quarta-feira, 10 de junho de 2026

LÓ E AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS ERRADAS

 

LÓ E AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS ERRADAS

TEXTO BÍBLICO: Gênesis 13: 10,13

E levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes de o SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e p- partiu Ló para o Oriente; e apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR

Ao analisar as escolhas de Ló, podemos observar alguns pontos cruciais:

1. Uma Escolha Baseada nos Sentidos (Visão Terrena)

O texto enfatiza que "Ló levantou os seus olhos e viu". A escolha dele foi puramente visual e pragmática. Ele olhou para a campina do Jordão e a comparou ao "jardim do Senhor" e à "terra do Egito".

  • O erro de critério: Ló avaliou o local com base em sua fertilidade, prosperidade econômica e abundância de recursos (ser "bem regada"). Ele buscou o lugar que parecia oferecer o maior benefício para o seu gado e sua riqueza, ignorando o contexto moral e espiritual do local.

2. A Negligência do Fator Humano (O Contexto Social)

O versículo 13 é o divisor de águas dessa narrativa: "Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR".

  • A cegueira seletiva: Enquanto Ló focava na qualidade da terra, ele ignorava (ou minimizava) a qualidade das pessoas e da sociedade que ali habitava. Ele escolheu um ambiente fisicamente excelente, mas moralmente tóxico.
  • A aproximação perigosa: O texto narra uma progressão: ele começou escolhendo a campina, depois "habitou nas cidades da campina" e, por fim, "armou as suas tendas até Sodoma". Ló não foi direto para o epicentro do mal; ele se aproximou aos poucos, permitindo que o conforto daquela terra obscurecesse o perigo da convivência com uma cultura hostil aos princípios que ele deveria defender.

3. A Diferença entre Ló e Abrão

A comparação entre os dois personagens é inevitável neste capítulo:

  • Abrão (o tio): Agiu com desprendimento e fé. Ele deixou que Ló escolhesse primeiro, demonstrando que sua segurança não estava na posse de um terreno específico, mas na promessa de Deus.
  • Ló (o sobrinho): Agiu com autossuficiência e imediatismo. Ao escolher "para si", Ló se isolou da convivência com um homem de fé (Abrão) e se lançou em um ambiente que, embora economicamente atraente, acabaria por custar-lhe muito mais do que ele poderia lucrar.

4. A Lição sobre Prosperidade e Valores

A história de Ló serve como um alerta atemporal sobre as "escolhas de campina":

  • A ilusão da facilidade: Muitas vezes, as oportunidades que parecem "o jardim do Senhor" (que oferecem lucro rápido, conforto e status) podem estar situadas em terrenos espiritualmente estéreis ou moralmente destrutivos.
  • O custo da escolha: A prosperidade física de Ló na campina de Sodoma foi, em última análise, passageira e instável. A passagem nos ensina que, ao tomar decisões — seja no trabalho, em relacionamentos ou em mudanças de vida — olhar apenas para a "abundância" (os benefícios) sem avaliar o ambiente e as companhias (os valores) é um caminho arriscado.

Em suma, a escolha de Ló foi uma escolha de oportunidade econômica em detrimento de integridade de ambiente. Ele priorizou o "bem-estar da terra" sobre o "bem-estar da alma", um equívoco que moldaria negativamente o futuro de sua família e sua trajetória de vida.

Como você interpreta o fato de Ló ter se aproximado de Sodoma gradualmente em vez de ter se mudado para lá imediatamente? Você enxerga isso como um alerta sobre como pequenas concessões morais podem nos levar a lugares que inicialmente evitaríamos?

INTRODUÇÃO

As Escrituras Sagradas dão testemunhos de várias personagens bíblicas que fizeram más escolhas e boas escolhas. As más escolhas geralmente foram tomadas num contexto de precipitação ou extraordinária pressão. Neste estudo daremos maior ênfase a dois personagens bíblicos: Abraão, que fez uma excelente escolha e; Ló, sobrinho de Abraão, que fez uma escolha precipitada. Ló, em um gesto precipitado, tomou uma decisão que acabou por gerar uma crise que causou consequências nefastas para sua família (Gn.13:10-13). Uma escolha sem a direção de Deus pode trazer prejuízos irreparáveis para si e para outrem. Portanto, antes de tomar uma decisão e fazer uma escolha devemos pedir a orientação de Deus. Não devemos agir sem pensar e acima de tudo sem orar, pois somente Deus conhece todas as coisas. Somente Ele sabe aquilo que é melhor para todos nós.

I. O CUIDADO COM AS ESCOLHAS


Em nossa jornada somos desafiados a decidir e fazer escolhas. É nesse momento que a vida de uma pessoa será definida, para o progresso ou para a derrota. Todos os dias, temos de tomar decisões pequenas ou grandes. A maior delas é a de servir ao Senhor. Josué, no último momento como líder do povo de Israel, conclama o povo a tomar uma decisão acertada e pública; não havia lugar para indecisão, por isso foi tão enfático
: “Escolhei hoje a quem haveis de servir” (Js.24:15). A decisão tinha que ser “hoje”. A Bíblia diz: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hb.4:7). Diante de tantas influências que recebemos do mundo para o nosso viver, a nossa decisão deve ser tal qual à de Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. Qual tem sido a decisão de vida para cada um de nós, pessoalmente, e para a nossa família? Corajosa e resoluta como a de Josué? Não espere ficar velho para tomar essa decisão, pois o Senhor virá como um ladrão, ou seja, não hora em que nós não esperamos (1Tes.5:2; 2Pd.3:10).

1. A prosperidade de Abraão. Deus abençoou Abraão com bênçãos materiais de forma abundante. Diz o texto sagrado que “... a sua fazenda era muita...” (Gn.13:6). O segredo do sucesso de Abraão: comunhão plena com Deus. Quanto mais Abrão mantinha comunhão com Deus mais próspero materialmente ele ficava. A obediência à Palavra de Deus era o combustível que o levava a uma vida abundante. O Altar era um marco sempre presente na vida de Abraão, em todos os caminhos de suas peregrinações (Gn.12:7,8; 13:4,18; 22:9). Era o local onde Abraão adorava a DEUS. Era o lugar onde ofertava sacrifícios a DEUS. Ele edificava seus altares em locais visíveis, diante dos povos pagãos que moravam ao seu redor. Que testemunho! Os crentes, que de contínuo vivem diante do Altar, dão testemunho de "terem estado com Jesus” (Atos 4:13).

Abraão viveu nas terras da promessa como um estrangeiro, morando em tendas, pois esperava a Cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é DEUS (Hb.11:9,10). Abraão nunca se prendeu a nenhum lugar da terra de suas peregrinações. Estava sempre em trânsito (Gn.12:8). Deixando um lugar, ficavam apenas as marcas de seu acampamento. Também nós, como crentes, somos peregrinos e forasteiros nesta Terra (1Pd.2:11). Não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura (Hb.13:14). Estamos no mundo, mas não somos do mundo (João 17:16,18). Devemos sempre estar prontos para partir.

 

Outra característica marcante na vida de Abrão: conquanto fosse muito rico, não punha seu coração nas riquezas daqui. Ele não ligava muito para isso. No dia que retornou da guerra contra os quatro reis, o rei de Sodoma quis compensá-lo com riquezas materiais, ele as rejeitou terminantemente (Gn.14:21-24). Para Abraão, riquezas não dadas por Deus não tinha nenhum valor – Levantei minha mão ao SENHOR, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, e juro que, desde um fio até à correia dum sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão(Gn.14:22,23). Muitos, hoje, dos que cristãos dizem ser, ao contrário de Abraão, só pensam em bens materiais, querem enriquecer com campanhas, sacrifícios, fogueiras santas etc. São pessoas que vivem como os gentios, que têm as mesmas preocupações e propósitos que os gentios e que, portanto, pertencem a este vasto grupo onde o amor está esfriando pelo aumento da iniquidade e que, buscando a riqueza material, não vê que se comporta como um pobre, desgraçado e nu (Ap.3:17). Vigiemos e não entremos nesta onda, que nos levará para a perdição eterna!

2. Abraão fez a escolha certa. Abrão teve um momento decisivo em sua vida. Quando ainda morava em Ur, o Deus da glória lhe apareceu e lhe fez uma chamada que compreendia três diferentes ordens: “sai da tua terra", "sai da tua parentela”, e “dirige-te à terra que eu te mostrar" (Atos 7:2,3). Abrão deveria decidir em obedecer e desobedecer a Deus. Como já disse na Aula 03, embora Deus seja soberano e livre para tomar as Suas decisões, como, por exemplo, o fato de ter escolhido Abrão e não outra pessoa dos milhares que existiam no mundo, vemos que Ele respeita, decididamente, a liberdade que deu ao homem, de forma que, embora tenha escolhido Abrão, não o forçou a que obedecesse ao Seu chamado, tendo Abrão decidido partir por sua livre e espontânea vontade. Esta é a grande diferença entre o filho de Deus e o filho do diabo, pois o adversário escraviza o homem, retira a sua liberdade, enquanto Deus sempre respeita o livre-arbítrio humano que, afinal de contas, é resultado da própria criação divina. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e esta imagem e semelhança comporta a liberdade, o poder de decisão, como se vê claramente em Gênesis 2:16,17.

Abraão foi desafiado a crer e obedecer, embora não conhecesse todo o projeto que Deus tinha para sua vida e, por conseguinte, para toda a humanidade. Abrão fez a escolha certa, resolveu obedecer ao chamado de Deus. Embora não tivesse noção de para onde iria, decidiu confiar em Deus. Em nossa jornada precisamos aprender a confiar em Deus e nos colocar em sua total dependência. Só assim teremos escolhas decisivas que podem nos proporcionar vida abundante.

 

3. Abraão desce ao Egito. A fé tem sempre deslizes, até mesmo nos mais destacados homens de Deus. Por causa de uma fome que atingiu a região, Abraão deixou o lugar que Deus lhe indicara e desceu ao Egito, símbolo do mundo. Essa mudança trouxe problemas a Abrão. Ao chegar no Egito foi acometido de um medo obsessivo de que Faraó o matasse, capturando sua formosa esposa Sara, e a levasse para seu harém. Com isso em mente, Abrão convenceu Sara a mentir e dizer que era sua irmã. É verdade que Sara era meia-irmã de Abrão (Gn.20:12), mas ainda assim era uma mentira com propósito de enganar. O artificio deu certo para Abrão (que foi recompensado generosamente), mas não funcionou para Sara (que, no fim, teve de se juntar ao harém de Faraó), nem mesmo para Faraó (ele e toda a sua casa sofreram grandes pragas). Quando Faraó descobriu a fraude, deu uma bronca no patriarca, o humilhou publicamente e o expulsou em desonra (Gn.12:19,20). Abraão voltou para Canaã. Mas, juntamente com o retorno de Abrão do Egito [...] até Betel (Gn.13:1-4), percebe-se a volta à comunhão com Deus. “Retornar a Betel” é o desejo latente de todos aqueles que se apartaram de Deus.

 

II. LÓ É ATRAÍDO POR AQUILO QUE VÊ


Ló, sobrinho de Abraão, é um exemplo bíblico de escolha precipitada. Ele foi atraído por aquilo que viu. Chamamos isso de concupiscência dos olhos. A concupiscência dos olhos diz respeito àquelas tentações que apelam para os desejos ambiciosos dos homens de obter e possuir. A concupiscência dos olhos nos leva a colocarmos as "coisas materiais" na frente do Senhor (Cl.3:15). Ao se separar de seu tio, ele escolheu um caminho que a seus olhos parecia ser o melhor. Ele não perguntou a vontade de Deus e não honrou Abraão, o chefe do clã, ao escolher primeiro as suas terras. Ló foi precipitado e seduzido pelo seu olhar. Pagou um preço muito alto pela sua atitude precipitada.

1. Briga entre os pastores de Abraão e Ló. Ao chegar a Canaã os pastores de Ló e Abrão brigaram por espaço para seus rebanhos. Apesar da deslealdade praticada por Abrão no Egito, ainda assim o Senhor decidiu abençoá-lo naquele lugar; Abrão e Ló prosperaram - possuindo servos, ovelhas e gado. A multiplicação dos rebanhos de Abrão e Ló foi tão significativa que eles chegaram à conclusão de que era impossível a coexistência nas mesmas terras de pastagens. A prosperidade gerou uma crise entre família, entre Abrão e seu sobrinho Ló, pois não havia mais espaço suficiente para ambos no local onde viviam. Faltava água e pastagem para tantos animais, e em pouco tempo, os pastores de Abrão e Ló começaram a brigar. A contenda estava instalada na família, e era preciso tomar uma decisão.

2. A decisão de Abraão. O patriarca logo tentou resolver a situação conflituosa. Ele não adiou o problema, mas chamou seu sobrinho para uma solução pacífica - “Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim...” (Gn.13:9). Às vezes, pessoas da mesma família devem separar-se em prol da paz (ver Atos 15:39; 1Co.7:10-16). A partir daquele instante cada um deveria escolher o próprio caminho - e escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a esquerda(Gn.13:9). Com cortesia, bondade e altruísmo, Abraão ofereceu a Ló a oportunidade de escolher em toda a terra onde desejava morar. Humilde, o patriarca considerava os outros superiores a si mesmo (Fp.2:3).

Abrão renunciou à campina com o melhor pasto, mas Deus entregou toda a terra de Canaã a Abrão e seus descendentes para sempre. Além disso, o Senhor prometeu ao patriarca uma descendência incontável. Após se mudar para Hebron, Abrão levantou ali um altar ao Senhor; como de costume, construiu um altar para o Senhor, mas nunca uma casa para si.

3. A escolha precipitada de Ló. Abraão, em um gesto de bondade e mansidão, fez a seguinte proposta ao sobrinho: "Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a esquerda" (Gn.13:9). Ló escolheu morar nas pastagens verdejantes da campina do Jordão, perto das cidades perversas de Sodoma e Gomorra E levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes de o SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e p- partiu Ló para o Oriente; e apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR” (Gn.13:10-13).

Ló foi seduzido pela aparência do lugar. Escolhas precipitadas, feitas somente pela aparência, podem causar muitos males. Apesar de crente verdadeiro (2Pd.2:7,8), Ló tinha um gostinho pelas coisas do mundo. Conforme alguém comentou, “Ló ficou com grama para seus rebanhos, enquanto Abrão ficou com graça para os seus filhos” (Gn.13:15,16).

“Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR(Gn.13:13). O fato de os homens de Sodoma e Gomorra serem maus e grandes pecadores contra o Senhor não influenciou a escolha de Ló. Foi uma sequência de decisões. Observe os passos que o levaram a mergulhar no mundanismo: Ló (por meio de seus pastores) experimentou contenda (Gn.13:7); depois viu (Gn.13:10) e escolheu (Gn.13:11); foi armando as suas tendas até Sodoma (Gn.13:12); passou a morar longe do lugar onde residia o sacerdote de Deus (Gn.14:12) e; sentava-se junto à entrada da cidade, lugar onde os grandes disputavam o poder político (Gn.19:1). Aparentemente, na cosmovisão humana, materialista e desviada de Deus, Ló tinha progredido na vida: ele se tornou um oficial local em Sodoma. Mas, quando se olha com os olhos de Deus, vemos que foi um péssimo negócio para Ló. De forma precipitada, fez a sua escolha optando por aquilo que parecia ser melhor aos seus olhos (Gn.13:10). Ele não buscou a Deus para tomar a decisão que seria a mais importante para o seu futuro e da sua descendência.

A precipitação é um grande mal que deve ser evitado sempre. Quando nos precipitamos não raciocinamos, não prestamos atenção ao bom senso, não andamos por fé, mas apenas por vista. Quem tem a mente de Cristo deve sempre manter os pés no chão, pedir orientação a Deus e aguardar o calor dos acontecimentos passarem. Fácil?! Não, não é uma tarefe fácil, mas sem dúvida trata-se de uma atitude responsável e madura que leva em conta o fator global da circunstância e não somente parte dela, nem prioriza o fator emocional do acontecimento.

 

III. LÓ, UM CASO DE PROSPERIDADE E PERDAS



1. Ló e suas riquezas. Não era só Abrão que era rico em rebanhos, vacas e tendas. Seu sobrinho Ló também tinha rebanhos numerosos (Gn.13:5,6) - E também Ló, que ia com Abraão, tinha rebanhos, gado e tendas. [...] porque os seus bens eram muitos; de modo que não podiam habitar juntos”. Mas, apesar da sua prosperidade, Ló andava por vista e não por fé (Gn.13:7-13). No momento mais decisivo de sua vida não consultou o Senhor para uma escolha correta.

- Ló fez uma decisão pelo que viu, deixou-se levar pelas aparências. Foi ganancioso e precipitado - “Então Ló levantou os olhos, e viu toda a planície do Jordão, que era toda bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, até chegar a Zoar. E Ló escolheu para si toda a planície do Jordão, e partiu para o oriente; assim se apartaram um do outro. Habitou Abraão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da planície, e foi armando as suas tendas até chegar a Sodoma(Gn.13:10-12). Foi um pecado em série – foi armando as suas tendas até chegar a Sodoma”.

A ambição é sinônimo de cobiça, e a cobiça é transgressão à Lei de Deus (vide Êx.20:17). A Palavra de Deus nos diz que não devemos ambicionar “coisas altas” (Rm.12:16) - “…não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes…”. A ambição sufoca a Palavra no coração, tornando-a infrutífera (Mc.4:19) - “Mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e a cobiça doutras coisas, entrando, sufocam a palavra e ela fica infrutífera”.

- Ló foi egoísta. Em nenhum momento ele pensou em seu tio. Só via a si mesmo. O egoísmo é a exaltação do próprio eu, do ego. O apóstolo Paulo diz que o egoísmo é uma característica dos homens dos últimos tempos - Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios(2Tm.3:1,2).

- Ló não observou o lado negativo de sua escolha (Gn.13:13) – Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores”. A Palavra de Deus nos alerta sobre os perigos de nosso envolvimento com o mundo - “Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus(Tg.4:4).

Não se deixe enganar pela beleza das coisas desse mundo passageiro. Não renuncie àquilo que é eterno!

2. A guerra dos reis. A terra que Ló havia escolhido era boa, mas seus vizinhos não eram. Não demorou muito e Ló teve que enfrentar uma grande crise, uma guerra. Diz o texto sagrado:

“1 - E aconteceu, nos dias de Anrafel, rei de Sinar, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim, 2 - que estes fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma, a Birsa, rei de Gomorra, a Sinabe, rei de Admá, e a Semeber, rei de Zeboim, e ao rei de Bela (esta é Zoar). 3 - Todos estes se ajuntaram no vale de Sidim (que é o mar de Sal). 4 - Doze anos haviam servido a Quedorlaomer, mas, ao décimo-terceiro ano, rebelaram-se. 11- E tomaram toda a fazenda de Sodoma e de Gomorra e todo o seu mantimento e foram-se. 12 - Também tomaram a Ló, que habitava em Sodoma, filho do irmão de Abrão, e a sua fazenda e foram-se. 13 - Então, veio um que escapara e o contou a Abrão, o hebreu; ele habitava junto dos carvalhais de Manre, o amorreu, irmão de Escol e irmão de Aner; eles eram confederados de Abrão. 14 - Ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã” (Gn.14:1-4;11-14).

No tempo de Abrão, a maioria das cidades possuía seus próprios reis, e eram comuns as guerras e rivalidades entre eles. Uma cidade conquistada pagava imposto ao rei vitorioso. Cinco cidades, incluindo Sodoma, havia pago impostos a Quedorlaomer durante 12 anos (Gn.14:4). Quando as cinco cidades fizeram uma aliança e se negaram a pagar os impostos (Gn.14:4), Quedorlaomer reagiu rapidamente e reconquistou todas elas. Ao derrotar Sodoma, foram capturados Ló, sua família e seus pertences. Ló foi levado cativo e todos os seus bens e alimentos foram tomados como espólio de guerra. Ele agora era um prisioneiro e todos os seus bens foram perdidos. Decisões precipitadas podem nos fazer viver tempos conturbados.

3. Abraão socorre Ló. Ao ser avisado do desastre militar que haviam sofrido as cidades do vale, Abraão armou seus 318 servos, conseguiu a ajuda de seus aliados amorreus e perseguiu os invasores. Abraão arrisca sua vida e fortuna para resgatar o seu sobrinho Ló, o qual foi sequestrado, perdeu suas posses e estava enfrentando escravidão. Abraão poderia ter se negado a ajudar Ló, pois ele mesmo tinha escolhido aquelas terras, mas o amigo de Deus não tinha um coração rancoroso, vingativo. Abraão recuperou os cativos e o despojo, mediante um ataque de surpresa à noite. Tudo que pertencia a Ló foi recuperado (Gn.14:16). Não obstante, o elemento mais importante foi a intervenção de Deus - “bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos” (Gn.14:20).

Nota-se que Abraão, o homem separado do mundo, não era indiferente aos sofrimentos dos que se encontravam ao seu derredor. Estava disposto a proteger seu indigno sobrinho e os de Sodoma. Isto demonstra que os que mantêm uma vida separada da pecaminosidade são os que atuam com mais prontidão e êxito em favor de outros no momento de crise.

CONCLUSÃO

Devemos aprender com as Escrituras que qualquer decisão importante que tomarmos não devemos fazê-la debaixo de pressão ou precipitadamente. Não se esqueça de que o Deus eterno tem todo o conhecimento e sabe o que é melhor para sua vida. Por isso, não faça nada sem consultar o Senhor. Porém, só consultar o Senhor e não confiar nele é inútil. Não confie nas suas próprias forças. O nosso fracasso decorre de acharmos que podemos conseguir por nós mesmos. Por isso, confie no Senhor e não nas suas forças e possibilidades. Não subestime os inimigos. A nossa luta não é contra a carne e o sangue em todas as instâncias da vida, mas contra os principados e potestades e dominadores do mal. Em toda a estrutura da sociedade há um poder maligno que opera e você precisa estar revestido da armadura de Deus para vencer (ver Efésios 6:10-18).

"O longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura" (Pv.14.29).

 

terça-feira, 9 de junho de 2026

JESUS ENFRENTOU A REJEIÇÃO E OPOSIÇÃO


 JESUS ENFRENTOU A REJEIÇÃO E OPOSIÇÃO

ESBOÇO DO ESTUDO

1- JESUS ENFRENTOU A REJEIÇÃO 

1.1. JESUS seguiu em Sua missão  

1.2. Alguns rejeitaram os milagres de JESUS    

1.3. Rejeitado pelos irmãos    

2- JESUS NÃO PAROU DIANTE DA REJEIÇÃO  

2.1. Rejeitado pelas autoridades religiosas    

2.2. Rejeitado pelo povo escolhido    

2.3. Rejeitado por alguns de Seus seguidores   

3- REJEITADO POR MUITOS, EXALTADO PELO PAI  

3.1. João Batista testemunha do Filho de DEUS    

3.2. A Luz que ilumina os rejeitados                                                                                                  

3.3. A entrada em Jerusalém e a revelação do Messias   

 

TEXTO BÍBLICO              

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”, João 1.11.

O versículo de João 1:11"Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" — encapsula uma das maiores tensões teológicas e dramáticas de toda a Bíblia. Ele sintetiza o mistério da encarnação, a tragédia da rejeição humana e o propósito soberano da salvação.

Aqui está uma reflexão sobre o significado profundo dessa passagem:

1. O Contexto: "Veio para o que era seu"

Esta frase carrega dois níveis de significado:

  • O Criador vindo à Criação: Como o Verbo (Logos) pelo qual todas as coisas foram feitas (João 1:3), Jesus não estava visitando um território estranho. Ele estava retornando ao que era de sua propriedade por direito de criação. O mundo e a humanidade pertenciam a Ele.
  • A Aliança com Israel: Em um nível mais imediato, "os seus" refere-se ao povo de Israel, o povo da aliança, a quem Deus havia preparado por séculos através da Lei e dos Profetas para a vinda do Messias. Eles eram o "povo escolhido", a herança de Deus.

2. O Drama: "Os seus não o receberam"

A rejeição descrita por João não foi apenas um erro de avaliação política ou religiosa; foi um evento de proporções espirituais trágicas.

  • A Expectativa vs. A Realidade: Israel esperava um Messias que fosse um libertador político-militar que quebrasse o jugo de Roma. Jesus, entretanto, apresentou-se como um servo sofredor, pregando o arrependimento, a humildade e o perdão dos inimigos. A sua vinda foi tão humilde (manjedoura, vida simples) que não se encaixou nas expectativas de glória terrena do povo.
  • A "Luz nas Trevas": O versículo anterior (João 1:10) diz que "o mundo não o conheceu". A rejeição não veio apenas por ignorância, mas por um desejo de permanecer nas trevas. A luz, ao se aproximar, expõe o que está oculto; aqueles que amavam mais as suas obras do que a verdade de Deus optara por rejeitar a luz para não serem confrontados.

3. A Ironia da Fé

Há uma ironia profunda na história da salvação: aqueles que estavam mais próximos das promessas foram os que mais fortemente resistiram ao seu cumprimento. A rejeição de Jesus pelos líderes religiosos e pela multidão em Jerusalém é o ponto culminante da história da Queda. O dono da vinha veio buscar os seus frutos, mas os arrendatários (Israel) o rejeitaram (como na Parábola dos Lavradores Maus).

4. A Esperança que segue (João 1:12)

O versículo 11 é uma das passagens mais tristes da Bíblia, mas ele prepara o terreno para a gloriosa reviravolta do versículo 12:

"Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome."

A rejeição de Israel não impediu o plano de Deus; pelo contrário, abriu a porta para que a salvação alcançasse os gentios (todos os povos). O foco muda do nacionalismo religioso para a fé pessoal.

Conclusão: Reflexão Pessoal

O texto não é apenas um registro histórico do século I; ele é um convite à autoanálise. Hoje, "os seus" somos todos nós. A pergunta que João 1:11 nos deixa não é sobre como o povo de Israel reagiu no passado, mas como nós recebemos a Jesus em nossa vida hoje:

  • O recebemos como Ele é, ou apenas como queremos que Ele seja?
  • Estamos dispostos a permitir que a "Luz" entre em áreas de nossas vidas que preferimos manter nas trevas?
  • Reconhecemos o dono da casa, ou estamos tentando governar nossa própria existência como se fôssemos donos?

VERDADE APLICADA

Assim como JESUS, Seus discípulos devem perseverar na caminhada a fim de cumprir sua missão, mesmo diante de oposições e rejeições.

OBJETIVOS:

Saber que o Filho de DEUS foi rejeitado por muitos.

Compreender que a rejeição não faz parte dos que amam a DEUS.

Ressaltar que o Pai não se agradou dos que rejeitaram Seu Filho.

TEXTOS DE REFERÊNCIA –

João 6.60-61; 66-68

60 Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isso, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?

61 Sabendo, pois, JESUS em si mesmo que os seus discípulos murmuravam disto, disse-lhes: Isto vos escandaliza?

66 Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram-se para trás e já não andavam com ele.
67 Então disse JESUS aos doze: Quereis vós também retirar-vos?

68 Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos como JESUS enfrentou a rejeição, e isso sem desistir de cumprir o Seu ministério na terra. Ele continuou anunciando o Evangelho e operando curas e milagres. Nosso Senhor soube lidar com a rejeição e com as manifestações de exaltação por parte do povo. Ele bem sabia o que estava para acontecer para cumprir o Plano da Redenção (Mt 16.21; 26.51-56; Jo 18.11).

1- JESUS ENFRENTOU A REJEIÇÃO 

JESUS não paralisou diante da rejeição que sofreu (Jo 1.11); pelo contrário, Ele continua focado na missão que tinha a cumprir. Os Evangelhos Sinóticos registram que o Filho de DEUS foi rejeitado até mesmo pela população de Sua cidade natal, Nazaré (Mt 13.54-58; Mc 6.1-6; Lc 4. 16-29).

1.1. JESUS seguiu em Sua missão  

JESUS seguiu pregando o Reino e o Amor de DEUS para que quem cresse no Filho tivesse a vida eterna (Jo 3.16). Apesar de ter sido rejeitado por muitos, o Filho de DEUS foi exaltado pelo Pai, como já previam as Escrituras: “A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça de esquina. Foi o Senhor que fez isto, e é uma coisa maravilhosa aos nossos olhos”, Sl 118.22,23. O Filho de DEUS recebeu a missão de reconciliar os perdidos com o Pai, e seguiu firme nesse propósito até o fim (Jo 19.30).

Ralph Earle; Joseph Mayfield (2019, p.30): “Uma tradução literal seria a seguinte: ‘Ele veio para as suas próprias coisas, e o seu próprio povo não o recebeu. Não foi o mundo natural que recusou aceitá-lo. A recusa e a rebeldia vieram dos corações dos homens. João usa a palavra ‘conhecer’ para abraçar mais do que um entendimento intelectual. “O fracasso em conhecer a DEUS é um fracasso sobre um plano ético. É a rejeição voluntária de DEUS, e o repúdio à sua justiça”. Sem dúvida, a rejeição completa da melhor e mais elevada revelação de DEUS foi demonstrada pelos líderes de Israel, geralmente descritos por João como ‘os judeus”.

1.2. Alguns rejeitaram os milagres de JESUS    

Em seu Evangelho, João narra sete milagres realizados por JESUS. Entre eles, quando JESUS cospe na terra, faz lama e unta os olhos de um homem cego; depois, manda que ele vá se lavar no tanque de Siloé. O homem obedeceu e voltou a ver (Jo 9.6,7). Esse milagre evidencia, uma vez mais, a divindade de JESUS, irritando grandemente os fariseus (Jo 9.28,29), já que o milagre foi realizado num dia de sábado (Jo 9.16). O fato de aquele homem reconhecer que foi curado pelo Filho de DEUS deixou os fariseus furiosos, porque eles se consideravam espiritualmente superiores (Jo 9.34).

César Roza de Melo (2021, L.13): “A análise deste milagre operado por JESUS é interessante, pois JESUS aproveita para corrigir um erro quanto às enfermidades, pois muitos acreditavam que uma deficiência de nascença provinha de algum pecado de seus antepassados, ou até mesmo pecado de uma criança no ventre. Basta olhar a perícope de João 9 e veremos a resposta de JESUS. Ele foi enfático ao dizer que nem a criança e nem seus pais pecaram. JESUS deixa claro que Seu poder é maior do que qualquer tragédia humana ou defeito de nascimento: o Seu poder sobrepujar nossas expectativas. A grande lição é que DEUS não está preso aos métodos humanos; JESUS é o Filho de DEUS e tem poder sobre a vida e as circunstâncias”.

1.3. Rejeitado pelos irmãos     

JESUS teve irmãos biológicos, também filhos de Maria, entre eles: Tiago, José, Judas e Simão (Mc 6.3). Porém, houve um tempo em que eles também O rejeitam: “Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes, Jo 7.3. Ou seja, os irmãos de JESUS não estavam entre os Seus seguidores até aquele momento (Jo 7.5).

French Arrington; Roger Stronstad (2009, pp.528,529): “Como os irmãos de JESUS falam claramente os coloca na categoria dos incrédulos. JESUS se distingue ainda mais dos seus irmãos. Seus irmãos foram vistos pela última vez em João 2.12. JESUS não confiava neles e também não confia agora. Nestes pequenos parágrafos, estes irmãos desempenham papel importante e tornam-se antagonistas de JESUS, aparecendo duas vezes (vv.3,10). Eles estão com o mundo (que o odeia) em seu pecado e incapacidade de conhecer as coisas espirituais. Mais tarde, em João 20.17, JESUS envia uma mensagem a seus irmãos acerca de ir para o Pai, muito veemente a fim de encorajá-los a crer”.

JESUS teve irmãos biológicos, entre eles: Tiago, José, Judas e Simão.

2- JESUS NÃO PAROU DIANTE DA REJEIÇÃO  

O Filho de DEUS foi rejeitado pelas autoridades religiosas (Jo 11.57), pelo Seu próprio povo (Mt 23.37) e por alguns de Seus seguidores (Jo 6.66). Porém, nada disso fez com que Ele deixasse de cumprir a Sua missão.

2.1. Rejeitado pelas autoridades religiosas       

A Presença de JESUS revelou como os líderes religiosos de Seus dias estavam vazios e longe de DEUS. No entanto, JESUS sabia que seria rejeitado por eles: “É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado dos anciãos e dos escribas, e seja morto, e ressuscite ao terceiro dia”, Lc 9.22. Ainda no AT, o Profeta Isaías escreveu que ele seria o mais desprezado e o mais rejeitado entre os homens (Is 53.3).

Matthew Henry (2003, p.783): “Realmente somos o que somos por dentro. Os motivos externos podem manter limpo o exterior, enquanto o interior está imundo; porém, se o coração e o espírito são feitos novos, haverá vida nova; aqui devemos começar por nós mesmos. A justiça dos escribas e dos fariseus era como os adornos de uma tumba ou o vestido de um cadáver, que só serviam como espetáculo. O engano dos corações dos pecadores se manifesta em que navegam, rio abaixo, pelas torrentes de pecado de sua própria época, enquanto se sentem orgulhosos de oporem-se aos pecados mais frequentes em épocas anteriores”.

2.2. Rejeitado pelo povo escolhido           

A rejeição do Filho de DEUS pelos líderes de Israel levou muitos israelenses a também rejeitar o Senhor: “(…) porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser Ele o CRISTO, fosse expulso da sinagoga”, Jo 9.22. O evangelista Mateus relata o alerta de JESUS: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!”, Mt 23.37.

Leon L. Morris (1983, pp. 103-14), comenta sobre Lucas 4.28-30: “A ira propagou-se pela congregação inteira e se propuseram a linchar JESUS. A tentativa de precipitá-Lo do cume do monte parece ser um esforço para jogá-Lo por um precipício. Ressalta-se também a majestade da presença de JESUS. Meramente passando por entre eles, retirou-se. Não falou nenhuma parada irada, nem operou qualquer milagre espetacular. Simplesmente andou por meio da turba. […] Em tudo isto, temos um comentário sobre a terceira tentação. O povo procurou colocar JESUS na posição que Satanás sugerira. Mas Ele não deixou”.

2.3. Rejeitado por alguns de Seus seguidores    

JESUS não atendeu às perspectivas materialistas de alguns de Seus seguidores, pregando uma mensagem dura, a qual eles não suportaram (Jo 6.60). JESUS, portanto, foi rejeitado por quem ouviu Suas pregações e presenciou Seus milagres (Jo 6.66).

French Arrington; Roger Stronstad (2009, pp.526): “Neste momento do ministério de JESUS, Ele tinha vários seguidores que poderiam vagamente serem chamados de seus discípulos. Estes ‘discípulos’ não eram os doze, e muitos deles não receberiam a sua mensagem. Eles demonstram dificuldade para aprender. O motivo por trás das palavras ásperas de JESUS não é difícil de se ver: Ele queria que as pessoas considerassem o custo de segui-lo (Lucas 14.25-33)”.

O Filho de DEUS foi rejeitado pelos líderes religiosos, pelo Seu próprio povo e por alguns de Seus seguidores.

3- REJEITADO POR MUITOS, EXALTADO PELO PAI 

Mesmo o Filho sendo rejeitado por muitos, o Senhor perseverou no cumprimento da missão. Assim, muitos não se deixaram ser levados pelos que O rejeitavam, mas creram em JESUS, receberam a Sua Palavra e O exaltaram. Vemos isto no Evangelho de João: Primeiramente, no testemunho de João Batista (Jo 1.29-34); depois, na cura do cego de nascença (Jo 9.1-41); por fim, diante de uma grande multidão em Sua entrada triunfal em Jerusalém (Jo 12.12-19).

3.1. João Batista testemunha do Filho de DEUS    


João Batista testificou do Filho de DEUS ao dizer que o CRISTO viria após ele (Jo 1.15). Essa certeza de João Batista fez com que, ao ver JESUS caminhando em sua direção, ele o reconhecesse, dizendo: “Eis o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo”, Jo 1.29. Aqui, João Batista cumpre com firmeza a missão de testemunhar e exaltar JESUS CRISTO ao relatar que viu o ESPÍRITO SANTO descer do céu como uma pomba e repousar sobre Ele (Jo 1.32).

Merril Unger (2006, p.440): “As autoridades judaicas queriam saber por que João batizava ou realizava um rito oficial sem status oficial. Sua resposta foi que a cerimônia da água que ele oficiava não era um fim em si mesma, mas a introdução e preparação para uma realização espiritual de importância bem maior a ser executada por aquele cujo caminho ele preparava e cujas correias das sandálias ele não era digno de desatar (função de escravos)”.

3.2. A Luz que ilumina os rejeitados    

O Evangelho de João nos apresenta a história de um homem cego de nascença que experimentou tanto a rejeição quanto a exaltação divina (Jo 9.6,7). JESUS, ao encontrá-lo, fez lama com sua própria saliva e a aplicou sobre seus olhos, ordenando-lhe que se lavasse no tanque de Siloé. Obediente à palavra do Mestre, ele se lavou e passou a enxergar, surpreendendo a todos ao seu redor (Jo 9.8). Esse milagre não apenas restaurou sua visão física, mas revelou uma verdade espiritual ainda mais profunda. Enquanto ele foi curado e teve seus olhos abertos, os religiosos da época permaneceram cegos espiritualmente, recusando-se a enxergar a obra de DEUS. O próprio João descreve que, após o milagre, aquele homem creu em JESUS e o adorou (Jo 9.35-38), em contraste com os que, apesar de sua visão perfeita, estavam presos à escuridão da incredulidade.

Bíblia de Estudo Wiersbe (2016, p.1662): “O mendigo era físico e espiritualmente cego, mas tanto seus olhos como seu coração foram abertos. Por quê? Porque ele ouviu a Palavra, creu, obedeceu e experimentou a graça de DEUS. Os fariseus tinham, fisicamente, uma boa visão; mas eram cegos espiritualmente. Se tivessem ouvido a Palavra e, sinceramente, considerado as evidências do Senhor, também teriam crido em JESUS CRISTO e tido a oportunidade de nascer de novo”.

3.3. A entrada em Jerusalém e a revelação do Messias   


Os evangelistas Mateus (Mt 21.1-11), Marcos (Mc 11.1-11), Lucas (Lc 19.28-44) e João (Jo 12.12-19) relataram a entrada triunfal de JESUS em Jerusalém, mostrando que Ele é o Messias, o Filho de Davi, cumprindo as profecias. Este que está sendo recepcionado em Jerusalém está prestes a ser levantado na cruz, ressuscitar e retornar à glória que tinha com o Pai antes da fundação do mundo (Jo 12.32; 17.5,24). Os discípulos testemunhariam o que JESUS já lhes tinha revelado (Mt 16.21). O Filho de DEUS não veio como um líder para libertar Israel do jugo romano, mas como o Redentor da humanidade.

 

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal (2021, p.560): “Eles acreditavam que aquele que viesse em nome do Senhor fosse o Rei de Israel (SI 118.25-26; Sf3.15; Jo 1.49). Portanto, os judeus pensavam que estavam saudando a chegada de seu Rei. Mas aquelas pessoas que estavam louvando a DEUS por lhes ter dado um rei tinham uma ideia equivocada a respeito de JESUS. Elas tinham a certeza de que ele seria um líder nacional, que iria restaurar a nação deles à sua glória anterior; desse modo, estavam surdos em relação às palavras de seus profetas e cegos em relação à verdadeira missão de JESUS”.

 João Batista testemunhou sobre o Filho de DEUS, declarando que CRISTO viria depois dele.

 

CONCLUSÃO

O próprio Senhor JESUS CRISTO, em Seu discurso de despedida, advertiu que Seus discípulos enfrentariam rejeição e oposição ao longo da caminhada cristã (Jo 15.18-20). No entanto, Ele também assegurou que o ESPÍRITO SANTO os fortaleceria e capacitá-los-ia para perseverar na missão (Jo 15.26-27). Dessa forma, nenhuma forma de rejeição ou oposição pode impedir o avanço da Igreja quando ela caminha no poder do ESPÍRITO SANTO.

 

 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

O DEUS PROVEDOR



O DEUS PROVEDOR

TEXTO BÍBLICO Gênesis 26:1-33

"Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo" (João 16:33).

1. A Realidade da Vida: "No mundo tereis aflições"

Jesus não nos oferece um caminho de ilusões. Ele é realista. Ele reconhece que, enquanto estivermos neste mundo, enfrentaremos tribulações, dificuldades e dores. Essa honestidade de Jesus é, em si, um ato de cuidado: Ele não quer que nos sintamos abandonados ou que nossa fé seja abalada quando os problemas inevitavelmente surgirem. A aflição não é um sinal de ausência de Deus, mas uma característica da vida humana que Ele próprio compreende.

2. A Provisão de Jesus: "Para que em mim tenhais paz"

Aqui reside o coração da provisão divina. A paz que Jesus oferece não é a ausência de problemas, mas a presença de um porto seguro.

  • Paz como Provimento: Enquanto o mundo oferece ansiedade e caos, Deus provê um estado de espírito que transcende as circunstâncias.
  • O "Em Mim": A provisão de paz não é uma técnica ou uma filosofia; é um relacionamento. É ao estar conectado com Ele que encontramos a estabilidade necessária para não sermos derrubados pelos problemas.

3. O Comando da Esperança: "Tende bom ânimo"

Pode parecer estranho ser chamado a ter "bom ânimo" diante de aflições. No entanto, este comando é baseado na autoridade de quem fala. Não é um otimismo vazio, mas uma confiança baseada em um fato consumado. Somos convidados a manter o ânimo porque nossa perspectiva não está limitada apenas ao problema, mas ao resultado que já foi garantido por Cristo.

4. A Garantia da Vitória: "Eu venci o mundo"

Esta é a fonte máxima de nossa confiança. A vitória de Jesus sobre o mundo (sobre o pecado, a morte e o mal) é a garantia de que as aflições que enfrentamos hoje não têm a palavra final.

  • Como Ele já venceu, nós compartilhamos da Sua vitória.
  • A provisão de Deus para o crente inclui o poder de superar, de suportar e, eventualmente, de triunfar sobre qualquer barreira.

Reflexão: O Deus que provê o que mais precisamos

Quando pensamos em "Deus da Provisão", muitas vezes limitamos nossa visão ao suprimento financeiro ou material. Mas João 16:33 nos eleva a um patamar superior:

  • Ele provê paz quando o mundo oferece medo.
  • Ele provê esperança quando o mundo oferece desespero.
  • Ele provê vitória quando o mundo oferece derrota.

Em resumo: Este versículo nos ensina que Deus supre a nossa necessidade mais urgente — a capacidade de permanecer de pé e em paz, independentemente do que aconteça ao nosso redor. Ele não nos tira do cenário das aflições, mas nos equipa com a Sua própria paz para atravessá-las com a certeza de que, n'Ele, a vitória já nos pertence.

Como você tem buscado essa "paz em Cristo" diante dos desafios que tem enfrentado atualmente?

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos a respeito das crises que Isaque, filho de Abraão, enfrentou, principalmente crise da falta de água e de alimento, além de vizinhos invejosos e perversos. Sua história está registrada em Gênesis 26:1-33. Isaque era o filho da promessa, mas isso não significava que ele não enfrentasse obstáculos e crises em sua vida. No lugar onde vivia houve uma grande seca, e todo o seu patrimônio corria o risco de ir à bancarrota. Por causa da escassez de grãos na terra, Isaque resolve sair de Canaã. Ele saiu rumo ao Egito, mas parou em Gerar, lugar dos filisteus. Antes de continuar sua caminhada para o Egito, o Senhor apareceu-lhe e disse: “Não desças ao Egito” (Gn.26:2). O Senhor o prevenira acerca dos perigos do Egito e prometeu abençoá-lo onde estivesse, mas não nesse lugar. A ideia de ir ao Egito lembrava experiências ruins que ocorrera com seu pai, Abraão. Isaque estava sendo lembrado pelo Senhor de que não seria bom que ele fosse ao Egito, uma vez que seu pai, Abraão, havia passado por experiências ruins naquele lugar, com consequências amargas que lembravam mentira, cilada e humilhação por estar fora da vontade de Deus. Agora, depois de muitos anos, Deus falou com Isaque, que à época já era pai de Esaú e Jacó, que não descesse ao Egito. Deus sabia, por sua presciência, que Isaque poderia ser vencido pelas tentações da terra e não teria firmeza suficiente para evitar as ameaças do povo daquela terra. Isaque obedeceu ao Senhor, ficou em Gerar. Por isso, sobreviveu àquela crise.

Vejamos, à luz deste episódio ocorrido com Isaque, alguns princípios norteadores para se sobreviver em tempos de crise. Adaptado do livro “Quatro Homens, um destino”, do Rev. Hernandes Dias Lopes – páginas 67 a 77.

I. NA CRISE, TOME ATITUDES CORAJOSAS, SOB O AUSPÍCIO DE DEUS (Gn.26:1-6)

Nas crises, duas atitudes são indispensáveis: oração e ação. É o binômio que nos mantém de pé nas circunstâncias adversas. Com a oração nos movemos o dedo de Deus em nosso favor, dinamizando as nossas ações, dando-nos pleno sucesso, contra o inimigo que nos roubou a bonança e a alegria.

1. Lute pela própria sobrevivência (Gn.26:1) - “Sobrevindo fome à terra, além da primeira havida nos dias de Abraão, foi Isaque a Gerar, avistar-se com Abimeleque, rei dos filisteus”. A fome assola a terra onde morava Isaque. É tempo de escassez, de desemprego, de contenção drástica de despesas, de recessão. Isaque, porém, não ficou lamentando; ele saiu, se moveu. Hoje, vivemos o drama do achatamento da classe média, da falta de oportunidade e perspectiva para aqueles que não conseguem ter acesso às universidades. A batalha do emprego é maior do que a batalha do vestibular. O desemprego é um gigante. O medo do futuro apavora os pais de família.

2. Não busque atalhos sedutores (Gn.26.2) – “Apareceu-lhe o SENHOR e disse: Não desças ao Egito. Fica na terra que eu te disser”. Isaque foi tentado a descer ao Egito, lugar de fartura e riquezas fáceis. Mas Deus diz a Isaque: "Não desças ao Egito". Muitos querem soluções rápidas, fáceis e sem dor, em tempos de crise. Atividades ilícitas são oferecidas em épocas de crise. Precisamos ter cuidado para não transigir com os valores de Deus; precisamos ter cuidado para não tapar os ouvidos à voz de Deus. Portanto, desista das vantagens imediatas por bênçãos mais invisíveis (Gn.26:3) e remotas (Gn.26:4). Siga o projeto de Deus, ainda que isso pareça estranho. Não desças ao Egito.

3. Tire os olhos das circunstâncias e ponha-os nas promessas de Deus (Gn.26:3-5) – “habita nela, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e a tua descendência darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a Abraão, teu pai. Multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e lhe darei todas estas terras. Na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra; porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandados, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis”.

Deus diz a Isaque: Não fuja, fique! Floresça onde você está plantado. Não corra dos problemas; enfrente-os; vença-os. Seu futuro está nas mãos de Deus. Não deixe a ansiedade estrangular você: Onde morar? Onde trabalhar? Onde meus filhos estudarão? Como eu pagarei meu plano de saúde? E se eu ficar doente? Saiba que Deus cuida de você! Você vale mais do que as aves do céu e as flores do campo. Certa vez Jesus disse isso para os seus discípulos, que estavam ansiosos quanto à vida (Mt.6:25-34):

25. Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?

26. Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

27. E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?

28. E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam.

29. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.

30. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé?

31. Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos?

32. (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas;

33. Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.

34. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

Deus conhece cada uma das nossas necessidades, e é poderoso para suprir todas elas. Deus acalmou o coração de Isaque e lhe disse: Calma! Eu estou com você. Calma! Eu tomo conta de tua descendência. Calma! Teu futuro está em minhas mãos, e não será destruído pelo terremoto das circunstâncias. Calma! Farei de você e da tua descendência uma bênção para o mundo todo!

Irmãos, a causa de nossa vitória não é ausência de problemas, mas a presença de Deus nos garantindo a vitória. Moisés não se dispôs a atravessar o deserto sem a presença de Deus. Paulo perguntou: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm.8:31). Você e Deus é maioria absoluta. Com Deus a seu lado, você é mais do que vencedor.

4. Obedeça sem racionalizações (Gn.26:6) – Isaque, pois, ficou em Gerar”. Deus deu duas ordens para Isaque: não desças ao Egito e fica na terra de Gerar (Gn.26:2,6). Isaque não discute, não questiona, não racionaliza, não duvida. Isaque obedece de imediato, pacientemente. Ele aprendeu com seu pai, Abraão. Deus disse a Abraão: "Sai-te da tua terra [...] para a terra que eu te mostrarei", e Abraão saiu. Deus disse a Abraão: "Toma agora teu filho, o teu único filho; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto", e Abraão foi e ofereceu seu filho. Deus disse a Abraão: "Não estendas a mão sobre o mancebo", e ele obedeceu. O caminho da obediência é o caminho da bênção, da vitória. Portanto, na crise, não fuja de Deus, obedeça-lhe!


II. NA CRISE, VENÇA OS PROGNÓSTICOS PESSIMISTAS E FAÇA INVESTIMENTOS, EM VEZ DE FICAR LAMENTANDO (Gn.26:12-14)

12. Semeou Isaque naquela terra e, no mesmo ano, recolheu cento por um, porque o SENHOR o abençoava.

13. Enriqueceu-se o homem, prosperou, ficou riquíssimo;

14. possuía ovelhas e bois e grande número de servos, de maneira que os filisteus lhe tinham inveja.

Nos momentos de crise não podemos deixar que o pessimismo domine o ambiente. Lembram-se dos doze espias que Josué enviou para espiar a terra de Canaã? (Nm.13:26-33). Dez espias fizeram um relatório pessimista. Isto trouxe grande terror aos israelitas. Calebe acalmou o povo com palavras de ânimo e fé. Não negou o que os dez espias disseram, mas colocou sua esperança no que Israel podia fazer com a ajuda de Deus. Para ele e Josué não se tratava de Israel contra os gigantes, mas de Deus contra os gigantes. Porém os dez espias o contradiziam. Excluíam a Deus e exageravam seu relatório original. Agora todos os cananeus eram gigantes na opinião deles; não poderiam conquistar Canaã, diziam. Referindo-se aos filhos de Enaque, disseram que esses eram tão grandes que eles próprios se sentiam como gafanhotos diante deles. Realmente os enaquins eram homens grandes, mas pareciam ainda maiores porque os espias estavam com medo. Eles se viam como gafanhotos diante dos enaquins, mas se esqueceram do Senhor; se O tivessem incluído na equação o resultado seria totalmente outro.

Quando sentimos medo e perdemos nossa fé, tendemos a exagerar as dificuldades e os problemas. Mas se nos voltarmos para Deus, que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós (Ef.3:20), as dificuldades e problemas serão vistos com os olhos da fé, e teremos coragem de enfrentá-los, pois, com este poder, venceremos. Portanto, na crise, vença os prognósticos pessimistas e tome atitudes corajosas e inteligíveis.

 

1. Semeie na sua “terra”, ainda que todos duvidem que isso será um sucesso (Gn.26:12). Muitos podiam dizer: Isaque, o lugar é deserto, aqui não chove, a terra é seca, aqui não tem água, não vai dar certo, outros já tentaram e fracassaram, jamais sairemos dessa crise, não há solução! Mas, Isaque se recusou a aceitar a decretação do fracasso em sua vida. Ele desafiou o tempo, as previsões, os prognósticos, a lógica - "Isaque semeou naquela terra".

Eu conclamo você a parar de reclamar. Semeie em sua terra. Semeie em seu casamento. Semeie em seus filhos. Semeie em seu trabalho. Semeie em sua igreja. Não importa se hoje o cenário é de um deserto. Lance suas redes em nome de Jesus. Lance seu pão sobre as águas. Ande pela fé. Davi poderia ter pensado o mesmo diante de Golias - durante quarenta dias, o exército de Saul correu daquele gigante, com as pernas bambas de medo. Mas, em vez de correr do gigante, Davi correu para vencer o gigante e triunfou sobre ele. Alguém disse que a melhor defesa é o ataque. Agarre seu gigante pelo pescoço. Semeie em seu deserto. Deus faz o deserto florescer!

 

2. Torne-se um especialista no que você faz, não se acomode (Gn.26:18-22). Isaque tornou-se um especialista em cavar poços. Diz o texto sagrado:

18. E tornou Isaque a abrir os poços que se cavaram nos dias de Abraão, seu pai (porque os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão), e lhes deu os mesmos nomes que já seu pai lhes havia posto.

19. Cavaram os servos de Isaque no vale e acharam um poço de água nascente.

20 Mas os pastores de gerar contenderam com os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa. Por isso, chamou o poço de Eseque, porque contenderam com ele.

21. Então, cavaram outro poço e também por causa desse contenderam. Por isso, recebeu o nome de Sitna.

22. Partindo dali, cavou ainda outro poço; e, como por esse não contenderam, chamou-lhe Reobote e disse: Porque agora nos deu lugar o SENHOR, e prosperaremos na terra.

Quando estamos vivendo num deserto, precisamos nos tornar especialistas em derrotar crises. Isaque começou a cavar poços, cavou sete poços. Ele se especializou no que fazia. Ele buscou um milagre, mas estava pronto a suar a camisa. Isaque não ficou deitado esperando que os céus resolvessem o seu problema, não. Ele fez um esforço e buscou uma solução para a crise que o rodeava.

Você quer ser aprovado no vestibular? Então estude com afinco. Você quer passar num concurso? Então estude com seriedade. Um especialista disse que é mais fácil ganhar na loteria do que passar num concurso sem estudar. Você está desempregado e quer arranjar um novo emprego? Então, saia de casa o mais rápido possível e lute pelo seu sonho. Você quer ser uma pessoa próspera? Então, mexa-se, pare de ficar deitado de papo para o ar. Vá à luta. Especialize-se no que você faz. Isaque tornou-se doutor em cavar poços no deserto. Por isso, ele prosperou quando todo mundo estava reclamando da crise e da fome.

3. Faça o ordinário e espere o extraordinário de Deus (Gn.26:12-14). Isaque colheu a cem por um no deserto, na seca (Gn.26:12). Diz o texto sagrado: "E engrandeceu-se o homem; e foi-se enriquecendo" (Gn.26:13). Isaque tornou-se um próspero empresário rural (Gn.26:14). Isto não é extraordinário? Qual a razão deste fantástico sucesso? O Senhor o abençoava sobremaneira (Gn.26:12b). Havia naquele negócio a intervenção sobrenatural de Deus, mas é bom salientar que isto não anula a ação natural do homem. Isaque trabalhou dedicadamente e experimentou o milagre de Deus na crise, mas não prosperou na passividade. Ele cavou poços. Ele plantou. Ele investiu. Ele trabalhou. Ele foi um empreendedor. Saibamos que há uma profunda relação entre a diligência humana e a bênção de Deus, entre trabalho e prosperidade (cf. Pv.10:4; 13:4; 28:19). Portanto, é hora de parar de falar em crise e fazer um esforço. É hora de parar de reclamar e começar a trabalhar com afinco.

III. NA CRISE, EM VEZ DE SE ACOMODAR, BUSQUE VELHAS E NOVAS POSSIBILIDADES (Gn.26:18-22,25,32)











1. Isaque aprendeu com a experiência dos mais velhos (Gn.26:18). Isaque reabriu os poços antigos de seu pai - “E tornou Isaque a abrir os poços que se cavaram nos dias de Abraão, seu pai (porque os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão), e lhes deu os mesmos nomes que já seu pai lhes havia posto”.

Isaque reabriu as fontes de vida que abasteceram seus pais. Precisamos redescobrir as fontes de vida que nossos pais beberam e que foram entulhadas pela corrupção dos tempos. Precisamos cavar esses poços outra vez. Lá tem água boa. Lá têm mananciais. Precisamos voltar a reunir a família em torno da Palavra. Precisamos orar juntos. Precisamos voltar a fazer o culto doméstico. Precisamos voltar às antigas veredas, em vez de ficar flertando com as novidades do modernismo teológico liberal. Não estamos precisando de novidades, de correr atrás de cisternas rotas. Não precisamos de outro Evangelho (Gl.1:6).

2. Isaque abriu novos poços, mostrando que não se contentava com as experiências do passado, ele queria mais (Gn.26:19-22,32). Isaque era um empreendedor. Ele queria mais. Precisamos aspirar mais do que nossos pais aspiraram. Precisamos avançar mais do que eles avançaram. Os melhores dias não ficaram para trás, estão pela frente. Não podemos deixar que as experiências do passado sejam o limite máximo de nossas buscas. Não podemos jogar o passado fora nem o idolatrar. A história é dinâmica. Devemos aprender com o passado, viver no presente, com os olhos no futuro. Isaque saiu da terra dos filisteus, foi para o vale de Gerar, depois para Reobote, depois para Berseba. Mas, para onde quer que fosse, ele cavava poços. Ele queria água no deserto. Berseba era um deserto, mas agora é uma cidade, porque Isaque achou água ali.

3. Isaque retirou o entulho dos filisteus para que a água pudesse jorrar (Gn.26:18). Isaque compreende uma verdade sublime: havia água nos poços. Mas ela não podia ser aproveitada. Primeiro era preciso retirar o entulho dos filisteus. Deus tem para nós fontes, rios de água viva. Nós não os recebemos porque há entulho para ser retirado. Antes de sermos cheios do Espírito de Deus, precisamos retirar o entulho do pecado: incoerência - vida dupla, ortodoxia morta, legalismo; impureza — fornicação, pornografia, adultério; incredulidade — secularismo, mundanismo, falta de fervor.



IV. NA CRISE, PROTEJA O SEU CORAÇÃO DA AMARGURA, EM VEZ DE BRIGAR PELOS SEUS DIREITOS (Gn.26:14b-21)

14. Possuía ovelhas e bois e grande número de servos, de maneira que os filisteus lhe tinham inveja.

15. E, por isso, lhe entulharam todos os poços que os servos de seu pai haviam cavado, nos dias de Abraão, enchendo-os de terra.

16. Disse Abimeleque a Isaque: Aparta-te de nós, porque já és muito mais poderoso do que nós.

17. Então, Isaque saiu dali e se acampou no vale de Gerar, onde habitou.

18. E tornou Isaque a abrir os poços que se cavaram nos dias de Abraão, seu pai (porque os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão), e lhes deu os mesmos nomes que já seu pai lhes havia posto.

19. Cavaram os servos de Isaque no vale e acharam um poço de água nascente.

20. Mas os pastores de Gerar contenderam com os pastores de Isaque, dizendo: Esta água é nossa. Por isso, chamou o poço de Eseque, porque contenderam com ele.

21. Então, cavaram outro poço e também por causa desse contenderam. Por isso, recebeu o nome de Sitna.

Destaco duas verdades importantes aqui:

1. Esteja no controle de seus sentimentos, pois sua paz de espírito é melhor do que a riqueza. Isaque enfrentou a inveja dos filisteus (Gn.26:14), a suspeita e a rejeição de Abimeleque (Gn.26:16) e a contenda dos pastores de Gerar (Gn.26:20,21). As pessoas normalmente não se alegram quando você prospera. Inveja, rejeição e contenda são tensões que você precisa enfrentar.

Como Isaque enfrentou a inveja, a rejeição e a contenda? Com equilíbrio, paciência e mansidão. Virtudes que, hoje, estão ausentes em muitos que cristãos dizem ser. Quando Abimeleque o mandou sair de sua terra, ele saiu. Quando os filisteus encheram seus poços de entulho, ele saiu e abriu outros poços. Quando os pastores de Gerar contenderam para tomar os dois poços novos, ele não discutiu, foi adiante para abrir o terceiro poço. A prosperidade que não passa pela paz de espírito não é a verdadeira prosperidade.

A Paz de Deus implica uma prosperidade ampla, que abrange todas as áreas dos nossos relacionamentos. Precisamos ter paz com Deus e com os homens. Precisamos ter relacionamentos na vertical e também na horizontal. Precisamos ter pressa em fugir de contendas e também em perdoar aqueles que nos ferem. Quem guarda mágoa e passa por cima dos outros não é feliz. Quem atropela os outros e fere as pessoas não tem paz. Isaque nos ensina que é melhor sofrer o dano do que entrar numa briga buscando nossos direitos.

2. Quando você teme a Deus, Ele reconcilia com você seus inimigos (Gn.26:26-33).

26 De Gerar foram ter com ele Abimeleque e seu amigo Ausate e Ficol, comandante do seu exército.

27 Disse-lhes Isaque: Por que viestes a mim, pois me odiais e me expulsastes do vosso meio?

28 Eles responderam: Vimos claramente que o SENHOR é contigo; então, dissemos: Haja agora juramento entre nós e ti, e façamos aliança contigo.

29 Jura que nós não farás mal, como também não te havemos tocado, e como te fizemos somente o bem, e te deixamos ir em paz. Tu és agora o abençoado do SENHOR.

30 Então, Isaque lhes deu um banquete, e comeram e beberam.

31 Levantando-se de madrugada, juraram de parte a parte; Isaque os despediu, e eles se foram em paz.

32 Nesse mesmo dia, vieram os servos de Isaque e, dando-lhe notícia do poço que tinham cavado, lhe disseram: Achamos água.

33 Ao poço, chamou-lhe Seba; por isso, Berseba é o nome daquela cidade até ao dia de hoje.

Abimeleque expulsou Isaque, mas agora o procura, pede perdão e reconhece que Isaque é "o abençoado do Senhor" (Gn.26:29). Isaque teve uma reação transcendental, ele perdoou Abimeleque e eles se reconciliam. Ele perdoou aqueles que lhe fizeram o mal. Isaque mostrou que o perdão não é simplesmente uma questão de ação, mas, sobretudo uma questão de reação. O perdão é a transcendência do amor, é vencer o mal com o bem. É impossível ser verdadeiramente próspero sem exercitar o perdão. Jesus ilustra isso no sermão do monte (Mt.5:39-42). Ele diz que quando uma pessoa nos ferir a face direita, devemos voltar-lhe a outra face; quando a pessoa nos forçar a andar uma milha, devemos ir com ela duas milhas; quando uma pessoa procurar nos tirar a capa, devemos dar-lhe também a túnica. O que representa essas três figuras alistadas por Jesus? Primeiro, quando uma pessoa nos fere no rosto ela agride a nossa honra; segundo, quando uma pessoa nos força a fazer o que não desejamos, ela agride a nossa vontade; Terceiro, quando uma pessoa nos toma as vestes pessoais ela agride o nosso bem mais íntimo e sagrado. Jesus quis realçar que mesmo que os pontos mais vitais da vida sejam atingidos - como a honra, a vontade e os bens inalienáveis -, devemos reagir transcendentalmente, ou seja, com perdão.

Jesus Cristo nos ensina que: se eu não perdoar não posso orar; se eu não perdoar não posso adorar; se eu não perdoar não posso ofertar; se eu não perdoar, não posso ser perdoado; se eu não perdoar, eu adoeço fisicamente, emocionalmente, espiritualmente; se eu não perdoar, a minha alma, a minha vida será entregue aos verdugos da consciência e eu ficarei cativo e prisioneiro sem paz. Com bem diz o Rev. Hernandes Dias Lopes, o perdão é assepsia da alma, é a alforria do coração, é a faxina da mente. Se eu não perdoar, não serei considerado filho de Deus (Mt.5:44). Portanto, o perdão é necessário!

 

CONCLUSÃO

Se estamos em crise, se estamos angustiados, se estamos desesperados, vamos entregar a nossa causa a Jesus. Ele sabe o que está fazendo. Ele sabe quem somos, onde estamos, o que estamos passando, e Ele pode vir trazer o socorro de que tanto precisamos. O mundo está em crise, mas os céus não. O Senhor é soberano e não perdeu o controle da situação. O governo está em suas mãos. Ele tem o suprimento para todos aqueles que Nele confiam. Ele é o Deus da provisão. Portanto, se você está no deserto, ouça o que Deus está lhe falando pela sua bendita Palavra. Siga a direção de Deus e semeie em seu deserto. Se você vive num lugar seco, reabra os poços antigos. Busque as fontes da graça de Deus. Retire os entulhos. Não deixe seu coração azedar. O seu deserto florescerá. Se o chão está duro, regue a semente com suas lágrimas e prepare-se para uma colheita miraculosa.

 



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