quarta-feira, 4 de março de 2026

DAVI – UM GRANDE REI E UMA FAMÍLIA DESTRUIDA

 


DAVI – UM GRANDE REI E UMA FAMÍLIA DESTRUIDA

TEXTO BÍBLICO:

“Não erreis: DEUS não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gl 6.7)

VERDADE PRÁTICA

Tudo o que os membros da família plantarem colherão. Essa é uma lei universal de DEUS que pode ser constatada na própria natureza.

LEITURAS BÍBLICAS

Lv 18.6; Dt 27.22-   A proibição divina a respeito do incesto
2 Sm 13.7-11 - A inocência de Tamar
2 Sm 13.5,6-   A sagacidade de Jonadabe
Gl 6.7,8-   A lei universal da semeadura
2 Sm 18.5-10; 1 Rs 1.5,6-   A rebelião dos filhos de Davi
Mt 26.41 -   É necessária uma vida de vigilância e oração


LEITURA BÍBLICA SUGERIDA –

2 Samuel 3.2-5; 5.13-15; 12.10-13a

2 Samuel 3

2 – E a Davi nasceram filhos em Hebron; foi o seu primogênito Amnom, de Ainoã, a jezreelita;
3 – e seu segundo, Quileabe, de Abigail, mulher de Nabal, o carmelita; e o terceiro, Absalão, filho de Maaca, filha de Talmai, rei de Gesur;
4 – e o quarto, Adonias, filho de Hagite; e o quinto, Sefatias, filho de Abital;
5 – e o sexto, Itreão, de Eglá, também mulher de Davi; estes nasceram a Davi em Hebrom.
2 Samuel 5
13
– E tomou Davi mais concubinas e mulheres de Jerusalém, depois que viera de Hebrom; e nasceram a Davi mais filhos e filhas.
14 – E estes são os nomes dos que lhe nasceram em Jerusalém: Samua, e Sobabe, e Natã, e Salomão,
15 - e Ibar, e Elisua, e Nefegue, e Jafia, 16e Elisama, e Eliada, e Elifelete.
2 Samuel 12
10 - Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezastes e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para que te seja por mulher.
11 - Assim diz o SENHOR: Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol.
12 – Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perante o sol.
13 - Então disse Davi a Natã: Pequei contra o Senhor [...].

COMENTÁRIO:

A despeito de ter sido um grande rei e líder em Israel, Davi não foi o mesmo como pai. Nesta lição, estudaremos as consequências que uma família pode sofrer quando os pais não assumem os papéis que DEUS espera deles. A história dramática dos pecados na família de Davi pode nos fazer refletir e tem muito a nos ensinar. Veremos que essa família não era funcional e, por causa das omissões do rei, presenciou episódios de incesto, rebelião e morte.

Admirados diante dos grandes feitos de Davi como rei de Israel, achamos difícil admitir a sua negligência como pai de família.

I. DAVI FRACASSA NA FORMAÇÃO CULTURAL DOS FILHOS

1. Os valores dos filhos do mundo.

2. Os valores dos filhos do rei.

a) Ele estava dominado pela atração física.

b) Ele estava à procura de sexo.

c) Ele demonstra ser um homem impulsivo e não racional.

II. DAVI FRACASSA AO NÃO IMPOR LIMITES

1. Julgando as profecias pela Palavra.

2. Julgando o falso profeta pelos frutos.

III. DAVI FRACASSA COMO PAI

1. Um pai ausente.

2. Um pai sem afetividade.

CONCLUSÃO

Quer de forma positiva, quer de forma negativa, Davi nos ensina.

I – O REI DAVI E SUA GRANDE FAMÍLIA


1. Davi, o ungido por DEUS.

O livro de 1 de Samuel mostra a decadência do reinado de Saul e o processo da escolha de DEUS a respeito de um homem segundo o seu coração para assumir o lugar do primeiro rei de Israel (1 Sm 16.1). Assim, DEUS levou Samuel a casa de Jessé, o belemita, pois ali havia separado o novo rei ungido de DEUS: Davi. Nesse momento, a Bíblia diz que “desde aquele dia em diante, o ESPÍRITO do Senhor se apoderou de Davi” (1 Sm 16.13).


2. Davi, o homem de DEUS.

O ESPÍRITO do Senhor operou poderosamente na vida de Davi. Não havia dúvida de que DEUS o capacitara para desempenhar a importante missão na monarquia de Israel: reunificar a nação. Ao longo dos capítulos de 2 Samuel, constatamos que o rei Davi foi bem-sucedido em seu propósito. Paulatinamente, as tribos foram reconhecendo a sua autoridade real (1 Sm 2.4; 5.1-3). Assim, Davi unificou a monarquia e foi vitorioso em tudo o que o Senhor era com ele para realizar.

 
3. A grande família de Davi.

Entretanto, a despeito de o rei Davi ser ungido por DEUS e o homem segundo o seu coração, ele entendeu que podia ter várias esposas e concubinas (1 Sm 18.27; 1 Cr 3.1-5,9; 1 Cr 14.3). Naturalmente, com todos esses casamentos, Davi teve mais de 20 filhos. Ao ter tantos filhos e filhas, acabou caindo na displicência com eles. Ele priorizou apenas os assuntos do reinado de Israel como principal atividade, suas conquistas territoriais com muitas guerras, e esqueceu-se de que tinha famílias espalhadas em vários lugares. Seus filhos tornaram-se problemáticos em suas vidas pessoais.


SINÓPSE I - O rei Davi era um homem ungido e de DEUS. Entretanto, a sua família fugiu ao ideal divino.


II – FILHOS E PARENTES NA CASA DE DAVI

1. Tamar. Era filha de Maaca.

Esta era filha do rei Talmai, de Gesur, e mãe de Absalão, e este, portanto, irmão de Tamar (1 Cr 3.2), uma mulher bonita e virgem. Sua beleza atraiu a Amnom, seu meio-irmão, o filho primogênito de Davi com Ainoã (1 Cr 3.1).

2. Absalão.

Era irmão de Tamar, filho de Maaca e terceiro filho do rei Davi. Nos capítulos 13 a 19 de 2 Samuel, sua história está registrada em detalhes. Seu nome tem a ver com paz, mas ironicamente sua história nada tem a ver com ela: Absalão assassinou Amnom, seu meio-irmão, conspirou e rebelou-se contra o seu pai, o rei Davi.

3. Amnom.

Quando Davi ainda não havia assumido o trono de Israel, mas já era o escolhido de DEUS para reinar, casou-se com Ainoã e gerou Amnom (1 Sm 3.2). Feito homem, entre outros irmãos nascidos, Amnom demonstrou ser desajustado emocionalmente e dominado por paixões carnais. Foi por causa desse comportamento que ele se apaixonou doentiamente por sua meia-irmã, Tamar. Amnom ficou doente de angústia e de desejo incontinente por ela e, por isso, não comia nem bebia, totalmente dominado por essa paixão e, ao mesmo tempo, desconhecida por Tamar (2 Sm 13.2).

  
4. Jonadabe, um conselheiro do mal.

Jonadabe era primo de Amnom e filho de Siméia, irmão de Davi. Segundo o que a Bíblia registra, era homem sagaz e de maus pensamentos em seu coração (2 Sm 13.3). O mal sempre atrai o mal e, por isso, esse homem induziu a Amnom a satisfazer sua paixão com um plano de mentira que envolvia Davi e Tamar, a vítima dessa situação (2 Sm 13.5-11). Jonadabe é o tipo do amigo que não se deve ter por perto quando se vive algum problema pessoal ou familiar. Ele é um exemplo concreto de mau conselheiro.

SINÓPSE II - Tamar, Absalão, Amnom e Jonadabe são personagens chave na descrição do fracasso na casa de Davi.


AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“TAMAR, AMNOM. A série de narrativas dos capítulos 13—22 são, principalmente, relatos do juízo de DEUS cumprido na vida de Davi, (1) O capítulo 13 registra o primeiro resultado dos pecados de luxúria, adultério e assassinato de Davi, o qual veio para assombrá-lo através das ações de membros da sua própria família (cf. Gl 6.7). O incesto e o assassinato entre os filhos de Davi foram consequências da sua luxúria reproduzida primeiramente por seu filho Amnom. (2) Como Davi destruiu a felicidade da casa de Urias, DEUS destruiu a harmonia na casa de Davi. Muitas vezes, DEUS permite que os pecadores sofram tristezas e aflições para que eles e outras pessoas que veem os seus exemplos possam temer a DEUS (isto é, ter reverência pela pureza de DEUS, pelo seu poder e juízo), afastar-se de seus pecados e converter-se a DEUS (cf. Nm 14.20-36)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p. 531.)


III – O PROBLEMA MORAL NA FAMÍLIA DE DAVI


1. As consequências de sua falta de domínio próprio.

O capítulo 11 de 2 Samuel relata o adultério do rei Davi. O capítulo 12 registra o confronto do profeta Natã ao pecado do rei. Mesmo tendo reconhecido seu pecado de adultério, dissimulação e assassinato, o rei Davi não pôde evitar as consequências do seu pecado (2 Sm 11.1-13). Incisivo e fiel à mensagem divina, o profeta Natã disse ao rei: “Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol” (2 Sm 12.11). Assim, não demorou muito para que um dos filhos coabitasse com as concubinas do próprio pai e o envergonhasse publicamente em Israel (2 Sm 16.21,22).


2. Incesto e morte na família.


Outro caso alarmante foi o pecado de incesto do filho mais velho de Davi contra a própria irmã Tamar
(2 Sm 13.1). A consequência inevitável disso na família do rei foi o ódio alimentado por Absalão até matar seu meio-irmão Amnom, como vingança pelo abuso que sua irmã Tamar sofreu. O relato de Amnom e Tamar está repleto de sagacidade, de sutileza e de mentira a fim de atrair a inocente Tamar para um laço indigno. Tudo muito doentio e pecaminoso (2 Sm 13.11,12,14,15). Depois de ter se deitado com sua meia-irmã, humilhando-a, Amnom a desprezou completamente. E o rei Davi? Soube do fato, irou-se, mas não fez nada contra Amnom. Em suma, uma das consequências trágicas desse comportamento do rei foi a tragédia anunciada da família: Absalão matou Amnom (2 Sm 13.27-29). E, mais tarde, ele cavou sua morte precoce (2 Sm 18.14), após desencadear uma rebelião contra o próprio pai a fim de tomar-lhe o trono. O rei chorou amargamente a morte de seu filho, Absalão (2 Sm 18.33).

 
3. Vigilância, proximidade e exemplo.

Essa história, do problema moral na família de Davi, ensina a todos os pais a respeito da importância da vigilância, da proximidade e do exemplo na família. É muito importante desenvolvermos uma relação sóbria e equilibrada com os nossos cônjuges, filhos, parentes e pessoas próximas da nossa família. Infelizmente, não estamos livres de deparar-nos com problemas morais difíceis na família. Por isso, é preciso que os pais façam a sua parte, acompanhando de perto o que acontece nos lares. Sobretudo, fazendo isso por meio do exemplo de quem busca viver para a glória de DEUS dentro de casa (1 Co 10.31).

SINÓPSE III - A decadência moral não teria lugar na casa de Davi se ele priorizasse uma relação sóbria e saudável na família, incluindo a vigilância, a proximidade e o exemplo.


AUXÍLIO DEVOCIONAL

COMO ARRUINAR A VIDA DE SEUS FILHOS

“Pode ser surpreendente, mas frequentemente as pessoas mais bem-sucedidas, segundo os padrões do mundo, têm sido pais terríveis. E alguns dos ‘menos bem-sucedidos’ criaram filhos dos quais qualquer pessoa poderia se orgulhar.

Davi, apesar de seus méritos como o maior rei de Israel, foi um pai terrível. Alguns de seus erros são destacados nestes capítulos, e permanecem como exemplos que você e eu devemos seguir — se desejarmos arruinar as vidas de nossos filhos! Quais são as recomendações de Davi para o fracasso como pai?

Fique zangado, mas não castigue. Quando Davi soube o que Amnom fez à sua meia-irmã, Tamar, o texto diz que Davi ‘muito se acendeu em ira’ (13.21). Mas não há indicação de que ele tivesse falado com Amnom, e muito menos, que o tivesse castigado. Os pais que deixam de corrigir seus filhos podem esperar problemas maiores no futuro.

Ame demais os seus filhos. Depois que Absalão fugiu, Davi ‘pranteava a seu filho todos os dias’ (ARA). Davi parece ter sentido tanta falta de seu filho, que se esqueceu do que seu filho tinha feito. Meninos e meninas que são amados demais, de um modo em que ‘vale tudo’, causarão, sem dúvida, graves problemas.


Perdoe, mas não completamente. Davi finalmente permitiu que Absalão retornasse a Jerusalém, mas não o viu, durante dois anos. Se o perdão for concedido, deverá ser completo. O perdão incompleto, repleto de pequenos lembretes dos pecados passados, cria amargura e antagonismo. Quando DEUS perdoa, Ele esquece. Se nós perdoarmos um erro, nós devemos fazê-lo completamente.

Davi, um sucesso em sua carreira, era um fracasso, como pai. Ele se aborrecia com o que seus filhos faziam, mas não os castigava. Ele amou tanto seus filhos que perdeu a perspectiva. E perdoava de modo incompleto. Na sua vida familiar, o maior rei de Israel foi um dos maiores fracassos da história” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp. 191-92).


CONCLUSÃO
Vimos que a família do rei Davi era disfuncional, o que trouxe problemas de longo prazo para toda a família. Por isso, é preciso cultivar os valores da Palavra em nossos lares, que os pais exerçam seus papéis em casa, transmitindo esses valores e acompanhando de perto os seus filhos; que os cônjuges tenham um relacionamento que traga equilíbrio e segurança aos filhos. A vida cristã em família é a maior prevenção contra os desajustes da atualidade.

 

REFLEXÃO: COMO VAI SUA FAMILIA, E SUA RELAÇÃO COM OS FILHOS!!!!   PENSE NISSO

terça-feira, 3 de março de 2026

MARDOQUEU DE HUMILHADO A EXALTAÇÃO


 MARDOQUEU DE HUMILHADO A EXALTAÇÃO

Mardoqueu é registrado no livro de Ester, é o exemplo perfeito de que a fidelidade silenciosa precede a honra pública.

Aqui está um roteiro estruturado, focado na transição da cinza para a coroa.

1. O Perfil de Mardoqueu: A Fidelidade no Anonimato

Antes da exaltação, houve serviço constante. Mardoqueu não buscava os holofotes; ele buscava o bem do seu povo e da sua família.

  • O Protetor: Ele adotou Hadassa (Ester) e a criou com princípios (Ester 2:7).
  • O Sentinela: Ele ficava à porta do rei, cumprindo seu dever. Foi ali que ele descobriu uma conspiração contra o rei Assuero e a denunciou, salvando a vida do monarca (Ester 2:21-23).
  • O Registro Esquecido: Sua boa ação foi escrita nos livros das crônicas, mas ele não recebeu recompensa imediata. Às vezes, a humilhação começa no esquecimento.

2. O Momento da Humilhação: Cinzas e Pano de Saco

A humilhação de Mardoqueu não foi por erro próprio, mas por sua integridade.

  • A Recusa em se Curvar: Mardoqueu não se dobrava diante de Hamã (Ester 3:2). Isso não era orgulho, era fidelidade a Deus, pois ele não daria a um homem a adoração devida ao Criador.
  • O Decreto de Morte: Por causa da postura de Mardoqueu, Hamã convenceu o rei a exterminar todos os judeus.
  • O Lamento Público: Mardoqueu vestiu-se de pano de saco e cinzas, chorando amargamente diante da porta do rei (Ester 4:1). Ele sentiu o peso da responsabilidade e a dor da injustiça.

 

3. A Reviravolta Divina: "O homem a quem o rei deseja honrar"

Deus usou a insônia de um rei para tirar Mardoqueu da humilhação. É aqui que o jogo vira de forma irônica e magistral (Ester 6).

A Humilhação (O Plano de Hamã)

A Exaltação (O Plano de Deus)

Hamã queria enforcar Mardoqueu em uma forca de 22 metros.

O rei ordena que Hamã honre Mardoqueu publicamente.

Mardoqueu estava vestido de sacos de cinza.

Mardoqueu é vestido com as vestes reais do próprio rei.

Mardoqueu andava a pé com dor.

Mardoqueu monta no cavalo do rei.

Hamã esperava ser o centro das atenções.

Hamã é forçado a gritar pelas ruas: "Assim se faz ao homem a quem o rei deseja honrar!"

4. A Exaltação Final: De Porteiro a Primeiro-Ministro

A exaltação de Mardoqueu não foi apenas um desfile de um dia; foi uma mudança de destino para toda uma nação.

  • Autoridade Real: Ele recebeu o anel de selar do rei, o mesmo que pertencia a Hamã (Ester 8:2).
  • Trajes de Glória: A Bíblia detalha sua vestimenta final: azul, branco, uma grande coroa de ouro e um manto de linho fino e púrpura (Ester 8:15).
  • O Legado: Ele se tornou o segundo depois do rei Assuero, trabalhando para o bem do seu povo e falando em favor da paz (Ester 10:3).

 

Lições Práticas para a Vida

  1. O esquecimento dos homens não é o esquecimento de Deus: O que você fez de bom está registrado no "Livro das Crônicas" do Céu.
  2. A integridade custa caro, mas a recompensa é eterna: Mardoqueu preferiu o risco da morte à idolatria.
  3. Deus usa seus inimigos para anunciar sua vitória: Hamã teve que ser o mestre de cerimônias do triunfo de quem ele mais odiava.

"Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte."

(1 Pedro 5:6)

 

Texto Bíblico: Ester 6:1-14

“E Hamã tomou a veste e o cavalo, e vestiu a Mardoqueu, e o levou a cavalo pelas ruas da cidade, e apregoou diante dele: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!” (Ester 6:11).

Ester 6:

1.Naquela mesma noite, fugiu o sono do rei; então, mandou trazer o livro das memórias das crônicas, e se leram diante do rei.

2.E achou-se escrito que Mardoqueu tinha dado notícia de Bigtã e de Teres, dois eunucos do rei, dos da guarda da porta, de que procuraram pôr as mãos sobre o rei Assuero.

3.Então, disse o rei: Que honra e galardão se deu por isso a Mardoqueu? E os jovens do rei, seus servos, disseram: Coisa nenhuma se lhe fez.

4.Então, disse o rei: Quem está no pátio? E Hamã tinha entrado no pátio exterior do rei, para dizer ao rei que enforcassem a Mardoqueu na forca que lhe tinha preparado.

5.E os jovens do rei lhe disseram: Eis que Hamã está no pátio. E disse o rei que entrasse.

6.E, entrando Hamã, o rei lhe disse: Que se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada? Então, Hamã disse no seu coração: De quem se agradará o rei para lhe fazer honra mais do que a mim?

7.Pelo que disse Hamã ao rei: Quanto ao homem de cuja honra o rei se agrada,

8.traga a veste real de que o rei se costuma vestir, monte também o cavalo em que o rei costuma andar montado, e ponha-se lhe a coroa real na sua cabeça;

9.e entregue-se a veste e o cavalo à mão de um dos príncipes do rei, dos maiores senhores, e vistam dele aquele homem de cuja honra se agrada; e levem-no a cavalo pelas ruas da cidade, e apregoe-se diante dele: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!

10.Então, disse o rei a Hamã: Apressa-te, toma a veste e o cavalo, como disseste, e faze assim para com o judeu Mardoqueu, que está assentado à porta do rei; e coisa nenhuma deixes cair de tudo quanto disseste.

11.E Hamã tomou a veste e o cavalo, e vestiu a Mardoqueu, e o levou a cavalo pelas ruas da cidade, e apregoou diante dele: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!

12.Depois disso, Mardoqueu voltou para a porta do rei; porém Hamã se retirou correndo a sua casa, angustiado e coberta a cabeça.

13.E contou Hamã a Zeres, sua mulher, e a todos os seus amigos tudo quanto lhe tinha sucedido. Então, os seus sábios e Zeres, sua mulher, lhe disseram: Se Mardoqueu, diante de quem já começaste a cair, é da semente dos judeus, não prevalecerás contra ele; antes, certamente cairás perante ele.

14.Estando eles ainda falando com ele, chegaram os eunucos do rei e se apressaram a levar Hamã ao banquete que Ester preparara.

INTRODUÇÃO

Neste Estudo trataremos de dois eventos significativos no livro de Ester: a humilhação de Hamã e a honra de Mardoqueu. Esses acontecimentos evidenciam a providência divina e a justiça de Deus. A narrativa começa com a insônia do rei Assuero que, ao revisar os registros do reino, se lembra da lealdade de Mardoqueu ao revelar uma conspiração contra sua vida. Em contraste, a arrogância e a ambição desmedida de Hamã são expostas quando ele, erroneamente, presume que o rei deseja honrá-lo, mas enfrenta uma humilhação pública ao ter que enaltecer Mardoqueu. Esta lição destaca a importância da humildade, uma virtude que agrada a Deus e é recompensada por Ele, enquanto a soberba e a vaidade levam à queda. Ao refletirmos sobre esses eventos, somos lembrados do valor da integridade e da confiança na justiça divina.

I. O REI SE LEMBRA DA BOA AÇÃO DE MARDOQUEU

1. Uma noite decisiva

Enquanto o rei Assuero se retirava para seus aposentos após o banquete oferecido por Ester, Hamã saía cheio de júbilo, sentindo-se prestigiado tanto pelo rei quanto pela rainha. No entanto, sua exultação rapidamente se transformou em fúria ao avistar Mardoqueu, que permanecia impassível e não lhe prestava nenhuma reverência (Ester 5:9). A presença indiferente de Mardoqueu despertou em Hamã um ódio incontrolável. Apesar de sua ira, Hamã se conteve temporariamente e foi desabafar com seus amigos e sua esposa, Zeres. Ele revelou que toda sua riqueza e alta posição no reino eram insuficientes enquanto Mardoqueu continuasse vivo e não lhe prestasse respeito.

Planejando a vingança

O conselho de Zeres e dos amigos de Hamã foi pragmático e cruel: construir uma forca de 25 metros de altura e pedir ao rei, no dia seguinte, a execução de Mardoqueu (Ester 5:14). Satisfeito com o plano, Hamã foi dormir certo de que a morte de Mardoqueu estava iminente. Sua determinação em eliminar Mardoqueu antes do dia previsto para a matança dos judeus revela a profundidade de seu ódio. No entanto, enquanto Hamã planejava a destruição de Mardoqueu, algo extraordinário acontecia no palácio do rei.

Naquela noite, o rei Assuero não conseguia dormir (Ester 6:1). Este detalhe aparentemente trivial foi um ato de providência divina. Incapaz de descansar, o rei pediu que os registros do reino fossem lidos para ele. Durante a leitura, ele foi lembrado da lealdade de Mardoqueu, que havia exposto uma conspiração para assassinar o rei (Ester 2:21-23). Ao perceber que Mardoqueu não havia sido recompensado por sua boa ação, Assuero decidiu que era o momento de honrá-lo.

Reviravolta dramática

A insônia do rei Assuero foi uma intervenção divina crucial que desencadeou uma série de eventos inesperados. Enquanto Hamã dormia, seguro de sua vingança iminente, o rei planejava a honra de Mardoqueu. Na manhã seguinte, Hamã entrou no pátio do palácio para pedir a execução de Mardoqueu, sem saber que o destino estava prestes a mudar dramaticamente. Assuero, ao ver Hamã, perguntou-lhe como deveria honrar um homem que o rei desejava exaltar. Na presunção de que ele próprio era o destinatário da honra, Hamã sugeriu um tratamento grandioso, apenas para descobrir que seria ele mesmo a realizar essas honrarias para Mardoqueu (Ester 6:6-11). O início da derrota melancólica de Hamã estava iniciando.

Este episódio ressalta a soberania de Deus e Sua habilidade de virar situações aparentemente desesperadoras em favor dos Seus. A providência divina guiou cada detalhe, desde a insônia do rei até a lembrança da boa ação de Mardoqueu. A narrativa também sublinha a futilidade da arrogância e do ódio desmedido, exemplificados pela queda de Hamã. Em contraste, a integridade e a lealdade de Mardoqueu foram recompensadas de maneira surpreendente.

Aplicações contemporâneas

A história nos desafia a confiar na justiça divina e a manter nossa integridade, mesmo quando enfrentamos adversidades. Deus é capaz de usar as circunstâncias mais simples para realizar Seus propósitos. A arrogância, como a de Hamã, leva à queda, enquanto a humildade e a fidelidade, como a de Mardoqueu, são exaltadas. Esta lição nos lembra que Deus está no controle de todas as coisas e que Seu tempo e planos são perfeitos.

2. Forca ou honra

Na noite crucial narrada no livro de Ester, o destino de Mardoqueu estava sendo decidido por duas pessoas: Hamã e Assuero. Hamã, consumido pelo ódio, planejava erigir uma forca para executar Mardoqueu (Ester 5:14). Em contraste, o rei Assuero, após ser lembrado da boa ação de Mardoqueu ao expor uma conspiração contra ele, planejava honrá-lo (Ester 6:1-3). A questão que pairava era: qual desses planos prevaleceria? Esta situação ilustra a realidade de que, gostemos ou não, as ações e intenções das pessoas ao nosso redor podem ter consequências significativas em nossas vidas.

A importância dos relacionamentos interpessoais

Diante dessa realidade, é fundamental que nossos relacionamentos interpessoais estejam pautados no temor a Deus. A ética cristã ensina que a interdependência humana é essencial e que a autossuficiência, ou individualismo, é um estilo de vida antibíblico. A Bíblia nos instrui a "dar a cada um o que é devido" (Romanos 13:7), reconhecendo que ninguém se realiza plenamente sozinho, independente das pessoas ao seu redor. Esse reconhecimento é contrário ao individualismo moderno, que prega a autossuficiência.

O Novo Testamento contém inúmeros versículos que enfatizam a importância dos relacionamentos interpessoais com a expressão "uns aos outros". Por exemplo, Jesus ensina a seus discípulos a amarem uns aos outros como Ele os amou (João 13:34). Paulo exorta os cristãos a se encorajarem mutuamente (1Tessalonicenses 5:11), e Tiago instrui a confessarem os pecados uns aos outros e a orarem uns pelos outros (Tiago 5:16). Esses mandamentos destacam a interdependência dos cristãos e como Deus trabalha através dos relacionamentos humanos.

A providência Divina e a proteção de Deus

Coisas boas e ruins podem nos alcançar através das pessoas que nos cercam. No entanto, quando tememos a Deus, Ele é capaz de interceptar o mal e fazer com que a bênção nos alcance (Salmos 91:5-10). A maldição não atinge aqueles que são abençoados por Deus, como está claro na história de Balaão e Balaque, onde Balaão afirmou: "Como posso amaldiçoar quem Deus não amaldiçoou? Como posso denunciar quem o Senhor não quis denunciar?" (Números 23:8). Deus transformou a maldição planejada por Balaque em bênção para Israel (Deuteronômio 23:5), demonstrando que Sua proteção é eficaz contra qualquer plano maligno (Provérbios 26:2).

3. Cinco anos depois

Cinco anos haviam se passado desde que Mardoqueu revelara a conspiração contra Assuero, aparentemente caindo no esquecimento. Contudo, Deus, que governa sobre todas as coisas, inclusive a fisiologia humana, tirou o sono do rei naquela noite específica (Salmos 127:2). Sem conseguir dormir, Assuero mandou trazer e ler diante dele o livro de registros do reino (Ester 6:1). Entre tantos relatos de treze anos de reinado, a providência divina guiou a leitura exatamente para o trecho que mencionava o feito de Mardoqueu, que desmantelou a conspiração contra o rei. Esse momento crucial destaca a verdade das Escrituras: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto" (Romanos 8:28).

Essa sincronia entre o esquecimento humano e a oportuna recordação divina ilustra como Deus orquestra eventos aparentemente triviais para cumprir Seus propósitos maiores. A leitura do registro no momento certo trouxe à memória do rei o feito heroico de Mardoqueu, que merecia ser honrado. Esse desenrolar dos acontecimentos foi essencial para frustrar os planos malignos de Hamã e exaltar Mardoqueu, demonstrando que nada escapa ao controle soberano de Deus.

A insegurança humana e a soberania Divina

A história de Mardoqueu nos lembra que, mesmo quando as boas ações parecem esquecidas pelos homens, elas nunca são esquecidas por Deus. Em tempos de aparente silêncio e espera, a providência divina está em ação, preparando o momento certo para trazer à luz o reconhecimento e a recompensa. Isso nos encoraja a confiar plenamente em Deus, sabendo que Ele vê e se lembra de todas as nossas ações, recompensando-nos no tempo certo.

II. HAMÃ É CHAMADO PARA HONRAR MARDOQUEU



1. Um ato de justiça

A leitura das crônicas naquela noite insone levou Assuero a lembrar-se de Mardoqueu e de sua heroica ação ao desmascarar uma conspiração contra o rei. Curioso sobre a recompensa dada a Mardoqueu, Assuero perguntou aos seus servos: “Que honra e recompensa Mardoqueu recebeu por isso?”. A resposta foi clara: “Coisa nenhuma se lhe fez” (Ester 6:3). A maneira como o rei se referiu diretamente ao nome de Mardoqueu indica que ele o conhecia bem e reconhecia a importância de seu ato.

Nesse momento crucial, vemos a providência divina em ação. Enquanto Assuero buscava uma forma de recompensar Mardoqueu, Hamã estava no pátio exterior do palácio, esperando uma oportunidade para pedir ao rei que permitisse enforcar Mardoqueu na forca que havia preparado. Hamã, dominado pelo ódio e pela vingança, não tinha ideia de que Deus estava prestes a virar o jogo de uma forma que ele nunca poderia prever.

A ironia divina é evidente quando Assuero pede a opinião de Hamã sobre a melhor forma de honrar um homem a quem o rei deseja exaltar, sem mencionar o nome de Mardoqueu. Hamã, presunçoso e pensando que o rei estava falando dele, sugeriu as maiores honras possíveis: vestir o homem com trajes reais, colocá-lo no cavalo do rei e conduzi-lo pelas ruas da cidade, proclamando sua honra (Ester 6:6-9).

A inversão do destino

Quando Assuero instruiu Hamã a fazer exatamente isso para Mardoqueu, a surpresa e o horror de Hamã devem ter sido imensos. O homem que ele planejava matar seria agora exaltado por sua própria mão. Hamã ia conduzir o cavalo no qual Mardoqueu, seu arqui-inimigo, estava montado. Parecia ironia do destino, mas não era; era Deus humilhando o inimigo e exaltando o seu servo (Mateus 23:12). Esse momento revela a verdade contida em Gênesis 50:20: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem”. A providência divina transformou os planos malignos de Hamã em uma ocasião de honra para Mardoqueu.

Essa passagem de Gênesis 50:20 nos ensina sobre a justiça e a soberania de Deus. Mesmo quando os justos são esquecidos pelos homens, Deus lembra e age no tempo certo. Ele pode usar até mesmo os inimigos para cumprir Seus propósitos e exaltar aqueles que O servem fielmente. A história de Mardoqueu e Hamã nos encoraja a confiar na justiça divina, sabendo que Deus trabalha todas as coisas para o bem daqueles que O amam (Romanos 8:28).

2. Presunção e autoconfiança

Hamã estava extasiado. A proposta do rei Assuero sobre honrar alguém que lhe agradava (Ester 6:6) encheu Hamã de presunção, levando-o a crer que ele próprio era o destinatário da honra. Este equívoco fez com que ele momentaneamente esquecesse sua sede de vingança contra Mardoqueu e a forca que havia preparado. Hamã é um exemplo clássico de alguém que precisa constantemente inflar seu ego para se sentir realizado, revelando um quadro profundamente doentio de narcisismo e autossuficiência.

A presunção de Hamã, achando-se digno de uma honra destinada a outro, é uma manifestação clara de soberba e orgulho. Este tipo de orgulho é um dos pecados mais antigos e perigosos, remontando à queda de Lúcifer, que em sua arrogância desejou ser igual a Deus (Isaías 14:13,14). Lúcifer não só caiu por causa de seu orgulho, mas também instilou esse mesmo sentimento na mente de Eva, levando-a a desobedecer a Deus (Gênesis 3:1-5). A Bíblia nos adverte repetidamente sobre os perigos do orgulho, afirmando que ele precede a ruína (Provérbios 16:18,19).

A humildade de Cristo como exemplo


Em contraste com a presunção de Hamã, somos chamados a seguir o exemplo de humildade de Cristo. Jesus, mesmo sendo Deus, não considerou o ser igual a Deus algo a que devia apegar-se, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo (Filipenses 2:3-8). A humildade de Cristo nos liberta de ambições egoístas e nos ensina a considerar os outros superiores a nós mesmos. Este espírito de humildade nos protege do orgulho destrutivo e nos guia para um relacionamento saudável com Deus e com os outros.

A fonte verdadeira de alegria

Ao invés de condicionar nossas emoções ao reconhecimento humano ou às circunstâncias momentâneas, devemos buscar a alegria verdadeira no Senhor. Jesus nos oferece uma alegria completa e duradoura (João 15:11). Paulo exorta os cristãos a se regozijarem sempre no Senhor (Filipenses 4:4-7) e Pedro exorta-nos a lançar sobre Jesus todas as nossas ansiedades (1Pedro 5:7). Esta confiança em Deus nos fortalece contra a necessidade de aprovação externa e nos mantém firmes em meio às adversidades.

3. O devido lugar de honra

O rei Assuero perguntou: "Que se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada?" (Ester 6:6). Hamã, cheio de presunção, achou que o rei se referia a ele e sugeriu que o homem fosse vestido com a veste real, montasse o cavalo do rei, recebesse a coroa real e fosse conduzido por um dos maiores príncipes do rei, com uma proclamação pública: "Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!" (Ester 6:6-9). O rei imediatamente acatou a sugestão, mas Hamã não imaginava que o honrado seria Mardoqueu e que ele próprio teria que conduzi-lo pela cidade (Ester 6:10,11). Esta reviravolta deixou Hamã furioso e profundamente envergonhado (Ester 6:12).

Alegrar-se com a honra alheia

Devemos nos alegrar quando alguém é honrado. Incomodar-se com a honra alheia pode ser uma expressão de orgulho e inveja. A Bíblia nos ensina a honrar os que são dignos de honra, pois isso agrada a Deus (1Pedro 2:17; 1Tessalonicenses 5:12,13). Honra genuína não deve ser confundida com bajulação. É uma virtude reconhecer e celebrar as conquistas e virtudes dos outros, pois isso reflete um coração puro e humilde.

A humildade de Mardoqueu

Apesar da grande honra recebida, Mardoqueu voltou para a porta do rei (Ester 6:12). Sua reação demonstra uma humildade exemplar. A verdadeira honra não deve nos desviar de nossos deveres e responsabilidades. Honras efêmeras podem facilmente inflar nosso ego e nos fazer perder de vista nosso verdadeiro propósito. Manter os pés no chão e continuar servindo fielmente é uma característica dos verdadeiramente honrados.

III. A SÍNDROME DE IMPERADOR

1. A soberba de Hamã

Quando Hamã sugeriu ao rei Assuero como deveria ser honrado o homem de cuja honra o rei se agrada, ele revelou seu desejo de ser tratado como um imperador. Hamã queria a roupa de rei, o cavalo de rei e a coroa de rei (Ester 6:8). Este desejo desenfreado de honra e poder é uma clara manifestação de soberba e presunção. A síndrome de imperador, onde alguém deseja ser tratado como um monarca absoluto, é um problema antigo que ainda se manifesta em diferentes contextos hoje.

Síndrome de imperador nas famílias e o papel dos pais

Atualmente, a "síndrome do imperador" tem sido identificada em adolescentes e jovens. Esses jovens se comportam de maneira egocêntrica, reinam dentro e fora de casa, ditam as regras e exigem o que querem. Essa atitude pode ser resultado de uma educação permissiva e falta de limites claros. Sem correção adequada, esses filhos podem chegar à vida adulta como Hamã, cheios de soberba e presunção (Provérbios 23:13-14; 29:15,17,23; 30:17). É crucial que os pais entendam a importância da disciplina e do ensino dos valores corretos desde cedo.

Deus deseja que tenhamos famílias saudáveis, onde a disciplina e o amor coexistem em harmonia (Salmos 127:1-5; 128:1-6). Os pais têm um papel fundamental em guiar seus filhos com amor responsável, dedicando tempo de qualidade e vivendo em constante vigilância e oração (Hebreus 12:7-9; Jó 1:5; Salmos 144:12). A correção, quando feita com amor e sabedoria, é uma forma de demonstrar cuidado e preparar os filhos para uma vida de humildade e serviço.

Prevenindo a síndrome de imperador

Para prevenir a síndrome do imperador, é essencial que os pais:

a)   Estabeleçam limites claros. Crianças precisam de limites para entender o que é aceitável e o que não é. Esses limites devem ser consistentes e justos.

b)   Modelem comportamentos humildes. Os pais devem ser exemplos de humildade e serviço. As crianças aprendem observando os adultos ao seu redor.

c)   Encorajem a empatia. Ensinar as crianças a se colocarem no lugar dos outros ajuda a combater o egocentrismo.

d)   Promovam a responsabilidade. As crianças devem aprender a assumir responsabilidades adequadas à sua idade, desenvolvendo um senso de dever e cooperação.

e)   Dedicação de tempo de qualidade. O tempo de qualidade com os filhos fortalece os laços familiares e permite que os pais ensinem valores importantes de forma natural.

2. Um mau prenúncio

Depois de ser humilhado ao honrar Mardoqueu, Hamã voltou para casa arrasado. Ele esperava encontrar consolo na sua esposa e amigos, mas o que recebeu foi uma advertência ainda mais desalentadora. Eles declararam: “Se Mardoqueu, diante de quem já começaste a cair, é da semente dos judeus, não prevalecerás contra ele; antes, certamente cairás perante ele (Ester 6:13). Esta afirmação foi um mau prenúncio para Hamã, sinalizando que sua sorte estava prestes a mudar para pior.

Reconhecimento da providência Divina

A declaração dos amigos e da esposa de Hamã revela um reconhecimento implícito da providência divina sobre os judeus. Eles pareceram entender que a história dos judeus está repleta de episódios onde, apesar das adversidades, Deus intervém para proteger e salvar Seu povo. A percepção de que Hamã estava começando a cair diante de Mardoqueu, um judeu, reforça a crença de que forças maiores estavam em ação.

A história dos judeus é marcada por inúmeros episódios de sofrimento e ameaças, mas também de livramentos miraculosos. Desde a libertação do Egito até os tempos de Ester, os judeus experimentaram a intervenção divina de maneiras poderosas e inesperadas. A Bíblia está cheia de relatos onde Deus reverte situações aparentemente impossíveis para o bem do Seu povo (Êxodo 14:21-31; Daniel 3:16-28).

O desespero de Hamã

Hamã, que estava tão seguro de seu plano e de sua posição, agora se via confrontado com uma realidade que não conseguia controlar. A confiança de seus familiares e amigos na inevitabilidade da queda de Hamã, devido à sua oposição a Mardoqueu, apenas aumentou seu desespero. Esse momento marcou uma virada na narrativa, onde o orgulho e a presunção de Hamã começaram a ser recompensados com a ruína iminente.

Reflexão sobre soberba e humildade

A história de Hamã serve como um poderoso lembrete das consequências da soberba e do orgulho. Aqueles que se exaltam, eventualmente, serão humilhados (Lucas 14:11). Em contraste, a humildade e a confiança em Deus, como demonstrado por Mardoqueu e Ester, resultam em honra e livramento (1Pedro 5:6).

CONCLUSÃO

Este estudo sobre "A Humilhação de Hamã e a Honra de Mardoqueu" destaca a providência divina e a justiça de Deus em ação. Hamã, movido pela soberba e pelo ódio, acabou enfrentando a ruína, enquanto Mardoqueu, pela sua integridade e humildade, foi honrado pelo rei. Estes eventos sublinham a importância de confiar em Deus e agir com humildade, mostrando que, mesmo em situações difíceis, a justiça divina prevalece. A narrativa nos lembra que Deus está no controle e que a verdadeira honra vem de viver de acordo com Seus princípios.

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

EU E MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR



EU E MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR

Texto Bíblico: Josué 24:14-18,22,24

“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Josué 24:15).

Essa frase é um dos "slogans" mais famosos da Bíblia, mas sua profundidade vai muito além de um quadro decorativo na parede. Ela representa um pacto de liderança, coragem e herança espiritual.

Para este estudo, vamos analisar o contexto de Josué 24:15.

1. O Contexto: Um Momento de Decisão

Josué está velho e prestes a morrer. Ele reúne todas as tribos de Israel em Siquém para uma despedida. O povo estava cercado por influências de deuses estrangeiros (do Egito e dos Amorreus).

  • A escolha é urgente: Josué não força ninguém, mas exige uma posição. No Reino de Deus, a neutralidade não existe.
  • O "Se": "Se vos parece mal servir ao Senhor..." Josué mostra que servir a Deus deve ser um ato de vontade, não de imposição externa ou tradição vazia.

2. "Eu...": A Liderança pelo Exemplo

Note a ordem da frase. Josué começa com o "Eu".

  • Responsabilidade Individual: Antes de cobrar a família, o líder (pai, mãe ou responsável) deve ter sua própria experiência com Deus.
  • A Autoridade do Exemplo: Josué não disse "Minha casa servirá enquanto eu descanso". Ele se coloca na linha de frente. A espiritualidade do lar raramente supera a espiritualidade de quem o conduz.

3. "...e a Minha Casa": O Alvo da Aliança

Na Bíblia, a "casa" (oikos) representa mais do que as paredes; representa a linhagem, os filhos, os servos e a cultura familiar.

  • Proteção Espiritual: Josué entende que sua casa é o seu primeiro ministério.
  • Legado: Servir ao Senhor em família significa criar um ambiente onde os valores do Reino (perdão, amor, honestidade) são a regra, não a exceção.

4. "Serviremos ao Senhor": O Compromisso Prático

A palavra "servir" no hebraico (abad) significa trabalhar, cultivar e adorar.

  • Serviço não é apenas ir à igreja: É como a família trata os vizinhos, como gasta o dinheiro e como resolve conflitos.
  • Exclusividade: Servir ao Senhor implica em abandonar os "outros deuses" (que hoje podem ser o materialismo, o egoísmo ou o vício em entretenimento).

Resumo do Estudo para Reflexão

Pilar

Significado Prático

Decisão

Escolher diariamente o caminho de Deus em vez da cultura ao redor.

Exemplo

A transformação da família começa na vida devocional pessoal do líder.

Unidade

Orar, ler a Bíblia e servir juntos, criando memórias espirituais.

Constância

Manter o serviço a Deus mesmo quando as circunstâncias forem difíceis.

"Não foram as vitórias militares que definiram o sucesso de Josué, mas sua decisão final de submeter seu lar ao Criador."

INTRODUÇÃO

“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”. Esta é uma afirmação de fé por Josué no Antigo Testamento. Este versículo expressa o coração de um grande líder espiritual no final de sua vida. Nestas palavras simples encontramos a vontade de Deus expressamente afirmada. Josué é o exemplo de um homem que persistiu em ser fiel a Deus e que foi recompensado por sua fé. Mas ele fez questão de reafirmar a fé em Deus para a sua família.

Josué tomou a decisão junto com sua família para servir ao Senhor. Será que você e sua casa servirão ao Senhor? Precisamos estar cientes de que nossas decisões têm consequências boas ou más, não só sobre nós, mas também sobre outras pessoas. A decisão egoísta afeta nossas famílias de forma negativa. Da mesma forma, a decisão de servir a Deus influencia positivamente nossas famílias.  A família que serve fielmente ao Senhor jamais será destruída. Devemos servir ao Senhor e fazer tudo ao nosso alcance para ver que a nossa família siga o nosso exemplo. Que possamos dizer com ousadia: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.

I. JOSUÉ – UMA DECISÃO EXEMPLAR


1. A firme tomada de posição. Josué, ao término de seu governo, tomou uma posição firme e resoluta ao lado de sua família. Quando exortava o povo a se definir, ante a idolatria, ele disse: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Js 24:15). Ele deixou patente aos olhos do povo que a vida de adoração e fidelidade a Deus não pode dispensar a dimensão familiar.

A vida espiritual de Josué era tal que não bastava que ele, individualmente, servisse a Deus, mas se fazia necessário que fosse acompanhado de sua família e, por isso, havia se dedicado a cuidar para que sua casa também lhe seguisse. Obviamente que o fato de os seus filhos e demais descendentes serem fiéis a Deus era consequência de uma opção própria, mas a fidelidade, a obediência e o exemplo de Josué tinham sido fundamentais, preponderantes para que os seus resolvessem seguir lhe no serviço e adoração ao Senhor. Certamente, Josué reforçara esta necessidade ao vislumbrar o triste caso de Acã que, no seu desatino, acabou levando toda a sua família à perdição (Js 7:24-26). Acã pecara e levara toda a sua família a pecar com ele, pois, do modo como procedeu, fica claro que sua família estava ciente do pecado e com ele consentiu, dele se fazendo participante. É realmente triste quando a família deixa a graça de Deus (“Acã” significa “desgraça”) e se deixa levar pelo pecado. Pense nisso!

2. O perigo da omissão dos pais. A maior parte dos ataques contra a família cristã tem sucesso porque os líderes do lar não tomam posição desde cedo. Muitas vezes, as crianças são criadas fazendo o que bem querem e entendem. Os adolescentes ficam entregues a si mesmos, e os jovens têm absoluta independência. Esse é um modelo de família que não corresponde aos princípios bíblicos. A educação tardia, quando já são adolescentes ou jovens, tende a perder sua eficácia. A decisão de servir a Deus com a família deve ser o mais breve possível. Famílias que aceitam a Cristo, quando os filhos já são grandes tem maior dificuldades em levá-los aos pés do Senhor. A Palavra de Deus recomenda aos pais que criem os seus filhos “na doutrina e admoestação do Senhor” (Ec 6:4b). Essa decisão deve ser prioritária na vida dos pais. Assim agiu Josué, porque ele sabia que, de outra forma, não haveria esperança para o seu lar.

Paulo nos adverte: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (1Tm 5:8). O sacerdote Eli viu a glória de Israel desvanecer-se porque não corrigiu com energia os seus filhos néscios. Por não ter cuidado dos seus, teve sua casa amaldiçoada, perdeu os dois filhos num único dia e morreu com a péssima notícia do roubo da arca da aliança.

II. O EXEMPLO DECISIVO E CORAJOSO DE NOÉ



1. Noé andou com Deus. “Noé era varão justo e reto em suas gerações; Noé andava com Deus” (Gn 6:9). Noé tinha qualidades importantíssimas para um servo de Deus: era "varão justo" e "reto em suas gerações". Além disso, ele tinha a "graça" de Deus (Gn 6:8).

Não seria maravilhoso se um dia Deus dissesse de você: "este é um homem justo e reto." Ou: "esta é uma mulher reta(íntegra)”. Não é isto que você gostaria de ser? Mas por que Noé foi considerado um homem justo e reto? A Bíblia afirma: "Noé andava com Deus".

Lembra-se de Abraão? Ele é chamado "o Pai da Fé". Um dia Deus Se apresentou a ele e disse-lhe: "...Eu sou o Deus Todo-poderoso, anda na minha presença e sê perfeito" (Gn 17:1). Tudo que Deus esperava de Abraão era que ele andasse com Deus. O resultado disso seria uma vida de perfeição.

O que dizer de Davi? A Bíblia afirma que: "... achei a Davi filho de Jessé, varão conforme o meu coração..." (Atos 13:22). Ah se um dia Deus pudesse dizer isso de nós! O que mais poderíamos esperar? Mas, por que foi que Davi tornou-se "o homem conforme o coração de Deus"? Qual era a maior obsessão da vida de Davi? Nos Salmos 116 encontramos: "Andarei perante a face do Senhor, na terra dos viventes" (Salmos 116:9).

Você percebeu que existe uma frase que é denominador comum na vida de todos os homens mencionados? Isso mesmo! A frase é: "Andou com Deus". Todos eles foram perfeitos porque andaram com Deus. Existia um relacionamento maravilhoso de amor entre Deus e eles. Em sua experiência, tinham chegado ao ponto de não conseguirem mais viver separados de Deus. Por isso Deus os considerou perfeitos, santos, justos, íntegros e retos.

O interessante é que há sempre alguma coisa curiosa na vida de todos eles:

- Noé um dia ficou embriagado a tal ponto que tirou a roupa e ficou nu, dando um vexame para toda sua família. A despeito disso, Deus diz que ele era justo e reto entre seus contemporâneos.

- Abraão um dia foi tão covarde que teve medo de dizer que Sara era sua mulher e afirmando que era sua irmã, quase empurrou Faraó ao adultério. Os resultados teriam sido terríveis se Deus não interviesse milagrosamente. Mas, sabe o que Deus diz dele? "Abraão era perfeito". O apóstolo São Paulo até o chama de "o pai da fé".

- E o que dizer de Davi? Um dia ele mergulhou nas águas turvas do assassinato, da intriga e do adultério. E sabe o que a Bíblia diz dele? Que Davi era um homem "conforme o coração de Deus".

Para os seres humanos, uma pessoa é perfeita, santa, justa, íntegra, quando nunca comete nenhum erro, quando faz tudo certinho, quando cumpre todas as normas, leis e regulamentos. Para Deus, uma pessoa é perfeita quando se dispõe a andar com Ele, quando faz de Cristo o mais importante da vida. Quando compreende tudo o que Cristo fez na cruz por ele e clama por um novo coração capaz de amar, quando sente dor por todo o sofrimento que causou a Cristo com seus erros passados. Para Deus uma pessoa é perfeita quando olha para a cruz e se apaixona por Cristo a ponto de dizer: Ó Senhor Jesus, eu Te amo. Eu Te amo tanto que sem ti a vida não tem sentido. Ajuda-me, por favor a andar contigo!

Nesse instante, o maravilhoso Deus de amor derrama lágrimas de alegria e segura a fraca mão do homem com Sua mão poderosa. E no instante daquele toque, o passado fica apagado para sempre, não importa se fomos bêbados ou covardes, adúlteros ou assassinos, tudo fica enterrado. Porque naquele momento passamos a ocupar o lugar de Cristo. Ele nos oferece Seus méritos, sua vida vitoriosa, seu caráter perfeito e ao mesmo tempo toma sobre Si os nossos pecados e sofre a punição que merecemos por causa deles.

Enfim, Noé andou com Deus fielmente num mundo todo entregue ao pecado; nós devemos e podemos também. Ele é um exemplo significante para os pais de família de hoje, que vivem num mundo cujas características morais são semelhantes às do mundo na época de Noé. Os pais precisam andar com Deus para poderem ver sua família salva.

2. Vivendo numa sociedade corrompida. E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gn 6:5,11,12). Noé viveu numa das épocas mais terríveis, em termos morais e espirituais, um mundo corrompido, como o mundo atual, que desdenha da santidade, e valoriza a promiscuidade pecaminosa do homem sem Deus. A corrupção, a violência, a depravação sexual e outros males eram globais. Em toda a história, houve pecaminosidade, mas atualmente essa pecaminosidade tem sido aumentada em índices muito elevados que ultrapassam o que havia no tempo do patriarca do Dilúvio. Este é o tempo que precede a volta de Jesus (Mt 24:37,39). Pais de família estão perplexos quando veem seus filhos sendo levados pela onda avassaladora de imoralidade e corrupção. O que fazer? O exemplo de Noé é marcante e inspira confiar no Deus Todo-Poderoso.

3. A salvação de Noé e sua família. Apesar de todo o clima de rebeldia e de maldade reinantes na face da Terra, Noé alcançou graça aos olhos do Senhor. E como era um homem justo e temente ao Senhor, Deus revelou a Noé o Seu propósito de destruir o mundo, mas também o de salvá-lo da destruição, não somente a ele, como também a toda a sua família (Gn 6:18). Após essa revelação divina, Noé se esforçou para que o propósito divino se tornasse realidade.

Deus prometeu que salvaria Noé, mas Noé teve de construir a arca, como sinal de sua fé e obediência. Além de fé na palavra do Senhor e da obediência à ordem divina, o gesto de Noé em construir a arca revelou, também, o amor que tinha aos seus familiares (Hb 11:7). Esse amor de Noé também se evidencia pelo fato de ter propagado a mensagem divina a todos os homens de seu tempo durante a construção da arca (2Pe 2:5). Esta pregação, naturalmente, começou com a sua própria família, pois Noé tinha o propósito de salvar a sua família e, ao iniciar a construção da arca, deu conhecimento aos seus familiares do que se tratava.

A família de Noé foi salva, mas porque creu na mensagem pregada por ele. A salvação da família de Noé estava no propósito de Deus e a arca foi construída de forma a acolhê-la durante o dilúvio, porém esta salvação somente foi possível porque cada integrante da família de Noé entrou na arca (Gn 7:7). Caso os filhos e noras não tivessem entrado na arca, não teriam se salvado do dilúvio.

Noé fez a sua parte, construindo a arca, pregando a palavra, sendo o exemplo de fé e obediência a Deus para os seus familiares, mas a salvação dependeu do gesto de cada integrante da família. Obviamente que a fidelidade, a obediência e o exemplo dados por Noé foram decisivos para que seus familiares cressem na palavra do Senhor e entrassem na arca. Deus criou todos os meios e as condições para que a família toda fosse salva e cumpriu a Sua promessa de salvá-la, tendo os seus integrantes confiados no Senhor.

Assim é que devemos também fazer com relação a nossas famílias: crer na palavra do Senhor, obedecer às ordens divinas, pregar a palavra aos nossos familiares e vivê-la para servirmos de exemplo. A decisão de se salvar é individual, depende de cada integrante da família, mas, se nos esforçarmos, seremos um elemento preponderante na escolha pela vida de nossos familiares. Deus tem interesse em salvar nossas famílias e devemos agir de modo a que isto se torne uma realidade.

 


III. O EXEMPLO DOS RECABITAS

Na história da humanidade Deus sempre teve um remanescente fiel que lhe agradava e não se conformava com o sistema vil do mundo. Esses lhe eram peculiares pelo fato de servirem de modelo para os povos contemporâneos e futuros. Foi assim que aconteceu com a família dos recabitas.

1. Uma família exemplar. Os recabitas eram nômades, provavelmente descendentes dos quenitas (ou queneus). Moisés era casado com uma quenita (Juízes 1:16), filha de Jetro. Este povo se juntou aos hebreus em sua caminhada para a terra de Canaã.

O ascendente direto dos recabitas foi Recabe (1Cr 2:55), sobre quem pouco sabemos. Sabemos mais sobre um de seus descendentes, Jonadabe (Jr 35:6).

O rei Saul demonstrou bondade para com eles (1Sm 15:6), pela simpatia que sempre demonstraram para com os hebreus.

Jonadabe trabalhou com Jeú, no século 9 a.C., quando o rei, contemporâneo de Eliseu, se empenhou na destruição dos seguidores de Baal em Israel (cf 2Rs 10:15-28).

A maioria dos Quenitas morava em cidades, adotando um estilo de vida urbano (1Sm 30:29). No entanto, Jonadabe convocou seus descendentes a um novo tipo de vida, renovando-lhes o sentido de sua existência. Jonadabe pediu ao seu clã que conservasse uma vida simples, sem consumo de bebida alcoólica (vinho), sem construção de casas e sem a formação de fazendas. Até à época de Jeremias permaneciam fiéis ao estilo de vida implantado pelo fundador: Jonadabe, filho de Recabe. Eram miais de 200 anos de fidelidade.

Os recabitas entram na história do povo de Deus de maneira heróica. Jonadabe, fundador do clã, participou com Jeú (rei de Israel) do extermínio da casa de Acabe e dos sacerdotes de Baal, conforme 2Reis 10:15ss. Jonadabe identificou-se com aquele que zelava pelo Senhor e por fazer cumprir as palavras proféticas contra a casa de Acabe. Apesar dos desvios de Jeú e de outros líderes em Israel, os recabitas mantiveram-se fiéis à Lei de Deus, embora não passassem de forasteiros entre os hebreus.

Honravam a tradição de seus antepassados. Os recabitas foram obedientes e demonstraram respeito às tradições de seus pais -” Assim, ouvimos e fizemos conforme tudo quanto nos mandou Jonadabe, nosso pai" (Jr 35:10). Jonadabe é um exemplo de pai. Ele deixou uma instrução. Certamente, não falou apenas uma vez, mas ensinou com palavras e com atos de compromisso, e com tal intensidade, que marcou seus filhos, netos e bisnetos. É uma família exemplar. Se quisermos agradar ao Senhor, precisamos obedecer-lhe. A obediência é uma prova do nosso amor a Deus.

2. Um exemplo de fidelidade. Quando Nabucodonozor invadiu a terra de Judá, os recabitas se refugiaram em Jerusalém (Jr 30:11), e lá Jeremias foi encontrá-los, enviado por Deus. Talvez Jeremias já os conhecesse, porque eles exerciam a profissão de metalúrgicos, tão importantes à época. Talvez Jeremias deva ter pensado: "vamos ver se esse pessoal resiste ao meu convite". Imagino que Jeremias sabia que aquela gente era cônscia de que ele era um profeta de Deus; logo, eles iam levar a sério sua palavra. Muitos, talvez, duvidassem que aqueles nômades resistissem a prova de Jeremias. Quem sabe se muitos não faziam até mesmo apostas, semelhantes àquelas que ainda são feitas quando há um desafio a enfrentar por parte de alguém que será provado. Todavia, a resposta deles foi de uma fidelidade a toda prova (cf Jr 35:6-11). Os recabitas permaneceram fiéis às suas convicções, e não desobedeceram aos princípios estabelecidos por seu antepassado (Jonadabe). Com essa dramatização, Deus queria exortar ao povo de Judá que o exemplo de fidelidade e temperança dos recabitas era digno de ser imitado. Por meio dessa dramatização Jeremias chamou a atenção para fidelidade e obediência dessa família à ordem do seu antepassado.

Por sua fidelidade, Deus recompensa os recabitas: “E à casa dos recabitas disse Jeremias: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Visto que obedecestes ao mandamento de Jonadabe, vosso pai, e guardastes todos os seus mandamentos, e fizestes conforme tudo quanto vos ordenou, assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Nunca faltará varão a Jonadabe, filho de Recabe, que assista perante a minha face todos os dias” (Jr 30:18,19). Todos os crentes que conhecem os ensinos divinos e os praticam fielmente para honrarem ao Senhor, à igreja e aos pais receberão a bênção e a recompensa do Senhor.

Os recabitas tornaram-se um singular exemplo de moderação, prudência e fidelidade a todo o povo de Deus. Isto nos mostra que, mesmo em tempos de grande apostasia, Deus tem servos fiéis, que não se afastam de seus mandamentos. A fidelidade aos princípios divinos fez a diferença no caso dos recabitas, e o mesmo acontece com aqueles que insistem em ser fiéis ao Senhor em tempos de esfriamento espiritual.

A fidelidade e a temperança dos recabitas ficaram gravadas para sempre nos anais da literatura bíblica como um exemplo vivo de uma devoção completa que Deus procura no homem. O propósito dos recabitas viverem separados do mal deve ser o alvo dos verdadeiros seguidores de Cristo. Todos os pais crentes devem, da mesma maneira que Jonadabe, ensinar aos filhos os princípios santos que os ajudarão a permanecer fiéis a Deus e à sua Palavra. Pense nisto!

CONCLUSÃO

Assim como Josué deu um bom exemplo para sua família seguir a Deus, cada homem cristão deve fazer uma declaração semelhante à família que o Senhor lhe deu.  A quem você servirá hoje? “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.

 “O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz” (Nm 6:24-26).

 


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