quarta-feira, 15 de julho de 2026

O SERMÃO DO MONTE E O CARÁTER DO REINO DE DEUS


O SERMÃO DO MONTE E O CARÁTER DO REINO DE DEUS

 

Texto Bíblico: Mateus 5:1-12

“Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa” (Mt.5:11).

As Bem-Aventuranças: O Perfil do Cidadão do Reino

Podemos dividir estas características em dois eixos principais: a nossa relação com Deus e a nossa relação com o próximo.

Bem-Aventurado

Característica do Caráter

Promessa do Reino

Pobres de espírito

Humildade total, dependência de Deus.

O Reino dos Céus.

Os que choram

Sensibilidade ao pecado e ao sofrimento.

Serão consolados.

Os mansos

Domínio próprio, submissão a Deus.

Herdarão a terra.

Fomes e sede de justiça

Desejo profundo pela vontade de Deus.

Serão fartos.

Os misericordiosos

Compaixão que reflete o perdão divino.

Alcançarão misericórdia.

Os limpos de coração

Integridade e pureza de intenção.

Verão a Deus.

Os pacificadores

Promovem a reconciliação e a paz.

Serão chamados filhos de Deus.

Perseguidos

Fidelidade inabalável, mesmo sob pressão.

O Reino dos Céus.

 

Reflexões Principais sobre o Texto

1. A Inversão de Valores

Jesus começa Seu ministério público desafiando o conceito de sucesso. Para o mundo, o forte é aquele que se impõe; para o Reino, o forte é o manso. Para o mundo, a felicidade está na autossuficiência; para o Reino, a felicidade começa com o reconhecimento de que somos "pobres de espírito" (espiritualmente falidos sem Deus).

2. O Caráter como Pré-requisito

Note que as Bem-Aventuranças não são uma lista de "regras para ganhar o céu", mas sim descrições de quem já é transformado pelo Reino. O caráter cristão é o fruto da habitação do Espírito Santo. Não tentamos ser mansos ou misericordiosos apenas por esforço próprio, mas porque fomos transformados pela graça de Deus.

3. A Perspectiva da Eternidade

O que sustenta o cidadão do Reino em meio às dificuldades (choro, perseguição, injustiça) é a promessa divina. Jesus aponta para uma realidade que vai além do tempo presente. A recompensa não é apenas terrena, mas espiritual e eterna.

Aplicação para a Vida Contemporânea

O Sermão do Monte convida-nos a uma reflexão honesta: O meu caráter reflete os valores do Reino ou os valores da cultura atual?

  • Na prática: Ser um pacificador em um ambiente polarizado, ser misericordioso com quem nos ofende e manter a pureza de coração em um mundo de interesses ocultos são as formas mais eficazes de anunciar que o Reino de Deus é real e presente.

 

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos do tema: “O Sermão do Monte: o caráter do Reino de Deus”. John Stott afirma que o Sermão do Monte é o mais lido, o menos compreendido e o menos praticado de todos os ensinos de Jesus. Ao estudá-lo, precisamos aceitar os seus ensinamentos com o máximo de seriedade, pois ele contém os mais altos padrões, os maiores valores, as prioridades do cristianismo. Encontramos nele tudo aquilo que devemos ser e fazer.

O evangelista Mateus introduz o Sermão de uma forma singela: “Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; e, abrindo a boca, os ensinava...” (Mateus 5:1,2). Muitas vezes, Jesus apresentava seus ensinos sobre um monte. Seus discípulos vinham até Jesus e Ele se sentava para ensinar. A multidão de pessoas se reunia e se sentava nas encostas abaixo dele. Provavelmente, Jesus dirigia esses ensinos principalmente aos doze discípulos, mas as multidões estavam presentes e ouviram suas palavras. Este Sermão desafiava os ensinos dos orgulhosos e legalistas líderes religiosos daquela época. Ele conclamava o povo para ouvir as mensagens dos profetas do Antigo Testamento que, como Jesus, haviam ensinado que Deus quer obediência sincera, e não mera e legalista obediência às leis, tradições e rituais.

Ao estudarmos o Sermão do Monte, devemos ir além do seu ensino moral, ético e espiritual; precisamos ultrapassar a beleza das suas expressões e ilustrações, o perfeito equilíbrio da sua estrutura, a harmonia dos seus ensinamentos, para chegarmos à pessoa do seu Pregador: Jesus, o Mestre por excelência. O valor e a autoridade desse sermão estão no próprio Jesus - Ele é mais importante que Seu sermão. Quando tomamos consciência de que o Mestre era o próprio Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, nosso Salvador, não temos outra coisa a fazer a não ser aceitar e praticar os Seus ensinos.

I. A ESTRUTURA DO SERMÃO DO MONTE



1. Por que Sermão do Monte?

Porque foi proferido sobre um monte, nas proximidades de Cafarnaum, no início do Seu ministério público, após o Seu batismo e tentação. Depois de uma das suas pregações do novo reino (Mt.4:23-25), chamou os doze discípulos sobre um monte, e depois que os discípulos se acomodaram, Jesus proclamou o mais conciso e ordenado código de ética e padrão de conduta, que abrangeu todos os seus ensinamentos, e que os apóstolos deveriam saber de cor, e deviam observá-lo como regra principal para permanência no Reino de Deus.

O Sermão do Monte é um dos mais famosos ensinos de Jesus; no entanto, nem sempre é fácil de interpretar, sendo frequentemente mal-entendido. É radical, revolucionário, provocativo e simples; não obstante, profundo. Talvez não seja acidental que Jesus comece seu ensino sobre a ética do novo Reino numa montanha, da mesma maneira que Moisés deu a Lei no Monte Sinai. Ademais, Jesus cita a antiga Lei neste Sermão, prossegue falando com autoridade sobre ela e a amplia como se Ele estivesse maior autoridade que Moisés (cf.Mt.5:17,18). Para ensinar, Jesus se senta, e os discípulos e a multidão sentam-se à sua volta – habitual postura pedagógica dos rabinos naquela época.

Nesse Sermão, Jesus faz uma síntese das leis morais que regem a humanidade. É considerado a constituição do Reino de Deus, sendo todos os seus dispositivos - capítulos e versículos – pétreos, ou seja, imutáveis e perpétuos. Não é por acaso que esse Sermão está situado no início do Novo Testamento; essa posição indica sua elevada importância. Nesse Sermão, o Rei resume o caráter e a conduta esperados dos seus súditos.

Antes do sermão começar, vemos no capítulo 4 o início do ministério de Jesus, quando anuncia a vinda do Reino de Deus (Mateus 4:17,23). Para consolidar as leis desse Reino, Jesus transmite este sermão com o objetivo de tornar claro a conduta esperada dos seus súditos (seus seguidores, os cristãos de todo o período da graça). Ali se achava tudo o que a alma necessitava saber a respeito de Deus, da criação e da vida quotidiana, tanto naquela época como nas vindouras. Além dos discípulos, uma numerosa multidão o aguardava para ouvir o seu verbo redentor. Foi ali que, introdutoriamente, comunicou à humanidade inteira as oito regras básicas para todo o comportamento dos seus súditos – as Beatitudes (Mt.5:3-12):

3.Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus;

4.bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;

5.bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;

6.bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;

7.bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;

8.bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;

9.bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;

10.bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus;

11.bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa.

12.Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.

2. A Estrutura do Sermão do Monte

O Sermão do Monte está estruturado em cinco grandes discursos proferidos por Jesus Cristo e tem como público-alvo todos aqueles que nasceram de novo em Cristo Jesus. É um discurso que pode ser lido no Evangelho de Mateus (Caps. 5-7) e no Evangelho de Lucas (fragmentado ao longo do livro). Nesses discursos, Jesus Cristo profere lições de conduta e moral, ditando os princípios que normatizam e orientam a vida cristã. Os cinco sermões de Jesus: (a) As Bem-aventuranças (Mt.5:3-12); (b) Sal e Luz (Mt.5:13-16); (c) Jesus é o cumprimento da Lei (Mt.5:17-48); (d) Os atos de justiça (Mt.6:1-18); (e) Declarações de sabedoria (Mt.6:19-7:27). Pormenorizando melhor, podemos destacar a estrutura do Sermão do Monte da seguinte maneira:

2.1. Introdução

a) As Bem-Aventuranças (Mt.5:3-12). Bem-aventurado significa "é feliz aquele". Essa é uma estrutura comum na poesia e sabedoria hebraica para indicar onde está a felicidade ou quem é feliz e por quê. Jesus surpreende seus ouvintes no seu ensino sobre a felicidade, porque todos os que são bem-aventurados são pessoas que estão sofrendo de alguma forma.

b) O sal da terra e a luz do mundo (Mt.5:13-16). A missão básica dos seguidores de Jesus no mundo: conservar e guiar.

Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte (Mt.5:13,14).

c) Jesus cumpre a Lei (Mt.5:17-20). Jesus explica sua própria missão, que não é de revogar ou negar a Lei de Moisés, mas de colocá-la em prática.

Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir (Mt.5:17).

2.2. O que não deve fazer

a) Homicídio (Mt.5:21-26). Jesus amplia o nível da Lei de Moisés. Antes, o homicídio era o assassinato na prática; agora, só o ódio já é considerado um homicídio, e quem ofende o próximo está correndo risco de ser incriminado.

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo (Mt.5:21,22).

b) Adultério (Mt.5:27-30). No Sermão do Monte, Jesus dá um tom mais forte a este pecado. Antes, apenas o adultério na prática era pecado; agora, só de pensar em possuir outra pessoa já é adultério.

Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela (Mt.5:28).

c) Divórcio (Mt.5:31-32). A vontade de Deus nunca foi que maridos e mulheres se separassem, mas abriu uma única exceção: o adultério. Todo divórcio que não se deu por esse motivo, é como se não existisse aos olhos de Deus, e o casal continuasse casado.

d) Juramentos (Mt.5:33-37). Jesus se opõe a má prática de juramento, que estava sendo abusada pelos judeus. Ao invés de jurarem, Jesus instrui que ninguém jure como forma de validar suas palavras, mas que cada um sempre cumpra o que disse.

e) Vingança (Mt.5:38-42). Jesus ensina que vingança não é sinônimo de justiça, e que na lógica do Reino de Deus devemos retribuir positivamente aquilo que recebemos negativamente.

Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra (Mt.5:39).

f) Odiar os inimigos (Mt.5:43-48). Subvertendo a ordem de que as pessoas deveriam odiar os seus inimigos, Jesus instrui que amá-los é o jeito certo de tratar os inimigos. Ele diz, inclusive, para que as pessoas orem a Deus em favor daqueles que os perseguem – “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt.5:44). E mais, ele disse que para sermos filhos de Deus temos que cumprir este duro mandamento“para que vos torneis filhos do vosso Pai Celeste....” (Mt.5:45).

2.3. O que deve fazer

a) Ajudar os necessitados (Mt.6:1-4). A prática de ajuda ou auxílio àqueles que mais precisam é uma ordem clara de Cristo. Ele adverte, ainda, para que ninguém anuncie isso esperando aprovação das outras pessoas.

Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai Celeste (Mt.6:1).

b) Oração (Mt.6:5-15). A oração é a ação mais básica esperada de um cristão, e Jesus ensina seus discípulos a orarem com a conhecida Oração do Pai Nosso. Sua advertência anterior também está presente: não anuncie que está orando, mas faça isso em secreto, porque o Pai que vê em secreto assim recompensará.

c) Jejum (Mt.6:16-18). A terceira prática esperada dos cristãos é o jejum, e a sua advertência continua presente: não mostrar aos outros que está jejuando.

2.4. Cuidados gerais

a) Os tesouros no Céu (Mt.6:19-24). Quem se preocupa demais com os bens materiais, se preocupa com aquilo que irá naturalmente se degradar ou se perder. Quem se preocupa com as coisas do céu, se preocupa com o que é eterno. Jesus ensina que ao invés de nos preocuparmos em acumular tesouros nessa vida, devemos nos empenhar em acumular tesouros na vida eterna.

b) As preocupações da vida (Mt.6:25-34). Jesus instrui que as pessoas devem se preocupar com as coisas eternas, em vez de coisas passageiras. O Reino de Deus e a sua justiça deve ser a maior preocupação do cristão, não bens materiais, que são efêmeros.

buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mt.6:33).

c) Julgamento ao próximo (Mt.7:1-6). Esse é um trecho muito mal interpretado, pois aqui Jesus não está proibindo as pessoas de julgarem, mas as instrui para julgarem de maneira correta. Antes de dizer que alguém está errado ou fazendo algo errado, deve-se investigar a si mesmo para ver se não está tropeçando na mesma coisa, pois seria hipocrisia.

Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão (Mt.7:5).

d) Persistência na oração (Mt.7:7-12). Nesse trecho Jesus ressalta a confiança que as pessoas devem ter em Deus, e que Ele suprirá nossas necessidades. Por isso, devemos continuar orando e pedindo a Deus.

2.5. A Prática da verdade

a) Porta estreita e porta larga (Mt.7:13-14). Este é um dos discursos mais duros que Jesus já proferiu. Aqui ele explica que entrar no Reino dos Céus não é algo fácil, e a vida de quem segue a Deus também não será, mas envolverá perdas e restrições. Por outro lado, o caminho do mundo e da libertinagem é muito mais fácil, mas certamente não levará ninguém a Deus.

Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela) (Mt.7:13).

b) A Árvore e seu Fruto (Mt.7:15-23). Esse trecho serve para saber quem é de Deus e quem não é de Deus. Pelos frutos se conhece a árvore. Quem possui bons frutos, deve ser uma pessoa boa; mas quem tem maus frutos, deve ser uma pessoa má. Ainda assim, deve-se ter em vista que Jesus está se referindo, em especial, aos falsos mestres (Mt.7:15), ou seja, sua maior preocupação é com a qualidade do ensino que as pessoas estão apreendendo.

c) O Prudente e o Insensato (Mt.7:24-27). Nesse trecho Jesus mostra a importância do seu ensino. Quem o ouve e pratica os seus ensinamentos é sábio e salva sua vida. Quem o ouve, mas não pratica os seus ensinamentos, é tolo e encontrará somente perdição.

Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as prática será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as práticas será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.

3. A quem se destina o Sermão do Monte

O Sermão do Monte foi dirigido, incialmente, aos seus discípulos (Mt.5:1,2), e a intenção é ser a constituição, ou o sistema de leis e princípios que governam os súditos do Rei no seu reinado. Portanto, não é uma apresentação do plano de salvação, nem seus ensinamentos têm como alvo os descrentes. O Sermão do Monte tem um valor distintamente judaico, como visto nas alusões ao Sinédrio (Mt.5:22), ao altar (Mt.5:23,24) e a Jerusalém (Mt.5:35); mesmo assim, seria errado dizer que os ensinamentos são exclusivamente para os crentes israelitas no passado ou futuro; são para todos os que, em qualquer época, reconhecem Jesus Cristo como Rei. Quando Cristo estava na terra, a aplicação direta do Sermão do Monte era aos Seus discípulos; agora, que nosso Senhor reina dos céus, aplica-se a todos os que o coroam como Rei no coração. Enfim, será o código de comportamento dos seguidores de Cristo durante o período da graça e durante Seu futuro reinado na Terra.

II. AS BEM-AVENTURANÇAS E O CARÁTER DOS FILHOS DE DEUS


1. O que são as Bem-aventuranças?

Há pelo menos quatro considerações sobre as bem-aventuranças: (a) São um código de ética para os discípulos e um padrão de conduta para todos os cristãos; (b) contrastam os valores do Reino, que é eterno, com os terrenos, que são temporários; (c) contrastam a fé superficial dos fariseus com a fé real que Cristo exige; (d) demonstram que as expectativas do Antigo Testamento cumprir-se-ão no Reino de Cristo.

Cada bem-aventurança diz respeito a uma bênção de Deus, e abrange três seções: o estado (isto é, “bem-aventurado”), a condição e a recompensa. Elas não prometem riso, prazer ou prosperidade terrena. Para Deus, bem-aventurado é aquele que tem uma experiência de esperança e alegria, independentemente das circunstâncias exteriores. Para encontrar essa forma mais profunda de felicidade, a pessoa precisa seguir a Jesus a despeito do preço a pagar. Jesus, nas bem-aventuranças, nos dá a receita da verdadeira felicidade. Ele põe diante de nós o mapa que nos leva a esse paraíso cobiçado. Os tesouros riquíssimos da verdadeira felicidade estão ao nosso alcance, A felicidade não é uma utopia, mas algo factível, concreto, tangível, ao nosso alcance. A boa notícia é que a felicidade não é algo que compramos com dinheiro ou conquistamos com status, mas um presente que recebemos de Deus.

O mundo tem o seu próprio conceito de bem-aventurança, onde feliz é o homem forte, rico, popular e satisfeito consigo mesmo. Mas, segundo afirma Hernandes Dias Lopes, a felicidade não está nas coisas que vemos; é uma atitude do coração. Não é um pagamento de nossas virtudes, mas um presente da graça de Deus. Não é algo que conquistamos pelo nosso esforço, mas um dom que recebemos pela fé. O que o mundo promete e não consegue dar, Jesus oferece gratuitamente. É importante afirmar que esse roteiro está na contramão de todas as orientações dadas pelo mundo. Não é algo que o homem faz para agradar a Deus, mas o que Deus faz para o homem. A verdadeira felicidade não é prêmio, é presente; não é merecimento, é graça.

2. O Reino de Deus e seu caráter

O Reino de Deus é onde Jesus é rei. Na Bíblia, o Reino de Deus é um reino espiritual que um dia dominará tudo. Esse reino começou agora, dentro do coração de cada pessoa que aceitou Jesus como seu Senhor e Salvador. Deus reina sobretudo, nada acontece sem sua permissão. O mundo todo pertence a Deus, porque Ele o criou. Mas quando o pecado entrou no mundo, o ser humano se rebelou contra a soberania de Deus. Deus continua sendo o rei sobre tudo e sobre todos, mas enquanto o ser humano estiver sob o poder do pecado ele rejeitará a autoridade de Deus sobre ele; torna-se escravo do diabo. Por isso, Deus enviou Jesus para restabelecer o Reino, através de Sua morte e ressurreição. Quem aceita Jesus como seu salvador deixa de pertencer ao reino das trevas e se torna cidadão do Reino de Deus (Cl.1:13,14).

O Reino de Deus ainda não foi completamente estabelecido, mas já começou. Jesus explicou isso na parábola do grão de mostarda - a semente do Reino foi lançada e continua crescendo (Lc.13:18-19). Cada pessoa que aceita Jesus faz crescer o Reino. Um dia o Reino encherá toda a terra, mas até lá ele cresce dentro de nossos corações. No fim dos tempos, quando Jesus voltar, o Reino de Deus será restabelecido para sempre. Será o tempo no qual cumprir-se-á a profecia de Daniel em que os reinos deste mundo serão destruídos, o mal aniquilado, restabelecer-se-á a comunhão perfeita com Deus e o Senhor reinará com justiça para sempre. Não será o resultado da utopia socialista, do avanço dos conhecimentos científicos, da unificação dos credos em uma só religião mundial, nem de qualquer desenvolvimento moral da sociedade, mas do propósito original para a criação.

Na presente manifestação do Reino de Deus, ser salvo implica a libertação do poder e dos valores do mundo, em Deus deter o poder de Satanás e dos demônios, mas em sua dimensão escatológica traduz a ideia da redenção do corpo – “o livramento da mortalidade” – em que o crente redimido assemelhar-se-á ao próprio Senhor em sua imortalidade. Nessa bendita Era, o inimigo e os seus agentes já terão sido banidos para o lago de fogo, o inferno. Com a plena ausência do mal e o pleno triunfo do bem, será também a época em que a comunhão restaurada em sua plenitude terá como símbolo maior o banquete entre Cristo e a Igreja. Não haverá mais tristeza nem sofrimento, e a justiça e a paz reinarão (Rm.14:17). Quem aceitar Jesus como seu salvador e não desistir herdará a vida eterna no Reino de Deus.

3. Os súditos do Reino de Deus

Os súditos do reino de Deus são os justos, os redimidos, aqueles que obedecem e praticam o código de ética e padrão de conduta estabelecido por Jesus. Jesus disse que se a justiça dos discípulos não excedesse em muito a dos escribas e fariseus, jamais eles entrariam no Reino de Deus, ou seja, não seriam súditos do Reino (Mt.5:20). Jesus deixa claro que os escribas e fariseus, que torciam a lei e oprimiam o povo com um discurso legalista, ostentando uma santidade aparente e uma justiça apenas exterior, estavam foram do reino de Deus. Para entrar no Reino de Deus é necessário não ostentar, mas ser humilde de espírito. É necessário não se gabar de sua justiça, mas chorar pelos seus pecados. É necessário não defender seus direitos, mas ser manso. É necessário ter fome não de prestígio, mas de justiça. É necessário não oprimir os necessitados e indefesos, mas ser misericordioso. É necessário não agasalhar hipocritamente toda sorte de imundícia no coração, mas ser limpo de coração. É necessário não criar contendas e odiar as pessoas em nome de Deus, mas se dispor a sofrer por causa da justiça. Essa é a justiça que excede em muito a justiça dos escribas e fariseus.

III. SOMOS BEM-AVENTURADOS



1. A beatitude na vida dos salvos

Beatitude significa Bem-aventurança; estado de plenitude, de felicidade profunda, experienciada pela presença de Deus na vida. As Beatitudes descrevem como os seguidores de Cristo devem viver. O salvo em Cristo vive as beatitudes do Sermão do Monte de maneira sincera e obediente. Cada uma das Beatitudes mostra como o crente pode ser bem-aventurado. Ser bem-aventurado significa ter mais do que felicidade; significa receber o favor e a aprovação de Deus. De acordo com os padrões mundanos, os tipos de pessoas descritos por Jesus não parecem ser particularmente abençoados por Deus. Mas a forma de vida que agrada a Deus geralmente contradiz a forma de vida do mundo. Os súditos do Rei certamente receberão a recompensa pelo modo de viver explicitado no Sermão do Monte. A consumação final de todas as recompensas se encontra no futuro, na plenitude do Reino de Deus. Entretanto, os crentes já podem compartilhar o Reino (que já foi revelado), vivendo de acordo com as palavras de Jesus.

2. A prova de que o cristão é bem-aventurado

A prova que o cristão é bem-aventurado pode ser inferida quando o seu caráter cristão é aprovado por Deus. John Stott afirma que as bem-aventuranças enfatizam oito sinais principais da conduta e do caráter cristãos, especialmente em relação a Deus e aos homens. Assim como o fruto do Espírito (Gl.5:22) expressa o caráter do cristão, e não as diversas facetas dele, de igual forma as bem-aventuranças são oito atributos do mesmo grupo de pessoas. Um cristão maduro tem todas essas oito qualidades, e não apenas algumas delas. As oito qualidades (fruto do Espírito) juntas constituem as responsabilidades; e as oito bençãos (as bem-aventuranças), os privilégios, a condição de cidadãos do Reino de Deus. Portanto, um cristão bem-aventurado é resultado de um estreito relacionamento com Deus, consigo mesmo e com o próximo. As oito bem-aventuranças apontam para esse quádruplo relacionamento: atitude em relação a si mesmo (Mt.5:3,4); em relação ao pecado (Mt.5:5,6); em relação a Deus (Mt.5:7-9); em relação ao mundo (Mt.5:10-12). Contudo, é bom enfatizar que as bem-aventuranças não são qualidades inatas ou adquiridas pelo esforço humano. Nenhuma pessoa poderia possuir essas bem-aventuranças à parte da graça de Deus.

CONCLUSÃO

“O Sermão do Monte é a base ética do Reino de Deus. Nele, constatamos o lado divino de uma atitude amorosa do cristão para com Deus, bem como para com o próximo. Se cada crente fizesse do Sermão do Monte o seu norte ético de vida, as polêmicas não teriam lugar entre nós, não haveria espaço para meras opiniões intelectuais, visto que o propósito desse Sermão é que cada crente seja como Deus quer que ele seja” (Pr. Osiel Gomes).

  

terça-feira, 14 de julho de 2026

0 TEMPO DE DEUS

 

0 TEMPO DE DEUS

Texto Bíblico:  Eclesiastes 3:1-8

"Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus" (Ef.5:15,16).

Eclesiastes 3.1-8

1-Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu:

2-há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;

3-tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar;

4-tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar;

5-tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;

6-tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora;

7-tempo de rasgar e tempo de cozer; tempo de estar calado e tempo de falar;

8-tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.

O conceito do "tempo de Deus" na Bíblia é profundo e se distancia da nossa contagem cronológica linear. Enquanto o ser humano vive sob a ditadura do relógio e da pressa, a Bíblia apresenta a perspectiva da eternidade e do propósito divino.

Aqui estão os pontos fundamentais para compreender esse tema:

1. Chronos vs. Kairos

No Novo Testamento, o grego utiliza dois termos principais para definir o tempo, que ajudam a entender a soberania divina:

  • Chronos: Refere-se ao tempo cronológico, a sucessão de segundos, minutos e horas. É o tempo que podemos medir.
  • Kairos: Refere-se ao "tempo oportuno", ao momento determinado por Deus para que algo específico aconteça. Não é uma questão de quantidade, mas de qualidade e propósito. Deus não vive preso ao chronos; Ele atua no kairos.

2. A Eternidade de Deus

Diferente dos seres humanos, Deus está fora das limitações do tempo.

  • Salmos 90:4: "Porque mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite."
  • 2 Pedro 3:8: "Mas não ignoreis uma coisa, amados: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia." Isso demonstra que Deus não se atrasa, nem se adianta; Ele opera na perspectiva da eternidade, onde o passado, o presente e o futuro estão diante d'Ele simultaneamente.

3. Eclesiastes 3: Tudo tem o seu tempo

Este é, talvez, o texto mais célebre sobre o assunto. O capítulo começa afirmando: "Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu". O ensinamento central aqui é que a vida humana é composta por ciclos. O sofrimento, a espera, a alegria e a colheita fazem parte de um plano que muitas vezes não compreendemos quando estamos vivendo, mas que serve ao propósito maior de Deus.

4. A Paciência como Virtude

O tempo de Deus serve frequentemente para alinhar o caráter do homem ao propósito divino. A espera não é apenas uma perda de tempo, mas um processo de preparação.

  • Isaías 40:31: "Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças..." A palavra "esperar" aqui carrega o sentido de confiar, buscar e renovar-se em Deus enquanto as circunstâncias não mudam. O tempo de espera é, biblicamente, um tempo de fortalecimento.

5. O Tempo da Plenitude

A Bíblia aponta que as grandes intervenções de Deus acontecem na "plenitude dos tempos".

  • Gálatas 4:4: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho..." Isso significa que, para que um evento aconteça na vida de um cristão, é necessário que todas as condições espirituais e humanas estejam alinhadas segundo a vontade de Deus. Ele não age sem planejamento; Ele age quando o cenário está perfeito para que o Seu nome seja glorificado.

Em resumo: O tempo de Deus é um convite à confiança. Não se trata de uma demora, mas de um preparo. A Bíblia sugere que, embora o homem planeje o seu caminho, é o Senhor quem estabelece o momento certo para que tudo ocorra (Provérbios 16:9).


INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos da Mordomia do Tempo. O Tempo é um fator fundamental da vida. Saber administrá-lo é imprescindível, porém, é um grande desafio. Como criaturas, somos submetidas ao tempo, mormente depois que entrou o pecado na humanidade, de modo que a administração do tempo é um dos importantes desafios que o crente tem para poder servir fielmente ao Senhor.

Uma das grandes armas de nosso adversário está, precisamente, na tarefa de roubar o nosso tempo. Muitas pessoas têm usado o seu tempo disponível de forma desordenada e sem disciplina, e por isso tem a sensação de que o tempo é curto para tudo o que realiza. Em qualquer cidade grande o que se observa é: pessoas correndo, nervosas, atrasadas; motoristas avançando sinal, buzinando, desesperados; pessoas que não conseguem cumprir os horários, pessoas que não comparecem para cumprir compromissos assumidos, pessoas impontuais...escravos “nas mãos” do tempo. A causa de tudo isto está na má administração do tempo. O homem tem que ser senhor, e não escravo do tempo; precisa dominá-lo, e não ser dominado por ele. 

O tempo é precioso e devemos remi-lo, como nos recomendam as Escrituras Sagradas (Ef.5:16; Cl.4:5). Que possamos orar como o salmista: “Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio” (Salmos 90:12).

I. CONCEITOS IMPORTANTES

1. A palavra Tempo

A expressão tempo deriva-se do latim, “tempus”, significando um período contínuo e indefinido no qual os eventos se sucedem. No grego, língua na qual foi escrito o Novo Testamento, tempo deriva-se chronos”; de “chronos” temos duas expressões bem populares: Cronologia e Cronômetro. Cronologia é a ciência que cuida da medição do tempo, ou é a ciência das divisões do tempo e da determinação da ordem e sucessão dos acontecimentos. Cronômetro é um instrumento de precisão capaz de medir o tempo em frações de segundos.

Literalmente, o tempo é uma sucessão de dias, meses, anos, horas, minutos e segundos, que dá ao indivíduo uma noção de passado, presente e futuro. Enquanto o tempo é dividido em milênios, séculos, anos, meses, semanas, dias, horas, minutos, segundos, milésimos de segundos, a nossa vida é construída de incontáveis momentos. O momento é uma unidade indivisível de tempo que ninguém pode calcular.

2. O Tempo na Bíblia e na Teologia

O Tempo na Bíblia e na Teologia relaciona-se com os aspectos temporais e eternos da vida humana.

a) No princípio - a Eternidade. Só Deus tem o atributo da eternidade. Ele não tem princípio e nem fim. Está escrito: “... de eternidade a eternidade, tu és Deus’’(Sl.90:12). De Jesus, o texto sagrado diz que Ele é o “... Pai da eternidade...” (Is.9:6).

Por definição, eterno é o que não tem princípio e não terá fim; é diferente de imortal. O imortal teve um princípio, só não terá fim. O eterno está acima do tempo; o imortal está limitado dentro dele. O homem, bem como todas as criaturas que compõem o mundo espiritual, incluindo Satanás, são imortais, mas não são eternas, visto que tiveram um princípio de existência, o que os vincula ao tempo.

Na eternidade, onde Deus habita (Is.57:15), não se mede o tempo como nós medimos. O Senhor pode, simultaneamente, responder as orações de milhões de pessoas (Jr.33:3), dar comida aos corvos (Lc.12:24), fazer maravilhas (Sl.72:18), e ainda compadecer-se e abençoar o parto das cabras monteses, bem como das gazelas nas savanas africanas (Jó 39:1-3), dentre muitas outras tarefas espalhadas por todo o imenso universo de aproximadamente trezentos bilhões de galáxias. Isso não é nada para o Todo-Poderoso, o qual é o Pai da eternidade (Is.9:6).

b) A vida humana é temporal (Sl.90:10; Sl.103:15,16; Tg.4:14). Estes textos, dentre outros, afirmam que vida física do ser humano é passageira, é temporal, por isso o tempo de sua vida é precioso e precisa ser administrado de forma a aproveitá-lo bem.

“A duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente, e nós voamos” (Sl.90:10).

“Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce; pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais” (Sl.103:15,16).

c) O Tempo da vida do ser humano após a morte. Neste mundo terrenal, a vida do ser humano é temporal. Todavia, após a morte, ele vai viver eternamente, com Deus ou sem Deus. A escolha é do ser humano. A garantia de uma eternidade ditosa está na mordomia, sábia e piedosa, do tempo em que vivermos nesta vida. Aqui, no mundo terrenal, a vida é mais que respirar, comer, beber, dormir, trabalhar e se mover sobre a terra. Há algo além dessa vida física e material que deve estar na nossa consciência. Jesus disse: “Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do o vestido?” (Mt.6:25). Disse o apóstolo Paulo: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co.15:19).

3. Deus é o Criador e o Senhor do Tempo



Foi Deus quem criou o tempo; ele foi criado para que pudéssemos estabelecer uma ordem nas tarefas que nos foram determinadas para fazer. Deus é um Deus de ordem e quer que o homem, como Sua imagem e semelhança, seja, também, ordenado como Ele. Para tanto, criou o tempo.

Deus estabeleceu um tempo para todas as coisas debaixo do sol (Ec.3:1), e tem um propósito para todas as suas obras, pois não faz nada ao acaso. Ele criou o mecanismo para contar e dividir o tempo.

 “E disse Deus: haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre dia e noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos” (Gn.1:14).

Isto Deus fez não porque ele precisasse do tempo; Ele é o Senhor do Tempo e não pode ser limitado por ele - “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2Pd.3:8). Quando Deus criou todas as coisas, fê-lo sobre a perspectiva do tempo. Com efeito, as Escrituras indicam, logo no seu início, que "no princípio, criou Deus os céus e a terra"(Gn.1:1), revelando, portanto, que o tempo é algo próprio e adequado para as criaturas. A maioria dos estudiosos da Bíblia concorda que esse "princípio" é indefinido, pois é o "tempo de Deus", ou o seu kairós. João 1:1,2 expressa esse mesmo princípio – “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus”.

3.1. A origem do Tempo - Chronos. A partir do século XX, com o surgimento da teoria do Big Bang, a maioria dos cientistas passou a defender que o universo teve um marco inicial há mais de 13 bilhões de anos, quando um "átomo primordial" teria explodido, dando origem a tudo.

Porém, inexistem dados aferíveis cientificamente que comprovem a hipótese do Big Bang, como também não há revelação bíblica que indique a ocorrência de uma grande explosão no passado remoto, que tivesse liberado energia criadora. Aliás, uma explosão tem como resultado uma desorganização, e o universo é perfeitamente organizado e equilibrado, regido por leis impressionantemente e intencionalmente definidas.

Tanto a Bíblia como a ciência concordam que o universo teve um início. Assim, se houve um início para o universo, é inegável admitir que existiu uma época - antes de Génesis 1:1 - em que não havia matéria, nem espaço para a conter, como também não havia tempo a ser contado (chronos). Era apenas a eternidade. Então, Deus decidiu criar todas as coisas, submetendo-as às regras do tempo.

Portanto, o “chronos” - termo grego para "tempo", que pode ser medido, contado e definido -, teve um princípio, foi criado por Deus; ele pode ser medido, dividido, analisado ou estudado. Além de incluir o "dia" de 24 horas, também se refere a semanas, meses, anos, décadas etc.

A importância do “chronos” se dá, dentre outras coisas, pela necessidade do estabelecimento de ciclos para todas as obras formadas, bem como para que o homem, a obra prima da criação, pudesse conhecer e buscar a Deus.

3.2. O tempo de Deus - Kairós. “Kairós” é uma palavra de origem grega, que significa "momento certo", "tempo oportuno", em oposição a “chronos”, que traz a ideia de tempo sequencial, cronológico, quantitativo.

-O salmista sabia disso, por isso se expressou: “Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite” (Sl.90:4).

-O apóstolo Pedro revelou que, para Deus, o tempo não pode ser avaliado com as mesmas categorias humanas de medição: "Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia" (2Pd.3:8).

-Jesus também ensinou que não se pode definir o tempo de Deus, o “Kairós” - "E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder" (At.1:7).

3.3. Chronos x Kairós. O nosso tempo é o “Chronos”, que significa o tempo medido em semanas, horas e minutos, o tempo que corre; nós o usamos para alcançar um fim. Queremos o máximo de chronos para fazer o máximo de coisas. Por isso é que andamos fisicamente fatigados e emocionalmente estressados.

O Tempo de Deus é o “Kairós”, o tempo indeterminado em que algo especial acontece. Não pode ser medido e sim vivido. Dificilmente, Chronos coincidirá com Kairós. Portanto, estabelecer prazo para Deus cumprir o desejo de alguém, por mais piedosa que ele seja, é atentar contra a soberania de Deus.

Muitas vezes queremos que as coisas aconteçam na nossa hora, mas Deus sabe o momento certo para agir na nossa vida. A grande lição é saber esperar o tempo certo, pois é assim que o livro de Eclesiastes 3:1-10 nos ensina – “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ec.3:1).

Todavia, esperar não é uma tarefa fácil, principalmente na atualidade, onde as pessoas vivem sob a pressão do imediatismo. Hoje, tudo tem que ser instantâneo, imediato; até mesmo as bênçãos de Deus ninguém quer esperar. Contudo, saber aguardar o momento certo, o Kairós de Deus, é uma virtude que toda pessoa de Deus precisa apreender.

Em determinadas situações, não podemos fazer absolutamente nada, a não ser esperar e confiar que os planos do Eterno jamais poderão ser frustrados. Essa certeza faz com que os servos de Deus esperem, com paciência e sem amargura ou dor, naquele que pode todas as coisas.

II. A MORDOMIA DO TEMPO

A Doutrina da Mordomia se assenta em dois pilares: na existência de um Senhor, o dono dos bens, e na existência de um servo a quem o Senhor confia os seus bens para serem administrados, ou cuidados. Pela Bíblia sabemos que Deus é o Senhor, o dono de todas as coisas que por Ele foram feitas ou criadas. Entre todas estas coisas está o Tempo. Assim, o tempo não apenas pertence como também está sob o controle de Deus. As coisas, as mais variadas, como salientou Salomão em Eclesiastes 3:1-8, só acontecem por sua vontade e determinação, e de acordo com o tempo que Ele estabelecer.

1. Remindo o Tempo

O tempo é um bem precioso e devemos remi-lo, como nos recomendam as Escrituras (Ef.5:16; Cl.4:5).  Remir o tempo significa usá-lo com sabedoria para as coisas que são verdadeiramente importantes.

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus" (Ef.5:15,16).

O Tempo é irreversível, é o único bem que não podemos recuperar. As Escrituras ensinam que nem todo tempo é igual e que, passado este tempo, não haverá mais o que se fazer (Dn.5:26; Mt.25:10-13). Um provérbio chinês muito conhecido diz que quatro coisas não voltam atrás, e uma delas é o tempo perdido. Quando vemos a narrativa da criação, verificamos que, quando um dia terminava, ele não podia voltar mais. Ao dia primeiro, seguiu-se o segundo, ao segundo, o terceiro, e assim por diante, precisamente porque o tempo é irreversível. Várias passagens das Escrituras mostram-nos esta realidade.

Se há um tempo determinado para cada coisa, este tempo, também, é único. Não se pode perder a oportunidade.

-Salomão deixou bem claro que há um tempo para cada ação e que, passado este tempo, ele é irreversível (Ec.3:1-8).

-O salmista afirma que fazia a sua oração num tempo aceitável (Sl.69:13).

-O profeta diz que Deus ouviu o Seu servo no tempo favorável (Is.49:8) e que devemos buscar ao Senhor enquanto se pode achá-lo (Is.55:6).

-O poeta, por sua vez, afirma que o inverno passou, assim como a chuva cessou e que o tempo de cantar chegou (Ct.2:11,12).

-O próprio Deus, ao informar a Noé o Seu compromisso com o homem em não mais mandar um dilúvio sobre a terra, fez questão de lembrar o patriarca a respeito da sucessão irreversível do tempo (Gn.8:22).

Portanto, “remir o tempo”, é a palavra de ordem bíblica que deve ser atendido por todos os crentes. Infelizmente, milhares de pessoas que se dizem crentes, não estão remindo o seu tempo, mas desperdiçando-o com coisas inúteis e fofocas nas redes sociais. Certamente, Deus requererá de cada um de nós a devida prestação de contas.

2. Contar o Tempo

Moisés, certa vez, orou a Deus pedindo: "Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio" (Sl.90.12). O grande problema de muitas pessoas é que deixam para pensar sobre o fim da existência terrena somente quando lhes resta bem pouco tempo.

Contar os dias é uma atitude de sabedoria, pois significa ter em perspectiva a iminência da morte, o que garante um melhor entendimento sobre como aproveitar os dias de vida. É preciso nos conscientizar de que a vida é passageira, “e um vapor que aparece por um pouco, e depois desaparece” (Tg.4:14).

Muitos dizem, principalmente nestes tempos pós-modernos: “não tenho tempo”. Mas, a questão toda não é a falta de tempo, e, sim, nosso critério de prioridades no tempo que dispomos. Algumas ocasiões podem causar a expressão “não tenho tempo”: primeiro, a sobrecarga de atividades; segundo, as coisas que fazemos dentro desse tempo, são elas prioritárias, ou são secundárias? terceiro, qual é o critério de prioridades que usamos na escolha das coisas que vamos fazer? Está escrito que na vida do serviço cristão devemos dar prioridades ao “reino e Deus” (Mt.6:33).

Um homem normal possui muitos sonhos; é natural que possua; sonhar é preciso. Um homem normal possui muitos projetos de vida. Porém, o tempo de vida nunca será suficiente para a realização de todos os nossos sonhos e para a concretização de todos os nossos projetos. Daí, se esse homem normal for um homem de Deus, conhecedor da Bíblia Sagrada, uma vez consciente da brevidade desta vida presente e da eternidade da vida futura, ele terá, então, que eleger prioridades para o uso do seu tempo.

Deus quer, portanto, que aprendamos a contar os nossos dias, isto é, que administremos o nosso tempo, de tal forma que nos faça bem e que glorifique a Deus.

3. A prestação de contas

Deus deu o tempo (chronos) exclusivamente para o ser humano. Ele é nosso, é próprio da humanidade, é um dom de Deus a cada ser humano. Ora, se o tempo é um dom que Deus nos concedeu, concluímos que, como dom, devemos saber como administrá-lo. Um Dia nos apresentaremos diante de Deus, e Ele nos cobrará por tudo que fazemos, inclusive a má administração do nosso tempo.

Tudo o que administramos com relação ao nosso corpo, alma e espírito - as faculdades físicas, emocionais e espirituais -, daremos conta a Deus. Sim, o Criador nos cobrará acerca do que fizemos com o nosso tempo. Está escrito: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2Co.5:10).

III. COMO APROVEITAR BEM O TEMPO



Dentro dos princípios da Mordomia do Tempo, devemos aproveitar o tempo de forma sábia, equilibrada e abalizada nas Escrituras Sagradas.

1. Prioridades para aproveitar o Tempo

Pela ordem crescente, estas são as principais prioridades para o servo de Deus aproveitar o seu Tempo: o Tempo deve ser dedicado a Deus; o Tempo deve ser dedicado à Família; o Tempo deve ser dedicado à Igreja; o Tempo deve ser dedicado a si mesmo.

a) Tempo para ser dedicado a Deus. Entre os que não conhecem a Palavra de Deus há quem deixe Deus para o fim da fila de suas prioridades. Porém, para o verdadeiro cristão, Deus tem que ser uma prioridade ímpar. O Senhor Jesus disse: “Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e sua justiça...” (Mt.6:33). 

Por mais ocupados que sejamos, o tempo de Deus tem que ser encontrado, separado e dedicado a Ele. Deus não pode ficar na dependência do “se houver tempo”. Moisés exortou Israel neste sentido: “Guarda-te, e que te não esqueças do Senhor, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão” (Dt.6:12). Não encontrar tempo para Deus, esquecer-se dele é tão grave que o Salmista declarou: “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as gentes que se esquecem de Deus” (Salmo 9:17).

No exercício da Mordomia Cristã do tempo, o bom Mordomo tem que dar prioridade a Deus no tempo de sua vida. Davi entendeu isto, face à sua declaração no Salmo 27:4: “Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e aprender no seu Templo”. Sem esta prioridade dedicada a Deus as demais coisas podem não existir.

Portanto, todo cristão autêntico precisa reservar tempo para Deus. Devocional diário, oração e estudo da Palavra não podem faltar em nossa vida piedosa.

b) Tempo para ser dedicado à Família. Na ordem das prioridades, segundo a Bíblia, a Família deve ocupar o segundo lugar na vida de um homem de Deus – em primeiro lugar, Deus; em segundo lugar, a Família.

No exercício da Mordomia Cristã do Tempo qualquer homem que não encontrar tempo para sua família, será um mau Mordomo do Tempo. Exorta o apóstolo Paulo: "Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel" (1Tm.5:8).

Qualquer pessoa, homem ou mulher, que ocupar todo o seu tempo, mesmo que seja em causas nobres e meritórias, como o estudar e trabalhar visando dar condições melhores à própria família, falhará no exercício da Mordomia do Tempo, porque a Família poderá não subsistir para desfrutar desse futuro melhor. Isto tem ocorrido, com frequência.

O homem precisa ter tempo para sua esposa; a esposa precisa ter tempo para seu marido. Qualquer atividade, incluindo aquela desenvolvida na Obra do Senhor que vier tirar o tempo de convivência do casal, será uma atividade indevida no exercício da Mordomia do Tempo.

É claro que não estamos afirmando que marido e esposa devam dedicar todo tempo disponível um ao outro, em prejuízo da Igreja ou da Obra do Senhor. Estamos afirmando que parte desse tempo disponível tem que ser dedicado, com prioridade à família, porque são as famílias que formam a Igreja. Famílias bem estruturadas formam Igrejas bem estruturadas. 

Ouve-se falar de jovens que se casam e continuam dedicando todo o tempo disponível às atividades da Igreja, contrariando o ensino de Paulo, em 1Corintios 7:33; ouve-se falar em Obreiros, principalmente evangelistas e irmãs missionárias que dedicam todo o tempo à Obra do Senhor, relegando a família a um plano terciário, visitando-a quando possível. Deus não separa casais. Quem age desta forma está falhando no exercício da Mordomia do Tempo e quebrando a prioridade estabelecida pela Palavra de Deus. Para estas pessoas, talvez Paulo diria: “Não vos defraudeis um ao outro...” (1Co.7:5).

Os pais, no exercício da Mordomia do Tempo, se forem bons Mordomos, terão que encontrar tempo para o convívio com os filhos, principalmente, se menores.

Os filhos, mesmo os casados, terão que encontrar tempo para o convívio com os pais. Os pais serão sempre pais e como tal precisam ser tratados.

A Bíblia diz a todos os filhos, de todas as idades, casados ou não, seja qual for a posição social, financeira ou econômica: “honra a teu pai e a tua mãe...” (Ef.6:2). Não haverá bom crente, sendo mal pai; não haverá bom crente, sendo mal filho.

c) Tempo para ser dedicado à Igreja. No exercício da Mordomia do Tempo o bom Mordomo tem que encontrar tempo para a Igreja, para se dedicar à Obra do Senhor. Tem que, na vocação em que foi chamado, dar a sua contribuição. Ninguém que conhece a Palavra de Deus poderá alegar ser desnecessário na Obra do Senhor.

A Igreja é comparada a um corpo. Paulo diz que o corpo “é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo” (1Co.12:12). Nenhum dos muitos membros foi colocado no corpo, sem função. Toda vez que um membro, por mais insignificante que possa parecer, não cumpre a sua função, prejudica todo o funcionamento do corpo. Assim é, também, na Igreja.

É necessário, pois, que cada crente encontre tempo para cumprir a sua função na Igreja, do contrário, falhará no exercício da Mordomia Cristã do Tempo.

d) Tempo para ser dedicado a si mesmo. O apóstolo Paulo exortou a Timóteo a cuidar de si mesmo (1Tm.4:16) – “Tem cuidado de ti mesmo...”. 

O apóstolo João desejou ao destinatário de sua terceira Carta que tudo fosse bem em toda as coisas (3Jão 1:2) – “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma”.

Assim, além de cuidar da vida espiritual, a Palavra de Deus mostra que é importante cuidar da parte física, emocional, buscando o equilíbrio interior, que tanto beneficia a mente e o corpo.

2. Usar o Tempo sabiamente

Deus dá ao indivíduo 24 (vinte quatro horas): 08(oito) horas para trabalhar, 08(oito) para descansar, e ainda sobra 08(oito) horas. Mesmo assim, por falta de um bom planejamento do tempo, ou por causa do mau uso dele, o indivíduo, muitas vezes, se queixa da falta de tempo. Para aproveitar bem o tempo, sabiamente, devemos:

a) não desperdiçar o Tempo disponível. Não há banco de acumulação de tempo; ele não é como o dinheiro que podemos acumular e utilizar depois. O tempo tem que ser usado à medida que ele é disponibilizado em nossa vida. Uma vez que se deixe de utilizá-lo, não se pode mais recuperá-lo definitivamente. Por isso, cada momento em nossa vida é precioso.

Quantas vezes perdemos tempo em atitudes fúteis e inúteis, e em atividades que prejudicam a alma e o corpo! Muitas dessas atividades inúteis afetam a consciência e entristecem o Espírito Santo (Ef.4:30,31). Davi, quase que perde o trono, e bem pior, a presença do Espírito Santo de forma definitiva em sua vida, por causa de atitudes inúteis. Infelizmente, milhões se perdem porque desperdiçam o seu tempo com coisas inúteis, fúteis, que resultam em perdição eterna.

b) planejar bem o Tempo disponível. Devemos planejar todas as nossas atividades de forma a preencher o tempo disponível. Qualquer atividade nossa sem planejamento, corre o risco de não ser executada. A Mordomia do Tempo requer inteligência, por isso nesse planejamento deve haver precisão, objetivos e programação. A previsão visa estimar o futuro de nossas atividades. Com os objetivos estabelecidos podemos determinar os resultados a serem alcançados.

c) manter-se equilibrado no uso do Tempo disponível. A palavra “equilíbrio” leva-nos a pensar numa balança de dois pratos. O desiquilíbrio do tempo está em dar mais peso para um lado da balança que o necessário. A Bíblia fala de equilíbrio quando diz: “Andeis como é digno da vocação com que fostes chamados” (Ef.4:1). A palavra “digno” tem na sua raiz o sentido de equilíbrio.

Ter equilíbrio não é algo que se conquista ou cai do céu. Equilíbrio se aprende, e aprende muitas vezes errando, outras vezes estudando, meditando, praticando e sendo provado.

Muitas pessoas dentro das igrejas, hoje, encontram-se desequilibradas, pois não foram transformadas pelo evangelho; são pessoas montanha russa: hoje está lá em cima, amanhã lá embaixo; hoje crê em Deus, amanhã já não sabe mais se Deus existe e ouve suas orações; vive de emoções e moveres espirituais sem fundamento bíblico.

Para encontrar equilíbrio o cristão deve: conhecer a Deus e obedecer aos seus mandamentos (João 17:3); renunciar a si mesmo (Mt.16:24); seguir o exemplo de Cristo (1João 2:6); viver em humildade (Gl.5:26); ter domínio próprio (Gl.5:22); exercitar o amor, que é o fruto excelente do Espírito (João 13:34; Gl.5:22; 1Co.cap.13).

CONCLUSÃO

Aprendemos que no exercício da Mordomia Cristã do Tempo o indivíduo tem que ser senhor e não escravo do tempo. Não podendo realizar todos os seus sonhos e concretizar todos os seus projetos, precisa, então, remir o tempo e eleger as prioridades, de acordo com a Palavra de Deus. Assim é que:

Se o indivíduo tiver tempo para tudo, mas não encontrar tempo para Deus, será um mau mordomo do tempo.

Se o indivíduo tiver tempo para tudo, mas não encontrar tempo para sua Família, será um mau mordomo do tempo.

Se o indivíduo tiver tempo para tudo, mas não encontrar tempo para a Igreja, será um mau mordomo do tempo.

Se o indivíduo gastar o seu tempo em coisas fúteis, ou sem valor, terá que prestar conta desse tempo perdido, porque o tempo pertence a Deus. 

Devemos remir o tempo, aproveitando-o de modo a glorificar a Deus e a honrá-lo enquanto estivermos neste mundo terreno, com os nossos olhos voltados para "Sião celeste". Ali, junto ao Senhor Jesus, desfrutaremos plenamente da vida eterna. A morte não terá poder sobre nós. Amém!

 

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