terça-feira, 2 de junho de 2026

CONHECENDO LAMEQUE

 


CONHECENDO LAMEQUE

Texto Bíblico: Gênesis 6:1-6

“E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6:5).

Na Bíblia, o nome Lameque é atribuído a dois personagens distintos, ambos mencionados no livro de Gênesis. É muito importante não os confundir, pois suas trajetórias e legados são opostos.

Aqui estão os detalhes sobre cada um deles:

1. Lameque, o descendente de Caim

Este é o personagem mencionado em Gênesis 4:18-24. Ele faz parte da linhagem de Caim (o primeiro assassino da Bíblia) e representa a decadência moral daquela linhagem.

  • O primeiro polígamo: Lameque é o primeiro homem na Bíblia a quebrar o padrão da monogamia original, casando-se com duas mulheres: Ada e Zilá.
  • A "Canção de Lameque": Em um poema registrado na Bíblia, ele confessa ter matado um homem e um jovem pôr o terem ferido. Ele usa essa confissão para se gabar de uma violência ainda maior que a de Caim, declarando que, se Caim seria vingado sete vezes, ele seria "setenta vezes sete" (Gênesis 4:23-24). Isso reflete uma cultura de orgulho e sede de vingança desenfreada.
  • Família notável: Apesar da sua natureza violenta, seus filhos foram muito influentes no desenvolvimento da civilização primitiva:
    • Jabal: Pai dos que habitam em tendas e criam gado.
    • Jubal: Pai dos que tocam harpa e flauta.
    • Tubalcaim: Mestre na forja de objetos de bronze e ferro.

2. Lameque, o descendente de Sete

Este personagem é mencionado em Gênesis 5:25-31. Ele pertence à linhagem piedosa de Sete, o terceiro filho de Adão.

  • Pai de Noé: Ele é filho de Matusalém e pai de Noé, tornando-se um ancestral direto de Jesus Cristo (como citado na genealogia de Lucas 3:36).
  • Um homem de esperança: Ao contrário do seu homônimo da linhagem de Caim, este Lameque demonstrou fé. Ao nascer seu filho, ele o chamou de Noé (que significa "descanso" ou "consolo"), dizendo: "Este nos consolará do nosso trabalho e do sofrimento de nossas mãos, causados pela terra que o Senhor amaldiçoou" (Gênesis 5:29). Ele via em seu filho uma esperança de alívio para a humanidade.
  • Longevidade: Segundo o relato bíblico, ele viveu 777 anos e faleceu pouco antes do Dilúvio.

Resumo Comparativo

Característica

Lameque (linhagem de Caim)

Lameque (linhagem de Sete)

Pai

Metusael

Matusalém

Principal marca

Poligamia e violência

Fé e esperança

Legado

Orgulho e artes/indústria

Pai de Noé (ancestral de Jesus)

Referência Bíblica

Gênesis 4:18-24

Gênesis 5:25-31

 

O Lameque da linhagem de Sete é uma figura de transição crucial no livro de Gênesis. Ele representa a ponte entre a humanidade pré-diluviana e a nova era que teria início com seu filho, Noé.

Aqui estão os pontos principais sobre sua vida e significado bíblico:

1. Uma Linhagem de Esperança

Enquanto a linhagem de Caim (o outro Lameque) ficou marcada pelo desenvolvimento tecnológico e artístico, mas também pela violência e arrogância, a linhagem de Sete, da qual este Lameque faz parte, é caracterizada pela busca por Deus. Ele é o nono patriarca na genealogia de Adão a Noé, ocupando um lugar de destaque entre figuras como Enoque (seu avô) e Matusalém (seu pai).

2. A Profecia sobre Noé

O aspecto mais marcante da vida de Lameque está na esperança que ele depositou no nascimento do seu filho. Ao nomear a criança como Noé (Noach), que significa "descanso" ou "consolo", ele expressou um desejo profundo de alívio:

"Este nos consolará do nosso trabalho e do sofrimento de nossas mãos, causados pela terra que o Senhor amaldiçoou." (Gênesis 5:29)

Esta frase revela que, mesmo na linhagem piedosa, a vida era extremamente difícil. A maldição imposta à terra após a queda de Adão tornava a agricultura um fardo penoso. Lameque reconhecia a condição caída do mundo e ansiava por um tempo de paz e restauração.

3. Conexão com o Dilúvio

Lameque viveu durante um período em que a corrupção humana se espalhava rapidamente. Ele teve uma vida muito longa — 777 anos — segundo a narrativa bíblica.

  • Ele nasceu 182 anos após o nascimento de Matusalém.
  • Ele faleceu cinco anos antes do início do Dilúvio, aos 777 anos de idade.
  • Sua morte, portanto, marcou o fim de uma era. Ele foi um dos últimos sobreviventes daquela geração a testemunhar o mundo antes da catástrofe que purificaria a terra.

4. Importância Genealógica

Além de seu papel profético, ele é uma figura fundamental na linhagem messiânica. Ele é o pai direto de Noé, e através de Noé, a humanidade foi preservada. Seu nome aparece na genealogia de Jesus em Lucas 3:36, ligando o Salvador da humanidade diretamente aos patriarcas do Gênesis.

Em síntese: O Lameque da linhagem de Sete simboliza a expectativa messiânica. Ele não viveu para ver o arco-íris da aliança ou o fim das águas do dilúvio, mas ele teve a percepção espiritual de que Deus traria um descanso para o sofrimento humano, visão que se concretizou através da obediência de seu filho Noé.

 

INTRODUÇÃO

Lameque, no Hebraico significa vigoroso. Na descendência de Caim, ele constitui a quinta geração que deu origem a uma geração corrupta de homens preocupados com o "ter" (Jabal), com o entretenimento (Jubal), com as armas de guerra (Tubal-Caim) e com o prazer sensual (Naamá). Ele cometeu o segundo homicíido mencionado na Bíblia, que seria duplo (um varão por tê-lo ferido e um mancebo por tê-lo pisado). Na história da humanidade, segundo a Bíblia, ele foi o primeiro homem a praticar a bigamia, manchando a instituição divina do casamento.  Lameque teve duas esposas: o nome da primeira era Ada, que teria sido mãe de Jabal e de Jubal; o nome da segunda esposa chamava-se Zilá, que foi mãe de Tubal-Caim e de Naamá.

 

Segundo a Bíblia, Jabal ficou conhecido como o pai dos construtores de tendas e criadores de gado (Gn 4:20); Jubal, irmão de Jabal, destacou-se como o inventor de instrumentos musicais. Por isso, ficou conhecido como “o pai dos músicos” (Gn 4:21); Tubal-Caim teria sido o primeiro homem a fazer uso do cobre e do ferro nas construções da humanidade (Gn 4:22); Naamá, seu nome quer dizer “agradável", "desejável". Ela é irmã de Tubal-Caim e é citada, de modo especial, em Gn 4:22, pois não se mencionava nomes de mulheres nas genealogias antigas. Segundo estudiosos, esta citação não vem como um elogio, mas como uma denúncia do começo da prostituição no meio da humanidade.

Os pecados de Lameque e seus descendentes se alastraram de tal maneira que viriam a depravar, inclusive, a linhagem piedosa de Sete, provocando o juízo divino sobre aquela impiedosa humanidade. Mas em todos os modos de Deus tratar com a humanidade Ele nunca deixou de ter um povo remanescente. Dentre toda aquela humanidade corrupta, havia uma família que não se rendeu ao pecado: a família de Noé. Este era justo e temente a Deus, não tendo se corrompido como os demais (Hb 11:7). Noé e sua família foram salvos, e isso nos mostra que Deus tem um compromisso com aqueles que pela fé lhe obedecem. Estudaremos com mais detalhe sobre Noé na Aula nº sete.

I. CONTRASTE ENTRE OS LAMEQUES (1)

1. Os dois Lameques e suas diferenças. Nos capítulos 4 e 5 de Gênesis é mencionado dois “Lameques”: um em Gn 4:18,19 e outro em Gn 5:25,28,29.

- O Lameque do capítulo 4 é o da linhagem de Caim. Trata-se, pois, de um homem violento e odioso, conforme o autor sagrado descreveu: “... vós, mulheres de Lameque, escutai o meu dito: porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar. Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete" (Gn 4:23,24). Este Lameque cantava, entoava a impiedade e a violência. A intenção de fazer o mal pulsava em seu coração.

- O Lameque do capítulo 5 é o da geração de Sete. A geração que começou a buscar a face do Senhor Deus. Esse Lameque é o pai de Noé. Diferentemente das palavras do Lameque do capítulo 4, o pai de Noé se referiu ao seu amado filho, quando o nomeou, assim: "E chamou o seu nome Noé, dizendo: Este nos consolará acerca de nossas obras e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o SENHOR amaldiçoou" (Gn 5.29). Este Lameque conhecia bem o Senhor e sabia que a terra estava cheia de violência. Entretanto, ele depositou a sua esperança no seu filho, pois sabia que Noé agradaria o Senhor seu Deus.

- O Lameque do capítulo 4 simboliza a violência, o ódio, a desesperança, o mundo entregue ao mal, a devassidão moral, a violência ilimitada e a terrível resistência à graça divina. Ele é o primeiro compositor de poema musical - “E disse Lameque [...] escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou” (Gn 4.23). Lameque tinha sido insultado ou injuriado por alguém, e então ele lhe tirou a vida. Ao invés de sentir remorso, ele se orgulhou disto perante suas esposas, compondo o que no texto em hebraico é conhecido como um poema ou uma canção. Esta canção é conhecida como "insulto" ou "canção da espada". As palavras desta canção revelam quão ímpio Lameque era. Ele não se orgulha somente de sua vingança, mas diz que faria mais para se vingar do que Deus poderia ter feito para vingar Caim se ele tivesse sido morto – Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete” (Gn 4:24). Isto é um escárnio ao juizo divino. Infelizmente, há muitas pessoas hoje que usam de chocarrice e escárnio com as coisas de Deus, com a Bíblia ou com aqueles que servem a Deus. Muitos são os que, por pecarem tanto, já estão tão acostumados com eles que não acreditam num juízo divino ou, mesmo que ele venha, não atentando que sofrerão eternamente pelas coisas que andam fazendo.

- O Lameque do capítulo 5 representa a esperança, o consolo de Deus a uma geração. Este é o Lameque que não prosperou em maldade, mas em bondade, misericórdia e consolação. Por intermédio dele, chegou o livramento de Deus para a humanidade. No Dilúvio, o plano de Deus apontava para o Seu plano superlativo para o mundo: a Cruz do Calvário.

2. Lameque, descendente de Caim, um exemplo a não ser seguido. Lameque é um exemplo a não ser seguido pelas seguintes razões. (3)

a) Ele se vangloria de ser um homem violento. Lameque tem prazer em alardear sua violência. Leia novamente suas palavras: “... escutai o que passo a dizer-vos: matei...(Gn 4:23).

b) Ele banaliza a vida humana “... Matei [...] um rapaz porque me pisou”. Para Lameque as pessoas não valiam nada. A violência é a demonstração mais vil de que a vida humana não tem valor. Matar um jovem por causa de uma pisada no pé é não ter nenhum respeito com a vida humana.

c) Ele não gosta de sentir dor, mas fere as pessoas. Lameque não gosta de ser pisado, mas pisa as pessoas. Lameque tipifica aquelas pessoas que não gostam de ser machucadas, mas têm prazer em machucar os outros.

d) Ele é avesso ao perdão. Perdão é uma palavra desconhecida no vocabulário de Lameque. Infelizmente, muitos à semelhança de Lameque preferem retribuir a ofensa na mesma intensidade ou em grau superior do que liberar perdão. Alguém pode alegar que não tem nada a ver com Lameque, afinal nunca matou ninguém. Mas a Bíblia diz que se você odiar a seu irmão é considerado assassino - “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino” (João 3:15). Portanto, tornamo-nos semelhantes à Lameque quando não perdoamos, antes odiamos ao nosso irmão. Jesus foi mais enfático e contundente quando disse: “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus... (Mt 5:44,45).

II. UMA TERRA PERFEITA PARA UMA GERAÇÃO IMPERFEITA 


1. Um planeta farto e pródigo. Apesar do pecado, a Terra pré-diluviana era um habitat perfeito. Havia fartura de pão, saúde perfeita, beleza perfeita, tecnologia avançada. Por isso, a população antediluviana dava-se ao luxo de viver irresponsável e impiamente. Jesus Cristo fez uma descrição desse período, quando ele falava aos seus discípulos acerca de sua segunda vinda: Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem.” (Mt 24:38,39).

2. Vida longa e próspera. A longevidade era um marco desse glorioso período, contavam a vida em séculos, não em décadas. Além disso, a geração antediluviana era bastante próspera, não se angustiava com os problemas que, hoje, nos afligem. Ninguém se preocupava com a escassez. Havia água e comida em abundância.

Como possuir tudo em abundância, e sem o temor de Deus, a natureza carnal os levava a orgias e truculências. Sua lógica era o pecado. Com uma vida quase milenar, os pré-diluvianos viviam pendularmente entre a eternidade e a impunidade. Como um homem de quase mil anos haveria de temer a morte? E se Deus já os entregara aos próprios erros, não lhes castigando de imediato a iniquidade, por que temer o Juizo Final se a história mal havia começado? Por essa razão, os contemporâneos de Noé viviam para pecar e pecavam para viver. Não era incomum deparar-se com um adúltero de seiscentos anos, com um assassino de oitocentos ou um corrupto de quase mil anos.

Diante de um quadro de impunidade, de degradação moral, o Senhor resolve dar um baste a tudo isso. Primeiramente, Ele começa colocando um limite a vida biológica. Se observarmos os capitulos cinco e onze de Gênesis veremos que as genealogias descritas tiveram uma alteração drástica no cômputo das idades. Nas genealogias analisadas no capítulo 5, a vida humana era calculada em séculos. Já no capítulo 11, a vida da população é calculada em décadas. Matusalém chegou há 969 anos; já. Terá, pai de Abrão, o último dos longevos, viveu até os 205 anos (Gn 11:32). Na conclusão de Gênesis, constata-se que a fronteira biológica do ser humano já está fixada, pois José, filho de Jacó, faleceu aos 110 anos (Gn 50:26). Mais tarde, queixa-se Moisés da efemeridade da existência humana (Sl 90:10).

 

3. Harmonia ecológica. Até o Dilúvio, havia perfeita harmonia entre os reinos animal, vegetal e humano. Os animais selvagens nao representavam qualquer ameaça. A única ameaça era o próprio homem, que, por ser agressivo e irreconciliável, amedontrava até mesmo a mais brutal das feras. Após o Dilúvio, contudo, pavor e medo recairiam sobre o reino animal; sobre a natureza, gemido e angústia (Gn 9:2; Rm 8:22). Apesar do reino animal e vegetal em decadência, mesmo assim, o mundo ainda era perfeito, belo e sustentável. Mas o povo que o habitava era o antônimo de tudo isso. Ao invés de agradecer ao Criador por todas as benesses, pela sua graça comum (Gn 8:22), a população aproveitava tais favores para depravar-se totalmente. E o ser humano continua caminhando de mal a pior. Devemos estar conscientes de que um Dia toda natureza gentílica será extirpada e o reino de Cristo estabelecido para sempre. Os grandes reinos crescem, fortalecem-se, deterioram-se e caem, mas só o Reino de Deus permanece para sempre, conforme Daniel capítulos 2 e 7.


III. UM MUNDO TOTALMENTE DEPRAVADO

O mundo de Lameque era depravado e cruel. Voltando-se contra o Senhor, seus descendentes cometeram os pecados mais hediondos e abomináveis.

1. Devassidão sexual. A Bíblia relata que foi na civilização cainita que se iniciou a poligamia e os pecados da prostituição. Lameque, o primeiro polígamo, foi quem deu a cartada inicial da quebra do princípio da monogamia (ler Gn 4:19), abandonando-se o modelo divino de família. Os pecados sexuais, agora, eram cometidos como se nada fosse proibido; não havia limites à prostituição; a irmã de Tubal-Caim, Naamá, é tida como a primeira prostituta da história.

Conforme o texto sagrado, até mesmo os descendentes de Sete corromperam-se em meio àquela imoralidade abominável. Relata o autor sagrado: “viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram” (Gn 6:2). Esses “filhos de Deus”, sem dúvida, eram os descendentes da linhagem piedosa de Sete (cf. Dt 14:1; Sl 73:15; Os 1:10); eles deram início aos casamentos mistos com as “filhas dos homens”, isto é, mulheres da família ímpia de Caim.

A teoria de que os “filhos de Deus” eram anjos, não subsiste ante as palavras de Jesus, que os anjos não se casam (Mt 22:30; Mc 12:25). O que vem a reforçar essa ideia é o fato de que, após o relato inicial em Gênesis 6, o texto mostra a ira de Deus contra a corrupção humana nos versículos 6 e 7 resultando na destruição da raça humana com o dilúvio e a salvação apenas da família de Noé, porque este era justo e temente a Deus, não tendo se corrompido como os demais (Hb 11:7). Se os “filhos de Deus” fossem anjos a punição deveria vir apenas para eles e não para os homens, posto que são de maior força, podendo dominar facilmente os humanos e fazerem o que quiser, como o diabo, também, muitas vezes faz com as pessoas. Portanto, indubitavelmente, os “filhos de Deus” são aqueles descendentes de Sete que começaram a invocar o nome do Senhor, e os “filhos dos homens” são os descendentes de Caim que se afastaram de Deus e começaram a pecar.

Hoje em dia, a imoralidade, a incredulidade e a pornografia dominam a sociedade inteira (ver Mt 24:37-39).

2. Violência sem limites. “… a terra está cheia de violência…” (Gn 6:13)A palavra "violência" na Bíblia é “hamas”, que significa "injustiça, ser violento com tratar violentamente". A violência é uma das consequências da queda do homem. E é lógico que há um interesse do inferno em intensificar cada vez mais a violência, pois ela é contrária aos princípios bíblico e inútil na resolução de qualquer problema.

Em Gn 6:11 lemos: "A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência". Neste texto, a associação feita entre "corrupção" e "violência" é assustadora e demonstra que o estado do mundo determina seus aspectos vivenciais e atrai a ira de Deus.

A união conjugal indevida entre os descendentes de Sete e de Caim (jugo desigual) levou a um estado deplorável de iniquidade. A terra corrompeu-se e encheu-se de violência sem limites (Gn 6:11-13). Em Gn 6:5 está escrito: “E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”. Os homens valentes eram cultuados como ídolos: “Havia, naqueles dias, gigantes na terra; e depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os varões de fama(Gn 6:4).

Lameque espontaneamente e livremente assassinou dois homens. Um adulto, ele matou porque o feriu; e um jovem por lhe ter pisado. Logo, o seu crime, além de covarde, foi brutal. Nossos dias não diferem em nada do mundo de Lameque; a degeneração humana não mudou; o mal continua irrompendo desenfreado através da depravação e da violência. Por causa de um celular ou por uns míseros centavos, muita gente jovem perde a vida.

- Na sociedade atual, o desamor é uma constante e, em virtude disto, os dias são repletos de violência, pois a vida humana é vilipendiada, já que não há amor a Deus e, consequentemente, não há amor ao próximo. O homem é menosprezado e se desenvolve, entre os homens, uma verdadeira “cultura da morte”. Tal qual no mundo de Lameque, assassina-se banalmente. Leiam a história e verão que déspotas, como Stalin, Hitler, Mao Tsé-Tung, Kin Jong-um (ditador sanguinário da Coréia do Norte), dentre outros, não fizeram e nem fazem caso algum da vida do seu próximo, praticam impiedosamente genocídios e crimes contra a humanidade. A índole criminosa do ser humano vai de mal a pior!

- Na sociedade atual está acontecendo muita ferocidade entre as pessoas. O apóstolo Paulo, ao descrever os últimos dias, diz que seriam dias em que os homens seriam amantes de si mesmos, sem amor para com os bons, desobedientes a pais e mães, ingratos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, cruéis, obstinados e orgulhosos (2Tm 3:2-4). Assim, são pessoas que só pensam em si próprios e cria condições múltiplas para se servirem do próximo, aproveitarem-se dele e o explorarem o máximo possível. Em virtude desta “ferocidade humana”, vivemos dias em que o individualismo, o egoísmo, a vileza com que o homem é tratado faz com que as pessoas se tornem desconfiadas, desacreditadas umas das outras, comportamento que prejudica todo e qualquer relacionamento. A consequência disto é a expansão do ódio, da raiva, da violência. As pessoas agem em relação às outras como se estas fossem, há muito, suas inimigas. Vivemos a época da insegurança e do medo indiscriminados.   

- Na sociedade atualo homem não tem a menor preocupação em prejudicar o outro, desde que isto lhe seja conveniente e contribua para que atinja os seus objetivos; objetivos estes que dizem respeito somente a si próprio. A ganância, o prazer, o bem-estar próprio, a satisfação do seu ego, é só isto que é estimulado, incentivado e almejado pelo homem dos últimos dias.

- Na sociedade atuala violência contempla todos os níveis sociais e culturais, desafiando quem quer que seja, sem vislumbre de uma solução tangível. Somente o Evangelho de Cristo é o remédio eficaz para debelar a violência sobre a Terra. Até que o Senhor Jesus retorne, faz parte da missão da Igreja fazer deste um mundo menos violento, pregando o Evangelho, praticando a justiça e amparando os menos favorecidos.

3. Resistência à graça divina. Não sabemos por quantos anos, décadas, ou séculos, a geração de Lameque resistiu ao Espírito Santo. Da resistência ao Espírito Santo de Deus, aquela humanidade antediluviana passou a blasfemar contra o SENHOR, depravando-se totalmente. Mas, chegou o tempo em que Deus deu um basta a tudo isso. Disse o Senhor: “O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos(Gn 6:3).

A Graça salvadora de Deus é inesgotável, é abundante. Por isto ela envolve todo o mundo, é suficiente para predispor toda a humanidade a tornar-se merecedora da Redenção Divina, oferecendo-lhe a oportunidade de escapar da justa e inevitável condenação; mas, tal qual o mundo antediluviano, a maioria da população mundial de hoje resiste à graça salvadora de Deus. Isso terá limite. A justiça de Deus é certa e muito rigorosa sobre o mundo corrupto e destituído de Deus. Para aquela civilização Deus disse: O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; eis que os desfarei com a terra(Gn 6:13). A Palavra de Deus adverte: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mt 24:37).

IV. UM MUNDO CONDENADO À DESTRUIÇÃO (Gn 6:5,7,8,11-13)

5. E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a Terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.

7. E disse o SENHOR: Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem até ao animal, até ao réptil e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.

8. Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR.

11. A Terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a Terra de violência.

12. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.

13. Então, disse Deus a Noé: O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra.

Nos dias que antecederam o dilúvio, a Terra encheu-se de violência e imoralidade, de forma que ficou insustentável a vida na Terra. O temor a Deus tinha quase desaparecido dos corações dos filhos dos homens. A libertinagem predominava, e quase todo o tipo de pecado era praticado. A maldade humana era aberta e ousada, e o lamento dos oprimidos alcançava os Céus. A justiça estava esmagada até o pó. Os fortes não somente usurpavam os direitos dos fracos, mas forçavam-nos a cometer atos de violência e crimes.

No versículo 13, o Deus Criador ordena o fim de todas as coisas. O motivo: a multiplicação da violência. O resultado: “... os destruirei com a terra...". Deus havia decidido acabar com tudo isso (o mal sobre a terra) e dar ao homem a retribuição por seus atos pecaminosos violentos: a morte física e morte eterna. Isso fica claro porque somente oito pessoas (Noé e sua família) são salvas da grande catástrofe que veio sobre a humanidade.

O fato de a Terra estar cheia de violência não podia continuar sem controle. Deus tomou a decisão e estava pronto para agir. A punição tinha de ser drástica. O Gênero humano e todas as demais vidas sobre a Terra seriam destruídos, no decorrer da duração do dilúvio.

Antes do Juízo de Deus sobre os ímpios, Deus proveu a Salvação para os justos. Deus mandou que Noé fizesse uma Arca. Nela somente os justos poderiam adentrar e escapar do Juízo divino. Ninguém acreditou que isso iria acontecer, até que Deus tomou a decisão drástica de destruir os ímpios.

A degeneração humana não mudou; o mal continua irrompendo desenfreado através da depravação e da violência (ver Mt 24:37-39; ver Rm 1:32). Não resta dúvida que Deus trará forte Juízo sobre todos aqueles que praticam a violência e a promove. A Palavra de Deus adverte: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mt 24:37).

A Igreja, a Universal Assembleia dos Santos (Hb 12:23), é a Arca que Deus elegeu para colher a todos aqueles que de forma decisiva e resoluta entrar nela; seu capitão é Jesus Cristo, que nos assegura um porto seguro. Portanto, todos aqueles que adentrarem nesta Arca estão predestinados à vida eterna com Deus (Ef 5:1).

 

CONCLUSÃO

Jesus declarou profeticamente que o mundo, na ocasião da sua volta, será semelhante aos dias da geração antediluviana - “Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem(Mt 24:38,39).

O estado decadente de pecado e corrupção daqueles dias desgostou a Deus, de tal maneira, que resolveu intervir na história, trazendo o justo castigo, através do Dilúvio. O juízo de Deus destruiu todos, menos os que estavam na Arca. Estes, porém, não foram salvos por causa da sua justiça nem retidão, e sim, por causa da graça de Deus (Gn 6:8). Podemos ver que a salvação é puramente pela graça de Deus.


sexta-feira, 29 de maio de 2026

A CORRUPÇÃO DOS ÚLTIMOS DIAS

 


A CORRUPÇÃO DOS ÚLTIMOS DIAS

Texto Bíblico: 2Timóteo 3:1-4,14-16

“Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção” (2Pedro 2:12).

A Bíblia aborda a corrupção nos "últimos tempos" (ou "últimos dias") não apenas no sentido político ou financeiro que costumamos ver nos jornais, mas principalmente como uma corrupção moral e espiritual generalizada.

O texto mais famoso e detalhado sobre esse assunto está na segunda carta do apóstolo Paulo a Timóteo. Ele descreve a sociedade dos últimos dias como um reflexo de corações corrompidos.

1. A Radiografia da Sociedade nos Últimos Dias

Em 2 Timóteo 3:1-5, há uma lista impressionante sobre o comportamento humano no fim dos tempos. O texto diz:

"Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, arrogantes, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus..."

Repare que a corrupção descrita aqui começa no indivíduo e se espalha para as relações humanas. A ganância e o egoísmo (amantes de si mesmos) são as raízes da corrupção pública e privada.

2. A Corrupção Religiosa e a Hipocrisia

A Bíblia também alerta que a corrupção entraria nos ambientes que deveriam ser sagrados. Logo após a lista acima, o versículo 5 diz que essas pessoas teriam "aparência de piedade, mas negando o seu poder".

  • Falsos mestres: Em 2 Pedro 2:1-3, o texto avisa que surgiriam falsos profetas motivados pela ganância, que usariam "palavras fingidas" para explorar as pessoas.
  • Inversão de valores: Isaías 5:20 (embora contextual) resume bem o espírito dos tempos de corrupção: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal".

3. O Amor ao Dinheiro como Combustível

A corrupção financeira e institucional é alimentada por algo que a Bíblia chama de "a raiz de todos os males": o amor ao dinheiro (1 Timóteo 6:10). Nos últimos tempos, a busca pelo poder e pela riqueza acima da justiça e da compaixão se tornaria a norma, gerando opressão dos mais pobres e suborno nas lideranças.

4. O Cenário Político Global (O Livro de Apocalipse)

No livro de Apocalipse, a corrupção atinge o seu ápice institucional. O sistema global do fim dos tempos (frequentemente personificado pela figura da "Babilônia") é descrito como um sistema político e comercial extremamente corrupto, que enriquece à custa da exploração humana e da opressão espiritual (Apocalipse 18).

O resumo da mensagem bíblica é: a corrupção dos últimos tempos não é uma falha do sistema, mas sim uma falha do coração humano que se afastou de Deus. No entanto, a Bíblia sempre termina esses alertas com uma mensagem de esperança, incentivando as pessoas de bem a permanecerem firmes, agindo com justiça e integridade, independentemente do cenário ao redor.

Exemplo de corrupção na Igreja:

Quem quer a todo custo um cargo ou posição na igreja, por exemplo, levanta a mão nas reuniões apoiando qualquer posição tomada pela liderança, mesmo que seja contrária à bíblia ou ao seu julgamento interno. O que lhe importa é agradar àqueles que podem lhe dar a posição ou cargo ou salário desejado.


Quando um pastor faz vista grossa para o pecado de alguém que dá um bom dízimo. ou que seu parente próximo dá um bom dízimo.

Quando o pastor promete conseguir na igreja muitos votos para um candidato que lhe prometeu um cargo para seu filho ou telhas e tijolos para a construção da igreja.

O povo diz que vai a igreja adorar a DEUS, para ver JESUS, mas quando ele chega e começa a fazer milagres o povo vai embora assistir TV ou comer uma pizza e deixa JESUS lá só com os doentes. Geralmente quando término de orar pelos doentes e enfermos só tem 20 pessoas na igreja, o restante tinha coisa mais importante para fazer lá fora. Na maioria das vezes procuro o pastor e ele já foi também, o que é mais triste.

 

INTRODUÇÃO

O apóstolo Paulo estava preso num calabouço romano, na sala de espera do martírio. A fornalha da perseguição contra a igreja estava acesa. Paulo dá suas últimas recomendações a Timóteo, um pastor jovem, doente e tímido, sobre como enfrentar vitoriosamente a corrupção dos últimos dias.

Certamente, vivemos os últimos dias da Igreja. São dias difíceis, dias trabalhosos, em que o mundo sofre uma multiplicação do pecado (Mt 24:12) e, como consequência disto, só se vê aumentar o sofrimento do ser humano, a sua progressiva decadência moral e espiritual. Nunca houve, em toda a história da humanidade, uma época semelhante aos dias atuais onde é nítida a ausência de valores, principalmente aqueles que norteiam a dignidade do ser humano: o sentimento, o decoro, a vergonha, a moral, o caráter, o respeito e o temor a Deus, os quais constituem os verdadeiros alicerces para a vida individual e em sociedade.

Entretanto, apesar de toda a corrupção moral e espiritual que incendeia a sociedade atual, ainda se encontra sobre a face da Terra, ainda que não por muito tempo, a Igreja — a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido para anunciar as virtudes de Jesus Cristo (1Pe 2:9). Ela tem enfrentado todas estas circunstâncias e continua a dizer que a única solução, a única esperança para o homem é crer em Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador.


I. OS TEMPOS TRABALHOSOS

1. Nos últimos dias (Tm 3:1). Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos”.

O apóstolo Paulo, em sua afirmação a seu filho na fé, Timóteo, já no ocaso da sua vida, quando estava preso em Roma, na sua segunda prisão, faz questão de relembrar que a Igreja passaria por momentos difíceis, que ainda não tinham chegado no tempo do apóstolo, o que nos mostra claramente que Paulo não se referia, em absoluto, ao período de perseguição que se apresentava naquele instante, desencadeada por Nero, a primeira das “dez grandes perseguições” que haveria contra a Igreja durante o Império Romano (os “dez dias” de Ap.2:10). O apóstolo apontava para um período futuro na história da Igreja em que os tempos seriam “trabalhosos”.

Ao que parece estamos vivendo esses “últimos dias” referidos por Paulo, pois analisando com cuidado as suas palavras podemos observar que os “últimos dias” da história da Igreja, aqui na Terra, têm características diferentes dos “tempos trabalhosos” enfrentados por esta mesma Igreja em outros períodos da história, no passado, de forma especial, até o advento do chamado tempo pós-moderno.

Nos “tempos trabalhosos” dos “últimos dias Paulo não se refere a perseguições, mártires, prisões, mas de convulsões internas. Ou seja, convulsões dentro ou no seio da própria igreja local. Esses “tempos trabalhosos” seriam caracterizados por um período de apostasia cada vez mais intenso, bem como de uma crescente corrupção moral.

Em 2Tm 3:1-4, são descritas dezoito características de reprovação que iriam caracterizar uma boa parte das lideranças da “Igreja”para depois afirmar que ... os homens maus e enganadores irão de mau para pior, enganando e sendo enganados” (2Tm 3:13). Assim, olhando para a Bíblia, e olhando para o chamado “mundo evangélico” temos a impressão de estarmos vivendo aqueles “últimos dias” referidos por Paulo.

 - Nestes “últimos dias”, o mundo tem menos acesso a Deus, porque o que impede a comunicação entre Deus e os homens é o pecado (Is 59:2) e estes “últimos dias” são dias em que o pecado está aumentando sobremaneira (Mt 24:12). Até mesmo as pessoas que tiveram um contato com o Salvador Jesus, que, uma vez receberam o amor de Deus derramado em seus corações (Rm 5:5), terão este amor esfriado, perderão este sentimento.

- Nestes “últimos dias”, o desamor é uma constante e, em virtude disto, os dias são repletos de violência, pois a vida humana é vilipendiada, já que não há amor a Deus e, consequentemente, não há amor ao próximo. O homem é menosprezado e se desenvolve, entre as pessoas, uma verdadeira “cultura da morte”.

- Nestes “últimos dias”, multiplica-se o pecado e, com ele, multiplicam-se os problemas. Sem dar guarida a Deus e ao seu amor, a humanidade acaba correndo de um lado para outro, como ovelhas desgarradas que não têm pastor (Mt 9:36), sem direção, sem qualquer orientação, o que faz com que surjam inúmeros problemas.

- Nestes “últimos dias”, os homens são amantes de si mesmos, sem amor para com os bons (2Tm 3:2,3). São pessoas que só pensam em si próprios e criam condições múltiplas para se servirem do próximo, aproveitarem-se dele e o explorarem o máximo possível.

- Nestes “últimos dias”, o homem não tem a menor preocupação em prejudicar o outro, desde que isto lhe seja conveniente e contribua para que atinja os seus objetivos, objetivos estes que dizem respeito somente a si próprio. A ganância, o prazer, o bem-estar próprio, a satisfação do seu ego, é só isto que é estimulado, incentivado e almejado pelo homem dos últimos dias. Vivemos dias em que toda a ferocidade humana é revelada ao seu próximo. Por isso, os homens são desobedientes a pais e mães, ingratos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, cruéis, obstinados e orgulhosos (2Tm 3:2-4). As pessoas agem em relação às outras como se estas fossem, há muito tempo, suas inimigas. Vivemos a época da insegurança e do medo indiscriminados.

- Nestes “últimos dias”têm surgido no meio do povo de Deus, enganadores, pessoas que, tendo aparência de piedade, negam, com seus atos, a eficácia dela (2Tm 3:5). Os últimos dias, dizem-nos Pedro e Judas (2Pe 3:3 e Judas 18), são dias em que surgem os falsos mestres, que são os condutores de muitos pelo caminho da apostasia, ou seja, do afastamento deliberado da sã doutrina, do desvio espiritual.

Estes últimos dias” são dias em que os cristãos são tratados como mercadorias, em que há a mercantilização da fé, em que muitos se levantam não para servir a Deus, mas para levar os salvos ao seu próprio serviço, num ultraje nunca visto em toda a história.

- Estes “últimos dias”, são dias de proliferação de falsas doutrinas, de doutrinas de homens e de demônios, de lutas pelo poder eclesiástico, de escândalos, onde há uma amizade com o pecado e com os deleites humanos e total menosprezo à santidade, à pureza e à sinceridade no propósito de adorar o Senhor.

Veja, a seguir, as dezoito características da humanidade durante os “últimos dias”, exaradas em 2Tm 3:1-4. Nós simplesmente as listamos e damos os sinônimos que explicam o significado de cada uma:

a) Amantes de si mesmos: egocêntricos, presunçosos, egoístas.

b) Avarentos: gananciosos.

c) Presunçosos: jactanciosos, cheios de palavras de orgulho.

d) Soberbos: arrogantes, presunçosos, dominadores.

e) Blasfemos: difamadores, profanos, briguentos, insolentes, grosseiros, arrogantes.

f) Desobedientes a pais e mães: rebeldes, insubordinados, descontrolados.

g) Ingratos: mal-agradecidos, não reconhecedores.

h) Profanos: ímpios, irreverentes, contrários às coisas santas.

i) Sem afeto natural: impiedosos, insensíveis, indiferentes.

j) Irreconciliáveis: implacáveis, contendores, briguentos.

k) Caluniadores: propagadores de notícias maliciosas e falsas.

l) Incontinentes: sem domínio próprio, de paixões descontroladas, dissolutos, devassos.

m) cruéis: grosseiros, sem prestígios.

n) Sem amor para com os bons: odeiam pessoas e coisas boas; são avessos a qualquer forma de bondade.

o) Traidores: traiçoeiros, pérfidos.

p) Obstinados: imprudentes, irredutíveis.

q) Orgulhosos: pretensiosos, presunçosos.

r) Mais amigos dos deleites do que amigos de Deus: aqueles que amam os prazeres sensuais, mas não a Deus.

2. Falsa aparência (2Tm 3:5). “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”.

Todos os problemas relatados em 2Tm 3:1-4 não estão descrevendo apenas um mundo ímpio, mas pessoas que se dizem cristãs. As pessoas frequentam a igreja, mas não mudam a vida. Elas fazem profissão e fé no cristianismo, mas suas ações falam mais alto que as palavras. Pelo mau comportamento, elas mostram que vivem uma mentira. Não há uma evidência do poder de Deus em suas vidas. Pode ter havido mudança, mas de fato nunca houve regeneração. O mundo está arruinado porque a espiritualidade está divorciada da vida.

Hernandes Dias Lopes, citando John Stott diz que, na história, a religião e a moralidade têm estado mais distantes entre si do que juntas. As próprias Escrituras testificam esse fato de forma inconteste. Os grandes profetas éticos dos séculos VIII e VII a.C. apontaram os pecados de Israel e Judá nesse particular. Amós denunciou o crescimento da religião e da injustiça simultaneamente (Am 2:8). Isaías fez um diagnóstico parecido em Judá (Is 1:14-17). Jesus, em seu tempo, trouxe a lume a hipocrisia dos fariseus (Mt 23:25). Esta mesma falsa aparência ainda grassava entre as pessoas que Paulo está descrevendo em 2Tm 3:5. Evidentemente essas pessoas frequentavam a igreja, cantavam hinos, diziam "amém" às orações e colocavam dinheiro no gazofilácio. Tinham aparência e palavras piedosas, mas eram apenas máscaras, aparência externa sem realidade interna, religião sem moral, fé sem obras. É como se Paulo estivesse descrevendo uma espécie de cristianismo pagão.

Quando olhamos para alguns segmentos da igreja evangélica dos dias hodiernos, constatamos o mesmo problema: crescem em número, mas não em compromisso. Têm carisma, mas não caráter. Mostram números, mas não vida. As pessoas entram para a igreja, mas não são transformadas pelo evangelho. Há iniquidade associada ao ajuntamento solene.

Timóteo é exortado a se afastar de todas essas pessoas – “... destes afasta-te”. Paulo não está ordenando que Timóteo se afaste de todos os pecadores, porque, se assim fosse, precisaria sair do mundo (ler 1Co 5:9-11). Paulo está dizendo que Timóteo não deve ter comunhão com aqueles que se dizem crentes, mas vivem de forma desordenada ou hipócrita.


II. PAULO, UM EXEMPLO DE OBREIRO EM TEMPOS DIFÍCEIS

Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, caridade, paciência” (RC). “Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança” (AA).

Timóteo conhecia bem estes sete aspectos marcantes que caracterizavam esse servo do Senhor. Ele tinha seguido Paulo de perto e pôde testificar que era fiel a Cristo e à sua Palavra.

1. Um obreiro exemplar (2Tm 3:10). “Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino...”. O apóstolo Paulo — outrora perseguidor do evangelho e dos seguidores de Cristo, fariseu respeitado, mas ignorante acerca da verdade e defensor ardoroso da Lei de Moisés — tornou-se um dos maiores exemplos de fé, amor e fidelidade ao cristianismo. Seu caráter era demonstrado por sua conduta exemplar. Em evidente contraste à situação daquela época de declínio dos costumes morais, religião inautêntica e propagação de falsas doutrinas, Timóteo é chamado a ser diferente. Timóteo estava rodeado de falsos mestres. Por isso, deveria seguir o exemplo fiel de Paulo.

2. Modo de viver/procedimento. “... modo de viver...”. O modo de viver, ou conduta, de Paulo era irrepreensível; era coerente com a mensagem que ele pregava. Às vezes, de brincadeira, ouvimos alguém dizer: faça o que eu digo, mas não o que eu faço”. Não era assim com o apóstolo Paulo. Ele pôde apresentar sua vida como modelo de devoção a Cristo e sua causa. Toda a sua vida depois da conversão foi dedicada à tarefa de apresentar aos outros um esboço do que o cristão deve ser. Deus salvou Paulo com a finalidade de mostrar ao mundo, pelo exemplo de sua conversão, que o que fez na vida dele também pode e fará na vida de outros. E nós? Será que estamos servindo de exemplo àqueles que foram salvos pela sua graça? Que assim seja.

Precisamos de líderes que sirvam de modelo para os mais jovens. Precisamos de pessoas que falem a verdade e vivam a Verdade.

3. Propósito (intenção), fé, longanimidade, amor e paciência. “... propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança”.

- O propósito de Paulo era se afastar da doutrina do mal e testemunhar o evangelho da graça, ainda que isso lhe custasse a própria vida (At 20:24).

- A fé pode significar a confiança de Paulo no Senhor ou sua fidelidade pessoal. Timóteo o conhecia como alguém completamente dependente do Senhor e ao mesmo tempo honesto e digno de confiança.

- A longanimidade de Paulo foi provada pela sua atitude em relação aos perseguidores e críticos e pelos sofrimentos físicos.

- Quanto ao amor, despojava-se de si mesmo para se dedicar ao Senhor e ao próximo. Quanto menos amado era, mais determinado estava a amar.

- Sua paciência diante das reações hostis sofridas por todos os recantos por onde passava era notória.

- Perseverar quer dizer literalmente “manter-se alegre diante das dificuldades”, e perseverança exige força e coragem.


III. O ENSINO DA PALAVRA DE DEUS EM TEMPOS DIFÍCEIS (2Tm 3:14-17)

14- “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido”. 15 - “E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus”. 16- “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça”, 17 - “para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra”.

1. O valor do ensino bíblico. O ensino da Palavra de Deus, na igreja local, é indispensável e de fundamental importância, por isso deve ser contínuo. Depois da evangelização, vem o discipulado dos novos convertidos, mas o discipulado não deve ser visto como apenas algumas lições bíblicas. Ninguém deixa de ser discípulo pela idade ou por tempo de serviço. O discipulado cristão é para toda a vida. Na igreja do primeiro século o exercício deste ministério era contínuo. Diz o texto bíblico: "E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar..." (At 5:42). Sem o ensino, os crentes ficam sem o conhecimento indispensável ao seu crescimento na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 2Pe 3:18).

Paulo não mediu tempo para ensinar os crentes da igreja primitiva. Ele foi um exemplo de dedicação e persistência no ensino das Escrituras. Ele disse: “como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas” (At 20:20). Em Trôade, ministrou aos irmãos até altas horas – No primeiro dia da semana, estando nós reunidos como o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia seguinte, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite” (At 20:7,8). Nem o incidente que aconteceu com o jovem Êutico lhe arrefeceu o entusiasmo e o ardor doutrinário – “Subindo de novo, partiu o pão, e comeu, e ainda lhes falou largamente até ao romper da alva” (At 20:11). O ardor pelo ensino também aconteceu em Antioquia - todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente” (At 11:26). Também em Corinto Paulo permaneceu um ano e seis meses, ensinando entre eles a Palavra de Deus” (At 18:11b).

Pedro também era persistente e insistente no ensino: “Pelo que não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais e estejais confirmados na presente verdade” (2Pe 1:12). Ele sabia que os crentes aos quais a sua carta foi enviada já possuíam certeza dos ensinos fundamentais, porém dava instrução contínua. Pedro sabia que em breve partiria para a glória (2Pe 1:14), e seu desejo era que, após a sua partida para estar com o Senhor, o ensino bíblico estivesse na mente de todos (2Pe 1:15).

O Israel do Antigo Testamento se apostatou da fé em Deus porque deixou de conhecer a Jeová. Por causa disso o Senhor destruiu Israel espalhando-o por todo o mundo. O Senhor lamentou essa situação: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento” (Oséias 4:6). E conhecimento não se adquire sem um ensino persistente e inspirado pelo Espírito Santo. Vivemos dias em que este ministério nunca foi tão necessário. Quando o ensino não é cuidadoso, paciente e dedicado, há grande prejuízo para as novas gerações.

2. Combatendo o “espírito do Anticristo” com a Palavra de Deus. Apesar de o Anticristo surgir em carne e osso muito em breve, o espírito do Anticristo já está presente na terra, conforme 1João 2:18-19"Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora. Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós”.

Em 1João 4:2-4, é confirmado que o espírito do anticristo já está presente hoje, e nos ensina como saber se um espírito é de Deus mesmo ou não: "Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus. E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo”.

O espírito Anticristo está presente neste mundo e podemos detectar a sua ação em todas as partes. Todos os seguimentos da sociedade estão batizados neste terrível espírito maligno. Ele está tomando conta de corações em todos os cantos deste mundo, inclusive de muitos que cristãos dizem ser.

Muitas “igrejas” que outrora eram sustentadas por verdades fundamentais das Escrituras, hoje se encontram totalmente rendidas aos ensinos deste espírito enganador. Pouco a pouco, comunidades inteiras vão se rendendo aos encantos do espírito do anticristo. Urge um avivamento!

Observe alguns dos “instrumentos” utilizados por Satanás nestes últimos dias contra o rebanho do Senhor:

a) O relativismo. Segundo o relativismo nada pode ser definitivamente certo, pois, a verdade está sujeita a fatores aleatórios, ou subjetivos. Assim, os princípios éticos e morais variam de lugar para lugar, pois, estão sujeitos às circunstâncias culturais, políticas e históricas. É claro que o relativismo contrasta com as verdades proclamadas pela Bíblia Sagrada. A Bíblia fala de valores absolutos e imutáveis válidos e aplicáveis em qualquer parte da Terra, pois, a doutrina bíblica se apoia em dois princípios: imutabilidade e universalidade. Por estes dois princípios a doutrina não sofre a ação do tempo e nem do espaço. Pelo princípio de imutabilidade é que nós estamos ensinando, hoje, ela doutrina bíblica que os apóstolos ensinaram; ela não mudou e nem mudará; ela é verdadeira e absoluta. Pelo Princípio da Universalidade, onde houver um homem, em qualquer lugar da terra, a doutrina bíblica é válida para ele. O que a Bíblia definir como sendo pecado, será pecado em toda a Terra. Assim, os princípios éticos e morais que o relativismo afirma mudar de lugar para lugar, pela Bíblia eles são imutáveis.

b) Leis infames. Os poderes legislativos vêm aprovando leis, de iniciativa do poder executivo, que vão de encontro os princípios morais exarados na Bíblia Sagrada. Isso é uma afronta ao Deus Todo Poderoso. O Brasil tem tomado um rumo perigoso. Os líderes da nação, em seus variados poderes, estão afrontando e escarnecendo da Lei de Deus. Leis infames e injustas que aprovam o que Deus condena estão tendo o apoio até do Judiciário. Leis que criminalizam e preveem a prisão daqueles que usam textos da Bíblia para falar contra o homossexualismo; leis que querem legalizar o uso de drogas e a prática do aborto. Certamente, nuvens negras baixam sobre nosso país. É hora de clamar e orar para que Deus tenha misericórdia de nossa nação.

CONCLUSÃO

Neste estudo vimos que o plano do adversário da Igreja é promover movimentos contrários à sã doutrina, de tal forma que a corrupção moral e espiritual encontre espaço no meio da comunidade cristã. Os "tempos trabalhosos" a que Paulo se referiu seriam acentuados nos últimos dias que antecedem a volta de Jesus. Desta feita, a igreja precisa se voltar para a Palavra de Deus, pois ela é o guia seguro para conduzir o crente neste mundo de trevas morais e espirituais.

 

 


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