ENTRE O CÁLICE E A ENTREGA, NO GETSÊMANI DA VIDA
Passagem
Bíblica de Jesus no Getsêmani
Mateus
26 - Getsêmani
36
Então Jesus foi com seus discípulos para um lugar chamado Getsêmani e lhes
disse: Sentem-se aqui enquanto vou ali orar.
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Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a
angustiar-se.
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Disse-lhes então: A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal.
Fiquem aqui e vigiem comigo.
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Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: Meu Pai,
se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero,
mas sim como tu queres.
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Depois, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. Vocês não puderam
vigiar comigo nem por uma hora? perguntou ele a Pedro.
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Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a
carne é fraca.
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E retirou-se outra vez para orar: Meu Pai, se não for possível afastar de mim
este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.
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Quando voltou, de novo os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam
pesados.
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Então os deixou novamente e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
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Depois voltou aos discípulos e lhes disse: Vocês ainda dormem e descansam?
Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos de
pecadores.
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Levantem-se e vamos! Aí vem aquele que me trai!
No Getsêmani da Vida
O Jardim do Getsêmani foi o lugar da agonia de Jesus. Ali havia uma prensa de azeite, onde as azeitonas eram amassadas, para se extrair o óleo que servia de combustível para as lamparinas. Foi nesse jardim, no sopé do monte das Oliveiras, que Jesus se entristeceu, orou, chorou e sangrou. Foi ali que ele travou mais titânica batalha da humanidade. Foi ali que ele, em lágrimas, rogou ao Pai para passar dele o cálice. Foi ali que ele se prostrou com o rosto em terra e, de forma perseverante, orou e se sujeitou à vontade do Pai. Foi ali que ele foi consolado por um anjo e fortalecido pelo Pai, para caminhar vitoriosamente para a cruz.
No
Getsêmani, Jesus enfrentou severa angústia. Essa angústia teve três níveis.
Em primeiro lugar, Jesus admite sua angústia para si mesmo (Mt 26.37). “E, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se”. Qual foi a causa da tristeza e da angústia de Jesus? Angustiou-se porque sabia que seria preso, julgado e condenado? Angustiou-se porque sabia que seria esbordoado e cuspido pelos membros do sinédrio judaico? Angustiou-se porque sabia que seus discípulos o abandonariam? Angustiou-se porque sabia que Judas o trairia, Pedro o negaria e Pilatos o sentenciaria a pena de morte? Angustiou-se porque sabia que seria pregado na cruz como um malfeitor? A resposta é mil vezes não! Angustiou-se porque sabia que sendo o Amado do Pai, seria abandonado por ele na cruz. Angustiou-se porque sendo santo, santo, santo seria feito pecado por nós. Angustiou-se porque sendo bendito eternamente, seria feito maldição, para que fôssemos benditos eternamente.
Em segundo lugar, Jesus admite sua angústia para seus discípulos (Mt 27.38). “Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo”. Muitas coisas, Jesus falou às multidões. Outras, falou apenas para seus discípulos. Quando foi tomado de tristeza e angústia, revelou isso apenas aos seus três discípulos mais chegados, Pedro, Tiago e João. Mas, quando chorou e suou sangue, fez isso sozinho. Aqui Jesus revela sua perfeita humanidade. Mesmo sabendo que ao se ferir o pastor, as ovelhas ficariam dispersas. Mesmo tendo pleno conhecimento de que Judas o trairia e Pedro o negaria, Jesus ordena a seus discípulos a ficarem com ele e a vigiarem com ele. Aquilo que era uma experiência íntima e pessoal, agora, é uma realidade compartilhada com seus discípulos mais próximos. Infelizmente, os discípulos não passaram no teste. Enquanto Jesus travava a mais renhida batalha em favor da nossa alma, seus discípulos se agarraram no sono. Em vez de vigiarem, dormiram; em vez de ficarem com Jesus, fugiram acovardados.
Em terceiro lugar, Jesus admite sua angústia para o Pai (Mt 27.39). “Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice. Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres”. Jesus já havia admitido sua tristeza para si e para seus discípulos. Agora, admite-a diante do Pai. A batalha mais pesada foi travada no interior do Getsêmani, quando sozinho, Jesus prostrou-se com o rosto em terra, clamando ao Pai para passar dele o cálice. Três vezes Jesus orou, pedindo ao Pai a mesma coisa. Ele ofereceu, numa luta de sangrento suor, forte clamor e lágrimas àquele que poderia livrá-lo da morte. No Getsêmani, porém, Jesus sujeitou-se à vontade do Pai, e sorveu cada gota daquele cálice amargo da ira de Deus que deveria cair sobre nós. Ele tomou o nosso lugar como nosso representante e fiador. Ele levou sobre si as nossas iniquidades. Ele morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras. Agora, pela sua morte temos vida; pelo seu sangue temos redenção, pelo seu sacrifício temos plena salvação. (Rev. Hernandes Dias Lopes)
Ensinamento
de Jesus no Getsêmani
O
principal ensinamento de Jesus no Getsêmani é sobre obediência, entrega e
confiança em Deus mesmo diante do sofrimento extremo. Ele mostra que é natural
sentir medo e angústia, mas a verdadeira fé se manifesta quando escolhemos
submeter nossa vontade à de Deus.
Jesus
também ensina a importância da oração perseverante, demonstrando que dialogar
com Deus fortalece o espírito para enfrentar desafios. Além disso, a
vigilância, exemplificada pelo pedido aos discípulos para permanecerem
acordados, lembra que devemos estar atentos e conscientes, resistindo à
tentação e mantendo a fé.
O
Getsêmani nos inspira a enfrentar nossas próprias dificuldades com coragem,
paciência e confiança, sabendo que a entrega à vontade divina traz propósito
mesmo nos momentos mais dolorosos.
O
Que Aconteceu Com Jesus no Getsêmani?
A
Bíblia registra em detalhes tudo o que aconteceu com Jesus no Getsêmani. Aquele
jardim foi o local onde ocorreram os últimos eventos que precederam a prisão do
Senhor Jesus. No Getsêmani Jesus orou ao Pai, exortou seus discípulos, teve sua
traição consumada por Judas, curou Malco, declarou sua divindade e se entregou
aos soldados que foram ali para prendê-lo.
De
fato, há muito que podemos aprender com Jesus no Getsêmani. Neste estudo
bíblico iremos pontuar os eventos que ocorreram naquele jardim com nosso
Senhor.
A
chegada de Jesus no Getsêmani
Após
ter celebrado a última Páscoa e instituído a Ceia do Senhor, a
Bíblia diz que Jesus foi para o Monte das Oliveiras acompanhado de seus
discípulos. O texto bíblico indica que o Getsêmani era um jardim que ficava em
algum lugar relacionado ao Monte das Oliveiras do outro lado do
ribeiro de Cedrom (Lucas 22:40; João 18:1). Muito provavelmente tratava-se de
um bosque de oliveiras.
Chegando ao Getsêmani, Jesus deu ordens para que seus discípulos
esperassem num determinado lugar enquanto Ele fosse um pouco mais adiante orar.
Jesus levou consigo somente Pedro, Tiago e João (Mateus 26:37).
JESUS
ORA TRÊS VEZES NO GETSÊMANI
Primeira
oração: Pai, afasta de mim este cálice
Nesta
primeira oração, vemos a humanidade de Jesus de forma clara. Ele sabia o
sofrimento que enfrentaria na cruz e expressou medo e angústia genuínos,
desejando que, se possível, o sofrimento pudesse ser evitado.
Indo
um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim este
cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”. -
Mateus 26:39
Ao
mesmo tempo, Jesus demonstra total confiança e submissão à vontade de Deus,
reconhecendo que o plano do Pai é maior do que seu desejo pessoal.
Esse
momento nos ensina que não há vergonha em levar nossas dores e medos a Deus,
mas também que a verdadeira fé envolve confiar e se render à Sua sabedoria,
mesmo quando o caminho é difícil e doloroso. É um exemplo profundo de coragem e
entrega espiritual.
Segunda
oração: Pai, faça-se a tua vontade
Na
segunda oração, Jesus reafirma sua submissão à vontade do Pai, mostrando que
sua prioridade não é escapar do sofrimento, mas cumprir a missão que lhe foi
confiada.
E
retirou-se outra vez para orar: "Meu Pai, se
não for possível afastar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua
vontade". Mateus 26:42
Jesus reconhece que nem sempre o que desejamos é o que é melhor, e que a vontade de Deus deve prevalecer. Esse momento também evidencia a persistência na oração: mesmo angustiado, Ele se mantém em diálogo com o Pai, buscando força e confirmação espiritual.
Para
nós, esse ensinamento destaca a importância de rezarmos com sinceridade,
aceitando que nossos planos podem ser diferentes dos de Deus, e cultivando
paciência e confiança diante das dificuldades inevitáveis da vida.
Terceira
oração: Jesus reafirma Sua obediência ao Pai
Na
terceira oração, Jesus demonstra perseverança e fidelidade. Apesar do cansaço e
da angústia intensa, Ele continua firme na entrega ao plano de Deus.
Então
os deixou novamente e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
- Mateus 26:44
A
repetição das orações mostra que a entrega à vontade de Deus não é instantânea;
muitas vezes, exige luta interior, reflexão e coragem para enfrentar o que é
inevitável. Também revela sua humanidade: Ele sente medo, tristeza e pressão,
mas escolhe obedecer. Esse momento inspira os fiéis a manterem a fé mesmo em
situações extremas, lembrando que a oração constante fortalece o espírito e
prepara para enfrentar provações.
Jesus
nos ensina que a verdadeira obediência é fruto da confiança e da perseverança,
não da ausência de dor ou medo.
A prisão de Jesus no Getsêmani
A
Bíblia diz que em certo momento da noite Judas Iscariotes chegou ao
Getsêmani acompanhado dos guardas do Templo e de soldados romanos. Judas
identificou Jesus no Getsêmani saudando-o com um beijo no rosto.
Estudiosos
dizem que não era incomum que a guarda do Templo demonstrasse um comportamento
violento e agressivo. Além disso, a guarda do Templo e os legionários romanos
carregavam armas. O apóstolo João e o evangelista Marcos indicam que
havia entre eles quem estivesse armado com porretes, espadas e tochas (Marcos
14:43; João 18:3).
Nas
palavras do próprio Jesus, aquelas pessoas tinham ido prendê-lo como se Ele
fosse um verdadeiro criminoso (Marcos 14:48). Mas a verdadeira identidade de
Jesus estava prestes a ser revelada uma vez melhor ali diante dos olhos
daqueles que foram ao Getsêmani prendê-lo.
Os textos bíblicos sobre Jesus no Getsêmani revelam tanto a sua humanidade quanto a sua divindade. Se por um lado podemos ver Jesus clamando ao Pai num estado de angústia tão grande a ponto de seu suor se tornar como sangue, por outro lado podemos vê-lo como o verdadeiro Filho de Deus capaz de realizar milagres e com autoridade tal para reivindicar a presença de mais de doze legiões de anjos se fosse preciso (Mateus 26:53; 22:51).
Porque
os discípulos dormiram no Getsêmani
Os
discípulos de Jesus dormiram no Getsêmani por vários motivos que refletem sua
humanidade e limitações. Jesus havia pedido que vigiassem e orassem, mas eles
estavam exaustos física e emocionalmente. Era
noite, já haviam vivido um dia intenso de ensinamentos e eventos, e o cansaço
físico e mental tornou difícil manter a vigilância.
Além
disso, os discípulos ainda não compreendiam plenamente a gravidade do momento.
Jesus sabia que seria preso e crucificado, mas os discípulos não tinham total
consciência do sofrimento que se aproximava, o que os deixou vulneráveis à
sonolência.
O
sono também simboliza a fragilidade humana diante da tentação e da prova. Jesus
comentou: “Vigiem e orem para não caírem em
tentação” (Mateus 26:41), mostrando que o perigo não era apenas físico,
mas espiritual. Dormir no momento crucial evidência que, mesmo estando próximos
de Cristo, os seres humanos podem falhar em momentos de necessidade extrema,
precisando de esforço contínuo para permanecer atentos e firmes na fé.
A
revelação da divindade de Jesus no Getsêmani
A
Bíblia diz que o próprio Jesus perguntou ao grupo de soldados sobre quem eles
estavam procurando. Os guardas e oficiais responderam-lhe que eles procuravam
Jesus de Nazaré. Então prontamente Jesus lhes respondeu: “Sou eu”. Quando Jesus se identificou dessa forma o texto
bíblico diz que todos caíram por terra (João 18:6). Sim, aquele que pouco antes
estava clamando ao Pai com suor e lágrimas, era também o Rei do universo cuja
presença homem algum pode resistir.
Aqueles
homens tinham ido muito bem equipados para prender Jesus, mas não puderam
resistir ao peso da majestade do Filho de Deus. Quem sabe aqueles homens tenham
percebido que apesar de suas armas e de sua vantagem numérica, na verdade era
Cristo quem tinha o controle da situação em suas mãos. Aquela não foi uma
prisão forçada, mas voluntária. Além disso, é significativa a conexão entre a
resposta de Jesus, “Sou eu”, e o nome pessoal de Deus revelado em todo o
Antigo Testamento, “Eu Sou” (Êxodo 3:14).
Mas
o apóstolo Pedro foi alguém que parece não ter entendido a situação.
Na tensão do momento em que Jesus estava sendo preso no Getsêmani, a Bíblia diz
que o afoito discípulo desembainhou sua espada e cortou a orelha direita
de Malco, o servo do sumo sacerdote. Mas a Bíblia diz que imediatamente
Jesus tocou na orelha de Malco e o curou (Lucas 22:50,51).
Depois
Jesus diz que se Ele quisesse o exército celestial estava a seu dispor.
Contudo, os textos bíblicos revelam que Jesus no Getsêmani estava também
cumprindo as Escrituras. Nada abalaria sua fidelidade à Palavra; o plano de
salvação concebido antes da fundação do mundo não fracassaria; as promessas
anunciadas desde o princípio não seriam frustradas; nada o faria se desvirar do
caminho da cruz (Mateus 26:54). Então o Senhor Jesus foi detido pelos guardas e
conduzido à sequência de interrogatórios (João 18:12-40).
Depois do Getsêmai, tão logo haveria de acontecer a crucificação de Jesus.


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