ACABE E O DEUS DO PROFETA ELIAS
Texto
Bíblico: 1 Reis 16:29,30; 17:1-7; 18:17-21
“Saberás, pois, que o SENHOR, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que
guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os
seus mandamentos” (Dt.7:9).
V.P.:
“Deus é pai de amor, bondade e misericórdia abundantes, contudo,
todo pecado e desobediência ao Senhor trazem consequências inevitáveis à vida
humana”.
A
relação entre o profeta Elias e o rei Acabe é um dos embates mais dramáticos de
toda a Bíblia. Ela representa o conflito direto entre a fidelidade a Deus e a
apostasia estatal.
Aqui
está um resumo desse cenário inicial em 1ª Reis 16 e o desdobramento imediato:
O
Contexto de Corrupção (1ª Reis 16)
O
capítulo 16 de 1º Reis estabelece o cenário para a entrada de Elias. Acabe
assume o trono de Israel e é descrito como o rei que
"fez o que era mau perante o Senhor, mais do que todos os que foram
antes dele".
Os
pontos cruciais desse período foram:
- Casamento com Jezabel: Acabe
casou-se com a filha do rei dos sidônios, uma adoradora fervorosa de
deuses pagãos.
- Institucionalização da Idolatria: Ele construiu um templo e um altar
para Baal em Samaria e levantou um poste-ídolo (Aserá).
- Abandono da Fé: Sob a
influência de Jezabel, o culto ao Deus de Israel foi substituído pelo
culto à fertilidade e às divindades cananeias.
O Surgimento de Elias
Embora
Elias apareça fisicamente apenas no início do capítulo 17, sua missão é a
resposta direta às abominações listadas no capítulo 16.
Ele
surge como um "contraponto" vivo a Acabe.
|
Personagem |
Papel |
Representação |
|
Acabe |
Rei
de Israel |
O
poder terreno corrompido e a complacência espiritual. |
|
Elias |
Profeta
Tisbita |
A
autoridade divina e o julgamento sobre a idolatria. |
1
Reis 16:
29.E Acabe, filho de Onri, começou a reinar
sobre Israel no ano trigésimo oitavo de Asa, rei de Judá; e reinou acabe, filho
de Onri, sobre Israel em Samaria, vinte e dois anos.
30.E fez acabe, filho de Onri, o que era mal
aos olhos do SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele.
1
Reis 17:
1.Então, Elias, o tisbita, dos moradores de
Gileade, disse a Acabe: Vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou,
que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra.
2.Depois, veio a ele a palavra do SENHOR,
dizendo:
3.Vai-te daqui, e vira-te para o oriente, e
esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão.
4.E há de ser que beberás do ribeiro; e eu
tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem.
5.Foi, pois, e fez conforme a palavra do
SENHOR, porque foi e habitou junto ao ribeiro de Querite, que está diante do
Jordão.
6.E os corvos lhe traziam pão e carne pela
manhã, como também pão e carne à noite; e bebia do ribeiro.
7.E sucedeu que, passados dias, o ribeiro se
secou, porque não tinha havido chuva na terra.
1
Reis 18:
17.E sucedeu que, vendo Acabe a Elias,
disse-lhe Acabe: És tu o perturbador de Israel?
18. - Então, disse ele: Eu não tenho
perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os
mandamentos do SENHOR e seguistes os baalins.
19.Agora, pois, envia, ajunta a mim todo o
Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta profetas de
Baal e os quatrocentos profetas de Asera, que comem da mesa de Jezabel.
20.Então, enviou acabe os mensageiros a todos
os filhos de Israel e ajuntou os profetas no monte Carmelo.
21.Então, Elias se chegou a todo o povo e
disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus,
segui-o; e, se Baal, segui-o. Porém o povo lhe não respondeu nada.
INTRODUÇÃO
Acabe
sucedeu seu pai, Onri, no trono de Israel (1Rs.16:28). Ele reinou sobre Israel
vinte e dois anos (1Rs.16:29). O período do seu reinado é considerado uma das
eras mais sombrias da história do Reino do Norte. O texto de 1Reis
16:30-33 faz um resumo sobre os atos desastrosos desse rei durante o seu
reinado:
“E fez Acabe, filho de Onri, o que era mal aos olhos do Senhor,
mais do que todos os que foram antes dele. E sucedeu que (como se fora coisa
leve andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate), ainda tomou por mulher a
Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e se
encurvou diante dele. E levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara
em Samaria. Também Acabe fez um bosque, de maneira que Acabe fez muito mais
para irritar ao Senhor, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que
foram antes dele”.
Acabe
governou entre os anos de 874 e 853 a.C., e o seu reinado marcou a
conciliação dos elementos do culto cananeu com a adoração a Jeová. Uma
primeira leitura dos capítulos 16:30 a 22:40 do livro de 1Reis, revela que
essa mistura provou ser desastrosa ao povo de Israel. Na prática, o culto
ao Deus verdadeiro foi substituído pela adoração ao deus falso Baal,
trazendo como consequência uma apostasia sem precedentes, pondo em risco
até mesmo a identidade do povo de Deus. Os estudiosos estão de acordo em
dizer que pela primeira vez a verdadeira fé no Deus vivo corria real
perigo. A apostasia, que teve raízes no final do reinado de Salomão, que
cresceu durante o reinado de Jeroboão, e que havia se generalizado
no reinado de Acabe, tornara-se a razão principal do Senhor ter levantado
o profeta Elias, um dos maiores profetas da história bíblica.
Acabe
foi grandemente influenciado por Jezabel, sua malévola esposa, os quais fizeram
de tudo para eliminar a adoração a Deus em Israel. Mas o próprio
Deus, usando o profeta Elias, entrou no conflito e decisivamente derrotou
os deuses pagãos, trazendo o povo de volta à fé verdadeira, e dizer: “Só o
Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!” (1Reis 18:39).
I.
O CASAMENTO DE ACABE COM JEZABEL
1.
Consequências de escolhas erradas
O
Casamento do rei Acabe com Jezabel, filha do rei de Sidom (1Rs.16:31), trouxe
consequências nefastas ao povo do Reino do Norte. Jezabel ocupa o lugar de
esposa mais ímpia na Bíblia. Ela era devota de Baal e Aserá, dois falsos deuses
adorados pelas nações vizinhas de Israel (1Rs.16:31; 18:19). A Bíblia até usa
seu nome como um exemplo das pessoas que rejeitam completamente o Senhor
(Ap.2:20,21).
Muitas
mulheres pagãs casaram-se em Israel sem reconhecer o Deus que seus maridos
adoravam; elas trouxeram consigo as suas religiões. Mas, nenhuma foi tão
determinada quanto Jezabel para fazer com que todo o Israel adorasse os seus
falsos deuses; ela transformou o rei Acabe num adorador de Baal. Esse casamento
levou quase todo o Israel à apostasia, num dos períodos mais críticos da
história de Israel. Esse casamento foi tão nefasto que acabou por levar o rei
de Judá, Josafá, a casar seu filho Jeorão com uma das filhas de Acabe, Atalia
(2Cr.18:1; 2Rs.8:18), casamento este que, além de ter desvirtuado Jeorão,
tornando-o um péssimo rei para Judá (2Cr.21:1,20), também gerou outro rei muito
ruim, Acazias (2Cr.22:2,3), pondo em sério risco a própria descendência de Davi
à frente do povo de Judá, o que significou o próprio risco à ascendência de
Cristo (2Cr.22:10).
Assim
como seu pai, Onri, Acabe se entregou a uma vida pecaminosa e idólatra que,
certamente, ofuscou tudo aquilo que conseguiu realizar. O seu exemplo de
iniquidade teve continuidade na vida de seu filho e filha, que governaram os
dois reinos. A Bíblia diz que “ninguém fora como Acabe, que se vendera para
fazer o que era mau aos olhos do Senhor, porque Jezabel, sua mulher, o
incitava” (1Reis 21:25).
Um
casamento de um crente com um ímpio pode causar muitos males! Os casamentos
mistos trazem a destruição da Igreja, mesmo efeito que tem ocorrido com a
proliferação de divórcios que hoje contagia o povo de Deus. Não há arma mais
eficaz para se retirar a santidade das igrejas locais; não há instrumento mais
poderoso para comprometer o povo de Deus com o pecado e o mundo. Tomemos
cuidado, pois as consequências de escolhas erradas podem trazer sérios danos a
si mesmos e a todos que o cercam!
2.
A rainha perversa
A
história de Jezabel encontra-se em 1Reis 16:31 a 2Reis 9:37. Seu nome é usado
como um simbolismo para a grande iniquidade em Apocalipse 2:20. Ela era uma
mulher muito má e de um feminismo extremada. No reino, seu marido praticamente
nada mandava; era ela que ditava as regras. Não só controlava seu marido,
Acabe, mas tinha também 850 sacerdotes pagãos sob seu controle. Estava
comprometida com seus deuses e a conseguir o que desejava.
Depois
de seu casamento com o rei Acabe, Jezabel surge como o poder por trás do trono.
Sua união representou uma aliança política, na intenção de trazer vantagens
para ambas as nações. Também foi uma oportunidade para ela promover a
propagação da sua religião maligna, tendo como deus principal o ídolo Baal; em
seus cultos era praticado o sexo ritual com muitas prostituas no ambiente de
culto.
Pela
sua influência e de seus ímpios sacerdotes, o povo fora ensinado que os ídolos
que haviam sido erguidos eram divindades que regiam por seu místico poder os
elementos da terra, fogo e água. Todas as dádivas do Céu – os riachos, as
fontes de águas vivas, o suave orvalho, as chuvas que refrigeravam a terra e
faziam que os campos produzissem com abundância – eram atribuídos ao favor de
Baal e Astarote, em vez de tributar ao Doador de toda boa dádiva e todo dom
perfeito. O povo esqueceu-se de que montes e vales, rios e fontes, estão no
controle do Deus vivo, que controla o Sol, as nuvens do céu e todos os poderes
da Natureza.
Jezabel
odiava a religião hebraica monoteísta, e quando ela se tornou rainha, os
israelitas foram impedidos de adorar o Deus Jeová e forçados a adorar os falsos
deuses Baal e Aserá. Como sinal da aversão à religião judaica, ela destruiu os
profetas do Senhor (1Rs.18:4), procurou de forma determinada matar o profeta
Elias (1Rs.19:2), ordenou injustamente a morte de Nabote para satisfazer a
ganância do marido (1Rs.21:10), e ainda praticou a prostituição e a feitiçaria
(2Rs.9:22). Portanto, era uma mulher extremamente perversa.
Porém,
sua perversidade não ficou impune. O profeta Elias predisse que ela não seria
sepultada, mas que os cães a devorariam, pois sua maldade e abominação
contrariaram a justiça divina (1Rs.21:23-27). Antes de morrer, sofreu a perda
do seu marido em combate e seu filho nas mãos de Jeú, que tomou o trono à
força. A morte de Acabe veio comprovar a profecia de Elias (1Reis 21:19) e de
outros profetas (1Reis 20:22,20) – “E, lavando-se o carro no tanque de Samaria,
os cães lamberam o seu sangue” (1Rs.22:38). Jezabel faleceu da mesma maneira
hostil e desdenhosa como viveu. “Deus é misericordioso, mas julga com rigor
aqueles que insistem em permanecer na prática do mal”.
II.
ELIAS PREVÊ A GRANDE SECA
A
idolatria e a insistente desobediência do rei de Israel provocaram, da parte de
Deus, uma grande seca que durou muito tempo (1Rs.17:1). A total falta de
discernimento espiritual para perceber o que Deus estava fazendo através de
Elias, e a impossibilidade de se arrepender, mesmo com todas as evidências de
que ele era o culpado de todos os males que estavam acontecendo (1Rs.18:17,18),
trouxeram consequências ainda mais danosas sobre Israel.
1.
A intervenção divina
Chegou
o momento da intervenção divina. A idolatria, a imoralidade e a injustiça
social foram uma tríade pecaminosa que atraiu a justa ira de Deus. O cálice da
Sua ira foi se enchendo até que os pecados do rei Acabe e de toda a sua casa, e
do povo, atraíram inevitavelmente o juízo divino.
Elias,
profeta do Senhor, foi o homem que Deus usou para falar contra as perversidades
do reinado de Acabe e de sua mulher - a malévola Jezabel. A punição de Deus
sobre as atrocidades desta mulher tinha chegado ao extremo. Ela praticamente
havia eliminado quase todos os profetas; os que ainda restavam, estavam no
ostracismo. O terror foi espalhado sobre o reino. Baal tinha sido decretado
como o deus de Israel. Para Jezabel, a lei era seu desejo, a ordem era seu
pensamento. Mas, a Palavra de Deus veio a Elias para decretar a sentença:
“Então Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a
Acabe: Vive o Senhor Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos
nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra” (1Reis 17:1).
A
ordem de Deus foi imperativa, Elias tinha que chegar até o rei Acabe e dizer as
palavras que o Senhor havia ordenado. Imagine a revolta de Jezabel, por ter
sido desacreditada, pois, quem mandava no reino era ela!
Quando
Deus dá uma ordem aos seus servos, não precisamos se preocupar com o futuro,
pois Ele está no controle de tudo. Começava, assim, a punição de Deus através
da seca; foram três anos e meio sem chover (Tg.5:17). Animais mortos, a
plantação não existia mais, a fome e as doenças proliferavam todo Israel. Nem
mesmo diante de tal situação, Acabe se arrependeu dos seus vis pecados. A
apostasia causa esse tipo de transtorno: a cauterização da mente do ser humano
(Pv.29:1).
2.
O preço da obediência a Deus
Obedecer
de coração a Deus é melhor do que qualquer forma exterior de adoração, serviço
a Deus, ou abnegação pessoal. O culto, a oração, o louvor, os dons espirituais
e o serviço a Deus não têm valor aos seus olhos, se não forem acompanhados pela
obediência explícita e consciente, a Ele e aos seus padrões de retidão. A
obediência é o que Deus requer do ser humano, é a sua única exigência
(Dt.10:12,13). É uma das condições para termos nossas orações respondidas
(1João 3:22). Está escrito que obedecer é melhor do que sacrificar e o atender
é melhor do que a gordura de carneiros (1Sm.15:22).
Porém,
em muitas situações, há um preço a pagar. No caso de Elias, ele teve de
enfrentar a perseguição insistente do rei e de sua mulher, Jezabel, e de seus
asseclas, que o ameaçaram de morte (1Rs.19:2); enfrentou as dificuldades da
falta d’água e de alimento. Muitos profetas contemporâneos de Elias pagaram com
a própria vida por terem sido obedientes e fiéis ao Deus de Israel (1Rs.19:14).
Mas,
Deus cuidou de seu servo em todos os momentos. Ele deu uma ordem explícita a
Elias: “Retira-te daqui, e vai para o oriente, e
esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão. E há de ser
que beberás do ribeiro; e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem.
Partiu, pois, e fez conforme a palavra do Senhor; foi habitar junto ao ribeiro
de Querite, que está ao oriente do Jordão” (1Reis 17:2-5). Ao receber a
ordem de Deus para esconder-se junto ao ribeiro de Querite, Elias não hesitou,
obedeceu-a prontamente.
Contudo,
denunciar o pecado e anunciar o juízo divino não é uma tarefa fácil; o serviço
a Deus traz inevitável aborrecimento do mundo e dos pecadores. Não pensemos nós
que servir ao Senhor é alcançar popularidade, respeito e medo dos ímpios. Não.
Mas bem ao contrário, é acirrar os ânimos das hostes espirituais da maldade
contra nós. Deus mandou que Elias fugisse e fosse até a um ribeiro,
provavelmente situado na região de Gileade, para que ali ficasse protegido e
não sofresse os danos da seca que havia anunciado.
Certamente
não foi fácil para Elias acatar a ordem divina de desafiar o próprio rei, mas,
ao fazê-lo, Deus, que bem sabia os riscos que o profeta passaria a correr,
encarregou-se de providenciar ao profeta proteção e sustento, já que o juízo
divino afetaria a própria subsistência do povo.
Deus
passou a sustentar o profeta junto a um ribeiro, onde havia água necessária à
sua sobrevivência; ali, passou a ser alimentado por corvos, que lhe traziam pão
e carne pela manhã e pela noite (1Rs.17:6). Como diz o apóstolo Paulo, “…Deus
escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias, e Deus escolheu
as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes, e Deus escolheu as
coisas vis deste mundo e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as
que são: para que nenhuma carne se glorie perante Ele” (1Co.1:27-29).
Como
poderia Elias ser alimentado por corvos, animais que se alimentam daquilo que estão
apodrecendo, daquilo que está se desfazendo, e num momento em que passou a
haver escassez de alimentos? Como ser alimentado por um animal tão asqueroso,
tão repugnante? Entretanto, como disse o Senhor, Ele havia dado uma ordem aos
corvos para alimentar o profeta e, ante a ordem divina, não há como haver
recusa. Elias, toda manhã e toda noite, era servido pelos corvos, que,
pontualmente, cumpriam a ordem do Senhor. Deus, assim, mostrava ao profeta,
duas vezes ao dia, que Ele estava no controle de todas as coisas, e que toda a
natureza estava sob as Suas ordens.
Quando
estamos abrigados em Deus, podem vir as maiores pestes, fome, doenças etc.,
pois Deus é quem nos sustenta. Hoje passamos por momentos difíceis, salário
baixo, desemprego, assistência médica sendo insuficiente, educação deficitária,
isolamento social etc. O mundo atravessa maus momentos, mas assim como Deus
sustentou e protegeu Elias, Ele também pode nos sustentar, desde que sejamos
obedientes à Sua Palavra.
A
desobediência foi sempre a razão do fracasso de todos quantos decidiram servir
a Deus (Dt.8:20; Dn.9:11; Atos 7:39). O pecado é desobediência e a
desobediência gera a indignação e a ira divinas (Rm.2:8). Aos desobedientes é
negado o repouso divino (Hb.3:18), bem como reservado um triste fim (1Pd.4:17).
É válido ressaltar que obedecer é um princípio fundamental da vida cristã.
Lembremo-nos de que Jesus foi obediente até a morte, pelo que Deus, o Pai, o
exaltou soberanamente (Fp.2:5-8).
3.
Deus sempre cuida dos seus filhos
Apesar
das dificuldades pelas quais passou o profeta, a bondade e o cuidado de Deus o
acompanharam, pois foi alimentado com pão e carne duas vezes ao dia (1Rs.17:6).
E, quando a água do ribeiro de Querite secou, Deus deu novamente uma ordem ao
profeta para ir até a cidade de Zarefate, que pertencia a Sidom, pois ali o
Senhor havia ordenado a uma viúva que sustentasse o profeta (1Rs.17:9). Vemos,
aqui, que Deus, depois de mostrar que tinha controle sobre a natureza, estava
agora a mostrar ao profeta que também era o controlador da humanidade e das
estruturas sociais.
Ao
mandar que Elias fosse para Zarefate, uma cidade sob o domínio de Sidom, o
Senhor dava mais uma demonstração de sua superioridade em relação a Baal. Ora,
Sidom era, precisamente, o reino que cultuava a Baal. Jezabel era filha do rei
de Sidom e, portanto, Deus iria providenciar, nas próprias terras dedicadas a
Baal, a sobrevivência do seu profeta. Deus mostrava que tinha domínio sobre
todas as estruturas políticas do mundo, passando a sustentar
o seu profeta na “terra do inimigo”. Por isso, não devemos temer “as
investidas do vil tentador”, porque, mesmo neste mundo que repousa no colo do
diabo, quem tem o controle da situação é o nosso Deus. Aleluia!
Ao
chegar naquele lugar, o profeta encontrou a viúva apanhando lenha, e pediu-lhe
que trouxesse um vaso com pouco d’água para que bebesse e, depois, lhe pediu um
bocado de pão. Ante a afirmativa da mulher de que não tinha senão o suficiente
para uma última refeição, o profeta mandou-lhe que, primeiro, fizesse um bolo
pequeno para ele e, depois, então, preparasse alimento para ela e para seu
filho, pois, enquanto houvesse seca, haveria alimento para eles (1Rs.17:14,15).
Elias já sabia que Deus garantiria a sua sobrevivência, e se havia ordenado que
aquela viúva lhe sustentasse, esta garantia se estendia também a casa dela.
Foi
nesse lugar, na casa dessa viúva, que aconteceu o primeiro caso de
“ressurreição de mortos” registrado nas Escrituras Sagradas, e teve como
objetivo a glorificação do nome do Senhor e a demonstração de que Ele é o
verdadeiro Deus, e não Baal, que, como considerado deus da saúde, não tinha
podido impedir o filho da viúva de adoecer, nem tampouco pôde restituir a vida
ao moço, algo que também era atribuído a Baal, que dizia ser o responsável pelo
“renascimento” da natureza após o inverno, após uma luta em que sempre
conseguia vencer o “deus da morte”. Vemos, assim, que a experiência inédita de Elias tinha como propósito a exaltação do nome do Senhor
e a consolidação da necessária experiência pessoal que Elias tinha de ter com
Deus, para ter plena certeza de que “Javé é Deus”.
III.
O ENCONTRO DE ELIAS COM ACABE
1.
Um coração endurecido
Decorridos
mais de três anos, Elias recebera uma nova ordem do Senhor: teria de comparecer
novamente perante o rei Acabe. Então, resignado, lá estava o servo do Senhor
obedecendo-lhe (1Rs.18:1,2). Foi nessa ocasião que ocorreu o grande desafio
entre Elias e os profetas de Baal (1Rs.18:19). O encontro entre Elias e Acabe
bem mostra como não há comunhão entre a luz e as trevas (2Co.6:14).
Elias
havia profetizado e a profecia se cumpriu integralmente, o que mostrava ser ele
um profeta que vinha da parte de Deus (Dt.18:21,22). Deveria, pois, o rei Acabe
respeitá-lo, considerá-lo. Mas, a total falta de discernimento espiritual para
perceber o que Deus estava fazendo através Elias, e a impossibilidade de se
arrepender, mesmo com todas as evidências de que ele era o culpado de todos os
males que estavam acontecendo (1Rs.18:17,18), com consequências graves sobre a
nação, não trouxeram arrependimento ao rei Acabe. Pelo contrário, ao se
encontrar com Elias, o rei o chamou de “o
perturbador de Israel” (1Rs.18:17).
O seu coração estava tão endurecido em razão da recorrência do pecado, que não
havia mais jeito de ele voltar atrás e rever seu deplorável estado espiritual.
Sem
temer por sua própria vida, Elias respondeu ao rei num tom condenatório;
culpou-o pelo sincretismo do culto a Jeová e a Baal, e o desafiou a reunir os
profetas idólatras para um confronto no monte Carmelo, a fim de determinar quem
era o Deus verdadeiro (cf. 1Reis 18:16-19) - “Eu
não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os
mandamentos do Senhor e seguistes os baalins. Agora, pois, envia, ajunta a mim
todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta
profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Aserá, que comem da mesa de
Jezabel” (1Reis 18:18,19). Mesmo vendo bem de perto Deus operar de forma
extraordinária, o rei Acabe não se arrependeu da sua idolatria; o seu coração
estava inflexível. Os apóstatas são assim mesmo!
2.
A sequidão espiritual do rei
A
seca espiritual sobrevém sobre uma pessoa quando ela atinge o ápice da falta de
comunhão com Deus. Foi o que ocorreu com o rei Acabe; ele apostatou-se,
abandonou o Deus de Israel e os seus mandamentos de modo precipitado e
consciente. Um apóstata dificilmente se volta novamente para Deus, sua mente
está cauterizada (Pv.29:1). O escritor aos Hebreus faz um relato sobre isto: “Porque é impossível que os que já uma vez foram
iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito
Santo, e provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro, e
recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento...” (Hb.6:4-6).
O
pior de tudo é que, no caso do rei Acabe, sua apostasia levou também o povo de
Israel à sequidão material e espiritual (1Rs.17:1). Por causa dessa situação,
Deus impediu que chovesse durante três anos e meio (Tg.5:17) nas terras de
Israel e vizinhanças. Muito antes, Deus tinha advertido sobre este tipo de
juízo, caso o povo se desviasse de Deus (cf. Dt.11:13-17). Esse juízo humilhou
o deus falso Baal, pois seus adoradores criam que ele controlava a chuva e que
era responsável pela abundância nas colheitas. A verdade é inconteste: “Só o Senhor é Deus, só o Senhor é Deus”.
CONCLUSÃO
No
reinado de Acabe, o culto a Baal substituiu o verdadeiro culto a Deus.
Havia uma idolatria institucionalizada e financiada pelo poder estatal.
Desde a sua criação como nação eleita, Israel foi identificado como povo
de Deus (Ex.19:5). A identidade dessa nação como povo escolhido é algo bem
definido nas Escrituras Sagradas. Todavia, nos dias do rei Acabe o povo
estava dividido. As palavras de Elias: “até quando coxeareis entre dois
pensamentos?” (1Rs.18:21), revela a crise de identidade dos israelitas do Reino
do Norte. A adoração a Baal havia sido fomentada com tanta força pela casa
real que o povo estava totalmente dividido em sua adoração. Quem deveria
ser adorado, Baal ou o Senhor? Sabemos pelo relato bíblico que Deus havia
preservado alguns verdadeiros adoradores, mas a grande massa estava
totalmente propensa à falsa adoração. A nação que sempre fora identificada pelo
nome do Deus a quem servia, estava agora perdendo essa identidade.
A
fim de que a nação não viesse a perder de vez a sua identidade espiritual
e até mesmo deixar de ser vista como povo de Deus, o Senhor enviou o seu
mensageiro para trazer um tratamento de choque à nação. Sem dúvida, Elias
se distinguia dos falsos profetas, porque enquanto estes prediziam o que o
povo gostaria de ouvir, aquele anunciava o que estava na mente de Deus. E
hoje, que tipo de profecia estamos ouvindo?
Parece que os “profetas” de hoje se renderam à inspiração triunfalista,
pois somente “profetizam” o que é bom. Um verdadeiro profeta de Deus não
se rende aos apelos da cultura que o cerca!

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