quarta-feira, 23 de setembro de 2026

CONHECENDO DEUS E O SEU NOME DIVINO.

 

CONHECENDO DEUS E O SEU NOME DIVINO.


1.     O NOME DE DEUS (YHWH)

O estudo sobre "Conhecendo a Deus e o seu Nome Divino" e, em especial, o estudo do Nome de Deus (YHWH) é um dos temas mais profundos e ricos da teologia bíblica. O nome de Deus não é apenas um rótulo de identificação, mas a revelação do Seu caráter, da Sua essência, da Sua eternidade e do Seu relacionamento com a humanidade.

Abaixo, destacam-se os principais pontos sobre este tema fundamental:

1. A Importância do Nome nas Escrituras

Na cultura bíblica antiga, o nome de uma pessoa representava a sua verdadeira identidade, a sua reputação e a sua natureza. Quando a Bíblia fala sobre o "Nome de Deus", ela está se referindo ao próprio Deus em toda a Sua autorrevelação. Conhecer o nome de Deus significa conhecê-Lo como Ele realmente é, e não apenas de forma abstrata.

2. O Tetragrama Sagrado: YHWH (Javé / Jeová)

O nome mais importante e sagrado de Deus no Antigo Testamento é representado por quatro consoantes do hebraico antigo: YHWH (יְהֹוָה / יהוה), conhecido como o Tetragrama.

·        Significado e Origem: Esse nome é derivado do verbo hebraico hayah (ser, existir). Ele se manifesta de forma marcante em Êxodo 3:14, quando Deus responde a Moisés sobre o Seu nome dizendo: "EU SOU O QUE SOU" (em hebraico, Ehyeh asher ehyeh). Isso indica que Ele é o Deus autoexistente, que não depende de nada nem de ninguém, eterno, sem começo nem fim.

·        A Pronúncia: Por causa de um profundo respeito e temor reverente ao mandamento de não tomar o nome de Deus em vão (Êxodo 20:7), os escribas e o povo judeu antigo cessaram de pronunciar o Tetragrama em voz alta. Quando liam as Escrituras, em vez de YHWH, eles diziam Adonai ("Senhor"). Por isso, a pronúncia original exata acabou gerando debates acadêmicos, sendo traduzida tradicionalmente como Javé (mais aceita por estudiosos) ou Jeová (formada pela junção das consoantes de YHWH com as vogais de Adonai).

3. O Sentido Teológico de YHWH

Chamar a Deus de YHWH revela verdades cruciais sobre a Sua divindade:

·        Eternidade e Imutabilidade: Ele é o Deus que era, que é e que há de vir. O Seu ser está ancorado nele mesmo; Ele é o Eterno Presente.

·        Aliança (O Deus Relacional): YHWH é o nome aliançal de Deus. É o nome usado quando Ele se relaciona de perto com o Seu povo, resgatando-os da escravidão no Egito e estabelecendo com eles um pacto de amor e fidelidade.

4. Os Nomes Compostos de YHWH (Títulos de Revelação)

Para que o ser humano pudesse compreender melhor as Suas múltiplas facetas e o Seu cuidado, YHWH frequentemente aparece associado a outros termos no Antigo Testamento, revelando o que Ele faz pelo Seu povo:

·        YHWH-Jireh: "O Senhor Proverá" (Gênesis 22:14) - Revelado quando Deus providenciou um cordeiro no lugar de Isaque.

·        YHWH-Rafa: "O Senhor que te Cura" (Êxodo 15:26) - A promessa de restauração física e espiritual.

·        YHWH-Shalom: "O Senhor é a nossa Paz" (Juízes 6:24) - Erguido por Gideão em um momento de crise.

·        YHWH-Raah (ou Rohi): "O Senhor é o meu Pastor" (Salmos 23:1) - O cuidado íntimo, a guia e a proteção.

·        YHWH-Tsidkenu: "O Senhor é a nossa Justiça" (Jeremias 23:6) - A esperança messiânica de redenção.

Resumo

Conhecer o nome YHWH é transitar do conhecimento intelectual sobre um Criador distante para a intimidade com um Deus pessoal, eterno e presente, que sustenta todas as coisas e mantém Suas alianças de geração em geração.

O hebraico não tem vogais e estas foram acrescentadas ao longo dos anos, exatamente para se permitir a pronúncia. Em virtude disto, as variações que surgiram fazem com que se tenham diferentes formas para o nome. Com relação ao nome de DEUS, então, como os judeus não o pronunciam, não houve, por parte deles, qualquer interesse em fazê-lo. De qualquer modo, a forma mais antiga e considerada mais próxima da realidade é Javé, embora, repitamos, a forma impronunciável seja a única aceita pelos judeus. A forma Jeová, entretanto, é bem mais recente e foi utilizada como um estratagema para se permitir a pronúncia do nome impronunciável de DEUS, utilizando-se das vogais do nome "Adonai", que quer dizer Senhor. Portanto, Jeová não é, em absoluto, o nome originariamente dado ao tetragrama, residindo aí, até um dos grandes equívocos dos seguidores de Charles Russell.

El Shaddai: DEUS todo poderoso e protetor." QUE NOS TOMA EM SEUS BRAÇOS E NOS PROTEGE" (FIGURA DE UMA GALINHA CHOCANDO SEUS PINTINHOS, MÃE QUE AMAMENTA E NUTRE SEU FILHO)

CONHECENDO A DEUS

OSÉIAS 4. 6- O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu DEUS, também eu me esquecerei de teus filhos. 6.6 Pois misericórdia quero, e não sacrifícios; e o conhecimento de DEUS, mais do que os holocaustos.

ROMANOS 1. 28- E assim como eles rejeitaram o conhecimento de DEUS, DEUS, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm;

             Para se conhecer uma pessoa precisamos andar com essa pessoa, falar com ela, ouvi-la e analisá-la; mas para conhecermos a DEUS, precisamos de fé, pois DEUS é ESPÍRITO, sendo discernido e compreendido somente espiritualmente, pela fé.

            Os nomes de DEUS revelam algumas de suas qualidades, pois nunca poderíamos compreender tudo a respeito d`ELE:

Os nomes de DEUS em relacionamento com o ser humano:

El Shaddai: “DEUS todo poderoso”

‘El Elyon: “DEUS Altíssimo”

‘El Ròi: “O DEUS que vê”

‘El Olam: “O DEUS eterno”

‘El Elohe Yisráel: “DEUS, o DEUS de Israel”

Yawehw-Ropheka: “O Senhor teu médico”

Yaweh- Nissi: “O Senhor minha bandeira”

Yaweh- Shalon: “O Senhor é minha paz”  

Yaweh Rafá: "O senhor que Sara (ou cura)"

Yaweh- Ròi: “O Senhor é o meu pastor”

Yaweh- Tsidkenu: “O Senhor justiça nossa”

Yaweh- Shammah: “O Senhor está ali”

Yaweh- Sabaoth: “O Senhor dos exércitos”

Qedosh Yisráel: “O santo de Israel”

Tsur: “Rocha”

Abba: “Pai” ou “O Pai”

Melek: “Rei”

Gòel: “Redentor”

Rishoh Wa-Acharon: “O 1º e o último”

Elohe ‘Emeth: “O Verdadeiro”

EL = DEUS

Os atributos de DEUS revelam alguns aspectos d`ELE que não são vistos em nenhum outro ser:

Soberania: Deus é supremo, chefe, dono.

Eternidade: sem princípio e sem fim. sempre existiu e sempre existirá.

Onisciência: sabe de tudo, todas as coisas; sabe quantos fios de cabelo tem em nossa cabeça, sabe o que precisamos antes de pedirmos.

Onipresença: está em toda parte ao mesmo tempo, ninguém se esconde de deus; sabe o nosso deitar e levantar.

Onipotência: pode tudo, é autossuficiente, cria o que quer e destrói o que quer; ele mesmo faz a ferida e ele mesmo a sara.

Imutável: o mundo vai ser destruído, mas a palavra de deus permanece para sempre; deus sempre foi esse mesmo deus, ele nunca mudará; o que deus pensava há 5.000 anos, ele pensa hoje do mesmo jeito e vai continuar pensando pela eternidade, por isso a bíblia é sempre atual.

No relacionamento de DEUS conosco também conhecemos mais d`ELE: 

RETIDÃO: DEUS NUNCA ERRA.

JUSTIÇA: DEUS JAMAIS É DESONESTO.

AMOR: DEUS AMA COM AMOR DESINTERESSADO, PURO.

Amor ágape = amor de DEUS. veja 1 Coríntios 13

VERDADE: DEUS NÃO É HOMEM PARA QUE MINTA. TUDO QUE DEUS FALA É VERDADE. 

OS JUDEUS NÃO PRONUNCIAM O IMPRONUNCIÁVEL NOME DE DEUS, POIS POR MAIS QUE COLOQUEMOS ADJETIVOS AO NOME DE DEUS, NUNCA CONSEGUIREMOS CHEGAR À TOTALIDADE DE BONDADE, AMOR, MISERICÓRDIA, PODER etc., DE DEUS.

SÓ O VOCÁBULO "EL" JÁ QUER DIZER "O TODO PODEROSO".

7 nomes de DEUS - ou melhor - Contatos de DEUS com o homem que O denominou assim

DEUS se revela através de sete nomes redentores, demonstrando assim Sua natureza Sétupla (sete é o número perfeito e completo nas Sagradas Escrituras) que transmite à nossa vida Suas bênçãos sétuplas quando nós O recebemos.

OS SETE NOMES REDENTORES DE JEOVÁ SÃO:

Yaweh-TSIDKENU – “O Senhor é a nossa Justiça” (Jr. 23:6) - este nome de Yaweh aparece em uma profecia referente a futura restauração e conversão de Israel, então Israel O clamará como Yaweh-TsidKenu o Senhor Nossa Justiça.

Yaweh-SHALOM – “O Senhor nossa paz” ou “O Senhor envia paz” (Jz 6:23 e 24). Quase todo o Ministério de Yaweh encontra expressão e ilustração neste capítulo. Yaweh odeia e julga o pecado.

Yaweh-RAAH – “DEUS é nosso Guia” ou Pastor (Sl. 23:1) - O Senhor é meu pastor e nada me faltará.

Yaweh-RAFÁ – “DEUS é nosso médico ou aquele que cura” (Êxodo 15:26). O Contexto mostra que se refere à cura física, mas está implícita a cura mais profunda da enfermidade da alma.

Yaweh-JIRÉ – “DEUS é nosso provedor” ou fonte (Gn. 22:14) - O Senhor proverá, isto é, proverá para si o holocausto ou o sacrifício, Abraão viu o dia do Senhor.

Yaweh-SHAMÁ – “DEUS está sempre presente” (Ez. 48:35) - O Senhor está sempre presente, este nome significa a presença permanente do Senhor Jeová no meio do Seu povo.

Yaweh-NISSI – “DEUS é nossa vitória” (Êx. 17:15) - O Senhor é a nossa bandeira; o nome é interpretado pelo contexto. De maneira um pouco familiar, depois da derrota dos amalequitas, Moisés ergueu um altar e o denominou de Yhweh Nissi o senhor é a minha bandeira. Esses, entretanto não são nomes de DEUS; mas, apenas, comemoram certos acontecimentos.

Uma lista dos vários nomes de DEUS a partir das Escrituras.

DEUS (el, elah, elohim, eloah)

Jeová (Yahweh)

DEUS (tsur — ‘rocha’) (Is 44.8)

DEUS (theos) (NT)

Senhor (kurios) (NT) (acionai) (AT) Divindade (theotes) (Cl 2.9)

(theios) (At 17.29)

(theiotes) (Rm 1.20)

Altíssimo (elion) (SI 18.13, etc.)

(Impsistos) (Mt 21.9, etc.)

SANTO (de Israel) (qadosh) (SI 71.22, etc.) Poderoso {el) (SI 50.1)

(gibbor) (Dt 10.17, etc.)

DEUS dos deuses (Dt 10.17)

Senhor dos senhores (Dt 10.17)

Doador de luz (Maor) (Gn 1.16)

Pai (ab) (AT: SI 89.26, etc.)

(pater) (NT: Jo 5.17, etc.)

Juiz (shafat) (Gn 18.25, etc.)

Redentor (gaal) (Jó 19.25)

Salvador (yasha) (AT: Is 43.3)

(soler) (NT: Lc 1.47)

Libertador (palat) (SI 18.2, etc.)

Escudo (magen) (SI 3.3, etc.)

(também Broquel, SI 18.30)

Força (eyaluth) (SI 22.19)

Todo-poderoso (shaddai) (Gn 17.1, etc.) DEUS que vê (el roi) (Gn 16.13)

Justo (tsaddiq) (SI 7.9, etc.)

Senhor dos exércitos

(elohim tsebhaoth) (Jr 11.20)

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 125.

Respeito pelo Nome Divino. Acima de todos os outros povos, os hebreus respeitavam e temiam a DEUS. Por essa razão, não usavam o nome de DEUS frivolamente. Eles pronunciavam os nomes de DEUS com alterações que lhes permitiam não terem de verbalizar os sons exatos desses nomes. Os escribas registravam os nomes de DEUS lavando frequentemente as mãos. Um dos mandamentos mosaicos, o terceiro, proibia o uso frívolo do nome divino (Êxo. 20.7). Sabemos que as culturas antigas acreditavam no poder espiritual dos nomes. Saber qual o nome de uma divindade, ou de um demônio, supostamente dava à pessoa certo poder sobre essa divindade ou demônio, em momentos de necessidade. No caso dos demônios, o conhecimento dos nomes deles poderia ser um meio de expeli-los. Esses fatos demonstram o respeito que algumas pessoas tinham pelos nomes, e talvez esse fosse um dos motivos pelo extremo respeito que os judeus tinham pelo nome divino. No judaísmo posterior, encontramos o uso espiritual de nomes; mas não temos evidências a esse respeito quanto à primitiva cultura judaica, embora isso deva ter existido em algum grau e de alguma maneira.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4131.

É característico do sistema hebraico-cristão o uso dos nomes para a deidade como instrumentos para a revelação divina. Os vários nomes, simples e compostos, empregados tanto no AT quanto no NT, não são meras construções ou designações humanas. Antes, são instrumentos reveladores, aparecendo como pontos centrais na carreira do povo israelita, e refletindo a autorrevelação de DEUS.

A simpatia de Israel por nomes refletia a atitude geral para com a nomenclatura que era comum aos povos antigos. Com eles o nome de uma pessoa não era apenas uma designação de uma relação familiar — não uma simples posse — mas algo distintivamente pessoal. Embora não haja nenhuma evidência de que no uso israelita dos nomes estes eram considerados (como em algumas culturas) por conter poderes espirituais, todavia os nomes eram vistos com muito respeito. Isto era verdadeiro acerca dos nomes pessoais; e a mesma seriedade é aparente no emprego das designações para a divindade entre os povos do AT.

Na cultura semita, os nomes eram frequentemente usados para designar uma característica da pessoa nomeada. O sentimento parece ter sido o de nominar sua personalidade. Um exemplo deste tipo de uso é encontrado no caso do nome de Jacó, que significa “suplantador”, cujo sujeito era de fato uma pessoa astuta e egocêntrica.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag.123. 

2. NOMES GENÉRICOS.

O nome Elohim apresenta os primeiros vislumbres da Trindade. A declaração de Gênesis 1.1; traz o verbo no singular, "criou", e o sujeito no plural Elohim, "DEUS", o que revela a unidade de DEUS na Trindade. Construção similar aparece em várias partes do Antigo Testamento: "E disse DEUS: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gn 1.26); "Então disse o SENHOR DEUS: Eis que o homem é como um de nós" (Gn 3.22); "Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua" (Gn 11.7). A Trindade é vista em Elohim à luz do contexto bíblico. O Novo Testamento explicitou o que antes estava implícito no Antigo Testamento. Quando Elohim refere-se às divindades falsas traz no plural o verbo, o pronome ou o adjetivo, representando a multiplicidade. Quando, porém, aplicado ao DEUS de Israel, o verbo e o seus complementos vêm geralmente no singular.

Os rabinos reconheceram a pluralidade neste nome, mas, como o judaísmo é uma religião que defende o monoteísmo absoluto, e não admite JESUS CRISTO como o Messias de Israel, fica difícil para eles entenderem essa pluralidade. Para explicá-la, argumentam ser um plural de majestade, mas isso é uma determinação rabínica posterior. A definição de plural de majestade ou de excelência, como disse, foi dada pelo rabinato posterior. Disse Shlomo ibn Yitschaki, conhecido pela sigla RASHI, grande rabino e erudito judeu (nascido em 1040): "O plural de majestade não significa haver mais de uma pessoa na divindade". Essa declaração serviu para o judaísmo prosseguir sua marcha mantendo o monoteísmo absoluto sem JESUS e sem o ESPÍRITO SANTO.

No relato da criação e em muitas outras passagens do Antigo Testamento, Elohim é nome próprio usado como forma alternativa de Javé. Segundo Umberto Cassuto, esse nome é usado para se referir à ideia obscura e mais abstrata da deidade, de um DEUS universal e Criador do mundo, indicando a transcendência da natureza de DEUS; ao passo que Javé aparece quando as características estão claras e concretas e sugere um DEUS pessoal que se relaciona diretamente com o povo.

No capítulo um de Gênesis, DEUS aparece como o Criador do universo físico e como o Senhor do mundo, exercendo domínio sobre todas as coisas. Tudo quanto existe veio à existência por causa exclusiva de Seu fiat (poder criador), sem qualquer contato direto entre Ele e a natureza. Portanto, aplicando-se aquelas regras, aqui cabe o uso do nome Elohim (CASSUTO, 1961, p. 32).

Elohim é um dos nomes próprios de DEUS, mas aparece como apelativo no Antigo Testamento quando se refere a divindades falsas, por exemplo os deuses do Egito (Êx 12.2) e de outras nações (Dt 13.7,8; Jz 6.10). A palavra é usada com relação às imagens dos cultos pagãos (Êx 20.23). As Escrituras fazem uso irregular de Elohim em referência a seres sobrenaturais (1 Sm 28.13) e juízes (SI 82.6). Aparece também, cerca de 20 vezes, com relação às divindades pagãs individuais.

Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 51-53.

1. El, um termo para indicar DEUS (deus), ou seja, a deidade verdadeira ou falsa, ou mesmo um ídolo que os homens chamem de «deus» (Gên. 35:2), como o DEUS de Betel (Gên. 31:13). El era o nome do deus supremo da religião Cananéia, cujo filho era Baal. O plural de El é Elohim, palavra que também pode significar deuses, ou que pode ser usada como um aumentativo para referir-se a um elevado poder, o DEUS supremo. O sentido básico de El, é «força».

2. Elyon, El Elyon, o DEUS Altíssimo, título usado em conexão com a adoração de Melquisedeque (ver Núm. 24:16). Em Salmos 7:17 a palavra aparece composta com Yahweh. Em Daniel 7:22,25 há um plural aramaico dessa palavra.

3. Elohim, embora seja plural, podendo ser traduzida por «deuses», essa palavra pode indicar o Ser supremo, sendo usado o plural para enobrecer a palavra, e não para que pensemos no verdadeiro plural. A própria palavra é um plural de El e retém, por isso mesmo, o sentido básico de «força», «poder». A presença desse nome, na narrativa da criação (no plural), tem dado origem à interpretação trinitariana da palavra, ali; mas isso é uma cristianização da passagem, e não uma verdadeira interpretação. Gênesis 1-1 faz com que esse seja o primeiro nome de DEUS na Bíblia.

4. Eloah, uma forma singular de Elohim, e com o mesmo sentido de El. Essa forma variante encontra-se principalmente na linguagem poética, pelo que aparece, com mais frequência, no livro de Jó.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4131.

O nome El é uma das mais antigas designações para deidade no mundo antigo. Ele forma o componente básico do termo geral para DEUS na Babilônia e na Arábia, assim como com o povo israelita. É evidente que os conceitos que algumas vezes estavam vinculados ao termo El, no mundo da antiguidade, eram indignos do DEUS da Bíblia, mas isto não diminui a importância da ocorrência do termo no tronco racial do Oriente Médio. É um termo muito antigo, e muitos consideram razoável deduzir que o termo foi conservado como revelação primitiva, um Uroffenbarung (revelação original).

O termo El parece sugerir poder e autoridade. Nesta conexão, John P. Lange diz: Poder, grandeza, imensidão, altura, de acordo com o que eles representam pelas concepções do dia, levados até a extensão mais completa permitida pelo conhecimento do dia; este é o ideal de El e Elohim, como visto na congruência etimológica dos epítetos ligados àqueles de Gênesis. (Commentary on the Holy Scriptures, I, 109n.)

Assim, o significado original de El pode ter sido: (a) ser forte; (b) ter aumentado as esferas de controle; ou (c) possuir força de ligação. Walther Eichrodt sugere que: é válido observar que qualquer um destes significados que adotamos enfatiza a distância entre DEUS e o homem. Nisto eles estão em conformidade básica com a característica básica do conceito semita de DEUS, a saber, aquilo que é de primeira importância não é o sentimento de parentesco com a deidade, mas o temor e tremor em face a sua majestade irresistível. Um outro ponto que é necessário observar é que eles não identificam a Divindade como algum objeto natural, mas o descreve como o poder que fica por trás da Natureza, ou a vontade dominante manifesta nela (Theology of the OT, p. 179).

O nome El, quando aplicado a DEUS, é geral e inclusivo, e inclui o significado primário de poder ou capacidade (Gn 17.1; 28.3; 35.11; Js 3.10; 2Sm 22.31,32; Ne 1.5; 9.32; Is 9.6; Ez 10.5). Muitos se sentem justificados ao concluir que o seu emprego e a vasta ocorrência testemunha em favor um monoteísmo primitivo, do qual o politeísmo representou um desvio. Certa atenção será dada posteriormente ao uso frequente da forma plural, Elohim. no AT. Agora, é necessário dizer que o nome El carrega não apenas a conotação de poder, mas também a idéia da transcendência da Deidade.

Se o nome El era um termo geral para a divindade no pensamento dos antigos povos das Terras Bíblicas e do Oriente Médio da antiguidade, o nome Yahweh (transliterado Jeová) era um nome especificamente israelita para DEUS. O significado básico do termo parece ser: “Aquele que é” ou “Aquele que está verdadeiramente presente.”

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 2. pag. 124.

O termo genérico. DEUS (Elohim). O livro de Genesis imediatamente atribui a criação do universo e do homem a Elohim, (um nome genérico para divindade, cujo equivalente é theos em grego, DEUS em latim, e DEUS também em português). O substantivo plural ('eloah, 'elohim) no uso pagão significava a pluralidade de deuses, ao passo que o Antigo Testamento exclui o politeísmo de uma forma bastante específica: (a) Na prosa, a forma plural elohim era normalmente usada para divindade (monoteísta ou politeísta), e a rara forma singular eloah era especialmente reservada para a poesia (cf. Jó, onde eloah aparece mais frequentemente do que em todo o resto do Antigo Testamento), (b) Exceto quando usada em relação a deuses pagãos (por exemplo, em Gn 31.30; Êx 12.12), a forma plural elohim é uniformemente usada no Antigo Testamento, mas, com um adjetivo no singular, para excluir a má interpretação politeísta. A intenção, ou o conteúdo é, portanto, mais importante do que a etimologia ou a derivação para determinar o significado. (c) A narrativa da criação no livro de Genesis atribui a criação do universo e, especialmente do homem, a Elohim, cuja atividade criadora o diferencia dos mitos pagãos de divindades múltiplas que competem entre si. (d) Embora algumas vezes a doutrina da Trindade tenha sido atribuída à forma plural Elohim, é mais provável que o termo seja uma expressão hebraica que sugere pluralidade de majestade, ou plenitude de poder, em vista da criação de DEUS e da sua soberania sobre o homem e o mundo. Quando, no Antigo Testamento, elohim traz a ideia da pluralidade de pessoas, a referência é ao politeísmo pagão, e não às distinções pessoais dentro de uma única divindade. Sem outras indicações no Antigo Testamento, e sem os ensinos explícitos do Novo Testamento, o Trinitarismo dificilmente poderia ser subentendido a partir do termo elohim. (e) Como resultado das suas associações com o Antigo Testamento, elohim não continua sendo simplesmente um termo genérico para divindade, mas se torna também um nome próprio.

PFEIFFER. Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 540.

3. NOMES ESPECÍFICOS.

O Antigo Testamento emprega outros nomes para identificar o DEUS Javé de Israel. São eles: ‘elyôn, "Altíssimo"; shadday, "Todo-poderoso" e ’ãdhonãy, "Senhor".

O nome composto ’êl ‘elyôn significa "DEUS Altíssimo". Elion designa DEUS como o Alto e Excelente, o DEUS Glorioso. É um dos nomes genéricos porque ele também é aplicado a governantes, mas nunca vem acompanhado de artigo quando se refere ao DEUS de Israel. Abraão adorava a El Shadai, "DEUS Todo-Poderoso" (Gn 17.1); e Melquisedeque, rei e sacerdote de Salém, era adorador de El Elion (Gn 14.19-20). Quando Abraão se encontrou com Melquisedeque, descobriu que seu DEUS era o mesmo de Melquisedeque, apenas conhecido por um nome diferente (Êx 6.3). Em Gênesis 14.19-20, esse nome vem acompanhado de "El", mas, às vezes, aparece sozinho (Is 14.14).

O DEUS de Israel é também identificado como ’êl shadday, "DEUS Todo-Poderoso". Shadai é o "nome de uma deidade" (KO- EHLER BAUMGARTNER, vol. II, 2001, p. 1420). Segundo Holaday, é o nome de deidade identificado com Javé (2010, p. 514); e, de acordo com Gesenius, "mais poderoso, Todo-poderoso, um epíteto de Jeová, às vezes com El" (1982, p. 806). Aparece 48 vezes no texto hebraico das Escrituras, sete delas antecedido de El.

Esse era um nome apropriado para o período patriarcal, durante o qual os patriarcas viviam numa terra estranha e estavam rodeados pelas nações hostis. Eles precisavam saber que o seu DEUS era o Todo-poderoso (Gn 17.1). O termo aparece com frequência na era patriarcal; só no livro de Jó ocorre 31 vezes. Êxodo 6.3 nos mostra que DEUS era conhecido pelos patriarcas por esse nome. DEUS se revelou primeiro aos patriarcas do Gênesis com nome El Shadai e, após o Sinai, os hebreus identificaram o seu libertador Javé com o El Shadai dos seus antepassados.

As duas formas do nome hebraico ’ãdhonay ou ’ãdhônay , "o Senhor, Adonai", aparecem no Antigo Testamento com "o" breve e com "o" longo (Is 6.1; Jz 13.8). O termo ocorre quase 450 vezes no Antigo Testamento, 310 vezes em conexão com o tetragrama e 134 vezes sozinho. É um nome próprio e significa literalmente, “meu senhor”, e, segundo Gesenius, é "somente usado para DEUS" (1982, p. 12); forma "reservada como uma designação para Javé" (JENNI & WESTERMANN, vol. 1, 2001, p. 24). Adonai, "Senhor", é um nome divino e expressa a soberania de DEUS no Universo. A desinência -ay indica plural, como acontece com o nome Elohim; o judaísmo considera Adonai comopluralis excellentiae. É diferente de ’ãdhôn, "senhor, dono", referindo-se geralmente a homens, ou com o sufixo ’ãdhõní, "meu senhor", forma pela qual Sara se dirigia a Abraão e Ana se dirigia a Eli (Gn 18.12; 1 Sm 1.15, 26).

Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 53-55.

Nomes próprios. El Elyon, El Shaddai, Yahweh. A reviravolta notável na teologia bíblica é a de que o DEUS vivo é progressivamente conhecido por meio dos acontecimentos históricos reais, nos quais Ele revela tanto a si mesmo quanto os seus objetivos. Com isso, os termos genéricos para divindade ganham um conteúdo mais específico, tornam-se nomes próprios e, sucessivamente, abrem caminho para designações posteriores que refletem mais plenamente a natureza de DEUS, que é progressivamente revelada. A palavra El, termo mais comum para divindade, nas línguas semitas (mas que não é a palavra usual no Antigo Testamento), vem frequentemente associada a um substantivo ou a um adjetivo (cf. 'el 'elyon, "DEUS Altíssimo", ou 'el shaddai, "DEUS Todo-Poderoso"). Como consequência, tornou-se um nome próprio de DEUS.

El Shaddai tornou-se o nome patriarcal característico para Divindade, como consequência do concerto divino com Abraão. Enquanto Elohim representa DEUS especialmente na função do Criador, Formador e Preservador do homem e do mundo, El Shaddai se concentra nos limites divinos dos processos naturais para os propósitos da sua graça. O nascimento de Isaque, o filho prometido, na ausência de qualquer possibilidade natural, mostra DEUS como materializando de forma onipotente o seu objetivo de graça em uma criação finita e pecadora, decaída. Na LXX e no Novo Testamento, El Shaddai é traduzido como pantokrator, "O Todo-Poderoso", "O Onipotente" (cf. 2 Co 6.18; Ap 1.8; 4.8).

Com a evolução da história religiosa hebraica, os primeiros nomes de DEUS passaram para um plano secundário em vista da autorrevelação de DEUS que ocorria. Mesmo assim, o nome El Shaddai não substitui completamente Elohim, uma vez que os hebreus conservam todas as designações de Divindade, algumas vezes intercambiando-as, conforme as circunstâncias possam sugerir um ou outro. O uso literário de nomes divinos, portanto, não fornece uma indicação inequívoca do desenvolvimento literário e da autoria dos escritos sagrados. O nome por excelência para o DEUS de Israel é Jeová (Yahweh), encontrado 6.823 vezes no Antigo Testamento. Por meio da libertação de Israel da escravidão no Egito, de sua adoção como uma nação, e de sua condução até a Terra Prometida, o DEUS Redentor é especialmente conhecido por esse nome. O DEUS auto-revelado se revela de maneira redentora de uma forma especial (EU SOU O QUE SOU, Êx 3.14). Veja Eu Sou. O DEUS vivo, que havia anteriormente se manifestado aos patriarcas como El Shaddai (Êx 6.2ss.), não era totalmente desconhecido deles como Jeová, sendo esse nome encontrado frequentemente em Genesis e pronunciado pelo próprio Senhor DEUS, e mesmo na bênção de Jacó (que nenhum redator teria alterado!). A partir de Abraão, o nome de Jeová aparece periodicamente nos registros sagrados. Mas com o resgate de Israel e com o estabelecimento da teocracia, Jeová torna-se o nome inconfundível no Antigo Testamento para o DEUS vivo, que não apenas adapta a natureza pecadora à graça, mas também molda um novo tipo de graça em meio a este curso natural das coisas. Consequentemente, o nome Jeová (uma reconstrução artificial em português para a palavra hebraica YHWH, originalmente pronunciada Yahweh ou Yahveh) enfatiza, em particular, a atividade redentora de DEUS. Devido às superstições, os hebreus chegaram a evitar pronunciar a palavra de quatro letras YHWH, substituindo-a por Adonai. Nos séculos mais recentes, Jeová tem servido como o equivalente a Yahweh na literatura, nos hinos e nas traduções da Bíblia em português. A Bíblia de Jerusalém adotou o nome Yahweh. Sobrepondo uma estrutura de desenvolvimento naturalista sobre a Bíblia, a crítica elevada diz que os múltiplos nomes de DEUS, particularmente Elohim e Yahweh, refletem fontes literárias divergentes. Esta suposição foi, durante muito tempo, um alicerce da hipótese JEDP, agora desacreditada, que reduz o Pentateuco (q.v) a fontes originais conflitantes. A tentativa de explicar o nome composto Yahweh-Elohim por meio da combinação de documentos provou ser insustentável, e a hipótese JEDP é cada vez mais reconhecida como um grupo de fontes artificialmente projetadas (em um contexto preciso, sobre o qual os próprios críticos não entraram em acordo).

PFEIFFER. Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 540-541.

II. O NOME QUE SE TORNOU INEFÁVEL

1. A PRONÚNCIA DO NOME DIVINO.

O tetragrama YHWH (Yahweh) era considerado sagrado demais para ser pronunciado. As vogais de Adonai (meu Senhor) foram combinadas com as consoantes YHWH, e o resultado foi a forma Jeová. Não se trata, realmente, de um nome de DEUS, mas de uma corruptela do nome, a fim de que pudesse ser proferido, sem nenhum temor pelos judeus. Mas nunca aparece, com essa forma, no original hebraico da Bíblia. Tal forma só começou a aparecer no século XII D.C. Antes disso, —cada vez que aparecia YHWH, os judeus pronunciavam «Adonai».

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4131.

Os esforços para se determinar o significado do tetragrama (YHWH) mediante a investigação histórica têm sido dificultados pela escassez de dados relacionados com as várias formas do nome ya nas fontes históricas fora do AT. Por esta razão, a investigação geralmente tem seguido linhas filosóficas. G. R. Driver sugeriu que a forma ya era originalmente um grito de exclamação "emitido em momentos de empolgação ou êxtase, um precedente de ya(h)wá(h), ya(h)wá(h)y ou coisa semelhante". Sugeriu, ainda mais, que o nome Javé surgiu da consonância de uma extensão deya com o "tempo imperfeito de um verbo defectivo". Deste modo, ele viu a origem do nome numa etimologia popular e asseverou que a sua forma original foi esquecida (ZAW46.24).

Mowinckel propôs a teoria de que o tetragrama deve ser entendido como palavra composta do elemento de exclamação e o pronome da terceira pessoa, hü’, com o significado de "Ó Ele!"

Outra abordagem do problema é ver no tetragrama uma forma de paronomásia. Este conceito leva em conta a representação geral do nome ya nas culturas extrabíblicas do segundo milênio a. C. O nome Javé é entendido, portanto, como uma forma quadrilateral, e o relacionamento entre o nome hãyâ ("ser"), em Ex 3.14-15, não deve ser de etimologia, mas, sim, de paronomásia.

O ponto de vista mais comum é de que 0 nome é uma forma de um verbo trilateral, hwy. É geralmente considerado um imperfeito da raiz Qal, na terceira pessoa, ou um verbo também na terceira pessoa do imperfeito de uma raiz causativa. Outra sugestão é de que se trata de um particípio causativo com um y pré-formante que deve ser traduzido "Sustentador, Mantenedor, Estabelecedor".

Com relação ao ponto de vista de que o tetragrama é urna forma alongada de um grito de exclamação, pode ser indicado que os nomes próprios semíticos tendem a abreviar-se; normalmente não são prolongados.

A teoria de que o nome é paronomástico é atraente, mas quando se apela às ocorrências das formas de ya ou yw ñas culturas antigas, surgem vários problemas. E difícil explicar como a forma original poderia se ter prolongado até chegar à estrutura familiar quadrilateral. A sugestão de Mowinckel é atraente, porém especulativa. Além disso, é difícil compreender como o nome Javé poderia ter conotações de unicidade tão forte no AT se é urna forma de um nome divino representada em várias culturas no segundo milênio a. C.

A derivação do tetragrama de uma raiz verbal também está comprometida com certas dificuldades. A raiz hwy, sobre a qual o tetragrama seria baseado segundo este ponto de vista, não é atestada nas línguas semíticas ocidentais antes dos tempos de Moisés. e a forma do nome não está de acordo com as regras que regem a formação de ver- bos lamed he’, conforme nós os conhecemos.

Fica evidente que o problema é difícil. É melhor concluir que o uso da etimologia para determinar o conteúdo teológico do nome Javé é tênue. Para se compreender o significado teológico do nome divino, é necessário que se determine o contexto teológico de que o nome era revestido na religião hebraica.

Jah, Yah. Esta forma mais curta de Javé ocorre duas vezes em Êxodo (15.2 e 17.15). A primeira destas passagens é refletida em Is 12.2 e SI 118.14. Ocorre também numerosas vezes na fórmula haPIõyâ ("louvai a yah"). Seu emprego nas passagens poéticas antigas e mais recentes e sua função de fórmula nos Salmos Halel sugerem que esta forma de Javé é um dispositivo do estilo poético.

A forma composta de yah com Javé, em Is 12.2 [yah YHWH), indica uma função separada para a forma yah e, ao mesmo tempo, sua identificação com Javé.

Walter A. Elwell. Enciclopédia Histórico-Teológica Da Igreja Cristã. Vol 1. Editora Vida Nova. pag. 445-446.

 


2. JEOVÁ OU JAVÉ?

Javé, o nome pessoal do DEUS de Israel, é escrito pelas quatro consoantes YHWH — o tetragrama. A escrita hebraica foi usada durante todo o período do Antigo Testamento sem as vogais. Elas nada mais são do que sinais gráficos diacríticos, criados pelos rabinos entre os séculos 5 e 9, e que são colocados sobre, sob e no meio de cada consoante. Até hoje, esses sinais ajudam muito na leitura de qualquer texto hebraico; todavia, quem já conhece a língua não precisa mais deles.

Êxodo 3.14 revela que DEUS é o que tem existência própria, ou seja, existe por si mesmo. É o imutável, o que causa todas as coisas, é autoexistente, aquele que é, que era e o que há de vir, o eterno. Até hoje, os judeus religiosos preferem chamar DEUS de "O ETERNO", como se encontra na edição de 1988 da Bíblia na Linguagem de Hoje e na edição da Sêfer da Bíblia Hebraica em lugar do tetragrama. Aqui, DEUS explicou a Moisés o significado do nome Iavé.

Desde o patriarca Abraão até ao período do reino dividido, era costume invocar a Javé mediante o uso do seu nome (Gn 12.8; 13.4; 21.33; 1 Rs 18.24). Era necessário conhecer o nome para que se pudesse estabelecer um relacionamento de comunhão. O que Jacó perguntou ao anjo com quem lutava? O seu nome (Gn 32.29). Manoá, o pai de Sansão, fez a mesma pergunta com o propósito de estabelecer um relacionamento espiritual (Jz 13.11- 17). Com Moisés, não foi diferente:

Então, disse Moisés a DEUS: Eis que quando vier aos filhos de Israel e lhes disser: O DEUS de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse DEUS a Moisés: EU SOU O QUE SOU.

Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. E DEUS disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, o DEUS de vossos pais, o DEUS de Abraão, o DEUS de Isaque e o DEUS de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração (Êx 3.13-15).

Javé estabeleceu um memorial ao seu nome, anunciado aqui, mas concretizado por ocasião da promulgação da lei, quando foi oficializado o concerto do Sinai (Êx 20.24). Aqui está a base do tetragrama YHWH. No texto hebraico, encontramos a frase ’ehyeh asher 'ehyeh; "EU SOU O QUE SOU". A substituição do “y” de ‘ehyeh pelo w do tetragrama vem de hãwãh, forma arcaica e sinônimo de hãyâh, "ser, estar, existir, tornar-se, acontecer", cuja primeira pessoa do imperfeito é ‘ehweh, e cuja terceira pessoa é YHWEH.

Na poesia hebraica, usa-se com frequência a forma reduzida Yah. "Já é o seu nome; exultai diante dele" (Sl 68.4, TB). Isso pode explicar a presença da letra "a" no nome Yahweh. "Parece provável que a pronúncia original tenha sido YaHWeH, tanto por causa da forma verbal correspondente, o imperfeito de hãwãh, arcaicamente escrito Yahweh, como de representações mais recentes desse nome em grego pelas palavras iaoue e iabe" (HAR- RIS; ARCHER, JR.; WALTKE, 1998, p. 346).

A partir de 300 a.C. o nome Adonai passou gradualmente a ser mais usado que o tetragrama até que o nome Javé se tornou completamente impronunciável pelos judeus. Para evitar a vulgarização do nome e para que a forma não fosse tomada em vão, eles pronunciavam por reverência ’ãdhonãy cada vez que encontravam o tetragrama no texto sagrado, na leitura da sinagoga. Na Idade Média, os rabinos inseriram no tetragrama as vogais de adhonay (HARRIS; ARCHER, JR.; WALTKE, 1998, p. 347).

As vogais de 'HS (adõnãy) são (, =«) ;( = o) e (., = ã). Elas foram inseridas no tetragrama sagrado, resultando na seguinte forma: nin\ O resultado disso é a pronúncia "YeHoWaH". Mas os judeus ainda hoje pronunciam "Adonai" para lembrar na leitura bíblica na sinagoga que esse nome é inefável. Esse enxerto no tetragrama resultou no nome híbrido YEHOWAH, que a partir de 1520 os reformadores difundiram como "Jeová". A forma híbrida "Jeová" não é bíblica, mas foi assim que o nome passou para a cultura ocidental; aos poucos, contudo, esse nome vem sendo substituído pela forma Iavé ou Javé.

Os nomes Adonai e Javé são tão sagrados para os judeus que eles evitam pronunciá-los na rua ou no cotidiano. O segundo nem mesmo nas sinagogas é pronunciado, e no dia a dia eles chamam DEUS de há-shêm, "o Nome" (Lv 24.11, TB; 2 Sm 6.2).

Nos manuscritos da Septuaginta, encontramos kyrios, "dono, senhor, o Senhor" (BALZ & SCHNEIDER, 2001, vol. I, p. 2437), no lugar de ’ãdõnã(y) e yhvh. Alguns fragmentos gregos de origem judaica apresentam o tetragrama, mas outros usam kyrios. Isso não é novidade. Jerônimo (347-420) "conhece a prática de, em manuscritos gregos, inserir o nome de DEUS (Yahweh) com caracteres hebraicos" (WÜRTHWEIN, 2013, p. 262). A Septuaginta, como tradução, foi submetida a revisões e recensões e, por isso, até hoje ninguém sabe qual foi exatamente o texto original ou o que foi alterado no transcorrer dos séculos. Uns afirmam que o nome kyrios é original: "Assim, no contexto de uma revisão arcaizante e hebraizante, o tetragrama parece ter sido inserido na tradução antiga no lugar de Kyrios" (op. cit., p. 262). Mas, para outros, é de origem cristã ou teria vindo dos judeus. O certo é que ambos foram usados desde a origem da tradução.

 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

A TEOLOGIA DE ELIÚ: O SOFRIMENTO É UMA CORREÇÃO DIVINA

 

A TEOLOGIA DE ELIÚ: O SOFRIMENTO É UMA CORREÇÃO DIVINA

 

TEXTO BÍBLICO: Jó 32:1-4; 33:1-4; 34:1-6; 36:1-5

  “Ao aflito livra da sua aflição e, na opressão, se revela aos seus ouvidos” (Jó 36:15).

O tema da Teologia de Eliú e a sua perspectiva sobre o sofrimento como uma correção divina traz uma das reviravoltas mais fascinantes e profundas do Livro de Jó. Enquanto os três primeiros amigos de Jó (Elifaz, Bildade e Zofar) insistiam que o sofrimento de Jó era exclusivamente um castigo punitivo por pecados ocultos, e Jó defendia apaixonadamente a sua inocência, Eliú introduz uma nova dimensão teológica.

Abaixo, exploramos os principais aspectos da teologia de Eliú com base nos textos indicados:

1. Quem era Eliú e a sua Posição (Jó 32:1-4)

  • A Ira Justa: O texto destaca que Eliú estava furioso. Ele se irou contra Jó porque este se justificava a si mesmo diante de Deus, e também se irou contra os três amigos porque eles não conseguiram responder adequadamente a Jó, limitando-se a condená-lo sem oferecer uma verdadeira luz espiritual.
  • O Respeito pela Idade: Sendo o mais jovem do grupo, Eliú havia permanecido em silêncio por respeito aos mais velhos. No entanto, ele argumenta que a verdadeira sabedoria não provém apenas da longevidade, mas sim do sopro do Todo-Poderoso que dá entendimento ao ser humano (Jó 32:8-9).

2. Deus Fala Através da Dor e da Correção (Jó 33:1-4)

  • A Experiência Humana e a Voz de Deus: Eliú se aproxima de Jó não como um juiz severo, mas como alguém feito da mesma matéria (argila), de modo que Jó não precisava temer a sua presença.
  • O Propósito Pedagógico: Para Eliú, o sofrimento não é necessariamente uma condenação irrevogável (como os amigos diziam), nem uma injustiça cega do destino. Deus utiliza a aflição como um método de correção e instrução. É um meio pelo qual Deus desperta a consciência humana, afasta o homem do orgulho e o protege de caminhos destrutivos (Jó 33:14-18).

3. A Soberania e a Justiça de Deus (Jó 34:1-6)

  • A Integridade de Deus: Eliú confronta o desespero de Jó, que por vezes parecia acusar Deus de injustiça em sua dor. Eliú defende enfaticamente que Deus jamais age com maldade ou perverte o juízo.
  • O Governo do Criador: Deus sustenta o universo; se Ele retirasse o Seu fôlego, toda a carne pereceria imediatamente (Jó 34:14-15). Portanto, o sofrimento humano deve ser compreendido sob a ótica de que Deus é perfeitamente justo e soberano em todas as Suas ações.

4. A Disciplina que Resgata e Revela (Jó 36:1-5)

  • A Visão do Versículo-Chave: "Ao aflito livra da sua aflição e, na opressão, se revela aos seus ouvidos" (Jó 36:15).
  • O Propósito Redentor: Eliú argumenta que o sofrimento funciona como um "grilhão" ou uma advertência amorosa para abrir os ouvidos do ser humano à instrução divina. Deus usa a crise para que o homem abandone a sua autossuficiência e volte os olhos para o Criador. A dor, portanto, tem um papel corretivo e moldador, preparando o caminho para a restauração e o livramento.

Resumo da Perspectiva de Eliú

Enquanto os amigos viam o sofrimento de Jó como retribuição (pecou, logo sofreu) e Jó o via como injustiça, Eliú introduz o conceito de educação e correção divina (Deus disciplina para aperfeiçoar, prevenir o mal maior e atrair o coração humano para Si). A sua fala serve como uma transição perfeita para os capítulos finais, onde o próprio Deus se manifestará a Jó.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos da teologia de Eliú, um quarto amigo de Jó; sua teologia: o sofrimento é uma ação pedagógica de Deus para corrigir o homem. Depois da réplica de Jó ao terceiro discurso de Bildade, exsurge um silêncio, pois os amigos de Jó não encontraram meios para convencer o patriarca, que seguiu convicto de sua inocência; apareceu, então, Eliú, o mais jovem dentre os quatro, cuja presença não fora até então mencionada no livro. Eliú é mencionado no livro de Jó a partir do capítulo 32, quando começou a sua fala, fala esta que não teve resposta por parte do patriarca Jó. Eliú ingressou no debate procurando ser um meio-termo entre o discurso dos amigos e o do patriarca, disto resultando uma visão de Deus mais real que a dos amigos de Jó, mas também insuficiente para desmentir a forte convicção do patriarca. Embora ainda achasse que Jó seria um pecador, Eliú conseguiu, em seu discurso, ter uma visão da graça de Deus, algo que fora completamente ignorado pelos outros amigos do patriarca, e, por isso, viu que o sofrimento pode ser resultado do amor de Deus, não apenas fruto de uma punição.

I. O SOFRIMENTO COMO UMA FORMA DE REVELAR DEUS


O primeiro discurso de Eliú foi direcionado aos outros três amigos (Jó cap.32). Durante toda a discursão, entre os três amigos e Jó, ele se manteve calado, por respeito à idade deles. Agora, porém, não consegue mais se conter. Declarou que sábios não são os de mais idade e que Deus pode conceder discernimento aos mais jovens, como ele. Repreendeu os outros amigos de Jó por não apresentarem argumentos convincentes. Por causa disso, sentiu-se compelido a falar e propôs declarar sua opinião sem usar de lisonjas ou de parcialidade (cf. Jó 32:7-22).

Em seu segundo discurso, agora direcionado a Jó, Eliú acusou o patriarca de ter sido injusto para com Deus, pois não poderia considerar o Senhor como seu inimigo em virtude do sofrimento que estava passando, ainda que fosse alguém inocente, como afirmava ser (Jó 33:8-13). Eliú afirmou que, ao considerar Deus como seu inimigo, Jó estava, indevidamente, colocando-se numa posição de superioridade em relação a Deus, pois estava julgando a Deus, o que é inadmissível ao homem. Ainda que Jó tivesse moderado, durante suas respostas a seus amigos, não restava dúvida de que considerar a Deus como seu inimigo era uma atitude inadequada que Jó tomava, não em relação a Deus, mas em relação a si próprio, uma posição que, efetivamente, não era a sua, qual seja, a de querer questionar os propósitos divinos. Não devemos contender com Deus, mas devemos nos submeter à Sua vontade, crendo que tudo que acontece é o melhor para nós (Rm.8:28).

1. Deus é soberano (Jó 33:14,15)

Em continuação ao seu segundo discurso, Eliú insiste que Deus é soberano e não quando prestar contas do que faz para ninguém (Jó 33:13,14), mas, mesmo assim, por obra de Sua vontade apenas, ainda se dá ao trabalho de revelar ao homem o que está a fazer, quando Lhe convém fazê-lo (Jó 33:14-18). O Deus de Eliú, ao contrário dos demais amigos de Jó, é um Deus participante, um Deus que não deixa Sua criação à própria sorte, mas um Deus que não está obrigado a prestar contas, pois é Senhor e Soberano. 

“Por que razão contendes com ele? Porque ele não dá contas de nenhum dos seus feitos. Antes, Deus fala uma e duas vezes; porém ninguém atenta para isso.
Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama”
(Jó 33:13-15).

Vemos aqui, sem dúvida alguma, um Deus bem diferente do apregoado pelos arautos da confissão positiva e da teologia da prosperidade nos dias hodiernos. É um Deus que quer, sim, o bem do homem (Jó 33:17,18), mas que, para tanto, muitas vezes, dá ao homem coisas que, aparentemente são más, como a enfermidade (Jó 33:19-22). É um Deus que fala de muitas maneiras (Jó 33:15,16) e que não está sujeito aos caprichos humanos, um Deus cujo propósito é trazer bem ao homem, mesmo que por caminhos que ao homem sejam estranhos e incompreensíveis (Jó 33:29-33).

2. O orgulho do homem priva-o de ouvir Deus

Já afirmamos na Aula 06 que Deus é um Ser transcendente e imanente, ou seja, a despeito de habitar nas alturas mais insondáveis, e apesar de infinito e imenso, não permanece alheio às suas criaturas. Deus fala ao ser humano de várias maneiras, inclusive pelo silêncio. De acordo com Eliú, o problema não é o silêncio de Deus, mas o orgulho humano que não lhe permite escutá-lo. Eliú repreendeu Jó pela maneira com que declarou sua inocência e por culpar Deus de tratá-lo injustamente. “Deus é maior do que o homem” (Jó 33:12), declarou Eliú, e não precisa dar “contas de nenhum dos seus atos” ao ser humano (Jó 33:13). Todavia, fala com as pessoas por meio de sonhos e visões noturnas (Jó 33:14,15), para exortá-las sobre a maldade e o orgulho e para salvá-las da morte violenta (Jó 33:17,18).

Quando passamos por momentos difíceis em nossa vida, é natural querer saber o porquê disso está ocorrendo. Mas, quando olhamos para a Bíblia percebemos que homens e mulheres puderam reconhecer a voz de Deus de dentro do sofrimento. À época de Jó ninguém tinha esta percepção, nem mesmo o patriarca. Por isso, ele queria descobrir por que estava sofrendo. Nos capítulos anteriores, podemos sentir a sua frustração. Eliú disse a Jó que Deus estava tentando responder, mas ele não estava ouvindo. Foi neste ponto que Eliú julgou a Deus de forma errada. Se Deus fosse obrigado a responder todas as nossas perguntas, nós não seríamos testados de forma adequada. Imagine se Deus houvesse dito a Jó: “Jó, Satanás vai testá-lo e afligi-lo, mas ao final você será curado e receberá tudo de volta”. A provação de Jó não teria nenhum sentido. O maior teste de Jó não foi a dor, e sim o fato de não saber o motivo do seu sofrimento. Nossa maior luta pode ser a necessidade de confiarmos na bondade de Deus, mesmo não compreendendo por que a nossa vida está caminhando desta forma. Precisamos aprender a confiar em Deus, que Ele é bom, e não na bondade da vida.

3. O mistério da redenção (Jó 33:19-24)

19.Também no seu leito é castigado com dores, com incessante contenda nos seus ossos;
20.de modo que a sua vida abomina o pão, e a sua alma, a comida apetecível.

21.A sua carne, que se via, agora desaparece, e os seus ossos, que não se viam, agora se descobrem.

22.A sua alma se vai chegando à cova, e a sua vida, aos portadores da morte.

23.Se com ele houver um anjo intercessor, um dos milhares, para declarar ao homem o que lhe convém,

24.então, Deus terá misericórdia dele e dirá ao anjo: Redime-o, para que não desça à cova; achei resgate.

Além de sonhos e visões, Eliú também destaca que o Senhor também fala por meio de dores e doenças graves (Jó 33:19-22) (situações em que até mesmo a comida apetitosa se torna repulsiva). “Se [...] houver um anjo intercessor” (Jó 33:23) e este explicar os caminhos justos de Deus ao homem (e se o sofredor acolher a palavra pela fé), então o Senhor o salvará por meio de um resgate adequado, “para que não desça à cova” (Jó 33:24). Não há dúvidas de que esse intercessor/mediador é a mesma testemunha celestial que Jó pedia que defendesse a sua causa (Jó 16:19) e o redentor que o justificasse depois de sua morte (Jó 19:25). O foco de Eliú era que Deus havia falado por diversas vezes. Ele falara em sonhos e visões (Jó 33:15-18), através do sofrimento (Jó 33:19-22), e por meio de um anjo (Jó 33:23,24). Jó sabia disso. Eliú acusou Jó de não dar ouvidos a Deus, o que não era verdade.

Embora Eliú não explique o que quer dizer com “achei resgate”, no final do versículo 24, é justificável imaginar que esteja se referindo Àquele que “a si mesmo se deu em resgate por todos” (1Tm.2:6). Mesmo sem saber, Eliú está tratando aqui do mistério da Redenção que milhares de anos após haveria de ser revelado. Segundo Eliú, a pessoa que ouve a admoestação do Senhor tem a saúde física e espiritual restaurada. Aquele que confessa seu pecado é resgatado da morte espiritual e/ou física.

 II. O SOFRIMENTO COMO MEIO DE REVELAR A JUSTIÇA E A SOBERANIA DE DEUS


Neste tópico trataremos do terceiro discurso de Eliú aos três amigos de Jó (capítulo 34). Neste seu terceiro discurso, ele analisa a declaração de inocência de Jó, declaração na qual, como vimos, não acreditava, pois, apesar de sua melhor visão e amplidão em relação aos seus amigos, Eliú ainda continuava compartilhando da ideia do dogma da retribuição e cometeu, neste ponto, o mesmo erro de Elifaz, Bildade e Zofar. Para Eliú, ainda havia como discernir o que é bom e o que é mau, algo que é fruto de um julgamento que não pode ser feito pelo homem e, aqui, Eliú cometeu o mesmo erro que apontou em Jó no segundo discurso, o de se fazer juiz, algo que somente compete a Deus (cf.Tg.4:11,12).

1. A justiça de Deus demonstrada (Jó 34:1-15)

Eliú, juntamente com os demais amigos de Jó, na defesa da justiça de Deus, fez acusação contra Jó. Ele citou as declarações de Jó, em que este se queixava de Deus por causar sofrimento a um homem e por não haver vantagem em levar uma vida piedosa a fim de agradar ao Senhor. Eliú afirmou que Jó se dizia justo e que Deus lhe havia tirado o seu direito, mas não aceitava este argumento. Voltando a insistir na tese da superioridade de Deus em relação ao homem (Jó 34:12-15), disse que Jó advogava a tese de que não adiantava ser direito e que Jó era um homem que caminhava em companhia dos que praticavam a iniquidade e que andava com homens ímpios, algo que, sabemos, não corresponder à realidade (Jó 34:5-10). Eliú insistiu em que o Todo-Poderoso nunca é culpado de injustiças, pois isso contraria sua própria natureza (Jó 34:10,12). Portanto, na perspectiva de Eliú, os argumentos de Jó eram meras insolências. Aliás, “se Deus pensasse apenas em si mesmo”, afirmou Eliú, todas as suas criaturas morreriam e voltariam para o pó (Jó 34:14,15). Apesar de invocar a inspiração divina, Eliú não se desprendeu, totalmente, do dogma da retribuição e continuava, como seus outros amigos, a defender a tese de que "segundo a obra do homem, Deus lhe paga, e faz que cada um ache segundo o seu caminho" (Jó 34:11).

2. O caráter justo de Deus

Para justificar a sua tese diante de Jó e de seus demais amigos, Eliú descreveu o caráter justo de Deus da seguinte forma:

a) Ele age com justiça quando retribui ao homem o que ele merece (Jó 34.11):

“Pois retribui ao homem segundo as suas obras e faz que a cada um toque segundo o seu caminho”.

b) Deus não precisa prestar contas de seus atos a ninguém, visto que não recebeu autoridade de nenhum outro ser criado (Jó 34:13):

“Quem lhe entregou o governo da terra? Quem lhe confiou o universo?”.

c) Como o provedor da vida humana, Ele tem todo o poder de manter ou não a humanidade (Jó 34:14,15):

“Se Deus pensasse apenas em si mesmo e para si recolhesse o seu espírito e o seu sopro, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó”.

d) O Todo-Poderoso não faz acepção de pessoas, quer sejam reis, nobres ou pobres (Jó 34:16-20):

16.Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos ao som das minhas palavras.
17.Acaso, governaria o que aborrecesse o direito? E quererás tu condenar aquele que é justo e poderoso?

18.Dir-se-á a um rei: Oh! Vil? Ou aos príncipes: Oh! Perversos?

19.Quanto menos àquele que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima ao rico mais do que ao pobre; porque todos são obra de suas mãos.

20.De repente, morrem; à meia-noite, os povos são perturbados e passam, e os poderosos são tomados por força invisível.

e) Deus é onisciente e como tal conhece os passos e as intenções de todos os homens sem precisar inquiri-los em juízo (Jó 34:21-25):

21.Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem e veem todos os seus passos.
22.Não há trevas nem sombra assaz profunda, onde se escondam os que praticam a iniquidade.
23.Pois Deus não precisa observar por muito tempo o homem antes de o fazer ir a juízo perante ele.

24.Quebranta os fortes, sem os inquirir, e põe outros em seu lugar.

25.Ele conhece, pois, as suas obras; de noite, os transtorna, e ficam moídos.

f) Ele é justo para punir os maus (Jó 34:26-30).

26.Ele os fere como a perversos, à vista de todos;

27.porque dele se desviaram, e não quiseram compreender nenhum de seus caminhos,

28.e, assim, fizeram que o clamor do pobre subisse até Deus, e este ouviu o lamento dos aflitos.

29.Se ele aquietar-se, quem o condenará? Se encobrir o rosto, quem o poderá contemplar, seja um povo, seja um homem?

30.Para que o ímpio não reine, e não haja quem iluda o povo.

Diante desta descrição, Eliú entendeu ser uma ousadia inadmissível Jó querer contender com Deus, diante da superioridade e da soberania do Senhor (Jó 34:16-22), e entendia que, diante de Deus, ao contrário do que alegava Jó, o homem não terá qualquer chance num julgamento (Jó 34:23-32); esta visão de Eliú despreza a graça de Deus, e que não corresponde à realidade do caráter do Senhor, mas que, dentro da argumentação de Eliú, fica extremamente enfraquecida, já que Deus não é um ser distante e que não se importa com o homem. Não é sem razão que alguns comentadores bíblicos entendem que Eliú, ao tentar estabelecer um meio-termo entre as visões dos demais contendores, acaba produzindo um discurso incapaz de superar o impasse.

Dentro deste seu raciocínio, Eliú encerra o terceiro discurso dizendo que Jó, ao querer contender com Deus e a dizer que o Senhor se fez seu inimigo sem razão, cometeu um pecado além dos pecados pelos quais estava sofrendo: o pecado de se rebelar contra Deus. Por isso, diz Eliú, Jó deve ser, mesmo, provado até o fim, pois é um homem mau, pecador, pois se rebelou contra o Senhor (Jó 34:34-37). Todavia, bem sabemos que tais argumentos de Eliú não têm qualquer respaldo, pois, se é certo que Jó foi imprudente em amaldiçoar o dia de seu nascimento, como também em achar que Deus tornara-se seu inimigo, não é menos verdadeiro que era um homem inocente, sem culpa e, portanto, podia, sim, declarar-se inocente.

3. A defesa da soberania de Deus

Eliú encerrou o capítulo 34 mostrando a Jó que Deus, em sua soberania e livre vontade, não tem a obrigação de agir segundo o querer do homem. Disse Eliú:

“Acaso, deve ele recompensar-te segundo tu queres ou não queres? Acaso, deve ele dizer-te: Escolhe tu, e não eu; declara o que sabes, fala? (Jó 34:33).

A soberania de Deus é uma autoridade inquestionável que o Senhor detém sobre o Universo, pelo fato óbvio de que Ele é o Criador de todas as coisas (Is.44:6;45:6; Ap.11:17). Por ser soberano, Deus sabe o que é o bem e, por isso, como nenhum outro ser, tem condições de permitir, na vida dos homens, ocasiões e circunstâncias que, aparentemente más, contribuem para o bem dos indivíduos.

O Deus soberano jamais permitirá que soframos sem um santo propósito. Deus não desperdiça sofrimento na vida de seus filhos. Para cada lágrima que rola em nossa face, Deus tem um consolo; para cada prova, uma providência libertadora. Se as provações têm diferentes tonalidades para nos afligir, também a graça de Deus tem diferentes tons para nos consolar.

Embora Eliú não acreditasse, Jó tinha plena convicção de que Deus é soberano para tomar os filhos conforme o seu perfeito propósito. Não importa se os agentes que ceifam a vida dos filhos são perversos; só Deus tem o poder de dar a vida e de tirá-la. Até mesmo nas maiores tragédias é Deus quem está no controle. Até mesmo quando Satanás está agindo, é a mão da providência de Deus que está governando. Mesmo que a providência seja carrancuda, é a face benevolente de Deus que está voltada para nós. Os dramas da nossa vida não apanham Deus de surpresa nem desafiam sua providência. Mesmo quando cruzamos os vales mais escuros, é a mão de Deus que dirige o nosso destino.

 III. O SOFRIMENTO COMO UM INSTRUMENTO PEDAGÓGICO DE DEUS 

Trataremos aqui do quarto discurso de Eliú (Jó 36:1-33). Ele apresentou uma análise da suposta afirmação de Jó de que ele era mais justo do que Deus. Jó, efetivamente, não afirmara ser mais justo do que Deus, mas queria que Deus lhe explicasse por que estava sofrendo daquela maneira se era inocente. Mas, para Eliú, Jó estava querendo ser mais justo do que Deus e, para tanto, procurou demonstrar a grandeza de Deus em relação ao homem.

1. O caráter pedagógico do sofrimento (Jó 36:7-15)

No seu discurso, Eliú recrimina a visão deísta dos seus amigos, motivo por que também se dirige contra eles (Jó 35:4). Diz que Deus, embora seja superior ao homem e por isso Jó não poderia com Ele contender, nem por isso é um Deus distante ou inacessível, como defenderam Elifaz, Bildade e Zofar (Jó 35:5-16), mas um Deus participante, que não despreza o homem (Jó 36:5), um Deus que não é só um ser grande, mas que também tem um grande coração (Jó 36:5), um Deus que Se compadece dos justos e que ver tanto os ímpios quanto os justos (Jó 36:6-12). É um Deus participante, um Deus que fala, um Deus que se interessa pelo homem, mas, ainda, um Deus que fará bem aos que merecerem e mal aos que transgredirem. 

Deus, na visão de Eliú, é um Deus que livra o aflito da aflição (Jó 36:15), mas continua sendo um Deus que castiga inevitavelmente o ímpio e o hipócrita, inclusive fazendo-o morrer precocemente, ainda na mocidade (Jó 36:13-16). Apesar de vislumbrar compaixão, graça e amor em Deus, Eliú ainda não conseguia ver a possibilidade de um justo sofrer para seu aprimoramento espiritual e, portanto, entendia que Jó tinha sido orgulhoso, presunçoso e que, por isso, estava sofrendo (Jó 36:17-19). Para Eliú, antes de desejar a morte, Jó deveria arrepender-se para obter o favor de Deus, o qual não estava distante e que estava pronto a perdoar (Jó 36:20-33). 

Embora compreendesse que, durante sua provação, Jó se comportava de forma pecaminosa, Eliú introduziu a ideia de que o sofrimento tem um caráter pedagógico (Jó 36:15) - “Ao aflito livra da sua aflição e, na opressão, se revela aos seus ouvidos”. Nosso sofrimento é sempre pedagógico, tem sempre um fim proveitoso. Os justos aprendem com o sofrimento. Quando passamos pelo vale da dor, precisamos olhar para a majestade de Deus, e não para a profundidade das nossas feridas. Se olharmos para nós, entraremos em pânico; se olharmos para Deus, sentiremos paz no vale. Se observarmos os ventos contrários e o rugido da tempestade, naufragaremos; mas, se fixarmos os olhos em Cristo, caminharemos sobre as ondas revoltas.

2. Adorando a Deus na tormenta

“Eis que Deus é grande, e nós o não compreendemos, e o número dos seus anos não se pode calcular” (Jó 36:26).

Ao afirmar a Jó que não há como querer compreender a Deus (Jó 36:26), Eliú adiantou uma parte do discurso que o próprio Deus faria ao Se dirigir ao patriarca, pois, neste ponto, Eliú estava correto. Jó não deveria contender com Deus, mas submeter-se a Ele sem reclamações ou queixas, sabendo, por conhecê-lo bem, que aquilo era o melhor que lhe podia acontecer na sua vida de comunhão com Deus.

Num longo discurso, Eliú apresentou as maravilhosas obras de Deus em três estações do ano (outono - Jó 36:26-37:5; inverno - Jó 37:6-13; verão - Jó 37:14-22), a fim de demonstrar que Deus está muito acima da compreensão humana (Jó 37:23). Eliú investigou vários aspectos da natureza para demonstrar o poder, a sabedoria e a majestade de Deus. É impressionante sua descrição sobre as manifestações da natureza por meio de tempestades, neve, aguaceiro, ventos do Norte, frio e densas nuvens (cf. Jó 37:1-13).

Assim, dentro de sua sabedoria (cf. Jó 37:24), Eliú acabou por concluir que, mesmo crendo que Jó fosse um pecador, e por isso estava sofrendo, Deus era muito superior aos homens e, por isso, não deveriam estar discutindo ou contendendo com Deus acerca do que estava se passando. Somente Deus poderia discutir a questão e, como que aprovando esta conclusão do jovem e sábio Eliú, será o próprio Deus, em pessoa, que desatará a perplexidade e a incompreensão que toma conta dos debatedores, inclusive do patriarca Jó, interrompendo o debate. Portanto, a majestade e o poder de Deus excedem nossa frágil compreensão. Por isso, é melhor temer ao Senhor e nos sujeitarmos à sua disciplina. Como bem ensinou Eliú, a adoração e a murmuração não podem coexistir, são atitudes excludentes. Por isso, ele foi tão decisivo com Jó, que por um lado magnificava a majestade de Deus, mas por outro murmurava contra Ele.

Nesse seu discurso final, Eliú ensinou que Deus tem interesse no homem e, por isso, para seu aprimoramento, prova-nos e permite o nosso sofrimento, sofrimento esse que não vem apenas como punição, mas também como disciplina, como fonte de aperfeiçoamento; logo, não devemos deixar de adorá-lo na tormenta; esta é uma das principais lições do discurso de Eliú.

Eliú termina seu discurso propondo um apelo direto: Inclina, Jó, os ouvidos a isso, para e considera as maravilhas de Deus” (Jó 37:14). Em seguida, prossegue desafiando o conhecimento de Jó sobre a natureza: o equilíbrio das nuvens e como as vestes o aquecem quando sopra o vento sul (Jó 37:16,17). Trata-se de perguntas semelhantes aos questionamentos muito mais desafiadores que o próprio Criador apresentará a Jó nos próximos capítulos do Livro - Jó 38:1 – 42:2.

CONCLUSÃO

O Senhor conduziu Jó através das mais difíceis e inimagináveis provas, a fim de que ele viesse a tornar-se um instrumento ainda mais valioso e útil para Ele. Deus educava Jó por intermédio do sofrimento, e o mesmo pode acontecer conosco. Assim como ocorreu com Jó, o sofrimento na vida do cristão deve ser interpretado como um meio pedagógico - ele serve para esmagar a soberba humana, polir o caráter do crente, prover crescimento e maturidade espiritual. Não por acaso o apóstolo Paulo pôde dizer: "Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece" (Fp.4:12,13). Esse é o caminho que o Senhor nosso Deus quer que atinjamos: ser experimentados, amadurecidos e experientes. Que ouçamos a voz de Deus no sofrimento; então, poderemos dizer com convicção: "Posso tudo naquele que me fortalece".

 

Postagens

CONHECENDO DEUS E O SEU NOME DIVINO.

  CONHECENDO DEUS E O SEU NOME DIVINO. 1.      O NOME DE DEUS (YHWH) O estudo sobre " Conhecendo a Deus e o seu Nome Divino" e,...

Postagens Mais Visitadas