segunda-feira, 11 de maio de 2026

A SALVAÇÃO E O LIVRE-ARBÍTRIO

 


SALVAÇÃO E LIVRE-ARBÍTRIO

Texto Bíblico: João 3.14-21

“Qual é o homem que teme ao Senhor? Ele o ensinará no caminho que deve escolher” (Sl.25:12).

A relação entre a salvação e o livre-arbítrio é um dos temas mais profundos da teologia bíblica, envolvendo a interação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana.

1. O Conceito de Livre-Arbítrio

A Bíblia indica que o ser humano foi criado com a capacidade de fazer escolhas morais. No entanto, após a queda (Gênesis 3), essa liberdade foi afetada pelo pecado.

  • A Escolha Diária: Deus frequentemente coloca decisões diante do homem: "Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida..." (Deuteronômio 30:19).
  • A Limitação do Pecado: Paulo argumenta em Romanos 6:17-20 que, sem a graça, o homem é "escravo do pecado". Isso sugere que o livre-arbítrio não é absoluto, mas condicionado à natureza espiritual da pessoa.

2. A Salvação como Iniciativa Divina

A Bíblia é clara ao afirmar que a salvação não começa no homem, mas em Deus.

  • Pela Graça: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2:8).
  • A Chamada de Deus: Jesus afirmou: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer" (João 6:44). Isso ressalta que a vontade humana responde à iniciativa divina.

3. O Equilíbrio entre Soberania e Resposta

O grande debate teológico (muitas vezes dividido entre visões calvinistas e arminianas) tenta explicar como esses dois conceitos coexistem.

A Perspectiva da Soberania (Predestinação)

Enfatiza que Deus, em sua onisciência e poder, escolhe aqueles que serão salvos.

"Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Efésios 1:4).

A Perspectiva da Resposta Humana (Livre-Arbítrio)

Enfatiza que a salvação é oferecida a todos, e o homem deve aceitá-la voluntariamente.

"Aquele que crer e for batizado será salvo; mas que não crer será condenado" (Marcos 16:16). "E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida" (Apocalipse 22:17).

Reflexão:  A "Tensão" Bíblica

A Bíblia não apresenta esses conceitos como excludentes, mas como duas faces da mesma moeda:

  1. Deus convida a todos: Sua vontade é que todos cheguem ao arrependimento (2 Pedro 3:9).
  2. O homem é responsável: A rejeição da salvação é atribuída à vontade humana ("Contudo não quereis vir a mim para terdes vida" - João 5:40).

A salvação é uma obra inteiramente da graça de Deus, mas que exige uma resposta de fé e arrependimento por parte do homem, exercendo a liberdade de escolha que Deus lhe concedeu.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos a respeito da Salvação e o livre-arbítrio. Deus elaborou o plano perfeito para a salvação do ser humano, mas o ser humano precisa fazer a sua parte, que é crer e aceitar o sacrifício de Jesus. No plano perfeito da salvação, Cristo deu a sua vida por todos, mas somente aqueles que decidem crer serão salvos (At.16:31). Deus criou o ser humano com autonomia, inteligência e permite que ele escolha entre o bem e o mal.

 

I. A ELEIÇÃO BÍBLICA É SEGUNDO A PRESCIÊNCIA DIVINA

 

1. A eleição de Israel. Após o dilúvio, o Senhor estabeleceu com Noé um novo pacto, denominado pelos estudiosos da Bíblia de “pacto noaico” (Gn.9:1-17). Com essa família Deus começo a repovoar a terra, tratando com todos indistintamente. No entanto, cerca de mais de 400 anos depois, tal como antes do Dilúvio, toda as pessoas estavam, novamente, corrompidas, até mesmo a família de Abraão, conforme afirmou Josué: “... dalém do Rio, antigamente, habitavam vossos pais, terá, pai de Abraão e pai de Naor; e serviram a outros deuses” (Josué 24:2). Não creram nas promessas divinas que lhe foram transmitidas por Noé e seus descendentes e, por isso, acabaram rejeitando a palavra do Senhor. Ficaram imersos no pecado, sendo por ele dominados, como, a propósito, bem descreveu o apóstolo Paulo no capítulo 2 da Epístola aos romanos. Aqui vemos nitidamente que a soberania divina não se confunde com o livre arbítrio humano, mas que o pecado impede que o pecador desfrute das bênçãos divinas que, entretanto, não são impedidas de serem oferecidas aos homens. A rebelião dos gentios contra Deus impedia o Senhor de promover a salvação por intermédio destas nações, vez que o pecado faz separação entre Deus e o homem (Is.59:2).

No episódio de Babel, houve a rebelião de toda aquela comunidade contra Deus (Gn.11:1-9) e, por causa desta rejeição, o Senhor, a fim de manter o seu compromisso com a humanidade, teria de formar um novo povo, uma nova nação, a fim de que, através dela, propiciasse o perdão dos pecados e a salvação da humanidade. Dentro do seu propósito de salvar o homem, ante a rebeldia gentílica, Deus, então, promoveu a formação de uma nação, de um povo que, a exemplo dos demais, teria população (Gn.12:2; 15:4,5; 17:1,2), território (Gn.15:7; 17:8) e governo (Êx.19:6), a fim de que pudesse ser vista e observada por toda a humanidade. Deus, assim, mostra seu intento em cumprir a promessa feita no jardim do Éden.

Abrão, tornado posteriormente em Abraão (cujo significado é “pai de multidões”), atende ao chamado divino e, mediante a obediência e fidelidade dele, é retomado o propósito divino para a realização do seu objetivo de salvação da humanidade. Deus estava escolhendo Abraão, mas ele precisava aceitar e concordar com a escolha de Deus; certamente, Deus não iria tirá-lo à força de sua terra; ele podia rejeitar o chamado de Deus, caso quisesse. A eleição se completa quando a vontade do eleitor se encontra com a vontade do eleito. Abraão aceitou a escolha - “Assim, partiu Abraão, como o Senhor lhe tinha dito...” (Gn.12:4). Perceba que está escrito que “partiu Abraão”, e não que “tirou Deus Abraão”. Ele partiu, em obediência, porém, fazendo uso do seu livre arbítrio.

A partir do instante em que Abrão creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça (Gn.15:6), o plano de Deus começou a se cumprir integralmente na vida deste patriarca, que é chamado pelos judeus de “o primeiro judeu”, e reconhecido na Bíblia Sagrada como “o nosso pai segundo a fé” (Lc.1:73; Rm.54:12; Tg.2:21).

Notamos, pois, que, assim como a comunidade pós-diluviana fora constituída mediante a fé de Noé, também Israel teve, em seu nascedouro, a fé do patriarca Abrão que correspondeu ao chamado e à escolha da parte de Deus.

Não resta dúvida de que Deus usou de sua soberania para escolher Abrão e a nenhum outro dos habitantes da Terra do seu tempo para dar início à formação de Israel, mas, também, não há qualquer dúvida que o plano não se realizou a não ser a partir do instante em que Abrão respondeu com a sua fé, com a confiança nas promessas divinas que o levaram a abandonar a sua casa e a sua parentela, atendendo o chamado do Senhor.

Deus usou da sua soberania para escolher Abrão e o povo que formou a partir dele, mas a formação de Israel só foi possível diante da intervenção divina, pois Sara era estéril (Gn.16:1,2), assim como Rebeca (Gn.25:21) e, também, Raquel (Gn.29:31).

Deus elegeu Israel com um tríplice propósito para a humanidade:

 

Revelar o Poder de Deus. Deus mostrou ao mundo a sua grandeza, poder e glória através de Israel (Rm.9:17), haja vista que Ele suscitou a Faraó para, através da intolerância deste com os israelitas, abater o monarca e dar liberdade ao povo da promessa, e assim mostrar ao mundo o seu grande e eterno poder.

Dar a Bíblia ao mundo. A Bíblia foi dada às nações através de Israel. O apóstolo Paulo pergunta aos irmãos de Roma: "Qual é logo a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhes foram confiadas" (Rm.3:1,2). Então, através de Israel, Deus entrega a Bíblia ao mundo.

Dar ao mundo o Salvador. A terceira razão da eleição de Israel por Deus foi para dar o Salvador ao mundo. Deus prometeu a Abraão: "...em ti serão benditas todas as famílias da Terra” (Gn.12:3). Jesus disse para a mulher samaritana: “...porque a salvação vem dos judeus” (João 4:22).

Embora escolhido por Deus e, de livre e espontânea vontade, tenha aceitado viver conforme os preceitos provenientes do Senhor, Israel cedo fracassou neste seu propósito, tendo, a partir da primeira geração adulta do Êxodo, aquela mesma que havia firmado o compromisso com o Senhor no monte Sinai, deixado de observar o pacto, endurecendo o seu coração continuadamente; ao longo da história se mostrara um povo obstinado (Ex.32:9; Dt.9:6; Ez.3:7); e por causa dessa obstinação, Israel sofreu progressivas sanções da parte do Senhor, pois Deus corrige a quem ama e castiga a quem quer bem (Hb.12:5,6), numa escalada já prevista na lei de Moisés (Dt.28:15-68), escalada esta que foi rigorosamente cumprida por Deus que chegou a tirar o povo da própria Terra Prometida para Babilônia (2Cr.36:15-21), sem falar na integral destruição das dez tribos do Norte (Efraim, Manasses, Ruben, Gade, Issacar, Zebulom, Naftali, Aser, Simeão e Dã – cf. 2Rs.17).

O apóstolo Paulo adverte que, o que ocorrera com Israel, nos serve de exemplo a fim de não repetirmos os mesmos erros do povo de Deus do Antigo Testamento – “E essas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos (1Co.10:6,11).

2. A eleição para a salvação. A eleição divina para a salvação do homem deve ser entendida como o ato pelo qual Deus chama os pecadores perdidos à salvação em Cristo, e “todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome” (João 1:12). Mas a quem Deus chama à salvação? A Bíblia responde-nos:

“Deus quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:4). “Desejaria Eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? Diz o Senhor Jeová: não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos e viva?” (Ez.18:23). “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt.2:11).

A chamada é universal, ou seja, Deus chama todas as pessoas à salvação. Deus oferece uma real oportunidade de salvação a todas as pessoas, indistintamente. Mas, alguém poderá dizer que não são todas as pessoas que se salvam, e o dizem com razão, visto que as Escrituras assim o declaram, quando afirmam que “a fé não é de todos” (2Ts.3:2). No entanto, isto é apenas reflexo do fato de que o chamado para a salvação está inserido na ordem estabelecida por Deus de que as pessoas foram criadas com livre-arbítrio, ou seja, a graça salvadora de Deus é estendida a todas as pessoas, mas Ele requer que as pessoas estendam a sua mão para receber – “por meio da fé” (Ef.2:8).

Portanto, a chamada para a salvação parte de Deus, e tem caráter universal, pois o caráter divino é imparcial, Deus não faz acepção de pessoas (Dt.10:17; 2Cr.19:7; Jó 34:19; Is.47:3; At.10:34; Ef.6:9; 1Pd.1:17).

Assim, sendo proveniente de Deus, a chamada é para todas as pessoas, que, segundo afirmou Paulo, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm.3:23). O Senhor Jesus também pensava assim quando lançou o seu convite a todos, sem qualquer exceção: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt.11:28). Também na Grande Comissão: “... ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16:15,16).

Ao que parece, o Senhor Jesus Cristo não excluiu ninguém da grande chamada universal para a Salvação. O Apóstolo Paulo também pensava assim, quando, em Atenas, na Grécia, pregou no Areópago, onde declarou: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam, porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos” (Atos 17:30,31).

Na hipótese remota de que uma parte dos seres humanos estivesse excluída desta chamada para a Salvação, qual seria a base desse julgamento referido por Paulo? O que Deus, na pessoa do Justo Juiz, que “com justiça há de julgar o mundo”, dirá àqueles que não foram salvos pelo fato de estarem excluídos pelo próprio Deus, do chamado para a Salvação? Será que eu posso imaginar que o Senhor Jesus, como justo Juiz, dirá aos que estiverem ali, diante de seu Trono: “Vocês que não foram salvos, serão condenados, eternamente, no inferno; e saibam mais: vocês não foram salvos porque eu mesmo, como Deus, os excluí do chamado para a Salvação; Eu os elegi para a perdição. Portanto, mesmo que vocês não quisessem ir para o inferno, teriam que ir, pois, foi para isto que eu os destinei”. Como Paulo fala “que com justiça [Cristo] há de julgar o mundo”, então se pode deduzir que a chamada universal para a Salvação de todos os pecadores não exclui ninguém, pois, segundo está escrito, “para com Deus, não há acepção de pessoas” (Rm.2:11).

Certamente a chamada universal para a Salvação é para todos, porque está escrito: “Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:3-4). Pedro acrescenta: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a tenham por tardia; mas é longânime para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2Pd.3:9). Não se trata, pois, de uma passagem isolada, mas de todo um contexto bíblico apontando no sentido de que, de fato “... a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2:11).

3. A presciência divina. Presciência é a capacidade de Deus saber todas as coisas de antemão (At.22:14; Rm.9:23) e de interferir na história humana (Ne.9:21; Sl.3:5; 9:4; Hb.1:1-3). A onisciência de Deus, aliada à sua eternidade, faz-nos conceber a presciência de Deus, ou seja, Deus já sabe, de antemão, o que irá acontecer, porque, para Deus, não há tempo, sempre é presente, um eterno presente. Assim, Deus conhece o futuro, pois, para Ele, passado, presente e futuro são uma só coisa. Por isso, pode nos revelar, como nos revelou, as coisas que ainda iriam acontecer, na dimensão dos homens. No Plano da Salvação, Ele quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (1Tm.2:4), mas Ele sabe quem responderá positivamente ao convite de salvação (Rm.8:30; Ef.1:5). O desejo do Pai é tão grande por incluir-nos em seus domínios eternos que imolou o Cordeiro antes da fundação do mundo. Em Apocalipse, o Espírito Santo revelou a João que o Senhor Jesus, para redimir-nos, não morreu apenas no tempo. Na presciência divina, o Cordeiro de Deus já estava morto antes mesmo dos eventos registrados em Gênesis (Ap.13:8). Nossa redenção, por esse motivo, transcende o tempo e os eventos da criação; é eterna (Hb.9:12). Portanto, quando ainda não havia pecado, ou pecadores, o amoroso Deus já tinha estabelecido as bases da nossa salvação. A morte do Cordeiro, na presciência de Deus, foi a primeira nota evangélica da história sagrada. Na sentença sobre o pecado, o Deus Pai anuncia a redenção do pecador (Gn.3:15). Antecipadamente, pregou o evangelho do Unigênito à humanidade, representada, ali, no primeiro ser humano. Antes mesmo que houvesse tempo, proclamou a salvação eterna. Era como se Deus, num tabernáculo vazio, chamasse os pecadores, que ainda não existiam, ao arrependimento. Infelizmente, a maior parte da humanidade não atenderia ao convite de Deus para a salvação.

II. ARMÍNIO E O LIVRE-ARBÍTRIO

1. Breve histórico de Jacó Armínio. Jacó Armínio (1560-1609) nasceu na Holanda, foi pastor de uma igreja em Amsterdã e recebeu o título de doutor em teologia pela Universidade de Leiden. Tendo sido envolvido numa disputa calvinista, desenvolveu uma tese bíblica a partir dos primeiros pais da Igreja, que foi denominada de Arminianismo; sua principal característica é a defesa do livre-arbítrio humano. No arminianismo é ensinado que a vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos, porque Cristo morreu por todos; por essa finalidade ele oferece sua graça a todos. Estes são os cinco pontos básicos do arminianismo (extraídos do Dicionário Teológico. CPAD):

 ·     A predestinação depende da forma de o pecador corresponder ao chamado da salvação. Logo, acha-se fundamentada na presciência divina; não é um ato arbitrário de Deus.

·     Cristo morreu, indistintamente, por toda a humanidade, mas somente serão salvos os que crerem.

·     Como o ser humano não tem a capacidade de crer precisa da assistência da graça divina.

·     Apesar de sua infinitude, a graça pode ser resistida.

·     Nem todos os que aceitaram a Cristo perseverarão.

Após a morte de Armínio (19 de outubro de 1609), alguns seguidores redigiram uma declaração de fé em cinco artigos que continham as principais ideias de Armínio, chamada de “Os Remonstrantes”. Eles criaram o acrônimo FACTS, grafado em inglês, que traduzido é: Livre pela Graça para crer; Expiação para todos; Eleição Condicional; Depravação total e; Segurança em Cristo. Estes cinco pontos de são uma forma de combater os cinco pontos do calvinismo conhecidos como TULIP, acróstico da língua inglesa que significa: Depravação total; Eleição incondicional; Expiação limitada; Graça irresistível e; Perseverança dos santos.

Concordamos que, embora a salvação seja obra de Deus, absolutamente livre e independente de nossas boas obras ou méritos, o homem tem certas condições a cumprir. Ele pode escolher aceitar a graça de Deus, ou pode resistir-lhe e rejeitá-la. Seu direito de livre arbítrio sempre permanece.

As Escrituras certamente ensinam a predestinação, mas não que Deus predestinou alguns para a vida eterna e outros para o sofrimento eterno. Ele predestina todos os que querem ser salvos, e esse plano é bastante amplo para incluir todos que realmente desejam ser salvos. Essa verdade é explicada da seguinte maneira: na parte de fora da porta da salvação, lemos as palavras: “quem quiser, pode vir”; quando entramos por essa porta e somos salvos, lemos as palavras no outro lado da porta: “eleitos segundo a presciência de Deus”. Deus, em razão de seu conhecimento, previu que essas pessoas aceitariam o evangelho e permaneceriam salvas, assim predestinou para essas pessoas uma herança celestial. Ele previu o destino delas, mas não o predeterminou nem interferiu.

Diante das duas correntes teológicas (calvinismo e arminianismo), com relação à salvação, o cristão deve atentar para o equilíbrio, deve evitar os extremos. As respectivas posições fundamentais, tanto do calvinismo quanto do arminianismo, são ensinadas nas Escrituras. O calvinismo exalta a graça de Deus como única fonte de salvação, e a Bíblia Sagrada concorda. O arminianismo acentua o livre-arbítrio e a responsabilidade do homem, a Bíblia também concorda. A solução prática consiste tanto em evitar os extremos antibíblicos de um e de outro ponto de vista quanto em evitar pôr uma ideia em aberto antagonismo com a outra. Quando duas doutrinas bíblicas são postas em posições antagônicas, uma contra a outra, o resultado é uma reação que conduz ao erro. Por exemplo: a ênfase demasiada na soberania e na graça de Deus em relação à salvação pode conduzir a uma vida descuidada, porque se a pessoa é ensinada a crer que a conduta dela nada tem a ver com sua salvação, pode tornar-se negligente. Por outro lado, a ênfase demasiada no livre-arbítrio e responsabilidade do homem, como reação contra o calvinismo, pode deixar as pessoas sob o jugo do legalismo religioso de algumas igrejas e despojá-las de toda a confiança de sua salvação. Os dois extremos, portanto, devem ser evitados. Pense nisso!

2. O Livre Arbítrio. O Livre Arbítrio é a faculdade mediante a qual o homem é dotado de poder para agir sem coações externas, e de acordo com sua própria vontade ou escolha. Como um livre agente, o ser humano tem a capacidade e a liberdade de escolha, inclusive a de desobedecer a Deus (Dt.30:11-20 e Js.24:15). Isso, por si só, é suficiente para que ele seja responsável pelas consequências de seus atos. Esta corrente teológica é contrária ao determinismo, e que tem como seu expoente maior o teólogo holandês Jacó Armínio.

O que é o determinismo? É a corrente doutrinária que ensina que os homens já nascem predestinados por Deus para serem salvos ou para serem condenados. Assim, o homem já nasce com seu destino definido – o que nasceu para ser salvo será salvo; e, uma vez salvo, estará salvo para sempre. Por outro lado, o que nasceu para a condenação, será condenado. Os seguidores dessa doutrina creem na predestinação no sentido de que, segundo eles, Deus, no início, já determinou ou “predestinou” quem seria salvo e quem seria condenado. A escolha, para eles, é um ato unilateral de Deus, sem qualquer participação do homem. Segundo essa doutrina, quando uma pessoa se arrepende, é inteiramente pelo poder atrativo do Espírito Santo.

Para os adeptos do determinismo, a predestinação é o "decreto" de Deus, através do qual Ele decidiu quem seria ou não salvo. O homem não tem condições de, por si só, desprender-se do domínio do pecado, que somente uma intervenção divina é capaz de fazer com que os homens atendam ao chamado para a salvação. O atendimento ao chamado para a salvação só seria possível àqueles que, de antemão, Deus tenha destinado à salvação, ou seja, Deus somente chama à salvação àqueles que, por sua soberana vontade, quiser que sejam salvos.

Ora, se Deus dá a salvação para quem Ele quer, se o homem nada tem a ver com a salvação, ou seja, se não depende da vontade do ser humano, por que Deus não salva a todos os homens? A Bíblia diz que Deus deseja que todos os homens se salvem - “O qual deseja que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:4). Se a Bíblia diz que Deus quer que todos os homens sejam salvos, e se Deus é Onipotente, por que não salva a todos os homens? Se a salvação é um "decreto" de Deus, por que Ele não decretou que todos fossem salvos, se a Bíblia diz que essa é a sua vontade? Fica subentendido, então, que se Deus não salva a todos, é porque nem todos creem.

Ao contrário do que ensina o determinismo, no Livre-Arbítrio a Salvação é bilateral. Ela inclui a vontade de Deus em oferecer uma Salvação gratuita – “pela graça sois salvos”; mas esta Salvação precisa ser aceita pelo homem – “por meio da fé”. Assim, na verdade, Deus elegeu todos os homens para a Salvação, porém, o homem tem o livre arbítrio, ou a liberdade de escolha. É fazendo uso desta liberdade que o homem tomará posse, ou não, da Salvação, em Cristo. Em função do Livre Arbítrio que o próprio Deus deu ao homem, ele não pode forçá-lo a aceitar sua graça. Aceitar, ou rejeitar – a escolha é do homem. Isto confere com as palavras ditas por Jesus: “quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”; ou, conforme o que consta em João 3:16, “para que todos aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”. A vontade de Deus é que “todos” os homens sejam salvos, porque Cristo morreu por todos os homens: “O qual deseja que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:4); “Pois a graça de Deus se manifestou trazendo salvação a todos os homens” (1Tt.2:11); “E todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo” (At.2:21).

3. O livre-arbítrio na Bíblia. A Bíblia contém uma série de textos em que o direito humano de escolha fica claro: Adão e Eva, no jardim do Éden, podiam escolher o fruto que comeriam. Escolheram a desobediência e foram castigados por causa dela. Se estivessem predestinados a pecar, Deus não os condenaria. Depois vieram Caim e Abel. Deus deixou claro para Caim que, se ele mudasse sua atitude, sua oferta poderia ser aceita (Gn.4:7); por outro lado, havia a opção pelo pecado; se tudo estivesse predestinado e predeterminado por Deus, por que o Senhor haveria de alertá-lo? É bom observarmos que Caim estava morto espiritualmente, mas isso não significava incapacidade de ouvir a voz de Deus, de crer e decidir.

Outras passagens interessantes: “Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js.24:15); “O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt.30:19).

Portanto, a liberdade humana, o livre-arbítrio, é uma manifestação da vontade divina. Deus quis que o homem tivesse esta liberdade e, por isso, não cabe a nós querer estabelecer limites ou objeções ao Senhor por causa desta liberdade. Deus fez o homem com poder de servi-lo ou não e, por isso, nós, simples seres humanos, não podemos querer obrigar os homens a servir a Deus. Quem cerceia, pois, a liberdade de opção do homem em servir, ou não, a Deus, algo que, infelizmente, muitas vezes foi praticado em nome do Senhor, atenta, antes de tudo, contra a própria ordem estabelecida por Deus, que foi quem criou o homem com esta faculdade.

Mas, a liberdade que Deus deu ao ser humano, tem uma correspondência: a responsabilidade. Ao verificarmos o texto sagrado de Gn.2:16,17, notamos que Deus deu uma ordem ao homem no sentido de que ele comesse livremente de todas as árvores do jardim do Éden, com exceção da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que ele dela comesse, certamente morreria. O homem poderia escolher entre o bem e o mal, mas, no dia em que desobedecesse a Deus, em que escolhesse o mal, adviria uma penalidade, a saber, a morte, a separação entre o homem e Deus (“certamente morrereis”). A contrapartida do poder dado ao homem para escolher entre o bem e o mal era a de que deveria responder diante de Deus pela escolha feita, arcando com as consequências de sua opção.


III. ELEIÇÃO DIVINA E LIVRE-ARBÍTRIO

1. A Eleição divina. Afirma o apóstolo Paulo: “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em caridade, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito da sua vontade” (Ef.1:4,5).

A Eleição divina refere-se a escolha feita por Deus, em Cristo, de um povo para si mesmo, a fim de que sejam santos e inculpáveis diante dEle (cf. 2Ts.2:13). Essa Eleição é uma expressão do amor de Deus, que recebe, como seus, todos os que recebem o seu Filho Jesus (João 1:12). Segundo Donald C. Stamps, a eleição abarca as seguintes verdades:

a) É cristocêntrica, isto é, a Eleição de pessoas ocorre somente em união com Jesus Cristo. Deus nos elegeu em Cristo para a salvação (Ef.1:4). Ninguém é eleito sem estar unido a Cristo pela fé.

b) A Eleição é feita em Cristo, pelo seu sangue - “em quem [Cristo]... pelo seu sangue” (Ef.1:7). O propósito de Deus, já antes da criação (Ef.1:4), era ter um povo para si mediante a morte redentora de Cristo na cruz. Sendo assim, a Eleição é fundamentada na morte sacrificial de Cristo, no Calvário, para nos salvar dos nossos pecados (At.20:28; Rm.3:24-26).

c)  A Eleição em Cristo é em primeiro lugar coletiva, isto é, a eleição de um povo (Ef.1:4,5,7,7; 1Pd.1:1; 2:9). Os eleitos são chamados “o seu [Cristo] corpo” (Ef.1:23; 4:12), “minha igreja” (Mt.16:18), o “povo adquirido” por Deus (1Pd.2:9) e a “noiva” de Cristo (Ap.21:9). Logo, a Eleição é coletiva, e abrange o ser humano como indivíduo somente à medida em que este se identifica e se une ao corpo de Cristo, a igreja verdadeira (Ef.1:22,23). É uma Eleição como a de Israel no Antigo Testamento (vide item 1, do tópico I, desta Aula).

“No tocante à Eleição e Predestinação, podemos aplicar a analogia de um grande Navio viajando para o Céu. Deus escolhe o Navio (a Igreja) para ser sua própria nau. Cristo é o Capitão e Piloto desse Navio. Todos os que desejam estar nesse Navio eleito, podem fazê-lo mediante a fé viva em Cristo. Enquanto permanecerem no Navio, acompanhando o seu Capitão, estarão entre os eleitos. Caso alguém abandone o navio e o seu Capitão, deixará de ser um dos eleitos. A predestinação concerne ao destino do Navio e ao que Deus preparou para quem nele permanece. Deus convida a todos a entrar a bordo do Navio eleito mediante Jesus Cristo” (Bíblia de Estudo Pentecostal).

2. Escolha humana e fatalismo. A graça salvadora (Rm.5:18) é estendida a todos os seres humanos, abrindo-lhes a oportunidade para crerem no Evange­lho, o que descarta a possibilidade de a eleição ser uma ação fatalista de Deus. Não encontramos na Bíblia uma predestinação fatalista, em que uns são destinados à vida eterna e outros, à perdição eterna. Isto contradiz dois atributos divinos: Primeiro, porque torce a justiça divina, pois, nesse caso, Deus destinaria as pessoas antes mesmo de seu nascimento à perdição eterna; Segundo, porque põe em dúvida o ilimitado amor de Deus, por ensinar que o Senhor destinou os pecadores ao inferno sem lhes dar o direito à oportunidade de arrepender-se.

O Senhor quer que todos se arrependam (At.17:30) e a todos dá tempo para o arrependimento. Se todos já estivessem predestinados ao céu ou ao inferno, por que Deus haveria de dar oportunidades? Veja o caso da personagem descrito em Ap.2:20-21: Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição”. Se essa misteriosa Jezabel estivesse predestinada ao inferno, Deus não lhe daria tempo para se arrepender. Se ela estivesse predestinada ao céu, teria se arrependido no tempo que Deus lhe deu. Se sua condição de morte espiritual significasse incapacidade absoluta, Deus não lhe daria tempo para se arrepender, pois isto seria inútil.

O Texto sagrado é claro: “Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens” (Tt.2:11); “O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm.2:4); “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Portanto, Deus dá a oportunidade para que todos se salvem (At.17:30), pois Ele não faz acepção de pessoas (At.10:34).

3. A possibilidade da escolha humana. Ao ser humano foi dada a capacidade e a liberdade de escolha, inclusive a de desobedecer a Deus (vide Dt.30:11-20 e Js.24:15). Tendo em vista essa possibilidade, ele é responsável pelas consequências dos seus atos; não existe liberdade sem responsabilidade. O ser humano não faz o que quer sem qualquer consequência, uma vez que a sua liberdade não é o direito de ditar as regras para si, mas de optar entre seguir, ou não, as regras estabelecidas por Deus. Liberdade não se confunde, pois, com libertinagem, como, infelizmente, tem sido propagandeado pelo mundo ao longo dos séculos e, muito intensamente, nos dias em que vivemos. O uso da liberdade pelo homem deverá ser objeto de prestação de contas diante de Deus, que é o soberano, a máxima autoridade. O plano da salvação, pois, não elide nem sequer diminui a soberania divina.

Deus fez o homem com o poder de escolher entre o bem e o mal, sendo real a possibilidade da escolha do mal, só que, uma vez feita a escolha pelo mal, o homem sofrerá a penalidade da morte, ou seja, da separação eterna de Deus, arcando com as consequências de sua opção. Ao criar o homem com liberdade, Deus também estabeleceu que o homem responderia diante dele sobre o uso desta liberdade.

Uma das coisas mais belas da Palavra de Deus é que, embora o Altíssimo seja soberano, Ele não criou seus filhos como robôs autômatos milimetricamente controlados, mas, na sua soberania, quis que fossem criados seres que, assim como Ele, pudessem saber o que é o bem e o que é o mal, e, portanto, tivessem liberdade para escolher fazer o bem, seguindo, assim, as determinações divinas, ou de fazer o mal, ou seja, escolherem ter uma vida em que estivessem distantes de Deus. Essa liberdade de escolha aparece já nos primórdios de Gênesis, na aurora da raça humana, quando o primeiro casal dá ouvidos à serpente e comete por sua livre vontade a primeira transgressão contra Deus (Gn.3:1-13).

É importante salientar que o fato de haver seres com liberdade (anjos e homens), isto em nada diminui a soberania de Deus; pelo contrário, a existência de seres com liberdade é a maior prova de que Deus é soberano, pois está tão acima dos seres criados que lhes permite, inclusive, dar as costas para Ele. O fato de Deus permitir que alguns dos seres criados possam não lhe obedecer não é qualquer fragilidade ou diminuição na autoridade de Deus; antes, porém, é a reafirmação dessa autoridade, pois o fato de seres criados poderem desobedecer a Deus não retira o fato de que Deus mantém o controle sobre todas as coisas, tanto que tais seres serão responsabilizados pela desobediência, no tempo, modo e lugar já previamente determinado pelo Senhor.

Portanto, a liberdade do homem construiu-se debaixo da soberania divina, não havendo, pois, qualquer incompatibilidade, qualquer conflito entre o fato de Deus ser soberano e o homem, livre para escolher entre o bem e o mal. Essa liberdade está sujeita à vontade e às determinações de Deus.

CONCLUSÃO

A Salvação provém de Deus, é um presente incomensurável do Deus Altíssimo para o homem, sendo a Sua graça a causa meritória dessa Salvação. Entretanto, segundo as Escrituras Sagradas, a maior parte da humanidade resiste ao Espírito Santo e rejeita a salvação em Cristo Jesus que é oferecida a todas as pessoas indistintamente. Todavia, os que aceitam o convite de Deus estão predestinados a "serem conforme a imagem de seu filho", Jesus Cristo (Rm.8:29). Deus deseja que todo ser humano seja salvo. Creia nisso!

 


sexta-feira, 8 de maio de 2026

GOGUE E MAGOGUE – UM DIA DE JUÍZO

 


GOGUE E MAGOGUE – UM DIA DE JUÍZO

 

Texto Bíblico Ezequiel 38:1-6; 39:1-10

” E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar para as ajuntar em batalha” (Ap.20:8).

Ezequiel 38:

1.Veio mais a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

2.Filho do homem, dirige o rosto contra Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal, e profetiza contra ele.

3.E dize: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal.

4.E te farei voltar, e porei anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos bizarramente, congregação grande, com escudo e rodela, manejando todos a espada;

5.persas, etíopes e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete;

6.Gomer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, da banda do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo.

Ezequiel 39:

1.Tu, pois, ó filho do homem, profetiza ainda contra Gogue e dize: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu sou contra ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal.

2.E te farei voltar, e te porei seis anzóis, e te farei subir das bandas do Norte, e te trarei aos montes de Israel.

3.E tirarei o teu arco da tua mão esquerda e farei cair as tuas flechas da tua mão direita.

4.Nos montes de Israel, cairás, tu, e todas as tuas tropas, e os povos que estão contigo; e às aves de rapina, e às aves de toda a asa, e aos animais do campo, te darei por pasto.

5.Sobre a face do campo cairás, porque eu falei, diz o Senhor JEOVÁ.

6.E enviarei um fogo sobre Magogue e entre os que habitam seguros nas ilhas; e saberão que eu sou o SENHOR.

7.E farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo de Israel e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Santo em Israel.

8.Eis que é vindo e se cumprirá, diz o Se­nhor JEOVÁ; este é o dia de que tenho falado.

9.E os habitantes das cidades de Israel sairão, e totalmente queimarão as armas, e os escudos, e as rodelas, com os arcos, e com as flechas, e com os bastões de isso por sete anos.

10.E não trarão lenha do campo, nem a cortarão dos bosques, mas com as armas acenderão fogo; e roubarão aos que os roubaram e despojarão aos que despojaram, diz o Senhor JEOVÁ.

INTRODUÇÃO

As passagens de Ezequiel 38 e 39 são alguns dos textos mais intrigantes e estudados da literatura profética e apocalíptica bíblica. Elas descrevem uma coalizão de nações que se levanta para atacar Israel, culminando em uma intervenção divina dramática.

Aqui está um resumo estruturado sobre o que esses capítulos abordam:

1. Quem são Gogue e Magogue?

A identidade exata desses nomes é alvo de debates teológicos e históricos há séculos:

  • Gogue: É descrito como o "príncipe maior" (ou príncipe de Rôs), o líder individual ou título do comandante que lidera a invasão.
  • Magogue: No livro de Gênesis (Tabela das Nações), Magogue é um dos filhos de Jafé. Em Ezequiel, refere-se à terra ou à região de onde Gogue se origina. Historicamente, muitos estudiosos associam essa região aos povos ao norte de Israel, como os antigos citas.
  • A Coalizão: Gogue não vem sozinho. Ele lidera uma confederação que inclui Persia (atual Irã), Etiópia (Cuxe), Pute (Líbia), Gomer e Togarma (frequentemente associadas a regiões da Turquia e Ásia Central).

2. O Cenário da Invasão (Capítulo 38)

O texto descreve um tempo em que o povo de Israel estaria reunido de entre as nações, habitando em "aldeias sem muros" e vivendo em relativa segurança.

  • A Motivação: Gogue é movido por um pensamento maligno de "subir contra a terra das aldeias não muradas" para saquear e tomar despojo.
  • O Controle Divino: Um detalhe teológico importante no texto é que Deus afirma: "Porei anzóis nos teus queixos e te levarei" (Ez 38:4). Isso sugere que, embora a intenção de Gogue seja má, ele está sendo atraído para um julgamento final planejado por Deus.

3. A Derrota e o Julgamento (Capítulo 39)

A batalha não é vencida por exércitos humanos, mas por fenômenos naturais e intervenção divina direta:

  • Elementos da Natureza: Deus envia um grande terremoto, peste, chuva inundante, pedras de saraiva, fogo e enxofre.
  • A Magnitude da Derrota: A destruição é tão vasta que o texto menciona dois fatos impressionantes para ilustrar o volume de baixas:
    1. Combustível por 7 anos: Os instrumentos de guerra deixados para trás servirão de lenha para os habitantes de Israel por sete anos.
    2. 7 meses de sepultamento: Levará sete meses para enterrar todos os mortos e "limpar a terra", em um local que será chamado de Vale de Hamon-Gogue.

4. O Propósito Teológico

O objetivo final desta profecia, repetido várias vezes nos capítulos, é o reconhecimento da soberania divina:

"Assim, eu me engrandecerei, e me santificarei, e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o Senhor." (Ez 38:23)

Para o povo de Israel, a mensagem serve como uma garantia de proteção futura, reafirmando que, mesmo diante de uma ameaça global, a restauração prometida por Deus não seria revogada.

5. Relação com o Apocalipse

É comum confundir esta profecia com a menção de "Gogue e Magogue" no livro de Apocalipse 20:8. Embora os nomes sejam os mesmos, muitos intérpretes veem eventos distintos:

  • Em Ezequiel, a invasão parece ocorrer em um contexto de restauração nacional.
  • Em Apocalipse, o termo é usado de forma mais simbólica para representar a rebelião final das nações contra o Reino de Deus ao fim do Milênio.

I. SOBRE A IDENTIDADE DOS POVOS INVASORES (PARTE 1)

1. Os invasores (Ez.38:5,6; 39:2)

“persas, etíopes e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete; Gomer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, da banda do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo. E te farei voltar, e te porei seis anzóis, e te farei subir das bandas do Norte, e te trarei aos montes de Israel”.

Ezequiel 38:5,6 e 39:2 mostram quem serão os invasores de Israel, liderados pelo “príncipe de Rosh” (Ez.38:2). Para muitos estudiosos das profecias de Ezequiel 38 e 39, Gogue é o príncipe de Rosh, ou o presidente de Rosh, pelo que, será provavelmente o presidente da Rússia, uma vez que Rosh era um dos antigos nomes dados à Rússia moderna. É necessário, pois, identificar esses povos no contexto em que vivia o profeta e procurar identificá-los nos tempos atuais, quando possível; isso tornará a profecia compreensível e mais vívida em nossos dias. Com a ajuda de alguns estudiosos e historiadores, apontamos esses invasores da seguinte forma:

a) Pérsia. Incluído nesta aliança está o reino da Pérsia que, nos dias de Ezequiel, era um poder menos conhecido ao leste da Babilônia. Hoje, a Pérsia é conhecida como Irã e existe como uma das maiores ameaças à nação de Israel. Em nenhum outro momento da história houve uma aliança em que a Pérsia e a Rússia se uniram contra a terra de Israel. Hoje a Rússia é aliada do Irã, fornecendo tecnologia nuclear ao país, ajudando-o a construir usinas nucleares e sistemas de centrifugação. O Irã também contratou a Rússia para comprar sistemas sofisticados de defesa antimísseis e aeronaves para protegê-lo das ameaças de Israel de destruir suas ambições nucleares. Na guerra atual entre a Rússia e a Ucrânia, noticia-se que Irã está fornecendo drones kamikazes para atacar a infraestrutura da Ucrânia. Isto é um forte sinal de aliança inquebrável entre estas duas nações. A Pérsia (Irã), juntamente com outras nações do Norte, atacará Israel nos “últimos dias”.

b) Etiópia. “Cush” é o nome antigo da Etiópia, que inclui as nações ao sul do Egito. Embora a Etiópia seja historicamente uma nação cristã, os muçulmanos fizeram grandes incursões para ganhar poder não apenas na Etiópia, mas também no Sudão. Essas nações estão unidas em seu ódio contra Israel.

c) Líbia (Pute). Este é outro aliado da Rússia e outra nação islâmica com uma história de ser um inimigo da nação de Israel. É uma nação antiga fundada por comerciantes fenícios como uma colônia. O general Hannibal é um dos descendentes mais famosos desta terra. Atualmente sua população é composta de 97% de muçulmanos sunitas, desde 1966. Na época do ditador Muamar Al-Khadaffi, por muitos anos, a Líbia foi um dos principais financiadores dos terroristas árabes, em especial dos palestinos, tendo tido sempre alinhamento com a União Soviética.

A profecia de Ezequiel diz que estes países - Irã, Etiópia e Líbia - estarão com “escudo e capacete”, ou seja, a expressão bíblica indica que participarão da operação militar desencadeada pela Rússia com soldados, pois escudo e capacete são equipamentos utilizados pelos soldados, o que nos permite vislumbrar que se tentará uma guerra convencional.

d) Gomer. Originalmente, é o filho mais velho de Jafé, irmão de Magogue (Gn.10:2). O povo descendente de Gomer fará parte da aliança contra Israel nos últimos dias. No capítulo 10 de Gênesis, Jafé é listado como tendo sete filhos, sendo quatro deles incluídos na lista de nações que virão contra a terra de Israel. Os judeus entendem que Gomer representa a Alemanha; o nome Alemanha é pensado por ter vindo do termo Gomerland. Além disso, os judeus da Alemanha são conhecidos como judeus asquenazes, em homenagem a Ashkenaz, um dos filhos de Gomer. “Os filhos de Gomer são: Asquenaz, Rifate e Togarma “(Gn.10:3).

e) Togarma. O quinto país aliado mencionado pela profeta é Togarma. Este é outro filho de Gomer, conhecido por trocar cavalos com os mercadores de Tiro (Ez.27:14). Este país é identificado com a Armênia, que fica a leste do Mar Negro, conhecida por sua criação e comércio de cavalos com a Pérsia e a Babilônia. Hoje a Armênia é identificada como aliada da Rússia e da Pérsia.

f) “muitas pessoas … com você” (Ez.38:6). A profecia mostra que a lista de nações não é abrangente, mas inclui outros grupos de pessoas nesta aliança de nações que vêm contra Israel. Essas nações poderiam invadir Israel com base em um mandato da ONU por causa da política de Israel em relação a seus vizinhos árabes. Os possíveis motivos para justificar um ataque a Israel podem ser os seguintes:

  • Israel pode atacar um Estado palestino declarado pelas Nações Unidas.
  • Israel pode rejeitar uma divisão mandatada pela ONU em Jerusalém.
  • Israel pode assumir o controle do Domo da Rocha em um esforço para começar a construção do terceiro Templo.
  • Israel pode revidar algum ataque à sua soberania sobre as suas reservas de gás.

Contudo, estas nações serão derrotadas pela intervenção divina. O capítulo 39 descreve a derrocada de Gogue e os seus confederados (Ez.39:4-6). Como podemos, pois, observar, os movimentos da política internacional continuam sinalizando para um estado de aliança político-militar entre a Rússia e as nações que a profecia bíblica indica serem aquelas que auxiliarão na frustrada invasão da Terra de Israel, na guerra que será promovida por Gogue, príncipe de Tubal e de Meseque, na terra de Magogue, contra o povo de Israel.

2. Compreendendo a profecia

Ezequiel descreve uma coalizão de nações que farão um ataque final contra Israel depois da restauração de Israel à sua pátria, na tentativa de destruir a nação e apossar-se da sua terra. A profecia de Ezequiel aponta para um período em que Israel se restabelecerá novamente como nação, ou seja, quando Deus fizer regressar o seu povo da diáspora vindo de todas as nações da terra (Ez.36:24). Alguém tem dúvida que isto já aconteceu? Certamente, não há dúvida! Logo, estamos no limiar desse impressionante acontecimento, que deixará a humanidade bastante apreensiva.

O profeta afirma que o líder dessas nações invasoras se chama Gogue (Ez.38:2-23). As nações invasoras, porém, não terão êxito, serão derrotadas pelo próprio Deus, que confundirá os exércitos invasores, de modo que algumas nações se voltarão contra os seus aliados. Ele também derrotará diretamente os exércitos por meio de terremotos, enfermidades e outros meios catastróficos (cf.Ez.38:21,22). Os exércitos de Gogue se encherão de terror por causa da peste e do sangue, chuva inundante, grandes pedras de saraiva, fogo e enxofre que Deus enviará (Ez.38:17-23). A destruição dos inimigos do povo de Deus traz à lembrança a promessa do Senhor em Isaias 54:17: “Toda arma forjada contra ti não prosperará [...] esta é a herança dos servos do Senhor”.

3. Gogue (Ez.38:2a; 39:1a)

O profeta descreve Gogue como “príncipe do Rôs, de Meseque e Tubal”, que, na opinião de alguns, são os nomes antigos da Rússia, de Moscou e de Tobolsk. Percebe-se, portanto, que este personagem, que a Bíblia denomina de Gogue, e que é o príncipe de Meseque e de Tubal, terá a audácia de invadir a terra de Israel, quando haverá uma relativa sensação de paz no meio do povo de Israel (“o povo que se ajuntou entre as nações”), buscando dominar os recursos naturais existentes na região. A primeira dificuldade que se tem é a identificação de quem seja Gogue. A Bíblia diz que se trata de uma pessoa, de uma autoridade, o príncipe de Meseque e de Tubal, lugares situados na terra de Magogue. Para que tenhamos condição de saber a que lugar o texto sagrado está se referindo, devemos verificar a relação de nações surgidas da confusão das línguas em Babel, o chamado “índice das nações”, que se encontra no capítulo 10 do livro de Gênesis. Lá está dito que, entre os filhos de Jafé, um dos filhos de Noé, estavam Magogue, Tubal e Meseque (Gn.10:2). Flávio Josefo, o grande historiador judeu, ao comentar esta relação de nações, indica que Magogue foi o pai dos citas, povo bárbaro que vivia, na época de Josefo (século I d.C.), na região que hoje pertence à Rússia, enquanto Tubal teria dado origem aos iberos, povo que habitou a região da Península Ibérica (Portugal e Espanha atuais) e Meseque teria sido o pai dos capadócios, povo que habitou a Capadócia, região que hoje pertence à Turquia (cf. Flávio JOSEFO. História dos hebreus).

O texto bíblico diz que Gogue é o príncipe de Tubal e de Meseque, que se encontram na terra de Magogue. Portanto, trata-se de uma autoridade que tem sua base na região que foi ocupada pelos Citas na época de Josefo, ou seja, a Rússia, que é o principal país que se situa ao norte de Israel, pois a profecia bíblica de Ezequiel diz claramente que este invasor virá do Norte (Ez.39:2) e, como foi muito bem demonstrado pelos estudiosos, em especial o pastor Abraão de Almeida, se traçarmos uma linha reta de Jerusalém rumo ao norte, esta linha passará por Moscou, a capital russa.

Mas como dizer que Gogue é uma autoridade da Rússia, se, como vimos, Tubal seria a nação dos iberos e Meseque, a nação dos capadócios, duas regiões bem distantes da Rússia e que nem sequer se situam precisamente no norte de Israel (pelo menos a Península Ibérica)? Muitos estudiosos, inclusive, ao analisarem o fato de Gogue ser chamado de “príncipe de Tubal e de Meseque”, associam os nomes bíblicos de Tubal e de Meseque, não aos filhos de Javé, ou seja, às nações surgidas das descendências destes dois filhos de Javé, mas, sim, a nomes de lugares, pois a referência à descendência, à nacionalidade, somente se dá na expressão “terra de Magogue” e, portanto, Tubal e Meseque seriam apenas nomes de locais. Assim, Tubal e Meseque, em Ez.38:2, não representariam as nações surgidas de Tubal e de Meseque, mas cidades da terra de Magogue, cidades que, edificadas por descendentes de Magogue, fazem menção, em seus nomes, a estes irmãos de Magogue, a título de homenagem, como se vê, por exemplo, no caso de Caim, que, ao edificar uma cidade, deu a ela o nome de seu filho Enoque (Gn.4:17).

As denominações proféticas destes locais, Tubal e Meseque, correspondem, nitidamente, em mais das inúmeras demonstrações da infalibilidade das Escrituras às localidades hoje conhecidas como Tobolsk e Moscou, que, não coincidentemente, são duas das principais cidades da Rússia. Com efeito, Tobolsk foi fundada pelos russos em 1587, quando eles começaram a ocupar a Sibéria (nome que recebe a parte norte da Ásia e que se confunde com a própria Rússia asiática), sendo, desde então, considerada a capital histórica da Rússia asiática, o símbolo do domínio russo sobre esta parte da Ásia. Moscou, por sua vez, capital do principado de Moscóvia, é a capital de toda a Rússia desde a unificação dos vários principados da região, o que se deu em 1495 sob o reinado de Ivã III. Antes, em 1453, logo após a queda de Constantinopla, Moscou fora considerada a nova capital da cristandade pelos cristãos orientais, a “terceira Roma”, o que demonstra como é antiga a pretensão dos russos de se arvorarem em estandarte da Cristandade Oriental e, assim, terem direito sobre a Terra Santa. Deste modo, percebemos, com clareza, que Gogue é o chefe da Rússia, ou seja, o governante da Rússia que, nos últimos tempos, resolverá invadir Israel juntamente com várias outras nações já definidas aqui.

II. SOBRE A IDENTIDADE DOS POVOS INVASORES (PARTE 2)



1. Magogue (Ez.38:2b; 39:1b, 6a)

Em Gênesis 10:2 Magogue é um dos filhos de Jafé, que era filho de Noé. De acordo com Ezequiel 38:2 é um povo cujo território será futuramente governado por Gogue (talvez já esteja ocorrendo). Em Ez.38:2, lê-se literalmente: “Firma bem a tua face contra Gogue, contra a terra de Magogue […]”. O historiador judeu Flávio Josefo (37-103 d.C.), mundialmente respeitado e conhecido pela sua obra "As Guerras dos Judeus", identifica Magogue com os Citas; estes eram originários daquilo que é hoje o Sul do Irão; eram guerreiros que montavam cavalos e que habitavam em muito do território que hoje compõe a Geórgia, a Arménia, e parte das regiões do sul da Ucrânia e da Rússia por cerca de 1300 anos, desde o 7º século a.C. até ao 4º século d.C. A costa Norte do Mar Negro era completamente cita. Mas o que há de tão especial com os Citas? Flávio Josefo tinha uma interessante teoria acerca deles e das terras onde viveram. Segundo as suas conclusões, aquelas terras onde eles habitaram eram Magogue, tal como lemos na Bíblia sobre Gogue e Magogue (Ez.38 e 39). É essa agora, pois, a razão da efervescência recente entre os estudiosos dos sinais apocalípticos, logo que os acontecimentos na Ucrânia começaram a despertar a atenção mundial. Para muitos estudiosos, a expectativa de estarmos a viver nos "últimos dias" é tão grande, que este é mais um grande sinal do fim, talvez o princípio do fim. No Novo Testamento os Citas aparecem juntamente com os bárbaros (Cl.3:11), e que, talvez, muitos deles tenham se convertido a Cristo.

2. Meseque e Tubal (Ez.38:2c; 39:1c)

Originalmente, assim como Magogue, Meseque e Tubal eram filhos de Jafé, que era filho de Noé (Gn.10:2). Como foi dito no item 3 do tópico I, Tubal e Meseque, em Ez.38:2, são cidades da terra de Magogue, cidades que, edificadas por descendentes de Magogue, fazem menção, em seus nomes a estes irmãos de Magogue, a título de homenagem, como se vê, por exemplo, no caso de Caim, que, ao edificar uma cidade, deu a ela o nome de seu filho Enoque (Gn.4:17). Estas denominações proféticas destes locais, Tubal e Meseque, correspondem, nitidamente, em mais das inúmeras demonstrações da infalibilidade das Escrituras, às localidades hoje conhecidas como Tobolsk e Moscou, que, não coincidentemente, são duas das principais cidades da Rússia.

3. A coalização de Gogue (Ez.38:5)

Como já foi dito no item 1 do tópico I, conforme a profecia de Ezequiel haverá uma coalizão de nações que farão um ataque final contra Israel depois de sua restauração como nação, na tentativa de destruí-la e apossar-se da sua terra. Com vimos, o líder dessas nações chama-se Gogue. As nações invasoras, porém, não terão êxito, serão derrotadas pelo próprio Deus. Por causa dessa invasão, Deus castigará a terra de Magogue; Ele enviará uma saraiva de fogo na terra de Magogue e nas áreas ao redor dela (Ez.39:6). Pela destruição dos exércitos das nações perversas e invasoras, o Senhor manifestará a sua glória de tal maneira que todos saberão que somente Ele é o Senhor (Ez.39:6).

“Far-te-ei que te volvas” (Ez.38:4). Deus está puxando essa aliança para Israel. O próprio Deus está envolvido nesta próxima batalha. Gogue é retratado como um animal com ganchos nas mandíbulas sendo puxados para o conflito; Deus coloca os ganchos nas mandíbulas de Gogue.

Todo o teu exército” (Ez.38:5). A profecia deixa claro que o exército que virá atacar Israel é uma força imensa que exigirá o enterro dos mortos por sete meses. Deus usará esses exércitos para se revelar às nações em seu conflito com Israel. As armas descritas no texto são termos com os quais Ezequiel e sua plateia estariam familiarizados - cavalos, cavaleiros, broquéis e espadachins. Ele faz menção a todos os tipos de armaduras, incluindo armas modernas.

Pelos últimos acontecimentos no mundo, principalmente na Ucrânia, essa coalizão brevemente será formada e a invasão será concretizada. Todos somos sabedores que Israel, hoje, é um país soberano, organizado política e economicamente, e considerado um dos países mais desenvolvido do mundo, apesar de sua recente independência, que se deu em 1948. E com a recente descoberta de gás, com uma reserva bastante volumosa, isto nos alerta que muito breve esse acontecimento se concretizará; já estamos vendo o movimento do tabuleiro no mundo político; já estamos vendo as angústias das nações tomando posições para este momento espetacular e ao mesmo tempo desastroso da história. Mas, não somente Israel será afetado, também todos os países do mundo sofrerão as sequelas desse conflito, haja vista que estamos vivendo num mundo globalizado, em que um país afetado pelo outro terá reflexo aos demais. A Igreja, mais do que nunca, precisa estar alerta e observando todos esses acontecimentos, pois a iminência da volta do Senhor nunca foi tão vibrante e audível.

III. SOBRE O CONTEXTO ESCATOLOGICO



1. Gogue e Magogue

Como já foi dito anteriormente, Gogue, da terra de Maogogue, será o líder político que organizará uma aliança de nações contra Israel. Ezequiel o identifica como o “príncipe de Rosh, Meseque e Tubal”. O historiador judeu Josefo identificou a terra de Magogue como Cítia, a progenitora da Rússia, ao norte de Israel. Também na tabela das nações, Gênesis capítulo 10, Magogue é identificado como um dos filhos de Jafé. Portanto, na época de Ezequiel e no futuro, sua prole seria uma nação importante. Gogue de Magogue liderará a aliança de nações contra Israel, mas a profecia deixa claro que essas nações serão derrotadas vergonhosamente (Ez.39:4), e o nome de Deus será glorificado entre seu povo e entre as demais nações (Ez.39:7).

2. Como a Rússia aparece nesse contexto?

Aparece no contexto porque a profecia diz que a iniciativa da invasão é do “príncipe e chefe de Meseque e Tubal” (Ez.38:2 - ARC). Na Almeida e Atualizada diz: “príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal”. A palavra hebraica para chefe é “Ro’sh”, de significado amplo - “cabeça, chefe, pico, monte, parte superior”. Algumas traduções o traduzirão como príncipe principal em vez de príncipe de Rosh, com base em suas opiniões. Independentemente disso, Gogue é identificado como um líder do extremo norte, que é o chefe dos descendentes de Meseque e Tubal, na terra de Magogue. Foi a semelhança de Sons e a localização geográfica que levou muitos estudiosos a identificarem Rosh com a Rússia; Meseque, com Moscou, atual capital da Rússia; e Tubal com To­bolsk, cidade russa.

3. Origem da interpretação

“Esse pensamento não veio dos pentecostais e nem se trata de uma ideia oriunda dos dispensacionalistas, como equivocadamente dizem os críticos. Essa interpretação vem de longe, desde Gesenius (1787-1842), famoso orientalista alemão. Em seu léxico hebraico, o Roshe de Ezequiel 38.2 são os russos. Depois da Guerra Fria, o assunto foi ficando no esquecimento. Mas com a guerra da Ucrânia em 2022, a relação entre Rússia e o Ocidente está voltando ao cenário mundial, o que era antes da Queda do Muro de Berlim em 1989” (LBM.CPAD).

“O importante em nosso estudo não é a identidade de Gogue e seus confederados, isso são detalhes, mas mostrar ao mundo a veracidade da Palavra de Deus. Os expositores céticos das Escrituras, aqueles que não acreditam em milagres e nem na possibilidade de o Espírito anunciar as coisas futuras por meio dos profetas, procuram explicar as profecias que já foram cumpridas como se fossem extraídas do fato ocorrido. Eles chamam essa suposta” pia fraude” de vaticinium ex eventu,” vaticínio-predição-oráculo a partir do evento fato”, como se a profecia fosse escrita depois do acontecimento. Agora, com o cumprimento de profecias bíblicas na atualidade, eles não têm argumento em favor do vaticinium ex evento” (Esequias Soares).

CONCLUSÃO

Aprendemos neste estudo, conquanto superficialmente, sobre uma coalizão de nações, liderada por um governante poderoso, que achamos que seja o governante da Rússia, que pretenderá invadir a nação de Israel “no fim dos anos” (cf. Ez.38:8), isto é, nos últimos dias (que todos sabemos que é o período histórico que se inicia com o final da dispensação da graça e vai até o final da história, no término do milênio). Aprendemos também que o conflito descrito no livro do profeta Ezequiel não deve ser confundido com dois outros eventos que também ocorrerão, a saber: a batalha do Armagedom, que é o conflito que haverá entre os exércitos do Anticristo e Israel, que ocorrerá no final da Grande Tribulação; e a rebelião final de Gogue e Magogue, ou seja, o conflito que haverá entre os que se rebelarem contra o reino de Cristo, no final do milênio, que é descrita em Ap.20:7-10.

Vimos que Tubal e Meseque, na terra de Magogue, é a Rússia e, portanto, o que a Bíblia nos diz é que o governante da Rússia invadirá Israel, querendo tomar-lhe as riquezas. Para tanto, chefiará uma aliança de nações. A Bíblia diz que esta decisão de Gogue se dará quando houver uma sensação de paz na região do Oriente Médio. O texto sagrado afirma que Gogue, ao contemplar que os moradores de Israel estão seguros, decidirá pelo ataque (Ez.38:11). Esta afirmativa bíblica explica porque a União Soviética, em pleno capitalismo de estado, nunca poderia ter sido a potência que invadiria Israel. Para que haja a invasão, a Bíblia diz que deveria haver um sentimento de segurança em Israel e a política soviética à época era, precisamente, a de causar intranquilidade no Oriente Médio, pois a Guerra Fria nada mais era que uma sequência de atitudes de instabilidade que tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética semeavam nos demais países, a fim de favorecer ou enfraquecer os governos que lhes eram alinhados, ou não. Enquanto perdurasse a Guerra Fria, jamais poderia haver clima favorável à paz no Oriente Médio e isto é uma condição indispensável para que haja este conflito entre Israel e Magogue. Vemos, portanto, claramente, que jamais a guerra predita em Ez.38 e 39 poderia ser considerada a derrocada final do comunismo, como foi alardeado, pois a existência da Guerra Fria impediria que houvesse uma sensação de segurança e de paz na Palestina, que é predito como sendo o ambiente a ser vivido por Israel quando ocorrer essa invasão. Estejamos, pois, preparados porque Jesus breve virá!

 


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