quinta-feira, 14 de maio de 2026

ADÃO, O PRIMEIRO HOMEM CRIAÇÃO DE DEUS

 


ADÃO, O PRIMEIRO HOMEM

 Texto Bíblico: Gênesis 2:1-8

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn.1:26).

Gênesis 2:

1.Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados.

2.E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.

3.E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que

Deus criara e fizera.

4.Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o SENHOR Deus fez a terra e os céus.

5.Toda planta do campo ainda não estava na terra, e toda erva do campo ainda não brotava; porque ainda o SENHOR Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.

6.Um vapor, porém, subia da terra e regava toda a face da terra.

7.E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.

8.E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado.

INTRODUÇÃO

A narrativa da criação do homem e a história de Adão no livro de Gênesis representam um dos pilares fundamentais da literatura bíblica, estabelecendo as bases para a compreensão da natureza humana, do propósito e da relação entre o Criador e a criatura.

1. A Criação do Homem (Gênesis 1 e 2)

O texto bíblico oferece duas perspectivas complementares sobre a origem da humanidade:

A Perspectiva Teológica (Gênesis 1:26-27)

Neste relato, a criação do homem é o ápice da obra divina. Diferente de outros seres, o homem é criado conforme a "imagem e semelhança" de Deus.

  • Domínio: Recebe a responsabilidade de governar sobre a terra e os animais.
  • Dualidade: Criados como "homem e mulher", indicando que a imagem de Deus se reflete na humanidade como um todo.

A Perspectiva Antropológica (Gênesis 2:7)

Este relato detalha o "como" da criação, focando na formação física e espiritual:

  • O Pó da Terra: O nome Adão (Adam) está intimamente ligado à palavra hebraica para solo (Adamah). Isso enfatiza a fragilidade e a conexão do homem com a matéria.
  • O Fôlego de Vida: A vida humana só se inicia quando Deus sopra em suas narinas o neshamah (fôlego). O homem torna-se, então, uma "alma vivente", possuindo uma centelha divina que o diferencia do restante da criação.

 

2. O Jardim do Éden e a Responsabilidade

Adão foi colocado no Éden não apenas para desfrutar, mas com propósitos específicos:

  1. Trabalho e Cuidado: Ele deveria "lavrar e guardar" o jardim, mostrando que o trabalho é uma parte digna da existência humana original.
  2. Identidade: Ao dar nome aos animais, Adão exerce sua autoridade e capacidade racional, percebendo que, entre todos os seres, não havia um par que lhe fosse igual.
  3. Livre-arbítrio: A presença das duas árvores centrais — a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal — estabeleceu o cenário para o exercício da liberdade e da obediência.

3. A Criação de Eva

Gênesis 2 descreve que "não era bom que o homem estivesse só". A criação da mulher a partir da costela de Adão simboliza:

  • Igualdade de Natureza: Ela não foi feita da cabeça (para estar acima) nem dos pés (para ser pisada), mas do lado, para ser uma "ajudadora idônea" (parceira equivalente).
  • Instituição da Família: O texto conclui que o homem deixará pai e mãe para se unir à sua mulher, tornando-se "uma só carne".

4. O Significado de Adão

Para a teologia, Adão é a figura representativa da humanidade. Suas ações no Gênesis carregam significados profundos:

  • O Primeiro Homem: O ancestral comum de todos os povos.
  • O Arquétipo: Ele representa a busca humana por autonomia e os desafios de viver em harmonia com as leis naturais e divinas.

 

“Vede, isto tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele buscou muitas invenções” (Ec.7:29).

I. A DOUTRINA BÍBLICA DO HOMEM

Quem é o homem? De onde ele veio? Para onde ele vai? Estas são perguntas que inquietam aqueles que se debruçam sobre a realidade à sua volta. Os filósofos, em sua maioria absoluta, formada por materialistas, ateístas ou pretensos agnósticos, respondem que o homem é apenas um “animal que pensa”, ou fruto da evolução aleatória das espécies. Eles atribuem a existência do ser humano ao acaso, como se fosse descendente de um animal irracional, que teria evoluído de um microrganismo unicelular que povoara as águas dos mares. Todavia, a Bíblia Sagrada é clara e contundente: o ser humano teve sua origem em Deus (Gn.1:26; 2:7). Num tempo que não podemos determinar, a Trindade Santa se reuniu e decidiu formar o homem: “Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn.1:26).

1. Doutrina Bíblia do Homem

A Doutrina Bíblica do Homem é chamada de Antropologia, do grego antropos que significa homem logia, que significa estudo, portanto, estudo do homem. A estudar essa doutrina, temos que refletir sobre a origem do homem, sua constituição, sua finalidade, seu destino e como ele se relaciona com outros homens e com Deus.

A Antropologia humana exalta a teoria da evolução das espécies, por meio do acaso e da chamada “seleção natural”. A Antropologia bíblica fundamenta-se na Palavra de Deus, que afirmar categoricamente: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.1:26; 2:7). Esse é o ponto de partida, diante do qual o cristão, que crê na revelação divina, jamais se renderá diante de teorias humanas, evasivas, materialistas, contrárias às Escrituras Sagradas.

2. Fundamento

O principal fundamento da doutrina bíblica do homem encontra-se nas Escrituras Sagradas, que é a fidedigna Constituição e infalível regra de fé e prática do povo de Deus nesta Terra. Qualquer outro documento é considerado apenas um tratado ordinário, passível de alteração ao longo do tempo, e que deve estar estritamente balizado na Palavra de Deus.

-A Criação do Homem difere das outras criações. Quando Deus criou os animas, os peixes as estrelas, o sol e a lua, Deus utilizou o verbo, a palavra, para criar tudo no universo infinito e na terra; exemplo: “E disse Deus haja luz. E disse Deus haja um firmamento no meio das águas. E Disse Deus haja luminares no firmamento do céu (Gn.1:3,7,14); mas, na criação do homem Deus utilizou de material já existente para fazer o corpo físico – o pó da terra -, e, na parte espiritual, soprou em suas narinas, e o homem tornou-se alma vivente (Gn.2:7).

-O Homem foi criado superior aos outros seres vivos. Quando Deus criou o homem, ele já havia criado todos os outros seres vivos, as plantas, os peixes, os animais, e por isso Deus fez o homem superior a tudo o que existia até então, e os deu ao homem, e disse: “dominai sobre os peixes do mar, sobre todas as aves do céu, e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Gn.1:28). O homem desde a sua criação é superior a tudo na terra; entre o homem e as demais criaturas existem uma grande diferença: o homem possui um nível muito elevado intelectual, moral e espiritual (Gn.1:31, 2:19,20, Salmo 8:4-8).

3. Objetivos

Por que o estudo do homem é importante? Porque nos ajuda a entender como Deus planejou se relacionar conosco e o que Ele espera de nós. Um outro fato importante é o discernimento que essa doutrina nos dá quando a compreensão bíblica do homem é confrontada pela opinião e exposição das outras ciências afins como a psicologia e a sociologia.

A Lição Bíblica do Mestre apresenta 04(quatro) objetivos, que exponho:

Responder às perguntas do ser humano: Quem sou eu? De onde vim? O que represento? Qual a minha missão? E para onde vou?

Mostrar a dependência do homem em relação a Deus, o Criador e o Mantenedor de toda as coisas.

Levar o homem a reatar a sua comunhão com Deus através de Jesus Cristo, o Homem Perfeito.

Consolar-nos quanto ao nosso destino eterno por meio do sacrifício de Jesus no Calvário – Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.

II. A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA





A criação dos Céus e da Terra é um fato histórico que aconteceu exatamente como está escrito no Livro de Gênesis. Por que Deus criou tudo isto? Simplesmente porque Ele é livre para criar, e seu propósito baseia-se no fato da eterna bondade que Ele manifesta para sua criação. Ao criar o universo, não significa que Deus precisasse de alguma coisa para si, já que Ele possui tudo (Salmos 24:1). Ele criou todas as coisas para manifestação da sua glória (Sl.19:1-5; Is.6:3; 43:7). A criação da Terra foi aplaudida pelos anjos, os quais foram criados antes da criação do mundo material, conforme Deus revelou a Jó: “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? ... Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?” (Jó 38:4,7).

1. A criação dos Céus e dos anjos

“Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus; e todo o exército deles, pelo espírito da sua boca” (Sl.33:6).

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1).

a) A criação dos Céus (Gn.1:1; Sl.33:6)

É através dos céus que nós podemos entender a grandeza de Deus, ver o Seu grande poder e como Ele é maravilhoso. Vemos que Deus fez os céus e o céu dos céus, porque Ele é o único Criador, criou tudo para a Sua glória, e para mostrar a todos os incrédulos e aos seus inimigos (Satanás e os seus demônios) que Ele é o único, e que tudo foi feito por Ele e para Ele.

A Palavra de Deus mostra que não existe apenas um céu; o texto sagrado fala em “céus”, no plural:

“Eis que os céus e os céus dos céus são do SENHOR, teu Deus, a terra e tudo o que nela há” (Dt.10:14).

“Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados” (Gn.1:1).

“Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus...” (Sl.33:6).

O apóstolo Paulo narra uma experiência que teve em sua vida, em que ele foi arrebatado até o terceiro Céu; isto nos faz entender que não existe apenas um céu, mas sim três céus.

“Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos (se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe), foi arrebatado até ao terceiro céu” (2Co.12:1,2).

a.1) O Primeiro Céu: o Firmamento. É onde se encontram os planetas e as estrelas agrupadas em constelações, e estas em galáxias (Gn.1:16,17). Segundo os estudiosos deste assunto, existem, no mínimo, 2 trilhões de galáxias espalhados pelo universo observável, contendo mais estrelas do que grão de areia no planeta Terra. Os planetas giram em torno do sol, e junto com as demais estrelas, giram em torno de um ponto comum no meio da galáxia. Todos os planetas e estrelas têm o seu percurso perfeitamente traçado, onde se revolvem em perfeita simetria. Assim como os planetas, também, as galáxias têm o seu percurso, onde giram em torno de um ponto central do universo. Os cientistas não sabem o que é este centro do universo que mantém as galáxias ligadas a ele por uma força imaginavelmente poderosa; contudo, a Bíblia nos afirma que Deus é quem comanda todas estas estrelas, planetas e galáxias, girando harmoniosamente em volta do Seu trono.

a.2) O Segundo Céu: as Regiões Celestes (Ef.6:2) – “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.

Estas regiões celestes ou celestiais não podem ser vistas com olhos carnais. É um céu onde se encontram tudo o que é espiritual. É também onde os anjos de Deus travam as batalhas espirituais com Satanás e seus demônios (Dn.10:1-13; Ap.12:7). É o lugar onde se encontram os anjos e os demônios os quais não podemos ver com olhos humanos. É onde Satanás e seus demônios planejam as suas estratégias, para derrubar os crentes e destruir igrejas inteiras. Mas também é o lugar onde os anjos de Deus estão a todo o momento preparado para nos defender (Sl.34:7,8; Hb.1:14; 1Pd.5:8;).

“Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb.1:14).

a.3) O Terceiro Céu: A morada de Deus – O Céu dos céus (Dt.10:14). Este é o lugar que Deus escolheu para estabelecer o seu Trono, a Sua habitação (Dt.26:15; Is.66:1; Is.63:15; Sl.47:8; Sl.103:19). Embora a Bíblia diga que Deus é Onipresente, e Ele enche toda a Terra, e está em todo lugar, o Céu dos Céus é o lugar de Sua habitação (Dt.26:15).

“Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono... (Is.66:1).

“Olha desde a tua santa habitação, desde o céu, e abençoa o teu povo...” (Dt.26:15).

“Deus reina sobre as nações; Deus se assenta sobre o trono da sua santidade” (Sl.47:8).

“O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobretudo”” (Sl.103:19).

Neste lugar encontra-se o Paraiso (2Co.12:3,4). O apóstolo Paulo narra a experiência que teve, quando foi arrebatado até este maravilhoso lugar (2Co.12:3,4); lugar este onde estaremos brevemente a esperar a ressurreição por ocasião da vinda do Senhor Jesus (1Ts.4:16,17):

“E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar”.

Como o relato deixa claro, o lugar visitado por Paulo é o mesmo para o qual o Senhor Jesus levou o ladrão arrependido depois da morte deste último, ou seja, o lugar onde Deus habita. Paulo ouviu a língua do Paraíso e entendeu as palavras, mas foi proibido de repeti-las aqui na Terra. As palavras eram inefáveis no sentido de que eram sagradas demais para serem proferidas e, portanto, não deviam ser anunciadas.

Um Dia todos nós, os remidos pelo sangue de Jesus Cristo, estaremos com o Senhor neste Terceiro Céu, onde bem de perto ouviremos e participaremos destas palavras inefáveis, juntamente com todos os santos de todos os tempos e com os anjos de Deus. Neste lugar estaremos livres do poder e da presença do pecado; lá não sofreremos mais as acusações de Satanás; lá não haverá mais dor, tristeza e morte, e juntos com os anjos e nossos irmãos em Cristo, teremos felicidade plena e indelével, e glorificaremos o Senhor Jesus Cristo e o nosso Deus Pai para sempre.

“E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap.21:4).

b) A criação dos anjos (Sl.33:6)



Após criar os Céus, Deus criou os seres espirituais, os anjos. Os anjos são, assim como os homens, criaturas de Deus. Gênesis 1:1 e Colossenses 1:16 são incisivos ao mostrar que Deus foi o criador dos anjos, de forma que os anjos são criaturas, ou seja, seres inferiores a Deus, embora sejam superiores aos homens. Isto é muito importante, pois não temos como confundir os anjos com o próprio Deus, nem podemos atribuir a anjos quaisquer atributos divinos, pois Deus é o criador, enquanto os anjos são apenas criaturas.

Por serem espirituais, ou seja, ao contrário do homem que é formado de uma parte material (corpo) e de outra parte imaterial (alma e espírito), os anjos são puro espírito. O escritor da carta aos hebreus diz que os anjos são “espíritos ministradores enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hb.1:14).

Por serem espirituais, os anjos não estão sujeitos às leis da física, podendo aparecer e desaparecer (Jz.6:21; Lc.1:11; 2:13), contrariar a lei da gravidade (Jz.13:20), ter poder de ferir milhares de pessoas ao mesmo tempo (2Sm.24:16,17; 2Rs.19:35; 1Cr.21:16; 2Cr.32:21; Is.37:36), fechar a boca de leões famintos (Dn.6:22), remover grandes pedras (Mt.28:2), fazer emudecer (Lc.1:20), entrar e sair de lugares que estavam e continuaram fechados (At.5:19; 12:7-11), ferir uma pessoa em particular de modo fulminante e fatal (At.12:23), entre outros poderes, a mostrar que as leis vigentes para o mundo físico e material não atingem estes seres, já que são puramente imateriais.

Por não possuírem limitações físicas, a "lei da gravidade" não exerce qualquer influência sobre os anjos. Pela falta de gravidade de seus corpos espirituais, os anjos podem locomover-se de um lugar para outro com extrema rapidez.

Por serem superiores à matéria, os anjos podem tomar formas humanas para se fazerem perceptíveis aos sentidos físicos do homem, se houver necessidade. A Bíblia registra várias aparições de anjos; exemplos: feitas a Abraão, Ló, Jacó, Josué, Pedro, Paulo (Gn.18:1-10; 28:10-22; Js.5:13-15; Atos 12:7,8; 27:23).

Por serem plenamente espirituais, os anjos também são assexuados, ou seja, não são nem do sexo masculino, muito menos do sexo feminino. Assim, a sexualidade é uma característica exclusiva da dimensão terrena, sendo algo que não tem correspondência na dimensão celestial, como, a propósito, bem nos ensinou o Senhor Jesus em Seu diálogo com os saduceus (Mt.22:29,30; 12:25). Não há, portanto, “anjos do sexo masculino” nem tampouco “anjas”.

2. A criação da Terra (Gn.1:1; Sl.33:6) - Deus a criou com inigualável sabedoria

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1).

Observe que a Bíblia não diz que no princípio começou Deus a criar a Terra, e que após milhões, bilhões de anos, em sucessivas eras geológicas, a Terra ficou pronta para ser habitada. Não. A Bíblia diz que “no princípio criou Deus os céus e a Terra” (Gn.1:1). Deus não precisa de tempo para criar, para fazer, para aperfeiçoar alguma obra Sua. Sendo um Deus perfeito e Todo Poderoso, num só ato Ele cria ou faz uma obra perfeita, sem necessidade de acabamentos ou retoques.

A Terra que Deus criou era acabada, perfeita e bela

A Palavra de Deus afirma que Deus é perfeito e que não há imperfeição naquilo que Ele faz.

“Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos juízo são. Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é” (Dt.32:4).

Deus jamais chamaria de “céus e terra” um número infinito de átomos isolados e que se aglutinariam num tempo indeterminado, uma quantidade quase infinita de poeira cósmica jogada no espaço de forma aleatória. Não. De maneira alguma isso foi considerado “céus e terra” pelo Espírito Santo de Deus, no princípio. No princípio, a Terra que Deus criou era uma Terra acabada, perfeita e bela.

Os anjos foram os primeiros seres vivos a contemplarem a Terra tal como Deus a criou. Certamente, o que eles viram não foi uma Terra “sem forma e vazia”, coberta pelas águas (Gn.1:2). Na expressão do próprio Criador, os anjos, chamados de “estrelas da alva” e “filhos de Deus”, ao contemplarem a Terra recém-criada, rejubilaram e alegremente louvaram a Deus. Veja este depoimento dado pelo próprio Deus, falando a Jó:

“Onde estavas tu, quando eu fundava a Terra? Faze-me saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?” (Jó 38:4-7).

Deus criou a Terra para ser habitada

Pela informação que nos dá a Palavra de Deus e de forma clara narrada pelo profeta Isaías, Deus criou a Terra para ser habitada.

 “Porque assim diz o Senhor que tem criado os céus, o Deus que formou a Terra, e a fez, ele a estabeleceu, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada. Eu sou o Senhor e não há outro” (Is.45:18).

-Num primeiro momento, segundo tudo indica, ao criar a Terra Deus entregou o seu governo a um Querubim ungido (Ez.28:14). Esse Querubim falhou, pecou, e, em consequência, a Terra se tornou “sem forma e vazia” (Gn.1:2).

-Num segundo momento, Deus restaurou a Terra, devolvendo-lhe suas características originais. E para cuidar dela, Deus criou o homem, um ser diferente de todas as demais criaturas que já havia criado. O homem permanece cuidando da Terra e o fará até que o Senhor Jesus Cristo venha para implantar o Seu Reino milenar sobre ela.

No princípio, Deus constituiu um Querubim para cuidar da Terra original

“Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas” (Ez.28:14).

A Terra era como um Paraíso, reconhecida como sendo o Monte santo. É claro que não se pode afirmar com verdade matemática, mas, por inferência de várias passagens bíblicas, podemos entender que Deus entregou o governo da Terra original a um Querubim ungido e a seus anjos. É claro que respeitamos as opiniões contrárias. Esse “Querubim ungido” era como estrela radiante, ou “estrela da manhã, filha da alva!” (Is.14:12), razão por que convencionou-se chamá-lo de Lúcifer. Não há como determinar, nem mesmo imaginar, por quanto tempo a Terra original permaneceu tal como fora feita pelas mãos de Deus.

A Terra Original foi subvertida, transformada em caos, como consequência do pecado de Lúcifer

“E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono ... Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Is.14:13,14).

Em consequência deste ato tresloucado de Lúcifer querendo destronar o Criador, o juízo de Deus foi tão grande contra ele que alcançou também a própria Terra, a qual passou a ser vista tal como descrita em Gênesis 1:2 - “E a terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”. Neste estado, a Terra é conhecida como Terra caótica. A Terra que Deus criara, perfeita e bela, foi transtornada.

A Terra foi submersa pelas águas e envolta na escuridão. Porém, com muita propriedade, a Palavra de Deus afirma que “o Espírito de Deus se movia sobre a face da água”. Isto pode significar que a presença de Deus ali estava para garantir o seu direito de propriedade sobre a Terra. Satanás nunca se tornou senhor, ou proprietário dela. A Terra sempre foi propriedade exclusiva de Deus.

“Eis que os céus e os céus dos céus são do Senhor teu Deus, a terra e tudo o que nela há” (Dt.10:14).

“Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl.24:1).

Não se pode quantificar em números – em séculos ou milênios, em milhões, talvez bilhões de anos -, o tempo em que a Terra permaneceu neste estado caótico - “sem forma e vazia”. Porém é certo que ela permaneceu o tempo suficiente para cobrir todas as eras geológicas defendidas pela ciência. Afirma a maioria dos comentaristas que a Terra original era povoada por animais, mas, não pelo homem. Isto justificaria o encontro de fósseis com milhões ou bilhões de anos.

A Terra foi restaurada em seis dias

Após o estado caótico, Deus não criou céus e nem uma nova Terra. A expressão “criar”, do verbo hebraico, barah” - no sentido de trazer à existência algo que antes não existia, ou trazer do nada, ou fazer existir aquilo que não é material -, somente é usada três vezes no capítulo 1 de Gênesis - versículos 1,21 e 27.

Em relação à Terra, no terceiro dia, não há qualquer menção do verbo criar ou “barah”. Isto significa que Deus não criou uma Terra, mas, restaurou aquela que ele havia criado “no princípio”, e que tinha sido transtornada como consequência do pecado de Lúcifer, sendo envolta em escuridão e coberta pelas águas. Em razão disto, Deus ordenou:

“... ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca. E assim foi” (Gn.1:9).

Portanto, a Terra já existia, apenas estava encoberta pelas águas.

“E chamou Deus a porção seca Terra, e ao ajuntamento das águas chamou Mares. E viu Deus que era muito bom” (Gn.1:10).

A Terra foi coberta pelo verde da vegetação

Mais uma vez, em Gênesis 1:11, não aparece o verbo criar, ou “barah”. Isto significa que Deus não criou plantas, mas, que ordenou às sementes de todas as plantas que antes existiam na Terra original, e que permaneceram em estado latente para que germinassem.

“E disse Deus: produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera cuja semente está nela conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã o dia terceiro” (Gn.1:11-13).

Assim, a antiga Terra, criada por Deus, “no princípio”, após permanecer em estado caótico por um tempo que só Deus conhece sua duração, está finalmente renovada e pronta para ser habitada outra vez.

Após tudo isto, ou seja, a restauração da Terra, Deus formou o homem para cuidar de tudo aquilo que Deus criou e que estava sobre a Terra

“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).

III. A CRIAÇÃO DE ADÃO, O PRIMEIRO SER HUMANO

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn.1:26).

“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn.1:27).

“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).

Há três palavras-chave para a atividade criadora de Deus nestes textos: criar, fazer e formar. Esses três verbos definem o caráter da obra criadora de Deus, que tanto criou do nada, como formou criaturas daquilo que criara anteriormente.

É bom enfatizar que o capítulo 2 não é um outro relato da criação nem uma continuação do capítulo 1; não é independente, mas dependente do primeiro, ampliando e explicando uma das atividades de Deus que apenas foi citada no relato anterior. É como se o ator de Gênesis desse um zoom no versículo 27 do capítulo 1, usando o versículo 7 do capítulo 2:

“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).

Refletir sobre a formação do homem requer um estudo de Genesis 2:7. Vamos começar com o verbo que descreve a atividade de Deus: formar. A mesma palavra empregada para o oleiro que molda o vaso (cf. Is.29:16; Jr.18:4-6). A palavra descreve a ação de um Criador habilidoso que molda a coroa da Sua criação e sopra vida nela. O material usado é o mesmo que o oleiro usa para formar o vaso: o pó da superfície da terra que dá o barro, que pode ser moldado e mantém a forma do molde. Essa figura é tão importante que é usada no restante do Antigo Testamento ao mencionar aspectos específicos da natureza do homem e de seus relacionamentos. Vamos ver algumas passagens bíblicas:

Deus é o oleiro que forma Israel (Jr.18:6).

O pó é a origem e o destino do homem (Gn.3:19).

O homem é frágil por causa do material de que foi feito (Sl.103:14).

Se pararmos para refletir, o homem (em hebraico adam) e terra (em hebraico adamah) estão sempre em pares na sua história. Em Gênesis 2, o homem é formado da terra, depois recebe a ordem de cultivá-la, da terra virá também o seu alimento, e por fim, a terra é a sua casa depois da morte (Gn.3:19).

1. O concílio da Divindade sobre a criação do homem

A criação do ser humano foi uma decisão amorosa e soberana da Santistíssima Trindade: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (Gn.1:26). O verbo “fazer”, na primeira pessoa do imperativo, no plural, denota que o Criador não estava sozinho, na criação do homem. A compreensão humana não alcança a grandeza daquele momento único e singular, totalmente distinto de todo processo criador dos demais seres. Apesar disso, pode-se entender que, num ponto do planeta, no Oriente, Deus (o Pai, o Filho e o Espírito Santo) se reuniram solenemente para fazer surgir o novo ser: o homem à imagem e semelhança de Deus, obra prima da criação, que haveria de revolucionar toda a criação. O fato de que os membros da Trindade falaram entre si indica que este foi um ato transcendental e a consumação da obra criadora.

“...o homem à nossa imagem...”. Que significa isto? Não se refere a aspecto físico, já que Deus é espírito, e não tem corpo. A imagem de Deus no homem tem quatro aspectos: (a) somente o homem recebeu o sopro de Deus, e, portanto, tem um espírito imortal, por meio do qual pode ter comunhão com Deus; (b) é um ser moral, não obrigado a obedecer a seus instintos, como os animais, porém possui livre-arbítrio e consciência; (c) é um ser racional, com capacida­de para pensar no abstrato e formar ideias; (d) é um ser que tem domínio sobre a natureza e sobre os seres vivos, à semelhança de Deus; é o representante de Deus, investido de autoridade e domínio (Gn.1:26), como visível monarca e cabeça do mundo.

2. A matéria prima do homem

O corpo do homem foi formado do pó da terra, à semelhança do que se deu com os animais (Gn.2:7,19), o que nos ensina que ele se relaciona com as outras criaturas. Não obstante, não há elo biológico entre o homem e os animais.

A ciência tem demonstrado que a substância do corpo humano contém os mesmos elementos químicos do solo. Seu nome em hebraico "Adão" (homem), é semelhante a "Adama" (solo). Usa-se a palavra "bara" (criar algo sem precedentes) em Gn.1:27, que indica que sua criação foi algo especial.

Gênesis 2:7 diz: “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra…". A palavra "formou" dá, no original, a ideia de "manipulação", trabalho com as mãos.

Que o corpo do homem é feito do pó da terra não se pode negar, cientificamente. Eis a sua constituição segundo os estudiosos deste assunto:

3. O sopro divino (Gn.2:7)

“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”.

O fôlego de vida soprado por Deus não é o ar que conhecemos, mas a própria vida dada ao homem, a própria imagem e semelhança de Deus. O homem é imagem e semelhança de Deus exatamente porque Deus lhe imprimiu algo de Sua essência, algo que veio diretamente dEle, ao contrário do restante da criação, que foi feito a partir da vontade divina expressa por Sua Palavra.

Este texto narra a criação da parte imaterial do homem, que é constituída da alma e do espírito. Deus soprou nos narizes do homem e ele foi feito "alma vivente", ou seja, surgiu desse sopro uma alma e essa alma tinha consciência de que vinha de Deus e estava ligada a Ele. Temos, então, as duas instâncias do homem interior: a alma e o espírito. Este é o aspecto totalmente diverso entre o homem e os demais seres vivos criados na Terra. Esta parte imaterial coloca o homem acima da natureza e que lhe permite dominar sobre ela. Esta parte imaterial, resultado do sopro de Deus, é o que Paulo denomina de "homem interior", porque é a parte do homem que não aparece aos nossos olhos, parte esta que as Escrituras identificam figurativamente como "mente" (Rm.7:25) e "coração" (Pv.4:23; Ap.2:23).

Ao se dizer que o homem foi feito "alma vivente”, está sendo dito que o homem é uma alma que tem vida, ou seja, é uma alma que está em comunhão com Deus, pois vida, aqui, não é uma mera existência, mas é uma demonstração de existência de uma comunhão entre Deus e a Sua criatura.

- A alma é a sede dos pensamentos e dos sentimentos do homem; a sede da sua personalidade, da sua individualidade; a parte do homem que tem consciência de si mesmo.

- O espírito é a parte do homem que faz a relação dele com Deus; é a sede da consciência, o instrumento que nos permite discernir o certo do errado; é o elo entre Deus e o homem, a instância em que tomamos consciência da existência e da soberania de Deus.

Alguém disse que o homem tem espírito para ter comunhão com Deus, vontade para obedecê-lo e corpo para servi-lo.

IV. A MISSÃO E A TAREFA DO HOMEM

Por que Deus criou o homem? Não há apenas uma única resposta para esta pergunta. Através da Escrituras Sagradas, podemos notar várias razões que levaram o Senhor a criar o homem e mantê-lo no mundo criado como administrador de tudo. Veja a seguir três motivos:

1. Glorificar a Deus

Deus não precisava criar o homem, mas criou-o para a sua própria glória. Deus não precisa de nós nem do resto da criação para nada, porém, nós e o restante da criação o glorificamos e lhe damos alegria. Como por toda a eternidade sempre houve perfeito amor e comunhão entre os membros da Trindade (João 17:5,24), Deus não nos criou porque estava só ou porque precisasse da comunhão de outras pessoas – Deus não precisava de nós por motivo nenhum. No entanto, Deus nos criou para a sua própria glória.

O fato de Deus nos ter criado para a sua própria glória determina a resposta correta à pergunta: Qual o nosso propósito na vida? Nosso propósito dever ser sempre cumprir a meta para qual Deus nos criou: glorificá-lo.

A humanidade sofreu com a Queda do primeiro homem criado, mas Deus se glorificou providenciando Jesus Cristo que, através de Seu ministério e morte, redimiu os filhos do Senhor. O profeta Isaías afirma que Deus criou o homem para o louvor da Sua glória.

“Cantai alegres, vós, ó céus, porque o SENHOR fez isso; exultai vós, as partes mais baixas da terra; vós, montes, retumbai com júbilo; também vós, bosques e todas as árvores em vós; porque o SENHOR remiu a Jacó e glorificou-se em Israel” (Is.44:23).

O salmista, do Salmo 148, recomenda a toda ser humano a louvar ao Senhor:

11.reis da terra e todos os povos, príncipes e todos os juízes da terra;

12.rapazes e donzelas, velhos e crianças.

13.Que louvem o nome do SENHOR, pois só o seu nome é exaltado; a sua glória está sobre a terra e o céu.

14.Ele também exalta o poder do seu povo, o louvor de todos os seus santos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado. Louvai ao SENHOR!

2. Propagar a espécie

“E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn.1:28).

Quando Deus criou o homem, Ele o preparou fisicamente para obedecer à Sua vontade, tais como:

  • Multiplicar-se.
  • Povoar a terra.
  • Dominar os peixes, aves e animais.

O Perfeito Criador colocou no corpo humano tudo que seria necessário para cumprir os ideais divinos, pois o homem para se multiplicar, necessita primeiro possuir desejo sexual, e depois prazer sexual, e depois o esperma para fecundar o óvulo da mulher, para que enfim possa gerar o filho; tudo isto foi previsto pela Trindade santa, em nada o Criador falhou; não houve testes, não houve cobaia; o primeiro homem já era dotado de tudo aquilo que Deus planejou para sua existência e procriação.

3. Governar e administrar o planeta

Após decidir criar o homem à Sua imagem e semelhança, o Senhor anunciou que o homem teria domínio sobre o restante da criação. Essa decisão de Deus a respeito do homem foi tanto um privilégio como uma responsabilidade que o homem recebeu. Está assim escrito:

“E disse Deus: [...] domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra [...] dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn.1:26,28).

É importante observar que o homem devia dominar a terra, mas não como se fosse o dono dela, porque toda a terra pertence ao Senhor (Lv.25:23, Sl.24:1, 1Co.10:26). O homem é apenas o "mordomo de Deus", com a função de tomar conta das obras das Suas mãos.

Conforme bem explica o comentarista do Comentário Bíblico Beacon, esse direito dado por Deus ao homem dominar sobretudo na Terra ressalta o fato de que Deus o equipou com aptidão para agir como governante.

-Aptidão para governar implica em capacidade intelectual adequada para argumentar, organizar, planejar e avaliar.

-Aptidão para governar implica em capacidade emocional adequada para desejar o mais alto bem-estar dos súditos, apreciar e honrar o que é bom, verdadeiro e bonito, repugnar e repudiar o que é cruel, falso e feio, ter profunda preocupação pelo bem-estar de toda a natureza e amar a Deus que o criou.

-Aptidão para governar implica em capacidade volitiva adequada para escolher fazer a toda hora o que é certo, obedecer ao mandamento de Deus indiscutivelmente e sem demora, entregar alegremente todos os poderes a Deus em adoração jovial e participar em uma comunhão saudável com a natureza e Deus.

-Aptidão para governar ou exercer domínio sobre a Criação não significa que o homem pudesse fazer o que desejasse, que destruísse os animais (matança de forma indiscriminada) ou poluísse a Terra. Como um ser criado por Deus, o homem deveria usar de sabedoria na administração da Terra, usando-a para habitação, para seu prazer, tendo boa alimentação a seu dispor, preservando as obras criadas, tratando-as com equilíbrio. Sempre cônscio que a criação não pertence ao homem, mas ao Criador (cf.Sl.24:1). Infelizmente, atualmente, temos negligenciado essa responsabilidade quando ficamos passivos ante a destruição do mundo criado por Deus, e até quando nós mesmos, com atitudes irresponsáveis, colaboramos com essa devastação, quando, por exemplo: desperdiçamos água; quando colocamos lixo nas praias, nos rios; quando devastamos a natureza.

CONCLUSÃO

Aprendemos aqui neste estudo que o Primeiro homem, Adão, foi criado por Deus, por um ato consensual da Santíssima Trindade (Gn.1:26,27); criado à imagem de Deus, conforme à Sua semelhança; macho e fêmea foram criados por Deus (Mc.10:6), e não formado no decurso de milhões de anos de processos macro evolucionários.

 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

A MORTE DE JESUS, O CORDEIRO DE DEUS

 


A MORTE DE JESUS, O CORDEIRO DE DEUS

TEXTO BÍBLICO: Lucas 23:44-50

 “E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou (Lc 23:46).

A morte de Jesus, sob a perspectiva teológica do "Cordeiro de Deus", é o evento central da narrativa cristã, unindo o simbolismo do Antigo Testamento à consumação do Novo Testamento.

O texto de Lucas 23:46 captura o exato momento em que o sacrifício se completa, não como uma derrota, mas como uma entrega voluntária.

1. O Simbolismo do Cordeiro


Para entender a morte de Jesus, é preciso olhar para a tradição do Cordeiro Pascal. No Antigo Testamento, o sangue do cordeiro nos portais protegia os hebreus da morte no Egito.

  • A Substituição: Assim como o cordeiro morria no lugar do primogênito, Jesus é apresentado como aquele que assume a culpa da humanidade.
  • A Pureza: O animal deveria ser "sem defeito", refletindo a crença na natureza impecável de Cristo.

2. A "Grande Voz" e a Entrega Voluntária

Diferente de uma vítima comum de crucificação, que geralmente morreria por asfixia lenta e exaustão, Lucas enfatiza que Jesus clamou com "grande voz".

  • Isso sugere que Ele ainda detinha autoridade e força vital.
  • A morte não o "tomou"; Ele a entregou. Como Ele mesmo disse em outras passagens: "Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo" (João 10:18).

3. "Nas tuas mãos entrego o meu espírito"

Esta frase é uma citação do Salmo 31:5. Ao proferi-la, Jesus demonstra:

  • Confiança Absoluta: Mesmo no momento de maior dor e abandono aparente, Ele se dirige a Deus como "Pai".
  • Comunhão Restaurada: O ato de entregar o espírito simboliza que a missão de reconciliação entre a humanidade e o divino estava cumprida.

O Significado Teológico da Expiração

Quando o texto diz que Ele "expirou", encerra-se o ciclo do sacrifício vicário. Para o cristianismo, esse momento representa:

Elemento

Significado

O Véu Rasgado

O acesso direto a Deus, sem necessidade de intermediários humanos ou rituais antigos.

A Vitória sobre o Pecado

A dívida da humanidade é considerada paga ("Está consumado").

O Início da Nova Aliança

O sangue do Cordeiro estabelece um novo relacionamento entre Criador e criatura.

"Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro..." (Isaías 53:7)

A morte de Jesus, portanto, é lida não como o fim de um mestre, mas como o cumprimento de uma promessa milenar de redenção.

INTRODUÇÃO

A morte de Jesus Cristo na cruz não foi um acidente, foi uma agenda estabelecida por Deus. Você e eu não podemos desconsiderar a grandeza e a profundidade desta verdade, porque na mente de Deus, nos decretos de Deus, o Cordeiro de Deus foi morto desde a fundação do mundo. Ele nasceu para morrer. Ele nasceu para ser o nosso substituto, nosso representante, nosso fiador. Na verdade, a cruz sempre esteve incrustada na mente de Deus, em Seu coração amoroso. Jesus Cristo jamais recuou diante dessa cruz. Ele caminhou resoluto para ela como um rei caminha para sua coroação. Portanto, a cruz de Cristo além de ser um fato já planejado na eternidade, expressa para você e para mim o gesto do maior amor de Deus por nós.

Se você ainda tem dúvida do amor de Deus, entenda que não há possibilidade de nós expressarmos de forma mais eloquente e mais profunda o amor de Deus por nós do que a manifestação da cruz. Ali aconteceu o maior de todos os sacrifícios. O Filho de Deus deixou o Céu, deixou a companhia dos anjos, deixou a glória do Pai, e veio e se humilhou, se fez servo; foi perseguido, foi preso, foi insultado, foi cuspido, foi zombado, foi escarnecido, foi pregado na cruz.

Com a morte de Jesus, ativou-se o contato da criatura com o Criador que fora quebrado no Éden e se tornou visível a ação de Deus na vida dos homens, de maneira que o céu, que parecia ser inatingível, tornou-se acessível aos homens por meio de Cristo Jesus. A morte de Jesus na cruz, que seria uma vitória do diabo, na verdade representou a própria derrota de Satanás.

I. AS ÚLTIMAS ADVERTÊNCIAS E RECOMENDAÇÕES

1. Aflição interior. Na plena certeza de que era chegado o momento que seria entregue nas mãos de seus inimigos, Jesus trata de dar as últimas advertências e recomendações aos seus discípulos. Citando o profeta Zacarias, Ele fala que todos os apóstolos, sem exceção, iam se escandalizar com Ele, quando Ele fosse ferido (Mc 14:27). Todos disseram que isso nunca aconteceria (Mc 14:31). Um pouco mais tarde, todos o abandonaram e fugiram (Mc 14:50). Mas Jesus se apressa em acrescentar que nem sua morte nem a fuga dos discípulos seriam definitivas. Ele ressuscitaria e iria antes deles para a Galileia. O lugar do começo deles (Mc 3:14) haveria de ser também o lugar do novo começo deles (Mc 16:7). Ser cristão é seguir a Cristo. Ele vai adiante de nós. Ele nos encontra e nos restaura nos lugares comuns da nossa vida.

Mas Pedro não concordou que isso aconteceria com Ele, isto é, que se escandalizaria em Jesus. Ele disse: “Ainda que todos se escandalizem, nunca, porém, eu” (Mc 14:29). Foi uma pretensão vaidosa. Pedro julgou-se melhor que os seus colegas. Ele pensou ser mais crente, mais forte, mais confiável que seus pares. Ele queria ser uma exceção na totalidade apontada por Jesus. Pensou que jamais se escandalizaria com Cristo. Achou que estava pronto para ir para a prisão e até para a morte (Lc 22:33). Jesus, entretanto, revela a Pedro que naquela mesma noite, sua fraqueza seria demonstrada e suas promessas seriam quebradas – “Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes negues que me conheces” (Lc 22:34). Isso ocorreu como Jesus falou (cf Lc 22:54-62). Os outros falharam, mas a falha de Pedro foi maior. A Palavra de Deus alerta: “O que confia no seu próprio coração é insensato” (Pv 28:26). O apóstolo Paulo adverte: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia” (1Co 10:12).

Foram momentos de muita aflição na vida dos discípulos, mas para Pedro deve ter sido um verdadeiro terror, com os verdugos da sua consciência lhe acusando de traição. Ainda bem que horas antes Jesus tinha rogado por ele para que a sua fé não desfalecesse (Lc 22:32). Jesus, porém, jamais desistiu de Pedro. No primeiro dia da semana, Jesus ressuscita dentre os mortos e dá um recado: “ide e dizei aos meus discípulos e a Pedro que eu quero encontrar com eles na Galileia” (Mc 16:7). Jesus faz menção especial a Pedro. Jesus nunca desiste de nós!

2. Aflição exterior. O texto de Lc 22:35-38 mostra a grande tensão que passou Jesus e os discípulos nos momentos que antecederam a prisão de Jesus. Os discípulos ainda não percebiam que Jesus seria contado com os transgressores, isto é, entre os criminosos sociais. O caminho de Jesus exigia resistência e luta. E Jesus já tinha treinado os seus discípulos. Eles tinham constatado que, tanto na primeira como na segunda missão, nada lhes tinha faltado (Lc 9:6;10:17). Aquelas primeiras experiências foram alegres e compensadoras. Mas as consequências sempre seriam duras: perseguição, traição, prisão, tortura e morte.

Chegara a hora de lutar, mas não com a espada que fere e mata (Lc 22:36). A espada a que Jesus se referiu neste versículo era simbólica, lembrando a resistência e a ousadia de não voltar atrás. Por isso é possível entender por que Jesus tinha dito que o reino seria conquistado pelo esforço (Lc 16:16). Não se trata de esforço que produz mérito diante de Deus. Não! Nenhum mérito pode nos levar à salvação. O esforço refere-se à atitude daqueles que estão convencidos de que vale a pena lutar para que outros também conquistem a liberdade e a vida.

Lucas 22:37 é uma prova de que Jesus estava bem consciente do seu sacrifício, pois citou Isaías 53:12 como uma profecia a seu respeito que estava para se cumprir – “pois vos digo que importa que se cumpra em mim o que está escrito: Ele foi contado com os malfeitores. Porque o que a mim se refere está sendo cumprido”.

Os discípulos pareciam não entender nada do que estava acontecendo. Arranjaram duas espadas normais, as mesmas armas que os poderosos usavam. Mas Jesus, entendendo a falta de visão espiritual deles, certamente com amor e talvez com sorriso levemente irônico no rosto, disse: “Basta!” (Lc 22:38). Os discípulos só entenderiam mais tarde que Jesus, sabendo que as perseguições a eles iriam começar, estava apenas alertando-os para os sofrimentos que teriam que enfrentar. Os discípulos só entenderiam, mais tarde, através do Espírito Santo que viria e os conduziria a toda a verdade (João 14:16,26).

II. JESUS É ATRAÍDO E PRESO

 

1. A ambição. A traição de Jesus é um dos relatos mais dramáticos que o Novo Testamento registra. O evangelista Mateus aponta a motivação de Judas em procurar os principais sacerdotes: “que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata(Mt 26:15). A motivação de Judas em entregar Jesus era o amor ao dinheiro. Seu deus era o dinheiro. Ele vendeu sua alma, seu ministério, suas convicções, sua lealdade. Tornou-se um traidor. O dinheiro recebido por Judas era o preço de um escravo ferido por um boi (Êx 21:32). Por essa insignificante soma de dinheiro, Judas traiu o seu Mestre!

Antes dissoJudas participou da Páscoa com Jesus e os demais apóstolos. No Cenáculo, Jesus demonstrou seu amor por Judas, lavando-lhe os pés (João 13:5), mesmo sabendo que o diabo já tinha posto no coração de Judas o propósito de traí-lo (João 13:2). Nesse momento, na hora da Páscoa, Jesus acentua a ingratidão de Judas, de estar traindo a seu Mestre (Mc 14:20,21). Jesus declara que ele sofrerá severa penalidade por atitude tão hostil ao seu amor: “[...] ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!” (Mc 14:21). Judas não se quebranta nem se arrepende, ao contrário, finge ter plena comunhão com Cristo, ao comer com Ele (Mc 14:18). Nesse momento, o próprio Satanás entra em Judas (João 13:27) e ele sai da mesa para unir-se aos inimigos de Cristo e entregá-lo a eles. Judas trai a Jesus na surdina, na calada da noite.

Segundo alguns estudiosos, Judas traiu Jesus por livre vontade, não como um robô. A soberania divina não diminui a responsabilidade humana. Somos responsáveis pelos nossos próprios pecados. Judas foi seduzido pelo amor ao dinheiro. A sua indisposição de arrepender-se e de orar pela renovação da sua vida casou-lhe a sua ruína. “Quando o responsabiliza por seu ato, as Escrituras mostram que Judas não estava predestinado a ser o traidor de Jesus (Mc 14:21). Ele o fez porque não vigiou (Lc 6:13; 22:40). Quem não vigia termina vendendo ou negociando a sua fé”.

No Getsêmani, o Senhor Jesus ainda falava com os discípulos sobre o valor da oração quando os inimigos chegaram, tendo Judas Iscariotes à frente como guia. O beijo era um gesto de cumprimento entre pessoas íntimas. Mas o gesto de afeto se transformara em instrumento de traição. Judas estava sendo instrumento do diabo.

2. A negociação. Os principais sacerdotes e os escribas conspiravam incessantemente sobre como poderiam matar o Senhor Jesus, mas reconheceram que deveriam fazê-lo sem causar tumulto, porque temiam o povo e sabiam que muitos ainda tinham Jesus em alta estima (Lc 22:2). Sabendo que Judas estava dominado pela ambição, Satanás incita-o a procurar os líderes religiosos para vender Jesus. Judas entendeu-se com os principais sacerdotes e os capitães (Lc 222:4), isto é, os comandantes da guarda do templo judaico. Cuidadosamente ele formou um plano pelo qual ele poderia entregar Jesus nas suas mãos sem causar tumulto. O plano era inteiramente aceitável, e eles combinaram em lhe dar dinheiro: trinta moedas de prata (Mt 26:15). Portanto, Judas saiu para formular os detalhes de seu esquema traiçoeiro e maligno. Como era bastante natural, os inimigos se alegraram com esta apostasia de Judas. Isto simplificava a tarefa deles. Visto que Jesus desfrutava de tanto apoio popular, era importante que fosse preso quando não havia multidões presentes para começar um tumulto. Judas negociou a sua fé com os inimigos para trair o seu Mestre que só lhe fez bem. Porventura muitos hoje não estão fazendo a mesma coisa com Jesus?

III. JULGAMENTO E CONDENAÇÃO DE JESUS


Lucas nos mostra que Jesus se tornou um grande problema para as autoridades religiosas judaicas. Eles perseguiam Jesus querendo julgá-lo e condená-lo à morte, mas havia um problema para atingir esse objetivo: eles não tinham autorização para executar um condenado à morte. João 18:31 mostra que o Sinédrio podia julgar qualquer pessoa do povo, e até condená-la à morte, porém, não podia executar a sentença. Isso era reservado ao poder romano. Obviamente Roma não permitiria que um povo súdito usasse seus próprios processos legais para matar os apoiadores dele, de modo que o poder de aplicar a pena de morte permaneceu nas mãos do governador. Do ponto de vis­ta dos judeus, o crime de Jesus era blasfêmia, a alegação de que era o Filho de Deus. Aos olhos dos romanos, esta não era uma transgressão que merecia a pena de morte. Desta feita, os judeus tinham uma grande questão a dirimir: como despertar interesse do poder romano pela causa contra Jesus? A desculpa de um motivo “religioso” não era suficiente. Diante do poder político romano a causa devia ser política e contra Roma. Então, logo no início do capítulo 23 de Lucas, vemos a mobilização dos judeus para confirmar a condenação de Jesus.

O Sinédrio não po­dia ter uma reunião juridicamente válida à noite. Por isso, logo pela manhã, fizeram uma sessão para legalizar a decisão que já tinham tomado durante a noite, mesmo que baseada em falsas testemunhas. Logo depois, ainda nas primeiras horas da manhã, tiveram que levar Jesus perante Pilatos. Porque o Sinédrio havia sido destituído da possibilidade de executar um condenado à morte, seus membros tiveram que ir até o palácio de Pilatos.

Os membros do Sinédrio levaram Jesus a Pilatos, junta­mente com a acusação. Claro, uma acusação falsa. O motivo fundamental apresentado foi que Jesus era um subversivo e havia provocado distúrbios nas três áreas fundamentais da sociedade: (a) Ideológica - "Ele alvoroça o povo com seu ensinamento" (Lc 23:30). Aqui, eles alegaram que Jesus provocara uma sedição con­tra a "ordem romana"; (b) Econômica - "Ele proíbe pagar tributo ao imperador". Isto era uma distorção das palavras de Lucas 20:20-25, quando Jesus disse para dar a César o que era de César e a Deus o que era de Deus; (c) Política - "Ele afirma ser Messias, o Rei". Isto era um crime capital de usurpação de poder contra o imperador roma­no. Mas, de acordo com Lucas 22:67, Jesus não confirmou essa acusação.

Estas acusações davam real motivo para classificar Jesus de indivíduo sedicioso. Desviar os judeus de sua fé não era crime para Roma, mas a sedição, fazer o povo se levantar contra o império, era. Os romanos não toleravam nenhuma forma de levante contra o Estado e estipulavam para esse tipo de crime a pena capital.

Jesus, com seu ensino e suas ações servindo aos excluídos da sociedade, tinha abalado os privilégios dos poderosos e a na­ção inteira (Galileia, Judéia e Jerusalém), pois valorizava os que a sociedade rejeitava. O fato de Ele comer com os publicanos e pecadores, valorizar as mulheres e crianças, perdoar prostitutas, curar e aceitar os samaritanos, e ainda exigir arrependimento e fé para entrar no reino de Deus, causava grande incômodo às autori­dades religiosas dos judeus. Tudo isso era acobertado pela más­cara da religião, atitude que Jesus também denunciou direta­mente. Por não terem o poder de determinar a morte, os religiosos foram buscar o braço do governo romano que podia promover a execução. Usando a falsidade os judeus julgaram e condenaram, injustamente, Jesus à pena capital.

 

IV. A CRUCIFICAÇÃO E A MORTE DE JESUS

1. A crucificação de Jesus (Lc 23:33-38). O momento culminante do plano de Deus para salvar o ser humano tinha chegado. Não houve nenhuma reação de sua parte, a despeito do injusto julgamento e condenação. Ele era cônscio de que para esse momento havia sido enviado pelo Pai, numa demonstração do seu grande amor por todos nós (João 3:16). Jesus já tinha realizado seu ministério, preparado os discípulos para continuar a obra de evangelização e lutado até o fim contra as tentativas do diabo de afastá-lo da cruz. Agora, Ele sabia que a hora da sua morte havia chegado.

a) Os soldados levaram Jesus para ser crucificado. Jesus foi forçado a carregar a cruz, porém, estava sem condições físicas para isso, pois tinha ficado a noite inteira acordado, provavelmente em pé, e ha­via sofrido maus tratos e muitas torturas. Estava esgotado fisicamente. No caminho, Simão, cireneu, provavelmente uma pessoa de pele escura, vindo de fora dos termos de Israel para a celebração da Páscoa, foi obrigado a levar a cruz de Jesus (Lc 23:26). Nesse Simão foi revelado o que deve ser o discípulo, pois, conforme Jesus disse em Lc 14:27, “qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo”. A cruz que o discípulo deve carregar é a da humilhação, como a de Jesus, pois naquela cultura só os condenados a carre­gavam. Há muitos cristãos que se envergonham de levar a cruz de Cristo. Mas os verdadeiros seguidores de Cristo consideram uma bênção serem identificados com Ele, levando a cruz alegre e esponta­neamente. Você está disposto a isso? Ou de vez em quando se envergonha de dizer que é cristão, que é discípulo de um crucifi­cado?

b) Jesus segue para o Calvário (Lc 23:27-32). No trajeto para a cruz, Jesus atraiu numerosa multidão. A mesma multidão que alguns dias antes o tinha aclamado, cha­mando-o de Filho de Davi, agora o seguia por causa do espetáculo da crucificação. E seguiam, também, para serem crucificados dois criminosos que, provavelmente, não eram revolucionários como Barrabás, mas malfeitores, bandidos comuns (Lc 23:32). Mas isto ocorreu para se cumprir a profecia de Isaías 53:12 que diz: “Foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeuVocê tem carregado a sua cruz? Mas qual é a sua cruz? A da condenação por suas más ações, por suas práticas iníquas, ou a do discipulado de Jesus? Não se envergonhe nunca da cruz do evangelho!

Finalmente chegaram ao lugar chamado Gólgota, talvez um pouco antes do meio-dia. Lá, Jesus foi crucificado entre dois malfeitores (Lc 23:33). Seus inimigos estavam presen­tes e o insultavam, mas Ele orou ao Pai pedindo que Ele lhes perdoasse o pecado, pois não sabi­am o que estavam fazendo (Lc 23:34). Presente também estava o povo, as autoridades religiosas e os soldados romanos que, zombando dele, mandavam que descesse da cruz para provar que era o Cristo, o escolhido de Deus (Lc 23:35-37). Era horrível estar pendurado numa cruz, cercado de inimigos que persistiam em zombar e insultar. Mas, se Jesus tivesse descido da cruz, certamente, todos nós desceríamos ao inferno.

Jesus, portanto, sofreu os horrores da cruz. De acordo com os evangelistas, Ele foi açoitado, escarnecido, ridicularizado, blasfemado, torturado, forçado a levar a cruz e por fim crucificado (João 19:1-28). Cícero, historiador romano, ao se referir à crucificação, afirmou que não havia palavra para descrever ato tão horrendo.

2. A morte de Jesus. Segundo Lucas 23:44, Jesus morreu ao meio-diaFoi um dia de escuridão. Foram horas em que o Sol parou de brilhar. Foi um dia em que a própria natureza expressou a sua dor pela morte do Criador.

Segundo Lucas 23:45, o véu do santuário se rasgou. Isto significava que Deus não estaria mais encerrado num templo nacional. Deus es­taria presente em ação, através dos cristãos verdadeiros e guiados pelo Espírito Santo, nos lugares em que fosse dado o testemunho de Jesus.

Jesus morreu pronunciando as palavras do Salmo 31:5: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou” (Lc 23:46). Nessa frase está o ponto culminante do Evange­lho de Lucas.

A morte de Jesus teve sete aspectos que devem ser compreendidos por todos nós para que a valorizemos corretamente. A morte de Jesus foi:

a) Amorosa, pois revela o supremo amor de Deus por todos nós – “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8).

b) Expiatória, pois ela foi a oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave – “e andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Ef 5:2).

c) Vicária, pois Ele morreu por nós – “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Co 5:15).

d) Substitutiva, pois Ele que não co­nheceu pecado, o fez pecado por nós - “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5:21).

e) Propiciatória, pois Ele satisfez a Deus que tinha sido ofendido pelo pecado do ho­mem – “sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus” (Rm 3:24-25).

f) Redentora, pois Ele nos resgatou, nos re­miu, nos comprou com Seu próprio sangue - “o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu Tempo” (1Tm 2:6); “o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2:14).

g) Triunfante, pois Ele foi vitorioso sobre todos os poderes cósmi­cos, bons ou maus, triunfando sobre eles na cruz – “E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” (Cl 2:15).

3. Reações diversas. Várias foram as reações diante da morte de Jesus:

a) A reação do centurião. Lucas 23:47 diz: “Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: verdadeiramente este homem era justo”. Um destaque importante em relação a esse centurião foi o louvor que prestou a Deus. Mas só declarar que Jesus é justo não é suficiente. Temos que louvar a Deus e declarar que Jesus é Deus, o nosso Salvador, o nosso Senhor pessoal! Aquele centurião estava su­bordinado ao poder que matou Jesus através de suas mãos. Mas ele reconheceu a perversidade do sistema que estava servindo e declarou quem, de fato, era Jesus: “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27:54).

b) A reação das multidões. Lucas 23:48 relata que “todas as multidões reu­nidas para este espetáculo, vendo o que havia acontecido, retiraram-se a lamentar, batendo nos peitos”As pessoas, batendo no peito, lastimaram aquele desfecho. Perceberam o grande engano que haviam cometido ao rejeitar aquele que lhes propunha a liberdade e a vida. Caindo em si, perceberam que tinham sido enganadas pelas autoridades. Mas só o choro não era suficiente. Era necessário que tivessem se arrependido e crido em Jesus, recebendo-o como Salvador e Senhor! Era ne­cessária uma mudança de rumo! Era necessário trilhar o novo e único caminho!

c) A reação dos seguidores de Cristo. Todos os conhecidos de Jesus, as mulhe­res e os discípulos que o tinham seguido desde a Galileia, permaneceram a contemplar de longe estas coisas (Lc 23:49). Eles ficaram à distância, num ponto em que podiam testemunhar tudo. Mas naquele momento não fizeram nada. Estavam perplexos. O Mestre deles estava morto. Obser­varam todos os detalhes para tentar compreender. Na verdade, seriam as futuras testemunhas que continuariam o que Jesus co­meçou e, principalmente, contariam a todos que houve morte para o perdão dos pecados, para que todos pudessem novamente se relacionar com Deus. O chamado de se colocar à disposição para ser uma teste­munha fiel dessa morte singular é para todos nós. Temos que anunciar essa morte que nos dá vida. Esse é um grande privilégio que temos.


CONCLUSÃO

Jesus morreu, mas é o Rei da nossa vida!  Jesus morreu, mas ressuscitou. Ele disse: “fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno” Ap 1:18). Valorizemos a morte do Justo pelos injustos! Alegremo-nos por essa tão grande salvação! “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação” (Hb 2:3).

 

Postagens

ADÃO, O PRIMEIRO HOMEM CRIAÇÃO DE DEUS

  ADÃO, O PRIMEIRO HOMEM   Texto Bíblico: Gênesis 2:1-8 “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e do...

Postagens Mais Visitadas