0 TEMPO DE DEUS
Texto Bíblico: Eclesiastes 3:1-8
"Portanto,
vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o
tempo, porquanto os dias são maus" (Ef.5:15,16).
Eclesiastes 3.1-8
1-Tudo tem
o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu:
2-há tempo
de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se
plantou;
3-tempo de
matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar;
4-tempo de
chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar;
5-tempo de
espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de
afastar-se de abraçar;
6-tempo de
buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora;
7-tempo de
rasgar e tempo de cozer; tempo de estar calado e tempo de falar;
8-tempo de
amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.
O conceito do "tempo de
Deus" na Bíblia é profundo e se distancia da nossa contagem cronológica
linear. Enquanto o ser humano vive sob a ditadura do relógio e da pressa, a
Bíblia apresenta a perspectiva da eternidade e do propósito divino.
Aqui estão os pontos fundamentais
para compreender esse tema:
1. Chronos vs. Kairos
No Novo Testamento, o grego
utiliza dois termos principais para definir o tempo, que ajudam a entender a
soberania divina:
- Chronos: Refere-se ao tempo
cronológico, a sucessão de segundos, minutos e horas. É o tempo que
podemos medir.
- Kairos: Refere-se ao "tempo oportuno", ao momento determinado por Deus para que
algo específico aconteça. Não é uma questão de quantidade, mas de
qualidade e propósito. Deus não vive preso ao chronos; Ele atua no kairos.
2. A Eternidade de Deus
Diferente dos seres humanos, Deus
está fora das limitações do tempo.
- Salmos 90:4: "Porque mil anos aos teus olhos são como
o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite."
- 2 Pedro 3:8:
"Mas não ignoreis uma coisa, amados: que
um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia." Isso
demonstra que Deus não se atrasa, nem se adianta; Ele opera na perspectiva
da eternidade, onde o passado, o presente e o futuro estão diante d'Ele
simultaneamente.
3. Eclesiastes 3: Tudo tem o seu
tempo
Este é, talvez, o texto mais
célebre sobre o assunto. O capítulo começa afirmando: "Tudo tem o seu
tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu". O
ensinamento central aqui é que a vida humana é composta por ciclos. O
sofrimento, a espera, a alegria e a colheita fazem parte de um plano que muitas
vezes não compreendemos quando estamos vivendo, mas que serve ao propósito
maior de Deus.
4. A Paciência como Virtude
O tempo de Deus serve
frequentemente para alinhar o caráter do homem ao propósito divino. A espera
não é apenas uma perda de tempo, mas um processo de preparação.
- Isaías 40:31: "Mas os que esperam no Senhor renovarão as
forças..." A palavra "esperar" aqui carrega o
sentido de confiar, buscar e renovar-se em Deus enquanto as circunstâncias
não mudam. O tempo de espera é, biblicamente, um tempo de fortalecimento.
5. O Tempo da Plenitude
A Bíblia aponta que as grandes
intervenções de Deus acontecem na "plenitude dos tempos".
- Gálatas 4:4: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou
seu Filho..." Isso significa que, para que um evento aconteça
na vida de um cristão, é necessário que todas as condições espirituais e
humanas estejam alinhadas segundo a vontade de Deus. Ele não age sem
planejamento; Ele age quando o cenário está perfeito para que o Seu nome
seja glorificado.
Em resumo: O tempo de Deus é um convite à confiança. Não se trata de
uma demora, mas de um preparo. A Bíblia sugere que, embora o homem planeje o
seu caminho, é o Senhor quem estabelece o momento certo para que tudo ocorra (Provérbios
16:9).
INTRODUÇÃO
Neste estudo falaremos da
Mordomia do Tempo. O Tempo é um fator fundamental da vida. Saber administrá-lo
é imprescindível, porém, é um grande desafio. Como criaturas, somos submetidas
ao tempo, mormente depois que entrou o pecado na humanidade, de modo que a
administração do tempo é um dos importantes desafios que o crente tem para
poder servir fielmente ao Senhor.
Uma das grandes armas de nosso
adversário está, precisamente, na tarefa de roubar o nosso tempo. Muitas
pessoas têm usado o seu tempo disponível de forma desordenada e sem disciplina,
e por isso tem a sensação de que o tempo é curto para tudo o que realiza. Em
qualquer cidade grande o que se observa é: pessoas
correndo, nervosas, atrasadas; motoristas avançando sinal, buzinando,
desesperados; pessoas que não conseguem cumprir os horários, pessoas que não
comparecem para cumprir compromissos assumidos, pessoas impontuais...escravos
“nas mãos” do tempo. A causa de tudo isto está na má administração do
tempo. O homem tem que ser senhor, e não escravo do tempo; precisa dominá-lo, e
não ser dominado por ele.
O tempo é precioso e devemos
remi-lo, como nos recomendam as Escrituras Sagradas (Ef.5:16; Cl.4:5). Que
possamos orar como o salmista: “Ensina-nos a contar
os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio” (Salmos
90:12).
I. CONCEITOS IMPORTANTES
1. A palavra Tempo
A expressão tempo deriva-se do
latim, “tempus”, significando um período contínuo e indefinido no qual os
eventos se sucedem. No grego, língua na qual foi escrito o Novo Testamento,
tempo deriva-se “chronos”; de “chronos” temos duas expressões
bem populares: Cronologia e Cronômetro. Cronologia é a ciência
que cuida da medição do tempo, ou é a ciência das divisões do tempo e da
determinação da ordem e sucessão dos acontecimentos. Cronômetro é
um instrumento de precisão capaz de medir o tempo em frações de segundos.
Literalmente, o tempo é uma
sucessão de dias, meses, anos, horas, minutos e segundos, que dá ao indivíduo
uma noção de passado, presente e futuro. Enquanto o tempo é dividido em
milênios, séculos, anos, meses, semanas, dias, horas, minutos, segundos, milésimos
de segundos, a nossa vida é construída de incontáveis momentos. O momento é uma
unidade indivisível de tempo que ninguém pode calcular.
2. O Tempo na Bíblia e na
Teologia
O Tempo na Bíblia e na Teologia
relaciona-se com os aspectos temporais e eternos da vida humana.
a) No princípio - a
Eternidade. Só Deus tem o atributo da eternidade. Ele não tem
princípio e nem fim. Está escrito: “... de
eternidade a eternidade, tu és Deus’’(Sl.90:12). De Jesus, o texto sagrado diz
que Ele é o “... Pai da eternidade...” (Is.9:6).
Por definição, eterno é o que não
tem princípio e não terá fim; é diferente de imortal. O imortal teve um
princípio, só não terá fim. O eterno está acima do tempo; o imortal está
limitado dentro dele. O homem, bem como todas as criaturas que compõem o mundo
espiritual, incluindo Satanás, são imortais, mas não são eternas, visto que
tiveram um princípio de existência, o que os vincula ao tempo.
Na eternidade, onde Deus habita
(Is.57:15), não se mede o tempo como nós medimos. O Senhor pode,
simultaneamente, responder as orações de milhões de pessoas (Jr.33:3), dar
comida aos corvos (Lc.12:24), fazer maravilhas (Sl.72:18), e ainda
compadecer-se e abençoar o parto das cabras monteses, bem como das gazelas nas
savanas africanas (Jó 39:1-3), dentre muitas outras tarefas espalhadas por todo
o imenso universo de aproximadamente trezentos bilhões de galáxias. Isso não é
nada para o Todo-Poderoso, o qual é o Pai da eternidade (Is.9:6).
b) A vida humana é temporal
(Sl.90:10; Sl.103:15,16; Tg.4:14). Estes textos, dentre outros,
afirmam que vida física do ser humano é passageira, é temporal, por isso o
tempo de sua vida é precioso e precisa ser administrado de forma a aproveitá-lo
bem.
“A duração da nossa
vida é de setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos,
o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente, e nós voamos” (Sl.90:10).
“Porque o homem,
são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce; pois, passando
por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais” (Sl.103:15,16).
c) O Tempo da vida do ser humano
após a morte. Neste mundo terrenal, a vida do ser humano é
temporal. Todavia, após a morte, ele vai viver eternamente, com Deus ou sem
Deus. A escolha é do ser humano. A garantia de uma eternidade ditosa está na
mordomia, sábia e piedosa, do tempo em que vivermos nesta vida. Aqui, no mundo
terrenal, a vida é mais que respirar, comer, beber, dormir, trabalhar e se
mover sobre a terra. Há algo além dessa vida física e material que deve estar
na nossa consciência. Jesus disse: “Não é a vida mais do que o mantimento, e o
corpo mais do o vestido?” (Mt.6:25). Disse o apóstolo Paulo: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais
miseráveis de todos os homens” (1Co.15:19).
3. Deus é o Criador e o Senhor do
Tempo
Foi Deus quem criou o tempo; ele
foi criado para que pudéssemos estabelecer uma ordem nas tarefas que nos foram
determinadas para fazer. Deus é um Deus de ordem e quer que o homem, como Sua
imagem e semelhança, seja, também, ordenado como Ele. Para tanto, criou o
tempo.
Deus estabeleceu um tempo para
todas as coisas debaixo do sol (Ec.3:1), e tem um propósito para todas as suas
obras, pois não faz nada ao acaso. Ele criou o mecanismo para contar e dividir
o tempo.
“E disse
Deus: haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre dia e
noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos”
(Gn.1:14).
Isto Deus fez não porque ele
precisasse do tempo; Ele é o Senhor do Tempo e não pode ser limitado por ele -
“um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2Pd.3:8).
Quando Deus criou todas as coisas, fê-lo sobre a perspectiva do tempo. Com
efeito, as Escrituras indicam, logo no seu início, que "no princípio,
criou Deus os céus e a terra"(Gn.1:1), revelando, portanto, que o tempo é
algo próprio e adequado para as criaturas. A maioria dos estudiosos da Bíblia
concorda que esse "princípio" é indefinido, pois é o "tempo de
Deus", ou o seu kairós. João 1:1,2 expressa esse mesmo
princípio – “No princípio, era o Verbo, e o
Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus”.
3.1. A origem do Tempo - Chronos. A
partir do século XX, com o surgimento da teoria do Big Bang, a
maioria dos cientistas passou a defender que o universo teve um marco inicial
há mais de 13 bilhões de anos, quando um "átomo primordial" teria
explodido, dando origem a tudo.
Porém, inexistem dados aferíveis
cientificamente que comprovem a hipótese do Big Bang, como também
não há revelação bíblica que indique a ocorrência de uma grande explosão no
passado remoto, que tivesse liberado energia criadora. Aliás, uma explosão tem
como resultado uma desorganização, e o universo é perfeitamente organizado e
equilibrado, regido por leis impressionantemente e intencionalmente definidas.
Tanto a Bíblia como a ciência
concordam que o universo teve um início. Assim, se houve um início para o
universo, é inegável admitir que existiu uma época - antes de Génesis 1:1 - em
que não havia matéria, nem espaço para a conter, como também não havia tempo a
ser contado (chronos). Era apenas a eternidade. Então, Deus decidiu
criar todas as coisas, submetendo-as às regras do tempo.
Portanto, o “chronos”
- termo grego para "tempo", que pode ser medido, contado e definido
-, teve um princípio, foi criado por Deus; ele pode ser medido, dividido,
analisado ou estudado. Além de incluir o "dia" de 24 horas, também se
refere a semanas, meses, anos, décadas etc.
A importância do “chronos” se
dá, dentre outras coisas, pela necessidade do estabelecimento de ciclos para
todas as obras formadas, bem como para que o homem, a obra prima da criação,
pudesse conhecer e buscar a Deus.
3.2. O tempo de Deus - Kairós. “Kairós” é
uma palavra de origem grega, que significa "momento certo",
"tempo oportuno", em oposição a “chronos”, que traz
a ideia de tempo sequencial, cronológico, quantitativo.
-O salmista sabia
disso, por isso se expressou: “Porque mil anos são
aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite” (Sl.90:4).
-O apóstolo Pedro revelou
que, para Deus, o tempo não pode ser avaliado com as mesmas categorias humanas
de medição: "Mas, amados, não ignoreis
uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia"
(2Pd.3:8).
-Jesus também
ensinou que não se pode definir o tempo de Deus, o “Kairós” - "E disse-lhes: Não vos pertence saber
os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder"
(At.1:7).
3.3. Chronos x Kairós. O
nosso tempo é o “Chronos”, que significa o tempo medido em
semanas, horas e minutos, o tempo que corre; nós o usamos para alcançar um fim.
Queremos o máximo de chronos para fazer o máximo de coisas.
Por isso é que andamos fisicamente fatigados e emocionalmente estressados.
O Tempo de Deus é o “Kairós”, o
tempo indeterminado em que algo especial acontece. Não pode ser medido e sim
vivido. Dificilmente, Chronos coincidirá com Kairós. Portanto,
estabelecer prazo para Deus cumprir o desejo de alguém, por mais piedosa que
ele seja, é atentar contra a soberania de Deus.
Muitas vezes queremos que as
coisas aconteçam na nossa hora, mas Deus sabe o momento certo para agir na
nossa vida. A grande lição é saber esperar o tempo certo, pois é assim que o
livro de Eclesiastes 3:1-10 nos ensina – “tudo
tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ec.3:1).
Todavia, esperar não é uma tarefa
fácil, principalmente na atualidade, onde as pessoas vivem sob a pressão do
imediatismo. Hoje, tudo tem que ser instantâneo, imediato; até mesmo as bênçãos
de Deus ninguém quer esperar. Contudo, saber aguardar o momento certo, o Kairós de
Deus, é uma virtude que toda pessoa de Deus precisa apreender.
Em determinadas situações, não
podemos fazer absolutamente nada, a não ser esperar e confiar que os planos do
Eterno jamais poderão ser frustrados. Essa certeza faz com que os servos de
Deus esperem, com paciência e sem amargura ou dor, naquele que pode todas as
coisas.
II. A MORDOMIA DO TEMPO
A Doutrina da Mordomia se assenta
em dois pilares: na existência de um Senhor, o dono dos bens, e na existência
de um servo a quem o Senhor confia os seus bens para serem administrados, ou
cuidados. Pela Bíblia sabemos que Deus é o Senhor, o dono de todas as coisas
que por Ele foram feitas ou criadas. Entre todas estas coisas está o Tempo.
Assim, o tempo não apenas pertence como também está sob o controle de Deus. As
coisas, as mais variadas, como salientou Salomão em Eclesiastes 3:1-8, só
acontecem por sua vontade e determinação, e de acordo com o tempo que Ele
estabelecer.
1. Remindo o Tempo
O tempo é um bem precioso e
devemos remi-lo, como nos recomendam as Escrituras (Ef.5:16; Cl.4:5).
Remir o tempo significa usá-lo com sabedoria para as coisas que são
verdadeiramente importantes.
“Portanto, vede
prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo,
porquanto os dias são maus" (Ef.5:15,16).
O Tempo é irreversível, é o
único bem que não podemos recuperar. As Escrituras ensinam que nem todo tempo é
igual e que, passado este tempo, não haverá mais o que se fazer (Dn.5:26;
Mt.25:10-13). Um provérbio chinês muito conhecido diz que quatro coisas não
voltam atrás, e uma delas é o tempo perdido. Quando vemos a narrativa da
criação, verificamos que, quando um dia terminava, ele não podia voltar mais.
Ao dia primeiro, seguiu-se o segundo, ao segundo, o terceiro, e assim por
diante, precisamente porque o tempo é irreversível. Várias passagens das
Escrituras mostram-nos esta realidade.
Se há um tempo determinado para
cada coisa, este tempo, também, é único. Não se pode perder a oportunidade.
-Salomão deixou
bem claro que há um tempo para cada ação e que, passado este tempo, ele é
irreversível (Ec.3:1-8).
-O salmista afirma
que fazia a sua oração num tempo aceitável (Sl.69:13).
-O profeta diz
que Deus ouviu o Seu servo no tempo favorável (Is.49:8) e que devemos buscar ao
Senhor enquanto se pode achá-lo (Is.55:6).
-O poeta, por
sua vez, afirma que o inverno passou, assim como a chuva cessou e que o tempo
de cantar chegou (Ct.2:11,12).
-O próprio Deus, ao
informar a Noé o Seu compromisso com o homem em não mais mandar um dilúvio
sobre a terra, fez questão de lembrar o patriarca a respeito da sucessão
irreversível do tempo (Gn.8:22).
Portanto, “remir o tempo”, é a
palavra de ordem bíblica que deve ser atendido por todos os crentes.
Infelizmente, milhares de pessoas que se dizem crentes, não estão remindo o seu
tempo, mas desperdiçando-o com coisas inúteis e fofocas nas redes sociais.
Certamente, Deus requererá de cada um de nós a devida prestação de contas.
2. Contar o Tempo
Moisés, certa vez, orou a Deus
pedindo: "Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que
alcancemos coração sábio" (Sl.90.12). O grande problema de muitas pessoas
é que deixam para pensar sobre o fim da existência terrena somente quando lhes
resta bem pouco tempo.
Contar os dias é uma atitude de
sabedoria, pois significa ter em perspectiva a iminência da morte, o que
garante um melhor entendimento sobre como aproveitar os dias de vida. É preciso
nos conscientizar de que a vida é passageira, “e um vapor que aparece por um
pouco, e depois desaparece” (Tg.4:14).
Muitos dizem, principalmente
nestes tempos pós-modernos: “não tenho tempo”. Mas, a questão toda não é a
falta de tempo, e, sim, nosso critério de prioridades no tempo que dispomos.
Algumas ocasiões podem causar a expressão “não tenho tempo”: primeiro, a sobrecarga
de atividades; segundo, as coisas que fazemos dentro desse tempo, são elas
prioritárias, ou são secundárias? terceiro, qual é o critério de prioridades
que usamos na escolha das coisas que vamos fazer? Está escrito que na vida do
serviço cristão devemos dar prioridades ao “reino e Deus” (Mt.6:33).
Um homem normal possui muitos
sonhos; é natural que possua; sonhar é preciso. Um homem normal possui muitos
projetos de vida. Porém, o tempo de vida nunca será suficiente para a
realização de todos os nossos sonhos e para a concretização de todos os nossos
projetos. Daí, se esse homem normal for um homem de Deus, conhecedor da Bíblia
Sagrada, uma vez consciente da brevidade desta vida presente e da eternidade da
vida futura, ele terá, então, que eleger prioridades para o uso do seu tempo.
Deus quer, portanto, que
aprendamos a contar os nossos dias, isto é, que administremos o nosso tempo, de
tal forma que nos faça bem e que glorifique a Deus.
3. A prestação de contas
Deus deu o tempo (chronos)
exclusivamente para o ser humano. Ele é nosso, é próprio da humanidade, é um
dom de Deus a cada ser humano. Ora, se o tempo é um dom que Deus nos concedeu,
concluímos que, como dom, devemos saber como administrá-lo. Um Dia nos
apresentaremos diante de Deus, e Ele nos cobrará por tudo que fazemos,
inclusive a má administração do nosso tempo.
Tudo o que administramos com
relação ao nosso corpo, alma e espírito - as faculdades físicas, emocionais e
espirituais -, daremos conta a Deus. Sim, o Criador nos cobrará acerca do que
fizemos com o nosso tempo. Está escrito: “Porque todos devemos comparecer ante
o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por
meio do corpo, ou bem ou mal” (2Co.5:10).
III. COMO APROVEITAR BEM O TEMPO
Dentro dos princípios da Mordomia
do Tempo, devemos aproveitar o tempo de forma sábia, equilibrada e abalizada
nas Escrituras Sagradas.
1. Prioridades para aproveitar o
Tempo
Pela ordem crescente, estas são
as principais prioridades para o servo de Deus aproveitar o seu Tempo: o Tempo
deve ser dedicado a Deus; o Tempo deve ser dedicado à Família; o Tempo deve ser
dedicado à Igreja; o Tempo deve ser dedicado a si mesmo.
a) Tempo para ser dedicado a
Deus. Entre os que não conhecem a Palavra de Deus há quem
deixe Deus para o fim da fila de suas prioridades. Porém, para o verdadeiro
cristão, Deus tem que ser uma prioridade ímpar. O Senhor Jesus disse: “Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e sua justiça...”
(Mt.6:33).
Por mais ocupados que sejamos, o
tempo de Deus tem que ser encontrado, separado e dedicado a Ele. Deus não pode
ficar na dependência do “se houver tempo”. Moisés exortou Israel neste sentido:
“Guarda-te, e que te não esqueças do Senhor, que te
tirou da terra do Egito, da casa da servidão” (Dt.6:12). Não encontrar
tempo para Deus, esquecer-se dele é tão grave que o Salmista declarou: “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as gentes
que se esquecem de Deus” (Salmo 9:17).
No exercício da Mordomia Cristã
do tempo, o bom Mordomo tem que dar prioridade a Deus no tempo de sua
vida. Davi entendeu isto, face à sua declaração no Salmo 27:4: “Uma coisa
pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias
da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e aprender no seu
Templo”. Sem esta prioridade dedicada a Deus as demais coisas podem não
existir.
Portanto, todo cristão autêntico
precisa reservar tempo para Deus. Devocional diário, oração e estudo da Palavra
não podem faltar em nossa vida piedosa.
b) Tempo para ser dedicado à
Família. Na ordem das prioridades, segundo a Bíblia, a Família
deve ocupar o segundo lugar na vida de um homem de Deus – em primeiro lugar,
Deus; em segundo lugar, a Família.
No exercício da Mordomia Cristã
do Tempo qualquer homem que não encontrar tempo para sua família, será um mau
Mordomo do Tempo. Exorta o apóstolo Paulo: "Mas,
se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a
fé e é pior do que o infiel" (1Tm.5:8).
Qualquer pessoa, homem ou mulher,
que ocupar todo o seu tempo, mesmo que seja em causas nobres e meritórias, como
o estudar e trabalhar visando dar condições melhores à própria família, falhará
no exercício da Mordomia do Tempo, porque a Família poderá não subsistir para
desfrutar desse futuro melhor. Isto tem ocorrido, com frequência.
O homem precisa ter tempo para
sua esposa; a esposa precisa ter tempo para seu marido. Qualquer atividade,
incluindo aquela desenvolvida na Obra do Senhor que vier tirar o tempo de
convivência do casal, será uma atividade indevida no exercício da Mordomia do
Tempo.
É claro que não estamos afirmando
que marido e esposa devam dedicar todo tempo disponível um ao outro, em
prejuízo da Igreja ou da Obra do Senhor. Estamos afirmando que parte desse
tempo disponível tem que ser dedicado, com prioridade à família, porque são as
famílias que formam a Igreja. Famílias bem estruturadas formam Igrejas bem
estruturadas.
Ouve-se falar de jovens que se
casam e continuam dedicando todo o tempo disponível às atividades da Igreja,
contrariando o ensino de Paulo, em 1Corintios 7:33; ouve-se falar em Obreiros,
principalmente evangelistas e irmãs missionárias que dedicam todo o tempo à
Obra do Senhor, relegando a família a um plano terciário, visitando-a quando
possível. Deus não separa casais. Quem age desta forma está falhando no
exercício da Mordomia do Tempo e quebrando a prioridade estabelecida pela
Palavra de Deus. Para estas pessoas, talvez Paulo diria: “Não vos defraudeis um ao outro...” (1Co.7:5).
Os pais, no
exercício da Mordomia do Tempo, se forem bons Mordomos, terão que encontrar
tempo para o convívio com os filhos, principalmente, se menores.
Os filhos, mesmo
os casados, terão que encontrar tempo para o convívio com os pais. Os pais
serão sempre pais e como tal precisam ser tratados.
A Bíblia diz a todos os filhos,
de todas as idades, casados ou não, seja qual for a posição social, financeira
ou econômica: “honra a teu pai e a tua mãe...” (Ef.6:2). Não haverá bom crente,
sendo mal pai; não haverá bom crente, sendo mal filho.
c) Tempo para ser dedicado à
Igreja. No exercício da Mordomia do Tempo o bom Mordomo tem que
encontrar tempo para a Igreja, para se dedicar à Obra do Senhor. Tem que, na
vocação em que foi chamado, dar a sua contribuição. Ninguém que conhece a
Palavra de Deus poderá alegar ser desnecessário na Obra do Senhor.
A Igreja é comparada a um corpo.
Paulo diz que o corpo “é um, e tem muitos membros,
e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo” (1Co.12:12). Nenhum
dos muitos membros foi colocado no corpo, sem função. Toda vez que um membro,
por mais insignificante que possa parecer, não cumpre a sua função, prejudica
todo o funcionamento do corpo. Assim é, também, na Igreja.
É necessário, pois, que cada
crente encontre tempo para cumprir a sua função na Igreja, do contrário, falhará
no exercício da Mordomia Cristã do Tempo.
d) Tempo
para ser dedicado a si mesmo. O apóstolo Paulo exortou a
Timóteo a cuidar de si mesmo (1Tm.4:16) – “Tem
cuidado de ti mesmo...”.
O apóstolo João desejou ao
destinatário de sua terceira Carta que tudo fosse bem em toda as coisas (3Jão
1:2) – “Amado, desejo que te vá bem em
todas as coisas e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma”.
Assim, além de cuidar da vida
espiritual, a Palavra de Deus mostra que é importante cuidar da parte física,
emocional, buscando o equilíbrio interior, que tanto beneficia a mente e o
corpo.
2. Usar o Tempo sabiamente
Deus dá ao indivíduo 24 (vinte
quatro horas): 08(oito) horas para trabalhar, 08(oito) para descansar, e ainda
sobra 08(oito) horas. Mesmo assim, por falta de um bom planejamento do tempo,
ou por causa do mau uso dele, o indivíduo, muitas vezes, se queixa da falta de
tempo. Para aproveitar bem o tempo, sabiamente, devemos:
a) não desperdiçar o Tempo
disponível. Não há banco de acumulação de tempo; ele não é como o
dinheiro que podemos acumular e utilizar depois. O tempo tem que ser usado à
medida que ele é disponibilizado em nossa vida. Uma vez que se deixe de
utilizá-lo, não se pode mais recuperá-lo definitivamente. Por isso, cada
momento em nossa vida é precioso.
Quantas vezes perdemos tempo em
atitudes fúteis e inúteis, e em atividades que prejudicam a alma e o corpo!
Muitas dessas atividades inúteis afetam a consciência e entristecem o Espírito
Santo (Ef.4:30,31). Davi, quase que perde o trono, e bem pior, a presença do
Espírito Santo de forma definitiva em sua vida, por causa de atitudes inúteis.
Infelizmente, milhões se perdem porque desperdiçam o seu tempo com coisas
inúteis, fúteis, que resultam em perdição eterna.
b) planejar bem o Tempo
disponível. Devemos planejar todas as nossas atividades de forma a
preencher o tempo disponível. Qualquer atividade nossa sem planejamento, corre
o risco de não ser executada. A Mordomia do Tempo requer inteligência, por isso
nesse planejamento deve haver precisão, objetivos e programação. A previsão
visa estimar o futuro de nossas atividades. Com os objetivos estabelecidos
podemos determinar os resultados a serem alcançados.
c) manter-se equilibrado no uso
do Tempo disponível. A palavra “equilíbrio” leva-nos a pensar
numa balança de dois pratos. O desiquilíbrio do tempo está em dar mais peso
para um lado da balança que o necessário. A Bíblia fala de equilíbrio quando
diz: “Andeis como é digno da vocação com que fostes chamados” (Ef.4:1). A
palavra “digno” tem na sua raiz o sentido de equilíbrio.
Ter equilíbrio não é algo que se
conquista ou cai do céu. Equilíbrio se aprende, e aprende muitas vezes errando,
outras vezes estudando, meditando, praticando e sendo provado.
Muitas pessoas dentro das
igrejas, hoje, encontram-se desequilibradas, pois não foram transformadas pelo
evangelho; são pessoas montanha russa: hoje está lá em cima, amanhã lá embaixo;
hoje crê em Deus, amanhã já não sabe mais se Deus existe e ouve suas orações;
vive de emoções e moveres espirituais sem fundamento bíblico.
Para encontrar equilíbrio o
cristão deve: conhecer a Deus e obedecer aos seus mandamentos (João 17:3);
renunciar a si mesmo (Mt.16:24); seguir o exemplo de Cristo (1João 2:6); viver
em humildade (Gl.5:26); ter domínio próprio (Gl.5:22); exercitar o amor, que é
o fruto excelente do Espírito (João 13:34; Gl.5:22; 1Co.cap.13).
CONCLUSÃO
Aprendemos que no exercício da
Mordomia Cristã do Tempo o indivíduo tem que ser senhor e não escravo do tempo.
Não podendo realizar todos os seus sonhos e concretizar todos os seus projetos,
precisa, então, remir o tempo e eleger as prioridades, de acordo com a Palavra
de Deus. Assim é que:
Se o indivíduo tiver tempo para
tudo, mas não encontrar tempo para Deus, será um mau mordomo do tempo.
Se o indivíduo tiver tempo para
tudo, mas não encontrar tempo para sua Família, será um mau mordomo do tempo.
Se o indivíduo tiver tempo para
tudo, mas não encontrar tempo para a Igreja, será um mau mordomo do tempo.
Se o indivíduo gastar o seu tempo
em coisas fúteis, ou sem valor, terá que prestar conta desse tempo perdido,
porque o tempo pertence a Deus.
Devemos remir o tempo,
aproveitando-o de modo a glorificar a Deus e a honrá-lo enquanto estivermos
neste mundo terreno, com os nossos olhos voltados para "Sião
celeste". Ali, junto ao Senhor Jesus, desfrutaremos plenamente da vida
eterna. A morte não terá poder sobre nós. Amém!



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