JOÃO BASTISTA – A VOZ DO QUE CLAMA NO DESERTO
João
Batista é uma das figuras mais fascinantes da Bíblia. Ele serve como a
"ponte" entre o Antigo e o Novo Testamento, sendo o último dos
profetas na tradição antiga e o precursor da era messiânica.
1.
Identidade e Propósito
A
vida de João não foi um acidente; foi uma profecia cumprida. Ele foi o
"mensageiro" prometido séculos antes.
- O
Prenúncio: Sua vinda
foi profetizada em Isaías 40:3 ("Voz do
que clama no deserto") e Malaquias 4:5-6.
- O
Nascimento Milagroso:
Filho de Zacarias e Isabel (parenta de Maria). Seu nascimento rompeu um
silêncio profético de 400 anos (Lucas 1).
- A
Missão: Preparar o
caminho do Senhor, endireitando as veredas e despertando o povo para o
arrependimento.
2.
A Mensagem: Arrependimento e Justiça
João
não pregava para agradar ouvidos; sua mensagem era urgente e confrontadora.
- O
Batismo de Arrependimento:
Diferente dos rituais de purificação judaicos repetitivos, o batismo de
João simbolizava uma mudança pública de direção (Metanoia).
- Frutos
Dignos: Ele exigia
que a fé se traduzisse em ações práticas (Lucas 3:10-14):
- Aos ricos: Generosidade.
- Aos publicanos: Honestidade.
- Aos soldados: Justiça
e contentamento.
3.
O Caráter: Humildade Radical
Talvez
a maior lição de João Batista seja como ele lidou com o próprio ego à medida
que Jesus crescia em popularidade.
"Convém que ele cresça e que eu diminua." (João 3:30)
- Desprendimento: Vivia no deserto, vestia pelos de
camelo e comia gafanhotos e mel silvestre. Ele não buscava o conforto do
templo, mas a verdade do Reino.
- Foco
no Cordeiro: Quando
Jesus apareceu, João imediatamente redirecionou seus próprios discípulos
para segui-lo: "Eis o Cordeiro de
Deus" (João 1:29).
4.
O Preço da Verdade
A
fidelidade de João à verdade custou sua liberdade e, eventualmente, sua vida.
- O
Confronto com o Poder:
Ele não hesitou em repreender o Rei Herodes por seu casamento ilícito com
Herodias (Mateus 14).
- O
Momento de Dúvida:
Mesmo os gigantes hesitam. Na prisão, João enviou discípulos para
perguntar se Jesus era mesmo o Messias. Jesus respondeu apontando para os
frutos: os cegos veem, os coxos andam (Mateus 11:4-5).
- O
Martírio: João foi
decapitado, selando seu ministério como um fiel testemunha.
Tabela:
João Batista vs. Jesus (A Diferença de Papéis)
|
Característica |
João Batista |
Jesus Cristo |
|
Papel |
O
Precursor (Prepara) |
O
Messias (Cumpre) |
|
Batismo |
Com
Água (Arrependimento) |
Com
o Espírito Santo e Fogo |
|
Foco |
Apontar
para o Cordeiro |
Ser
o Cordeiro |
|
Origem |
Nascido
de mulher (Terra) |
Veio
do Céu (Divino) |
Reflexão Prática para Hoje
O
ministério de João nos ensina que o sucesso espiritual não é medido por quantos
seguidores nós temos, mas por quão bem apontamos as pessoas para Cristo.
Ele nos convida a preparar o "deserto" do nosso próprio coração para
a presença do Rei.
"A Lei e os Profetas duraram até João; desde então, é
anunciado o Reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele"
(Lc 16.16).
1. A Voz no Deserto (Preparação) João Batista pregava no deserto, um lugar de silêncio e poucos distrativos. Em um mundo tão barulhento e conectado como o de hoje, o que tem impedido você de ouvir a "voz" que clama pelo arrependimento no seu coração?
2.
O Significado da Metanoia (Mudança)
O arrependimento de João não era apenas um sentimento de culpa, mas uma mudança
de direção (metanoia). Olhando para as orientações práticas que ele deu
aos soldados e cobradores de impostos (Lucas 3:10-14), qual seria a orientação
de João para a sua profissão ou rotina diária hoje?
3.
O Desafio do Ego (Humildade)
João disse: "Convém que Ele cresça e que eu
diminua". Na nossa cultura
de busca por curtidas, reconhecimento e autoridade, como podemos praticar essa
humildade radical no nosso serviço à igreja ou na família?
4.
Lidando com as Dúvidas (Fé)
Mesmo tendo visto o Espírito descer sobre Jesus, João teve momentos de dúvida
enquanto estava na prisão (Mateus 11). Como a resposta de Jesus — focada nos
frutos e nas obras — pode nos ajudar quando passamos por momentos de crise na
nossa fé?
5.
O Custo do Discipulado (Integridade)
João Batista não negociou seus valores diante do Rei Herodes, mesmo sabendo dos
riscos. Você já se sentiu pressionado a comprometer sua fé ou ética para
agradar alguém em posição de autoridade? O que o exemplo de João nos ensina
sobre coragem?
INTRODUÇÃO
Após quatrocentos anos de silêncio, desde o último profeta pós-exílio, Deus
novamente se manifesta através do ofício profético para se comunicar com o seu
povo, desta vez para apresentar o Desejado das nações, o Messias prometido (vide
Malaquias 3:1). É o clímax do ofício profético. O apóstolo Paulo denomina de
plenitude dos tempos (Gl 4:4). Nascido da linhagem sacerdotal, João foi
escolhido por Deus para ser profeta (assim como aconteceu com Jeremias) e
alertar o povo sobre a vinda do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João
1:29). Ele é o personagem que demarca a transição da Antiga para a Nova
Aliança, e seu trabalho foi essencial como elo profético entre o Antigo e o
Novo Testamento, demonstrando que o tempo de Deus para a salvação da humanidade
tinha chegado ao seu ápice e que era necessário, da parte do povo, o
arrependimento para entrar no Reino de Deus. Nesta aula, trataremos da origem,
ministério e mensagem deste último profeta veterotestamentário.
I.
A ORIGEM DE JOÃO BATISTA
1. Sua família. João
Batista veio de uma piedosa família, formada pelo sacerdote Zacarias e Isabel,
sua esposa. Eles viveram no tempo que o malvado Herodes, o grande - que era da
Iduméia, portanto, descendente de Esaú -, era o rei da Judéia.
Zacarias (que significa O SENHOR LEMBRA) foi sacerdote pertencente ao turno de
Abias, um dos 24 turnos em que o sacerdócio judaico fora dividido por Davi (1Cr
24:10). Cada turno era chamado para servir no Templo em Jerusalém duas vezes no
ano, de sábado a sábado. Havia tantos sacerdotes naquele tempo que o privilégio
de queimar incenso no Santuário ocorria uma vez na vida, se ocorresse (Lc
1:8-10).
Isabel (que significa O JURAMENTO DE DEUS) descendia da família sacerdotal de
Arão. Ela e o marido eram judeus devotos, cuidadosos em obedecer às Escrituras
do Antigo Testamento, tanto no aspecto moral quanto no cerimonial.
Toda manhã um sacerdote deveria entrar no Lugar Santo e queimar incenso. Eram
lançadas sortes para decidir quem entraria no santuário; um dia a sorte caiu
sobre Zacarias. Mas não foi por acaso que ele estava a serviço e foi escolhido
naquele dia para entrar no Lugar Santo; foi uma ocasião especial. Deus estava
guiando os acontecimentos, preparando o caminho para a vinda de Jesus à Terra.
No verso 6 lemos o seguinte a respeito de Zacarias e Isabel: “Ambos eram justos diante de Deus, vivendo
irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor”. Eles
não fingiam seguir as leis de Deus; a submissão exterior era fundamentada na
obediência interior. Diferentemente dos líderes religiosos a quem Jesus chamou
de hipócritas, Zacarias e Isabel não se detiveram apenas na letra da lei. A
obediência deles era de coração; por esta razão foram chamados “justos perante Deus”.
Conquanto Zacarias e Isabel fossem “justos perante Deus” enfrentavam um
problema que lhes tirava toda a alegria: eles não tinham filhos. De acordo com
o verso 7, eles formavam um casal de velhos e não tinham filhos, à semelhança
de Abraão e Sara (Gn 11.30; 21.2). Que grande tristeza para uma mulher judia!
Apesar de tudo, Zacarias servia ao Senhor no Templo. Ele era da tribo de Levi
e, naquele momento, estava servindo ao Senhor no altar da oração. Ele estava
pondo incenso no altar quando lhe apareceu um anjo do Senhor, em pé, à direita
do altar do incenso. Ao “vê-lo, Zacarias turbou-se”; nenhum dos seus
contemporâneos já tinha visto um anjo. Mas o anjo o tranqüilizou com notícias
maravilhosas. A oração de Zacarias e Isabel fora ouvida: “Isabel tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás
o nome de João” (Lc 1:13).
2. Seu nome e seu nascimento (Lc 1:13; 57-66). Quando se cumpriu
o tempo de Isabel, ela deu à luz um filho. Os parentes e amigos se alegraram.
No oitavo dia, quando a criança foi circuncidada, eles pensaram que, sem
dúvida, ele seria chamado Zacarias, o nome do pai. Quando Isabel lhes falou que
o nome da criança seria João, ficaram admirados,
porque nenhum dos seus parentes tinha esse nome. Para chegar à decisão final,
fizeram sinais a Zacarias (isso significa que ele não estava somente mudo, mas
surdo). Pedindo uma tabuinha, ele resolveu o assunto: o nome da criança seria João. As
pessoas se admiraram. O nome João significa
“Favor ou Graça de Jeová”. Além
de trazer prazer e alegria aos próprios pais, ele seria uma bênção para muitos
(Lc 1:14), pois tal acontecimento era prova inequívoca de que o Senhor ainda
amava Israel (Lc 1.65-80).
Mas tiveram uma surpresa maior quando perceberam que Zacarias voltara a falar
ao escrever “João”. A notícia se espalhou rapidamente por
toda a região montanhosa da Judéia, e todos se perguntavam sobre a futura obra
daquela criança incomum. Eles sabiam que o favor especial do Senhor estava com ele
(ver Lc 1:64-66).
3. Sua estatura espiritual e sua missão. “Porque será grande diante do Senhor, e não
beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o
ventre de sua mãe” (Lc 1:15). “E
converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus” (Lc 1:16). “e irá
adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter o coração dos pais
aos filhos e os rebeldes, à prudência dos justos, com o fim de preparar ao
Senhor um povo bem-disposto” (Lc 1:17).
Em primeiro lugar, o anjo Gabriel discorre sobre a estatura espiritual
de João Batista, declarando que ele seria "grande
diante do Senhor" e "cheio do Espírito Santo, desde o ventre de sua
mãe".
a) “será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte”.
João seria grande diante do Senhor (o único tipo de grandeza que tem valor).
Ele seria grande na sua separação pessoal a Deus, ele não beberia vinho (feito
de uvas) nem bebida forte (feita de cereais). O filho de Zacarias e Isabel
deveria ser nazireu. Informações mais detalhadas a respeito desse assunto são
encontradas no Livro de Números. Os nazireus não tomavam vinho ou bebida forte,
não cortavam os cabelos e achavam a sua alegria no Espírito de Deus. Essa é a
razão por que o apóstolo Paulo diz: “E não vos
embriagueis com vinho..., mas enchei-vos do Espírito Santo” (Ef 5:18).
Infelizmente, muitas pessoas procuram em diversos produtos a alegria e o
prazer. O verdadeiro crente se alegra e regozija na intimada com Deus.
b) “será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe”. Isso não pode significar que João era salvo ou convertido de nascença, mas somente que o Espírito de Deus estava nele desde o princípio a fim de prepará-lo para a missão especial como o precursor de Cristo.
Em segundo lugar, ele seria grande na sua função de arauto do Messias
(Lc 1:16,17). A missão de João era semelhante ao dos profetas do Antigo
Testamento: encorajar o povo a converter-se de seus pecados e seguir a Deus – “E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor,
seu Deus”. Ele era o precursor do Messias. Como o texto sagrado diz: ele
veio para converter os corações dos pais e dos filhos; converter muitos dos
filhos de Israel ao Senhor, seu Deus; converter os corações dos pais aos
filhos; converter os desobedientes à prudência dos justos.
Tudo indica que havia um problema muito grande entre os pais e os filhos
naquele tempo. É um problema que talvez acompanhe os séculos. Porém, o maior
problema em nossos dias não está no relacionamento entre pais e filhos, mas
entre os pais e Deus. Quando o pai tem um relacionamento correto com Deus, não
terá dificuldades para relacionar-se com seus filhos.
4. A pregação de João Batista preparando o caminho do Messias (Lc
3:3-14). Neste texto de Lucas temos cinco características da pregação de João
Batista:
a) Relativo à sua abrangência. Em relação ao local do seu
ministério, devemos entender que, ao optar pelo ministério profético, e não
pelo sacerdotal, João Batista percorreu toda a circunvizinhança do Jordão. Em
relação aos seus ouvintes, ele pregou a todos, sem diferença de classe social.
Pregou para as multidões, isto é, para as pessoas comuns, pregou para os
publicanos e soldados e não deixou as autoridades sem ouvir a sua mensagem.
b) Relativo ao conteúdo de sua mensagem. João pregou o batismo de
arrependimento para remissão de pecados. Tanto esse batismo como a lei dos
sacrifícios não salvavam o pecador, mas como precursor do Messias, sua mensagem
significava uma preparação para a nova época que chegaria. Significava que quem
aceitasse o batismo estava predisposto a abraçar com disposição a nova etapa
que seria inaugurada pelo Messias.
c) Relativo à base de autoridade da sua mensagem. João
pregou de acordo com o Antigo Testamento, de acordo com o profeta Isaias (Is
40:3-5).
d) Relativo à maneira de entregar a mensagem. João foi
contundente ao apresentar a sua mensagem. Chamou seus ouvintes de raça de
víboras. Exigiu frutos dignos de arrependimento. Destacou que o machado estava
colocado à raiz da árvore, isto é, o juízo divino já estava às portas. João
pregou a mensagem de arrependimento, uma mensagem de conversão. Hoje, muitos
pregadores estão mais preocupados com o seu auditório. Querem agradá-lo e, por
isso, deixam de apresentar todo o conselho de Deus, toda a verdade da Palavra
sobre a salvação, a vida, a moral e o comportamento. Infelizmente, hoje é
anunciado mais o evangelho da adesão (aquele em que se vai a Cristo e se
permanece como está, esperando as bênçãos e os benefícios divinos) do que o
evangelho da conversão (aquele em que se é chamado por Cristo e uma verdadeira
transformação é experimentada; em que o próprio eu sou negado; em que a cruz é
diariamente tomada e, então, Cristo é seguido, conforme Lucas 9:23).
e) Relativo à aplicação prática que fazia da sua mensagem. João,
diferentemente de muitos pregadores dos dias de hoje, não teve que fazer apelos
e apelar. A sua palavra, certamente inspirada pelo Espírito Santo, provocou o
desejo nos ouvintes de saber o que deveriam fazer. As multidões, os publicanos
e até os soldados perguntaram a João o que deveriam fazer, como deveriam agir.
João, de modo claro e prático, indicou a cada grupo quais ações demonstrariam o
fruto de seu arrependimento.
f) Despertava atenção das autoridades. “Então, ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda
a província adjacente ao Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão,
confessando os seus pecados. E, vendo-o muitos dos fariseus e dos saduceus que
vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da
ira futura?” (Mt 3:5-7).
Séculos após o retorno do exílio, os fariseus e saduceus vêem o povo ir ouvir
um homem vestido de forma peculiar, com uma mensagem radical, exigindo
arrependimento até dos líderes da nação. Mateus
14:5 mostra a importância que João tinha para o povo de sua época. Herodes
queria matar João Batista, mas “temia o povo, porque o tinham como profeta”. Aquele
homem que pregava no deserto da Judéia e cobrava arrependimento de todas as
pessoas foi reconhecido como um autêntico profeta enviado por Deus.
Uma das práticas mais importantes nas pregações ou estudos que fazemos é a
aplicação, a sugestão prática que devemos dar aos ouvintes para que a Palavra
tenha efeitos. João Batista usou esse recurso de forma espetacular.
Exatamente por isso, a melhor aplicação que podemos fazer dessa mensagem de
João Batista é entendermos que não importa o que somos. Você pode dizer ao
mundo o que é em Cristo através daquilo que faz, por meio da vida que vive. A
vida do cristão deve ser uma mensagem para o mundo. Pelos frutos é que os
outros nos conhecem e descobrem o que somos. Devemos produzir frutos de
arrependimento, frutos da nossa salvação. Que possamos mostrar o que recebemos
gratuitamente de Deus por meio de Cristo.
II. A PERSONALIDADE DE JOÃO BATISTA
1. O testemunho de Jesus. Herodes
Antipas havia se casado com sua cunhada, Herodias, esposa de Filipe, seu meio-irmão.
Ela abandonou o marido para viver com Herodes. João Batista condenou
publicamente os adúlteros pela atitude imoral (ver Mc 6:17,18). Por causa
disso, João Batista foi encarcerado por ordem de Herodes.
Na prisão, desanimado e sozinho, João começou a pensar. Se Jesus fosse
realmente o Messias, por que permitiria que seu precursor adoecesse na prisão?
Como muitos grandes homens de Deus, João sofreu uma perda temporária de fé.
Então ele enviou dois dos seus discípulos a perguntar se Jesus realmente era
quem os profetas haviam prometido, ou se eles deveriam ainda estar à procura do
Ungido. Então Jesus mandou que contassem a João Batista "as coisas que ouvis e vedes: Os cegos veem, e os coxos andam; os
leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos
pobres é anunciado o evangelho" (Mt 11.4,5). Jesus relembrou a João
que ele estava fazendo os milagres preditos acerca do Messias: cegos vêem (Is
35:5), coxos andam (Is 35:6), leprosos são purificados (Is 53:4; cf Mt 8:16-17)
e surdos ouvem (Is 35:5). Jesus também relembrou a João que o evangelho estava
sendo pregado aos pobres no cumprimento da profecia messiânica em Isaias 61:1.
Os líderes religiosos comuns frequentemente concentram sua atenção nos ricos e
aristocratas. O Messias trouxera as boas-novas aos pobres. Com tantas
evidências a identidade de Jesus era óbvia.
Se você às vezes tem dúvidas quanto à sua salvação, ao perdão de seus pecados
ou à obra de Deus em sua vida, olhe para as evidências existentes nas
Escrituras e para as mudanças que ocorrem em sua vida. Se estiver em dúvida não
se afaste de Cristo: antes, apegue-se ainda mais a Ele. A vida de um homem não
é composta por um único capítulo. Analisando a vida de João na totalidade, encontramos
um registro de fidelidade e perseverança.
2. Sua espiritualidade e devoção (Mt 11:7-8). Logo que os discípulos
de João partiram com as palavras de consolo de Jesus, o Senhor se dirigiu ao
povo com palavras de grande elogio a João Batista. Jesus disse: “Que fostes ver
no deserto? Uma cana agitada pelo vento?”.
Essa mesma multidão fora ao deserto quando João estava pregando por lá. Por
quê? Para ver um homem como uma cana fraca, vacilante, agitada por todo vento
passageiro de opinião humana? Certamente que não! João era um pregador
destemido e cheio do Espírito Santo, que preferiria sofrer a ficar calado, e
preferiria morrer a mentir. Ele pregava a verdade e os mandamentos de Deus sem
temer os homens e sem jamais temer a opinião popular. As autoridades judaicas
ignoraram o pecado de Herodes, mas João nem por um momento jamais fez isso. Ele
opôs-se ao tal pecado, com firmeza total, demonstrando nisso fidelidade
absoluta a Deus e à sua Palavra. Ele foi fiel a Deus ao condenar o pecado,
embora tal atitude viesse a custar-lhe a vida (Mt 14:3-12). Portanto, ele não
era "uma cana agitada pelo vento", mas um vigoroso cedro capaz de
resistir a fortes tempestades. Ele é o tipo de pregador digno de ser imitado.
3. Sua personalidade (Mt 11:8). “Sim, que fostes ver? Um
homem ricamente vestido? Os que se trajam ricamente estão nas casas dos reis”.
Com estas perguntas retóricas, Jesus estava dizendo que esse tipo de
personalidade não caracterizava João. Ele era um simples homem de Deus, cuja
austeridade era uma repreensão ao grande mundanismo das pessoas.
A vaidade, o orgulho, a soberba, jamais estiveram presentes em João Batista.
Por sua austeridade e fidelidade cristã, ele é confundido com o próprio Cristo,
mas, imediatamente, retruca: "Eu não sou o Cristo" (João 3:28) e “não
sou digno de desatar a correia de sua sandália" (João 1:27). Quando seus
discípulos hesitavam, sem saber a quem seguir, ele apontava em direção ao único
caminho, demonstrando o Rumo Certo, ao exclamar: "Eis o cordeiro de Deus,
que tira o pecado do mundo" (João 1:29).
III. JOÃO BATISTA, O ÚLTIMO PROFETA
1. "Muito mais que profeta" (Mt 11:9). O
testemunho público de Jesus confirma o que o Espírito Santo havia falado pela
boca de Zacarias: João seria "profeta do
Altíssimo" (Lc 1.76). O Senhor não indicou aqui que ele era maior
em relação ao seu caráter pessoal, à sua eloquência ou persuasão; ele era maior
por causa de sua posição como precursor do Rei Messias, Jesus Cristo. Isto fica
claro no versículo 10. João fora o cumprimento da profecia de Malaquias 3:1 – o
“mensageiro” que precederia o Senhor e “prepararia” o povo para a sua vinda.
Outros homens profetizaram a vinda de Cristo, mas João fora o escolhido para
anunciar sua efetiva chegada.
Jesus acrescentou que “entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém
maior do que João Batista” (Mt 11:11). E isso, por algumas razões: João Batista
foi o único que viu o que todos os profetas desejaram ver: ele viu o Filho de
Deus, encarnado; não apenas viu, mas, tocou-O; não apenas tocou-O, mas,
batizou-O; foi escolhido, por Deus, para apresentar Seu Filho, ao mundo - “...
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1: 29).
2. O término da dispensação da Lei -
“Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João” (Mt 11:13).
Lucas 16.16: “A Lei e os Profetas duraram até
João”. Com estas palavras, o Senhor
descreveu a dispensação da lei que começou com Moisés e terminou com João
Batista. Mas agora uma nova dispensação estava sendo inaugurada, a
dispensação da Graça.
De Gênesis a Malaquias, todos os escritos predisseram a vinda do Messias.
Quando João apareceu na história, seu único papel não era apenas profetizar,
mas anunciar o cumprimento de todas as profecias a respeito da primeira vinda
de Cristo.
Desde o tempo de João, o evangelho do reino de Deus está sendo pregado. João
Batista saiu anunciando a chegada do legítimo Rei de Israel. Ele avisou o povo
que o arrependimento faria Jesus reinar sobre eles. Como resultado da sua
pregação, e a pregação do próprio Senhor, e dos discípulos mais tarde, houve
resposta positiva da parte de muitos.
3. "O Elias que havia de vir" (Mt 11:14). Malaquias predisse que
antes do surgimento do Messias, Elias viria como precursor (Ml 4:5,6). Jesus
confirma essa profecia ao comparar o ministério de João Batista ao de Elias.
João não era Elias reencarnado (ele negou ser Elias em João 1:21), mas ele foi
adiante de Cristo no espírito e poder de Elias (Lc 1:17), ou seja: exercendo um
ministério igual ao de Elias. E o Senhor Jesus o reafirma em outra ocasião (Mt
17.12,13). João não era Elias reencarnado por duas razões básicas: Elias foi
arrebatado vivo para o céu, portanto, não morreu (2Rs 2.11). Além disso,
reencarnação é algo que não existe e nem é permitido por Deus (2Sm 12.23; Sl
78.39; Hb 9.27).
Conforme disse o pr. Esequias Soares, Elias
e João Batista tinham as mesmas características: ambos se vestiam de pelos e
usavam cinto de couro (2Rs 1.8; Mt 3.4), ministravam
no deserto (1Rs 19.9,10,15; Lc 1.80), e eram
incisivos ao pregarem contra reis ímpios (1Rs
21.20-27; Mt 14.1-
CONCLUSÂO
João Batista é um exemplo para todos os cristãos autênticos: em simplicidade
(sua vida era plenamente desprendida das coisas efêmeras desta vida, do
hedonismo), em austeridade espiritual (não era conformado com o mundo) em
coragem (não media esforço para que a mensagem de Deus fosse entregue aos
destinatários, seja ele quem fosse, mesmo que as consequências lhe fossem
desfavoráveis). Como profeta de Deus, foi submisso à vontade do Espírito Santo,
falando somente aquilo que lhe foi consentido falar; nunca falou o que não lhe
foi autorizado; não se preocupou em ser “politicamente correto” para falar
somente aquilo que o povo queria ouvir. Seu compromisso era com o Deus de
Israel, era alertar o povo para a chegada do “Cordeiro
de Deus que tira o pecado do mundo”. É
lamentável que sua morte fora tão prematura (na nossa percepção), mas creio que
aos olhos de Deus, o tempo de João neste mundo tinha-se encerrado. Ele cumpriu
sua missão como “profeta do Altíssimo” (Lc 1:76), então, por que ficar aqui
neste mundo, tendo em vista que o lugar do crente não é neste mundo (João
14:1-3). Que o Senhor Deus preserve os seus remanescentes mensageiros, que têm
compromisso sério e inevitável com a sã doutrina, e que Ele continue a levantar
homens e mulheres santos, destemidos e cheios do Espírito Santo para a expansão
do Seu Reino.



