quarta-feira, 2 de setembro de 2026

FRUTOS NAS MÃOS DE DEUS


 FRUTOS NAS MÃOS DE DEUS

 

TEXTO BÍBLICO: João 14:12,13,15,26

“Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça...” (João 15:16).

  • A iniciativa divina e a vocação: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós...” (João 15:16). Os frutos não começam com a nossa capacidade de produzir, mas com a graça de sermos escolhidos. Estar nas mãos de Deus implica reconhecer que nossa existência tem uma direção intencional traçada pelo próprio Criador.
  • O propósito da permanência: O objetivo da escolha não é o conforto estático, mas a ação: “...para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça”. O verdadeiro fruto espiritual — que envolve transformação de caráter, amor prático, justiça e a proclamação do Evangelho — tem selo de eternidade. Ele não se desfaz com as intempéries do tempo.
  • A intimidade como fonte de poder: Em João 14:12-13, Jesus aponta para obras ainda Maiores que seriam feitas porque Ele estaria com o Pai, e conecta isso à oração respondida em Seu nome. O fruto nas mãos de Deus não é gerado por ativismo religioso, mas por uma videira verdadeira onde os ramos permanecem atrelados (João 15:5).
  • O motor da obediência e o Consolador: "Se me amais, guardai os meus mandamentos" (João 14:15). A obediência autêntica não é um fardo legalista, mas a evidência de um coração que confia. E para que essa jornada não seja solitária, Jesus promete o Espírito Santo (o Consolador) em João 14:26, que nos ensina e faz lembrar de todas as coisas. Ele é quem capacita o cordeiro a dar fruto e o sustenta na travessia.

Colocar os frutos nas mãos de Deus é um ato de entrega. É abandonar o controle da própria colheita, reconhecer que sem Ele nada podemos fazer, e permitir que o Agricultor podar o que for necessário para que a nossa vida produza muito mais.

INTRODUÇÃO

 “... eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça(João 15:16). Fruto aqui pode significar as virtudes da vida cristã, como amor, alegria, paz, benignidade, longanimidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança “(Gl 5:22). Ou pode significar ganhar almas para o Senhor Jesus Cristo. Há uma ligação intima entre os dois. É somente quando manifestamos o primeiro tipo de fruto que podemos dar o segundo. A expressão “e o vosso furto permaneça” faz-nos entender que fruto aqui significa a salvação de almas. O Senhor escolheu os discípulos para ir e dar “fruto permanente”. Ele não estava interessado em profissões de fé nele mesmo, mas em casos genuínos de salvação.

A maior evidência de maturidade espiritual em uma pessoa é o caráter de Cristo em sua vida (ver Gl 5:22). A Bíblia diz que foi na cidade de Antióquia que os crentes foram chamados de cristãos pela primeira vez (At 11:26). Até aquele momento e por muitos anos mais, eles foram chamados simplesmente de “o povo do Caminho” (At 19:23). Todos aqueles que são maduros espiritualmente começarão a parecer-se com Jesus e agir como Ele. Também passarão a mostrar mais e mais do caráter e das obras dele em sua vida.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

                                              

. A pessoa é identificada pelo seu fruto (Mt 7:16). Pelos frutos é possível saber se o homem mudou de vida, se é, agora, um novo homem, ou se apenas mudou de religião, e continua sendo o velho homem, envolto com as obras da carne. “Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (Mt 7:16), segundo afirmou Jesus. “... toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons” (Mt 7:17-18).

2. Os propósitos da frutificação espiritual

a) Evidenciar o discipulado. O Senhor Jesus Cristo afirmou: Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (João 15:8). Dar “muito fruto” é uma condição imposta por Jesus para aquele que quiser ser seu discípulo. Se o Senhor Jesus exigiu como condição o dar muito fruto para poder ser seu discípulo é porque ele sabia que o homem podia cumprir esta condição. É claro que o homem natural não pode ser seu discípulo, porque não pode, por si só, cumprir suas condições.

Para ser discípulo de Jesus, o homem natural precisa, primeiro, aceitá-lo como seu Salvador, precisa nascer de novo, precisa tornar-se um homem espiritual. Todavia, mesmo o homem nascido de novo, não poderia, por si só, fazer a vontade de Deus e cumprir a sua Palavra. Sabendo disto, Deus Pai, por intermédio de Jesus, enviou para estar com o homem o Espírito Santo, sobre o qual o Senhor Jesus declarou: Mas, quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade...” (João 16:13). Paulo complementou dizendo: “E da mesma maneira também o Espírito Santo ajuda as nossas fraquezas... (Rm 8:26).

Podemos afirmar, com absoluta convicção, que, se não nos deixarmos guiar e se não formos ajudados pelo Espírito Santo, não daremos fruto, nem muito, nem pouco! Quem não dá fruto não pode dizer que é discípulo de Jesus.

b) Abençoar outras pessoas. Na medida em que praticamos boas obras, na medida em que passamos a demonstrar o caráter cristão, estaremos, também, trazendo o bem às pessoas que nos cercam. O crente é sal da terra e luz do mundo e, portanto, iluminará os ambientes que frequenta, como também conservará a pureza ou curará os males do lugar onde está.

A Bíblia diz que o crente é a nascente de um rio de água viva (João 7:38) e, como nos ensina a geografia, o rio é um elemento primordial para que se constitua um núcleo humano de habitação, para que se construa uma sociedade, uma comunidade. O crente, portanto, é um elemento que traz a vida para as pessoas, que permite com que as pessoas possam ser despertadas para a realidade da necessidade da comunhão com Deus e com o próximo, mas isto tudo somente pode ocorrer se houver a produção do fruto do Espírito, sem o que este rio não nascerá, sem o que este rio não será água corrente, mas apenas uma cisterna rota, de água parada, malcheirosa e produtora de doenças (Jr 2:13).

c) Glorificar a Deus (João 15:8). Por fim, como diz o próprio Jesus, vemos que a presença de crentes frutíferos leva os ímpios a glorificarem a Deus (Mt 5:16). A Igreja em perfeita consonância com o Espírito Santo, faz com que os homens glorifiquem ao Pai que está nos céus. O trabalho do Espírito Santo é o de glorificar a Jesus (João 16:14), assim como o trabalho de Cristo na Terra foi o de glorificar o Pai (João 17:4). Nós, como corpo de Cristo, temos de prosseguir neste trabalho de glorificação do Pai e isto só será possível através das nossas boas obras, dos frutos.

 

I. SER COMO JESUS


Como Deus, Jesus é o mesmo (Hb 13:8). Como homem, é o último Adão, ou seja, um homem criado como o primeiro Adão, mas que, ao contrário deste, perseverou até o fim e venceu o mundo. Seu exemplo, portanto, pode ser seguido e é um exemplo que não comporta variação nem mudança. Por isso, se alguém quiser manifestar frutos característicos da maturidade espiritual deve ser feito usando o Senhor Jesus como paradigma - Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus(Hb 12:1,2).

O homem que aceita Cristo como Senhor e Salvador, alcança a vida, liga-se à videira verdadeira e passa a ser uma nova criatura. Como nova criatura, pode, então, iniciar a sua caminhada para produzir o fruto do Espírito, pois existe uma meta, um objetivo inafastável: a medida da estatura de varão perfeito, a estatura de Cristo (Ef 4:13).

Assim, Jesus é o alvo a ser buscado. Tendo sido gerado pelo Espírito Santo, Jesus foi criado, ao contrário de nós, sem a natureza pecaminosa e, ao contrário do primeiro Adão, nunca perdeu esta condição. Por isso, em Jesus temos uma perfeição que nós não possuímos. Nós, embora tenhamos sido criados perfeitos - “Vede, isto tão-somente achei: que Deus fez ao homem reto, mas ele buscou muitas invenções” (Ec.7:29) -, ao atingirmos a consciência, inevitavelmente, por causa da natureza pecaminosa que em nós habita, pecamos – “Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7:14,20).

Temos, então, de nascer de novo, mediante a fé em Cristo (João 3:3,5). Assim, somos novamente gerados – Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós(1Pe.1:3) - e, numa luta constante contra a natureza pecaminosa (Rm.8:1-17), da qual nos desprenderemos apenas quando deixarmos esta vida física (1Co.15:50), temos de caminhar em direção à perfeição, pois, se já santificados, temos de nos aperfeiçoar (Ef 4:12). Este aperfeiçoamento dar-se-á por intermédio da frutificação, que tem de ser cada vez mais intensa e de melhor qualidade (João 15:2,16). Por isso, não há outro exemplo a ser seguido, outro exemplo a ser imitado (1Co 11:1; Ef 5:1).

Se é verdade que devemos observar os demais homens e até imitá-los, como as personagens bíblicas e os nossos irmãos, entre os quais os pastores – Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver (Hb.13:7) -, o certo é que os homens só nos servem de parâmetro enquanto forem ramos ligados à videira verdadeira.

Paulo exorta os crentes a imitá-lo enquanto era imitador de Cristo e os pastores devem ser imitados enquanto homens de fé em Deus. Jesus é o modelo imutável e único; é a videira verdadeira. Como a Verdade é única, em nenhum outro poderemos nos espelhar.

Precisamos tomar a decisão de deixar a natureza divina se expressar em nós – “e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3:19).  Toda a plenitude da Divindade reside no Senhor Jesus (Cl 2:9). Quanto mais ele habita no nosso coração pela fé, mais tomados ficamos de toda a plenitude de Deus. Não é possível ficarmos absolutamente cheios de toda a plenitude de Deus. Porém, é esse o alvo que temos diante de nós.

Devemos também demonstrar alguns traços de caráter que são sinais de uma vida semelhante à Cristo, como: amor, humildade, obediência, mansidão etc. – “Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4:1-3).

II. MINISTÉRIO FRUTÍFERO

1. De Cristo (At 10.38) – “como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual há paz” (fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”.  Lucas enfatiza a utilidade do trabalho de Jesus, ao dizer que Ele andou por toda parte fazendo o bem. Esse Jesus, ao qual Deus ungiu [...] com o Espírito Santo, havia dedicado sua vida ao serviço abnegado, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo. Jesus é o padrão para um ministério frutífero.

2. Do Crente (João 14:12) – Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”. Uma evidência da maturidade cristã é o ministério de Jesus realizado pelo crente, através do Espírito Santo. Em João 14:12, o Senhor Jesus predisse que os que creram nele realizariam milagres como ele fez, e ainda maiores obras. Em Atos, lemos sobre os apóstolos realizando milagres de cura física, semelhantes aos do Salvador. Mas também lemos sobre milagres maiores, como a conversão de três mil almas no dia de Pentecostes. Sem dúvida, quando o Senhor usou a expressão “maiores obras” se referiu à proclamação mundial do Evangelho, à salvação de tantas almas e à formação da Igreja. É maior salvar almas que curar corpos. Quando o Senhor voltou ao Céu, Ele foi glorificado e o Espírito Santo foi enviado à Terra. Foi por meio do poder do Espírito que os apóstolos realizaram esses milagres.

3. Para a glória de Deus (João 4:34; 17:4).  A vida de Jesus aqui na Terra foi dedicada a cumprir os propósitos de Deus. Ele afirmou: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (João 4:34). Nutriente físico é de nenhum valor quando comparado a gloriosa missão de ganhar almas. Os discípulos estavam interessados em comida, pois foram à cidade comprar e voltaram com a comida. O Senhor estava interessado em almas. Ele se importava em salvar homens e mulheres do pecado e dar-lhes água da vida eterna. Ele também conseguiu o que almejava. Em que estamos interessados?

Por causa da visão terrena, os discípulos não conseguiram entender o significado das palavras do Senhor em João 4:34. Eles não apreciaram o fato de que a alegria e o deleite do sucesso espiritual podem, por um tempo, elevar o homem acima de comida e bebida material. Por isso concluíram que alguém deveria ter trazido comida para o Senhor Jesus (João 4:33).

Em sua oração intercessora, Jesus proferiu a todos com muita firmeza que Sua obra, Sua vida e Suas palavras eram de Seu Pai. Ele orou assim: “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (João 17:4). Quando o Senhor proferiu essas palavras, falava como se já estivesse morrido, sepultado e ressuscitado. Ele tinha glorificado o Pai por sua vida impecável, por seus milagres, por seu sofrimento e morte, e por sua ressurreição. Ele tinha consumado a obra que o Pai lhe confiara para fazer. Isso nos traz uma lição: revelamos maturidade espiritual quando buscamos glorificar a Deus em tudo o que fazemos ou falamos. É o seu desejo.

 

III. TRANSFORMAÇÃO ESPIRITUAL

O fruto do Espírito Santo é consequência de uma transformação, que é a salvação do homem que aceita a Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador. O fruto do Espírito Santo não é o resultado de uma reforma, de uma deformação, nem de uma formação, mas é produto de uma transformação, de um novo nascimento, nascimento da água e do Espírito.

1. Força na fraqueza.  “E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (2Co 12:9).

Em algumas ocasiões pensamos que não conseguiremos alcançar a maturidade espiritual por sermos fracos. Porém, quando uma pessoa se sente forte e segura em suas capacidades, a tendência é achar que não precisa de ninguém. O crente que reconhece suas limitações terá mais facilidade em perceber sua necessidade de buscar a ajuda de Deus.

Encontramos um bom exemplo na vida do apóstolo Paulo, pois, embora fosse uma pessoa que amava ao Senhor, possuía também muitas e persistentes fraquezas. Uma delas era o espinho na carne”, que ele mesmo orou para que Deus o retirasse.

O apóstolo Paulo descreve o espinho na carne como um mensageiro de Satanás, para esbofeteá-lo. Em certo sentido, é representado como uma tentativa de Satanás de atrapalhar o serviço de Paulo ao Senhor. Mas Deus é maior do que Satanás e usou o espinho para levar a obra do Senhor adiante ao manter Paulo em uma posição de humildade. Quando temos consciência de nossa fraqueza e inutilidade é que nos tornamos mais dependentes do poder de Deus. E é quando nós entregamos a ele em total dependência que seu poder se manifesta em nós e somos verdadeiramente fortes.

Paulo suplicou três vezes para que Deus afastasse dele o espinho na carne (2Co 12:8). O sofrimento levou Paulo à oração. O sofrimento nos mantém de joelhos diante de Deus para nos colocar de pé diante dos homens. Paulo sabe que Deus está no controle, não Satanás. A oração do apóstolo foi respondida, mas não da maneira pela qual ele desejava. Deus disse a Paulo, em outras palavras: “Não removerei o espinho, mas farei algo melhor: darei graça para você suportá-lo. Lembre-se, Paulo apesar de não ter atendido ao seu pedido, estou concedendo aquilo de que você mais precisa. Seu desejo é pregar com meu poder e força, não é? Então, convém que você permaneça em uma posição de fraqueza”. Essa foi a resposta de Deus à oração feita três vezes por Paulo e continua sendo sua resposta ao seu povo sofredor espalhado pelo mundo.

A companhia do Filho de Deus e a garantia de força e graça capacitante são melhores do que a remoção das tribulações e sofrimentos. Observe que Deus diz: “A minha graça de basta”. Deus não deu a Paulo o que ele pediu; deu-lhe algo melhor, melhor que a própria vida: a sua graça. A graça de Deus é melhor que a vida; pois por ela enfrentamos o sofrimento vitoriosamente. O que é graça? É a provisão de Deus para cada uma das nossas necessidades. O nosso Deus é o Deus de toda a graça (1Pe 5:10).

Temos a tendência de pensar que o sofrimento é algo que Deus faz contra nós, e não por nós. O espinho de Paulo era uma dádiva, porque, por meio desse incômodo, Deus protegeu Paulo daquilo que ele mais temia: ser desqualificado espiritualmente (1Co 9:27). Ele sabia que o orgulho destrói. Viu-o como algo que Deus fez a seu favor, e não contra ele. O apóstolo se contenta com a resposta do Senhor e declara: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo”. Em vez de murmurar e se queixar do espinho na carne, ele se gloriaria nas fraquezas. Dobraria os joelhos e agradeceria ao Senhor por elas. Suportaria de bom grado, desde que o poder de Cristo repousasse sobre ele.

O sofrimento do tempo presente não é para se comparar com as glórias porvir a serem reveladas em nós (Rm 8:18). A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória (2Co 4:14-16). Aqueles que têm a visão do céu são os que triunfam diante do sofrimento. Aqueles que ouvem as palavras inefáveis do paraíso são os que não se intimidam com o rugido do leão.

O sofrimento é por breve tempo; o consolo é eterno. A dor vai passar; o céu jamais! A caminhada pode ser difícil; o caminho pode ser estreito; os inimigos podem ser muitos; o espinho na carne pode doer; mas a graça de Cristo nos basta. Só mais um pouco, e nós estaremos para sempre com o Senhor. Então o espinho será tirado, as lágrimas serão enxutas não haverá mais pranto, nem luto, nem dor.

2. Dúvidas e culpa (1Tm 4:13-15). À medida que o cristão vai adquirindo maturidade espiritual, vai percebendo que outros desafios vão surgindo. Podem até surgir dúvidas quanto à capacidade para desempenhar algum trabalho para o Senhor. Mas, quando Deus nos chama, Ele promete que vai nos ajudar, pois foi Ele quem formou cada parte do nosso ser.

Paulo encoraja Timóteo com as seguintes palavras: Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos”. Aqui, Paulo encoraja Timóteo a se entregar completa e seriamente ao trabalho de Deus. Ele deve ser totalmente dedicado em seu esforço. Dessa forma, o seu progresso será manifesto a todos. Paulo não quer que Timóteo, no serviço cristão, se acomode em uma posição confortável. Ao contrário, ele o quer sempre progredindo nas coisas do Senhor.

3. Através do Espírito Santo (At 8:6-8) – “E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia, pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade”.

O livro de Atos fala a respeito da transformação que os discípulos de Cristo tiveram, pois, após a crucificação de Jesus, eles se espalharam e ficaram desanimados. Porém, quando o Espírito Santo desceu sobre eles, como o Senhor havia prometido (At 1:8), houve uma grande mudança de vida e atitude. Eles passaram a trabalhar e a testemunhar de Jesus com grande poder.

A dispersão dos cristãos não calou seu testemunho. Antes, por toda parte aonde iam, pregavam as boas-novas da salvação. Filipe, o “diácono” do capítulo 6, foi para o norte, para a cidade de Samaria. Além de anunciar Cristo, realizou muitos sinais. Os espíritos imundos foram expulsos, e muitos paralíticos e coxos foram curados. O povo recebeu o evangelho, e, como era de esperar, houve grande alegria.

A mesma oportunidade que os discípulos tiveram nós temos hoje por meio do poder do Espírito Santo. É Ele quem pode fazer com que sejamos capazes de nos firmar em nossos pés, capacitando-nos a realizar a obra que o Senhor tem para nós, e nos impulsiona em direção ao nosso objetivo de sermos semelhantes a Cristo.

 

CONCLUSÃO

O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano; plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes(Sl 92:12-14). Só pode progredir e dar fruto aquele que alcança a maturidade espiritual. A árvore só produz fruto depois que alcança crescimento e condições para tal. Todos fomos chamados para dar frutos para Deus. Na vida de muitos cristãos este processo é lento, gradual e doloroso. Isto vai depender da resposta de cada um à Palavra de Deus. Outros recebem a Palavra e permitem prontamente o tratamento de Deus. Que o Senhor Deus nos conceda a graça do crescimento e da maturidade cristã, pois só assim a natureza de Cristo será formada em nós e poderemos dar muitos frutos para a glória do Pai.

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

A GRANDE BABILÔNIA

 

A GRANDE BABILÔNIA

 

Texto Bíblico:  Apocalipse 17:1-6

“E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra” (Ap.17:5).

O Contexto e a Visão de João (Apocalipse 17:1-6)

O apóstolo João é levado pelo Espírito ao deserto para ver a condenação da "grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas". Essa figura está ricamente vestida de púrpura e escarlate, adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas, segurando na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição. O texto destaca que os reis da terra se prostituíram com ela, e os habitantes da Terra se embriagaram com o vinho da sua luxúria. Na sua testa, há um nome misterioso que resume sua essência: "Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra". João também se espanta ao ver que a mulher está embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus.

Principais Interpretações Teológicas

Ao longo da história da igreja, estudiosos e teólogos formularam diferentes perspectivas sobre a identidade da Grande Babilônia:

  • O Império Romano: Muitos eruditos históricos veem a Babilônia como uma referência velada ao Império Romano do primeiro século. Roma era a superpotência da época, famosa por suas idolatrias, opressão política, imoralidade desenfreada e perseguição implacável aos cristãos (simbolizada pelo "sangue dos santos"). Chamar Roma de Babilônia era uma forma de associá-la à antiga inimiga de Deus que destruiu o Templo de Jerusalém.
  • O Sistema Mundial Apostatado e Secular: Uma vertente ampla de interpretação enxerga a Babilônia não apenas como uma cidade ou império específico, mas como o sistema global de poder político, econômico e cultural que se apartou de Deus. É a rede mundial de comércio egoísta, corrupção, idolatria e autossuficiência humana que governa a civilização rebelde à soberania divina.
  • A Apostasia Religiosa Global: Na escatologia cristã, especialmente entre correntes protestantes e futuristas, a Babilônia também representa uma falsa religião global ou uma grande apostasia — um sistema religioso unificado que corrompeu a verdade bíblica, misturando o paganismo com elementos cristãos e exercendo influência sobre os governos terrenos.

O Simbolismo das Imagens

  • A Montaria sobre a Besta (Ap 17:3): A mulher montada em uma besta de sete cabeças e dez chifres indica a aliança entre o poder político (a besta) e a sedução ideológica ou religiosa (a meretriz). O sistema político sustenta e é influenciado pelo sistema babilônico.
  • As Muitas Águas (Ap 17:15): O texto bíblico explica que as águas onde a prostituta se assenta "são povos, e multidões, e nações, e línguas", indicando o alcance global de sua influência corruptora.
  • A Queda Inevitável: Em Apocalipse 18, a queda da Grande Babilônia é anunciada com grande estrondo. Ela cai não por um acidente histórico, mas pelo juízo divino, deixando os reis e comerciantes da Terra em pranto porque o sistema econômico e exploratório que sustentava o luxo mundial desmorona de uma só vez.

INTRODUÇÃO

O Cristianismo bíblico, no cenário atual, está passando por uma forte oposição por parte de instituições governamentais, econômicas, políticas e culturais, instituições essas dominadas por forças malignas.

Em todos os países não se pode mais pregar livremente o Evangelho de Cristo. Falar contra o aborto, a homossexualidade, a indissolubilidade da família, o casamento de pessoas do mesmo sexo, pregar contra o satanismo, expulsar demônios etc., o pregador sofreará fortes represálias e será julgado e preso por defender os princípios doutrinários exarados nas Escrituras Sagradas. Em vários países como, por exemplo, o Canadá as Bíblias estão sendo queimadas ou rasgadas publicamente.

Certamente, a oposição de Satanás nunca foi tão forte e inibidora como nestes últimos dias da Igreja na Terra. Sem dúvida, isto é um grande aviso a todos os verdadeiros cristãos que Cristo estar prestes a voltar para Arrebatar a Sua Igreja e estabelecer o seu reino millenial. A Igreja precisa estar alerta acerca dos aspectos gerais do “espírito da Babilônia” presente no cenário global em que vivemos, e, com sabedoria e prudência, resisti-lo, utilizando-se das armaduras que o Espírito Santo dispõe a todos nós (Ef.6:11), “para que possamos resistir no dia mal e, depois de termos vencido tudo, permanecermos inabaláveis” (Ef.6:13).

I. BABILÔNIA E SEUS SIGNIFICADOS


Segundo comentário na Bíblia de Estudo Pentecostal, a Babilônia mencionada em Apocalipse 17:5 é símbolo para todo o sistema mundial que tem sido dominado por Satanás ao longo da história, aplicando seus planos perversos aos aspectos político, religioso, econômico e comercial. A João foi revelada que essa Babilônia será completamente destruída durante os últimos três anos e meio do período da Grande Tribulação pelos juízos de Deus sobre a terra. Segundo entendimento do comentarista Stanley M. Horton, embora a Babilônia venha identificada das mais diversas formas (conforme veremos nesta lição), ela representa, na verdade, o presente sistema mundial - o mundo que a Bíblia diz estar no maligno (1João 5:19).

1. A Grande Prostituta (Ap.17:1,2)

1. E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas,

2. com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição.

Um dos anjos que tinham as sete taças veio até o apóstolo Joao e mostrou a ele contra o que elas estavam dirigidas. O anjo mostrou a João a condenação que virá sobre a “grande prostituta”, a qual trata-se da Babilônia religiosa, e abrange todas as religiões falsas, inclusive o cristianismo apóstata (Ap.17:5). Na Bíblia, os termos prostituição e adultério, quando empregados figuradamente, normalmente denotam apostasia religiosa e infidelidade a Deus (cf. Is.1:21; Jr.3:9; Ez.16:14-18; Tg.4:4), e significam um povo que professa servir a Deus enquanto, na realidade, adora e serve a outros deuses.

Para os primeiros cristãos, esta “grande prostituta” representava o antigo império romano com os seus inúmeros deuses e sua imoralidade que era bastante notória. A Roma antiga era a capital do vasto e poderoso império romano, um império que se estendia desde a Inglaterra até a Arábia. Na época de João, Roma era a maior cidade do mundo, com uma população de aproximadamente um milhão de pessoas, segundo os historiadores. Mas, com todo o seu poder, ela era extremamente imoral. Os cristãos entravam em conflito com a sociedade ímpia e os perniciosos valores romanos e, portanto, eram impiedosamente perseguidos. Com o histórico do paganismo e da perseguição romana, não é de admirar que Roma fosse vista como uma representação clara do mal. Ela tornou-se um símbolo do paganismo e da oposição à Igreja do Senhor Jesus na Terra.

Mas a “prostituta” mencionada representa muito mais do que simplesmente o império romano; ela simboliza qualquer sistema econômico, político, cultural ou militar que seja hostil a Deus, e é um sistema mundial futuro que irá abranger todas as nações e que será imoral e completamente contrário a Deus. Nessa ocasião, irá ocorrer a grande apostasia – muitos se afastarão de Deus e seguirão as bestas - o Anticristo e o Falso Profeta.

A “prostituta” mencionada, que “está assentada sobre muitas águas”, é descrita em 17:15 como “povos, multidões, nações e línguas”. A “grande prostitua”, portanto, representa todas as forças do final que se unirão em oposição a Deus. O “espírito da Babilônia” já opera fortemente no mundo e domina completamente o sistema econômico, político, religioso e cultural.

A “grande prostituta”, em lugar de ser descrita como qualquer cidade em particular, de qualquer período, existe onde há engano satânico e resistência a Deus. Isto era verdade em muitos reinos antigos como Babilônia, Egito, Tiro, Nínive e Roma. Ela representa o poder de sedução de qualquer sistema governamental, político, religioso, econômico e cultural, que usa meios pervertidos para conseguir o seu próprio intento contrário ao padrão moral de Deus. Não importa qual postura, lícita ou ilícita, ética ou amoral, a ser utilizada para conseguir a sua própria prosperidade e as suas próprias vantagens iniquas. Enfim, “a Babilônia” é identificada como uma das facetas da imoralidade e dos falsos sistemas mencionados anteriormente (Ap.14:8; 17:5).

2. A Mulher e a besta Escarlata (Ap.17:3,4)

3. E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres.

4. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, e pedras preciosas, e pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição.

João foi levado “em espírito a um deserto” (17:3) onde ele iria ver a “grande prostituta” (Ap.17:1), “uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate”. Muito provavelmente, essa “besta de cor escarlate” é Satanás, pois ele é descrito em Ap.12:3 como um “grande dragão vermelho”. Mas esta besta também é identificada com a “besta que saiu do mar” (Ap.13:1). Todas elas têm a mesma origem – e todas são descritas como tendo “sete cabeças e dez chifres” (como se observa em Ap.12:3 e 13:1). Estas cabeças e estes chifres também são descritos por João em Ap.17:9-18, e eles simbolizam os poderes do mundo e a sua força política (Ap.17.3c,10,12). A “mulher” representa o sistema maligno do mundo; a “besta”, que é o Anticristo controlado por Satanás, representa o poder que sustenta este sistema mundial; ela é o inimigo supremo da Igreja e do povo de Deus.  A “besta do mar” também é descrita como tendo em cada cabeça nomes que blasfemavam contra Deus. Os “nomes de blasfêmia” são provavelmente os nomes que a besta assume ao chamar a si mesma de Deus.

A “mulher”, a grande prostituta, João a viu vestida “de púrpura e de escarlata” (Ap.17:4), o que significava realeza e luxo. As tinturas púrpura e escarlate eram extremamente caras no primeiro século; nenhuma pessoa comum tinha condição financeira de usar púrpura ou escarlate. A “prostituta” também estava adornada “com ouro, pedras preciosas e pérolas” (Ap.17:4), o que significa riquezas materiais e consumismo exacerbado.

A “mulher” estava segurando “um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição” (Ap.17:4). De certa forma, este era o seu ser interior – ela era extremamente imoral. Ela era uma prostituta – belamente vestida, mas obscena e impura. A sua aparência não podia esconder o que havia no seu cálice. O pastor Douglas Baptista afirma que “o cálice em sua mão diz respeito às abominações e as imundícias da sua prostituição (Ap.17:4c), o que representa toda a forma obscena e impura de contaminação do padrão moral e espiritual da sociedade.

A “besta” na qual a mulher está montada é que saiu do mar (Ap.13:1), que será o Anticristo que, pelo poder de Satanás, faz oposição aos seguidores de Jesus Cristo (2Ts.2.4,9,10). Ele profere blasfêmias em consciente repulsa ao senhorio de Cristo (Ap.13.6; 17.3b).

3. Mistério: a Grande Babilônia (Ap.17:5)

“E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra”.

Na sequência da revelação, o nome da prostituta é desvendado: “Mistério, a Grande Babilônia” (Ap.17:5a). O termo “mistério” indica que o nome “babilônia” não é meramente geográfico, mas simbólico, e mostra que a verdadeira origem e natureza do mal está sendo revelada.

Segundo o pastor Douglas, a Babilônia é a mentora de toda a rebelião contra Deus e a consequente depravação da sociedade. Ela sempre trabalhou, e se intensificará cada vez mais na Grande Tribulação, para desconstruir a fé bíblica e impor sua religião apóstata com uma cultura de oposição à fé cristã e a todos os seguidores de Cristo. Não se trata apenas de uma cultura sem Deus, mas de uma cultura contra Deus.

O título “a Grande Babilônia” descreve todo um sistema mundial que será a culminação de todo o mal, afastando as pessoas de Deus.

A “mulher” referida em 17:4 é um retrato da cidade antiga da Babilônia, que tinha levado o povo de Deus ao cativeiro; ela também é um retrato da Roma antiga, com o seu luxo e a sua decadência. Mas ela é muito mais do que simplesmente uma cidade ou um império em particular na história; ela é, na verdade, a “mãe” de tudo isto, ela é a origem de todo o mal, a origem de toda rebelião contra Deus ao longo da história, da qual muitas nações participaram; ela é “a mãe das prostituições e abominações da terra”.

Apesar de todos os seus adornos, a Babilônia nada mais é do que uma “prostituta” que tem sempre se rebelado contra Deus, com a manifestação de sua imoralidade, perversidade, injustiça e inversão dos valores absolutos de Deus exarados nas Escrituras Sagradas. Segundo William Hendriksen, a Babilônia simboliza a concentração do luxo, do vício, e do encanto deste mundo; é o mundo visto como a personificação da “concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e da soberba da vida” (1João 2:16).

II. O ESPÍRITO DA BABILÔNIA


O “espírito da Babilônia” tem revelado e estimulado uma cultura que é completamente contra Deus, mas também tem atuado de forma abrangente nos sistemas político, cultural e econômico.

1. No sistema religioso

A “grande prostituta”, a Babilônia, é conhecida pela sua sedução (Ap.17:2,4,5), principalmente no campo espiritual. Neste aspecto, o “espírito da Babilônia” tem seduzido e inebriado inúmeras pessoas pela “prostituição espiritual. As pessoas seduzidas são contaminadas pelo orgulho e pelo ego, tornando-as amantes de si mesmas, amantes do dinheiro e dos deleites da vida (2Tm.3:2-4).

A Bíblia usa repetidas vezes expressões que indicam uma prostituição espiritual ao referir-se à corrupção do amor ao Senhor. Esaú é um exemplo negativo disto nas Escrituras; ele tinha direito à herança de Abraão e Isaque por nascimento, mas desprezou-a e ficou conhecido como alguém que se prostituiu - “E ninguém seja fornicador ou profano, como Esaú, que, por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou” (Hb.12:16,17 – ARC).

A Palavra de Deus emprega este mesmo exemplo de prostituição com relação a Israel, que deixou de amar e seguir ao Senhor: “A mim me veio a palavra do Senhor, dizendo: Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém: Assim diz o Senhor: Lembro-me de ti, da tua afeição quando eras jovem, e do teu amor quando noiva, e de como me seguias no deserto, numa terra em que se não semeia” (Jr.2:1,2).

Deus compara o Seu povo a uma noiva e enfatiza que Ele se lembrava do amor do seu povo, antes que se corrompesse. E Ele continua empregando exemplos de prostituição na mensagem dada ao profeta: “A tua malícia te castigará, e as tuas infidelidades te repreenderão; sabe, pois, e vê que mal e quão amargo é deixares o Senhor, teu Deus, e não teres temor de mim, diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos. Ainda que há muito quebrasse eu o teu jugo e rompia as tuas ataduras, dizias tu: Não quero servir-te. Pois, em todo outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa, te deitavas e te prostituías” (Jr.2:19,20). Novamente vemos os termos “infidelidade” e “prostituição” sendo usados. Quando permitimos que o nosso amor se corrompa e nos afastamos do Senhor, estamos praticando “adultério espiritual”.

A “grande prostituta”, dominada por Satanás, tem dado de beber do vinho da sua devassidão a todos os habitantes da terra, e o seu campo prioritário de sedução é o religioso. Ela tem atraído multidões ao longo de sua história. Ela não impõe limites. As heresias, o liberalismo, o ecumenismo doutrinário, o relativismo moral, o humanismo, a liberdade sem responsabilidade e o sincretismo são expressões dessa “grande prostituta” que seduz as pessoas a viverem na impiedade e na devassidão. Mas, nas palavras do pr. Douglas Baptista, “o argumento de ‘liberdade’ estimula a devassidão por meio do afrouxamento da moral (2Pd.2.19); o ecumenismo doutrinário provoca a erosão da fé bíblica (Gl.1.6,8); o relativismo rejeita a doutrina dos apóstolos e a autoridade bíblica (2Tm.4.3); o humanismo reinterpreta e ressignifica os mandamentos divinos (2Pd.3.16); o sincretismo mistura o sagrado e o profano (2Co.6.16,17). Assim, tudo passa a ser permitido e a verdade é desconstruída (2Tm.3.7). Quando a Igreja verdadeira se impõe contra esses comportamentos é brutalmente perseguida (Mt.24.9)”.

2. No sistema político e cultural

Outros campos de atuação do “espírito da Babilônia”, é o sistema político e o sistema cultural. Todos os sistemas políticos e governamentais têm sido inteiramente fomentados e dominados pela “grande prostituta”. Não é à toa que João diz que o “Mundo inteiro jaz no maligno” (1João 5:19).

Certa feita, Jesus explicando a parábola do joio do campo disse: “O que semeia a boa semente é o Filho do Homem; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que o semeou é o diabo” (Mt.13:37-39). A influência maligna nestes sistemas governamentais do mundo tem trazido forte oposição aos absolutos de Deus exarados nas Escrituras Sagradas.

No sistema cultural, o “espírito da Babilônia” tem também exercido forte influência e levado inúmeras pessoas a se desviarem dos valores morais de Deus exarados nas Escrituras Sagradas. Os valores morais absolutos estão ficando cada vez mais enfraquecidas e relativizados. Cada vez mais, pautas progressistas de inversão de valores são impostas em afronta à cultura judaico-cristã, tais como: apologia ao aborto, ideologia de gênero, legalização das drogas, casamentos de pessoa do mesmo sexo e da prostituição. Mas Deus exorta de forma contundente: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Is.5:20).

Nestes tempos de inversão de valores, quem discordar do relativismo moral e defender os valores morais descritos na Bíblia Sagrada é logo reprimido e estigmatizado como “fundamentalista”, e levado ao “paredão” de julgamento. Os vigilantes da cultura diabólica do erro que impera no mundo de hoje estão prontos para impor censura contra quem defende os valores judaico-cristãos exarados na Bíblia Sagrada.

Apesar dessa cultura decadente que impera no mundo de hoje, é válido dizer que os valores morais absolutos emanados de Deus são imutáveis e universais. Estes Valores morais estão consubstanciados na Lei Moral de Deus; e a Lei Moral não foi estabelecida no Sinai, ela já existia muito antes que Israel existisse, também muito antes que o primeiro livro da Bíblia Sagrada fosse escrito. Ela foi incluída na Lei de Moisés e continua em vigor em todo o mundo. Ela reflete o caráter de Deus e revela sua vontade – assim, o que no princípio era imoral, era pecado, continua sendo imoral e pecado. O caráter de Deus é imutável, conforme ele mesmo declarou: “Porque eu, o Senhor, não mudo...” (Ml.1:17), e mais: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje e eternamente” (Hb.13:8). Portanto, Deus sendo eterno, sua natureza moral, bem como sua vontade, não pode mudar.

Nas últimas décadas, várias mudanças foram inseridas nas sociedades de todo o mundo, devido ao avanço tecnológico de meios de comunicação de última geração: internet, satélites, computadores, telefones celulares, smartphone, dentre outros, bem como a proliferação das mídias e redes sociais em suas diversas facetas. Assistimos às transformações na forma de agir e pensar, no estilo de vida, nos desejos, na conduta e nas atitudes sociais, religiosas, políticas e econômicas. É a realidade do universo on-line, onde tudo se movimenta com muita facilidade e rapidez para as diversas direções.

O “espírito” da grande prostituta, tem agido através da grande mídia, das artes, da literatura, das escolas e universidades para promover o doutrinamento contrário à fé cristã.

A sociedade de hoje, submissa e coagida pelo “politicamente correto”, tem assimilado e defendido a cultura pervertida e danosa que impera no mundo de hoje. Em nome do politicamente correto, inúmeras pessoas, religiosas ou não, evitam expressões políticas ou ações que, na linguagem dos defensores da cultura pervertida, venham ofender, excluir e/ou marginalizar grupos de pessoas que são vistos como desfavorecidos ou discriminados, especialmente grupos definidos por gênero, comportamento homossexual ou cor. Neste orbe do politicamente correto, inúmeros cristãos são perseguidos e julgados impiedosamente (Lc.21:16,17); é uma demonstração clara de que o mundo jaz no maligno (João 15:19).

3. No sistema econômico

Outro campo forte de atuação do “espírito da Babilônia” é o sistema econômico. A João foi revelado o enriquecimento dos mercadores por meio da exploração, da luxúria e da licenciosidade do “espírito da Babilônia” (Ap.18:3). Mas o próprio João viu a sua total destruição, e o motivo de sua queda é a corrupção total que praticou com as nações e seus mercadores. Ela embriagou todas as nações com sua luxúria desenfreada.

João afirma que “os reis da terra se prostituíram com ela”, o que significa que eles cometeram pecados vergonhosos – desistindo do que é mais importante em troca do que é mais gratificante. Este adultério provavelmente se refere às alianças pecaminosas e ao abandono total da moralidade absoluta de Deus. Além disso, “os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias” (Ap.18:3); eles foram seduzidos pelas grandes riquezas que podiam ser obtidas no seu relacionamento com ela, isto é, com a Babilônia.

O texto de Isaias 47:8 descreve a grande luxúria da Babilônia e o julgamento de Deus sobre ela. A sua luxúria levou ao orgulho e à autossuficiência. Parte deste adultério estava em receber a marca da besta, porque esses mercadores não podiam comprar ou vender nada sem ela (Ap.13:17).

Sem dúvida, atualmente, o “espírito da Babilônia” tem atuado fortemente nesta sociedade de cultura degradante e separada de Deus. Hoje, vemos o comércio e o governo subornarem os cidadãos por avareza, dinheiro e poder (Mq.2.1-3; Ap.18.12,13). As pessoas são motivadas a levar vantagem financeira, de forma ilícita e imoral em prejuízo do próximo (ler Pv.16.29; Mq.3.11). Vemos a sociedade sendo extorquida em troca da satisfação dos prazeres pecaminosos e consumismo desenfreado (ler Is.55.2; Lc.12.15). Nesse sentido, como bem afirma o Pr. Douglas Batista, o materialismo, os deleites e a autossuficiência têm conduzido o ser humano a confiar no dinheiro (1Tm.6.9,10, 17) e os que controlam a economia têm impostos embargos, tributos e multas em desfavor do cidadão impotente (ler Tg.2.6,7; Ap.13.16,17). Sem dúvida, é o “espírito da Babilônia” que impera neste mundo decaído.

III. A POSIÇÃO DA IGREJA DIANTE DO ESPÍRITO DA BABILÔNIA



1. Não negociar a ortodoxia bíblica

Ortodoxia bíblica é o conjunto de doutrinas provindas da Bíblia Sagrada, e tidas como verdadeiras de conformidade com os credos, concílios e convenções da Igreja. Está escrito: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm.3:16). Ela foi escrita com certas características que a levaram a ser considerada o “Livro de Deus”:

-Ela é pura -"Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam" (Pv.30:5).

-Ela é a verdade – “As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre” (Sl.119:160).

-Ela é eterna - "Para sempre, ó Senhor, está firmada a tua palavra no céu" (Sl.119:89).

-Ela é imutável - "A palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada"(1Pd.1:25).

-Ela é profética - "porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pd.1:21);

-Ela é perfeita e fiel - "A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples” (Sl.19:07).

-Ela é Lâmpada – “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e Luz para o meu caminho” (Sl.119:105).

A Igreja de Cristo tem a Bíblia Sagrada como a suprema e inquestionável árbitra em matéria de fé e prática. Muitos, motivados pelo “espírito da Babilônia”, têm tentado, ao longo dos séculos, levantar-se contra o divino Livro, mas todos têm fracassado em seu intento de calá-la ou desacreditá-la, precisamente porque não se trata de uma obra feita pela mente, vontade ou imaginação humana, mas tem sua origem, sua concepção e o zelo pelo seu cumprimento diretamente em Deus.

Portanto, o crente verdadeiro não pode desinteressar-se da ortodoxia bíblica, e precisa estar habilitado para enfrentar o “espírito da Babilônia” e suas ideologias contrárias aos valores absolutos da fé cristã, exarados nas Escrituras agradas. Disse o apóstolo Pedro:

“...não se preocupem e não tenham medo de ameaças. Em vez disso, consagrem a Cristo como o Senhor de sua vida. E, se alguém lhes perguntar a respeito de sua esperança, estejam sempre preparados para explicá-la. Façam-no, porém, de modo amável e respeitoso. Mantenham sempre a consciência limpa. Então, se as pessoas falarem mal de vocês, ficarão envergonhadas ao ver como vocês vivem corretamente em Cristo” (1Pd.3:14-16 - NVT).

2. Formar o caráter de Cristo

Outro fator que não pode ser negociado é a formação do caráter de Cristo no crente. A natureza do caráter do cristão é a mesma de Cristo - aquela que o Apóstolo Paulo denomina de “Fruto do Espírito”, exarado em Gl.5:22. O homem salvo por Jesus é uma nova criatura e, por isso, seu caráter é completamente transformado pelo Espírito Santo, restaurando a imagem e semelhança de Deus que foram deformados com o pecado.

O caráter do cristão é quem ele é, de fato, não apenas quando está diante do seu líder espiritual, ou mesmo com um grupo de amigos, no trabalho ou na escola, mas quando está sozinho, e ninguém está observando-o; é a expressão mais exata da sua pessoa, sem máscaras, sem fingimentos ou aparências: é o seu verdadeiro ser interior.

Muitos cristãos querem que as pessoas pensem coisas boas a seu respeito e demonstram ser santos, por fora, mas a alma está cheia de engano, mentira e pecado. Foi o que Jesus afirmou sobre os líderes religiosos de sua época: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia” (Mt.23.37).

Como afirmou certa feita um pregador: “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é “(John Wooden).

Um caráter moldado pela Bíblia é a maior necessidade de um cristão nestes dias perturbados pelo “espírito da Babilônia”. As pessoas podem até achar que você não tem grandes habilidades administrativas, técnicas, ou pedagógicas, mas elas precisam ver que você é um homem ou uma mulher temente a Deus. Jesus ensinou que é pelo fruto que se conhece uma árvore (Mt.12:33).

O homem sem Deus, influenciado pelo “espírito da Babilônia”, é dotado de uma natureza pecaminosa; outra coisa não faz senão desobedecer ao Senhor e satisfazer os desejos da carne, praticando atitudes e ações que revelam um sentimento de autossuficiência e de egoísmo (são “amantes de si mesmos”, cfr. 2Tm.3:2); que levam a um caráter altamente reprovável, despido de autodirecionamento (não segue a sua vontade, mas o curso deste mundo – Rm.7:15; Ef.2:2); de auto cooperatividade (não leva em conta o próximo, mas única e exclusivamente a si próprio, aos seus deleites – Lc.8:14, 1Tm.5:16; Tg.4:1); e de autotranscedência (são cegos e não reconhecem a Deus como o Senhor de todas as coisas – Mt.15:14; João 9:41; Rm.2:17-29).

Concordo com as palavras do pr. Douglas Batista: “a igreja que prima pelo estudo e aplicação da Palavra de Deus produz crentes espiritualmente maduros, capazes de resistir o “espírito da Babilônia” presente no cenário global (Rm.8:35,38,39)”.

3. Aguardar a volta de Cristo

A volta de Cristo é a mais sublime esperança da Igreja. Viver com Cristo no Céu, eternamente, supera toda e qualquer perseguição, tribulação, tentação, provação, que venhamos a sofrer aqui; supera toda e qualquer riqueza material que a pessoa possa ter aqui. Pensar na volta de Cristo nos traz alegria e uma paz plena e profunda na alma, mesmo que estejamos passando por adversidades extremas.

Se Satanás oferecer todas as riquezas da terra em troca da desistência de nossa fé e fidelidade a Cristo, o crente deve rejeitar de imediato, pois não há comparabilidade, haja vista que tudo aqui é passageiro, efêmero como a neblina que aparece por instante e logo se dissipa” (Tg.4:14). A esperança de viver com Cristo no Céu é incomparável; logo, jamais poderá ser negociado.

Observamos claramente os acontecimentos tenebrosos que pregam com muita evidência que Cristo muito em breve virá. A apostasia crescente, a inversão de valores, as perseguições físicas e camufladas em países que há pouco tempo se consideravam cristãos, as guerras e rumores de guerras, fomes, viroses mortais, pestes, terremotos etc.; tudo isto, dantes vaticinados por Cristo e pelos apóstolos Mt.24:5-12,24; 1Tm.4:1; 2Tm.4:3), desperta-nos para a iminente volta de Jesus. Por isso, não podemos viver despercebidos diante de todos estes acontecimentos que estão ocorrendo no mundo; precisamos, como nunca, estar com a consciência e a percepção aguçada, distante das paixões mundanas e vivendo uma vida de santidade, de inteireza de coração, e em constante oração e vigilância, mantendo-nos fiéis na ortodoxia bíblica, aperfeiçoando cada vez mais o caráter de Cristo e cultivando a esperança pela vinda do Senhor. Vem, Senhor! A tua Igreja, desejosa, te espera!

CONCLUSÃO

A humanidade é influenciada fortemente pelo “espírito da Babilônia”, que tem dominado todos os sistemas – religioso, político, cultural e econômico – preparando o cenário para a implementação da doutrina do anticristo, que promoverá a idolatria e a sensualidade. As práticas idolátricas do paganismo serão restabelecidas. Nesta recuperação de práticas pagãs, certamente, ressurgirá a prostituição cultual e todas as práticas sexuais que acompanhavam os rituais dos antigos deuses da fertilidade, o que será considerado natural, já que, naqueles dias, a doutrina do anticristo defenderá a libertinagem sexual e a promiscuidade, vez que a moral das Escrituras Sagradas será considerada ultrapassada e negadora da própria humanidade. Porventura, já não estamos vendo isto hoje em todo o mundo? Enquanto Jesus não voltar, a Igreja deve oferecer resistência a este “espírito” do mal (2Ts.2:6,7), dedicar-se continuamente ao estudo sistemático da Palavra de Deus (Mt.28:20), formar o caráter dos seguidores de Jesus Cristo (Gl.4:19) e santificar-se para a vinda do Senhor, pois sem santidade ninguém verá o Senhor (Hb.12:14).

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

YAHWEH ("EU SOU")

 

YAHWEH ("EU SOU")

Texto Bíblico: Êxodo 20:7; Mateus 5:33-37; 23:16-19

“Nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR” (Lv 19:12).

 

NÃO TOMARÁS O NOME DO SENHOR EM VÃO

YAHWEH (יَهْוֶה) é o nome sagrado pelo qual Deus se revela no Antigo Testamento da Bíblia, traduzido tradicionalmente para o português como "O SENHOR". É o nome pessoal e próprio do Deus de Israel, que carrega profundo significado teológico, histórico e existencial.

Significado e a Revelação do "EU SOU"

A primeira e mais profunda definição desse nome ocorre no livro de Êxodo (3:14), quando Moisés, diante da sarça ardente, pergunta a Deus qual é o Seu nome para dizê-lo aos israelitas. A resposta divina é: "EHEHER ASHER EHEH" (אהיה אשר אהיה), comumente traduzido como "EU SOU O QUE SOU" ou simplesmente "EU SOU".

  • Auto existência e Eternidade: O verbo hebraico hayah (do qual deriva YAHWEH) denota "ser" ou "existir". Ao dizer "EU SOU", Deus declara que não tem começo nem fim, não depende de nenhuma causa externa para existir e é a própria fonte de toda a existência. Ele não é um conceito abstrato ou uma força impessoal, mas um Ser vivo, presente e atuante.
  • Imutabilidade e Fidelidade: Dizer "EU SOU" (no presente contínuo) significa que Ele é o mesmo no passado, no presente e no futuro. Para o povo de Israel, isso garantia que o Deus que libertou os patriarcas era o mesmo que estava presente para libertá-los da escravidão no Egito e que permaneceria fiel às Suas alianças.

O Tetragrama Sagrado (YHWH)

Nas escrituras em hebraico antigo, o nome de Deus é escrito com quatro consoantes, conhecidas como o Tetragrama (YHWH): י (Yod), ה (He), ו (Waw), ה (He).

Por causa de um profundo respeito e reverência ao mandamento de não tomar o nome de Deus em vão (Êxodo 20:7), os escribas e o povo judeu antigo gradualmente pararam de pronunciar YHWH em voz alta. Quando liam as Escrituras e encontravam o Tetragrama, substituíam-no por Adonai ("Meu Senhor").

  • Origem da palavra "Jeová": Na Idade Média, os estudiosos cristãos adicionaram as vogais da palavra Adonai às consoantes YHWH, resultando na forma hibridizada Jehovah (Jeová). No entanto, os eruditos bíblicos concordam que a pronúncia histórica e original mais provável é Yahweh.

Contexto Bíblico e Teológico

  • O Deus Relacional: Diferente das divindades pagãs do antigo Oriente Médio — que eram associadas a forças da natureza específicas (como tempestades, colheitas ou guerra) e vistas como distantes ou caprichosas —, Yahweh se revela como um Deus que entra em aliança com a humanidade. Ele ouve o clamor dos oprimidos, guia Seu povo pela história e se importa com a justiça e a moralidade.
  • A Plenitude em Cristo: No Novo Testamento, o conceito do "EU SOU" ganha uma dimensão ainda mais profunda na pessoa de Jesus. Nos evangelhos, especialmente em João, Cristo utiliza a expressão "Ego Eimi" ("Eu Sou") em várias ocasiões para declarar sua divindade (por exemplo: "Antes que Abraão existisse, Eu Sou" — João 8:58).

Chamar a Deus de Yahweh é reconhecê-Lo não apenas como o Criador distante do cosmos, mas como o "EU SOU" que sustenta todas as coisas e se faz presente na jornada humana.


INTRODUÇÃO

Este estudo falaremos sobre o Terceiro Mandamento, a saber: "Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão...” (Êx 20:7). Este mandamento inclui qualquer uso do nome de Deus de maneira leviana, blasfema ou insincera. Deve-se reverenciar o nome divino porque revela o caráter de Deus, a sua santidade. Santo e tremendo é o Seu nome(Sl 111:9).

Os dias em que vivemos são de maiúsculas irreverências a tudo que é moral, estimuladas pela imprensa, em suas diversas matizes. Nada é sagrado neste século: religião, sexo, fé, família, Deus etc. Tudo pode ser zombado, satirizado e distorcido. Milhões se dirigem ao Todo-poderoso e santo Deus, que habita na luz inacessível, como se dirigissem a uma pessoa qualquer, ou a um ser imaginário sem valor nenhum. Tais zombadores devem saber que de Deus ninguém zomba (Gl 6:7). Aquilo que fazemos aqui determinará nosso destino amanhã. “... o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êx 20:7). Deus é amor, mas também é justiça e, por isso, no tempo certo, no tempo que lhe aprouver, providenciará o julgamento de todos os homens, a fim de que cada um responda pelos atos cometidos, atos estes decorrentes da liberdade com que aquinhoou cada ser humano.

I. O NOME DIVINO



1. O Nome. O nome de Deus revela o que Ele é. O nome de Deus não é apenas uma identificação pessoal, mas é inerente à Sua natureza e revela Suas obras e Seus atributos. Não é meramente uma distinção dos deuses das nações pagãs. Quando a Bíblia faz menção do "nome de Deus", está revelando o poder, a grandeza e a glória do Deus Todo-Poderoso.

Cada nome divino revela-nos como Deus deseja ser conhecido por nós. Falam-nos sobre quem Deus é e como ele age em relação ao homem. É por este motivo que Deus aparece com vários nomes nas páginas sagradas. Cada um desses nomes revela uma característica específica de Deus. Portanto, não podemos tratar os nomes de Deus como “varas de condão” que fazem as coisas acontecer. Esse tipo de raciocínio equivocado tem levado muitas pessoas a acreditar que o simples “pronunciar” de um nome divino “libera” alguma energia espiritual poderosa. Isso, porém, está fora da realidade. O nome divino tem real valor por causa do próprio Deus. O uso “mágico” do nome de Deus não funciona, como não funcionou no caso dos filhos de Ceva (At 19:14-16).

As Escrituras mostram que é Deus quem age, e não o homem que o controla por meio de fórmulas mágicas. Talvez a maior confusão na prática esteja no mau uso da frase “se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei(Jo 14:14). Só proferir o nome de Jesus não significa que tudo acontecerá automaticamente. Pedir alguma coisa “em nome de Jesus” significa pedir alguma coisa segundo a vontade de Deus (1Jo 5:14). Pedir em nome de Jesus é pedir o que Jesus pediria. Pedir em Seu nome é como “agir por procuração”: não é a minha vontade que será feita por meio de Jesus, mas sim a vontade dEle que se realizará por meio da minha oração.

2. Nomes específicos. Deus é descrito de maneira específica por diversos nomes hebraicos no Antigo Testamento. Entre eles merecem especial destaque os termos Elohim, Javé e Adonay.

- Elohim é o nome hebraico genérico para Deus. Seu significado etimológico é “força, poder”, e refere-se a Deus como Criador, como o ser transcendente e como o Deus que está acima de todos os outros. Uma curiosidade interessante sobre o nome Elohim é que se trata de um substantivo em forma plural no hebraico. O nome “Deus” em nossas Bíblias é tradução do hebraico El (Nm 23:8) ou Eloah (Dt 32:15), ou seu plural, Elohim (Gn 1:1). Já o nome El é usado para compor outros nomes divinos, como El-Shadday (Deus Todo-poderoso – Gn 17:1; Êx 6:3), e também para formar nomes hebraicos comuns como Daniel e Samuel.

- Adonay (Senhor) refere-se ao senhorio de Deus. O significado literal é Senhor, mas nunca é usado para se referir ao homem. Adonay destaca também a plena soberania de Deus.

- Javé. Este é o nome que mais define o próprio Deus. O termo hebraico seria YHWH. O significado de Javé é “Eu Sou” ou “Sempre estarei sendo”, ou como gostam os judeus “o Eterno”. A forma é uma abreviação do “EU SOU O QUE SOU” dito por Deus a Moisés em Êxodo 3:13,14.

Os judeus deixaram de pronunciar o nome divino para evitar a vulgarização do nome e assim não violar o Terceiro Mandamento. A pronúncia perfeita se perdeu. As consoantes do tetragrama YHWH receberam as vogais de Adonay, o que veio a gerar o nome Yahweh, Javé ou Yehowah. Todavia, os estudiosos hoje concordam, principalmente com base nas antigas transliterações gregas, que o nome divino seria Yahweh, ou seja, Javé em português. A versão Almeida Corrigida, nas edições de 1995 e 2009, emprega “SENHOR”, com todas as letras maiúsculas, onde consta o tetragrama (YHWH) no Antigo Testamento hebraico para distinguir de Adonay (Jz 6:22).

II. TOMAR O NOME DE DEUS EM VÃO



1. O Terceiro Mandamento (Ex 20:7). “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.

O nome de Deus é especial porque traz a sua identidade pessoal. Nas Escrituras Sagradas, o nome está intimamente ligado à pessoa, indicando o seu próprio caráter, ou ainda denotando a posição e função de quem traz o nome (Êx 23:21). O Terceiro Mandamento nos diz que quando nos lembramos do nome de Deus, devemos preparar-nos para render-lhe culto porque as verdades que sabemos sobre alguém são despertadas quando pronunciamos o seu nome.

A proibição de usar o nome de Deus “em vão” ocorre em função de ele estar intimamente ligado ao caráter divino (Êx 3:15; Lv 22:32). Assim, por causa da natureza santa do nome do Senhor, o mesmo deve ser reverenciado, invocado, louvado e bendito (Mt 6:9). Tomar o nome do Senhor “em vão” inclui o fazer uma falsa promessa usando esse nome – nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR(Lv 19:12).

Era comum o uso de palavras mágicas em encantamentos no mundo antigo. Um exemplo bíblico ocorre em Atos 19:13-16, onde lemos sobre a tentativa pecaminosa de invocar o nome do Senhor Jesus, por mágicos que usavam o nome do Salvador como uma forma de encantamento.

 O nome de Deus deve ser honrado e respeitado por ser profundamente sagrado, e deve ser usado somente de maneira santa - Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome(Mt 6:9). Deus já é santo, então significa que somos santificados quando deixamos o Nome de Deus infundir em nossa natureza aquilo que Ele traz (santidade, cura, autoridade, provisão etc.).

2. Objetivo do Terceiro Mandamento. “A finalidade é pôr um freio na mentira, restringir os juramentos e assim evitar a profanação do nome divino (Lv 19:12). Ninguém deve usar o nome de Deus nas conversas triviais do dia a dia, pois isso é misturar o sagrado com o comum (Lv 10:10). O Senhor Jesus condenou duramente essas perversões farisaicas, práticas que precisavam ser corrigidas ou mesmo substituídas. Este mandamento foi restaurado sob a graça e adaptado a ela na nova dispensação, manifesto na linguagem do cristão: “sim, sim; não, não” (Mt 5:37) (LBM. p.38.CPAD).

3. O Valor do Terceiro Mandamento (1). No Antigo Testamento, o castigo para o mau uso do nome de Deus era o apedrejamento (Lv 24:16). Percebemos que essa proibição estava ligada ao juramento falso, que era usar o nome de Deus para atestar uma declaração mentirosa (Lv 19:12).

Esse mandamento não exclui a recorrência ao nome do Senhor em juramentos verdadeiros e solenes (2Sm 2:27; Nm 30:3; Jr 4:2; Js 7:19; 2Co 1:23). Podemos invocar o nome de Deus nas angústias. Também podemos invocar Seu nome clamando por socorro e salvação (Sl 50:15).

Hans Ulrich Reifler, em seu livro “A Ética dos Dez Mandamentos” (editora Vida Nova), diz a respeito do Terceiro Mandamento: “Muitas pessoas abusam do nome do Senhor inconscientemente. Na cultura brasileira, as expressões ‘meu Deus’, ‘Deus me livre’, ‘se Deus quiser’, ‘Deus é testemunha’, ‘juro por Deus’, tornam-se tão frequentes, e até populares, que todos acabaram se acostumando. O problema não está no uso dessas palavras, mas na atitude do coração. Quando bem pensadas, tais expressões constituem uma oração, manifestam nossa confiança no Senhor e testificam a sinceridade da nossa fé. Por outro lado, não resta dúvida de que o uso impensado dessas frases não ajuda em nada; pelo contrário, revela leviandade para com as coisas sagradas, e é isto o que está em pauta no Terceiro Mandamento”.

4. Formas “sutis” de tomar o Nome do Senhor em vão (2). Na Bíblia, a palavra vão” significa “vazio”, “sem conteúdo”, “sem valor”, “não produtivo”. Pronunciar o nome de Deus em vão demonstra um desprezo para com o Deus Todo-Poderoso.

a) Com irreverência (Ef 5:3,4 - ARA) - “…palavras vãs ou chocarrices…”. São todas aquelas formas de falar, aquelas frases irreverentes que usamos que incluem o nome santo de Deus. Como é comum e inconsequente soltarmos um meu Deus do céu”, “pelo amor de Deus”. Se queremos realmente dizer aquilo, então não tem problema. Mas se for apenas uma “força de expressão” ou comentário descuidado, aí é outra coisa.

b) Com hipocrisia (Is 48:1). São pessoas que se chamam pelo nome de Deus, mas não vivem sinceramente na presença de Deus. Professam e cantam publicamente, mas em casa não vivem a verdade que confessa. A pessoa que procura disfarçar uma vida pecaminosa, ao mesmo tempo em que professa o nome de Cristo, quebra o Terceiro Mandamento. Tais indivíduos são culpados diante de Deus (Êx 20:7) e só receberão misericórdia depois de se arrependerem.

c) Como uma falsa imagem. Usamos em “vão” o nome de Deus quando usamos Deus como espantalho na educação dos filhos, quando, por exemplo, ameaçamos dizendo: “Deus está te vendo! Deus vai te castigar!”.  Com esses abusos do nome de Deus, muitas pessoas foram feridas na sua infância.  A imagem curadora de Deus se transforma numa imagem ameaçadora, vingativa e muito exigente.

d) Como forma de manipular. Quando se usa o nome de Deus para manipular as massas.  Na igreja, o famoso “Deus me falou!”.

Jamais devemos usar o nome de Deus de maneira frívola ou mecanicamente. Os justos veneram o nome de Deus por ser santo e sagrado.

5. O lado positivo do Terceiro Mandamento. Para cada proposição negativa, existe um conceito positivo por trás. Quando um pai diz: “não fique na frente dos carros”, ele está dizendo: “não quero que se machuque. Quero você vivo e feliz!”.

A Bíblia não nos proíbe pronunciar o (s) nome (s) de Deus. Ela nos encoraja a invocá-lo de coração e com temor. Todavia, o nome de Jesus não deve ser pronunciado como uma palavra mágica, e nem somente como uma forma de terminar uma oração com estilo. Com esse nome, fazemos ao Pai uma petição e assinamos com o Nome daquele que tem autoridade nos céus e na Terra, sabendo que o Pai não negará nada ao Seu Filho amado.

- João 14:13: E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho”.

- Colossenses 3:17: E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. Aqui somos colocados frente à responsabilidade que esse nome traz àqueles que o carregam. Quando você diz: “sou um cristão”, você está dizendo que é como Cristo.

 - 2Timóteo 2:19: “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor”.

- Salmos 68:4: “Cantai a Deus, salmodiai o seu nome; exaltai o que cavalga sobre as nuvens. SENHOR é o seu nome, exultai diante dele”.

6. Modalidades de juramentos. O cerne do Terceiro Mandamento é proibir o costume de juramento falso, pois o verdadeiro juramento se fazia mediante a invocação do nome de Deus (Lv 19:12). Era uma necessidade imperiosa que todos falassem a verdade, como o dever de cada um honrar o compromisso assumido com os homens e diante de Deus. É dever de todos cumprir os votos feitos a Deus; a lei é clara sobre essa responsabilidade (Nm 30:2; Dt 23:21). Mas as autoridades religiosas de Israel classificaram os juramentos em duas categorias: os que podiam ser descumpridos e os que não podiam. Há uma lista deles em Mateus 5:33-37; 23:16-22. O Senhor Jesus reprovou com veemência essa violação dos escribas e fariseus. A interpretação rabínica da época permitia violar o terceiro mandamento e fazer de conta que ele não havia sido violado (Ezequias Soares).

III. O SENHOR JESUS PROIBIU O JURAMENTO?



Conforme Levítico 19:12, uma das aplicações do Terceiro Mandamento é o juramento: "... nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus: Eu sou o Senhor". O versículo não proíbe o juramento em si, mas a falsidade nesse ato, caracterizada pelo uso irreverente do nome do Senhor para dar maior credibilidade a uma afirmação.

O juramento era uma exigência legítima do Antigo Testamento (Nm 30:3: Js 7:19). De fato, encontramos até exemplos condignos na Bíblia. O Senhor jurou que abençoaria Abraão (Gn 22:15-17; Hb 6:13) e estabeleceria o trono de Davi (2Sm 3:9). Veja outros exemplos em Lucas 1:73 e em Hebreus 3:11,18; 7:21. Em João 9:24, o homem cego de nascença é forçado a jurar, e ninguém o reprova. Além desses exemplos, encontramos formas como "tão certo como vive o Senhor" (1Sm 14.39, 44), "assim me faca Deus" (2Rs 6:31) ou "tomo a Deus por testemunha" (2Co 1:23).

Há também exemplos de juramentos falsos e levianos. A leviandade de Herodes custou a cabeça de João Batista (Mc 6:23). Em Mateus 23:16, Jesus adverte os fariseus: "Ai de vós, guias cegos! que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou". Em Mateus 26:74, Pedro nega a Cristo, fazendo um juramento indigno.

Jesus não se pronunciou contra o juramento em si, mas contra o ato imprudente, o voto leviano e supérfluo (Mt 5:33-37). Seu meio-irmão, Tiago, seguiu essa tradição ao escrever: "Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; antes seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não, para não cairdes em juízo" (Tg 5:12) (3). Essa exigência divina se faz necessária por causa da inclinação humana à mentira. Era grande a falsidade no relacionamento entre familiares e amigos. Ninguém podia confiar em ninguém, já que a falta de sinceridade era a marca do povo. Não era uma questão de desvio ocasional, mas de estilo de vida (Jr 9:2-5). Uma sociedade não pode viver numa decadência dessa; a vida se torna insuportável!

CONCLUSÃO

Usar o nome de Deus de maneira fútil é tão comum hoje, em todos os países do mundo, que podemos falhar em perceber como isso é sério. O modo como usamos o nome de Deus transmite como realmente nos sentimos a respeito dEle. Devemos respeitá-lo e usá-lo apropriadamente, mencionando-o em louvor e adoração. O abuso ou a desonra do nome de Deus tem que ser visto com seriedade. Não se deve pensar em Deus sem a devida sobriedade e reverência.

 

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