sexta-feira, 6 de março de 2026

TEMPOS DE CRISE, DEUS MOSTRA A SUA FACE

 


TEMPOS DE CRISE, DEUS MOSTRA A SUA FACE

Texto Bíblico: Neemias 1:1-11

"E disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo, e o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo"(Ne 1:3).

A história de Neemias no capítulo 1 é um estudo fascinante sobre como a liderança equilibrada e a fé profunda operam em momentos de caos. Neemias não era um sacerdote ou um profeta, mas um leigo (o copeiro do rei Artaxerxes) que se tornou o catalisador de uma restauração nacional.

Aqui está uma análise de como a crise se manifestou e como a providência divina começou a agir:

1. O Choque da Realidade (A Crise Exposta)

A crise em Neemias 1 não é apenas estrutural, é moral e emocional. Quando Hanani traz as notícias de Jerusalém, o cenário é desolador:

  • Muros derrubados: A cidade estava indefesa contra-ataques.
  • Portas queimadas: Símbolo de uma cidade sem governo e sem honra.
  • Povo em miséria: Os sobreviventes viviam em constante humilhação.

O Insight de Neemias: Ele entendeu que muros caídos eram apenas o sintoma; o problema real era o afastamento espiritual do povo.

2. A Resposta da Fé: O Tripé de Neemias

Antes de pegar em ferramentas, Neemias recorreu a três atitudes que abriram caminho para a providência de Deus:

A. Empatia e Lamento

Neemias não ignorou a dor. O texto diz que ele "sentou-se, chorou e lamentou por alguns dias". A providência de Deus muitas vezes começa com um coração que se permite sentir a carga da crise.

B. O Jejum como Estratégia

O jejum foi a forma de Neemias dizer que a solução não viria do palácio da Pérsia, mas do trono do céu. Ele buscou clareza antes de buscar recursos.

C. A Oração de Identificação

Diferente de quem aponta o dedo, Neemias se incluiu no erro. Ele orou: "Eu e a casa de meu pai pecamos". Ele não pediu que Deus mudasse as circunstâncias, mas que Deus o usasse para ser a mudança.

3. A Providência de Deus nos Detalhes

A providência divina em Neemias 1 não aparece como um milagre sobrenatural visível (como o mar se abrindo), mas como uma preparação silenciosa:

Elemento da Providência

Descrição

O Posicionamento

Deus colocou Neemias como copeiro do rei, a posição de maior confiança no império.

O "Timing"

Neemias esperou meses (de Quisleu a Nisã) em oração, permitindo que Deus preparasse o coração do rei e o seu próprio plano.

A Resposta Interna

Deus deu a Neemias a coragem de pedir, algo que poderia custar sua vida (aparecer triste diante do rei era proibido).

Reflexão: O Propósito da Reconstrução

Para Neemias, reconstruir os muros não era apenas sobre engenharia civil; era sobre remover o descaso. A providência de Deus se manifesta quando alguém decide que a situação atual é inaceitável e se coloca à disposição para ser o instrumento da restauração.

Neemias termina o capítulo 1 com um pedido específico: "Concede hoje sucesso a este teu servo e dá-lhe favor diante desse homem" (o rei). Ele sabia que a mão de Deus agiria através da mão do homem.


INTRODUÇÃO
Estudaremos “Neemias, integridade e coragem em tempos de crise”. Vamos estudar a vida, a obra e o ministério de Neemias. Como líder, ele enfrentou um tempo de crise espiritual e moral. Foi um homem extraordinário, usado por Deus na reconstrução dos muros de Jerusalém, quando Israel encontrava-se no cativeiro, e uma parte da nação tentava sobreviver e reconstruir a cidade que um dia fora orgulho do povo hebreu. Era um tempo de crise geral, consequência da desobediência a Deus. Deus havia advertido ao seu povo a que não segue os costumes dos outros povos, adorando seus deuses e desviando-se do verdadeiro Deus. Todavia, não seguiu as ordens divinas, e pagou o preço de sua desobediência. Mas Deus não se esqueceu do Seu povo. Ele utilizaria a pessoa de Neemias para restaurar a cidade de Jerusalém e deixá-la pronta para o retorno dos exilados.
O exemplo de Neemias é de um tempo muito longínquo, de milênios atrás, mas seu exemplo é de grande valor para a igreja do Senhor Jesus Cristo. Estamos percebendo uma escassez de nomes de peso na liderança na obra do Senhor. Ela nos conclama a espelhar-nos na vida, exemplo e testemunho de líderes como Neemias.


A Igreja do Senhor Jesus está vivendo, certamente, o momento mais difícil de sua história. As forças do mal querem amordaçá-la. Como destruí-la é impossível, os inimigos querem silenciá-la. Mas, confiamos no Líder Maior, que é o Senhor e Salvador Jesus Cristo, que dará vitória ao Seu povo.


I. A CRISE EM JERUSALÉM


O povo voltou para Jerusalém, mas a restauração ainda não havia acontecido. O Templo, a cidade e o povo estavam debaixo de grande miséria e opróbrio. Jerusalém estava em plena crise.
Neemias recebeu a visita de Hanani na cidadela de Susã, a residência de inverno dos reis persas, no ano 444 a.C, no vigésimo ano de Artaxerxes I (464-423), ou seja, treze anos depois de Esdras subir a Jerusalém, e 142 anos depois do cativeiro babilônico (Ed 7:7). Essa visita de Hanani foi providencial. A partir dela um novo horizonte se abriu na vida de Neemias e um novo futuro chegou para a cidade de Jerusalém. Aquele foi o kairós de Deus, o tempo da oportunidade. E Neemias não perdeu a oportunidade dada por Deus de restaurar a cidade dos seus pais.


1. Aspectos da crise em Jerusalém. A feição da crise é tenebrosa, amedrontadora. Ela se acomoda com maior incidência nos mais fracos e nos desvalidos. Para combatê-la é necessário conhecer bem a sua causa. A seguir, apresentamos alguns aspectos da crise em Jerusalém na época de Neemias.


a) Insegurança pública. Hanani disse a Neemias:
 "[...] os muros de Jerusalém estão derribados" (1:3). A cidade estava desguarnecida, o povo estava sem defesa; não havia segurança; os invasores podiam entrar a qualquer hora. Um povo sem segurança sente-se vulnerável e ameaçado.

Esse é o maior problema das grandes cidades hoje. Vivemos sob o espectro do medo. Trancamo-nos dentro de casa e temos medo de sair às ruas. Há violência, arrombamentos, assaltos e sequestros. Nossas cidades estão se transformando num campo de sangue, num anfiteatro onde tombam as vítimas indefesas da criminalidade incontrolável. Nossas cidades estão sem muros e entregues ao furor de hordas de criminosos.

b) Injustiça social. Disse ainda Hanani: "[...] e as suas portas, queimadas" (1:3). Os juízes que julgavam as causas do povo ficavam junto às portas da cidade. Com suas portas queimadas, Jerusalém estava desassistida do braço repressor da lei, desprovida da ação do ministério público e sem o ministério vital dos juízes. O judiciário estava falido. Campeavam a corrupção e o desmando. Não havia lei, nem justiça.

A sociedade se desespera quando a justiça é torcida e quando aqueles que a aplicam se corrompem. O povo fica com a esperança morta quando aqueles que deviam ser os guardiões da lei mancomunam-se com esquemas criminosos para praticarem toda sorte de injustiça. As portas das nossas cidades também estão queimadas. Não somente estamos expostos às gangues do narcotráfico, aos esquemas mafiosos dos crimes de mando, aos ataques cada vez mais violentos daqueles que zombam do valor da vida e ceifam os inocentes sem que estes ofereçam resistência, mas também estamos assombrados com o conluio criminoso dos poderes constituídos, com essas forças ocultas do mal que espalham o pavor e se embriagam com o sangue da nossa gente. A tragédia que se abateu sobre Jerusalém no passado é uma dolorosa realidade também dos nossos dias.

c) Pobreza. Hanani concluiu seu relato: "Os restantes, que não foram levados para o cativeiro e se acham lá na província, estão em grande miséria..." (1:3). O povo judeu tinha voltado para Jerusalém. Cento e vinte anos haviam se passado desde que foram levados para a Babilônia, mas a pobreza ainda assolava o povo. Viviam no meio de escombros. Eles perderam o ânimo para lutar. Viviam oprimidos pelos seus inimigos. Cada um corria atrás da sua própria sobrevivência e, assim, o povo perdeu a noção de cidadania. Um povo achatado pela opressão política, esmagado sob a bota cruel da pobreza, capitula e enfrenta o maior de todos os naufrágios: o naufrágio da esperança.

d) Desprezo. Hananias conclui, dizendo: "... e desprezo" (1:3). Além de viverem numa cidade sem segurança e sem justiça; além de estarem golpeados pela pobreza, eram também ultrajados pelo desprezo. Era um povo esquecido, abandonado à sua sorte.

Maior do que a dor da pobreza é a dor do abandono. O povo estava desassistido e ainda encurralado pelos inimigos. Muitos vivem assim ainda hoje. O desprezo não dói apenas no bolso e no estômago, mas, sobretudo, na alma. Ele atinge o âmago, o íntimo. Ele tenta destruir o homem de dentro para fora.

2. Antecedentes históricos. Com a morte de Salomão, em 931 a.C, o reino de Israel foi dividido. O Reino do Norte teve dezenove reis e oito dinastias. Em um período de 209 anos, nenhum desses reis buscou a Deus, sendo todos rebeldes. Deus enviou-lhes profetas, mas os nobres e o povo não se arrependeram. Então, Deus enviou o “chicote” e os entregou nas mãos da Assíria, em 722 a.C. Eles foram levados cativos e nunca foram restaurados.
O Reino do Sul teve vinte reis na mesma dinastia davídica. Judá não aprendeu a lição do Reino do Norte e também começou a se desviar de Deus. Os reis taparam os ouvidos à voz profética, prenderam e mataram os profetas. Então, Deus os entregou nas mãos de seus inimigos. Em 586 a.C, veio Nabucodonosor contra Jerusalém, derribou os seus muros e destruiu o Santo Templo. Em seguida, os judeus foram levados cativos para a Babilônia e lá permaneceram setenta anos (Jr 25:11).


O que aconteceu com Israel nos adverte sobre uma nação que afronta o Deus vivo. Maldições, cativeiro e miséria são o resultado de um comportamento que escarnece a Deus. Nosso país está tomando um rumo perigoso. Os líderes da nação brasileira, em seus variados poderes, estão afrontando e escarnecendo da Lei de Deus. Leis infames e injustas que aprovam o que Deus condena estão tendo o apoio até do Judiciário. Nuvens negras baixam sobre nossa terra. É hora de clamar e orar para que Deus tenha misericórdia de nossa nação.

3. Deus dá o escape. A megalomaníaca Babilônia caiu. Ela confiou na sua grandeza, orgulhou-se de sua pujança e a soberba a levou ao chão. Um novo império se levantou e dominou o mundo: o Império Medo-Persa. A política desse reino era diferente. A Babilônia arrancava os súditos da sua terra e os levava cativos, enquanto, o Império Medo-Persa adotava a política de manter os súditos em seu próprio território. Instigado por Deus, o rei Ciro permite que um grupo de judeus retorne a Jerusalém, a fim de reconstruir os muros da cidade e reerguer o Santo Templo (Dn 8:3; Ed 1:1). Ele cumpre as suas promessas (Jr 29:10-14), mesmo que tenha que usar um ímpio como Ciro (vide Ed 1:1-4; Is 45:1). Sejam quais forem as circunstâncias, Deus dá sempre o escape àqueles que o honram e obedece a sua Palavra.

4. A volta com Zorobabel. De 3 milhões de pessoas que eram, ao sair do Egito, menos de 50 mil retornaram a Jerusalém, com Zorobabel, Esdras e Neemias. Muitos ficaram na Babilônia e não quiseram voltar. A geração que fora para o cativeiro já estava idosa e a que nascera na Babilônia havia se aculturado.

“O povo voltou em três levas: a) Sob a liderança de Zorobabel para reconstruir o Templo; 2) Sob a liderança de Esdras para ensinar a Lei; 3) Sob a liderança de Neemias para reconstruir os muros. Tanto Esdras como Neemias voltaram sob o governo de Artaxerxes I (465-424 a. C). Os judeus que voltaram para Jerusalém foram profundamente influenciados pela fé dos seus pais mesmo no cativeiro. A criação das sinagogas no exílio para o estudo da lei e dos profetas exerceu uma grande influência na inspiração da fé religiosa daqueles que retornaram à Jerusalém(ELLISEN, Stanley A. Conheça melhor o Antigo Testamento).


Os que voltaram enfrentaram a proposta sedutora dos samaritanos para se associarem na reconstrução do Templo. Os judeus rejeitaram a proposta veementemente. Perceberam que os samaritanos não estavam interessados na reconstrução de Jerusalém, mas na destruição do próprio povo judeu (Ed 4:1-3; 2Rs 17:24,33,34). A rejeição foi motivada por sentimentos religiosos e não por preconceito racial (Ed 6:21). A questão não era racismo, mas fidelidade doutrinária.
A rejeição da oferta samaritana provocou forte oposição e a construção do Templo foi paralisada por ordem do rei Artaxerxes (Ed 4:11-21). Mas, com a subida de Dario ao trono, a reforma do Templo foi retomada e concluída (Ed 6). O Santo Templo foi reinaugurado em 516 a. C (Ed 6:13-22).


II. O CHAMADO DE NEEMIAS

1. Quem era Neemias. Três fatos são dignos de destaque a respeito de Neemias:
a) O seu nome (1:1). O nome Neemias significa "aquele que consola". Neemias era um consolador, um homem de coração aberto e sensível aos problemas dos outros. Neemias era um servo de Deus, servindo ao rei da Pérsia e disposto também a servir o seu desprezado povo. Possivelmente, Neemias tenha nascido no cativeiro e tenha crescido num ambiente cercado por influências pagãs. No entanto, mesmo cercado por ambiente hostil, cresceu como um homem comprometido com Deus.

b) Sua ocupação (Ne 1:11). Neemias provavelmente não conhecia Jerusalém. Ele cresceu num contexto de politeísmo. Contudo, por causa de sua integridade, capacidade e lealdade, ocupou um cargo de grande confiança no reinado de Artaxerxes, em Susã, principal palácio e residência de inverno do monarca. Ele era copeiro do rei Artaxerxes.
Pelo grande temor que os reis tinham de ser envenenados, o copeiro era um homem de grande confiança. Ele provava o vinho do rei e cuidava dos seus aposentos. Ele supervisionava toda a alimentação do palácio e, antes de o rei ingerir qualquer bebida, devia tomar o copo, ingerindo-a ele mesmo. Isso tinha por fim demonstrar que nenhuma traição ocorrera e que, portanto, não havia perigo de envenenamento. O rei da Pérsia colocava a vida em suas mãos. Além de copeiro, ele era uma espécie de primeiro-ministro, o braço direito do rei Artaxerxes.


c) Sua empatia (Ne 1:4). Seus ouvidos estavam abertos ao clamor do seu irmão e seu coração profundamente sensível às necessidades do seu povo. Neemias vivia no luxo, mas também vivia de forma piedosa. Ele vivia com Deus e se importava com aqueles que viviam na miséria.

Jerusalém estava a 1.500 km de Susã. Neemias nunca vira antes a cidade dos seus pais, mas ele se importava com ela. Os problemas da cidade eram os seus problemas, a dor da sua gente era a sua dor. Na sua agenda havia espaço para receber aqueles que estavam sofrendo. Era um homem que tinha conhecimento, influência e poder, mas não se afastava daqueles que viviam oprimidos pelo sofrimento. Muitos homens que vivem encastelados no poder aproximam-se do povo apenas para auferir benefícios próprios; correm atrás do povo apenas à cata de votos para depois se locupletarem com lucros abusivos, esquecendo-se deliberadamente daqueles que os guindaram ao poder. Neemias caminha na direção do povo para socorrê-lo e não para explorá-lo.


2. Chamado por Deus. Conquanto o Templo estivesse funcionando conforme as leis levíticas, os muros estavam fendidos “e as suas portas queimadas a fogo” (Ne 1:1-3). Neemias, então, sente o chamado de Deus para deixar o conforto palaciano e viajar a Jerusalém, a fim de reconstruir os muros e as portas da cidade. Isto ocorreu em 444 a. C, 14 anos após a expedição de Esdras a Jerusalém.

Bem disse o pr. Elinaldo Renovato, “Templo sem muros é igreja sem doutrina. E as portas queimadas representam o liberalismo que, infelizmente, predomina em muitas igrejas, facilitando a entrada de costumes mundanos entre os santos”.


Portanto, cumprir os propósitos de Deus é mais importante do que viver encastelado no nosso próprio conforto. Por isso, Neemias deixou sua zona de conforto, o palácio de Artaxerxes, e foi reconstruir os muros caídos de Jerusalém. O reverendo Hernandes Dias Lopes escreveu: “O verdadeiro líder é aquele que renuncia ao seu conforto pessoal para lutar pelas causas do seu povo ainda que isso lhe custe a própria vida. O verdadeiro líder compreende que se um ideal é maior do que a vida, vale a pena dar a vida pelo ideal”.
O grande esportista londrino Charles Studd, ao ser questionado sobre as razões de ter abdicado da sua riqueza e sucesso para ser missionário, respondeu: "Se Jesus Cristo é Deus e morreu por mim, então nenhum sacrifício que eu faça por Ele pode ser grande demais". Moisés, Ester, Davi, Neemias e Paulo aprenderam o que é viver para realizar os propósitos do coração de Deus. E nós? Certamente, melhor do que realizar os nossos próprios “sonhos” é cumprir o soberano projeto de Deus.


3. Orando em tempos de crise – “... assentei-me e chorei” (Ne 1:4). Ao tomar conhecimento da situação lastimável do seu povo (que estavam em grande miséria e desprezo), em Jerusalém, e das condições do muro (fendido) e das portas da cidade (queimadas a fogo), Neemias derrama a sua alma em fervente oração (ler Ne 1:4-11); oração essa que foi regada com abundantes lágrimas; não somente com lágrimas, mas, também, com jejum, lamento, adoração e confissão. Em tempo de crise, não há modelo melhor a seguir pelo um líder responsável do que este.


Neemias sempre foi um homem muito ocupado, mas não tão ocupado a ponto de não ter tempo para Deus. Você encontrará dez de suas orações no livro de Neemias (1:4s; 2:4; 4:4; 5:19; 6:9,14; 13:14,22,29,31). Sua confiança estava no Todo-poderoso que ouve a atende as nossas orações.


Um dos truques do diabo é manter-nos tão ocupados que não encontramos tempo para orar. Se Neemias não fosse um homem de oração, o futuro de Jerusalém teria sido outro. A força da oração é maior do que qualquer combinação de esforços na terra. A oração move o céu, aciona o braço onipotente de Deus, desencadeia grandes intervenções de Deus na história. Quando o homem trabalha, o homem trabalha, mas quando o homem ora, Deus trabalha.


III. A INTERCESSÃO DE NEEMIAS


Neemias começa seu ministério orando. Sua oração é uma das mais significativas registradas na Bíblia. Vemos nela os elementos da adoração, petição, confissão e intercessão. Como consolador, Neemias viveu perto das pessoas; como intercessor, perto de Deus.

Um intercessor é alguém que se levanta diante do trono de Deus a favor de alguém. Esquilos foi condenado à morte pelos atenienses e estava para ser executado. Seu irmão Amintasherói de guerra, tinha perdido a mão direita na batalha de Salamis, defendendo os atenienses. Ele entrou na corte, exatamente na hora que seu irmão estava para ser condenado e, sem dizer uma palavra, levantou o braço direito sem mão na presença de todos. Os historiadores dizem que quando os juízes viram as marcas do seu sofrimento no campo de batalha e relembraram o que ele tinha feito por Atenas, por amor a ele, perdoaram o seu irmão.


1. Ele adorou a Deus. Um intercessor aproxima-se de Deus com um profundo senso de reverência. Neemias começa a sua intercessão adorando a Deus - "Ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e temível..." (v. 5). Neemias entende que Deus é o governador do mundo. Ele focaliza sua atenção na grandeza de Deus, antes de pensar na enormidade do seu problema. Um intercessor aproxima-se de Deus sabendo que Ele é soberano, onipotente, diante de quem precisamos nos curvar cheios de temor e reverência.


2. Ele intercedeu por seu povo "Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos..." (1:6). Um intercessor é alguém que se coloca na brecha a favor de alguém. Ele sente a dor dos outros em sua própria pele. Um egoísta jamais será um intercessor. Só aqueles que têm compaixão podem sentir na pele a dor dos outros e levá-la ao trono da graça. Neemias chorou, lamentou, orou e jejuou durante quatro meses pela causa do seu povo. Muitas vezes, começamos a interceder por uma causa e logo a abandonamos. Neemias, porém, orou 120 dias com choro, com jejum, dia e noite. Ele insistiu com Deus. Sua oração foi persistente e fervorosa.


3. Ele fez confissão de pecados (Ne 1:6b). Neemias orou: "[...] e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado". Neemias não ficou culpando o povo, mas identificou-se com ele. Um intercessor não é um acusador, jamais aponta o dedo para os outros, antes, levanta as mãos para o céu em fervente oração.

Um intercessor faz confissões específicas. Muitas confissões são genéricas e inespecíficas, por isso sem convicção de pecado e sem quebrantamento. Neemias foi específico: "Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo" (1:7). Para que a oração tenha efeito, precisa ser acompanhada de confissão. Quem confessa seus pecados e os deixa alcança misericórdia (Pv 28:13).



4. Um intercessor ora e age. Os homens práticos são aqueles que oram e agem. Oração sem ação é fanatismo; ação sem oração é presunção. Neemias orou, jejuou, lamentou e chorou por 120 dias. Ele colocou essa causa diante de Deus, mas também colocou a mesma causa diante do rei. Neemias ora e toma medidas práticas: vai ao rei, informa-o sobre a condição do seu povo, faz pedido, pede cartas, verifica o problema, mobiliza o povo e triunfa sobre dificuldades e oposição.

Neemias compreende que o maior rei da terra está debaixo da autoridade e do poder do Rei dos reis. Neemias compreende que o mais poderoso monarca da terra é apenas um homem. Ele sabe que só Deus pode inclinar o coração do rei para atender ao seu pedido. Neemias compreende que a melhor maneira de influenciar os poderosos da terra é ter a ajuda do Deus todo-poderoso. Ele vai ao rei confiado no Rei dos reis. Ele conjuga oração e açãoPela oração de Neemias um obstáculo aparentemente intransponível foi reduzido a proporções domináveis. O coração do rei se abriu, os muros foram levantados e a cidade reconstruída. A oração abre os olhos para coisas antes não vistas. Nossas orações diárias diminuem nossas preocupações diárias.


CONCLUSÃO
Neemias ergue-se como um dos maiores modelos do mundo de um líder servo. Ele continua sendo uma referência depois de mais de dois mil anos de como exercer a liderança no centro da vontade de Deus. Ele “foi um líder que orava e agia, que falava e fazia, que planejava e motivava, que confrontava e consolava, que buscava a glória de Deus e o bem do povo e não sua própria promoção. Sua vida é um exemplo, sua liderança é um estandarte, seu trabalho é um monumento. A poeira do tempo não pode apagar seus feitos. Sua abnegação e coragem são tônicos que ainda fortalecem os braços de muitos líderes. Sua piedade e engenho administrativo são faróis que alumiam a estrada daqueles que abraçam a vida pública. Sua compaixão e lágrimas pelos desassistidos de esperança são bálsamo que aliviam as feridas de muitos peregrinos. Suas orações e zelo pela verdade balizam o caminho de muitos embaixadores de Deus na História” (Dias Lopes, Hernandes – Neemias – O líder que restaurou uma nação).

Seu modelo de liderança é apropriado, oportuno e necessário nestes dias, pois atravessamos uma crise profunda de liderança no orbe evangélico e até mesmo familiar. Estamos vivendo uma epidêmica crise de identidade, em que as palavras "cristão" e "evangélico" em muito se esvaziaram de seu real significado. Nossa oração é que Deus levante líderes destemidos e comprometidos com os valores do reino de Deus; que promovam a unidade e união do povo de Deus; que sejam desprovidos de interesses egoístas; líderes de oração e de ação; líderes que promovam a restauração moral e espiritual de nossa gente. Amém!

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

JESUS CRISTO, UM CARÁTER EXEMPLAR

 


JESUS CRISTO, UM CARÁTER EXEMPLAR

Texto Bíblico: Mateus 1:18, 21-23; 3:16,17

"[...] E o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Is.9:6).

Um estudo sobre o Caráter e os Atributos de Jesus é mergulhar no coração do Cristianismo. Jesus não é apenas um mestre moral; Ele é a "expressão exata" do ser de Deus (Hebreus 1:3).

1. A Natureza de Jesus: O Mistério da Encarnação

Antes de olharmos para o que Ele fez, precisamos entender quem Ele é. A teologia chama isso de União Hipostática: Jesus é 100% Deus e 100% Homem.

  • Sua Divindade: Ele é eterno. Em João 8:58, Ele afirma: "Antes que Abraão existisse, Eu Sou". Ele possui atributos comunicáveis de Deus, como o poder de perdoar pecados e a autoridade sobre a natureza.
  • Sua Humanidade: Ele sentiu fome, cansaço, tristeza e dor física. Isso o torna o Sumo Sacerdote perfeito, capaz de se compadecer de nossas fraquezas (Hebreus 4:15).

 2. Atributos de Caráter (O Coração de Cristo)

O caráter de Jesus é o padrão de santidade para todo cristão. Ele equilibra perfeitamente virtudes que, em nós, costumam ser opostas.

A. Humildade Radical

Diferente dos líderes mundiais, Jesus expressou Sua grandeza através do serviço. O Criador do universo lavando os pés sujos dos discípulos (João 13) é a imagem máxima dessa entrega.

  • Referência: Filipenses 2:5-8.

B. Compaixão Ativa

A compaixão de Jesus nunca foi apenas um sentimento; ela sempre gerava uma ação. Ele via a multidão "como ovelhas sem pastor" e os alimentava, curava e ensinava.

  • Referência: Mateus 9:36.

C. Zelo e Verdade

Jesus era manso, mas não conivente com o erro. Ele confrontou a hipocrisia religiosa dos fariseus e purificou o templo. Nele, a Graça e a Verdade caminham juntas (João 1:14).

3. Jesus como o Cumprimento dos Ofícios

No Antigo Testamento, Deus se comunicava através de três figuras. Jesus assume todas elas com perfeição:

Ofício

Papel de Jesus

Referência

Profeta

Ele é a própria Palavra de Deus encarnada, revelando a vontade do Pai.

João 12:49

Sacerdo-te

Ele não oferece um animal; Ele oferece a si mesmo como sacrifício final.

Hebreus 7:24-25

Rei

Ele governa um Reino que não é deste mundo, baseado em justiça e paz.

Apocalipse 19:16

 

 INTRODUÇÃO

Estudaremos a respeito do Homem mais importante que já esteve aqui neste mundo – Jesus Cristo, o Senhor. Sua vinda a este mundo ocorreu de forma sobrenatural; foi tão significativa e marcante que a história da humanidade foi dividida em duas partes: antes e depois de Cristo. Sua encarnação não somente significou Deus entre nós, o Emanuel (Mt.1:23), mas o cumprimento da promessa do Criador de redimir o homem da queda; Ele se humanizou como "a semente da mulher" que haveria de ferir a cabeça do Diabo (Gn.3:15). Como Homem, Jesus teve um desenvolvimento e um caráter perfeito que refletia a sua natureza divina. Ele viveu como qualquer judeu de sua época: foi apresentado no Templo por seus pais; participou das festas judaicas; trabalhou como carpinteiro; pagou impostos e teve uma vida sociável, indo a jantares na casa dos amigos e a festa de casamento. Por isso, Jesus deve ser nosso modelo e referência como Homem impecável e servo obediente. Que possamos seguir sempre os seus passos, glorificando o seu nome.

I. JESUS DE NAZARÉ, O FILHO DO HOMEM


1. Sua entrada no mundo. Sua entrada no mundo não teve a participação da semente do homem, mas da mulher, como estava vaticinada nas Escrituras Sagradas (Gn.3:15). A Sua concepção foi virginal. Isaias, setecentos anos antes de Cristo nascer, assim profetizou: “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is.7:14). Maria concebeu, sem que conhecesse varão. Diz a Bíblia que o anjo Gabriel foi o enviado especial da parte de Deus à cidade de Nazaré, "a uma virgem", cujo nome era "Maria" (Lc.1:26,27). O Deus Filho tornou-se humano por meio de uma concepção milagrosa, operada pelo Espírito Santo no útero de Maria.

 

A concepção de Jesus, portanto, não foi por meios naturais, mas sobrenaturais, daí o anjo afirmar para Maria: “o santo que de ti há de nascer, será chamado filho de Deus” (Lc.1:35). Por isso, Jesus Cristo nos é revelado como uma só Pessoa com duas naturezas: divina e humana, mas inculpável. Como humano, Jesus se compadece das fraquezas do ser humano (Hb.4:15,16); como o divino Filho de Deus, Ele tem poder para libertar o ser humano da escravidão do pecado e do poder de satanás (At.26:18; Cl.2:15; Hb.2:14,15; 7:25); como Ser Divino e também Homem impecável, Ele preenche os requisitos como sacrifício pelos pecados de cada um de nós; como Sumo Sacerdote, preenche os requisitos para interceder por todos os que por ele aproximam-se de Deus (Hb.2:9-18; 5:1-9;7:24-28;10:4-12).

É interessante observar, portanto, que a vinda de Jesus por obra e graça do Espírito Santo, em momento algum, pode ser usada como argumento para negar a sua humanidade, porquanto sua concepção virginal teve o propósito de fazê-lo entrar no mundo do mesmo modo que Adão, numa natureza sem pecado, ainda que humana, a fim de que pudesse vencer o mundo e o pecado, e, por conseguinte, garantir a salvação de toda aquele que nele crer (João 3:16).

2. Por que Deus tornou-se Homem?  Jesus se fez homem para remir o homem perdido, através do mistério da encarnação. Ele veio para morrer, como homem sem pecado, pelo pecado dos homens, para se entregar como sacrifício por eles, por uma humanidade que tinha caído através do primeiro homem, Adão. Agora, os homens podem ser salvos por Ele. Tornar-se homem em Jesus foi a única possibilidade de Deus resgatar um mundo perdido - Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3:17). Diz Paulo: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos" (Gl.4:4,5).

Jesus, integrante da Trindade, adicionou a si mesmo uma natureza humana, e se tornou um homem, um Homem Perfeito. A Bíblia diz que Jesus é Deus encarnado - "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus…E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós..." (João 1:1,14); e "porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade,"(Cl.2:9). Jesus, portanto, tem duas naturezas: Ele é Deus e Homem imaculado (1Pd.2:22). Jesus é completamente humano, mas Ele também tem uma natureza divina, visto que Ele foi gerado por obra e graça do Espírito Santo (Lc.1:30,31; 34,35). Ao ser concebido, Jesus se fez Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.

 

COMO DEUS

COMO HOMEM

Ele é adorado (Mt.2:2,11; 14:33; 28:9).

Ele adorava ao Pai (João 17).

As pessoas oram para ele (Atos 7:59; 1Co.1:2).

Ele orava ao Pai (João 17:1).

Ele é chamado de Deus (João 20:28; Hb.1:8).

Ele foi chamado de homem (Mc.15:39; João 19:5).

Ele é chamado de Filho de Deus (Mc.1:1).

Ele foi chamado de Filho do Homem (João 19:35-37).

Ele não tem pecado (1Pd.2:22; Hb.4:15).

Ele foi tentado (Mt.4:1).

Ele sabia de todas as coisas (João 21:17).

Ele cresceu em sabedoria (Lc.2:52).

Ele dá a vida eterna (João 10:28).

Ele morreu (Rm.5:8).

Toda a plenitude da divindade habita nele (Cl.2:9).

Ele teve um corpo de carne e ossos (Lc.24:39).

 


3. Jesus é Deus.  A primeira informação que as Escrituras nos trazem a respeito de Jesus é a de que Ele é Deus, é uma das Pessoas Divinas, o Filho. O apóstolo João, ao escrever o seu evangelho, deixa-nos isto bem claro ao afirmar que “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (João 1:1), numa afirmação tão clarividente que tem, mesmo, tirado o sono de todos quantos procuram negar esta verdade bíblica, como é o caso das “Testemunhas de Jeová”. Para que não houvesse qualquer dúvida de quem era este Verbo a que João se referia, o próprio evangelista no-lo diz no versículo 14 deste mesmo capítulo: “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.

 

Jesus é o Verbo eterno. Ele preexiste à criação. Ele não teve origem, pois é da mesma substância do Pai e do Espírito Santo. Antes que todas as coisas viessem a existir, Ele já existia eternamente em comunhão com o Pai e com o Espírito Santo. Mesmo se fazendo Homem, não deixou de ser Deus. Ele não abdicou de sua divindade ao tabernacular-se entre nós.

Jesus não foi a primeira criação de Deus como ensinava Ário de Alexandria no século quarto e como prega ainda hoje algumas seitas heréticas, como, por exemplo, “as Testemunhas de Jeová”. Na verdade, Jesus é coigual, coeterno e consubstancial com o Pai. Ele é autoexistente e imutável. Ele e o Pai são um. Jesus tem os atributos da divindade: ele é o Criador e sustentador da vida. Ele conhece todas as coisas e pode todas as coisas. Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Ele foi e é adorado como Deus. Ele reivindicou ser adorado como Deus. Ele realizou obras milagrosas como Deus. Sua vida, seus ensinos e suas obras provam, de forma irrefutável, sua divindade.

Portanto, Jesus é Deus desde a eternidade. Esteve envolvido no ato da criação, indicando que já existia antes dela. Paulo confirma a sua atuação criadora: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra...Tudo foi criado por ele e para ele” (Cl.1:16); João 1:3 diz que “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. De acordo com João 10:30 e 17:5, Cristo afirmou possuir a mesma natureza de Deus e glória igual a de Deus.

 

4. Jesus, o Filho do Homem. O termo “Filho do Homem” tem dois significados nas Escrituras Sagradas. O primeiro significado é usado em referência à profecia de Daniel 7:13-14; é um título Messiânico - "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído". Jesus é o único a quem foi dado domínio, glória e o reino. Quando Jesus usou esse termo em referência a Si mesmo, Ele estava atribuindo a profecia do “Filho do Homem” a Si mesmo. Ele estava proclamando ser o Messias. Os judeus daquela época com certeza estariam bem familiarizados com o termo e a quem se referia.

O segundo significado para o termo "Filho do Homem" é que Jesus realmente era um ser humano. Deus chamou o profeta Ezequiel de "filho do homem" diversas vezes no Livro de Ezequiel. Disse Deus: “E disse-me: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo” (Ez.2:1). Deus estava simplesmente chamando Ezequiel de um ser humano. Um filho do homem é um homem. Jesus era 100% Deus (João 1:1), mas Ele também era um ser humano (João 1:14). 1João 4:2 nos diz: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus". Sim, Jesus era o Filho de Deus – Ele era Deus em Sua essência. Mas, também, Jesus era o Filho do Homem – Ele era um ser humano em Sua essência. Em resumo, a frase "Filho do Homem" indica que Jesus é o Messias e que Ele realmente é um ser humano.

De todos os seus títulos, 'Filho do Homem' é o que Jesus preferia usar a respeito de si mesmo. E os escritores dos evangelhos sinóticos usam a expressão 69 vezes. “Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (Lc.9:56).

5. Seu desenvolvimento humano e espiritual. Em toda a sua humanidade, Jesus era um “menino” que estava submetido ao processo de desenvolvimento como todo indivíduo, porque realmente se fez carne e, em virtude disto, necessitava se desenvolver tanto física quanto psíquica e espiritualmente. Crescia em sabedoria, conforme a graça de Deus. Era perfeito quanto à natureza humana, prosseguindo para a maturidade, segundo a vontade de Deus, plenamente consciente de que Deus era seu Pai (Lc.2:49). Vejamos algumas fases desse desenvolvimento:

 

a) seu desenvolvimento físico. Jesus passou pelas mesmas fases de desenvolvimento físico, aprendendo a andar, falar, brincar e trabalhar. Por causa disso ele pode identificar-se conosco em cada fase do nosso crescimento. Diz o texto sagrado: “E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc.2:40).

b) seu desenvolvimento social (Lc.2:52). “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens”. Aqui vemos a verdadeira humanidade e o crescimento normal do Senhor Jesus: (a) Crescimento mental: Jesus crescia “em sabedoria”; (b) Crescimento físico: “estatura”; (c) Crescimento espiritual: e “graça, diante de Deus”; (d) Crescimento social: e dos “homens”. Jesus era perfeito em todo aspecto do seu crescimento.

A narrativa de Lucas passa silenciosamente por cima dos dezoito anos que o Senhor Jesus passou em Nazaré como Filho de um carpinteiro. Esses anos nos ensinam a importância de preparação e treinamento, a necessidade de paciência e o valor do trabalho diário. Eles advertem contra a tentação de pular do nascimento espiritual ao ministério público. Espiritualmente falando, os que não têm infância e adolescência normal atraem desastre na sua vida e no seu testemunho posteriores.

c) seu desenvolvimento espiritual (Lc.2:39). “… crescia, e se fortalecia em espírito...”. Jesus passara a infância crescendo e se fortalecendo em espírito, enchendo-se de sabedoria, tendo sobre si a graça de Deus. A graça de Deus estava sobre ele. Jesus andava em comunhão com Deus e na dependência do Espírito Santo. Ele estudava a Bíblia, passava tempo em oração e se alegrava em fazer a vontade do Pai.

Seu crescimento e fortalecimento, diz-nos o texto bíblico, era “em espírito”. O crescimento de Jesus se dava na comunhão com o Senhor. O espírito faz a ligação entre Deus e o homem, e Jesus crescia, enquanto homem, neste quesito, até quando se tornou responsável diretamente diante de Deus, segundo a lei, a iniciar a tratar dos negócios de seu Pai (Lc.2:49).

O fato de a Bíblia dizer que o menino crescia e se fortalecia é a prova de que a plenitude do Espírito Santo não estava ainda sobre o menino ou o adolescente Jesus. Tinha Ele tido a consciência do bem e do mal, escolhendo o bem, o que proporcionou o início do seu progresso espiritual, mas, de modo algum, pode-se admitir um Jesus milagreiro, como o apresentado pelos “evangelhos da infância”. Nem no Egito, nem em Nazaré, Jesus fez qualquer milagre, pois ainda não era chegada a hora.

Se Jesus, sendo Deus, enquanto homem necessitava crescer e se fortalecer em espírito, que diremos de nós? Não se pode exigir de um ser humano que atinja de imediato a plenitude espiritual. Muito pelo contrário, a Bíblia é repleta de textos que nos indicam a necessidade de crescermos na graça e no conhecimento de Jesus (2Pd.3:18), de nos aperfeiçoarmos continuadamente (Ef.4:11-14).

 


II. O MINISTÉRIO E CARÁTER SUPREMO DE JESUS CRISTO

1. O caráter exemplar de Jesus. Quando falamos do caráter de Cristo, estamos a falar de todas as qualidades demonstradas e apresentadas pelo Senhor Jesus enquanto esteve entre nós, qualidades estas que devem estar presentes em todos aqueles que se dizem filhos de Deus, que se dizem herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm.8:17). Se somos coerdeiros de Cristo e filhos de Deus é porque participamos da mesma natureza do Senhor (2Pd.1:4) e, se temos a mesma natureza, estamos ligados à videira verdadeira (João 15:4), temos de produzir o mesmo fruto produzido por Jesus. Em seu ministério, Jesus demonstrou aspectos do seu caráter que são referência e modelo para todos os que o aceitam como Senhor e Salvador. Suas ações revelam tanto o lado divino como o lado humano de sua personalidade marcante e singular.

a) Humildade (Mt.5:3). Jesus demonstrou sua humildade ao despojar-se de sua glória (Fp.2:6,7, na irrestrita obediência à vontade do Pai (João 5:30; 6:39). Sendo Deus, Criador e Senhor, despojou-se de seus atributos divinos; tornou-se homem e servo, humilhando-se "até à morte" (Fp.2:6-8); permitiu ser batizado por João Batista no rio Jordão. Este sentiu-se constrangido, dizendo que Jesus é que deveria batizá-lo, mas Jesus insistiu com João para que o batizasse, a fim de cumprir "toda a justiça" (Mt.3:13-15); quando lavou os pés dos discípulos (João 13:3-5); e ao relacionar-se com todas as pessoas, independentemente de sua raça ou posição social (Mt.9:11; 11:19; João 3:1-5; 4:1-30).

Ao se fazer carne (João 1:14), o Verbo, que era Deus (João 1:1), cumpre a vontade divina, submete-se à vontade soberana, para que o homem pudesse ser salvo. Jesus, então, pode nos ensinar sobre “humildade de espírito”, porque, desde o instante mesmo de sua encarnação, nada mais fez senão a vontade de Deus.

Jesus mandou que aprendêssemos dele a humildade (Mt.11:29) e que, em nossas petições, sempre nos conformássemos à vontade de Deus (Mt.6:10). Ele, próprio, ao orar, sempre quis que a vontade de Deus fosse feita e não a dele (Mt.26:42). Temos sido humildes de espírito? Temos querido fazer a vontade de Deus?

A humildade é um aspecto do caráter imprescindível a todos os crentes (Ef.4.1,2; Cl.3.12), pois os humildes sempre alcançam o favor do Senhor (Tg.4.6). Só é do reino dos céus aquele que for “pobres de espírito”, ou seja, que renunciar a si mesmo e fizer tão somente aquilo que Deus quer que seja feito.

b) Mansidão (Mt.5:5). A identificação de Jesus com o cordeiro é a maior demonstração de sua mansidão. Jesus não era apenas Cordeiro porque haveria de ser imolado para pagar o preço do pecado do mundo (João 1:29; 1João 2:2), mas também porque os ovinos são animais que externam brandura, mansidão e submissão. Com efeito, os ovinos são animais dóceis e sem qualquer mecanismo natural de defesa, motivo pelo qual sempre foram associados à ideia de inocência.

Jesus sempre demonstrou mansidão, notadamente nos momentos mais angustiantes e difíceis por que passou, quando de sua paixão e morte. Nesta oportunidade, comportou-se como uma ovelha, mantendo-se calado, sem abrir a sua boca, precisamente como fazem as ovelhas quando vão para o matadouro (Is.53:7; Mt.27:14; At.8:32).

É mais fácil ser manso quando tudo nos é favorável. No entanto somos exortados a conservar a mansidão em todas as situações a fim de modelarmos o nosso caráter cristão. Entretanto, não devemos confundir mansidão com relaxo diante dos assuntos relacionados ao Reino de Deus, que inclui a luta pela justiça. O Pentateuco apresenta Moisés como um homem muito manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra (Nm.12.3), no entanto, perdeu a oportunidade de entrar na terra prometida quando deixou de ser manso (batendo na rocha com a qual deveria falar); quebrou as tábuas da lei, ao contemplar o deus-bezerro, depois de ter visto a glória do Deus invisível.

O Jesus que se manteve silencioso quando foi julgado (Mt.27:12-14; cf. Is.53:7) foi o mesmo que expulsou os comerciantes de uma das áreas do templo (João 2.14-17) e não se cansava de denunciar a hipocrisia dos fariseus (Mt.23:13ss).

A indignação deve fazer parte do caráter cristão; do contrário, o cristão será um cínico. No entanto, mesmo a indignação deve ser exercida com mansidão (2Tm.2:25), que não pode ser confundida com timidez, com falta de firmeza ou com covardia.

c) Misericórdia e compaixão (Mt.5:7). Misericórdia é a compaixão pela necessidade alheia. A misericórdia nada mais é que a bondade em ação, o fazer bem. Como podemos pretender ter o bem de Deus e do próximo, se não fazemos bem a ninguém? Jesus foi misericordioso com os homens em suas fraquezas e privações (Mc.5:19; Hb.2:17; Tg.5:11; 2Co.1:3 ver Mt.15:22,32; 17:15).

A bondade de Jesus é demonstrada em todas as suas curas, sermões, ensinos e palavras proferidas ao longo do seu ministério, ministério este que prossegue, pois, a Bíblia nos diz que Ele está a interceder em prol dos transgressores (Is.53:12). A cada instante, temos visto a manifestação da bondade do Senhor, sempre fazendo o bem aos homens, tanto que tudo quanto sucede aos que O amam e são chamados pelo seu decreto é para o seu bem (Rm.8:28). Certíssimo está o poeta sacro Joel Carlson ao dizer: “Meu Jesus, Tu és bom, Tu és tudo pra mim” (hino 25 da Harpa Cristã).

Na parábola do Bom Samaritano, Jesus pôs em evidência a insensibilidade dos religiosos que não tinham compaixão pelos caídos à beira do caminho (Lc.10:30-37). Temos sido bons? Temos feito o bem? As Escrituras afirmam que quem sabe fazer o bem e não o faz, peca (Tg.4:17), como também que o verdadeiro e genuíno servo do Senhor é alguém que não se cansa de fazer o bem (Gl.6:9; 2Ts.3:13).

d) Caráter pacificador (Mt.5:9). Jesus é o príncipe da Paz (Is.9:6). A paz de Cristo não é a ausência de conflitos, porquanto, como o próprio Jesus admite, a sua presença geraria conflitos entre os homens (Mt.10:34). No entanto, é uma paz que existe mesmo em virtude dos conflitos, pois é a segurança e a tranquilidade decorrentes do perdão dos nossos pecados, da nossa justificação.

Temos a paz de Cristo porque sabemos que fomos retirados do charco de lodo e agora temos nossos pés firmados na rocha (Sl.40:2). Quando somos justificados pela fé em Cristo Jesus, quando temos o perdão dos nossos pecados, passamos ter paz com Deus (Rm.5:1) e, assim, desfrutamos também da paz de Deus (Fp.4:7; Cl.3:15).

Precisamos promover a paz entre as pessoas, temos o dever de ser pacificadores. A paz que recebemos de Cristo é para ser distribuída entre os que nos cercam. Certa feita Ele exortou: "Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, vai reconciliar-te primeiro com teu Irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta" (Mt.5:23,24). De forma mais prática, ele reproduziu a mensagem do salmo 133, tão esquecida atualmente.

Muitos, baseados na assertiva do Senhor de que Ele viria trazer espada e não paz, costumam justificar o mau comportamento que têm, já que são verdadeiras fontes de intrigas nos lugares que frequentam, em especial, na igreja local. Jesus, porém, nunca promoveu dissensão. Apenas disse que, em virtude de sua Palavra, haveria o surgimento de conflitos, já que muitos aceitariam a sua Palavra e outros a rejeitariam, não havendo como se evitar a luta entre a luz e as trevas, mas, em momento algum, permitiu o Senhor que os conflitos se iniciassem pelo seu discípulo. Muito pelo contrário, o apóstolo Paulo nos ensina que “…quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm.12:18b).

Nas suas últimas instruções aos discípulos Jesus afirmou que lhes deixava a sua Paz, que não era a paz do mundo (João 14:27). A paz do mundo é uma paz precária, insegura e sujeita a temores constantes, porque é apenas a ausência de conflitos, uma ausência que não é garantida por coisa alguma. A Paz de Cristo é diferente, é um estado de quietude interior, embora as circunstâncias externas demonstrem a existência de conflitos sociais, econômicos, religiosos etc.

2. Na prática, Ele demonstrou o seu imenso amor pelos pecadores. Está escrito que Ele “...andou fazendo o bem, e curando a todos os oprimidos do diabo...” (Atos 10:38). Pela Virtude do Espírito Santo, Jesus curou os enfermos e ressuscitou mortos, levantou paralíticos, abriu os olhos e os ouvidos dos cegos surdos, e fez falar os mudos; expulsou demônios e libertou os oprimidos; multiplicou os pães e os peixes, repreendeu as forças da natureza, acalmando o mar, fazendo cessar o vento e a tempestade. Os fariseus queriam matar a mulher adúltera, mas Jesus a perdoou e ordenou que não pecasse mais (João 8:11). Portanto, o amor é a essência do caráter de Jesus Cristo. Ele declarou ao doutor da lei que o maior dos mandamentos é amar a Deus acima de tudo, e o segundo, é amar ao próximo como a si mesmo (Mt.22:34-40). O amor é "a marca do cristão" (João 13:34,35).

 

3. Seu caráter é referência para a Igreja. O Caráter de Cristo é exemplar. Ele foi um líder-servo, que nos deixou o exemplo e exorta-nos a segui-lo. Ele disse: "Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (João 13:15). O Senhor dos senhores servia a todos os seus servos e Ele mesmo concluiu: Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes (João 13:17). Segundo o ensinamento de Jesus, um líder só será bem-sucedido se compreender que ele é um servo de todos. Esses ensinamentos de Jesus foram direcionados apenas aos apóstolos; e quem foram os apóstolos? Foram os líderes escolhidos para servirem aos santos, a igreja. Um dos ensinamentos mais claros é este: Jesus ensinou que o verdadeiro líder deve servir.

Concordamos que o Senhor dos senhores, Jesus Cristo, mesmo sendo o maior Senhor, foi também o maior de todos os servos. Ele é o Senhor que serviu. Em Filipenses 2:6-11, temos que: “Pois Ele, subsistindo em forma de Deus, (...) se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens; (...) a si mesmo se humilhou, (...) pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para gloria de Deus pai”. Aqui está a prova cabal e conclusiva que, para ser líder-servo é necessário tornar-se servo, e sendo servo você não deixará de ser senhor. Jesus mesmo servindo nunca deixou de ser Deus. Deus é Deus, pode fazer o que lhe aprouver sem deixar de ser o que é, e sempre foi e sempre será: Senhor!

A igreja de Cristo deve seguir o exemplo de Jesus. Diz o apóstolo João:” aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou” (1João 2:6). Viver como salvo é viver de modo distinto dos demais homens. Pela Bíblia sabemos haver um padrão ético que deve ser observado por todo aquele que quiser viver como salvo. Nenhum crente salvo, filho de Deus, integrante do reino de Deus aqui na terra, do qual é embaixador, poderá pensar ser possível viver de qualquer maneira. Seria triste engano pensar que o Rei Jesus poderia reconhecer como seu embaixador alguém que não pensasse como ele pensa, que não agisse como ele próprio agiria, que não falasse como ele falou. De um embaixador se requer estar plenamente afinado com aquele soberano, ou governante que ele representa. Somos embaixadores de Cristo.

 

CONCLUSÃO

Concluímos esta Aula, e este trimestre letivo, afirmando que Jesus Cristo é o melhor modelo, exemplo, de caráter a ser imitado, como ensinou o apóstolo Paulo (1Co.11:1). Ele foi chamado de “Caminho”, pois é a jornada de Cristo debaixo do sol que devemos imitar para que, assim como Ele chegou à glória vencedor, também lá possamos chegar um dia, dia este que está tão próximo. Não é outro o sentido que Pedro nos dá a respeito da vida de Cristo, ao afirmar que “…Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as Suas pisadas” (1Pd.2:21). Também não é por outro motivo que o próprio Senhor Jesus se intitulou como “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6a). “Caminho” não significa tão somente acesso, mas, também, um modelo, um padrão a ser seguido, uma continuidade de passos e de atitudes que levam a um determinado lugar. Jesus é o Caminho, porque, através da sua vida, deixou-nos o exemplo a ser seguido, o modo de vida que nos conduz à glória eterna com Ele.

 

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