- O PROPÓSITO DA VERDADEIRA PROSPERIDADE
Texto
Bíblico:
“[...] o que semeia pouco também ceifará; e o
que semeia em abundância em abundância também ceifará” (2Co 9:6).
Na
Bíblia, o conceito de "verdadeira prosperidade" é muito mais profundo
do que o saldo de uma conta bancária. Enquanto o mundo geralmente mede o
sucesso pelo acúmulo de bens, a perspectiva bíblica foca na totalidade do
ser — paz mental, integridade espiritual e provisão física.
Aqui
estão os pilares do que a Bíblia define como prosperidade real:
1.
Prosperidade da Alma (A Base)
A
Bíblia sugere que o sucesso externo é um reflexo da saúde interna. Em 3 João
1:2, lemos: "Amado, desejo que te vá
bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua
alma."
- O que
significa: Não
adianta ter o bolso cheio e a mente em guerra. A verdadeira riqueza começa
com uma alma em paz com Deus e consigo mesma.
2.
Contraste com o "Ter"
Jesus
foi bem direto ao dizer que a vida de um homem não consiste na abundância dos
bens que ele possui (Lucas 12:15). Ele alertou sobre o perigo de ganhar
o mundo inteiro, mas perder a própria alma.
- Riqueza
Genuína: É baseada em
tesouros que não se deterioram (amor, bondade, fé e justiça).
- O
Contentamento: Paulo
escreveu em Filipenses que aprendeu o segredo de estar contente tanto na
fartura quanto na escassez. A prosperidade bíblica inclui a capacidade de
ser grato com o que se tem hoje.
3.
A Sabedoria como Moeda de Troca
No
livro de Provérbios, a sabedoria é descrita como sendo mais valiosa que a prata
ou o ouro fino.
"Feliz o homem que acha sabedoria... O seu lucro é melhor
do que o da prata, e o seu rendimento melhor do que o do ouro fino." (Provérbios 3:13-14)
4.
O Propósito da Provisão
A
Bíblia não condena a posse de recursos, mas condena o amor ao dinheiro.
A prosperidade financeira, quando ocorre biblicamente, tem um objetivo: generosidade.
- Abençoado para abençoar: A ideia é que você prospere para poder
ajudar o próximo e apoiar boas causas.
- A
Promessa de Josué: Em
Josué 1:8, a chave para "prosperar
e ser bem-sucedido" não é o esforço humano bruto, mas a
meditação e a obediência aos princípios divinos.
Resumo
Comparativo
|
Visão do Mundo |
Visão Bíblica |
|
Acúmulo
de bens e status. |
Paz,
saúde e retidão de caráter. |
|
Foco
no eu e no prazer imediato. |
Foco
no propósito e no serviço ao próximo. |
|
Medo
da escassez e ganância. |
Confiança
na provisão e contentamento. |
|
Independência
de Deus. |
Dependência
e relacionamento com o Criador. |
1.
Sobre Planejamento e Trabalho
A
Bíblia incentiva a diligência e o olhar para o futuro, condenando tanto a
preguiça quanto a impulsividade.
- Provérbios 21:5: "Os planos bem elaborados levam à fartura; mas a
pressa excessiva, inevitavelmente, à pobreza." (O foco aqui é a estratégia em vez da
busca por dinheiro fácil).
- Provérbios 13:11: "O dinheiro ganho com desonestidade depressa se
acaba, mas quem o ajunta aos poucos terá cada vez mais." (Valorização da constância e da
ética).
2.
Sobre Dívidas e Escravidão Financeira
Há
um aviso severo sobre como o descontrole financeiro limita a nossa liberdade.
- Provérbios 22:7: "O rico domina sobre o pobre, e o que toma
emprestado é servo de quem empresta." * Romanos 13:8: "A ninguém devais coisa alguma, a
não ser o amor com que vos ameis uns aos outros..."
3.
Sobre a Ganância e o Perigo do Coração
Este
é o ponto onde a Bíblia mais nos alerta: o dinheiro é um excelente servo, mas
um péssimo senhor.
- 1
Timóteo 6:10: "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os
males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si
mesmos com muitas dores." (Note
que o problema é o amor ao dinheiro, não o dinheiro em si).
- Mateus 6:24: "Ninguém
pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou
se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às
riquezas."
4.
Sobre Generosidade (A Quebra da Escassez)
A
lógica bíblica é contraintuitiva: para ter mais (em termos de paz e propósito),
você deve estar disposto a dar.
- Provérbios 11:24: "Ao que distribui mais se lhe acrescenta, e ao que
retém mais do que é justo, é para a sua perda."
- 2 Coríntios 9:7: "Cada um contribua conforme determinou em seu
coração; não com tristeza ou por necessidade, pois Deus ama quem dá com
alegria."
Dica
Prática de Gestão: A Regra do Contentamento
Uma
das maiores lições bíblicas para as finanças é o que Paulo escreveu em 1
Timóteo 6:8: "Tendo, porém, sustento e
com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes." Isso não
significa falta de ambição, mas sim a liberdade de não ser controlado pelo
consumo desenfreado. Quando você está contente, você gasta menos do que ganha,
evita dívidas e tem margem para ser generoso.
INTRODUÇÃO
A
Palavra de Deus garante a cada ser humano a possibilidade de auferir bens
materiais e de deles usufruir para a satisfação de suas necessidades. Todavia,
estabelece que o objetivo do homem e da mulher não deve ser o acúmulo de
riquezas para si ou para sua exaltação por causa dos bens que tenha a seu
dispor, mas que tudo isto seja um instrumento para que a glória de Deus se
manifeste na administração destes bens que lhe forem confiados por Deus, o
único e verdadeiro dono de todas as coisas. Não façamos dos bens materiais o
objetivo e a intenção de nossas vidas. Quem passa a viver em função dos bens
materiais, quem passa a pôr o seu coração nos tesouros desta vida, passa a ser
um avarento, um ganancioso e, como tal, será um idólatra (Cl 3:5) e,
assim, está fora do reino dos céus (Ap 22:15).
Não
se está aqui afirmando que o cristão não deve procurar uma melhoria de vida, um
melhor emprego, capacitar-se para obter melhores posições, ou seja, em absoluto
se nega ao servo de Deus a busca de melhores oportunidades, um progresso maior,
mas se está afirmando, isto sim, que não devemos colocar como alvos únicos e
exclusivos de nossas vidas uma prosperidade material, que é efêmera (Pv
27:24). Nunca nos esqueçamos que, se cremos em Cristo só para esta vida,
seremos os mais miseráveis de todos os homens! (1Co 15:19).
Quando o homem tenta progredir na vida material tendo consciência de que existe uma dimensão eterna, de que é mero administrador do que Deus lhe confiou, ele jamais se comporta de forma nociva ao seu semelhante, jamais busca usar de todos os métodos, lícitos ou não, visando à acumulação de riquezas, pois tem pleno conhecimento de que nu saiu do ventre de sua mãe e de que nu terminará a sua existência (Jó 1:21; 1Tm 6:7). Como dizem as Escrituras, aqueles que se envolvem na ilusão das riquezas, trazem para si somente males e problemas, já nesta vida, que dirá quando se encontrar com o reto e supremo Juiz de toda a Terra (Pv 28:22; 1Tm 6:9; Hb 9:27).
Dentro desta perspectiva, o cristão deve, consciente de que o que tem amealhado de bens materiais, é para ser um instrumento de satisfação da vontade divina. Deve administrar o seu patrimônio de forma a obter o agrado de Deus, fazendo-o conforme a Sua Palavra.
I.
A PROSPERIDADE NÃO É UM FIM EM SI MESMA
Quando falamos em prosperidade, falamos de uma mensagem que se tem repetido, às escâncaras, nos púlpitos das igrejas evangélicas de nossos dias. O “evangelho da prosperidade” é proclamado de norte a sul, de leste a oeste, passando pelo centro, como sendo a maior prova do amor de Deus para os nossos corações. Não resta dúvida de que a Bíblia Sagrada contém promessas de prosperidade material para o homem, mas esta prosperidade, como já temos visto neste trimestre, é secundária diante da prosperidade espiritual, que é a efetivamente prometida pelo Senhor.
O que estes propagadores da “Teologia da Prosperidade” esquecem de dizer aos seus ouvintes é que, em vindo a prosperidade material solicitada, o "novo rico" não será um senhor de riquezas, não será sequer o proprietário dos bens que o Senhor lhe conceder.
1. Deus, a Fonte de todo bem. Num mundo dominado pela obsessão do
ter e pelo amor ao dinheiro, o cristão apresenta-se como alguém que sabe que
tudo pertence a Deus e que somos apenas mordomos, devendo prestar contas ao
verdadeiro dono do universo do que nos foi dado para administrar.
Deus é a fonte de todo bem, é o Criador de todas as coisas, razão por que todas as coisas lhe pertencem – “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Sal 24:1). Ninguém é dono de nada; tudo pertence a Deus, incluindo nossa vida e nosso corpo (cf 1Co 6:19). Portanto, Deus é o Senhor de todo bem e que o homem é mordomo de seus bens. O mordomo tem que administrar de acordo com a vontade de seu Senhor, caso contrário dará conta do mau uso que fizer dos bens que lhe foram confiados.
Infelizmente,
nestes tempos pós-modernos em que vivemos, o homem tem transformado a sua vida
numa constante e frenética busca pelos bens materiais, como se a sua vida
terrena fosse perene. A Teologia da Prosperidade inverteu os polos e
colocou o objeto no lugar do sujeito. E o que é pior: acabou por transformar o
sujeito em objeto. Deus foi transformado em um objeto e o ser humano em
mercadoria. O homem foi "coisificado" para se transformar em uma
mercadoria vendável. A busca pelo poder, fama e riqueza converteu-se no
principal objetivo desta geração perdida.
Muitas
pessoas pensam: “Ah! Se eu morasse naquele
bairro, em um apartamento duplex; se eu trabalhasse na empresa que gosto, e
tivesse o carro dos sonhos, eu seria feliz!”. Pensam que a felicidade está nas coisas. Pensam que a
felicidade está no ter. Assim, só se preocupam com o que é terreno e correm
atrás de ilusões. Se essa teoria fosse verdadeira, os ricos seriam felizes e os
pobres infelizes. No entanto, a experiência prova o contrário. A riqueza tem
sido fonte de angústias. Os ricos vivem tencionados pelo desejo insaciável de
ganhar sempre mais e com o pavor de perder o que acumularam. Muitas pessoas que
ceifam a própria vida são abastadas financeiramente.
O
dinheiro não produz contentamento. O verdadeiro contentamento vem da piedade no
coração e não do dinheiro na mão. O contentamento nunca provém da posse de
objetos externos, mas de uma atitude interna para com a vida. Alguém disse
acertadamente que o contentamento não ocorre quando todos os nossos desejos e
caprichos são satisfeitos, mas quando restringimos nossos desejos às coisas
essenciais. O contentamento significa uma suficiência interior que nos mantém
em paz apesar das circunstâncias. O apóstolo Paulo disse: “[...] aprendi a viver contente em toda e qualquer situação”
(Fp 4:11).
2. Despenseiros de Deus. Para que possamos entender o que a Bíblia diz a respeito da conduta do ser humano frente aos bens materiais é imperioso verificarmos a primeira declaração da revelação de Deus ao homem. Em Gn 1:1, a Bíblia deixa claro que Deus criou os céus e a terra, o que repete em Gn 1:31-2:3. Assim, tanto no início quanto no término do relato da criação, a Palavra não deixa qualquer dúvida de que Deus é o Senhor do Universo, ou seja, o dono de tudo. Assim, não deve causar espanto a declaração do salmista (Sl 24:1), segundo a qual “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam”. Com efeito, por ter criado o mundo e tudo o que nele há, Deus é o legítimo dono de todas as coisas. Se isto é assim, o homem é apenas um administrador da criação. Com efeito, ao criar o homem e a mulher, Deus concedeu a eles o domínio sobre toda a criação (Gn 1:26,28), domínio este que não representa senhorio, mas uma autoridade, uma autorização para administrar a criação terrena (observemos que no mandato dado ao ser humano por Deus não se incluem as criações celestiais. É por isso que o salmista afirma que o homem foi feito pouco menor do que os anjos (Sl 8:5).
Partindo deste pressuposto, não pode o homem achar-se dono de coisa alguma sobre esta terra e deveria comportar-se desta maneira, ou seja, plenamente consciente de que é apenas um administrador daquilo que Deus lhe deu. É exatamente esta a consciência do cristão, a de que é apenas um mordomo, um despenseiro de Deus (1Co 4:1,2; Tt 1:7; 1Pe 4:10).
II.
A PROSPERIDADE E O SUSTENTO PESSOAL
Apenas os seres espirituais não precisam comer, vestir-se e ter onde se abrigar, como é o caso dos anjos. Mas nós, seres humanos, precisamos subsistir em um mundo que possui regras próprias. Precisamos de abrigo onde reclinar nossas cabeças, comida para manter ativo nossos corpos e vestimentas, para que estejamos protegidos das intempéries naturais, como frio e calor. Deus não despreza essa situação, e nos proporciona o sustento pessoal por meio do trabalho digno.
1. As carências humanas. Carência é algo que todos nós já experimentamos, e cada um respondeu a ela de maneira diferente. Ela não acontece apenas no âmbito material. As necessidades financeiras, as adversidades do dia a dia, a doença, a derrota profissional, as perdas, a solidão são apenas algumas das muitas facetas da carência que abatem o ser humano. Porém, por trás de todas está a pior manifestação desse problema: a carência emocional e espiritual.
A
Bíblia nos fornece inúmeros exemplos de vidas que mergulharam em situação de
carência extrema.
Abraão experimentou a carência de filhos. Tudo
o que o velho Patriarca possuía era uma promessa do Senhor (ler Gn 17:1-6).
Porém, Abraão decidiu confiar que ela se cumpriria, em vez de concentrar-se no
problema, e viu sua carência se transformar em fartura.
Poderíamos falar da carência de Jó. Lemos na Bíblia que ele era um homem próspero, com filhos e filhas, justo e temente a Deus. Porém, seu império desmoronou, seus filhos foram mortos, e o que era um corpo saudável tornou-se enfermo. Jó não compreendia o motivo de tanto sofrimento, de tanta carência. Contudo, ele tinha plena convicção de sua fé em Deus. Ele confiava nEle de uma maneira superlativa; tanto que fez a seguinte declaração: “Ainda que ele [Deus] me mate, nele esperarei; contudo, os meus caminhos defenderei diante dele” (Jó 13:15). E sabemos o resultado da sua fidelidade a Deus. O Senhor lhe concedeu tudo novamente: restaurou a saúde, os negócios, a família. E, mais importante do que essas bênçãos, foi o conhecimento que Jó obteve de Deus ao vivenciar toda aquela situação em que Ele converteu a carência em fartura; daí a declaração do patriarca: “Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos” (Jó 42:5 NTLH).
Enfim, poderíamos falar situação dramática do profeta Elias. Ele viveu um período de extrema carência por ele mesmo profetizado, em que não haveria chuva nem orvalho. Até mesmo o ribeiro de Querite já havia secado (1Reis 17:7). Sem chuvas, não havia mais água, produtos agrícolas nem rebanhos. Os mantimentos do povo tinham se esgotado, e a escassez se espalhava pela terra de Israel.
Deus vendo a carência dramática de Elias mandou-o à cidade de Sarepta e ali ficasse, a fim de ser sustentado por uma viúva (1Reis 17:9). Deus poderia ter encaminhado Elias ao homem mais rico do local, com uma profecia que anunciasse a Sua vontade e convencesse o homem a manter Elias até quando fosse necessário. Mas Deus ordenou que o profeta buscasse o destino mais improvável, a casa mais humilde – uma viúva sem eira nem beira. O texto bíblico diz que a situação daquela mulher era tão crítica, que ela estava prestes a preparar sua última refeição e aguardar, com o único filho, a morte (ler 1Rs 17:8-16).
Por
que Deus nos conduz a pessoas tão ou mais carentes, necessitadas e desprovidas
que nós nos momentos de escassez, como fez com Elias? A lógica divina nos
responde: para que possamos aprender a depender somente do Senhor, e de mais
nada ou ninguém. Este é o milagre planejado por Ele.
Quando, em meio a uma gigantesca necessidade, Deus nos coloca diante de alguém com uma necessidade maior ainda e afirma que de tal pessoa virá a ajuda, é porque o milagre está sendo preparado, o milagre da dependência total do Senhor. E você sabe por que o Senhor age dessa maneira? Porque assim podemos servir como instrumento para solucionar o problema do outro e, ao mesmo tempo, resolver o nosso. Aconteceu dessa forma com Elias. Enviado a alguém que sofria com extrema carência, foi instrumento de Deus para resolver as dificuldades da viúva e do filho dela e, consequentemente, teve suas necessidades supridas.
2. O cuidado divino. O Eterno, o Guardador da nossa vida, é tão preocupado conosco que realmente não precisamos estar ansiosos por nada. É uma honra para Ele assumir todas as nossas preocupações. Por isso Pedro diz: "lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós" (1Pe 5:7).
A
Bíblia está cheia de exemplos da providência de Deus para com o Seu povo e para
com os Seus filhos:
· Ele veste os lírios no campo com glória e esplendor maiores que a glória de Salomão (Mt 6:28-30).
· Ele que se preocupa com cada boi, quanto maior cuidado tem de nós (1Co 9:9-10)!
· Ele conta os cabelos da nossa cabeça, e nossas lágrimas são recolhidas por Deus e inscritas no Seu livro (Mt 10:30 e Sl 56:8). Qual pai ou mãe já fez isso, alguma vez, com seus filhos?
· Aquele que nos guarda não dormita nem dorme (Sl 121:3-4).
· Ele nos compreende mesmo sem palavras, disse o rei Davi (Sl 139:2).
· Ele é tão grande que entregou Sua vida por nós (João 10:11), e não cuidaria de nós todos os dias?
III.
A PROSPERIDADE NA AJUDA DO PRÓXIMO
Deus quer que nós, além de sermos justos em tudo, amemos a beneficência. O Salmo 41:1,2 diz o seguinte: “Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal. O Senhor o livrará e o conservará em vida; será abençoado na terra, e tu não o entregarás à vontade de seus inimigos”.
Provérbios
19:17 diz: “Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, e ele
lhe pagará o seu benefício”. Em outras palavras, quem ajuda o pobre está
na verdade, emprestando a Deus; por isso, há bênçãos financeiras reservadas por
Deus àqueles que se compadecem dos menos afortunados.
O
texto de Efésios 6:8 enfatiza: “cada um
receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre”. Em
Tiago 4:17 lemos: “Aquele, pois, que sabe fazer o
bem e o não faz comente pecado”.
Como
você age quando vê um necessitado? Você compartilha o quê com ele? Jamais diga:
“eu sou pobre; vou pedir esmola para dois?”. Jamais fale assim, porque senão
você continuará sofrendo desse jeito. Certo pregador disse o seguinte: “Aquilo
que você faz aos outros, Deus fará a você”. Então, quando você abençoar alguém,
prepare-se, porque Deus irá abençoá-lo. Se você pensa que pobre
deveria apenas receber, observe o que Paulo disse da igreja da Macedônia: “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de
Deus dada às igrejas da Macedônia; como, em muita prova de tribulação, houve
abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da
sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e
ainda acima do seu poder, deram voluntariamente” (2Co 8:1-3).
Observe neste texto que os cristãos pobres da Macedônia ajudaram os mais pobres
da Judéia. Portanto, o fato de alguém ser pobre não o torna isento da
responsabilidade de contribuir financeiramente com outros em pior situação.
1. Um mandamento divino. Na lei de Moisés foi bem especificado que o fundamento,
a essência do relacionamento de Deus com o homem é o amor e que este amor não
se limitava tão somente ao interior do homem que aceita Cristo, mas que se
espraia aos semelhantes, tanto que Jesus fez questão de complementar a
inquirição do doutor da lei com uma afirmação extremamente relevante: “...amarás o próximo como a ti mesmo” (Mt
22:39). O amor ao próximo é determinado pelo Senhor, é seu
mandamento – “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns
aos outros, assim como eu vos amei” (João 15:12). Quando amamos o
próximo da forma determinada na Palavra de Deus, melhoramos sensivelmente o
ambiente em que vivemos.
Amar
o próximo não é
apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar este
alguém a uma vida de comunhão com Deus, a um equilíbrio em todos os aspectos da
sua vida. Medidas emergenciais serão necessárias, como nos mostra a
parábola do bom samaritano, mas é extremamente necessário que levemos o
próximo a entender que deve, sobretudo, amar a Deus, para que também ame o
próximo, como nós o amamos.
Amar o próximo não é dizer a alguém que o ama, mas um amor que se mostra por atitudes concretas, por ações efetivas, por obras. Amor ao próximo não é amor de palavra nem de língua, mas amor por obras e em verdade (1João 3:18). Para Tiago, a fé sem as obras mantém-se no campo da teoria e para nada serve: “Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhe dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?” (Tg 2:15,16, ARA). O apóstolo Paulo exorta-nos a praticarmos o bem e a sermos ricos em boas obras (1Tm 6:18).
Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O individualismo e o egoísmo têm dificultado, e até impedido, gestos de amor ao próximo, até mesmo entre cristãos. Quem é o nosso próximo? É qualquer ser humano, como bem nos explicitou Jesus na parábola do bom samaritano (Lc 10:30-37), e este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição.
2. Quando contribuímos para ajudar o próximo, nossa oferta glorifica a Deus. A generosidade da igreja promove a glória de Deus, pois aqueles que são beneficiários do nosso socorro glorificam a Deus pela nossa obediência. O apóstolo Paulo escreve: “Visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão, quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos” (2Co 9:13, ARA). Paulo destaca dois pontos importantes nesse versículo:
a) Quando a teologia se transforma em ação, Deus é glorificado. Os judeus crentes glorificaram a Deus ao ver que os gentios não apenas confessavam a teologia ortodoxa, mas também agiam de maneira ortoprática (2Co 9:13a).
Jesus falou do sacerdote e do levita que passaram ao largo ao verem um homem ferido (Lc 10:31,32). Não basta ter boa doutrina, é preciso colocar essa doutrina em prática. Os crentes da Judéia glorificaram a Deus não apenas porque os gentios creram, mas, sobretudo, porque obedeceram.
b) Quando o amor deixa de ser apenas de palavras Deus é
glorificado. Os
gentios contribuíram com liberalidade não apenas para os crentes da Judéia,
mas, também, para outros necessitados (2Co 9:13b). Eles não amaram apenas de
palavras, mas de fato e de verdade (1João 3:17,18). O amor não é aquilo que se
diz, mas o que se faz.
CONCLUSÃO
Nesta
lição, aprendemos que não podemos perder o foco da verdadeira prosperidade. A
questão não é somente prosperar, mas para quê prosperar. O
nosso trabalho, dinheiro e bens não devem ser usados apenas para o nosso
deleite pessoal, mas, prioritariamente, atender aos propósitos do Senhor.
Enfim, a busca pelos bens materiais deve ser com vistas à satisfação de Deus e
não a uma incessante corrida pelo prazer, pelo luxo e pela autossuficiência. A
ética cristã prega que não há que se buscar o lucro máximo, mas, bem ao
contrário, deve-se buscar o suficiente para se ter uma vida digna, uma vida
sossegada, mas sem a “febre do ouro” que tem dominado o mundo de hoje. Diz o
sábio Salomão que devemos, sempre, buscar a “porção
acostumada de cada dia” (Pv 30:8,9) e ninguém melhor do que
Salomão para nos afirmar que a posse de riquezas em demasia não representa bem
algum para a alma humana. Que Deus nos ajude.
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