segunda-feira, 19 de outubro de 2026

AS DORES DO ABANDONO

 

AS DORES DO ABANDONO

Texto Bíblico: 2Timóteo 4:9-18

“Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca” (Sl 68:6)

 A dor do abandono é uma das experiências mais profundas e dolorosas da alma humana. Ela atinge a nossa identidade, gera rejeição e traz a sensação de vulnerabilidade.  – As Dores do Abandono, refletimos sobre como o ser humano lida com a solidão e como a palavra de Deus nos oferece consolo, direção e restauração.

1. O Exemplo Prático: Paulo em 2 Timóteo 4:9-18

Nesta passagem, vemos o apóstolo Paulo no fim de sua vida, preso em Roma, enfrentando o frio, a iminência da morte e, acima de tudo, a deserção de pessoas próximas:

  • A dor da deserção (v. 10): "Demas, tendo amado o presente século, me abandonou..." — A dor do abandono é intensificada quando vem de quem caminhava ao nosso lado. Demas preferiu as ilusões do mundo à fidelidade do reino.
  • A solidão física (v. 11, 13): "Somente Lucas está comigo..." Paulo pede sua capa (para o frio) e os livros/pergaminhos. Ele sentia a carência do aconchego humano e do alimento espiritual e intelectual.
  • A decepção na defesa jurídica (v. 16): "Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram." Nos momentos em que Paulo mais precisou de apoio institucional ou de amigos, encontrou o vazio.

2. A Resposta Espiritual: Como Vencer o Abandono

Apesar de ser abandonado pelos homens, o texto revela como Paulo não se deixou tomar pelo amargor:

  1. A Presença Inabalável do Senhor (v. 17):

"Mas o Senhor esteve ao meu lado e me revestiu de forças..."

Homens podem falhar, amigos podem partir, mas Deus permanece. A presença de Deus não apenas consola, mas fortalece para continuar a jornada.

  1. Graça e Perdoador de Coração (v. 16):

Ao dizer "Que isso não lhes seja imputado", Paulo demonstra que venceu a dor do abandono recusando guardar ressentimento.

  1. Propósito Mantido até o Fim (v. 17):

Mesmo abandonado, o objetivo de Paulo continuava sendo pregar o evangelho para que todos os gentios ouvissem. O propósito protege o coração da autopiedade.

3. O Diagnóstico Divino: Salmo 68:6

"Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca."

O Salmo traz uma promessa e um alerta essencial para este estudo:

Condição

Ação de Deus / Consequência

O Solitário

Deus o acolhe e insere em uma comunidade/família (a Igreja, a fé compartilhada).

O Preso

Deus liberta das algemas da rejeição, da dor e do passado.

O Rebelde

Habita em terra seca — a rebeldia e a recusa em perdoar/se conectar mantêm a pessoa no deserto emocional.

 

Aplicações Práticas para a Vida

  • Reconheça a dor, mas não faça morada nela: Sentir o baque do abandono é humano, mas permanecer na vitimização seca a alma.
  • Busque a família da fé: Deus cuida dos solitários através de relacionamentos saudáveis no corpo de Cristo.
  • Lembre-se de Jesus: O próprio Cristo experimentou o abandono supremo no calvário ("Deus meu, por que me desamparaste?") para que nós nunca fôssemos abandonados por Deus.

Reflexão:

Os homens podem até nos deixar em momentos difíceis, mas a presença do Senhor é a garantia de que nunca estamos completamente sós. Quando nos firmamos nEle, a dor do abandono dá lugar à força do propósito.

 

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos das aflições do justo; e tentar explicar por que passamos por aflições E o abandono ocasiona na vida do servo de Deus. O abandono é uma das piores experiências pelas quais um ser humano pode passar. Pense em um soldado sendo abandonado para morrer em um campo de combate; ou um pastor, que depois de dedicar toda sua vida à uma igreja, ser abandonado por ela na sua velhice; ou ainda um bebê sendo deixado de lado por sua própria mãe. Pasmem, esses incidentes acontecem com frequência e que não estão distantes de nós. Nem Jesus escapou do abandono; antes de ser crucificado, foi deixado de lado por todos os seus discípulos. O nosso consolo é saber que Deus não nos deixa só. O Senhor nos enviou o Espírito Santo justamente para nos consolar e nos guiar em todas as coisas (João 14:16).

I. O ABANDONO FAMILIAR


A família em nossos dias vem sofrendo os mais duros ataques por parte do Diabo. Vícios no lar, infidelidade dos cônjuges, alto índice de divórcio, drogas, violência doméstica e abandono de filhos são alguns dos exemplos mais comuns dessa ação diabólica. Satanás sabe muito bem que se atingir a família, atingirá a sociedade como um todo, bem como ao maior projeto estabelecido por Deus para salvação da humanidade, que é a Igreja. Certamente a manutenção da instituição familiar constitui-se no maior desafio que se nos apresentam nos dias de hoje, no presente século. O adversário de nossas almas tem atacado violentamente a família, porque sabe que, uma vez atingida a família, a um só tempo, estará destruída tanto a sociedade, quanto cada um dos integrantes da família.

O comportamento humano é construído sobre os alicerces lançados na família. Entretanto, a cada dia fica mais difícil encontrar famílias saudáveis. É comum famílias desestruturadas que não cuidam dos seus próprios integrantes, não lhes suprindo as mais básicas necessidades. Muitas das vezes abandonam seus entes queridos nos momentos em que mais precisam de amparo. Paulo adverte que “se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” (1Tm 5:8).

Este tópico da nossa lição fala em especial de três situações de abandono na família:

1. Na doença. A sentença divina sobre o homem, por causa do seu pecado, atingiu diretamente a questão da saúde. A terra foi maldita e, como algo maldito, traria infelicidade, incômodo e aborrecimento para o homem (ler Gn 3:17). A natureza passou a colaborar para um crescente desequilíbrio do organismo humano, desequilíbrio que levaria, mais cedo ou mais tarde, à extinção da atividade, com a degeneração do organismo, que estaria fadado a se desfazer, voltando a ser pó, o mesmo pó que o Senhor havia tomado para formar o homem. Ninguém, portanto, está imune às doenças, nem mesmo os filhos de Deus.

Quando a doença chega, todos precisamos de ajuda das pessoas da família. Mas, infelizmente, o que se tem visto é o abandono nesses momentos mais necessários; abandonam o doente à própria sorte, demonstrando assim uma atitude impiedosa e anticristã, uma verdadeira ausência de amor a Deus e ao seu próximo. Uma pessoa que não demonstra amor ao seu próximo, que vê, como amará a Deus que nunca viu? (1João 4:20).

2. No vício. O Diabo sempre teve interesse em devorar o ser humano através de seus ardis (1Pe 5:8). As drogas de um modo geral têm sido usadas por Satanás para destruir o ser humano, tanto jovem, adolescentes, adultos, as famílias constituídas. O desejo dele é a preservação da humanidade fora dos planos da salvação de Deus.

Muitos não suportam uma pessoa viciada conviver no seu mesmo ambiente social, por isso a abandonam à própria sorte, o que faz ainda mais piorar a vida dessa pessoa. Sem direção e desamparada, a pessoa viciada perde a noção de certo e errado e, para satisfazer o vício, é capaz de roubar e até matar. Alguns chegam até o suicídio, por se sentirem sozinhos e abandonados pelos amigos e pelos da família.

Lidar com viciado não é fácil, mas é nessa hora que a família precisa fazer-se presente e estar unida para ajudá-lo a livrar-se dos vícios. Todavia, a pessoa drogada deve aceitar, incondicionalmente, a mão amiga, quando esta oferece ajuda a qualquer custo.

Um dos maiores problemas a ser vencido, para a pessoa que usa qualquer substância química, é a dificuldade de amar o próximo, pois o amor ao seu ego, faz com que a pessoa fique cega para as pessoas que estão ao seu redor. Para ela só existe sua satisfação, custe o que custar e para quem custar. Desta forma, a pessoa dependente química ofende muito aqueles que a amam e deve se arrepender, pedindo a Deus que a lave com Seu precioso sangue, e também deve pedir perdão às pessoas ofendidas, que foram roubadas e que as deixaram sem dormir de preocupação, ferindo-as, humilhando-as, e deixando-as sem esperança em suas vidas pessoais devido a sua situação.

3. Na terceira idade. A chamada terceira idade é talvez o momento em que as pessoas mais precisam de assistência por parte dos seus familiares, em razão do esmaecimento das forças, com as consequentes doenças. Em nossa sociedade, muitas vezes, os idosos são desprezados; algumas famílias chegam a desampará-los por completo, colocando-os em casas de repouso ou asilos, sem nenhuma assistência familiar. A Bíblia relata que os mais velhos devem ser respeitados e ouvidos pelos mais novos (Js 23:1-2; Lm 5:12,14; Lv 19:12; Ex 20:12). O mandamento do Senhor de honrar o pai e a mãe continua válido para os dias atuais (Ef 6:1-3).

II. O ABANDONO EM SITUAÇÕES DIFÍCEIS


Existem muitas situações difíceis pelas quais podemos sofrer as consequências do abandono em nossa vida. Dentre elas o comentarista da lição destaca:

1. O Abandono no desemprego. O desemprego é um dos fatores mais drásticos que uma pessoa pode passar, principalmente aqueles que tem família para sustentar e com débitos pendentes de liquidação. Geralmente, nessas horas até mesmo aqueles que se diziam amigos desaparecem; até os familiares fogem, pois temem emprestar dinheiro e ouvir as lamentações do desempregado. A Bíblia ensina a amar o próximo e ajudá-lo nos momentos de necessidade (ver Lc 10:25-37). Creio que se formos fiéis ao Senhor ele não nos abandonará nesse momento difícil. Está escrito que “o Senhor não desampara os seus santos” (Sl 37:28).

2. Da amizade. A Bíblia nos mostra exemplos de amizade verdadeira, sincera e desinteressada, como a de Davi e Jônatas (1Sm 18:1), ou a de Rute e Noemi (Rt 1:8-18). É o desejo de todos nós ter uma amizade como essa. Mas é frequente as pessoas serem traídas por aqueles que pareciam grandes amigos. Até Paulo sentiu a dor do abandono de seus amigos mais chegados (cf 2Tm 4:16). Ele sentiu de perto o peso do abandono da amizade, num momento em que mais precisava de uma mão amiga. Já perto do fim da sua vida, preso em Roma, Paulo reclama a Timóteo do abandono de seus irmãos mais próximos. O texto básico desta Aula (2Tm 4:9-18) mostra claramente os sentimentos de tristeza e abandono que tomaram conta de Paulo nesse momento difícil. Paulo sabia que estava chegando perto do fim de sua vida, e pede a Timóteo que vá vê-lo depressa. Mais do que precisar da companhia de Timóteo, Paulo queria lhe ministrar um último ensinamento: mostrar a Timóteo como um cristão deveria morrer por sua fé. Em seguida, Paulo esclarece o porquê está sozinho: Demas o havia desamparado, amando as coisas do mundo; Crescente, Tito e Tíquico também estavam longe, provavelmente pregando o Evangelho; apenas Lucas tinha ficado com ele. E por isso Paulo pede a Timóteo que tome a Marcos e vá vê-lo (convém notar que este é o mesmo João Marcos, sobrinho de Barnabé, que Paulo recusou anos antes como companheiro, porque ele os tinha abandonado na viagem, mas agora ele era útil, e Paulo o reconheceu). Paulo relata a Timóteo o problema que teve com Alexandre, o latoeiro (provavelmente o mesmo blasfemador citado em 1Tm 1:20), para que Timóteo guarde-se dele. Paulo termina o relato dizendo que ninguém o assistiu em sua defesa, mas ele sentiu a presença do Senhor o amparando – “Ninguém me assistiu na minha primeira defesa; antes, todos me desampararam. Que isto não seja imputado” (2Tm 4:16). Nota-se que Paulo se recusou a ficar amargurado por essa experiência. Sua oração pelos que o abandonaram é semelhante à oração de Estevão por seus assassinos: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (At 7:60).

A Bíblia nos adverte a não abandonar o amigo – “Não abandones o teu amigo... (Pv 27:10). Devemos ser fiéis, leais e amorosos – “Em todo tempo ama o amigo...” (Pv 17:17).

3. Da igreja. É dito por muitos que a igreja é a extensão do lar, da família. Um dos muitos modos de referir-se à igreja é como família de Deus. Entende-se que a família vive de relacionamentos, logo, como espaço para relacionamentos, precisa proporcionar um ambiente propício a que seus membros possam relacionar-se saudavelmente. Nós somos membros uns dos outros, então, devemos cuidar uns dos outros. Infelizmente, há igrejas que se esquecem de seus membros, não os visitam, não oram por eles e não lhes tratam as feridas. Até mesmo os missionários muitas vezes estão abandonados pelas igrejas que os enviaram, passando por diversas necessidades. Jesus disse que os falsos cristãos seriam caracterizados justamente pelo desamor e desprezo em relação aos desvalidos (Mt 25:31-46).

É hora de acordarmos para este problema; a igreja precisa tratar as carências dos seus membros. Somos um só corpo (1Co 12:12); se um membro padece, todo o corpo padece (1Co 12:26-27). Devemos cuidar e zelar uns dos outros, para que a igreja de Cristo desfrute perfeita saúde. Deus deseja que Seus filhos vivam em comunhão uns com os outros (Sl 133) e que os desvalidos, desfavorecidos e vitimados pela vida encontrem apoio, atenção e ajuda em Sua casa (Tg 1:27). Convém lembrar que Deus usa os crentes para consolar outros crentes, como fez com Tito em relação à Paulo (2Co 7:6).

III. O DEUS QUE NÃO ABANDONA


1. Na angústia.
É justamente nos momentos de angústia e aflição que o ser humano se sente esquecido por todos, inclusive pelos mais chegados. Quantas vezes nos sentimos sozinhos, angustiados e esquecidos pelos nossos amigos, parentes e pelos nossos irmãos em Cristo. Mas, mesmo nos momentos difíceis da vida, existe alguém que nunca nos abandona, Jesus.

Portanto, se a angústia bater no seu coração, lembre-se que você pode invocar o Senhor. O Salmo 50:15 diz: "invoca-me no dia da angústia, eu te livrarei, e tu me glorificarás". Foi assim que Ana alcançou a benção de ter um Filho (1Sm 1). Foi assim que Moisés alcançou os milagres nas horas mais difíceis. Foi assim que aconteceu com o cego de Jericó; ele gritava pedindo que Jesus tirasse dele aquela angústia, a cegueira física: “Jesus Filho de Davi, tem misericórdia de mim”; o Senhor atendeu o seu pedido, ele foi curado, física e espiritualmente. Jairo também foi até Jesus num momento de angústia, a sua filha estava morrendo; quando estava pedindo a misericórdia do Senhor, recebe uma má notícia: “não precisa mais incomodar o Mestre, ela [a criança] já morreu”. Em muitas das vezes você vai encontrar pessoas que querem incentivar você a desistir, mas não desista! Jairo mesmo recebendo a notícia da morte de sua filha confiou em Jesus e alcançou a benção. Somente em Deus encontramos refúgio e fortaleza nos momentos de angústia. Está escrito: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Sl 46:1).

É bom ressaltar que Deus nem sempre nos livra “da” angústia, mas “na” angústia. Ele não é o Deus da previsão e sim, da provisão. Não é o Deus da previdência e sim da providência. Ele não age antes, mas também não se atrasa. Ele disse: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:20).

Seja qual for as tuas angústias ou problemas, continuem confiando em Deus. Ele nos livra “nos” problemas e “nas” angústias – “Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; livrá-lo-ei e o glorificarei” (Sl 91:15).

2. O amigo. O verdadeiro amigo é aquele que se dispõe a tomar a carga do outro, de colocar o seu próprio destino juntamente ao do outro, de compartilhar as agruras, as dificuldades e as adversidades. O amigo se conhece no momento das dificuldades, não no momento das vitórias e das realizações. Como diz Salomão, o amigo ama em todo o tempo (Pv 17:17a) e não pode abandonar o seu amigo (Pv 27:10).

Ser amigo é algo muito profundo e, em um modo geral, nunca teremos muitos amigos, pois é muito intensa a intimidade do amigo. Esta intimidade faz com que tenhamos, quase sempre, poucos amigos, mas não importa a quantidade, mas, sim, a qualidade desta amizade. Os amigos de Paulo não eram muitos (Cl 4:11), mas o suficiente para que o apóstolo não ficasse desamparado e prosseguisse o seu ministério.

Os amigos não são muitos, mas, mais importante do que isto, é saber que o crente, além de ter os seus indispensáveis amigos, tem um amigo que é mais chegado do que um irmão (Pv 18:24b), a saber, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Jesus chamou Seus discípulos de amigos, em lugar de servos (João 15:15). Nós também temos esse privilégio. Ele é o amigo fiel, que não nos abandona na hora da angústia.

Ao morrer em nosso lugar, Jesus ofereceu a maior prova de amor e lealdade que um amigo pode dar (João 15:13). Cristo morreu na cruz do Calvário para que hoje tivéssemos direito à vida eterna. Para termos esse amigo fiel ao nosso lado, apenas precisamos aceitá-lo como Salvador pessoal. Ele tomou sobre Si nossas enfermidades e nossas dores (Is 53:4), inclusive as dores da discriminação e do abandono.

Abraão foi chamado de “amigo de Deus” (2Cr 20:7; Is 41:8; Tg 2:23). O fato de Abraão ser chamado de “amigo de Deus” já é suficiente para buscarmos seguir o seu exemplo, já que, como servos do Senhor Jesus, também somos reputados como seus amigos (João 15:15). Se Abrão é chamado amigo de Deus é porque tinha o mesmo sentimento de Deus, tinha uma profunda comunhão com o Senhor. Comunhão é o estado em que há uma comunidade de sentimentos, de propósitos, de ideias, ou seja, os sentimentos, os propósitos e as ideias de Abrão e de Deus eram iguais, eram idênticos, eram comuns. Disse Jesus: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15:14).

3. A sua Igreja. A igreja é um projeto exclusivamente divino, concebido, executado e sustentado por Deus. É por isso que podemos ter a certeza, e a história tem demonstrado isto, que nada pode destruir a Igreja. Durante estes quase dois mil anos em que a igreja tem participado da história, muitos homens poderosos se levantaram contra a Igreja, tentaram destrui-la e não foram poucas as vezes em que se proclamou que a Igreja estava vencida. No entanto, todos estes homens passaram, mas a Igreja se manteve de pé, vencedora, demonstrando que não se trata de obra humana, mas de algo que é divino e contra o qual todos os poderes das trevas não têm podido prevalecer. Jesus prometeu que estaria com a Igreja, sempre: “eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28:20). Ao revelar o Seu mistério, isto é, a Igreja, disse que a edificaria e que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt 16:18).

Jesus foi constituído Senhor sobre todas as coisas (Mt 28:18; Rm 14:9) e não deixaria de sê-lo com relação à sua Igreja, que Ele comprou com o seu próprio sangue (At 20:28). Tendo criado a Igreja, nada mais natural que seja o seu Senhor, o seu Rei, o seu Governante. Portanto, Jesus jamais abandona a Sua Igreja.

CONCLUSAO

Na época do profeta Isaias, o povo de Israel experimentou grande sofrimento e, por isso, se sentiam abandonado e esquecido por Deus. Mas Deus lhes deu a seguinte resposta: “Pode uma mulher esquecer-se também do filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas, ainda que está se esquecesse, eu, todavia, me não esquecerei de ti” (Is 49:15). Esta resposta de Deus é a garantia divina a todo crente que passar por períodos de provação, ou até mesmo ser esquecido pelo seu ente querido. O amor de Deus por nós é maior do que a afeição natural que uma mãe amorosa dedica a seus filhos. Sua compaixão por nós nunca cessará, sejam quais forem as circunstâncias da nossa vida. Ele zela por nós com grande amor e ternura, e estejamos convictos de que Ele nunca nos abandonará. A evidência do grande amor de Deus é que Ele nos gravou nas palmas das suas mãos, de tal maneira que nunca nos esquecerá. As marcas dos cravos nas suas mãos, estão sempre diante dos seus olhos como lembrança do grande amor que Ele tem por nós, e do seu cuidado. Portanto, ainda que a família e os amigos venham a abandonar-nos, Deus sempre nos acolherá. Ele está sempre ao nosso lado. Amém!

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

A IMPORTANCIA DO OLHAR

 

A IMPORTANCIA DO OLHAR

 

TEXTO BÍBLICO

Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Salmo 121.1,2

O olhar não é apenas um sentido físico; na tradição bíblica e na vida humana, ele representa a direção da alma, o foco da atenção e a atitude do coração. Para onde direcionamos os nossos olhos define o que alimenta os nossos pensamentos, sentimentos e ações.

1. O Olhar de Confiança e Fé (O Exemplo do Salmo 121)

O Salmo 121 nos traz uma imagem poderosa. Na Antiguidade, os montes e montanhas podiam representar tanto perigo (lugares onde se escondiam assaltantes e feras) quanto falsos refúgios (onde ficavam os altares de ídolos locais).

Ao perguntar "de onde me virá o socorro?", o salmista não coloca sua esperança na criação ou na força humana, mas eleva o olhar acima das dificuldades para contemplar o Criador:

"O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra."

  • Firmar a mente na promessa: Levantar os olhos significa recusar-se a ficar paralisado pelas circunstâncias difíceis e escolher fixar a atenção naquele que é soberano.
  • Mudar a perspectiva: Quando olhamos apenas para o chão ou para os problemas à nossa volta, somos tomados pelo medo e pela ansiedade. Ao elevar o olhar, lembramo-nos da grandeza de Deus em relação às nossas lutas.

2. O Olhar como Lâmpada do Corpo


Na mensagem dos Evangelhos, Jesus ensina sobre a pureza e a clareza da nossa visão interior:

"Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz." — Mateus 6.22

O que deixamos entrar pelos nossos olhos molda o nosso caráter:

  • Olhar generoso e limpo: Transmite paz, compaixão e discernimento espiritual.
  • Olhar focado no mal ou na inveja: Traz escuridão para a mente e contamina as atitudes.

3. O Olhar para os Outros: Compaixão e Cuidado

O modo como olhamos para as pessoas ao nosso redor reflete como absorvemos o amor de Deus:

  • Enxergar com empatia: Jesus frequentemente "viu" a multidão e teve compaixão dela. A importância do olhar na vida cristã envolve ver as dores, necessidades e o valor do próximo, em vez de ignorá-lo ou julgá-lo.
  • O olhar que restaura: Um olhar atento pode acolher e trazer esperança a quem se sente invisível.

Reflexão Prática

Para onde você tem olhado no seu dia a dia?

  • Se o foco estiver nos problemas: A tendência é o desânimo.
  • Se o foco estiver nas distrações do mundo: A tendência é a dispersão.
  • Se o olhar estiver elevado ao Senhor: O resultado é a paz, o socorro e a renovação das forças.

Manter os olhos no Criador não significa ignorar a realidade, mas encará-la sabendo que o seu auxílio vem daquele que guarda os seus passos e não dorme.

Mateus 6.22,23,25-27,31-34

22 - A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.

23 - Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!

25 - Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?

26 - Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

27 - E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?

31 - Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos?

32 - (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas;

33 - Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.

34 - Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

  

INTRODUÇÃO

Os profissionais da área da psiquê humana, no setting analítico, costumam avaliar seus pacientes a partir de três elementos principais: o olhar; as palavras e os gestos.

- O olhar denuncia as intenções do coração; até mesmo as que desejamos esconder — por essa razão, costuma-se dizer que as pessoas que têm dificuldades para manter os olhos fixos em seu interlocutor, em uma conversa, precisam de ajuda, pois revelam, inconscientemente, inverdades e/ou inseguranças ocultas.

- As palavras — existe uma máxima psicanalítica que diz: “Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”. Significa dizer que, quando uma pessoa fala de outra, na prática, revela mais de si mesma. Mesmo quando um paciente se recusa a falar, o terapeuta avalia os silêncios.

- Os gestos — o corpo fala (movimentos rápidos de pernas e pés; pupilas dilatadas; pernas ou braços cruzados etc.); e os especialistas são unânimes em dizer que a linguagem corporal costuma ser mais precisa que a verbal, pois é controlada por impulsos inconscientes. Nesta lição, falaremos sobre o poder transformador do olhar, a partir das revolucionárias palavras de Jesus à multidão que o seguia: A candeia do corpo são os olhos (Mt 6.22a; Lc 11.34). Jesus, o Mestre dos mestres, ensina-nos que a luz do corpo procede dos olhos: se não Soubermos enxergar corretamente a vida, trevas emanarão de nós; e o oposto também é verdade: se soubermos olhá-la de modo acertado, luz irradiará de nosso ser.

  


1- QUAL A IMPORTÂNCIA DO OLHAR NA VIDA?

Frequentemente sentimos a necessidade de planejar o futuro e estabelecer metas para alcançarmos melhores resultados nas áreas profissional, familiar, material e espiritual. Entretanto, para obtermos sucesso, as nossas propostas e perspectivas devem consistir em objetivos sólidos, claros, bem definidos e fundamentados nos princípios da Palavra de Deus. Isto implica, entre outras coisas, esquecermos os fatos ruins do passado, olharmos para a frente, melhorarmos cada vez mais como pessoas e ter atitudes mais coerentes com aquilo que almejamos, a fim de prosperarmos e atingirmos nossos alvos.

1.1. O olhar aponta o foco do nosso presente

Quem é você? Está feliz? Está realizado? Quais são as suas carências? Quem são os seus verdadeiros amigos? O que você quer da vida? Qual a sua missão? E, no contexto familiar, o que você responderia à sua alma, se ela lhe perguntasse hoje: “Que tipo de marido/mulher; pai/mãe; filho/filha é você?”. As respostas a todas essas perguntas estão no nosso olhar. Não somos apenas pais, filhos, maridos, esposas, filhos, evangélicos, patrões ou empregados. Fomos chamados por Deus à existência terrena com um propósito eterno.

1.2. O olhar direciona o nosso futuro

Apenas quando não perdemos o foco do nosso presente podemos projetar de modo coerente o nosso futuro. Daqui a cinco anos, onde você quer estar? Murmurando e reciclando lágrimas, ou tem planos concretos e realizáveis? Como estarão seu casamento, sua casa, sua profissão, seus filhos e sua saúde? Uma pessoa cujo olhar esteja preso ao abismo da própria inércia, muito provavelmente, terá um futuro instável, perturbador e incerto, pois não enxerga um horizonte. Pergunto a você agora: Quais são os seus sonhos? Você tem o desejo sincero de fazer seu cônjuge feliz? Tem o objetivo certo de fazer seus filhos, servos de Deus? Quais ações você tem empreendido nesse sentido?

Apesar de toda a possibilidade de comunicação oferecida pelos olhos, não se deve julgar quem quer que seja apenas por meio de um olhar, pois há grande risco de tirarmos conclusões precipitadas na utilização desse artifício.

1.3. O olhar revela verdades da nossa alma

O psiquiatra e psicoterapeuta Luiz Cuschnir disse: “O olhar pode até contar com um complemento, como uma mímica facial ou uma postura corporal, mas, geralmente, ele é capaz de mostrar de maneira única o que a pessoa é, sente ou deseja em um determinado momento.” É a partir dos olhos que brotam as empatias; também é por meio dessa janela que os apaixonados conectam suas almas. O olhar, muitas vezes, dispensa o uso das palavras e/ou de qualquer outro meio de comunicação: quanto mais as pessoas se conhecem, mais facilidade elas têm para compreender as mensagens mútuas enviadas por esse meio. Você consegue fixar os olhos em seu interlocutor, sem se sentir intimidado? O que você tem visto nos olhos do seu cônjuge? Que verdades você tem lido nos olhos dos seus filhos? Que realidades você tem impedido de vazar dos seus próprios olhos?

1.4. O olhar orienta os nossos relacionamentos

Para muitas pessoas, o sonho de vida feliz resume-se a poder retirar-se para uma ilha paradisíaca, afastada do maior número possível de pessoas. Para outras, o sonho de paz restringe-se ao afastamento do olhar das gentes.

Os imperativos modernos parecem ser: inacessibilidade, isolamento e privacidade.

Você se sente incomodado em dirigir o olhar ao seu semelhante? Você tem medo do que pode ver nos olhos dos seus pais; do seu cônjuge ou dos seus filhos? O que você se recusa a ver? Por que você não se permite ser enxergado?

2- OS OLHARES QUE AGRADAM A DEUS


O ato de agradar a Deus não necessariamente está relacionado às exterioridades culturais — ao modo como nos vestimos, ao que comemos, ao modo como conduzimos a liturgia eclesiástica etc. —, mas está diretamente ligado à gratidão, que brota do nosso interior. Neste tópico, refletiremos sobre como nós, membros de uma família, podemos agradar a Deus.

2.1. Olhando para trás com gratidão

Costumamos dizer, até por déficit de conhecimento, que o caráter de uma pessoa pode ser medido pela verdade (ou pela falta desta) e pela fidelidade (ou pela ausência desta) — obviamente, estes são indicadores pontuais decisivos —, mas caráter transcende a essa análise simplista. E uma das coisas que melhor reflete nosso caráter, ou que melhor revela quem somos, de verdade, é a gratidão (ou a ingratidão).

Hoje em dia, vive-se uma compulsão pelo ter; e esta realidade invadiu a mente evangélica, inclusive. Os cultos destinados a pedir bênçãos ao Senhor costumam ficar repletos de gente — e não há problema algum em clamar pela intervenção divina —, mas precisamos aprender a agradecer pelo que já recebemos. No mundo atual, a cultura do individualismo, do imediatismo e da funcionalidade tem-nos feito esquecer os nossos motivos de gratidão. Gostemos ou não, vivemos os imperativos da comparação, em que todos imaginam ter direitos. E uma atmosfera como esta deixa o solo fértil para a proliferação da inveja. Cuidado para não cair na armadilha da comparação com os outros; em vez disso, aprenda a cultivar um coração agradecido como casal, e depois, transmita esta visão aos seus filhos (Adaptado de: Bíblia de Estudo Preparando Casais para a Vida. Central Gospel, 2013).

Jesus curou dez leprosos de uma única vez; um deles voltou para agradecer a dádiva incomparável que recebera; nove, no entanto, seguiram adiante, sem olhar para trás (Lc 17.12-18). Infelizmente o espírito de ingratidão que se apoderou daqueles homens tem corroído a psiquê evangélica atualmente.

2.1.1. Razões para agradecer

Por mais difícil que seja a nossa vida, há inúmeras razões para agradecermos ao Senhor: a certeza da salvação, em Cristo, já seria motivo suficiente para vivermos de joelhos diante do Pai celestial. Não bastasse isso, precisamos nos lembrar das mínimas coisas que dão sentido à nossa existência: os pequenos gestos em família; o pão diário; o abrigo; as vestes e até mesmo as dores que nos ensinam a ser melhores. Abra o caderno da memória e agradeça ao Senhor por seu marido/esposa; por seu filho/filha; por seu pai/mãe (1 Ts 5.18).

2.2. Olhando para os lados com amor

Há um eco no texto bíblico que transpassa a História, por séculos a fio, e chega ao nosso coração e à nossa consciência: Caim, onde está teu irmão? (Gn 4.9). Ninguém é sozinho neste mundo; ninguém sobrevive no isolamento absoluto. “Onde está tua mulher? “Onde está teu marido?”; “Onde está teu filho?”; “Onde?”. Você tem conseguido olhar com amor para os que vivem ao seu lado? Como você enxerga seu cônjuge, como uma pessoa que perdeu os atrativos da juventude ou como a pessoa que enfrenta as agruras da vida ao seu lado? Como você enxerga seus filhos, como bênçãos ou como despesas? Vençamos a mesquinhez, o egocentrismo e a visão utilitarista que insiste em dominar nosso entendimento. Olhar para o lado permite-nos perceber que não apenas somos amados por alguém, mas que podemos amar-nos uns aos outros.

2.3. Olhando para dentro de si com arrependimento

O mundo hodierno está dominado por uma espécie de hipocrisia coletiva que se manifesta em praticamente todos os indivíduos: não suportamos lançar um olhar esquadrinhador para dentro de nós mesmos; mas nos deliciamos em olhar para o outro e apontar suas faltas. Miserável homem que eu sou (Rm 7.24)! Foi a essa conclusão que Paulo chegou a respeito de si: quero ser bom, mas não consigo; não quero ser mau, mas acabo sendo (Rm 7.19). Se estivermos dispostos a agir como o apóstolo, ou seja, se estivermos dispostos a olhar para dentro de nós mesmos e arrepender-nos de nossos muitos defeitos e vícios, nossa vida familiar será melhor.

2.4. Olhando para cima com louvor

Jesus foi posto em uma cruz, no alto de um monte, para que todos pudessem ver o Filho de Deus entregar-se voluntariamente por amor à humanidade. Quando olhamos para cima, para o monte do Calvário ou para os céus, DEUS nos revela os Seus mistérios. Olhar para cima é enxergar além da dor, da enfermidade, da provação, do desemprego e da crise. Olhar para cima é reconhecer que há um Deus soberano; há um céu que se abre diante de nós. Sigamos o exemplo de nosso Mestre e Senhor, Jesus: Ele sabia que seria crucificado, mas, ainda assim, celebrou a ceia com os apóstolos e cantou um hino de louvor (Mc 14). Ele sabia que o Pai tinha um plano maior naquilo que parecia ser o fim.

2.5. Olhando para frente com esperança

Quem olha para frente com esperança, não se prende à crise do presente, porque já se vê para além da dor, para além da luta e da lágrima. Quem olha para frente com esperança sabe que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28).

A esperança é o combustível da nossa vida; e ela é nutrida pela fé que nos faz ver o invisível, vencer o invencível e tolerar o insuportável. Se creres, tu verás a glória de Deus na sua casa, na sua família, no seu casamento, nas suas emoções e na sua alma. Creia nisto!

CONCLUSÃO

Aprendamos a cuidar do nosso olhar, pois esse olhar vai nos dizer quem somos, hoje, e aonde chegaremos, amanhã, pelas mãos de Deus. Olhe para trás e diga: “Senhor, obrigado”. Olhe para os lados e diga: “Senhor, usa-me”. Olhe para dentro de si e diga: “Senhor, eu me arrependo”. Olhe para cima e diga: “Senhor, eu te louvo”. Olhe para frente e diga: “Senhor, eu prossigo para o alvo”. Deus nos abençoe.

 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

SEMEANDO EM TERRA BOA

 


SEMEANDO EM TERRA BOA

Texto Bíblico: Marcos 4:3-20

"Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro, sessenta, e outro, trinta" (Mt.13:23).

Os Elementos da Parábola

Para compreender o significado de "semear em terra boa", é essencial identificar os símbolos descritos por Jesus:

  • O Semeador: Representa Jesus, os evangelistas e todo aquele que anuncia a mensagem de Deus.
  • A Semente: É a Palavra de Deus. Ela é perfeita, viva e possui potencial intrínseco de transformação.
  • O Solo: Representa a disposição do coração humano ao ouvir a mensagem.

Os Quatro Tipos de Solo

Jesus descreve quatro atitudes do coração diante da Palavra:

Solo

Condição do Coração

O que acontece com a semente?

Beira do caminho

Coração endurecido e insensível.

O inimigo vem e rouba a mensagem antes que germine.

Pedregal

Coração superficial e sem profundidade.

A planta surge rápido, mas seca na primeira tribulação ou perseguição.

Entre espinhos

Coração dividido e sufocado pelas preocupações.

Os cuidados deste mundo e a ilusão das riquezas sufocam a Palavra.

Terra Boa

Coração ensinável, receptivo e obediente.

Ouve, acolhe, compreende e produz frutos abundantes (30, 60 e 100 por 1).

 

Características da "Terra Boa"

Ser uma "terra boa" não significa ser perfeito, mas ter uma disposição de espírito favorável ao crescimento espiritual:

1. Ouve e Acolhe com Atenção

A terra boa não apenas escuta o som das palavras, mas busca compreender a vontade de Deus com humildade e sem dureza de coração.

2. Permite o Enraizamento

A Palavra não fica apenas na superfície das emoções passageiras; ela penetra na mente, na vontade e nas decisões diárias.

3. É Cultivada e Limpa

O coração bom requer manutenção contínua: remover os "espinhos" (ansiedades, ganância) e as "pedras" (mágua, orgulho) para que a semente continue a crescer sem obstáculos.

4. Produz Frutos Espirituais

O fruto é a evidência visível da transformação interna (Gálatas 5:22-23). Cada pessoa produz em proporções diferentes (a trinta, a sessenta e a cem por um), mas todas as terras boas frutificam.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos a respeito da Parábola do Semeador, que é contada nos evangelhos sinóticos (cf. Mt.13:1-9; Mc.4:3-9; e Lc.8:4-8). É uma das parábolas cuja interpretação se encontra no próprio texto sagrado, um dos casos de interpretação autêntica, ou seja, o próprio Jesus explicou o significado da Parábola, de modo que não devemos senão nos circunscrever aos ensinos do Mestre Jesus, a fim de compreendermos qual o sentido da atinente Parábola. Nela precisamos apenas de aplicação e não de explicação. Nela Jesus mostra, claramente, o que é o processo da Salvação e a participação divina e humana correspondentes. Nela Jesus conta como o Evangelho será recebido no mundo. Três verdades podem ser apreendidas nesta Parábola: (a) A conversão e a frutificação espiritual dependem de como a pessoa se porta ante a Palavra de Deus; (b) haverá diferentes reações ante o evangelho, da parte do mundo – uns ouvirão, mas não entenderão (Mt.13:19); uns crerão, mas depois se desviarão (Mc.4:16-19); uns perseverarão e frutificarão em diferentes proporções (Mc.4:20); (c) os inimigos da Palavra de Deus são: Satanás; os cuidados  deste mundo; as riquezas e os prazeres pecaminosos desta vida (Mc.4:19; Lc.8:14).

I. INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA DO SEMEADOR

A interpretação da Parábola do Semeador encontra-se registrada em Mt.13:18-23, Mc.4:14-20 e Lc.8:11-15. Jesus falou sobre seis verdades fundamentais nesta Parábola: o Semeador, a Semente, o Solo, a semeadura, o crescimento e a colheita. Esta é a Parábola proferida por Jesus (Mt.13:3-8):

3. E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear.

4. E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e comeram-na;

5. e outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda.

6. Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz.

7. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na.

8. E outra caiu em boa terra e deu fruto: um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta.

Esta é a interpretação proferida por Jesus (Mateus 13:18-23):

18. Escutai vós, pois, a parábola do semeador.

19. Ouvindo alguém a palavra do Reino e não a entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho;

 20. porém o que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra e logo a recebe com alegria;

 21. mas não tem raiz em si mesmo; antes, é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se ofende;

 22. e o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera;

 23. mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro, sessenta, e outro, trinta.

1. A importância em compreender a Parábola. A Parábola do Semeador é uma das mais importantes, não apenas por constar nos evangelhos sinóticos, mas também por ser fundamental para o entendimento de outras. Ela é a porta de entrada para o entendimento das demais parábolas, é uma espécie de chave hermenêutica para o entendimento das outras parábolas. Quem não compreender sua mensagem não poderá alcançar o significado espiritual das outras. Provavelmente, nenhuma parábola de Jesus é tão bem conhecida quanto a Parábola do Semeador, pois ela precisa apenas de aplicação e não de explicação. Jesus começa com o ouvi e termina com “quem tem ouvidos para ouvir, que ouça” (Mt.13:9). Esta Parábola nos leva a três solenes reflexões:

·         Primeiro, não devemos subestimar as forças opositoras à semeadura. Jesus começou dizendo que precisamos ouvir e terminou dizendo que quem tem ouvidos, que ouça. O diabo, o mundo e a carne se armam para impedir a conversão dos pecadores.

·         Segundo, não devemos superestimar as respostas imediatas. As aparências enganam. Nem toda pessoa que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus. Muitas pessoas vão aderir à fé cristã, mas sem conversão.

·         Terceiro, não devemos subestimar o poder da Palavra. A verdade é tão poderosa que até nos terrenos pedregosos e espinhentos ela nasce e no bom solo produz a trinta, a sessenta e a cem por um. A Palavra não volta vazia. Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo os seus feixes.

2. Os elementos que constituem a Parábola do Semeador: o Semeador, a Semente e o Solo.

a) O Semeador. Note que a primeira personagem da Parábola é o Semeador. Diz, no introito da parábola, que o Semeador saiu a semear e, o que é interessante, nem sequer faz qualquer referência ao Semeador na explicação da Parábola. No entanto, se bem analisarmos a Parábola, veremos que o Semeador, embora não tenha sido explicado pelo Senhor na interpretação, é uma figura fundamental em toda a história, tão fundamental que não carece de qualquer explicação. Sem o Semeador, não haveria como a semente atingir cada um dos terrenos mencionados na Parábola. Certamente, o Semeador representa o próprio Jesus, que leva a semente, que é a Palavra de Deus. Jesus não precisava explicar quem Ele era, pois Ele mesmo ali estava e, desde o início, estava pregando a respeito da chegada do Reino de Deus. Ele é o exemplo maior para os que semeiam Sua Palavra.

b) A Semente. A Semente, diz-nos Jesus, é a Palavra do Reino, é a Palavra de Deus (Mt.13:19a). O trabalho do Semeador é levar a semente, que é a Palavra do Reino, que é o Evangelho. Não estamos aqui neste mundo para pregar costumes, doutrinas de homens, conceitos filosóficos, teses teológicas, teoria da prosperidade material, positivismo. Não e não! Estamos aqui para semear, para levar a Palavra do Reino, a Palavra de Deus. Jesus ensina-nos isto de forma clara, sucinta e objetiva: “o tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc.1:15). Muitos, nos nossos dias, se preocupam em pregar um belo e eloquente sermão, em demonstrar erudição, conhecimento filosófico, teológico, atualização e profundidade no saber humano, mas nada disto é necessário. Devemos semear, ou seja, levar a Palavra de Deus para os mais diversos terrenos existentes, de forma simples e descomplicada.

c) O Solo. Depois de nos ter mostrado o Semeador e a Semente, Jesus começa a ensinar os discípulos a respeito do Solo mencionado na Parábola, onde o Senhor se detém um pouco mais em sua explicação. Se Jesus nada fala sobre o Semeador e pouco fala sobre a Semente, é no Solo que irá concentrar a sua interpretação, pois as pessoas que ouvem a Jesus são comparadas com vários tipos de solos (Lc.8:5-8). Para nós que fomos gerados num solo fértil, precisamos desenvolver nossas raízes por meio da fé em Cristo e do estudo da Palavra de Deus cada vez mais profundo. Tempos difíceis virão, e somente aqueles que tiverem desenvolvido suas raízes abaixo da superfície, sobreviverão. O crente tem que ser como o bambu: suas raízes são profundas, resiste a qualquer tempestade; se enverga, mas não se quebra.

3. Os diferentes tipos de solos infrutíferos. As pessoas que ouvem a Palavra de Deus são comparadas com vários tipos de Solos (Lc.8:5-8). Os resultados são bem diferentes em cada um. Jesus, ao se deter no estudo dos Solos, mostra que seus discípulos deveriam dar especial atenção aos ouvintes da Palavra de Deus. A semeadura deve ser feita em todos os Solos, pois não cabe ao Semeador fazer escolha. No início pode haver a impressão de uma profícua semeadura, porém, pode acontecer que no decorrer do tempo não se colha os frutos esperado. A Parábola do Semeador revela por que Jesus não se impressionava com as multidões que o seguiam. A maioria daquelas pessoas que seguia a Cristo não produziriam frutos dignos de arrependimento. O coração delas era uma espécie de Solo infrutífero, Solo pobre. O Semeador plantou a Semente em quatro tipos de Solos diferentes. Como era de esperar, os resultados foram diferentes em cada caso.

Veja, a seguir, os três tipos de solos infrutíferos.

a) Solo “à beira do caminho” (Mt.13:4,19).

“E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e comeram-na; ouvindo alguém a palavra do Reino e não a entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho”.

A Semente que caiu à beira do caminho representa, conforme interpreta Jesus (Mt.13:19), a Palavra que foi ouvida, mas não foi entendida, de modo que o maligno vem e arrebata o que foi semeado no coração do ouvinte. O maligno é representado pelas aves que comeram a semente. Lucas ainda informa que a Semente foi pisada antes de ser comida pelas aves do céu (Lc.8:5).

O ensino de Jesus mostra-nos que a Palavra de Deus deve ser entendida por quem a ouve. Isto é importante porque, para que alguém possa entender a Palavra de Deus, é necessário que concorram dois fatores: em primeiro lugar, que a Palavra seja transmitida de modo que seja compreendida; em segundo lugar, que a pessoa que a ouve queira compreender, assim como havia o desejo dos discípulos de Cristo em entender o significado das parábolas.

b) Solo com pedregais (Mt.13:5,6).

“E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda. Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz”

A Semente que caiu sobre pedregais (ou sobre pedra, na linguagem de Lucas) representa aquele que, tendo entendido a Palavra, aceita o Evangelho, mas, como não tem raiz em si mesmo, ao surgir a perseguição, que é representado pelo Sol na Parábola, não resiste e morre, assim como a plantinha que não encontra terreno em que possa se enraizar. A perseguição provoca escândalo e, por causa disto, a pessoa abandona o Evangelho, se desvia ou apostata-se da fé.

Observe que, neste caso, houve germinação da Semente, ou seja, operou-se o Novo Nascimento. A semente germinou, ou seja, a vida surgiu, houve efetiva salvação. Todavia, a salvação, como nos ensina esta Parábola, pode morrer; ao contrário daqueles que defendem a ideia de que “uma vez salvo, salvo para sempre”. Jesus diz que o pecador recebeu a Palavra e, mais, recebeu-a com alegria, tanto que a plantinha germinou, porém, morreu. Isto quer nos ensinar que a Salvação não depende apenas do Novo Nascimento, é necessário ter raízes profundas, ter sustentabilidade. Na vida espiritual, é necessário que haja maturidade, crescimento, firmeza. A vida espiritual é dinâmica, e, como tal, não comporta nenhum momento de estagnação, de estabilidade. Quem está em Cristo, é uma nova criatura, mas uma criatura que precisa crescer até chegar a estatura de “varão perfeito’, até atingir a estatura completa de Cristo, ou seja, sempre, já que isto é impossível de ser alcançado aqui na Terra.

Jesus disse que a Semente germinou, surgiu uma pequena planta, porém, não teve para onde crescer. O terreno era pedregoso, ou seja, não tinha terra que permitisse a formação de raízes que sustentassem um crescimento. A pedra fala-nos de resistência, de dureza, de algo sem vida. Se, na nossa vida com Cristo, não deixamos que o Senhor esmiúce a penha (Jr.23:29), ou seja, esmague a pedra que é o nosso eu, a nossa autossuficiência, o terreno ficará pedregoso e não poderemos crescer espiritualmente. O resultado é que, quando vier a provação, a adversidade, não resistiremos e morreremos. A falta de crescimento faz com que o crente não resista às adversidades.

A Parábola fala-nos do Sol, que representa a tentação, a provação, a luta, o sofrimento. Isto nos mostra, claramente, que a vida com Cristo não é mil maravilhas, não é uma vida sem qualquer adversidade, como insistem em pregar os “pregadores da prosperidade” ou os “pregadores da confissão positiva”, que são os grandes responsáveis pelos escândalos que têm levado muitos a abandonarem a fé nos nossos dias.

Como afirma o sábio Salomão, o dia da adversidade também foi feito por Deus (Ec.7:14), e isto não se circunscreveu ao Antigo Testamento, já que Deus é o mesmo e não muda (Tg.1:17). Além do mais, Jesus, nesta Parábola, está falando a respeito da pregação do Evangelho, algo que é próprio da nossa dispensação.

O que nos faz vencer a dificuldade é a presença de raízes, isto é, uma sólida estrutura espiritual, resultado de uma vida de oração e de meditação na Palavra do Senhor. Os grandes heróis das Escrituras Sagradas venceram as adversidades porque tinham intimidade com Deus, porque eram portadores de um crescimento espiritual incessante. Não há como perseverarmos até o fim se não tivermos crescimento espiritual, se não tivermos raízes profundas.

c) Solo cheio de espinhos (Mt.13:7).

“E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na”.

A Semente que caiu entre os espinhos não apenas germinou, como a que caíra sobre os pedregais, como também chegou a crescer; mas, ao mesmo tempo em que ela crescia, também cresceram os espinhos, que acabaram por sufocar a planta, que também veio a morrer. Jesus identifica este terreno com aquele que, embora tenha sido salvo, embora tenha até criado raízes, não percebeu que estava entre espinhos e deu espaço para que estes espinhos crescessem.

Jesus explicou que estes espinhos são os cuidados desta vida, a sedução das riquezas, ou seja, as coisas deste mundo que acabam tendo prevalência a ponto de sufocar a planta e impedir que ela frutifique (Mt.13:22; Mc.4:19; Lc.8:14; 12:29-32; 21:34-36). Não basta apenas que tenhamos uma vida espiritual crescente, mas, além de criar raízes, temos de ser vigilantes.

Os espinhos são os cuidados desta vida, é a sedução das riquezas. A busca de riquezas materiais, a troca das coisas de cima pelas coisas deste mundo, tão condenada por Paulo na epístola aos colossenses (Cl.3:1,2), tem sido a causa de muitos fracassos espirituais, como nos registra o próprio texto sagrado em exemplos tristes como os de Balaão (Jd.11), de Acã (Js.7:20,21), de Simão (At.8:21-23). Lamentavelmente, os nossos dias são dias em que muitos não querem servir a Deus, mas se servir da obra de Deus, inclusive fazendo dos crentes meros instrumentos de lucro. Mas, o apóstolo Paulo adverte: “o amor do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males” (1Tm.6:10).

II. A IMPORTÂNCIA DE OUVIR O EVANGELHO



Após a semente cair em três Solos (corações) infrutíferos, enfim, ela caiu num Solo ideal, num Solo bom, a qual produziu satisfatoriamente. A Semente germinou e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro, sessenta, e outro, cem (Mc.4:8). Este Solo retrata aquele que, de bom e reto coração, ouve e compreende a Palavra, retém a Palavra e frutifica com perseverança. Estes são, portanto, os verdadeiros e genuínos discípulos de Jesus.

O bom Solo permite o nascimento da Semente, como também ocorrera nos pedregais e no espinhal. Mas, no bom Solo, o terreno permite o crescimento das raízes, não há resistência, a pedra dá lugar à terra, que é o mineral moído e esmiuçado pela Palavra de Deus. Sem qualquer resistência do eu, do orgulho, da autossuficiência, o pecador simbolizado pelo bom Solo é humilde de espírito, obediente e, como tal, faz o que Jesus manda.

A diferença básica entre este Solo e os demais que vimos anteriormente é que, nos outros, não houve frutificação, não houve fruto, não houve vida completa, vida plena; pelo contrário, a semente que caiu à beira do caminho, nem germinação houvera; a que caiu nos pedregais, houvera germinação, mas não crescimento; a que caiu nos espinhos, germinação e crescimento, mas não frutificação. Portanto, o que caracteriza a vida espiritual, ensina-nos Jesus nesta Parábola, é a presença do Fruto do Espírito. Por isso, Jesus, no sermão do monte, havia dito que distinguiria os salvos dos perdidos através dos frutos (Mt.7:20).

Há três fatos importantes que merecem destaque neste bom Solo:

1. Um Coração frutífero ouve e recebe a Palavra (Mc.4:20).

“E os que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra, e a recebem, e dão fruto, um, a trinta, outro, a sessenta, e outro, a cem, por um”.

Marcos nos mostra que essa pessoa ouve e recebe a Palavra. Lucas diz que ela ouve com bom e reto coração e também retém a Palavra (Lc.8:15). Essas pessoas não apenas ouvem, mas ouvem com o coração aberto, disposto, com o firme propósito de obedecer. Elas colocam em prática a mensagem e por isso frutificam. Não diz que apenas acolhe com alegria, mas acolhe e frutifica. Logo, o mais importante aqui é: ouvir, receber e praticar.

Nestes dias tão agitados em que vivemos, poucos são os que param para ouvir a Palavra de Deus. Nunca a Bíblia esteve tão disponível, porém, nunca o analfabetismo de Bíblia esteve tão em evidência. Mais escassos são aqueles que meditam no que ouvem. Mas, só os que ouvem e meditam podem colocar em prática a Palavra de Deus e frutificar; essas pessoas são aquelas que verdadeiramente se arrependem do pecado, depositam sua confiança em Cristo, nascem de novo e vivem em santificação; elas aborrecem e renunciam o pecado; amam a Cristo e servem-no com fidelidade.

2. Um coração frutífero produz fruto que vinga e cresce (Mc.4:8,9). O que distingue este Solo dos demais é que nele a Semente não apenas nasce e cresce, também o fruto vinga e cresce. Lucas diz que ele frutifica com perseverança (Lc.8:15).

“E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro, sessenta, e outro, cem. E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça”.

Jesus está descrevendo aqui o verdadeiro crente, porque fruto, ou seja, uma vida transformada é a evidência da Salvação eterna (2Co.5:17; Gl.5:19-23). A marca do verdadeiro crente é que ele produz fruto. A árvore é conhecida pelo seu fruto. Uma árvore boa produz fruto bom. A marca dessa pessoa não é apenas fruto por algum tempo, mas perseverança na frutificação; há uma constância na sua vida cristã; ela não se desvia por causa das perseguições do mundo nem fica fascinada pelos prazeres do mundo e deleites da vida; sua riqueza está no Céu e não na Terra, seu prazer está em Deus e não nos deleites da vida.

3. Um coração frutífero produz frutos em diferentes proporções (Mc.4:9,20). Embora todas as sementes sejam frutíferas, nem todas produzem na mesma proporção. Marcos descreve essa produção em ordem ascendente: trinta, sessenta e cem por um.

“E os que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra, e a recebem, e dão fruto, um, a trinta, outro, a sessenta, e outro, a cem, por um” (Mc.4:20).

Embora todos sejam frutíferos, nem todos são frutíferos na mesma proporção. Jesus nos ensina que, se todos os salvos frutificam, sem exceção, que é a marca da redenção na vida de cada discípulo seu, também é verdade que nem todos são iguais; a frutificação não é idêntica, por isso Jesus fez questão de ressaltar que um produziu cem, outro, sessenta e, ainda outro, trinta. Os crentes não são robôs em série, que não se distinguem uns dos outros, mas, muito pelo contrário, há aqueles que são mais produtivos do que outros. O Senhor, inclusive, ao se comparar à videira verdadeira, fez questão de dizer que costuma podar os menos frutíferos para que se tornem mais frutíferos (João 15:2).

III. O CHAMADO PARA ANUNCIAR O EVANGELHO

É importante frisar que o Semeador semeia a Palavra. Há muitos semeadores que semeiam doutrinas de homens, e não a Palavra; semeiam o que os homens querem ouvir, e não o que precisam ouvir; semeiam o que agrada aos ouvidos, e não o que salva a alma. Essa Semente pode parecer muito fértil, mas não produz fruto que permanece para a vida eterna. Outros pregadores pregam palavras de Deus e não a Palavra de Deus. O diabo também pregou palavras de Deus, mas ele usou a Bíblia para tentar. Palavras de Deus na boca do diabo não é a Palavra de Deus propriamente escrita, mas palavra do diabo, e elas não podem produzir frutos dignos de Deus.

Na Parábola do Semeador, certamente, o Senhor Jesus representa o Semeador. Este que durante os três anos de seu Ministério fez uma abundante semeadura, indo de cidade em cidade, de aldeia em aldeia pregando e ensinando o Evangelho do Reino, enquanto preparava e ensinava seus discípulos, os quais, depois dele, seriam enviados a todo o mundo, também como semeadores. Assim, o Semeador é todo aquele que leva a Palavra de Deus a todas as pessoas. O Senhor Jesus, como o principal Semeador, é o exemplo maior para os que semeiam Sua Palavra. Ele deu uma ordem imperativa:

“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc.16:15); “...ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (Mt.28:19,20).

A Parábola em epígrafe contém instruções para o Semeador, das quais vamos considerar algumas.

1. O Campo a ser semeado é a Terra. O Senhor Jesus falou sobre quatro tipos de lugares onde a semente foi lançada. Os hermeneutas afirmam que, na tipologia bíblica, o número quatro é o número da Terra. Assim, o Senhor Jesus ao se referir a quatro lugares onde a Semente foi lançada, queria que o Semeador soubesse que a Palavra de Deus deveria ser pregada e ensinada em todo o mundo. Certamente que os discípulos, os Semeadores que deveriam continuar a Obra iniciada por Jesus, puderam entender, quando, depois de ressuscitado, Ele lhes ordenou:

“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (Mt.28:20); “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16:15).

Existem, no mundo, grandes espaços, alguns com muitas pedras e espinhos, outros solidamente endurecidos pelas heresias satânicas, e até espaços com Solo muito bom, esperando pelos verdadeiros semeadores.

2. A Missão do Semeador é semear a Semente. “...o Semeador saiu a Semear”. Ele saiu para semear, e semear a Palavra de Deus.

·         Ele não saiu para combater as religiões.

·         Ele não saiu para semear as suas próprias ideias, ou suas opiniões pessoais.

·         Ele não saiu para semear contendas, divisões.

·         Ele não saiu para escolher onde devia semear, para estudar a qualidade da terra, para primeiro arrancar os espinhos, remover as pedras, revolver e regar o Solo endurecido, nem para matar as aves que pudessem comer as sementes, mas ele saiu para semear onde houvesse terra, não importando se boa ou má.

A Missão do Semeador é semear, em todo o tempo e em todo o lugar. A missão do homem de Deus é pregar e ensinar a Palavra de Deus, ou “semear a semente”. Os Anjos não podem fazer este trabalho.

A Missão do Espírito Santo é a de, mediante a pregação e o ensino da Palavra, convencer o pecador “...do pecado, e da justiça, e do juízo” (João 16:8), conduzindo-o, depois, à uma vida de santificação.

A Missão do Senhor Jesus é a de salvar o pecador arrependido, pois, conforme Ele mesmo afirmou, “...o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc.19:10).  Esta é a vontade do Pai: “que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:4).

Assim, o Semeador tem que se preocupar, apenas, em cumprir a sua missão: Semear. Nem o pregador, nem o Espírito Santo, nem o Senhor Jesus e nem o Pai podem obrigar a pessoa que ouviu a mensagem da Palavra a aceitar a salvação na Pessoa Bendita de nosso Senhor Jesus Cristo. O crer no Senhor Jesus Cristo “e serás salvo”, como disseram Paulo e Silas, ao carcereiro de Filipo, é uma decisão, exclusivamente, do homem. Foi o próprio Deus quem lhe deu esta liberdade de escolha, conhecida como livre arbítrio. Deus não viola essa liberdade. O ser humano é livre para aceitar a Salvação e ir para o Céu, como também para rejeitá-la, e ir para o inferno. Sabendo disto, o Semeador não pode desanimar, mas, ainda que não veja a semente germinando, deve prosseguir na sua missão, que é a de semear.

3. O trabalho do Semeador é difícil e o retorno, em números, pode ser pequeno. Todo agricultor sabe que existe um tempo para semear, e quando chega esse tempo tem que fazê-lo, caso contrário, o tempo próprio passa e não haverá colheita. Daí, se naquele momento as circunstâncias não forem favoráveis, então o semeador tem que usar a fé, a fé natural, é claro, e arriscar. Está escrito: “Quem observa o vento nunca semeará, e o que olha as nuvens nunca segará” (Ec.11:4).

Semear é um trabalho difícil, penoso, que exige fé e amor à terra. O Salmista, porém, chamou a semente de preciosa – “Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos” (Sl.126:6).

O tempo de semear é hoje, com vento ou com nuvens, conforme Paulo instruiu Timóteo: “Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo... que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm.4:1,2).

O profeta Isaias falou em semear sobre as águas, sendo que, na Bíblia, águas simbolizam dificuldades, lutas.

“Bem-aventurados vós, que semeais sobre todas as águas e que dais liberdade ao pé do boi e do jumento”(Is.32:20).

Aqui, “todas as águas” pode significar semear em todos os tipos de terrenos: à beira do caminho, nos pedregais, entre espinhos, e até em Solo bom. Dar “liberdade ao pé do boi e do jumento”, que eram e são animais de serviço, aqui pode significar dar condições financeiras, libertando os pés daqueles que são chamados para ir.

Ao usar a figura do Semeador, o Senhor Jesus deixou claro as dificuldades que terão que ser enfrentadas por aqueles que levam a Palavra de Deus. Levar a Palavra “andando e chorando”, ao que nos parece, não é bem conhecida, hoje, como foi no princípio da Igreja.

- Aqueles que estão “levando” a Semente, viajando na classe executiva de modernos aviões, em viagens ditas missionárias e hospedando-se em hotéis cinco estrelas, parece-nos que não estão “andando e chorando” e nem semeando “sobre todas as águas”.

- Aqueles que estão “levando” a Semente, viajando em estradas de primeiro mundo, em confortáveis veículos importados, parece-nos que não estão “andando e chorando”.

- Aqueles que estão “levando” a Semente, porém, confortavelmente instalados em requintados escritórios, com ar-condicionado, e todos os meios de comunicação, parece-nos que não estão “andando e chorando”.

- Aqueles que estão “levando” a Semente, porém, às custas de salários superiores a de todos os membros da Igreja, e nivelados aos dos grandes executivos, parece-nos que não estão “andando e chorando”.

4. Semear a preciosa Semente além de ser difícil, a recompensa embora certa, virá em tempo incerto. A recompensa do Semeador é certa, conforme declarou o Salmista: “...voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos”.

“Voltará” é futuro, a recompensa não é imediata. “Trazendo consigo os seus molhos” significa uma recompensa depois da colheita. Isto pode significar que muitos receberão sua recompensa depois da Grande Colheita que, biblicamente, representa o Arrebatamento da Igreja. Assim é possível pensar que muitos Semeadores só receberão suas recompensas perante o Tribunal de Cristo.

Se você é um Semeador, console-se com estas palavras, pois, conforme declarou Paulo, “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co.15:19).  Paulo nada recebeu, enquanto estava aqui, porém, pouco antes de sua morte, afirmou: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia...” (2Tm.4:7,8).

5. A Colheita não é proporcional à quantidade de Sementes semeadas. Ao propor a Parábola do Semeador acreditamos que o Senhor Jesus quis ministrar aos seus discípulos esta importante lição: de que o retorno do trabalho realizado pode não ser o que o Semeador espera. Das quatro partes de sementes que foram semeadas, três delas perderam-se, não havendo retorno. Perdeu-se 75% do plantio, aproveitando-se apenas 25%, sendo que nesta a produção média foi de 63,3%. Portanto, como na Parábola em epígrafe, os resultados serão determinados pelo coração daquele que ouve.

Lembremos que o nosso papel é pregar a Palavra, para que as pessoas ouçam, creiam e sejam salvas (Rm.10:14,15); e o papel do Espírito Santo é convencer os pecadores (João 16:8-11). Não importa as circunstâncias adversas. Não devemos observar o vento, nem as nuvens, nem o solo (Ec.11:4-6). A ordem é: “que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm.4:2). A ordem é semear a Palavra sem gastar tempo com outra coisa - “Ninguém que milita se embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (2Tm.2:4).

CONCLUSÃO

A Parábola do Semeador mostra-nos que, no Reino de Deus, devemos reconhecer os salvos pelos seus frutos. O que caracteriza a vida espiritual é a presença do fruto, não importa em que quantidade. A característica do bom Solo é a presença de fruto, é a frutificação, que venceu os obstáculos ao entendimento da Palavra, a provação do dia da adversidade bem como a sedução das coisas desta vida. Estamos continuamente lutando contra estes fatores que têm apenas um objetivo: matar-nos e destruir-nos para que não produzamos o Fruto do Espírito. Entretanto, temos de ser o bom Solo, temos de receber a Palavra do Reino em um Solo propício e exclusivo para o seu desenvolvimento em nós. Que Deus possa nos abençoar para que, em assim fazendo, tenhamos como, naquele Dia, ouvirmos do Senhor: “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt.25:34).

 


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