A
PROMESSA E GRANDEZA DA SALVAÇÃO
Texto Bíblico: Gênesis 3.9-15
"E
porei inimizade entre ti e a mulher e entre atua semente e a sua semente; esta
te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn.3-15).
Falar sobre a salvação na Bíblia é percorrer uma narrativa que vai do "paraíso perdido" ao "paraíso restaurado". De forma breve, podemos entender esse conceito através de quatro momentos fundamentais:
1.
A Necessidade (A Queda)
Tudo
começa com a ruptura do relacionamento entre a humanidade e Deus. Segundo o
relato de Gênesis, o pecado introduziu a separação espiritual e a morte física.
A Bíblia apresenta a ideia de que o ser humano, por seus próprios esforços, não
consegue preencher esse abismo, pois "todos pecaram".
2.
A Promessa (A Antiga Aliança)
No
Antigo Testamento, a salvação é apontada através de promessas, sacrifícios
simbólicos e profecias. Deus estabelece alianças com figuras como Abraão e
Davi, sinalizando que um Redentor viria para restaurar o que foi
quebrado. O sistema de leis e sacrifícios servia como um "tutor" para
mostrar a santidade de Deus e a insuficiência humana.
3.
A Realidade (Jesus Cristo)
O
ápice da narrativa está no Novo Testamento. A salvação cristã é centrada na
pessoa de Jesus. O conceito-chave aqui é a Graça: um presente
imerecido.
- A Substituição: Acredita-se
que Jesus assumiu a culpa da humanidade na cruz.
- A Ressurreição: A
vitória sobre a morte, oferecendo a esperança de vida eterna.
- A Condição: Diferente
de outros sistemas religiosos de "obras", a Bíblia enfatiza que
a salvação é recebida pela fé.
4.
A Restauração Final
A
salvação bíblica não é apenas sobre "ir
para o céu", mas sobre a
restauração de todas as coisas. Ela envolve a transformação do caráter no
presente e a promessa de um futuro em que a dor e a morte não existirão mais (o
novo céu e a nova terra).
Em
resumo: A salvação é o
plano divino de resgate da humanidade, onde Deus toma a iniciativa de se
aproximar do homem através do sacrifício de Jesus, oferecendo reconciliação e
vida plena.
INTRODUÇÃO
trataremos
a respeito da maior e mais importante dádiva divina aos homens: a Salvação. O
homem pecou de modo deliberado contra Deus, mas o Criador não o deixou entregue
à sua própria sorte, já no Éden o Senhor providenciou a sua redenção mediante o
sacrifício de Jesus Cristo. A promessa da Salvação é a que abre a porta para
todas as demais promessas direcionadas à Igreja e individualmente a todas os
crentes. Esta promessa estava no coração de Deus antes mesmo da fundação do
mundo (Ap.13:8). Deus na sua onisciência sabia que o homem ia pecar, por isso
arquitetou o plano mais precioso de todos os demais planos, e isto Ele deixou
claro logo após a consumação do pecado pelo homem (Gn.3:15). Satanás sabia que
o homem era a obra prima de Deus (Gn.1:27) e que iria substituí-lo no Éden
(Ez.28:13), assim sendo intentou destituí-lo, mas o Senhor fê-lo saber a maior
promessa: a Promessa da Salvação.
I.
O CONCEITO BÍBLICO DE SALVAÇÃO
1.
O conceito. A palavra
“Salvação” significa, em primeiro lugar, ser tirado de um perigo, livrar-se,
escapar. A Bíblia fala da Salvação como libertação do perigo de uma vida sem
Deus (At.26:18; Cl.1:13). A tradução da palavra grega “Soterion” tem o sentido
de “tornar ao estado perfeito”, ou “restaurar o que a queda causou”. Segundo o
Pr. Antônio Gilberto, Salvação é uma milagrosa transformação espiritual,
operada na alma e na vida – no caráter – de toda pessoa que, pela fé recebe
Jesus Cristo como seu único Salvador pessoal (Ef.2:8,9; 2Co.5:17; João
1:12;3:5).
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas
velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.
“Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem
feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome”.
“Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que
não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”.
Observe
as afirmações bíblicas: “é nova criatura” (conversão) e; “tudo se fez novo” (nova
vida, novo e íntegro caráter).
A
Salvação não se trata apenas de livramento da condenação do Inferno; a Salvação
abarca todos os atos e processos redentores, bem como transformadores da parte
de Deus para com o ser humano e o mundo (isto é, a criação), através de Jesus
Cristo, nesta vida e na outra (Rm.13:11; Hb.7:25; 2Co.3:18).
“E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos
do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando
aceitamos a fé”.
“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se
chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”.
“Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um
espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma
imagem, como pelo Espírito do Senhor”.
Pessoalmente - isto é, em
relação à pessoa -, a Salvação que Cristo realiza abrange:
-
A Regeneração da pessoa,
aqui e agora (Tt.3:5; 2Co.3:18).
“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo
a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do
Espírito Santo”.
“Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um
espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma
imagem, como pelo Espírito do Senhor”.
-
A Redenção do corpo do crente,
no futuro (Rm.8:23; 1Co.15:44).
“E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do
Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção
do nosso corpo”.
“Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há
corpo animal, há também corpo espiritual”.
-
A glorificação integral do
crente, também no futuro (Cl.3:4; Ef.5:27).
“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também
vós vos manifestareis com ele em glória”.
“Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem
ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”.
2. A Promessa da Salvação no Antigo Testamento. Os 39 livros do Antigo Testamento
descrevem muito mais do que a origem do universo, do homem, e da nação de
Israel. Eles descrevem também as promessas divinas de redenção da humanidade.
Vejamos alguns exemplos:
a)
A promessa no Éden. Podemos
dizer que, biblicamente, a primeira promessa messiânica deu-se no Éden, quando
os nossos pais pecaram. Disse o Senhor:” E porei
inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te
ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn.3:15).
b)
A promessa tipificada na morte de um animal inocente. Um animal inocente foi morto, para cobrir a
nudez de Adão e de sua mulher:” E fez o SENHOR Deus
a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu” (Gn.3:21). A morte
deste animal, já tipificava a morte do Senhor Jesus. Os animais que eram
obrigatoriamente sacrificados para expiar os pecados, apontavam para o
sacrifício substitutivo de Jesus Cristo na cruz do Calvário (Hb.10:11,12).
“Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo
de Jesus Cristo, feita uma vez. E assim todo sacerdote aparece cada dia,
ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem
tirar pecados”.
Era
o oferecimento de um inocente no lugar de um culpado; uma morte não merecida,
mas aceita diante de Deus para remir os pecados do povo de Deus (Hb.9:22) – “E
quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem
derramamento de sangue não há remissão”.
c)
A promessa na chamada de Abraão. Deus
prometeu a Abraão que, através de sua descendência, seriam benditas todas as
famílias da terra: “E abençoarei os que te
abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas
as famílias da terra” (Gn.12:3).
d)
A Promessa por intermédio dos profetas. Diversos profetas do Antigo Testamento falaram acerca da
salvação, principalmente Isaías, o profeta messiânico (Is.25:9; 45:17; 33.2;
49:8; 56:1; 62:11; Mq.7:7). O ápice da salvação no Antigo Testamento se deu com
a profecia de Isaías sobre a vida e a morte do "Servo Sofredor"
(Is.cap.53).
3. Salvação no Novo Testamento. No Novo Testamento, a Salvação não é
apenas prometida, mas também explicada:
a)
Nos Evangelhos. Os
quatro primeiros livros do Novo Testamento descrevem o nascimento, vida,
ministério, morte e ressurreição do Senhor Jesus. Neles encontramos as
promessas divinas da salvação para a humanidade (Mt.1:21; Lc.1:69; 2:30; 3:6;
19:9; João 4:22).
b)
No livro de Atos. O
livro dos Atos dos Apóstolos descreve a fundação da Igreja e a expansão do
cristianismo no primeiro século; nele, a promessa da salvação também está
presente (At.4:12; At.13:47; 28:28).
c)
Nas Epístolas. Nas
Epístolas as Doutrinas Bíblicas são fundamentadas e explicadas, principalmente,
a Doutrina da Salvação (Rm.1:16; 2Co.6:2; Ef.1:13; Fp.2:12; Jd.1:3).
d)
No Livro de Apocalipse. O
livro de Apocalipse descreve a consumação de todas as coisas, dentre elas, a
Salvação (Ap.5:9; 7:10; 12:10; 19:1).
Ainda
que o pecador não mereça, por intermédio do Filho de Deus, o Pai o justifica, o
perdoa, o reconcilia consigo (Rm.5:11), o adota em sua família (Gl.4:5) e faz
dele uma nova criatura (2Co.5:17). Assim, o Espírito Santo capacita o crente a
viver em santidade, mortificando a força do pecado, assemelhando-o com Cristo,
a fim de que o nascido de novo espere, com confiança, pela salvação plena e
gloriosa (Fp.3:21).
4.
A Salvação - a Rainha de todas as bênçãos. A Salvação é oferecida ao homem como uma bênção, e, de forma
gratuita. Porém, para Deus ela teve um preço, um altíssimo preço. Ela custou a
vida de seu Filho Unigênito. Assim, para que a Salvação, a Rainha de todas as
bênçãos, se tornasse possível “Deus amou o mundo de
tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê
não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Foi, pois, em Jesus,
que Deus preparou a bênção da Salvação para “todo
aquele que crê”. Deus quer que todo pecador receba esta bênção - “Porque a
graça de Deus se há manifestado, trazendo Salvação a todos os homens” (Tito
2:11).
Afirmamos
que a Salvação é a Rainha de todas as bênçãos porque ela é a maior de todas as
bênçãos que Deus preparou para o pecador. Ela é a que teve o custo mais alto
para Deus. Por isto o Senhor Jesus afirmou: “Pois
que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” (Mt.16:26).
Se
você, meu irmão, já tomou posse desta tão grande Salvação, dê glória a Deus, e
zele por ela, pois ela custou a vida do Filho de Deus.
II.
A IMPORTÂNCIA DA DOUTRINA DA SALVAÇÃO
1. A grandeza da Salvação. Exorta o escritor aos Hebreus: “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão
grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos,
depois, confirmada pelos que a ouviram” (Hb.2:3). Na redenção da
humanidade, o Pai planejou a salvação, no céu (João 3:16; Gl.4:4,5); o Filho
consumou-a, na Terra (João 17:4,5; 19:30); e o Espírito Santo realiza e aplica
essa tão grande salvação à pessoa humana (João 16:8-11; Tt.3:5).
Por
que a Salvação é grande? João 3:16 explica claramente o porquê de ela ser tão
grande: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira
que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça,
mas tenha a vida eterna”. Explicando melhor:
a) A Salvação é grande por causa da sua Procedência - “Por
que Deus amou...”. A Salvação procede do coração de Deus, do seu
íntimo. O Criador do universo, o Senhor dos céus e da terra, o Deus eterno,
colocou o seu coração em nós e nos amou desde a fundação do mundo. Deus nos
amou não por causa dos nossos méritos, mas Deus nos amou apesar dos nossos
deméritos.
b)
Por causa do seu Alcance. A Salvação, também, é tão grande por
causa de seu alcance – “por que Deus
amou o mundo…”. Deus ama a
todos indistintamente. Deus não faz acepção de pessoas. Deus ama o pobre, o
rico, o analfabeto, o doutor, o homem do campo e da cidade, o religioso e o não
religioso. O amor de Deus não tem a sua causa em nós, tem a sua causa em seu
próprio coração amoroso.
c)
Por causa de sua Intensidade. Também,
essa Salvação é tão grande por causa de sua intensidade – “porque Deus amou
o mundo de tal…”. Deus não amou o mundo de uma
maneira pequena, limitada. Deus amou o mundo ao ponto de se dar por nós, de se
sacrificar por nós. Observe o que a Bíblia diz:
“mas Deus prova o seu amor para conosco, em
que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm.5:8);
“nisto está o
amor, não em que nós tenhamos amado a Deus,
mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para
propiciação pelos nossos pecados”
(1João 4:10). O apóstolo Paulo diz que Deus não poupou o seu próprio Filho,
antes por todos nós o entregou (Rm.8:32). Essa é a grandeza, esta é a
intensidade do amor de Deus por você e por mim.
d)
Por causa do seu Sacrifício.
A Salvação, outrossim, é grande por causa do sacrifício de Cristo. O texto
sagrado prossegue dizendo: “por que Deus amou o
mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito…”. Deus
não amou você a ponto de dar ouro e prata. Deus não amou você a ponto de dar as
riquezas das entranhas da terra. Deus não amou a você a ponto de dar um anjo.
Deus amou a você de tal maneira que deu o seu Filho, o seu Filho unigênito. E
deu para vir ao mundo e se esvaziar de sua glória. E deu para entrar neste
mundo e vestir pele humano, e aqui ser humilhado, ser esbofeteado, ser pregado
na cruz. Deus jamais retrocedeu neste amor imenso, eterno, imutável,
sacrifical, incondicional a nós, nesta dádiva do seu próprio Filho.
e)
Por causa da sua Oportunidade. A
Salvação, também, é mui grande por causa da sua oportunidade. O texto sagrado
prossegue e diz: “porque Deus amou......para que
todo aquele que nele crer...”. Deus providenciou a Salvação, e
oferece esta Salvação: não aqueles que são religiosos; não aqueles que são
sinceros; não aqueles que praticam boas obras; não aqueles que fazem
penitências e sacrifícios. Diz o texto sagrado que “Deus
amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho para todo aquele que nele crer”.
A condição única para nós sermos salvos, para nós obtermos a vida eterna, para
nós irmos para o Céu, para que o nosso nome seja escrito no livro da vida é que
creiamos em Jesus Cristo. Não há outro caminho; não há outra alternativa; não
há outra porta; não há outra possibilidade para nós sermos salvo.
f)
Por causa do seu Livramento. A
Salvação, outrossim, é mui grande por causa do seu livramento. Diz o texto
sagrado: “porque deus amou o mundo de tal maneira........não pereça. Jesus
estar nos alertando acerca de um perigo enorme: perecer eternamente. O que é
perecer neste texto? Não é apenas morrer fisicamente; não é apenas, como muitos
imaginam, serem extintos, não. Jesus fala de uma condenação eterna, de trevas
exteriores, de banimento para sempre da presença de Deus. Jesus fala de uma
condenação eterna. Jesus fala de um fogo que não se paga, de um bicho que não
para de roer. Jesus fala de choro e ranger de dentes. Jesus fala de inferno, de
condenação para sempre. Aquele que não crer vai perecer. Cristo não morreu na
cruz para que os incrédulos sejam salvos, para aqueles que se rebelam contra a
graça de Deus sejam salvos, mas Cristo morreu na cruz para que todo aquele que
nele crer não pereça.
g)
Por causa da Oferta que Deus oferece: “a vida eterna”. O texto sagrado termina dizendo: “porque Deus amou o mundo...tenha a vida eterna”.
O que é a vida eterna? Não é apenas uma vida que nunca vai acabar,
porque aqueles que vão para o inferno também nunca vão cessar de existir, com
tormento. Vida eterna é muito mais que uma vida que nunca vai acabar. Vida
eterna é uma qualidade superlativa excelente de vida, de santidade, de
contentamento, de alegria, de pureza, que nunca vai terminar. É quando Deus vai
enxugar de nossos olhos toda lágrima; é quando não haverá mais dor; é quando
não haverá mais luta; é quando não haverá mais tristeza; é quando não haverá
mais despedida; é quando não haverá mais velhice; é quando não haverá mais
tropeço; é quando não haverá mais cortejo fúnebre; é quando não haverá mais
cansaço; é quando estaremos com Deus e para Deus eternamente. Sem dúvida, a
Salvação em Cristo é de uma grandeza sem par! Como escaparemos nós, se não
atentarmos para uma tão grande Salvação?
Disse
o Pr. Antônio Gilberto, e concordo com ele: “Se
todos os crentes tivessem uma plena visão da Salvação, se todos pudessem ver
plenamente ao longe a tão grande salvação que receberam, com certeza teriam
atitudes diferentes no seu dia a dia. Teríamos tanto regozijo, tanta motivação,
tanto entusiasmo, tanta convicção, tanto anseio e enlevo pelo Céu, que não
haveria na Terra um só salvo descontente, descuidado, negligente e embaraçado
com as coisas desta vida e deste mundo. Ademais, teríamos uma tão profunda
compreensão do que é o Céu – e, por isso, teríamos tanto desejo de ir para lá
-, que o Diabo não teria na igreja um só fã, um só admirador de suas coisas, um
só aliado” (Pr. Antônio Gilberto. Soteriologia – a Doutrina da Salvação.
CPAD).
2. Para compreender o que Jesus fez. A Doutrina da Salvação é importante
para compreendermos o grande feito de Jesus por toda a humanidade: sua morte
vicária na Cruz por toda a humanidade. Jesus nasceu para morrer. Ele nasceu
para ser o nosso substituto, nosso representante, nosso fiador. Na verdade, a
cruz sempre esteve incrustada na mente de Deus, em Seu coração amoroso. Jesus
Cristo jamais recuou diante dessa cruz. Ele caminhou resoluto para ela como um
rei caminha para sua coroação. Portanto, a cruz de Cristo além de ser um fato
já planejado na eternidade, expressa para você e para mim o gesto do maior amor
de Deus por nós.
Se
você ainda tem dúvida do amor de Deus, entenda que não há possibilidade de nós
expressarmos de forma mais eloquente e mais profunda o amor de Deus por nós do
que a manifestação da cruz. Ali aconteceu o maior de todos os sacrifícios. O
Filho de Deus deixou o Céu, deixou a companhia dos anjos, deixou a glória do
Pai, e veio e se humilhou, se fez servo; foi perseguido, foi preso, foi
insultado, foi cuspido, foi zombado, foi escarnecido, foi pregado na cruz. Com
a morte de Jesus, ativou-se o contato da criatura com o Criador que fora
quebrado no Éden e se tornou visível a ação de Deus na vida dos homens, de
maneira que o céu, que parecia ser inatingível, tornou-se acessível aos homens
por meio de Cristo Jesus. A morte de Jesus na cruz, que seria uma vitória do
diabo, na verdade representou a própria derrota de Satanás.
Qualquer
pecador pode ser salvo aqui e agora. Basta apenas arrepender-se de seus pecados
e crer na suficiência da graça manifestada em Cristo Jesus (Rm.10:8-10).
Infelizmente, há em alguns segmentos ditos evangélicos uma mentalidade herética
de que é preciso o pecador cumprir algum tipo de ritual para alcançar os
benefícios da graça de Deus. Alguns desses rituais são: listar todos os pecados
conhecidos, confessá-los nome por nome a algum preposto sacerdote, “queimar” esses pecados em fogueiras, quebrar
as chamadas maldições hereditárias e passar por um processo de purificação
emocional, como se esse, sim, fosse o grande segredo guardado a sete chaves
para a obtenção da salvação. Ora, a obra completa da salvação já foi consumada
na cruz, é perfeita e não precisa de nenhum adendo (1Pd.2:24; Cl.1:20;
Is.53:4,5,12).
3. Para se apropriar dos benefícios da Salvação. A Doutrina da Salvação também é
importante para aprendermos e experimentarmos as bênçãos da Salvação. Por si
só, a Salvação já é uma grande bênção, mas como promessa-mãe ela é força
geratriz de muitas outras bênçãos. O apóstolo Paulo descreve com muita
inspiração as muitas bênçãos da Salvação, na carta aos Efésios 1:3-14. Muitos
são os benefícios da Salvação, tais como a libertação da culpa e do poder do
pecado. Todavia, outros benefícios se apresentam diante de nós que aceitamos a
Jesus Cristo como único e suficiente Salvador:
- A bênção da Regeneração. Regeneração ou o Novo Nascimento
significa o ato sobrenatural em que o homem é gerado por Deus para ser filho
(João 1:12) e participante da natureza divina (2Pd.1:4).
Significa
vida renovada (1João 3:13,14): “Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo
vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os
irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte”.
Significa
mente renovada (Rm.12:2): “E não sede conformados com este mundo, mas sede
transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual
seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”.
Significa
propósitos renovados (2Co.5:17): “Assim que, se
alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que
tudo se fez novo”.
Significa
a vontade de Deus em nossa vida (João 1:12,13): “Mas,
a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus,
aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da
carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.
Significa
despir-se do velho homem (1Co.6:20): “Porque fostes
comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso
espírito, os quais pertencem a Deus”.
O
Novo Nascimento é essencial para que o homem entre no Reino de Deus, e não
ocorre por ocasião do batismo em águas nem pela vontade humana, e sim pela
vontade de Deus. O homem regenerado recebe de Deus coração e espírito novos
(Ez.36:26), podendo assim ter comunhão com Deus e a garantia de viver com Ele
na eternidade.
- A bênção de sermos “filhos de Adoção por Jesus Cristo” (Ef.1:5). A salvação torna-nos filhos de Deus
(João 1:12). Como deixamos de ter pecados, como passamos a ser considerados
justos, como passamos a ter comunhão com Deus, recebemos o poder de sermos
filhos de Deus, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm.8:17). Enquanto
estávamos nos nossos pecados, Deus não podia nos levar a essa posição tão
próxima dele e marcada por tanto carinho. Por isso, o Senhor Jesus veio à Terra
e, por sua morte, sepultamento e ressurreição, resolveu o problema dos nossos
pecados, satisfazendo as exigências de Deus. O valor infinito do seu sacrifício
no calvário providenciou a base justa sobre a qual Deus pode nos adotar como
filhos. A nova vida que recebemos pelo perdão dos pecados faz com que tenhamos
comunhão com Deus e o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito, que
volta a ter relacionamento com Deus, que somos filhos de Deus (Rm.8:16).
Adotado por Deus, o crente é considerado como filho do Pai Celeste (1João 3:2),
como irmão de Jesus (Hb.2.11), como herdeiro dos céus (Rm.8.17). De igual modo,
é libertado do medo (Rm.8.15) e desfruta de segurança e certeza de vida eterna
(Gl.4.5,6).
- A bênção da Redenção (Ef.1:7). Jesus pagou o preço da nossa Salvação e, por isso, nos comprou
a liberdade. Este ato é conhecido por “redenção”, ou seja, “o ato de remir ou
redimir”; o “resgate”, ou seja, “o ato de livrar (algo) de ônus por meio do
pagamento”, o “ato de comprar para libertar”. Por isso, o apóstolo Pedro nos
lembra que não fomos comprados com ouro, mas com o precioso sangue de Jesus
(1Pd.1:18,19). O preço da Redenção é o seu sangue; nada mais serviria. Como
fomos comprados por Cristo, libertamo-nos do jugo do pecado e, por isso, não
mais estamos sob condenação, alcançamos a Justificação.
- A bênção de sermos propriedades exclusivas de Deus
(Ef.1:13). Dantes
estávamos mortos em nossos delitos e pecados, destituídos da glória de Deus.
Agora, somos propriedade sua – “... fostes selados
com o Espírito Santo”. Como “selo”, o Espírito Santo é dado ao crente como a
marca ou evidência de propriedade de Deus. Ao outorgar-nos o Espírito,
Deus nos marca como seus (2Co 1:22). Assim, temos a evidência de que somos
filhos adotados por Deus, e que a nossa Redenção é real, pois o Espírito Santo
está presente em nossa vida (Gl.4:6).
- A bênção da garantia da nossa Herança: o Espírito Santo - “o
penhor da nossa herança” (Ef.1:14). No dia em que fomos salvos, o Espírito Santo começou a
revelar-nos algumas das riquezas que serão nossas em Cristo. Ajuda-nos a
entender a glória vindoura. Porém, como poderemos ter a certeza de que um dia
receberemos a herança toda? O Espírito Santo é a garantia divina de que
pertencemos a Deus e que Ele cumprirá o que prometeu. Ele é como um pagamento
inicial, um depósito ou penhor, uma assinatura que valida um contrato. Sua
presença em nós demonstra a veracidade de nossa fé, prova que somos filhos de
Deus e nos garante a vida Eterna. Glórias sejam dadas a Deus por todas as
bênçãos que Ele nos deu através da morte vicária de nosso Senhor Cristo Jesus!
III.
A SALVAÇÃO PROMETIDA NO ÉDEN
A
Queda do homem foi um desastre que afetou todo o cosmo. As consequências foram catastróficas. Deus castigou o pecado com dor,
sujeição e sofrimento. Um Deus santo e justo não pode fazer vista grossa à
rebelião de suas criaturas. Ele é o justo Juiz.
Com
a Queda, a natureza humana corrompeu-se e o homem adquiriu a tendência para
pecar. Já não era inocente como uma criança, mas sua mente se havia sujado e
ele sentia vergonha de seu corpo. Outra prova da sua natureza corrompida: ele
lançou a culpa sobre sua mulher. Adão chegou a insinuar que Deus era o culpado:
"A mulher que me deste por companheira, ela me
deu da árvore, e comi" (Gn.3:12). Isto é uma demonstração clara da
natureza decaída do homem. Os juízos de Deus eram inevitáveis.
Mas, no Éden, não houve apenas juízos inclementes. Também houve a promessa de um juízo redentivo. Ao invés de lançar apenas juízos inclementes e condenatórios sobre o casal, Deus, o justo Juiz, abriu um espaço para a Redenção. Observe a bondade de Deus ao prometer a vinda do Messias antes mesmo de decretar a sentença de juízo condenatório ao homem e a mulher: “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn.3:15). Esta é a mais gloriosa promessa de Redenção, de soerguimento do homem da condenação. Este versículo é conhecido como protoevangelho, isto é, “o primeiro evangelho”. O texto anuncia a inimizade perpétua entre Satanás e a mulher (que representa toda a humanidade), e entre a descendência de Satanás (seus representantes) e o seu descendente (o descendente da mulher, o Messias). O Descendente da mulher feriria a cabeça de Satanás. Essa ferida foi infligida no Calvário, quando o Salvador triunfou sobre Satanás. Este, por sua vez, feriria o calcanhar do Messias. Essa ferida se refere ao sofrimento (incluindo morte física), mas não à derrota final. Cristo sofreu na cruz e morreu, mas ressuscitou dentre os mortos, vitorioso sobre o pecado, o inferno e Satanás.
Cristo
esmagou a cabeça da "Serpente" provendo a solução definitiva para o estado caído do ser
humano. A peçonha do pecado que Satanás tentou passar à humanidade foi
aniquilada pela morte redentora de Cristo. O Criador prometeu Salvação e deseja
que todo ser humano seja salvo (1Tm.2:3,4), apesar da condição de rebelado, de
pecador e de inimigo de Deus.
Embora
a queda tenha acarretada tanta desgraça para o ser humano, nós aprendemos que
há uma esperança para o pecador, em Cristo Jesus. Através de Cristo, Deus Pai
provê-nos eterna e suficiente Redenção, dispensando-nos um tratamento mui
especial. Glórias a Deus pelo seu grande amor e misericórdia!
CONCLUSÃO
Devemos glorificar a Deus por nos ter dado esta oportunidade imerecida de Salvação. Devemos, pois, cumprir a nossa parte, renunciando a nós mesmos, tomando a nossa cruz e seguindo ao Senhor Jesus (Mt.16:24), para que alcancemos a Glorificação, tornando, assim, realidade em nossas vidas esta maravilhosa promessa, a promessa da Salvação.
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