DEUS E A SALVAÇÃO DA FAMILIA DE NOÉ
Texto Bíblico: Gênesis 7:1-12
“Pela fé, Noé,
divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu, e, para salvação
da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito
herdeiro da justiça que é segundo a fé” (Hb 11:7).
A narrativa de Noé e sua família
sobrevivendo ao dilúvio é um dos episódios mais marcantes das Escrituras
Sagradas, servindo como um profundo símbolo de obediência, juízo e, acima de
todo o resto, da graça e redenção divinas.
O Contexto e a Fé Prática
O texto de Hebreus 11:7
destaca a fé como o motor da obediência de Noé.
- O aviso divino: Noé
foi alertado sobre algo que nunca havia acontecido — a água cobrindo a
terra. A fé exigiu que ele acreditasse na palavra de Deus acima da
realidade lógica do seu tempo.
- O temor e a ação: O
temor a Deus não era de pavor paralisante, mas de reverência profunda, o
que o levou a agir. Ele passou décadas construindo a arca, provando que a
verdadeira fé vem acompanhada de obras e perseverança.
A Família como Alvo da Salvação
O texto bíblico
ressalta que Noé preparou a arca "para salvação da sua família".
- Proteção coletiva:
Deus estabeleceu a aliança com Noé, mas a graça estendeu-se à sua casa
(sua esposa, seus três filhos — Sem, Cão e Jafé — e as respectivas esposas
deles).
- Um testemunho geracional: A
postura íntegra de Noé em meio a uma sociedade corrompida serviu de farol
para proteger e guiar os seus. A arca precisava de todos eles para a
preservação da humanidade e dos animais.
A Arca: Juízo e Graça
- A condenação do mundo: Ao
construir a arca pela fé, Noé testemunhou contra a maldade daquela
geração, cujos corações estavam continuamente inclinados ao mal. A
paciência de Deus teve um limite.
- O refúgio seguro: A
arca tinha apenas uma porta (por onde todos entraram) e foi fechada pelo
próprio Deus. Ela representa Jesus Cristo hoje: o único refúgio seguro
contra o juízo iminente, aberto a todos que desejam entrar.
Herdeiro da Justiça: O
versículo conclui dizendo que Noé se tornou "herdeiro da justiça que é
segundo a fé". Ele não foi salvo por obras meritórias grandiosas, mas por
crer e obedecer fielmente ao Criador, tornando-se o patriarca de uma nova
humanidade.
INTRODUÇÃO
Noé, sua esposa, seus três filhos
(Sem, Cam e Jafé) e suas noras, formaram a família que sobreviveu ao Dilúvio
universal. Deus revelou a Noé seu plano de destruir a raça corrupta e de
salvá-lo junto com sua família e, por ele, a humanidade inteira. Noé viria a
ser o segundo pai da raça humana. Ele foi salvo pela graça, um ato de soberania
divina (Gn 6:8). A salvação do grande Dilúvio foi celebrada com um sacrifício.
Noé fez um altar e ofereceu um sacrifício ao Senhor (Gn 8:20) que aceitou sua
oferta e marcou sua aliança com todo o universo (Gn 8:21,22), com os animais
(Gn 9:2,3,10), com a humanidade (Gn 9:9-17) e com a família de Noé (Gn 9:1).
I. DEUS ANUNCIA O DILÚVIO
Toda “dispensação”
caracterizou-se por uma atitude de rebeldia por parte do homem, que, em seus
delitos e pecados, insiste em manter-se afastado do seu Criador. Logo no
período chamado de “Consciência”, a descendência de Sete, que era piedosa,
misturou-se com a descendência de Caim, que foi o primeiro a se afastar de
Deus, ao não ouvir as recomendações divinas de submissão e obediência (Gn
4:6,7). A partir do momento em que os descendentes de Sete se distanciaram de
Deus e passaram a praticar todo tipo de pecado, Deus resolveu mandar o dilúvio,
que foi o juízo que pôs fim a dispensação da consciência. Todavia, nessa
geração rebelde e corrupta, havia um remanescente fiel: a família de Noé.
Somente este, entre seus contemporâneos, travou amizade com Deus e desfrutou da
comunhão divina. Ele era "justo" e "reto" (Gn 6:9); uma
pessoa de conduta irrepreensível, de integridade moral e espiritual no meio de
uma geração perversa. Outrossim, era um pregador da justiça (2Pedro 2:5). O
segredo de seu caráter impoluto encontra-se em seu andar diário com o Senhor.
Foi a este homem que Deus anuncia o dilúvio, instruindo-o a construir a Arca de
salvação.
1. O anúncio do Dilúvio. “Então, disse Deus a Noé: O fim de toda carne é vindo
perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os
desfarei com a terra” (Gn 6:13). “Porque eis que eu trago um dilúvio de
águas sobre a terra, para desfazer toda carne em que há espírito de vida
debaixo dos céus; tudo o que há na terra expirará” (Gn 6:17).
“E disse o
SENHOR: Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem
até ao animal, até ao réptil e até à ave dos céus; porque me arrependo
de os haver feito” (Gn 6:7). O arrependimento de Deus não indica uma
mudança arbitrária em seus planos, embora pareça dessa forma para nós. Antes,
indica uma atitude da parte de Deus em resposta ao comportamento humano. O
Senhor sempre reage contra o pecado, pois é Deus santo.
Com o transcorrer do tempo, a
separação entre os descendentes de Sete e os de Caim cessou por causa do
casamento das duas linhagens (Gn 6:2). A união dos piedosos com mulheres
incrédulas foi motivada pela atração física de tais mulheres. Sem mães piedosas,
a descendência de Sete degenerou-se espiritualmente. Os filhos dos casamentos
mistos eram "gigantes" e parece que se destacavam pela violência (Gn
6:4). Exaltavam-se a si mesmos, cada um procurando ser "valente"
("herói"). Corromperam a terra com sua imoralidade. Chegou o momento
quando a família de Noé foi a única que cumpria as normas morais e espirituais
de Deus. Parece que Satanás, ao ver que não pôde destruir a linhagem messiânica
pela força bruta, no caso de Abel, agora procura extingui-la mediante casamentos
mistos; e por pouco não teve êxito.
Determinou Deus destruir a
perversa geração por causa da corrupção e violência. O Senhor declara que seu
Espírito não agirá para sempre no homem. Assim, decretou um prazo de cento e
vinte anos para a vinda do julgamento do dilúvio (Gn 6:3). Deus é misericordioso
e não deseja que as pessoas morram sem salvação. Porém, sua paciência tem
limites.
2. Um juízo que parecia
improvável. Como o povo, que estava cego pelo pecado, ia
acreditar num Dilúvio se nem chuva havia? Parece que não havia chuvas naquele
período da história humana. Diz o texto sagrado que “um
vapor subia da terra e regava toda a face da terra” (Gn 2:6). No
momento certo, os animais começaram a chegar. Dos maiores aos menores, todos se
apresentaram a Noé. Mesmo vendo esse episódio impressionante e extraordinário,
os contemporâneos de Noé não se arrependeram de seus maus caminhos. Isto não
lhes impressionou porque, naqueles dias, os animais, mesmo os arredios e
selvagens, não representavam ameaça ao ser humano. Talvez aquela gente pensasse
que Noé estava montando um parque temático ou um grande zoológico. Para eles,
portanto, era um juízo improvável de acontecer.
Você já percebeu que a nossa
geração tem agido de forma semelhante em relação à pregação sobre a vinda de
Cristo? Você já percebeu que, hoje, dificilmente se prega sobre a volta de
Cristo nas igrejas locais? Acredito que até mesmo muitos que cristãos dizem ser
também tem sido indiferente com essa mensagem, como eram os descendentes de
Sete, que mergulharam no mundo sórdido e distanciado de Deus (ler 2Pedro
3:3,4).
Os antediluvianos viveram como se
Deus não existisse; eles comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento,
até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será a vinda do Filho do
Homem (Mt 24:37-39).
II. A CONSTRUÇÃO DA ARCA
1. A planta da Arca. “Faze para ti uma arca da madeira de gofer; farás
compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume. E desta
maneira farás: de trezentos côvados o comprimento da arca, e de cinquenta
côvados a sua largura, e de trinta côvados a sua altura. Farás na arca uma
janela e de um côvado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado;
far-lhe-ás andares baixos, segundos e terceiros” (Gn 6:14-16).
Noé recebeu
de Deus diretrizes para a construção de uma nave flutuante bem proporcionada,
que seria o veículo de escape. Segundo certos cálculos, a Arca teria 135m de
comprimento, 22,50m de largura e 13,50m de altura, e corresponderia em tamanho
a um transatlântico moderno. Constava de três pavimentos divididos em
compartimentos e uma abertura de 45cm de altura em volta, localizada entre
espaços de parede na parte superior; acredita-se que tinha a forma de um caixão
alongado. Alguns estudiosos calculam que a arca teria capacidade para 7.000
espécies de animais.
A finalidade da Arca não era
navegar, mas flutuar durante a grande inundação. Noé cumpriu a vontade de Deus
e descansou na sua proteção e provisão. Ele confiou nas Suas promessas e no seu
livramento. Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas horas
de turbulências. Não devemos, pois, nos afligir. Deus está no controle de tudo.
Assim como a Arca foi o instrumento da salvação, tendo Deus como seu piloto, a
Igreja (Universal Assembleia dos Santos) foi eleita como instrumento da
salvação, tendo Jesus como seu capitão. Todos aqueles que entrarem nela estão
predestinados à vida eterna com Deus.
2. A construção da Arca. "Pela fé, Noé...preparou a arca" (Hb 11:7). Em resposta à misericórdia de Deus, Noé
agiu consoante a tudo o que Deus lhe ordenara (Gn 6:22); isto é um ato de
responsabilidade humana. Noé construiu a Arca para salvar a sua família, porém
foi Deus quem fechou a porta da Arca. A soberania divina e a responsabilidade
humana não se excluem. Antes, são complementares.
A Palavra de Deus foi a garantia
única de que viria o dilúvio. Deve ter sido um projeto enorme e de longa
duração construir a Arca e armazenar os alimentos necessários. Enquanto
construía a nave, Noé pregava (2Pedro 2:5). Mas ninguém quis dar-lhe atenção.
Sem dúvida alguma, Noé e seus filhos eram alvo de incessantes zombarias, porém
não vacilaram em sua fé. Acentua-se sua completa obediência: "conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o
fez" (Gn 6:22; 7:5).
Enquanto aguardamos a volta de
Cristo, devemos proclamar o Evangelho e o fim de todas as coisas (1Pe 3:20). O
Senhor Jesus não tarda. Sem a perspectiva da volta de Cristo, não há esperança
para o crente, não há sentido em nossa vida espiritual, a nossa adoração a Deus
perde a razão de ser. Não é, pois, por outro motivo, que o nosso adversário tem
procurado, de todas as formas, retirar dos púlpitos as mensagens em torno deste
assunto, como também levantado inúmeras seitas e heresias, cujo intento é, prioritariamente,
alterar e distorcer verdades a respeito da doutrina das últimas coisas,
visando, assim, estabelecer um ambiente de confusão, ceticismo e de
desesperança entre os crentes.
III. O DILÚVIO (Gn 7:1-24)
Depois que a Arca ficou pronta, o
Senhor apareceu a Noé outra vez e disse: “...Entra
tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de mim nesta
geração” (Gn 7:1). Noé foi elogiado por sua obediência, identificada
pela palavra “justo”. O que Noé fez contou com a aprovação de Deus.
1. O Dilúvio. “E entrou Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres
de seus filhos com ele na arca, por
causa das águas do dilúvio. Dos animais limpos, e dos animais que não são
limpos, e das aves, e de todo o réptil sobre a terra, entraram de dois em dois
para Noé na arca, macho e fêmea, como Deus ordenara a Noé. E aconteceu que,
passados sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio. No ano seiscentos
da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia,
se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram,
e houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites” (Gn 7:7-12).
O juízo de Deus havia chegado e o
Senhor fechou a Arca por fora (Gn 7:16). Isto significa que o período da
graça de Deus havia terminado; isto nos fala de salvação e juízo. Noé ficou
dentro, protegido, e os pecadores impenitentes foram expostos ao juízo.
O texto sagrado diz que “se
romperam todas as fontes do grande abismo” (Gn 7:11). Parece indicar
que se produziram terremotos e estes fizeram que subissem impetuosamente as
águas subterrâneas enquanto caíam chuvas torrenciais. Pensa-se que a terra, ao
fender-se, produziu alterações na sua superfície. Alguns creem que estes verdadeiros
cataclismos tenham sido acompanhados de gigantescos maremotos que atravessaram
os oceanos e continentes até que nada restou da civilização daquele tempo. Foi
um juízo cabal contra o mundo pecaminoso.
Depois, Deus enviou um vento para
fazer baixar as águas. Cinco meses após o começo do dilúvio, a Arca pousou
sobre o monte Ararate, porém Noé não saiu em seguida porque obedientemente
esperou até receber a permissão divina. Ele e sua família permaneceram na Arca
aproximadamente um ano solar.
O propósito do Dilúvio era tanto
destrutivo como construtivo. A linhagem da mulher corria o perigo de
desaparecer completamente pela maldade. Por isso Deus exterminou a incorrigível
raça velha para estabelecer uma nova. O dilúvio foi também o juízo contra uma
geração que havia rejeitado totalmente a justiça e a verdade. Isto nos ensina
que a paciência de Deus tem limite.
O mais profundo sofrimento da
humanidade não ocorrerá por causa da explosão nuclear, mas devido aos vindouros
juízos de Deus. As maiores catástrofes da história mundial foram consequência
da obstinada persistência no pecado. O Dilúvio ocorreu porque "a terra estava corrompida à vista de Deus e cheia
de violência" (Gn 6:11) e Ele resolveu "dar cabo de toda
carne" (Gn 6:13). Sodoma e Gomorra não desapareceram por causa de um
desastre nuclear, mas devido aos pecados abomináveis cometidos nessas cidades,
que foram julgadas conforme a vontade de Deus. Também no futuro, o maior perigo
não virá de reatores nucleares, mas da potência explosiva do pecado.
2. Qual foi a extensão do
dilúvio? Universal ou limitado à área do Oriente Médio? Veja o
texto sagrado: “E as águas
prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes que havia
debaixo de todo o céu foram cobertos. Quinze côvados acima prevaleceram as
águas; e os montes foram cobertos. E expirou toda carne que se movia sobre a
terra, tanto de ave como de gado, e de feras, e de todo o réptil que se
roja sobre a terra, e de todo homem. Tudo o que tinha fôlego de espírito de
vida em seus narizes, tudo o que havia no seco, morreu. Assim, foi desfeita
toda substância que havia sobre a face da terra, desde o homem até ao
animal, até ao réptil e até à ave dos céus; e foram extintos da terra; e ficou
somente Noé e os que com ele estavam na arca. E prevaleceram as águas sobre a
terra cento e cinquenta dias” (Gn 7:19-24).
O texto sagrado diz que as águas
cobriram as montanhas mais altas e destruíram toda a criatura (fora da Arca),
sob os céus (Gn 7:19-23). Ora, Deus não precisaria ter ordenado a Noé que
construísse uma Arca mais comprida que um campo de futebol e com capacidade
para acomodar um enorme volume de carga (cerca de oitocentos vagões, segundo
estudiosos) apenas para escapar de um dilúvio local. Se esse fosse o caso, Deus
poderia ter levado a família de Noé (oito pessoas) e os animais para outro
lugar. O monte Ararate tem 5.610 metros de altitude. Se considerarmos esse
monte como referência, então o Dilúvio ultrapassou 6 metros acima dessa altura
(Gn 7:19,20). Que milagre possibilitaria um dilúvio local nessas proporções?
Em Gênesis 9:15, Deus
prometeu que nunca mais destruiria “toda carne” por meio de um
dilúvio. Houve muitas inundações locais desde então, mas não dilúvios
universais. Além disso, se o dilúvio ocorreu apenas naquela região, então Deus
não cumpriu sua promessa, que é um absurdo, algo impossível de acontecer.
Pedro utiliza a destruição do
mundo pelas águas como símbolo de uma destruição futura que virá em forma de
fogo (2Pedro 3:7). Aqueles que creem em Cristo estão salvos, mas os que não
creem estão perdidos (cf. 1Pe 3:21).
IV. O JUÍZO DE DEUS
Deus concedeu à perversa geração
antediluviana um prazo de 120 anos para arrepender-se (Gn 6:3). Se não,
retiraria dela o seu espírito. Todavia, não deram ouvidos à proclamação do
juízo divino.
1. Um juízo universal. O
Dilúvio foi o castigo divino universal sobre um mundo ímpio e impenitente. Deus
havia se “arrependido” de ter criado a raça humana (Gn 6:3-6) e resolveu
destruir tudo o que fez. Mas ao ver a fidelidade de Noé (Gn 6:9) resolveu fazer
com ele uma aliança (Gn 6:18) para através de sua vida e da preservação de
espécies restaurar toda a sua criação. Noé correspondeu ao pacto de Deus,
crendo nele e na sua Palavra (Hb 11:7). Sua fé foi demonstrada quando ele
“temeu” e quando construiu a Arca e entrou nela (Gn 6:22; 7:7; 1Pe 3:21). O
dilúvio aconteceu e Deus salvou aqueles animais e a família de Noé, apenas oito
pessoas, formando 4 casais que seriam uma família fiel a Deus.
O apóstolo Pedro refere-se ao
dilúvio para relembrar a seus leitores que Deus outra vez julgará o mundo
inteiro no fim dos tempos, mas agora por fogo (2Pe 3:10). Tal julgamento
resultará no derramamento da ira de Deus sobre os ímpios, como nunca houve na
história (Mt 24:21).
Deus conclama os crentes atuais, assim
como Ele fez com Noé na antiguidade, para avisarem os não-salvos sobre esse dia
terrível e instar com eles para que se arrependam dos seus pecados, e se voltem
para Deus por meio de Cristo, e assim sejam salvos.
2. O juízo divino no Hades.
Indubitavelmente, toda a geração antediluviana pereceu e foi lançada na região
dos mortos, no Hades, onde aguarda a última ressurreição, a fim de comparecer
ao Juízo Final (Ap 20:11-15). Eles sabem que isto acontecerá, pois o Senhor
Jesus, no interstício entre a sua morte e ressurreição, esteve no Hades, onde
lhes proclamou a eficácia da justiça divina. Pedro ensina que foi Cristo quem,
por meio de Noé (que por sua vez era inspirado pelo Espírito Santo), pregou a
mensagem aos antediluvianos (1Pe 3:18-20; 2Pe 2:5). Estes, contudo, a
rejeitaram e foram condenados. “A geração de Noé
recusou-se a ouvi-lo, mas viu-se obrigado a escutar o Senhor Jesus que, além de
pregoeiro da Justiça, apresentava-se, agora, como Rei dos reis e Senhor dos
senhores. Sua pregação não era redentiva, mas vindicativa”.
V. PERGUNTAS INTRIGANTES
Estas perguntas foram extraídas
do Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. Norman
Geisler.
1. GÊNESIS 6:2 - Os "filhos de Deus" eram anjos que se casaram
com mulheres?
- PROBLEMA: A
expressão "filhos de Deus" no AT é empregada exclusivamente
referindo-se a anjos (Jó 1:6; 2:1; 38:7).
Entretanto, o NT nos informa que os anjos "nem casam, nem se dão em
casamento" (Mt 22:30). Além disso, se os anjos se casassem com
seres humanos, os filhos deles seriam meio humanos, meio anjos. Mas os anjos
não podem ser redimidos (Hb 2:14-16; 2 Pe 2:4; Jd 6).
- SOLUÇÃO: Várias são as interpretações possíveis, no lugar de
insistir em que anjos tenham coabitado com seres humanos.
Alguns eruditos bíblicos creem
que a expressão "filhos de Deus" seja uma referência à linhagem
piedosa de Sete (através da qual viria o redentor - Gn 4:26), que se entremeou
com a linha ímpia de Caim. Eles alegam que: (a) isso se coaduna com o contexto
imediato; (b) evita todo o problema decorrente da interpretação de que eram
anjos; (c) está de acordo com o fato de que os seres humanos também são
mencionados no AT como "filhos" de Deus (Is 43:6).
Outros estudiosos acreditam que
"filhos de Deus" seja uma referência a grandes homens, a "varões
de renome na antiguidade". Apontam para o fato de que o texto se refere a
"gigantes" e "valentes" (Gn 6:4). Ainda, isso evita o
problema de os anjos (espíritos) coabitarem com seres humanos.
Outros ainda combinam estas
interpretações e especulam que os "filhos de Deus" eram anjos que
"não guardaram o seu estado original" (Jd 6) e que na realidade
possuíram seres humanos, levando-os a um cruzamento com "as filhas dos homens",
produzindo assim uma raça superior, cuja semente foram os "gigantes"
e os "varões de renome". Esta posição parece explicar todos os
pontos, exceto o problema insuperável de os anjos, não tendo corpos (Hb 1:14) e
sendo assexuados, coabitarem com seres humanos.
2. GÊNESIS 6:3 - Há
aqui uma contradição com o que Moisés disse no Salmo 90, a respeito da duração
da vida humana?
- PROBLEMA: O texto
de Gênesis 6:3 parece indicar que a longevidade humana após o dilúvio seria de,
no máximo, "cento e vinte anos". Contudo, no Salmo 90, Moisés a
considerou ser de 70 ou 80 anos, no máximo (v. 10).
- SOLUÇÃO: Em
primeiro lugar, não é de todo certo que Gênesis 6:3 esteja se referindo à
longevidade humana. Pode ser que esteja falando de quantos anos ainda faltavam
até que o dilúvio ocorresse.
Segundo, mesmo que de fato seja
uma antevisão da duração da vida dos homens, isso não contradiz a posterior
referência a 70 ou 80 anos, por duas razões: primeiro, o texto se refere a um
período anterior, quando as pessoas ainda viviam mais tempo (o próprio Moisés
viveu 120 anos, conforme Deuteronômio 34:7); segundo, os 70 ou 80 anos
provavelmente não seriam um limite superior absoluto, mas simplesmente uma
referência à média das idades das pessoas que morrem na velhice.
3. GÊNESIS 6:6 - Por
que Deus estava insatisfeito com o que ele tinha feito?
- PROBLEMA: Em
Gênesis 1:31, Deus estava plenamente satisfeito com o que acabara de fazer,
declarando que tudo "era muito bom". Mas, em Gênesis 6:6, ele declara
que "se arrependeu... de ter feito o homem na terra". Como estas duas
afirmativas podem ser verdadeiras?
- SOLUÇÃO: Estes
versículos se referem à humanidade em tempos diferentes e sob diferentes
condições. O primeiro enfoca os seres humanos em seu estado original de
criação. O segundo refere-se à humanidade depois da queda e logo antes do
dilúvio. Deus se agradou com o que criou, mas não teve prazer algum com o que o
pecado fez em sua perfeita criação.
4. GÊNESIS 6:14ss - Como
é que na relativamente pequena arca de Noé couberam centenas de milhares de
espécies?
- PROBLEMA: A
Bíblia diz que a arca de Noé tinha apenas 137 metros de comprimento, por 23 de
largura e 14 de altura (Gn 6:15). Noé recebeu a instrução de colocar nela um
casal de cada espécie de animal imundo e sete casais de animais puros (6:19;
7:2). Mas os cientistas nos informam de que há de meio bilhão a um bilhão ou
mais de espécies de animais.
- SOLUÇÃO:
Primeiro, o conceito moderno de "espécie" não é o mesmo da
Bíblia. No sentido bíblico, provavelmente sejam apenas algumas centenas de
"espécies" diferentes de animais terrestres que teriam de ser levados
para a arca. Os animais marinhos permaneceram no mar, e muitas outras espécies
poderiam sobreviver na forma de ovos.
Segundo a arca
não era assim tão pequena; ela tinha uma enorme estrutura - a dimensão de um
moderno transatlântico. Além disso, ela tinha três andares (Gn 6:16), o que
triplicava seu espaço a um total de 425.000 metros cúbicos!
Terceiro, Noé pode
ter levado filhotes ou variedades menores de alguns dos animais de maior porte.
Levando em conta todos esses fatores, havia espaço suficiente para todos os
animais, para o alimento, para a viagem e para os oito seres humanos a bordo.
5. GÊNESIS 6:14ss - Como
é que uma arca feita de madeira poderia resistir a um dilúvio tão violento?
- PROBLEMA: A arca
tinha sido construída apenas de madeira, e levava uma pesada carga. Um dilúvio
de âmbito mundial produz violentas correntezas, que teriam quebrado a arca
totalmente (cf. Gn 7:4,11).
- SOLUÇÃO: Primeiro,
a arca foi feita de um material resistente e flexível (cipreste, cf. Gn 6:14),
uma madeira que "cede" sem se rachar. Segundo a carga pesada
foi um ponto positivo, por lhe dar certa estabilidade. Terceiro, os
arquitetos navais informam-nos de que a forma construtiva da arca, semelhante a
uma caixa comprida, é uma forma que dá estabilidade e resistência a águas
turbulentas. Na verdade, os transatlânticos modernos seguem basicamente as
mesmas dimensões da arca de Noé ou têm medidas proporcionais às dela.
6. GÊNESIS 7:24 - O
dilúvio teve a duração de quarenta ou de cento e cinquenta dias?
- PROBLEMA: Segundo
Gênesis 7:24 (e 8:3), as águas do dilúvio permaneceram durante 150 dias. Mas
outros versículos nos dizem que foram apenas quarenta dias de dilúvio (Gn
7:4,12,17). Qual é o correto?
- SOLUÇÃO: Estes
números referem-se a coisas diferentes. Quarenta dias foi o tempo em que
"houve copiosa chuva" (7:12), e 150 dias foi o tempo em que as águas
do dilúvio "predominaram" (cf. 7:24).
Ao fim dos 150 dias, "as
águas iam-se escoando" (8:3). Não foi senão após o quinto mês depois do
início da chuva que a arca repousou no monte Ararate (8:4). Então, onze meses
depois do início das chuvas, as águas secaram-se (7:11; 8:13). E exatamente um
ano e dez dias depois do início do dilúvio, Noé e sua família saíram da arca e
pisaram em solo seco (Gn 7:11; 8:14).
7. GÊNESIS 8:1 - Deus
esqueceu-se temporariamente de Noé?
- PROBLEMA: O fato
de o texto dizer que "Lembrou-se Deus de Noé" parece implicar que o
Senhor se esqueceu de Noé temporariamente. Contudo, a Bíblia declara que Deus
sabe todas as coisas (SI 139:2-4; Jr 17:10; Hb 4:13) e que nunca se esquece de
seus santos (Is 49:15). Como então pôde ele temporariamente esquecer-se de Noé?
- SOLUÇÃO: Em sua
onisciência, Deus sempre esteve consciente de que Noé estava na arca.
Entretanto, depois de Noé ter permanecido nela por mais de um ano, como se
tivesse sido esquecido, Deus deu um sinal de sua lembrança e fez com que Noé e
sua família saíssem da arca. Mas, Deus nunca se esqueceu de Noé, já que o
Senhor mesmo foi quem o notificou, no início, para salvar a si e à espécie
humana (cf. Gn 6:8-13). Com frequência, nós mesmos usamos uma expressão
semelhante, quando dizemos que nos "lembramos" de alguém no seu dia
de aniversário, mesmo que nunca tenhamos nos esquecidos da existência de tal
pessoa.
8. GÊNESIS 8:21 - Deus
mudou de ideia quanto a nunca mais destruir o mundo de novo?
- PROBLEMA: De
acordo com este versículo, depois do dilúvio, Deus prometeu:"... nem
tornarei a ferir todo vivente, como fiz". Entretanto, Pedro prediz que
haverá um dia em que "os céus passarão com estrepitoso estrondo e os
elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem
serão atingidas" (2Pe 3:10).
- SOLUÇÃO: Depois
do dilúvio, Deus somente prometeu nunca mais destruir o mundo da mesma maneira
como Ele tinha feito (Gn 9:11), ou seja, com água. O arco-íris é um símbolo
perpétuo dessa promessa. A segunda destruição do mundo será com fogo, e não com
água. O que vai acontecer é que "os elementos se desfarão abrasados"
(2Pe 3:10). Mesmo assim, naquele dia Deus não vai destruir todos os seres
viventes. Os homens serão salvos em seus corpos físicos ressurretos e
imperecíveis (1Co 15:42).
CONCLUSÃO
Depois desse terrível julgamento,
no qual Noé e sua família foram poupados, teve início uma época muito diferente
daquela que tinha existido antes do dilúvio. O dilúvio como a Escritura
registra foi um evento único na história (Gn 8.21ss.), e terá seu paralelo
somente na conflagração mundial dos últimos dias (cf. 2Pe 3:5-10). Esse dilúvio
é como um batismo que condena o mundo e resgata os crentes (1Pe 3.19,20).



