ADORAR A DEUS NO DESERTO
TEXTO BÍBLICO: Êxodo 25:1-9
“E me farão
um santuário, e habitarei no meio deles” (Êx 25:8).
1. O Propósito Divino:
"Habitarei no meio deles"
O versículo estabelece uma
mudança de paradigma: Deus não quer ser apenas adorado à distância ou em
lugares fixos e remotos; Ele deseja habitar entre o Seu povo.
- Intimidade e Presença: O
Tabernáculo (o santuário no deserto) era uma estrutura móvel. Isso ensina
que Deus não está limitado a um prédio, mas acompanha Seu povo em todas as
suas jornadas.
- O Deserto como Cenário: O
deserto simboliza os momentos de crise, escassez e transição na vida
humana. A mensagem central é que, onde quer que você esteja, o ambiente
pode ser inóspito, mas a presença de Deus torna aquele lugar um
"santuário".
2. O Santuário como Ponto de
Encontro
No deserto, o Tabernáculo não era
apenas uma construção; era o ponto de convergência de toda a nação.
- O Centro do Acampamento: As
tribos de Israel montavam suas tendas ao redor do santuário. Isso
simboliza que, na vida de adoração, Deus deve estar no centro. Nossas
ocupações, famílias e desafios devem estar dispostos ao redor da presença
de Deus.
- A Ordem na Aridez: O
deserto é um lugar de desordem e perigo. A adoração traz a ordem divina
para o caos da jornada.
3. A Preparação: "Me
farão"
Deus ordena: "E me farão um santuário". A adoração é uma ação colaborativa.
- Entrega e Serviço: O
santuário foi construído com ofertas voluntárias e o uso de talentos
(dons) dados por Deus ao povo. Adorar exige que ofereçamos o que temos —
nosso tempo, nossos recursos e, principalmente, nosso coração.
- O Santuário somos nós: No
Novo Testamento, essa revelação se expande: nós nos tornamos o templo do
Espírito Santo (1 Coríntios 6:19). O "lugar de adoração no
deserto" não é mais feito de cortinas e ouro, mas é o coração humano
regenerado, que carrega a presença de Deus onde quer que vá.
Reflexão: Transformando o Deserto
em Santuário
O deserto, em si mesmo, é um
lugar de provação, mas é também um lugar de revelação. É no deserto que
as distrações são eliminadas, permitindo que a voz de Deus seja ouvida com
clareza.
- Adoração em meio à crise:
Adorar não significa ignorar o deserto, mas reconhecer que Deus é maior
que a seca, a fome ou a solidão.
- O altar móvel:
Assim como o Tabernáculo, sua vida de adoração deve ser portátil. Você não
precisa esperar chegar ao "topo" ou a um lugar de paz para
adorar; você pode erguer um santuário no seu coração agora mesmo, em meio
às suas dificuldades.
"A adoração
transforma o deserto de um lugar de sobrevivência em um lugar de
encontro."
Para refletir: Em qual
área da sua vida, que hoje parece um deserto de incertezas, você sente que Deus
está convidando você a construir um espaço de adoração e intimidade com Ele?
INTRODUÇÃO
Desde o início, na criação, Deus
estabeleceu com os homens um relacionamento íntimo e de comunhão (Gn 3:8), para
que lhe fosse prestado um culto de louvor. Noé e seus descentes, assim como os
patriarcas Abraão, Isaque e Jacó mantinham viva essa relação cultual por meio
de sacrifícios prestados em altares de pedra (Gn 8:20; Gn 12:7; 26:25; 35:1,2).
Após o êxodo, Deus queria habitar no meio de Israel, por isso Ele ordenou e
orientou a Moisés que, juntamente com o povo recém-liberto da escravidão do
Egito, estabelecesse um local e um ritual para o culto que deveriam prestar a
Ele (Êx 25-30). Esse lugar seria o “Tabernáculo” (hebraico mikadesh, santuário),
um lugar de adoração ao único Deus verdadeiro. O Tabernáculo foi, durante os
anos de peregrinação pelo deserto, o lugar de encontro de Deus com o seu povo;
ali, o Todo-poderoso revelou-se e recebeu adoração (Êx 40:34,35). Esse
santuário simboliza a verdade de que lugares secos e áridos enchem-se de vida
com a presença de Deus entre o Seu povo! (Sl 58:11; 2Tm 1:10).
A ideia central do Tabernáculo
era que Deus habitava entre o seu povo; sua plena realização encontra-se na
encarnação de Cristo: “E o Verbo se fez carne e
habitou entre nós” (literalmente, fez tabernáculo entre nós, João
1:14). Daí que se chama Emanuel, “Deus conosco” (Mt 1:23). Em nossos dias a
presença de Deus se manifesta na igreja por meio do Espírito Santo que habita
nos cristãos (Ef 2:21,22).
Neste estudo falaremos sobre o
verdadeiro culto com os princípios eternos subjacentes nas instruções divinas
para a construção do Tabernáculo, um lugar de adoração a Deus no
deserto.
I.
AS INSTRUÇÕES PARA A CONSTRUÇÃO DO
TABERNÁCULO
Quando o povo de Israel saiu do
Egito em direção à Terra Prometida, Deus mandou Moisés construir o Tabernáculo
- “E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles” (Ex 25:8).
Foi construído conforme as orientações concedidas por Deus a Moisés, para que
Ele pudesse manifestar Sua presença e receber a devida adoração.
Sempre que se procedia à montagem
do Tabernáculo, era feita de dentro para fora, ou seja, do Santo dos Santos
para o Pátio, simbolizando a forma como Deus opera na vida do ser humano: a
partir do seu interior. A tarefa de montar e desmontar o Tabernáculo cabia
apenas aos levitas (Nm 3:6-8).
O Tabernáculo tinha vários nomes.
Em regra geral, chamava-se "tenda" ou "tabernáculo" por sua
cobertura exterior que o assemelhava a uma tenda; também se denominava
"tenda da congregação", porque ali Deus se reunia com o seu povo (Êx
29:42-44); visto como continha a Arca e as tábuas da lei, chamava-se
"tabernáculo do testemunho" (Êx 38:21) - testificava da santidade de
Deus e da pecaminosidade do homem; chamava-se, além disso,
"santuário" (Êx 25:8), porque era um lugar de culto ao Senhor e de
sua santa presença.
1. O propósito divino. Embora em sentido literal seja impossível que a presença de Deus se limite a um lugar (Atos 7:48,49), pois "o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos", o Tabernáculo tinha um propósito precípuo: lembrar ao povo que ele possuía o privilégio incomparável de ter o Senhor no meio de Israel. No Tabernáculo, Deus se fazia presente como Rei do seu povo e recebia culto de louvor e adoração. Para além disso, o Tabernáculo também era o símbolo do relacionamento e da intimidade do ser humano com Cristo - “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração (…). Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois, quem fez a promessa é fiel” (Hb 10:19-23).
O Tabernáculo tinha os seguintes propósitos:
a) Proporcionar
um lugar onde Deus se manifestasse entre seu povo (Êx 25:8; 29:42-46; Nm 7:89).
Aí o Rei invisível podia encontrar-se com os representantes de seu povo e eles
com o Rei. Até aquele momento, Deus já havia se manifestado várias vezes em favor
de Israel, mas não fora visto ainda “no meio deles”. Quando Deus falava a
Moisés no monte, o povo assistia à distância, impactado pela visão dos raios
projetados lá de cima. Agora, porém, Deus está dizendo que a sua presença, que
os assistira até ali, estaria permanentemente no meio do arraial, representada
por um santuário erguido sob Sua orientação. O Tabernáculo lembrava também aos
israelitas que Deus os acompanhava em sua peregrinação.
b) Ser
o centro da vida religiosa, moral e social. O Tabernáculo sempre se situava no
meio do acampamento das doze tribos (Nm 2:17), e era o lugar de sacrifício e
centro de celebração das festas nacionais.
c) Representar
grandes verdades espirituais que Deus desejava gravar na mente humana, tais
como sua majestade e santidade, sua proximidade e a forma de aproximar-se de um
Deus santo. Os objetos e ritos do Tabernáculo também prefiguravam as realidades
cristãs (Hb 8:1,2, 8-11;10:1). Desempenhavam um papel importante em preparar os
hebreus para receber a obra sacerdotal de Jesus Cristo.
Observação: o
“Tabernáculo” não se trata de morada de Deus. O principal objetivo do
Tabernáculo (Mikadesh, santuário) é “... e habitarei no
meio deles” (Êx 25:8b), ou seja, entre eles, e não “nele” (“shakan”); com
isso se chega à absoluta negação do antropomorfismo, no sentido de morada de
Deus. O Templo, Tabernáculo, não é morada de Deus, mas dos homens, e seu
principal objetivo é o de aperfeiçoar a condição humana à condição divina.
2. As ofertas. O
Tabernáculo foi construído com as ofertas voluntárias do povo hebreu (cf. Êx
25:2-7). Deus desejava ver um coração bem-disposto. Ninguém foi obrigado a
ofertar, mas não poderia ofertar qualquer coisa; teriam que se enquadrar dentro
de uma lista predeterminada pelo Senhor (Êx 25:3-7). Eram ofertas custosas,
pois se calcula que por si sós equivaleriam hoje a mais de um milhão de dólares.
Êxodo 35:4-29 demonstra quão
importante era para o Senhor que cada um tivesse a oportunidade de dar alguma
coisa. Precisava-se de metais, materiais e tecidos de todos os tipos. Todos
podiam dar segundo o que possuíam. Deus não depende de uns poucos homens ricos
para pagar as contas. Deseja que todos desfrutem a emoção e a bênção de
partilhar o que têm. Os israelitas deram com alegria, e foi tão abundante que
foi necessário suspender a oferta (Êx 36:5-7). Para o povo de Deus da nova
aliança, a Palavra de Deus nos ensina que o fator motivante para a contribuição
do crente é a alegria (2Co 9:7).
Além das ofertas materiais, Deus
exigiu deles habilidade, conhecimento e trabalho (cf. Êx 35:25,26; 36:2,4). As
mulheres, também, empregavam suas habilidades fiando tecidos primorosos.
Bezaleel e Aoliabe foram chamados pelo Senhor e ungidos com o Espírito para
desenvolver projetos, trabalhar os metais e ensinar a outros. Deus concede
ministérios especiais a alguns e trabalho para todos.
3. Tudo segundo ordenança
divina. Quem fez a planta do tabernáculo? Todos os
detalhes foram feitos de acordo com o desenho que Deus mostrou a Moisés no
Monte Sinai (Êx 25:9,40;26:30;35:10). Isto nos ensina que é o próprio Deus
quem determina os pormenores relacionados com o culto verdadeiro. Ele não
aceita as invenções religiosas humanas nem o culto prestado segundo prescrições
de homens (Cl 2:20-23); temos de adorar a Deus da forma indicada em sua
Palavra.
Ao construir o Tabernáculo
estritamente conforme às ordenanças de Deus, os israelitas foram
recompensados, pois a glória do Senhor encheu a “tenda” e a nuvem do
Senhor permaneceu sobre ela (Êx 40:34-38). Igualmente conosco, se desejamos a
presença e bênção divinas, temos de cumprir as condições expressas na Palavra
de Deus.
O Tabernáculo, assim como o homem
é composto de três partes principais: o Pátio,
o Lugar santo
e o Santo dos santos (visto de fora para dentro).
Uma curiosidade é que quando o Tabernáculo era montado, a cada vez que o povo de Israel parava no deserto, ele era montado de dentro para fora, ou seja, do Santo dos santos até o Pátio! Aprendemos aqui que o Eterno inicia seu tratamento conosco a partir de dentro, daquilo que temos de mais interior: o espírito.
As divisões citadas do tabernáculo representam corpo, alma e espírito. E é justamente por causa disso que o Eterno inicia seu processo de redenção no homem a partir do espírito, pois o Espírito de Deus tem comunhão com o nosso espírito nos religando ao nosso Criador.
II. O PÁTIO DO TABERNÁCULO
1. O pátio. “Farás também o pátio do tabernáculo” (Êx 274:9). Esse Pátio tinha um formato retangular e media cerca de 45 metros de comprimento por 22 metros de largura (Êx 27:18). Ele era cercado por cortinas e havia uma única entrada para ele. O Pátio cercado por cortinas simbolizava a separação que deve haver para adoração a Deus. Silas Daniel citando Mattew Henry diz que o “pátio era um tipo da igreja, fechada e separada do resto do mundo, encerrada por colunas, indicando a estabilidade da igreja, fechada com o linho limpo, que está escrito que é a justiça dos santos (Ap 19:8). Este eram os átrios pelos quais ansiava Davi e onde ele anelava residir (Sl 84:2,10), e onde o povo de Deus entrava com louvor e agradecimentos” (Sl 100:4).
O Pátio ficava na parte mais exterior do Tabernáculo e era descoberto. Isso significa que quem está ali (e a maioria dos crentes ainda estão no pátio) está exposto às intempéries do tempo - sol, chuva, ventos etc. além de tipificar a primeira experiência que todo homem deve ter para com Deus. Esta fase nos fala que o Pátio é somente uma parte do caminho a ser percorrido.
O Pátio compunha-se de três elementos: a Porta, o Altar e a Pia.
a) A PORTA. Só existia uma Porta de entrada para o Pátio; representava Cristo, que é a Única Porta de acesso a Deus, o Único Caminho para o Céu (João 10:9;14:6). A Porta do Tabernáculo ficava virada para o leste, o lado onde nasce o sol. Quando o dia nascia a primeira coisa que viam era o nascimento do sol, que simboliza Jesus Cristo. Isto nos fala de nossa primeira experiência com o Eterno: a salvação. Quando passamos pela Porta (Jesus), saímos do mundo e entramos numa nova vida. Nossa vida recomeça então a partir do zero, pois iniciamos uma nova caminhada, só que agora com Deus. Nosso objetivo e alvo é crescermos até a estatura de varão perfeito em Cristo.
b) O ALTAR. A primeira coisa que era vista pela pessoa que adentrava o Pátio era o Altar dos Holocaustos, que era feito de madeira de cetim (acácia) coberta de bronze e seu formato era de um quadrado com 2,25 metros de cada lado por 1,35 metro de altura (Êx 27:1,2). Cada canto do Altar tinha um chifre, ponta que se sobressaía em forma de chifre de boi. Os animais para o sacrifício eram atados a este chifre (Salmo 118:27). Também, se alguma pessoa era perseguida, podia apegar-se aos chifres do altar a fim de obter misericórdia e proteção (1Reis 1:50,51). Ali os animais eram imolados em sacrifício para expiação dos pecados. O sangue das vítimas era colocado nas pontas do altar e o restante dele era derramado na sua base (Lv 4:7).
Portanto, o Altar é o local de
morte. É ali que nossa vida é colocada como um sacrifício para Deus. No Altar
nós morremos para as nossas próprias convicções, vontades, desejos, expectativas
etc. No Altar tem fim o velho homem. O desejo do coração do Eterno é que, após
termos um verdadeiro encontro com Ele, possamos verdadeiramente morrer.
Quando o sacrifício queimava, subia um cheiro que se desprendia da vítima. E é isso que o Deus espera, que quando nossa vida for a Ele oferecida, possamos liberar um cheiro suave a fim de agradarmos ao Senhor - “Assim queimarás todo o carneiro sobre o altar; é um holocausto para o Senhor, cheiro suave; uma oferta queimada ao Senhor” (Êx 29:18).
c) A PIA DE BRONZE (Êx 30:17-21). A Pia de bronze era utilizada para o sacrifício de purificação (Êx 30:17-21). Essa lavagem cerimonial era feita com água constantemente substituída, já que não havia sistema de torneiras ou bicas disponíveis. Os sacerdotes deveriam se lavar sempre nela antes de ministrarem no interior do Tabernáculo ou no Altar dos Holocaustos.
Para o cristão, a Pia nos simboliza mais um aspecto: o batismo. Após a nossa morte, agora temos de consolidar nossa vida cristã testemunhando de forma plena a experiência da conversão. Por isso a Pia nos fala de limpeza, onde os pecados são lavados publicamente e somos integrados a uma nova realidade. Tipifica nossa morte e ressurreição a fim de vivermos uma nova vida com Cristo - “De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6:4).
III. O LUGAR SANTO
O LUGAR SANTO é
uma fase mais interior do Tabernáculo e ele representa a alma. É ali que
adentramos na presença do Eterno, pois todos os mobiliários do Lugar santo são
de ouro, e o ouro nos fala da divindade, nos fala da realeza e da eternidade.
Nesse lugar ficavam o Castiçal de ouro, a Mesa dos pães da proposição e o Altar
do incenso. Estima-se que este lugar media 9 metros de extensão.
1. O Castiçal de ouro (Êx
25:31-40). No lado esquerdo de quem entra no Santuário
está o Candelabro de Ouro com suas sete lâmpadas, feito com ouro batido
(pesando 30 quilos) – “As suas maçãs e as suas canas serão do mesmo; tudo
será de uma só peça, obra batida de ouro puro” (Êx 25:36). Sua
"cana" ou tronco descansava sobre um pedestal. Tinha sete braços,
três de cada lado e um no centro. Cada um com figuras de maçãs, flores e copos
lavrados em derredor.
O Castiçal de ouro simbolizava o
povo de Deus, Israel. Ensinava que Israel devia ser “luz dos gentios” (Is 49:6;
60:1-3; Rm 2:19), dando testemunho ao mundo por meio de uma vida santa e da
mensagem proclamada do Senhor.
O apóstolo João utiliza a figura
do castiçal: representa as sete igrejas da Ásia como sete castiçais (Ap
1:12-20); portanto, o Castiçal prefigura a Igreja de Jesus Cristo. Assim como o
tronco do castiçal unia os sete braços e suas lâmpadas, assim também Jesus
Cristo está no meio de suas igrejas e as une. Embora as igrejas locais sejam
muitas, constituem uma só Igreja em Cristo (Hb 12:23). Também Jesus disse aos
seus discípulos: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5:14).
O azeite utilizado no Castiçal
era símbolo do Espírito Santo. Todas as tardes os sacerdotes limpavam as
mechas e enchiam as lâmpadas com azeite puro de oliva a fim de que ardessem
durante toda a noite (Êx 27:20,21;30:7,8). Do mesmo modo o crente
necessita receber todos os dias o azeite do Espírito Santo (Sl 92:10) para que
sua luz brilhe diante dos que andam na escuridão espiritual. Se o crente não
tem a presença e o poder do Espírito Santo em sua vida, não será uma boa
testemunha. “Enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18) é a recomendação do
apóstolo Paulo.
2. Os pães da proposição
(Êx 25:30) – “E sobre a mesa porás o pão da proposição
perante a minha face continuamente”. A Mesa dos pães da proposição ficava à
direita do Lugar Santo. Era feita de acácia e revestida de ouro. Todos os
sábados os sacerdotes punham sobre a mesa doze pães asmos, ou seja, sem
fermento, e retiravam os pães envelhecidos que os sacerdotes comiam no Lugar
Santo.
A frase “pães da proposição”
significava literalmente “pães do rosto”, e em algumas versões da Bíblia
se traduz “pão da presença”, pois o pão era colocado continuamente na
presença de Deus. Os doze pães colocados na mesa representavam uma oferta de
gratidão a Deus da parte das doze tribos de Israel, pois o pão era ao mesmo
tempo uma dádiva de Deus e fruto dos esforços humanos. Por isso o povo
reconhecia que havia recebido seu sustento de Deus e ao mesmo tempo consagrava
a Ele os seus frutos de seu trabalho. Portanto, a Mesa dos pães refere-se
também à mordomia dos bens materiais.
3. O Altar do incenso (Êx
30:1-10). Diante do Véu no lugar santo estava o altar
do incenso. À semelhança dos outros móveis da tenda, era feito de acácia e
revestido de ouro. Todas as manhãs e todas as tardes, quando preparavam as
lâmpadas, os sacerdotes queimavam sobre esse altar do incenso utilizando-se de
fogo tirado do Altar do holocausto. O Altar do incenso relacionava-se mais
estreitamente com o Lugar santíssimo do que com os demais móveis do Lugar
santo. É descrito como o Altar "que está perante a face do Senhor" (Lv
4:18), como se não existisse o Véu entre ele e a Arca. Portanto, era
considerado em conjunto com a Arca, com o Propiciatório e com a Shekina de
glória.
O Altar do incenso estava no
centro. Isto ensina-nos que uma vida de oração é imprescindível para agradar a
Deus, já que o incenso simbolizava a oração, o louvor e a intercessão do povo
de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento (Salmo 141:2; Lc 1:10; Ap 5:8;
8:3).
Assim como o perfume do fumo, que
o incenso desprendia, subia ao céu, os louvores, as rogativas e as intercessões
sobem ao Senhor como cheiro agradável.
Duas vezes por dia acendia-se o incenso sobre o Altar e provavelmente ardia durante o dia todo. Isto ensina que os filhos de Deus devem ser constantes na oração.
Acendia-se o incenso com o fogo
do Altar dos holocaustos, o que nos leva a notar que a oração aceitável ao
Senhor se relaciona com a expiação do pecado e a consagração do crente.
Também se destaca a importância
do fogo para consumir o incenso. Se o incenso não ardia, não havia cheiro
agradável. Igualmente, o crente necessita do fogo do Espírito Santo para que
faça arder o incenso da devoção (Ef 6:18). As orações frias não sobem ao trono
da graça.
Finalmente, observamos que o sumo
sacerdote espargia sangue sobre os cantos do Altar do incenso uma vez por ano,
demonstrando que, embora o culto humano seja imperfeito (Rm 8:26, 27), somos
"agradáveis a si no Amado" por seu sangue expiador e sua intercessão
perpétua (Ef 1:6,7; Rm 8:34; Hb 9:25).
Como a Mesa dos pães e o Castiçal
estavam relacionados com o Altar do incenso, a consagração e o testemunho do
fiel estão relacionados com a vida de oração. Se o cristão não tem comunhão com
Deus, logo deixará de consagrar ao Senhor os frutos de seu trabalho, e sua luz
deixará de alumiar os homens.
IV. O SANTO DOS SANTOS
1. O Santo dos Santos e a
Arca da aliança (Êx 25:10-22). Este é o lugar mais interior
do Tabernáculo. Ali havia somente a Arca do concerto, o objeto mais sagrado de
Israel. Neste lugar somente o sumo sacerdote poderia entrar, e apenas uma vez
ao ano (Hb 9:7), para aspergir sobre o propiciatório - isto é, a tampa da Arca
-, o sangue que havia sido derramado do sacrifício anual feito para expiação
dos pecados de todo o povo (Lv 16:14,15; 17:11). Hoje, tal expiação não é mais
necessária, porque Jesus, o nosso Sumo Sacerdote por excelência, já entrou na
presença do Pai oferecendo o seu próprio sangue como propiciação definitiva
pelos nossos pecados (Rm 3:24,25; Hb 9:11-15; 10:10,12), de maneira que todos
quanto o recebem como único e suficiente Salvador e Senhor, aceitando seu
sacrifício em nosso favor e entregando suas vidas totalmente a Ele, têm livre
acesso à presença de Deus (Hb 10:19-23).
- O VÉU é a
única coisa que separa o Lugar Santo do Lugar Santíssimo. O Véu que separava o
Lugar santíssimo do Lugar santo e excluía todos os homens com exceção do sumo
sacerdote, acentuava que Deus é inacessível ao homem pecador. Somente por via
do mediador nomeado por Deus e do sacrifício do inocente podia o homem
aproximar-se de Deus. Com a morte de Jesus, algo aconteceu: o Véu do Templo se
rasgou em dois, de alto a baixo (Mc 15:38). Agora temos livre acesso à presença
do Senhor Deus.
- A Arca da Aliança representava a própria presença de Deus entre o povo. Era um cofre de 1,15m por 0,70m, construído de acácia e revestido de ouro por dentro e por fora. Sobre a coberta da Arca ficavam dois querubins (seres angelicais) diante um do outro, feitos de ouro, que com suas asas cobriam o local conhecido como “propiciatório” (a tampa da Arca). Segundo Silas Daniel, “o propiciatório recebia este nome porque era o lugar da expiação, onde estava simbolizada a misericórdia”.
Neste lugar Deus manifestava a
sua glória. As figuras dos querubins, com as asas estendidas para cima, e o
rosto de cada um voltado para o rosto do outro, representavam reverência e
culto a Deus. Só podia ser carregada pelos sacerdotes (Nm 9:15-17; 2Sm 6:1-15),
que a carregavam nos ombros, assim como faziam com todas as peças do santuário
(Nm 7:9).
Dentro da Arca havia três objetos: as duas tábuas da Lei, um vaso com maná, e mais tarde se incluiu a vara de Arão. Todos esses objetos lembravam a Israel o concerto e o amor de Deus.
a) As tábuas da Lei. As tábuas
da lei (o Decálogo) simbolizavam a santidade de Deus e a pecaminosidade do
homem. Também lembrava aos hebreus que não se pode adorar a Deus em verdade sem
se dispor a cumprir sua vontade revelada.
b) O Maná. Moisés,
sob ordens divinas, ordenou que fosse colocado diante do Senhor um vaso
contendo um gômer (3,7 l) cheio de maná (Êx 16:32,33). Este recipiente seria
guardado para as gerações futuras. Simbolizava a constante provisão divina. O
fornecimento do maná era diário. A lição de Deus para Israel, como também para
os cristãos, é que os crentes têm de depender de Deus dia após dia.
c) A Vara de Arão que
florescera. A Vara nos fala da autoridade conferida a
alguém. A Bíblia diz que Deus fez com que essa vara miraculosamente florescesse
para confirmar diante do povo a chamada de Arão para ser o sumo sacerdote (Nm
17:7-11; Hb 9:4). Nossa autoridade quando colocada diante de Deus brota,
aparece para que todos vejam e saibam que nosso ministério foi realmente dado a
nós por Deus.
CONCLUSÃO
O Tabernáculo não existe mais,
porém a Bíblia diz que, desde o dia em que entregamos nossa vida a Cristo,
passamos a ser templos – tabernáculos - do Espírito Santo (1Co 6:19,20),
peregrinando no deserto desta vida, aguardando o Dia em que seremos
transportados para a nossa Terra Prometida – a Cidade Celestial (Fp 3:20). Portanto, onde quer que estejamos, carreguemos e
manifestemos a glória do Senhor em nossa vida; e para que isso se torne uma
realidade, que os seus mandamentos estejam sempre gravados no fundo do nosso
ser. Amém!

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