UMA VIDA PLENA NAS AFLIÇÕES
Texto Bíblico: Fp 4:10-13
"Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a
maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter
fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Posso todas as coisas
naquele que me fortalece" (Fp
4:12,13)
1.
A Prisão em Roma (Cativeiro)
Embora
existam debates acadêmicos, a visão tradicional é que Paulo escreveu essa carta
de Roma (por volta de 61-63 d.C.), sob guarda domiciliar ou em uma prisão
romana, aguardando o julgamento do Imperador Nero.
- A
Incerteza: Ele não
sabia se seria executado ou libertado.
- A
Escassez:
Prisioneiros romanos dependiam de amigos para comer e se vestir. Se
ninguém trouxesse provisões, o prisioneiro passava fome e frio.
2.
O Motivo da Carta: Uma Nota de Agradecimento
A
igreja de Filipos (a primeira que Paulo fundou na Europa) enviou um colaborador
chamado Epafrodito com uma oferta financeira e suprimentos para Paulo.
- Quando
ele diz "sei ter abundância" no versículo 12, ele está se
referindo ao alívio que sentiu com a chegada dessa ajuda.
- No
entanto, ele enfatiza que, antes da ajuda chegar, ele também estava bem.
Isso dá uma autoridade enorme às palavras dele: ele não estava teorizando
sobre sofrimento, ele estava vivendo-o.
3.
A Paradoxal "Carta da Alegria"
Apesar
de estar acorrentado, a palavra "alegria" (ou o verbo
"alegrar-se") aparece 16 vezes em apenas quatro capítulos.
O
Contraste: * Cenário Externo: Correntes,
soldados romanos, risco de morte, escassez física.
- Cenário
Interno: Contentamento, gratidão, vigor espiritual.
Por
que isso importa?
Saber
que ele estava preso transforma o "Posso todas as coisas" de um
slogan motivacional em um testemunho de sobrevivência.
Paulo
está dizendo aos Filipenses: "Não fiquem
ansiosos por mim. Minha situação é difícil, mas minha fonte de força não está
no palácio do Imperador, nem na liberdade física, mas em algo que as correntes
não podem tocar."
1.
A Escola da Experiência
Paulo
usa a expressão "estou instruído" (ou "aprendi o segredo",
em algumas traduções). Isso sugere que o contentamento não é um dom místico que
cai do céu, mas uma disciplina praticada.
- A
Oscilação da Vida:
Ele descreve os altos e baixos extremos: abundância vs. escassez, fartura
vs. fome.
- A
Autossuficiência em Deus:
O termo grego para "contente" usado no versículo anterior (autarkēs)
refere-se a alguém que é independente das circunstâncias externas.
2.
O Significado Real de "Posso Todas as Coisas"
Muitas
vezes, o versículo 13 é usado como um "mantra de vitória" para
alcançar metas difíceis (passar em provas, ganhar competições ou enriquecer).
No entanto, dentro do contexto de Paulo:
- Capacidade
de Suportar: O
"todas as coisas" refere-se a todas as situações mencionadas
antes.
- A
Fonte da Energia: Ele
diz que pode passar pela fome ou pela fartura sem perder a paz, porque sua
força não vem de sua força de vontade, mas de uma conexão com o divino.
Nota: É mais sobre "posso suportar tudo" do que "posso
realizar qualquer desejo".
Resumo
da Dualidade de Paulo
|
Situação |
A Atitude de Paulo |
O Segredo |
|
Abundância |
Não
se tornar arrogante ou autossuficiente. |
Dependência
de Deus. |
|
Escassez |
Não
cair no desespero ou na amargura. |
Fortalecimento
interno. |
Aplicação para Hoje
Essa
passagem é um convite à estabilidade mental. Em um mundo de
"montanha-russa" (econômica, emocional
e social), Paulo propõe que a nossa felicidade não deve ser refém do
que temos na conta bancária ou no prato, mas sim de uma base interna sólida.
INTRODUÇÃO
Vivemos
num mundo onde só há uma certeza: a presença de momentos de aflição. Jesus,
deixou claro que no mundo teríamos aflições (João 16:33b) e, ao anunciar a
edificação da sua Igreja, já foi logo dizendo que ela teria de enfrentar as
portas do inferno (Mt 16:18).
Vimos
ao longo deste trimestre situações difíceis que o cristão está propenso a
passar, tais como: dramas biológicos – enfermidades na vida do crente (vimos
nas lições 1, 2 e 3); dramas sociais (lição 4 e 5); dramas familiares (lições 7
e 8); dramas materiais (lições 9 e 10); dramas de relacionamento (lições 11 e
12). Para onde nós viramos contemplamos o clamor das pessoas, o desespero
tomando conta dos corações, famílias enfrentando problemas os mais sérios
possíveis; assim caminham os povos do mundo inteiro. São momentos de
dores, de guerra, de conflitos, de incompreensão, de sofrimento contínuo, a que
tudo chamamos de aflições do presente século, confirmando as palavras do
Apóstolo Paulo.
O
apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos, diz: “Porque
estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados,
nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a
profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que
está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8:38,39). A convicção firme e
inabalável de Paulo é que nem a crise da morte, nem as desgraças da vida, nem
poderes sobre-humanos, sejam eles bons ou maus (anjos, principados,
potestades), nem o tempo (presente ou futuro), nem o espaço (alto ou profundo),
nem criatura alguma, por mais que tente fazê-lo, poderá separar-nos do amor de
Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. Temos vida plena como a de Paulo
nos momentos de aflições?
Quando
as aflições nos cercarem a ponto de pretenderem nos levar à morte ou nos
proporcionar impiedoso sofrimento, quando forças opositoras do presente século
nos proporcionarem insuportável fardo, quando as expectativas sombrias de um
futuro incerto nos assustarem, lembremo-nos: há um amor imensurável,
aconchegante, ilimitado, incondicional que pode nos proporcionar incomparável
alívio. Esse amor é o Amor de Deus. Lancemos, pois, mão desse trunfo e
vençamos todas as aflições que eventualmente nos sobrevierem. O próprio Senhor
Jesus afirmou que no mundo teríamos aflições. Todavia, Ele conclui dizendo: “…, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João
16:33).
I.
VIVENDO AS AFLIÇÕES DA VIDA
Depois de Jesus, uma das pessoas que mais experimentou aflições por amor a Cristo foi o apóstolo Paulo. Ouça-o: “...eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias, muitas vezes, em fome e sede, em jejum, muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas” (2Co 11:23-28). Durante toda a sua dor e o seu sofrimento, Paulo podia dizer em triunfo: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8:18).
Além
dos cruentos sofrimentos exarados em 2Co 11:23-33, Paulo padecia de uma aflição
contínua, que o acompanhou a vida inteira: uma enfermidade, que ele denominou
de “espinho na carne”. No início de 2Coríntios 12, Paulo descreve seu
arrebatamento ao terceiro céu e sua visão gloriosa. Viu coisas que não é lícito
ao homem referir. Depois da glória, porém, vem a dor; depois do êxtase, vem o
sofrimento. Em 2Coríntios 12:7-10, Paulo faz uma transição das visões
celestiais para o espinho na carne. Que contraste gritante entre as duas
experiências do apóstolo! Passou do paraíso à dor, da glória ao sofrimento.
Provou a bênção de Deus no céu e sentiu os golpes de Satanás na terra. Paulo
passou do êxtase do céu à agonia da terra. Vamos examinar alguns pontos importantes:
1.
O sofrimento é inevitável. Paulo
dá seu testemunho: "E, para que não me
ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne,
mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte" (2Co
12:7). Não há vida indolor. É impossível passar pela vida sem sofrer. O
sofrimento é inevitável. O sofrimento de Paulo é tanto físico quanto
espiritual.
2.
O sofrimento é indispensável. Por
que o sofrimento é indispensável?
a)
Porque evita a soberba. O
espinho na carne impediu que Paulo inchasse ou explodisse de orgulho diante das
gloriosas visões e revelações do Senhor. O sofrimento nos põe em nosso devido
lugar. Ele quebra nossa altivez e esvazia toda nossa pretensão de glória
pessoal. É o próprio Deus quem nos matricula na escola do sofrimento. O
propósito de Deus não é nossa destruição, mas nossa qualificação para o
desempenho do ministério. O fogo da prova não pode chamuscar sequer um fio de
cabelo da nossa cabeça; ele só queima nossas amarras. O fogo das provas nos
livra das amarras, e Deus nos livra do fogo. O apóstolo Paulo diz que o espinho
na carne era um mensageiro de Satanás. Mas o campo de atuação de Satanás é
delimitado por Deus. Satanás intenciona esbofetear Paulo; Deus intenciona aperfeiçoar
o apóstolo.
b)
Porque gera dependência constante de Deus. "Por causa disto,
três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim" (2Co 12:8). O sofrimento levou Paulo à
oração. O sofrimento nos mantém de joelhos diante de Deus para nos colocar de
pé diante dos homens. Paulo sabe que Deus está no controle, não Satanás. Se
Satanás realizasse seu desejo, ele teria preferido que o apóstolo Paulo fosse
orgulhoso em vez de humilde. Os interesses de Satanás seriam muito mais bem
servidos se Paulo fosse se tornar insuportavelmente arrogante.
c)
Porque mostra a suficiência da graça. "Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque
o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas
fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo" (2Co
12.9). A graça de Deus é melhor do que a vida. A graça de Deus é que nos
capacita a enfrentar vitoriosamente o sofrimento. A graça de Deus é o tônico
para a alma aflita, o remédio para o corpo frágil, a força que põe de pé o
caído. A graça de Deus é a provisão de Deus para tudo de que precisamos, quando
precisamos. A graça nunca está em falta; ela está continuamente disponível. Não
devemos orar por vida fácil; devemos orar para sermos homens e mulheres
capacitados pela graça.
3.
O sofrimento é pedagógico. A
vida é a professora mais implacável: primeiro, dá a prova e, depois, a lição. A
dor sempre tem um propósito, mais que uma causa. Deus não desperdiça sofrimento
na vida de seus filhos. Se Deus não remove o espinho é porque ele está
trabalhando em nós, para depois trabalhar por meio de nós.
4.
O sofrimento pode ser um dom de Deus. Temos
a tendência de pensar que o sofrimento é algo que Deus faz contra nós, e não
por nós. O espinho de Paulo era uma dádiva, porque, por meio desse incômodo,
Deus protegeu Paulo daquilo que ele mais temia: ser desqualificado
espiritualmente (1Co 9:27). Ele sabia que o orgulho destrói. Viu-o como algo
que Deus fez a seu favor, e não contra ele.
5.
Satanás pode ser o agente do sofrimento. Espere um pouco: é Satanás ou Deus quem está por trás do
espinho na carne de Paulo? Como é que um mensageiro de Satanás pode cooperar
para o bem de um servo de Deus? Parece uma contradição total. A inferência é
que Deus, na sua soberania, usa os mensageiros de Satanás na vida dos seus
servos. As bofetadas de Satanás não anulam os propósitos de Deus, mas
contribuem para eles. Até mesmo os esquemas satânicos podem ser usados em nosso
benefício e no avanço do reino de Deus. O diabo intentou contra Jó para afastá-lo
de Deus, mas só conseguiu colocá-lo mais perto do Senhor.
6.
Deus nos conforta em nossas adversidades. A resposta que Deus deu a Paulo não era a que ele
esperava nem a que ele queria, mas era a que ele precisava. Deus respondeu a
Paulo que ele não o havia abandonado. Não sofria sozinho. Deus estava no
controle da sua vida e operava nele com eficácia.
7.
A graça de Deus é suficiente nas horas de sofrimento. Deus não deu a Paulo o que ele pediu;
deu-lhe algo melhor, melhor que a própria vida: a sua graça. A graça de Deus é
melhor que a vida; pois por ela enfrentamos o sofrimento vitoriosamente. O que
é graça? É a provisão de Deus para cada uma das nossas necessidades. O nosso
Deus é o Deus de toda a graça (1Pe 5:10).
8.
Finalmente, o sofrimento é passageiro. O
sofrimento deve ser visto à luz da revelação do céu, do paraíso. O sofrimento
do tempo presente não é para se comparar com as glórias porvir a serem
reveladas em nós (Rm 8:18). A nossa leve e momentânea tribulação produz para
nós eterno peso de glória (2Co 4:14-16). Aqueles que têm a visão do céu são os
que triunfam diante do sofrimento. Aqueles que ouvem as palavras inefáveis do
paraíso são os que não se intimidam com o rugido do leão.
O
sofrimento é por breve tempo; o consolo é eterno. A dor vai passar; o céu
jamais! A caminhada pode ser difícil. O caminho pode ser estreito. Os inimigos
podem ser muitos. O espinho na carne pode doer. Mas a graça de Cristo nos
basta. Só mais um pouco, e nós estaremos para sempre com o Senhor. Então o
espinho será tirado, as lágrimas serão enxutas, e não haverá mais pranto, nem
luto, nem dor.
II.
CONTENTANDO-SE EM CRISTO
1.
Apesar da necessidade não satisfeita. A
vida de Paulo não floresceu num paraíso de arrebatadoras venturas. Ele passou
por grandes necessidades. Sabia o que era fome, sede, frio, nudez, prisões,
açoites, tortura mental e perseguições (cf 2Co 11:23-27). Ele teve experiências
de alegrias e aflições, mas na urdidura dessa luta aprendeu a viver contente.
Seu contentamento, porém, não emanava dele mesmo, mas de outro, além de si
mesmo. A base de seu contentamento é Cristo. Humilhação ou honra, fartura ou
fome, abundância ou escassez eram situações vividas por ele, mas no meio delas,
e apesar delas, aprendeu a viver contente, pois, a razão do seu contentamento
estava em Deus, e não nas circunstâncias.
O
que determina a vida de um indivíduo não é o que lhe acontece, mas como reage
ao que lhe acontece. Não é o que as pessoas lhe fazem, mas como responde a
essas pessoas. Há pessoas que são infelizes tendo tudo; há outras que são
felizes não tendo nada. A felicidade não está fora, mas dentro de nós. Há
pessoas que pensam que a felicidade está nas coisas: casa, carro, trabalho,
renda. Mas Paulo era feliz mesmo passando por toda sorte de adversidades (2Co
11:24-27). Mesmo passando por todas essas lutas, é capaz de afirmar: "Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias,
nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque,
quando sou fraco, então é que sou forte" (2Co 12:10).
2.
Apesar das perseguições. No
princípio da Igreja, os cristãos enfrentaram muitas perseguições por causa da
pregação do evangelho de Cristo, entretanto, esta situação não lhes tirava a
alegria, senão vejamos:
a) Os discípulos, depois de serem
açoitados por ordem do Sinédrio, saíram regozijando, ou seja, cheios de
alegria, porque haviam sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de
Jesus (At 5:40,41).
b) Estêvão, mesmo enfrentando uma
multidão enfurecida que o haveria de matar, exultou ao ver o Filho do homem à
direita de Deus, alegria esta que não diminuiu com o apedrejamento que se
seguiu a esta visão (At 7:54-57).
c) Paulo e Silas, mesmo no cárcere
interior (que era o compartimento mais terrível de uma prisão romana, situado
no subterrâneo, sem qualquer iluminação, certamente úmido e fétido), com as
mãos e pés amarrados, tendo sido açoitados, à meia-noite, cantavam hinos a Deus
(At 16:24,25), prova de que toda esta situação não lhes roubara a alegria.
d) Paulo, apesar de estar preso,
não só mostrou a sua alegria, mas estimulou a que os filipenses também a
sentissem (Fp 3:1; 4:4). Por isso o apóstolo pôde dizer aos crentes de Corinto
que, mesmo que contristado, sempre estava alegre (2Co 6:10).
3.
Apesar da pobreza – “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a
viver contente em toda e qualquer situação (Fp 4:11). Paulo ressalta que
ele é independente de circunstâncias seculares. Ele havia aprendido “a viver
contente”, qualquer que fosse a situação financeira. O contentamento é
muito melhor que as riquezas porque “mesmo que o
contentamento não produza riqueza, ele consegue atingir o mesmo objetivo
banindo o desejo delas”.
É
válido ressaltar que nos primeiros dias do ministério de Paulo, quando ele
partiu da Macedônia, nenhuma igreja se associou a ele financeiramente, a não
ser os filipenses (cf Fp 4:15). Mesmo quando Paulo estava em Tessalônica, os
filipenses mandaram não somente uma vez, mas duas, o bastante para as suas necessidades
(cf Fp 4:16). É evidente que os filipenses mantinham tão estreita comunhão com
o Senhor que Deus podia orientá-los com respeito às suas contribuições. O
Espírito Santo fez pesar o coração deles com relação às necessidades do
apóstolo Paulo, e eles responderam enviando-lhe dinheiro não somente uma vez,
mas duas. Contudo, é importante destacar que Paulo põe toda a ênfase de sua
alegria no Senhor (Fp 4:10), e não na generosidade dos filipenses. Ele sabia
que os crentes de Filipos eram apenas os instrumentos, mas que o Senhor era o
inspirador. Paulo tinha profunda consciência de que a providência de Deus, às
vezes, opera por meio das pessoas. Assim, Deus supriu suas necessidades por
intermédio da igreja. Ele agradece à igreja a provisão, mas sua alegria está no
provedor.
III.
AMADURECENDO PELA SUFICIÊNCIA DE CRISTO
1.
Através das experiências. "Sei estar abatido e sei também ter abundância; em
toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como
a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade" (Fp
4:12). Neste texto, Paulo expõe sua maturidade, sua experiência na jornada
cristã. A Bíblia Sagrada mostra-nos que o crescimento espiritual é progressivo.
É um processo. Jesus precisa ser formado em nós (Gl 4:19).
As
grandes lições da vida nós as aprendemos no vale da dor. O sofrimento é não
apenas o caminho da glória, mas também o caminho da maturidade. O rei
Davi afirmou: “Foi-me bom ter passado pela aflição, para que
aprendesse os teus decretos” (Sl 119:71). O patriarca Jó disse
que antes do sofrimento conhecia a Deus só de ouvir falar, mas por meio do
sofrimento seus olhos puderam contemplar o Senhor (Jó 42:5).
Paulo,
em Romanos 5:3-5, descreve os três estágios para se adquirir a maturidade
cristã: “a tribulação produz a paciência; a
paciência, a experiência; a experiência, a esperança; a esperança, a certeza”.
Ao
comparar a vida espiritual ao desenvolvimento de uma videira, Jesus mostrou que
se trata de um processo lento, continuado e não de um toque de mágica. A
salvação é instantânea, pois a vida é um milagre, que surge repentinamente,
porém, o crescimento já não é desta ordem, exige uma continuidade. A formação
de qualquer fruto, da semente gerada ao fruto maduro, será sempre um tempo
prolongado. Assim, a formação do Fruto do Espírito na vida do cristão não
acontece num único ato, mas, é um processo formado por muitos atos “até que
todos cheguemos... a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”
(Ef 4:13).
2.
Não pela autossuficiência. A
autossuficiência leva-nos a uma sensação de independência e quando somos
tomados por este ilusório sentimento que se aflora em ações inconsequentes,
estamos já perto, muito perto, do iminente fracasso. O servo de Deus por
mais preparado que possa ser, por mais experimentado que seja, deve sempre
compreender que precisamos sempre de Deus, o Todo Poderoso. Torna-se
necessário, então, termos cuidado para não incorrermos no errôneo caminho da autossuficiência.
Paulo estava sempre consciente de sua total dependência de Deus. Ele mesmo
escreveu: “...a nossa suficiência vem de Deus” (2Co 3:5, ARA).
3.
Tudo posso naquele que me fortalece. “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13
–ARA). Há pessoas que costumam usar esse texto de Paulo aos Filipenses como um
aval bíblico ativo para diversas empreitadas pessoais. Os adeptos da Teologia
da Prosperidade tomam-no fora do seu contexto e utilizam-no imediatamente,
fazendo com que muitos crentes acreditem que podem possuir o que quiserem, já
que é Deus quem lhes garante isso. Mas, o contexto em que essa frase está
inserida não corresponde ao que está sendo pronunciado em muitos de nossos
púlpitos. Como sempre, é necessário observar o contexto da passagem. O contexto imediato, Fp 4:10-20, indica que Paulo está
tratando de necessidades pessoais. Podemos ver isso quando ele usa frases e
termos como “pobreza” (v. 11); “fartura e fome”; “abundância e escassez” (v.
12); “dar e receber” (v. 15) e “necessidades” (vv. 16 e 19). Todas estas
palavras e frases tratam de necessidades físicas e imediatas como comida e
moradia. Ele pessoalmente passou por necessidades nestas áreas e está mostrando
como Cristo lhe deu força para enfrentá-las.
Portanto,
ao dizer “Tudo posso naquele que me fortalece”, Paulo não quis dizer “tudo” num
sentido absoluto. O que ele quis dizer era que, de todas as coisas que havia
passado, que necessitavam de poder para enfrentar, como pobreza, fome, escassez
e necessidades, Cristo supria tudo que ele precisava. Pelo que já havia
passado, Paulo tinha confiança, e quis passar esta mesma confiança aos Cristãos
em Filipos, de que “Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em
Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Fp 4:19). Amém!
CONCLUSÃO
Em
nossa jornada rumo à Formosa Jerusalém, jamais haverá ausência de conflitos.
Portanto, devemos saber conviver com eles, sabendo que Jesus está conosco no
barco, o que significa que jamais seremos abandonados. Qualquer tempestade, não
importando a sua origem ou a sua magnitude, não pode resistir ao poder e à
autoridade do Filho do Deus vivo que criou todas as coisas e as tem sob o seu
controle. Você precisa estar cônscio dessa realidade. Deve ter convicção de que
serve a um Senhor bom, maravilhoso, que o ama, que é todo-poderoso e que detém
o controle de tudo. Ele prometeu estar conosco sempre, até a consumação dos
séculos; por toda a eternidade, e é fiel para cumprir isto. Lembre-se, todas as
coisas contribuem para o bem de quem ama a Deus (Rm 8:28). Quem não ama ao Senhor não tem condição de entender que
as aflições e bênçãos, juntas, são os meios com os quais Deus faz com que
cresçamos. Então, não importa a tribulação que você esteja vivenciando na sua
casa, no seu trabalho. Jesus está com você e irá conduzi-lo em triunfo para
fora dessa aflição ou dará uma ordem para que ela cesse, quando tiver cumprido
seu propósito em sua vida.


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