quinta-feira, 28 de maio de 2026

JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE


JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE

Texto Bíblico: 1Samuel 18.3,4; 19.1,2; 20:8,16,17,31,32

"E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma" (1Sm.18:3).

CIRCUNSTÂNCIAS QUE UNIRAM JÔNATAS E DAVI

1. Quem era Jônatas. Filho do rei Saul. Valente nas lutas.


2. Uma batalha que mudou a história. 
Jônatas ouviu as palavras de Fé em DEUS de Davi e sua tremenda fé na aliança com DEUS. Ele assistiu Davi derrotar o gigante Golias usando apenas uma funda e uma pedra.

 
3. A presença de Davi. 
Davi passa a frequentar a tenda do rei Saul e a tocar sua harpa. Sua comunhão com DEUS afasta o demônio de Saul.

UMA AMIZADE APROVADA POR DEUS

1. Jônatas torna-se amigo de Davi. Jônatas se torna amigo de Davi e o ensina a lutar, pois Davi se torna escudeiro do rei.

Na cronologia bíblica após Jônatas dar a Davi suas armas Davi já vão ser escolhido como gente de guerra sendo que nunca estivera numa guerra, nunca havia usado uma armadura. (creio que houve um treinamento e eu creio que Jônatas o ensinou com as armas que ele mesmo lhe dera. Para mim parece lógico) 1 Sm 23.5 E saía Davi onde quer que Saul o enviasse, e era sempre bem-sucedido; e Saul o pôs sobre a gente de guerra, e isso pareceu bem aos olhos de todo o povo, e até aos olhos dos servos de Saul.

Assim Davi veio a Saul, e esteve perante ele, e o amou muito, e foi seu pajem de armas (ou escudeiro). 1 Sm 16.21. Veja o valor de um pajem de armas (ou escudeiro). - 1 Sm 14.13 Então subiu Jônatas com os pés e com as mãos, e o seu pajem de armas atrás dele; e os filisteus caíam diante de Jônatas, e o seu pajem de armas os matava atrás dele.

2. Uma amizade fiel e duradoura. Jônatas fica feliz ao lutar ao lado de Davi que se torna o principal guerreiro de Israel.

3. Uma aliança do Senhor. Jônatas faz uma aliança de sangue com Davi. Nesta aliança está incluido o cuidado com seus descendentes (Mefibosete é beneficiado por esta aliança após a mortte de seu pai Jôntas, anos depois). Um dos itens da aliança é a troca de túnica e de armas que significa: Eu sou teu escudo, se alguém lutar contra ti, luta contra mim.

O CARÁTER DE JÔNATAS E SUAS LIÇÕES

1. Um homem de coragem. Era o homem mais valente de Saul antes de Davi Chegar.

2. Um homem humilde. Aceitava que Davi se destacasse e que fosse até o futuro rei de Israel em lugar de seu pai, lugar que lhe era devido por herança.

Jônatas achou que Davi reinaria e que ele, Jônatas, apesar de ser filho do rei Saul, seria segundo no reinado de Davi. Que humildade.

Então se levantou Jônatas, filho de Saul, e foi para Davi no bosque, e confortou a sua mão em DEUS; E disse-lhe: Não temas, que não te achará a mão de Saul, meu pai; porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo; o que também Saul, meu pai, bem sabe. E ambos fizeram aliança perante o Senhor; Davi ficou no bosque, e Jônatas voltou para a sua casa. 1 Samuel 23:16-18

3. Um homem leal. Mostrou lealdade a Davi e à aliança que fizeram defendendo Davi perante seu pai que o queria matar.

INTRODUÇÃO

Neste estudo falaremos do relacionamento entre Jônatas, filho de Saul, e Davi. A amizade entre eles é uma das mais emblemáticas da Bíblia Sagrada. Jônatas seria, pela linha sucessória, o próximo rei de Israel, e poderia ver em Davi um concorrente ao trono. Entretanto, ao invés de a vitória de Davi sobre o gigante Golias suscitar em Jônatas a mesma inveja e ciúme de seu pai, ele tornou-se um grande amigo de Davi. Jônatas reconheceu nele o próximo rei (1Sm.23:17).

Construir bons relacionamentos não é fácil. Com o avanço tecnológico e a expansão de ferramentas como o celular, cada vez mais pessoas do mundo inteiro se relacionam e surgem novos tipos de “amizades” que algumas das vezes resultam em casamentos, famílias e amizades de verdade, mas, esse novo fenômeno muitas das vezes não ultrapassa a barreira dos “amigos Online” ou “virtuais”; alguns casos, infelizmente, acabam em preocupação, medo e até tragédias. Penso que a amizade verdadeira não pode ser reduzida aos chamados “amigos virtuais” que comentam, compartilham e curtem suas ideias, filosofias, pensamentos, fotos e vídeos. Os “amigos virtuais” juram que te ama e te adora, mas quando te encontra na rua não é capaz de te reconhecer; certamente, Jônatas e Davi não os representam, pois estes eram leais amigos em todas as circunstâncias. Sem lealdade não pode haver amizade, é o que nos ensina a história de Jônatas e Davi.


CIRCUNSTÂNCIAS QUE UNIRAM JÔNATAS E DAVI

1. Quem era Jônatas. Era o filho mais velho de Saul, o primeiro rei de Israel. Seu nome significa “dado por Deus” ou “presente de Deus”. Era um guerreiro valente e hábil no combate, temente a Deus e que inspirava lealdade aos seus comandados, bem como a todo o exército. Sua bravura fora provada, quando, em Micmás, derrotou toda uma guarnição dos filisteus, contando apenas com a ajuda de seu fiel escudeiro, colocando sua fé em ação (1Sm.14:1-14). Contudo, a sua reputação e seu caráter não eclodiu nas Escrituras Sagradas pela sua valentia, e sim pela emblemática amizade que firmara com Davi; é a mais bela história de amizade e lealdade registrada no Antigo Testamento. Jônatas desenvolveu amizade sincera a Davi, renunciando a seus direitos em favor do amigo. Morreu em luta contra os filisteus, ao lado do pai.

 

2. Uma batalha que mudou a história. A amizade de Jônatas por Davi nasceu de forma inesperada, quando assistiu, de perto, a vitória do jovem pastor de ovelhas sobre o imbatível gigante Golias, o campeão dos filisteus, que desafiava os exércitos israelitas, e afrontava o nome do Senhor. Os exércitos de Israel e dos filisteus estavam acampados em dois montes, separados por um vale, o vale do Carvalho (1Sm.17:1-3). Do acampamento dos filisteus saiu Golias, um gigante duelista, com mais de três metros de altura, usando uma armadura que pesava mais de oitenta quilos e uma lança cuja ponta pesava aproximadamente doze quilos. Esse gigante julgava-se imbatível. Era um guerreiro inveterado, assombroso, experiente, que infundia medo em todo o exército de Saul. Ele desafiou os exércitos de Israel e fez Saul e seus soldados recuarem, inchados de medo. Durante quarenta dias, duas vezes por dia, Golias afrontou os exércitos do Deus vivo e não apareceu ninguém com coragem para enfrentá-lo.

 

3. A presença de Davi. Em meio à orquestra do medo, ouve-se o clarinete da esperança. Entre o povo circulou a notícia de que o jovem pastor, por nome Davi, que acabara de chegar de Belém, para entregar víveres aos seus irmãos e ao chefe do exército (1Sm 17:12-21), estava disposto a enfrentar o gigante. Essa notícia espalhou-se rapidamente e foi parar nos ouvidos do rei. Mas, quando souberam que eram um jovem pastor de ovelhas e inexperiente em combate, arrefeceram a expectativa de vitória. Logo apareceu a voz dos embaixadores do caos e das críticas, e dos pessimistas. Os críticos foi o maior desafio que Davi teve que enfrentar naquele instante. Davi precisou vencer aqueles que o criticavam. Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, os críticos são como erva daninha, florescem em qualquer lugar. São os inimigos de plantão, que sempre estão à nossa espreita. Estão espalhados por toda parte, esperando o momento para nos machucar sem piedade. Eles estão dentro de casa, nas ruas, no trabalho, na escola e até na igreja. Você não pode ser um vencedor de gigantes sem antes vacinar-se contra o veneno dos críticos. O objetivo deles é sempre querer nos nivelar à sua mediocridade. Eles são medrosos e covardes e não toleram ver em nós uma atitude de confiança diante dos desafios da vida.

 

Os críticos são movidos pelo combustível da inveja. O invejoso é aquele que se sente infeliz por não ser como você, por não ter o que você tem e por não poder fazer o que você faz. Caim matou Abel por inveja, em vez de seguir seu exemplo. Os irmãos de José tentaram se livrar dele por inveja, em vez de seguir os seus passos. Os fariseus, por inveja de Jesus, preferiram persegui-lo a seguir os seus ensinos. Os algozes de Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, o apedrejaram porque não podiam ser o que ele era – ele era cheio do espírito santo; não podiam fazer o que ele fazia - prodígios e maravilhas.

 

- Eliabe, irmão de Davi, foi o seu maior crítico. Davi foi duramente criticado por ele. A raiz da crítica era a inveja (1Sm.17:28).

- Saul, rei de Israel, que não tinha mais o Espírito Santo (1Sm.18:12), e que estava morto de medo do gigante (cf.1Sm.17:11), também criticou Davi, julgando-o inepto e incapaz de enfrentar o gigante Golias (1Sm.17:33). Saul enxergou três empecilhos em Davi:

Primeiro, ele considerou Davi incapaz. Saul disse: "você não pode...”. Nunca diga para uma pessoa que ela não pode. Aquele que confia em Deus, ver o invisível, crê no incrível, crê no impossível e recebe o incrível. O apóstolo Paulo, mesmo preso, na antessala do martírio, disse: "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp.4:13).

Segundo, Saul considerou Davi inexperiente. Saul disse: "você não tem experiência". O sucesso de uma pessoa não está na sua idade cronológica, mas na sua confiança em Deus. Davi nunca tinha estado numa guerra, mas tinha intimidade com o Senhor dos exércitos. Ele nunca tinha empunhado uma espada, mas tinha matado um urso e agarrado um leão pela barba e vencido. Davi nunca tinha usado uma armadura nem empunhado um escudo, mas manejava com perícia sua funda. Ele não tinha performance para fazer parte do exército de Saul, mas tinha determinação para enfrentar e vencer o gigante.

Terceiro, Saul considerou Davi muito jovem. Saul disse: "você é ainda muito jovem". Davi era jovem, mas corajoso; era jovem, mas confiava em Deus e possuía a fibra de um vencedor de gigantes. Se você é jovem, não permita que os críticos contaminem seu coração e deixem você desanimado por causa da sua pouca idade.

- Golias, gigante filisteu, também criticou o jovem Davi, que o desprezou, escarnecendo dele e do Deus de Israel (1Sm.17:42,43). Ao afrontar Davi, Golias estava afrontando o Deus de Davi. Quem toca nos filhos de Deus toca na menina dos olhos de Deus. Quem declara guerra contra os filhos de Deus chama o próprio Deus Todo-Poderoso para a briga. Confiando em Deus, Davi foi ao encontro de Golias, com apenas uma funda e cinco pedras do ribeiro (1Sm.17:40-47). E com uma única pedra derrubou o gigante, e o matou com a espada deste (1Sm.17:48-58). Golias morreu. Davi prevaleceu. Israel ficou livre e o nome de Deus foi glorificado. Um gigante vencido por um jovem pastor de ovelhas. Um exército inteiro posto em fuga após um combate inusitado e desigual, que desafiava a lógica humana.

 

Jônatas, filho de Saul, assistia aquele duelo, talvez não acreditando no que via. Ele ficou profundamente tocado pela vitória de Davi sobre Golias. Foram essas circunstâncias que levaram Jônatas e Davi a serem grandes e leais amigos, uma amizade emblemática registrada na Bíblia Sagrada. Deus tem seus caminhos, e, quando Ele quer, cria circunstâncias ou muda circunstâncias segundo seus propósitos amorosos e soberanos.

 

UMA AMIZADE APROVADA POR DEUS

 


A amizade entre Jônatas e Davi era uma aliança de amor divino, um exemplo de amizade que tem muito a nos ensinar sobre o real significado e importância da amizade verdadeira. Atualmente, a amizade é um bem que tem se tornado cada vez mais difícil de ser encontrado.

 

1. Jônatas torna-se amigo de Davi. A amizade de Jonatas e Davi aconteceu a partir do momento em que o jovem pastor de ovelhas foi apresentado ao rei Saul, após a matança do gigante Golias. Os dois jovens, um pastor de ovelhas e o outro membro do exército, tinham em comum a fé no Poderoso Deus de Israel, e de imediato se afeiçoaram de tal forma que foram impulsionados por um sentimento puro e sincero, que cresceu e foi construído com respeito, lealdade, amor e temor a Deus.

 

Saul ficou perplexo diante da tremenda vitória de Davi, e mandou o chefe do exército, Abner, chamar Davi, que levou como troféu da batalha inusitada a cabeça do filisteu (1Sm.17:54). Diz o texto sagrado: “Voltando, pois, Davi de ferir o filisteu, Abner o tomou consigo e o trouxe à presença de Saul, trazendo-o na mão a cabeça do filisteu. E disse-lhe Saul: De quem és filho, jovem? E disse Davi: Filho de teu servo Jessé, belemita. E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. E Saul, naquele dia, o tomou e não lhe permitiu que tornasse para casa de seu pai. E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma” (1Sm.17:57,58;18:1-3). Esta passagem nos mostra que uma amizade verdadeira é estabelecida por um vínculo muito forte, o vínculo do amor fraternal.

 

2. Uma amizade fiel e duradoura. Uma verdadeira amizade é marcada pela fidelidade. Eles foram leais amigos até o fim. A amizade entre eles não estava baseada no compromisso para com o outro, mas no compromisso para com Deus. Não permitiram que qualquer coisa se colocasse entre eles, nem mesmo o interesse próprio ou os problemas familiares. Nos momentos de grande tensão, de circunstâncias adversas, aproximaram-se ainda mais.

 

A amizade que nasceu no coração de Jônatas e Davi era algo tão profundo que levou Jônatas a arriscar-se em favor de seu amigo. Em 1Samuel 20:32,33, Saul tenta matá-lo por estar defendendo Davi “Então, respondeu Jônatas a Saul, seu pai, e lhe disse: Por que há de ele morrer? Que tem feito? Então, Saul atirou-lhe com a lança para o ferir; com isso entendeu Jônatas que, de fato, seu pai já determinara matar a Davi”. Jônatas agora sabia que se sua amizade com Davi fosse mantida ele corria risco de vida. Contudo, isso não foi razão forte o suficiente para abalar aquela aliança de amor firmada entre Jônatas e Davi. Jônatas não estava disposto a abrir mão desta amizade por coisa alguma.

Davi honrando seu compromisso e demonstrando que sua amizade por Jônatas permaneceu mesmo depois da morte dele, procurou saber se ainda havia algum descendente de Saul vivo - “Disse Davi: Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul, para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas?” (2Sm.9:1). Ao ser informado de que havia um filho de Jônatas vivo, Davi o levou para morar no palácio e comer da sua mesa (2Sm.9:10). O mais comum em uma situação como aquela seria procurar eliminar todos os descendentes de Saul, já que estes poderiam procurar promover um levante ou o assassinato de Davi para recuperar o trono; no entanto, Davi ao invés de temer perder o trono, e quem sabe a sua própria vida, corre o risco por amor a Jônatas. É preciso lembrar que Jônatas era amigo de Davi e o amava, mas Mefibosete não necessariamente. 

No Novo Testamento vemos também o exemplo de Epafrodito, que foi outro a não se importar em correr riscos por uma verdadeira amizade. Ele viajou cerca de 2.000Km - da Macedônia a Roma - para cuidar de Paulo, podendo com isso perder muito, inclusive sua própria vida, seja através de um acidente durante a viagem, uma enfermidade contraída, o que acabou acontecendo e quase o ceifou (cf.Fp.2:27). Além disso, Paulo era acusado de traição ao Império Romano, e esta era uma acusação grave. Ele poderia ser condenado a morte e, quando um prisioneiro era condenado a morte, quem estava com ele deveria morrer também. Mesmo sabendo disso, Epafrodito abandona sua cidade, sua casa, todos os seus e vai a Roma cuidar de Paulo. Isso é amizade fiel e verdadeira; isso é comprometimento. Que coisa maravilhosa é ter amigos assim. Felizes são aqueles que podem ser e contar com amigos deste porte.

 

Assim se expressou o sábio Salomão, filho de Davi: "Em todo o tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão" (Pv.17:17). Amigo é aquele com o qual podemos contar em todo o tempo. É, exatamente, quando precisamos é que descobrimos quem são, ou, apenas quem é nosso amigo, porque “o amigo ama em todo o tempo”: na prosperidade, ou na escassez; na ventura, ou na desventura; para rir, ou para chorar juntos. “O homem que tem muitos amigos pode congratular-se, mas há amigo mais chegado do que um irmão” (Pv.18:24). Jesus também disse: "Nenhum amor pode ser maior que este, o de sacrificar a própria vida por seus amigos" (João 15:13). Você tem um amigo? Valorize-o!

3. Uma aliança do Senhor. O relacionamento de amizade entre Davi e Jônatas foi tão profundo e tão forte que nele se cumpre a declaração de Pedro: “...os indoutos e inconstantes torcem e igualmente, para sua própria perdição” (2Pd.3:16). Torcer a Palavra de Deus, pretender que ela diga o que ela não diz, é um perigo, e pode ter consequências eternas. Alguns profanos, diabolicamente inspirado, dizem que havia um relacionamento homossexual entre Davi e Jônatas. Para nós, que, segundo afirmou Paulo, temos “a mente de Cristo” (1Co.2:16), é certo que o que havia entre aqueles dois jovens era uma profunda e sincera amizade, um sentimento amalgamado pelo “Phileo” e pelo “Ágape”, sem qualquer concurso do “Eros”. O “Phileo” tem o sentido de amor social, ou amizade, que tanto pode existir entre pessoas do mesmo sexo, como também entre sexos diferentes. Da mesma forma acontece com o “Ágape”, que tem o sentido mais puro do amor, é o amor divino, ou amor que emana do próprio Deus, porque “Deus é amor” (1João 4:8). Estes dois sentimentos - o amor social e o amor Divino - podem unir duas pessoas do mesmo sexo ou de sexo diferente sem a mínima participação do “Eros”, que é o amor carnal, o amor lascivo.

Entre Davi e Jônatas havia uma profunda comunhão e um laço inquebrantável de amizade, ou amor social. O que havia entre eles era uma união espiritual, ou uma união de almas, conforme relata a Bíblia Sagrada: E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma(1Sm.18:1). É preciso ser espiritual para poder entender o significado desse amor que une as almas de pessoas do mesmo sexo, ou de sexos diferentes, sem qualquer conteúdo erótico, ou carnal.

Assim como Paulo considerou Tíquico e seus outros cooperadores como amados e fiéis amigos, da mesma forma Davi foi para Jônatas um amado e fiel amigo. Jônatas amou a Davi “...com todo o amor da sua alma” (1Sm.20:17). Assim, quando Davi soube da morte de Jônatas, no campo de batalha, Davi lamentou, e declarou: Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me eras o teu amor do que o amor das mulheres(2Sm.1:26). Aqui, este amor não tinha qualquer conotação erótica. Amor das mulheres era algo que Davi conhecia muito bem. Sua poligamia com Mical, Abigail, Ainoã, Maaca, Agita, Abigail, Eglá e seu adultério com Bate-Seba, mostram que a maior dificuldade de Davi era a atração pelo sexo oposto (1Sm.18:27; 25:42,43; 2Sm.3:2-5; 11:1-27). Jônatas, também, era casado e pai de um filho, cujo nome era Mefibosete (2Sm.4:4). Portanto, em nenhum texto da Bíblia se diz que Jônatas e Davi desobedeceram a Deus e a sua Lei, no tocante a comportamento homossexual. Eles sabiam que, se tendessem a este comportamento reprovável, estariam cometendo "abominação ao Senhor" (Lv.18:22; 20:13).

Sem sombra de dúvida, a amizade leal e perene entre Davi e Jônatas foi inspirada por Deus, haja vista que, tempos depois, Davi seria beneficiado grandiosamente por ela, quando o amigo Jônatas a livraria da fúria ciumenta e sanguinária de Saul. Eles fizeram aliança espiritual, e não uma parceria abominável aos olhos do Senhor (1Sm.18:3). Somente a má fé de quem usa a Palavra de Deus para justificar seus pecados pode afirmar tamanha incoerência e disparate.


 

 O CARÁTER DE JÔNATAS E SUAS LIÇÕES

Caráter é a forma externa e visível da personalidade. Jônatas, cujo nome significa “dado por Deus”, tinha um caráter exemplar; era o oposto do seu pai; seu exemplo é prova disso. Ele entrou para a história à sombra do pai, mas pouca coisa herdou de seu genitor. Vejamos alguns aspectos do caráter de Jônatas.

1. Um homem corajoso. Jônatas era valente e hábil no combate. Sua bravura já fora provada, quando, em Micmás, derrotou toda uma guarnição dos filisteus, contando apenas com a ajuda de seu fiel escudeiro, colocando sua fé em ação (1Sm.14:1-14). Enquanto Saul estava debaixo da romeira (1Sm.14:2), Jônatas decidiu descer ao campo de batalha. Aliás, esse espírito inquieto era uma marca no seu caráter; era o tipo de líder proativo, de atitude, não esperava a coisa melhorar ou piorar para agir. Gostava de aproveitar oportunidades, sabia que as tais eram únicas e poderia não as ter mais. Durante a batalha, Jônatas se tornou um com seu escudeiro. Foi um trabalho em equipe. Enquanto Jônatas derrubava o inimigo, seu escudeiro matava aqueles que ele derrubava (cf.1Sm.14:13). Revelou-se um comandante de tropas, um herói e um homem de fé (1Sm.14:6). Um líder que trabalha em equipe, unido, terá mais probabilidade de vencer as batalhas da vida. Isto os fez avançar e impor medo aos confiantes filisteus. Nunca caia na armadilha de pensar que, por ser o líder, poderá sozinho vencer os desafios que a liderança oferece.

“Mas a coragem de Jônatas não era apenas física e emocional. Ele tinha a grandeza espiritual que lhe dava confiança, diante das adversidades (1Sm.14:1-4). Ele revelou firmeza diante dos inimigos, e lealdade diante dos amigos”.

2. Um homem humilde. Com o passar do tempo, Jônatas descobriu que Deus havia ungido seu amigo Davi para ocupar o trono de Israel no lugar de seu pai, que pela lógica ele herdaria, conforme mostra 1Samuel 20:31 - “Pois, enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino; pelo que manda buscá-lo, agora, porque deve morrer” (1Sm.20:31). Ignorando seu ego, a tradição e até a vontade do rei Saul, Jônatas abdicou do seu direito ao trono e fez de tudo para defender Davi das investidas do rei. Soube reconhecer que seu amigo tinha a direção de Deus, e as condições humanas para substituir Saul no cargo de monarca de Israel (1Sm.16:1,12,13). E por não comungar das mesmas ideias do rei, Jônatas foi forçado a tomar uma posição e novamente enfrentou a fúria de seu pai para apoiar e defender seu amigo Davi numa clara submissão à vontade do Senhor Deus (cf. 1Sm.20).

Imagina-se quanto foi difícil para Jônatas manter a amizade sólida e verdadeira com Davi num ambiente conflituoso e tumultuado por interesses e o poder. Veja que Jônatas era o sucessor naturalmente de Saul e muito em breve se tornaria o homem mais poderoso e influente do reino de Israel, no entanto, sua amizade por Davi torna-se ainda mais comovente, visto que, sua tocante renúncia ao direito de ser rei e seu devotamento pelo “rival”, constitui sem dúvidas uma das mais nobres e belas histórias de amizade.

O caráter de Jônatas é exemplar para muitos que lideram igrejas hoje. “Há muitos, em igrejas evangélicas, que brigam por cargos e posições, agindo, muitas vezes, com métodos carnais, seguindo o exemplo dos ímpios. São obreiros carnais, dominados por ‘torpe ganância’ (1Tm.3:3). A humildade é qualidade que só possuem os que têm grandeza de alma. E Deus se agrada dos humildes” (1Pd.5:6).

3. Um homem leal. Ser leal, agradável e receptível, independentemente das circunstâncias, precisa ter o caráter dominado pelo Espírito Santo, pois as pessoas são difíceis e possuem interesses, geralmente, conflitantes. Em todas as ocasiões, depois que se tornou amigo de Davi, Jônatas demonstrou sua lealdade. Poderia ter ficado ao lado do seu pai quando, injustamente, quis eliminar a vida de Davi. Pelo contrário, quando soube do plano de Saul para matar Davi, Jônatas procurou o amigo e lhe advertiu do perigo de morte (1Sm.19:1-3; 20:11-17,32,33). Na visão ímpia de Saul, Davi era uma ameaça a Jônatas e consequentemente a toda a sua posteridade já que se Davi assumisse o trono Jônatas não seria o próximo rei, seu filho não seria o príncipe herdeiro e assim por diante (cf.1Sm.20:31). No entanto, ao invés de odiar Davi e tentar eliminá-lo, ele o ama e protege. Eliminar Davi não seria difícil já que ele dispunha de informações privilegiadas a respeito de Davi e este confiava nele. Davi fugiria de Saul, mas não de Jônatas.

Pior do que um inimigo é um falso amigo. Dizem que um sábio antigo orava pedindo a Deus que cuidasse de seus amigos pois dos inimigos ele era capaz de cuidar. Se Jônatas fosse um falso amigo, se Jônatas se deixasse levar por interesses pessoais, Davi estaria correndo sério risco; e é preciso lembrar que o interesse pessoal de que estamos falando não era uma coisa qualquer, era o trono de Israel. 

Muito triste é quando se confia em alguém, quando o tem como amigo sincero, e se vê traído pelo mesmo, por ter se deixado levar por interesses, por benefícios muito menores que aquele do qual Jônatas estava abrindo mão. Infelizmente, isto não é algo incomum. Jônatas sabia que pessoas valem mais que coisas, mais que posição. Para Jônatas o trono não era mais importante que a amizade de Davi.

Jônatas teve um último encontro com Davi, onde mais uma vez selaram o pacto de lealdade diante de Deus – “E, indo-se o moço, levantou-se Davi da banda do Sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes; e beijaram-se um ao outro e choraram juntos, até que Davi chorou muito mais. E disse Jônatas a Davi: Vai-te em paz, porque nós temos jurado ambos em nome do SENHOR, dizendo: O SENHOR seja perpetuamente entre mim e ti e entre minha semente e a tua semente. Então, se levantou Davi e se foi; e Jônatas entrou na cidade(1Sm.20:41-43). Jônatas veio a morrer em Gilboa ao lado de seu pai (1Sm.31:8).

CONCLUSÃO

Que o mesmo Deus que cuidou de Jônatas e Davi, nos conceda discernimento e sabedoria para reconhecer o amor nos pequenos e simples detalhes que constitui uma linda e verdadeira amizade. Que possamos confiar no melhor e maior amigo de todos, Jesus Cristo. Com ele jamais corremos o risco de nos decepcionar e se ouvirmos atentamente a sua voz, certamente saberemos selecionar os bons e verdadeiros amigos que encontraremos durante nossa jornada aqui na terra. “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15:14). Lembremos que sem lealdade não pode haver verdadeira amizade, é o que nos ensina a bela história de Jônatas e Davi.

 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO


OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO

Texto Bíblico: Filipenses 3:17-21

“Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3:18).

O texto de Filipenses 3:17-21 é uma das passagens mais comoventes e, ao mesmo tempo, mais severas das cartas do apóstolo Paulo. Nela, ele expressa uma profunda tristeza ("chorando") ao alertar a igreja de Filipos sobre um perigo que não vinha de fora (como a perseguição romana), mas de dentro ou das margens da própria comunidade cristã: os inimigos da cruz de Cristo.

Para compreender quem são essas pessoas e o que isso significa, precisamos analisar o contexto e as características que Paulo atribui a elas.

O Contexto: O Exemplo a ser seguido

Antes de apontar os inimigos, Paulo estabelece o padrão no versículo 17:

"Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, nos que assim andam."

Paulo não estava sendo soberbo; ele sabia que a fé cristã precisa de encarnação prática. Ele aponta para si e para outros líderes fiéis como modelos de humildade, sofrimento e foco na eternidade. Logo em seguida, o contraste é estabelecido com o versículo 18: "Porque muitos há... que são inimigos da cruz de Cristo".

Quem são os "Inimigos da Cruz"?

O que torna alguém um inimigo da cruz, e não apenas de Jesus ou da Igreja?

A cruz representa a renúncia de si mesmo, o sacrifício, a mortificação da carne e a total dependência da graça de Deus. Portanto, ser um inimigo da cruz significa rejeitar o estilo de vida que a cruz exige.

Histórica e teologicamente, os estudiosos dividem esses opositores em dois grupos principais da época, mas cujas atitudes ecoam até hoje:

  1. Os Antinomistas (Libertinos): Pessoas que distorciam a graça de Deus como uma licença para pecar. Eles pensavam: "Se já fomos salvos pela graça, o que fazemos com o corpo não importa". Rejeitavam o sofrimento, a disciplina espiritual e a pureza.
  2. Os Legalistas (Judaizantes): Aqueles que confiavam na carne, em rituais e na lei para a salvação, esvaziando o valor do sacrifício de Cristo. Se a nossa justiça vem das nossas próprias obras, a cruz se torna desnecessária.

As Quatro Marcas dos Inimigos da Cruz (v. 19)

Paulo é cirúrgico ao descrever o perfil e o destino dessas pessoas no versículo 19:

  • "O fim deles é a perdição": O destino final daqueles que rejeitam a eficácia e o estilo de vida da cruz é a separação eterna de Deus.
  • "O deus deles é o ventre": Eles são governados pelos seus próprios apetites, desejos e impulsos carnais. Não há domínio próprio; vivem para satisfazer o "eu".
  • "A glória deles é para confusão (vergonha) deles": Eles se orgulham daquilo que deveriam se envergonhar (comportamentos imorais, arrogância, falsa espiritualidade).
  • "Só pensam nas coisas terrenas": A mente deles está totalmente horizontalizada. Seus alvos, ambições, preocupações e religiosidade visam apenas o lucro, o conforto e o status neste mundo.

O Contraste: A Pátria Celestial (v. 20-21)

Para que a igreja não se perdesse olhando para o mau exemplo, Paulo eleva o olhar dos filipenses para a verdadeira esperança cristã:

"Mas a nossa pátria está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (v. 20)

Enquanto os inimigos da cruz têm a mente nas coisas terrenas, o cristão vive como um cidadão do céu exilado na Terra. A nossa esperança não está em satisfazer o ventre hoje, mas na transformação que há de vir:

"Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas." (v. 21)

Lições Práticas para Hoje

  • O Choro de Paulo: O apóstolo não fala desses falsos cristãos com raiva ou tom de superioridade, mas com lágrimas. Isso nos ensina que o desvio doutrinário e moral na igreja deve nos causar profunda tristeza e intercessão, não fofoca ou julgamento hipócrita.
  • A Cruz é um Estilo de Vida: Ser amigo da cruz é aceitar o chamado de Jesus: "Negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me" (Lucas 9:23). É viver na contramão de uma cultura que idolatra o prazer próprio e o materialismo.
  • Foco no Alvo: A certeza da volta de Cristo e da glorificação do nosso corpo nos dá forças para suportar as aflições do tempo presente e nos manter firmes, sem nos corrompermos com o espírito do mundo.

INTRODUÇÃO

Neste estudo veremos o zelo do pastor para com as suas ovelhas, pois o verdadeiro pastor é aquele que protege o rebanho dos falsos mestres. Paulo pregou a verdade e denunciou o erro; ele promoveu o evangelho e combateu a heresia. Não fazia relações públicas acerca da verdade para agradar as pessoas. Ele chamou os falazes mestres de “inimigos da cruz de Cristo”. O seu zelo pastoral o levava às lágrimas na defesa de suas ovelhas; ele se comovia ao perceber que algum perigo as ameaçava. A preocupação do apóstolo era que os falsos mestres (provavelmente judaizantes legalistas ou gnósticos) se aproximassem dos crentes filipenses. Esses falsos mestres eram considerados por Paulo "inimigos da cruz", pessoas que trabalhavam para esvaziar o sentido da Cruz de Cristo. Ele pede aos crentes de Filipos que lutem contra esses inimigos a fim de que não venham sucumbir na fé. Esta advertência de Paulo deve ser levada a sério pela igreja na atualidade, pois atualmente também muitos são os inimigos da cruz de Cristo.

I. EXORTAÇÃO À FIRMEZA EM CRISTO (Fp 3:17)

“Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (ARA).

1. Imitando o exemplo de Paulo (Fp 3:17a). Paulo encoraja os crentes de Filipos a buscarem a semelhança de Cristo seguindo o exemplo do próprio Paulo. Eles não deveriam seguir falsos mestres ou os inimigos da cruz (Fp 3:18). Em vez disso, como Paulo enfocava a sua vida em ser como Cristo, eles também deveriam fazer o mesmo.

Devemos estar cônscios de que Paulo jamais usaria de presunção para exortar os crentes de Filipos nestes termos, haja vista que ele sempre enfocou Jesus Cristo e rogou aos crentes para também seguirem o exemplo de outros que seguiam a Cristo. Portanto, Paulo rogou que os filipenses o imitassem como um guia prático de conduta. Na verdade, Paulo considerava-se receptor da misericórdia de Deus, cujo propósito era ser “padrão” para os demais cristãos. Ele era um paradigma para os crentes tanto na questão da doutrina quanto na questão da ética. Ele era modelo tanto na teologia quanto na vida. Seu ensino e seu caráter eram aprovados. Sua vida confirmava sua doutrina, e sua doutrina norteava a sua vida.  Assim, toda sua vida depois da sua conversão foi dedicada à tarefa de apresentar aos outros um esboço do que o cristão deve ser.

Deus salvou Paulo com a finalidade de mostrar ao mundo, pelo exemplo de sua conversão, que o que fez na vida dele também pode e fará na vida de outros. Você pode fazer o mesmo? Você está servindo de exemplo para aqueles que foram salvos pela graça de Deus? Que tipo de seguidor um novo cristão se tornaria se ele lhe imitasse?

2. O exemplo de outros obreiros fiéis (Fp 3:17b). “...observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós”. Aqui, Paulo está reconhecendo o valor da influência testemunhal de outros cristãos, cujas vidas eram baseadas na dele (aqueles crentes maduros mencionados em Fp 3:15). Isso faz referência a quaisquer outros que experimentassem a mesma qualidade de vida que Paulo. Enfim, os cristãos de Filipos deveriam observar a conduta dos fiéis cristãos, tal como a de Timóteo, Epafrodito e outros, e aprenderem com eles, a fim de não se desviarem da fé. É claro que hoje temos o nosso compêndio doutrinário, o Novo Testamento, disponível à igreja. É dele que advém todas as diretrizes para que andemos como filhos e santos de Deus. Ele é infalível e imutável em seus ensinos. Ele é a bússola que nos conduz ao destino certo.


II. OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO (Fp 3:18,19)

“Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.

“O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles é para confusão deles mesmos, que só pensam nas coisas terrenas”.

1. Os inimigos da cruz de Cristo (Fp 3:18). Assim como em Filipenses 3:17 o apóstolo Paulo diz a quem os crentes devem seguir, no versículo 18 diz a quem não devem seguir. O apóstolo não identifica quem são esses inimigos da cruz de Cristo. Não diz se eram os falsos ensinadores judeus mencionados em Fp 3:2 ou se eram ensinadores que se diziam cristãos, mas transformavam a liberdade em licenciosidade e se serviam da graça como pretexto para pecar.

Paulo havia alertado os cristãos acerca desses falsos mestres, agora o faz outra vez, “até chorando”. Por que ele chorou ao fazer tão grande denúncia? Por causa do mal que esses falsos mestres causaram às igrejas de Deus. Por causa do opróbrio que trouxeram ao nome de Cristo. Por causa das vidas que arruinaram. Porque estavam ofuscando o verdadeiro significado da cruz. Sim, e porque o verdadeiro amor chora quando denuncia os “inimigos da cruz de Cristo”, assim como o Senhor Jesus chorou pela cidade de Jerusalém.

2.” O deus deles é o ventre” (Fp 3:19a). A expressão "o deus deles é o ventre" denota aqueles que adoram a carne através das práticas sensuais desenfreadas. Os “inimigos da cruz” viviam o aqui e o agora, e jamais pensavam na eternidade – “comamos e bebamos que amanhã morreremos”. Esta postura visava destruir o Evangelho e todo o progresso dele na vida dos filipenses. Além de sensuais, os falsos mestres invalidavam a suficiência da cruz de Cristo com suas atitudes degradantes e sem quaisquer escrúpulos. Paulo diz que para eles, não há outro destino, se não, o da perdição eterna, ou seja, a separação eterna de Deus, que é a segunda morte.

Segundo o rev. Hernandes Dias Lopes, os “inimigos da cruz de Cristo” vivem encurvados para o próprio umbigo. “Ventre”, neste versículo, vem da palavra koilia”, que pode significar "útero" ou "umbigo". Assim sendo, Paulo pode estar simplesmente comentando o egocentrismo deles. Portanto, tudo quanto faziam era fixar os olhos no próprio umbigo. O deus deles eram eles mesmos. A vida deles eram centradas neles mesmos. Eram adoradores de si mesmos. Em vez de procurar manter seus apetites físicos sob controle (Rm 8:13; 1Co 9:27), compreendendo que nosso corpo é o templo do Espírito Santo, no qual Deus deve ser glorificado (1Co 6:20), essas pessoas se entregavam à glutonaria e à licenciosidade".

 

3. “A glória deles é para confusão deles mesmos” (Fp 3:19b). Os “inimigos da cruz de Cristo” se gloriavam de coisas das quais deviam se envergonhar: sua nudez e seu comportamento imoral. Eles escarneciam da virtude e exaltavam o opróbrio. Ao mal, chamavam bem, e ao bem, mal; faziam das trevas luz, e da luz, trevas; colocavam o amargo por doce, e o doce, por amargo (Is 5:20). Eles não apenas levavam a bom termo seus maus desígnios, mas ainda se vangloriavam disso. A glória desses falsos mestres era para “confusão deles mesmos”. A recompensa deles era fugaz. A decepção deles era certa. A ruína deles era veloz.

4. “que só pensam nas coisas terrenas” (Fp 3:19c). Para os “inimigos da cruz”, as coisas importantes da vida eram comidas, vestimenta, honras, conforto e prazer. Comportavam-se como se fossem viver sobre a terra para todo o sempre. Esta história se repete atualmente. Concordo com o rev. Hernandes Dias Lopes ao dizer que “muitos líderes religiosos, sem temor, têm-se empoleirado no púlpito, usando artifícios e malabarismos, com a Bíblia na mão, arrancando dinheiro das pessoas, fazendo promessas que Deus não faz em Sua Palavra. Esses obreiros fraudulentos, sem nenhum escrúpulo, mercadejam o evangelho da graça, para alimentar a sua ganância insaciável. Hoje, a religião, para muitos, tem sido um bom negócio, uma fonte de lucro, um caminho fácil de enriquecimento. O mercado da fé tem produto para todos os gostos. A oferta é abundante. A procura é imensa. A causa é a ganância. A consequência é o engano. O resultado é a decepção. O fim da linha é o inferno”.

 


III. O FUTURO GLORIOSO DOS QUE AMAM A CRUZ DE CRISTO (Fp 3:20,21)

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas”.

O apóstolo Paulo, depois demonstrar o seu zelo pastoral, alertando acerca dos “inimigos da cruz de Cristo”, lança o seu olhar rumo ao futuro e destaca três gloriosas verdades que são as âncoras de nossa esperança.

1.  O Céu é a nossa Pátria - “Mas a nossa cidade está nos céus” (Fp 3:20). O Céu é um lugar e um estado. É o lugar da morada de Deus e da sua Igreja resgatada, e um estado de bem-aventurança eterna, onde jamais entrarão a dor, a lágrima, o luto e a morte.  Enquanto os falsos mestres tinham os seus pensamentos voltados aos assuntos terrenos (Fp 3:19), os crentes deveriam desejar fervorosamente o seu Lar.

Na época em que a epístola foi escrita, Filipos era uma colônia de Roma (At 16:12). Desta feita, aqueles que moravam em Filipos tinham a sua cidadania romana, embora a maioria dos filipenses jamais tivesse estado na cidade de Roma. A cidadania romana era altamente estimada à época de Paulo. Os cristãos em Filipos, tão orgulhosos de sua cidadania romana (At 16:20,21), deveriam ter valorizado ainda mais a sua cidadania nos céus, onde o Senhor Jesus Cristo vive. Os crentes deveriam ter considerado a si mesmos como “peregrinos”, vivendo temporariamente em um país estrangeiro, com o seu Lar em outro lugar. Um dia eles iriam experimentar todos os privilégios especiais de sua cidadania celestial, porque Cristo iria voltar como seu Salvador. Os crentes estão esperando o Salvador voltar do Céu para a Terra, em sua segunda vinda. Enquanto estavam na Terra, os crentes eram cidadãos de seu país (os filipenses eram cidadãos de Roma, estando, portanto, sob o governo de César); contudo, a lealdade absoluta deveria ser dedicada ao único Salvador verdadeiro, o Senhor Jesus Cristo, que governa nos céus, onde todos os crentes possuem a sua cidadania definitiva.

Somos peregrinos neste mundo, não somos daqui. Nascemos de cima, do alto, de Deus. O Céu é a nossa origem e o nosso destino. O nosso nome está arrolado no Céu (Lc 10:20), está registrado no livro da vida (Fp 4:3). É isso que determina nossa entrada final no país celestial (Ap 20:15).

Por causa da expectativa de habitar em uma cidade superior, Abraão contentou-se em viver em uma tenda (Hb 11:13-16). Por causa da expectativa da recompensa do Céu, Moisés dispôs-se a renunciar aos tesouros do Egito (Hb 11:24-26). Por causa da esperança de vivermos com Cristo no Céu, devemos buscar uma vida de santidade hoje (1Jo 3:3).

2. A segunda vinda de Jesus é a nossa esperança - donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”. A igreja é a comunidade da esperança. Somos um povo que vive com os pés no presente, mas com os olhos no futuro. Vivemos cada dia na expectativa da iminente volta de Jesus. Cada geração sucessiva da Igreja desfruta o privilégio de viver como se fosse a geração que haverá de saudar o retorno de Cristo. A esperança do regresso de Cristo tem poder purificador: “E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro (1João 3:3).

3. A glorificação é a nossa certeza inequívoca - “Que transformará o nosso corpo abatido” (Fp 3:21). Quando o Senhor vier da Sua glória, do Céu, Ele transformará nosso corpo. Quando a trombeta de Deus soar, e Cristo vier com o Seu séquito de anjos, acompanhado dos santos glorificados, os mortos em Cristo ressuscitarão com corpos imortais, incorruptíveis, gloriosos, poderosos e celestiais (1Co 15:43-56). Os vivos, nessa ocasião, serão transformados e arrebatados para encontrar o Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor (1Ts 4:13-18). Nosso corpo de humilhação, sujeito à fraqueza, à enfermidade e ao pecado, será revestido da imortalidade e brilhará como o sol no seu fulgor, brilhará como as estrelas no firmamento, e será um corpo tão glorioso quanto o corpo da glória de Cristo. Seremos "... conformes à imagem de seu Filho" (Rm 8:29). O nosso corpo será semelhante ao corpo da glória de Cristo - "Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é" (1João 3:2b); seremos “conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp 3:21).

Porventura existe ou existirá uma promessa tão gloriosa e maravilhosa com esta? E ainda tem pessoas, que se dizem cristãs, que trocam tudo isso por coisas efêmeras desta vida. É simplesmente pasmoso!

 

CONCLUSÃO

A cruz de Cristo deu cabo da religião do ritualismo como meio de chegar até Deus. Com a morte de Cristo, o véu do templo foi rasgado, e agora o homem tem livre acesso a Deus por meio de Cristo, o novo e vivo caminho (Hb 10:19-25). O que os inimigos da cruz de Cristo consideravam uma linha divisória entre os homens, a circuncisão, Cristo derrubou por meio da sua morte (Ef 2:14-16). Precisamos estar atentos, pois os inimigos da cruz de Cristo procuram introduzir, sorrateiramente, doutrinas contrárias e perniciosas à fé cristã. Portanto, vigiemos, oremos e permaneçamos inabaláveis “na doutrina dos apóstolos” até a vinda de Jesus, sabendo que “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada (Rm 8:18). Amém?

 

 

terça-feira, 26 de maio de 2026

DEUS SE REVELA EM LUGARES DE CRISE

 

DEUS SE REVELA EM LUGARES DE CRISE

TEXTO BÍBLICO: 1º Reis- 19 – 9 ,18

Elias no monte de Horebe  

8-Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força desse alimento caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.

9 Ali entrou numa caverna, onde passou a noite. E eis que lhe veio a palavra do Senhor, dizendo: Que fazes aqui, Elias?

10 Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha vida para má tirarem.

11 Ao que Deus lhe disse: Vem cá fora, e põe-te no monte perante o Senhor: E eis que o Senhor passou; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto, porém o Senhor não estava no terremoto;

12 e depois do terremoto um fogo, porém o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada.

13 E ao ouvi-la, Elias cobriu o rosto com a capa e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. E eis que lhe veio uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias?

14 Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha vida para má tirarem.

15 Então o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; quando lá chegares, ungirás a Hazael para ser rei sobre a Síria.

16 E a Jeú, filho de Ninsi, ungirás para ser rei sobre Israel; bem como a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás para ser profeta em teu lugar.

17 E há de ser que o que escapar da espada de Hazael, matá-lo-á Jeú; e o que escapar da espada de Jeú, matá-lo-á Eliseu.

18 Todavia deixarei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou.

19 Partiu, pois, Elias dali e achou Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele, estando ele com a duodécima; chegando-se Elias a Eliseu, lançou a sua capa sobre ele.

O QUE FAZES AQUI ELIAS

Após vencer os profetas de Baal no monte Carmelo, Elias recebeu ameaças de morte da Rainha Jezabel e fugiu para o deserto, cansado, frustrado e emocionalmente abalado, se escondeu em uma caverna no monte Horebe, foi ali que Deus se revelou e falou profundamente ao profeta.

A caverna simbolizava momento de crise emocional, esgotamento espiritual e confronto interior, onde Deus trabalha o coração do homem.

Pois até homens fortes espiritualmente enfrentam momentos de Medo, solidão. Desanimo, porém Deus transforma Cavernas em lugar de aprendizado e restauração.

Elias Descobriu que Deus fala no Silencio.

Voz Suave de Deus

Intimidade Espiritual para Ouvir

Sensibilidade

Pois Deus não falou no vento forte, Terremoto ou Fogo, mas sua voz Mansa no secreto da Alma.

Elias Descobriu que não estava só, pois havia a Companhia Divina, remanescente fiel e Esperança.

Havia 7 Mil que não haviam se dobrado a Baal, e sua missão ainda não havia terminado, Deus mandou Elias voltar e continuar sua missão profética.

Crises não anulam a missão de Deus o chamado, Proposito, continuidade e missão continuam.

1. O Contexto da Crise: O Esgotamento de Elias

Antes de ir para a caverna, Elias tinha acabado de viver o seu maior triunfo: ele desafiou e derrotou os 450 profetas de Baal no Monte Carmelo. Porém, logo em seguida, a rainha Jezabel o ameaçou de morte.

O impacto emocional foi imediato:

  • Exaustão física e mental: O medo e o cansaço acumulados fizeram Elias fugir para o deserto.
  • Depressão e isolamento: Ele se sentou debaixo de uma árvore e pediu para morrer, dizendo: "Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida".
  • A Caverna: A caverna em Horebe (o monte de Deus) tornou-se o símbolo perfeito de seu estado interior — um lugar de escuridão, isolamento, medo e autodefesa. Elias se escondeu do mundo e, de certa forma, tentou se esconder de seu propósito.

2. A Revelação de Deus: Não no Barulho, mas no Silêncio

Quando Elias estava na caverna, Deus lhe disse para se colocar na entrada do monte, pois o Senhor passaria por ali. O texto narra uma sequência de fenômenos impressionantes:

  • Um vento forte e poderoso que despedaçava os montes, mas o Senhor não estava no vento.
  • Um terremoto que abalou a terra, mas o Senhor não estava no terremoto.
  • Um fogo devastador, mas o Senhor não estava no fogo.

Depois de todo esse barulho e destruição, veio o sopro de uma brisa leve (ou "uma voz mansa e delicada"). Quando Elias ouviu a brisa, cobriu o rosto com o manto e foi para a entrada da caverna.

A grande lição: Nós costumamos procurar Deus nos grandes eventos, nos milagres estrondosos ou nas reviravoltas dramáticas. Mas, na crise, Deus frequentemente escolhe se revelar no silêncio, no sussurro que acalma a alma e fala diretamente ao coração sussurrante de medo.

3. Deus se Revela em Lugares de Crise

A experiência de Elias nos mostra como Deus gerencia as nossas crises mais profundas:

Ele acolhe a humanidade antes de dar uma ordem

Antes de confrontar o desânimo de Elias, Deus enviou um anjo para alimentá-lo e deixá-lo descansar. Deus não condena a nossa fraqueza física ou mental; Ele nos sustenta nela.

Ele faz as perguntas certas

Duas vezes Deus pergunta a Elias: "O que você está fazendo aqui, Elias?". Não era porque Deus não sabia, mas porque Elias precisava verbalizar sua dor. Deus nos dá espaço para desabafar na crise.

Ele redefine a nossa perspectiva

Elias achava que estava sozinho ("Só eu fiquei"). Deus, no sussurro, corrige sua visão distorcida pela dor e mostra que ainda havia 7.000 pessoas que não tinham se dobrado a Baal. A crise limita a nossa visão; a revelação de Deus a expande.

Ele dá um novo propósito

Deus não deixa Elias morando na caverna. Ele o envia de volta com novas missões (ungir novos reis e estabelecer Eliseu como seu sucessor). O sussurro de Deus na crise não serve apenas para nos consolar, mas para nos reposicionar.

Conclusão

A caverna não é o fim da história para quem serve a Deus; é o lugar do recomeço. Se você está hoje em um momento de crise, sentindo-se isolado ou exausto em sua própria "caverna", lembre-se de que Deus não precisa de barulho para agir. É no silêncio da sua oração sincera e na quietude da sua alma que a voz mansa e delicada Dele se faz ouvir, trazendo direção, cura e um novo recomeço.


 
O CHAMADO E A PREPARAÇÃO DE ELISEU - HUMILDADE NÃO SIGNIFICA DESEJAR POUCO DE DEUS


Eliseu, cujo nome significa “DEUS é salvação”, foi um extraordinário profeta do povo de Israel, que substituiu o grande profeta Elias e foi líder dos filhos dos profetas no reino de Israel por cerca de cinquenta anos, a partir do início do reinado de Jeorão em 852 a.C. Como Elias, ele nada deixou escrito para a posteridade, mas alguns dos seus feitos estão registrados para o nosso conhecimento e ensino nos dois livros de Reis.
Há apenas uma referência a ele no Novo Testamento, mas foi feita pelo Senhor JESUS CRISTO (Lucas 4:27), o que lhe dá plena autenticidade, se isso fosse necessário.
"E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro". Lucas 4:27

O SEU CHAMADO

Do lugar do seu nascimento, da sua linhagem, e da idade quando foi convocado para o serviço de DEUS nada sabemos, o que nos lembra que DEUS escolhe os Seus servos sem levar em conta esses e outros detalhes que às vezes julgamos tão importantes.
Mas temos informações suficientes para saber que ele era de uma família temente a DEUS e trabalhava na fazenda do seu pai, Safate. DEUS mesmo o acompanhava e tinha um plano sublime para a sua vida no meio de um povo que, naquele época, estava em grande parte longe de DEUS, governado por uma sucessão de reis idólatras e perversos.
Assim, quando o profeta Elias chegava no fim do seu ministério, desgastado com a rebeldia do povo, e pediu ao SENHOR que o levasse (1 Reis 19:4), o SENHOR ordenou que ele ungisse dois reis, um sobre a Síria e outro sobre Israel, e a Eliseu como profeta em seu lugar. Segundo o relato bíblico, Elias se apressou em nomear Eliseu no caminho entre Sinai e Damasco.
Elias encontrou o jovem e forte Eliseu lavrando com doze juntas de bois adiante dele. Elias passou por ele e lançou o seu manto sobre ele. Era um gesto simbólico, imediatamente compreendido por Eliseu: ele seria o sucessor de Elias, que já havia passado adiante e seguia o seu caminho. Sua submissão foi imediata: correu após Elias, sem discutir condições, pedindo apenas oportunidade para despedir-se dos pais, o que Elias lhe concedeu.
Provou que sua decisão era definitiva, ao tomar e matar a junta de bois, usar os aparelhos de aragem para cozer as suas carnes e alimentar o povo com elas. Em seguida seguiu Elias, deixando o conforto do seu lar e tornando-se o seu servo (1 Reis 19:21).
Isso pode nos lembrar daquele episódio em que alguém se prontificou a seguir ao Senhor JESUS, mas pediu que Ele o deixasse primeiro despedir os que estavam na casa dele (Lucas 9:61,62). Parece um pedido igual ao de Eliseu, no entanto há uma diferença sutil, mas muito importante: a despedida de Eliseu foi curta, consistindo apenas de um jantar, sem haver hesitação da parte dele pois sacrificou os animais que usava em seu trabalho. No outro caso, o pedido significava uma protelação em seguir o Senhor, pois quem pediu queria mais tempo com a família. JESUS lhe disse: “Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de DEUS.”


A SUA PREPARAÇÃO

Elias estava com pressa de deixar o cargo, mas Eliseu não estava preparado ainda. Era necessário tempo para aprendizagem e durante sete ou oito anos Eliseu foi assistente de Elias, prazo em que houve silêncio sobre os dois nas crônicas bíblicas.
O seu relacionamento com Elias era de servo, descrito ao rei Jeosafá, depois que Elias se fora, como “derramar água sobre as mãos de Elias”. A humildade, apego e submissão de Eliseu ao seu mestre não podiam ser descritas de maneira mais clara e abreviada, convencendo Jeosafá a ir procurá-lo para resolver um problema sério, certo de que a palavra do SENHOR estava com ele (2 Reis 3:11,12).

Há alguns entre nós que costumam desprezar, como desnecessário, um período de aprendizagem para os que são chamados para o trabalho do Senhor. Mas um intervalo tomado em uma escola bíblica, ou seminário evangélico, desde que bem orientado, pode ser de grande importância para o obreiro inexperiente.


Não se trata de conseguir um diploma, ou profissionalização, mas esse tipo de aprendizagem ensina a humildade e a submissão aos seus mestres, pode evitar erros sérios no ministério e permite adquirir em pouco tempo conhecimentos e experiências que serão de grande utilidade o seu ministério.

A partida de Elias (2 Reis 2:1-12)

A partida de Elias foi notável e singular em toda a história. Se há uma lição importante para nós, é o apego de Eliseu ao seu mestre, e a sua nobre ambição de ser dotado com o dobro da unção do ESPÍRITO de Elias.

Elias nos dá a impressão de estar testando Eliseu. Ambos sabiam que DEUS estava para tirar Elias para que Eliseu o substituísse. Três vezes Elias disse a Eliseu que ficasse onde estava porque o SENHOR queria que Elias fosse a outro lugar. Em todas essas vezes, Eliseu insistiu em seguir junto com Elias, dizendo as mesmas palavras: “Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei”.


Eliseu aparentemente já era aceito como o eventual sucessor de Elias, e os filhos dos profetas em Betel e Jericó sabiam que haveria a substituição naquele dia. Elias já se dispunha a se afastar, mas Eliseu insistiu em acompanhá-lo até ao fim - que caráter!
Há uma tendência entre os mais jovens de hoje de fazerem pouco caso dos anciãos mais idosos em suas igrejas - ele já foi, dizem! Eliseu amava o seu mestre e ficou com ele, submisso, até que DEUS o tomasse. Foi grandemente recompensado por isso!
Após atravessarem o rio Jordão, simbolicamente terminando a missão de Elias ao afastar-se de Israel e voltar à sua origem do outro lado do rio (1 Reis 17:1), Elias perguntou a Eliseu o que ele gostaria de receber dele, e a resposta de Eliseu foi decerto inesperada: queria que Elias lhe concedesse porção dobrada do seu espírito! Uma dupla porção da herança cabia ao filho primogênito de um israelita, e a herança de Elias seria de ordem espiritual.
Elias servira a DEUS de maneira sacrificial toda a sua vida, e DEUS lhe concedera abundantes dons espirituais. Eliseu sabiamente queria o mesmo para si, e de forma duplamente abundante. É curioso notar que a Bíblia nos relata oito milagres feitos por Elias, mas dezesseis, o dobro, feitos por Eliseu.

Não era da competência de Elias conceder o pedido de Eliseu, mas prometeu que Eliseu saberia que ele lhe tinha sido concedido, se tivesse a oportunidade de ver a sua partida. Realmente Eliseu viu Elias ser elevado ao céu num redemoinho, e assim teve a confirmação.
O ministério de Eliseu

Em seu ministério, Eliseu provou ser um homem de grande energia, ativo no serviço a DEUS, falando com autoridade em nome do SENHOR, de uma integridade incorruptível, confiante no poder de DEUS, fiel em seu ministério e de grande visão espiritual. A sua influência se viu tanto na área pública quanto nas vidas particulares daqueles que tiveram o privilégio de participar da sua companhia. Foi sem dúvida, um exemplo a ser seguido por todo aquele que se dedica ao serviço de DEUS. R David Jones

 
2 Reis 2:1-8 - Elias Despede-se de seus Amigos, Especialmente de Eliseu - Comentário Bíblico Exaustivo - Antigo Testamento e Novo Testamento - Matthew Henry
Os tempos de Elias, e os eventos referentes a ele, são tão pouco datados como aqueles de qualquer grande homem na Escritura. Não somos informados de sua idade, nem em que ano do reinado de Acabe ele apareceu pela primeira vez, nem em que ano do reinado de Jorão desapareceu, e por essa razão, não se pode conjeturar por quanto tempo ele atuou. Supõe-se que vinte anos ao todo. Aqui somos informados de:

Que DEUS tinha determinado levá-lo ao céu em um redemoinho (v. 1). Ele faria isso, e é provável que o fizesse saber de seu propósito algum tempo antes, que Ele iria em breve levá-lo do mundo, não pela morte, mas pela passagem de seu corpo e alma para o céu, como Enoque foi, só fazendo-o passar por uma mudança necessária para qualificá-lo para ser um habitante do mundo dos espíritos, como aqueles que serão encontrados vivos na volta de CRISTO deverão experimentar. Não nos cabe dizer por que DEUS colocaria tal honra peculiar sob Elias, acima de qualquer outro dos profetas. Ele foi um homem sujeito às mesmas paixões que nós, conheceu o pecado, mas nunca provou da morte. Por que motivo ele foi assim dignificado, assim diferenciado, como um homem a quem o Rei dos reis teve prazer em honrar? Podemos supor que:


1. DEUS olhou para seus serviços passados, os quais foram eminentes e extraordinários, e quis conceder-lhe uma recompensa por eles e um encorajamento para os filhos dos profetas para andarem nos passos de seu zelo e fidelidade, e, custasse o que custasse a eles, testemunharem contra as corrupções da era em que viviam.

2. Ele olhou para baixo, para o presente estado de escuridão e degeneração da igreja, e quis dar uma prova muito perceptível de outra vida após esta, e direcionar os corações dos poucos fiéis para cima, em sua direção, e na daquela outra vida. 3. Ele olhou adiante para a dispensação evangélica, e, no translado de Elias, deu um tipo de figura da ascensão de CRISTO e da abertura do reino dos céus para todos os crentes. Elias tinha, pela fé e pela oração, convivido muito com os céus, e agora ele é levado para lá, para nos assegurar que, se tivermos comunhão com os céus, enquanto estivermos aqui na Terra, em breve estaremos lá, a alma (o ser humano) será feliz lá, e para sempre.

Que Eliseu tinha determinado, enquanto continuasse na Terra, apegar-se a ele, e não o deixar. Elias parecia querer livrar-se dele, o teria abandonado em Gilgal, em Betel, em Jericó (vv. 2,4,6). Alguns pensam em humildade. Ele sabia o que a glória de DEUS tinha designado para ele, mas não parecia se orgulhar disso, nem desejava que isto fosse visto pelos homens (os favoritos de DEUS não desejam ter proclamado diante deles que eles são assim, como os favoritos dos príncipes terrestres fazem), ou que ainda isto fosse para testá-lo, e fazer sua adesão constante a ele a mais recomendável, como Noemi persuadindo Rute que voltasse. Em vão Elias lhe pede para que permaneça aqui ou ali. Ele decide não ficar em lugar nenhum abandonando o seu senhor, até ele ir para os céus, e abandoná-lo nesta Terra. “Não importa o que aconteça, te não deixarei;” E por que isto? Não somente porque ele o amava, mas:
1. Porque ele desejava ser edificado por sua convivência santa e divina por todo o tempo em que ele permanecesse na terra. Isto tinha sido sempre lucrativo, mas, nós podemos supor, que agora fosse mais do nunca. Nós devemos fazer uns aos outros todo bem espiritual que pudermos, e conseguir reciprocamente tudo o que pudermos, enquanto estivermos juntos, porque nós estamos juntos apenas por um pouco de tempo.


2. Porque ele desejava ter certeza no que se referia à sua partida, e vê-lo quando ele fosse levado, para que sua fé fosse confirmada e seu conhecimento do mundo invisível aumentado. Ele tinha seguido Elias por muito tempo, e não o deixaria agora quando esperava pela partida abençoada. Que aqueles que seguem a CRISTO não fracassem pelo cansaço no final.

Que Elias, antes de sua partida, visitou as escolas dos profetas e despediu-se deles. Parece que havia muitas escolas de profetas em muitas cidades de Israel, provavelmente até mesmo na própria Samaria. Aqui nós encontramos filhos dos profetas, e um considerável número deles, mesmo em Betel, onde um dos bezerros foi erigido, e em Jericó, a qual foi mais tarde construída em desafio a uma maldição divina. Em Jerusalém, e no reino de Judá, eles tinham sacerdotes e levitas, e o serviço do templo, cuja falta, no reino de Israel, DEUS graciosamente supriu com aquelas escolas, onde os homens eram treinados e empregados na prática da religião e devoção, e às quais pessoas boas recorriam para solenizar as festas previstas com oração e o ouvir, quando eles não tinham locais próprios para sacrifícios ou incensos, e assim a religião era mantida num tempo de apostasia geral. Havia muito de DEUS entre esses profetas, e mais eram os filhos da desolada do que os filhos da mulher casada. Nenhum dos grandes sacerdotes era comparável àqueles dois grandes homens, Elias e Eliseu, os quais, até onde sabemos, nunca ministraram no templo de Jerusalém. Estes seminários de religião e virtude, cuja fundação é provável que tenha ocorrido por iniciativa de Elias, ele agora visita, antes de sua partida, para instruí-los, encorajá-los e abençoá-los. Note: Aqueles que estão indo para os céus devem se preocupar com aqueles que vão abandonar na Terra, e devem deixar com eles suas experiências, testemunhos, conselhos e orações (2 Pe 1.15). Quando CRISTO disse, com triunfo: Eu já não estou mais no mundo, ele acrescentou, com ternura: Mas eles estão. Pai, guarda-os.


Que os filhos dos profetas tinham conhecimento (ou pelo próprio Elias, ou pelo espírito da profecia em alguns de seu próprio convívio), ou suspeitaram pela solenidade da despedida de Elias, que ele seria logo removido. E:

Eles contaram isso a Eliseu, tanto em Betel (v. 3) quanto em Jericó (v. 5): Sabes que o Senhor, hoje, tomará o teu senhor por de cima da tua cabeça? Isto eles disseram não o censurando pela perda, ou esperando que quando seu mestre tivesse ido ele se colocasse no mesmo nível que eles, mas para mostrar quão ocupados estavam com esse assunto e ansiosos por esse evento, e para prevenir Eliseu que se preparasse para a perda. Não sabemos que nossas mais próximas relações, e mais queridos amigos, devem em breve ser levados de nós? O Senhor os tomará. Nós os perdemos quando Ele, a quem pertencem, os chame, pois é aquele que tira e ninguém pode impedir. Ele leva embora tanto os superiores a nós quanto os inferiores, e os que estão no mesmo nível que nós. Por isso, cumpramos cuidadosamente o dever de cada relacionamento, para que possamos refletir sobre ele com conforto quando vier a ser dissolvido. Eliseu sabia disso muito bem, e o seu coração se encheu de tristeza com esta notícia (como os discípulos em um caso similar, João 16.6), e por essa razão ele não precisava ouvir falar disso, não estava interessado em ouvir falar do assunto, e não seria interrompido em suas contemplações acerca desta grande preocupação, nem seria levado a interromper o serviço que prestava ao seu mestre: Também eu bem o sei; calai-vos. Ele não fala com raiva, ou com desprezo aos filhos dos profetas, mas como alguém que estava bem e os queria acalmar e tranquilizar, e que estava, com um silêncio terrível, esperando o evento: Também eu bem o sei; calai-vos (Zc 2.13).


2. Eles próprios foram para serem testemunhas à distância, embora não pudessem assistir de perto (v. 7): Cinquenta homens dos filhos dos profetas pararam de longe, tentando satisfazer sua curiosidade, mas DEUS assim ordenou, que eles deviam ser testemunhas oculares da honra que o céu concedeu àquele profeta, o qual era desprezado e o mais indigno entre os homens. Os trabalhos de DEUS são muito merecedores de nossa atenção, quando uma porta é aberta no céu o chamado é: Sobe aqui, sobe e veja.

Que a abertura milagrosa do rio Jordão foi o preâmbulo para a passagem de Elias para a Canaã celestial, como tinha sido para a entrada de Israel na Canaã terrena (v. 8). Ele devia ir para o outro lado do Jordão para ser transladado, porque lá era a sua terra natal e porque ele devia estar próximo ao lugar em que Moisés morreu, e para que assim a honra pudesse ser colocada na parte do país que era mais desprezada. Ele e Eliseu podiam ter cruzado o Jordão em uma balsa, como outros faziam, mas DEUS iria engrandecer Elias em sua saída como fez com Josué em sua entrada, pela divisão deste rio (Js 3.7). Como Moisés dividiu o mar com a sua vara, assim Elias dividiu o Jordão com seu manto, ambos, vara e manto, sendo os emblemas — os distintivos de seu ofício. Estas águas que antes cederam à arca, agora cederam ao manto do profeta, manto que, para aqueles que careciam da arca, era um sinal equivalente da presença de DEUS. Quando DEUS levar os seus fiéis para o céu, a morte é o Jordão que, imediatamente antes de sua passagem, eles deverão atravessar, e eles encontrarão um caminho através dele, um caminho seguro e confortável. A morte de CRISTO dividiu as águas para que os resgatados de DEUS possam passar. Onde está, ó morte, o teu aguilhão, a tua ferida, o teu terror?


2 Reis 2:9-12 - Elias É Arrebatado, e Eliseu Lamenta - Comentário Bíblico Exaustivo - Antigo Testamento e Novo Testamento - Matthew Henry

Elias cumpre seu desejo, e deixa Eliseu como seu herdeiro, agora o ungindo para que seja profeta em seu lugar, mais do que quando lançou a sua capa sobre ele (1 Reis 19.19).


1. Elias, estando grandemente satisfeito com a constância da afeição e da atenção de Eliseu, lhe fez uma pergunta sobre o que ele deveria realizar para ele, que bênção deveria deixar para ele ao partir. Elias não diz (como o bispo Hall observa): “Pede-me o que queres que te faça quando eu tiver ido, no céu eu estarei mais apto a te favorecer”, mas: “Pede-me antes que eu vá”. Podemos falar com nossos amigos na Terra, e eles podem nos responder, mas não temos acesso a nenhum amigo que esteja no céu, a não ser CRISTO, e DEUS nele. Abraão nós não conhecemos.


2. Eliseu, tendo esta justa oportunidade de se enriquecer com as melhores riquezas, roga por uma porção dobrada de seu espírito. Ele não pede por riquezas materiais, nem por honra, nem ausência de problemas, mas pede para estar qualificado para o serviço de DEUS e de sua geração. Ele pede: (1) Pelo ESPÍRITO, não que Elias tivesse capacidade de conceder os dons e as graças do ESPÍRITO. Por essa razão ele não diz: “Dê-me o ESPÍRITO” (ele sabia muito bem que isso era dom de DEUS), mas: “Peço-te que ele esteja sobre mim, intercede junto a DEUS por mim nesse sentido”. CRISTO disse a seus discípulos que pedissem o que quisessem, não alguma coisa, mas tudo, e prometeu enviar o ESPÍRITO, com muito mais autoridade e certeza do que poderia Elias. (2) Por seu espírito, porque ele deveria ser um profeta em seu lugar, continuar seu trabalho, para gerar os filhos dos profetas e encarar os inimigos deles, porque ele deveria encontrar as mesmas dificuldades e lidar com a mesma geração perversa, de maneira que, se ele não tiver seu espírito, não terá força suficiente para enfrentar a tarefa. (3) Por uma porção dobrada de seu ESPÍRITO. Ele quer dizer o dobro do que tinha Elias. É uma ambição sagrada procurar com zelo os melhores dons, e aqueles que nos tornarão mais úteis a DEUS e a nossos irmãos. Note: Nós todos, tanto ministros quanto povo, temos que colocar diante de nós os exemplos de nossos predecessores, trabalhar a exemplo do espírito deles, e ser sérios com DEUS buscando a graça que os conduziu em seu trabalho e os habilitou a cumpri-lo.


3. Elias prometeu-lhe o que ele pediu, mas sob duas condições (v. 10). (1) Contanto que ele valorizasse e estimasse isto muito: isso ele o ensina a fazer ao chamá-lo coisa dura, não tão difícil para DEUS realizar, mas muito grande para ele esperar. Aqueles que estão mais preparados para as bênçãos espirituais são aqueles mais sensíveis ao quanto elas valem e à sua própria indignidade para recebê-las. (2) Contanto que ele se mantivesse próximo a seu senhor, até ao final, e fosse o observasse: Se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, do contrário, não. Uma atenção diligente às instruções de seu senhor, e uma observação cuidadosa de seu exemplo, principalmente agora nesta última cena, eram a condição e seriam um meio adequado de obter muito de seu espírito. Observar cuidadosamente a maneira de sua ascensão seria também de grande utilidade para ele. Os confortos dos santos que partiram, e suas experiências, ajudarão poderosamente tanto a dourar nossos confortos quanto a fortalecer nossas resoluções. Ou, talvez, isto fosse planejado apenas como um sinal: “Se DEUS te favorecer tanto a ponto de fazer com que me vejas quando eu acender, aceita isso como um sinal de que Ele fará isso para você, e confia nisso.” Os discípulos de CRISTO o viram ascender e, por causa disso, tiveram certeza de que, em pouco tempo, seriam preenchidos por seu ESPÍRITO (At 1.8). Podemos supor que depois disso Eliseu orou seriamente: Senhor, mostra-me esse sinal para bem.


Elias é levado ao céu num carro de fogo (v. 11). Como Enoque, ele foi trasladado, para não ver a morte. E foi (como Cowley o expressa) o segundo homem que saltou o fosso no qual todo o resto da humanidade caiu e ele não foi para o céu descendo. Muitas perguntas curiosas poderiam ser feitas sobre este assunto, mas não poderiam ser respondidas. Que nos baste a informação que temos aqui sobre:


1. O que o seu Senhor, quando chegou, o encontrou fazendo. Ele estava conversando com Eliseu, instruindo-o e encorajando-o, orientando-o em seu trabalho, e estimulando-o, para o bem daqueles que ele abandonaria. Ele não estava meditando ou orando, como alguém completamente enlevado pelo mundo para o qual estava indo, mas como alguém dedicado à pregação, como alguém preocupado com o reino de DEUS entre os homens. Nós nos enganamos se pensamos que nossa preparação para os céus é feita apenas pela contemplação e os atos de devoção. A utilidade que representamos para os outros nos será cobrada como qualquer outra coisa. Pensar em coisas divinas é bom, mas falar delas (se isso vier do coração) é melhor, porque é para a edificação (1 Co 14.4). CRISTO ascendeu ao céu enquanto estava abençoando seus discípulos.


2. Que escolta seu Senhor lhe enviou — um carro de fogo, com cavalos de fogo, o qual apareceu ou descendo sobre eles das nuvens ou (como pensa o bispo Patrick) correndo na direção deles por sobre o chão: nesta forma os anjos apareceram. As almas de todos os fiéis são carregadas por uma invisível guarda de anjos para dentro do seio de Abraão. Mas, tendo Elias carregado seu corpo consigo, está guarda celestial tornou-se visível, não numa forma humana, como de costume, embora eles pudessem tê-lo carregado em seus braços, ou o levado como nas asas de uma águia, mas isto seria carregá-lo como a uma criança, como a um cordeiro (Is 40.11,31). Eles aparecem na forma de um carro e cavalos, para que ele pudesse conduzir com pompa, para que pudesse conduzir em triunfo, como um príncipe, como um vencedor, sim, mais do que vencedor. Os anjos são chamados na Escritura de querubins e serafins, e a aparência deles aqui, embora possa parecer estar abaixo de sua dignidade, corresponde a ambos os nomes. Pois (1) Serafim significa flamejante, e diz que DEUS faz deles um fogo abrasador (Sl 104.4). (2) Querubim (na opinião de muitos) significa carruagens, e eles são chamados de os carros de DEUS (Sl 68.17), e diz que Ele montou num querubim (Sl 18.10), aos quais talvez exista uma alusão na visão de Ezequiel de quatro seres viventes, e rodas, como cavalos e carros. Na visão de Zacarias eles também são representados assim (Zc 1.8; 6.1. Compare com Apocalipse 6.2ss.). Veja a prontidão dos anjos para fazerem a vontade de DEUS, mesmo nos serviços mais desprezíveis, para o bem daqueles que devem ser herdeiros da salvação. Elias devia mudar-se para o mundo dos anjos, e por essa razão, para mostrar quão desejosos eles estavam de sua companhia, alguns deles viriam buscá-lo. O carro e os cavalos apareceram como fogo, não por queimar, mas pelo brilho, não para torturá-lo ou consumi-lo, mas para tornar sua ascensão notável e ilustre aos olhos daqueles que ficaram de longe para vê-la. Elias tinha queimado com zelo santo por DEUS e por sua honra, e agora, com o fogo sagrado ele foi refinado e trasladado.

3. Como ele foi separado de Eliseu. Este carro os separou. Note: Os mais queridos amigos devem partir. Eliseu tinha afirmado que não o deixaria, mas agora ele é abandonado por Elias.

4. Para onde ele foi carregado. Ele subiu ao céu num redemoinho. O fogo tende a subir. O redemoinho ajudou a carregá-lo através da atmosfera, para fora do alcance da força magnética da terra, e então, quão suavemente ele acendeu através do puro éter para o mundo dos espíritos sagrados e abençoados que nós não podemos conceber.
“Mas onde ele parou nunca se saberá,


Até que a Natureza Fênix, envelhecida,



Aspire tornar-se um ser melhor, Subindo-a, como ele, para a eternidade em fogo.” .
Uma vez Elias, em aflição, tinha desejado morrer. Mas DEUS foi tão gracioso com ele a ponto de não apenas não aceitar seu pedido na ocasião, mas de honrá-lo com este privilégio singular, de que ele nunca veria a morte. E por este exemplo, e por aquele de Enoque: (1) DEUS mostrou como os homens deveriam deixar o mundo se não tivessem pecado, não pela morte, mas pela trasladação. (2) Ele concedeu um vislumbre daquela vida e imortalidade que são trazidas à luz pelo evangelho, da glória reservada para os corpos dos santos, e da abertura do reino dos céus para todos os crentes, como então ocorreu para Elias. Isso também foi uma figura da ascensão de CRISTO.


Eliseu comovido lamenta a perda do grande profeta, mas o assiste com um elogio (v. 12).
1. Ele viu isto. Assim ele recebeu o sinal pelo qual lhe fora garantida a concessão de seu pedido por uma dupla porção do espírito de Elias. Ele olhou fixamente para o céu, de onde ele esperava receber aquele dom, como os discípulos fizeram em Atos 1.10. Ele viu por um momento, mas a visão foi prontamente tirada de sua vista. E nunca mais o viu.

2. Ele rasgou suas próprias roupas, como sinal da noção que tinha de sua própria perda e da de todos. Embora Elias tivesse ido triunfantemente para o céu, este mundo não podia dar-se ao luxo da sua ausência, e por isso sua remoção devia ser muito lamentada pelos sobreviventes. Sem dúvida, os corações daqueles cujos olhos estão secos são duros, quando DEUS, ao levar embora homens úteis e leais, pede choro e lamentação. Embora a partida de Elias tenha aberto o caminho para a eminência de Eliseu, especialmente desde que ele estava agora seguro da dupla porção de seu espírito, ele lamentou a perda de Elias, porque o amava, e poderia tê-lo servido para sempre.

3. Ele falou de Elias de forma muito honrável, mostrando o motivo de tanto lamentar sua ausência. (1) Ele próprio tinha perdido o guia de sua mocidade: Meu pai, meu pai. Ele viu sua própria condição como a da criança sem pai atirada ao mundo, e lamentou isto da forma adequada. Quando CRISTO deixou seus discípulos, não os deixou órfãos (Jo 14.15), mas Elias teve que fazê-lo. (2) O público tinha perdido seu melhor guardião. Ele era os carros de Israel, e os seus cavaleiros. Ele teria levado todos para os céus, como nesse carro, se não fosse por culpa deles mesmos. Eles não usavam carros e cavalos em suas guerras, mas Elias era para eles, por seus conselhos, reprovações, e orações, melhor do que a mais poderosa força de carros e cavalos, e evitou os julgamentos de DEUS. Sua partida foi como a derrota de um exército, uma perda irreparável. “Seria melhor ter perdido todos os nossos homens de guerra do que ter perdido esse homem de DEUS.”


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