JEOSEBA:
A MULHER DE FÉ E CORAGEM QUE SALVOU UMA DINASTIA
A
história de Jeoseba (ou Joseba) é um dos episódios mais cruciais do
Antigo Testamento, embora muitas vezes ela seja uma heroína esquecida nas
sombras dos grandes reis.
Sem
a sua intervenção rápida e corajosa, a linhagem de Davi — da qual a tradição
bíblica afirma que viria o Messias — teria sido extinta.
O Cenário de Terror
Tudo
começa com a morte do rei Acazias de Judá. Sua mãe, a implacável Atalia,
decide tomar o poder para si. Em um ato de crueldade sem precedentes, ela
ordena o massacre de todos os herdeiros reais — seus próprios netos — para
eliminar qualquer concorrência ao trono.
O
Ato de Bravura
Enquanto
o palácio estava mergulhado no caos e no sangue, Jeoseba, que era filha do Rei
Jorão e irmã (provavelmente por parte de pai) do falecido rei Acazias, agiu com
uma agilidade impressionante.
- O
Resgate: Ela
conseguiu esconder o bebê Joás, o filho mais novo do rei, no meio
dos corpos que seriam levados ou no caos dos aposentos reais.
- O
Esconderijo: Ela não
apenas o salvou do momento imediato, mas o escondeu secretamente em um
quarto de dormir dentro do Templo do Senhor.
A Aliança Estratégica
Jeoseba
não era apenas uma princesa; ela era casada com o Sumo Sacerdote Jeoiada.
Essa união entre a realeza e o sacerdócio foi a chave para o sucesso do plano.
- Proteção: Joás permaneceu escondido no Templo
por seis anos.
- Educação: Durante esse tempo, ele foi criado
sob a influência espiritual e política de Jeoseba e Jeoiada.
- A
Restauração: No
sétimo ano, Jeoiada organizou um golpe militar e religioso, coroou o
menino Joás e executou Atalia, restaurando a dinastia de Davi ao trono.
Por que Jeoseba é um Exemplo de Fé?
- Risco
de Morte: Se Atalia
descobrisse que Jeoseba havia escondido um herdeiro, ela certamente seria
executada por traição.
- Ação
em vez de Paralisia:
Diante de uma tragédia nacional, ela não se limitou a lamentar; ela
identificou o que poderia ser salvo e agiu.
- Preservação
da Promessa: Para os
leitores bíblicos, Jeoseba é a ferramenta divina que garantiu que a
"lâmpada de Davi" não se apagasse, mantendo viva a linhagem que
chegaria até Jesus.
"Mas Jeoseba... tomou a Joás, filho de Acazias, e o furtou
dentre os filhos do rei, aos quais matavam, e o pôs... na recâmara; e assim o
esconderam de Atalia, de modo que não foi morto." (2 Reis 11:2)
Em
meio às complexas narrativas do Antigo Testamento, a história de Jeoseba (também
conhecida como Josebate) emerge como um farol de fé, coragem e ação decisiva.
Sua intervenção heroica foi crucial para preservar a linhagem real de Davi,
da qual, séculos depois, nasceria o Messias. Longe dos holofotes e com poucas
menções bíblicas, o impacto de suas ações reverbera poderosamente, revelando
uma mulher que, impulsionada pela fé, desafiou a tirania e a morte.
Quem
foi Jeoseba e o Contexto de Sua Ação?
Jeoseba
é apresentada nas Escrituras como filha do rei Jeorão de Judá e, portanto, irmã
do rei Acazias. Ela era casada com Joiada, o sumo sacerdote. Sua
história está intrinsecamente ligada a um dos períodos mais sombrios da
monarquia de Judá, após a morte de Acazias.
O
cenário era de caos e perseguição. Atalia, mãe de Acazias e avó de Joás,
era uma mulher implacável e sedenta por poder. Ao saber da morte de seu filho,
ela orquestrou um golpe sangrento, exterminando toda a descendência real de
Judá que restava, com o objetivo de assumir o trono e consolidar seu reinado. A
narrativa é vívida em 2 Reis 11:1: "Vendo,
pois, Atalia, mãe de Acazias, que seu filho era morto, levantou-se, e destruiu
toda a descendência real."
Neste momento de extrema violência e desespero, surge a figura
de Jeoseba.
O
Ato Heroico de Jeoseba: Salvando Joás
Enquanto
Atalia massacrava os príncipes, Jeoseba agiu com uma rapidez e determinação
impressionantes. Ela resgatou secretamente seu sobrinho, Joás, que era
apenas um bebê, da chacina.
2
Reis 11:2-3 (ACF 2011) descreve
este ato:
"Mas Jeoseba, filha do rei Jorão, irmã de Acazias, tomou a
Joás, filho de Acazias, furtando-o dentre os filhos do rei, aos quais matavam,
e o pôs, a ele e à sua ama na recâmara, e o escondeu de Atalia, e assim não o
mataram. E esteve com ela escondido na casa do Senhor seis anos; e Atalia
reinava sobre o país."
Este
ato não foi apenas um resgate de um bebê; foi um resgate da promessa de Deus.
Joás era o único herdeiro restante da linhagem de Davi, através da qual o
Messias viria. A fé de Jeoseba, embora não explicitamente detalhada, pode ser
inferida por sua ação. Ela arriscou sua própria vida para proteger o futuro da
dinastia davídica, demonstrando uma profunda confiança em Deus e em Suas
promessas.
Jeoseba
e Joiada: Uma Parceria na Fé
O
sucesso da ocultação de Joás por seis anos deve-se, em grande parte, à parceria
entre Jeoseba e seu marido, Joiada, o sumo sacerdote (cf. 2 Crônicas
22:11). O fato de Joás ter sido escondido no Templo (a "Casa do
Senhor") por tanto tempo sublinha a importância da fé e da dedicação de
Joiada também. Ele e Jeoseba foram instrumentais em educar Joás nos caminhos do
Senhor e, mais tarde, em orquestrar sua ascensão ao trono.
Joiada,
com o apoio de Jeoseba, liderou uma conspiração bem-sucedida para depor Atalia
e restaurar Joás como o rei legítimo de Judá. Este evento é
detalhado em 2 Reis 11 e 2 Crônicas 23, onde Joiada mobiliza os capitães, os
levitas e o povo para ungir Joás.
O
Legado de Jeoseba: Fé, Coragem e Obediência
Embora
as Escrituras não dediquem muitos versículos a Jeoseba, seu impacto é imenso!
Ela é um exemplo notável de:
- Fé em
Ação: Não basta
crer; é preciso agir de acordo com a fé, mesmo diante do perigo.
- Coragem
Inabalável: Enfrentar
uma rainha tirana e assassina exigia uma bravura extraordinária.
- Discernimento
Espiritual: Jeoseba
compreendeu a importância da vida de Joás para a continuidade da promessa
de Deus.
A
história de Jeoseba nos lembra que Deus usa pessoas comuns (mesmo que da
realeza) em situações extraordinárias. Seu ato de amor e sacrifício não apenas
salvou uma vida, mas garantiu a continuidade da linhagem de Davi, culminando no
nascimento de Jesus Cristo.
A
narrativa de Jeoseba é um lembrete poderoso de que a fidelidade a Deus,
mesmo em tempos de grande adversidade, pode ter consequências eternas. Que
sua história nos inspire a agir com fé e coragem, confiando que o Senhor está
conosco em cada passo, protegendo Seus propósitos e usando até mesmo os atos
mais discretos para cumprir Sua vontade.
O
REINADO DE JOÁS
Texto
Bíblico: 2 Reis 11:1-3; 12:1-5,17-21
“Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-os ao teu pescoço; escreve-as na tábua do teu coração e achando graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens” (Pv.3:3,4).
V.P.: “Para ter uma vida de constante comunhão com Deus é necessário abandonar todo tipo de idolatria, e confiar Nele inteiramente”.
2
Reis 11:
1.Vendo,
pois, Atalia, mãe de Acazias, que seu filho era morto, levantou-se e destruiu
toda a descendência real.
2.Mas Jeoseba, filha do rei Jeorão, irmã de Acazias, tomou
a Joás, filho de Acazias, e o furtou dentre os filhos do rei, aos quais
matavam, e o pôs, a ele e à sua ama, na recâmara, e o escondeu de Atalia, e
assim não o mataram.
3.E Jeoseba o teve escondido na Casa do Senhor seis anos; e
Atalia reinava sobre a terra.
2
Reis 12:
1.No
ano sétimo de Jeú, começou a reinar Joás e quarenta anos reinou em Jerusalém; e
era o nome de sua mãe Zíbia, de Berseba.
2.E
fez Joás o que era reto aos olhos do Senhor todos os dias em que o sacerdote
Joiada o dirigia.
3.Tão
somente os altos se não tiraram; porque ainda o povo sacrificava e queimava
incenso nos altos.
4.E
disse Joás aos sacerdotes: Todo o dinheiro das coisas santas que se trouxer à
Casa do Senhor, a saber, o dinheiro daquele que passa o arrolamento, o dinheiro
de cada uma das pessoas, segundo a sua avaliação, e todo o dinheiro que trouxer
cada um voluntariamente para a Casa do Senhor,
5.os
sacerdotes o recebam, cada um dos seus conhecidos; e eles reparem as fendas da
casa, segundo toda fenda que se achar nela.
17.Então,
subiu Hazael, rei da Síria, e pelejou contra Gate, e a tomou; depois, Hazael
resolveu marchar contra Jerusalém.
18.Porém, Joás, rei de Judá, tomou todas as coisas santas
que Josafá, e Jeorão, e Acazias, seus pais, reis de Judá, consagraram, como
também todo o ouro que se achou nos tesouros da Casa do Senhor e na casa do
rei; e os mandou a Hazael, rei da Síria; e este, então, se retirou de
Jerusalém.
19.Ora,
o mais dos atos de Joás e tudo quanto fez mais, porventura, não estão escritos
no livro das Crônicas dos Reis de Judá?
20.E
levantaram-se os seus servos, e conspiraram contra ele, e feriram Joás na casa
de Milo, que desce para Sila.
21.Porque
Jozacar, filho de Simeate, e Jozabade, filho de Somer, seus servos, o feriram,
e morreu; e o sepultaram com seus pais na Cidade de Davi; e Amazias, seu filho,
reinou em seu lugar.
INTRODUÇÃO
Neste
Estudo trataremos do reinado de Joás, o qual, quando tinha um ano de idade, foi
salvo de ser assassinado pela cruel Atália, que governava Judá (2Rs.11:1-3);
ela era filha de Acabe e Jezabel (2Rs.8:18). Jeoseba, esposa do sacerdote
Joiada, foi quem escondeu Joás. Por ser ainda criança, recebia orientações e
conselhos do sacerdote Joiada, e enquanto seguiu as orientações deste
sumo-sacerdote, fez o que era reto diante do Senhor. Em seu reinado ele
eliminou o baalismo, restaurou o culto ao Deus de Israel, reparou o Templo
etc.; todavia, depois da morte de Joiada, Joás se deixou seduzir pelos líderes
do povo, e mergulhou na impiedade, injustiça e idolatria. O castigo divino foi
implacável; seu reino foi invadido pela Síria, e seus próprios servos
voltaram-se contra ele e o mataram. Começou bem, mas terminou mal.
Quando
a pessoa insiste em permanecer no pecado, ele se afasta de Deus, toma decisões
erradas e a tendência é perder tudo o que conquistou; isto ocorreu com Joás. É
uma lição para todos os crentes.
1.
O LIVRAMENTO DE JOÁS
1.
As tramas reais
A
disputa pelo poder, tanto no reino de Israel como no reino de Judá, movia-se
para tremendas tramas com resultados trágicos; muitas das vezes, a morte do
oponente era certa. Foi o que ocorreu no reinado de Acazias, filho único de
Jeorão (2Cr.22:1) - filho do rei Josafá com Atália (filha de Acabe). Josafá,
rei de Judá, foi um bom rei, mas teve a péssima ideia de se aparentar com a
família de Acabe, permitindo que seu filho Jeorão se casasse com a filha de
Acabe; é o que a Bíblia chama de jugo desigual.
Quando
Jeú foi ungido rei de Israel - reino do Norte (2Reis 9:3) -, ele eliminou todos
os descendentes de Acabe e Jezabel (2Reis 9:7; cap.10), inclusive Jezabel foi
morta a mando dele (2Reis 9:33), cumprindo assim as profecias de Elias e de
outros profetas. E no andamento de sua incursão contra a família de Acabe, Jeú
também matou o rei Acazias, rei de Judá (cf. 2Reis 9:27), que era filho único
de Atália (2Rs.11:1). Vendo que seu filho, Acazias, tinha sido morto, Atália
usurpou o trono e começou a reinar em seu lugar (2Cr.22:12; 2Reis 11:3).
Atália, foi o único regente não davídico da história de Judá. Seu reinado de
terror durou seis anos.
2.
A coragem do sacerdote Joiada
Quando
o rei Acazias, filho único de Jeorão e Atália, foi morto no expurgo que Jeú fez
na casa de Acabe numa visita ao Norte, a traiçoeira Atália assumiu o trono de
Judá e, em uma atitude desesperada de manter o poder, tentou eliminar da
sucessão todos os descendentes de Davi, inclusive todos os seus netos, dentre
eles estava Joás, filho caçula de Acazias. Mas, esta tentativa dela, de matar
todos os filhos de Acazias, foi inútil porque Deus prometera que o Messias
nasceria dos descendentes de Davi (cf.2Sm.7).
Joás,
o único sobrevivente, foi salvo e escondido por seus tios Jeoseba e Joiada; ele
tinha 01(um) ano de idade quando foi escondido. O trabalho de Joiada como
sacerdote tornou possível manter Joás escondido no Templo por seis anos
(2Rs.11:2,3). Naquela ocasião, o Templo era o lugar prático e natural para
esconder Joás, pois, Atália, que amava a idolatria, não se interessaria por
este ambiente. E assim foi preservada a linhagem davídica, da qual nasceria o
Messias (2Reis11:2,3; 2Sm.7:11,16; 1Rs.8:25; cf. Mt.1:8,9). Nesse período, Joiada preparou Joás para assumir o trono
e lhe ensinou as leis mosaicas.
Há
momentos na vida em que o perigo nos cerca sem que o percebamos. São nessas
horas que o Senhor intervém nos concedendo escape e proteção. E muitas vezes
não atentamos que a mão de Deus fizera tão grande feito por nós.
3.
A estratégia bem-sucedida
Quando Joás completou sete anos, Joiada armou uma estratégia
para empossar Joás. Ele mandou chamar os oficiais da guarda real e lhes mostrou
o herdeiro do trono. Fez com eles aliança para derrubar Atália e coroar Joás.
Em seguida, Joiada fez sair Joás e o apresentou ao povo. Colocou a coroa sobre
a cabeça do menino e lhe deu uma cópia do Livro da Lei. O povo bateu palmas e
gritou: “Via o rei!” (2Rs.11:4-12).
Quando
Atália ouviu o clamor do povo, se dirigiu ao átrio da Casa do Senhor e, ao ver
o que se passava, exclamou: “Traição! Traição!”. Joaida deu a ordem para
aplicar a pena capital na ímpia governante, mas não desejava que ela fosse
morta nos arredores do Templo. Ordenou, portanto, que fosse levada para fora
por entre as fileiras de soldados e executada na entrada dos cavalos (cf.
2Rs.11:13-16). O rei Joás foi escoltado até o palácio num grande desfile, e
alegrou-se todo o povo que presenciara este acontecimento (2Rs.11:17-21).
O
sacerdote fez aliança entre o Senhor, o novo rei e o povo para servirem ao
Senhor. Numa demonstração de lealdade a Deus, o povo removeu o templo de Baal,
local de culto promovido por Atália, executou o sacerdote de Baal, despedaçou
as imagens e altares, e refez a aliança com Deus (2Cr.23:16,17).
II.
O REINADO DE JOÁS E A REPARAÇÃO DO TEMPLO
1.
A arrecadação para reparar o Templo
A
Bíblia diz que Joás fez o que era reto aos olhos do SENHOR todos os dias em que
o sacerdote Joiada o dirigia (2Rs.12:2). Joás não contribuiu o suficiente para
remover o pecado da nação, mas fez muitas coisas boas e justas, e a sua
principal contribuição foi a reforma da Casa do Senhor. O Templo precisava de
reparos porque fora danificado e negligenciado por líderes maldosos anteriores,
especialmente por Atalia (2Cr.24:7) – “Porque,
sendo Atalia ímpia, seus filhos arruinaram a Casa de Deus e até todas as coisas
sagradas da Casa do Senhor empregaram em baalins”.
O
Templo deveria ser um lugar santo, separado para a adoração a Deus, mas estava
completamente desamparado, sem manutenção há muito tempo, e cessado os ritos
prescritos por Deus. A condição descuidada do Templo revelava a que distância o
povo estava do Senhor, por ter se desviado dele. Joás, vendo a precariedade do
Templo, incentivou o povo e os sacerdotes a arrecadarem ofertas para a sua
manutenção (2Rs.12:4,5; 2Cr.24:8-14).
“E deu o rei ordem, e fizeram uma arca e a puseram fora, à porta
da Casa do Senhor.
E publicou-se em Judá e em Jerusalém que trouxessem ao Senhor a oferta que
Moisés, o servo de Deus, havia imposto a Israel no deserto. Então, todos os
príncipes e todo o povo se alegraram, e trouxeram a oferta, e a lançaram na
arca, até que acabaram a obra.
E
sucedeu que, ao tempo que traziam a arca pelas mãos dos levitas, segundo o
mandado do rei, e vendo que já havia muito dinheiro, vinham o escrivão do rei e
o comissário do sumo sacerdote, e esvaziavam a arca, e a tomavam, e a tornavam
ao seu lugar; assim faziam dia após dia e ajuntaram dinheiro em abundância, o
qual o rei e Joiada davam aos que dirigiam a obra do serviço da Casa do Senhor
e alugaram pedreiros e carpinteiros, para renovarem a Casa do Senhor, como
também ferreiros e serralheiros, para repararem a Casa do Senhor.
E
os que dirigiam a obra faziam que a reparação da obra fosse crescendo pelas
suas mãos, e restauraram a Casa de Deus ao seu estado, e a fortaleceram”
(2Cr.24:8-13).
Os
levitas foram negligentes quanto à sua responsabilidade de coletar dinheiro –
eles “não se apressaram” (2Cr.24:5). Mas, agora, o imposto do Templo foi
novamente instituído com a finalidade de gerar os recursos necessários conforme
prescritos (Êx.30:12-16; Nm.1:50). Uma caixa de ofertas serviu a este
propósito, e houve rapidamente bastante material à disposição dos trabalhadores
e também os recursos necessários para a restauração dos utensílios sagrados.
Graças
ao programa de arrecadação de fundos ordenado por Joás, o Templo foi
restaurado. A sujeira que se acumulou no seu interior durante vários anos foi
posta para fora; ídolos pagãos e outros objetos relacionados aos deuses falsos
foram removidos; o ouro e o bronze foram polidos. Aqueles que administram os
bens destinados para a obra de Deus devem fazê-lo com dedicação, sinceridade,
honestidade, fidelidade e amor.
“E, depois de acabarem, trouxeram o resto do dinheiro diante do
rei e de Joiada e dele fizeram utensílios para a Casa do Senhor, e objetos para
ministrar e oferecer, e perfumadores e vasos de ouro e de prata. E
continuamente sacrificaram holocaustos na Casa do Senhor, todos os dias de
Joiada” (2Cr.24:14).
Este
texto mostra que, durante as reformas, os valores arrecadados não foram usados
para comprar utensílios para o Templo, mas depois de completadas as obras, os
fundos restantes foram usados para este fim. Em obediência à Palavra de Deus
(Lv.5:16; Nm.5:8,9), o dinheiro da oferta pela culpa e o dinheiro da oferta
pelos pecados continuaram a ser entregues aos sacerdotes.
2.
A fidelidade dos tesoureiros
“Também não pediam contas aos homens em cujas mãos entregavam
aquele dinheiro, para o dar aos que faziam a obra, porque procediam com
fidelidade” (2Reis 12:15).
Este
texto já diz tudo sobre o caráter impoluto dos tesoureiros. Como eles eram
homens honestos e leais, não havia necessidade de exigir prestação de contas
pública dos fundos arrecadados. Observe que estes tesoureiros não eram
sacerdotes e nem levitas que prestavam serviços no Templo. Porém, além de sua
fidelidade, honestidade e lealdade, eram dedicados e fiéis na obra do Senhor.
Algumas vezes a obra do Senhor é mais bem desempenhada por leigos dedicados.
3.
Fidelidade, um atributo que enobrece
Fidelidade
é a característica de quem tem bom caráter, é fiel e demonstra respeito por
alguém e pelo compromisso assumido com outrem; é sinônimo de lealdade. Se Deus
procura os fiéis da terra para que estejam com Ele (Sl.101:6), a fidelidade,
entre outras virtudes, é algo que atrai a atenção de Deus. Está escrito: “Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-as
ao teu pescoço; escreve-as na tábua do teu coração e acharás graça e bom
entendimento aos olhos de Deus e dos homens” (Pv.3:3,4).
Os
tesoureiros referidos em 2Rs.12:15, além de honestos demonstraram fidelidade,
lealdade. Bem diz o pr. Claiton: “não importa a
quantia que está sendo administrada, Deus jamais se agradará de qualquer
subtração de valores financeiros ou vantagens pessoais”.
Houve
um tempo em que a palavra de um homem tinha grande valor, e um aperto de mão
era tão bom quanto um contrato assinado. Isto não parece ser verdade em nossos
dias. Mas o homem que anda com Deus deve ser diferente, porque nele está a
lealdade, honestidade e sinceridade. Como virtude do Fruto do Espírito, a
fidelidade nos torna leais a Deus, leais a nossos companheiros, amigos, colegas
de trabalho, empregados e empregadores. O homem leal apoiará o que é certo
mesmo quando for mais fácil permanecer calado. Ele é leal, quer esteja calado,
quer esteja sendo observado. Este princípio é ilustrado na Parábola dos
Talentos, em Mateus 25:14-30 - os servos que eram fiéis e fizeram como foram
instruídos mesmo na ausência do senhor foram elogiados e recompensados. O servo
infiel foi castigado. Sem dúvida, a fidelidade, a lealdade e a honestidade são
atributos que enobrecem o servo de Deus!
III.
A CONSPIRAÇÃO CONTRA JOÁS
1.
O declínio do reinado
O
declínio do reinado de Joás deu-se a partir da morte de seu principal líder
espiritual: o sumo sacerdote Joiada (2Cr.24:15-25). Desprovido da influência
piedosa do sacerdote, Joás buscou o conselho de idólatras, passou a adorar
ídolos (2Cr.24:18) e a confiar em suas próprias forças (2Rs.12:17,18); o
resultado foi a decadência de seu reino - “A
desobediência a Deus e a confiança na força do próprio braço nos levam a
escolhas ruins que afetam o destino de nossas vidas”.
Jeová
enviou profetas para advertir Joás, mas em vez de se arrepender, o rei de Judá
se rebelou. Diz o texto sagrado: “Porém, depois da morte de Joiada, vieram os
príncipes de Judá e prostraram-se perante o rei; e o rei os ouviu. E deixaram a
Casa do Senhor, Deus de seus pais, e serviram às imagens do bosque e aos
ídolos; então, veio grande ira sobre Judá e Jerusalém por causa desta sua
culpa” (2Cr.24:17,18). Deixar o Senhor e permanecer em desobedecer aos seus
ditames, a consequência trágica é inevitável.
Joás
era tão dependente de Joiada que há poucas evidências de que ele tenha alguma
vez estabelecido um verdadeiro relacionamento com o Deus a quem Joiada servia e
obedecia. Como muitos filhos, o conhecimento de Joás a respeito de Deus vinha
de uma fonte indireta. Este foi um bom começo, mas o rei precisava investir em
um relacionamento pessoal com Deus, que seria duradouro e o levaria a rejeitar
os maus conselhos que recebeu. O melhor conselho é ineficaz se não nos ajudar a
tomar decisões sábias.
É
interessante observar o seguinte: se tudo ia tão bem em Judá quando adoravam a
Deus, por que se afastaram dele? A prosperidade pode ser tanto uma bênção como
uma maldição. Embora seja um sinal da bênção de Deus, concedida àqueles que o
seguem, pode trazer consigo o potencial do declínio moral e espiritual. Um povo
próspero pode ser tentado a tornar-se orgulhoso e autossuficiente, e pensar que
Deus está em suas vidas a despeito do modo como age. Em nossa prosperidade, não
devemos nos esquecer de que Deus é a fonte de nossas bênçãos.
2.
Conspiração e morte no reino
Quando
o rei Joás e a nação de Judá abandonaram a Deus, Zacarias, filho do sumo
sacerdote, foi enviado para conclamá-los ao arrependimento. Antes de distribuir
seu julgamento e castigo, Deus lhes deu mais uma oportunidade. Da mesma forma,
Ele não nos abandona nem lança imediatamente sobre nós seu juízo, quando
pecamos. Pelo contrário, procura falar conosco por meio de sua Palavra, de seu
Espírito que habita em nós, também por meio dos nossos semelhantes e, às vezes,
por meio da disciplina. Deus não deseja nos destruir, e sim o nosso urgente
retorno. Zacarias, filho de Joiada, transmitiu a advertência de Deus ao povo,
mas seus ouvintes o apedrejaram, por mandado do rei. Joás nem mesmo se lembrou
da beneficência que Joiada lhe fizera. Diz assim o texto sagrado:
“E o Espírito de Deus revestiu a Zacarias, filho do sacerdote
Joiada, o qual se pôs em pé acima do povo e lhes disse: Assim diz Deus: Por que
transgredis os mandamentos do Senhor? Portanto, não prosperareis; porque
deixastes o Senhor, também ele vos deixará. E eles conspiraram contra ele e o
apedrejaram com pedras, por mandado do rei, no pátio da Casa do Senhor. Assim,
o rei Joás não se lembrou da beneficência que Joiada, pai de Zacarias, lhe
fizera; porém matou-lhe o filho, o qual, morrendo, disse: O Senhor o verá e o
requererá” (2Cr.24:20-22).
Talvez
em resposta à oração final de Zacarias antes de sua morte, o Senhor tenha
enviado o exército pouco numeroso dos sírios para saquear Judá e matar os
oficiais e príncipes. Aqueles que deram conselhos ímpios a Joás foram mortos.
Jerusalém só foi salva porque Joás retirou os tesouros do Templo e os mandou a
Hazael, rei da Síria; e este, então, se retirou de Jerusalém (2Reis 12:18).
Após a batalha, ferido, os próprios servos de Joás conspiraram contra ele e o
mataram em sua cama. Diz assim o texto sagrado:
“E sucedeu, no decurso de um ano, que o exército da Síria
subiu contra ele, e vieram a Judá e a Jerusalém, e destruíram dentre o povo a
todos os príncipes do povo, e todo o seu despojo enviaram ao rei de Damasco.
Porque, ainda que o exército dos siros viera com poucos homens, contudo, o
Senhor deu nas suas mãos um exército de grande multidão, porquanto deixaram ao
Senhor, Deus de seus pais. Assim executaram os juízos de Deus contra Joás. E,
retirando-se dele (porque em grandes enfermidades o deixaram), seus servos
conspiraram contra ele, por causa do sangue do filho do sacerdote Joiada, e o
mataram na sua cama, e morreu; e o sepultaram na Cidade de Davi, porém não o
sepultaram nos sepulcros dos reis” (2Cr.24:23-25).
Por
haver abandonado o Senhor, as boas realizações anteriores de Joás não tiveram
valor nenhum. Ele reparou e reabasteceu o Templo de mobília e utensílios, mas
entregou seus tesouros a Hazael, rei da Síria (2Rs.12:17,18).
É
importante começar bem, mas é mais importante ainda terminar bem. Ciente da
tendência humana de perder o zelo com o tempo, o apóstolo João nos adverte:
“Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas
para receberdes completo galardão” (2João 8).
CONCLUSÃO
Joás
foi salvo da morte certa pela ímpia Atalia, foi educado na Casa do Senhor pelo
um dos melhores sacerdotes que Judá já teve, o sacerdote Joiada (2Cr.24:16),
mas caiu na desgraça quando esteve sozinho, sem uma liderança espiritual por
perto. Apesar de ter recebido tantos ensinamentos pelo sacerdote Joaida, pelo
exemplo e por doutrinas, Joás não se interessou em absorvê-las e adquirir
maturidade espiritual suficiente. Seu coração sempre esteve no mundo, mesmo se
dizendo que era crente, e estando constantemente na Casa do Senhor. Chegou a
adorar ídolos e perdeu completamente a noção de justiça ao mandar assassinar o
profeta Zacarias, filho de Joiada. Por isso, o juízo de Deus seria inevitável.
O reinado e Joás entrou em decadência e ele acabou assassinado por dois de seus
servos.
Joás,
por não ter o cuidado necessário de guardar a sua fé em Deus, fracassou
desgraçadamente, e este fracasso foi porque abandou os mandamentos do Senhor e
os bons conselhos de seu líder espiritual, que não estava mais vivo,
valorizando mais os maus conselhos dos amigos que não temiam a Deus.
Joás
fracassou de forma lamentável, e o criticamos por isso, porém, muitas vezes nós
também caímos frequentemente nas mesmas armadilhas. Muitas vezes seguimos
conselhos tolos sem considerar a Palavra de Deus. Quem
é você quando está sozinho, quando o seu líder espiritual não está por perto,
quando você está com pessoas que dizem ser seus amigos?
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