sexta-feira, 6 de novembro de 2026

A RESTAURAÇÃO NO VALE DE OSSOS SECOS

 

A RESTAURAÇÃO NO VALE DE OSSOS SECOS

Texto Bíblicos: Ezequiel 37.1-14

“Veio sobre mim a mão do SENHOR; e o SENHOR me levou em espírito, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale e estavam sequíssimos”.

O Cenário do Vale e o Diagnóstico Divino

O relato inicia-se com o profeta Ezequiel sendo conduzido pelo Espírito do Senhor até o meio de um vale extensamente coberto por restos mortais.

Ao ser levado a caminhar ao redor daquele cenário, o profeta observa duas características marcantes:

  • A quantidade: Os ossos eram extremamente numerosos, cobrindo toda a extensão do vale.
  • A condição: Eles estavam totalmente ressecados, evidenciando que a morte havia ocorrido há muito tempo e que qualquer vestígio de vida biológica ou esperança humana havia se extinto por completo.

Deus questiona o profeta sobre a possibilidade de haver vida naquela estrutura desolada. Ao responder que apenas o Senhor o sabia, Ezequiel reconhece a limitação humana e submete o impossível à soberania divina.

As Duas Etapas da Restauração Profética

A reconstrução descrita no texto não ocorre de maneira instantânea, mas segue uma sequência ordenada em duas fases distintas:

1. A Reorganização da Estrutura Física

Ordenado a profetizar sobre os ossos secos, Ezequiel proclama a promessa de reconstituição. Conforme a palavra é anunciada, ouve-se um ruído e um grande estrondo:

  • Os ossos começam a se juntar, cada um ao seu respectivo lugar.
  • Tendões e carne surgem sobre a ossada.
  • A pele os cobre completamente por cima.

Nesta primeira fase, a estrutura física é perfeitamente restaurada e organizada, porém os corpos permanecem inanimados.

2. A Vivificação pelo Sopro (Ruach)

Em seguida, o profeta recebe a ordem de profetizar ao vento (ou espírito/sopro), convocando-o dos quatro ventos para soprar sobre aqueles mortos.

  • Ao profetizar como lhe fora ordenado, o fôlego entra nos corpos.
  • Todos ganham vida e se colocam em pé, formando um exército numeroso e extraordinário.

Significado e Interpretação do Relato

A própria passagem traz a explicação do significado da visão nos versículos 11 a 14:

  • A Condição de Israel: O vale de ossos secos representava a casa de Israel no exílio babilônico, desesperançada e sentindo-se totalmente "cortada" e consumida pela perda de sua terra, do templo e de sua identidade nacional.
  • A Promessa de Retorno: A abertura das sepulturas e o erguimento dos corpos simbolizam a restauração nacional e espiritual. Deus promete trazer o povo de volta à sua própria terra e habitar neles através do Seu Espírito.
  • A Revelação da Soberania: O propósito final da restauração é pedagógico e espiritual: demonstrar ao povo que o Senhor é quem fala e cumpre Suas promessas.

INTRODUÇÃO

Neste Estudo falaremos da “restauração nacional e espiritual de Israel”, à luz do capítulo 37 do Livro de Ezequiel, que trata do vale de ossos secos. O vale de ossos secos é uma mensagem de esperança. Em uma visão, Deus levou o profeta Ezequiel para um vale cheio de ossos humanos. Os ossos tinham estado lá há muito tempo e estavam muito secos. Deus perguntou a Ezequiel se os ossos poderiam voltar a ter vida, mas Ezequiel não sabia a resposta (Ez.37:2,3). Cremos que a Igreja, no aspecto espiritual, sucedeu a Israel durante a presente era da Igreja, entretanto, Deus tem uma época futura em que Ele restaurará o Israel em sua completude para a administração de bênçãos divina ao mundo. Jeremias declara que Israel jamais deixará “de ser uma nação” (Jr.31:35-37), e a linguagem metafórica do vale de ossos secos contempla uma restauração completa – política e espiritual. O retorno de Israel aos termos originais de sua Terra Prometida e sua independência em 16 de maio de 1948 é um forte indício do cumprimento da profecia de Ezequiel. A Oliveira já está frondosa, só falta agora dá seus frutos. Paulo, em apenas um sermão, refere-se três vezes a Israel como uma entidade ininterrupta (Atos 13:17,23,24). Portanto, a falaciosa teologia da substituição – que ensina que a igreja substituiu Israel - não tem nenhuma sustentação bíblica.

I. SOBRE O SIGNIFICADO DO VALE DE OSSOS SECOS

1. Os ossos secos (Ez.37:1,2)

“Veio sobre mim a mão do SENHOR; e o SENHOR me levou em espírito, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale e estavam sequíssimos”.

Veja que neste texto Ezequiel tem uma visão dos ossos secos de Israel e Judá em um vale. Ezequiel recebe ordem de profetizar a esses ossos para que voltem à vida; é uma visão profética que anuncia, de antemão, a restauração nacional de Israel depois de muitos séculos de dispersão entre nações, seguida pela restauração espiritual. Com realismo e força dramática, o profeta apresenta, por meio de uma imagem espantosa, a notícia animadora de que Israel poderia ter esperança de viver. O reavivamento era possível, a despeito da lógica humana pregar que isto seria impossível. Porém, Deus para realizar sua obra não precisa da lógica humana. Até mesmo ossos secos, desprovidos de tendões, carne e sangue, podem voltar à existência pelo poder do Espírito de Deus vivificador. A mesma verdade maravilhosa ainda é necessária em um mundo no qual há ossos secos por toda parte. Precisamos que o Espírito Santo venha com seu poder vivificador para realizar um reavivamento genuíno em toda a terra.

2. O Significado

“Veio sobre mim a mão do SENHOR; e o SENHOR me levou em espírito, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale e estavam sequíssimos”.

Nas palavras do pr. Esequias Soares, em seu livro” A justiça divina: preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel”, há muitas especulações sobre o local do vale e a procedência dos ossos, isso partindo do princípio de que se trata de um local geográfico. A linguagem, às vezes, pode parecer uma presença física no vale, in corpore, isto é, no corpo, como a expressão “me fez andar ao redor deles”, ou seja, dos ossos. Ezequiel via em sua visão na superfície do vale uma grande quantidade de ossos, que eram muito numerosos e sequíssimos. Isto revela que essa ossada humana tinha estado ali durante muitos anos, ou talvez séculos; do contrário, esses ossos não estariam “sequíssimos”.

É verdade que Moisés anunciou a possibilidade de Israel experimentar o castigo “post mortem” como forma de execrar a memória dos que violassem o concerto do Sinai (Dt.28:36). Jeremias anunciou o castigo em razão dos cadáveres que não foram sepultados, mas lançados num vale, de modo que os animais e as aves de rapina se alimentariam deles (Jr.7:33; 34:20). Mas os livros históricos do Antigo Testamento não registram nenhuma cena semelhante, um vale com tão grande número de ossos, exceto o lugar que o rei Josias encheu “com ossos humanos” em Jerusalém (2Rs.23:14). O importante é saber o significado dessa visão; se foi uma experiência física ou visionária é de menos importância. Israel estava destroçado no exilio, e as esperanças se esvaíram completamente da alma do povo com a destruição de Jerusalém e do templo (Ez.33:21,22). Esse vale era o retrato desse contexto, uma vez que os judeus se viam como ossos secos (Ez.37:11).

3. As promessas de Deus

O mesmo Deus que expulsou o seu povo da Terra Prometida prometeu que o restauraria ao seu status quo, de forma plena – restauração nacional e espiritual. Há várias promessas a esse respeito, além de Ezequiel capítulo 37. Senão vejamos:

“Portanto, eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que nunca mais dirão: Vive o SENHOR, que fez subir os filhos de Israel da terra do Egito; Mas: Vive o SENHOR, que fez subir, e que trouxe a geração da casa de Israel da terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha arrojado; e habitarão na sua terra” (Jr.23:7,8).

“Porque eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que farei voltar do cativeiro o meu povo Israel, e de Judá, diz o SENHOR; e tornarei a trazê-los à terra que dei a seus pais, e a possuirão” (Jr.30:2,3).

“Eis que saiu com indignação a tempestade do SENHOR; e uma tempestade penosa cairá cruelmente sobre a cabeça dos ímpios. Não se desviará a ira do SENHOR, até que execute e cumpra os desígnios do seu coração; nos últimos dias entendereis isso claramente” (Jr.23:19,20).

“Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, e anunciai nas terras longínquas do mar, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará, como o pastor, ao seu rebanho. Há esperança para o teu futuro, diz o Senhor, porque teus filhos voltarão para os seus territórios” (Jr.31:10,17).

“Pois eu os tirarei das nações, os ajuntarei do meio de todas as terras e os trarei de volta para a sua própria terra. Vocês habitarão na terra que dei aos seus antepassados; vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus” (Ez.36:24,28).

São promessas de esperança e livramento, e constituem um ponto luminoso em meio a um juízo implacável de Deus por causa dos pecados do povo. Com expressões afetuosas o Senhor prometeu restaurar Judá e Israel (dez tribos do Norte); o povo regressará ao seu território vindo do mundo inteiro, cheio de cânticos de júbilo, em vez de pranto. Claro que a completude dessa promessa se dará após o retorno de Jesus, no final da Grande Tribulação, e quando Israel se arrepender, e Deus perdoá-lo. Arrependido, Israel regressará por estradas sinalizadas por “marcos” e “postes”; assim, seus dias de infidelidade terão terminado, pois o Senhor realizou “coisa nova” (Jr.31:21,22). Será nesse tempo que Deus dará a eles um coração novo e porá neles um espírito novo; tirará deles o coração de pedra e lhes dará um coração de carne; porá neles o Espírito Santo e os levará a agirem segundo os decretos do Senhor e a obedecerem fielmente às Suas leis” (cf.Ez.36:26,27).

II. SOBRE A DISPERSÃO DOS JUDEUS ENTRE AS NAÇÕES


1. As diásporas de Israel e Judá

Diáspora judaica refere-se à dispersão dos judeus pelo mundo, e a formação das comunidades judaicas fora da Terra Prometida, por consequência disso. De acordo com a Bíblia, a Diáspora judaica foi consequência da idolatria e rebeldia do povo de Israel e Judá contra Deus, o que fez com que Ele os tirasse da terra que lhes prometera e os dispersasse pelo mundo até que o povo de Israel retornasse à obediência a Deus, onde seriam restaurados como uma nação soberana e senhora do mundo. Está escrito: “Espalhar-vos-ei por entre as nações e, desembainhando a espada, vos perseguirei; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades se tornarão em deserto” (Lv.26:33). “E o Senhor vos espalhará entre todos os povos desde uma extremidade da terra até a outra” (Dt.28:64). “Eu farei que sejam espetáculo horrendo, uma ofensa para todos os reinos da terra...” (Jr.24:9). “... e errantes andarão entre as nações” ((Os.9:17). “Assim saberão que eu sou o Senhor, quando eu os dispersar entre as nações e os espalhar entre os países” (Ez.12:15).

A Bíblia Sagrada aponta duas diásporas do povo judeu e as suas respectivas restaurações. 

a) A Primeira Diáspora (Jr.16:13). Geralmente se atribui o início da Primeira Diáspora judaica ao ano de 586 a.C., quando Nabucodonosor II — imperador babilônico — invadiu o reino de Judá, destruindo Jerusalém e o Templo, e deportando os judeus para a Babilônia. Mas, na verdade, está dispersão se inicia antes, em 722 a.C., quando o reino de Israel, ao norte, é destruído pelos assírios e as dez tribos de Israel são levadas cativas à Assíria, e Judá passa a pagar altíssimos impostos para evitar a invasão. As forças de Nínive, comandadas por Salmaneser V (2Rs.17:3), invadiram Israel em 722 a.C., levando-os cativos para a Assíria.  Salmaneser era filho de Tiglate Pileser III (2Rs.15:29). Foram 210 anos de idolatria, de rebeldia espiritual e de corrupção moral; por causa disso, Deus decretou a queda final e o exílio de Israel (as dez tribos do Reino do Norte) - “No ano nono de Oséias, o rei da Assíria tomou a Samaria, e transportou a Israel para a Assíria, e fê-los habitar em Hala e em Habor, junto ao rio Gozã, e nas cidades dos medos” (2Rs.17:6). O avança implacável do mal entre o povo de Deus, chegara ao ponto culminante irreversível.

- Diáspora na Babilônia. Às vezes não aprendemos com os exemplos de pecado e tolice que ocorrem à nossa volta. Apesar de terem vistos seus irmãos – judeus do Norte - levados para o exílio, o povo de Judá não temeu a Deus; antes, caiu nos mesmos pecados deles. Diz o texto sagrado: “Até Judá não guardou os mandamentos do SENHOR, seu Deus; antes, andaram nos estatutos que Israel fizera” (2Rs.17:19). E 135 anos mais tarde, as tropas babilônicas invadem Judá levando cativos muitos judeus. Os reis Ezequias e Josias começaram muitas reformas, mas isto não foi o bastante para converter permanentemente a nação a Deus. Judá é derrotada pelos babilônios, que enviam muitos deles para o exílio, entretanto, não são espalhados, e a terra não é repovoada, como fez os Assírios com o povo do Norte.

Em 605 a. C., o exército babilônico, comandado por Nabucodonosor, derrotou os egípcios em Carquêmis (Jr.46:1,2), ampliando o império da Babilônia. Neste mesmo ano, pela primeira vez, Jerusalém submeteu-se ao poderio de Babilônia, período esse considerado o marco inicial para contagem dos setenta anos preditos pelo profeta Jeremias; um período encerrado com a queda e rendição da cidade de Babilônia em 538 a.C. Em 586 a.C., o Templo foi destruído por Nabucodonosor.

Com a conquista de Judá os judeus foram deportados para a Babilônia, onde floresceram como comunidade e mantiveram suas práticas e costumes religiosos, associados a outros costumes herdados dos babilônios. A assimilação fez com que o hebraico perdesse sua importância em função do idioma aramaico que se tornou a língua comum. Com a queda do poder babilônico e a ascensão do imperador persa Ciro I, este permitiu que algumas comunidades judaicas retornassem para a Judéia, mas a grande maioria da população judaica preferira permanecer na Babilônia onde tinha uma sociedade constituída, do que retornar às adversidades da reconstrução de um país.

b) A Segunda Diáspora. A Segunda Diáspora aconteceu muitos anos depois, no ano 70 d.C., e foi anunciada pelo próprio Jesus Cristo: “E cairão a fio de espada e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem” (Lc.21:24).

Os romanos destruíram Jerusalém, e isso acarretou uma nova Diáspora, fazendo os judeus irem para outros países da Ásia Menor ou sul da Europa. As comunidades judaicas estabelecidas nos países do Leste Europeu ficaram conhecidas como Asquenazi (netos de Noé). Os judeus do norte da África (sefaradins) migraram para a península Ibérica (Espanha e Portugal). Expulsos de lá pelo catolicismo romano do século XV, migraram para os Países Baixos, Bálcãs, Turquia, Palestina e, estimulados pela colonização europeia, chegaram ao continente americano. Espalhados e humilhados os Judeus dispersos foram perseguidos e maltratados em todos os lugares por onde passaram, e seu maior inimigo, Hitler, ordenou a morte de seis milhões de Judeus em toda a Europa.

2. Renasce Israel


"Retornarão os filhos de Israel..." (Oseias 3:5). O retorno do povo judeu à terra de seus antepassados ocorreu depois de mais de 18 séculos, tal como fora anunciado pelos profetas do Antigo Testamento, como Jeremias (Jr.31:17), Ezequiel (Ez.11:17; 36:24; 37:21), Amós (Am.9:14,15) e Zacarias (Zc.8:7,8).

A segunda dispersão judaica, anunciada de antemão pelo Senhor Jesus (Lc.21:24), durou mais de 1.800 anos, sendo iniciada no ano 70 d.C. por ocasião da destruição de Jerusalém pelos romanos, e foi concluída com a fundação do Estado de Israel em 27 de novembro de 1947, na primeira Assembleia Geral das Nações Unidas, presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha, quando foi pronunciada por grande maioria de votos (33 x 14) a favor da Partilha da Palestina, com 10 abstenções. Estavam criadas as bases legais para o estabelecimento do Estado de Israel.

A partir de 12 de maio de 1948, a ONU resolve reintegrar os judeus dispersos em uma única possessão no território palestino cumprindo assim a profecia de Isaías 66:7,8: "Antes que estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, deu à luz um filho. Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes?  Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas logo que Sião esteve de parto, deu à luz seus filhos". Ezequiel 37:21 está escrito: “Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra”.

Quando Jesus voltar, todo o povo judeu retornará plenamente à sua terra, e o Rei Jesus os governará, conforme afirma a profecia de Ezequiel:

“E nunca mais se contaminarão com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com as suas prevaricações; e os livrarei de todos os lugares de sua residência em que pecaram e os purificarei; assim, eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. E meu servo Davi reinará sobre eles, e todos eles terão um pastor; e andarão nos meus juízos, e guardarão os meus estatutos, e os observarão. E habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual habitaram vossos pais; e habitarão nela, eles, e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente. E farei com eles um concerto de paz; e será um concerto perpétuo; e os estabelecerei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre. E o meu tabernáculo estará com eles, e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E as nações saberão que eu sou o SENHOR que santifico a Israel, quando estiver o meu santuário no meio deles, para sempre” (Ez.37:22-28).

As Diásporas judaicas advertem a todo o povo de Deus da Nova Aliança, a Igreja (1Co.10:1-12). Deus removerá do seu reino todos aqueles que deixarem de permanecer fielmente na sua Palavra e no seu amor. Os resultados de abandonar a Deus são o castigo, a ruína, o sofrimento e a rejeição final (cf. Ap.2:5; 3:15,16). Pense nisso!

3. Restauração nacional (Ez.37:6-8)

Israel foi expulso pelos romanos em 70 d.C., sob a permissão de Deus, mas não para sempre. Deus havia dito que os traria de volta à sua terra e restabeleceria as suas cidades. Em virtude de sua eleição consubstanciada através da aliança do Sinai, pela qual será sempre o povo de Deus, Israel seria rejeitado por Deus apenas temporariamente. Diz assim o texto sagrado: “Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, e anunciai nas terras longínquas do mar, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará, como o pastor, ao seu rebanho. Há esperança para o teu futuro, diz o Senhor, porque teus filhos voltarão para os seus territórios” (Jr.31:10,17). “Pois eu os tirarei das nações, os ajuntarei do meio de todas as terras e os trarei de volta para a sua própria terra. Vocês habitarão na terra que dei aos seus antepassados; vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus” (Ez.36:24,28).

A Visão do vale dos ossos secos, em Ezequiel 37, descreve de forma metafórica a restauração nacional de Israel. Veja algumas fases da visão do vale de ossos secos:

a) ruído seguido de um reboliço, com junção dos ossos, cada osso ao seu osso (Ez.37:7). Nesta primeira fase, há a reunião do povo de Israel num só lugar, o que ocorreu a partir do início do movimento sionista e das imigrações por ele patrocinadas, do final do século XIX até o instante da declaração de independência de Israel. É o fim da suspensão do pacto territorial e a repatriação de Israel à terra prometida.

b) vinda de nervos sobre os ossos, crescimento da carne e extensão da pele sobre eles por cima (Ez.37:8). Nesta segunda fase, a reunião do povo se organiza politicamente e nasce um Estado, um país na comunidade internacional. É o que ocorreu com Israel a partir de 1948, quando, então, passa a ter um lugar no mapa mundial. Retoma o Senhor o pacto territorial com Israel, e as circunstâncias tornam viável tanto a restauração do pacto davídico, pois ressurge um governo judeu independente e próprio, como também se criam condições para a reconstrução do templo, o que porá fim à suspensão do pacto mosaico.

O Senhor, em sua fidelidade, começou a cumprir estas palavras diante de nossos olhos! Hoje, Israel é uma potência econômica, científica e militar, e possui um dos maiores Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta. Não existe nenhuma outra nação na Terra que se possa orgulhar de feitos e desenvolvimentos tão rápidos e tão notáveis! E isto, estando rodeado de inimigos por todos os lados.

No Milênio, Israel ocupará todo o território bíblico prometido por Deus a Abraão. Jerusalém será a capital do mundo, e a nação de Israel será a nação mais importante da Terra. Está escrito: “E virão muitos povos, e dirão: vinde e subamos ao monte do Senhor, à casa de Deus de Jacó; para que nos ensine o que concerne aos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor” (Is.2:3).

III. SOBRE O MILAGRE DO SÉCULO XX

1. O testemunho de Deus para o mundo

O renascimento de Israel como nação soberana é um dos maiores milagres do século XX; isso é uma prova da fidelidade de Deus e da veracidade da Bíblia. Israel é indestrutível; vão-se as nações, mas Israel permanece para sempre. Os maiores impérios do mundo tentaram destruir este povo; os impérios, sim, foram dissipados, mas Israel permanece firme para sempre. Hitler e seus asseclas tentaram destruir o povo judeu, utilizando-se das mais engenhosas técnicas de extermínio, mas o povo judeu prevaleceu, pois, nenhuma nação pode destruir o povo de Deus.

A nação de Israel e o povo judeu são um enigma para este mundo. Sua existência desafia a lógica humana; sua preservação contradiz todas as tendências históricas. Sua singularidade como povo estarreceu até mesmo o escritor americano Mark Twain, que escreveu para a "Harper’s Magazine" em 1897:

“Se as estatísticas estiverem corretas, os judeus constituem menos de um quarto de 1% da raça humana; isto sugere um minúsculo e obscuro pontinho perdido em meio à Via Láctea.... Os egípcios, os babilônios e os persas surgiram, encheram o planeta de barulho e esplendor, e então murcharam e desapareceram. Os gregos e os romanos vieram logo após, provocaram uma algazarra imensa, e se foram. Os judeus presenciaram a passagem de cada um desses povos, sobreviveram a todos eles e são hoje o que sempre foram. Todas as coisas são mortais, menos os judeus. Todas as outras forças passam, mas os judeus permanecem. Qual o segredo de sua imortalidade?”.

Há um Deus por trás da história, e Israel é quem melhor espelha isto. A fidelidade de Deus para com Israel é fruto de sua aliança com Abraão. Deus prometeu isto a Abraão, e Ele não muda.  Deus é o protetor de Israel (Dn.12:1). Deus garante a existência de Israel até o fim de tudo. Israel está aí, os ossos secos já reviveram, o corpo foi formado, mas não há neles espírito”, diz a palavra profética (Ez.37:8); é somente isto que falta hoje em Israel.

A história de Israel é totalmente vinculada a Jesus. A partir de Abraão Deus formou a genealogia de Jesus. A restauração da Nação após o exílio babilônico era o cenário para a vinda de Jesus. E a restauração atual é o cenário para a volta de Jesus. Não estamos aqui dizendo que tudo que Israel faz é certo, mesmo porque Deus está preparando-o para tratar com seus pecados. Mas Deus é o Senhor Todo-Poderoso e Sua Palavra se cumpre cabalmente. Todas as profecias relacionadas a Israel têm-se cumprido na história, e todas as pessoas e nações que tentaram impedir o cumprimento dessas profecias foram eliminadas. Israel é o relógio de Deus que indica o início do fim dos tempos. Sem dúvida, Isael é uma testemunha contínua de Deus sobre este mundo.

2. O status de Jerusalém entre as nações


Desde que Davi conquistou Jebus, região dos jebuseus (1Cr.11:4-7), Jerusalém sempre teve o status de capital de Israel; primeiramente, cidade de Davi (2Sm.5:7-11); depois, capital de Israel. Em 2Samuel, capítulo 6, lemos como Davi estabeleceu Jerusalém como a capital eterna de Israel; ele decidiu colocar a Arca da aliança ali para simbolizar que o Senhor estava com eles em sua capital. Jerusalém, portanto, nunca perdeu o status de capital de Israel, mesmo sendo conquistada várias vezes, sob a permissão divina, por povos pagãos; mesmo sendo o povo dispersado por todo o mundo, como punição de Deus pelos pecados abomináveis cometidos, Jerusalém, à vista de Deus, nunca cedeu seu espaço de forma permanente para outras nações.

Deus desterrou o seu povo em três diásporas, mas nunca entregou Jerusalém para ser de outro povo.

Após mais de 18 séculos de diáspora a nação de Israel é restaurada em cumprimento às profecias de vários notáveis profetas, e o status de Jerusalém, como capital de Israel, volta novamente estar em evidência. Em 1950, Israel declarou Jerusalém sua capital e ocupou edifícios governamentais no oeste da cidade. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel conquistou a parte oriental da cidade, que era controlada pela Jordânia. A partir daí, valia a lei israelense. Por fim, em 1980, o Parlamento israelense, o Knesset, declarou a cidade inteira como capital inseparável de Israel. O Conselho de Segurança da ONU invalidou a anexação através da Resolução 478 e, desde então, confirmou isso diversas vezes; porém, isso não tem nenhuma validade para Deus e para o seu povo. O que vale é à vontade Deus e não a da ONU.

Jerusalém, portanto, é a eterna capital de Israel. Deus fez de Jerusalém um cálice de tontear para todos as nações (Zc.12:2); as profecias dizem que Jerusalém, espantosamente mencionada em torno de 800 vezes na Bíblia, desempenhará um papel fundamental no destino do mundo. O profeta Zacarias prediz algo bastante interessante sobre um fato exclusivo e inédito na história: "E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-ão contra ela todos os povos da terra" (Zc.12:3). É o que estamos vendo hoje: o mundo todo sofrendo por causa de Jerusalém. Os árabes possuem mais de 99% das terras do Oriente Médio, Israel com uma área de 20.000 quilômetros quadrados, tem menos de 1%. Mas, a intenção malévola dos árabes é tirar de Israel o pouco que ele tem. Onde está a real causa do conflito? Jerusalém. Qual a real intenção árabe? A destruição do Estado de Israel e de seu domínio sobre Jerusalém. Isso, porém, é impossível. 

3. Restauração espiritual

Israel hoje existe como nação soberana - tem sua base territorial, seu governo próprio, tem vida física, social, política -, mas não tem vida espiritual; continua privada da comunhão com Deus. Mas esta situação será mudada em breve. A restauração espiritual de Israel é prevista na terceira fase da visão do vale de ossos secos - “Então, ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. Profetizei como ele me ordenara, e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exército sobremodo numeroso” (Ez.37:9,10).

Nesta terceira fase, Israel será, de novo, enxertado na Oliveira, porque voltará a crer em Deus, aceitando Cristo como seu Messias tão esperado, quando, então, se cumprirá a profecia mencionada pelo apóstolo Paulo em Romanos 11:26. Isto somente acontecerá no final da Grande Tribulação, na batalha do Armagedom (cf. Zc.14:1-9; Ap.19:11-21). Vencido o Anticristo pelo Senhor Jesus na batalha do Armagedom, Israel, que terá no momento decisivo se voltado ao Senhor e O reconhecido como o Messias, verá cumpridas as promessas que ainda faltam. Jesus será entronizado como Rei de Israel, cumprindo-se, assim, a promessa do pacto davídico de que o reinado da casa de Davi perduraria para sempre sobre a nação de Israel. Veja a profecia de Ezequiel 37:21-25:

21. Dize-lhes, pois: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra.

22. E deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel, e um rei será rei de todos eles; e nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos.

23. E nunca mais se contaminarão com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com as suas prevaricações; e os livrarei de todos os lugares de sua residência em que pecaram e os purificarei; assim, eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.

25. E habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual habitaram vossos pais; e habitarão nela, eles, e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente.

Durante o reino millenial de Cristo, Israel cumprirá o papel de propriedade peculiar de Deus dentre os povos, nação sacerdotal e povo santo, e tudo isto, como diz Paulo, “porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Rm.11:29).

CONCLUSÃO

Nem mesmo as diásporas dos judeus e as constantes perseguições promovidas pelos antissemitas pude­ram neutralizar as promessas divinas. Israel sobreviveu a todas as intempéries da vida e existe como nação soberana desde 1948. Somos a geração que, após 2.000 anos, vê Israel sendo uma nação e Jerusalém como sua capital. Satanás odeia a realidade da restauração de Israel como nação que finalmente receberá Jesus como Messias em Seu retorno, e a nação que será o quartel-general terreno de Cristo. À medida que nos aproximamos da Segunda Vinda de Cristo, devemos entender que a fúria de Satanás contra a Igreja e contra Israel irá crescer exponencialmente. A nação de Israel é o relógio de Deus. Fiquemos de olho!

 

terça-feira, 3 de novembro de 2026

O REINADO DE DAVI


 O REINADO DE DAVI

Texto Bíblico: 2Samuel 5:1-12

“E entendeu Davi que o SENHOR o confirmava rei sobre Israel e que exaltara o seu reino por amor do seu povo” (2Sm.5:12).

O Reinado de Rei Davi é considerado a “Era Ouro” da história de Israel. Ele não apenas unificou as tribos que viviam divididas e sob constante ameaça, mas estabeleceu os fundamentos espirituais, políticos e geográficos que moldaram a identidade da nação para sempre.

O texto de 2 Samuel 5:1-12 marca o divisor de águas na vida de Davi: o momento em que a promessa de Deus feita anos antes, quando ele ainda era um jovem pastor de ovelhas, finalmente se cumpre em plenitude.

1. A Unificação de Israel e a Coroação (v. 1-5)

Antes de ser rei de todo o Israel, Davi reinou apenas sobre a tribo de Judá, em Hebrom, por 7 anos e meio. Enquanto isso, o restante das tribos permaneceu sob a liderança fraturada da casa de Saul.

No entanto, em 2 Samuel 5, as tribos de Israel reconhecem três elementos essenciais no chamado de Davi:

  • Parentesco e Unidade: "Somos do mesmo sangue e da mesma carne" (v. 1).
  • Liderança Comprovada: Relembraram suas vitórias militares anteriores (v. 2).
  • Escolha Divina: Deus o havia chamado para apascentar e ser comandante sobre Israel (v. 2).

Aliança perante o Senhor: Davi não assumiu o trono como um tirano, mas por meio de uma aliança firmada com os anciãos perante o Senhor em Hebrom, sendo então ungido rei sobre todo o Israel aos 30 anos de idade.

2. A Conquista de Jerusalém e a Cidade de Davi (v. 6-10)

Um dos atos mais estratégicos de Davi foi a escolha de uma nova capital. Jerusalém pertencia aos jebuseus e era considerada uma fortaleza inexpugnável, ao ponto de debocharem de Davi dizendo que "até os cegos e os aleijados o expulsariam" (v. 6).

Davi conquistou a Fortaleza de Sião e fez dela a sua capital política e espiritual por razões fundamentais:

  • Neutralidade Política: Jerusalém não pertencia a nenhuma das doze tribos, evitando ciúmes entre o Norte (Israel) e o Sul (Judá).
  • Posição Estratégica: Situada nas montanhas, era ideal para defesa militar.
  • Centro Espiritual: Mais tarde, Davi trouxe a Arca da Aliança para Jerusalém, centralizando o culto a Deus na cidade.

3. O Segredo da Exaltação de Davi (v. 11-12)

O versículo chave em Destaque revela a verdadeira consciência de Davi sobre a sua posição:

“E entendeu Davi que o SENHOR o confirmava rei sobre Israel e que exaltara o seu reino por amor do seu povo” (2Sm 5:12).

Este trecho ensina lições espirituais e de liderança profundas:

  1. Reconhecimento da Soberania de Deus: Davi não atribuiu o sucesso às suas habilidades militares ou diplomáticas. Ele entendeu que era Deus quem o sustentava no trono.
  2. Propósito da Liderança ("por amor do seu povo"): A exaltação de Davi não era para sua glória pessoal, vaidade ou enriquecimento. Deus o exaltou por causa do Seu povo. A liderança segundo o coração de Deus é voltada para o serviço e o bem-estar dos outros, não para o egocentrismo.
  3. Reconhecimento Internacional (v. 11): Até mesmo reis vizinhos, como Hirão, rei de Tiro, reconheceram a grandeza do reino de Davi, enviando carpinteiros, pedreiros e cedros para construir o seu palácio.


Aplicação Prática

O reino de Davi nos ensina que o verdadeiro êxito vem de saber esperar o tempo de Deus (Davi esperou cerca de 15 a 20 anos entre ser unção por Samuel e se tornar rei de todo Israel) e manter a humildade de reconhecer que toda autoridade e bênção servem para abençoar o próximo, e não a nós mesmos.

 


I. DAVI É CONSTITUÍDO REI

Davi teve uma unção e duas coroações. Primeiramente ele foi coroado para reinar sobre a tribo de Judá; por sete anos e seis meses Davi reinou somente sobre esta tribo, tendo Hebron como sua capital.

“Então, vieram os homens de Judá e ungiram ali a Davi rei sobre a casa de Judá...” (2Sm.2:4).

“E foi o número dos dias que Davi reinou em Hebron, sobre a casa de Judá, sete anos e seis meses” (2Sm.2:11).

Davi aceitou ser rei de uma única tribo, até que o Senhor lhe abrisse a porta para reinar sobre todo Israel. Ele não se precipitou para assumir o controle da nação inteira. Antes de tomar uma decisão difícil, buscava o Senhor (2Sm.2:1).

Sete anos e meio após a primeira coroação, Davi tornou-se rei da nação inteira (2Sm.5:1-5); reinou sobre as doze tribos por 33 anos, totalizando quarenta anos de reinado (2Sm.5:4,5). Foi somente no governo de Davi que houve a apropriação de todo território prometido a Abraão (ver Gn.15:18).

“Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; quarenta anos reinou. Em Hebron reinou sobre Judá sete anos e seis meses; e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá” (2Sm.5:4,5).

Em momento algum Davi reivindicou seu direito ao trono, e não o fez após a morte de Saul. Antes, escolheu deixar a questão nas mãos do Senhor. Se o Senhor o ungira rei, também conquistaria seus inimigos e lhe daria o reino pleno.

O Senhor Jesus, o Davi celestial, da mesma forma, aguarda o tempo do Pai para reinar sobre todo o mundo. Hoje, apenas uma minoria da humanidade reconhece seu domínio, mas, no Dia estabelecido pelo Pai, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Fp.2:10-11). Aleluia!

1. Motivos para a escolha de Davi

“...já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração e já lhe tem ordenado o SENHOR que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou” (1Sm.13:14).

Biblicamente, o que motivou Davi ser escolhido para ser o segundo rei de Israel não estava à vista de nenhuma pessoa, nem mesmo do profeta Samuel (cf. 1Sm.16:7). Sob a ótica humana, inicialmente, Davi não seria escolhido; seu curriculum o reprovava logo de imediato: não tinha experiência militar; era o menor dos filhos de Jessé; e sua principal experiência era pastorear umas “poucas ovelhas no deserto” (1Sm.17:28). No dia em que foi ungido por Samuel, o próprio pai de Davi apresentou a Samuel o seu curriculum: “...o menor, e eis que apascenta as ovelhas...” (1Sm.16:11). Portanto, humanamente falando, Davi não tinha nenhum motivo aparente que o levasse a ser escolhido a tão nobre posição.

O motivo que levou Davi ser escolhido por Deus não veio de fatores exógenos, mas do seu interior, do seu caráter, que somente Deus podia ver. Nem mesmo Samuel, que era vidente (1Sm.9:19), enxergou qualidades atrativas em Davi; aliás, se dependesse de Samuel, tinha escolhido Eliabe, o primogênito de Jessé, o qual tinha uma aparência e uma estatura espetacular, a ponto de Samuel, por conta própria, dizer: “Certamente, está perante o SENHOR o seu Ungido” (1Sm.16:6). Porém, foi advertido pelo Senhor: “.... Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração” (1Sm.16:7).

Está escrito que Jessé fez passar diante de Samuel os seus sete filhos; porém, Samuel disse a Jessé: “O SENHOR não tem escolhido estes” (1Sm.16:10). Mas, quando Davi foi apresentado ao profeta, advindo do curral das ovelhas, o Senhor disse a Samuel: “Levanta-te e unge-o, porque este mesmo é [o escolhido]” (1Sm.16:12).

Hoje, se os líderes do povo de Deus fossem escolhidos sob a ótica dEle, a Igreja não estaria passando por tantas oscilações espirituais. Não precisa ter um padrão de espiritualidade elevado para perceber o que está ocorrendo em muitas igrejas locais: divisões; secularidade; valores morais judaico-cristãos inobservados de forma consciente e deliberada; falsas doutrinas que estão levando milhões ao abismo espiritual etc. Tudo isso por causa de líderes, pastores e mestres, que foram escolhidos segundo a ótica humana. Estamos vivendo a síndrome de Samuel: escolher pela aparência, pelo Ter e não pelo Ser.

O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, deu as diretrizes corretas para escolher aqueles que liderarão o povo de Deus (cf.1Tm.3:1-13); só precisa cumprir, rigorosamente, o que está escrito aqui, nada mais!

2. Davi como pastor e chefe


No Antigo Testamento, o termo
“pastor”, literalmente, refere-se aos cuidados de um indivíduo alimentando, disciplinando e protegendo seu rebanho. A partir dessa interpretação, surgiu o conceito acerca de Deus como “Pastor de Israel” (Gn.48:15; Sl.80:1): alimentando (Is.40:11), protegendo (Am.3:12), disciplinando (Sl.23:2) e resgatando as ovelhas desgarradas (Jr.31:10; Ez.34:12) de seu rebanho.

Essa ideia de “pastoreio” foi estendida aos líderes do povo de Israel, os quais atuavam sob a supervisão de Deus; como, por exemplo, os juízes, reis, profetas e sacerdotes, os quais também foram denominados “pastores” (cf. Nm.27:17; 1Rs.22:17; Jr.2:8; Ez.34:2). Era frequente a reclamação de Deus contra os líderes de Israel, como esta, por exemplo:

 “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Aí dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?” (Ez.34:2).

Deus escolheu Davi e o ungiu para ser o pastor e chefe do Seu povo, Israel. O “homem segundo o coração de Deus” foi convocado do campo onde estava cuidando do rebanho para ser ungido rei de Israel. Deus o chamou para pastorear um rebanho diferente - Seu povo, Israel (1Sm.16:1-13; 2Sm.5:2, Sl.78:70,71).

“Achei a Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi” (Sl.89:20).

Davi, muito do que ele aprendeu conduzindo ovelhas, aplicou como líder do povo de Deus, Israel. Em 2Samuel 5:2, o oráculo descreve Davi como pastor que cuidaria do povo do Senhor.

“E também dantes, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel” (2Sm.5:2).

Esta profecia parece referir-se à declaração de Samuel a Saul a respeito daquele que o sucederia (cf. 1Sm.13:14), e é semelhante às palavras encorajadoras de Abigail a Davi (cf.1Sm.25:30).

Um dos diversos cuidados que o bom pastor tem é fortalecer as ovelhas que são fracas, curar as doentes, atar as feridas das que estão machucadas e buscar as que se encontram extraviadas. É desse amor sacrificial que os pastores precisam, hoje, pois muitas vezes os seres humanos, assim como as ovelhas, podem se desviar do caminho que deve seguir.

Jesus considerou os apóstolos como seus sucessores na missão de pastoreio da Igreja. Ele disse a Pedro:

“Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas” (João 21:17).

A mesma simbologia foi perpetuada nos escritos dos apóstolos com referência aos líderes que exerciam suas funções de governo das igrejas locais.

“Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1Pd.5:2,3).

Portanto, o verdadeiro pastor cuida das ovelhas com zeloso amor e compaixão, entregando-se totalmente às suas demandas e dando-lhes alimento espiritual através do ensino da Palavra de Deus.

3. Entrando em aliança com o povo

Com a derrota e morte de Saul, o reino de Israel entra em crise e passa a estar sob o domínio dos filisteus. A única exceção é a tribo de Judá, que tem Davi como seu rei (2Sm.2:4), que, naquele tempo, já estava à frente de um exército próprio de cerca de seiscentos homens.

O filho de Saul, Isbaal (denominado pejorativamente na Bíblia como Isbosete – homem tolo) tenta assumir o comando das demais tribos, contando com o apoio do general de Saul, Abner, o que ele consegue por apenas dois anos - cinco anos após a morte de Saul. Como divisão não vem de Deus, logo haveria um definhamento moral e espiritual do povo e, por conseguinte, os conflitos entre as tribos de Israel.

Davi era o rei legítimo por desígnio divino, mas como governar uma casa dividida? Em uma situação como esta, o líder precisa unificar os grupos que estão separados para que haja harmonia entre os irmãos. Davi não tentou conquistar essas tribos à força, mas colocou o assunto nas mãos de Deus.

Davi, naquela ocasião, era o único rei ungido por Deus para governar sobre Israel (1Sm.16:1); nenhuma promessa divina havia sobre Isbosete. A Escritura deixa claro que a profecia que prenunciava a Davi um reinado sobre toda a nação hebraica, era de conhecimento não só do filho de Jessé, mas também dos nobres e até mesmo do povo mais comum (2Sm.5:2). Esse fato é visto na declaração de Abner em 2Samuel 3:9,10. Sendo assim, Isbosete (que significa tolo) era realmente um tolo se deixar indicar pelo general de seu pai, Abner. O texto sagrado diz que foi Abner, capitão do exército de Saul, quem constituiu Isbosete rei sobre as tribos do Norte (cf.2Sm.2:8-10).

“Porém Abner, filho de Ner, capitão do exército de Saul, tomou a Isbosete, filho de Saul, e o fez passar a Maanaim. E o constituiu rei sobre Gileade, e sobre os assuritas, e sobre Jezreel, e sobre Efraim, e sobre Benjamim, e sobre todo o Israel”.

Tendo em vista que o seu general, Abner, sabia que Davi era o legitimo rei indicado por Deus em substituição a Saul (cf.2Sm.3:18), então, certamente, Isbosete também sabia. Desta feita, ao assumir o trono do reino do Norte, Isbosete estava se rebelando contra o Senhor Deus de Israel. A Bíblia diz que rebelião é como pecado de feitiçaria (1Sm.15:23). Sendo assim, o fracasso seria inevitável, pois o seu reinado não tinha aprovação divina, seu governo era ilegítimo.

O próprio Isbosete se desentendeu com Abner, por causa de uma mulher, cujo nome era Rispa, amante de Saul (2Sm.3:7,8); por causa disso, Abner buscou a Davi e propôs uma aliança entre as tribos do Sul e do Norte (cf.2Sm.3:7-21).

“Então, disse Abner a Davi: Eu me levantarei, e irei, e ajuntarei ao rei, meu senhor, todo o Israel, para fazerem aliança contigo; e tu reinarás sobretudo o que desejar a tua alma. Assim, despediu Davi a Abner, e foi-se ele em paz” (2Sm.3:21).

Após algum tempo, Isbosete foi assassinado pelos seus capitães de tropas (2Sm.4:5,6). É o fim trágico de quem se rebela e causa divisão entre o povo de Deus. Com a morte de Isbosete, o único herdeiro ao trono de Saul que restou foi um menino aleijado, chamado Mefibosete, filho de Jônatas (2Sm.4:4).

Estando, pois, Isbosete fora de ação, Davi recebeu, finalmente, o apoio das 11(onze) tribos, sendo aclamado rei de todo o Israel (2Sm.5:1-5). Com uma declaração de lealdade e sujeição, as onze tribos de Israel se juntaram a Judá e reconheceram Davi como rei legítimo.

1.Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, teus ossos e tua carne somos.

2.E também dantes, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel.

3.Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ao rei, a Hebrom; e o rei Davi fez com eles aliança em Hebrom, perante o SENHOR; e ungiram Davi rei sobre Israel.

4.Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; quarenta anos reinou.

5.Em Hebrom reinou sobre Judá sete anos e seis meses; e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.

A coroação de Davi foi uma grande festa, de união e de unidade entre o povo de Israel, pois Deus, naquele momento, estava consolidando a Sua promessa na vida do Seu servo Davi. Em 1Crônicas 12:38-40 é narrado a alegria daquele momento:

38.Todos estes homens de guerra, postos em ordem de batalha, com coração inteiro, vieram a Hebrom para levantar a Davi rei sobre todo o Israel; e também todo o resto de Israel tinha o mesmo coração para levantar a Davi rei.

39.E estiveram ali com Davi três Dias, comendo e bebendo; porque seus irmãos lhes tinham preparado as provisões.

40.E também seus vizinhos de mais perto, até Issacar, e Zebulom, e Naftali, trouxeram pão sobre jumentos, e sobre camelos, e sobre mulos, e sobre bois, provisões de farinha, pastas de figos, e cachos de passas, e vinho, e azeite, e bois, e gado miúdo em abundância; porque havia alegria em Israel.

Assim começou o reinado de Davi sobre a nação unida que duraria trinta e três anos. No total, Davi reinou quarenta anos (2Sm.5:4).

II. A CONSOLIDAÇÃO DO REINO DE DAVI

Com a morte dos rivais de Davi - Abner e Isbosete -, o cargo de rei fica vago. Mas, logo Deus trata de cumprir sua promessa feita a Davi e fazer dele o grande rei de Israel. Ele já é um homem maduro, preparado espiritualmente e militarmente para assumir a grande responsabilidade sobre o povo de Deus. O exílio lhe ensinara a depender exclusivamente de Deus.

Davi assume, portanto, o reino pleno de Israel, com a idade de trinta anos (2Sm.5:4). Os próprios anciãos de Israel procuraram Davi e lembraram-lhe da promessa que o Senhor lhe fizera. Foi uma demonstração pública de reconhecimento da legitimidade da unção real de Davi.

"Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, teus ossos e tua carne somos. E também dantes, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel" (2Sm.5:1,2).

O reino de Davi antecedeu e preparou através das lutas o reinado de Salomão. Da mesma forma a Igreja tem que lutar e guerrear contra o inimigo para concretizar o Reino de Deus. Nós, cristãos, precisamos decidir se queremos andar como Saul, que reinou sobre si mesmo, ou como Davi, que andava segundo o coração de Deus, isto é, era governado por Ele.

1. A edificação de Jerusalém (2Sm.5:6-11)

Assim que Davi se estabeleceu como rei sobre todo o Israel, tratou ele de unir o reino, mas para tanto, era necessário derrotar os jebuseus, cujos domínios impediam a união entre o Sul, ocupado pela tribo de Judá e de Simeão, e as tribos do Norte.

Jebus era uma fortaleza inexpugnável sobre o Monte Sião. Os guerreiros pagãos consideravam a cidade tão invencível que achavam que ela podia ser defendida por “cegos e aleijados” (2Sm.5:6). Davi, porém, detectou um ponto vulnerável no sistema de abastecimento de água. Ordenou que seus homens subissem pelo canal subterrâneo que os jebuseus usavam para levar até a cidade a água de uma fonte que ficava debaixo dela.

A estratégia funcionou, Jebus foi tomada e se tornou Jerusalém, também chamada de Cidade de Davi, a capital eterna da nação de Israel (2Sm.5:9). O relato paralelo em 1Crônicas, capítulo 11, revela que Joabe liderou o ataque vitorioso e, desse modo, garantiu seu posto como comandante do exército de Davi (1Cr.11:6).

Escolher Jerusalém para ser a capital de Israel faz sentido em termos da fronteira entre o Norte e o Sul (Judá). A cidade também representava a perícia militar de Davi e sua intenção de executar a ordem antiga do Senhor de derrotar os inimigos de Israel. Afinal, ele expulsou de Jerusalém um povo que havia permanecido entrincheirado na cidade e desafiado Israel desde a primeira conquista da terra.

Com a conquista de Jebus, quebraria assim o obstáculo que impediria a união territorial e religiosa entre a tribo de Judá e as tribos do Norte. Temos, assim, mais uma vez, a demonstração da preocupação de Davi de estar na direção de Deus e de apenas agir de acordo com a vontade divina.

“E Davi se ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o SENHOR, Deus dos Exércitos, era com ele” (2Sm.5:10).

2. As reformas religiosas

Depois que Davi conquistou Jerusalém e construiu seu palácio na cidade, resolveu transformá-la no centro religioso de Israel. Para que isso acontecesse era preciso que a Arca, símbolo da presença de Deus no meio de seu povo, fosse trazida para a cidade. Era apropriado que o Senhor habitasse no santuário central na cidade, pois Ele exercia autoridade suprema sobre Israel e escolheu Davi como seu vice-regente (2Sm.6:2,21). A chegada da Arca foi o prelúdio para a decisão de Davi de construir o Templo (2Sm.7).

À época que Davi tomou a decisão de transferir a Arca para Jerusalém (2Sm.6:1-7) este objeto sagrado encontrava-se na casa de um homem chamado Abinadabe. Quando os filisteus a devolveram, os israelitas a colocaram na casa deste homem, em Quiriate-Jearim (1Sm.7:1,2). Vários anos se passaram – segundo alguns estudiosos, aproximadamente setenta e oito anos - até que Davi resolveu levá-la a Jerusalém, a fim de tornar a cidade não somente a capital política de Israel, como também seu centro religioso. O rei tomou trinta mil homens e partiu para onde estava a Arca a fim de levá-la a Jerusalém.

Só que a Arca foi conduzida de maneira inapropriada. Deus havia ordenado que a Arca fosse carregada em varas apoiadas sobre os ombros dos coatitas (Nm.7:9). Em vez disso, Davi mandou fazer um “carro novo” e, com grande júbilo, levou a Arca à eira de Nacom (chamada de Quidom em 1Cr.13:9). Nesse local, os bois tropeçaram e a Arca pareceu que ia cair do carro. Um dos filhos de Abinadabe, Uzá, segurou a Arca com a mão, e o Senhor o matou instantaneamente. Foi uma tragédia que deprimiu a todos naquele momento. Davi se queixou ao Senhor desse juízo severo (2Sm.6:8-10).

“E Davi se contristou, porque o SENHOR abrira rotura em Uzá; e chamou aquele lugar Perez-Uzá, até ao dia de hoje. E temeu Davi ao SENHOR naquele dia e disse: Como virá a mim a arca do SENHOR? E não quis Davi retirar para si a arca do SENHOR, para a Cidade de Davi; mas Davi a fez levar à casa de Obede-Edom, o geteu”.

Por que essa atitude, aparentemente normal, não teve a aprovação de Deus?

·         Porque a Arca não podia ser tocada, nem mesmo pelos sacerdotes (Nm.4:15). A Arca era a representação visível de Deus com a qual os homens teriam contato mais próximo até Jesus vir. Uzá desconsiderou esse fato, e sua morte foi uma lição duradoura para os israelitas levarem a sério a glória de Deus. Nós somos sinceros quando oramos “Santificado seja o teu nome”?

·         Porque a Arca fora conduzida de forma errada. De acordo com a orientação divina, a Arca deveria ser transportada pelos levitas (Êx.25:14; Dt.31:25; Js.3:3), e não por meio de carros puxados por bois. Aquele carro de bois não deveria fazer parte do cortejo sagrado (2Sm 6:6,7).

Hoje, em muitos lugares, há aqueles que pregam o evangelho, utilizando-se de "carros de bois” - inserindo inovações e modismos contrários aos ensinos da Palavra de Deus. Tais pessoas têm até boas intenções, todavia, o que elas realmente desejam é adequar o evangelho à cultura secular. Às vezes, não percebem que estão misturando o sagrado com o profano. Portanto, na adoração ao Senhor, devemos obedecer aos mandamentos das Escrituras de modo irrestrito, sem as muletas da inovação e dos modismos.

Por um tempo, Davi desistiu da ideia de levar a Arca à Cidade e deixou-a na casa de um homem chamado Obede-Edom, provavelmente perto de Jerusalém. Durante os três meses que a Arca permaneceu ali, o Senhor abençoou ricamente aquela casa.

Veja a grande diferença entre a casa de Abinadabe a casa de Obede-Edom. Na primeira, houve maldição, na segunda ouve bênçãos. Estas duas casas referem-se os dois tipos de igrejas locais na atualidade: a secular e a ortodoxa; a que segue os ditames do mundo e a que segue os ditames da Palavra de Deus; uma propensa a receber maldição, a outra a receber bênçãos de Deus. Pergunto: qual é a nossa Igreja?

Quando Davi soube da benção de Deus derramada na casa de Obede-Edom, ele decidiu levar a Arca de Deus para Jerusalém (2Sm.6:12-15). De acordo com o relato de 1Crônicas 15:13-15, ao longo desses três meses, Davi estudou as Escrituras Sagradas para descobrir a forma correta de transportar a Arca. Dessa vez, ela foi conduzida corretamente, sobre os ombros dos levitas. Com danças nas ruas, a Arca foi levada a uma tenda temporária na Cidade de Davi. O próprio rei estava tão alegre que dançava com todas as suas forças diante do Senhor. Em vez de usar os trajes reais costumeiros, estava cingido com uma estola sacerdotal de linho, que foi criticado pela sua esposa Mical, filha de Saul (cf. 2Sm.6:16,20).

Agora, a Arca do Concerto e o Tabernáculo estavam inseparáveis na magnífica cidade de Jerusalém. Consequentemente, o sacerdócio, as festas sagradas, os sacrifícios, todos os ritos mosaicos referentes ao culto foram reativados e centralizados.

Jerusalém tornara-se a capital política e religiosa de Israel. De um lado estava o trono do rei Davi, símbolo das conquistas políticas da nação; de outro, o Trono do Senhor, símbolo da presença de Deus entre o Seu povo. Jerusalém tornou-se o centro da adoração e do culto ao Senhor Jeová, ao mesmo tempo em que era o coração político do reino.

3. Jerusalém: “um cálice de tontear... uma pedra pesada para todos os povos" (Zc.12:2,3).

Deus declarou que nos últimos dias, antes da segunda vinda do Messias, Jerusalém se tornaria "um cálice de tontear... uma pedra pesada para todos os povos" (Zc.12:2,3). Quando Zacarias fez esta profecia, há mais de 2.500 anos, Jerusalém permanecia em ruínas e cheia de animais selvagens. A profecia de Zacarias parecia conflitar com a lógica humana, mesmo após o renascimento de Israel em 1948. Hoje, porém, exatamente como foi profetizado, um mundo de quase sete bilhões de pessoas tem os seus olhos voltados para Jerusalém, temendo que a próxima guerra mundial, se explodir, seja travada sobre essa pequenina cidade. Que incrível cumprimento da profecia de Zacarias!

Os olhos do mundo inteiro estão sobre Jerusalém, mais do que sobre qualquer outra cidade do mundo. Jerusalém se tornou realmente uma pedra pesada ao redor do pescoço de todas as nações do mundo, o problema mais irritante e volátil que as Nações Unidas hoje enfrenta. E não há explicação lógica para isso. O que os profetas hebreus declararam há milhares de anos e que parecia absolutamente fantástico em seu tempo, está se cumprindo hoje. Essa é apenas uma parte da evidência de que os "últimos dias" profetizados estão chegando para nós e que a nossa geração talvez veja o restante da profecia cumprida.

Jerusalém permanece a Cidade Eterna do mundo, símbolo da Nova Jerusalém, que se há de estabelecer na consumação dos séculos, quando ela será a metrópole mundial. Isso, durante o Milênio, período em que terá muito esplendor (Is.2:3; Zc.8:22), pois Israel estará à frente das nações que subsistirem ao seu julgamento.

“Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha destra da sua destreza. Apegue-se-me a língua ao paladar se me não lembrar de ti, se não preferir Jerusalém à minha maior alegria” (Sl.137:5,6).

4. A suprema aliança davídica (2Sm.7:8-16)

Uma vez unificado o reino de Israel, e organizado o culto ao Senhor em Jerusalém, com a presença da Arca na Tenda do Tabernáculo, Davi desejou construir um Templo ao Senhor. Ele achou descabido habitar em sua própria casa, enquanto a Arca do Senhor se encontrava numa Tenda. Comunicou ao profeta Natã, portanto, a intenção de edificar uma Casa para a Arca. Ao que parece, a princípio, Natã não consultou ao Senhor e aprovou a ideia; “Porém [...] veio a palavra do Senhor” a ele e o informou de que Davi não teria permissão de construir um templo para Jeová (2Sm.7:1-5).

O Senhor revelou ao profeta, ainda, a Aliança incondicional que faria com Davi. De acordo com a Aliança, o rei teria um filho (Salomão) que construiria o Templo; o trono do filho de Davi seria estabelecido para sempre e, quando o rei pecasse, Deus o corrigiria, mas, em sua misericórdia, não se apartaria dele (2Sm.7:12-15).

Deus prometeu, também, que a casa, o reino e o trono de Davi seriam estabelecidos para sempre e que um de seus descentes se assentaria no trono (2Sm.7:16).

“Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para Sempre (2Sm.7:16).

A partir dessa Aliança, o povo de Israel ficou ciente de que o Messias, aquele que viria para salvar Israel, seria descendente de Davi, daí porque a imagem do Cristo ter ficado relacionada com a imagem do Libertador político, do Rei, daquele que haveria de livrar Israel dos seus inimigos, imagem esta que se intensificou a partir do cativeiro da Babilônia, quando Israel perdeu a sua independência política, como fruto dos seus pecados, o que era explicitamente reconhecido pelas autoridades judias (cfr. Ed.9:6-9). Até mesmo os discípulos de Jesus, mesmo depois da ressurreição, não tinham deixado de associar a imagem do Messias ao do libertador político (Atos 1:6).

“Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?”.

A dinastia davídica foi interrompida no cativeiro babilônico, mas será restaurada quando Cristo, a Raiz de Davi, voltar para reinar sobre toda a Terra.

“Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus, E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim” (Lc.1:30-33).

III. A GRANDEZA POLÍTICA DO REINADO DE DAVI


1. As realizações militares

A política de Davi de expulsar do reino todos os habitantes pagãos que se rebelavam contra seu governo resultou na expansão do território de Israel. Em 2Samuel 8, observamos as vitórias de Davi sobre todos os seus inimigos em redor.

O reino de Davi preparou o caminho para o período de maior glória em toda a história de Israel, que foi o reinado de Salomão. Somente nestes dois reinados, Israel ocupou todo o território prometido por Deus a Abraão (Gn.15:18).

Uma das promessas dadas pelo Senhor a Davi foi que os inimigos de Israel seriam derrotados e não mais o oprimiriam (2Sm.7:10,11). Deus cumpriu esta promessa, ajudando Davi a vencer as nações que se lhe opunham. Muitos inimigos derrotados são citados no capítulo 8. Veja alguns:

Os filisteus. Eram um inimigo perpétuo e inveterado de Israel. Após ter conquistado Jerusalém, Davi, sob a direção divina, lançou uma ofensiva sobre os filisteus, derrotando-os totalmente.

“E sucedeu, depois disso, que Davi feriu os filisteus e os sujeitou; e Davi tomou a Metegue-Amá das mãos dos filisteus” (2Sm.8:1).

Com efeito, a partir dessa vitória de Davi sobre os filisteus, não mais se encontra relatos de dominação dos filisteus sobre os israelitas, o que havia sido uma constante desde a conquista da Terra Prometida. Davi terminou a tarefa de expulsá-los, não só do território de Israel, mas mesmo das suas próprias fronteiras. Eles habitavam em uma grande parte daquela terra, especialmente ao sul.

Com Davi, portanto, completa-se a obra de livramento destes terríveis inimigos, que se iniciara com Sansão, mais de cem anos antes. O segredo da vitória de Davi estava em sua completa submissão a Deus. Sempre consultava o Senhor antes de enfrentar um desafio difícil ou tomar alguma decisão (2Sm.5:19).

Os moabitas. Eram descendentes de Ló e que viviam ao oriente do mar morto. Eram uma ameaça militar e religiosa constante a Israel (Nm.25:1-3; Jz.3:12-30; 1Sm.14:47). Davi eliminou os maiores e fez dos menores servos para pagar-lhe tributo.

“Também feriu os moabitas, e os mediu com cordel, fazendo-os deitar por terra, e os mediu com dois cordéis para os matar, e com um cordel inteiro para os deixar em vida; ficaram, assim, os moabitas por servos de Davi, trazendo presentes” (2Sm.8:2).

O rei de Zobá, Hadadezer, filho de Reobe. Ao ser derrotado, permitiu que se cumprisse a promessa de Deus a Abraão que Israel iria controlar o território ao norte até o rio Eufrates (Gn.15:18). O rei de Hamate, Toí, ao saber da vitória de Davi sobre Hadadezer, mandou seu filho levar-lhe objetos de prata, de ouro e de bronze para o saudar e congratular-se com ele porque era seu inimigo também (2Sm.8:3-8).

Os edomitas. Eram descendentes de Esaú (Gn.36:1), também eram grandes inimigos de Israel (veja 2Reis 8:20; Jr.49:7-22; Ez.25:12-14). Davi os submeteu e fez deles seus servos (2Sm.8:14).

“E pôs guarnições em Edom, em todo o Edom pôs guarnições, e todos os edomitas ficaram por servos de Davi; e o SENHOR ajudava a Davi por onde quer que ia”.

Com as vitórias sobre os inimigos, Davi obteve grande e valioso despojo, que ele consagrou ao Senhor. O território de Israel se expandiu consideravelmente para o norte, sul e leste - não para o oeste porque já terminava nas praias do mar Mediterrâneo. Esta expansão territorial foi a maior registrada a qualquer tempo pela nação de Israel.

Davi julgava e fazia justiça a todo o seu povo. O seu poder militar estava à altura dos grandes reinos daquele tempo, e o país tinha uma posição estratégica no Oriente Médio que favorecia o comércio.

“Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel; e Davi julgava e fazia justiça a todo o seu povo” (2Sm.8:15).

2. As administrações de Davi

E Davi se ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o SENHOR, Deus dos Exércitos, era com ele" (2Sm.5:10).

Sob a liderança de Davi, o reino de Israel experimentou um vertiginoso crescimento, que acarretou diversas mudanças em diferentes áreas (política e espiritual), apesar da pressão dos inimigos externos - as nações vizinhas -, e também dos conflitos internos, familiares e governamentais.

O segredo do sucesso do reino de Davi era o seu coração totalmente voltado para Deus e, também, graças a sua habilidade administrativa e governamental. Ele era um líder inato, proativo, com uma visão futurista extraordinária.

A visão de Davi deu energias ao povo de Israel muito além do que Saul podia imaginar. Note o que a visão de Davi realizou em favor da nação israelita.

a)    Uniu o povo (2Sm.5:1-3). Pela primeira vez em muitos anos, “todas as tribos” e “todos os anciãos” se reuniram.

b)    Forneceu um centro de liderança (2Sm.5:4,5). Davi começou o seu reino em Hebrom, mas desejou unir a terra dividida e liderar a partir de Jerusalém.

c)     Inspirou grandeza (2Sm.5:9,10). O sonho de Davi para Jerusalém ajudou tanto a ele quanto ao povo a atingirem o grande alvo em conjunto.

d)    Atraiu outros à causa (2Sm.5:11,12). Depois que Davi havia conquistado Jerusalém, outros começaram a juntar-se à causa.

e)    Priorizou o culto de adoração ao Senhor (2Sm.6:17). Ao chegar ao trono, a preocupação com o culto ao Senhor foi prioridade na administração de Davi, e fez o que pode para restaurar a adoração ao Senhor, e isto na capital do reino, Jerusalém. Ele o fez estabelecendo a adoração do povo de Israel de acordo com a Lei Mosaica, como se pode ver no ritual da Arca. Colocando a Arca, símbolo do Deus invisível, no centro do país, Davi centralizou a adoração em Jerusalém e preparou o caminho para o templo. Ele estabeleceu um programa elaborado para os levitas, os quais estavam espalhados por toda a nação, fazendo com que sua participação nos cânticos, na adoração e no ensino fosse mais efetiva.

Sem dúvida, Davi foi um rei que governou o povo por meio dos princípios de Deus e, por esta razão, Deus o abençoou. Está escrito em 2Samuel 5:25a: “E fez Davi assim como o Senhor lhe tinha ordenado”. Com isso, aprendemos que, se o líder escolhido pelo Senhor para realizar a sua obra, for fiel e obediente a Ele, o crescimento e a prosperidade (espiritual e material) virão.

3. O Culto público.

O triunfo do reinado de Davi estava no desvelo pelo culto ao Senhor. Esta é uma das fortes e notórias diferenças entre Davi e Saul. Enquanto Saul não demonstrava muita preocupação com o culto ao Senhor e com os ministros do culto, Davi comprova um zelo especial pela adoração a Deus. 

Ele otimizou a liturgia do culto dando mais esplendor e vigor, e incentivando o povo a adorar ao Deus de Israel. Ele procurou ser um patrono do culto religioso e com a inspiração do Espírito Santo ele teve oportunidade de fazer uso do talento musical para escrever a letra e compor a música de vários salmos de louvor e proféticos que passaram a ser cantados no Tabernáculo, e mais tarde no Templo. Muitos estão transcritos para o livro de Salmos, em nossas Bíblias.

Davi trouxe a alegria ao povo em servir ao Senhor em seu santo Tabernáculo. No Salmo 122:1 ele declara: “Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor”. A primeira pergunta que vem a nós é: o que havia na Casa do Senhor, que gerava no coração do salmista e do povo tamanha alegria e desejo de ir para aquele lugar? Eram os sacrifícios oferecidos? O louvor produzido pelos levitas? Era a construção em si mesma? O que era afinal? Havia quatro coisas pelo menos: O privilégio de estar na Casa do Senhor; muito louvor espiritual; fidelidade e santidade de Deus, ou seja, a sua própria presença e; a sua Palavra viva.

O desejo do Pai Celeste é que em nossas vidas haja o mesmo anseio do rei Davi, que no salmo de número 27:4 diz: “Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei; que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo”.

Como vemos o Santuário e o Culto consagrado a Deus em nossos dias? Com certeza não pode e nem deve ser o lugar de uma simples reunião religiosa ou um encontro social de pessoas que durante as semanas ficam distantes uma das outras devido a seus afazeres de estudo, trabalho, compromissos diversos etc.

Jesus, certa feita, quando Ele foi ao Templo em Jerusalém, Ele mesmo declarou qual a real finalidade da Casa consagrada a Deus: “a minha casa será chamada casa de oração para todas as nações” (Mc.11:17b). Naquele Templo, vieram a Ele, cegos e coxos, e Ele os curou (Mt.21:14).

Diante de tantas maravilhas que o Senhor Jesus operava, as crianças não aguentaram em si de tanta alegria e começaram a declarar:” Hosana ao Filho de Davi” (Mt.21:15b), mas muitos religiosos da época “indignaram-se e disseram-lhe: ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor? (Mt.21:15,16). Jesus estava declarando:” A minha casa é lugar de oração, adoração, cura e muito louvor”.

Atualmente, o que temos visto e vivido na Casa consagrada para culto ao Senhor? Qual a nossa intenção no culto, dar ou receber? O culto é para o Senhor ou para os homens? Programamos o culto para agradar a igreja ou o Senhor Jesus?

O desejo de Deus é que o culto a Ele prestado seja não somente uma demonstração de amor à sua Pessoa, a seu Filho Jesus, e ao seu Santo Espírito, mas, também, ser um veículo para atrair vidas ao santuário e ali encontrarem a sua gloriosa presença, e que sejam salvas, libertas curadas, e encontrem vida abundante.

CONCLUSÃO

A partir de um reino despedaçado, que Saul havia deixado como herança, Davi construiu uma potência forte e unida. Quarenta anos depois, esta seria transmitida a seu filho Salomão. O segredo do sucesso do reino de Davi era o seu coração totalmente voltado para Deus. Foi um rei que governou o povo de Deus por meio dos princípios da Sua Palavra e, por esta razão, Deus o abençoou.

Pode ser que não alcancemos o sucesso terreno de Davi, no entanto, obedecer a Deus é, certamente, a melhor e mais acertada decisão. Há muitos crentes que são insubmissos a Deus e à sua Palavra; os tais se esquecem que obedecer é um princípio fundamental da vida cristã. O Deus de Davi continua o mesmo; Ele ainda requer obediência incondicional. Davi é um exemplo de que, sem obediência a Deus, sem estar no centro de Sua vontade, o líder não conseguirá obter o bom êxito e a expansão da Obra de Deus.

 

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