terça-feira, 26 de maio de 2026

DEUS SE REVELA EM LUGARES DE CRISE

 

DEUS SE REVELA EM LUGARES DE CRISE

TEXTO BÍBLICO: 1º Reis- 19 – 9 ,18

Elias no monte de Horebe  

8-Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força desse alimento caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.

9 Ali entrou numa caverna, onde passou a noite. E eis que lhe veio a palavra do Senhor, dizendo: Que fazes aqui, Elias?

10 Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha vida para má tirarem.

11 Ao que Deus lhe disse: Vem cá fora, e põe-te no monte perante o Senhor: E eis que o Senhor passou; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto, porém o Senhor não estava no terremoto;

12 e depois do terremoto um fogo, porém o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada.

13 E ao ouvi-la, Elias cobriu o rosto com a capa e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. E eis que lhe veio uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias?

14 Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha vida para má tirarem.

15 Então o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; quando lá chegares, ungirás a Hazael para ser rei sobre a Síria.

16 E a Jeú, filho de Ninsi, ungirás para ser rei sobre Israel; bem como a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás para ser profeta em teu lugar.

17 E há de ser que o que escapar da espada de Hazael, matá-lo-á Jeú; e o que escapar da espada de Jeú, matá-lo-á Eliseu.

18 Todavia deixarei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou.

19 Partiu, pois, Elias dali e achou Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele, estando ele com a duodécima; chegando-se Elias a Eliseu, lançou a sua capa sobre ele.

O QUE FAZES AQUI ELIAS

Após vencer os profetas de Baal no monte Carmelo, Elias recebeu ameaças de morte da Rainha Jezabel e fugiu para o deserto, cansado, frustrado e emocionalmente abalado, se escondeu em uma caverna no monte Horebe, foi ali que Deus se revelou e falou profundamente ao profeta.

A caverna simbolizava momento de crise emocional, esgotamento espiritual e confronto interior, onde Deus trabalha o coração do homem.

Pois até homens fortes espiritualmente enfrentam momentos de Medo, solidão. Desanimo, porém Deus transforma Cavernas em lugar de aprendizado e restauração.

Elias Descobriu que Deus fala no Silencio.

Voz Suave de Deus

Intimidade Espiritual para Ouvir

Sensibilidade

Pois Deus não falou no vento forte, Terremoto ou Fogo, mas sua voz Mansa no secreto da Alma.

Elias Descobriu que não estava só, pois havia a Companhia Divina, remanescente fiel e Esperança.

Havia 7 Mil que não haviam se dobrado a Baal, e sua missão ainda não havia terminado, Deus mandou Elias voltar e continuar sua missão profética.

Crises não anulam a missão de Deus o chamado, Proposito, continuidade e missão continuam.

1. O Contexto da Crise: O Esgotamento de Elias

Antes de ir para a caverna, Elias tinha acabado de viver o seu maior triunfo: ele desafiou e derrotou os 450 profetas de Baal no Monte Carmelo. Porém, logo em seguida, a rainha Jezabel o ameaçou de morte.

O impacto emocional foi imediato:

  • Exaustão física e mental: O medo e o cansaço acumulados fizeram Elias fugir para o deserto.
  • Depressão e isolamento: Ele se sentou debaixo de uma árvore e pediu para morrer, dizendo: "Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida".
  • A Caverna: A caverna em Horebe (o monte de Deus) tornou-se o símbolo perfeito de seu estado interior — um lugar de escuridão, isolamento, medo e autodefesa. Elias se escondeu do mundo e, de certa forma, tentou se esconder de seu propósito.

2. A Revelação de Deus: Não no Barulho, mas no Silêncio

Quando Elias estava na caverna, Deus lhe disse para se colocar na entrada do monte, pois o Senhor passaria por ali. O texto narra uma sequência de fenômenos impressionantes:

  • Um vento forte e poderoso que despedaçava os montes, mas o Senhor não estava no vento.
  • Um terremoto que abalou a terra, mas o Senhor não estava no terremoto.
  • Um fogo devastador, mas o Senhor não estava no fogo.

Depois de todo esse barulho e destruição, veio o sopro de uma brisa leve (ou "uma voz mansa e delicada"). Quando Elias ouviu a brisa, cobriu o rosto com o manto e foi para a entrada da caverna.

A grande lição: Nós costumamos procurar Deus nos grandes eventos, nos milagres estrondosos ou nas reviravoltas dramáticas. Mas, na crise, Deus frequentemente escolhe se revelar no silêncio, no sussurro que acalma a alma e fala diretamente ao coração sussurrante de medo.

3. Deus se Revela em Lugares de Crise

A experiência de Elias nos mostra como Deus gerencia as nossas crises mais profundas:

Ele acolhe a humanidade antes de dar uma ordem

Antes de confrontar o desânimo de Elias, Deus enviou um anjo para alimentá-lo e deixá-lo descansar. Deus não condena a nossa fraqueza física ou mental; Ele nos sustenta nela.

Ele faz as perguntas certas

Duas vezes Deus pergunta a Elias: "O que você está fazendo aqui, Elias?". Não era porque Deus não sabia, mas porque Elias precisava verbalizar sua dor. Deus nos dá espaço para desabafar na crise.

Ele redefine a nossa perspectiva

Elias achava que estava sozinho ("Só eu fiquei"). Deus, no sussurro, corrige sua visão distorcida pela dor e mostra que ainda havia 7.000 pessoas que não tinham se dobrado a Baal. A crise limita a nossa visão; a revelação de Deus a expande.

Ele dá um novo propósito

Deus não deixa Elias morando na caverna. Ele o envia de volta com novas missões (ungir novos reis e estabelecer Eliseu como seu sucessor). O sussurro de Deus na crise não serve apenas para nos consolar, mas para nos reposicionar.

Conclusão

A caverna não é o fim da história para quem serve a Deus; é o lugar do recomeço. Se você está hoje em um momento de crise, sentindo-se isolado ou exausto em sua própria "caverna", lembre-se de que Deus não precisa de barulho para agir. É no silêncio da sua oração sincera e na quietude da sua alma que a voz mansa e delicada Dele se faz ouvir, trazendo direção, cura e um novo recomeço.


 
O CHAMADO E A PREPARAÇÃO DE ELISEU - HUMILDADE NÃO SIGNIFICA DESEJAR POUCO DE DEUS


Eliseu, cujo nome significa “DEUS é salvação”, foi um extraordinário profeta do povo de Israel, que substituiu o grande profeta Elias e foi líder dos filhos dos profetas no reino de Israel por cerca de cinquenta anos, a partir do início do reinado de Jeorão em 852 a.C. Como Elias, ele nada deixou escrito para a posteridade, mas alguns dos seus feitos estão registrados para o nosso conhecimento e ensino nos dois livros de Reis.
Há apenas uma referência a ele no Novo Testamento, mas foi feita pelo Senhor JESUS CRISTO (Lucas 4:27), o que lhe dá plena autenticidade, se isso fosse necessário.
"E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro". Lucas 4:27

O SEU CHAMADO

Do lugar do seu nascimento, da sua linhagem, e da idade quando foi convocado para o serviço de DEUS nada sabemos, o que nos lembra que DEUS escolhe os Seus servos sem levar em conta esses e outros detalhes que às vezes julgamos tão importantes.
Mas temos informações suficientes para saber que ele era de uma família temente a DEUS e trabalhava na fazenda do seu pai, Safate. DEUS mesmo o acompanhava e tinha um plano sublime para a sua vida no meio de um povo que, naquele época, estava em grande parte longe de DEUS, governado por uma sucessão de reis idólatras e perversos.
Assim, quando o profeta Elias chegava no fim do seu ministério, desgastado com a rebeldia do povo, e pediu ao SENHOR que o levasse (1 Reis 19:4), o SENHOR ordenou que ele ungisse dois reis, um sobre a Síria e outro sobre Israel, e a Eliseu como profeta em seu lugar. Segundo o relato bíblico, Elias se apressou em nomear Eliseu no caminho entre Sinai e Damasco.
Elias encontrou o jovem e forte Eliseu lavrando com doze juntas de bois adiante dele. Elias passou por ele e lançou o seu manto sobre ele. Era um gesto simbólico, imediatamente compreendido por Eliseu: ele seria o sucessor de Elias, que já havia passado adiante e seguia o seu caminho. Sua submissão foi imediata: correu após Elias, sem discutir condições, pedindo apenas oportunidade para despedir-se dos pais, o que Elias lhe concedeu.
Provou que sua decisão era definitiva, ao tomar e matar a junta de bois, usar os aparelhos de aragem para cozer as suas carnes e alimentar o povo com elas. Em seguida seguiu Elias, deixando o conforto do seu lar e tornando-se o seu servo (1 Reis 19:21).
Isso pode nos lembrar daquele episódio em que alguém se prontificou a seguir ao Senhor JESUS, mas pediu que Ele o deixasse primeiro despedir os que estavam na casa dele (Lucas 9:61,62). Parece um pedido igual ao de Eliseu, no entanto há uma diferença sutil, mas muito importante: a despedida de Eliseu foi curta, consistindo apenas de um jantar, sem haver hesitação da parte dele pois sacrificou os animais que usava em seu trabalho. No outro caso, o pedido significava uma protelação em seguir o Senhor, pois quem pediu queria mais tempo com a família. JESUS lhe disse: “Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de DEUS.”


A SUA PREPARAÇÃO

Elias estava com pressa de deixar o cargo, mas Eliseu não estava preparado ainda. Era necessário tempo para aprendizagem e durante sete ou oito anos Eliseu foi assistente de Elias, prazo em que houve silêncio sobre os dois nas crônicas bíblicas.
O seu relacionamento com Elias era de servo, descrito ao rei Jeosafá, depois que Elias se fora, como “derramar água sobre as mãos de Elias”. A humildade, apego e submissão de Eliseu ao seu mestre não podiam ser descritas de maneira mais clara e abreviada, convencendo Jeosafá a ir procurá-lo para resolver um problema sério, certo de que a palavra do SENHOR estava com ele (2 Reis 3:11,12).

Há alguns entre nós que costumam desprezar, como desnecessário, um período de aprendizagem para os que são chamados para o trabalho do Senhor. Mas um intervalo tomado em uma escola bíblica, ou seminário evangélico, desde que bem orientado, pode ser de grande importância para o obreiro inexperiente.


Não se trata de conseguir um diploma, ou profissionalização, mas esse tipo de aprendizagem ensina a humildade e a submissão aos seus mestres, pode evitar erros sérios no ministério e permite adquirir em pouco tempo conhecimentos e experiências que serão de grande utilidade o seu ministério.

A partida de Elias (2 Reis 2:1-12)

A partida de Elias foi notável e singular em toda a história. Se há uma lição importante para nós, é o apego de Eliseu ao seu mestre, e a sua nobre ambição de ser dotado com o dobro da unção do ESPÍRITO de Elias.

Elias nos dá a impressão de estar testando Eliseu. Ambos sabiam que DEUS estava para tirar Elias para que Eliseu o substituísse. Três vezes Elias disse a Eliseu que ficasse onde estava porque o SENHOR queria que Elias fosse a outro lugar. Em todas essas vezes, Eliseu insistiu em seguir junto com Elias, dizendo as mesmas palavras: “Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei”.


Eliseu aparentemente já era aceito como o eventual sucessor de Elias, e os filhos dos profetas em Betel e Jericó sabiam que haveria a substituição naquele dia. Elias já se dispunha a se afastar, mas Eliseu insistiu em acompanhá-lo até ao fim - que caráter!
Há uma tendência entre os mais jovens de hoje de fazerem pouco caso dos anciãos mais idosos em suas igrejas - ele já foi, dizem! Eliseu amava o seu mestre e ficou com ele, submisso, até que DEUS o tomasse. Foi grandemente recompensado por isso!
Após atravessarem o rio Jordão, simbolicamente terminando a missão de Elias ao afastar-se de Israel e voltar à sua origem do outro lado do rio (1 Reis 17:1), Elias perguntou a Eliseu o que ele gostaria de receber dele, e a resposta de Eliseu foi decerto inesperada: queria que Elias lhe concedesse porção dobrada do seu espírito! Uma dupla porção da herança cabia ao filho primogênito de um israelita, e a herança de Elias seria de ordem espiritual.
Elias servira a DEUS de maneira sacrificial toda a sua vida, e DEUS lhe concedera abundantes dons espirituais. Eliseu sabiamente queria o mesmo para si, e de forma duplamente abundante. É curioso notar que a Bíblia nos relata oito milagres feitos por Elias, mas dezesseis, o dobro, feitos por Eliseu.

Não era da competência de Elias conceder o pedido de Eliseu, mas prometeu que Eliseu saberia que ele lhe tinha sido concedido, se tivesse a oportunidade de ver a sua partida. Realmente Eliseu viu Elias ser elevado ao céu num redemoinho, e assim teve a confirmação.
O ministério de Eliseu

Em seu ministério, Eliseu provou ser um homem de grande energia, ativo no serviço a DEUS, falando com autoridade em nome do SENHOR, de uma integridade incorruptível, confiante no poder de DEUS, fiel em seu ministério e de grande visão espiritual. A sua influência se viu tanto na área pública quanto nas vidas particulares daqueles que tiveram o privilégio de participar da sua companhia. Foi sem dúvida, um exemplo a ser seguido por todo aquele que se dedica ao serviço de DEUS. R David Jones

 
2 Reis 2:1-8 - Elias Despede-se de seus Amigos, Especialmente de Eliseu - Comentário Bíblico Exaustivo - Antigo Testamento e Novo Testamento - Matthew Henry
Os tempos de Elias, e os eventos referentes a ele, são tão pouco datados como aqueles de qualquer grande homem na Escritura. Não somos informados de sua idade, nem em que ano do reinado de Acabe ele apareceu pela primeira vez, nem em que ano do reinado de Jorão desapareceu, e por essa razão, não se pode conjeturar por quanto tempo ele atuou. Supõe-se que vinte anos ao todo. Aqui somos informados de:

Que DEUS tinha determinado levá-lo ao céu em um redemoinho (v. 1). Ele faria isso, e é provável que o fizesse saber de seu propósito algum tempo antes, que Ele iria em breve levá-lo do mundo, não pela morte, mas pela passagem de seu corpo e alma para o céu, como Enoque foi, só fazendo-o passar por uma mudança necessária para qualificá-lo para ser um habitante do mundo dos espíritos, como aqueles que serão encontrados vivos na volta de CRISTO deverão experimentar. Não nos cabe dizer por que DEUS colocaria tal honra peculiar sob Elias, acima de qualquer outro dos profetas. Ele foi um homem sujeito às mesmas paixões que nós, conheceu o pecado, mas nunca provou da morte. Por que motivo ele foi assim dignificado, assim diferenciado, como um homem a quem o Rei dos reis teve prazer em honrar? Podemos supor que:


1. DEUS olhou para seus serviços passados, os quais foram eminentes e extraordinários, e quis conceder-lhe uma recompensa por eles e um encorajamento para os filhos dos profetas para andarem nos passos de seu zelo e fidelidade, e, custasse o que custasse a eles, testemunharem contra as corrupções da era em que viviam.

2. Ele olhou para baixo, para o presente estado de escuridão e degeneração da igreja, e quis dar uma prova muito perceptível de outra vida após esta, e direcionar os corações dos poucos fiéis para cima, em sua direção, e na daquela outra vida. 3. Ele olhou adiante para a dispensação evangélica, e, no translado de Elias, deu um tipo de figura da ascensão de CRISTO e da abertura do reino dos céus para todos os crentes. Elias tinha, pela fé e pela oração, convivido muito com os céus, e agora ele é levado para lá, para nos assegurar que, se tivermos comunhão com os céus, enquanto estivermos aqui na Terra, em breve estaremos lá, a alma (o ser humano) será feliz lá, e para sempre.

Que Eliseu tinha determinado, enquanto continuasse na Terra, apegar-se a ele, e não o deixar. Elias parecia querer livrar-se dele, o teria abandonado em Gilgal, em Betel, em Jericó (vv. 2,4,6). Alguns pensam em humildade. Ele sabia o que a glória de DEUS tinha designado para ele, mas não parecia se orgulhar disso, nem desejava que isto fosse visto pelos homens (os favoritos de DEUS não desejam ter proclamado diante deles que eles são assim, como os favoritos dos príncipes terrestres fazem), ou que ainda isto fosse para testá-lo, e fazer sua adesão constante a ele a mais recomendável, como Noemi persuadindo Rute que voltasse. Em vão Elias lhe pede para que permaneça aqui ou ali. Ele decide não ficar em lugar nenhum abandonando o seu senhor, até ele ir para os céus, e abandoná-lo nesta Terra. “Não importa o que aconteça, te não deixarei;” E por que isto? Não somente porque ele o amava, mas:
1. Porque ele desejava ser edificado por sua convivência santa e divina por todo o tempo em que ele permanecesse na terra. Isto tinha sido sempre lucrativo, mas, nós podemos supor, que agora fosse mais do nunca. Nós devemos fazer uns aos outros todo bem espiritual que pudermos, e conseguir reciprocamente tudo o que pudermos, enquanto estivermos juntos, porque nós estamos juntos apenas por um pouco de tempo.


2. Porque ele desejava ter certeza no que se referia à sua partida, e vê-lo quando ele fosse levado, para que sua fé fosse confirmada e seu conhecimento do mundo invisível aumentado. Ele tinha seguido Elias por muito tempo, e não o deixaria agora quando esperava pela partida abençoada. Que aqueles que seguem a CRISTO não fracassem pelo cansaço no final.

Que Elias, antes de sua partida, visitou as escolas dos profetas e despediu-se deles. Parece que havia muitas escolas de profetas em muitas cidades de Israel, provavelmente até mesmo na própria Samaria. Aqui nós encontramos filhos dos profetas, e um considerável número deles, mesmo em Betel, onde um dos bezerros foi erigido, e em Jericó, a qual foi mais tarde construída em desafio a uma maldição divina. Em Jerusalém, e no reino de Judá, eles tinham sacerdotes e levitas, e o serviço do templo, cuja falta, no reino de Israel, DEUS graciosamente supriu com aquelas escolas, onde os homens eram treinados e empregados na prática da religião e devoção, e às quais pessoas boas recorriam para solenizar as festas previstas com oração e o ouvir, quando eles não tinham locais próprios para sacrifícios ou incensos, e assim a religião era mantida num tempo de apostasia geral. Havia muito de DEUS entre esses profetas, e mais eram os filhos da desolada do que os filhos da mulher casada. Nenhum dos grandes sacerdotes era comparável àqueles dois grandes homens, Elias e Eliseu, os quais, até onde sabemos, nunca ministraram no templo de Jerusalém. Estes seminários de religião e virtude, cuja fundação é provável que tenha ocorrido por iniciativa de Elias, ele agora visita, antes de sua partida, para instruí-los, encorajá-los e abençoá-los. Note: Aqueles que estão indo para os céus devem se preocupar com aqueles que vão abandonar na Terra, e devem deixar com eles suas experiências, testemunhos, conselhos e orações (2 Pe 1.15). Quando CRISTO disse, com triunfo: Eu já não estou mais no mundo, ele acrescentou, com ternura: Mas eles estão. Pai, guarda-os.


Que os filhos dos profetas tinham conhecimento (ou pelo próprio Elias, ou pelo espírito da profecia em alguns de seu próprio convívio), ou suspeitaram pela solenidade da despedida de Elias, que ele seria logo removido. E:

Eles contaram isso a Eliseu, tanto em Betel (v. 3) quanto em Jericó (v. 5): Sabes que o Senhor, hoje, tomará o teu senhor por de cima da tua cabeça? Isto eles disseram não o censurando pela perda, ou esperando que quando seu mestre tivesse ido ele se colocasse no mesmo nível que eles, mas para mostrar quão ocupados estavam com esse assunto e ansiosos por esse evento, e para prevenir Eliseu que se preparasse para a perda. Não sabemos que nossas mais próximas relações, e mais queridos amigos, devem em breve ser levados de nós? O Senhor os tomará. Nós os perdemos quando Ele, a quem pertencem, os chame, pois é aquele que tira e ninguém pode impedir. Ele leva embora tanto os superiores a nós quanto os inferiores, e os que estão no mesmo nível que nós. Por isso, cumpramos cuidadosamente o dever de cada relacionamento, para que possamos refletir sobre ele com conforto quando vier a ser dissolvido. Eliseu sabia disso muito bem, e o seu coração se encheu de tristeza com esta notícia (como os discípulos em um caso similar, João 16.6), e por essa razão ele não precisava ouvir falar disso, não estava interessado em ouvir falar do assunto, e não seria interrompido em suas contemplações acerca desta grande preocupação, nem seria levado a interromper o serviço que prestava ao seu mestre: Também eu bem o sei; calai-vos. Ele não fala com raiva, ou com desprezo aos filhos dos profetas, mas como alguém que estava bem e os queria acalmar e tranquilizar, e que estava, com um silêncio terrível, esperando o evento: Também eu bem o sei; calai-vos (Zc 2.13).


2. Eles próprios foram para serem testemunhas à distância, embora não pudessem assistir de perto (v. 7): Cinquenta homens dos filhos dos profetas pararam de longe, tentando satisfazer sua curiosidade, mas DEUS assim ordenou, que eles deviam ser testemunhas oculares da honra que o céu concedeu àquele profeta, o qual era desprezado e o mais indigno entre os homens. Os trabalhos de DEUS são muito merecedores de nossa atenção, quando uma porta é aberta no céu o chamado é: Sobe aqui, sobe e veja.

Que a abertura milagrosa do rio Jordão foi o preâmbulo para a passagem de Elias para a Canaã celestial, como tinha sido para a entrada de Israel na Canaã terrena (v. 8). Ele devia ir para o outro lado do Jordão para ser transladado, porque lá era a sua terra natal e porque ele devia estar próximo ao lugar em que Moisés morreu, e para que assim a honra pudesse ser colocada na parte do país que era mais desprezada. Ele e Eliseu podiam ter cruzado o Jordão em uma balsa, como outros faziam, mas DEUS iria engrandecer Elias em sua saída como fez com Josué em sua entrada, pela divisão deste rio (Js 3.7). Como Moisés dividiu o mar com a sua vara, assim Elias dividiu o Jordão com seu manto, ambos, vara e manto, sendo os emblemas — os distintivos de seu ofício. Estas águas que antes cederam à arca, agora cederam ao manto do profeta, manto que, para aqueles que careciam da arca, era um sinal equivalente da presença de DEUS. Quando DEUS levar os seus fiéis para o céu, a morte é o Jordão que, imediatamente antes de sua passagem, eles deverão atravessar, e eles encontrarão um caminho através dele, um caminho seguro e confortável. A morte de CRISTO dividiu as águas para que os resgatados de DEUS possam passar. Onde está, ó morte, o teu aguilhão, a tua ferida, o teu terror?


2 Reis 2:9-12 - Elias É Arrebatado, e Eliseu Lamenta - Comentário Bíblico Exaustivo - Antigo Testamento e Novo Testamento - Matthew Henry

Elias cumpre seu desejo, e deixa Eliseu como seu herdeiro, agora o ungindo para que seja profeta em seu lugar, mais do que quando lançou a sua capa sobre ele (1 Reis 19.19).


1. Elias, estando grandemente satisfeito com a constância da afeição e da atenção de Eliseu, lhe fez uma pergunta sobre o que ele deveria realizar para ele, que bênção deveria deixar para ele ao partir. Elias não diz (como o bispo Hall observa): “Pede-me o que queres que te faça quando eu tiver ido, no céu eu estarei mais apto a te favorecer”, mas: “Pede-me antes que eu vá”. Podemos falar com nossos amigos na Terra, e eles podem nos responder, mas não temos acesso a nenhum amigo que esteja no céu, a não ser CRISTO, e DEUS nele. Abraão nós não conhecemos.


2. Eliseu, tendo esta justa oportunidade de se enriquecer com as melhores riquezas, roga por uma porção dobrada de seu espírito. Ele não pede por riquezas materiais, nem por honra, nem ausência de problemas, mas pede para estar qualificado para o serviço de DEUS e de sua geração. Ele pede: (1) Pelo ESPÍRITO, não que Elias tivesse capacidade de conceder os dons e as graças do ESPÍRITO. Por essa razão ele não diz: “Dê-me o ESPÍRITO” (ele sabia muito bem que isso era dom de DEUS), mas: “Peço-te que ele esteja sobre mim, intercede junto a DEUS por mim nesse sentido”. CRISTO disse a seus discípulos que pedissem o que quisessem, não alguma coisa, mas tudo, e prometeu enviar o ESPÍRITO, com muito mais autoridade e certeza do que poderia Elias. (2) Por seu espírito, porque ele deveria ser um profeta em seu lugar, continuar seu trabalho, para gerar os filhos dos profetas e encarar os inimigos deles, porque ele deveria encontrar as mesmas dificuldades e lidar com a mesma geração perversa, de maneira que, se ele não tiver seu espírito, não terá força suficiente para enfrentar a tarefa. (3) Por uma porção dobrada de seu ESPÍRITO. Ele quer dizer o dobro do que tinha Elias. É uma ambição sagrada procurar com zelo os melhores dons, e aqueles que nos tornarão mais úteis a DEUS e a nossos irmãos. Note: Nós todos, tanto ministros quanto povo, temos que colocar diante de nós os exemplos de nossos predecessores, trabalhar a exemplo do espírito deles, e ser sérios com DEUS buscando a graça que os conduziu em seu trabalho e os habilitou a cumpri-lo.


3. Elias prometeu-lhe o que ele pediu, mas sob duas condições (v. 10). (1) Contanto que ele valorizasse e estimasse isto muito: isso ele o ensina a fazer ao chamá-lo coisa dura, não tão difícil para DEUS realizar, mas muito grande para ele esperar. Aqueles que estão mais preparados para as bênçãos espirituais são aqueles mais sensíveis ao quanto elas valem e à sua própria indignidade para recebê-las. (2) Contanto que ele se mantivesse próximo a seu senhor, até ao final, e fosse o observasse: Se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, do contrário, não. Uma atenção diligente às instruções de seu senhor, e uma observação cuidadosa de seu exemplo, principalmente agora nesta última cena, eram a condição e seriam um meio adequado de obter muito de seu espírito. Observar cuidadosamente a maneira de sua ascensão seria também de grande utilidade para ele. Os confortos dos santos que partiram, e suas experiências, ajudarão poderosamente tanto a dourar nossos confortos quanto a fortalecer nossas resoluções. Ou, talvez, isto fosse planejado apenas como um sinal: “Se DEUS te favorecer tanto a ponto de fazer com que me vejas quando eu acender, aceita isso como um sinal de que Ele fará isso para você, e confia nisso.” Os discípulos de CRISTO o viram ascender e, por causa disso, tiveram certeza de que, em pouco tempo, seriam preenchidos por seu ESPÍRITO (At 1.8). Podemos supor que depois disso Eliseu orou seriamente: Senhor, mostra-me esse sinal para bem.


Elias é levado ao céu num carro de fogo (v. 11). Como Enoque, ele foi trasladado, para não ver a morte. E foi (como Cowley o expressa) o segundo homem que saltou o fosso no qual todo o resto da humanidade caiu e ele não foi para o céu descendo. Muitas perguntas curiosas poderiam ser feitas sobre este assunto, mas não poderiam ser respondidas. Que nos baste a informação que temos aqui sobre:


1. O que o seu Senhor, quando chegou, o encontrou fazendo. Ele estava conversando com Eliseu, instruindo-o e encorajando-o, orientando-o em seu trabalho, e estimulando-o, para o bem daqueles que ele abandonaria. Ele não estava meditando ou orando, como alguém completamente enlevado pelo mundo para o qual estava indo, mas como alguém dedicado à pregação, como alguém preocupado com o reino de DEUS entre os homens. Nós nos enganamos se pensamos que nossa preparação para os céus é feita apenas pela contemplação e os atos de devoção. A utilidade que representamos para os outros nos será cobrada como qualquer outra coisa. Pensar em coisas divinas é bom, mas falar delas (se isso vier do coração) é melhor, porque é para a edificação (1 Co 14.4). CRISTO ascendeu ao céu enquanto estava abençoando seus discípulos.


2. Que escolta seu Senhor lhe enviou — um carro de fogo, com cavalos de fogo, o qual apareceu ou descendo sobre eles das nuvens ou (como pensa o bispo Patrick) correndo na direção deles por sobre o chão: nesta forma os anjos apareceram. As almas de todos os fiéis são carregadas por uma invisível guarda de anjos para dentro do seio de Abraão. Mas, tendo Elias carregado seu corpo consigo, está guarda celestial tornou-se visível, não numa forma humana, como de costume, embora eles pudessem tê-lo carregado em seus braços, ou o levado como nas asas de uma águia, mas isto seria carregá-lo como a uma criança, como a um cordeiro (Is 40.11,31). Eles aparecem na forma de um carro e cavalos, para que ele pudesse conduzir com pompa, para que pudesse conduzir em triunfo, como um príncipe, como um vencedor, sim, mais do que vencedor. Os anjos são chamados na Escritura de querubins e serafins, e a aparência deles aqui, embora possa parecer estar abaixo de sua dignidade, corresponde a ambos os nomes. Pois (1) Serafim significa flamejante, e diz que DEUS faz deles um fogo abrasador (Sl 104.4). (2) Querubim (na opinião de muitos) significa carruagens, e eles são chamados de os carros de DEUS (Sl 68.17), e diz que Ele montou num querubim (Sl 18.10), aos quais talvez exista uma alusão na visão de Ezequiel de quatro seres viventes, e rodas, como cavalos e carros. Na visão de Zacarias eles também são representados assim (Zc 1.8; 6.1. Compare com Apocalipse 6.2ss.). Veja a prontidão dos anjos para fazerem a vontade de DEUS, mesmo nos serviços mais desprezíveis, para o bem daqueles que devem ser herdeiros da salvação. Elias devia mudar-se para o mundo dos anjos, e por essa razão, para mostrar quão desejosos eles estavam de sua companhia, alguns deles viriam buscá-lo. O carro e os cavalos apareceram como fogo, não por queimar, mas pelo brilho, não para torturá-lo ou consumi-lo, mas para tornar sua ascensão notável e ilustre aos olhos daqueles que ficaram de longe para vê-la. Elias tinha queimado com zelo santo por DEUS e por sua honra, e agora, com o fogo sagrado ele foi refinado e trasladado.

3. Como ele foi separado de Eliseu. Este carro os separou. Note: Os mais queridos amigos devem partir. Eliseu tinha afirmado que não o deixaria, mas agora ele é abandonado por Elias.

4. Para onde ele foi carregado. Ele subiu ao céu num redemoinho. O fogo tende a subir. O redemoinho ajudou a carregá-lo através da atmosfera, para fora do alcance da força magnética da terra, e então, quão suavemente ele acendeu através do puro éter para o mundo dos espíritos sagrados e abençoados que nós não podemos conceber.
“Mas onde ele parou nunca se saberá,


Até que a Natureza Fênix, envelhecida,



Aspire tornar-se um ser melhor, Subindo-a, como ele, para a eternidade em fogo.” .
Uma vez Elias, em aflição, tinha desejado morrer. Mas DEUS foi tão gracioso com ele a ponto de não apenas não aceitar seu pedido na ocasião, mas de honrá-lo com este privilégio singular, de que ele nunca veria a morte. E por este exemplo, e por aquele de Enoque: (1) DEUS mostrou como os homens deveriam deixar o mundo se não tivessem pecado, não pela morte, mas pela trasladação. (2) Ele concedeu um vislumbre daquela vida e imortalidade que são trazidas à luz pelo evangelho, da glória reservada para os corpos dos santos, e da abertura do reino dos céus para todos os crentes, como então ocorreu para Elias. Isso também foi uma figura da ascensão de CRISTO.


Eliseu comovido lamenta a perda do grande profeta, mas o assiste com um elogio (v. 12).
1. Ele viu isto. Assim ele recebeu o sinal pelo qual lhe fora garantida a concessão de seu pedido por uma dupla porção do espírito de Elias. Ele olhou fixamente para o céu, de onde ele esperava receber aquele dom, como os discípulos fizeram em Atos 1.10. Ele viu por um momento, mas a visão foi prontamente tirada de sua vista. E nunca mais o viu.

2. Ele rasgou suas próprias roupas, como sinal da noção que tinha de sua própria perda e da de todos. Embora Elias tivesse ido triunfantemente para o céu, este mundo não podia dar-se ao luxo da sua ausência, e por isso sua remoção devia ser muito lamentada pelos sobreviventes. Sem dúvida, os corações daqueles cujos olhos estão secos são duros, quando DEUS, ao levar embora homens úteis e leais, pede choro e lamentação. Embora a partida de Elias tenha aberto o caminho para a eminência de Eliseu, especialmente desde que ele estava agora seguro da dupla porção de seu espírito, ele lamentou a perda de Elias, porque o amava, e poderia tê-lo servido para sempre.

3. Ele falou de Elias de forma muito honrável, mostrando o motivo de tanto lamentar sua ausência. (1) Ele próprio tinha perdido o guia de sua mocidade: Meu pai, meu pai. Ele viu sua própria condição como a da criança sem pai atirada ao mundo, e lamentou isto da forma adequada. Quando CRISTO deixou seus discípulos, não os deixou órfãos (Jo 14.15), mas Elias teve que fazê-lo. (2) O público tinha perdido seu melhor guardião. Ele era os carros de Israel, e os seus cavaleiros. Ele teria levado todos para os céus, como nesse carro, se não fosse por culpa deles mesmos. Eles não usavam carros e cavalos em suas guerras, mas Elias era para eles, por seus conselhos, reprovações, e orações, melhor do que a mais poderosa força de carros e cavalos, e evitou os julgamentos de DEUS. Sua partida foi como a derrota de um exército, uma perda irreparável. “Seria melhor ter perdido todos os nossos homens de guerra do que ter perdido esse homem de DEUS.”


segunda-feira, 25 de maio de 2026

SAMUEL, O NASCIMENTO DE UM LÍDER PROFÉTICO EM ISRAEL



SAMUEL, O NASCIMENTO DE UM LÍDER PROFÉTICO EM ISRAEL

O nascimento de Samuel é uma das narrativas mais emocionantes e significativas do Antigo Testamento. Mais do que um relato biográfico, essa história marca uma transição crucial na história de Israel: a mudança do período caótico dos Juízes para o início da monarquia.

O versículo que você citou resume o ápice de uma jornada de dor, fé e entrega. Para entender a profundidade desse nascimento, precisamos olhar para o cenário por trás dele.

A Dor e o Cenário Familiar

Ana vivia em um contexto familiar doloroso. Ela era casada com Elcana, que também era marido de Penina. Naquela época, a esterilidade era vista não apenas como uma questão de saúde, mas como um sinal de desfavor divino e um forte estigma social.

Penina tinha filhos e usava isso para provocar e humilhar Ana continuamente, ano após ano, especialmente quando a família subia a Siló para adorar no Tabernáculo. O texto bíblico diz que Ana chorava tanto que não conseguia comer.

O Voto Cativante em Siló

Em profunda amargura de alma, Ana tomou uma decisão: ela derramou seu coração diante do Senhor no Tabernáculo. Sua oração foi tão intensa, mas feita em silêncio (apenas movendo os lábios), que o sumo sacerdote Eli chegou a pensar que ela estava bêbada.

Ali, Ana fez um voto audacioso: se Deus lhe desse um filho homem, ela o devolveria ao Senhor por todos os dias de sua vida, e ele seria dedicado como nazireu (consagrado exclusivamente a Deus).

O Significado do Nome "Samuel"

Quando o versículo diz que ela chamou o menino de Samuel (Shemuel, no original em hebraico), há um jogo de palavras muito bonito na língua original.

  • O nome está intimamente ligado à expressão "ouvido por Deus" ou "nome de Deus".
  • Ana justifica o nome dizendo: "Porque o tenho pedido ao Senhor". A raiz da palavra para "pedido" (sha'al) soa muito parecida com o nome Samuel.

Registrar essa história no nome do filho era uma forma de Ana lembrar a si mesma, ao menino e a todo Israel de que aquela criança era o resultado direto de uma oração respondida. Deus não estava surdo ao clamor de Seu povo.

O Impacto Desse Nascimento para Israel

O nascimento de Samuel não mudou apenas a vida de uma mãe chorosa; mudou o destino de uma nação.

  • O Fim de um Silêncio Espiritual: O texto bíblico narra que, naquela época, "a palavra do Senhor era rara; as visões não eram frequentes" (1Sm 3:1). O sacerdócio de Eli estava corrompido pelos seus filhos. Samuel nasce para ser a nova voz de Deus.
  • O Último Juiz e o Primeiro Profeta: Samuel cresceu no Tabernáculo após ser desmamado e se tornou o homem que unificou Israel espiritualmente, liderou o povo contra os filisteus e, mais tarde, ungiu os dois primeiros reis de Israel: Saul e Davi.

O nascimento de Samuel nos mostra que, muitas vezes, as maiores respostas de Deus para crises coletivas começam no silêncio e nas lágrimas de uma oração sincera.

O Chamado na Madrugada

Aconteceu de madrugada, antes que a lâmpada de Deus no Tabernáculo se apagasse. Samuel estava deitado dormindo, e Eli também descansava em seus aposentos.

O chamado se desdobrou em quatro momentos específicos:

  • A primeira voz: O Senhor chamou: "Samuel!". O menino, achando que era o idoso Eli que precisava de ajuda, correu até ele e disse: "Eis-me aqui, porque tu me chamaste". Eli, confuso, respondeu: "Não te chamei eu, torna a deitar-te". E ele foi.
  • A segunda tentativa: Deus chamou novamente: "Samuel!". Mais uma vez, o menino se levantou, foi até Eli e repetiu que estava ali porque tinha sido chamado. Eli insistiu que não o chamara e mandou o garoto voltar para a cama.
  • A terceira insistência: O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. O menino, com a mesma prontidão, foi até Eli. O texto bíblico faz uma pausa importante aqui para explicar o que estava acontecendo:

"Samuel ainda não conhecia ao Senhor, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do Senhor." (1Sm 3:7) — ou seja, ele conhecia os rituais do Tabernáculo, mas ainda não tinha tido uma experiência auditiva e profética direta com Deus.

A Percepção de Eli e a Orientação

Na terceira vez, o velho Eli finalmente compreendeu o que estava acontecendo. Ele percebeu que era o Senhor quem estava chamando o menino.

Eli, então, deu a Samuel a instrução que mudaria sua vida:

"Vai deitar-te e há de ser que, se te chamar, dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve." (1Sm 3:9)

Samuel voltou e se deitou. O texto narra que, na quarta vez, o Senhor não apenas chamou, mas "veio, e pôs-se ali", chamando como das outras vezes: "Samuel, Samuel!". E o menino respondeu exatamente como foi instruído: "Fala, porque o teu servo ouve".

A Mensagem e o Peso do Chamado

Diferente do que muitos imaginam por ser uma criança, a mensagem que Deus entregou a Samuel não foi leve. Deus revelou ao menino que iria julgar e punir a casa de Eli permanentemente, por causa dos pecados e da irreverência dos filhos do sacerdote, os quais Eli não havia repreendido como deveria.

Na manhã seguinte, Samuel teve medo de contar a visão a Eli, mas o velho sacerdote o obrigou a falar toda a verdade. Samuel demonstrou coragem e fidelidade ao relatar cada palavra.

A partir daquela noite, o silêncio espiritual de Israel acabou. Samuel cresceu, o Senhor era com ele e nenhuma de suas palavras caiu por terra, sendo reconhecido de Dã a Berseba (de norte a sul do país) como um profeta confirmado do Senhor.

TEXTO BÍBLICO :1Samuel 1:20-28

"E sucedeu que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao Senhor" (1Sm.1:20).

1Samuel 1:20-28

20-E sucedeu que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao SENHOR.

21-E subiu aquele homem Elcana, com toda a sua casa, a sacrificar ao SENHOR o sacrifício anual e a cumprir o seu voto.

22-Porém Ana não subiu, mas disse a seu marido: Quando o menino for desmamado, então, o levarei, para que apareça perante o SENHOR e lá fique para sempre.

23-E Elcana, seu marido, lhe disse: Faze o que bem te parecer a teus olhos; fica até que o desmames; tão-somente confirme o SENHOR a sua palavra. Assim, ficou a mulher e deu leite a seu filho, até que o desmamou.

24-E, havendo-o desmamado, o levou consigo, com três bezerros e um efa de farinha e um odre de vinho, e o trouxe à Casa do SENHOR, a Siló. E era o menino ainda muito criança.

25-E degolaram um bezerro e assim trouxeram o menino a Eli.

26-E disse ela: Ah! Meu senhor, viva a tua alma, meu senhor; eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, para orar ao SENHOR.

27-Por este menino orava eu; e o SENHOR me concedeu a minha petição que eu lhe tinha pedido.

28-Pelo que também ao SENHOR eu o entreguei, por todos os dias que viver; pois ao SENHOR foi pedido. E ele adorou ali ao SENHOR.

INTRODUÇÃO

Em 1Samuel, capítulo primeiro, é narrada a história do nascimento de Samuel, que contrariou a lógica humana, pois sua mãe era estéril; foi um grande marco na história de Israel. Samuel tornou-se um grande líder e foi um instrumento comprometido com Deus para fazer a vontade divina. Sua mãe chama-se Ana, uma mulher humilde e piedosa, que amava o Senhor, porém, era estéril. Ana é com certeza um exemplo de fé e perseverança; uma mulher que não se acostumou com a situação de esterilidade. Mesmo diante das dificuldades causadas por Penina, a outra esposa de Elcana, e a incompreensão do marido e do sacerdote Eli, Ana permaneceu crendo e esperando no agir de Deus. A fé de Ana é recompensada de maneira maravilhosa. Ela fez um voto ao Senhor Deus, e Ele atendeu o seu desejo: ela gerou um filho e o seu nome foi Samuel. No tempo determinado, Ana levou o menino ao Templo e o consagrou ao Senhor Deus, tal como havia prometido em seu voto. Antes de entregar Samuel ao sacerdote Eli, ela conta seu testemunho e os fundamentos do voto que fez. Juntamente com uma generosa oferta, ela entrega o menino ao Senhor, que fica aos cuidados do sumo sacerdote Eli. Tal como havia dito, Ana fez. Cumprir votos que fazemos ao Senhor é fundamental na nossa intimidade com Deus. Que sejamos fiéis naquilo que lhe prometemos.

I. O AMBIENTE FAMILIAR DE SAMUEL

1. O local de nascimento de Samuel

O texto sagrado é bem claro sobre a localidade do nascimento dos pais de Samuel, subentendendo que ele tenha nascido ali também.

“Houve um homem de Ramataim-Zofim, da montanha de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efrateu” (1Sm.1:1).

Portanto, Samuel nasceu num local chamado “Ramataim-Sofim”, que em hebraica significa “vigilante em dupla altura” ou “cumes gêmeos de Zofim”.

Por que dar ênfase à localização do nascimento de Samuel? Com bem diz o Pr. Osiel Gomes, situar, geograficamente, Samuel dentro de uma localidade, especificando a residência de seus pais, é evidenciar aos leitores do texto sagrado que esse homem não vai aparecer nas páginas da Bíblia como uma pessoa qualquer, mas que tem uma família, um local certo de nascimento.

Neste particular, vemos que Jesus, por diversas vezes, é apresentado como tendo uma residência (João 1:39). Paulo procurou com denodo esclarecer sua origem familiar, localidade de seu nascimento e formação, uma prova de que ele não era um intruso, alguém sem princípio, sem origem (At.22;3 - ARA).

Um detalhe importante pode ser dito sobre essa localidade: ela seria o lugar permanente de Samuel (1Sm.7:17); nela ele nasceu, morreu e foi sepultado (1Sm.25:1). Vale dizer que somente aqui, 1Sm.1:1, é que aparece a completude dessa localidade, sendo que em outras passagens bíblicas vem apenas o primeiro nome: Ramá. Assim, pode-se crer que Zofim vem primeiro para fazer distinção entre outras regiões que também eram denominadas de Ramá, que quer dizer cume.

Ramataim-Zofim estava situada na região montanhosa de Efraim, distando ao norte de Jerusalém aproximadamente 24 quilômetros. Para o escritor e historiador Flávio Josefo, esse lugar poderia ser também a cidade em que José de Arimateia nasceu (João 19:38).

Portanto, podemos dizer que Elcana era da tribo de Levi, descendente de coate, mas não da linhagem de Arão (1Cr.6:26,33), porém estava habitando na terra de Efraim. Talvez possa parecer um pouco estranho Elcana habitar em território efraimita, porém, isso não era algo anormal, incomum, porque os levitas não tinham as tribos locais definidas, de maneira que podiam habitar nas cidades que pertenciam às tribos, pois fora dito pelo Senhor que eles não teriam herança (Dt.18:1,2).

O texto sagrado afirma que as famílias descendentes de Coate foram beneficiadas com algumas cidades, entre as quais localizadas geograficamente nos territórios da tribo de Efraim (ver Josué 21:5 e 1Crônicas 6:66). 

“E aos outros filhos de Coate caíram por sorte, das famílias da tribo de Efraim, e da tribo de Dã, e da meia tribo de Manassés, dez cidades” (Js.21:5).

“E, quanto ao mais das famílias dos filhos de Coate, as cidades do seu termo se lhes deram da tribo de Efraim” (1Cr.6:66).

Portanto, Elcana era um levita, mas efraimita somente por causa de sua residência, por autorização da própria Lei mosaica.

Samuel atuou como sacerdote porque era de origem levita também. Como bem diz o Pr. Osiel Gomes, Samuel não foi somente um profeta, sacerdote e juiz, mas alguém que teve origem, boa formação familiar e espiritual, que desde cedo aprendeu a estar na casa do Senhor, por incentivo de seus pais, e, sob a tutela de Eli, aprendeu a servir como servo de Deus.

Vale salientar que é fundamental um líder ter histórico e história, pois isso irá contribuir grandemente para sua formação pastoral. Grandes líderes não surgem em seminários de renome, em grandes universidades, como Harvard, Cambridge, que têm seus valores, mas num lar cristão e piedoso, e essa ideia é paulina (1Tm.3:4) – “que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia”.

Um líder pode ter boa desenvoltura, retórica, uma erudição teológica grandiosa, mas não é um grande profeta de Deus para as nações quando não está presente nele uma boa formação espiritual oriunda de seus pais, do seu ambiente familiar, de sua Igreja Local.

Samuel teve grandes privilégios: uma mãe piedosa, que procurava criar em sua mente e coração o desejo de ser um instrumento nas mãos de Deus; um sacerdote para lhe ensinar como se dirigir perante Deus quando Ele chamar. Tudo isso esteve presente na sua vida, razão pela qual veio a ser tudo o que foi para Israel.

2. A Bigamia presente

O primeiro Livro de Samuel começa narrando que Elcana tinha duas mulheres - Ana (que significa graça) e Penina (que significa pérola) -, possivelmente por causa da esterilidade de Ana; mas, tal desculpa não convence, pois ele deveria ter entregado tudo ao Senhor, como fez Ana, e logo depois o problema estaria resolvido, como foi.

Como todo registro histórico fiel, a Bíblia relata a prática da poligamia, mas em nenhum momento a aprova. A exemplo de Lia e Raquel, uma esposa era fértil e a outra estéril. Havia rivalidade no lar, pois apesar de não ter filhos, seu marido a amava.

Sabemos com base na leitura dos relatos patriarcais em Gênesis que a poligamia dá origem a conflitos domésticos, especialmente quando uma das esposas é estéril. O mesmo aconteceu na casa de Elcana. O texto de 1Smauel 1:6 identifica Penina como rival de Ana, pois ela ridicularizava a condição de Ana a ponto de esta chorar e recusar-se a comer (1Sm.1:7).

“E a sua competidora excessivamente a irritava para a embravecer, porquanto o SENHOR lhe tinha cerrado a madre. E assim o fazia ele de ano em ano; quando ela subia à Casa do SENHOR, assim a outra a irritava; pelo que chorava e não comia” (1Sm.1:6,7).

De ano em ano, a família ia a Siló para celebrar as festas, e Ana recebia porção dupla do sacrifício pacífico (1Sm.1:3-5). Essa predileção fazia Penina provocá-la ainda mais para a irritar. Cada vez mais magoada e desesperada com a provocação de Penina, Ana apresentou o seu problema ao Senhor no Templo.

Inúmeros eram os problemas que surgiam num lar onde existia a poligamia, como se observa o ocorrido com as mulheres de Elcana. Pela poligamia, as mulheres tomadas não passavam simplesmente de amantes, o que é chamado de concubinato; elas serviam apenas como objeto para o sexo e a procriação.

Ter várias esposas era permitida pela Lei de Moisés (Dt.21:15), mas tanto a poligamia - um homem ter mais de uma mulher -, quanto a poliandria - uma mulher ter mais de um marido -, estão em desacordo com o ensino das Escrituras Sagradas para o casamento (cf. Dt.28:54,56; Sl.128:3; Pv.5:15-21; Ml.2:14).

Elcana seguiu um modelo que não era aprovado por Deus, nos quais andaram Jacó, Gideão, Saul, Davi, Salomão, Roboão, dentre outros; porém, essa prática foi condenada por Jesus e pelo apóstolo Paulo. Jesus, em Sua resposta aos fariseus, quando estes lhe interrogaram acerca do divórcio, foi clarividente que Deus criou o casamento monogâmico. Ele disse: “Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher...” (Mt.19:5). Ele não disse: “suas mulheres”, e sim, “sua mulher”. A resposta do Senhor remonta às origens do casamento e da própria criação (cf. Gn.2:24).

Paulo, ao mencionar as qualificações do presbítero, adverte: “É necessário, portanto, que o bispo seja (...) esposo de uma só mulher...” (1Tm.3:2). O diácono também deve ser “marido de uma só mulher” (1Tm 3:12). Portanto, a liderança eclesiástica deve ser o exemplo dos fiéis em tudo, e esse exemplo inclui o casamento bíblico (1Tm.4:12).

Lameque foi o primeiro a rejeitar o princípio do casamento monogâmico, ordenado por Deus (Gn.2:22-24) – E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá” (Gn.4:19). A partir daí a depravação hereditária se alastrou progressivamente no lar e na família.

Deus tolerou a poligamia, mas nunca a aprovou, por ser prática estranha ao seu projeto para a constituição da família.

3. Uma família piedosa

Pessoa piedosa é aquela que tem uma vida santa, de oração e consagração. Só pode ser justo aquele que é piedoso. Por isto, não temos como ser justos e ímpios, ao mesmo tempo. Piedoso é alguém cuidadoso em relação a Deus. Piedoso é quem leva Deus a sério.

Portanto, ser piedoso é ser temente a Deus. Ser piedoso é estar atento às manifestações de Deus em nossas vidas. Só as pessoas piedosas veem os atos poderosos de Deus. Ser piedoso é ser íntimo de Deus.

Quando somos íntimos de Deus, os frutos de justiça brotam de nós naturalmente.

Quando somos íntimos de Deus, sua Palavra flui de nós sem que façamos força.

Quando somos íntimos de Deus, todos ao nosso redor veem a luz que nós projetamos.

Apesar da porfia e a inveja terem espaço suficientes para suscitar conflitos de relacionamentos, há um fator que merece destaque na família de Elcana: a sua família demonstrava ser piedosa, ou seja, cumpria com os compromissos espirituais a serem observadas, conforme os mandamentos veterotestamentários.

A piedade era vista nessa família através da oração e do sacrifício que prestava a Deus. O texto sagrado afirma que ele saía da sua cidade todos os anos a adorar e a sacrificar ao Senhor dos Exércitos, em Siló (1Sm.1:3). Com essa ação, eles faziam oposição ao sistema idolátrico que estava estabilizado naquela época. Nos dias de Eli, além dos pecados de seus filhos, muitos já não subiam a Siló para adorar ao Deus verdadeiro, mas adoravam e praticavam sacrifícios ao ídolo de Mica (Jz.12:17); porém, Elcana e sua casa continuavam servindo ao Senhor com verdade e sinceridade. A maneira de Ana se comportar no momento da oração, no Tabernáculo, pedindo um filho ao Senhor é uma prova cabal de que ela era uma mulher piedosa.

É bom ressaltar que nem toda pessoa radicalmente religiosa é considerada uma pessoa piedosa.

-Veja os exemplos dos filhos de Eli, Hofni e Finéias; eles eram considerados “os sacerdotes do SENHOR” (1Sm.1:3), que cumpriam os deveres litúrgicos, porém eram considerados filhos de Belial (1Sm.2:12); “eram sacerdotes do Senhor”, mas, “não conheciam ao Senhor”; eram pecadores explícitos (1Sm.2:22a) e faziam “transgredir todo o povo do Senhor” (1Sm.2:24). Diz o texto sagrado que eles “se deitavam com as mulheres que em bandos se ajuntavam à porta da tenda da congregação” (1Sm.2:22).

-Veja os filhos de Samuel, homem de Deus. Eles eram juízes sobre o povo de Deus, mas eram corruptos. Diz o texto sagrado: “seus filhos não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinaram à avareza, e tomaram presentes, e perverteram o juízo” 1Sm.8:3).

Religiosidade aparente não agrada a Deus, e sim um coração puro voltado a uma adoração por excelência ao Senhor. Quando há uma sincera adoração ao Senhor, a sua presença é real. Jesus disse: "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt.18:20).

“Estamos vivenciando um mundo cada vez mais comprometido com o pecado, famílias sendo atacadas pelos modismos e ensinos pós-modernos pouco edificantes. Todavia, aquelas que são verdadeiramente firmadas na aliança com o Senhor não serão abaladas e, ainda que tenham as imperfeições humanas, poderão fomentar o poder do Senhor dos exércitos nesta terra, pois, como falou Paulo, somos seus soldados, e nenhum soldado em combate se envolve com negócios desta vida (2Tm.2:4)” (Pr. Osiel Gomes).

II. SAMUEL: FRUTO DE ORAÇÃO

1. A Humildade de Ana

Ana era estéril, e ser estéril naquela época era motivo de zombaria e desprezo, era algo estarrecedor, uma vergonha (1Sm.1:5-7). Não era fácil para Ana, pois, não gerando filhos, dela não poderia haver um substituto para Elcana; através dela seu nome não seria perpetuado. Outro agravante é que, naquela época, uma mulher não ter filho era como se fosse amaldiçoada por Deus.

Além disso, Ana compartilhava seu marido com uma mulher que a ridicularizava (1Sm.1:7). 1Samuel 1:6 mostra a provocação de Penina contra ela, detratando-a negativamente por não ter filhos. Diante dessa situação, Ana tinha bons motivos para se sentir desencorajada e amargurada.

Seu excelente esposo não podia resolver seus problemas (1Sm1:8), e até o sumo sacerdote Eli confundiu seus motivos (1Sm.1:14). Mas, ao invés de retaliar ou perder as esperanças, Ana não deixava de ir à Siló festejar e adorar ao Senhor. Ainda que carregasse o estigma de estéril, ela estava ali.

Ao invés de revidar as provocações de Penina, Ana foi à Casa do Senhor orar; ali ela apresentou o seu problema diante de Deus e confiou nele. Apesar de toda essa situação, Ana jamais atacou sua rival, seu marido, ou até mesmo o sacerdote, e isso prova o quanto ela era humilde, pois procurou enclausurar-se naquele momento de dor indo direto aos pés do Senhor.

É difícil orar com fé quando nos sentimos tão ineficazes. Mas, como Ana descobriu, as orações abrem caminho para que Deus possa trabalhar (1Sm.1:19,20). Tiago e Pedro falaram da importância de nos humilharmos na presença do Senhor, para que, no tempo certo, sejamos exaltados (Tg.4:10; 1Pd.5:6).

2. Ana e sua amargura de alma (1Sm.1:10)

“Ela, pois, com amargura de alma, orou ao SENHOR e chorou abundantemente”.

Neste texto, o termo “amargura da alma” ou “angústia profunda” (ARA) indica depressão profunda e angústia emocional (Jó 3:20-22; 10:1; Pv.31:6,7; Ez.27:31). As palavras da própria Ana dão testemunho de seu sofrimento intenso. Ela fala de sua “miséria” (1Sm.1:11) e “grande angústia e aflição” (1Sm1:16); descreve a si mesma como “profundamente conturbada” (1Sm.1:15).

Caso alguém esteja dominado por este sentimento, e não seja logo tratado, pode representar um risco fatal, pois, quando alguém é dominado por ele, os resultados são desastrosos, já que passa a estar contaminado pelo sentimento de rancor, ódio; seu coração fica envenenado, de modo que não pode produzir nada de bom.

Como diz o Pr. Osiel Gomes, uma pessoa amargurada jamais olha para os outros com bons olhos, antes, na sua visão, nada presta, seu emocional é estressante, suas memórias são sempre pungentes. Em resumo, dizemos que uma pessoa amargurada não tem prazer com a vida e busca estragar a vida dos outros.

A Bíblia fala de duas noras que tornaram a vida de Isaque e Rebeca uma amargura; seus nomes: Judite e Basemate (Gn.26:34) - “E estas foram para Isaque e Rebeca uma amargura de espírito” (Gn.26:35). Elas tornaram a vida desse casal, sem brilho, sem vida, sem alegria, sem encanto, pois pessoas amarguradas são como vírus letais, que saem disseminando sua doença.

Paulo diz que devemos manter longe de nós toda amargura (Ef.4:31), inclusive afirma que os maridos não devem tratar suas esposas com amargura (Cl.3:19).

O escritor aos Hebreus adverte que em nós não deve existir raiz de amargura (Hb.12:15). Quando ele diz isto, possivelmente, ele tinha consciência do que esse mal pode causar, pois pessoas amarguradas são como viventes mortos, como soda cáustica; têm no seu interior feridas incuráveis, as quais resultaram de traumas da vida, de amor não correspondido, de tratamento ignorante, de abusos, de violência.

Ana estava profundamente amargurada, por causa de sua esterilidade e por causa das provocações maldosas de sua rival, mas ela se comportou como uma serva de Deus e soube colocar seus ressentimentos, suas amarguras, no lugar certo: perante o Senhor. Ele não deixou que esse sentimento a corroesse por dentro. Ana sabia que tudo poderia ser resolvido através do Senhor, por isso o texto diz: “[...] orou ao Senhor e chorou abundantemente” (1Sm.1:10).

Diante de sua amargura de alma, Ana fez duas coisas importantes: demorou-se em sua oração e só movimentava os lábios, orando com o coração, razão pela qual Eli a teve como embriagada.

Eli era um homem experiente e, através do tempo de ministério, pôde contemplar todo tipo de pessoa fazendo oração no Tabernáculo. Como de praxe, alguns judeus oram em alta voz, mas aqui duas coisas o incomodavam: a oração silenciosa e sua demora no pedido. Não sabia ele que essa mulher estava clamando pela vinda do homem que iria fazer toda a diferença em Israel, o seu filho Samuel.

Ao enfatizar o sofrimento de Ana, o narrador prepara o cenário para a intervenção do Senhor. Ele proveu para Ana e lhe concedeu o que desejava o seu coração. O Senhor não é indiferente à dor e à opressão dos necessitados; atenta para eles e os levanta de sua aflição (1Sm.2:7,8).

“O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e exalta. Levanta o pobre do pó e, desde o esterco, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo” (1Sm.2:7,8).

Concordo com o pr. Osiel Gomes quando diz que o endereço certo para derramarmos nossas lágrimas, nossos gemidos e gritos é aos pés de Deus, pois somente Ele entende o que é de fato a amargura de alma.

Todos nós podemos correr o risco de estar amargurados, mas não podemos deixar que isso nos domine, pois o que deve permear o nosso ser é o fruto do Espírito (Gl.5:22), a saber, amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, mansidão, temperança.

3. O pedido de Ana (1Sm.1:11)

 “E votou um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, mas à tua serva deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha”.

Ana em desespero por causa de sua esterilidade se volta ao Senhor em oração. Ela se dirige ao Senhor por meio do seguinte título: “Senhor dos Exércitos”, termo que ressalta a soberania de Deus. Ela imaginava o Senhor entronizado acima dos querubins da Arca da Aliança, o símbolo terreno de Seu trono celeste (1Sm.4:4; 2Sm.6:2). Faz sentido que tenha se dirigido ao Senhor dessa forma em Siló, pois “a Arca de Deus” estava nesse local (cf.1Sm.4:3).

O desejo prioritário de Ana era ser mãe, e ela foi bem específica no seu pedido – “Se....à tua serva deres um filho varão...”. Nada substituiria esse desejo, nem mesmo as maiores riquezas materiais. Para ela o seu maior patrimônio seriam filhos. Ana orou sincera, especifica e sacrificialmente. Não retrocedeu no seu pedido, mesmo quando repreendida pelo sacerdote incompreensivo.

Ana desejava tanto ter um filho que estava disposta a negociar com o Senhor. Deus levou a sério a sua promessa e atendeu a sua oração. Ao sair do Tabernáculo, ela creu que a sua oração tinha sido ouvida, por isso de imediato fez três coisas: seguiu o seu caminho; alimentou-se; e manifestou grande jubilo (1Sm.1:18). Essa nova postura de Ana declarou sua confiança plena em Deus e a certeza de que a bênção era certa, pois ela cria que Deus tinha ouvido suas orações.

O Senhor tirou a esterilidade de Ana e ela teve um filho. Samuel nasceu, e quando foi desmamado, Ana cumpriu o seu voto, por mais dolorosa que pudesse ser aquela atitude (1Sm.1:27,28). Ela poderia ter tido muitas desculpas para ser uma mãe possessiva, mas quando o Senhor respondeu sua oração, Ana cumpriu sua promessa de dedicar Samuel à obra de Deus. Ela estava ciente de que tudo o que temos e recebemos é um empréstimo de Deus.

Jamais devemos ter em mente que Ana estivesse barganhando com Deus, ou seja, o seu pedido não deve ser considerado uma troca, ou algo egoísta; antes, seu desejo era puro, verdadeiro e visava à glória de Deus. Ela queria ser mãe e pede um filho para o consagrar inteiramente à obra de Deus. O pedido de Ana estava dentro dos propósitos divinos, em momento algum ela pediu algo para contrapor com sua rival, para ter um menino apenas para ela, mas dedicaria a Deus.

Embora não estejamos em posição para negociar com Deus, Ele ainda responde uma oração de um coração contrito acompanhada de um voto. Ao orar, pergunte a si mesmo: “eu cumprirei o meu voto feito ao Senhor, caso Ele atenda ao meu pedido?”.

Precisamos ser cuidadosos com o que prometemos em oração porque Deus pode cobrar. É desonesto e perigoso ignorar uma promessa, um voto, especialmente feito a Deus. Ele cumpre a Sua palavra e espera que cumpramos o que prometemos a Ele.

III. A DEDICAÇÃO DE SAMUEL


1. O nascimento de Samuel (1Sm.1:20)

“E sucedeu que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao SENHOR”.

Após as festividades, Elcana e sua família retornaram à sua cidade, e coabitou com Ana, e nela foi gerada uma criança, cumprindo assim a vontade de Deus em atender ao pedido de Ana. Imagine o momento em que Ana percebeu que estava grávida! Deve ter sido uma alegria sem par.

Ao nascer o menino, Ana deu a ele o nome de Samuel, que significa “ouvido por Deus”. Como recebera o menino em resposta à sua oração, Ana procurou por um nome que revelasse o caráter divino.

O nascimento de Samuel foi humano, mas tudo se processou pela ação divina; assim, sendo a criança do sexo masculino, Ana queria dar a ela um nome que fizesse jus a todo o acontecimento, que apresentasse um menino que veio de Deus por meio da oração. Ela quis louvar a fidelidade de Deus ao atender a sua oração. Aonde quer que Samuel fosse e o que ele fizesse, seu nome daria testemunho de uma grande e importante verdade sobre Deus: Sua fidelidade; Ele se importa com os seus filhos; Ele ouve a oração de seus filhos. Samuel seria um exemplo vivo de que quando o povo de Deus pede humildemente, o Senhor ouve e responde com misericórdia e graça.

Ao olharmos para o nascimento de Samuel, devemos nos conscientizar de que, quando alguém entrega a Deus os seus problemas, tendo ciência de que Ele é o Senhor dos exércitos, que ouve as orações, agirá primeiramente tratando com nós mesmos, como fez com Ana, fazendo com que seu semblante não fosse mais o mesmo e gerando a certeza de que todos quantos se entregam confiantemente nas mãos de Deus, milagres acontecem. Vale a pena nos submetermos em oração ao Senhor, agradar-lhe, e Ele concederá o que deseja o nosso coração. Afirma o salmista:

“Os olhos do SENHOR estão sobre os justos; e os seus ouvidos, atentos ao seu clamor. A face do SENHOR está contra os que fazem o mal, para desarraigar da terra a memória deles. Os justos clamam, e o SENHOR os ouve e os livra de todas as suas angústias. Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito” (Sl.34:15-18).

“Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração” (Sl.37:4).

2. O Cumprimento do Voto (1Sm.1:26-27)

“E disse ela: Ah! Meu senhor, viva a tua alma, meu senhor; eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, para orar ao SENHOR. Por este menino orava eu; e o SENHOR me concedeu a minha petição que eu lhe tinha pedido. Pelo que também ao SENHOR eu o entreguei, por todos os dias que viver; pois ao SENHOR foi pedido. E ele adorou ali ao SENHOR”.

Desde o primeiro momento em que Ana desejou ter um filho, ela, decididamente e em oração, o apresentava diante do Senhor (cf. 1Sm.1:10-28). Ela considerava seu filho uma dádiva graciosa da parte de Deus, e expressou sua intenção de cumprir seu voto, entregando seu primogênito ao Senhor.

Quando o menino foi desmamado, Ana o apresentou à Casa do Senhor e o devolveu a Deus num ato definitivo de consagração. Desde o início, ele assistiu aos sacerdotes e ministrou diante do Senhor.

No Antigo Testamento, o voto jamais assumiu a ideia de barganha que tinha entre os gentios idólatras, nem tampouco era algo que fosse considerado obrigatório na lei de Moisés. Entretanto, havendo a prática do voto, seu cumprimento era exigido, representando pecado o seu não pagamento, sendo, também, as Escrituras claras no sentido de que o próprio Deus requereria tal cumprimento.

No compêndio doutrinário da Igreja, o Novo Testamento, não há uma disciplina explícita com relação ao voto, porém, ele não é desestimulado ou proibido; ou seja, se alguém quiser fazer voto pode fazê-lo. Não está proibido porque resulta do livre-arbítrio, mas a responsabilidade de quem vota é muito grande. Voto não confere santidade nem tampouco traz bênçãos; cria tão somente obrigações.

Em o Novo Testamento, por duas vezes, vemos Paulo envolvido em voto de raspar a cabeça (muito provavelmente o voto do nazireado). Uma vez, ele mesmo fez voto (At.18:18), na outra arcou com as despesas da raspagem da cabeça de quatro crentes judaizantes de Jerusalém que haviam feito voto (At.21:23,24,26,27). Todavia, tais episódios são insuficientes para gerar doutrina, ainda mais quando se trata de fatos que envolveram o apóstolo Paulo, que, em nenhuma de suas epístolas, tratou do assunto.

O cristão, ao votar, deve fazê-lo apenas por gratidão a Deus, seja por bênçãos alcançadas, seja pela confiança firme de que a bênção será alcançada, por um ato de fé, como fez Ana. Não deve agir como os gentios, procurando fazer uma “troca de favores” com Deus, pelo simples motivo de que nada temos a oferecer a Deus. Se dele é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam, como podemos dar algo a Deus que já é dele? O voto como barganha é algo abominável diante de Deus, algo que Ele jamais aceitará ou tolerará, pois é uma manifestação de arrogância e atrevimento ao Senhor.

3. Dedicação de Samuel

Ana demonstrou sua dedicação ao Senhor, pela sua disposição de dedicar seu filho à obra do Senhor. Ela disse: “um filho... ao Senhor o darei” (1Sm1:11). Na festa seguinte ao desmamar o menino Samuel, Ana o levou para Siló, onde estava o Tabernáculo, com ofertas que constituíam em três bezerros e um efa de farinha e um odre de vinho (1Sm1:24).

“E, havendo-o desmamado, o levou consigo, com três bezerros e um efa de farinha e um odre de vinho, e o trouxe à Casa do SENHOR, a Siló. E era o menino ainda muito criança”.

Um dos bezerros seria para a oferta queimada da dedicação de Samuel (1Sm.1:25); os outros dois seriam parte dos sacrifícios anuais da família, o chamado sacrifício pacífico; um efa seria um pouco maior do que um alqueire em termos de medias atuais; o odre de vinho era uma garrafa de couro ou pele de animal, ou ainda um jarro. Isso indicaria uma oferta muito generosa.

Quando Ana apresentou o menino Samuel ao sumo sacerdote Eli, juntamente com o animal do sacrifício, Ana fez questão de lembrar ao idoso sacerdote a sua oração: “Ao Senhor eu o entreguei(1Sm,1:28) – a expressão melhor poderia ser assim: Eu o devolvi ao Senhor”.

Ana relata o teor do seu voto e agora quer que Eli aceite a criança para cumprir o compromisso feito com Deus, isso porque não era permitido uma criança de três anos estar no Tabernáculo, a não ser que o sacerdote permitisse. Ela, então, esclarece que seu voto era o de dedicar aquela criança ao trabalho do Senhor por toda a vida. Seu voto era de nazireu.

Eli entendeu que Deus estava trabalhando e, por isso, prontamente aceita cuidar da criança. Ana entrega Samuel a Eli, que aparece na expressão bíblica “devolvido ao Senhor”. Ela tinha consciência de que Samuel tinha uma missão grandiosa a cumprir e, caso ficasse somente em casa, isso jamais iria acontecer.

Concordo com as palavras do pr. Osiel Gomes, quando diz: “como é bom quando os pais se dedicam as coisas de Deus e, consequentemente, mostram aos seus filhos, na prática, uma vida de devoção sincera. Ao chegarem ao templo, em reverência, oram a Deus; em casa, fazem o culto doméstico; primam por viver o Evangelho de Jesus Cristo. Os filhos que crescem, vendo tal dedicação sincera, naturalmente, são estimulados a temerem a Deus e a amá-lo de todo o coração”.

CONCLUSÃO

Samuel foi líder de líderes, conselheiro-chefe de reis e capitães militares de Israel. Quando ele falava, todos escutavam. Como profeta de Deus, Samuel ungia reis; como intérprete da Palavra de Deus, aconselhou e desafiou reis. Servindo como juiz nos dias imediatamente antes da monarquia de Saul, Samuel incorporou três grandes funções: profeta, sacerdote e juiz, como também o faria Jesus, mais tarde, sendo Rei, Sacerdote e Profeta.

 


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