Estudo
Bíblico sobre a Igreja de Sardes: A Igreja Morta
A
carta à igreja de Sardes é a quinta das sete cartas de Jesus Cristo registradas
no livro de Apocalipse (3:1-6). Ela é marcada por uma severa repreensão,
pois, apesar de sua reputação de ser viva e ativa, sua realidade
espiritual era de morte.
O Remetente: A Autoridade de Cristo (v. 1)
Jesus
se apresenta à igreja de Sardes como:
- "Aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete
estrelas": Isso enfatiza
Sua autoridade absoluta sobre o Espírito Santo (plenitude,
perfeição) e sobre as igrejas (as sete estrelas representam os
anjos/mensageiros das igrejas). É um lembrete de que Ele tem o poder
para avivar e para julgar a igreja morta.
A Repreensão: Fama de Viva, Realidade de Morte (v. 1-2)
A
principal acusação de Cristo contra Sardes é a discrepância entre a
aparência externa e o estado interno.
- "Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e
estás morto"
(v. 1): A igreja em
Sardes tinha uma boa reputação perante a sociedade e talvez outras
igrejas. Eles não enfrentavam heresias ou perseguições intensas, e podiam
parecer uma igreja bem-sucedida. Contudo, Deus via o coração: as
obras eram incompletas ou imperfeitas; faltava-lhes o zelo, a
vitalidade e a fidelidade genuínas que vêm da fé viva. Eles viviam de
glórias passadas ou de formalidades religiosas.
- "Sê vigilante, e fortalece o que resta e estava para
morrer" (v.
2): O que restava de
vida espiritual estava se esvaindo. O problema de Sardes era a sonolência
espiritual, a negligência e a apatia.
O Conselheiro: O Caminho para o Avivamento (v. 3)
Cristo
oferece três imperativos para a restauração:
- "Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido": Eles deviam se recordar do Evangelho
original que receberam, o fundamento de sua fé.
- "Guarda-o" (ou obedece-o):
Eles precisavam colocar a Palavra em prática, não apenas conhecê-la
teoricamente.
- "Arrepende-te": Era
necessário um arrependimento genuíno, uma mudança de mente e
atitude, que levasse ao abandono da apatia.
Caso
não se arrependessem e não vigiassem, a advertência é clara: "Virei a ti como ladrão, e não saberás a que hora
sobre ti virei" (v. 3). A
visita (julgamento) de Cristo seria repentina e surpreendente, assim como a
cidade de Sardes, que, apesar de sua segurança aparente, foi conquistada por
ataques surpresa no passado.
A Promessa: O Remanescente Fiel (v. 4-6)
Apesar
da falência geral, havia um pequeno grupo que permaneceu fiel, o remanescente:
- "Mas também tens em Sardes umas poucas pessoas que não
contaminaram as suas vestes" (v. 4):
Estes são os crentes que se mantiveram santos e íntegros,
não se conformando com o mundanismo e a superficialidade da maioria.
- Recompensa
ao Vencedor:
- Será vestido de vestes brancas (símbolo de pureza, vitória e
justiça).
- Seu nome não será riscado do Livro da Vida (garantia de salvação e vida eterna).
- Cristo confessará seu nome diante do Pai e dos anjos
(reconhecimento público de Sua propriedade).
A
mensagem para Sardes é um alerta atemporal contra a hipocrisia religiosa
e a superficialidade, lembrando que o que importa não é a reputação
perante os homens, mas a integridade e a vitalidade espiritual perante
Deus.
SARDES, A IGREJA MORTA
Texto Bíblico: Ap 3:1-6
“Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e
Cristo te esclarecerá"
(Ef 5:14).
Conforme
o texto sagrado (Ap 3:1-6), a Igreja em Sardes estava morta
espiritualmente. Aos olhos das pessoas apresentava um perfil
ortodoxo, a sua aparência exterior era impecável. É possível uma igreja ser
ortodoxa e, ao mesmo tempo, estar árida como um deserto. A ortodoxia morta
mata. Externamente está tudo bem, mas a motivação está errada. Crentes
ortodoxos, mas secos como um poste. Crentes que conhecem a Bíblia, mas perderam
o encanto com Jesus. Crentes que conhecem teologia, mas a verdade já não mais os
comove. A situação espiritual da igreja em Sardes podia muito bem se enquadrar
naquilo que Jesus definiu aos escribas e fariseus: “Pois que sois semelhantes
aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas
interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia" (Mt
23:27). Há igrejas, hoje, cuja aparência é bela e cujo desempenho aos olhos
humanos é formidável, mas elas não passam no crivo de Jesus. Precisamos nos
acautelar, pois nem tudo que é belo aos olhos dos homens é aceitável diante de
Deus. Nem tudo que impressiona os homens é agradável a Deus. O homem vê a aparência; e Deus, o coração. O homem se
contenta com o exterior, Deus requer a verdade no íntimo.
I.
A IGREJA EM SARDES
1.
A cidade de Sardes.
O nome Sardes significa: os que estão escapando ou renovação. Segundo
o Novo Dicionário da Bíblia – Edição Nova Vida -, Sardes foi “uma cidade da província romana da Ásia, a oeste do que
atualmente é a Turquia Asiática. Era capital do antigo reino da Lídia, o maior
dos poderes estrangeiros que os gregos encontraram durante sua primitiva
colonização da Ásia Menor. Sua antiga prosperidade, especialmente sob Croeso, tornou-se
lendária por causa de sua riqueza; essa riqueza se derivava em parte do ouro de
aluvião do Pactolos, um ribeiro que atravessava a cidade.
A
cidade original era uma cidadela-fortaleza quase inexpugnável, elevando-se bem
acima do largo vale do Hermo, e quase inteiramente cercada por penhascos
cortados de precipícios compostos de rochas traiçoeiramente frouxas. Sua
posição como centro da supremacia lídia, sob Croeso, terminou abruptamente
quando Ciro, rei da Pérsia, cercou a cidade e conquistou a cidadela (549 a.C.),
aparentemente escalando os penhascos e entrando em um ponto fracamente
defendido sob proteção da escuridão. As mesmas táticas levaram novamente à
queda da cidade em 214 a.C., quando foi capturada por Antíoco, o Grande. Embora
ela ficasse numa importante rota comercial, no vale do Hermo, sob o domínio
romano jamais recuperou a espetacular proeminência que havia tido em séculos
anteriores. Em 26 d.C., seu pedido de ser-lhe dada a honra de servir de sede de
um templo imperial foi rejeitado em favor de sua rival, Esmirna”.
Ainda
segundo o Novo Dicionário da Bíblia, a carta ao anjo da igreja em Sardes (Ap
3:1-6) sugere que a primeira comunidade cristã ali existente estava imbuída do
mesmo espírito da cidade, repousando em sua reputação passada, mas sem qualquer
grande realização no presente, e falhando, conforme a cidade falhara por duas
vezes, por não aprender do passado, e por não ter atitude de vigilância. O
símbolo das ‘vestiduras’ pode em parte ser uma alusão ao comércio principal da
cidade, que era o fabrico de vestes de lã e a tinturaria.
No ano 17 d.C. Sardes foi parcialmente destruída por um
terremoto e reconstruída pelo imperador Tibério. A cidade tornou-se famosa pelo
alto grau de imoralidade que a invadiu e a decadência que a dominou. Atualmente
existe apenas uma pequena vila (Sarte) perto do sítio da antiga cidade.
2.
A igreja em Sardes. Provavelmente,
assim como em Éfeso, a fundação da igreja em Sardes teve grande influência das
viagens missionárias do apóstolo Paulo e, principalmente, de sua forte
dedicação ao ensino da Palavra por espaço de dois anos, quando esteve em Éfeso,
“de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a Palavra do Senhor
Jesus, assim judeus como gregos” (At 19:10).
Sardes era uma igreja aparentemente ativa. Dona de um grande
nome e famosa, mas não tinha vida. Tinha desempenho, mas não integridade. Tinha
obras, mas não dignidade. Tinha todas as características de um ministério
dinâmico, mas estava morta (Ap 3:1). Além disso, havia gente no Centro
de Terapia Intensiva (CTI), à beira da morte espiritual – “... o
restante que estava para morrer...” (Ap 3.2). A vitalidade dessa
igreja se fora. Sua pulsação espiritual cessara. Aos olhos dos homens, era uma
igreja entusiasmada, mas, aos olhos de Cristo, estava em estado de coma
espiritual. Aquilo que impressiona os homens não impressiona a Deus.
É
nesse contexto que vemos Jesus enviando essa carta à igreja. Quando João
entregou essa carta, Sardes era uma cidade rica, mas totalmente degenerada. Sua
glória estava no passado, e seus habitantes entregavam-se aos encantos de uma
vida de luxúria e prazer. A igreja tornou-se como a cidade. Em vez de
influenciar, foi influenciada. Era como sal sem sabor ou uma candeia escondida.
A igreja não era nem perigosa nem desejável para a cidade de Sardes.
Conquanto
a igreja em Sardes estivesse vivendo de aparência, havia uns poucos que não
haviam contaminado suas vestiduras (Ap 3:4). Enquanto uns já estavam mortos e
outros no centro de terapia intensiva, à beira da morte, alguns ainda se
mantinham íntegros, puros e incontaminados. No meio da igreja há sempre um
remanescente fiel. Esses são os vencedores. São os que “não
contaminaram suas vestes” e com Jesus “andarão
de branco, porquanto são dignos disso” (Ap 3:4). Para esses Jesus Cristo
faz uma promessa: “O que vencer será vestido de
vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e
confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos” (Ap
3:5).
Não
é diferente o estado da igreja hoje. Ao sermos confrontados por aquele que anda
no meio dos candelabros, precisamos também tomar conhecimento de nossa
necessidade imperativa de reavivamento hoje. O primeiro passo para o
reavivamento é ter consciência de que há crentes mortos e outros dormindo, e
todos eles precisam ser despertados.
II.
A IDENTIFICAÇÃO DO MISSIVISTA
Jesus
é o Missivista. Para a igreja de Sardes que tinha a fama de ser uma igreja
viva, mas estava morta, Jesus se revela como “Aquele
que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas” (Ap 3:1). Ou seja,
Ele controla as igrejas e seus mensageiros pelo poder do Espírito Santo. É o
único que pode dar vida a uma igreja morta. Isaias assim descreve a sétupla
ação do Espírito de Deus: “E repousará sobre Ele
o Espírito do Senhor, e o Espírito de sabedoria e de inteligência, e o Espírito
de conselho e de fortaleza, e o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”
(Is 11:2).
Sete
representa a totalidade e a perfeição divina. Diante do trono de Deus, “ardem sete lâmpadas, que são os sete Espíritos de Deus” (Ap
4:5). Os sete olhos do Cordeiro “são os sete
Espíritos de Deus enviados por toda a terra” (Ap 5:6). Deus tudo sabe e
vê tudo. “Seus olhos passam por toda a terra, para
mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com ele...” (2Cr
16:9). Portanto, nada em Sardes seria escondido de Jesus.
1.
“O que tem os sete Espíritos de Deus” (Ap 3:1). Jesus tem e oferece a plenitude do
Espírito Santo à igreja. O problema da igreja de Sardes era morte espiritual;
Cristo é o que tem o Espírito Santo, o único que pode dar vida.
A
igreja precisa passar por um avivamento ou enfrentará um sepultamento. Somente
o sopro do Espírito pode trazer vida para um vale de ossos secos. O profeta Ezequiel fala sobre o vale de ossos secos:
"Filho do homem, esses ossos poderão reviver? Respondi: Senhor Deus, tu
sabes" (Ez 37:3). Uma igreja morta, enferma e sonolenta precisa ser
reavivada pelo Espírito Santo. Só Ele pode dar vida e restaurar a vida. Só o
sopro de Deus pode fazer com que o “vale de ossos secos” se transforme em um
exército. Quando Ele sopra, a igreja morta e moribunda
levanta-se. Quando Ele sopra, nossa adoração formal passa a ter
vida exuberante. Quando Ele sopra, os crentes têm deleite na
oração. Quando Ele sopra, os crentes são tomados por uma alegria
indizível. Quando Ele sopra, os crentes testemunham de Cristo com
poder. Jesus é aquele que tem o Espírito e o derrama sobre sua igreja. É pelo
poder do Espírito que a igreja se levanta da morte, do sono e do mundanismo
para servir a Deus com entusiasmo.
A
Palavra diz que devemos orar no Espírito, pregar no Espírito, adorar no
Espírito, viver no Espírito e andar no Espírito (Gl 5:16). Uma igreja inerte só
pode ser reavivada pelo Espírito Santo. Uma igreja sonolenta só pode ser
despertada por Ele. Uma coisa é possuir o Espírito, outra é ser possuído por
Ele. Uma coisa é ser habitado pelo Espírito, outra é ser cheio do Espírito. Uma
coisa é ter o Espírito residente, outra é ter o Espírito presidente. Oh! que
sejamos crentes cheios do Espírito de Deus!
2.
“O que tem as sete estrelas”. As
“estrelas” são os líderes das igrejas, que estão nas mãos de Jesus. A igreja
pertence a Jesus, Ele é a cabeça da Igreja. Ele controla a igreja, tanto local
quanto universalmente. Tem autoridade e poder para restaurá-la. Ele disse que
as portas do inferno não prevaleceriam contra sua igreja. Somente Ele pode
levantar a igreja das cinzas. Ele tem tudo em suas mãos. Cristo é o dono da
igreja. Tem cuidado dela. Ele a exorta, a consola, a cura e a restaura.
III.
A DOENÇA E A MORTE DE UMA IGREJA
O
problema que existia na igreja em Sardes não era heresia, mas morte espiritual.
Apesar de sua reputação de ser uma cidade muito ativa, Sardes estava infestada
pelo pecado. Suas obras eram más e suas “vestes” estavam contaminadas.
Exteriormente parecia muito boa, mas interiormente era extremamente corrupta.
Nem ela própria tinha consciência de seu estado espiritual.
Não
nos enganemos acerca de Sardes. Ela não é o que o mundo chamaria de igreja
morta. Talvez ela seja considerada viva mesmo pelas igrejas
irmãs. Parecia estar viva, mas, na verdade, estava morta. Tinha um nome
respeitável, mas era só fachada. Todos a reputavam como igreja viva,
florescente; todos, com exceção de Cristo. Quando Jesus examinou a igreja mais
profundamente, disse: "Porque não tenho achado tuas obras perfeitas diante
do meu Deus" (Ap 3:2).
A
fé exercida pela igreja de Sardes era apenas nominal. O seu cristianismo era apenas
nominal. Seus membros pertenciam a Cristo apenas de nome, mas não de coração.
Tinham fama de vivos; mas, na realidade, estavam mortos. Fisicamente vivos,
espiritualmente mortos. Alguém disse que “há igrejas cujos cultos são solenes,
mas são como um caixão florido, lá dentro tem um defunto”.
Conta-se
que certo pastor, ao ver a igreja que pastoreava em um profundo estado de
torpor espiritual, negligenciando a Palavra, desobedecendo aos preceitos de
Deus, chocou a congregação dizendo que, no domingo seguinte, faria a cerimônia
de sepultamento da igreja. Convocou todos os crentes para virem para a
cerimônia fúnebre. No domingo seguinte, até os faltosos estavam presentes. O
pastor começou o culto e, bem defronte do púlpito, estava um caixão. O clima,
de fato, era sombrio. Havia uma tristeza no ambiente. A curiosidade misturada
com temor assaltou a todos. Depois do sermão, o pastor orientou os crentes a
fazer uma fila para ver o defunto que deveria ser enterrado. Cada pessoa que
passava e olhava para dentro do caixão ficava comovida. Algumas pessoas saíram
quebrantadas, em lágrimas. A congregação inteira prorrompeu em copioso choro.
No fundo daquele caixão, não estava um corpo morto, mas um espelho. Cada crente
daquela congregação contemplava seu próprio rosto. Todos entenderam a mensagem.
Eles estavam dormindo o sono da morte e precisavam ser despertados para a vida
em Cristo Jesus.
1.
Fatores que levam à morte espiritual de uma igreja local. O que faz uma igreja morrer? Quais
são os fatores da morte que ameaçam as igrejas ainda hoje? Eis alguns:
a)
Apartar-se da pureza da Palavra de Deus - “Lembra-te,
pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te...” (Ap
3:3). O que é que os
crentes de Sardes ouviram e deviam se lembrar, guardar e se voltar para isso? A
Palavra de Deus! A igreja tinha se apartado da pureza da Palavra. Quando uma
igreja abandona a Palavra de Deus ela fica despojada do antídoto para resistir
a apostasia e a morte espiritual. Temos visto esses sinais de morte em muitas
igrejas na Europa, América do Norte e também no Brasil. Algumas denominações
históricas capitularam-se tanto ao liberalismo como ao misticismo e abandonaram
a sã doutrina. O resultado inevitável foi o esvaziamento dessas igrejas por um
lado ou o seu crescimento numérico por outro, mas um crescimento sem
compromisso com a verdade e com a santidade. Hoje vemos muito ajuntamento e
pouco quebrantamento; muito do homem e pouco de Deus. Muitas igrejas locais,
ditas evangélicas, têm se desviado pelos atalhos da heterodoxia e seguido
doutrinas de homens em vez de firmar-se na Palavra de Deus. Estamos precisando
voltar às Escrituras e obedecer-lhe.
Muitos
têm se iludido achando que Deus se agrada se cumprirmos tão somente os deveres
litúrgicos, ou seja, se rendermos a Deus um culto formal em alguma igreja. Deus
quer de nós, fundamentalmente, sinceridade e obediência à Sua Palavra, pois o
“obedecer é melhor do que o sacrificar” (1Sm 15:22). O culto, a oração, o
louvor, os dons espirituais e o serviço a Deus não têm valor aos seus olhos, se
não forem acompanhados pela obediência explícita a Ele e aos seus padrões de retidão
(cf Is 1:11-20;59:2).
b) Conformar-se
com o mundo. Exorta-nos
o apóstolo Paulo: “Não sede conformados com este
mundo...” (Rm 12:2). "Mundo" aqui não significa o universo, a
Terra e nem mesmo seus habitantes, mas o sistema que impera em nossa sociedade
e que é contrário a Deus. É nesse sentido que o Novo Testamento fala que antes
de nos convertermos nós andávamos "segundo o curso deste mundo", que
"o mundo jaz no maligno" e que o diabo é "o príncipe deste
mundo". Estes versos nos ensinam que quem não segue a Jesus segue o mundo
e seu príncipe e que tudo que ele pensa não está moldado por Deus e Sua Palavra
(Rm 12:12; 1João 2:15-17; Ef 2:2). Por isso é que Paulo nos ensina que quem se
converteu está crucificado para o mundo e mundo para ele. Em outras palavras,
não dá para viver nos dois barcos. Não dá para ser cidadão de dois reinos. No
reino de Deus não é permitida dupla cidadania. A igreja de Pérgamo estava
dividida entre sua fidelidade a Cristo e seu apego ao mundo. A igreja de
Tiatira estava tolerando a imoralidade sexual entre seus membros. Na igreja de
Sardes não havia heresia nem perseguição, mas a maioria dos crentes estava com
suas vestiduras contaminadas pelo pecado. Uma
igreja que flerta com o mundo para amá-lo e conformar-se com ele não permanece.
Seu candeeiro é apagado e removido.
c) Falta de discernimento espiritual. A
morte de uma igreja acontece quando ela não discerne sua decadência espiritual.
A igreja de Sardes olhava-se no espelho e dava nota máxima para si mesma,
dizendo ser uma igreja viva, enquanto aos olhos de Cristo já estava morta. O
pior doente é aquele que não tem consciência de sua enfermidade. Uma igreja
nunca está tão à beira da morte como quando se vangloria diante de Deus pelas
suas pretensas virtudes.
d)
Falta de integridade na Obra de Deus – “Não tenho achado íntegras as
tuas obras na presença do meu Deus” (Ap
3:2b, ARA). O
problema na igreja de Sardes não foi a ausência total de obras, mas a falta de
integridade. Aqueles crentes promoviam seus próprios nomes e não o de Cristo.
Buscavam sua própria glória e não a de Cristo. Honravam a Deus com os lábios,
mas o coração estava longe do Senhor (Is 29:13). Os cultos eram solenes, mas
sem vida, vazios de sentido. A vida de seus membros estava manchada pelo
pecado. Esses crentes eram como os hipócritas: davam esmolas, oravam, jejuavam,
entregavam o dízimo, com o fim da ganhar a reputação de serem bons religiosos.
Eles eram como sepulcros caiados. Ostentavam aparência de piedade, mas negavam
seu poder (2Tm 3:5). Isso é formalidade sem poder, reputação sem realidade,
aparência externa sem integridade interna, demonstração sem vida. Esses crentes
viviam um disfarce da fé, uma religião do faz de conta. Cantavam hinos de
adoração, mas a mente estava longe de Deus. Pregavam com ardor, mas apenas para
exibir sua cultura.
É
possível defender a doutrina de Deus sem amar ao Senhor (Ap 2:2-4); é possível
obedecer a mandamentos de Deus sem inteireza de coração (2Cr 25:2); é possível
fazer coisas certas com motivos errados. Os homens podem ver as obras; Deus vê
os corações, também. Deus quer obediência, integridade, verdade no íntimo.
e)
Falta de Vigilância – “Sê vigilante...” (Ap 3:2). A cidade de Sardes era uma acrópole inexpugnável que
nunca fora conquistada em ataque direto; mas, duas vezes na história da cidade,
ela foi tomada de surpresa por falta de vigilância da parte dos defensores.
Jesus alerta a igreja que se ela não vigiar, se ela não acordar, Ele virá a ela
como o ladrão que chega à noite, inesperadamente.
A
igreja precisa ser vigilante contra as ciladas de Satanás, contra a tentação do
pecado. Os crentes devem fugir de lugares, situações e pessoas que podem ser um
laço para seus pés. Os tempos são maus. As pressões são muitas. Os perigos são
sutis. O diabo não atacou a igreja de Sardes com perseguição nem com heresia,
mas minou a igreja com o mundanismo. Os crentes não estão sendo mortos pela
espada do mundo, mas pela amizade com o mundo. O bom soldado toma a armadura de
Deus e vigia constantemente com perseverança e oração (Ef 6:18; Cl 4:2).
3.
A solução para a igreja em Sardes: o reavivamento. Foi o próprio Jesus quem apontou a
solução: “Lembra-te, pois, do que tens recebido
e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te” (Ap
3:3). O reavivamento é resultado da lembrança dos tempos do primeiro amor
e da volta à Verdade, à Palavra de Deus. Quando uma igreja experimenta um
reavivamento, ela passa a ter fome de Deus e de sua Palavra; Começa a se
dedicar ao estudo das Escrituras; Abandona o descaso e a negligência com a
Palavra; A Palavra torna-se doce como o mel; As antigas veredas se fazem novas
e atraentes; A Palavra torna-se viva, deleitosa, transformadora.
Uma
igreja pode ser reavivada quando ela volta ao passado e lembra os tempos
antigos, de seu fervor, de seu entusiasmo, de sua devoção ao Senhor Jesus.
Assim como a cidade de Sardes olhava para seu passado glorioso, a igreja
precisava lembrar as grandes bênçãos recebidas e voltar
a valorizar a sua comunhão especial com Deus. Se esquecermos da Palavra de
Deus, facilmente cairemos no pecado (veja 2Pedro 1:8-9). Para nos firmar na fé,
temos que lembrar do que temos recebido. Não é por acaso que a Ceia do Senhor
foi dada como a celebração central das reuniões dos cristãos. Quando lembramos
da morte de Jesus, do sacrifício que ele fez por nós, ficamos mais firmes em
nossos passos rumo ao Céu (1Co 11:24-26). Mas não é
suficiente lembrar das coisas que ouvimos; precisamos, também, guardar as
palavras do Senhor. O evangelho não é apenas para ouvir; é para ser obedecido
(2Tess 1:8; 1Pedro 4:17). No caso do povo desobediente de Sardes, teriam de
se arrepender e voltar às boas obras de
obediência.
É
bom ressaltar que avivamento não pode ser confundido com liturgia animada, com
culto festivo, inovações litúrgicas, obras abundantes, dons carismáticos,
milagres extraordinários. Tem, sim, a ver com mudança de caráter, com mudança
de direção, com o guardar os mandamentos do Senhor, com o voltar às boas obras
de obediência.
4.
As bênçãos do reavivamento – “O que vencer será vestido de
vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do Livro da Vida; e
confessarei o seu nome diante do meu Pai e diante dos seus anos” (Ap 3:5).
a)
“Será vestido de vestes brancas”.
A maioria dos crentes de Sardes tinha contaminado suas vestiduras, isto é, eles
tornaram-se impuros pelo pecado. Porém, o vencedor receberia vestes brancas -
símbolo de festa, pureza, felicidade e vitória. Sem santidade, não há salvação.
Sem santificação, ninguém verá a Deus. Sem vida com Deus aqui, não haverá vida
com Deus no Céu. A santidade é garantia de glória no futuro.
b)
“De maneira nenhuma riscarei o seu nome do Livro da Vida”. O "Livro da Vida" é mencionado várias vezes na Bíblia (veja
Ap 3:5; 13:8; 17:8; 20:12,15; 21:27; Fp 4:3). Na cidade iluminada pela glória
de Deus, somente entram aqueles cujos nomes são inscritos no Livro da Vida (Ap
21:27).
Nosso
nome pode constar do registro de uma igreja sem estar no registro de Deus. Ter
apenas a reputação de estar vivo é insuficiente. Importa que nosso nome esteja
no Livro da Vida a fim de que seja proclamado por Cristo no Céu (Mt 10:32).
c)
“Confessarei o seu nome diante do meu Pai e diante dos seus anjos”. A confissão de Cristo a nosso favor e
a concessão da impecabilidade, ou seja, a santidade perpétua, é outra promessa
que está reservada aos fiéis servos de Deus. O vitorioso atingirá um estágio
semelhante ao dos anjos: o estado de impecabilidade, não mais podendo pecar.
Estará totalmente livre do pecado e com seu ingresso eterno na glória divina
garantido e confirmado pelo Cordeiro de Deus que o perdoou e o fez entrar na
cidade pelas portas.
CONCLUSÃO
Não
basta começar bem, é preciso terminar bem. Falhamos, muitas vezes, em passar o
bastão da verdade para a próxima geração. Um recente estudo revela que a
terceira geração de uma igreja já não tem mais o mesmo fervor da primeira
geração. É preciso não apenas começar a carreira, mas terminar a carreira e
guardar a fé! É tempo de pensarmos: “como será nossa igreja nas próximas
gerações?”. “Que tipo de igreja deixaremos para
nossos filhos e netos? Uma igreja viva ou morta?”.
É
bom atentarmos que nem sempre uma grande multidão representa a legítima
expressão de devoção espiritual. Nem toda expressão de entusiasmo religioso é
resultado de avivamento espiritual. Não é suficiente ter o nome no rol de
membros de uma igreja, por mais conceituada e santa que ela seja. Não basta ter
o nome de crente, é preciso ser crente. Não basta aparência de santidade, é
preciso ter santidade. Não basta parecer vivo, é preciso estar vivo. Não basta
parecer salvo, é preciso estar salvo. Não basta ter nosso nome confessado
diante dos homens, precisamos tê-lo confessado diante do Pai. Não basta ser
conhecido na terra, precisamos ser conhecidos no céu. Não basta ter o nome
registrado no rol de membros da igreja, é preciso ter o nome escrito no Livro
da Vida.
Portanto,
devemos olhar para essa carta à igreja de Sardes não como uma relíquia, mas
como um espelho em que vemos a nós mesmos. “Quem
tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2:7,11,17,29; 3:6,13,22; 13:9).


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