O CUIDADO COM AS OVELHAS
Leitura Bíblica: Jeremias 23.1
“Ai dos pastores
que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor"
O texto de Jeremias 23.1 é um dos
alertas mais severos de toda a Escritura sobre a responsabilidade espiritual.
Para compreender o profundo significado do "cuidado com as ovelhas"
neste contexto, precisamos olhar para os pilares que sustentam essa relação
entre o pastor e o rebanho aos olhos de Deus.
1. A Propriedade das Ovelhas
A frase "as ovelhas do meu
pasto" define a teologia central do cuidado bíblico. O pastor humano nunca
é o dono; ele é um administrador ou um sub-pastor.
- O Princípio: Quando um líder ou
responsável entende que as pessoas sob seu cuidado pertencem a Deus, a
soberba dá lugar ao temor. O cuidado deixa de ser uma questão de
autoridade pessoal e passa a ser uma prestação de contas diante do Dono do
rebanho.
2. Os Erros dos Pastores:
Destruir e Dispersar
Jeremias aponta dois verbos que
resumem a falha daqueles que não exercem o cuidado devido:
- Destruir: Ocorre quando o
líder, em vez de nutrir com a Palavra e o exemplo, causa danos emocional,
espiritual ou moral. É o uso do cargo para benefício próprio,
negligenciando a saúde do rebanho.
- Dispersar: Ocorre quando, por
falta de unidade, por doutrinas distorcidas ou por um estilo de liderança
autoritário e insensível, o rebanho se sente desprotegido e acaba se
afastando da comunhão e da verdade.
3. O Padrão de Cuidado Bíblico
O oposto de "destruir e
dispersar" é encontrado no modelo do Bom Pastor (João 10):
- Conhecimento individual: O
Bom Pastor chama suas ovelhas pelo nome. O cuidado legítimo não é
massificado; ele reconhece as lutas, as dúvidas e os ritmos de cada
pessoa.
- Sacrifício: O pastor que cuida
está disposto a dar a vida. Em termos práticos, isso significa renunciar a
conforto, tempo e conveniência para buscar a ovelha que se perdeu ou para
proteger a que está ferida.
- Alimento e Descanso: O
cuidado bíblico exige que o rebanho seja conduzido a pastos verdejantes (a
verdade bíblica) e a águas tranquilas (a paz que vem de Deus).
4. A Responsabilidade e a
Esperança
O "Ai dos pastores" não
é apenas uma ameaça; é um chamado à seriedade. Deus está atento à forma como os
líderes tratam os vulneráveis. Contudo, a mensagem de Jeremias culmina, poucos
versículos adiante (Jeremias 23:3-4), na promessa de que Deus mesmo congregará
o resto de suas ovelhas e levantará sobre elas pastores segundo o Seu coração,
que as apascentarão para que não temam nem se assombrem.
Reflexão para o
Caminhar O cuidado com as ovelhas não é apenas uma função ministerial; é um
reflexo do caráter de Deus. Seja no contexto familiar, profissional ou
comunitário, a pergunta que este texto nos convida a fazer é: As minhas
atitudes têm ajudado as pessoas a se achegarem a Deus (edificação) ou têm sido
um obstáculo que as leva para longe (dispersão)?
INTRODUÇÃO
Jeremias chamou o povo, e especialmente os líderes dos judeus, ao
arrependimento. Ele viu a corrupção do povo, de cima para baixo, como motivo do
castigo divino iminente. No capítulo 23, ele apresenta uma mensagem de Deus que
mostra a diferença entre o Pastor verdadeiro e fiel e os maus pastores que
maltrataram as ovelhas do Senhor. Os líderes do povo de Deus, principalmente os
reis, sacerdotes e os profetas, foram extremamente negligentes e irresponsáveis
na conduta moral e espiritual do povo de Israel. Eles perderam o senso de
responsabilidade diante de Deus e fizeram com que as ovelhas (o povo de Israel)
ficassem sem orientação. Quando os líderes são contaminados, o rebanho segue
pelo mesmo caminho. Citamos como exemplo o rei Manasses que aproveitou a
liderança que tinha e conduziu o povo à idolatria, e esta resultou no exílio,
pois o povo não a abandonou, apesar de Deus ter dado tempo para que se
arrependessem, mas eles não queriam ouvir a voz do Senhor, preferindo o engano
dos falsos profetas (23:9-12). Eles eram movidos pela avareza e usavam o poder,
que lhes fora conferido pelo Senhor, para legislar em causa própria.
Deixavam-se subornar (22:17), extorquiam dinheiro das pessoas (22:17) e
defraudavam o próximo para obter vantagens (22:13,14). O "direito e a justiça" não eram estabelecidos, e o povo cada vez mais se
atolava no lamaçal do pecado. Essa é a lição que Deus mostra a Jeremias no
início do capítulo 23: aqueles que pastoreiam ou cuidam do rebanho devem
fazê-lo de forma que as ovelhas sejam tratadas como ovelhas do Senhor.
I. O QUE É UM PASTOR
Conforme o texto de 1Pedro 5:1-4,
podemos dizer que, em termos eclesiásticos, Pastor é aquele que supervisiona o
rebanho; ou melhor, ele é um mordomo do Senhor, por isso deve guardar cada uma
das ovelhas que lhe confiou o Sumo Pastor. Sua função principal é conduzir os
santos ao Senhor Jesus, dispensando a estes os meios da graça.
Como bem diz o reverendo Hernandes Dias Lopes, ser pastor é estar disposto a
investir a vida na vida dos outros sem receber o devido reconhecimento. Ser
pastor é amar sem esperar a recompensa, é dar sem esperar receber de volta. Ser
pastor é saber que o seu galardão não lhe é dado aqui, mas no Céu. Creio que
ser pastor é um grande privilégio. Nenhuma posição na terra deveria seduzir o
coração de um pastor a desviar-se do seu foco ministerial. Ser embaixador de
Deus é melhor do que ser embaixador da nação mais poderosa da Terra. Charles
Spurgeon dizia para os seus alunos: "Filhos,
se a rainha da Inglaterra vos convidar para serdes embaixadores em qualquer
lugar do mundo, não vos rebaixeis de posto, deixando de serdes embaixadores do
Céu”. Hoje, vemos muitos pastores deixando o ministério para serem
vereadores, deputados ou senadores da República. Trocam o seu direito de
primogenitura por um prato de lentilhas. Isso é um equívoco e uma troca
infeliz. Muito embora a vocação civil também seja uma sacrossanta vocação,
aquele que Deus chamou para o ministério não deve desviar sua atenção com
outros afazeres, ainda que dentre os mais nobres.
1. Obrigações do pastor. A principal obrigação do pastor é
pastorear. Mas, o que é pastorear?
a) é alimentar o rebanho de Deus com a Palavra de Deus. Não nos
cabe prover o alimento, mas oferecer o alimento. O alimento é a Palavra. Reter
a Palavra ao povo de Deus é um grave pecado.
Infelizmente,
vivemos dias difíceis. Dias em que é notório o abandono do ensino da Palavra de
Deus nas igrejas. Muitos dentre os crentes se dizem ser, como nos afirmam as
Escrituras, terão comichões nos ouvidos e não sofrerão mais a sã doutrina
(2Tm.4:3), ou seja, não quererão se dobrar aos ensinos da Palavra de Deus e os
distorcerão, a fim de poderem praticar os seus pecados, construindo para si
doutores que justifiquem seus pecados e iniquidades. São dias difíceis, mas
nós, que conhecemos a Palavra, que fomos ensinados na boa doutrina, sabendo que
estas coisas iriam mesmo acontecer, só devemos ser cautelosos e, sobretudo,
submissos aos ensinos do Senhor, pois o ensino da Palavra de Deus é essencial
para o crescimento espiritual do cristão.
Que os pastores jamais esqueçam deste conselho de Bernard Ramm: “A tarefa fundamental de um pastor, na pregação, não é
ser brilhante ou profundo, mas é ministrar a verdade de Deus”.
b) é proteger o rebanho de Deus dos lobos vorazes. Poucos animais são
tão indefesos como as ovelhas. Com pouca defesa contra inimigos naturais, pouco
senso de direção e nenhuma capacidade para encontrar seu próprio alimento, elas
são muito dependentes do pastor para prover suas necessidades. No tempo em que
não havia cercas, os pastores de ovelhas tinham que ficar com elas no deserto,
algumas vezes durante meses de uma só vez. O pastor tinha que providenciar para
as ovelhas tudo que elas não podiam providenciar para si mesmas. Ele procurava
pastos verdes onde as ovelhas pudessem encontrar comida (1Crônicas 4:39-40) e
as conduzia gentilmente para lá, sempre cuidadoso com as que estavam com
filhotes (Isaías 40:11). Ele as protegia até com
sua própria vida. O jovem Davi relatou a Saul como tinha arrancado um cordeiro
da boca de um leão e de um urso (1Sm 17:34-37).
Paulo alertou para o fato dos pastores estarem vigilantes para que os lobos
vorazes não penetrem no meio do rebanho. Jesus, também, fez o mesmo alerta: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós
disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mt
7:15).
c) é apascentar o rebanho de Deus. O pastor é alguém que convive
com a ovelha. Está perto. Leva para os pastos verdes as famintas; às águas
tranquilas as sedentas; atravessa os vales escuros dando segurança à ovelha que
está insegura e carrega a fraca no colo; resgata a que caiu no abismo;
disciplina aquela que põe em risco a vida do rebanho.
2. A excelência com que o pastor deve exercer o seu pastorado - “E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos
apascentem com conhecimento e com inteligência” (Jr 3:15).
Destacamos duas verdades importantes:
a) O pastor deve apascentar o rebanho de Deus com conhecimento. O pastor é um estudioso. Ele precisa conhecer a Palavra,
alimentar-se da Palavra e pregar a Palavra. Aliás, a recomendação de Paulo é
que “[...] o bispo seja [...] apto para ensinar” (1Tm 3:2). A vida do
ministro está indissociavelmente vinculada ao ensino e à observância da sã
doutrina (1Tm.1:3,10; 4:6,16; 5:17; 6:1,3; 2Tm.4:2,3; Tt.2:1,7,10). Paulo diz
que devem ser considerados dignos de redobrados honorários aqueles que se
afadigam na Palavra (1Tm 5:17).
Ao longo de todo o livro de Atos dos Apóstolos e das epístolas paulinas, vemos
que havia um esforço todo especial por parte do Apóstolo Paulo para que as
igrejas locais por ele fundadas sempre dessem proeminência à Palavra do Senhor.
Eram igrejas onde a doutrina tinha o primeiro lugar e, não sem motivo, igrejas
espiritualmente abundantes, onde o avivamento era uma realidade patente. Muitas
são as passagens onde vemos o zelo e o cuidado dos apóstolos em ensinar a
Palavra ao povo, em que o povo de Deus perseverasse na doutrina. A razão do
crescimento da igreja primitiva foi a cuidadosa exposição da palavra de Deus: “Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e
prevalecia” (At. 19.20).
b) O pastor deve apascentar o rebanho de Deus com inteligência. Isso
significa apascentar o rebanho de Deus com sabedoria e sensibilidade. Sabedoria
é usar o conhecimento para os melhores fins. Precisamos tratar as ovelhas de
Deus com ternura. Paulo diz que o pastor é como um pai e também como uma mãe
(1Tess 2:7-12). O pastor chora com os que choram e festeja com os que estão
alegres. O pastor trata cada ovelha de acordo com sua necessidade, com seu
temperamento, com seu jeito peculiar de ser. Ele é dócil com as crianças como
foi Jesus, que as pegou no colo. Ele trata os da sua idade como a irmãos e aos
mais velhos como a pais. Uma coisa é amar a pregação, outra coisa é amar as
pessoas para quem pregamos.
3. A vocação do Pastor. A vocação para o ministério pastoral é um
chamado específico de Deus, conjugado por uma necessidade urgente e uma
capacitação especial. Há muitos pastores que jamais foram chamados por Deus
para o ministério. Eles são voluntários, mas não vocacionados. Entraram pelos
portais do ministério por influências externas, e não por um chamado interno e
eficaz do Espírito Santo. Foram motivados pela sedução do status ministerial ou
foram movidos pelo glamour da liderança pastoral, mas jamais foram separados por
Deus para esse mister.
Há aqueles que entram no ministério com a motivação errada. Abraçam o
ministério por causa do lucro; outros, por causa da fama. Outros ainda, por
acomodação. Há aqueles que tentam vestibular para medicina, direito, engenharia
e, por não lograrem êxito, chegam à conclusão de que Deus os está chamando para
o ministério. Mas, vocação é quando você tem todas as outras portas abertas,
mas só consegue enxergar a porta do ministério. Vocação é como algemas
invisíveis; você não pode fugir permanentemente desse chamado.
O profeta Jeremias tentou desistir do seu ministério, mas isso foi como fogo em
seus ossos. Paulo diz que aquele que aspira ao episcopado, excelente obra
almeja (1Tm 3:1).
O pastoreado é uma
obra, e uma obra excelente. Não é uma obra para gente preguiçosa, mas uma obra
que exige todo esforço, todo empenho e todo zelo.
Há pastores que estão mais
interessados no dinheiro das ovelhas do que na salvação delas. Há pastores que
negociam o ministério, mercadejam a Palavra e transformam a igreja em um
negócio lucrativo. Há pastores que organizam igrejas como uma empresa particular,
onde prevalece o nepotismo. Transformam o púlpito em uma praça de negócios, e
os crentes em consumidores. São obreiros fraudulentos, gananciosos, avarentos e
enganadores. São amantes do dinheiro e estão embriagados pela sedução da
riqueza. Há pastores que mudam a mensagem para auferir lucros. Pregam
prosperidade e enganam o povo com mensagens tendenciosas para abastecer a si
mesmos.
Hoje estamos assistindo ao fenômeno da mercadologia da fé. Pastores e mais
pastores estão se desvinculando da estrutura eclesiástica e rompendo com suas
denominações para criar ministérios particulares, em que o líder se torna o
dono da igreja. A igreja passa a ser uma propriedade particular do pastor. O
ministério da igreja torna-se um governo dinástico, em que a esposa é ordenada,
e os filhos são sucessores imediatos. Não duvidamos de que Deus chame alguns
para o ministério específico em que toda a família esteja envolvida e engajada
no projeto, mas a multiplicação indiscriminada desse modelo é deveras
preocupante. Estamos vivemos uma época parecida com a de Jeremias. Deus
abominou as atitudes dos pastores de Israel e, certamente, aborrece as atitudes
mercenárias de inúmeros pastores dos dias de hoje que ludibriam o rebanho com
falsas mensagens e mentiras.
II. OS PASTORES DE ISRAEL
No
período do Antigo Testamento, todos os que tinham responsabilidades de
lideranças, como os profetas, os sacerdotes e os reis, eram considerados
pastores do povo de Israel. Quanto ao Rei, a sua missão era aconselhar e guiar
o povo de Deus (1Sm 9:16; ler Dt17:14-20); quanto ao Sacerdote, sua missão era
santificar o povo, oferecer sacrifícios pelo povo e interceder pelos transgressores
(Hb 5:1-3; ler Lv 10:8-11; 16; 21:1-24); quanto ao Profeta, sua missão era
preservar o conhecimento e manifestar a vontade do único e verdadeiro Deus (Ez
2:1-10; ler Dt 18:20-22).
Uma vez o povo instalado em Canaã esses líderes foram infiéis à missão que Deus lhes entregou; maltrataram, em vez de cuidarem das ovelhas do Senhor. Deus ficava furioso com esses pastores relapsos e pedia-lhes severas contas pelo sofrimento que infligiam às ovelhas que lhes confiou.
Veja a bela declaração de amor do Pastor apaixonado por suas ovelhas, descrita
por Jeremias no capítulo 23:1-6. Veja também Ezequiel 34:2-31. Em
nome deste amor, Deus se indigna contra os pastores que não respeitam as
ovelhas que lhe foram confiadas. Não as respeitam porque não as amavam - “1. Ai dos pastores que destroem e dispersam as
ovelhas do meu pasto, diz o Senhor. 2. Portanto, assim diz o Senhor, o Deus de
Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as
minhas ovelhas, e as afugentastes, e delas não cuidastes; eis que visitarei
sobre vós a maldade das vossas ações, diz o Senhor. 3. E eu mesmo recolherei o
resto das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e
as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão e se multiplicarão. 4. E levantarei
sobre elas pastores que as apascentem, e nunca mais temerão, nem se
assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o Senhor”(Jr 23:1-4).
Deus falou aos líderes de Judá que eles eram culpados de negligenciar e
maltratar o rebanho dele. Preste atenção nos verbos que ele usa para descrever
a conduta destes pastores: destruir, dispersar, afugentar e não
cuidar. Pastores devem juntar, alimentar, cuidar, guiar e proteger.
Mas, os pastores de Israel faziam tudo ao contrário! Uma coisa marcante neste
parágrafo é a maneira que Deus fala do rebanho. Ele
o descreve como “o meu povo”, “as ovelhas do meu pasto” e “as minhas
ovelhas”. A linguagem dele mostra o problema raiz do
comportamento errado dos líderes. Eles não amavam o povo como Deus o amava!
Para eles, ser pastor era uma posição de destaque, honra e privilégio. Para
Deus, ser pastor era uma posição de responsabilidade, sacrifício e amor.
Hoje, ainda há muitos que olham para o cargo de pastor como uma posição de
honra a ser cobiçada. Buscam o destaque e desejam a honra diante dos homens. Ao
invés de agir humildemente como pastores no rebanho local (veja 1Pedro 5:1-3),
apresentam-se em todo lugar com o “título” de pastor. Em outras palavras, “Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras
cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres
pelos homens” (Mt 23:6-7). Tais pastores não cuidam do rebanho como
devem.
Veja, também, o que Deus diz através do profeta Ezequiel contra os pastores
infiéis de Israel, isto é, seus reis, sacerdotes e profetas: “2. Filho do homem, profetiza contra os pastores de
Israel; profetiza e dize aos pastores: Assim diz o Senhor Jeová: Aí dos
pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores
as ovelhas? 3. Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas
não apascentais as ovelhas. 4. A fraca não fortalecestes, e a doente não
curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a
perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. 5. Assim, se
espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do
campo, porquanto se espalharam. 6. As minhas ovelhas andam desgarradas por
todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam
espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque”
(Ez 34:2-6).
Nota-se
que as palavras do Senhor dirigidas aos líderes de Israel são de condenação
absoluta desde o começo: "Ai dos pastores
de Israel". Aqueles homens
achavam que as posições que ocupavam eram tão dignificadas que os tornavam,
automaticamente, isentos e imunes a toda e qualquer forma de crítica. Não
entendiam que as posições que ocupavam, bem como as funções executadas por
eles, realmente, não os isentavam de ter que admitir seus erros, de ter que
confessar seus pecados e de sofrer as graves consequências dos juízos de Deus,
caso não se arrependessem. Estas palavras, realmente duras da parte do Senhor,
são motivadas pelo fato de que os pastores não são "donos" do rebanho
de Deus e por este motivo não podem tratar o rebanho de Deus de qualquer maneira
e de forma abusiva. Pastores, como diz o apóstolo Pedro, não passam de
cooperadores submetidos ao Senhor Jesus que é chamado de Supremo Pastor (ver
1Pedro 5:4).
Deus, certamente, tratará com firmeza aqueles que não viverem à altura dos
compromissos assumidos como pastores e servos a serviço do povo de Deus. Ele
diz: “Ai dos pastores que destroem e dispersam as
ovelhas do meu pasto, diz o Senhor” (Jr 23:1). Porque somos ovelhas do
pasto do Senhor, e Ele se mostra aborrecido quando somos maltratados por
aqueles que deveriam realmente cuidar de nós.
III. ISRAEL FOI DESTRUÍDO POR LHE
FALTAR VERDADEIROS PASTORES
A denúncia de Jeremias, no capítulo 23, dos maus pastores é uma predição do fim
da nação de Judá, pois os líderes são aqueles que conduziram a nação a esse
lugar de destruição. Eles, ao invés de anunciarem ao povo a Palavra de Deus, e
conduzi-lo de conformidade com os preceitos divinos, desviaram-no com suas
mentiras e falsidades.
Nota-se através dos versículos 9 a 10 que Jeremias sentiu-se esmagado com o que
estava acontecendo dentre os líderes religiosos dos seus dias: “O meu coração está quebrantado dentro de mim; todos os
meus ossos estremecem; sou como um homem embriagado” (23:9). Apesar da
maldição da seca com suas consequentes catástrofes, o povo era flagrantemente
imoral - “A terra está cheia de adultério” (23:10). Quando o profeta viu essas
condições à luz do caráter de Deus e sua Palavra santa, ele foi dominado por
tristeza e dor.
Jeremias não perde tempo para chegar à verdadeira causa dessa situação: tanto
os profetas como os sacerdotes estão contaminados (Jr 23:11). Esses homens que
deveriam estar reverenciando a Deus e todas as coisas santas eram culpados de
sacrilégio; “até na minha casa achei sua maldade,
diz o Senhor”. Eles lidavam com as coisas sagradas de maneira irreverente. Mas
Deus não aceita essa falta de temor dos líderes, e lhes diz: “... porque
trarei sobre eles mal...” (23:12).
O Reino do Norte tinha sido abertamente apóstata. Em Samaria, os profetas
profetizaram da parte de Baal loucamente e fizeram errar o povo de Israel (Jr
23:13), e essa foi a causa principal de Israel ir para o exílio. Mas Judá tinha
sobrepujado em muito a Israel em sua maldade. Os profetas em Jerusalém eram
culpados dos tipos de pecados mais depravados: “cometeram
adultérios, e andam com falsidade... eles têm-se tornado para mim como Sodoma,
e os moradores dela, como Gomorra” (Jr 23:14). A capital de Judá era um
“sumidouro” de perversidade moral. E, pior de tudo, esses líderes religiosos
pareciam permanentemente enraizados em seus caminhos perversos.
A profanação, no entanto, tornou-se a semente de ruína e morte: “o caminho deles será como lugares escorregadios nas trevas”
(23:12, NVI). Além do mais, “diz o Senhor [...]: Eis que darei a comer
alosna, e lhes farei beber [...] fel” (23:15). Essa é a forma bíblica de
dizer que seu fim será repleto de desgraça e pesar.
Mas, nas suas declarações em relação ao fim da nação, o profeta também nos
apresenta um vislumbre do que vem “após o juízo”. Ele parece dar por certo que
o propósito redentor de Deus no juízo será cumprido e que um dia melhor está
por vir. Deus não se limita a julgar os maus pastores, mas diz que Ele mesmo
recolherá o resto das suas ovelhas que haviam sido afugentadas para outros
lugares, faria com que frutificassem e lhes daria pastores responsáveis. Isso
porque Deus é o maior interessado em sua obra e em suas ovelhas. Há os pastores
chamados e os chamados pastores, e o Senhor conhece na liderança quem é quem.
Ele deu pastores à Igreja, que devem cuidar do rebanho não como se fossem seu,
mas do Senhor, e devem conduzi-lo de acordo com as Sagradas Escrituras, levando
a Igreja a uma vida de santificação e de pureza.
IV. OS DEVERES DAS OVELHAS
Pastores qualificados e dedicados merecem o respeito e apoio das ovelhas por
eles guiadas. Paulo disse: “Os presbíteros que governam bem sejam
estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os
que trabalham na palavra e na doutrina” (1Tm 5:17). O autor de Hebreus nos
ensina: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam
por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com
alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hb 13:17). Portanto,
homens fiéis que amam a Deus e aceitam a responsabilidade de ajudar seus irmãos
chegarem ao céu devem ser tratados com respeito e apreço.
CONCLUSÃO
As
ovelhas do Senhor devem ser bem cuidadas, adequadamente alimentadas e
diligentemente protegidas. Elas foram compradas com o próprio sangue de Cristo.
Desta feita, elas são de imensurável valor, e não podem ficar expostas a nenhum
capricho ou descuidos de quem quer que seja. O apóstolo Paulo adverte a todos
os pastores que lideram o rebanho do Senhor: “Olhai,
pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu
bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”
(Atos 20:28). Jesus nos deixou um grande exemplo. O seu cuidado pastoral
é extremo, a ponto de dar a sua vida por nós. Ele disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”
(João 10:10b).




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