A FIDELIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS
Texto Bíblico: Oséias
1:1,2;2:14-17,19,20
A Fidelidade no Relacionamento
com Deus
O livro do profeta Oséias
apresenta uma das mensagens mais profundas e comoventes de toda a Bíblia sobre
o amor, a aliança e a fidelidade no relacionamento com Deus. Para ilustrar a
aliança quebrada entre Deus e o Seu povo, o Senhor ordena que Oséias se case
com Gômer, uma mulher com um histórico de infidelidade, simbolizando exatamente
a postura de Israel em relação ao Criador.
1. A Realidade da Infidelidade e
a Graça do Chamado
Oséias 1:1,2 — "Palavra do Senhor que foi dirigida a Oséias...
Vai, toma uma mulher de prostituições e filhos de prostituição, porque a terra
se prostituiu grandemente, desviando-se do Senhor."
- O pano de fundo espiritual: O
povo de Israel havia abandonado a exclusividade devida a Deus, correndo
atrás de ídolos, falsos deuses e deuses da fertilidade de sua época (como
Baal). Espiritualmente, isso era considerado adultério contra a Aliança.
- A analogia do casamento: O
casamento de Oséias com Gômer não foi um erro de percurso, mas um ato
profético vivo. Deus escolheu demonstrar a Sua dor de "marido
traído", revelando que a quebra de aliança com Ele fere profundamente
o coração do Criador, mas também revelando a extensão da Sua graça
disposta a resgatar.
2. O Processo de Retorno: Do
Deserto à Esperança
Oséias 2:14-17 — "Portanto, eis que eu a atrairei e a levarei ao
deserto, e lhe falarei ao coração. E lhe darei as suas vinhas dali e o vale de
Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias de sua mocidade... E
naquele dia, diz o Senhor, tu me chamarás: Meu marido, e não mais me chamarás:
Meu baal."
- O Deserto como lugar de tratamento: Para
resgatar o coração desviado, Deus precisa muitas vezes conduzir o Seu povo
ao "deserto" — um lugar de isolamento, silêncio e escassez onde
as distrações do mundo e os ídolos perdem o encanto.
- Falar ao coração: No
deserto, longe do barulho, Deus não vem para destruir, mas para falar ao
coração. É o convite para recomeçar.
- A mudança de nomes:
Chamar Deus de "Meu marido" (Ishi) em vez de "Meu
baal" (que significa senhor/dono de forma distante ou associada a
ídolos) representa intimidade profunda, respeito genuíno e exclusividade
no afeto.
3. As Marcas da Aliança
Restaurada
Oséias 2:19,20 — "E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei
comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. E
desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao Senhor."
Deus sela a restauração do
relacionamento através de quatro pilares inegociáveis que definem a verdadeira
fidelidade:
- Justiça e Juízo (Retidão): O
relacionamento com Deus não se baseia em sentimentos passageiros, mas em
integridade e alinhamento com os Seus princípios morais.
- Benignidade e Misericórdias (Graça): O
amor de Deus por nós não cessa por causa das nossas falhas; Ele nos acolhe
com compaixão todas as vezes que nos arrependemos e voltamos.
- Fidelidade (Emunah): A
palavra hebraica transmite a ideia de firmeza, lealdade e constância. Deus
promete ser fiel, e espera de nós uma resposta de lealdade recíproca.
- O Conhecimento de Deus: O
clímax da fidelidade é "conhecer ao Senhor". Na Bíblia,
"conhecer" (Yada) vai muito além do intelecto; é uma
experiência íntima, profunda e transformadora de comunhão diária.
Aplicação Prática para os Dias de
Hoje
- Identificar os "Baals" modernos:
Ídolo não é apenas uma estátua de madeira; tudo o que toma o lugar de Deus
em nossa prioridade, tempo, afeto e confiança (seja o trabalho, o
dinheiro, o ego, relacionamentos ou o status) constitui uma forma de
infidelidade espiritual.
- Valorizar a constância: A
fidelidade a Deus se prova nos detalhes do dia a dia — na obediência
silenciosa, na manutenção da vida de oração e na recusa de negociar os
princípios da Palavra.
- Experimentar o amor incondicional:
Assim como o amor de Oséias por Gômer refletia o amor implacável de Deus,
somos lembrados de que, por mais distantes que tenhamos estado, o Senhor
sempre estende Seus braços para nos chamar de volta para a comunhão.
INTRODUÇÃO
A relação de Deus com Israel era
como uma aliança conjugal. Israel havia se “casado” com o Senhor no Sinai.
Israel prometeu a Deus fidelidade. Porém, logo se desviou da aliança e começou
a flertar com outros deuses. Não tardou para que
Israel abandonasse a Deus, seu “marido”, para prostituir-se com outros deuses. A
idolatria é infidelidade a Deus; é rompimento da aliança; é quebra dos votos de
fidelidade. A idolatria é uma torpeza.
A profecia de Oséias foi a última
tentativa de Deus em levar Israel a arrepender-se de sua idolatria e iniquidade
persistentes, antes que Ele entregasse a nação ao seu pleno juízo. A ideia
central da mensagem de Oséias é que o amor poderoso e inextinguível do Senhor
por Israel não descansará enquanto não reconciliar toda a nação consigo. Mas,
consequências trágicas se seguem quando o povo persiste em desobedecer a Deus,
e em rejeitar-lhe o seu amor redentor.
I. O LIVRO DE OSÉIAS
Oséias, cujo nome
significa “salvação”, é identificado como filho de Beeri (Os 1:1).
Nada mais se sabe do profeta, a não ser os lances biográficos que ele mesmo
revela em seu livro. Oséias profetizou ao reino de Israel (reino do Norte –
formado das 10 tribos). O ministério de Oséias, ao Reino do Norte, seguiu-se
logo depois ao ministério de Amós que, embora fosse de Judá, profetizou a
Israel. Amós e Oséias são os únicos profetas do Antigo Testamento, cujos livros
foram dedicados inteiramente ao Reino do Norte, anunciando-lhe a destruição
iminente. Oséias é um dos dois únicos profetas do Reino do Norte a terem um
livro profético no Antigo Testamento (o outro é Jonas).
Oséias foi vocacionado por Deus a
profetizar ao Reino de Israel, que desmoronava espiritual e moralmente, durante
os últimos quarenta anos de sua existência, assim como Jeremias seria chamado a
fazer o mesmo em Judá. Quando Oséias iniciou o seu ministério, durante os
últimos anos de Jeroboão II, Israel desfrutava de uma temporária prosperidade
econômica e de paz política, que acabariam por produzir um falso senso de
segurança. Porém, logo após a morte de Jeroboão II (753 a.C.), a nação começa a
deteriorar-se, e caminha velozmente à destruição em 722 a.C. Passados quinze
anos da morte do rei, quatro de seus sucessores seriam assassinados. Decorridos
mais quinze anos, Samaria seria incendiada, e os israelitas deportados à
Assíria e, posteriormente, dispersados entre as nações.
Foi nesse cenário de luxo e de
lixo, de glória humana e opróbrio espiritual, de ascendência econômica e
decadência moral, que Deus levantou Oséias para confrontar os pecados da nação
e chamá-la ao arrependimento. A riqueza sem Deus é pior do que a pobreza. A
riqueza sem Deus afasta o homem da santidade mais do que a escassez.
Deus ordenou a Oséias que tomasse
“uma mulher de prostituições” (Os
1:2) a fim de ilustrar a infidelidade espiritual de Israel. Embora há os que
interpretem o casamento do profeta como alegoria, os eruditos conservadores
consideram-no literal.
Nesse declínio moral de Israel,
todas as classes da sociedade se desmoralizaram. Os príncipes, amantes da
riqueza e do luxo, viviam desenfreados no pecado. Os sacerdotes, que deveriam
ensinar a verdade ao povo, tornaram-se bandidos truculentos e cheios de
avareza.
As coisas foram de mal a pior,
até que o profeta exclamou: "não há verdade,
nem amor, nem conhecimento de Deus. O que só prevalece é perjurar, mentir,
matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre
homicídios" (Os 4:1,2).
A religião de Israel tornou-se
sincrética, e o povo misturou o culto a Deus com o culto a Baal. A
idolatria sensual desembocou na mais repugnante imoralidade. A vida Familiar
caiu no abismo da dissolução. Não resta dúvida de que Oséias viveu durante os
tempos mais turbulentos e inquietos pelos quais a nação jamais passara. Os
séculos passaram, e hoje ainda assistimos a esse mesmo desvio religioso
denunciado por Oséias.
2. Estrutura. O
Livro de Oséias é o primeiro dos Profetas Menores e o mais
extenso deles. Como nenhum outro, este Livro aborda de forma eloquente o amor
perseverante de Deus a um povo rebelde e recalcitrante. Ele contém cerca de 150 declarações a respeito dos pecados de Israel,
sendo que mais da metade deles relaciona-se à idolatria. Mais do que qualquer
outro profeta do Antigo Testamento, Oséias relembra aos israelitas que o Senhor
havia sido longânimo e fiel em seu amor para com eles.
O Livro pode ser dividido em duas
partes principais: A primeira parte, composta dos capítulos
1-3, descreve o casamento entre Oséias e Gômer. Os nomes dos três filhos são
sinais proféticos a Israel: Jezreel (“Deus-espalha”), Lo-Ruama (“Não-compaixão”)
e Lo-Ami (“Não-meu-povo”). A infidelidade da esposa de Oséias
é registrada como ilustração da infidelidade de Israel. O amor perseverante de
Oséias à sua esposa adúltera simboliza o amor inabalável de Deus por Israel. Se
o casamento de Oséias com Gômer retratava o amor de Deus a um povo ingrato e
infiel, os filhos de representavam o juízo de Deus a esse
povo.
A segunda parte, composta
dos capítulos 4-14, contém uma série de profecias que mostram o paralelismo
entre a infidelidade de Israel e a da esposa de Oseías. Quando Gômer abandona
Oséias, e vai à procura de outros amantes (cap. 1), está representando o papel
de Israel ao desviar-se de Deus (caps. 4-7). A degradação de Gomer (cap. 2)
representa a vergonha e o juízo de Israel (caps. 8-10). Gomer vai atrás de
outros homens, ao passo que Israel corre atrás de outros deuses. Gomer comete
prostituição física; Israel, prostituição espiritual. Ao resgatar Gomer do
mercado de escravos (cap. 3), Oséias demonstra o desejo e intenção de Deus em
restaurar Israel no futuro (caps. 11-14).
O Livro de Oséias
enfatiza este fato: por ter Israel desprezado o amor de Deus e sua chamada ao
arrependimento, o juízo já não poderá ser adiado.
3. Mensagem. O
Livro de Oséias fala de julgamento e esperança. Cada uma das três partes
principais do livro começa com a ameaça de juízo divino sobre Israel (Os
1:2-2:13; 4:1-10:15; 12:1-13:16) e termina com a promessa de restauração divina
(Os 2:14-3:5; 11:1-11; 14:1-9).
O teor da profecia de Oséias é um
testemunho dinâmico e severo contra o Reino do Norte por ter se apostatado do
concerto firmado. Todos conheciam bem a corrupção que campeava pela nação no
âmbito das questões públicas e particulares. O propósito de Oséias era o de
convencer seus compatriotas sobre a necessidade de se arrependerem,
restabelecerem a relação de concerto e dependerem do Deus paciente, compassivo
e perdoador.
O próprio Deus chama o povo a
voltar-se para ele: "Volta, ó Israel, para
o Senhor teu Deus; porque pelos teus pecados estás caído. Tende
convosco palavras de arrependimento e convertei-vos ao Senhor" (Os
14:1,2). Deus promete curar a infidelidade do povo (Os 14:3) e ser para ele o
bálsamo restaurador (Os 14:5-7).
II. O MATRIMÔNIO
O matrimônio é
uma feliz celebração do amor. É o santo mistério de duas pessoas que se tornam
uma, o início de uma vida em comum e de compromissos. O casamento é um
mandamento de Deus e ilustra seu relacionamento com seu povo. Portanto, não
pode existir tragédia maior do que a violação desses votos sagrados.
Deus ordenou a Oséias que
buscasse uma esposa e revelou-lhe antecipadamente que ela lhe seria infiel.
Embora desse à luz muitos filhos, alguns deles seriam de outros pais. Em
obediência a Deus, Oséias casou-se com Gômer e seu relacionamento com ela, a infidelidade
dela e seus filhos tornaram-se exemplos vivos e proféticos de Israel.
Esse casamento é certamente um
símbolo do adultério espiritual de Israel. A sua profanação por
parte de Gômer, fez o profeta compreender o verdadeiro significado do pecado de
Israel: adultério espiritual e até prostituição. O pecado do adultério tem sido
definido como "busca de satisfação em relações
ilícitas”. A prostituição é ainda pior, é o pecado de "prostituir bens superiores por causa de dinheiro
e de lucro”. A prostituição é tanto física quanto
religiosa. O povo de Israel era culpado de ambas.
O Rev. Hernandes Dias Lopes, em
seu livro “Oséias” (o amor de Deus em ação), destaca duas
interpretações principais acerca do casamento do profeta Oséias:
- Em primeiro
lugar, Gômer era uma mulher casta antes do casamento, mas tornou-se infiel
depois do matrimonio. Vários eruditos entendem
que Gômer era uma mulher casta antes do casamento e só se prostituiu depois que
contraiu matrimonio com Oséias. A razão principal para essa interpretação é que
seria incompatível com o caráter santo de Deus ordenar a seu profeta algo
moralmente reprovável e expor seu mensageiro a tal opróbrio.
Embora essa interpretação nos
seja mais aceitável, não é isso que o texto diz. Vejamos: "Quando pela primeira vez falou o Senhor por
intermédio de Oséias, então lhe disse: Vai, toma uma mulher de prostituições e
terás filhos de prostituição; porque a terra se prostituiu, desviando-se do
Senhor" (Os 1:2, ARA). Como Gômer, Israel começou como
idólatra, "casou-se" com Jeová e acabou voltando à idolatria. Se
Oséias tivesse se casado com uma mulher casta que mais tarde tornou-se infiel,
a expressão "mulher de prostituições" em Oséias 1:2 deveria
significar, então, "uma mulher com
tendência ao meretrício que viria a prostituir-se posteriormente", o
que parece uma interpretação forçada desse versículo.
- Em segundo lugar, Gômer já
era uma mulher prostituta antes do profeta se casar com ela. Embora
esse fato ofereça algumas dificuldades e nos cause certo constrangimento, é
exatamente isso que o texto afirma. Vários eruditos subscrevem essa posição.
Oséias amava Gômer não com base em suas virtudes, mas apesar de seus pecados. É
importante ressaltar que Oséias está representando o amor incompreensível de
Deus a um povo infiel. Quando Deus chamou Abrão para formar por meio dele uma
grande nação, tirou-o do meio de um povo idólatra. Israel continuou ao longo
dos anos sendo infiel a Deus, quebrando sua aliança e indo após outros deuses.
Ao se envolver com outros deuses, Israel adulterou, e o esposo podia
receitá-lo. A insistência de Israel na idolatria, com várias divindades,
configurava mais que adultério; era prostituição. O casamento estava terminado;
havia motivo mais que justificado.
É importante destacar, ainda, que
Oséias não desobedece, não questiona nem protela a ordem de Deus. O Senhor lhe
disse: "Vai, toma uma mulher de
prostituições e terás filhos de prostituição..." (Os 1:2). A
resposta de Oséias é imediata: "Foi-se,
pois, e tomou a Gômer..." (Os 1:3). Nada se diz a respeito dos
sentimentos de Oséias nem sobre o processo pelo qual ele cumpriu a ordem. A
palavra eficaz de Deus Jeová estava em ação. A desobediência seria
inconcebível.
III. A LINGUAGEM DA RECONCILIAÇÃO
1. O casamento restaurado. Na
ira, Deus se lembra da sua misericórdia e faz promessas de restauração ao seu
povo. Os três oráculos desastrosos são totalmente alterados. O nome de cada
filho é transformado, passando de sinal de juízo para sinal de graça.
De modo repentino, Oséias passa
da tragédia para a promessa. Ele reúne palavras de muito conforto às suas
sombrias predições. Nos textos de 1:10 a 2:1, o profeta prediz cinco grandes
bênçãos a Israel: (a) crescimento nacional (Os 1:10a); (b) conversão nacional
(Os 1:10b); (c) reunião nacional (Os 1:11a); (d) direção nacional (Os 1:11b);
(e) restauração nacional (Os 2:1). Portanto, a restauração é maior do que a
queda.
Por não ter ouvido a voz de Deus,
Israel precisou receber a disciplina de Deus. O cativeiro tornou-se o amargo
remédio da cura. O fracasso de Israel, porém, não destruiu os planos de Deus.
Onde abundou o pecado do povo, superabundou a graça divina. O amor de Deus
prevaleceu sobre a sua ira; seu povo foi restaurado, e sua infidelidade curada.
Da noite escura do pecado brotou a luz da esperança.
Embora Deus castigue seu povo
pelos pecados cometidos, Ele encoraja e restaura os que se arrependem. O
verdadeiro arrependimento abre o caminho para um recomeço. O Deus de toda a
graça ainda restaura o caído. Deus ainda cura a infidelidade do seu povo. Ele
ainda se apresenta como orvalho para aqueles que vivem a aridez de um deserto.
A mensagem de Oséias ecoa em nossos ouvidos. A palavra de Deus é sempre atual.
Ainda existe esperança para os
que se voltam para Deus. Nenhuma lealdade, realização ou honra pode se comparar
ao amor a Ele. Volte-se para o Senhor enquanto o convite ainda está de pé. Não
importa o quanto você tenha se desviado, Deus sempre está disposto a perdoá-lo.
É tempo de nos voltarmos para o Senhor!
2. O vale de Acor e a
porta de esperança. Deus rejeita Israel: é este o vale
de Acor. Deus reivindica Israel: esta é a porta da esperança. Deus
transforma desespero em esperança - "E lhe
darei, dali, as suas vinhas, e o vale de Acor por porta de esperança; será ela
obsequiosa como nos dias da sua mocidade, e como no dia em que subiu da terra
do Egito” (Os 2:15, ARA). Deus descreveu seu argumento contra
a nação de Israel; isto é, seus pecados a levariam à destruição (caps. 4, 6, 7
e 12), provocariam sua ira e resultariam em castigo (caps. 5; 8 a 10; 12 a 13).
Mas, mesmo em meio à imoralidade de seu povo, Deus se mostra misericordioso,
oferece-lhe a esperança como a expressão de seu infinito amor por Israel (cap.
11), e mostra-lhe que o arrependimento traria as suas bênçãos (cap. 14).
O vale de Acor foi
o lugar na entrada da terra prometida onde Israel foi derrotado por aí, em
virtude do pecado de Acã (Js 7:24-26). Agora, Deus transforma o cenário de
desespero, tribulação e derrota, o vale da inquietação, em porta de esperança.
O vale de Acor é batizado por outro nome; em lugar de derrota
e fracasso, despontam a esperança e a vitória. Assim Deus afugenta os fantasmas
do passado de Israel.
3. A reconciliação. Deus
transforma separação amarga em casamento permanente. A sentença de divórcio (Os
2:2) será anulada: "desposar-te-ei comigo
para sempre" (Os 2:19). Essa aliança é eterna. Não haverá
divórcio nesse casamento. É evidente que o tom deste texto é escatológico. Essa
reconciliação terá seu ápice quando Cristo (o Messias) for reconhecido e aceito
pela nação de Israel no Dia de sua vinda (Os 3:5).
O propósito divino era e é a
recuperação de Israel, e seu elemento motivador era e é o seu amor. Deus queria
o povo de volta, perdoaria, refaria o casamento, passaria uma borracha em tudo
o que houve e se dispunha a amar com mais intensidade uma esposa que não valia
a pena. Nessa nova aliança, a esposa conhece ao seu marido, o Senhor.” [. . .] e conhecerás ao Senhor" (Os 2:20b). Conhecer, neste caso, não
significa a percepção de um objeto por um sujeito ou observador, mas, antes, o
contato íntimo e a comunhão que dois associados experimentam quando entre eles
existe o verdadeiro amor. Esta é uma das promessas supremas da nova aliança com
Israel – “Ainda te edificarei, e serás
edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás
com o coro dos que dançam” (Jr 31:34). Esse conhecimento não
será apenas teórico, mas experimental. Haverá intimidade, comunhão, lealdade e
amor. Israel se deleitará em Deus, e Deus se deleitará em seu povo, Israel.
IV. O BANIMENTO DA IDOLATRIA EM ISRAEL
1. Meu marido, e não meu Baal. Deus transforma infidelidade em fidelidade - "E acontecerá naquele dia, diz o Senhor, que me chamará: Meu marido; e não me chamará mais: Meu Baal" (Os 2:16). Temos aqui um nítido tom escatológico. “Naquele dia”, aponta para o grande dia, o Dia do Senhor. Para nós, esse dia raiou no primeiro advento, embora só vá alcançar o seu pleno fulgor no segundo. Quando esse Dia chegar, em vez de Israel dirigir-se a Baal chamando-o de Baali, "meu senhor, meu mestre", se dirigirá ao Senhor, chamando-o de ishi, "meu marido''. Nesse tempo, a infidelidade cessará, e a fidelidade a Deus será declarada. Esse será o tempo da restauração. É importante esclarecer que Baal não é propriamente o nome de uma divindade; é um termo genérico, significando "dono, senhor, possuidor, marido, mestre".
Israel deixará o amante Baal, com
quem vivia, e voltará para o esposo que a espera, Jeová. Baal era
um título padrão para divindades, desde o litoral da Filístia até o vale da
Mesopotâmia. Entretanto, foi Acabe quem, incentivado por sua ímpia esposa
Jezabel, de Tiro, na Fenícia, tentou combinar o culto a Baal com
a adoração a Deus, de forma que o primeiro veio a suplantar o segundo.
2. O fim do baalismo. “E da sua
boca tirarei os nomes de baalins, e os seus nomes não virão mais em memória” (Os
2:17). A idolatria cega as pessoas. Israel chegou a consultar um pedaço de pau
(Os 4:12). Aqueles que se entregam à idolatria, Deus os entrega ao engano de
seus corações. Eles ouvem a resposta de seus ídolos mortos (Os 4:12b) para a
sua própria destruição. Israel correu atrás dos ídolos, seus amantes, e
atribuiu a eles as dádivas que vinham das mãos de Deus. Mas, no devido tempo,
Deus restaurará Israel. Inteiramente purificado do culto a Baal, o
povo se esquecerá dos “nomes dos baalins”.
Após a primeira diáspora o povo
judeu já não mais pratica idolatria a ídolos, a ponto de serem dezenas, senão
centenas os casos de martírios e genocídios de judeus, ao longo dos séculos,
precisamente pela recusa terminante de adoração a outros deuses. Aliás, esta é
a principal razão pela qual os judeus afirmam rejeitar a Jesus e ao
Cristianismo, por entenderem que há, entre os cristãos, indevida divinização de
Jesus e do Espírito Santo.
O “baalismo” praticado
pelos israelitas desprezava a religião espiritual que o Senhor dos céus e da
terra, o Redentor de Israel, exigia do seu povo. Essa religiosidade focada
no material, na prosperidade financeira mais do que nas coisas espirituais,
está de volta em nossos dias com outras roupagens. Nossa geração corre atrás
das bênçãos, mas não quer o abençoador. Nossa geração anda atrás de coisas, e
não de Deus. Ela está interessada no que Deus pode dar, e não em quem Deus é.
Mas chegará o Dia em que, conforme Jeremias 10:11 e Zacarias 13:2, os ídolos
desaparecerão da Terra.
3. A conversão de Israel. Após
o período de provação, de perda das instituições políticas e religiosas (Os
3:4), Israel (entendido aqui não o reino do norte, mas o remanescente fiel das
doze tribos), finalmente, converter-se-á ao Senhor e ao Seu Ungido, aqui
chamado de Davi, na verdade, o Messias (Os 3:5). Israel ressurgiu
enquanto nação politicamente organizada, mas ainda tem de ressurgir
espiritualmente, como reino sacerdotal peculiar de Deus (cf. Ex 19:5,6), o que
somente se dará por ocasião da vinda gloriosa de Jesus ao término da Grande
Tribulação (Zc 12:1-3; Ap 1:7;19:11-21).
A conversão de Israel é fato que
ocorrerá somente no término da septuagésima semana de Daniel (Dn 9:24).
Somente com esta conversão é que haverá a extinção da transgressão na nação
israelita, em que Israel, enquanto povo escolhido de Deus, será libertado do
pecado (cf. Rm 11:25-32; Is 59:20; Sl 14:7; Zc
13:1).
CONCLUSÃO
Assim como Gômer, corremos o
risco de procurar outros amores — amor ao poder, ao prazer, ao dinheiro ou à
fama. As tentações deste mundo podem ser muito sedutoras. Será que somos leais
a Deus e permanecemos completamente fiéis a Ele, ou outros “amores” vieram
ocupar seu legitimo lugar? Não deixe que os costumes mundanos diminuam seu amor
por Deus, ou o sucesso cegá-lo para a necessidade de seu amor divino.
Lembre se, Deus não quer que o
nosso relacionamento com ele seja constituído de palavras bonitas e de rituais
vazios, de corações que se enchem de entusiasmo num dia e no dia seguinte estão
frios. Um ritual superficial jamais pode substituir o amor sincero e a
obediência fiel (l Sm 15:22,23; Am 5:21-23; Mq 6:6-8; Mt 9:13; 12:7).




