quinta-feira, 23 de abril de 2026

DEUS RESTAURA O JUSTO

 


DEUS RESTAURA O JUSTO

O livro de Jó (capítulo 42) é um dos momentos mais poderosos da literatura bíblica. Ele não trata apenas de "receber tudo de volta", mas de uma profunda transformação espiritual que precede a restauração material.

Aqui está uma análise dos pontos principais desse fechamento:

1. O Reconhecimento da Soberania (v. 1-6)

A restauração de Jó começa na mente e no coração, não no bolso. Após ouvir a voz de Deus no redemoinho, Jó interrompe suas queixas e admite:

  • Onipotência: Ele reconhece que Deus pode tudo e que nenhum dos Seus planos pode ser frustrado.
  • Arrependimento: Jó confessa que falou do que não entendia. A famosa frase "Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram" (v. 5) resume a mudança: ele passou de uma religião teórica para uma experiência pessoal com o Criador.

2. A Defesa de Deus e a Intercessão (v. 7-9)

Antes da prosperidade voltar, Deus confronta os "amigos" de Jó (Elifaz, Bildade e Zofar).

  • Deus afirma que Jó falou a verdade a Seu respeito, enquanto os amigos tentaram enquadrar Deus em fórmulas simplistas de "causa e efeito".
  • O Teste do Perdão: Deus ordena que os amigos ofereçam sacrifícios e que Jó ore por eles. A restauração de Jó é selada quando ele libera perdão àqueles que o julgaram no momento de dor.

3. A Restauração em Dobro (v. 10-17)

O texto diz que o Senhor mudou a sorte de Jó enquanto ele orava pelos seus amigos.

Aspecto

Antes da Restauração

Depois da Restauração

Bens Materiais

Tudo perdido (saqueado/destruído)

O dobro de tudo o que possuía anteriormente

Família

10 filhos falecidos

7 novos filhos e 3 filhas (descritas como as mais belas da terra)

Social

Rejeitado e desprezado

Irmãos e conhecidos voltaram para comer com ele e consolá-lo

Longevidade

À beira da morte

Viveu mais 140 anos, vendo até a quarta geração

 O Silêncio de Deus não é Ausência: Deus estava trabalhando nos bastidores mesmo quando Jó se sentia abandonado.

  • O Propósito do Sofrimento: O sofrimento não foi um castigo, mas um processo de purificação. Jó saiu da prova muito mais rico em caráter e intimidade com Deus do que quando começou.
  • A Justiça Final: O livro termina reafirmando que, embora a vida seja muitas vezes injusta e inexplicável, Deus permanece no controle e tem a palavra final sobre a nossa história.

Nota: É importante notar que Deus nunca explicou a Jó o "porquê" do sofrimento (a aposta com o Adversário nos capítulos 1 e 2). Isso sugere que a confiança em Deus deve ser baseada em quem Ele é, e não em entender todos os Seus motivos.

Texto Bíblico: Jó 42:1-17

“E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía” (Jó 42:10).

Jó 42:

1.Então, respondeu Jó ao SENHOR e disse:

2.Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido.

3.Quem é aquele, dizes tu, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso, falei do que não entendia; coisas que para mim eram maravilhosíssimas, e que eu não compreendia.

4.Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu ensina-me.

5.Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos.

6.Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.

7.Sucedeu, pois, que, acabando o SENHOR de dizer a Jó aquelas palavras, o SENHOR disse a Elifaz, o temanita: A minha irá se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.

8.Tomai, pois, sete bezerros e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós, e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu vos não trate conforme a vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó.

9.Então, foram Elifaz, o temanita, e Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, e fizeram como o SENHOR lhes dissera; e o SENHOR aceitou a face de Jó.

10.E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía.

11.Então, vieram a ele todos os seus irmãos e todas as suas irmãs e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e cada um, um pendente de ouro

12.E, assim, abençoou o SENHOR o último estado de Jó, mais do que o primeiro; porque teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas.

13.Também teve sete filhos e três filhas.

14.E chamou o nome da primeira, Jemima, e o nome da outra, Quezia, e o nome da terceira, Quéren-Hapuque.

15.E em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos.

16.E, depois disto, viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração.

17.Então, morreu Jó, velho e farto de dias.

INTRODUÇÃO

Neste Estudo trataremos do fim da provação e da restauração de Jó. Após mostrar a Sua grandeza a Jó, Deus obtém o objetivo de toda a Sua argumentação: o reconhecimento por Jó da legitimidade da sua provação. A provação de Jó foi cessada num momento em que orava pelos seus amigos. Durante toda provação, ele se manteve íntegro e não lhe foi atribuída impiedade alguma. No sofrimento do justo sempre haverá um propósito divino que nada poderá impedir de ser realizado. O servo de Deus sempre tem um final feliz, se mantiver fiel ao seu Senhor.

I. A HUMILHAÇÃO DE JÓ

1. O Jó humilhado

Deus finalizou as suas baterias de perguntas, mas Jó não foi capaz de respondê-las. O próprio Jó já tinha dito que era incapaz de responder as inquirições de Deus – “Eis que sou vil; que te responderia eu? A minha mão ponho na minha boca” (Jó 40:4). Deus não queria apenas que Jó se calasse, mas que reconhecesse que Deus tinha o direito de prová-lo e de que o homem não pode querer contender com Deus quando submetido a uma prova, cujos propósitos sempre são favoráveis e bons para aqueles que O servem.

O patriarca, atônito, caiu em si e verificou que deveria reconhecer a soberania de Deus em termos mais amplos, ou seja, não poderia sequer arvorar-se no direito de querer entender o seu sofrimento. Reconheceu que Deus é soberano, mas, nesse reconhecimento, admitiu que Deus tem Seus planos e que deles não deve prestar contas a pessoa alguma. Deus tem os Seus planos, que se realizam sem que pessoa alguma possa impedi-los. Deus tem os Seus planos e os homens não devem contender quando Ele os prática, mas tão somente a eles se submeter e confiar que o melhor está acontecendo para o que é alvo do plano divino - "Bem sei eu que tudo podes e que nenhum dos Teus pensamentos pode ser impedido" (Jó 42:2).

Com esta confissão, Jó humilhou-se diante de Deus no patamar desejado, abandonou completamente a "pontinha de autossuficiência" que poderia ameaçar a sua vida espiritual e cumpriu o propósito divino para sua vida. Deus, então, fez passar o cativeiro de Jó quando este orava pelos seus amigos. Enquanto Jó estava se defendendo e curtindo sua dor, sentiu-se injustiçado; mas, quando viu a majestade de Deus, encontrou o caminho da humildade, do entendimento e a estrada da restauração.

Quando passamos pelo vale da dor, precisamos olhar para a majestade de Deus, e não para a profundidade das nossas feridas. Se olharmos para nós, entraremos em pânico; se olharmos para Deus, sentiremos paz no vale. Se observarmos os ventos contrários e o rugido da tempestade, naufragaremos, mas se fixarmos os olhos em Cristo, caminharemos sobre as ondas revoltas.

O começo da restauração de Jó não passou pelo entendimento de sua dor, mas pela compreensão da soberania de Deus. Foi quando seus olhos se abriram para ver a grandeza de Deus que as coisas passaram a se tornar claras para ele. Não podemos conhecer a nós mesmos sem antes conhecer Deus. Quanto mais focarmos em nós mesmos, mais aflitos ficaremos e mais longe da verdade estaremos. Quanto mais perto de Deus ficarmos, mais entenderemos a nós mesmos e as circunstâncias que nos cercam.

2. Reverência e submissão

Diante da espantosa visão da Criação de Deus, Jó exclamou: “Bem sei eu que tudo podes” (Jó 42:2). Isto demonstra sua atitude de reverência e submissão diante de Deus. Jó reconheceu que Deus está acima dos nossos pensamentos ou dos nossos projetos, e que não podemos querer indagar-lhe ou pedir que preste contas a nós.

O patriarca foi claro ao afirmar que os desígnios divinos não são nossos e não podem ser alvo de nosso interesse. Diante de Deus somos ignorantes, ou seja, pessoas que não têm o conhecimento de Deus, nem o podem ter. Por isso, Jó afirmou que, ao exigir que Deus viesse ao Seu encontro para explicar a situação, para lhe fazer entender o seu sofrimento apesar de sua retidão, "falava do que não entendia" (Jó 42:3).

O verdadeiro servo de Deus age como Jó, ou seja, reconhece que tratar dos desígnios divinos, tratar dos projetos de Deus, tentar analisar as razões de Deus estar agindo ou ter agido desta ou daquela maneira é falar do que não se pode entender, é, em última instância, ocupar indevidamente a posição que só cabe ao Senhor.

Como seria interessante que muitos de nós agíssemos com esta mesma consciência que Jó adquiriu e, de preferência, antes que passássemos por um estágio dolorido como o que Jó sofreu. Infelizmente, hoje, bem ao contrário do patriarca, há muitas pessoas que se colocam no lugar de Deus e passam a julgar os outros, a ditar ordens ao Senhor ou até a estabelecer projetos para as suas vidas e para as vidas dos semelhantes, sem sequer perguntar se esta é a vontade de Deus para nossas vidas (ler Tg.4:13,14). Que possamos nos pôr no lugar de servos e que reconheçamos, sempre, que não podemos, de forma alguma, falar do que jamais poderemos entender. 

3. Uma experiência viva com Deus

“Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos” (Jó 42:5).

Jó estava perplexo diante da visão de Deus e de tudo que ouvira dele. Reconheceu a soberania de Deus e confessou ter falado do que não entendia (Jó 42:3). Por fim, apresentou uma constatação das mais maravilhosas - ainda chaguento e pobre, o patriarca, após pedir ao Senhor que o ensinasse, deu testemunho de que toda aquela prova servira para que ele tivesse um maior entendimento de Deus. Sim, apesar de todo o sofrimento e de toda a prova, o patriarca podia dizer que, antes, apenas ouvia o Senhor, mas que agora O havia visto (Jó 42:5).

Agora que seus próprios olhos viram a Deus, Jó se arrependeu no pó e na cinza (Jó 42:6). Com esta expressão, o patriarca denotou que, até então, toda a sua vida de comunhão com Deus havia sido superficial - um "ouvir dizer" -, mas que, agora, com a experiência da prova, este conhecimento havia se ampliado muitíssimo, a ponto de não se ter apenas um "ouvir dizer", mas uma "visão". Havia ocorrido um aprofundamento no relacionamento entre Jó e Deus. Todavia, em nosso relacionamento com Deus, jamais devemos nos esquecer que Suas riquezas são inescrutáveis, de uma profundidade que jamais poderemos alcançar (cf.Rm.11:33-35).

Esta nova experiência com Deus resultou em humildade, reverência e submissão. Isto nos ensina que em nossa jornada não podemos nos contentar com um conhecimento teórico acerca de Deus, mas devemos experimentá-lo. Quando temos experiências vivas com o Altíssimo, renunciamos aos nossos “achismos” (Jó 42:3), confessamos nossa miséria “no pó e na cinza” (Jó 42:6), rejeitamos o nosso orgulho e rebeldia.

O comportamento de Jó nos traz uma importante reflexão. Se Jó era quem era, o homem mais excelente sobre a Terra no seu tempo, reto, sincero, temente a Deus e que se desviava do mal, tendo o próprio Deus como testemunha de sua fidelidade e, mesmo assim, admitiu ter um conhecimento superficial, de "ouvir dizer" a respeito de Deus, que poderemos falar em relação a nós e o nosso testemunho diante do Senhor? Será que poderemos dizer que conhecemos a Deus como o patriarca Jó conhecia? Será que podemos dizer que nossa intimidade com Deus se assemelha ao do patriarca Jó antes da provação?

Temos muito ainda a aprender, e devemos nos conscientizar de que nossa intimidade com Deus ainda é muito pequena. Se assim nos conscientizarmos dessa realidade, certamente teremos um grande progresso espiritual e seremos muito mais úteis à obra do Senhor e ao aperfeiçoamento dos santos do que temos sido na atualidade, até porque, por causa de nossas presunções de santidade, temos, muitas vezes, sido verdadeiras pedras de tropeço na caminhada de muitos.

II. A INTERCESSÃO DE JÓ

O objetivo divino da prova tinha sido alcançado. Jó crescera espiritualmente e aceitara depender de Deus em todos os aspectos de sua vida, sem qualquer sentimento de autossuficiência, sem qualquer obstáculo que impedisse a atuação do Senhor em qualquer aspecto da sua vida. Mas Deus tinha algo a realizar, também, na vida dos amigos de Jó, pessoas que, também, tinham um conhecimento insuficiente a respeito de Deus. Vemos aqui que o propósito de Deus é dirigido a todas as pessoas, sem qualquer distinção.

1. A ira de Deus


Após ter se dirigido a Jó com uma série de indagações que Jó não foi capaz de respondê-las, o Senhor voltou-se para Elifaz, o temanita, com as seguintes palavras:

 “A minha irá se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó” (Jó 42:7).

Este texto mostra que Deus se irou contra os amigos de Jó porque não falaram de Deus o que era reto, como Jó falara. Os argumentos teológicos dos três amigos de Jó partiram de premissas falsas. A teologia deles não condiziam com a vontade de Deus. Eles defenderam Deus de forma enérgica e sincera, mas errada. Eles eram especuladores da fé; eram teóricos; falavam de sua cabeça, e não do coração; falavam do que tinham ouvido, e não de sua experiência; tinham conhecimento a respeito de Deus, mas não tinham intimidade com Deus. Isto mostra que uma teologia errada, certamente, conduz para uma crença igualmente equivocada. Deus mostrou para eles que o sofrimento de Jó não foi uma punição, mas uma provação, provação essa que poderá ocorrer com qualquer servo de Deus ao longo de sua jornada.

Embora a prova fosse de Jó, Deus não distinguiu entre eles e seus amigos, estando interessado em que os amigos de Jó também fossem alcançados pela bênção de Deus. Deus dirigiu-se a Elifaz e determinou a ele e a seus amigos que se arrependessem, que mudassem seus conceitos a respeito do Senhor e que fossem até Jó para que este intercedesse por eles, com um sacrifício em seu favor (Jó 42:8). Era a revelação do testemunho divino a respeito de Jó, testemunho que, de uma vez por todas, encerrava todas as razões e argumentações humanas que haviam sido proferidos por Elifaz, Bildade e Zofar.

E quanto a Eliú? O que ele disse a respeito de Deus era correto ou não? Como vimos, o discurso de Eliú avançou em relação aos dos três outros amigos de Jó, mas não era integralmente correto. Entretanto, como bem ensina a Bíblia de Estudo Plenitude, "…Deus nada diz referente a Eliú. Deus não confirma, não reconhece, não repreende, nem responde a Eliú. Esse dado sublinha o tema do Livro de Jó: Deus é soberano e Seus caminhos são inescrutáveis".

O testemunho que Deus dá de Seus servos faz com que todos os argumentos, todas as razões e todas as obras humanas cessem. Por isso, tenhamos confiança no Senhor e não nos deixemos intimidar pelo que os homens podem estar fazendo a nosso respeito, pois Deus é soberano e, no momento certo, fará prevalecer a Sua vontade, a despeito de todo e qualquer ordem que tenha provido do homem ou de suas instituições.

2. O pecado dos amigos de Jó

“... porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó” (Jó 42:7).

Este texto mostra que a fidelidade de Jó foi provada por Deus; ele continuava íntegro e com seu caráter reto, conforme sua humilhação demonstrou. Portanto, aquilo que Jó dissera estava correto. Isso não significa que tudo quanto Jó dissera era plenamente certo, mas que as respostas de Jó aos seus amigos eram inteiramente justas diante de Deus e que sua atitude lhe agradava.

Se Jó estava correto, então seus amigos estavam errados. Qual foi, então, o pecado dos amigos de Jó? O pecado dos amigos de Jó foi a insistência da apresentação da falsa teologia deísta, da falsa teologia da prosperidade e do sofrimento, evidente nas suas acusações contra o patriarca. Eles cometeram três erros que poderiam levar a destruição da reputação espiritual de Jó, caso este tivesse cedido:

Ensinaram um princípio retributivo da prosperidade e do sofrimento - que os justos sempre são abençoados e que os ímpios são castigados. Para eles, todo sofrimento deveria ser uma consequência de um juízo divino como resposta a um pecado praticado. Como o livro de Jó demonstra, quando dentro dos propósitos de Deus, o sofrimento é uma manifestação de seu amor e graça e não uma forma de punição (Jó 1:8-12).

Insistiram que Jó confessasse um pecado que ele não cometera, para livrar-se do sofrimento e receber a bênção divina. Pelo teor do seu conselho, eles tentaram Jó a voltar-se para Deus, visando ao seu proveito pessoal. Se Jó tivesse acatado o conselho deles, teria invalidado a confiança de Deus nele e confirmado a acusação de Satanás de que Jó temia a Deus apenas em troca de bênçãos e vantagens.

Falaram com arrogância, alegando terem aprovação divina para sua doutrina e teologia falsas.

Nisto os amigos de Jó pecaram e, por isso, precisavam da intercessão de alguém, que fosse justo e reto diante de Deus. Jó era a pessoa qualificada para isso; por isso, Deus o escolheu, e ordenou que os três amigos o procurassem e fizesse um sacrifício em favor deles (Jó 42:8):

“Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós. O meu servo Jó orará por vós; porque dele aceitarei a intercessão, para que eu não vos trate segundo a vossa loucura; porque vós não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó”.

3. A oração de Jó

Conforme Jó 42:8, Deus ordenou que os amigos de Jó fossem até ele para que este orasse por eles. Jó, que outrora foi acusado de pecador pelos seus amigos, agora intercedia por eles por meio da oração. Como bem disse o Pr. Claudionor de Andrade, “mesmo em frangalhos, e mesmo não passando de ruínas, deveria Jó, naquele momento, atuar como sacerdote daqueles que muito o feriram com suas palavras. Que incrível semelhança com o Senhor Jesus Cristo! Nosso Salvador, embora tenha sido retratado pelo profeta como alguém desprovido de parecer e formosura, intercedeu por nós pecadores” (Is.53:2,3,12).

Jó, mesmo em frangalhos, caber-lhe-ia orar por seus amigos, e por seus amigos oferecer os sacrifícios prescritos pelo Senhor. O Senhor aceitou a oração de Jó, e Deus perdoou os seus amigos.

Durante todo o livro, Jó se colocou na defensiva e ergueu sua voz para se defender. Mas Deus agora ordenou a Jó que saísse do campo de defesa para entrar na brecha da intercessão. Quando nós defendemos, o nosso foco está concentrado em nós mesmos. Quando oramos, nosso foco está na pessoa que é alvo da nossa oração. É impossível orar por alguém e continuar magoado com essa pessoa. E impossível odiar alguém e interceder por essa pessoa ao mesmo tempo. Jesus Cristo foi enfático, quando ensinou: “Quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que também o vosso Pai que está no céu vos perdoe as vossas ofensas” (Mc 11.25

A determinação divina para que os amigos de Jó efetuassem um sacrifício para remissão dos pecados cometidos em seus debates com o patriarca, traz-nos importantíssimas lições. Em primeiro lugar, mostra-nos que não só nossas ações, mas também nossas palavras são levadas em conta diante de Deus. Quantos de nós são descuidados com o que falam e quantos acabam falando algo de suas cabeças como se fossem palavras vindas da parte do Senhor. Tais palavras estão todas colocadas diante de Deus e o Senhor requererá de seus pronunciadores uma atitude de arrependimento sem o que poderão até perder a salvação. Esta é uma grande responsabilidade que muitos não têm consciência, mas que o referido texto bíblico nos revela de forma insofismável, de modo claro e evidente.

Os amigos de Jó, por terem falado o que não convinha, eram culpados, haviam pecado e precisavam de imediata expiação. Como, então, os faladores da atualidade podem achar que suas palavras não são levadas em conta pelo Reto e Supremo Juiz? Tenhamos muito cuidado com o que falamos, pois tudo está sendo anotado perante o Senhor (cf.Mt.12:36).

III. A RESTAURAÇÃO DE JÓ


Quando Satanás investiu contra Jó, atacou cinco áreas fundamentais da sua vida:

-Primeiro, a área financeira. Satanás levou Jó à falência. Arrancou tudo o que ele tinha num único dia. Pessoas e circunstâncias fizeram da riqueza colossal de Jó apenas uma neblina que se dissipou.

-Segundo, a área dos filhos. Satanás provocou um acidente grave, envolvendo todos os filhos de Jó no mesmo dia da sua falência financeira, provocando a morte de todos eles no mesmo instante. Jó precisou sepultar todos os seus dez filhos no mesmo dia.

-Terceiro, a área da saúde. Jó, depois de perder seus bens e filhos, perdeu também sua saúde. Foi acometido por tumores malignos que brotaram no seu corpo desde a planta do pé ao alto da cabeça. Seu corpo ficou chagado; sua pele, necrosada. Jó ficou todo enrugado. Seu vigor tornou-se sequidão de estio.

-Quarto, a área do casamento. Jó, depois de perder os bens, os filhos e a saúde, perdeu, ainda, o apoio de sua mulher. Esta, revoltada contra Deus, sugeriu ao marido a rebelar-se contra Deus e cometer suicídio.

-Quinto, a área das amizades. Jó, tendo perdido todas as conexões dentro de sua casa, agora é atacado violentamente pelos próprios amigos, que se tornaram um peso para ele, e não um bálsamo. Recebeu dos amigos as mais duras críticas, as mais injustas acusações, as setas mais venenosas.

Mas, no fim da prova, Deus restaurou tudo que Jó tinha perdido. A sua restauração começou quando ele ainda estava enfermo:

·     Primeiramente, iniciou-se no interior da sua alma, quando ele reconheceu que nada é diante do Senhor (Jó 42:6). Os olhos de sua alma foram abertos para compreender a majestade de Deus e a sua fraqueza.

·     Depois, parte para uma demonstração exterior, mas ainda espiritual, através da ministração do sacrifício em favor de seus amigos (Jó 42:9).

·     A seguir, Jó, cremos nós, enquanto orava pelos seus amigos, foi instantaneamente curado de sua chaga, uma evidência exterior de que cessara seu sofrimento (Jó 42:10) - “Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra”.

·     Em seguida, Jó é visitado pelos seus familiares, o que significa a reabilitação social do patriarca, com a criação de um fundo patrimonial, base para o início da nova opulência de Jó (Jó 42:11).

·     E, ao longo dos anos, Deus reconstruiu a família de Jó, que, com sua mulher que nunca lhe abandonou, teve outros dez filhos. Do interior para o exterior - assim atua o Senhor na vida das pessoas.

Veja, a seguir, com mais detalhe, as cinco áreas atingidas na vida de Jó e que Deus as restaurou (adaptado do livro “As teses de Satanás, de Hernandes Dias Lopes”):

1. Deus restaurou a saúde de Jó

“Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos...”.

A cura física de Jó, creio eu, aconteceu quando ele deixou de se queixar, deixou de se defender e começou a orar pelos seus amigos. Enquanto se queixava, enquanto bradava inocência, enquanto discutia com seus amigos, enquanto reconhecia sua condição vil diante de Deus, Jó continuava chaguento e desprezado. Mas, quando orou pelos seus amigos, no instante mesmo em que deixou de se ver a si próprio e passou a amar o próximo, foi mudado o seu cativeiro e, cremos nós, durante aquela oração, suas chagas desapareceram milagrosamente, tendo sido restituída a sua saúde, numa demonstração inequívoca da aceitação divina e numa prova indelével de que a provação havia cessado. Isto nos leva à própria suma que Jesus fez da lei, quando afirmou que ela se resumia a dois mandamentos: “amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo”.

Jó, ao orar pelos seus amigos, demonstrou amor integral e completo ao semelhante, não apenas um amor solidário ou filantrópico, mas um amor espiritual, uma compaixão pela alma de seus amigos. Às vezes, o que nos impede de termos o fim de tantas lutas e tantos sofrimentos é a ausência de compaixão pelas pessoas que nos cercam, é a ausência da plenitude do amor de Cristo em nossas vidas.

2. Deus restaurou os bens de Jó

Está escrito: ... [o SENHOR] lhe deu o dobro do que possuía antes (Jó 42:10). Observemos bem que a restauração de Jó se deu de forma paulatina e com a colaboração inestimável do patriarca.

Quando Jó foi visitado pelos seus parentes, eles trouxeram presentes ao patriarca, que serviu de fundo inicial para a reconstrução da riqueza. O texto bíblico diz-nos que o patriarca recebeu uma peça de dinheiro e um pendente de ouro (Jó 42:11) e que, por bênção de Deus, teve o dobro de tudo quanto dantes possuía (Jó 42:12). Como tornou uma peça de dinheiro e um pendente de ouro recebido de cada parente que o visitou em catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas? A resposta é uma só: com trabalho. Jó soube aproveitar a bênção que recebeu e fazer com que aquele fundo patrimonial lhe rendesse.

A prosperidade material, quando desejada por Deus a um servo Seu, não vem senão dentro dos princípios éticos estabelecidos pelo Criador a este mundo, ou seja, mediante o trabalho, algo bem diverso da mágica preconizada pelos teólogos da prosperidade.

-O que Jó possuíra? Está registrado: “Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas. Tinha também muitos servos que trabalhavam para ele, de modo que era o homem mais rico de todos do oriente” (Jó 1:3).

-O que Jó passou a possuir? A Bíblia responde: Assim, o SENHOR abençoou o último estado de Jó mais do que o primeiro; pois Jó chegou a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas (Jó 42:12).

Se Jó era o homem mais rico de sua época, passou a ser duplamente rico. Vale destacar que a riqueza de Jó é uma expressão clara da bondade de Deus; é fruto da bênção do Altíssimo. É Deus quem adestra as nossas mãos para adquirirmos riquezas. Riquezas e glórias vêm de Deus.

A Bíblia diz que a alma generosa prosperará.

3. Deus restaurou o casamento de Jó

Muitos casamentos não suportam o teste da pobreza; outros não se mantêm no glamour da riqueza. Quando Jó ficava muito mal, sua mulher ordenou-lhe a renunciar a seus absolutos, amaldiçoar a Deus e morrer. Ela disse a Jó: “... Tu ainda te manténs íntegro? Amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2:9). Ela não suportou a sucessão de tantas perdas. Decepcionada com Deus, estava disposta a virar a mesa e abandonar todos os valores e princípios que haviam regido até então sua vida. Isto mostra que sua fidelidade a Deus era condicional - mantinha sua devoção apenas nos dias áureos; sua fé era circunstancial e sua ética, situacional. Mesmo mergulhado num caudal de sofrimento e dor, Jó respondeu à sua mulher com firmeza inevitável: Tu falas como uma louca. Por acaso receberemos de Deus apenas o bem e não também a desgraça?” (Jó 2:10).

Imagine Jó agora curado, cheio de vida, rico, cercado de parentes e amigos!

Imagine o comentário percorrendo todo o Oriente, acerca da mudança radical ocorrida em sua vida! Imagine esse homem, outrora surrado pela adversidade, agora novamente no topo do sucesso!

Imagine esse homem voltando a fita do tempo e lembrando-se de sua mulher querendo empurrá-lo para o abismo, sugerindo a ele pisotear seus valores, abandonar sua fé e lançar-se nos braços da morte! Se fosse hoje, talvez esse homem dissesse: "Mulher, quando eu estava na pior, você queria que eu morresse. Agora, estou com vigor e dinheiro no bolso; como você não me queria na pobreza, também não quero mais você na abundância". Claro, não foi isso o que aconteceu. O mesmo Deus que curou o corpo de Jó, curou também sua alma. O mesmo Deus que sarou as feridas de seu corpo, também lancetou os abcessos de seu coração. Jó certamente perdoou sua esposa. Aquele relacionamento estremecido foi restaurado. Aquele sentimento seco como uma palha jogada ao vento foi remoçado. Deus traz um novo alento ao coração deles, e o casamento se ergue das cinzas. Agora, surgem e florescem novos sonhos, novos alvos, novos filhos.

4. Deus restaurou os filhos de Jó

Não somente o casamento de Jó foi restaurado, mas também seus filhos; ele teve outros dez filhos, sete filhos e três filhas, ou seja, uma prole semelhante àquela que havia perdido (Jó 42:13). Com esta restauração, que, muito provavelmente envolveu até um milagre para que a mulher de Jó pudesse voltar a ter filhos, o Senhor quis mostrar, para todos os Seus servos de todos os tempos, que o adversário não tem poder para destruir a família enquanto instituição divina.

A Bíblia diz que as filhas de Jó se destacavam pela sua formosura. Os nomes das três filhas são mencionados: Jemima, Quezia e Quéren-Hapuque. Elas são descritas como as mulheres mais formosas do mundo (Jó 42:14,15. E Jó, na contramão da cultura vigente, lhes deu herança entre seus irmãos (Jó 42:14,15), numa evidência maior de que Jó estava, agora, totalmente submisso à vontade de Deus, agindo de acordo com outro princípio divino, que é o da igualdade entre homem e mulher (Gn.1:27,2:23), princípio que foi deturpado com o pecado (Gn.3:16). Não apenas Jó teve o privilégio de ter novos filhos, mas teve a ventura de ver os filhos de seus filhos, até a quarta geração (Jó 42:16).

5. Deus restaurou os amigos de Jó

A ira de Deus se acendeu contra os amigos de Jó, mas Deus ordenou-lhes que fossem até ele para que orasse por eles. Jó intercedeu por eles, e Deus aceitou sua oração, restaurando a vida de seus amigos (Jó 42:7-9). A restauração dos relacionamentos não veio como resultado dos argumentos e contra-argumentos, mas por meio da intercessão. Enquanto ambas as partes se entregaram ao arrazoamento, as feridas só foram abertas e os muros só se tornaram mais altos. No momento, porém, em que Jó se colocou na brecha da intercessão, e que Deus interveio, a amizade foi restaurada e o relacionamento de seus amigos com Deus foi restabelecida.

6. Deus deu a Jó uma vida abundante

Jó não somente foi restaurado em sua saúde, também ganhou um novo vigor, a ponto de ter vivido mais cento e quarenta anos depois do final de sua prova, tendo, inclusive, visto até a quarta geração; uma longevidade que é o dobro do normalmente existente naquela época (cf.Sl.90:10) e maior até do que a dos homens da fase final do período antediluviano (Gn.6:3). Tudo indica que Jó, após a prova, adquiriu uma nova vitalidade celular, uma nova configuração genética que lhe permitiu toda esta longevidade.

No entanto, o que é importante observar é que Jó não teve uma vida longa, mas uma vida de qualidade. A Bíblia fala-nos que Jó morreu, velho e farto de dias (Jó 42:17), ou seja, uma vida abundante, uma vida de qualidade, uma vida que valeu a pena ser vivida. Muitos pensam, atualmente, em uma vida de muita prosperidade quantitativa, mas não se preocupam em ter uma vida de qualidade. Deus, pelo contrário, quer nos dar uma vida feliz, uma vida que valha a pena ser vivida.

Enfim, tudo quanto Satanás intentou contrário, Deus reverteu. Satanás queria macular o caráter de Deus e afastar Jó de Deus; o que ele conseguiu foi apenas colocar Jó mais perto de Deus e deixar mais patente a majestade divina.

CONCLUSÃO

Aprendemos que, mesmo que Satanás se lance contra nós, Deus reverterá isso em bênção. Mesmo que ele queira nos destruir, sairemos dessa batalha mais crentes, mais fortes, mais perto de Deus. Creia nisso!

Satanás pode até lançar sobre nós seus dardos inflamados, porém, Deus nos cobrirá com suas asas. Satanás pode até nos atacar com sua fúria indômita, mas os planos de Deus para nós, estabelecidos na eternidade, jamais poderão ser frustrados. A soberania de Deus não pode ser abalada pelo ataque de Satanás, nem nossa segurança em Deus pode ser estremecida por esse ataque. Nada nem ninguém, nem agora nem no porvir, pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Estamos firmados e seguros nele, e isso nos basta!

Deus restaurou a sorte de Jó, mas não lhe explicou por que estava ele estava sofrendo. É claro que nem sempre Deus nos explica os motivos do nosso sofrimento. Mas, quando não pudermos entender o que Deus está fazendo com a nossa vida, podemos entender Deus. Ele é soberano e está no controle do Universo. Até o nosso sofrimento mais atroz está debaixo do seu controle. Quando Albert Einstein veio à América, depois de seu sucesso com a teoria da relatividade, um repórter perguntou à esposa dele: "A senhora compreende a complexa teoria da relatividade pela qual seu marido é tão famoso no mundo?". Ela respondeu: "Não, eu não compreendo a complexa teoria da relatividade pela qual meu marido é tão famoso no mundo, mas compreendo o meu marido". Nós não podemos compreender o que Deus está fazendo, mas podemos compreender Deus. Ele é Todo-Poderoso e, também, é nosso Pai.

 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

ISMAEL E ISAQUE - 2 IRMÃOS EM CONFLITO

 



ISMAEL E ISAQUE -  2 IRMÃOS EM CONFLITO

 A história de Ismael e Isaque é um dos relatos mais profundos do Gênesis, pois não trata apenas de uma rivalidade entre irmãos, mas dá origem de grandes nações e de tensões que ecoam até os dias de hoje.

Aqui está um resumo dessa dinâmica familiar complexa:

1. As Origens: Promessa vs. Impaciência

A raiz do conflito não começou com os meninos, mas com seus pais, Abraão e Sara. Deus havia prometido um filho a Abraão, mas os anos passaram e Sara continuava estéril.

  • Ismael: Fruto da tentativa humana de "ajudar" a Deus. Sara sugeriu que Abraão tivesse um filho com sua serva egípcia, Agar. Ismael nasceu quando Abraão tinha 86 anos.
  • Isaque: O "filho da promessa". Nasceu milagrosamente quando Abraão tinha 100 anos e Sara 90, conforme a profecia divina.

2. O Ponto de Ruptura

O conflito explodiu durante a festa de desmame de Isaque. A Bíblia narra que Sara viu Ismael (então um adolescente de cerca de 14 anos) caçoando ou zombando de Isaque.

Para Sara, aquilo não era apenas uma brincadeira de criança, mas uma ameaça à herança de seu filho. Ela exigiu que Abraão expulsasse Agar e Ismael. Embora Abraão tenha ficado muito abalado, Deus o instruiu a ouvir Sara, garantindo que Ismael também se tornaria uma grande nação por ser descendente de Abraão.

3. Paralelos e Diferenças

Embora irmãos, seus caminhos foram drasticamente diferentes:

Característica

Ismael

Isaque

Significado do Nome

"Deus ouve"

"Ele ri" (ou "Riso")

Mãe

Agar (serva egípcia)

Sara (esposa legítima)

Legado Espiritual

Considerado o ancestral dos povos árabes.

Considerado o ancestral do povo de Israel.

Natureza

Descrito como um "jumento selvagem" (homem livre/indômito).

O herdeiro da Aliança estabelecida com Abraão.

 

4. O Reencontro e o Legado

Apesar da separação traumática no deserto, há um momento de trégua narrativa: a Bíblia registra que Ismael e Isaque se uniram para sepultar o pai, Abraão, na caverna de Macpela (Gênesis 25:9). Isso sugere que, em algum nível, houve um reconhecimento mútuo de sua linhagem comum.

A Visão Teológica

No Novo Testamento, o apóstolo Paulo usa a história desses dois irmãos como uma alegoria:

  • Ismael representa a escravidão e o esforço humano (a Lei).
  • Isaque representa a liberdade e a promessa divina (a Graça).

Essa história mostra como decisões familiares podem moldar a história da humanidade.  

TEXTO BIBLICO:

“Não são os filhos da carne que são filhos de DEUS, mas os filhos da promessa são contados como descendência” (Rm 9.8).


Gl 4.22 ABRAÃO TEVE DOIS FILHOS. Paulo emprega uma ilustração para demonstrar a diferença entre o antigo e o novo concerto. Agar representa o antigo concerto, firmado no monte Sinai (v. 25); os seus filhos vivem agora sob esse concerto e nascem segundo a carne (v.23), i.e., não têm o ESPÍRITO SANTO. Sara, a outra esposa de Abraão, representa o novo concerto; os seus filhos, i.e., os crentes em CRISTO, têm o ESPÍRITO e são verdadeiros filhos de DEUS. 

Filhos da carne: significa que nasceram da união física entre Abrão e Agar, união essa, perfeitamente passível de gerar filhos, pois Agar era mulher jovem (Geração natural).

Filhos da promessa: São os filhos que DEUS prometeu a Abraão que seriam gerados a partir de Sara, sua esposa, que não podia mais ter filhos e então seria necessário um milagre ou intervenção de DEUS para que viesse a ser gerado o filho da promessa, Isaque, de quem nasceria Esaú e Jacó, de Jacó os doze patriarcas e daí para frente a nação de Israel e daí o messias, JESUS CRISTO e deste os filhos de DEUS que são todos aqueles que o aceitam como senhor e salvador.

 

VERDADE PRÁTICA:

A fidelidade de DEUS é imutável e independente dos fracassos humanos.

Rm 11.29 Porque os dons e a vocação de DEUS são sem arrependimento.


Estas palavras se referem aos privilégios de Israel mencionados em 9.4,5 e 11.26. O contexto desta passagem tem a ver com Israel e os propósitos de DEUS para aquela nação e não aos dons espirituais ou à vocação ministerial relacionados com a obra do ESPÍRITO SANTO na igreja (cf. 12.6-8; 1 Co 12).


O DESPEDIMENTO DE AGAR E ISMAEL


14 Então, se levantou Abraão pela manhã, de madrugada, e tomou pão e um odre de água, e os deu a Agar, pondo-os sobre o seu ombro; também lhe deu o menino e despediu-a; e ela foi-se andando errante no deserto de Berseba.15 E, consumida a água do odre, lançou o menino debaixo de uma das árvores.16 E foi-se e assentou-se em frente, afastando-se a distância de um tiro de arco; porque dizia: Que não veja eu morrer o menino. E assentou-se em frente, e levantou a sua voz, e chorou.17 E ouviu DEUS a voz do menino, e bradou o Anjo de DEUS a Agar desde os céus e disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas, porque DEUS ouviu a voz do rapaz desde o lugar onde está.18 Ergue-te, levanta o moço e pega-lhe pela mão, porque dele farei uma grande nação.19 E abriu-lhe DEUS os olhos; e viu um poço de água, e foi-se, e encheu o odre de água, e deu de beber ao moço.20 E era DEUS com o moço, que cresceu, e habitou no deserto, e foi flecheiro.21 E habitou no deserto de Parã; e sua mãe tomou-lhe mulher da terra do Egito.

21.5 NASCEU ISAQUE, SEU FILHO. Isaque, o filho da promessa, finalmente nasceu no lar de Abraão e Sara. Através de Isaque, DEUS continuaria seu concerto com Abraão (v. 12; 17.19). O cumprimento da promessa de DEUS a Abraão teve lugar depois de vinte e cinco anos (12.4). Bom é o Senhor para os que se atêm a ele (Lm 3.25); no tempo determinado por Ele, suas promessas fielmente se cumprem.


21.17 DEUS OUVIU. DEUS sabia que era melhor que Agar e Ismael se separassem de Abraão. Nem por isso DEUS desamparou os dois, pois permaneceram na sua presença e sob seus cuidados (vv. 17-21). DEUS tinha um propósito para Ismael, paralelo ao seu propósito para com Isaque, a saber: que dele faria uma grande nação (v. 18).

Leitura bíblica: Gn 21.1-13

1 E o SENHOR visitou a Sara, como tinha dito; e fez o SENHOR a Sara como tinha falado.2 E concebeu Sara e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que DEUS lhe tinha dito.3 E chamou Abraão o nome de seu filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, Isaque.4 E Abraão circuncidou o seu filho Isaque, quando era da idade de oito dias, como DEUS lhe tinha ordenado.5 E era Abraão da idade de cem anos, quando lhe nasceu Isaque, seu filho.6 E disse Sara: DEUS me tem feito riso; e todo aquele que o ouvir se rirá comigo.7 Disse mais: Quem diria a Abraão que Sara daria de mamar a filhos, porque lhe dei um filho na sua velhice?8 E cresceu o menino e foi desmamado; então, Abraão fez um grande banquete no dia em que Isaque foi desmamado.9 E viu Sara que o filho de Agar, a egípcia, que está tinha dado a Abraão, zombava.10 E disse a Abraão: Deita fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com meu filho, com Isaque.11 E pareceu esta palavra mui má aos olhos de Abraão, por causa de seu filho.12 Porém DEUS disse a Abraão: Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua semente.13 Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto é tua semente.

INTRODUÇÃO

Um conflito entre irmãos tem influenciado gerações. Se os pais não educarem seus filhos dentro da palavra de DEUS, ensinando-os a se amarem, se respeitarem e se perdoarem mutuamente, nunca teremos sossego e nem harmonia dentro dos lares e consequentemente entre as nações. A história familiar de Abraão e seus filhos Ismael e Isaque provoca nos leitores mais assíduos da Bíblia, arrepios. São árabes (Descendentes de Ismael) e judeus (Descendentes de Isaque), lutando por uma terra que de direito espiritual pertence a Isaque e de direito material, de possessão pela força, pertence a Ismael. Gênesis caps.16 a 25.

I. OS DOIS FILHOS DE ABRAÃO 


1. ISMAEL (GN 16.1-5,15, 16). 

Filho de Abrão com Agar (Escrava egípcia), filho de adultério consentido por sua esposa Sara, que sem fé preferiu arriscar a desgraça de sua família ao invés de crer em DEUS e esperar com paciência pelas suas promessas. Abrão sendo tentado caiu na mesma cilada de Satanás. 

Tg 1.13 Ninguém, sendo [tentado], diga: Sou [tentado] por DEUS; porque DEUS não pode ser [tentado] pelo mal e ele a ninguém tenta.14 Cada um, porém, é [tentado], quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência;

Obs. Ev. Henrique - Essa Agar era jovem e bonita hein! Veja que Ismael é filho de Abrão e não de Abraão. - Tem muita diferença. (Na verdade falta um "H" no nome de Abrahão, esse "H" é importante - vem do nome de DEUS)


2. ISAQUE (GN 18.9-14; 21.1-3). 

Aos cem anos de idade Abraão vê o milagre do nascimento de Isaque acontecer (Gn 17.19). Ler Gálatas 4.22-31. 

Filho de Abraão com Sara, filho da promessa.

Gn 17.19 E DEUS lhe respondeu: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe chamarás [Isaque]; com ele estabelecerei o meu pacto como pacto perpétuo para a sua descendência depois dele.

Abraão, no início da narração de sua vida, na Bíblia, era chamado simplesmente "Abrão" (em hebraico Abram), que significa “Grande Pai”. Era um nome irônico, pois ele não tinha filhos. A partir de Gênesis 17 o seu nome se transforma em Abraão (em hebraico Avraham), que significa "pai de muitos". Isso aconteceu porque lhe foi prometida, por DEUS, uma grande descendência.

Concluindo, o novo nome, na bíblia é uma metáfora da missão a qual o personagem é chamado: Abrão, homem sem filhos, ironicamente chamado de "grande pai", se torna Abraão, o pai efetivo de uma multidão, do povo de Israel!

Diferente da nossa cultura, onde o nome é escolhido pela "estética", o povo israelita e descendentes atribuem um pesado significado ao nome. DEUS também utiliza esse raciocínio em Apocalipse: Quem tem ouvidos, ouça o que o ESPÍRITO diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe. Apocalipse 2:17 Aqui diz que somente nós conheceremos o novo nome porque só nós mesmo saberemos o sentido do nosso novo nome, justamente porque apenas cada um de nós, e DEUS, conhece nossas lutas e vitórias mais íntimas.

Gerado milagrosamente de uma mãe de 90 anos e um pai de 100 anos; esse é o cumprimento das promessas de DEUS a Abrão.

Gn 17.21 O meu pacto, porém, estabelecerei com [Isaque], que Sara te dará à luz neste tempo determinado, no ano vindouro.

II. O SURGIMENTO DO CONFLITO ENTRE OS DOIS IRMÃOS

Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria; porque estas são as duas alianças; uma, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós. Gálatas 4:22-26


O apressamento de Sara e Abrão pela resposta de DEUS quanto a um filho fê-los agir sem fé. Por isso, o filho de Agar é o filho da carne, e o filho de Sara é o filho da promessa (Gl 4.22-31).

1. O começo do conflito (Gn 16.4-6). 

Do ponto de vista da Bíblia, Ismael não é o filho da fé, e sim da incredulidade. 

O COMEÇO DO CONFLITO É ESPIRITUAL, POIS ISMAEL NASCEU DE UM ADULTÉRIO MASCARADO E PERMITIDO POR SARA QUE SEGUIU OS COSTUMES DOS POVOS AO INVÉS DE PERGUNTAR A DEUS QUAL SUA OPINIÃO.

PARA SERMOS POVO DE DEUS TEMOS QUE SABER SUA VONTADE E NÃO O QUE DIZ A CARTILHA MUNDANA.

Do ponto de vista apenas humano o conflito teve início quando Sara se sentiu humilhada por sua escrava egípcia que a estava tratando como subalterna e não como patroa.


2. A razão do conflito (Gn 21.9-12). 

Esse texto bíblico não deixa dúvidas. A rivalidade entre os dois povos nunca foi totalmente amenizada. 
A PRINCIPAL RAZÃO PARA O CONFLITO É ESPIRITUAL, POIS SATANÁS SABENDO DA PROMESSA DE DEUS TENTOU POR TODOS OS MEIOS FAZER COM QUE ISMAEL FICASSE EM POSIÇÃO SUPERIOR À DE ISAQUE PARA QUE AS PROMESSAS DE DEUS NÃO SE CUMPRISSEM CABALMENTE E ASSIM DEUS FOSSE PROCLAMADO MAL-SUCEDIDO.

Do ponto de vista apenas humano a razão do conflito era o tratamento de Ismael ao seu irmão menor, humilhando-o perante os outros. O perigo da herança estava em jogo também, pois o costume do povo era que o filho primogênito (mais velho), ficasse com a herança de seu pai quando ele morresse ou ficasse muito velho para administrá-la, não se baseava ainda na lei, pois ela ainda não havia sido dada. Toda administração ficava por conta do primogênito. Labão é um exemplo disso.


III. A JUSTIÇA IMPARCIAL DE DEUS 


1. DEUS não abandonou Ismael no deserto (Gn 21.14, 15). 

Agar e seu filho Ismael tomaram o caminho do deserto sem saber para onde ir, mas diz a Bíblia que ela tomou o caminho do deserto de Berseba.

Creio que DEUS ouviu a oração de seu servo Abraão novamente. No meu entender Abraão intercedeu por seu filho que seguiu em direção ao deserto com Agar sua mãe; então a benção de DEUS veio sobre Ismael e os olhos de Agar se abriram para ver o que não havia visto ainda, um poço bem pertinho; é assim mesmo, às vezes nossa bênção está tão próxima e não a vemos, só precisamos de abrir nossos olhos espirituais para tomar posse das bênçãos que DEUS já nos tem dado, mas elas só são nossas pela fé. A bíblia diz que DEUS ouviu a voz do menino, não de sua mãe.

E ouviu DEUS a voz do menino, e bradou o anjo de DEUS a Agar desde os céus, e disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas, porque DEUS ouviu a voz do menino desde o lugar onde está. Gênesis 21:17

2. DEUS fez da semente de Ismael uma grande nação. 

Diz a Bíblia que Ismael cresceu no deserto, tornou-se arqueiro ou flecheiro. (Gn 16.12; Jó 39.5-8). 

A nação Árabe que são o resultado da bênção de DEUS sobre Ismael é hoje um povo imenso e muito rico que tem influenciado todas as nações do mundo com sua religião (Islamismo = 2ª ou 1ª maior religião do planeta?), sua cultura e sua extraordinária capacidade empresarial. Também o petróleo dos Árabes tem alimentado os veículos e fábricas em todo o mundo, petróleo esse que tem sido motivo de cobiça por parte principalmente dos Estados Unidos.


3. A injustiça humana não anula a justiça divina. 

Aprendemos na Bíblia que a justiça divina tem sua base na misericórdia. 

Embora nos pareça injusta a atitude de Sara e de Abraão em expulsar Agar e Ismael, devemos lembrar de que DEUS sendo consultado por Abraão disse que esta era a medida correta a ser tomada. DEUS já tinha um plano para Ismael e esse plano não o incluía na promessa dada a Abraão, portanto DEUS abençoou a Ismael porque não pode ser injusto e nem mal, mas é misericordioso e bondoso para com todos.

IV. O CONFLITO NÃO RESOLVIDO HOJE


1. A realidade desse conflito hoje. 

Os descendentes de Ismael reivindicam não só o direito de posse daquela terra que o Senhor deu aos descendentes de Isaque, mas também a origem Abraâmica de seu pai, Ismael. 

Hoje Israel possui aproximadamente o tamanho do território de Sergipe no Brasil - aproximadamente 20.000 Km².

Origem dos povos:

Palestina: corresponde à Judéia e à Canaã do mundo antigo. Os romanos se referiam à Síria Palestina, que era a terra dos filisteus (philistinos). Os britânicos e a ONU foram os responsáveis por esse nome Palestina, que biblicamente não existe, pois, todo esse território pertence a Israel, dado por DEUS.


Israel:
em hebraico a palavra Israel significa “Vencedor de DEUS”, de isra (venceu) e el (DEUS). Em 1948, foi instituído o Medinat Israel (Estado de Israel). Lembre-se que as palavras Judeus e hebreus são sinônimos.

OS HERDEIROS

O nome da legítima mulher de Abraão era Sara. Foi dela que ele obteve tardiamente um filho, cujo nome era Isaque. Este é o filho da promessa, o legítimo herdeiro dos vínculos sagrados existentes entre DEUS e o seu povo Israel. O DEUS que tudo criou em seis dias e descansou no sétimo, o proprietário deste planeta originalmente informe e vazio, o DEUS e Senhor de todo o Universo, fez promessas sob o conserto estabelecido com Abraão, respeitantes à possessão de um território bem demarcado. E essas promessas de caráter eterno seriam extensivas à posteridade do patriarca Abraão. Antes de Isaque ser concebido, Sara entendeu, porque era estéril, que o seu marido deveria gerar um filho através de sua escrava Agar. É assim que nasce Ismael, o primeiro filho de Abrão. Embora para ele DEUS não tivesse reservado nem intenções nem promessas, é-lhe dada em possessão também uma área geográfica demarcada e um destino divinamente estabelecido. Depois da morte de Sara, Abraão volta a casar. Desta vez com Quetura. Com Quase 140 anos o velho patriarca ainda gera desta mulher 6 filhos: Zamrã, Jocsã, Madã, Madiã, Jesboc e Suá. Também para estes DEUS reserva um destino e um lugar na Terra. YAHWEH - o DEUS de Abraão, Isaque e Jacó - o criador e proprietário deste planeta onde habitamos - é quem estabelece e determina o destino dos homens e dos povos. É Ele pois a única entidade que nos pode esclarecer na nossa pesquisa das origens, História e futuro de todos os povos e nações. Na Sagrada Escritura é possível encontrar todos esses planos, História e ditames divinos.

AS HERANÇAS

Desde o grande rio Egito (entenda-se Nilo) até ao grande rio Eufrates - esta é a possessão total da semente de Abraão.

"Naquele mesmo dia, fez o Senhor um concerto com Abraão dizendo: à tua semente, tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates;" Genesis 15.18

Isto quer dizer que todos os oito filhos que procederam do patriarca têm direito, por mandato divino, a toda esta extensão territorial - desde o Egito, costas do Mediterrâneo, até à Assíria, terminando a oriente nas margens do grande rio que deságua no Golfo Pérsico. O território dos filhos de Cam, netos de Noé - os heteus ou hititas, os amorreus, todos os cananeus nas suas tribos, os jebuseus e filisteus - concedeu DEUS aos descendentes de Abraão.

"E o queneu, e o queneseu, e o cadmoneu, e o heteo, e o pereseu, e os refains, e o amorreu, e o cananeu, e o girgaseu, e o jebuseu." Genesis 15.19-21

Existe, porém, uma distinção entre a promessa relativa a Isaque e as promessas feitas em relação a Ismael e aos 6 filhos de Ketura:

"E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis aqui o tenho abençoado, e fá-lo-ei frutificar, e fá-lo-ei multiplicar grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação. O meu concerto, porém, estabelecerei com Isaque, o qual Sara te dará, neste tempo determinado, no ano seguinte."

"E Abraão tomou outra mulher; e o seu nome era Ketura; e gerou-lhe Zimran, e Jocsan, e Medan, e Midian, e Jisbac, e Sua. E Jocsan gerou Seba e Dedan: e os filhos de Dedan foram Assurim, e Letusim e Leumim. E os filhos de Midian foram Efa, e Efer, e Henoch, e Abida, e Elda: estes todos foram filhos de Ketura. Porém Abraão deu tudo o que tinha a Isaque; mas aos filhos das concubinas que Abraão tinha, deu Abraão presentes, e, vivendo ele ainda, despediu-os do seu filho Isaque, ao oriente, para a terra oriental." Genesis 17.20-21/ 25.1-6

Pelo testemunho bíblico podemos depreender que Isaque permaneceu no lugar em que Abraão habitava, isto é, Hebrom, a ocidente do Jordão; enquanto aos outros filhos foi dada ordem de se estenderem para oriente. Até nos é possível saber qual a área territorial atribuída aos doze filhos de Ismael: O norte da península arábica, envolvendo o deserto a oriente do Egito até ao sul da Assíria.

"Estas, porém, são as gerações de Ismael, filho de Abraão, que a serva de Sara, Agar, egípcia, deu a Abraão. E estes são os nomes dos filhos de Ismael pelos seus nomes, segundo as suas gerações: o primogênito de Ismael era Nebajoth, depois Quedar, e Abdeel, e Mibsam, e Misma, e Duma, e Massa, Hadar, e Tema, Jetur, Nafis e Quedma. Estes são os filhos de Ismael, e estes são os seus nomes, pelas suas vilas e pelos seus castelos: doze príncipes segundo as suas famílias. Estes são os anos da vida de Ismael, cento e trinta e sete anos; e ele expirou, e morreu, e foi congregado ao seu povo. E habitaram desde Havilá até Sur, que está em frente do Egito, indo para Assur; e fez o seu assento diante da face de todos os seus irmãos." Genesis 25.12-18

Entretanto o juramento feito a Abraão é reiterado mais tarde a Isaque, envolvendo o território de Gaza, onde se situam as cidades por ele edificadas no vale do rio Gerar.

"E havia fome na terra, além da primeira fome, que foi nos dias de Abraão: por isso, foi-se Isaque a Abimelech, rei dos filisteus, em Gerar. E apareceu-lhe o Senhor, e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que eu te disser: peregrina nesta terra, e serei contigo, e te abençoarei; porque a ti e à tua semente darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão, teu pai, e multiplicarei a tua semente, como as estrelas dos céus, e darei à tua semente todas estas terras; e em tua semente serão benditas todas as nações da terra; porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis. Assim, habitou Isaque em Gerar." Gen. 26.1-6

Assim temos, embora com algumas misturas e entrosamentos tribais, a demarcação geográfica das possessões de Israelitas, Ismaelitas e árabes, com o respectivo povoamento das diversas regiões. Em linhas gerais temos: no norte da Palestina, a ocidente do Jordão, acompanhando todo o litoral do Mediterrâneo, a nação de Israel, neto de Abraão, filho de Isaque. A sul, desde o Nilo até ao Golfo Pérsico, também corretamente chamado Golfo Arábico, estende-se o território concedido aos Ismaelitas. Toda a península arábica, desde Sabá (o atual Iêmen) ao sul, até Madiã, ao norte, na parte oriental do Sinai, pertence por direito aos árabes, isto é, aos descendentes de Abraão e Quetura.

A CADA UM O SEU DIREITO

A expansão do povo ismaelita e árabe e a fusão destes com os persas, vindos do sul da Rússia - os indo-europeus -sem contar com a mistura entre islamitas e judeus, derivada dos colonialismos e hegemonias europeias no Médio-Oriente, faz com que hoje se confundam árabes com ismaelitas, e que se perca a noção dos direitos de cada um destes povos, nomeadamente dos israelitas. Se nos munirmos de um mapa poderemos perceber melhor a distribuição geográfica de cada um deles e os seus direitos territoriais. Se houvesse entre eles um verdadeiro sentido de fraternidade, todos os conflitos entre árabes e judeus se resolveriam e estes povos poderiam viver como no paraíso. Se cada um respeitasse o direito dos outros, poderiam viver como uma família, em paz e prosperidade. Mas não é isso que acontece. Hoje, palestinianos reclamam os seus direitos à terra e à autonomia. Os israelitas endurecem em intransigência. As facções árabes - shiitas e sunitas - combatem-se, lutam entre si, fazem e desfazem alianças. O Líbano, devastado pela guerra mais fratricida de que há memória, é o campo de batalha entre Israel e o mundo árabe e das facções árabes que se digladiam entre si.

Se Abraão voltasse à vida, veria com tristeza os seus filhos a aniquilarem-se entre si, inspirados por um ódio demoníaco e irracional. Com a proclamação do Estado de Israel a 15 de maio de 1948 reacendem-se lutas antigas e estabelecem-se oficialmente inimizades que se vão a pouco e pouco avolumando, ao ponto de hoje depararmos com um conflito generalizado naquela região. A disputa de fronteiras que já vem desde 1967 tem mantido judeus e palestinianos num estado constante de guerra entremeado por negociações violentas. O Iraque não é mais do que, juntamente com a Síria, o remanescente do antigo império Assírio. Damasco é hoje ainda a capital desse antigo e florescente reino. É aí mesmo que podemos situar o reduto dos principais inimigos de Israel; e é daí também que saem as ameaças abertas ou veladas contra o povo escolhido de DEUS.

Enquanto esta mentalidade nacionalista megalômana perdurar, será difícil os filhos de Abraão estabelecerem laços duradouros de paz e fraternidade. A intenção de DEUS em relação a todos eles é só uma - a de que vivam como irmãos, em tranquilidade, harmonia e segurança - uma benção no meio da Terra. Será isto possível? Manuel José dos Santos


2. A contenção do conflito. 

Por causa do pecado dos filhos de Israel, a dispersão do povo foi inevitável. (Os 3.4,5; Ez 37.1-28).

Ez 37.1-14 A MÃO DO SENHOR... OSSOS. Por meio do ESPÍRITO SANTO, Ezequiel vê numa visão um vale cheio de ossos secos. Os ossos representam toda a casa de Israel (v. 11), i.e., tanto Israel como Judá, no exílio, cuja esperança pereceu na dispersão entre os pagãos. DEUS mandou Ezequiel profetizar para os ossos (vv. 4-6). Os ossos, então, reviveram em duas etapas: 

(1) uma restauração nacional, ligada à terra (vv. 7,8), e 

(2) uma restauração espiritual, ligada a fé (vv. 9,10). Esta visão objetivou garantir aos exilados a sua restauração pelo poder de DEUS e o restabelecimento como nação na terra prometida, apesar das circunstâncias críticas de então (vv. 11-14). Não há menção da duração do tempo entre essas duas etapas. (Não sabemos quando vai se iniciar o milênio antes de experimentarmos o arrebatamento da Igreja e da Grande tribulação vir sobre os habitantes da terra)


3. Disputa de primazia entre irmãos. 

O filho da promessa, de quem descende JESUS CRISTO, o Salvador do mundo, é o que foi gerado por Sara, não por Agar. (Jo 3.6). 

Fiel cumprimento de uma Aliança ratificada por DEUS com Abraão e sua descendência até que viesse o seu descendente, que é CRISTO.

Gl 3.16 Ora, a Abraão e a seu [descendente] foram feitas as promessas; não diz: E a seus [descendente]s, como falando de muitos, mas como de um só: E a teu [descendente], que é CRISTO.

Gl 3.19 Logo, para que é a lei? Foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o [descendente] a quem a promessa tinha sido feita; e foi ordenada por meio de anjos, pela mão de um mediador.

CONCLUSÃO

A grande lição que aprendemos é que em CRISTO não há acepção de pessoas, de raça, de língua ou cor, mas todos são um só em CRISTO JESUS. 


 

 

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