sexta-feira, 29 de maio de 2026

A CORRUPÇÃO DOS ÚLTIMOS DIAS

 


A CORRUPÇÃO DOS ÚLTIMOS DIAS

Texto Bíblico: 2Timóteo 3:1-4,14-16

“Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção” (2Pedro 2:12).

A Bíblia aborda a corrupção nos "últimos tempos" (ou "últimos dias") não apenas no sentido político ou financeiro que costumamos ver nos jornais, mas principalmente como uma corrupção moral e espiritual generalizada.

O texto mais famoso e detalhado sobre esse assunto está na segunda carta do apóstolo Paulo a Timóteo. Ele descreve a sociedade dos últimos dias como um reflexo de corações corrompidos.

1. A Radiografia da Sociedade nos Últimos Dias

Em 2 Timóteo 3:1-5, há uma lista impressionante sobre o comportamento humano no fim dos tempos. O texto diz:

"Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, arrogantes, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus..."

Repare que a corrupção descrita aqui começa no indivíduo e se espalha para as relações humanas. A ganância e o egoísmo (amantes de si mesmos) são as raízes da corrupção pública e privada.

2. A Corrupção Religiosa e a Hipocrisia

A Bíblia também alerta que a corrupção entraria nos ambientes que deveriam ser sagrados. Logo após a lista acima, o versículo 5 diz que essas pessoas teriam "aparência de piedade, mas negando o seu poder".

  • Falsos mestres: Em 2 Pedro 2:1-3, o texto avisa que surgiriam falsos profetas motivados pela ganância, que usariam "palavras fingidas" para explorar as pessoas.
  • Inversão de valores: Isaías 5:20 (embora contextual) resume bem o espírito dos tempos de corrupção: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal".

3. O Amor ao Dinheiro como Combustível

A corrupção financeira e institucional é alimentada por algo que a Bíblia chama de "a raiz de todos os males": o amor ao dinheiro (1 Timóteo 6:10). Nos últimos tempos, a busca pelo poder e pela riqueza acima da justiça e da compaixão se tornaria a norma, gerando opressão dos mais pobres e suborno nas lideranças.

4. O Cenário Político Global (O Livro de Apocalipse)

No livro de Apocalipse, a corrupção atinge o seu ápice institucional. O sistema global do fim dos tempos (frequentemente personificado pela figura da "Babilônia") é descrito como um sistema político e comercial extremamente corrupto, que enriquece à custa da exploração humana e da opressão espiritual (Apocalipse 18).

O resumo da mensagem bíblica é: a corrupção dos últimos tempos não é uma falha do sistema, mas sim uma falha do coração humano que se afastou de Deus. No entanto, a Bíblia sempre termina esses alertas com uma mensagem de esperança, incentivando as pessoas de bem a permanecerem firmes, agindo com justiça e integridade, independentemente do cenário ao redor.

Exemplo de corrupção na Igreja:

Quem quer a todo custo um cargo ou posição na igreja, por exemplo, levanta a mão nas reuniões apoiando qualquer posição tomada pela liderança, mesmo que seja contrária à bíblia ou ao seu julgamento interno. O que lhe importa é agradar àqueles que podem lhe dar a posição ou cargo ou salário desejado.


Quando um pastor faz vista grossa para o pecado de alguém que dá um bom dízimo. ou que seu parente próximo dá um bom dízimo.

Quando o pastor promete conseguir na igreja muitos votos para um candidato que lhe prometeu um cargo para seu filho ou telhas e tijolos para a construção da igreja.

O povo diz que vai a igreja adorar a DEUS, para ver JESUS, mas quando ele chega e começa a fazer milagres o povo vai embora assistir TV ou comer uma pizza e deixa JESUS lá só com os doentes. Geralmente quando término de orar pelos doentes e enfermos só tem 20 pessoas na igreja, o restante tinha coisa mais importante para fazer lá fora. Na maioria das vezes procuro o pastor e ele já foi também, o que é mais triste.

 

INTRODUÇÃO

O apóstolo Paulo estava preso num calabouço romano, na sala de espera do martírio. A fornalha da perseguição contra a igreja estava acesa. Paulo dá suas últimas recomendações a Timóteo, um pastor jovem, doente e tímido, sobre como enfrentar vitoriosamente a corrupção dos últimos dias.

Certamente, vivemos os últimos dias da Igreja. São dias difíceis, dias trabalhosos, em que o mundo sofre uma multiplicação do pecado (Mt 24:12) e, como consequência disto, só se vê aumentar o sofrimento do ser humano, a sua progressiva decadência moral e espiritual. Nunca houve, em toda a história da humanidade, uma época semelhante aos dias atuais onde é nítida a ausência de valores, principalmente aqueles que norteiam a dignidade do ser humano: o sentimento, o decoro, a vergonha, a moral, o caráter, o respeito e o temor a Deus, os quais constituem os verdadeiros alicerces para a vida individual e em sociedade.

Entretanto, apesar de toda a corrupção moral e espiritual que incendeia a sociedade atual, ainda se encontra sobre a face da Terra, ainda que não por muito tempo, a Igreja — a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido para anunciar as virtudes de Jesus Cristo (1Pe 2:9). Ela tem enfrentado todas estas circunstâncias e continua a dizer que a única solução, a única esperança para o homem é crer em Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador.


I. OS TEMPOS TRABALHOSOS

1. Nos últimos dias (Tm 3:1). Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos”.

O apóstolo Paulo, em sua afirmação a seu filho na fé, Timóteo, já no ocaso da sua vida, quando estava preso em Roma, na sua segunda prisão, faz questão de relembrar que a Igreja passaria por momentos difíceis, que ainda não tinham chegado no tempo do apóstolo, o que nos mostra claramente que Paulo não se referia, em absoluto, ao período de perseguição que se apresentava naquele instante, desencadeada por Nero, a primeira das “dez grandes perseguições” que haveria contra a Igreja durante o Império Romano (os “dez dias” de Ap.2:10). O apóstolo apontava para um período futuro na história da Igreja em que os tempos seriam “trabalhosos”.

Ao que parece estamos vivendo esses “últimos dias” referidos por Paulo, pois analisando com cuidado as suas palavras podemos observar que os “últimos dias” da história da Igreja, aqui na Terra, têm características diferentes dos “tempos trabalhosos” enfrentados por esta mesma Igreja em outros períodos da história, no passado, de forma especial, até o advento do chamado tempo pós-moderno.

Nos “tempos trabalhosos” dos “últimos dias Paulo não se refere a perseguições, mártires, prisões, mas de convulsões internas. Ou seja, convulsões dentro ou no seio da própria igreja local. Esses “tempos trabalhosos” seriam caracterizados por um período de apostasia cada vez mais intenso, bem como de uma crescente corrupção moral.

Em 2Tm 3:1-4, são descritas dezoito características de reprovação que iriam caracterizar uma boa parte das lideranças da “Igreja”para depois afirmar que ... os homens maus e enganadores irão de mau para pior, enganando e sendo enganados” (2Tm 3:13). Assim, olhando para a Bíblia, e olhando para o chamado “mundo evangélico” temos a impressão de estarmos vivendo aqueles “últimos dias” referidos por Paulo.

 - Nestes “últimos dias”, o mundo tem menos acesso a Deus, porque o que impede a comunicação entre Deus e os homens é o pecado (Is 59:2) e estes “últimos dias” são dias em que o pecado está aumentando sobremaneira (Mt 24:12). Até mesmo as pessoas que tiveram um contato com o Salvador Jesus, que, uma vez receberam o amor de Deus derramado em seus corações (Rm 5:5), terão este amor esfriado, perderão este sentimento.

- Nestes “últimos dias”, o desamor é uma constante e, em virtude disto, os dias são repletos de violência, pois a vida humana é vilipendiada, já que não há amor a Deus e, consequentemente, não há amor ao próximo. O homem é menosprezado e se desenvolve, entre as pessoas, uma verdadeira “cultura da morte”.

- Nestes “últimos dias”, multiplica-se o pecado e, com ele, multiplicam-se os problemas. Sem dar guarida a Deus e ao seu amor, a humanidade acaba correndo de um lado para outro, como ovelhas desgarradas que não têm pastor (Mt 9:36), sem direção, sem qualquer orientação, o que faz com que surjam inúmeros problemas.

- Nestes “últimos dias”, os homens são amantes de si mesmos, sem amor para com os bons (2Tm 3:2,3). São pessoas que só pensam em si próprios e criam condições múltiplas para se servirem do próximo, aproveitarem-se dele e o explorarem o máximo possível.

- Nestes “últimos dias”, o homem não tem a menor preocupação em prejudicar o outro, desde que isto lhe seja conveniente e contribua para que atinja os seus objetivos, objetivos estes que dizem respeito somente a si próprio. A ganância, o prazer, o bem-estar próprio, a satisfação do seu ego, é só isto que é estimulado, incentivado e almejado pelo homem dos últimos dias. Vivemos dias em que toda a ferocidade humana é revelada ao seu próximo. Por isso, os homens são desobedientes a pais e mães, ingratos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, cruéis, obstinados e orgulhosos (2Tm 3:2-4). As pessoas agem em relação às outras como se estas fossem, há muito tempo, suas inimigas. Vivemos a época da insegurança e do medo indiscriminados.

- Nestes “últimos dias”têm surgido no meio do povo de Deus, enganadores, pessoas que, tendo aparência de piedade, negam, com seus atos, a eficácia dela (2Tm 3:5). Os últimos dias, dizem-nos Pedro e Judas (2Pe 3:3 e Judas 18), são dias em que surgem os falsos mestres, que são os condutores de muitos pelo caminho da apostasia, ou seja, do afastamento deliberado da sã doutrina, do desvio espiritual.

Estes últimos dias” são dias em que os cristãos são tratados como mercadorias, em que há a mercantilização da fé, em que muitos se levantam não para servir a Deus, mas para levar os salvos ao seu próprio serviço, num ultraje nunca visto em toda a história.

- Estes “últimos dias”, são dias de proliferação de falsas doutrinas, de doutrinas de homens e de demônios, de lutas pelo poder eclesiástico, de escândalos, onde há uma amizade com o pecado e com os deleites humanos e total menosprezo à santidade, à pureza e à sinceridade no propósito de adorar o Senhor.

Veja, a seguir, as dezoito características da humanidade durante os “últimos dias”, exaradas em 2Tm 3:1-4. Nós simplesmente as listamos e damos os sinônimos que explicam o significado de cada uma:

a) Amantes de si mesmos: egocêntricos, presunçosos, egoístas.

b) Avarentos: gananciosos.

c) Presunçosos: jactanciosos, cheios de palavras de orgulho.

d) Soberbos: arrogantes, presunçosos, dominadores.

e) Blasfemos: difamadores, profanos, briguentos, insolentes, grosseiros, arrogantes.

f) Desobedientes a pais e mães: rebeldes, insubordinados, descontrolados.

g) Ingratos: mal-agradecidos, não reconhecedores.

h) Profanos: ímpios, irreverentes, contrários às coisas santas.

i) Sem afeto natural: impiedosos, insensíveis, indiferentes.

j) Irreconciliáveis: implacáveis, contendores, briguentos.

k) Caluniadores: propagadores de notícias maliciosas e falsas.

l) Incontinentes: sem domínio próprio, de paixões descontroladas, dissolutos, devassos.

m) cruéis: grosseiros, sem prestígios.

n) Sem amor para com os bons: odeiam pessoas e coisas boas; são avessos a qualquer forma de bondade.

o) Traidores: traiçoeiros, pérfidos.

p) Obstinados: imprudentes, irredutíveis.

q) Orgulhosos: pretensiosos, presunçosos.

r) Mais amigos dos deleites do que amigos de Deus: aqueles que amam os prazeres sensuais, mas não a Deus.

2. Falsa aparência (2Tm 3:5). “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”.

Todos os problemas relatados em 2Tm 3:1-4 não estão descrevendo apenas um mundo ímpio, mas pessoas que se dizem cristãs. As pessoas frequentam a igreja, mas não mudam a vida. Elas fazem profissão e fé no cristianismo, mas suas ações falam mais alto que as palavras. Pelo mau comportamento, elas mostram que vivem uma mentira. Não há uma evidência do poder de Deus em suas vidas. Pode ter havido mudança, mas de fato nunca houve regeneração. O mundo está arruinado porque a espiritualidade está divorciada da vida.

Hernandes Dias Lopes, citando John Stott diz que, na história, a religião e a moralidade têm estado mais distantes entre si do que juntas. As próprias Escrituras testificam esse fato de forma inconteste. Os grandes profetas éticos dos séculos VIII e VII a.C. apontaram os pecados de Israel e Judá nesse particular. Amós denunciou o crescimento da religião e da injustiça simultaneamente (Am 2:8). Isaías fez um diagnóstico parecido em Judá (Is 1:14-17). Jesus, em seu tempo, trouxe a lume a hipocrisia dos fariseus (Mt 23:25). Esta mesma falsa aparência ainda grassava entre as pessoas que Paulo está descrevendo em 2Tm 3:5. Evidentemente essas pessoas frequentavam a igreja, cantavam hinos, diziam "amém" às orações e colocavam dinheiro no gazofilácio. Tinham aparência e palavras piedosas, mas eram apenas máscaras, aparência externa sem realidade interna, religião sem moral, fé sem obras. É como se Paulo estivesse descrevendo uma espécie de cristianismo pagão.

Quando olhamos para alguns segmentos da igreja evangélica dos dias hodiernos, constatamos o mesmo problema: crescem em número, mas não em compromisso. Têm carisma, mas não caráter. Mostram números, mas não vida. As pessoas entram para a igreja, mas não são transformadas pelo evangelho. Há iniquidade associada ao ajuntamento solene.

Timóteo é exortado a se afastar de todas essas pessoas – “... destes afasta-te”. Paulo não está ordenando que Timóteo se afaste de todos os pecadores, porque, se assim fosse, precisaria sair do mundo (ler 1Co 5:9-11). Paulo está dizendo que Timóteo não deve ter comunhão com aqueles que se dizem crentes, mas vivem de forma desordenada ou hipócrita.


II. PAULO, UM EXEMPLO DE OBREIRO EM TEMPOS DIFÍCEIS

Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, caridade, paciência” (RC). “Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança” (AA).

Timóteo conhecia bem estes sete aspectos marcantes que caracterizavam esse servo do Senhor. Ele tinha seguido Paulo de perto e pôde testificar que era fiel a Cristo e à sua Palavra.

1. Um obreiro exemplar (2Tm 3:10). “Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino...”. O apóstolo Paulo — outrora perseguidor do evangelho e dos seguidores de Cristo, fariseu respeitado, mas ignorante acerca da verdade e defensor ardoroso da Lei de Moisés — tornou-se um dos maiores exemplos de fé, amor e fidelidade ao cristianismo. Seu caráter era demonstrado por sua conduta exemplar. Em evidente contraste à situação daquela época de declínio dos costumes morais, religião inautêntica e propagação de falsas doutrinas, Timóteo é chamado a ser diferente. Timóteo estava rodeado de falsos mestres. Por isso, deveria seguir o exemplo fiel de Paulo.

2. Modo de viver/procedimento. “... modo de viver...”. O modo de viver, ou conduta, de Paulo era irrepreensível; era coerente com a mensagem que ele pregava. Às vezes, de brincadeira, ouvimos alguém dizer: faça o que eu digo, mas não o que eu faço”. Não era assim com o apóstolo Paulo. Ele pôde apresentar sua vida como modelo de devoção a Cristo e sua causa. Toda a sua vida depois da conversão foi dedicada à tarefa de apresentar aos outros um esboço do que o cristão deve ser. Deus salvou Paulo com a finalidade de mostrar ao mundo, pelo exemplo de sua conversão, que o que fez na vida dele também pode e fará na vida de outros. E nós? Será que estamos servindo de exemplo àqueles que foram salvos pela sua graça? Que assim seja.

Precisamos de líderes que sirvam de modelo para os mais jovens. Precisamos de pessoas que falem a verdade e vivam a Verdade.

3. Propósito (intenção), fé, longanimidade, amor e paciência. “... propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança”.

- O propósito de Paulo era se afastar da doutrina do mal e testemunhar o evangelho da graça, ainda que isso lhe custasse a própria vida (At 20:24).

- A fé pode significar a confiança de Paulo no Senhor ou sua fidelidade pessoal. Timóteo o conhecia como alguém completamente dependente do Senhor e ao mesmo tempo honesto e digno de confiança.

- A longanimidade de Paulo foi provada pela sua atitude em relação aos perseguidores e críticos e pelos sofrimentos físicos.

- Quanto ao amor, despojava-se de si mesmo para se dedicar ao Senhor e ao próximo. Quanto menos amado era, mais determinado estava a amar.

- Sua paciência diante das reações hostis sofridas por todos os recantos por onde passava era notória.

- Perseverar quer dizer literalmente “manter-se alegre diante das dificuldades”, e perseverança exige força e coragem.


III. O ENSINO DA PALAVRA DE DEUS EM TEMPOS DIFÍCEIS (2Tm 3:14-17)

14- “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido”. 15 - “E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus”. 16- “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça”, 17 - “para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra”.

1. O valor do ensino bíblico. O ensino da Palavra de Deus, na igreja local, é indispensável e de fundamental importância, por isso deve ser contínuo. Depois da evangelização, vem o discipulado dos novos convertidos, mas o discipulado não deve ser visto como apenas algumas lições bíblicas. Ninguém deixa de ser discípulo pela idade ou por tempo de serviço. O discipulado cristão é para toda a vida. Na igreja do primeiro século o exercício deste ministério era contínuo. Diz o texto bíblico: "E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar..." (At 5:42). Sem o ensino, os crentes ficam sem o conhecimento indispensável ao seu crescimento na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 2Pe 3:18).

Paulo não mediu tempo para ensinar os crentes da igreja primitiva. Ele foi um exemplo de dedicação e persistência no ensino das Escrituras. Ele disse: “como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas” (At 20:20). Em Trôade, ministrou aos irmãos até altas horas – No primeiro dia da semana, estando nós reunidos como o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia seguinte, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite” (At 20:7,8). Nem o incidente que aconteceu com o jovem Êutico lhe arrefeceu o entusiasmo e o ardor doutrinário – “Subindo de novo, partiu o pão, e comeu, e ainda lhes falou largamente até ao romper da alva” (At 20:11). O ardor pelo ensino também aconteceu em Antioquia - todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente” (At 11:26). Também em Corinto Paulo permaneceu um ano e seis meses, ensinando entre eles a Palavra de Deus” (At 18:11b).

Pedro também era persistente e insistente no ensino: “Pelo que não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais e estejais confirmados na presente verdade” (2Pe 1:12). Ele sabia que os crentes aos quais a sua carta foi enviada já possuíam certeza dos ensinos fundamentais, porém dava instrução contínua. Pedro sabia que em breve partiria para a glória (2Pe 1:14), e seu desejo era que, após a sua partida para estar com o Senhor, o ensino bíblico estivesse na mente de todos (2Pe 1:15).

O Israel do Antigo Testamento se apostatou da fé em Deus porque deixou de conhecer a Jeová. Por causa disso o Senhor destruiu Israel espalhando-o por todo o mundo. O Senhor lamentou essa situação: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento” (Oséias 4:6). E conhecimento não se adquire sem um ensino persistente e inspirado pelo Espírito Santo. Vivemos dias em que este ministério nunca foi tão necessário. Quando o ensino não é cuidadoso, paciente e dedicado, há grande prejuízo para as novas gerações.

2. Combatendo o “espírito do Anticristo” com a Palavra de Deus. Apesar de o Anticristo surgir em carne e osso muito em breve, o espírito do Anticristo já está presente na terra, conforme 1João 2:18-19"Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora. Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós”.

Em 1João 4:2-4, é confirmado que o espírito do anticristo já está presente hoje, e nos ensina como saber se um espírito é de Deus mesmo ou não: "Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus. E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo”.

O espírito Anticristo está presente neste mundo e podemos detectar a sua ação em todas as partes. Todos os seguimentos da sociedade estão batizados neste terrível espírito maligno. Ele está tomando conta de corações em todos os cantos deste mundo, inclusive de muitos que cristãos dizem ser.

Muitas “igrejas” que outrora eram sustentadas por verdades fundamentais das Escrituras, hoje se encontram totalmente rendidas aos ensinos deste espírito enganador. Pouco a pouco, comunidades inteiras vão se rendendo aos encantos do espírito do anticristo. Urge um avivamento!

Observe alguns dos “instrumentos” utilizados por Satanás nestes últimos dias contra o rebanho do Senhor:

a) O relativismo. Segundo o relativismo nada pode ser definitivamente certo, pois, a verdade está sujeita a fatores aleatórios, ou subjetivos. Assim, os princípios éticos e morais variam de lugar para lugar, pois, estão sujeitos às circunstâncias culturais, políticas e históricas. É claro que o relativismo contrasta com as verdades proclamadas pela Bíblia Sagrada. A Bíblia fala de valores absolutos e imutáveis válidos e aplicáveis em qualquer parte da Terra, pois, a doutrina bíblica se apoia em dois princípios: imutabilidade e universalidade. Por estes dois princípios a doutrina não sofre a ação do tempo e nem do espaço. Pelo princípio de imutabilidade é que nós estamos ensinando, hoje, ela doutrina bíblica que os apóstolos ensinaram; ela não mudou e nem mudará; ela é verdadeira e absoluta. Pelo Princípio da Universalidade, onde houver um homem, em qualquer lugar da terra, a doutrina bíblica é válida para ele. O que a Bíblia definir como sendo pecado, será pecado em toda a Terra. Assim, os princípios éticos e morais que o relativismo afirma mudar de lugar para lugar, pela Bíblia eles são imutáveis.

b) Leis infames. Os poderes legislativos vêm aprovando leis, de iniciativa do poder executivo, que vão de encontro os princípios morais exarados na Bíblia Sagrada. Isso é uma afronta ao Deus Todo Poderoso. O Brasil tem tomado um rumo perigoso. Os líderes da nação, em seus variados poderes, estão afrontando e escarnecendo da Lei de Deus. Leis infames e injustas que aprovam o que Deus condena estão tendo o apoio até do Judiciário. Leis que criminalizam e preveem a prisão daqueles que usam textos da Bíblia para falar contra o homossexualismo; leis que querem legalizar o uso de drogas e a prática do aborto. Certamente, nuvens negras baixam sobre nosso país. É hora de clamar e orar para que Deus tenha misericórdia de nossa nação.

CONCLUSÃO

Neste estudo vimos que o plano do adversário da Igreja é promover movimentos contrários à sã doutrina, de tal forma que a corrupção moral e espiritual encontre espaço no meio da comunidade cristã. Os "tempos trabalhosos" a que Paulo se referiu seriam acentuados nos últimos dias que antecedem a volta de Jesus. Desta feita, a igreja precisa se voltar para a Palavra de Deus, pois ela é o guia seguro para conduzir o crente neste mundo de trevas morais e espirituais.

 

 


quinta-feira, 28 de maio de 2026

JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE


JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE

Texto Bíblico: 1Samuel 18.3,4; 19.1,2; 20:8,16,17,31,32

"E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma" (1Sm.18:3).

CIRCUNSTÂNCIAS QUE UNIRAM JÔNATAS E DAVI

1. Quem era Jônatas. Filho do rei Saul. Valente nas lutas.


2. Uma batalha que mudou a história. 
Jônatas ouviu as palavras de Fé em DEUS de Davi e sua tremenda fé na aliança com DEUS. Ele assistiu Davi derrotar o gigante Golias usando apenas uma funda e uma pedra.

 
3. A presença de Davi. 
Davi passa a frequentar a tenda do rei Saul e a tocar sua harpa. Sua comunhão com DEUS afasta o demônio de Saul.

UMA AMIZADE APROVADA POR DEUS

1. Jônatas torna-se amigo de Davi. Jônatas se torna amigo de Davi e o ensina a lutar, pois Davi se torna escudeiro do rei.

Na cronologia bíblica após Jônatas dar a Davi suas armas Davi já vão ser escolhido como gente de guerra sendo que nunca estivera numa guerra, nunca havia usado uma armadura. (creio que houve um treinamento e eu creio que Jônatas o ensinou com as armas que ele mesmo lhe dera. Para mim parece lógico) 1 Sm 23.5 E saía Davi onde quer que Saul o enviasse, e era sempre bem-sucedido; e Saul o pôs sobre a gente de guerra, e isso pareceu bem aos olhos de todo o povo, e até aos olhos dos servos de Saul.

Assim Davi veio a Saul, e esteve perante ele, e o amou muito, e foi seu pajem de armas (ou escudeiro). 1 Sm 16.21. Veja o valor de um pajem de armas (ou escudeiro). - 1 Sm 14.13 Então subiu Jônatas com os pés e com as mãos, e o seu pajem de armas atrás dele; e os filisteus caíam diante de Jônatas, e o seu pajem de armas os matava atrás dele.

2. Uma amizade fiel e duradoura. Jônatas fica feliz ao lutar ao lado de Davi que se torna o principal guerreiro de Israel.

3. Uma aliança do Senhor. Jônatas faz uma aliança de sangue com Davi. Nesta aliança está incluido o cuidado com seus descendentes (Mefibosete é beneficiado por esta aliança após a mortte de seu pai Jôntas, anos depois). Um dos itens da aliança é a troca de túnica e de armas que significa: Eu sou teu escudo, se alguém lutar contra ti, luta contra mim.

O CARÁTER DE JÔNATAS E SUAS LIÇÕES

1. Um homem de coragem. Era o homem mais valente de Saul antes de Davi Chegar.

2. Um homem humilde. Aceitava que Davi se destacasse e que fosse até o futuro rei de Israel em lugar de seu pai, lugar que lhe era devido por herança.

Jônatas achou que Davi reinaria e que ele, Jônatas, apesar de ser filho do rei Saul, seria segundo no reinado de Davi. Que humildade.

Então se levantou Jônatas, filho de Saul, e foi para Davi no bosque, e confortou a sua mão em DEUS; E disse-lhe: Não temas, que não te achará a mão de Saul, meu pai; porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo; o que também Saul, meu pai, bem sabe. E ambos fizeram aliança perante o Senhor; Davi ficou no bosque, e Jônatas voltou para a sua casa. 1 Samuel 23:16-18

3. Um homem leal. Mostrou lealdade a Davi e à aliança que fizeram defendendo Davi perante seu pai que o queria matar.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos do relacionamento entre Jônatas, filho de Saul, e Davi. A amizade entre eles é uma das mais emblemáticas da Bíblia Sagrada. Jônatas seria, pela linha sucessória, o próximo rei de Israel, e poderia ver em Davi um concorrente ao trono. Entretanto, ao invés de a vitória de Davi sobre o gigante Golias suscitar em Jônatas a mesma inveja e ciúme de seu pai, ele tornou-se um grande amigo de Davi. Jônatas reconheceu nele o próximo rei (1Sm.23:17).

Construir bons relacionamentos não é fácil. Com o avanço tecnológico e a expansão de ferramentas como o celular, cada vez mais pessoas do mundo inteiro se relacionam e surgem novos tipos de “amizades” que algumas das vezes resultam em casamentos, famílias e amizades de verdade, mas, esse novo fenômeno muitas das vezes não ultrapassa a barreira dos “amigos Online” ou “virtuais”; alguns casos, infelizmente, acabam em preocupação, medo e até tragédias. Penso que a amizade verdadeira não pode ser reduzida aos chamados “amigos virtuais” que comentam, compartilham e curtem suas ideias, filosofias, pensamentos, fotos e vídeos. Os “amigos virtuais” juram que te ama e te adora, mas quando te encontra na rua não é capaz de te reconhecer; certamente, Jônatas e Davi não os representam, pois estes eram leais amigos em todas as circunstâncias. Sem lealdade não pode haver amizade, é o que nos ensina a história de Jônatas e Davi.


CIRCUNSTÂNCIAS QUE UNIRAM JÔNATAS E DAVI

1. Quem era Jônatas. Era o filho mais velho de Saul, o primeiro rei de Israel. Seu nome significa “dado por Deus” ou “presente de Deus”. Era um guerreiro valente e hábil no combate, temente a Deus e que inspirava lealdade aos seus comandados, bem como a todo o exército. Sua bravura fora provada, quando, em Micmás, derrotou toda uma guarnição dos filisteus, contando apenas com a ajuda de seu fiel escudeiro, colocando sua fé em ação (1Sm.14:1-14). Contudo, a sua reputação e seu caráter não eclodiu nas Escrituras Sagradas pela sua valentia, e sim pela emblemática amizade que firmara com Davi; é a mais bela história de amizade e lealdade registrada no Antigo Testamento. Jônatas desenvolveu amizade sincera a Davi, renunciando a seus direitos em favor do amigo. Morreu em luta contra os filisteus, ao lado do pai.

 

2. Uma batalha que mudou a história. A amizade de Jônatas por Davi nasceu de forma inesperada, quando assistiu, de perto, a vitória do jovem pastor de ovelhas sobre o imbatível gigante Golias, o campeão dos filisteus, que desafiava os exércitos israelitas, e afrontava o nome do Senhor. Os exércitos de Israel e dos filisteus estavam acampados em dois montes, separados por um vale, o vale do Carvalho (1Sm.17:1-3). Do acampamento dos filisteus saiu Golias, um gigante duelista, com mais de três metros de altura, usando uma armadura que pesava mais de oitenta quilos e uma lança cuja ponta pesava aproximadamente doze quilos. Esse gigante julgava-se imbatível. Era um guerreiro inveterado, assombroso, experiente, que infundia medo em todo o exército de Saul. Ele desafiou os exércitos de Israel e fez Saul e seus soldados recuarem, inchados de medo. Durante quarenta dias, duas vezes por dia, Golias afrontou os exércitos do Deus vivo e não apareceu ninguém com coragem para enfrentá-lo.

 

3. A presença de Davi. Em meio à orquestra do medo, ouve-se o clarinete da esperança. Entre o povo circulou a notícia de que o jovem pastor, por nome Davi, que acabara de chegar de Belém, para entregar víveres aos seus irmãos e ao chefe do exército (1Sm 17:12-21), estava disposto a enfrentar o gigante. Essa notícia espalhou-se rapidamente e foi parar nos ouvidos do rei. Mas, quando souberam que eram um jovem pastor de ovelhas e inexperiente em combate, arrefeceram a expectativa de vitória. Logo apareceu a voz dos embaixadores do caos e das críticas, e dos pessimistas. Os críticos foi o maior desafio que Davi teve que enfrentar naquele instante. Davi precisou vencer aqueles que o criticavam. Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, os críticos são como erva daninha, florescem em qualquer lugar. São os inimigos de plantão, que sempre estão à nossa espreita. Estão espalhados por toda parte, esperando o momento para nos machucar sem piedade. Eles estão dentro de casa, nas ruas, no trabalho, na escola e até na igreja. Você não pode ser um vencedor de gigantes sem antes vacinar-se contra o veneno dos críticos. O objetivo deles é sempre querer nos nivelar à sua mediocridade. Eles são medrosos e covardes e não toleram ver em nós uma atitude de confiança diante dos desafios da vida.

 

Os críticos são movidos pelo combustível da inveja. O invejoso é aquele que se sente infeliz por não ser como você, por não ter o que você tem e por não poder fazer o que você faz. Caim matou Abel por inveja, em vez de seguir seu exemplo. Os irmãos de José tentaram se livrar dele por inveja, em vez de seguir os seus passos. Os fariseus, por inveja de Jesus, preferiram persegui-lo a seguir os seus ensinos. Os algozes de Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, o apedrejaram porque não podiam ser o que ele era – ele era cheio do espírito santo; não podiam fazer o que ele fazia - prodígios e maravilhas.

 

- Eliabe, irmão de Davi, foi o seu maior crítico. Davi foi duramente criticado por ele. A raiz da crítica era a inveja (1Sm.17:28).

- Saul, rei de Israel, que não tinha mais o Espírito Santo (1Sm.18:12), e que estava morto de medo do gigante (cf.1Sm.17:11), também criticou Davi, julgando-o inepto e incapaz de enfrentar o gigante Golias (1Sm.17:33). Saul enxergou três empecilhos em Davi:

Primeiro, ele considerou Davi incapaz. Saul disse: "você não pode...”. Nunca diga para uma pessoa que ela não pode. Aquele que confia em Deus, ver o invisível, crê no incrível, crê no impossível e recebe o incrível. O apóstolo Paulo, mesmo preso, na antessala do martírio, disse: "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp.4:13).

Segundo, Saul considerou Davi inexperiente. Saul disse: "você não tem experiência". O sucesso de uma pessoa não está na sua idade cronológica, mas na sua confiança em Deus. Davi nunca tinha estado numa guerra, mas tinha intimidade com o Senhor dos exércitos. Ele nunca tinha empunhado uma espada, mas tinha matado um urso e agarrado um leão pela barba e vencido. Davi nunca tinha usado uma armadura nem empunhado um escudo, mas manejava com perícia sua funda. Ele não tinha performance para fazer parte do exército de Saul, mas tinha determinação para enfrentar e vencer o gigante.

Terceiro, Saul considerou Davi muito jovem. Saul disse: "você é ainda muito jovem". Davi era jovem, mas corajoso; era jovem, mas confiava em Deus e possuía a fibra de um vencedor de gigantes. Se você é jovem, não permita que os críticos contaminem seu coração e deixem você desanimado por causa da sua pouca idade.

- Golias, gigante filisteu, também criticou o jovem Davi, que o desprezou, escarnecendo dele e do Deus de Israel (1Sm.17:42,43). Ao afrontar Davi, Golias estava afrontando o Deus de Davi. Quem toca nos filhos de Deus toca na menina dos olhos de Deus. Quem declara guerra contra os filhos de Deus chama o próprio Deus Todo-Poderoso para a briga. Confiando em Deus, Davi foi ao encontro de Golias, com apenas uma funda e cinco pedras do ribeiro (1Sm.17:40-47). E com uma única pedra derrubou o gigante, e o matou com a espada deste (1Sm.17:48-58). Golias morreu. Davi prevaleceu. Israel ficou livre e o nome de Deus foi glorificado. Um gigante vencido por um jovem pastor de ovelhas. Um exército inteiro posto em fuga após um combate inusitado e desigual, que desafiava a lógica humana.

 

Jônatas, filho de Saul, assistia aquele duelo, talvez não acreditando no que via. Ele ficou profundamente tocado pela vitória de Davi sobre Golias. Foram essas circunstâncias que levaram Jônatas e Davi a serem grandes e leais amigos, uma amizade emblemática registrada na Bíblia Sagrada. Deus tem seus caminhos, e, quando Ele quer, cria circunstâncias ou muda circunstâncias segundo seus propósitos amorosos e soberanos.

 

UMA AMIZADE APROVADA POR DEUS

 


A amizade entre Jônatas e Davi era uma aliança de amor divino, um exemplo de amizade que tem muito a nos ensinar sobre o real significado e importância da amizade verdadeira. Atualmente, a amizade é um bem que tem se tornado cada vez mais difícil de ser encontrado.

 

1. Jônatas torna-se amigo de Davi. A amizade de Jonatas e Davi aconteceu a partir do momento em que o jovem pastor de ovelhas foi apresentado ao rei Saul, após a matança do gigante Golias. Os dois jovens, um pastor de ovelhas e o outro membro do exército, tinham em comum a fé no Poderoso Deus de Israel, e de imediato se afeiçoaram de tal forma que foram impulsionados por um sentimento puro e sincero, que cresceu e foi construído com respeito, lealdade, amor e temor a Deus.

 

Saul ficou perplexo diante da tremenda vitória de Davi, e mandou o chefe do exército, Abner, chamar Davi, que levou como troféu da batalha inusitada a cabeça do filisteu (1Sm.17:54). Diz o texto sagrado: “Voltando, pois, Davi de ferir o filisteu, Abner o tomou consigo e o trouxe à presença de Saul, trazendo-o na mão a cabeça do filisteu. E disse-lhe Saul: De quem és filho, jovem? E disse Davi: Filho de teu servo Jessé, belemita. E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. E Saul, naquele dia, o tomou e não lhe permitiu que tornasse para casa de seu pai. E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma” (1Sm.17:57,58;18:1-3). Esta passagem nos mostra que uma amizade verdadeira é estabelecida por um vínculo muito forte, o vínculo do amor fraternal.

 

2. Uma amizade fiel e duradoura. Uma verdadeira amizade é marcada pela fidelidade. Eles foram leais amigos até o fim. A amizade entre eles não estava baseada no compromisso para com o outro, mas no compromisso para com Deus. Não permitiram que qualquer coisa se colocasse entre eles, nem mesmo o interesse próprio ou os problemas familiares. Nos momentos de grande tensão, de circunstâncias adversas, aproximaram-se ainda mais.

 

A amizade que nasceu no coração de Jônatas e Davi era algo tão profundo que levou Jônatas a arriscar-se em favor de seu amigo. Em 1Samuel 20:32,33, Saul tenta matá-lo por estar defendendo Davi “Então, respondeu Jônatas a Saul, seu pai, e lhe disse: Por que há de ele morrer? Que tem feito? Então, Saul atirou-lhe com a lança para o ferir; com isso entendeu Jônatas que, de fato, seu pai já determinara matar a Davi”. Jônatas agora sabia que se sua amizade com Davi fosse mantida ele corria risco de vida. Contudo, isso não foi razão forte o suficiente para abalar aquela aliança de amor firmada entre Jônatas e Davi. Jônatas não estava disposto a abrir mão desta amizade por coisa alguma.

Davi honrando seu compromisso e demonstrando que sua amizade por Jônatas permaneceu mesmo depois da morte dele, procurou saber se ainda havia algum descendente de Saul vivo - “Disse Davi: Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul, para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas?” (2Sm.9:1). Ao ser informado de que havia um filho de Jônatas vivo, Davi o levou para morar no palácio e comer da sua mesa (2Sm.9:10). O mais comum em uma situação como aquela seria procurar eliminar todos os descendentes de Saul, já que estes poderiam procurar promover um levante ou o assassinato de Davi para recuperar o trono; no entanto, Davi ao invés de temer perder o trono, e quem sabe a sua própria vida, corre o risco por amor a Jônatas. É preciso lembrar que Jônatas era amigo de Davi e o amava, mas Mefibosete não necessariamente. 

No Novo Testamento vemos também o exemplo de Epafrodito, que foi outro a não se importar em correr riscos por uma verdadeira amizade. Ele viajou cerca de 2.000Km - da Macedônia a Roma - para cuidar de Paulo, podendo com isso perder muito, inclusive sua própria vida, seja através de um acidente durante a viagem, uma enfermidade contraída, o que acabou acontecendo e quase o ceifou (cf.Fp.2:27). Além disso, Paulo era acusado de traição ao Império Romano, e esta era uma acusação grave. Ele poderia ser condenado a morte e, quando um prisioneiro era condenado a morte, quem estava com ele deveria morrer também. Mesmo sabendo disso, Epafrodito abandona sua cidade, sua casa, todos os seus e vai a Roma cuidar de Paulo. Isso é amizade fiel e verdadeira; isso é comprometimento. Que coisa maravilhosa é ter amigos assim. Felizes são aqueles que podem ser e contar com amigos deste porte.

 

Assim se expressou o sábio Salomão, filho de Davi: "Em todo o tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão" (Pv.17:17). Amigo é aquele com o qual podemos contar em todo o tempo. É, exatamente, quando precisamos é que descobrimos quem são, ou, apenas quem é nosso amigo, porque “o amigo ama em todo o tempo”: na prosperidade, ou na escassez; na ventura, ou na desventura; para rir, ou para chorar juntos. “O homem que tem muitos amigos pode congratular-se, mas há amigo mais chegado do que um irmão” (Pv.18:24). Jesus também disse: "Nenhum amor pode ser maior que este, o de sacrificar a própria vida por seus amigos" (João 15:13). Você tem um amigo? Valorize-o!

3. Uma aliança do Senhor. O relacionamento de amizade entre Davi e Jônatas foi tão profundo e tão forte que nele se cumpre a declaração de Pedro: “...os indoutos e inconstantes torcem e igualmente, para sua própria perdição” (2Pd.3:16). Torcer a Palavra de Deus, pretender que ela diga o que ela não diz, é um perigo, e pode ter consequências eternas. Alguns profanos, diabolicamente inspirado, dizem que havia um relacionamento homossexual entre Davi e Jônatas. Para nós, que, segundo afirmou Paulo, temos “a mente de Cristo” (1Co.2:16), é certo que o que havia entre aqueles dois jovens era uma profunda e sincera amizade, um sentimento amalgamado pelo “Phileo” e pelo “Ágape”, sem qualquer concurso do “Eros”. O “Phileo” tem o sentido de amor social, ou amizade, que tanto pode existir entre pessoas do mesmo sexo, como também entre sexos diferentes. Da mesma forma acontece com o “Ágape”, que tem o sentido mais puro do amor, é o amor divino, ou amor que emana do próprio Deus, porque “Deus é amor” (1João 4:8). Estes dois sentimentos - o amor social e o amor Divino - podem unir duas pessoas do mesmo sexo ou de sexo diferente sem a mínima participação do “Eros”, que é o amor carnal, o amor lascivo.

Entre Davi e Jônatas havia uma profunda comunhão e um laço inquebrantável de amizade, ou amor social. O que havia entre eles era uma união espiritual, ou uma união de almas, conforme relata a Bíblia Sagrada: E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma(1Sm.18:1). É preciso ser espiritual para poder entender o significado desse amor que une as almas de pessoas do mesmo sexo, ou de sexos diferentes, sem qualquer conteúdo erótico, ou carnal.

Assim como Paulo considerou Tíquico e seus outros cooperadores como amados e fiéis amigos, da mesma forma Davi foi para Jônatas um amado e fiel amigo. Jônatas amou a Davi “...com todo o amor da sua alma” (1Sm.20:17). Assim, quando Davi soube da morte de Jônatas, no campo de batalha, Davi lamentou, e declarou: Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me eras o teu amor do que o amor das mulheres(2Sm.1:26). Aqui, este amor não tinha qualquer conotação erótica. Amor das mulheres era algo que Davi conhecia muito bem. Sua poligamia com Mical, Abigail, Ainoã, Maaca, Agita, Abigail, Eglá e seu adultério com Bate-Seba, mostram que a maior dificuldade de Davi era a atração pelo sexo oposto (1Sm.18:27; 25:42,43; 2Sm.3:2-5; 11:1-27). Jônatas, também, era casado e pai de um filho, cujo nome era Mefibosete (2Sm.4:4). Portanto, em nenhum texto da Bíblia se diz que Jônatas e Davi desobedeceram a Deus e a sua Lei, no tocante a comportamento homossexual. Eles sabiam que, se tendessem a este comportamento reprovável, estariam cometendo "abominação ao Senhor" (Lv.18:22; 20:13).

Sem sombra de dúvida, a amizade leal e perene entre Davi e Jônatas foi inspirada por Deus, haja vista que, tempos depois, Davi seria beneficiado grandiosamente por ela, quando o amigo Jônatas a livraria da fúria ciumenta e sanguinária de Saul. Eles fizeram aliança espiritual, e não uma parceria abominável aos olhos do Senhor (1Sm.18:3). Somente a má fé de quem usa a Palavra de Deus para justificar seus pecados pode afirmar tamanha incoerência e disparate.


 

 O CARÁTER DE JÔNATAS E SUAS LIÇÕES

Caráter é a forma externa e visível da personalidade. Jônatas, cujo nome significa “dado por Deus”, tinha um caráter exemplar; era o oposto do seu pai; seu exemplo é prova disso. Ele entrou para a história à sombra do pai, mas pouca coisa herdou de seu genitor. Vejamos alguns aspectos do caráter de Jônatas.

1. Um homem corajoso. Jônatas era valente e hábil no combate. Sua bravura já fora provada, quando, em Micmás, derrotou toda uma guarnição dos filisteus, contando apenas com a ajuda de seu fiel escudeiro, colocando sua fé em ação (1Sm.14:1-14). Enquanto Saul estava debaixo da romeira (1Sm.14:2), Jônatas decidiu descer ao campo de batalha. Aliás, esse espírito inquieto era uma marca no seu caráter; era o tipo de líder proativo, de atitude, não esperava a coisa melhorar ou piorar para agir. Gostava de aproveitar oportunidades, sabia que as tais eram únicas e poderia não as ter mais. Durante a batalha, Jônatas se tornou um com seu escudeiro. Foi um trabalho em equipe. Enquanto Jônatas derrubava o inimigo, seu escudeiro matava aqueles que ele derrubava (cf.1Sm.14:13). Revelou-se um comandante de tropas, um herói e um homem de fé (1Sm.14:6). Um líder que trabalha em equipe, unido, terá mais probabilidade de vencer as batalhas da vida. Isto os fez avançar e impor medo aos confiantes filisteus. Nunca caia na armadilha de pensar que, por ser o líder, poderá sozinho vencer os desafios que a liderança oferece.

“Mas a coragem de Jônatas não era apenas física e emocional. Ele tinha a grandeza espiritual que lhe dava confiança, diante das adversidades (1Sm.14:1-4). Ele revelou firmeza diante dos inimigos, e lealdade diante dos amigos”.

2. Um homem humilde. Com o passar do tempo, Jônatas descobriu que Deus havia ungido seu amigo Davi para ocupar o trono de Israel no lugar de seu pai, que pela lógica ele herdaria, conforme mostra 1Samuel 20:31 - “Pois, enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino; pelo que manda buscá-lo, agora, porque deve morrer” (1Sm.20:31). Ignorando seu ego, a tradição e até a vontade do rei Saul, Jônatas abdicou do seu direito ao trono e fez de tudo para defender Davi das investidas do rei. Soube reconhecer que seu amigo tinha a direção de Deus, e as condições humanas para substituir Saul no cargo de monarca de Israel (1Sm.16:1,12,13). E por não comungar das mesmas ideias do rei, Jônatas foi forçado a tomar uma posição e novamente enfrentou a fúria de seu pai para apoiar e defender seu amigo Davi numa clara submissão à vontade do Senhor Deus (cf. 1Sm.20).

Imagina-se quanto foi difícil para Jônatas manter a amizade sólida e verdadeira com Davi num ambiente conflituoso e tumultuado por interesses e o poder. Veja que Jônatas era o sucessor naturalmente de Saul e muito em breve se tornaria o homem mais poderoso e influente do reino de Israel, no entanto, sua amizade por Davi torna-se ainda mais comovente, visto que, sua tocante renúncia ao direito de ser rei e seu devotamento pelo “rival”, constitui sem dúvidas uma das mais nobres e belas histórias de amizade.

O caráter de Jônatas é exemplar para muitos que lideram igrejas hoje. “Há muitos, em igrejas evangélicas, que brigam por cargos e posições, agindo, muitas vezes, com métodos carnais, seguindo o exemplo dos ímpios. São obreiros carnais, dominados por ‘torpe ganância’ (1Tm.3:3). A humildade é qualidade que só possuem os que têm grandeza de alma. E Deus se agrada dos humildes” (1Pd.5:6).

3. Um homem leal. Ser leal, agradável e receptível, independentemente das circunstâncias, precisa ter o caráter dominado pelo Espírito Santo, pois as pessoas são difíceis e possuem interesses, geralmente, conflitantes. Em todas as ocasiões, depois que se tornou amigo de Davi, Jônatas demonstrou sua lealdade. Poderia ter ficado ao lado do seu pai quando, injustamente, quis eliminar a vida de Davi. Pelo contrário, quando soube do plano de Saul para matar Davi, Jônatas procurou o amigo e lhe advertiu do perigo de morte (1Sm.19:1-3; 20:11-17,32,33). Na visão ímpia de Saul, Davi era uma ameaça a Jônatas e consequentemente a toda a sua posteridade já que se Davi assumisse o trono Jônatas não seria o próximo rei, seu filho não seria o príncipe herdeiro e assim por diante (cf.1Sm.20:31). No entanto, ao invés de odiar Davi e tentar eliminá-lo, ele o ama e protege. Eliminar Davi não seria difícil já que ele dispunha de informações privilegiadas a respeito de Davi e este confiava nele. Davi fugiria de Saul, mas não de Jônatas.

Pior do que um inimigo é um falso amigo. Dizem que um sábio antigo orava pedindo a Deus que cuidasse de seus amigos pois dos inimigos ele era capaz de cuidar. Se Jônatas fosse um falso amigo, se Jônatas se deixasse levar por interesses pessoais, Davi estaria correndo sério risco; e é preciso lembrar que o interesse pessoal de que estamos falando não era uma coisa qualquer, era o trono de Israel. 

Muito triste é quando se confia em alguém, quando o tem como amigo sincero, e se vê traído pelo mesmo, por ter se deixado levar por interesses, por benefícios muito menores que aquele do qual Jônatas estava abrindo mão. Infelizmente, isto não é algo incomum. Jônatas sabia que pessoas valem mais que coisas, mais que posição. Para Jônatas o trono não era mais importante que a amizade de Davi.

Jônatas teve um último encontro com Davi, onde mais uma vez selaram o pacto de lealdade diante de Deus – “E, indo-se o moço, levantou-se Davi da banda do Sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes; e beijaram-se um ao outro e choraram juntos, até que Davi chorou muito mais. E disse Jônatas a Davi: Vai-te em paz, porque nós temos jurado ambos em nome do SENHOR, dizendo: O SENHOR seja perpetuamente entre mim e ti e entre minha semente e a tua semente. Então, se levantou Davi e se foi; e Jônatas entrou na cidade(1Sm.20:41-43). Jônatas veio a morrer em Gilboa ao lado de seu pai (1Sm.31:8).

CONCLUSÃO

Que o mesmo Deus que cuidou de Jônatas e Davi, nos conceda discernimento e sabedoria para reconhecer o amor nos pequenos e simples detalhes que constitui uma linda e verdadeira amizade. Que possamos confiar no melhor e maior amigo de todos, Jesus Cristo. Com ele jamais corremos o risco de nos decepcionar e se ouvirmos atentamente a sua voz, certamente saberemos selecionar os bons e verdadeiros amigos que encontraremos durante nossa jornada aqui na terra. “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15:14). Lembremos que sem lealdade não pode haver verdadeira amizade, é o que nos ensina a bela história de Jônatas e Davi.

 

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