TER
PACIÊNCIA
Texto
Bíblico: Tiago 5:7-11
“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação [...]" (Rm.12:12).
A
Bíblia aborda a paciência não apenas como uma "espera passiva", mas
como uma virtude ativa e uma demonstração de força espiritual. No grego do Novo
Testamento, a paciência é frequentemente traduzida de duas formas: makrothumia
(paciência com as pessoas) e hupomone (perseverança sob circunstâncias
difíceis).
Aqui
estão os pilares do que as Escrituras ensinam sobre o tema:
1.
A Origem da Paciência
Para
a Bíblia, a paciência não é algo que fabricamos sozinhos, mas um reflexo do
caráter de Deus e uma evidência de maturidade espiritual.
- Fruto do Espírito: Em
Gálatas 5:22, a paciência é listada como parte do "Fruto do
Espírito". Isso significa que ela cresce naturalmente à medida que a
pessoa se aproxima de Deus.
- O Exemplo de Deus: Deus
é descrito como "longânimo" (lento para se irar). A paciência
humana é vista como uma imitação dessa misericórdia divina.
2.
Paciência nas Tribulações
A
Bíblia reconhece que a vida é difícil, mas sugere que o sofrimento tem um
propósito educativo.
- Tiago 1:2-4: Este
trecho afirma que a "prova da vossa fé produz paciência" e que
essa paciência deve completar sua obra para que o indivíduo seja
"perfeito e íntegro".
- Romanos 5:3-4: Paulo
escreve que nos gloriamos nas tribulações, porque a tribulação gera
paciência, a paciência gera experiência e a experiência gera esperança.
3.
Paciência nos Relacionamentos
Ter
paciência com os outros é visto como um ato de amor e humildade.
- Efésios 4:2: Recomenda
suportar uns aos outros em amor, com toda humildade e mansidão.
- 1 Coríntios 13:4: A
famosa definição de amor começa com: "O amor é paciente".
4.
Exemplos Práticos e Metáforas
A
Bíblia utiliza figuras do cotidiano para ilustrar a espera confiante:
|
Exemplo |
Lição |
|
O Lavrador |
Assim
como o agricultor espera a chuva e a colheita, devemos esperar o tempo de
Deus (Tiago 5:7). |
|
Jó |
Citado
como o maior exemplo de perseverança diante de perdas catastróficas. |
|
Esperou
décadas pelo cumprimento de uma promessa, sendo fortalecido na fé. |
Resumo em uma frase:
"A paciência bíblica é a confiança de que Deus está no
controle, mesmo quando o relógio ou as pessoas parecem estar contra você."
1.
Para manter a calma nas adversidades
Salmo
40:1 "Esperei com paciência pelo Senhor, e ele se
inclinou para mim, e ouviu o meu clamor."
- Reflexão: A paciência aqui não é um silêncio vazio, mas uma
espera com expectativa. Este verso nos lembra que Deus não ignora o tempo
de espera; Ele está
"se inclinando" para ouvir, mesmo quando parece que nada está
acontecendo.
2.
Para lidar com as tensões do dia a dia
Provérbios
15:18 “O homem iracundo suscita contendas, mas o longânimo
aplaca a luta."
- Reflexão: A paciência é apresentada como um
"poder de paz". Em um momento de estresse ou discussão, a pessoa
paciente tem a habilidade de desarmar conflitos em vez de alimentá-los.
Ser paciente é, muitas vezes, uma escolha estratégica pela paz.
3.
Para quando os resultados demoram a aparecer
Gálatas
6:9 "E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo
próprio colheremos, se não desanimarmos."
- Reflexão: Às vezes a paciência se desgasta porque não vemos o
retorno do nosso esforço. Este versículo funciona como uma promessa: existe um "tempo próprio"
para a colheita. A paciência aqui é sinônimo de persistência.
INTRODUÇÃO
Neste
estudo a respeito da Paciência ou Longanimidade, como Fruto do Espírito, e as
Dissensões, como obra da carne. Poucas pessoas podem fazer suas as palavras do
Salmista Davi: “Esperei com paciência no Senhor...”
(Salmos 40:1). O mundo vive, hoje, numa ansiedade neurótica. As pessoas,
a cada dia, estão mais ansiosas, o que contribui para o aumento das dissensões.
Basta ler ou assistir os noticiários para vermos casos de brigas e confusões
por coisas frívolas. Muitos desses casos acabam em tragédia e famílias
destruídas. Mas o crente fiel precisa fazer a
diferença: mostrar amor, tolerância, dar provas de paciência, pois “... o Fruto
do Espírito é... Paciência...”, ou Longanimidade.
I. PACIÊNCIA: ATO DE RESISTÊNCIA À ANSIEDADE

Conforme as Escrituras Sagradas, ser longânimo é não retaliar, é não vingar a
ofensa; é amar os inimigos, que são todos aqueles que nos fazem mal
(Mt.5:43-45); é andar a segunda milha (Mt.5:41).
No
Antigo Testamento, Longanimidade é geralmente atribuída a Deus, por sua
capacidade de reter sua indignação diante da provocação humana - “Misericordioso e piedoso é o Senhor, longânimo e grande
em benignidade” (Salmo
103:8). Nosso pecado provoca a ira de Deus, mas Ele não a descarrega sobre nós,
bem diferente daqueles discípulos de Jesus referidos em Lucas 9:51-56. Diante
da falta de hospitalidade por parte dos samaritanos os apóstolos Tiago e João
perguntaram: “Senhor, quer que mandemos descer fogo do céu para os consumir?”.
A resposta de Jesus foi rápida e incisiva: “Vocês não sabem de que espírito são
vocês, pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas
para salvá-las”.
Portanto, para ser discípulo de Jesus, para ser um crente frutífero, é necessário ter Longanimidade – “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de [...] longanimidade” (Cls.3:12). Você é um discípulo de Jesus?
A Ansiedade é a maior doença do século. De acordo com a organização mundial de saúde, mais de 50% das doenças são psicossomáticas. A maioria das pessoas que passam pelos hospitais é vítima da ansiedade. Hoje, o remédio mais receitado é o Rivotril, um ansiolítico (ou, popularmente, um calmante); é prescrito por psiquiatras a pacientes em crise de ansiedade. Vivemos hoje o império dos medicamentos ansiolíticos. As pessoas dormem um sono artificial. As pessoas estão buscando uma "paz química".
A
Ansiedade atinge homens e mulheres, jovens e velhos, doutores e analfabetos,
religiosos e ateus; as pessoas andam com os nervos à flor da pele; são como um
vulcão prestes a entrar em erupção; são como um barril de pólvora pronto para
explodir. Este aspecto assustador por que passa o homem e a mulher é uma prova
contundente da ausência da presença de Deus em suas vidas.
A
Ansiedade tem afastado muitas pessoas de Deus; ela é o útero onde é gestada a
incredulidade. Onde começa a ansiedade termina a fé. A ansiedade nos leva a
perder o testemunho cristão.
Muitos
cristãos vivem sofrendo por antecipação, pois se esquecem do que Jesus nos
ordenou: "[...] Não andeis ansiosos quanto à vossa vida [...]"
(Mt.6:25). O Eterno, o Guardador da nossa vida, é tão preocupado conosco que
realmente não precisamos estar ansiosos por nada. É uma honra para Ele assumir
todas as nossas preocupações. Por isso, Pedro diz: "lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque
ele tem cuidado de vós" (1Pd.5:7). Certamente, uma
coisa não funciona sem a outra. Somente quando lançamos todas as nossas
ansiedades sobre Jesus, Ele cuida de nós. Mas se arrastamos as nossas
ansiedades junto conosco, então nós mesmos criamos muita aflição, muito
sofrimento e muita inquietação. Além disso, toda preocupação não adianta nada,
pois o próprio Senhor Jesus diz: "Qual
de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua
vida... vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas" (Mt.6:27,32b).
Você crê que o Senhor Jesus ouve as orações? Você crê que Deus cuida de nós? Você crê que Deus zela pelos nossos interesses? Você crê que Deus consegue resolver as nossas maiores dificuldades? Você crê que nada em nossa vida passa despercebido para o Senhor Jesus? Você crê que Deus é o Todo-Poderoso? Você crê que Deus nos dirige e faz com que tudo contribua para o nosso bem? Se você pode responder a todas estas perguntas afirmativamente, então por que ainda se preocupa? Muitos sabem decorado o Salmo 23: “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará…”; mas, mesmo assim, ainda não aprenderam a entregar as suas preocupações totalmente ao Senhor. Quando surgem novos problemas, voltam a se preocuparem e ficam ansiosos, exatamente como fez Israel no deserto. Assim vemos que a ordem "não andeis ansiosos" é de fato uma das tarefas mais difíceis para o verdadeiro cristão.
Nós devemos decidir quem deve carregar os fardos da nossa vida: Deus ou nós. É preferível que entreguemos a Deus. É claro que não se preocupar mais com os problemas não quer dizer que eles são retirados de nós instantaneamente, mas, sim, que é levado o peso que esses fardos representam em nossas vidas. Os problemas nem sempre são solucionados imediatamente, mas somos libertos da pressão deles. Então podemos experimentar o que diz o Salmo 68:19: "Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação". Portanto, não devemos andar ansiosos por nada desta vida, pois o Pai Celeste está atento a todas as nossas necessidades (Ler Mt.6:25-33).
Os sofrimentos ao longo de nossa jornada não são para nos destruir, mas servem para nós lapidar, para nos tornar mais pacientes e perseverantes (Hb.12:7-11). Precisamos aprender a esperar com paciência e tranquilidade em Deus, tendo a certeza de que todas as coisas cooperam para o nosso bem (Rm.8:28). Creia nisso!
3. Jó, exemplo de Paciência em meio à dor. Paciência é a capacidade de resistir as
aflições, com resignação. Jó é um exemplo de crente paciente, de fé e
persistente diante das tribulações. Foi pela capacidade de resistir às
aflições, com resignação, que Jó se tornou um símbolo da paciência – “Eis que
temos por bem-aventurado os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e
vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e
piedoso” (Tg.5:11).
O propósito de Satanás era fazer de Jó um homem impaciente com Deus, isto porque um homem impaciente com Deus é uma arma nas mãos do maligno. Mas o propósito de Deus em permitir Jó sofrer foi fortalecê-lo e fazer dele uma bênção maior para o mundo inteiro.
Como Jó, devemos esperar para que o Senhor complete seu amoroso propósito em nós, mesmo em meio ao sofrimento. Não perca a sua paciência! Em tudo dê graças, pois neste mundo tudo é passageiro, até mesmo as aflições (1Ts.5:18).
II. DISSENSÕES, RESULTADO DA IMPACIÊNCIA
Só lembrando, Dissensão significa sedição, rebelião, e também posicionar-se uns contra os outros. Trata-se daquele sentimento que só pensa no que é seu, e não também no que é dos outros.
Na Bíblia encontramos exemplos de pessoas que foram extremamente pacientes e impacientes:
- No teste final de Pedro, Jesus fez questão de ressaltar ao apóstolo, que até então fora um depósito de impaciência e precipitação, que ele deveria apascentar suas ovelhas (João 21:15-17). Vemos, portanto, que a própria ideia de apascentar o rebanho de Deus está relacionada com a indispensável longanimidade que deve acompanhar o ministério pastoral. Nas chamadas epístolas pastorais de Paulo (1 e 2Timóteo e Tito), vemos quanto está qualidade é importante para o exercício do dom ministerial de pastor. Paulo, em 1Timóteo, na saudação inicial, lembra a incumbência que havia dado a Timóteo quando determinou que ele ficasse em Éfeso; ele aconselhava a Timóteo que também fosse paciente, procurando antes ser um intercessor, alguém que escolhesse homens igualmente ponderados para o ministério, bem como persistente no ensino da Palavra e perseverante na doutrina, bem como cuidadoso no trato com os irmãos. Vemos, portanto, que a paciência é uma qualidade extremamente necessária para os ministros do Evangelho e que deve sobressair dentre as demais.
- Sarai, esposa de Abrão, é outro exemplo de impaciência registrada na Bíblia. Devido à sua esterilidade e idade avançada, ela é tomada pela impaciência e decide agir por conta própria, oferecendo sua serva Agar a Abraão para que ele tivesse um filho com ela (Gn.16:1-4). Esperar com paciência até que as promessas de Deus se cumpram não é fácil. Por isso, precisamos estar cheios do Espírito Santo a fim de que não venhamos a tomar decisões por nossa conta (Ef.5:18).
- Saul, primeiro rei de Israel, é outro exemplo de impaciência. O Senhor havia ordenado que Ele ficasse em Gilgal até a chegada de Samuel (1Sm.13:1-9). Saul esperou durante sete dias, mas depois perdeu a paciência e ofereceu ele mesmo os holocaustos. Essa era uma tarefa exclusiva dos sacerdotes (cf. Hb.9:7). O texto bíblico afirma que, acabando ele de oferecer sacrifício, Samuel chegou (1Sm.13:10). A impaciência de Saul e a sua desobediência o levaram a perder o trono e a alma (1Sm.13:11-14).
2. Deixe de lado toda Dissensão. Dissenção significa “desunião, divisão, sedição”. É a ação de dividir, de desunir, algo que é sinal da ausência do Espírito Santo na vida da pessoa (cf. Jd.19). Segundo o apóstolo Paulo, “Dissensão” é uma manifestação da Carne (Gl.5:20). Se em uma igreja há brigas e divisões, isso mostra que os crentes são carnais (cf. 1Co.3:3). Quem é guiado pelo Espírito Santo não incentiva e nem faz parte de discussões, contendas e nem de divisões.
O homem carnal vive separado de Deus por causa do pecado e, portanto, a sua natureza é própria da divisão, da separação, do desconhecimento do que é unir. Todos quantos estão a fomentar a desunião entre os irmãos, que estão a promover dissensões, separações e divisões são pessoas diretamente envolvidas com a carne, pessoas dominadas pelo pecado e que, portanto, jamais podem ter lugar em nossas vidas ou em nossas igrejas locais.
Não nos esqueçamos de que o semear contendas entre os irmãos é algo abominável diante de Deus (Pv.6:16-19). Deus opera na união (Sl.133). Quantos ministérios já foram despedaçados e as ovelhas dispersadas por causa de contendas. Paulo, em Romanos 16:17, exorta os crentes a ficarem atentos àqueles que estavam promovendo dissensões e escândalos a fim de se apartarem deles. Onde há dissensões não existe vencedor, pois todos saem perdendo. Exorta o apóstolo Paulo: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer” (1Co.1:10). Dissensões é resultado da impaciência, é resultado da ausência de maturidade espiritual.
3. Evitando o partidarismo. O partidarismo na igreja traz severos prejuízos à espiritualidade e ao desenvolvimento da obra de Deus. Contudo, o maior prejuízo está ligado aos relacionamentos entre os irmãos em Cristo. Paulo foi severo e contundente no combate a espírito divisionista que imperava na igreja de Corinto, que a despeito de sua pretensa espiritualidade, ficou na história como um alerta às igrejas cristãs de todo o mundo, registrado na carta que Paulo lhes escreveu. Ele comparou a igreja a um corpo - “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo”(1Co.12:12); “E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós” (1Co.12:21); “Para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros”(1Co.12:25); “Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros” (1Co.12:27).
Nada debilita mais a unidade do que os crentes estarem engajados no serviço de Deus sem unidade. A obra de Deus não pode avançar quando cada um puxa para um lado, quando cada uma busca mais seus interesses do que a glória de Cristo. O sentimento partidarista promove rupturas relacionais motivadas por inimizades.
Como é possível estarem duas pessoas ligadas ao mesmo Deus e inimigas? O profeta Amós escreveu: “Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?” (Am.3:3).
Como é possível duas pessoas afirmarem viver no amor de Deus e se odiarem? O apóstolo João orienta: “Se alguém disser: amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1João 4:20).
Como é possível duas pessoas louvar a Deus, cantar ao seu Santo nome, se estão em desacordo? O Senhor Jesus afirmou: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mt.5:23,24).
A
igreja precisa resgatar a sua identidade de comunidade unida, de um grupo de
pessoas que irmanadas na cruz de Cristo, trabalham, se motivam mutuamente e se
doam ao próximo. Jesus não morreu na cruz por uma igreja dividida, mas para
formar um só corpo a fim de que os perdidos possam se voltar para o Pai (João
17:21). Que venhamos a fazer todo o possível para manter o vínculo da paz, e
não deixar que as disputas e partidarismos venham macular a Igreja do Senhor.
Jesus disse que todo reino dividido não subsistirá, por isso, tenhamos cuidado
(Mt.12:25).
III.
PACIÊNCIA, PROVA DE ESPIRITUALIDADE E MATURIDADE CRISTÃ
1. Pacientes até a volta de Jesus. Devemos ser pacientes até Jesus
voltar. Tiago consolou os irmãos que estavam sofrendo com a opressão dos ricos
injustos, afirmando que a vinda de Jesus estava próxima (Tg.5:8); está às
portas (Tg.5:9). Enquanto Jesus não volta não esperamos vida fácil neste mundo
(João 16:33); Paulo nos lembra que é em meio a muita tribulação (At.14:22).
Se você está sofrendo e enfrentando alguma situação de injustiça, não se desespere, pois em breve Jesus voltará e dará fim a toda a dor, sofrimento e injustiça - “Sede, pois, irmãos, pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração, porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tg.5:7,8).
Mas, como podemos experimentar esse tipo de paciência até Jesus voltar? Tiago dá três exemplos de paciência para encorajar os crentes:
a) A paciência do lavrador (Tg.5:7,8). O lavrador ilustra a necessidade de paciência, pois não colhe no mesmo dia em que planta. Antes, vêm as primeiras chuvas que fazem a semente germinar; depois, no final da estação, vêm as últimas chuvas, necessárias para a plantação produzir os frutos. Por que o agricultor espera? Porque o fruto é precioso (Tg.5:7).
Se uma pessoa é impaciente, ela nunca deve ser um agricultor. Em Israel o agricultor dependia totalmente das primeiras chuvas que vinham em outubro (para o plantio), e das últimas chuvas que vinham em março (para a colheita). O tempo está fora do seu controle. Ele tem que confiar e esperar. É Deus quem faz a semente brotar, germinar, crescer e frutificar. Ele não pode fazer nada nesse processo (Mc.4:26-29). Uma vez que as injustiças da Terra serão corrigidas quando o Senhor voltar, o povo de Deus deve ser paciente como o lavrador. Seu coração deve estar firmado na certeza da vida do Senhor.
b) A paciência dos profetas – “Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor” (Tg.5:10). Os profetas foram homens que andaram com Deus, ouviram a voz de Deus, falaram em nome de Deus, mas passaram também por grandes aflições. Eles trilharam o caminho estreito das provas e foram pacientes. Os profetas foram perseguidos sem piedade por terem proclamado a Palavra de Deus fielmente. Ainda assim, permaneceram firmes “como quem vê aquele que é invisível” (Hb.11:27,32-40).
Admiramos profetas como Isaias, Jeremias e Daniel com grande respeito. Honramos esses homens por sua vida e zelo e devoção. Devemos nos lembrar, porém, de que passaram por grandes tribulações e sofrimentos e os suportaram com paciência.
Quando você estiver enfrentando sofrimento, não coloque em dúvida o amor de Deus, pois pessoas que andaram com Deus como você, também passaram pelas aflições. Seja paciente!
c) A paciência de Jó – “Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso” (Tg.5:11). Jó é um excelente exemplo de paciência ou firmeza. Talvez ninguém na história do mundo tenha sofrido tantas perdas em tão pouco tempo quanto Jó. Em momento algum, porém, amaldiçoou a Deus ou se afastou dele. No final, sua perseverança foi recompensada. Deus se revelou a ele cheio de terna misericórdia e compassivo, como sempre. Veja mais sobre a Paciência de Jó no item I.3.
Qual deve ser a atitude com que vamos enfrentar as provações da vida? Tiago responde: "... tende por motivo de grande gozo..." Tg.1:2). Em vez de murmurar, de reclamar, de ficar amargo, de enfiar-se em uma caverna, devemos nos alegrar intensamente. Essa alegria é confiança segura na soberania de Deus, de que Ele está no controle, de que Ele sabe o que está fazendo e sabe para onde está nos levando.
Se você está sendo provado, não desanime, permaneça firme no Senhor. Disse Tiago: “em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias provações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo” (1Pd.1:6,7).
3. Maturidade cristã. A Paciência é uma característica da maturidade cristã e do crescimento espiritual. Os crentes imaturos são sempre impacientes. A impaciência pode acarretar graves consequências: Abraão coabitou com Agar; Moisés matou o egípcio; Sansão contou seu segredo para Dalila e; Pedro quase matou Malco.
Como você descreveria alguém espiritualmente maduro? Leonard Wedel diz: "Uma pessoa madura não se leva a sério demais... mantém sua mente alerta... não entra em pânico sempre que uma situação adversa se levanta... É alguém notável demais para passar despercebida, mas nunca se sente importante demais para fazer coisas nem tão importantes assim. Nunca é orgulhosa demais para assumir tarefas humildes... nunca aceita o sucesso ou o fracasso como permanentes... é capaz de controlar seus impulsos... não tem medo de cometer erros... tem fé em si mesma, e essa fé torna-se mais forte ao ser fortalecida pela fé em Deus".
E então? Considerando esse padrão, como você avalia sua maturidade espiritual? É bom ressaltar que maturidade não se alcança apenas lendo um livro, é preciso passar pelas provas. O crente maduro permanece firme diante das perseguições e aflições. Jesus disse: "Bem-aventurado sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós" (Mt.5:11,12).
Quando somos provados, desenvolvemos a paciência triunfadora. Quando somos provados somos aprovados por Deus. Quando somos provados somos galardoados por Deus. Quando somos provados temos a oportunidade de demonstrar nosso amor por Deus. A Bíblia diz que nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória (2Co.4.17). Como Lutero expressou no hino Castelo Forte, ainda que percamos família, bens, prazeres, Deus continua sendo nosso Castelo Forte.
- Maturidade é atitude prudente. As Escrituras Sagradas dizem que são as suas atitudes que determinam se você é maduro ou não. Deus quer que você cresça e tenha atitudes como as de Cristo (cf. Ef.4:13, Gl.4:19, Cl.1:28). A atitude faz a diferença, é o seu caráter; Caráter é o que você é no escuro. Não busque apenas o reconhecimento, dê prioridade ao caráter. Reconhecimento é o que as pessoas dizem a seu respeito, Caráter é o que Deus diz de você.
- Maturidade é saber reagir positivamente diante das adversidades e correções. Diz Tiago: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma” (Tg.1:2-4).
As
provações de nossa fé trabalham por nós, e não contra nós, visto que produzem
perseverança. A perseverança visa nos levar à maturidade. Paulo diz em Romanos
5:3-5 que as tribulações são pedagógicas, levam-nos à maturidade.
Deus está no controle de nossa vida. Tudo tem um propósito. Diz o apóstolo Paulo: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus..." (Rm.8:28). Paulo diz ainda que a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória (2Co.4:17). Em Efésios 2:8-10, Paulo diz que Deus trabalha por nós, em nós e através de nós. Ele trabalhou em Abraão, em José, em Moisés, antes de trabalhar através deles. É assim que Deus faz com você ainda hoje. Lembre-se disso!
- Maturidade é sinônimo de estabilidade emocional. O crente maduro sabe administrar suas emoções de raiva, de ódio, de ira, de tristeza, ele sabe conviver com tudo isto, sabe sentir, porém, não permite isto dominar. Dizem as Sagradas Escrituras: “Irai-vos, mas não pequeis” (Ef.4:26); “Perturbai-vos e não pequeis; falai com o vosso coração sobre a vossa cama, e calai-vos” (Salmos 4:4); “De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais (2Ts.1:4); “Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?” (Hb.12:7).
CONCLUSÃO
A
Paciência é seguramente a virtude que torna o homem semelhante a Deus. Que
venhamos crescer na graça e na sabedoria de Deus, buscando desenvolver esta
virtude do Fruto do Espírito e deixando de lado as dissensões, pois em breve o
Senhor Jesus voltará. Israel é o maior sinal de sua volta; é o relógio de Deus.
Esteja atento!



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