terça-feira, 17 de março de 2026

CELEBRAÇÃO DA PRIMEIRA PÁSCOA


 CELEBRAÇÃO DA PRIMEIRA PÁSCOA

Texto Bíblico: Êxodo 12:1-11

"Assim, pois, o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do Senhor” (Ex 12:11)

A passagem de Êxodo 12:11 não descreve apenas uma refeição, mas um estado de prontidão. Após séculos de escravidão no Egito, este era o "momento zero" da liberdade de Israel.

O Contexto da Prontidão

O texto diz: "Assim pois o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do Senhor."

Deus não queria que o povo estivesse relaxado. Cada detalhe do "figurino" para o jantar tinha um propósito prático e simbólico:

  • Lombos cingidos: Naquela época, as pessoas usavam túnicas longas. Para correr ou trabalhar, era preciso amarrar a vestimenta com um cinto na cintura para não tropeçar. Significava: "Estejam prontos para partir a qualquer segundo".
  • Sapatos nos pés: Normalmente, entrava-se em casa e tirava-se as sandálias para descansar. Comer calçado indicava que a jornada começaria antes mesmo da digestão terminar.
  • Cajado na mão: O cajado era a ferramenta do caminhante e do pastor. Era o apoio para a longa travessia pelo deserto que estava por vir.
  • Comer apressadamente: Não era um banquete social; era uma refeição de sobrevivência. A libertação seria tão rápida que não haveria tempo para o pão levedar (por isso o uso de pães ázimos).

O Significado da Palavra "Páscoa"

A palavra hebraica é Pesach, que significa "passar por cima" ou "pular".

Enquanto os israelitas comiam prontos para sair, o anjo da morte passaria pelo Egito. O sangue do cordeiro nos umbrais das portas era o sinal para que o juízo "pulasse" aquela casa, poupando os primogênitos.

Conexão com o Novo Testamento

Para os cristãos, Êxodo 12:11 é uma prefiguração (um "tipo") de Jesus:

  • O Cordeiro: Assim como o sangue do cordeiro protegeu os hebreus, Jesus é chamado de "Cordeiro de Deus".
  • A Prontidão Espiritual: A recomendação de estar "cingido e pronto" é repetida por Jesus e pelos apóstolos (como em 1 Pedro 1:13), incentivando o fiel a estar sempre preparado para a "viagem" espiritual ou o retorno de Cristo.

Resumo dos Elementos Principais

Elemento

Significado Físico

Significado Espiritual

Cinto (Lombos)

Mobilidade para fugir

Prontidão mental e vigilância

Sandálias

Proteção para o caminho

Disposição para seguir o chamado

Cajado

Apoio para a caminhada

Confiança na autoridade de Deus

Pressa

Urgência da saída

Reconhecer que o mundo é temporário

 

Com certeza. Cada item colocado na mesa naquela noite não era apenas alimento, mas um símbolo visual e sensorial projetado para que o povo nunca esquecesse a experiência da libertação.

Aqui estão os três componentes principais da refeição da Páscoa original e o que eles representam:

1. O Cordeiro (O Sacrifício)

O cordeiro era a peça central. Ele deveria ser assado no fogo, inteiro, sem que nenhum osso fosse quebrado.

  • Significado: Representava o substituto. Para que o primogênito da casa vivesse, um cordeiro perfeito (sem defeito) tinha que morrer.
  • Conexão Espiritual: Para os cristãos, aponta diretamente para Jesus. O fato de ser "assado no fogo" simboliza o julgamento que Ele suportou, e a proibição de quebrar os ossos foi cumprida na crucificação (João 19:36).

2. Pães Ázimos (Pão sem Fermento)

O fermento, na Bíblia, é frequentemente usado como símbolo da corrupção, do pecado ou da influência do mundo.

  • Significado Físico: Representava a pressa. O povo não tinha tempo de esperar a massa crescer antes de fugir do Egito.
  • Significado Espiritual: Simbolizava a pureza e a separação. Ao comer pão sem fermento, o povo estava abandonando a "levedura" (os costumes e a idolatria) do Egito para começar uma vida nova e santa com Deus.

3. Ervas Amargas

Eles deveriam comer o cordeiro com ervas amargas (como alface brava, chicória ou raiz-forte).

  • Significado: Servia para lembrar o amargor da escravidão. O sabor forte e desagradável na boca trazia à memória o sofrimento, o chicote dos feitores e as lágrimas derramadas durante os 430 anos no Egito.
  • Lição: Deus queria que, mesmo no momento da festa e da alegria, eles se lembrassem de onde haviam sido tirados. A gratidão é maior quando lembramos da dor que foi superada.

O Ritual como Memorial

Até hoje, no Seder de Pessach (o jantar pascal judaico), esses elementos são usados. A ideia é que cada geração se sinta como se ela mesma estivesse saindo do Egito naquele momento.

Curiosidade: Na "Santa Ceia" (que foi uma celebração de Páscoa), Jesus pegou dois desses elementos — o pão e o vinho (que foi adicionado à tradição posterior) — e deu a eles um novo significado focado em Seu próprio corpo e sangue.

INTRODUÇÃO

Deus desejava que o os israelitas se recordassem do dia triunfal em que no Egito seus filhos primogênitos foram libertos da morte (Êx 12:1-30). O Senhor também almejava que as novas gerações conhecessem a sua história e os Seus feitos a fim de que temessem o Seu nome. Então, o Senhor instituiu a festa da Páscoa como comemoração perpétua. Seria, então, um memorial ao Todo-Poderoso, por isso deveria ser celebrada todos os anos. A refeição da Páscoa assinalava o início da Festa dos Pães Ázimos (Êx 12:18), que prenunciava a importância da fé no Cordeiro sacrifical e a obediência a Ele. Os fiéis deviam sinceramente arrepender-se do pecado e viver para Deus, em humilde gratidão.

A palavra “Páscoa” significa “passagem”, pois lembrava os primogênitos de Israel que foram poupados. Ao ver o sangue do cordeiro na verga da porta, o anjo da morte “passou” sobre a casa dos israelitas, sem retirar a vida do primogênito que ali se encontrava (Êx 12:12,13). O âmago do evento da Páscoa é a graça salvadora de Deus. Deus tirou os israelitas do Egito, não porque eles eram um povo merecedor, mas porque Ele os amou e porque Ele era fiel ao seu concerto (Dt 7:7-10). Semelhantemente, a salvação que recebemos de Cristo nos vem através da maravilhosa graça de Deus (Ef 2:8-10; Tt 3:4,5). A Páscoa era a figura mais proeminente da morte de Jesus, tendo servido de seu prenúncio desde o dia da primeira Páscoa até o dia mesmo da prisão do Senhor, que se deu no dia anterior à mesma (Lc 22:15).

 

I. A PÁSCOA

Depois de os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó passarem mais de quatrocentos anos de servidão no Egito, Deus decidiu libertá-los da escravidão. Suscitou Moisés e o designou como o líder do êxodo. Em obediência ao chamado de Deus, Moisés compareceu perante Faraó e lhe transmitiu a ordem divina: "Deixa ir o meu povo”. Para conscientizar Faraó da seriedade dessa mensagem da parte do Senhor, Moisés, mediante o poder de Deus, invocou pragas como julgamentos contra o Egito. No decorrer de várias dessas pragas, Faraó concordava em deixar o povo ir, mas, a seguir, voltava atrás, uma vez a praga sustada. Soou a hora da décima e derradeira praga, aquela que não deixaria aos egípcios nenhuma alternativa senão a de lançar fora os israelitas. Deus mandou um anjo destruidor através da terra do Egito para eliminar "todo primogênito... desde os homens até aos animais" (Êx 12:12).

Visto que os israelitas também habitavam no Egito, como poderiam escapar do anjo destruidor? O Senhor emitiu uma ordem específica ao seu povo; a obediência a essa ordem traria a proteção divina a cada família dos hebreus, com seus respectivos primogênitos. Cada família tinha de tomar um cordeiro macho de um ano de idade, sem defeito e sacrificá-lo ao entardecer do dia quatorze do mês de Abibe (Êx 12:4). Parte do sangue do cordeiro sacrificado, os israelitas deviam aspergir nas duas ombreiras e na verga da porta de cada casa. Quando o destruidor passasse por aquela terra, ele passaria por cima daquelas casas que tivessem o sangue aspergido sobre elas (daí o termo Páscoa, do hebraico “pessach”, que significa "pular além da marca", "passar por cima"). Assim, pelo sangue do cordeiro morto, os israelitas foram protegidos da condenação à morte executada contra todos os primogênitos egípcios. Deus ordenou o sinal do sangue, não porque Ele não tivesse outra forma de distinguir os israelitas dos egípcios, mas porque queria ensinar ao seu povo a importância da obediência e da redenção pelo sangue, preparando-o para o advento do "Cordeiro de Deus”, que séculos mais tarde tiraria o pecado do mundo (João 1:29).

Naquela noite específica, os israelitas deviam estar vestidos e preparados para viajar (Êx 12:11). A ordem recebida era para assar o cordeiro e não o ferver, e preparar ervas amargas e pães sem fermento. Ao anoitecer, portanto, estariam prontos para a refeição ordenada e para partir apressadamente, momento em que os egípcios iam se aproximar e rogar que deixassem o país. Tudo aconteceu conforme o Senhor dissera (Êx 12:29-36). A partir daquele momento da história, o povo de Deus ia celebrar a Páscoa, obedecendo às instruções divinas de que aquela celebração seria "estatuto perpétuo" (Êx 12:14). Era, porém, um sacrifício comemorativo, exceto o sacrifício inicial no Egito, que foi um sacrifício eficaz (Fonte:Bíblia de Estudo Pentecostal).

Diante do que foi exposto, o que significa a Páscoa para os egípcios, para Israel e para nós cristãos?

1. Para os egípcios. A saída do povo de Israel significava prejuízo financeiro. Evidentemente, o escravo representava um capital para o dono e este não aceitava facilmente perder o seu escravo. Assim também Faraó não aceitava facilmente perder os seus escravos, que construíram as suas cidades (cf. Êx 1:11), só se fosse obrigado por um Ser mais poderoso do que ele. Por isso, a história da saída de Israel do Egito relata a verdadeira batalha entre Deus dos hebreus e Faraó, para obrigar este a soltar os seus escravos, o povo hebreu. O desfecho final foi o julgamento de Deus sobre Faraó para com as atrocidades cometidas pelos egípcios contra os meninos hebreus. Deus é misericordioso, longânimo e deseja que todos se salvem (2Pe 3:9), porém, Ele é também um juiz justo que se ira contra o pecado e a idolatria (Sl 7:11). Está escrito: Porque Deus há de trazer a juízo toda obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau(Ec 12:14).

 

2. Para Israel. A Páscoa é para Israel o que o dia da independência é para um país, e mais ainda. O último juízo sobre o Egito e a provisão do sacrifício pascoal possibilitaram o livramento da escravidão, a passagem para a liberdade, para uma vida vitoriosa e abundante; significou também a peregrinação do povo para a Terra Prometida. O Egito, a escravidão e Faraó ficariam para trás. Além do livramento do Egito, a Páscoa se constituiu em primeiro dia do ano religioso dos hebreus e o começo de sua vida nacional (Êx 12:1). Em vista disso, se percebe a relevância desta celebração para a nação de Israel.

Assim como Israel não poderia se esquecer de tal celebração, nós também jamais poderemos nos esquecer do sacrifício remidor do nosso Redentor, Jesus Cristo. Jamais se esqueça que Cristo morreu em seu lugar. Este é um dos princípios da Ceia do Senhor. Todas as vezes que participarmos da Ceia temos que recordar da nossa passagem, da escravidão do pecado, para uma nova vida em Cristo (1Co 5:17). Jesus declarou: "Fazei isto em memória de mim" (1Co 11:24,25).

3. Para nós. Para nós cristãos, a Páscoa é um símbolo profético da morte de Cristo, da salvação e do andar pela fé a partir da redenção (1Co 5:6-8), isto é, a redenção pelo sangue de Jesus Cristo. Cristo veio ao mundo, morreu e ressuscitou ao terceiro dia, para nos libertar do jugo do pecado e nos dar vida abundante, vida eterna (João 3:16; 10:10). Israel foi salvo da ira divina e liberto da escravidão, nós também estávamos destinados a experimentar da ira divina, mas Cristo, o Cordeiro Pascal, nos substituiu na cruz do calvário. Em Cristo fomos redimidos dos nossos pecados - “[...] Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós” (1Co 5:7b).

II. OS ELEMENTOS DA PÁSCOA



1. O Pão - “pães ázimos”. De acordo com a descrição bíblica, o pão deveria ser sem fermento. A massa não deveria passar pelo processo de fermentação, ou seja, seria levada ao fogo tão logo estivesse pronta, sem ter de esperar para crescer. A ideia era mostrar que os israelitas teriam pouco tempo para preparar sua última refeição como escravos, pois logo sairiam para uma grande jornada.

Na Bíblia, o fermento normalmente simboliza o pecado e a corrupção (ver Êx 13:7; Mt 16:6; Mc 8:15). Os pães ázimos representavam a separação entre os israelitas redimidos e o Egito, isto é, o mundo e o pecado. Semelhantemente, o povo redimido por Deus, a Igreja, é chamado para separar-se do mundo pecaminoso e dedicar-se exclusivamente a Deus.

Na Páscoa cristã – a Santa Ceia – o Pão é também um dos elementos. O Pão da Ceia não é o corpo verdadeiro (literal) de Cristo, nem está ele presente invisivelmente, é somente o símbolo do Cristo perfeito. Representa a sua encarnação, que ele tomou um corpo humano e deixou sua glória (João 1:14), nasceu de uma virgem e viveu entre os pecadores em perfeição de conduta, doutrina e voluntariamente. Era ele um Homem perfeito, idôneo para servir de sacrifício pelos nossos pecados (Hb 7:26; 2Co 5:21). Ele partiu o pão da Ceia significando que ia se sacrificar em resgate da humanidade caída e escravizada pelo Diabo.

Na noite em que foi traído, Jesus e os discípulos estavam comendo o cordeiro pascal. Em dado momento da festa, Jesus pegou o pão e o abençoou e distribuiu aos discípulos dizendo: Tomai, comei, isto é o meu corpo”. Observe que Jesus após cear tomou o pão, ou seja, após comer o cordeiro pascal, que foi preparado pelos discípulos no dia dos pães ázimos, é que instituiu o cerimonial em sua memória tomando o pão e o abençoando (ver Lc 22:7) – “E, tomando o pão e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isso em memória de mim” (Lc 22:19). Jesus mandou que os discípulos pegassem o pão e comessem, pois o pão estava representando o seu corpo que fora entregue por todos nós. Jesus aponta o objetivo pela qual deveriam pegar e comer do pão: manter viva a memória do seu nome.

2. As ervas amargas – “E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão” (Êx 12:8). As “ervas amargas” simbolizam a amargura vivida no Egito, que não deveria ser esquecida, para que nunca mais fosse experimentada (Êx 1:14). O sacrifício se daria com sofrimento. O Senhor Jesus disse que no mundo teríamos aflições e que elas fariam parte da nossa caminhada, a exemplo do que aconteceu com Ele mesmo como homem.

3. O Cordeiro (Êx 12:3-7). O cordeiro pascal era um "sacrifício" (Êx 12:27) a servir de substituto do primogênito; isto prenuncia a morte de Cristo em substituição à morte do ser humano (ver Rm 3:25). Paulo expressamente chama Cristo nosso Cordeiro da Páscoa, que “foi sacrificado por nós” (1Co 5:7).

O cordeiro macho separado para morte tinha de ser "sem mácula" (Êx 12:5); esse fato prefigura a impecabilidade de Cristo, o perfeito Filho de Deus (João 8:46) - porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4:15). Esta escolha dava-se no dia dez do mês de Nisã (mês que se situa entre os meses de março e abril do nosso calendário). Após essa escolha, os israelitas deveriam guardar o cordeiro até o dia quatorze do mês, quando, então, seria imolado (Êx 12:5,6).

Verificado que o cordeiro pascal nenhuma mancha tinha, na tarde do dia quatorze, deveria ser sacrificado (Êx 12:6). Flávio Josefo, o grande historiador judeu, informa-nos que este sacrifício se dava entre as três e cinco horas da tarde, o que é mais uma demonstração de que apontava para a morte de Jesus, pois, como informa a Bíblia, Jesus morreu por volta da hora nona, ou seja, três horas da tarde (Mt 27:46; Mc 15:34; Lc 23:44), devendo ter sido retirado da cruz por volta das cinco horas da tarde, já no término do dia, que era o da preparação da páscoa (João 19:38-42).

O cordeiro, uma vez sacrificadodeveria ser assado, inteiro, sendo comido, então, à noite, com pães ázimos e ervas amargas (Êx 12:8,9), queimando-se tudo o que restasse naquele mesmo dia (Êx 12:10). Isto nos fala, também, que o sacrifício de Jesus era completo, não teria de ser repetido, nem restaria algo a ser realizado depois de sua efetivação. O sacrifício se daria com sofrimento (ervas amargas) e com sinceridade (os pães ázimos), mas traria vida ao povo de Deus. O fato de o cordeiro ser assado e, depois, retirado do forno para ser consumido, também tipificava a ressurreição de Cristo.

Cristo é o nosso Cordeiro Pascal (João 1:29). Ele morreu para trazer a redenção a toda humanidade. Ele é o nosso Redentor. Da mesma forma que, no Egito, o cordeiro pascal foi sacrificado, o Senhor Jesus Cristo também o foi. A diferença reside no fato de que o cordeiro do Êxodo não foi voluntário para verter seu próprio sangue. Jesus Cristo se ofereceu para esse sacrifício. O sacrifício de Cristo nos trouxe vida, da mesma forma que o sacrifício do cordeiro no Egito preservou a existência dos primogênitos hebreus. A diferença é que o sacrifício de Cristo oferece vida não apenas aos filhos mais velhos de cada família, mas a todos que aceitarem pela fé o sacrifício de Cristo, se arrependendo de seus pecados e se converterem dos seus maus caminhos.

 


III. CRISTO, NOSSA PÁSCOA

“[...] Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós” (1Co 5:7b).

1. Jesus, o Pão da Vida (João 6:35,48,51). Jesus, certa feita, disse que era o Pão da vida – “E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome...” (João 6:35). Jesus dizer que é o Pão da Vida é para Ele o mesmo que dizer: “Eu sou o sustento da vida de vocês”. Da mesma forma que o pão fornece aos nossos corpos força e nutrição, Jesus, o verdadeiro Pão do Céu, veio para fortalecer e nutrir o seu povo, para que jamais tenham fome e nunca tenham sede.

Ninguém além de Jesus é o Pão que dá a vida eterna. Por ocasião da jornada no deserto do povo de Israel, Deus o proveu de “maná”, o pão que descia do céu, mas o “maná” foi um pão físico e temporal. O povo o comia e se sustentava por um dia. Mas era necessário que conseguissem mais pão todos os dias, e este pão não poderia impedi-los de morrer. Sem diminuir o papel de Moisés, Jesus apresentou a Si mesmo como o Pão espiritual do Céu que satisfaz completamente, e que conduz à vida eterna.

2. O Sangue de Cristo (1Co 5:7; Rm 5:8,9). “O sangue de Cristo é a chave do céu”. Afinal, o que seria o Evangelho sem a morte de Nosso Senhor? Nem Evangelho haveria; ela é a garantia de nossa vida eterna. Portanto, seu Sacrifício era indispensável. Veja o que a Bíblia diz: “... Sem derramamento de Sangue não há remissão” (Hb 9:22). Aqui mostra que para Deus perdoar o pecado era preciso derramamento de sangue vicário. Daí, o nosso perdão depender da morte de Jesus na cruz.

Por ocasião da primeira Páscoa, no Egito, o sangue do cordeiro deveria ser aspergido na verga e nas umbreiras das portas dos israelitas. Essa atitude, em obediência ao mandato de Deus, deveria ser efetivada para que o anjo da morte passasse sobre a casa e não ferisse o primogênito (Êx 12:7). O sangue de Jesus foi derramado para que pudéssemos passar da morte para a vida (João 5:24), para que, antes longe de Deus, pudéssemos chegar perto dEle (Ef 2:13), e toda vez que houver acusação contra nós, Deus vê o Sangue de Jesus em nós (que são as casas – Hb 3:6) e, por isso, não somos dele separados, mas mantidos em comunhão com o Senhor. Aleluia!

Quando da instituição da Santa Ceia, por ocasião de sua última participação de refeição pascal (veja Mt 26:26-28), Jesus disse que a “Nova Aliança” da graça seria ratificada pelo seu precioso sangue derramado por muitos pares remissão dos pecados, ou seja, seu sangue seria eficaz para remir os pecados de todos aqueles que aceitarem pela fé o seu sacrifício - “Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados” (Mt 26:28). Portanto, “se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1João 1:7). O apóstolo Paulo expressou: “... Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5:8,9).

3. A Santa Ceia. À época de Cristo, a Páscoa era a festa por excelência, a grande festa dos judeus. O rito não só olhava retrospectivamente para aquela noite no Egito, mas também, antecipadamente, para o dia da crucificação.

A Ceia foi instituída pelo Senhor (1Co 11:23) na sua última refeição da Páscoa (Mt 26:26-29; Mc 14:22-­25; Lc 22:15-20). Ela é uma das festas mais solene da Igreja, de muitíssima importância. A sua importância relaciona-se com o passado, o presente e futuro.

- Quanto a sua importância no passado, é um ato “memorial” da morte de Cristo no Calvário, para nos remir da condenação (Lc 22:19; 1Co 11:24-26) – “...Fazei isto em memória de mim...”. Na celebração da Santa Ceia, as nossas mentes se voltam para o Calvário, relembrando o Sacrifício de Jesus, em nosso favor. Embora que em todo tempo devemos lembrar-nos deste santo sacrifício, todavia, temos um dia específico e oportuno para esta comemoração e meditação.

- Quanto a sua importância no Presente, a Santa Ceia expressa a nossa “comunhão” (gr. koinonia) com Cristo e, de nossa participação nos benefícios oriundos da sua morte sacrifical e ao mesmo tempo expressa a nossa “comunhão” com os demais membros do corpo de Cristo (1Co 10:16,17). A Santa Ceia é o símbolo da nossa união com Cristo.

- Quanto a sua importância no Futuro, a Santa Ceia é um ato que antevê a volta iminente de Jesus Cristo para arrebatar a Sua Igreja e, um antegozo em podermos participar com Cristo, na Ceia das Bodas do Cordeiro. Uma das expectações de Paulo com relação à vinda de Cristo era a comemoração da Ceia do Senhor Jesus, quando esperançoso ele disse aos coríntios: Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cáliceanunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1Co 11:26). Portanto, cada celebração da Ceia do Senhor Jesus é um antegozo e antecipação profética do grande banquete de casamento que está sendo preparado para a Igreja.

CONCLUSÃO

“Que culto é este vosso?” (Êx 12:26). Era dever dos pais hebreus usar a Páscoa para ensinarem aos filhos a verdade sobre a redenção da escravidão e do pecado, que Deus efetuara em seu favor e que através disso fez deles um povo especial sob seus cuidados e senhorio. Semelhantemente, a Ceia do Senhor – a Páscoa do povo de Deus da Nova Aliança - tem o propósito de lembrar-nos da salvação em Cristo e da nossa redenção do pecado e da escravidão a Satanás – Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha(1Co 11:25,26). Amém!!

 

quarta-feira, 11 de março de 2026

DEUS ESCOLHEU RAABE

 


DEUS ESCOLHEU RAABE

 Sabe porque é bíblico Veja  em 1ª Coríntios 1:27-29

27-Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes.

28-E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são;

29-Para que nenhuma carne se glorie perante ele.

TEXTO BÍBLICO: Hebreus 11.31.

"Pela fé, Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias",

RAABE PRESERVA SUA FAMÍLIA PELA FÉ

O exemplo seguinte é o de Raabe e sua fé surpreendente (v. 31). No meio do nobre exército de crentes ilustres, corajosamente dispostos pelo apóstolo, Raabe vem na última fileira, para mostrar “...que DEUS não faz acepção de pessoas” (At 10.34).

Observe aqui:

1. Quem foi Raabe.

(1) Ela era Cananéia, “...separada da comunidade de Israel” (Ef 2.12), e tinha pouco incentivo à fé, e, não obstante, ela creu; o poder da graça divina aparece fortemente quando opera sem os meios comuns da graça.

(2) Ela era uma prostituta, e vivia no caminho do pecado; não era só proprietária de uma hospedaria, mas uma mulher comum da cidade, e, no entanto, creu que o tamanho do pecado, quando há verdadeiro arrependimento dele, não pode ser barreira para a misericórdia perdoadora de DEUS. Cristo salvou o principal dos pecadores. “Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5.20).

2. O que ela fez por sua fé:

 “...não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias”, os homens que Josué havia enviado como espias a Jericó (Js 2.6,7). Ela não somente lhes deu as boas-vindas, mas escondeu-os dos seus inimigos que queriam matá-los, e ela fez uma nobre confissão de fé (Js 2.9-11). Ela fez com que eles empenhassem a palavra numa aliança com ela para mostrar favor a ela e aos seus, quando DEUS mostrasse sua bondade a eles, e que eles lhe dariam um sinal, o que eles fizeram, um cordão de fio de escarlata, que ela deveria amarrar à janela; ela os despediu com conselhos amáveis e prudentes. Aprendemos aqui:

(1) A verdadeira fé se demonstra em boas obras, especialmente para com o povo de DEUS.

(2) A fé vai se expor a todos os perigos na causa de DEUS e seu povo; o verdadeiro crente vai arriscar a sua própria pessoa antes de expor os interesses de DEUS e de seu povo.

(3) O verdadeiro crente deseja, não somente estar em concerto com DEUS, mas estar em comunhão com o povo de DEUS, e disposto a se arriscar com eles, e caminhar como eles estão caminhando.

3. O que ela ganhou por meio de sua fé.

Ela escapou de perecer com aqueles que não criam. Observe:

(1) A totalidade dos seus vizinhos, amigos e concidadãos pereceu; foi uma destruição total que caiu sobre a cidade. Homens e animais foram eliminados.

(2) A causa da destruição do povo de Jericó – incredulidade. Eles não creram que o DEUS de Israel era o DEUS verdadeiro, embora tivessem evidências suficientes disso.

(3) A preservação notável de Raabe. Josué deu ordem severa para que ela fosse poupada, e ninguém mais, a não ser ela e os seus; e ela se empenhou para que o cordão de fio de escarlata fosse amarrado à janela. A sua família estava marcada para a misericórdia e não pereceu. A fé singular, quando a grande massa não somente é de incrédulos, mas se posiciona contra os que creem, é recompensada por favores singulares em épocas de calamidade comum.

O exemplo de Raabe (2.25)

Há um contraste forte entre Abraão e Raabe. “Ele é o amigo de DEUS, e ela de uma nação desprezível, uma prostituta. O grande ato de fé dele é manifesto em relação a DEUS; o dela, aos homens. O dele é o ato culminante do seu desenvolvimento espiritual; o dela é um primeiro sinal de uma fé que acabou de começar a existir” (Plummer). Raabe é uma das quatro mulheres da genealogia de Mt 1. Em Hb 11.31, sua fé é elogiada, e certamente a fé é revelada em Js 2.9-11, pois o Jordão ainda fluía entre Israel e a terra. Ela era tão conhecida na tradição judaica que não há necessidade de deduzir qualquer conexão literária entre Hebreus e Tiago.

Um crítico poderia descartar a obra de Abraão como homicídio e a de Raabe como traição, mas isso seria ignorar o contexto histórico. E tão verdadeiro agora como então que DEUS é maior do que a família ou a nação.

O capítulo 11 de Hebreus faz menção apenas de duas mulheres usan­do seus nomes — uma delas é Raabe. Ela também é citada na genealogia de nosso Senhor (Mt 1.5) e Tiago apresenta-lhe como exemplo da fé e das boas obras cristãs, dizendo: “E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pe­las obras, quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho?” (Tg 2.25) Lendo Josué 2.15, encontramos a casa de Raabe, a meretriz, edificada sobre o muro da cidade. Confrontando esta passagem com Josué 6.22, fica subenten­dido que a única parte do muro que não caiu foi exatamente aquela onde se encontrava a casa de Raabe. Ali naquela casa foi colocado um “... cordão de escarlata”, símbolo do sangue de Cristo, o que fez com que DEUS passasse por cima. “... vendo eu sangue, passarei por cima de vós” (Ex 12.13). Hoje, o sangue de JESUS nos oferece uma segurança ainda maior. Aquele sangue livrava Israel da morte física; o de JESUS, da morte eterna. Isso é glorioso, não?

O exemplo seguinte é o de Raabe e sua fé surpreendente (v. 31). No meio do nobre exército de crentes ilustres, corajosamente dispostos pelo apóstolo, Raabe vem na última fileira, para mostrar “...que DEUS não faz acepção de pessoas” (At 10.34). Observe aqui:

1. Quem foi Raabe.


(1) Ela era Cananéia
, “...separada da comunidade de Israel” (Ef 2.12), e tinha pouco incentivo à fé, e, não obstante, ela creu; o poder da graça divina aparece fortemente quando opera sem os meios comuns da graça.

(2) Ela era uma prostituta, e vivia no caminho do pecado; não era só proprietária de uma hospedaria, mas uma mulher comum da cidade, e, no entanto, creu que o tamanho do pecado, quando há verdadeiro arrependimento dele, não pode ser barreira para a misericórdia perdoadora de DEUS. Cristo salvou o principal dos pecadores. “Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5.20).

2. O que ela fez por sua fé: “...não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias”, os homens que Josué havia enviado como espias a Jericó (Js 2.6,7). Ela não somente lhes deu as boas-vindas, mas escondeu-os dos seus inimigos que queriam matá-los, e ela fez uma nobre confissão de fé (Js 2.9-11). Ela fez com que eles empenhassem a palavra numa aliança com ela para mostrar favor a ela e aos seus, quando DEUS mostrasse sua bondade a eles, e que eles lhe dariam um sinal, o que eles fizeram, um cordão de fio de escarlata, que ela deveria amarrar à janela; ela os despediu com conselhos amáveis e prudentes. Aprendemos aqui:

(1) A verdadeira fé se demonstra em boas obras, especialmente para com o povo de DEUS.

(2) A fé vai se expor a todos os perigos na causa de DEUS e seu povo; o verdadeiro crente vai arriscar a sua própria pessoa antes de expor os interesses de DEUS e de seu povo.

(3) O verdadeiro crente deseja, não somente estar em concerto com DEUS, mas estar em comunhão com o povo de DEUS, e disposto a se arriscar com eles, e caminhar como eles estão caminhando.

3. O que ela ganhou por meio de sua fé. Ela escapou de perecer com aqueles que não criam. Observe:

(1) A totalidade dos seus vizinhos, amigos e concidadãos pereceu; foi uma destruição total que caiu sobre a cidade. Homens e animais foram eliminados.

(2) A causa da destruição do povo de Jericó – incredulidade. Eles não creram que o DEUS de Israel era o DEUS verdadeiro, embora tivessem evidências suficientes disso.

(3) A preservação notável de Raabe. Josué deu ordem severa para que ela fosse poupada, e ninguém mais, a não ser ela e os seus; e ela se empenhou para que o cordão de fio de escarlata fosse amarrado à janela. A sua família estava marcada para a misericórdia e não pereceu. A fé singular, quando a grande massa não somente é de incrédulos, mas se posiciona contra os que creem, é recompensada por favores singulares em épocas de calamidade comum.

Raabe

A história de vida de Raabe

 “Então Josué, filho de Num, enviou secretamente de Sitim dois espiões e lhes disse: “Vão examinar a terra, especialmente Jericó”. Eles foram e entraram na casa de uma prostituta chamada Raabe, e ali passaram a noite. Todavia o rei de Jericó foi avisado: “Alguns israelitas vieram aqui esta noite para espionar a terra”. Diante disso, o rei de Jericó enviou esta mensagem a Raabe: “Mande embora os homens que entraram em sua casa, pois vieram espionar a terra toda”, mas a mulher que tinha escondido os dois homens respondeu: “É verdade que os homens vieram a mim, mas eu não sabia de onde tinham vindo.” Jos 2:1-4

A história de vida de Raabe é cheia de ensinos preciosos. São revelações espirituais de como se deve agir diante do espectro do juízo iminente, para não ser condenado junto com a multidão de insensíveis e desobedientes que mesmo em face as advertências não se convertem a DEUS.

Aprendemos também com essa história, que DEUS não faz acepção de pessoas, seja judeu ou gentio, aqueles que verdadeiramente se arrependem recebem o livramento, a salvação de sua vida. Atos 10.34

Raabe também conhecida como uma prostituta, que morava em cima das muralhas de Jericó, demonstra em suas ações a humildade, a sabedoria, a fé, o amor à família. Todos esses aspectos de caráter e emoções devemos cultivar em nossa vida, sobretudo quando o tempo de juízos de DEUS se avizinha da humanidade.

Aprendemos também que a fé e arrependimento nos tiram do lamaçal do pecado e nos elevam à posição de príncipe, filho do Rei dos reis.  “Quem há semelhante ao Senhor, nosso DEUS, cujo trono está nas alturas, que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra? Ele ergue do pó o desvalido e do monturo, o necessitado, para o assentar ao lado dos príncipes, sim, com os príncipes do seu povo.” Salmos 113:5-8

 A história de Raabe revela misericórdia, graça divina e perdão na vida de uma pecadora, mas sobretudo, uma mulher e sua família, que buscaram em DEUS a salvação de suas vidas. “Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça.” Romanos 5:20


O JUÍZO DE DEUS NA CIDADE DE JERICÓ

A terra de Canaã foi a terra que DEUS prometeu dar aos descendentes de Abraão (Gênesis 12:7). Os cananeus são descritos na Bíblia como um povo grande e feroz, que dificilmente seriam derrotados, de modo que os israelitas precisariam de ajuda divina para enfrentá-los e tomar posse da terra prometida profeticamente. DEUS prometeu a Sua ajuda a Moisés e Josué (Josué 1:3).

Havia um decreto de DEUS a Israel desde a libertação do Egito, que Canãa, a terra prometida, seria habitada pelo povo hebreu. Só que para entrar em Canaã, primeiro teriam que conquistar Jericó, sua principal cidade rodeada de enormes muralhas.

As muralhas de Jericó tinham 4018m de comprimento, eram compostas de dois muros que ficavam separados um do outro por uma distância de cinco metros. O muro externo tinha dois metros de espessura e o interno, quatro metros. Os dois tinham cerca de dez metros de altura. As muralhas tinham 34 torres de vigia e 12 portas de entrada, uma verdadeira fortaleza.

A casa de Raabe, era uma pousada, ficava sobre esses muros. Não obstante servisse de pousada para os visitantes e estrangeiros, na realidade era um local de prostituição, um motel para o bom entendedor. Eis a razão de Raabe ser conhecida como prostituta ou meretriz nos vários textos bíblicos nos quais é citada.

Segundo o Antigo Testamento, Jericó, na antiga Canaã, era uma cidade habitada por população de costumes, cultura e religião diferentes do povo de Moisés. Era uma cidade promíscua, cheia de prostituição e a idolatria predominava no meio do povo. Muitas foram a razões do juízo de DEUS sobre esse povo.

Jericó, representa o mundo contemporâneo, com sua insensibilidade, incredulidade e desobediência, que afronta a santidade e a autoridade de DEUS, criador dos céus e da terra. Certamente o dia do juízo final é iminente. “Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de DEUS, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão.” 2 Pedro 3:7-12


No sentido metafórico, Raabe e sua família representam aqueles que se arrependem de seus pecados e buscam salvação diante das advertências de juízos. Em tempos de julgamento, sempre tem os remanescentes que com sua fé, se abrigam no esconderijo do Altíssimo para livrar-se da morte. “Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis.” 2 Pedro 3:14

 
RAABE, UMA MULHER DE UMA FÉ VIVA E VERDADEIRA

Quando Josué enviou os dois espiões para fazer o mapeamento das fragilidades e pontos forte da cidade de Jericó, antes da conquista, uma das primeiras pessoas com quem se deparam, é Raabe. Dona de uma pousada que também servia como prostíbulo, situada sobre os muros de Jericó. Js 2.1


Longe de ser uma pessoa hostil ou perigosa, Raabe, concede abrigo aos espiões em sua pousada. Mesmo sabendo que eram israelitas e estavam ali para espiar a terra de Jericó. Ciente também de que essa ação seria considerada pelo rei de Jericó como uma traição aos seus patrícios.


O diálogo que Raabe tem com os espiões revela seu caráter, sua fé eficaz e diferenciada, em um contexto de incredulidade e insensibilidade espiritual, que seu povo vivia.
São várias as razões que evidenciam em Raabe, uma mulher sábia, inteligente e de uma sensibilidade espiritual perante o perigo de juízo iminente. Vejamos alguns:

1. Abrigou em sua casa os dois espias de Israel. “De Sitim enviou Josué, filho de Num, dois homens, secretamente, como espias, dizendo: Andai e observai a terra e Jericó. Foram, pois, e entraram na casa de uma mulher prostituta, cujo nome era Raabe, e pousaram ali.” Jos 2.1


2. Escondeu os espias do rei de Jericó e não deixou que fossem presos ou mortos. “Então, se deu notícia ao rei de Jericó, dizendo: Eis que, esta noite, vieram aqui uns homens dos filhos de Israel para espiar a terra. Mandou, pois, o rei de Jericó dizer a Raabe: Faze sair os homens que vieram a ti e entraram na tua casa, porque vieram espiar toda a terra. A mulher, porém, havia tomado e escondido os dois homens; e disse: É verdade que os dois homens vieram a mim, porém eu não sabia donde eram. Havendo-se de fechar a porta, sendo já escuro, eles saíram; não sei para onde foram; ide após eles depressa, porque os alcançareis. Ela, porém, os fizera subir ao eirado e os escondera entre as canas do linho que havia disposto em ordem no eirado.” Josué 2.2-6


3. Confessou sua fé no DEUS de Israel aos dois espias
“Foram-se aqueles homens após os espias pelo caminho que dá aos vaus do Jordão; e, havendo saído os que iam após eles, fechou-se a porta. Antes que os espias se deitassem, foi ela ter com eles ao eirado e lhes disse: Bem sei que o Senhor vos deu esta terra, e que o pavor que infundis caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados. Porque temos ouvido que o Senhor secou as águas do mar Vermelho diante de vós, quando saíeis do Egito; e o que fizestes aos dois reis dos amorreus, Seom e Ogue, que estavam além do Jordão, os quais destruístes. Ouvindo isto, desmaiou-nos o coração, e em ninguém mais há ânimo algum, por causa da vossa presença; porque o Senhor, vosso DEUS, é DEUS em cima nos céus e embaixo na terra.” Josué 2.7-11


4. Clamou aos espias por um pacto de livramento (salvação) a ela e toda sua família, quando Israel invadisse sua terra. “Agora, pois, jurai-me, vos peço, pelo Senhor que, assim como usei de misericórdia para convosco, também dela usareis para com a casa de meu pai; e que me dareis um sinal certo de que conservareis a vida a meu pai e a minha mãe, como também a meus irmãos e a minhas irmãs, com tudo o que têm, e de que livrareis a nossa vida da morte.” Josué 2.12-13


O pacto de Livramento foi firmado com os dois espias. “Então, lhe disseram os homens: A nossa vida responderá pela vossa se não denunciardes esta nossa missão; e será, pois, que, dando-nos o Senhor esta terra, usaremos contigo de misericórdia e de fidelidade. Ela, então, os fez descer por uma corda pela janela, porque a casa em que residia estava sobre o muro da cidade. E disse-lhes: Ide-vos ao monte, para que, porventura, vos não encontrem os perseguidores; escondei-vos lá três dias, até que eles voltem; e, depois, tomareis o vosso caminho.” Josué 2.14-16


 
AS TRÊS CONDIÇÕES PARA QUE O PACTO DE LIVRAMENTO FOSSE CUMPRIDO:


. O plano de invasão não poderia ser revelado a ninguém. “Então, lhe disseram os homens: A nossa vida responderá pela vossa se não denunciardes esta nossa missão; e será, pois, que, dando-nos o Senhor esta terra, usaremos contigo de misericórdia e de fidelidade.” Josué 2.14

. Raabe tinha que atar o cordão de fio de escarlata em sua janela (onde os espias desceram), como sinal de identificação e livramento. “Disseram-lhe os homens: Desobrigados seremos deste teu juramento que nos fizeste jurar, se, vindo nós à terra, não atares este cordão de fio de escarlata à janela por onde nos fizeste descer;” Josué 2.17-18a

3º. Toda a família de Raabe tinha que estar reunida em sua casa, para que houvesse salvação.  “…e se não recolheres em casa contigo teu pai, e tua mãe, e teus irmãos, e a toda a família de teu pai. Qualquer que sair para fora da porta da tua casa, o seu sangue lhe cairá sobre a cabeça, e nós seremos inocentes; mas o sangue de qualquer que estiver contigo em casa caia sobre a nossa cabeça, se alguém nele puser mão.” Josué 2.18b-19


 
FIO DE ESCARLATA O SINAL DE LIBERTAÇÃO DO JUÍZO


Como a janela da casa de Raabe, dava para fora dos muros de Jericó, foi realizado um plano de fuga para que os espias fugissem em segurança. Foi feito então uma corda de pano vermelho, muito provável feita de linho entrelaçado um a outro. Esse fio de escarlata serviu como livramento aos espiões.


É interessante que esse mesmo fio de escarlata (corda vermelha), foi recomentado pelos espias para que Raabe a mantivesse na janela, e serviria como sinal para que sua casa não fosse destruída junto com as demais casas de Jericó, quando se desse a invasão.
Esse cordão de escarlata carrega uma simbologia espiritual muito significativa. Assim como o cordão de escarlata é sinal de livramento de juízo iminente, assim também de uma forma mais profunda e abrangente, o sinal do Sangue do Cordeiro (vermelho), nos livra do pecado e da condenação eterna. “No dia seguinte, vendo que JESUS vinha em sua direção, João disse: — Eis o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo!” João 1:29


“Se andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de JESUS, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” 1 João 1:7


 “E assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. Porque DEUS amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque DEUS enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é condenado; mas o que não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de DEUS.” João 3:14-18


O sinal de sangue (escarlata) sempre serviu como aviso de livramento de morte. Foi ordenado por Moisés, para que todo Israelita matasse um cordeiro e o seu sangue fosse colocado nos umbrais de suas casas para que fossem livres do espírito de morte que passaria pelo Egito. “Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e matarei na terra do Egito todos os primogênitos, tanto das pessoas como dos animais, e executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor. — O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês se encontram. Quando eu vir o sangue, passarei por vocês, e não haverá entre vocês praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.” Êxodo 12:12,13.


Todos os sacrifícios oferecidos a DEUS, para expiação de pecados, no Antigo Testamento, tinham que ter sangue de cordeiro ou de algum animal sacrificado para esse propósito. Assim foi desde a oferta de Abel passando por todo o tempo da peregrinação, até a chegada do verdadeiro Cordeiro que com seu sangue remiria os homens de seus pecados. “Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão.” Hebreus 9:22.


Para se entrar nos céus temos que crer no sacrifício vicário de Cristo na cruz do calvário. “Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de DEUS e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo.” Apocalipse 7:13-15


“Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.” Apocalipse 22:13,14


Quando os espias falaram da importância de colocar o fio de escarlata como sinal de livramento de morte, Raabe, colocou sua fé em prática através da obediência. “E ela disse: Segundo as vossas palavras, assim seja. Então, os despediu; e eles se foram; e ela atou o cordão de escarlata à janela.” Josué 2:21


A Palavra de DEUS nos afirma que a única maneira de se receber a salvação e o perdão dos pecados é fazer a confissão da fé com a boca e o coração. Essa é a única forma de manifestar nossa fé e obediência aos mandamentos de DEUS. Assim fez Raabe, assim devemos fazer. “Se, com a tua boca, confessares JESUS como Senhor e, em teu coração, creres que DEUS o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.” Romanos 10:9,10


 E você amado leitor já colocou sua fé em prática, confessando a Cristo como único e suficiente Salvador? “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” Atos 4:12
 
RAABE DO LAMAÇAL DO PECADO A POSIÇÃO DE FILHA DO REI


Tem um ditado popular que diz: “Que o fim das coisas é melhor que o começo”. Na vida de Raabe foi assim. Uma mulher de uma família pobre, cedo enveredou no caminho da prostituição, fez de sua casa um lugar de promiscuidade, um antro de prostituição acumulando pecados e mais pecados.


O texto não diz, mas creio que Raabe não obstante viver uma vida de prostituição, era uma mulher infeliz e solitária, buscava uma oportunidade de mudança de vida para satisfazer sua alma sedenta.


Assim como seus patrícios, ouviu falar dos maravilhosos feitos do DEUS de Israel.  Ela sabia em seu coração, que esse povo era vencedor pelo poder de DEUS e certamente conquistariam Jericó. A fé que ela tinha a fez ter convicção que de fato aconteceria. E a única forma de escapar era se convertendo ao DEUS de Israel. O que de fato, na primeira oportunidade aconteceu.


Quantos mais como Raabe, em Jericó, ouviram falar que haveria invasão de Israel em sua cidade, e não mudaram de atitude e nem aproveitaram a oportunidade de salvação?
Raabe vivia no meio de um povo pecador, como consequência ela experimentou a perversa transgressão da prostituição. Mas ela teve uma oportunidade de mudança, de conversão e a abraçou, como náufrago abraça um salva vidas como única esperança de salvação em meio ao oceano.


DEUS honrou a fé de Raabe e vemos isso em várias narrativas das escrituras. Vejamos:
Livrando-a da morte e destruição, ela e toda sua família.” Porém a cidade será condenada, ela e tudo quanto nela houver; somente viverá Raabe, a prostituta, e todos os que estiverem com ela em casa, porquanto escondeu os mensageiros que enviamos.” Josué 6:17
Colocando-a na linhagem do Rei dos reis. Se tornou Tataravó do rei Davi. Fazendo parte da genealogia de Cristo“Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé; Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias.” Mat1:5
Tornou a segunda mulher depois de Sara na galeria dos heróis da fé de Hebreus 11. “Pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias.” Hebreus 11:31


 
CONCLUSÃO
A história de vida de Raabe nos ensina princípios espirituais que devem nortear nossas vidas. Vejamos:


a) Não importa como você se encontra nesse momento, se o pecado tem te afastado de DEUS, aproveite as oportunidades que Ele oferece para que você seja salvo.


 b) Você pode tomar uma decisão diferente de uma multidão de incrédulos e insensíveis aos apelos de DEUS.


c) A fé em DEUS tem que ser acompanhada de atitudes de obediência.


d) Temos que manifestar amor a nossa família, buscando também a sua salvação do juízo iminente de destruição.


e) DEUS sempre vai recompensar sua fé de maneira extraordinária, te salvando do Juízo e te colocando como príncipe em sua casa.


O mundo tem se ensurdecido aos apelos de DEUS. As muitas preocupações humanas têm distanciado o homem do grito que DEUS tem dado através dos profetas atuais e mesmo dos ditames milenares de sua Palavra. Contudo, a promessa eterna e fiel de livramento que se personificou e se consolidou na pessoa de Cristo JESUS tem envolvido a humanidade de muitas maneiras nesse tempo, chamado do fim.


Quem tem ouvidos e sensibilidade, ouça e creia, como Raabe ouviu e creu, agarrando-se a oportunidade de esperança de uma mudança radical de vida que se consolidou através da melhor escolha que ela poderia fazer: está para sempre com o Salvador!

Faça hoje, sua escolha certa: Escolha a Salvação!

 

terça-feira, 10 de março de 2026

UM TESOURO EM VASOS DE BARRO

 

UM TESOURO EM VASOS DE BARRO

Texto Bíblico: 2Corintios 4:7-18

“Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2Co 4:7)

Este é um dos textos mais profundos e reconfortantes das cartas de Paulo. Ele trata da gloriosa contradição da vida cristã: a coexistência da grandeza de Deus com a fragilidade humana.

1. O Contexto: Luz nas Trevas

Antes do versículo 7, Paulo fala sobre como Deus brilhou em nossos corações para dar o "conhecimento da glória de Deus". O "tesouro" não é algo que criamos; é o Evangelho e a presença do Espírito Santo em nós.

2. O Tesouro: O Conteúdo Precioso

O que exatamente é esse tesouro?

  • A Presença de Cristo: A habitação do Espírito Santo.
  • A Mensagem do Evangelho: O poder de transformação que recebemos.
  • A Vida Eterna: Uma esperança que não se desgasta com o tempo.

3. Os Vasos de Barro: A Nossa Natureza

Na época de Paulo, vasos de barro eram objetos comuns, baratos e altamente quebráveis. Eram usados para tarefas domésticas simples e, se caíssem, tornavam-se inúteis.

  • Fragilidade Física: Somos limitados por doenças, cansaço e envelhecimento.
  • Limitação Emocional: Sentimos medo, ansiedade e pressão (como Paulo descreve nos versículos seguintes).
  • Humildade: O vaso não deve chamar atenção para si mesmo, mas para o que carrega dentro.

4. O Propósito: A Excelência do Poder

Por que Deus colocaria algo tão valioso em algo tão frágil? Paulo responde: "para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós".

  • Contraste Necessário: Se o vaso fosse de ouro ou pedras preciosas, as pessoas poderiam admirar o vaso e ignorar o conteúdo.
  • Dependência Total: Quando o vaso está rachado ou fraco, o poder de Deus brilha através das fendas. Nossa fraqueza é a plataforma para a força de Deus.

Tabela de Comparação: O Vaso vs. O Tesouro

Característica

O Vaso (Nós)

O Tesouro (Deus/Evangelho)

Material

Barro (Terra/Poeira)

Luz e Glória

Durabilidade

Temporário e Frágil

Eterno e Indestrutível

Valor

Comum e Simples

Inestimável e Divino

Papel

Recipiente / Servo

Fonte / Senhor

Aplicação Prática para Hoje

  1. Não desanime com suas fraquezas: Suas limitações não impedem Deus de agir; na verdade, elas provam que é Ele quem está agindo.
  2. Mantenha o foco no conteúdo: O mundo gasta muito tempo tentando "decorar" o vaso (aparência, status). O cristão deve focar em cultivar o tesouro (intimidade com Deus).
  3. Resiliência sob pressão: Como Paulo diz logo após esse versículo, podemos ser "atribulados", mas não "derrotados", porque o poder que nos sustenta não vem de nossa própria resistência de barro, mas da força do tesouro.

"A nossa fraqueza não é um obstáculo para o poder de Deus, mas a condição para que ele se manifeste."


INTRODUÇÃO
Depois de ressaltar, nos versículos 1 a 6 do capítulo 4, a responsabilidade solene de todo servo de Cristo de transmitir a mensagem do evangelho de forma clara, Paulo reflete agora sobre o instrumento humano ao qual foi confiado este tesouro maravilhoso: a mensagem do evangelho. Para ensinar aos crentes de Corinto o valor da humildade, ele utiliza a figura de um vaso de barro contendo um grande tesouro. Qualquer pessoa escolheria um lugar mais seguro e resistente para colocar seus bens. Pela estrutura do receptáculo esse seria o lugar mais inseguro e frágil para se esconder um tesouro. Mas é desta forma que Deus escolheu trazer o Evangelho ao mundo: através da fraqueza humana, para que a grandeza extraordinária de seu poder de salvação possa ser vista como sua obra, e não como uma ação humana. Paulo compara e contrasta o evangelista com o evangelho, o pregador, com a pregação. O foco não deve estar no instrumento que prega a mensagem, mas no conteúdo da mensagem. Nesta aula, mostraremos que, a despeito de nossa fragilidade, o Senhor nos usa para expandir o seu Reino.


I. PAULO APRESENTA O CONTEÚDO DOS VASOS DE BARRO (4.1-6)



1. Um conteúdo genuíno (4:1). Em 2Co 3:7-18, que estudamos no tópico III da aula anterior, Paulo faz o contraste entre a Antiga Aliança (a Lei) e a Nova Aliança (o Evangelho), e mostra que esta é superior à aquela. Nos versículos de 1 a 6 do capítulo 4, Paulo prossegue na defesa de seu ministério, e apresenta o glorioso ministério da nova aliança, o ministério que oferece às pessoas vida, salvação, justificação e tem poder para transformar vidas, a saber, o evangelho. Ao usar a figura do "vaso de barro", indica a debilidade e a pequenez de tal utensílio diante de sua riqueza interior.


O Evangelho não é produto da mente humana, mas da revelação divina. Sua origem está no Céu, não na Terra. Sua oferta é graciosa, seu poder é irresistível, sua evidência é luminosa. Paulo também nos conta como a mente de algumas pessoas ainda estão embotadas perante esse evangelho, e conclui explicando o conteúdo do seu evangelho: Cristo é Senhor. Naqueles dias, surgiram falsos apóstolos, mercadores da Palavra de Deus, que não tinham compromisso nenhum com a veracidade daquilo que pregavam. Proferiam discursos vazios com conteúdo adulterado, à semelhança dos comerciantes desonestos, que adulteram as substâncias originais de seus produtos, misturando-as com algo mais barato para enganar seus clientes.


Destacamos aqui dois pontos importantes acerca do evangelho genuínoEm primeiro lugar, o Evangelho é concedido pela misericórdia divina, e não pelo mérito humano – “Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita[...]” (4:1). Paulo foi um implacável perseguidor da Igreja. Respirava ameaça contra os discípulos de Cristo. Ele não buscava a Cristo, mas Cristo o buscou, transformou-o, capacitou-o, comissionou o e o fez ministro da nova aliança (1Tm 1:12-17). Jesus demonstrou a ele misericórdia não levando em conta suas misérias, mas oferecendo a ele sua graça.


Em segundo lugar, o Evangelho nos dá forças para enfrentar o sofrimento – “[...] não desfalecemos” (4:1b). Paulo não desfaleceu. Não agiu com covardia, mas, sim, com coragem, diante de obstáculos aparentemente intransponíveis. Ele enfrentou toda sorte de sofrimento: perseguição, rejeição, oposição, abandono, apedrejamento, açoites, prisão, acusação, naufrágio e a própria morte. Mas esses sofrimentos todos, além da preocupação que tinha com todas as igrejas, não puderam demovê-lo nem o desencorajar, porque o chamado divino é sempre acompanhado da capacitação divina. Paulo jamais desistiu de pregar.
Sem dúvida, há motivos de sobra para desânimo e depressão no serviço cristão, mas o Senhor concede misericórdia e graça em todos os momentos de necessidade. Assim, não obstante os desânimos, os encorajamentos são sempre maiores.


2. Um conteúdo que rejeitava coisas falsificadas (v. 2). Antes, rejeitamos as coisas que, por vergonha, se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade” (2Co 4:2). Aqui, Paulo está pensando, mais uma vez, nos falsos mestres que se haviam infiltrados na igreja de Corinto. Seus métodos eram os mesmos usados pelas forças do mal, a saber, a vergonhosa sedução ao pecado, a astuta distorção da verdade, o uso de argumentos ardilosos e a falsificação da Palavra de Deus.

Os falsos obreiros que estavam invadindo a igreja de Corinto e fazendo oposição a Paulo buscavam a promoção pessoal, e não a glória de Cristo. Eles estavam interessados no dinheiro do povo, e não na salvação do povo. Eles estavam envoltos em densas trevas do engano, e não na refulgente luz da verdade. Eles buscavam resultados, e não fidelidade. Queriam mais os aplausos dos homens do que a aprovação de Deus. Então, Paulo disse: “rejeitamos” ...


Os falsos obreiros em Corinto estavam usando astúcias e truques para pregar. Eles usavam atrativos enganosos para atrair as pessoas. Esses falsos obreiros estavam imitando a astúcia da serpente que enganou Eva no Éden (2Co 11:3,14,15). Esses falsos obreiros astuciosamente usavam manobras psicológicas, táticas para impressionar e apelos emocionais para seduzir as pessoas com as suas falsas mensagens. Mas, Paulo diz: “rejeitamos” ...


Os falsos obreiros, como mascates espirituais, estavam falsificando(adulterando) a Palavra de Deus, ministrando suas ideias heterodoxas ao evangelho, adicionando a palha de seus ritos ao trigo da verdade. Quando Paulo diz “nem falsificando a palavra de Deus”, ele certamente está se referindo ao passatempo preferido desses indivíduos, a saber, tentar misturar a lei com a graça. Hoje muitos pregadores estão adulterando a Palavra de Deus, pregando ao povo o que ele quer ouvir, e não o que ele precisa ouvir. Mas, Paulo diz: “rejeitamos” ...


3. Um conteúdo de coisas espirituais transparentes. Paulo diz: “e assim nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade” (2Co 4:2b). O cristão verdadeiro vive de forma transparente na presença de Deus e dos homens. Os cristãos judaizantes, opositores de Paulo, acusavam-no de haver distorcido a mensagem, todavia, a vida do apóstolo é um mapa aberto. Não tem nada a esconder. Está pronto a submeter-se ao escrutínio dos homens, uma vez que vive na presença de Deus. Contudo, seu propósito não é apenas receber o aval dos homens, mas ser aprovado por Deus (1Co 4:3,4). O ministério de Paulo tem como alvo “a manifestação da verdade”. A verdade, tal como revelada em Jesus, é tão universal e essencial à vida humana que não há necessidade de expedientes psicológicos para elevá-la ou torná-la mais eficiente e interessante.

A manifestação da verdade pode ser entendida de duas formas. Manifestamos a verdade quando a declaramos de forma explícita e compreensível. Também a manifestamos quando a colocamos em prática em nossa vida diante de outros, para que eles a vejam em nosso exemplo. Paulo usava os dois métodos. Pregava o evangelho e o obedecia em sua própria vida. Ao fazê-lo, procurava recomendar-se à consciência de todo homem, na presença de Deus.


No versículo 3 do capítulo 4, Paulo fala de sua extrema dedicação à tarefa de manifestar a verdade de Deus, tanto em preceito quanto na prática. Ele diz: “Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto”. Se o evangelho ainda está encoberto para alguns, não é por culpa de Deus, e Paulo não deseja que seja por sua própria culpa. No entanto, enquanto escreve essas palavras, o apóstolo está ciente da existência de indivíduos que simplesmente não conseguem compreendê-lo. Quem são eles? São os que se perdem. Por que estão cegos desse modo? A resposta se encontra no versículo 4: nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. 

Satanás é culpado. Aqui, ele é chamado de deus deste século (“era”, “época” ou “tempo”). O inimigo conseguiu colocar um véu sobre a mente dos incrédulos. Seu desejo é mantê-los em escuridão perpétua, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo e não sejam salvos.


No universo físico, o sol está sempre brilhando. Quando não o vemos brilhar é porque há algo entre nós e ele. O mesmo pode ser dito do evangelho. A luz do evangelho está sempre brilhando. Deus procura o tempo todo fazê-la resplandecer no coração dos homens. Satanás, porém, levanta várias barreiras entre os incrédulos e Deus. Podem ser nuvens de orgulho, rebelião, justiça própria ou várias outras coisas. Todas elas, porém, conseguem impedir que a luz do evangelho brilhe no coração dessas pessoas. Satanás simplesmente não deseja que os homens sejam salvos.


II. PAULO EXPÕE A FRAGILIDADE DOS VASOS DE BARRO (4.7-12)


1. A metáfora do vaso de barro (4:7). Paulo, apontando a si mesmo e aos coríntios como um vaso de barro, deixa claro que não tem a intenção de estar em evidência, como se fosse uma pessoa de extrema importância. Ele coloca a mensagem que traz consigo como a verdadeira coisa importante em sua vida. O vaso em si mesmo pode ter pouco valor, mas o conteúdo é precioso demais para ser desprezado. Quem poderia imaginar que um bem precioso pudesse ser guardado em um recipiente facilmente quebrável e de pouca importância? Paulo encanta-se diante do contraste entre o glorioso Evangelho e a indignidade e fragilidade de seus proclamadores.


Que extraordinário é um tesouro tão valioso ser confiado a um recipiente tão frágil como um vaso de barro! O homem é apenas um vaso de barro, frágil, quebradiço e barato, mas dentro desse vaso existe um tesouro de inestimável valor: o evangelho. Mesmo sendo fracos, Deus nos usa para transmitir suas Boas Novas e nos dá poder para fazer a sua obra. Saber que o poder é de Deus, e não nosso, deve nos afastar do orgulho e nos motivar a manter nosso contato diário com Ele, nossa fonte de poder. Deus é glorificado por meio de vasos frágeis. A fraqueza do vaso ressalta a excelência do poder de Deus. Por isso, o vaso não pode se orgulhar por ser portador de um tesouro. A glória não está no vaso, mas no tesouro. É preciso concentrar-se no tesouro, não no vaso, ou seja, o foco não deve estar no instrumento que prega a mensagem, mas no conteúdo da mensagem. O vaso é perecível, mas o evangelho é indestrutível. O vaso é frágil, mas o evangelho é poderoso. O vaso não tem beleza em si mesmo, mas o evangelho traz o fulgor da glória de Deus na face de Cristo. O vaso se quebra e precisa ser substituído, mas o evangelho é eterno e jamais pode ser mudado.

2. O paradoxo dos sofrimentos (4:8,9). “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos”. O princípio geral enunciado no verso 7 é ilustrado aqui numa série de quatro declarações paradoxais. Elas refletem, de um lado, a vulnerabilidade de Paulo e de seus companheiros, e, de outro lado, o poder de Deus que os sustenta.


Não há ministério indolor. A vida cristã não é uma estufa espiritual nem uma sala vip. Ser cristão não é pisar tapetes aveludados, mas cruzar desertos abrasadores. Ser cristão não é ser aplaudido pelas pessoas, mas carregar no corpo as marcas de Jesus Cristo. 

Paulo faz aqui quatro contrastes:


a) Atribulados, mas não angustiados (4:8
). A tribulação é uma prova externa, enquanto a angústia é um sentimento interno. A tribulação produz angústia (Sl 116:3), mas Paulo mesmo enfrentando circunstâncias tão adversas era fortalecido pelo Senhor. As tribulações de Paulo foram muitas. Citamos algumas, tais como: foi perseguido em Damasco; rejeitado em Jerusalém; esquecido em Tarso; apedrejado em Listra; açoitado em Filipos; escorraçado de Tessalônica e Beréia; chamado de impostor em Corinto; enfrentou feras em Éfeso; foi preso em Jerusalém; acusado em Cesaréia; enfrentou um naufrágio a caminho de Roma; foi picado por uma cobra em Malta; sofreu prisões, açoites, apedrejamento, fome, frio e pressões de todos os lados. Contudo, Deus o assistiu não o deixando sucumbir diante de tantas adversidades.


b) Perplexos, mas não desanimados (4:8). Do ponto de vista humano, Paulo muitas vezes não sabia se suas dificuldades teriam solução, mas o Senhor jamais permitiu que ele perdesse todas as esperanças. Jamais foi colocado em um lugar estreito do qual não havia saída.


c) Perseguidos, mas não desamparados (4:9). Paulo sofreu duras perseguições desde o começo de sua conversão até o último dia da sua vida na terra. Não teve folga nem alívio. Foi perseguido pelos judeus e pelos gentios, pelo poder religioso e pelo poder civil. No entanto, jamais se sentiu desamparado. Quando foi apedrejado em Listra, levantou-se para prosseguir o projeto missionário. Quando foi preso em Filipos, cantou e orou à meia-noite. Quando foi preso em Jerusalém, deu testemunho diante do Sinédrio. Quando foi levado para Roma como prisioneiro de Cristo, testemunhou ousadamente aos membros da guarda pretoriana. Mesmo quando ficou só em sua primeira defesa, em Roma, foi assistido pelo Senhor (2Tm 4:16-18). Deus jamais o desamparou.


d) Abatidos, mas não destruídos (4:9). Paulo enfrentou circunstâncias desesperadoras, acima de suas forças (1:8). Foi acusado, perseguido, açoitado, aprisionado, mas jamais sucumbiu. Mesmo quando foi levado à guilhotina romana e teve seu pescoço decepado pelo verdugo, não foi destruído (2Tm 4:17,18), porque sabia que sua morte não era uma derrota, mas uma vitória, uma vez que morrer é lucro, é deixar o corpo e habitar com o Senhor, o que é incomparavelmente melhor (Fp 1:23).


Talvez nos perguntemos por que o Senhor permitiu que seu servo passasse por tantas provas e tribulações? Talvez nos pareça que o apóstolo Paulo poderia ter servido ao Senhor com mais eficiência se seu caminho não estivesse tão repleto de obstáculos. Mas as Escrituras Sagradas ensinam justamente o contrário. Em sua sabedoria maravilhosa, Deus julga mais apropriado permitir que seus servos sofram enfermidades, aflições, perseguições, dificuldades e angústias. As tribulações têm por objetivo quebrar os vasos de barro para que a luz do evangelho possa brilhar mais intensamente.


3. Sofrer pela Igreja (4:10-12). “Trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos. E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós, a vida”.


Se sofremos, é por amor a Jesus. Se morremos para o nosso ego, é para que a vida de Cristo seja revelada em nós. Se passamos por tribulações, é para que Cristo seja glorificado. Ao servir a Cristo, a morte opera em nós, mas a vida opera naqueles para os quais é ministrado a Palavra.


No versículo 12, Paulo resumo tudo o que disse até aqui, lembrando aos coríntios que foi por meio do seu sofrimento constante que a vida chegou até eles. Paulo teve de enfrentar inúmeras dificuldades para levar o evangelho a Corinto, mas valeu a pena, pois os coríntios aceitaram Cristo e receberam a vida eterna.


Nossa tendência é sempre clamar ao Senhor em meio a uma enfermidade e pedir que Ele nos cure a fim de podermos servi-lo melhor. Algumas vezes, porém, talvez devamos agradecer a Deus essas aflições em nossa vida e gloriar-nos em nossas fraquezas para que o poder de Cristo repouse sobre nós.


III. PAULO FALA DA GLORIFICAÇÃO FINAL DESSES VASOS DE BARRO (4.13-18)


1. O poder que transformará os vasos de barro (4:13,14). “E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri; por isso, falei. Nós cremos também; por isso, também falamos, sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus e nos apresentará convosco”.


As aflições e perseguições da vida de Paulo não selaram seus lábios. A fé lhe permite prosseguir com a pregação do evangelho, pois ele sabe que glórias indescritíveis o aguardam além dos sofrimentos desta vida. Paulo fundamenta sua fé não nas suas ricas experiências, mas na eterna Palavra de Deus. Ele cita o salmo 116:10 para firmar sua fé: “Eu cri; por isso é que falei”. Ele creu no Senhor e suas palavras nasceram dessa fé com raízes profundas. Paulo se identifica com as palavras e a fé do salmista ao proferi-las e, portanto, declara: “Também nós cremos; por isso, também falamos” (4:13).


O versículo 14 do capítulo 4 revela o segredo da fé de Paulo e do seu destemor ao proclamar o evangelho de Cristo Jesus. Ele sabia que esta vida não é tudo. Sabia que o cristão tem a certeza da ressurreição. O mesmo Deus que ressuscitou o Senhor Jesus também ressuscitaria o apóstolo Paulo e o apresentaria com os coríntios.


A ressurreição de Cristo é um conforto na aflição. O fato é certo: Cristo levantou-se da morte pelo poder de Deus. Também, Deus nos ressuscitará e nos apresentará em glória. A conclusão é inevitável: Deus nos libertará de todas as nossas aflições. Portanto, a esperança que dominava o coração de Paulo é a mesma que abrange todos os crentes em Cristo: a glorificação do corpo mortal. Nossos corpos transitórios e corruptíveis serão transformados em corpos gloriosos.


2. A esperança capaz de superar os sofrimentos (4:5,16). “Porque tudo isso é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, torne abundante a ação de graças, para glória de Deus. Por isso, não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia”.


Paulo explica que sua disposição de suportar sofrimentos e perigos era motivada pela inabalável esperança da ressurreição. Por isso ele não desanimava. Por um lado, o processo de deterioração física, do homem exterior, estava sempre em andamento; por outro, havia uma renovação espiritual que lhe permitia prosseguir apesar de todas as circunstâncias adversas. Paulo sabia que um dia os sofrimentos, aflições e a angústia ao pregar o evangelho, terminariam e que ele obteria o descanso e as recompensas de Deus.


Quando enfrentamos grandes dificuldades, é fácil enfocarmos a dor em vez de nossa meta final (a vida eterna). Da mesma maneira que os atletas se concentram na linha de chegada e ignoram seu desconforto, nós também devemos enfocar a recompensa por nossa fé e a alegria que dura para sempre. Não importa o que nos aconteça nesta vida, temos a garantia da vida eterna, quando todo o sofrimento terminar e toda a tristeza desaparecer.
3. Tribulação temporária e glória eterna (4:17,18). “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas”.


Depois de ler sobre as terríveis aflições que o apóstolo Paulo suportou, podemos ter dificuldade em entender como ele é capaz de chamá-las de leve e momentânea tribulação. Em certo sentido, sua tribulação não tinha nada de leve. Era amarga e cruel. A explicação, porém, se encontra na comparação que Paulo faz. A tribulação em si é extremamente pesada, mas, ao ser comparada com o peso eterno de glória que nos espera, pode ser considerada leve. Além disso, é momentânea, ao passo que a glória é eterna. As lições que aprendemos com as aflições neste mundo redundarão em frutos abundantes no mundo por vir.
Nossa maior esperança quando estamos experimentando uma enfermidade terrível, perseguição ou dor é a certeza de que esta vida não é tudo o que há – existe vida após a morte! Saber que viveremos para sempre com Deus em um lugar sem pecado e sofrimento pode nos ajudar a viver acima da dor que enfrentamos nesta vida.


Por isso, o apóstolo Paulo com firmeza nos exorta para não atentarmos nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; por que as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas. Paulo refere-se principalmente às dificuldades, provações e sofrimentos que ele suportou. Eram elementos secundários de seu ministério; seu objetivo maior eram as coisas que se não veem, como, por exemplo: a glória de Cristo, a bênção dos semelhantes e a recompensa reservada para o servo fiel no tribunal de Cristo. Que o Senhor Jesus esteja conosco nessa jornada rumo à glorificação!


CONCLUSÃO
Deus nos escolheu dentre milhares e nos honrou com a sua presença, fazendo que vasos de barros, passivos a se quebrarem, pudessem ter o direito de comportar em si um tesouro incomparável - o conhecimento do Evangelho e o próprio Deus, na pessoa do Espírito Santo (somos o templo do Espírito Santo). Ele nos comprou por bom preço, usando o sangue de Jesus como uma moeda corrente para pagar todos os nossos pecados e nos preparou para toda a boa obra, para que através de nossas vidas o seu nome fosse glorificado no Céu.

 

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