terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

ELIAS UM HOMEM DE DEUS EM DEPRESSÃO

 



ELIAS UM HOMEM DE DEUS EM DEPRESSÃO

Texto Bíblico: 1Reis 19:2-8

“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2Co 4:8,9)

A história de Elias é um dos relatos mais humanos e honestos da Bíblia. Ela mostra que até os "gigantes da fé" não são imunes ao esgotamento emocional e ao desespero profundo.

O Contexto: Do Pico à Depressão

Logo após uma vitória espiritual estrondosa no Monte Carmelo, onde Elias enfrentou 450 profetas de Baal, ele recebe uma ameaça de morte da rainha Jezabel. Mesmo tendo visto o poder de Deus de perto, o medo e o cansaço acumulado o atingiram de forma avassaladora.

Os Sinais da Depressão de Elias

A Bíblia descreve comportamentos que hoje identificamos facilmente como sintomas depressivos:

  • Isolamento: Ele abandonou seu servo e foi sozinho para o deserto (1 Reis 19:3).
  • Desejo de morte: Ele orou: "Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida" (1 Reis 19:4).
  • Exaustão física: Ele simplesmente se deitou e dormiu profundamente debaixo de um zimbro.
  • Visão distorcida da realidade: Ele sentia que era o único fiel que restava, sentindo-se abandonado e inútil ("Não sou melhor que meus pais").

Como Deus tratou a depressão de Elias

O que mais chama a atenção é que Deus não deu um "sermão" ou o repreendeu por estar triste. O tratamento divino foi feito em etapas:

Etapa

Ação de Deus

O que aprendemos

Cuidado Físico

Deus enviou um anjo com pão e água e o fez dormir.

Às vezes, o "problema espiritual" é cansaço extremo e falta de nutrição.

Presença Silenciosa

Deus não estava no vento forte, nem no terremoto, mas num sopro suave.

Deus se aproxima na mansidão, não apenas em grandes eventos.

Escuta Ativa

Deus perguntou duas vezes: "Que fazes aqui, Elias?"

Deus permite que desabafemos nossas frustrações e medos sem julgamento.

Novo Propósito

Deus deu a ele novas tarefas e revelou que havia mais 7.000 fiéis.

O isolamento nos faz achar que estamos sozinhos; o propósito nos ajuda a sair do abismo.

 

Um detalhe importante: Elias era um homem sujeito às mesmas paixões (sentimentos) que nós (Tiago 5:17). A Bíblia faz questão de humanizá-lo para nos mostrar que ter uma crise emocional não é pecado, nem sinal de falta de Deus.

Elias não foi "demitido" por Deus por estar deprimido. Pelo contrário, após esse episódio, ele ainda realizou grandes coisas e foi transladado ao céu em um redemoinho.

Aqui estão alguns textos que dialogam diretamente com o que Elias sentiu e com o que qualquer pessoa em sofrimento emocional enfrenta:

1. O Alívio para o Cansaço Mental

Jesus deixou um convite que foca justamente naqueles que estão sobrecarregados (seja por tarefas ou por peso emocional).

  • Mateus 11:28-30: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei... porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve."
    • O que isso nos diz: Você não precisa estar "bem" para buscar a Deus. O convite é justamente para quem está no limite.

2. Quando a Tristeza parece sufocar

Nos Salmos, encontramos homens que, assim como Elias, "gritaram" suas dores para Deus.

  • Salmo 34:18: "Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido."
  • Salmo 42:11: "Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus..."
    • O que isso nos diz: É permitido questionar a própria alma e admitir o abatimento. Deus não se afasta na tristeza; Ele se aproxima.

3. A Promessa de Renovação

Assim como Deus deu pão e água para Elias recuperar as forças físicas, Ele promete renovar o vigor interno.

  • Isaías 40:29-31: "Ele dá força ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor..., mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão..."

Conselhos Práticos à Luz da Bíblia

Se você (ou alguém que você conhece) está passando por algo semelhante ao deserto de Elias, lembre-se destes três pilares bíblicos:

  1. Não se isole: Elias se isolou no deserto e isso piorou sua visão das coisas. Procure um "Eliseu" (um amigo, um pastor ou ajuda profissional).
  2. Cuide do corpo: Deus priorizou o sono e a comida de Elias antes de ter uma conversa teológica com ele. O descanso é espiritual.
  3. Fale a verdade: Deus perguntou "Que fazes aqui?". Diga a Deus exatamente como você se sente, sem filtros. Ele aguenta a sua verdade.

 

 


INTRODUÇÃO

Sempre que realizamos ou estamos prestes a realizar algo importante para Deus, enfrentamos o ataque do inimigo. Até ao triunfo do Carmelo quando Elias sozinho enfrentou quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e quatrocentos do poste-ídolo Aserá, não se observa nele segundo as Escrituras nenhum traço de depressão espiritual. Mas depois do Carmelo e mais precisamente quando Elias aguardava à entrada de Jezreel boas notícias que dentro de um prognóstico seu viriam da casa real, tudo mudou (1Reis 18:46). Elias fez um prognóstico que uma vez exterminados os falsos profetas de Baal, Deus, de imediato, enviaria o avivamento espiritual sobre toda a nação. Isto fica mais evidente quando depois da vitória sobre os falsos profetas, Elias disse a AcabeSobe, come e bebe, porque já se ouve ruído de abundante chuva (1Reis 18:41). A chuva era o sinal! Quando Acabe deu a notícia a Jezabel, ela prontamente enviou um mensageiro dizer a Elias: Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles (1Reis 19:2). Elias esperava uma renovação espiritual na realeza face a presença de Deus incidida no Monte Carmelo, demonstrando que só Ele é Deus e Senhor em Israel. Entretanto, ouve uma ferrenha oposição ao profeta de Deus e isto lhe causou depressão, levando-o a desistir de lutar. Ele tirou os olhos de Deus e colocou-os nas circunstâncias. Isso pode acontecer com qualquer um de nós, por isso precisamos ter muito cuidado.

 

I. DEPRESSÃO

 

1. O que é depressão. É uma doença física como outra qualquer, só que desorganiza as reações emocionais. Ela é muito complexa e difícil de ser diagnosticada, pois um dos seus principais sintomas pode ser confundido com tristeza, apatia, preguiça, irresponsabilidade e em casos crônicos como fraqueza ou falha de caráter. É muito comum ouvir as pessoas dizer que estão deprimidas, quando apenas estão chateadas, estressadas ou porque se desentenderam com alguém.

 

Muitas pessoas, até aquelas consideradas muito calmas, perderia a paciência ou se chatearia numa briga de trânsito, invertida profissional, falta de dinheiro, doença na família, perda de um ente querido, desemprego, crise conjugal etc. Isto é comum na vida das pessoas, oscilamos o nosso humor diariamente. Só que depois de um curto período voltamos ao normal, sem grandes dramas, correndo atrás do prejuízo. Já a pessoa deprimida ou com predisposição, às vezes com uma chateação corriqueira, pode ser nocauteada e cair num abismo sem fim. Porque é assim mesmo que se sente um deprimido. Uma pessoa sem perspectiva de vida, sem amor-próprio, pessimista, desanimada que não vê graça em nada a não ser no seu isolamento e luto em vida. Na realidade este desânimo perante a vida não é falta de atitude e sim um mau funcionamento cerebral. Porque embora muitas pessoas acham que depressão é tolice, “ela é uma doença, um desequilíbrio bioquímico dos neurotransmissores (mensageiros químicos do impulso nervoso) responsáveis pelo controle do estado de humor. Em alguns casos, a cura não depende, como se costuma pensar, da vontade própria”

Devemos ter cuidado para não associar a depressão com pecado, o que costuma acontecer em muitas igrejas. Essa doença, dependendo do caso, pode ser tratada tanto com medicação quanto por meio de terapia e aconselhamento. Não podemos descartar a possibilidade de uma cura divina, e, quando necessário, atentar para a necessidade de uma intervenção médica (Mt 9:12).

 

2. Sintomas da Depressão. Os sintomas da pessoa com depressão podem passar completamente despercebidos e só tomamos consciência da situação quando a pessoa comete alguma "asneira". Depois é demasiado tarde. Alguns dos sintomas são: Após um período de tristeza, a pessoa esmorece e fica "isolada do mundo". Não sente vontade de reagir, não acha graça em nada, se sente angustiada, sem energia, chora à toa, tem dificuldade para começar uma tarefa, dificuldade em terminar o que começou, persistência de pensamentos negativos e um mal-estar generalizado: indisposição, dores pelo corpo, insônia ou sonolência, alterações no apetite, falta de memória, concentração, vulnerabilidade, fraqueza, taquicardia, dores de cabeça, suores ou outros sintomas físicos que joga a pessoa pra baixo; pessimismo, hipocondria, autocrítica; sentimento de culpa, de vergonha, de desamparo; sentimento de que não é digno; perda de interessa no trabalho e/ou na vida sexual, tensão, tendência a acidentes, etc.

 

3. Causas da depressão. A depressão pode ser causada pela maneira como se vive no trabalho, no lar, na escola. O emprego que não oferece recompensa, mas não pode ser deixado porque não há outro em vista; muita tensão de horários e prazos; tensão doméstica, econômica, déficit de sono, pouco exercício físico, problemas pessoais, problemas de criação, problemas na infância, problemas de relacionamento, distância de Deus, a meia-idade (difícil para o homem, ainda mais difícil para a mulher), desapontamentos, enfermidade, depressão após o parto, rejeição, alimentação inadequada, efeito de entorpecentes, perda de emprego, perda de posição, perda de pessoas queridas por morte, divórcio, abandono etc., etc. Outras causas não têm sentido aparente, porém, na verdade, são provocadas por um desequilíbrio interno, como desordens glandulares ou hipoglicemia.

 

A verdade é que a depressão é uma condição da qual Satanás se aproveita para tornar o povo de Deus inútil para a Obra do Mestre. Entende o cristão deprimido que Deus dá perdão, mas não o experimentou ou acha que não foi salvo ou que perdeu a salvação (coisa que a Bíblia não ensina), ou ainda que cometeu o pecado imperdoável (sem saber defini-lo). Satã ataca o cristão com o cansaço que deprime, e, assim, vem o sentimento de fraqueza, ansiedade e medo. Medo da morte, medo do amanhã, medo de gente, medo de coisas específicas, e medos mal definidos também.

 

Como se vê, as causas da depressão podem ser as mais diversas, inclusive não podemos descartar os casos hereditários. Há pessoas que, ao que tudo indica, têm alguma propensão, vinda dos seus pais, para desenvolver esse tipo doença. Mas, na maioria das vezes, a causa da depressão é cultural, isto é, depende do estilo de vida no qual as pessoas se integram e a que são expostos.

 


II. ELIAS - UM HOMEM COMO OS OUTROS

Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e orou com fervor para que não chovesse, e durante três anos e seis meses não choveu sobre a terra. E orou outra vez e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto" (Tg 5:16-18).

Elias foi um homem levantado por Deus em tempo de crise política e apostasia religiosa em Israel. Ele, ousadamente, confrontou os pecados do rei Acabe, dizendo-lhe que em seu reino não choveria por três anos, e chamou a nação indecisa a colocar sua confiança em Deus. De uma forma milagrosa multiplicou o alimento da viúva de Sarepta; também orou a Deus em favor do filho da viúva, que havia morrido, e Deus o ressuscitou. Elias desafiou os quatrocentos e cinquenta profetas do deus Baal e os quatrocentos do poste-ídolo Aserá, no alto do monte Carmelo, e triunfou valentemente sobre eles, Deus deu-lhe uma vitória espetacular diante do povo de Israel; depois da vitória, ou seja, de provar que “só o Senhor é Deus”, Elias motivou o povo a que os falsos profetas do falso deus Baal fossem mortos.

Pergunto: como é possível nos dias de hoje nos identificarmos com uma pessoa tão extraordinária como o profeta Elias? Todavia, Tiago disse: "Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós...”.

É difícil tentar ver alguma semelhança com um homem que tinha esse tipo de fé. Seria mais fácil nos identificarmos com alguém como Pedro. Pedro era um indivíduo, que antes de ter sua vida controlada pelo Espírito Santo, estava sempre metendo os pés pelas mãos, quebrava promessas e ainda negou ao Senhor; mesmo depois de muitos anos de convertido ainda cometia atitudes incondizentes com o padrão espiritual de um apóstolo (cf. Gl 2:11-13). Também seria fácil nos identificar com Davi, às vezes ele tinha problemas com Deus; tinha problemas com os filhos; não sabia em quem confiar; caiu em adultério; mandou matar. Estes sim, eram homens sujeitos às mesmas paixões que nós.

No entanto, Tiago não falou sobre Davi, nem sobre Pedro. Falou daquele habitante do deserto, de origem humilde e insignificante humanamente falando: Elias. O que Tiago queria dizer era que Elias era um ser humano de natureza semelhante à que temos - com sentimentos, disposições de ânimo e constituição física igual. Era alguém tão humano quanto nós; ele tinha também os pés de barro. Não era um super-homem nem um super-crente. Depois de retumbantes vitórias, Elias ficou deprimido e pediu para si a morte.

Precisamos parecer com Elias nos seguintes aspectos: um distanciamento do mundo, fidelidade a Deus e um comprometimento com a Palavra de Deus. Aliás, a fidelidade inabalável de Elias a Deus e o comprometimento com a sua Palavra, faz dele um exemplo de fé, destemor e lealdade a Deus, ante a intensa oposição e perseguição às falsas religiões e aos falsos profetas. Temos habilidade de imitar esse grande homem de Deus?

 

III.  AS CAUSAS DOS CONFLITOS DE ELIAS

1. Decepção. O sentimento de incapacidade ou fracasso, diante da realização de um trabalho aparentemente inútil, pode nos levar à depressão. Disse a ímpia Jezabel: “Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles” (1Reis 19:2). Elias não estava preparado para esta resposta da realeza, pois entendia que todo o problema em Israel se resumia aos falsos profetas. Concluiu que uma vez exterminados, não só a chuva cairia, mas a fome deixaria de assolar a nação, o pasto ressurgiria para alimentar o gado; lagos, córregos e rios alegrariam o povo em abundância de água. Que mais a realeza e a multidão queriam? Mas, o seu prognóstico foi uma decepção; por isso, caiu em depressão. Elias caiu em depressão por se achar um fracassado em sua missão espiritual para com o povo e, sobretudo com Acabe e Jezabel. As bênçãos materiais, Deus tinha derramado; mas as espirituais, como a salvação e a mudança de atitude da realeza para com Ele mesmo e seu povo, o Senhor não realizara. Isso foi o bastante para o mundo de Elias ruir. Disse o profeta: “Basta; toma agora a minha alma, não sou melhor do que meus pais” (1Reis 19:4). Elias não teve poder de reação para lidar com o ocorrido. É um perigo quando objetivamos algo e em prol deste algo empenhamos toda a nossa força sem lograr êxito. Elias se sentiu assim. Julgou que seu esforço foi em vão porque Deus não agiu na realeza de Israel conforme seu ponto de vista. A vontade do Senhor é soberana!

 

2. Medo. Quando Elias soube da oposição da realeza ao seu grande feito no Monte Carmelo, a sua reação imediata foi esta: “Temendo, pois, Elias, levantou-se e, para salvar sua vida...” (1Reis 19:3). O profeta valente e ousado agora estava fugindo de medo das ameaças da rainha que poderia lhe tirar a própria vida. Num dado momento, Elias pensou que sua vida dependia da ímpia Jezabel e não de Deus. Por isso, ele temeu e fugiu. Sempre que tiramos nossos olhos de Deus para colocá-los nas circunstâncias adversas afundamos num pântano de desespero.

IV. AS CONSEQUENCIAS DOS CONFLITOS

1. Fuga e isolamento. Fugir é a primeira reação quando nos sentimos incapazes diante do inimigo (1Reis 19:3). Moisés, incompreendido pelos filhos de Israel e procurado por Faraó, fugiu para Midiã (Ex 2:15). Davi tomou a mesma atitude; durante prolongada crise, fugiu para Aquis, rei de Gate, fazendo-se de louco (ler 1Sm 21:10-15).

Elias realizou grandes feitos perante o Senhor: extirpou a idolatria de Israel (1Reis 18:19-40) e fez chover sobre a terra, após um longo período de seca (1Rs 18:41,42; Lc 4:25; Tg 5:17,18). Todavia, isso não impediu que o profeta ficasse apavorado diante das desprezíveis ameaças de Jezabel (1Rs 19:4,9). Então, fugiu! Ele entrou na caverna da solidão quando mais precisava de pessoas à sua volta. A depressão prega esse artefato: quando mais precisamos de companhia queremos nos trancar nos quartos escuros. Elias dispensou o seu moço, quando mais precisava dele. Muitos, por não confiarem plenamente em Deus, usam o sono, o isolamento, o entretenimento, e tantas outras coisas para fugir da realidade. Se você estiver enfrentando um problema difícil, a ponto de desejar esconder-se em uma cisterna (1Sm 13:6), saiba que o Senhor tem um escape para você (Sl 91; Hb 13:5).

2. Autopiedade e desejo de morrer. Depois de percorrer muitos quilômetros, Elias deixou o seu discípulo e se prostrou debaixo de um zimbro de tanta exaustão. Observemos que a Palavra é clara: e ali deixou o seu moço” (1Rs 19:3). Elias perdeu o ânimo para ensinar o seu discípulo e o amor por si próprio - Ele, porém, entrou pelo deserto caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, dizendo: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” (1Reis 19:4). Ele perdeu completamente a perspectiva do futuro. Elias pediu para si a morte. Ele julgou que o melhor tempo da sua vida havia ficado no passado e que o futuro só lhe reservava um espectro de desespero. A angústia de Elias lhe trouxe um estado espiritual mórbido. Um anjo lhe acorda com pão e água, ele come e volta a seu estado mórbido anterior: dormir. Se antes uma pequena nuvem era sinal de milagre, agora nem um anjo é capaz de lhe mostrar a vitória (1Reis 19:5,6).

V. O SOCORRO DIVINO


Deus tratou a depressão de Elias através de vários recursos.

1. Deus o tratou por meio da sonoterapia (1Reis 19:5,6)

A depressão deixa a mente agitada. Uma pessoa deprimida fica com o corpo cansado, mas a mente não desliga. Elias precisou dormir e descansar para sair do buraco da depressão. Deus encontrou o seu servo num momento de desmotivação e desespero. A depressão lhe era tão intensa que desejou a morte (1Reis 19:4). E nessa condição sentou-se debaixo de uma árvore e dormiu profundamente. Deus permitiu que o seu servo tivesse um momento de descanso.

2. Deus o tratou por meio da alimentação adequada (1Reis 19:6)

Deus preparou uma refeição para Elias no deserto. Deu-lhe pão e água e ele recobrou suas forças. Uma pessoa deprimida, muitas vezes, sente náuseas do alimento. É preciso fortalecer o corpo no tratamento dessa doença. O Senhor, através de seu anjo, o alimentou e permitiu que repousasse. Não houve nenhuma reprimenda, sermão ou repreensão. Deus providenciou uma refeição de pão quente e água fresca e o deixou descansar. Era preciso recobrar suas forças físicas. Creio que isto é necessário não só no caso de Elias. É preciso repousar, descansar e ter uma alimentação adequada. Podemos prevenir a depressão proporcionando um período de descanso.

3. Deus tratou Elias por meio da mudança de ambiente

Elias precisava de tempo e de um novo ambiente, para considerar sua vida sob um novo ponto de vistaDeus tirou Elias do deserto (1Rs 19:7,8) e levou-o à sua presença, em Horebe. 1Reis 19:9 diz: “Ali entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do Senhor e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?”. O profeta passou uma noite inteira no “aposento” de Deus. Foi o próprio Senhor que o conduziu à sua presença. Os versos 7 e 8 deixam claro isto: “Voltou segunda vez o anjo do senhor, tocou−o e lhe disse: Levanta−te, e come, porque o caminho te será sobremodo longo. Levantou-se sê, pois, comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus”. Deus estava em silêncio quando Elias estava prostrado no chão pedindo para si a morte. Agora, no monte Horebe é diferente, Deus lhe dirige a palavra: Que fazes aqui Elias?”. Deus não o condenou por sua atitude. Ao invés disso faz essa pergunta. Deus queria entender. Não que Ele não entendesse, mas queria que o profeta expressasse, verbalizasse o seu problema. Certas vezes precisamos colocar para fora os nossos sentimentos, mas devemos fazê-lo de uma maneira responsável. Deus também fez Elias entender e enfrentar a realidade. Para vencer a depressão é preciso entender e enfrentar a realidade.

Quem não anela ouvir em meio às tempestades a voz inconfundível de Deus? A palavra de Deus é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos (Sl 119:105). E mais: “Na tua presença há plenitude de alegria” (Sl 16:11). O profeta deprimido, como qualquer outro crente, precisava da amável e confortadora presença de Deus. Foi somente no trono do Pai que Elias se reencontrou com a verdadeira alegria que a depressão espiritual lhe tirou.

4. Deus o tratou dando-lhe a oportunidade do desabafo

Elias estava dentro da caverna, quando Deus lhe perguntou: “O que fazes aí, Elias?”. Deus, assim, o ordena a sair da caverna para destampar a câmara de horror da alma e espremer o pus da ferida – “Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem” (1Reis 19:10). O desabafo é uma necessidade vital para a assepsia da alma. Faça o mesmo: conte a Deus, conte a um bom amigo que lhe seja instrumento de Deus.

 

5. Deus o tratou dando-lhe bem-estar espiritual - Deus se revelou maravilhosamente a Elias

Em 1Reis 19:11 está escrito: Disse−lhe Deus: Sai, e põe−te neste monte perante o Senhor. Eis que passava o Senhor...”. São poucos os casos bíblicos em que Deus se revela de uma maneira especial para os seus filhos. Abraão foi chamado amigo de Deus (Tg 2:23). Enoque andou com Deus (Gn 5:24). Jó depois da provação, quando perdeu bens, amigos, filhos, saúde, pôde dizer: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso me abomino no pó e na cinza” (Jó 42:5,6). Existe um anelo em todo cristão para contemplar a grandeza do Senhor, à semelhança de Moisés que suplicou a Deus: “Rogo−te que me mostres a tua glória. Respondeu−lhe, o Senhor: Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êx 33:18,19). É na vontade soberana de Deus que está o segredo de sua manifestação pessoal aos seus. Isto não implica dizer que não devamos pedir e orar pela bênção. Devemos sim, buscar acima de tudo o Deus da bênção e não meramente a bênção como é corrente nos dias de hoje! Elias, assim como os outros, foi agraciado por Deus com sua maravilhosa manifestação.

Em 1Reis 19:11, Deus não estava num grande e forte vento; muito menos no terremoto. Em 1Reis 19:12, o Senhor não estava no fogo, mas numa brisa suave e tranquila. À suave manifestação de Deus, Elias envolveu o rosto no seu manto...” (1Rs 19:13). O profeta sentiu o marcante poder santificador e renovador do Senhor. Não há depressão espiritual que resista ao tratamento do Médico dos médicos. É Ele quem unicamente amassa o barro porque Ele é o oleiro!

6. Deus deu uma lição no profeta Elias

Em 1Reis 19:18 Deus fala assim: Também conservei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou”. Deus é o mestre por excelência. Ele ensinou ao rebelde e insensível profeta Jonas o valor do verdadeiro amor ao próximo através da morte de uma simples planta (Jn 4:6−11). O salmista aprendeu o valor da disciplina divina, pois escreveu: “Antes de ser afligido andava errado, mas agora guardo a tua palavra. Bem sei, ó Senhor, que os teus juízos são justos, e que com fidelidade me afligiste” (Sl 119:67,75). Elias experimentou a correção celestial em sua vida, mas antes disto se estribou em sua fidelidade a Deus para reclamar sua proteção. Em 1Reis 19:14 ele repete com mais intensidade o que falara no versículo 11: “Tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar−me a vida”. Não é correto quando temos a oportunidade de ficar frente a frente com o Altíssimo e ficamos querendo nos justificar, com autocomiseração, se fazendo de vítima, tentando convencer a Deus de nosso extremo zelo (1Reis 19:14). Deus não nos mandou ser extremamente zeloso, mas sim zeloso apenas. Todo extremo é perigoso.!!

O profeta ouviu do próprio Deus: Também conservei em Israel”, Elias, “sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou” (1Rs 19:18). Deus mostra-nos nosso equívoco: tem mais gente passando pelo que estamos passando - Sete mil joelhos que não se dobraram a Baal. Elias estava se achando o último dos profetas. Talvez imaginasse que nele se resumisse a esperança de Israel. Elias aprendeu que Deus é Deus. Que lição!

7. Deus renovou a vocação profética de Elias

1Reis 18:15,16 evidencia isto: Então o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; quando lá chegares, ungirás a Hazael para ser rei sobre a Síria. E a Jeú, filho de Ninsi, ungirás para ser rei sobre Israel; bem como a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás para ser profeta em teu lugar” (1Reis 19:15,16).

 

Uma vez revigorado, Elias, o tesbita, tinha que ungir Hazael como rei da Síria; Jeú como rei de Israel; e a tarefa mais difícil, que era ungir a Eliseu como profeta em seu lugar. Elias tinha agora que passar o cajado. Talvez não imaginasse que este dia chegasse nestas circunstâncias. Contudo, tinha sido renovado para tal missão! Já que pediu a morte, Deus prepara seu sucessor na sua “barba”. Sempre precisaremos do renovo de Deus em nossas vidas. Grandes homens de Deus precisaram! Elias necessitou! Portanto, busquemos o trono da graça do Senhor, pois de lá, somente de lá vem o reavivamento que nos curará de toda depressão espiritual.

8. Deus providenciou um amigo próximo (1Reis 19:19-21)

É interessante observar que Deus não lhe deu apenas um sucessor, mas alguém que o amava e o compreendia suficientemente bem para servi-lo e encorajá-lo. Todos nós precisamos de outros cristãos em nossa vida para nos ajudar e encorajar. É por isso que Deus estabeleceu a igreja, para vivermos em comunhão, em amizade e em encorajamento mútuo.

 

CONCLUSÃO

Como Elias, podemos estar sujeitos às mesmas situações. Há crentes que passam por momentos de depressão, perdem o ânimo e acreditam que Deus sequer está ao lado deles. Mas veja o que aconteceu com Elias. Deus o socorreu e o alimentou de forma sobrenatural, convidou-o para uma caminhada, para mais perto de si, e mostrou quem seria o seu substituto no Reino do Norte. Mesmo em momentos de depressão, os servos de Deus podem contar com o seu cuidado proteção e orientação. Deus não só habita no alto e santo lugar, mas também com o contrito e quebrantado de coração (Is 57:15). Jeová jamais deixaria seus filhos sozinhos, no quarto escuro e solitário da depressão espiritual. O hino 193 da harpa cristã traz a confiança inabalável em Deus oriunda do usufruto de Sua presença apesar da depressão“Ele intercede por ti, minh’alma; Espera Nele, com fé e calma; Jesus de todos teus males salva, E te abençoa dos altos céus”.

 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

NÃO RETRIBUA O MAL, A QUEM MAL TE FEZ



NÃO RETRIBUA O MAL, A QUEM MAL TE FEZ

“Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv.19:18).

 

A Bíblia é muito consistente sobre esse tema: a orientação central não é apenas "não revidar", mas sim interromper o ciclo do mal através do bem. O ensinamento cristão sugere que, ao retribuir o mal, você se torna igual àquilo que te feriu.

Aqui estão os pontos principais e as passagens que fundamentam essa visão:

1. O Exemplo de Jesus no Sermão do Monte

Jesus elevou o padrão da ética humana ao sugerir que a "Lei de Talião" (olho por olho) deveria ser substituída pela graça.

  • Mateus 5:38-39: "Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra."
  • Significado: Isso não significa ser covarde, mas sim ter o controle emocional e espiritual para não permitir que a agressão do outro dite o seu comportamento.

2. A Justiça pertence a Deus

Um dos motivos para não retribuirmos o mal é o reconhecimento de que não somos juízes perfeitos. O apóstolo Paulo explica isso de forma prática:

  • Romanos 12:17-19: "A ninguém torneis mal por mal [...] Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor."
  • Estratégia: Ao não retribuir, você "entrega o caso" a uma instância superior, preservando a sua própria paz.

3. Vencendo o Mal com o Bem

A Bíblia propõe uma "ofensiva de bondade" como forma de desarmar o conflito.

  • Romanos 12:21: "Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem."
  • 1 Pedro 3:9: "Não retribuindo mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; pois para isto fostes chamados."

Resumo do Posicionamento Bíblico

Ação Humana Comum

Orientação Bíblica

Objetivo

Vingança

Perdão

Libertação emocional

Pagar na mesma moeda

Fazer o bem

Quebrar o ciclo de ódio

Rancor

Entrega a Deus

Confiança na justiça divina

Entendo perfeitamente. Lidar com a mágoa é um processo, não um interruptor que a gente simplesmente desliga. Na Bíblia, o perdão é descrito muitas vezes como uma decisão da vontade, e não necessariamente um sentimento imediato de "estar tudo bem".

Aqui estão alguns passos práticos e uma base para sua oração:

1. Dicas Práticas para Lidar com a Mágoa

  • Dê nome à dor: Não finja que não doeu. Deus conhece o seu coração. Admitir que você foi ferido é o primeiro passo para a cura.
  • Separe a pessoa do ato: Tente ver a pessoa como alguém também falho e, muitas vezes, "escravo" dos próprios traumas. Isso não justifica o erro dela, mas diminui o peso sobre você.
  • Estabeleça limites saudáveis: Não retribuir o mal não exige que você conviva intimamente com quem te feriu. Você pode perdoar e manter uma distância segura para preservar sua saúde mental.
  • O "Teste do Pensamento": Quando a lembrança da ofensa vier, tente substituir o desejo de "ver a pessoa se dar mal" por um desejo curto de "que ela encontre o caminho certo". Isso limpa o seu coração, não o dela.

2. Um Modelo de Oração

Você pode usar estas palavras como base, adaptando-as ao seu momento:

"Senhor, Tu sabes o quanto essa situação me feriu e como o meu instinto é de retribuir ou guardar rancor. Mas eu escolho, por obediência à Tua palavra, liberar essa pessoa da minha condenação.

Entrego a Ti a minha sede de justiça. Cura as feridas que ficaram na minha memória e no meu coração. Não permitas que o mal que me fizeram mude quem eu sou ou me torne uma pessoa amarga. Peço que o Senhor cuide dessa situação e me dê a paz que excede todo o entendimento. Amém."

3. Versículo para Meditar

Mantenha este pensamento com você:

Salmos 147:3: "Ele cura os que têm o coração quebrantado e trata das suas feridas."

O processo de não retribuir o mal começa com você permitindo que Deus cuide da sua dor, em vez de você tentar resolvê-la com as próprias mãos.  PENSE NISSO!!!!

 


 Texto Bíblico: Mateus 5.38-48

38. Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente.

39. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;

40. e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a vestimenta, larga-lhe também a capa;

41. e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.

42. Dá a quem te pedir e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.

43. Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo.

44. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem,

45. para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos.

46. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?

47. E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?

48. Sede vós, pois, perfeitos, com o é perfeito o vosso Pai, que está nos céus.

INTRODUÇÃO

Neste Estudo bíblico trataremos do mandamento da não retaliação; retribuir com o bem a pessoa que nos fez o mal é um desafio enorme a enfrentar. Quando se recebe uma ofensa, a reação natural é devolvê-la com outra. Entretanto, o Senhor Jesus nos convida a agir de uma maneira quase sobrenatural, pondo em prática a instrução de Jesus proferida no Sermão do Monte. No Antigo Testamento a lei dizia: “olho por olho, dente por dente” (Êx.21:24; Lv.24:20; Dt.19:21); mas, no Sermão do Monte, Jesus aboliu totalmente a retaliação. Ele mostrou aos discípulos que, onde a retaliação era permitida legalmente, a não resistência era agora graciosamente possível. Jesus instruiu seus seguidores a não oferecer resistência ao perverso, e sim fazer o bem àqueles que nos ofendem; ao invés da vingança, devemos amar e perdoar. Não é fácil cumprir essa determinação de Jesus, mas a nossa posição de filhos de Deus exige que ajamos dessa maneira (Mt.5:45) – “para que sejais filhos do Pai que está nos céus...”. Somente o crente cheio do Espírito Santo é capaz de viver esse ensino do Sermão proferido pelo nosso Senhor.

I. A VINGANÇA NÃO É NATUREZA DO REINO


1. A Lei de Talião

A Lei de Talião é uma das mais antigas leis do mundo; baseia-se no princípio da retaliação equitativa. Segundo os estudiosos, essa lei chama-se “lex talionis”. Foi incluída na lei mosaica. Encontra-se três vezes no Antigo Testamento:

“Mas, se houver dano grave, então, darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe” (Êx.21:23-25).

“fratura por fratura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará” (Lv.24:20).

“Não o olharás com piedade: vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé” (Dt.19:21).

Embora esta lei pareça ser um instrumento de vingança, a intenção original era restringir a vingança ilimitada; deveria ser entendida como apenas “olho por olho” e apenas “dente por dente”. Além disso, nunca teve o objetivo de propiciar qualquer retaliação individual; se tratava de uma norma para os tribunais civis, que no seu propósito desejava que em particular a pessoa jamais praticasse a vingança pessoal; deveria ser aplicável somente pelos juízes.

Na época de Jesus, porém, os fariseus interpretavam erroneamente essa Lei, usando-a com o propósito de justificar a vingança, a retribuição pessoal, descaracterizando-a do seu real significado e objetivo. Todavia, em momento algum, a Lei de Moisés defendia a busca pela vingança.

Embora possa parecer primitivo, na verdade o princípio de justiça da lei assegurava o bem-estar social e a justiça em Israel. Enquanto a maioria das nações usavam métodos arbitrários para punir os criminosos, o padrão de justiça estabelecido por Deus para a época reflete a preocupação com a verdade e a imparcialidade, pois assegurava aos que violavam a Lei que não seriam punidos com mais severidade do que mereciam pelo crime que cometeram, ao mesmo tempo que evitava o falso testemunho, visto que quem forjasse acusação contra alguém receberia a punição imputada ao culpado.

A Bíblia, mesmo no Antigo Testamento, proíbe terminantemente a vingança pessoal. Veja os seguintes textos bíblicos:

“Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv.19:18).

“Não sejas testemunha sem causa contra o teu próximo, nem o enganes com os teus lábios. Não digas: Como ele me fez a mim, assim lhe farei a ele; pagarei a cada um segundo a sua obra” (Pv.24:28,29).

“Se o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer; e, se tiver sede, dá-lhe água para beber” (Pv.25:21).

“Dê a face ao que o fere; farte-se de afronta. O Senhor não rejeitará para sempre” (Lm.3:30,31).

É muito fácil não perceber a misericórdia contida na Lei, mas os textos citados acima comprovam que Deus projetou um sistema de justiça com misericórdia; porém, este foi deturpado ao longo dos anos e considerado uma licença para a vingança. Jesus sabia disso, por isso Ele combateu esta aplicação equivocada da Lei mosaica (Mt.5:38,39): “Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao perverso...”.

2. O cristão e a vingança

O cristão é aquele que parece com Cristo; que age como Cristo agiu; que ama com Cristo amou. Logo, o cristão nunca pode cometer vingança pessoal, fazendo justiça com as próprias mãos. No Sermão do Monte, Jesus eliminou a antiga Lei da vingança pessoal, que permitia a retaliação, e introduz a reação transcendental diante das injustiças sofridas (Mt.5:38-41). Mesmo que as pessoas nos desonrem, ferindo nosso rosto; mesmo que as pessoas nos constranjam a andar, ferindo nossa vontade; mesmo que as pessoas tomem de nós a roupa do corpo, bem inalienável, devemos reagir de maneira transcendente. No Reino de Deus, o súdito domina não apenas suas ações, mas também suas reações. No Reino de Deus, o amor é a identidade do cristão - ele prega e vive o amor, não o ódio, e tem consciência plena de que Deus tem reservado um dia em que há de julgar todos os pecados da humanidade, tomando vingança de tudo (At.17:31; At.10:42; Rm.2:16; 14:10). Paulo foi muito contundente quando afirmou:

“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm12:19-21).

Paulo nos aconselhou a sermos amigáveis, em vez de retribuirmos em justa medida, quando alguém nos ofende profundamente. Entretanto, na época em que vivemos, onde há muitas ações judiciais e incessante reivindicação por direitos legais, a prática recomendada por Paulo parece ser quase impossível de ser praticada. Por que o apostolo Paulo nos disse para perdoarmos os nossos inimigos? Porque:

  • O perdão pode quebrar um ciclo de retaliações e levar a uma reconciliação mútua.
  • O perdão pode levar o inimigo a envergonhar-se e a mudar de comportamento.
  • Ao pagar o mal com o mal, vamos ferir-nos tanto quanto ferimos nosso inimigo. Mesmo que este nunca se arrependa, ao perdoá-lo, vamos libertar-nos do grande peso da amargura.

O perdão envolve atitudes e ações. Se você considera difícil sentir-se disposto a perdoar alguém que acabou de ofendê-lo, tente responder com atos de bondade. Se for o caso, diga a essa pessoa que gostaria de recuperar seu relacionamento com ela. Estenda a mão, seja empático. Você descobrirá que ações corretas levam a sentimentos corretos.

II. O AMOR É A EXPRESSÃO NATURAL DO REINO

No Reino de Deus, o amor deve reger nossos relacionamentos. O amor é o sistema circulatório do corpo espiritual do crente, permitindo que todos os membros funcionem de maneira saudável e harmonioso. A exortação de Paulo aos Romanos ecoa em toda a Igreja: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal” (Rm.12:10a). No Reino de Deus não há espaço para o ódio, para retaliação, para a vingança; o amor é a expressão maior (1Co.13:13).

No Reino de Deus, o perdão é o botão que deve ser acionado no momento de discórdia. Muitas pessoas são capazes de viver em paz com aqueles que lhes tratam com amor, mas são incapazes de perdoar aqueles que lhes prejudicam. Jesus ilustra isso no Sermão do Monte (Mt.5:39-41); Ele diz que quando uma pessoa nos ferir a face direita, devemos voltar-lhe a outra face. Quando a pessoa nos forçar a andar uma milha, devemos ir com ela duas milhas e quando ela procurar nos tirar a túnica, devemos dar-lhe também a capa. O que, na verdade, Jesus estava ensinando? Ele não estava falando de ação, mas de reação. O que representa essas três figuras alistadas por Jesus?

  • Primeiro, quando uma pessoa nos fere no rosto, ela agride a nossa honra.
  • Segundo, quando uma pessoa nos força a fazer o que não desejamos, ela agride a nossa vontade.
  • Terceiro, quando uma pessoa nos toma as vestes pessoais, ela agride o nosso bem mais íntimo e sagrado.

Mas, Jesus realça dizendo que mesmo que os pontos mais vitais da vida sejam atingidos - como a honra, a vontade e os bens inalienáveis -, devemos reagir transcendentalmente, ou seja, com perdão. Segundo Hernandes Dias Lopes, o perdão é a transcendência do amor; é vencer o mal com o bem. Perdoar é tratar o outro não como ele merece, mas segundo a misericórdia exige. O perdão não é a execução da justiça, mas o braço estendido da misericórdia. Perdoar é não se ressentir do mal, mas vencer o mal com o bem, abençoando o próprio malfeitor.

É bom enfatizar que o Senhor Jesus também condena as guerras agressivas ou as ofensivas que as nações fazem entre si, mas não necessariamente a guerra defensiva ou a defesa contra o roubo e o assassinato. Segundo A.T. Robertson, “o pacifismo profissional pode ser mera covardia”.

1. Virar a outra face

“...se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra” (Mt.5:39). Ao receber um tapa no rosto, não é fácil suportar passivamente. É uma atitude que afronta a honra de uma pessoa. Muitas das vezes, quando a nossa honra é aviltada, a primeira reação é agir com as mesmas armas do ofensor, e, às vezes, até mesmo de maneira mais intensa. Todavia, reagir no mesmo padrão de violência e ignorância, complica ainda mais a situação.

Na época de Jesus, macular a honra de uma pessoa, era um ato difícil de ser suportado; até hoje revela a maior ofensa possível. Mas, se isto acontecer, a atitude correta que o crente deve proceder, segundo a orientação de Jesus, é não retaliar, mas perdoar. Isso não é uma coisa natural, é sobrenatural. Somente Deus pode nos dar forças para que amemos como Ele ama. Quem tem amor, tem perdão, brandura e tolerância.

As pessoas que não têm Cristo no coração defendem a vingança; cada um cuida de si e protege seus “direitos pessoais”. Todavia, os seguidores de Jesus não devem se prender rigorosamente aos seus “direitos”, e preferir esquecer esses direitos por amor do Evangelho e do Reino de Deus. Entretanto, estar disposto a abandonar os direitos pessoais não significa que o crente deve sentar passivamente enquanto o pecado caminha livremente.

2. Arrastar para o tribunal

De acordo com a Lei judaica, aquele que agredia a face de alguém enfrentava um castigo e uma pesada multa. Desse modo, a lei tomava o partido da vítima. Mas no Sermão do Monte, Jesus disse que em tal situação a pessoa agredida não deve recorrer aos tribunais, mas oferecer a outra “face” para que seja igualmente agredida. Parece um contrassenso, mas Jesus não pediu que os seus seguidores fizessem alguma coisa que Ele mesmo nunca faria; Ele recebeu esse tratamento e fez como havia mandado que os outros fizessem (cf. Mt.26:67,68; veja também Isaías 50:6; 1Pd.2:23). Jesus queria que seus seguidores tivessem aquela atitude abnegada que prontamente segue o caminho da cruz ao invés do caminho dos direitos pessoais. Eles deviam confiar inteiramente em Deus, que um dia colocará todas as coisas em seus devidos lugares.

Para a maioria dos judeus, essas afirmações de Jesus eram uma afronta. Qualquer Messias que oferecesse a outra face não seria líder militar da revolta contra o império ocupante, que era Roma. Como os judeus estavam sob o domínio romano, eles queriam uma retaliação contra os inimigos, a quem odiavam. Mas, Jesus estava sugerindo uma nova e radical resposta à injustiça; ao invés de exigir os direitos, deviam desistir deles livremente. De acordo com Jesus, é mais importante oferecer justiça e misericórdia do que recebê-las. Ser cristão de verdade não é fácil!

3. Largar também a capa

“e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a vestimenta, larga-lhe também a capa” (Mt.5:40). Aqui, Jesus está afirmando que, quando uma pessoa nos toma as vestes pessoais, ela agride o nosso bem mais íntimo e sagrado. Era muito difícil fazer vestimentas, e consumia muito tempo. A “vestimenta” (ou túnica) era uma veste interna usada junto à pele. A “capa” (ou manto) representava um bem precioso. As capas eram muito caras e a maioria das pessoas possuía apenas uma. A capa podia ser usada como cobertor, como saco para carregar coisas, como almofada para sentar, como penhor de uma dívida, como cama (Êx.22:26,27; Dt.24:12,13; Am.2:8) e, naturalmente, para vestir. Portanto, quando Jesus disse que se alguém “tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa” (Mt.5:40), Ele estava pedindo uma atitude muito difícil aos seus seguidores; mas Ele esperava que eles deveriam se desprender das suas posses em prol de um bem maior - a paz com todos. Jesus ensina que mesmo que os pontos mais vitais da vida sejam atingidos - como os bens inalienáveis -, devemos reagir transcendentalmente, ou seja, com perdão. O perdão não é a execução da justiça, mas o braço estendido da misericórdia. Perdoar é renunciar aos nossos direitos.

4. Obrigar a fazer algo

“e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas” (Mt.5:41). Aqui, Jesus está ensinando que, quando uma pessoa nos força a fazer o que não desejamos, ela agride a nossa vontade. Aquele que é mais forte, por força da hierarquia, pode obrigar alguém a cumprir determinada ordem, mesmo sem respeitar a sua vontade, como ocorreu com o Simão Cirineu, que foi obrigado a carregar a cruz de Jesus (Mt.27:32). Assim, quando alguém anda a primeira “milha”, geralmente o faz por obrigação; entretanto, para caminhar voluntariamente a segunda “milha’, só o faz quem é nascido de novo, e por amor a Jesus. Apesar da agressão contra a nossa vontade, a atitude do seguidor de Cristo é o exercício do perdão. Muitas pessoas são incapazes de perdoar aqueles que lhes prejudicam. O perdão é a transcendência do amor, é vencer o mal com o bem.

Essa passagem de Mateus 5:41 é uma alusão ao trabalho forçado que os soldados podiam exigir dos cidadãos comuns para transportar sua carga por certa distância (uma milha era o termo usado para mil passos). Os judeus odiavam essa lei porque os forçava a mostrar sua submissão a Roma. No entanto, Jesus disse para tomar a carga e carregá-la por duas milhas. Jesus estava pedindo uma atitude servil (como Ele mostrou ao longo de Sua vida, e especialmente na cruz). As suas palavras provavelmente surpreenderam os ouvintes. A maioria dos judeus, que esperava um Messias militar, nunca esperaria ouvir Jesus pronunciar uma ordem contra a retaliação, e de cooperação com o odiado império Romano. Mas estas palavras de Jesus estavam revelando que seus seguidores pertenciam a outro Reino; eles não precisavam tentar lutar contra Roma, porque isso não estava de acordo com o plano de Deus; deveriam, antes, trabalhar em benefício do Reino de Deus. Se isso significasse caminhar uma milha a mais carregando a carga de um soldado romano, então era exatamente isso que deveriam fazer. Ser cristão de verdade não é fácil! Só o Espírito Santo pode nos mover à obediência de caminhar uma milha a mais carregando a carga do inimigo!

5. Fazer alguma coisa por alguém

“Dá a quem te pedir e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes” (Mt.5:42). Aqui, Jesus reafirma o que Moisés ensinara em Deuteronômio 15:7-11. Nunca devemos nos negar a dar. Dar é tanto um privilégio como uma responsabilidade. “Mas bem-aventurado é dar que receber” (Atos 20:35). Os seguidores e Jesus, portanto, devem estar dispostos a colocar as necessidades dos outros à frente das suas próprias necessidades.

III. BUSCANDO A PERFEIÇÃO DE CRISTO



1. Uma justiça mais elevada

A justiça, exigida por Cristo no Sermão do Monte (Mt.5:43-48), é mais elevada porque ela estabelece um padrão que é incompatível com a natureza humana caída. Ali, Jesus explica que os seus seguidores devem viver de acordo com um padrão mais elevado do que aquele esperado pelo mundo, e, até mesmo, dos padrões aceitos pelas religiões do mundo. Disse Jesus: “Amai a vossos inimigos... e orai pelos que vos maltratam e vos pespeguem” (Mt.5:44). Por que o mandamento de amar os inimigos? Porque isso identificará os seguidores de Jesus como pessoas diferentes, que têm o coração e a mente dirigidos somente a Deus, que é o único que pode ajudá-los a agir deste modo. Qualquer um que pode amar alguém que o ama, isso acontecia naturalmente até com os corruptos publicanos (coletores de impostos). Da mesma maneira, “se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?” (Mt.5:47). Se nossos padrões não são mais altos que os do mundo, é óbvio que nunca causaremos um impacto no mundo. Portanto, se você puder amar o vosso inimigo e orar pelos que vos maltratam e vos perseguem, então você mostrará realmente que Jesus é o Senhor da sua vida. Aqueles discípulos que vivem para Cristo e são radicalmente diferentes do mundo receberão sua recompensa.

2. O amor mais perfeito

Disse Jesus: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos...” (Mt.5:43,44). Este ensino de Jesus concernente à mais alta retidão exigida no seu Reino nos manda amar o nosso inimigo, caso exista, claro. A lei tinha ensinado aos israelitas a amar o próximo (Lv.19:18), mas os rabinos alteraram a lei de Deus, acrescendo ao mandamento: “...e aborrecerás o teu inimigo” (Mt.5:43). Essa declaração não aparece na Lei. Não consta em Levítico 19:18. Foi um acréscimo ilegítimo dos mestres da Lei. Textos como Êxodo 23:4,5 indicam exatamente o contrário. Jesus repudiou firmemente essa conclusão rabínica.

Em Romanos 12:20, Paulo cita Provérbios 25:22 para exortar que devemos tratar os nossos inimigos amavelmente. Jesus nos ensinou a orar pelos nossos inimigos - “amai a vossos inimigos” (Mt.5:44), e Ele mesmo o fez quando estava pendurado na cruz. O amor aqui descrito é ágape, que significa benevolência invencível, infinita boa vontade. Isso significa que devemos amar a pessoa, não importa quem ela seja ou que tenha feito contra nós. Esse amor não é questão apenas de sentimentos, mas, sobretudo, de atitude, atitude benevolente.

É claro que amar o inimigo não é o mesmo que as afeições naturais, porque não é natural amar os que o maltratam e o odeiam. Amar o inimigo é uma graça sobrenatural, e somente pode ser manifestada pelos que nasceram de novo e têm o Espírito Santo em sua vida. Jesus disse que seus seguidores deveriam retribuir o mau com o bem, a fim de que pudessem ser filhos do Pai Celeste (Mt.5:45). Ele não está querendo dizer que esse é o caminho para se tornar filho de Deus; pelo contrário, é para mostrarmos que somos filhos de Deus. Já que Deus não mostra parcialidade aos maus e bons (ambos se beneficiam do sol e da chuva), deveríamos agir com todos de forma graciosa e honesta. “O perfeito amor é um interesse ativo por todas as pessoas, em todos os lugares, independentemente de elas receberem ou não esse amor” (Roberto H. Mounce. Mateus).

3. Perfeitos como o Pai

Disse Jesus: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está no céu” (Mt.5:48). O que Jesus quer dizer aqui? A perfeição para a qual Jesus conclama seus seguidores está definida no contexto. Não significa sem pecado ou impecável. Os versículos anteriores explicam que para ser perfeito, precisamos amar os que nos odeiam, orar pelos que nos perseguem e mostrar bondade tanto para com os amigos como para com os inimigos. Os seguidores de Cristo poderão ser perfeitos, se o comportamento for apropriado ao seu nível de maturidade espiritual, isto é, perfeitos, mas, ainda com muito espaço para crescer. Perfeição, aqui, portanto, é a maturidade espiritual que faz o cristão capaz de imitar Deus, ministrando bênçãos e perdão a todos sem parcialidade.

Com frequência, Mateus 5:48 tem sido mal interpretado; tem servido como texto-base para a doutrina da perfeição cristã, que requer do cristão impecabilidade moral absoluta. Isso jamais acontecerá aqui, pois a nossa natureza carnal não foi removida quando da nossa conversão. Ainda buscamos a medida da estatura completa de Cristo (Ef.4:13), que se concretizará somente na nossa glorificação, que ocorrerá quando formos arrebatados pelo Senhor Jesus por ocasião de sua volta; nesse glorioso evento, o nosso corpo, que é mortal, se revestirá da imortalidade (1Co.15:54) e, portanto, a presença do pecado será debelada para sempre. Portanto, “convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade” (1Co.15:53), para que nos tornemos perfeitos como o Pai celestial.

CONCLUSÃO

O nosso Senhor resumiu toda a lei ao dizer que o seu objetivo é levar os homens à plenitude do amor. Portanto, quer cumprir a Lei de Deus de todo coração? Ame indistintamente. Contra o amor não há lei. Por quê? Porque o amor é o cumprimento da lei (Rm.13:10). Em vez de decorarmos uma lista de "pode e não pode", devemos fazer tudo baseado no amor divino, então cumpriremos a lei de Deus na íntegra. Disse o apóstolo Paulo: “... tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm.13:9,10).

 

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