terça-feira, 30 de junho de 2026

A CORAGEM DO APÓSTOLO PAULO DIANTE DA MORTE

 

A CORAGEM DO APÓSTOLO PAULO DIANTE DA MORTE

“E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal” (2Co.4:11).

V.P: “O Espírito Santo nos prepara para sofrer por Jesus Cristo e suportar as angústias e aflições na obra de Deus”.

Ágabo foi um profeta cristão que viveu no primeiro século e é mencionado duas vezes no livro de Atos dos Apóstolos. Embora apareça brevemente, suas profecias foram fundamentais para a igreja primitiva.

Aqui estão os principais pontos sobre ele:

  • A profecia sobre a fome: Em Atos 11:27-30, Ágabo viajou de Jerusalém para Antióquia e, pelo Espírito Santo, predisse que uma grande fome sobreviria a "todo o mundo habitado". A Bíblia registra que essa profecia se cumpriu durante o reinado do imperador romano Cláudio. Como resposta a essa previsão, os discípulos decidiram enviar socorro aos irmãos que viviam na Judeia.
  • A profecia sobre o apóstolo Paulo: Em Atos 21:10-11, Ágabo encontrou-se com Paulo em Cesareia, na casa de Filipe. De maneira muito visual, ele tomou o cinto de Paulo, amarrou os seus próprios pés e mãos e declarou: "Assim diz o Espírito Santo: 'Desta maneira os judeus em Jerusalém prenderão o dono deste cinto e o entregarão nas mãos dos gentios'".
  • Identidade e Tradição: Além do seu papel como profeta na igreja primitiva, a tradição cristã muitas vezes o lista entre os "Setenta Discípulos" enviados por Jesus (citados em Lucas 10:1-24). Seu nome tem origem hebraica e ele é lembrado por sua fidelidade e seriedade em transmitir as mensagens que recebia de Deus.

Ágabo é um exemplo de como Deus utilizava profetas na igreja primitiva para preparar os cristãos para desafios futuros, tanto em relação a crises humanitárias quanto a perseguições pessoais.

Texto Bíblico: Atos 21:7-15

Atos 21:

7.E nós, concluída a navegação de Tiro, viemos a Ptolemaida, e, havendo saudado os irmãos, ficamos com eles um dia.

8.No dia seguinte, partindo dali Paulo e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesareia; e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que um dos sete, ficamos com ele.

9.Tinha este quatro filhas donzelas, que profetizavam.

10.E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judeia um profeta, por nome Ágabo;

11.e, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo e, lingando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo; Assim ligarão os judeus, em Jerusalém, o varão de quem é esta cinta e o entregarão nas mãos dos gentios.

12.E, ouvindo nós isto, rogamos-lhe, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém,

13.Mas Paulo respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.

14.E, como não podíamos convencê-lo, nos aquietamos, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor!

15.Depois daqueles dias, havendo feito os nossos preparativos, subimos a Jerusalém.

INTRODUÇÃO

Nesta Estudo falaremos da “coragem de Paulo diante da morte”. Durante todo o seu ministério, desde a sua conversão, Paulo correu risco de morte, mas nunca a temeu. Ele sempre estava preparado para esse momento. Isto era o resultado concreto da dimensão profunda da fé salvífica que dominava a sua vida. Para ele, ter de escolher entre estar com Cristo e permanecer neste mundo, não havia dúvida: escolheria estar com Cristo. Para Paulo, permanecer neste mundo só se justificaria se fosse para desgastar-se pela causa do Evangelho. Certa feita ele disse: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira” (Atos 20:24).

Ser chamado para cumprir uma missão para o Reino de Deus tem um custo alto, muitas vezes, a própria vida. Não se deve pensar em amenidades quando o assunto é trabalhar para Cristo de forma dedicada e abnegada. O inimigo nunca deixa o missionário e o evangelista livre de perseguição. Ele sabe que pregar o evangelho é a mais poderosa força que Jesus colocou na sua Igreja para livrar as pessoas da perdição eterna. Por isso, o pregador do evangelho nunca está livre da perseguição e do risco de morte. Mas, aquele que tem a coragem que Paulo tinha, está pronto a dizer: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp.1:21).

I. A CONSCIÊNCIA DE PAULO QUANTO A PADECER POR JESUS


1. A insistência de Paulo em ir a Jerusalém

Depois de cumprir o tempo de sua Terceira Viagem Missionária, Paulo se despede dos pastores da cidade de Éfeso e propõe em seu coração viajar a Jerusalém, mesmo sabendo que lá lhe aguardavam tribulações e cadeias (Atos 20:22,23). Apesar dos avisos que ele padeceria em Jerusalém (Atos 20:23), não arrefeceu o seu ânimo, insistiu em ir (Atos 20:22). Com relação às tribulações e prisões que sofreria em Jerusalém, ele disse: “nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus(Atos 20:24). Ao que parece, tratava-se de uma compulsão interior que ele não podia ignorar. Paulo sabia que cadeias e tribulações se tornaram parte de sua vida. Segundo Lucas, o Espírito Santo vinha revelando esse fato ao apóstolo de cidade em cidade (Aos 20:23), talvez por intermédio do ministério de profetas, ou talvez pela comunicação interior misteriosa dos desígnios de Deus.

Mesmo sabendo que haveria de padecer em Jerusalém, Paulo não considerou sua vida preciosa para si mesmo (Atos 20:24). Seu maior desejo era agradar e obedecer a Deus; cumprir a missão que Jesus estabelecera para ele: levar a mensagem do evangelho sob quaisquer circunstâncias. Se, para isso, fosse necessário oferecer sua vida, estava disposto a entregá-la. Tendo em vista Aquele que havia morrido por ele, nenhum sacrifício era grande demais; importava-lhe apenas completar a sua carreira e o ministério que havia recebido do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus (Atos 20:24).

Nenhum título poderia expressar de maneira mais apropriada o evangelho que Paulo pregava do que este: o evangelho da graça de Deus (Atos 20:24). Esta é a mensagem que toca profundamente e trata do favor de Deus concedido aos pecadores culpados e ímpios que não mereciam outra coisa senão a eternidade no inferno. Esta mensagem conta como o Filho do amor de Deus se despiu da glória suprema do Céu para sofrer, derramar seu sangue e morrer no Calvário a fim de oferecer o perdão dos pecados e a vida eterna a todos os que creem nele.

Paulo tinha sido avisado em muitos lugares que seu sofrimento era inevitável, tanto em Jerusalém como em Cesareia; mesmo assim não desistiu do seu intento. É preciso que todos os que são chamados para cumprirem a Grande Comissão tenha pleno discernimento das circunstâncias por fazer a vontade de Deus.

2. De Mileto para Tiro

Paulo estava de malas prontas para viajar rumo a Jerusalém. Seria a última vez que o velho apóstolo colocaria os pês na cidade de Davi. Embora um dos propósitos da sua viagem fosse levar uma oferta colhida entre os crentes gentios para os crentes judeus, ele sabia que as estações do futuro lhe reservavam cadeias e tribulações. Paulo não nutria esperanças falsas; sabia que seria preso; não caminhava na direção dos holofotes, mas rumo à prisão e à morte. Paulo chegou a pedir oração à Igreja de Roma para não ser morto pelos rebeldes judeus nessa arriscada viagem a Jerusalém (cf. Rm.15:30,31).

Com destemor, Paulo partiu para o seu destino, que era Jerusalém. Nada mais o prenderia de cumprir esta missão, pois achava que era da vontade Deus. Depois de uma despedia afetuosa em Mileto, porto nas proximidades de Éfeso, ele tomou uma embarcação que ia para a cidade de TIRO, na Fenícia (Atos 21:6,7). Mas para chegar até Tiro, ele passou por várias cidades.

Segundo a narração de Lucas em Atos 21:1-6, primeiramente, Paulo e seus companheiros navegaram para a ILHA de CÓS, pequena ilha ao sul de Mileto, onde passaram a noite. No dia seguinte, prosseguiram para a ilha de RODES, a sudoeste. Depois de deixarem a extremidade norte da ilha, navegaram para o leste em direção a PÁTARA, um porto marítimo da Lícia, na costa sul da Ásia Menor. Em Pátara, embarcaram num navio que ia para a Fenícia, a região litorânea da Síria, da qual TIRO era uma das principais cidades. Ao cruzarem o Mediterrâneo em direção ao sudoeste, passaram próximo da ilha de Chipre. Sua primeira parada na Palestina foi TIRO. Uma vez que o navio devia ser descarregado naquele porto, Paulo e os outros procuraram os cristãos que viviam na cidade e ficaram com eles sete dias (Atos 21:4).

Durante a semana que Paulo passou com esses cristãos de Tiro, eles, movidos pelo Espírito, recomendaram ao apóstolo que não fosse a Jerusalém (Atos 21:4b). Após uma semana entre os crentes de Tiro, Paulo se despediu em clima de profunda emoção e cordialidade. Esses irmãos oraram de joelhos na praia pelo e com o apóstolo (Atos 21:3-5). Foi uma demonstração clara de amor cristão. Ali havia o bálsamo espiritual misturado à tristeza da despedida. Esse episódio mostra o quanto devemos orar pelos outros e pelos missionários que se dedicam com integridade e lealdade na Obra do Senhor, principalmente, quando eles se encontram numa missão espiritual. Após isso, Paulo prosseguiu sua viagem rumo a Jerusalém (Atos 21:5,6).

3. Passando por Cesareia

Depois de Tiro, a próxima parada foi Ptolomada (Atos 21:7), uma cidade portuária acerca de quarenta quilômetros ao sul de Tiro, conhecida hoje como Akko (Acre), próximo a Haifa. Seu nome era uma homenagem a Ptolomeu. O navio ficou ali um dia, e os servos do Senhor tiveram tempo de procurar os irmãos que viviam na cidade. No dia seguinte, embarcaram para a parte final da viagem, os cinquenta quilômetros até CESARÉIA (Atos 21:8). Nesta cidade, ficaram hospedados na casa de Filipe, o evangelista (que não deve ser confundido com o apóstolo de mesmo nome). Esse Filipe foi escolhido para ser diácono na Igreja de Jerusalém; pregou o evangelho em Samaria e levou o eunuco etíope a Cristo.

Paulo se hospedou na casa de Filipe, que fugira de Jerusalém por causa da perseguição, quando Estêvão, seu companheiro, foi morto com a participação de Saulo. No passado, Filipe teve que fugir do perseguidor Saulo; agora, os dois estão juntos como irmãos; o perseguidor como hóspede na casa do perseguido. O evangelho é realmente transformador!

Filipe se estabelecera na cidade havia cerca de vinte anos (Atos 8:40); desde então, sua família crescera. Ele era pai de quatro filhas donzelas, que tinham o dom de profecia (Atos 21:9); isto significa que elas tinham o dom concedido pelo Espírito Santo de receber mensagens diretamente do Senhor e transmiti-las a outros.

Durante a estada de Paulo em Cesaréia, desceu da Judeia um profeta chamado Ágabo (Atos 21:10). Outrora, esse mesmo profeta havia ido de Jerusalém a Antióquia da Síria e predito a fome que ocorreria durante o governo de Cláudio (Atos 11:28). Em Cesaréia, ele tomou o cinto de Paulo e usou-o para amarrar os próprios pés e mãos. Utilizando do mesmo método de muitos profetas antes dele, Ágabo transmitiu sua mensagem por meio de uma dramatização e interpretou-a em seguida (Atos 21:10,11). Assim como ele havia amarrado os próprios pés e mãos, os judeus em Jerusalém amarrariam os pés e mãos de Paulo e o entregariam às autoridades gentias. Paulo seria prezo pelos judeus em decorrência de seu serviço a ele (simbolizado pelo cinto).

Quando os companheiros do apóstolo e os cristãos de Cesaréia ficaram sabendo disso, rogaram a Paulo que não subisse a Jerusalém (Atos 21:12), mas ele não compartilhava dessa preocupação. As lágrimas dos irmãos serviram apenas para partir o coração do apóstolo. Por mais que os irmãos o advertissem do sofrimento que ele passaria em Jerusalém, não o impediu de fazer aquilo que, a seu ver, era da vontade de Deus. Informou-os que estava ”pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (Atos 21:13). Paulo agiu como alguns soldados da Guerra Civil Espanhola: “prefiro morrer de pé a viver de joelhos”. Uma vez que Paulo estava determinado ir a Jerusalém, mesmo sabendo que acabaria sendo preso, só restou os irmãos dizer a Paulo: “faça-se a vontade do Senhor!” (Atos 21:14).

II. A CORAGEM PARA ENFRENTAR AS AMEAÇAS DE MORTE

1. A coragem do apóstolo pela voz do Espírito

Os cristãos de Éfeso, os cristãos de Tiro e os cristãos de Cesaréia esforçaram-se para dissuadir o apóstolo Paulo de ir a Jerusalém, pois segundo eles, Paulo sofreria cadeias e prisão, e seria entregues as autoridades gentias, mas não conseguiram. Paulo estava convicto de que Deus estava no controle de tudo isso. Note que em Mileto Paulo disse aos presbíteros de Éfeso que estava indo a Jerusalém “obedecendo ao Espírito Santo” (Atos 20:22, BLH), apesar das cadeias e tribulações. Lucas narra assim:

“E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações” (Atos 20:22,23).

A grande questão é como conciliar essa convicção de Paulo com as profecias recebidas em Tiro (Atos 21:4) e Cesaréia (Atos 21:11), pois em ambas o Espírito Santo é evocado. Em Tiro, as pessoas que falaram foram movidas pelo Espírito, e em Cesaréia, Ágabo afirmou: “Isto diz o Espírito Santo”. Apesar disso, Paulo ignorou as duas mensagens e prosseguiu rumo a Jerusalém (Atos 21:14). Como resolver esse problema? John Stott afirmou assim acerca disto: “Com certeza não se pode concluir que o Espírito Santo se contradisse, ordenando a Paulo que fosse, no capítulo 20, e anulando sua instrução no capítulo 21.

John Stott defende que a melhor solução para esse impasse é fazer uma distinção entre uma predição e uma proibição. Com certeza, Ágabo apenas predisse que Paulo seria amarrado e entregue aos gentios (Atos 21:11); os apelos subsequentes a Paulo não são atribuídos ao Espírito e podem ter sido deduções falíveis feitas por homens, por causa da profecia proferida. Pois, se Paulo tivesse ouvido os apelos de seus amigos, a profecia de Ágabo não teria se cumprido. Para Warren Wiersbe, os pronunciamentos proféticos podem ser entendidos como avisos (“prepare-se”), não como proibições (“você não deve ir”). O propósito de Lucas é mostrar que, à semelhança de Jesus, Paulo manifestou no seu rosto a intrépida resolução de ir a Jerusalém, mesmo sabendo o que lhe esperava nessa cidade.

Em vez de considerarmos que Paulo se recusou a obedecer a uma profecia, devemos admirá-lo por sua coragem e perseverança, pois não recusou nem mesmo diante da profecia de seu sofrimento. Ao ir a Jerusalém, ele tomou a vida nas próprias mãos, a fim de resolver o problema mais premente da Igreja: a fenda cada vez mais larga entre os judeus legalistas da “extrema direita” e os cristãos gentios. Precisamos entender a voz do Espírito Santo em todas as nossas decisões.

2. A chegada em Jerusalém

De Cesaréia para Jerusalém - uma distância de 80 quilômetros por terra. Ao chegar em Jerusalém, Paulo ficou hospedado na casa de um dos companheiros de viagem – um irmão em Cristo chamado Mnasom (Atos 21:15,16); ele era natural de Chipre, e um dos primeiros discípulos de Jesus na Ilha. Ele estava morando em Jerusalém e teria o privilégio de hospedar Paulo e seus companheiros na última visita do apóstolo àquela cidade.

Ao chegar a Jerusalém, o apóstolo e seus amigos foram recebidos com toda a cordialidade pelos irmãos (Atos 21:17). No dia seguinte, realizou-se uma reunião com Tiago, e todos os presbíteros (Atos 21:18). Há um consenso entre os estudiosos de que esse Tiago era irmão do Senhor; ele era um dos principais líderes da Igreja em Jerusalém (Gl.2:9). Durante esse encontro, Paulo contou minuciosamente o que Deus fizera entre os gentios por seu ministério (Atos 21:19). Seu relatório foi motivo de grande alegria (Atos 21:19).

3. Paulo se depara com seus oponentes judeus

Quando os apóstolos e os demais irmãos presentes ouviram o relatório de Paulo a respeito do que Deus estava operando entre os gentios, “eles deram glória a Deus e disseram: bem vês, irmão, quantas dezenas de milhares há entre os judeus que creram, e todos são zelosos da lei” (Atos 21:20).

Depois de um relatório tão brilhante e motivador, os judaizantes se preocuparam logo em relatar as fofocas trazidas por aqueles que estavam presos ao judaísmo tradicional (Atos 21:21). Esses judeus queriam um cristianismo judaizante, com costumes e ritos, tais como a circuncisão, a guarda do sábado, as festas, entre outros.

Os “grupos judaizantes” existem desde o início da história da Igreja, tendo sido a causa da realização do chamado “Concílio de Jerusalém”, a primeira reunião cristã para dirimir dúvidas e questões doutrinárias, registrada em Atos 15, cuja conclusão é a base para o repúdio a estes ensinamentos que, ainda hoje, persuadem e colocam em risco milhares de almas que aceitaram a Cristo como seu Salvador. Neste primeiro Concílio ficou decidido que a observância da lei não era exigível aos gentios, porque não havia qualquer papel a ser exercido pela lei na salvação do ser humano. Ficou estabelecido, para que não houvesse mais dúvidas, que os gentios deveriam, tão somente, absterem-se das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação (At.15:29), não se devendo, pois, cumprir a lei judaica, nem mesmo a guarda do sábado. Mas, por que o Espírito Santo assim decidiu, usando dos apóstolos e anciãos da Igreja primitiva no concílio de Jerusalém? Porque o Espírito Santo sabia que ao longo da história da Igreja, os crentes seriam perturbados de novo pela “doutrina judaizante”, doutrina esta que dentro da sua sutileza, também tem como objetivo menosprezar o sacrifício vicário de Cristo na cruz do Calvário.

Na medida em que exigimos a observância da lei mosaica para a salvação da pessoa, estamos a dizer que o sacrifício de Jesus é insuficiente para que o ser humano seja salvo, que a pessoa somente será salva se fizer as obras da lei, o que equivale a dizer que Jesus não é o Salvador. Entretanto, a Bíblia é claríssima ao mostrar que as obras da lei são incapazes de salvar o homem e que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei (Rm.3:28). A defesa da guarda da lei é, pois, uma demonstração de incredulidade no poder do sacrifício de Cristo.

E agora, novamente, os judaizantes foram os principais perseguidores do apóstolo Paulo, acusando-o de pregar contra a lei (Atos 21:28). Paulo podia muito bem ter rebatido essas acusações, mas diante do espírito conciliatório que ele sempre apresentava, mais uma vez preferiu não destratar a cultura e tradição judaica. E em comum acordo com o pastor de Jerusalém, Tiago, ele se dispunha passar por alguns rituais de purificação a fim de acalmar os escrúpulos dos judeus. Paulo se submeteu a isto, para o bem da evangelização e/ou pelo bem da solidariedade judaica-gentia.

III. ACUSAÇÕES E A PRISÃO DE PAULÒ NO TEMPLO


1. As acusações mentirosas contra Paulo

A notícia da chegada de Paulo rapidamente se espalhou pela cidade de Jerusalém. A ocasião era festiva, e Jerusalém estava recebendo judeus de todas as partes do Império Romano para a tradicional festa de Pentecostes. Contudo, os irmãos judeus estavam apreensivos; anteviam problemas que poderiam surgir em decorrência dos boatos de que Paulo havia ensinado e pregado contra a Lei de Moises. Paulo estava sendo acusado especialmente de ensinar todos os judeus em terras estrangeiras a apostatarem de Moisés, dizendo-lhes que não deviam circuncidar os filhos, nem andar segundo os costumes judaicos (Atos 21:20-22). Mas, era isso mesmo que o apóstolo ensinava? De fato, ele ensinava que Cristo era o fim da Lei para a justiça daqueles que creem. Afirmava que, com o advento da fé cristã, os judeus que aceitavam Cristo não se encontravam mais sob a Lei. Ensinava, também, que, se um homem recebia a circuncisão como meio de obter a salvação, desligava-se da salvação em Jesus Cristo, pois voltar aos tipos e sombras da Lei depois da vinda de Cristo era uma afronta a Cristo. Não é difícil entender, portanto, o ódio dos judeus pelo apóstolo.

Os irmãos judeus em Jerusalém traçaram um plano para apaziguar seus compatriotas cristãos e incrédulos. Sugeriram que Paulo fizesse um voto judaico. Quatro homens já estavam no processo de fazer esse voto. Paulo devia purificar-se com eles e pagar a despesa necessária (Atos 21:23,24). O texto não fornece detalhes acerca desse voto judaico; porém, deixa claro que, ao ver o apóstolo cumprir o ritual associado ao voto, seus compatriotas teriam provas de que ele não estava induzindo outros a se desviarem da Lei de Moisés. Seria uma indicação para os judeus de que o próprio Paulo guardava a Lei.

Segundo Willian Macdonald, a atitude do apóstolo ao tomar sobre si esse voto judaico é defendido por alguns e criticada por outros. Em defesa de Paulo, argumenta-se que ele estava agindo de acordo com o próprio princípio de ser “tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns” (1Co.9:19-23). Em contrapartida, Paulo é criticado por ir longe demais na tentativa de aplacar os judeus e, portanto, dar a impressão de estar debaixo da Lei. Em outras palavras, Paulo é acusado de ser incoerente com sua convicção de que os cristãos não estão sujeitos à Lei, nem para sua justificação nem como norma de vida. Somos propensos a concordar com essa crítica, mas devemos tomar cuidado ao julgar a motivação do apóstolo. William Barclay afirma que há momento em que fazer concessões não denota fraqueza, mas força. Paulo queria naquela ocasião evitar problemas e divisões. Todo seguidor de Cristo deve estar pronto contra as falsas acusações dos oponentes da fé, quer os de fora, quer os de dentro.

2. A prisão do apóstolo e o enfrentamento contra seus algozes


Mesmo demonstrando seu lado judaico com ações, Paulo foi atacado e preso pelos judeus impiedosos e incrédulos (Atos 21:27-32). Era a Festa de Pentecostes, e havia milhares de judeus em Jerusalém de todas as partes do mundo. Os judeus incrédulos vindos da Ásia, ao verem Paulo no Templo, movidos pelo preconceito inflexível e pela violência fanática, numa atitude completamente diferente dos líderes da Igreja de Jerusalém, alvoroçaram o povo e prenderam Paulo com extrema violência. Assim narra Lucas:

“Quando já estavam por findar os sete dias, os judeus que tinham vindo da província da Ásia, ao verem Paulo no templo, alvoroçaram todo o povo e o agarraram, gritando: — Israelitas, socorro! Este é o homem que por toda parte anda ensinando todos a serem contra o povo, contra a Lei e contra este lugar. E mais ainda: introduziu até gregos no templo e profanou este recinto sagrado. Disseram isso, pois antes tinham visto Trófimo, o efésio, em sua companhia na cidade e pensavam que Paulo o havia levado para dentro do templo. Toda a cidade ficou em grande alvoroço, e o povo veio correndo. Agarraram Paulo e o arrastaram para fora do templo; e imediatamente as portas foram fechadas. Procurando eles matá-lo, chegou ao conhecimento do comandante das tropas romanas que toda a Jerusalém estava amotinada. Então este, levando logo soldados e centuriões, correu para o meio do povo. Ao verem chegar o comandante e os soldados, pararam de espancar Paulo” (Atos 21:27-32).

Pr. Hernandes Dias Lopes argumenta que os judeus foram os grandes adversários de Paulo e os grandes opositores do evangelho. Foram os judeus que por todos os cantos provocaram tumultos e agora mais uma vez alvoroçam a multidão contra o servo do Senhor. Nesse clima de motim, os judeus agarraram e prenderam Paulo com violência.

Os judeus radicais acusaram Paulo de profanar o Templo, introduzindo Trófimo, o efésio, no recinto sagrado. As acusações foram tidas por verdadeiras e a multidão se arremeteu contra Paulo com ensandecida violência. Na verdade, Paulo não estava profanando o Templo, mas passando pela cerimônia de purificação, exatamente para não cometer profanação. Antes de investigar a veracidade das acusações e antes de oferecer ao acusado chance de defesa, os judeus deliberaram matá-lo.

Embora não haja como comparar os sofrimentos de Cristo (que foram vicários) com os sofrimentos de Paulo, Lucas coteja o que Cristo enfrentou em Jerusalém com os sofrimentos de Paulo - ambos foram rejeitados pelo povo e presos sem motivo; ambos foram acusados injustamente e prejudicados por testemunhas falsas; ambos apanharam no rosto diante do tribunal; ambos foram vítimas de planos secretos dos judeus; ambos ouviram o barulho aterrorizante de uma multidão que gritava: “mata-o”; ambos foram sujeitados a uma série de cinco julgamentos – no caso e Cristo: por Anás, pelo Sinédrio, pelo rei Herodes Antipas e duas vezes por Pilatos; no caso de Paulo: pela multidão, pelo Sinédrio, pelo rei Herodes Agripa II e por dois procuradores, Felix e Festo.

Atualmente, no mundo inteiro, principalmente nos países comunistas e nos países islâmicos, milhares de cristãos têm sua liberdade cerceada por causa de sua fé em Cristo. Não esqueçamos deles; devemos orar continuamente por eles.

3. Paulo dialoga com Lisias (Atos 21:37-40)

Quando a multidão de judeus estava prestes a concretizar a sua danosa intenção contra Paulo, ocorreu uma intervenção providencial. O comandante Claudio Lísias foi informado do motim e imediatamente se dirigiu à praça do Templo com sua soldadesca, abortando a intenção dos judeus. Os judeus cessaram de espancar Paulo quando o comandante mandou acorrentá-lo, para saber quem era e o que havia feito o prisioneiro. Nesse ínterim a multidão ensandecida gritava de forma desordenada sem saber por que vociferava contra o apóstolo. Por essa razão o comandante mandou recolher Paulo à fortaleza Antônia – quartel-general da força de ocupação romana – para não ser despedaçado pela multidão tresloucada, que clamava pela sua morte. A multidão gritava “mata-o” (Atos 21:36), da mesma forma que, quase trinta anos antes, outra multidão gritava contra outro prisioneiro, Jesus Cristo (Lc.23:18).

Quando estavam prestes a recolher Paulo à fortaleza, o apóstolo perguntou ao comandante se podia dizer algo. O comandante Lísias ficou surpreso de ouvir Paulo falar em grego (Atos 21:37). Ao que parece, ele pensava ter prendido um egípcio que havia incitado uma rebelião e conduzido ao deserto quatro mil salteadores (Atos 21:38). Mais que depressa, Paulo lhe garantiu que era judeu natural de Tarso, uma cidade da Cilícia (Atos 21:39). Assim, era originário de uma cidade importante. Tarso era conhecida como um centro de cultura, ensino e comércio. Como Paulo se declarou cidadão romano, Lísias não mais o confundiu com esse egípcio rebelde e mudou a forma de tratamento com o apóstolo.

Com sua intrepidez de sempre, o apóstolo pediu permissão para falar ao povo. Obtida a permissão, Paulo, em pé na escada, fez com a mão sinal para aquietar a multidão. O silêncio foi tão grande quanto o tumulto que o havia precedido (Atos 21:40). Paulo estava pronto para dar seu testemunho aos judeus de Jerusalém. Mesmo ferido pelos açoites, manchado com o próprio sangue, mas estimulado pelo sentimento de martírio pelo seu Senhor, o apóstolo não perdeu a oportunidade de usar sua defesa para proclamar o Evangelho. Concordo com o argumento do pr. Elienai Cabral ao afirmar que “as vezes somos provados por Deus e percebemos que sua vontade é para que o Evangelho seja anunciado por meio de nós ao enfermo no hospital, ao preso numa penitenciária, ao viciado numa Cracolândia ou em qualquer outra circunstância desconfortável que Ele nos colocar. Estejamos atentos para os caminhos que o Espírito Santo quer nos levar”.

CONCLUSÃO

A coragem de Paulo diante da morte tinha como base a esperança cristã no porvir. Se cultivarmos diariamente essa esperança, tendemos a perder o medo do tempo presente. Quem perde esse medo é capaz de fazer coisas extraordinárias. Se cultivarmos a verdadeira esperança no porvir, lidaremos melhor com as coisas presentes. Quanto mais ligados ao futuro celestial, melhor lidaremos com o presente mundo material. É tempo de aprofundar essa certeza cristã invisível, para viver num mundo visível, materialista e anticristão. Paulo tinha essa certeza, por isso enfrentava a morte com destemor. Ele assim nos consola: “Por que a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2Co.4:17). Atentemos para essência do que Jesus nos ensinou: “o meu Reino não é deste mundo” (João 18:36).

 


terça-feira, 23 de junho de 2026

DEUS ABRE OS OLHOS PARA O INVISÍVEL

 


DEUS ABRE OS OLHOS PARA O INVISÍVEL

Esboço do Estudo 2 Reis 6:8-23 sobre quando Eliseu ora para Deus abrir os olhos do moço.

TEXTO BÍBLICO: 2 Reis 6:8-23

“Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles.”
“E orou Eliseu, e disse: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja.”
(vv.16-17)

PROPÓSITO: Confiar em Deus além das circunstâncias visíveis.

1. O Contexto: A Frustração do Inimigo (v. 8-14)

O rei da Síria tentava emboscar Israel repetidamente, mas seus planos eram sempre frustrados porque Deus revelava as estratégias secretas a Eliseu.

  • O Poder da Revelação: Eliseu, como homem de Deus, detinha uma "inteligência estratégica" divina. Isso demonstra que nada está oculto aos olhos do Senhor.
  • A Reação do Inimigo: Ao perceber que Eliseu era o "problema", o rei da Síria tentou capturá-lo em Dotã. O exército cercou a cidade à noite, criando um cenário de cerco e desespero humano.

2. O Contraste: Medo vs. Fé (v. 15-17)

Ao amanhecer, o servo de Eliseu vê o exército inimigo e entra em pânico.

  • Visão Física vs. Espiritual: O servo via apenas as espadas e os cavalos dos inimigos. Eliseu, por outro lado, via a realidade invisível: a montanha cheia de cavalos e carros de fogo.
  • A Oração de Eliseu: Ele não ora para que o inimigo seja destruído, mas para que os olhos do seu servo sejam abertos. Isso nos ensina que, muitas vezes, o que precisamos não é de uma mudança nas circunstâncias, mas de uma mudança na nossa percepção da presença de Deus.

3. A Vitória pela Misericórdia (v. 18-23)

Após Deus ferir o exército sírio com cegueira, Eliseu os guia até o meio de Samaria.

  • A Lógica do Reino: Quando o rei de Israel pergunta se deve matá-los, Eliseu responde com uma lógica contracultural: não os mate. Em vez disso, ele ordena que lhes deem pão e água.
  • Vencer o Mal com o Bem: Ao alimentar seus inimigos, Eliseu desarma o conflito. O texto relata que, após esse banquete de misericórdia, as tropas da Síria pararam de invadir Israel. Isso antecipa o ensino de Jesus de "amar os inimigos" e o princípio de Romanos 12:21.

Aplicações Práticas para Hoje

  • Discernimento Espiritual: Precisamos orar constantemente: "Senhor, abre meus olhos!". Em meio às crises, muitas vezes esquecemos que a nossa luta não é apenas contra carne e sangue, e que Deus tem um exército de proteção ao nosso redor.
  • O Poder da Oração: Eliseu era um homem de oração. Ele orou pelo servo, orou pelo inimigo (cegueira e abertura de olhos). A oração foi a ferramenta que moveu a mão de Deus em todas as direções.
  • A Estratégia da Graça: Às vezes, a forma mais poderosa de vencer um inimigo ou um conflito não é pela força, mas por um ato de bondade inesperado. A misericórdia tem o poder de desarmar corações endurecidos.
  1. A VISÃO DE DEUS TRAZ DIREÇÃO E LIVRAMENTO.

O rei da Síria estava revoltado. Na tentativa de vencer o rei de Israel ele definia estratégias. Mas todas as vezes o rei de Israel escapava – então e começou a desconfiar que havia um espião no meio deles (2 Reis 6:12).

  1. A VISÃO NATURAL EM ALGUMAS CIRCUNSTÂNCIAS PODE SER ESESPERADORA.

Revoltado, o rei resolve perseguir Eliseu. Enviou “fortes tropas” até Dotã para prender Eliseu. Agora perceba: Era um exército contra um homem só. Eles chegaram à noite e cercaram a cidade (2 Reis 6:15)A realidade natural que o servo percebeu, era que Eliseu e ele, não podiam se mover naquela situação. A princípio, ele só podia ver o inimigo. E o sentimento foi de medo e ansiedade.

  1. A VISÃO DIVINA TRAZ CONFIANÇA

Eliseu agiu com tranquilidade, bem diferente de seu servo, e tratou a situação com serenidade (2 Reis 6:15,17). “O que seus olhos físicos puderam ver não era páreo para o que ele não podia ver.” Deus estava trabalhando a seu favor mais do que ele podia imaginar. Para você ser uma pessoa confiante e vitoriosa, você precisa ter a habilidade de “enxergar”. Nossos olhos precisam ser abertos para a revelação da palavra de Deus. Eliseu convivia com a Palavra, ouvia a Deus constantemente. Não era algo ocasional, não buscava a Palavra só quando a coisa apertava. A voz de Deus era algo constante no seu coração.

  1. A VISÃO DIVINA COMUNICA A FÉ

Quando você enxerga como Deus, você é capaz de levar esperança, levar perspectiva de dias melhores para outras pessoas. Você começa ajudar as pessoas a enxergarem de acordo como Deus vê. Quem sabe você não consegue entender por que perdeu algo de muito valor na sua vida: um emprego, um negócio, um relacionamento, um amigo. Realmente, não é fácil, é doloroso. Entenda algo: (2 Reis 6:18)

“Você nem sempre consegue o que quer, mas sempre pode andar pela fé e confiar na vontade de Deus. E o seu testemunho vai ajudar outras pessoas a enxergarem como Deus vê."

Eliseu cegou os inimigos sírios e os levou até Samaria. Chegando lá ele ora e abre os olhos desses homens para verem – e eles se depararam totalmente indefesos diante do rei de Israel. Eliseu pediu ao rei de Israel para não os ferirem, e sim, que os alimentassem. O exército inimigo comeu, bebeu, se fortaleceu e voltou para casa. Eliseu nos ensina muito! Ele deixa bem claro que a visão de Deus vai levar você a um nível mais alto. 

Reflexão:

1. Qual é a visão que você tem sobre as coisas que estão acontecendo ao seu redor? Que visão você tem sobre o que você tem vivido ultimamente? Respostas variadas.

2. O que aprendemos com o profeta Eliseu quando os desafios chegam? Aprendemos que precisamos ter a visão de Deus e enxergar não mais o natural e sim o sobrenatural. As circunstâncias podem nos desanimar e nos deixar desesperados, mas a visão divina no traz confiança e nos ajuda a comunicar a fé de Deus.

3. Como podemos fazer da palavra de Deus algo constante em nossas vidas? Através do hábito da leitura bíblica e através da doce comunhão com o Espírito Santo.

4. Vamos fazer uma oração juntos? Repita em alta voz: Senhor, abra meus olhos por completo, para que eu possa não apenas detectar as atividades do inimigo, mas para que eu também esteja ciente do que o Senhor tem me dado para derrotá-lo em todas as áreas da minha vida. Me faça ver do jeito que o Senhor vê. Abra os meus olhos, Senhor. E o que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano, o que Deus tem preparado para mim, é o que eu vou viver, pela graça de do Senhor, amém, amém!

INTRODUÇÃO

O texto nos mostra um momento de guerra. O rei da Síria tenta atacar Israel repetidas vezes, mas Deus revela seus planos ao profeta Eliseu.

Irritado, o inimigo decide cercar a cidade onde Eliseu está. O cenário é de perigo, tensão e ameaça real.

O servo de Eliseu vê o exército e entra em desespero. Mas Eliseu vê algo diferente. Ele enxerga o que o servo ainda não consegue ver.

IDEIA CENTRAL: O problema não é o que está ao redor, mas como estamos enxergando.

Hoje quero pregar sobre 4 verdades que este texto revela sobre como Deus transforma nossa visão em meio às batalhas.

I. NÃO ENTRE EM PÂNICO DIANTE DO QUE VOCÊ VÊ (2 Reis 6:14-15)


“Ai, meu senhor! Que faremos?” (v.15)

1. O medo nasce quando olhamos só para o visível. O servo viu cavalos e soldados, mas não viu Deus. Ele enxergou o problema, mas ignorou a presença divina.

2. A visão limitada produz desespero. Quando ele pergunta “Que faremos?” (v.15), revela um coração dominado pelo medo.

3. A realidade espiritual é maior que a natural. O que ele via não era toda a verdade. Havia algo maior acontecendo.

Nem tudo que você vê define o fim da história. Amplie sua visão hoje.

Quem olha só para o problema se desespera, mas quem olha para Deus permanece firme.

II. CONFIE EM DEUS MESMO SEM ENTENDER (2 Reis 6:16)

“Não temas; porque mais são os que estão conosco…” (v.16)

1. Eliseu não se abalou porque conhecia Deus. Ele não negou o problema, mas não foi dominado por ele.

2. A fé declara antes de ver. Eliseu afirmou a vitória antes do servo enxergar. Isso é fé viva.

3. Deus nunca perde o controle da situação. Mesmo cercado, Eliseu estava protegido. Deus já estava trabalhando.

Acreditar traz descanso. Pare de tentar entender tudo e deixe Deus ser Deus.

Confie mesmo quando não fizer sentido. Deus continua no controle.

III. PEÇA A DEUS UMA NOVA VISÃO (v.17)

“Senhor, peço-te que lhe abras os olhos” (v.17)

1. A maior necessidade não era livramento, era visão. Eliseu não pediu mudança de cenário, pediu mudança de percepção.

2. Quando Deus abre os olhos, o medo desaparece. O mesmo lugar, a mesma situação, mas agora com entendimento espiritual.

3. Ver com os olhos de Deus muda tudo. O monte estava cheio de cavalos e carros de fogo. Deus já estava ali.

Ou a preocupação domina sua mente, ou a oração muda sua visão. Escolha orar.

Peça hoje: Senhor, abre os meus olhos. Você precisa enxergar além do natural.

IV. DEUS TRANSFORMA A CRISE EM TESTEMUNHO (vv.18-23)

“Feriu-os de cegueira…” (v.18)

1. Deus pode inverter qualquer situação. O inimigo que cercava agora ficou perdido. Deus muda cenários.

2. O controle sempre esteve nas mãos de Deus. Eliseu conduz tudo com autoridade, porque Deus já estava no comando.

3. A graça pode vencer onde a força falharia. Em vez de matar, Eliseu manda alimentar. O resultado foi paz: “não tornaram mais…” (v.23)

A graça alcança onde a força não chega. Deus faz além do que esperamos.

Confie no agir de Deus. Ele transforma batalhas em testemunhos.

Essa é a mensagem de Deus para você hoje: há mais acontecendo do que seus olhos conseguem ver.

  • O medo cresce quando a visão é limitada, mas Deus amplia o nosso olhar.
  • A fé permanece firme, mesmo quando ainda não vemos a resposta.
  • A oração muda a forma de enxergar, e isso transforma tudo.
  • Até a crise pode ser revertida, quando Deus entra em ação.

Talvez você esteja cercado por problemas, sem saída aparente, mas hoje é dia de enxergar diferente. Hoje é dia de confiar. Hoje é dia de depender de Deus.

Jesus continua no controle. O céu não perdeu o governo da sua vida.

Levante os olhos pela fé. Confie no que Deus já está fazendo. Caminhe com segurança, mesmo sem entender tudo.

Quem tem os olhos abertos por Deus vive acima do medo.

PROPÓSITO: Encorajador e Devocional – Mostrar que Deus abre os olhos do Seu povo para ver além das circunstâncias, confiar na Sua proteção e compreender a grandeza da Sua misericórdia.

O profeta Eliseu vivia tempos de guerra. O rei da Síria armava emboscadas contra Israel, mas todas as vezes os planos eram frustrados. porque Deus revelava tudo ao profeta.

Quando o inimigo descobre que Eliseu é o responsável por expor suas estratégias, envia um exército inteiro para cercar a cidade de Dotã, onde ele estava.

O moço de Eliseu se desespera, mas o profeta, cheio de fé, ora e diz: “Mais são os que estão conosco do que os que estão com eles.” (v.16)

O Deus que agiu naquele dia continua abrindo olhos hoje... olhos espirituais, olhos de fé e olhos de compaixão.

Neste texto encontramos três manifestações do Deus que abre os olhos.

I. PARA ELISEU, DEUS MOSTROU OS PLANOS DO INIMIGO (2 REIS 6:8–14)

“E o homem de Deus enviou ao rei de Israel, dizendo: Guarda-te de passares por tal lugar, porque os sírios descem ali.” (v.9)

1 – Deus revela o que o inimigo tenta esconder.

O rei da Síria fazia planos secretos, mas o Senhor mostrava tudo a Eliseu. Nada escapa aos olhos de Deus ... Ele conhece cada movimento do adversário.

2 – Deus protege o Seu povo através da revelação.

Eliseu avisava o rei de Israel, e o povo escapava das armadilhas. A comunhão com Deus é o melhor sistema de defesa espiritual.

3 – Quando andamos com Deus, Ele nos faz enxergar além das aparências.

O inimigo trama em silêncio, mas o crente discernido pelo Espírito vive em alerta e vitória.

O Deus que abre os olhos revela estratégias ocultas e frustra os planos do inimigo.

II. PARA O MOÇO DE ELISEU, DEUS MOSTROU UM EXÉRCITO AO SEU LADO (2 REIS 6:15–17)


“E orou Eliseu, e disse: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja.” (v.17)

1 – O medo cego, mas a fé faz enxergar.

O moço só via os inimigos, Eliseu via os anjos. Muitas vezes o problema não é o tamanho da luta, mas a falta de visão espiritual.

2 – Deus abriu os olhos do servo e ele viu o invisível.

“Eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu.”

O que antes parecia desespero tornou-se confiança... Deus estava cercando quem parecia cercado.

3 – Quando Deus abre os olhos, a fé vence o medo.

Não é que o inimigo desapareça, é que aprendemos a ver quem está acima de tudo. A presença de Deus muda a perspectiva da batalha.

Quem tem olhos espirituais entende que Deus nunca perde o controle, mesmo quando tudo parece perdido.

III. PARA OS INIMIGOS, DEUS MOSTROU SUA GRANDE MISERICÓRDIA (2 REIS 6:18–23)

“E, quando desceram a ele, orou Eliseu ao Senhor, e disse: Fere, peço-te, esta gente de cegueira. E o Senhor os feriu de cegueira.” (v.18)

1 – Deus pode fechar os olhos dos inimigos para proteger os Seus servos.

Enquanto o moço tem os olhos abertos, o inimigo fica cego. O mesmo Deus que abre para uns, fecha para outros, tudo conforme o Seu propósito.

2 – Eliseu age com misericórdia, não com vingança.

Em vez de destruí-los, ele os conduz até Samaria e pede que lhes deem pão e água.

“E prepararam-lhes um grande banquete.” (v.23) A guerra termina com graça, Deus mostra que a misericórdia vence o ódio.

3 – Deus abre os olhos dos inimigos para conhecerem Seu amor.

Quando eles voltam a enxergar, percebem que foram poupados. A misericórdia de Deus transforma adversários em testemunhas do Seu poder.

O Deus que abre olhos também abre corações... Ele vence o mal com o bem.

CONCLUSÃO:

O Deus de Eliseu é o mesmo hoje... Ele continua abrindo olhos.

  • Abre os olhos dos profetas para discernir os planos do inimigo.
  • Abre os olhos dos servos para enxergar o Seu poder.
  • E abre os olhos dos inimigos para conhecer a Sua misericórdia.

Talvez hoje você esteja como o moço de Eliseu... cercado, com medo, sem saber o que fazer. Mas Deus está dizendo: “Levanta os olhos da alma, há um exército ao teu redor!”

“Mais são os que estão conosco do que os que estão com eles.” (v.16)

Deus está abrindo os teus olhos para ver que a batalha já está vencida, o inimigo já está confuso, e a vitória já foi decretada.

O Deus que abre olhos também abre caminhos, corações e novas oportunidades. Ele não mudou, e continua mostrando que está ao lado dos que confiam nele.

 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O CUIDADO COM AS OVELHAS

 


O CUIDADO COM AS OVELHAS

Leitura Bíblica: Jeremias 23.1

Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor"

O texto de Jeremias 23.1 é um dos alertas mais severos de toda a Escritura sobre a responsabilidade espiritual. Para compreender o profundo significado do "cuidado com as ovelhas" neste contexto, precisamos olhar para os pilares que sustentam essa relação entre o pastor e o rebanho aos olhos de Deus.

1. A Propriedade das Ovelhas

A frase "as ovelhas do meu pasto" define a teologia central do cuidado bíblico. O pastor humano nunca é o dono; ele é um administrador ou um sub-pastor.

  • O Princípio: Quando um líder ou responsável entende que as pessoas sob seu cuidado pertencem a Deus, a soberba dá lugar ao temor. O cuidado deixa de ser uma questão de autoridade pessoal e passa a ser uma prestação de contas diante do Dono do rebanho.

2. Os Erros dos Pastores: Destruir e Dispersar

Jeremias aponta dois verbos que resumem a falha daqueles que não exercem o cuidado devido:

  • Destruir: Ocorre quando o líder, em vez de nutrir com a Palavra e o exemplo, causa danos emocional, espiritual ou moral. É o uso do cargo para benefício próprio, negligenciando a saúde do rebanho.
  • Dispersar: Ocorre quando, por falta de unidade, por doutrinas distorcidas ou por um estilo de liderança autoritário e insensível, o rebanho se sente desprotegido e acaba se afastando da comunhão e da verdade.

3. O Padrão de Cuidado Bíblico

O oposto de "destruir e dispersar" é encontrado no modelo do Bom Pastor (João 10):

  • Conhecimento individual: O Bom Pastor chama suas ovelhas pelo nome. O cuidado legítimo não é massificado; ele reconhece as lutas, as dúvidas e os ritmos de cada pessoa.
  • Sacrifício: O pastor que cuida está disposto a dar a vida. Em termos práticos, isso significa renunciar a conforto, tempo e conveniência para buscar a ovelha que se perdeu ou para proteger a que está ferida.
  • Alimento e Descanso: O cuidado bíblico exige que o rebanho seja conduzido a pastos verdejantes (a verdade bíblica) e a águas tranquilas (a paz que vem de Deus).

4. A Responsabilidade e a Esperança

O "Ai dos pastores" não é apenas uma ameaça; é um chamado à seriedade. Deus está atento à forma como os líderes tratam os vulneráveis. Contudo, a mensagem de Jeremias culmina, poucos versículos adiante (Jeremias 23:3-4), na promessa de que Deus mesmo congregará o resto de suas ovelhas e levantará sobre elas pastores segundo o Seu coração, que as apascentarão para que não temam nem se assombrem.

Reflexão para o Caminhar O cuidado com as ovelhas não é apenas uma função ministerial; é um reflexo do caráter de Deus. Seja no contexto familiar, profissional ou comunitário, a pergunta que este texto nos convida a fazer é: As minhas atitudes têm ajudado as pessoas a se achegarem a Deus (edificação) ou têm sido um obstáculo que as leva para longe (dispersão)?


INTRODUÇÃO

Jeremias chamou o povo, e especialmente os líderes dos judeus, ao arrependimento. Ele viu a corrupção do povo, de cima para baixo, como motivo do castigo divino iminente. No capítulo 23, ele apresenta uma mensagem de Deus que mostra a diferença entre o Pastor verdadeiro e fiel e os maus pastores que maltrataram as ovelhas do Senhor. Os líderes do povo de Deus, principalmente os reis, sacerdotes e os profetas, foram extremamente negligentes e irresponsáveis na conduta moral e espiritual do povo de Israel. Eles perderam o senso de responsabilidade diante de Deus e fizeram com que as ovelhas (o povo de Israel) ficassem sem orientação. Quando os líderes são contaminados, o rebanho segue pelo mesmo caminho. Citamos como exemplo o rei Manasses que aproveitou a liderança que tinha e conduziu o povo à idolatria, e esta resultou no exílio, pois o povo não a abandonou, apesar de Deus ter dado tempo para que se arrependessem, mas eles não queriam ouvir a voz do Senhor, preferindo o engano dos falsos profetas (23:9-12). Eles eram movidos pela avareza e usavam o poder, que lhes fora conferido pelo Senhor, para legislar em causa própria. Deixavam-se subornar (22:17), extorquiam dinheiro das pessoas (22:17) e defraudavam o próximo para obter vantagens (22:13,14). O "direito e a justiça" não eram estabelecidos, e o povo cada vez mais se atolava no lamaçal do pecado. Essa é a lição que Deus mostra a Jeremias no início do capítulo 23: aqueles que pastoreiam ou cuidam do rebanho devem fazê-lo de forma que as ovelhas sejam tratadas como ovelhas do Senhor.

I. O QUE É UM PASTOR

Conforme o texto de 1Pedro 5:1-4, podemos dizer que, em termos eclesiásticos, Pastor é aquele que supervisiona o rebanho; ou melhor, ele é um mordomo do Senhor, por isso deve guardar cada uma das ovelhas que lhe confiou o Sumo Pastor. Sua função principal é conduzir os santos ao Senhor Jesus, dispensando a estes os meios da graça.
Como bem diz o reverendo Hernandes Dias Lopes, ser pastor é estar disposto a investir a vida na vida dos outros sem receber o devido reconhecimento. Ser pastor é amar sem esperar a recompensa, é dar sem esperar receber de volta. Ser pastor é saber que o seu galardão não lhe é dado aqui, mas no Céu. Creio que ser pastor é um grande privilégio. Nenhuma posição na terra deveria seduzir o coração de um pastor a desviar-se do seu foco ministerial. Ser embaixador de Deus é melhor do que ser embaixador da nação mais poderosa da Terra. Charles Spurgeon dizia para os seus alunos: "Filhos, se a rainha da Inglaterra vos convidar para serdes embaixadores em qualquer lugar do mundo, não vos rebaixeis de posto, deixando de serdes embaixadores do Céu”. Hoje, vemos muitos pastores deixando o ministério para serem vereadores, deputados ou senadores da República. Trocam o seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas. Isso é um equívoco e uma troca infeliz. Muito embora a vocação civil também seja uma sacrossanta vocação, aquele que Deus chamou para o ministério não deve desviar sua atenção com outros afazeres, ainda que dentre os mais nobres.


1. Obrigações do pastor. A principal obrigação do pastor é pastorear. Mas, o que é pastorear?


a) é alimentar o rebanho de Deus com a Palavra de Deus. Não nos cabe prover o alimento, mas oferecer o alimento. O alimento é a Palavra. Reter a Palavra ao povo de Deus é um grave pecado.

Infelizmente, vivemos dias difíceis. Dias em que é notório o abandono do ensino da Palavra de Deus nas igrejas. Muitos dentre os crentes se dizem ser, como nos afirmam as Escrituras, terão comichões nos ouvidos e não sofrerão mais a sã doutrina (2Tm.4:3), ou seja, não quererão se dobrar aos ensinos da Palavra de Deus e os distorcerão, a fim de poderem praticar os seus pecados, construindo para si doutores que justifiquem seus pecados e iniquidades. São dias difíceis, mas nós, que conhecemos a Palavra, que fomos ensinados na boa doutrina, sabendo que estas coisas iriam mesmo acontecer, só devemos ser cautelosos e, sobretudo, submissos aos ensinos do Senhor, pois o ensino da Palavra de Deus é essencial para o crescimento espiritual do cristão.


Que os pastores jamais esqueçam deste conselho de Bernard Ramm: “A tarefa fundamental de um pastor, na pregação, não é ser brilhante ou profundo, mas é ministrar a verdade de Deus”.

b) é proteger o rebanho de Deus dos lobos vorazes. Poucos animais são tão indefesos como as ovelhas. Com pouca defesa contra inimigos naturais, pouco senso de direção e nenhuma capacidade para encontrar seu próprio alimento, elas são muito dependentes do pastor para prover suas necessidades. No tempo em que não havia cercas, os pastores de ovelhas tinham que ficar com elas no deserto, algumas vezes durante meses de uma só vez. O pastor tinha que providenciar para as ovelhas tudo que elas não podiam providenciar para si mesmas. Ele procurava pastos verdes onde as ovelhas pudessem encontrar comida (1Crônicas 4:39-40) e as conduzia gentilmente para lá, sempre cuidadoso com as que estavam com filhotes (Isaías 40:11). Ele as protegia até com sua própria vida. O jovem Davi relatou a Saul como tinha arrancado um cordeiro da boca de um leão e de um urso (1Sm 17:34-37).

Paulo alertou para o fato dos pastores estarem vigilantes para que os lobos vorazes não penetrem no meio do rebanho. Jesus, também, fez o mesmo alerta: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mt 7:15).


c) é apascentar o rebanho de Deus. O pastor é alguém que convive com a ovelha. Está perto. Leva para os pastos verdes as famintas; às águas tranquilas as sedentas; atravessa os vales escuros dando segurança à ovelha que está insegura e carrega a fraca no colo; resgata a que caiu no abismo; disciplina aquela que põe em risco a vida do rebanho.
2. A excelência com que o pastor deve exercer o seu pastorado - E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência(Jr 3:15). Destacamos duas verdades importantes:


a) O pastor deve apascentar o rebanho de Deus com conhecimento. O pastor é um estudioso. Ele precisa conhecer a Palavra, alimentar-se da Palavra e pregar a Palavra. Aliás, a recomendação de Paulo é que “[...] o bispo seja [...] apto para ensinar” (1Tm 3:2). A vida do ministro está indissociavelmente vinculada ao ensino e à observância da sã doutrina (1Tm.1:3,10; 4:6,16; 5:17; 6:1,3; 2Tm.4:2,3; Tt.2:1,7,10). Paulo diz que devem ser considerados dignos de redobrados honorários aqueles que se afadigam na Palavra (1Tm 5:17).

Ao longo de todo o livro de Atos dos Apóstolos e das epístolas paulinas, vemos que havia um esforço todo especial por parte do Apóstolo Paulo para que as igrejas locais por ele fundadas sempre dessem proeminência à Palavra do Senhor. Eram igrejas onde a doutrina tinha o primeiro lugar e, não sem motivo, igrejas espiritualmente abundantes, onde o avivamento era uma realidade patente. Muitas são as passagens onde vemos o zelo e o cuidado dos apóstolos em ensinar a Palavra ao povo, em que o povo de Deus perseverasse na doutrina. A razão do crescimento da igreja primitiva foi a cuidadosa exposição da palavra de Deus: “Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia” (At. 19.20).

b) O pastor deve apascentar o rebanho de Deus com inteligência. Isso significa apascentar o rebanho de Deus com sabedoria e sensibilidade. Sabedoria é usar o conhecimento para os melhores fins. Precisamos tratar as ovelhas de Deus com ternura. Paulo diz que o pastor é como um pai e também como uma mãe (1Tess 2:7-12). O pastor chora com os que choram e festeja com os que estão alegres. O pastor trata cada ovelha de acordo com sua necessidade, com seu temperamento, com seu jeito peculiar de ser. Ele é dócil com as crianças como foi Jesus, que as pegou no colo. Ele trata os da sua idade como a irmãos e aos mais velhos como a pais. Uma coisa é amar a pregação, outra coisa é amar as pessoas para quem pregamos.

3. A vocação do Pastor. A vocação para o ministério pastoral é um chamado específico de Deus, conjugado por uma necessidade urgente e uma capacitação especial. Há muitos pastores que jamais foram chamados por Deus para o ministério. Eles são voluntários, mas não vocacionados. Entraram pelos portais do ministério por influências externas, e não por um chamado interno e eficaz do Espírito Santo. Foram motivados pela sedução do status ministerial ou foram movidos pelo glamour da liderança pastoral, mas jamais foram separados por Deus para esse mister.


Há aqueles que entram no ministério com a motivação errada. Abraçam o ministério por causa do lucro; outros, por causa da fama. Outros ainda, por acomodação. Há aqueles que tentam vestibular para medicina, direito, engenharia e, por não lograrem êxito, chegam à conclusão de que Deus os está chamando para o ministério. Mas, vocação é quando você tem todas as outras portas abertas, mas só consegue enxergar a porta do ministério. Vocação é como algemas invisíveis; você não pode fugir permanentemente desse chamado.
O profeta Jeremias tentou desistir do seu ministério, mas isso foi como fogo em seus ossos. Paulo diz que aquele que aspira ao episcopado, excelente obra almeja (1Tm 3:1).

O pastoreado é uma obra, e uma obra excelente. Não é uma obra para gente preguiçosa, mas uma obra que exige todo esforço, todo empenho e todo zelo.

Há pastores que estão mais interessados no dinheiro das ovelhas do que na salvação delas. Há pastores que negociam o ministério, mercadejam a Palavra e transformam a igreja em um negócio lucrativo. Há pastores que organizam igrejas como uma empresa particular, onde prevalece o nepotismo. Transformam o púlpito em uma praça de negócios, e os crentes em consumidores. São obreiros fraudulentos, gananciosos, avarentos e enganadores. São amantes do dinheiro e estão embriagados pela sedução da riqueza. Há pastores que mudam a mensagem para auferir lucros. Pregam prosperidade e enganam o povo com mensagens tendenciosas para abastecer a si mesmos.


Hoje estamos assistindo ao fenômeno da mercadologia da fé. Pastores e mais pastores estão se desvinculando da estrutura eclesiástica e rompendo com suas denominações para criar ministérios particulares, em que o líder se torna o dono da igreja. A igreja passa a ser uma propriedade particular do pastor. O ministério da igreja torna-se um governo dinástico, em que a esposa é ordenada, e os filhos são sucessores imediatos. Não duvidamos de que Deus chame alguns para o ministério específico em que toda a família esteja envolvida e engajada no projeto, mas a multiplicação indiscriminada desse modelo é deveras preocupante. Estamos vivemos uma época parecida com a de Jeremias. Deus abominou as atitudes dos pastores de Israel e, certamente, aborrece as atitudes mercenárias de inúmeros pastores dos dias de hoje que ludibriam o rebanho com falsas mensagens e mentiras.

II. OS PASTORES DE ISRAEL

No período do Antigo Testamento, todos os que tinham responsabilidades de lideranças, como os profetas, os sacerdotes e os reis, eram considerados pastores do povo de Israel. Quanto ao Rei, a sua missão era aconselhar e guiar o povo de Deus (1Sm 9:16; ler Dt17:14-20); quanto ao Sacerdote, sua missão era santificar o povo, oferecer sacrifícios pelo povo e interceder pelos transgressores (Hb 5:1-3; ler Lv 10:8-11; 16; 21:1-24); quanto ao Profeta, sua missão era preservar o conhecimento e manifestar a vontade do único e verdadeiro Deus (Ez 2:1-10; ler Dt 18:20-22).

Uma vez o povo instalado em Canaã esses líderes foram infiéis à missão que Deus lhes entregou; maltrataram, em vez de cuidarem das ovelhas do Senhor. Deus ficava furioso com esses pastores relapsos e pedia-lhes severas contas pelo sofrimento que infligiam às ovelhas que lhes confiou.

Veja a bela declaração de amor do Pastor apaixonado por suas ovelhas, descrita por Jeremias no capítulo 23:1-6. Veja também Ezequiel 34:2-31. Em nome deste amor, Deus se indigna contra os pastores que não respeitam as ovelhas que lhe foram confiadas. Não as respeitam porque não as amavam -1. Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor. 2. Portanto, assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e delas não cuidastes; eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas ações, diz o Senhor. 3. E eu mesmo recolherei o resto das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão e se multiplicarão. 4. E levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e nunca mais temerão, nem se assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o Senhor”(Jr 23:1-4).


Deus falou aos líderes de Judá que eles eram culpados de negligenciar e maltratar o rebanho dele. Preste atenção nos verbos que ele usa para descrever a conduta destes pastores: destruir, dispersar, afugentar e não cuidar. Pastores devem juntar, alimentar, cuidar, guiar e proteger. Mas, os pastores de Israel faziam tudo ao contrário! Uma coisa marcante neste parágrafo é a maneira que Deus fala do rebanho. Ele o descreve como “o meu povo”, “as ovelhas do meu pasto” e “as minhas ovelhas”. A linguagem dele mostra o problema raiz do comportamento errado dos líderes. Eles não amavam o povo como Deus o amava! Para eles, ser pastor era uma posição de destaque, honra e privilégio. Para Deus, ser pastor era uma posição de responsabilidade, sacrifício e amor.


Hoje, ainda há muitos que olham para o cargo de pastor como uma posição de honra a ser cobiçada. Buscam o destaque e desejam a honra diante dos homens. Ao invés de agir humildemente como pastores no rebanho local (veja 1Pedro 5:1-3), apresentam-se em todo lugar com o “título” de pastor. Em outras palavras, “Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens” (Mt 23:6-7). Tais pastores não cuidam do rebanho como devem.


Veja, também, o que Deus diz através do profeta Ezequiel contra os pastores infiéis de Israel, isto é, seus reis, sacerdotes e profetas: 2. Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores: Assim diz o Senhor Jeová: Aí dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? 3. Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. 4. A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. 5. Assim, se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam. 6. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque” (Ez 34:2-6).


Nota-se que as palavras do Senhor dirigidas aos líderes de Israel são de condenação absoluta desde o começo: "Ai dos pastores de Israel". Aqueles homens achavam que as posições que ocupavam eram tão dignificadas que os tornavam, automaticamente, isentos e imunes a toda e qualquer forma de crítica. Não entendiam que as posições que ocupavam, bem como as funções executadas por eles, realmente, não os isentavam de ter que admitir seus erros, de ter que confessar seus pecados e de sofrer as graves consequências dos juízos de Deus, caso não se arrependessem. Estas palavras, realmente duras da parte do Senhor, são motivadas pelo fato de que os pastores não são "donos" do rebanho de Deus e por este motivo não podem tratar o rebanho de Deus de qualquer maneira e de forma abusiva. Pastores, como diz o apóstolo Pedro, não passam de cooperadores submetidos ao Senhor Jesus que é chamado de Supremo Pastor (ver 1Pedro 5:4).


Deus, certamente, tratará com firmeza aqueles que não viverem à altura dos compromissos assumidos como pastores e servos a serviço do povo de Deus. Ele diz: “Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor” (Jr 23:1). Porque somos ovelhas do pasto do Senhor, e Ele se mostra aborrecido quando somos maltratados por aqueles que deveriam realmente cuidar de nós.

III. ISRAEL FOI DESTRUÍDO POR LHE FALTAR VERDADEIROS PASTORES

A denúncia de Jeremias, no capítulo 23, dos maus pastores é uma predição do fim da nação de Judá, pois os líderes são aqueles que conduziram a nação a esse lugar de destruição. Eles, ao invés de anunciarem ao povo a Palavra de Deus, e conduzi-lo de conformidade com os preceitos divinos, desviaram-no com suas mentiras e falsidades.


Nota-se através dos versículos 9 a 10 que Jeremias sentiu-se esmagado com o que estava acontecendo dentre os líderes religiosos dos seus dias: “O meu coração está quebrantado dentro de mim; todos os meus ossos estremecem; sou como um homem embriagado” (23:9). Apesar da maldição da seca com suas consequentes catástrofes, o povo era flagrantemente imoral - “A terra está cheia de adultério” (23:10). Quando o profeta viu essas condições à luz do caráter de Deus e sua Palavra santa, ele foi dominado por tristeza e dor.
Jeremias não perde tempo para chegar à verdadeira causa dessa situação: tanto os profetas como os sacerdotes estão contaminados (Jr 23:11). Esses homens que deveriam estar reverenciando a Deus e todas as coisas santas eram culpados de sacrilégio; “até na minha casa achei sua maldade, diz o Senhor”. Eles lidavam com as coisas sagradas de maneira irreverente. Mas Deus não aceita essa falta de temor dos líderes, e lhes diz: “... porque trarei sobre eles mal...” (23:12).


O Reino do Norte tinha sido abertamente apóstata. Em Samaria, os profetas profetizaram da parte de Baal loucamente e fizeram errar o povo de Israel (Jr 23:13), e essa foi a causa principal de Israel ir para o exílio. Mas Judá tinha sobrepujado em muito a Israel em sua maldade. Os profetas em Jerusalém eram culpados dos tipos de pecados mais depravados: “cometeram adultérios, e andam com falsidade... eles têm-se tornado para mim como Sodoma, e os moradores dela, como Gomorra” (Jr 23:14). A capital de Judá era um “sumidouro” de perversidade moral. E, pior de tudo, esses líderes religiosos pareciam permanentemente enraizados em seus caminhos perversos.


A profanação, no entanto, tornou-se a semente de ruína e morte: “o caminho deles será como lugares escorregadios nas trevas” (23:12, NVI). Além do mais, “diz o Senhor [...]: Eis que darei a comer alosna, e lhes farei beber [...] fel” (23:15). Essa é a forma bíblica de dizer que seu fim será repleto de desgraça e pesar.

Mas, nas suas declarações em relação ao fim da nação, o profeta também nos apresenta um vislumbre do que vem “após o juízo”. Ele parece dar por certo que o propósito redentor de Deus no juízo será cumprido e que um dia melhor está por vir. Deus não se limita a julgar os maus pastores, mas diz que Ele mesmo recolherá o resto das suas ovelhas que haviam sido afugentadas para outros lugares, faria com que frutificassem e lhes daria pastores responsáveis. Isso porque Deus é o maior interessado em sua obra e em suas ovelhas. Há os pastores chamados e os chamados pastores, e o Senhor conhece na liderança quem é quem. Ele deu pastores à Igreja, que devem cuidar do rebanho não como se fossem seu, mas do Senhor, e devem conduzi-lo de acordo com as Sagradas Escrituras, levando a Igreja a uma vida de santificação e de pureza.


IV. OS DEVERES DAS OVELHAS

Pastores qualificados e dedicados merecem o respeito e apoio das ovelhas por eles guiadas. Paulo disse: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1Tm 5:17). O autor de Hebreus nos ensina: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hb 13:17). Portanto, homens fiéis que amam a Deus e aceitam a responsabilidade de ajudar seus irmãos chegarem ao céu devem ser tratados com respeito e apreço.


CONCLUSÃO


As ovelhas do Senhor devem ser bem cuidadas, adequadamente alimentadas e diligentemente protegidas. Elas foram compradas com o próprio sangue de Cristo. Desta feita, elas são de imensurável valor, e não podem ficar expostas a nenhum capricho ou descuidos de quem quer que seja. O apóstolo Paulo adverte a todos os pastores que lideram o rebanho do Senhor: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (Atos 20:28). Jesus nos deixou um grande exemplo. O seu cuidado pastoral é extremo, a ponto de dar a sua vida por nós. Ele disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10b).

 

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