CONHECENDO LAMEQUE
Texto Bíblico: Gênesis 6:1-6
“E viu o SENHOR que a maldade do homem se
multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração
era só má continuamente” (Gn 6:5).
Na Bíblia, o nome Lameque é
atribuído a dois personagens distintos, ambos mencionados no livro de Gênesis.
É muito importante não os confundir, pois suas trajetórias e legados são
opostos.
Aqui estão os detalhes sobre cada
um deles:
1. Lameque, o descendente de Caim
Este é o personagem mencionado em
Gênesis 4:18-24. Ele faz parte da linhagem de Caim (o primeiro assassino
da Bíblia) e representa a decadência moral daquela linhagem.
- O primeiro polígamo:
Lameque é o primeiro homem na Bíblia a quebrar o padrão da monogamia
original, casando-se com duas mulheres: Ada e Zilá.
- A "Canção de Lameque": Em
um poema registrado na Bíblia, ele confessa ter matado um homem e um jovem
pôr o terem ferido. Ele usa essa confissão para se gabar de uma violência
ainda maior que a de Caim, declarando que, se Caim seria vingado sete
vezes, ele seria "setenta vezes sete" (Gênesis 4:23-24). Isso
reflete uma cultura de orgulho e sede de vingança desenfreada.
- Família notável:
Apesar da sua natureza violenta, seus filhos foram muito influentes no
desenvolvimento da civilização primitiva:
2. Lameque, o descendente de Sete
Este personagem é mencionado em Gênesis
5:25-31. Ele pertence à linhagem piedosa de Sete, o terceiro filho de Adão.
- Pai de Noé: Ele é filho de
Matusalém e pai de Noé, tornando-se um ancestral direto de Jesus Cristo
(como citado na genealogia de Lucas 3:36).
- Um homem de esperança: Ao
contrário do seu homônimo da linhagem de Caim, este Lameque demonstrou fé.
Ao nascer seu filho, ele o chamou de Noé (que significa "descanso" ou "consolo"),
dizendo: "Este nos consolará do nosso trabalho e do sofrimento de
nossas mãos, causados pela terra que o Senhor amaldiçoou" (Gênesis
5:29). Ele via em seu filho uma esperança de alívio para a humanidade.
- Longevidade:
Segundo o relato bíblico, ele viveu 777 anos e faleceu pouco antes
do Dilúvio.
Resumo Comparativo
|
Característica |
Lameque (linhagem de
Caim) |
Lameque (linhagem de
Sete) |
|
Pai |
Metusael |
Matusalém |
|
Principal marca |
Poligamia e violência |
Fé e esperança |
|
Legado |
Orgulho e artes/indústria |
Pai de Noé (ancestral de Jesus) |
|
Referência Bíblica |
Gênesis 4:18-24 |
Gênesis 5:25-31 |
O Lameque da linhagem de Sete
é uma figura de transição crucial no livro de Gênesis. Ele representa a ponte
entre a humanidade pré-diluviana e a nova era que teria início com seu filho,
Noé.
Aqui estão os pontos principais
sobre sua vida e significado bíblico:
1. Uma Linhagem de Esperança
Enquanto a linhagem de Caim (o
outro Lameque) ficou marcada pelo desenvolvimento tecnológico e artístico, mas
também pela violência e arrogância, a linhagem de Sete, da qual este Lameque
faz parte, é caracterizada pela busca por Deus. Ele é o nono patriarca na
genealogia de Adão a Noé, ocupando um lugar de destaque entre figuras como
Enoque (seu avô) e Matusalém (seu pai).
2. A Profecia sobre Noé
O aspecto mais marcante da vida
de Lameque está na esperança que ele depositou no nascimento do seu filho. Ao
nomear a criança como Noé (Noach), que significa
"descanso" ou "consolo", ele expressou um desejo profundo
de alívio:
"Este nos
consolará do nosso trabalho e do sofrimento de nossas mãos, causados pela terra
que o Senhor amaldiçoou." (Gênesis
5:29)
Esta frase revela que, mesmo na
linhagem piedosa, a vida era extremamente difícil. A maldição imposta à terra
após a queda de Adão tornava a agricultura um fardo penoso. Lameque reconhecia
a condição caída do mundo e ansiava por um tempo de paz e restauração.
3. Conexão com o Dilúvio
Lameque viveu durante um período
em que a corrupção humana se espalhava rapidamente. Ele teve uma vida muito
longa — 777 anos — segundo a narrativa bíblica.
- Ele nasceu 182 anos após o nascimento de
Matusalém.
- Ele faleceu cinco anos antes do início do
Dilúvio, aos 777 anos de idade.
- Sua morte, portanto, marcou o fim de uma era.
Ele foi um dos últimos sobreviventes daquela geração a testemunhar o mundo
antes da catástrofe que purificaria a terra.
4. Importância Genealógica
Além de seu papel profético, ele
é uma figura fundamental na linhagem messiânica. Ele é o pai direto de Noé, e
através de Noé, a humanidade foi preservada. Seu nome aparece na genealogia de
Jesus em Lucas 3:36, ligando o Salvador da humanidade diretamente aos
patriarcas do Gênesis.
Em síntese: O
Lameque da linhagem de Sete simboliza a expectativa messiânica. Ele não
viveu para ver o arco-íris da aliança ou o fim das águas do dilúvio, mas ele
teve a percepção espiritual de que Deus traria um descanso para o sofrimento
humano, visão que se concretizou através da obediência de seu filho Noé.
INTRODUÇÃO
Lameque, no
Hebraico significa vigoroso. Na descendência de Caim, ele constitui
a quinta geração que deu origem a uma geração corrupta de homens
preocupados com o "ter" (Jabal), com o entretenimento (Jubal), com as
armas de guerra (Tubal-Caim) e com o prazer sensual (Naamá). Ele cometeu o segundo homicíido mencionado na Bíblia, que
seria duplo (um varão por tê-lo ferido e um mancebo por tê-lo pisado). Na
história da humanidade, segundo a Bíblia, ele foi o primeiro homem a praticar a
bigamia, manchando a instituição divina do casamento. Lameque teve duas esposas: o nome da primeira era Ada,
que teria sido mãe de Jabal e de Jubal; o nome da segunda esposa chamava-se
Zilá, que foi mãe de Tubal-Caim e de Naamá.
Segundo
a Bíblia, Jabal ficou conhecido como o pai dos construtores de
tendas e criadores de gado (Gn 4:20); Jubal, irmão de Jabal,
destacou-se como o inventor de instrumentos musicais. Por isso, ficou conhecido
como “o pai dos músicos” (Gn 4:21); Tubal-Caim teria sido o
primeiro homem a fazer uso do cobre e do ferro nas construções da humanidade
(Gn 4:22); Naamá, seu nome quer dizer “agradável", "desejável". Ela
é irmã de Tubal-Caim e é citada, de modo especial, em Gn 4:22, pois não se
mencionava nomes de mulheres nas genealogias antigas. Segundo estudiosos, esta
citação não vem como um elogio, mas como uma denúncia do começo da prostituição
no meio da humanidade.
Os pecados de Lameque e seus descendentes se alastraram de tal maneira que viriam a depravar, inclusive, a linhagem piedosa de Sete, provocando o juízo divino sobre aquela impiedosa humanidade. Mas em todos os modos de Deus tratar com a humanidade Ele nunca deixou de ter um povo remanescente. Dentre toda aquela humanidade corrupta, havia uma família que não se rendeu ao pecado: a família de Noé. Este era justo e temente a Deus, não tendo se corrompido como os demais (Hb 11:7). Noé e sua família foram salvos, e isso nos mostra que Deus tem um compromisso com aqueles que pela fé lhe obedecem. Estudaremos com mais detalhe sobre Noé na Aula nº sete.
I. CONTRASTE ENTRE OS LAMEQUES (1)
1. Os dois Lameques e suas diferenças. Nos capítulos 4 e 5 de Gênesis é mencionado dois “Lameques”: um em Gn 4:18,19 e outro em Gn 5:25,28,29.
- O Lameque do capítulo 4 é o da linhagem de Caim. Trata-se, pois, de um homem violento e odioso, conforme o autor sagrado descreveu: “... vós, mulheres de Lameque, escutai o meu dito: porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar. Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete" (Gn 4:23,24). Este Lameque cantava, entoava a impiedade e a violência. A intenção de fazer o mal pulsava em seu coração.
- O Lameque do capítulo 5 é o da geração de Sete. A geração que começou a buscar a face do Senhor Deus. Esse Lameque é o pai de Noé. Diferentemente das palavras do Lameque do capítulo 4, o pai de Noé se referiu ao seu amado filho, quando o nomeou, assim: "E chamou o seu nome Noé, dizendo: Este nos consolará acerca de nossas obras e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o SENHOR amaldiçoou" (Gn 5.29). Este Lameque conhecia bem o Senhor e sabia que a terra estava cheia de violência. Entretanto, ele depositou a sua esperança no seu filho, pois sabia que Noé agradaria o Senhor seu Deus.
- O Lameque do capítulo 4 simboliza a violência, o ódio, a desesperança, o mundo entregue ao mal, a devassidão moral, a violência ilimitada e a terrível resistência à graça divina. Ele é o primeiro compositor de poema musical - “E disse Lameque [...] escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou” (Gn 4.23). Lameque tinha sido insultado ou injuriado por alguém, e então ele lhe tirou a vida. Ao invés de sentir remorso, ele se orgulhou disto perante suas esposas, compondo o que no texto em hebraico é conhecido como um poema ou uma canção. Esta canção é conhecida como "insulto" ou "canção da espada". As palavras desta canção revelam quão ímpio Lameque era. Ele não se orgulha somente de sua vingança, mas diz que faria mais para se vingar do que Deus poderia ter feito para vingar Caim se ele tivesse sido morto – “Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete” (Gn 4:24). Isto é um escárnio ao juizo divino. Infelizmente, há muitas pessoas hoje que usam de chocarrice e escárnio com as coisas de Deus, com a Bíblia ou com aqueles que servem a Deus. Muitos são os que, por pecarem tanto, já estão tão acostumados com eles que não acreditam num juízo divino ou, mesmo que ele venha, não atentando que sofrerão eternamente pelas coisas que andam fazendo.
- O Lameque do capítulo 5 representa a esperança, o consolo de Deus a uma geração. Este é o Lameque que não prosperou em maldade, mas em bondade, misericórdia e consolação. Por intermédio dele, chegou o livramento de Deus para a humanidade. No Dilúvio, o plano de Deus apontava para o Seu plano superlativo para o mundo: a Cruz do Calvário.
2. Lameque, descendente de Caim, um exemplo a não ser seguido. Lameque é um exemplo a não ser seguido pelas seguintes razões. (3)
a) Ele se vangloria de ser um homem violento. Lameque tem prazer em alardear sua violência. Leia novamente suas palavras: “... escutai o que passo a dizer-vos: matei...” (Gn 4:23).
b) Ele banaliza a vida humana - “... Matei [...] um rapaz porque me pisou”. Para Lameque as pessoas não valiam nada. A violência é a demonstração mais vil de que a vida humana não tem valor. Matar um jovem por causa de uma pisada no pé é não ter nenhum respeito com a vida humana.
c) Ele não gosta de sentir dor, mas fere as pessoas. Lameque não gosta de ser pisado, mas pisa as pessoas. Lameque tipifica aquelas pessoas que não gostam de ser machucadas, mas têm prazer em machucar os outros.
d) Ele é avesso ao perdão. Perdão é uma palavra desconhecida no vocabulário de Lameque. Infelizmente, muitos à semelhança de Lameque preferem retribuir a ofensa na mesma intensidade ou em grau superior do que liberar perdão. Alguém pode alegar que não tem nada a ver com Lameque, afinal nunca matou ninguém. Mas a Bíblia diz que se você odiar a seu irmão é considerado assassino - “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino” (João 3:15). Portanto, tornamo-nos semelhantes à Lameque quando não perdoamos, antes odiamos ao nosso irmão. Jesus foi mais enfático e contundente quando disse: “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus...” (Mt 5:44,45).
II. UMA TERRA PERFEITA PARA UMA GERAÇÃO IMPERFEITA
1. Um planeta farto e pródigo. Apesar do pecado, a Terra pré-diluviana era um habitat perfeito. Havia fartura de pão, saúde perfeita, beleza perfeita, tecnologia avançada. Por isso, a população antediluviana dava-se ao luxo de viver irresponsável e impiamente. Jesus Cristo fez uma descrição desse período, quando ele falava aos seus discípulos acerca de sua segunda vinda: “Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem.” (Mt 24:38,39).
2. Vida longa e próspera. A longevidade era um marco desse glorioso período, contavam a vida em séculos, não em décadas. Além disso, a geração antediluviana era bastante próspera, não se angustiava com os problemas que, hoje, nos afligem. Ninguém se preocupava com a escassez. Havia água e comida em abundância.
Como possuir tudo em abundância, e sem o temor de Deus, a natureza carnal os levava a orgias e truculências. Sua lógica era o pecado. Com uma vida quase milenar, os pré-diluvianos viviam pendularmente entre a eternidade e a impunidade. Como um homem de quase mil anos haveria de temer a morte? E se Deus já os entregara aos próprios erros, não lhes castigando de imediato a iniquidade, por que temer o Juizo Final se a história mal havia começado? Por essa razão, os contemporâneos de Noé viviam para pecar e pecavam para viver. Não era incomum deparar-se com um adúltero de seiscentos anos, com um assassino de oitocentos ou um corrupto de quase mil anos.
Diante de um quadro de impunidade, de degradação moral, o Senhor resolve dar um baste a tudo isso. Primeiramente, Ele começa colocando um limite a vida biológica. Se observarmos os capitulos cinco e onze de Gênesis veremos que as genealogias descritas tiveram uma alteração drástica no cômputo das idades. Nas genealogias analisadas no capítulo 5, a vida humana era calculada em séculos. Já no capítulo 11, a vida da população é calculada em décadas. Matusalém chegou há 969 anos; já. Terá, pai de Abrão, o último dos longevos, viveu até os 205 anos (Gn 11:32). Na conclusão de Gênesis, constata-se que a fronteira biológica do ser humano já está fixada, pois José, filho de Jacó, faleceu aos 110 anos (Gn 50:26). Mais tarde, queixa-se Moisés da efemeridade da existência humana (Sl 90:10).
3. Harmonia ecológica. Até o Dilúvio, havia perfeita harmonia entre os
reinos animal, vegetal e humano. Os animais selvagens nao representavam
qualquer ameaça. A única ameaça era o próprio homem, que, por ser agressivo e
irreconciliável, amedontrava até mesmo a mais brutal das feras. Após o Dilúvio,
contudo, pavor e medo recairiam sobre o reino animal; sobre a natureza, gemido
e angústia (Gn 9:2; Rm 8:22). Apesar do reino animal e vegetal em decadência,
mesmo assim, o mundo ainda era perfeito, belo e sustentável. Mas o povo que o
habitava era o antônimo de tudo isso. Ao invés de agradecer ao Criador por
todas as benesses, pela sua graça comum (Gn 8:22), a população aproveitava tais
favores para depravar-se totalmente. E o ser humano continua caminhando de mal
a pior. Devemos estar conscientes de que um Dia toda natureza gentílica será
extirpada e o reino de Cristo estabelecido para sempre. Os grandes reinos
crescem, fortalecem-se, deterioram-se e caem, mas só o Reino de Deus permanece
para sempre, conforme Daniel capítulos 2 e 7.
III. UM MUNDO TOTALMENTE DEPRAVADO
O mundo de Lameque era depravado e cruel. Voltando-se contra o Senhor, seus descendentes cometeram os pecados mais hediondos e abomináveis.
1. Devassidão sexual. A Bíblia relata que foi na civilização cainita que se iniciou a poligamia e os pecados da prostituição. Lameque, o primeiro polígamo, foi quem deu a cartada inicial da quebra do princípio da monogamia (ler Gn 4:19), abandonando-se o modelo divino de família. Os pecados sexuais, agora, eram cometidos como se nada fosse proibido; não havia limites à prostituição; a irmã de Tubal-Caim, Naamá, é tida como a primeira prostituta da história.
Conforme o texto sagrado, até mesmo os descendentes de Sete corromperam-se em meio àquela imoralidade abominável. Relata o autor sagrado: “viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram” (Gn 6:2). Esses “filhos de Deus”, sem dúvida, eram os descendentes da linhagem piedosa de Sete (cf. Dt 14:1; Sl 73:15; Os 1:10); eles deram início aos casamentos mistos com as “filhas dos homens”, isto é, mulheres da família ímpia de Caim.
A teoria de que os “filhos de Deus” eram anjos, não subsiste ante as palavras de Jesus, que os anjos não se casam (Mt 22:30; Mc 12:25). O que vem a reforçar essa ideia é o fato de que, após o relato inicial em Gênesis 6, o texto mostra a ira de Deus contra a corrupção humana nos versículos 6 e 7 resultando na destruição da raça humana com o dilúvio e a salvação apenas da família de Noé, porque este era justo e temente a Deus, não tendo se corrompido como os demais (Hb 11:7). Se os “filhos de Deus” fossem anjos a punição deveria vir apenas para eles e não para os homens, posto que são de maior força, podendo dominar facilmente os humanos e fazerem o que quiser, como o diabo, também, muitas vezes faz com as pessoas. Portanto, indubitavelmente, os “filhos de Deus” são aqueles descendentes de Sete que começaram a invocar o nome do Senhor, e os “filhos dos homens” são os descendentes de Caim que se afastaram de Deus e começaram a pecar.
Hoje em dia, a imoralidade, a incredulidade e a pornografia dominam a sociedade inteira (ver Mt 24:37-39).
2. Violência sem limites. “… a terra está cheia de violência…” (Gn 6:13). A palavra "violência" na Bíblia é “hamas”, que significa "injustiça, ser violento com tratar violentamente". A violência é uma das consequências da queda do homem. E é lógico que há um interesse do inferno em intensificar cada vez mais a violência, pois ela é contrária aos princípios bíblico e inútil na resolução de qualquer problema.
Em Gn 6:11 lemos: "A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência". Neste texto, a associação feita entre "corrupção" e "violência" é assustadora e demonstra que o estado do mundo determina seus aspectos vivenciais e atrai a ira de Deus.
A união conjugal indevida entre os descendentes de Sete e de Caim (jugo desigual) levou a um estado deplorável de iniquidade. A terra corrompeu-se e encheu-se de violência sem limites (Gn 6:11-13). Em Gn 6:5 está escrito: “E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”. Os homens valentes eram cultuados como ídolos: “Havia, naqueles dias, gigantes na terra; e depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os varões de fama” (Gn 6:4).
Lameque espontaneamente e livremente assassinou dois homens. Um adulto, ele matou porque o feriu; e um jovem por lhe ter pisado. Logo, o seu crime, além de covarde, foi brutal. Nossos dias não diferem em nada do mundo de Lameque; a degeneração humana não mudou; o mal continua irrompendo desenfreado através da depravação e da violência. Por causa de um celular ou por uns míseros centavos, muita gente jovem perde a vida.
- Na sociedade atual, o desamor é uma constante e, em virtude disto, os dias são repletos de violência, pois a vida humana é vilipendiada, já que não há amor a Deus e, consequentemente, não há amor ao próximo. O homem é menosprezado e se desenvolve, entre os homens, uma verdadeira “cultura da morte”. Tal qual no mundo de Lameque, assassina-se banalmente. Leiam a história e verão que déspotas, como Stalin, Hitler, Mao Tsé-Tung, Kin Jong-um (ditador sanguinário da Coréia do Norte), dentre outros, não fizeram e nem fazem caso algum da vida do seu próximo, praticam impiedosamente genocídios e crimes contra a humanidade. A índole criminosa do ser humano vai de mal a pior!
- Na sociedade atual está acontecendo muita ferocidade entre as pessoas. O apóstolo Paulo, ao descrever os últimos dias, diz que seriam dias em que os homens seriam amantes de si mesmos, sem amor para com os bons, desobedientes a pais e mães, ingratos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, cruéis, obstinados e orgulhosos (2Tm 3:2-4). Assim, são pessoas que só pensam em si próprios e cria condições múltiplas para se servirem do próximo, aproveitarem-se dele e o explorarem o máximo possível. Em virtude desta “ferocidade humana”, vivemos dias em que o individualismo, o egoísmo, a vileza com que o homem é tratado faz com que as pessoas se tornem desconfiadas, desacreditadas umas das outras, comportamento que prejudica todo e qualquer relacionamento. A consequência disto é a expansão do ódio, da raiva, da violência. As pessoas agem em relação às outras como se estas fossem, há muito, suas inimigas. Vivemos a época da insegurança e do medo indiscriminados.
- Na sociedade atual, o homem não tem a menor preocupação em prejudicar o outro, desde que isto lhe seja conveniente e contribua para que atinja os seus objetivos; objetivos estes que dizem respeito somente a si próprio. A ganância, o prazer, o bem-estar próprio, a satisfação do seu ego, é só isto que é estimulado, incentivado e almejado pelo homem dos últimos dias.
- Na sociedade atual, a violência contempla todos os níveis sociais e culturais, desafiando quem quer que seja, sem vislumbre de uma solução tangível. Somente o Evangelho de Cristo é o remédio eficaz para debelar a violência sobre a Terra. Até que o Senhor Jesus retorne, faz parte da missão da Igreja fazer deste um mundo menos violento, pregando o Evangelho, praticando a justiça e amparando os menos favorecidos.
3. Resistência à graça divina. Não sabemos por quantos anos, décadas, ou séculos, a geração de Lameque resistiu ao Espírito Santo. Da resistência ao Espírito Santo de Deus, aquela humanidade antediluviana passou a blasfemar contra o SENHOR, depravando-se totalmente. Mas, chegou o tempo em que Deus deu um basta a tudo isso. Disse o Senhor: “O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos” (Gn 6:3).
A Graça salvadora de Deus é inesgotável, é abundante. Por isto ela envolve todo o mundo, é suficiente para predispor toda a humanidade a tornar-se merecedora da Redenção Divina, oferecendo-lhe a oportunidade de escapar da justa e inevitável condenação; mas, tal qual o mundo antediluviano, a maioria da população mundial de hoje resiste à graça salvadora de Deus. Isso terá limite. A justiça de Deus é certa e muito rigorosa sobre o mundo corrupto e destituído de Deus. Para aquela civilização Deus disse: “O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; eis que os desfarei com a terra” (Gn 6:13). A Palavra de Deus adverte: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mt 24:37).
IV. UM MUNDO CONDENADO À DESTRUIÇÃO (Gn 6:5,7,8,11-13)
5. E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a Terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.
7. E disse o SENHOR: Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem até ao animal, até ao réptil e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.
8. Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR.
11. A Terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a Terra de violência.
12. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.
13. Então, disse Deus a Noé: O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra.
Nos dias que antecederam o dilúvio, a Terra encheu-se de violência e imoralidade, de forma que ficou insustentável a vida na Terra. O temor a Deus tinha quase desaparecido dos corações dos filhos dos homens. A libertinagem predominava, e quase todo o tipo de pecado era praticado. A maldade humana era aberta e ousada, e o lamento dos oprimidos alcançava os Céus. A justiça estava esmagada até o pó. Os fortes não somente usurpavam os direitos dos fracos, mas forçavam-nos a cometer atos de violência e crimes.
No versículo 13, o Deus Criador ordena o fim de todas as coisas. O motivo: a multiplicação da violência. O resultado: “... os destruirei com a terra...". Deus havia decidido acabar com tudo isso (o mal sobre a terra) e dar ao homem a retribuição por seus atos pecaminosos violentos: a morte física e morte eterna. Isso fica claro porque somente oito pessoas (Noé e sua família) são salvas da grande catástrofe que veio sobre a humanidade.
O fato de a Terra estar cheia de violência não podia continuar sem controle. Deus tomou a decisão e estava pronto para agir. A punição tinha de ser drástica. O Gênero humano e todas as demais vidas sobre a Terra seriam destruídos, no decorrer da duração do dilúvio.
Antes do Juízo de Deus sobre os ímpios, Deus proveu a Salvação para os justos. Deus mandou que Noé fizesse uma Arca. Nela somente os justos poderiam adentrar e escapar do Juízo divino. Ninguém acreditou que isso iria acontecer, até que Deus tomou a decisão drástica de destruir os ímpios.
A degeneração humana não mudou; o mal continua irrompendo desenfreado através da depravação e da violência (ver Mt 24:37-39; ver Rm 1:32). Não resta dúvida que Deus trará forte Juízo sobre todos aqueles que praticam a violência e a promove. A Palavra de Deus adverte: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mt 24:37).
A Igreja, a Universal Assembleia dos Santos (Hb 12:23), é a Arca que Deus elegeu para colher a todos aqueles que de forma decisiva e resoluta entrar nela; seu capitão é Jesus Cristo, que nos assegura um porto seguro. Portanto, todos aqueles que adentrarem nesta Arca estão predestinados à vida eterna com Deus (Ef 5:1).
CONCLUSÃO
Jesus declarou profeticamente que o mundo, na ocasião da sua volta, será semelhante aos dias da geração antediluviana - “Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt 24:38,39).
O estado decadente de pecado e corrupção daqueles dias desgostou a Deus, de tal maneira, que resolveu intervir na história, trazendo o justo castigo, através do Dilúvio. O juízo de Deus destruiu todos, menos os que estavam na Arca. Estes, porém, não foram salvos por causa da sua justiça nem retidão, e sim, por causa da graça de Deus (Gn 6:8). Podemos ver que a salvação é puramente pela graça de Deus.
