segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O DRAMA NA VIDA DE JÓ


O DRAMA NA VIDA DE JÓ

 

TEXTO BÍBLICO: Jó 1:13-22; 2:6-8

 “E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR” (Jó 2:21).

O livro de Jó é uma das obras mais profundas da literatura mundial, abordando a questão universal: "Por que os justos sofrem?". Ele nos convida a sair da lógica da retribuição (fazer o bem para receber o bem) e entrar na lógica da confiança absoluta em Deus.

REFLEXÃO:

1. O Perfil de Jó: Integridade e Prosperidade

A Bíblia descreve Jó não como um homem perfeito (sem pecado), mas como alguém íntegro e reto (Jó 1:1). Sua vida era marcada por:

  • Temor a Deus: Ele evitava o mal ativamente.
  • Sacerdócio Familiar: Intercedia constantemente por seus filhos.
  • Abundância: Era o homem mais rico do Oriente, o que, na época, era visto como sinal direto da bênção divina.

2. O Cenário do Sofrimento

O sofrimento de Jó não foi causado por negligência ou pecado, mas por um embate espiritual. Ele perdeu tudo em três esferas:

  1. Bens Materiais e Servos: Sua economia foi devastada.
  2. Família: A perda trágica de todos os seus dez filhos.
  3. Saúde Física: Foi atingido por uma enfermidade terrível (úlceras malignas) da cabeça aos pés.

Nota: O "adversário" argumentava que Jó só servia a Deus por interesse. O sofrimento de Jó serviu para provar que a fé verdadeira não depende de benefícios.

3. Os Três Ciclos de Diálogo

Grande parte do livro é ocupada pela conversa de Jó com seus amigos (Elifaz, Bildade e Zofar). O erro deles foi tentar encaixar o sofrimento de Jó em uma fórmula teológica rígida:

  • A lógica dos amigos: "Se você está sofrendo, é porque pecou. Arrependa-se e a prosperidade voltará."
  • A resposta de Jó: Ele defende sua inocência. Ele não entende o "porquê", mas clama por um mediador (um advogado) diante de Deus.

4. A Resposta de Deus e a Restauração

Deus finalmente responde a Jó, mas não com explicações, e sim com perguntas. Ele aponta para a complexidade da criação para mostrar que a mente humana é limitada demais para compreender os desígnios divinos.

  • O Quebrantamento: Jó reconhece sua pequenez: "Antes eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem" (Jó 42:5).
  • A Oração pelos Amigos: A restauração de Jó começa quando ele ora por aqueles que o julgaram.
  • O Dobro de Tudo: Deus restaura a sorte de Jó, dando-lhe o dobro do que possuía antes e uma nova família.

Lições Práticas para Hoje

  • O sofrimento não é necessariamente um castigo: Às vezes, é um processo de refinamento ou um mistério que só Deus compreende.
  • Deus aguenta o nosso desabafo: Jó foi honesto com sua dor, e Deus o chamou de servo fiel, ao contrário dos amigos que tentaram "defender" Deus com mentiras.
  • A soberania divina: No fim, o livro de Jó não explica a origem do mal, mas nos apresenta ao Deus que está acima dele.

Jó 1:

13.E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa de seu irmão primogênito,

14.que veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles;

15.e eis que deram sobre eles os sabeus, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e eu somente escapei, para te trazer a nova.

16.Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu; e só eu escapei, para te trazer a nova.

17.Estando ainda este falando, veio outro e disse: Ordenando os caldeus três bandos, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e só eu escapei, para te trazer a nova.

18.Estando ainda este falando veio outro e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito,

19.eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei, para te trazer a nova.

20.Então, Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou,

21.e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR.

22.Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.

Jó 2:

6.E disse o SENHOR a Satanás: Eis que ele está na tua mão; poupa, porém, a sua vida.

7.Então, saiu Satanás da presença do SENHOR e feriu a Jó de uma chaga maligna, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. 8 E Jó, tomando um pedaço de telha para raspar com ele as feridas, assentou-se no meio da cinza.  

8.E Jó, tomando um pedaço de telha para raspar com ele as feridas, assentou-se no meio da cinza.

INTRODUÇÃO

Estudo sobre a vida de Jó trataremos da calamidade que se abateu sobre a vida deste icônico patriarca. De uma vida abastada, piedosa e fraternalmente estruturada, Jó mergulhou em um mar de calamidades. Esse homem foi elevado às alturas excelsas e despencou de lá. Sofreu os golpes mais duros. Perdeu seus bens, seus filhos, a saúde, o apoio de sua mulher e de seus amigos. Caiu não apenas ao chão, mas desceu aos vales mais tenebrosos. Foi nocauteado e jogado na lona sem nenhuma força para se levantar. Sua vida tornou-se um verdadeiro drama. Contudo, o drama de Jó nos ensina que, por pior que seja a situação, pôr mais sombria que seja a realidade, Deus é poderoso para reverter o quadro e trazer-nos à tona para respirar. A partir desse drama temos a oportunidade de refletir a respeito do sofrimento e o modelo de comportamento que o cristão deve ter para a própria vida diante das adversidades. Com Deus, nossas noites escuras e frias podem converter-se em manhãs cheias de luz e calor.

I. TRAGÉDIA DE NATUREZA ECONÔMICA

1. Jó, um homem financeiramente realizado

O texto sagrado afirma que Jó era o homem mais rico de sua geração no Oriente, era o maior empresário rural de seu tempo - “possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; tinha também muitos servos que trabalhavam para ele, de modo que era o homem mais rico de todos os do Oriente” (Jó 1:3). Muitos igualam Jó a grandes industriais e empresários da atualidade.

A vida de Jó refuta a ideia de que pessoas ricas não podem ser piedosas. A riqueza não é um pecado, nem a pobreza é uma virtude. A riqueza quando honestamente adquirida é uma bênção. É Deus quem fortalece as nossas mãos para adquirirmos riquezas. Riquezas e glórias vêm do próprio Deus.

À sua época, Jó superava todos os seus concorrentes. Ninguém se comparava a ele no que concernia à prosperidade financeira e à piedade pessoal. Jó era um homem realizado em sua vida financeira, em sua vida familiar e em seu relacionamento com Deus; sua prosperidade não era fundamentada somente no “ter”, mas, principalmente, no “ser”.

Jó sabia que a sua riqueza vinha de Deus, e sabia que seu amor deveria ser endereçado a Deus, e não às dádivas de Deus. Ele tinha convicção plena de que o abençoador é melhor do que a bênção e que o doador é melhor do que suas dádivas. Quando o homem entende que tudo vem de Deus e tudo pertence a Deus, não tem dificuldade de colocar esse tudo nas mãos de Deus. O homem não trouxe nada para este mundo, nem vai levar nada dele.

2. O colapso do patrimônio de Jó

Satanás não aceitou que um homem ultra milionário como Jó permanecesse íntegro, justo e temente a Deus, e que se desviava do mal. Por isso, ele intentou afastar Jó de Deus, procurando fazer com que ele acreditasse que o governo de Deus sobre o mundo não é bom ou justo. De repetente, Satanás, o acusador, compareceu perante Deus alegando que Jó só confiava Nele porque era rico, e tudo lhe corria bem. Com a permissão de Deus, Satanás saiu da sua presença e, de forma implacável, atacou os bens de Jó. Num único dia, ele arregimentou os caldeus, os sabeus e fez o fogo descer, e, num rastilho de pólvora, todos os bens desse rico patriarca foram saqueados e destruídos. O relato bíblico é comovente:

Certo dia, quando os filhos e filhas de Jó comiam e bebiam vinho na casa do irmão mais velho, um mensageiro foi até Jó e lhe disse: Os bois estavam lavrando e as jumentas pastavam perto deles; então os sabeus os atacaram e os levaram. Eles ainda mataram os servos ao fio da espada, e só eu escapei para trazer-te essa notícia. Enquanto o mensageiro ainda falava, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, queimou as ovelhas e os servos e os consumiu; só eu escapei para trazer-te essa notícia. Enquanto ele ainda falava, veio outro e disse: Os caldeus dividiram-se em três grupos, atacaram os camelos e os levaram, e ainda mataram os servos ao fio da espada; só eu escapei para trazer-te essa notícia (Jó 1:13-17).

E assim, o homem mais rico do mundo foi à falência. O grande empresário rural perdeu tudo e foi à bancarrota. Seu império econômico entrou em colapso. Como uma avalanche, as notícias foram chegando a Jó, informando-lhe que seus bens estavam sendo dissipados. As coisas aconteciam com uma celeridade incomum. Não dava tempo sequer para respirar. Jó não conseguia elaborar um plano para estancar essa hemorragia que sangrava sua economia. Não teve tempo para debelar o fogo nem mesmo para resistir ao ataque fulminante dos caldeus e sabeus. Jó, o homem mais rico do Oriente, faliu. Sua fortuna, como um castelo de areia, ruiu. Seus rebanhos ficaram nas mãos de ladrões impiedosos. Seus campos foram lambidos pelo fogo. Nada sobrou de toda a riqueza que ostentava. Tudo estava perdido!

Diante de tão grande tragédia, será que Jó blasfemaria de Deus? Será que Jó ergueria seus punhos contra Deus? Será que da boca de Jó sairiam torrentes de blasfêmias? Será que Jó negaria seu Deus no vale da prova? Será que a fidelidade de Jó estava fundamentada apenas nas benesses recebidas das mãos divinas? Será que a crença de Jó era apenas uma barganha, um negócio lucrativo ou uma troca de favores? Qual foi a atitude desse patriarca ao perder todo o seu patrimônio – indústrias, comércio e agronegócio?

Muitos indivíduos quando são atingidos pelos terremotos financeiros, desesperam-se; outros insurgem-se contra Deus; outros cometem suicídio e dão cabo da própria vida. O que fez, então, Jó? O texto sagrado afirma que no exato momento que sofreu o golpe, o patriarca prostrou-se não para blasfemar contra Deus, mas para adorá-lo. Longe de atribuir a Deus qualquer culpa ou revoltar-se contra o Altíssimo, afirmou: Eu saí nu do ventre de minha mãe, nu voltarei para lá” (Jó 1:21). Assim, Jó estava dizendo que a razão de sua vida não tinha como fundamento os bens que granjeara nem a riqueza que ostentava. Jó tinha plena consciência de que não havia trazido nada para este mundo nem levaria nada dele. Jó sabia que os bens são dádivas de Deus, que riqueza e glória vêm de Deus, mas que a vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui (Lc.12:15). Jó definitivamente triunfou sobre a investida de Satanás. O relato bíblico é enfático: Em tudo isso Jó não pecou, nem culpou a Deus coisa alguma” (Jó 1:22).

II. TRAGÉDIA DE NATUREZA FAMILIAR


1. Os Filhos

A maior riqueza de Jó não eram suas propriedades nem seus rebanhos, mas sua família. Ele tinha dez filhos. Não obstante serem muitos, abastados e ricos, conservavam estreita amizade. Eram unidos. Celebravam juntos. Essa unidade familiar não foi costurada sem esforço - Jó era o grande arquiteto dela.

Ele era um pai piedoso e também um pai intercessor. Jó dedicava o melhor do seu tempo para orar pelos filhos, para colocar-se na brecha em favor deles. Chamava os filhos e exortava-os a não pecar contra Deus. A preocupação principal de Jó não era com a reputação dos filhos, mas com a glória de Deus. Ele tinha preocupação de que seus filhos pecassem contra Deus em seu coração. Apenas aparência de piedade não servia para Jó. Tomava cuidado para que seus filhos não caíssem nas malhas da hipocrisia.

Mesmo sendo um pai tão zeloso, a tragédia um dia bateu à porta de sua casa. Mesmo sendo um pai intercessor, um dia a crise se instalou em sua família. Mesmo cumprindo cabalmente seu papel de sacerdote do lar, um dia a tempestade desabou sobre sua cabeça. No mesmo dia em que perdeu todos os seus bens, chegou-lhe a amarga notícia de que seus filhos, reunidos na casa do primogênito, sofreram um trágico acidente, e a casa desabou sobre todos eles, vindo todos a óbito. Eis o dramático relato:

“Enquanto ele ainda falava, veio outro e disse: Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho; veio um forte vento do deserto, atingiu os quatro cantos da casa. que caiu sobre os jovens, e eles morreram. Só eu escapei para trazer-te essa notícia” (Jó 1:18,19).

Depois de sofrer o golpe da falência patrimonial, agora Jó sofre a dor do luto - o luto pelos dez filhos. Esse pai, arruinado financeiramente, agora precisou sepultar seus dez filhos num único dia. Como esse homem voltou do cemitério? Como recomeçou a vida? Como encontrou alento para dar os primeiros passos? O que fazer nessas horas? Jó havia perdido coisas e pessoas; havia perdido os bens e os filhos; estava despojado de suas riquezas e de sua família. Parecia que esse homem só tinha passado e mais nenhum futuro. O presente havia mostrado a ele sua carranca. Os golpes tinham sido profundos demais, e ele estava sem fôlego para prosseguir.

“Esta foi a maior das perdas de Jó, e que o atingiu mais de perto; e por isso o Diabo a reservou para o final, para que se outras contrariedades falhassem, esta pudesse fazê-lo amaldiçoar a Deus. Nossos filhos são partes de nós mesmos; é muito difícil separar-nos deles, e isso fere um bom homem de maneira mais profunda possível. Mas separar-se de todos eles de uma vez, e o fato de estarem todos mortos, sim, aqueles que haviam sido por tantos anos a sua preocupação e a sua esperança, era algo que o atingia realmente no âmago do seu ser” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.10).

2. A reação de Jó

Qual foi a reação de Jó diante de tão fatídica tragédia? O mesmo Jó que já havia prevalecido no primeiro round da luta se manteria de pé nessa nova investida de Satanás? Ergueria Jó seus punhos contra Deus? Será que Jó pecaria contra Deus ao sofrer tão amarga perda? Será que Satanás ganharia esse round da luta? Será que Satanás estava certo em dizer que ninguém ama mais a Deus do que à família? Será que a devoção do homem a Deus fica sempre aquém de seu amor aos filhos?

Para desespero de Satanás, Jó não blasfemou contra Deus, mas adorou-o com o coração quebrantado. A reação de Jó, ao receber a notícia fatídica da morte de seus filhos, foi prostrar-se, cobrir-se de pó e adorar a Deus. Ele se levantou, rasgou o manto, rapou a cabeça, prostrou-se no chão, adorou e orou:

“Eu saí nu do ventre de minha mãe, e nu voltarei para lá. O SENHOR o deu, e o SENHOR o tirou; bendito seja o nome do SENHOR. Em tudo isso Jó não pecou, nem culpou a Deus por coisa alguma” (Jó 1:20-22).

Diante de tão admirável atitude, destacamos três verdades (Adaptado do livro “As teses de Satanás, de Hernandes Dias Lopes):

-Primeiro, Jó tinha plena convicção de que os filhos eram presentes de Deus. Foi Deus quem os deu, e só Ele podia tirá-los dele. Jó sabia que os seus filhos tinham vindo de Deus, pertenciam a Ele e deviam ser entregues e consagrados a Deus.

-Segundo, Jó tinha plena convicção de que Deus é soberano para tomar os filhos conforme o seu perfeito propósito. Não importa se os agentes que ceifam a vida dos filhos são perversos; só Deus tem o poder de dar a vida e de tirá-la (1Sm.2:6). Até mesmo nas maiores tragédias é Deus quem está no controle. Até mesmo quando Satanás está agindo, é a mão da providência de Deus que está governando. Mesmo que a providência seja carrancuda, a face benevolente de Deus está voltada para nós. Os dramas da nossa vida não apanham Deus de surpresa nem desafiam sua providência. Mesmo quando cruzamos os vales mais escuros, é a mão de Deus que dirige o nosso destino.

-Terceiro, Jó tinha plena convicção de que devemos adorar a Deus pelos nossos filhos, seja na vida, seja na morte. Nem sempre a providência divina vem a nós com largos sorrisos. Às vezes, a providência se torna carrancuda. Às vezes, sofremos golpes profundos e aprendemos pelas coisas que sofremos. Deus não é Deus apenas das horas alegres, mas também das horas tristes. Deus é digno de ser adorado não apenas na hora do nascimento, mas também na hora da morte. Nossa adoração a Deus é incondicional e ultra circunstancial.

3. A reação da esposa de Jó


A reação da mulher de Jó diante das tragédias acometidas - sobre o seu marido, o patrimônio da família, seus filhos -, deixou-a em estado de choque e falou coisas típicas de pessoas desesperadas, descontroladas, e revoltadas com tudo e com todos. Seu desespero foi tão forte que quis empurrar Jó para o abismo, sugerindo a ele pisotear seus valores, abandonar sua fé e lançar-se nos braços da morte.

Muitos casamentos não suportam uma tragédia financeira no lar como esta. A mulher de Jó ordenou-lhe a abrir mão de seus absolutos, amaldiçoar a Deus e morrer. Ela disse a Jó: “... Tu ainda te manténs íntegro? Amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2:9). Ela não suportou a sucessão de tantas perdas. Decepcionada com Deus, estava disposta a virar a mesa e abandonar todos os valores e princípios que haviam regido até então sua vida. Nota-se que sua fidelidade a Deus era condicional; ela mantinha sua devoção apenas nos dias áureos. Sua fé era circunstancial, e sua ética, situacional.

Mesmo mergulhado num caudal de sofrimento e dor, Jó respondeu à sua mulher com firmeza granítica: Tu falas como uma louca. Por acaso receberemos de Deus apenas o bem e não também a desgraça?” (Jó 2:10). Muitos exegetas procuram atribuir um sentido a este texto o qual ele não tem. Para esses, a esposa de Jó não estava mandando amaldiçoar a Deus, mas orientando Jó a louvá-lo e morrer em paz. No entanto, as evidências do texto depõem contra esse entendimento. A reação de Jó, ao dizer que sua esposa falava “como louca”, confirma esse fato. 

Como entender a reação da mulher de Jó diante da situação caótica de seu marido? É difícil compreender, num só ângulo, a sua reação. Ao ver o seu marido no meio da cinza com um pedaço de cerâmica raspando as feridas, no monturo da cidade, como um pária, um sentimento amargo lhe invade a alma aflita. Ela perdeu definitivamente a esperança; achava que já havia chegado ao limite da vida. Aproximou-se do marido moribundo, sentiu pena dele, fechou os olhos, apertou-os e a seguir disparou: “Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2:9). Nenhum sofrimento pode ser maior do que a confiança e fidelidade a Deus. O Senhor jamais permitirá que sejamos tentados acima de nossas forças (1Co.10:13).

Assim como os servos de Jó foram preservados da morte para levarem a notícia calamitosa ao patriarca, a esposa parece que fora guardada todo esse tempo para soltar esse último chicote. Sem o saber, pensando que a morte seria a melhor solução para o marido, a mulher emprestou sua boca ao Tentador incitando Jó a se rebelar e amaldiçoar a Deus.

A mulher em vez de confiar em Deus acima de todas as coisas, em vez de amar ao Senhor pelo que Ele é, deixou-se levar pelas circunstâncias atrozes, fundamentada em um relacionamento de barganha com Deus. Para muitos a morte é a solução para uma vida de infortúnios e desajustes domésticos; contudo, sempre há uma esperança para aqueles que confiam em Deus.

Jó olha para sua esposa, e a mira com ternura e carinho. A mulher sente o tempo parar por alguns instantes. Embora o tabernáculo terrestre de Jó estivesse se desfazendo, seu edifício eterno estava preparado por Deus (2Co.5:1). Os olhos de Jó traziam um brilho vivaz, contagiante, embora todo o restante dissesse o contrário. Podemos ver nesse olhar de Jó, o olhar de Jesus quando Pedro o negou; e, carinhosamente, Jó fala para a sua mulher:

“Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal?” (Jó 2:10).

O sábio Jó afirmara que sua esposa, em seu desespero e dor, falava como uma pessoa sem entendimento, como alguém que ele não conhecia. A mulher ficou desconcertada diante da afirmação do marido; refletiu a respeito do assunto; lembrou das muitas orações de Jó feitas em gratidão ao Senhor. E ali mesmo, reconsiderou, calou-se e desapareceu do cenário até o final do livro de Jó quando Deus restitui-lhe todas as coisas. Embora não seja mencionada no final do livro, não há razões para se duvidar de sua presença; certamente, ela é a esposa incansável que esteve com o marido nos piores momentos e circunstâncias, mas que, em certo momento, perdeu as esperanças, contudo, a recobrou através da piedade e devoção de seu marido.          

III. TRAGÉDIA DE NATUREZA FÍSICA E PSICOLÓGICA


Satanás pode causar dor e sofrimento nas pessoas. Seu desejo é ver as pessoas sofrerem. Sua missão é causar dor. Ele impôs ao patriarca Jó um sofrimento, até então, sem precedentes, pois ninguém sofreu como ele no Antigo Testamento. O sofrimento de Jó pode ser analisado em dois aspectos principais: físico e psicológico.

1. O Diabo tocou na saúde de Jó

Em outra ocasião, Deus estava reunido com seus filhos (muito provavelmente os anjos), e também muito provavelmente nas regiões celestes, quando mais uma vez apareceu por lá Satanás. Veja o registro bíblico:

“Outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, Satanás também veio com eles para igualmente se apresentar perante o SENHOR. Então o SENHOR perguntou a Satanás: De onde vens? Satanás respondeu ao SENHOR: De rodear a terra e de passear por ela (Jó 2:1,2).

Veja aqui a resposta de Satanás: “De rodear a terra e de passear por ela”. Em outras palavras, isto quer dizer: "Eu não mudei minha agenda. Continuo fazendo o que sempre quis fazer. Estou por aí, vivo e ativo no planeta Terra, investigando pessoas, buscando uma brecha, colocando armadilhas no caminho dos incautos, cegando o entendimento dos incrédulos, controlando os filhos da ira, induzindo-os ao erro, criando doutrinas falsas, tentando e seduzindo pessoas a caírem em tentação".

Na ocasião, Deus novamente perguntou a Satanás:” Observaste o meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele. É um homem íntegro e correto, que teme a Deus e se desvia do mal. Ele ainda se mantém íntegro, embora tu me houvesses incitado contra ele, para destruí-lo sem motivo” (Jó 2:3).

Deus joga na cara de Satanás que Jó havia prevalecido sobre suas acusações deletérias nas investidas anteriores. Jó provara que seu amor a Deus era superior ao seu amor ao dinheiro e à família. Jó provara que sua devoção a Deus não era uma barganha. Sua adoração era verdadeira, e sua devoção era sincera. Mesmo diante das perdas mais profundas, falência financeira e luto pelos filhos, Jó continuava sendo o homem mais piedoso do mundo. Sua piedade e sua reputação estavam intactas. Nenhum arranhão existia em seu relacionamento com Deus. Jó não servia a Deus por aquilo que recebia dele, mas por quem Deus é.

Satanás não gostou do testemunho de Deus em favor de Jó; então, contra-atacou lançando seu torpedo mortífero. Eis o registro bíblico:

Então Satanás respondeu ao SENHOR: Pele por pele! Tudo quanto um homem tem ele dará por sua vida. Estende a mão agora e toca-lhe nos ossos e na carne, e ele blasfemará contra ti na tua face!” (Jó 2:4,5).

O argumento de Satanás é que ninguém ama mais a Deus do que a si mesmo. O amor-próprio é um sentimento inato e uma defesa natural. Protegemo-nos instantaneamente, naturalmente, constantemente. Tocar na pele, nos ossos e na carne é a forma mais profunda de atingir alguém; não é apenas atingir sua saúde, mas atingi-la da forma mais aguda e dolorosa. Satanás estava insinuando que, na dor, ninguém consegue ser fiel a Deus. Satanás estava afirmando que, no sofrimento, os valores do homem mudam. Satanás estava duvidando da firmeza de Jó, quando as baterias do sofrimento atingirem não apenas seu bolso e suas emoções, mas também seu corpo. Deus refutou a posição de Satanás e abriu caminho para que ele atingisse a saúde de Jó, em seus ossos e em sua carne. O Senhor disse a Satanás: “Ele está sob teu poder; somente lhe poupa a vida” (Jó 2:6). Satanás só pode agir na vida dos filhos de Deus quando este o permite. Deus traça um limite: “... somente lhe poupa a vida”. Satanás é um ser limitado; ele só pode ir até onde Deus permite que vá; nem um centímetro a mais.

2. Saúde física

Debaixo de uma limitação imposta por Deus, Satanás saiu para cumprir o seu intento maléfico. Diz o texto bíblico:

“Satanás saiu da presença do SENHOR e feriu Jó com feridas malignas, da sola dos pés até o alto da cabeça (Jó 2:7).

Segundo Hernandes Dias Lopes, Satanás é um ser mórbido; seu desejo é ver as pessoas sofrerem; sua missão é causar dor. Ele colocou uma enfermidade muito dolorosa em Jó. Tumores malignos cobriram todo o seu corpo. O mesmo Jó que acabara de perder todos os seus bens e sepultar todos os seus filhos, imaginando que sua dor já era grande demais, agora enfrentava uma doença avassaladora, que deixara chagado todo o seu corpo.

Bolhas de pus arrebentaram em seu corpo. Sua pele ficou enegrecida e necrosada. A dor lancinante o atormentava de dia e de noite. Não havia pausa nem descanso. Não havia alívio sequer um minuto. O homem mais rico do Oriente, agora falido e enlutado, estava também desolado e atormentado por uma dor que castigava com rigor desmesurado o seu corpo. Jó se assentou na cinza e começou a raspar suas feridas putrefatas com cacos de telha. Diz o texto: “Sentando-se em cinzas, Jó pegou um caco para se raspar” (Jó 2:8).

O corpo de Jó foi surrado pela doença. A dor cruel latejava em todo o seu corpo sem pausa nem descanso. Jó não conseguia comer, apenas chorar. Sua dor não cessava. Seu corpo ficou imundo. Seus ossos quase à mostra revelavam a tragédia que devastava sua saúde. Sua pele ficou cheia de feridas e pus. Disse Jó“Meu corpo está coberto de vermes e de crostas de sujeira; a minha pele se resseca, e as feridas voltam a se abrir” (Jó 7:5). Suas dores o apavoravam (Jó 9:27,28). Seu corpo apodrecia como uma roupa comida de traça (Jó 13:28), encarquilhado e magérrimo (Jó 16:8). Seus ossos se deslocaram. Sua dor não tinha pausa (Jó 30:17). Sua pele enegreceu e começou a descamar. Seus ossos queimavam de febre (Jó 30:30).

Muitos blasfemam contra Deus na dor. Outros se revoltam e erguem os punhos contra os céus. Não poucos se afastam de Deus, decepcionados e amargurados. Porém Jó, no espiral da dor, no epicentro da tempestade, ele respondeu à sua mulher:

“... Por acaso receberemos de Deus apenas o bem e não também a desgraça? Em tudo isso Jó não pecou com os lábios (Jó 2:10).

Com estas palavras resolutas, Jó provou amar mais a Deus do que a si mesmo; deixou patente que amava mais a Deus do que à própria pele. Jó demonstrou que não servia a Deus pelos favores recebidos dele, mas servia-lhe pelo seu caráter. Deus é melhor do que as dádivas dele.

Satanás tirou tudo de Jó - seus bens, seus filhos, sua saúde e o apoio de sua mulher.
Mesmo assim, sob a mais densa tormenta, no epicentro da crise, Jó manteve sua fidelidade a Deus.

O homem mais cercado de respeito e admiração esteve na cinza, coberto de chagas, sentindo dores atrozes. Mesmo coberto de desventuras, mesmo surrado pelo chicote da dor, mesmo com os olhos molhados de lágrimas, mesmo perdendo todas as conexões da terra, Jó não perdeu seu amor a Deus nem sua esperança no Redentor. Do mais profundo dos vales, ele gritou: “Eu sei que o meu redentor vive (Jó 19:25). Mais uma vez, Satanás foi vergonhosamente derrotado. Glórias a Deus!

3. Saúde emocional e psicológica

Além da saúde física, Jó experimentou o sofrimento emocional, que o levou a uma tendência de distúrbio psicológico. Não há uma clareza no texto sagrado que nos permita auferir com certeza que Jó entrou em depressão; todavia, há vários textos no corpo do livro que nos levam a fazer essa inferência (cf. Jó 3:1-14). Jó chegou amaldiçoar o dia de seu nascimento, não vendo mais razão para que fosse comemorado. Somente debaixo de forte pressão psicológica é que pessoas chegam a tal ponto.

Jó ficou angustiado e amargurado (Jó 7:11). À noite, seus sonhos e visões só lhe traziam mais terror (Jó 7:14). Ele chegou a ficar cansado de viver (Jó 10:1). Seu rosto afogueou de tanto chorar (Jó 16:16). Ele estava cercado de pessoas que o provocavam (Jó 17:2). As pessoas cuspiam em seu rosto (Jó 17:6; 30:10). Seus sonhos e esperanças fracassaram (Jó 17:11). Os irmãos e conhecidos fugiram dele na sua dor (Jó 19:13). Os parentes o desampararam (Jó 19:14). As pessoas que receberam sua ajuda no passado o tratavam com desprezo (Jó 19:15). O mau hálito e o mau cheiro que exalavam do seu corpo expulsaram a esposa e os irmãos de perto dele (Jó 19:17). Até as crianças o desprezavam e dele zombavam (Jó 19:18). Todos os seus amigos íntimos o abandonaram (Jó 37:2). Sua honra e felicidade foram arrancadas (Jó 30:15). Aconteceu o contrário de tudo de bom que ele desejou (Jó 30:26,27).

Jó era um modelo de confiança e obediência a Deus, mesmo assim Deus permitiu que Satanás o atacasse de forma especial e cruel. Embora Deus nos ame, crer Nele e obedecê-lo a nos isenta de calamidades na vida. Reveses, tragédias e tristezas atingem tantos os não crentes como os crentes. Contudo, Deus espera que, durante nossas provas e sofrimentos, expressemos nossa fé diante do mundo.

CONCLUSÃO

Como reagimos às intempéries e adversidades da vida? Perguntamos a Deus: “Por que eu?” Ou dizemos: “usa-me, Senhor!”. Devemos aprender a reconhecer, mas não temer, os ataques de Satanás, pois ele não pode exceder os limites estabelecidos por Deus. Embora não possamos controlar os ataques do Diabo, podemos sempre escolher como reagir a eles.

O Senhor Jesus ensinou os seus discípulos a reagir diante das dificuldades da vida. Em nenhum momento nosso Senhor negou que teríamos sofrimento na vida. Nesse aspecto, a grande diferença entre quem tem confiança em Cristo está na forma que se passa pelo caminho do sofrimento. Jó foi constrangido a suportar as dores mais terríveis e os piores desconfortos a que um ser humano jamais fora submetido, entretanto, reteve a sua integridade. Assim, Jó é um grande exemplo de fé e paciência para o povo de Deus do Novo Testamento.

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O PROPÓSITO DA VERDADEIRA PROSPERIDADE


- O PROPÓSITO DA VERDADEIRA PROSPERIDADE

             

 Texto Bíblico:

“[...] o que semeia pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará” (2Co 9:6).

Na Bíblia, o conceito de "verdadeira prosperidade" é muito mais profundo do que o saldo de uma conta bancária. Enquanto o mundo geralmente mede o sucesso pelo acúmulo de bens, a perspectiva bíblica foca na totalidade do ser — paz mental, integridade espiritual e provisão física.

Aqui estão os pilares do que a Bíblia define como prosperidade real:

 

1. Prosperidade da Alma (A Base)

A Bíblia sugere que o sucesso externo é um reflexo da saúde interna. Em 3 João 1:2, lemos: "Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma."

  • O que significa: Não adianta ter o bolso cheio e a mente em guerra. A verdadeira riqueza começa com uma alma em paz com Deus e consigo mesma.

2. Contraste com o "Ter"

Jesus foi bem direto ao dizer que a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui (Lucas 12:15). Ele alertou sobre o perigo de ganhar o mundo inteiro, mas perder a própria alma.

  • Riqueza Genuína: É baseada em tesouros que não se deterioram (amor, bondade, fé e justiça).
  • O Contentamento: Paulo escreveu em Filipenses que aprendeu o segredo de estar contente tanto na fartura quanto na escassez. A prosperidade bíblica inclui a capacidade de ser grato com o que se tem hoje.

3. A Sabedoria como Moeda de Troca

No livro de Provérbios, a sabedoria é descrita como sendo mais valiosa que a prata ou o ouro fino.

"Feliz o homem que acha sabedoria... O seu lucro é melhor do que o da prata, e o seu rendimento melhor do que o do ouro fino." (Provérbios 3:13-14)

4. O Propósito da Provisão

A Bíblia não condena a posse de recursos, mas condena o amor ao dinheiro. A prosperidade financeira, quando ocorre biblicamente, tem um objetivo: generosidade.

  • Abençoado para abençoar: A ideia é que você prospere para poder ajudar o próximo e apoiar boas causas.
  • A Promessa de Josué: Em Josué 1:8, a chave para "prosperar e ser bem-sucedido" não é o esforço humano bruto, mas a meditação e a obediência aos princípios divinos.

 

Resumo Comparativo

Visão do Mundo

Visão Bíblica

Acúmulo de bens e status.

Paz, saúde e retidão de caráter.

Foco no eu e no prazer imediato.

Foco no propósito e no serviço ao próximo.

Medo da escassez e ganância.

Confiança na provisão e contentamento.

Independência de Deus.

Dependência e relacionamento com o Criador.

 


 

1. Sobre Planejamento e Trabalho

A Bíblia incentiva a diligência e o olhar para o futuro, condenando tanto a preguiça quanto a impulsividade.

  • Provérbios 21:5: "Os planos bem elaborados levam à fartura; mas a pressa excessiva, inevitavelmente, à pobreza." (O foco aqui é a estratégia em vez da busca por dinheiro fácil).
  • Provérbios 13:11: "O dinheiro ganho com desonestidade depressa se acaba, mas quem o ajunta aos poucos terá cada vez mais." (Valorização da constância e da ética).

2. Sobre Dívidas e Escravidão Financeira

Há um aviso severo sobre como o descontrole financeiro limita a nossa liberdade.

  • Provérbios 22:7: "O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo de quem empresta." * Romanos 13:8: "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros..."

3. Sobre a Ganância e o Perigo do Coração

Este é o ponto onde a Bíblia mais nos alerta: o dinheiro é um excelente servo, mas um péssimo senhor.

  • 1 Timóteo 6:10: "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." (Note que o problema é o amor ao dinheiro, não o dinheiro em si).
  • Mateus 6:24: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas."

4. Sobre Generosidade (A Quebra da Escassez)

A lógica bíblica é contraintuitiva: para ter mais (em termos de paz e propósito), você deve estar disposto a dar.

  • Provérbios 11:24: "Ao que distribui mais se lhe acrescenta, e ao que retém mais do que é justo, é para a sua perda."
  • 2 Coríntios 9:7: "Cada um contribua conforme determinou em seu coração; não com tristeza ou por necessidade, pois Deus ama quem dá com alegria."


 

Dica Prática de Gestão: A Regra do Contentamento

Uma das maiores lições bíblicas para as finanças é o que Paulo escreveu em 1 Timóteo 6:8: "Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes." Isso não significa falta de ambição, mas sim a liberdade de não ser controlado pelo consumo desenfreado. Quando você está contente, você gasta menos do que ganha, evita dívidas e tem margem para ser generoso.

INTRODUÇÃO

A Palavra de Deus garante a cada ser humano a possibilidade de auferir bens materiais e de deles usufruir para a satisfação de suas necessidades. Todavia, estabelece que o objetivo do homem e da mulher não deve ser o acúmulo de riquezas para si ou para sua exaltação por causa dos bens que tenha a seu dispor, mas que tudo isto seja um instrumento para que a glória de Deus se manifeste na administração destes bens que lhe forem confiados por Deus, o único e verdadeiro dono de todas as coisas. Não façamos dos bens materiais o objetivo e a intenção de nossas vidas. Quem passa a viver em função dos bens materiais, quem passa a pôr o seu coração nos tesouros desta vida, passa a ser um avarento, um ganancioso e, como tal, será um idólatra (Cl 3:5) e, assim, está fora do reino dos céus (Ap 22:15).

 

Não se está aqui afirmando que o cristão não deve procurar uma melhoria de vida, um melhor emprego, capacitar-se para obter melhores posições, ou seja, em absoluto se nega ao servo de Deus a busca de melhores oportunidades, um progresso maior, mas se está afirmando, isto sim, que não devemos colocar como alvos únicos e exclusivos de nossas vidas uma prosperidade material, que é efêmera (Pv 27:24). Nunca nos esqueçamos que, se cremos em Cristo só para esta vida, seremos os mais miseráveis de todos os homens! (1Co 15:19).

Quando o homem tenta progredir na vida material tendo consciência de que existe uma dimensão eterna, de que é mero administrador do que Deus lhe confiou, ele jamais se comporta de forma nociva ao seu semelhante, jamais busca usar de todos os métodos, lícitos ou não, visando à acumulação de riquezas, pois tem pleno conhecimento de que nu saiu do ventre de sua mãe e de que nu terminará a sua existência (Jó 1:211Tm 6:7). Como dizem as Escrituras, aqueles que se envolvem na ilusão das riquezas, trazem para si somente males e problemas, já nesta vida, que dirá quando se encontrar com o reto e supremo Juiz de toda a Terra (Pv 28:221Tm 6:9Hb 9:27).

Dentro desta perspectiva, o cristão deve, consciente de que o que tem amealhado de bens materiais, é para ser um instrumento de satisfação da vontade divina. Deve administrar o seu patrimônio de forma a obter o agrado de Deus, fazendo-o conforme a Sua Palavra.

 


I. A PROSPERIDADE NÃO É UM FIM EM SI MESMA

Quando falamos em prosperidade, falamos de uma mensagem que se tem repetido, às escâncaras, nos púlpitos das igrejas evangélicas de nossos dias. O “evangelho da prosperidade” é proclamado de norte a sul, de leste a oeste, passando pelo centro, como sendo a maior prova do amor de Deus para os nossos corações. Não resta dúvida de que a Bíblia Sagrada contém promessas de prosperidade material para o homem, mas esta prosperidade, como já temos visto neste trimestre, é secundária diante da prosperidade espiritual, que é a efetivamente prometida pelo Senhor.

O que estes propagadores da “Teologia da Prosperidade” esquecem de dizer aos seus ouvintes é que, em vindo a prosperidade material solicitada, o "novo rico" não será um senhor de riquezas, não será sequer o proprietário dos bens que o Senhor lhe conceder.

 A mensagem do “evangelho da prosperidade” faz questão de alardear que Deus tem obrigação de nos dar bens e uma vida regalada, pois "Deus é o dono de toda prata e de todo o ouro" e que nós somos "filhos do rei", o que, em parte, é uma realidade e uma verdade constante das Escrituras, mas não dizem que, quando ganharmos toda esta prosperidade, o Senhor continua sendo Senhor, continua sendo o "dono de todo o ouro e de toda a prata", assim como, também, continua sendo o "Rei dos reis" e "Senhor dos senhores", ou seja, ao contrário do que querem fazer crer os evangelistas da prosperidade, ser rico, ser próspero materialmente não é um privilégio ou um direito do cristão, mas, muito mais do que isto, é uma obrigação a mais que o servo do Senhor assume diante do seu Deus. Quem tem riquezas, passa a ser mordomo destas mesmas riquezas diante do Senhor e, como tal, assume muitas outras obrigações.

 

1. Deus, a Fonte de todo bem. Num mundo dominado pela obsessão do ter e pelo amor ao dinheiro, o cristão apresenta-se como alguém que sabe que tudo pertence a Deus e que somos apenas mordomos, devendo prestar contas ao verdadeiro dono do universo do que nos foi dado para administrar.

Deus é a fonte de todo bem, é o Criador de todas as coisas, razão por que todas as coisas lhe pertencem – Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Sal 24:1). Ninguém é dono de nada; tudo pertence a Deus, incluindo nossa vida e nosso corpo (cf 1Co 6:19). PortantoDeus é o Senhor de todo bem e que o homem é mordomo de seus bens. O mordomo tem que administrar de acordo com a vontade de seu Senhor, caso contrário dará conta do mau uso que fizer dos bens que lhe foram confiados.

Infelizmente, nestes tempos pós-modernos em que vivemos, o homem tem transformado a sua vida numa constante e frenética busca pelos bens materiais, como se a sua vida terrena fosse perene. A Teologia da Prosperidade inverteu os polos e colocou o objeto no lugar do sujeito. E o que é pior: acabou por transformar o sujeito em objeto. Deus foi transformado em um objeto e o ser humano em mercadoria. O homem foi "coisificado" para se transformar em uma mercadoria vendável. A busca pelo poder, fama e riqueza converteu-se no principal objetivo desta geração perdida.

Muitas pessoas pensam: Ah! Se eu morasse naquele bairro, em um apartamento duplex; se eu trabalhasse na empresa que gosto, e tivesse o carro dos sonhos, eu seria feliz!”. Pensam que a felicidade está nas coisas. Pensam que a felicidade está no ter. Assim, só se preocupam com o que é terreno e correm atrás de ilusões. Se essa teoria fosse verdadeira, os ricos seriam felizes e os pobres infelizes. No entanto, a experiência prova o contrário. A riqueza tem sido fonte de angústias. Os ricos vivem tencionados pelo desejo insaciável de ganhar sempre mais e com o pavor de perder o que acumularam. Muitas pessoas que ceifam a própria vida são abastadas financeiramente.

O dinheiro não produz contentamento. O verdadeiro contentamento vem da piedade no coração e não do dinheiro na mão. O contentamento nunca provém da posse de objetos externos, mas de uma atitude interna para com a vida. Alguém disse acertadamente que o contentamento não ocorre quando todos os nossos desejos e caprichos são satisfeitos, mas quando restringimos nossos desejos às coisas essenciais. O contentamento significa uma suficiência interior que nos mantém em paz apesar das circunstâncias. O apóstolo Paulo disse: “[...] aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4:11).

2. Despenseiros de Deus. Para que possamos entender o que a Bíblia diz a respeito da conduta do ser humano frente aos bens materiais é imperioso verificarmos a primeira declaração da revelação de Deus ao homem. Em Gn 1:1, a Bíblia deixa claro que Deus criou os céus e a terra, o que repete em Gn 1:31-2:3. Assim, tanto no início quanto no término do relato da criação, a Palavra não deixa qualquer dúvida de que Deus é o Senhor do Universo, ou seja, o dono de tudo. Assim, não deve causar espanto a declaração do salmista (Sl 24:1), segundo a qual “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam”. Com efeito, por ter criado o mundo e tudo o que nele há, Deus é o legítimo dono de todas as coisas. Se isto é assim, o homem é apenas um administrador da criação. Com efeito, ao criar o homem e a mulher, Deus concedeu a eles o domínio sobre toda a criação (Gn 1:26,28), domínio este que não representa senhorio, mas uma autoridade, uma autorização para administrar a criação terrena (observemos que no mandato dado ao ser humano por Deus não se incluem as criações celestiais. É por isso que o salmista afirma que o homem foi feito pouco menor do que os anjos (Sl 8:5).

Partindo deste pressuposto, não pode o homem achar-se dono de coisa alguma sobre esta terra e deveria comportar-se desta maneira, ou seja, plenamente consciente de que é apenas um administrador daquilo que Deus lhe deu. É exatamente esta a consciência do cristão, a de que é apenas um mordomo, um despenseiro de Deus (1Co 4:1,2Tt 1:7; 1Pe 4:10).

 


II. A PROSPERIDADE E O SUSTENTO PESSOAL

Apenas os seres espirituais não precisam comer, vestir-se e ter onde se abrigar, como é o caso dos anjos. Mas nós, seres humanos, precisamos subsistir em um mundo que possui regras próprias. Precisamos de abrigo onde reclinar nossas cabeças, comida para manter ativo nossos corpos e vestimentas, para que estejamos protegidos das intempéries naturais, como frio e calor. Deus não despreza essa situação, e nos proporciona o sustento pessoal por meio do trabalho digno.

1. As carências humanas. Carência é algo que todos nós já experimentamos, e cada um respondeu a ela de maneira diferente. Ela não acontece apenas no âmbito material. As necessidades financeiras, as adversidades do dia a dia, a doença, a derrota profissional, as perdas, a solidão são apenas algumas das muitas facetas da carência que abatem o ser humano. Porém, por trás de todas está a pior manifestação desse problema: a carência emocional e espiritual.

A Bíblia nos fornece inúmeros exemplos de vidas que mergulharam em situação de carência extrema.

Abraão experimentou a carência de filhos. Tudo o que o velho Patriarca possuía era uma promessa do Senhor (ler Gn 17:1-6). Porém, Abraão decidiu confiar que ela se cumpriria, em vez de concentrar-se no problema, e viu sua carência se transformar em fartura.

Poderíamos falar da carência de Jó. Lemos na Bíblia que ele era um homem próspero, com filhos e filhas, justo e temente a Deus. Porém, seu império desmoronou, seus filhos foram mortos, e o que era um corpo saudável tornou-se enfermo. Jó não compreendia o motivo de tanto sofrimento, de tanta carência. Contudo, ele tinha plena convicção de sua fé em Deus. Ele confiava nEle de uma maneira superlativa; tanto que fez a seguinte declaração: Ainda que ele [Deus] me mate, nele esperarei; contudo, os meus caminhos defenderei diante dele” (Jó 13:15). E sabemos o resultado da sua fidelidade a Deus. O Senhor lhe concedeu tudo novamente: restaurou a saúde, os negócios, a família. E, mais importante do que essas bênçãos, foi o conhecimento que Jó obteve de Deus ao vivenciar toda aquela situação em que Ele converteu a carência em fartura; daí a declaração do patriarca: Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos” (Jó 42:5 NTLH).

Enfim, poderíamos falar situação dramática do profeta Elias. Ele viveu um período de extrema carência por ele mesmo profetizado, em que não haveria chuva nem orvalho. Até mesmo o ribeiro de Querite já havia secado (1Reis 17:7). Sem chuvas, não havia mais água, produtos agrícolas nem rebanhos. Os mantimentos do povo tinham se esgotado, e a escassez se espalhava pela terra de Israel.

Deus vendo a carência dramática de Elias mandou-o à cidade de Sarepta e ali ficasse, a fim de ser sustentado por uma viúva (1Reis 17:9). Deus poderia ter encaminhado Elias ao homem mais rico do local, com uma profecia que anunciasse a Sua vontade e convencesse o homem a manter Elias até quando fosse necessário. Mas Deus ordenou que o profeta buscasse o destino mais improvável, a casa mais humilde – uma viúva sem eira nem beira. O texto bíblico diz que a situação daquela mulher era tão crítica, que ela estava prestes a preparar sua última refeição e aguardar, com o único filho, a morte (ler 1Rs 17:8-16).

 Por que Deus enviou o profeta à viúva de Sarepta, que estava vivendo um momento de dificuldade e escassez muito maior que a experimentada por ele? Deus não age com base naquilo que queremos, nos planos que fazemos e que consideramos os mais racionais e lógicos. A lógica de Deus não é, nem de longe, parecida com a nossa. Ela leva em conta nossa obediência e nossa fé, e também o fato de Deus ser onisciente, onipotente, onipresente, enquanto a nossa lógica considera apenas superficialmente as coisas, por meio de nossa visão limitada.

 

Por que Deus nos conduz a pessoas tão ou mais carentes, necessitadas e desprovidas que nós nos momentos de escassez, como fez com Elias? A lógica divina nos responde: para que possamos aprender a depender somente do Senhor, e de mais nada ou ninguém. Este é o milagre planejado por Ele.

Quando, em meio a uma gigantesca necessidade, Deus nos coloca diante de alguém com uma necessidade maior ainda e afirma que de tal pessoa virá a ajuda, é porque o milagre está sendo preparado, o milagre da dependência total do Senhor. E você sabe por que o Senhor age dessa maneira? Porque assim podemos servir como instrumento para solucionar o problema do outro e, ao mesmo tempo, resolver o nosso. Aconteceu dessa forma com Elias. Enviado a alguém que sofria com extrema carência, foi instrumento de Deus para resolver as dificuldades da viúva e do filho dela e, consequentemente, teve suas necessidades supridas.

2. O cuidado divino. O Eterno, o Guardador da nossa vida, é tão preocupado conosco que realmente não precisamos estar ansiosos por nada. É uma honra para Ele assumir todas as nossas preocupações. Por isso Pedro diz: "lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós" (1Pe 5:7).

 Quando Rute procurou ansiosamente um campo de cereal maduro para poder sobreviver com sua sogra, está escrito: "Por casualidade entrou na parte que pertencia a Boaz" (Rt 2:3). Isso foi mero acaso, ou foi o Senhor que a dirigiu? Quando Rute voltou para sua sogra Noemi com bastante cevada e lhe contou tudo, será que ela disse: "Oh, que coincidência!"? Não, ela sabia muito bem que isso fora o cuidado de Deus por elas e se regozijou, dizendo: "Bendito seja ele [Boaz] do Senhor, que ainda não tem deixado a sua benevolência nem para com os vivos nem para com os mortos" (Rt 2:20). A graça e o fiel cuidado de Deus estavam por detrás da vida dessas duas mulheres. Portanto, não devemos andar ansiosos por nada desta vida, pois o Pai Celeste está atento a todas as nossas necessidades.

 

A Bíblia está cheia de exemplos da providência de Deus para com o Seu povo e para com os Seus filhos:

 ·       Israel esteve por 40 anos no deserto. Nunca faltou pão e água aos israelitas, e suas sandálias não se gastaram nos seus pés (Dt 29:5). Quando Josué e Calebe entraram na Terra Prometida, ainda tinham nos pés as mesmas sandálias que usavam quando saíram do Egito!

 ·      Nenhum pardal cairá no chão sem o consentimento do Pai. Alguém disse: "Deus participa do funeral de cada pardal". Quanto mais preciosos somos nós do que um pardal (Lc 12:6 e Mt 10:29)?!

·         Ele veste os lírios no campo com glória e esplendor maiores que a glória de Salomão (Mt 6:28-30).

·         Ele que se preocupa com cada boi, quanto maior cuidado tem de nós (1Co 9:9-10)!

·         Ele conta os cabelos da nossa cabeça, e nossas lágrimas são recolhidas por Deus e inscritas no Seu livro (Mt 10:30 e Sl 56:8). Qual pai ou mãe já fez isso, alguma vez, com seus filhos?

·         Aquele que nos guarda não dormita nem dorme (Sl 121:3-4).

·         Ele nos compreende mesmo sem palavras, disse o rei Davi (Sl 139:2).

·         Ele é tão grande que entregou Sua vida por nós (João 10:11), e não cuidaria de nós todos os dias?

 ·         E em Hebreus 13:5 lemos: "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei".

 ·       Não estamos expostos ao destino cruel, nem entregues ao acaso. Pelo contrário, está escrito que Ele – por amor do Seu nome – nos guia pelas veredas da justiça (Sl 23:3).

 

III. A PROSPERIDADE NA AJUDA DO PRÓXIMO

Deus quer que nós, além de sermos justos em tudo, amemos a beneficência. O Salmo 41:1,2 diz o seguinte: “Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal. O Senhor o livrará e o conservará em vida; será abençoado na terra, e tu não o entregarás à vontade de seus inimigos”.

Provérbios 19:17 diz: “Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, e ele lhe pagará o seu benefício”. Em outras palavras, quem ajuda o pobre está na verdade, emprestando a Deus; por isso, há bênçãos financeiras reservadas por Deus àqueles que se compadecem dos menos afortunados.

O texto de Efésios 6:8 enfatiza: “cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre”. Em Tiago 4:17 lemos: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comente pecado”.

Como você age quando vê um necessitado? Você compartilha o quê com ele? Jamais diga: “eu sou pobre; vou pedir esmola para dois?”. Jamais fale assim, porque senão você continuará sofrendo desse jeito. Certo pregador disse o seguinte: “Aquilo que você faz aos outros, Deus fará a você”. Então, quando você abençoar alguém, prepare-se, porque Deus irá abençoá-lo.  Se você pensa que pobre deveria apenas receber, observe o que Paulo disse da igreja da Macedônia: “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia; como, em muita prova de tribulação, houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente” (2Co 8:1-3). Observe neste texto que os cristãos pobres da Macedônia ajudaram os mais pobres da Judéia. Portanto, o fato de alguém ser pobre não o torna isento da responsabilidade de contribuir financeiramente com outros em pior situação.

1. Um mandamento divino. Na lei de Moisés foi bem especificado que o fundamento, a essência do relacionamento de Deus com o homem é o amor e que este amor não se limitava tão somente ao interior do homem que aceita Cristo, mas que se espraia aos semelhantes, tanto que Jesus fez questão de complementar a inquirição do doutor da lei com uma afirmação extremamente relevante: “...amarás o próximo como a ti mesmo” (Mt 22:39). O amor ao próximo é determinado pelo Senhor, é seu mandamento – “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15:12). Quando amamos o próximo da forma determinada na Palavra de Deus, melhoramos sensivelmente o ambiente em que vivemos.

 

Amar o próximo não é apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar este alguém a uma vida de comunhão com Deus, a um equilíbrio em todos os aspectos da sua vida. Medidas emergenciais serão necessárias, como nos mostra a parábola do bom samaritano, mas é extremamente necessário que levemos o próximo a entender que deve, sobretudo, amar a Deus, para que também ame o próximo, como nós o amamos.

Amar o próximo não é dizer a alguém que o ama, mas um amor que se mostra por atitudes concretas, por ações efetivas, por obras. Amor ao próximo não é amor de palavra nem de língua, mas amor por obras e em verdade (1João 3:18). Para Tiago, a fé sem as obras mantém-se no campo da teoria e para nada serve: Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhe dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?” (Tg 2:15,16, ARA). O apóstolo Paulo exorta-nos a praticarmos o bem e a sermos ricos em boas obras (1Tm 6:18).

Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O individualismo e o egoísmo têm dificultado, e até impedido, gestos de amor ao próximo, até mesmo entre cristãos. Quem é o nosso próximo? É qualquer ser humano, como bem nos explicitou Jesus na parábola do bom samaritano (Lc 10:30-37), e este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição.

2. Quando contribuímos para ajudar o próximo, nossa oferta glorifica a Deus. A generosidade da igreja promove a glória de Deus, pois aqueles que são beneficiários do nosso socorro glorificam a Deus pela nossa obediência. O apóstolo Paulo escreve: “Visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão, quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos” (2Co 9:13, ARA). Paulo destaca dois pontos importantes nesse versículo:

a) Quando a teologia se transforma em ação, Deus é glorificado. Os judeus crentes glorificaram a Deus ao ver que os gentios não apenas confessavam a teologia ortodoxa, mas também agiam de maneira ortoprática (2Co 9:13a).

Jesus falou do sacerdote e do levita que passaram ao largo ao verem um homem ferido (Lc 10:31,32). Não basta ter boa doutrina, é preciso colocar essa doutrina em prática. Os crentes da Judéia glorificaram a Deus não apenas porque os gentios creram, mas, sobretudo, porque obedeceram.

 Warrem Wiersbe relata o caso de um cristão rico que, em seu culto doméstico diário, orava pelas necessidades dos missionários que sua igreja sustentava. Certo dia, depois que o pai terminou de orar, o filho pequeno lhe disse: Pai, se eu tivesse seu talão de cheques, poderia responder as suas orações” (Comentário bíblico expositivo, v. 5.2006:p.867).

 

b) Quando o amor deixa de ser apenas de palavras Deus é glorificado. Os gentios contribuíram com liberalidade não apenas para os crentes da Judéia, mas, também, para outros necessitados (2Co 9:13b). Eles não amaram apenas de palavras, mas de fato e de verdade (1João 3:17,18). O amor não é aquilo que se diz, mas o que se faz.


CONCLUSÃO

Nesta lição, aprendemos que não podemos perder o foco da verdadeira prosperidade. A questão não é somente prosperar, mas para quê prosperar. O nosso trabalho, dinheiro e bens não devem ser usados apenas para o nosso deleite pessoal, mas, prioritariamente, atender aos propósitos do Senhor. Enfim, a busca pelos bens materiais deve ser com vistas à satisfação de Deus e não a uma incessante corrida pelo prazer, pelo luxo e pela autossuficiência. A ética cristã prega que não há que se buscar o lucro máximo, mas, bem ao contrário, deve-se buscar o suficiente para se ter uma vida digna, uma vida sossegada, mas sem a “febre do ouro” que tem dominado o mundo de hoje. Diz o sábio Salomão que devemos, sempre, buscar a “porção acostumada de cada dia” (Pv 30:8,9) e ninguém melhor do que Salomão para nos afirmar que a posse de riquezas em demasia não representa bem algum para a alma humana. Que Deus nos ajude.

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