sexta-feira, 30 de outubro de 2026

JOSUÉ E A FIDELIDADE A DEUS

 

JOSUÉ E A FIDELIDADE A DEUS

Texto Bíblico: Josué 24:14-18,22,24

“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Josué 24:15).

Josué não apenas revisita a história de milagres e livramentos promovidos por Deus, mas coloca a nação diante de uma decisão consciente, firme e intransigente sobre quem eles iriam adorar.

1. Contexto Histórico e Espiritual (Josué 24:14-18)

Após décadas liderando Israel — sucedendo Moisés, atravessando o Rio Jordão, derrubando as muralhas de Jericó e conquistando Canaã —, Josué chega ao fim da sua vida. Sabendo das tentações idólatras da terra em que habitavam e da fragilidade espiritual do povo, ele convoca todas as tribos, líderes, juízes e oficiais para renovar a Aliança.

Neste contexto, Josué faz três exigências práticas em relação à fidelidade:

  • Temei ao SENHOR: Ter uma reverência santa que molda o estilo de vida e as decisões.
  • Servi-o com integridade e em verdade: Servir a Deus de coração sincero, sem hipocrisia, aparências ou meio-termo.
  • Deitai fora os deuses: Lançar fora toda resquício de idolatria do passado (o Egito e as nações ao redor).

2. A Escolha Consciente: "Escolhei Hoje"

"Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais..." (Josué 24:15a)

Josué deixa claro que a fé verdadeira não pode ser imposta por força ou tradição; ela exige uma escolha pessoal e voluntária.

Ao dar ao povo a opção entre os deuses do passado (do outro lado do rio) ou os deuses locais (dos amorreus), Josué os confronta com a inutilidade dessas fés falsas e mostra que neutralidade espiritual não existe: não escolher ao Senhor já é uma escolha contra Ele.

3. A Declaração de Liderança e Propósito: "Eu e a Minha Casa"

"..., porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR." (Josué 24:15b)

Nesta famosa declaração, Josué demonstra a postura de um verdadeiro líder espiritual da família:

  1. Iniciativa e Exemplo Pessoal: Ele diz "Eu" primeiro. A fé no lar começa pelo exemplo individual e pelo compromisso pessoal do líder antes de cobrar dos outros.
  2. Impacto Familiar: Ele assume a responsabilidade pela condução e direção espiritual do seu lar ("e a minha casa").
  3. Decisão Inegociável: Independentemente da escolha da maioria da nação ou da cultura ao seu redor, o posicionamento do seu lar já estava selado.

4. O Testemunho do Povo e a Renovação da Aliança (v. 16-18, 22, 24)

Diante do desafio de Josué, o povo responde lembrando de tudo o que Deus fez por eles no Egito e no deserto:

"Longe de nós o abandonarmos o SENHOR para servirmos a outros deuses; porque o SENHOR é o nosso Deus; ele é o que nos fez subir... Portanto, nós também serviremos ao SENHOR, porquanto é o nosso Deus." (Josué 24:16-18)

Josué reforça a gravidade e o peso dessa promessa no versículo 22 ("Sois testemunhas contra vós mesmos...") e o povo confirma em firme compromisso no versículo 24:

"Ao SENHOR, nosso Deus, serviremos e ouviremos a sua voz." (Josué 24:24)

Aplicações Práticas para Hoje

  • A Fidelidade Exige Separação: Não podemos servir ao Senhor mantendo vínculos com os "ídolos" do nosso passado ou do mundo moderno (como materialismo, soberba, egoísmo e vícios).
  • Posicionamento Familiar: O lar deve ser o primeiro ambiente onde a palavra de Deus é vivida, honrada e ensinada aos filhos.
  • Constantemente Renovar o Compromisso: A fidelidade a Deus não é algo feito apenas no passado; exige uma decisão diária ("escolhei hoje").

 INTRODUÇÃO

 “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”. Esta é uma afirmação de fé por Josué no Antigo Testamento. Este versículo expressa o coração de um grande líder espiritual no final de sua vida. Nestas palavras simples encontramos a vontade de Deus expressamente afirmada. Josué é o exemplo de um homem que persistiu em ser fiel a Deus e que foi recompensado por sua fé. Mas ele fez questão de reafirmar a fé em Deus para a sua família.

 

Josué tomou a decisão junto com sua família para servir ao Senhor. Será que você e sua casa servirão ao Senhor? Precisamos estar cientes de que nossas decisões têm consequências boas ou más, não só sobre nós, mas também sobre outras pessoas. A decisão egoísta afeta nossas famílias de forma negativa. Da mesma forma, a decisão de servir a Deus influencia positivamente nossas famílias.  A família que serve fielmente ao Senhor jamais será destruída. Devemos servir ao Senhor e fazer tudo ao nosso alcance para ver que a nossa família siga o nosso exemplo. Que possamos dizer com ousadia: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.

I. JOSUÉ – UMA DECISÃO EXEMPLAR

 


1. A firme tomada de posição. Josué, ao término de seu governo, tomou uma posição firme e resoluta ao lado de sua família. Quando exortava o povo a se definir, ante a idolatria, ele disse: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Js 24:15). Ele deixou patente aos olhos do povo que a vida de adoração e fidelidade a Deus não pode dispensar a dimensão familiar.

A vida espiritual de Josué era tal que não bastava que ele, individualmente, servisse a Deus, mas se fazia necessário que fosse acompanhado de sua família e, por isso, havia se dedicado a cuidar para que sua casa também lhe seguisse. Obviamente que o fato de os seus filhos e demais descendentes serem fiéis a Deus era consequência de uma opção própria, mas a fidelidade, a obediência e o exemplo de Josué tinham sido fundamentais, preponderantes para que os seus resolvessem seguir lhe no serviço e adoração ao Senhor. Certamente, Josué reforçara esta necessidade ao vislumbrar o triste caso de Acã que, no seu desatino, acabou levando toda a sua família à perdição (Js 7:24-26). Acã pecara e levara toda a sua família a pecar com ele, pois, do modo como procedeu, fica claro que sua família estava ciente do pecado e com ele consentiu, dele se fazendo participante. É realmente triste quando a família deixa a graça de Deus (“Acã” significa “desgraça”) e se deixa levar pelo pecado. Pense nisso!

2. O perigo da omissão dos pais. A maior parte dos ataques contra a família cristã tem sucesso porque os líderes do lar não tomam posição desde cedo. Muitas vezes, as crianças são criadas fazendo o que bem querem e entendem. Os adolescentes ficam entregues a si mesmos, e os jovens têm absoluta independência. Esse é um modelo de família que não corresponde aos princípios bíblicos. A educação tardia, quando já são adolescentes ou jovens, tende a perder sua eficácia. A decisão de servir a Deus com a família deve ser o mais breve possível. Famílias que aceitam a Cristo, quando os filhos já são grandes tem maior dificuldades em levá-los aos pés do Senhor. A Palavra de Deus recomenda aos pais que criem os seus filhos “na doutrina e admoestação do Senhor” (Ec 6:4b). Essa decisão deve ser prioritária na vida dos pais. Assim agiu Josué, porque ele sabia que, de outra forma, não haveria esperança para o seu lar.

Paulo nos adverte: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (1Tm 5:8). O sacerdote Eli viu a glória de Israel desvanecer-se porque não corrigiu com energia os seus filhos néscios. Por não ter cuidado dos seus, teve sua casa amaldiçoada, perdeu os dois filhos num único dia e morreu com a péssima notícia do roubo da arca da aliança.

II. O EXEMPLO DECISIVO E CORAJOSO DE NOÉ

 


1. Noé andou com Deus. “Noé era varão justo e reto em suas gerações; Noé andava com Deus” (Gn 6:9). Noé tinha qualidades importantíssimas para um servo de Deus: era "varão justo" e "reto em suas gerações". Além disso, ele tinha a "graça" de Deus (Gn 6:8).

Não seria maravilhoso se um dia Deus dissesse de você: "este é um homem justo e reto." Ou: "esta é uma mulher reta(íntegra)”. Não é isto que você gostaria de ser? Mas por que Noé foi considerado um homem justo e reto? A Bíblia afirma: "Noé andava com Deus".

Lembra-se de Abraão? Ele é chamado "o Pai da Fé". Um dia Deus Se apresentou a ele e disse-lhe: "...Eu sou o Deus Todo-poderoso, anda na minha presença e sê perfeito" (Gn 17:1). Tudo que Deus esperava de Abraão era que ele andasse com Deus. O resultado disso seria uma vida de perfeição.

O que dizer de Davi? A Bíblia afirma que: "... achei a Davi filho de Jessé, varão conforme o meu coração..." (Atos 13:22). Ah se um dia Deus pudesse dizer isso de nós! O que mais poderíamos esperar? Mas, por que foi que Davi tornou-se "o homem conforme o coração de Deus"? Qual era a maior obsessão da vida de Davi? Nos Salmos 116 encontramos: "Andarei perante a face do Senhor, na terra dos viventes" (Salmos 116:9).

Você percebeu que existe uma frase que é denominador comum na vida de todos os homens mencionados? Isso mesmo! A frase é: "Andou com Deus". Todos eles foram perfeitos porque andaram com Deus. Existia um relacionamento maravilhoso de amor entre Deus e eles. Em sua experiência, tinham chegado ao ponto de não conseguirem mais viver separados de Deus. Por isso Deus os considerou perfeitos, santos, justos, íntegros e retos.

O interessante é que há sempre alguma coisa curiosa na vida de todos eles:

- Noé um dia ficou embriagado a tal ponto que tirou a roupa e ficou nu, dando um vexame para toda sua família. A despeito disso, Deus diz que ele era justo e reto entre seus contemporâneos.

- Abraão um dia foi tão covarde que teve medo de dizer que Sara era sua mulher e afirmando que era sua irmã, quase empurrou Faraó ao adultério. Os resultados teriam sido terríveis se Deus não interviesse milagrosamente. Mas, sabe o que Deus diz dele? "Abraão era perfeito". O apóstolo São Paulo até o chama de "o pai da fé".


 

- E o que dizer de Davi? Um dia ele mergulhou nas águas turvas do assassinato, da intriga e do adultério. E sabe o que a Bíblia diz dele? Que Davi era um homem "conforme o coração de Deus".

Para os seres humanos, uma pessoa é perfeita, santa, justa, íntegra, quando nunca comete nenhum erro, quando faz tudo certinho, quando cumpre todas as normas, leis e regulamentos. Para Deus, uma pessoa é perfeita quando se dispõe a andar com Ele, quando faz de Cristo o mais importante da vida. Quando compreende tudo o que Cristo fez na cruz por ele e clama por um novo coração capaz de amar, quando sente dor por todo o sofrimento que causou a Cristo com seus erros passados. Para Deus uma pessoa é perfeita quando olha para a cruz e se apaixona por Cristo a ponto de dizer: Ó Senhor Jesus, eu Te amo. Eu Te amo tanto que sem ti a vida não tem sentido. Ajuda-me, por favor a andar contigo!

Nesse instante, o maravilhoso Deus de amor derrama lágrimas de alegria e segura a fraca mão do homem com Sua mão poderosa. E no instante daquele toque, o passado fica apagado para sempre, não importa se fomos bêbados ou covardes, adúlteros ou assassinos, tudo fica enterrado. Porque naquele momento passamos a ocupar o lugar de Cristo. Ele nos oferece Seus méritos, sua vida vitoriosa, seu caráter perfeito e ao mesmo tempo toma sobre Si os nossos pecados e sofre a punição que merecemos por causa deles.

Enfim, Noé andou com Deus fielmente num mundo todo entregue ao pecado; nós devemos e podemos também. Ele é um exemplo significante para os pais de família de hoje, que vivem num mundo cujas características morais são semelhantes às do mundo na época de Noé. Os pais precisam andar com Deus para poderem ver sua família salva.

 

2. Vivendo numa sociedade corrompida. “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gn 6:5,11,12). Noé viveu numa das épocas mais terríveis, em termos morais e espirituais, um mundo corrompido, como o mundo atual, que desdenha da santidade, e valoriza a promiscuidade pecaminosa do homem sem Deus. A corrupção, a violência, a depravação sexual e outros males eram globais. Em toda a história, houve pecaminosidade, mas atualmente essa pecaminosidade tem sido aumentada em índices muito elevados que ultrapassam o que havia no tempo do patriarca do Dilúvio. Este é o tempo que precede a volta de Jesus (Mt 24:37,39). Pais de família estão perplexos quando veem seus filhos sendo levados pela onda avassaladora de imoralidade e corrupção. O que fazer? O exemplo de Noé é marcante e inspira confiar no Deus Todo-Poderoso.

3. A salvação de Noé e sua família. Apesar de todo o clima de rebeldia e de maldade reinantes na face da Terra, Noé alcançou graça aos olhos do Senhor. E como era um homem justo e temente ao Senhor, Deus revelou a Noé o Seu propósito de destruir o mundo, mas também o de salvá-lo da destruição, não somente a ele, como também a toda a sua família (Gn 6:18). Após essa revelação divina, Noé se esforçou para que o propósito divino se tornasse realidade.

Deus prometeu que salvaria Noé, mas Noé teve de construir a arca, como sinal de sua fé e obediência. Além de fé na palavra do Senhor e da obediência à ordem divina, o gesto de Noé em construir a arca revelou, também, o amor que tinha aos seus familiares (Hb 11:7). Esse amor de Noé também se evidencia pelo fato de ter propagado a mensagem divina a todos os homens de seu tempo durante a construção da arca (2Pe 2:5). Esta pregação, naturalmente, começou com a sua própria família, pois Noé tinha o propósito de salvar a sua família e, ao iniciar a construção da arca, deu conhecimento aos seus familiares do que se tratava.

A família de Noé foi salva, mas porque creu na mensagem pregada por ele. A salvação da família de Noé estava no propósito de Deus e a arca foi construída de forma a acolhê-la durante o dilúvio, porém esta salvação somente foi possível porque cada integrante da família de Noé entrou na arca (Gn 7:7). Caso os filhos e noras não tivessem entrado na arca, não teriam se salvado do dilúvio.

Noé fez a sua parte, construindo a arca, pregando a palavra, sendo o exemplo de fé e obediência a Deus para os seus familiares, mas a salvação dependeu do gesto de cada integrante da família. Obviamente que a fidelidade, a obediência e o exemplo dados por Noé foram decisivos para que seus familiares cressem na palavra do Senhor e entrassem na arca. Deus criou todos os meios e as condições para que a família toda fosse salva e cumpriu a Sua promessa de salvá-la, tendo os seus integrantes confiados no Senhor.

Assim é que devemos também fazer com relação a nossas famílias: crer na palavra do Senhor, obedecer às ordens divinas, pregar a palavra aos nossos familiares e vivê-la para servirmos de exemplo. A decisão de se salvar é individual, depende de cada integrante da família, mas, se nos esforçarmos, seremos um elemento preponderante na escolha pela vida de nossos familiares. Deus tem interesse em salvar nossas famílias e devemos agir de modo a que isto se torne uma realidade.

III. O EXEMPLO DOS RECABITAS


Na história Deus sempre teve um remanescente fiel que lhe agradava e não se conformava com o sistema vil do mundo. Esses lhe eram peculiares pelo fato de servirem de modelo para os povos contemporâneos e futuros. Foi assim que aconteceu com a família dos recabitas.

1. Uma família exemplar. Os recabitas eram nômades, provavelmente descendentes dos quenitas (ou queneus). Moisés era casado com uma quenita (Juízes 1:16), filha de Jetro. Este povo se juntou aos hebreus em sua caminhada para a terra de Canaã.

O ascendente direto dos recabitas foi Recabe (1Cr 2:55), sobre quem pouco sabemos. Sabemos mais sobre um de seus descendentes, Jonadabe (Jr 35:6).

O rei Saul demonstrou bondade para com eles (1Sm 15:6), pela simpatia que sempre demonstraram para com os hebreus.

Jonadabe trabalhou com Jeú, no século 9 a.C., quando o rei, contemporâneo de Eliseu, se empenhou na destruição dos seguidores de Baal em Israel (cf 2Rs 10:15-28).

A maioria dos quenitas morava em cidades, adotando um estilo de vida urbano (1Sm 30:29). No entanto, Jonadabe convocou seus descendentes a um novo tipo de vida, renovando-lhes o sentido de sua existência. Jonadabe pediu ao seu clã que conservasse uma vida simples, sem consumo de bebida alcoólica (vinho), sem construção de casas e sem a formação de fazendas. Até à época de Jeremias permaneciam fiéis ao estilo de vida implantado pelo fundador: Jonadabe, filho de Recabe. Eram miais de 200 anos de fidelidade.

Os recabitas entram na história do povo de Deus de maneira heróica. Jonadabe, fundador do clã, participou com Jeú (rei de Israel) do extermínio da casa de Acabe e dos sacerdotes de Baal, conforme 2Reis 10:15ss. Jonadabe identificou-se com aquele que zelava pelo Senhor e por fazer cumprir as palavras proféticas contra a casa de Acabe. Apesar dos desvios de Jeú e de outros líderes em Israel, os recabitas mantiveram-se fiéis à Lei de Deus, embora não passassem de forasteiros entre os hebreus.

Honravam a tradição de seus antepassados. Os recabitas foram obedientes e demonstraram respeito às tradições de seus pais -” Assim, ouvimos e fizemos conforme tudo quanto nos mandou Jonadabe, nosso pai" (Jr 35:10). Jonadabe é um exemplo de pai. Ele deixou uma instrução. Certamente, não falou apenas uma vez, mas ensinou com palavras e com atos de compromisso, e com tal intensidade, que marcou seus filhos, netos e bisnetos. É uma família exemplar. Se quisermos agradar ao Senhor, precisamos obedecer-lhe. A obediência é uma prova do nosso amor a Deus.

2. Um exemplo de fidelidade. Quando Nabucodonozor invadiu a terra de Judá, os recabitas se refugiaram em Jerusalém (Jr 30:11), e lá Jeremias foi encontrá-los, enviado por Deus. Talvez Jeremias já os conhecesse, porque eles exerciam a profissão de metalúrgicos, tão importantes à época. Talvez Jeremias deva ter pensado: "vamos ver se esse pessoal resiste ao meu convite". Imagino que Jeremias sabia que aquela gente era cônscia de que ele era um profeta de Deus; logo, eles iam levar a sério sua palavra. Muitos, talvez, duvidassem que aqueles nômades resistissem a prova de Jeremias. Quem sabe se muitos não faziam até mesmo apostas, semelhantes àquelas que ainda são feitas quando há um desafio a enfrentar por parte de alguém que será provado. Todavia, a resposta deles foi de uma fidelidade a toda prova (cf Jr 35:6-11). Os recabitas permaneceram fiéis às suas convicções, e não desobedeceram aos princípios estabelecidos por seu antepassado (Jonadabe). Com essa dramatização, Deus queria exortar ao povo de Judá que o exemplo de fidelidade e temperança dos recabitas era digno de ser imitado. Por meio dessa dramatização Jeremias chamou a atenção para fidelidade e obediência dessa família à ordem do seu antepassado.

Por sua fidelidade, Deus recompensa os recabitas: “E à casa dos recabitas disse Jeremias: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Visto que obedecestes ao mandamento de Jonadabe, vosso pai, e guardastes todos os seus mandamentos, e fizestes conforme tudo quanto vos ordenou, assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Nunca faltará varão a Jonadabe, filho de Recabe, que assista perante a minha face todos os dias” (Jr 30:18,19). Todos os crentes que conhecem os ensinos divinos e os praticam fielmente para honrarem ao Senhor, à igreja e aos pais receberão a bênção e a recompensa do Senhor.

Os recabitas tornaram-se um singular exemplo de moderação, prudência e fidelidade a todo o povo de Deus. Isto nos mostra que, mesmo em tempos de grande apostasia, Deus tem servos fiéis, que não se afastam de seus mandamentos. A fidelidade aos princípios divinos fez a diferença no caso dos recabitas, e o mesmo acontece com aqueles que insistem em ser fiéis ao Senhor em tempos de esfriamento espiritual.

A fidelidade e a temperança dos recabitas ficaram gravadas para sempre nos anais da literatura bíblica como um exemplo vivo de uma devoção completa que Deus procura no homem. O propósito dos recabitas viverem separados do mal deve ser o alvo dos verdadeiros seguidores de Cristo. Todos os pais crentes devem, da mesma maneira que Jonadabe, ensinar aos filhos os princípios santos que os ajudarão a permanecer fiéis a Deus e à sua Palavra. Pense nisto!

CONCLUSÃO

Assim como Josué deu um bom exemplo para sua família seguir a Deus, cada homem cristão deve fazer uma declaração semelhante à família que o Senhor lhe deu.  A quem você servirá hoje? “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.

“O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz” (Nm 6:24-26).

 

terça-feira, 27 de outubro de 2026

A LONGA SECA E A PROMESSA DE CHUVA

 

A LONGA SECA E A PROMESSA DE CHUVA

Texto Bíblico: 1Reis 18:1-8

 “E será que, se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje te ordeno, de amar o SENHOR, teu Deus, e de o servir de todo o teu coração e de toda a tua alma, então, darei a chuva da vossa terra a seu tempo, a temporã e a serôdia, para que recolhas o teu cereal, e o teu mosto, e o teu azeite. E darei erva no teu campo aos teus gados, e comerás e fartar-te-ás. Guardai-vos, que o vosso coração não se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos inclineis perante eles; e a ira do SENHOR se acenda contra vós, e feche ele os céus, e não haja água, e a terra não dê a sua novidade, e cedo pereçais da boa terra que o SENHOR vos dá” (Dt 11:13-17).

1. A Causa Espiritual da Seca (A Advertência de Deuteronômio)

Em Deuteronômio 11:13-17, Deus havia estabelecido uma aliança clara com o povo de Israel ao entrarem na Terra Prometida:

  • Obediência e Bênção: Se o povo amasse e servisse a Deus de todo o coração, Ele enviaria a chuva no tempo certo (a temporã, na semeadura, e a serôdia, na colheita), garantindo fartura de cereal, vinho e azeite.
  • Desobediência e Juízo: Se o coração do povo se enganasse e eles seguissem e adorassem a outros deuses, a ira de Deus se acenderia: os céus se fechariam, a chuva cessaria e a terra perderia sua produtividade.

No tempo do rei Acabe e sua esposa Jezabel, Israel atingiu um nível sem precedentes de apostasia. Eles promoveram o culto a Baal — divindade cananita considerada por seus devotos como o "deus da tempestade, da chuva e da fertilidade".

Ao fechar os céus por meio da palavra do profeta Elias (1 Reis 17:1), Deus desmistificou Baal, demonstrando que a chuva não vinha de uma falsa divindade, mas sim do Criador dos céus e da terra.

2. As Consequências da Seca em Israel (1 Reis 18:1-8)

O texto de 1 Reis 18:1-8 revela o estado crítico em que o reino se encontrava ao final dos três anos e meio de estiagem:

A Gravidade da Fome (v. 1-2)

A seca prolongada causou extrema escassez na capital, Samaria. A falta de água devastou a agricultura e a pecuária, levando o povo e os animais ao limite da sobrevivência.

O Contraste entre Obadias e Acabe (v. 3-6)

Enquanto Acabe e Jezabel perseguiam os profetas do Senhor, o mordomo do rei, Obadias, temente a Deus, arriscou a própria vida para esconder e alimentar cem profetas do Senhor em cavernas.

Acabe e Obadias dividiram a terra para procurar pastagem a fim de salvar os cavalos e mulas reais, evidenciando o desespero de um rei mais preocupado com a perda de seus animais do que com o arrependimento de sua nação.

O Encontro com Elias (v. 7-8)

No caminho, Obadias encontra Elias. O profeta envia uma mensagem direta a Acabe: "Vai, dize a teu senhor: Eis que Elias está aqui." Esse encontro prepara o cenário para o confronto no Monte Carmelo, onde o fogo do céu provaria quem era o único Deus verdadeiro.

INTRODUÇÃO

Impulsionado pelo Espírito de Deus, Elias se apresenta diante do rei Acabe e declara que não haveria nem chuva nem orvalho enquanto o próprio profeta não o pedisse a Deus (1Rs 17:1). Numa frase tão curta e sucinta, como é este versículo das Escrituras, encontramos um exercício imenso de fé. Elias, um profeta que vivia retirado da sociedade, é levado pelo Espírito a se apresentar nada mais nada menos que diante do próprio rei e a dizer que haveria uma grande seca até o instante em que ele pedisse a Deus que chovesse. Que coragem da parte do profeta! Que determinação, ou seja, que disposição firme de cumprir a Palavra de Deus!

Denunciar o pecado e anunciar o juízo divino não é uma tarefa fácil e o serviço a Deus traz inevitável aborrecimento do mundo e dos pecadores. Não pensemos nós que servir ao Senhor é alcançar popularidade, respeito e medo dos ímpios, mas, bem ao contrário, é acirrar os ânimos das hostes espirituais da maldade contra nós.

I. O PORQUÊ DA SECA

1. Disciplinar o rei e o povo de Israel. O contexto de 1Reis 17 e 18 nos mostra claramente que Deus, na sua soberania, determinou a seca sobre Israel para corrigir o rei e o povo da sua teimosa idolatria e para revelar que somente Deus é o provedor de todas as coisas, que só Ele é quem tem o domínio sobre a natureza que Ele mesmo criou.

Deus reteve a chuva durante três anos e meio (Lc 4:25; Tg 5:17). Esse juízo humilhava Baal, pois seus adoradores criam que ele controlava a chuva e que era responsável pela abundância nas colheitas. E esta forma punitiva usando a natureza fora prevista muito antes, à época de Moisés, caso o povo se desviasse dos caminhos do Senhor:

“E será que, se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje te ordeno, de amar o SENHOR, teu Deus, e de o servir de todo o teu coração e de toda a tua alma, então, darei a chuva da vossa terra a seu tempo, a temporã e a serôdia, para que recolhas o teu cereal, e o teu mosto, e o teu azeite. E darei erva no teu campo aos teus gados, e comerás e fartar-te-ás. Guardai-vos, que o vosso coração não se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos inclineis perante eles; e a ira do SENHOR se acenda contra vós, e feche ele os céus, e não haja água, e a terra não dê a sua novidade, e cedo pereçais da boa terra que o SENHOR vos dá” (Dt 11:13-17).

2.  Revelar a divindade verdadeira. Outro motivo para a seca era o desafio de Deus contra as divindades sidônias Baal e Aserá. Essas "divindades" já eram conhecidas dos israelitas, mas foram importadas e oficializadas por Jezabel, esposa de Acabe. Os habitantes do Reino de Israel, que haviam se esquecido do Senhor, acreditavam que essas divindades "davam" a chuva e a colheita no tempo devido. Agora Deus mostraria seu poder retendo a chuva e permitindo que a fome fizesse os israelitas pensarem melhor na pessoa a quem sua fé era direcionada.

Por ocasião dessa seca, Deus, através do seu profeta Elias, realizou alguns milagres. Elias multiplicou o alimento de uma viúva pobre e depois ressuscitou o filho dela. Após retornar de Sarepta, na Fenícia, onde foi sustentado por uma viúva, Elias fez descer fogo do céu com sua oração. Com isso, Elias mostrou ao povo e ao rei Acabe quem era o Deus verdadeiro em Israel.

 

II. OS EFEITOS DA SECA

 


A longa seca predita pelo profeta Elias e que teve seu fiel cumprimento nos dias do rei Acabe (1Rs 17:1,2; 18:1,2) não foi obra desse profeta, e sim um ato da soberania de Deus. O pai celestial é soberano sobre toda a sua criação. Foi uma forma de disciplinar o seu povo, Israel. O Pai celestial tem diversas maneiras de disciplinar os seus filhos. No antigo Testamento, uma delas era provocando longos períodos de seca sobre a nação de Israel. As advertências sobre este método disciplinar podem ser lidas em alguns textos bíblicos:

“Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão: [...] Os teus céus sobre a tua cabeça serão de bronze; e a terra debaixo de ti será de ferro. Por chuva da tua terra, o SENHOR te dará pó e cinza; dos céus, descerá sobre ti, até que sejas destruído” (Dt 28:15,23-24).

“Se eu cerrar os céus de modo que não haja chuva, ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu povo; se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2Cr 7:13-14).

A falta de chuva resultaria em crise econômica, que acabaria por tratar do orgulho, da arrogância e da idolatria nacional, que chegava a creditar sua prosperidade aos falsos deuses.

Deus sempre quis e quer dialogar com o homem, mas a persistência no pecado tem levado o ser humano a sofrer diversas consequências e pesados juízos divinos. Deus não se deixa escarnecer e tudo o que o homem semear, isto também ceifará (Gl 6:7). Em Israel, os que adoravam a Baal criam que ele era o deus que mandava chuvas e colheitas abundantes. Assim, quando Elias se colocou na presença de Acabe e disse-lhe que não choveria por vários anos, o rei ficou chocado. Baal tinha muitos sacerdotes os quais não poderiam trazer chuvas. Elias confrontou corajosamente o homem que levara seu povo ao mal, e falou-lhe de um poder muito maior do que o de qualquer deus pagão: o Senhor Deus de Israel. Quando a rebelião e as heresias estavam em seu nível mais alto no meio do povo, o Senhor não respondia somente com palavras, mas com ações severas.

Infelizmente, a seca não surtiu os efeitos desejados, além da escassez e fome. É tanto que Elias entrou numa severa depressão, a ponto de pedir para morrer. Debaixo da sombra protetora de um zimbro (um arbusto que cresce no leito seco dos rios do deserto), ele se sentia tão deprimido a ponto de desejar que sua vida logo terminasse. Na verdade, Elias, após a grande manifestação divina no monte Carmelo, esperava que Acabe exercesse sua autoridade e influência sobre Jezabel e obrigasse o povo e a casa real a servirem somente ao Senhor, mas, certamente, ele não o fez. Pelo contrário, os profetas de Aserá foram libertos e Jezabel ameaçou tirar a vida de Elias.

Durante o período da seca, o povo também não demonstrou arrependimento de sua idolatria. A seca anunciada por Elias (1Rs 17:1) havia acontecido como um desafio direto a Baal. Quanto mais tempo ela continuasse mais evidente se tornava que ele não era o grande deus que os seus seguidores acreditavam ser, e que só o Senhor era o Deus verdadeiro. Somente após a manifestação do grande poder de Deus no Monte Carmelo, quando Deus respondeu com fogo a oração de Elias, é que o povo em uníssono exclamou: “Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!” (1Rs 18:39). E isso não durou muito tempo. Nos reinados seguintes, o povo mergulhou novamente na imoralidade, idolatria e injustiças sociais. Só parou depois que foi desterrado para sempre. Deus é amor, é longânimo, mas é justiça!

 

III. A PROVISÃO DIVINA NA SECA

 


1. Provisão pessoal. O anúncio da seca deu início ao conflito entre Deus e Baal, que atingiu o seu clímax no Monte Carmelo. Assim que a batalha foi consolidada, Elias recebeu ordens do Senhor para que se isolasse junto ao ribeiro de Queirte - provavelmente situado na região de Gileade -, durante o período da seca; ali, Deus milagrosamente proveria seu alimento através dos meios mais improváveis (1Rs 17:3,5,6).

Querite representava para Elias um momento de anonimato – depois de desafiar o rei Acabe, Elias se tornou conhecido em todo o reino, e foi procurado exaustivamente por Jezabel em diversos lugares. A obediência de Elias o preservou em segurança das mãos de Jezabel nos anos de seca, e o preparou para os próximos desafios que iria enfrentar para que o povo retornasse aos caminhos do Senhor. Esse milagroso cuidado foi muito importante para o desenvolvimento da confiança de Elias em Deus, da qual ele necessitaria para o importante confronto com as forças de Baal e Aserá no futuro.

Deus é o garantidor do cumprimento da Sua Palavra. Certamente não foi fácil para Elias acatar a ordem divina de desafiar o próprio rei, mas, ao fazê-lo, Deus, que bem sabia os riscos que o profeta passava a correr, encarregou-se de providenciar ao profeta proteção e sustento, já que o juízo divino afetaria a própria subsistência do povo.

Deus passou a sustentar o profeta que, junto a um ribeiro, onde havia água necessária à sua sobrevivência, passou a ser alimentado por corvos, que lhe traziam pão e carne pela manhã e pela noite (1Rs 17:6). Como diz o apóstolo Paulo, “…Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias, e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes, e Deus escolheu as coisas vis deste mundo e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são: para que nenhuma carne se glorie perante Ele” (1Co 1:27-29). Como poderia Elias ser alimentado por corvos, animais que são conhecidos por serem decompositores, ou seja, que se alimentam daquilo que estão apodrecendo, daquilo que está se desfazendo, e num momento em que passou a haver escassez de alimentos? Como ser alimentado por um animal tão asqueroso, tão repugnante? Entretanto, como disse o Senhor, havia sido dada uma ordem aos corvos para alimentar o profeta e, ante a ordem divina, não há como haver recusa. Elias, toda manhã e toda noite, era servido pelos corvos, que, pontualmente, cumpriam a ordem do Senhor. Deus, assim, mostrava, duas vezes ao dia, ao profeta que estava no controle de todas as coisas, que toda a natureza estava sob as Suas ordens. Glórias a Deus!

Dia após dia, Elias era alimentado pelos corvos, mas a seca que anunciara já era uma realidade. Por isso, dia após dia, as águas do ribeiro de Querite iam minguando, até o momento em que o ribeiro secou. Deus continuava a agir na vida de Elias, demonstrando que tinha o controle da situação. Os corvos vinham lhe trazer comida, mas o ribeiro se secava, em cumprimento à palavra do profeta, que tudo dissera em nome do Senhor. Deus tem compromisso com a Sua Palavra (Jr 1:12) e não a invalidará, ainda que isto representasse a proteção e o sustento dos Seus servos fiéis. Deus não precisa invalidar a Sua Palavra para guardar os Seus!

Quando o ribeiro secou, Deus, então, mandou que o profeta fosse para Sarepta, cidade pertencente a Sidom, pois o Senhor havia ordenado a uma viúva que sustentasse o profeta (1Rs 17:9). Vemos, aqui, que Deus, depois de mostrar que tinha controle sobre a natureza, estava agora a mostrar ao profeta que também era o controlador da humanidade e das estruturas sociais. Além do mais, tratava-se de uma viúva e as viúvas, geralmente, eram pessoas necessitadas, que se encontram entre os mais desprovidos de recursos econômico-financeiros, que viviam da caridade pública. Entretanto, este Deus que escolhe as coisas loucas para confundir as sábias, fez com que o profeta passasse a ser sustentado, na terra de Sidom, por uma viúva miserável. Essa situação foi bastante pedagógica ao profeta. A cada instante, Elias aprendia o significado do seu próprio nome: “Javé é Deus”.

2. Provisão coletiva. Além da providência de Elias e da viúva de Sarepta, o relato bíblico mostra que Deus também trouxe a sua provisão para um grande número de pessoas.  Em primeiro lugar, o texto bíblico mostra que Deus usou o próprio mordomo do rei Acabe, Obadias, para sustentar com pão e água 100 profetas (cf 1Rs 18:4). Quando Elias ia em direção a Acabe se encontrou com o mordomo do rei, Obadias, que era uma pessoa temente a Deus, o qual relatou ao profeta como havia escondido os servos do Senhor numa caverna e providenciado o seu sustento em meio à grande seca e à implacável perseguição desenvolvida por Acabe contra os servos de Deus (cf 1Rs 18:4). Ao se encontrar com Obadias, Elias fica a saber que o rei Acabe o havia procurado em todos os lugares, a demonstrar, mais uma vez, que o Senhor o havia escondido, o havia não só sustentado, mas também protegido (1Rs 18:10). Também foi cientificado de que não era o único a ter obtido a proteção e sustento da parte de Deus, que os profetas, aqueles com quem Elias tinha tanto cuidado, também haviam sido guardados, pela mão de Obadias. Este mordomo, apesar do cargo que ocupava, era um homem temente a Deus e, pela obra do Senhor, não tinha por valiosa a sua posição social (1Rs 18:3,4).

Em segundo lugar, foi o próprio Deus, no Monte Horebe, quem disse para Elias que havia guardado sete mil profetas, os remanescentes, que não havia dobrado os seus joelhos diante de Baal: “Eu fiz ficar em Israel sete mil” (1Rs 19:18). Este relato bíblico mostra-nos que Deus não só havia cuidado de Elias, como também de todos os Seus profetas, mostrando que havia absoluto controle divino sobre toda a situação.

 

Deus não muda e continua a guardar os Seus servos, o Seu povo em meio aos dias trabalhosos e difíceis que estamos a viver. Basta apenas que temamos a Deus e que estejamos dispostos a servi-lo e a fazer o que Ele nos manda, sem nos importarmos com as circunstâncias ou os possíveis riscos.

 

IV. AS LIÇÕES DEIXADAS PELA SECA

A seca em Israel nos apresenta três lições: a majestade de Deus e sua soberania; o pecado contra Deus tem um preço muito alto; e a lógica de Deus se contrapõe à lógica humana.

1. A majestade de Deus e sua Soberania. O povo de Israel, ludibriado pelos falsos profetas e pelo seu rei, acreditava que quem mandava chuvas e colheitas abundantes era o falso deus Baal. Mas, Elias confrontou corajosamente essa falsa teoria e falou à casa real que o domínio da natureza pertencia Àquele que é Onipotente, Onipresente e Onisciente – o Deus de Israel. Por isso disse, com voz firme e incisiva: “Vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou [Onipresença de Deus], que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá [Onisciência e Onipotência], senão segundo a minha palavra” (1Rs 17:1). Conforme as palavras de Jesus, foram três anos e meio de terrível seca (Lc 4:25). Aprendemos com isso que somente “Javé é Deus”, que somente o Senhor é quem opera, quando, como e onde quer.

2. O pecado tem o seu custo. A paciência de Deus nunca deve ser erroneamente interpretada como fraqueza. O pecado coletivo ou individual não ficará impune. Elias afirmou ao rei Acabe que tudo o que estava acontecendo em Israel era resultado do pecado da sua casa e do povo (1Rs 18:18). O pecado pode ser atraente e até mesmo desejável, mas tem um custo muito alto.

3. A lógica de Deus se contrapõe à lógica humana. Após dizer que haveria seca em Israel (1Rs 17:1), o profeta Elias recebeu a ordem divina de ir à Sarepta, porque ali residia uma viúva que o sustentaria (1Rs 17:8,9). O texto bíblico diz que a situação daquela mulher era tão crítica, que ela estava prestes a preparar a sua última refeição e aguardar, com o único filho, a morte. Então, por que Deus enviou o profeta à viúva de Sarepta, que estava vivendo um momento de dificuldade e escassez muito maior que a experimentada por ele? A lógica de Deus se contrapõe à lógica humana. Deus não pensa como o homem, não considera as saídas e soluções que imaginamos, nem se prende ao que vemos e supomos ser o melhor para nós nas situações pelas quais passamos. Está escrito: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor” (Is 55:8). Quando, em meio a uma gigantesca necessidade, Deus nos coloca diante de alguém com uma necessidade maior ainda e afirma que de tal pessoa virá a ajuda, é porque o milagre está sendo preparado, o milagre da dependência total do Senhor.

 

CONCLUSÃO

Foi somente após a restauração do altar do Senhor no Monte Carmelo e o reconhecimento do povo que “Só o Senhor é Deus” (1Rs 18:39), que a seca secou. Essa confissão deixava bem claro que eles haviam decidido em favor de Deus e contra Baal. Foi no Carmelo que o povo viu o fracasso do falso (1Rs 18:25-29) e o triunfo da verdade (1Rs 18:30-40). A restauração do altar significava que a religião de Deus seria novamente instalada. As doze pedras que fala o texto sagrado (1Rs 18:31), as quais simbolizavam as doze tribos de Israel, foram colocadas no altar com a finalidade de retratar o desejo de Deus pela unidade entre as tribos.

A mensagem de Elias a Acabe: “Sobe, come e bebe” (1Rs 18:41), indicava que a ansiedade e o temor experimentados durante o longo período de seca logo seriam substituídos pela alegria, pelo fato de que a calamidade finalmente terminara. E a chuva começou a cair logo depois da oração de Elias. Primeiro apareceu uma pequena nuvem sobre o mar na linha do horizonte. Depois, formou-se a tempestade e finalmente caiu uma chuva abundante (1Rs 18:43-45). Elias fez o povo entender que era o Deus de Israel, e não Baal, quem enviava a chuva e terminava com a terrível seca (1Rs 18:41-46). Isso mostra claramente quem estava e está no controle de todo o reino da Natureza.  Portanto, “Só o Senhor é Deus!”. Aleluia!!

 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A INVEJA, É UM PECADO GRAVE

 

A INVEJA, É UM PECADO GRAVE

Texto Básico: 1João 2:9-15

“O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14:30).

A inveja é frequentemente apontada pelos escritos sagrados e pela tradição bíblica como um dos males mais silenciosos e destruidores da alma humana. Diferente de vícios ou impulsos que se manifestam externamente com facilidade, a inveja opera na escuridão do coração, corroendo os relacionamentos e a paz interior.

1. O Que É a Inveja e Por Que É um Pecado Grave?

A inveja vai além de simplesmente "desejar o que o outro tem" (o que muitas vezes pode ser cobiça ou admiração). A verdadeira inveja carrega em si um elemento de amargura e ressentimento pelo bem-estar, sucesso ou virtude do próximo. O invejoso não quer apenas a benção do outro; ele se incomoda com o fato de o outro ser abençoado.

  • Podridão interna: Como destaca Provérbios 14:30 (“O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos”), a inveja consome a pessoa de dentro para fora. Ela destrói a alegria de viver, pois o invejoso perde a capacidade de se alegrar com a própria vida por estar fixado na vida alheia.
  • Gravidade espiritual: É um pecado grave porque ataca diretamente o amor (caridade). Ela impede a empatia, destrói a comunhão e alimenta o rancor, a fofoca e a divisão. Na tradição bíblica, a inveja é a raiz de grandes tragédias humanas — desde Caim e Abel até a entrega de Jesus para ser crucificado (Mateus 27:18).

2. A Reflexão de 1 João 2:9-15 — Luz vs. Trevas

Ao analisar a passagem bíblica indicada em 1 João 2:9-15, compreendemos a mecânica espiritual por trás da inveja e da falta de amor:

  1. Estar nas Trevas (vv. 9-11):

“Aquele que diz que está na luz e odeia a seu irmão, até agora está em trevas.”

A inveja anda de mãos dadas com o ressentimento e o ódio velado. Quem cultiva inveja não consegue andar na luz de Deus, pois a inveja cega o entendimento espiritual (v. 11), fazendo a pessoa tropeçar em suas próprias emoções negativos.

  1. O Amor ao Pai vs. o Amor ao Mundo (vv. 15-17):

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há...”

A inveja se alimenta da vaidade, do status, da comparação social e do apego aos bens materiais ou elogios dos homens (a "soberba da vida"). Quando o coração está fixado nas coisas passageiras, a prosperidade do outro passa a ser vista como uma ameaça pessoal.

3. As Consequências da Inveja

  • Na Relação com Deus: Gera murmuração e ingratidão. O invejoso sutilmente questiona a justiça de Deus, duvidando de que Ele seja bom ou suficiente para a sua própria vida.
  • Na Relação com o Próximo: Destrói amizades, famílias e comunidades. Substitui a cooperação pela competição destrutiva.
  • Na Própria Pessoa: Gera ansiedade, amargura, isolamento e esgotamento emocional.

4. Como Vencer a Inveja?

Superar a inveja exige um exercício constante de maturidade espiritual e emocional:

  1. Cultivar a Gratidão: Focar nas próprias bênçãos e reconhecer o cuidado de Deus na sua trajetória impede que a grama do vizinho pareça mais verde.
  2. Praticar a Empatia (Alegrar-se com os que se alegram): Treine seu coração para felicitar genuinamente as conquistas dos outros. Isso quebra o poder do egoísmo.
  3. Desenvolver a Identidade e o Propósito: Compreender que Deus tem um caminho único para cada pessoa elimina a necessidade de comparação.
  4. Andar no Amor e na Luz: Como ensina João, permanecer na luz significa cultivar o amor irmão, onde não há espaço para a podridão da inveja.

INTRODUÇÃO                                                 

A inveja significa antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos. É um pecado grave. Faz parte do rol das obras da carne exarado em Gl 5:19-21. “Carne” é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal. Aqueles que praticam as obras da carne não herdarão o reino de Deus (Gl 5:21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo (ver Rm 8:4-14).

Uma pessoa invejosa perturba-se com o sucesso dos outros. Não se alegra com o que tem, mas se entristece pelo que o outro tem. Um invejoso nunca é feliz porque sempre está buscando aquilo que não lhe pertence. Um invejoso nunca é grato, pois está sempre querendo o que é do outro. Um invejoso nunca tem paz porque sua mesquinhez é como um câncer que lhe destrói os ossos. Disse bem o sábio: “...a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30).

Conta-se a seguinte história sobre a inveja. “Uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: ‘Posso fazer uma pergunta?’. A serpente respondeu: ‘Na verdade, nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir’. Então o vaga-lume perguntou: ‘Fiz alguma coisa a você?’. ‘Não’, respondeu a serpente. ‘Pertenço à sua cadeia alimentar?’, perguntou o vaga-lume. ‘Não’, ela respondeu de novo. ‘Então, por que você quer me comer?’, indagou o inseto. ‘Porque não suporto vê-lo brilhar’”.

O invejoso se queixa de tudo e de todos, acredita que não conquistará o que o outro possui, não reconhece as suas habilidades e talentos, pois está e vive focado no outro; portanto, torna-se um eterno insatisfeito.

Existem três tipos de inveja. O primeiro deles é a inveja autodestrutiva; é quando nos sentimos inferiores diante da aparência ou conquista de outras pessoas; quando nos sentimos incapazes e pobres por viajarmos de ônibus enquanto o nosso vizinho vai de automóvel, por exemplo.

O segundo tipo, o mais grave, é a inveja patológica, aquela que nos faz querer destruir aquele que invejamos. A primeira manifestação de inveja patológica está documentada na Bíblia, quando a perfeita comunhão de Abel com Deus leva Caim ao desespero e ao assassínio do próprio irmão.

O terceiro tipo é a inveja criativa que você sente e usa para conquistar o que deseja. Em vez de odiar o outro pelo que ele tem, tenta encará-lo como um exemplo a ser seguido. Por exemplo: um aluno conseguiu as melhores notas na disciplina; este tipo de inveja pode ajudar a melhorar as notas para superar o outro; estimula a se aprofundar nos estudos para conquistas de melhores empregos. Só que este tipo de inveja pode incorrer numa medida de insatisfação sem fim, numa busca infindável por bens; quanto mais tem mais quer; a medida da suficiência numa chega ao fim; é um eterno insatisfeito. Portanto, qualquer que seja o tipo de inveja é prejudicial à saúde espiritual do cristão, pois ela tem origem maligna. O invejoso não tem paz. Que Deus nos guarde!

I. A INVEJA NO PRINCÍPIO DO MUNDO


1. Inveja, um sentimento maléfico. A inveja é definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de outra pessoa. É o tipo mais antigo de pecado e afeta a saúde física, social e espiritual (Pv 14:30). De acordo com o Dicionário Vine, editado pela CPAD, a inveja “originou-se da fracassada tentativa de Satanás de usurpar os atributos divinos”. Ele permitiu que o orgulho e egoísmo dominassem seus pensamentos e ações, e logo o seu desejo foi o de ocupar o lugar de Deus. Ele queria ser maior que o Todo-Poderoso (Is 14:2-20), porém sua tentativa foi um fracasso e por causa disso foi determinado o seu destino: o lago de fogo e enxofre, ou seja, o inferno (Ap 20:10).

A pessoa que permite que a inveja se instale no coração desenvolve uma compreensão equivocada de si e dos outros e nutre um sentimento maléfico de crítica, ódio e perseguição. No princípio da humanidade, a inveja causou a primeira morte em nosso mundo: Caim matou seu irmão Abel (Gn 4:5). Precisamos vencer esses maus sentimentos e nutrir o coração com o verdadeiro amor que vem de Deus. Os que amam a Deus não podem abrigar ódio nem inveja.

2. Inveja, uma ação maligna. A inveja é um pecado com grande poder de dominação. Uma pessoa dominada pela inveja está sempre propensa a praticar maldade, que é uma ação maligna. 

Observe a advertência do Senhor para Caim: “Por que te iraste? E por que desmaiou o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar” (Gn 4:6,7). Esta advertência do Senhor evidencia o perigo devido ao poder destrutivo e dominador da inveja. A consumação do homicídio não deixa dúvida. Uma pessoa tomada por inveja está vulnerável ao pecado, e dificilmente se livra de seu poder de dominação. O invejoso vai sendo tomado por uma série de outros sentimentos e atitudes, e esse descontrole pode levá-lo a praticar atos absurdos como no caso de Caim, que matou seu irmão. “A pessoa que pratica a maldade é naturalmente perversa e está sempre pronta a prejudicar e a ofender ao próximo”.

3. A inveja leva à maldade. Além de Caim, tomemos como outro exemplo a inveja de Saul. Embora tivesse, a princípio, uma disposição favorável a Davi, Saul se demonstrou depois muito hostil a ele, perseguindo-o com o propósito de o matar. Essa mudança não se deu de uma hora para outra, mas gradualmente, na proporção em que Saul nutria a inveja no coração. Aparentemente, o problema começou quando o aplauso popular se desviou dele para Davi. Era-lhe muito pesaroso ver o nome de Davi em evidência, e o dele em aparente esquecimento. Por isso, passou a tê-lo como rival e inimigo. Esse problema sempre estará presente onde existirem pessoas com inveja.

De Saul podemos compreender que a inveja produz uma série de sentimentos ruins como: baixa autoestima, ódio, suspeita, medo, culpa e ira. A consequência disso foi o afastamento de Deus, que Saul infelizmente experimentou.

II. A INVEJA E SUA CONSEQUENCIA


1. Na vida de Caim. A família é o ambiente em que mais vivemos durante os primeiros anos de nossa vida, consequentemente é natural que nossos primeiros grandes problemas também aconteçam ali. As dificuldades que ocorrem no relacionamento entre irmãos são muitas e marcam muitas pessoas. Talvez a maior luta esteja exatamente relacionada a disputas, diferenças de oportunidades (ou de habilidade para aproveitá-las). A crise na família de Adão é um bom exemplo de inúmeros dramas familiares na história.

Muitos conhecem a história dos irmãos Caim e Abel, filhos do primeiro casal da Terra, Adão e Eva. O resumo dos fatos é simples: Abel fez uma oferta aceitável ao Senhor, enquanto a oferta de Caim foi rejeitada. Isso trouxe profunda tristeza ao coração de Caim (Gn 4:2-5). Ele foi tomado por tamanha inveja que acabou por assassinar seu irmão. Entre a "concepção" do pecado e a prática de homicídio se deu algo realmente extraordinário, o próprio Senhor Deus foi ao encontro de Caim para adverti-lo do perigo iminente: "o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo"(Gn 4:7). Está escrito: “Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tiago 3:16).

Talvez seja a hora de você fazer uma autoavaliação e observar se tem admirado ou sentido inveja do seu irmão ou do seu próximo.

2. Na vida dos irmãos de José. “E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho de sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores. Seus irmãos, pois, o invejavam” (Gn 37:3,11). “E os patriarcas, movidos de inveja, venderam a José para o Egito; mas Deus era com ele” (At 7:9).

José, aos dezessete anos de idade, teve um sonho e contou a seus irmãos. Ele lhes disse: "Estávamos nós atando molhos no campo e eis que o meu molho, levantando-se, ficou em pé; e os vossos molhos o rodeavam e se inclinavam ao meu molho". Responderam-lhe seus irmãos: "Tu, pois, reinarás sobre nós e deveras terás domínio sobre nós?". Por causa dos seus sonhos e das suas palavras o odiavam ainda mais.

Teve José outro sonho e o contou a seus irmãos, dizendo: "Tive ainda outro sonho; e eis que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim”. Os irmãos o odiaram por causa do sonho e seu pai repreendeu-o porque entendeu que, segundo o sonho, todos eles viriam a inclinar-se com o rosto em terra diante dele.

Os irmãos de José, totalmente envolvidos pela inveja, decidiram matá-lo (Gn 37:18) e o teriam feito se Ruben, o primogênito, não lhes tivesse demovido o intento (Gn 37:18-21). A presença de José os incomodava. Por isso, não sossegaram enquanto não deram um fim nele.

José perdeu, de um momento para outro, toda a sua posição privilegiada que tinha na casa de seu pai. Perdeu a “túnica de várias cores” e foi posto numa cova no deserto, uma cova vazia e sem água (Gn 37:24). Seus irmãos, insensíveis e cegos pelo ódio e pela inveja, comiam pão enquanto seu irmão estava a sofrer terrivelmente naquela cova. José estava só, abandonado pelos seus próprios irmãos. Enfim, venderam-no como escravo, por vinte siclos de prata a negociantes ismaelitas, que o levaram para ser vendido no Egito. Mas, será que os invejosos irmãos de José tinham paz? A história mostra que não.

A inveja desvia o foco, conduzindo a energia da pessoa para o lado errado. É um sentimento ambicioso que não lhe permite vislumbrar o que está à sua frente nem o que lhe pertence. Por conta disso, pode gerar vingança, crimes, violência, enganos e maus-tratos, tudo pelo desejo de possuir o que o outro tem, de querer estar no lugar dele.

3. Na vida de Acabe, rei de Israel (1Rs 21:1-19). Vivemos em um mundo competitivo e cheio de atrativos para nossos olhos. Se o conceito de inveja - "desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem” -, se aplicava bem para o caso de Caim, o conceito "desejo violento de possuir bem alheio" é bastante apropriado ao caso de Acabe. Nabote possuía uma vinha ao lado do palácio do rei Acabe (1Rs 21:1), e esse rei invejoso desejou ardentemente aquele bem. A sua mulher insana arquitetou a morte de Nabote a fim de atender a cobiça de Acabe.

Inveja quase que se mistura com cobiça, um dos pecados registrados entre os dez mandamentos (Êx 20:17). Inveja não anda só, porém sempre muito mal acompanhada. Os diversos textos que tratam de inveja geralmente a colocam na companhia da maldade, da soberba, da mentira, do cinismo e da morte. O desejo despertado pela inveja é tão poderoso que acaba por tornar-se ocupação única do invejoso. Acabe não desejava mais comer, ou fazer qualquer outra coisa (1Rs 2:4). A combinação de pecados relacionados à inveja produz um veneno tão poderoso que ameaça de morte tanto as pessoas à sua volta como o próprio invejoso.

Como no caso de Caim, o final da história foi o juízo de Deus sobre Acabe e sobre Jezabel. A cobiça do rei Acabe teve uma consequência ainda mais funesta do que toda a sua idolatria. Acabe e sua mulher Jezabel muito haviam irado o Senhor por causa da intensa idolatria e da quase substituição do Senhor por Baal como deus nacional do reino do norte. Entretanto, a morte de Nabote, planejada covardemente por Jezabel, motivada pela cobiça do rei Acabe, foi a “gota d’água” da ira de Deus. Por causa disto, Deus sentenciou toda a casa de Acabe à morte. Foi, portanto, a inveja e a cobiça o estopim da destruição de toda a grande e extensa família de Acabe (1Rs 21; 2Rs 10:1-14).

4. Na vida do crente. Quem tem inveja não consegue andar para frente, pois seu tempo é ocupado em tentar ser alguém que não é, em tentar impressionar seus pares, e até mesmo tentar privar o invejado daquilo que ele possui. Se falarmos de forma honesta, não há crente fiel que em algum momento de sua vida não tenha sentido desprazer pelo sucesso de outro crente. Isso pode acontecer como qualquer pessoa, pois ter nascido de novo não nos isenta de ser assaltados por sentimentos incompatíveis com nossa posição em Cristo. Nossa natureza humana está sujeita às propensões pecaminosas herdadas de Adão. A inveja é pecado, e de alguma forma, todos já tivemos um sentimento de desconforto por ver uma pessoa que tem mais talentos do que nós, que possui algo que desejamos ou que está em uma posição de destaque em que nós gostaríamos de estar. Isso faz parte da natureza humana. Entretanto, o crente não pode se deixar dominar por esse sentimento.

5. Um pecado que pode ser dominado. A maldade pode ser dominada. O próprio Deus insinua isso quando dá o conselho a Caim: “..., mas sobre ele deves dominar"(Gn 4:7). Esse "maravilhoso conselheiro" informa à pessoa envolvida na atitude de inveja que é possível controlar o desejo indômito de praticar maldade, produzido pela inveja, e é tarefa humana (minha e sua) controlar essa situação. É muito importante que a pessoa acometida por inveja entenda o valor do seu papel na solução do problema. Ela precisa arrepender-se. Ela precisa ser ajudada a encontrar os motivos que a levaram a esse sentimento para poder superar os problemas e encontrar caminho de vitória. Não se trata de culpar os outros ou de julgar-se incapaz, mas de tomar para si a responsabilidade e, com a graça de Deus (e ajuda de alguém, quando necessário), encontrar o caminho mais adequado. No caso de Caim, ele fez a opção errada, chegando ao absurdo de matar seu próprio irmão. A consequência do ato foi o juízo de Deus sobre ele.

III. INVEJA NA IGREJA: ANANIAS E SAFIRA (At 4:36-5:11)


O casal Ananias e Safira é o mais notável indicador de que a inveja tem real penetração na comunidade da fé, causando sofrimento na Igreja do Senhor Jesus.

No princípio da Igreja muitos irmãos tomaram a decisão de venderem suas propriedades, trazendo o produto da venda aos apóstolos (At 4:32-35). Desse modo, ninguém passava por carência de produtos básicos de sobrevivência, pois os recursos eram distribuídos aos que tivessem necessidades. Uma das pessoas que compunham a igreja vendeu um campo e "depositou aos pés dos apóstolos" (At 4:36-37). O casal Ananias e Safira resolveu imitar a prática, porém não fez isso com o coração íntegro, mas com dolo e com a semente do engano (At 5:1-11). O caráter destrutivo dessa atitude movida pela inveja era evidente.

1. A inveja destrói o ambiente saudável da igreja. Mesmo levando em conta o registro da prisão de Pedro e João (At 4:1-22), pode-se dizer com segurança que a história inicial da igreja primitiva é bastante animadora até o final do capítulo quatro de Atos dos Apóstolos. O retrato que temos é de uma igreja com poder do Espírito Santo, sermões abençoados, muitas conversões e batismos, curas e uma belíssima comunhão dos salvos (veja At 4:32-35, novamente). O ambiente não poderia ser mais saudável.

O início do capítulo cinco de Atos é como uma tragédia lamentável. A morte espetacular de Ananias, e depois de sua esposa, Safira, abrem caminho para um tempo em que, ainda que continuasse o crescimento e a manifestação da graça de Deus, experimenta-se sofrimento de diversas formas: prisão e perseguição (At 5:17-18), murmuração entre os crentes (At 6:1), martírio (At 7) e dispersão (At 8:4).

2. A inveja destrói a vida abundante dos membros da igreja. Além do mal que se destina à comunidade, a inveja produz danos irreparáveis na própria pessoa do invejoso. Ananias e Safira surgem como pessoas crentes, capazes de desenvolver diálogo entre si, membros da comunidade da fé e proprietários de bens. Eram abençoados e alcançaram a condição de ser bênção na vida da igreja, mas acabaram tornando-se problema para a igreja e trazendo a morte para si. "Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte" (Pv 14:12).

Assim como nos casos de Caim e de Acabe, também no caso de Ananias e Safira o resultado foi juízo de Deus sobre cada vida. Isso serve de lição àqueles que ainda não se libertou desse sentimento maligno.

3. O invejoso pode ser ajudado. Em muitos casos, pessoas que frequentam nossas igrejas dão todos os sinais de que estão envenenadas pela flecha da inveja, mas poderiam ser ajudadas mediante um trabalho preventivo, ou até mesmo mediante a confrontação, como fez o Senhor a Caim. Uma boa conversa (em alguns casos, um bom acompanhamento) poderá ser útil a fim de evitar que a semente perigosa da inveja frutifique em árvore frondosa, com frutos venenosos.

A igreja deve planejar estudos bíblicos e trabalhar para que todos os crentes tenham boa saúde espiritual, e vivam de modo a honrar o nome do Senhor - isso significa viver longe da inveja.

CONCLUSÃO

Há pessoas que servem de modelo para nossa caminhada pessoal, mas se não vigiarmos nosso coração, tais pessoas acabam sendo alvo de inveja, e não de admiração. Analise suas emoções, aprenda a admirar e não invejar a prosperidade, o sucesso, ou qualquer feito alheio. As conquistas devem inspirar-nos. Para conquistar, é preciso ter vontade, coragem, força, energia, integridade e confiança, percorrendo o caminho até à vitória. Infelizmente, os invejosos só veem o final, não analisam o processo. Conscientize-se de que o contentamento e a gratidão nos ajudam a ser pessoas não invejosas (1Ts 5:18). Amém!

 

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