A SABEDORIA DE SALOMÃO.
1. A Origem da Sabedoria (O Pedido)
Diferente
de muitos líderes que buscam poder ou riqueza, o reinado de Salomão começou com
um ato de humildade.
- Texto Bíblico: 1 Reis 3:5-15
- O Contexto: Deus aparece a Salomão em sonhos e diz: "Pede o que queres que eu te
dê".
- A
Atitude: Salomão
reconhece sua pequenez, chamando a si mesmo de "criança" (v. 7).
Ele pede um "coração compreensivo" (ou um coração que ouve) para
julgar o povo e discernir entre o bem e o mal.
- A
Lição: A sabedoria
começa com a consciência de que precisamos de Deus. O resultado do pedido
agradou tanto ao Senhor que Ele lhe deu também o que ele não pediu:
riquezas e glória.
2. A Sabedoria em Ação (O Julgamento das Duas Mães)
A
sabedoria bíblica não é teórica; ela é prática e perspicaz.
- Texto Bíblico: 1 Reis 3:16-28
- O
Caso: Duas mulheres
reivindicam a maternidade do mesmo bebê. Não havia testes de DNA ou
testemunhas.
- A
Solução: Salomão usa
a psicologia humana e a natureza do amor sacrificial para revelar a
verdadeira mãe.
- Conclusão: "Todo o Israel ouviu a
sentença... e temeram ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de
Deus para fazer justiça" (v. 28).
3. A Produção Intelectual e Literária
A
sabedoria de Salomão se estendeu à ciência, botânica, zoologia e literatura.
Ele foi um polímata da antiguidade.
- Estatísticas
de sua obra (1 Reis 4:32-34):
- 3.000
provérbios.
- 1.005
cânticos.
- Conhecimento
profundo sobre árvores (desde o cedro ao hissopo) e animais.
- Livros
Atribuídos:
- Provérbios: A
sabedoria para o dia a dia, ética e conduta.
- Eclesiastes: A
sabedoria filosófica sobre o sentido da vida.
- Cantares: A
sabedoria sobre o amor e o relacionamento.
4. O Pilar Teológico: O Temor do Senhor
O
conceito central da sabedoria salomônica está resumido em uma frase que aparece
em quase todos os seus escritos:
"O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o
conhecimento do Santo é a prudência." (Provérbios 9:10)
Neste
contexto,
"temor" não significa medo pavoroso, mas reverência profunda e o
reconhecimento da autoridade de Deus sobre todas as coisas. Sem esse
fundamento, a inteligência humana torna-se orgulho.
A
história de Salomão também serve como um alerta. Ele teve sabedoria para
governar um país, mas, no fim da vida, falhou em governar a si mesmo.
- O
Erro: Casou-se com
muitas mulheres estrangeiras que desviaram seu coração para a idolatria (1
Reis 11).
- A
Reflexão de Eclesiastes:
Muitos estudiosos creem que Eclesiastes foi escrito por um Salomão
envelhecido e arrependido, concluindo que tudo "debaixo do sol"
é vaidade se não estiver focado no Criador.
- O
Veredito Final: "De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a
Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo
homem" (Eclesiastes 12:13).
Tabela Comparativa: Sabedoria Humana vs. Sabedoria de Deus
|
Característica |
Sabedoria Humana |
Sabedoria de Salomão (Divina) |
|
Fonte |
Experiência
e intelecto |
Revelação
e Temor do Senhor |
|
Foco |
Sucesso
e autossuficiência |
Justiça
e discernimento moral |
|
Resultado |
Orgulho
ou cansaço |
Paz
e edificação do povo |
Perguntas para Reflexão:
- Se Deus
lhe fizesse a mesma pergunta que fez a Salomão hoje, o que você pediria?
- Como você
pode aplicar o "temor do Senhor" em uma decisão difícil que
precisa tomar esta semana?
- Salomão
sabia muito, mas falhou na prática no fim da vida. Como podemos manter a
sabedoria viva e ativa ao longo dos anos?
Texto
Bíblico: 1Reis 4:29-34; 6:1,11-14
“E não podiam ter-se em pé os sacerdotes para ministrar, por
causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a Casa do Senhor” (1Rs.8:11).
1
Reis 4:
29.E
deu Deus a Salomão sabedoria, e muitíssimo entendimento, e largueza de coração,
como a areia que está na praia do mar.
30.E
era a sabedoria de Salomão Maior do que a sabedoria de todos os do Oriente e do
que toda a sabedoria dos egípcios.
31.E
era ele ainda mais sábio do que todos os homens, e do que Etã, ezraíta, e do
que Hemã, e Calcol, e Darda, filhos de Maol; e correu o seu nome por todas as
nações em redor.
32.E
disse três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco.
33.Também
falou das árvores, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que nasce na
parede; também falou dos animais, e das aves, e dos répteis, e dos peixes.
34.E
vinham de todos os povos a ouvir a sabedoria de Salomão e de todos os reis da
terra que tinham ouvido da sua sabedoria.
1
Reis 6:
1.E
sucedeu que, no ano quatrocentos e oitenta, depois de saírem os filhos de
Israel do Egito, no ano quarto do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de
zive (este é o mês segundo), Salomão começou a edificar a Casa do Senhor.
11.Então,
veio a palavra do Senhor a Salomão, dizendo:
12.Quanto
a esta casa que tu edificas, se andares nos meus estatutos, e fizeres os meus
juízos, e guardares todos os meus mandamentos, andando neles, confirmarei para
contigo a minha palavra, a qual falei a Davi, teu pai;
13.e
habitarei no meio dos filhos de Israel e não desampararei o meu povo de Israel.
14.Assim
edificou Salomão aquela casa e a aperfeiçoou.
INTRODUÇÃO
Neste
Estudo “Ascensão de Salomão e a Construção do Templo”. Davi,
o homem segundo o coração de Deus, envelheceu, e como nessa vida tudo é
passageiro, chegou o momento de apresentar à nação o seu sucessor. Deus tinha
avisado a Davi que Salomão lhe sucederia no trono, à revelia de muitos, como,
por exemplo, de Adonias (o filho de Davi), de Joabe (comandante do exército),
de Abiatar (um dos principais conselheiros de Davi) e de vários outros. Não
sabemos se essa era a vontade de Davi, mas teve que cumprir a vontade do
Senhor. O reino de Israel pertencia ao Senhor, não a Davi ou a qualquer outro.
Por essa razão, o rei de Israel era um representante de Deus, que tinha como
tarefa realizar a sua vontade para com a nação. Deste modo, Deus pôde escolher
a pessoa que Ele mesmo quis estabelecer como rei, sem seguir as linhas
habituais de sucessão. Davi não era herdeiro de Saul, e Salomão não era o filho
mais velho de Davi. Mas isso não importava porque foram escolhidos por Deus.
Portanto, Salomão não chegou ao trono por uma simples indicação de Davi, mas
por uma escolha divina (cf. 1Cr.22.9); e mesmo antes de apresentá-lo ao povo,
Davi já sabia dessa revelação divina.
Salomão
foi escolhido por Deus para reinar sobre o povo de Israel, mas isto não
significava que ele seria um homem impecável; geralmente, Deus não intervém no
livre-arbítrio do ser humano. Infelizmente, no final de sua vida ele se deixou
levar por interesses políticos e desejos pecaminosos, que trouxeram grandes
prejuízos à nação de Israel, com sequelas quase infindas. A tragédia da vida de
Salomão não foi uma catástrofe pessoal repentina, mas a diminuição gradual de
sua completa devoção a Deus. Isto está relacionado com os interesses das suas
“muitas esposas”, que no final resultaram em sua própria adoração idolátrica.
Ele trilhou o repetido caminho para longe de Deus; o conhecimento do coração
tornou-se somente um entendimento da mente; e o conhecimento da mente, no
final, deu lugar à apostasia total. Tudo indica que no ocaso de sua vida,
Salomão voltou-se novamente para Deus, e deu um conselho que ecoa até hoje: “De
tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos;
porque este é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda obra
e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” (Ec.12:13,14).
I. A SABEDORIA DE SALOMÃO
Qual
a diferença entre inteligência e sabedoria? Inteligência é a
habilidade de manejar conhecimento e aplicá-lo; sabedoria é o uso
correto do conhecimento. Enquanto o conhecimento representa as nossas
experiências e aprendizagens adquiridas do mundo exterior, a sabedoria,
especialmente a proveniente de Deus, nos dá a condição de transformarmos estes
conhecimentos em prática de vida, a fim de mantermos o equilíbrio, a coesão e a
justiça.
Ao
longo dos séculos, várias histórias lendárias sobre a vida de Salomão foram
surgindo e sendo contadas pelo povo através das gerações. De todas elas, uma
das mais conhecidas é a que narra como o sábio rei que julgou a disputa de uma
criança por duas mulheres que afirmavam cada uma ser a sua verdadeira mãe. Ele
ordenou que a criança fosse partida ao meio e cada metade fosse entregue a cada
uma das mulheres. Ao ouvir isso, a verdadeira mãe gritou desesperada que ele
não partisse a criança, mas que a entregasse à outra mulher. Dessa forma, a
verdadeira mãe foi identificada, pois somente esta seria capaz de ver seu filho
entregue a outra pessoa, vivo, do que vê-lo morto.
1.
A virtude de Salomão
Acredito
que a maior virtude de um homem, líder do povo de Deus, é a sabedoria e o temor
a Deus. A Bíblia diz que Salomão amava ao Senhor (1Rs.3:3). Animado pelo
sincero desejo de agradar ao Senhor, Salomão ofereceu mil holocaustos
(1Rs.3:4), em Gibeão, onde ficava o Tabernáculo (1Cr.21:20). Isso ocorreu no
início do seu reinado. Nesse local, o Senhor apareceu a Salomão de noite em
sonhos e disse-lhe: “Pede o que quiseres que te dê “(1Reis 3:5). “E disse
Salomão: De grande beneficência usaste tu com teu servo Davi, meu pai, como
também ele andou contigo em verdade, e em justiça, e em retidão de coração,
perante a tua face; e guardaste-lhe esta grande beneficência e lhe deste um
filho que se assentasse no seu trono, como se vê neste dia. Agora, pois, ó Senhor,
meu Deus, tu fizeste reinar teu servo em lugar de Davi, meu pai; e sou ainda
menino pequeno, nem sei como sair, nem como entrar. E teu servo está no meio do
teu povo que elegeste, povo grande, que nem se pode contar, nem numerar, pela
sua multidão. A teu servo, pois, dá um coração entendido para julgar a teu
povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; por que quem poderia
julgar a este teu tão grande povo?” (1Reis 3:6-9).
Salomão,
portanto, pediu o Dom da Sabedoria. Ele poderia ter pedido riquezas das
entranhas da terra, se fosse ganancioso; ele poderia ter pedido glórias acima
de todos os reis circunvizinhos, se fosse garboso; ele poderia ter pedido
muitos anos de vida, se fosse vaidoso; ele poderia ter pedido a morte dos
inimigos do seu povo, se fosse vingativo. Mas, ele pediu sabedoria para
governar bem o povo de Deus; ele pediu a coisa certa, pois sem o Dom da
sabedoria divina, se tornaria muito difícil governar o povo de Deus com
equidade.
Com
esse pedido, Salomão demonstrou reconhecer três verdades importantíssimas: (a)
que ele era humanamente incapaz de governar Israel; (b) que seu sucesso
dependia única e exclusivamente do favor de Deus; e (c) que o povo de Israel
não era propriedade sua, e sim do próprio Deus.
Ser
piedoso, ser integro, ser temente a Deus e ser sábio, são as grandes virtudes
de um líder governante do povo de Deus.
2.
O sábio pede sabedoria
Como
se percebe em 1Reis 3:6-9, as palavras do rei pedindo sabedoria para governar o
povo de Deus, agradaram ao Senhor, que, além de atender ao pedido, também lhe
concedeu riquezas, glória e uma vida longa; porém, Deus impôs uma condição: que
Salomão andasse em obediência a Ele e guardasse os seus mandamentos (1Rs.3:14).
A
resposta de Salomão ao Senhor foi excepcional e exemplar pelo seu apreço por
aquilo que Deus havia feito (1Rs.3:6), por sua humildade (1Rs.3:7), por seu
senso de responsabilidade (1Rs.3:8), e por sua preocupação em ter o
entendimento e o discernimento apropriados para liderar o povo de Deus
(1Rs.3:9).
A
sábia escolha do jovem Salomão, que escolheu Sabedoria, agradou muito ao
Senhor, e Ele atendeu o jovem rei prontamente (1Rs.3:11,12) - “E disse-lhe
Deus: Porquanto pediste esta coisa e não pediste para ti riquezas, nem pediste
a vida de teus inimigos, mas pediste para ti entendimento, para ouvir causas de
juízo; eis que fiz segundo as tuas palavras, eis que te dei um coração tão
sábio e entendido, que antes de ti teu igual não houve, e depois de ti teu
igual se não levantará”.
Nos
dias de hoje, Deus oferece, a todos que desejarem, a dádiva suprema - o Senhor
Jesus Cristo - “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão
ocultos” (Cl.2:3).
3.
A sabedoria na prática de vida
Tiago
escreveu em sua epístola que existe uma falsa sabedoria que se evidencia pela
inveja e sentimento faccioso. Essa sabedoria não vem de Deus, mas é terrena,
animal e diabólica (Tg.3.15).
Em
primeiro lugar, essa falsa sabedoria se manifesta por meio de uma inveja
amargurada (Tg.3:14,16). Isso está ligado à cobiça de posição e status. A
sabedoria do mundo diz: promova a você mesmo; você é melhor do que os outros.
Os discípulos de Cristo discutiam quem era o maior entre eles. Os fariseus
usavam suas atividades religiosas para se promoverem diante dos homens
(Mt.6:1-18). A sabedoria do mundo exalta o homem e rouba a Deus da Sua glória
(1Co.1:27-31). O invejoso, em vez de alegrar-se com o triunfo do outro,
alegra-se com seu fracasso. Ele não apenas deseja ter o que o outro tem, mas
tem tristeza porque não tem o que é do outro. O invejoso é alguém que tem uma
super preocupação com sua posição, dignidade e direitos.
Em
segundo lugar, a falsa sabedoria manifesta-se através de um sentimento faccioso
(Tg.3:14b,26b). Sentimento faccioso subentende a inclinação por usar meios
indignos e divisórios para promover os próprios interesses. Paulo alertou em
Filipenses 2:3 sobre o perigo de estarmos envolvidos na obra de Deus com
motivações erradas, com vanglória e partidarismo.
A verdadeira sabedoria vem de Deus, do alto, visto que ela é
fruto de oração (Tg.1:5), ela
é dom de Deus (Tg.1:17). Essa sabedoria está em Cristo; Ele é a sabedoria que
desejamos (1Co.1:30). Em Jesus nós temos todos os tesouros da sabedoria
(Cl.2:3). Essa sabedoria está na Palavra de Deus, visto que ela nos torna
sábios para a salvação (2Tm.3:15). Ela nos é dada como resposta de oração
(Ef.1:17; Tg.1:5). Portanto, se alguém não tem a verdadeira sabedoria, peça-a a
Deus, que a todos dá liberalmente (Tg.1:5).
Tiago elenca vários atributos da verdadeira sabedoria que vem do
alto (extraído do livro Tiago,
de Hernandes Dias Lopes):
a)
mansidão (Tg.3:13). Mansidão
não é fraqueza, mas poder sob controle. É o uso coreto do poder, assim como
sabedoria é o uso correto do conhecimento.
b)
pureza (Tg.3:17). A
sabedoria de Deus é incontaminada, sem qualquer defeito moral e sem motivos
ulteriores. Ela é livre de ambição humana e da autoglorificação. A sabedoria de
Deus nos conduz à pureza de vida. A sabedoria do homem conduz à amizade com o
mundo.
c)
paz (Tg.3:17). A
sabedoria divina não é contenciosa nem facciosa e nem beligerante. A sabedoria
do homem leva à competição, rivalidade e guerra (Tg.4:1,2), mas a sabedoria de
Deus conduz à paz. Essa é a paz produzida pela santidade e não pela
complacência ao erro. Não se trata da paz que envolve o pecado, mas da paz
fruto da confissão do pecado.
d)
Indulgência (Tg.3:17). Essa
característica da sabedoria do alto trata da atitude de não criar conflitos nem
comprometer a verdade para manter a paz. É ser gentil sem ser fraco.
e)
tratável (Tg.3:17). Essa
sabedoria é aberta à razão; é ser uma pessoa comunicável, de fácil acesso.
Jesus era assim: as crianças, os leprosos, os doentes, as mulheres, os
publicanos, as prostitutas, os doutores, todos eles tinham livre acesso a Ele.
f)
bons frutos (Tg.3:17). As
pessoas sábias são frutíferas. Quem não produz frutos, produz galhos. A
sabedoria de Deus é prática. Ela muda a vida e produz bons frutos para a glória
de Deus.
g)
imparcial (Tg.3:17). Significa
uma pessoa que não tem duas mentes, duas almas (Tg.1:6). Quando a pessoa tem a
sabedoria de Deus, ela julga conforme a verdade e não conforme a pressão ou
conveniência.
h)
sincero, sem hipocrisia
(Tg.3:17). O hipócrita é um ator que representa um papel diferente ao da
sua vida real. Na sabedoria divina não existe jogo de interesse nem política de
bastidor. O sábio não opera por detrás de uma máscara, supostamente para o bem
de outros, mas visando seus próprios interesses; ele opera, sim, de forma
transparente e sincero.
II.
A CONSOLIDAÇÃO DO PODER
Salomão se tornou conhecido por sua sabedoria, bem como por ter tido um reinado longo, pacífico e próspero.
1.
A glória do reino de Salomão
A
glória do reino de Salomão foi uma promessa de Deus, resultado da sábia escolha
que fizera no início do seu governo (1Rs.3:9), e que pareceu boa aos olhos do
Senhor (1Reis 3:10). Durante o reinado de Salomão, a riqueza e o poder de
Israel foram incomparáveis. Deus tinha prometido isso a Salomão (cf.
1Rs.3:13,14). Os quarenta anos do seu reinado foram de glória crescente para
Israel. Vejamos algumas das principais características desse período:
· Consolidação
da paz, pela ostentação de poderio militar. O seu reinado não apenas se tornou amplo em termos
territoriais, mas foi firmado e estabelecido em paz e justiça (1Rs.4:24).
Durante o período do seu reinado, nenhuma nação poderosa atacou o povo de Deus.
· Condições
econômicas sem paralelo em toda a história de Israel. A nação de Israel tinha tanta fartura e
vivia em tão boas condições que podia até festejar e se alegrar (1Rs.4:20).
· Construção
e dedicação do Templo idealizado por Davi, em Jerusalém. Sem dúvida, esta foi a maior obra realizada,
ainda com reflexos atualmente.
Além
do Templo, Salomão executou várias outras obras, como o palácio real e suas
dependências e ainda fortificou as muralhas de Jerusalém e ergueu torres de
vigia em diversos pontos. Todas essas obras demandaram elevados recursos, os
quais, mais tarde, iriam refletir em impostos para o povo.
Outro
ponto marcante de seu reinado foi a expansão comercial que trouxe abundantes
riquezas. O comércio foi impulsionado, sendo que os israelitas estabeleceram
laços comerciais com diversos povos vizinhos. No Golfo de Ácaba, ele mantinha
uma frota de navios comerciais muito bem equipada. Conforme narra as
Escrituras, os cedros utilizados na construção do Templo foram importados do
Líbano.
Apesar
de seu reinado ter sido pacífico, ele manteve seus exércitos bem equipados,
principalmente com carros e cavalos de guerra. Ao contrário de seu pai, Salomão
não foi e nem precisou ser um grande líder guerreiro. A extensão territorial
herdada de Davi foi mantida durante seu reinado. Assim, ele se dedicou a
desenvolver as atividades comerciais e também industriais, e melhorou o sistema
administrativo, bem como estabeleceu e fortaleceu as relações diplomáticas com
os povos vizinhos. Foi uma dessas alianças políticas que o levou a se casar com
a filha de Faraó.
No
Livro de Reis é mencionado que ele possuía setecentas mulheres e trezentas
concubinas. Naqueles tempos antigos, e ainda mais no oriente, isso era
considerado normal e aceito por todos. Por outro lado, de tempos em tempos
surgia algum profeta contrário a essas práticas e as condenavam veementemente.
E foi esses excessos que conduziram o rei a práticas de idolatria. Por causa
disso, já no fim de sua vida, Deus falou-lhe que seu reino seria dividido. E
assim aconteceu.
2.
O orgulho precede a ruína
O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa diz que a palavra
“orgulho”, entre outros significados, quer dizer “sentimento egoísta, admiração
pelo próprio mérito, excesso de amor-próprio, atitude prepotente ou de desprezo
com relação aos outros”. O próprio Salomão disse que o orgulho precede a ruína (Pv.16:18). Infelizmente, ele caiu nesta
armadilha.
O
orgulho é um pecado que atua com força demolidora no coração humano. O
orgulhoso julga-se grande e maior do que todos. Isso atenta contra Deus, pois
só Ele é grande e glorioso. No princípio, quando o homem aceitou a proposta
satânica de “ser igual a Deus”, estava se voltando para si mesmo, entendendo
que poderia construir uma vida em que ele próprio fosse o centro e a razão de
ser de tudo, em que se achava merecedor de ser o centro e o motivo da
existência de todas as coisas, em que desprezava completamente a pessoa de Deus
e tudo que o Senhor lhe havia feito até ali.
Salomão caiu na desgraça do ensoberbecimento. Por causa de seus relacionamentos e concessões
realizadas com os reis ímpios circunvizinhos, Salomão, na sua velhice.11:4-6),
se desviou dos caminhos do Senhor, deixou que o orgulho contaminasse sua
índole. Deus estabeleceu uma condição a Salomão: “E,
se andares nos meus caminhos guardando os meus estatutos e os meus mandamentos,
como andou Davi, teu pai, também prolongarei os teus dias” (1Reis 3:14).
Infelizmente, a grandeza do poder de Salomão fez com que ele se tornasse um rei
orgulhoso, imoral e idólatra, quebrando assim o mandamento do Senhor. Isto o
levou a ruína. A idolatria selou a queda de Salomão. Sem dúvida, a infidelidade
de Salomão comprometeria não somente seu reino, mas tudo o que antes havia sido
prometido ao povo de Deus, como descrito em Deuteronômio 11:16.
Como
foi possível Salomão se desviar dos caminhos do Senhor depois de tudo quanto
recebera dele? O relato do esplendor do reino de Salomão em 1Reis 10:14-29 é
uma sugestão do que pode ter acontecido: rodeado de tamanha riqueza, seu
coração esfriou-se para com Deus. Tudo o que antes era usado para louvor ao
Senhor tornou-se um fim em si mesmo. No capítulo 11 de 1Reis vemos claramente
os resultados de sua infidelidade.
Tanto
sua ascensão como sua queda foram inigualáveis na história do povo de Deus:
nenhum rei excedeu Salomão em sua ascensão, e nenhum veio a precipitar-se de
tão alto como ele. A principal consequência do seu pecado foi a divisão do
Reino de Israel, ocorrido no reinado do seu filho Roboão. Essa divisão foi
catastrófica para o sucessor de Salomão e para o povo de Israel.
III.
A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO
Salomão
iniciou a construção do Templo de Jerusalém no ano quatrocentos e oitenta
depois da saída do povo do Egito, no quarto ano do seu reinado, no mês
segundo (1Rs.6:1), tendo concluído a obra em sete anos e seis meses
(1Rs.6:38), mais precisamente no ano undécimo do seu reinado, no mês oitavo.
O
Templo de Salomão foi considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, e
sua beleza foi notória a todos os povos daquela época, numa clara demonstração
de que era, efetivamente, segundo o propósito de Deus, uma referência do Deus
único e verdadeiro a todas as nações.
Elaborado
com o melhor material de construção da época e com incontáveis
tesouros, seguia, basicamente, a mesma estrutura estabelecida por Deus a
Moisés para o Tabernáculo. Na verdade, tratava-se do próprio Tabernáculo,
mas sem o seu caráter móvel e rústico que era adequado e apropriado
para o tempo da peregrinação no deserto.
Assim como o Tabernáculo, o Templo era dividido em três
partes: os átrios ou “alpendre”, que eram a parte externa do Templo
(2Cr.3:4), acessível a quase todos, salvo aqueles que foram proscritos
(Dt.23:1-3); o lugar santo ou “casa grande” (2Cr.3:5), onde só podiam
ingressar os sacerdotes oficiantes e, por fim, o lugar santíssimo
(2Cr.3:8), onde só poderia ingressar, uma vez ao ano, no dia da expiação,
o sumo sacerdote e aonde ficava a Arca da Aliança (Lv.16).
Após
o término da construção, Salomão convocou todo o Israel para uma grande festa
de dedicação. Depois de um breve discurso (2Cr.6:1-11), Salomão se dirigiu a
Deus, com uma das mais belas orações da Bíblia (cf. 2Cr.6:14-42). Depois da
dedicação do Templo, o Senhor apareceu mais uma vez a Salomão e ordenou que ele
obedecesse à Lei e conduzisse o povo à obediência, com a promessa de que, sob
estas condições, os olhos do Senhor estariam sempre sobre aquele lugar, mas
caso Israel desobedecesse, seria submetido à severa disciplina (cf. 1Rs.9:1-9;
2Cr.7:11-22).
1.
O nobre propósito de Salomão
O
nobre propósito de Salomão era o mesmo de Davi: “edificar uma Casa ao nome do
Senhor” (1Rs.5:5). O Templo seria o lugar onde Deus manifestaria continuamente
a sua presença e glória, e o lugar para o povo reunir-se para adorá-lo
(1Rs.8:15-21). O Templo foi edificado em Jerusalém,
no monte Moriá (2Cr.3:1; cf. Gn.22:2), e foi
concluído em sete anos (1Rs.6:38). Deus deu a Davi a planta do Templo por
revelação do Espírito Santo (1Cr.28:12), e Davi por sua vez providenciou
muitos dos recursos para a obra, antes de morrer. Na
construção do Templo foram empregados diversos materiais de altíssimo valor,
tais como cedro do Líbano e muito ouro. Todo o edifício foi revestido de ouro.
O Lugar Santíssimo teve as paredes, o teto e o piso revestidos de ouro puro
(1Rs.6:20-22). Salomão queria dar o melhor para a Casa do Senhor.
O Templo que abrigava a Arca do concerto (Ex.25:16) simbolizava
a presença e a Pessoa de Deus entre seu povo. Ele refletia a verdade que Deus desejava estar entre o seu
povo (Lv.26:12). Era um sinal e testemunho visível do seu relacionamento
pactual com o seu povo (Ex.29:45,46), e foi edificado a fim de que o nome de
Deus habitasse ali (1Rs.5:5; 8:16; 9:3). O nome de Deus é “santo” (Lv.20:3;
1Cr.16:10,35; Ez.39:7), por conseguinte, Deus queria ser conhecido e adorado
por Israel como o Santo e o Santificador do seu povo (Ex.29:43-46;
Ez.37:26-28).
Quando o Templo foi dedicado, Deus o encheu da sua glória (2Cr.7:1,2), e prometeu que poria o seu Nome
ali (2Cr.6:20,33). Por isso, quando o povo de Deus orava ao Senhor, podia
fazê-lo, voltado em direção ao Templo (2Cr.6:24,26,29,32), e Deus o ouviria
“desde o seu templo” (Sl.18:6). Todavia, o Templo não oferecia nenhuma garantia
absoluta da presença de Deus; simbolizava a presença de Deus somente enquanto o
povo rejeitasse todos os ídolos e obedecesse aos mandamentos do Senhor.
O Templo também representava a Redenção de Deus para com o seu
povo. Dois atos importantes
tinham lugar ali: os sacrifícios diários pelo pecado, no altar de bronze (cf.
Nm.28:1-8; 2Cr.4:1), e o Dia da Expiação, quando, então, o sumo sacerdote
entrava no lugar santíssimo a fim de aspergir sangue no propiciatório sobre a
Arca para expiar os pecados do povo (cf. Lv.16). Essas cerimônias do Templo
relembravam aos israelitas o alto preço da sua redenção e reconciliação com
Deus.
2.
O templo do Espírito Santo
Ao
povo de Deus da Nova Aliança, a ênfase do culto transferiu-se do Templo judaico
para o próprio Jesus Cristo. É Ele, e não o Templo, quem agora representa a
presença de Deus entre o seu povo. Ele é o Verbo de Deus que se fez carne (João
1:14), e Nele habita toda a plenitude de Deus (Cl.2:9). O próprio Jesus
declarou ser Ele o próprio templo (João2:19-22). Mediante o seu sacrifício na
cruz, Ele cumpriu todos os sacrifícios que eram oferecidos no Tabernáculo e no
Templo (cf. Hb.9:1-10:18). Note também que, na sua fala à mulher samaritana,
Jesus declarou que a adoração dentro em breve seria realizada, não num prédio
específico, mas “em espírito e em verdade”, isto é, onde as pessoas
verdadeiramente cressem na verdade da Palavra de Deus e recebessem o Espírito
Santo por meio de Cristo (cf. João 4:23).
Tendo
em vista que Jesus Cristo personificou em Si mesmo o significado do Templo, e
posto que a Igreja é o Seu corpo (Rm.12:5; 1Co.12:12-27; Ef.1:22,23; Cl.1:18),
ela é denominada “o templo de Deus”, onde habita Cristo e o Seu Espírito Santo
(1Co.3:16; 2Co.6:16; Ef.2:21,22). Mediante o Seu Espírito, Cristo habita na sua
Igreja, e requer que o Seu Corpo seja santo.
O
Espírito Santo não somente habita na Igreja, mas também individualmente no
crente como Seu Templo (1Co.6:19). Daí, a Bíblia advertir enfaticamente contra
qualquer contaminação do corpo humano por imoralidade ou impureza. A
recomendação que ecoa é: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós
também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede
santos, porque eu sou santo” (1Pd.1:15,16).
3.
A glória do Senhor
Assim
que a Arca (um tipo de Cristo) foi colocada no Templo, em seu devido lugar, a
nuvem da glória do Senhor, que representava a presença de Deus, encheu o
Templo. O texto diz:
” Assim trouxeram os sacerdotes a arca do concerto do Senhor ao
seu lugar, ao oráculo da casa, ao Lugar Santíssimo, até debaixo das asas dos
querubins. E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a
Casa do Senhor. E não podiam ter-se em pé os sacerdotes para ministrar, por
causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a Casa do Senhor” (1Reis 8:6,10,11).
Os
sacerdotes não conseguiram continuar a ministrar porque a glória do Senhor
enchera o Templo. Foi sem dúvida uma magnifica ocasião, um dia altamente
sagrado, quando Deus assumiu o completo controle e, aqueles que normalmente
seriam os condutores dos acontecimentos, passaram a um segundo plano.
A
presença divina como uma nuvem escura, misteriosa e aterrorizante, representa
duas grandes verdades a respeito de Deus. Por um lado, sugere que o Senhor, que
é santo e transcendente, não pode ser visto pelos homens finitos. Por outro
lado, sugere que Deus é imanente e que a sua morada é entre o seu povo.
A glória de Deus se refere à presença visível de Deus entre o
seu povo, gloria esta que é conhecida como “shekinah”. Esta é uma palavra
hebraica que significa “habitação [de Deus]”, empregada para descrever a
manifestação visível da presença e glória de Deus.
Moisés
viu a “shekinah” de Deus na coluna de nuvem e de fogo (Êx.13:21). Em Êx.29:43 é
chamada “minha glória” (cf. Is.60:2). Ela cobriu o Sinai quando Deus outorgou a
Lei (Êx.24:16,17), encheu o Tabernáculo (Êx.40:34), guiou Israel no deserto
(Êx.40:36-38) e posteriormente encheu o Templo de Salomão (2Cr.7:1;
1Rs.8:11-13). Mais precisamente, Deus habitava entre os querubins no Lugar
Santíssimo do Templo (1Sm.4:4; 2Sm.6:2; Sl.80:1).
Ezequiel viu a glória de Deus levantar-se e afastar-se do Templo
por causa da idolatria contumaz do povo de Israel (cf. Ez.10:4,18,19).
No
Novo Testamento, o equivalente da glória “chekinah”
é Jesus Cristo que, como a glória
de Deus em carne humana, veio habitar entre nós (João 1:14). Os pastores de
Belém viram a glória do Senhor no nascimento de Jesus (Lc.2:9), os discípulos a
viram na transfiguração de Cristo (Mt.17:2; 2Pd.1:16018) e Estevão a viu na ocasião
do seu martírio (At.7:55). Onde a Palavra de Deus habita e é obedecida, ali
permanece a glória divina.
CONCLUSÃO
Em
Seu grande amor pelo povo escolhido, Deus lhe concedeu muitas promessas de
bênção e prosperidade. Em tempo oportuno, muitas destas promessas, feitas ao
longo da História foram cumpridas na ascensão de Salomão. Este grande rei de
Israel, em seu governo, proporcionou ao povo de Deus um longo período de paz,
harmonia e prosperidade. Mas muitas promessas eram condicionais. A fidelidade
do Senhor deveria ser continuamente retribuída por meio de uma obediência
genuína à Sua palavra. Salomão achou que sua sabedoria poderia ser um
substituto para a obediência, e esta foi uma conclusão perigosa. Mais tarde
todos os privilégios foram convertidos em provações, um contraste penoso para o
povo de Deus no tempo de Salomão. Se antes de recebermos a ajuda divina somos dependentes
do Senhor, muito mais deveríamos ser depois das bênçãos por Ele concedidas.



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