quinta-feira, 17 de setembro de 2026

DEUS E A SALVAÇÃO DA FAMILIA DE NOÉ

DEUS E A SALVAÇÃO DA FAMILIA DE NOÉ

 

Texto Bíblico: Gênesis 7:1-12

“Pela fé, Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu, e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé” (Hb 11:7).

A narrativa de Noé e sua família sobrevivendo ao dilúvio é um dos episódios mais marcantes das Escrituras Sagradas, servindo como um profundo símbolo de obediência, juízo e, acima de todo o resto, da graça e redenção divinas.

O Contexto e a Fé Prática

O texto de Hebreus 11:7 destaca a fé como o motor da obediência de Noé.

  • O aviso divino: Noé foi alertado sobre algo que nunca havia acontecido — a água cobrindo a terra. A fé exigiu que ele acreditasse na palavra de Deus acima da realidade lógica do seu tempo.
  • O temor e a ação: O temor a Deus não era de pavor paralisante, mas de reverência profunda, o que o levou a agir. Ele passou décadas construindo a arca, provando que a verdadeira fé vem acompanhada de obras e perseverança.

A Família como Alvo da Salvação

O texto bíblico ressalta que Noé preparou a arca "para salvação da sua família".

  • Proteção coletiva: Deus estabeleceu a aliança com Noé, mas a graça estendeu-se à sua casa (sua esposa, seus três filhos — Sem, Cão e Jafé — e as respectivas esposas deles).
  • Um testemunho geracional: A postura íntegra de Noé em meio a uma sociedade corrompida serviu de farol para proteger e guiar os seus. A arca precisava de todos eles para a preservação da humanidade e dos animais.

A Arca: Juízo e Graça

  • A condenação do mundo: Ao construir a arca pela fé, Noé testemunhou contra a maldade daquela geração, cujos corações estavam continuamente inclinados ao mal. A paciência de Deus teve um limite.
  • O refúgio seguro: A arca tinha apenas uma porta (por onde todos entraram) e foi fechada pelo próprio Deus. Ela representa Jesus Cristo hoje: o único refúgio seguro contra o juízo iminente, aberto a todos que desejam entrar.

Herdeiro da Justiça: O versículo conclui dizendo que Noé se tornou "herdeiro da justiça que é segundo a fé". Ele não foi salvo por obras meritórias grandiosas, mas por crer e obedecer fielmente ao Criador, tornando-se o patriarca de uma nova humanidade.

 INTRODUÇÃO

Noé, sua esposa, seus três filhos (Sem, Cam e Jafé) e suas noras, formaram a família que sobreviveu ao Dilúvio universal. Deus revelou a Noé seu plano de destruir a raça corrupta e de salvá-lo junto com sua família e, por ele, a humanidade inteira. Noé viria a ser o segundo pai da raça humana. Ele foi salvo pela graça, um ato de soberania divina (Gn 6:8). A salvação do grande Dilúvio foi celebrada com um sacrifício. Noé fez um altar e ofereceu um sacrifício ao Senhor (Gn 8:20) que aceitou sua oferta e marcou sua aliança com todo o universo (Gn 8:21,22), com os animais (Gn 9:2,3,10), com a humanidade (Gn 9:9-17) e com a família de Noé (Gn 9:1).

 

I. DEUS ANUNCIA O DILÚVIO


A história humana pode ser dividida em períodos denominados de “dispensações”, épocas em que Deus tratou com o homem de uma determinada maneira, dentro do Seu propósito de recuperar o homem ao status quo da criação, ou seja, ao que ele era antes da queda.

Toda “dispensação” caracterizou-se por uma atitude de rebeldia por parte do homem, que, em seus delitos e pecados, insiste em manter-se afastado do seu Criador. Logo no período chamado de “Consciência”, a descendência de Sete, que era piedosa, misturou-se com a descendência de Caim, que foi o primeiro a se afastar de Deus, ao não ouvir as recomendações divinas de submissão e obediência (Gn 4:6,7). A partir do momento em que os descendentes de Sete se distanciaram de Deus e passaram a praticar todo tipo de pecado, Deus resolveu mandar o dilúvio, que foi o juízo que pôs fim a dispensação da consciência. Todavia, nessa geração rebelde e corrupta, havia um remanescente fiel: a família de Noé. Somente este, entre seus contemporâneos, travou amizade com Deus e desfrutou da comunhão divina. Ele era "justo" e "reto" (Gn 6:9); uma pessoa de conduta irrepreensível, de integridade moral e espiritual no meio de uma geração perversa. Outrossim, era um pregador da justiça (2Pedro 2:5). O segredo de seu caráter impoluto encontra-se em seu andar diário com o Senhor. Foi a este homem que Deus anuncia o dilúvio, instruindo-o a construir a Arca de salvação.

 

1. O anúncio do Dilúvio. Então, disse Deus a Noé: O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra” (Gn 6:13). “Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda carne em que há espírito de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra expirará(Gn 6:17).

E disse o SENHOR: Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem até ao animal, até ao réptil e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito(Gn 6:7). O arrependimento de Deus não indica uma mudança arbitrária em seus planos, embora pareça dessa forma para nós. Antes, indica uma atitude da parte de Deus em resposta ao comportamento humano. O Senhor sempre reage contra o pecado, pois é Deus santo.

Com o transcorrer do tempo, a separação entre os descendentes de Sete e os de Caim cessou por causa do casamento das duas linhagens (Gn 6:2). A união dos piedosos com mulheres incrédulas foi motivada pela atração física de tais mulheres. Sem mães piedosas, a descendência de Sete degenerou-se espiri­tualmente. Os filhos dos casamentos mistos eram "gigantes" e parece que se destacavam pela violência (Gn 6:4). Exaltavam-se a si mesmos, cada um procurando ser "valente" ("herói"). Corromperam a terra com sua imoralidade. Chegou o momento quando a família de Noé foi a única que cumpria as normas morais e espirituais de Deus. Parece que Satanás, ao ver que não pôde destruir a linhagem messiânica pela força bruta, no caso de Abel, agora procura extingui-la mediante casamen­tos mistos; e por pouco não teve êxito.

 

Determinou Deus destruir a perversa geração por causa da corrupção e violência. O Senhor declara que seu Espírito não agirá para sempre no homem. Assim, decretou um prazo de cento e vinte anos para a vinda do julgamento do dilúvio (Gn 6:3). Deus é misericordioso e não deseja que as pessoas morram sem salvação. Porém, sua paciência tem limites.

2. Um juízo que parecia improvável. Como o povo, que estava cego pelo pecado, ia acreditar num Dilúvio se nem chuva havia? Parece que não havia chuvas naquele período da história humana. Diz o texto sagrado que um vapor subia da terra e regava toda a face da terra(Gn 2:6). No momento certo, os animais começaram a chegar. Dos maiores aos menores, todos se apresentaram a Noé. Mesmo vendo esse episódio impressionante e extraordinário, os contemporâneos de Noé não se arrependeram de seus maus caminhos. Isto não lhes impressionou porque, naqueles dias, os animais, mesmo os arredios e selvagens, não representavam ameaça ao ser humano. Talvez aquela gente pensasse que Noé estava montando um parque temático ou um grande zoológico. Para eles, portanto, era um juízo improvável de acontecer.

 

Você já percebeu que a nossa geração tem agido de forma semelhante em relação à pregação sobre a vinda de Cristo? Você já percebeu que, hoje, dificilmente se prega sobre a volta de Cristo nas igrejas locais? Acredito que até mesmo muitos que cristãos dizem ser também tem sido indiferente com essa mensagem, como eram os descendentes de Sete, que mergulharam no mundo sórdido e distanciado de Deus (ler 2Pedro 3:3,4).

Os antediluvianos viveram como se Deus não existisse; eles comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até que veio o dilúvio e os levou a todos.  Assim será a vinda do Filho do Homem (Mt 24:37-39).

 

II. A CONSTRUÇÃO DA ARCA

1. A planta da Arca. Faze para ti uma arca da madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume. E desta maneira farás: de trezentos côvados o comprimento da arca, e de cinquenta côvados a sua largura, e de trinta côvados a sua altura. Farás na arca uma janela e de um côvado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-ás andares baixos, segundos e terceiros(Gn 6:14-16).

Noé recebeu de Deus diretrizes para a construção de uma nave flutuante bem proporcionada, que seria o veículo de escape. Segundo certos cálculos, a Arca teria 135m de comprimento, 22,50m de largura e 13,50m de altura, e corresponderia em tamanho a um transatlântico moderno. Constava de três pavimentos divididos em compartimentos e uma abertura de 45cm de altura em volta, localizada entre espaços de parede na parte superior; acredita-se que tinha a forma de um caixão alongado. Alguns estudiosos calculam que a arca teria capacidade para 7.000 espécies de animais.

A finalidade da Arca não era navegar, mas flutuar durante a grande inundação. Noé cumpriu a vontade de Deus e descansou na sua proteção e provisão. Ele confiou nas Suas promessas e no seu livramento. Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas horas de turbulências. Não devemos, pois, nos afligir. Deus está no controle de tudo. Assim como a Arca foi o instrumento da salvação, tendo Deus como seu piloto, a Igreja (Universal Assembleia dos Santos) foi eleita como instrumento da salvação, tendo Jesus como seu capitão. Todos aqueles que entrarem nela estão predestinados à vida eterna com Deus.

 

2. A construção da Arca. "Pela fé, Noé...preparou a arca" (Hb 11:7). Em resposta à misericórdia de Deus, Noé agiu consoante a tudo o que Deus lhe ordenara (Gn 6:22); isto é um ato de responsabilidade humana. Noé construiu a Arca para salvar a sua família, porém foi Deus quem fechou a porta da Arca. A soberania divina e a responsabilidade humana não se excluem. Antes, são complementares.

A Palavra de Deus foi a garantia única de que viria o dilúvio. Deve ter sido um projeto enorme e de longa duração construir a Arca e armazenar os alimentos necessários. Enquanto construía a nave, Noé pregava (2Pedro 2:5). Mas ninguém quis dar-lhe atenção. Sem dúvida alguma, Noé e seus filhos eram alvo de incessantes zombarias, porém não vacilaram em sua fé. Acentua-se sua completa obediência: "conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez" (Gn 6:22; 7:5).

Enquanto aguardamos a volta de Cristo, devemos proclamar o Evangelho e o fim de todas as coisas (1Pe 3:20). O Senhor Jesus não tarda. Sem a perspectiva da volta de Cristo, não há esperança para o crente, não há sentido em nossa vida espiritual, a nossa adoração a Deus perde a razão de ser. Não é, pois, por outro motivo, que o nosso adversário tem procurado, de todas as formas, retirar dos púlpitos as mensagens em torno deste assunto, como também levantado inúmeras seitas e heresias, cujo intento é, prioritariamente, alterar e distorcer verdades a respeito da doutrina das últimas coisas, visando, assim, estabelecer um ambiente de confusão, ceticismo e de desesperança entre os crentes.

 

III. O DILÚVIO (Gn 7:1-24)

Depois que a Arca ficou pronta, o Senhor apareceu a Noé outra vez e disse: “...Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de mim nesta geração(Gn 7:1). Noé foi elogiado por sua obediência, identificada pela palavra “justo”. O que Noé fez contou com a aprovação de Deus.

1. O Dilúvio. “E entrou Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus filhos com ele na arca, por causa das águas do dilúvio. Dos animais limpos, e dos animais que não são limpos, e das aves, e de todo o réptil sobre a terra, entraram de dois em dois para Noé na arca, macho e fêmea, como Deus ordenara a Noé. E aconteceu que, passados sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio. No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia, se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram, e houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites(Gn 7:7-12).

O juízo de Deus havia chegado e o Senhor fechou a Arca por fora (Gn 7:16). Isto significa que o período da graça de Deus havia terminado; isto nos fala de salvação e juízo. Noé ficou dentro, protegido, e os pecadores impenitentes foram expostos ao juízo.

O texto sagrado diz que “se romperam todas as fontes do grande abismo” (Gn 7:11). Parece indicar que se produziram terremotos e estes fizeram que subissem impetuosamente as águas subterrâneas enquanto caíam chuvas torrenciais. Pensa-se que a terra, ao fender-se, produziu alterações na sua superfície. Alguns creem que estes verdadeiros cataclismos tenham sido acompanhados de gigantescos maremotos que atravessaram os oceanos e continentes até que nada restou da civilização daquele tempo. Foi um juízo cabal contra o mundo pecaminoso.

 

Depois, Deus enviou um vento para fazer baixar as águas. Cinco meses após o começo do dilúvio, a Arca pousou sobre o monte Ararate, porém Noé não saiu em seguida porque obedientemente esperou até receber a permissão divina. Ele e sua família permaneceram na Arca aproximadamente um ano solar.

O propósito do Dilúvio era tanto destrutivo como construtivo. A linhagem da mulher corria o perigo de desaparecer completamente pela maldade. Por isso Deus exterminou a incorrigível raça velha para estabelecer uma nova. O dilúvio foi também o juízo contra uma geração que havia rejeitado totalmente a justiça e a verdade. Isto nos ensina que a paciência de Deus tem limite.

O mais profundo sofrimento da humanidade não ocorrerá por causa da explosão nuclear, mas devido aos vindouros juízos de Deus. As maiores catástrofes da história mundial foram consequência da obstinada persistência no pecado. O Dilúvio ocorreu porque "a terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência" (Gn 6:11) e Ele resolveu "dar cabo de toda carne" (Gn 6:13). Sodoma e Gomorra não desapareceram por causa de um desastre nuclear, mas devido aos pecados abomináveis cometidos nessas cidades, que foram julgadas conforme a vontade de Deus. Também no futuro, o maior perigo não virá de reatores nucleares, mas da potência explosiva do pecado.

2. Qual foi a extensão do dilúvio? Universal ou limitado à área do Oriente Médio? Veja o texto sagrado: E as águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu foram cobertos. Quinze côvados acima prevaleceram as águas; e os montes foram cobertos. E expirou toda carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado, e de feras, e de todo o réptil que se roja sobre a terra, e de todo homem. Tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em seus narizes, tudo o que havia no seco, morreu. Assim, foi desfeita toda substância que havia sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil e até à ave dos céus; e foram extintos da terra; e ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca. E prevaleceram as águas sobre a terra cento e cinquenta dias(Gn 7:19-24).

O texto sagrado diz que as águas cobriram as montanhas mais altas e destruíram toda a criatura (fora da Arca), sob os céus (Gn 7:19-23). Ora, Deus não precisaria ter ordenado a Noé que construísse uma Arca mais comprida que um campo de futebol e com capacidade para acomodar um enorme volume de carga (cerca de oitocentos vagões, segundo estudiosos) apenas para escapar de um dilúvio local. Se esse fosse o caso, Deus poderia ter levado a família de Noé (oito pessoas) e os animais para outro lugar. O monte Ararate tem 5.610 metros de altitude. Se considerarmos esse monte como referência, então o Dilúvio ultrapassou 6 metros acima dessa altura (Gn 7:19,20). Que milagre possibilitaria um dilúvio local nessas proporções?

Em Gênesis 9:15, Deus prometeu que nunca mais destruiria “toda carne” por meio de um dilúvio. Houve muitas inundações locais desde então, mas não dilúvios universais. Além disso, se o dilúvio ocorreu apenas naquela região, então Deus não cumpriu sua promessa, que é um absurdo, algo impossível de acontecer.

Pedro utiliza a destruição do mundo pelas águas como símbolo de uma destruição futura que virá em forma de fogo (2Pedro 3:7). Aqueles que creem em Cristo estão salvos, mas os que não creem estão perdidos (cf. 1Pe 3:21).

 

IV. O JUÍZO DE DEUS

 

Deus concedeu à perversa geração antediluviana um prazo de 120 anos para arrepen­der-se (Gn 6:3). Se não, retiraria dela o seu espírito. Todavia, não deram ouvidos à proclamação do juízo divino.

1. Um juízo universal. O Dilúvio foi o castigo divino universal sobre um mundo ímpio e impenitente. Deus havia se “arrependido” de ter criado a raça humana (Gn 6:3-6) e resolveu destruir tudo o que fez. Mas ao ver a fidelidade de Noé (Gn 6:9) resolveu fazer com ele uma aliança (Gn 6:18) para através de sua vida e da preservação de espécies restaurar toda a sua criação. Noé correspondeu ao pacto de Deus, crendo nele e na sua Palavra (Hb 11:7). Sua fé foi demonstrada quando ele “temeu” e quando construiu a Arca e entrou nela (Gn 6:22; 7:7; 1Pe 3:21). O dilúvio aconteceu e Deus salvou aqueles animais e a família de Noé, apenas oito pessoas, formando 4 casais que seriam uma família fiel a Deus.

O apóstolo Pedro refere-se ao dilúvio para relembrar a seus leitores que Deus outra vez julgará o mundo inteiro no fim dos tempos, mas agora por fogo (2Pe 3:10). Tal julgamento resultará no derramamento da ira de Deus sobre os ímpios, como nunca houve na história (Mt 24:21).

Deus conclama os crentes atuais, assim como Ele fez com Noé na antiguidade, para avisarem os não-salvos sobre esse dia terrível e instar com eles para que se arrependam dos seus pecados, e se voltem para Deus por meio de Cristo, e assim sejam salvos.

2. O juízo divino no Hades. Indubitavelmente, toda a geração antediluviana pereceu e foi lançada na região dos mortos, no Hades, onde aguarda a última ressurreição, a fim de comparecer ao Juízo Final (Ap 20:11-15). Eles sabem que isto acontecerá, pois o Senhor Jesus, no interstício entre a sua morte e ressurreição, esteve no Hades, onde lhes proclamou a eficácia da justiça divina. Pedro ensina que foi Cristo quem, por meio de Noé (que por sua vez era inspirado pelo Espírito Santo), pregou a mensagem aos antediluvianos (1Pe 3:18-20; 2Pe 2:5). Estes, contudo, a rejeitaram e foram condenados. “A geração de Noé recusou-se a ouvi-lo, mas viu-se obrigado a escutar o Senhor Jesus que, além de pregoeiro da Justiça, apresentava-se, agora, como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Sua pregação não era redentiva, mas vindicativa”.

 

V. PERGUNTAS INTRIGANTES

Estas perguntas foram extraídas do Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. Norman Geisler.

1. GÊNESIS 6:2 - Os "filhos de Deus" eram anjos que se casaram com mulheres?

- PROBLEMA: A expressão "filhos de Deus" no AT é empregada exclusivamente referindo-se a anjos (Jó 1:6; 2:1; 38:7). Entretanto, o NT nos informa que os anjos "nem casam, nem se dão em casamento" (Mt 22:30). Além disso, se os anjos se casassem com seres humanos, os filhos deles seriam meio humanos, meio anjos. Mas os anjos não podem ser redimidos (Hb 2:14-16; 2 Pe 2:4; Jd 6).

- SOLUÇÃO: Várias são as interpretações possíveis, no lugar de insistir em que anjos tenham coabitado com seres humanos.

 

Alguns eruditos bíblicos creem que a expressão "filhos de Deus" seja uma referência à linhagem piedosa de Sete (através da qual viria o redentor - Gn 4:26), que se entremeou com a linha ímpia de Caim. Eles alegam que: (a) isso se coaduna com o contexto imediato; (b) evita todo o problema decorrente da interpretação de que eram anjos; (c) está de acordo com o fato de que os seres humanos também são mencionados no AT como "filhos" de Deus (Is 43:6).

Outros estudiosos acreditam que "filhos de Deus" seja uma referência a grandes homens, a "varões de renome na antiguidade". Apontam para o fato de que o texto se refere a "gigantes" e "valentes" (Gn 6:4). Ainda, isso evita o problema de os anjos (espíritos) coabitarem com seres humanos.

Outros ainda combinam estas interpretações e especulam que os "filhos de Deus" eram anjos que "não guardaram o seu estado original" (Jd 6) e que na realidade possuíram seres humanos, levando-os a um cruzamento com "as filhas dos homens", produzindo assim uma raça superior, cuja semente foram os "gigantes" e os "varões de renome". Esta posição parece explicar todos os pontos, exceto o problema insuperável de os anjos, não tendo corpos (Hb 1:14) e sendo assexuados, coabitarem com seres humanos.

2. GÊNESIS 6:3 - Há aqui uma contradição com o que Moisés disse no Salmo 90, a respeito da duração da vida humana?

- PROBLEMA: O texto de Gênesis 6:3 parece indicar que a longevidade humana após o dilúvio seria de, no máximo, "cento e vinte anos". Contudo, no Salmo 90, Moisés a considerou ser de 70 ou 80 anos, no máximo (v. 10).

- SOLUÇÃO: Em primeiro lugar, não é de todo certo que Gênesis 6:3 esteja se referindo à longevidade humana. Pode ser que esteja falando de quantos anos ainda faltavam até que o dilúvio ocorresse.

Segundo, mesmo que de fato seja uma antevisão da duração da vida dos homens, isso não contradiz a posterior referência a 70 ou 80 anos, por duas razões: primeiro, o texto se refere a um período anterior, quando as pessoas ainda viviam mais tempo (o próprio Moisés viveu 120 anos, conforme Deuteronômio 34:7); segundo, os 70 ou 80 anos provavelmente não seriam um limite superior absoluto, mas simplesmente uma referência à média das idades das pessoas que morrem na velhice.

 

3. GÊNESIS 6:6 - Por que Deus estava insatisfeito com o que ele tinha feito?

- PROBLEMA: Em Gênesis 1:31, Deus estava plenamente satisfeito com o que acabara de fazer, declarando que tudo "era muito bom". Mas, em Gênesis 6:6, ele declara que "se arrependeu... de ter feito o homem na terra". Como estas duas afirmativas podem ser verdadeiras?

- SOLUÇÃO: Estes versículos se referem à humanidade em tempos diferentes e sob diferentes condições. O primeiro enfoca os seres humanos em seu estado original de criação. O segundo refere-se à humanidade depois da queda e logo antes do dilúvio. Deus se agradou com o que criou, mas não teve prazer algum com o que o pecado fez em sua perfeita criação.

4. GÊNESIS 6:14ss - Como é que na relativamente pequena arca de Noé couberam centenas de milhares de espécies?

 

- PROBLEMA: A Bíblia diz que a arca de Noé tinha apenas 137 metros de comprimento, por 23 de largura e 14 de altura (Gn 6:15). Noé recebeu a instrução de colocar nela um casal de cada espécie de animal imundo e sete casais de animais puros (6:19; 7:2). Mas os cientistas nos informam de que há de meio bilhão a um bilhão ou mais de espécies de animais.

- SOLUÇÃO: Primeiro, o conceito moderno de "espécie" não é o mesmo da Bíblia. No sentido bíblico, provavelmente sejam apenas algumas centenas de "espécies" diferentes de animais terrestres que teriam de ser levados para a arca. Os animais marinhos permaneceram no mar, e muitas outras espécies poderiam sobreviver na forma de ovos.

Segundo a arca não era assim tão pequena; ela tinha uma enorme estrutura - a dimensão de um moderno transatlântico. Além disso, ela tinha três andares (Gn 6:16), o que triplicava seu espaço a um total de 425.000 metros cúbicos!

Terceiro, Noé pode ter levado filhotes ou variedades menores de alguns dos animais de maior porte. Levando em conta todos esses fatores, havia espaço suficiente para todos os animais, para o alimento, para a viagem e para os oito seres humanos a bordo.

5. GÊNESIS 6:14ss - Como é que uma arca feita de madeira poderia resistir a um dilúvio tão violento?

- PROBLEMA: A arca tinha sido construída apenas de madeira, e levava uma pesada carga. Um dilúvio de âmbito mundial produz violentas correntezas, que teriam quebrado a arca totalmente (cf. Gn 7:4,11).

- SOLUÇÃO: Primeiro, a arca foi feita de um material resistente e flexível (cipreste, cf. Gn 6:14), uma madeira que "cede" sem se rachar. Segundo a carga pesada foi um ponto positivo, por lhe dar certa estabilidade. Terceiro, os arquitetos navais informam-nos de que a forma construtiva da arca, semelhante a uma caixa comprida, é uma forma que dá estabilidade e resistência a águas turbulentas. Na verdade, os transatlânticos modernos seguem basicamente as mesmas dimensões da arca de Noé ou têm medidas proporcionais às dela.

 

6. GÊNESIS 7:24 - O dilúvio teve a duração de quarenta ou de cento e cinquenta dias?

- PROBLEMA: Segundo Gênesis 7:24 (e 8:3), as águas do dilúvio permaneceram durante 150 dias. Mas outros versículos nos dizem que foram apenas quarenta dias de dilúvio (Gn 7:4,12,17). Qual é o correto?

- SOLUÇÃO: Estes números referem-se a coisas diferentes. Quarenta dias foi o tempo em que "houve copiosa chuva" (7:12), e 150 dias foi o tempo em que as águas do dilúvio "predominaram" (cf. 7:24).

Ao fim dos 150 dias, "as águas iam-se escoando" (8:3). Não foi senão após o quinto mês depois do início da chuva que a arca repousou no monte Ararate (8:4). Então, onze meses depois do início das chuvas, as águas secaram-se (7:11; 8:13). E exatamente um ano e dez dias depois do início do dilúvio, Noé e sua família saíram da arca e pisaram em solo seco (Gn 7:11; 8:14).

 

7. GÊNESIS 8:1 - Deus esqueceu-se temporariamente de Noé?

 

- PROBLEMA: O fato de o texto dizer que "Lembrou-se Deus de Noé" parece implicar que o Senhor se esqueceu de Noé temporariamente. Contudo, a Bíblia declara que Deus sabe todas as coisas (SI 139:2-4; Jr 17:10; Hb 4:13) e que nunca se esquece de seus santos (Is 49:15). Como então pôde ele temporariamente esquecer-se de Noé?

- SOLUÇÃO: Em sua onisciência, Deus sempre esteve consciente de que Noé estava na arca. Entretanto, depois de Noé ter permanecido nela por mais de um ano, como se tivesse sido esquecido, Deus deu um sinal de sua lembrança e fez com que Noé e sua família saíssem da arca. Mas, Deus nunca se esqueceu de Noé, já que o Senhor mesmo foi quem o notificou, no início, para salvar a si e à espécie humana (cf. Gn 6:8-13). Com frequência, nós mesmos usamos uma expressão semelhante, quando dizemos que nos "lembramos" de alguém no seu dia de aniversário, mesmo que nunca tenhamos nos esquecidos da existência de tal pessoa.

8. GÊNESIS 8:21 - Deus mudou de ideia quanto a nunca mais destruir o mundo de novo?

- PROBLEMA: De acordo com este versículo, depois do dilúvio, Deus prometeu:"... nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz". Entretanto, Pedro prediz que haverá um dia em que "os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas" (2Pe 3:10).

- SOLUÇÃO: Depois do dilúvio, Deus somente prometeu nunca mais destruir o mundo da mesma maneira como Ele tinha feito (Gn 9:11), ou seja, com água. O arco-íris é um símbolo perpétuo dessa promessa. A segunda destruição do mundo será com fogo, e não com água. O que vai acontecer é que "os elementos se desfarão abrasados" (2Pe 3:10). Mesmo assim, naquele dia Deus não vai destruir todos os seres viventes. Os homens serão salvos em seus corpos físicos ressurretos e imperecíveis (1Co 15:42).

 

CONCLUSÃO

Depois desse terrível julgamento, no qual Noé e sua família foram poupados, teve início uma época muito diferente daquela que tinha existido antes do dilúvio. O dilúvio como a Escritura registra foi um evento único na história (Gn 8.21ss.), e terá seu paralelo somente na conflagração mundial dos últimos dias (cf. 2Pe 3:5-10). Esse dilúvio é como um batismo que condena o mundo e resgata os crentes (1Pe 3.19,20).

 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

OS DEZ MANDAMENTOS A LEI E A GRAÇA

 


OS DEZ MANDAMENTOS A LEI E A GRAÇA

 

Leitura Bíblica: Êxodo 20:1-5,7-10,12-17

“Porque o fim da Lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10:4)

Os Dez Mandamentos (ou o Decálogo), registrados principalmente em Êxodo 20, representam o resumo da lei moral de Deus dada ao povo de Israel através de Moisés no Monte Sinai. Eles foram escritos pelo próprio dedo de Deus em tábuas de pedra, servindo como a base da aliança entre Ele e seu povo.

A Estrutura dos Mandamentos

O Decálogo pode ser dividido em duas grandes categorias, conforme apontado pelo próprio Jesus (Mateus 22:37-40): o amor a Deus (os primeiros quatro mandamentos) e o amor ao próximo (os seis seguintes).

  • 1º Mandamento: "Não terás outros deuses diante de mim." (Êxodo 20:3) — Exclusividade na adoração ao Deus verdadeiro.
  • 2º Mandamento: "Não farás para ti imagem de escultura..." (Êxodo 20:4) — Proibição da idolatria e de cultuar a Deus através de representações materiais.
  • 3º Mandamento: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão..." (Êxodo 20:7) — Respeto absoluto à santidade, ao caráter e ao nome de Deus.
  • 4º Mandamento: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar." (Êxodo 20:8) — O estabelecimento de um tempo separado para o descanso e adoração comunitária.
  • 5º Mandamento: "Honra a teu pai e a tua mãe..." (Êxodo 20:12) — A base da estrutura familiar e social (o único mandamento com promessa de longevidade).
  • 6º Mandamento: "Não matarás." (Êxodo 20:13) — A proteção da vida humana, considerada sagrada por ter sido criada à imagem de Deus.
  • 7º Mandamento: "Não adulterarás." (Êxodo 20:14) — A preservação da santidade do matrimônio e da fidelidade conjugal.
  • 8º Mandamento: "Não furtarás." (Êxodo 20:15) — O respeito à propriedade alheia e à justiça econômica.
  • 9º Mandamento: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo." (Êxodo 20:16) — O compromisso com a verdade, a integridade e a justiça nos tribunais e relações.
  • 10º Mandamento: "Não cobiçarás..." (Êxodo 20:17) — O mandamento que vai ao íntimo do coração, combatendo a inveja e o desejo desordenado pelo que pertence ao outro.

O Propósito da Lei e Cristo

Como bem destaca o versículo de Romanos 10:4 “Porque o fim da Lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” —, a Lei nunca teve como objetivo principal ser um meio de salvação pelas próprias obras, pois a humanidade é incapaz de cumpri-la perfeitamente.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos dos dez Mandamentos; analisaremos a sua importância para o povo de Israel e os princípios que Deus espera que sigamos em sua Lei.

Três meses depois da saída do Egito, Deus conduziu os hebreus pelo deserto até o Monte Sinai, onde ficaram acampados (Êx 19:1,2). Ali, Israel se tornou uma nação eleita e santa ao entrar em um relacionamento de aliança com Deus (Êx 19:3-8). A eleição divina de Israel colocou essa nação em uma posição especialmente privilegiada no mundo. Neste pacto entre o “EU SOU” (Êx 3:14,15; 20:2) e os israelitas, o Senhor fez questão de relatar Sua atuação na libertação que tirou o povo do cruel cativeiro. Para gravar na mente hebraica a importância do pacto da lei, Deus se apresentou em forma de nuvem, figura que Israel não poderia reproduzir.

No Monte Sinai, o Senhor declarou, em particular, a Moisés, a quem chamou à Sua presença, as orientações preparatórias para a entrega da Lei (Êx 19:3-6). Ali, o Senhor proferiu os Dez Mandamentos (Decálogo) que se constituíram nos estatutos perpétuos para serem obedecidos (Êx 20:6; 24:12). Tais ordenanças revelam os princípios espirituais e relacionais de Deus ao Seu povo, bem como Sua natureza santa, os quais os homens devem observar como parâmetro de conduta (Dt 33:3).

Deus espera duas atitudes em relação às Suas ordenanças: que possamos ouvir e obedecer (Dt 11:26,27). Desse modo, tornamo-nos Sua propriedade peculiar, seu reino sacerdotal e Seu povo santo (Êx 19:5,6).

 


I. OS PROPÓSITOS DA LEI

1. O Decálogo (Êx 20:3-17). O Decálogo é muito mais do que um código ritual ou cerimonial. No sentido espiritual, ele revela, prioritariamente, o caráter do Deus do pacto, inspirando os homens ao temor e à reverência. Além disso, no sentido moral, o Decálogo confronta o pecado e impulsiona o homem ao comportamento que conduz à vida.

a) Seu significado. No original hebraico, “Decálogo” significa, literalmente, “dez palavras”. Segundo Leo G. Cox, “estes dizeres não foram copiados do Egito ou de outras palavras, como alguns suspeitam. As declarações do monte Sinai são nobres e inteiramente diferentes de qualquer coisa encontrada em todo o conjunto da literatura egípcia”. Deus deu estas “palavras” não como meio de salvação, porque este povo já estava salvo do Egito, mas como norma de conduta. Levando em conta que a obediência era uma cláusula para a continuação do concerto (Ex 19:5), estas “palavras” se tronaram a base de perseverança na qualidade de povo de Deus. Paulo deixou claro que a observância da lei não é meio de salvação pessoal, pois a justificação é pela fé em Cristo (Gl 2:16). A lei conduz a Cristo, mas não salva (Gl 3:24).

b) Seu aspecto relacional. Deus fez escrever o Decálogo em duas tábuas de pedra. Foram guardadas dentro da arca durante séculos. Portanto, deu-se ao tabernáculo o nome de "tenda do testemunho" para lembrar aos israelitas que dentro da arca estava a lei e que deviam viver de acordo com ela. Os primeiros quatro mandamentos compõem a primeira tábua do Decálogo e mostram a relação apropriada do homem com Deus. Têm seu cumprimento no primeiro grande mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt 22:37). Os últimos mandamentos têm que ver com as relações dos homens entre si e cumprem-se no amor ao próximo como a si mesmo. Somente os que amam a Deus podem em verdade amar a seu próximo.

c) Sua divisão. Segundo Leo G. Cox, “a divisão do Decálogo é entendida de modos variados. Segundo Agostinho, a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Luterana consideram Êx 20:2-6 o primeiro mandamento e dividem o versículo 17, que trata da cobiça, em dois mandamentos. O judaísmo hodierno reputa que o versículo 2 ordena a crença em Deus e é o primeiro mandamento; e combina os versículos 3 a 6 no segundo mandamento. A divisão aceita nos primórdios da igreja torna o versículo 3 o primeiro mandamento e os versículos 4 a 6 o segundo. Esta posição foi apoiada por unanimidade pela igreja primitiva, e é mantida hoje pela Igreja Ortodoxa Oriental e pela maioria das igrejas protestantes”.

d) O Decálogo é, também, para os cristãos? Sim. Os Mandamentos revelam Deus como uma Pessoa profundamente moral e amável. Como poderíamos nós, que O assumimos como Pai, não tentarmos ser como Ele? Os Dez Mandamentos apontam o caminho; também fornecem uma visão de uma sociedade justa e moral. Em Cristo, somos libertos para expressar a realidade da salvação que recebemos como uma oferta gratuita. E uma maneira pela qual podemos demonstrar nossa salvação é ter uma vida de completa harmonia com os padrões revelados por Deus nos Dez Mandamentos apresentados no Monte Sinai (cf. Rm 8:3,4).

2. Objetivos do Concerto divino. Os objetivos de Deus com a Lei foram, inicialmente:

a) Providenciar um padrão de justiça que pudesse ser alcançado. As leis de Deus eram demonstração de sua justiça por meio de símbolos e forneciam uma disciplina pela qual os israelitas poderiam ser conformados à santidade de Deus. Inicialmente, a lei foi dada ao povo de Israel, mas, de forma atemporal, os princípios norteadores da lei são eternos e contemplam a todos nós. Segundo Alexandre Coelho, “esses princípios são expostos em regras, ou seja, quando Deus desejou proteger o fruto do trabalho dos israelitas, ordenou que não se furtasse. Os princípios desse mandamento são a proteção da propriedade e a valorização do trabalho, e eles são expostos na regra ‘não furtarás’. Portanto, os princípios estão no topo, e as regras, na base. Regras podem variar com o passar do tempo, como o local e o povo, mas os princípios não” (Dt 4:8; Rm 7:12). Portanto, as leis sociais e cerimoniais mudam, mas as relações fundamentais entre Deus e o homem, e entre os homens, conforme exaradas no Decálogo, são eternas.

b) A lei de Deus também mostra o pecado do homem. Segundo Alexandre Coelho, “ela não faz do homem um pecador, mas mostra o quanto ele é inclinado a desobedecer às regras e princípios que Deus determinou. Paulo comenta isso em Romanos 5:20: Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse’, isto é, fosse devidamente conhecida. ‘Pela lei vem o conhecimento do pecado’ (Rm 3:20), ou seja, o conhecimento pleno dele. ‘Mas eu não conheci o pecado, senão pela lei’ (Rm 7:7). Ou seja, Paulo deixa claro que a lei traz o conhecimento de nossos pecados. Ela não os cria, mas os denuncia”.

c) A lei mostra ainda a santidade de Deus. Segundo Alexandre Coelho, “Deus é santo, e não pode tolerar o pecado. A lei mostra que o padrão de Deus para uma vida justa deve ser buscado pelo homem. Com o passar do tempo, percebe-se que essa busca pela justiça não poderia ser alcançada sem a ajuda de um Salvador, a quem Deus enviou ao mundo, seu Filho Jesus Cristo. Apenas por Ele podemos nos aproximar da santidade de Deus e buscá-la para um viver santo neste mundo decaído”.

 

II. OS DEZ MANDAMENTOS (Êx 20:1-17)


A) DEVERES PARA COM DEUS

1. O primeiro mandamento – Êx 20:3“Não terás outros deuses diante de mim”. O versículo 2 é a introdução deste mandamento – Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”. Neste, mostra quem tirou Israel da servidão egípcia: O SENHOR. Visto que Ele os libertara e provara que era supremo, Ele exigia absoluta prioridade a Ele: não terás outros deuses diante de mim”. Deus proíbe o politeísmo que caracterizava todas as religiões do antigo Oriente Próximo. Israel não devia adorar, nem invocar nenhum dos deuses doutras nações. Deus lhe ordenou a temer e a servir somente a Ele (Dt 32:29; Js 24:14,15).

Para nós cristãos, este mandamento importa pelo menos três princípios:

a) A nossa adoração deve ser dirigida exclusivamente a Deus. Não deve haver jamais adoração ou oração a quaisquer “outros deuses”, espíritos ou pessoas falecidas, nem se permite buscar orientação e ajuda da parte deles (Lv 17:7; Dt 6:4; 1Co 10:19,20).

b) Devemos plenamente nos consagrar a Deus. Somente Deus, mediante sua vontade revelada e Palavra inspirada, pode guiar a nossa vida (Mt 4:4).

c) Nós cristãos devemos ter como propósito na vida, buscar a amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todas as nossas forças, confiando nEle para nos conceder aquilo que é bom para a nossa vida (Mt 6:33; Fp 3:8; Cl 3:5).

2. O segundo mandamento – Êx 20:4-6 – “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”.

O primeiro mandamento de Deus no Sinai foi “não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20:3). E o segundo mandamento foi não fazer imagens de escultura e nem se encurvar a elas (Êx 20:4-6).

Segundo Leo G. Cox, “os versículos 4 e 5 devem ser considerados juntos. Não há condenação para confecção de imagens, contanto que não se tornem objetos de veneração. No Tabernáculo (Êx 25:31-34) e no primeiro Templo (1Rs 6:18,29) havia obras esculpidas. A idolatria consiste em transformar uma imagem em objeto de adoração e atribuir a ela poderes do deus que representa. Se considerarmos que gravuras ou imagens de pessoas possuam poderes divinos e que sejam adorados, então elas se tornam ídolos. Há formas de criaturas nos céus (anjos), na terra (animais, seres humanos) e nas águas (peixes e baleias), e nenhuma dessas formas poderia jamais representar Deus. Tentar reduzir Deus a uma figura conhecida era o mesmo que reduzir sua glória. Deus apresentou os motivos para esta proibição: ‘Ele é Deus zeloso’, no sentido de que não permite que o respeito e a reverência devidos a Ele sejam dados a outrem”. Está escrito: Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de esculturas(Is 42:8).

Observação: As palavras “porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (Êx 20:5) devem ser interpretadas à luz do caráter de Deus e de outras Escrituras. Deus é zeloso no sentido de ser exclusivista, não tolerando que seu povo preste culto a outros deuses. Como um marido que ama a sua esposa não permite que ela reparta seu amor com outros homens, Deus não tolera nenhum rival.

Deus não castiga os filhos pelos pecados de seus pais senão nos casos em que os filhos continuem nos pecados dos pais. Castiga os que o "aborrecem" e não os arrependidos. "A alma que pecar, essa morrerá"; "o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho" (Ezequiel 18:20). Em vez disso, a maldade passa de geração a geração pela influência dos pais e quando chega a seu ponto culminante, Deus traz castigo sobre os pecadores” (Gn 15:16; 2Reis 17:6-23; Mt 23:32-36) (Hoff, Paul. O Pentateuco. Ed. Vida).

3. O terceiro Mandamento – Êx 20:7 – “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”. A proibição de usar o nome de Deus “em vão” ocorre em função de ele estar intimamente ligado ao caráter divino (Êx 3:15; Lv 22:32). Assim, por causa da natureza santa do nome do Senhor, o mesmo deve ser reverenciado, invocado, louvado e bendito (Mt 6:9). Tomar o nome do Senhor “em vão” inclui o fazer uma falsa promessa usando esse nome (Lv 19:12; cf. Mt 5:33-37), pronunciá-lo de modo hipócrita ou leviano, ou amaldiçoar e blasfemar envolvendo esse nome (Lv 24:10-16). O nome de Deus deve ser santificado, honrado e respeitado por ser profundamente sagrado, e deve ser usado somente de maneira santa (ver Mt 6:9).

Era comum o uso de palavras mágicas em encantamentos no mundo antigo. Um exemplo bíblico ocorre em Atos 19:13-16, onde lemos sobre a tentativa pecaminosa de invocar o nome do Senhor Jesus, por magos que usavam o nome do Salvador como uma forma de encantamento.

4. O quarto mandamento – Êx 20:8-11Lembra-te do dia do sábado, para o santificar”. O sábado (mencionado pela primeira vez em Gênesis 2:1-3 e depois juntamente com o relato do maná em Êxodo 16) agora é formalmente instituído como lei à nação de Israel. Esse dia era um símbolo do descanso que os cristãos hoje desfrutam em Cristo e também da redenção que a criação desfrutará no milênio. O sábado judaico (hb. Shabbath – “cessar, interromper”), o sétimo dia da semana, começa ao pôr-do-sol da sexta-feira e termina ao pôr-do-sol do sábado. Nenhuma passagem do Novo Testamento ordena os cristãos a observar o sábado.

Conquanto o cristão não esteja mais obrigado a observar o sábado judaico, ele tem fortes razões bíblicas para dedicar um dia, em sete, para seu repouso e adoração a Deus:

a) O princípio de um dia sagrado de repouso foi instituído antes da lei judaica - E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou (Gn 2:3). Isto indica que o propósito divino é que um dia, em sete, fosse uma fonte de benção para toda a humanidade e não apenas para a nação judaica.

b) O propósito espiritual de um dia de descanso em sete é benefício ao cristão. No Novo Testamento esse dia era visto como uma cessação de labor e ao mesmo tempo um dia dedicado a Deus; um período para se conhecer melhor a Deus e adorá-lo; uma oportunidade para dedicar-se em casa e em público às coisas de Deus (Nm 28:9; Lv 24:8).

c) Jesus nunca ab-rogou o princípio de um dia de descanso para o homem. O que Ele reprovou foi o abuso dos líderes judaicos quanto à guarda do sábado (Mt 12:1-8; Lc 13:10-17; 14:1-6).

d) Jesus indica que o dia de descanso semanal foi dado por Deus para o bem-estar espiritual e físico do homem (Mc 2:27).

e) Nos tempos do Novo Testamento os cristãos dedicavam um dia especial, o primeiro dia da semana, para adorar a Deus e comemorar a ressurreição de Cristo (At 20:7; 1Co 16:2; Ap 1:10).

B) DEVERES PARA COM O PRÓXIMO


Os últimos seis mandamentos tratam dos relacionamentos humanos e estabelecem normas de convivência de suprema importância para a sociedade.

5. O quinto mandamento – Êx 20:12Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”. Segundo Leo G. Cox, este é o primeiro mandamento em relação aos homens e rege o primeiro relacionamento que a pessoa tem com outrem: a relação dos filhos com os pais. Este mandamento é tão básico que é amplamente universal. A maioria das sociedades reconhece a importância de filhos obedientes. A melhor exegese deste versículo é a exortação de Paulo encontrada em Efésios 6:1-3, onde ele destaca as responsabilidades de pais e filhos.

Com este mandamento ocorre uma promessa. Quem honra os pais tem a garantia de vida longa. O propósito desta promessa visava a nação em sua permanência no território prometido (Israel) e o indivíduo que obedece. A promessa ainda vigora: a nação cujos filhos são obedientes permanece sob a benção de Deus, e os indivíduos obedientes aos pais têm a promessa de vida mais longa. Haverá exceções a esta regra, mas aqui destacamos sua aplicação geral.

6. O sexto mandamento – Êx 20:13 – refere-se ao respeito e à preservação da vida humana: não matarás”. Este mandamento proíbe o homicídio, o qual insulta a Deus, o doador da vida (Gn 9:6). A existência do homem é a Sua mais importante possessão. Por isso, o Senhor expressa Seu desejo de que ela seja honrada, respeitada e preservada.

7. O sétimo mandamento – Êx 20:14 – “Não adulterarás”. Esta ordenança protege a família de sua desintegração, pois o adultério viola a santidade do matrimônio enquanto instituição criada por Deus (Hb 13:4). O Mandamento abrange o comportamento de ambos os cônjuges (Lv 20:10), muito embora a comunidade judaica, no tempo de Jesus, pareça inclinada a aplicá-la apenas às mulheres (João 8:1-11).

A concepção em vigor atualmente afirma haver exceções a esta regra; mas, isso não tem justificativa bíblica. Jesus deixou claro que o adultério está no coração e ocorre antes do ato (Mt 5:28).

Este Mandamento condena todas as relações sexuais que acontecem fora do laço matrimonial. Também infere a proibição de atos que precedem e conduzem ao ato sexual.

8. O oitavo mandamento – Êx 20:15Não furtarás”. Este Mandamento refere-se a qualquer ato que despoje outra pessoa de algo que lhe pertença. Ensina o respeito à propriedade particular. Infelizmente, esse mandamento tem sido desonrado por uma sociedade desonesta e fraudulenta. O amor ao dinheiro é o pecado básico condenado por este mandamento.

Dentre os exemplos de atitudes pecaminosas que quebram este mandamento, temos: subornos e prática de corrupção; comércio de produtos adulterados; roubo de propriedade intelectual; desídia no emprego; retenção do salário dos empregados; cobrança majorada ou indevida de valores na prestação de serviços; cobrança de juros abusivos; falta de pagamento das dívidas.

9. O nono mandamento – Êx 20:16 – “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”. Este Mandamento proíbe manchar a reputação de outra pessoa com declarações falsas que podem levá-la a receber punição ou até mesmo a morte. Ensina a respeitar a reputação dos outros.

Este Mandamento focaliza tanto o indivíduo como o sistema judicial, pois de acordo com as antigas leis de Israel, uma pessoa era considerada culpada ou inocente com base na declaração de uma testemunha fidedigna (Dt 17:6). O falso testemunho arruinava gradativamente a justiça.

Portanto, seja no tribunal ou em outro lugar, nossa palavra sempre deve ser verdadeira. Não devemos divulgar um relato até que verifiquemos sua veracidade. A repetição da fofoca é imoral; antes de falar devemos averiguar a correção do que dizemos.

10. O décimo mandamento – Êx 20:17 - Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo”.

Cobiçar é desejar ter o que o outro possui. Vai muito além de simplesmente admirar o bem de outra pessoa ou pensar: eu gostaria de ter uma destes”. A cobiça inclui a inveja, que é ressentir-se do fato de outros terem o que você não tem; é possuir uma vontade incontrolável, excessiva e egoísta de apoderar-se do bem de outrem, sendo, portanto, a raiz da quebra dos demais mandamentos (Rm 7:7,8). Assim, a aliança com Deus nos convida a tratar os outros e seus bens com amor e cuidado (1Co 12:25).

CONCLUSÃO

Conquanto o Decálogo tenha sido destinado, originalmente, ao povo de Israel, ele é perfeitamente aplicável à atualidade, pois estabelece a perfeita plataforma moral para a vida social de qualquer nação civilizada.

Em relação a Deus, somos instruídos a jamais permitir que nada, além dEle, ocupe o Seu lugar central em nossa vida. Portanto, cristãos autênticos não adoram e nem reverenciam imagens de criaturas que são consideradas “santas”.

Em memorial da criação, separamos um tempo (Cl 2:16,17), à parte de nossa jornada semanal de trabalho, para honrar, servir a Deus e viver para o louvor do Seu santo nome.

Em relação aos nossos semelhantes, somos orientados a valorizar a família, preservando e honrando nossos pais e a santidade do casamento. Além disso, obedecemos à orientação divina por meio de uma vida honesta, verdadeira e pura.

Jesus Cristo, em toda a Sua sabedoria, resumiu os mandamentos em duas atitudes: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mc 12:29-31). Estamos atentos a essa verdade? Que o Senhor permita-nos viver de modo a honrar o Seu nome e a Sua criação.

 

Postagens

DEUS E A SALVAÇÃO DA FAMILIA DE NOÉ

DEUS E A SALVAÇÃO DA FAMILIA DE NOÉ   Texto Bíblico: Gênesis 7:1-12 “Pela fé, Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se via...

Postagens Mais Visitadas