segunda-feira, 25 de maio de 2026

SAMUEL, O NASCIMENTO DE UM LÍDER PROFÉTICO EM ISRAEL



SAMUEL, O NASCIMENTO DE UM LÍDER PROFÉTICO EM ISRAEL

O nascimento de Samuel é uma das narrativas mais emocionantes e significativas do Antigo Testamento. Mais do que um relato biográfico, essa história marca uma transição crucial na história de Israel: a mudança do período caótico dos Juízes para o início da monarquia.

O versículo que você citou resume o ápice de uma jornada de dor, fé e entrega. Para entender a profundidade desse nascimento, precisamos olhar para o cenário por trás dele.

A Dor e o Cenário Familiar

Ana vivia em um contexto familiar doloroso. Ela era casada com Elcana, que também era marido de Penina. Naquela época, a esterilidade era vista não apenas como uma questão de saúde, mas como um sinal de desfavor divino e um forte estigma social.

Penina tinha filhos e usava isso para provocar e humilhar Ana continuamente, ano após ano, especialmente quando a família subia a Siló para adorar no Tabernáculo. O texto bíblico diz que Ana chorava tanto que não conseguia comer.

O Voto Cativante em Siló

Em profunda amargura de alma, Ana tomou uma decisão: ela derramou seu coração diante do Senhor no Tabernáculo. Sua oração foi tão intensa, mas feita em silêncio (apenas movendo os lábios), que o sumo sacerdote Eli chegou a pensar que ela estava bêbada.

Ali, Ana fez um voto audacioso: se Deus lhe desse um filho homem, ela o devolveria ao Senhor por todos os dias de sua vida, e ele seria dedicado como nazireu (consagrado exclusivamente a Deus).

O Significado do Nome "Samuel"

Quando o versículo diz que ela chamou o menino de Samuel (Shemuel, no original em hebraico), há um jogo de palavras muito bonito na língua original.

  • O nome está intimamente ligado à expressão "ouvido por Deus" ou "nome de Deus".
  • Ana justifica o nome dizendo: "Porque o tenho pedido ao Senhor". A raiz da palavra para "pedido" (sha'al) soa muito parecida com o nome Samuel.

Registrar essa história no nome do filho era uma forma de Ana lembrar a si mesma, ao menino e a todo Israel de que aquela criança era o resultado direto de uma oração respondida. Deus não estava surdo ao clamor de Seu povo.

O Impacto Desse Nascimento para Israel

O nascimento de Samuel não mudou apenas a vida de uma mãe chorosa; mudou o destino de uma nação.

  • O Fim de um Silêncio Espiritual: O texto bíblico narra que, naquela época, "a palavra do Senhor era rara; as visões não eram frequentes" (1Sm 3:1). O sacerdócio de Eli estava corrompido pelos seus filhos. Samuel nasce para ser a nova voz de Deus.
  • O Último Juiz e o Primeiro Profeta: Samuel cresceu no Tabernáculo após ser desmamado e se tornou o homem que unificou Israel espiritualmente, liderou o povo contra os filisteus e, mais tarde, ungiu os dois primeiros reis de Israel: Saul e Davi.

O nascimento de Samuel nos mostra que, muitas vezes, as maiores respostas de Deus para crises coletivas começam no silêncio e nas lágrimas de uma oração sincera.

O Chamado na Madrugada

Aconteceu de madrugada, antes que a lâmpada de Deus no Tabernáculo se apagasse. Samuel estava deitado dormindo, e Eli também descansava em seus aposentos.

O chamado se desdobrou em quatro momentos específicos:

  • A primeira voz: O Senhor chamou: "Samuel!". O menino, achando que era o idoso Eli que precisava de ajuda, correu até ele e disse: "Eis-me aqui, porque tu me chamaste". Eli, confuso, respondeu: "Não te chamei eu, torna a deitar-te". E ele foi.
  • A segunda tentativa: Deus chamou novamente: "Samuel!". Mais uma vez, o menino se levantou, foi até Eli e repetiu que estava ali porque tinha sido chamado. Eli insistiu que não o chamara e mandou o garoto voltar para a cama.
  • A terceira insistência: O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. O menino, com a mesma prontidão, foi até Eli. O texto bíblico faz uma pausa importante aqui para explicar o que estava acontecendo:

"Samuel ainda não conhecia ao Senhor, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do Senhor." (1Sm 3:7) — ou seja, ele conhecia os rituais do Tabernáculo, mas ainda não tinha tido uma experiência auditiva e profética direta com Deus.

A Percepção de Eli e a Orientação

Na terceira vez, o velho Eli finalmente compreendeu o que estava acontecendo. Ele percebeu que era o Senhor quem estava chamando o menino.

Eli, então, deu a Samuel a instrução que mudaria sua vida:

"Vai deitar-te e há de ser que, se te chamar, dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve." (1Sm 3:9)

Samuel voltou e se deitou. O texto narra que, na quarta vez, o Senhor não apenas chamou, mas "veio, e pôs-se ali", chamando como das outras vezes: "Samuel, Samuel!". E o menino respondeu exatamente como foi instruído: "Fala, porque o teu servo ouve".

A Mensagem e o Peso do Chamado

Diferente do que muitos imaginam por ser uma criança, a mensagem que Deus entregou a Samuel não foi leve. Deus revelou ao menino que iria julgar e punir a casa de Eli permanentemente, por causa dos pecados e da irreverência dos filhos do sacerdote, os quais Eli não havia repreendido como deveria.

Na manhã seguinte, Samuel teve medo de contar a visão a Eli, mas o velho sacerdote o obrigou a falar toda a verdade. Samuel demonstrou coragem e fidelidade ao relatar cada palavra.

A partir daquela noite, o silêncio espiritual de Israel acabou. Samuel cresceu, o Senhor era com ele e nenhuma de suas palavras caiu por terra, sendo reconhecido de Dã a Berseba (de norte a sul do país) como um profeta confirmado do Senhor.

TEXTO BÍBLICO :1Samuel 1:20-28

"E sucedeu que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao Senhor" (1Sm.1:20).

1Samuel 1:20-28

20-E sucedeu que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao SENHOR.

21-E subiu aquele homem Elcana, com toda a sua casa, a sacrificar ao SENHOR o sacrifício anual e a cumprir o seu voto.

22-Porém Ana não subiu, mas disse a seu marido: Quando o menino for desmamado, então, o levarei, para que apareça perante o SENHOR e lá fique para sempre.

23-E Elcana, seu marido, lhe disse: Faze o que bem te parecer a teus olhos; fica até que o desmames; tão-somente confirme o SENHOR a sua palavra. Assim, ficou a mulher e deu leite a seu filho, até que o desmamou.

24-E, havendo-o desmamado, o levou consigo, com três bezerros e um efa de farinha e um odre de vinho, e o trouxe à Casa do SENHOR, a Siló. E era o menino ainda muito criança.

25-E degolaram um bezerro e assim trouxeram o menino a Eli.

26-E disse ela: Ah! Meu senhor, viva a tua alma, meu senhor; eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, para orar ao SENHOR.

27-Por este menino orava eu; e o SENHOR me concedeu a minha petição que eu lhe tinha pedido.

28-Pelo que também ao SENHOR eu o entreguei, por todos os dias que viver; pois ao SENHOR foi pedido. E ele adorou ali ao SENHOR.

INTRODUÇÃO

Em 1Samuel, capítulo primeiro, é narrada a história do nascimento de Samuel, que contrariou a lógica humana, pois sua mãe era estéril; foi um grande marco na história de Israel. Samuel tornou-se um grande líder e foi um instrumento comprometido com Deus para fazer a vontade divina. Sua mãe chama-se Ana, uma mulher humilde e piedosa, que amava o Senhor, porém, era estéril. Ana é com certeza um exemplo de fé e perseverança; uma mulher que não se acostumou com a situação de esterilidade. Mesmo diante das dificuldades causadas por Penina, a outra esposa de Elcana, e a incompreensão do marido e do sacerdote Eli, Ana permaneceu crendo e esperando no agir de Deus. A fé de Ana é recompensada de maneira maravilhosa. Ela fez um voto ao Senhor Deus, e Ele atendeu o seu desejo: ela gerou um filho e o seu nome foi Samuel. No tempo determinado, Ana levou o menino ao Templo e o consagrou ao Senhor Deus, tal como havia prometido em seu voto. Antes de entregar Samuel ao sacerdote Eli, ela conta seu testemunho e os fundamentos do voto que fez. Juntamente com uma generosa oferta, ela entrega o menino ao Senhor, que fica aos cuidados do sumo sacerdote Eli. Tal como havia dito, Ana fez. Cumprir votos que fazemos ao Senhor é fundamental na nossa intimidade com Deus. Que sejamos fiéis naquilo que lhe prometemos.

I. O AMBIENTE FAMILIAR DE SAMUEL

1. O local de nascimento de Samuel

O texto sagrado é bem claro sobre a localidade do nascimento dos pais de Samuel, subentendendo que ele tenha nascido ali também.

“Houve um homem de Ramataim-Zofim, da montanha de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efrateu” (1Sm.1:1).

Portanto, Samuel nasceu num local chamado “Ramataim-Sofim”, que em hebraica significa “vigilante em dupla altura” ou “cumes gêmeos de Zofim”.

Por que dar ênfase à localização do nascimento de Samuel? Com bem diz o Pr. Osiel Gomes, situar, geograficamente, Samuel dentro de uma localidade, especificando a residência de seus pais, é evidenciar aos leitores do texto sagrado que esse homem não vai aparecer nas páginas da Bíblia como uma pessoa qualquer, mas que tem uma família, um local certo de nascimento.

Neste particular, vemos que Jesus, por diversas vezes, é apresentado como tendo uma residência (João 1:39). Paulo procurou com denodo esclarecer sua origem familiar, localidade de seu nascimento e formação, uma prova de que ele não era um intruso, alguém sem princípio, sem origem (At.22;3 - ARA).

Um detalhe importante pode ser dito sobre essa localidade: ela seria o lugar permanente de Samuel (1Sm.7:17); nela ele nasceu, morreu e foi sepultado (1Sm.25:1). Vale dizer que somente aqui, 1Sm.1:1, é que aparece a completude dessa localidade, sendo que em outras passagens bíblicas vem apenas o primeiro nome: Ramá. Assim, pode-se crer que Zofim vem primeiro para fazer distinção entre outras regiões que também eram denominadas de Ramá, que quer dizer cume.

Ramataim-Zofim estava situada na região montanhosa de Efraim, distando ao norte de Jerusalém aproximadamente 24 quilômetros. Para o escritor e historiador Flávio Josefo, esse lugar poderia ser também a cidade em que José de Arimateia nasceu (João 19:38).

Portanto, podemos dizer que Elcana era da tribo de Levi, descendente de coate, mas não da linhagem de Arão (1Cr.6:26,33), porém estava habitando na terra de Efraim. Talvez possa parecer um pouco estranho Elcana habitar em território efraimita, porém, isso não era algo anormal, incomum, porque os levitas não tinham as tribos locais definidas, de maneira que podiam habitar nas cidades que pertenciam às tribos, pois fora dito pelo Senhor que eles não teriam herança (Dt.18:1,2).

O texto sagrado afirma que as famílias descendentes de Coate foram beneficiadas com algumas cidades, entre as quais localizadas geograficamente nos territórios da tribo de Efraim (ver Josué 21:5 e 1Crônicas 6:66). 

“E aos outros filhos de Coate caíram por sorte, das famílias da tribo de Efraim, e da tribo de Dã, e da meia tribo de Manassés, dez cidades” (Js.21:5).

“E, quanto ao mais das famílias dos filhos de Coate, as cidades do seu termo se lhes deram da tribo de Efraim” (1Cr.6:66).

Portanto, Elcana era um levita, mas efraimita somente por causa de sua residência, por autorização da própria Lei mosaica.

Samuel atuou como sacerdote porque era de origem levita também. Como bem diz o Pr. Osiel Gomes, Samuel não foi somente um profeta, sacerdote e juiz, mas alguém que teve origem, boa formação familiar e espiritual, que desde cedo aprendeu a estar na casa do Senhor, por incentivo de seus pais, e, sob a tutela de Eli, aprendeu a servir como servo de Deus.

Vale salientar que é fundamental um líder ter histórico e história, pois isso irá contribuir grandemente para sua formação pastoral. Grandes líderes não surgem em seminários de renome, em grandes universidades, como Harvard, Cambridge, que têm seus valores, mas num lar cristão e piedoso, e essa ideia é paulina (1Tm.3:4) – “que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia”.

Um líder pode ter boa desenvoltura, retórica, uma erudição teológica grandiosa, mas não é um grande profeta de Deus para as nações quando não está presente nele uma boa formação espiritual oriunda de seus pais, do seu ambiente familiar, de sua Igreja Local.

Samuel teve grandes privilégios: uma mãe piedosa, que procurava criar em sua mente e coração o desejo de ser um instrumento nas mãos de Deus; um sacerdote para lhe ensinar como se dirigir perante Deus quando Ele chamar. Tudo isso esteve presente na sua vida, razão pela qual veio a ser tudo o que foi para Israel.

2. A Bigamia presente

O primeiro Livro de Samuel começa narrando que Elcana tinha duas mulheres - Ana (que significa graça) e Penina (que significa pérola) -, possivelmente por causa da esterilidade de Ana; mas, tal desculpa não convence, pois ele deveria ter entregado tudo ao Senhor, como fez Ana, e logo depois o problema estaria resolvido, como foi.

Como todo registro histórico fiel, a Bíblia relata a prática da poligamia, mas em nenhum momento a aprova. A exemplo de Lia e Raquel, uma esposa era fértil e a outra estéril. Havia rivalidade no lar, pois apesar de não ter filhos, seu marido a amava.

Sabemos com base na leitura dos relatos patriarcais em Gênesis que a poligamia dá origem a conflitos domésticos, especialmente quando uma das esposas é estéril. O mesmo aconteceu na casa de Elcana. O texto de 1Smauel 1:6 identifica Penina como rival de Ana, pois ela ridicularizava a condição de Ana a ponto de esta chorar e recusar-se a comer (1Sm.1:7).

“E a sua competidora excessivamente a irritava para a embravecer, porquanto o SENHOR lhe tinha cerrado a madre. E assim o fazia ele de ano em ano; quando ela subia à Casa do SENHOR, assim a outra a irritava; pelo que chorava e não comia” (1Sm.1:6,7).

De ano em ano, a família ia a Siló para celebrar as festas, e Ana recebia porção dupla do sacrifício pacífico (1Sm.1:3-5). Essa predileção fazia Penina provocá-la ainda mais para a irritar. Cada vez mais magoada e desesperada com a provocação de Penina, Ana apresentou o seu problema ao Senhor no Templo.

Inúmeros eram os problemas que surgiam num lar onde existia a poligamia, como se observa o ocorrido com as mulheres de Elcana. Pela poligamia, as mulheres tomadas não passavam simplesmente de amantes, o que é chamado de concubinato; elas serviam apenas como objeto para o sexo e a procriação.

Ter várias esposas era permitida pela Lei de Moisés (Dt.21:15), mas tanto a poligamia - um homem ter mais de uma mulher -, quanto a poliandria - uma mulher ter mais de um marido -, estão em desacordo com o ensino das Escrituras Sagradas para o casamento (cf. Dt.28:54,56; Sl.128:3; Pv.5:15-21; Ml.2:14).

Elcana seguiu um modelo que não era aprovado por Deus, nos quais andaram Jacó, Gideão, Saul, Davi, Salomão, Roboão, dentre outros; porém, essa prática foi condenada por Jesus e pelo apóstolo Paulo. Jesus, em Sua resposta aos fariseus, quando estes lhe interrogaram acerca do divórcio, foi clarividente que Deus criou o casamento monogâmico. Ele disse: “Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher...” (Mt.19:5). Ele não disse: “suas mulheres”, e sim, “sua mulher”. A resposta do Senhor remonta às origens do casamento e da própria criação (cf. Gn.2:24).

Paulo, ao mencionar as qualificações do presbítero, adverte: “É necessário, portanto, que o bispo seja (...) esposo de uma só mulher...” (1Tm.3:2). O diácono também deve ser “marido de uma só mulher” (1Tm 3:12). Portanto, a liderança eclesiástica deve ser o exemplo dos fiéis em tudo, e esse exemplo inclui o casamento bíblico (1Tm.4:12).

Lameque foi o primeiro a rejeitar o princípio do casamento monogâmico, ordenado por Deus (Gn.2:22-24) – E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá” (Gn.4:19). A partir daí a depravação hereditária se alastrou progressivamente no lar e na família.

Deus tolerou a poligamia, mas nunca a aprovou, por ser prática estranha ao seu projeto para a constituição da família.

3. Uma família piedosa

Pessoa piedosa é aquela que tem uma vida santa, de oração e consagração. Só pode ser justo aquele que é piedoso. Por isto, não temos como ser justos e ímpios, ao mesmo tempo. Piedoso é alguém cuidadoso em relação a Deus. Piedoso é quem leva Deus a sério.

Portanto, ser piedoso é ser temente a Deus. Ser piedoso é estar atento às manifestações de Deus em nossas vidas. Só as pessoas piedosas veem os atos poderosos de Deus. Ser piedoso é ser íntimo de Deus.

Quando somos íntimos de Deus, os frutos de justiça brotam de nós naturalmente.

Quando somos íntimos de Deus, sua Palavra flui de nós sem que façamos força.

Quando somos íntimos de Deus, todos ao nosso redor veem a luz que nós projetamos.

Apesar da porfia e a inveja terem espaço suficientes para suscitar conflitos de relacionamentos, há um fator que merece destaque na família de Elcana: a sua família demonstrava ser piedosa, ou seja, cumpria com os compromissos espirituais a serem observadas, conforme os mandamentos veterotestamentários.

A piedade era vista nessa família através da oração e do sacrifício que prestava a Deus. O texto sagrado afirma que ele saía da sua cidade todos os anos a adorar e a sacrificar ao Senhor dos Exércitos, em Siló (1Sm.1:3). Com essa ação, eles faziam oposição ao sistema idolátrico que estava estabilizado naquela época. Nos dias de Eli, além dos pecados de seus filhos, muitos já não subiam a Siló para adorar ao Deus verdadeiro, mas adoravam e praticavam sacrifícios ao ídolo de Mica (Jz.12:17); porém, Elcana e sua casa continuavam servindo ao Senhor com verdade e sinceridade. A maneira de Ana se comportar no momento da oração, no Tabernáculo, pedindo um filho ao Senhor é uma prova cabal de que ela era uma mulher piedosa.

É bom ressaltar que nem toda pessoa radicalmente religiosa é considerada uma pessoa piedosa.

-Veja os exemplos dos filhos de Eli, Hofni e Finéias; eles eram considerados “os sacerdotes do SENHOR” (1Sm.1:3), que cumpriam os deveres litúrgicos, porém eram considerados filhos de Belial (1Sm.2:12); “eram sacerdotes do Senhor”, mas, “não conheciam ao Senhor”; eram pecadores explícitos (1Sm.2:22a) e faziam “transgredir todo o povo do Senhor” (1Sm.2:24). Diz o texto sagrado que eles “se deitavam com as mulheres que em bandos se ajuntavam à porta da tenda da congregação” (1Sm.2:22).

-Veja os filhos de Samuel, homem de Deus. Eles eram juízes sobre o povo de Deus, mas eram corruptos. Diz o texto sagrado: “seus filhos não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinaram à avareza, e tomaram presentes, e perverteram o juízo” 1Sm.8:3).

Religiosidade aparente não agrada a Deus, e sim um coração puro voltado a uma adoração por excelência ao Senhor. Quando há uma sincera adoração ao Senhor, a sua presença é real. Jesus disse: "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt.18:20).

“Estamos vivenciando um mundo cada vez mais comprometido com o pecado, famílias sendo atacadas pelos modismos e ensinos pós-modernos pouco edificantes. Todavia, aquelas que são verdadeiramente firmadas na aliança com o Senhor não serão abaladas e, ainda que tenham as imperfeições humanas, poderão fomentar o poder do Senhor dos exércitos nesta terra, pois, como falou Paulo, somos seus soldados, e nenhum soldado em combate se envolve com negócios desta vida (2Tm.2:4)” (Pr. Osiel Gomes).

II. SAMUEL: FRUTO DE ORAÇÃO

1. A Humildade de Ana

Ana era estéril, e ser estéril naquela época era motivo de zombaria e desprezo, era algo estarrecedor, uma vergonha (1Sm.1:5-7). Não era fácil para Ana, pois, não gerando filhos, dela não poderia haver um substituto para Elcana; através dela seu nome não seria perpetuado. Outro agravante é que, naquela época, uma mulher não ter filho era como se fosse amaldiçoada por Deus.

Além disso, Ana compartilhava seu marido com uma mulher que a ridicularizava (1Sm.1:7). 1Samuel 1:6 mostra a provocação de Penina contra ela, detratando-a negativamente por não ter filhos. Diante dessa situação, Ana tinha bons motivos para se sentir desencorajada e amargurada.

Seu excelente esposo não podia resolver seus problemas (1Sm1:8), e até o sumo sacerdote Eli confundiu seus motivos (1Sm.1:14). Mas, ao invés de retaliar ou perder as esperanças, Ana não deixava de ir à Siló festejar e adorar ao Senhor. Ainda que carregasse o estigma de estéril, ela estava ali.

Ao invés de revidar as provocações de Penina, Ana foi à Casa do Senhor orar; ali ela apresentou o seu problema diante de Deus e confiou nele. Apesar de toda essa situação, Ana jamais atacou sua rival, seu marido, ou até mesmo o sacerdote, e isso prova o quanto ela era humilde, pois procurou enclausurar-se naquele momento de dor indo direto aos pés do Senhor.

É difícil orar com fé quando nos sentimos tão ineficazes. Mas, como Ana descobriu, as orações abrem caminho para que Deus possa trabalhar (1Sm.1:19,20). Tiago e Pedro falaram da importância de nos humilharmos na presença do Senhor, para que, no tempo certo, sejamos exaltados (Tg.4:10; 1Pd.5:6).

2. Ana e sua amargura de alma (1Sm.1:10)

“Ela, pois, com amargura de alma, orou ao SENHOR e chorou abundantemente”.

Neste texto, o termo “amargura da alma” ou “angústia profunda” (ARA) indica depressão profunda e angústia emocional (Jó 3:20-22; 10:1; Pv.31:6,7; Ez.27:31). As palavras da própria Ana dão testemunho de seu sofrimento intenso. Ela fala de sua “miséria” (1Sm.1:11) e “grande angústia e aflição” (1Sm1:16); descreve a si mesma como “profundamente conturbada” (1Sm.1:15).

Caso alguém esteja dominado por este sentimento, e não seja logo tratado, pode representar um risco fatal, pois, quando alguém é dominado por ele, os resultados são desastrosos, já que passa a estar contaminado pelo sentimento de rancor, ódio; seu coração fica envenenado, de modo que não pode produzir nada de bom.

Como diz o Pr. Osiel Gomes, uma pessoa amargurada jamais olha para os outros com bons olhos, antes, na sua visão, nada presta, seu emocional é estressante, suas memórias são sempre pungentes. Em resumo, dizemos que uma pessoa amargurada não tem prazer com a vida e busca estragar a vida dos outros.

A Bíblia fala de duas noras que tornaram a vida de Isaque e Rebeca uma amargura; seus nomes: Judite e Basemate (Gn.26:34) - “E estas foram para Isaque e Rebeca uma amargura de espírito” (Gn.26:35). Elas tornaram a vida desse casal, sem brilho, sem vida, sem alegria, sem encanto, pois pessoas amarguradas são como vírus letais, que saem disseminando sua doença.

Paulo diz que devemos manter longe de nós toda amargura (Ef.4:31), inclusive afirma que os maridos não devem tratar suas esposas com amargura (Cl.3:19).

O escritor aos Hebreus adverte que em nós não deve existir raiz de amargura (Hb.12:15). Quando ele diz isto, possivelmente, ele tinha consciência do que esse mal pode causar, pois pessoas amarguradas são como viventes mortos, como soda cáustica; têm no seu interior feridas incuráveis, as quais resultaram de traumas da vida, de amor não correspondido, de tratamento ignorante, de abusos, de violência.

Ana estava profundamente amargurada, por causa de sua esterilidade e por causa das provocações maldosas de sua rival, mas ela se comportou como uma serva de Deus e soube colocar seus ressentimentos, suas amarguras, no lugar certo: perante o Senhor. Ele não deixou que esse sentimento a corroesse por dentro. Ana sabia que tudo poderia ser resolvido através do Senhor, por isso o texto diz: “[...] orou ao Senhor e chorou abundantemente” (1Sm.1:10).

Diante de sua amargura de alma, Ana fez duas coisas importantes: demorou-se em sua oração e só movimentava os lábios, orando com o coração, razão pela qual Eli a teve como embriagada.

Eli era um homem experiente e, através do tempo de ministério, pôde contemplar todo tipo de pessoa fazendo oração no Tabernáculo. Como de praxe, alguns judeus oram em alta voz, mas aqui duas coisas o incomodavam: a oração silenciosa e sua demora no pedido. Não sabia ele que essa mulher estava clamando pela vinda do homem que iria fazer toda a diferença em Israel, o seu filho Samuel.

Ao enfatizar o sofrimento de Ana, o narrador prepara o cenário para a intervenção do Senhor. Ele proveu para Ana e lhe concedeu o que desejava o seu coração. O Senhor não é indiferente à dor e à opressão dos necessitados; atenta para eles e os levanta de sua aflição (1Sm.2:7,8).

“O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e exalta. Levanta o pobre do pó e, desde o esterco, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo” (1Sm.2:7,8).

Concordo com o pr. Osiel Gomes quando diz que o endereço certo para derramarmos nossas lágrimas, nossos gemidos e gritos é aos pés de Deus, pois somente Ele entende o que é de fato a amargura de alma.

Todos nós podemos correr o risco de estar amargurados, mas não podemos deixar que isso nos domine, pois o que deve permear o nosso ser é o fruto do Espírito (Gl.5:22), a saber, amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, mansidão, temperança.

3. O pedido de Ana (1Sm.1:11)

 “E votou um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, mas à tua serva deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha”.

Ana em desespero por causa de sua esterilidade se volta ao Senhor em oração. Ela se dirige ao Senhor por meio do seguinte título: “Senhor dos Exércitos”, termo que ressalta a soberania de Deus. Ela imaginava o Senhor entronizado acima dos querubins da Arca da Aliança, o símbolo terreno de Seu trono celeste (1Sm.4:4; 2Sm.6:2). Faz sentido que tenha se dirigido ao Senhor dessa forma em Siló, pois “a Arca de Deus” estava nesse local (cf.1Sm.4:3).

O desejo prioritário de Ana era ser mãe, e ela foi bem específica no seu pedido – “Se....à tua serva deres um filho varão...”. Nada substituiria esse desejo, nem mesmo as maiores riquezas materiais. Para ela o seu maior patrimônio seriam filhos. Ana orou sincera, especifica e sacrificialmente. Não retrocedeu no seu pedido, mesmo quando repreendida pelo sacerdote incompreensivo.

Ana desejava tanto ter um filho que estava disposta a negociar com o Senhor. Deus levou a sério a sua promessa e atendeu a sua oração. Ao sair do Tabernáculo, ela creu que a sua oração tinha sido ouvida, por isso de imediato fez três coisas: seguiu o seu caminho; alimentou-se; e manifestou grande jubilo (1Sm.1:18). Essa nova postura de Ana declarou sua confiança plena em Deus e a certeza de que a bênção era certa, pois ela cria que Deus tinha ouvido suas orações.

O Senhor tirou a esterilidade de Ana e ela teve um filho. Samuel nasceu, e quando foi desmamado, Ana cumpriu o seu voto, por mais dolorosa que pudesse ser aquela atitude (1Sm.1:27,28). Ela poderia ter tido muitas desculpas para ser uma mãe possessiva, mas quando o Senhor respondeu sua oração, Ana cumpriu sua promessa de dedicar Samuel à obra de Deus. Ela estava ciente de que tudo o que temos e recebemos é um empréstimo de Deus.

Jamais devemos ter em mente que Ana estivesse barganhando com Deus, ou seja, o seu pedido não deve ser considerado uma troca, ou algo egoísta; antes, seu desejo era puro, verdadeiro e visava à glória de Deus. Ela queria ser mãe e pede um filho para o consagrar inteiramente à obra de Deus. O pedido de Ana estava dentro dos propósitos divinos, em momento algum ela pediu algo para contrapor com sua rival, para ter um menino apenas para ela, mas dedicaria a Deus.

Embora não estejamos em posição para negociar com Deus, Ele ainda responde uma oração de um coração contrito acompanhada de um voto. Ao orar, pergunte a si mesmo: “eu cumprirei o meu voto feito ao Senhor, caso Ele atenda ao meu pedido?”.

Precisamos ser cuidadosos com o que prometemos em oração porque Deus pode cobrar. É desonesto e perigoso ignorar uma promessa, um voto, especialmente feito a Deus. Ele cumpre a Sua palavra e espera que cumpramos o que prometemos a Ele.

III. A DEDICAÇÃO DE SAMUEL


1. O nascimento de Samuel (1Sm.1:20)

“E sucedeu que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao SENHOR”.

Após as festividades, Elcana e sua família retornaram à sua cidade, e coabitou com Ana, e nela foi gerada uma criança, cumprindo assim a vontade de Deus em atender ao pedido de Ana. Imagine o momento em que Ana percebeu que estava grávida! Deve ter sido uma alegria sem par.

Ao nascer o menino, Ana deu a ele o nome de Samuel, que significa “ouvido por Deus”. Como recebera o menino em resposta à sua oração, Ana procurou por um nome que revelasse o caráter divino.

O nascimento de Samuel foi humano, mas tudo se processou pela ação divina; assim, sendo a criança do sexo masculino, Ana queria dar a ela um nome que fizesse jus a todo o acontecimento, que apresentasse um menino que veio de Deus por meio da oração. Ela quis louvar a fidelidade de Deus ao atender a sua oração. Aonde quer que Samuel fosse e o que ele fizesse, seu nome daria testemunho de uma grande e importante verdade sobre Deus: Sua fidelidade; Ele se importa com os seus filhos; Ele ouve a oração de seus filhos. Samuel seria um exemplo vivo de que quando o povo de Deus pede humildemente, o Senhor ouve e responde com misericórdia e graça.

Ao olharmos para o nascimento de Samuel, devemos nos conscientizar de que, quando alguém entrega a Deus os seus problemas, tendo ciência de que Ele é o Senhor dos exércitos, que ouve as orações, agirá primeiramente tratando com nós mesmos, como fez com Ana, fazendo com que seu semblante não fosse mais o mesmo e gerando a certeza de que todos quantos se entregam confiantemente nas mãos de Deus, milagres acontecem. Vale a pena nos submetermos em oração ao Senhor, agradar-lhe, e Ele concederá o que deseja o nosso coração. Afirma o salmista:

“Os olhos do SENHOR estão sobre os justos; e os seus ouvidos, atentos ao seu clamor. A face do SENHOR está contra os que fazem o mal, para desarraigar da terra a memória deles. Os justos clamam, e o SENHOR os ouve e os livra de todas as suas angústias. Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito” (Sl.34:15-18).

“Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração” (Sl.37:4).

2. O Cumprimento do Voto (1Sm.1:26-27)

“E disse ela: Ah! Meu senhor, viva a tua alma, meu senhor; eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, para orar ao SENHOR. Por este menino orava eu; e o SENHOR me concedeu a minha petição que eu lhe tinha pedido. Pelo que também ao SENHOR eu o entreguei, por todos os dias que viver; pois ao SENHOR foi pedido. E ele adorou ali ao SENHOR”.

Desde o primeiro momento em que Ana desejou ter um filho, ela, decididamente e em oração, o apresentava diante do Senhor (cf. 1Sm.1:10-28). Ela considerava seu filho uma dádiva graciosa da parte de Deus, e expressou sua intenção de cumprir seu voto, entregando seu primogênito ao Senhor.

Quando o menino foi desmamado, Ana o apresentou à Casa do Senhor e o devolveu a Deus num ato definitivo de consagração. Desde o início, ele assistiu aos sacerdotes e ministrou diante do Senhor.

No Antigo Testamento, o voto jamais assumiu a ideia de barganha que tinha entre os gentios idólatras, nem tampouco era algo que fosse considerado obrigatório na lei de Moisés. Entretanto, havendo a prática do voto, seu cumprimento era exigido, representando pecado o seu não pagamento, sendo, também, as Escrituras claras no sentido de que o próprio Deus requereria tal cumprimento.

No compêndio doutrinário da Igreja, o Novo Testamento, não há uma disciplina explícita com relação ao voto, porém, ele não é desestimulado ou proibido; ou seja, se alguém quiser fazer voto pode fazê-lo. Não está proibido porque resulta do livre-arbítrio, mas a responsabilidade de quem vota é muito grande. Voto não confere santidade nem tampouco traz bênçãos; cria tão somente obrigações.

Em o Novo Testamento, por duas vezes, vemos Paulo envolvido em voto de raspar a cabeça (muito provavelmente o voto do nazireado). Uma vez, ele mesmo fez voto (At.18:18), na outra arcou com as despesas da raspagem da cabeça de quatro crentes judaizantes de Jerusalém que haviam feito voto (At.21:23,24,26,27). Todavia, tais episódios são insuficientes para gerar doutrina, ainda mais quando se trata de fatos que envolveram o apóstolo Paulo, que, em nenhuma de suas epístolas, tratou do assunto.

O cristão, ao votar, deve fazê-lo apenas por gratidão a Deus, seja por bênçãos alcançadas, seja pela confiança firme de que a bênção será alcançada, por um ato de fé, como fez Ana. Não deve agir como os gentios, procurando fazer uma “troca de favores” com Deus, pelo simples motivo de que nada temos a oferecer a Deus. Se dele é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam, como podemos dar algo a Deus que já é dele? O voto como barganha é algo abominável diante de Deus, algo que Ele jamais aceitará ou tolerará, pois é uma manifestação de arrogância e atrevimento ao Senhor.

3. Dedicação de Samuel

Ana demonstrou sua dedicação ao Senhor, pela sua disposição de dedicar seu filho à obra do Senhor. Ela disse: “um filho... ao Senhor o darei” (1Sm1:11). Na festa seguinte ao desmamar o menino Samuel, Ana o levou para Siló, onde estava o Tabernáculo, com ofertas que constituíam em três bezerros e um efa de farinha e um odre de vinho (1Sm1:24).

“E, havendo-o desmamado, o levou consigo, com três bezerros e um efa de farinha e um odre de vinho, e o trouxe à Casa do SENHOR, a Siló. E era o menino ainda muito criança”.

Um dos bezerros seria para a oferta queimada da dedicação de Samuel (1Sm.1:25); os outros dois seriam parte dos sacrifícios anuais da família, o chamado sacrifício pacífico; um efa seria um pouco maior do que um alqueire em termos de medias atuais; o odre de vinho era uma garrafa de couro ou pele de animal, ou ainda um jarro. Isso indicaria uma oferta muito generosa.

Quando Ana apresentou o menino Samuel ao sumo sacerdote Eli, juntamente com o animal do sacrifício, Ana fez questão de lembrar ao idoso sacerdote a sua oração: “Ao Senhor eu o entreguei(1Sm,1:28) – a expressão melhor poderia ser assim: Eu o devolvi ao Senhor”.

Ana relata o teor do seu voto e agora quer que Eli aceite a criança para cumprir o compromisso feito com Deus, isso porque não era permitido uma criança de três anos estar no Tabernáculo, a não ser que o sacerdote permitisse. Ela, então, esclarece que seu voto era o de dedicar aquela criança ao trabalho do Senhor por toda a vida. Seu voto era de nazireu.

Eli entendeu que Deus estava trabalhando e, por isso, prontamente aceita cuidar da criança. Ana entrega Samuel a Eli, que aparece na expressão bíblica “devolvido ao Senhor”. Ela tinha consciência de que Samuel tinha uma missão grandiosa a cumprir e, caso ficasse somente em casa, isso jamais iria acontecer.

Concordo com as palavras do pr. Osiel Gomes, quando diz: “como é bom quando os pais se dedicam as coisas de Deus e, consequentemente, mostram aos seus filhos, na prática, uma vida de devoção sincera. Ao chegarem ao templo, em reverência, oram a Deus; em casa, fazem o culto doméstico; primam por viver o Evangelho de Jesus Cristo. Os filhos que crescem, vendo tal dedicação sincera, naturalmente, são estimulados a temerem a Deus e a amá-lo de todo o coração”.

CONCLUSÃO

Samuel foi líder de líderes, conselheiro-chefe de reis e capitães militares de Israel. Quando ele falava, todos escutavam. Como profeta de Deus, Samuel ungia reis; como intérprete da Palavra de Deus, aconselhou e desafiou reis. Servindo como juiz nos dias imediatamente antes da monarquia de Saul, Samuel incorporou três grandes funções: profeta, sacerdote e juiz, como também o faria Jesus, mais tarde, sendo Rei, Sacerdote e Profeta.

 


sexta-feira, 22 de maio de 2026

JACÓ – QUANDO UM PECADOR QUER MAIS DE DEUS

 

JACÓ – QUANDO UM PECADOR QUER MAIS DE DEUS

TEXTO BÍBLICO

"Acordado, pois, Jacó do seu Sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia." Gênesis 28.16

Jacó: Quando um Pecador Quer Mais de Deus

A história de Jacó é uma das narrativas mais fascinantes e realistas da Bíblia. Ela não esconde as falhas humanas; pelo contrário, expõe a trajetória de um homem marcado por falhas de caráter, mas que possuía uma característica avassaladora: uma fome implacável pelas promessas de Deus.

A expressão "quando um pecador quer mais de Deus" resume perfeitamente a sua vida. Jacó nos mostra que Deus não escolhe os perfeitos, mas transforma aqueles que, apesar de seus erros, se recusam a viver longe da sua presença.

1. O Oportunista e o Trapaceiro

Desde o ventre materno, Jacó já disputava espaço com seu irmão gêmeo, Esaú. Seu nome significa literalmente "aquele que segura o calcanhar" ou "suplantador" (aquele que toma o lugar de outro por meio de artimanhas). E ele fez jus ao nome durante grande parte da vida:

  • A compra da primogenitura: Aproveitou-se da fraqueza física e do cansaço de Esaú para comprar o direito de primogenitura por um prato de lentilhas (Gênesis 25).
  • A mentira para o pai: Disfarçou-se com peles de cordeiro e enganou seu pai, Isaque, que já estava cego, para roubar a bênção que pertencia ao irmão mais velho (Gênesis 27).

Jacó queria as coisas de Deus (a bênção, a promessa, a herança espiritual), mas tentava conquistá-las por vias humanas, usando a mentira, a manipulação e a pressa.

2. A Escola da Vida: Colhendo o que Semeou

A fuga para a terra de seu tio Labão marca o início de um longo processo de tratamento de Deus na vida de Jacó. O trapaceiro encontrou um trapaceiro maior do que ele.

  • Labão o enganou, entregando Lia no lugar de Raquel após sete anos de trabalho.
  • Jacó provou do próprio veneno e teve que trabalhar 14 anos pelas duas mulheres, e mais 6 anos pelos seus rebanhos.

Nesse período de deserto, Jacó começou a entender que a bênção de Deus não dependia de seus golpes de esperteza, mas da pura soberania e misericórdia divina. Ele prosperou não porque era astuto, mas porque Deus estava cumprindo a promessa feita em Betel.

3. O Ponto de Virada: O Vau de Jaboque

O ápice da história de Jacó — e o momento onde ele se torna o "pecador que quer mais de Deus" — acontece em Gênesis 32, às margens do ribeiro de Jaboque.

Prestes a reencontrar Esaú e temendo pela vida de sua família, Jacó envia tudo o que tem à frente e fica completamente sozinho. Ali, um "Homem" (uma teofania, a manifestação do próprio Deus) começa a lutar com ele até o romper do dia.

  • A persistência do pecador: Mesmo com a coxa deslocada pelo toque do Anjo, Jacó não solta a Deus. Ele reconhece sua miséria e sua incapacidade de vencer o amanhã com suas velhas armas.
  • O clamor pelo que importa: Ele diz a frase que ecoa através dos séculos: "Não te deixarei ir, se me não abençoares."

Jacó não estava mais buscando bens materiais; ele já tinha rebanhos e servos. Ele queria a aprovação, a identidade e a presença de Deus. Ele queria o próprio Deus.

4. De Jacó a Israel: A Mudança de Identidade

Antes de abençoá-lo, o Anjo pergunta: "Qual é o teu nome?". Ao responder "Jacó", ele finalmente confessa quem era: o trapaceiro, o enganador.

Deus, então, muda seu nome e seu destino:

Jacó Suplantador, Israel O que luta com Deus o Príncipe de Deus

A partir daquela noite, Jacó passa a mancar. Aquela claudicação era o sinal físico de que sua força humana havia sido quebrada para que o poder de Deus operasse nele. Ele venceu porque se rendeu.

Lições de um Pecador que Buscou a Deus

  • Deus trabalha com matéria-prima imperfeita: A biografia de Jacó prova que o plano de Deus não é frustrado pelos nossos erros passados, desde que haja um coração que se arrependa e busque a transformação.
  • A bênção legítima exige confronto pessoal: Não há como receber a identidade de "Israel" sem antes ficar a sós com Deus e reconhecer o "Jacó" que habita em nós.
  • A persistência na oração move o céu: Deus se deixa vencer por aqueles que demonstram uma santa insistência, que não aceitam viver uma vida espiritual morna ou de aparências.

VERDADE APLICADA

Para sermos bem-sucedidos na jornada cristã, precisamos ter consciência de que, em todo o tempo, dependemos das bençãos de DEUS, concedidas por graça.

TEXTOS DE REFERÊNCIA - GÊNESIS 28.12,13; 15-17

12. E sonhou: e eis uma escada era posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de DEUS subiam e desciam por ela.

13. E eis que o Senhor estava em cima dela, e disse: Eu sou o Senhor, DEUS de Abraão, teu pai e o DEUS de Isaque. Esta terra, em que esta deitado, te darei a ti e tua semente.

15. E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra, porque te não deixarei, até que te haja feito o que te tenho dito.

16. Acordado, pois, Jacó do seu Sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia.

17. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de DEUS; e esta é a porta dos céus.

INTRODUÇÃO

Veremos na presente lição o processo pelo qual DEUS conduziu Jacó, visando o desenvolvimento de Seu glorioso plano de redenção. Bem-aventurado todo aquele que aproveita as oportunidades e responde ao agir de DEUS com fé e submissão ao Seu propósito para o Seu povo.

1- Fugindo do homem em busca de DEUS

Nesta lição veremos dois movimentos na vida de Jacó: sua fuga do seu irmão que quer matá-lo e sua busca por DEUS, que quer abençoá-lo.


1-1- Jacó crê na importância da benção

Jacó não é apresentado pela narrativa bíblica como um herói, embora tenhamos a tendência de fazê-lo. Ele era o menor [Gn 25.23], mentiroso [Gn 27.20], introvertido, oportunista, trapaceiro e inseguro [Gn 27.12]. Porém, há nele um ponto positivo que o coloca em posição de receber a graça de DEUS: Jacó desejava mais de DEUS! Apesar de ter o perfil de segundo, nunca aceitou ficar para trás. Desde o seu nascimento gemelar [Gn 25.24-25]. Sabendo que seu irmão receberia as bençãos da primogenitura, não esconde sua ambição [Gn 25.31]. Jacó quer mais de DEUS. Porém, é um tolo e aceita meios tolos de conseguir. Ainda precisa amadurecer para ser o que DEUS quer que ele seja. Jacó precisa que DEUS opere uma transformação em sua vida.

1-2- Fugindo para o encontro com DEUS

Depois que é abençoado no lugar de Esaú, Jacó enviado para Harã por ordem de Isaque, seu pai, por meio de outra manipulação de sua mãe Rebeca. Ela sabe que Esaú está decidido a matá-lo e por isso lhe ordena fugir para Harã [Gn 27.41-45]. Para fazer Isaque concordar com a ideia, Rebeca diz que sentiria desgosto de vida se Jacó se casasse com mulheres estrangeiras, como fez Esaú [Gn 27.46; 28.1-2]. Com isso, Jacó foge sob a benção do seu Pai para buscar uma esposa entre as filhas de Labão, seu tio [Gn 28.5]. Jacó está fugindo da morte. Mas ele encontrará a vida. Em sua pior agonia, DEUS está preparando o melhor para ele.

1-3- Um encontro com o DEUS de Abraão

Até este momento na vida de Jacó, Yavé já era o DEUS do seu avô Abraão e do seu pai Isaque. Mas ainda não era o seu DEUS. Este encontro vai mudar tudo [Gn 28.10-14]. Jacó pensa aqui em sobreviver a seu irmão e encontrar uma esposa em Harã. DEUS tem para ele coisas muito melhores. Ao se deitar ao fim do dia da longa viagem, adormece sobre uma pedra e tem um sonho espiritual. Os céus e a terra se tocavam por meio de uma escada repleta de anjos divinos. Jacó entende que o céu está se comunicando com a terra e que DEUS se fez acessível aos homens!

2- Coisas melhores de DEUS

Não sabemos o que o nosso futuro nos reserva. Principalmente se estivermos vivendo um presente turbulento, resultado de um passado de tropeços. Mas DEUS tem coisas melhores para nós.

2-1- Promessas imutáveis de um DEUS imutável

Jacó havia recebido as promessas de bençãos do pacto por meio de seu pai Isaque [Gn 28.3-4]. Agora, porém, ele está recebendo isso do próprio DEUS [Gn 28.10-22]. Com isso DEUS está aprovando Jacó como seu escolhido, conforme revelou a sua mãe Rebeca no começo, de que ele seria o pai e líder de nações [Gn 25.23]. As trapaças de sua mãe e o seu oportunismo não invalidaram o propósito nem anularam as

promessas de DEUS: "Em ti e na tua semente serão benditas todas as famílias da terra" [Gn 28.14]. Parece que estamos ouvindo o eco do que foi dito a Abraão [Gn 12.3; 18.18]. As mesmas promessas confirmam que se trata do mesmo DEUS. E é este DEUS que Jacó e seus descendentes terão com eles por toda a sua história [Gn 28.15].

2-2- Um pecador se converte

Jacó entendeu que estava na "casa" de DEUS [Gn 28.16-17]. E Jacó, o neto do crente Abraão e filho do crente Isaque, agora irá se converter [Gn 28.18-22]. Os sinais de conversão em Jacó servem muito bem para testar a nossa. Ele teve discernimento espiritual da presença de DEUS [Gn 28.16-17]. Ele ofereceu uma oferta de libação ao Senhor [Gn 28.18]. Ele faz um voto confiando na proteção e na provisão de DEUS [Gn 28.20]. Ele levanta um lugar de adoração [Gn 28.22] e promete honrar a DEUS com suas finanças [Gn 28.20]. Tudo o que vemos em Jacó entrega. E tudo o que Jacó quer mais de DEUS! Estas ações e atitudes de Jacó sinalizam o início de uma profunda mudança que está ocorrendo. Ou seja, vemos o patriarca inserido no processo de DEUS visando transformações e aperfeiçoamento. Afinal, perfeito e glorioso é o plano de DEUS.

2-3- O Pai de príncipes

Para os judeus, DEUS era o Senhor da vida e, por isso, o nascimento de uma criança era benção do Senhor e um ventre estéril, uma ação divina em fechar a madre. A preferida de Jacó era o caso. Enquanto Leia deu a Jacó 6 filhos (Ruben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom), a serva de Leia, Zilpa, deu a Jacó mais Dois, Gade e Aser. Mas Raquel até então não havia lhe dado nenhum, pois era estéril [Gn 29.31]. Por isso propôs a Jacó um filho através da sua serva Bila. Dela nasceram Dã e Naftali. Mas isso não é a mesma felicidade de ser mãe. A angústia de Raquel [Gn 30.1] se transformou em oração e esta oração foi ouvida [Gn 30.22]. DEUS dá a Raquel e a Jacó aquele que seria o cabeça da tribo: José [Gn 30.24]! Mais tarde nasceu de Raquel também Benjamin [Gn 35.18].

3- DEUS conosco

Jacó nunca poderia imaginar como a vida dele se tornaria tão abençoada apesar de ele ser quem era. Mas DEUS resolveu cercá-lo de bençãos e estar com ele todo o tempo.

3-1- O DEUS abençoador


A sorte de Jacó realmente foi mudada por DEUS depois da sua conversão. Ele encontra sua esposa e a enxerga como resposta de DEUS [Gn 29.1-13]. Porém, seu sogro Labão o engana, dando a ele sua filha mais velha Leia ao invés da mais nova Raquel [Gn 29.16-27]. Jacó acaba tendo que trabalhar 14 anos de graça para ficar com sua preferida [Gn 29.28-30]. Mas DEUS também estava nisso, conforme se verá, pois, dentre os filhos de Israel que formariam as 12 tribos, alguns eram com Leia. Labão é um ganancioso e esperto. Jacó parece estar tendo que lidar com um usurpador melhor do que ele foi. Mas DEUS resolveu abençoar Jacó em tudo e nem as armações do esperto do seu sogro conseguiam prejudicar a vida de Jacó [Gn 30.25-43].

Parece que todos os filhos importantes na Bíblia nasceram de uma mãe estéril, situação que exigiu um milagre divino. Sara, a mulher de Abraão [Gn 16]. DEUS por milagre lhe deu Isaque, filho da promessa. Rebeca, esposa de Isaque, a qual DEUS agiu para gerar Esaú e Jacó [Gn 25.19-27]. Raquel, a preferida de Jacó, de quem DEUS abençoou o ventre e gerou José, o marco de Israel [Gn 26]. Temos ainda Ana [1Sm 1], da qual nasceu o grande profeta Samuel.

E, dentre tantos outros nascidos por meio de um milagre divino, temos Maria, da qual nasceu JESUS CRISTO, o nosso Salvador. O DEUS que decidiu abençoar.

3-2- Foge, eu estarei com você

Pode parecer estranho ouvir DEUS dizer: Fuja! E mais: "Eu estarei com você" [Gn 31.3]. Se DEUS diz que está com a gente, presumimos que não precisamos fugir de nada. Quando o enganador não se dá bem, sempre acha que está sendo enganado [Gn 31.1-7]. Nem toda esperteza do mundo pode prejudicar aquele que DEUS decidiu abençoar [Gn 31.7-13]. Para as esposas de Jacó, DEUS havia literalmente transferido as riquezas do seu Pai trapaceiro para Jacó, riqueza que elas também tinham direito [Gn 31.14-16]. DEUS realmente estava mandando Jacó fugir. Não porque não poderia protegê-lo, mas porque os planos que tinha para Jacó já não estavam mais naquela terra. Mas nem mesmo o próprio Labão pode negar a presença de DEUS na vida de Jacó [Gn 31.22-55].

3-3- Marcado por DEUS

DEUS já havia mudado o coração de Jacó quando se revelou a ele em Betel por meio de uma escada que tocava do céu a terra. Agora DEUS está mudando seu nome e seu caminhar [Gn 32.22-28]. Em Betel Jacó discerniu que estava na casa de DEUS [Gn 28.18-19]. Mas agora em Peniel ele declara que viu a Sua face e continuou vivo [Gn 32.30]. Jacó segue mancando, porém, abençoado por DEUS [Gn 32.29-32]. O servo de DEUS não será mais conhecido como "agarrador de calcanhar, suplantador" (Jacó), mas, sim, como o guerreiro de DEUS (Israel) [Gn 32.28]. Um prenúncio de que o povo de DEUS não guerrearia sozinho, mas o próprio DEUS estaria lutando pelo Seu povo.

Quero falar sobre Jacó, um grande exemplo da misericórdia de Deus. a despeito de sua vida desregrada, Deus não desistiu dele.

jacó foi o último patriarca, o qual deu origem às doze tribos que formariam a nação de israel e conquistaria a terra prometida por Deus.

Sua vida ocupa uma grande porcentagem do livro de gênesis, e é marcada por altos e baixos, erros, enganos, sofrimento, mudança e fidelidade a Deus.

Certamente nenhum dos patriarcas que o antecederam precisou ser tão trabalhado em seu caráter como jacó. mas no fim de sua vida, vemos nele um grande exemplo da graça do senhor.

Deus amou Jacó a despeito de Jacó

Deus amou Jacó antes deste o conhecer (ml.1:2) - “não foi esaú irmão de jacó? disse o senhor; todavia amei a jacó”. assim como ocorreu com jacó, o amor de Deus por você não é causado por fatores externos. deus amou você independentemente de seus méritos.

Deus nos amou não por causa de nossas obras, mas para as boas obras.

Deus nos amou não porque éramos obedientes, mas para a obediência.

Deus colocou seu coração em nós, antes mesmo da fundação do mundo, antes dos tempos eternos.

Deus amou Jacó mesmo sem ele merecer (gn.25:23 - primogenitura)

Jacó era um mau caráter. seu nome já espelha sua personalidade: enganador, suplantador. ele aproveitou um momento de fraqueza de seu irmão para arrancar-lhe o direito de primogenitura. ele aproveitou um momento de cegueira de seu pai para mentir para ele e se passar por esaú. ele mentiu em nome de deus e roubou a bênção que isaque intentava dar a esaú.

jacó tinha um comportamento reprovável. ele enganou, mentiu, traiu. mas deus, a despeito de quem jacó era, o amou e continuou investindo em sua vida.

Assim é o amor de Deus por nós. ele nos ama, apesar de nós. por causa da trapaça de jacó contra seu irmão, ele foi ameaçado de morte. e agora, para salvar sua vida, precisa fugir. mas Deus não desistiu de jacó.

Deus queria que Jacó o conhecesse assim como seu pai e seu avô o conhceceram tão perto.

Deus era o deus de abraão e de isaque, mas ainda não era o deus de jacó.

jacó, indo em direção ao exílio, chega em betel. e lá deus revela-se para ele em uma visão e faz-lhe lindas promessas.

1. betel, o lugar onde Jacó conhece o deus de seus pais

diz assim o texto sagrado: “e sonhou: e eis era posta na terra uma escada cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de deus subiam e desciam por ela” (gN.28:12). “e a tua semente será como o pó da terra; e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul; e em ti e na tua semente serão benditas todas as famílias da terra”. “...e te farei tornar a esta terra, porque te não deixarei, até que te haja feito o que te tenho dito”.

note que os anjos não desciam e subiam, mas subiam e desciam. os anjos já estavam na terra. eles já estavam assistindo jacó em sua jornada.

jacó pensou que estava só e desamparado, mas deus estava perto dele, e os anjos de deus estavam ao seu redor para o assistirem. o anjo do senhor acampa-se ao nosso redor (sl.34:7).

os anjos são espíritos ministradores que nos assistem na caminhada da vida (hb.1:14).

os anjos de DEUS subiam e desciam a escada mística que ligava a terra ao céu. naquela gloriosa visão, jacó conhece o deus de seus pais:

“eu sou o senhor, o deus de abraão, teu pai, e o deus de isaque. esta terra em que estás deitado ta darei a ti e à tua semente” (gN.28:13).

observe que deus não lhe disse: "eu sou o teu Deus". ele disse: “eu sou o senhor, o Deus de abraão, teu pai, e o Deus de Isaque”. Deus, até esse momento, não era o Deus de Jacó.

jacó era um patriarca, mas ainda não conhecia o senhor pessoalmente. uma coisa é crescer na igreja, pertencer a um lar cristão, ler a bíblia e ser membro da igreja; outra coisa é ser nova criatura. ninguém entra no céu por ser filho de crente, por ter nome de crente e indo à igreja. somente aqueles que nascem de novo, que nascem da água e do espírito, podem ver e entrar no reino de Deus (João 3:3,5).

Somente aqueles que recebem o senhor como seu salvador são considerados filhos de Deus. é o que joão diz: “mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome” (jOÃO 1:12).

O conhecimento de Jacó acerca de Deus era apenas teórico. ele tinha apenas uma fé intelectual. essa é uma fé morta. essa é uma terrível possibilidade de ocorrer: a de deus ser apenas o Deus dos nossos pais, e não o Deus da nossa vida!

jacó depois de ter aquela magnífica visão da escada e dos anjos e, ao ficar aturdido pela glória da visão, exclama: "realmente o senhor está neste lugar; e eu não sabia. este não é outro lugar senão a casa de deus; e esta é a porta dos céus".

Quando Deus se manifesta a alguém, lhe causa profundos abalos.

-Moisés, quando percebeu a presença manifesta de Deus no arbusto fumegante, no monte sinai, ele se prostrou.

-Isaías, quando entrou no templo e viu a presença manifesta de Deus, assentado num alto e sublime trono, ficou aterrado.

-João, quando viu o senhor glorioso na ilha de patmos, caiu aos seus pés.

depois daquela visão, jacó levantou ali um altar ao senhor e deu àquele lugar o nome de betel - casa de Deus.

Depois de passar longos vinte anos no exílio, jacó volta para sua terra.

Ele, agora, é um homem rico, próspero, e uma família abençoada. ele tem muitos filhos.

As promessas de Deus feitas em betel se cumpriram em sua vida. ele sabe que Deus é bom.

mas, jacó ainda não é um homem salvo. em qualquer circunstância, o homem sem Deus está morto, escravizado, depravado e condenado (ef.2:1-3).

2. peniel, o lugar onde jacó conheceu o deus de sua salvação (gn.32:30)

Não foi fácil. foi uma luta ferrênea contra a sua natureza carnal. diz o texto sagrado: “jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um varão, até que a alva subia” (gN.32:24).

Houve uma luta entre jacó e o anjo do senhor no vau de jaboque. essa luta culminou na salvação de jacó. deus feriu Jacó para não o perder para sempre (gn.32:25) - “e, vendo que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa; e se deslocou a juntura da coxa de jacó, lutando com ele”.

Quem não vem pelo amor, vem pela dor. o sofrimento por si mesmo não pode nos conduzir a Deus. entretanto, deus, em sua providência, usa o sofrimento para quebrar as barreiras e atrair os que são dele a fim de que não pereçam eternamente.

jacó reconheceu sua necessidade de salvação (gn.32:26)

“e disse: deixa-me ir, porque já a alva subiu. porém ele disse: não te deixarei ir, se me não abençoares”.

jacó se agarrou ao senhor e disse: "não te deixarei ir, se não me abençoares".

Os olhos da alma de jacó foram abertos para compreender que a maior necessidade de sua vida não era de riqueza nem mesmo de ter uma família numerosa e próspera, mas de ter Deus.

Deus sem jacó é Deus, mas Jacó sem Deus não é ninguém. nós, sem Deus, somos um ser vazio, insatisfeito e incompleto.

jacó chorou buscando a transformação de sua vida (os.12:4)

“como príncipe, lutou com o anjo e prevaleceu; chorou e lhe suplicou; em betel o achou, e ali falou conosco”.

O coração do velho jacó agora se derrete. a resistência acaba. o homem endurecido se quebranta. aquele que era crente apenas de nome, agora se dobra e chora diante de Deus.

Quando uma criança entra no mundo, seu sinal de vida é o choro. o choro é sinal de vida.

Quando um coração endurecido é quebrado, e quando os olhos da alma são abertos para a nova vida em cristo, o choro do arrependimento sincero explode como sinal de genuína conversão.

jacó confessou seu pecado a Deus (gn.32:27)

“e disse-lhe: qual é o teu nome? e ele disse: jacó”.

Deus lhe pergunta: qual é o seu nome? quando seu pai lhe fez essa pergunta, jacó mentiu dizendo que era esaú. agora, Deus lhe pergunta de novo. não que o senhor não soubesse o nome dele. Deus estava lhe dando a oportunidade para ele reconhecer o seu pecado, sua identidade. ele, então, disse: "jacó".

Aquela não foi uma resposta, mas uma confissão. o nome jacó significa enganador, suplantador. ele era um retrato de seu próprio nome.

Ninguém pode ser salvo antes de reconhecer que é pecador.

Jesus Cristo não veio chamar justos, mas pecadores.

Em Peniel, Jacó encontrou-se com Deus e consigo mesmo, e sua vida foi salva - “e chamou jacó o nome daquele lugar peniel, porque dizia: tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” (gN.32:20).

Quando o véu da incredulidade é removido de nosso rosto, e as escamas caem dos nossos olhos, então, pela fé, contemplamos a face sorridente de Deus.

Não basta apenas ouvir falar de Deus; é preciso ter uma experiência com Deus.

3. el-betel, o lugar onde jacó conheceu o deus de sua restauração (gn 35.7)

Entretanto, mesmo já convertido, jacó cometeu um grande deslise: desobedeceu à Deus - em vez de ir para betel, ele foi para siquém.

jacó armou suas tendas no mundo, como ló o fizera em sodoma - “e chegou jacó salvo à cidade de siquém, que está na terra de canaã, quando vinha de padã-arã; e fez o seu assento diante da cidade” (gn.33:18).

Há vinte anos Deus tinha dito para jacó: “e eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra, porque te não deixarei, até que te haja feito o que te tenho dito” (gn.28:15).

isso nos ensina uma verdade: os eleitos de Deus, muitas vezes, fraquejam, tropeçam e caem. continuam sendo vasos de barro, sujeitos a serem quebrados.

-Abraão mentiu no Egito, porque deixou de confiar na providência de Deus em relação ao nascimento do filho.

-Isaque mentiu na terra dos filisteus e deixou de confiar no plano de Deus para seus filhos.

quando deixamos de ouvir a voz de Deus, sentimos o chicote de Deus.

Quando os filhos de Deus lhe desobedecem, ficam debaixo da disciplina divina.

Siquém deixou de ser um lugar seguro para jacó. não há lugar seguro fora da vontade de Deus.

Em Siquém, a família de jacó foi desonrada (gn.34:1-2,25-29). um desastre desaba sobre a família de jacó. o patriarca está agora no fundo do poço (gn.34:30): culpado, envergonhado, ameaçado.

E Deus, mais uma vez, aparece a jacó e mostra-lhe o caminho da restauração: ir a Betel. todavia,

-Para ir a el-betel, é preciso subir (gn.35:1) - “disse Deus a jacó: levanta-te, sobe a betel e habita ali”.

Subir exige esforço. para subir, não se pode levar bagagem extra. jacó precisava tirar o seu coração de siquém e subir a betel.

-Para ir a el-betel, é preciso romper com toda prática de pecado e impureza (gn.35.2,4) – “então, disse jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: tirai os deuses estranhos que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes”; “então, deram a jacó todos os deuses estranhos que tinham em suas mãos e as arrecadas que estavam em suas orelhas; e jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a siquém”.

Não podemos ter comunhão com Deus e com os ídolos ao mesmo tempo.

Não podemos comparecer diante de Deus com mãos sujas nem com vestes contaminadas.

"se dissermos que temos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade" (1joão 1:6).

- Para ir a el-betel, é preciso determinação (gn.35:3) - “e levantemo-nos e subamos a betel; e ali farei um altar ao deus que me respondeu no dia da minha angústia e que foi comigo no caminho que tenho andado”.

jacó convoca seus filhos. ele está determinado a romper com o pecado.

jacó está disposto a levantar novamente um altar ao Deus que o socorreu em sua aflição e o acompanhou no caminho por onde andou.

Jacó adorou a Deus e levantou um altar: el-betel.

“E edificou ali um altar e chamou aquele lugar el-betel, porquanto Deus ali se lhe tinha manifestado quando fugia diante da face de seu irmão” (gN.35:7).

A palavra el-betel significa "o Deus da casa de Deus", ou: "eu te abençoo outra vez". agora, jacó conhece não apenas a casa de deus, mas o deus da casa de Deus.

Betel deixou de ser apenas um lugar sagrado, para ser um encontro com o Deus vivo.

Não basta estar na casa de Deus, é preciso encontrar-se com Deus nessa casa.

Em el-betel, Deus restaurou Jacó como restaurou Davi, Pedro e o Filho pródigo.

 

CONCLUSÃO

Deus não desiste de você. aquele que começou a boa obra em você a completará até o dia final.

ainda que uma mãe esqueça de seu filho que amamenta, Deus jamais se esqueceria de você.

Deus não é apenas o Deus de seus pais, mas também o Deus de sua vida, o Deus de sua salvação e o Deus de sua restauração.

hoje é o dia aceitável. hoje é o dia da salvação.

Não perca a grande oportunidade de levantar um altar de restauração ao senhor.

 

 

 

 


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