terça-feira, 28 de julho de 2026

PAULO TESTIFICA DE CRISTO EM ROMA

 

PAULO TESTIFICA DE CRISTO EM ROMA

Texto Bíblico: Atos 27:1-44; 281:31

"E, na noite seguinte, apresentando-se lhe o Senhor, disse: Paulo, tem bom ânimo! Porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma" (At 23:11)

Paulo Testifica de Cristo em Roma: A Viagem e o Cumprimento da Promessa

A chegada do apóstolo Paulo a Roma, registrada na reta final do livro de Atos (especificamente nos capítulos 27 e 28), marca o cumprimento solene da promessa feita pelo próprio Senhor Jesus: "Paulo, tem bom ânimo! Porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma" (At 23:11).

Contudo, o caminho até a capital do Império Romano foi marcado por provações extraordinárias, providência divina e um testemunho inabalável que transformou prisioneiros, marinheiros e soldados em testemunhas do poder de Deus.

1. A Viagem Perigosa e o Naufrágio (Atos 27)

Como prisioneiro sob a custódia do centurião Júlio (da coorte Augusta), Paulo embarca em um navio rumo a Roma.

  • O Alerta Ignorado: Sabendo que a viagem seria perigosa devido ao período desfavorável do ano (após o Dia do Jejum), Paulo adverte os responsáveis, mas o piloto e o dono do navio, apoiados pelo centurião, decidem prosseguir.
  • A Tempestade (Euroaquilão): Um vento tempestuoso atinge a embarcação, arrastando-os por dias a fio à deriva no Mar Mediterrâneo. Diante do desespero generalizado e de dias sem ver o sol ou as estrelas, a tripulação perde toda a esperança de sobrevivência.
  • A Liderança Espiritual de Paulo: Em meio ao caos, Paulo levanta-se. Ele relata uma visão em que um anjo de Deus lhe garantiu que nenhuma vida seria perdida, embora o navio naufragasse. Paulo encoraja a todos a manterem a coragem, partindo o pão e dando graças a Deus diante de 276 pessoas a bordo.
  • O Naufrágio em Malta: Conforme predito, o navio encalha e despedaça-se na ilha de Malta. Todos os tripulantes alcançam a terra firme em segurança — alguns nadando, outros em tábuas —, cumprindo integralmente a palavra de Deus revelada a Paulo.

2. O Ministério na Ilha de Malta (Atos 28:1-10)


Mesmo na condição de prisioneiro naufragado, Paulo continua exercendo seu ministério com autoridade espiritual:

  • O Milagre da Víbora: Ao ajudar a recolher gravetos para aquecer a fogueira dos náufragos, uma víbora sai do calor e prende-se à mão de Paulo. Os nativos de Malta concluem que ele era um homicida perseguido pela justiça divina. Contudo, ao verem que Paulo sacode a fera no fogo e sofre dano algum, mudam de ideia e passam a considerá-lo um deus.
  • Curas e Acolhimento: Paulo cura o pai de Públio (o homem principal da ilha) de febre e disenteria, além de curar muitos outros enfermos da região. Como resultado, os malteses honram os náufragos grandemente e suprem todas as suas necessidades para a continuação da viagem.

3. A Chegada e o Testemunho em Roma (Atos 28:11-31)

Mesas viradas pela providência, Paulo finalmente chega a Roma. O desfecho do livro de Atos apresenta o apóstolo no coração do mundo antigo:

  • A Recepção dos Irmãos: Ao se aproximarem da cidade, cristãos romanos caminham quilômetros para encontrar Paulo nas praças do Mercado de Ápio e nas Três Vendas. Ao vê-los, Paulo dá graças a Deus e cobra novo ânimo.
  • Prisão domiciliar, mas sem impedimento: Em Roma, é concedido a Paulo viver em uma casa própria, vigiado apenas por um soldado romano. Logo nos primeiros dias, ele convoca os principais dos judeus para explicar sua situação, afirmando que estava acorrentado "por causa da esperança de Israel".
  • A Obstinação e o Testemunho: Embora alguns creiam nas palavras de Paulo, outros rejeitaram a mensagem. Diante da divisão, Paulo aplica a profecia de Isaías sobre o endurecimento espiritual do povo, declarando que a salvação de Deus havia sido enviada aos gentios, e estes a ouviriam.

Conclusão: Um Final em Aberto

O livro de Atos encerra-se com uma imagem marcante e inspiradora:

"E Paulo morou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara e recebia a todos os que vinham a ele, prestando o Reino de Deus e ensinando as coisas que dizem ao Senhor Jesus Cristo, com toda a liberdade, sem impedimento algum." (Atos 28:30-31)

A narrativa termina de forma intencionalmente aberta para mostrar que, embora o apóstolo estivesse fisicamente preso, a Palavra de Deus não estava algemada. De escravos a oficiais da guarda pretoriana (conforme o próprio Paulo menciona em suas epístolas escritas na prisão), o testemunho de Cristo penetrou nas estruturas do próprio Império Romano, provando que os propósitos de Deus sempre se cumprem, independentemente das tempestades e das prisões da vida.

INTRODUÇÃO

Neste Estudo falaremos a respeito da viagem de Paulo a Roma. Veremos que essa não foi uma viagem fácil. Paulo enfrentou grande perigo, todavia o Senhor o guardou e o levou em segurança até o seu destino final; foi da vontade de Deus que Paulo se apresentasse em Roma (cf At 23:11). Paulo proclamou com ousadia e destemor o evangelho de Cristo, tanto durante a viagem como na cidade de Roma. Ele estava preso, mas não o Evangelho de Cristo. Aliás, nenhuma criatura poderá obstar a mensagem da cruz.

I. VIAGEM DE PAULO A ROMA (At 27:1 – 28:10)

Ao chegar a Jerusalém, de sua terceira viagem missionária, após uma semana o apóstolo Paulo foi preso no Templo. Numa noite em que esteve preso, o Senhor lhe disse que ele seria testemunha em Roma, a capital do império. Paulo foi escoltado até Cesaréia, onde permaneceu sob custódia por dois anos. Foi ouvido por Félix, o governador romano da Judéia, e depois por Festo, sucessor de Félix no governo. Este sabia da inocência de Paulo, mas estava inclinado a entregá-lo aos judeus, e por esse motivo Paulo apelou para o imperador César, pois tinha esse direito como cidadão romano. A viagem de Paulo a Roma começou no outono do ano 60 de nossa era. O que parecia um simples traslado de preso haveria de ser registrado pela história como o início da maior expansão do Cristianismo que, conquistando toda a Europa Ocidental, não tardaria a chegar aos pontos mais ignorados do planeta.

1. De Cesaréia a Malta (27.1-44). A viagem começou em Cesaréia. Paulo foi colocado sob a custódia de um oficial chamado Júlio. Esse centurião fazia parte da Coorte Imperial, uma legião importante do exército romano. Como todos os outros centuriões mencionados no Novo Testamento, Júlio era um homem bondoso, justo, de excelente caráter, e que mostrava consideração por outros.

O navio levava outros prisioneiros que, como Paulo, seriam julgados em Roma. Na lista de passageiros, também estavam os nomes de Aristarco e Lucas, dois companheiros do apóstolo em viagens anteriores (ver 19:29; 20:4; Cl 4:10; Fm 24). Como diz o sábio rei de Israel, é na angústia que nasce o irmão (Pv 17:17; 18:24). O navio no qual embarcaram era de Adramítio, uma cidade da Mísia, na extremidade noroeste da Ásia Menor.
O navio passou pela costa da Palestina e aportou em Sidom, a cento e doze quilômetros de Cesaréia. Tratando de Paulo com humanidade, o centurião Júlio permitiu que o apóstolo desembarcasse para ver os amigos e obter assistência. Quando Deus nos envia, até os inimigos fazem-se amigos e os amigos tornam-se irmãos.

De Sidom, o navio atravessou a extremidade nordeste do Mediterrâneo, passando por Chipre. Apesar de serem contrários os ventos, o navio atravessou para a costa sudeste da Ásia Menor e, de lá, rumou para oeste, passando a Cilícia e Panfília, até chegar a MIRRA, uma cidade portuária na Lícia.

Lá, o centurião transferiu os prisioneiros para outro navio. A primeira embarcação não poderia levá-los até a Itália, pois voltaria ao seu porto de origem navegando pela costa oeste da Ásia Menor. O segundo navio era de Alexandria, uma cidade na costa norte da África. Carregava duzentas e setenta e seis pessoas, entre passageiros e tripulantes, e também levava uma carga de trigo.

Durante muitos dias, a embarcação avançou vagarosamente devido aos ventos contrários. Por fim, com dificuldade, a tripulação levou o navio até defronte de CNIDO, um porto na extremidade sudoeste da Ásia Menor. Uma vez que o vento estava contra eles, rumaram para o sul e navegaram ao longo da costa leste de Creta, sob a proteção da ilha. Depois de contornar o cabo de Salmona, rumaram para oeste e avançaram penosamente em meio a ventos fortes até chegar a BONS PORTOS, na costa centro-sul de Creta (At 27:8).
A essa altura, haviam perdido muito tempo devido às condições desfavoráveis de navegação, e, tendo em vista a aproximação do inverno, seria perigoso prosseguir. Devia ser final de setembro ou início de outubro, pois o Dia do jejum (Dia da Expiação) já havia passado. Paulo advertiu a tripulação sobre o perigo de continuar navegando. Se seguissem viagem, corriam o risco de perder a carga, o navio e até mesmo a vida (At 27:9-10). Contudo, o piloto e o mestre do navio desejavam prosseguir. O centurião aceitou a decisão deles, e a maioria dos tripulantes concordou. Imaginavam que o porto onde estava não era tão próprio para invernar quanto Fenice, situada a sessenta e quatro quilômetros a oeste de Bons Portos, na extremidade sudoeste de Creta.

Ao sentirem o vento sul soprar brandamente, os marinheiros pensaram que poderiam chegar até FENICE. Levantaram âncora e rumaram para oeste, costeando Creta de perto. Então, um tufão de vento, chamado Euroaquilão (At 27:14), sobreveio dos penhascos ao longo da costa. Impossibilitada de pilotar a embarcação dentro do curso desejado, a tripulação teve de deixá-la ser levada pelo vendaval. O navio foi arrastado até uma ilhota chamada CAUDA (27:16), situada de trinta a cinquenta quilômetros de Creta. Chegando ao lado protegido da ilha, tiveram dificuldade em recolher o bote que estavam rebocando, mas, por fim, conseguiram trazê-lo a bordo. Então, amarraram cordas em torno do casco do navio para que não fosse danificado pelas fortes ondas. A maior preocupação era que o navio fosse arrastado para o sul até Sirtes, um golfo na costa norte da África (costa Líbia) conhecido por seus bancos de areia. A fim de evitar que isso acontecesse, arriaram as velas e foram ao léu (27:17).
Depois de vários dias à mercê da tempestade, os tripulantes começaram a lançar fora a carga. Ao terceiro dia a armação (isto é, os mastros e velas) do navio foi lançada ao mar. Sem dúvida, uma grande quantidade de água havia entrado na embarcação, e, portanto, era necessário aliviar a carga para evitar que afundasse. Durante alguns dias, foram levados de um lado para o outro, sem poder fazer nada, sem ver o sol nem estrelas e, portanto, sem ter como determinar sua localização. Dissipou-se, afinal, toda a esperança de sobrevivência (cf 27:18-20).
O desespero foi acentuado pela fome. Os homens haviam ficado vários dias sem comer. Por certo, passaram grande parte do tempo trabalhando para salvar o navio e baldeando água para fora da embarcação. Talvez não tivessem onde cozinhar. Provavelmente, haviam perdido o apetite devido à náusea, ao medo e ao desanimo. Não havia falta de comida, mas também não havia vontade de comer.

Então, Paulo, pondo-se em pé no meio deles, transmitiu uma mensagem de esperança. Primeiro, lembrou-os com toda a delicadeza de que deveriam tê-lo atendido e permanecido em Creta. Em seguida, garantiu-lhes que, apesar da impossibilidade de salvar o navio, nenhuma vida se perderia. Como ele sabia disso? Um anjo do Senhor lhe havia aparecido naquela noite e assegurado que ele compareceria perante César em Roma. Deus havia concedido ao apostolo todos quantos navegavam com ele (27:24). Em outras palavras, eles também seriam preservados. Assim, deviam ter bom ânimo. Os tripulantes e passageiros naufragariam numa ilha, mas Paulo estava certo de que tudo ocorreria bem. Enquanto Deus tiver um lugar e um propósito na vida de alguém aqui na terra, e tal pessoa buscar a Deus e seguir a direção do Espírito Santo (cf 23:11;24:16), o Senhor o protegerá da morte.
Já se haviam passado quatorze dias desde a partida de Bons Portos. O navio estava à deriva numa região do Mediterrâneo conhecida na antiguidade como mar Adriático (chamado hoje de mar Jônico), entre a Grécia, a Itália e a áfrica. Por volta da meia-noite, pressentiram os marinheiros, talvez por som de arrebentação na praia, que se aproximava de alguma terra. Ao sondarem da primeira vez, acharam vinte braças (trinta e sete metros). Pouco tempo depois, sondaram novamente e acharam quinze braças (vinte e sete metros). Para evitar que o navio encalhasse, os marinheiros lançaram da popa quatro âncoras e oraram para que amanhecesse (cf 27:27-29).

Alguns dos marinheiros, amedrontados, tramaram deixar o navio usando o bote. Com o pretexto de largar mais âncoras da proa, estavam descendo a embarcação quando Paulo relatou a trama ao centurião. O apóstolo advertiu que, se aqueles marinheiros não permanecessem a bordo, o restante dos homens não seria salvo. Os soldados cortaram os cabos do bote e o deixaram afastar-se. Os marinheiros foram obrigados a tentar salvar-se com os outros a bordo.

Pouco depois do amanhecer, Paulo rogou a todos que se alimentassem, lembrando-os de que haviam passado duas semanas sem comer. Era chegada a hora disso. O apostolo lhes garantiu que não se perderia nem mesmo um fio de cabelo da cabeça de ninguém. Então, para dar exemplo, tomou um pão, deu graças a Deus publicamente e começou a comer (27:35). Como é fácil ficarmos com vergonha de orar na frente de outros! Muitas vezes, porém, essas orações falam mais alto que nossa pregação. Todos recobraram o ânimo e se puseram também a comer. Havia duzentas e setenta e seis pessoas a bordo do navio (At 27:35-37).
Depois de comer, aliviaram o navio, lançando o trigo ao mar. Avistaram terra firme, mas não conseguiram reconhecê-la. Decidiram, por fim, encalhar ali o navio, o mais perto possível da praia. Levantaram as âncoras e deixaram a embarcação ir ao mar. Também desamarraram o leme que havia sido suspenso anteriormente e baixaram-no de volta à sua posição normal. Alçaram a vela de proa, dirigiram-se para a praia e encalharam o navio num lugar onde duas correntes se encontravam, provavelmente um canal entre duas ilhas. A proa encravou-se firmemente na areia, mas a popa logo começou a se romper devido à violência do mar (At 27:38-41).
O parecer dos soldados era que matassem os presos, para que nenhum deles fugisse; mas o centurião, querendo salvar a Paulo, impediu-os. Ordenou aos que sabiam nadar que fossem para a praia. Os demais deviam boiar usando tábuas e outras partes do navio. Desse modo, tripulação e passageiros se salvaram em terra (cf 27:42-44). Assim que a tripulação e os passageiros chegaram à praia, descobriram que estavam na ilha de MALTA (cf 28:1).

CONTRASTE ENTRE A EXPERIÊNCIA DE PAULO NA TEMPESTADE, DENTRO DA VONTADE DE DEUS, COM A DE JONAS, QUE ESTAVA EM DESOBEDIÊNCIA.


Comparando as duas experiências, notamos: Paulo viajava para cumprir sua sagrada vocação. Jonas fugia da chamada que recebeu. Este se escondeu e dormiu durante a tempestade. Aquele dirigia as operações e encorajava os passageiros. A presença de Jonas no navio era a causa da tempestade. O navio em que Paulo viajava seria preservado de todo dano se os tripulantes respeitassem seu aviso (At 27.9,10). Jonas foi forçado a dar testemunho acerca de Deus (Jn 1.8,9). Paulo, com boa vontade e coragem, falou acerca da sua visão e do seu Deus. A presença de Jonas no navio ameaça a vida dos gentios. A presença de Paulo era uma garantia para a vida dos seus companheiros de viagem. O navio em que Jonas viajava recebeu alívio quando ele foi jogado no mar. A conversão de Paulo salvou a tripulação do navio no qual era prisioneiro. Há muita diferença em atravessar uma tempestade dentro e fora da vontade de Deus! Paulo, andando segundo o querer de Deus, em comunhão com Ele tornou-se bênção para todos quantos atravessavam o perigo com ele. Conforme Paulo anunciou, todos escaparam ilesos para a terra. Ficaram na ilha durante o inverno, um período de três meses. Mais uma vez foi manifestada a presença de Deus através de Paulo" (PEARLMAN, Myer. Atos. 1. ed. RJ: CPAD, 1995, pp. 248-49).

2. Paulo na ilha de Malta (At 28.1-10). Forçados a desembarcar em Malta, todos são tratados com singular bondade pelos nativos. Alguns deles viram o naufrágio e acompanharam o esforço das vítimas para alcançar a terra. Num gesto de bondade, acenderam uma fogueira para os recém-chegados que estavam encharcados e com frio por causa da água do mar e da chuva que caía.

Enquanto ajudava a manter a fogueira acesa, Paulo foi picado por uma cobra venenosa. Ao que parece, a cobra estava dormindo no meio dos gravetos. Quando Paulo lançou-os na fogueira, a víbora despertou e prendeu-se à mão dele, não apenas enrolando-se, mas cravando as presas. A princípio, o povo da ilha imaginou que o apóstolo era um assassino. Havia escapado do mar, mas a Justiça não o deixa viver. Em breve, começaria a inchar ou cairia morto de repente. Contudo, como Paulo não apresentou nenhuma reação à picada, mudando de parecer, chegaram à conclusão de que ele era um deus! Vemos aqui mais uma ilustração clara da leviandade e inconstância da mente e do coração humanos (cf 28:3-6).
Na época, o homem principal de Malta era Públio. Tinha uma propriedade extensa perto da praia aonde os náufragos chegaram. Esse oficial romano abastado recebeu Paulo e seus amigos benignamente e hospedou-os por três dias, até que se provessem alojamentos onde poderiam passar o inverno. A bondade desse gentio foi recompensada. Quando seu pai se achou enfermo de disenteria e febre Paulo foi visitá-lo e, orando, impôs-lhe as mãos, e o curou (cf 28:7,8). A notícia do milagre de cura espalhou-se rapidamente por toda a ilha. Nos três meses subsequentes, os demais enfermos foram levados ao apóstolo e curados. Dessa maneira, semeia Paulo uma igreja que não tardaria a florescer.

Quando chegou a hora dos náufragos partirem, como prova de sua gratidão a Paulo e Lucas, o povo de Malta lhes trouxe muito presentes que seriam de grande proveito na viagem a Roma (cf 28:9,10).


3. Paulo chega a Roma (Mt 28.11-15). Passados os três meses de inverno, quando era seguro voltar a navegar, o centurião e seus prisioneiros embarcaram num navio de Alexandria, que invernara na ilha de Malta. A embarcação tinha por insígnia “Castor e Pólux” [os “deuses gêmeos”, que na mitologia greco-romana, eram os filhos de Júpiter (Zeus), considerados pelos pagãos os deuses da navegação e os padroeiros dos navegadores].
De Malta, navegaram quase cento e trinta quilômetros até Siracusa, a capital da Silícica. O navio aportou ali três dias antes de prosseguir para Régio, na extremidade sudoeste da Itália. No dia seguinte, um vento favorável soprou do Sul, permitindo aos viajantes percorrer duzentos e noventa quilômetros rumo ao norte, junto à costa oeste da Itália, até Potéoli, no norte da baía de Nápoles. Potéoli ficava a cerca de duzentos e quarenta quilômetros de Roma. Lá, o apostolo encontrou alguns irmãos e recebeu permissão de permanecer com eles sete dias, provavelmente enquanto Júlio aguardava as instruções finais em relação aos prisioneiros. O Senhor jamais abandona os seus mensageiros. Mesmo distantes da pátria querida, faz-nos Ele nos sentirmos em casa.

A quarta etapa da viagem de Paulo, de Malta até Roma, foi feita por terra, e não por mar. Depois de poucos quilômetros eles devem ter encontrado a famosa VIA ÁPIA, que apontava diretamente para Roma, considerada por muitos como “a estrada romana mais antiga, mais reta e mais perfeita”. Os cristãos de Roma souberam da chegada e mandaram uma delegação para encontrar Paulo e seus companheiros no caminho. Alguns enfrentaram os cinquenta e poucos quilômetros até “Três Vendas”, enquanto outros perseveraram por mais quinze quilômetros até a cidade-mercado chamada “Praça de Ápio”. Deve ter sido uma experiência emocionante para Paulo encontrar pessoalmente os primeiros moradores da cidade de seus sonhos e os primeiros membros da igreja à qual ele havia escrito o seu grande tratado teológico e ético. Não nos surpreende que ele tenha dado “graças a Deus” sentindo-se “mais animado” ao vê-los (cf 28:15b).

Quando chegou, Lucas nos conta que Paulo recebeu custódia militar, o que lhe permitirá viver em sua própria casa, embora permanecesse sob a vigilância de um solado romano, a quem ficava acorrentado pelo seu pulso direito (cf At 28:16).
“Embora Paulo fosse fiel, Deus não proveu um caminho fácil e livre de problemas. Nós, da mesma forma, podemos estar na vontade de Deus, ser inteiramente fiéis a Ele, e mesmo assim sermos dirigidos por Ele através de caminhos desagradáveis, com aflições. No meio de tudo isso, sabemos, porém, que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28)” (Bíblia Pentecostal).

 


II. O EVANGELHO É PROCLAMADO NA CAPITAL DO IMPÉRIO (AT 28.16-31)

1. Prisão domiciliar (28.16). Uma vez em Roma, o apostolo recebeu permissão de morar numa residência particular, tendo em sua companhia um soldado que o guardava. Apesar de ser vigiado por um soldado, tinha liberdade de ler, escrever, receber visitas e, naturalmente, evangelizar. Paulo ficou dois anos vivendo em sua própria casa, que alugara, e ministrando aos visitantes que o procuravam com frequência. Provavelmente foi durante esse período que escreveu Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Mesmo sem liberdade, o Senhor deixa-nos livres para realizar a sua obra.

2. Apologia entre os judeus (28.17-22). Uma vez que costumava testemunhar primeiro aos judeus, Paulo enviou um convite aos seus líderes religiosos. Quando se reuniram na casa alugada do apóstolo, ele explicou o seu caso. Disse-lhes que não havia feito coisa alguma contra o povo judeu ou contra os seus costumes, mas, ainda assim, os judeus de Jerusalém o haviam entregado nas mãos dos romanos para ser julgado. As autoridades gentias não o consideraram culpado de nenhum crime e quiseram soltá-lo. Quando, porém, os judeus acusaram-no mais uma vez, o apóstolo sentiu-se compelido a apelar para César. Ao fazer esse apelo, o propósito de Paulo não era apresentar acusações contra a nação judaica, mas se defender.
Era por isto, ou seja, para não ser culpado de nenhum crime contra o povo judeu, que o apóstolo havia chamado os líderes judeus de Roma para se reunirem com ele. Na verdade, estava preso com uma cadeia por causa da esperança de Israel. A esperança de Israel é uma referência ao cumprimento das promessas feitas aos patriarcas judeus, especialmente a promessa do Messias. Os líderes judeus afirmaram não ter nenhuma informação sobre o apóstolo Paulo. Não haviam recebido da Judéia nenhuma carta a respeito dele, e nenhum dos seus compatriotas judeus havia falado mal dele. Estavam interessados, porém, em ouvir mais acerca das experiências de Paulo, pois sabiam que a fé cristã à qual ele estava associado era contestada por toda parte.

O apóstolo Paulo aproveita bem a oportunidade para anunciar que Jesus era, de fato, o Messias de Israel. Alguns deixaram-se persuadir, outros preferiram continuar na incredulidade. Entre os gentios, contudo, o evangelho expandiu-se até mesmo na elite romana.
3. Progresso do evangelho em Roma (28.23-31). Algum tempo depois, um grande número de judeus foi à residência de Paulo para ouvi-lo. O apóstolo aproveitou a oportunidade para lhes dar testemunho acerca do Reino de Deus e persuadi-los a respeito de Jesus. Para isso, usou tanto a lei de Moisés quanto os profetas, e sua exposição estendeu-se desde a manhã até à noite. Alguns creram em sua mensagem, enquanto outros continuaram incrédulos. Ao perceber que, mais uma vez, a nação judaica estava desprezando o evangelho, Paulo citou Isaias 6:9,10, em que o profeta recebeu a comissão de levar a Palavra a um povo de “coração [...] endurecido, ouvidos surdos e olhos cegos”. O apóstolo voltou a sentir o desgosto de pregar as boas-novas àqueles que não desejavam ouvi-la. Diante dessa rejeição, Paulo anunciou que levaria o evangelho aos gentios. E eles dariam ouvidos. Os judeus incrédulos partiram, discutindo entre si.

Paulo tinha liberdade considerável de pregar o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo. Apesar das intempéries surgidas e de déspotas romanos contrários à fé cristã, o progresso do Evangelho de Jesus ultrapassou os limites da inflexibilidade e rumou para conquistar as nações de forma inabalável. E ele nos alcançou. Somos gratos à determinação, ousadia e destemor deste grande missionário de Jesus Cristo, Paulo.

CONCLUSÃO

pregando o Reino de Deus e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum” (Atos28:31). Assim termina o livro de Atos. De modo repentino, sem nenhuma conclusão formal quanto ao que Deus realizou através do Espírito Santo e dos apóstolos. É preciso observar, porém, que o padrão esboçado logo no início havia se cumprido. O evangelho tinha sido pregado em Jerusalém, na Judéia, em Samaria e, por fim, no mundo gentio. Acredito que a intenção de Deus é que os Atos do Espírito Santo e a pregação do Evangelho continuem na vida do povo de Cristo até o fim dos tempos (At 2:17-21; Mt 28:18-20).

O Espírito Santo, através de Lucas, revelou o padrão daquilo que a igreja deve ser e fazer. Ele registrou exemplos da fidelidade dos crentes, do triunfo do evangelho em meio a oposição do inimigo e do poder do Espírito Santo operante na igreja e entre os homens. Esse é o padrão de Deus para as igrejas atuais e futuras, e devemos fielmente guardá-lo, proclamá-lo e vivê-lo (2Tm 1:14). Todas as igrejas devem avaliar-se segundo o que o Espírito Santo disse e fez entre os crentes dos primeiros tempos. Se o poder, a justiça, a alegria e a fé das nossas igrejas atuais não são idênticas às que lemos nas igrejas em Atos, devemos pedir a Deus, mais uma vez, uma renovação da nossa fé no Cristo ressurreto, e um novo derramamento do seu Espírito

 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

TAMAR – RESILIÊNCIA, JUSTIÇA E SOBREVIVÊNCIA


 TAMAR – RESILIÊNCIA, JUSTIÇA E SOBREVIVÊNCIA

No livro de Gênesis, o capítulo 38 interrompe a narrativa da história de José para focar em Judá e sua família. É nesse cenário que surge Tamar, uma das mulheres mais marcantes, corajosas e estrategistas das Escrituras Sagradas.

A história de Tamar é um relato sobre sobrevivência, justiça familiar, resiliência e a providência divina operando através de circunstâncias profundamente humanas e complexas.

O Drama Familiar e a Lei do Levirato

Tamar foi casada primeiramente com Er, o primogênito de Judá. A Bíblia relata que Er era mau perante o Senhor, que o fez morrer (Gn 38:7).

Seguindo os costumes da época e a lei do levirato (estabelecida posteriormente na Lei de Moisés, mas já praticada como costume patriarcal), Judá ordenou que seu segundo filho, Onã, cumprisse o dever de cunhado: casar-se com Tamar para suscitar descendência ao seu irmão falecido.

  • Onã, no entanto, evitou a gravidez porque sabia que o filho não seria considerado legalmente seu. Por essa maldade, o Senhor também o matou (Gn 38:9-10).

A Promessa Não Cumprida e a Astúcia de Tamar

Temendo perder seu caçula, Selá, que ainda era muito jovem, Judá mandou Tamar de volta para a casa de seu pai, sob a promessa de que, quando Selá crescesse, casaria com ela. No entanto, o tempo passou, Selá cresceu, e Judá não cumpriu sua palavra.

Sentindo-se traída pelo sistema patriarcal que a deixara sem marido, sem proteção e sem direitos de descendência, Tamar tomou o destino em suas próprias mãos:

  • O Disfarce: Sabendo que Judá iria a Timna tosquiar suas ovelhas, Tamar tirou as roupas de viuvez, cobriu-se com um véu para não ser reconhecida e assentou-se à entrada de Enaim.
  • O Encontro: Judá a confundiu com uma prostituta cultual (qedesha) e negociou com ela os termos. Como pagamento imediato, Tamar exigiu penhores: o seu selo (anel sinete), o seu cordão e o cajado que trazia na mão.
  • A Gravidez: Meses depois, quando a gravidez de Tamar se tornou evidente, Judá, agindo com hipocrisia e autoridade moral, ordenou que ela fosse tirada para fora e queimada viva por imoralidade.

O Desfecho e o Reconhecimento da Justiça

Quando seria executada, Tamar revelou a sua verdadeira força estratégica ao expor os penhores:

"E, sendo tirada para fora, mandou ela dizer a seu sogro: Do homem de quem são estas coisas sou concebida. E disse mais: Reconhece, peço-te, de quem são este selo, e este cordão, e este cajado." (Gênesis 38:25)

Ao ver os objetos, Judá reconheceu imediatamente que eram seus e fez uma das declarações mais honestas de sua vida: "Ela é mais justa do que eu, porquanto não a tenho dado a Selá, meu filho" (Gn 38:26). Judá reconheceu que a falha em cumprir a aliança obrigara Tamar a agir daquela maneira para garantir sua sobrevivência e continuidade familiar.

A Descendência e a Linhagem Messiana

Dessa união inesperada nasceram gêmeos: Peres e Zerá.

O significado teológico e histórico de Tamar é monumental. A linhagem que conduz diretamente ao rei Davi e, por fim, a Jesus Cristo (conforme registrado nas genealogias dos Evangelhos de Mateus e Lucas) passa exatamente por Peres, o filho de Tamar.

A inclusão de Tamar — junto com outras mulheres como Raabe, Rute e Bate-Seba — na genealogia do Messias demonstra como Deus frequentemente subverte as estruturas sociais humanas da antiguidade para cumprir Seus propósitos redentores através de pessoas marginalizadas e incompreendidas.

A história de Tamar, mencionada em Gênesis, é rica em contexto cultural e lições sobre justiça e coragem. Tamar era nora de Judá. Após a morte de seus maridos, ela se viu em uma

situação difícil, onde a continuidade da linhagem era essencial. Na cultura da época, o irmão do falecido deveria casar-se com a viúva para garantir descendência.

Após a morte de Er, o primeiro marido de Tamar, Judá prometeu que seu filho mais novo, Selá, se casaria com ela quando crescesse. No entanto, Judá não cumpriu sua promessa, temendo pela vida de Selá. Sem alternativas, Tamar tomou a ousada decisão de se disfarçar de prostituta e teve dois filhos com Judá: Pérez e Zerá. Quando a verdade veio à tona, Judá reconheceu sua falha e admitiu que Tamar agiu com justiça.

Essa história é marcante não apenas pela coragem de Tamar, mas também porque ela preservou a linhagem de Judá, do qual Jesus Cristo descende. A narrativa destaca a importância da justiça e da determinação, mesmo em circunstâncias difíceis.

A história de Tamar (nora de Judá)


Tamar era nora de Judá, mencionada no livro Gênesis. Após a morte de seus maridos, ela se disfarçou e teve dois filhos com Judá para garantir sua descendência. A história de Tamar ensina sobre justiça e coragem. Seu ousado ato preservou a linhagem de Judá, de onde veio Jesus Cristo. Ela não é a mesma Tamar, filha de Davi, que foi abusada por seu irmão.

Tamar era cananeia e casou-se com Er, o filho mais velho de Judá, um dos doze filhos de Jacó. A história de Tamar acontece em um contexto familiar e cultural onde a continuidade da descendência era essencial. No entanto, Er, seu primeiro marido, morreu sem deixar filhos, o que, segundo a tradição da época, significava que o irmão mais novo, Onã, deveria casar-se com Tamar para gerar herdeiros para o falecido.

Tamar

Onã, no entanto, evitou dar-lhe descendentes e, por isso, também foi punido por Deus e morreu. Judá, então, prometeu que quando seu terceiro filho, Selá, crescesse, ele se casaria com Tamar. Porém, com o passar do tempo, Judá não cumpriu sua promessa, temendo que Selá morresse como seus irmãos.

Sem outra escolha, Tamar tomou uma atitude ousada. Ela se disfarçou de prostituta e, sem que Judá a reconhecesse, teve dois filhos gêmeos com ele: Pérez e Zerá. Quando descobriram que estava grávida, Tamar foi acusada de adultério, mas ao revelar que Judá era o pai, ele admitiu que ela estava certa, pois ele não havia cumprido sua promessa.

A história de Tamar é marcante porque, apesar das dificuldades, ela garantiu sua descendência e foi uma das mulheres mencionadas na genealogia de Jesus Cristo. A Bíblia não relata detalhes sobre sua morte, mas sua vida é vista como um exemplo de determinação e coragem em meio às adversidades.

O que aconteceu com Tamar: principais acontecimentos

  • Tamar fica viúva de Er: Tamar se casa com Er, filho mais velho de Judá, mas Er morre sem deixar filhos.
  • Tamar fica viúva de Onã: Onã, irmão de Er, casa-se com Tamar por obrigação, mas evita gerar descendência. Deus o pune, e ele também morre.
  • A falsa promessa de Judá: Judá promete que Tamar se casaria com seu terceiro filho, Selá, quando ele crescesse, mas não cumpre a promessa.
  • Tamar se disfarça de prostituta: Para garantir sua descendência, Tamar se disfarça de prostituta e se encontra com Judá, sem que ele a reconheça.
  • Tamar fica grávida de Judá: Tamar engravida de Judá e concebe gêmeos, Pérez e Zerá.
  • Tamar é acusada de adultério: Tamar é acusada de adultério, mas ao provar que Judá é o pai das crianças, ele reconhece sua justiça.
  • Tamar garante sua descendência: Os gêmeos nascem e Tamar garante sua descendência, tornando-se parte da genealogia de Jesus.

Tamar era filha de Davi?

Não, Tamar mencionada na história com Judá não era filha de Davi. Essa Tamar aparece no livro de Gênesis 38 e era nora de Judá, um dos filhos de Jacó.

No entanto, há outra Tamar na Bíblia, que era filha do rei Davi. Ela aparece em 2 Samuel 13 sendo conhecida por ser vítima de um terrível abuso por parte de seu meio-irmão Amnom. Portanto, existem duas Tamar na Bíblia, mas a Tamar relacionada a Davi não é a mesma que a Tamar mencionada na história com Judá.

Os dois casamentos de Tamar

Tamar é uma mulher notável, mencionada em Gênesis 38. Ela era uma mulher cananeia e casou-se com Er, o filho mais velho de Judá, um dos filhos de Jacó. O contexto cultural da época enfatizava a importância da descendência, especialmente para as mulheres, que eram avaliadas na maioria pela sua capacidade de gerar filhos.

Infelizmente, Er era considerado mau aos olhos de Deus e morreu sem deixar descendentes. Segundo a tradição, a responsabilidade de gerar herdeiros recaiu sobre Onã, irmão de Er, que também foi casado com Tamar. No entanto, Onã não cumpriu seu dever e, como resultado, também recebeu a punição de Deus. Essa série de tragédias deixou Tamar em uma situação extremamente vulnerável, sem marido e sem filhos, o que a colocou em risco social e econômico.

Judá prometeu a Tamar que, quando seu filho mais novo, Selá, crescesse, ela se casaria com ele. No entanto, Judá não cumpriu essa promessa, levando Tamar a uma decisão crucial que mudaria o rumo de sua vida e garantiria sua linhagem.

A coragem de Tamar: o disfarce de prostituta

Diante da falsa promessa de Judá e da insegurança de seu futuro, Tamar decidiu tomar uma atitude ousada. Ela se disfarçou de prostituta e se posicionou à beira do caminho onde Judá passava. Essa decisão foi arriscada, mas essencial para assegurar sua descendência e dignidade.

Disfarçada de prostituta, Judá a abordou, ele não a reconheceu e, assim, teve relações com Tamar, resultando na concepção de gêmeos: Pérez e Zerá. O disfarce de Tamar simboliza sua determinação em desafiar as normas sociais e lutar por sua sobrevivência.

Sua escolha de agir em vez de esperar por Judá reflete coragem, destacando a importância da iniciativa, mesmo em situações adversas. Além disso, essa ação ilustra como as mulheres da Bíblia, muitas vezes vistas como passivas, também podiam tomar decisões poderosas. Ao agir, Tamar não apenas garantiu sua linhagem, mas também trouxe à luz a necessidade de justiça em uma sociedade que frequentemente marginalizava as mulheres.

A revelação da gravidez e a surpresa de Judá

Quando a gravidez de Tamar foi descoberta, Judá ficou indignado e a acusou de adultério, sem saber que era o pai da criança. Esse momento é crucial, pois revela a hipocrisia nas normas sociais da época, onde as mulheres eram frequentemente culpadas e punidas por ações dos homens.

A tensão aumenta quando Tamar, em vez de aceitar passivamente a condenação, decidiu revelar a verdade. Ela apresentou o cordão e o selo que Judá havia deixado com ela como prova de sua paternidade. Essa revelação não apenas expôs a verdade, mas também obrigou Judá a confrontar suas próprias falhas e responsabilidades.

Ao reconhecer que Tamar era mais justa do que ele, Judá demonstrou um momento de humildade e arrependimento. Essa parte da história destaca a importância da verdade e da justiça, mostrando que a sinceridade e a coragem de Tamar tiveram um impacto duradouro.

O reconhecimento de Judá é um testemunho de como a verdade pode prevalecer, mesmo em situações desafiadoras. A história de Tamar nos ensina que é fundamental buscarmos justiça e que a verdade sempre será revelada.

O legado de Tamar: descendência e impacto

O legado de Tamar é muito importante, pois seus filhos, Pérez e Zerá, fazem parte da genealogia de Judá e, consequentemente, da linhagem de Jesus Cristo. A menção de Tamar na genealogia de Mateus (Mateus 1:3) destaca o papel das mulheres na Bíblia e mostra que Deus pode usar qualquer pessoa, independentemente de sua origem, para cumprir Seus planos.

A história de Tamar revela a força das mulheres na Bíblia, que frequentemente enfrentaram desafios para manter sua dignidade e a continuidade de suas famílias. Como uma mulher cananeia, Tamar é parte da linhagem de Jesus, enfatizando a inclusão e a graça de Deus. Sua história nos lembra que, mesmo em situações de opressão e injustiça, é possível lutar por dignidade e justiça.

O exemplo de Tamar nos inspira a agir em defesa da verdade e a reconhecer a importância das mulheres na história da salvação. Portanto, Tamar não é apenas uma personagem bíblica, mas um símbolo de coragem e resiliência, mostrando que as ações de uma mulher podem ter um impacto duradouro e significativo na história.

CONCLUSÃO

A vida de Tamar, narrada na Bíblia, oferece importantes lições sobre coragem, justiça e perseverança. Tamar enfrentou grandes desafios, começando com a morte de seus maridos, Er e Onã, sem ter filhos. Naquela época, a falta de descendência era uma grande desgraça para as mulheres, que dependiam dos homens para segurança e dignidade. Mesmo diante da injustiça e do desprezo, Tamar não se deixou abater.

Uma das principais lições de sua história é a coragem de tomar decisões difíceis. Ao perceber que Judá, seu sogro, não cumpriria a promessa de lhe dar seu filho mais novo, Selá, ela agiu de forma ousada. Disfarçando-se de prostituta, Tamar garantiu sua própria descendência, mostrando que, em situações adversas, a ação é muitas vezes necessária para alcançar um resultado positivo.

Além disso, Tamar nos ensina sobre a importância da justiça. Quando Judá a acusou de adultério, ela revelou que ele era o pai de seus filhos. Essa revelação não apenas expôs a hipocrisia de Judá, mas também mostrou que a verdade e a justiça sempre prevalecerão. Judá reconheceu sua falha e admitiu que Tamar era mais justa do que ele.

Finalmente, a história de Tamar destaca a importância das mulheres na genealogia de Cristo. Ela se tornou ancestral de Davi e de Jesus, provando que as escolhas de uma mulher podem ter um impacto duradouro. A vida de Tamar nos lembra que, independentemente das circunstâncias, é possível lutar por justiça e dignidade, e que Deus pode usar qualquer pessoa para realizar Seus propósitos.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

AS ORAÇÕES NO ALTAR DE DEUS

AS ORAÇÕES NO ALTAR DE DEUS

 

TEXTO BIBICO: levítico 16:12,13; apocalipse 5:6-10

"cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno" (hb.4:16).

As Orações no Altar de Deus

O tema das orações no altar de Deus nos conduz ao coração da comunhão entre o Criador e a sua criação. Através das Escrituras, vemos que o altar e o incenso são símbolos profundos da intercessão, da adoração e da resposta divina aos clamores do Seu povo.

1. O Altar do Incenso no Antigo Testamento

Texto Base: Levítico 16:12,13

No Tabernáculo, o altar do incenso ficava posicionado estrategicamente diante do véu que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo.

  • A Nuvem de Incenso: O sumo sacerdote devia trazer um incensário cheio de brasas acesas do altar do holocausto e colocar incenso aromático sobre o fogo, para que a nuvem de incenso cobrisse o propiciatório (a tampa da arca), a fim de que o sacerdote não morresse.
  • Símbolo da Oração: Na tipologia bíblica, o incenso que sobe em suave aroma representa as orações dos santos subindo à presença de Deus (Salmos 141:2). O fogo fala do fervor, e a fumaça, da intercessão que ascende aos céus.

2. As Taças de Ouro no Apocalipse

Texto Base: Apocalipse 5:6-10

O apóstolo João contempla no Céu a cena gloriosa onde o Cordeiro toma o livro:

  • As Harpas e as Taças: Os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos (Apocalipse 5:8).
  • O Valor ETERNO das Orações: As Escrituras revelam que as nossas orações não se dissipam no vento; elas são recolhidas e guardadas em taças de ouro na presença de Deus. Elas fazem parte do cenário da adoração celestial e estão diretamente ligadas aos juízos e desígnios de Deus para a terra.
  • Redimidos para Reinar: O cântico novo entoado naquele momento exalta o Cordeiro que nos comprou para Deus com o Seu sangue, de toda tribo, língua, povo e nação, constituindo-nos reis e sacerdotes para o nosso Deus (Apocalipse 5:9,10). É nessa condição sacerdotal que temos livre acesso para apresentar nossas orações no altar.

3. O Trono da Graça

Texto Base: Hebreus 4:16

"Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno."

  • Acesso Confiante: Graças ao sacrifício perfeito de Cristo (o verdadeiro Cordeiro), o véu se rasgou. Não precisamos mais temer a morte ao nos achegarmos, pois o altar agora é o trono da graça.
  • Provisão Divina: Quando apresentamos nossas orações no altar de Deus, dois elementos nos são garantidos:

Misericórdia: Para o perdão dos nossos pecados e fraquezas.

Graça: O favor imerecido e a força capacitadora para nos ajudar precisamente em tempo oportuno.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos a respeito das “orações dos santos no altar do incenso”, também denominado de “altar de ouro”.

O altar do incenso apontava para a oferenda mais preciosa que podemos oferecer ao senhor: nossas orações e ações de graças.

 “suba a minha oração perante a tua face como incenso...” (salmo 141:2).

“e veio outro anjo e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono. e a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus” (ap.8:3,4).

A queima do incenso era contínua. era queimado todos os dias, de manhã e à tarde, (êx.30:7,8). Deus, assim, queria ensinar o seu povo que a oração dos seus filhos deve ser perseverante.

na bíblia sagrada encontramos exemplos de pessoas que tinham o prazer de orar ao senhor continuamente.

- O salmista Davi assim falou:

“de tarde, e de manhã, e ao meio-dia, orarei, e ele ouvirá a minha voz” (sl.55:17).

- Daniel orava três vezes ao dia:

 “três vezes no dia se punha de joelhos, e orava e dava graça, diante do seu Deus(dn.6:10).

- Paulo, recomendou as seguintes igrejas sobre o perseverar em oração, talvez lembrando do altar do incenso colocado no lugar santo do tabernáculo:

·        à igreja de colossenses, sobre a necessidade de perseverar em oração (cl.4:2).

·        à igreja em Tessalônica, de “orar sem cessar (1ts.5:17).

·        à igreja em Éfeso, para que permanecesse “orando em todo tempo...” (ef.6:18).

·        aos cristãos romanos disse: “perseverai na oração” (rm.12:12).

·        da igreja de Jerusalém, muito antes do ensino de Paulo, se diz que os irmãos “...perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (atos 2:42).

- O senhor jesus recomenda-nos a entrar em nosso quarto, fechar a porta, e, no segredo de nossos aposentos, oferecer clamores e ação de graças ao pai celeste (mt.6:6-13):

“mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu pai, que vê o que está oculto; e teu pai, que vê o que está oculto, te recompensará” (mt.6:6).

O lugar Santíssimo

o lugar santíssimo era o compartimento mais sagrado do tabernáculo. nele continha o objeto mais sagrado de Israel: a arca da aliança. ali deus manifestava a sua glória.

somente o sumo sacerdote podia entrar nesse ambiente sagrado, uma vez por ano, no décimo dia do sétimo mês (lv.23:27; lv.16:1-10; hb.9:7) para aspergir sobre o propiciatório o sangue que havia sido derramado do sacrifício anual feito para expiação dos pecados de todo o povo (lv.16:14,15; 17:11).

tal expiação apontava para o nosso sumo sacerdote por excelência, jesus cristo, o qual entrou na presença do pai oferecendo o seu próprio sangue como propiciação definitiva pelos nossos pecados (rm.3:24,25; hb.9:11-15; 10:10,12).

“mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus” (hb.10:12).

Todos os seres humanos, por causa do pecado, estavam condenados à morte eterna, ou seja, à separação de deus; mas, como jesus morreu em lugar de todos, fez-se propiciação dos nossos pecados, ou seja, permitiu que recebêssemos o favor divino.

Agora, pois, ao crermos em cristo, nossos pecados são perdoados, pois o castigo que merecíamos é atribuído a jesus e, em virtude disto, não mais somos condenados, mas somos absolvidos, ou seja, declarados justos diante de Deus.

1. O véu (êx.26:31).

é a única peça do tabernáculo que separava o lugar santo do lugar santíssimo (êx.26:33). excluía todas as pessoas, com exceção do sumo sacerdote. acentuava que deus é inacessível ao homem pecador.

somente por via do mediador nomeado por deus e do sacrifício do inocente podia o homem aproximar-se de deus.

jesus cristo, nosso sumo sacerdote entrou uma vez e para sempre com seu próprio sangue para fazer propiciação por nossos pecados e expiá-los.

com a morte de jesus, o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo (mc.15:38). agora temos livre acesso à presença do deus da glória.

“e o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo” (mc.15:38).

“tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu” (hb.10:19-23).

2. A arca da aliança.


Era o único móvel do lugar santíssimo. ela representava a própria presença de Deus entre o povo.

medidas: 1,125m de comprimento por 0,675m de largura e 0,675m de altura (êx.25:10), levando em conta o côvado de 45cm.

era construída de acácia e revestida de ouro por dentro e por fora (êx.25:11).

só podia ser carregada pelos sacerdotes (nm.9:15-17; 2sm.6:1-15), que a carregavam nos ombros, assim como faziam com todas as peças do santuário (nm.7:9).

- Sobre a arca havia dois símbolos de grande significado espiritual: dois querubins e o propiciatório.

·        os querubins (êx.25:18-20). duas figuras que representavam seres angelicais que estão no trono com deus (2sm.6:2; is.37:16), que com suas asas cobriam o “propiciatório”. ficavam diante um do outro. com as asas estendidas para cima e o rosto de cada um voltado para o rosto do outro, representavam reverência e culto a deus.

·        o propiciatório. era a tampa da arca. recebia este nome porque era o local onde o mais perfeito ato de expiação era realizado, uma vez por ano, pelo sumo sacerdote.

nele estava simbolizada a misericórdia de deus para com o povo de israel.

O sumo sacerdote fazia a propiciação pelos pecadores através de sacrifícios de animais (lv.4:20, 19:22).

é interessante notar a relação que existe entre o "propiciatório" e as palavras do apóstolo Paulo, quando disse, referindo-se a cristo: "ao qual Deus propôs para propiciação" (rm.3:25).

Jesus, com a sua morte, se torna propício (favorável) ao pecador (não ao pecado), e como sumo sacerdote apresentou a deus o seu próprio corpo em sacrifício como propiciação pelos pecados do ser humano convertido.

A morte de jesus foi propiciatória, pois ele satisfez a Deus que tinha sido ofendido pelo pecado do ho­mem:

“sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em cristo jesus, ao qual  Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus” (rm.3:24,25).

Pela obra de cristo no calvário "o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo" (mt.27:51). este símbolo da separação entre deus e os homens está agora rasgado, e os crentes têm acesso à presença de deus (hb.10:19,20; 4:14-16; rm.5:1,2). aleluia!

- Dentro da arca havia três objetos emblemáticos: as duas tábuas da lei, um vaso de ouro com maná, e mais tarde se incluiu a vara de Arão. estavam ali como testemunho às futuras gerações. lembravam a Israel o concerto e o amor de deus.

·  As tábuas da lei (o decálogo). "na arca porás o documento da aliança que te darei" (êx.25:16).

- Representavam a vontade de Deus para com o povo de israel.

- Simbolizavam também a santidade de deus e a pecaminosidade do homem.

- Lembrava aos hebreus que não se pode adorar a Deus em verdade sem se dispor a cumprir sua vontade revelada.

·       O maná. deus ordenou que fosse colocado dentro da arca um vaso de ouro contendo um gômer (3,7 litros) cheio de maná:

“e disse Moisés: esta é a palavra que o senhor tem mandado: encherás um gômer dele e o guardarás para as vossas gerações, para que vejam o pão que vos tenho dado a comer neste deserto, quando eu vos tirei da terra do Egito. como o senhor tinha ordenado a Moisés, assim Arão o pôs diante do testemunho em guarda” (êx.16:32,34).

- Este recipiente simbolizava a constante provisão divina. a lição de Deus para Israel, como também para o povo de deus da nova aliança, é que os crentes têm de depender Deus dia após dia.

- Tipifica jesus, o pão da vida que desceu do céu - "este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram, e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente" (João 6.58).

provavelmente, este objeto sagrado pode ter sido perdido quando os filisteus capturaram a arca e a conservaram consigo durante algum tempo (veja 1sm.4-6).

·     A vara de Arão que florescera.

então, o senhor disse a Moisés: torna a pôr a vara de Arão perante o testemunho, para que se guarde por sinal para os filhos rebeldes; assim, farás acabar as suas murmurações contra mim, e não morrerão(nm.17:10).

- A vara nos fala da autoridade conferida a alguém. a bíblia diz que deus fez com que essa vara miraculosamente florescesse para confirmar diante do povo a chamada de Arão e de seus descendentes para cuidar do sacerdócio (cf. nm.17:7-11; hb.9:4).

nossa autoridade quando colocada diante de Deus brota, aparece para que todos vejam e saibam que nosso ministério foi realmente dado a nós por deus.

assim como o vaso com maná, provavelmente este objeto sagrado foi perdido durante o controle da arca pelos filisteus (veja 1sm.4-6).

3. Altar do incenso (êx.30:1-10).

à semelhança dos outros móveis da tenda, o altar do incenso era feito de acácia e revestido de ouro, por isso era chamado de altar de ouro (êx.40:26).

- Medida: tinha seus quatro lados iguais; cada lado médio meio metro e sua altura era aproximadamente de um metro (cf.êx.37:25-27).

- Ornamento: os seus ornatos compunham-se de quatro chifres, bordas, quatro argolas e dois varais. tudo revestido de fino ouro.

O sumo sacerdote espargia sangue sobre os chifres do altar uma vez por ano.

“uma vez no ano, Arão fará expiação sobre os chifres do altar com o sangue da oferta pelo pecado; uma vez no ano, fará expiação sobre ele, pelas vossas gerações; santíssimo é ao senhor” (êx.30:10).

isto demonstrava que, embora o culto humano seja imperfeito (rm.8:26,27), somos "agradáveis a si no amado" por seu sangue expiador e sua intercessão perpétua (ef.1:6,7; rm.8:34; hb.9:25).

- Localização: no lugar santo, junto ao véu.

todas as manhãs e todas as tardes, quando preparavam as lâmpadas, o sumo sacerdote queimava sobre esse altar do incenso, utilizando-se de fogo tirado do altar do holocausto, o altar de cobre (lv.16:12).

- Relacionamento com o lugar santíssimo. embora o altar de incenso estivesse no lugar santo, era considerado também parte da mobília do lugar santíssimo juntamente com a arca da aliança (cf. hb.9:3,4). relacionava-se mais estreitamente com o lugar santíssimo do que com os demais móveis do lugar santo.

É descrito como o altar "que está perante a face do senhor" (lv.4:18), como se não existisse o véu entre ele e a arca. portanto, era considerado em conjunto com a arca.

O altar do incenso estava no centro (êx.30:6).

ficava em frente ao véu que separava o lugar santo do lugar santíssimo, a mostrar que a oração é o meio pelo qual se dá o contato entre o homem e Deus

“porás o altar defronte do véu que está diante da arca do testemunho, diante do propiciatório que está sobre o testemunho, onde me avistarei contigo”.

A queima do incenso era contínua (êx.30:7,8).

- Duas vezes por dia acendia-se o incenso sobre o altar e ele ardia durante o dia todo. isto ensina que os filhos de deus devem estar em constante oração.

- Acendia-se o incenso com o fogo do altar dos holocaustos, o que nos leva a notar que a oração aceitável ao senhor se relaciona com a expiação do pecado e a consagração do crente.

- Se o incenso não ardia, não havia cheiro agradável. igualmente, o crente necessita do fogo do espírito santo para que faça arder o incenso da devoção (ef.6:18). As orações frias não sobem ao trono da graça.

o incenso deveria ter uma composição especial (êx.30:34-38), não se admitindo incenso estranho (ex.30:9). composição do incenso para o altar do incenso: “estoraque, ônica e gálbano” (êx.30.34-36).

“disse mais o senhor a moisés: toma especiarias aromáticas, estoraque, e ônica, e gálbano; estas especiarias aromáticas e incenso puro de igual peso; e disto farás incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado, puro e santo; e dele, moendo, o pisarás, e dele porás diante do testemunho, na tenda da congregação, onde eu virei a ti; coisa santíssima vos será”.

- Esta composição especial nos fala que a oração não pode ser feita de qualquer modo, mas deve ter um conteúdo especialmente determinado por Deus, daí porque jesus ter nos ensinado como devemos orar, a fim de que o nosso “incenso” suba até à presença do senhor, onde ele está a interceder por nós (rm.8:34).

- Não podia ser reproduzido, pois era de uso exclusivo do senhor (êx.30:37,38).

“porém o incenso que farás conforme a composição deste, não o fareis para vós mesmos; santo será para o senhor. o homem que fizer tal como este para cheirar será extirpado do seu povo”.

O incenso deveria ser temperado e puro (ex.30:35).

- Isto nos mostra que a oração que agrada a Deus, a oração por ele exigida deve ser temperada, ou seja, deve ser feita com domínio próprio, sem fanatismo, feita conscientemente, com propósito e discernimento.

- Além de temperada, a oração deve ser pura, ou seja, a oração deve ser tal que a pessoa que está orando deve estar devidamente purificada de seus pecados.

As orações dos santos

As orações dos santos são como incenso precioso diante de Deus.

Assim como o perfume da fumaça que o incenso desprendia subia ao céu, os louvores, as rogativas e as intercessões sobem ao senhor como cheiro agradável.

1. A comunhão com Deus exige uma vida de oração.

A comunhão com Deus exige que tenhamos duas ações que são indispensáveis para que estabeleçamos uma "união no mesmo estado de espírito" com Deus: A oração e a leitura da palavra de Deus.

- Oração. é o canal pelo qual o homem exercita a sua submissão a Deus, é a forma pela qual se põe como um verdadeiro servo do senhor, é a própria exteriorização de nossa qualidade de servo de deus.

Nas páginas das escrituras sagradas, vemos, sempre, que os grandes homens de Deus eram homens de oração, bem como que os grandes fracassos espirituais ali descritos têm, como ponto em comum, a falta de oração, a falta de diálogo com Deus.

Quando o homem se distancia de Deus, podemos verificar que o distanciamento se deu, num primeiro instante, pela perda de contato entre o homem e Deus através da oração. eis porque todas as forças do mal buscam retirar o nosso tempo de oração, buscam eliminar a oração do nosso dia a dia.

A oração é a ferramenta que nos coloca em forma para podermos utilizar adequadamente as armaduras de Deus (ef.6:13-18).

Diante de tamanha importância para a oração é preciso que ela seja uma constante tanto na nossa vida pessoal, como também na vida de nossa família e de nossa igreja local, que são os grupos sociais principais aos quais nós participamos.

- A leitura da palavra de Deus. se cremos que a bíblia sagrada é realmente de Deus, temos que levá-la a sério. sendo assim o cristão deve ler a bíblia com amor.

Por que tinha Davi tantos êxitos em sua vida? porque ele não somente buscava a palavra, como demonstrava por ela um grande e aprofundado amor: oh! quanto amo a tua lei!” (sl 119.97a).

Em um outro belo e piedoso verso o salmista manifesta: "alegrar-me-ei em teus mandamentos, que eu amo" (sl 119.47).

todos aqueles que amam e amaram a bíblia sagrada são e foram pessoas abençoadas.

"bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo" (ap.1:3).

2. O cristão deve orar sem cessar (1ts.5:17).

A oração deve ser uma constante em nossas vidas, daí porque Paulo ter dito que devemos "orar sem cessar" (1ts.5:17). ou seja, devemos estar dispostos e prontos a orar ao senhor a cada instante, em cada situação.

devemos ter a nossa mente dirigida para o senhor diuturnamente, de coração e com reverência, mesmo desempenhando nossas tarefas do dia a dia.

"orando em todo tempo com toda oração e súplica no espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos" (ef.6:18).

3. A oração dos santos expressa uma série de verdades.


Orar é o ato pelo qual o crente se dirige a deus para com ele dialogar. é uma atitude que expressa em si, de uma só vez, uma série de verdades, a saber:

a)   Quando oramos, reconhecemos a soberania de deus, pois estamos dizendo que Deus é o único que pode atender aos nossos pedidos, bem como é o único que merece nosso louvor e adoração, que nada mais é que o cumprimento do grande mandamento (mt.22:36,37).

b) Quando oramos, reconhecemos a nossa insuficiência, pois demonstramos a consciência de que tudo está no controle de deus e que, sem ele, nada podemos fazer.

c)  Quando oramos, revelamos a nossa fé, pois demonstramos que nossa confiança está em deus e não em qualquer outro ser, o que significa uma ação que agrada a deus, pois sem fé é impossível agradar-lhe (hb.11:6).

d)  Quando oramos, revelamos a nossa obediência, pois cumprimos a vontade de deus expressa em sua palavra, que quer que oremos sem cessar (1ts.5:17), bem como que imitemos jesus (1co.11:1, 1pd.2:21), cujo ministério terreno foi, sobretudo, um ministério de oração.

e)   Quando oramos, demonstramos o nosso amor para com o próximo, pois intercedemos por eles e, como somos justificados, permitimos que tal oração tenha uma eficácia benévola em suas vidas, o que é o complemento do grande mandamento (mt.22:39,40), bem como a comprovação de que somos filhos de Deus (gl.3:26; 1joão 3:2).

f)    Quando oramos, demonstramos a nossa esperança, pois, ao orarmos, apresentamos nossos desejos diante de Deus, reconhecendo que devemos sempre esperar nele, que é a âncora da nossa vida e esperança (hb.6:19). afinal de contas, sabemos que Deus trabalha por aqueles que nele esperam – porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalhe para aquele que nele espera” (is.64:4).

g)  Quando oramos, toda a nossa vida torna-se uma oferta a Deus. o salmista, conhecendo perfeitamente a simbologia do incenso sagrado, assim orou ao senhor: suba a minha oração perante a tua face como incenso, e seja o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde” (sl.141:2).

CONCLUSÃO

Como está a nossa vida de oração? cultivamo-la diariamente? ou já nos conformamos com o presente século?

A igreja pode transformar o mundo. você pode transformar o mundo. o caminho? uma vida de oração.

Quando nos sentirmos cansados de orar, saibamos que Deus está presente, sempre ouvindo, sempre respondendo, talvez não do modo que esperamos, mas do modo que ele julga ser o melhor para cada um de nós.

é chegado o momento de buscarmos, ainda mais, a presença de Deus (is.55:6).

“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto”.

 

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