MOISÉS UM LIBERTADOR PARA ISRAEL
TEXTO BÍBLICO: Êxodo 3:1-17; 5:1-5; 6:1,2
“E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” (Ex 3:14).
A figura de Moisés é, sem dúvida, uma das mais impactantes de toda a Bíblia e da história das religiões monoteístas. Ele não foi apenas um líder político ou militar, mas o mediador de uma aliança entre Deus e o povo de Israel.
Abaixo, apresento um panorama
sobre sua missão como libertador e o significado profundo da revelação divina
citada por você.
1. A Vocação e o Encontro na
Sarça Ardente
Moisés, um hebreu criado como
príncipe no Egito, tornou-se um pastor de ovelhas no deserto de Midiã após
fugir por ter matado um egípcio que maltratava um escravo hebreu. Foi nesse
cenário de anonimato e humildade que Deus o encontrou em uma sarça que ardia,
mas não se consumia.
O chamado de Moisés é marcado por
sua hesitação e humildade. Ele questionou sua própria capacidade e autoridade,
perguntando a Deus como deveria responder se o povo lhe perguntasse o nome do
Deus que o enviava.
2. O Significado de "EU SOU
O QUE SOU"
A resposta de Deus — "EU SOU O QUE SOU" (em hebraico, Ehyeh Asher Ehyeh) — é um dos
momentos teológicos mais profundos das Escrituras. Ela revela características
fundamentais sobre o caráter de Deus:
- Auto existência:
Deus não depende de nada nem de ninguém para existir. Ele é a fonte da
própria vida.
- Imutabilidade:
Ele é o mesmo no passado, presente e futuro. Não muda conforme as
circunstâncias.
- Presença Constante: Ao
dizer "EU SOU me enviou a vós", Deus garante que Sua presença é
o que sustenta a missão. Moisés não deveria ir baseado em sua própria eloquência,
mas na autoridade daquele que é eterno e soberano.
3. Moisés como Libertador
A missão de Moisés foi marcada
por grandes desafios, mas ele foi o instrumento para o cumprimento de uma
promessa antiga feita aos patriarcas (Abraão, Isaque e Jacó). Seu papel como
libertador envolveu:
- A Confrontação com o Poder:
Moisés enfrentou o Faraó, o homem mais poderoso da época, exigindo a
liberdade de um povo escravizado, armado apenas com um cajado e a palavra
de Deus.
- A Mediação do Poder Divino:
Através das dez pragas, Moisés demonstrou que o Deus de Israel era
superior a todos os deuses egípcios.
- A Liderança no Deserto:
Após a saída do Egito (Êxodo) e a travessia do Mar Vermelho, Moisés
conduziu o povo pelo deserto, onde atuou como juiz, legislador e,
principalmente, intercessor.
4. O Legado: O Mediador da
Aliança
Moisés não apenas libertou o povo
da escravidão física, mas guiou-os para uma nova identidade espiritual. No
Monte Sinai, ele recebeu os Dez Mandamentos e estabeleceu a Lei, que moldou a
ética e a cultura de Israel.
Embora Moisés não tenha entrado
na Terra Prometida, sua vida é o modelo máximo de obediência e perseverança.
Ele é lembrado como o profeta com quem Deus falava "face a face, como
qualquer fala com o seu amigo" (Êx 33:11).
Reflexão: A
história de Moisés nos ensina que a libertação não se trata da habilidade do
mensageiro, mas da soberania do Deus que se revela. Quando Deus diz "EU
SOU", Ele nos lembra que, em qualquer crise ou escravidão, Sua presença é
a garantia da vitória.
INTRODUÇÃO
Moisés figura junto a Abraão e
Davi como um dos três maiores personagens do Antigo Testamento. Libertador,
dirigente, mediador, legislador, profeta, foi sobretudo um grande homem de
Deus. Neste estudo, veremos a sua vocação e sua preparação graduada, dia a dia,
por Deus a fim de que se tornasse o líder do seu povo e o conduzisse rumo à
Terra Prometida. Deus vocaciona e chama líderes para sua obra, porém aqueles
que forem chamados precisam fazer a sua parte preparando-se. Se você tem um
chamado de Deus em sua vida, prepare-se. Faça a sua parte e deixe que o Senhor
faça a dEle. Moisés é preparado para se tornar o libertador (Êx 3:1-22).
I. MOISÉS – SUA CHAMADA E SEU
PREPARO (Êx 3:1-17)
Quando Deus quer realizar os seus
desígnios Ele escolhe qualquer pessoa. Ele é o Criador e administrador de todo
o Universo, de todas as criaturas. Ele levantou Ciro (Is 45:1-5); Nabucodonosor
(Dn 4:1-3); escolheu Moisés para libertar os descendentes de Abraão no Egito.
Não adianta resistir, Deus não aceita um “não” por parte da pessoa que Ele
designou para cumprir o seu propósito. Moisés resisti o quanto pode ao chamado
de Deus, mas acaba se rendendo. Ele torna-se uma referência ao seu povo Israel
e à humanidade. A ele é atribuída a autoria do Pentateuco, que é o compêndio
devocional basilar do povo judeu.
Moisés foi chamado por Deus
quando estava vivendo em Midiã, com o seu sogro Jetro. Ele chegara a Midiã aos
40 anos, fugido do Egito, e agora, aos 80 anos, quando cuidava das ovelhas do
sogro, tem um encontro com Deus. Observe que Moisés era já idoso quando foi
escolhido. Aos 80 anos de idade muitas pessoas só pensam em se aposentar e
aproveitar os poucos anos que lhe restam sem se aborrecer. Mas aqui reside um
princípio divino: Deus não depende de nossa faixa etária para nos convocar a
ser úteis para Ele. Com certeza havia pessoas mais jovens e mais dispostas a
fazer o que Moisés faria, mas Deus escolheu Moisés para aquela missão. Deus não
apenas o escolheu para realizar tão grande obra, mas também o convocou. Como
Deus fez tudo de forma perfeita, Ele mesmo se encarregou de falar com Moisés de
modo sobrenatural e convincente. Esse é o nosso Deus.
Amado irmão, se
Deus te escolheu e te chamou para realizar sua Obra não adianta resistir, é
você quem Ele quer. Como Moisés, precisamos aprender que Deus pode fazer
grandes coisas sem utilizar ninguém, mas em diversas situações Ele se utiliza
de pessoas como eu e você, limitadas, para cumprir seus propósitos.
2. O preparo de Moisés (Êx
3:10-15). Deus se utiliza de diversos recursos para treinar
aqueles a quem escolheu. Com Moisés não foi diferente. Ele passou por pelo
menos três estágios em sua vida, onde fora colocado por Deus para exercer seu
ministério futuro como libertador, legislador e líder de um povo que deixaria
uma vida de escravidão para entrar em uma terra própria e se tornar uma nação.
- Em primeiro lugar, Moisés
foi criado em um lar piedoso, pelo menos durante os primeiros cinco ou sete
anos de sua vida. Neste ambiente, aprendeu a ter não somente fé em Deus, mas
também simpatia e amor por seu povo oprimido. Joquebede, mãe de Moisés,
inculcou-lhe de tal maneira, em sua infância, as origens e tradições de seu
povo, que todos os atrativos do palácio pagão jamais puderam apagar aquelas
primeiras impressões. Que mãe impressionante!
- Em segundo lugar, foi
educado no palácio do Egito. O Senhor preservou Moisés logo no seu
nascimento, colocando-o sob a proteção da filha de faraó, o qual ordenou a
morte de todos os meninos hebreus recém-nascidos (Êx 1:16). Pela providência
divina, Moisés ficou sob os cuidados de sua própria mãe (Êx 2:7-9), até ser
recebido pela casa de faraó (Êx 2:10). Ali recebeu a melhor educação que o
maior e mais culto império daquele tempo oferecia. A permanência no palácio não
somente contribuiu para fazê-lo “poderoso em suas palavras e obras” (At 7:22),
mas também o livrou do espírito covarde e servil de um escravo.
A filha do faraó que o adotou
como filho era possivelmente Hatchepsute que, segundo Eugene H. Merrill, era
esposa do faraó Tutmose II (1512-1504). Hatchepsute não tinha filhos e desejava
ardentemente ter um. Se, de fato, Moisés foi seu filho de criação, há
probabilidade de haver ele sido uma forte ameaça ao jovem Tutmose III (sucessor
de Tutmose II) - que era filho de uma concubina e tinha se casado com sua
meia-irmã, filha de Hatchepsute e Tutmose II - visto que Hatchepsute não tinha
filhos naturais. Isso significa que Moisés era um candidato a ser Faraó, tendo
apenas como obstáculo sua origem semítica. Parece-nos que houve uma real
animosidade entre Moisés e o Faraó Tutmose III. Isto fica claro em virtude de
Moisés, após matar um egípcio, ter sido forçado a fugir para salvar a vida. O
fato de ter o próprio Faraó considerado a questão - que, em outra situação,
seria pouco relevante - sugere que este Faraó especificamente tinha interesses
pessoais em se livrar de Moisés.
Moisés teve uma educação
primorosa no palácio de Faraó. O texto bíblico de Atos 7:22 declara que ele foi
"instruído em toda a ciência dos egípcios". O conhecimento adquirido
por Moisés muito o ajudou como líder do seu povo, profeta, escritor e legislador.
Assim como Deus tinha um
propósito definido ao chamar Moisés, Ele também tem um propósito definido na
vida de qualquer servo dEle. Porém, muitos não querem assumir um compromisso
com Deus e a sua obra. Você deseja assumir um compromisso com o Todo-Poderoso?
- Em terceiro lugar, Moisés
adquiriu experiência no deserto. O chamado de Moisés ocorreu em Midiã,
durante os anos em que esteve exilado. De acordo com Êxodo 2:11,12, aos 40 anos
Moisés resolveu deixar o palácio e visitar seu povo. Irado com a violência de
um feitor de escravos do Egito, matou-o e, por isso, teve que fugir, com medo
da reação do faraó, provavelmente Tutmose III, o qual ordenaria sua execução
(Êx 2:15; At 7:29). Em Midiã, Moisés experimentou o silêncio e a solidão do
deserto através do qual guiaria Israel em sua peregrinação de quarenta anos.
Além disso, teve comunhão com Deus e chegou a conhecê-lo pessoalmente. Ali
aprendeu a confiar nele e não em sua própria força.
Portanto, o preparo de Moisés
durou muitos anos, cerca de 80 anos, e mesmo que ele não o soubesse, Deus o
estava preparando como instrumento para uma grande missão.
3. O objetivo da chamada divina
(Êx 3:8-10). Ao chamar Moisés, Deus foi bem enfático
quanto ao seu propósito: "Para que tires o meu povo do Egito"
(Êx 3:10). Deus desejava redimir o seu povo e organizá-lo como nação a fim de
que todas as famílias da terra fossem abençoadas. O Senhor precisava de um
único homem, Moisés, para redimir seu povo da escravidão. Na Nova Aliança, Deus
também necessitava de um único homem, porém este deveria ser perfeito. Então o
Todo-Poderoso enviou seu próprio Filho, Jesus Cristo. Jesus atendeu ao Pai, se
fez homem e habitou entre nós para nos libertar da escravidão do pecado (João
3:16). Glórias sejam dadas a Deus pelo seu grande
amor e misericórdia para conosco!
II. AS DESCULPAS DE MOISÉS E A
SUA VOLTA PARA O EGITO
1. O receio de Moisés e suas
desculpas. “Então, Moisés disse a Deus:
Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (Êx
3:11). Aquele Moisés impulsivo e vigoroso, que queria resolver os problemas à
sua maneira e de imediato, já não existia mais. Após 40 anos na escola do
deserto, ele havia sido mudado e moldado pelo Senhor, e agora precisava crer
não no seu potencial, mas no Deus de Abraão, Isaque e Jacó.
“Quem sou eu, que
vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?”. Aos seus próprios olhos, Moisés não tinha
capacidade de enfrentar Faraó. É provável que ele estivesse pensando em seu
passado, no crime que havia cometido, no prejuízo que teria se retornasse ao
Egito e alguém se lembrasse do que ele fizera. Mesmo se essa possibilidade
fosse remota, o certo é que Moisés não estava disposto a obedecer à voz de
Deus, e deixou claro que não era qualificado para falar com Faraó.
Moisés apresentou as seguintes
desculpas: (a) “Não sou capaz” (Êx
3:11); (b) “Não tenho autoridade” (Êx 3:13); (c) “Não crerão em mim” (Êx 4:1);
(d) “Não sei falar em público” (Êx 4:10); (e) “Sinceramente, não quero ir,
envia outro” (Êx 4:13). Em Sua grande paciência, Deus proveu assistência
para ele, com o envio de Arão (Êx 4:14), o qual fez o papel de porta-voz de seu
irmão (Êx 7:1). Desta vez, ele não teria mais alternativas a não ser obedecer
(Êx 4:13-17).
Quantos, ao serem chamados pelo
Senhor para alguma obra já não apresentaram uma lista vasta de desculpas?
Precisamos nos conscientizar de que Deus é o nosso Criador e Senhor. Ele nos
conhece melhor do que nós mesmos. As escusas de Moisés, assim como as nossas,
não vão impressionar o Senhor. Confie naquele que está chamando você e não
queira perder tempo com desculpas. Permita que Ele use seus dons e talentos
para que muitos sejam libertos da escravidão do pecado.
2. Deus concede poderes a Moisés. Deus
não apenas convocou Moisés para aquela empreitada, mas deu-lhe poderes
específicos para que o representasse. Por cinco vezes, conforme descrito acima,
Moisés rejeita o chamado de Deus com alguns argumentos. Mas, o Senhor, por
cinco vezes, apresenta argumentos para Moisés ir. Vejamos:
- “Eu serei contigo” (Êx 3:12). O
Senhor estava mostrando que Moisés não estava sozinho nesta missão. Jesus diz o
mesmo a nós em Mateus 28:20.
- “Eu Sou O Que Sou” (Êx 3:14). O
Senhor revelou seu nome sagrado a Moisés, a fim de que o povo reconhecesse sua
autoridade e sua pregação de libertação. Deuses deveriam ter nomes e os do
Egito tinham suas nomenclaturas, e o nome das divindades geralmente espelhava
alguma característica relacionada a um poder ou a um hábito dentro da teologia
daquele povo. O Deus de Abraão, de Isaque e Jacó deveria ter um nome também. A
expressão “o Deus de vossos pais” é muito impessoal. Se Deus tem um nome, por
que Moisés não poderia sabê-lo? A resposta divina foi: “Diga
aos filhos de Israel que o EU SOU está mandando você para libertá-los.
Lembre-os de que Sou o Deus de Abraão, Isaque e Jacó”. Deus deveria ser
identificado como o Deus dos antepassados dos israelitas.
- “Eu te darei poder” (Êx 4:2-9). O
Senhor capacitou Moisés a fazer sinais maravilhosos para que o povo cresse em
sua pregação. Moisés poderia transformar seu cajado em uma serpente, poderia
fazer sua mão ficar leprosa e depois voltar ao normal, e transformar água em
sangue.
- “Eu serei a tua boca e te
ensinarei o que falar” (Êx 4:11,12). Deus capacita Moisés a
falar as palavras corretas, assim, como hoje, o Espírito Santo nos ensina o que
devemos pregar (João 14:26).
- “Enviarei alguém para te
ajudar” (Êx 4:13-17). Deus enviou Arão com Moisés para falar por
ele, visto que Moisés não estava crendo na Palavra do Senhor. Deus se irou e
mandou Moisés ir cumprir sua missão.
3. O retorno de Moisés. Após
a contestação de suas desculpas, Moisés aceitou o chamado de Deus e deu início
a sua missão, retornando ao Egito. A morte do Faraó (Êx 2:23-25) provavelmente
Tutmose III, por volta de 1450 a.C., possibilitava a Moisés retornar ao Egito,
pois as autoridades egípcias encerravam todas as acusações pendentes, mesmo em
casos de crime capital (Êx 4:19).
Submisso ao plano de Deus,
primeiro foi obter permissão de Jetro para ir embora e retornar ao Egito (Êx
4:18). Não lhe apresentou todas as razões para a mudança, mas o motivo que deu
foi suficiente para obter aprovação. Jetro
disse: “Vai em paz”. Deu
liberdade a Moisés e, assim, não pôs impedimento ao plano de Deus. Moisés
começou a viagem com sua mulher e dois filhos (Êx 4:20; cf. 18:3,4), embora
pareça que depois do episódio da circuncisão (Êx 4:24-26), ele os tenha mandado
de volta a Jetro (Êx 18:2) e prosseguido sozinho com Arão (Êx 4:29).
Deus instruíra o rito da
circuncisão para todos os filhos de Israel. Parece que Moisés se circuncidou e
executou o rito em seu primeiro filho. Mas, a reação de Zípora (Êx 4:25,26)
indica forte desaprovação do ato e insinua que Moisés havia concordado em não
circuncidar o segundo filho a fim de agradar a esposa. Mas Deus exigia
obediência, e forçou Zípora a aceitar o que parece ter sido extrema aflição
para o marido (Êx 4:24). A obediência trouxe cura para Moisés (Êx 4:26), mas o
incidente ocasionou a volta de Zípora para a casa de seu pai (Êx 18:2).
Deus não faz acepção de pessoas,
e os grandes servos de Deus devem obedecer-lhe tanto como os demais. Alguém
disse: “Se Moisés tivesse se apresentado perante o povo israelita sem haver
circuncidado seu filho, sem haver cumprido o Antigo Concerto, teria anulado sua
influência junto deles”.
Quando Moisés retornava ao Egito,
Arão uniu-se a ele no caminho; juntos, trouxeram aos anciãos a promessa de
livramento e lhes demonstraram os sinais. Acendeu-se a fé entre os hebreus, e
em pouco tempo outras pessoas de Israel receberam as notícias (possivelmente em
reuniões secretas) e se inclinaram perante Deus em louvor e adoração (cf. Êx
4:27-31).
III. MOISÉS SE APRESENTA A FARAÓ
(Êx 5:1-5).
1. Moisés diante de Faraó. Com
intrepidez, Moisés e Arão se apresentaram na sala de audiência de Faraó,
provavelmente Amenotepe II, e lhe comunicaram a exigência do Senhor: “Deixa
ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto” (Êx 5:1). Esta
exigência aparece várias vezes (Êx 7:16; 8:1,20,21; 9:1,13; 10:3,4), embora
Deus tenha avisado Moisés e Arão sobre o que esperar do faraó: um coração
endurecido (Êx 7:13).
Faraó respondeu com arrogância: “Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei?” (Êx
5:2). Os faraós eram vistos como filhos de “Rá”, o deus solar do Egito, de
maneira que Faraó se considerava um deus. Não tardou em comunicar a Moisés e a
Arão que nem eles nem Deus lhe inspiravam respeito algum. Escarneceu deles
dizendo que a única razão pela qual desejavam celebrar a festa era estar
demasiado ociosos e tornou mais pesado o trabalho dos hebreus,
negando-lhes a palha necessária para produzir tijolos (Êx 5:7). A palha era
misturada com barro para deixar mais forte os tijolos secos ao sol. Embora
houvesse o trabalho extra de juntar a palha, o número dos tijolos fabricados
devia permanecer o mesmo (Êx 5:8). Esse tirano estava determinado a minar a
vontade do povo. Nem se dava conta de que não podia ir contra Deus. Ele poderia
ser cruel com o povo de Deus, mas as palavras que ouvira não eram palavras de
mentira (Êx 5:9).
Com frequência, quando Deus
começa a emancipar o homem do pecado, o efeito imediato é o aumento de
dificuldades. Assim, os primeiros feitos de Moisés só pioraram a situação, pois
Satanás não se dá por vencido sem lutar tenazmente.
2. A queixa dos israelitas (Êx
5:20-22). Os exatores do povo e seus oficiais executaram as ordens
de Faraó (Êx 5:10,11). Os escravos se espalharam por toda a terra do Egito a
colher restolho (Êx 5:12). Leo G. Cox disse que “restolho
era a parte inferior do talo das gramíneas”. Segundo ele, os exatores
(Ex 5:13), com medo de perderem o emprego, pressionavam duramente os oficiais
hebreus. Quando a cota de tijolos não foi atingida, açoitavam os oficiais dos
filhos de Israel (Êx 5:14).
Os esforços de Moisés e Arão
tiveram efeito oposto ao esperado. O povo de Israel sentiu-se
prejudicado pela intervenção de Moisés junto a Faraó. Esta deve ter sido uma
prova dura para Moisés. Ele estava no Egito obedecendo à voz de Deus, falando
com Faraó para que o povo fosse liberto, e como consequência o rei ordena que
os hebreus trabalhem mais. Era nitidamente claro que a situação piorara. Não
havia sinal externo de que Deus começara uma libertação. Moisés estava confuso,
então, faz um apelo desesperado a Deus: “Por que me enviaste?” (Êx
5:22). Quando a fé está em crescimento sempre há retrocessos. Deus
frequentemente nos humilha antes de mostrar seu braço forte. Deus cuida de cada
movimento dos seus filhos sofredores.
Bem disse Alexandre Coelho: “Não é incomum que líderes se vejam na mesma situação de
Moisés: obedecem a Deus, mas não veem de imediato um fruto positivo de sua
obediência. O que devemos saber é que obedecer a Deus não é uma garantia de que
as coisas que se seguirão não serão alvo de investida de Satanás. Além disso,
os líderes devem entender que nem sempre o povo vai entender determinadas
atitudes, mas que se estamos agindo de forma correta e dentro da vontade de
Deus, Ele vai se responsabilizar por nos honrar no devido tempo”.
3. Deus promete livrar seu povo
(Êx 6:1,2). A promessa de Deus para com Israel não foi
esquecida por Ele. A demora na libertação não significava renúncia da promessa.
Deus estava trabalhando em seus propósitos. Depois do encontro com Faraó e das
reclamações dos hebreus, Deus diz a Moisés: “Agora
verás o que hei de fazer a Faraó; porque, por mão poderosa, os deixará ir; sim,
por mão poderosa, os lançará de sua terra. Falou mais Deus a Moisés e disse: Eu
sou o SENHOR”. O valor da promessa estava no fato de Deus endossá-la: “Eu
sou o Senhor” (Ex 6:2). Para este grande livramento, o próprio Deus
revelou o pleno significado de Yahweh, “o Senhor”. Esta narrativa
trata de uma renovação das promessas a Moisés com maior destaque a um povo
desanimado.
Deus ordenou que Moisés renovasse
a confiança dos israelitas. Ele tinha de lhes dizer que seriam libertos da
servidão egípcia, que Deus os resgataria com ação especial e vigorosa e com
juízos grandes (Ex 6:6) sobre os opressores. Israel seria o povo especial de
Deus e lhe daria a terra da promessa por herança (Ex 6:7,8). Estas palavras
tranquilizadoras foram apoiadas pela declaração: “Eu, o SENHOR” (6:8).
A razão de Deus libertar Israel
era por causa da Sua Aliança (Ex 6:4,5). Esta Aliança foi feita com Abraão,
antes mesmo dos israelitas nascerem. Não foi baseada na bondade deles, mas no
amor de Deus (Dt 7:6-8). Que maravilhoso quadro da Aliança da graça, feita com
a Igreja de Cristo (Ef 1:4).
Lembre-se: as promessas de Deus
são inevitáveis. Às vezes parecem demorar, mas no devido tempo, Deus cumpre
suas promessas e honra a fé daqueles que confiam Nele.
CONCLUSÃO
Ainda hoje, Deus continua
levantando homens como Moisés e Arão com esta nobre função de ser canal para o
Seu agir no mundo, a fim de resgatar povos e nações das trevas e opressão do
pecado.

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