A SOBERANIA E A AUTORIDADE DE DEUS
Leitura Bíblica: Jeremias 18.1-10
"Não poderei eu fazer de vós como fez este
oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do oleiro,
assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.?"(Jr 18:6)
O Direito Absoluto do Criador
A metáfora do oleiro e do barro
(versículo 6) estabelece a prerrogativa divina de moldar, desfazer e refazer
conforme a sua vontade. Assim como o oleiro tem plena autoridade sobre a massa
disforme em suas mãos para criar um vaso para honra ou desonra, Deus possui
soberania total sobre indivíduos, famílias e nações. Não há contestação
legítima à vontade dEle, pois Ele é o Criador e nós somos a criação.
A Flexibilidade da Justiça e da
Misericórdia Divinas
Os versículos 7 a 10 introduzem
um princípio dinâmico na forma como Deus governa, muitas vezes chamado de
teologia do concerto condicional. Deus declara que quando profetiza a queda de
uma nação (ou a bênção sobre ela), essa palavra carrega um propósito corretivo
ou relacional:
- Se a nação ameaçada se arrepender do
seu mal, Deus reconsidera o castigo que havia planejado enviar.
- Se a nação abençoada praticar o mal e
rejeitar a voz de Deus, Ele reconsidera o bem com que havia decidido
galardoá-la.
Isso mostra que a soberania de
Deus não é um mecanismo mecânico ou fatalista, mas interativo. A soberania dEle
incluem e respeita a agência moral humana, respondendo ao arrependimento e à
rebeldia.
A Graça do Vaso Quebrado
O texto traz um detalhe fascinante sobre o ofício do oleiro: quando o vaso que ele estava moldando "se estragava na mão do oleiro", ele não jogava o barro fora, mas "tornava a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe parecia" (versículo 4). Isso é um retrato vívido da paciência e da redenção de Deus. Mesmo quando falhamos, nos corrompemos ou quebramos o propósito original, a mão do Oleiro não nos descarta; Ele tem o poder e a disposição de nos amassar novamente e nos transformar em uma nova direção, segundo a Sua boa vontade.
Essa passagem nos convida a
abandonar qualquer postura de autossuficiência ou orgulho, reconhecendo que
dependemos inteiramente da graça dEle para sermos moldados, ao mesmo tempo em
que nos desafia a uma vida de constante alinhamento e sensibilidade à Sua voz.
INTRODUÇÃO
Deus ensina a Jeremias uma importante lição sobre sua autoridade e soberania,
utilizando o trabalho do oleiro na formação do vaso. Deus mostra ao profeta que
Ele pode, como o oleiro, agir de acordo com a sua vontade, e através do seu
poder restaurar a sorte do seu povo. O Senhor ordena que o profeta se dirija à
Casa do Oleiro para ouvir o que o Senhor irá dizer, e antes que o Senhor lhe
dirija a palavra, Jeremias assiste um pouco do trabalho do oleiro. Ele obedece
ao Senhor e, naquele local, aprende uma importante lição a respeito da
soberania divina.
I. A VISITA À CASA DO OLEIRO
1. A visita. Deus ordena que o profeta Jeremias se dirija à Casa do
Oleiro para ouvir o que o Senhor irá dizer (18:2). Enquanto observava o
trabalho, ficou claro para ele qual era a função do oleiro (18:4), das rodas
(18:3), e do barro (18:4). Enquanto o observava a hábil mão do oleiro amassando
o barro, percebeu que uma mensagem de Deus estava começando a se formar na sua
mente. Diante dos olhos do profeta um vaso requintado começava a tomar forma.
Então, subitamente, para a surpresa de Jeremias, o vaso se quebrou na mão do
oleiro. Será que uma onda de profunda tristeza tomou conta do oleiro? Se sim,
isso não o refreou de usar suas hábeis mãos. Ele quebrou o vaso desfigurado em
uma massa disforme e começou novamente a amassar o barro. Depois de trabalhar e
refinar o vaso, ele voltou a fazer outro vaso.
2. O simbolismo do incidente. Deus é o oleiro, Israel é o barro, e,
evidentemente, as rodas representam as circunstâncias da vida. O tempo todo
Deus tinha um propósito para Israel. Nas rodas da vida, Deus tem realizado seu
propósito para a nação. Mas, algo aconteceu para estragar o plano de Deus. Algo
em Israel – “uma pedra de tropeço” ou “uma rocha de
ofensa” – desfigurou a obra do Artesão. Deus está triste com a impureza
da vida da nação. As coisas não podem continuar como estão. Nessa situação,
somente o perdão não será suficiente. O juízo é inevitável. Não há outro jeito
senão quebrar e refinar a forma de vida nacional existente, e então tornar a
fazer um outro vaso.
3. A verdade espiritual desta lição prática. A verdade desta lição
é que Deus pode falar a uma nação para que se arrependa (como foi o caso de
Nínive, e era o caso de Israel no livro de Jeremias) e voltar atrás do
julgamento que iria aplicar se tal nação voltar atrás em seus pecados. Da mesma
forma, se o povo não se arrependesse, traria sobre si o mal estipulado pelo
Senhor. A sentença após o exemplo do oleiro foi: “Ora, pois, fala agora aos
homens de Judá e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz o Senhor: Eis
que estou forjando mal contra vós e projeto um plano contra vós; convertei-vos,
pois, agora, cada um do seu mau caminho, e melhorai os vossos caminhos e as
vossas ações” (18:11). Este texto fala sim de transformação iniciada por Deus,
mas fala igualmente de um sério julgamento para aqueles que não se arrependem
de seus erros.
4. O objetivo da lição. A lição objetiva ensinar acerca da
soberania de Deus: “Não poderei eu fazer de vós
como fez este oleiro?” (18:6). Mas ela também ensina sobre a liberdade
do homem – a reação do barro tinha frustrado o propósito do oleiro. Os homens
estão livres para reagir aos procedimentos de Deus. Se eles reagirem
positivamente ao toque do Oleiro, seu propósito é alcançado na formação de um
vaso tal como foi planejado. Se os homens reagem negativamente, a obra de Deus
é quebrada. Se na roda da vida, homens e nações resistem à vontade de Deus,
ocorre o processo de quebra. Esse nunca é um momento agradável tanto para o
oleiro quanto para o barro. Embora haja um elemento de esperança no fato de que
um outro vaso será formado, isso não alivia os rigores de um juízo imediato!
Depois do refinamento ocorre o momento de formação do vaso novo, conforme o que
pareceu bem aos seus olhos (do oleiro) fazer (18:4). O tempo que levou esse
processo de quebra e remodelagem está escondido no propósito de Deus, mas fica
claro com base nos versículos subsequentes de Jeremias, e dos evangelhos, que
os homens chegam até um limite, onde não há mais esperança. Quando não há mais
esperança, começa o processo de quebra.
Apesar da oferta de Deus em poupar a nação com base na obediência
(arrependimento) moral, o povo desdenhosamente responde à ameaça do juízo
divino: “Não há esperança, porque após as nossas
imaginações (desejos, planos) andaremos” (18:12). A única alternativa
que Deus tem é o castigo.
II. A SOBERANIA DE DEUS
A
soberania de Deus é uma das mais difíceis doutrinas das Sagradas Escrituras. E
só viremos a entendê-la corretamente, se nos mantivermos centrados nas Sagradas
Escrituras, sem preconceito e de forma equilibrada.
1. Definição. Sendo um dos seus atributos (aquilo que lhe é
próprio, qualidade), a soberania de Deus é a autoridade inquestionável que o
Senhor detém sobre o Universo, pelo fato óbvio de que Ele é o Criador de todas
as coisas (Is 44:6;45:6; Ap 11:17). Sua soberania está baseada em sua
onipotência, onipresença e onisciência.
a) Quanto à onipotência, Deus tem todo o poder, ou seja, não existe
ser mais poderoso do que Ele. Daí porque ter o Senhor afirmado, pela boca do
profeta Isaías: “operando Eu, quem impedirá?”
(Is.43:13) ou ter o apóstolo Paulo, ao verificar esta verdade bíblica, ter
indagado: “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será
contra nós?” (Rm.8:31), bem como o apóstolo João ter ressaltado que “Filhinhos, sois de Deus e já os tendes vencido, porque
maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (I Jo.4:4).
b) Quanto à Onisciência, Deus conhece e sabe todas as coisas
(Sl.139:1-6; I Jo.3:20), nada se lhe pode ocultar (Sl.38:9; 139:15,23,24;
Mt.6:6). Esta onisciência faz-nos ver, uma vez mais, a soberania de Deus, pois
Deus está no absoluto controle de todas as coisas, pois tudo sabe, tudo
conhece. Deus sabe todas as coisas e, por isso, jamais é surpreendido por
qualquer fato ou ocorrência em todo o Universo.
A onisciência de Deus, aliada à sua eternidade, faz-nos conceber a presciência
de Deus, ou seja, Deus já sabe, de antemão, o que irá acontecer, porque, para
Deus, não há tempo, sempre é presente, um eterno presente. Assim, Deus conhece
o futuro, pois, para Ele, passado, presente e futuro são uma só coisa.
c) Quanto à Onipresença, Deus está presente em todos os lugares, ao
mesmo tempo. Diz a Bíblia Sagrada: “Esconder-se-ia
alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? Diz o Senhor. Porventura não
encho eu os céus e a terra? Diz o Senhor” (Jr.23:24). Deus está presente
em todos os lugares, ao mesmo tempo. Esta presença de Deus é total, pois, como
diz Jr 23:24 Ele enche os céus e a terra. Na verdade, como afirmou Salomão na
oração que fez para a dedicação do templo, nem mesmo os céus e a terra O podem
conter (1Rs 8:27).
Também, a onipresença de Deus nos faz enxergar a sua soberania. Como Ele está
presente em todos os lugares, ao mesmo tempo, Deus pode impor a sua vontade no
exato instante em que os fatos ocorrem, pois tudo vê, a tudo assiste. Disto
temos inúmeras demonstrações nas Escrituras, notadamente na história de Israel,
em que a presença do Senhor com o seu povo era nítida e a responsável por
vitórias militares (Jz.4:15 e 5:21; 7:22; II Cr.20:22,23; 32:21). A onipresença
divina informa-nos de que Deus, por estar presente em todos os lugares ao mesmo
tempo, impõe-se como, quando e onde quer, demonstrando, pois, sua total
soberania.
Entretanto, a soberania divina não interfere na liberdade do homem, porque a
soberania diz respeito a Deus, que está além de toda a criação, é algo
imputável somente a Ele, faz parte da sua própria natureza e, por isso, não
podemos querer transferir a soberania divina para algo que diz respeito apenas
ao homem.
2. Soberania não é arbitrariedade. Quando afirmamos que Deus
é soberano, estamos dizendo que Ele controla o universo e pode fazer o que lhe
aprouver. Contudo, isso não significa que pelo fato de ser Deus ele fará algo
errado, injusto ou perverso. Assim, afirmar a soberania de Deus é apenas
reconhecer que Ele é Deus. Não podemos ter medo de declarar essa verdade ou nos
desculpar por ela, pois é uma doutrina gloriosa e motivo de adoração.
Apesar de Deus escolher algumas pessoas para a salvação, Ele não escolhe
ninguém para a perdição. Em outras palavras, apesar de a Bíblia ensinar a
eleição, ela não ensina a reprovação. Alguém pode objetar: “Se Deus elege alguns para bênção, então necessariamente
elege outros para a destruição”. Isso não é verdade! A humanidade como
um todo foi condenada à destruição por seu pecado, e não por um decreto
arbitrário de Deus. Se Deus deixasse todos irem para o inferno, como poderia
muito bem ter feito, todos receberiam exatamente o que mereciam. A pergunta é:
“O Senhor soberano tem o direito de se mostrar magnânimo e escolher um punhado
de indivíduos condenados e, com eles, construir uma noiva para o seu Filho?” A
resposta, evidentemente, é afirmativa. Em resumo, se as pessoas se perdem, é
devido ao próprio pecado e a própria rebelião; se são salvas, é devido à graça
soberana e eletiva de Deus.
3. Eleição e predestinação. Eleição divina é o ato pelo qual
Deus, por sua graça e amor, escolhe um povo para si mesmo, para a salvação -
Mas devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos
ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito
e fé da verdade “(2 Ts 2:13). Portanto, todos
aqueles que aceitam a Jesus como seu Salvador são “eleitos de Deus”.
Predestinação, na visão bíblica, é o ato divino pelo qual Deus determina o
futuro do seu povo; o que o ocorrerá a esse povo. A predestinação dos salvos é
precedida da sua eleição - “como também nos elegeu
nEle antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis
diante dEle em amor, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo,
para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1:4,5).
Em sua soberania, Deus elegeu ou escolheu certos indivíduos para si. Mas, ao
mesmo tempo que trata da eleição soberana por Deus, a Bíblia também ensina a
responsabilidade humana. Apesar de ser verdade que Deus escolhe pessoas para a
salvação, também é fato que elas devem aceitar a salvação por meio de um ato
decisivo de vontade própria. É um tremendo erro crer na eleição soberana de
Deus e negar a responsabilidade humana no tocante à salvação. A salvação, ao
contrário do que muitos pensam, não é um ato único, um instante isolado, mas
envolve todo um processo, ou seja, uma sequência de atos, com origem em Deus,
mas também com participação humana, para que se tenha a sua consumação. Tanto a
salvação é um processo, que o próprio Jesus nos ensina que é preciso
“perseverar até o fim” para que seja salvo” (Mt.24:13), isto é, é preciso uma
continuidade, uma constância até o instante final da nossa permanência nesta
dimensão terrena, onde fomos postos pelo Senhor, por sua misericórdia, para
termos a chance e oportunidade de sermos salvos
O aspecto divino da salvação é expresso nas palavras: “Todo aquele que o Pai me
dá, esse virá a mim”. O lado humano aparece na sequência: “e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João
6:37). Como cristãos, regozijamo-nos porque Deus nos escolheu em Cristo antes
da fundação do mundo (Ef 1:4). Temos igual convicção, no entanto, de que quem
desejar pode receber de graça a água da vida (Ap 22:17).
D.L Moody propôs uma ilustração para essas duas verdades. De
acordo com ele, quando chegamos à porta da salvação, encontramos um convite:
“Aberta para quem quiser entrar”. Quando passamos pela porta, vemos escrito do
outro lado: “Eleitos segundo a presciência de
Deus”. Assim, ao chegarem à porta da salvação, as pessoas são
confrontadas com a responsabilidade humana. A eleição soberana é uma verdade
reservada aos que já entraram.
A predestinação, assim como a Eleição, refere-se ao corpo coletivo de Cristo
(isto é, a verdadeira igreja), e abrange indivíduos somente quando inclusos
neste corpo mediante a fé viva em Jesus Cristo.
“No tocante à Eleição e à Predestinação, podemos aplicar a analogia de
um grande Navio viajando para o Céu. Deus escolhe o Navio (a Igreja) para ser
sua própria nau. Cristo é o Capitão e Piloto desse Navio. Todos os que desejam
estar nesse Navio eleito, podem fazê-lo mediante a fé viva em Cristo. Enquanto
permanecerem no Navio, acompanhando o seu Capitão, estarão entre os eleitos.
Caso alguém abandone o navio e o seu Capitão, deixará de ser um dos eleitos. A
predestinação concerne ao destino do Navio e ao que Deus preparou para quem
nele permanece. Deus convida a todos a entrar a bordo do Navio eleito mediante
Jesus Cristo” (Bíblia de Estudo Pentecostal).
A predestinação fatalista. Fatalismo é o sistema dos que atribuem
tudo à fatalidade ou ao destino, negando o livre arbítrio. Na verdade, essa
doutrina não possui bases bíblicas convincentes. Esta doutrina afirma que Deus,
na sua soberania, escolheu pessoas, individualmente, para a salvação e
perdição, negando o direito de o homem decidir sobre a sua vida.
Não encontramos na Bíblia uma predestinação fatalista, em que uns são
destinados à vida eterna e outros, à perdição. Isto contradiz dois atributos
divinos: a justiça e o amor. Primeiro, porque torce a justiça divina, pois
nesse caso, Deus destinaria as pessoas antes mesmo de seu nascimento à perdição
eterna. E segundo, porque põe em dúvida o ilimitado amor de Deus, por ensinar
que o Senhor destinou os pecadores ao inferno sem lhes dar o direito a
oportunidade de arrepender-se.
O Senhor quer que todos se arrependam (At.17:30) e a todos dá tempo para o
arrependimento. Se todos já estivessem predestinados ao céu ou ao inferno, por
que Deus haveria de dar oportunidades? Veja o caso da personagem descrito em Ap
2:20-21: “Mas tenho contra ti que toleras a
mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se
prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para
que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição”. Se
essa misteriosa Jezabel estivesse predestinada ao inferno, Deus não lhe daria
tempo para se arrepender. Se ela estivesse predestinada ao céu, teria se
arrependido no tempo que Deus lhe deu. Se sua condição de morte espiritual
significasse incapacidade absoluta, Deus não lhe daria tempo para se
arrepender, pois isto seria inútil. O Texto sagrado é claro: “Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo
salvação a todos os homens” (Tt 2:11). “O
qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da
verdade” (1 Tm 2:4). “Porque Deus
amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele
que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Para sermos fiéis às Escrituras, devemos crer na eleição soberana
por Deus e crer, com a mesma intensidade, na responsabilidade humana. Somente
assim podemos manter o devido equilíbrio bíblico entre as duas doutrinas.
4. O profeta Jeremias e a soberania de Deus. A parábola
exarada no capítulo 18 de Jeremias, provavelmente escrita durante os primeiros
anos do reinado de Jeoaquim, ilustra a soberania de Deus para lidar com a nação
de Israel. Ele mostrou a Jeremias, como o oleiro, que é soberano e exerce plena
autoridade sobre o barro (Judá), e continuaria a manipulá-lo para fazer dele um
vaso útil e de honra. Mas Judá deveria arrepender-se rapidamente, caso
contrário o barro endureceria antes de ganhar a forma dada pelo oleiro; se isto
ocorresse, o barro não serviria, seria amassado novamente.
Jeremias viu que o vaso que era feito quebrou-se no processo de confecção, e
que o oleiro utilizou o mesmo material para fazer um outro vaso. O mesmo
material, mas um vaso diferente, de acordo com o que parecia bem aos olhos de
quem o fazia. Assim Deus mostra ao profeta que Ele pode, como o oleiro, agir de
acordo com a sua vontade.
Quando um vaso de barro era moldado na roda do oleiro, frequentemente surgiam
defeitos. O oleiro tinha poder de decidir se o barro continuaria com suas
imperfeições ou seria remodelado. Semelhantemente, Deus tem o poder para moldar
seu povo, para fazer com que esteja em conformidade com os seus propósitos.
Nossa estratégia não deve ser a de ficar descuidados e passivos, como o
inanimado barro; devemos mostrar disposição e receptividade ao impacto de Deus
em nossa vida. Quando nos rendemos ao Senhor, Ele começa a moldar-nos e a
transformar-nos em vasos valiosos.
III. O CRENTE E A VONTADE DE DEUS
Como vimos na parábola, o oleiro não jogou fora o vaso que se lhe estragou na
mão. Ele fez dele um outro vaso, um vaso novo conforme sua vontade. Deus amassa
e pressiona, estica e comprime o barro. O trabalho do oleiro é reiniciado com
habilidade e paciência. Deus não joga fora o vaso que foi danificado - “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó
casa de Israel?” (Jr 18.6). Deus não desiste de nós. Ele
nos dá uma segunda chance e nos oferece a oportunidade de recomeçar uma nova
caminhada. Esse processo não é indolor, mas seu resultado é glorioso. Deus
quebra o vaso e faz dele um vaso novo. Deus amolece o barro, amassa-o, molda-o
e depois o leva ao fogo. Então, depois desse processo, renasce um vaso belo,
útil e precioso, um vaso de honra!
Como povo de Deus, à semelhança de Israel, devemos cumprir todos os mandamentos
estabelecidos, a fim de nos moldarmos à sua vontade. Deus estabeleceu, através
de Jesus Cristo, uma aliança com a Igreja (Hb 12:23,24), e como Senhor de
nossas vidas requer que cumpramos os ditames desta aliança. Caso contrário,
seremos rejeitados como foi o povo de Israel na época de Jeremias. Não basta
ser filho de Abraão; é necessário fazer as obras de Abraão (Mt 3.9; Jo 8.39).
CONCLUSÃO
Deus mostra ao profeta Jeremias que Ele pode e faz, sempre, o que é melhor.
Deus desejava moldar seu povo. Eles precisavam aprender que o Criador tem poder
sobre o barro (Judá) para fazer dele um vaso útil. Deus também deseja nos
moldar e fazer de nós vasos de honra. Permitamos que o Oleiro Celeste, de
conformidade com o seu querer, opere abundantemente em nossa vida.








