terça-feira, 5 de maio de 2026

ESDRAS E O ENSINO DA PALAVRA DE DEUS

 


ESDRAS E O ENSINO DA PALAVRA DE DEUS

Esse momento descrito em Neemias 8 é um dos divisores de águas na história bíblica. Esdras não era apenas um líder religioso; ele foi o arquiteto do reavivamento espiritual pós-exílio. Após décadas na Babilônia, o povo havia perdido o contato com sua identidade e com a Palavra de Deus.

Aqui estão os pontos fundamentais sobre quem foi Esdras e o impacto desse evento:

1. A Identidade de Esdras

Esdras acumulava duas funções cruciais: era sacerdote (linhagem de Arão) e escriba (especialista na Lei). A Bíblia diz que ele "tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do Senhor e para a cumprir, e para ensinar em Israel" (Esdras 7:10). Ele não apenas lia o texto; ele o vivia.

2. O Cenário: A "Igreja" na Praça

Diferente do que se poderia esperar, essa leitura não aconteceu dentro de um templo fechado, mas na Porta das Águas, uma praça pública. Isso indica que a Palavra de Deus deveria estar no centro da vida comunitária, acessível a todos: homens, mulheres e crianças capazes de entender ("sábios").

3. A Reverência e a Fome pela Palavra

O texto destaca detalhes fascinantes sobre a postura do povo:

  • Resistência física: Eles ficaram de pé "desde a alva até ao meio-dia" (cerca de seis horas).
  • Atenção plena: "Os ouvidos de todo o povo estavam atentos". Não era uma audição passiva; era uma busca desesperada por direção.
  • Exposição explicativa: Esdras não apenas leu. O versículo 8 do mesmo capítulo diz que eles "leram o livro... e declarando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse". Foi, essencialmente, a primeira grande escola bíblica da história.

O Impacto do Reavivamento

O resultado dessa leitura foi o arrependimento coletivo. Ao ouvirem a Lei, as pessoas choraram ao perceber o quanto estavam distantes dos mandamentos de Deus. No entanto, Esdras e Neemias as acalmaram, proferindo uma das frases mais célebres da Bíblia: "A alegria do Senhor é a vossa força" (Ne 8:10).

Por que isso importa hoje? Esdras demonstra que a restauração de uma sociedade não começa pela política ou pela economia, mas pelo retorno aos fundamentos espirituais e éticos contidos na Palavra. Ele transformou uma multidão de exilados em uma nação com propósito.

Texto Bíblico: Neemias 8:1-12

“E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação [...] E leu nela [...] desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne.8:2,3).

Neemias 8:

1.É chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o SENHOR tinha ordenado a Israel.

2.E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação, assim de homens como de mulheres e de todos os entendidos para ouvirem, no primeiro dia do sétimo mês.

3.E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e entendidos; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei.

4.E Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim; e estavam em pé junto a ele, à sua mão direita, Matitias, e Sema, e Anaías, e Urias, e Hilquias, e Maaséias; e à sua mão esquerda, Pedaías, e Misael, e Malquias, e Hasum, e Hasbadana, e Zacarias, e Mesulão.

5.E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé.

6.E Esdras louvou o SENHOR, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém!?, levantando as mãos; e inclinaram-se e adoraram o SENHOR, com o rosto em terra.

7.E Jesua, e Bani, e Serebias, e Jamim, e Acube, e Sabetai, e Hodias, e Maaséias, e Quelita, e Azarias, e Jozabade, e Hanã, e Pelaías, e os levitas ensinavam ao povo na Lei; e o povo estava no seu posto.

8.E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.

9.E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao SENHOR, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei.

10.Disse-lhes mais: Ide, e comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque esse dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força.

11.E os levitas fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos, porque este dia é santo; por isso, não vos entristeçais.

12.Então, todo o povo se foi a comer, e a beber, e a enviar porções, e a fazer grandes festas, porque entenderam as palavras que lhes fizeram saber.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos do grande valor do ensino das Escrituras Sagradas ao povo de Deus. E o ensino das Escrituras precisa ser realizado por pessoas que se dedicam a este ministério. Esdras estava ciente de que para iniciar a reconstrução religiosa do povo era necessário começar pelo ensino da Palavra de Deus, pois sem ela não há identidade espiritual nem moral. Por isso, Esdras foi a Jerusalém e ensinou o povo as Escrituras Sagradas; o avivamento do povo de Deus foi tremendo, e teve início mediante um autêntico retorno à Palavra de Deus e um esforço decisivo para a compreensão da sua mensagem (Ne.8:8).

Há uma profunda conexão entre o ensino fiel das Escrituras e o avivamento espiritual. Sempre que a Palavra de Deus é exposta com poder há uma profunda manifestação do Espírito Santo, gerando despertamento espiritual na vida do povo de Deus. Neemias 8 é um grande modelo da pregação que produz o verdadeiro crescimento espiritual. Martin Lloyd-Jones disse que a pregação é a tarefa mais importante do mundo, a maior necessidade da Igreja e a maior necessidade do mundo. Podemos afirmar, portanto, que a Palavra de Deus é o elemento central para gerar avivamento, crescimento e desenvolvimento do caráter do povo de Deus.

I. O POVO SE AJUNTOU NA PRAÇA PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS



“É chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel” (Ne.8:1).

À época de Neemias e Esdras o maior avivamento espiritual ocorrido em Jerusalém foi a restauração da autoridade da Palavra de Deus sobre o povo. A leitura da Bíblia por Esdras trouxe um grande impacto na vida do povo.

1. O líder deve ser apto para ensinar

Entre os crentes sempre há a necessidade de ensino e esta oportunidade não deve de forma alguma ser negligenciada pelo líder; ele deve procurar aproveitá-la ao máximo possível. O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo afirma que o verdadeiro líder deve estar apto para ensinar (1Tm.3:2). Ele deve ensinar a outros e treinar líderes (Tt.1:9). A maior necessidade da Igreja é de homens que conheçam, vivam e ensinem a Palavra de Deus com aptidão. O ensino da Palavra de Deus é a tarefa mais importante que existe no mundo. As pessoas não buscam alguém para lhes contar bonitas experiências, mas procuram um fiel e apto expositor das Escrituras.

2. O povo se reuniu para ouvir a Palavra de Deus

Uma das principais evidências de um avivamento bíblico entre o povo de Deus é a grande fome de ouvir e ler a Palavra de Deus. Esdras subiu numa plataforma especialmente construída para a ocasião e, ao lado de treze levitas, leu por várias horas o que havia no Livro da Lei de Moisés. O povo demonstrou profundo respeito pela Palavra de Deus (ler Ne.8:5,6), à medida que os levitas, mencionados no versículo 7 do capítulo 8, forneciam explicações sobre o que estava sendo dito (Ne.8:8).

O ajuntamento do povo para ouvir a Palavra de Deus naquela ocasião tem quatro características distintas que devem servir de modelo para a Igreja contemporânea (Adaptado do Livro “Neemias”, de Hernandes Dias Lopes):

a) O ajuntamento foi espontâneo (Ne.8:1) – “É chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça...”. Deus moveu o coração do povo para reunir-se para buscar a Palavra de Deus. Eles não se reuniram ao redor de qualquer outro interesse. Hoje o povo busca resultados e não a verdade; coisas materiais e não a Deus; benefícios pessoais e não a Palavra de Deus; querem as bênçãos de Deus, mas não o Deus das bênçãos. Têm fome de prosperidade e sucesso, mas não têm fome da Palavra.

b) O ajuntamento foi coletivo (Ne.8:2,3). Todo o povo, homens e mulheres, reuniram-se para buscar a Palavra de Deus. Ninguém ficou de fora. Pobres e ricos, agricultores e nobres, homens e mulheres, jovens e crianças. Eles tinham um alvo em comum: buscar a Palavra de Deus. Precisamos ter vontade de nos reunir não apenas para ouvir cantores famosos ou pregadores conhecidos, mas para ouvir a Palavra de Deus. O centro do culto é a pregação da Palavra de Deus.

c) O ajuntamento foi harmonioso (Ne.8:1) - "Todo o povo se ajuntou como um só homem". Não havia apenas ajuntamento, mas comunhão. Não apenas estavam perto uns dos outros, mas eram unidos de alma. A união deles não era em torno de encontros sociais, mas em torno da Palavra de Deus.

d) O ajuntamento foi proposital (Ne.8:1) - "[...] e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés, que o Senhor tinha prescrito a Israel". O propósito do povo era ouvir a Palavra de Deus. Eles tinham sede da Palavra. Eles tinham pressa de ouvir a Palavra. Não era qualquer novidade que os atraía, mas a Palavra de Deus.

Esse método de Esdras e dos levitas tem sido abençoado por Deus ao longo dos séculos e continua a ser um instrumento eficaz para levar o povo de Deus da Nova Aliança à maturidade e ao despertamento espiritual. Pregações textuais e temáticas podem, com frequência, ser inspiradoras e úteis, porém seus benefícios espirituais não se comparam aos resultados alcançados por ministérios semelhantes ao de Esdras. Abençoados são os cristãos que têm o privilégio de ouvir pregações expositivas sobre as Escrituras Sagradas.

3. O povo estava atento à leitura da Palavra de Deus

“E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e entendidos; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne.8:3).

De pé sobre um púlpito de madeira, durante sete dias, seis horas por dia, Esdras leu o livro da lei (Ne.8:3,18). O povo permaneceu desde a alva até ao meio-dia, sem sair do lugar (Ne.8:7), com os ouvidos atentos. Eles queriam Pão do Céu, a Verdade de Deus. Só o Pão nutritivo da Palavra de Deus pode saciar a fome daqueles que anseiam por Deus.

4. Homens preparados foram designados para o ensino (Ne.8:7)

 “E Jesua, e Bani, e Serebias, e Jamim, e Acube, e Sabetai, e Hodias, e Maaséias, e Quelita, e Azarias, e Jozabade, e Hanã, e Pelaías, e os levitas ensinavam ao povo na Lei; e o povo estava no seu posto”.

Vemos aqui neste versículo que Neemias e Esdras designaram instrutores para ensinar a Palavra de Deus em todas as cidades de Judá. Até os levitas que serviam no Templo foram envolvidos nesse mister (Ne.11:1). Esses líderes tinham plena consciência de que a base do avivamento espiritual é o ensino da Palavra de Deus e a sua obediência.

No Novo Testamento, para cumprir a tarefa do ensino da Palavra, é preciso, em primeiro lugar, que a Igreja se veja dotada de homens e mulheres preparados para ensinar. Um dos grandes problemas que temos visto nas Igrejas Locais da atualidade é o despreparo das pessoas para ensinarem a Palavra de Deus. Quando falamos em preparo, não estamos nos referindo à escolaridade ou ao conhecimento secular de alguém, mas, sobretudo, ao seu conhecimento bíblico, à sua capacidade de manejar bem a Palavra da Verdade (1Tm.2:15). Atualmente temos vistos que, à medida que a escolaridade nas igrejas evangélicas sobe, o conhecimento bíblico decresce. É válido ressaltar que décadas passadas, grande parte dos obreiros das Assembleias de Deus era composta de pessoas iletradas, semialfabetizados, mas tinham profundo conhecimento bíblico; atualmente, estamos repletos de obreiros dotados de diplomas universitários, mas que, biblicamente, são completamente analfabetos. O que é isto? É falta de estudo da Palavra de Deus!

II. A SUPREMACIA DA PALAVRA DE DEUS


A Bíblia é a Palavra de Deus. Esta é a definição canônica mais curta da Bíblia. Tudo o que Deus tem preparado para o homem, bem como o que Ele requer do homem, e tudo o que o homem precisa saber espiritualmente da parte dele quanto à sua redenção e felicidade eterna, está revelado na Bíblia. Tudo o que o homem tem a fazer é tomar a Palavra de Deus e apropriar-se dela pela fé. Podemos afirmar que a Bíblia é a Palavra de Deus entre outros motivos, porque:

  • A própria Bíblia faz menção da sua inspiração.
  • O Espírito Santo testifica em nosso íntimo que ela é a Palavra de Deus.
  • Nenhum outro livro apresenta tantos testemunhos a respeito da transformação de uma pessoa; muitas conversões foram feitas por meio da leitura da Bíblia, demonstrando o poder da Palavra.
  • A unidade da Bíblia: seus sessenta e seis livros apresentam a pessoa de Jesus Cristo; o Antigo Testamento falava da vinda do Messias e as suas profecias se cumpriram no Novo Testamento; o próprio Jesus destacou ser Ele o tema do Antigo Testamento (Mt.5:17; Lc.24:27:44; João 5:39; Hb.10:7).

Três verdades precisam ser destacadas aqui (Adaptado do Livro Neemias, de Hernandes Dias Lopes):

1. O pregador precisa estar comprometido com as Escrituras (Ne.8:2,4,5)

Esdras era um homem comprometido com as Escrituras Sagradas (Esdras 7:10) - “Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos”. As pessoas não buscam alguém para lhes contar bonitas experiências, mas procuram um fiel expositor das Escrituras. A maior necessidade da Igreja é de homens que conheçam, vivam e preguem a Palavra de Deus com fidelidade. A pregação é a maior necessidade da Igreja e do mundo. A pregação é a tarefa mais importante que existe no mundo. Precisamos nos tornar o povo "do Livro", "da Palavra". Não há avivamento espiritual sem a restauração da autoridade da Palavra de Deus.

2. O povo precisa estar sedento das Escrituras (Ne.8:1,3)

A Bíblia era o anseio do povo. Eles se reuniram como um só homem (Ne.8.1), com os ouvidos atentos (Ne.8:3), reverentes (Ne.8:6), chorando (Ne.8:9) e alegrando (Ne.8:12) e prontos a obedecer (Ne.8:17). O povo queria não farelo, mas trigo; eles queriam Pão do céu, a verdade de Deus. Eles buscaram pão onde havia pão. Muitos vão à Casa do Pão e não encontram pão; são como Noemi e sua família, que saíram de Belém e foram para Moabe, porque não encontraram pão na Casa do Pão. Quando as pessoas deixam a Casa do Pão, encontram a morte.

Há muita propaganda enganosa nas Igrejas hoje. Prometem pão, mas só há fornos frios, prateleiras vazias e algum farelo de pão. Apenas receita de pão não pode matar a fome do povo. Só o pão nutritivo da Verdade pode saciar a fome daqueles que anseiam por Deus.

3. Vejamos as atitudes do povo de Israel em relação às Escrituras Sagradas (Ne.8:1-8)

Quatro atitudes nos chamam a atenção:

a) Eles estavam com os ouvidos atentos (Ne.8:3). O povo permaneceu desde a alva até ao meio-dia, sem sair do lugar (Ne.8:7), com os ouvidos atentos. Não havia dispersão, distração nem enfado. Eles estavam atentos não apenas ao pregador, mas, sobretudo, ao Livro da Lei. Não havia esnobismo nem tietagem, mas fome da Palavra de Deus.

b) A mente deles estava despertada para o conhecimento (Ne.8:2,3,8). A explicação era lógica, para que todos entendessem. O aviamento não foi um apelo às emoções, mas um apelo ao entendimento.

c) Eles estavam reverentes (Ne.8:5) - "Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé". Essa era uma atitude de reverência e respeito à Palavra de Deus. Esse púlpito elevado não era para revelar o garbo do pregador, mas a supremacia da Palavra de Deus.

d) Eles estavam em posição de adoração (Ne.8:6). Esdras ora, o povo responde com um sonoro amém, levanta as mãos e se prostra para adorar. Onde há oração e exposição da Palavra, o povo exalta a Deus e O adora.

III. A PRIMAZIA DA PREGAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS


A Pregação da Palavra de Deus tem a primazia porque ela, a Palavra:

·         É a Verdade (João 17:17). A Bíblia não apenas fala a verdade como também é a própria Verdade.

·         É viva e eficaz (Hb.4:12). A Bíblia é viva porque ela age atuando em nossas vidas; sendo também eficaz, em tudo que faz dá certo.

·         É inspirada por Deus (2Pd.1:20,21). Embora tenha sido escrita por mãos de homens, a Bíblia foi inspirada por Deus a eles. Prova disto é que foi escrita em lugares, épocas, línguas e pessoas diferentes e mesmo assim ela trata dos mesmos assuntos sendo coerente em tudo o que diz, pois o Autor é o mesmo Deus.

·         É útil (2Tm.3:16,17). A utilidade da Bíblia é para diversos assuntos da vida, dando sabedoria e conhecimento ao ser humano em todas as áreas de sua existência.

O apóstolo Paulo, o maior bandeirante do Cristianismo, fechando as cortinas da vida, na antessala de seu martírio, ordenou a Timóteo: “Prega a palavra…” (2Tm.4:2). Uma vez que temos a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito de Deus, inerrante, infalível e suficiente, não podemos guardá-la apenas para nós. A palavra que nos foi confiada precisa ser transmitida.

Portanto, não basta reconhecer a supremacia das Escrituras Sagradas, é preciso estar comprometido com a primazia da pregação. Sonegar a Palavra é privar as pessoas de conhecer a graça de Deus. Reter a mensagem da salvação é uma atitude cruel com os perdidos, uma vez que a fé vem pelo ouvir a Palavra.

Deus chama os seus escolhidos por meio da Palavra. A Palavra de Deus é poderosa, tem vida em si mesma; é a divina Semente, que semeada em boa terra produz a trinta, a sessenta e a cento por um; nunca volta para Deus vazia; sempre cumpre o propósito para o qual foi designada.

Em Neemias capítulo oito encontramos os três pontos principais da pregação expositiva. Que pontos são esses? (Adaptado do Livro Neemias, de Hernandes Dias Lopes):

1. Ler o texto das Escrituras (Ne.8:2,3,5)

Por ocasião do sermão, a leitura do texto é sobremodo importante, pois é a fonte da mensagem e a autoridade do mensageiro. O texto é o fundamento do sermão. O sermão é o texto explicado. O sermão só é legítimo quando se propõe a explicar o texto lido. Muitos pregadores são descuidados na leitura do texto; atropelam-no e leem-no atabalhoadamente, dando a impressão de que o desconhecem ou o desprezam.

2. Explicar o texto das Escrituras (Ne.8:7,8)

Pregar é explicar o texto sagrado. A mensagem é baseada na exegese, ou seja, tirar do texto, o que está no texto. Não podemos impor ao texto nossas ideias, isso é eisegese. Calvino dizia que pregação é a explicação do texto. O púlpito é o trono de onde Deus governa a sua Igreja. O texto governa o pregador. Lutero dizia que existe a Palavra de Deus escrita, a Palavra de Deus encarnada e a Palavra de Deus pregada. Muitos hoje dizem: "Eu já tenho o sermão, só falta o texto". Isso não é pregação. Deus não tem nenhum compromisso com a palavra do pregador, e sim com a Sua Palavra. É a Palavra de Deus que tem a promessa de não voltar vazia e não a palavra do pregador.

3. Aplicar o texto das Escrituras (Ne.8:9-12).

A aplicação do texto é o alvo do sermão. O sermão precisa alcançar o coração dos ouvintes como uma flecha. A mensagem não é só verdadeira, mas também relevante. Para usar uma figura de John Stott, o sermão é uma ponte entre dois mundos - ele liga o texto antigo ao ouvinte contemporâneo. O pregador traz o texto antigo à audiência moderna. O sermão leva a voz de Deus aos ouvintes contemporâneos. O pregador precisa ler o texto e sentir o povo; ele deve pregar não diante da congregação, mas à congregação.

A aplicação num sermão não é simplesmente um apêndice da discussão ou subordinada a ela, mas é a coisa principal a ser feita. Onde começa a aplicação, começa o sermão.

Entretanto, há um grande perigo de heresia na aplicação de um texto; se não o interpretarmos corretamente, vamos aplicá-lo distorcidamente, vamos prometer o que Deus não está prometendo e corrigir quando Deus não está corrigindo. À época de Neemias e Esdras a exposição e a aplicação correta da Palavra de Deus produziram na vida do povo vários resultados preciosos que subsistiram por muito tempo.

IV. RESULTADOS DO ENSINO DA PALAVRA DE DEUS

A Bíblia Sagrada é a revelação de Deus para a humanidade, e esta revelação contém ensinos preciosos e indispensáveis para que o homem viva. O povo de Deus se dispôs a seguir ao Senhor depois que Esdras e Neemias, em cumprimento à própria Lei, ajuntou o povo para ler a Palavra de Deus para o povo. O avivamento foi decorrência direta dessa reunião, em que não só o povo ouviu a leitura da Lei como também teve lições a respeito de seu significado (Ne.8:7,8).

O ensino da Palavra de Deus por Esdras e Neemias atingiu as seguintes áreas vitais da vida do povo (Adaptado do Livro Neemias, de Hernandes Dias Lopes):

1. Atingiu o intelecto do povo (Ne.8:8)

“E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse”.

A pregação foi dirigida à mente. O culto foi racional. Esdras subiu numa plataforma especialmente construída para a ocasião e, ao lado de treze levitas, leu por várias horas o que havia no Livro da Lei de Moisés. O povo demonstrou profundo respeito pela Palavra de Deus, à medida que os levitas, mencionados em Ne.8:7, forneciam explicações sobre o que estava sendo dito (Ne.8:8). Uma vez que o aramaico substituiu o hebraico após o cativeiro, era necessário explicar ao povo muitas palavras hebraicas presente nas Escrituras.

2. Atingiu a emoção do povo (Ne.8:9-12)

Esse fato pode ser provado por duas reações do povo ao ouvir a exposição da Palavra:

a)    A primeira reação foi choro pelo pecado (Ne.8:9). A Palavra de Deus produz quebrantamento, arrependimento e choro pelo pecado. O verdadeiro conhecimento nos leva às lágrimas. Quanto mais perto de Deus você está, mais tem consciência de que é pecador e mais chora pelo pecado. O emocionalismo é inútil, mas a emoção produzida pelo entendimento é parte essencial do povo de Deus. É impossível compreender a verdade sem ser tocado por ela.

b)    A segunda reação foi a alegria da restauração (Ne.8:10). As festas deviam ser celebradas com alegria (Dt.16:11,14). A alegria, como fruto do Espírito, tem três aspectos importantes:

· Uma origem divina. "A alegria do Senhor". Essa não é uma alegria circunstancial, momentânea, sentimental, é a alegria de Deus, indizível e cheia de glória.

· Um conteúdo bendito. Deus não é apenas a origem, mas o conteúdo dessa alegria. O povo regozija-se não apenas por causa de Deus, mas em Deus - Sua graça, Seu amor, Seus dons. É na presença de Deus que há plenitude de alegria.

· Um efeito glorioso - "A alegria do Senhor é a nossa força"(Ne.8:10). Quem conhece essa alegria não olha para trás como a mulher de Ló. Quem bebe da fonte das delícias de Deus não vive cavando cisternas rotas. Quem bebe das delícias de Deus não sente saudades do Egito. Essa alegria é a nossa força. Foi essa alegria que Paulo e Silas sentiram na prisão. Essa é a alegria que os mártires sentiram na hora da morte - era “a alegria do Senhor”. Aleluia!

3. Atingiu o anseio do povo (Ne.8:11,12)

11.E os levitas fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos, porque este dia é santo; por isso, não vos entristeçais.

12.Então, todo o povo se foi a comer, e a beber, e a enviar porções, e a fazer grandes festas, porque entenderam as palavras que lhes fizeram saber.

Isso pode ser conferido por duas decisões tomadas pelo povo depois de ouvir a Palavra:

  • Primeira, obediência a Deus (Ne.8:12). O povo obedeceu à voz de Deus e deixou o choro e começou a regozijar-se.
  • Segunda, solidariedade ao próximo (Ne.8:12). O povo começou não apenas a alegrar-se em Deus, mas a manifestar seu amor ao próximo, enviando porções àqueles que nada tinham. Não podemos separar a dimensão vertical da horizontal no culto.

4. Foi gerado no coração do povo temor a Deus (Ne.9:1-3)

1.E, no dia vinte e quatro deste mês, se ajuntaram os filhos de Israel com jejum e com pano de saco e traziam terra sobre si.

2.E a geração de Israel se apartou de todos os estranhos, e puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados e das iniquidades de seus pais.

3.E, levantando-se no seu posto, leram no livro da Lei do SENHOR, seu Deus, uma quarta parte do dia; e, na outra quarta parte, fizeram confissão; e adoraram o SENHOR, seu Deus.

Como resultado do ensino da Palavra de Deus, o povo confessou os seus pecados, apartou-se de deuses estranhos, adorou ao Senhor seu Deus, e com Ele fez firme concerto (Ne.9:1-3). Foi, na verdade, uma demonstração de grande avivamento espiritual. A Palavra de Deus é poder de Deus (Rm.1:16). Pelo temor a Deus o crente se aparta do mal (Pv.3:7), se desvia do mal (Pv.16:6), e aborrece o mau caminho (Pv.8:13).

CONCLUSÃO

Vimos neste estudo que a leitura, a explicação e a aplicação da Palavra trouxeram choro pelo pecado e alegria de Deus na vida do povo. Vimos também que a liderança se reuniu para aprofundar-se no estudo da Palavra e o resultado foi a restauração da vida religiosa de Jerusalém. Essas reuniões de estudo aconteceram durante 24 dias (Ne.8:1-3,8,13,18; 9:1). Havia fome da Palavra; o estudo e a obediência dela trouxeram um poderoso reavivamento espiritual.

Qualquer movimento espiritual que dispense o estudo das Escrituras Sagradas, que dispense a meditação na Palavra do Senhor, não pode produzir vida espiritual alguma. Para que tenhamos um verdadeiro avivamento, para que nos santifiquemos e nos tornemos fortes espiritualmente, é mister que sejamos iluminados, e a única luz que existe é a Palavra de Deus (Sl.119:105). Portanto, se quisermos Igrejas avivadas, comecemos pela Palavra de Deus; sem ela, não pode haver despertamento espiritual.    

                                                                                                               

segunda-feira, 4 de maio de 2026

A LÂMPADA ARDERÁ CONTINUAMENTE NO ALTAR


A LÂMPADA ARDERÁ CONTINUAMENTE NO ALTAR

Texto Bíblico: Levítico 24:1-4

 “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12).

A passagem de João 8:12 é uma das declarações mais profundas e emblemáticas de Jesus, conhecida como um dos sete "Eu Sou" do Evangelho de João. Para compreender a profundidade desse ensino, é interessante analisar tanto o contexto histórico quanto o significado prático dessa promessa.

1. O Contexto Histórico: A Festa dos Tabernáculos

Jesus proferiu essas palavras provavelmente durante a Festa dos Tabernáculos (Sucot), em Jerusalém. Durante essa celebração, quatro grandes candelabros de ouro eram acesos no Pátio das Mulheres no Templo, iluminando toda a cidade durante a noite.

  • O Simbolismo: Ao dizer "Eu sou a luz do mundo" nesse cenário, Jesus estava afirmando que Ele era a realidade espiritual que aqueles candelabros apenas simbolizavam. Ele não era apenas uma luz para Israel, mas para a humanidade inteira.

2. A Função da Luz

Na Bíblia, a metáfora da luz carrega três funções principais que Jesus cumpre:

  • Revelação: A luz expõe o que está escondido. Jesus revela a verdadeira natureza de Deus e a real condição do coração humano.
  • Direção: Em um mundo confuso, a luz mostra o caminho. "Quem me segue não andará em trevas" significa ter clareza moral e espiritual para tomar decisões.
  • Vida: Fisicamente, sem luz não há vida (fotossíntese). Espiritualmente, Jesus afirma ser a fonte da "luz da vida", essencial para a existência eterna.

3. A Condição: "Quem me segue"

A promessa de não andar em trevas não é automática; ela está condicionada ao ato de seguir.

  • Seguir a Jesus no grego bíblico (akoloutheo) implica um compromisso contínuo, como um soldado que segue seu capitão ou um discípulo que imita seu mestre.
  • As "trevas" mencionadas representam não apenas o pecado, mas a ignorância espiritual, o vazio e o desespero de viver sem um propósito divino.

Reflexão Prática

Viver sob a "Luz do Mundo" traz implicações para o dia a dia:

  1. Segurança nas Escolhas: Quando pautamos nossos negócios, relacionamentos e ética nos ensinos de Jesus, as "sombras" da incerteza diminuem.
  2. Identidade: A luz de Cristo remove as máscaras e nos permite ver quem realmente somos e quem fomos chamados para ser.
  3. Responsabilidade: Mais adiante, no Sermão do Monte, Jesus diz aos seus seguidores: "Vós sois a luz do mundo". Isso significa que, ao recebermos a luz d'Ele, passamos a refleti-la para aqueles que ainda estão em situações de "trevas" (sofrimento, injustiça ou falta de fé).

Essa declaração é, acima de tudo, um convite para sair da confusão e encontrar um caminho de clareza e paz duradoura.

INTRODUÇÃO

Neste Estudo falaremos a respeito do significado de um dos objetos de maior destaque do Tabernáculo: o Candelabro de sete hastes. Era de maior destaque por ser todo de ouro batido e pela luz que emitia de forma contínua. Ficava no lado esquerdo de quem entrava no Santuário. Tinha sete lâmpadas. Ele simbolizava o povo de Deus, Israel. Ensinava que Israel devia ser “luz dos gentios” (Is.49:6; 60:1-3; Rm.2:19), dando testemunho ao mundo por meio de uma vida santa e da mensagem proclamada do Senhor. Israel havia sido escolhido por Deus para testemunhar o único criador de todas as coisas. O povo não podia deixar de representar esse reino divino um dia sequer. Por isso, a luz do Candelabro não podia se apagar. O Candelabro, também, prefigura a Igreja de Jesus Cristo (Ap.1:20). Assim como o tronco do candelabro unia os sete braços e suas lâmpadas, assim também Jesus Cristo está no meio de suas igrejas e as une. Embora as igrejas locais sejam muitas, constituem uma só Igreja em Cristo (Hb.12:23). Hoje, pela fé em Jesus Cristo, fomos feitos reis e sacerdotes e temos a responsabilidade de ser “luz do mundo” (Mt.5:14).

I. O CANDELABRO DE OURO



O Candelabro (hb. menorah) era uma peça sólida fabricada em ouro puro, contendo sete hastes, cada uma terminando em um cálice com pavio para queimar óleo. As sete lâmpadas formavam uma única lâmpada, e em alusão a isto o bendito Espírito da graça é representado por sete lâmpadas de fogo diante do trono (Ap.4:5).

A localização do Candelabro no Lugar Santo do Tabernáculo ficava no lado esquerdo, para quem entrava no Lugar Santo, defronte da mesa dos pães asmos da proposição (Êx.40:24) - “Pôs também na tenda da congregação o castiçal defronte da mesa, ao lado do tabernáculo para o sul”. Esta posição foi uma ordenança do Senhor (Nm.8:2,3). Nessa posição, o candelabro, plenamente aceso, proporcionava uma visão única e emblemática da glória de Deus. A luz brilhava sobre a “área na frente do candelabro”, iluminando assim o Lugar Santo, que continha também o Altar de Ouro para incenso. Se por um lado, lembrava o próprio Cristo, por outro, fazia uma clara referência à Jerusalém Celeste (Ap.1:12,13; 21:23,24).

As lâmpadas do Candelabro precisavam ficar acessas continuamente, e para isso o povo tinha que fornecer o azeite, o combustível que alimentava as chamas. Era necessário encher o candelabro com azeite puro de oliveira a fim de que ardesse e iluminasse ao seu redor. O azeite é símbolo do Espirito Santo. Se o crente não tem a presença e o poder do Espírito em sua vida, não será uma boa testemunha.

Todos os dias um sacerdote trazia azeite fresco para o Candelabro, de modo que a luz ardesse desde a tarde até o amanhecer (Ex.27:20,21). Do mesmo modo o crente necessita receber todos os dias o azeite do Espirito Santo (Sl.92:10) para que sua luz brilhe diante dos que andam na escuridão espiritual. Se a Igreja de Cristo vier a perder o seu fulgor, que diferença haverá entre nós e o mundo? É chegada a hora, pois, de mantermos nossas lâmpadas acesas, pois o Cordeiro de Deus anda por entre os candelabros, exigindo, de cada um de nós, perfeito brilho (Ap.1:13).

1. O fabrico do Candelabro. O fabrico desse emblemático objeto foi ordenado por Deus (Êx.25:31-40). O Senhor ordenou que fabricasse um Candelabro e o colocasse no Santuário, com azeite para garantir a luz das lâmpadas (Êz.25:6), a fim de mostrar ao povo de Israel que este fora separado para exercer a função profética, sacerdotal e real no mundo. Era plano de Deus que, por intermédio dos israelitas, todos os povos viessem a ser abençoados com a vinda do Messias, Jesus Cristo. Veja a ordenança de Deus:

31. Também farás um castiçal de ouro puro; de ouro batido se fará este castiçal; o seu pé, as suas canas, as suas copas, as suas maçãs e as suas flores serão do mesmo.

32. E dos seus lados sairão seis canas: três canas do castiçal de um lado dele e três canas do castiçal do outro lado dele.

33. Numa cana haverá três copos a modo de amêndoas, uma maçã e uma flor; e três copos a modo de amêndoas na outra cana, uma maçã e uma flor; assim serão as seis canas que saem do castiçal.

34. Mas no castiçal mesmo haverá quatro copos a modo de amêndoas, com suas maçãs e com suas flores;

35. e uma maçã debaixo de duas canas que saem dele; e ainda uma maçã debaixo de duas outras canas que saem dele; e ainda mais uma maçã debaixo de duas outras canas que saem dele: assim se fará com as seis canas que saem do castiçal.

36. As suas maçãs e as suas canas serão do mesmo; tudo será de uma só peça, obra batida de ouro puro.

37. Também lhe farás sete lâmpadas, as quais se acenderão para alumiar defronte dele.

38. Os seus espevitadores e os seus apagadores serão de ouro puro.

39. De um talento de ouro puro os farás, com todos estes utensílios.

40. Atenta, pois, que o faças conforme o seu modelo, que te foi mostrado no monte.

A fabricação do Candelabro, conforme o modelo que o Senhor Jeová revelou a Moisés (Êx.25:9,40; 39:43), foi feita sob a supervisão de Bezaleel, da tribo de Judá (Êx.31:2), e Aoliabe, da tribo de Dã (Êx.31:6). Esse objeto sagrado foi de tal forma trabalhado, que formava uma só peça com o seu pedestal, hastes, cálices, maçanetas e flores. Toda a peça era rigorosamente simétrica e harmônica para que a luz brilhasse com intensidade e a perfeição que Deus requeria, tal como deve ser a luz que os filhos de Deus devem brilhar neste mundo (Mt.5:16).

2. A Luz do Candelabro. Por si só o Candelabro não tinha o seu significado pleno, mas quando as lâmpadas fossem acesas o seu real significado viria a ter a devida evidência e importância. As lâmpadas acesas representavam a presença contínua de Deus entre o seu povo (Jr.25:10; Ap.21:22-26). A congregação e Israel devia ter abundante luz, vida e presença de Deus.

Mas, para que as lâmpadas fossem acessas era necessário combustível, azeite. O Senhor ordenou que a congregação levasse o azeite para as lâmpadas. E assim foi trazido, voluntária e generosamente, pela congregação de Israel (Êx.25:6). Note que as lâmpadas não podiam continuar a arder sem a cooperação e a obediência do povo.

“E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Ordena aos filhos de Israel que te tragam azeite de oliveira, puro, batido, para a luminária, para acender as lâmpadas continuamente. Arão as porá em ordem perante o SENHOR continuamente, desde a tarde até à manhã, fora do véu do Testemunho, na tenda da congregação; estatuto perpétuo é pelas vossas gerações. Sobre o castiçal puro porá em ordem as lâmpadas perante o SENHOR continuamente” (Lv.24:1-4).

O azeite do Candelabro tinha que ser puro, conforme modelo especificado pelo Senhor Jeová. O "azeite puro" representa a graça do Espírito Santo, baseada na obra de Cristo, representada por sua vez pelo Candelabro de "ouro batido".

Observe que o azeite puro de oliveira era batido em vez de ser moído em moinho – “Tu, pois, ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras, batido, para o candeeiro, para fazer arder as lâmpadas continuamente” (Êx.27:20).

O azeite mais puro que dava melhor queima era obtido por este método, usando azeitonas selecionadas antes de amadurecer. Este procedimento exigia mais cuidados que o processo habitual; o azeite é amplamente considerado tipo do Espírito Santo.

A "azeitona" era batida para dar o "azeite", e o ouro era "batido" para formar o castiçal. Por outras palavras, a graça e luz do Espírito estão baseadas na morte de Cristo e mantidas, com clareza e poder, pelo sacerdócio de Cristo.

O azeite puro era para fazer arder as lâmpadas continuamente. Não significava dia e noite, visto que as lâmpadas eram acesas à tarde (Êx.30:8; 1Sm.3:3). Este fogo tinha de estar aceso sempre pela noite inteira. Que simbologia extraímos daqui? Jesus requer de cada um de nós uma luz de comprovada excelência (Mt.6:23). Luz de comprovada excelência é aquela que glorifica o Pai que está nos céus. Jesus disse: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus”. Nós somos a luz do mundo (Mt.5:14), que herdamos do próprio Jesus (João 9:5).

A lâmpada de ouro espalhava a sua luz em todo o recinto do santuário, durante as tristes horas da noite, quando as trevas cobriam toda a nação e todos estavam envolvidos no sono. Em tudo isto temos uma intensa representação da fidelidade de Deus para com o Seu povo, qualquer que pudesse ser a sua condição exterior. As trevas e a sonolência podiam esten­der-se sobre eles, mas a lâmpada devia arder "continuamente".

O sumo sacerdote tinha a responsabilidade de velar para que a luz do testemunho ardesse durante as horas enfadonhas da noite - "Arão as porá em ordem perante o SENHOR continuamente, desde a tarde até à manhã, fora do véu do Testemunho, na tenda da congregação" (Lv.24:3).

Veja que a conservação da luz do Candelabro não dependia de Israel. Deus havia ordena­do alguém cujo dever era velar por ela e pô-la em ordem continu­amente. À luz do dia, Arão limpava o Candelabro e provia-o de azeite; e, quando a noite chegava, ele já estava pronto a reluzir novamente. Portanto, para que a luz perdurasse, era imperioso que Arão e seus filhos cuidasse diariamente do Candelabro.

 “Na tenda da congregação fora do véu, que está diante do Testemunho, Arão e seus filhos as porão em ordem, desde a tarde até pela manhã, perante o SENHOR” (Ex.27:21).

Tal é o trabalho dos ministros do Evangelho na Nova Aliança; eles devem manter a Luz de Deus brilhando continuamente; eles devem apresentar a Palavra de vida, não deve acender novas lâmpadas, mas expor e pregar a Palavra, tornando a sua Luz mais Clara e abrangente. Não somente os ministros, mas todos os sacerdotes da Nova Aliança (1Pd.2:9) devemos agir em relação ao mundo. Só viremos a reluzir se nos dermos à leitura da Bíblia Sagrada, à oração, ao jejum à comunhão dos santos e ao serviço cristão.

Observe que para manter a luz brilhando continuamente, era preciso: (a) o trabalho do povo: a preparação (Êx.27:20a); (b) o trabalho dos ministros: a perpetuação (Êx.27:21); (c) o trabalho do Espírito Santo: a iluminação (Êx.27:20b).

II. JESUS, A LUZ ETERNA E PERFEITA



O Candelabro de ouro apontava para Jesus Cristo, a luz eterna e perfeita, mas também simboliza a sua Igreja e cada um de nós.

1. Jesus, a Luz do mundo. De todos os seres vivos do planeta, pouquíssimos são os que podem viver sem luz. Para o ser humano a luz é crucial. Espiritualmente, milhões de pessoas vivem imersas em verdadeira escuridão espiritual. Por isso Jesus disse as palavras de João 8:12: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida”.

- Jesus é a Luz do mundo. Ao se declarar como sendo a própria luz, Jesus estava reivindicando a Sua própria divindade. Na Bíblia, o termo “luz” simboliza a santidade de Deus (cf. Salmo 27:1; 36:9; Atos 9:3; 1João 1:5). Como luz, Jesus ilumina a verdade, dá às pessoas o entendimento espiritual, nos revela o próprio Deus- e aquilo que Ele tem feito por nós.

- Jesus é a Luz do mundo. Afirmando ser a Luz do mundo, Jesus definiu a sua posição incomparável como a única luz verdadeira para todas as pessoas, não apenas para os judeus (Is.49:6). Ele veio a este mundo exatamente para iluminar as regiões da sombra e morte (Is.9:2). A morte traz trevas eternas, porém, seguir Jesus significa não tropeçar nas trevas, e sim, ter a luz que conduz à vida. Os crentes não andam mais cegamente em pecado; em vez disso, a luz de Jesus mostra o pecado e a necessidade de perdão; traz direção e conduz cada um de nós à vida eterna com Ele.

- Jesus é a Luz do mundo. Sem Jesus, o mundo está mergulhado em densas trevas. Sem Jesus, prevalece a ignorância espiritual. Sem Jesus, as pessoas estão cegas e não sabem para onde vão. Sem Jesus, as pessoas estão perdidas, confusas e sem rumo. Sem Jesus, as pessoas caminham para as trevas eternas.

- Jesus é a Luz do mundo. Ele é o único que pode trazer salvação para este mundo amaldiçoado pelo pecado. Para as trevas da falsidade, Ele é a luz da verdade; para as trevas da ignorância, Ele é a luz da sabedoria; paras as trevas do pecado, Ele é a luz da santidade; para as trevas do sofrimento, Ele é a luz da alegria; e para as trevas da morte, Ele é a luz da vida.

A Luz, portanto, está intimamente ligada à vida. João afirmou: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (João 1:4). Rejeitar a luz é recusar a vida, é morrer. Naturalmente, nós fomos feitos para a vida, para a luz; só existimos sob o sol. Nossos olhos foram feitos para a luz; sem ela, eles são inúteis; se não se abrem à luz, ficam cegos. A noite é somente o manto que o sol estende sobre nós para que repousemos, enquanto ele nos vigia e acalanta com a luz das estrelas, acordando-nos ao amanhecer, para dele nos alimentarmos. Não fomos feitos para viver num constante sono, às escuras. Somos como as plantas, que precisam da luz para realizar a fotossíntese. Portanto, sem a luz não há vida; sem Jesus não há vida. Jesus é categórico em afirmar que aqueles que o seguem não andarão em trevas (João 8:12b), mas terão a luz da vida. A vida com Jesus é uma jornada na luz da verdade, na luz da santidade e na luz da mais completa felicidade.

2. A Igreja é a luz do mundo.  A Igreja de Cristo é a luz do mundo, ela resplandece no mundo; Ela herdou do Senhor Jesus a responsabilidade de brilhar no mundo como luz do Senhor. Segundo o apóstolo Paulo, nós resplandecemos "como astros no mundo" (Fp.2:15). Assim, somos herdeiros do nosso Senhor para iluminar o mundo.

O apóstolo João, em sua visão do Cristo glorificado, viu Jesus andando livremente entre os candelabros – “E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; e, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do Homem, vestido até aos pés de uma veste comprida e cingido pelo peito com um cinto de ouro” (Ap.1:12,13).

Observe que antes de ver o Noivo, Jesus, em seu fulgor e majestade, João viu a Noiva, a Igreja; ele a vê como a luz do mundo (Ap.1:12); antes de ter a visão do Cristo exaltado, João teve a visão da Igreja. Isso significa que ninguém verá a Jesus em glória senão por meio da sua Igreja aqui na terra. O mundo vê Cristo através da Igreja e no meio da Igreja.

Você precisa da Igreja. O que é a Igreja? Ela é a luz do mundo. Por isso, ela é comparada a candelabro (castiçais), a sete candelabros (Ap.1:20), que tem o dever de refletir luz. Se uma lâmpada do candelabro deixar de proporcionar luz ela será afastada (Ap.2:5).

A luz da Igreja é emprestada ou refletida, como a da lua. Se as lâmpadas têm de luzir, elas devem permanecer na presença de Cristo. Cristo está não apenas entre as igrejas, mas as têm em suas próprias mãos; Ele tem o controle total de tudo.

A figura do Candelabro, portanto, é um símbolo incomum para representar o caráter sobrenatural da Igreja, seja através dos seus membros, seja através dos seus líderes, as estrelas (Ap.1:20). Na descrição do apóstolo, observamos que somente a luz do Cordeiro é capaz de levar os castiçais a refulgirem.

 

3. O crente como luz do mundo. Jesus disse: “Vós sois a luz do mundo...” (Mt.5:14). Veja que o Senhor Jesus declarou ser Ele próprio a Luz do mundo enquanto estava no mundo – “enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (João 9:5). Ele quis dizer que, depois de Sua ascensão, os discípulos seriam a luz do mundo ao refletir a Sua luz.

Assim como Jesus Cristo é a Luz do mundo, os seus seguidores devem refletir a Sua Luz. Nós recebemos dele essa luz para alumiarmos o mundo. Os seguidores de Jesus não devem tentar ocultar a sua luminosidade, como se tivessem acendido uma lâmpada para depois escondê-la; não “se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa” (Mt.5:15). Ser discípulo de Cristo significa difundir luz a todos aqueles com quem tivermos contato.

Mediante o comportamento e testemunho. O crente não pode esconder a sua luz, mas deve irradiar a luz do Evangelho mediante o seu comportamento e testemunho aos que se encontram ao seu redor. A finalidade disto não é granjear agradecimentos e louvor para si, mas fazer com que o seu Pai que está nos céus seja glorificado por aqueles que veem as boas coisas que ele faz, sendo assim por sua vez iluminados pelo Evangelho de Cristo. Jesus disse: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens...” (Mt.1:16). Assim como a luz brilha a partir de um pedestal, os discípulos de Cristo devem deixar sua luz brilhar perante os outros “... para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt.5:16). Jesus deixou bem claro que não haveria nenhum erro quanto à fonte das boas obras de um crente. A luz do crente não brilha para ele mesmo; essa luz deve ser refletida em direção ao Pai, levando as pessoas a Ele.

Somos exortados a brilhar não somente como um candelabro, mas como verdadeiros astros (Fp.2:15). O crente brilha pelo Senhor Jesus, tendo em si a luz do Evangelho, da qual dá testemunho aos que o rodeiam. Veja o exemplo de Estêvão; a sua luz brilhou de tal forma, que os seus algozes lhe viram o rosto como se fosse a face de um anjo (At.6:15). Apesar de apedrejado, o seu testemunho ainda hoje reluz, legando-nos um exemplo de pureza, fé e coragem.

Portanto, ser Luz do mundo significa:

 - Iluminar o mundo. Ou seja, fazer resplandecer a luz do Evangelho de Cristo (2Co.4:4), o que somente se faz quando praticamos a verdade, quando temos um comportamento de total submissão às Escrituras (2Co.4:2). Quando vivemos conforme a Palavra de Deus, os homens veem que estamos na luz e identificam que somos filhos de Deus e, por isso, glorificam ao nosso Pai que está nos céus, pois sabem que nossas obras são boas (Mt.5:16).

- Ter comunhão com Deus. O que significa viver sem pecar e, se pecarmos por acidente, pedirmos imediatamente perdão a Deus e a quem ofendermos, como também termos comunhão uns com os outros, com a “família de Deus” (Ef.2:19), pois só assim teremos condição de estar debaixo do poder purificador do sangue de Cristo (1João 1:5-7).

- Amar o próximo como a si mesmo. Não é apenas dizer que amamos, mas tomarmos atitudes reais que demonstram o nosso amor pelo outro (1João 3:17-19), guardando, assim, os mandamentos do Senhor (1João 3:24).

- Trazer calor para o mundo. A luz também produz calor e é necessário que o cristão traga, ao mundo, fervor espiritual (Rm.12:11). Para termos fervor espiritual, faz-se mister que vivamos uma vida de santificação, de oração e de jejum, para que sejamos vasos de honra na casa do Senhor e nossas palavras possam “ferver”, atingindo os corações (Sl.45:1). Uma vida de separação do pecado é indispensável para que tenhamos “fervor”, que não se confunde com “barulho” nem tampouco com “emocionalismo” ou “movimentos carnais”.

- Produzir ânimo. O cristão verdadeiro traz ânimo e estimula os demais a buscar a Deus, a temer a Deus. O verdadeiro cristão é um dínamo, uma testemunha de Cristo que, revestida de poder, leva multidões aos pés do Senhor com o seu exemplo (1Pd.2:21). Quando o cristão vive uma vida de sinceridade, todos que estão à sua volta percebem a sua condição de santo homem de Deus (2Rs.4:9) e, por isso, passam a desejar a sua companhia, ainda que inconscientemente, pois todo homem tem dentro de si um vazio do tamanho de Deus. Muitas vidas têm se rendido a Cristo por causa do testemunho da “luz do mundo”, que está a brilhar pelo mundo afora (Fp.2:15).

III. MANTENDO A LUZ BRILHANDO CONTINUAMENTE



“A fim de que a nossa luz brilhe continuamente, mantenhamos estas três coisas básicas: nossa união com Cristo, nossa comunhão fraternal e nosso testemunho diário”.

1. Nossa união com Cristo. Para reluzirmos como luz do mundo, nossa união com Cristo é imprescindível. Mas como saber que temos união com Cristo? Somente através de sinais visíveis e sensíveis, que não deixa margem a dúvidas, comprovamos se uma pessoa vive, ou não, uma vida de União com Cristo. Se nossas palavras conferem com nossas obras, ou atos; se o nosso testemunho pessoal é compatível com o viver em Cristo e para Cristo, então há um grande indício de que temos união com Cristo. Não basta apenas dizermos, com palavras, que somos cristãos, ou que somos crentes, precisamos através de nosso testemunho, ou da nossa maneira de viver, tornar visíveis as evidências da nossa união com Cristo.

É a nossa união com Cristo que nos mantém salvos (João 15:4,10). E essa união não consiste numa simples relação afetiva com Jesus, mas numa inserção integral no Ser divino (João 15:5,6).

“Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem”.

Portanto:

- Tornar-se evangélico não é uma evidência de união com Cristo. Na igreja de Antioquia, as evidências da união com Cristo eram comprovadas pela mudança de vida que as pessoas podiam constatar na vida dos então chamados crentes ou cristãos. A denominação que se dava não era evangélica, mas cristãos: “... e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (Atos 11:26). Isto aconteceu por causa das evidências da união com Cristo que havia na vida daqueles irmãos.

- O batismo nas águas não é uma evidência da nossa união com Cristo. O batismo nas águas é um ato material e visível, realizado pelo pastor. Por ele o homem adquire o direito de ser membro de uma igreja evangélica, mas, não o direito ou privilégio de ser membro do corpo de Cristo, que é a igreja triunfante -” A universal assembleia e Igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hb.12:23). Nesta Igreja só se entra através do Novo Nascimento, e este só se torna possível quando o homem crê no evangelho de Cristo. Portanto, qualquer pessoa que tenha sido atraída por promessas materiais, ou que tenha sido convencida por argumento humano, vindo a passar pelo batismo nas águas, este não terá nenhum valor, não serve como evidência de nossa união com Cristo.

- O batismo no Espírito Santo não é uma evidência de nossa união com Cristo. Talvez esta afirmação “apriori” assuste alguém. É evidente que o batismo no Espírito Santo, genuinamente bíblico, é uma promessa para os salvos, conforme Pedro afirmou em Jerusalém no dia de Pentecostes (Atos 2:38), mas, se o crente que foi batizado com o Espírito Santo não soube conservar a santidade de seu corpo, mas entregou-se ao pecado, deixou de ser o templo e a morada do Espírito Santo, conforme João 14:23 e 1Co.3:16. Desta feita, o fato de ter sido batizado no Espírito Santo não é uma evidência de estar em união com Cristo. Veja o caso de Demas, cooperador de Paulo: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século...” (2Tm.4:10.

- Prosperidade, riquezas materiais, saúde física não são evidências da nossa união com Cristo. As grandes fortunas do mundo ou de nossa cidade não estão nas mãos dos filhos de Deus, dos crentes fiéis, mas estão nas mãos de pessoas que pecam contra Deus de forma deliberada. Assim, para o crente fiel, o importante não é o que tem agora, mas, o que ele terá no futuro. Portanto, todos os sinais de prosperidade, de riquezas, de saúde física, visíveis nos pecadores, não são evidências de que estão em união com Cristo.

“...porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lc.12:15); “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co.15:19).

Devemos ser semelhantes a um candelabro que, para manter uma iluminação contínua, é preciso que suas hastes conduzam o azeite para iluminação de forma ininterrupta. Bem diz o Pr. Claudionor de Andrade: “Jesus é a “oliveira”, na qual fomos enxertados (Rm.11:17-24). Unidos a Ele, jamais nos faltará o precioso azeite, para vivermos uma vida plena e vitoriosa” (1João 2:20).

2. Nossa comunhão fraternal. A” Comunhão” é a principal característica da Igreja. É a sua marca perante a humanidade, a característica indispensável para que o Senhor possa realizar a sua obra através do seu povo. Pela comunhão, a Igreja mostra-se como um povo perante os demais seres humanos e, graças a ela, pode cumprir todas as tarefas determinadas a ela.

Argumenta o Pr. Claudionor de Andrade: “o candelabro, embora se destacasse por seus ricos e variados detalhes, formava uma única peça (Êx.25:31). O mesmo podemos dizer da Igreja de Cristo. Embora formada por membros de várias procedências e origens, constitui um único corpo (1Co.12:13). Agora, todos somos um em Cristo” (Rm.12:5).

Portanto, só existe um corpo de Cristo, uma Igreja, um rebanho, uma Noiva. Todos aqueles que nasceram de novo e foram lavados no sangue do Cordeiro fazem parte dessa bendita família de Deus. Esta unidade é construída sobre o fundamento da verdade (Ef.4:1-6). Esta unidade não é externa, mas interna. Ela não é unidade denominacional, mas espiritual. Por isso, a tendência ecumênica de unir todas as religiões, afirmando que doutrina divide enquanto o amor une é uma falácia. Não há unidade cristã fora da Verdade.

A Igreja não é um clube de amigos ou uma associação humana secular, também não é uma empresa; é o conjunto ou comunhão dos redimidos em Cristo, que compartilham da “unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef.4:3); é o corpo místico de Cristo, e cada crente em particular é membro desse corpo glorioso (1Co.12:12,13). Se os membros desse corpo se amarem como Cristo recomenda, serão conhecidos como seus discípulos (João 13:35) – “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.

Uma vez que o crente é Templo e habitação do Espírito de Deus (João 14:16,17; Rm.8:14; 1Co.3:16; 6:19), somos todos “um só corpo” (Ef.4:4), servindo e amando a “um só Senhor”, compartilhando de “uma só fé”, “um só batismo”, “uma só esperança”, “um só Deus e Pai de todos” (Ef.4:5,6). Uma igreja unificada é uma fortaleza extraordinária contra qualquer inimigo.

Portanto, como o Candelabro de sete lâmpadas, a Igreja de Cristo deve ser reconhecida por sua unidade, por seu amor fraternal e por sua comunhão no Espírito Santo (2Co.13:13). Não há luz tão intensa como a comunhão cristã. Guardemos, pois, a “unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.

3. Nosso testemunho diário. O testemunho de uma vida transformada muitas vezes fala mais alto que as palavras ditas na pregação do evangelho. Os descrentes não leem a Bíblia, senão no testemunho dos crentes. Pedro orienta que as mulheres ganhem seus maridos pelo seu procedimento (1Pd.3:1,2).

No princípio da Igreja os crentes tinham um testemunho tal que as pessoas não ousavam se aproximar e se misturar com eles (cf. At.5:13); pela sua vida de santidade, pela sua comunhão com o Senhor, geravam temor, respeito e estima entre os incrédulos. Isto também já presenciamos décadas atrás na nossa sociedade em relação à igreja evangélica brasileira. Infelizmente, nos últimos tempos, não há mais isto em nosso meio. Pelo contrário, não são poucos os crentes que fazem questão de se parecer com os incrédulos; não são poucos os crentes que querem se envolver, se misturar com os incrédulos, de tal maneira que já não é tão fácil identificar uma pessoa que se diz crente da que não é. Não estou aqui falando de aparência, de vestimenta ou de coisas semelhantes, mas de algo muito mais profundo: de uma espiritualidade diversa.

Segundo Paulo, o testemunho do cristão deve ser confirmado pela sua maneira de andar e pelo seu falar - “Andai com sabedoria para com os que estão de fora... A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal...”. Fica claro que o crente não pode separar o que ele faz daquilo que ele é. Não tendo uma maneira de andar conforme deve andar um seguidor de Jesus, então, também, não pode falar que é um crente em Jesus. Conta-se que um “crente” estava falando de Jesus e de sua Palavra. Uma pessoa que o conhecia, disse-lhe: “O que você faz fala tão alto que eu não consigo ouvir o que você diz”. Assim, para poder dizer que é um discípulo de Jesus, para poder dar o seu testemunho de crente, para que a sua luz continue brilhando é preciso viver como um discípulo de Cristo e andar como Ele andou.

É bastante audível a exortação de Pedro: “Tendo o vosso viver honesto entre os gentios, para que naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no Dia da visitação, pelas boas obras que em vós observe” (1Pd.2:12).

Tem você vivido como cristão? Como está o seu testemunho como salvo? Pode o mundo ver a luz de Cristo sendo refletida por você cotidianamente? Se o nosso testemunho diário está intimamente relacionado à luz de Cristo, então nosso candelabro cumpre fielmente a sua missão: ser luz do mundo (Mt.5:14).

O Candelabro era adornado por figuras de amendoeiras, nas quais brotavam a luz gloriosa (Êx.25:33). Isto nos faz lembrar a visão de Jeremias. Deus mostrou ao profeta Jeremias “uma vara de amendoeira” (Jr.1:11,12), e “vara”, como sabemos, indica orientação, direção, julgamento. A Palavra de Deus é um guia para o homem, é a seta que indica a Cristo, o Caminho que conduz à vida eterna. O salmista exalta a Palavra como uma lâmpada: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (Sl.119:105). A Palavra aponta qual deve ser o Caminho a andar. No entanto, a Palavra é “uma vara de amendoeira”, ou seja, ela nos julgará pela decisão que tomamos em relação a ela, um julgamento que é, como a amendoeira, pronto, prioritário e que não poderá ser impedido por ninguém – “Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras já têm quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último Dia” (João 12:48).

CONCLUSÃO

Ao herdarmos de nosso Senhor a incumbência de ser Luz deste mundo não podemos deixá-la que se apague. Devemos mantê-la brilhando continuamente. Isto só é possível estando em Cristo, vivendo uma comunhão verdadeira com Ele. O que nos mantém em comunhão com o Senhor é: a santificação contínua e incessante, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb.12:14); a obediência à Palavra do Senhor, porque ela é Lâmpada para os nós pês, e luz para o nosso caminho. Seguindo os seus ditames não erraremos o alvo. Como está a nossa lâmpada? Está brilhando intensamente e continuamente neste mundo tenebroso? Então tem azeite, tem o Espírito Santo. Continuemos, pois, sempre assim, porque Jesus anda por entre os candelabros, supervisionando-os, e quem não estiver brilhando Ele remove (Ap.2:5). Que as nossas vestes estejam sempre alvas e que nunca falte azeite, ou seja, o Espírito Santo, em nossa vida.

 


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