JÓ E A INESCRUTÁVEL SABEDORIA DE
DEUS
Na Bíblia, inescrutável significa algo que não pode
ser totalmente investigado, compreendido ou desvendado pela mente humana.
Deriva do latim scrutari (escutar/investigar)
com o prefixo de negação. Refere-se à infinita grandeza de Deus e aos mistérios
divinos que ultrapassam a nossa capacidade de raciocínio.
Texto Bíblico:
Jó 28:1-28
“Mas disse ao homem: Eis que o
temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência” (Jó
28:28).
Jó 28:
1.Na verdade, há veios de onde se
extrai a prata, e, para o ouro, lugar em que o derretem.
2.O ferro tira-se da terra, e da
pedra se funde o metal.
3.O homem pôs fim às trevas e até
à extremidade ele esquadrinha, procurando as pedras na escuridão e na sombra da
morte.
4.Trasborda o ribeiro até ao que
junto dele habita, de maneira que se não pode passar a pé; então, intervém o
homem, e as águas se vão.
5.A terra, de onde procede o pão,
embaixo é revolvida como pôr fogo.
6.As suas pedras são o lugar da
safira e têm pós de ouro.
7.Essa vereda, a ignora a ave de
rapina, e não a viram os olhos da gralha.
8.Nunca a pisaram filhos de
animais altivos, nem o feroz leão passou por ela.
9.Ele estende a sua mão contra o
rochedo, e revolve os montes desde as suas raízes.
10.Dos rochedos faz sair rios, e
o seu olho descobre todas as coisas preciosas.
11.Os rios tapa, e nem uma gota
sai deles, e tira para a luz o que estava escondido.
12.Mas onde se
achará a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência?
13.O homem não lhe conhece o
valor; não se acha na terra dos viventes.
14.O abismo diz: Não está em mim;
e o mar diz: Ela não está comigo.
15.Não se dará por ela ouro fino,
nem se pesará prata em câmbio dela.
16.Nem se pode comprar por ouro
fino de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira.
17.Com ela se não pode comparar o
ouro ou o cristal; nem se trocará por joia de ouro fino.
18.Ela faz esquecer o coral e as
pérolas; porque a aquisição da sabedoria é melhor que a dos rubis.
19.Não se lhe igualará o topázio
da Etiópia, nem se pode comprar por ouro puro.
20.De onde, pois,
vem a sabedoria, e onde está o lugar da inteligência?
21.Porque está encoberta aos
olhos de todo vivente e oculta às aves do céu.
22.A perdição e a morte dizem:
Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama.
23.Deus entende o seu caminho, e
ele sabe o seu lugar.
24.Porque ele vê as extremidades
da terra; e vê tudo o que há debaixo dos céus.
25.Quando deu peso ao vento e
tomou a medida das águas;
26.quando prescreveu uma lei para
a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões,
27.então, a viu e a manifestou;
estabeleceu-a e também a esquadrinhou.
28.Mas disse ao homem: Eis que o
temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência.
O capítulo 28 do
Livro de Jó é frequentemente chamado de "O Hino à Sabedoria". Ele
funciona como um interlúdio poético e reflexivo, posicionando-se após os
intensos debates entre Jó e seus três amigos e antes da defesa final de Jó.
Neste trecho, o autor interrompe
a discussão sobre o sofrimento humano para abordar uma questão teológica
central: a natureza transcendente da sabedoria de Deus em contraste com a
limitação humana.
1. A Procura Humana e a
Tecnologia (Versículos 1–11)
Jó inicia descrevendo a
extraordinária capacidade do ser humano de explorar a terra. Ele detalha a
mineração, onde o homem perfura as profundezas, traz à luz metais preciosos
(prata, ouro, ferro) e domina a natureza, mesmo em lugares onde a luz do sol nunca
alcançou.
- O contraste: O
ser humano é capaz de desvendar segredos geológicos profundos, dominando o
mundo físico através da inteligência e do esforço.
2. A Inalcançabilidade da
Sabedoria (Versículos 12–22)
Apesar dessa engenhosidade
técnica, Jó lança a pergunta fundamental: "Mas
onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar do entendimento?"
Ele utiliza uma linguagem poética
para demonstrar que a sabedoria não é uma "commodity" que pode ser
minerada ou comprada:
- Não está no mercado: Nem
o ouro de Ofir, nem o ônix, nem as pedras preciosas podem comprá-la.
- Não está na natureza: O abismo diz: "Não está em mim"; o
mar diz: "Não está comigo".
- O mistério: Nem mesmo a Morte ou
o Além (Abadom) conhecem o seu paradeiro final. A sabedoria está escondida
aos olhos de todos os viventes.
3. A Sabedoria Pertence a Deus
(Versículos 23–27)
O clímax do capítulo revela que a
sabedoria não é algo que o ser humano "descobre" por mérito
intelectual; ela é uma posse exclusiva de Deus.
- A Onisciência Divina:
Deus entende o caminho da sabedoria. Ele vê até os confins da terra e
contempla tudo o que há debaixo dos céus.
- A Criação: Quando Deus criou o
mundo, Ele estabeleceu as leis da física (o peso para o vento, as medidas
para as águas) e, ao mesmo tempo, Ele a observou, estabeleceu e sondou. A
sabedoria está intrinsecamente ligada à criação e ao governo do universo.
4. A Conclusão Prática: O Temor
do Senhor (Versículo 28)
O capítulo encerra com uma
definição prática e teológica da sabedoria para o ser humano:
"E disse ao
homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é o
entendimento."
Esta conclusão é o divisor de
águas do capítulo. Jó argumenta que:
- Limitação Humana: Como
o ser humano não possui a visão panorâmica de Deus, ele não pode
compreender todos os Seus caminhos (incluindo o porquê do sofrimento).
- A Resposta é Ética: Se
a sabedoria suprema é inacessível à mente humana, a "sabedoria
possível" para o homem é o temor do Senhor. Ou seja, a
confiança em Deus e uma vida de retidão (apartar-se do mal) valem mais do
que qualquer tentativa de explicar intelectualmente os mistérios divinos.
Reflexão
O capítulo 28 é uma lição de humildade
intelectual. Jó admite que, embora o homem possa ser tecnologicamente
avançado e capaz de desvendar muitos segredos da terra, a sabedoria moral e o
propósito dos eventos da vida (especialmente o sofrimento) permanecem sob a
soberania de Deus. A verdadeira sabedoria não é a explicação teórica, mas a
postura de reverência e obediência diante do Criador.
INTRODUÇÃO
No estudo do Livro de Jó, falaremos
a respeito da “inescrutável sabedoria de Deus”.
Teremos como texto base o capítulo 28 de Jó. Neste
capítulo, Jó mais uma vez questionou a fonte da sabedoria de Elifaz,
Bildade e Zofar, pois suas respostas não passavam de uma exposição filosófica
que nada tinha a ver com as verdades profundas de Deus.
Muitas pessoas estão em busca da
verdade e outras já desistiram de buscar, há bastante tempo. O problema da
humanidade é que ela tem buscado a verdade em lugares que não a apresentarão de
maneira satisfatória, como a filosofia natural e a ciência sem Deus, por
exemplo. O ser humano é capaz de tantas coisas, mas não de encontrar sabedoria.
Jó descreveu a incrível capacidade humana de cavar a terra, remover montanhas e
atravessar rochas em busca de tesouros, mas não tem habilidade alguma de
encontrar a sabedoria de Deus. Jó encerra o capítulo 28 com uma afirmação muito
comum no livro de Provérbios, dizendo que a sabedoria está em temer ao
Senhor (Jó 28:28). Temer ao Senhor não é ter medo dele, mas demonstrar a
Ele reverência. A motivação para um filho obedecer a seu pai deve ser o
respeito e o amor a ele, mais do que o medo de ser castigado. Portanto, segundo
as Escrituras Sagradas, uma pessoa sábia não é aquela que domina vários idiomas
e dialetos, não é a que tem mais habilidade de ler livros e absorver
conhecimento, não é aquela conhecedora exímia de filosofia, não é aquela que
possui profundo conhecimento de teologia, não é aquela que possui profundo
conhecimento da literatura nacional e mundial, não. Segundo as Escrituras, a
pessoa sábia é aquela que tem o temor do Senhor - “o
temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Sl.111:10; Pv.9:10).
I. A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM
NATURAL
Em Jó 28:1-14 o autor contrasta o
árduo trabalho do homem na busca por bens preciosos nas entranhas da terra com
a busca pela sabedoria. Jó esquece suas feridas e todas as suas angústias, e
fala como um filósofo. Neste discurso há uma grande dose de filosofia moral e,
também, natural. Aqui, Jó discorre a respeito da riqueza terrena, e quão
diligentemente ela é buscada e perseguida pelos filhos dos homens, os esforços
que eles fazem, os planos que elaboram, e os riscos que correm para obtê-la (Jó
28:1-11). Assim como o profissional do minério usa diligentemente a tecnologia
na busca de metais preciosos, também ele deve empreender um grande esforço para
encontrar a Sabedoria; o seu preço é muito elevado, é de valor inestimável (Jó
28:15-19). Os tesouros existem, mas estão enterrados; a Sabedoria existe, é um
bem mui precioso, mas o seu lugar é extremamente secreto (Jó 28:14,20,22); é
necessário grande empenho para alcançá-la.
2. Como quem explora o minério,
assim o homem faz com a Sabedoria
O narrador expõe a diligência do
homem na exploração do minério nas entranhas da terra (Jó 28:3-11). O homem vai
até o fundo da terra (Jó 28:2) para descobrir metais e pedras preciosas. Para
colocar um “fim às trevas” (Jó 28:3), os habilidosos na mineração vão até as
profundezas da terra como se fossem luz. As minas geralmente são locais de
difícil acesso e de pouca iluminação, por isso, há a necessidade de se abrir
caminho e colocar luz artificial. Por meio da diligência e invenção deles,
podem encontrar o tesouro escondido – “as pedras na
escuridão” (Jó 28:3-5).
3.O homem pôs fim
às trevas e até à extremidade ele esquadrinha, procurando as pedras na
escuridão e na sombra da morte.
4.Trasborda o
ribeiro até ao que junto dele habita, de maneira que se não pode passar a pé;
então, intervém o homem, e as águas se vão.
5.A terra, de onde
procede o pão, embaixo é revolvida como pôr fogo.
Entende-se aqui que aqueles que
trabalham nas minas procuram os limites dos lugares escuros, aventurando-se nos
recônditos mais remotos para obter minério; eles cavam poços profundos nos
vales, em lugares remotos, raramente visitados por alguém, e descem neles,
pendurados em cordas que oscilam para frente e para trás. Da terra o homem
obtém o pão de cada dia, mas debaixo da superfície a terra é revolvida como pôr
fogo (Jó 28:5).
A atividade e a engenhosidade do
homem são maravilhosas, mas em todo esse empreendimento a “sabedoria” (Jó
28:12) não é descoberta. Ter conhecimento técnico profundo para explorar pedras
preciosas não significa ter Sabedoria de Deus, pois ela não se acha na terra
dos viventes” (Jó 28:13); ela não se encontra no abismo nem no mar (Jó 28:14).
Por mais extraordinária que a exploração e a descoberta humana possam parecer,
as pessoas não conseguem nem mesmo começar a sondar a sabedoria divina. As
mentes humanas mais privilegiadas não conseguem descobri-la ou explorá-la. Os amigos de Jó tentaram, diligentemente, examinar o
sábio entendimento de Deus acerca da situação de Jó, mas não obtiveram êxito; a
Sabedoria suprema sempre permanece elusiva e além da compreensão humana.
3. De onde vem a Sabedoria?
Jó reconhece que a sabedoria está
oculta a todos os seres da terra, mesmo às aves do céu, que podem enxergar
longe, do alto (Jó 28:21). Jó demonstrou que o homem tem sido exitoso no seu
trabalho de exploração de minérios, porém, incapacitado na “escavação da
sabedoria”; tem procurado, mas não encontrado. Por que isso? Porque a
verdadeira Sabedoria está escondia em Deus, e é Ele quem a revela; ela é dádiva
de Deus (Pv.2:6).
“Porque o SENHOR dá
a sabedoria, e da sua boca vem o conhecimento e o entendimento”.
A verdadeira Sabedoria, portanto,
não se recebe nos bancos de uma escola, universidade, nem se aprende com a
leitura de bons livros. Sabedoria não é um dote natural, é um dom exclusivo de
Deus; emana das alturas; procede do Céu. Existe uma sabedoria terrena, mas não
é sobre essa Sabedoria que estamos aqui tratando. Estamos
tratando da Sabedoria divina, a Sabedoria que vem do Céu; essa deve ser
desejada e pedida; deve ser buscada como buscamos a prata e o ouro.
Aqueles que pedem a
Deus sabedoria, esses a recebem (Tg.1:5). Só Deus concede esse dom. Só de
Deus procede essa boa dádiva. Da boca de Deus emanam a inteligência e o
entendimento. A compreensão da vida e o discernimento dos propósitos da
existência são o resultado de conhecermos a Deus. Aqueles que andam com Deus
são sábios. Aqueles que amam a Deus têm inteligência e compreensão para
discernir entre o bem e o mal, para separar o precioso do vil. É da boca de
Deus, ou seja, de Sua Palavra, que procede a verdadeira compreensão acerca de
Deus e da humanidade, do tempo e da eternidade, da vida e da morte. Aqueles que
se apartam dos preceitos divinos entregam-se a estultícia, mas aqueles que se
dedicam a conhecê-los e ensiná-los experimentam segurança e deleite, tanto no
tempo presente como na eternidade. (1)
A Sabedoria somente se manifesta
de forma prática na vida dos homens através do temor do Senhor. Como já frisei,
a pessoa sábia é aquela que tem o temor do Senhor - “o temor do Senhor é o
princípio da sabedoria” (Sl.111:10; Pv.9:10). Portanto, a Sabedoria é
relacional. Este foi um testemunho que o próprio Deus já havia dado sobre Jó.
Ao contrário de seus amigos, ele vivia a sabedoria divina.
Temer a Deus, portanto, é
conhecê-lo, honrá-lo, obedecer-lhe. Temer a Deus é colocar os pés na estrada da
santidade e beber das torrentes da felicidade. Quando tememos a Deus, nossos
dias são dilatados na terra e somos poupados de muitas aflições. O temor ao
Senhor é o grande freio moral que nos protege das propostas sedutoras do
enriquecimento ilícito e nos blinda da sedução perigosa das aventuras sexuais.
O temor ao Senhor nos afasta dos caminhos escorregadios e firma os nossos
passos nas veredas da justiça. O temor ao Senhor nos desvia de companhias
erradas e de lugares errados.
II. A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM
COMERCIAL
1. O preço da Sabedoria
Assim como aqueles que trabalham
nas minas tem um esforço hercúleo para conseguir o que quer, também os que
buscam a Sabedoria que vem de Deus precisam pagar um alto preço de sacrifício e
devotamento. Segundo Jó, a Sabedoria vinda de Deus não tem um preço tangível
que se possa oferecer para adquiri-la, o seu valor é incalculável; é patrimônio
exclusivo de Deus, por isso, não pode ser transmitida. Portanto, o caminho da
Sabedoria não pode ser encontrado tão facilmente. Como afirma Jó, a Sabedoria
não está na terra ou no mar e não pode ser comprada ou avaliada, pois seu valor
excede o precioso ônix, a safira e até mesmo o ouro puro (Jó 28:12-19).
12.Mas onde se
achará a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência?
13.O homem não lhe
conhece o valor; não se acha na terra dos viventes.
14.O abismo diz:
Não está em mim; e o mar diz: Ela não está comigo.
15.Não se dará por
ela ouro fino, nem se pesará prata em câmbio dela.
16.Nem se pode
comprar por ouro fino de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira.
17.Com ela se não
pode comparar o ouro ou o cristal; nem se trocará por joia de ouro fino.
18.Ela faz esquecer
o coral e as pérolas; porque a aquisição da sabedoria é melhor que a dos rubis.
19.Não se lhe
igualará o topázio da Etiópia, nem se pode comprar por ouro puro.
2. O valor da Sabedoria
“O homem não lhe
conhece o valor; não se acha na terra dos viventes” (Jó 28:13).
Jó declarou que a Sabedoria não
pode ser encontrada entre os viventes. É natural que as pessoas que não
compreendem a importância da Palavra de Deus busquem sabedoria neste mundo.
Elas procuram filósofos e outros mestres do saber que lhes forneçam direção
para a vida. Por este motivo, Jó afirmou que a Sabedoria não é encontrada ali.
Lamentavelmente, o homem ainda não aprendeu o verdadeiro valor da Sabedoria nem
onde encontrá-la e que, por isso, acredita ser fácil adquiri-la. Nenhum mestre
ou grupo de mestres pode produzir conhecimento ou percepção suficientes para
explicar a totalidade da experiência humana. A interpretação definitiva da
vida, de quem somos e para onde vamos, precisa vir de cima. Quando buscamos
orientação, procuramos a Sabedoria de Deus como revelada na Bíblia. Para sermos
elevados além dos limites da vida, precisamos conhecer e confiar no Senhor da
vida.
Salomão, na sua cosmovisão,
falando do valor da sabedoria, disse: “Porque melhor é a Sabedoria do que joias
e, de tudo o que se deseja, nada se pode comparar com ela” (Pv.8:11). O ser
humano corre sofregamente atrás de prata, ouro, joias e riquezas. Investe seu
tempo, usa sua energia, devota sua inteligência e emprega seus talentos para
amealhar riquezas. Muitos chegam a alcançar sucesso nessa empreitada, porém abandonam
os destroços de sua busca insaciável. Há aqueles que destroem o casamento e a
família para atingirem o topo da pirâmide social; acumulam bens, mas perdem a
família; ajuntam tesouros, mas perdem a alma.
A Sabedoria divina nos adverte: o
conhecimento é melhor do que o ouro escolhido; a Sabedoria é melhor do que
joias. Nada neste mundo, nem as riquezas nem os prazeres, pode ser comparado à
sabedoria. O néscio ajunta tesouros julgando que essa riqueza lhe dará
felicidade e segurança; porém, esses tesouros acabam se transformando no
combustível de sua própria destruição. Quando alguém busca conhecimento e
sabedoria em vez de correr atrás de prata, ouro e joias, encontra segurança,
felicidade e riqueza. (2)
Infelizmente, hoje, o mundo tem
muito conhecimento, porém, pouca sabedoria. Somos considerados a sociedade do
conhecimento. Avançamos em ciência, tecnologia e comunicação. Temos satélites e
a internet, e sabemos que muito mais novidade vem por aí. O mesmo conhecimento
que nos trouxe conquistas e conforto, trouxe-nos guerras e morte. Tanto não
alcançamos felicidade pelo livre e pleno exercício da razão, como multiplicamos
alternativas emocionais, hedonistas, utilitárias e egocêntricas para a vida
comum. Distanciamo-nos uns dos outros; estranhamo-nos; isolamo-nos. Nossos
índices de drogadição, alcoolismo, acidentes de trânsito, conflitos e
dissoluções familiares aumentaram drasticamente.
Diante desse quadro, eis uma
conclusão: temos muito conhecimento, mas pouca sabedoria. Conhecimento é
domínio da informação que se refere ao objeto de interesse; sabedoria é a
capacidade de utilizar o conhecimento em prol da vida e dos relacionamentos. O
sábio não é, necessariamente, aquele que tem muito conhecimento, mas aquele que
canaliza adequadamente para as ações e decisões do dia a dia todo o
conhecimento que tem. Assim, um morador da periferia, um profissional
artesanal, um administrador de negócio próprio sem formação acadêmico, uma dona
de casa ou um jovem que trabalha no campo pode ser mais sábio que um doutor ou
um professor universitário. Com certeza, nossa geração é a geração do
conhecimento, mas carece de uma sabedoria que a ajude a encontrar veredas de
vida e paz. (3)
3. A Sabedoria não é um bem
comercial
Jó afirmou que a Sabedoria não é
um bem comercial, e que o seu valor é inestimável e só quem pode concedê-la é
Deus; portanto, não pode ser encontrada em qualquer lugar. Ela é o tesouro mais
precioso do que ouro puro (Jó 28:19). Deve ser desejada mais do que a prata e o
ouro refinado. Deve ser buscada mais do que o sucesso. É um bem que deve ser
mais cobiçado do que a riqueza. Muitos desprezam a Sabedoria como se ela não
fosse desejável; preferem os prazeres, cobiçam as riquezas, anseiam o sucesso;
outros, mesmo tendo ouvido sobre o caminho excelente da sabedoria, apartam-se
voluntária e afrontosamente dessa vereda; buscam caminhos mais sedutores;
colocam os pés em estradas cercadas por mais aventuras; cobiçam coisas mais
imediatas. O fim dessas escolhas insensatas, entretanto, é a decepção e o
fracasso. É melhor ser um sábio pobre do que um rico tolo. É melhor ter Sabedoria do que ajuntar riquezas. É melhor
obedecer aos preceitos de Deus do que deles se apartar.
III. A SABEDORIA VISTA COMO UM
BEM ESPIRITUAL
1. Uma Verdade revelada
Pergunta o narrador: “De onde, pois, vem a sabedoria, e onde está o lugar da
inteligência?” (Jó 28:20). No capítulo 28:13-19, Jó fez um contraste
entre o trabalho de um minerador e o de quem procura a sabedoria. Ao contrário
de Bildade, que chama o ser humano de “verme”, Jó admite a inteligência e a
destreza dos homens para minerar a terra. O sucesso humano na mineração é prova
de sua inteligência e habilidade; apesar disso, o homem fracassou completamente
em sua busca por Sabedoria. Também as riquezas deste mundo são incapazes de
comprá-la, pois ela não é um bem comercial (Jó 28:13-19). Jó afirma que a
Sabedoria está escondida dos olhos de todo vivente (Jó 28:21); ela não está no
centro da terra, nem com os sábios, de forma que possa ser passada pela simples
via da tradição ou do conhecimento. Somente Deus é capaz de doá-la (Jó
28:21-28). O abismo e a morte apenas ouviram falar dela. Deus, o Criador da
natureza, é a origem da sabedoria, pois o Senhor “lhe entende
o seu caminho, e ele sabe o seu lugar. Eis que o temor do Senhor é a sabedoria,
e apartar-se do mal é a inteligência” (Jó 28:23,28).
Contudo, a Sabedoria não é uma
ideia abstrata, é uma Pessoa concreta. Não é uma pessoa meramente humana, mas a
Pessoa divina. A Sabedoria é uma expressão eloquente do próprio Jesus, o Filho
de Deus, que foi revelado na plenitude dos tempos (Gl.4:4). A Sabedoria faz
soar sua voz, em tempo e fora de tempo, e em todos os lugares, a fim que todos
conheçam sua mensagem. Sua mensagem é urgente e absolutamente vital. Tapar os
ouvidos à voz da Sabedoria é caminhar para a morte e fazer uma viagem rumo ao
desastre. Deus nos falou muitas vezes, de muitas
maneiras, aos pais pelos profetas, mas agora ele nos fala pelo seu Filho, a
Verdade revelada. Jesus é a Sabedoria de Deus; ouvir sua voz é viver; obedecer
à sua voz é caminhar para a bem-aventurança eterna.
2. Uma Verdade prática
A Sabedoria não deve ser apenas
sentida, ou contemplada, mas deve ser, principalmente, praticada. Ela deve ser
uma realidade presente em nosso coração, e não apenas um vocábulo que está
grafado nos dicionários. Nosso coração precisa ser a morada da Sabedoria. Ela
precisa nos governar e ter todas as chaves da nossa vida. Não pode ser apenas
uma inquilina sem autoridade de fazer as mudanças necessárias.
A Sabedoria precisa ser a dona da
“casa”. Não pode ser apenas uma hóspede, que vem e vai embora, mas sim uma
residente permanente. Quando a sabedoria é entronizada em nossa vida, então nos
tornamos sábios. Salomão, ao ser entronizado rei de Israel, não pediu riqueza
nem poder; pediu Sabedoria, e, com a Sabedoria vieram as demais coisas. Aqueles
que são templos da Sabedoria descobrem que o conhecimento de Deus traz gozo e
paz, uma fonte perene de delícias para a alma. (4)
A Sabedoria se materializa no
temor do Senhor. Jó disse que a Sabedoria está no “temor do Senhor” (Jó 28:28).
O temor a Deus é o princípio da Sabedoria. Quem teme a Deus afasta-se do mal, e
quem se afasta do mal evita uma abundância de problemas na vida. Quem teme a
Deus não desperdiça sua saúde em noitadas de aventuras. Quem tema a Deus não
intoxica seu corpo com nicotina nem com outras drogas pesadas. Quem teme a Deus
não se pende aos ditamos do alcoolismo. Quem teme a Deus não entrega seu corpo
à impureza nem chafurda na lama da promiscuidade sexual. Quem teme a Deus não
entrega sua língua à maledicência nem compra brigas desnecessárias, para depois
viver amargurado. Quem teme a Deus semeia amor e colhe compreensão. Quem teme a
Deus não guarda mágoa em seu coração, mas abençoa quem o maldiz. Portanto, a
Sabedoria é uma verdade revelada e tem implicações práticas.
3. Cuidado com a falsa sabedoria
Nada é mais
contrário à sabedoria do que a presunção. A sabedoria que se impõe pela empáfia
e pela soberba é consumada tolice. O sábio é aquele que não faz propaganda de
si mesmo. A sabedoria sempre anda de mãos dadas com a humildade; sempre se
veste de modéstia. Salomão assim se expressou: “Não sejas sábio a teus próprios
olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal” (Pv.3:7). Aqui, ele dá três
conselhos:
- Primeiro conselho - a
necessidade imperativa da humildade. Só os humildes conhecem a ciência da
sabedoria, e só os humildes serão exaltados.
- Segundo conselho - a
necessidade de sermos guiados na vida pelo temor ao Senhor. Só o temor a
Deus nos livra de quedas e fracassos. Só o temor a Deus nos abre os
portais da sabedoria.
- O terceiro conselho - a
necessidade de nos afastarmos de tudo o que é errado. Ninguém é regido
pela sabedoria fazendo o mal e firmando alianças com aqueles que vivem na
prática da injustiça.
Portanto, humildade de coração,
temor ao Senhor e santidade de vida são os pilares da verdadeira sabedoria.
Buscá-la em outras fontes é cavar cisternas rotas. Tocar trombetas para fazer
apologia de si mesmo é insensatez. Nenhum engano é mais perigoso do que o
autoengano. Nenhuma humilhação é mais notória do que aquela colhida pelos que
exaltam a si mesmos. Não construa monumentos a si mesmo. Viva para a glória de
Deus. Fuja da falsa sabedoria. (5)
CONCLUSÃO
Vimos que mesmo com empenho na
busca da Sabedoria divina, os resultados não são satisfatórios. Não podemos
alcançá-la, senão pela revelação divina. Ela está em Deus e somente Ele pode
outorgá-la; somente Ele pode revelá-la - “O
Senhor dá a sabedoria” (Pv.2:6) -, entretanto, ela não é encontrada nos
segredos da natureza ou da providência, mas nas regras para o nosso próprio
proceder. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Portanto, a Sabedoria
se materializa no temor do Senhor. Logo, quem teme ao Senhor é sábio. Assim
sendo, devemos engendrar esforços para alcançá-la. Muitos lutam bravamente para
ser ricos; nesse projeto, empregam toda a sua energia e, às vezes, para
alcançar seu propósito, perdem a própria alma. Outros tem como sentido da vida a
busca sôfrega por preencher o vazio do coração. Salomão, que granjeou fortunas
colossais e desfrutou de prazeres mil, diz que alcançar a sabedoria é o melhor
de todos os projetos de vida. Quem alcança a
sabedoria tem acesso à árvore da vida – come de seus frutos deliciosos e
repousa debaixo de sua sombra abençoadora.



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