DEUS
RESTAURA JÓ
Após passar por uma série de provações severas — nas quais perdeu seus bens, seus dez filhos e sua saúde, além de enfrentar a incompreensão de sua esposa e as acusações injustas de seus amigos —, Jó não abandonou sua fé, embora tenha questionado profundamente a Deus e expressado sua dor.
O Ponto
de Virada: A Intercessão
Um
aspecto central da restauração de Jó é o momento em que ela ocorre. De acordo
com o relato bíblico, o "cativeiro" de Jó foi revertido quando ele
orou pelos seus amigos.
- O Perdão como Chave: Ao
deixar de se defender das acusações e passar a interceder por aqueles que
o julgaram, Jó demonstrou um espírito de perdão e humildade. Esse ato de
intercessão sinalizou um rompimento com a mágoa e a autojustificação,
abrindo caminho para que sua cura e restauração fossem plenamente
realizadas por Deus.
A
Natureza da Restauração
A
restauração de Jó não foi apenas um retorno ao que ele tinha antes, mas uma
renovação completa de sua vida:
- Restituição Material: Deus
lhe deu o dobro de tudo o que ele possuía anteriormente.
- Família: Ele
teve outros dez filhos (sete homens e três mulheres), sendo suas filhas
mencionadas como as mais belas daquela terra.
- Dignidade e Saúde:
Sua saúde foi restaurada e ele viveu mais 140 anos, podendo ver até a
quarta geração de seus descendentes.
- Transformação Espiritual:
Talvez o aspecto mais profundo da restauração tenha sido a mudança na
percepção de Jó sobre Deus. Ele declara: "Antes
eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem"
(Jó 42:5). A restauração, portanto, consolidou um relacionamento
muito mais íntimo e profundo com o Criador do que ele possuía antes de
suas provações.
Lições
Principais
- O Sofrimento não é o fim: A
trajetória de Jó ensina que, para o fiel, o sofrimento pode ser um
instrumento de refinamento da fé e de crescimento espiritual, e não
necessariamente um sinal de abandono divino.
- Soberania de Deus: O
relato reforça que os planos de Deus são soberanos e que, mesmo quando não
compreendemos o propósito de nossas aflições, a confiança e a perseverança
mantêm a conexão com o divino.
- A Força da Intercessão: O
ato de perdoar e orar por aqueles que nos feriram é visto como um passo
fundamental para o processo de cura emocional e restauração pessoal.
1.1 SINCERO, RETO E TEMENTE A DEUS; E DESVIAVA-SE DO MAL. (1) O temor de
DEUS e o desviar-se do mal são o fundamento da vida irrepreensível e da retidão
de Jó (cf. Pv 1.7). "Sincero" refere-se à integridade moral de Jó e à
sua sincera dedicação a DEUS; "reto" denota retidão nas palavras, nos
pensamentos e atos. (2) Esta declaração da retidão de Jó é reafirmada pelo
próprio DEUS no versículo 8 e em 2.3 onde, claramente, se vê que DEUS, pela sua
graça, pode redimir os seres humanos caídos, e torná-los genuinamente bons,
retos e vitoriosos sobre o pecado. Esta declaração envergonha e expõe os erros
do ensino evangélico modernista, o qual afirma que: (a) nenhum crente em
CRISTO, mesmo com toda assistência do ESPÍRITO SANTO, pode ter a mínima
esperança de ser irrepreensível e reto nesta vida; e (b) os crentes podem estar
certos de que pecarão todos os dias, por palavras, pensamentos e obras, sem
nenhuma esperança de vencer a carne nesta vida.
1.5 MEUS FILHOS. Como pai piedoso, Jó tinha muito zelo pelo bem-estar espiritual de seus filhos. Vivia atento à conduta e modo de vida deles, orando a DEUS para que os protegesse do mal e que experimentassem da parte de DEUS a salvação e suas bênçãos. Jó exemplifica o pai de coração voltado para os filhos, dedicando-lhes tempo e atenção necessários para mantê-los afastados do pecado (ver Lc 1.17)
1.6,7 SATANÁS. Antes da morte e da ressurreição de CRISTO,
Satanás tinha acesso vez por outra à presença de DEUS, quando então questionava
a sinceridade e retidão dos fiéis (ver 1.6-12; 2.1-6; 38.7; Ap 12.10). Por
outro lado, a Bíblia não declara em nenhum lugar que Satanás tem acesso direto
a DEUS na nova aliança (ver Mt 4.10), embora ele continue acusando os crentes.
O crente pode eliminar essas acusações por meio do sangue de CRISTO, de uma boa
consciência e da Palavra de DEUS (cf. Mt 4.3-11; Tg 4.7; Ap 12.11). Nossa confiança
é reforçada pelo fato de termos como nosso Advogado perante o Pai o Senhor
JESUS CRISTO (1 Jo 2.1), que está à sua destra, intercedendo por nós (Hb 7.25).
1.8 OBSERVASTE TU A MEU SERVO JÓ? A essa altura, o livro apresenta o
conflito entre DEUS e o seu grande adversário, Satanás. DEUS aqui repta Satanás
a observar em Jó o triunfo da graça e salvação divinas. Na vida deste seu servo
fiel, DEUS demonstrou que seu plano de redimir a raça humana, do pecado e do
mal, é exeqüível.
1.9 PORVENTURA, TEME JÓ A DEUS DEBALDE? Satanás reagiu ante a declaração
de DEUS, de ser Jó um homem piedoso, e passou a acusar tanto a Jó quanto a
DEUS. (1) Satanás questionou os motivos de Jó e, portanto, a veracidade da sua
retidão, afirmando que o amor que Jó tinha a DEUS era realmente egoísta e que
ele adorava a DEUS somente porque tirava proveito disso. Satanás deixou claro
que o amor que Jó tinha a DEUS não era sincero. (2) Satanás insinuou, ainda,
que DEUS era ingênuo, que se deixara enganar, e que obtivera a devoção de Jó
mediante a concessão de bênçãos e suborno (vv. 10,11). Satanás concluiu que
DEUS tinha falhado no seu propósito de reconciliar a raça humana consigo mesmo.
Se DEUS deixasse de proteger Jó, e de lhe conceder riquezas, saúde e
felicidade, ele (Jó) blasfemaria dEle na sua face! (v. 11).
1.10 CERCASTE. Posto que Satanás vem para roubar, matar e destruir (cf.
Jo 10.10), DEUS coloca uma cerca de proteção em volta dos seus, para abrigá-los
dos ataques de Satanás. Essa "cerca" é qual "muro de fogo"
espiritual, de proteção para os fiéis de DEUS, de modo que Satanás não possa
atingi-los. "E eu, diz o SENHOR, serei para ela [Jerusalém] um muro de
fogo em redor" (Zc 2.5). (2) Todos os crentes que fielmente procuram amar
a DEUS e seguir a direção do ESPÍRITO SANTO têm o direito de pedir e de esperar
que DEUS mantenha esse muro de proteção ao seu redor e de suas respectivas
famílias.
1.11 TOCA-LHE EM TUDO QUANTO TEM, E VERÁS SE NÃO BLASFEMA DE TI NA TUA FACE!
Nos versísulos 6-12 estão propostas as perguntas principais do livro. É
possível o povo de DEUS amá-lo e servi-lo por causa daquilo que Ele é, e não
apenas por causa das suas dádivas? O justo pode manter sua fé em DEUS e seu
amor por Ele em meio a tragédias incompreensíveis e sofrimentos imerecidos?
1.12 SOMENTE CONTRA ELE NÃO ESTENDAS A TUA MÃO. DEUS permitiu a Satanás
destruir os bens e a família de Jó; porém, Ele fixou um limite até onde Satanás
podia ir e não lhe concedeu o poder de morte sobre Jó. Satanás lançou
tempestades e pessoas violentas contra Jó (vv. 13-19).
1.16 FOGO DE DEUS. O "fogo de DEUS" é provavelmente uma
expressão referente ao relâmpago (ver Nm 11.1; 1 Rs 18.38).
1.20 E SE LANÇOU EM TERRA, E ADOROU. Jó reagiu às fatalidades que lhe
aconteceram, com intensa aflição; mas também, com humildade, submeteu-se a DEUS
e continuou a adorá-lo em meio à mais severa adversidade (v. 21; 2.10). (1)
Posteriormente, Jó reagiu à calamidade ininterrupta, revelando dúvida, ira e
sentimento de isolamento de DEUS (7.11). Mesmo nesse período de trevas e de fé
vacilante, Jó não se voltou contra DEUS, todavia expressou francamente diante
dEle suas queixas e sentimentos. (2) O livro de Jó demonstra como o crente fiel
deve enfrentar os contratempos da vida. Embora possamos enfrentar sofrimentos
severos e aflições inexplicáveis, devemos orar, pedindo graça para aceitar o
que DEUS permitir que soframos, pedindo-lhe também a revelação e compreensão do
seu significado. DEUS cuidará dos nossos confusos sentimentos e lamentos, se os
levarmos a Ele - não com rebeldia, mas com sincera confiança nEle como um DEUS
amoroso. (3) O livro revela que DEUS aceitou bem as indagações de Jó (38-41) e
que, no final, declarou que Jó falara "o que era reto" (42.7).
2.3 PARA O CONSUMIR SEM CAUSA. Jó, o
sofredor inocente, prefigura tanto JESUS CRISTO como todos os crentes fiéis da
nova aliança. (1) Como modelo no AT, do justo sofredor, Jó é uma prefiguração
de CRISTO - o Justo Perfeito - que sofreu apesar de ser inocente. O CRISTO
imaculado sofreu no seu corpo as conseqüências do mal, e foi considerado
"ferido de DEUS" (Is 53.4; 1 Pe 2.24; 4.1). (2) Semelhantemente, Jó
exemplifica a perseverança paciente na adversidade que um filho de DEUS deve
ter (Tg 5.11; cf. Hb 11, onde muitos dos heróis da fé sofreram e morreram sem
experimentarem livramento). Assim como Jó sofreu inocentemente por causa da sua
integridade e lealdade a DEUS, todos os crentes fiéis também sofrerão de certo
modo. O NT declara que "todos os que piamente querem viver em CRISTO JESUS
padecerão perseguições" (2 Tm 3.12) - sofrimento este considerado como a
participação "de suas [de CRISTO] aflições" (Fp 3.10; cf. Cl 1.24).
Os sofredores inocentes são, pois, companheiros do Senhor (cf. 1 Pe 4.1; 5.10;
ver 2.21; 4.13)
2.6 ELE ESTÁ NA TUA MÃO. DEUS permitiu que Satanás infligisse mais
sofrimento a Jó, porque sem esse sofrimento imerecido, nem a plena dedicação de
Jó a DEUS poderia ser comprovada, nem o empenho de DEUS para redimi-lo do
pecado poderia ser plenamente demonstrado. (1) A prova da fé de um justo,
mediante o sofrimento, tem muita importância, pois a honra de DEUS fica em jogo
na maior luta espiritual de todos os tempos: i.e., o conflito entre DEUS e
Satanás. (2) O apóstolo Pedro, escrevendo sob o aspecto do NT, declara:
"Sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias
tentações [provações], para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que
o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória
na revelação de JESUS CRISTO" (1 Pe 1.6,7).
2.9 AMALDIÇOA A DEUS E MORRE. Este conselho da esposa de Jó exprime o
âmago da prova da fé de Jó. Por todo o livro, a profunda angústia de Jó causada
pelo sofrimento aparentemente injusto da parte de DEUS tentava-o a renunciar a
sua determinação de fidelidade a DEUS, e também deixar de confiar nEle como um
DEUS compassivo e misericordioso (cf. 5.11).
2.10 E NÃO RECEBERÍAMOS O MAL? Os crentes verdadeiros devem se preparar
tanto para serem provados por DEUS com a adversidade, como para receber o bem
da sua mão. Confiarmos em DEUS não significa que Ele sempre nos livrará da
aflição, nem a fidelidade a DEUS garante prosperidade e sucesso (ver 2.3; 3 Jo
2). Ao surgir a adversidade, o crente, cuja consciência não o acusa de pecado
ou rebelião contra DEUS, deve confiar a sua alma às mãos de DEUS. A fé em DEUS,
como nosso Senhor amorável, nas provações e opressões, expressa o seu maior triunfo
(1 Pe 1.3-9).
2.11 TRÊS AMIGOS DE JÓ. Ao saberem as adversidades de Jó, três dos seus
amigos vieram solidarizar-se com ele e confortá-lo. O livro de Jó contém os
diálogos entre eles e o sofredor. O ponto de vista deles expressa uma teologia
popular, porém falha, pois criam que só coisas boas aconteciam aos fiéis, ao
passo que sofrimentos e lutas sempre indicam pecado na vida da pessoa. Fizeram
um esforço sincero para ajudar Jó, procurando fazê-lo reconhecer algum pecado
grave. Por fim, DEUS os repreendeu pelo seu erro (42.7).
3.1 JÓ... AMALDIÇOOU O SEU DIA. Jó
ficara solitário, humilhado e sofrendo dores. Seu sofrimento -maior era o
sentimento de que DEUS o abandonara. (1) No seu discurso (vv. 2-26), Jó disse a
DEUS exatamente como se sentia. Começou maldizendo o dia em que nasceu e sua
vida de sofrimento, mas note-se que em tudo isso Jó não blasfemou contra DEUS.
Seu lamento era uma expressão de dor e desolação, mas não uma expressão de
revolta contra DEUS. (2) Sempre é melhor para o crente levar ao Senhor em
oração suas dúvidas e sentimentos sinceros. Nunca é errado levarmos a DEUS
nossas aflições e angústias, a fim de invocarmos a sua compaixão. O próprio
JESUS CRISTO perguntou a DEUS: "DEUS meu, DEUS meu, por que me
desamparaste?" (Mt 27.46; cf. Jr 20.14-18; Lm 3.1-18).
3.13 ENTÃO, HAVERIA REPOUSO PARA MIM. O conceito de sepultura para Jó
era o de um lugar de repouso. Não a considerava como extinção, mas como um
lugar de contínua existência pessoal (vv. 13-19; ver Sl 16.10).
3.25 O QUE EU TEMIA ME VEIO. O maior desejo de Jó era gozar da presença
e do favor de DEUS; agora, acontecera aquilo que mais ele temia. Parecia que
DEUS o abandonara; e ele não tinha a mínima idéia da razão disso. Mesmo assim,
Jó não blasfemou contra DEUS; continuou orando a Ele, rogando sua misericórdia
e socorro (6.8,9).
4.1 RESPONDEU ELIFAZ... E DISSE. O cap.
4 inicia o primeiro dos três ciclos principais de diálogos de Jó com Elifaz,
Bildade e Zofar. Na leitura desses diálogos, observe o seguinte: (1) Embora as
palavras dos três amigos de Jó estejam registradas nas Escrituras, nem tudo que
eles disseram é absolutamente correto. O ESPÍRITO SANTO registrou suas
palavras, mas não as inspirou. No fim do livro, o próprio DEUS declarou que boa
parte daquilo que eles falaram não era bom (42.7,8). (2) Algumas afirmações
deles são realmente verdadeiras, e são repetidas no NT (e.g., parte do que
Elifaz diz em 5.13, acha-se em 1 Co 3.19). (3) A teologia e a cosmovisão
básicas desses conselheiros eram falhas. Eles criam (a) que os verdadeiros
justos sempre prosperarão, ao passo que os transgressores sempre sofrerão, e
(binversamente, a pobreza e o sofrimento sempre subentendem pecado, ao passo
que prosperidade e sucesso subentendem retidão. DEUS revelou
posteriormente que tal atitude é errônea, e que o ponto de vista deles era
"loucura" (42.79).
4.7 E ONDE FORAM OS SINCEROS DESTRUÍDOS? O conceito teológico de que os
justos não perecerão e que os ímpios serão castigados é certo do ponto de vista
da eternidade (ver Gl 6.7; Hb 10.13). No devido tempo haverá justiça. Aqui na
terra, comumente não há retribuição justa, e os inocentes sofrem injustamente.
Deixar de reconhecer essa verdade foi um grave erro de julgamento de Elifaz
(e.g., Mt 23.35; Lc 13.4,5; Jo 9.1-3; 1 Pe 2.19,20).
4.13 VISÕES DA NOITE. Não está declarado que as visões de Elifaz vinham
de DEUS. De fato, não vinham de DEUS, pois o descrevem como se Ele não se
preocupasse com a raça humana (vv. 17-21). É um erro estabelecer teologia em
sonhos e visões, sem apoio na revelação escrita de DEUS.
5.17-27 O HOMEM A QUEM DEUS
CASTIGA. Segundo a idéia de Elifaz, se DEUS repreende uma pessoa e
ela corresponde devidamente, DEUS a livrará de todos os seus males e aflições.
(1) O autor de Hebreus refuta essa idéia enganosa, ao declarar que alguns dos
maiores heróis da fé, do AT, foram perseguidos, despojados de todos os seus
bens, afligidos, maltratados e até mesmo mortos. Esses justos nunca
experimentaram total livramento nesta vida (Hb 11.36-39). (2) A Bíblia não
ensina, em parte alguma, que DEUS eliminará da nossa vida todas as aflições e
sofrimentos. Os santos nem sempre são poupados de sofrimentos nesta vida.
6.4 AS FLECHAS DO TODO-PODEROSO
ESTÃO EM MIM. Jó reconhecia que seu sofrimento provinha, em
última análise, da parte de DEUS, ou pelo menos com seu conhecimento e
permissão. Sua maior angústia era esta: DEUS parecia estar contra ele, não
sabendo ele por quê. Quando o crente enfrenta o sofrimento enquanto se esforça
sinceramente para agradar a DEUS, não deve ceder à idéia de que DEUS não se
interessa mais por ele. Podemos não saber por que DEUS permite que tais coisas
aconteçam, mas podemos saber (como Jó) que por fim o próprio DEUS nos
fortalecerá, sustentará e nos fará vitoriosos (cf. Rm 8.35-39; Tg 5.11; 1 Pe
5.10).
6.10 NÃO REPULSEI AS PALAVRAS DO SANTO. Em todo o seu sofrimento, o
alívio de Jó consistia no fato de que ele não se desviara do Senhor, nem negou
as palavras de DEUS. Desconhecendo qualquer pecado seu, deliberado ou
involuntário, Jó afirmou sua inocência no decurso de todo o seu livro (ver 13.23;
16.17; 27.6), convicto de que sempre procurara honrar e obedecer a DEUS. Por
isso, ele podia regozijar-se, mesmo na dor.
7.1 JÓ DIRIGE-SE A DEUS. Jó deixou de lado seus amigos, que não compreendiam o que ocorria e passou a orar ao seu Senhor. O principal assunto de Jó em todos os seus discursos era DEUS. Até mesmo quando ele falava de DEUS na terceira pessoa, estava sempre consciente da sua presença. O coração de Jó nunca se apartou do DEUS a quem ele amava.
7.11 NA ANGÚSTIA DO MEU ESPÍRITO. Jó repetidamente fala da angústia e da amargura do seu espírito e alma (cf. 10.1; 27.2). Foi um homem que muito sofreu em todos os aspectos da vida. (1) Fisicamente, perdera suas riquezas, filhos e saúde (1.13-19; 2.7,8). (2) Socialmente, ficou privado dos seus amigos e familiares (2.7,8; 19.13-19). Sofreu zombaria do público (16.10; 30.1-10), e foi abandonado por seus amigos mais chegados (6.14-23). (3) Espiritualmente, sentia-se abandonado por DEUS, crendo que o Senhor se voltara contra ele (vv. 17-19; 6.4). (4) Afligido em todos os sentidos, Jó experimentou uma imensa gama de emoções: ansiedade (vv. 4,13,14), incerteza (9.20), rejeição e traição (10.3; 12.4), medo (6.4; 9.28), solidão (19.13-19) e desespero, emoções que o levaram a desejar a morte (cap. 3).
7.16 RETIRA-TE DE MIM. Com sinceridade, Jó falou com DEUS sobre seus sentimentos de injustiça, rejeição e dúvida. Até mesmo desejou que DEUS se retirasse dele (vv. 16-19), embora noutras ocasiões ansiasse para DEUS falar com ele (14.15; 23.3,5). Os fiéis que passarem por severas provações e sofrimentos devem expressar seus sentimentos abertamente a DEUS em oração. Falarmos sinceramente com DEUS, da nossa angústia e amargura, em atitude de submissão, não é errado. Ana derramou a sua alma diante do Senhor por causa da grande provocação que enfrentava (1 Sm 1.13-16). O próprio JESUS oferecia, "com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas" (Hb 5.7) e, por ocasião da sua morte, experimentou as trevas indescritíveis da separação de DEUS (Mt 27.46).
7.20 SE PEQUEI. Jó considerava a possibilidade de seus conselheiros terem razão, e de DEUS ter desencadeado a sua ira contra ele por causa de alguma transgressão desconhecida. O que Jó não sabia era que DEUS realmente o estava observando, não com ira, mas com compaixão e amor. Embora sob prova até o seu limite, Jó se recusou firmemente a blasfemar contra DEUS (cf. 2.9), e assim foi exaltado o poder libertador de DEUS. No devido tempo, ao terminar a prova, Jó teve a aprovação de DEUS publicamente (42.8).
8.6 SE FORES PURO E RETO. O
argumento de Bildade era basicamente o mesmo de Elifaz. Se Jó realmente fosse
justo, seria justificado por DEUS. Mas Jó não estava sendo justificado por
DEUS, logo, ele devia ter pecado. Bildade argumentava que DEUS, sendo justo,
não causaria aflições numa pessoa justa (vv. 3,4,20). O erro de Bildade foi
posteriormente manifesto pelo próprio DEUS (42.7,8) e, em sentido pleno, na
crucificação de CRISTO, quando, então, DEUS entregou seu próprio Filho ao
sofrimento e à morte (Mt 27.31-50).
9.2 COMO SE JUSTIFICARIA O HOMEM
PARA COM DEUS? No cap. 9, Jó reconheceu que não poderia ser
perfeitamente justo diante de DEUS. Compreendia que, pela sua própria natureza,
era inclinado ao seu próprio eu e ao pecado, e que não era inculpável aos olhos
de DEUS (cf. 7.21). Mesmo assim, de todo o coração e alma, tinha resistido ao
mal e se desviado dele (1.1,8; 2.3). Estava confiante de não ter pecado
gravemente a ponto de merecer semelhante sofrimento (6.24; 7.20). Foi por isso
que Jó se queixou que DEUS o castigara sem motivo (vv. 16-20). Mesmo assim, a
sua fé ainda se mantivera firme, pois persistia em invocar a DEUS (ver
10.2,8-12; cf. Tg 5.11). Não blasfemou contra DEUS (conforme Satanás predisse
que ele faria - 1.11; 2.5), embora chegasse a falar palavras das quais se
arrependeria depois (vv. 17,20,22,23,30,31; 42.3-6).
9.17 MULTIPLICA AS MINHAS CHAGAS SEM CAUSA. O mais difícil para Jó
aceitar era o silêncio contínuo de DEUS numa situação dolorosa que parecia não
ter propósito. DEUS, às vezes, permite passarmos por um período sombrio de
provas no qual Ele permanece em silêncio e parecendo estar longe. Mesmo em meio
às sombras do silêncio de DEUS, Ele tem um plano para a nossa vida, e devemos
continuar a confiar nEle.
9.33 NÃO HÁ ENTRE NÓS ÁRBITRO. Jó percebeu a necessidade de um mediador
que pudesse ter uma das mãos ligada a ele, e a outra a DEUS, unindo-os assim.
JESUS CRISTO tornou-se tal mediador, pois mediante sua morte e ressurreição,
Ele nos restaura à comunhão com DEUS (1 Tm 2.5; Hb 9.15).
10.1 FALAREI NA AMARGURA DA MINHA
ALMA. No cap. 10, Jó continuou derramando diante de DEUS sua
amargura e seus sentimentos por ser tratado injustamente. Mas embora Jó
sentisse que DEUS retirara dele o seu amor, continuava mantendo sua confiança
na justiça de DEUS e também pleiteando com DEUS uma solução para o seu dilema.
10.2 FAZE-ME SABER PORQUE
CONTENDES COMIGO. Em nenhuma de suas orações, Jó pediu cura para
seu corpo. A maior preocupação de Jó era o "por quê" do seu
sofrimento e do aparente abandono por DEUS do seu servo; saber disso era mais
importante para Jó do que seus sofrimentos. Ser aceito por DEUS como um dos
seus, mesmo na adversidade, era a coisa mais vital na sua vida.
10.16 TU ME CAÇAS COMO A UM LEÃO
FEROZ. Por estar sob severa aflição, Jó julgava que DEUS estava
contra ele. O NT provê uma revelação mais completa a respeito do sofrimento do
cristão, mostrando que o crente pode até mesmo gloriar-se no sofrimento. (1)
Paulo escreveu aos Coríntios: "fomos sobremaneira agravados mais do que
podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos" (2 Co 1.8).
Mesmo na sua aflição, porém, o apóstolo bendizia a DEUS, porque a sua presença
e o seu ESPÍRITO estavam com ele para consolá-lo (2 Co 1.3,4,22). A maior glória
do sofrimento de Paulo era que ele, assim, participava de alguma maneira das
"aflições de CRISTO" (2 Co 1.5; cf. 4.10; Fp 3.10; Cl 1.24; 1 Pe
4.13). (2) Todos os grandes santos de DEUS já verificaram a verdade bíblica que
pertencer a DEUS e ao seu reino não implicam necessariamente isenção de
sofrimento terreno, mas em livramento para o sofrimento terreno com CRISTO (ver
Hb 13.12,13; Tg 5.10,11; 1 Pe 2.21; 4.1).
11.1 ZOFAR. Zofar
foi áspero ao acusar Jó de hipocrisia (vv. 4-6) e de teimosia (vv. 13-20), e
lhe disse que merecia sofrer ainda mais do que já sofrera (v. 6). Sustentava
que se Jó se desviasse do pecado, seus sofrimentos cessariam imediatamente, e a
segurança, a prosperidade e a felicidade voltariam (vv. 13-19). O discurso de
Zofar contém graves erros teológicos. A Bíblia não garante em nenhum lugar uma
vida aqui, "mais clara... do que o meio-dia" (v. 17) para o crente
fiel. Pelo contrário, "por muitas tribulações nos importa entrar no Reino
de DEUS" (At 14.22).
12.5 TOCHA DESPREZÍVEL É, NA
OPINIÃO DO QUE ESTÁ DESCANSADO. Jó condenou a maneira de pensar dos ricos.
Desprezam os pobres e necessitados e justificam sua falta de compaixão por
eles, supondo que os desafortunados causam seus próprios revezes. Ao mesmo
tempo, os prósperos vivem à vontade como ricos, crendo que DEUS os recompensou
por sua fé e retidão. As duas suposições são errôneas, porque há muitas
exceções entre o povo do reino de DEUS.
12.13 COM ELE [DEUS] ESTÁ A
SABEDORIA. Devemos crer que DEUS é sábio e poderoso, e que seus métodos
de tratar conosco são os melhores e mais seguros para alcançarmos o melhor para
nós (cf. 9.4; 36.5; Is 40.26,28; Dn 2.20; Rm 16.25,27; ver Rm 8.28). (1) O
crente nunca deve pensar que DEUS nos prometeu uma vida, aqui, livre de
problemas (cf. Sl 34.19). DEUS pode enviar tanto alegria como tristeza, a fim
de remover do crente o seu amor pelas coisas deste mundo e atrair esse amor a
Ele mesmo. (2) DEUS dirige os acontecimentos na vida do crente dedicado,
visando à sua santificação pessoal e desempenho do seu serviço no reino de DEUS
(cf. Jacó, em Gn 28-35; José, em Gn 37.28). (3) Nesta vida, os crentes nunca
chegam a discernir completamente o propósito supremo de tudo que lhes acontece,
nem lhes ficará sempre plenamente claro como DEUS faz todas as coisas cooperarem
para o bem (Ec 3.11; 7.13; 11.5; Rm 8.28). Nas situações em que não conseguimos
compreender plenamente o método de DEUS para conosco, devemos entregar-nos a
Ele como nosso Pai celestial, como CRISTO fez no dia da sua crucificação (cf.
Mt 27.46; Lc 23.46).
13.15 AINDA QUE ELE ME MATE, NELE
ESPERAREI. Esta é uma das mais admiráveis declarações de fé na bondade
de DEUS já pronunciadas. Não importava o que DEUS permitisse que acontecesse a
Jó, fosse qual fosse o fardo que DEUS pusesse sobre ele; mesmo que o
"matasse", Jó cria que, por fim, DEUS não falharia com ele. Paulo
expressou essa mesma confiança no amor de DEUS pelos que lhe são fiéis (Rm 8).
Mesmo que o Senhor retire um conforto após outro, ainda que a saúde se arruíne,
e aflições seguidas venham sobre nós, podemos, mediante a graça de JESUS CRISTO
e o poder da sua morte salvífica, confiar em DEUS com fé inabalável, seguros de
que Ele é reto, justo e bom (ver Rm 8.37-39).
14.1 CHEIO DE INQUIETAÇÃO. Para o
crente, uma vida "cheia de inquietação" pode ser o resultado de
perseguição, injustiça, pobreza, pouca saúde, ou oposição de Satanás à sua luta
de fé. DEUS quer que todos os crentes que estão sob sofrimento e opressão neste
mundo saibam que está chegando o dia da ressurreição e da vitória, quando,
então, estarão com DEUS para sempre (ver Ap 21.1,4 notas). Naquela ocasião,
verificarão diretamente que "as aflições deste tempo presente não são para
comparar com a glória que em nós há de ser revelada" (ver Rm 8.18)
14.14 MORRENDO O HOMEM, PORVENTURA, TORNARÁ A VIVER? Jó cria que, depois
de morto, estando no Seol (v. 13), DEUS o traria à vida de novo (v. 15; cf. 1
Co 15.20; 1 Ts 4.16,17); noutras palavras, Jó expressou sua esperança numa
ressurreição pessoal (ver 19.25,26 notas). A base dessa sólida expectativa era
o intenso amor de DEUS pelo seu povo, como diz o versículo 15: "afeiçoa-te
à obra de tuas mãos". Por um momento, Jó estendeu a mão a DEUS numa
grandiosa expressão de fé.
15.1 ENTÃO, RESPONDEU ELIFAZ. Nos
caps. 15-21 os quatro participantes continuaram a sua argumentação,
prosseguindo sobre o que tinham dito antes, só que com mais veemência. Jó se
apegou resolutamente a DEUS, e ao mesmo tempo afirmando a sua própria inocência
e a aparente injustiça da sua calamidade (e.g., 16.19-21).
16.9 NA SUA IRA, ME DESPEDAÇOU. O
terrível sofrimento de Jó levou-o a ver DEUS como um tirano cruel, ao invés de
um Senhor misericordioso. Sua convicção de que vivera de modo justo e puro (v.
17) levou-o a questionar a justiça de DEUS (cf. 19.6). Mesmo assim, Jó também
manteve firme a sua crença de que DEUS era realmente justo; por isso, se
tão-somente pudesse entrar em contato direto com Ele (cf. Jó 13.13-27; 23.1-7)
ou achar alguém que defendesse a sua causa (ver 9.33), DEUS como sua testemunha
confirmaria a sua inocência (vv. 19-21).
16.19 AGORA, ESTÁ A MINHA TESTEMUNHA NO CÉU. Jó, pela fé, sobrepôs-se às
suas dúvidas a respeito da bondade de DEUS, pois declarou que o próprio DEUS
daria testemunho da sua inocência. Ansiava que DEUS intercedesse por ele no
tribunal celestial de justiça. O anseio por um mediador perante DEUS, em nossa
defesa, realizou-se em JESUS CRISTO, através de quem DEUS "nos reconciliou
consigo mesmo" (2 Co 5.18); "temos um Advogado para com o Pai, JESUS
CRISTO, o Justo" (1 Jo 2.1).
17.1 O MEU ESPÍRITO SE VAI
CONSUMINDO. Jó, como um homem esmagado pela dor, estava
convicto de que morreria dentro em breve. Julgava-se um homem abandonado por
DEUS e como objeto de desprezo dos seus companheiros. Jó não podia fazer outra
coisa, a não ser perseverar na convicção da integridade da sua causa (v. 9), e
manter confiança na justiça de DEUS, apesar de tudo parecer contrário
(16.19-22).
19.11 COMO UM DE SEUS INIMIGOS. Jó agora
sucumbiu ao grave erro de pensar que DEUS era a causa direta de seus
sofrimentos (cf. vv. 8-13). (1) Ele cria que DEUS se tornara seu inimigo e que
se comprazia em permitir tormento e agonia sobre ele. Jó não percebia que
Satanás era a causa da sua prolongada calamidade. Embora DEUS permitisse que
Satanás prejudicasse a Jó, entretanto, era ele, o diabo, quem infligia o
sofrimento cruel. (2) O crente não deve culpar a DEUS por aquilo que Ele apenas
permite. Neste mundo acontece muita coisa má; DEUS não tem prazer em
contemplá-las. Tragédias acontecem entre os seus filhos, as quais Ele permite,
com pesar e compaixão (ver 1 Tm 2.4)
19.25 EU SEI QUE O MEU REDENTOR
VIVE. No meio do seu sofrimento e desespero, Jó se apegava a DEUS
com grande fé, crendo que o Senhor o vindicaria afinal (cf. 13.15; 14.14,15).
Jó tinha DEUS como seu "Redentor" ou ajudador. Nos tempos bíblicos,
um "redentor" era um parente que, com grande afeição, fazia-se
presente para proteger, defender e ajudar a sanar problemas de um parente
sofredor (ver Lv 25.25; Dt 25.5-10; Rt 1-4; ver Gn 48.16; Êx 6.6; Is 43.1; Os
13.14).
19.25 E QUE POR FIM SE LEVANTARÁ
SOBRE A TERRA. Pela inspiração do ESPÍRITO SANTO, o testemunho
de Jó prenunciava JESUS CRISTO como o Redentor que viria salvar seu povo do
pecado e da condenação (Rm 3.24; Gl 3.13; 4.5; Ef 1.7; Tt 2.14), livrar os seus
do medo da morte (Hb 2.14,15; Rm 8.23), dar-lhes a vida eterna (Jo 3.16; Rm
6.23), livrá-los da ira vindoura (1 Ts 1.10) e publicamente vindicá-los (Ap
19.11-21; 20.1-6). Aqui, Jó estava predizendo a manifestação visível desse
Redentor divino.
19.26 AINDA EM MINHA CARNE VEREI A DEUS. Jó expressou profeticamente a
certeza de que, depois de seu corpo se desfazer no sepulcro, ele seria
fisicamente ressuscitado e, em seu corpo redivivo, contemplaria o seu Redentor.
Aqui temos, de forma básica, a revelação de DEUS a respeito da futura vinda de
CRISTO no fim dos tempos, a ressurreição dentre os mortos e a vindicação final
de todos os fiéis de DEUS (cf. Sl 16.10; 49.15; Is 26.19; Dn 12.2; Os 13.14)
19.27 VÊ-LO-EI POR MIM MESMO. O anseio
que Jó sentia por ver seu DEUS-Redentor em muito excedia a todos os demais
desejos expressos neste livro (ver 23.3). Jó aspirava pelo dia em que pudesse
ver a face do Senhor, plenamente redimido. Semelhantemente, os crentes do NT
anseiam pela vinda do seu Salvador (1 Co 1.7; 2 Tm 4.8) e pelo dia da
consumação, quando, então, estará "o tabernáculo de DEUS com os homens,
pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo DEUS estará com
eles", e "verão o seu rosto" (Ap 21.3; 22.4).
21.7 PORQUE... VIVEM OS ÍMPIOS...
SE ESFORÇAM EM PODER? Jó questionava as desigualdades da vida, mormente
a prosperidade, o sucesso e alegria de muitos dos ímpios. O Salmo 73 enfoca
esse problema teológico. Às vezes, os "limpos de coração" são
"afligidos" (Sl 73.1,14), ao passo que os ímpios prosperam e não
sofrem "apertos" (Sl 73.3-5). DEUS responde, ao revelar o destino
final, tanto dos justos como dos ímpios (Sl 73.16-28). Por fim, DEUS, na sua
justiça, porá todas as coisas em ordem, e retribuirá a todos, segundo os atos de
cada um e seu amor à verdade (Rm 2.5-11). Os ímpios não permanecerão sem
castigo, e os justos não serão deixados sem justiça e galardão (Rm 2.5-11; Ap
2.10).
22.21-30 ASSIM, TE SOBREVIRÁ O
BEM.
Elifaz apelou a Jó com uma doutrina tradicional, porém simplista, de
arrependimento: se Jó resolvesse voltar para DEUS, receber instrução da sua
palavra, humilhar-se e afastar-se do pecado, e deixar de confiar nas coisas
terrenas e fazer do Todo-poderoso o seu deleite, então com certeza DEUS o
livraria de todas as aflições; suas orações seriam atendidas, e teria sucesso
em todos os seus esforços. Elifaz, porém, estava equivocado em três aspectos:
(1) O arrependimento e a salvação nem sempre resultam em prosperidade material
e física. Às vezes, homens e mulheres de fé, por causa da sua fidelidade, são
"desamparados, aflitos e maltratados" (Hb 11.37); embora crendo nas
promessas de DEUS, todavia no presente não alcançam o cumprimento da "promessa"
(Hb 11.39). (2) Ao exortar Jó a arrepender-se a fim de recuperar a sua saúde e
prosperidade, Elifaz estava inconscientemente pondo-se ao lado de Satanás e
concordando com as acusações deste contra Jó e DEUS. Satanás tinha antes
acusado Jó de servir a DEUS apenas em troca daquilo que podia obter dEle
(1.9-11). Note que se Jó se arrependesse de algum suposto pecado para obter a
bênção de DEUS, então poderia de fato ser acusado de servir a DEUS, apenas
visando proveito pessoal. (3) Embora as palavras de Elifaz expressem com eloquência
a importância do arrependimento, foram ditas sob motivação errada. Não havia no
coração de Elifaz o mínimo de solidariedade por Jó ante seus sofrimentos. Essa
falha de Elifaz demonstra que a mensagem de arrependimento que se leva aos
fracos e sofredores deve estar acompanhada de palavras de consolo e compaixão.
23.3 AH! SE EU SOUBESSE QUE O PODERIA ACHAR! Durante toda a experiência dos sofrimentos de Jó, seu maior anseio era pela presença do seu Senhor. (1) Raramente Jó mencionou a perda de suas riquezas; simplesmente aludiu à sua profunda tristeza pela perda de seus filhos; era a perda da presença de DEUS o que ele lamentava. Em todos os seus sofrimentos ele desejava achar a DEUS e ter novamente comunhão com Ele (cf. -13.24; 16.19-21; 29.2-5). (2) Esse mesmo anseio por DEUS deve assinalar todos os verdadeiros crentes. "Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó DEUS! A minha alma tem sede de DEUS, do DEUS vivo" (Sl 42.1,2). E também: "Ó DEUS, tu és o meu DEUS; de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água" (Sl 63.1).
23.10-12 PROVE-ME, E SAIREI COMO
O OURO. Jó estava confiante de que DEUS ainda cuidava da sua vida e
que sabia que nenhuma adversidade afastaria Jó da sua lealdade a Ele. (1) Jó
considerava seu sofrimento como uma prova da sua fé no Senhor e do seu amor por
Ele. Sua prova era semelhante àquela de Abraão, quando lhe foi ordenado
sacrificar seu filho Isaque (Gn 22). (2) O próprio JESUS CRISTO foi provado
pelo sofrimento que suportou (Hb 5.8) e, por isso, Ele agora é nosso padrão e
exemplo (1 Pe 2.21); nós, como seus seguidores, devemos andar em seus passos
(Hb 13.12,13). (3) A convicção firme de Jó, de que seria aprovado no teste e
que nunca abandonaria o seu Senhor, baseava-se em: (a) sua obediência fiel no
passado (vv. 11-12), (b) seu amor à Palavra de DEUS (v. 12) e (c) seu reverente
temor a DEUS (vv. 13-15). Semelhantemente, o crente no NT deve manter a firme
resolução de nunca se apartar da obediência a DEUS; antes, temer as
conseqüências da iniquidade e amar a Palavra de DEUS mais do que o pão de cada
dia (cf. Sl 40.8; 119.11; ver Tg 1.21).
27.4 NÃO FALARÃO OS MEUS LÁBIOS
INIQÜIDADE. Jó é um dos maiores exemplos de firmeza de
convicção, de apego à retidão e de perseverança na fé (ver Tg 5.11). Sua determinação
inabalável de manter a sua integridade e de permanecer fiel a DEUS não tem
paralelo na história da salvação dos fiéis. Nenhuma tentação, sofrimento, ou
aparente silêncio da parte de DEUS podia afastá-lo da sua lealdade a DEUS e à
sua palavra. Recusou-se a blasfemar contra DEUS e morrer (2.9). (1)
Semelhantemente, o crente do NT deve ter esta mesma e única resolução nas
tentações, tristezas e nos dias sombrios da vida. Com uma firme convicção, deve
continuar resoluto na sua fé, firme até o fim (Cl 1.23). Nunca deve recuar e
abandonar a fé, enquanto viver, mas permanecer em tudo fiel à Palavra de DEUS e
ao seu amor. Deve "sempre ter uma -consciência sem ofensa, tanto para com
DEUS como para com os homens" (At 24.16; cf. 23.1; 1 Co 4.4; 2 Tm 1.3; 1
Jo 3.21). (2) Essa decisão de permanecer fiel a DEUS e inabalável na fé,
esperança e amor não é uma opção para o crente (Hb 3.14; 10.35-39; Jd 21).
Fazer assim é a sua salvaguarda contra o naufrágio na fé, ante às intensas
perseguições, tentações e ataques de Satanás (1 Tm 1.18-20; cf. 6.11-14; 2 Tm
4.5-8; ver Fp 3.8-16). (3) DEUS, por sua parte, promete pelo seu poder guardar
os seus fiéis e preservá-los na sua graça, para que obtenham "a salvação
já prestes para se revelar no último tempo" (ver 1 Pe 1.5).
28.28 O TEMOR DO SENHOR É A
SABEDORIA. O temor de DEUS e a reverência por Ele são fundamentais no
relacionamento do crente com DEUS (Sl 61.5; Pv 1.7). (1) O temor do Senhor nos
torna cuidadosos e alertas para não ofendermos nosso DEUS santo. Sem esse
fundamento, não existe sabedoria genuína, e nenhuma experiência salvífica
resistirá às provas do tempo e da tentação. (2) O real temor de DEUS e a real
sabedoria bíblica fazem o crente abster-se do mal, e produzem "consolação
do ESPÍRITO SANTO" (ver At 9.31). (3) Temer a DEUS e continuar em pecado é
uma impossibilidade moral. A pessoa que apregoa a majestade de DEUS e a sua
oposição ao mal será notada por seu esforço sincero, decisivo e total de
separar-se do pecado (Sl 4.4; Pv 3.7; 8.13; 16.6; Is 1.16) e de obedecer a
Palavra de DEUS (Sl 112.1; 119.63; Pv 14.2,16; 2 Co 7.1; Ef 5.21; 1 Pe 1.17).
29.2 AH! QUEM ME DERA SER
COMO EU FUI... COMO NOS DIAS EM QUE DEUS ME GUARDAVA! Jó
prosseguia no seu desejo de ter a comunhão com DEUS que dantes desfrutava (ver
23.3). Ansiava por (1) o cuidado e proteção especiais de DEUS (cf. Nm 6. 24-26;
Sl 91.11; 121.7,8); (2) a candeia de DEUS para lhe mostrar o caminho nas
situações obscuras ou difíceis (v. 3); (3) a íntima comunhão e amor de DEUS
(vv. 4,5; cf. Pv 3.32); (4) a graça de DEUS para lhe ajudar a praticar o bem
(vv. 12-17); e (5) sabedoria para compartilhar com os outros (vv. 21-25).
Aquilo que DEUS era para Jó, Ele promete ser para todos os que creem no Senhor
JESUS CRISTO (ver Jo 15.15; Rm 8.1,31,33; 2 Ts 3.3; 1 Pe 3.13).
30.20 CLAMO A TI, MAS TU NÃO ME
RESPONDES. Todos os filhos de DEUS têm essa experiência em algum momento
da sua vida com Ele; uma ocasião em que clamam a DEUS por socorro e Ele parece
não ouvir. Até mesmo o Senhor JESUS CRISTO passou por tal experiência (Mt
27.46). (1) Através dessa experiência, nossa fé é provada. Em tais ocasiões,
não devemos deixar de perseverar na fé (ver Mt 15.21-28; Lc 18.1-7; 1 Pe 1.7).
(2) Sabemos, pelo modo como DEUS lidou com Jó e com todos os crentes fiéis no
decurso da história, que nenhum verdadeiro seguidor do Senhor é jamais
abandonado por Ele (Hb 13.5), e nenhuma oração sincera jamais deixa de ser
ouvida (cf. Hb 10.32-39).
31.1-34 FIZ CONCERTO COM OS MEUS
OLHOS. Nesta seção, Jó passou em revista sua sólida integridade
espiritual, sua fidelidade a DEUS e sua bondade para com o próximo. (1) As
declarações de Jó a respeito da obra redentora de DEUS nele abrangiam todos os
aspectos da vida. Falou da sua inocência quanto aos pecados do coração,
inclusive a sensualidade e pensamentos impuros (vv. 1-4), mentira e engano para
proveito pessoal (vv. 5-8), e a infidelidade conjugal (vv. 9-12). Falou do seu
modo justo de tratar os empregados (vv. 13-15) e seus cuidados dos pobres e
necessitados (vv. 16-23). Afirmou que estava livre da cobiça (vv. 24-25), da
idolatria (vv. 26-28), da vingança (vv. 29-32) e da hipocrisia (vv. 33,34). (2)
O caráter moral e a pureza de coração e da vida, aqui descritos, servem de um
magnífico exemplo para todo crente. A vida piedosa que Jó vivia antes do novo
concerto pode ser ricamente experimentada por todos aqueles que creem em
CRISTO, mediante o poder salvífico da sua morte e ressurreição (Rm 8.1-17; Gl
2.20).
31.1 FIZ CONCERTO COM OS MEUS OLHOS; COMO, POIS, OS FIXARIA NUMA VIRGEM?
Jó observava o padrão de santidade interior que CRISTO expressou no sermão da
montanha (Mt 5.28). Jó tinha feito um concerto com seus olhos para evitar
desejos -sensuais estimulantes de quem olha fixamente com malícia para uma
jovem (cf. Gn 3.6; Nm 15.39). Ele sabia que a sensualidade desagradaria ao seu
Senhor e arruinaria a sua vida espiritual (vv. 2-4).
31.13 O DIREITO DO MEU SERVO OU DA MINHA SERVA. O modo de Jó tratar seus
empregados exemplifica como os patrões devem cuidar dos seus. Tratava seus
trabalhadores com equidade, bondade e igualdade; ouvia-os e atendia qualquer
queixa justa (cf. Lv 25.42,43,55; Dt 15.12-15; 16.12). Jó sabia que um dia
teria de prestar contas a DEUS pelo modo como ele tratava os outros (v. 14; ver
Cl 3.25).
32.2 ELIÚ. Um novo
conselheiro, Elui, surge agora na narrativa. Até aqui tinha evitado expressar
sua opinião, porque era mais jovem do que os outros (v. 4). Ele estava seguro de
que conhecia as causas do sofrimento de Jó e que podia instruí-lo quanto à
atitude certa que deveria manter diante de DEUS. O discurso de Eliú difere dos
três primeiros conselheiros, ao salientar que o sofrimento pode ser uma
misericordiosa correção divina para iluminar a alma (33.30) e dar lugar a uma
comunhão mais profunda com DEUS (36.7-10). Eliú, todavia, como os demais
conselheiros, julgava que Jó pecara, e por isso merecia o seu sofrimento.
32.8 HÁ UM ESPÍRITO NO HOMEM. Apesar de Eliú alegar que tinha
discernimento espiritual da parte de DEUS (cf. 33.4), isso não quer dizer que
suas declarações e teologia sejam infalíveis. Algumas apresentam muito
discernimento; outras estão aquém da revelação bíblica.
33.9 LIMPO ESTOU, SEM
TRANSGRESSÃO. Eliú declarou, falsamente, que Jó dizia ter
perfeição moral, i.e., que não falhara em toda a sua vida. Jó nunca afirmou que
era impecável (ver 13.26), mas tão-somente que tinha seguido os caminhos do
Senhor de todo o coração, e que não se recordava de ter cometido uma
transgressão tão grave que merecesse um castigo tão severo (27.5,6; 31.1-40).
34.37 AO SEU PECADO ACRESCENTA A
TRANSGRESSÃO. Eliú julgava que Jó, ao levantar questionamentos
e queixumes contra DEUS (19.6; 27.2), demonstrava rebelião aberta contra DEUS.
Apesar de Jó ter errado gravemente nas suas queixas contra DEUS, seu coração
estava firme nEle como seu Senhor (Jó 19.25-27; 23.8-12; 27.1-6). No seu zelo
de isentar a DEUS de qualquer culpa, Eliú não compreendeu plenamente a
necessidade de Jó expressar seus sentimentos mais profundos diante de DEUS (cf.
Sl 42.9; 43.2).
35.6 SE PECARES, QUE EFETUARÁS
CONTRA ELE? Eliú cria que DEUS está tão distanciado de nós (v. 5), que
nossos pecados ou retidão não têm efeito sobre Ele. (1) A concepção de Eliú é
errônea. A Bíblia revela que DEUS sente emoções. Ele pode sentir mágoa quando o
ser humano rejeita o seu amor. Quando lhe desobedecem e pecam, Ele sente
profundo pesar (Gn 6.6; Sl 78.40; Lc 19.41-44; Ef 4.30). (2) Quando, porém, o
povo de DEUS com fidelidade o segue em amor, obediência e lealdade, Ele muito
se agrada (2 Co 9.7). DEUS cuida dos seus com sentimento profundo, e os acolhe
nos seus braços como um pastor (Is 40.11) e os ama com uma ternura maior do que
a de uma mãe (Is 49.15). Note a expressão maravilhosa da benignidade de DEUS
registrada por Isaías: "Em toda a angústia deles foi ele angustiado, e o
Anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor e pela sua compaixão, ele os
remiu e os tomou, e os conduziu todos os dias da antiguidade" (Is 63.9;
cf. Is 53; Hb 4.14,15).
38.1 DEPOIS DISTO, O SENHOR
RESPONDEU A JÓ. Agora foi o próprio DEUS quem se dirigiu a Jó.
DEUS revelou a ignorância de Jó quanto ao propósito divino em tudo quanto
estava acontecendo. Jó ficou perplexo ao perceber quão pouco os seres humanos
realmente sabem e conhecem a respeito do Todo-poderoso. Por outro lado, vemos
primeiramente na resposta de DEUS a Jó, sua presença, misericórdia e amor para
com ele. (1) A oração constante de Jó, e seu mais profundo anseio para achar a
DEUS, foram por fim atendidos (ver 23.3; 29.2), confirmando que tudo continuava
bem entre ele e seu Senhor. (2) A resposta do Senhor ao seu servo Jó mostra que
chegará o dia em que DEUS responderá a todos quantos o invocam com sinceridade
e perseverança; mesmo que nossas orações partam de um coração confuso,
duvidoso, frustrado ou revoltado, DEUS por fim responderá com sua presença, seu
consolo e palavra. (3) O aspecto mais importante em nossa comunhão com DEUS não
é a compreensão racional de todos os caminhos de DEUS, mas, sim, a experiência
e realidade da sua divina presença e a certeza de que tudo está bem entre nós e
Ele. Estando nós em comunhão com DEUS, poderemos suportar qualquer provação que
tivermos de enfrentar.
38.3 CINGE OS TEUS LOMBOS COMO HOMEM. As palavras que DEUS falou a Jó
são extraordinárias pelo que enunciam e pelo que não -enunciam. (1) É
surpreendente que ninguém jamais explicou a Jó por que ele sofria. Ele nunca
soube que seu sofrimento abrangia assuntos tão relevantes como a integridade e
justificação da obra divina redentora entre a caída raça humana (ver 1.8,9
notas). O silêncio de DEUS nesse assunto indica que a razão do sofrimento de Jó
não era o assunto mais importante em jogo. (2) Tampouco DEUS não fez menção das
impensadas e extremadas palavras de Jó nos seus discursos. DEUS não o
repreendeu duramente, nem levou em conta a sua precipitação. DEUS compreendia o
sofrimento de Jó e usou de compaixão quanto às suas palavras e sentimentos.
38.4 QUANDO EU FUNDAVA A TERRA. As palavras de DEUS no livro de Jó
versam totalmente sobre o mundo natural, i.e., a criação e a natureza. DEUS
descreve o enigma e a complexidade do universo, e revela que seu método de
governar o mundo ultrapassa em muito a nossa capacidade de entender. DEUS
queria que Jó soubesse que sua atividade no âmbito da natureza é análoga ao seu
governo na esfera moral e espiritual do universo, e que nesta vida o homem não
terá uma compreensão total dos caminhos de DEUS. Mas o livro de Jó realmente
revela que quando finalmente a verdade completa for conhecida, ver-se-á que os
caminhos e atos de DEUS são retos e justos.
38.4 FAZE-MO SABER, SE TENS INTELIGÊNCIA. DEUS repreendeu Jó por falar
sem conhecimento (v. 2) e humilhou aquele seu servo sofredor, levando-o a
reconhecer que o raciocínio humano não pode rivalizar com o de DEUS, infinito e
eterno (cf. 40.1-5). Sem rejeitar as declarações de Jó quanto à sua própria
integridade, DEUS contestou a suposição de Jó que DEUS não estaria governando o
mundo com justiça (e.g., caps. 21; 24). Mesmo assim, DEUS a seguir afirmou que
Jó nos seus diálogos com os conselheiros tinha falado corretamente a respeito
dEle (42.7). Noutras palavras, DEUS considerou o erro de julgamento de Jó como
oriundo da falta de conhecimento, e não de um fracasso na fé, nem falta de amor
sincero por seu Senhor.
39.1 SABES TU O TEMPO...? DEUS
continuou a interrogar Jó com perguntas que este não sabia responder. Ao fazer
assim, DEUS demonstrou a Jó que era uma insensatez ele querer argumentar com
DEUS. Jó humilhou-se e ficou em silêncio, porém foi reconfortado com a certeza
da coisa mais importante DEUS não o abandonara. O Senhor estava ali, face a
face.
39.2 CONTARÁS OS MESES? Se DEUS podia levar Jó a reconhecer suas próprias
limitações humanas quanto à compreensão dos caminhos de DEUS no mundo, também
podia persuadi-lo que Ele é justo e misericordioso, mesmo que Jó não
compreendesse a maneira de DEUS operar na sua vida.
40.2 PORVENTURA, O CONTENDER
CONTRA O TODO-PODEROSO É ENSINAR? DEUS mais uma vez reptou Jó a
comprovar o seu alegado de que Ele governava o mundo de modo impróprio. (1) Se
Jó não conseguia compreender como funciona a criação feita por DEUS, nem
entender como e por que as coisas acontecem, como pensaria em questionar a
DEUS, quanto a sua gestão dos assuntos da humanidade, inclusive o sofrimento
que DEUS permitiu que ele (Jó) experimentasse? (2) DEUS estava demonstrando ao
seu servo sofredor que Ele criara o mundo com sabedoria, e que o governava com
sabedoria e justiça. O infortúnio de Jó não significava que DEUS tinha deixado
de amar o seu fiel servo. (3) O sofrimento dos justos não põe em dúvida a
bondade de DEUS. Tal sofrimento está sob a vontade permissiva de DEUS,
permitida para seus propósitos -sábios, porém nem sempre por nós conhecidos.
Circunstâncias adversas não devem extinguir nossa fé no amor de DEUS por nós;
Ele as permite visando ao nosso sumo bem (Rm 8.28)
40.3 ENTÃO, JÓ RESPONDEU AO SENHOR. Jó agora teria que decidir se ia
continuar aceitando que DEUS fora injusto com ele, tendo em vista seus anos de
fiel adoração a DEUS e de obediência à sua Palavra. Persistiria Jó em confiar
em DEUS, apesar das circunstâncias insinuarem que DEUS era injusto e
arbitrário, ou continuaria firme na convicção de que DEUS parecia ser seu
inimigo?
40.4 A MINHA MÃO PONHO NA MINHA BOCA. Jó ficou extasiado ante esta nova
revelação de DEUS. Compreendeu quão insignificantes os seres humanos são,
diante da sabedoria oculta de DEUS (cf. 1 Co 2.7), e viu que não poderia
continuar a falar. Mesmo assim, Jó não estava totalmente disposto a renunciar
ao seu ponto de vista, que algo estava errado na maneira de DEUS agir com ele
(a resposta final de Jó está em 42.2-6). Mesmo assim, Jó estava chegando a
compreender que seu estranho e misterioso sofrimento não fora um mistério para
DEUS, e que ao longo dele era possível -confiar em DEUS.
40.6 ENTÃO, O SENHOR RESPONDEU A
JÓ.
A fim de levar Jó a uma plena submissão ao seu senhorio e caminhos, DEUS
continuou o seu argumento. Ele queria neutralizar o que restava da resistência
de Jó e levá-lo à plena compreensão do seu amor. Essa persistência amorosa da
parte de DEUS revela sua paciência, misericórdia e seu irrestrito cuidado pelos
sofredores.
40.8 OU ME CONDENARÁS...? O arrazoado de Jó, de que ele era inocente e
que DEUS o estava castigando de modo injusto (ver 19.6), por pouco não o levou
a acusar a DEUS. O Senhor perguntou a Jó expressamente, se este ia continuar a
manter sua limitada visão do governo divino do mundo, e desta forma rejeitar
sua justiça e bondade.
40.15 BEEMOTE. Muitos
comentaristas identificam o beemote com o hipopótamo; já o leviatã (cap. 41) é
geralmente identificado com o crocodilo gigante ou a baleia. Através dessas
ilustrações, DEUS ressalta que se Jó não podia domar os grandes animais do
mundo, não tinha condições de questionar e de instruir o DEUS que criara esses
animais (41.10). Jó precisava submeter-se, confiante, ao governo de DEUS sobre
o universo, e sobre os eventos da humanidade e da vida dos seus seguidores.
Precisava confiar em DEUS e manter a sua fé nEle tanto nos sofrimentos e
aflições da vida, como na época de bênçãos.
42.1 ENTÃO, RESPONDEU JÓ AO
SENHOR. A última resposta de Jó a DEUS foi de absoluta humildade e
submissão à sua revelação. Confessou (1) que DEUS faz tudo bem; (2) que em tudo
que DEUS permite acontecer, Ele procede com sabedoria e propósito; e, portanto,
(3) até o sofrimento dos justos tem sentido e propósito divinos.
42.3 FALEI DO QUE NÃO ENTENDIA. Jó reconheceu que os caminhos de DEUS
estão além da compreensão humana e que por falta de entendimento seu, ele
declarara que eram injustos. (1) Note que Jó, no seu sofrimento e nas suas
orações, não pecou contra DEUS. Mesmo assim, sua falta de entendimento e suas
queixas contra DEUS quase o levaram ao orgulho e à crença de que DEUS, em certo
sentido, não era perfeitamente bom. Agora, com a manifestação e revelação do
seu Senhor (cf. v. 5), sua perspectiva mudou completamente. (2) Jó reconheceu o
seu erro, e agora estava disposto a obedecer e servir a DEUS, não importando o
que viesse a acontecer-lhe. Temeria e amaria a DEUS por causa dEle mesmo, com
ou sem saúde, independentemente de qualquer vantagem pessoal. (3) Jó, ao
submeter-se totalmente a DEUS com fé, esperança e amor, mesmo ainda sofrendo,
sem saber o porquê de tudo, comprovou que a acusação de Satanás era falsa
(1.9-11) e assim vindicou o poder de DEUS para redimir a raça humana e
reconciliá-la consigo mesmo (ver 1.8,9 notas).
42.5 AGORA TE VÊEM OS MEUS OLHOS. Jó tinha orado, anteriormente, para
ver seu Redentor (19.27); agora foi atendido este seu anseio. A Palavra de DEUS
e a sua presença deram a Jó uma revelação melhor dos seus caminhos e caráter.
Através dessa experiência pessoal, Jó foi transformado por uma disposição de
perdoar, uma renovada confiança na bondade de DEUS e uma experiência do amor
divino que lhe transmitia confiança. (1) O aparecimento de DEUS a Jó foi uma
evidência da retidão deste, e é uma garantia a todos os fiéis de que o Senhor
considera as nossas sinceras indagações ao enfrentarmos provações e sofrimento
sem explicação. (2) DEUS é paciente com os seus, e deles se compadece em suas
fraquezas, seus equívocos e mesmo rancor (Hb 4.15). Em casos como o de Jó, se
perseverarmos, DEUS manifestará sua presença e nos dispensará o seu cuidado.
42.6 ME ARREPENDO NO PÓ E NA CINZA. Jó, diante da revelação de DEUS,
humilhou-se arrependido. A palavra "arrependo", aqui, indica que Jó
se considerou, bem como a sua retidão moral, como simples "pó e
cinza", diante de um DEUS santo (cf. Is 6). Jó não negou o que afirmara da
sua vida de retidão e integridade moral, mas realmente reconheceu que é
inadmissível o homem, finito que é, reclamar e queixar-se de DEUS, e
arrependeu-se disso (cf. Gn 18.27).
42.7 ACABANDO O SENHOR DE DIZER. Embora o livro de Jó não ofereça uma
explicação final para o problema do sofrimento imerecido pelo justo, a resposta
cabal não está em argumento teológico, mas num encontro pessoal entre DEUS e o
justo sofredor (como no caso de Jó). (1) Somente a presença pessoal de um DEUS
que consola e que vela pelas pessoas pode nos dar confiança na sua graça e
propósito para a nossa vida. Aos que creem em CRISTO, DEUS lhes envia o
ESPÍRITO SANTO como Ajudador e Consolador (ver Jo 14.16). (2) A presença de
DEUS, pelo ESPÍRITO SANTO, nos ensina que podemos ter confiança no amor de
DEUS, quer na adversidade, quer na bênção. O ESPÍRITO nos transmite a presença
de CRISTO e nos aponta a cruz, mediante a qual temos a garantia de que DEUS é
por nós e que Ele visa o melhor para nós (ver Rm 8.28).
42.7 PORQUE NÃO DISSESTES DE MIM O QUE ERA RETO. O Senhor reprovou os
três amigos de Jó pela sua falsa teologia da prosperidade e do sofrimento,
evidente nas suas acusações contra Jó. Os três principais erros deles foram:
(1) Ensinavam um princípio retributivo da prosperidade e do sofrimento que os justos
sempre são abençoados e que os ímpios são castigados (ver Jo 9.3). (2)
Insistiam que Jó confessasse um pecado que ele não cometera, para livrar-se do
sofrimento e receber a bênção divina. Pelo teor do seu conselho, eles tentaram
Jó a voltar-se para DEUS, visando ao proveito pessoal. Se Jó tomasse o conselho
deles, teria (a) invalidado a confiança de DEUS nele, e (b) confirmado a
acusação de Satanás, de que Jó temia a DEUS apenas em troca de bênçãos e
vantagens. (3) Falaram com arrogância, alegando terem aprovação divina para sua
doutrina e teologia falsas.
42.7 RETO, COMO O MEU SERVO JÓ. DEUS declarou que aquilo que Jó dissera
estava correto. Isso não significa que tudo quanto Jó dissera era plenamente
certo, mas que as respostas de Jó aos seus amigos eram inteiramente justas
diante de DEUS e que sua atitude lhe agradava. DEUS às vezes tolera falhas em
nossas orações e também nos permite questionar seus caminhos, estando o nosso
coração sincero e realmente entregue a Ele.
42.8 MEU SERVO JÓ. DEUS chama Jó
"meu servo" (vv. 7,8) e afirma duas vezes que sua oração foi aceita
(vv. 8,9). Jó foi plenamente restaurado ao estado de graça diante de DEUS, e
obteve autoridade espiritual com DEUS. DEUS atendera a oração intercessória de
Jó pelos seus amigos, face à condição reta de Jó diante de DEUS (vv. 8,9).
42.10 O SENHOR ACRESCENTOU A JÓ OUTRO TANTO EM DOBRO A TUDO QUANTO DANTES
POSSUÍA. A restauração das riquezas de Jó revela o propósito de DEUS para
todos os crentes fiéis. (1) Cumpriu-se o propósito divino restaurador,
concernente ao sofrimento de Jó. DEUS permitirá que Jó sofresse, por motivos
que ele não compreendia. DEUS nunca permite que o crente sofra sem um propósito
espiritual, embora talvez ele não compreenda por quê. Nesses casos o crente
deve confiar em DEUS, sabendo que Ele, na sua perfeita justiça, fará o que é
sempre melhor para nós e para seu reino. (2) Jó reconciliou-se com DEUS,
passando a ter uma vida abundantemente abençoada. Isto revela que por maiores
que forem as aflições ou dores que os fiéis tenham que passar, DEUS, no momento
certo, estenderá a mão para ajudar os que perseverarem, concedendo-lhes cura e
restauração totais. "Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim
que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso"
(Tg 5.11). (3) Todos que permanecerem fiéis a DEUS, nas provações e aflições
desta vida, chegarão por fim àquele estado de delícia e bem-aventurança na
presença de DEUS, por toda a eternidade (ver 2 Tm 4.7,8; 1 Pe 5.10; Ap 21;
22.1-5).






