dinheiro não produz contentamento. O contentamento significa uma suficiência interior que nos mantém em paz apesar das circunstâncias exteriores. Disse Paulo: "[...] porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação" (Fp 4:11).

Nós não nascemos apenas para esta vida. Somos destinados à eternidade. A morte não é o fim da linha. O dinheiro, porém, tem vida curta. Ele não dura para sempre. Está fadado a se extinguir. O dinheiro não pode cruzar conosco a fronteira do túmulo. Ele não irá conosco para a eternidade - "Porque nada temos trazido para o mundo, nem cousa alguma podemos levar dele" (1Tm 6:7).

Nenhuma das coisas que as pessoas cobiçam tem qualquer permanência. Quando uma pessoa morre, ela deixa tudo. O seu dinheiro não pode ser levado para o outro mundo. Não tem carro de mudança-transportando valores num enterro, nem gavetas em caixões, nem bolsos em mortalhas. Entre o nascimento e o falecimento, podemos juntar muito ou pouco, mas na hora final teremos de deixar tudo. Quando o primeiro bilionário do mundo, John Rockfeller, morreu, alguém perguntou ao seu contador: "Quanto o dr. John Rockeffeler deixou?" Ele respondeu: "Ele deixou tudo, não levou um centavo".

Portanto, quando falamos de perspectiva secular, nos referimos a maneira individualista, egoísta e mesquinha de lidar com o dinheiro. A iniciativa de acumular bens para si é diametralmente oposta à do Evangelho, que ordena compartilharmos o que se tem. Uma parábola de Jesus que sugere isso é a do "Rico Insensato", uma pessoa obstinada a somente acumular bens nesse mundo e não atentar seriamente para o que importa. Qual é a importância dos tesouros que você busca acumular aqui em relação à vida porvir?

 2. Perspectiva cristã. A perspectiva cristã não incentiva a busca pela riqueza material, pelo contrário, desestimula (cf. Lc 12:33; Lc 16:25; Lc 18:22-24; 1Tm 6:8,17; Tg 5:1-3). As coisas espirituais, por serem de natureza eterna, ganham primazia sobre os materiais, que são apenas temporais.

Na perspectiva cristã, o dinheiro, como valor material, não é visto como senhor, mas apenas como um servo. Desta feita, não deixe o dinheiro dominá-lo, domine-o. Não deixe o dinheiro ser seu patrão, faça dele um servo. O problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. O problema não é ter dinheiro, mas o dinheiro nos ter. O problema não é carregar dinheiro no bolso, mas carregá-lo no coração.

Na perspectiva cristã coloca-se os bens a serviço dos outros, como fez Barnabé (At 4:36,37). Qual foi a última vez que você fez algo que trouxe glória ao nome de Deus e alegria para as pessoas? Qual foi a última vez que fez uma oferta generosa para ajudar uma pessoa necessitada? Qual foi a última vez que enviou uma oferta para um missionário? Qual foi a última vez que entregou uma oferta de gratidão a Deus? Qual foi a última vez que repartiu um pouco do muito que Deus lhe tem dado? O apóstolo Paulo dá o belo exemplo da pobre igreja da Macedônia que se doou e ofertou generosamente aos pobres da Judéia, pessoas que a Igreja não conhecia pessoalmente (2Co 8:1-4).

 


III. DINHEIRO, BENS E POSSES NOS ENSINOS DE JESUS

1. Jesus alertou sobre os perigos da riqueza (Lc 18:24-25; Mc 10.23-25). Jesus não condena a riqueza, mas a confiança nela. Os que confiam na riqueza não podem confiar em Deus. A raiz de todos os males não é o dinheiro, mas o amor a ele (1Tm 6.10). Há pessoas ricas e piedosas. O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo patrão. A questão não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele.

Jesus ilustrou a impossibilidade da salvação daquele que confia no dinheiro: "É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus'' (Lc 18:25). O camelo era o maior animal da Palestina e o fundo de uma agulha o menor orifício conhecido na época. Alguns intérpretes tentam explicar que esse fundo da agulha era uma porta da muralha de Jerusalém onde um camelo só podia passar ajoelhado e sem carga. Contudo, isso altera o centro do ensino de Jesus: a impossibilidade definitiva de salvação para aquele que confia no dinheiro.

2. Jesus ensinou a confiança em DeusA confiança em Deus é a disposição espiritual pelo qual o crente entrega-se, sem reservas, aos cuidados de Deus. Confiar em Deus é estar convicto de que Ele está no comando de todas as coisas. Vós, os que temeis ao Senhor, confiai no Senhor; ele é seu auxílio e seu escudo” (Sl 115:11). “Aqueles que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se abala, mas permanece para sempre” (Sl 125:1).

Se você quer entender melhor o que é confiar, imagine-se fazendo o seguinte: escolha uma pessoa que você conhece bem e em que você confia; imagine que esta pessoa está parada atrás de você; você fecha os olhos, relaxa o corpo e se deixa cair livremente para trás; se você acreditar que esta pessoa não vai deixá-lo cair de jeito nenhum, então você confia nesta pessoa. Basicamente, confiar significa entregar-se completamente nas mãos de outra pessoa, acreditando que ela vai fazer o que prometeu. Confiar em Deus é viver convictos de que tudo está em suas mãos.

Podemos confiar em Deus até nas coisas mais sofridas. Como no caso de Abraão, que nem sempre, ou quase nunca, sabia por que Deus fazia as coisas, mas confiava que Deus sabia o que fazia e iria fazer tudo bem-feito. Assim também nós podemos acreditar que os planos de Deus a nosso respeito são sempre os melhores. Muito melhores do que nós poderíamos querer ou imaginar. Mesmo que muitas vezes não sabemos por que Deus nos deixa doentes, ou sem dinheiro, ou com outro problema qualquer, devemos saber que Deus faz tudo para o nosso bem. Ele assim prometeu: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8:28).

A confiança no Senhor não serve como desculpa para a preguiça. A fé conduz à ação e não à inércia. Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance e depois descansar em Deus, confiando que ele cuidará daquilo que nós não podemos fazer.

A confiança em Deus não elimina a oração. Pelo contrário, é por confiarmos no Senhor que levamos a Ele os nossos pedidos – Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças” (Fp 4:6). A criança confia no pai e por isso descansa, não se preocupando com o alimento do dia seguinte. Quando entramos em um ônibus e dormimos, estamos confiando nossas vidas aos cuidados do motorista. Confiemos em Deus, entregando-lhe a direção da nossa existência.

 

IV. DINHEIRO, BENS E POSSES NA MORDOMIA CRISTÃ

Desde que o homem pecou, houve uma desorganização de valores na sua vida. Em consequência disto, a posse de bens passou a ser um alvo na existência do homem sem Deus e sem esperança. Isto só tem se aguçado na história da humanidade e, como nunca, vivemos num mundo onde o ter sobrepuja o ser.

Pela Bíblia sabemos que não é pecado ser rico e não é uma virtude ser pobre. Ninguém irá para o céu por ser pobre; ninguém irá para o inferno por ser rico. O Senhor Jesus morreu tanto pelo pobre como pelo rico. Não é a riqueza nem a pobreza que irá definir onde o homem irá estar na eternidade, mas o aceitar ou o rejeitar o Senhor Jesus como Salvador.

O Mordomo Fiel, rico ou pobre, no exercício da Mordomia Cristã, faz do dinheiro que possui uma bênção para a obra de Deus, para si mesmo, para sua família, bem como para a comunidade que o cerca.

Assim, ao mesmo tempo em que a Palavra de Deus garante a cada ser humano a possibilidade de sujeitar bens de acordo com a sua vontade e de deles usufruir para a satisfação de suas necessidades, também estabelece que o objetivo do homem e da mulher não deve ser o acúmulo de riquezas para si ou a sua exaltação por causa dos bens que tenha a seu dispor, mas que tudo isto seja um instrumento para que a glória de Deus se manifeste na administração destes bens que lhe forem confiados por Deus, o único e verdadeiro dono de todas as coisas.

1. Avaliando a intenção do coração. A maneira que lidamos com o dinheiro reflete quem somos internamente. Nós pertencemos a Deus? Nós confiamos em Deus? O nosso tesouro está em Deus ou no dinheiro? Você tem sentido alegria ao doar? Tem pedido a Deus para multiplicar sua sementeira para poder ajudar ainda mais pessoas?

Mas é bom enfatizar que não basta apenas dar sua oferta ao necessitado, ou sua oferta ou dízimo na igreja, mas a atitude com que se faz essas coisas. A questão não é apenas doar, mas doar-se. Como bem disse o pr. José Gonçalves, “o ensino de Jesus sobre o uso das riquezas vai muito além da simples doação de bens e ações filantrópica. Ele não se limitava a avaliar apenas as ações exteriores, mas, sobretudo, voltava-se para as atitudes interiores. Dessa forma, Jesus valorizou as atitudes da mulher pecadora na casa de Simão, o leproso, e de Maria de Betânia, irmã de Marta e de Lázaro (Lc 7:36-50). Não era, portanto, apenas se desfazer dos bens, mas a atitude e intenção com que isso era feito (Lc 11:41; 21:1-4)”.

2. Entesourando no céu. A falsa prosperidade leva o homem a correr desenfreadamente para acumular riquezas, alcançar elevadas posições na sociedade e obter notoriedade e fama. Muitos, quando não estão entregues aos prazeres, quase sempre estão mergulhados no trabalho, empenhando-se para alcançar o sucesso. Salomão, também, agiu dessa maneira. Ele dedicou-se a construir mansões, palácios, pomares, açudes... e até mesmo um luxuoso Templo dedicado ao Senhor, mas seu coração continuou vazio. Ele achou que o acúmulo de riquezas lhe traria felicidade, entesourando prata, ouro, objetos de arte, imóveis e tudo mais que o dinheiro e o poder podem comprar, mas sua alma continuou insatisfeita. Depois de muito trabalhar, chegou à conclusão de que todo aquele empreendedorismo e acúmulo de riquezas eram destituídos de sentido e de valor permanente. Disse ele: “E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e que proveito nenhum havia debaixo do sol (Ec 2:11).

Portanto, entesoure riquezas para a vida eterna. O que você semeia é o que colhe. Exorta assim o apóstolo Paulo: “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente e sejam comunicáveis; que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna” (1Tm 6:17-19).

 

CONCLUSÃO

O dinheiro não é um mal em si. A riqueza é uma bênção de Deus, tanto que Deus a concedeu a Salomão (1Rs 3:13), mas, e aqui está um caso típico, não podemos pôr nas riquezas o nosso coração (Mt 6:19-21). Devemos, sempre, buscar servir a Deus e lhe agradar. Esta deve ser a intenção do cristão. Se Deus nos conceder a riqueza, que nós a usemos para agradar a Deus. Se nos der a pobreza, que nós a usemos para agradar a Deus. O importante é que não façamos dos bens materiais, do dinheiro, o objetivo e a intenção de nossas vidas. Quem passa a pôr o seu coração nos tesouros desta vida, passa a ser um avarento, um ganancioso e, como tal, será um idólatra (Cl 3:5) e, assim, estará fora do reino dos céus (Ap 22:15). Aprendamos, pois, com Jesus o uso correto do dinheiro e como ser bons mordomos dos bens que nos foram confiados.

LEMBRE-SE. Jesus não condenou A POSSE, mas condenou A OBSESSÃO.

 

 


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

JOÃO BASTISTA – A VOZ DO QUE CLAMA NO DESERTO


JOÃO BASTISTA – A VOZ DO QUE CLAMA NO DESERTO

João Batista é uma das figuras mais fascinantes da Bíblia. Ele serve como a "ponte" entre o Antigo e o Novo Testamento, sendo o último dos profetas na tradição antiga e o precursor da era messiânica.

1. Identidade e Propósito

A vida de João não foi um acidente; foi uma profecia cumprida. Ele foi o "mensageiro" prometido séculos antes.

  • O Prenúncio: Sua vinda foi profetizada em Isaías 40:3 ("Voz do que clama no deserto") e Malaquias 4:5-6.
  • O Nascimento Milagroso: Filho de Zacarias e Isabel (parenta de Maria). Seu nascimento rompeu um silêncio profético de 400 anos (Lucas 1).
  • A Missão: Preparar o caminho do Senhor, endireitando as veredas e despertando o povo para o arrependimento.

2. A Mensagem: Arrependimento e Justiça

João não pregava para agradar ouvidos; sua mensagem era urgente e confrontadora.

  • O Batismo de Arrependimento: Diferente dos rituais de purificação judaicos repetitivos, o batismo de João simbolizava uma mudança pública de direção (Metanoia).
  • Frutos Dignos: Ele exigia que a fé se traduzisse em ações práticas (Lucas 3:10-14):
    • Aos ricos: Generosidade.
    • Aos publicanos: Honestidade.
    • Aos soldados: Justiça e contentamento.

3. O Caráter: Humildade Radical

Talvez a maior lição de João Batista seja como ele lidou com o próprio ego à medida que Jesus crescia em popularidade.

"Convém que ele cresça e que eu diminua." (João 3:30)

  • Desprendimento: Vivia no deserto, vestia pelos de camelo e comia gafanhotos e mel silvestre. Ele não buscava o conforto do templo, mas a verdade do Reino.
  • Foco no Cordeiro: Quando Jesus apareceu, João imediatamente redirecionou seus próprios discípulos para segui-lo: "Eis o Cordeiro de Deus" (João 1:29).

4. O Preço da Verdade

A fidelidade de João à verdade custou sua liberdade e, eventualmente, sua vida.

  • O Confronto com o Poder: Ele não hesitou em repreender o Rei Herodes por seu casamento ilícito com Herodias (Mateus 14).
  • O Momento de Dúvida: Mesmo os gigantes hesitam. Na prisão, João enviou discípulos para perguntar se Jesus era mesmo o Messias. Jesus respondeu apontando para os frutos: os cegos veem, os coxos andam (Mateus 11:4-5).
  • O Martírio: João foi decapitado, selando seu ministério como um fiel testemunha.

 

Tabela: João Batista vs. Jesus (A Diferença de Papéis)

Característica

João Batista

Jesus Cristo

Papel

O Precursor (Prepara)

O Messias (Cumpre)

Batismo

Com Água (Arrependimento)

Com o Espírito Santo e Fogo

Foco

Apontar para o Cordeiro

Ser o Cordeiro

Origem

Nascido de mulher (Terra)

Veio do Céu (Divino)

Reflexão Prática para Hoje

O ministério de João nos ensina que o sucesso espiritual não é medido por quantos seguidores nós temos, mas por quão bem apontamos as pessoas para Cristo. Ele nos convida a preparar o "deserto" do nosso próprio coração para a presença do Rei.

"A Lei e os Profetas duraram até João; desde então, é anunciado o Reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele" (Lc 16.16).

1. A Voz no Deserto (Preparação) João Batista pregava no deserto, um lugar de silêncio e poucos distrativos. Em um mundo tão barulhento e conectado como o de hoje, o que tem impedido você de ouvir a "voz" que clama pelo arrependimento no seu coração?

2. O Significado da Metanoia (Mudança) O arrependimento de João não era apenas um sentimento de culpa, mas uma mudança de direção (metanoia). Olhando para as orientações práticas que ele deu aos soldados e cobradores de impostos (Lucas 3:10-14), qual seria a orientação de João para a sua profissão ou rotina diária hoje?

3. O Desafio do Ego (Humildade) João disse: "Convém que Ele cresça e que eu diminua". Na nossa cultura de busca por curtidas, reconhecimento e autoridade, como podemos praticar essa humildade radical no nosso serviço à igreja ou na família?

4. Lidando com as Dúvidas (Fé) Mesmo tendo visto o Espírito descer sobre Jesus, João teve momentos de dúvida enquanto estava na prisão (Mateus 11). Como a resposta de Jesus — focada nos frutos e nas obras — pode nos ajudar quando passamos por momentos de crise na nossa fé?

5. O Custo do Discipulado (Integridade) João Batista não negociou seus valores diante do Rei Herodes, mesmo sabendo dos riscos. Você já se sentiu pressionado a comprometer sua fé ou ética para agradar alguém em posição de autoridade? O que o exemplo de João nos ensina sobre coragem?


INTRODUÇÃO
Após quatrocentos anos de silêncio, desde o último profeta pós-exílio, Deus novamente se manifesta através do ofício profético para se comunicar com o seu povo, desta vez para apresentar o Desejado das nações, o Messias prometido (vide Malaquias 3:1). É o clímax do ofício profético. O apóstolo Paulo denomina de plenitude dos tempos (Gl 4:4). Nascido da linhagem sacerdotal, João foi escolhido por Deus para ser profeta (assim como aconteceu com Jeremias) e alertar o povo sobre a vinda do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Ele é o personagem que demarca a transição da Antiga para a Nova Aliança, e seu trabalho foi essencial como elo profético entre o Antigo e o Novo Testamento, demonstrando que o tempo de Deus para a salvação da humanidade tinha chegado ao seu ápice e que era necessário, da parte do povo, o arrependimento para entrar no Reino de Deus. Nesta aula, trataremos da origem, ministério e mensagem deste último profeta veterotestamentário.

I. A ORIGEM DE JOÃO BATISTA


1. Sua família.
 João Batista veio de uma piedosa família, formada pelo sacerdote Zacarias e Isabel, sua esposa. Eles viveram no tempo que o malvado Herodes, o grande - que era da Iduméia, portanto, descendente de Esaú -, era o rei da Judéia.

Zacarias (que significa O SENHOR LEMBRA) foi sacerdote pertencente ao turno de Abias, um dos 24 turnos em que o sacerdócio judaico fora dividido por Davi (1Cr 24:10). Cada turno era chamado para servir no Templo em Jerusalém duas vezes no ano, de sábado a sábado. Havia tantos sacerdotes naquele tempo que o privilégio de queimar incenso no Santuário ocorria uma vez na vida, se ocorresse (Lc 1:8-10).

Isabel (que significa O JURAMENTO DE DEUS) descendia da família sacerdotal de Arão. Ela e o marido eram judeus devotos, cuidadosos em obedecer às Escrituras do Antigo Testamento, tanto no aspecto moral quanto no cerimonial.

Toda manhã um sacerdote deveria entrar no Lugar Santo e queimar incenso. Eram lançadas sortes para decidir quem entraria no santuário; um dia a sorte caiu sobre Zacarias. Mas não foi por acaso que ele estava a serviço e foi escolhido naquele dia para entrar no Lugar Santo; foi uma ocasião especial. Deus estava guiando os acontecimentos, preparando o caminho para a vinda de Jesus à Terra.

No verso 6 lemos o seguinte a respeito de Zacarias e Isabel: “Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor”. Eles não fingiam seguir as leis de Deus; a submissão exterior era fundamentada na obediência interior. Diferentemente dos líderes religiosos a quem Jesus chamou de hipócritas, Zacarias e Isabel não se detiveram apenas na letra da lei. A obediência deles era de coração; por esta razão foram chamados “justos perante Deus”.


Conquanto Zacarias e Isabel fossem “justos perante Deus” enfrentavam um problema que lhes tirava toda a alegria: eles não tinham filhos. De acordo com o verso 7, eles formavam um casal de velhos e não tinham filhos, à semelhança de Abraão e Sara (Gn 11.30; 21.2). Que grande tristeza para uma mulher judia! Apesar de tudo, Zacarias servia ao Senhor no Templo. Ele era da tribo de Levi e, naquele momento, estava servindo ao Senhor no altar da oração. Ele estava pondo incenso no altar quando lhe apareceu um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do incenso. Ao “vê-lo, Zacarias turbou-se”; nenhum dos seus contemporâneos já tinha visto um anjo. Mas o anjo o tranqüilizou com notícias maravilhosas. A oração de Zacarias e Isabel fora ouvida: “Isabel tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João” (Lc 1:13).


2. Seu nome e seu nascimento (Lc 1:13; 57-66). Quando se cumpriu o tempo de Isabel, ela deu à luz um filho. Os parentes e amigos se alegraram. No oitavo dia, quando a criança foi circuncidada, eles pensaram que, sem dúvida, ele seria chamado Zacarias, o nome do pai. Quando Isabel lhes falou que o nome da criança seria João, ficaram admirados, porque nenhum dos seus parentes tinha esse nome. Para chegar à decisão final, fizeram sinais a Zacarias (isso significa que ele não estava somente mudo, mas surdo). Pedindo uma tabuinha, ele resolveu o assunto: o nome da criança seria João. As pessoas se admiraram. O nome João significa “Favor ou Graça de Jeová”. Além de trazer prazer e alegria aos próprios pais, ele seria uma bênção para muitos (Lc 1:14), pois tal acontecimento era prova inequívoca de que o Senhor ainda amava Israel (Lc 1.65-80).

Mas tiveram uma surpresa maior quando perceberam que Zacarias voltara a falar ao escrever “João”. A notícia se espalhou rapidamente por toda a região montanhosa da Judéia, e todos se perguntavam sobre a futura obra daquela criança incomum. Eles sabiam que o favor especial do Senhor estava com ele (ver Lc 1:64-66).

3. Sua estatura espiritual e sua missão. “Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe” (Lc 1:15). “E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus (Lc 1:16). e irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos e os rebeldes, à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem-disposto” (Lc 1:17).
Em primeiro lugar, o anjo Gabriel discorre sobre a estatura espiritual de João Batista, declarando que ele seria "grande diante do Senhor" e "cheio do Espírito Santo, desde o ventre de sua mãe".


a) “será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte”. João seria grande diante do Senhor (o único tipo de grandeza que tem valor). Ele seria grande na sua separação pessoal a Deus, ele não beberia vinho (feito de uvas) nem bebida forte (feita de cereais). O filho de Zacarias e Isabel deveria ser nazireu. Informações mais detalhadas a respeito desse assunto são encontradas no Livro de Números. Os nazireus não tomavam vinho ou bebida forte, não cortavam os cabelos e achavam a sua alegria no Espírito de Deus. Essa é a razão por que o apóstolo Paulo diz: “E não vos embriagueis com vinho..., mas enchei-vos do Espírito Santo” (Ef 5:18). Infelizmente, muitas pessoas procuram em diversos produtos a alegria e o prazer. O verdadeiro crente se alegra e regozija na intimada com Deus.

b) “será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe”. Isso não pode significar que João era salvo ou convertido de nascença, mas somente que o Espírito de Deus estava nele desde o princípio a fim de prepará-lo para a missão especial como o precursor de Cristo.

Em segundo lugar, ele seria grande na sua função de arauto do Messias (Lc 1:16,17). A missão de João era semelhante ao dos profetas do Antigo Testamento: encorajar o povo a converter-se de seus pecados e seguir a Deus – “E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus”. Ele era o precursor do Messias. Como o texto sagrado diz: ele veio para converter os corações dos pais e dos filhos; converter muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus; converter os corações dos pais aos filhos; converter os desobedientes à prudência dos justos.

Tudo indica que havia um problema muito grande entre os pais e os filhos naquele tempo. É um problema que talvez acompanhe os séculos. Porém, o maior problema em nossos dias não está no relacionamento entre pais e filhos, mas entre os pais e Deus. Quando o pai tem um relacionamento correto com Deus, não terá dificuldades para relacionar-se com seus filhos.


4. A pregação de João Batista preparando o caminho do Messias (Lc 3:3-14). Neste texto de Lucas temos cinco características da pregação de João Batista:


a) Relativo à sua abrangência. Em relação ao local do seu ministério, devemos entender que, ao optar pelo ministério profético, e não pelo sacerdotal, João Batista percorreu toda a circunvizinhança do Jordão. Em relação aos seus ouvintes, ele pregou a todos, sem diferença de classe social. Pregou para as multidões, isto é, para as pessoas comuns, pregou para os publicanos e soldados e não deixou as autoridades sem ouvir a sua mensagem.


b) Relativo ao conteúdo de sua mensagem. João pregou o batismo de arrependimento para remissão de pecados. Tanto esse batismo como a lei dos sacrifícios não salvavam o pecador, mas como precursor do Messias, sua mensagem significava uma preparação para a nova época que chegaria. Significava que quem aceitasse o batismo estava predisposto a abraçar com disposição a nova etapa que seria inaugurada pelo Messias.


c) Relativo à base de autoridade da sua mensagem. João pregou de acordo com o Antigo Testamento, de acordo com o profeta Isaias (Is 40:3-5).


d) Relativo à maneira de entregar a mensagem. João foi contundente ao apresentar a sua mensagem. Chamou seus ouvintes de raça de víboras. Exigiu frutos dignos de arrependimento. Destacou que o machado estava colocado à raiz da árvore, isto é, o juízo divino já estava às portas. João pregou a mensagem de arrependimento, uma mensagem de conversão. Hoje, muitos pregadores estão mais preocupados com o seu auditório. Querem agradá-lo e, por isso, deixam de apresentar todo o conselho de Deus, toda a verdade da Palavra sobre a salvação, a vida, a moral e o comportamento. Infelizmente, hoje é anunciado mais o evangelho da adesão (aquele em que se vai a Cristo e se permanece como está, esperando as bênçãos e os benefícios divinos) do que o evangelho da conversão (aquele em que se é chamado por Cristo e uma verdadeira transformação é experimentada; em que o próprio eu sou negado; em que a cruz é diariamente tomada e, então, Cristo é seguido, conforme Lucas 9:23).


e) Relativo à aplicação prática que fazia da sua mensagem. João, diferentemente de muitos pregadores dos dias de hoje, não teve que fazer apelos e apelar. A sua palavra, certamente inspirada pelo Espírito Santo, provocou o desejo nos ouvintes de saber o que deveriam fazer. As multidões, os publicanos e até os soldados perguntaram a João o que deveriam fazer, como deveriam agir. João, de modo claro e prático, indicou a cada grupo quais ações demonstrariam o fruto de seu arrependimento.


f) Despertava atenção das autoridades. “Então, ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. E, vendo-o muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (Mt 3:5-7).
Séculos após o retorno do exílio, os fariseus e saduceus vêem o povo ir ouvir um homem vestido de forma peculiar, com uma mensagem radical, exigindo arrependimento até dos líderes da nação. Mateus 14:5 mostra a importância que João tinha para o povo de sua época. Herodes queria matar João Batista, mas “temia o povo, porque o tinham como profeta”. Aquele homem que pregava no deserto da Judéia e cobrava arrependimento de todas as pessoas foi reconhecido como um autêntico profeta enviado por Deus.
Uma das práticas mais importantes nas pregações ou estudos que fazemos é a aplicação, a sugestão prática que devemos dar aos ouvintes para que a Palavra tenha efeitos. João Batista usou esse recurso de forma espetacular.


Exatamente por isso, a melhor aplicação que podemos fazer dessa mensagem de João Batista é entendermos que não importa o que somos. Você pode dizer ao mundo o que é em Cristo através daquilo que faz, por meio da vida que vive. A vida do cristão deve ser uma mensagem para o mundo. Pelos frutos é que os outros nos conhecem e descobrem o que somos. Devemos produzir frutos de arrependimento, frutos da nossa salvação. Que possamos mostrar o que recebemos gratuitamente de Deus por meio de Cristo.


II. A PERSONALIDADE DE JOÃO BATISTA


1. O testemunho de Jesus. Herodes Antipas havia se casado com sua cunhada, Herodias, esposa de Filipe, seu meio-irmão. Ela abandonou o marido para viver com Herodes. João Batista condenou publicamente os adúlteros pela atitude imoral (ver Mc 6:17,18). Por causa disso, João Batista foi encarcerado por ordem de Herodes.


Na prisão, desanimado e sozinho, João começou a pensar. Se Jesus fosse realmente o Messias, por que permitiria que seu precursor adoecesse na prisão? Como muitos grandes homens de Deus, João sofreu uma perda temporária de fé. Então ele enviou dois dos seus discípulos a perguntar se Jesus realmente era quem os profetas haviam prometido, ou se eles deveriam ainda estar à procura do Ungido. Então Jesus mandou que contassem a João Batista "as coisas que ouvis e vedes: Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho" (Mt 11.4,5). Jesus relembrou a João que ele estava fazendo os milagres preditos acerca do Messias: cegos vêem (Is 35:5), coxos andam (Is 35:6), leprosos são purificados (Is 53:4; cf Mt 8:16-17) e surdos ouvem (Is 35:5). Jesus também relembrou a João que o evangelho estava sendo pregado aos pobres no cumprimento da profecia messiânica em Isaias 61:1. Os líderes religiosos comuns frequentemente concentram sua atenção nos ricos e aristocratas. O Messias trouxera as boas-novas aos pobres. Com tantas evidências a identidade de Jesus era óbvia.
Se você às vezes tem dúvidas quanto à sua salvação, ao perdão de seus pecados ou à obra de Deus em sua vida, olhe para as evidências existentes nas Escrituras e para as mudanças que ocorrem em sua vida. Se estiver em dúvida não se afaste de Cristo: antes, apegue-se ainda mais a Ele. A vida de um homem não é composta por um único capítulo. Analisando a vida de João na totalidade, encontramos um registro de fidelidade e perseverança.

2. Sua espiritualidade e devoção (Mt 11:7-8). Logo que os discípulos de João partiram com as palavras de consolo de Jesus, o Senhor se dirigiu ao povo com palavras de grande elogio a João Batista. Jesus disse: “Que fostes ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento?”.
Essa mesma multidão fora ao deserto quando João estava pregando por lá. Por quê? Para ver um homem como uma cana fraca, vacilante, agitada por todo vento passageiro de opinião humana? Certamente que não! João era um pregador destemido e cheio do Espírito Santo, que preferiria sofrer a ficar calado, e preferiria morrer a mentir. Ele pregava a verdade e os mandamentos de Deus sem temer os homens e sem jamais temer a opinião popular. As autoridades judaicas ignoraram o pecado de Herodes, mas João nem por um momento jamais fez isso. Ele opôs-se ao tal pecado, com firmeza total, demonstrando nisso fidelidade absoluta a Deus e à sua Palavra. Ele foi fiel a Deus ao condenar o pecado, embora tal atitude viesse a custar-lhe a vida (Mt 14:3-12). Portanto, ele não era "uma cana agitada pelo vento", mas um vigoroso cedro capaz de resistir a fortes tempestades. Ele é o tipo de pregador digno de ser imitado.


3. Sua personalidade (Mt 11:8). “Sim, que fostes ver? Um homem ricamente vestido? Os que se trajam ricamente estão nas casas dos reis”. Com estas perguntas retóricas, Jesus estava dizendo que esse tipo de personalidade não caracterizava João. Ele era um simples homem de Deus, cuja austeridade era uma repreensão ao grande mundanismo das pessoas.
A vaidade, o orgulho, a soberba, jamais estiveram presentes em João Batista. Por sua austeridade e fidelidade cristã, ele é confundido com o próprio Cristo, mas, imediatamente, retruca: "Eu não sou o Cristo" (João 3:28) e “não sou digno de desatar a correia de sua sandália" (João 1:27). Quando seus discípulos hesitavam, sem saber a quem seguir, ele apontava em direção ao único caminho, demonstrando o Rumo Certo, ao exclamar: "Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1:29).


III. JOÃO BATISTA, O ÚLTIMO PROFETA


1. "Muito mais que profeta" (Mt 11:9). O testemunho público de Jesus confirma o que o Espírito Santo havia falado pela boca de Zacarias: João seria "profeta do Altíssimo" (Lc 1.76). O Senhor não indicou aqui que ele era maior em relação ao seu caráter pessoal, à sua eloquência ou persuasão; ele era maior por causa de sua posição como precursor do Rei Messias, Jesus Cristo. Isto fica claro no versículo 10. João fora o cumprimento da profecia de Malaquias 3:1 – o “mensageiro” que precederia o Senhor e “prepararia” o povo para a sua vinda. Outros homens profetizaram a vinda de Cristo, mas João fora o escolhido para anunciar sua efetiva chegada.


Jesus acrescentou que “entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista” (Mt 11:11). E isso, por algumas razões: João Batista foi o único que viu o que todos os profetas desejaram ver: ele viu o Filho de Deus, encarnado; não apenas viu, mas, tocou-O; não apenas tocou-O, mas, batizou-O; foi escolhido, por Deus, para apresentar Seu Filho, ao mundo - “... Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1: 29).


2. O término da dispensação da Lei - “Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João” (Mt 11:13). Lucas 16.16: “A Lei e os Profetas duraram até João”. Com estas palavras, o Senhor descreveu a dispensação da lei que começou com Moisés e terminou com João Batista. Mas agora uma nova dispensação estava sendo inaugurada, a dispensação da Graça.
De Gênesis a Malaquias, todos os escritos predisseram a vinda do Messias. Quando João apareceu na história, seu único papel não era apenas profetizar, mas anunciar o cumprimento de todas as profecias a respeito da primeira vinda de Cristo.
Desde o tempo de João, o evangelho do reino de Deus está sendo pregado. João Batista saiu anunciando a chegada do legítimo Rei de Israel. Ele avisou o povo que o arrependimento faria Jesus reinar sobre eles. Como resultado da sua pregação, e a pregação do próprio Senhor, e dos discípulos mais tarde, houve resposta positiva da parte de muitos.

3. "O Elias que havia de vir" (Mt 11:14). Malaquias predisse que antes do surgimento do Messias, Elias viria como precursor (Ml 4:5,6). Jesus confirma essa profecia ao comparar o ministério de João Batista ao de Elias. João não era Elias reencarnado (ele negou ser Elias em João 1:21), mas ele foi adiante de Cristo no espírito e poder de Elias (Lc 1:17), ou seja: exercendo um ministério igual ao de Elias. E o Senhor Jesus o reafirma em outra ocasião (Mt 17.12,13). João não era Elias reencarnado por duas razões básicas: Elias foi arrebatado vivo para o céu, portanto, não morreu (2Rs 2.11). Além disso, reencarnação é algo que não existe e nem é permitido por Deus (2Sm 12.23; Sl 78.39; Hb 9.27).


Conforme disse o pr. Esequias SoaresElias e João Batista tinham as mesmas características: ambos se vestiam de pelos e usavam cinto de couro (2Rs 1.8; Mt 3.4), ministravam no deserto (1Rs 19.9,10,15; Lc 1.80), e eram incisivos ao pregarem contra reis ímpios (1Rs 21.20-27; Mt 14.1-


CONCLUSÂO
João Batista é um exemplo para todos os cristãos autênticos: em simplicidade (sua vida era plenamente desprendida das coisas efêmeras desta vida, do hedonismo), em austeridade espiritual (não era conformado com o mundo) em coragem (não media esforço para que a mensagem de Deus fosse entregue aos destinatários, seja ele quem fosse, mesmo que as consequências lhe fossem desfavoráveis). Como profeta de Deus, foi submisso à vontade do Espírito Santo, falando somente aquilo que lhe foi consentido falar; nunca falou o que não lhe foi autorizado; não se preocupou em ser “politicamente correto” para falar somente aquilo que o povo queria ouvir. Seu compromisso era com o Deus de Israel, era alertar o povo para a chegada do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. É lamentável que sua morte fora tão prematura (na nossa percepção), mas creio que aos olhos de Deus, o tempo de João neste mundo tinha-se encerrado. Ele cumpriu sua missão como “profeta do Altíssimo” (Lc 1:76), então, por que ficar aqui neste mundo, tendo em vista que o lugar do crente não é neste mundo (João 14:1-3). Que o Senhor Deus preserve os seus remanescentes mensageiros, que têm compromisso sério e inevitável com a sã doutrina, e que Ele continue a levantar homens e mulheres santos, destemidos e cheios do Espírito Santo para a expansão do Seu Reino.

 

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