quinta-feira, 27 de novembro de 2025

EZEQUIEL O ATALAIA

 

EZEQUIEL  O ATALAIA

O profeta Ezequiel é claramente designado por Deus com a função de Atalaia (ou sentinela/vigia) sobre a casa de Israel. Essa metáfora é central em seu ministério, conforme descrito nos capítulos 3 e 33 do livro de Ezequiel.

A imagem do atalaia sobre os muros da cidade era de vital importância no mundo antigo, e essa figura é usada para ilustrar a solene responsabilidade do profeta.

 

O Significado do Atalaia

  1. Vigília e Alerta: O atalaia ficava posicionado no ponto mais alto da cidade (nos muros ou em uma torre) para ter uma visão ampla e identificar perigos iminentes, como a aproximação de um exército inimigo. Sua principal função era tocar a trombeta para alertar o povo, dando-lhes tempo para se preparar e buscar refúgio.
  2. Responsabilidade Pessoal: A segurança de toda a comunidade dependia da vigilância e fidelidade do atalaia. Se ele visse o perigo e não desse o aviso, e o povo fosse destruído, o atalaia seria considerado responsável pela morte deles. Por outro lado, se ele desse o aviso e o povo o ignorasse, o atalaia teria cumprido seu dever e o sangue seria cobrado da própria negligência do povo.

Ezequiel como Atalaia de Israel

Deus transporta essa figura militar para o domínio espiritual e moral:

  • Comissão Divina (Ezequiel 3:17 e 33:7):

“Filho do homem, eu o constituí por atalaia sobre a casa de Israel; você, pois, ouvirá a palavra da minha boca e os avisará da minha parte.” (Ezequiel 33:7, NAA)

  • A Palavra de Deus como Trombeta: A "trombeta" de Ezequiel não era de metal, mas a própria Palavra de Deus. Ele foi incumbido de transmitir a mensagem divina de juízo e de arrependimento ao povo de Israel.
  • O Perigo Espiritual: O "inimigo" que se aproximava era o juízo de Deus devido aos pecados e à iniquidade do povo. A advertência de Ezequiel era um chamado ao arrependimento para que pudessem viver.
  • A Condição para Viver: Se o profeta avisasse o ímpio para que se convertesse do seu mau caminho e este se arrependesse, o ímpio viveria. Se o ímpio não se convertesse, morreria na sua maldade, mas Ezequiel teria salvado sua vida (Ezequiel 3:19; 33:9).
  • A Responsabilidade do Silêncio: A passagem enfatiza severamente a responsabilidade do profeta. Se Deus dissesse que o ímpio morreria e Ezequiel não o avisasse, Deus consideraria o profeta responsável pela morte do ímpio, pois o profeta não lhe deu a chance de se arrepender (Ezequiel 33:8).

 




Legado e Aplicação

O papel de Ezequiel como atalaia é um poderoso lembrete sobre a natureza da vocação profética:

  • É um ofício de grande honra (falar em nome de Deus) e grave responsabilidade (prestar contas pela mensagem).
  • Requer fidelidade total à mensagem recebida de Deus, independentemente de ser popular ou aceita pelo povo.
  • Essa metáfora transcende o profeta individual e é frequentemente aplicada à Igreja e a todos os líderes espirituais que têm a responsabilidade de vigiar, discernir os tempos e advertir o povo sobre o perigo do pecado e a necessidade de se voltar para Deus.


1. ATALAIA

Deus deu a Ezequiel uma incumbência sobremodo importante: atalaia (Ez.3:12-21). Atalaia é um termo de origem árabe e significa torre de observação. Designa qualquer lugar mais elevado ou ponto alto de onde se vigia. O termo também designa a pessoa que está encarregada de vigiar determinada área. Neste caso, é sinônimo de sentinela ou vigia. Estar de atalaia é uma expressão que indica o ato de estar de guarda, à espreita, vigilante e com sentido a algo que possa estar para acontecer ou alguém que possa estar se aproximando. A função do atalaia é descrita em 2Samuel 18:24-27 e 2Reis 9:17-20, e melhor ilustrada pela parábola de um militar posto como sentinela (Ez.33:2-6).

A descrição que Deus fez de Ezequiel, como um atalaia sobre os muros da cidade, mostra a natureza de seu ministério profético. O trabalho do atalaia era perigoso; se falhasse em seu posto, tanto ele como a cidade inteira poderiam ser destruídos. Sua segurança dependia da qualidade de seu trabalho. A responsabilidade de cada pessoa perante Deus é a parte importantíssima da menagem de Ezequiel. Ele ensinou aos exilados que Deus esperava obediência e adoração de cada um deles.

Como naquela época, hoje é fácil nos esquecermos que Deus tem um interesse pessoal em cada um de nós. Quando olhamos para os acontecimentos mundiais podemos sentir-nos insignificantes ou pensar que existe um grande descontrole. Mas saber que Deus tem o controle total, que Ele se importa e que está disposto a ser conhecido por nós, pode dar um novo senso de propósito à nossa vida. Como medimos o nosso valor? Nós nos avaliamos por conta de nossas realizações e de nosso potencial ou pelo fato de o Deus que nos projetou e criou declarar que nós somos valiosos, que somos seus atalaias defensores e guardadores dos Seus valores morais absolutos? Pense nisso!

2. “O fim dos sete dias” (Ez.3:16)

Antes da destruição de Jerusalém, Ezequiel descreveu a sua visão da glória de Deus e seu chamado (Ez.1:26-28). Nessa visão, Ezequiel viu Deus retirando do Templo de Jerusalém a sua glória.

O capítulo 1 traz a visão da glória de Deus entre os cativos. Primeiro, Ezequiel vê um vento tempestuoso vindo do Norte. Em seguida, surgem quatro seres vindo do Norte. Em seguida, surgem quatro seres viventes, cada um com quatro rostos (homem, leão, boi e águia), quatro asas, pernas retas e mãos sob as asas. As criaturas simbolizam os atributos divinos visíveis na criação: majestade, poder, rapidez e sabedoria. Muitas nações se esquecem do Deus entronizado muito além do firmamento. Adoram os atributos criativos em vez de prestar culto ao Criador. Segundo alguns estudiosos, os quatro rostos mencionados na visão são associados tradicionalmente aos quatro retratos de Cristo nos quatro evangelhos: Mateus – leão (Cristo como Rei); Marcos - boi (Cristo como Servo); Lucas – homem (Cristo como Homem perfeito); João – águia (Cristo como Filho de Deus).

O texto diz que “muito acima do firmamento [...] havia algo semelhante a um trono” no qual o Senhor estava assentado. “Ao lado” de cada ser vivente, “havia uma roda”, ou melhor, “uma roda” dentro de “uma roda” (talvez uma roda em ângulo reto e outra como o giroscópio). A visão parece representar, portanto, uma carruagem-trono com rodas na terra, uma plataforma apoiada sobre os quatro seres viventes e, sobre a plataforma, o trono de Deus. Esta visão retrata Deus em sua glória vindo do Norte para julgar Jerusalém, fazendo dos babilônios seus agentes de juízo (cf. Ez.43:3). Ao ver esta visão, Ezequiel ficou sem forças durante sete dias. Mas, “ao fim de sete dias, veio a palavra do SENHOR” a Ezequiel (Ez.3:16). O fim dos sete dias deve ter sido o tempo que ele esperou para recuperar suas forças depois do impacto da visão da glória de Deus (Ez.1:28; 3:14).

O chamado de Ezequiel para deixar o conforto de seu lar e pregar ao seu povo exilado foi uma interrupção inoportuna. Ezequiel percebeu que a mão e Deus estava sobre ele, e sentiu uma compulsão divina irresistível, mas seu espírito se amargurou com a tarefa inglória à sua frente. Felizmente para ele próprio e para o povo, Ezequiel não começou a pregar de imediato, mas se assentou por uma semana inteira no meio do povo aflito. Essa experiência lhe permitiu compreender com mais clareza as provações intensas e as necessidades prementes dos exilados. O pregador capaz de ver a vida com os olhos de seu povo pode ajudar as pessoas a quem ministra e prover a liderança de que tanto precisam.

3. A expressão “filho do homem” (Ez.3:17a)

Deus não se dirige ao profeta pelo seu nome, mas como “filho do homem”. Esta expressão importante ocorre 93 vezes no livro de Ezequiel. Com estas palavras Deus coloca o profeta em seu devido lugar diante da majestade que contemplou na visão. Segundo estudiosos mais experientes, a expressão “filho do homem” é um hebraísmo que enfatiza a insignificância de Ezequiel ou sua mera humanidade. “Filho de” quer dizer “participante da natureza de“, que, combinado com “Adam”, “homem”, indica um simples “ser humano”. No plural, é uma expressão comum para “humanidade”. Isso faz lembrar a natureza humana fragilizada e pecadora ao passo que Deus é o Senhor da glória. Somente o Senhor Jesus usava esse título se referindo a si mesmo nos quatro Evangelhos a partir de Mateus 8:20. O termo é usado no Novo Testamento cerca de 88 vezes, sendo 33 apenas em Mateus.

Mas, em referência a Jesus, o que significa a referida expressão? A Bíblia não diz que Jesus era o Filho de Deus? Então como Jesus também poderia ser Filho do Homem? O primeiro significado para o termo "Filho do Homem" é usado em referência à profecia de Daniel 7:13-14 - "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído". O termo "Filho do Homem" era um título Messiânico. Jesus é o único a quem foi dado domínio, glória e o reino. Quando Jesus usou esse termo em referência a Si mesmo, Ele estava atribuindo a profecia do “Filho do Homem” a Si mesmo. Ele estava proclamando ser o Messias. Os judeus daquela época com certeza estariam bem familiarizados com o termo e a quem se referia.

O segundo significado para o termo "Filho do Homem" é que Jesus realmente era um ser humano. Deus chamou o profeta Ezequiel de "filho do homem" 93 vezes. Deus estava simplesmente chamando Ezequiel de um ser humano. Um filho do homem é um homem. Jesus era 100% Deus (João 1:1; 1João 5:20), mas Ele também era um ser humano (João 1:14). 1João 4:2 nos diz: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus". Sim, Jesus era o Filho de Deus – Ele era Deus em Sua essência. Sim, Jesus também era o Filho do Homem – Ele era um ser humano em Sua essência. Em resumo, a frase "Filho do Homem" indica que Jesus é o Messias e que Ele é um ser humano.

4. O “atalaia sobre a casa de Israel” (Ez.3:17b)

“Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte”. Como ocorreu com o Filho do Homem, o grande antítipo de Ezequiel, o profeta foi comissionado a ir à “casa de Israel” (Ez.3:4). De maneira geral, ele precisava profetizar a todo o povo de Israel, mais especificamente “aos do cativeiro” (Ez.3:11).

Ezequiel foi nomeado “atalaia”, responsável por proclamar a Palavra de Deus e advertir o povo solenemente. Deus sabia, de antemão, que os filhos de Israel, no exílio, continuariam na sua rebelião (Ez.3:7). Ezequiel enfrentaria um povo obstinado, mas Deus o tornaria ainda mais obstinado em relação à menagem divina que ele iria transmitir do que o povo era contra ela. Eles eram duros como a pederneira, mas Ezequiel seria “como diamante [...] mais forte do que a pederneira” (Ez.3:9; cf. Jr.17:1). Ele não devia temê-los por causa dos seus olhares de pederneira, não importava a sua rebeldia. Maior era Aquele que estava com Ezequiel do que aqueles que seriam contra ele.

Assim, Ezequiel foi constituído, por Deus, “atalaia” para profetizar aos “filhos de Israel” (Ez.2:3-7). Apesar da grande responsabilidade de Ezequiel, o Senhor o calou e o fez esperar pelas oportunidades que ele próprio havia preparado. Também precisamos ser sensíveis à orientação divina ao testemunhar a mensagem de Deus. Por vezes, devemos nos manter calados; porém, a maioria de nós se cala quando deveria falar de Cristo.

SOBRE A RESPONSABILIDADE

A responsabilidade do profeta como atalaia sobre Israel se assemelha a do cristão, na qualidade de mensageiro das Boas-Novas de Cristo; sua mensagem alcança todas as pessoas indistintamente.

1. A responsabilidade do cristão (Ez.3:18)

A responsabilidade de Ezequiel era muito grande. Quando o Senhor revelou a ele o importante ofício que tinha de cumprir, não podia hesitar e nem temer. Ele devia ser uma sentinela, um atalaia sobre os interesses de muitos, advertindo-os (Ez.3:17). Habacuque também foi um atalaia (Hb.2:1), bem como Isaias (Is.56:10) e Jeremias (Jr.6:17), mas eles foram principalmente vigias sobre o destino de Israel, como um todo. Ezequiel, de forma semelhante, foi um vigia sobre a nação, mas a incumbência dada a ele era particularmente advertir indivíduos, do povo de Israel do exílio. Se Ezequiel não cumprisse esta missão, e o indivíduo morresse, sendo ele ímpio, esse homem sofreia as consequências da sua maldade, e Ezequiel seria culpado do seu sangue (Ez.3:18) – “Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; não o avisando tu, não falando para avisar o ímpio acerca do seu caminho ímpio, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua maldade, mas o seu sangue da tua mão o requererei”. Mas, se Ezequiel advertisse o indivíduo, o profeta não seria responsável, mesmo se esse indivíduo continuasse obstinadamente no seu pecado (Ez.3:19).

Semelhantemente é a responsabilidade do crente em Cristo; ele deve anunciar o Evangelho para todos os ímpios e fazer discípulos para Cristo; é a Grande Comissão de Cristo (Mt.28:19,20). Se o atalaia não avisar o ímpio sobre o seu mau caminho e o perigo em que ele se encontra, certamente, o ímpio vai perecer sem Deus (João 3:16), e o mensageiro será cobrado diante de Deus (Ez.3:18; 33:8). O apóstolo Paulo era tão cônscio dessa responsabilidade que temeu não a cumprir. Por isso, escreveu: “ai de mim se não anunciar o evangelho” (1Co.9:16). E o crente não precisa ser um profeta nem mesmo um evangelista, só precisa se levantar e entregar um folheto ao pobre pecador, e o principal trabalho o Espírito Santo fará, que é convencer o pecador do seu estado pecaminoso, da justiça e do juízo (João 16:8). Também o crente em Cristo deve ter a grande responsabilidade de permanecer fiel, orando e vigiando para, quando for tentado ou provado, não se desviar da verdade, dos caminhos do Senhor. Ezequiel deixa claro que se um crente se desviar e morrer em seu pecado, as “suas justiças que praticara não virão em memória” (Ez.3:20).

2. A responsabilidade do ímpio (Ez.3:19,27)

O crente tem a responsabilidade de pregar o evangelho, mas se o pecador rejeitar Cristo como único Senhor e suficiente Salvador, tal rejeição testificará contra ele no Dia do Juízo final (Ap.20:15). Está escrito: “Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc.16:16). Uma pessoa pode ser salva sem o batismo, como foi o ladrão que se arrependeu na cruz, mas jamais alguém pode ser salvo sem crer em Jesus. É a descrença e não a ausência do batismo a razão da condenação. É a rejeição de Cristo que traz a condenação eterna. Jesus foi claro, quando disse: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus (João 3:36). Por isso, Deus queria tanto que Ezequiel fosse insistente em sua mensagem de advertência ao povo desviado de Judá, que estava no exílio.

3. A extensão da nossa responsabilidade (Ez.3:20)

Como relatamos nos itens anteriores, os crentes em Cristo têm responsabilidades importantes para desempenhar, principalmente no que tange à Grande Comissão de Cristo – pregar e fazer discípulos -, mas esta responsabilidade se estende para outras plataformas como, por exemplo, procurar trazer de volta a “ovelha” perdida. Muitos dos que creem em Cristo, em sua jornada cristã enfrentam tempestades, desertos impiedosos, tentações, provações, e por causa disso se desviam do caminho e desgarram do “rebanho”. Quando isto ocorre, o crente, que é detentor de uma maturidade firme, tem a responsabilidade de alertar ao desviado sobre a importância de retornar novamente ao caminho, antes que a sua cerviz se cauterize, o que poderá acarretar numa irreversível apostasia (Hb.6:6). A nossa responsabilidade, portanto, não é somente com o pecador incrédulo, mas também com as ovelhas que se desgarraram do rebanho (Lc.15:4-6), e também com aqueles que estão na Igreja, mas estão fracos na fé. Deus se alegra quando o crente desviado volta à Casa do Pai (Lc.15:11-32). Jesus mesmo afirmou que “haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc.15:7). Portanto, é dever de todos nós cuidar um dos outros na igreja local (1Co.12:25).

CONCLUSÃO

Vimos nesta Aula a grande responsabilidade que Deus incumbiu ao profeta Ezequiel: ser um atalaia para o povo do exilio babilônico. Deus se preocupou com isso porque Ele queria que o povo fosse instruído e conscientizado do pecado cometido, e porque Deus queria reparar o povo do seu caminho mau. Deus amava o seu povo rebelde, mostrando seu desejo de salvá-lo. Ezequiel foi escolhido como atalaia ou vigia para alertar o povo sobre os perigos do pecado. Sem a presença do profeta, o povo ficaria desprotegido e propenso a não mais existir como nação de Deus. O Senhor mandou o profeta pregar a Palavra, quer eles ouvissem ou deixassem de ouvir (Ez.2:5,7). Certamente, Deus fez isso porque tinha feito uma promessa a Abraão que faria dele uma grande nação, e nessa nação nasceria o Redentor da humanidade. Ezequiel estava ali como atalaia para proteger o povo de Deus de total desvio e do paganismo fatal.

Em toda a história do mundo, as pessoas tiveram que se proteger de tribos e nações vizinhas. Como parte de seu plano de proteção, eles construíam torres nas muralhas das cidades e colocavam atalaias nas torres para vigiar inimigos que se aproximassem. Se o povo ignorasse os atalaias, colocavam-se em grande risco. Ao mesmo tempo, se os atalaias não cumprissem seu dever, toda a cidade poderia ser destruída. Assim fez Deus com o seu povo, no que tange o aspecto espiritual e moral. Ezequiel 33 compara os líderes de Israel a atalaias. Da mesma forma os líderes de todos os níveis de governo da Igreja se preocupam tanto em ensinar às pessoas e instá-las ao arrependimento. E é assim que a Igreja deve fazer guiada pelo Espírito Santo. Amém?

 

 

 

 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

O CULTO LEVÍTICO – ESTABELECIDO POR DEUS

 


O CULTO LEVÍTICO – ESTABELECIDO POR DEUS

O Culto Levítico refere-se ao sistema de adoração, rituais e leis estabelecido por Deus para o povo de Israel, conforme detalhado principalmente no livro de Levítico, o terceiro livro da Bíblia. O nome deriva da tribo de Levi, escolhida para exercer as funções sacerdotais e cuidar dos serviços religiosos no Tabernáculo e, posteriormente, no Templo.

O tema central de Levítico e do seu culto é a santidade de Deus e a necessidade de o Seu povo viver de forma santa para poder se aproximar Dele e manter a comunhão.

 

TEXTO BÍBLICO: Levítico 9:15-24

"Então, entraram Moisés e Arão na tenda da congregação; depois, saíram e abençoaram o povo; e a glória do SENHOR apareceu a todo o povo" (Lv.9:23).

1. Princípios Fundamentais

  • Santidade de Deus: Deus é santo e exige que Seu povo seja santo, separando-se das práticas pagãs e do pecado.
  • Aproximação e Reconciliação: O pecado separa o homem de Deus, e o culto levítico fornecia os meios para a expiação, o perdão e a reaproximação através de rituais e sacrifícios.
  • Centralidade em Deus: A liturgia do culto era estritamente regulamentada por Deus, não devendo ser determinada por experiências ou satisfações humanas.
  • Consagração Total: O culto exalava a doutrina da dedicação e consagração absoluta a Deus.

2. Elementos Centrais do Culto

O culto levítico era altamente ritualístico e envolvia vários elementos:

  • O Sacerdócio:
    • Os Levitas eram responsáveis pelo serviço no Tabernáculo/Templo.
    • Os sacerdotes (descendentes de Arão, que eram levitas) oficiavam os sacrifícios e rituais, servindo como mediadores entre Deus e o povo.
  • O Tabernáculo/Templo: Era o lugar físico da adoração e representava a presença de Deus no meio do Seu povo.
  • Os Sacrifícios e Ofertas: Eram o cerne do culto, cada um com um propósito específico, simbolizando a entrega, a expiação e a gratidão. Os principais tipos incluíam:
    • Holocausto (Lv 1): "Completamente queimado". Simbolizava a entrega total e a consagração a Deus.
    • Oferta de Manjares/Cereais (Lv 2): Expressava gratidão pelas provisões e sustento de Deus.
    • Oferta pelo Pecado (Lv 4): Para tratar de transgressões específicas contra Deus ou o próximo, visando a expiação.
    • Oferta pela Culpa/Transgressão (Lv 5): Para pecados que exigiam reparação e restituição de danos.
    • Oferta Pacífica (Lv 3): Para celebrar a paz e a comunhão com Deus, parte da oferta era consumida pelo ofertante e sacerdotes.
  • O Sangue: Era um elemento central e visceral, pois a Bíblia ensina: "a vida da carne está no sangue, e o sangue que faz expiação pela alma" ($Lv 17:11$). O derramamento de sangue nos sacrifícios era necessário para a expiação do pecado.
  • Festas Sagradas: Havia um calendário de festas (Páscoa, Pentecostes, Cabanas etc.) que marcavam o relacionamento de Israel com Deus e lembravam Seus atos redentores.
  • Dia da Expiação (Yom Kippur): O dia mais solene do ano, quando o Sumo Sacerdote entrava no Santo dos Santos para fazer expiação pelos pecados de toda a nação.

3. Significado e Aplicação (Tipologia)

Embora o sistema levítico tenha sido formalmente cumprido e superado pela Nova Aliança, ele possui um profundo significado tipológico para os cristãos:

  • Aponta para Cristo: Todo o sistema levítico – os sacrifícios, o sacerdócio, o Tabernáculo – é visto como uma sombra ou um tipo que encontra seu cumprimento perfeito em Jesus Cristo.
  • O Sumo Sacerdote Perfeito: Jesus é o nosso eterno e perfeito Sumo Sacerdote (Hebreus 8), que não pertence à ordem levítica, mas à de Melquisedeque, e que ofereceu um sacrifício único e suficiente.
  • O Sacrifício Final: O sacrifício de Jesus na cruz foi a expiação final e completa pelo pecado (Hebreus 9-10), tornando desnecessários os sacrifícios de animais.
  • Culto e Vida: Levítico ensina que a adoração a Deus (o culto) e a vida cotidiana (a santidade) são inseparáveis. A pureza exigida nos rituais aponta para a pureza de vida que Deus espera de Seu povo.

O estudo do culto levítico, portanto, serve como um lembrete poderoso do custo do pecado, da seriedade com que Deus lida com ele, e da incomparável graça encontrada na provisão de um Salvador.

INTRODUÇÃO

Estudaremos a respeito da beleza e glória do Culto Levítico. Teremos como texto base o capítulo 9 de Levítico, que é um referencial da adoração no Antigo Testamento. Este capítulo registra os primeiros sacrifícios públicos sob o regime do sacerdócio levítico. Os sacrifícios do capítulo 8 foram oferecidos por ocasião da ordenação de Arão e seus filhos; o povo não participou, ficou só observando. Agora, no capítulo 9, os sacerdotes começam de fato o ministério de mediação. Este dia foi muito importante para Israel. O Senhor apareceu para coroar a ocasião (Lv.9:23,24). Mas, para o aparecimento de Deus (a sua presença) seria necessário a expiação dos pecados de Arão e seus filhos, e do povo.

Em primeiro lugar, Arão ofereceu por si e seus filhos uma expiação (oferta pelo pecado) e um holocausto (Lv.9:7,8). A oferta pelo pecado de Arão era um bezerro (Lv.9:2,8), e seu holocausto, um carneiro (Lv.9:2). O fato de Arão apresentar a oferta pelo pecado e o holocausto a favor de si mesmo e de seus filhos mostram que ninguém, nem mesmo o sumo sacerdote Arão, estava preparado para servir a Deus ou adorar a Deus sem que primeiro fosse feita expiação por ele.

Em segundo lugar, Arão ofereceu ofertas pelo povo de Israel (Lv.9:15). As ofertas de Arão pelo povo formavam um padrão para o culto de Israel ao Senhor. Arão ofereceu uma oferta pelo pecado (expiação do pecado – o bode: Lv.9:15), a oferta de manjares (Lv.9:17), o holocausto (bezerro e um cordeiro - Lv.9:3) e o sacrifício pacífico (oferta de paz - Lv.9:18: boi e carneiro). Esta ordem dos sacrifícios revelava o entendimento levítico acerca da aproximação apropriada a Deus na adoração. Por que esta ordem? Dennis F.Kinlaw, citando Keil, explica:

“A oferta pelo pecado sempre era a primeira, porque servia para remover a alienação do homem com o Deus santo e para tirar os obstáculos à sua aproximação a Deus. Esta alienação era proveniente do pecado e retirada por meio da expiação do pecador. Depois, vinha o holocausto, como expressão da rendição completa da pessoa expiada ao Senhor; e por último, a oferta de paz, por um lado, como expressão vocal de agradecimento pela misericórdia recebida e oração para que ela continuasse e, por outro lado, como selo de comunhão do certo com o Senhor na refeição sacrificial”.

O judaísmo tradicional sempre vê significado em cada detalhe deste processo sacrificial levítico. Segundo a tradição judaica: o carneiro era lembrança da obediência de Abraão em amarrar Isaque (Gn.22:9); o bode (Lv.9:3,15) é visto como lembrança do bode que os irmãos de José mataram (Gn.37:31); o bezerro (Lv.9:8) lembra o bezerro de ouro (Ex.32:4) e; o cordeiro (Lv.9:3) recorda o fato de Isaque ter sido amarrado como cordeiro para o sacrifício (Gn.22:7).

O ponto culminante desse dia de adoração foi atingido quando o fogo do Senhor veio e consumiu o holocausto no altar (Lv.9:24). Deus comungou com o povo do seu concerto, Israel.

O culto termina com a bênção arônica, que pode ter sido a registrada em Números 6:24-26. Arão e Moisés saíram do tabernáculo e ergueram as mãos abençoando todo o povo (Lv.9:23). Então, a glória do Senhor apareceu a todos e, na presença de Deus, o povo jubilou e caiu sobre as suas faces (Lv.9:24). A presença do Deus vivo manifesto em sua glória ao povo foi o momento mais glorioso. Um culto sem a manifestação da presença de Deus é apenas uma reunião religiosa repleta de emocionalismo, desconexo com o trono da graça de Deus.

I. O CULTO NO ANTIGO TESTAMENTO

No Antigo Testamento, para o culto divino ser aceito por Deus o pecado tinha que ser coberto por meio de sacrifícios. Não havia culto nem adoração sem sacrifícios; não havia culto sem altar. Os sacrifícios apontavam para aquilo que Cristo iria realizar, de forma vicária, na Cruz do calvário. Não há culto sem o significado da cruz; não há culto sem Jesus Cristo, Aquele que foi imolado, mas que agora vive e reina para todo o sempre, e tem as chaves da morte e do inferno (Ap.1:18).

Vejamos, a seguir, o que é o culto divino e o seu desenvolvimento na era patriarcal, no período de Moisés, na época de Davi e de Salomão, no período do cativeiro e após o cativeiro babilônico.

1. Definição. O Culto divino é a expressão da fé; é o tributo de honra, louvor e serviço ao Deus Todo Poderoso; é um relacionamento purificador e transformador com o Pai, o Filho e o Espírito Santo; é uma demonstração do reconhecimento da nossa inferioridade diante de Deus, de que Ele é o Senhor e digno de toda a adoração, de todo o louvor (Ap.5:12-14). Através do culto, externamos aquilo que já está em nosso coração, ou seja, a convicção, a certeza e o reconhecimento de que Deus é digno, de que Deus merece toda a honra, toda a veneração, todo o respeito.

a) Definição Etimológica. A palavra “culto” deriva-se dos seguintes termos:

·         Latreia. Substantivo grego, usado nas diversas situações de um trabalho ou serviço assalariado. Posteriormente foi incorporado à prática cristã de cultuar, ou seja, prestar um serviço a Deus, adorá-lo (Mt.4:10; Rm.12:1).

·         Proskyneo. Termo grego que no Antigo Testamento significava “curvar-se”, tanto para homenagear homens importantes e autoridades (Gn.27:29; 37:7-10; 1Sm.25:23), como para adorar a Deus (Gn.24:52; 2Cr.7:3; Sl.95:6). No Novo Testamento denota exclusivamente a adoração que se dirige a Deus (At.10:15-26; Ap.19:10; 22:8,9).

·         Cultus. Termo latim, que significa a tributação voluntária de louvor e honra ao Criador.

b) Definição Teológica. Culto é o momento através do qual os filhos de Deus adoram a Deus em espírito e em verdade. Literalmente quer dizer: adorar e reverenciar a Deus.

O culto divino é a mais expressiva manifestação humana de aproximação com Deus; é a comunhão do homem com Deus, que exige do seu povo sinceridade, reverência e consideração nas reuniões coletivas de adoração. Quando Deus se manifestou a Moisés, imediatamente mandou que o futuro líder libertador de Israel não se aproximasse da sarça ardente e, ainda, descalçasse seus pés, pois o lugar onde se encontrava era terra santa, em virtude da presença do Senhor (Ex.3:5), algo que, anos mais tarde, seria repetido em relação ao sucessor de Moisés, Josué (Js.5:15). Estas passagens provam que a adoração não se desprende da reverência.

Ao povo da Nova Aliança, a Igreja, Deus instrui quanto à maneira como devemos entrar em Sua presença: "aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado" (Hb.10:22).

No culto divino, o mais importante e essencial não é o ritualismo ou a pompa demonstrada nos rituais, mas o quebrantamento de coração e a integridade de espírito. Um culto que se impõe pelo ritualismo não agrada a Deus. Por isso, que em muitas ocasiões o culto levítico foi reprovado por Deus, pois o mesmo era feito obedecendo a um ritual descrito num manual (vide Ml.1:10; Is.1:11-15). É necessário que aqueles que desejam cultuar ao Senhor o façam em espírito e em verdade (João 4:24).

Portanto, cultuar a Deus não é um hábito nem um simples ritual, mas a expressão máxima de nossa devoção ao Senhor, de nossa dependência à sua Palavra e de nossa necessidade de prestar-lhe serviço. Que a nossa adoração a Deus conte, igualmente, com a presença do Espírito Santo em todos os atos. Sem a glória de Deus, nenhum culto tem legitimidade.

2. No período patriarcal. Nesse período, podemos entender pelos textos bíblicos, o culto ao Senhor era familiar, centralizado no altar. Ali, Deus e a família se encontravam e havia: sacrifícios de gratidão (Gn.4:1-6; 8:20) e sacrifícios de expiação de pecados (Jó 1:5).

 

Após o Dilúvio, o primeiro grande patriarca a prestar culto a Deus foi Noé (Gn.8:20). Ao sair da Arca a primeira coisa que Noé fez foi adorar a Deus, oferecendo-lhe sacrifício de gratidão pela sua salvação e de sua família - Edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa, e ofereceu holocaustos sobre o altar”.

 

A gratidão é uma característica manifestada naqueles que são filhos de Deus. Deus se agrada quando reconhecemos o seu cuidado e o seu amor diário para conosco.

Davi, no salmo 116:7, declara: “eu te darei uma oferta de gratidão e a ti farei as minhas orações”.

Ana agradeceu a Deus por lhe abrir a madre oferecendo o seu filho Samuel para ser exclusivo na casa do Senhor (Samuel cap.1).

Abraão, Isaque e Jacó também construíram altares para adorar ao Senhor, que os chamara a constituir a nação profética, sacerdotal e real por excelência (Gn.12:7; 26:25; 35:1-7).

Hoje, demonstramos nosso sacrifício em gratidão a Deus, por tudo o que somos, temos e fazemos; quando oferecemos nossa vida, vontade, adoração e nosso louvor a Jesus Cristo e; quando reconhecemos o Seu amor e sacrifício na cruz do calvário por nós.

3. No período de Moisés. Nesse período, o culto divino saiu da informalidade para um modelo mais teológico, litúrgico e congregacional; e para que esse modelo funcionasse bem, com racionabilidade, Deus, através de Moisés, entregou ao seu povo leis e instruções. As prescrições eram rigorosas. Deus não somente quer nosso culto, mas Ele diz como quer ser cultuado.

É válido ressaltar que nem toda adoração agrada a Deus. Há o perigo de trazermos “fogo estranho” diante do altar e do trono do Senhor (Lv.10:1,2). Esse “fogo estranho” consistia em contrariar os mandamentos divinos quanto à adoração. Portanto, não apenas a adoração a falsos deuses é proibida nas Escrituras, mas também a adoração ao verdadeiro Deus de maneira errada (Is.1:10-15; Ml.1:7-10; Os.6:4-6; Am.5:21).

 

O período de Moisés foi o período do Tabernáculo, a habitação simbólica de Deus. Todo o Tabernáculo e seus utensílios expressavam a Pessoa de Deus, Seus atributos, Sua presença, Seu relacionamento com o povo, e como o povo se comportava diante da presença de Deus. Podemos associar alguns utensílios do Tabernáculo com alguns elementos imprescindíveis do culto.

 

  • A Arca e a Mesa dos Pães. Representavam Deus como Rei, Senhor e Provedor do Seu povo.
  • As Lâmpadas. Representavam a direção de Deus; expressavam a pregação da Palavra.
  • O Incenso. Representava o local das intercessões pelo povo; as orações.
  • O Altar. Representava o lugar do derramamento de sangue; a confissão de pecados.

Notemos ainda a posição do Tabernáculo no centro do acampamento (Nm.1:52,53; 2:1,2) como uma referência à centralidade do culto para a nação.

4. No período de Davi e Salomão. Foi o período de maiores mudanças e de centralidade do culto. Houve uma mudança na liturgia e o culto divino teve uma maior expressão de beleza. O rei Davi, que também era profeta, salmista e músico, enriqueceu a celebração oficial ao Senhor com a formação de corais e instrumentos musicais (1Cr.15:16). Ele inventou e fabricou diversos instrumentos musicais (1Cr.23:5; 2Cr.7:6), no afã de dar uma excelência maior ao culto divino. Salomão, seu sucessor, dedicou-se igualmente ao enriquecimento litúrgico e musical na adoração divina (2Cr.5:1-14).

No auge do Santo Templo, no reinado de Salomão, a liturgia do culto divino impressionava por sua beleza e arte (2Cr.5:13,14):

“e quando eles uniformemente tocavam as trombetas e cantavam para fazerem ouvir uma só voz, bendizendo e louvando ao SENHOR, e quando levantavam eles a voz com trombetas, e címbalos, e outros instrumentos músicos, para bendizerem ao SENHOR, porque era bom, porque a sua benignidade durava para sempre, então, a casa se encheu de uma nuvem, a saber, a Casa do SENHOR; e não podiam os sacerdotes ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do SENHOR encheu a Casa de Deus”.

5. No Período do Cativeiro de Judá. Em 586 a.C., os judeus foram levados em cativeiro à Babilônia, onde permaneceram 70 anos (Jr.25:11,12). Não há informações precisas sobre a maneira do povo judeu cultuar a Deus. Não havia templo, não havia sacrifício, não havia sacerdócio. Em meio ao caos, à desesperança e ao temor, Deus enviou profetas, como Ezequiel, para encorajar Seu povo a se voltar para Ele e cultuá-lo.

No cativeiro, os princípios e crenças dos judeus exilados se consolidaram. O próprio fato de terem sido destituídos do Templo, altar e dos sacrifícios gerou neles uma retomada aos princípios fundamentais da fé judaica. Por este motivo, foram formadas no exílio escolas de teologia judaica (precursoras das sinagogas – lugar de reunião e adoração – Mt.4:23). Quando, enfim, chegou o dia da restauração, não eram fracas as suas convicções, nem desordenado o seu sistema doutrinário e possuíam uma austera crença monoteísta e um credo religioso distinto, não podendo efetuar domínio na sua alma as fascinações da idolatria.

6. Após o cativeiro babilônico. Com o retorno a Jerusalém, os judeus repatriados, incentivados por Esdras e Neemias, reavivaram o culto levítico (Ne.2:22-30). Esdras, o sacerdote, convidou o povo a voltar à Palavra (Ed 7.10); houve um retorno à Lei de Deus (Torah), que começou a ser lida perante o povo. O Templo foi restaurado, os sacerdotes voltaram à atividade, os sacrifícios e as ofertas tornaram a ser feitos. O sumo sacerdote, auxiliado pelos escribas, assume a liderança do povo. Nesse período, deu-se o início do que seria mais tarde a sinagoga, que se tornou modelo para as igrejas no Novo Testamento.

II. OS ELEMENTOS DO CULTO LEVÍTICO


Apesar de ter sido o próprio Deus quem estabeleceu a liturgia cúltica da Antiga Aliança, em hipótese alguma, Ele estava atentando para a liturgia em si, mas Sua atenção estava voltada para o adorador (vide Isaias 1:11-15). Os utensílios do culto, o oficiante do culto, bem como a liturgia do culto, eram sombras de um Novo Concerto que substituiria o Antigo.

Os sacrifícios, os cânticos, a exposição da Palavra, a oração e a bênção eram elementos centrais do culto Levítico. Embora a liturgia não seja a essência do culto, ela deve ser observada pelo oficiante do culto, para que possa haver um culto dentro dos parâmetros divinos, dentro das especificações bíblicas, ou seja, “tudo sendo realizado com decência e ordem”.

A fim de mostrarmos a beleza e a glória do culto divino no sistema Levítico, tomemos como exemplo a liturgia do dia da dedicação do Santo Templo, pelo rei Salomão, em Jerusalém.

1. Sacrifícios. Os sacrifícios Levítico aproximavam o povo de Israel de Deus. Tudo que diz respeito a aproximar-se de Deus estava implícito no sacrifício. Este entendimento explica as cinco variedades de ofertas: holocausto, oferta de manjares, oferta de paz, oferta pelo pecado e oferta pela culpa. Cada oferta fala de uma faceta diferente da proximidade com Deus.

Um ano após a construção do Templo (compare 1Rs.8;2 com 6:37,38), a Arca da Aliança foi transportada da região de Jerusalém, conhecida como Cidade de Davi ou Sião, para o Monte Moriá, para o Templo, e foi colocada no Santo dos Santos. Nesta ocasião, muitas ovelhas e bois foram oferecidos como sacrifício. “O rei Salomão e toda a congregação de Israel que se congregara a ele estavam todos diante da arca, sacrificando ovelhas e vacas, que se não podiam contar, nem numerar pela multidão” (1Rs.8:5). De forma sem igual, o rei Salomão e todo o Israel demonstraram sua ação de graças ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó.

2. Cânticos. Num culto divino não pode faltar o louvor, faz parte da liturgia, principalmente na inauguração do santo Templo. Naquela ocasião, os cantores e músicos puseram-se a louvar ao Senhor, entoando provavelmente os cânticos que Davi e outros salmistas haviam composto.

“E quando os levitas, cantores de todos eles, isto é, Asafe, Hemã, Jedutum, seus filhos e seus irmãos, vestidos de linho fino, com címbalos, e com alaúdes e com harpas, estavam em pé para o oriente do altar, e com eles até cento e vinte sacerdotes, que tocavam as trombetas, e quando eles uniformemente tocavam as trombetas e cantavam para fazerem ouvir uma só voz, bendizendo e louvando ao SENHOR, e quando levantavam eles a voz com trombetas, e címbalos, e outros instrumentos musicais, para bendizerem ao SENHOR, porque era bom, porque a sua benignidade durava para sempre, então, a casa se encheu de uma nuvem, a saber, a Casa do SENHOR; e não podiam os sacerdotes ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do SENHOR encheu a Casa de Deus” (2Cr.5:12-14).

3. Exposição da Palavra (2Cr.6:1-13). Num culto, também, não pode faltar a leitura e a exposição da Palavra de Deus. Após o exílio, na época de Esdras e Neemias, a Palavra de Deus era lida e explicada publicamente como parte da liturgia do culto (cf. Ne.8:1-8). No dia da Dedicação do Templo, logo após os sacrifícios e os cânticos, e antes de se dirigir ao Senhor na oração de dedicação, o rei Salomão dirigiu-se ao povo, fazendo uma síntese da História Sagrada até aquele instante.

4. Oração (2Cr.6:12-42). Agora, o rei Salomão dirige-se a Deus em oração. É a mais longa registrada na Bíblia, e transborda de louvor e petições; ela constitui a parte central de 2Crônicas capítulo 6. Após subir numa plataforma especial no átrio do Templo, Salomão estendeu as mãos e orou. Havia inúmeros motivos de ações de graças, mas encorajado pela graça de Deus, também fez várias petições, não só por Israel, mas também pelos gentios que, ouvindo acerca da intervenção divina na vida de seu povo, para ali acorreriam (cf. 2Cr.6:14-42).

“E, acabando Salomão de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do SENHOR encheu a casa. E os sacerdotes não podiam entrar na Casa do SENHOR, porque a glória do SENHOR tinha enchido a Casa do SENHOR. E todos os filhos de Israel, vendo descer o fogo e a glória do SENHOR sobre a casa, encurvaram-se com o rosto em terra sobre o pavimento, e adoraram, e louvaram o SENHOR, porque é bom, porque a sua benignidade dura para sempre” (2Cr.7:1-3).

5. Bênção (1Rs.8:14). Em seguida, o rei Salomão se voltou para o povo e o abençoou: “Então, virou o rei o rosto e abençoou toda a congregação de Israel; e toda a congregação de Israel estava em pé”. Nessa oração ele relembrou a promessa de Deus a Davi acerca do Templo e expressou sua satisfação por ter a Arca da Aliança uma habitação fixa.

O Culto Levítico era encerrado com a bênção sacerdotal, aquela que está narrada em Números 6:22-26. Certamente, ela deve ter sido proferida no dia da Dedicação do Templo. Segundo Paul Hoff, esta formosa bênção constitui o mais excelente da poesia hebraica. Tem uma mensagem oportuna, tanto para os que enfrentavam os inimigos e as incertezas da vida no deserto, como para o homem moderno.

“E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala a Arão e a seus filhos, dizendo: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo-lhes: O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz”.

Esta benção sacerdotal tem uma tríplice invocação: primeiro convida-se o Senhor a abençoar ao seu povo (com boas colheitas, gado, boas temporadas e filhos); a seguir, suplica-se que os guarde (de todo o mal, dos inimigos, de magras colheitas, da enfermidade e da esterilidade); na segunda invocação, o Senhor é convidado a voltar o seu rosto com agrado e alegria sobre seu povo e estender-lhe seu favor; finalmente, pede-se que Ele "levante o seu rosto" sobre o seu povo (em reconhecimento e aprovação) e lhes dê paz (segurança, saúde, tranquilidade e paz com Deus e com os homens).

Esta benção sacerdotal assemelha-se à doxologia apostólica de 2Coríntios 13:13. Observa-se que as expressões nas três cláusulas correspondem às funções da Trindade: do Pai, de “aben­çoar-nos e guardar-nos”; do Filho, de “mostrar-nos a graça”; e do Espírito Santo de “dar-nos paz” (2Co.13:13).

III. FINALIDADES DO CULTO LEVÍTICO

As finalidades do Culto Levítico eram: adorar a Deus, reafirmar as alianças divinas, professar o credo mosaico e aguardar o Messias. Era uma celebração teológica e messiânica.

1. Adorar ao Deus Único e Verdadeiro. Ao reunir-se para adorar a Deus, o povo de Israel demonstrava duas coisas: a aceitação do Único e Verdadeiro Deus e a rejeição dos deuses pagãos (Lv.19:4; Sl.86:10; 97:9). Além disso, o culto afastava o povo da idolatria e aprofundava sua comunhão com o Senhor (Sl.96:5). O culto era centralizado em Deus, que reivindica e espera isso de Seu povo. Honramos ao Senhor quando O adoramos pelo que Ele é, e não somente pelo que Ele faz. Deus não está limitado a experiências humanas, as quais não podem determinar ou governar o tipo de liturgia do culto prestado ao Senhor. O Salmo 93 diz que Ele está revestido de majestade. Deus é glorioso, é sublime, é belo na Sua santidade. Devemos adorá-lo no Seu esplendor e na Sua beleza. É com essa concepção que devemos adorar ao Senhor.

2. Reafirmar as alianças antigas. Ao povo de Deus da Antiga Aliança, as ameaças relacionadas com a desobediência e as promessas relacionadas com a obediência se referiam à vida aqui neste mundo. Se os israelitas obedecessem, desfrutariam de abundância de paz aqui na terra, uma numerosa descendência e vitória sobre os inimigos. Se desobedecessem a Deus, sofreriam enfermidades, fome, invasões e cativeiro. São mais extensas as maldições que as bênçãos porque o ser humano é propenso a pecar. Deus tem de recorrer à ameaça para motivá-lo a andar no caminho por ele traçado. O Culto Levítico era o momento propício para se lembrarem das promessas e da Aliança de Deus firmada com eles. Nesse momento, os filhos de Israel professavam as promessas que Deus fizera a Abraão, Isaque e Jacó e se lembravam da Aliança firmada com os seus antepassados, que Deus tirou da terra do Egito perante os olhos das nações, para lhes ser por Deus (Lv.26:9,45).

3. Professar o credo mosaico. Em seus cultos, os israelitas, guiados pelo ministério levítico, professavam o seu credo: "Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” (Dt.6:4,5). “Shemá” era o nome que os judeus davam a estes versículos, por ser a primeira palavra que se traduz “ouve”. Duas vezes por dia os judeus piedosos repetem o “Shemá”; é a afirmação da fé monoteísta; ensina que o Senhor é único Deus.

“Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” (Dt.6:5). Jesus citou este versículo como o primeiro e grande mandamento. Depois citou, de Levítico 19:18, as palavras “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, a fim de apresentar o âmago da lei e a síntese mais perfeita da verdadeira religião (Mt.22:37-40; Tg.1:27). Que a Igreja de Cristo recite a doutrina divina.

4. Aguardar o Messias. O Culto Levítico era essencial e tipologicamente cristológico (Lc.2:25-35). Portanto, um israelita piedoso, ligado às promessas messiânicas, jamais seria surpreendido com a chegada do Messias. A Bíblia cita o nome de algumas pessoas piedosas que aguardavam o Messias e, quando Ele se revelou, elas prontamente o reconheceram.

  • Lucas cita Zacarias, um sacerdote piedoso e sua esposa, Isabel. A Escritura sublinha que ambos eram justos diante de Deus e viviam irrepreensivelmente nos preceitos e mandamentos do Senhor (Lc.1:6).
  • Lucas apresenta também Simeão, outro judeu piedoso de Jerusalém, e que esperava a consolação de Israel. A ele foi revelado, pelo Espírito Santo, que não morreria antes que visse o Messias (Lc.2:25,26).
  • Lucas também cita a profetisa Ana, uma viúva piedosa, que continuamente orava a Deus e jejuava. Quando viu o menino Jesus, deu graças a Deus por Ele e falava da sua missão messiânica (Lc.2:36-38).

Na Nova Aliança, os crentes piedosos também aguardam, desejosos, a volta de Jesus Cristo, o Messias. Quando Ele voltar não seremos surpreendidos com a chegada dele, e o veremos face a face, e estaremos para sempre com Ele (1Ts.4:16,17).

CONCLUSÃO

Com o passar do tempo a fé do povo de Israel se definhou e as práticas do culto divino, conforme a ordem levítica, foram reprovadas por Deus. Se desviaram totalmente do padrão estabelecido por Deus, como Ele requer de cada um de nós: um culto racional, com reverência, temor e tremor. Eles adoravam a Deus apenas com os lábios, pois o seu coração achava-se distante do Deus de Abraão (Is.29:13). À época de Malaquias, por exemplo, o culto estava tão insípido e irreverente que Deus sugeriu que fechasse a porta do Templo (Ml.1:10), pois assim o povo pecaria menos contra Deus. O Senhor não estava mais aceitando as ofertas deles. A sua glória não estava mais presente nos cultos. E nós, como estamos cultuando ao Senhor? O culto que fazemos a Ele está lhe agradando? Quando nos reunimos, coletivamente, damos ao Senhor a glória que somente a Ele é devida? (Sl.29:2; 66:2; 96:7,8; Is.42:8; 48:11). A presença de Deus é real no culto? Quando cultuamos verdadeiramente a Deus, sua glória jamais nos faltará (Lv.9:23,24). Pense nisso!

 

terça-feira, 25 de novembro de 2025

PERSEVERANDO NA FÉ


PERSEVERANDO NA FÉ

"Perseverar na fé" é um dos temas centrais das Escrituras. Na Bíblia, a perseverança não é apenas uma "espera passiva" ou resignação, mas uma firmeza ativa. É a decisão de continuar caminhando, obedecendo e confiando em Deus, mesmo quando as circunstâncias dizem o contrário.

1. O Que Significa "Perseverar" na Bíblia?

No Novo Testamento, a palavra grega frequentemente usada para perseverança é Hupomoné.

  • Significado Literal: "Permanecer sob" (como alguém que sustenta uma carga pesada sem quebrar).
  • Conceito Teológico: Não é apenas sobreviver às dificuldades, mas manter a integridade cristã e a esperança viva enquanto se atravessa a prova. É a fé que resiste ao teste do tempo e da dor.

"Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança." (Tiago 1:2-3)

 

2. O Ciclo do Crescimento pela Perseverança

A Bíblia descreve um "efeito dominó" positivo que a perseverança gera na vida do crente (baseado em Romanos 5:3-4):

  1. Tribulação: O ponto de partida (dificuldades, pressões).
  2. Perseverança: A escolha de não desistir de Deus no meio da dor.
  3. Experiência (ou Caráter Aprovado): A maturidade que vem de ter vencido a batalha.
  4. Esperança: Uma confiança inabalável de que Deus é fiel, pois você já o viu agir antes.

3. Grandes Exemplos de Perseverança



Podemos aprender tipos diferentes de perseverança com personagens distintos:

Personagem

O Desafio

Tipo de Perseverança

A Lição Principal

Abraão

O Tempo

Esperar pela promessa

Deus não se atrasa; o tempo dele é perfeito, mesmo que leve anos (Hebreus 6:15).

A Dor

Sofrimento inexplicável

A fé não depende de circunstâncias favoráveis ou de entender o "porquê" de tudo.

Paulo

A Oposição

Perseguição e prisão

A missão é maior que o conforto pessoal. "Combati o bom combate..." (2 Timóteo 4:7).

Jesus

A Cruz

O peso do pecado

Olhar para a recompensa futura (a alegria proposta) nos ajuda a suportar a cruz presente (Hebreus 12:2).


 

4. Como Perseverar na Prática? (Ferramentas Espirituais)

Se você sente que sua fé está vacilando, a Bíblia prescreve ações específicas para fortalecer os "joelhos trementes":

  • Foco no Alvo (Hebreus 12:1-2):

A perseverança exige foco. O autor de Hebreus nos manda "olhar firmemente para Jesus". Se você olhar para as ondas (como Pedro), você afunda; se olhar para Cristo, você anda sobre elas.

  • Alimente a Esperança pelas Escrituras (Romanos 15:4):

Paulo diz que as Escrituras foram escritas para nosso ensino, para que tenhamos esperança. Ler as histórias de quem venceu antes de nós renova as forças.

  • A Comunidade (Gálatas 6:2):

Ninguém persevera sozinho. A Bíblia instrui "levai as cargas uns dos outros". Estar inserido em uma igreja ou grupo de apoio é vital quando sua própria força acaba.

  • Oração Constante (Lucas 18:1):

Jesus contou a parábola da viúva persistente para mostrar que "devemos orar sempre e nunca desfalecer". A oração é o oxigênio da perseverança.

5. Uma Promessa para Quem Persevera

A Bíblia não promete que a vida será fácil, mas promete que a perseverança será recompensada.

"Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam." (Tiago 1:12)

 

Texto Bíblico: 2Timóteo 4:6-8

"A que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono" (Ap.3:21).


 

INTRODUÇÃO

Neste Estudo trataremos a respeito da Perseverança na Fé. A palavra perseverança traduz a ideia de persistência, firmeza, constância, permanência. Jesus disse que com o aumento da iniquidade o amor de muitos esfriaria, mas também disse que quem perseverar firme até o fim será salvo. Jesus deixou claro que no mundo passaríamos por aflições (João 16:33); a pressão das potestades sobre a igreja seria muito forte. Paulo adverte: "Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (2Tm.3:12). Como filhos de Deus precisamos perseverar fiéis até o fim; devemos buscar a Deus, rejeitar o pecado e resistir à apostasia. Os destinatários da carta aos hebreus estavam quase desistindo; por isso, receberam a seguinte exortação que se aplica também a nós: “Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque ainda dentro de pouco tempo aquele que vem virá, e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé, e: se ele retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma” (Hb.10:36-39). Uma coisa é certa, sem perseverança na fé não há salvação.

l. A PERSEVERANÇA BÍBLICA

“Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito e perseverou em seguir-me, eu o levarei à terra em que entrou, e a sua semente a possuirá em herança” (Nm.14:14).

1. Conceito bíblico de perseverança. Perseverar remonta a ideia de permanecer, resistir; na vida cristã, significa não desistir da fé cristã em tempos de tentação, aflição, angústia, provação e perseguição. Paulo era um homem perseverante (2Tm.4:6-8); preso em Roma, aguardava o momento da execução, não obstante, continuava a perseverar em as promessas de Cristo. Há pessoas que combatem o bom combate, porém antes de acabarem a carreira, abandonam a fé; abandonam o primeiro amor, não oram mais, não evangelizam mais, não se firmam mais nas promessas divinas. Se você já cruzou seus braços é tempo de recomeçar a trabalhar. Faça um novo pacto com Deus, sirva-o com dedicação e fidelidade, e sejas firme na fé em Cristo, esperando pacientemente Nele em tudo. 

Em Mateus 10:22, Jesus adverte os seus discípulos“E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até o fim será Salvo”. Neste texto, Jesus quer nos mostrar que a perseverança é a autenticidade dos genuinamente salvos. Aqueles que permanecem até o fim nos tempos de perseguição mostram, por sua perseverança, que são crentes verdadeiros. Essa mesma afirmação se encontra em Mateus 24:13, onde se refere a um remanescente fiel de judeus que, durante a tribulação, recusará comprometer sua lealdade ao Senhor Jesus - “Mas aquele que perseverar até o fim será salvo”. Sua perseverança os identifica como discípulos genuínos.

2. Provisão divina e cooperação humana. Na Carta endereçada à Igreja de Sardes, o Senhor faz sua promessa aos vitoriosos: “O que vencer será vestido de vestes brancas e, de maneira nenhuma, riscarei o seu nome do livro da vida, e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos Seus anjos” (Ap.3:5). A promessa aos vitoriosos é a de que jamais terão seus nomes riscados do livro da vida. Esta promessa do Senhor Jesus mostra que é perfeitamente possível alguém ter seu nome riscado do livro da vida durante a peregrinação terrena. Logo, a ideia popular de que "uma vez salvo, salvo para sempre" não tem amparo concreto nas Escrituras. A salvação é uma bênção que pode ser perdida ao longo de nossa existência. O Senhor já dissera a Moisés que “…aquele que pecar contra mim, a este riscarei eu do Meu livro…” (Ex.32:33), numa prova de que é perfeitamente possível que alguém, tendo sido salvo, volte à vida de pecados e, com isso, perca a sua salvação.

Uma pessoa verdadeiramente salva e convertida não pode perder a salvação por qualquer motivo e a qualquer momento, enquanto permanecer em Cristo (João 15:1-10; 10:26,27). Mas ela pode, sim, perdê-la se passar a ter uma vida relaxada e sem compromisso com a Palavra de Deus (1Co.15:1,2; 2Pd.2:20-22; 1Tm.4:1). Portanto, a perseverança da vida cristã é iniciada e garantida em Cristo (Fp.1:6), com o auxílio do Espírito Santo (João 14:26; Lc.11:13; Rm.8:26), juntamente com a cooperação e a sujeição do crente ao senhorio de nosso Senhor (2Pd.1:10; Tg.4:7-10).

No entanto, uma vez ocorrida a glorificação, último estágio do processo da salvação (Rm.8:30), a perda da salvação não mais será possível. Aos vencedores está prometida a imutabilidade do estado de salvação, visto que adentraremos na dimensão eterna, sendo como os anjos (Mt.22:30; Mc.12:25), ou seja, jamais podendo perder a comunhão com o Senhor, estando para sempre com o Senhor (1Ts.4:17). Por isso, amados irmãos, vale a pena perseverar até o fim.

II. O PERIGO DA APOSTASIA

1. Conceituando apostasia.  Apostasia deriva-se da expressa grega “apostásis”, que significa afastamento. Relacionada à fé cristã, apostasia significa abandonar a fé cristã de forma consciente e premeditada. Então, para que haja apostasia é necessário que a pessoa tenha experimentado o novo nascimento, ou seja, que tenha certeza de sua salvação e aí, de forma consciente e deliberada, abandona a fé e passa a negar toda verdade por ela experimentada. Ninguém pode abandonar aquilo que nunca teve. É, portanto, diferente daquela pessoa que vem para a Igreja, ou já nasce na Igreja, torna-se membro, porém, sem passar pela experiência da conversão e pelo fato da ausência de uma genuína doutrina bíblica em sua vida, e sem nenhuma experiência real de fé, vai para uma outra denominação, batiza-se novamente. Em casos como estes não se pode falar em apostasia; essa pessoa não tem qualquer noção do erro que está cometendo. O que ela precisa, na verdade, é de uma verdadeira conversão, ou de uma experiência real com Cristo. No Antigo Testamento, a apostasia era considerada adultério espiritual. Israel era chamado de “esposa de Jeová”, e sempre que Israel seguia a outros deuses, ou se curvava diante de ídolos, era acusado de apostasia. Esta foi, inclusive, a causa principal do cativeiro babilônico.

Não se pode confundir apostasia com heresia. Apostasia é a perda total da fé, enquanto heresia é a negação parcial, ou seja, é a negação de uma ou outra verdade da fé.

Também é importante não confundirmos apostasia com o pecado acidental. Acidentalmente, num momento de descuido, de falta de vigilância, o crente pode pecar, cair. Isto não significa estar desviado. O que caiu pode seguir o conselho de João e levantar-se: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo...Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1João 2:1; 1:9). Aconteceu com Davi. Num momento de descuido, de falta de vigilância, ele pecou, porém, não foi necessário desviar-se, afastar-se, ou ser afastado do Trono. Davi recomendou o seu pecado, confessando-o diante de Deus (Sl.51); foi perdoado e continuou sendo um homem de Deus. Davi caiu, porém, não se desviou. Contudo, é possível começar a afastar-se, ou desviar-se logo após uma queda acidental, ou seja, após ter cometido um pecado, que precisa ser confessado e ele não quer confessar. Pode, ainda, afastar-se devido a uma tristeza, ou uma decepção. Todavia, isto nada tem a ver com a apostasia.

O desviado pode, e deve voltar; o apóstata não voltará mais. Sobre a possibilidade de o desviado voltar, podemos entender através da parábola do filho pródigo (Lc.15:11-32) e de exemplos que já ocorreram várias vezes em nossas igrejas. O Senhor Jesus deixou clara a possibilidade do filho voltar à casa do Pai, embora tenha ido para muito longe, embora tenha sofrido e causado grandes prejuízos: “...desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente...”. Mediante o reconhecimento do seu erro, se sua decisão de retornar, e com humildade ter feito sua confissão e seu pedido de perdão –“Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho” -, o pai não impôs qualquer restrição, mas, recebeu-o novamente como filho – “Mas o pai disse aos seus servos: trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lo, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se”.

É certo que hoje, a casa do Pai, representada pela igreja, está com as portas abertas para receber todos aqueles seus filhos que, um dia foram embora. Satanás usa de suas artimanhas para convencer aquele crente que pecou, bem como aquele que se desviou, voltando para o mundo, de que não há mais perdão para ele, que ele cometeu pecado imperdoável e que está, realmente, perdido, que é um apóstata. Pecar, por um momento de descuido; afastar-se da Igreja, ou desviar-se, quer seja porque tenha pecado, quer seja por ter sofrido uma decepção, quer seja por ter perdido o ânimo, por falta de oração, de alimento espiritual, nada tem a ver com o pecado imperdoável ou com apostasia.

2. A prática da apostasia. O Inimigo de nossas vidas, juntamente com as hostes espirituais da maldade, deseja pelejar contra nós (Ef.6:12). Entretanto, a prática do pecado é uma responsabilidade pessoal e intransferível do indivíduo (Ez.18:4,20; cf. Rm.6:23). Nesse sentido, a apostasia sempre será praticada de maneira consciente, deliberada e voluntária. Veja alguns exemplos de apostasia nas Escrituras:

a) Aconteceu com Saul. Saul tinha plena consciência das coisas de Deus, no entanto, negou tudo que sabia sobre Deus e sua Palavra, ao decidir procurar uma feiticeira – “Então, disse Saul aos seus criados: buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que vá a ela e a consulte...” (Sm.28:7). Veja que estado deplorável desse rei. Antes, foi um homem cheio do Espírito de Deus, teve profunda experiência com Deus - por ordem sua foram mortos aqueles que consultavam espíritos, ou seja, médiuns, adivinhos ou feiticeiros (1Sm.28:9). Agora, se submete aos ditames diabólicos, por intermédio de uma feiticeira. Saul não chegou a esse deplorável estado espiritual num só lance, mas, em muitas e sucessivas atitudes de rebeldia e pecaminosidade. Como “um abismo chama outro abismo” (Sl.42:7), Saul acabou, por fim, cometendo o terrível pecado da apostasia. Saul negou todas as verdades que conhecia e que tinha vivido, desprezou Deus e sua Palavra, de forma consciente e premeditada; nisto consiste o pecado da apostasia. Este é, pois, um perigo que corre com um desviado. O rei Saul era um desviado. O pecado da Apostasia não é cometido num só lance, ou num único ato. O pecado continuado leva o homem a perder todo temor de Deus, e a endurecer-se contra a verdade contida na Palavra de Deus. A partir daí a porta está aberta para a apostasia.

b) Aconteceu com Judas Iscariotes. Judas foi aceito por Jesus para ser apóstolo. Recebeu poder para pregar o evangelho do reino, curar enfermos e expulsar demônios – “E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, e para curarem toda a enfermidade e todo mal (Mt.10:1). Judas seguiu Jesus, conheceu-o profundamente, aprendeu com ele nos três anos de Ministério. Sendo um homem de confiança, foi escolhido para ser tesoureiro do grupo. Um dia, porém, usou parte do dinheiro em benefício próprio. Acostumou-se com esta prática pecaminosa, tornou-se ladrão, segundo afirmou o apóstolo João:”...era ladrão, e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava”(João 12:6).

O pecado continuado através da prática de desvio de dinheiro, ou de furto, levou Judas a perder sua sensibilidade espiritual. Certamente, que sua ambição pelo dinheiro e pelo poder, foi crescendo, gradativamente. Pressentindo que Jesus não seria proclamado Rei, tomou a decisão de entregá-lo às autoridades judaicas, por dinheiro, é claro! Com seus olhos espirituais cegos pela “avareza, que é idolatria” (Cl.3:5), Judas esqueceu-se de tudo o que havia feito através do poder de Deus que recebera, esqueceu-se de tudo que tinha visto Jesus fazer nos três anos que esteve com ele, desprezou o fato de saber que ele era o Filho de Deus, e por trinta moedas de prata (Mt.26:14-16) consumou o pecado da apostasia. Não havia mais possibilidade de retorno para Judas – “...retirou-se e foi-se enforcar” (Mt.27:5). Tudo começou quando, sendo tesoureiro, usou algumas moedas em benefício próprio. A prática continuidade do furto tornou-o espiritualmente insensível às coisas de Deus, e ele se tornou um apóstata. Este é um risco que corre todo crente desviado. Nem todo crente desviado é um apóstata, porém, o endurecimento continuado do coração pode levá-lo à apostasia. Não é raro encontrar alguém que já foi uma bênção nas mãos de Deus, agindo, agora, com tanta incredulidade, e impiedade, como se nunca houvesse conhecido a Deus, como se fosse um ateu nato. Ele apostatou-se! 

c) Aconteceu com Israel. O pecado da Apostasia, normalmente, resulta como consequência da prática continuada de outros pecados. Israel conhecia Deus e tinha experiência com ele. Esta é uma condição básica para que alguém possa conhecer o pecado da apostasia. O apóstata tem que tomar sua decisão de forma consciente e premeditada. Apesar de tudo que Israel viu Deus fazer no Egito e em dois anos no deserto, mesmo assim Israel persistiu sendo rebelde, desobediente, duro de coração, incrédulo. Assim, em Cades Barnéia, no deserto de Parã, o cálice da ira de Deus se encheu, diante de mais uma provocação – “E disse Deus a Moisés: até quando me provocará este povo? E até quando me não crerão por todos os sinais que fiz no meu deles? Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei...” (Nm.14:11,12). Agora, não havia mais a possibilidade de um acordo. A apostasia estava consumada.

Assim, baseado no que aconteceu com Israel, que, pela prática do pecado continuado, sem arrependimento real e sincero, acabou praticando o pecado da apostasia, também estamos sujeitos a cometer aquele mesmo erro. Este é um risco que corre o crente desviado.

Muitos homens que se dizem pastores e mestres torcem as Escrituras e vendem a alma ao Diabo, tentam introduzir o mundo na Igreja, sob a alegação de que esta não pode viver alheia à modernização – é a doutrina de Balaão. Tenhamos cuidado! A doutrina de Balaão continua a fazer estragos! Ela quer comprometer a Igreja, impregnando-a com a cultura e com os costumes do mundo (Rm.12:1).

III. SEGUROS EM CRISTO

Não existe nenhuma segurança verdadeira e definitiva, a não ser a segurança que temos em Cristo. A nossa segurança está ligada à nossa esperança, a esperança de que as nossas tribulações são leves e momentâneas em relação à glória que está no porvir (2Co.4:17).

1. Cristo garante a salvação. Só Cristo garante a salvação com o aval do seu sangue e com o penhor da sua ressurreição. Mas, a graça de Deus não exclui a minha escolha. Se qualquer salvo escolher “naufragar na fé” (1Tm.1:19,20), ou apostatar (1Tm.4:1), ou desviar-se, como fez Judas (At.1:25; 2Pd.2:1,20-22), com certeza renunciará à preciosa salvação pela graça. O homem possui, sim, a livre-vontade e pode rejeitar a obra de Cristo realizada na cruz. Por isso, Deus amou o mundo de tal maneira, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16). Deus é poderoso para nos guardar de tropeçar, desde que permaneçamos em Cristo (João 10:27,28).

Deus sempre quis que todos se salvassem (1Tm.2:4), e não tiraria a salvação de ninguém, posto que é misericordioso. Ele não tirou de Esaú o direito à primogenitura, mas Esaú a perdeu. Por quê? Porque foi profano. O próprio Inferno foi preparado para o Diabo e seus anjos (Mt.25:41), numa prova de que Deus não deseja que os seres humanos vão para lá, porém muitos homens irão para o Lago de Fogo (Ap.20.21:8; 22:15); e não irão para lá por não terem sido alcançados pela graça de Deus, e sim porque serão “julgados cada um segundo as suas obras” (Ap.20:13).

A Bíblia diz para nos achegar-nos a Deus (Tg.4:8; 1Pd.2:4). Ele faz a sua parte, porém temos de fazer a nossa.

2. A alegria da salvação. Uma das maravilhosas consequências que alcançamos quando aceitamos a Cristo é a alegria da salvação (Sl.51:12; Is.12:3; Lc.15:22-25,32). Quando observamos que a salvação nos traz alegria, vemos, claramente, que Deus é um Ser alegre, pois, ao sermos salvos, passamos a ter o caráter divino e a alegria é uma das qualidades deste caráter. Davi fala, no salmo 51, da “alegria da salvação” e, assim, percebemos que a salvação é a fonte inicial da alegria espiritual. A salvação gera no crente uma alegria espiritual permanente, que não se acaba e que só tende a aumentar, assim como a nossa vida com Cristo, que, sendo uma vida, impõe um crescimento contínuo. A forte impressão de prazer trazida pela regeneração, pelo novo nascimento tem de aumentar a cada passo de nossa comunhão com Cristo, pois, se buscarmos mais a Deus, certamente seremos cada vez mais ungidos com o “óleo da alegria”, ou seja, teremos cada vez mais intensa comunhão com o Senhor, numa proximidade com Deus (Tg.4:8a), que só nos fará aumentar esta alegria.

3. A certeza da vida eterna - "Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna..." (1João 5:13). A certeza de vida eterna não é presunção de alguém ou mérito de quem quer que seja. A Bíblia declara que ter a vida eterna é uma graça (favor não merecido) exclusiva de Deus. Se você crer em Jesus e o aceitar como único Senhor e suficiente Salvador e permanecer fiel até a morte (Ap.2:10) terá a vida eterna.

A vida eterna é a maior promessa que o Senhor, pela sua graça nos concedeu. João afirmou isso com firmeza em 1João 2:25 – “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus (1João 5:11-13). Portanto, como filhos e herdeiros de Deus, temos a certeza da vida eterna. Esta garantia é para todos aqueles que um dia firmaram, por meio da fé, um compromisso com Cristo, isto é, creram em Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas.

- Temos a certeza da vida eterna porque somos agora filhos de Deus – “Vede quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não conhece a ele; Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1João 3:1,2). A verdade que Deus é nosso Pai celestial e que nós somos seus filhos é uma das maiores revelações do Novo Testamento. Ser filho de Deus é a base da nossa fé e confiança em Deus (Mt.6:25-34) e da nossa esperança da glória futura. Como filhos de Deus, somos herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm.8:16,17; Gl.4:7). O alvo final de Deus ao nos tornar seus filhos é salvar-nos para sempre (João 3:16) e nos conformar à imagem do seu Filho (Rm.8:29).

- Temos a certeza da vida eterna quando temos um intenso anelo e uma inabalável esperança pela volta de Jesus Cristo, para nos levar para si mesmo – “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos; E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1João 3:2,3).

O nosso fundamento na certeza da vida eterna não está firmado no mérito próprio, mas única e exclusivamente no mérito da obra salvífica de Cristo Jesus (Hb.9:27,28).

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação”.

CONCLUSÃO

Perseverança não significa que ao proclamar a fé em Cristo já temos a segurança eterna, mas que dependemos cotidianamente do Espírito. A possibilidade de a apostasia acontecer deve ser levada a sério de acordo com a advertência do escritor de Hebreus: "Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro, e recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério" (Hb.6:4-6). Não por acaso o Senhor Jesus advertiu: "Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus" (Lc.9:62). E mais: "Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem" (João 15:6). Bem como disse o apóstolo dos gentios aos gálatas: "Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído" (Gl.5:4). Veja outras advertências: 1Tm.1:19; 1Tm.4:1; 2Tm.2:12. O alerta para perseverarmos na fé é porque há sim a possibilidade de enfraquecermo-nos e apostatar-nos da fé.

 

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