sexta-feira, 7 de agosto de 2026

ORAÇÃO E A VONTADE DE DEUS


ORAÇÃO E A VONTADE DE DEUS

Leitura Bíblica: João 14.13-17; 15.7;1 João 5.14,15

Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (João 15.7).

A relação entre a oração e a vontade de Deus é um dos temas mais profundos, transformadores e, por vezes, mal interpretados da vida cristã. O versículo de João 15.7"Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito" — não é um cheque em branco egoísta, mas a descrição perfeita de uma comunhão alinhada com o Criador.

1. A Condição Prévia: A União com a Videira

O texto começa com uma condição fundamental: "Se vós estiverdes em mim...".

  • Em João 15, Jesus usa a metáfora da videira verdadeira e dos ramos. O ramo não produz fruto por esforço próprio, mas por estar conectado à videira.
  • A oração eficaz não é uma técnica para convencer Deus a fazer a nossa vontade, mas o fluxo natural da vida de Cristo em nós. Estar em Cristo significa que a nossa identidade, os nossos desejos e a nossa visão de mundo estão sendo moldados por Ele.

2. A Palavra como Reguladora dos Desejos

A segunda condição é: "...e as minhas palavras estiverem em vós...".

  • Quando a Palavra de Deus habita ricamente em nosso interior (Colossenses 3.16), ela transforma a nossa mente (Romanos 12.2).
  • O resultado dessa habitação é que o nosso querer muda. Deixamos de pedir segundo as paixões carnais ou vaidades passageiras e passamos a desejar o que Deus deseja. A Palavra alinha o nosso coração ao coração dele.

3. "Pedireis tudo o que quiserdes" — O Desejo Transformado

Muitos tropeçam nessa frase isolada, mas ela é a consequência lógica das duas condições anteriores:

  • Um coração que está profundamente unido a Cristo e saturado pela Sua Palavra não deseja o que é contrário à vontade de Deus.
  • Os pedidos dessa pessoa já estão previamente filtrados pela perspectiva divina. É por isso que o apóstolo João reforça essa verdade em sua epístola: (1 João 5.14).

E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.

4. O Exemplo Máximo: Jesus no Getsêmani

O maior exemplo de oração alinhada à vontade de Deus é o próprio Cristo. Na noite anterior à sua crucificação, Ele orou:

"Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua" (Lucas 22.42).

Jesus expressou o seu desejo humano de angústia diante do sofrimento, mas imediatamente submeteu esse desejo à soberania e ao propósito maior do Pai. A verdadeira oração nunca manipula a Deus; ela nos submete a Ele com confiança amorosa, sabendo que a Sua vontade é sempre boa, perfeita e agradável (Romanos 12.2).

Resumo Prático

Orar segundo a vontade de Deus não é anular os nossos desejos, mas permitir que o Espírito Santo purifique e leva-te esses desejos. Quando vivemos em comunhão íntima com Jesus, a nossa vontade e a vontade de Deus tornam-se uma só, e a oração deixa de ser um monólogo de exigências para se tornar um diálogo de perfeita harmonia e resposta garantida.

INTRODUÇÃO

Por isso, o Espírito Santo que em nós habita nos auxilia em nossas orações, fazendo-nos pedir o que convém, capacitando-nos a rogar de acordo com a vontade de Deus. Muitas vezes, estamos tão confusos diante das opções que temos, que não sabemos nem mesmo como apresentar os nossos desejos e as nossas dúvidas diante de Deus. Todavia, o Espírito Santo nos socorre. Ele ora a nosso favor quando nós mesmos deveríamos ter orado, porém não sabíamos para que orar. Orar como convém é orar segundo a vontade de Deus, colocando os nossos desejos em harmonia com o santo propósito de Deus; isto só é possível pelo Espírito de Deus que Se conhece perfeitamente (1Co 2.10-12). Assim, toda oração genuína é sob a orientação e direção do Espírito (Ef 6:18; Jd 20).


I. A ORAÇÃO E A VONTADE DE DEUS

Quando temos a certeza da vida eterna, é evidente que podemos colocar-nos diante de Deus com a confiança que João descreve em 1João 5:14-15, que diz: “E esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos”. Portanto, a oração não é um recurso conveniente para impormos a nossa vontade a Deus, ou para dobrar a sua vontade à nossa, mas, sim, o meio prescrito de subordinar a nossa vontade à de Deus. É pela oração que buscamos a vontade de Deus, nos abraçamos e nos alinhamos a ela.


1. O caráter de Deus. Por caráter, Deus é amoroso, justo, santo, sábio, bom, compassivo, misericordioso, amável, perdoador, paciente, tardio para se irar, fiel e muito mais. Deus é soberano e tem o controle final da história ao mesmo tempo em que leva em conta as decisões das pessoas. Deus é tanto transcendente (fora da criação) como imanente (está presente e ativo na criação e habita dentro do crente). Portanto, o conhecimento de tais atributos divinos é imprescindível para orarmos a Deus com entendimento e sermos respondidos em nossas súplicas. Quanto mais conhecermos a Deus, melhor compreenderemos, aceitaremos e identificaremos a sua vontade para nós.


O homem natural não conhece a vontade de Deus. E, por que não pode conhecê-la? Porque os caminhos e os pensamentos de Deus são mais altos do que os do homem. Aqueles que creem n’Ele e O seguem, estão capacitados a conhecer a vontade de Deus.


2. A vontade de Deus e as Sagradas Escrituras. Submissão à vontade de Deus, e não imposição da nossa vontade a Deus, é o alicerce da nossa confiança na oração. Hoje temos visto falsos mestres ensinando que a oração da fé precisa determinar para Deus o que queremos. Este falso ensino proclama que oração é a vontade do homem prevalecendo no céu em vez da vontade de Deus prevalecendo na terra. A oração é um instrumento poderoso, não para conseguir que a vontade do homem seja feita no céu, mas para garantir que a vontade de Deus seja feita na Terra.


Aliás, devemos temer orar por qualquer coisa que não esteja de acordo com a vontade de Deus. Tiago e João, por exemplo, insensatamente pediram algo a Jesus Cristo em conflito com sua natureza e vontade, mas foram repreendidos pelo Senhor (Lc 9.54-56). Talvez alguém pergunte: “Como saber qual é a vontade de Deus?”. Podemos responder em termos gerais que a vontade de Deus nos é revelada nas Escrituras Sagradas. Devemos, portanto, estudá-las a fim de conhecer melhor a vontade de Deus e aprender a orar com mais discernimento.


Portanto, para orar segundo a vontade de Deus, é preciso conhecê-la e concordar com ela. Somente depois que estivermos convictos de que desejamos a vontade de Deus mais do que nossa própria vontade, é que podemos orar a oração dominical, com segurança: “Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:10).


3. A vontade de Deus para cada indivíduo. Conhecer a vontade de Deus é, às vezes, difícil. As pessoas querem que Deus, basicamente, diga a elas o que fazer – onde trabalhar, onde morar, com quem se casar etc. Deus raramente dá às pessoas informações assim tão diretas e específicas. Deus permite que façamos escolhas em relação a estas coisas. A única decisão que Deus não quer que tomemos é a decisão de pecar ou resistir à Sua vontade.
Deus quer que façamos escolhas que estejam em conformidade com sua vontade. Mas, como podemos saber a vontade de Deus para nossa vida? Para descobri-la, é necessário que o servo de Deus cultive uma vida de íntima comunhão com Deus. À medida que conhecemos o Senhor, sua vontade vai se tornando mais evidente para nós. Romanos 12:2 nos diz: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”


Se buscarmos a Deus em favor de determinada causa precisamos saber se ela está dentro da vontade de Deus. Apresentamos dois comandos para se conhecer a vontade de Deus para uma dada causa:

a)     Certifique-se de que o que você está pedindo ou pensando em fazer não é algo que a Bíblia proíbe.

b) Certifique-se de que o que você está pedindo ou pensando em fazer irá glorificar a Deus e ajudá-lo a crescer espiritualmente. Se estas duas coisas forem verdades e Deus, ainda assim, não está dando o que você está pedindo, então provavelmente não é da vontade de Deus que você tenha o que está pedindo. Ou, talvez, você somente precise esperar um pouco mais por isso.


Se você estiver caminhando junto ao Senhor e verdadeiramente desejar a vontade dEle para sua vida, Deus colocará Sua vontade em seu coração. A chave é desejar a vontade de Deus, não a sua própria. Deleita-te também no SENHOR, e ele te concederá o que deseja o teu coração(Salmos 37:4). Se a Bíblia não se coloca contra algo, e este algo pode verdadeiramente beneficiá-lo espiritualmente, então a Bíblia dá a você a “permissão” de tomar decisões e seguir seu coração.

Para saber a vontade de Deus para decisões mais específicas, por exemplo, com quem se casar, ou sobre a vida profissional, deveria considerar os seguintes:

a) Se existir uma falta da paz dentro de si, não vá em frente.

b) Fale com outros crentes mais maduros, e preste atenção aos seus conselhos.


c) Pergunte a si próprio: "Será que quero fazer a vontade de Deus com todo o meu coração?" Se a sua resposta for "sim", é muito provável que saiba logo qual é a vontade de Deus.


d) Pergunte a si próprio: "Será que esta coisa me vai ajudar na minha vida espiritual?".


e) Quando uma porta abrir, não suponha automaticamente que Deus esteja a abrir a porta. Às vezes o diabo tenta-nos com coisas atraentes que não são de acordo com a vontade de Deus para nós. Peça a sabedoria de Deus e pela Sua confirmação se aquela oportunidade à sua frente for a Sua vontade.


f) Não tome uma decisão rápida. Espere em Deus porque muitas vezes com o passar do tempo nossos pensamentos e desejos mudam.


Enfim, o que faço é para a glória de Deus? "Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus" (1Co 10:31). Deus deve não somente ser glorificado nos templos, mas também fora deles; não somente na vida privada, mas também na esfera pública. Não somente nas coisas referentes à sobriedade do "ministério cristão", mas também nas coisas evidentes e simples do nosso cotidiano como "comer e beber".


II. ORAÇÕES NÃO RESPONDIDAS POR DEUS

1. Orações egoístas (Tg 4.3). Há algo muito errado com o crente que não sente necessidade e nem prazer em fazer a vontade de Deus. E essa grave anomalia é evidenciada em orações egoístas. O escritor do livro de Tiago disse: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites”. Aqui, o apóstolo Tiago afirma que pedidos egoístas, que visam interesses próprios, não são respondidos pelo Senhor – é a dura consequência. Deus não responde as orações dos que amam os prazeres e que desejam honra, poder e riquezas. Todos devemos tomar consciência disso, porque Deus não ouvirá as nossas orações se tivermos o coração cheio de desejos egoístas. Nossas orações se tornarão poderosas quando permitirmos que Deus mude nossos desejos para que correspondam perfeitamente à vontade dEle para a nossa vida (1João 3:21,22).


Quantos estragos temos feito em nossa própria vida, por orações centralizadas em nós mesmos?

E quantos benefícios a outras pessoas deixamos de proporcionar por nem pensarmos neles em nossas orações? Após conhecer o Senhor mais profundamente, Jó intercedeu por seus amigos (Jó 42.10). Experimente orar mais pelos outros do que por si.

2. Orações por posição social (Mt 20.17-28). É um tremendo erro orar por posição social tal como reconhecimento humano, honras, glórias, poder, dinheiro, para satisfazer a natureza hedonista do ser humano. Esse tipo de oração, considerada egoísta, certamente, Deus não atenderá. Vemos um exemplo clássico na Bíblia com a Mãe de Tiago e João: “Então, se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o e fazendo-lhe um pedido. E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu Reino” (Mt 20:20,21). É claro que Jesus não acatou esse pedido, como bem denota os versículos seguintes. Foi um pedido egoísta. É louvável da sua parte que ela quisesse os filhos perto de Jesus, e que ela ainda esperasse seu futuro reino. Mas ela não entendeu os princípios pelos quais as honras seriam conferidas no reino. Jesus respondeu claramente que eles não entendiam o que estavam pedindo. Eles queriam uma coroa sem uma cruz, um trono sem o altar de sacrifício, a glória sem o sofrimento anterior. Então Ele lhes perguntou sem rodeios: “Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber?”. Ela não tinha consciência de que não existe posição melhor do que ser um servo de Deus, que foi transportado do reino das trevas para o Reino do Filho do seu amor (Cl 1.13), e agora vive não mais para si mesmo, mas em e por Cristo (Gl 2.19,20).


Observe que a mãe de Tiago e João adorou a Jesus antes do seu pedido. Ela adorou Jesus, mas seu objetivo principal era obter algo dEle. Isso acontece muitas vezes em nossas igrejas e em nossa vida. Desempenhamos atividades religiosas, esperando que Deus nos dê alguma coisa em troca. Entretanto, a verdadeira adoração e louvor devem ser dados a Cristo por quem Ele é, e por aquilo que Ele fez.


Diante daqueles que estão a pensar apenas nas coisas materiais, que se tornaram materialistas, é imperioso que a Igreja mostre a sublimidade e a superioridade das coisas espirituais. Neste particular, é necessário que a Igreja seja a primeira a dar o seu testemunho de que as “coisas de cima” são melhores e maiores que as coisas desta terra. Paulo é taxativo ao afirmar que “… se já ressuscitastes com Cristo, buscais as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra, porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3:1-3). Entretanto, como podemos querer que o mundo se liberte do materialismo, se temos, enquanto Igreja, igualmente dado prioridade às coisas da terra? Como podemos querer que o mundo se liberte do materialismo, se nossas preocupações estão única e exclusivamente nesta terra?


Como podemos denunciar o materialismo, se nossos púlpitos apenas falam de “prosperidade material”, se os crentes querem apenas melhores salários, empregos (os mais modestos, pois a maioria quer, mesmo, é se tornar grandes empresários…) e bem-estar nesta vida? Como criticar a prática materialista dos nossos dias, se, nas igrejas, o critério de crescimento no ministério é a arrecadação econômico-financeira, se há uma preocupação em se formar grandes impérios empresariais da fé? Como mostrar a necessidade de se desprender do “ter” se alguns têm associado avivamento espiritual com o surgimento de megatemplos que fazem os grandes estádios e ginásios do mundo parecer miniaturas?


Nossos dias são os dias da “igreja de Laodiceia”, a igreja que deu valor ao materialismo e que, por isso, se achava suficiente e preparada só porque era rica, tinha se enriquecido e de nada tinha falta (Ap 3:17), mal sabendo, porém, que, espiritualmente falando, era praticamente um nada diante de Deus. É preciso voltarmos ao tempo em que a igreja, embora não tivesse prata nem ouro, tinha o poder de Deus para fazer a obra sobrenatural do Senhor (cf. At 3:6). Só aqueles que assim fizerem poderão enfrentar o materialismo hodierno e, mesmo que tenha pouca força, serão vitoriosos, pois são a “igreja de Filadélfia”, a igreja que será arrebatada por Jesus.


3. Orações hipócritas (Mt 6.5,6). “E, quando orares, não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão” (v.5). Aqui, Jesus adverte os discípulos contra a hipocrisia ao orar. Eles não deveriam se posicionar propositalmente em áreas públicas de forma que os outros, vendo-os orar, ficassem impressionados por suas devoções.


A hipocrisia foi condenada porque desvia o propósito da oração, que é a glória de Deus, para a glória do ego, do eu. Alguns, especialmente os religiosos, queriam ser vistos como santos, e a oração em público era um modo de chamarem a atenção para isso. Porém Jesus enxergou a intenção deles de se promoverem e ensinou que a essência da oração não é a justificação em público, mas a comunicação particular com Deus. Como diz o pr. Eliezer de Lira: É melhor ser sincero como um publicano, carente da misericórdia de Deus, do que um fariseu, cheio de justiça própria, pois aquele teve sua oração atendida e este não" (Lc 18.9-14).


Uma coisa é certa: A presunção, o fato de se considerar melhor que os outros faz parte do jeito dos fariseus. Na parábola, do fariseu e do publicano, o fariseu conhecia muito bem a maldade das outras pessoas, especialmente do publicano. Mas se estivermos conscientes da nossa imperfeição quando orarmos a Deus, então, como Jesus disse, voltaremos "justificados" para nossa casa. "Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado"(Mt 23.12).


III. ORAÇÕES ATENDIDAS POR DEUS

Na Bíblia temos muitos exemplos de orações respondidas, uma vez que estavam em harmonia com a vontade de Deus. Nesta aula citaremos apenas três.


1. A oração do rei Salomão (2Cr 1.7-12). “Naquela mesma noite, Deus apareceu a Salomão e disse-lhe: Pede o que quiseres que eu te dê. E Salomão disse a Deus: Tu usaste de grande beneficência com Davi, meu pai, e a mim me fizeste rei em seu lugar. Agora, pois, ó SENHOR Deus, confirme-se a tua palavra, dada a Davi, meu pai; porque tu me fizeste rei sobre um povo numeroso como o pó da terra. Dá-me, pois, agora, sabedoria e conhecimento, para que possa sair e entrar perante este povo; por que quem poderia julgar a este teu tão grande povo? Então, Deus disse a Salomão: Porquanto houve isso no teu coração, e não pediste riquezas, fazenda ou honra, nem a morte dos que te aborrecem, nem tampouco pediste muitos dias de vida, mas pediste para ti sabedoria e conhecimento, para poderes julgar a meu povo, sobre o qual te pus rei, sabedoria e conhecimento te são dados; e te darei riquezas, e fazenda, e honra, qual nenhum rei antes de ti teve, e depois de ti tal não haverá”.

Eis aqui uma oração curta, porém sincera e sábia. Não há nenhuma denotação egoística em suas palavras. Por isso, Deus atendeu a sua oração sem demora. O pedido de Salomão provavelmente foi inspirado pela oração de que ele, como novo rei, pudesse ter sabedoria e entendimento. A aparição do Senhor, em visão, deu a ele a oportunidade de pedir o que quisesse, ou seja, ele tinha um “cheque em branco” (v.7), no entanto, não teve desejos egoístas, pensou no reino de Israel e no seu povo. Aqui está o princípio hebraico de que riquezas, fazenda e honra (v.12) seguem aquele que faz a vontade de Deus. É claro que isso não era sempre verdade naquela época, nem o é hoje em dia; mas o que era verdade então, e continua hoje, é que o homem que obedece a Deus é sempre melhor do que o que o ignora. Salomão tornou-se o homem mais sábio e rico do mundo de sua época (1Rs 4.29-34).


2. A oração do profeta Elias (1Rs 18.36-39). A oração que está dentro da vontade de Deus, ou seja, aquela que O glorifica e O exalta, será respondida. Aqui, citamos como exemplo, a oração que Elias fez no monte Carmelo diante dos profetas de Baal. Conforme se observa no versículo 37, o único desejo de Elias era que o nome do Senhor fosse reconhecido e aclamado no meio daquele povo.

Naquela época, Israel vivia uma verdadeira “apostasia nacional”, pois todo o país estava se enveredando pelo culto a Baal. O próprio Deus diria a Elias, pouco depois, que apenas sete mil pessoas não haviam dobrado seus joelhos a Baal nem o haviam beijado, um número bem diminuto frente a uma população que deveria ser bem maior (1Rs 19:18). Diante da apostasia reinante, Elias resolveu fazer um desafio ao povo de Israel: o Deus verdadeiro deveria responder com fogo a aceitação do sacrifício que Lhe fosse dado. No momento do desafio, os profetas de Baal e de Azera, num total de oitocentos e cinquenta (1Rs.18:19), tentaram, durante toda a manhã, resposta de seus deuses para o sacrifício, sem resultado.

Elias, então, depois que havia deixado tempo suficiente para que Baal respondesse ao sacrifício, oferece o seu diante de Deus. Como Deus não é Deus de confusão (1Co 14:33), reparou o altar, que estava quebrado, bem como pôs água abundante para que não houvesse qualquer dúvida de que era Deus quem iria operar. Este cuidado do profeta é um exemplo a seguirmos na atualidade: a operação de Deus é algo de que devemos ter certeza e convicção. Por isso, nada deve ser feito sem a devida preparação espiritual, a devida santificação (o reparo do altar), como também tudo deve ser feito às claras diante do povo, com transparência, decência e ordem (1Co 14:40). Quantos altares desmantelados na atualidade têm buscado o “fogo divino” e, como Deus não opera em lugares assim, recorrem a subterfúgios, a astuciosos estratagemas para impressionar o povo. Entretanto, não nos iludamos, Deus não é Deus de confusão.

Mas, além de ter reparado o altar e não deixado margem a qualquer dúvida, Elias fez uma oração. Ele não “determinou” coisa alguma a Deus, pois sua “determinação” é a disposição firme de servir a Deus, não qualquer exigência que devesse ser feita, como muitos iludidos atrevem-se a fazer em os nossos dias. Elias fez uma oração, um pedido a Deus, reconhecendo a Sua soberania, o Seu senhorio. Relembrou ao povo, que o escutava, que Deus era o Deus do pacto feito com os patriarcas, o Deus que havia formado a nação de Israel e que ele, Elias, era tão somente um servo dEle. Mal acabou a oração, o Senhor consumiu tudo com o fogo e o povo não teve mais dúvida alguma: só o Senhor é Deus! (1Rs 18:36-39).


3. A oração de Davi (Sl 51.1-17). O salmo 51 é uma súplica, primeiramente, por perdão, com uma confissão humilde de atos pecaminosos provenientes de uma natureza pecaminosa como sua raiz amarga; e, depois, por renovação e santificação através do Espírito Santo. Neste salmo, Davi reconhece a gravidade de seus erros e, principalmente, por ter pecado contra o seu Deus. Em seguida, arrepende-se profundamente e busca com lágrimas o perdão e a restauração divina. Davi tinha plena certeza que alcançaria a misericórdia e benignidade de Deus se o buscasse com um coração sincero e contrito.

Davi sentiu uma culpa profunda por sua conivência, mentira, adultério e, finalmente, assassinato. Por trás dessas transgressões ele consegue enxergar a raiz e causa e ora para que o Senhor o lave completamente da sua iniquidade e o purifique do seu pecado (51:2). Ele não procura encobrir ou desculpar a profundidade da sua necessidade.
Todos que pecaram gravemente e que estão opressos por sentimento de culpa podem obter o perdão, a purificação do pecado e a restauração diante de Deus, se O buscarem conforme a natureza e a mensagem deste Salmo. A súplica de Davi, por perdão e restauração, baseia-se na graça, misericórdia, benignidade e compaixão de Deus (51:1), num coração verdadeiramente quebrantado e arrependido (51:17) e, em sentido pleno, na morte vicária de Cristo pelos nossos pecados (1João 2:1,2).

Nenhum pecado é grande demais para Deus perdoar! Você sente que nunca poderia aproximar-se do Senhor por ter feito algo terrível? Deus pode e quer perdoá-lo. Embora Ele nos perdoe, nem sempre apaga as consequências de nossos pecados. A vida e a família de Davi nunca mais foram as mesmas como resultado do que ele fez (ver 2Samuel 12:1-23).


CONCLUSÃO
Quando oramos exercitamos a nossa confiança no Deus da Providência, sabendo que nada nos faltará, porque Ele é o nosso Pai. A oração tem sempre uma conotação de submissão confiante. Portanto, orar ao Pai, significa sintonizar a nossa vontade com a dEle; sabendo que Ele é santo e a Sua vontade também o é (Mt 6.9,10).

 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

AMOR AO PRÓXIMO

 

AMOR AO PRÓXIMO

Texto Bíblico: Lucas 10:25-37

"E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças e amar o próximo como a si mesmo é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios" (Mc.12:33).

O Verdadeiro Significado do Amor ao Próximo

O amor ao próximo é um dos pilares fundamentais da ética e da fé cristã. Ele não se resume a um sentimento passageiro de afeição, mas a uma atitude prática, intencional e compassiva em favor do outro, independentemente de quem ele seja.

Abaixo, exploramos este tema à luz da célebre parábola narrada em Lucas 10:25-37 e do princípio reforçado em Marcos 12:33.

A Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37)


Para responder à pergunta "Quem é o meu próximo?", Jesus contou uma das histórias mais impactantes de toda a Bíblia:

  • A Situação: Um homem viajou de Jerusalém para Jericó e foi brutalmente atacado por assaltantes, que lhe roubaram tudo, o espancaram e o deixaram quase morto à beira do caminho.
  • A Indiferença Religiosa: Um sacerdote e, logo depois, um levita passaram pelo mesmo caminho. Ambos viram o homem ferido, mas passaram pelo outro lado. Tinham razões religiosas ou pressa, mas falharam no amor essencial.
  • Ação Inesperada: Um samaritano — povo que era profundamente desprezado pelos judeus daquela época — passou por ali. Ao vê-lo, teve compaixão.
  • O Cuidado Prático: O samaritano não apenas sentiu pena; ele agiu concretamente:
    • Aproximou-se.
    • Curou as feridas do homem com azeite e vinho (remédios da época).
    • Colocou-o em seu próprio animal.
    • Levou-o para uma hospedagem e cuidou dele.
    • No dia seguinte, pagou ao hospedeiro para continuar o cuidado, prometendo voltar e cobrir qualquer gasto extra.

Lições Essenciais sobre o Amor ao Próximo

  1. O Próximo é Qualquer Pessoa Necessitada Jesus inverteu a lógica da pergunta. Em vez de perguntar "Quem merece ser meu próximo?", a parábola ensina que nós devemos nos tornar o próximo daqueles que cruzam o nosso caminho em situação de vulnerabilidade, rompendo barreiras sociais, raciais, religiosas ou culturais.
  2. O Amor Exige Ação e Empatia O sacerdote e o levita viram o problema, mas escolheram a omissão. O samaritano viu, sentiu e agiu. O verdadeiro amor cristão é prático e custa algo (tempo, recursos e disposição).
  3. Mais do que Rituais (Marcos 12:33) O texto de apoio ressalta que amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo vale mais do que qualquer sacrifício ou ritual religioso. De nada adianta a prática religiosa exterior se o coração estiver vazio de misericórdia e justiça para com o irmão.

"Portanto, ide e aprende o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício." Mateus 9:13

INTRODUÇÃO

Falaremos neste estudo sobre a Parábola do Bom Samaritano. Esta é uma das Parábolas mais belas, mais profundas e mais intrigantes contadas por Jesus. Só aparece no Evangelho de Lucas. aprendemos sobre o perdão ao próximo, e agora Jesus ensina quem é o próximo. Jesus quis dar uma lição especial aos judeus, principalmente ao intérprete da Lei que o inquiriu. Amar o próximo já era um mandamento compreendido há muito pelos rabinos, entretanto, a novidade é que o próximo, objeto desse amor, poderia ser alguém com crenças diferentes, costumes distintos e valores completamente opostos ao do judeu. Na Parábola, a imagem de um samaritano (acompanhado de um adjetivo contraditório "bom", pois para o judeu o samaritano não era bom por natureza) acolhendo um judeu é muito ousada para qualquer israelita da época. O nosso Senhor é claro em dizer que o próximo do samaritano é aquele judeu necessitado; o próximo do judeu é o samaritano necessitado; enfim, o próximo é qualquer pessoa que esteja necessitando de nossa ajuda, independente da religião, da etnia, dos valores que elas portam. Jamais podemos perder de vista que somos os portadores da compaixão de Jesus para com todos os homens. Enfatizar essa verdade deve ser nosso maior objetivo nesta Aula.

I. INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

Jesus contou a Parábola do Bom Samaritano como resposta a uma pergunta feita por certo doutor da Lei. Antes de tratarmos a Parábola, vamos analisar alguns destaques com relação a esse intérprete da Lei de Moisés.

1. O Doutor da Lei (Lc.10:25-28). Esse homem, perito nos primeiros cinco livros do Antigo Testamento, desejou testar a sabedoria de Jesus. Ele não buscava informação, mas queria ganhar uma vantagem sobre Jesus ou esperava envergonhar Jesus. Na verdade, esse perito tentou enganar a Jesus, testando-o ao máximo.

25. E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

26. E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?

27. E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo.

28. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso e viverás.

O texto nos mostra que o doutor queria apanhar Jesus no contrapé e se tornou prisioneiro no cipoal de sua própria armadilha. Jesus virou a mesa, e o escriba que tentou pegar Jesus com as minúcias da Lei é capturado pela responsabilidade da graça. O doutor queria manter a discussão em nível complexo e filosófico, mas Jesus o leva para o campo pratico do amor e da ação.

Tratando de um especialista na Lei, a armadilha era para descobrir se Jesus era fiel às Escrituras e se observava os 613 mandamentos que o judaísmo prescrevia. Talvez ele tenha pensado que o Senhor repudiava a Lei de Moisés.

a) Sua teologia equivocada (Lc.10:25). Para esse doutor, Jesus era somente um ensinador, e a vida eterna era algo que ele poderia ganhar ou merecer. Ele fez uma pergunta interessante, a qual revela o seu equívoco teológico: “...Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”Na mente desse doutor, a vida eterna era uma conquista das obras, e não uma oferta da graça. A pergunta presume que ele tinha de fazer algo para receber a vida depois da morte. O pensamento dele expressa uma salvação pelas obras em vez de ser pela graça divina. Para ele, a salvação era uma questão de merecimento humano, e não uma dádiva divina.

b) Uma pergunta perscrutadora (Lc.10:26). Se o referido doutor tivesse sido humilde e penitente, o Senhor teria respondido mais diretamente. Nas circunstâncias, Jesus dirigiu sua atenção à Lei. Jesus poderia ter enfatizado ao doutor da lei que a vida eterna é um dom de Deus, mas ele não tenta corrigir o pensamento do doutor da lei. Ele sonda a compreensão que esse perito tinha da Lei, perguntando: que está escrito na lei? Como interpretas?”. Jesus usou, aqui, o método socrático, que consistia em responder as perguntas que lhe eram feitas com outras perguntas.

Com esta pergunta, Jesus levou o doutor da Lei a dar exatamente a resposta que Ele queria ouvir. Jesus respondeu perguntando sobre a Lei de Moisés. Já que o homem era intérprete da Lei e queria pôr Jesus à prova acerca da vida eterna, Jesus devolve-lhe a pergunta, remetendo-o à Lei, para deixar claro que, pelo padrão da Lei, é impossível ao homem ser salvo, uma vez que a Lei exige uma perfeita relação do homem com Deus e com o próximo. A Lei exige perfeição absoluta e nenhum homem é capaz de atender às demandas da Lei.

c) Uma resposta comprometedora (Lc.10:27). Esse doutor da Lei, que queria ouvir de Jesus uma resposta fora da Lei, porque o seu intuito era provar a Jesus, por fim respondeu a sua própria pergunta. Ele respondeu unindo os mandamentos de amar Deus de todo o coração (Dt.6:5) e amar o próximo como a si mesmo (Lv.19:18). Em suma, era isso que a Lei exigia, conforme explicou Jesus a outro doutor da Lei (cf.Mt.22:37-39).

“E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”.

O intérprete conhecia a letra da Lei, mas não sabia interpretá-la. Sua resposta revela que ele não conhecia o propósito da Lei, não conhecia a si mesmo nem conhecia os fundamentos da salvação.

Com um só verbo, com uma só ação, era possível obedecer aos dois mandamentos. Isso mostrava que Deus e o próximo são como as duas faces da mesma moeda do amor. O amor a Deus é o elemento interno que se vê na prática externa do amor ao próximo. O amor a Deus exige total devoção (coração, alma, força, entendimento); e o amor ao próximo, total identificação (como a si mesmo).

Jesus concordou com a resposta do seu inquiridor e confirmou que a vida eterna, depois da fé e do arrependimento, se encontra na experiência e na prática do amor (Lc.10:28) - “E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso e viverá”.

Ao mesmo tempo em que Jesus afirmou que se houvesse obediência a esses dois mandamentos haveria vida, também mostrou que sem a nova vida isso não seria possível. Só conseguiremos amar a Deus e ao próximo quando deixarmos a vida divina, a vida do Espírito Santo, se manifestar em nós e através de nós.

d) O subterfugio do doutor da Lei (Lc.10:29). Percebendo que tinha sido apanhado pelas cordas de sua própria astúcia, o doutor da Lei tenta uma evasiva - “Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?”.

Ele tentou Jesus primeiramente com uma pergunta capciosa e agora tenta se esquivar com uma pergunta evasiva. Essa questão era muito discutida naquele tempo e ainda hoje está presente em nossas mentes. Afinal, quem é o meu próximo? Jesus não discutiu a teoria sobre o próximo; em vez disso, contou a Parábola do Bom Samaritano e novamente devolveu a pergunta ao intérprete da Lei.

2. A Parábola do Bom Samaritano (Lc.10:29-35). Jesus contou a história do Bom Samaritano para colocar os valores do referido doutor da Lei de cabeça para baixo. Ele reprovou as atitudes dos religiosos (sacerdote e levita) e exaltou a atitude do rejeitado pelos judeus (samaritano), evidenciando que temos de considerar toda e qualquer pessoa como nosso próximo, independentemente de qualquer posição social, religiosa ou etnia.

A Parábola descreve tudo o que o samaritano fez para salientar que a prática do amor não tem fronteiras. É a necessidade do outro que diz o que precisa ser feito e até que ponto se deve amar. Além disso, o amor quebra todas as fronteiras. O samaritano não perguntou se o ferido era judeu ou não. O próximo é qualquer pessoa que encontramos.

29. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?

30. E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.

31. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.

32. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo.

33. Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.

34. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele;

35. E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar.

a) Interpretações diversas. A Parábola do Bom Samaritano, ao longo da história, tem sido alvo das mais diversas interpretações. Muitas destas interpretações servem-se do método alegórico para atribuir ao texto alguns objetivos que ele não tem. Entretanto, esta não é a maneira correta de interpretar esta Parábola. Eis um exemplo: “A vítima representa o pecador perdido. O sacerdote e o levita representam a lei e os sacrifícios, ambos incapazes de salvar o pecador. O samaritano é Jesus Cristo, que salva o homem, paga as suas contas e promete voltar. Os dois denários são as duas ordenanças: o batismo e Ceia do Senhor”. É claro que esta linha de interpretação está totalmente equivocada.

Outros entendem que esta Parábola é uma recomendação formal do caminho das obras. Porém, ela é um repudio às obras como meio de salvação. Não é aquilo que fazemos, considerado uma obra meritória, que importa, mas, sim, a atitude de confiarmos em Deus e no que Ele fez por nós. Só amam a Deus e ao próximo aqueles que foram transformados pelo amor de Deus. Esse tipo de amor é nossa resposta ao amor que Deus tem por nós, e não a causa de aceitação de nós.

b) Três modos de viver a vida. Em relação a esta Parábola, verificamos que existem três modos de viver a vida: o modo dos salteadores; o modo dos religiosos (sacerdote e do levita); o modo do samaritano. São três compreensões diferentes que condicionam o nosso ser e o nosso comportamento.

Primeiro: a exploração, o modo de viver dos salteadores (Lc.10:29). A estrada de 27 quilômetros que desce pelo deserto, de Jerusalém para Jericó, tem sido perigosa durante toda a sua história. Essa estrada era um despenhadeiro, no perigoso deserto rochoso da Judeia, um lugar de montes, vales e cavernas. Era conhecida como "caminho sangrento". Essa região era mal afamada por causa de sua insegurança. Segundo a história, os cruzados construíram um pequeno forte na metade do caminho, para inibir os salteadores e proteger os peregrinos. Ainda hoje essa estrada é perigosa.

Jerusalém está situada 800 metros acima do nível do mar, e Jericó, nas proximidades do mar Morto, é a cidade mais baixa do mundo, está 400 metros abaixo do nível do mar. Por ali, precisavam passar as caravanas que subiam e desciam de Jerusalém. Esse caminho passava pelos desfiladeiros do terrível deserto da Judeia. Viajar sozinho era um convite ao desastre. Foi o que aconteceu. Esse homem que desceu de Jerusalém para Jericó caiu nas mãos dos salteadores, que roubaram tudo o que ele tinha, e ainda o machucaram e o deixaram semimorto à beira do caminho. Tudo faz crer que o homem que foi assaltado e quase morto era judeu.

O modo de viver, portanto, dos saltadores é este: "O que é meu, é meu; mas, o que é teu deve ser meu também".

Segundo: a indiferença, o modo de viver dos religiosos (Lc.10:31,32). O sacerdote e o levita eram homens religiosos que cuidavam das coisas do templo e do culto ao Senhor. Eram exemplos de piedade. Mas o medo de se tornarem cerimonialmente impuros ou o temor de serem atacados pelos mesmos salteadores levou-os a passarem de largo e a revelarem total indiferença para com o homem ferido. Eles não somente deixaram de ajudar, mas foram para o outro lado da estrada, abandonando o homem no seu sofrimento e na sua necessidade.

Muitas vezes nos esquivamos daqueles que precisam de ajuda porque achamos que não vale a pena gastar nosso tempo, energia, disposição com eles. No fundo, não queremos nos envolver porque pensamos: “cada um por si, Deus por todos, e o diabo que carregue o último!”. Este tipo de vida, essencialmente egoísta, é marca registrada da nossa sociedade hodierna. Precisamos lembrar da pergunta de Jesus: “Mas se vocês amam apenas o que vos amam que recompensa terão?” (Mt.5:46).

O modo de viver, portanto, dos religiosos é este: "O que é meu, é meu; o que é teu, é teu".

Terceiro: a misericórdia, o modo de viver do Samaritano (Lc.10:33-35). Jesus mais uma vez combate a postura dos escribas e fariseus, mostrando que aqueles a quem se consideravam justos (sacerdote e levita) são culpados e aqueles a que se consideravam indignos (samaritano) despontam como os heróis.

Esse samaritano, mesmo sendo odiado pelos judeus, interrompe a sua viagem, aproxima-se da vítima, aplica óleo e vinho nas feridas do semimorto, tira-o do lugar de perigo, leva-o a uma hospedaria segura e ainda paga o seu tratamento. Isto é o que chamamos de misericórdia.

  • Misericórdia é lançar o coração na miséria do outro e estar pronto em qualquer tempo para aliviar a sua dor. A palavra hebraica para misericórdia é chesed: “é a capacidade de entrar em outra pessoa até que praticamente podemos ver com os seus olhos, pensar com sua mente e sentir com o seu coração.
  • Misericórdia é ver uma pessoa sem alimento e lhe dar comida; é ver uma pessoa solitária e lhe fazer companhia; é atender às necessidades e não apenas senti-las; é mais do que sentir piedade por alguém.

Para os religiosos (sacerdote e levita), era um incômodo a ser evitado, mas, para o Samaritano, era alguém que necessitava de amor e de ajuda, de modo que ele lhe ofereceu cuidado.

O modo de viver, portanto, do Samaritano é: "o que é teu, é teu; mas, o que é meu pode ser teu também".

As relações entre as pessoas são governadas por um desses três modos de ser e de viver. Resta-nos saber qual deles nos encaixamos, lembrando que o Evangelho está totalmente do lado do bom samaritano.

II. COMPAIXÃO E CARIDADE SÃO INTRÍNSECAS À FÉ SALVADORA

A compaixão e a caridade sempre foram virtudes que os cristãos herdaram de nosso Senhor, um ensinamento bem arraigado nos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, o Pentateuco. Reconhecer isso é afirmar que tais virtudes estão diretamente ligadas ao testemunho de uma fé salvadora, como nos diz Tiago:

“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg.2:14-17).

Na Parábola em comento, o sacerdote e o levita viram o homem caído e se desviaram, “passando de largo”. Mas, o Samaritano, inimigo tradicional dos judeus, se aproximou, viu e se encheu de compaixão, ou seja, “sofreu junto” com o homem ferido. Ali mesmo providenciou os primeiros socorros, colocou o ferido no seu jumento e, a pé, seguiu até uma pensão, onde continuou a cuidar dele. No dia seguinte, deu duas moedas (salário de dois dias) ao dono da pensão e comprometeu-se a pagar o que fosse gasto com o homem ferido. Esse samaritano amava o próximo não apenas de palavra, ele demonstrou isso na prática. Compaixão, caridade, cuidado e amor, para os discípulos de Cristo, não podem ser apenas palavras bonitas, mas atitudes concretas.

E Jesus perguntou ao astuto intérprete da Lei: “Qual dos três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?” (Lc.10:36). Ou seja, quem foi que se tornou próximo dele?

O intérprete da Lei estava preocupado com a fronteira do amor, mas Jesus mostrou que o amor é um centro que irradia ações práticas e não conhece nenhuma fronteira. O intérprete da Lei reconheceu isso e, quando declarou que o próximo foi o que usou de misericórdia, isto é, o que teve compaixão, mostrou muito bem que tornar-se próximo é entrar em sintonia com o outro e sofrer junto com ele; é condoer-se com o sofrimento alheio.

E, no final, Jesus deu uma ordem solene: Vai e procede tu de igual modo” (Lc.10:37). Em outras palavras, preocupe-se em praticar concretamente o amor sem se preocupar com as teorias sobre o próximo que merece o seu amor.

Você tem amado como amou o samaritano, sem exigir que somente alguns recebam o seu amor? Numa sociedade como a nossa, repleta de excluídos, essa é uma avaliação que necessitamos fazer constantemente diante de Deus.

A compaixão e a caridade são a prova material de que nascemos de novo. Devemos resgatar esse princípio sem qualquer medo de ser mal interpretado, pois compaixão e caridade é resultado do amor que Deus derramou em nossa vida.

III. O NOSSO PRÓXIMO É QUALQUER PESSOA NECESSITADA


Jesus encerra a história do Samaritano com uma pergunta:

“Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?” (Lc.10:36).

Perceba que Jesus reverte a pergunta inicial do doutor da lei. Este havia perguntado: "Quem é o meu próximo?". Jesus então conta a Parábola e pergunta: "Quem foi o próximo?". Assim, Jesus encurrala o intérprete da lei, levando-o forçosamente a admitir que o samaritano, aquele a quem ele considerava indigno, foi o próximo do homem semimorto. Por preconceito, o doutor não proferiu a palavra “samaritano”; apenas disse: O que usou de misericórdia para com ele...” (Lc.10:37).

A resposta do preconceituoso doutor da Lei está correta, porque o samaritano é aquele que agiu como próximo. Mostrando compaixão, ele se alinhou com o amor de Deus e ao próximo. Ao contrário do sacerdote e do levita, ele se submeteu ao mandamento de amor que resume toda a Lei. Jesus, então, fecha a questão e diz a ele: “Vai e faze da mesma maneira” (Lc.10:37). A resposta de Jesus envolveu três coisas:

·        Devemos ajudar aos demais, ainda que eles tenham a culpa do que lhes sucedeu.

·        Qualquer pessoa, de qualquer nação, que está em necessidade é nosso próximo.

·        A ajuda ao próximo deve ser prática.

Enfim, quem é o nosso próximo? A história do Bom Samaritano ensina que o próximo é qualquer ser humano. Infelizmente, o individualismo e o egoísmo têm dificultado, e até impedido, gestos de amor ao próximo, até mesmo entre cristãos.

Observe que na Parábola há dois tipos de pecadores: os salteadores que ferem o homem mediante a violência e os religiosos (sacerdote e levita) que ferem o homem mediante a negligência. A Parábola dá a entender que todos eles são culpados. A oportunidade não aproveitada para se fazer o bem torna-se um mal. Está escrito: Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado” (Tg.4:17).

Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. Este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição.

Contudo, amar o próximo não é apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar esse alguém a uma vida de comunhão com Deus, a um equilíbrio em todos os aspectos da sua vida. Portanto, o que Jesus disse ao doutor da Lei, ele diz também a nós: “Vai tu e faze o mesmo”. 

Se a Parábola do Bom Samaritano fosse compreendia e praticada, removeria o preconceito racial, o ódio e a inveja entre classes, e o mundo seria extraordinariamente maravilhoso para se viver. Pense nisso!

CONCLUSÃO

“Aprendemos com esta Parábola que o amor não aceita limites na definição de quem é o próximo. Enquanto todas as sociedades e seus segmentos sociais acabam levantando barreiras para separá-las das demais pessoas, os discípulos de Cristo devem olhar para os seres humanos com igualdade, pois o próprio Deus não faz acepção de pessoas (At.10:34)”.

Quando amamos o próximo da forma determinada na Palavra de Deus, melhoramos sensivelmente o ambiente em que vivemos.

 


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

QUEM AMA CUMPRE A VONTADE DE DEUS

 

QUEM AMA CUMPRE A VONTADE DE DEUS

TEXTO BÍBLICO: Romanos 12:8-14

"A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei" (Rm 13.8).

A reflexão sobre o amor e a obediência à vontade divina encontra em Romanos 12:8-14 (e no paralelo teológico fundamental de Romanos 13:8) uma das expressões mais profundas e práticas de como a fé cristã deve ser vivida no cotidiano.

Embora o enunciado cite a referência de Romanos 12, o versículo clássico que sintetiza essa verdade — "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei" está em Romanos 13:8. Ambos os textos revelam que o verdadeiro amor não é um sentimento abstrato, mas uma força ativa que cumpre integralmente os propósitos de Deus.

1. O Amor como a Dívida Eterna

O apóstolo Paulo utiliza uma linguagem financeira ("a ninguém devais coisa alguma") para introduzir uma paradoxal dívida perpétua: o amor ao próximo.

  • Quitação da Lei: Enquanto todas as obrigações humanas devem ser pagas e encerradas, a dívida do amor nunca prescreve.
  • O Cumprimento da Lei: Paulo afirma que "quem ama aos outros cumpriu a lei". Isso ecoa o ensino de Jesus de que toda a Lei e os Profetas se resumem em amar a Deus e ao próximo como a si mesmo (Mateus 22:37-40). Quem ama genuinamente não rouba, não mata, não mente e não prejudica o irmão; logo, a prática do amor torna obsoleta a transgressão moral.

2. A Expressão Prática do Amor (Romanos 12:8-14)

No contexto imediato de Romanos 12, Paulo detalha como esse amor se manifesta na prática da comunidade de fé e na vida diária:

  • Diligência e Sinceridade (v. 8): O amor se manifesta no serviço dedicado. A exortação para que quem repasse faça-o com simplicidade, quem governe com cuidado e quem exercite a misericórdia com alegria mostra que o amor remove o egoísmo de nossas ações.
  • Falsidade Zero e Apego ao Bem (v. 9): "O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e achegai-vos ao bem." O amor cristão é autêntico; ele não compactua com a injustiça, mas defende intransigentemente o que é reto diante de Deus.
  • Respeito e Fervor Espiritual (v. 10-11): "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. No cuidado não sejais vagarosos; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor." O amor honra o próximo, valorizando-o mais do que a si mesmo, e afasta a apatia espiritual.
  • Resiliência na Tribulação (v. 12): "Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, orai na perseverança." Amar também significa sustentar uns aos outros através da oração e da esperança compartilhada quando as dificuldades surgem.
  • Solidariedade e Generosidade (v. 13): "Comunicai com as necessidades dos santos; segui a hospitalidade." O amor cristão abre a casa e os recursos para suprir as reais necessidades daqueles que passam por privações.
  • Atitude diante da Oposição (v. 14): "Abençoai aos que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis." Este é o teste supremo do amor ensinado por Cristo: responder à hostilidade com graça e intercessão, refletindo o caráter perdoador do próprio Deus.

REFLEXÃO:

Cumprir a vontade de Deus não se resume a um formalismo religioso ou ao mero cumprimento de rituais externos. Para o apóstolo Paulo, o amor é a própria essência da obediência.

Quando amamos segundo o padrão de Cristo, deixamos de olhar para a lei como um fardo de proibições e passamos a vivenciá-la como uma oportunidade constante de abençoar o próximo. Afinal, quem ama cumpre a vontade de Deus porque o próprio Deus é amor (1 João 4:8), e habitar no amor é habitar no próprio Deus.

 

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos a respeito do Amor como Fruto do Espírito. Sem esta virtude é impossível absorver as demais virtudes do Fruto do Espírito exarados em Gálatas 5:22; todas as outras virtudes dependem do Amor. É a suprema virtude do Fruto do Espírito, e a maior verdade revelada por Deus aos homens é: Deus é amor (1João 4:8b). Apesar de ser algo conhecido de todos, lamentavelmente não é uma realidade que se possa atingir com o intelecto ou com a mente. Somente aqueles que se convertem e recebem o Espírito Santo em suas vidas é que podem, efetivamente, ter o amor divino e, assim, desenvolver as nove qualidades apontadas nas Escrituras como sendo o Fruto do Espírito. Jesus deixou-nos muito claro ao dizer que seus discípulos seriam reconhecidos pelo amor (João15: 12; 1João 2:10,11; 3:10,11). Aliás, a maior marca de uma igreja não é sua teologia, seu templo, tradições, mas sim o seu amor para com o Senhor Jesus e para com o próximo.

 


I. DEUS CRIOU O HOMEM DOTADO DE CAPACIDADE PARA AMAR 

1. Deus é amor (1João 4:8). O amor faz parte da própria natureza de Deus. Ainda que Deus não quisesse amar, mesmo assim ele continuaria amando, porque Deus é amor. Ao criar o homem, ele inspirou-se em si mesmo – “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança... E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou...” (Gn.1:26,27). Criado à imagem de Deus, e sendo que Deus é amor, subentende-se que o amor se tornou parte da própria natureza do homem. O homem foi criado com capacidade para amar. Assim, se Adão não tivesse pecado, ele nunca teria conhecido o ódio, a inimizade, o desejo de vingança, a cobiça, a inveja, e coisas semelhantes. As obras da carne não seriam produzidas em seu corpo. Adão tinha sido criado para amar.

2. O Pecado afetou a imagem de Deus existente no homem. O homem, ao pecar, perdeu a capacidade plena de poder amar. Na medida em que se foi aprofundando no lamaçal do pecado, o homem foi, proporcionalmente, perdendo a capacidade de amar – de amar a Deus, de amar a si mesmo, de amar ao próximo. Todavia, o amor nunca foi eliminado, de forma total e absoluta, da vida do homem, porque o amor faz parte de sua própria natureza, visto ter sido ele criado à imagem de Deus, e “Deus é amor”.

Por mais primitivo que seja o homem, por mais estúpido, por mais mau caráter, em todo homem existe uma centelha de amor, por mais que alguns procurem escondê-la. Todo homem ama alguém, ou alguma coisa. Daí o adágio que diz que “os brutos também amam”.

O homem natural jamais poderá viver a vida cristã como ela deve ser vivida. Não pode haver Cristianismo sem amor, sem muito amor. A marca registrada do discípulo de Jesus é o amor, conforme afirmou o próprio Jesus: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:35). O amor é, também, o distintivo do filho de Deus – “Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei o bem [...] e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo...” (Lc.6:35).

Ser “evangélico”, especialmente aqui no Brasil, não é difícil. Porém, em qualquer parte do mundo, ser discípulo de Cristo, ser cristão, ser filho de Deus, é simplesmente impossível sem o Novo Nascimento. O homem natural, dependendo do grau de envolvimento com o pecado, ele perde a capacidade até de amar a si mesmo, de zelar pela sua autoestima. Nesta condição, de forma alguma ele poderá viver tal como o Senhor Jesus ensinou: “...Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e toda a tua alma, e de todo o teu pensamento...Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt.22:37,39).  Na expressão “o teu próximo”, estão incluídos, também, os inimigos, por isto o Senhor Jesus foi taxativo ao declarar: “...amai a vossos inimigos...”.

Ser “evangélico” pode ser fácil, mas, ser um crente salvo, é difícil, é impossível para o homem natural. Talvez seja está uma das causas que muitas Denominações, ditas como Evangélicas, preferem não ensinar, no seu todo, a Palavra de Deus. Preferem esconder a Cruz e manter o povo em ritmo de festa, envolvendo-o mais e mais com a busca das coisas da terra.

Ensinar sobre o negar-se a si mesmo, amar os inimigos, fazer bem aos que nos aborrecem, bendizer os que nos maldizem, orar pelos que nos caluniam, oferecer a outra face, entregar a capa e também a túnica, caminhar a segunda milha – este ensino somente os que nasceram de novo, somente os verdadeiros cristãos, somente os cidadãos do Céu, somente os discípulos de Jesus, somente os filhos de Deus, podem aceitar. E, só podem aceitar, porque, conforme afirmou Paulo, “porque o amor de Cristo nos constrange...” (2Co.5:14).

3. O Espírito Santo restaura, no homem, a imagem de Deus, devolvendo-lhe a capacidade plena de Amar. “Mas o fruto do Espírito é: amor...” (Gl.5:22). Biblicamente, a vida cristã tem que começar com o Novo Nascimento, quando, segundo afirmou Paulo, “assim que, se alguém está em Cristo, Nova Criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co.5:17). Neste novo homem o Espírito Santo pode habitar – “...Porque vós sois o templo do Deus vivente...” (2Co.6:16). Assim, na medida em que o homem vai dando lugar ao Espírito Santo, ele vai moldando, nesse novo homem, a imagem de Deus. Na proporção em que a imagem de Deus vai sendo restaurada, mais e mais a natureza de Deus vai sendo devolvida ao homem, e “Deus é amor”. É assim, e tão somente assim, que o homem poderá chegar à capacidade plena de amar. De amar a Deus, de amar a si mesmo, de amar os que o amam, e de amar, também, os seus inimigos.

Deus não pede o que o homem não tem para dar. Deus não exige o que o homem não pode fazer. Deus sabe que os seus filhos têm amor para dar. Deus sabe que seus filhos podem amar, até mesmo os seus inimigos. Você é filho de Deus?

 

II. A SINGULARIDADE DO AMOR ÁGAPE

 


O Amor mencionado nas Escrituras como sendo a essência divina é o chamado amor "ágape", assim denominado pela palavra grega utilizada no Novo Testamento para esta espécie de amor. Usado cerca de 250 vezes no Novo Testamento, “ágape” é a palavra utilizada todas as vezes em que se menciona um amor que tem como origem o próprio Deus, a começar do chamado "texto áureo da Bíblia" (cf. João 3:16). É um amor que não leva em consideração o valor do ente amado, que não se importa em satisfação própria, mas que tem prazer tão somente no benefício do ente amado. Envolve a inteligência, as emoções e a vontade (faculdades da alma).

O amor proveniente de Deus é o amor que leva em consideração o outro, não a si próprio. Deus não ama o homem porque tenha ele algum valor diante de Deus, pois o homem e toda a sua justiça, como descreveu o profeta, não passa de trapo de imundícia (Is.64:6). Diante do Senhor, o homem é como um vapor é como a erva do campo (Tg.5:14; 1Pd.1:24). Apesar disto tudo, Deus nos ama e nos quer bem a todo instante e, neste amor, humanizou-se e se fez maldito para nos proporcionar o restabelecimento da comunhão perdida por causa do pecado e, assim, tornar possível que voltemos a viver eternamente na sua companhia. Isto é o amor ágape, tão bem descrito em 1Coríntios 13, cujas características são:

1. O amor é sofredor (1Co.13:4). Quem tem o verdadeiro amor proveniente de Deus não se importa com o sofrimento, com o padecer. Quem ama, sofre se este sofrimento representa o bem do ente amado. O amor divino é altruísta, ou seja, vê o benefício do outro e vive em função do outro, não de si mesmo.

2. O amor é benigno (1Co.13:4). Quem tem o verdadeiro amor proveniente de Deus não tem má-fé, não tem más intenções (ou, como se diz, "segundas intenções"). Quem ama sempre é movido pela boa-fé, pela pureza de propósitos, de intenções e de pensamentos.

3. O amor não é invejoso (1Co.13:4). Quem tem o verdadeiro amor não cobiça o que é do próximo, não se incomoda com o sucesso, o êxito e o bem-estar do seu semelhante. A inveja, diz-nos a Escritura, é a podridão dos ossos (Pv.14:30b) e, em razão dela, ocorreu o primeiro homicídio. Queiramos o progresso e o sucesso do próximo, alegremo-nos com a alegria do outro, não cobicemos as suas bênçãos, nem a sua posição. Jesus, sendo o próprio Deus, fez questão de prometer e destinar aos seus servos maior êxito e maior sucesso ministerial do que o dele próprio (João 14:12). Se não aguentamos o bem do próximo, o sucesso do nosso vizinho, do nosso irmão, do nosso companheiro de trabalho, cuidado, este é um sinal evidente de que nós não amamos e que, portanto, não é um verdadeiro filho de Deus.

4. O amor não trata com leviandade (1Co.13:4). O amor não busca a vanglória, não tem o objetivo de alcançar a vaidade, o poder pelo poder, a satisfação pela satisfação. Muito pelo contrário, o verdadeiro amor sempre tem uma finalidade: o de obter a glorificação de Deus. Jesus tudo fez neste mundo para que o nome do Senhor fosse glorificado (João 17:4) e deve ser este o comportamento de todo verdadeiro cristão (Mt.5:16).

5. O amor não se ensoberbece (1Co.13:4). O amor não gera orgulho. O amor proveniente de Deus não cria uma autossuficiência no homem, não o faz sentir melhor do que os outros, não faz nascer um senso de superioridade em quem ama. O orgulho só aparece quando se acha iniquidade no ser orgulhoso, exatamente do mesmo modo que ocorreu com o diabo (Is.14:12-14 c/c Ez.28:15).

6. O amor não se porta com indecência (1Co.13:4). Quem ama não é indecente, segue os bons costumes, demonstra pudor, compostura e respeito. Quem ama é puro, tem autoridade moral, sendo transparente e de excelente reputação. Será, sim, criticado, mas as críticas que lhes forem feitas apenas servirão para evidenciar o seu bom testemunho e o bom porte apresentado diante de Deus e dos homens (1Pd.2:12).

7. O amor não busca os seus interesses (1Co.13:5). O amor proveniente de Deus é altruísta, leva em conta o outro, não está interessado em si mesmo, nem em seu próprio benefício, mas antes quer o benefício do outro.

8. O amor não se irrita (1Co.13:5). O amor apresenta uma mansuetude, uma tranquilidade, irradia uma paz que é diferente das promessas de paz oferecidas pelo mundo. A paz daquele que ama é, precisamente, a paz de Cristo (João 16:33), a paz verdadeira. O amor não é irritante, não provoca contendas, divisões, nem se envolve em competições e em tarefas de destruição do próximo. O amor tudo suporta (1Co.13:7).

9. O amor não suspeita mal (1Co.13:5). Quem ama não faz suposições maldosas contra o próximo, não é preconceituoso, não julga precipitadamente pela aparência, não se acha superior aos demais. Jesus determinou que não devemos julgar com base na aparência, mas de acordo com a reta justiça (João 7:24). Jesus nunca suspeitou mal os outros, a ponto de, mesmo sabendo que estava sendo traído, ter chamado Judas de amigo (Mt.26:50).

10. O amor não folga com a injustiça (1Co.13:6). O amor não compactua com a injustiça, nem a admite ou tolera. Quem ama, não pratica a injustiça, pois o filho de Deus é um praticante da justiça (1João 3:10). Jesus, a quem devemos imitar, é justo (At.3:14). Somente quem pratica a justiça poderá habitar no tabernáculo do Senhor (Sl.15:1,2).

11. O amor folga com a verdade (1Co.13:6). O amor sempre opta pela verdade, jamais se manifesta através ou por intermédio da mentira ou do engano. Por isso, Deus, que é amor, também é verdade (Jr.10:10). Jesus, como Deus que é, também é a verdade (João 14:6). A Palavra de Deus é a verdade (João 17:17) e, por isso, quem ama tem prazer em obedecer aos mandamentos do Senhor.

Como podemos perceber, o amor ágape, ou seja, o amor divino, não é uma teoria, não é um estado mental, mas é um conjunto de ações concretas, de atitudes efetivas que devem ser praticadas pelos servos de Deus, não apenas faladas, pensadas ou meditadas.

III. AMAR A DEUS, A SI MESMO E AO PRÓXIMO


O homem salvo possui amor que se manifesta em três dimensões: em direção a Deus – Dimensão Vertical; em direção aos outros homens – Direção Horizontal; em direção a si mesmo – Direção Interior. Cada uma destas três dimensões do amor é dependente das outras. Não podemos amar o próximo, se não amamos a Deus; se menosprezarmos o próximo, não amamos a Deus; se odiarmos a nós mesmos, não podemos mostrar a preocupação adequada pelas necessidades do nosso semelhante, porque não temos a preocupação adequada por nossas próprias necessidades.

1. O amor a Deus – a Dimensão vertical. O amor é uma característica indispensável para quem diz ser filho de Deus, é como se fosse o próprio DNA espiritual do cristão sincero e verdadeiro; este amor não é apenas a essência da comunhão entre Deus e o homem, o próprio núcleo da vida espiritual, mas é, como afirma Paulo, o primeiro “gomo” do fruto do Espírito (Gl.5:22); ou seja, necessariamente este amor tem de se traduzir em atitudes, em ações, tem de se manifestar fora do indivíduo. Não foi por outra razão que Deus, ao entregar a Moisés a lei, estabeleceu que o resumo de todos os mandamentos fosse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” (Dt.6:5). Só assim poderia haver a guarda de todos os mandamentos e, por conseguinte, temor a Deus (cf. Dt.6:1,2). Este mandamento foi endossado por Cristo, quando indagado a respeito do que era mais importante na lei (Mt.22:37). Portanto, amar a Deus significa submeter-se à vontade do Senhor, fazer aquilo que Ele nos manda na sua Palavra; significa renunciar à vontade própria, ao ego, à sua individualidade para fazer aquilo que o Senhor determinou que fizéssemos. Não é possível amar a Deus sem observar a sua Palavra.

A primeira prova que temos de que alguém realmente se tornou um filho de Deus é o fato de que ele passou a amar a Deus, e amar a Deus é simples de ser verificado: “Vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando” (João 15:14); “Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, este é o que Me ama” (João 14:21a).

2. O amor a si mesmo – a Dimensão interior. O “amor a si mesmo” reflete o amor de Deus em nós. Ao proferir o segundo grande mandamento, Cristo faz uma observação extremamente importante: “amarás o próximo como a ti mesmo”. O amor divino, implantado no coração do homem pelo Espírito Santo, após o arrependimento dos pecados, não gera apenas uma fonte que jorra em direção a Deus, estabelecendo a comunhão entre o salvo e o Senhor, nem somente em relação ao próximo, que é qualquer outro ser humano, mas também estabelece um canal que gera amor no próprio salvo.

 

O cristão é uma pessoa que se ama, ou seja, alguém que se gosta, alguém que tem autoestima, alguém que não se despreza, que não se acha inferior, que não é uma pessoa mal resolvida consigo própria. Mas alguém poderá dizer: Jesus se amava? Ele não se entregou por nós? Ele não deixou a sua glória? Como podemos dizer que Jesus se amava? Ora, esta questão tem uma resposta afirmativa, pois Jesus jamais iria ensinar algo que não tivesse feito (At.1:1). Nesta terra, Jesus foi a pessoa que mais se amou. Como podemos afirmar isto? Pelo simples fato de que foi a única pessoa que não pecou (Hb.4:15). A maior prova que damos de que amamos a nós mesmos é o fato de não pecarmos, de não sermos atraídos pela nossa concupiscência e, deste modo, garantirmos vida eterna para nós.

Entretanto, não podemos confundir amar a si mesmo com “ser amante de si mesmo”, que é uma característica do ímpio e não do salvo (cf.2Tm.3:2). Ser amante de si mesmo é colocar-se no lugar de Deus, passar a querer tirar vantagem de tudo para si, é se relacionar com os outros buscando tão somente o bem próprio, a satisfação própria, é idolatrar a si mesmo. Quem, por exemplo, prática boas obras para “crescer”, “evoluir” espiritualmente, está sendo amante de si mesmo, pois não visa o bem do outro, mas o próprio bem. Usa o outro como meio para atingir o fim, que é o benefício próprio. É a atitude popularmente conhecida como “venha a nós, vosso reino nada”.

Portanto, amar-se é procurar o melhor para si. Amar-se é buscar o que há de mais excelente para si. Amar-se é criar condições para que haja o mais pleno desenvolvimento de seu ser, de sua essência, e isto só é possível no ser humano quando eliminamos o fator que faz com que a natureza humana decaia e seja distorcida: o pecado. Damos prova de que nós amamos quando nos santificamos, quando buscamos a santidade, quando nos separamos do pecado - “sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca, mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo” (1João 5:18a). Amar-se é, portanto, separar-se do pecado, conservar-se irrepreensível, espírito, alma e corpo até a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (1Ts.5:23).

 

3. O amor ao próximo – Dimensão horizontal. O amor divino que se encontra no salvo não se limita apenas ao relacionamento entre Deus e o homem, mas também se manifesta em direção às demais pessoas que estão à volta do salvo. Por isso, Jesus, ao responder à indagação daquele doutor da lei, fez a devida complementação, para mostrar que um bom relacionamento entre Deus e o salvo redunda num bom relacionamento entre o salvo e os demais seres humanos. Quem ama a Deus, ama o próximo (1João 4:21).

O amor a Deus é pressuposto para que se tenha amor ao próximo. Não é possível amar o próximo sem que antes se ame a Deus. Daí porque não podermos confundir o amor ao próximo com o mero exercício de filantropia, com dó ou qualquer outro sentimento que tenha em vista a ajuda circunstancial a outrem, como, aliás, defendem aqueles que acham que as boas obras de alguém ocasionam a este alguém algum progresso espiritual.

Amar o próximo não é dizer a alguém que o ama, mas um amor que se mostra por atitudes concretas, por ações efetivas, por obras. Amor ao próximo não é amor de palavra nem de língua, mas amor por obras e em verdade (1João 3:18).

Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O próximo é qualquer ser humano, como bem nos explicitou Jesus na parábola do bom samaritano, e este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição.

Amar o próximo não é apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar este alguém a uma vida de comunhão com Deus, a um equilíbrio em todos os aspectos da sua vida. Medidas emergenciais serão necessárias, como nos mostra a parábola do bom samaritano, mas é extremamente necessário que levemos o próximo a entender que deve, sobretudo, amar a Deus, para que também ame o próximo, como nós o amamos.

O amor ao próximo é determinado pelo Senhor, é seu mandamento (João 15:12), e tem como exemplo o próprio amor que Cristo apresentou a nós, ou seja, o da completa renúncia para que desfrutássemos da vida eterna. Jesus nos amou primeiro, fez o que não podíamos fazer, mas nem por isso fez o que poderíamos e deveríamos fazer. Este é o limite do amor ao próximo: fazer aquilo que ele não pode fazer, mas ensinar-lhe a fazer o que pode e deve fazer.

Quando amamos o próximo da forma determinada na Palavra de Deus, melhoramos sensivelmente o ambiente em que vivemos.

IV. DOIS INIMIGOS QUE NÃO PODEM SER AMADOS 

“.... Amai a vossos inimigos...” (Lc.6:27).

A estabilidade de todo reino sempre se fundamentou na necessidade de enfraquecer, ou mesmo destruir os inimigos do reino e do rei. Nunca houve reino sem prisões cheias de inimigos, sem pena de morte para quem se levantasse contra o rei. Todavia, o Senhor Jesus fundou o Seu Reino em bases nunca vistas antes. Em lugar de mandar prender, espancar, matar seus inimigos e opositores de Seu Reino, ele ordenou aos seus súditos, como um dever, dizendo-lhes: “amai a vossos inimigos...”. Jesus é, pois, um Rei diferente de todos os demais reis e seu Reino em nada se assemelha a qualquer outro reino. Ele também exige que seus súditos não sejam como os súditos dos outros reinos. O amor é o fundamento do Seu Reino.

Entretanto, existem dois inimigos que o homem de Deus não pode amar, nem mesmo manter qualquer tipo de relacionamento com eles - trata-se de Satanás e do Mundo.

1. Satanás, o maior inimigo do Cristão. A inimizade entre Satanás e o homem foi colocado pelo próprio Deus – “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente...” (Gn.3:15). Não podemos nos esquecer desta sentença bíblica: Satanás é inimigo do homem e o homem de Deus deve ser inimigo de Satanás. Esta inimizade foi posta por Deus e nunca será revogada. Não há na Bíblia qualquer passagem que possa levar o homem a anular, ou minimizar, essa inimizade. Somos inimigos e queremos continuar sendo inimigos.

Satanás é inimigo de Deus e Deus é inimigo de Satanás. Satanás é inimigo dos filhos de Deus e os filhos de Deus são inimigos de Satanás. Biblicamente, não há possibilidade de qualquer acordo, ou qualquer convivência pacífica. Ele é chamado de nosso adversário, ou seja, aquele que se opõe a nós, aquele que luta contra nós, conforme afirmou Pedro: “sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pd.5:8).

Os que não conhecem a Palavra de Deus, também não sabem quem é Satanás. Há quem procure conviver ou relacionar-se com ele, até pensando poder receber dele alguma ajuda, ou favor. Ignoram que sua natureza é má e que, por isto, ele não pode amar, e, por conseguinte, não pode fazer o bem, conforme o Senhor Jesus afirmou, referindo-se a ele: “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir...” (João 10:10). Lamentavelmente, quer seja por ignorância da Bíblia Sagrada, quer seja por desobediência voluntária a Deus, ou por pura rebeldia, o Satanismo é uma das Seitas que mais está crescendo, hoje, em número de adoradores de Satanás, especialmente nos Estados Unidos, aquele que já foi o maior país evangélico do mundo e de onde vieram os nossos missionários.

Há, ainda, outras Seitas que se dizem cristãs, que pregam sobre a necessidade de orar pela conversão de Satanás e de seus anjos. Estes grupos não tratam Satanás como inimigo, e, se o adoram, ou se oram e pedem oração por ele, é porque o amam. Talvez até procurem justificarem-se usando a Palavra de Deus, pois, o Senhor Jesus, na verdade, disse: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mt.5:44). Esquecem, ou não sabem que a mesma Palavra de Deus, instrui os filhos de Deus, no sentido de: resistir ao diabo - “Ao qual resisti firmes na fé...” (1Pd.5:9), “...resisti ao diabo, e ele fugirá de vós...” (Tg.4:7); não lhe dar lugar - “Não deis lugar ao diabo” (Ef.4:27); estar firmes contra suas ciladas - “Revesti-vos de toda armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef.6:11).

Assim, a ordem bíblica, dada pelo próprio Jesus, quando disse “amai, pois, a vossos inimigos...”, certamente que não inclui Satanás. Ele é inimigo de Deus e é nosso inimigo e, como tal, tem que ser tratado. Com ele o homem de Deus não pode ter qualquer tipo de relacionamento. Foi por manter um relacionamento amistoso com ele que Eva foi enganada e pecou. Satanás é um inimigo que não pode ser amado pelos filhos de Deus. Pense nisso!

2. O Mundo – outro grande inimigo que não pode ser amado pelos filhos de Deus. Certamente, o mundo com o qual o filho de Deus não pode e não deve se relacionar, é o mundo moral, o reino das trevas, do qual a Palavra de Deus diz, que “... todo o mundo está no maligno” (1João 5:19).

Este mundo é o agente de Satanás, o seu reino aqui na Terra. Desta forma, se o mundo constitui o reino das trevas, onde impera o pecado em toda sua amplitude, e, se nós somos filhos de Deus, pertencemos ao Reino da Luz. Então Paulo pergunta: “... porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? (2Co.6:14). O mundo é, pois, inimigo de Deus, e, inimigo de Deus é nosso inimigo – “Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece” (João 15:19).

Deus sempre quis que houvesse uma separação entre o seu povo e o mundo. Simbolicamente, ele deixou isto bem claro, quando, no deserto, ao mandar Moisés construir o Tabernáculo, determinou que ele fosse fechado, em toda sua extensão, por uma espécie de muro, formado por “cortinas de linho fino torcido”, bem fixado em colunas e bases de cobre, distante uma da outra, cerca de, apenas, dois metros e meio. A altura era de cinco côvados, cerca de mais de dois metros (Êx.27:9-19). O desejo de Deus era que o Tabernáculo fosse um lugar fechado, separado, ou um lugar santo. Num sentido individual, o Tabernáculo, hoje, sou eu e você; no sentido coletivo, o Tabernáculo representa a Igreja.  Fica claro, portanto, que Deus quer, eu, você e sua igreja, separados do mundo.

Algumas Denominações e alguns crentes que se dizem “evangélicos”, certamente por não conhecerem a Palavra de Deus, parece que interpretam a ordem de Jesus sobre a necessidade de “Amai a vossos inimigos”, como que incluindo o mundo entre os que devem ser amados. Não sabem, ou, sabendo, procuram ignorar que relações de amizade, ou de amor com o mundo, constitui infidelidade, ou traição a Deus, por cuja causa são chamados de adúlteros, na expressão usada por Tiago: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg.4:4).

O mundo é um inimigo que não pode ser amado pelos filhos de Deus. Trata-se de um amor proibido, pela Bíblia - “não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1João 2:15). 

“Amai, pois, a vossos inimigos...”, foi o que o Senhor Jesus ordenou. Porém, Satanás e o mundo, embora sendo nossos inimigos, não estão entre aqueles que Jesus nos mandou amar. Considere isto!

CONCLUSÃO

Sem que haja o verdadeiro amor na vida do crente, nenhuma das outras características poderá se manifestar na vida do homem. O amor e o seu contínuo desenvolvimento é o que deve ser buscado pelo cristão a cada dia, até o dia do arrebatamento da Igreja. Um amor que não é meramente teórico, que não é somente um belo discurso ou um estado mental, mas, sim, um amor prático, que faz boas obras e que faz os homens glorificarem a Deus que está nos céus (Mt.5:16). Como nova criatura, você precisa amar e evidenciar esse amor mediante suas atitudes e palavras.

Conta-se que durante as atrocidades cometidas contra os armênios, um soldado turco perseguia uma moça e seu irmão. Encurralado num beco sem saída, o moço foi espancado e morto pelo soldado, diante dos olhos da irmã. Esta conseguiu saltar o muro e fugiu. Tempos depois, ela, sendo enfermeira, trabalhava num hospital militar. Certo dia foi levado para a enfermaria onde ela servia aquele soldado que maltratara seu irmão. Ele estava à beira da morte e dependia de seus cuidados. Bastava descuidar um pouco, e ele morreria. A enfermeira reconheceu o soldado. Era o mesmo que matara seu irmão. Sua “velha natureza” gritava: vingue-se! Sua nova natureza, porém, dizia: Ame-o! Aquele que disse “Amai, pois, a vossos inimigos...”, venceu. Ela cuidou do soldado com um carinho especial, e ele sobreviveu. O soldado também tinha reconhecido a moça. Certo dia, já fora de perigo, ele perguntou-lhe por que ela não o tinha deixado morrer. Ela então lhe respondeu: Porque sigo Aquele que disse: “amai os vossos inimigos”. O soldado passou alguns minutos calado. Depois disse: “não sabia que existia tal religião. Se esta é a sua religião, conta-me mais, porque quero adotá-la”.

Que venhamos rogar ao Pai um coração amoroso, capaz de amar até mesmo aqueles que se declaram nossos inimigos - “Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei o bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus” (Lc.6:35).

 


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