quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A INVEJA, É UM PECADO GRAVE

 

A INVEJA, É UM PECADO GRAVE

Texto Básico: 1João 2:9-15

“O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14:30).

A inveja é frequentemente apontada pelos escritos sagrados e pela tradição bíblica como um dos males mais silenciosos e destruidores da alma humana. Diferente de vícios ou impulsos que se manifestam externamente com facilidade, a inveja opera na escuridão do coração, corroendo os relacionamentos e a paz interior.

1. O Que É a Inveja e Por Que É um Pecado Grave?

A inveja vai além de simplesmente "desejar o que o outro tem" (o que muitas vezes pode ser cobiça ou admiração). A verdadeira inveja carrega em si um elemento de amargura e ressentimento pelo bem-estar, sucesso ou virtude do próximo. O invejoso não quer apenas a benção do outro; ele se incomoda com o fato de o outro ser abençoado.

  • Podridão interna: Como destaca Provérbios 14:30 (“O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos”), a inveja consome a pessoa de dentro para fora. Ela destrói a alegria de viver, pois o invejoso perde a capacidade de se alegrar com a própria vida por estar fixado na vida alheia.
  • Gravidade espiritual: É um pecado grave porque ataca diretamente o amor (caridade). Ela impede a empatia, destrói a comunhão e alimenta o rancor, a fofoca e a divisão. Na tradição bíblica, a inveja é a raiz de grandes tragédias humanas — desde Caim e Abel até a entrega de Jesus para ser crucificado (Mateus 27:18).

2. A Reflexão de 1 João 2:9-15 — Luz vs. Trevas

Ao analisar a passagem bíblica indicada em 1 João 2:9-15, compreendemos a mecânica espiritual por trás da inveja e da falta de amor:

  1. Estar nas Trevas (vv. 9-11):

“Aquele que diz que está na luz e odeia a seu irmão, até agora está em trevas.”

A inveja anda de mãos dadas com o ressentimento e o ódio velado. Quem cultiva inveja não consegue andar na luz de Deus, pois a inveja cega o entendimento espiritual (v. 11), fazendo a pessoa tropeçar em suas próprias emoções negativos.

  1. O Amor ao Pai vs. o Amor ao Mundo (vv. 15-17):

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há...”

A inveja se alimenta da vaidade, do status, da comparação social e do apego aos bens materiais ou elogios dos homens (a "soberba da vida"). Quando o coração está fixado nas coisas passageiras, a prosperidade do outro passa a ser vista como uma ameaça pessoal.

3. As Consequências da Inveja

  • Na Relação com Deus: Gera murmuração e ingratidão. O invejoso sutilmente questiona a justiça de Deus, duvidando de que Ele seja bom ou suficiente para a sua própria vida.
  • Na Relação com o Próximo: Destrói amizades, famílias e comunidades. Substitui a cooperação pela competição destrutiva.
  • Na Própria Pessoa: Gera ansiedade, amargura, isolamento e esgotamento emocional.

4. Como Vencer a Inveja?

Superar a inveja exige um exercício constante de maturidade espiritual e emocional:

  1. Cultivar a Gratidão: Focar nas próprias bênçãos e reconhecer o cuidado de Deus na sua trajetória impede que a grama do vizinho pareça mais verde.
  2. Praticar a Empatia (Alegrar-se com os que se alegram): Treine seu coração para felicitar genuinamente as conquistas dos outros. Isso quebra o poder do egoísmo.
  3. Desenvolver a Identidade e o Propósito: Compreender que Deus tem um caminho único para cada pessoa elimina a necessidade de comparação.
  4. Andar no Amor e na Luz: Como ensina João, permanecer na luz significa cultivar o amor irmão, onde não há espaço para a podridão da inveja.

INTRODUÇÃO                                                 

A inveja significa antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos. É um pecado grave. Faz parte do rol das obras da carne exarado em Gl 5:19-21. “Carne” é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal. Aqueles que praticam as obras da carne não herdarão o reino de Deus (Gl 5:21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo (ver Rm 8:4-14).

Uma pessoa invejosa perturba-se com o sucesso dos outros. Não se alegra com o que tem, mas se entristece pelo que o outro tem. Um invejoso nunca é feliz porque sempre está buscando aquilo que não lhe pertence. Um invejoso nunca é grato, pois está sempre querendo o que é do outro. Um invejoso nunca tem paz porque sua mesquinhez é como um câncer que lhe destrói os ossos. Disse bem o sábio: “...a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30).

Conta-se a seguinte história sobre a inveja. “Uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: ‘Posso fazer uma pergunta?’. A serpente respondeu: ‘Na verdade, nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir’. Então o vaga-lume perguntou: ‘Fiz alguma coisa a você?’. ‘Não’, respondeu a serpente. ‘Pertenço à sua cadeia alimentar?’, perguntou o vaga-lume. ‘Não’, ela respondeu de novo. ‘Então, por que você quer me comer?’, indagou o inseto. ‘Porque não suporto vê-lo brilhar’”.

O invejoso se queixa de tudo e de todos, acredita que não conquistará o que o outro possui, não reconhece as suas habilidades e talentos, pois está e vive focado no outro; portanto, torna-se um eterno insatisfeito.

Existem três tipos de inveja. O primeiro deles é a inveja autodestrutiva; é quando nos sentimos inferiores diante da aparência ou conquista de outras pessoas; quando nos sentimos incapazes e pobres por viajarmos de ônibus enquanto o nosso vizinho vai de automóvel, por exemplo.

O segundo tipo, o mais grave, é a inveja patológica, aquela que nos faz querer destruir aquele que invejamos. A primeira manifestação de inveja patológica está documentada na Bíblia, quando a perfeita comunhão de Abel com Deus leva Caim ao desespero e ao assassínio do próprio irmão.

O terceiro tipo é a inveja criativa que você sente e usa para conquistar o que deseja. Em vez de odiar o outro pelo que ele tem, tenta encará-lo como um exemplo a ser seguido. Por exemplo: um aluno conseguiu as melhores notas na disciplina; este tipo de inveja pode ajudar a melhorar as notas para superar o outro; estimula a se aprofundar nos estudos para conquistas de melhores empregos. Só que este tipo de inveja pode incorrer numa medida de insatisfação sem fim, numa busca infindável por bens; quanto mais tem mais quer; a medida da suficiência numa chega ao fim; é um eterno insatisfeito. Portanto, qualquer que seja o tipo de inveja é prejudicial à saúde espiritual do cristão, pois ela tem origem maligna. O invejoso não tem paz. Que Deus nos guarde!

I. A INVEJA NO PRINCÍPIO DO MUNDO


1. Inveja, um sentimento maléfico. A inveja é definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de outra pessoa. É o tipo mais antigo de pecado e afeta a saúde física, social e espiritual (Pv 14:30). De acordo com o Dicionário Vine, editado pela CPAD, a inveja “originou-se da fracassada tentativa de Satanás de usurpar os atributos divinos”. Ele permitiu que o orgulho e egoísmo dominassem seus pensamentos e ações, e logo o seu desejo foi o de ocupar o lugar de Deus. Ele queria ser maior que o Todo-Poderoso (Is 14:2-20), porém sua tentativa foi um fracasso e por causa disso foi determinado o seu destino: o lago de fogo e enxofre, ou seja, o inferno (Ap 20:10).

A pessoa que permite que a inveja se instale no coração desenvolve uma compreensão equivocada de si e dos outros e nutre um sentimento maléfico de crítica, ódio e perseguição. No princípio da humanidade, a inveja causou a primeira morte em nosso mundo: Caim matou seu irmão Abel (Gn 4:5). Precisamos vencer esses maus sentimentos e nutrir o coração com o verdadeiro amor que vem de Deus. Os que amam a Deus não podem abrigar ódio nem inveja.

2. Inveja, uma ação maligna. A inveja é um pecado com grande poder de dominação. Uma pessoa dominada pela inveja está sempre propensa a praticar maldade, que é uma ação maligna. 

Observe a advertência do Senhor para Caim: “Por que te iraste? E por que desmaiou o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar” (Gn 4:6,7). Esta advertência do Senhor evidencia o perigo devido ao poder destrutivo e dominador da inveja. A consumação do homicídio não deixa dúvida. Uma pessoa tomada por inveja está vulnerável ao pecado, e dificilmente se livra de seu poder de dominação. O invejoso vai sendo tomado por uma série de outros sentimentos e atitudes, e esse descontrole pode levá-lo a praticar atos absurdos como no caso de Caim, que matou seu irmão. “A pessoa que pratica a maldade é naturalmente perversa e está sempre pronta a prejudicar e a ofender ao próximo”.

3. A inveja leva à maldade. Além de Caim, tomemos como outro exemplo a inveja de Saul. Embora tivesse, a princípio, uma disposição favorável a Davi, Saul se demonstrou depois muito hostil a ele, perseguindo-o com o propósito de o matar. Essa mudança não se deu de uma hora para outra, mas gradualmente, na proporção em que Saul nutria a inveja no coração. Aparentemente, o problema começou quando o aplauso popular se desviou dele para Davi. Era-lhe muito pesaroso ver o nome de Davi em evidência, e o dele em aparente esquecimento. Por isso, passou a tê-lo como rival e inimigo. Esse problema sempre estará presente onde existirem pessoas com inveja.

De Saul podemos compreender que a inveja produz uma série de sentimentos ruins como: baixa autoestima, ódio, suspeita, medo, culpa e ira. A consequência disso foi o afastamento de Deus, que Saul infelizmente experimentou.

II. A INVEJA E SUA CONSEQUENCIA


1. Na vida de Caim. A família é o ambiente em que mais vivemos durante os primeiros anos de nossa vida, consequentemente é natural que nossos primeiros grandes problemas também aconteçam ali. As dificuldades que ocorrem no relacionamento entre irmãos são muitas e marcam muitas pessoas. Talvez a maior luta esteja exatamente relacionada a disputas, diferenças de oportunidades (ou de habilidade para aproveitá-las). A crise na família de Adão é um bom exemplo de inúmeros dramas familiares na história.

Muitos conhecem a história dos irmãos Caim e Abel, filhos do primeiro casal da Terra, Adão e Eva. O resumo dos fatos é simples: Abel fez uma oferta aceitável ao Senhor, enquanto a oferta de Caim foi rejeitada. Isso trouxe profunda tristeza ao coração de Caim (Gn 4:2-5). Ele foi tomado por tamanha inveja que acabou por assassinar seu irmão. Entre a "concepção" do pecado e a prática de homicídio se deu algo realmente extraordinário, o próprio Senhor Deus foi ao encontro de Caim para adverti-lo do perigo iminente: "o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo"(Gn 4:7). Está escrito: “Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tiago 3:16).

Talvez seja a hora de você fazer uma autoavaliação e observar se tem admirado ou sentido inveja do seu irmão ou do seu próximo.

2. Na vida dos irmãos de José. “E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho de sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores. Seus irmãos, pois, o invejavam” (Gn 37:3,11). “E os patriarcas, movidos de inveja, venderam a José para o Egito; mas Deus era com ele” (At 7:9).

José, aos dezessete anos de idade, teve um sonho e contou a seus irmãos. Ele lhes disse: "Estávamos nós atando molhos no campo e eis que o meu molho, levantando-se, ficou em pé; e os vossos molhos o rodeavam e se inclinavam ao meu molho". Responderam-lhe seus irmãos: "Tu, pois, reinarás sobre nós e deveras terás domínio sobre nós?". Por causa dos seus sonhos e das suas palavras o odiavam ainda mais.

Teve José outro sonho e o contou a seus irmãos, dizendo: "Tive ainda outro sonho; e eis que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim”. Os irmãos o odiaram por causa do sonho e seu pai repreendeu-o porque entendeu que, segundo o sonho, todos eles viriam a inclinar-se com o rosto em terra diante dele.

Os irmãos de José, totalmente envolvidos pela inveja, decidiram matá-lo (Gn 37:18) e o teriam feito se Ruben, o primogênito, não lhes tivesse demovido o intento (Gn 37:18-21). A presença de José os incomodava. Por isso, não sossegaram enquanto não deram um fim nele.

José perdeu, de um momento para outro, toda a sua posição privilegiada que tinha na casa de seu pai. Perdeu a “túnica de várias cores” e foi posto numa cova no deserto, uma cova vazia e sem água (Gn 37:24). Seus irmãos, insensíveis e cegos pelo ódio e pela inveja, comiam pão enquanto seu irmão estava a sofrer terrivelmente naquela cova. José estava só, abandonado pelos seus próprios irmãos. Enfim, venderam-no como escravo, por vinte siclos de prata a negociantes ismaelitas, que o levaram para ser vendido no Egito. Mas, será que os invejosos irmãos de José tinham paz? A história mostra que não.

A inveja desvia o foco, conduzindo a energia da pessoa para o lado errado. É um sentimento ambicioso que não lhe permite vislumbrar o que está à sua frente nem o que lhe pertence. Por conta disso, pode gerar vingança, crimes, violência, enganos e maus-tratos, tudo pelo desejo de possuir o que o outro tem, de querer estar no lugar dele.

3. Na vida de Acabe, rei de Israel (1Rs 21:1-19). Vivemos em um mundo competitivo e cheio de atrativos para nossos olhos. Se o conceito de inveja - "desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem” -, se aplicava bem para o caso de Caim, o conceito "desejo violento de possuir bem alheio" é bastante apropriado ao caso de Acabe. Nabote possuía uma vinha ao lado do palácio do rei Acabe (1Rs 21:1), e esse rei invejoso desejou ardentemente aquele bem. A sua mulher insana arquitetou a morte de Nabote a fim de atender a cobiça de Acabe.

Inveja quase que se mistura com cobiça, um dos pecados registrados entre os dez mandamentos (Êx 20:17). Inveja não anda só, porém sempre muito mal acompanhada. Os diversos textos que tratam de inveja geralmente a colocam na companhia da maldade, da soberba, da mentira, do cinismo e da morte. O desejo despertado pela inveja é tão poderoso que acaba por tornar-se ocupação única do invejoso. Acabe não desejava mais comer, ou fazer qualquer outra coisa (1Rs 2:4). A combinação de pecados relacionados à inveja produz um veneno tão poderoso que ameaça de morte tanto as pessoas à sua volta como o próprio invejoso.

Como no caso de Caim, o final da história foi o juízo de Deus sobre Acabe e sobre Jezabel. A cobiça do rei Acabe teve uma consequência ainda mais funesta do que toda a sua idolatria. Acabe e sua mulher Jezabel muito haviam irado o Senhor por causa da intensa idolatria e da quase substituição do Senhor por Baal como deus nacional do reino do norte. Entretanto, a morte de Nabote, planejada covardemente por Jezabel, motivada pela cobiça do rei Acabe, foi a “gota d’água” da ira de Deus. Por causa disto, Deus sentenciou toda a casa de Acabe à morte. Foi, portanto, a inveja e a cobiça o estopim da destruição de toda a grande e extensa família de Acabe (1Rs 21; 2Rs 10:1-14).

4. Na vida do crente. Quem tem inveja não consegue andar para frente, pois seu tempo é ocupado em tentar ser alguém que não é, em tentar impressionar seus pares, e até mesmo tentar privar o invejado daquilo que ele possui. Se falarmos de forma honesta, não há crente fiel que em algum momento de sua vida não tenha sentido desprazer pelo sucesso de outro crente. Isso pode acontecer como qualquer pessoa, pois ter nascido de novo não nos isenta de ser assaltados por sentimentos incompatíveis com nossa posição em Cristo. Nossa natureza humana está sujeita às propensões pecaminosas herdadas de Adão. A inveja é pecado, e de alguma forma, todos já tivemos um sentimento de desconforto por ver uma pessoa que tem mais talentos do que nós, que possui algo que desejamos ou que está em uma posição de destaque em que nós gostaríamos de estar. Isso faz parte da natureza humana. Entretanto, o crente não pode se deixar dominar por esse sentimento.

5. Um pecado que pode ser dominado. A maldade pode ser dominada. O próprio Deus insinua isso quando dá o conselho a Caim: “..., mas sobre ele deves dominar"(Gn 4:7). Esse "maravilhoso conselheiro" informa à pessoa envolvida na atitude de inveja que é possível controlar o desejo indômito de praticar maldade, produzido pela inveja, e é tarefa humana (minha e sua) controlar essa situação. É muito importante que a pessoa acometida por inveja entenda o valor do seu papel na solução do problema. Ela precisa arrepender-se. Ela precisa ser ajudada a encontrar os motivos que a levaram a esse sentimento para poder superar os problemas e encontrar caminho de vitória. Não se trata de culpar os outros ou de julgar-se incapaz, mas de tomar para si a responsabilidade e, com a graça de Deus (e ajuda de alguém, quando necessário), encontrar o caminho mais adequado. No caso de Caim, ele fez a opção errada, chegando ao absurdo de matar seu próprio irmão. A consequência do ato foi o juízo de Deus sobre ele.

III. INVEJA NA IGREJA: ANANIAS E SAFIRA (At 4:36-5:11)


O casal Ananias e Safira é o mais notável indicador de que a inveja tem real penetração na comunidade da fé, causando sofrimento na Igreja do Senhor Jesus.

No princípio da Igreja muitos irmãos tomaram a decisão de venderem suas propriedades, trazendo o produto da venda aos apóstolos (At 4:32-35). Desse modo, ninguém passava por carência de produtos básicos de sobrevivência, pois os recursos eram distribuídos aos que tivessem necessidades. Uma das pessoas que compunham a igreja vendeu um campo e "depositou aos pés dos apóstolos" (At 4:36-37). O casal Ananias e Safira resolveu imitar a prática, porém não fez isso com o coração íntegro, mas com dolo e com a semente do engano (At 5:1-11). O caráter destrutivo dessa atitude movida pela inveja era evidente.

1. A inveja destrói o ambiente saudável da igreja. Mesmo levando em conta o registro da prisão de Pedro e João (At 4:1-22), pode-se dizer com segurança que a história inicial da igreja primitiva é bastante animadora até o final do capítulo quatro de Atos dos Apóstolos. O retrato que temos é de uma igreja com poder do Espírito Santo, sermões abençoados, muitas conversões e batismos, curas e uma belíssima comunhão dos salvos (veja At 4:32-35, novamente). O ambiente não poderia ser mais saudável.

O início do capítulo cinco de Atos é como uma tragédia lamentável. A morte espetacular de Ananias, e depois de sua esposa, Safira, abrem caminho para um tempo em que, ainda que continuasse o crescimento e a manifestação da graça de Deus, experimenta-se sofrimento de diversas formas: prisão e perseguição (At 5:17-18), murmuração entre os crentes (At 6:1), martírio (At 7) e dispersão (At 8:4).

2. A inveja destrói a vida abundante dos membros da igreja. Além do mal que se destina à comunidade, a inveja produz danos irreparáveis na própria pessoa do invejoso. Ananias e Safira surgem como pessoas crentes, capazes de desenvolver diálogo entre si, membros da comunidade da fé e proprietários de bens. Eram abençoados e alcançaram a condição de ser bênção na vida da igreja, mas acabaram tornando-se problema para a igreja e trazendo a morte para si. "Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte" (Pv 14:12).

Assim como nos casos de Caim e de Acabe, também no caso de Ananias e Safira o resultado foi juízo de Deus sobre cada vida. Isso serve de lição àqueles que ainda não se libertou desse sentimento maligno.

3. O invejoso pode ser ajudado. Em muitos casos, pessoas que frequentam nossas igrejas dão todos os sinais de que estão envenenadas pela flecha da inveja, mas poderiam ser ajudadas mediante um trabalho preventivo, ou até mesmo mediante a confrontação, como fez o Senhor a Caim. Uma boa conversa (em alguns casos, um bom acompanhamento) poderá ser útil a fim de evitar que a semente perigosa da inveja frutifique em árvore frondosa, com frutos venenosos.

A igreja deve planejar estudos bíblicos e trabalhar para que todos os crentes tenham boa saúde espiritual, e vivam de modo a honrar o nome do Senhor - isso significa viver longe da inveja.

CONCLUSÃO

Há pessoas que servem de modelo para nossa caminhada pessoal, mas se não vigiarmos nosso coração, tais pessoas acabam sendo alvo de inveja, e não de admiração. Analise suas emoções, aprenda a admirar e não invejar a prosperidade, o sucesso, ou qualquer feito alheio. As conquistas devem inspirar-nos. Para conquistar, é preciso ter vontade, coragem, força, energia, integridade e confiança, percorrendo o caminho até à vitória. Infelizmente, os invejosos só veem o final, não analisam o processo. Conscientize-se de que o contentamento e a gratidão nos ajudam a ser pessoas não invejosas (1Ts 5:18). Amém!

 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

AS DORES DO ABANDONO

 

AS DORES DO ABANDONO

Texto Bíblico: 2Timóteo 4:9-18

“Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca” (Sl 68:6)

 A dor do abandono é uma das experiências mais profundas e dolorosas da alma humana. Ela atinge a nossa identidade, gera rejeição e traz a sensação de vulnerabilidade.  – As Dores do Abandono, refletimos sobre como o ser humano lida com a solidão e como a palavra de Deus nos oferece consolo, direção e restauração.

1. O Exemplo Prático: Paulo em 2 Timóteo 4:9-18

Nesta passagem, vemos o apóstolo Paulo no fim de sua vida, preso em Roma, enfrentando o frio, a iminência da morte e, acima de tudo, a deserção de pessoas próximas:

  • A dor da deserção (v. 10): "Demas, tendo amado o presente século, me abandonou..." — A dor do abandono é intensificada quando vem de quem caminhava ao nosso lado. Demas preferiu as ilusões do mundo à fidelidade do reino.
  • A solidão física (v. 11, 13): "Somente Lucas está comigo..." Paulo pede sua capa (para o frio) e os livros/pergaminhos. Ele sentia a carência do aconchego humano e do alimento espiritual e intelectual.
  • A decepção na defesa jurídica (v. 16): "Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram." Nos momentos em que Paulo mais precisou de apoio institucional ou de amigos, encontrou o vazio.

2. A Resposta Espiritual: Como Vencer o Abandono

Apesar de ser abandonado pelos homens, o texto revela como Paulo não se deixou tomar pelo amargor:

  1. A Presença Inabalável do Senhor (v. 17):

"Mas o Senhor esteve ao meu lado e me revestiu de forças..."

Homens podem falhar, amigos podem partir, mas Deus permanece. A presença de Deus não apenas consola, mas fortalece para continuar a jornada.

  1. Graça e Perdoador de Coração (v. 16):

Ao dizer "Que isso não lhes seja imputado", Paulo demonstra que venceu a dor do abandono recusando guardar ressentimento.

  1. Propósito Mantido até o Fim (v. 17):

Mesmo abandonado, o objetivo de Paulo continuava sendo pregar o evangelho para que todos os gentios ouvissem. O propósito protege o coração da autopiedade.

3. O Diagnóstico Divino: Salmo 68:6

"Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca."

O Salmo traz uma promessa e um alerta essencial para este estudo:

Condição

Ação de Deus / Consequência

O Solitário

Deus o acolhe e insere em uma comunidade/família (a Igreja, a fé compartilhada).

O Preso

Deus liberta das algemas da rejeição, da dor e do passado.

O Rebelde

Habita em terra seca — a rebeldia e a recusa em perdoar/se conectar mantêm a pessoa no deserto emocional.

 

Aplicações Práticas para a Vida

  • Reconheça a dor, mas não faça morada nela: Sentir o baque do abandono é humano, mas permanecer na vitimização seca a alma.
  • Busque a família da fé: Deus cuida dos solitários através de relacionamentos saudáveis no corpo de Cristo.
  • Lembre-se de Jesus: O próprio Cristo experimentou o abandono supremo no calvário ("Deus meu, por que me desamparaste?") para que nós nunca fôssemos abandonados por Deus.

Reflexão:

Os homens podem até nos deixar em momentos difíceis, mas a presença do Senhor é a garantia de que nunca estamos completamente sós. Quando nos firmamos nEle, a dor do abandono dá lugar à força do propósito.

 

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos das aflições do justo; e tentar explicar por que passamos por aflições E o abandono ocasiona na vida do servo de Deus. O abandono é uma das piores experiências pelas quais um ser humano pode passar. Pense em um soldado sendo abandonado para morrer em um campo de combate; ou um pastor, que depois de dedicar toda sua vida à uma igreja, ser abandonado por ela na sua velhice; ou ainda um bebê sendo deixado de lado por sua própria mãe. Pasmem, esses incidentes acontecem com frequência e que não estão distantes de nós. Nem Jesus escapou do abandono; antes de ser crucificado, foi deixado de lado por todos os seus discípulos. O nosso consolo é saber que Deus não nos deixa só. O Senhor nos enviou o Espírito Santo justamente para nos consolar e nos guiar em todas as coisas (João 14:16).

I. O ABANDONO FAMILIAR


A família em nossos dias vem sofrendo os mais duros ataques por parte do Diabo. Vícios no lar, infidelidade dos cônjuges, alto índice de divórcio, drogas, violência doméstica e abandono de filhos são alguns dos exemplos mais comuns dessa ação diabólica. Satanás sabe muito bem que se atingir a família, atingirá a sociedade como um todo, bem como ao maior projeto estabelecido por Deus para salvação da humanidade, que é a Igreja. Certamente a manutenção da instituição familiar constitui-se no maior desafio que se nos apresentam nos dias de hoje, no presente século. O adversário de nossas almas tem atacado violentamente a família, porque sabe que, uma vez atingida a família, a um só tempo, estará destruída tanto a sociedade, quanto cada um dos integrantes da família.

O comportamento humano é construído sobre os alicerces lançados na família. Entretanto, a cada dia fica mais difícil encontrar famílias saudáveis. É comum famílias desestruturadas que não cuidam dos seus próprios integrantes, não lhes suprindo as mais básicas necessidades. Muitas das vezes abandonam seus entes queridos nos momentos em que mais precisam de amparo. Paulo adverte que “se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” (1Tm 5:8).

Este tópico da nossa lição fala em especial de três situações de abandono na família:

1. Na doença. A sentença divina sobre o homem, por causa do seu pecado, atingiu diretamente a questão da saúde. A terra foi maldita e, como algo maldito, traria infelicidade, incômodo e aborrecimento para o homem (ler Gn 3:17). A natureza passou a colaborar para um crescente desequilíbrio do organismo humano, desequilíbrio que levaria, mais cedo ou mais tarde, à extinção da atividade, com a degeneração do organismo, que estaria fadado a se desfazer, voltando a ser pó, o mesmo pó que o Senhor havia tomado para formar o homem. Ninguém, portanto, está imune às doenças, nem mesmo os filhos de Deus.

Quando a doença chega, todos precisamos de ajuda das pessoas da família. Mas, infelizmente, o que se tem visto é o abandono nesses momentos mais necessários; abandonam o doente à própria sorte, demonstrando assim uma atitude impiedosa e anticristã, uma verdadeira ausência de amor a Deus e ao seu próximo. Uma pessoa que não demonstra amor ao seu próximo, que vê, como amará a Deus que nunca viu? (1João 4:20).

2. No vício. O Diabo sempre teve interesse em devorar o ser humano através de seus ardis (1Pe 5:8). As drogas de um modo geral têm sido usadas por Satanás para destruir o ser humano, tanto jovem, adolescentes, adultos, as famílias constituídas. O desejo dele é a preservação da humanidade fora dos planos da salvação de Deus.

Muitos não suportam uma pessoa viciada conviver no seu mesmo ambiente social, por isso a abandonam à própria sorte, o que faz ainda mais piorar a vida dessa pessoa. Sem direção e desamparada, a pessoa viciada perde a noção de certo e errado e, para satisfazer o vício, é capaz de roubar e até matar. Alguns chegam até o suicídio, por se sentirem sozinhos e abandonados pelos amigos e pelos da família.

Lidar com viciado não é fácil, mas é nessa hora que a família precisa fazer-se presente e estar unida para ajudá-lo a livrar-se dos vícios. Todavia, a pessoa drogada deve aceitar, incondicionalmente, a mão amiga, quando esta oferece ajuda a qualquer custo.

Um dos maiores problemas a ser vencido, para a pessoa que usa qualquer substância química, é a dificuldade de amar o próximo, pois o amor ao seu ego, faz com que a pessoa fique cega para as pessoas que estão ao seu redor. Para ela só existe sua satisfação, custe o que custar e para quem custar. Desta forma, a pessoa dependente química ofende muito aqueles que a amam e deve se arrepender, pedindo a Deus que a lave com Seu precioso sangue, e também deve pedir perdão às pessoas ofendidas, que foram roubadas e que as deixaram sem dormir de preocupação, ferindo-as, humilhando-as, e deixando-as sem esperança em suas vidas pessoais devido a sua situação.

3. Na terceira idade. A chamada terceira idade é talvez o momento em que as pessoas mais precisam de assistência por parte dos seus familiares, em razão do esmaecimento das forças, com as consequentes doenças. Em nossa sociedade, muitas vezes, os idosos são desprezados; algumas famílias chegam a desampará-los por completo, colocando-os em casas de repouso ou asilos, sem nenhuma assistência familiar. A Bíblia relata que os mais velhos devem ser respeitados e ouvidos pelos mais novos (Js 23:1-2; Lm 5:12,14; Lv 19:12; Ex 20:12). O mandamento do Senhor de honrar o pai e a mãe continua válido para os dias atuais (Ef 6:1-3).

II. O ABANDONO EM SITUAÇÕES DIFÍCEIS


Existem muitas situações difíceis pelas quais podemos sofrer as consequências do abandono em nossa vida. Dentre elas o comentarista da lição destaca:

1. O Abandono no desemprego. O desemprego é um dos fatores mais drásticos que uma pessoa pode passar, principalmente aqueles que tem família para sustentar e com débitos pendentes de liquidação. Geralmente, nessas horas até mesmo aqueles que se diziam amigos desaparecem; até os familiares fogem, pois temem emprestar dinheiro e ouvir as lamentações do desempregado. A Bíblia ensina a amar o próximo e ajudá-lo nos momentos de necessidade (ver Lc 10:25-37). Creio que se formos fiéis ao Senhor ele não nos abandonará nesse momento difícil. Está escrito que “o Senhor não desampara os seus santos” (Sl 37:28).

2. Da amizade. A Bíblia nos mostra exemplos de amizade verdadeira, sincera e desinteressada, como a de Davi e Jônatas (1Sm 18:1), ou a de Rute e Noemi (Rt 1:8-18). É o desejo de todos nós ter uma amizade como essa. Mas é frequente as pessoas serem traídas por aqueles que pareciam grandes amigos. Até Paulo sentiu a dor do abandono de seus amigos mais chegados (cf 2Tm 4:16). Ele sentiu de perto o peso do abandono da amizade, num momento em que mais precisava de uma mão amiga. Já perto do fim da sua vida, preso em Roma, Paulo reclama a Timóteo do abandono de seus irmãos mais próximos. O texto básico desta Aula (2Tm 4:9-18) mostra claramente os sentimentos de tristeza e abandono que tomaram conta de Paulo nesse momento difícil. Paulo sabia que estava chegando perto do fim de sua vida, e pede a Timóteo que vá vê-lo depressa. Mais do que precisar da companhia de Timóteo, Paulo queria lhe ministrar um último ensinamento: mostrar a Timóteo como um cristão deveria morrer por sua fé. Em seguida, Paulo esclarece o porquê está sozinho: Demas o havia desamparado, amando as coisas do mundo; Crescente, Tito e Tíquico também estavam longe, provavelmente pregando o Evangelho; apenas Lucas tinha ficado com ele. E por isso Paulo pede a Timóteo que tome a Marcos e vá vê-lo (convém notar que este é o mesmo João Marcos, sobrinho de Barnabé, que Paulo recusou anos antes como companheiro, porque ele os tinha abandonado na viagem, mas agora ele era útil, e Paulo o reconheceu). Paulo relata a Timóteo o problema que teve com Alexandre, o latoeiro (provavelmente o mesmo blasfemador citado em 1Tm 1:20), para que Timóteo guarde-se dele. Paulo termina o relato dizendo que ninguém o assistiu em sua defesa, mas ele sentiu a presença do Senhor o amparando – “Ninguém me assistiu na minha primeira defesa; antes, todos me desampararam. Que isto não seja imputado” (2Tm 4:16). Nota-se que Paulo se recusou a ficar amargurado por essa experiência. Sua oração pelos que o abandonaram é semelhante à oração de Estevão por seus assassinos: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (At 7:60).

A Bíblia nos adverte a não abandonar o amigo – “Não abandones o teu amigo... (Pv 27:10). Devemos ser fiéis, leais e amorosos – “Em todo tempo ama o amigo...” (Pv 17:17).

3. Da igreja. É dito por muitos que a igreja é a extensão do lar, da família. Um dos muitos modos de referir-se à igreja é como família de Deus. Entende-se que a família vive de relacionamentos, logo, como espaço para relacionamentos, precisa proporcionar um ambiente propício a que seus membros possam relacionar-se saudavelmente. Nós somos membros uns dos outros, então, devemos cuidar uns dos outros. Infelizmente, há igrejas que se esquecem de seus membros, não os visitam, não oram por eles e não lhes tratam as feridas. Até mesmo os missionários muitas vezes estão abandonados pelas igrejas que os enviaram, passando por diversas necessidades. Jesus disse que os falsos cristãos seriam caracterizados justamente pelo desamor e desprezo em relação aos desvalidos (Mt 25:31-46).

É hora de acordarmos para este problema; a igreja precisa tratar as carências dos seus membros. Somos um só corpo (1Co 12:12); se um membro padece, todo o corpo padece (1Co 12:26-27). Devemos cuidar e zelar uns dos outros, para que a igreja de Cristo desfrute perfeita saúde. Deus deseja que Seus filhos vivam em comunhão uns com os outros (Sl 133) e que os desvalidos, desfavorecidos e vitimados pela vida encontrem apoio, atenção e ajuda em Sua casa (Tg 1:27). Convém lembrar que Deus usa os crentes para consolar outros crentes, como fez com Tito em relação à Paulo (2Co 7:6).

III. O DEUS QUE NÃO ABANDONA


1. Na angústia.
É justamente nos momentos de angústia e aflição que o ser humano se sente esquecido por todos, inclusive pelos mais chegados. Quantas vezes nos sentimos sozinhos, angustiados e esquecidos pelos nossos amigos, parentes e pelos nossos irmãos em Cristo. Mas, mesmo nos momentos difíceis da vida, existe alguém que nunca nos abandona, Jesus.

Portanto, se a angústia bater no seu coração, lembre-se que você pode invocar o Senhor. O Salmo 50:15 diz: "invoca-me no dia da angústia, eu te livrarei, e tu me glorificarás". Foi assim que Ana alcançou a benção de ter um Filho (1Sm 1). Foi assim que Moisés alcançou os milagres nas horas mais difíceis. Foi assim que aconteceu com o cego de Jericó; ele gritava pedindo que Jesus tirasse dele aquela angústia, a cegueira física: “Jesus Filho de Davi, tem misericórdia de mim”; o Senhor atendeu o seu pedido, ele foi curado, física e espiritualmente. Jairo também foi até Jesus num momento de angústia, a sua filha estava morrendo; quando estava pedindo a misericórdia do Senhor, recebe uma má notícia: “não precisa mais incomodar o Mestre, ela [a criança] já morreu”. Em muitas das vezes você vai encontrar pessoas que querem incentivar você a desistir, mas não desista! Jairo mesmo recebendo a notícia da morte de sua filha confiou em Jesus e alcançou a benção. Somente em Deus encontramos refúgio e fortaleza nos momentos de angústia. Está escrito: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Sl 46:1).

É bom ressaltar que Deus nem sempre nos livra “da” angústia, mas “na” angústia. Ele não é o Deus da previsão e sim, da provisão. Não é o Deus da previdência e sim da providência. Ele não age antes, mas também não se atrasa. Ele disse: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:20).

Seja qual for as tuas angústias ou problemas, continuem confiando em Deus. Ele nos livra “nos” problemas e “nas” angústias – “Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; livrá-lo-ei e o glorificarei” (Sl 91:15).

2. O amigo. O verdadeiro amigo é aquele que se dispõe a tomar a carga do outro, de colocar o seu próprio destino juntamente ao do outro, de compartilhar as agruras, as dificuldades e as adversidades. O amigo se conhece no momento das dificuldades, não no momento das vitórias e das realizações. Como diz Salomão, o amigo ama em todo o tempo (Pv 17:17a) e não pode abandonar o seu amigo (Pv 27:10).

Ser amigo é algo muito profundo e, em um modo geral, nunca teremos muitos amigos, pois é muito intensa a intimidade do amigo. Esta intimidade faz com que tenhamos, quase sempre, poucos amigos, mas não importa a quantidade, mas, sim, a qualidade desta amizade. Os amigos de Paulo não eram muitos (Cl 4:11), mas o suficiente para que o apóstolo não ficasse desamparado e prosseguisse o seu ministério.

Os amigos não são muitos, mas, mais importante do que isto, é saber que o crente, além de ter os seus indispensáveis amigos, tem um amigo que é mais chegado do que um irmão (Pv 18:24b), a saber, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Jesus chamou Seus discípulos de amigos, em lugar de servos (João 15:15). Nós também temos esse privilégio. Ele é o amigo fiel, que não nos abandona na hora da angústia.

Ao morrer em nosso lugar, Jesus ofereceu a maior prova de amor e lealdade que um amigo pode dar (João 15:13). Cristo morreu na cruz do Calvário para que hoje tivéssemos direito à vida eterna. Para termos esse amigo fiel ao nosso lado, apenas precisamos aceitá-lo como Salvador pessoal. Ele tomou sobre Si nossas enfermidades e nossas dores (Is 53:4), inclusive as dores da discriminação e do abandono.

Abraão foi chamado de “amigo de Deus” (2Cr 20:7; Is 41:8; Tg 2:23). O fato de Abraão ser chamado de “amigo de Deus” já é suficiente para buscarmos seguir o seu exemplo, já que, como servos do Senhor Jesus, também somos reputados como seus amigos (João 15:15). Se Abrão é chamado amigo de Deus é porque tinha o mesmo sentimento de Deus, tinha uma profunda comunhão com o Senhor. Comunhão é o estado em que há uma comunidade de sentimentos, de propósitos, de ideias, ou seja, os sentimentos, os propósitos e as ideias de Abrão e de Deus eram iguais, eram idênticos, eram comuns. Disse Jesus: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15:14).

3. A sua Igreja. A igreja é um projeto exclusivamente divino, concebido, executado e sustentado por Deus. É por isso que podemos ter a certeza, e a história tem demonstrado isto, que nada pode destruir a Igreja. Durante estes quase dois mil anos em que a igreja tem participado da história, muitos homens poderosos se levantaram contra a Igreja, tentaram destrui-la e não foram poucas as vezes em que se proclamou que a Igreja estava vencida. No entanto, todos estes homens passaram, mas a Igreja se manteve de pé, vencedora, demonstrando que não se trata de obra humana, mas de algo que é divino e contra o qual todos os poderes das trevas não têm podido prevalecer. Jesus prometeu que estaria com a Igreja, sempre: “eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28:20). Ao revelar o Seu mistério, isto é, a Igreja, disse que a edificaria e que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt 16:18).

Jesus foi constituído Senhor sobre todas as coisas (Mt 28:18; Rm 14:9) e não deixaria de sê-lo com relação à sua Igreja, que Ele comprou com o seu próprio sangue (At 20:28). Tendo criado a Igreja, nada mais natural que seja o seu Senhor, o seu Rei, o seu Governante. Portanto, Jesus jamais abandona a Sua Igreja.

CONCLUSAO

Na época do profeta Isaias, o povo de Israel experimentou grande sofrimento e, por isso, se sentiam abandonado e esquecido por Deus. Mas Deus lhes deu a seguinte resposta: “Pode uma mulher esquecer-se também do filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas, ainda que está se esquecesse, eu, todavia, me não esquecerei de ti” (Is 49:15). Esta resposta de Deus é a garantia divina a todo crente que passar por períodos de provação, ou até mesmo ser esquecido pelo seu ente querido. O amor de Deus por nós é maior do que a afeição natural que uma mãe amorosa dedica a seus filhos. Sua compaixão por nós nunca cessará, sejam quais forem as circunstâncias da nossa vida. Ele zela por nós com grande amor e ternura, e estejamos convictos de que Ele nunca nos abandonará. A evidência do grande amor de Deus é que Ele nos gravou nas palmas das suas mãos, de tal maneira que nunca nos esquecerá. As marcas dos cravos nas suas mãos, estão sempre diante dos seus olhos como lembrança do grande amor que Ele tem por nós, e do seu cuidado. Portanto, ainda que a família e os amigos venham a abandonar-nos, Deus sempre nos acolherá. Ele está sempre ao nosso lado. Amém!

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

A IMPORTANCIA DO OLHAR

 

A IMPORTANCIA DO OLHAR

 

TEXTO BÍBLICO

Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Salmo 121.1,2

O olhar não é apenas um sentido físico; na tradição bíblica e na vida humana, ele representa a direção da alma, o foco da atenção e a atitude do coração. Para onde direcionamos os nossos olhos define o que alimenta os nossos pensamentos, sentimentos e ações.

1. O Olhar de Confiança e Fé (O Exemplo do Salmo 121)

O Salmo 121 nos traz uma imagem poderosa. Na Antiguidade, os montes e montanhas podiam representar tanto perigo (lugares onde se escondiam assaltantes e feras) quanto falsos refúgios (onde ficavam os altares de ídolos locais).

Ao perguntar "de onde me virá o socorro?", o salmista não coloca sua esperança na criação ou na força humana, mas eleva o olhar acima das dificuldades para contemplar o Criador:

"O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra."

  • Firmar a mente na promessa: Levantar os olhos significa recusar-se a ficar paralisado pelas circunstâncias difíceis e escolher fixar a atenção naquele que é soberano.
  • Mudar a perspectiva: Quando olhamos apenas para o chão ou para os problemas à nossa volta, somos tomados pelo medo e pela ansiedade. Ao elevar o olhar, lembramo-nos da grandeza de Deus em relação às nossas lutas.

2. O Olhar como Lâmpada do Corpo


Na mensagem dos Evangelhos, Jesus ensina sobre a pureza e a clareza da nossa visão interior:

"Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz." — Mateus 6.22

O que deixamos entrar pelos nossos olhos molda o nosso caráter:

  • Olhar generoso e limpo: Transmite paz, compaixão e discernimento espiritual.
  • Olhar focado no mal ou na inveja: Traz escuridão para a mente e contamina as atitudes.

3. O Olhar para os Outros: Compaixão e Cuidado

O modo como olhamos para as pessoas ao nosso redor reflete como absorvemos o amor de Deus:

  • Enxergar com empatia: Jesus frequentemente "viu" a multidão e teve compaixão dela. A importância do olhar na vida cristã envolve ver as dores, necessidades e o valor do próximo, em vez de ignorá-lo ou julgá-lo.
  • O olhar que restaura: Um olhar atento pode acolher e trazer esperança a quem se sente invisível.

Reflexão Prática

Para onde você tem olhado no seu dia a dia?

  • Se o foco estiver nos problemas: A tendência é o desânimo.
  • Se o foco estiver nas distrações do mundo: A tendência é a dispersão.
  • Se o olhar estiver elevado ao Senhor: O resultado é a paz, o socorro e a renovação das forças.

Manter os olhos no Criador não significa ignorar a realidade, mas encará-la sabendo que o seu auxílio vem daquele que guarda os seus passos e não dorme.

Mateus 6.22,23,25-27,31-34

22 - A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.

23 - Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!

25 - Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?

26 - Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

27 - E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?

31 - Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos?

32 - (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas;

33 - Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.

34 - Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

  

INTRODUÇÃO

Os profissionais da área da psiquê humana, no setting analítico, costumam avaliar seus pacientes a partir de três elementos principais: o olhar; as palavras e os gestos.

- O olhar denuncia as intenções do coração; até mesmo as que desejamos esconder — por essa razão, costuma-se dizer que as pessoas que têm dificuldades para manter os olhos fixos em seu interlocutor, em uma conversa, precisam de ajuda, pois revelam, inconscientemente, inverdades e/ou inseguranças ocultas.

- As palavras — existe uma máxima psicanalítica que diz: “Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”. Significa dizer que, quando uma pessoa fala de outra, na prática, revela mais de si mesma. Mesmo quando um paciente se recusa a falar, o terapeuta avalia os silêncios.

- Os gestos — o corpo fala (movimentos rápidos de pernas e pés; pupilas dilatadas; pernas ou braços cruzados etc.); e os especialistas são unânimes em dizer que a linguagem corporal costuma ser mais precisa que a verbal, pois é controlada por impulsos inconscientes. Nesta lição, falaremos sobre o poder transformador do olhar, a partir das revolucionárias palavras de Jesus à multidão que o seguia: A candeia do corpo são os olhos (Mt 6.22a; Lc 11.34). Jesus, o Mestre dos mestres, ensina-nos que a luz do corpo procede dos olhos: se não Soubermos enxergar corretamente a vida, trevas emanarão de nós; e o oposto também é verdade: se soubermos olhá-la de modo acertado, luz irradiará de nosso ser.

  


1- QUAL A IMPORTÂNCIA DO OLHAR NA VIDA?

Frequentemente sentimos a necessidade de planejar o futuro e estabelecer metas para alcançarmos melhores resultados nas áreas profissional, familiar, material e espiritual. Entretanto, para obtermos sucesso, as nossas propostas e perspectivas devem consistir em objetivos sólidos, claros, bem definidos e fundamentados nos princípios da Palavra de Deus. Isto implica, entre outras coisas, esquecermos os fatos ruins do passado, olharmos para a frente, melhorarmos cada vez mais como pessoas e ter atitudes mais coerentes com aquilo que almejamos, a fim de prosperarmos e atingirmos nossos alvos.

1.1. O olhar aponta o foco do nosso presente

Quem é você? Está feliz? Está realizado? Quais são as suas carências? Quem são os seus verdadeiros amigos? O que você quer da vida? Qual a sua missão? E, no contexto familiar, o que você responderia à sua alma, se ela lhe perguntasse hoje: “Que tipo de marido/mulher; pai/mãe; filho/filha é você?”. As respostas a todas essas perguntas estão no nosso olhar. Não somos apenas pais, filhos, maridos, esposas, filhos, evangélicos, patrões ou empregados. Fomos chamados por Deus à existência terrena com um propósito eterno.

1.2. O olhar direciona o nosso futuro

Apenas quando não perdemos o foco do nosso presente podemos projetar de modo coerente o nosso futuro. Daqui a cinco anos, onde você quer estar? Murmurando e reciclando lágrimas, ou tem planos concretos e realizáveis? Como estarão seu casamento, sua casa, sua profissão, seus filhos e sua saúde? Uma pessoa cujo olhar esteja preso ao abismo da própria inércia, muito provavelmente, terá um futuro instável, perturbador e incerto, pois não enxerga um horizonte. Pergunto a você agora: Quais são os seus sonhos? Você tem o desejo sincero de fazer seu cônjuge feliz? Tem o objetivo certo de fazer seus filhos, servos de Deus? Quais ações você tem empreendido nesse sentido?

Apesar de toda a possibilidade de comunicação oferecida pelos olhos, não se deve julgar quem quer que seja apenas por meio de um olhar, pois há grande risco de tirarmos conclusões precipitadas na utilização desse artifício.

1.3. O olhar revela verdades da nossa alma

O psiquiatra e psicoterapeuta Luiz Cuschnir disse: “O olhar pode até contar com um complemento, como uma mímica facial ou uma postura corporal, mas, geralmente, ele é capaz de mostrar de maneira única o que a pessoa é, sente ou deseja em um determinado momento.” É a partir dos olhos que brotam as empatias; também é por meio dessa janela que os apaixonados conectam suas almas. O olhar, muitas vezes, dispensa o uso das palavras e/ou de qualquer outro meio de comunicação: quanto mais as pessoas se conhecem, mais facilidade elas têm para compreender as mensagens mútuas enviadas por esse meio. Você consegue fixar os olhos em seu interlocutor, sem se sentir intimidado? O que você tem visto nos olhos do seu cônjuge? Que verdades você tem lido nos olhos dos seus filhos? Que realidades você tem impedido de vazar dos seus próprios olhos?

1.4. O olhar orienta os nossos relacionamentos

Para muitas pessoas, o sonho de vida feliz resume-se a poder retirar-se para uma ilha paradisíaca, afastada do maior número possível de pessoas. Para outras, o sonho de paz restringe-se ao afastamento do olhar das gentes.

Os imperativos modernos parecem ser: inacessibilidade, isolamento e privacidade.

Você se sente incomodado em dirigir o olhar ao seu semelhante? Você tem medo do que pode ver nos olhos dos seus pais; do seu cônjuge ou dos seus filhos? O que você se recusa a ver? Por que você não se permite ser enxergado?

2- OS OLHARES QUE AGRADAM A DEUS


O ato de agradar a Deus não necessariamente está relacionado às exterioridades culturais — ao modo como nos vestimos, ao que comemos, ao modo como conduzimos a liturgia eclesiástica etc. —, mas está diretamente ligado à gratidão, que brota do nosso interior. Neste tópico, refletiremos sobre como nós, membros de uma família, podemos agradar a Deus.

2.1. Olhando para trás com gratidão

Costumamos dizer, até por déficit de conhecimento, que o caráter de uma pessoa pode ser medido pela verdade (ou pela falta desta) e pela fidelidade (ou pela ausência desta) — obviamente, estes são indicadores pontuais decisivos —, mas caráter transcende a essa análise simplista. E uma das coisas que melhor reflete nosso caráter, ou que melhor revela quem somos, de verdade, é a gratidão (ou a ingratidão).

Hoje em dia, vive-se uma compulsão pelo ter; e esta realidade invadiu a mente evangélica, inclusive. Os cultos destinados a pedir bênçãos ao Senhor costumam ficar repletos de gente — e não há problema algum em clamar pela intervenção divina —, mas precisamos aprender a agradecer pelo que já recebemos. No mundo atual, a cultura do individualismo, do imediatismo e da funcionalidade tem-nos feito esquecer os nossos motivos de gratidão. Gostemos ou não, vivemos os imperativos da comparação, em que todos imaginam ter direitos. E uma atmosfera como esta deixa o solo fértil para a proliferação da inveja. Cuidado para não cair na armadilha da comparação com os outros; em vez disso, aprenda a cultivar um coração agradecido como casal, e depois, transmita esta visão aos seus filhos (Adaptado de: Bíblia de Estudo Preparando Casais para a Vida. Central Gospel, 2013).

Jesus curou dez leprosos de uma única vez; um deles voltou para agradecer a dádiva incomparável que recebera; nove, no entanto, seguiram adiante, sem olhar para trás (Lc 17.12-18). Infelizmente o espírito de ingratidão que se apoderou daqueles homens tem corroído a psiquê evangélica atualmente.

2.1.1. Razões para agradecer

Por mais difícil que seja a nossa vida, há inúmeras razões para agradecermos ao Senhor: a certeza da salvação, em Cristo, já seria motivo suficiente para vivermos de joelhos diante do Pai celestial. Não bastasse isso, precisamos nos lembrar das mínimas coisas que dão sentido à nossa existência: os pequenos gestos em família; o pão diário; o abrigo; as vestes e até mesmo as dores que nos ensinam a ser melhores. Abra o caderno da memória e agradeça ao Senhor por seu marido/esposa; por seu filho/filha; por seu pai/mãe (1 Ts 5.18).

2.2. Olhando para os lados com amor

Há um eco no texto bíblico que transpassa a História, por séculos a fio, e chega ao nosso coração e à nossa consciência: Caim, onde está teu irmão? (Gn 4.9). Ninguém é sozinho neste mundo; ninguém sobrevive no isolamento absoluto. “Onde está tua mulher? “Onde está teu marido?”; “Onde está teu filho?”; “Onde?”. Você tem conseguido olhar com amor para os que vivem ao seu lado? Como você enxerga seu cônjuge, como uma pessoa que perdeu os atrativos da juventude ou como a pessoa que enfrenta as agruras da vida ao seu lado? Como você enxerga seus filhos, como bênçãos ou como despesas? Vençamos a mesquinhez, o egocentrismo e a visão utilitarista que insiste em dominar nosso entendimento. Olhar para o lado permite-nos perceber que não apenas somos amados por alguém, mas que podemos amar-nos uns aos outros.

2.3. Olhando para dentro de si com arrependimento

O mundo hodierno está dominado por uma espécie de hipocrisia coletiva que se manifesta em praticamente todos os indivíduos: não suportamos lançar um olhar esquadrinhador para dentro de nós mesmos; mas nos deliciamos em olhar para o outro e apontar suas faltas. Miserável homem que eu sou (Rm 7.24)! Foi a essa conclusão que Paulo chegou a respeito de si: quero ser bom, mas não consigo; não quero ser mau, mas acabo sendo (Rm 7.19). Se estivermos dispostos a agir como o apóstolo, ou seja, se estivermos dispostos a olhar para dentro de nós mesmos e arrepender-nos de nossos muitos defeitos e vícios, nossa vida familiar será melhor.

2.4. Olhando para cima com louvor

Jesus foi posto em uma cruz, no alto de um monte, para que todos pudessem ver o Filho de Deus entregar-se voluntariamente por amor à humanidade. Quando olhamos para cima, para o monte do Calvário ou para os céus, DEUS nos revela os Seus mistérios. Olhar para cima é enxergar além da dor, da enfermidade, da provação, do desemprego e da crise. Olhar para cima é reconhecer que há um Deus soberano; há um céu que se abre diante de nós. Sigamos o exemplo de nosso Mestre e Senhor, Jesus: Ele sabia que seria crucificado, mas, ainda assim, celebrou a ceia com os apóstolos e cantou um hino de louvor (Mc 14). Ele sabia que o Pai tinha um plano maior naquilo que parecia ser o fim.

2.5. Olhando para frente com esperança

Quem olha para frente com esperança, não se prende à crise do presente, porque já se vê para além da dor, para além da luta e da lágrima. Quem olha para frente com esperança sabe que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28).

A esperança é o combustível da nossa vida; e ela é nutrida pela fé que nos faz ver o invisível, vencer o invencível e tolerar o insuportável. Se creres, tu verás a glória de Deus na sua casa, na sua família, no seu casamento, nas suas emoções e na sua alma. Creia nisto!

CONCLUSÃO

Aprendamos a cuidar do nosso olhar, pois esse olhar vai nos dizer quem somos, hoje, e aonde chegaremos, amanhã, pelas mãos de Deus. Olhe para trás e diga: “Senhor, obrigado”. Olhe para os lados e diga: “Senhor, usa-me”. Olhe para dentro de si e diga: “Senhor, eu me arrependo”. Olhe para cima e diga: “Senhor, eu te louvo”. Olhe para frente e diga: “Senhor, eu prossigo para o alvo”. Deus nos abençoe.

 

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