quinta-feira, 15 de outubro de 2026

SEMEANDO EM TERRA BOA

 


SEMEANDO EM TERRA BOA

Texto Bíblico: Marcos 4:3-20

"Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro, sessenta, e outro, trinta" (Mt.13:23).

Os Elementos da Parábola

Para compreender o significado de "semear em terra boa", é essencial identificar os símbolos descritos por Jesus:

  • O Semeador: Representa Jesus, os evangelistas e todo aquele que anuncia a mensagem de Deus.
  • A Semente: É a Palavra de Deus. Ela é perfeita, viva e possui potencial intrínseco de transformação.
  • O Solo: Representa a disposição do coração humano ao ouvir a mensagem.

Os Quatro Tipos de Solo

Jesus descreve quatro atitudes do coração diante da Palavra:

Solo

Condição do Coração

O que acontece com a semente?

Beira do caminho

Coração endurecido e insensível.

O inimigo vem e rouba a mensagem antes que germine.

Pedregal

Coração superficial e sem profundidade.

A planta surge rápido, mas seca na primeira tribulação ou perseguição.

Entre espinhos

Coração dividido e sufocado pelas preocupações.

Os cuidados deste mundo e a ilusão das riquezas sufocam a Palavra.

Terra Boa

Coração ensinável, receptivo e obediente.

Ouve, acolhe, compreende e produz frutos abundantes (30, 60 e 100 por 1).

 

Características da "Terra Boa"

Ser uma "terra boa" não significa ser perfeito, mas ter uma disposição de espírito favorável ao crescimento espiritual:

1. Ouve e Acolhe com Atenção

A terra boa não apenas escuta o som das palavras, mas busca compreender a vontade de Deus com humildade e sem dureza de coração.

2. Permite o Enraizamento

A Palavra não fica apenas na superfície das emoções passageiras; ela penetra na mente, na vontade e nas decisões diárias.

3. É Cultivada e Limpa

O coração bom requer manutenção contínua: remover os "espinhos" (ansiedades, ganância) e as "pedras" (mágua, orgulho) para que a semente continue a crescer sem obstáculos.

4. Produz Frutos Espirituais

O fruto é a evidência visível da transformação interna (Gálatas 5:22-23). Cada pessoa produz em proporções diferentes (a trinta, a sessenta e a cem por um), mas todas as terras boas frutificam.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos a respeito da Parábola do Semeador, que é contada nos evangelhos sinóticos (cf. Mt.13:1-9; Mc.4:3-9; e Lc.8:4-8). É uma das parábolas cuja interpretação se encontra no próprio texto sagrado, um dos casos de interpretação autêntica, ou seja, o próprio Jesus explicou o significado da Parábola, de modo que não devemos senão nos circunscrever aos ensinos do Mestre Jesus, a fim de compreendermos qual o sentido da atinente Parábola. Nela precisamos apenas de aplicação e não de explicação. Nela Jesus mostra, claramente, o que é o processo da Salvação e a participação divina e humana correspondentes. Nela Jesus conta como o Evangelho será recebido no mundo. Três verdades podem ser apreendidas nesta Parábola: (a) A conversão e a frutificação espiritual dependem de como a pessoa se porta ante a Palavra de Deus; (b) haverá diferentes reações ante o evangelho, da parte do mundo – uns ouvirão, mas não entenderão (Mt.13:19); uns crerão, mas depois se desviarão (Mc.4:16-19); uns perseverarão e frutificarão em diferentes proporções (Mc.4:20); (c) os inimigos da Palavra de Deus são: Satanás; os cuidados  deste mundo; as riquezas e os prazeres pecaminosos desta vida (Mc.4:19; Lc.8:14).

I. INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA DO SEMEADOR

A interpretação da Parábola do Semeador encontra-se registrada em Mt.13:18-23, Mc.4:14-20 e Lc.8:11-15. Jesus falou sobre seis verdades fundamentais nesta Parábola: o Semeador, a Semente, o Solo, a semeadura, o crescimento e a colheita. Esta é a Parábola proferida por Jesus (Mt.13:3-8):

3. E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear.

4. E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e comeram-na;

5. e outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda.

6. Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz.

7. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na.

8. E outra caiu em boa terra e deu fruto: um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta.

Esta é a interpretação proferida por Jesus (Mateus 13:18-23):

18. Escutai vós, pois, a parábola do semeador.

19. Ouvindo alguém a palavra do Reino e não a entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho;

 20. porém o que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra e logo a recebe com alegria;

 21. mas não tem raiz em si mesmo; antes, é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se ofende;

 22. e o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera;

 23. mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro, sessenta, e outro, trinta.

1. A importância em compreender a Parábola. A Parábola do Semeador é uma das mais importantes, não apenas por constar nos evangelhos sinóticos, mas também por ser fundamental para o entendimento de outras. Ela é a porta de entrada para o entendimento das demais parábolas, é uma espécie de chave hermenêutica para o entendimento das outras parábolas. Quem não compreender sua mensagem não poderá alcançar o significado espiritual das outras. Provavelmente, nenhuma parábola de Jesus é tão bem conhecida quanto a Parábola do Semeador, pois ela precisa apenas de aplicação e não de explicação. Jesus começa com o ouvi e termina com “quem tem ouvidos para ouvir, que ouça” (Mt.13:9). Esta Parábola nos leva a três solenes reflexões:

·         Primeiro, não devemos subestimar as forças opositoras à semeadura. Jesus começou dizendo que precisamos ouvir e terminou dizendo que quem tem ouvidos, que ouça. O diabo, o mundo e a carne se armam para impedir a conversão dos pecadores.

·         Segundo, não devemos superestimar as respostas imediatas. As aparências enganam. Nem toda pessoa que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus. Muitas pessoas vão aderir à fé cristã, mas sem conversão.

·         Terceiro, não devemos subestimar o poder da Palavra. A verdade é tão poderosa que até nos terrenos pedregosos e espinhentos ela nasce e no bom solo produz a trinta, a sessenta e a cem por um. A Palavra não volta vazia. Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo os seus feixes.

2. Os elementos que constituem a Parábola do Semeador: o Semeador, a Semente e o Solo.

a) O Semeador. Note que a primeira personagem da Parábola é o Semeador. Diz, no introito da parábola, que o Semeador saiu a semear e, o que é interessante, nem sequer faz qualquer referência ao Semeador na explicação da Parábola. No entanto, se bem analisarmos a Parábola, veremos que o Semeador, embora não tenha sido explicado pelo Senhor na interpretação, é uma figura fundamental em toda a história, tão fundamental que não carece de qualquer explicação. Sem o Semeador, não haveria como a semente atingir cada um dos terrenos mencionados na Parábola. Certamente, o Semeador representa o próprio Jesus, que leva a semente, que é a Palavra de Deus. Jesus não precisava explicar quem Ele era, pois Ele mesmo ali estava e, desde o início, estava pregando a respeito da chegada do Reino de Deus. Ele é o exemplo maior para os que semeiam Sua Palavra.

b) A Semente. A Semente, diz-nos Jesus, é a Palavra do Reino, é a Palavra de Deus (Mt.13:19a). O trabalho do Semeador é levar a semente, que é a Palavra do Reino, que é o Evangelho. Não estamos aqui neste mundo para pregar costumes, doutrinas de homens, conceitos filosóficos, teses teológicas, teoria da prosperidade material, positivismo. Não e não! Estamos aqui para semear, para levar a Palavra do Reino, a Palavra de Deus. Jesus ensina-nos isto de forma clara, sucinta e objetiva: “o tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc.1:15). Muitos, nos nossos dias, se preocupam em pregar um belo e eloquente sermão, em demonstrar erudição, conhecimento filosófico, teológico, atualização e profundidade no saber humano, mas nada disto é necessário. Devemos semear, ou seja, levar a Palavra de Deus para os mais diversos terrenos existentes, de forma simples e descomplicada.

c) O Solo. Depois de nos ter mostrado o Semeador e a Semente, Jesus começa a ensinar os discípulos a respeito do Solo mencionado na Parábola, onde o Senhor se detém um pouco mais em sua explicação. Se Jesus nada fala sobre o Semeador e pouco fala sobre a Semente, é no Solo que irá concentrar a sua interpretação, pois as pessoas que ouvem a Jesus são comparadas com vários tipos de solos (Lc.8:5-8). Para nós que fomos gerados num solo fértil, precisamos desenvolver nossas raízes por meio da fé em Cristo e do estudo da Palavra de Deus cada vez mais profundo. Tempos difíceis virão, e somente aqueles que tiverem desenvolvido suas raízes abaixo da superfície, sobreviverão. O crente tem que ser como o bambu: suas raízes são profundas, resiste a qualquer tempestade; se enverga, mas não se quebra.

3. Os diferentes tipos de solos infrutíferos. As pessoas que ouvem a Palavra de Deus são comparadas com vários tipos de Solos (Lc.8:5-8). Os resultados são bem diferentes em cada um. Jesus, ao se deter no estudo dos Solos, mostra que seus discípulos deveriam dar especial atenção aos ouvintes da Palavra de Deus. A semeadura deve ser feita em todos os Solos, pois não cabe ao Semeador fazer escolha. No início pode haver a impressão de uma profícua semeadura, porém, pode acontecer que no decorrer do tempo não se colha os frutos esperado. A Parábola do Semeador revela por que Jesus não se impressionava com as multidões que o seguiam. A maioria daquelas pessoas que seguia a Cristo não produziriam frutos dignos de arrependimento. O coração delas era uma espécie de Solo infrutífero, Solo pobre. O Semeador plantou a Semente em quatro tipos de Solos diferentes. Como era de esperar, os resultados foram diferentes em cada caso.

Veja, a seguir, os três tipos de solos infrutíferos.

a) Solo “à beira do caminho” (Mt.13:4,19).

“E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e comeram-na; ouvindo alguém a palavra do Reino e não a entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho”.

A Semente que caiu à beira do caminho representa, conforme interpreta Jesus (Mt.13:19), a Palavra que foi ouvida, mas não foi entendida, de modo que o maligno vem e arrebata o que foi semeado no coração do ouvinte. O maligno é representado pelas aves que comeram a semente. Lucas ainda informa que a Semente foi pisada antes de ser comida pelas aves do céu (Lc.8:5).

O ensino de Jesus mostra-nos que a Palavra de Deus deve ser entendida por quem a ouve. Isto é importante porque, para que alguém possa entender a Palavra de Deus, é necessário que concorram dois fatores: em primeiro lugar, que a Palavra seja transmitida de modo que seja compreendida; em segundo lugar, que a pessoa que a ouve queira compreender, assim como havia o desejo dos discípulos de Cristo em entender o significado das parábolas.

b) Solo com pedregais (Mt.13:5,6).

“E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda. Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz”

A Semente que caiu sobre pedregais (ou sobre pedra, na linguagem de Lucas) representa aquele que, tendo entendido a Palavra, aceita o Evangelho, mas, como não tem raiz em si mesmo, ao surgir a perseguição, que é representado pelo Sol na Parábola, não resiste e morre, assim como a plantinha que não encontra terreno em que possa se enraizar. A perseguição provoca escândalo e, por causa disto, a pessoa abandona o Evangelho, se desvia ou apostata-se da fé.

Observe que, neste caso, houve germinação da Semente, ou seja, operou-se o Novo Nascimento. A semente germinou, ou seja, a vida surgiu, houve efetiva salvação. Todavia, a salvação, como nos ensina esta Parábola, pode morrer; ao contrário daqueles que defendem a ideia de que “uma vez salvo, salvo para sempre”. Jesus diz que o pecador recebeu a Palavra e, mais, recebeu-a com alegria, tanto que a plantinha germinou, porém, morreu. Isto quer nos ensinar que a Salvação não depende apenas do Novo Nascimento, é necessário ter raízes profundas, ter sustentabilidade. Na vida espiritual, é necessário que haja maturidade, crescimento, firmeza. A vida espiritual é dinâmica, e, como tal, não comporta nenhum momento de estagnação, de estabilidade. Quem está em Cristo, é uma nova criatura, mas uma criatura que precisa crescer até chegar a estatura de “varão perfeito’, até atingir a estatura completa de Cristo, ou seja, sempre, já que isto é impossível de ser alcançado aqui na Terra.

Jesus disse que a Semente germinou, surgiu uma pequena planta, porém, não teve para onde crescer. O terreno era pedregoso, ou seja, não tinha terra que permitisse a formação de raízes que sustentassem um crescimento. A pedra fala-nos de resistência, de dureza, de algo sem vida. Se, na nossa vida com Cristo, não deixamos que o Senhor esmiúce a penha (Jr.23:29), ou seja, esmague a pedra que é o nosso eu, a nossa autossuficiência, o terreno ficará pedregoso e não poderemos crescer espiritualmente. O resultado é que, quando vier a provação, a adversidade, não resistiremos e morreremos. A falta de crescimento faz com que o crente não resista às adversidades.

A Parábola fala-nos do Sol, que representa a tentação, a provação, a luta, o sofrimento. Isto nos mostra, claramente, que a vida com Cristo não é mil maravilhas, não é uma vida sem qualquer adversidade, como insistem em pregar os “pregadores da prosperidade” ou os “pregadores da confissão positiva”, que são os grandes responsáveis pelos escândalos que têm levado muitos a abandonarem a fé nos nossos dias.

Como afirma o sábio Salomão, o dia da adversidade também foi feito por Deus (Ec.7:14), e isto não se circunscreveu ao Antigo Testamento, já que Deus é o mesmo e não muda (Tg.1:17). Além do mais, Jesus, nesta Parábola, está falando a respeito da pregação do Evangelho, algo que é próprio da nossa dispensação.

O que nos faz vencer a dificuldade é a presença de raízes, isto é, uma sólida estrutura espiritual, resultado de uma vida de oração e de meditação na Palavra do Senhor. Os grandes heróis das Escrituras Sagradas venceram as adversidades porque tinham intimidade com Deus, porque eram portadores de um crescimento espiritual incessante. Não há como perseverarmos até o fim se não tivermos crescimento espiritual, se não tivermos raízes profundas.

c) Solo cheio de espinhos (Mt.13:7).

“E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na”.

A Semente que caiu entre os espinhos não apenas germinou, como a que caíra sobre os pedregais, como também chegou a crescer; mas, ao mesmo tempo em que ela crescia, também cresceram os espinhos, que acabaram por sufocar a planta, que também veio a morrer. Jesus identifica este terreno com aquele que, embora tenha sido salvo, embora tenha até criado raízes, não percebeu que estava entre espinhos e deu espaço para que estes espinhos crescessem.

Jesus explicou que estes espinhos são os cuidados desta vida, a sedução das riquezas, ou seja, as coisas deste mundo que acabam tendo prevalência a ponto de sufocar a planta e impedir que ela frutifique (Mt.13:22; Mc.4:19; Lc.8:14; 12:29-32; 21:34-36). Não basta apenas que tenhamos uma vida espiritual crescente, mas, além de criar raízes, temos de ser vigilantes.

Os espinhos são os cuidados desta vida, é a sedução das riquezas. A busca de riquezas materiais, a troca das coisas de cima pelas coisas deste mundo, tão condenada por Paulo na epístola aos colossenses (Cl.3:1,2), tem sido a causa de muitos fracassos espirituais, como nos registra o próprio texto sagrado em exemplos tristes como os de Balaão (Jd.11), de Acã (Js.7:20,21), de Simão (At.8:21-23). Lamentavelmente, os nossos dias são dias em que muitos não querem servir a Deus, mas se servir da obra de Deus, inclusive fazendo dos crentes meros instrumentos de lucro. Mas, o apóstolo Paulo adverte: “o amor do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males” (1Tm.6:10).

II. A IMPORTÂNCIA DE OUVIR O EVANGELHO



Após a semente cair em três Solos (corações) infrutíferos, enfim, ela caiu num Solo ideal, num Solo bom, a qual produziu satisfatoriamente. A Semente germinou e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro, sessenta, e outro, cem (Mc.4:8). Este Solo retrata aquele que, de bom e reto coração, ouve e compreende a Palavra, retém a Palavra e frutifica com perseverança. Estes são, portanto, os verdadeiros e genuínos discípulos de Jesus.

O bom Solo permite o nascimento da Semente, como também ocorrera nos pedregais e no espinhal. Mas, no bom Solo, o terreno permite o crescimento das raízes, não há resistência, a pedra dá lugar à terra, que é o mineral moído e esmiuçado pela Palavra de Deus. Sem qualquer resistência do eu, do orgulho, da autossuficiência, o pecador simbolizado pelo bom Solo é humilde de espírito, obediente e, como tal, faz o que Jesus manda.

A diferença básica entre este Solo e os demais que vimos anteriormente é que, nos outros, não houve frutificação, não houve fruto, não houve vida completa, vida plena; pelo contrário, a semente que caiu à beira do caminho, nem germinação houvera; a que caiu nos pedregais, houvera germinação, mas não crescimento; a que caiu nos espinhos, germinação e crescimento, mas não frutificação. Portanto, o que caracteriza a vida espiritual, ensina-nos Jesus nesta Parábola, é a presença do Fruto do Espírito. Por isso, Jesus, no sermão do monte, havia dito que distinguiria os salvos dos perdidos através dos frutos (Mt.7:20).

Há três fatos importantes que merecem destaque neste bom Solo:

1. Um Coração frutífero ouve e recebe a Palavra (Mc.4:20).

“E os que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra, e a recebem, e dão fruto, um, a trinta, outro, a sessenta, e outro, a cem, por um”.

Marcos nos mostra que essa pessoa ouve e recebe a Palavra. Lucas diz que ela ouve com bom e reto coração e também retém a Palavra (Lc.8:15). Essas pessoas não apenas ouvem, mas ouvem com o coração aberto, disposto, com o firme propósito de obedecer. Elas colocam em prática a mensagem e por isso frutificam. Não diz que apenas acolhe com alegria, mas acolhe e frutifica. Logo, o mais importante aqui é: ouvir, receber e praticar.

Nestes dias tão agitados em que vivemos, poucos são os que param para ouvir a Palavra de Deus. Nunca a Bíblia esteve tão disponível, porém, nunca o analfabetismo de Bíblia esteve tão em evidência. Mais escassos são aqueles que meditam no que ouvem. Mas, só os que ouvem e meditam podem colocar em prática a Palavra de Deus e frutificar; essas pessoas são aquelas que verdadeiramente se arrependem do pecado, depositam sua confiança em Cristo, nascem de novo e vivem em santificação; elas aborrecem e renunciam o pecado; amam a Cristo e servem-no com fidelidade.

2. Um coração frutífero produz fruto que vinga e cresce (Mc.4:8,9). O que distingue este Solo dos demais é que nele a Semente não apenas nasce e cresce, também o fruto vinga e cresce. Lucas diz que ele frutifica com perseverança (Lc.8:15).

“E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro, sessenta, e outro, cem. E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça”.

Jesus está descrevendo aqui o verdadeiro crente, porque fruto, ou seja, uma vida transformada é a evidência da Salvação eterna (2Co.5:17; Gl.5:19-23). A marca do verdadeiro crente é que ele produz fruto. A árvore é conhecida pelo seu fruto. Uma árvore boa produz fruto bom. A marca dessa pessoa não é apenas fruto por algum tempo, mas perseverança na frutificação; há uma constância na sua vida cristã; ela não se desvia por causa das perseguições do mundo nem fica fascinada pelos prazeres do mundo e deleites da vida; sua riqueza está no Céu e não na Terra, seu prazer está em Deus e não nos deleites da vida.

3. Um coração frutífero produz frutos em diferentes proporções (Mc.4:9,20). Embora todas as sementes sejam frutíferas, nem todas produzem na mesma proporção. Marcos descreve essa produção em ordem ascendente: trinta, sessenta e cem por um.

“E os que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra, e a recebem, e dão fruto, um, a trinta, outro, a sessenta, e outro, a cem, por um” (Mc.4:20).

Embora todos sejam frutíferos, nem todos são frutíferos na mesma proporção. Jesus nos ensina que, se todos os salvos frutificam, sem exceção, que é a marca da redenção na vida de cada discípulo seu, também é verdade que nem todos são iguais; a frutificação não é idêntica, por isso Jesus fez questão de ressaltar que um produziu cem, outro, sessenta e, ainda outro, trinta. Os crentes não são robôs em série, que não se distinguem uns dos outros, mas, muito pelo contrário, há aqueles que são mais produtivos do que outros. O Senhor, inclusive, ao se comparar à videira verdadeira, fez questão de dizer que costuma podar os menos frutíferos para que se tornem mais frutíferos (João 15:2).

III. O CHAMADO PARA ANUNCIAR O EVANGELHO

É importante frisar que o Semeador semeia a Palavra. Há muitos semeadores que semeiam doutrinas de homens, e não a Palavra; semeiam o que os homens querem ouvir, e não o que precisam ouvir; semeiam o que agrada aos ouvidos, e não o que salva a alma. Essa Semente pode parecer muito fértil, mas não produz fruto que permanece para a vida eterna. Outros pregadores pregam palavras de Deus e não a Palavra de Deus. O diabo também pregou palavras de Deus, mas ele usou a Bíblia para tentar. Palavras de Deus na boca do diabo não é a Palavra de Deus propriamente escrita, mas palavra do diabo, e elas não podem produzir frutos dignos de Deus.

Na Parábola do Semeador, certamente, o Senhor Jesus representa o Semeador. Este que durante os três anos de seu Ministério fez uma abundante semeadura, indo de cidade em cidade, de aldeia em aldeia pregando e ensinando o Evangelho do Reino, enquanto preparava e ensinava seus discípulos, os quais, depois dele, seriam enviados a todo o mundo, também como semeadores. Assim, o Semeador é todo aquele que leva a Palavra de Deus a todas as pessoas. O Senhor Jesus, como o principal Semeador, é o exemplo maior para os que semeiam Sua Palavra. Ele deu uma ordem imperativa:

“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc.16:15); “...ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (Mt.28:19,20).

A Parábola em epígrafe contém instruções para o Semeador, das quais vamos considerar algumas.

1. O Campo a ser semeado é a Terra. O Senhor Jesus falou sobre quatro tipos de lugares onde a semente foi lançada. Os hermeneutas afirmam que, na tipologia bíblica, o número quatro é o número da Terra. Assim, o Senhor Jesus ao se referir a quatro lugares onde a Semente foi lançada, queria que o Semeador soubesse que a Palavra de Deus deveria ser pregada e ensinada em todo o mundo. Certamente que os discípulos, os Semeadores que deveriam continuar a Obra iniciada por Jesus, puderam entender, quando, depois de ressuscitado, Ele lhes ordenou:

“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (Mt.28:20); “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16:15).

Existem, no mundo, grandes espaços, alguns com muitas pedras e espinhos, outros solidamente endurecidos pelas heresias satânicas, e até espaços com Solo muito bom, esperando pelos verdadeiros semeadores.

2. A Missão do Semeador é semear a Semente. “...o Semeador saiu a Semear”. Ele saiu para semear, e semear a Palavra de Deus.

·         Ele não saiu para combater as religiões.

·         Ele não saiu para semear as suas próprias ideias, ou suas opiniões pessoais.

·         Ele não saiu para semear contendas, divisões.

·         Ele não saiu para escolher onde devia semear, para estudar a qualidade da terra, para primeiro arrancar os espinhos, remover as pedras, revolver e regar o Solo endurecido, nem para matar as aves que pudessem comer as sementes, mas ele saiu para semear onde houvesse terra, não importando se boa ou má.

A Missão do Semeador é semear, em todo o tempo e em todo o lugar. A missão do homem de Deus é pregar e ensinar a Palavra de Deus, ou “semear a semente”. Os Anjos não podem fazer este trabalho.

A Missão do Espírito Santo é a de, mediante a pregação e o ensino da Palavra, convencer o pecador “...do pecado, e da justiça, e do juízo” (João 16:8), conduzindo-o, depois, à uma vida de santificação.

A Missão do Senhor Jesus é a de salvar o pecador arrependido, pois, conforme Ele mesmo afirmou, “...o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc.19:10).  Esta é a vontade do Pai: “que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:4).

Assim, o Semeador tem que se preocupar, apenas, em cumprir a sua missão: Semear. Nem o pregador, nem o Espírito Santo, nem o Senhor Jesus e nem o Pai podem obrigar a pessoa que ouviu a mensagem da Palavra a aceitar a salvação na Pessoa Bendita de nosso Senhor Jesus Cristo. O crer no Senhor Jesus Cristo “e serás salvo”, como disseram Paulo e Silas, ao carcereiro de Filipo, é uma decisão, exclusivamente, do homem. Foi o próprio Deus quem lhe deu esta liberdade de escolha, conhecida como livre arbítrio. Deus não viola essa liberdade. O ser humano é livre para aceitar a Salvação e ir para o Céu, como também para rejeitá-la, e ir para o inferno. Sabendo disto, o Semeador não pode desanimar, mas, ainda que não veja a semente germinando, deve prosseguir na sua missão, que é a de semear.

3. O trabalho do Semeador é difícil e o retorno, em números, pode ser pequeno. Todo agricultor sabe que existe um tempo para semear, e quando chega esse tempo tem que fazê-lo, caso contrário, o tempo próprio passa e não haverá colheita. Daí, se naquele momento as circunstâncias não forem favoráveis, então o semeador tem que usar a fé, a fé natural, é claro, e arriscar. Está escrito: “Quem observa o vento nunca semeará, e o que olha as nuvens nunca segará” (Ec.11:4).

Semear é um trabalho difícil, penoso, que exige fé e amor à terra. O Salmista, porém, chamou a semente de preciosa – “Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos” (Sl.126:6).

O tempo de semear é hoje, com vento ou com nuvens, conforme Paulo instruiu Timóteo: “Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo... que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm.4:1,2).

O profeta Isaias falou em semear sobre as águas, sendo que, na Bíblia, águas simbolizam dificuldades, lutas.

“Bem-aventurados vós, que semeais sobre todas as águas e que dais liberdade ao pé do boi e do jumento”(Is.32:20).

Aqui, “todas as águas” pode significar semear em todos os tipos de terrenos: à beira do caminho, nos pedregais, entre espinhos, e até em Solo bom. Dar “liberdade ao pé do boi e do jumento”, que eram e são animais de serviço, aqui pode significar dar condições financeiras, libertando os pés daqueles que são chamados para ir.

Ao usar a figura do Semeador, o Senhor Jesus deixou claro as dificuldades que terão que ser enfrentadas por aqueles que levam a Palavra de Deus. Levar a Palavra “andando e chorando”, ao que nos parece, não é bem conhecida, hoje, como foi no princípio da Igreja.

- Aqueles que estão “levando” a Semente, viajando na classe executiva de modernos aviões, em viagens ditas missionárias e hospedando-se em hotéis cinco estrelas, parece-nos que não estão “andando e chorando” e nem semeando “sobre todas as águas”.

- Aqueles que estão “levando” a Semente, viajando em estradas de primeiro mundo, em confortáveis veículos importados, parece-nos que não estão “andando e chorando”.

- Aqueles que estão “levando” a Semente, porém, confortavelmente instalados em requintados escritórios, com ar-condicionado, e todos os meios de comunicação, parece-nos que não estão “andando e chorando”.

- Aqueles que estão “levando” a Semente, porém, às custas de salários superiores a de todos os membros da Igreja, e nivelados aos dos grandes executivos, parece-nos que não estão “andando e chorando”.

4. Semear a preciosa Semente além de ser difícil, a recompensa embora certa, virá em tempo incerto. A recompensa do Semeador é certa, conforme declarou o Salmista: “...voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos”.

“Voltará” é futuro, a recompensa não é imediata. “Trazendo consigo os seus molhos” significa uma recompensa depois da colheita. Isto pode significar que muitos receberão sua recompensa depois da Grande Colheita que, biblicamente, representa o Arrebatamento da Igreja. Assim é possível pensar que muitos Semeadores só receberão suas recompensas perante o Tribunal de Cristo.

Se você é um Semeador, console-se com estas palavras, pois, conforme declarou Paulo, “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co.15:19).  Paulo nada recebeu, enquanto estava aqui, porém, pouco antes de sua morte, afirmou: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia...” (2Tm.4:7,8).

5. A Colheita não é proporcional à quantidade de Sementes semeadas. Ao propor a Parábola do Semeador acreditamos que o Senhor Jesus quis ministrar aos seus discípulos esta importante lição: de que o retorno do trabalho realizado pode não ser o que o Semeador espera. Das quatro partes de sementes que foram semeadas, três delas perderam-se, não havendo retorno. Perdeu-se 75% do plantio, aproveitando-se apenas 25%, sendo que nesta a produção média foi de 63,3%. Portanto, como na Parábola em epígrafe, os resultados serão determinados pelo coração daquele que ouve.

Lembremos que o nosso papel é pregar a Palavra, para que as pessoas ouçam, creiam e sejam salvas (Rm.10:14,15); e o papel do Espírito Santo é convencer os pecadores (João 16:8-11). Não importa as circunstâncias adversas. Não devemos observar o vento, nem as nuvens, nem o solo (Ec.11:4-6). A ordem é: “que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm.4:2). A ordem é semear a Palavra sem gastar tempo com outra coisa - “Ninguém que milita se embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (2Tm.2:4).

CONCLUSÃO

A Parábola do Semeador mostra-nos que, no Reino de Deus, devemos reconhecer os salvos pelos seus frutos. O que caracteriza a vida espiritual é a presença do fruto, não importa em que quantidade. A característica do bom Solo é a presença de fruto, é a frutificação, que venceu os obstáculos ao entendimento da Palavra, a provação do dia da adversidade bem como a sedução das coisas desta vida. Estamos continuamente lutando contra estes fatores que têm apenas um objetivo: matar-nos e destruir-nos para que não produzamos o Fruto do Espírito. Entretanto, temos de ser o bom Solo, temos de receber a Palavra do Reino em um Solo propício e exclusivo para o seu desenvolvimento em nós. Que Deus possa nos abençoar para que, em assim fazendo, tenhamos como, naquele Dia, ouvirmos do Senhor: “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt.25:34).

 


quarta-feira, 14 de outubro de 2026

A PROVISÃO DE DEUS

A PROVISÃO DE DEUS  

TEXTO BÍBLICO: 2Reis 4:1-7

“Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Sl 37:25)

 

1. O Cenário da Crise: Quando os Recursos Acabam

A mulher do relato era viúva de um dos discípulos dos profetas — alguém que temia ao Senhor. No entanto, ela enfrentava duas grandes crises:

  • Escassez financeira: A morte do marido deixou uma dívida pendente.
  • Ameaça familiar: O credor veio para levar seus dois filhos como escravos para quitar a dívida.

Lição: Ser fiel a Deus não nos isenta de passar por momentos difíceis, mas garante que não enfrentaremos as tempestades sozinhos.

2. O Mover da Provisão: Das Poucas Coisas ao Milagre

Quando Eliseu pergunta: “Que tens em casa?”, ela responde que não tem nada, a não ser uma botija de azeite. Deus frequentemente começa a provisão a partir daquilo que já temos, por menor que pareça.

1.Reconhecer o que você tem: Não despreze os pequenos começos.

A viúva achava que não tinha nada, mas o pouco azeite em sua casa era a semente para o milagre. Deus usa o que está ao nosso alcance para manifestar o Seu poder.

2.Ação de fé e obediência: Pedir vasilhas emprestadas.

Eliseu instrui a mulher a pedir vasilhas aos vizinhos: “não poucas”. A quantidade de vasilhas recolhidas determinaria a escala da provisão. A dimensão da nossa fé estabelece o espaço para a ação de Deus.

3.Intimidade e trabalho em família: Fechar a porta e derramar o azeite.

A instrução era fechar a porta com seus filhos dentro. O milagre aconteceu no secreto, em ambiente de fé e cooperação familiar, longe dos olhares de curiosos ou céticos.

4.Abundância e quitação: O azeite parou quando não havia mais vasilhas.

O azeite continuou jorrando enquanto havia recipientes. A limitação não estava na fonte divina, mas na capacidade de receber. O milagre pagou as dívidas e garantiu o sustento da família.

3. O Testemunho do Salmista (Salmo 37:25)

“Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão.”

Davi escreve esta afirmação a partir de uma vida inteira de observação. Ele viveu em cavernas, enfrentou batalhas e viu reinos caírem, mas conclui que o cuidado de Deus com os Seus é constante e intergeracional.

Aspecto

Promessa e Significado

A Fidelidade de Deus

Deus não abandona aquele que anda em retidão. O amparo divino é contínuo.

Sustento da Descendência

A provisão de Deus alcança não apenas o indivíduo, mas estende-se aos seus filhos e gerações futuras.

Paz em Meio à Crise

O pão a que o Salmo se refere representa o sustento diário essência — Deus supre o suficiente para a vida com dignidade.

Princípios Práticos sobre a Provisão Divina

  1. Deus supre além do necessário: A viúva não obteve apenas o suficiente para pagar a dívida; o azeite restante serviu para sustentar a ela e a seus filhos dali em diante.
  2. A fé exige preparação: Pedir vasilhas emprestadas antes de ver o azeite multiplicar exigiu coragem e atitude prática.
  3. Deus honra a honra: O marido da viúva era um homem temente ao Senhor, e o compromisso de Deus com a família dele permaneceu vivo mesmo após sua morte.

INTRODUÇÃO

  • A Realidade da Escassez: A falta do básico para a sobrevivência é um dos problemas mais dolorosos da vida. Desemprego, doenças, morte do provedor ou má gestão podem afetar a qualquer pessoa, independentemente de ser cristã ou não.
  • Postura Diante da Provação: Nos momentos difíceis, é necessário manter a prudência e o equilíbrio, sem murmurar. A escolha é confiar na Palavra e na soberania de Deus para vencer as adversidades ou ceder à desconfiança.
  • O Perigo do Consumismo: Muitas vezes a crise financeira resulta de falta de método, descontrole nos gastos e endividamento, o que pode prejudicar o testemunho cristão perante a sociedade.
  • Sabedoria e Gestão Financeira: O texto exorta à prática do consumo responsável:
    • Evitar desperdícios, supérfluos e dívidas.
    • Economizar nas despesas diárias (compras, água, luz).

I. LUTANDO CONTRA O IMPREVISTO


Ser tomado pelos imprevistos é muito decepcionante. Ninguém aceita isso. Mas eles acontecem, e devemos estar preparados para esses momentos. Ter equilíbrio e firmeza espiritual, esperança e fé no Senhor é fundamental para enfrentarmos as intempéries. Portanto, quando os imprevistos baterem à nossa porta não devemos nos desesperar; devemos, sim, ir ao Senhor, ou seja, conversar com Ele e crer em sua provisão (ler e medite Sl 147:7-9; At 17:25).

A seguir, analisaremos, resumidamente, o imprevisto ocorrido na vida de uma mulher e seus dois filhos, cujo cônjuge falecera e deixou uma grande dívida. Deus interveio e concedeu-lhe a provisão suficiente para atender a necessidade urgente dessa família. Essa história é muito conhecida no meio cristão tradicional e é um exemplo importantíssimo de como a provisão de Deus funciona na nossa vida. O texto base que relata essa história está em 2Reis 4:1-7.

1. A viuvez. Imagine uma pessoa que é dependente absoluto do seu cônjuge e de repente fica desamparada, ou seja, o seu marido falece e ainda deixa uma grande dívida, que para ela naquele momento era impagável. Foi o que aconteceu com uma mulher, esposa de um profeta. Mas, uma coisa interessante existia nessa família: temor a Deus (2Rs 4:1). E aos seus servos Deus não nega bem nenhum. No tempo apropriado a provisão divina chegará. “Está escrito: Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas àqueles que buscam ao Senhor bem nenhum faltará” (Sl 34:10).

2. A dívida. Essa mulher já estava muito triste com a perda que sofrera, então vem à tona outro problema: o homem tinha contraído dívidas, e seus credores foram cobrá-las. Achando-se incapaz de saldar a dívida deixada pelo seu marido, enfrentou a possibilidade do credor tomar seus dois filhos para um período de escravidão. Os credores queriam recuperar seu dinheiro logo. Então, a viúva deve ter-lhes dito: “Sinto muito, senhores, eu não tenho recursos para pagar a dívida que o meu marido contraiu”. Ao que eles responderam: “Muito bem, senhora, como não dispõe do valor necessário para quitar a dívida, de acordo com a lei, podemos levar seus dois filhos como pagamento. Eles serão nossos escravos, para compensar a dívida que seu a marido não saldou”. O texto em Levítico 25:39,40 determina que se o devedor não pudesse pagar a sua dívida, ele era obrigado a servir ao credor como escravo até o ano do jubileu.

O que seria dela, que tinha acabado de perder seu marido e que poderia perder também seus dois filhos, tendo de viver desamparada? Ela infelizmente não possuía nem dinheiro nem propriedades que pudessem oferecer aos credores para quitar a dívida assumida pelo marido

Diante daquela situação, a viúva teve de tomar uma atitude urgentíssima: pedir ajuda a alguém qualificado, que pudesse orientá-la a resolver o problema imediatamente. E quem era esse alguém? Ela sabia que Eliseu era um profeta de Deus e que, por intermédio dele, o Senhor poderia ajudá-la.

Aquela mulher procurou um servo de Deus e apresentou seu problema, pedindo socorro. Nosso comportamento deve ser o mesmo hoje. Quando enfrentamos dificuldades, devemos clamar a Deus pedindo Sua ajuda. Ele designará um cristão que o ama e obedece a Ele para nos socorrer. Deus estará sempre à nossa espera para atender e satisfazer todas as nossas verdadeiras necessidades.

Por isso nós, servos de Deus, podemos ser usados da mesma maneira que o Senhor usou Eliseu, como o objetivo de auxiliar alguém que esteja passando necessidades. Nesse momento, devemos orar apara que Deus nos mostre como podemos ajudar essa pessoa.

3. A solução. Provavelmente no início, Eliseu não sabia como poderia solucionar o problema daquela viúva aflita. Porém, depois, iluminado por Deus, ele perguntou o que havia na casa dela que pudesse ser vendido e render à família algum lucro. O que restava era uma botija de azeite.

Muitas vezes, nós nos sentimos como aquela viúva quando percebemos que o que nos resta parece algo absolutamente insignificante, de modo que nem cogitamos que aquilo possa ser usado por Deus a nosso favor. Contudo, essa história nos mostra que Deus tem poder para transformar em muito aquilo que nos parecia pouco.

Eliseu havia compreendido o que Deus podia fazer usando um simples vaso com azeite, a princípio insignificante, e então disse à mulher e a seus filhos para pedir emprestado aos vizinhos a maior quantidade de frascos vazios que pudessem.

A viúva voltou para casa, e fez exatamente o que Eliseu ordenara. Ela e seus filhos foram de porta em porta, perguntando aos vizinhos se eles poderiam emprestar quaisquer frascos vazios que tivessem. Depois de reunir os recipientes que conseguiram encontrar, a viúva e seus filhos entraram em casa e fecharam a porta. Ela pegou o pequeno recipiente com óleo e começou a derramá-lo com cuidado em um frasco vazio que havia pedido emprestado. Surpreendentemente, o conteúdo do jarro encheu o frasco até a boca e ainda havia azeite no jarro da viúva. Então ela começou a encher uma panela vazia, e o mesmo aconteceu. Mais uma vez, ela foi capaz de encher aquele recipiente e ainda ter azeite na pequena botija. Imagine como seus filhos se sentiam ao assistir àquele milagre! Sua mãe ia enchendo todos os recipientes, e o nível de azeite do pequeno jarro não acabava! Ela encheu de azeite até o último recipiente que conseguira arranjar com os vizinhos.

Finalmente, a viúva e seus filhos olharam para todos os vasos cheios do azeite que viera de sua pequena botija. Eliseu disse para ela vender o azeite e pagar a dívida deixada por seu marido. Com o dinheiro que sobrasse, ela e seus filhos poderiam viver por muito tempo. Aquilo foi realmente um milagre! Deus trouxe àquela família Sua provisão de maneira extraordinária. A partir de um único vaso de azeite que a viúva possuía, Deus foi capaz de multiplicar a quantidade de óleo de modo a atender a necessidade urgente da família.

A fé que aquela mulher tinha no Senhor tornou possível que ela saísse daquela situação crítica; permitiu que ela apresentasse seu problema a Deus e confiasse nele para orientá-la no sentido de encontrar a solução.

Deus também deseja que você creia e busque em Sua Palavra a orientação sobre o que esperar dele e sobre como agir com sabedoria nos momentos de escassez, de despensa vazia.

II. DEUS AGE COM O QUE VOCÊ TEM

1. A botija de azeite. Quando o profeta Eliseu perguntou à viúva sobre o que ela tinha em casa, a resposta da mulher vem em um tom desanimador: “Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite”. Ora, se para Deus o nada já é muita coisa, quanto mais uma botija de azeite. A provisão milagrosa lhe veio mediante o que ela já tinha: um vaso de azeite. A provisão foi dada na medida da fé que a mulher tinha e da sua capacidade de armazenamento. Deus usou o que ela possuía para multiplicar-lhe os recursos e realizar o milagre de que ela precisava. Para Deus operar um milagre a quantidade não faz nenhuma diferença. Vejamos:

·   Moisés – tinha uma vara: “… e os filhos de Israel passaram pelo meio do mar em seco…” (Êx 14:16,21, 22).

·   Sansão – tinha uma queixada de um jumento: “… e feriu com ela mil homens.” (Jz 15:15).

·   Davi – tinha uma funda e cinco pedras: “E assim… prevaleceu contra o gigante filisteu…” (1Sm 17:40,50).

·   A viúva de Sarepta – tinha farinha na panela e azeite na botija: “… e assim comeu ela… e a sua casa muitos dias” (1Rs 17:12,14,15).

·   Elias – tinha uma capa: “… e passaram ambos (Elias e Eliseu) o rio Jordão em seco.” (2Rs 2:8).

·   Os discípulos – tinham cinco pães e dois peixinhos: “… e deram de comer a quase cinco mil pessoas.” (Mc 6:37-44).

·   O apóstolo Pedro – tinha unção e poder e disse ao paralítico: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-se e anda.” (At 3:6).

·   A mulher do profeta – tinha apenas uma botija de azeite. E foi a partir desta botija de azeite que Deus operou o milagre: “E sucedeu que, todos os vasos foram cheios…” (2Rs 4:2,6,7).

O milagre, portanto, depende do que se têm. O que é que você tem em casa? Diante da pergunta, você poderia responder: “Não tenho nada”. Não seja tão pessimista para enxergar o quão é suficiente para Deus fazer um grande milagre através daquilo que você considera não ser nada. Um martelo é suficiente para transformar você num homem de grandes negócios. Deus irá operar o milagre em sua vida a partir do que você tem. Se nada oferecemos a Deus, Ele nada terá para usar. Mas Ele pode usar o pouco que temos e transformá-lo em muito. “Sem fé é impossível agradar a Deus”.

Nós podemos nem ter tudo, e, contudo, podemos ter conosco alguma coisa que Deus é capaz de abençoar abundantemente - “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Ef 3:20).

Não perca a esperança! “O pouco pode ser transformado em muito se for colocado nas mãos do Senhor e por Ele abençoado” (Mc 6:30-44). Creia!

2. A farinha na panela.  Veja outra demonstração impressionante do agir de Deus. Isso ocorreu com a viúva de Sarepta, cuja despensa estava vazia, prestes a morrer de fome, mas foi usada por Deus para sustentar o profeta Elias com o que ela tinha (leia 1Rs 17:8-16).

Após dizer que haveria seca em Israel (1Rs 17:1), o profeta Elias recebeu a ordem divina de ir à Sarepta, porque ali residia uma viúva que o sustentaria (1Rs 17:8,9). Por que Deus agiu assim? Deus poderia ter enviado Elias para a casa de um dos líderes religiosos de Sarepta que estivesse em condições de recebê-lo e hospedá-lo durante aquele período de provação. Ou, o Senhor poderia tê-lo encaminhado ao homem mais rico do local e convencesse o homem a manter Elias até quando fosse necessário. Mas Deus ordenou que o profeta buscasse o destino mais improvável, a casa mais humilde, a pessoa mais necessitada naquele momento: uma viúva sem eira nem beira.

O texto bíblico diz que a situação daquela mulher era tão crítica, que ela estava prestes a preparar a sua última refeição e aguardar, com o único filho, a morte. Então, por que Deus enviou o profeta à viúva de Sarepta, que estava vivendo um momento de dificuldade e escassez muito maior que a experimentada por ele?

A lógica de Deus se contrapõe à lógica humana. Deus não pensa como o homem, não considera as saídas e soluções que imaginamos, nem se prende ao que vemos e supomos ser o melhor para nós nas situações pelas quais passamos. Está escrito: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor” (Is 55:8). Contrário à lógica humana, Deus afirma que os “últimos serão os primeiros”; “que não veio chamar os justos, mas os pecadores”; “que não é o que entra pela boca do homem que o contamina, mas o que dela sai, pois do coração provém toda a imundície e maldade existentes”.

O que precisamos saber é que a lógica de Deus não é, nem de longe, parecida com a nossa. Ela leva em conta nossa obediência e nossa fé, e também o fato de Deus ser onisciente, onipresente, onipotente; enquanto a nossa lógica considera apenas superficialmente as coisas, por meio de nossa visão limitada.

Quando, em meio a uma gigantesca necessidade, Deus nos coloca diante de alguém com uma necessidade maior ainda e afirma que de tal pessoa virá a ajuda, é porque o milagre está sendo preparado, o milagre da dependência total do Senhor.

Sempre estamos providos de alguma coisa que satisfaz a necessidade de nosso próximo. Pelo episódio de Elias em Sarepta, Deus nos ensina uma grande lição: Ele nos mostra que mesmo na adversidade, na despensa vazia, temos algo a oferecer, ajuda a proporcionar, uma bênção a transmitir aos outros. Às vezes, é algo que nem mesmo está ao alcance de nossa vista, seja porque não imaginamos que tal coisa seja necessária para alguém, seja porque nenhum valor vemos nela, por ser tão simples ou banal.

Note a postura daquela viúva. Quando Elias se aproximou dela, no primeiro momento lhe pediu água. Ela não questionou, nem mesmo reclamou que não tinha. Água aquela mulher possuía em casa, e a deu ao profeta. Leia 1Rs 17:10-12. Ao ler este texto Deus nos revela outro princípio: quando estamos vivendo momentos de escassez, existem coisas de que não dispomos para ajudar nosso próximo, mas sempre temos algo. Pode não ser uma coisa material, como dinheiro, comida, roupa, mas podemos oferecer uma palavra de ânimo, sabedoria, apoio moral; podemos orar e confortar a pessoa, trazendo glória ao nome do Senhor.

Aquela viúva agiu com honestidade e sinceridade. “Vive o Senhor, teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela e um pouco de azeite numa botija” (1Rs 17:12a). Na escassez, quando a despensa está vazia, é assim. Você só pode dar aquilo que tem. No entanto, muitas pessoas agem diferente. Querem viver na opulência, na fartura, viver de aparências, quando na realidade de nada dispõem. Estão passando por necessidades terríveis, mas diante dos outros querem demonstrar que nada lhes falta, e ainda "fazem a festa".

“Apanhei dois cavacos e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos e morramos” (1Rs 17:12b). Mas também é verdade que em momentos de extrema necessidade, quando estamos enfrentando crises violentas de escassez, nós deixamos vencer pela desesperança, pela falta de perspectiva, pela agressividade da situação. E nesses momentos, que podem atingir qualquer um, agimos como a viúva. Ela simplesmente não acreditava em mais nada, nenhuma visão, profecia ou promessa; é o que percebemos em suas palavras: “para que o comamos e morramos”. Porém, é nesse momento que começamos a vislumbrar como a lógica de Deus funciona na escassez.

Vejamos como Elias respondeu à viúva após a declaração dela de que não tinha nada, apenas a certeza da morte. Elias lhe disse: “Não temas; vai e faze conforme a lua palavra” (1Rs 17:13a). A lógica de Deus na escassez começa por afirmar que não precisamos ter medo. O mesmo versículo, em outras versões, deixa isso bem claro: “Elias, porém, lhe disse: "Não tenha medo"(NVI); – “Não se preocupe!  - Disse Elias (NTLH).

Deus recomenda isso ao longo de toda a Bíblia. Ele afirma que se o medo, a insegurança destrutiva dominar você, o pavor o invadirá e acabará por neutralizar o potencial e a iniciativa que ainda existem em seu interior. Deus está declarando, nesse versículo, para você que está vivendo um momento de despensa vazia, um momento difícil em sua vida: ''Não temas, pois eu agirei!".

“Vai e faze conforme a tua palavra”. Elias orientou a viúva a fazer conforme o quê? Conforme a tua palavra. Ou seja, que aquela mulher agisse conforme o que ela havia dito, conforme sua própria decisão. O que Deus nos ensina aqui? Que a solução para a despensa vazia começa com nós mesmos! Começa com você, por sua própria iniciativa!

A viúva havia afirmado que possuía farinha e azeite suficientes apenas para fazer um bolo para ela e o filho. Então, o profeta lhe ordenou que fizesse um bolo primeiro para ele! Ela obedeceu, e Deus multiplicou a farinha e o azeite daquela mulher.

A viúva foi obediente à palavra que lhe foi entregue. Não à palavra do profeta, mas à palavra do próprio Deus, pois Elias falou em nome do Senhor. E ela demonstrou sua obediência e fé alimentando o profeta com a última refeição de que dispunha. A lógica humana afirmaria que, em primeiro lugar, a viúva deveria fazer um bolo para si mesma e para seu filho; e, depois de satisfeitos, as sobras seriam dadas ao profeta. Porém, a lógica de Deus inverte a lógica do homem. Deus orientou que, pela fé, a viúva deveria oferecer a primícia da farinha e do azeite ao profeta, e então crer que seus mantimentos jamais faltariam, até que as chuvas voltassem a cair. A mulher obedeceu, e isso trouxe fartura à sua casa, pois não faltou alimento para ela e seu filho, quando todos à sua volta experimentavam a escassez.

Na despensa vazia, as Escrituras requerem fé e atitude, fé e ação. A viúva de Sarepta, ao aceitar a palavra profética de Elias, demonstrou fé e submissão, obtendo a vitória em meio à luta, a fartura em meio à escassez. Assim pode acontecer conosco também!


3. Cinco pães e dois peixes (João 6:1-13; Mt 13:-21; Mc 6:30-44).
O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes realizado por Jesus é um dos que mais exerce fascínio nos seres humanos porque atinge seu maior drama: a escassez. Esse milagre nos ensina que o pouco que temos pode ser transformado em muito, se for colocado nas mãos do Senhor e por Ele abençoado.

Muitos quilômetros eram percorridos pelas multidões para fora da cidade a fim de ouvirem Jesus Cristo, todos no propósito de receber. Aliás, o homem natural, onde quer que vá, vai para receber. Nesse afã, cinco mil homens (sem contar as mulheres e crianças) partiram para ouvir Jesus no deserto, mas esqueceram que lá não há comida e não levaram provisão; então veio o mais impressionante problema logístico do ministério de Jesus: multidões que buscaram o pão da vida, o pão que desceu do céu – Jesus – padeciam do pão da terra. Mas havia um jovem precavido com cinco pães e dois peixes e, o mais importante, com um coração aberto para Jesus, disposto a dar.

Deus usa o que temos em mãos para nos abençoar, para encher a nossa despensa. O segredo não está em quanto temos, naquilo que possuímos, mas sim na entrega incondicional daquilo que temos a Deus. Tudo que aquele menino do deserto fez foi entregar a Cristo os pães e os peixes que possuía. O que aconteceria depois não dependeria dele: Jesus fez um milagre e alimentou milhares de pessoas a partir daquela entrega significativa.

Você quer ser um instrumento dos milagres de Jesus? O que você tem para dedicar ao Deus da sua salvação? Será que você está dedicando o melhor da sua vida para Deus?

III. A PROVIDÊNCIA DIVINA

1. No Antigo Testamento. Muitos são os exemplos no Antigo Testamento que mostram a providência divina, dentre eles está o cuidado com a subsistência alimentar. No tópico anterior, analisamos a multiplicação do azeite de duas viúvas, em circunstâncias diferentes e épocas diferentes. Dois homens de Deus foram usados para que esses milagres ocorressem. Dois elementos foram essenciais para que ocorressem esses milagres: fé em Deus e obediência à sua Palavra.

Não poderíamos deixar de citar a providência divina para com Israel no deserto, quando de sua peregrinação em direção à Terra prometida. Em Êxodo 16:15, vemos a providência divina dando a Israel o pão do Céu – o maná. A cada dia o maná aparecia no chão como pequenos flocos, à semelhança de geada (Ex 16:31). O povo juntava-o e fazia bolos que tinham um sabor de mel. Para os israelitas, o maná era um presente - chegava todos os dias, na quantidade necessária.

Não há Deus como o nosso, que trabalha para aqueles que nele esperam. Ele cavalga nas alturas para nos ajudar. Está assentado na sala de comando do universo, tem nas mãos o controle da história e age de tal maneira que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam. Essa não é a linguagem da conjectura hipotética, mas da certeza experimental. Deus cuida do justo e não o deixa ter fome. Davi disse: “Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Sl 37:25). Glórias ao Deus Soberano!

2. Em o Novo Testamento. Os Evangelhos mostram dois impressionantes milagres de Jesus: as duas multiplicações de pães e peixes (cf Mc 6:30-44; Mc 8:1-9). Eles demonstram a providência divina presente na vida daqueles que sofrem de escassez. Esta foi a maneira sobrenatural que o Senhor usou para suprir as necessidades dos carentes. Entrementes, assim como no Antigo Testamento Deus usava os seus profetas para socorrer os carentes, no Novo Testamento Deus convida-nos a fazer parte dessa importante missão (ler Rm 12:9-21). Deus deseja que, através de nossas vidas, socorramos aos que, realmente, são necessitados. O apóstolo Paulo exorta-nos a trabalhar para repartir com aqueles que passam por dificuldades (2Co 8:14; Ef 4:28).

Jesus disse: “Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes” (Mt 14:7). Os pobres existem e continuarão existindo, para que os cristãos generosos exerçam a caridade, a maior expressão do cristianismo verdadeiro. A igreja primitiva sobressaia-se neste mister, tanto que foi estabelecida a diaconia ou o serviço de atendimento social (ler At 6:1-10). 

O apóstolo Paulo recorda que Pedro, Tiago e João, que eram tidos como as colunas da Igreja em Jerusalém, pediram-lhe que não se esquecesse dos pobres – “recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência” (Gl 2:10).

A generosidade para com os necessitados é considerada não como um mérito à salvação, mas apenas como “um teste de caráter”. Ajudando os necessitados, romperemos com nossos próprios interesses egoístas, para acumular “tesouros no Céu” (Mt 6:19-21; Lc 12:33-34). O maior tesouro é, sem dúvida, a salvação eterna, pela graça de Cristo (Ef 2:8-10), daqueles que são levados a glorificar a Deus por nossas boas obras de generosidade (ver Mt 5:16). Você tem ajudado a quem necessita? Você se preocupa em saber quem precisa da sua ajuda? Pense nisso!

CONCLUSÃO

Quero concluir este estudo dizendo que, assim como aquela viúva (Rs 4:1-7), temos uma dívida que não podemos pagar, que herdamos de Adão e na qual incorremos todos os dias: o pecado. E o pagamento dessa dívida implicaria a morte espiritual e eterna, se não fosse o sacrifício de Cristo Jesus em nosso lugar.

Jesus pagou a nossa dívida com Sua própria vida. O apóstolo Paulo com muita propriedade escreveu: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Cl 2:14). Portanto, quando alguém aceita Jesus, com sinceridade, é salvo, e suas reais necessidades (de perdão, paz, amor, salvação, vida eterna etc.) são supridas.

Para sermos perdoados e passarmos a ter direitos a uma vida eterna, no Céu, de nada nos adiantaria nos esforçarmos para, por nossas próprias forças e justiça, sermos bonzinhos, honestos. Também não adiantaria frequentarmos regularmente uma igreja e vivermos de joelhos, pedindo perdão e infligindo nos sofrimentos e penitências. Nada disse salva o homem. A única maneira de conseguirmos o perdão de Deus, a regeneração espiritual e a vida eterna é aceitando Jesus como nosso Salvador e submetendo-nos inteiramente a Ele.

É por intermédio de Cristo, com quem está o “amém”, que Deus opera muito mais além do que pedimos ou pensamos, para a glória do Seu bendito nome e o engrandecimento do Seu reino.

 

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