A ORAÇÃO SÁBIA DE SALOMÃO
Texto Bíblico: 2Cr
6:12,21,36,38,39
“E, acabando
Salomão de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e
a glória do Senhor encheu a casa” (2Cr
7:1).
A oração de Salomão na dedicação
do Templo, registrada em 2 Crônicas 6, é um dos momentos mais solenes e
instrutivos da Bíblia. Ela revela não apenas a humildade de um rei diante da
vastidão de Deus, mas estabelece um padrão de intercessão que conecta a necessidade
humana à soberania divina.
Os Pilares da Oração de Salomão
Ao analisar os versículos
citados, percebemos que a oração de Salomão não é um pedido egoísta, mas um compromisso
de aliança.
1. Humildade e Reconhecimento
(2Cr 6:12)
Salomão coloca-se diante do
altar, na presença de toda a congregação, e estende as mãos. O ato de orar
publicamente após construir a estrutura mais grandiosa da época demonstra que
ele sabia que o Templo não continha a Deus, mas era apenas um lugar de
encontro. Ele reconhece que, por mais grandioso que fosse o edifício, o Deus
dos céus não poderia ser contido por ele.
2. O Templo como o "Lugar de
Escuta" (2Cr 6:21)
O pedido central de Salomão é que
Deus "ouça as súplicas" quando o povo se voltasse para aquele lugar.
Ele entende o Templo como um ponto de convergência espiritual. Salomão
sabia que o perdão e a intervenção de Deus não eram automáticos pelo ritual,
mas dependentes da sinceridade do arrependimento manifestado ali.
3. O Reconhecimento da
Fragilidade Humana (2Cr 6:36)
Este é um dos pontos mais
profundos da oração: "Pois não há homem que
não peque". Salomão
apresenta uma teologia realista da condição humana. Ele não pede a Deus que o
povo seja perfeito, mas que, quando o pecado inevitavelmente ocorresse,
houvesse um caminho de retorno e restauração.
4. O Arrependimento como Chave
(2Cr 6:38-39)
Salomão condiciona a restauração
do povo a um retorno genuíno: "se se
converterem a ti de todo o seu coração e de toda a sua alma". Ele
não pede que Deus ignore o erro, mas que Deus responda ao arrependimento
sincero, trazendo justiça e perdão.
A Resposta Imediata: O Fogo e a
Glória (2Cr 7:1)
A transição de 2
Crônicas 6 para 2 Crônicas 7 é impactante. A oração de Salomão termina e,
imediatamente, o fogo desce.
- O Fogo: Representa a
aceitação divina. O sacrifício foi consumido porque o coração do rei e a
disposição do povo estavam em sintonia com os propósitos de Deus.
- A Glória (Shekinah): A
presença de Deus tornou-se tão densa e real que os sacerdotes não puderam
permanecer no lugar.
Reflexão: A
sabedoria de Salomão, neste momento, não esteve em seus discursos ou em sua
riqueza, mas em sua capacidade de desviar o olhar de si mesmo para Deus.
O Templo foi construído pelas mãos de Salomão, mas a glória foi trazida pela
resposta de Deus à sua oração de contrição.
Essa oração nos ensina que o
sucesso de qualquer projeto (seja um templo, uma vida pessoal ou uma obra) não
depende da perfeição de quem executa, mas da disponibilidade de quem se
humilha para clamar pelo perdão e pela presença de Deus.
INTRODUÇÃO
Como podemos avaliar se uma oração é sábia? É claro que nós não podemos
estipular algum parâmetro que possamos tomar como referência para dizermos com
precisão: “esta oração se enquadra dentro do parâmetro estabelecido, logo é uma
oração sábia”, não. O Espírito Santo é o avaliador da oração; Ele ajuda as
nossas fraquezas e aperfeiçoa os ingredientes certos do incenso (a nossa
oração) a ser posto diante do Deus Pai (ler Rm 8:26). Todavia, não podemos
deixar de destacar que a melhor maneira de apelarmos a Deus é quando vamos a
Ele como servos. Muitos querem determinar que Deus faça isto ou aquilo, ao seu
bel prazer, esquecendo-se que o Senhor nos ensina a servidão. Uma condição
basilar a uma oração sábia e eficaz não deixa de ser a que nos comportemos
diante do nosso Senhor com um coração de servo. Ser servo, humilde, submisso é
essencial e indispensável para estarmos diante do Senhor em oração; é a
essência do caráter cristão. Davi tinha um coração de servo! Deus mesmo o
chamou de servo (Sl 78:70; 89:20). Jesus é o maior exemplo de servo humilde e obediente
(João 4:34; Fp 2:5-8).
I. VIVENDO A DIFERENÇA
Salomão viveu num lar marcado por sucessivos problemas morais. Davi foi
cuidadoso em construir um reino, trabalhou arduamente para isso. Como líder e
administrador da monarquia, ele se saiu muito bem, todavia, quase nada vemos
ser feito dentro de casa. Havia um dualismo reino-família que pareciam ser
mutuamente excludentes. Os maiores inimigos de Davi não foram as nações
vizinhas, mas uma anarquia generalizada que se instaurou dentro de sua própria
casa: Amnon estupra sua irmã; Absalão mata seu irmão; as concubinas do rei são
possuídas sexualmente pelo seu próprio filho; Adonias usurpa o trono etc. São
todos fatos de certa forma ligados à vida familiar. Uma família desestruturada
assemelha-se a um trem que descarrilou; é uma tragédia. O que podemos dizer com
segurança é que Davi se saiu muito bem como rei, mas o mesmo não pode ser dito
como pai. Davi estruturou o seu reino, mas deixou sua casa ruir. Não adianta
ganhar tudo e perder a família. Já ouvi alguém dizer acertadamente que nenhum
sucesso justifica o fracasso da família.
O apóstolo Paulo bem disse em 1Corintios 16:19, quando se refere a um casal de
crentes da Igreja Primitiva: “... muito vos saúdam Áquila e Priscila e, bem
assim, a Igreja que está na casa deles”. A nossa casa deve ser uma extensão do
Reino de Deus e o Reino de Deus precisa estar dentro de nossa casa. Um não pode
existir sem o outro.
Conquanto tenha falhado na educação dos seus filhos por se dedicar ao reino de
Israel, Davi deixou um legado, que foi referência na vida de Salomão: o legado
espiritual. O próprio Salomão testemunhou isso, quando o Senhor lhe apareceu em
sonho em Gibeão: “E disse Salomão: De grande
beneficência usaste tu com teu servo Davi, meu pai, como também ele andou
contigo em verdade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a tua face;
e guardaste-lhe esta grande beneficência e lhe deste um filho que se assentasse
no seu trono, como se vê neste dia” (1Rs 3:6). Líder justo e
inteiramente devotado a seu povo, Davi foi, acima de tudo, um homem da mais
profunda fé, responsável por abrir as portas do arrependimento para todas as
gerações futuras. Ele deixou a todos os judeus e a toda a humanidade, um legado
de fé e coragem, bem como a dinastia real de Israel da qual viria o Messias.
Ao longo de sua vida, Davi demonstrou por diversas vezes que era dependente da
orientação divina para realização de suas conquistas e de seus planos (1Sm
23.2; 30.8; 2Sm 2.1). E ele sabia que para o seu sucessor obter êxito no seu
governo era necessária uma dependência total aos ditames da Palavra de Deus.
Por isso, antes de morrer, deu a Salomão suas últimas instruções: “E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e
serve-o com um coração perfeito e com uma alma voluntária; porque esquadrinha o
Senhor todos os corações e entende todas as imaginações dos pensamentos; se o
buscares, será achado de ti; porém, se o deixares, rejeitar-te-á para sempre” (1Cr
28:9). Esse aviso foi bastante instrutivo, firme e contundente; e cabia a
Salomão, juntamente com seus súditos, observar esse importante legado. E o povo
de Israel não ficou livre dessa advertência, pois antes disso Davi lembrou ao
povo a guardar todos os mandamentos do Senhor (1Cr 28.8).
Salomão levou em consideração o legado espiritual deixado por seu pai Davi. Ele
começou seu reinado com fé no Senhor e amor a Ele (1Reis 3:3). Como uma
demonstração de seu caráter piedoso, ele foi a Gibeão para lá sacrificar ao
Senhor, e sacrificou mil holocaustos (1Rs 3:4). Nesse
local apareceu-lhe o Senhor de noite, em sonho, e disse-lhe: “Pede o que
quiseres que te dê”. Diante dessa oportunidade inigualável, Salomão
proferiu uma das mais belas orações da Bíblia; uma oração que agradou a Deus
(1Rs 3:10). Ele orou pedindo sabedoria e um coração entendido isto é,
capacidade para tomar decisões coerentes com a verdade revelada na Lei de Moisés
(1Rs 3:5-9). Com esse pedido, Salomão demonstrou reconhecer três verdades
importantíssimas: (1) ele era humanamente incapaz de governar Israel; (2) seu
sucesso dependia única e exclusivamente do favor de Deus; e (3) o povo de
Israel não era propriedade sua, e sim do próprio Jeová, Deus de Israel. Deus se
agradou de seu pedido (1Rs 3:10) e atendeu sua oração (1Rs 3:11-14). Todavia, o
dom da sabedoria que Deus deu a Salomão não era uma garantia de que ele sempre
andaria em retidão. Por essa razão, Deus acentuou que a vida longa de Salomão
dependeria de “andares nos meus caminhos” (1Rs
3:14). A infidelidade de Salomão posteriormente,
impediu a realização integral da vontade de Deus na sua vida (1Rs
11:1-8).
A oração de Salomão na inauguração do Templo (1Rs 8.1—9.9; 2Cr 5—7). Durante sete anos e meio Salomão construiu o Templo – entre o quarto ano do seu reinado, até o décimo primeiro ano (1Rs 6:37,38). Quando o Templo ficou todo pronto, Salomão convocou todo o Israel para uma grande festa de dedicação. Ele convocou os principais líderes do povo e todo o povo, e ordenou o translado da Arca da Aliança para o Templo. No dia do cortejo, que foi feito com grande pompa, em que todos os sacerdotes e levitas cantavam salmos e o povo festejava, foi imolado um imenso número de ovelhas e bois em sacrifício. A Arca foi colocada no local chamado de Santo dos Santos, sendo que aí somente uma vez por ano era permitida a entrada do sumo sacerdote. Depois de um breve discurso (2Cr 6:1-11), Salomão se dirigiu a Deus, com uma das mais belas orações da Bíblia (2Cr 6:14-42). Depois da dedicação do Templo, o Senhor apareceu mais uma vez a Salomão e ordenou que ele obedecesse à Lei e conduzisse o povo à obediência, com a promessa de que, sob estas condições, os olhos do Senhor estariam sempre sobre aquele lugar, mas caso Israel desobedecesse, seria submetido à severa disciplina (1Rs 9:1-9; 2Cr 7:11-22).
Davi começou muito bem; esteve muito mal, cometendo pecados terríveis, mas
soube se erguer, não se deu por vencido; terminou os seus dias em comunhão com
Deus, a ponto de o Senhor se agradar em fazer um pacto com ele, e prometer que
o seu reino não teria fim. Com Salomão, infelizmente, os seus dias finais foram
uma decepção, o que resultou na divisão do reino de Israel.
O que é mais admirável num crente não são os dons e prováveis unções que ele
aufere, mas a capacidade espiritual de ultrapassar e vencer as barreiras
inibidoras de sua jornada até ao alvo pretendido. A nossa maratona é de
resistência. Não há classificação na chegada, mas há grande recompensa quem
resistiu os obstáculos e chegou até o fim. Quem chegar no final da maratona
será premiado. A maratona só termina com a glorificação do crente, e ela não
acontece aqui na terra.
II. AS CARACTERISTICAS DA ORAÇÃO DE SALOMÃO
1. Salomão confessou que Deus é único (2Cr 6:14 – “e disse: Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus
semelhante a ti, nem nos céus nem na terra, como tu, que guardas o concerto e a
beneficência aos teus servos que caminham perante ti de todo o seu coração”.
Salomão proferiu estas palavras ajoelhado (2Cr 6:13), como sinal de
reverência e de submissão ao Deus supremo e único. Naquela época, era bastante
incomum que um rei se ajoelhasse perante outro, sobretudo diante de seus
súditos, porque o ato significava submissão a uma autoridade superior. Salomão
demonstrou seu grande amor, submissão e respeito por Deus ao ajoelhar-se diante
dele. Sua atitude revelou que reconhecia Deus como supremo Rei e Autoridade;
isto encorajou o povo a fazer o mesmo.
A Bíblia Sagrada mostra-nos, com absoluta clareza, que, além de existir, Deus é
único. Os estudiosos e historiadores ficam a indagar por que o povo hebreu
chegou, ao contrário de todos os povos à sua volta, à concepção de um único
Deus, mas, a verdade, como sabemos, é que isto não foi fruto de qualquer mente
humana, mas o resultado da revelação divina, que, desde quando chamou Abrão
para que saísse de Ur dos caldeus, revelou-Se ser um único Deus (Gn 15:7; Ne
9:7).
Moisés proferiu, também, que Deus é único: “Ouve,
Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Dt 6:4). Deus, através de Isaias, foi enfático:” Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade:
que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim” (Is
46:9). Jesus em sua oração sacerdotal também fez menção deste fato (João 17:3).
O apóstolo Paulo também fez menção de que Deus é único (Rm 16:17; 1Tm 1:17).
Judas versículo 25: “ao único Deus, Salvador nosso,
por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes
de todos os séculos, agora e para todo o sempre. Amém”!
2. Salomão proclama a fidelidade de Deus (2Cr 6:14,15) – “que guardaste ao teu servo Davi, meu pai, o que lhe
prometeste; porque tu, pela tua boca, o disseste e, pela tua mão, o cumpriste,
como se vê neste dia”. Salomão reconheceu que Deus é fiel e
soberano sobretudo; cumpre promessas e é misericordioso para com todos os que
têm um coração reto. Ele mesmo, no momento da inauguração do Templo, estava
vivendo o cumprimento das ricas e infalíveis promessas divinas feitas a Davi (1Cr
22:9,10; 2Sm 7:12,16).
Todos os pactos constantes na Bíblia que foram firmados entre Deus e o homem
sempre tiveram, da parte de Deus, seu pleno cumprimento. No Éden,
Deus prometeu vida ao homem enquanto ele não comesse da árvore do conhecimento
do bem e do mal, o que foi rigorosamente cumprido.
A Noé, Deus prometeu salvá-lo do dilúvio, juntamente com sua
família, através da arca, o que cumpriu; posteriormente, prometeu nunca mais
destruir a Terra com um novo dilúvio, o que tem se cumprido desde então, pois
nunca mais houve um dilúvio universal.
A Abraão, homem
sem filhos e já idoso, prometeu uma descendência e que dele sairiam povos e
reis; Deus tem cumprido este compromisso, como podem testemunhar os milhões de
judeus e árabes que hoje existem.
A Israel, Deus prometeu que seria sua propriedade peculiar, seu
reino sacerdotal; e tem cumprido até aqui a sua parte no pacto, preservando a
nação israelita, apesar da incredulidade dela, ao longo dos séculos, de forma
evidentemente miraculosa, como foi a restauração do Estado de Israel na
Palestina, como prova de mais um compromisso que Deus tem cumprido, a de
entregar a Terra de Canaã a Israel.
A Davi, Deus prometeu que sua descendência governaria eternamente
sobre Israel; e sabemos que a vinda de Cristo, que é descendente de Davi e vivo
está, é a demonstração do cumprimento desta promessa, pois para sempre o Senhor
reinará sobre Israel.
Aos homens pecadores, Deus
prometeu perdão dos pecados aos que crerem em Jesus Cristo e tem cumprido este
compromisso, como nós mesmos somos testemunhas, pois fomos alcançados por este
amor e por este perdão e hoje desfrutamos da comunhão com o Senhor.
À Igreja, Jesus
prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt 16:18), e
isto tem sido cumprido, pois a igreja tem prevalecido sobre todas as sórdidas
investidas de Satanás. Nosso Deus é Aquele que vela pela Sua Palavra para a
cumprir (Jr.1:12).
Hoje, a
igreja mística do Senhor Jesus espera o cumprimento da mais sublime promessa: a
vinda do Senhor para levá-la ao Céu (João 14:1-3; 1Ts 4:17). Com absoluta
certeza Ele virá; e, então, estaremos para sempre com Ele na sua glória (Ap
7:17; 21:4)
Portanto, Deus ao falar algo, ao assumir um compromisso, assume um compromisso
com Ele mesmo (Is 55:10,11). Ele é fiel, como dizem as Escrituras (1Co1:9;
10:13; 2Co 1:18), ou seja, cumpre a sua Palavra, porque o caráter de Deus diz
que Ele não muda (Ml 3:6), é a verdade (Dt.32:4; Jr.10:10), é justo (Ex.9:47;
2Cr.12:6; Sl.11:7) e que, portanto, sua Palavra só pode ser “sim e amém” (2Co
1:20).
3. Salomão era sensível ao bem-estar de seu povo (ler 2Cr 6:14 – 42).
Pelas palavras de Salomão podemos observar este sentimento, que é próprio do
líder que está em submissão e obediência ao Deus único e verdadeiro. O líder
que é temente a Deus busca o melhor possível para os seus liderados, quer no
aspecto social, moral ou espiritual. Foi assim com Moisés, com Josué, Samuel,
Davi, Neemias e outros homens de Deus ao longo da história do povo de Israel.
Observe as palavras de Salomão dirigidas a Deus em oração, exaradas em 2Cr
6:24-40, solicitando o cuidado especial de Deus sobre o povo que escolhera para
que fosse seu, entre todos os povos da terra (1Rs 8:51-53). Todavia, em sua
oração, Salomão demonstra consciência de que as bênçãos e as provisões de Deus
estão relacionadas a ações concretas no sentido de satisfazer aos requisitos e
condições divinos. Esquecer esse fato é orar em vão.
O procedimento espiritual demonstrado por Salomão naquele momento diante do
povo de Israel, o qual foi sincero, haja vista que Deus atendeu a sua oração de
imediato (2Cr 7:1), deve ser o valor padrão na vida de todos os líderes
hodiernos do povo de Deus. O líder cristão deve ser uma pessoa conhecida por
meio de sua qualidade espiritual e atitude moral impoluta, e sua autoridade
embasada diretamente na Palavra de Deus. Ele deve ser uma pessoa fervorosa em
oração! Ele deve ser uma pessoa que vive sob os ditames da Palavra de Deus e
através disso desafia os seus liderados a seguir o seu exemplo. O seu modo de
vida, de agir, de falar, deve ser inteiramente controlado ou guiado pelo Espírito
Santo.
O líder é alguém que deixa uma marca na vida, bem como no coração das pessoas.
O seu proceder fará com que alguém sinta o desejo de fazer o que a Palavra de
Deus diz. Ele procura causar um impacto na vida dos liderados não para querer
receber glória ou querer aparecer, mas para que seja um fruto para toda a
eternidade. Salomão, por ocasião da manifestação pública de sua submissão e
adoração a Deus, apresentava uma marca visível a todo o povo de Israel, a marca
da liderança e da submissão à autoridade de Deus.
III. A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA
Orar de forma intercessora indica que entramos na presença de Deus para suplicar por outras pessoas, e que naquele momento não somos o alvo de nossas próprias orações. A oração intercessora é um imperativo; quem não o faz não exerce seu sacerdócio. Paulo é enfático ao dizer: "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações e intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens” (1Tm. 2:1). Na verdade, não oferecer oração intercessora a favor de outras pessoas é pecado; o profeta Samuel reconhecia isso: “Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós...” (1Sm 12:23).
Interceder por alguém é estar na brecha como Ezequiel 22:30 menciona: "Procurei entre eles um homem que erguesse o muro e
se pusesse na brecha diante de mim e em favor desta terra, para que eu não a
destruísse, mas não encontrei nenhum". A passagem de Ezequiel
descreve a intercessão por uma nação inteira na sua rebelião contra Deus.
Portanto, a oração intercessora é puramente uma demonstração de amor, porque é
desinteressada; ela se concentra nos outros. Através dela provamos que o
bem-estar do semelhante está acima do nosso.
1. No Antigo Testamento. No Antigo Testamento, muitos homens de
Deus foram fervorosos na prática da oração intercessora em favor de outrem.
Através dela situações foram alteradas e reinos restabelecidos.
Abraão suplicou por Ló e este foi liberto da destruição de Sodoma e
Gomorra. Moisés chegou
a abdicar de sua bem-aventurança eterna ao interceder pelos filhos de Israel: "Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não,
risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito" (Êx 32:32); esta
sua intercessão foi tão eficaz, que levou Deus a poupar os rebelados
israelitas.
Outra demonstração clássica de intercessão está em Números 14; ali
é demonstrada uma das melhores narrativas sobre oração intercessora registradas
na Bíblia; o povo se rebelou contra Deus provocando-o à ira, mas Moisés
prontamente intercedeu pelo povo e Deus o perdoou (Nm 14:19,20).
Samuel orou constantemente pela nação de Israel (1Sm 12:23). Daniel orou
pela libertação do seu povo do cativeiro (Dm 9:3). Davi suplicou pelo povo;
intercedeu pelo seu filho (ler 2Sm 12:14-23). O patriarca Jó livrou-se
de seu cativeiro quando intercedia por seus amigos (Jó 42:7-12).
Jeremias, intercedeu pelos filhos de Judá, mesmo sabendo que eles se
achavam afastados de Deus e mergulhados numa apostasia crônica. Ele nos dá
exemplo de oração intercessora em tempo de calamidade. Trata-se uma oração
motivada pela compaixão, pelo sofrimento do seu povo: “Os
meus olhos derramem lágrimas de noite e de dia e não cessem porque a virgem,
filha do meu povo, está ferida de grande ferida, de chaga mui dolorosa” (Jr
14:17). A “filha do meu povo” é Jerusalém, mergulhada em grande sofrimento por
causa de uma seca prolongada, que provocava uma onda de crimes, de banditismo (Jr
14:18).
Jeremias sente
que, no meio da desgraça, pode fazer alguma coisa: compadecer-se, sofrer com os
outros, interceder por eles. Salomão, em sua oração na dedicação do
Templo, demonstrou o mesmo sentimento desses homens de Deus (2Cr 6:24-40).
2. No período Inter bíblico. Depois do cativeiro Babilônico, Deus
continuou, ainda durante um tempo, levantando profetas para não permitir que o
povo se mantivesse num indiferentismo em relação às coisas de Deus. Estes
profetas foram Ageu, Zacarias e Malaquias. Porém, apesar das mensagens destes
profetas o povo judeu manteve-se num indiferentismo e num formalismo que
levariam o Senhor a não levantar profetas no meio do povo durante cerca de
quatrocentos anos, período que é conhecido como o "período do
silêncio" ou "período Inter bíblico". Todavia, como nunca deixou
de existir remanescente fiel a Deus, certamente, nesse período, houve alguém
que esteve diante de Deus em temor e tremor, como se pode deduzir pelo capítulo
10 versículo 22 do evangelho de João, ou seja, a “Festa da Dedicação”, em
memória à retomada do Templo pelos Macabeus, em 166 a.C., das mãos do rei sírio
Antíoco IV, que tinha profanado o Templo de Deus (em 175 a.C). Lucas 2:25-38,
também, denota o viver de pessoas piedosas, como Ana (a profetiza) e Simeão (homem
justo) e muitos que esperavam a redenção de Jerusalém.
3. Em o Novo Testamento. No Novo Testamento, a Igreja é convocada
para orar por nós mesmos (Mt.24:20; 26:41; Mc.13:18,33; Lc.22:40); uns pelos
outros (Tg.5:16; Cl 1:3); pelos inimigos da Igreja (Mt.5:44; Lc.6:28); pelos
ministros do Evangelho e pela obra do Senhor (Ef.6:19; 1Ts.5:25; Hb.13:18),
como também pelas autoridades constituídas (1Tm.2:2), como por todos os homens
(1Tm.2:1). Cristo rogou por Seus discípulos e fez especial intercessão por
Pedro; também, intercedeu em favor dos seus inimigos (Lc 23:34). A Igreja orou
por Pedro preso; Paulo é exemplo de constante intercessão (Cl 1:9-11).
O Novo Testamento declara que
somos o sacerdócio santo (1Pe 2:4), o sacerdócio real (1Pedro 2:8) e um reino
de sacerdotes (Ap 1:5). Observe que o apóstolo Pedro usa duas palavras para
descrever este ministério sacerdotal: "Santo" e "real".
Santidade é algo necessário para que possamos comparecer perante o Senhor (Hb
12:14). Somos capazes de fazer isso apenas por causa da justiça de Cristo, não
da nossa justiça. “Realeza” faz parte da autoridade majestosa a nós delegada
como membros da “família real”, por assim dizer, com acesso legítimo à sala do
trono de Deus.
Nos dias pelos quais passamos, em que muitos se
têm deixado contaminar pelo amor de si mesmo (2Tm 3:1,2), poucos são os que se
dedicam à tarefa intercessora nas igrejas locais. Há, na verdade, uma
verdadeira banalização a respeito dos “pedidos de oração” que, em muitos
lugares, nem sequer são lidos e que, uma vez apresentados à igreja, são
imediatamente “jogados fora”, em cestos de lixo providencialmente colocados nos
púlpitos. Não há acompanhamento dos pedidos de oração, não há envolvimento da
igreja local no clamor ao Senhor. Urge voltarmos ao primeiro amor (vide At
2:46).
CONCLUSÃO
No exercício da oração intercessora, como cristãos piedosos da fé em Cristo,
devemos nos dispor a interceder pela Igreja, pelos que ainda não são Igreja e
pelos que a Igreja há de alcançar. Ajamos assim, e teremos mais resposta dos
céus e menos orações frustradas. “Orar e interceder pelos fracos da igreja e
pelos perdidos do mundo é importante missão a ser desempenhada pelos que tem no
coração o amor de Deus. Não ore de forma
mecânica. Ore, suplique e interceda. Há muitos por quem orar!” (Souza,
Estevão Ângelo. Guia Básico de Oração).


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