COMO VENCER OS INIMIGOS
Texto Bíblico: Neemias 4:8-20; 1João 4:4; 5:5
“Mas em todas
estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm.8:37).
Vencer os inimigos e as oposições
da vida exige uma combinação de estratégia espiritual, vigilância e união.
A história de Neemias e os ensinamentos do apóstolo João trazem lições
profundas e práticas de como superar adversidades e adversários.
1. Vigilância e Oração (Neemias
4:8-9)
Quando Neemias começou a
reconstruir os muros de Jerusalém, Sambalate, Tobias e seus aliados conspiraram
para atacar a cidade e causar confusão. A primeira atitude de Neemias foi
clara:
- Não ignore a ameaça: Reconheça
que a oposição existe, seja ela física, profissional ou espiritual.
- Equilíbrio entre fé e ação: Os
líderes não apenas oraram a Deus, mas também estabeleceram uma guarda
dia e noite para se protegerem. A fé genuína não anula a prudência.
2. Fortalecer a Confiança em Deus
(Neemias 4:14)
Diante do medo e do desânimo do
povo, que dizia já não ter forças para continuar, Neemias os lembrou de quem
estava no controle:
- Foco no Senhor: Ele disse: "Não temais os seus
rostos; lembrai-vos do Senhor, grande e terrível".
- O tamanho do seu Deus deve ser sempre maior
do que o tamanho do seu inimigo ou do problema que você enfrenta.
3. Trabalho em Equipe e
Solidariedade (Neemias 4:15-18)
A estratégia de defesa de Neemias
envolvia toda a comunidade:
- Cada um no seu posto: Os
construtores trabalhavam com uma mão na obra e a outra segurando a arma.
- União na crise: Neemias
posicionou o povo por famílias, com espadas, lanças e arcos, mostrando que
a vitória coletiva depende do apoio mútuo e de que cada um faça a sua
parte.
4. A Certeza da Vitória
Espiritual (1 João 4:4 e 5:5)
O Novo Testamento nos dá a
garantia fundamental de que a nossa batalha diária já tem um vencedor
assegurado:
- Maior é o que está em nós (1 Jo 4:4): "Filhinhos, sois de Deus e tendes vencido os
vossos adversários, porque maior é o que está em vós do que o que está no
mundo". A nossa força
não vem de nós mesmos, mas da habitação do Espírito Santo.
- A fé que vence o mundo (1 Jo 5:5): "Quem é o que vence o mundo, senão aquele que
crê que Jesus é o Filho de Deus?".
A vitória sobre as pressões, tentações e oposições do mundo é fruto de uma
fé perseverante em Cristo.
Resumo prático para vencer os
inimigos:
- Ore constantemente e
entregue a causa nas mãos de Deus.
- Seja prudente,
vigiando e tomando atitudes sensatas diante dos problemas.
- Mantenha-se firme no propósito que
Deus colocou em suas mãos, sem desanimar com as críticas ou ataques.
- Lembre-se da sua identidade:
Você já está do lado do Vencedor.
Qual dessas áreas
(oração, estratégia ou fortalecimento da fé) você sente que precisa aplicar
mais na sua situação atual?
INTRODUÇÃO
Neste estudo falaremos da
oposição dos inimigos à obra realizada. Logo que a reconstrução dos muros de
Jerusalém começou, a oposição se levantou. O capítulo 4 de Neemias é um resumo
do que aconteceu durante os 52 dias de reconstrução. Sempre que o povo de Deus
se levanta para fazer a Sua obra, isso incomoda o inimigo. Variados foram os
métodos do inimigo para tentar paralisar a obra, mas Neemias resistiu a cada
investida, porque ele confiava na vitória de Deus. Ainda hoje, sempre que a
Igreja de Deus se levanta para fazer a obra de Deus, o inferno se agita, o
mundo se levanta e há uma conspiração contra ela de todas as forças aliadas. A
vida cristã é uma guerra contínua, é uma batalha sem trégua. É impossível
realizar a Obra de Deus sem oposição.
I. QUAL A PROCEDÊNCIA DESSES
ATAQUES?
A procedência era maligna.
Satanás usou os seus fantoches dos quatro pontos cardeais do território de
Israel para atacar o povo de Deus. Do Norte: Sambalate (governador
de Samaria); do Leste, Tobias (da nobreza dos amonitas) e Gesém (o
árabe – possível rei de Quedar, segundo descobertas arqueológicas); do Sul, os
arábios, os amonitas e os asdoditas (Ne.4:7) se uniram a estes para se oporem
ao povo de Deus. Houve uma orquestração maligna contra o povo de Deus. Como não
bastasse, os judeus que moravam fora de Jerusalém trouxeram notícias de um
ataque iminente. Neemias rapidamente colocou o povo por detrás do muro e
entregou armas aos trabalhadores, encorajando-os com as palavras: “lembrai-vos do Senhor[...] e pelejai” (ler
Ne.4:7-14).
1. A ira dos adversários
“E sucedeu que,
ouvindo Sambalate que edificávamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito...”
(Ne.4:1).
A restauração de Jerusalém
provocou a ira dos adversários. Isso ocorreu desde o início. Quando Neemias
teve permissão e recursos para voltar a Jerusalém, a oposição ficou
profundamente perturbada (Ne.2:9,10); quando o povo declarou sua intenção de
reconstruir os muros, a oposição zombou dele e o desprezou (Ne.2:18,19); quando
o povo de fato começou a reconstruir os muros, a oposição “ardeu em ira, e se
indignou muito, e escarneceu dos judeus” (Ne.4:1); quando o povo continuou a
reconstruir os muros, a oposição ficou muito irada e conspirou atacá-lo e criar
confusão (Ne.4:6-8); e, por fim, quando o povo concluiu a reconstrução dos
muros, a oposição fingiu aceitar, mas queria prejudicá-lo (Ne.6:1-9).
Sambalate, o líder opositor,
mobilizou seu exército e procurou incitar o povo contra os judeus (Ne.4:2; ler
Ne.4:7). Esses inimigos não queriam a restauração do povo de Deus. Enquanto
Jerusalém estava debaixo de opróbrio, eles estavam calmos, mas bastou a
disposição para a reforma, e eles se agitaram e se levantaram com grandes
insultos.
Da mesma forma, hoje, os nossos
inimigos não ficam sossegados quando alguém luta pela Igreja e se levanta para
reconstruir a Casa de Deus. Onde o povo de Deus busca restauração, avivamento,
ocorre a fúria do inimigo.
2. A falsa acusação
“O que ouvindo
Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, e Gesém, o arábio, zombaram
de nós, e desprezaram-nos, e disseram: Que é isso que fazeis? Quereis
rebelar-vos contra o rei?” (Ne 2:19).
Sambalate e Tobias rotularam a
reconstrução dos muros de Jerusalém como uma rebelião contra o rei Artaxerxes e
não uma reforma, provavelmente ameaçando denunciar os construtores como
traidores. Mas Neemias tinha uma resposta para eles que revelava não apenas a
sua própria determinação de realizar o trabalho até à sua conclusão, porém mais
significativamente a sua fé em Deus, que tinha o poder de ajudá-lo a executar o
trabalho para o qual o próprio Senhor o havia chamado.
3. A resposta à insinuação
caluniosa
A calúnia foi uma arma de ataque
usada pelos inimigos. Neemias confiou em Deus, e recusou dar ouvidos às falsas
acusações dos inimigos. Neemias, sempre prudente e sábio, respondeu-lhes:
“O Deus dos céus é
o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos...”
(Ne.2:20).
A confiança em Deus é o maior
incentivo à obra. Isso sugere poderosa proteção:
"O Deus dos céus..." (Ne.2:20). Isso sugere também
providencial vitória: "[...] é quem nos fará prosperar [nos dará êxito
–ARA]" (Ne.2:20). Quem confia em Deus não teme os adversários, não se
rende diante de suas ameaças e falsas acusações.
Sem a ajuda de Deus, o nosso
trabalho é vão - "Se o Senhor não edificar a cidade, em vão trabalham os
que a edificam" (Sl.127:1). A Obra de Deus é feita não por força nem por
violência, mas pelo Espírito de Deus (Zc.4:6). Jesus disse: "Sem mim, nada
podeis fazer" (João 15:5). Paulo pergunta: "Se Deus é por nós, quem
será contra nós?" (Rm.8:31). João foi contundente: "Maior é aquele
que está em nós do que aquele que está no mundo” (1João 4:4).
A vitória vem de Deus, mas nós
precisamos empunhar as ferramentas de trabalho e as armas de combate. É preciso
se dispor e reedificar. A soberania de Deus não anula a responsabilidade
humana. Neemias foi contundente diante da oposição: “... nos levantaremos e
edificaremos...”.
Quando a reconstrução dos muros
de Jerusalém terminou em cinquenta e dois dias, até mesmo os inimigos dos
judeus tiveram de reconhecer que essa obra fora concluída com a ajuda de Deus
(cf.Ne.6:15,16). Deus sempre cumpre a sua parte quando os fiéis cumprem a sua,
com fé perseverante.
Aprendemos aqui que o verdadeiro
líder não se deixa desencorajar por ataques pessoais injustos; o verdadeiro
líder se preocupa com a causa em que está envolvido. O líder de Deus não se
cansa enquanto não vê a obra das suas mãos concluída.
II. O INIMIGO PROCURA ATINGIR A
NOSSA FÉ
Os inimigos usaram a
ridicularização para tentar dissuadir o povo de realizar a obra de Deus. Usaram
os meios mais diabólicos para causar desespero e desânimo no povo de Deus.
1. O Inimigo ataca com a arma do escárnio
(Ne.4:1,3)
“Tendo Sambalate
ouvido que edificávamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito, e escarneceu
dos judeus” (Ne.4:1).
“Estava com ele
Tobias, o amonita, e disse: Ainda que edifiquem, vindo uma raposa, derribará o
seu muro de pedra” (Ne.4:3).
Esta é uma arma poderosa que os
inimigos sempre usaram para destruir a obra de Deus e para desanimar o Seu
povo, e os inimigos a usaram para enfraquecer o ânimo do povo de Deus. Quando
os servos de Deus sofrem escárnio, são tentados a ficarem desanimados.
A obra de Deus sempre foi alvo de
zombaria e escárnios. Constantemente, os féis de Deus enfrentam este tipo de
agressão, pelo fato de, a cada dia, procurarem viver uma vida de retidão entre
os que não conhecem a Deus. Mas, isto está escrito nas Escrituras que
aconteceriam ao povo de Deus. Podemos lembrar aqui de alguns exemplos de
escárnios e zombarias registradas nas Escrituras Sagradas:
a) Escarneceram do próprio
Senhor Jesus. Jesus estava iniciando sua dolorosa caminhada
rumo à cruz, e Satanás, usando pessoas, utilizou a zombaria para atacar o
Senhor de maneira vil:
“E, despindo-o, o
cobriram com uma capa de escarlate. E, tecendo uma coroa de espinhos,
puseram-lha na cabeça e, em sua mão direita, uma cana; e, ajoelhando diante
dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus! E, cuspindo nele,
tiraram-lhe a cana e batiam-lhe com ela na cabeça. E, depois de o haverem
escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para
ser crucificado” (Mt.27:28-31).
O Senhor era de fato Rei, porém
seu reino não era terreno (João 18:36). Aproveitando a situação, o inimigo
tentou humilhá-lo, através do escárnio e da violência! Contudo, o diabo não
conseguiu afastá-lo de seu objetivo que foi a morte na cruz pelos nossos
pecados. O "justo morreu pelos injustos, para levar-nos a Deus"
(1Pd.3:18).
b) Escarneceram da
mensagem de Paulo. Certa feita, o apóstolo Paulo pregava no
areópago, um centro de convenções na cidade de Atenas. Nesse lugar, havia
altares para os mais diversos deuses. Ali, ele aproveitou o momento e, partir
de um altar erigido ao "Deus desconhecido", mostrou-lhes o caminho da
salvação. Porém, quando falou sobre a questão da ressurreição dos mortos, o
clima de curiosidade foi transformado num clima de zombaria! O desprezo tomou
conta dos presentes, que não queriam mais ouvi-lo:
“E, como ouviram
falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca
disso te ouviremos outra vez” (At.17:32).
Como povo do Deus vivo, não
podemos perder de vista o fato de que sempre houve e sempre haverá
escarnecedores da obra de Deus. Tanto Pedro, como Judas nos alertam que esta
artimanha diabólica tenderá a crescer nos últimos dias.
- 2Pedro 3:3: “sabendo primeiro isto: que nos últimos dias
virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências”.
- Judas 18: “os quais vos diziam que, no último tempo,
haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias
concupiscências”.
Esses escarnecedores terão um
estilo próprio e, escorados em suas tendências carnais pecaminosas, investirão
contra os servos de Deus e sua obra. Isto faz parte da cruz que devemos aceitar
quando seguimos a Jesus (Mt.10:38,39; 16:24,25). Os que são carnais procuram
escapar do escândalo da cruz (Gl.5:11).
2. O Inimigo ataca com a arma do
desprezo
“Que fazem estes
fracos judeus?” (Ne.4.2).
Os inimigos tentaram diminuir a
autoestima do povo de Deus, chamando-o de fraco. A força de um povo é
constatada pelas suas atitudes que, na verdade, são reflexos da ação do seu
líder, ou seja, a ação do líder determina a reação de um povo. Um líder fraco
enfraquece a forte gente; um líder forte fortalece a fraca gente, e esta é uma
realidade bíblica. Se Neemias tivesse demonstrado fraqueza naquele momento de
escárnio e zombaria, o povo tinha recuado e a liderança de Neemias estaria
arruinada.
Entre os pastores da Palestina
contava-se uma história interessante e autodidática:
Certo pastor de ovelhas, no seu
pastoreio diário, cumpria uma rotina de caminhada e, nesta caminhada, no início
da tarde, chegava com suas ovelhas ao pasto que considerava ele ser o melhor,
um extenso gramado a beira de um raso e calmo rio.
Certo dia, ao analisar
minuciosamente o comportamento do rebanho, percebeu que, mesmo parecendo, ele
não estava fazendo o melhor por suas ovelhas. Erguendo então os olhos,
vislumbrou além do rio um pasto muito melhor e decidiu fazer as ovelhas
atravessarem o rio a fim de alcançarem melhor pasto. Enfileirou-as e as
instigava a atravessarem. Entretanto, a fila não andava, pois não havia ovelha
que ousasse entrar nas correntes mansas e rasas do rio.
Então o pastor pensou e decidiu:
“Vou colocar a mais robusta e saudável no início da fila. Assim, ao fazê-la
atravessar, todas as outras a seguirão. Não adiantou, o rebanho não andou.
Insistindo nisto várias vezes, sem êxito, se irritou e disse consigo mesmo: eu
vou atravessar, e quem quiser o melhor me seguirá!”. As ovelhas o observaram
atentamente.
O pastor empunhou o cajado com
firmeza, olhou fixamente a outra margem e entrou nas rasas e mansas águas do
rio e para sua surpresa, nenhuma das ovelhas deixou de atravessar. Até aquelas
que ele julgava serem as mais fracas seguiram-no; e todas atravessaram e
alcançaram o melhor pasto. Moral da história: se o líder quer que o povo faça,
basta-lhe apenas dar o exemplo, agindo corretamente, pois a ação do líder
determina a reação do povo.
Quando lemos o livro de Josué e
sua trajetória de virtuosa liderança nos capítulos 3 e 4, na travessia do rio
Jordão, nós compreendemos que as ações de Josué foram determinantes. Ele se
levantou de madrugada, foi com os sacerdotes o primeiro a pisar nas águas
transbordantes do Jordão. Parou no meio do rio e, enquanto o povo a pés enxutos
atravessava, Josué ordenou que dali de perto das plantas dos pés dos sacerdotes
se tirassem doze pedras para com elas erigir um monumento para memorial (ver
Js.4:3).
Em toda a história de Josué você
não o encontra se lamentando, se lastimando, desanimado, cabisbaixo ou coisa
parecida. Desde Êxodo 17, nós o vemos lutando, e no final de sua carreira, o
encontramos dizendo: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor!” (cf. Js.24:15).
3. O inimigo tenta atacar a
comunhão do povo e o culto a Deus
“...Permitir-se-lhes-á
isso? Sacrificarão?” (Ne.4:2).
Esta é uma tática corriqueira de
Satanás. Quando ele vê que o povo de Deus está em comunhão, em consagração a
Deus, fará de tudo para desfazer isso; por isso, o povo de Deus precisa estar
sob alerta e discernente com relação aos ardis de Satanás.
4. O inimigo tenta desunir o povo
de Deus
Percebendo Sambalate, o líder dos
opositores, que o povo de Deus estava unido, indagou:
” acabá-lo-ão num
só dia? Vivificarão dos montões do pó as pedras que foram queimadas?” (Ne.4:2).
A desunião e a divisão entre o
povo de Deus são armas muito utilizadas por Satanás, talvez as mais usadas
contra a Igreja do Senhor. Atualmente, o adversário de nossas almas tem
conseguido causar grande prejuízo à obra de Deus porque tem criado, no meio do
povo de Deus, o espírito de divisão, o ânimo da competição, gerando brigas,
disputas e lutas entre quem deveria ser irmão. Este espírito faccioso tem
origem diabólica (Tg.3:15,16), gerando tão somente perversão e animosidade.
Fujamos, pois, de tal comportamento; busquemos estar debaixo da mão potente de
Deus, em comunhão com Ele e com o Príncipe da Paz; enquanto depender de nós,
devemos ter paz com todos os homens (Rm.2:13), o que significa termos, sempre,
paz com os irmãos (1Ts.5:13).
5. O inimigo zomba do povo de
Deus, ridicularizando o valor e a consistência do seu trabalho
“... Ainda que
edifiquem, vindo uma raposa, derrubará facilmente o seu muro de pedra” (4:3).
O mundo continuamente despreza os
padrões morais do cristão e zomba da sua dedicação a Cristo. O desprezo e a
zombaria atacam nossas emoções e podem provocar reações das mais diversas -
como ira, ódio, agressão etc. Porém, não podemos nos deixar levar por estes
sentimentos, pois o desequilíbrio da Igreja é o que Satanás mais quer. Nossa
confiança e nossa resposta devem ser as mesmas de Neemias: “o Deus dos céus nos
ajudará e por fim vindicará os justos” (Ne.2:20).
Apesar de todos esses ardis dos
inimigos do povo de Deus, Neemias não vacilou; em vez de trocar insultos, se
revestiu da maior arma: a oração (Ne.4:4,5). A oração é a coisa mais prática
que podemos fazer nos momentos que os inimigos escarnecem de nós, zombam de
nós, criticam-nos. Todavia, ela não é um substituto da ação.
Neemias faz uma oração
imprecatória por duas razões: Primeiro, porque os inimigos estavam provocando a
própria ira de Deus. Segundo, porque os inimigos estavam desprezando o próprio
povo de Deus. A oração nos capacita a dar vazão ao que sentimos e nos capacita
a olhar o problema da perspectiva de Deus. Quando oramos, nossa ira e nossos
ressentimentos se dissipam. Revestido desta arma, Neemias recobrou o ânimo para
trabalhar (Ne.4:6) - “Assim, edificamos o muro,
e todo o muro se cerrou até sua metade; porque o coração do povo se inclinava a
trabalhar”.
Esse procedimento de Neemias nos
traz duas belas lições:
·
Primeiro, quando formos escarnecidos por causa de nossa fé ou criticados por
fazermos o que sabemos ser correto, recusemo-nos a responder da mesma maneira
ou a tornarmo-nos desencorajados; digamos a Deus como nos sentimos e
lembremo-nos de que a promessa dEle está conosco; isto nos dará encorajamento e
força para continuarmos.
·
Segundo, não fomos chamados para contar os inimigos nem os temer; fomos
chamados para fazer a obra de Deus apesar da oposição. Concentremo-nos, pois,
em Deus e na sua obra, e não teremos tempo para sermos distraídos pelas
críticas do inimigo.
6. O Inimigo usa como arma as
ameaças
“Mas, ouvindo
Sambalate e Tobias, os arábios, os amonitas e os asdoditas que a reparação dos
muros de Jerusalém ia avante e que já se começavam a fechar-lhe as brechas,
ficaram sobremodo irados. Ajuntaram-se todos de comum acordo para virem atacar
Jerusalém e suscitar confusão ali (Ne.4:7,8).
Os inimigos dos judeus ameaçaram
guerrear contra eles, a fim de espalharem medo e pânico entre o povo de Deus.
Porém, Neemias disse: “Oramos ao nosso Deus e pusemos guarda contra eles!”
(Ne.4:9). Os judeus não atacaram os samaritanos, mas defenderam a sua área de
trabalho (Ne.4:13-20).
Ao perceberem que as sutilezas
utilizadas não surtiram quaisquer efeitos sobre Neemias e seus comandados, os
inimigos ficaram tremendamente irados - "...iraram-se
sobremodo..." (Ne.4:7). Então, formaram uma grande coligação e
ensaiaram uma guerra contra o povo de Deus – "...coligaram-se todos, para
virem guerrear contra Jerusalém e fazer confusão ali" (Ne.4:8).
A confusão é tão perigosa quanto
a violência do inimigo. A confusão visava a distrair o povo e tirar os seus
olhos do foco. Eles queriam não apenas causar confusão, mas matar os judeus
(Ne.4:11), obtendo, assim, o seu verdadeiro objetivo: paralisar a obra
(Ne.4:11).
Esta é uma tática diabólica que
assusta, mete medo! Muitos desistem dos planos de restauração, quando a
resistência atinge este nível ameaçador. Porém, olhando para o texto bíblico,
podemos perceber como Neemias orientou seu povo a não se intimidar com as
ameaças, mas preparou-se para um possível ataque. Ele usou duas armas
infalíveis contra Satanás: a oração e a vigilância – “Porém nós oramos ao nosso Deus e pusemos uma guarda contra eles, de
dia e de noite, por causa deles” (Ne.4:9).
7. Os inimigos se orquestraram
para paralisar a Obra de Deus (Ne.4:10-12)
10.Então, disse
Judá: Já desfaleceram as forças dos carregadores, e os escombros são muitos; de
maneira que não podemos edificar o muro.
11.Disseram, porém,
os nossos inimigos: Nada saberão disto, nem verão, até que entremos no meio
deles e os matemos; assim, faremos cessar a obra.
12. Quando os
judeus que habitavam na vizinhança deles, dez vezes, nos disseram: De todos os
lugares onde moram, subirão contra nós,
Os nossos inimigos estão sempre
procurando uma brecha para nos atingir e assim paralisar a obra de Deus. Eles
usaram três expedientes para impedir o avanço da obra de Deus:
a) Em primeiro lugar, os
inimigos tentaram paralisar a obra provocando desânimo interno (Ne.4:10). Os
problemas internos são mais perigosos do que os problemas externos. Os
carregadores estavam sem forças, os escombros eram muitos e a conclusão óbvia
era: "não podemos edificar o muro". Eles sentiram que não tinham
capacidade para concluir a obra. Muitas vezes, o nosso maior problema somos nós
mesmos. O maior obstáculo da obra são os obreiros, dizia Dwight Moody. Um povo
desanimado sempre olha para as circunstâncias em vez de olhar para o Senhor;
escuta mais a voz do inimigo do que a voz de Deus.
b) Os inimigos tentaram
paralisar a obra espalhando boatos... (Ne.4:12). Aqueles
que moravam fora de Jerusalém, próximos desses inimigos, traziam comentários
assustadores e os espalhavam no meio do povo. Eles diziam:
"De todos os
lugares onde moram, subirão contra nós. Estamos completamente cercados, não
temos a mínima chance".
O boato visa destruir o espírito
de coragem e cooperação. Boatos são setas do inimigo. Onde prospera a boataria,
os obreiros de Deus ficam alarmados e a obra de Deus é paralisada. Os boatos
sempre superdimensionam os problemas. Parecia uma invasão avassaladora,
irresistível. O povo estava guardando os muros, mas não estava guardando seus
ouvidos do que os inimigos diziam. Neemias enfrentou esse problema do desânimo
de três formas diferentes:
1· Advertiu o
povo: "Não os temais".
2· Animou o
povo: "Lembrai-vos do Senhor".
3· Motivou o
povo: "Pelejai pelas vossas famílias”.
“E olhei, e
levantei-me, e disse aos nobres, e aos magistrados, e ao resto do povo: Não os
temais; lembrai-vos do Senhor, grande e terrível, e pelejai pelos vossos
irmãos, vossos filhos, vossas mulheres e vossas casas” (Ne.4:14).
c) Os inimigos tentaram
paralisar a obra destruindo o povo de Deus (Ne.4:11). A Bíblia
diz que a nossa luta não é contra carne e sangue. O nosso inimigo é ladrão e
assassino. Ele veio roubar, matar e destruir. Ele tem arruinado muitas vidas,
destruído muitos lares, debilitado muitas igrejas, paralisado em muitos lugares
a obra de Deus. O povo de Deus precisa ter sabedoria e discernimento nestes
momentos de perseguição do inimigo, e tomar posse das armas adequadas de ataque
e defesa contra as potestades do mal. É o que Paulo recomenda em Efésios
6:11-18).
III. QUAIS SÃO AS ARMAS DE
COMBATE ÀS AMEAÇAS E SUTILEZA DO INIMIGO?
Neemias nos ensina cinco princípios (Adaptado do Livro Neemias, de Hernandes Dais Lopes):
1. Cada um deve defender sua
própria família (Ne.4:13,14b)
13.então, pus o
povo, por famílias, nos lugares baixos e abertos, por detrás do muro, com as
suas espadas, e as suas lanças, e os seus arcos;
14.inspecionei,
dispus-me e disse aos nobres, aos magistrados e ao resto do povo: não os
temais; lembrai-vos do Senhor, grande e temível, e pelejai pelos vossos irmãos,
vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa casa.
Um líder precisa saber como
repreender, encorajar e motivar os outros. Não podemos ter uma Igreja forte se
não protegermos nossa própria família das investidas do inimigo. Neemias era
sábio o suficiente para saber que cada um devia defender prioritariamente sua
própria família. Neemias exorta: "[...] pelejai pelos vossos irmãos,
vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa casa".
2. Precisamos empunhar as armas
de defesa e combate (Ne.4:13)
Não podemos enfrentar os inimigos
sem usarmos nossas armas de defesa e combate. Cada obreiro é um soldado.
Estamos em guerra. Nessa batalha espiritual enfrentamos inimigos invisíveis e
tenebrosos. Nessa batalha não há trégua nem pausa. Nossos adversários não
descansam, não tiram férias nem dormem. Eles vivem nos espreitando e buscando
uma oportunidade para nos atacar. Precisamos vigiar e empunhar as armas.
As principais armas que Neemias
utilizou para enfrentar a pressão e o ataque dos inimigos foram: a Oração e a
vigilância:
“Porém nós
oramos ao nosso Deus e pusemos uma guarda contra eles, de dia e de noite, por
causa deles” (Ne.4:9).
O apóstolo Paulo, também, exorta
a Igreja a tomar posse destas armas: “orando em
todo tempo com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda
perseverança e súplica por todos os santos”
(Ef.6:18).
a) A oração – “Porém nós oramos ao nosso Deus...”. Neemias era um homem prático, um
administrador por excelência. Ele tinha a capacidade de fazer as perguntas
certas, de contatar as pessoas certas, de mobilizar essas pessoas, levantar seu
ânimo e desafiá-las para uma grande obra. Mas, Neemias sabia que o sucesso da
obra de Deus dependia também e, sobretudo, de oração. Esse grande líder sabia
que fé (oração) e obra (puseram guarda) andam juntas. A oração
não é um substituto da ação. Não podemos enfrentar os inimigos sem o socorro de
Deus, sem a ajuda do céu.
b) Vigilância – “...pusemos uma guarda contra eles, de dia e de noite,
por causa deles”. Neemias era um
sujeito prático. Ele não era uma dessas pessoas de quem algumas vezes dizemos
que são tão religiosas que não têm qualquer utilidade terrena. Ele mantinha os
seus pés no chão. Ele sabia como organizar e atuar. Mas ele decidiu que,
enquanto orava e trabalhava, deveria haver uma sentinela que vigiasse dia e
noite, e que cada seção do muro deveria ser guardada pela vigília de um homem
atento ao inesperado ataque do inimigo. Portanto, não basta orar, é preciso
vigiar. É preciso manter os olhos abertos. É preciso existir estreita conexão
entre o céu e a terra, confiança e boa organização, fé e obras. É preciso estar
atento aos ardis, laços e ciladas do inimigo. Muitos caem porque deixam de
vigiar.
3. Precisamos ter uma liderança
firme e exemplar (Ne.4:14)
Neemias não abandonou o povo na
hora da pressão. Ele inspecionou a obra. Ele tomou a frente. Ele desafiou os
líderes. Ele deu exemplo.
A liderança ocupa uma posição de
absoluta importância na hora do combate. Uma liderança fraca, medrosa,
vacilante e sem vida não transmite segurança para o povo na hora da crise. Só
líderes fortes e incorruptos podem conduzir o povo a grandes vitórias.
4. Precisamos colocar os olhos em
Deus e não no inimigo (Ne.4:14)
O ponto básico do desafio de
Neemias é: "Lembrai-vos do Senhor". Observe
o que Deus já fez. Olhe para a sua fidelidade no passado. Veja os livramentos
que Ele já deu ao Seu povo. Não será diferente agora.
Temos de ter muito cuidado com a
festa da vitória. Nunca somos tão vulneráveis quanto depois de uma grande
vitória. A tendência depois de uma consagradora vitória é ensarilhar as armas.
Elias, depois de retumbante vitória no Monte Carmelo sobre os profetas de Baal,
tirou os olhos de Deus e fugiu amedrontado diante das ameaças insolentes de
Jezabel. O segredo da vitória contínua é mantermos continuamente nossos olhos
em Deus em vez de colocá-los nas circunstâncias ou nas pessoas.
5. Precisamos redirecionar o foco
do nosso temor (Ne.4:14)
“...lembrai-vos do
Senhor, grande e temível”.
Em vez de temer o inimigo,
devemos nos voltar para o nosso Senhor, grande e temível. Quem teme a Deus, não
teme aos homens. Quando colocamos os nossos olhos em Deus, Ele frustra os
desígnios do nosso inimigo. Muitos líderes naufragam porque em vez de temer a
Deus, temem os homens; em vez de agradar a Deus, tentam agradar os homens; em
vez de servir a Deus, tentam bajular os homens.
CONCLUSÃO
Em cada época existem aqueles que
odeiam o povo de Deus e tentam impedir a realização dos seus propósitos. Mas,
Deus é mais forte do que todos os seus adversários. Se confiarmos nele, teremos
bom êxito no trabalho. Neemias sabia que o Senhor o havia enviado para
Jerusalém, e que pelejava por eles. Esta certeza, acompanhada do compromisso
com a oração foram importantes para que o servo do Senhor alcançasse êxito na
sua missão.
“Meus
irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia” (1João 3:13).




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