UM TESOURO EM VASOS DE BARRO
Texto Bíblico: 2Corintios 4:7-18
“Temos,
porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de
Deus e não de nós” (2Co 4:7)
Este é um dos textos mais profundos e reconfortantes das cartas de Paulo. Ele trata da gloriosa contradição da vida cristã: a coexistência da grandeza de Deus com a fragilidade humana.
1.
O Contexto: Luz nas Trevas
Antes
do versículo 7, Paulo fala sobre como Deus brilhou em nossos corações para dar
o "conhecimento da glória de Deus". O
"tesouro" não é algo que criamos; é o Evangelho e a presença do
Espírito Santo em nós.
2.
O Tesouro: O Conteúdo Precioso
O
que exatamente é esse tesouro?
- A Presença de Cristo: A
habitação do Espírito Santo.
- A Mensagem do Evangelho: O poder de transformação que
recebemos.
- A Vida Eterna: Uma
esperança que não se desgasta com o tempo.
3.
Os Vasos de Barro: A Nossa Natureza
Na
época de Paulo, vasos de barro eram objetos comuns, baratos e altamente
quebráveis. Eram usados para tarefas domésticas simples e, se caíssem,
tornavam-se inúteis.
- Fragilidade Física: Somos
limitados por doenças, cansaço e envelhecimento.
- Limitação
Emocional: Sentimos medo, ansiedade e pressão (como
Paulo descreve nos versículos seguintes).
- Humildade: O vaso
não deve chamar atenção para si mesmo, mas para o que carrega dentro.
4.
O Propósito: A Excelência do Poder
Por
que Deus colocaria algo tão valioso em algo tão frágil? Paulo responde: "para
que a excelência do poder seja de Deus e não de nós".
- Contraste Necessário: Se
o vaso fosse de ouro ou pedras preciosas, as pessoas poderiam admirar o
vaso e ignorar o conteúdo.
- Dependência Total: Quando
o vaso está rachado ou fraco, o poder de Deus brilha através das fendas.
Nossa fraqueza é a plataforma para a força de Deus.
Tabela
de Comparação: O Vaso vs. O Tesouro
|
Característica |
O Vaso (Nós) |
O Tesouro (Deus/Evangelho) |
|
Material |
Barro
(Terra/Poeira) |
Luz
e Glória |
|
Durabilidade |
Temporário
e Frágil |
Eterno
e Indestrutível |
|
Valor |
Comum
e Simples |
Inestimável
e Divino |
|
Papel |
Recipiente
/ Servo |
Fonte
/ Senhor |
Aplicação Prática para Hoje
- Não
desanime com suas fraquezas:
Suas limitações não impedem Deus de agir; na verdade, elas provam que é
Ele quem está agindo.
- Mantenha
o foco no conteúdo: O
mundo gasta muito tempo tentando "decorar" o vaso (aparência,
status). O cristão deve focar em cultivar o tesouro (intimidade com Deus).
- Resiliência
sob pressão: Como
Paulo diz logo após esse versículo, podemos ser "atribulados",
mas não "derrotados", porque o poder que nos sustenta não vem de
nossa própria resistência de barro, mas da força do tesouro.
"A nossa fraqueza não é um obstáculo para o poder de Deus,
mas a condição para que ele se manifeste."
INTRODUÇÃO
Depois de ressaltar, nos versículos 1 a 6 do capítulo 4, a responsabilidade
solene de todo servo de Cristo de transmitir a mensagem do evangelho de forma
clara, Paulo reflete agora sobre o instrumento humano ao qual foi confiado este
tesouro maravilhoso: a mensagem do evangelho. Para ensinar aos
crentes de Corinto o valor da humildade, ele utiliza a figura de um vaso de
barro contendo um grande tesouro. Qualquer pessoa escolheria um lugar mais
seguro e resistente para colocar seus bens. Pela estrutura do receptáculo esse
seria o lugar mais inseguro e frágil para se esconder um tesouro. Mas é desta
forma que Deus escolheu trazer o Evangelho ao mundo: através da fraqueza
humana, para que a grandeza extraordinária de seu poder de salvação possa ser
vista como sua obra, e não como uma ação humana. Paulo compara e contrasta o
evangelista com o evangelho, o pregador, com a pregação. O foco não deve estar
no instrumento que prega a mensagem, mas no conteúdo da mensagem. Nesta aula,
mostraremos que, a despeito de nossa fragilidade, o Senhor nos usa para
expandir o seu Reino.
I. PAULO APRESENTA O CONTEÚDO DOS VASOS DE BARRO (4.1-6)
1. Um conteúdo genuíno (4:1). Em 2Co 3:7-18, que estudamos
no tópico III da aula anterior, Paulo faz o contraste entre a Antiga Aliança (a
Lei) e a Nova Aliança (o Evangelho), e mostra que esta é superior à aquela. Nos
versículos de 1 a 6 do capítulo 4, Paulo prossegue na defesa de seu ministério,
e apresenta o glorioso ministério da nova aliança, o ministério que oferece às
pessoas vida, salvação, justificação e tem poder para transformar vidas, a
saber, o evangelho. Ao usar a figura do "vaso
de barro", indica a debilidade e a pequenez de tal utensílio diante de sua
riqueza interior.
O Evangelho não é produto da mente humana, mas da revelação divina. Sua origem
está no Céu, não na Terra. Sua oferta é graciosa, seu poder é irresistível, sua
evidência é luminosa. Paulo também nos conta como a mente de algumas pessoas
ainda estão embotadas perante esse evangelho, e conclui explicando o conteúdo
do seu evangelho: Cristo é Senhor. Naqueles dias, surgiram falsos apóstolos,
mercadores da Palavra de Deus, que não tinham compromisso nenhum com a
veracidade daquilo que pregavam. Proferiam discursos vazios com conteúdo
adulterado, à semelhança dos comerciantes desonestos, que adulteram as
substâncias originais de seus produtos, misturando-as com algo mais barato para
enganar seus clientes.
Destacamos aqui dois pontos importantes acerca do evangelho genuíno: Em
primeiro lugar, o Evangelho é concedido pela misericórdia divina, e não
pelo mérito humano – “Pelo que, tendo este
ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita[...]” (4:1). Paulo
foi um implacável perseguidor da Igreja. Respirava ameaça contra os discípulos
de Cristo. Ele não buscava a Cristo, mas Cristo o buscou, transformou-o,
capacitou-o, comissionou o e o fez ministro da nova aliança (1Tm 1:12-17).
Jesus demonstrou a ele misericórdia não levando em conta suas misérias, mas
oferecendo a ele sua graça.
Em segundo lugar, o Evangelho nos dá forças para enfrentar o sofrimento
– “[...] não desfalecemos” (4:1b). Paulo não
desfaleceu. Não agiu com covardia, mas, sim, com coragem, diante de obstáculos
aparentemente intransponíveis. Ele enfrentou toda sorte de sofrimento:
perseguição, rejeição, oposição, abandono, apedrejamento, açoites, prisão,
acusação, naufrágio e a própria morte. Mas esses sofrimentos todos, além da
preocupação que tinha com todas as igrejas, não puderam demovê-lo nem o
desencorajar, porque o chamado divino é sempre acompanhado da capacitação
divina. Paulo jamais desistiu de pregar.
Sem dúvida, há motivos de sobra para desânimo e depressão no serviço cristão,
mas o Senhor concede misericórdia e graça em todos os momentos de necessidade.
Assim, não obstante os desânimos, os encorajamentos são sempre maiores.
2. Um conteúdo que rejeitava coisas falsificadas (v. 2). “Antes, rejeitamos as coisas que, por
vergonha, se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a
palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo homem, na
presença de Deus, pela manifestação da verdade” (2Co 4:2).
Aqui, Paulo está pensando, mais uma vez, nos falsos mestres que se haviam
infiltrados na igreja de Corinto. Seus métodos eram os mesmos usados pelas
forças do mal, a saber, a vergonhosa sedução ao pecado, a astuta distorção da
verdade, o uso de argumentos ardilosos e a falsificação da Palavra de Deus.
Os
falsos obreiros que
estavam invadindo a igreja de Corinto e fazendo oposição a Paulo buscavam a
promoção pessoal, e não a glória de Cristo. Eles estavam interessados no
dinheiro do povo, e não na salvação do povo. Eles estavam envoltos em densas
trevas do engano, e não na refulgente luz da verdade. Eles buscavam resultados,
e não fidelidade. Queriam mais os aplausos dos homens do que a aprovação de
Deus. Então, Paulo disse: “rejeitamos” ...
Os falsos obreiros em Corinto estavam usando astúcias e
truques para pregar. Eles usavam atrativos enganosos para atrair as pessoas.
Esses falsos obreiros estavam imitando a astúcia da serpente que enganou Eva no
Éden (2Co 11:3,14,15). Esses falsos obreiros astuciosamente usavam manobras
psicológicas, táticas para impressionar e apelos emocionais para seduzir as
pessoas com as suas falsas mensagens. Mas, Paulo
diz: “rejeitamos” ...
Os falsos obreiros, como mascates espirituais, estavam
falsificando(adulterando) a Palavra de Deus, ministrando suas ideias
heterodoxas ao evangelho, adicionando a palha de seus ritos ao trigo da
verdade. Quando Paulo diz “nem falsificando a palavra de Deus”,
ele certamente está se referindo ao passatempo preferido desses indivíduos, a
saber, tentar misturar a lei com a graça. Hoje muitos pregadores estão
adulterando a Palavra de Deus, pregando ao povo o que ele quer ouvir, e não o
que ele precisa ouvir. Mas, Paulo diz: “rejeitamos”
...
3. Um conteúdo de coisas espirituais transparentes. Paulo diz: “e
assim nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus,
pela manifestação da verdade” (2Co 4:2b). O cristão
verdadeiro vive de forma transparente na presença de Deus e dos homens. Os
cristãos judaizantes, opositores de Paulo, acusavam-no de haver distorcido a
mensagem, todavia, a vida do apóstolo é um mapa aberto. Não tem nada a
esconder. Está pronto a submeter-se ao escrutínio dos homens, uma vez que vive
na presença de Deus. Contudo, seu propósito não é apenas receber o aval dos
homens, mas ser aprovado por Deus (1Co 4:3,4). O
ministério de Paulo tem como alvo “a manifestação da verdade”. A
verdade, tal como revelada em Jesus, é tão universal e essencial à vida humana
que não há necessidade de expedientes psicológicos para elevá-la ou torná-la
mais eficiente e interessante.
A
manifestação da verdade pode
ser entendida de duas formas. Manifestamos a verdade quando a declaramos de
forma explícita e compreensível. Também a manifestamos quando a colocamos em
prática em nossa vida diante de outros, para que eles a vejam em nosso exemplo.
Paulo usava os dois métodos. Pregava o evangelho e o obedecia em sua própria
vida. Ao fazê-lo, procurava recomendar-se à consciência de todo homem, na
presença de Deus.
No versículo 3 do capítulo 4, Paulo fala de sua extrema dedicação à
tarefa de manifestar a verdade de Deus, tanto em preceito quanto na prática.
Ele diz: “Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se
perdem está encoberto”. Se o evangelho ainda está encoberto para alguns,
não é por culpa de Deus, e Paulo não deseja que seja por sua própria culpa. No
entanto, enquanto escreve essas palavras, o apóstolo está ciente da existência
de indivíduos que simplesmente não conseguem compreendê-lo. Quem são eles? São
os que se perdem. Por que estão cegos desse modo? A resposta se encontra no
versículo 4: “nos quais o deus deste século
cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do
evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”.
Satanás
é culpado. Aqui, ele é
chamado de deus deste século (“era”, “época” ou “tempo”). O inimigo conseguiu
colocar um véu sobre a mente dos incrédulos. Seu desejo é mantê-los em
escuridão perpétua, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória
de Cristo e não sejam salvos.
No universo físico, o sol está sempre brilhando. Quando não o vemos brilhar é
porque há algo entre nós e ele. O mesmo pode ser dito do evangelho. A
luz do evangelho está sempre brilhando. Deus procura o tempo todo fazê-la
resplandecer no coração dos homens. Satanás, porém, levanta várias barreiras
entre os incrédulos e Deus. Podem ser nuvens de orgulho, rebelião, justiça
própria ou várias outras coisas. Todas elas, porém, conseguem impedir que a luz
do evangelho brilhe no coração dessas pessoas. Satanás simplesmente não deseja
que os homens sejam salvos.
II. PAULO EXPÕE A FRAGILIDADE DOS VASOS DE BARRO (4.7-12)
1. A metáfora do vaso de barro (4:7). Paulo, apontando a si mesmo
e aos coríntios como um vaso de barro, deixa claro que não tem a intenção de
estar em evidência, como se fosse uma pessoa de extrema importância. Ele coloca
a mensagem que traz consigo como a verdadeira coisa importante em sua vida. O
vaso em si mesmo pode ter pouco valor, mas o conteúdo é precioso demais para
ser desprezado. Quem poderia imaginar que um bem precioso pudesse ser guardado
em um recipiente facilmente quebrável e de pouca importância? Paulo encanta-se
diante do contraste entre o glorioso Evangelho e a indignidade
e fragilidade de seus proclamadores.
Que extraordinário é um tesouro tão valioso ser confiado a um recipiente tão
frágil como um vaso de barro! O homem é apenas um vaso de barro, frágil,
quebradiço e barato, mas dentro desse vaso existe um tesouro de inestimável
valor: o evangelho. Mesmo sendo fracos, Deus nos usa para transmitir suas Boas
Novas e nos dá poder para fazer a sua obra. Saber que o poder é de Deus, e não
nosso, deve nos afastar do orgulho e nos motivar a manter nosso contato diário
com Ele, nossa fonte de poder. Deus é glorificado por meio de vasos frágeis. A
fraqueza do vaso ressalta a excelência do poder de Deus. Por isso, o vaso não
pode se orgulhar por ser portador de um tesouro. A glória não está no vaso, mas
no tesouro. É preciso concentrar-se no tesouro, não no vaso, ou seja, o foco
não deve estar no instrumento que prega a mensagem, mas no conteúdo da
mensagem. O vaso é perecível, mas o evangelho é indestrutível. O vaso é frágil,
mas o evangelho é poderoso. O vaso não tem beleza
em si mesmo, mas o evangelho traz o fulgor da glória de Deus na face de Cristo.
O vaso se quebra e precisa ser substituído, mas o evangelho é eterno e jamais
pode ser mudado.
2. O paradoxo dos sofrimentos (4:8,9). “Em tudo somos atribulados, mas não
angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados;
abatidos, mas não destruídos”. O princípio geral enunciado no verso 7 é
ilustrado aqui numa série de quatro declarações paradoxais. Elas refletem, de um
lado, a vulnerabilidade de Paulo e de seus companheiros, e, de outro lado, o
poder de Deus que os sustenta.
Não há ministério indolor. A vida cristã não é uma estufa espiritual nem
uma sala vip. Ser cristão não é pisar tapetes aveludados, mas cruzar desertos
abrasadores. Ser cristão não é ser aplaudido pelas pessoas, mas carregar no
corpo as marcas de Jesus Cristo.
Paulo
faz aqui quatro contrastes:
a) Atribulados, mas não angustiados (4:8). A tribulação é uma prova externa,
enquanto a angústia é um sentimento interno. A tribulação produz angústia (Sl
116:3), mas Paulo mesmo enfrentando circunstâncias tão adversas era fortalecido
pelo Senhor. As tribulações de Paulo foram muitas. Citamos algumas, tais como:
foi perseguido em Damasco; rejeitado em Jerusalém; esquecido em Tarso;
apedrejado em Listra; açoitado em Filipos; escorraçado de Tessalônica e Beréia;
chamado de impostor em Corinto; enfrentou feras em Éfeso; foi preso em
Jerusalém; acusado em Cesaréia; enfrentou um naufrágio a caminho de Roma; foi
picado por uma cobra em Malta; sofreu prisões, açoites, apedrejamento, fome,
frio e pressões de todos os lados. Contudo, Deus o assistiu não o deixando
sucumbir diante de tantas adversidades.
b) Perplexos, mas não desanimados (4:8). Do ponto de vista
humano, Paulo muitas vezes não sabia se suas dificuldades teriam solução, mas o
Senhor jamais permitiu que ele perdesse todas as esperanças. Jamais foi
colocado em um lugar estreito do qual não havia saída.
c) Perseguidos, mas não desamparados (4:9). Paulo sofreu
duras perseguições desde o começo de sua conversão até o último dia da sua vida
na terra. Não teve folga nem alívio. Foi perseguido pelos judeus e pelos
gentios, pelo poder religioso e pelo poder civil. No entanto, jamais se sentiu
desamparado. Quando foi apedrejado em Listra, levantou-se para prosseguir o
projeto missionário. Quando foi preso em Filipos, cantou e orou à meia-noite.
Quando foi preso em Jerusalém, deu testemunho diante do Sinédrio. Quando foi
levado para Roma como prisioneiro de Cristo, testemunhou ousadamente aos
membros da guarda pretoriana. Mesmo quando ficou só em sua primeira defesa, em
Roma, foi assistido pelo Senhor (2Tm 4:16-18). Deus jamais o desamparou.
d) Abatidos, mas não destruídos (4:9). Paulo enfrentou
circunstâncias desesperadoras, acima de suas forças (1:8). Foi acusado,
perseguido, açoitado, aprisionado, mas jamais sucumbiu. Mesmo quando foi levado
à guilhotina romana e teve seu pescoço decepado pelo verdugo, não foi destruído
(2Tm 4:17,18), porque sabia que sua morte não era uma derrota, mas uma vitória,
uma vez que morrer é lucro, é deixar o corpo e habitar com o Senhor, o que é
incomparavelmente melhor (Fp 1:23).
Talvez nos perguntemos por que o Senhor permitiu que seu servo passasse por
tantas provas e tribulações? Talvez nos pareça que o apóstolo Paulo poderia ter
servido ao Senhor com mais eficiência se seu caminho não estivesse tão repleto
de obstáculos. Mas as Escrituras Sagradas ensinam justamente o contrário. Em
sua sabedoria maravilhosa, Deus julga mais apropriado permitir que seus servos
sofram enfermidades, aflições, perseguições, dificuldades e angústias. As
tribulações têm por objetivo quebrar os vasos de barro para que a luz do
evangelho possa brilhar mais intensamente.
3. Sofrer pela Igreja (4:10-12). “Trazendo
sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a
vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos. E assim nós, que
vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para
que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal. De maneira que
em nós opera a morte, mas em vós, a vida”.
Se sofremos, é por amor a Jesus. Se morremos para o nosso ego, é para que a
vida de Cristo seja revelada em nós. Se passamos por tribulações, é para que
Cristo seja glorificado. Ao servir a Cristo, a morte opera em nós, mas a vida
opera naqueles para os quais é ministrado a Palavra.
No versículo 12, Paulo resumo tudo o que disse até aqui, lembrando aos
coríntios que foi por meio do seu sofrimento constante que a vida chegou até
eles. Paulo teve de enfrentar inúmeras dificuldades para levar o evangelho a
Corinto, mas valeu a pena, pois os coríntios aceitaram Cristo e receberam a
vida eterna.
Nossa tendência é sempre clamar ao Senhor em meio a uma enfermidade e pedir que
Ele nos cure a fim de podermos servi-lo melhor. Algumas vezes, porém, talvez
devamos agradecer a Deus essas aflições em nossa vida e gloriar-nos em nossas
fraquezas para que o poder de Cristo repouse sobre nós.
III. PAULO FALA DA GLORIFICAÇÃO FINAL DESSES VASOS DE BARRO (4.13-18)
1. O poder que transformará os vasos de barro (4:13,14). “E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está
escrito: Cri; por isso, falei. Nós cremos também; por isso, também falamos,
sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus
e nos apresentará convosco”.
As aflições e perseguições da vida de Paulo não selaram seus lábios. A fé lhe
permite prosseguir com a pregação do evangelho, pois ele sabe que glórias
indescritíveis o aguardam além dos sofrimentos desta vida. Paulo fundamenta sua
fé não nas suas ricas experiências, mas na eterna Palavra de Deus. Ele cita o
salmo 116:10 para firmar sua fé: “Eu cri; por isso
é que falei”. Ele creu no Senhor e suas palavras nasceram dessa fé com
raízes profundas. Paulo se identifica com as palavras e a fé do salmista ao
proferi-las e, portanto, declara: “Também nós
cremos; por isso, também falamos” (4:13).
O versículo 14 do capítulo 4 revela o segredo da fé de Paulo e do seu destemor
ao proclamar o evangelho de Cristo Jesus. Ele sabia que esta vida não é tudo.
Sabia que o cristão tem a certeza da ressurreição. O mesmo Deus que ressuscitou
o Senhor Jesus também ressuscitaria o apóstolo Paulo e o apresentaria com os
coríntios.
A ressurreição de Cristo é um conforto na aflição. O fato é certo:
Cristo levantou-se da morte pelo poder de Deus. Também, Deus nos ressuscitará e
nos apresentará em glória. A conclusão é inevitável: Deus nos libertará de
todas as nossas aflições. Portanto, a esperança que dominava o coração de Paulo
é a mesma que abrange todos os crentes em Cristo: a glorificação do corpo
mortal. Nossos corpos transitórios e corruptíveis serão transformados em corpos
gloriosos.
2. A esperança capaz de superar os sofrimentos (4:5,16). “Porque
tudo isso é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos,
torne abundante a ação de graças, para glória de Deus. Por isso, não
desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior,
contudo, se renova de dia em dia”.
Paulo explica que sua disposição de suportar sofrimentos e perigos era motivada
pela inabalável esperança da ressurreição. Por isso ele não desanimava. Por um
lado, o processo de deterioração física, do homem exterior, estava sempre em
andamento; por outro, havia uma renovação espiritual que lhe permitia
prosseguir apesar de todas as circunstâncias adversas. Paulo sabia que um dia
os sofrimentos, aflições e a angústia ao pregar o evangelho, terminariam e que
ele obteria o descanso e as recompensas de Deus.
Quando enfrentamos grandes dificuldades, é fácil enfocarmos a dor em vez de
nossa meta final (a vida eterna). Da mesma maneira que os atletas se concentram
na linha de chegada e ignoram seu desconforto, nós também devemos enfocar a
recompensa por nossa fé e a alegria que dura para sempre. Não importa o que nos
aconteça nesta vida, temos a garantia da vida eterna, quando todo o sofrimento
terminar e toda a tristeza desaparecer.
3. Tribulação temporária e glória eterna (4:17,18). “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para
nós um peso eterno de glória mui excelente, não atentando nós nas coisas que se
veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se
não veem são eternas”.
Depois de ler sobre as terríveis aflições que o apóstolo Paulo suportou,
podemos ter dificuldade em entender como ele é capaz de chamá-las de leve e
momentânea tribulação. Em certo sentido, sua tribulação não tinha nada de leve.
Era amarga e cruel. A explicação, porém, se encontra na comparação que Paulo
faz. A tribulação em si é extremamente pesada, mas, ao ser comparada com o peso
eterno de glória que nos espera, pode ser considerada leve. Além disso, é
momentânea, ao passo que a glória é eterna. As lições que aprendemos com as
aflições neste mundo redundarão em frutos abundantes no mundo por vir.
Nossa maior esperança quando estamos experimentando uma enfermidade terrível,
perseguição ou dor é a certeza de que esta vida não é tudo o que há – existe
vida após a morte! Saber que viveremos para sempre com Deus em um lugar sem
pecado e sofrimento pode nos ajudar a viver acima da dor que enfrentamos nesta
vida.
Por isso, o apóstolo Paulo com firmeza nos exorta para não atentarmos nas
coisas que se veem, mas nas que se não veem; por que as que se veem são
temporais, e as que se não veem são eternas. Paulo refere-se principalmente às
dificuldades, provações e sofrimentos que ele suportou. Eram elementos
secundários de seu ministério; seu objetivo maior eram as coisas que se não veem,
como, por exemplo: a glória de Cristo, a bênção dos semelhantes e a recompensa
reservada para o servo fiel no tribunal de Cristo. Que o Senhor Jesus esteja
conosco nessa jornada rumo à glorificação!
CONCLUSÃO
Deus nos escolheu dentre milhares e nos honrou com a sua presença, fazendo que
vasos de barros, passivos a se quebrarem, pudessem ter o direito de comportar
em si um tesouro incomparável - o conhecimento do Evangelho e o próprio Deus,
na pessoa do Espírito Santo (somos o templo do Espírito Santo). Ele nos comprou
por bom preço, usando o sangue de Jesus como uma moeda corrente para pagar
todos os nossos pecados e nos preparou para toda a boa obra, para que através
de nossas vidas o seu nome fosse glorificado no Céu.



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