Texto Bíblico: Dn 4:10-18
“Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, e exalço, e glorifico ao
Rei dos céus; porque todas as suas obras são verdades; e os seus caminhos,
juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba” (Dn 4:37).
A história de Nabucodonosor, narrada no livro de Daniel (capítulo 4), é um dos relatos mais impressionantes sobre a soberania divina contra a arrogância humana. Ela descreve a trajetória do homem mais poderoso da Terra na época, que foi do auge do poder à completa loucura animal, e finalmente à restauração.
Aqui
está a análise dessa jornada, da soberba ao castigo e redenção:
1.
O Contexto e o Aviso (O Sonho da Árvore)
Nabucodonosor
era o rei do Império Neobabilônico, o "famoso
cabeça de ouro" da estátua de Daniel 2. Ele era um construtor
prolífico e conquistador militar.
Antes
do castigo, Deus misericordiosamente lhe deu um aviso através de um sonho:
- O
Sonho: O rei viu uma
árvore gigantesca que alcançava os céus e alimentava a terra, mas que foi
cortada por ordem de um "vigia santo", deixando apenas o toco e
as raízes.
- A
Interpretação de Daniel:
O profeta Daniel explicou que a árvore era o próprio rei. Se ele não
deixasse seus pecados e não mostrasse misericórdia aos pobres, ele seria
humilhado.
"Portanto, ó rei... renuncia a teus pecados e à tua
maldade, pratique a justiça e tenha compaixão dos necessitados." (Daniel 4:27)
2. O Momento da Soberba
Doze
meses se passaram após o aviso. O rei não mudou sua postura. O castigo foi
desencadeado por um pensamento e uma frase específica proferida enquanto ele
passeava no terraço do seu palácio real.
Nabucodonosor
olhou para a glória da Babilônia (famosa por seus Jardins Suspensos e muralhas
imponentes) e disse:
"Não é esta a grande Babilônia que eu construí para
a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha
majestade?"
(Daniel 4:30)
O foco excessivo no "eu" e no "meu" foi a
gota d'água. Ele tomou para si a glória que pertencia a Deus.
3. O Castigo de Deus (A Loucura)
A
sentença foi imediata. Ainda com a palavra na boca, uma voz caiu do céu
decretando que o reino havia sido tirado dele. Nabucodonosor foi acometido por
uma condição mental severa (tecnicamente chamada de zoantropia ou, mais
especificamente, boantropia), onde o ser humano acredita ser um animal.
Os
detalhes do castigo (Daniel 4:32-33):
- Expulsão: Ele foi expulso do convívio humano.
- Comportamento: Passou a comer capim como os bois.
- Aparência
Física: Seu corpo foi
molhado pelo orvalho, seus cabelos cresceram como penas de águia e suas
unhas como as das aves.
- Duração: A Bíblia fala em "sete
tempos" (geralmente interpretados por teólogos como sete anos).
Durante
esse período, o trono permaneceu vazio ou sob regência, mas "o toco e as
raízes" foram preservados, indicando que ele voltaria ao poder, conforme a
profecia.
4. A Restauração e a Humildade
O
fim do castigo não veio apenas com o passar do tempo, mas com uma mudança de
atitude interna.
"Ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus
olhos ao céu, e o meu entendimento voltou a mim..." (Daniel 4:34)
Ao
reconhecer a soberania de Deus sobre os reinos humanos, sua sanidade foi
restaurada imediatamente. Seus conselheiros o buscaram, e ele foi restabelecido
no trono com ainda mais grandeza do que antes, mas agora com uma nova
perspectiva.
Ele termina o relato com uma declaração pública de louvor,
reconhecendo que Deus "pode humilhar aos que andam na soberba"
(Daniel 4:37).
Lição
Principal
A
história serve como um espelho teológico: Deus dá autoridade aos governantes,
mas remove essa autoridade quando ela se torna um instrumento de autolatria. A
soberba precede a queda, mas o reconhecimento de Deus precede a honra.
INTRODUÇÃO
Neste Estudo trataremos acerca do capítulo 4 de Daniel. Neste capítulo, Daniel traz a imagem de uma árvore florescente representando a figura de Nabucodonosor, o imperador da Babilônia. Na imagem apresentada um homem anuncia que a árvore seria cortada e ficaria apenas o tronco com suas raízes. Isto demonstra o desastroso efeito da soberba. O sábio Salomão alerta: “A soberba precede a ruína, e altivez do espírito precede a queda” (Pv 16:18).
Um indivíduo soberbo é aquele que deseja ser mais do que é e ainda se coloca acima dos outros para humilhá-los e envergonhá-los. O soberbo superdimensiona a própria imagem e diminui o valor dos outros. É o narcisista que, ao se olhar no espelho, dá nota máxima e aplaude a si mesmo. É por isso que o sábio diz que, em vindo a soberba, sobrevém a desonra. A soberba é a sala de espera da desonra. É o corredor do vexame. É a porta de entrada da vergonha e da humilhação. A Bíblia diz que Deus resiste ao soberbo (Tg 4:6), declarando guerra contra ele. “Glória ao homem nas maiores alturas”, esse é o grito de guerra da humanidade orgulhosa e ímpia que continua desafiando Deus e tentando construir o céu na terra (Pv 11:1-9; Ap 18). Deus aborrece “olhos altivos” (Pv 6:16,17) e promete destruir “a casa dos soberbos” (Pv 15:25).
1. Nabucodonosor, chamado por Deus para um desígnio especial (Jr 25:9. “... Nabucodonosor [...] meu servo”.
Esta expressão não significa que o monarca babilônico adorava o Deus de Israel, mas apenas que era usado pelo Senhor para cumprir seus propósitos (à semelhança de Ciro, que é chamado de ungido do Senhor, em Isaías 45:1). Não há dúvida que ele foi submetido a um desígnio especial do Deus do Céu, o Deus de Daniel. Mesmo sendo um rei ímpio cumpria um desígnio especial de correção divina ao reino de Judá, por ter se corrompido com o sistema mundano, iniquo, inimigo de Deus. Ora, Deus tinha e tem o domínio de todos os reinos do mundo, e poder para fazer com que o ímpio Nabucodonosor, por um desígnio especial, se tornasse próspero em seu reino e crescesse em extensão, a ponto de se autodenominar “rei de reis”. O profeta Jeremias, que presenciou a investida babilônica contra o reino de Judá e seu exílio para Babilônia, diz que Deus chamou Nabucodonosor de “meu servo” (Jr 25:9). Na verdade, Nabucodonosor foi a “vara” de Deus de punição ao seu povo por ter abandonado o Senhor e tomado o caminho proibido da idolatria e dos costumes pagãos dos reinos vizinhos. Aprendemos que Deus, em sua soberania é Aquele “que muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis” (Dn 2:21).
2. A soberba de Nabucodonosor. Conquanto tenha sido um instrumento que Deus utilizou para corrigir e disciplinar o seu povo, Nabucodonosor foi traspassado pela arrogância, pela soberba. Por causa disso, Deus mostrou que ele seria punido severamente; ele seria, como a árvore do sonho, cortado até o tronco (Dn 4:18). Isto cumpriu-se literalmente na vida de Nabucodonosor, e ele, depois de humilhado, perdeu a capacidade moral de pensar e decidir porque seu coração foi mudado - de “coração de homem” (Dn 4:16) para “um coração de animal”. Ele foi dominado por uma insanidade sem precedente. A punição levaria “sete tempos”, período em que Nabucodonosor estaria agindo de forma irracional à semelhança dos animais do campo (Dn 4:28-33), tendo o seu corpo molhado pelo orvalho do céu. Esse estado de decadência do rei foi resultado de sua soberba.
O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que a soberba é a porta de entrada do fracasso e a sala de espera da ruína. O orgulho leva a pessoa à destruição, e a vaidade a faz cair na desgraça. Na verdade, o orgulho vem antes da destruição, e o espírito altivo, antes da queda. Nabucodonosor foi retirado do trono e colocado no meio dos animais por causa da sua soberba (cf. Dn 4:30-37). O rei Herodes Antipas I morreu comido de vermes porque ensoberbeceu seu coração em vez de dar glória a Deus (At 12:21-23). O reino de Deus pertence aos humildes de espírito, e não aos orgulhosos de coração.
Esse terrível mal também tem grassado igrejas locais. A Bíblia registra um exemplo: a igreja de Laodicéia. Esta igreja, a começar do seu líder, enchia o peito e dizia para todos, com evidente e louca arrogância: “Rico sou e de nada tenho falta” (Ap 3:17). Ora, é nesta tola manifestação de arrogância que se verifica a fraqueza espiritual. Só temos força espiritual quando reconhecemos a nossa insignificância, a nossa pequenez, o nosso nada diante de Deus. A autoglorificação é desprezível. A igreja de Laodicéia exaltou-se dando nota máxima a si mesma em todas as áreas. Mas Cristo a reprovou em todos os itens. A Bíblia diz:” Louve-te o estranho, e não a tua boca; o estrangeiro, e não os teus lábios” (Pv 27:2). Deus detesta o louvor próprio. Jesus explicou essa verdade na parábola do fariseu e do publicano. Aquele que se exaltou foi humilhado, mas o que se humilhou, desceu para sua casa justificado.
3. Nabucodonosor proclama a soberania de Deus (Dn 4:1-3). “Nabucodonosor, rei, a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra: Paz vos seja multiplicada! Pareceu-me bem fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, tem feito para comigo. Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas, as suas maravilhas! O seu reino é um reino sempiterno, e o seu domínio, de geração em geração”.
Nabucodonosor dá testemunho da grandeza e do poder de Deus. Chegou a esta conclusão depois da sua experiência humilhante de loucura. Foi restaurado de sua demência depois que se humilhou diante do Altíssimo. Reconheceu a soberania do Deus Onipotente e fez uma proclamação acerca do Eterno domínio de Deus (Dn 4:34-37). Ele aprendeu que o Senhor, em sua soberania, é “quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis” (Dn 2:21).
II. DEUS FALA NOVAMENTE A NABUCODONOSOR POR MEIO DE SONHOS (Dn 4:4-9).
1. Deus adverte Nabucodonosor através de um sonho. Nabucodonosor sentia-se senhor de tudo a ponto de, mais uma vez, se permitir dominar por uma arrogância inconcebível. Então, Deus o adverte através de um sonho.
"tive um sonho" (Dn 4:5). À semelhança do capítulo dois quando teve o sonho da grande estátua representando seu reino e os reinos que o sucederiam, mais uma vez Deus fala com Nabucodonosor; mais uma vez ele ficou aflito por não entender o seu significado.
É interessante perceber que o modo como Deus falava com os homens nos antigos tempos era diverso. Ele utilizava de canais possíveis para se fazer inteligível aos seus servos. Pelo fato dos antigos, especialmente os caldeus, darem muita importância aos sonhos e a sua interpretação, Deus usou esse canal de comunicação para revelar o significado das imagens do sonho na cabeça do rei. É claro que esse modo de falar e revelar a sua vontade não seja o único modo da comunicação divina. Portanto, essa via de comunicação não era e não é uma regra que obrigue Deus ter que falar somente por meio de sonhos. Mas Ele o fez, porque os antigos acreditavam piamente que os sonhos tinham um sentido divino. Hoje, temos a Palavra de Deus como o canal revelador da fala de Deus aos homens. É bom que se diga que não existe dom de sonhar como afirmam alguns cristãos. Mas é certo que Deus pode usar esse meio e outros mais para revelar a sua vontade soberana aos seus servos (Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD).
2. Daniel é convocado (Dn 4:8,9). “Mas, por fim, entrou na minha presença Daniel, cujo nome é Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e no qual há o espírito dos deuses santos; e eu contei o sonho diante dele: Beltessazar, príncipe dos magos, eu sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum segredo te é difícil; dize-me as visões do meu sonho que tive e a sua interpretação”.
Há um contraste entre o sonho do capítulo 2 e o sonho do capítulo 4. O primeiro sonho foi esquecido pelo rei, mas o segundo sonho ele não o esqueceu (Dn 2:1,6 e 4:10-17). Como da vez passada (capítulo 2), todos os sábios da Babilônia, com seus magos, astrólogos, caldeus e os adivinhadores foram convocados à presença do rei para darem a interpretação do sonho e, mais uma vez, falharam (Dn 4:6,7). Finalmente, foi convocado Daniel, e este, ao ouvir do rei o relato pediu-lhe um tempo porque, por quase uma hora, estava atônito e sem coragem para revelar a verdade do sonho ao rei. Daniel ficou perturbado, e disse: “O sonho seja contra os que te têm ódio, e a sua interpretação para os teus inimigos” (Dn 4:19).
3. Daniel ouve o sonho e dá a sua interpretação (Dn 4:19-26). O rei conta a Daniel todo o seu sonho. Ele viu uma grande árvore de dimensões enormes que produzia belos frutos e que era visível em toda a terra. Os animais do campo se abrigavam debaixo dela e os pássaros faziam seus ninhos nos seus ramos (Dn 4:10-12). O rei viu descer do céu “um vigia, um santo” (Dn 4:13) e esse vigia clamava forte: “Derribai a árvore e cortai-lhe os ramos” (Dn 4:14). “Então Daniel... esteve atônito quase uma hora” (4:19). O tempo que Daniel levou para interpretar o sonho significava que ele ficou amedrontado em contar ao rei a verdade. De certo modo, Daniel gozava da confiança do rei como conselheiro e preferia, como homem, que as revelações do sonho não atingissem a pessoa do rei. Mas Daniel não pôde evitar, porque o próprio rei, percebendo a perplexidade de Daniel, o instou a que não tivesse medo e contasse exatamente o que o seu Deus havia revelado.
a) Uma árvore majestosa (Dn 4:11,12). A “árvore” do sonho de Nabucodonosor era formosa e bela. A visão esplêndida dessa árvore indicava a formosura, a grandeza, o poder e a riqueza que representavam a glória de Nabucodonosor. Ninguém na terra havia alcançado todo esse poder antes dele. Daniel declarou ao rei que aquela árvore que seria cortada era o próprio rei e disse: “Es tu, ó rei” (Dn 4:22). Imaginemos o semblante de espanto de Nabucodonosor ao ouvir esta declaração. Como resignar-se serenamente ante um fato inevitável revelado pelo Deus de Daniel. Assim é a glória dos homens, como uma árvore que cresce e se torna frondosa e, de repente, é derribada. Assim Deus destrói os soberbos (Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD).
b) Juízo e misericórdia são demonstrações da soberania divina. “Esta é a interpretação, ó rei; e este é o decreto do Altíssimo, que virá sobre o rei, meu senhor: serás tirado de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e te farão comer erva como os bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Dn 4:24,25).
O Deus Todo Poderoso sempre que aplica uma sentença, ela vem mesclada de misericórdia. Porém, é evidente que chegará o Dia quando não mais essa misericórdia existirá, e, a partir daí, Deus dará aos seus inimigos o cálice da sua ira (Ap 14:10). No presente século, o ser humano é convidado a tomar parte no “dia da salvação”, porém em breve chegará o momento em que ele tomará parte da ira de Deus e do Cordeiro (Ap 6:17).
III. A PREGAÇÃO DE DANIEL
“Portanto, ó rei, aceita o meu conselho e desfaze os teus pecados pela justiça e as tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres, e talvez se prolongue a tua tranquilidade” (Dn 4:27).
O texto mostra que Daniel aconselhou o rei a arrepender-se dos seus maus caminhos – “desfaze os teus pecados pela justiça e as tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres” -, mas tudo indica que o rei continuou a sua vida como antes: soberbo e arrogante. A Bíblia diz que a soberba torna os olhos altivos (Pv 21:4). Quando o homem não escuta a voz da graça, ouve a trombeta do juízo. Deus abriu para o rei a porta da esperança e do arrependimento, ele, porém, não entrou. Então, Deus o empurrou para o corredor do juízo. Deus o humilhou. O orgulho é algo abominável para Deus, pois Ele resiste ao soberbo (1Pe 5:5).
Após 12 meses o sonho se cumpriu literalmente (Dn 4:29-32). Nabucodonosor morou com os animais, comeu erva como boi, e seu corpo foi molhado pelo orvalho. Depois de restabelecido, o rei entendeu que tudo aconteceu por causa de seu orgulho. Então, ele declarou:
“Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, e exalço, e
glorifico ao Rei dos céus; porque todas as suas obras são verdades; e os seus
caminhos, juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba”.
Nabucodonosor, finalmente, foi restaurado, tanto da doença mental como da alma. Deus o transformou através das duras provas.
- “ele confessou a soberania de Deus (Dn 4.35).
- “ele testemunhou sua restauração (Dn4.36) e adorou a Deus (Dn 4.37)”.
CONCLUSÃO
Se
desejamos viver vitoriosamente, tenhamos muito cuidado, para não sermos
contagiados pela soberba, que tem levado muitos à queda, pois Deus resiste e
continuará resistindo aos soberbos (Tg 4:6). Todavia, o Pai Celeste dá e dará
graças, misericórdia e ajuda em todas as situações da vida, àqueles que têm o
coração quebrantado e contrito, que se chega a Ele com humildade.

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