segunda-feira, 27 de julho de 2026

TAMAR – RESILIÊNCIA, JUSTIÇA E SOBREVIVÊNCIA


 TAMAR – RESILIÊNCIA, JUSTIÇA E SOBREVIVÊNCIA

No livro de Gênesis, o capítulo 38 interrompe a narrativa da história de José para focar em Judá e sua família. É nesse cenário que surge Tamar, uma das mulheres mais marcantes, corajosas e estrategistas das Escrituras Sagradas.

A história de Tamar é um relato sobre sobrevivência, justiça familiar, resiliência e a providência divina operando através de circunstâncias profundamente humanas e complexas.

O Drama Familiar e a Lei do Levirato

Tamar foi casada primeiramente com Er, o primogênito de Judá. A Bíblia relata que Er era mau perante o Senhor, que o fez morrer (Gn 38:7).

Seguindo os costumes da época e a lei do levirato (estabelecida posteriormente na Lei de Moisés, mas já praticada como costume patriarcal), Judá ordenou que seu segundo filho, Onã, cumprisse o dever de cunhado: casar-se com Tamar para suscitar descendência ao seu irmão falecido.

  • Onã, no entanto, evitou a gravidez porque sabia que o filho não seria considerado legalmente seu. Por essa maldade, o Senhor também o matou (Gn 38:9-10).

A Promessa Não Cumprida e a Astúcia de Tamar

Temendo perder seu caçula, Selá, que ainda era muito jovem, Judá mandou Tamar de volta para a casa de seu pai, sob a promessa de que, quando Selá crescesse, casaria com ela. No entanto, o tempo passou, Selá cresceu, e Judá não cumpriu sua palavra.

Sentindo-se traída pelo sistema patriarcal que a deixara sem marido, sem proteção e sem direitos de descendência, Tamar tomou o destino em suas próprias mãos:

  • O Disfarce: Sabendo que Judá iria a Timna tosquiar suas ovelhas, Tamar tirou as roupas de viuvez, cobriu-se com um véu para não ser reconhecida e assentou-se à entrada de Enaim.
  • O Encontro: Judá a confundiu com uma prostituta cultual (qedesha) e negociou com ela os termos. Como pagamento imediato, Tamar exigiu penhores: o seu selo (anel sinete), o seu cordão e o cajado que trazia na mão.
  • A Gravidez: Meses depois, quando a gravidez de Tamar se tornou evidente, Judá, agindo com hipocrisia e autoridade moral, ordenou que ela fosse tirada para fora e queimada viva por imoralidade.

O Desfecho e o Reconhecimento da Justiça

Quando seria executada, Tamar revelou a sua verdadeira força estratégica ao expor os penhores:

"E, sendo tirada para fora, mandou ela dizer a seu sogro: Do homem de quem são estas coisas sou concebida. E disse mais: Reconhece, peço-te, de quem são este selo, e este cordão, e este cajado." (Gênesis 38:25)

Ao ver os objetos, Judá reconheceu imediatamente que eram seus e fez uma das declarações mais honestas de sua vida: "Ela é mais justa do que eu, porquanto não a tenho dado a Selá, meu filho" (Gn 38:26). Judá reconheceu que a falha em cumprir a aliança obrigara Tamar a agir daquela maneira para garantir sua sobrevivência e continuidade familiar.

A Descendência e a Linhagem Messiana

Dessa união inesperada nasceram gêmeos: Peres e Zerá.

O significado teológico e histórico de Tamar é monumental. A linhagem que conduz diretamente ao rei Davi e, por fim, a Jesus Cristo (conforme registrado nas genealogias dos Evangelhos de Mateus e Lucas) passa exatamente por Peres, o filho de Tamar.

A inclusão de Tamar — junto com outras mulheres como Raabe, Rute e Bate-Seba — na genealogia do Messias demonstra como Deus frequentemente subverte as estruturas sociais humanas da antiguidade para cumprir Seus propósitos redentores através de pessoas marginalizadas e incompreendidas.

A história de Tamar, mencionada em Gênesis, é rica em contexto cultural e lições sobre justiça e coragem. Tamar era nora de Judá. Após a morte de seus maridos, ela se viu em uma

situação difícil, onde a continuidade da linhagem era essencial. Na cultura da época, o irmão do falecido deveria casar-se com a viúva para garantir descendência.

Após a morte de Er, o primeiro marido de Tamar, Judá prometeu que seu filho mais novo, Selá, se casaria com ela quando crescesse. No entanto, Judá não cumpriu sua promessa, temendo pela vida de Selá. Sem alternativas, Tamar tomou a ousada decisão de se disfarçar de prostituta e teve dois filhos com Judá: Pérez e Zerá. Quando a verdade veio à tona, Judá reconheceu sua falha e admitiu que Tamar agiu com justiça.

Essa história é marcante não apenas pela coragem de Tamar, mas também porque ela preservou a linhagem de Judá, do qual Jesus Cristo descende. A narrativa destaca a importância da justiça e da determinação, mesmo em circunstâncias difíceis.

A história de Tamar (nora de Judá)


Tamar era nora de Judá, mencionada no livro Gênesis. Após a morte de seus maridos, ela se disfarçou e teve dois filhos com Judá para garantir sua descendência. A história de Tamar ensina sobre justiça e coragem. Seu ousado ato preservou a linhagem de Judá, de onde veio Jesus Cristo. Ela não é a mesma Tamar, filha de Davi, que foi abusada por seu irmão.

Tamar era cananeia e casou-se com Er, o filho mais velho de Judá, um dos doze filhos de Jacó. A história de Tamar acontece em um contexto familiar e cultural onde a continuidade da descendência era essencial. No entanto, Er, seu primeiro marido, morreu sem deixar filhos, o que, segundo a tradição da época, significava que o irmão mais novo, Onã, deveria casar-se com Tamar para gerar herdeiros para o falecido.

Tamar

Onã, no entanto, evitou dar-lhe descendentes e, por isso, também foi punido por Deus e morreu. Judá, então, prometeu que quando seu terceiro filho, Selá, crescesse, ele se casaria com Tamar. Porém, com o passar do tempo, Judá não cumpriu sua promessa, temendo que Selá morresse como seus irmãos.

Sem outra escolha, Tamar tomou uma atitude ousada. Ela se disfarçou de prostituta e, sem que Judá a reconhecesse, teve dois filhos gêmeos com ele: Pérez e Zerá. Quando descobriram que estava grávida, Tamar foi acusada de adultério, mas ao revelar que Judá era o pai, ele admitiu que ela estava certa, pois ele não havia cumprido sua promessa.

A história de Tamar é marcante porque, apesar das dificuldades, ela garantiu sua descendência e foi uma das mulheres mencionadas na genealogia de Jesus Cristo. A Bíblia não relata detalhes sobre sua morte, mas sua vida é vista como um exemplo de determinação e coragem em meio às adversidades.

O que aconteceu com Tamar: principais acontecimentos

  • Tamar fica viúva de Er: Tamar se casa com Er, filho mais velho de Judá, mas Er morre sem deixar filhos.
  • Tamar fica viúva de Onã: Onã, irmão de Er, casa-se com Tamar por obrigação, mas evita gerar descendência. Deus o pune, e ele também morre.
  • A falsa promessa de Judá: Judá promete que Tamar se casaria com seu terceiro filho, Selá, quando ele crescesse, mas não cumpre a promessa.
  • Tamar se disfarça de prostituta: Para garantir sua descendência, Tamar se disfarça de prostituta e se encontra com Judá, sem que ele a reconheça.
  • Tamar fica grávida de Judá: Tamar engravida de Judá e concebe gêmeos, Pérez e Zerá.
  • Tamar é acusada de adultério: Tamar é acusada de adultério, mas ao provar que Judá é o pai das crianças, ele reconhece sua justiça.
  • Tamar garante sua descendência: Os gêmeos nascem e Tamar garante sua descendência, tornando-se parte da genealogia de Jesus.

Tamar era filha de Davi?

Não, Tamar mencionada na história com Judá não era filha de Davi. Essa Tamar aparece no livro de Gênesis 38 e era nora de Judá, um dos filhos de Jacó.

No entanto, há outra Tamar na Bíblia, que era filha do rei Davi. Ela aparece em 2 Samuel 13 sendo conhecida por ser vítima de um terrível abuso por parte de seu meio-irmão Amnom. Portanto, existem duas Tamar na Bíblia, mas a Tamar relacionada a Davi não é a mesma que a Tamar mencionada na história com Judá.

Os dois casamentos de Tamar

Tamar é uma mulher notável, mencionada em Gênesis 38. Ela era uma mulher cananeia e casou-se com Er, o filho mais velho de Judá, um dos filhos de Jacó. O contexto cultural da época enfatizava a importância da descendência, especialmente para as mulheres, que eram avaliadas na maioria pela sua capacidade de gerar filhos.

Infelizmente, Er era considerado mau aos olhos de Deus e morreu sem deixar descendentes. Segundo a tradição, a responsabilidade de gerar herdeiros recaiu sobre Onã, irmão de Er, que também foi casado com Tamar. No entanto, Onã não cumpriu seu dever e, como resultado, também recebeu a punição de Deus. Essa série de tragédias deixou Tamar em uma situação extremamente vulnerável, sem marido e sem filhos, o que a colocou em risco social e econômico.

Judá prometeu a Tamar que, quando seu filho mais novo, Selá, crescesse, ela se casaria com ele. No entanto, Judá não cumpriu essa promessa, levando Tamar a uma decisão crucial que mudaria o rumo de sua vida e garantiria sua linhagem.

A coragem de Tamar: o disfarce de prostituta

Diante da falsa promessa de Judá e da insegurança de seu futuro, Tamar decidiu tomar uma atitude ousada. Ela se disfarçou de prostituta e se posicionou à beira do caminho onde Judá passava. Essa decisão foi arriscada, mas essencial para assegurar sua descendência e dignidade.

Disfarçada de prostituta, Judá a abordou, ele não a reconheceu e, assim, teve relações com Tamar, resultando na concepção de gêmeos: Pérez e Zerá. O disfarce de Tamar simboliza sua determinação em desafiar as normas sociais e lutar por sua sobrevivência.

Sua escolha de agir em vez de esperar por Judá reflete coragem, destacando a importância da iniciativa, mesmo em situações adversas. Além disso, essa ação ilustra como as mulheres da Bíblia, muitas vezes vistas como passivas, também podiam tomar decisões poderosas. Ao agir, Tamar não apenas garantiu sua linhagem, mas também trouxe à luz a necessidade de justiça em uma sociedade que frequentemente marginalizava as mulheres.

A revelação da gravidez e a surpresa de Judá

Quando a gravidez de Tamar foi descoberta, Judá ficou indignado e a acusou de adultério, sem saber que era o pai da criança. Esse momento é crucial, pois revela a hipocrisia nas normas sociais da época, onde as mulheres eram frequentemente culpadas e punidas por ações dos homens.

A tensão aumenta quando Tamar, em vez de aceitar passivamente a condenação, decidiu revelar a verdade. Ela apresentou o cordão e o selo que Judá havia deixado com ela como prova de sua paternidade. Essa revelação não apenas expôs a verdade, mas também obrigou Judá a confrontar suas próprias falhas e responsabilidades.

Ao reconhecer que Tamar era mais justa do que ele, Judá demonstrou um momento de humildade e arrependimento. Essa parte da história destaca a importância da verdade e da justiça, mostrando que a sinceridade e a coragem de Tamar tiveram um impacto duradouro.

O reconhecimento de Judá é um testemunho de como a verdade pode prevalecer, mesmo em situações desafiadoras. A história de Tamar nos ensina que é fundamental buscarmos justiça e que a verdade sempre será revelada.

O legado de Tamar: descendência e impacto

O legado de Tamar é muito importante, pois seus filhos, Pérez e Zerá, fazem parte da genealogia de Judá e, consequentemente, da linhagem de Jesus Cristo. A menção de Tamar na genealogia de Mateus (Mateus 1:3) destaca o papel das mulheres na Bíblia e mostra que Deus pode usar qualquer pessoa, independentemente de sua origem, para cumprir Seus planos.

A história de Tamar revela a força das mulheres na Bíblia, que frequentemente enfrentaram desafios para manter sua dignidade e a continuidade de suas famílias. Como uma mulher cananeia, Tamar é parte da linhagem de Jesus, enfatizando a inclusão e a graça de Deus. Sua história nos lembra que, mesmo em situações de opressão e injustiça, é possível lutar por dignidade e justiça.

O exemplo de Tamar nos inspira a agir em defesa da verdade e a reconhecer a importância das mulheres na história da salvação. Portanto, Tamar não é apenas uma personagem bíblica, mas um símbolo de coragem e resiliência, mostrando que as ações de uma mulher podem ter um impacto duradouro e significativo na história.

CONCLUSÃO

A vida de Tamar, narrada na Bíblia, oferece importantes lições sobre coragem, justiça e perseverança. Tamar enfrentou grandes desafios, começando com a morte de seus maridos, Er e Onã, sem ter filhos. Naquela época, a falta de descendência era uma grande desgraça para as mulheres, que dependiam dos homens para segurança e dignidade. Mesmo diante da injustiça e do desprezo, Tamar não se deixou abater.

Uma das principais lições de sua história é a coragem de tomar decisões difíceis. Ao perceber que Judá, seu sogro, não cumpriria a promessa de lhe dar seu filho mais novo, Selá, ela agiu de forma ousada. Disfarçando-se de prostituta, Tamar garantiu sua própria descendência, mostrando que, em situações adversas, a ação é muitas vezes necessária para alcançar um resultado positivo.

Além disso, Tamar nos ensina sobre a importância da justiça. Quando Judá a acusou de adultério, ela revelou que ele era o pai de seus filhos. Essa revelação não apenas expôs a hipocrisia de Judá, mas também mostrou que a verdade e a justiça sempre prevalecerão. Judá reconheceu sua falha e admitiu que Tamar era mais justa do que ele.

Finalmente, a história de Tamar destaca a importância das mulheres na genealogia de Cristo. Ela se tornou ancestral de Davi e de Jesus, provando que as escolhas de uma mulher podem ter um impacto duradouro. A vida de Tamar nos lembra que, independentemente das circunstâncias, é possível lutar por justiça e dignidade, e que Deus pode usar qualquer pessoa para realizar Seus propósitos.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

AS ORAÇÕES NO ALTAR DE DEUS

AS ORAÇÕES NO ALTAR DE DEUS

 

TEXTO BIBICO: levítico 16:12,13; apocalipse 5:6-10

"cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno" (hb.4:16).

As Orações no Altar de Deus

O tema das orações no altar de Deus nos conduz ao coração da comunhão entre o Criador e a sua criação. Através das Escrituras, vemos que o altar e o incenso são símbolos profundos da intercessão, da adoração e da resposta divina aos clamores do Seu povo.

1. O Altar do Incenso no Antigo Testamento

Texto Base: Levítico 16:12,13

No Tabernáculo, o altar do incenso ficava posicionado estrategicamente diante do véu que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo.

  • A Nuvem de Incenso: O sumo sacerdote devia trazer um incensário cheio de brasas acesas do altar do holocausto e colocar incenso aromático sobre o fogo, para que a nuvem de incenso cobrisse o propiciatório (a tampa da arca), a fim de que o sacerdote não morresse.
  • Símbolo da Oração: Na tipologia bíblica, o incenso que sobe em suave aroma representa as orações dos santos subindo à presença de Deus (Salmos 141:2). O fogo fala do fervor, e a fumaça, da intercessão que ascende aos céus.

2. As Taças de Ouro no Apocalipse

Texto Base: Apocalipse 5:6-10

O apóstolo João contempla no Céu a cena gloriosa onde o Cordeiro toma o livro:

  • As Harpas e as Taças: Os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos (Apocalipse 5:8).
  • O Valor ETERNO das Orações: As Escrituras revelam que as nossas orações não se dissipam no vento; elas são recolhidas e guardadas em taças de ouro na presença de Deus. Elas fazem parte do cenário da adoração celestial e estão diretamente ligadas aos juízos e desígnios de Deus para a terra.
  • Redimidos para Reinar: O cântico novo entoado naquele momento exalta o Cordeiro que nos comprou para Deus com o Seu sangue, de toda tribo, língua, povo e nação, constituindo-nos reis e sacerdotes para o nosso Deus (Apocalipse 5:9,10). É nessa condição sacerdotal que temos livre acesso para apresentar nossas orações no altar.

3. O Trono da Graça

Texto Base: Hebreus 4:16

"Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno."

  • Acesso Confiante: Graças ao sacrifício perfeito de Cristo (o verdadeiro Cordeiro), o véu se rasgou. Não precisamos mais temer a morte ao nos achegarmos, pois o altar agora é o trono da graça.
  • Provisão Divina: Quando apresentamos nossas orações no altar de Deus, dois elementos nos são garantidos:

Misericórdia: Para o perdão dos nossos pecados e fraquezas.

Graça: O favor imerecido e a força capacitadora para nos ajudar precisamente em tempo oportuno.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos a respeito das “orações dos santos no altar do incenso”, também denominado de “altar de ouro”.

O altar do incenso apontava para a oferenda mais preciosa que podemos oferecer ao senhor: nossas orações e ações de graças.

 “suba a minha oração perante a tua face como incenso...” (salmo 141:2).

“e veio outro anjo e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono. e a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus” (ap.8:3,4).

A queima do incenso era contínua. era queimado todos os dias, de manhã e à tarde, (êx.30:7,8). Deus, assim, queria ensinar o seu povo que a oração dos seus filhos deve ser perseverante.

na bíblia sagrada encontramos exemplos de pessoas que tinham o prazer de orar ao senhor continuamente.

- O salmista Davi assim falou:

“de tarde, e de manhã, e ao meio-dia, orarei, e ele ouvirá a minha voz” (sl.55:17).

- Daniel orava três vezes ao dia:

 “três vezes no dia se punha de joelhos, e orava e dava graça, diante do seu Deus(dn.6:10).

- Paulo, recomendou as seguintes igrejas sobre o perseverar em oração, talvez lembrando do altar do incenso colocado no lugar santo do tabernáculo:

·        à igreja de colossenses, sobre a necessidade de perseverar em oração (cl.4:2).

·        à igreja em Tessalônica, de “orar sem cessar (1ts.5:17).

·        à igreja em Éfeso, para que permanecesse “orando em todo tempo...” (ef.6:18).

·        aos cristãos romanos disse: “perseverai na oração” (rm.12:12).

·        da igreja de Jerusalém, muito antes do ensino de Paulo, se diz que os irmãos “...perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (atos 2:42).

- O senhor jesus recomenda-nos a entrar em nosso quarto, fechar a porta, e, no segredo de nossos aposentos, oferecer clamores e ação de graças ao pai celeste (mt.6:6-13):

“mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu pai, que vê o que está oculto; e teu pai, que vê o que está oculto, te recompensará” (mt.6:6).

O lugar Santíssimo

o lugar santíssimo era o compartimento mais sagrado do tabernáculo. nele continha o objeto mais sagrado de Israel: a arca da aliança. ali deus manifestava a sua glória.

somente o sumo sacerdote podia entrar nesse ambiente sagrado, uma vez por ano, no décimo dia do sétimo mês (lv.23:27; lv.16:1-10; hb.9:7) para aspergir sobre o propiciatório o sangue que havia sido derramado do sacrifício anual feito para expiação dos pecados de todo o povo (lv.16:14,15; 17:11).

tal expiação apontava para o nosso sumo sacerdote por excelência, jesus cristo, o qual entrou na presença do pai oferecendo o seu próprio sangue como propiciação definitiva pelos nossos pecados (rm.3:24,25; hb.9:11-15; 10:10,12).

“mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus” (hb.10:12).

Todos os seres humanos, por causa do pecado, estavam condenados à morte eterna, ou seja, à separação de deus; mas, como jesus morreu em lugar de todos, fez-se propiciação dos nossos pecados, ou seja, permitiu que recebêssemos o favor divino.

Agora, pois, ao crermos em cristo, nossos pecados são perdoados, pois o castigo que merecíamos é atribuído a jesus e, em virtude disto, não mais somos condenados, mas somos absolvidos, ou seja, declarados justos diante de Deus.

1. O véu (êx.26:31).

é a única peça do tabernáculo que separava o lugar santo do lugar santíssimo (êx.26:33). excluía todas as pessoas, com exceção do sumo sacerdote. acentuava que deus é inacessível ao homem pecador.

somente por via do mediador nomeado por deus e do sacrifício do inocente podia o homem aproximar-se de deus.

jesus cristo, nosso sumo sacerdote entrou uma vez e para sempre com seu próprio sangue para fazer propiciação por nossos pecados e expiá-los.

com a morte de jesus, o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo (mc.15:38). agora temos livre acesso à presença do deus da glória.

“e o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo” (mc.15:38).

“tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu” (hb.10:19-23).

2. A arca da aliança.


Era o único móvel do lugar santíssimo. ela representava a própria presença de Deus entre o povo.

medidas: 1,125m de comprimento por 0,675m de largura e 0,675m de altura (êx.25:10), levando em conta o côvado de 45cm.

era construída de acácia e revestida de ouro por dentro e por fora (êx.25:11).

só podia ser carregada pelos sacerdotes (nm.9:15-17; 2sm.6:1-15), que a carregavam nos ombros, assim como faziam com todas as peças do santuário (nm.7:9).

- Sobre a arca havia dois símbolos de grande significado espiritual: dois querubins e o propiciatório.

·        os querubins (êx.25:18-20). duas figuras que representavam seres angelicais que estão no trono com deus (2sm.6:2; is.37:16), que com suas asas cobriam o “propiciatório”. ficavam diante um do outro. com as asas estendidas para cima e o rosto de cada um voltado para o rosto do outro, representavam reverência e culto a deus.

·        o propiciatório. era a tampa da arca. recebia este nome porque era o local onde o mais perfeito ato de expiação era realizado, uma vez por ano, pelo sumo sacerdote.

nele estava simbolizada a misericórdia de deus para com o povo de israel.

O sumo sacerdote fazia a propiciação pelos pecadores através de sacrifícios de animais (lv.4:20, 19:22).

é interessante notar a relação que existe entre o "propiciatório" e as palavras do apóstolo Paulo, quando disse, referindo-se a cristo: "ao qual Deus propôs para propiciação" (rm.3:25).

Jesus, com a sua morte, se torna propício (favorável) ao pecador (não ao pecado), e como sumo sacerdote apresentou a deus o seu próprio corpo em sacrifício como propiciação pelos pecados do ser humano convertido.

A morte de jesus foi propiciatória, pois ele satisfez a Deus que tinha sido ofendido pelo pecado do ho­mem:

“sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em cristo jesus, ao qual  Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus” (rm.3:24,25).

Pela obra de cristo no calvário "o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo" (mt.27:51). este símbolo da separação entre deus e os homens está agora rasgado, e os crentes têm acesso à presença de deus (hb.10:19,20; 4:14-16; rm.5:1,2). aleluia!

- Dentro da arca havia três objetos emblemáticos: as duas tábuas da lei, um vaso de ouro com maná, e mais tarde se incluiu a vara de Arão. estavam ali como testemunho às futuras gerações. lembravam a Israel o concerto e o amor de deus.

·  As tábuas da lei (o decálogo). "na arca porás o documento da aliança que te darei" (êx.25:16).

- Representavam a vontade de Deus para com o povo de israel.

- Simbolizavam também a santidade de deus e a pecaminosidade do homem.

- Lembrava aos hebreus que não se pode adorar a Deus em verdade sem se dispor a cumprir sua vontade revelada.

·       O maná. deus ordenou que fosse colocado dentro da arca um vaso de ouro contendo um gômer (3,7 litros) cheio de maná:

“e disse Moisés: esta é a palavra que o senhor tem mandado: encherás um gômer dele e o guardarás para as vossas gerações, para que vejam o pão que vos tenho dado a comer neste deserto, quando eu vos tirei da terra do Egito. como o senhor tinha ordenado a Moisés, assim Arão o pôs diante do testemunho em guarda” (êx.16:32,34).

- Este recipiente simbolizava a constante provisão divina. a lição de Deus para Israel, como também para o povo de deus da nova aliança, é que os crentes têm de depender Deus dia após dia.

- Tipifica jesus, o pão da vida que desceu do céu - "este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram, e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente" (João 6.58).

provavelmente, este objeto sagrado pode ter sido perdido quando os filisteus capturaram a arca e a conservaram consigo durante algum tempo (veja 1sm.4-6).

·     A vara de Arão que florescera.

então, o senhor disse a Moisés: torna a pôr a vara de Arão perante o testemunho, para que se guarde por sinal para os filhos rebeldes; assim, farás acabar as suas murmurações contra mim, e não morrerão(nm.17:10).

- A vara nos fala da autoridade conferida a alguém. a bíblia diz que deus fez com que essa vara miraculosamente florescesse para confirmar diante do povo a chamada de Arão e de seus descendentes para cuidar do sacerdócio (cf. nm.17:7-11; hb.9:4).

nossa autoridade quando colocada diante de Deus brota, aparece para que todos vejam e saibam que nosso ministério foi realmente dado a nós por deus.

assim como o vaso com maná, provavelmente este objeto sagrado foi perdido durante o controle da arca pelos filisteus (veja 1sm.4-6).

3. Altar do incenso (êx.30:1-10).

à semelhança dos outros móveis da tenda, o altar do incenso era feito de acácia e revestido de ouro, por isso era chamado de altar de ouro (êx.40:26).

- Medida: tinha seus quatro lados iguais; cada lado médio meio metro e sua altura era aproximadamente de um metro (cf.êx.37:25-27).

- Ornamento: os seus ornatos compunham-se de quatro chifres, bordas, quatro argolas e dois varais. tudo revestido de fino ouro.

O sumo sacerdote espargia sangue sobre os chifres do altar uma vez por ano.

“uma vez no ano, Arão fará expiação sobre os chifres do altar com o sangue da oferta pelo pecado; uma vez no ano, fará expiação sobre ele, pelas vossas gerações; santíssimo é ao senhor” (êx.30:10).

isto demonstrava que, embora o culto humano seja imperfeito (rm.8:26,27), somos "agradáveis a si no amado" por seu sangue expiador e sua intercessão perpétua (ef.1:6,7; rm.8:34; hb.9:25).

- Localização: no lugar santo, junto ao véu.

todas as manhãs e todas as tardes, quando preparavam as lâmpadas, o sumo sacerdote queimava sobre esse altar do incenso, utilizando-se de fogo tirado do altar do holocausto, o altar de cobre (lv.16:12).

- Relacionamento com o lugar santíssimo. embora o altar de incenso estivesse no lugar santo, era considerado também parte da mobília do lugar santíssimo juntamente com a arca da aliança (cf. hb.9:3,4). relacionava-se mais estreitamente com o lugar santíssimo do que com os demais móveis do lugar santo.

É descrito como o altar "que está perante a face do senhor" (lv.4:18), como se não existisse o véu entre ele e a arca. portanto, era considerado em conjunto com a arca.

O altar do incenso estava no centro (êx.30:6).

ficava em frente ao véu que separava o lugar santo do lugar santíssimo, a mostrar que a oração é o meio pelo qual se dá o contato entre o homem e Deus

“porás o altar defronte do véu que está diante da arca do testemunho, diante do propiciatório que está sobre o testemunho, onde me avistarei contigo”.

A queima do incenso era contínua (êx.30:7,8).

- Duas vezes por dia acendia-se o incenso sobre o altar e ele ardia durante o dia todo. isto ensina que os filhos de deus devem estar em constante oração.

- Acendia-se o incenso com o fogo do altar dos holocaustos, o que nos leva a notar que a oração aceitável ao senhor se relaciona com a expiação do pecado e a consagração do crente.

- Se o incenso não ardia, não havia cheiro agradável. igualmente, o crente necessita do fogo do espírito santo para que faça arder o incenso da devoção (ef.6:18). As orações frias não sobem ao trono da graça.

o incenso deveria ter uma composição especial (êx.30:34-38), não se admitindo incenso estranho (ex.30:9). composição do incenso para o altar do incenso: “estoraque, ônica e gálbano” (êx.30.34-36).

“disse mais o senhor a moisés: toma especiarias aromáticas, estoraque, e ônica, e gálbano; estas especiarias aromáticas e incenso puro de igual peso; e disto farás incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado, puro e santo; e dele, moendo, o pisarás, e dele porás diante do testemunho, na tenda da congregação, onde eu virei a ti; coisa santíssima vos será”.

- Esta composição especial nos fala que a oração não pode ser feita de qualquer modo, mas deve ter um conteúdo especialmente determinado por Deus, daí porque jesus ter nos ensinado como devemos orar, a fim de que o nosso “incenso” suba até à presença do senhor, onde ele está a interceder por nós (rm.8:34).

- Não podia ser reproduzido, pois era de uso exclusivo do senhor (êx.30:37,38).

“porém o incenso que farás conforme a composição deste, não o fareis para vós mesmos; santo será para o senhor. o homem que fizer tal como este para cheirar será extirpado do seu povo”.

O incenso deveria ser temperado e puro (ex.30:35).

- Isto nos mostra que a oração que agrada a Deus, a oração por ele exigida deve ser temperada, ou seja, deve ser feita com domínio próprio, sem fanatismo, feita conscientemente, com propósito e discernimento.

- Além de temperada, a oração deve ser pura, ou seja, a oração deve ser tal que a pessoa que está orando deve estar devidamente purificada de seus pecados.

As orações dos santos

As orações dos santos são como incenso precioso diante de Deus.

Assim como o perfume da fumaça que o incenso desprendia subia ao céu, os louvores, as rogativas e as intercessões sobem ao senhor como cheiro agradável.

1. A comunhão com Deus exige uma vida de oração.

A comunhão com Deus exige que tenhamos duas ações que são indispensáveis para que estabeleçamos uma "união no mesmo estado de espírito" com Deus: A oração e a leitura da palavra de Deus.

- Oração. é o canal pelo qual o homem exercita a sua submissão a Deus, é a forma pela qual se põe como um verdadeiro servo do senhor, é a própria exteriorização de nossa qualidade de servo de deus.

Nas páginas das escrituras sagradas, vemos, sempre, que os grandes homens de Deus eram homens de oração, bem como que os grandes fracassos espirituais ali descritos têm, como ponto em comum, a falta de oração, a falta de diálogo com Deus.

Quando o homem se distancia de Deus, podemos verificar que o distanciamento se deu, num primeiro instante, pela perda de contato entre o homem e Deus através da oração. eis porque todas as forças do mal buscam retirar o nosso tempo de oração, buscam eliminar a oração do nosso dia a dia.

A oração é a ferramenta que nos coloca em forma para podermos utilizar adequadamente as armaduras de Deus (ef.6:13-18).

Diante de tamanha importância para a oração é preciso que ela seja uma constante tanto na nossa vida pessoal, como também na vida de nossa família e de nossa igreja local, que são os grupos sociais principais aos quais nós participamos.

- A leitura da palavra de Deus. se cremos que a bíblia sagrada é realmente de Deus, temos que levá-la a sério. sendo assim o cristão deve ler a bíblia com amor.

Por que tinha Davi tantos êxitos em sua vida? porque ele não somente buscava a palavra, como demonstrava por ela um grande e aprofundado amor: oh! quanto amo a tua lei!” (sl 119.97a).

Em um outro belo e piedoso verso o salmista manifesta: "alegrar-me-ei em teus mandamentos, que eu amo" (sl 119.47).

todos aqueles que amam e amaram a bíblia sagrada são e foram pessoas abençoadas.

"bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo" (ap.1:3).

2. O cristão deve orar sem cessar (1ts.5:17).

A oração deve ser uma constante em nossas vidas, daí porque Paulo ter dito que devemos "orar sem cessar" (1ts.5:17). ou seja, devemos estar dispostos e prontos a orar ao senhor a cada instante, em cada situação.

devemos ter a nossa mente dirigida para o senhor diuturnamente, de coração e com reverência, mesmo desempenhando nossas tarefas do dia a dia.

"orando em todo tempo com toda oração e súplica no espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos" (ef.6:18).

3. A oração dos santos expressa uma série de verdades.


Orar é o ato pelo qual o crente se dirige a deus para com ele dialogar. é uma atitude que expressa em si, de uma só vez, uma série de verdades, a saber:

a)   Quando oramos, reconhecemos a soberania de deus, pois estamos dizendo que Deus é o único que pode atender aos nossos pedidos, bem como é o único que merece nosso louvor e adoração, que nada mais é que o cumprimento do grande mandamento (mt.22:36,37).

b) Quando oramos, reconhecemos a nossa insuficiência, pois demonstramos a consciência de que tudo está no controle de deus e que, sem ele, nada podemos fazer.

c)  Quando oramos, revelamos a nossa fé, pois demonstramos que nossa confiança está em deus e não em qualquer outro ser, o que significa uma ação que agrada a deus, pois sem fé é impossível agradar-lhe (hb.11:6).

d)  Quando oramos, revelamos a nossa obediência, pois cumprimos a vontade de deus expressa em sua palavra, que quer que oremos sem cessar (1ts.5:17), bem como que imitemos jesus (1co.11:1, 1pd.2:21), cujo ministério terreno foi, sobretudo, um ministério de oração.

e)   Quando oramos, demonstramos o nosso amor para com o próximo, pois intercedemos por eles e, como somos justificados, permitimos que tal oração tenha uma eficácia benévola em suas vidas, o que é o complemento do grande mandamento (mt.22:39,40), bem como a comprovação de que somos filhos de Deus (gl.3:26; 1joão 3:2).

f)    Quando oramos, demonstramos a nossa esperança, pois, ao orarmos, apresentamos nossos desejos diante de Deus, reconhecendo que devemos sempre esperar nele, que é a âncora da nossa vida e esperança (hb.6:19). afinal de contas, sabemos que Deus trabalha por aqueles que nele esperam – porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalhe para aquele que nele espera” (is.64:4).

g)  Quando oramos, toda a nossa vida torna-se uma oferta a Deus. o salmista, conhecendo perfeitamente a simbologia do incenso sagrado, assim orou ao senhor: suba a minha oração perante a tua face como incenso, e seja o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde” (sl.141:2).

CONCLUSÃO

Como está a nossa vida de oração? cultivamo-la diariamente? ou já nos conformamos com o presente século?

A igreja pode transformar o mundo. você pode transformar o mundo. o caminho? uma vida de oração.

Quando nos sentirmos cansados de orar, saibamos que Deus está presente, sempre ouvindo, sempre respondendo, talvez não do modo que esperamos, mas do modo que ele julga ser o melhor para cada um de nós.

é chegado o momento de buscarmos, ainda mais, a presença de Deus (is.55:6).

“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto”.

 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

TRABALHO E PROSPERIDADE

 


TRABALHO E PROSPERIDADE

Texto Bíblico: Provérbios 3:9,10;22:13;24:30-34

“A bênção do Senhor é que enriquece, e ele não acrescenta dores” (Pv 10:22)

Visão Geral sobre Trabalho e Prosperidade na Bíblia

A Bíblia apresenta uma perspectiva rica e equilibrada sobre o trabalho e a prosperidade, integrando a diligência humana com a soberania e a graça de Deus. O versículo citado por você, Provérbios 10:22, sintetiza o princípio fundamental de que a verdadeira prosperidade provém de Deus, sendo uma dádiva que não traz o peso da aflição destrutiva.

1. O Trabalho como Propósito e Vocação

Diferente de visões antigas que viam o trabalho manual como algo inferior ou apenas um castigo, as Escrituras ensinam que o trabalho foi instituído por Deus antes mesmo da queda do homem (Gênesis 2:15).

  • Dignidade e Esforço: O labor diário é o meio ordinário pelo qual o ser humano exerce sua criatividade, sustenta sua família e serve à sociedade.

"Todo o trabalho árduo traz proveito, mas a palestra fútil leva à pobreza." (Provérbios 14:23)

  • Excelência e Integridade: O modo como o trabalho é executado importa para Deus. A honestidade e a dedicação são marcas de quem trabalha como se estivesse servindo ao próprio Criador.
    • "Tudo o que fizerem, façam-no de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens" (Colossenses 3:23)

2. A Origem e o Sentido da Prosperidade

A prosperidade bíblica não se restringe unicamente ao acúmulo de bens materiais, abrangendo também a paz, a sabedoria, a saúde espiritual e a provisão diária.

  • A Graça Divina: Como expressa o texto de Provérbios 10:22, os esforços humanos por si só não garantem o sucesso duradouro se Deus não abençoar. A bênção divina capacita o indivíduo a desfrutar do fruto do seu trabalho com tranquilidade.
  • Equilíbrio e Mordomia: Os bens materiais são vistos como depósitos confiados por Deus aos cuidados do homem. O próspero segundo a Bíblia é aquele que age com generosidade e justiça.
    • "Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão os teus celeiros abundantemente" (Provérbios 3:9-10)

3. O Perigo da Ganância e a Centralidade de Deus

As Escrituras advertem constantemente contra os desvios de caráter associados à busca desmedida por riquezas:

  • O Amor ao Dinheiro: O problema não é o dinheiro em si, mas a posição que ele ocupa no coração humano.
    • "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se erraram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." (1 Timóteo 6:10)
  • Contentamento: A verdadeira riqueza espiritual caminha lado a lado com a gratidão e a moderação.
    • "De fato, a piedade com contentamento é grande lucro. Pois nada trouxemos para este mundo, e dele nada podemos levar." (1 Timóteo 6:6-7)

Resumo dos Princípios Bíblicos

Dimensão

Perspectiva Bíblica

Referência Principal

Origem

O trabalho é dom de Deus e dignifica o ser humano.

Gênesis 2:15

Atitude

Deve ser feito com diligência, honestidade e excelência.

Eclesiastes 9:10

Prosperidade

É concedida por Deus ("a bênção do Senhor é que enriquece").

Provérbios 10:22

Propósito

Sustento próprio, apoio à família e generosidade com o próximo.

Efésios 4:28

 

INTRODUÇÃO                                                                       

A necessidade de trabalhar faz parte da natureza do homem.  Esta afirmação é verdadeira pelo fato de o homem ter sido criado “a imagem e conforme à semelhança de Deus”. Assim, o homem não foi criado para ser inerte, parado, sem vida. Trabalhar é estar em ação, em atividade. O trabalho feito com prazer, especialmente por aqueles que têm consciência de que estão cumprindo a vontade de Deus, não apenas dignifica o homem como também o vitaliza, pois, conforme afirmou Salomão“em todo o trabalho há proveito...” (Pv 14:23).

Para o homem sem Deus, ou até para aquele que se diz “crente”, mas não conhece a Palavra de Deus, trabalhar se torna uma obrigação, um agente gerador de ansiedade. Trabalham, mas, trabalham de mal com o trabalho, vendo na pessoa do patrão, um agente escravizador. Isto não pode acontecer com aquele que conhece a Palavra de Deus. Afirmo que o trabalho foi instituído por Deus, mesmo antes da queda do homem. Trabalhar, portanto, significa cumprir a vontade de Deus. Para um filho de Deus ter um trabalho e poder tirar dele sua subsistência deve ser considerada como uma benção, não como um sacrifício. Você já agradeceu a Deus, hoje, pelo seu emprego, ou pela sua profissão?

Neste estudo falaremos  “algumas das metáforas usadas pelo sábio para tratar da natureza do trabalho e sua importância. Elas revelam que o labor é uma condição necessária à expressão humana”. Para aqueles que ainda não sabem, metáfora é a comparação de palavras em que um termo substitui outro. É uma comparação abreviada em que o verbo não está expresso, mas subentendido. Por exemplo, ao dizer que o irmão "está forte como um touro", certamente, não significa que ele se pareça fisicamente com o animal, mas que ele está tão forte que faz lembrar um touro, comparando a força entre o animal e o indivíduo. Usando a metáfora da formiga: “vai ter com a formiga, ó preguiçoso” (Pv 6:6). Isto quer dizer: mova-se, tome uma atitude na vida, sai dessa preguiça, trabalhe com ousadia e determinação! “Era dessa forma que os sábios da antiguidade ensinavam, pois quando se entende tais metáforas, compreende-se melhor a natureza do trabalho”, afirma o pr. José Gonçalves.

I. A METÁFORA DO CELEIRO E DO LAGAR (Pv 3:9,10)


“Honra ao SENHOR com a tua fazenda e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão os teus celeiros abundantemente, e trasbordarão de mosto os teus lagares”.

Lagar:

“Palavra que é usada indiscriminadamente a respeito do instrumento no qual as uvas eram esmagadas, ou a respeito do balde que aparava o suco daí resultante. Sua plenitude era sinal de prosperidade, enquanto quando o lagar estava ‘seco’ havia a representação simbólica de fome.

“É o vocábulo usado metaforicamente em Is 63:3, e também em Jl 3:13, onde o lagar cheio e transbordante indica a grandeza do morticínio de que o povo estava ameaçado. Faz parte de uma notável símile, em Lm 1:15; e em Ap 14:28-20, forma parte da linguagem apocalíptica que se segue à predição sobre a queda de Babilônia” (Novo Dicionário da Bíblia – J.D. Douglas).

1. A dádiva que faz prosperar. Dentre as muitas metáforas usadas por Salomão para se referir ao trabalho, encontramos a metáfora do “celeiro” e do “lagar”. O sábio aconselha: “Honra ao SENHOR com a tua fazenda e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão os teus celeiros abundantemente, e trasbordarão de mosto os teus lagares”. Aqui, temos um apelo a favor do uso apropriado das posses materiais. No final das contas, o homem é um mordomo, e tudo que ele tem pertence a Deus (Salmos 50:10-12 e 24:1). Quando ele honra a Deus com parte do seu progresso, ele vai ser abençoado materialmente - “e se encherão os teus celeiros”. Temos aqui um princípio de mordomia e não uma garantia de riquezas materiais. Podemos confiar a Deus as nossas dádivas e que Ele garante a provisão das nossas necessidades materiais (Mt 6:33). O mordomo cristão nunca precisa temer que vai ser o perdedor ao dar a Deus (Ml 3:8-10). Ninguém perde porque crê ou porque obedece. O homem de Deus não é um servo relutante, mas um mordomo feliz e responsável.

É válido ressaltar que uma vida próspera não é somente resultado do sucesso financeiro, mas, sim, da obediência a Deus, da fidelidade e da santidade (Pv 3:3,4). Como cristãos, podemos afirmar que nossas riquezas são e serão sempre intangíveis e nunca somente monetárias. Atualmente, os crentes têm sido iludidos quando o assunto é prosperidade. Eles tendem a relacionar o “ser próspero” ao dinheiro e bens materiais. Muitos estão buscando desesperadamente os bens materiais. Querem ser ricos a todo o custo e acabam desprezando a Deus, tropeçando e perdendo o bem precioso, a salvação. Por isso Jesus adverte: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16:26). “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12:20).

Não podemos ser influenciados pela maneira de pensar deste mundo (Rm 12:2). Para alguns, o "TER" passou a ser mais importante que o "SER". O materialismo estimula as pessoas a viverem para TER. Porém, a ênfase do cristianismo bíblico está em viver para SER. Somos desafiados a viver para sermos santos, luz do mundo e sal da terra em meio a uma geração que vive para TER. É evidente que como seres terrenos temos que trabalhar com ousadia, integridade e dedicação para conquistar os recursos materiais necessários para nossa sobrevivência e contribuir para o reino de Deus. Contudo, a Bíblia condiciona a prosperidade do homem a uma vida de obediência ao Senhor. Não é possível ter-se felicidade, bem-estar, alegria, sucesso e êxito se o indivíduo não cumprir a lei do Senhor, não O buscar de todo o seu coração.

A Verdadeira prosperidade, portanto, é o resultado da obediência, é fruto de um estado espiritual de comunhão com Deus. Jesus encontrou pessoas materialistas, como o jovem rico, que preferiu suas próprias riquezas em vez das riquezas do reino. Mas ele também encontrou pessoas como Zaqueu, que foram capazes de trocar o materialismo pelos valores do reino. Pertencer ao Reino de Deus é está diretamente ligado ao "SER" - ser benigno, ético, compassivo etc.

2. A bênção que enriquece “A bênção do Senhor é que enriquece, e ele não acrescenta dores” (Pv 10:22). Não podemos negar e nem deixar de ser gratos por essa vida, pois, para os crentes e demais homens, ela é um testemunho da bondade e misericórdia de Deus. Os bens materiais, inclusive o dinheiro, são bênçãos que Deus nos concede para usufruirmos dele e beneficiar o próximo e a obra de Deus. Seria hipocrisia de nossa parte negar que o dinheiro é um bem apreciável, pois quanto mais recursos financeiros uma pessoa possui, mais oportunidades ela tem para oferecer uma educação melhor aos seus descendentes, investir em sua saúde, adquirir bens que serão utilizados de forma razoável e confortável, e abençoar a obra de Deus de forma generosa. Mas, precisamos entender também que o dinheiro é um ótimo servo, mas um senhor impiedoso se o colocarmos nessa posição também. Se não tivermos nossas vidas diante de Deus, perderemos o foco da verdadeira prosperidade: um relacionamento com o Doador, e não com a dádiva. Não foi à toa que Jesus falou contra Mamom e os perigos do relacionamento com ele.

Fazer a vontade de Deus e manter uma estreita comunhão com Ele é o segredo para se ter uma vida próspera. Independentemente das circunstâncias que estejamos passando, temos a certeza de que o bom Pastor e Bispo de nossas almas nunca nos desampara. Ele está conosco em meio aos pastos verdejantes, e não nos abandona quando temos que enfrentar os vales e os desertos da vida. Somente em Jesus temos a verdadeira prosperidade. É somente quando a bênção de Deus estiver presente que o celeiro e o lagar se encherão e transbordarão. “É a bênção divina que faz a distinção entre ter posses e ser verdadeiramente próspero, pois é possível ser rico, mas não ser feliz”.

II. A METÁFORA DA FORMIGA (Pv 6:6-11)



“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos e sê sábio. A qual, não tendo superior, nem oficial, nem dominador, prepara no verão o seu pão; na sega ajunta o seu mantimento. Ò preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco de sono, um pouco tosquenejando, um pouco encruzando as mãos, para estar deitado, assim te sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado” (Pv 6:6-11).

1. As formigas sabem poupar. Em Pv 6:6-11, o sábio nos adverte a aprender com as formigas. Numa época em que as mudanças ocorrem numa rapidez que nos atordoa, nossa única defesa é a tentativa de antecipar, como as formigas fazem, o amanhã e nos prepararmos, desde já, para responder aos desafios que o futuro nos apresentará. O segredo para ter mais segurança quanto ao futuro é fazermos planos e trabalharmos baseados neles agora. A conhecida passagem de Tiago 4:13-16 nos diz para não fazer planos para o futuro, e sim para nos darmos conta de que todos os planos para o crente são declarações de fé. É à nossa maneira de dizermos: “Senhor, é isso o que acreditamos que quer que façamos, e é isso que temos a intenção de fazer. Se quiseres nos dirigir para o outro caminho, estamos abertos à tua orientação. Enquanto isso, prosseguimos adiante pela fé”. Portanto, precisamos fazer planos e oferecê-los como declarações de fé ao Senhor como nosso compromisso a Ele. Prepare-se, pois seu futuro depende, em grande parte, do que você fizer hoje.

2. A Bíblia condena o preguiçoso. Sobre a Preguiça, a Bíblia diz: “A preguiça faz cair em profundo sono, e a alma enganadora padecerá fome” (Pv 19:15); “Pela muita preguiça se enfraquece o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa” (Ec 10:18). Num mundo competitivo como o nosso, ninguém pode se dar ao luxo da preguiça.  Com acerto afirmou Elifaz a Jó: “Mas o homem nasce para o trabalho, como as faíscas das brasas se levantam para voar” (Jó 5:7). Isto corrobora a nossa afirmação de que o trabalho foi instituído por Deus e que é uma exigência da natureza do homem. Em sendo assim, e assim é, então queremos crer que não existe crente que conhece a Palavra e que seja preguiçoso. Isto porque o crente, sendo nascido de novo, é filho de Deus; como filho, ele é participante da natureza divina, conforme declara Pedro: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude, pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina...” (2Pedro 1:3-4). Assim, crente que é filho de Deus não pode ser preguiçoso, pois, a inércia, a inatividade, e outros atributos que caracterizam a preguiça, não fazem parte da natureza Divina. Lembre-se: o tempo é matéria-prima da vida. Precisamos tomar consciência de sua importância e de como aproveitá-lo melhor.

III. A METÁFORA DO LEÃO (Pv 22:13; 26:13)

“Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas” (Pv 22:13). “Diz o preguiçoso: Um leão está no caminho; um leão está nas ruas” (Pv 26:13).

Aqui nestas duas metáforas, vemos as desculpas esfarrapadas do preguiçoso. Esse é o tipo de pessoa que sempre acha boas razões para justificar a sua preguiça – “mais sábio é o preguiçoso a seus olhos do que sete homens que bem respondem” (Pv 26:16). Note-se que o preguiçoso não é nenhum anormal. Frequentemente é um homem comum que usou desculpas demais, recusas demais e adiamentos demais. Isso explica, pelo menos em parte, por que a pobreza chega à casa dele. Ela surge como um ladrão, e nada a pode impedir, porque é o fruto da indolência e da procrastinação – “assim te sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado” (Pv 6:11).

Para superar a preguiça, devem ser dados alguns pequenos passos em direção à mudança. É necessário estabelecer uma meta concreta e realista, verificar quais são os passos necessários para alcançá-la e segui-los. Deve-se orar, pedindo a Deus força e persistência. Para que as desculpas não tornem alguém inútil, é necessário parar de dar desculpas vãs. A preguiça é mais perigosa do que um leão.

IV. O TRABLHO E A METÁFORA DOS ESPINHEIROS (Pv 24:30-34)



30. Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento;

31e eis que toda estava cheia de cardos, e a sua superfície, coberta de urtigas, e a sua parede de pedra estava derribada.

32. O que tendo eu visto, o considerei; e, vendo-o, recebi instrução.

33. Um pouco de sono, adormecendo um pouco, encruzando as mãos outro pouco, para estar deitado,

34. assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.

O preguiçoso só vê dificuldades. O caminho do preguiçoso não é cercado de espinhos, mas é como se fosse. O problema não existe, mas por causa de sua preguiça ele age como se existisse. O preguiçoso vê dificuldade em tudo. Ele não procura trabalho porque parte do pressuposto de que todas as portas da oportunidade lhe estarão fechadas. Ele não se dedica aos estudos porque está convencido de que não vale a pena estudar tanto para depois não ter recompensa. Ele só enxerga espinhos na estrada da vida enquanto dorme o sono da indolência.

É diferente a vereda dos retos. Mesmo que haja espinhos, o homem reto os enfrenta. Mesmo que a estrada seja sinuosa, ele a endireita. Mesmo que haja vales, ele os aterra. Mesmo que haja montes, ele os nivela. O homem reto é aquele que transforma dificuldades em oportunidades, obstáculos em trampolins, desertos em pomares e vales em mananciais. Ele não foca sua atenção nos problemas, mas investe toda a sua energia na busca de soluções. (1)

1. Trabalho, prosperidade e espiritualidade! Enquanto passeava pelo campo, o sábio observou a vinha de um preguiçoso, e eis que tudo estava cheio de espinhos. Havia mato e urtigas por todo lado, e o muro de pedra estava em ruínas. O sábio extraiu uma lição desse episódio: o indivíduo que gosta de dormir muito e está sempre em repouso será assaltado pela pobreza repentina como quem encontra um ladrão armado. Se a preguiça nos afastar de nossas responsabilidades, a pobreza poderá afastar-nos do legitimo descanso que deveríamos desfrutar.

Aqueles que sucumbem à preguiça espiritual tem a vida (representada pela vinha) infestada de problemas (espinhos e urtigas) e não produzem fruto para Deus. As defesas espirituais (o muro de pedra) caem por terra, e Satanás expande sua área de atuação. Essa situação de desinteresse e apostasia resulta em pobreza de alma.

2. Trabalho, ócio e lazer. Um homem normal não pode viver sem trabalho. Não se trata de precisar ou não trabalhar pela sobrevivência; trata-se de uma exigência da natureza humana, e isto procede de Deus. Deus não criou o homem para viver em ociosidade. Quem, decididamente, se entrega ao ócio, e se deixa dominar pela preguiça, acaba doente. São estas pessoas as frequentadoras contumazes dos divãs dos psicanalistas, e dos consultórios dos psicólogos.

O trabalho é uma das demonstrações mais eloquentes da dignidade da pessoa humana. Ora, se Deus fez o homem para servi-lo, para que executasse tarefas que exaltassem o nome do Senhor, é praticamente intuitivo que todo e qualquer ser humano que se disponha a se submeter ao senhorio de Deus seja alguém que tenha no trabalho uma de suas principais marcas. Não é por outro motivo, aliás, que, ao longo da história sagrada, não encontramos jamais alguém que tenha sido chamado por Deus que não estivesse trabalhando. Deus jamais chamou e jamais chamará desocupados para a sua obra, porquanto o ócio é algo que está em frontal oposição ao que Deus é, ao que Deus representa.

Em sendo assim, temos que todo povo chamado e constituído por Deus é um povo que tem no trabalho, no serviço, um ponto característico. A Igreja, o povo de Deus da atual dispensação, não é exceção. Muito pelo contrário, Jesus sempre deixou bem claro que os seus discípulos deveriam ser pessoas que estivessem prontas e dispostas a servir, a executar tarefas para a glória do nome do Senhor.

CONCLUSÃO

O trabalho além de dignificar o homem, o faz prosperar. Diante do Senhor ninguém será considerado ‘mais crente’ por se ocupar somente de coisas espirituais e negligenciar as práticas materiais. Em muitos casos, aqueles que alegam ‘trabalharem somente para Jesus’, na verdade, estão dando trabalho para a igreja. Dizem que vivem da fé, mas na verdade vivem da boa-fé dos outros. A esses, mais uma vez Salomão aconselha: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos e sê sábio” (Pv 6:6). Os homens mais espirituais da Bíblia viviam nos labores dos seus trabalhos (2).

Portanto, uma pessoa normal não pode viver sem trabalhar, mesmo não precisando prover sua subsistência. É claro que muitos, embora desejando trabalhar, são impedidos, quer por incapacidade física, mental ou social. Estes, em sendo necessário, devem ser ajudados pelo Serviço Social da Igreja, ou por algum “irmão”, em particular. Por isto Paulo usou a expressão “... se alguém não quiser trabalhar, não como também” (2Tes 3:10).

 

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