terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

JOSÉ, E A REALIZAÇÃO DE UM SONHO

 


 JOSÉ, E A REALIZAÇÃO DE UM SONHO           

Falar sobre José é mergulhar em uma das narrativas mais inspiradoras da Bíblia. A história dele não é apenas sobre o sucesso final, mas sobre a preparação necessária para carregar o peso de um sonho realizado.

1. O Nascimento do Sonho (Gênesis 37)

O sonho de José não nasceu de uma ambição pessoal, mas de uma revelação divina. No entanto, o erro inicial foi a imaturidade ao compartilhá-lo.

  • O Favoritismo e a Inveja: José era o filho preferido, o que gerou conflito entre seus irmãos.
  • A Túnica Colorida: Simbolizava distinção, mas também o separava dos outros.
  • Lição: Deus nos dá o sonho, mas muitas vezes precisamos aprender a silenciar até que o caráter esteja pronto para sustentá-lo.

2. O Processo da "Morte" do Sonho (Gênesis 37 - 39)

Antes de subir ao trono, José desceu ao poço e à escravidão. Este é o estágio onde muitos desistem.

  • O Poço: Representa a rejeição daqueles que deveriam nos apoiar.
  • A Casa de Potifar: José prova que a integridade não depende das circunstâncias. Mesmo como escravo, ele prosperou.
  • A Calúnia: A fidelidade de José a Deus o levou à prisão.
  • Lição: O caminho para o palácio muitas vezes passa pela prisão. O "atraso" de Deus não é negação, é treinamento.

3. A Sala de Espera: A Prisão (Gênesis 40)

Na prisão, José refinou seu dom. Ele parou de olhar para os próprios sonhos e começou a interpretar os sonhos dos outros (o copeiro e o padeiro).

  • Serviço no Caos: José se tornou o administrador da prisão.
  • O Esquecimento: O copeiro esqueceu de José por dois anos.
  • Lição: Ajudar os outros a realizarem seus sonhos enquanto o seu parecer travado é o teste final de caráter.

4. O Momento da Realização (Gênesis 41)

A realização acontece no tempo de Deus ($Kairós$), não no nosso. Quando o Faraó teve um sonho que ninguém explicava, a preparação de José encontrou a oportunidade.

  • De Prisioneiro a Governador: Em um único dia, José trocou as vestes de prisioneiro pelas de governador.
  • A Sabedoria Divina: Ele não apenas interpretou o sonho, mas deu a solução para a fome do Egito.
  • Lição: Quando Deus abre a porta, ninguém pode fechar. A preparação silenciosa de anos se torna pública em segundos.

Resumo das Lições Práticas

Etapa

Experiência de José

Atitude Necessária

Revelação

Sonhos com os feixes e estrelas

Humildade e discrição

Crise

O poço e a escravidão

Confiança na soberania de Deus

Tentação

A mulher de Potifar

Integridade e temor a Deus

Espera

Os anos na prisão

Paciência e serviço ao próximo

Realização

O governo do Egito

Mordomia e espírito de perdão


Conclusão: O Propósito Maior

A realização do sonho de José não foi para sua própria glória, mas para a preservação da vida (Gênesis 45:5-7). Ele entendeu que Deus o enviou adiante para salvar sua família e as nações.

"Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida." (Gênesis 50:20)


Texto Bíblico:  Gênesis 45:1-8

“E disse Faraó a seus servos: Acharíamos um varão como este, em quem haja o Espírito de Deus?” (Gn 41:38).


INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos a respeito da vida de José. Veremos preciosas lições que este valoroso jovem deixou como legado para todas as pessoas que sonham os sonhos de Deus. De todos os filhos de Jacó, José é, de longe, o mais focalizado pelo texto sagrado, pois, além de ter sido o instrumento de Deus para que Israel viesse a se tornar uma nação, também é um vigoroso exemplo de como deve ser o caráter de um servo do Senhor neste mundo distanciado de Deus. O seu testemunho nos mostra a possibilidade de o homem manter-se, sob a graça divina, íntegro, independentemente da idade e das circunstâncias que o envolvam.

Ele foi o mais próximo tipo de Cristo na Bíblia: amado pelo pai e invejado pelos irmãos; vendido por vinte moedas de prata; desceu ao Egito em tempos de prova; perseguido injustamente; abandonado pelo amigo; exaltado depois da aflição; salvador de seu povo.

Milhões ao longo dos séculos foram salvos com a história desse jovem valoroso. Seus atos pregam com muita contundência e penetração como deve ser o comportamento de um verdadeiro homem de Deus, mesmo que tenha que passar por dolorosas provações. José teve como principal meta não perder a comunhão com seu Deus, pois sabia que no tempo certo Deus lhe daria a recompensa pela sua fidelidade. Ele foi um homem fiel a seus pais, a seus superiores e a Deus. Ele foi fiel na adversidade e na prosperidade. Sigamos, pois, o seu exemplo!

1. A HISTÓRIA DE JOSÉ

 


José, filho de Jacó e de Raquel, ocupa a posição central na narrativa do livro do Gênesis, a partir do capítulo 37, parte conhecida pelos estudiosos das Escrituras como “o ciclo de José”.

José enfrentou terríveis provações: foi desprezado e abandonado pelos seus irmãos, vendido como escravo, exposto à tentação sexual e punido por fazer a coisa certa; suportou um longo período de encarceramento e foi esquecido por aqueles a quem ajudou. Mas José não passava muito tempo tentando saber os motivos de suas provas. Sua atitude era: “o que devo fazer agora?”. Os que conheceram José logo perceberam que Deus estava com ele em qualquer coisa que fizesse ou onde quer que fosse.

Quando você estiver enfrentado um contratempo, o primeiro passo para uma atitude semelhante à de José é reconhecer que Deus está no controle de tudo e que Ele está com você. Não há nada como a presença dele para derramar nova luz sobre a situação escura. Ao ler a história de José, note o que ele fez e cada situação. Sua atitude positiva transformou todo contratempo em progresso.

1. Filho da afeição (Gn 37:3). José é mencionado, pela vez primeira, nas Escrituras Sagradas, em Gn 30:24, quando se noticia o seu nascimento miraculoso em Padã-Arã (Gn 28:2; 30:22-24). Raquel, sua mãe e a mulher predileta de Jacó, por quem o velho patriarca havia trabalhado para Labão durante quatorze anos, era estéril. Entretanto, Deus lhe abriu a madre e José nasceu, revelando, desde logo, que se tratava de uma pessoa com uma missão especial no plano divino para a salvação do homem. Seu nome, em hebraico, significa “Deus acrescenta” ou “aquele que acrescenta”, nome dado por Raquel para expressar ao Senhor seu desejo de ter mais um filho, desejo que foi atendido, embora Raquel tenha morrido neste seu segundo parto (Gn 35:16-19).

A vida de José é narrada nos capítulos 37 a 50 de Gênesis. Jacó amava mais a José do que a todos os seus filhos (Gn 37:3), porque era filho da sua velhice, razão pela qual fez-lhe uma túnica de várias cores. Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no e não lhe podiam falar pacificamente (Gn 37:4).

2. Filho dos sonhos (Gn 37:5-11). José, aos dezessete anos de idade, teve um sonho e contou a seus irmãos. Ele lhes disse: "Estávamos nós atando molhos no campo e eis que o meu molho, levantando-se, ficou em pé; e os vossos molhos o rodeavam e se inclinavam ao meu molho". Responderam-lhe seus irmãos: "Tu, pois, reinarás sobre nós e deveras terás domínio sobre nós?". Por causa dos seus sonhos e das suas palavras o odiavam ainda mais.

Neste primeiro sonho, temos que José se dirige apenas a seus irmãos, até porque o sonho envolve tão somente ele e seus irmãos. Aqui, José revela imaturidade, o que é próprio para quem tinha a sua idade. José deveria ter guardado o sonho para si ou, quem sabe, pedir a seu pai, que, certamente, já lhe dissera a respeito das experiências que tivera com o Senhor, inclusive a visão em Betel, alguma orientação. Entretanto, José quis, com o sonho, alterar a sua posição diante de seus irmãos; não tinha percebido que não é desta maneira que alguém se impõe. Não é por força, nem por violência, mas pelo Espírito Santo que uma liderança escolhida por Deus se impõe aos demais (cf. Zc 4:6). Esta experiência José ainda não possuía e deveria aprendê-la nas diversas fases de sua vida.

Teve José outro sonho e o contou diante de seus irmãos, dizendo: "Tive ainda outro sonho; e eis que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim”. Os irmãos o odiaram por causa do sonho e seu pai repreendeu-o porque entendeu que, segundo o sonho, todos eles viriam a inclinar-se com o rosto em terra diante dele. Jacó repreendendo a José, não porque não cresse nos sonhos, mas pela própria inexperiência do filho, tanto que o velho patriarca guardou estas coisas em seu coração (Gn 37:11). Entretanto, os sonhos apenas aguçaram a beligerância entre José e seus irmãos, cuja inveja já era, então, notória e explícita.

 

Apesar da imprudência de José no tocante às revelações recebidas da parte de Deus, verdade é que era necessário, no plano divino, que ele contasse os sonhos a seus irmãos, para que se tivesse a situação que o levou ao Egito como escravo; mas isto nos serve de lição para que tenhamos muita prudência e cuidado no que toca à divulgação de nosso relacionamento com o Senhor. Há um espaço de intimidade entre o crente e o Senhor (Mt 6:6; Ap 2:17), espaço este que não deve ser divulgado a ninguém, a menos que haja uma determinação neste sentido da parte do Senhor. Não podemos nos esquecer que vivemos num mundo mal e que nem todos são nossos amigos, bem como que o nosso inimigo sempre está ao nosso derredor, buscando a quem possa tragar (1Pedro 5:8).

Os sonhos de José eram os sonhos de Deus, mas, inicialmente, seus sonhos não o levaram ao pódio, mas à cisterna; seus sonhos não o fizeram um vencedor, mas um escravo; seus sonhos não o levaram de imediato ao trono, mas à prisão. Porém, José soube esperar pacientemente o tempo de Deus. Ele compreendia que Deus era o Senhor de seus sonhos, por isso aguardou com paciência o cumprimento da promessa.

Depois do choro, vem a alegria; depois das lágrimas, vem o consolo; depois do deserto, vem a Terra Prometida; depois da humilhação, vem a exaltação; depois da cruz, vem a coroa; depois da prisão, vem o trono. José confiou em Deus, e seus sonhos foram realizados.

3. José sofreu a dor do desprezo e do abandono (Gn 37:24,25). José era o décimo primeiro filho de Jacó e o primeiro de Raquel, sua amada (Gn 49:22). Benjamim era o mais jovem de todos (Gn 49:27). Rubens, o primogênito, era instável, imoral e intempestivo (Gn 35:22; 49:4). Simeão e Levi eram violentos, cruéis e vingativos (Gn 34:25-29; 49:5,7). Porém, uma coisa eles tinham em comum: todos invejavam José e procuravam ocasião para matá-lo (Gn 37:11,18,20). Totalmente envolvidos pela inveja, decidiram matar José (Gn 37:18) e o teriam feito se Ruben, o primogênito, não lhes tivesse demovido o intento (Gn 37:18-21). José é, então, lançado numa cova até que se resolvesse o que se faria com ele. Ele foi desprezado e abandonado por aqueles que deveriam protegê-lo.

 


José perdeu, de um momento para outro, toda a sua posição privilegiada que tinha na casa de seu pai. Perdeu a “túnica de várias cores” e é posto numa cova no deserto, uma cova vazia e sem água (Gn 37:24). Seus irmãos, insensíveis e cegos pelo ódio e pela inveja, comiam pão enquanto seu irmão estava a sofrer terrivelmente naquela cova. José estava só, abandonado pelos seus próprios irmãos.

A despeito de tudo isso, aprendemos uma lição importante: um líder precisa aprender a ficar só e a depender única e exclusivamente de Deus. Era está a primeira lição que Deus dava a José e uma lição que dá a cada um de Seus servos que tem chamado para fazer parte de Sua Igreja. Nos dias em que vivemos, muitos pregam a respeito das promessas de Deus e da sua fidelidade, mas omitem o preço que deve ser pago para se apropriar de tais promessas.

II. UM ESCRAVO CHAMADO JOSÉ

José, de filho predileto, torna-se uma mercadoria, um escravo. Mas, a Bíblia diz que Deus era com ele (At 7:9).

1. O preço de um jovem (Gn 39:28) – Passando, pois, os mercadores midianitas, tiraram, e alçaram a José da cova, e venderam José por vinte moedas de prata aos ismaelitas, os quais levaram José ao Egito”.

Judá livra José da morte, convencendo seus irmãos a vendê-lo a mercadores do deserto, ismaelitas e/ou midianitas (Gn.37:27,28). José foi vendido por vinte moedas de prata, abaixo da cotação do mercado para aquisição de um escravo (cf. Êx 21:32). José foi tratado como uma mercadoria, um objeto descartável, “mas Deus era com Ele” (At 7:9).

José foi levado para o Egito, a potência política da época, onde foi vendido a Potifar, eunuco de Faraó, capitão da guarda (Gn 37:36). No Egito, inicia-se a segunda fase da vida de José. Não era mais agora o filho predileto na casa de seu pai, mas um escravo em terra estrangeira. Deus já mostra a Sua presença ao fazer com que José seja comprado por um alto funcionário da corte de Faraó. Potifar era o capitão da guarda, o encarregado da segurança de Faraó e de seus palácios, de modo que José é introduzido, ainda que na condição de escravo, num ambiente privilegiado.

Apesar de ter perdido a condição de filho predileto na casa de seu pai e de, agora, ser um escravo em terra estrangeira, José não havia perdido a companhia do Senhor. O texto sagrado é enfático ao afirmar que “o Senhor estava com José” (Gn 39:2). E por que Deus estava com ele? Porque José se manteve fiel ao Senhor. Como disse o salmista: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade” (Sl.145:18). José servia verdadeiramente a Deus, adorava a Deus pelo que Ele é, não pelo que Ele fazia ou deixava de fazer e, por isso, o Senhor estava com ele.

José decidira servir a Deus, mesmo em uma situação tão difícil, em terra estranha, longe de sua família, traído pelos seus irmãos. Apesar disso, ele mantém a posição diante de Deus: integridade e lealdade. Continuou a servi-lo, a amá-lo, pois amar a Deus é fazer o que Ele manda (João 14:5; 15:14).

Temos sido íntegros em nosso viver? Servimos a Deus tanto na alegria como na tristeza, tanto quando estamos em uma situação privilegiada, como José na casa de Jacó, quanto quando estamos como escravos em terra estrangeira, completamente sós e desamparados? Temos o mesmo sentimento que teve o patriarca Jó: “… receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal?” (Jó 2:10). Isto é ser íntegro; isto é ter o coração inteiramente dedicado a Deus, render-lhe exclusiva adoração, não importando com nada que esteja à nossa volta, as chamadas “circunstâncias”. É esta a ordem divina para os Seus servos: “… andai no temor do Senhor com fidelidade e com coração inteiro” (2Cr.19:9). Israel teve um rei por nome Amazias, que não serviu ao Senhor de coração inteiro (2Cr.25:2), motivo pelo qual teve grandes fracassos em sua vida.

 

2. José prospera, a despeito das adversidades (Gn 39:2) – “E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero...”.

Em virtude de sua fidelidade a Deus em uma situação tão adversa, José foi um varão próspero (Gn 39:2,3). Ele não abandonou a Deus apesar de toda a adversidade e, por este motivo, Deus começou a trazer bênçãos materiais para a casa de Potifar, a fim de que o próprio capitão da guarda, pessoa ignorante das coisas de Deus, pudesse exaltar a pessoa de José em sua casa - Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele e que tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em sua mão, José achou graça a seus olhos e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa e entregou na sua mão tudo o que tinha(Gn 39:3,4).

 

José conquistou uma posição de liderança na casa de Potifar graças ao seu trabalho, ao seu esforço. Quando aliamos esforço, dedicação e excelência de serviço a uma vida de comunhão com o Senhor, certamente seremos abençoados por Deus. Não se trata de um “toma-lá-dá-cá”, de uma barganha, como se ouve na atualidade, mas, sim, do resultado do poder de Deus em nossas vidas. As nossas boas obras fazem com que o nome do Senhor seja glorificado (Mt.5:16) e um bom testemunho nos traz reconhecimento na sociedade, no ambiente onde estamos.

 

3. A pureza de um jovem (Gn 39:7-12). Mas, quando tudo parecia estar bem na vida de José, surge a tentação. A mulher de Potifar quis deitar-se com José, pois ele era formoso de parecer e formoso à vista (Gn 39:6). José resistiu a esta oferta, não aceitando deitar-se com a mulher de seu senhor. Em primeiro lugar, porque era fiel a Deus e sabia que uma relação sexual fora do casamento estava fora da vontade divina. Em segundo lugar, José sabia o seu lugar: “estava na casa do seu senhor” e, por isso, bem sabia que a mulher de Potifar não se encontrava entre os bens que lhe haviam sido confiados (Gn 39:9). Em terceiro lugar, porque o adultério é um grande mal e um terrível pecado contra Deus (Gn 39:9). Vemos, assim, mais um sinal de integridade na vida de José.

Humanamente pensando, José nada teria a perder em aceitar esta oferta. Era rapaz jovem vigoroso e a mulher de seu senhor não devia ser feia. A tentação era realmente forte e, além do mais, Potifar lhe tinha absoluta confiança. No dia em que sofreu o ataque mais decidido da mulher de Potifar, não havia sequer uma testemunha que o pudesse incriminar. Entretanto, José não tinha a dimensão humana em vista, mas tão somente a dimensão divina.

José podia usar outro argumento para justificar a sua queda moral: ele era escravo. Ele podia pensar que não tinha nada a perder e, ainda, um escravo só tem que obedecer. Entretanto, José entendeu que Potifar lhe havia confiado tudo em sua casa, menos sua mulher. José sabia que a traição conjugal é uma facada nas costas, uma deslealdade que abre feridas incuráveis. Ele estava pronto a perder sua liberdade, mas não a sua consciência pura. Estava pronto a morrer, mas não a pecar. José preferiu estar na prisão, com a consciência limpa, a estar em liberdade na cama da mulher com a consciência culpada. Ele perdeu a liberdade, mas não a dignidade.

José manteve-se firme: por entender a presença de Deus em sua vida (Gn 39:2,3); por entender a bênção de Deus em sua vida (Gn 39:5); por entender que o adultério é maldade contra o cônjuge traído (Gn 39:9) e um grave pecado contra Deus (Gn 39:9).

Em relação às paixões carnais, o segredo da vitória não é resistir, mas fugir. José fugiu (Gn 39:12). E, mesmo indo para a prisão, escapou da maior de todas as prisões: a prisão da culpa e do pecado.

O exemplo de José é extremamente elucidativo nos dias de imoralidade sexual que vivemos. Ensina-se abertamente, inclusive entre “evangélicos”, que a castidade, a pureza sexual, a virgindade antes do casamento são “princípios ultrapassados”, “costumes antigos”, “falso moralismo”, pois “Deus só quer o coração”. A vida de José mostra, bem ao contrário, que a verdadeira comunhão com Deus, a integridade, está na observância das regras éticas estabelecidas pelo Senhor na Sua Palavra, em especial as relativas à moral sexual, que impõem a atividade sexual no casamento e apenas com o cônjuge.

4. A intervenção de Deus por José (At 7:10) - “e livrou-o de todas as suas tribulações e lhe deu graça e sabedoria ante faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa(At 7:10). Deus não nos livra de sermos humilhados, mas nos exalta em tempo oportuno. Deus exaltou José depois da humilhação e do sofrimento. Podemos verificar essa ação de Deus na vida de José de três formas:

 

a) Deus livrou José de todas suas aflições (At 7:10a) – “e livrou-o de todas as suas tribulações...”. Vida cristã não é ausência de aflição, mas livramento nas aflições. Depois da tempestade, vem a bonança. Depois do choro, vem a alegria.  Depois do vale, vem o monte. Depois do deserto, vem a terra prometida. Assim como Deus livrou José de todas as suas aflições, Ele é poderoso: para enxugar nossas lágrimas; para aliviar nosso fardo; para acalmar as tempestades de nosso coração; para trazer bonança para nossa vida e nos dar um tempo de refrigério.

b) Deus deu a José graça e sabedoria (At 7:10b) – “...e lhe deu graça e sabedoria ante faraó, rei do Egito...”. Deus deu graça e sabedoria a José: para entender o que ninguém entendia; para ver o que ninguém via; para discernir o que ninguém compreendia; para trazer soluções a problemas que ninguém previa. O futuro do Egito e do mundo foi revelado a José por meio do sonho do Faraó. Em José, havia o Espírito de Deus. Por meio da palavra de José, o mundo não entrou em colapso. Por expediente de José, a crise que poderia desabar sobre o Egito e as nações vizinhas foi transformada em oportunidade para Deus cumprir seus gloriosos propósitos na vida de seu povo.

c) Deus galardoou José e o fez instrumento de bênção para os outros (At 7:10c) – “...que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa”. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, diz a palavra de Deus. Deus usou José para salvar a vida de sua família. José foi o instrumento que Deus levantou para salvar o mundo da fome e da morte.

 

III – LIÇÕES DA CONDUTA DE JOSÉ PARA AS NOSSAS VIDAS

1. Prioridade na Comunhão com Deus. José, em todos os momentos de sua vida, foi uma pessoa que se preocupou em agradar, sobretudo, a Deus, em ter como prioridade o seu relacionamento com Deus. José priorizou este relacionamento com o Senhor e não esmoreceu mesmo quando foi repreendido por seu pai, por causa de um sonho que teve da parte do Senhor ou quando foi para a prisão por ter se recusado a violar a lei do Senhor ante a oferta de adultério por parte da mulher de seu senhor. Esta dedicação extrema ao Senhor, devoção, piedade e integridade é, sem dúvida, uma das mais preciosas lições que extraímos da vida de José. Pensamos nas coisas que são de cima (Cl 3:1,2)? Estamos realmente mortos para o mundo (Rm 6:2; Cl 3:3)? Não mais vivemos, mas Cristo vive em nós (Gl 2:20)?

2. Fidelidade a Deus ante as circunstâncias adversas. José foi fiel a Deus, temeu ao Senhor, não importando o que lhe aconteceu ao longo da vida. Foi fiel a Deus na casa de seu pai, como escravo em terra estranha, na casa do cárcere como preso injustiçado e no palácio de Faraó, como governador do Egito. Esta firmeza e constância é algo que devemos reproduzir no nosso andar com Cristo até que o Senhor volte ou que nos chame para a sua glória. O Senhor é bem claro em sua carta à igreja de Esmirna: “… Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2:10).

3. Disposição para o perdão. José jamais se vingou daqueles que lhe prejudicaram: os seus irmãos e a mulher de Potifá. Deus não nos poupa de sofrermos injustiças, mas nos dá poder para triunfarmos sobre elas por meio do perdão. José decide perdoar seus irmãos, em vez de buscar a vingança. José resolveu pagar o mal com o bem - “agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim, os consolou e falou segundo o coração deles(Gn 50:21).

Perdoar: é cancelar a dívida e não cobrar mais; é deixar o outro livre e ficar livre; é oferecer ao ofensor o seu melhor. O perdão oferece cura para os ofensores e ofendidos.

José deu várias provas de seu perdão:

- Primeiro, deu o nome de Manasses a seu primeiro filho (Gn 41:51) – "Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai". O nome Manasses significa "perdão". José estava apagando de sua memória todo o registro de mágoa e ressentimento. Ele queria celebrar o perdão.

- Segundo, deu a melhor terra do Egito a seus irmãos (Gn 45:18,20). O amor que perdoa é generoso. Ele paga o mal com o bem. Ele busca os meios e as formas para abençoar aqueles que um dia lhe abriram feridas na alma.

- Terceiro, sustentou seus irmãos e seu pai (Gn 47:11,12). Seu perdão não foi apenas uma decisão emocional regada de palavras piedosas, mas um ato deliberado e contínuo que desaguou em atitudes práticas. Ele não apenas zerou a conta do passado, mas fez novos investimentos para o futuro.

- Quarto, tendo poder para retaliar, usa esse poder para abençoar (Gn 50:19-21). Ele olhou para a vida com os olhos de Deus e percebeu que o ato injusto dos irmãos, embora tenha sido praticado com motivações erradas, foi usado por Deus para a salvação de sua família.

4. A prioridade das bênçãos espirituais. José era governador do Egito, o segundo homem do mais poderoso país daquele tempo, homem que desfrutava da plena confiança de Faraó. Seria natural, ainda mais diante da traição sofrida na casa de seu pai, que se apegasse às riquezas do Egito, à sua posição social, ao seu poder político. No entanto, José fez seus irmãos jurarem que levariam seus ossos para Canaã assim que eles retornassem para a Terra Prometida. José não se impressionou com as bênçãos terrenas que recebera, mas mantinha sua esperança na Terra Prometida, ou seja, nas promessas dadas por Deus a Abraão, Isaque e Jacó. O que temos buscado nesta vida? Uma posição social, riqueza, poder? Se esperarmos em Cristo somente nesta vida somos os mais miseráveis dos homens (1Co 15:19).

5. A humildade de espírito. José, mesmo sendo governador do Egito, diante de seus irmãos, afirmou que era apenas um instrumento para a conservação do povo de Israel, uma peça no propósito divino. José sempre soube manter o seu lugar, seja na casa de Potifar, seja na casa do cárcere, seja no palácio de Faraó. Sempre vemos José se apresentando com lealdade e submissão aos seus superiores, consequência direta da vida de comunhão que tinha com Deus. Sabemos ocupar convenientemente o nosso lugar? Temos impedido que a vaidade e o orgulho nos dominem? Que o Senhor nos dê um caráter qual ao de José. Amém!

 

CONCLUSÃO

Em nossa vida, estamos sujeitos a passar por tentações, provações e adversidades, elas, de algum modo, servem para moldar o caráter cristão. Diante dos momentos difíceis da vida, precisamos agir com sabedoria e serenidade, sempre dependendo do auxílio divino. Se aprendermos a viver nessa dependência, poderemos confiar em Deus, certos de que Ele está no controle de tudo, sendo capaz de transformar as próprias adversidades em benção (Gn 50:20). Como bem expressa Paulo: “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28).    Amém!

 


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O DRAMA NA VIDA DE JÓ


O DRAMA NA VIDA DE JÓ

 

TEXTO BÍBLICO: Jó 1:13-22; 2:6-8

 “E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR” (Jó 2:21).

O livro de Jó é uma das obras mais profundas da literatura mundial, abordando a questão universal: "Por que os justos sofrem?". Ele nos convida a sair da lógica da retribuição (fazer o bem para receber o bem) e entrar na lógica da confiança absoluta em Deus.

REFLEXÃO:

1. O Perfil de Jó: Integridade e Prosperidade

A Bíblia descreve Jó não como um homem perfeito (sem pecado), mas como alguém íntegro e reto (Jó 1:1). Sua vida era marcada por:

  • Temor a Deus: Ele evitava o mal ativamente.
  • Sacerdócio Familiar: Intercedia constantemente por seus filhos.
  • Abundância: Era o homem mais rico do Oriente, o que, na época, era visto como sinal direto da bênção divina.

2. O Cenário do Sofrimento

O sofrimento de Jó não foi causado por negligência ou pecado, mas por um embate espiritual. Ele perdeu tudo em três esferas:

  1. Bens Materiais e Servos: Sua economia foi devastada.
  2. Família: A perda trágica de todos os seus dez filhos.
  3. Saúde Física: Foi atingido por uma enfermidade terrível (úlceras malignas) da cabeça aos pés.

Nota: O "adversário" argumentava que Jó só servia a Deus por interesse. O sofrimento de Jó serviu para provar que a fé verdadeira não depende de benefícios.

3. Os Três Ciclos de Diálogo

Grande parte do livro é ocupada pela conversa de Jó com seus amigos (Elifaz, Bildade e Zofar). O erro deles foi tentar encaixar o sofrimento de Jó em uma fórmula teológica rígida:

  • A lógica dos amigos: "Se você está sofrendo, é porque pecou. Arrependa-se e a prosperidade voltará."
  • A resposta de Jó: Ele defende sua inocência. Ele não entende o "porquê", mas clama por um mediador (um advogado) diante de Deus.

4. A Resposta de Deus e a Restauração

Deus finalmente responde a Jó, mas não com explicações, e sim com perguntas. Ele aponta para a complexidade da criação para mostrar que a mente humana é limitada demais para compreender os desígnios divinos.

  • O Quebrantamento: Jó reconhece sua pequenez: "Antes eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem" (Jó 42:5).
  • A Oração pelos Amigos: A restauração de Jó começa quando ele ora por aqueles que o julgaram.
  • O Dobro de Tudo: Deus restaura a sorte de Jó, dando-lhe o dobro do que possuía antes e uma nova família.

Lições Práticas para Hoje

  • O sofrimento não é necessariamente um castigo: Às vezes, é um processo de refinamento ou um mistério que só Deus compreende.
  • Deus aguenta o nosso desabafo: Jó foi honesto com sua dor, e Deus o chamou de servo fiel, ao contrário dos amigos que tentaram "defender" Deus com mentiras.
  • A soberania divina: No fim, o livro de Jó não explica a origem do mal, mas nos apresenta ao Deus que está acima dele.

Jó 1:

13.E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa de seu irmão primogênito,

14.que veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles;

15.e eis que deram sobre eles os sabeus, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e eu somente escapei, para te trazer a nova.

16.Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu; e só eu escapei, para te trazer a nova.

17.Estando ainda este falando, veio outro e disse: Ordenando os caldeus três bandos, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e só eu escapei, para te trazer a nova.

18.Estando ainda este falando veio outro e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito,

19.eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei, para te trazer a nova.

20.Então, Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou,

21.e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR.

22.Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.

Jó 2:

6.E disse o SENHOR a Satanás: Eis que ele está na tua mão; poupa, porém, a sua vida.

7.Então, saiu Satanás da presença do SENHOR e feriu a Jó de uma chaga maligna, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. 8 E Jó, tomando um pedaço de telha para raspar com ele as feridas, assentou-se no meio da cinza.  

8.E Jó, tomando um pedaço de telha para raspar com ele as feridas, assentou-se no meio da cinza.

INTRODUÇÃO

Estudo sobre a vida de Jó trataremos da calamidade que se abateu sobre a vida deste icônico patriarca. De uma vida abastada, piedosa e fraternalmente estruturada, Jó mergulhou em um mar de calamidades. Esse homem foi elevado às alturas excelsas e despencou de lá. Sofreu os golpes mais duros. Perdeu seus bens, seus filhos, a saúde, o apoio de sua mulher e de seus amigos. Caiu não apenas ao chão, mas desceu aos vales mais tenebrosos. Foi nocauteado e jogado na lona sem nenhuma força para se levantar. Sua vida tornou-se um verdadeiro drama. Contudo, o drama de Jó nos ensina que, por pior que seja a situação, pôr mais sombria que seja a realidade, Deus é poderoso para reverter o quadro e trazer-nos à tona para respirar. A partir desse drama temos a oportunidade de refletir a respeito do sofrimento e o modelo de comportamento que o cristão deve ter para a própria vida diante das adversidades. Com Deus, nossas noites escuras e frias podem converter-se em manhãs cheias de luz e calor.

I. TRAGÉDIA DE NATUREZA ECONÔMICA

1. Jó, um homem financeiramente realizado

O texto sagrado afirma que Jó era o homem mais rico de sua geração no Oriente, era o maior empresário rural de seu tempo - “possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; tinha também muitos servos que trabalhavam para ele, de modo que era o homem mais rico de todos os do Oriente” (Jó 1:3). Muitos igualam Jó a grandes industriais e empresários da atualidade.

A vida de Jó refuta a ideia de que pessoas ricas não podem ser piedosas. A riqueza não é um pecado, nem a pobreza é uma virtude. A riqueza quando honestamente adquirida é uma bênção. É Deus quem fortalece as nossas mãos para adquirirmos riquezas. Riquezas e glórias vêm do próprio Deus.

À sua época, Jó superava todos os seus concorrentes. Ninguém se comparava a ele no que concernia à prosperidade financeira e à piedade pessoal. Jó era um homem realizado em sua vida financeira, em sua vida familiar e em seu relacionamento com Deus; sua prosperidade não era fundamentada somente no “ter”, mas, principalmente, no “ser”.

Jó sabia que a sua riqueza vinha de Deus, e sabia que seu amor deveria ser endereçado a Deus, e não às dádivas de Deus. Ele tinha convicção plena de que o abençoador é melhor do que a bênção e que o doador é melhor do que suas dádivas. Quando o homem entende que tudo vem de Deus e tudo pertence a Deus, não tem dificuldade de colocar esse tudo nas mãos de Deus. O homem não trouxe nada para este mundo, nem vai levar nada dele.

2. O colapso do patrimônio de Jó

Satanás não aceitou que um homem ultra milionário como Jó permanecesse íntegro, justo e temente a Deus, e que se desviava do mal. Por isso, ele intentou afastar Jó de Deus, procurando fazer com que ele acreditasse que o governo de Deus sobre o mundo não é bom ou justo. De repetente, Satanás, o acusador, compareceu perante Deus alegando que Jó só confiava Nele porque era rico, e tudo lhe corria bem. Com a permissão de Deus, Satanás saiu da sua presença e, de forma implacável, atacou os bens de Jó. Num único dia, ele arregimentou os caldeus, os sabeus e fez o fogo descer, e, num rastilho de pólvora, todos os bens desse rico patriarca foram saqueados e destruídos. O relato bíblico é comovente:

Certo dia, quando os filhos e filhas de Jó comiam e bebiam vinho na casa do irmão mais velho, um mensageiro foi até Jó e lhe disse: Os bois estavam lavrando e as jumentas pastavam perto deles; então os sabeus os atacaram e os levaram. Eles ainda mataram os servos ao fio da espada, e só eu escapei para trazer-te essa notícia. Enquanto o mensageiro ainda falava, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, queimou as ovelhas e os servos e os consumiu; só eu escapei para trazer-te essa notícia. Enquanto ele ainda falava, veio outro e disse: Os caldeus dividiram-se em três grupos, atacaram os camelos e os levaram, e ainda mataram os servos ao fio da espada; só eu escapei para trazer-te essa notícia (Jó 1:13-17).

E assim, o homem mais rico do mundo foi à falência. O grande empresário rural perdeu tudo e foi à bancarrota. Seu império econômico entrou em colapso. Como uma avalanche, as notícias foram chegando a Jó, informando-lhe que seus bens estavam sendo dissipados. As coisas aconteciam com uma celeridade incomum. Não dava tempo sequer para respirar. Jó não conseguia elaborar um plano para estancar essa hemorragia que sangrava sua economia. Não teve tempo para debelar o fogo nem mesmo para resistir ao ataque fulminante dos caldeus e sabeus. Jó, o homem mais rico do Oriente, faliu. Sua fortuna, como um castelo de areia, ruiu. Seus rebanhos ficaram nas mãos de ladrões impiedosos. Seus campos foram lambidos pelo fogo. Nada sobrou de toda a riqueza que ostentava. Tudo estava perdido!

Diante de tão grande tragédia, será que Jó blasfemaria de Deus? Será que Jó ergueria seus punhos contra Deus? Será que da boca de Jó sairiam torrentes de blasfêmias? Será que Jó negaria seu Deus no vale da prova? Será que a fidelidade de Jó estava fundamentada apenas nas benesses recebidas das mãos divinas? Será que a crença de Jó era apenas uma barganha, um negócio lucrativo ou uma troca de favores? Qual foi a atitude desse patriarca ao perder todo o seu patrimônio – indústrias, comércio e agronegócio?

Muitos indivíduos quando são atingidos pelos terremotos financeiros, desesperam-se; outros insurgem-se contra Deus; outros cometem suicídio e dão cabo da própria vida. O que fez, então, Jó? O texto sagrado afirma que no exato momento que sofreu o golpe, o patriarca prostrou-se não para blasfemar contra Deus, mas para adorá-lo. Longe de atribuir a Deus qualquer culpa ou revoltar-se contra o Altíssimo, afirmou: Eu saí nu do ventre de minha mãe, nu voltarei para lá” (Jó 1:21). Assim, Jó estava dizendo que a razão de sua vida não tinha como fundamento os bens que granjeara nem a riqueza que ostentava. Jó tinha plena consciência de que não havia trazido nada para este mundo nem levaria nada dele. Jó sabia que os bens são dádivas de Deus, que riqueza e glória vêm de Deus, mas que a vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui (Lc.12:15). Jó definitivamente triunfou sobre a investida de Satanás. O relato bíblico é enfático: Em tudo isso Jó não pecou, nem culpou a Deus coisa alguma” (Jó 1:22).

II. TRAGÉDIA DE NATUREZA FAMILIAR


1. Os Filhos

A maior riqueza de Jó não eram suas propriedades nem seus rebanhos, mas sua família. Ele tinha dez filhos. Não obstante serem muitos, abastados e ricos, conservavam estreita amizade. Eram unidos. Celebravam juntos. Essa unidade familiar não foi costurada sem esforço - Jó era o grande arquiteto dela.

Ele era um pai piedoso e também um pai intercessor. Jó dedicava o melhor do seu tempo para orar pelos filhos, para colocar-se na brecha em favor deles. Chamava os filhos e exortava-os a não pecar contra Deus. A preocupação principal de Jó não era com a reputação dos filhos, mas com a glória de Deus. Ele tinha preocupação de que seus filhos pecassem contra Deus em seu coração. Apenas aparência de piedade não servia para Jó. Tomava cuidado para que seus filhos não caíssem nas malhas da hipocrisia.

Mesmo sendo um pai tão zeloso, a tragédia um dia bateu à porta de sua casa. Mesmo sendo um pai intercessor, um dia a crise se instalou em sua família. Mesmo cumprindo cabalmente seu papel de sacerdote do lar, um dia a tempestade desabou sobre sua cabeça. No mesmo dia em que perdeu todos os seus bens, chegou-lhe a amarga notícia de que seus filhos, reunidos na casa do primogênito, sofreram um trágico acidente, e a casa desabou sobre todos eles, vindo todos a óbito. Eis o dramático relato:

“Enquanto ele ainda falava, veio outro e disse: Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho; veio um forte vento do deserto, atingiu os quatro cantos da casa. que caiu sobre os jovens, e eles morreram. Só eu escapei para trazer-te essa notícia” (Jó 1:18,19).

Depois de sofrer o golpe da falência patrimonial, agora Jó sofre a dor do luto - o luto pelos dez filhos. Esse pai, arruinado financeiramente, agora precisou sepultar seus dez filhos num único dia. Como esse homem voltou do cemitério? Como recomeçou a vida? Como encontrou alento para dar os primeiros passos? O que fazer nessas horas? Jó havia perdido coisas e pessoas; havia perdido os bens e os filhos; estava despojado de suas riquezas e de sua família. Parecia que esse homem só tinha passado e mais nenhum futuro. O presente havia mostrado a ele sua carranca. Os golpes tinham sido profundos demais, e ele estava sem fôlego para prosseguir.

“Esta foi a maior das perdas de Jó, e que o atingiu mais de perto; e por isso o Diabo a reservou para o final, para que se outras contrariedades falhassem, esta pudesse fazê-lo amaldiçoar a Deus. Nossos filhos são partes de nós mesmos; é muito difícil separar-nos deles, e isso fere um bom homem de maneira mais profunda possível. Mas separar-se de todos eles de uma vez, e o fato de estarem todos mortos, sim, aqueles que haviam sido por tantos anos a sua preocupação e a sua esperança, era algo que o atingia realmente no âmago do seu ser” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.10).

2. A reação de Jó

Qual foi a reação de Jó diante de tão fatídica tragédia? O mesmo Jó que já havia prevalecido no primeiro round da luta se manteria de pé nessa nova investida de Satanás? Ergueria Jó seus punhos contra Deus? Será que Jó pecaria contra Deus ao sofrer tão amarga perda? Será que Satanás ganharia esse round da luta? Será que Satanás estava certo em dizer que ninguém ama mais a Deus do que à família? Será que a devoção do homem a Deus fica sempre aquém de seu amor aos filhos?

Para desespero de Satanás, Jó não blasfemou contra Deus, mas adorou-o com o coração quebrantado. A reação de Jó, ao receber a notícia fatídica da morte de seus filhos, foi prostrar-se, cobrir-se de pó e adorar a Deus. Ele se levantou, rasgou o manto, rapou a cabeça, prostrou-se no chão, adorou e orou:

“Eu saí nu do ventre de minha mãe, e nu voltarei para lá. O SENHOR o deu, e o SENHOR o tirou; bendito seja o nome do SENHOR. Em tudo isso Jó não pecou, nem culpou a Deus por coisa alguma” (Jó 1:20-22).

Diante de tão admirável atitude, destacamos três verdades (Adaptado do livro “As teses de Satanás, de Hernandes Dias Lopes):

-Primeiro, Jó tinha plena convicção de que os filhos eram presentes de Deus. Foi Deus quem os deu, e só Ele podia tirá-los dele. Jó sabia que os seus filhos tinham vindo de Deus, pertenciam a Ele e deviam ser entregues e consagrados a Deus.

-Segundo, Jó tinha plena convicção de que Deus é soberano para tomar os filhos conforme o seu perfeito propósito. Não importa se os agentes que ceifam a vida dos filhos são perversos; só Deus tem o poder de dar a vida e de tirá-la (1Sm.2:6). Até mesmo nas maiores tragédias é Deus quem está no controle. Até mesmo quando Satanás está agindo, é a mão da providência de Deus que está governando. Mesmo que a providência seja carrancuda, a face benevolente de Deus está voltada para nós. Os dramas da nossa vida não apanham Deus de surpresa nem desafiam sua providência. Mesmo quando cruzamos os vales mais escuros, é a mão de Deus que dirige o nosso destino.

-Terceiro, Jó tinha plena convicção de que devemos adorar a Deus pelos nossos filhos, seja na vida, seja na morte. Nem sempre a providência divina vem a nós com largos sorrisos. Às vezes, a providência se torna carrancuda. Às vezes, sofremos golpes profundos e aprendemos pelas coisas que sofremos. Deus não é Deus apenas das horas alegres, mas também das horas tristes. Deus é digno de ser adorado não apenas na hora do nascimento, mas também na hora da morte. Nossa adoração a Deus é incondicional e ultra circunstancial.

3. A reação da esposa de Jó


A reação da mulher de Jó diante das tragédias acometidas - sobre o seu marido, o patrimônio da família, seus filhos -, deixou-a em estado de choque e falou coisas típicas de pessoas desesperadas, descontroladas, e revoltadas com tudo e com todos. Seu desespero foi tão forte que quis empurrar Jó para o abismo, sugerindo a ele pisotear seus valores, abandonar sua fé e lançar-se nos braços da morte.

Muitos casamentos não suportam uma tragédia financeira no lar como esta. A mulher de Jó ordenou-lhe a abrir mão de seus absolutos, amaldiçoar a Deus e morrer. Ela disse a Jó: “... Tu ainda te manténs íntegro? Amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2:9). Ela não suportou a sucessão de tantas perdas. Decepcionada com Deus, estava disposta a virar a mesa e abandonar todos os valores e princípios que haviam regido até então sua vida. Nota-se que sua fidelidade a Deus era condicional; ela mantinha sua devoção apenas nos dias áureos. Sua fé era circunstancial, e sua ética, situacional.

Mesmo mergulhado num caudal de sofrimento e dor, Jó respondeu à sua mulher com firmeza granítica: Tu falas como uma louca. Por acaso receberemos de Deus apenas o bem e não também a desgraça?” (Jó 2:10). Muitos exegetas procuram atribuir um sentido a este texto o qual ele não tem. Para esses, a esposa de Jó não estava mandando amaldiçoar a Deus, mas orientando Jó a louvá-lo e morrer em paz. No entanto, as evidências do texto depõem contra esse entendimento. A reação de Jó, ao dizer que sua esposa falava “como louca”, confirma esse fato. 

Como entender a reação da mulher de Jó diante da situação caótica de seu marido? É difícil compreender, num só ângulo, a sua reação. Ao ver o seu marido no meio da cinza com um pedaço de cerâmica raspando as feridas, no monturo da cidade, como um pária, um sentimento amargo lhe invade a alma aflita. Ela perdeu definitivamente a esperança; achava que já havia chegado ao limite da vida. Aproximou-se do marido moribundo, sentiu pena dele, fechou os olhos, apertou-os e a seguir disparou: “Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2:9). Nenhum sofrimento pode ser maior do que a confiança e fidelidade a Deus. O Senhor jamais permitirá que sejamos tentados acima de nossas forças (1Co.10:13).

Assim como os servos de Jó foram preservados da morte para levarem a notícia calamitosa ao patriarca, a esposa parece que fora guardada todo esse tempo para soltar esse último chicote. Sem o saber, pensando que a morte seria a melhor solução para o marido, a mulher emprestou sua boca ao Tentador incitando Jó a se rebelar e amaldiçoar a Deus.

A mulher em vez de confiar em Deus acima de todas as coisas, em vez de amar ao Senhor pelo que Ele é, deixou-se levar pelas circunstâncias atrozes, fundamentada em um relacionamento de barganha com Deus. Para muitos a morte é a solução para uma vida de infortúnios e desajustes domésticos; contudo, sempre há uma esperança para aqueles que confiam em Deus.

Jó olha para sua esposa, e a mira com ternura e carinho. A mulher sente o tempo parar por alguns instantes. Embora o tabernáculo terrestre de Jó estivesse se desfazendo, seu edifício eterno estava preparado por Deus (2Co.5:1). Os olhos de Jó traziam um brilho vivaz, contagiante, embora todo o restante dissesse o contrário. Podemos ver nesse olhar de Jó, o olhar de Jesus quando Pedro o negou; e, carinhosamente, Jó fala para a sua mulher:

“Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal?” (Jó 2:10).

O sábio Jó afirmara que sua esposa, em seu desespero e dor, falava como uma pessoa sem entendimento, como alguém que ele não conhecia. A mulher ficou desconcertada diante da afirmação do marido; refletiu a respeito do assunto; lembrou das muitas orações de Jó feitas em gratidão ao Senhor. E ali mesmo, reconsiderou, calou-se e desapareceu do cenário até o final do livro de Jó quando Deus restitui-lhe todas as coisas. Embora não seja mencionada no final do livro, não há razões para se duvidar de sua presença; certamente, ela é a esposa incansável que esteve com o marido nos piores momentos e circunstâncias, mas que, em certo momento, perdeu as esperanças, contudo, a recobrou através da piedade e devoção de seu marido.          

III. TRAGÉDIA DE NATUREZA FÍSICA E PSICOLÓGICA


Satanás pode causar dor e sofrimento nas pessoas. Seu desejo é ver as pessoas sofrerem. Sua missão é causar dor. Ele impôs ao patriarca Jó um sofrimento, até então, sem precedentes, pois ninguém sofreu como ele no Antigo Testamento. O sofrimento de Jó pode ser analisado em dois aspectos principais: físico e psicológico.

1. O Diabo tocou na saúde de Jó

Em outra ocasião, Deus estava reunido com seus filhos (muito provavelmente os anjos), e também muito provavelmente nas regiões celestes, quando mais uma vez apareceu por lá Satanás. Veja o registro bíblico:

“Outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, Satanás também veio com eles para igualmente se apresentar perante o SENHOR. Então o SENHOR perguntou a Satanás: De onde vens? Satanás respondeu ao SENHOR: De rodear a terra e de passear por ela (Jó 2:1,2).

Veja aqui a resposta de Satanás: “De rodear a terra e de passear por ela”. Em outras palavras, isto quer dizer: "Eu não mudei minha agenda. Continuo fazendo o que sempre quis fazer. Estou por aí, vivo e ativo no planeta Terra, investigando pessoas, buscando uma brecha, colocando armadilhas no caminho dos incautos, cegando o entendimento dos incrédulos, controlando os filhos da ira, induzindo-os ao erro, criando doutrinas falsas, tentando e seduzindo pessoas a caírem em tentação".

Na ocasião, Deus novamente perguntou a Satanás:” Observaste o meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele. É um homem íntegro e correto, que teme a Deus e se desvia do mal. Ele ainda se mantém íntegro, embora tu me houvesses incitado contra ele, para destruí-lo sem motivo” (Jó 2:3).

Deus joga na cara de Satanás que Jó havia prevalecido sobre suas acusações deletérias nas investidas anteriores. Jó provara que seu amor a Deus era superior ao seu amor ao dinheiro e à família. Jó provara que sua devoção a Deus não era uma barganha. Sua adoração era verdadeira, e sua devoção era sincera. Mesmo diante das perdas mais profundas, falência financeira e luto pelos filhos, Jó continuava sendo o homem mais piedoso do mundo. Sua piedade e sua reputação estavam intactas. Nenhum arranhão existia em seu relacionamento com Deus. Jó não servia a Deus por aquilo que recebia dele, mas por quem Deus é.

Satanás não gostou do testemunho de Deus em favor de Jó; então, contra-atacou lançando seu torpedo mortífero. Eis o registro bíblico:

Então Satanás respondeu ao SENHOR: Pele por pele! Tudo quanto um homem tem ele dará por sua vida. Estende a mão agora e toca-lhe nos ossos e na carne, e ele blasfemará contra ti na tua face!” (Jó 2:4,5).

O argumento de Satanás é que ninguém ama mais a Deus do que a si mesmo. O amor-próprio é um sentimento inato e uma defesa natural. Protegemo-nos instantaneamente, naturalmente, constantemente. Tocar na pele, nos ossos e na carne é a forma mais profunda de atingir alguém; não é apenas atingir sua saúde, mas atingi-la da forma mais aguda e dolorosa. Satanás estava insinuando que, na dor, ninguém consegue ser fiel a Deus. Satanás estava afirmando que, no sofrimento, os valores do homem mudam. Satanás estava duvidando da firmeza de Jó, quando as baterias do sofrimento atingirem não apenas seu bolso e suas emoções, mas também seu corpo. Deus refutou a posição de Satanás e abriu caminho para que ele atingisse a saúde de Jó, em seus ossos e em sua carne. O Senhor disse a Satanás: “Ele está sob teu poder; somente lhe poupa a vida” (Jó 2:6). Satanás só pode agir na vida dos filhos de Deus quando este o permite. Deus traça um limite: “... somente lhe poupa a vida”. Satanás é um ser limitado; ele só pode ir até onde Deus permite que vá; nem um centímetro a mais.

2. Saúde física

Debaixo de uma limitação imposta por Deus, Satanás saiu para cumprir o seu intento maléfico. Diz o texto bíblico:

“Satanás saiu da presença do SENHOR e feriu Jó com feridas malignas, da sola dos pés até o alto da cabeça (Jó 2:7).

Segundo Hernandes Dias Lopes, Satanás é um ser mórbido; seu desejo é ver as pessoas sofrerem; sua missão é causar dor. Ele colocou uma enfermidade muito dolorosa em Jó. Tumores malignos cobriram todo o seu corpo. O mesmo Jó que acabara de perder todos os seus bens e sepultar todos os seus filhos, imaginando que sua dor já era grande demais, agora enfrentava uma doença avassaladora, que deixara chagado todo o seu corpo.

Bolhas de pus arrebentaram em seu corpo. Sua pele ficou enegrecida e necrosada. A dor lancinante o atormentava de dia e de noite. Não havia pausa nem descanso. Não havia alívio sequer um minuto. O homem mais rico do Oriente, agora falido e enlutado, estava também desolado e atormentado por uma dor que castigava com rigor desmesurado o seu corpo. Jó se assentou na cinza e começou a raspar suas feridas putrefatas com cacos de telha. Diz o texto: “Sentando-se em cinzas, Jó pegou um caco para se raspar” (Jó 2:8).

O corpo de Jó foi surrado pela doença. A dor cruel latejava em todo o seu corpo sem pausa nem descanso. Jó não conseguia comer, apenas chorar. Sua dor não cessava. Seu corpo ficou imundo. Seus ossos quase à mostra revelavam a tragédia que devastava sua saúde. Sua pele ficou cheia de feridas e pus. Disse Jó“Meu corpo está coberto de vermes e de crostas de sujeira; a minha pele se resseca, e as feridas voltam a se abrir” (Jó 7:5). Suas dores o apavoravam (Jó 9:27,28). Seu corpo apodrecia como uma roupa comida de traça (Jó 13:28), encarquilhado e magérrimo (Jó 16:8). Seus ossos se deslocaram. Sua dor não tinha pausa (Jó 30:17). Sua pele enegreceu e começou a descamar. Seus ossos queimavam de febre (Jó 30:30).

Muitos blasfemam contra Deus na dor. Outros se revoltam e erguem os punhos contra os céus. Não poucos se afastam de Deus, decepcionados e amargurados. Porém Jó, no espiral da dor, no epicentro da tempestade, ele respondeu à sua mulher:

“... Por acaso receberemos de Deus apenas o bem e não também a desgraça? Em tudo isso Jó não pecou com os lábios (Jó 2:10).

Com estas palavras resolutas, Jó provou amar mais a Deus do que a si mesmo; deixou patente que amava mais a Deus do que à própria pele. Jó demonstrou que não servia a Deus pelos favores recebidos dele, mas servia-lhe pelo seu caráter. Deus é melhor do que as dádivas dele.

Satanás tirou tudo de Jó - seus bens, seus filhos, sua saúde e o apoio de sua mulher.
Mesmo assim, sob a mais densa tormenta, no epicentro da crise, Jó manteve sua fidelidade a Deus.

O homem mais cercado de respeito e admiração esteve na cinza, coberto de chagas, sentindo dores atrozes. Mesmo coberto de desventuras, mesmo surrado pelo chicote da dor, mesmo com os olhos molhados de lágrimas, mesmo perdendo todas as conexões da terra, Jó não perdeu seu amor a Deus nem sua esperança no Redentor. Do mais profundo dos vales, ele gritou: “Eu sei que o meu redentor vive (Jó 19:25). Mais uma vez, Satanás foi vergonhosamente derrotado. Glórias a Deus!

3. Saúde emocional e psicológica

Além da saúde física, Jó experimentou o sofrimento emocional, que o levou a uma tendência de distúrbio psicológico. Não há uma clareza no texto sagrado que nos permita auferir com certeza que Jó entrou em depressão; todavia, há vários textos no corpo do livro que nos levam a fazer essa inferência (cf. Jó 3:1-14). Jó chegou amaldiçoar o dia de seu nascimento, não vendo mais razão para que fosse comemorado. Somente debaixo de forte pressão psicológica é que pessoas chegam a tal ponto.

Jó ficou angustiado e amargurado (Jó 7:11). À noite, seus sonhos e visões só lhe traziam mais terror (Jó 7:14). Ele chegou a ficar cansado de viver (Jó 10:1). Seu rosto afogueou de tanto chorar (Jó 16:16). Ele estava cercado de pessoas que o provocavam (Jó 17:2). As pessoas cuspiam em seu rosto (Jó 17:6; 30:10). Seus sonhos e esperanças fracassaram (Jó 17:11). Os irmãos e conhecidos fugiram dele na sua dor (Jó 19:13). Os parentes o desampararam (Jó 19:14). As pessoas que receberam sua ajuda no passado o tratavam com desprezo (Jó 19:15). O mau hálito e o mau cheiro que exalavam do seu corpo expulsaram a esposa e os irmãos de perto dele (Jó 19:17). Até as crianças o desprezavam e dele zombavam (Jó 19:18). Todos os seus amigos íntimos o abandonaram (Jó 37:2). Sua honra e felicidade foram arrancadas (Jó 30:15). Aconteceu o contrário de tudo de bom que ele desejou (Jó 30:26,27).

Jó era um modelo de confiança e obediência a Deus, mesmo assim Deus permitiu que Satanás o atacasse de forma especial e cruel. Embora Deus nos ame, crer Nele e obedecê-lo a nos isenta de calamidades na vida. Reveses, tragédias e tristezas atingem tantos os não crentes como os crentes. Contudo, Deus espera que, durante nossas provas e sofrimentos, expressemos nossa fé diante do mundo.

CONCLUSÃO

Como reagimos às intempéries e adversidades da vida? Perguntamos a Deus: “Por que eu?” Ou dizemos: “usa-me, Senhor!”. Devemos aprender a reconhecer, mas não temer, os ataques de Satanás, pois ele não pode exceder os limites estabelecidos por Deus. Embora não possamos controlar os ataques do Diabo, podemos sempre escolher como reagir a eles.

O Senhor Jesus ensinou os seus discípulos a reagir diante das dificuldades da vida. Em nenhum momento nosso Senhor negou que teríamos sofrimento na vida. Nesse aspecto, a grande diferença entre quem tem confiança em Cristo está na forma que se passa pelo caminho do sofrimento. Jó foi constrangido a suportar as dores mais terríveis e os piores desconfortos a que um ser humano jamais fora submetido, entretanto, reteve a sua integridade. Assim, Jó é um grande exemplo de fé e paciência para o povo de Deus do Novo Testamento.

 

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