quarta-feira, 11 de março de 2026

DEUS ESCOLHEU RAABE

 


DEUS ESCOLHEU RAABE

 Sabe porque é bíblico Veja  em 1ª Coríntios 1:27-29

27-Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes.

28-E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são;

29-Para que nenhuma carne se glorie perante ele.

TEXTO BÍBLICO: Hebreus 11.31.

"Pela fé, Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias",

RAABE PRESERVA SUA FAMÍLIA PELA FÉ

O exemplo seguinte é o de Raabe e sua fé surpreendente (v. 31). No meio do nobre exército de crentes ilustres, corajosamente dispostos pelo apóstolo, Raabe vem na última fileira, para mostrar “...que DEUS não faz acepção de pessoas” (At 10.34).

Observe aqui:

1. Quem foi Raabe.

(1) Ela era Cananéia, “...separada da comunidade de Israel” (Ef 2.12), e tinha pouco incentivo à fé, e, não obstante, ela creu; o poder da graça divina aparece fortemente quando opera sem os meios comuns da graça.

(2) Ela era uma prostituta, e vivia no caminho do pecado; não era só proprietária de uma hospedaria, mas uma mulher comum da cidade, e, no entanto, creu que o tamanho do pecado, quando há verdadeiro arrependimento dele, não pode ser barreira para a misericórdia perdoadora de DEUS. Cristo salvou o principal dos pecadores. “Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5.20).

2. O que ela fez por sua fé:

 “...não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias”, os homens que Josué havia enviado como espias a Jericó (Js 2.6,7). Ela não somente lhes deu as boas-vindas, mas escondeu-os dos seus inimigos que queriam matá-los, e ela fez uma nobre confissão de fé (Js 2.9-11). Ela fez com que eles empenhassem a palavra numa aliança com ela para mostrar favor a ela e aos seus, quando DEUS mostrasse sua bondade a eles, e que eles lhe dariam um sinal, o que eles fizeram, um cordão de fio de escarlata, que ela deveria amarrar à janela; ela os despediu com conselhos amáveis e prudentes. Aprendemos aqui:

(1) A verdadeira fé se demonstra em boas obras, especialmente para com o povo de DEUS.

(2) A fé vai se expor a todos os perigos na causa de DEUS e seu povo; o verdadeiro crente vai arriscar a sua própria pessoa antes de expor os interesses de DEUS e de seu povo.

(3) O verdadeiro crente deseja, não somente estar em concerto com DEUS, mas estar em comunhão com o povo de DEUS, e disposto a se arriscar com eles, e caminhar como eles estão caminhando.

3. O que ela ganhou por meio de sua fé.

Ela escapou de perecer com aqueles que não criam. Observe:

(1) A totalidade dos seus vizinhos, amigos e concidadãos pereceu; foi uma destruição total que caiu sobre a cidade. Homens e animais foram eliminados.

(2) A causa da destruição do povo de Jericó – incredulidade. Eles não creram que o DEUS de Israel era o DEUS verdadeiro, embora tivessem evidências suficientes disso.

(3) A preservação notável de Raabe. Josué deu ordem severa para que ela fosse poupada, e ninguém mais, a não ser ela e os seus; e ela se empenhou para que o cordão de fio de escarlata fosse amarrado à janela. A sua família estava marcada para a misericórdia e não pereceu. A fé singular, quando a grande massa não somente é de incrédulos, mas se posiciona contra os que creem, é recompensada por favores singulares em épocas de calamidade comum.

O exemplo de Raabe (2.25)

Há um contraste forte entre Abraão e Raabe. “Ele é o amigo de DEUS, e ela de uma nação desprezível, uma prostituta. O grande ato de fé dele é manifesto em relação a DEUS; o dela, aos homens. O dele é o ato culminante do seu desenvolvimento espiritual; o dela é um primeiro sinal de uma fé que acabou de começar a existir” (Plummer). Raabe é uma das quatro mulheres da genealogia de Mt 1. Em Hb 11.31, sua fé é elogiada, e certamente a fé é revelada em Js 2.9-11, pois o Jordão ainda fluía entre Israel e a terra. Ela era tão conhecida na tradição judaica que não há necessidade de deduzir qualquer conexão literária entre Hebreus e Tiago.

Um crítico poderia descartar a obra de Abraão como homicídio e a de Raabe como traição, mas isso seria ignorar o contexto histórico. E tão verdadeiro agora como então que DEUS é maior do que a família ou a nação.

O capítulo 11 de Hebreus faz menção apenas de duas mulheres usan­do seus nomes — uma delas é Raabe. Ela também é citada na genealogia de nosso Senhor (Mt 1.5) e Tiago apresenta-lhe como exemplo da fé e das boas obras cristãs, dizendo: “E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pe­las obras, quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho?” (Tg 2.25) Lendo Josué 2.15, encontramos a casa de Raabe, a meretriz, edificada sobre o muro da cidade. Confrontando esta passagem com Josué 6.22, fica subenten­dido que a única parte do muro que não caiu foi exatamente aquela onde se encontrava a casa de Raabe. Ali naquela casa foi colocado um “... cordão de escarlata”, símbolo do sangue de Cristo, o que fez com que DEUS passasse por cima. “... vendo eu sangue, passarei por cima de vós” (Ex 12.13). Hoje, o sangue de JESUS nos oferece uma segurança ainda maior. Aquele sangue livrava Israel da morte física; o de JESUS, da morte eterna. Isso é glorioso, não?

O exemplo seguinte é o de Raabe e sua fé surpreendente (v. 31). No meio do nobre exército de crentes ilustres, corajosamente dispostos pelo apóstolo, Raabe vem na última fileira, para mostrar “...que DEUS não faz acepção de pessoas” (At 10.34). Observe aqui:

1. Quem foi Raabe.


(1) Ela era Cananéia
, “...separada da comunidade de Israel” (Ef 2.12), e tinha pouco incentivo à fé, e, não obstante, ela creu; o poder da graça divina aparece fortemente quando opera sem os meios comuns da graça.

(2) Ela era uma prostituta, e vivia no caminho do pecado; não era só proprietária de uma hospedaria, mas uma mulher comum da cidade, e, no entanto, creu que o tamanho do pecado, quando há verdadeiro arrependimento dele, não pode ser barreira para a misericórdia perdoadora de DEUS. Cristo salvou o principal dos pecadores. “Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5.20).

2. O que ela fez por sua fé: “...não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias”, os homens que Josué havia enviado como espias a Jericó (Js 2.6,7). Ela não somente lhes deu as boas-vindas, mas escondeu-os dos seus inimigos que queriam matá-los, e ela fez uma nobre confissão de fé (Js 2.9-11). Ela fez com que eles empenhassem a palavra numa aliança com ela para mostrar favor a ela e aos seus, quando DEUS mostrasse sua bondade a eles, e que eles lhe dariam um sinal, o que eles fizeram, um cordão de fio de escarlata, que ela deveria amarrar à janela; ela os despediu com conselhos amáveis e prudentes. Aprendemos aqui:

(1) A verdadeira fé se demonstra em boas obras, especialmente para com o povo de DEUS.

(2) A fé vai se expor a todos os perigos na causa de DEUS e seu povo; o verdadeiro crente vai arriscar a sua própria pessoa antes de expor os interesses de DEUS e de seu povo.

(3) O verdadeiro crente deseja, não somente estar em concerto com DEUS, mas estar em comunhão com o povo de DEUS, e disposto a se arriscar com eles, e caminhar como eles estão caminhando.

3. O que ela ganhou por meio de sua fé. Ela escapou de perecer com aqueles que não criam. Observe:

(1) A totalidade dos seus vizinhos, amigos e concidadãos pereceu; foi uma destruição total que caiu sobre a cidade. Homens e animais foram eliminados.

(2) A causa da destruição do povo de Jericó – incredulidade. Eles não creram que o DEUS de Israel era o DEUS verdadeiro, embora tivessem evidências suficientes disso.

(3) A preservação notável de Raabe. Josué deu ordem severa para que ela fosse poupada, e ninguém mais, a não ser ela e os seus; e ela se empenhou para que o cordão de fio de escarlata fosse amarrado à janela. A sua família estava marcada para a misericórdia e não pereceu. A fé singular, quando a grande massa não somente é de incrédulos, mas se posiciona contra os que creem, é recompensada por favores singulares em épocas de calamidade comum.

Raabe

A história de vida de Raabe

 “Então Josué, filho de Num, enviou secretamente de Sitim dois espiões e lhes disse: “Vão examinar a terra, especialmente Jericó”. Eles foram e entraram na casa de uma prostituta chamada Raabe, e ali passaram a noite. Todavia o rei de Jericó foi avisado: “Alguns israelitas vieram aqui esta noite para espionar a terra”. Diante disso, o rei de Jericó enviou esta mensagem a Raabe: “Mande embora os homens que entraram em sua casa, pois vieram espionar a terra toda”, mas a mulher que tinha escondido os dois homens respondeu: “É verdade que os homens vieram a mim, mas eu não sabia de onde tinham vindo.” Jos 2:1-4

A história de vida de Raabe é cheia de ensinos preciosos. São revelações espirituais de como se deve agir diante do espectro do juízo iminente, para não ser condenado junto com a multidão de insensíveis e desobedientes que mesmo em face as advertências não se convertem a DEUS.

Aprendemos também com essa história, que DEUS não faz acepção de pessoas, seja judeu ou gentio, aqueles que verdadeiramente se arrependem recebem o livramento, a salvação de sua vida. Atos 10.34

Raabe também conhecida como uma prostituta, que morava em cima das muralhas de Jericó, demonstra em suas ações a humildade, a sabedoria, a fé, o amor à família. Todos esses aspectos de caráter e emoções devemos cultivar em nossa vida, sobretudo quando o tempo de juízos de DEUS se avizinha da humanidade.

Aprendemos também que a fé e arrependimento nos tiram do lamaçal do pecado e nos elevam à posição de príncipe, filho do Rei dos reis.  “Quem há semelhante ao Senhor, nosso DEUS, cujo trono está nas alturas, que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra? Ele ergue do pó o desvalido e do monturo, o necessitado, para o assentar ao lado dos príncipes, sim, com os príncipes do seu povo.” Salmos 113:5-8

 A história de Raabe revela misericórdia, graça divina e perdão na vida de uma pecadora, mas sobretudo, uma mulher e sua família, que buscaram em DEUS a salvação de suas vidas. “Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça.” Romanos 5:20


O JUÍZO DE DEUS NA CIDADE DE JERICÓ

A terra de Canaã foi a terra que DEUS prometeu dar aos descendentes de Abraão (Gênesis 12:7). Os cananeus são descritos na Bíblia como um povo grande e feroz, que dificilmente seriam derrotados, de modo que os israelitas precisariam de ajuda divina para enfrentá-los e tomar posse da terra prometida profeticamente. DEUS prometeu a Sua ajuda a Moisés e Josué (Josué 1:3).

Havia um decreto de DEUS a Israel desde a libertação do Egito, que Canãa, a terra prometida, seria habitada pelo povo hebreu. Só que para entrar em Canaã, primeiro teriam que conquistar Jericó, sua principal cidade rodeada de enormes muralhas.

As muralhas de Jericó tinham 4018m de comprimento, eram compostas de dois muros que ficavam separados um do outro por uma distância de cinco metros. O muro externo tinha dois metros de espessura e o interno, quatro metros. Os dois tinham cerca de dez metros de altura. As muralhas tinham 34 torres de vigia e 12 portas de entrada, uma verdadeira fortaleza.

A casa de Raabe, era uma pousada, ficava sobre esses muros. Não obstante servisse de pousada para os visitantes e estrangeiros, na realidade era um local de prostituição, um motel para o bom entendedor. Eis a razão de Raabe ser conhecida como prostituta ou meretriz nos vários textos bíblicos nos quais é citada.

Segundo o Antigo Testamento, Jericó, na antiga Canaã, era uma cidade habitada por população de costumes, cultura e religião diferentes do povo de Moisés. Era uma cidade promíscua, cheia de prostituição e a idolatria predominava no meio do povo. Muitas foram a razões do juízo de DEUS sobre esse povo.

Jericó, representa o mundo contemporâneo, com sua insensibilidade, incredulidade e desobediência, que afronta a santidade e a autoridade de DEUS, criador dos céus e da terra. Certamente o dia do juízo final é iminente. “Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de DEUS, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão.” 2 Pedro 3:7-12


No sentido metafórico, Raabe e sua família representam aqueles que se arrependem de seus pecados e buscam salvação diante das advertências de juízos. Em tempos de julgamento, sempre tem os remanescentes que com sua fé, se abrigam no esconderijo do Altíssimo para livrar-se da morte. “Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis.” 2 Pedro 3:14

 
RAABE, UMA MULHER DE UMA FÉ VIVA E VERDADEIRA

Quando Josué enviou os dois espiões para fazer o mapeamento das fragilidades e pontos forte da cidade de Jericó, antes da conquista, uma das primeiras pessoas com quem se deparam, é Raabe. Dona de uma pousada que também servia como prostíbulo, situada sobre os muros de Jericó. Js 2.1


Longe de ser uma pessoa hostil ou perigosa, Raabe, concede abrigo aos espiões em sua pousada. Mesmo sabendo que eram israelitas e estavam ali para espiar a terra de Jericó. Ciente também de que essa ação seria considerada pelo rei de Jericó como uma traição aos seus patrícios.


O diálogo que Raabe tem com os espiões revela seu caráter, sua fé eficaz e diferenciada, em um contexto de incredulidade e insensibilidade espiritual, que seu povo vivia.
São várias as razões que evidenciam em Raabe, uma mulher sábia, inteligente e de uma sensibilidade espiritual perante o perigo de juízo iminente. Vejamos alguns:

1. Abrigou em sua casa os dois espias de Israel. “De Sitim enviou Josué, filho de Num, dois homens, secretamente, como espias, dizendo: Andai e observai a terra e Jericó. Foram, pois, e entraram na casa de uma mulher prostituta, cujo nome era Raabe, e pousaram ali.” Jos 2.1


2. Escondeu os espias do rei de Jericó e não deixou que fossem presos ou mortos. “Então, se deu notícia ao rei de Jericó, dizendo: Eis que, esta noite, vieram aqui uns homens dos filhos de Israel para espiar a terra. Mandou, pois, o rei de Jericó dizer a Raabe: Faze sair os homens que vieram a ti e entraram na tua casa, porque vieram espiar toda a terra. A mulher, porém, havia tomado e escondido os dois homens; e disse: É verdade que os dois homens vieram a mim, porém eu não sabia donde eram. Havendo-se de fechar a porta, sendo já escuro, eles saíram; não sei para onde foram; ide após eles depressa, porque os alcançareis. Ela, porém, os fizera subir ao eirado e os escondera entre as canas do linho que havia disposto em ordem no eirado.” Josué 2.2-6


3. Confessou sua fé no DEUS de Israel aos dois espias
“Foram-se aqueles homens após os espias pelo caminho que dá aos vaus do Jordão; e, havendo saído os que iam após eles, fechou-se a porta. Antes que os espias se deitassem, foi ela ter com eles ao eirado e lhes disse: Bem sei que o Senhor vos deu esta terra, e que o pavor que infundis caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados. Porque temos ouvido que o Senhor secou as águas do mar Vermelho diante de vós, quando saíeis do Egito; e o que fizestes aos dois reis dos amorreus, Seom e Ogue, que estavam além do Jordão, os quais destruístes. Ouvindo isto, desmaiou-nos o coração, e em ninguém mais há ânimo algum, por causa da vossa presença; porque o Senhor, vosso DEUS, é DEUS em cima nos céus e embaixo na terra.” Josué 2.7-11


4. Clamou aos espias por um pacto de livramento (salvação) a ela e toda sua família, quando Israel invadisse sua terra. “Agora, pois, jurai-me, vos peço, pelo Senhor que, assim como usei de misericórdia para convosco, também dela usareis para com a casa de meu pai; e que me dareis um sinal certo de que conservareis a vida a meu pai e a minha mãe, como também a meus irmãos e a minhas irmãs, com tudo o que têm, e de que livrareis a nossa vida da morte.” Josué 2.12-13


O pacto de Livramento foi firmado com os dois espias. “Então, lhe disseram os homens: A nossa vida responderá pela vossa se não denunciardes esta nossa missão; e será, pois, que, dando-nos o Senhor esta terra, usaremos contigo de misericórdia e de fidelidade. Ela, então, os fez descer por uma corda pela janela, porque a casa em que residia estava sobre o muro da cidade. E disse-lhes: Ide-vos ao monte, para que, porventura, vos não encontrem os perseguidores; escondei-vos lá três dias, até que eles voltem; e, depois, tomareis o vosso caminho.” Josué 2.14-16


 
AS TRÊS CONDIÇÕES PARA QUE O PACTO DE LIVRAMENTO FOSSE CUMPRIDO:


. O plano de invasão não poderia ser revelado a ninguém. “Então, lhe disseram os homens: A nossa vida responderá pela vossa se não denunciardes esta nossa missão; e será, pois, que, dando-nos o Senhor esta terra, usaremos contigo de misericórdia e de fidelidade.” Josué 2.14

. Raabe tinha que atar o cordão de fio de escarlata em sua janela (onde os espias desceram), como sinal de identificação e livramento. “Disseram-lhe os homens: Desobrigados seremos deste teu juramento que nos fizeste jurar, se, vindo nós à terra, não atares este cordão de fio de escarlata à janela por onde nos fizeste descer;” Josué 2.17-18a

3º. Toda a família de Raabe tinha que estar reunida em sua casa, para que houvesse salvação.  “…e se não recolheres em casa contigo teu pai, e tua mãe, e teus irmãos, e a toda a família de teu pai. Qualquer que sair para fora da porta da tua casa, o seu sangue lhe cairá sobre a cabeça, e nós seremos inocentes; mas o sangue de qualquer que estiver contigo em casa caia sobre a nossa cabeça, se alguém nele puser mão.” Josué 2.18b-19


 
FIO DE ESCARLATA O SINAL DE LIBERTAÇÃO DO JUÍZO


Como a janela da casa de Raabe, dava para fora dos muros de Jericó, foi realizado um plano de fuga para que os espias fugissem em segurança. Foi feito então uma corda de pano vermelho, muito provável feita de linho entrelaçado um a outro. Esse fio de escarlata serviu como livramento aos espiões.


É interessante que esse mesmo fio de escarlata (corda vermelha), foi recomentado pelos espias para que Raabe a mantivesse na janela, e serviria como sinal para que sua casa não fosse destruída junto com as demais casas de Jericó, quando se desse a invasão.
Esse cordão de escarlata carrega uma simbologia espiritual muito significativa. Assim como o cordão de escarlata é sinal de livramento de juízo iminente, assim também de uma forma mais profunda e abrangente, o sinal do Sangue do Cordeiro (vermelho), nos livra do pecado e da condenação eterna. “No dia seguinte, vendo que JESUS vinha em sua direção, João disse: — Eis o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo!” João 1:29


“Se andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de JESUS, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” 1 João 1:7


 “E assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. Porque DEUS amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque DEUS enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é condenado; mas o que não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de DEUS.” João 3:14-18


O sinal de sangue (escarlata) sempre serviu como aviso de livramento de morte. Foi ordenado por Moisés, para que todo Israelita matasse um cordeiro e o seu sangue fosse colocado nos umbrais de suas casas para que fossem livres do espírito de morte que passaria pelo Egito. “Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e matarei na terra do Egito todos os primogênitos, tanto das pessoas como dos animais, e executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor. — O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês se encontram. Quando eu vir o sangue, passarei por vocês, e não haverá entre vocês praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.” Êxodo 12:12,13.


Todos os sacrifícios oferecidos a DEUS, para expiação de pecados, no Antigo Testamento, tinham que ter sangue de cordeiro ou de algum animal sacrificado para esse propósito. Assim foi desde a oferta de Abel passando por todo o tempo da peregrinação, até a chegada do verdadeiro Cordeiro que com seu sangue remiria os homens de seus pecados. “Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão.” Hebreus 9:22.


Para se entrar nos céus temos que crer no sacrifício vicário de Cristo na cruz do calvário. “Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de DEUS e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo.” Apocalipse 7:13-15


“Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.” Apocalipse 22:13,14


Quando os espias falaram da importância de colocar o fio de escarlata como sinal de livramento de morte, Raabe, colocou sua fé em prática através da obediência. “E ela disse: Segundo as vossas palavras, assim seja. Então, os despediu; e eles se foram; e ela atou o cordão de escarlata à janela.” Josué 2:21


A Palavra de DEUS nos afirma que a única maneira de se receber a salvação e o perdão dos pecados é fazer a confissão da fé com a boca e o coração. Essa é a única forma de manifestar nossa fé e obediência aos mandamentos de DEUS. Assim fez Raabe, assim devemos fazer. “Se, com a tua boca, confessares JESUS como Senhor e, em teu coração, creres que DEUS o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.” Romanos 10:9,10


 E você amado leitor já colocou sua fé em prática, confessando a Cristo como único e suficiente Salvador? “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” Atos 4:12
 
RAABE DO LAMAÇAL DO PECADO A POSIÇÃO DE FILHA DO REI


Tem um ditado popular que diz: “Que o fim das coisas é melhor que o começo”. Na vida de Raabe foi assim. Uma mulher de uma família pobre, cedo enveredou no caminho da prostituição, fez de sua casa um lugar de promiscuidade, um antro de prostituição acumulando pecados e mais pecados.


O texto não diz, mas creio que Raabe não obstante viver uma vida de prostituição, era uma mulher infeliz e solitária, buscava uma oportunidade de mudança de vida para satisfazer sua alma sedenta.


Assim como seus patrícios, ouviu falar dos maravilhosos feitos do DEUS de Israel.  Ela sabia em seu coração, que esse povo era vencedor pelo poder de DEUS e certamente conquistariam Jericó. A fé que ela tinha a fez ter convicção que de fato aconteceria. E a única forma de escapar era se convertendo ao DEUS de Israel. O que de fato, na primeira oportunidade aconteceu.


Quantos mais como Raabe, em Jericó, ouviram falar que haveria invasão de Israel em sua cidade, e não mudaram de atitude e nem aproveitaram a oportunidade de salvação?
Raabe vivia no meio de um povo pecador, como consequência ela experimentou a perversa transgressão da prostituição. Mas ela teve uma oportunidade de mudança, de conversão e a abraçou, como náufrago abraça um salva vidas como única esperança de salvação em meio ao oceano.


DEUS honrou a fé de Raabe e vemos isso em várias narrativas das escrituras. Vejamos:
Livrando-a da morte e destruição, ela e toda sua família.” Porém a cidade será condenada, ela e tudo quanto nela houver; somente viverá Raabe, a prostituta, e todos os que estiverem com ela em casa, porquanto escondeu os mensageiros que enviamos.” Josué 6:17
Colocando-a na linhagem do Rei dos reis. Se tornou Tataravó do rei Davi. Fazendo parte da genealogia de Cristo“Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé; Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias.” Mat1:5
Tornou a segunda mulher depois de Sara na galeria dos heróis da fé de Hebreus 11. “Pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias.” Hebreus 11:31


 
CONCLUSÃO
A história de vida de Raabe nos ensina princípios espirituais que devem nortear nossas vidas. Vejamos:


a) Não importa como você se encontra nesse momento, se o pecado tem te afastado de DEUS, aproveite as oportunidades que Ele oferece para que você seja salvo.


 b) Você pode tomar uma decisão diferente de uma multidão de incrédulos e insensíveis aos apelos de DEUS.


c) A fé em DEUS tem que ser acompanhada de atitudes de obediência.


d) Temos que manifestar amor a nossa família, buscando também a sua salvação do juízo iminente de destruição.


e) DEUS sempre vai recompensar sua fé de maneira extraordinária, te salvando do Juízo e te colocando como príncipe em sua casa.


O mundo tem se ensurdecido aos apelos de DEUS. As muitas preocupações humanas têm distanciado o homem do grito que DEUS tem dado através dos profetas atuais e mesmo dos ditames milenares de sua Palavra. Contudo, a promessa eterna e fiel de livramento que se personificou e se consolidou na pessoa de Cristo JESUS tem envolvido a humanidade de muitas maneiras nesse tempo, chamado do fim.


Quem tem ouvidos e sensibilidade, ouça e creia, como Raabe ouviu e creu, agarrando-se a oportunidade de esperança de uma mudança radical de vida que se consolidou através da melhor escolha que ela poderia fazer: está para sempre com o Salvador!

Faça hoje, sua escolha certa: Escolha a Salvação!

 

terça-feira, 10 de março de 2026

UM TESOURO EM VASOS DE BARRO

 

UM TESOURO EM VASOS DE BARRO

Texto Bíblico: 2Corintios 4:7-18

“Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2Co 4:7)

Este é um dos textos mais profundos e reconfortantes das cartas de Paulo. Ele trata da gloriosa contradição da vida cristã: a coexistência da grandeza de Deus com a fragilidade humana.

1. O Contexto: Luz nas Trevas

Antes do versículo 7, Paulo fala sobre como Deus brilhou em nossos corações para dar o "conhecimento da glória de Deus". O "tesouro" não é algo que criamos; é o Evangelho e a presença do Espírito Santo em nós.

2. O Tesouro: O Conteúdo Precioso

O que exatamente é esse tesouro?

  • A Presença de Cristo: A habitação do Espírito Santo.
  • A Mensagem do Evangelho: O poder de transformação que recebemos.
  • A Vida Eterna: Uma esperança que não se desgasta com o tempo.

3. Os Vasos de Barro: A Nossa Natureza

Na época de Paulo, vasos de barro eram objetos comuns, baratos e altamente quebráveis. Eram usados para tarefas domésticas simples e, se caíssem, tornavam-se inúteis.

  • Fragilidade Física: Somos limitados por doenças, cansaço e envelhecimento.
  • Limitação Emocional: Sentimos medo, ansiedade e pressão (como Paulo descreve nos versículos seguintes).
  • Humildade: O vaso não deve chamar atenção para si mesmo, mas para o que carrega dentro.

4. O Propósito: A Excelência do Poder

Por que Deus colocaria algo tão valioso em algo tão frágil? Paulo responde: "para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós".

  • Contraste Necessário: Se o vaso fosse de ouro ou pedras preciosas, as pessoas poderiam admirar o vaso e ignorar o conteúdo.
  • Dependência Total: Quando o vaso está rachado ou fraco, o poder de Deus brilha através das fendas. Nossa fraqueza é a plataforma para a força de Deus.

Tabela de Comparação: O Vaso vs. O Tesouro

Característica

O Vaso (Nós)

O Tesouro (Deus/Evangelho)

Material

Barro (Terra/Poeira)

Luz e Glória

Durabilidade

Temporário e Frágil

Eterno e Indestrutível

Valor

Comum e Simples

Inestimável e Divino

Papel

Recipiente / Servo

Fonte / Senhor

Aplicação Prática para Hoje

  1. Não desanime com suas fraquezas: Suas limitações não impedem Deus de agir; na verdade, elas provam que é Ele quem está agindo.
  2. Mantenha o foco no conteúdo: O mundo gasta muito tempo tentando "decorar" o vaso (aparência, status). O cristão deve focar em cultivar o tesouro (intimidade com Deus).
  3. Resiliência sob pressão: Como Paulo diz logo após esse versículo, podemos ser "atribulados", mas não "derrotados", porque o poder que nos sustenta não vem de nossa própria resistência de barro, mas da força do tesouro.

"A nossa fraqueza não é um obstáculo para o poder de Deus, mas a condição para que ele se manifeste."


INTRODUÇÃO
Depois de ressaltar, nos versículos 1 a 6 do capítulo 4, a responsabilidade solene de todo servo de Cristo de transmitir a mensagem do evangelho de forma clara, Paulo reflete agora sobre o instrumento humano ao qual foi confiado este tesouro maravilhoso: a mensagem do evangelho. Para ensinar aos crentes de Corinto o valor da humildade, ele utiliza a figura de um vaso de barro contendo um grande tesouro. Qualquer pessoa escolheria um lugar mais seguro e resistente para colocar seus bens. Pela estrutura do receptáculo esse seria o lugar mais inseguro e frágil para se esconder um tesouro. Mas é desta forma que Deus escolheu trazer o Evangelho ao mundo: através da fraqueza humana, para que a grandeza extraordinária de seu poder de salvação possa ser vista como sua obra, e não como uma ação humana. Paulo compara e contrasta o evangelista com o evangelho, o pregador, com a pregação. O foco não deve estar no instrumento que prega a mensagem, mas no conteúdo da mensagem. Nesta aula, mostraremos que, a despeito de nossa fragilidade, o Senhor nos usa para expandir o seu Reino.


I. PAULO APRESENTA O CONTEÚDO DOS VASOS DE BARRO (4.1-6)



1. Um conteúdo genuíno (4:1). Em 2Co 3:7-18, que estudamos no tópico III da aula anterior, Paulo faz o contraste entre a Antiga Aliança (a Lei) e a Nova Aliança (o Evangelho), e mostra que esta é superior à aquela. Nos versículos de 1 a 6 do capítulo 4, Paulo prossegue na defesa de seu ministério, e apresenta o glorioso ministério da nova aliança, o ministério que oferece às pessoas vida, salvação, justificação e tem poder para transformar vidas, a saber, o evangelho. Ao usar a figura do "vaso de barro", indica a debilidade e a pequenez de tal utensílio diante de sua riqueza interior.


O Evangelho não é produto da mente humana, mas da revelação divina. Sua origem está no Céu, não na Terra. Sua oferta é graciosa, seu poder é irresistível, sua evidência é luminosa. Paulo também nos conta como a mente de algumas pessoas ainda estão embotadas perante esse evangelho, e conclui explicando o conteúdo do seu evangelho: Cristo é Senhor. Naqueles dias, surgiram falsos apóstolos, mercadores da Palavra de Deus, que não tinham compromisso nenhum com a veracidade daquilo que pregavam. Proferiam discursos vazios com conteúdo adulterado, à semelhança dos comerciantes desonestos, que adulteram as substâncias originais de seus produtos, misturando-as com algo mais barato para enganar seus clientes.


Destacamos aqui dois pontos importantes acerca do evangelho genuínoEm primeiro lugar, o Evangelho é concedido pela misericórdia divina, e não pelo mérito humano – “Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita[...]” (4:1). Paulo foi um implacável perseguidor da Igreja. Respirava ameaça contra os discípulos de Cristo. Ele não buscava a Cristo, mas Cristo o buscou, transformou-o, capacitou-o, comissionou o e o fez ministro da nova aliança (1Tm 1:12-17). Jesus demonstrou a ele misericórdia não levando em conta suas misérias, mas oferecendo a ele sua graça.


Em segundo lugar, o Evangelho nos dá forças para enfrentar o sofrimento – “[...] não desfalecemos” (4:1b). Paulo não desfaleceu. Não agiu com covardia, mas, sim, com coragem, diante de obstáculos aparentemente intransponíveis. Ele enfrentou toda sorte de sofrimento: perseguição, rejeição, oposição, abandono, apedrejamento, açoites, prisão, acusação, naufrágio e a própria morte. Mas esses sofrimentos todos, além da preocupação que tinha com todas as igrejas, não puderam demovê-lo nem o desencorajar, porque o chamado divino é sempre acompanhado da capacitação divina. Paulo jamais desistiu de pregar.
Sem dúvida, há motivos de sobra para desânimo e depressão no serviço cristão, mas o Senhor concede misericórdia e graça em todos os momentos de necessidade. Assim, não obstante os desânimos, os encorajamentos são sempre maiores.


2. Um conteúdo que rejeitava coisas falsificadas (v. 2). Antes, rejeitamos as coisas que, por vergonha, se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade” (2Co 4:2). Aqui, Paulo está pensando, mais uma vez, nos falsos mestres que se haviam infiltrados na igreja de Corinto. Seus métodos eram os mesmos usados pelas forças do mal, a saber, a vergonhosa sedução ao pecado, a astuta distorção da verdade, o uso de argumentos ardilosos e a falsificação da Palavra de Deus.

Os falsos obreiros que estavam invadindo a igreja de Corinto e fazendo oposição a Paulo buscavam a promoção pessoal, e não a glória de Cristo. Eles estavam interessados no dinheiro do povo, e não na salvação do povo. Eles estavam envoltos em densas trevas do engano, e não na refulgente luz da verdade. Eles buscavam resultados, e não fidelidade. Queriam mais os aplausos dos homens do que a aprovação de Deus. Então, Paulo disse: “rejeitamos” ...


Os falsos obreiros em Corinto estavam usando astúcias e truques para pregar. Eles usavam atrativos enganosos para atrair as pessoas. Esses falsos obreiros estavam imitando a astúcia da serpente que enganou Eva no Éden (2Co 11:3,14,15). Esses falsos obreiros astuciosamente usavam manobras psicológicas, táticas para impressionar e apelos emocionais para seduzir as pessoas com as suas falsas mensagens. Mas, Paulo diz: “rejeitamos” ...


Os falsos obreiros, como mascates espirituais, estavam falsificando(adulterando) a Palavra de Deus, ministrando suas ideias heterodoxas ao evangelho, adicionando a palha de seus ritos ao trigo da verdade. Quando Paulo diz “nem falsificando a palavra de Deus”, ele certamente está se referindo ao passatempo preferido desses indivíduos, a saber, tentar misturar a lei com a graça. Hoje muitos pregadores estão adulterando a Palavra de Deus, pregando ao povo o que ele quer ouvir, e não o que ele precisa ouvir. Mas, Paulo diz: “rejeitamos” ...


3. Um conteúdo de coisas espirituais transparentes. Paulo diz: “e assim nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade” (2Co 4:2b). O cristão verdadeiro vive de forma transparente na presença de Deus e dos homens. Os cristãos judaizantes, opositores de Paulo, acusavam-no de haver distorcido a mensagem, todavia, a vida do apóstolo é um mapa aberto. Não tem nada a esconder. Está pronto a submeter-se ao escrutínio dos homens, uma vez que vive na presença de Deus. Contudo, seu propósito não é apenas receber o aval dos homens, mas ser aprovado por Deus (1Co 4:3,4). O ministério de Paulo tem como alvo “a manifestação da verdade”. A verdade, tal como revelada em Jesus, é tão universal e essencial à vida humana que não há necessidade de expedientes psicológicos para elevá-la ou torná-la mais eficiente e interessante.

A manifestação da verdade pode ser entendida de duas formas. Manifestamos a verdade quando a declaramos de forma explícita e compreensível. Também a manifestamos quando a colocamos em prática em nossa vida diante de outros, para que eles a vejam em nosso exemplo. Paulo usava os dois métodos. Pregava o evangelho e o obedecia em sua própria vida. Ao fazê-lo, procurava recomendar-se à consciência de todo homem, na presença de Deus.


No versículo 3 do capítulo 4, Paulo fala de sua extrema dedicação à tarefa de manifestar a verdade de Deus, tanto em preceito quanto na prática. Ele diz: “Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto”. Se o evangelho ainda está encoberto para alguns, não é por culpa de Deus, e Paulo não deseja que seja por sua própria culpa. No entanto, enquanto escreve essas palavras, o apóstolo está ciente da existência de indivíduos que simplesmente não conseguem compreendê-lo. Quem são eles? São os que se perdem. Por que estão cegos desse modo? A resposta se encontra no versículo 4: nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. 

Satanás é culpado. Aqui, ele é chamado de deus deste século (“era”, “época” ou “tempo”). O inimigo conseguiu colocar um véu sobre a mente dos incrédulos. Seu desejo é mantê-los em escuridão perpétua, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo e não sejam salvos.


No universo físico, o sol está sempre brilhando. Quando não o vemos brilhar é porque há algo entre nós e ele. O mesmo pode ser dito do evangelho. A luz do evangelho está sempre brilhando. Deus procura o tempo todo fazê-la resplandecer no coração dos homens. Satanás, porém, levanta várias barreiras entre os incrédulos e Deus. Podem ser nuvens de orgulho, rebelião, justiça própria ou várias outras coisas. Todas elas, porém, conseguem impedir que a luz do evangelho brilhe no coração dessas pessoas. Satanás simplesmente não deseja que os homens sejam salvos.


II. PAULO EXPÕE A FRAGILIDADE DOS VASOS DE BARRO (4.7-12)


1. A metáfora do vaso de barro (4:7). Paulo, apontando a si mesmo e aos coríntios como um vaso de barro, deixa claro que não tem a intenção de estar em evidência, como se fosse uma pessoa de extrema importância. Ele coloca a mensagem que traz consigo como a verdadeira coisa importante em sua vida. O vaso em si mesmo pode ter pouco valor, mas o conteúdo é precioso demais para ser desprezado. Quem poderia imaginar que um bem precioso pudesse ser guardado em um recipiente facilmente quebrável e de pouca importância? Paulo encanta-se diante do contraste entre o glorioso Evangelho e a indignidade e fragilidade de seus proclamadores.


Que extraordinário é um tesouro tão valioso ser confiado a um recipiente tão frágil como um vaso de barro! O homem é apenas um vaso de barro, frágil, quebradiço e barato, mas dentro desse vaso existe um tesouro de inestimável valor: o evangelho. Mesmo sendo fracos, Deus nos usa para transmitir suas Boas Novas e nos dá poder para fazer a sua obra. Saber que o poder é de Deus, e não nosso, deve nos afastar do orgulho e nos motivar a manter nosso contato diário com Ele, nossa fonte de poder. Deus é glorificado por meio de vasos frágeis. A fraqueza do vaso ressalta a excelência do poder de Deus. Por isso, o vaso não pode se orgulhar por ser portador de um tesouro. A glória não está no vaso, mas no tesouro. É preciso concentrar-se no tesouro, não no vaso, ou seja, o foco não deve estar no instrumento que prega a mensagem, mas no conteúdo da mensagem. O vaso é perecível, mas o evangelho é indestrutível. O vaso é frágil, mas o evangelho é poderoso. O vaso não tem beleza em si mesmo, mas o evangelho traz o fulgor da glória de Deus na face de Cristo. O vaso se quebra e precisa ser substituído, mas o evangelho é eterno e jamais pode ser mudado.

2. O paradoxo dos sofrimentos (4:8,9). “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos”. O princípio geral enunciado no verso 7 é ilustrado aqui numa série de quatro declarações paradoxais. Elas refletem, de um lado, a vulnerabilidade de Paulo e de seus companheiros, e, de outro lado, o poder de Deus que os sustenta.


Não há ministério indolor. A vida cristã não é uma estufa espiritual nem uma sala vip. Ser cristão não é pisar tapetes aveludados, mas cruzar desertos abrasadores. Ser cristão não é ser aplaudido pelas pessoas, mas carregar no corpo as marcas de Jesus Cristo. 

Paulo faz aqui quatro contrastes:


a) Atribulados, mas não angustiados (4:8
). A tribulação é uma prova externa, enquanto a angústia é um sentimento interno. A tribulação produz angústia (Sl 116:3), mas Paulo mesmo enfrentando circunstâncias tão adversas era fortalecido pelo Senhor. As tribulações de Paulo foram muitas. Citamos algumas, tais como: foi perseguido em Damasco; rejeitado em Jerusalém; esquecido em Tarso; apedrejado em Listra; açoitado em Filipos; escorraçado de Tessalônica e Beréia; chamado de impostor em Corinto; enfrentou feras em Éfeso; foi preso em Jerusalém; acusado em Cesaréia; enfrentou um naufrágio a caminho de Roma; foi picado por uma cobra em Malta; sofreu prisões, açoites, apedrejamento, fome, frio e pressões de todos os lados. Contudo, Deus o assistiu não o deixando sucumbir diante de tantas adversidades.


b) Perplexos, mas não desanimados (4:8). Do ponto de vista humano, Paulo muitas vezes não sabia se suas dificuldades teriam solução, mas o Senhor jamais permitiu que ele perdesse todas as esperanças. Jamais foi colocado em um lugar estreito do qual não havia saída.


c) Perseguidos, mas não desamparados (4:9). Paulo sofreu duras perseguições desde o começo de sua conversão até o último dia da sua vida na terra. Não teve folga nem alívio. Foi perseguido pelos judeus e pelos gentios, pelo poder religioso e pelo poder civil. No entanto, jamais se sentiu desamparado. Quando foi apedrejado em Listra, levantou-se para prosseguir o projeto missionário. Quando foi preso em Filipos, cantou e orou à meia-noite. Quando foi preso em Jerusalém, deu testemunho diante do Sinédrio. Quando foi levado para Roma como prisioneiro de Cristo, testemunhou ousadamente aos membros da guarda pretoriana. Mesmo quando ficou só em sua primeira defesa, em Roma, foi assistido pelo Senhor (2Tm 4:16-18). Deus jamais o desamparou.


d) Abatidos, mas não destruídos (4:9). Paulo enfrentou circunstâncias desesperadoras, acima de suas forças (1:8). Foi acusado, perseguido, açoitado, aprisionado, mas jamais sucumbiu. Mesmo quando foi levado à guilhotina romana e teve seu pescoço decepado pelo verdugo, não foi destruído (2Tm 4:17,18), porque sabia que sua morte não era uma derrota, mas uma vitória, uma vez que morrer é lucro, é deixar o corpo e habitar com o Senhor, o que é incomparavelmente melhor (Fp 1:23).


Talvez nos perguntemos por que o Senhor permitiu que seu servo passasse por tantas provas e tribulações? Talvez nos pareça que o apóstolo Paulo poderia ter servido ao Senhor com mais eficiência se seu caminho não estivesse tão repleto de obstáculos. Mas as Escrituras Sagradas ensinam justamente o contrário. Em sua sabedoria maravilhosa, Deus julga mais apropriado permitir que seus servos sofram enfermidades, aflições, perseguições, dificuldades e angústias. As tribulações têm por objetivo quebrar os vasos de barro para que a luz do evangelho possa brilhar mais intensamente.


3. Sofrer pela Igreja (4:10-12). “Trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos. E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós, a vida”.


Se sofremos, é por amor a Jesus. Se morremos para o nosso ego, é para que a vida de Cristo seja revelada em nós. Se passamos por tribulações, é para que Cristo seja glorificado. Ao servir a Cristo, a morte opera em nós, mas a vida opera naqueles para os quais é ministrado a Palavra.


No versículo 12, Paulo resumo tudo o que disse até aqui, lembrando aos coríntios que foi por meio do seu sofrimento constante que a vida chegou até eles. Paulo teve de enfrentar inúmeras dificuldades para levar o evangelho a Corinto, mas valeu a pena, pois os coríntios aceitaram Cristo e receberam a vida eterna.


Nossa tendência é sempre clamar ao Senhor em meio a uma enfermidade e pedir que Ele nos cure a fim de podermos servi-lo melhor. Algumas vezes, porém, talvez devamos agradecer a Deus essas aflições em nossa vida e gloriar-nos em nossas fraquezas para que o poder de Cristo repouse sobre nós.


III. PAULO FALA DA GLORIFICAÇÃO FINAL DESSES VASOS DE BARRO (4.13-18)


1. O poder que transformará os vasos de barro (4:13,14). “E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri; por isso, falei. Nós cremos também; por isso, também falamos, sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus e nos apresentará convosco”.


As aflições e perseguições da vida de Paulo não selaram seus lábios. A fé lhe permite prosseguir com a pregação do evangelho, pois ele sabe que glórias indescritíveis o aguardam além dos sofrimentos desta vida. Paulo fundamenta sua fé não nas suas ricas experiências, mas na eterna Palavra de Deus. Ele cita o salmo 116:10 para firmar sua fé: “Eu cri; por isso é que falei”. Ele creu no Senhor e suas palavras nasceram dessa fé com raízes profundas. Paulo se identifica com as palavras e a fé do salmista ao proferi-las e, portanto, declara: “Também nós cremos; por isso, também falamos” (4:13).


O versículo 14 do capítulo 4 revela o segredo da fé de Paulo e do seu destemor ao proclamar o evangelho de Cristo Jesus. Ele sabia que esta vida não é tudo. Sabia que o cristão tem a certeza da ressurreição. O mesmo Deus que ressuscitou o Senhor Jesus também ressuscitaria o apóstolo Paulo e o apresentaria com os coríntios.


A ressurreição de Cristo é um conforto na aflição. O fato é certo: Cristo levantou-se da morte pelo poder de Deus. Também, Deus nos ressuscitará e nos apresentará em glória. A conclusão é inevitável: Deus nos libertará de todas as nossas aflições. Portanto, a esperança que dominava o coração de Paulo é a mesma que abrange todos os crentes em Cristo: a glorificação do corpo mortal. Nossos corpos transitórios e corruptíveis serão transformados em corpos gloriosos.


2. A esperança capaz de superar os sofrimentos (4:5,16). “Porque tudo isso é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, torne abundante a ação de graças, para glória de Deus. Por isso, não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia”.


Paulo explica que sua disposição de suportar sofrimentos e perigos era motivada pela inabalável esperança da ressurreição. Por isso ele não desanimava. Por um lado, o processo de deterioração física, do homem exterior, estava sempre em andamento; por outro, havia uma renovação espiritual que lhe permitia prosseguir apesar de todas as circunstâncias adversas. Paulo sabia que um dia os sofrimentos, aflições e a angústia ao pregar o evangelho, terminariam e que ele obteria o descanso e as recompensas de Deus.


Quando enfrentamos grandes dificuldades, é fácil enfocarmos a dor em vez de nossa meta final (a vida eterna). Da mesma maneira que os atletas se concentram na linha de chegada e ignoram seu desconforto, nós também devemos enfocar a recompensa por nossa fé e a alegria que dura para sempre. Não importa o que nos aconteça nesta vida, temos a garantia da vida eterna, quando todo o sofrimento terminar e toda a tristeza desaparecer.
3. Tribulação temporária e glória eterna (4:17,18). “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas”.


Depois de ler sobre as terríveis aflições que o apóstolo Paulo suportou, podemos ter dificuldade em entender como ele é capaz de chamá-las de leve e momentânea tribulação. Em certo sentido, sua tribulação não tinha nada de leve. Era amarga e cruel. A explicação, porém, se encontra na comparação que Paulo faz. A tribulação em si é extremamente pesada, mas, ao ser comparada com o peso eterno de glória que nos espera, pode ser considerada leve. Além disso, é momentânea, ao passo que a glória é eterna. As lições que aprendemos com as aflições neste mundo redundarão em frutos abundantes no mundo por vir.
Nossa maior esperança quando estamos experimentando uma enfermidade terrível, perseguição ou dor é a certeza de que esta vida não é tudo o que há – existe vida após a morte! Saber que viveremos para sempre com Deus em um lugar sem pecado e sofrimento pode nos ajudar a viver acima da dor que enfrentamos nesta vida.


Por isso, o apóstolo Paulo com firmeza nos exorta para não atentarmos nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; por que as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas. Paulo refere-se principalmente às dificuldades, provações e sofrimentos que ele suportou. Eram elementos secundários de seu ministério; seu objetivo maior eram as coisas que se não veem, como, por exemplo: a glória de Cristo, a bênção dos semelhantes e a recompensa reservada para o servo fiel no tribunal de Cristo. Que o Senhor Jesus esteja conosco nessa jornada rumo à glorificação!


CONCLUSÃO
Deus nos escolheu dentre milhares e nos honrou com a sua presença, fazendo que vasos de barros, passivos a se quebrarem, pudessem ter o direito de comportar em si um tesouro incomparável - o conhecimento do Evangelho e o próprio Deus, na pessoa do Espírito Santo (somos o templo do Espírito Santo). Ele nos comprou por bom preço, usando o sangue de Jesus como uma moeda corrente para pagar todos os nossos pecados e nos preparou para toda a boa obra, para que através de nossas vidas o seu nome fosse glorificado no Céu.

 

segunda-feira, 9 de março de 2026

UMA VIDA PLENA NAS AFLIÇÕES

 


UMA VIDA PLENA  NAS AFLIÇÕES

Texto Bíblico: Fp 4:10-13

"Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece" (Fp 4:12,13)

1. A Prisão em Roma (Cativeiro)

Embora existam debates acadêmicos, a visão tradicional é que Paulo escreveu essa carta de Roma (por volta de 61-63 d.C.), sob guarda domiciliar ou em uma prisão romana, aguardando o julgamento do Imperador Nero.

  • A Incerteza: Ele não sabia se seria executado ou libertado.
  • A Escassez: Prisioneiros romanos dependiam de amigos para comer e se vestir. Se ninguém trouxesse provisões, o prisioneiro passava fome e frio.

2. O Motivo da Carta: Uma Nota de Agradecimento

A igreja de Filipos (a primeira que Paulo fundou na Europa) enviou um colaborador chamado Epafrodito com uma oferta financeira e suprimentos para Paulo.

  • Quando ele diz "sei ter abundância" no versículo 12, ele está se referindo ao alívio que sentiu com a chegada dessa ajuda.
  • No entanto, ele enfatiza que, antes da ajuda chegar, ele também estava bem. Isso dá uma autoridade enorme às palavras dele: ele não estava teorizando sobre sofrimento, ele estava vivendo-o.

3. A Paradoxal "Carta da Alegria"

Apesar de estar acorrentado, a palavra "alegria" (ou o verbo "alegrar-se") aparece 16 vezes em apenas quatro capítulos.

O Contraste:  * Cenário Externo: Correntes, soldados romanos, risco de morte, escassez física.

  • Cenário Interno: Contentamento, gratidão, vigor espiritual.

Por que isso importa?

Saber que ele estava preso transforma o "Posso todas as coisas" de um slogan motivacional em um testemunho de sobrevivência.

Paulo está dizendo aos Filipenses: "Não fiquem ansiosos por mim. Minha situação é difícil, mas minha fonte de força não está no palácio do Imperador, nem na liberdade física, mas em algo que as correntes não podem tocar."

1. A Escola da Experiência

Paulo usa a expressão "estou instruído" (ou "aprendi o segredo", em algumas traduções). Isso sugere que o contentamento não é um dom místico que cai do céu, mas uma disciplina praticada.

  • A Oscilação da Vida: Ele descreve os altos e baixos extremos: abundância vs. escassez, fartura vs. fome.
  • A Autossuficiência em Deus: O termo grego para "contente" usado no versículo anterior (autarkēs) refere-se a alguém que é independente das circunstâncias externas.

2. O Significado Real de "Posso Todas as Coisas"

Muitas vezes, o versículo 13 é usado como um "mantra de vitória" para alcançar metas difíceis (passar em provas, ganhar competições ou enriquecer). No entanto, dentro do contexto de Paulo:

  • Capacidade de Suportar: O "todas as coisas" refere-se a todas as situações mencionadas antes.
  • A Fonte da Energia: Ele diz que pode passar pela fome ou pela fartura sem perder a paz, porque sua força não vem de sua força de vontade, mas de uma conexão com o divino.

Nota: É mais sobre "posso suportar tudo" do que "posso realizar qualquer desejo".

 

Resumo da Dualidade de Paulo

Situação

A Atitude de Paulo

O Segredo

Abundância

Não se tornar arrogante ou autossuficiente.

Dependência de Deus.

Escassez

Não cair no desespero ou na amargura.

Fortalecimento interno.

Aplicação para Hoje

Essa passagem é um convite à estabilidade mental. Em um mundo de "montanha-russa" (econômica, emocional e social), Paulo propõe que a nossa felicidade não deve ser refém do que temos na conta bancária ou no prato, mas sim de uma base interna sólida.

INTRODUÇÃO

Vivemos num mundo onde só há uma certeza: a presença de momentos de aflição. Jesus, deixou claro que no mundo teríamos aflições (João 16:33b) e, ao anunciar a edificação da sua Igreja, já foi logo dizendo que ela teria de enfrentar as portas do inferno (Mt 16:18).

Vimos ao longo deste trimestre situações difíceis que o cristão está propenso a passar, tais como: dramas biológicos – enfermidades na vida do crente (vimos nas lições 1, 2 e 3); dramas sociais (lição 4 e 5); dramas familiares (lições 7 e 8); dramas materiais (lições 9 e 10); dramas de relacionamento (lições 11 e 12). Para onde nós viramos contemplamos o clamor das pessoas, o desespero tomando conta dos corações, famílias enfrentando problemas os mais sérios possíveis; assim caminham os povos do mundo inteiro. São momentos de dores, de guerra, de conflitos, de incompreensão, de sofrimento contínuo, a que tudo chamamos de aflições do presente século, confirmando as palavras do Apóstolo Paulo. 

O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos, diz: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8:38,39). A convicção firme e inabalável de Paulo é que nem a crise da morte, nem as desgraças da vida, nem poderes sobre-humanos, sejam eles bons ou maus (anjos, principados, potestades), nem o tempo (presente ou futuro), nem o espaço (alto ou profundo), nem criatura alguma, por mais que tente fazê-lo, poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. Temos vida plena como a de Paulo nos momentos de aflições?

Quando as aflições nos cercarem a ponto de pretenderem nos levar à morte ou nos proporcionar impiedoso sofrimento, quando forças opositoras do presente século nos proporcionarem insuportável fardo, quando as expectativas sombrias de um futuro incerto nos assustarem, lembremo-nos: há um amor imensurável, aconchegante, ilimitado, incondicional que pode nos proporcionar incomparável alívio. Esse amor é o Amor de Deus. Lancemos, pois, mão desse trunfo e vençamos todas as aflições que eventualmente nos sobrevierem. O próprio Senhor Jesus afirmou que no mundo teríamos aflições. Todavia, Ele conclui dizendo: “…, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).  

I. VIVENDO AS AFLIÇÕES DA VIDA


Depois de Jesus, uma das pessoas que mais experimentou aflições por amor a Cristo foi o apóstolo Paulo. Ouça-o: “...eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias, muitas vezes, em fome e sede, em jejum, muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas” (2Co 11:23-28). Durante toda a sua dor e o seu sofrimento, Paulo podia dizer em triunfo: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8:18).

Além dos cruentos sofrimentos exarados em 2Co 11:23-33, Paulo padecia de uma aflição contínua, que o acompanhou a vida inteira: uma enfermidade, que ele denominou de “espinho na carne”. No início de 2Coríntios 12, Paulo descreve seu arrebatamento ao terceiro céu e sua visão gloriosa. Viu coisas que não é lícito ao homem referir. Depois da glória, porém, vem a dor; depois do êxtase, vem o sofrimento. Em 2Coríntios 12:7-10, Paulo faz uma transição das visões celestiais para o espinho na carne. Que contraste gritante entre as duas experiências do apóstolo! Passou do paraíso à dor, da glória ao sofrimento. Provou a bênção de Deus no céu e sentiu os golpes de Satanás na terra. Paulo passou do êxtase do céu à agonia da terra. Vamos examinar alguns pontos importantes:

1. O sofrimento é inevitável. Paulo dá seu testemunho: "E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte" (2Co 12:7). Não há vida indolor. É impossível passar pela vida sem sofrer. O sofrimento é inevitável. O sofrimento de Paulo é tanto físico quanto espiritual.

2. O sofrimento é indispensável. Por que o sofrimento é indispensável?

a) Porque evita a soberba. O espinho na carne impediu que Paulo inchasse ou explodisse de orgulho diante das gloriosas visões e revelações do Senhor. O sofrimento nos põe em nosso devido lugar. Ele quebra nossa altivez e esvazia toda nossa pretensão de glória pessoal. É o próprio Deus quem nos matricula na escola do sofrimento. O propósito de Deus não é nossa destruição, mas nossa qualificação para o desempenho do ministério. O fogo da prova não pode chamuscar sequer um fio de cabelo da nossa cabeça; ele só queima nossas amarras. O fogo das provas nos livra das amarras, e Deus nos livra do fogo. O apóstolo Paulo diz que o espinho na carne era um mensageiro de Satanás. Mas o campo de atuação de Satanás é delimitado por Deus. Satanás intenciona esbofetear Paulo; Deus intenciona aperfeiçoar o apóstolo.

b) Porque gera dependência constante de Deus. "Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim" (2Co 12:8). O sofrimento levou Paulo à oração. O sofrimento nos mantém de joelhos diante de Deus para nos colocar de pé diante dos homens. Paulo sabe que Deus está no controle, não Satanás. Se Satanás realizasse seu desejo, ele teria preferido que o apóstolo Paulo fosse orgulhoso em vez de humilde. Os interesses de Satanás seriam muito mais bem servidos se Paulo fosse se tornar insuportavelmente arrogante.

c) Porque mostra a suficiência da graça. "Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo" (2Co 12.9). A graça de Deus é melhor do que a vida. A graça de Deus é que nos capacita a enfrentar vitoriosamente o sofrimento. A graça de Deus é o tônico para a alma aflita, o remédio para o corpo frágil, a força que põe de pé o caído. A graça de Deus é a provisão de Deus para tudo de que precisamos, quando precisamos. A graça nunca está em falta; ela está continuamente disponível. Não devemos orar por vida fácil; devemos orar para sermos homens e mulheres capacitados pela graça.

3. O sofrimento é pedagógico. A vida é a professora mais implacável: primeiro, dá a prova e, depois, a lição. A dor sempre tem um propósito, mais que uma causa. Deus não desperdiça sofrimento na vida de seus filhos. Se Deus não remove o espinho é porque ele está trabalhando em nós, para depois trabalhar por meio de nós.

4. O sofrimento pode ser um dom de Deus. Temos a tendência de pensar que o sofrimento é algo que Deus faz contra nós, e não por nós. O espinho de Paulo era uma dádiva, porque, por meio desse incômodo, Deus protegeu Paulo daquilo que ele mais temia: ser desqualificado espiritualmente (1Co 9:27). Ele sabia que o orgulho destrói. Viu-o como algo que Deus fez a seu favor, e não contra ele.

5. Satanás pode ser o agente do sofrimento. Espere um pouco: é Satanás ou Deus quem está por trás do espinho na carne de Paulo? Como é que um mensageiro de Satanás pode cooperar para o bem de um servo de Deus? Parece uma contradição total. A inferência é que Deus, na sua soberania, usa os mensageiros de Satanás na vida dos seus servos. As bofetadas de Satanás não anulam os propósitos de Deus, mas contribuem para eles. Até mesmo os esquemas satânicos podem ser usados em nosso benefício e no avanço do reino de Deus. O diabo intentou contra Jó para afastá-lo de Deus, mas só conseguiu colocá-lo mais perto do Senhor.

6. Deus nos conforta em nossas adversidades. A resposta que Deus deu a Paulo não era a que ele esperava nem a que ele queria, mas era a que ele precisava. Deus respondeu a Paulo que ele não o havia abandonado. Não sofria sozinho. Deus estava no controle da sua vida e operava nele com eficácia.

7. A graça de Deus é suficiente nas horas de sofrimento. Deus não deu a Paulo o que ele pediu; deu-lhe algo melhor, melhor que a própria vida: a sua graça. A graça de Deus é melhor que a vida; pois por ela enfrentamos o sofrimento vitoriosamente. O que é graça? É a provisão de Deus para cada uma das nossas necessidades. O nosso Deus é o Deus de toda a graça (1Pe 5:10).

8. Finalmente, o sofrimento é passageiro. O sofrimento deve ser visto à luz da revelação do céu, do paraíso. O sofrimento do tempo presente não é para se comparar com as glórias porvir a serem reveladas em nós (Rm 8:18). A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória (2Co 4:14-16). Aqueles que têm a visão do céu são os que triunfam diante do sofrimento. Aqueles que ouvem as palavras inefáveis do paraíso são os que não se intimidam com o rugido do leão.

O sofrimento é por breve tempo; o consolo é eterno. A dor vai passar; o céu jamais! A caminhada pode ser difícil. O caminho pode ser estreito. Os inimigos podem ser muitos. O espinho na carne pode doer. Mas a graça de Cristo nos basta. Só mais um pouco, e nós estaremos para sempre com o Senhor. Então o espinho será tirado, as lágrimas serão enxutas, e não haverá mais pranto, nem luto, nem dor.

II. CONTENTANDO-SE EM CRISTO


O contentamento é um aprendizado, e não algo automático. O aprendizado do contentamento cristão, porém, se dá pelo exercício da confiança na providência divina.

1. Apesar da necessidade não satisfeita. A vida de Paulo não floresceu num paraíso de arrebatadoras venturas. Ele passou por grandes necessidades. Sabia o que era fome, sede, frio, nudez, prisões, açoites, tortura mental e perseguições (cf 2Co 11:23-27). Ele teve experiências de alegrias e aflições, mas na urdidura dessa luta aprendeu a viver contente. Seu contentamento, porém, não emanava dele mesmo, mas de outro, além de si mesmo. A base de seu contentamento é Cristo. Humilhação ou honra, fartura ou fome, abundância ou escassez eram situações vividas por ele, mas no meio delas, e apesar delas, aprendeu a viver contente, pois, a razão do seu contentamento estava em Deus, e não nas circunstâncias.

O que determina a vida de um indivíduo não é o que lhe acontece, mas como reage ao que lhe acontece. Não é o que as pessoas lhe fazem, mas como responde a essas pessoas. Há pessoas que são infelizes tendo tudo; há outras que são felizes não tendo nada. A felicidade não está fora, mas dentro de nós. Há pessoas que pensam que a felicidade está nas coisas: casa, carro, trabalho, renda. Mas Paulo era feliz mesmo passando por toda sorte de adversidades (2Co 11:24-27). Mesmo passando por todas essas lutas, é capaz de afirmar: "Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então é que sou forte" (2Co 12:10).

2. Apesar das perseguições.  No princípio da Igreja, os cristãos enfrentaram muitas perseguições por causa da pregação do evangelho de Cristo, entretanto, esta situação não lhes tirava a alegria, senão vejamos:

a) Os discípulos, depois de serem açoitados por ordem do Sinédrio, saíram regozijando, ou seja, cheios de alegria, porque haviam sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus (At 5:40,41).

b) Estêvão, mesmo enfrentando uma multidão enfurecida que o haveria de matar, exultou ao ver o Filho do homem à direita de Deus, alegria esta que não diminuiu com o apedrejamento que se seguiu a esta visão (At 7:54-57).

c) Paulo e Silas, mesmo no cárcere interior (que era o compartimento mais terrível de uma prisão romana, situado no subterrâneo, sem qualquer iluminação, certamente úmido e fétido), com as mãos e pés amarrados, tendo sido açoitados, à meia-noite, cantavam hinos a Deus (At 16:24,25), prova de que toda esta situação não lhes roubara a alegria.

d) Paulo, apesar de estar preso, não só mostrou a sua alegria, mas estimulou a que os filipenses também a sentissem (Fp 3:1; 4:4). Por isso o apóstolo pôde dizer aos crentes de Corinto que, mesmo que contristado, sempre estava alegre (2Co 6:10).

3. Apesar da pobreza – “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação (Fp 4:11). Paulo ressalta que ele é independente de circunstâncias seculares. Ele havia aprendido “a viver contente”, qualquer que fosse a situação financeira. O contentamento é muito melhor que as riquezas porque “mesmo que o contentamento não produza riqueza, ele consegue atingir o mesmo objetivo banindo o desejo delas”.

É válido ressaltar que nos primeiros dias do ministério de Paulo, quando ele partiu da Macedônia, nenhuma igreja se associou a ele financeiramente, a não ser os filipenses (cf Fp 4:15). Mesmo quando Paulo estava em Tessalônica, os filipenses mandaram não somente uma vez, mas duas, o bastante para as suas necessidades (cf Fp 4:16). É evidente que os filipenses mantinham tão estreita comunhão com o Senhor que Deus podia orientá-los com respeito às suas contribuições. O Espírito Santo fez pesar o coração deles com relação às necessidades do apóstolo Paulo, e eles responderam enviando-lhe dinheiro não somente uma vez, mas duas. Contudo, é importante destacar que Paulo põe toda a ênfase de sua alegria no Senhor (Fp 4:10), e não na generosidade dos filipenses. Ele sabia que os crentes de Filipos eram apenas os instrumentos, mas que o Senhor era o inspirador. Paulo tinha profunda consciência de que a providência de Deus, às vezes, opera por meio das pessoas. Assim, Deus supriu suas necessidades por intermédio da igreja. Ele agradece à igreja a provisão, mas sua alegria está no provedor.

III. AMADURECENDO PELA SUFICIÊNCIA DE CRISTO



1. Através das experiências. "Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade" (Fp 4:12). Neste texto, Paulo expõe sua maturidade, sua experiência na jornada cristã. A Bíblia Sagrada mostra-nos que o crescimento espiritual é progressivo. É um processo. Jesus precisa ser formado em nós (Gl 4:19).

As grandes lições da vida nós as aprendemos no vale da dor. O sofrimento é não apenas o caminho da glória, mas também o caminho da maturidade. O rei Davi afirmou: “Foi-me bom ter passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Sl 119:71). O patriarca Jó disse que antes do sofrimento conhecia a Deus só de ouvir falar, mas por meio do sofrimento seus olhos puderam contemplar o Senhor (Jó 42:5).

Paulo, em Romanos 5:3-5, descreve os três estágios para se adquirir a maturidade cristã: “a tribulação produz a paciência; a paciência, a experiência; a experiência, a esperança; a esperança, a certeza”.

Ao comparar a vida espiritual ao desenvolvimento de uma videira, Jesus mostrou que se trata de um processo lento, continuado e não de um toque de mágica. A salvação é instantânea, pois a vida é um milagre, que surge repentinamente, porém, o crescimento já não é desta ordem, exige uma continuidade. A formação de qualquer fruto, da semente gerada ao fruto maduro, será sempre um tempo prolongado. Assim, a formação do Fruto do Espírito na vida do cristão não acontece num único ato, mas, é um processo formado por muitos atos “até que todos cheguemos... a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4:13).

2. Não pela autossuficiência. A autossuficiência leva-nos a uma sensação de independência e quando somos tomados por este ilusório sentimento que se aflora em ações inconsequentes, estamos já perto, muito perto, do iminente fracasso. O servo de Deus por mais preparado que possa ser, por mais experimentado que seja, deve sempre compreender que precisamos sempre de Deus, o Todo Poderoso. Torna-se necessário, então, termos cuidado para não incorrermos no errôneo caminho da autossuficiência. Paulo estava sempre consciente de sua total dependência de Deus. Ele mesmo escreveu: “...a nossa suficiência vem de Deus” (2Co 3:5, ARA).

3. Tudo posso naquele que me fortalece. “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13 –ARA). Há pessoas que costumam usar esse texto de Paulo aos Filipenses como um aval bíblico ativo para diversas empreitadas pessoais. Os adeptos da Teologia da Prosperidade tomam-no fora do seu contexto e utilizam-no imediatamente, fazendo com que muitos crentes acreditem que podem possuir o que quiserem, já que é Deus quem lhes garante isso. Mas, o contexto em que essa frase está inserida não corresponde ao que está sendo pronunciado em muitos de nossos púlpitos. Como sempre, é necessário observar o contexto da passagem. O contexto imediato, Fp 4:10-20, indica que Paulo está tratando de necessidades pessoais. Podemos ver isso quando ele usa frases e termos como “pobreza” (v. 11); “fartura e fome”; “abundância e escassez” (v. 12); “dar e receber” (v. 15) e “necessidades” (vv. 16 e 19). Todas estas palavras e frases tratam de necessidades físicas e imediatas como comida e moradia. Ele pessoalmente passou por necessidades nestas áreas e está mostrando como Cristo lhe deu força para enfrentá-las.

Portanto, ao dizer “Tudo posso naquele que me fortalece”, Paulo não quis dizer “tudo” num sentido absoluto. O que ele quis dizer era que, de todas as coisas que havia passado, que necessitavam de poder para enfrentar, como pobreza, fome, escassez e necessidades, Cristo supria tudo que ele precisava. Pelo que já havia passado, Paulo tinha confiança, e quis passar esta mesma confiança aos Cristãos em Filipos, de que “Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Fp 4:19). Amém!

CONCLUSÃO

Em nossa jornada rumo à Formosa Jerusalém, jamais haverá ausência de conflitos. Portanto, devemos saber conviver com eles, sabendo que Jesus está conosco no barco, o que significa que jamais seremos abandonados. Qualquer tempestade, não importando a sua origem ou a sua magnitude, não pode resistir ao poder e à autoridade do Filho do Deus vivo que criou todas as coisas e as tem sob o seu controle. Você precisa estar cônscio dessa realidade. Deve ter convicção de que serve a um Senhor bom, maravilhoso, que o ama, que é todo-poderoso e que detém o controle de tudo. Ele prometeu estar conosco sempre, até a consumação dos séculos; por toda a eternidade, e é fiel para cumprir isto. Lembre-se, todas as coisas contribuem para o bem de quem ama a Deus (Rm 8:28). Quem não ama ao Senhor não tem condição de entender que as aflições e bênçãos, juntas, são os meios com os quais Deus faz com que cresçamos. Então, não importa a tribulação que você esteja vivenciando na sua casa, no seu trabalho. Jesus está com você e irá conduzi-lo em triunfo para fora dessa aflição ou dará uma ordem para que ela cesse, quando tiver cumprido seu propósito em sua vida.

 


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