O REINO DE DEUS
Texto Bíblico: Marcos 4:1-3,10-12; Lucas 17:20,21
"Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua
justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas" Mt 6.33.
1. O que é o Reino de Deus?
A
palavra grega para Reino é Basileia, que se refere menos a um território
geográfico e mais ao exercício do poder real.
- Não é
deste mundo: Jesus
esclareceu a Pilatos que Seu reino não segue a lógica dos sistemas
políticos humanos baseados na força (João 18:36).
- É
espiritual e interior:
Ele começa no coração do homem através da submissão à vontade divina
(Lucas 17:21).
2.
A Tensão do "Já e Ainda Não"
Este
é o ponto chave para entender a Bíblia. O Reino de Deus possui duas dimensões
temporais:
- O
"Já" (Presente):
Jesus afirmou que, se Ele expulsava demônios,
o Reino já havia chegado (Mateus 12:28). Ele está presente onde o
Rei é obedecido.
- O
"Ainda Não" (Futuro):
O Reino terá sua consumação plena apenas no
retorno de Cristo, quando todo mal será destruído e a criação restaurada (Apocalipse
21:1-4).
3.
As Características do Reino
Jesus
usou parábolas para descrever como esse Reino funciona. Elas revelam valores
invertidos em relação ao mundo:
- O
Crescimento Gradual:
Como a semente de mostarda, o Reino começa pequeno e cresce até se tornar
influente (Mateus 13:31-32).
- O
Valor Supremo: É como
um tesouro escondido ou uma pérola de grande valor; vale a pena renunciar
a tudo para possuí-lo (Mateus 13:44-46).
- A
Ética do Reino: No
Sermão do Monte (Mateus 5-7), vemos que os "bem-aventurados"
são os humildes, os que choram e os mansos — o oposto do que a
sociedade costuma exaltar.
Resumo para Meditação
|
Aspecto |
Descrição |
Referência |
|
Entrada |
Arrependimento e
novo nascimento |
João 3:3 |
|
Prioridade |
Deve ser buscado
antes de qualquer necessidade |
Mateus 6:33 |
|
Natureza |
Justiça, paz e
alegria no Espírito Santo |
Romanos 14:17 |
Síntese:
O Reino de Deus é o convite para vivermos sob o governo de um
Rei bom. Buscar o Reino hoje significa alinhar nossos pensamentos, escolhas e
caráter com a vontade de Deus, enquanto aguardamos o dia em que Ele fará novas
todas as coisas.
INTRODUÇÃO:
Estudo sobre o Reino de
Deus nas Escrituras e sua manifestação no presente e futuro. No presente, esse
Reino é visto no dia a dia dos salvos, que se submetem aos mandamentos do
Senhor e pautam por andar de acordo com as Escrituras. No futuro, este Reino
será manifesto por ocasião do Milênio, quando a paz e a justiça tão aguardadas
será vista por todos. Ressaltamos que o Reino de Deus foi o tema central da
mensagem de Jesus Cristo. Ora, se este tema é central na mensagem de Cristo e a
Sua mensagem é o Evangelho, tem-se como consequência inevitável que o tema do
Reino de Deus deve, também, ser um assunto a ser anunciado e ensinado pela
Igreja, que continua a obra do Senhor. No entanto, vemos que não é este um
assunto presente nos ensinos e pregações da Igreja, tanto que nem sequer tem
sido considerada como uma doutrina bíblica fundamental. A Igreja precisa
entender o que é o Reino de Deus, até mesmo porque temos um mandamento que diz:
“buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça” (Mt
6:33).
I. CONCEITO BÍBLICO DE REINO DE DEUS
1. O que é um reino? Basicamente,
trata-se de um território governado por um rei; nesse território, certamente,
existe um povo. O governo de um rei é o cumprimento da sua vontade expressa
através das leis e decretos reais. Assim sendo, pode-se dizer que o Reino de
Deus só pode ser um povo cujo rei é Deus, que, além de governar este povo,
obtém dele o cumprimento de Sua vontade, que é expressa através de regras.
Diante desta realidade, vemos que o Reino de Deus é o conjunto de pessoas que
cumpre a vontade do Senhor, expressa nas Escrituras Sagradas, povo este formado
por pessoas de todas as nações da face da Terra.
O “Reino de Deus” sempre nos é apresentado pelo Senhor Jesus como
uma dupla realidade, ou seja, como algo presente e algo futuro. De pronto,
portanto, podemos entender que o reino de Deus não é algo passado, algo que
pudesse ter ocorrido antes da manifestação do Verbo Divino. Assim, não tem
cabimento o pensamento de que o reino de Deus significa a soberania divina
sobre todas as coisas criadas. Deus é Senhor de todas as coisas desde antes que
elas existissem, pois Ele é Eterno. Portanto, o Reino de Deus não se confunde
com a soberania de Deus, pois é uma realidade que surgiu com a encarnação do
Senhor Jesus.
O “Reino de Deus” é o pleno senhorio de Deus na vida de cada ser
humano que aceita submeter-se a Ele. Não é algo que
tenha aparência exterior, pois a submissão é uma decisão interior de cada ser
humano. Por isso, o “Reino de Deus” não é comida nem bebida, mas justiça, paz e
alegria no Espírito Santo (Rm 14:17).
O “Reino de Deus” mostra-nos o propósito de Deus para o homem (daí porque devemos buscá-lo), que é o de termos uma comunhão plena onde nada poderá nos separar da presença e da glória do Senhor, visto que, hoje em dia, isto ainda se dá apenas em parte (1Co 13:12; 1João 3:2).
O “Reino de Deus” não se confunde com a Igreja. Esta é uma
realidade presente, é uma nação santa, mas está a buscar o reino de Deus (Mt
6:33). Se a Igreja busca o reino de Deus é porque com Ele não se confunde. Os
patriarcas, os profetas, o ladrão arrependido da cruz pertencem ao Reino de
Deus, mas nunca pertenceram à Igreja. No reino, estarão tanto a esposa quanto
os amigos do esposo (João 3:29). Temos, portanto,
que a Igreja, embora já seja existente, é ainda apenas a noiva, mas na
plenitude do “reino de Deus”, será a esposa. Enquanto o “reino de Deus” é o
propósito, a Igreja é um instrumento, é o meio pelo qual o Senhor proclama e
anuncia o “Reino de Deus”.
O “Reino de Deus” não é um lugar, nem mesmo é o Céu. Se fosse o
céu, não faria sentido a afirmação de Paulo de que nós já saímos do império das
trevas e fomos transportados para esse Reino (Cl 1:13). Se o Reino é o céu,
também não faria sentido a declaração de Jesus em Lc 17:20,21: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem
dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós”.
Assim sendo, buscar o Reino de Deus não é viver esperando o céu, mas é fazer a
vontade de Deus aqui. Até mesmo porque, como disse Jesus, “nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino
dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”
(Mt 7:21).
2. Os aspectos do Reino de Deus. Conforme as Escrituras, o Reino de
Deus apresenta dois aspectos: o Reino secreto, que teve início com a
ressurreição de Cristo, representado pela Igreja – o Reino presente; o Reino
institucional, visível, que será iniciado com a Volta de Cristo – o Reino
futuro.
a) O Reino de Deus presente. “E,
interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o Reino de Deus,
respondeu-lhes e disse: O Reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem
dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque eis que o Reino de Deus está entre vós”
(Lc 17:20,21).
Os fariseus perguntaram sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Bem
entendido, por trás dessa pergunta eles queriam saber quais seriam os sinais
que indicariam a chegada do Reino. Assim como nós, eles também fantasiavam
muito. Mas a resposta de Jesus, até certo ponto, foi decepcionante: “Não vem o Reino de Deus com aparência exterior” (ou
visível aparência).
Quando Jesus disse que o Reino já estava presente, “dentro
de vós” ou “entre vós”, certamente dirigindo-se aos fariseus que não
aceitavam a sua mensagem, quis demonstrar que nele a presença do Reino de Deus
devia ser reconhecida. Jesus quer que o mundo saiba, através da vida dos seus
seguidores, daqueles que são seus súditos, que o Reino de Deus já está
presente. O papel de um cristão, o papel de um cidadão do
Reino de Deus é sinalizar a presença do Reino entre os homens e dentro daqueles
que tem Jesus como seu Rei e Senhor.
Porém, temos que admitir, por outro lado, que o Reino de Deus não é apenas uma
realidade interior. Jesus quis dizer que Ele próprio é o reinado de Deus entre
os homens. Através dele, Deus está realizando seu projeto. Mas qual projeto? O
de salvar, libertar e restaurar. Essa é a presença do Reino de Deus. Dessa
forma, o Reino de Deus, em Jesus, se torna presente e manifesto. E isso
acontece sempre que alguém abre a sua vida para receber o Rei Jesus como
Senhor! Que possamos orar sinceramente: “Venha o
teu Reino, faça-se a tua vontade” (Mt
6:10).
b) O Reino de Deus futuro. “E disse aos
discípulos: Dias virão em que desejareis ver um dos dias do Filho do Homem e
não o vereis. E dir-vos-ão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Não vades, nem os
sigais, porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu
até à outra extremidade, assim será também o Filho do Homem no seu dia” (Lc17:22-24).
O assunto tratado nesta passagem mostra o retorno de Jesus para estabelecer o
seu Reino institucional, visível, na Terra. Quando Ele voltar a este mundo,
quando Ele triunfar sobre reis e nações (Ap 11:15-18; 19:11-21), o Reino será
visto com todo o seu poder e glória (Lc 14:24; cf Mt 24:30).
Aqui, o texto mostra que depois de responder aos fariseus que não acreditavam
nos seus ensinamentos, que não criam que nele mesmo o reino de Deus estava
presente, Jesus mudou de auditório. Ele aproveitou a oportunidade para
continuar ensinando sobre o assunto da vinda do Reino de Deus, mas dirigiu-se
aos discípulos, dirigiu-se aos seus seguidores. As palavras de Jesus necessitam
de credibilidade.
No futuro, o Reino de Deus há de ser igualmente manifesto, quando o
Senhor Jesus Cristo aprisionar o Diabo e instaurar os mil anos de paz tão
esperados pelos salvos em Cristo. Nesse período, não haverá guerras, e o Senhor
será o Rei de todos os homens. Até mesmo a natureza (fauna e flora) “espera” por
esse glorioso Dia (Rm 8:19-23). Ninguém poderá, em sã consciência, duvidar da
existência de Deus e de seu poder, pois quem quiser saber o verá ali,
governando com a justiça que todos desejam. Vem Senhor Jesus!!
3. O governo do Reino. Um Reino se refere ao âmbito ou espaço em
que a vontade de um Rei é feita. Quando não há um Rei governando, não há Reino.
Isso é demonstrado no final do livro de Juízes, que diz: “Naqueles dias, não havia rei em Israel, porém cada um
fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21:25). Assim, o Reino de
Deus está onde a vontade de Deus é feita; pode estar em pessoas que faz a
vontade de Deus. Por isso Jesus ensinou a orar: “Venha
o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mt
6:10). Assim como no céu a vontade de Deus é absoluta, assim ela também deve
ser entre nós. O reino de Deus é o reino dos céus, um governo a partir dos
céus, posto que “O Senhor tem estabelecido o seu
trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” (Sl 103:19).
É claro que haverá um momento em que o Reino de Deus será estabelecido em toda
a sua plenitude, com o resgate do estado perfeito da sua criação (o projeto
original do Reino de Deus) - quer no âmbito espiritual, quer no âmbito físico
-, que foi destituída da glória de Deus(Rm 3:23). Mas ele já é uma realidade
hoje em cada coração que decide fazer a vontade de Deus, negando-se a si mesmo,
tomando sua cruz e seguindo a Jesus.
II. O REINO DE DEUS NAS ESCRITURAS
Não podemos ter a
perspectiva da existência do Reino de Deus se não observarmos o que as
Escrituras informam sobre ele. Juntando todas as referências ao reino nas
Escrituras, podemos traçar seu desenvolvimento histórico em cinco fases:
Em primeiro lugar, o reino foi profetizado no Antigo Testamento.
Daniel predisse que Deus suscitaria um reino que nunca seria destruído e que
nem passaria para outro povo (Dn 2:44). Ele também previu a vinda de Cristo
para exercer um domínio universal e eterno (Dn 7:13-14).
Em segundo lugar, o reino era descrito por João Batista, Jesus e os doze
apóstolos como estando próximo (Mt 3:2; 4:17; 10:7). Em Mateus 12:28, Jesus
disse: “Se, porém, eu expulso os demônios pelo
Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós”. Em
Lucas 17:21, ele disse: “...o reino de Deus está
dentro de vós” ou no vosso meio. O reino estava presente na pessoa do Rei.
Em terceiro lugar, o reino é descrito numa forma
interina. Após ser rejeitado pela nação de Israel, o Rei retornou ao Céu. Mesmo
com a ausência do Rei, o reino existe hoje no coração de todos os que
reconhecem o reinado de Jesus e seus princípios morais e éticos, incluindo o
Sermão do Monte, que são aplicáveis a nós hoje. Essa fase interina do reino
está descrita nas parábolas de Mateus 13.
A quarta fase do reino é o que poderíamos chamar de manifestação.
Esse é o reinado de mil anos na Terra que foi descrito na transfiguração de
Cristo quando ele foi visto na glória do seu reino que estava por vir (Mt
17:1-8). Jesus se referiu a essa fase em Mateus 8:11 quando disse: “... muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão
lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reinado dos céus”.
Em quinto lugar, a forma final será o Reino Eterno. É descrito em
2Pedro 1:11 como o “reino eterno de nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo”. Será o tempo no qual se cumprirá a profecia de
Daniel em que os reinos deste mundo serão destruídos, o mal aniquilado,
restabelecer-se-á a comunhão perfeita com Deus e o Senhor reinará com justiça
para sempre. Não será o resultado da utopia socialista, do avanço dos
conhecimentos científicos, da unificação dos credos em uma só religião mundial,
nem de qualquer desenvolvimento moral da sociedade, mas do propósito original
para a criação. Na presente manifestação do Reino de Deus, ser salvo implica a
libertação do poder e dos valores do mundo, em Deus deter o poder de Satanás e
dos demônios, mas em sua dimensão escatológica traduz a idéia da redenção do
corpo – “o livramento da mortalidade”
– em que o crente redimido assemelhar-se-á ao próprio Senhor em sua
imortalidade. Nessa bendita Era o inimigo e os seus agentes já terão sido
banidos para o lago de fogo. Haverá a plena ausência do mal e o pleno triunfo
do bem. Será também a época em que a comunhão restaurada em sua plenitude terá
como símbolo maior o banquete entre Cristo e a Igreja.
1. No Antigo Testamento. Embora a expressão Reino de Deus não
aparece no Antigo Testamento, o Senhor é apresentado como o Rei de Israel (Is
43:15), da Terra e de todo o Universo (Sl 24; 47:7,8; 103:19). Estas e outras
referências manifestam a prerrogativa soberana de Deus sobre a criação. Ele
reina para sempre (Sl 29:10). Todavia é bom salientar, que o Reino de Deus não
se confunde com Sua Soberania. Como disse anteriormente, Deus é Senhor de todas
as coisas desde antes que elas existissem, pois Ele é eterno. Deste modo, o
reino de Deus não se confunde com a soberania de Deus, pois é uma realidade que
surgiu com a encarnação do Senhor Jesus.
2. Em o Novo Testamento. A mensagem central do Novo Testamento é o
Reino de Deus ou Reino dos Céus. Este Reino foi anunciado por João Batista (Mt
3:2) e confirmado pelo ensino de Jesus Cristo (Mt 6:33).
a) Na pregação de João Batista. A sua mensagem era: “Arrependei-vos porque é chegado o Reino dos Céus”
(Mt 3:2). O Rei apareceria logo, mas Ele não podia e nem reinaria sobre um povo
que se apegasse a pecados. Eles tinham que mudar de direção e precisavam
confessar e abandonar seus pecados. Deus estava chamando-os do reino das trevas
para o Reino dos Céus.
b) No ensino de Jesus. No Novo Testamento, Jesus mostrou que o
Reino de Deus havia chegado, e que todos eram convidados a ser participantes
dele, desde que se arrependessem e aceitassem a mensagem do Evangelho.
A Bíblia afirma-nos que a mensagem de Cristo para o Seu povo,
para quem viera (João 1:11), era o “Evangelho do
reino de Deus” (Mc 1:14). Tratava-se de uma mensagem simples, “curta e
grossa”, que dizia:
a) o tempo está cumprido. Jesus anunciava aos judeus que chegara o
tempo determinado pela lei e pelos profetas para o surgimento do Messias. Jesus
tinha vindo cumprir tudo quanto havia sido escrito a Seu respeito. Como nos
ensina o apóstolo Paulo, havia chegado “à plenitude
dos tempos” (Gl 4:4).
b) o reino de Deus está próximo. Aqui Jesus anuncia a novidade. O
que havia sido prometido estava se cumprindo, mas, como Emanuel, ou seja, Deus
conosco, Jesus vinha trazer ao Seu povo a proximidade do reino de Deus. O reino
não havia chegado, mas estava próximo, ou seja, ele não se imporia sobre o povo
de Israel, mas, a exemplo da lei, estava sendo oferecido, era tornado acessível
a todos quantos o aceitassem.
c) Arrependei-vos. Jesus apresenta o mistério para que o reino de
Deus, que estava próximo, se tornasse uma realidade na vida de cada um: o
arrependimento dos pecados. O reino de Deus não era uma estrutura política,
social ou econômica que seria imposta aos judeus, mas, pelo contrário, seria o
estabelecimento de uma comunhão entre Deus e cada um dos israelitas. Para
tanto, necessário se faria a remoção dos pecados. Jesus vinha para demonstrar a
iniciativa divina neste empreendimento, mas para que o reino de Deus se instalasse,
era necessário o arrependimento.
d) e crede no Evangelho. Havendo um arrependimento, o reino de Deus
se instalaria se houvesse fé na mensagem. As duas coisas que deveriam ser
feitas pelo povo judeu, portanto, seria o arrependimento de seus pecados e a fé
na mensagem trazida pelo Senhor. O reino de Deus, porém, não se instalou na
nação judaica, porque ela não recebeu o Senhor, não creu Nele nem em Sua
mensagem. Ante a rejeição de Israel, a pregação do reino de Deus se estendeu
também aos gentios (Mt 21:43; At 11:18; Rm 11:11), abrindo-se, então, uma
oportunidade para que recebessem a Deus através de Jesus Cristo (João 1:12,13;
Rm 9:30-33,10:11-25). Vive-se o momento da dispensação aos gentios, da
oportunidade para que todos aceitem a Cristo como Salvador (Mt 24:14; 28:19; Mc
16:15).
3. Reino de Deus ou Reino dos Céus. “Disse,
então, Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um
rico no Reino dos céus. E outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo
pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus” (Mt
19:23,24).
A expressão “reino dos céus” somente encontramos no evangelho de
Mateus (31 vezes na Versão Almeida Revista e Corrigida), mas a expressão “reino de Deus” é encontrada em todos os
quatro evangelhos. Para todo propósito prático não há nenhuma diferença
– as mesmas coisas são ditas a respeito de ambos. Por exemplo, em Mateus 19:23,
Jesus disse que seria difícil a um homem rico entrar no reino dos céus. Tanto
Marcos (10:23) como Lucas (18:24) registram o que Jesus disse a respeito do
reino de Deus (ver, também, Mt 19:24, que registra um aforismo semelhante
usando “o reino de Deus”). Isto mostra que as expressões são equivalentes.
III. AS MANIFESTAÇÕES DO REINO DE DEUS
1. No passado. O
projeto de Deus sempre foi que o seu povo vivesse na terra dirigido e governado
pelo céu. De Moisés a Samuel o governo de Israel foi a Teocracia, isso durou
cerca de 450 anos; então, o povo de Israel rejeitou a teocracia e adotou a
monarquia (1Samuel 8:4-7,19-22). A monarquia trouxe
sérias consequências para Israel; a pior delas foi a divisão da nação. Quando o
Senhor Jesus veio, Ele mostrou com a sua vida como é que se vive governado
pelas leis do céu, fazendo toda a vontade de Deus, cumprindo os seus propósitos
e assim, implantando o Reino de Deus na terra.
Há correntes teológicas que entendem ser a monarquia em Israel um
fato tolerado pelo Senhor, visto que os planos divinos tinham por objetivo uma
unidade das tribos de Israel, sob o comando direto de Deus, que falava por meio
de seus profetas e organizava a sociedade pela lei de Moisés. Em que pese essas
opiniões, o sistema monárquico abriu caminho para a vinda do Messias como Rei
não apenas da nação, mas de todos os homens. E Deus deixou claro que o Messias
viria da linhagem do rei Davi. O Senhor Jesus Cristo é da descendência de um
rei, o que lhe legitima receber o trono de Israel: "Este
será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono
de Davi, seu pai," (Lc 1:32)
2.
No presente. O Reino
de Deus tem uma dimensão presente, que se configura no cumprimento em Cristo de
todas as promessas messiânicas do Antigo Testamento. A expressão “é chegado”, que
aparece tanto em Mateus 4:17 como em 12:28, segundo pensam os eruditos, denota
a idéia de “presença real”, agora, e não de proximidade, como algo apenas para
o futuro. Ou seja, a presença pessoal do Messias na história implica a presença
efetiva do Reino de Deus entre os homens. Ele se manifesta a partir do coração
de cada um, daí onde se percebe que o Reino está presente é também possível
sentir os seus efeitos. Jesus disse: “Mas, se eu
expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é conseguintemente chegado a vós o
Reino de Deus” (Mt 12:28; Lc 11:20; Lc 17:20b, 21). A primeira mensagem
de Jesus aos seus ouvintes assim com a de João, o batista foi: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus”
(Mt 3:2).
Tanto é uma realidade presente o reino de Deus que, desde já, o podemos
ver (João 3:3), como, também nele entrar (Mt 19:24;
21:31; Mc 9:47; 10:15;10:23-25; Lc 16:16; João 3:5; At 14:22), algo que está
entre nós, ainda que não com aparência exterior (Lc 17:20,21). Além disso, é
justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17).
3. No futuro. O aspecto futuro do Reino de Deus está ligado ao
reino milenar de Cristo sobre a terra por ocasião da sua segunda vinda em
glória (1Co 15.23-25; Ap 20:1-6). Há aqueles que totalmente materializam
o Milênio, e os que no todo o espiritualizam. Evitemos esses
extremos. Essa época áurea do Milênio é ansiosamente aguardada pelo povo
israelita (ler Lucas 2:38 e Atos 1:6,7). Jesus não lhes tirou esta esperança,
apenas não revelou o tempo e a hora do seu cumprimento. É esta esperança que
tem impulsionado o regresso dos judeus à sua pátria e também motiva o seu
rápido progresso. O Milênio será a resposta aos milhões de orações do povo de
Deus através dos tempos: “Venha o Teu Reino!”.
Durante o Milênio toda e qualquer oposição a Deus será neutralizada
por Cristo (1Co 15:24-26). Ele preparará a Terra para o estabelecimento do
Reino Eterno de Cristo sob Deus, conforme a palavra divina em Lucas 1:32,33.
A Forma de Governo, no milênio, será teocrática, isto é, Cristo reinará
diretamente, através de seus representantes. A profecia inicial disto está em
Gênesis 49:10. Outras referencias são Isaias 1:26 e Daniel 7:27.
No Milênio, todos os reinos do mundo estarão sob o senhorio de
Cristo. Cumprir-se-á em sua plenitude Filipenses 2:10,11: “Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos
céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é
Senhor, para glória de Deus Pai”. Nesse Dia conheceremos a letra e a
música da “Canção dos Reis da Terra”, cujo relato e tema estão no Salmo
138:4,5. Todos os reis e chefes de estado, sem exceção, cantarão essa canção. O
Salmo 72:8-19 descreve com mais detalhes as glórias desse reino universal e
teocrático de Cristo.
Com o estabelecimento do Milênio findará aqui na Terra toda e qualquer
supremacia e predominância de nações, com exceção de Israel: “O Senhor será rei sobre a Terra; naquele dia um só será
o Senhor, e um só será o seu nome” (Zc 14:9).
A Igreja integrará a administração de Cristo (1Co 6:2; Ap 2:26,27),
todavia o Milênio será um reino proeminentemente judaico. Jesus reinará sobre
Israel através de seus apóstolos, conforme sua promessa feita em Mateus 19:28,
e reinará sobre os gentios certamente através da Igreja. As passagens de
Ezequiel 34:23,24; 37:24-25; Jeremias 30:9; Oséias 3:5 indicando que Davi
reinará, certamente, apontam para o grande Filho de Davi, como é chamado nos
evangelhos o Senhor Jesus (ver Isaias 16:5 e Lucas 1:32,33).
O Reino de Cristo sobre todas as nações será literal e universal.
Ele vem para reger as nações como REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES. Sendo Ele
o potentado único que regerá no Milênio, cabe-lhe bem a doxologia de 1Timóteo
1:17: “Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível,
Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém”.
CONCLUSÃO
O “reino de
Deus” está progressivamente se
revelando. Começou a fazê-lo com a revelação da Divindade em Cristo Jesus, com
a manifestação do Seu mistério, que é a Igreja, mas ainda o fará por intermédio
do reino millenial de Cristo e, por fim, após o Juízo do Trono Branco, com a
retirada dos atuais céus e terra, se manifestará em toda a sua plenitude, pois,
como o reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo, sua
manifestação plena somente se poderá dar em “novos
céus e nova terra onde habitam a justiça” (2Pedro 3:13).
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