sexta-feira, 8 de maio de 2026

GOGUE E MAGOGUE – UM DIA DE JUÍZO

 


GOGUE E MAGOGUE – UM DIA DE JUÍZO

 

Texto Bíblico Ezequiel 38:1-6; 39:1-10

” E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar para as ajuntar em batalha” (Ap.20:8).

Ezequiel 38:

1.Veio mais a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

2.Filho do homem, dirige o rosto contra Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal, e profetiza contra ele.

3.E dize: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal.

4.E te farei voltar, e porei anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos bizarramente, congregação grande, com escudo e rodela, manejando todos a espada;

5.persas, etíopes e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete;

6.Gomer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, da banda do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo.

Ezequiel 39:

1.Tu, pois, ó filho do homem, profetiza ainda contra Gogue e dize: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu sou contra ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal.

2.E te farei voltar, e te porei seis anzóis, e te farei subir das bandas do Norte, e te trarei aos montes de Israel.

3.E tirarei o teu arco da tua mão esquerda e farei cair as tuas flechas da tua mão direita.

4.Nos montes de Israel, cairás, tu, e todas as tuas tropas, e os povos que estão contigo; e às aves de rapina, e às aves de toda a asa, e aos animais do campo, te darei por pasto.

5.Sobre a face do campo cairás, porque eu falei, diz o Senhor JEOVÁ.

6.E enviarei um fogo sobre Magogue e entre os que habitam seguros nas ilhas; e saberão que eu sou o SENHOR.

7.E farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo de Israel e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Santo em Israel.

8.Eis que é vindo e se cumprirá, diz o Se­nhor JEOVÁ; este é o dia de que tenho falado.

9.E os habitantes das cidades de Israel sairão, e totalmente queimarão as armas, e os escudos, e as rodelas, com os arcos, e com as flechas, e com os bastões de isso por sete anos.

10.E não trarão lenha do campo, nem a cortarão dos bosques, mas com as armas acenderão fogo; e roubarão aos que os roubaram e despojarão aos que despojaram, diz o Senhor JEOVÁ.

INTRODUÇÃO

As passagens de Ezequiel 38 e 39 são alguns dos textos mais intrigantes e estudados da literatura profética e apocalíptica bíblica. Elas descrevem uma coalizão de nações que se levanta para atacar Israel, culminando em uma intervenção divina dramática.

Aqui está um resumo estruturado sobre o que esses capítulos abordam:

1. Quem são Gogue e Magogue?

A identidade exata desses nomes é alvo de debates teológicos e históricos há séculos:

  • Gogue: É descrito como o "príncipe maior" (ou príncipe de Rôs), o líder individual ou título do comandante que lidera a invasão.
  • Magogue: No livro de Gênesis (Tabela das Nações), Magogue é um dos filhos de Jafé. Em Ezequiel, refere-se à terra ou à região de onde Gogue se origina. Historicamente, muitos estudiosos associam essa região aos povos ao norte de Israel, como os antigos citas.
  • A Coalizão: Gogue não vem sozinho. Ele lidera uma confederação que inclui Persia (atual Irã), Etiópia (Cuxe), Pute (Líbia), Gomer e Togarma (frequentemente associadas a regiões da Turquia e Ásia Central).

2. O Cenário da Invasão (Capítulo 38)

O texto descreve um tempo em que o povo de Israel estaria reunido de entre as nações, habitando em "aldeias sem muros" e vivendo em relativa segurança.

  • A Motivação: Gogue é movido por um pensamento maligno de "subir contra a terra das aldeias não muradas" para saquear e tomar despojo.
  • O Controle Divino: Um detalhe teológico importante no texto é que Deus afirma: "Porei anzóis nos teus queixos e te levarei" (Ez 38:4). Isso sugere que, embora a intenção de Gogue seja má, ele está sendo atraído para um julgamento final planejado por Deus.

3. A Derrota e o Julgamento (Capítulo 39)

A batalha não é vencida por exércitos humanos, mas por fenômenos naturais e intervenção divina direta:

  • Elementos da Natureza: Deus envia um grande terremoto, peste, chuva inundante, pedras de saraiva, fogo e enxofre.
  • A Magnitude da Derrota: A destruição é tão vasta que o texto menciona dois fatos impressionantes para ilustrar o volume de baixas:
    1. Combustível por 7 anos: Os instrumentos de guerra deixados para trás servirão de lenha para os habitantes de Israel por sete anos.
    2. 7 meses de sepultamento: Levará sete meses para enterrar todos os mortos e "limpar a terra", em um local que será chamado de Vale de Hamon-Gogue.

4. O Propósito Teológico

O objetivo final desta profecia, repetido várias vezes nos capítulos, é o reconhecimento da soberania divina:

"Assim, eu me engrandecerei, e me santificarei, e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o Senhor." (Ez 38:23)

Para o povo de Israel, a mensagem serve como uma garantia de proteção futura, reafirmando que, mesmo diante de uma ameaça global, a restauração prometida por Deus não seria revogada.

5. Relação com o Apocalipse

É comum confundir esta profecia com a menção de "Gogue e Magogue" no livro de Apocalipse 20:8. Embora os nomes sejam os mesmos, muitos intérpretes veem eventos distintos:

  • Em Ezequiel, a invasão parece ocorrer em um contexto de restauração nacional.
  • Em Apocalipse, o termo é usado de forma mais simbólica para representar a rebelião final das nações contra o Reino de Deus ao fim do Milênio.

I. SOBRE A IDENTIDADE DOS POVOS INVASORES (PARTE 1)

1. Os invasores (Ez.38:5,6; 39:2)

“persas, etíopes e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete; Gomer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, da banda do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo. E te farei voltar, e te porei seis anzóis, e te farei subir das bandas do Norte, e te trarei aos montes de Israel”.

Ezequiel 38:5,6 e 39:2 mostram quem serão os invasores de Israel, liderados pelo “príncipe de Rosh” (Ez.38:2). Para muitos estudiosos das profecias de Ezequiel 38 e 39, Gogue é o príncipe de Rosh, ou o presidente de Rosh, pelo que, será provavelmente o presidente da Rússia, uma vez que Rosh era um dos antigos nomes dados à Rússia moderna. É necessário, pois, identificar esses povos no contexto em que vivia o profeta e procurar identificá-los nos tempos atuais, quando possível; isso tornará a profecia compreensível e mais vívida em nossos dias. Com a ajuda de alguns estudiosos e historiadores, apontamos esses invasores da seguinte forma:

a) Pérsia. Incluído nesta aliança está o reino da Pérsia que, nos dias de Ezequiel, era um poder menos conhecido ao leste da Babilônia. Hoje, a Pérsia é conhecida como Irã e existe como uma das maiores ameaças à nação de Israel. Em nenhum outro momento da história houve uma aliança em que a Pérsia e a Rússia se uniram contra a terra de Israel. Hoje a Rússia é aliada do Irã, fornecendo tecnologia nuclear ao país, ajudando-o a construir usinas nucleares e sistemas de centrifugação. O Irã também contratou a Rússia para comprar sistemas sofisticados de defesa antimísseis e aeronaves para protegê-lo das ameaças de Israel de destruir suas ambições nucleares. Na guerra atual entre a Rússia e a Ucrânia, noticia-se que Irã está fornecendo drones kamikazes para atacar a infraestrutura da Ucrânia. Isto é um forte sinal de aliança inquebrável entre estas duas nações. A Pérsia (Irã), juntamente com outras nações do Norte, atacará Israel nos “últimos dias”.

b) Etiópia. “Cush” é o nome antigo da Etiópia, que inclui as nações ao sul do Egito. Embora a Etiópia seja historicamente uma nação cristã, os muçulmanos fizeram grandes incursões para ganhar poder não apenas na Etiópia, mas também no Sudão. Essas nações estão unidas em seu ódio contra Israel.

c) Líbia (Pute). Este é outro aliado da Rússia e outra nação islâmica com uma história de ser um inimigo da nação de Israel. É uma nação antiga fundada por comerciantes fenícios como uma colônia. O general Hannibal é um dos descendentes mais famosos desta terra. Atualmente sua população é composta de 97% de muçulmanos sunitas, desde 1966. Na época do ditador Muamar Al-Khadaffi, por muitos anos, a Líbia foi um dos principais financiadores dos terroristas árabes, em especial dos palestinos, tendo tido sempre alinhamento com a União Soviética.

A profecia de Ezequiel diz que estes países - Irã, Etiópia e Líbia - estarão com “escudo e capacete”, ou seja, a expressão bíblica indica que participarão da operação militar desencadeada pela Rússia com soldados, pois escudo e capacete são equipamentos utilizados pelos soldados, o que nos permite vislumbrar que se tentará uma guerra convencional.

d) Gomer. Originalmente, é o filho mais velho de Jafé, irmão de Magogue (Gn.10:2). O povo descendente de Gomer fará parte da aliança contra Israel nos últimos dias. No capítulo 10 de Gênesis, Jafé é listado como tendo sete filhos, sendo quatro deles incluídos na lista de nações que virão contra a terra de Israel. Os judeus entendem que Gomer representa a Alemanha; o nome Alemanha é pensado por ter vindo do termo Gomerland. Além disso, os judeus da Alemanha são conhecidos como judeus asquenazes, em homenagem a Ashkenaz, um dos filhos de Gomer. “Os filhos de Gomer são: Asquenaz, Rifate e Togarma “(Gn.10:3).

e) Togarma. O quinto país aliado mencionado pela profeta é Togarma. Este é outro filho de Gomer, conhecido por trocar cavalos com os mercadores de Tiro (Ez.27:14). Este país é identificado com a Armênia, que fica a leste do Mar Negro, conhecida por sua criação e comércio de cavalos com a Pérsia e a Babilônia. Hoje a Armênia é identificada como aliada da Rússia e da Pérsia.

f) “muitas pessoas … com você” (Ez.38:6). A profecia mostra que a lista de nações não é abrangente, mas inclui outros grupos de pessoas nesta aliança de nações que vêm contra Israel. Essas nações poderiam invadir Israel com base em um mandato da ONU por causa da política de Israel em relação a seus vizinhos árabes. Os possíveis motivos para justificar um ataque a Israel podem ser os seguintes:

  • Israel pode atacar um Estado palestino declarado pelas Nações Unidas.
  • Israel pode rejeitar uma divisão mandatada pela ONU em Jerusalém.
  • Israel pode assumir o controle do Domo da Rocha em um esforço para começar a construção do terceiro Templo.
  • Israel pode revidar algum ataque à sua soberania sobre as suas reservas de gás.

Contudo, estas nações serão derrotadas pela intervenção divina. O capítulo 39 descreve a derrocada de Gogue e os seus confederados (Ez.39:4-6). Como podemos, pois, observar, os movimentos da política internacional continuam sinalizando para um estado de aliança político-militar entre a Rússia e as nações que a profecia bíblica indica serem aquelas que auxiliarão na frustrada invasão da Terra de Israel, na guerra que será promovida por Gogue, príncipe de Tubal e de Meseque, na terra de Magogue, contra o povo de Israel.

2. Compreendendo a profecia

Ezequiel descreve uma coalizão de nações que farão um ataque final contra Israel depois da restauração de Israel à sua pátria, na tentativa de destruir a nação e apossar-se da sua terra. A profecia de Ezequiel aponta para um período em que Israel se restabelecerá novamente como nação, ou seja, quando Deus fizer regressar o seu povo da diáspora vindo de todas as nações da terra (Ez.36:24). Alguém tem dúvida que isto já aconteceu? Certamente, não há dúvida! Logo, estamos no limiar desse impressionante acontecimento, que deixará a humanidade bastante apreensiva.

O profeta afirma que o líder dessas nações invasoras se chama Gogue (Ez.38:2-23). As nações invasoras, porém, não terão êxito, serão derrotadas pelo próprio Deus, que confundirá os exércitos invasores, de modo que algumas nações se voltarão contra os seus aliados. Ele também derrotará diretamente os exércitos por meio de terremotos, enfermidades e outros meios catastróficos (cf.Ez.38:21,22). Os exércitos de Gogue se encherão de terror por causa da peste e do sangue, chuva inundante, grandes pedras de saraiva, fogo e enxofre que Deus enviará (Ez.38:17-23). A destruição dos inimigos do povo de Deus traz à lembrança a promessa do Senhor em Isaias 54:17: “Toda arma forjada contra ti não prosperará [...] esta é a herança dos servos do Senhor”.

3. Gogue (Ez.38:2a; 39:1a)

O profeta descreve Gogue como “príncipe do Rôs, de Meseque e Tubal”, que, na opinião de alguns, são os nomes antigos da Rússia, de Moscou e de Tobolsk. Percebe-se, portanto, que este personagem, que a Bíblia denomina de Gogue, e que é o príncipe de Meseque e de Tubal, terá a audácia de invadir a terra de Israel, quando haverá uma relativa sensação de paz no meio do povo de Israel (“o povo que se ajuntou entre as nações”), buscando dominar os recursos naturais existentes na região. A primeira dificuldade que se tem é a identificação de quem seja Gogue. A Bíblia diz que se trata de uma pessoa, de uma autoridade, o príncipe de Meseque e de Tubal, lugares situados na terra de Magogue. Para que tenhamos condição de saber a que lugar o texto sagrado está se referindo, devemos verificar a relação de nações surgidas da confusão das línguas em Babel, o chamado “índice das nações”, que se encontra no capítulo 10 do livro de Gênesis. Lá está dito que, entre os filhos de Jafé, um dos filhos de Noé, estavam Magogue, Tubal e Meseque (Gn.10:2). Flávio Josefo, o grande historiador judeu, ao comentar esta relação de nações, indica que Magogue foi o pai dos citas, povo bárbaro que vivia, na época de Josefo (século I d.C.), na região que hoje pertence à Rússia, enquanto Tubal teria dado origem aos iberos, povo que habitou a região da Península Ibérica (Portugal e Espanha atuais) e Meseque teria sido o pai dos capadócios, povo que habitou a Capadócia, região que hoje pertence à Turquia (cf. Flávio JOSEFO. História dos hebreus).

O texto bíblico diz que Gogue é o príncipe de Tubal e de Meseque, que se encontram na terra de Magogue. Portanto, trata-se de uma autoridade que tem sua base na região que foi ocupada pelos Citas na época de Josefo, ou seja, a Rússia, que é o principal país que se situa ao norte de Israel, pois a profecia bíblica de Ezequiel diz claramente que este invasor virá do Norte (Ez.39:2) e, como foi muito bem demonstrado pelos estudiosos, em especial o pastor Abraão de Almeida, se traçarmos uma linha reta de Jerusalém rumo ao norte, esta linha passará por Moscou, a capital russa.

Mas como dizer que Gogue é uma autoridade da Rússia, se, como vimos, Tubal seria a nação dos iberos e Meseque, a nação dos capadócios, duas regiões bem distantes da Rússia e que nem sequer se situam precisamente no norte de Israel (pelo menos a Península Ibérica)? Muitos estudiosos, inclusive, ao analisarem o fato de Gogue ser chamado de “príncipe de Tubal e de Meseque”, associam os nomes bíblicos de Tubal e de Meseque, não aos filhos de Javé, ou seja, às nações surgidas das descendências destes dois filhos de Javé, mas, sim, a nomes de lugares, pois a referência à descendência, à nacionalidade, somente se dá na expressão “terra de Magogue” e, portanto, Tubal e Meseque seriam apenas nomes de locais. Assim, Tubal e Meseque, em Ez.38:2, não representariam as nações surgidas de Tubal e de Meseque, mas cidades da terra de Magogue, cidades que, edificadas por descendentes de Magogue, fazem menção, em seus nomes, a estes irmãos de Magogue, a título de homenagem, como se vê, por exemplo, no caso de Caim, que, ao edificar uma cidade, deu a ela o nome de seu filho Enoque (Gn.4:17).

As denominações proféticas destes locais, Tubal e Meseque, correspondem, nitidamente, em mais das inúmeras demonstrações da infalibilidade das Escrituras às localidades hoje conhecidas como Tobolsk e Moscou, que, não coincidentemente, são duas das principais cidades da Rússia. Com efeito, Tobolsk foi fundada pelos russos em 1587, quando eles começaram a ocupar a Sibéria (nome que recebe a parte norte da Ásia e que se confunde com a própria Rússia asiática), sendo, desde então, considerada a capital histórica da Rússia asiática, o símbolo do domínio russo sobre esta parte da Ásia. Moscou, por sua vez, capital do principado de Moscóvia, é a capital de toda a Rússia desde a unificação dos vários principados da região, o que se deu em 1495 sob o reinado de Ivã III. Antes, em 1453, logo após a queda de Constantinopla, Moscou fora considerada a nova capital da cristandade pelos cristãos orientais, a “terceira Roma”, o que demonstra como é antiga a pretensão dos russos de se arvorarem em estandarte da Cristandade Oriental e, assim, terem direito sobre a Terra Santa. Deste modo, percebemos, com clareza, que Gogue é o chefe da Rússia, ou seja, o governante da Rússia que, nos últimos tempos, resolverá invadir Israel juntamente com várias outras nações já definidas aqui.

II. SOBRE A IDENTIDADE DOS POVOS INVASORES (PARTE 2)



1. Magogue (Ez.38:2b; 39:1b, 6a)

Em Gênesis 10:2 Magogue é um dos filhos de Jafé, que era filho de Noé. De acordo com Ezequiel 38:2 é um povo cujo território será futuramente governado por Gogue (talvez já esteja ocorrendo). Em Ez.38:2, lê-se literalmente: “Firma bem a tua face contra Gogue, contra a terra de Magogue […]”. O historiador judeu Flávio Josefo (37-103 d.C.), mundialmente respeitado e conhecido pela sua obra "As Guerras dos Judeus", identifica Magogue com os Citas; estes eram originários daquilo que é hoje o Sul do Irão; eram guerreiros que montavam cavalos e que habitavam em muito do território que hoje compõe a Geórgia, a Arménia, e parte das regiões do sul da Ucrânia e da Rússia por cerca de 1300 anos, desde o 7º século a.C. até ao 4º século d.C. A costa Norte do Mar Negro era completamente cita. Mas o que há de tão especial com os Citas? Flávio Josefo tinha uma interessante teoria acerca deles e das terras onde viveram. Segundo as suas conclusões, aquelas terras onde eles habitaram eram Magogue, tal como lemos na Bíblia sobre Gogue e Magogue (Ez.38 e 39). É essa agora, pois, a razão da efervescência recente entre os estudiosos dos sinais apocalípticos, logo que os acontecimentos na Ucrânia começaram a despertar a atenção mundial. Para muitos estudiosos, a expectativa de estarmos a viver nos "últimos dias" é tão grande, que este é mais um grande sinal do fim, talvez o princípio do fim. No Novo Testamento os Citas aparecem juntamente com os bárbaros (Cl.3:11), e que, talvez, muitos deles tenham se convertido a Cristo.

2. Meseque e Tubal (Ez.38:2c; 39:1c)

Originalmente, assim como Magogue, Meseque e Tubal eram filhos de Jafé, que era filho de Noé (Gn.10:2). Como foi dito no item 3 do tópico I, Tubal e Meseque, em Ez.38:2, são cidades da terra de Magogue, cidades que, edificadas por descendentes de Magogue, fazem menção, em seus nomes a estes irmãos de Magogue, a título de homenagem, como se vê, por exemplo, no caso de Caim, que, ao edificar uma cidade, deu a ela o nome de seu filho Enoque (Gn.4:17). Estas denominações proféticas destes locais, Tubal e Meseque, correspondem, nitidamente, em mais das inúmeras demonstrações da infalibilidade das Escrituras, às localidades hoje conhecidas como Tobolsk e Moscou, que, não coincidentemente, são duas das principais cidades da Rússia.

3. A coalização de Gogue (Ez.38:5)

Como já foi dito no item 1 do tópico I, conforme a profecia de Ezequiel haverá uma coalizão de nações que farão um ataque final contra Israel depois de sua restauração como nação, na tentativa de destruí-la e apossar-se da sua terra. Com vimos, o líder dessas nações chama-se Gogue. As nações invasoras, porém, não terão êxito, serão derrotadas pelo próprio Deus. Por causa dessa invasão, Deus castigará a terra de Magogue; Ele enviará uma saraiva de fogo na terra de Magogue e nas áreas ao redor dela (Ez.39:6). Pela destruição dos exércitos das nações perversas e invasoras, o Senhor manifestará a sua glória de tal maneira que todos saberão que somente Ele é o Senhor (Ez.39:6).

“Far-te-ei que te volvas” (Ez.38:4). Deus está puxando essa aliança para Israel. O próprio Deus está envolvido nesta próxima batalha. Gogue é retratado como um animal com ganchos nas mandíbulas sendo puxados para o conflito; Deus coloca os ganchos nas mandíbulas de Gogue.

Todo o teu exército” (Ez.38:5). A profecia deixa claro que o exército que virá atacar Israel é uma força imensa que exigirá o enterro dos mortos por sete meses. Deus usará esses exércitos para se revelar às nações em seu conflito com Israel. As armas descritas no texto são termos com os quais Ezequiel e sua plateia estariam familiarizados - cavalos, cavaleiros, broquéis e espadachins. Ele faz menção a todos os tipos de armaduras, incluindo armas modernas.

Pelos últimos acontecimentos no mundo, principalmente na Ucrânia, essa coalizão brevemente será formada e a invasão será concretizada. Todos somos sabedores que Israel, hoje, é um país soberano, organizado política e economicamente, e considerado um dos países mais desenvolvido do mundo, apesar de sua recente independência, que se deu em 1948. E com a recente descoberta de gás, com uma reserva bastante volumosa, isto nos alerta que muito breve esse acontecimento se concretizará; já estamos vendo o movimento do tabuleiro no mundo político; já estamos vendo as angústias das nações tomando posições para este momento espetacular e ao mesmo tempo desastroso da história. Mas, não somente Israel será afetado, também todos os países do mundo sofrerão as sequelas desse conflito, haja vista que estamos vivendo num mundo globalizado, em que um país afetado pelo outro terá reflexo aos demais. A Igreja, mais do que nunca, precisa estar alerta e observando todos esses acontecimentos, pois a iminência da volta do Senhor nunca foi tão vibrante e audível.

III. SOBRE O CONTEXTO ESCATOLOGICO



1. Gogue e Magogue

Como já foi dito anteriormente, Gogue, da terra de Maogogue, será o líder político que organizará uma aliança de nações contra Israel. Ezequiel o identifica como o “príncipe de Rosh, Meseque e Tubal”. O historiador judeu Josefo identificou a terra de Magogue como Cítia, a progenitora da Rússia, ao norte de Israel. Também na tabela das nações, Gênesis capítulo 10, Magogue é identificado como um dos filhos de Jafé. Portanto, na época de Ezequiel e no futuro, sua prole seria uma nação importante. Gogue de Magogue liderará a aliança de nações contra Israel, mas a profecia deixa claro que essas nações serão derrotadas vergonhosamente (Ez.39:4), e o nome de Deus será glorificado entre seu povo e entre as demais nações (Ez.39:7).

2. Como a Rússia aparece nesse contexto?

Aparece no contexto porque a profecia diz que a iniciativa da invasão é do “príncipe e chefe de Meseque e Tubal” (Ez.38:2 - ARC). Na Almeida e Atualizada diz: “príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal”. A palavra hebraica para chefe é “Ro’sh”, de significado amplo - “cabeça, chefe, pico, monte, parte superior”. Algumas traduções o traduzirão como príncipe principal em vez de príncipe de Rosh, com base em suas opiniões. Independentemente disso, Gogue é identificado como um líder do extremo norte, que é o chefe dos descendentes de Meseque e Tubal, na terra de Magogue. Foi a semelhança de Sons e a localização geográfica que levou muitos estudiosos a identificarem Rosh com a Rússia; Meseque, com Moscou, atual capital da Rússia; e Tubal com To­bolsk, cidade russa.

3. Origem da interpretação

“Esse pensamento não veio dos pentecostais e nem se trata de uma ideia oriunda dos dispensacionalistas, como equivocadamente dizem os críticos. Essa interpretação vem de longe, desde Gesenius (1787-1842), famoso orientalista alemão. Em seu léxico hebraico, o Roshe de Ezequiel 38.2 são os russos. Depois da Guerra Fria, o assunto foi ficando no esquecimento. Mas com a guerra da Ucrânia em 2022, a relação entre Rússia e o Ocidente está voltando ao cenário mundial, o que era antes da Queda do Muro de Berlim em 1989” (LBM.CPAD).

“O importante em nosso estudo não é a identidade de Gogue e seus confederados, isso são detalhes, mas mostrar ao mundo a veracidade da Palavra de Deus. Os expositores céticos das Escrituras, aqueles que não acreditam em milagres e nem na possibilidade de o Espírito anunciar as coisas futuras por meio dos profetas, procuram explicar as profecias que já foram cumpridas como se fossem extraídas do fato ocorrido. Eles chamam essa suposta” pia fraude” de vaticinium ex eventu,” vaticínio-predição-oráculo a partir do evento fato”, como se a profecia fosse escrita depois do acontecimento. Agora, com o cumprimento de profecias bíblicas na atualidade, eles não têm argumento em favor do vaticinium ex evento” (Esequias Soares).

CONCLUSÃO

Aprendemos neste estudo, conquanto superficialmente, sobre uma coalizão de nações, liderada por um governante poderoso, que achamos que seja o governante da Rússia, que pretenderá invadir a nação de Israel “no fim dos anos” (cf. Ez.38:8), isto é, nos últimos dias (que todos sabemos que é o período histórico que se inicia com o final da dispensação da graça e vai até o final da história, no término do milênio). Aprendemos também que o conflito descrito no livro do profeta Ezequiel não deve ser confundido com dois outros eventos que também ocorrerão, a saber: a batalha do Armagedom, que é o conflito que haverá entre os exércitos do Anticristo e Israel, que ocorrerá no final da Grande Tribulação; e a rebelião final de Gogue e Magogue, ou seja, o conflito que haverá entre os que se rebelarem contra o reino de Cristo, no final do milênio, que é descrita em Ap.20:7-10.

Vimos que Tubal e Meseque, na terra de Magogue, é a Rússia e, portanto, o que a Bíblia nos diz é que o governante da Rússia invadirá Israel, querendo tomar-lhe as riquezas. Para tanto, chefiará uma aliança de nações. A Bíblia diz que esta decisão de Gogue se dará quando houver uma sensação de paz na região do Oriente Médio. O texto sagrado afirma que Gogue, ao contemplar que os moradores de Israel estão seguros, decidirá pelo ataque (Ez.38:11). Esta afirmativa bíblica explica porque a União Soviética, em pleno capitalismo de estado, nunca poderia ter sido a potência que invadiria Israel. Para que haja a invasão, a Bíblia diz que deveria haver um sentimento de segurança em Israel e a política soviética à época era, precisamente, a de causar intranquilidade no Oriente Médio, pois a Guerra Fria nada mais era que uma sequência de atitudes de instabilidade que tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética semeavam nos demais países, a fim de favorecer ou enfraquecer os governos que lhes eram alinhados, ou não. Enquanto perdurasse a Guerra Fria, jamais poderia haver clima favorável à paz no Oriente Médio e isto é uma condição indispensável para que haja este conflito entre Israel e Magogue. Vemos, portanto, claramente, que jamais a guerra predita em Ez.38 e 39 poderia ser considerada a derrocada final do comunismo, como foi alardeado, pois a existência da Guerra Fria impediria que houvesse uma sensação de segurança e de paz na Palestina, que é predito como sendo o ambiente a ser vivido por Israel quando ocorrer essa invasão. Estejamos, pois, preparados porque Jesus breve virá!

 


quarta-feira, 6 de maio de 2026

O JUSTO, PELA SUA FÉ VIVERÁ.



O JUSTO, PELA SUA FÉ VIVERÁ.

TEXTO BÍBLICO: HABACUQUE 2:4-b  “ mas o justo pela sua fé viverá.”

A frase "O justo, pela sua fé, viverá" é o ponto central do livro do profeta Habacuque e uma das declarações mais influentes de toda a Bíblia. Ela aparece originalmente em Habacuque 2:4, em um momento de profunda crise nacional e espiritual em Judá.

Para entender o peso dessa afirmação, é preciso olhar para o contexto do diálogo entre o profeta e Deus.

1. O Dilema de Habacuque

Diferente de outros profetas que levam a mensagem de Deus ao povo, Habacuque leva os questionamentos do povo a Deus. Ele estava angustiado por dois motivos:

  • A injustiça interna: Ele via a violência e a corrupção em Judá e não entendia por que Deus não intervinha.
  • A resposta divina: Quando Deus responde que usaria os babilônios (caldeus) para punir Judá, Habacuque fica ainda mais perplexo. Como um Deus santo poderia usar uma nação muito mais ímpia e cruel para castigar um povo que, teoricamente, era o Seu?

2. A Resposta de Deus (Habacuque 2:4)

É no ápice dessa dúvida que Deus ordena que Habacuque escreva a visão em tábuas. O versículo 4 apresenta um contraste fundamental:

"Eis que a sua alma se incha, não é reta nele; mas o justo, pela sua fé, viverá."

  • O Orgulhoso (Babilônia): Representa aquele que confia na própria força, no poder militar e na arrogância. Esse estilo de vida é instável e destinado à ruína.
  • O Justo: No hebraico original, a palavra para fé é emunah, que carrega o sentido de fidelidade, firmeza e constância. Viver pela fé, para Habacuque, não era apenas crer intelectualmente, mas permanecer firme e fiel a Deus mesmo quando as circunstâncias ao redor (guerra, escassez, injustiça) sugeriam que Deus estava ausente.

3. A Relevância no Novo Testamento

Essa pequena frase de Habacuque tornou-se a base teológica para o Novo Testamento, sendo citada em três momentos cruciais que definiram o pensamento cristão:

  1. Romanos 1:17: Paulo a utiliza para mostrar que a justiça de Deus é recebida pela fé, e não pelas obras da lei. Foi o versículo-chave que inspirou Martinho Lutero na Reforma Protestante.
  2. Gálatas 3:11: Usada para enfatizar que ninguém é justificado diante de Deus por seguir regras, mas pela confiança no sacrifício de Cristo.
  3. Hebreus 10:38: Citada para encorajar cristãos perseguidos a não retrocederem, mantendo a perseverança (exatamente como Habacuque precisou fazer).

4. O Resultado da Fé: O Cântico Final

O livro termina não com a mudança das circunstâncias (a invasão babilônica ainda ocorreria), mas com uma mudança no coração do profeta. A compreensão de que o justo vive pela fé leva Habacuque ao famoso poema de confiança no capítulo 3:

"Ainda que a figueira não floresça..., todavia, eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação." (Habacuque 3:17-18)

Em resumo, a mensagem de Habacuque é que a fé não é um salto no escuro, mas uma ancora na fidelidade de Deus, permitindo que o indivíduo permaneça íntegro enquanto o mundo ao redor parece desmoronar.


O Livro de Habacuque



A declaração de Habacuque de que o justo viverá por sua fé (2.4) é o texto-chave do AT usado por Paulo em sua teologia da justificação. O apóstolo cita o versículo em Rm 1.17 bem como em Gl 3.11 (cf. também Hb 10.37,38).

1.1 HABACUQUE. Habacuque profetizou a Judá entre a derrota dos assírios, em Nínive, e a invasão de Jerusalém pelos babilônios (605-597 a.C.).

(1) O livro é único no seu gênero por não ser uma profecia dirigida diretamente a Israel, mas sim um diálogo entre o profeta e DEUS. Habacuque queria saber por que DEUS não fazia algo a respeito da iniquidade que predominava em Judá. DEUS lhe responde, então, que enviaria os babilônios para castigar a Judá.

(2) Esta resposta deixou o profeta ainda mais confuso"Por que DEUS castigaria seu povo através de uma nação mais ímpia do que ele"? No fim, Habacuque aprende a confiar em DEUS, e a viver pela fé da maneira como DEUS o requer: independentemente das circunstâncias.


1.2-4 ATÉ QUANDO... CLAMAREI EU? 
Habacuque ora a DEUS, pedindo-lhe que pusesse fim à iniquidade que reinava entre o povo do concerto. DEUS, no entanto, parecia nada fazer a respeito, a não ser tolerar a violência, a injustiça e a destruição dos justos. As perguntas do profeta têm a ver com um antiquíssimo tema: "Por que DEUS demora tanto em castigar a iniquidade?" e "Por que nossas orações geralmente não são prontamente atendidas?". Note, todavia, que tais queixas vinham de um coração cheio de fé num DEUS justo.


1.5-11 REALIZO... UMA OBRA. 
DEUS responde a Habacuque, e diz-lhe já ter planos para castigar Judá pelos seus pecados. DEUS lançaria mão dos implacáveis babilônios a fim de corrigir a Judá. O fato de DEUS usar um povo tão ímpio e pagão para castigar o seu povo deixara o profeta atônito. Era algo que parecia incrível ao povo de DEUS.


1.12 NÃO ÉS TU DESDE SEMPRE? 
Habacuque fica horrorizado pelo fato de DEUS usar uma nação tão iníqua para atacar a Judá. Mas ele sabe que DEUS não permitiria que os babilônios aniquilassem a nação judaica, pois, mediante tal destruição, estaria cancelando seu propósito redentor à raça humana.


1.13 NÃO PODES VER O MAL. 
Esta expressão não significa que DEUS seja incapaz de perceber o mal, pois Ele a tudo observa. Ele é onisciente. Pelo contrário: significa que DEUS jamais contempla o mal para tolerá-lo ou apoiá-lo. O que deixou Habacuque perplexo foi o uso que DEUS fez dos ímpios babilônios. Tem-se a impressão de que Ele tolerava os pecados destes enquanto castigava Judá que, a despeito de todos os seus pecados, não deixava de ser uma nação mais justa que os filhos de Babilônia.


2.2-20 ESCREVE 
A VISÃO. No capítulo 2, DEUS responde a Habacuque acerca da predominância do mal no mundo, e do possível aniquilamento dos justos. O Senhor declara que viria um tempo em que todos os ímpios haveriam de ser destruídos, e que os únicos a ficarem firmes seriam os justos - os que se relacionam com DEUS através da fé (ver v. 4).



2.3 A VISÃO... PARA O TEMPO DETERMINADO. A solução do problema de Habacuque viria somente no "tempo determinado" por DEUS. (1) Então, seria colocado um ponto final à iniquidade do mundo. Os fiéis de DEUS teriam de "esperá-lo", ainda que parecesse levar tanto tempo. (2) A semelhança de Habacuque, devemos esperar a justa intervenção de DEUS no fim desta era. Quando CRISTO levar os justos deste mundo, toda a iniquidade será aniquilada (ver 1 Ts 4.16-17)


2.4 O JUSTO, PELA SUA FÉ, VIVERÁ. 
É o "justo" que, no fim, emergirá vitorioso.

(1) Os retos são contrastados com os orgulhosos e ímpios. Os corações dos justos voltam-se a DEUS, pois o têm como Pai. Possuem estreita comunhão com Ele, e lhe obedecem a vontade.

(2) Os justos devem viver neste mundo mediante a sua fé em DEUS. "Fé", aqui, significa firme confiança em DEUS e na retidão dos seus caminhos. É uma lealdade pessoal a Ele como Salvador e Senhor. É também a perseverança moral para seguir os seus caminhos. Paulo desenvolve este tema em Rm 1.17 e Gl 3.11 (cf. Hb 10.38.


2.6-20 AI DAQUELE. 
Estes versículos pronunciam os ais do juízo contra todo aquele cuja "alma... não é reta nele" (v. 4). Tais pessoas serão condenadas por causa de sua agressão (vv. 6-8), injustiça (vv. 9-11), violência e crime (vv. 12-14), imoralidade (vv. 15-17) e idolatria (vv. 18-20).


3.1-19 ORAÇÃO. 
Este capítulo retrata o modo pelo qual Habacuque reage à resposta que DEUS lhe dera no capítulo dois. Entre o pecado do mundo e o juízo divino, o profeta aprendera a viver pela fé em DEUS, e a confiar na sabedoria dos seus caminhos.

3.2 AVIVA, Ó SENHOR, A TUA OBRA NO MEIO DOS ANOS. Habacuque sabia que o povo de DEUS havia pecado, e, consequentemente, seria submetido ao juízo divino. Nestas circunstâncias, faz duas petições:

(1) Pede a DEUS que apareça entre o seu povo com nova manifestação de poder. Habacuque está ciente de que o povo não sobreviveria se o Senhor não interviesse com um derramamento de sua graça e de seu ESPÍRITO. Somente assim haveria verdadeira vida espiritual entre os fiéis.

(2) Habacuque ora para que DEUS se lembre da misericórdia em tempos de aflição e angústia. Sem a sua misericórdia, o povo haveria de perecer. Hoje, com os alicerces da igreja sendo abalados, quando há aflição por todos os lados, imploremos ao Senhor que torne a manifestar sua misericórdia e poder para que haja vida e renovação entre o seu povo.


3.3-16 DEUS VEIO. 
Nestes versículos, Habacuque refere-se à ocasião em que DEUS livrou o seu povo do Egito (ver Êx 14). O mesmo DEUS que viera com salvação no passado, voltaria em toda a sua glória. Todos quantos esperavam sua vinda, viveriam e veriam seu triunfo sobre impérios e nações.


3.18-19 EU ME ALEGRAREI NO SENHOR. 
Habacuque testifica que servia a DEUS não por causa das suas dádivas, mas porque o Senhor é DEUS. Mesmo em meio ao castigo divino derramado sobre Judá (v. 16), o profeta opta por regozijar-se no Senhor. DEUS seria a sua salvação e o manancial inesgotável de suas forças. Ele sabia que um remanescente fiel haveria de sobreviver à invasão babilônica, por isso proclama com confiança a derradeira vitória dos que vivem pela fé em DEUS (cf. 2.4).


1- Habacuque - seu contexto e personalidade

São poucas, porém preciosas, as informações históricas fornecidas neste tópico. Algumas foram extraídas de fontes comuns a qualquer estudante; outras dos livros dos Reis e das Crônicas; o profeta Jeremias também contribuiu, e é claro, o próprio livro de Habacuque. Leia-as atentamente. Elas oferecem subsídios para o estudo da lição.

 

a) Em 722 a.C, o território de Israel foi tomado e sua população levada em cativeiro para a Assíria.

- Cerca de cem anos após, Jeremias chamou aquele evento de "libelo de divórcio", dado por DEUS aos israelitas por causa de sua idolatria (Jr 3.8). Judá não tomou isto como aviso, antes, tornou-se pior que sua irmã do norte. Por causa da grandeza das suas prostituições, sua fama correu entre as nações (Jr 3.9).

b) Habacuque (621-609), foi contemporâneo de Jeremias, e seu ministério ocorreu durante a reforma religiosa de Josias

Percebeu, contudo, que a conversão do povo era falsa (Jr 3.11), e as palavras da profetiza Hulda ao rei: "... eis que trarei mal sobre este lugar..."(2Rs 22.16), faziam-no temer pelo destino do seu povo: pois se a crescente onda de corrupção não fosse imediatamente freada, seria o fim. E, onde está DEUS, que não vê? Que não ouve? Será que Ele desistiu de Judá (1.2)?

C) Pelo seu próprio livro, ficamos sabendo que Habacuque pertencia a uma escola de profetas {Hc 1.1)

- Lemos também, que ele era compositor e músico profissional (Hc 3.19), a esta informação pode-se acrescentar sua origem levítica, pertencendo a uma das famílias designadas para o ministério de louvor (2Cr 20.19). Estamos, portanto diante de uma pessoa susceptível a conflitos íntimos pela sua notável sensibilidade e grande capacidade de apreensão das coisas da alma e do espírito.

2- Habacuque viveu em meio à crise moral do seu país

"Até quando, Senhor, clamarei eu, e Tu não me escutarás? Gritarei: Violência! E não salvarás?". Estas são expressões de desespero e de angústia, de um cidadão que assiste, impotente, seu povo caindo no abismo profundo da impiedade. Seu único refúgio é o Senhor, o Justo e SANTO Juiz. Mas, onde está Ele? Onde estás meu SANTO (Hc 1.12)? São palavras proferidas em meio à agonia de um crente inconformado, íntegro, e intercessor, ansioso pela resposta de DEUS.

a) Inconformado

- Em Judá, o afastamento nacional de DEUS dera origem à violência física e de direitos (Hc 1.2), a provocação de demandas judiciais com o fim levar vantagem (Hc 1.3c), e a juízes que adiavam as sentenças para fazer perecer o direito do litigante mais fraco (Hc 1.4). O profeta não se conformava àquela situação, antes, de contínuo orava a DEUS para que Ele subjugasse a impiedade do seu povo.

b) íntegro

A maioria das pessoas sentem-se incomodadas com situações de violência e injustiça, mas se são expostas a elas durante algum tempo, logo se acostumam, e algumas até passam a praticar aquilo que antes lhes causavam repulsa. E a política que todo mundo faz, por que não eu? Habacuque, ao contrário, mantinha a sua integridade em tempo de crise. Não usava a corrupção generalizada como desculpa para também transgredir.

c) Intercessor

- Habacuque intercedeu pela cura de Judá para evitar que ela tivesse o mesmo fim de Israel, o cativeiro. Diante da resposta de DEUS, que usaria no Reino do Sul, os mesmos métodos curativos que usara no Reino do Norte, variando apenas no instrumento, a Babilônia, ele intensificou a intercessão a ponto de apresentar-se ao Senhor com uma apelação a favor de Judá (Hc 1 1? -17)

3- Habacuque viveu em meio à crise de sua própria fé

Pessoas íntegras, tementes ao Senhor e conhecedoras do Seu caráter não se conformam com a aparente vitória do mal sobre o bem, do injusto sobre o justo, do mau sobre o bom, da imoralidade sobre a pureza, do profano sobre o santo. Muitos entram em crise de fé. Habacuque foi um deles. Obteve, entretanto a vitória por meio de três recursos infalíveis:

a) Recorreu à DEUS em oração

A fé de Habacuque entrou em crise com o silêncio de DEUS diante do mal, e pela falta de resposta às suas constantes orações. Mas, ao invés de abandonar o posto de intercessor, seus rogos se intensificaram dia a dia, até que se tornaram em gritos de agonia perante a face de DEUS. "Até quando, Senhor, clamarei e tu não me escutarás? Gritarei: Violência! E não salvarás" (1.2)?

b) Persistiu até a dúvida dar lugar a fé

Depois de um longo e constrangedor silêncio, finalmente Habacuque ouviu a voz de DEUS, mas a resposta que ela trouxe (Hc 1.5-11) encheu sua alma de apreensão. Ele mergulhou numa nova crise que o levou a interrogar a DEUS mais uma vez: "Por que, Senhor, Tuas providências para purificar Judá, parecem estar em desacordo com aquilo que eu conheço acerca do Teu caráter?" (Hc 1.12,13). "Não importa quanto tempo, eu esperarei para ouvir o que Tu tens a dizer-me" (Hc 2.1).

c) Permaneceu a sós com DEUS, vigiando, enquanto esperava pela resposta dEle

Para não pôr tudo a perder, o profeta decidiu guardar silêncio a respeito daquela questão - não murmuraria, não reclamaria, nem faria coisa alguma até obter resposta ao que perguntara ao Senhor. Habacuque sabia que precisava estar com olhos e ouvidos bem abertos e atentos. É isto que significa: "Ficarei de guarda, e no meu posto de sentinela, vigiarei..." (Hc 2.1).

DEUS promete exercer juízo sobre Babilônia depois e isso alivia um pouco a angústia do profeta e sua compreensão dos planos de DEUS que são muito mais altos do que os do homem.

CONCLUSÃO

"O justo viverá pela fé". Esta sentença tornou-se uma das mais importantes temáticas do Novo Testamento. Foi um dos lemas da Reforma Protestante. O apóstolo Paulo é um dos que descrevem a graça de DEUS de maneira mais intensa e bela: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS" (Ef 2.8). Tal perspectiva da graça de DEUS foi precedida pelo profeta Habacuque, quando ele declarou: "O justo, pela sua fé, viverá" (2.4).  

 

 



terça-feira, 5 de maio de 2026

ESDRAS E O ENSINO DA PALAVRA DE DEUS

 


ESDRAS E O ENSINO DA PALAVRA DE DEUS

Esse momento descrito em Neemias 8 é um dos divisores de águas na história bíblica. Esdras não era apenas um líder religioso; ele foi o arquiteto do reavivamento espiritual pós-exílio. Após décadas na Babilônia, o povo havia perdido o contato com sua identidade e com a Palavra de Deus.

Aqui estão os pontos fundamentais sobre quem foi Esdras e o impacto desse evento:

1. A Identidade de Esdras

Esdras acumulava duas funções cruciais: era sacerdote (linhagem de Arão) e escriba (especialista na Lei). A Bíblia diz que ele "tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do Senhor e para a cumprir, e para ensinar em Israel" (Esdras 7:10). Ele não apenas lia o texto; ele o vivia.

2. O Cenário: A "Igreja" na Praça

Diferente do que se poderia esperar, essa leitura não aconteceu dentro de um templo fechado, mas na Porta das Águas, uma praça pública. Isso indica que a Palavra de Deus deveria estar no centro da vida comunitária, acessível a todos: homens, mulheres e crianças capazes de entender ("sábios").

3. A Reverência e a Fome pela Palavra

O texto destaca detalhes fascinantes sobre a postura do povo:

  • Resistência física: Eles ficaram de pé "desde a alva até ao meio-dia" (cerca de seis horas).
  • Atenção plena: "Os ouvidos de todo o povo estavam atentos". Não era uma audição passiva; era uma busca desesperada por direção.
  • Exposição explicativa: Esdras não apenas leu. O versículo 8 do mesmo capítulo diz que eles "leram o livro... e declarando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse". Foi, essencialmente, a primeira grande escola bíblica da história.

O Impacto do Reavivamento

O resultado dessa leitura foi o arrependimento coletivo. Ao ouvirem a Lei, as pessoas choraram ao perceber o quanto estavam distantes dos mandamentos de Deus. No entanto, Esdras e Neemias as acalmaram, proferindo uma das frases mais célebres da Bíblia: "A alegria do Senhor é a vossa força" (Ne 8:10).

Por que isso importa hoje? Esdras demonstra que a restauração de uma sociedade não começa pela política ou pela economia, mas pelo retorno aos fundamentos espirituais e éticos contidos na Palavra. Ele transformou uma multidão de exilados em uma nação com propósito.

Texto Bíblico: Neemias 8:1-12

“E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação [...] E leu nela [...] desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne.8:2,3).

Neemias 8:

1.É chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o SENHOR tinha ordenado a Israel.

2.E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação, assim de homens como de mulheres e de todos os entendidos para ouvirem, no primeiro dia do sétimo mês.

3.E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e entendidos; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei.

4.E Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim; e estavam em pé junto a ele, à sua mão direita, Matitias, e Sema, e Anaías, e Urias, e Hilquias, e Maaséias; e à sua mão esquerda, Pedaías, e Misael, e Malquias, e Hasum, e Hasbadana, e Zacarias, e Mesulão.

5.E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé.

6.E Esdras louvou o SENHOR, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém!?, levantando as mãos; e inclinaram-se e adoraram o SENHOR, com o rosto em terra.

7.E Jesua, e Bani, e Serebias, e Jamim, e Acube, e Sabetai, e Hodias, e Maaséias, e Quelita, e Azarias, e Jozabade, e Hanã, e Pelaías, e os levitas ensinavam ao povo na Lei; e o povo estava no seu posto.

8.E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.

9.E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao SENHOR, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei.

10.Disse-lhes mais: Ide, e comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque esse dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força.

11.E os levitas fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos, porque este dia é santo; por isso, não vos entristeçais.

12.Então, todo o povo se foi a comer, e a beber, e a enviar porções, e a fazer grandes festas, porque entenderam as palavras que lhes fizeram saber.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos do grande valor do ensino das Escrituras Sagradas ao povo de Deus. E o ensino das Escrituras precisa ser realizado por pessoas que se dedicam a este ministério. Esdras estava ciente de que para iniciar a reconstrução religiosa do povo era necessário começar pelo ensino da Palavra de Deus, pois sem ela não há identidade espiritual nem moral. Por isso, Esdras foi a Jerusalém e ensinou o povo as Escrituras Sagradas; o avivamento do povo de Deus foi tremendo, e teve início mediante um autêntico retorno à Palavra de Deus e um esforço decisivo para a compreensão da sua mensagem (Ne.8:8).

Há uma profunda conexão entre o ensino fiel das Escrituras e o avivamento espiritual. Sempre que a Palavra de Deus é exposta com poder há uma profunda manifestação do Espírito Santo, gerando despertamento espiritual na vida do povo de Deus. Neemias 8 é um grande modelo da pregação que produz o verdadeiro crescimento espiritual. Martin Lloyd-Jones disse que a pregação é a tarefa mais importante do mundo, a maior necessidade da Igreja e a maior necessidade do mundo. Podemos afirmar, portanto, que a Palavra de Deus é o elemento central para gerar avivamento, crescimento e desenvolvimento do caráter do povo de Deus.

I. O POVO SE AJUNTOU NA PRAÇA PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS



“É chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel” (Ne.8:1).

À época de Neemias e Esdras o maior avivamento espiritual ocorrido em Jerusalém foi a restauração da autoridade da Palavra de Deus sobre o povo. A leitura da Bíblia por Esdras trouxe um grande impacto na vida do povo.

1. O líder deve ser apto para ensinar

Entre os crentes sempre há a necessidade de ensino e esta oportunidade não deve de forma alguma ser negligenciada pelo líder; ele deve procurar aproveitá-la ao máximo possível. O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo afirma que o verdadeiro líder deve estar apto para ensinar (1Tm.3:2). Ele deve ensinar a outros e treinar líderes (Tt.1:9). A maior necessidade da Igreja é de homens que conheçam, vivam e ensinem a Palavra de Deus com aptidão. O ensino da Palavra de Deus é a tarefa mais importante que existe no mundo. As pessoas não buscam alguém para lhes contar bonitas experiências, mas procuram um fiel e apto expositor das Escrituras.

2. O povo se reuniu para ouvir a Palavra de Deus

Uma das principais evidências de um avivamento bíblico entre o povo de Deus é a grande fome de ouvir e ler a Palavra de Deus. Esdras subiu numa plataforma especialmente construída para a ocasião e, ao lado de treze levitas, leu por várias horas o que havia no Livro da Lei de Moisés. O povo demonstrou profundo respeito pela Palavra de Deus (ler Ne.8:5,6), à medida que os levitas, mencionados no versículo 7 do capítulo 8, forneciam explicações sobre o que estava sendo dito (Ne.8:8).

O ajuntamento do povo para ouvir a Palavra de Deus naquela ocasião tem quatro características distintas que devem servir de modelo para a Igreja contemporânea (Adaptado do Livro “Neemias”, de Hernandes Dias Lopes):

a) O ajuntamento foi espontâneo (Ne.8:1) – “É chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça...”. Deus moveu o coração do povo para reunir-se para buscar a Palavra de Deus. Eles não se reuniram ao redor de qualquer outro interesse. Hoje o povo busca resultados e não a verdade; coisas materiais e não a Deus; benefícios pessoais e não a Palavra de Deus; querem as bênçãos de Deus, mas não o Deus das bênçãos. Têm fome de prosperidade e sucesso, mas não têm fome da Palavra.

b) O ajuntamento foi coletivo (Ne.8:2,3). Todo o povo, homens e mulheres, reuniram-se para buscar a Palavra de Deus. Ninguém ficou de fora. Pobres e ricos, agricultores e nobres, homens e mulheres, jovens e crianças. Eles tinham um alvo em comum: buscar a Palavra de Deus. Precisamos ter vontade de nos reunir não apenas para ouvir cantores famosos ou pregadores conhecidos, mas para ouvir a Palavra de Deus. O centro do culto é a pregação da Palavra de Deus.

c) O ajuntamento foi harmonioso (Ne.8:1) - "Todo o povo se ajuntou como um só homem". Não havia apenas ajuntamento, mas comunhão. Não apenas estavam perto uns dos outros, mas eram unidos de alma. A união deles não era em torno de encontros sociais, mas em torno da Palavra de Deus.

d) O ajuntamento foi proposital (Ne.8:1) - "[...] e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés, que o Senhor tinha prescrito a Israel". O propósito do povo era ouvir a Palavra de Deus. Eles tinham sede da Palavra. Eles tinham pressa de ouvir a Palavra. Não era qualquer novidade que os atraía, mas a Palavra de Deus.

Esse método de Esdras e dos levitas tem sido abençoado por Deus ao longo dos séculos e continua a ser um instrumento eficaz para levar o povo de Deus da Nova Aliança à maturidade e ao despertamento espiritual. Pregações textuais e temáticas podem, com frequência, ser inspiradoras e úteis, porém seus benefícios espirituais não se comparam aos resultados alcançados por ministérios semelhantes ao de Esdras. Abençoados são os cristãos que têm o privilégio de ouvir pregações expositivas sobre as Escrituras Sagradas.

3. O povo estava atento à leitura da Palavra de Deus

“E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e entendidos; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne.8:3).

De pé sobre um púlpito de madeira, durante sete dias, seis horas por dia, Esdras leu o livro da lei (Ne.8:3,18). O povo permaneceu desde a alva até ao meio-dia, sem sair do lugar (Ne.8:7), com os ouvidos atentos. Eles queriam Pão do Céu, a Verdade de Deus. Só o Pão nutritivo da Palavra de Deus pode saciar a fome daqueles que anseiam por Deus.

4. Homens preparados foram designados para o ensino (Ne.8:7)

 “E Jesua, e Bani, e Serebias, e Jamim, e Acube, e Sabetai, e Hodias, e Maaséias, e Quelita, e Azarias, e Jozabade, e Hanã, e Pelaías, e os levitas ensinavam ao povo na Lei; e o povo estava no seu posto”.

Vemos aqui neste versículo que Neemias e Esdras designaram instrutores para ensinar a Palavra de Deus em todas as cidades de Judá. Até os levitas que serviam no Templo foram envolvidos nesse mister (Ne.11:1). Esses líderes tinham plena consciência de que a base do avivamento espiritual é o ensino da Palavra de Deus e a sua obediência.

No Novo Testamento, para cumprir a tarefa do ensino da Palavra, é preciso, em primeiro lugar, que a Igreja se veja dotada de homens e mulheres preparados para ensinar. Um dos grandes problemas que temos visto nas Igrejas Locais da atualidade é o despreparo das pessoas para ensinarem a Palavra de Deus. Quando falamos em preparo, não estamos nos referindo à escolaridade ou ao conhecimento secular de alguém, mas, sobretudo, ao seu conhecimento bíblico, à sua capacidade de manejar bem a Palavra da Verdade (1Tm.2:15). Atualmente temos vistos que, à medida que a escolaridade nas igrejas evangélicas sobe, o conhecimento bíblico decresce. É válido ressaltar que décadas passadas, grande parte dos obreiros das Assembleias de Deus era composta de pessoas iletradas, semialfabetizados, mas tinham profundo conhecimento bíblico; atualmente, estamos repletos de obreiros dotados de diplomas universitários, mas que, biblicamente, são completamente analfabetos. O que é isto? É falta de estudo da Palavra de Deus!

II. A SUPREMACIA DA PALAVRA DE DEUS


A Bíblia é a Palavra de Deus. Esta é a definição canônica mais curta da Bíblia. Tudo o que Deus tem preparado para o homem, bem como o que Ele requer do homem, e tudo o que o homem precisa saber espiritualmente da parte dele quanto à sua redenção e felicidade eterna, está revelado na Bíblia. Tudo o que o homem tem a fazer é tomar a Palavra de Deus e apropriar-se dela pela fé. Podemos afirmar que a Bíblia é a Palavra de Deus entre outros motivos, porque:

  • A própria Bíblia faz menção da sua inspiração.
  • O Espírito Santo testifica em nosso íntimo que ela é a Palavra de Deus.
  • Nenhum outro livro apresenta tantos testemunhos a respeito da transformação de uma pessoa; muitas conversões foram feitas por meio da leitura da Bíblia, demonstrando o poder da Palavra.
  • A unidade da Bíblia: seus sessenta e seis livros apresentam a pessoa de Jesus Cristo; o Antigo Testamento falava da vinda do Messias e as suas profecias se cumpriram no Novo Testamento; o próprio Jesus destacou ser Ele o tema do Antigo Testamento (Mt.5:17; Lc.24:27:44; João 5:39; Hb.10:7).

Três verdades precisam ser destacadas aqui (Adaptado do Livro Neemias, de Hernandes Dias Lopes):

1. O pregador precisa estar comprometido com as Escrituras (Ne.8:2,4,5)

Esdras era um homem comprometido com as Escrituras Sagradas (Esdras 7:10) - “Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos”. As pessoas não buscam alguém para lhes contar bonitas experiências, mas procuram um fiel expositor das Escrituras. A maior necessidade da Igreja é de homens que conheçam, vivam e preguem a Palavra de Deus com fidelidade. A pregação é a maior necessidade da Igreja e do mundo. A pregação é a tarefa mais importante que existe no mundo. Precisamos nos tornar o povo "do Livro", "da Palavra". Não há avivamento espiritual sem a restauração da autoridade da Palavra de Deus.

2. O povo precisa estar sedento das Escrituras (Ne.8:1,3)

A Bíblia era o anseio do povo. Eles se reuniram como um só homem (Ne.8.1), com os ouvidos atentos (Ne.8:3), reverentes (Ne.8:6), chorando (Ne.8:9) e alegrando (Ne.8:12) e prontos a obedecer (Ne.8:17). O povo queria não farelo, mas trigo; eles queriam Pão do céu, a verdade de Deus. Eles buscaram pão onde havia pão. Muitos vão à Casa do Pão e não encontram pão; são como Noemi e sua família, que saíram de Belém e foram para Moabe, porque não encontraram pão na Casa do Pão. Quando as pessoas deixam a Casa do Pão, encontram a morte.

Há muita propaganda enganosa nas Igrejas hoje. Prometem pão, mas só há fornos frios, prateleiras vazias e algum farelo de pão. Apenas receita de pão não pode matar a fome do povo. Só o pão nutritivo da Verdade pode saciar a fome daqueles que anseiam por Deus.

3. Vejamos as atitudes do povo de Israel em relação às Escrituras Sagradas (Ne.8:1-8)

Quatro atitudes nos chamam a atenção:

a) Eles estavam com os ouvidos atentos (Ne.8:3). O povo permaneceu desde a alva até ao meio-dia, sem sair do lugar (Ne.8:7), com os ouvidos atentos. Não havia dispersão, distração nem enfado. Eles estavam atentos não apenas ao pregador, mas, sobretudo, ao Livro da Lei. Não havia esnobismo nem tietagem, mas fome da Palavra de Deus.

b) A mente deles estava despertada para o conhecimento (Ne.8:2,3,8). A explicação era lógica, para que todos entendessem. O aviamento não foi um apelo às emoções, mas um apelo ao entendimento.

c) Eles estavam reverentes (Ne.8:5) - "Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé". Essa era uma atitude de reverência e respeito à Palavra de Deus. Esse púlpito elevado não era para revelar o garbo do pregador, mas a supremacia da Palavra de Deus.

d) Eles estavam em posição de adoração (Ne.8:6). Esdras ora, o povo responde com um sonoro amém, levanta as mãos e se prostra para adorar. Onde há oração e exposição da Palavra, o povo exalta a Deus e O adora.

III. A PRIMAZIA DA PREGAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS


A Pregação da Palavra de Deus tem a primazia porque ela, a Palavra:

·         É a Verdade (João 17:17). A Bíblia não apenas fala a verdade como também é a própria Verdade.

·         É viva e eficaz (Hb.4:12). A Bíblia é viva porque ela age atuando em nossas vidas; sendo também eficaz, em tudo que faz dá certo.

·         É inspirada por Deus (2Pd.1:20,21). Embora tenha sido escrita por mãos de homens, a Bíblia foi inspirada por Deus a eles. Prova disto é que foi escrita em lugares, épocas, línguas e pessoas diferentes e mesmo assim ela trata dos mesmos assuntos sendo coerente em tudo o que diz, pois o Autor é o mesmo Deus.

·         É útil (2Tm.3:16,17). A utilidade da Bíblia é para diversos assuntos da vida, dando sabedoria e conhecimento ao ser humano em todas as áreas de sua existência.

O apóstolo Paulo, o maior bandeirante do Cristianismo, fechando as cortinas da vida, na antessala de seu martírio, ordenou a Timóteo: “Prega a palavra…” (2Tm.4:2). Uma vez que temos a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito de Deus, inerrante, infalível e suficiente, não podemos guardá-la apenas para nós. A palavra que nos foi confiada precisa ser transmitida.

Portanto, não basta reconhecer a supremacia das Escrituras Sagradas, é preciso estar comprometido com a primazia da pregação. Sonegar a Palavra é privar as pessoas de conhecer a graça de Deus. Reter a mensagem da salvação é uma atitude cruel com os perdidos, uma vez que a fé vem pelo ouvir a Palavra.

Deus chama os seus escolhidos por meio da Palavra. A Palavra de Deus é poderosa, tem vida em si mesma; é a divina Semente, que semeada em boa terra produz a trinta, a sessenta e a cento por um; nunca volta para Deus vazia; sempre cumpre o propósito para o qual foi designada.

Em Neemias capítulo oito encontramos os três pontos principais da pregação expositiva. Que pontos são esses? (Adaptado do Livro Neemias, de Hernandes Dias Lopes):

1. Ler o texto das Escrituras (Ne.8:2,3,5)

Por ocasião do sermão, a leitura do texto é sobremodo importante, pois é a fonte da mensagem e a autoridade do mensageiro. O texto é o fundamento do sermão. O sermão é o texto explicado. O sermão só é legítimo quando se propõe a explicar o texto lido. Muitos pregadores são descuidados na leitura do texto; atropelam-no e leem-no atabalhoadamente, dando a impressão de que o desconhecem ou o desprezam.

2. Explicar o texto das Escrituras (Ne.8:7,8)

Pregar é explicar o texto sagrado. A mensagem é baseada na exegese, ou seja, tirar do texto, o que está no texto. Não podemos impor ao texto nossas ideias, isso é eisegese. Calvino dizia que pregação é a explicação do texto. O púlpito é o trono de onde Deus governa a sua Igreja. O texto governa o pregador. Lutero dizia que existe a Palavra de Deus escrita, a Palavra de Deus encarnada e a Palavra de Deus pregada. Muitos hoje dizem: "Eu já tenho o sermão, só falta o texto". Isso não é pregação. Deus não tem nenhum compromisso com a palavra do pregador, e sim com a Sua Palavra. É a Palavra de Deus que tem a promessa de não voltar vazia e não a palavra do pregador.

3. Aplicar o texto das Escrituras (Ne.8:9-12).

A aplicação do texto é o alvo do sermão. O sermão precisa alcançar o coração dos ouvintes como uma flecha. A mensagem não é só verdadeira, mas também relevante. Para usar uma figura de John Stott, o sermão é uma ponte entre dois mundos - ele liga o texto antigo ao ouvinte contemporâneo. O pregador traz o texto antigo à audiência moderna. O sermão leva a voz de Deus aos ouvintes contemporâneos. O pregador precisa ler o texto e sentir o povo; ele deve pregar não diante da congregação, mas à congregação.

A aplicação num sermão não é simplesmente um apêndice da discussão ou subordinada a ela, mas é a coisa principal a ser feita. Onde começa a aplicação, começa o sermão.

Entretanto, há um grande perigo de heresia na aplicação de um texto; se não o interpretarmos corretamente, vamos aplicá-lo distorcidamente, vamos prometer o que Deus não está prometendo e corrigir quando Deus não está corrigindo. À época de Neemias e Esdras a exposição e a aplicação correta da Palavra de Deus produziram na vida do povo vários resultados preciosos que subsistiram por muito tempo.

IV. RESULTADOS DO ENSINO DA PALAVRA DE DEUS

A Bíblia Sagrada é a revelação de Deus para a humanidade, e esta revelação contém ensinos preciosos e indispensáveis para que o homem viva. O povo de Deus se dispôs a seguir ao Senhor depois que Esdras e Neemias, em cumprimento à própria Lei, ajuntou o povo para ler a Palavra de Deus para o povo. O avivamento foi decorrência direta dessa reunião, em que não só o povo ouviu a leitura da Lei como também teve lições a respeito de seu significado (Ne.8:7,8).

O ensino da Palavra de Deus por Esdras e Neemias atingiu as seguintes áreas vitais da vida do povo (Adaptado do Livro Neemias, de Hernandes Dias Lopes):

1. Atingiu o intelecto do povo (Ne.8:8)

“E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse”.

A pregação foi dirigida à mente. O culto foi racional. Esdras subiu numa plataforma especialmente construída para a ocasião e, ao lado de treze levitas, leu por várias horas o que havia no Livro da Lei de Moisés. O povo demonstrou profundo respeito pela Palavra de Deus, à medida que os levitas, mencionados em Ne.8:7, forneciam explicações sobre o que estava sendo dito (Ne.8:8). Uma vez que o aramaico substituiu o hebraico após o cativeiro, era necessário explicar ao povo muitas palavras hebraicas presente nas Escrituras.

2. Atingiu a emoção do povo (Ne.8:9-12)

Esse fato pode ser provado por duas reações do povo ao ouvir a exposição da Palavra:

a)    A primeira reação foi choro pelo pecado (Ne.8:9). A Palavra de Deus produz quebrantamento, arrependimento e choro pelo pecado. O verdadeiro conhecimento nos leva às lágrimas. Quanto mais perto de Deus você está, mais tem consciência de que é pecador e mais chora pelo pecado. O emocionalismo é inútil, mas a emoção produzida pelo entendimento é parte essencial do povo de Deus. É impossível compreender a verdade sem ser tocado por ela.

b)    A segunda reação foi a alegria da restauração (Ne.8:10). As festas deviam ser celebradas com alegria (Dt.16:11,14). A alegria, como fruto do Espírito, tem três aspectos importantes:

· Uma origem divina. "A alegria do Senhor". Essa não é uma alegria circunstancial, momentânea, sentimental, é a alegria de Deus, indizível e cheia de glória.

· Um conteúdo bendito. Deus não é apenas a origem, mas o conteúdo dessa alegria. O povo regozija-se não apenas por causa de Deus, mas em Deus - Sua graça, Seu amor, Seus dons. É na presença de Deus que há plenitude de alegria.

· Um efeito glorioso - "A alegria do Senhor é a nossa força"(Ne.8:10). Quem conhece essa alegria não olha para trás como a mulher de Ló. Quem bebe da fonte das delícias de Deus não vive cavando cisternas rotas. Quem bebe das delícias de Deus não sente saudades do Egito. Essa alegria é a nossa força. Foi essa alegria que Paulo e Silas sentiram na prisão. Essa é a alegria que os mártires sentiram na hora da morte - era “a alegria do Senhor”. Aleluia!

3. Atingiu o anseio do povo (Ne.8:11,12)

11.E os levitas fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos, porque este dia é santo; por isso, não vos entristeçais.

12.Então, todo o povo se foi a comer, e a beber, e a enviar porções, e a fazer grandes festas, porque entenderam as palavras que lhes fizeram saber.

Isso pode ser conferido por duas decisões tomadas pelo povo depois de ouvir a Palavra:

  • Primeira, obediência a Deus (Ne.8:12). O povo obedeceu à voz de Deus e deixou o choro e começou a regozijar-se.
  • Segunda, solidariedade ao próximo (Ne.8:12). O povo começou não apenas a alegrar-se em Deus, mas a manifestar seu amor ao próximo, enviando porções àqueles que nada tinham. Não podemos separar a dimensão vertical da horizontal no culto.

4. Foi gerado no coração do povo temor a Deus (Ne.9:1-3)

1.E, no dia vinte e quatro deste mês, se ajuntaram os filhos de Israel com jejum e com pano de saco e traziam terra sobre si.

2.E a geração de Israel se apartou de todos os estranhos, e puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados e das iniquidades de seus pais.

3.E, levantando-se no seu posto, leram no livro da Lei do SENHOR, seu Deus, uma quarta parte do dia; e, na outra quarta parte, fizeram confissão; e adoraram o SENHOR, seu Deus.

Como resultado do ensino da Palavra de Deus, o povo confessou os seus pecados, apartou-se de deuses estranhos, adorou ao Senhor seu Deus, e com Ele fez firme concerto (Ne.9:1-3). Foi, na verdade, uma demonstração de grande avivamento espiritual. A Palavra de Deus é poder de Deus (Rm.1:16). Pelo temor a Deus o crente se aparta do mal (Pv.3:7), se desvia do mal (Pv.16:6), e aborrece o mau caminho (Pv.8:13).

CONCLUSÃO

Vimos neste estudo que a leitura, a explicação e a aplicação da Palavra trouxeram choro pelo pecado e alegria de Deus na vida do povo. Vimos também que a liderança se reuniu para aprofundar-se no estudo da Palavra e o resultado foi a restauração da vida religiosa de Jerusalém. Essas reuniões de estudo aconteceram durante 24 dias (Ne.8:1-3,8,13,18; 9:1). Havia fome da Palavra; o estudo e a obediência dela trouxeram um poderoso reavivamento espiritual.

Qualquer movimento espiritual que dispense o estudo das Escrituras Sagradas, que dispense a meditação na Palavra do Senhor, não pode produzir vida espiritual alguma. Para que tenhamos um verdadeiro avivamento, para que nos santifiquemos e nos tornemos fortes espiritualmente, é mister que sejamos iluminados, e a única luz que existe é a Palavra de Deus (Sl.119:105). Portanto, se quisermos Igrejas avivadas, comecemos pela Palavra de Deus; sem ela, não pode haver despertamento espiritual.    

                                                                                                               

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