terça-feira, 23 de junho de 2026

DEUS ABRE OS OLHOS PARA O INVISÍVEL

 


DEUS ABRE OS OLHOS PARA O INVISÍVEL

Esboço do Estudo 2 Reis 6:8-23 sobre quando Eliseu ora para Deus abrir os olhos do moço.

TEXTO BÍBLICO: 2 Reis 6:8-23

“Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles.”
“E orou Eliseu, e disse: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja.”
(vv.16-17)

PROPÓSITO: Confiar em Deus além das circunstâncias visíveis.

1. O Contexto: A Frustração do Inimigo (v. 8-14)

O rei da Síria tentava emboscar Israel repetidamente, mas seus planos eram sempre frustrados porque Deus revelava as estratégias secretas a Eliseu.

  • O Poder da Revelação: Eliseu, como homem de Deus, detinha uma "inteligência estratégica" divina. Isso demonstra que nada está oculto aos olhos do Senhor.
  • A Reação do Inimigo: Ao perceber que Eliseu era o "problema", o rei da Síria tentou capturá-lo em Dotã. O exército cercou a cidade à noite, criando um cenário de cerco e desespero humano.

2. O Contraste: Medo vs. Fé (v. 15-17)

Ao amanhecer, o servo de Eliseu vê o exército inimigo e entra em pânico.

  • Visão Física vs. Espiritual: O servo via apenas as espadas e os cavalos dos inimigos. Eliseu, por outro lado, via a realidade invisível: a montanha cheia de cavalos e carros de fogo.
  • A Oração de Eliseu: Ele não ora para que o inimigo seja destruído, mas para que os olhos do seu servo sejam abertos. Isso nos ensina que, muitas vezes, o que precisamos não é de uma mudança nas circunstâncias, mas de uma mudança na nossa percepção da presença de Deus.

3. A Vitória pela Misericórdia (v. 18-23)

Após Deus ferir o exército sírio com cegueira, Eliseu os guia até o meio de Samaria.

  • A Lógica do Reino: Quando o rei de Israel pergunta se deve matá-los, Eliseu responde com uma lógica contracultural: não os mate. Em vez disso, ele ordena que lhes deem pão e água.
  • Vencer o Mal com o Bem: Ao alimentar seus inimigos, Eliseu desarma o conflito. O texto relata que, após esse banquete de misericórdia, as tropas da Síria pararam de invadir Israel. Isso antecipa o ensino de Jesus de "amar os inimigos" e o princípio de Romanos 12:21.

Aplicações Práticas para Hoje

  • Discernimento Espiritual: Precisamos orar constantemente: "Senhor, abre meus olhos!". Em meio às crises, muitas vezes esquecemos que a nossa luta não é apenas contra carne e sangue, e que Deus tem um exército de proteção ao nosso redor.
  • O Poder da Oração: Eliseu era um homem de oração. Ele orou pelo servo, orou pelo inimigo (cegueira e abertura de olhos). A oração foi a ferramenta que moveu a mão de Deus em todas as direções.
  • A Estratégia da Graça: Às vezes, a forma mais poderosa de vencer um inimigo ou um conflito não é pela força, mas por um ato de bondade inesperado. A misericórdia tem o poder de desarmar corações endurecidos.
  1. A VISÃO DE DEUS TRAZ DIREÇÃO E LIVRAMENTO.

O rei da Síria estava revoltado. Na tentativa de vencer o rei de Israel ele definia estratégias. Mas todas as vezes o rei de Israel escapava – então e começou a desconfiar que havia um espião no meio deles (2 Reis 6:12).

  1. A VISÃO NATURAL EM ALGUMAS CIRCUNSTÂNCIAS PODE SER ESESPERADORA.

Revoltado, o rei resolve perseguir Eliseu. Enviou “fortes tropas” até Dotã para prender Eliseu. Agora perceba: Era um exército contra um homem só. Eles chegaram à noite e cercaram a cidade (2 Reis 6:15)A realidade natural que o servo percebeu, era que Eliseu e ele, não podiam se mover naquela situação. A princípio, ele só podia ver o inimigo. E o sentimento foi de medo e ansiedade.

  1. A VISÃO DIVINA TRAZ CONFIANÇA

Eliseu agiu com tranquilidade, bem diferente de seu servo, e tratou a situação com serenidade (2 Reis 6:15,17). “O que seus olhos físicos puderam ver não era páreo para o que ele não podia ver.” Deus estava trabalhando a seu favor mais do que ele podia imaginar. Para você ser uma pessoa confiante e vitoriosa, você precisa ter a habilidade de “enxergar”. Nossos olhos precisam ser abertos para a revelação da palavra de Deus. Eliseu convivia com a Palavra, ouvia a Deus constantemente. Não era algo ocasional, não buscava a Palavra só quando a coisa apertava. A voz de Deus era algo constante no seu coração.

  1. A VISÃO DIVINA COMUNICA A FÉ

Quando você enxerga como Deus, você é capaz de levar esperança, levar perspectiva de dias melhores para outras pessoas. Você começa ajudar as pessoas a enxergarem de acordo como Deus vê. Quem sabe você não consegue entender por que perdeu algo de muito valor na sua vida: um emprego, um negócio, um relacionamento, um amigo. Realmente, não é fácil, é doloroso. Entenda algo: (2 Reis 6:18)

“Você nem sempre consegue o que quer, mas sempre pode andar pela fé e confiar na vontade de Deus. E o seu testemunho vai ajudar outras pessoas a enxergarem como Deus vê."

Eliseu cegou os inimigos sírios e os levou até Samaria. Chegando lá ele ora e abre os olhos desses homens para verem – e eles se depararam totalmente indefesos diante do rei de Israel. Eliseu pediu ao rei de Israel para não os ferirem, e sim, que os alimentassem. O exército inimigo comeu, bebeu, se fortaleceu e voltou para casa. Eliseu nos ensina muito! Ele deixa bem claro que a visão de Deus vai levar você a um nível mais alto. 

Reflexão:

1. Qual é a visão que você tem sobre as coisas que estão acontecendo ao seu redor? Que visão você tem sobre o que você tem vivido ultimamente? Respostas variadas.

2. O que aprendemos com o profeta Eliseu quando os desafios chegam? Aprendemos que precisamos ter a visão de Deus e enxergar não mais o natural e sim o sobrenatural. As circunstâncias podem nos desanimar e nos deixar desesperados, mas a visão divina no traz confiança e nos ajuda a comunicar a fé de Deus.

3. Como podemos fazer da palavra de Deus algo constante em nossas vidas? Através do hábito da leitura bíblica e através da doce comunhão com o Espírito Santo.

4. Vamos fazer uma oração juntos? Repita em alta voz: Senhor, abra meus olhos por completo, para que eu possa não apenas detectar as atividades do inimigo, mas para que eu também esteja ciente do que o Senhor tem me dado para derrotá-lo em todas as áreas da minha vida. Me faça ver do jeito que o Senhor vê. Abra os meus olhos, Senhor. E o que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano, o que Deus tem preparado para mim, é o que eu vou viver, pela graça de do Senhor, amém, amém!

INTRODUÇÃO

O texto nos mostra um momento de guerra. O rei da Síria tenta atacar Israel repetidas vezes, mas Deus revela seus planos ao profeta Eliseu.

Irritado, o inimigo decide cercar a cidade onde Eliseu está. O cenário é de perigo, tensão e ameaça real.

O servo de Eliseu vê o exército e entra em desespero. Mas Eliseu vê algo diferente. Ele enxerga o que o servo ainda não consegue ver.

IDEIA CENTRAL: O problema não é o que está ao redor, mas como estamos enxergando.

Hoje quero pregar sobre 4 verdades que este texto revela sobre como Deus transforma nossa visão em meio às batalhas.

I. NÃO ENTRE EM PÂNICO DIANTE DO QUE VOCÊ VÊ (2 Reis 6:14-15)


“Ai, meu senhor! Que faremos?” (v.15)

1. O medo nasce quando olhamos só para o visível. O servo viu cavalos e soldados, mas não viu Deus. Ele enxergou o problema, mas ignorou a presença divina.

2. A visão limitada produz desespero. Quando ele pergunta “Que faremos?” (v.15), revela um coração dominado pelo medo.

3. A realidade espiritual é maior que a natural. O que ele via não era toda a verdade. Havia algo maior acontecendo.

Nem tudo que você vê define o fim da história. Amplie sua visão hoje.

Quem olha só para o problema se desespera, mas quem olha para Deus permanece firme.

II. CONFIE EM DEUS MESMO SEM ENTENDER (2 Reis 6:16)

“Não temas; porque mais são os que estão conosco…” (v.16)

1. Eliseu não se abalou porque conhecia Deus. Ele não negou o problema, mas não foi dominado por ele.

2. A fé declara antes de ver. Eliseu afirmou a vitória antes do servo enxergar. Isso é fé viva.

3. Deus nunca perde o controle da situação. Mesmo cercado, Eliseu estava protegido. Deus já estava trabalhando.

Acreditar traz descanso. Pare de tentar entender tudo e deixe Deus ser Deus.

Confie mesmo quando não fizer sentido. Deus continua no controle.

III. PEÇA A DEUS UMA NOVA VISÃO (v.17)

“Senhor, peço-te que lhe abras os olhos” (v.17)

1. A maior necessidade não era livramento, era visão. Eliseu não pediu mudança de cenário, pediu mudança de percepção.

2. Quando Deus abre os olhos, o medo desaparece. O mesmo lugar, a mesma situação, mas agora com entendimento espiritual.

3. Ver com os olhos de Deus muda tudo. O monte estava cheio de cavalos e carros de fogo. Deus já estava ali.

Ou a preocupação domina sua mente, ou a oração muda sua visão. Escolha orar.

Peça hoje: Senhor, abre os meus olhos. Você precisa enxergar além do natural.

IV. DEUS TRANSFORMA A CRISE EM TESTEMUNHO (vv.18-23)

“Feriu-os de cegueira…” (v.18)

1. Deus pode inverter qualquer situação. O inimigo que cercava agora ficou perdido. Deus muda cenários.

2. O controle sempre esteve nas mãos de Deus. Eliseu conduz tudo com autoridade, porque Deus já estava no comando.

3. A graça pode vencer onde a força falharia. Em vez de matar, Eliseu manda alimentar. O resultado foi paz: “não tornaram mais…” (v.23)

A graça alcança onde a força não chega. Deus faz além do que esperamos.

Confie no agir de Deus. Ele transforma batalhas em testemunhos.

Essa é a mensagem de Deus para você hoje: há mais acontecendo do que seus olhos conseguem ver.

  • O medo cresce quando a visão é limitada, mas Deus amplia o nosso olhar.
  • A fé permanece firme, mesmo quando ainda não vemos a resposta.
  • A oração muda a forma de enxergar, e isso transforma tudo.
  • Até a crise pode ser revertida, quando Deus entra em ação.

Talvez você esteja cercado por problemas, sem saída aparente, mas hoje é dia de enxergar diferente. Hoje é dia de confiar. Hoje é dia de depender de Deus.

Jesus continua no controle. O céu não perdeu o governo da sua vida.

Levante os olhos pela fé. Confie no que Deus já está fazendo. Caminhe com segurança, mesmo sem entender tudo.

Quem tem os olhos abertos por Deus vive acima do medo.

PROPÓSITO: Encorajador e Devocional – Mostrar que Deus abre os olhos do Seu povo para ver além das circunstâncias, confiar na Sua proteção e compreender a grandeza da Sua misericórdia.

O profeta Eliseu vivia tempos de guerra. O rei da Síria armava emboscadas contra Israel, mas todas as vezes os planos eram frustrados. porque Deus revelava tudo ao profeta.

Quando o inimigo descobre que Eliseu é o responsável por expor suas estratégias, envia um exército inteiro para cercar a cidade de Dotã, onde ele estava.

O moço de Eliseu se desespera, mas o profeta, cheio de fé, ora e diz: “Mais são os que estão conosco do que os que estão com eles.” (v.16)

O Deus que agiu naquele dia continua abrindo olhos hoje... olhos espirituais, olhos de fé e olhos de compaixão.

Neste texto encontramos três manifestações do Deus que abre os olhos.

I. PARA ELISEU, DEUS MOSTROU OS PLANOS DO INIMIGO (2 REIS 6:8–14)

“E o homem de Deus enviou ao rei de Israel, dizendo: Guarda-te de passares por tal lugar, porque os sírios descem ali.” (v.9)

1 – Deus revela o que o inimigo tenta esconder.

O rei da Síria fazia planos secretos, mas o Senhor mostrava tudo a Eliseu. Nada escapa aos olhos de Deus ... Ele conhece cada movimento do adversário.

2 – Deus protege o Seu povo através da revelação.

Eliseu avisava o rei de Israel, e o povo escapava das armadilhas. A comunhão com Deus é o melhor sistema de defesa espiritual.

3 – Quando andamos com Deus, Ele nos faz enxergar além das aparências.

O inimigo trama em silêncio, mas o crente discernido pelo Espírito vive em alerta e vitória.

O Deus que abre os olhos revela estratégias ocultas e frustra os planos do inimigo.

II. PARA O MOÇO DE ELISEU, DEUS MOSTROU UM EXÉRCITO AO SEU LADO (2 REIS 6:15–17)


“E orou Eliseu, e disse: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja.” (v.17)

1 – O medo cego, mas a fé faz enxergar.

O moço só via os inimigos, Eliseu via os anjos. Muitas vezes o problema não é o tamanho da luta, mas a falta de visão espiritual.

2 – Deus abriu os olhos do servo e ele viu o invisível.

“Eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu.”

O que antes parecia desespero tornou-se confiança... Deus estava cercando quem parecia cercado.

3 – Quando Deus abre os olhos, a fé vence o medo.

Não é que o inimigo desapareça, é que aprendemos a ver quem está acima de tudo. A presença de Deus muda a perspectiva da batalha.

Quem tem olhos espirituais entende que Deus nunca perde o controle, mesmo quando tudo parece perdido.

III. PARA OS INIMIGOS, DEUS MOSTROU SUA GRANDE MISERICÓRDIA (2 REIS 6:18–23)

“E, quando desceram a ele, orou Eliseu ao Senhor, e disse: Fere, peço-te, esta gente de cegueira. E o Senhor os feriu de cegueira.” (v.18)

1 – Deus pode fechar os olhos dos inimigos para proteger os Seus servos.

Enquanto o moço tem os olhos abertos, o inimigo fica cego. O mesmo Deus que abre para uns, fecha para outros, tudo conforme o Seu propósito.

2 – Eliseu age com misericórdia, não com vingança.

Em vez de destruí-los, ele os conduz até Samaria e pede que lhes deem pão e água.

“E prepararam-lhes um grande banquete.” (v.23) A guerra termina com graça, Deus mostra que a misericórdia vence o ódio.

3 – Deus abre os olhos dos inimigos para conhecerem Seu amor.

Quando eles voltam a enxergar, percebem que foram poupados. A misericórdia de Deus transforma adversários em testemunhas do Seu poder.

O Deus que abre olhos também abre corações... Ele vence o mal com o bem.

CONCLUSÃO:

O Deus de Eliseu é o mesmo hoje... Ele continua abrindo olhos.

  • Abre os olhos dos profetas para discernir os planos do inimigo.
  • Abre os olhos dos servos para enxergar o Seu poder.
  • E abre os olhos dos inimigos para conhecer a Sua misericórdia.

Talvez hoje você esteja como o moço de Eliseu... cercado, com medo, sem saber o que fazer. Mas Deus está dizendo: “Levanta os olhos da alma, há um exército ao teu redor!”

“Mais são os que estão conosco do que os que estão com eles.” (v.16)

Deus está abrindo os teus olhos para ver que a batalha já está vencida, o inimigo já está confuso, e a vitória já foi decretada.

O Deus que abre olhos também abre caminhos, corações e novas oportunidades. Ele não mudou, e continua mostrando que está ao lado dos que confiam nele.

 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O CUIDADO COM AS OVELHAS

 


O CUIDADO COM AS OVELHAS

Leitura Bíblica: Jeremias 23.1

Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor"

O texto de Jeremias 23.1 é um dos alertas mais severos de toda a Escritura sobre a responsabilidade espiritual. Para compreender o profundo significado do "cuidado com as ovelhas" neste contexto, precisamos olhar para os pilares que sustentam essa relação entre o pastor e o rebanho aos olhos de Deus.

1. A Propriedade das Ovelhas

A frase "as ovelhas do meu pasto" define a teologia central do cuidado bíblico. O pastor humano nunca é o dono; ele é um administrador ou um sub-pastor.

  • O Princípio: Quando um líder ou responsável entende que as pessoas sob seu cuidado pertencem a Deus, a soberba dá lugar ao temor. O cuidado deixa de ser uma questão de autoridade pessoal e passa a ser uma prestação de contas diante do Dono do rebanho.

2. Os Erros dos Pastores: Destruir e Dispersar

Jeremias aponta dois verbos que resumem a falha daqueles que não exercem o cuidado devido:

  • Destruir: Ocorre quando o líder, em vez de nutrir com a Palavra e o exemplo, causa danos emocional, espiritual ou moral. É o uso do cargo para benefício próprio, negligenciando a saúde do rebanho.
  • Dispersar: Ocorre quando, por falta de unidade, por doutrinas distorcidas ou por um estilo de liderança autoritário e insensível, o rebanho se sente desprotegido e acaba se afastando da comunhão e da verdade.

3. O Padrão de Cuidado Bíblico

O oposto de "destruir e dispersar" é encontrado no modelo do Bom Pastor (João 10):

  • Conhecimento individual: O Bom Pastor chama suas ovelhas pelo nome. O cuidado legítimo não é massificado; ele reconhece as lutas, as dúvidas e os ritmos de cada pessoa.
  • Sacrifício: O pastor que cuida está disposto a dar a vida. Em termos práticos, isso significa renunciar a conforto, tempo e conveniência para buscar a ovelha que se perdeu ou para proteger a que está ferida.
  • Alimento e Descanso: O cuidado bíblico exige que o rebanho seja conduzido a pastos verdejantes (a verdade bíblica) e a águas tranquilas (a paz que vem de Deus).

4. A Responsabilidade e a Esperança

O "Ai dos pastores" não é apenas uma ameaça; é um chamado à seriedade. Deus está atento à forma como os líderes tratam os vulneráveis. Contudo, a mensagem de Jeremias culmina, poucos versículos adiante (Jeremias 23:3-4), na promessa de que Deus mesmo congregará o resto de suas ovelhas e levantará sobre elas pastores segundo o Seu coração, que as apascentarão para que não temam nem se assombrem.

Reflexão para o Caminhar O cuidado com as ovelhas não é apenas uma função ministerial; é um reflexo do caráter de Deus. Seja no contexto familiar, profissional ou comunitário, a pergunta que este texto nos convida a fazer é: As minhas atitudes têm ajudado as pessoas a se achegarem a Deus (edificação) ou têm sido um obstáculo que as leva para longe (dispersão)?


INTRODUÇÃO

Jeremias chamou o povo, e especialmente os líderes dos judeus, ao arrependimento. Ele viu a corrupção do povo, de cima para baixo, como motivo do castigo divino iminente. No capítulo 23, ele apresenta uma mensagem de Deus que mostra a diferença entre o Pastor verdadeiro e fiel e os maus pastores que maltrataram as ovelhas do Senhor. Os líderes do povo de Deus, principalmente os reis, sacerdotes e os profetas, foram extremamente negligentes e irresponsáveis na conduta moral e espiritual do povo de Israel. Eles perderam o senso de responsabilidade diante de Deus e fizeram com que as ovelhas (o povo de Israel) ficassem sem orientação. Quando os líderes são contaminados, o rebanho segue pelo mesmo caminho. Citamos como exemplo o rei Manasses que aproveitou a liderança que tinha e conduziu o povo à idolatria, e esta resultou no exílio, pois o povo não a abandonou, apesar de Deus ter dado tempo para que se arrependessem, mas eles não queriam ouvir a voz do Senhor, preferindo o engano dos falsos profetas (23:9-12). Eles eram movidos pela avareza e usavam o poder, que lhes fora conferido pelo Senhor, para legislar em causa própria. Deixavam-se subornar (22:17), extorquiam dinheiro das pessoas (22:17) e defraudavam o próximo para obter vantagens (22:13,14). O "direito e a justiça" não eram estabelecidos, e o povo cada vez mais se atolava no lamaçal do pecado. Essa é a lição que Deus mostra a Jeremias no início do capítulo 23: aqueles que pastoreiam ou cuidam do rebanho devem fazê-lo de forma que as ovelhas sejam tratadas como ovelhas do Senhor.

I. O QUE É UM PASTOR

Conforme o texto de 1Pedro 5:1-4, podemos dizer que, em termos eclesiásticos, Pastor é aquele que supervisiona o rebanho; ou melhor, ele é um mordomo do Senhor, por isso deve guardar cada uma das ovelhas que lhe confiou o Sumo Pastor. Sua função principal é conduzir os santos ao Senhor Jesus, dispensando a estes os meios da graça.
Como bem diz o reverendo Hernandes Dias Lopes, ser pastor é estar disposto a investir a vida na vida dos outros sem receber o devido reconhecimento. Ser pastor é amar sem esperar a recompensa, é dar sem esperar receber de volta. Ser pastor é saber que o seu galardão não lhe é dado aqui, mas no Céu. Creio que ser pastor é um grande privilégio. Nenhuma posição na terra deveria seduzir o coração de um pastor a desviar-se do seu foco ministerial. Ser embaixador de Deus é melhor do que ser embaixador da nação mais poderosa da Terra. Charles Spurgeon dizia para os seus alunos: "Filhos, se a rainha da Inglaterra vos convidar para serdes embaixadores em qualquer lugar do mundo, não vos rebaixeis de posto, deixando de serdes embaixadores do Céu”. Hoje, vemos muitos pastores deixando o ministério para serem vereadores, deputados ou senadores da República. Trocam o seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas. Isso é um equívoco e uma troca infeliz. Muito embora a vocação civil também seja uma sacrossanta vocação, aquele que Deus chamou para o ministério não deve desviar sua atenção com outros afazeres, ainda que dentre os mais nobres.


1. Obrigações do pastor. A principal obrigação do pastor é pastorear. Mas, o que é pastorear?


a) é alimentar o rebanho de Deus com a Palavra de Deus. Não nos cabe prover o alimento, mas oferecer o alimento. O alimento é a Palavra. Reter a Palavra ao povo de Deus é um grave pecado.

Infelizmente, vivemos dias difíceis. Dias em que é notório o abandono do ensino da Palavra de Deus nas igrejas. Muitos dentre os crentes se dizem ser, como nos afirmam as Escrituras, terão comichões nos ouvidos e não sofrerão mais a sã doutrina (2Tm.4:3), ou seja, não quererão se dobrar aos ensinos da Palavra de Deus e os distorcerão, a fim de poderem praticar os seus pecados, construindo para si doutores que justifiquem seus pecados e iniquidades. São dias difíceis, mas nós, que conhecemos a Palavra, que fomos ensinados na boa doutrina, sabendo que estas coisas iriam mesmo acontecer, só devemos ser cautelosos e, sobretudo, submissos aos ensinos do Senhor, pois o ensino da Palavra de Deus é essencial para o crescimento espiritual do cristão.


Que os pastores jamais esqueçam deste conselho de Bernard Ramm: “A tarefa fundamental de um pastor, na pregação, não é ser brilhante ou profundo, mas é ministrar a verdade de Deus”.

b) é proteger o rebanho de Deus dos lobos vorazes. Poucos animais são tão indefesos como as ovelhas. Com pouca defesa contra inimigos naturais, pouco senso de direção e nenhuma capacidade para encontrar seu próprio alimento, elas são muito dependentes do pastor para prover suas necessidades. No tempo em que não havia cercas, os pastores de ovelhas tinham que ficar com elas no deserto, algumas vezes durante meses de uma só vez. O pastor tinha que providenciar para as ovelhas tudo que elas não podiam providenciar para si mesmas. Ele procurava pastos verdes onde as ovelhas pudessem encontrar comida (1Crônicas 4:39-40) e as conduzia gentilmente para lá, sempre cuidadoso com as que estavam com filhotes (Isaías 40:11). Ele as protegia até com sua própria vida. O jovem Davi relatou a Saul como tinha arrancado um cordeiro da boca de um leão e de um urso (1Sm 17:34-37).

Paulo alertou para o fato dos pastores estarem vigilantes para que os lobos vorazes não penetrem no meio do rebanho. Jesus, também, fez o mesmo alerta: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mt 7:15).


c) é apascentar o rebanho de Deus. O pastor é alguém que convive com a ovelha. Está perto. Leva para os pastos verdes as famintas; às águas tranquilas as sedentas; atravessa os vales escuros dando segurança à ovelha que está insegura e carrega a fraca no colo; resgata a que caiu no abismo; disciplina aquela que põe em risco a vida do rebanho.
2. A excelência com que o pastor deve exercer o seu pastorado - E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência(Jr 3:15). Destacamos duas verdades importantes:


a) O pastor deve apascentar o rebanho de Deus com conhecimento. O pastor é um estudioso. Ele precisa conhecer a Palavra, alimentar-se da Palavra e pregar a Palavra. Aliás, a recomendação de Paulo é que “[...] o bispo seja [...] apto para ensinar” (1Tm 3:2). A vida do ministro está indissociavelmente vinculada ao ensino e à observância da sã doutrina (1Tm.1:3,10; 4:6,16; 5:17; 6:1,3; 2Tm.4:2,3; Tt.2:1,7,10). Paulo diz que devem ser considerados dignos de redobrados honorários aqueles que se afadigam na Palavra (1Tm 5:17).

Ao longo de todo o livro de Atos dos Apóstolos e das epístolas paulinas, vemos que havia um esforço todo especial por parte do Apóstolo Paulo para que as igrejas locais por ele fundadas sempre dessem proeminência à Palavra do Senhor. Eram igrejas onde a doutrina tinha o primeiro lugar e, não sem motivo, igrejas espiritualmente abundantes, onde o avivamento era uma realidade patente. Muitas são as passagens onde vemos o zelo e o cuidado dos apóstolos em ensinar a Palavra ao povo, em que o povo de Deus perseverasse na doutrina. A razão do crescimento da igreja primitiva foi a cuidadosa exposição da palavra de Deus: “Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia” (At. 19.20).

b) O pastor deve apascentar o rebanho de Deus com inteligência. Isso significa apascentar o rebanho de Deus com sabedoria e sensibilidade. Sabedoria é usar o conhecimento para os melhores fins. Precisamos tratar as ovelhas de Deus com ternura. Paulo diz que o pastor é como um pai e também como uma mãe (1Tess 2:7-12). O pastor chora com os que choram e festeja com os que estão alegres. O pastor trata cada ovelha de acordo com sua necessidade, com seu temperamento, com seu jeito peculiar de ser. Ele é dócil com as crianças como foi Jesus, que as pegou no colo. Ele trata os da sua idade como a irmãos e aos mais velhos como a pais. Uma coisa é amar a pregação, outra coisa é amar as pessoas para quem pregamos.

3. A vocação do Pastor. A vocação para o ministério pastoral é um chamado específico de Deus, conjugado por uma necessidade urgente e uma capacitação especial. Há muitos pastores que jamais foram chamados por Deus para o ministério. Eles são voluntários, mas não vocacionados. Entraram pelos portais do ministério por influências externas, e não por um chamado interno e eficaz do Espírito Santo. Foram motivados pela sedução do status ministerial ou foram movidos pelo glamour da liderança pastoral, mas jamais foram separados por Deus para esse mister.


Há aqueles que entram no ministério com a motivação errada. Abraçam o ministério por causa do lucro; outros, por causa da fama. Outros ainda, por acomodação. Há aqueles que tentam vestibular para medicina, direito, engenharia e, por não lograrem êxito, chegam à conclusão de que Deus os está chamando para o ministério. Mas, vocação é quando você tem todas as outras portas abertas, mas só consegue enxergar a porta do ministério. Vocação é como algemas invisíveis; você não pode fugir permanentemente desse chamado.
O profeta Jeremias tentou desistir do seu ministério, mas isso foi como fogo em seus ossos. Paulo diz que aquele que aspira ao episcopado, excelente obra almeja (1Tm 3:1).

O pastoreado é uma obra, e uma obra excelente. Não é uma obra para gente preguiçosa, mas uma obra que exige todo esforço, todo empenho e todo zelo.

Há pastores que estão mais interessados no dinheiro das ovelhas do que na salvação delas. Há pastores que negociam o ministério, mercadejam a Palavra e transformam a igreja em um negócio lucrativo. Há pastores que organizam igrejas como uma empresa particular, onde prevalece o nepotismo. Transformam o púlpito em uma praça de negócios, e os crentes em consumidores. São obreiros fraudulentos, gananciosos, avarentos e enganadores. São amantes do dinheiro e estão embriagados pela sedução da riqueza. Há pastores que mudam a mensagem para auferir lucros. Pregam prosperidade e enganam o povo com mensagens tendenciosas para abastecer a si mesmos.


Hoje estamos assistindo ao fenômeno da mercadologia da fé. Pastores e mais pastores estão se desvinculando da estrutura eclesiástica e rompendo com suas denominações para criar ministérios particulares, em que o líder se torna o dono da igreja. A igreja passa a ser uma propriedade particular do pastor. O ministério da igreja torna-se um governo dinástico, em que a esposa é ordenada, e os filhos são sucessores imediatos. Não duvidamos de que Deus chame alguns para o ministério específico em que toda a família esteja envolvida e engajada no projeto, mas a multiplicação indiscriminada desse modelo é deveras preocupante. Estamos vivemos uma época parecida com a de Jeremias. Deus abominou as atitudes dos pastores de Israel e, certamente, aborrece as atitudes mercenárias de inúmeros pastores dos dias de hoje que ludibriam o rebanho com falsas mensagens e mentiras.

II. OS PASTORES DE ISRAEL

No período do Antigo Testamento, todos os que tinham responsabilidades de lideranças, como os profetas, os sacerdotes e os reis, eram considerados pastores do povo de Israel. Quanto ao Rei, a sua missão era aconselhar e guiar o povo de Deus (1Sm 9:16; ler Dt17:14-20); quanto ao Sacerdote, sua missão era santificar o povo, oferecer sacrifícios pelo povo e interceder pelos transgressores (Hb 5:1-3; ler Lv 10:8-11; 16; 21:1-24); quanto ao Profeta, sua missão era preservar o conhecimento e manifestar a vontade do único e verdadeiro Deus (Ez 2:1-10; ler Dt 18:20-22).

Uma vez o povo instalado em Canaã esses líderes foram infiéis à missão que Deus lhes entregou; maltrataram, em vez de cuidarem das ovelhas do Senhor. Deus ficava furioso com esses pastores relapsos e pedia-lhes severas contas pelo sofrimento que infligiam às ovelhas que lhes confiou.

Veja a bela declaração de amor do Pastor apaixonado por suas ovelhas, descrita por Jeremias no capítulo 23:1-6. Veja também Ezequiel 34:2-31. Em nome deste amor, Deus se indigna contra os pastores que não respeitam as ovelhas que lhe foram confiadas. Não as respeitam porque não as amavam -1. Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor. 2. Portanto, assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e delas não cuidastes; eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas ações, diz o Senhor. 3. E eu mesmo recolherei o resto das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão e se multiplicarão. 4. E levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e nunca mais temerão, nem se assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o Senhor”(Jr 23:1-4).


Deus falou aos líderes de Judá que eles eram culpados de negligenciar e maltratar o rebanho dele. Preste atenção nos verbos que ele usa para descrever a conduta destes pastores: destruir, dispersar, afugentar e não cuidar. Pastores devem juntar, alimentar, cuidar, guiar e proteger. Mas, os pastores de Israel faziam tudo ao contrário! Uma coisa marcante neste parágrafo é a maneira que Deus fala do rebanho. Ele o descreve como “o meu povo”, “as ovelhas do meu pasto” e “as minhas ovelhas”. A linguagem dele mostra o problema raiz do comportamento errado dos líderes. Eles não amavam o povo como Deus o amava! Para eles, ser pastor era uma posição de destaque, honra e privilégio. Para Deus, ser pastor era uma posição de responsabilidade, sacrifício e amor.


Hoje, ainda há muitos que olham para o cargo de pastor como uma posição de honra a ser cobiçada. Buscam o destaque e desejam a honra diante dos homens. Ao invés de agir humildemente como pastores no rebanho local (veja 1Pedro 5:1-3), apresentam-se em todo lugar com o “título” de pastor. Em outras palavras, “Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens” (Mt 23:6-7). Tais pastores não cuidam do rebanho como devem.


Veja, também, o que Deus diz através do profeta Ezequiel contra os pastores infiéis de Israel, isto é, seus reis, sacerdotes e profetas: 2. Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores: Assim diz o Senhor Jeová: Aí dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? 3. Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. 4. A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. 5. Assim, se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam. 6. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque” (Ez 34:2-6).


Nota-se que as palavras do Senhor dirigidas aos líderes de Israel são de condenação absoluta desde o começo: "Ai dos pastores de Israel". Aqueles homens achavam que as posições que ocupavam eram tão dignificadas que os tornavam, automaticamente, isentos e imunes a toda e qualquer forma de crítica. Não entendiam que as posições que ocupavam, bem como as funções executadas por eles, realmente, não os isentavam de ter que admitir seus erros, de ter que confessar seus pecados e de sofrer as graves consequências dos juízos de Deus, caso não se arrependessem. Estas palavras, realmente duras da parte do Senhor, são motivadas pelo fato de que os pastores não são "donos" do rebanho de Deus e por este motivo não podem tratar o rebanho de Deus de qualquer maneira e de forma abusiva. Pastores, como diz o apóstolo Pedro, não passam de cooperadores submetidos ao Senhor Jesus que é chamado de Supremo Pastor (ver 1Pedro 5:4).


Deus, certamente, tratará com firmeza aqueles que não viverem à altura dos compromissos assumidos como pastores e servos a serviço do povo de Deus. Ele diz: “Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor” (Jr 23:1). Porque somos ovelhas do pasto do Senhor, e Ele se mostra aborrecido quando somos maltratados por aqueles que deveriam realmente cuidar de nós.

III. ISRAEL FOI DESTRUÍDO POR LHE FALTAR VERDADEIROS PASTORES

A denúncia de Jeremias, no capítulo 23, dos maus pastores é uma predição do fim da nação de Judá, pois os líderes são aqueles que conduziram a nação a esse lugar de destruição. Eles, ao invés de anunciarem ao povo a Palavra de Deus, e conduzi-lo de conformidade com os preceitos divinos, desviaram-no com suas mentiras e falsidades.


Nota-se através dos versículos 9 a 10 que Jeremias sentiu-se esmagado com o que estava acontecendo dentre os líderes religiosos dos seus dias: “O meu coração está quebrantado dentro de mim; todos os meus ossos estremecem; sou como um homem embriagado” (23:9). Apesar da maldição da seca com suas consequentes catástrofes, o povo era flagrantemente imoral - “A terra está cheia de adultério” (23:10). Quando o profeta viu essas condições à luz do caráter de Deus e sua Palavra santa, ele foi dominado por tristeza e dor.
Jeremias não perde tempo para chegar à verdadeira causa dessa situação: tanto os profetas como os sacerdotes estão contaminados (Jr 23:11). Esses homens que deveriam estar reverenciando a Deus e todas as coisas santas eram culpados de sacrilégio; “até na minha casa achei sua maldade, diz o Senhor”. Eles lidavam com as coisas sagradas de maneira irreverente. Mas Deus não aceita essa falta de temor dos líderes, e lhes diz: “... porque trarei sobre eles mal...” (23:12).


O Reino do Norte tinha sido abertamente apóstata. Em Samaria, os profetas profetizaram da parte de Baal loucamente e fizeram errar o povo de Israel (Jr 23:13), e essa foi a causa principal de Israel ir para o exílio. Mas Judá tinha sobrepujado em muito a Israel em sua maldade. Os profetas em Jerusalém eram culpados dos tipos de pecados mais depravados: “cometeram adultérios, e andam com falsidade... eles têm-se tornado para mim como Sodoma, e os moradores dela, como Gomorra” (Jr 23:14). A capital de Judá era um “sumidouro” de perversidade moral. E, pior de tudo, esses líderes religiosos pareciam permanentemente enraizados em seus caminhos perversos.


A profanação, no entanto, tornou-se a semente de ruína e morte: “o caminho deles será como lugares escorregadios nas trevas” (23:12, NVI). Além do mais, “diz o Senhor [...]: Eis que darei a comer alosna, e lhes farei beber [...] fel” (23:15). Essa é a forma bíblica de dizer que seu fim será repleto de desgraça e pesar.

Mas, nas suas declarações em relação ao fim da nação, o profeta também nos apresenta um vislumbre do que vem “após o juízo”. Ele parece dar por certo que o propósito redentor de Deus no juízo será cumprido e que um dia melhor está por vir. Deus não se limita a julgar os maus pastores, mas diz que Ele mesmo recolherá o resto das suas ovelhas que haviam sido afugentadas para outros lugares, faria com que frutificassem e lhes daria pastores responsáveis. Isso porque Deus é o maior interessado em sua obra e em suas ovelhas. Há os pastores chamados e os chamados pastores, e o Senhor conhece na liderança quem é quem. Ele deu pastores à Igreja, que devem cuidar do rebanho não como se fossem seu, mas do Senhor, e devem conduzi-lo de acordo com as Sagradas Escrituras, levando a Igreja a uma vida de santificação e de pureza.


IV. OS DEVERES DAS OVELHAS

Pastores qualificados e dedicados merecem o respeito e apoio das ovelhas por eles guiadas. Paulo disse: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1Tm 5:17). O autor de Hebreus nos ensina: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hb 13:17). Portanto, homens fiéis que amam a Deus e aceitam a responsabilidade de ajudar seus irmãos chegarem ao céu devem ser tratados com respeito e apreço.


CONCLUSÃO


As ovelhas do Senhor devem ser bem cuidadas, adequadamente alimentadas e diligentemente protegidas. Elas foram compradas com o próprio sangue de Cristo. Desta feita, elas são de imensurável valor, e não podem ficar expostas a nenhum capricho ou descuidos de quem quer que seja. O apóstolo Paulo adverte a todos os pastores que lideram o rebanho do Senhor: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (Atos 20:28). Jesus nos deixou um grande exemplo. O seu cuidado pastoral é extremo, a ponto de dar a sua vida por nós. Ele disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10b).

 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

JÓ E A INESCRUTÁVEL SABEDORIA DE DEUS

 



JÓ E A INESCRUTÁVEL SABEDORIA DE DEUS

Na Bíblia, inescrutável significa algo que não pode ser totalmente investigado, compreendido ou desvendado pela mente humana.

Deriva do latim scrutari (escutar/investigar) com o prefixo de negação. Refere-se à infinita grandeza de Deus e aos mistérios divinos que ultrapassam a nossa capacidade de raciocínio.

Texto Bíblico: Jó 28:1-28                                                                     

 “Mas disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência” (Jó 28:28).

Jó 28:

1.Na verdade, há veios de onde se extrai a prata, e, para o ouro, lugar em que o derretem.

2.O ferro tira-se da terra, e da pedra se funde o metal.

3.O homem pôs fim às trevas e até à extremidade ele esquadrinha, procurando as pedras na escuridão e na sombra da morte.

4.Trasborda o ribeiro até ao que junto dele habita, de maneira que se não pode passar a pé; então, intervém o homem, e as águas se vão.

5.A terra, de onde procede o pão, embaixo é revolvida como pôr fogo.

6.As suas pedras são o lugar da safira e têm pós de ouro.

7.Essa vereda, a ignora a ave de rapina, e não a viram os olhos da gralha.

8.Nunca a pisaram filhos de animais altivos, nem o feroz leão passou por ela.

9.Ele estende a sua mão contra o rochedo, e revolve os montes desde as suas raízes.

10.Dos rochedos faz sair rios, e o seu olho descobre todas as coisas preciosas.

11.Os rios tapa, e nem uma gota sai deles, e tira para a luz o que estava escondido.

12.Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência?

13.O homem não lhe conhece o valor; não se acha na terra dos viventes.

14.O abismo diz: Não está em mim; e o mar diz: Ela não está comigo.

15.Não se dará por ela ouro fino, nem se pesará prata em câmbio dela.

16.Nem se pode comprar por ouro fino de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira.

17.Com ela se não pode comparar o ouro ou o cristal; nem se trocará por joia de ouro fino.

18.Ela faz esquecer o coral e as pérolas; porque a aquisição da sabedoria é melhor que a dos rubis.

19.Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode comprar por ouro puro.

20.De onde, pois, vem a sabedoria, e onde está o lugar da inteligência?

21.Porque está encoberta aos olhos de todo vivente e oculta às aves do céu.

22.A perdição e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama.

23.Deus entende o seu caminho, e ele sabe o seu lugar.

24.Porque ele vê as extremidades da terra; e vê tudo o que há debaixo dos céus.

25.Quando deu peso ao vento e tomou a medida das águas;

26.quando prescreveu uma lei para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões,

27.então, a viu e a manifestou; estabeleceu-a e também a esquadrinhou.

28.Mas disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência.

O capítulo 28 do Livro de Jó é frequentemente chamado de "O Hino à Sabedoria". Ele funciona como um interlúdio poético e reflexivo, posicionando-se após os intensos debates entre Jó e seus três amigos e antes da defesa final de Jó.

Neste trecho, o autor interrompe a discussão sobre o sofrimento humano para abordar uma questão teológica central: a natureza transcendente da sabedoria de Deus em contraste com a limitação humana.

1. A Procura Humana e a Tecnologia (Versículos 1–11)

Jó inicia descrevendo a extraordinária capacidade do ser humano de explorar a terra. Ele detalha a mineração, onde o homem perfura as profundezas, traz à luz metais preciosos (prata, ouro, ferro) e domina a natureza, mesmo em lugares onde a luz do sol nunca alcançou.

  • O contraste: O ser humano é capaz de desvendar segredos geológicos profundos, dominando o mundo físico através da inteligência e do esforço.

2. A Inalcançabilidade da Sabedoria (Versículos 12–22)

Apesar dessa engenhosidade técnica, Jó lança a pergunta fundamental: "Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar do entendimento?"

Ele utiliza uma linguagem poética para demonstrar que a sabedoria não é uma "commodity" que pode ser minerada ou comprada:

  • Não está no mercado: Nem o ouro de Ofir, nem o ônix, nem as pedras preciosas podem comprá-la.
  • Não está na natureza: O abismo diz: "Não está em mim"; o mar diz: "Não está comigo".
  • O mistério: Nem mesmo a Morte ou o Além (Abadom) conhecem o seu paradeiro final. A sabedoria está escondida aos olhos de todos os viventes.

3. A Sabedoria Pertence a Deus (Versículos 23–27)

O clímax do capítulo revela que a sabedoria não é algo que o ser humano "descobre" por mérito intelectual; ela é uma posse exclusiva de Deus.

  • A Onisciência Divina: Deus entende o caminho da sabedoria. Ele vê até os confins da terra e contempla tudo o que há debaixo dos céus.
  • A Criação: Quando Deus criou o mundo, Ele estabeleceu as leis da física (o peso para o vento, as medidas para as águas) e, ao mesmo tempo, Ele a observou, estabeleceu e sondou. A sabedoria está intrinsecamente ligada à criação e ao governo do universo.

4. A Conclusão Prática: O Temor do Senhor (Versículo 28)

O capítulo encerra com uma definição prática e teológica da sabedoria para o ser humano:

"E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é o entendimento."

Esta conclusão é o divisor de águas do capítulo. Jó argumenta que:

  1. Limitação Humana: Como o ser humano não possui a visão panorâmica de Deus, ele não pode compreender todos os Seus caminhos (incluindo o porquê do sofrimento).
  2. A Resposta é Ética: Se a sabedoria suprema é inacessível à mente humana, a "sabedoria possível" para o homem é o temor do Senhor. Ou seja, a confiança em Deus e uma vida de retidão (apartar-se do mal) valem mais do que qualquer tentativa de explicar intelectualmente os mistérios divinos.

Reflexão

O capítulo 28 é uma lição de humildade intelectual. Jó admite que, embora o homem possa ser tecnologicamente avançado e capaz de desvendar muitos segredos da terra, a sabedoria moral e o propósito dos eventos da vida (especialmente o sofrimento) permanecem sob a soberania de Deus. A verdadeira sabedoria não é a explicação teórica, mas a postura de reverência e obediência diante do Criador.

INTRODUÇÃO

No estudo do Livro de Jó, falaremos a respeito da “inescrutável sabedoria de Deus”. Teremos como texto base o capítulo 28 de Jó. Neste capítulo, Jó mais uma vez questionou a fonte da sabedoria de Elifaz, Bildade e Zofar, pois suas respostas não passavam de uma exposição filosófica que nada tinha a ver com as verdades profundas de Deus.

Muitas pessoas estão em busca da verdade e outras já desistiram de buscar, há bastante tempo. O problema da humanidade é que ela tem buscado a verdade em lugares que não a apresentarão de maneira satisfatória, como a filosofia natural e a ciência sem Deus, por exemplo. O ser humano é capaz de tantas coisas, mas não de encontrar sabedoria. Jó descreveu a incrível capacidade humana de cavar a terra, remover montanhas e atravessar rochas em busca de tesouros, mas não tem habilidade alguma de encontrar a sabedoria de Deus. Jó encerra o capítulo 28 com uma afirmação muito comum no livro de Provérbios, dizendo que a sabedoria está em temer ao Senhor (Jó 28:28). Temer ao Senhor não é ter medo dele, mas demonstrar a Ele reverência. A motivação para um filho obedecer a seu pai deve ser o respeito e o amor a ele, mais do que o medo de ser castigado. Portanto, segundo as Escrituras Sagradas, uma pessoa sábia não é aquela que domina vários idiomas e dialetos, não é a que tem mais habilidade de ler livros e absorver conhecimento, não é aquela conhecedora exímia de filosofia, não é aquela que possui profundo conhecimento de teologia, não é aquela que possui profundo conhecimento da literatura nacional e mundial, não. Segundo as Escrituras, a pessoa sábia é aquela que tem o temor do Senhor - “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Sl.111:10; Pv.9:10).

I. A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM NATURAL


1. O empenho na busca da sabedoria

Em Jó 28:1-14 o autor contrasta o árduo trabalho do homem na busca por bens preciosos nas entranhas da terra com a busca pela sabedoria. Jó esquece suas feridas e todas as suas angústias, e fala como um filósofo. Neste discurso há uma grande dose de filosofia moral e, também, natural. Aqui, Jó discorre a respeito da riqueza terrena, e quão diligentemente ela é buscada e perseguida pelos filhos dos homens, os esforços que eles fazem, os planos que elaboram, e os riscos que correm para obtê-la (Jó 28:1-11). Assim como o profissional do minério usa diligentemente a tecnologia na busca de metais preciosos, também ele deve empreender um grande esforço para encontrar a Sabedoria; o seu preço é muito elevado, é de valor inestimável (Jó 28:15-19). Os tesouros existem, mas estão enterrados; a Sabedoria existe, é um bem mui precioso, mas o seu lugar é extremamente secreto (Jó 28:14,20,22); é necessário grande empenho para alcançá-la.

2. Como quem explora o minério, assim o homem faz com a Sabedoria

O narrador expõe a diligência do homem na exploração do minério nas entranhas da terra (Jó 28:3-11). O homem vai até o fundo da terra (Jó 28:2) para descobrir metais e pedras preciosas. Para colocar um “fim às trevas” (Jó 28:3), os habilidosos na mineração vão até as profundezas da terra como se fossem luz. As minas geralmente são locais de difícil acesso e de pouca iluminação, por isso, há a necessidade de se abrir caminho e colocar luz artificial. Por meio da diligência e invenção deles, podem encontrar o tesouro escondido – “as pedras na escuridão” (Jó 28:3-5).

3.O homem pôs fim às trevas e até à extremidade ele esquadrinha, procurando as pedras na escuridão e na sombra da morte.

4.Trasborda o ribeiro até ao que junto dele habita, de maneira que se não pode passar a pé; então, intervém o homem, e as águas se vão.

5.A terra, de onde procede o pão, embaixo é revolvida como pôr fogo.

Entende-se aqui que aqueles que trabalham nas minas procuram os limites dos lugares escuros, aventurando-se nos recônditos mais remotos para obter minério; eles cavam poços profundos nos vales, em lugares remotos, raramente visitados por alguém, e descem neles, pendurados em cordas que oscilam para frente e para trás. Da terra o homem obtém o pão de cada dia, mas debaixo da superfície a terra é revolvida como pôr fogo (Jó 28:5).

A atividade e a engenhosidade do homem são maravilhosas, mas em todo esse empreendimento a “sabedoria” (Jó 28:12) não é descoberta. Ter conhecimento técnico profundo para explorar pedras preciosas não significa ter Sabedoria de Deus, pois ela não se acha na terra dos viventes” (Jó 28:13); ela não se encontra no abismo nem no mar (Jó 28:14). Por mais extraordinária que a exploração e a descoberta humana possam parecer, as pessoas não conseguem nem mesmo começar a sondar a sabedoria divina. As mentes humanas mais privilegiadas não conseguem descobri-la ou explorá-la. Os amigos de Jó tentaram, diligentemente, examinar o sábio entendimento de Deus acerca da situação de Jó, mas não obtiveram êxito; a Sabedoria suprema sempre permanece elusiva e além da compreensão humana.

3. De onde vem a Sabedoria?

Jó reconhece que a sabedoria está oculta a todos os seres da terra, mesmo às aves do céu, que podem enxergar longe, do alto (Jó 28:21). Jó demonstrou que o homem tem sido exitoso no seu trabalho de exploração de minérios, porém, incapacitado na “escavação da sabedoria”; tem procurado, mas não encontrado. Por que isso? Porque a verdadeira Sabedoria está escondia em Deus, e é Ele quem a revela; ela é dádiva de Deus (Pv.2:6).

“Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem o conhecimento e o entendimento”.

A verdadeira Sabedoria, portanto, não se recebe nos bancos de uma escola, universidade, nem se aprende com a leitura de bons livros. Sabedoria não é um dote natural, é um dom exclusivo de Deus; emana das alturas; procede do Céu. Existe uma sabedoria terrena, mas não é sobre essa Sabedoria que estamos aqui tratando. Estamos tratando da Sabedoria divina, a Sabedoria que vem do Céu; essa deve ser desejada e pedida; deve ser buscada como buscamos a prata e o ouro.

Aqueles que pedem a Deus sabedoria, esses a recebem (Tg.1:5). Só Deus concede esse dom. Só de Deus procede essa boa dádiva. Da boca de Deus emanam a inteligência e o entendimento. A compreensão da vida e o discernimento dos propósitos da existência são o resultado de conhecermos a Deus. Aqueles que andam com Deus são sábios. Aqueles que amam a Deus têm inteligência e compreensão para discernir entre o bem e o mal, para separar o precioso do vil. É da boca de Deus, ou seja, de Sua Palavra, que procede a verdadeira compreensão acerca de Deus e da humanidade, do tempo e da eternidade, da vida e da morte. Aqueles que se apartam dos preceitos divinos entregam-se a estultícia, mas aqueles que se dedicam a conhecê-los e ensiná-los experimentam segurança e deleite, tanto no tempo presente como na eternidade. (1)

A Sabedoria somente se manifesta de forma prática na vida dos homens através do temor do Senhor. Como já frisei, a pessoa sábia é aquela que tem o temor do Senhor - “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Sl.111:10; Pv.9:10). Portanto, a Sabedoria é relacional. Este foi um testemunho que o próprio Deus já havia dado sobre Jó. Ao contrário de seus amigos, ele vivia a sabedoria divina.

Temer a Deus, portanto, é conhecê-lo, honrá-lo, obedecer-lhe. Temer a Deus é colocar os pés na estrada da santidade e beber das torrentes da felicidade. Quando tememos a Deus, nossos dias são dilatados na terra e somos poupados de muitas aflições. O temor ao Senhor é o grande freio moral que nos protege das propostas sedutoras do enriquecimento ilícito e nos blinda da sedução perigosa das aventuras sexuais. O temor ao Senhor nos afasta dos caminhos escorregadios e firma os nossos passos nas veredas da justiça. O temor ao Senhor nos desvia de companhias erradas e de lugares errados.

II. A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM COMERCIAL

1. O preço da Sabedoria

Assim como aqueles que trabalham nas minas tem um esforço hercúleo para conseguir o que quer, também os que buscam a Sabedoria que vem de Deus precisam pagar um alto preço de sacrifício e devotamento. Segundo Jó, a Sabedoria vinda de Deus não tem um preço tangível que se possa oferecer para adquiri-la, o seu valor é incalculável; é patrimônio exclusivo de Deus, por isso, não pode ser transmitida. Portanto, o caminho da Sabedoria não pode ser encontrado tão facilmente. Como afirma Jó, a Sabedoria não está na terra ou no mar e não pode ser comprada ou avaliada, pois seu valor excede o precioso ônix, a safira e até mesmo o ouro puro (Jó 28:12-19).

12.Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência?

13.O homem não lhe conhece o valor; não se acha na terra dos viventes.

14.O abismo diz: Não está em mim; e o mar diz: Ela não está comigo.

15.Não se dará por ela ouro fino, nem se pesará prata em câmbio dela.

16.Nem se pode comprar por ouro fino de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira.

17.Com ela se não pode comparar o ouro ou o cristal; nem se trocará por joia de ouro fino.

18.Ela faz esquecer o coral e as pérolas; porque a aquisição da sabedoria é melhor que a dos rubis.

19.Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode comprar por ouro puro.

2. O valor da Sabedoria

“O homem não lhe conhece o valor; não se acha na terra dos viventes” (Jó 28:13).

Jó declarou que a Sabedoria não pode ser encontrada entre os viventes. É natural que as pessoas que não compreendem a importância da Palavra de Deus busquem sabedoria neste mundo. Elas procuram filósofos e outros mestres do saber que lhes forneçam direção para a vida. Por este motivo, Jó afirmou que a Sabedoria não é encontrada ali. Lamentavelmente, o homem ainda não aprendeu o verdadeiro valor da Sabedoria nem onde encontrá-la e que, por isso, acredita ser fácil adquiri-la. Nenhum mestre ou grupo de mestres pode produzir conhecimento ou percepção suficientes para explicar a totalidade da experiência humana. A interpretação definitiva da vida, de quem somos e para onde vamos, precisa vir de cima. Quando buscamos orientação, procuramos a Sabedoria de Deus como revelada na Bíblia. Para sermos elevados além dos limites da vida, precisamos conhecer e confiar no Senhor da vida.

Salomão, na sua cosmovisão, falando do valor da sabedoria, disse: “Porque melhor é a Sabedoria do que joias e, de tudo o que se deseja, nada se pode comparar com ela” (Pv.8:11). O ser humano corre sofregamente atrás de prata, ouro, joias e riquezas. Investe seu tempo, usa sua energia, devota sua inteligência e emprega seus talentos para amealhar riquezas. Muitos chegam a alcançar sucesso nessa empreitada, porém abandonam os destroços de sua busca insaciável. Há aqueles que destroem o casamento e a família para atingirem o topo da pirâmide social; acumulam bens, mas perdem a família; ajuntam tesouros, mas perdem a alma.

A Sabedoria divina nos adverte: o conhecimento é melhor do que o ouro escolhido; a Sabedoria é melhor do que joias. Nada neste mundo, nem as riquezas nem os prazeres, pode ser comparado à sabedoria. O néscio ajunta tesouros julgando que essa riqueza lhe dará felicidade e segurança; porém, esses tesouros acabam se transformando no combustível de sua própria destruição. Quando alguém busca conhecimento e sabedoria em vez de correr atrás de prata, ouro e joias, encontra segurança, felicidade e riqueza. (2)

Infelizmente, hoje, o mundo tem muito conhecimento, porém, pouca sabedoria. Somos considerados a sociedade do conhecimento. Avançamos em ciência, tecnologia e comunicação. Temos satélites e a internet, e sabemos que muito mais novidade vem por aí. O mesmo conhecimento que nos trouxe conquistas e conforto, trouxe-nos guerras e morte. Tanto não alcançamos felicidade pelo livre e pleno exercício da razão, como multiplicamos alternativas emocionais, hedonistas, utilitárias e egocêntricas para a vida comum. Distanciamo-nos uns dos outros; estranhamo-nos; isolamo-nos. Nossos índices de drogadição, alcoolismo, acidentes de trânsito, conflitos e dissoluções familiares aumentaram drasticamente.

Diante desse quadro, eis uma conclusão: temos muito conhecimento, mas pouca sabedoria. Conhecimento é domínio da informação que se refere ao objeto de interesse; sabedoria é a capacidade de utilizar o conhecimento em prol da vida e dos relacionamentos. O sábio não é, necessariamente, aquele que tem muito conhecimento, mas aquele que canaliza adequadamente para as ações e decisões do dia a dia todo o conhecimento que tem. Assim, um morador da periferia, um profissional artesanal, um administrador de negócio próprio sem formação acadêmico, uma dona de casa ou um jovem que trabalha no campo pode ser mais sábio que um doutor ou um professor universitário. Com certeza, nossa geração é a geração do conhecimento, mas carece de uma sabedoria que a ajude a encontrar veredas de vida e paz. (3)

3. A Sabedoria não é um bem comercial

Jó afirmou que a Sabedoria não é um bem comercial, e que o seu valor é inestimável e só quem pode concedê-la é Deus; portanto, não pode ser encontrada em qualquer lugar. Ela é o tesouro mais precioso do que ouro puro (Jó 28:19). Deve ser desejada mais do que a prata e o ouro refinado. Deve ser buscada mais do que o sucesso. É um bem que deve ser mais cobiçado do que a riqueza. Muitos desprezam a Sabedoria como se ela não fosse desejável; preferem os prazeres, cobiçam as riquezas, anseiam o sucesso; outros, mesmo tendo ouvido sobre o caminho excelente da sabedoria, apartam-se voluntária e afrontosamente dessa vereda; buscam caminhos mais sedutores; colocam os pés em estradas cercadas por mais aventuras; cobiçam coisas mais imediatas. O fim dessas escolhas insensatas, entretanto, é a decepção e o fracasso. É melhor ser um sábio pobre do que um rico tolo. É melhor ter Sabedoria do que ajuntar riquezas. É melhor obedecer aos preceitos de Deus do que deles se apartar.

III. A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM ESPIRITUAL

1. Uma Verdade revelada

Pergunta o narrador: “De onde, pois, vem a sabedoria, e onde está o lugar da inteligência?” (Jó 28:20). No capítulo 28:13-19, Jó fez um contraste entre o trabalho de um minerador e o de quem procura a sabedoria. Ao contrário de Bildade, que chama o ser humano de “verme”, Jó admite a inteligência e a destreza dos homens para minerar a terra. O sucesso humano na mineração é prova de sua inteligência e habilidade; apesar disso, o homem fracassou completamente em sua busca por Sabedoria. Também as riquezas deste mundo são incapazes de comprá-la, pois ela não é um bem comercial (Jó 28:13-19). Jó afirma que a Sabedoria está escondida dos olhos de todo vivente (Jó 28:21); ela não está no centro da terra, nem com os sábios, de forma que possa ser passada pela simples via da tradição ou do conhecimento. Somente Deus é capaz de doá-la (Jó 28:21-28). O abismo e a morte apenas ouviram falar dela. Deus, o Criador da natureza, é a origem da sabedoria, pois o Senhor lhe entende o seu caminho, e ele sabe o seu lugar. Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência” (Jó 28:23,28).

Contudo, a Sabedoria não é uma ideia abstrata, é uma Pessoa concreta. Não é uma pessoa meramente humana, mas a Pessoa divina. A Sabedoria é uma expressão eloquente do próprio Jesus, o Filho de Deus, que foi revelado na plenitude dos tempos (Gl.4:4). A Sabedoria faz soar sua voz, em tempo e fora de tempo, e em todos os lugares, a fim que todos conheçam sua mensagem. Sua mensagem é urgente e absolutamente vital. Tapar os ouvidos à voz da Sabedoria é caminhar para a morte e fazer uma viagem rumo ao desastre. Deus nos falou muitas vezes, de muitas maneiras, aos pais pelos profetas, mas agora ele nos fala pelo seu Filho, a Verdade revelada. Jesus é a Sabedoria de Deus; ouvir sua voz é viver; obedecer à sua voz é caminhar para a bem-aventurança eterna.

2. Uma Verdade prática

A Sabedoria não deve ser apenas sentida, ou contemplada, mas deve ser, principalmente, praticada. Ela deve ser uma realidade presente em nosso coração, e não apenas um vocábulo que está grafado nos dicionários. Nosso coração precisa ser a morada da Sabedoria. Ela precisa nos governar e ter todas as chaves da nossa vida. Não pode ser apenas uma inquilina sem autoridade de fazer as mudanças necessárias.

A Sabedoria precisa ser a dona da “casa”. Não pode ser apenas uma hóspede, que vem e vai embora, mas sim uma residente permanente. Quando a sabedoria é entronizada em nossa vida, então nos tornamos sábios. Salomão, ao ser entronizado rei de Israel, não pediu riqueza nem poder; pediu Sabedoria, e, com a Sabedoria vieram as demais coisas. Aqueles que são templos da Sabedoria descobrem que o conhecimento de Deus traz gozo e paz, uma fonte perene de delícias para a alma. (4)

A Sabedoria se materializa no temor do Senhor. Jó disse que a Sabedoria está no “temor do Senhor” (Jó 28:28). O temor a Deus é o princípio da Sabedoria. Quem teme a Deus afasta-se do mal, e quem se afasta do mal evita uma abundância de problemas na vida. Quem teme a Deus não desperdiça sua saúde em noitadas de aventuras. Quem tema a Deus não intoxica seu corpo com nicotina nem com outras drogas pesadas. Quem teme a Deus não se pende aos ditamos do alcoolismo. Quem teme a Deus não entrega seu corpo à impureza nem chafurda na lama da promiscuidade sexual. Quem teme a Deus não entrega sua língua à maledicência nem compra brigas desnecessárias, para depois viver amargurado. Quem teme a Deus semeia amor e colhe compreensão. Quem teme a Deus não guarda mágoa em seu coração, mas abençoa quem o maldiz. Portanto, a Sabedoria é uma verdade revelada e tem implicações práticas.

3. Cuidado com a falsa sabedoria

Nada é mais contrário à sabedoria do que a presunção. A sabedoria que se impõe pela empáfia e pela soberba é consumada tolice. O sábio é aquele que não faz propaganda de si mesmo. A sabedoria sempre anda de mãos dadas com a humildade; sempre se veste de modéstia. Salomão assim se expressou: “Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal” (Pv.3:7). Aqui, ele dá três conselhos:

  • Primeiro conselho - a necessidade imperativa da humildade. Só os humildes conhecem a ciência da sabedoria, e só os humildes serão exaltados.
  • Segundo conselho - a necessidade de sermos guiados na vida pelo temor ao Senhor. Só o temor a Deus nos livra de quedas e fracassos. Só o temor a Deus nos abre os portais da sabedoria.
  • O terceiro conselho - a necessidade de nos afastarmos de tudo o que é errado. Ninguém é regido pela sabedoria fazendo o mal e firmando alianças com aqueles que vivem na prática da injustiça.

Portanto, humildade de coração, temor ao Senhor e santidade de vida são os pilares da verdadeira sabedoria. Buscá-la em outras fontes é cavar cisternas rotas. Tocar trombetas para fazer apologia de si mesmo é insensatez. Nenhum engano é mais perigoso do que o autoengano. Nenhuma humilhação é mais notória do que aquela colhida pelos que exaltam a si mesmos. Não construa monumentos a si mesmo. Viva para a glória de Deus. Fuja da falsa sabedoria. (5)

CONCLUSÃO

Vimos que mesmo com empenho na busca da Sabedoria divina, os resultados não são satisfatórios. Não podemos alcançá-la, senão pela revelação divina. Ela está em Deus e somente Ele pode outorgá-la; somente Ele pode revelá-la - “O Senhor dá a sabedoria” (Pv.2:6) -, entretanto, ela não é encontrada nos segredos da natureza ou da providência, mas nas regras para o nosso próprio proceder. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Portanto, a Sabedoria se materializa no temor do Senhor. Logo, quem teme ao Senhor é sábio. Assim sendo, devemos engendrar esforços para alcançá-la. Muitos lutam bravamente para ser ricos; nesse projeto, empregam toda a sua energia e, às vezes, para alcançar seu propósito, perdem a própria alma. Outros tem como sentido da vida a busca sôfrega por preencher o vazio do coração. Salomão, que granjeou fortunas colossais e desfrutou de prazeres mil, diz que alcançar a sabedoria é o melhor de todos os projetos de vida. Quem alcança a sabedoria tem acesso à árvore da vida – come de seus frutos deliciosos e repousa debaixo de sua sombra abençoadora.

 

Postagens

DEUS ABRE OS OLHOS PARA O INVISÍVEL

  DEUS ABRE OS OLHOS PARA O INVISÍVEL Esboço do Estudo 2 Reis 6:8-23 sobre quando Eliseu ora para Deus abrir os olhos do moço. TEXTO B...

Postagens Mais Visitadas