LÍDERAR, DECIDIR E RESOLVER
TEXTO BÍBLICO: Neemias 4:14-16,20
“O nosso Deus
pelejará por nós” (Ne 4:20).
Abaixo, destacamos as principais
lições extraídas deste texto sobre liderar, decidir e resolver:
1. Liderar: Presença, Visão e
Encorajamento
- Inspeção e Realidade:
Neemias não geria a crise de longe. Ele olhou, avaliou o cenário e se
levantou para estar à frente do povo (Neemias 4:14). O líder eficaz
conhece a realidade do problema.
- Combate ao Medo com Foco em Deus:
Diante do pavor dos trabalhadores, a primeira ordem de Neemias foi: “Não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e
temível” (Ne 4:14). A
liderança centrada em Deus redireciona o olhar da equipe do tamanho do
problema para a grandeza do Criador.
- Propósito Coletivo: Ele
lembra o povo de lutar por aquilo que tem valor eterno e real: “pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas mulheres
e vossas casas” (Ne 4:14).
Liderar é dar um senso claro de pôr quem e para que estamos
nos esforçando.
2. Decidir: Estratégia, Ação e
Prudência
- Equilíbrio entre Fé e Ação: Neemias
confiava em Deus, mas não ficava de braços cruzados. Ele reorganizou o
povo de forma estratégica. Dividiu as equipes: enquanto metade trabalhava
na obra, a outra metade mantinha as armas prontas (lanças, escudos, arcos
e couraças) (Neemias 4:16).
- Adaptabilidade Operacional:
Cada trabalhador aprendeu a ser produtivo e vigilante ao mesmo tempo — com
uma mão faziam a obra e com a outra seguravam a arma (Neemias 4:17). Decidir
em tempos de crise exige flexibilidade e reorganização imediata de
processos.
- Posicionamento dos Líderes: O
texto destaca que "os líderes estavam
por detrás de toda a casa de Judá"
(Ne 4:16), dando suporte retaguarda, sustentando e direcionando o
fluxo do trabalho.
3. Resolver: Comunicação Rápida e
Dependência Divina
- Plano de Contingência Claro:
Para que o vasto muro não se tornasse um ponto de vulnerabilidade devido à
distância entre os trabalhadores, Neemias instituiu o sinal da trombeta: "No lugar onde ouvirdes o som da trombeta, ali
vos ajuntareis conosco" (Ne
4:20). Resolver crises exige canais de comunicação eficientes e pontos de
encontro definidos.
- A Palavra Final de Vitória: A
base de toda a estratégia de Neemias culmina na maior certeza que um
agente de Deus pode ter: “O nosso Deus pelejará por nós” (Ne 4:20).
A resolução estratégica e o esforço humano são necessários, mas a vitória
definitiva vem do Senhor.
Princípio Prático: Liderar
com excelência é unir a dependência total de Deus à máxima responsabilidade
humana na tomada de decisões e na resolução de conflitos.
INTRODUÇÃO
Neste estudo falaremos sobre
métodos de como solucionar problemas e tomar decisões. Para isso, teremos como
modelo Neemias, um grande líder que confiava em Deus e aceitava a
responsabilidade de solucionar problemas e tomar decisões.
Todos nós enfrentamos problemas,
principalmente os que estão numa posição de liderança. O que faz a diferença
não é somente o modo como enfrentamos os problemas, aos sermos colocados frente
a frete com eles para que possamos tomar decisões, mas, principalmente, o tipo
de pessoas que nos tornamos após resolvê-los. Certamente, não devemos ser
afoitos e passar a tomar decisões precipitadas. O líder inspirador, usando de
estratégias corretas e sábias, vence os problemas e aprende a se tornar melhor.
No entanto, muitas vezes, o melhor mesmo é se antecipar aos problemas através
do planejamento. A forma como o líder se posiciona diante dos problemas e
as decisões que toma para solucioná-los é que faz a diferença.
I. SOLUÇÃO DE PROBLEMAS
A seguir, indicamos alguns passos
necessários para solucionar problemas.
1.Identificação (Ne
2:11-13). “Antes de
tomar qualquer decisão, deve-se identificar o problema, analisando e
descrevendo a situação ou condição geral. Depois, expor o problema em termos
específicos e claros, e só então, decidir qual ação será necessária”.
Este foi o caso de Neemias. Antes
que o processo de construção pudesse começar, ele usou certo tempo para
preparar a si mesmo e ao povo. Quando ele chegou a Jerusalém, inspecionou
pessoalmente os desafios que o aguardavam. Ele fez isso em silêncio, durante a
noite, vendo com seus próprios olhos os estragos e fazendo seus planos, sem
interferências de terceiros ou de conselhos inoportunos. Quatro eram os
problemas mais gritantes que estavam afligindo a cidade de Jerusalém (Ne
2:13,17):
Primeiro, a
pobreza e a humilhação. Jerusalém estava assolada e debaixo de
opróbrio. Cento e vinte anos haviam se passado desde que foram levados para a
Babilônia, mas a pobreza ainda assolava o povo. Viviam no meio de escombros.
Eles perderam o ânimo para lutar. Viviam oprimidos pelos seus inimigos. Cada um
corria atrás da sua própria sobrevivência e, assim, o povo perdeu a noção de
cidadania. Não é o que vemos hoje em muitos países, inclusive no nosso?
Segundo a injustiça
social. As portas estavam queimadas. Os juízes julgavam as
cidades em suas portas. Portas queimadas denunciavam um poder judiciário falido
e apontavam para uma cidade onde não havia quem julgasse segundo a lei. A
justiça estava ausente, pois o poder judiciário estava sem ação.
Terceiro, a
insegurança pública. Os muros estavam quebrados. A cidade estava
fragilizada e vulnerável ao ataque dos inimigos.
Quarto, Jerusalém estava
enfrentando grande desprezo. "...
e desprezo" (Ne 1:3). Além
de viverem numa cidade sem segurança e sem justiça; além de estarem golpeados
pela pobreza, eram também ultrajados pelo desprezo. Era um povo esquecido,
abandonado à sua sorte. Maior do que a dor da pobreza, é a dor do abandono. O
povo estava desassistido e ainda encurralado pelos inimigos. Muitos vivem assim
ainda hoje. O desprezo não dói apenas no bolso e no estômago, mas, sobretudo,
na alma. Ele atinge o âmago, o íntimo. Ele tenta destruir o homem de dentro
para fora.
2. Implementação (Ne
2:17,18). “No início,
deve-se considerar soluções alternativas (com as vantagens e desvantagens de
cada uma delas). Traçar um curso de ação e esboçar procedimentos objetivos.
Delegar as responsabilidades e agir. Cada procedimento deve ser cuidadosamente
monitorado”.
Depois de identificar os
problemas, Neemias faz menção de seus planos, e ousa implementar uma solução
radical, sabendo ele que Deus estava nesse negócio (2:18). Neemias mexe com o
brio do povo. Ele move o povo ao sentimento do patriotismo. Ele abre seus olhos
para a realidade em que viviam. Neemias mostra que não podemos nos conformar
com o caos, com a crise, com o opróbrio. Mas Neemias também chama o povo para
trabalhar. Jamais a reforma teria sido feita se o povo não se envolvesse. Cada
um precisa fazer sua parte. Não adianta culpar os outros e apenas ver o que
eles precisam fazer. John Maxwell diz que os líderes não apenas sabem aonde
estão indo; eles também levam pessoas com eles
Neemias mostrou o exemplo
pessoal. Ele não disse “vá e construa”, mas “vinde e construamos” (Ne 2:17). O líder precisa
estar na frente. Neemias não tinha interesses pessoais. Ele deixou seu posto,
sacrificou-se. Só gente abnegada pode liderar um povo a se levantar e agir. De
igual modo, Neemias também mostrou a força da unidade. A união nos protege
contra o desencorajamento. A união nos ajuda a enfrentar uma oposição hostil e
combinada.
“...Então, disseram:
Levantemo-nos e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem” (Ne
2:18). A resposta do povo foi pronta, prática e unânime. John Maxwell destaca
sete princípios usados por Neemias para lidar com o povo: simplificação,
participação, delegação, motivação, preparação, cooperação e comemoração. E
acrescenta: "Nenhuma grande tarefa é realizada sem que haja pessoas para
concretizá-la e um líder para conduzi-la".
3. Avaliação (Ne 3:2-15;
4:14). “Se o resultado for
satisfatório, o problema pode estar resolvido. Se não estiver claro do êxito,
então deve-se questionar se o problema foi identificado, ou se a ação escolhida
foi adequada para a situação. Por fim, convém verificar se o responsável pela
ação era a pessoa certa para a referida atividade. Nessa avaliação, o líder
deve ponderar igualmente sobre duas coisas: o que ele fez com os problemas e o
que os problemas fizeram com ele e com o seu grupo”.
O que se pode avaliar do trabalho
implementado por Neemias: foi um sucesso. O segredo do sucesso:
a) Ele colocou as pessoas
certas no lugar certo. Esse princípio é percebido pelas
expressões "junto a ele" e "ao seu lado". O líder tem a
visão do farol alto. Ele vê sobre os ombros dos gigantes. Ele tem uma visão
global e compreende como ajudar os outros a encontrar sua utilidade nesse
contexto. O segredo do sucesso é nomear as pessoas certas para os lugares
certos. Neemias sabia onde cada pessoa devia estar, onde devia trabalhar e o
que devia fazer. Ele designou os homens de Tecoa, Gibeom, Jericó e Mispa para
as partes do muro em que não havia residentes por perto. Alguns tinham a
responsabilidade de reconstruir os muros desde o alicerce, enquanto outros
tiveram apenas de fazer reparos. Cada um sabia o que se esperava de sua tarefa.
Em todo trabalho, houve coordenação. O trabalho em equipe é um dos segredos do
sucesso.
b) Ele trabalhou em
harmonia com os demais. As expressões "junto a ele",
"ao seu lado", "junto dele", "depois dele"
mostram que todos trabalhavam em harmonia. Não havia disputas, ciúmes, brigas
ou melindres. Cada um deve estar contente com a sua tarefa. Todos devem
trabalhar para o mesmo propósito: a reconstrução da cidade. Não existe ninguém
buscando glória pessoal. Os membros da equipe completam-se uns aos outros -
jamais competem uns com os outros. Tudo na vida gira em torno de
relacionamentos. Alguém disse que a chave para a liderança é executar as
tarefas enquanto se constroem relacionamentos.
c) Ele trabalhou em
equipe. O segredo do sucesso na obra é o trabalho em
equipe. Se o todo prospera, também o individual prospera. Sem trabalho
coordenado, reina o caos. Esse princípio de trabalho em equipe funciona na
indústria, nas igrejas, nos hospitais, no lar, na escola ou em qualquer outro
lugar. John Maxwell diz que não há limites para o sucesso quando não limitamos
as pessoas.
II. TOMAR DECISÕES
A tomada de decisão é definida
como ato de decidir diante de um problema seja ele proveniente de fatores
externos (exemplo: inimigos opositores da obra de Deus – Ne 2:19) ou fatores
internos (muros caídos, portas queimadas, opróbrio... – Ne 2:13). Disse
Neemias: “O Deus dos Céus é que nos fará prosperar (2:20).
Isso é tomar uma decisão firme e resoluta.
1. Passos (Ne 4:4-23).
Mostrar-se confiante no Senhor Deus é o ponto de partida para se tomar uma
decisão. Neemias enfrentou as táticas mais usuais de seus opositores: a
ridicularização (Ne 4:1-3); a resistência (Ne 4:7-8) e os boatos (Ne 4:11-12).
No entanto, ele conseguiu dar as contrapartidas corretas para cada uma delas.
Ele...
a) Confiou
em Deus (Ne 4:4,5);
b) Respeitou
a oposição (Ne 4:9);
c) Reforçou
os pontos fracos (Ne 4:13);
d) Tranquilizou
o povo (Ne 4:14);
e) Recusou-se
a parar (Ne 4:15);
f) Renovou
continuamente o ânimo do povo (Ne 4:16-23).
Reconstruir era o grande desafio
de Neemias. Apesar dos que se opunham, nada impediu o avanço e conclusão da
obra de Deus. O capítulo 6 de Neemias diz que os inimigos conspiraram e
intimidaram o povo de Deus e usaram até de suborno para atemorizar Neemias (Ne
6:13). Mas ele era um líder determinado, persistente e estava convicto de sua
missão. A persistência é a última qualidade a ser medida em nossa
liderança, e o segredo está em conseguir sobreviver ao ataque daqueles que nos
criticam. Neemias ensinou-nos essa lição ao permanecer fiel ao compromisso de
sua missão. É assim que precisamos ser, pois estamos fazendo uma grande
obra e não podemos parar ou recuar.
2. Obstáculos (Ne
6:15,16). O líder é cônscio de que para realizar a
Obra de Deus não basta sinceridade, desejo e entusiasmo. Haverá obstáculos no
caminho que precisam ser superados. Mas o líder que confia em Deus e sabe para
onde está indo pode enfrentar os obstáculos de frente e obter pleno êxito.
Neemias enfrentou obstáculos
externos e internos. Quanto ao obstáculo externo, Neemias identificou o maior
que se colocou diante dele para realizar a Obra de Deus: Sambalate (governador de
Samaria), Tobias (da nobreza dos amonitas) e Gesém (o
árabe). Estes inimigos do povo de Deus, tentaram de todas as maneiras tirar
Neemias do projeto que estava comprometido. Todos estavam engajados na oposição
à obra de Deus. Também, os arábios (sul), os amonitas e os asdoditas (4:7) se
uniram a estes para se oporem ao povo de Deus. Houve uma orquestração maligna
contra o povo de Deus - "...iraram-se sobremodo..."(4:7);
"...coligaram-se todos, para virem guerrear
contra Jerusalém e fazer confusão ali"(4:8).
Como Neemias enfrentou a pressão
e o ataque dos inimigos? Com armas. A primeira arma que
Neemias usou foi a oração (Ne 4:9). Neemias sabia que o sucesso da obra de Deus
depende também e sobretudo de oração. Não podemos enfrentar os inimigos sem o
socorro de Deus, sem a ajuda do céu. A segunda arma que
Neemias usou contra os inimigos foi a vigilância constante (Ne 4:9). Não basta
orar, é preciso vigiar. Precisamos manter os olhos abertos. E preciso existir
estreita conexão entre o céu e a terra, confiança e boa organização, fé e
obras.
Todavia, o maior obstáculo que
surgiu no caminho de Neemias foi o desânimo do povo (ler Ne 4:10). Os
problemas internos são mais perigosos do que os problemas externos. Os
carregadores estavam sem forças, os escombros eram muitos e a conclusão óbvia
foi: "Não podemos edificar o muro".
Eles sentiram que não tinham capacidade para concluir a obra. Muitas vezes, o
nosso maior problema somos nós mesmos. O maior obstáculo da obra são os
obreiros, dizia Dwight Moody. Um povo desanimado sempre olha para as
circunstâncias em vez de olhar para o Senhor; escuta mais a voz do inimigo do
que a voz de Deus.
Satanás não dá trégua! Durante
toda a Obra de Deus ele vai fazer oposição; destruir faz parte da essência do
seu caráter (ler João 10:10). Isto nos remete à realidade de que a vida
cristã é uma guerra contínua; é uma batalha sem trégua. É impossível realizar a
Obra de Deus sem oposição.
A despeito dos obstáculos
a obra de Deus avançou e foi concluída (Ne 6:15). O muro foi
construído com a participação efetiva de todos - grandes e pequenos, homens e
mulheres, ricos e pobres. Quando o povo de Deus se dispõe a trabalhar, o
impossível de Deus acontece. A conclusão da obra trouxe alegria para o povo de
Deus e abatimento para o inimigo (Ne 6:16).
O líder inspirador que ama a Deus
e comprometido com os seus propósitos sabe que todas as coisas cooperam para o
seu bem. Portanto, começa e termina bem (Rm 8:28).
III. NEEMIAS, O EXEMPLO
O nome Neemias significa
"aquele que consola". Neemias era um consolador, um homem de coração
aberto e sensível aos problemas dos outros. Ele era um servo de Deus, servindo
ao rei da Pérsia e disposto também a servir o seu desprezado povo. Possivelmente,
Neemias tenha nascido no cativeiro e tenha crescido num ambiente cercado por
influências pagãs. No entanto, mesmo cercado por ambiente hostil, cresceu como
um homem comprometido com Deus.
Era um líder que orava e agia,
que falava e fazia, que planejava e motivava, que confrontava e consolava, que
buscava a glória de Deus e o bem do povo e não sua própria promoção. Sua vida é
um exemplo, sua liderança é um estandarte, seu trabalho é um monumento. A
poeira do tempo não pode apagar seus feitos. Sua abnegação e coragem são
tônicos que ainda fortalecem os braços de muitos líderes.
Zorobabel havia guiado o povo pra
reconstruir o templo. Esdras liderou o restabelecimento do culto e dos
cerimoniais. Agora, havia a necessidade de um líder que conduzisse o povo na
restauração dos muros de Jerusalém.
Contemporâneo de Esdras, Neemias
tinha sua ocupação como copeiro do rei Artaxerxes. Ele aprendeu por si próprio
a lei da empatia, a lei da oportunidade, a lei do comprometimento, a lei das
prioridades, a lei da prontidão e a lei da vitória.
Neemias ouviu dizer que os muros
de Jerusalém estavam em ruínas, uma desgraça para os judeus. As nações vizinhas
os ridicularizavam. Essas notícias horríveis incomodaram muito a Neemias, e ele
percebeu que algo deveria ser feito. Definitivamente, ele decidiu tomar conta
de um projeto de reconstrução das muralhas de Jerusalém, que, por anos, ficaram
deitadas ao chão. Neemias posicionou operários em locais estratégicos, e todos
trabalharam com sucesso até que concluíssem sua tarefa. Posto em prática o seu
projeto, aquelas muralhas estariam novamente reerguidas em 52 dias. Os judeus
viram nas muralhas reerguidas um símbolo de que Deus não os havia abandonado e
de que estava pronto para restaurar também a vida deles. Neemias é o tipo de
líder que decide e resolve.
1. Renúncia (Ne
1:2,5). Neemias provavelmente não conhecia Jerusalém. Ele
cresceu num contexto de politeísmo. Contudo, por causa de sua integridade,
capacidade e lealdade, ocupou um cargo de grande confiança no reinado de
Artaxerxes, em Susã, principal palácio e residência de inverno do monarca. O
seu cargo era de copeiro do rei. Pelo grande temor que os reis tinham de ser
envenenados, o copeiro era um homem de grande confiança. Ele provava o vinho do
rei e cuidava dos seus aposentos. Ele supervisionava toda a alimentação do palácio
e, antes de o rei ingerir qualquer bebida, devia tomar o copo, ingerindo-a ele
mesmo. Isso tinha por fim demonstrar que nenhuma traição ocorrera e que,
portanto, não havia perigo de envenenamento. O copeiro tinha acesso constante à
presença do rei e, por isso, tornava-se uma pessoa de grande influência. O rei
da Pérsia colocava a vida em suas mãos. Além de copeiro, ele era uma espécie de
primeiro-ministro, o braço direito do rei Artaxerxes. Contudo, Neemias renunciou
a tudo para cumprir os propósitos de Deus.
Realizar os sonhos de Deus é mais
importante do que viver encastelado no nosso próprio conforto. Por isso,
Neemias deixou sua zona de conforto, o palácio de Artaxerxes, e foi reconstruir
os muros caídos de Jerusalém.
Qual é o propósito de Deus para
sua vida? Melhor do que realizar os seus próprios sonhos, é cumprir o soberano
projeto de Deus. Moisés, Ester, Neemias e Paulo aprenderam o que é viver para
realizar os propósitos do coração de Deus.
2. Visão (Ne 2:5-9). Quando se
trata de visão, Neemias é um dos melhores exemplos de liderança da História.
Ele foi um líder sintonizado com o céu e com a terra. Ele olhava a vida da
perspectiva do tempo e da eternidade. Ele foi um empreendedor guiado pelo
desejo de fazer o extraordinário. Foi um líder capaz de entender a situação
geral e a necessidade de agir. Todavia, buscou
a direção de Deus antes de agir (Ne 1:11; 2.4).
Visão é uma imagem clara do que
se pretende alcançar. Mas não basta ter uma visão. Precisa haver
dedicação no sentido de agir em função dela. A história de Neemias revela
que ele tinha a visão de reconstruir as muralhas de Jerusalém. Sua missão era
levar essa visão à realidade. Ele apresentou um plano de reconstrução dos muros
da cidade santa ao Rei Artaxerxes e trabalhou até ver o muro reerguido e sua
visão concluída.
Ele orou por quatro meses. No
dia em que foi falar com o rei, intensificou sua oração (Ne 1:11). Na hora que
foi responder ao rei, tornou a orar (Ne 2:4). Neemias endereçou ao céu uma
oração telegrama, breve, silente, eficaz. Orar é pedir que Deus faça aquilo que
não podemos fazer. Precisamos nos preparar em oração antes de começarmos os
nossos projetos. Precisamos nos quebrantar mais diante de Deus, antes de sermos
usados por Deus.
Neemias sabia que a melhor
maneira de influenciar os poderosos da terra era ter a ajuda do Deus
todo-poderoso. Ele foi ao rei confiando no Rei dos reis. Ele conjugou oração e
ação. Pela oração e ação de Neemias um obstáculo aparentemente
intransponível foi reduzido a proporções domináveis. O coração do rei se
abriu e os propósitos de Neemias foram contemplados.
Revestidos de coragem e fé,
firmemente, pediu a autorização do rei e o apoio material para a reconstrução
de Jerusalém. Ele esperou um dia de festa, em que a rainha estava presente
(2:6) - é preciso ter sabedoria para saber a hora certa de agir - é preciso
agir no tempo de Deus.
Veja a seguir, resumidamente, os
pedidos que Neemias fez ao rei. Só um líder audaz, diligente e visionário fará
isso.
· Ele pediu ao
rei para mudar sua decisão política acerca de Jerusalém (Ne 2:5) – o rei tinha
dado uma ordem para paralisar a obra de reedificação da cidade - Neemias pediu
algo que alteraria um decreto do rei.
· Ele pediu ao
rei para ser enviado com a missão de reconstruir Jerusalém (2:5) - Neemias
recebeu seu chamado de Deus, mas precisa ser enviado pelo rei.
· Ele pediu
cartas de recomendação (2:7) - antecipou soluções – foi prudente - demonstrou
uma visão prospectiva e proativa.
· Ele pediu
provisão para a viagem (2:8) - Não se faz a obra de Deus sem recursos - Neemias
pede a quem pode atender – é necessário coragem para isso.
· Ele pediu
proteção para a viagem (2:9) - Neemias não dispensou os oficiais do exército
nem os cavaleiros - a proteção divina não anula a prudência humana. Precisamos
confiar em Deus e manter a prudência e a cautela.
3. Informação (Ne
2:12-15). Antes de divulgar o seu plano para
reconstrução da cidade, aos judeus, aos oficiais, aos sacerdotes e aos nobres,
Neemias precisava de informações concretas das dimensões das cidades e de suas
ruínas. Por isso, chegando a Jerusalém e permanecendo na cidade por três dias
(Ne 2:11), Neemias percebe, depois de andar pelas ruas de Jerusalém, à noite
(Ne 2:12), que tudo que tinha ouvido falar era verdade: a cidade estava
destruída. Os escombros fechavam os caminhos. Além disso, havia insegurança
pública, injustiça social, pobreza e extrema miséria (Ne 2:17). Parecia ser uma
causa perdida. As coisas pareciam imutáveis. Mexer em algo tão sedimentado dava
medo. Alguns pensavam: “É melhor deixar as coisas
como estão. É melhor não revirar essas pedras. Vai levantar muita poeira. Vai
trazer muita coisa à memória. Nós não vamos dar conta. Nossos inimigos vão
escarnecer de nós!”.
A restauração de Jerusalém não
interessa a todas as pessoas. Há quem lucra com os escombros. Durante os 120
anos que se seguiram depois dos muros terem sido derrubados pelos caldeus (2Cr
36:19), dezenas de milhares de habitantes de Jerusalém literalmente viram
aquilo e não fizeram nada. O que o povo precisava era de um líder que os
motivasse à luta, que traçasse um plano de ação e os conduzisse por todo o
processo de reconstrução. Deus chamou Neemias para realizar essa grande obra - “... o que o meu Deus me pôs no coração para fazer em Jerusalém”
(Ne 2:12). Muitos viram a desolação da cidade, alguns choraram sobre
ela, mas somente Neemias a reconstruiu. Não basta apenas lamentar o caos em que
se encontra a sociedade. É preciso conceber sua restauração como alvo supremo
da nossa vida.
Uma grande obra pode começar
quando um homem se levanta e se coloca nas mãos de Deus. O sonho humanamente
impossível torna-se realidade quando você ora e age no tempo oportuno de Deus,
com discernimento e sabedoria, com objetivos claros diante de Deus e dos
homens. Quais são os sonhos que lhe parecem impossíveis? Quer começar a orar, a
chorar e jejuar por eles?
4. Motivação (Ne 2:17,18;
3:1-16)). O verdadeiro líder é aquele que motiva as
pessoas a abraçar o seu projeto. Como um exímio administrador, Neemias conhecia
bem a arte de motivar e mobilizar as pessoas. Ele move o povo ao sentimento do
patriotismo. Ele abre seus olhos para a realidade em que viviam. Neemias mostra
que não podemos nos conformar com o caos, com a crise, com o opróbrio. Ele
chama o povo para trabalhar; jamais a reforma teria sido feita se o povo não se
envolvesse. Cada um precisa fazer sua parte. Não adianta culpar os outros e
apenas ver o que eles precisam fazer.
Foi convocada uma assembleia dos líderes
dos judeus e o assunto lhes foi exposto claramente - “Bem
vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada e que as suas
portas têm sido queimadas; vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém e
não estejamos mais em opróbrio” (2:17). Então ele lhes contou
como Deus o tinha convocado para realizar essa missão, e como o Senhor tinha
agido sobre o rei para que o ajudasse, não apenas ao dar-lhe a autoridade como
governador (5:14), mas também ao tornar disponíveis a ele os materiais
necessários para realizar o trabalho. Este fervoroso apelo recebeu
resposta rápida. Impressionados com o zelo de Neemias, os líderes judeus
responderam imediatamente: “Levantemo-nos e edifiquemos” (Ne 2:18).
- O sumo sacerdote foi
o primeiro da lista a abraçar a obra (Ne 3:1). Sua posição de liderança não o
isentou do trabalho, mas o fez exemplo para os demais. O líder precisa estar na
frente. Ele não pode querer que os outros abracem a obra se ele não está na
frente. Privilégio e responsabilidade andam juntos. O líder é aquele que se
identifica com o povo, é exemplo para o povo e trabalha com o povo.
- Os sacerdotes, de
igual forma, lançaram mão à obra (3:22,28). Eles não apenas trabalharam na
obra, mas fizeram mais do que se esperava deles.
- Os ourives também
se envolveram com a obra (3:8,31). Eles também poderiam ter se desculpado,
dizendo: "Nós temos as mãos finas, só
trabalhamos com coisas delicadas". Mas eles pegaram em pedra bruta
e assentaram tijolos.
- Os regentes de dois distritos, semelhantemente,
se dispuseram a trabalhar (3:9,12,14,15,16). Eles deixaram seus aposentos de
conforto para trabalhar ombro a ombro com as classes operárias. Trabalharam sem
rivalidades ou ressentimentos.
A motivação de Neemias contaminou
todas as pessoas, ninguém ficou de fora. Homens de lugares
diferentes e de diferentes ocupações trabalharam juntos no muro. Além dos que
foram citados acima, também participaram da obra: os levitas, chefes e pessoas
comuns, porteiros e guardas, fazendeiros, farmacêuticos, mercadores, empregados
do templo e mulheres. O líder é aquele que vê o potencial de cada pessoa e a
motiva a acreditar em si mesma. Só gente abnegada como Neemias pode liderar um
povo a se levantar e agir.
Mas alguém pode perguntar:
ninguém se recusou a participar? Claro que sim. Na obra de
Deus, o líder não deve esperar por unanimidade. A elite de Tecoa, a
cidade natal do profeta Amós, não quis sustentar o trabalho em Jerusalém e
recusou-se a participar da reconstrução do muro (Ne 3:5). Todavia, Neemias não
permitiu que a rejeição dessas pessoas tirasse seu entusiasmo e otimismo. Ele
trabalhou com quem estava disposto a trabalhar. Bem disse o rev. Hernandes Dias
Lopes: não podemos permitir que a omissão ou a ausência de alguns nos tirem a
alegria da presença de outros, nem podemos permitir que o desestímulo de alguns
desvie os nossos olhos do alvo que é a reconstrução da cidade. Devemos nos
alegrar mais com aqueles que estão conosco do que nos entristecermos com
aqueles que estão de braços cruzados. [1]
5. Neemias participou
ativamente dos trabalhos (Ne 4:17,23). Ele mobiliza o povo
para o trabalho e torna-se o pai do chamado mutirão. Neemias
participou ativamente dos trabalhos. Ele não disse "vá e construa”, mas
"vinde e construamos!" (2:17); não só liderava, também fazia parte da
equipe. Ele era um grande e admirável exemplo para o seu povo. Jamais deixou de
labutar junto ao povo - “E nem eu, nem meus irmãos, nem meus moços, nem os
homens da guarda que me seguiam largávamos as nossas vestes; cada um ia com
suas armas à água” (Ne 4:23).
Disse o pr. Elinaldo Renovato:
“líder não é o que manda, mas o que comanda; líder não é o que ordena: ‘façam’,
mas o que motiva: ‘façamos’. O pseudolíder esbraveja: ‘Aqui, quem manda sou
eu!’. Quem assim age, jamais será um líder, mas um capataz”.
CONCLUSÃO
“O líder inspirador
bem-sucedido não tarda em agir diante das dificuldades, pois sabe que todo
problema representa perigos e oportunidades. Sabe também que todos são
circunstanciais e permitidos pelo Senhor, a fim de que posas aprender a tomar
decisões, enquanto cresce e obtém a vitória plena”.


