LÓ E AS CONSEQUÊNCIAS DAS
ESCOLHAS ERRADAS
TEXTO BÍBLICO: Gênesis 13: 10,13
“E levantou Ló
os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes de
o SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do SENHOR, como a
terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então, Ló escolheu para si toda a
campina do Jordão e p- partiu Ló para o Oriente; e apartaram-se um do
outro. Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e
armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes
pecadores contra o SENHOR”
Ao analisar as escolhas de Ló,
podemos observar alguns pontos cruciais:
1. Uma Escolha Baseada nos
Sentidos (Visão Terrena)
O texto enfatiza que "Ló levantou os seus olhos e viu". A
escolha dele foi puramente visual e pragmática. Ele olhou para a campina
do Jordão e a comparou ao "jardim do Senhor" e à "terra do
Egito".
- O erro de critério: Ló
avaliou o local com base em sua fertilidade, prosperidade econômica e
abundância de recursos (ser "bem regada"). Ele buscou o lugar
que parecia oferecer o maior benefício para o seu gado e sua riqueza,
ignorando o contexto moral e espiritual do local.
2. A Negligência do Fator Humano
(O Contexto Social)
O versículo 13 é o divisor de
águas dessa narrativa: "Ora, eram maus os
varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR".
- A cegueira seletiva:
Enquanto Ló focava na qualidade da terra, ele ignorava (ou minimizava) a
qualidade das pessoas e da sociedade que ali habitava. Ele escolheu um
ambiente fisicamente excelente, mas moralmente tóxico.
- A aproximação perigosa: O
texto narra uma progressão: ele começou escolhendo a campina, depois "habitou nas cidades da campina" e,
por fim, "armou as suas tendas até Sodoma".
Ló não foi direto para o epicentro do mal; ele se aproximou aos poucos,
permitindo que o conforto daquela terra obscurecesse o perigo da
convivência com uma cultura hostil aos princípios que ele deveria
defender.
3. A Diferença entre Ló e Abrão
A comparação entre
os dois personagens é inevitável neste capítulo:
- Abrão (o tio): Agiu
com desprendimento e fé. Ele deixou que Ló escolhesse primeiro,
demonstrando que sua segurança não estava na posse de um terreno
específico, mas na promessa de Deus.
- Ló (o sobrinho):
Agiu com autossuficiência e imediatismo. Ao escolher "para si",
Ló se isolou da convivência com um homem de fé (Abrão) e se lançou em um
ambiente que, embora economicamente atraente, acabaria por custar-lhe
muito mais do que ele poderia lucrar.
4. A Lição sobre Prosperidade e
Valores
A história de Ló
serve como um alerta atemporal sobre as "escolhas de campina":
- A ilusão da facilidade:
Muitas vezes, as oportunidades que parecem "o jardim do Senhor"
(que oferecem lucro rápido, conforto e status) podem estar situadas em
terrenos espiritualmente estéreis ou moralmente destrutivos.
- O custo da escolha: A
prosperidade física de Ló na campina de Sodoma foi, em última análise,
passageira e instável. A passagem nos ensina que, ao tomar decisões — seja no trabalho, em relacionamentos ou em
mudanças de vida — olhar apenas para a "abundância" (os
benefícios) sem avaliar o ambiente e as companhias (os valores) é um
caminho arriscado.
Em suma, a escolha de Ló foi uma escolha
de oportunidade econômica em detrimento de integridade de ambiente. Ele
priorizou o "bem-estar da terra" sobre o "bem-estar da
alma", um equívoco que moldaria negativamente o futuro de sua família e
sua trajetória de vida.
Como você interpreta o fato de Ló
ter se aproximado de Sodoma gradualmente em vez de ter se mudado para lá
imediatamente? Você enxerga isso como um alerta sobre como pequenas concessões
morais podem nos levar a lugares que inicialmente evitaríamos?
INTRODUÇÃO
As Escrituras Sagradas dão
testemunhos de várias personagens bíblicas que fizeram más escolhas e boas
escolhas. As más escolhas geralmente foram tomadas num contexto de precipitação
ou extraordinária pressão. Neste estudo daremos maior ênfase a dois personagens
bíblicos: Abraão, que fez uma excelente escolha e; Ló, sobrinho de Abraão, que
fez uma escolha precipitada. Ló, em um gesto precipitado, tomou uma decisão que
acabou por gerar uma crise que causou consequências nefastas para sua família
(Gn.13:10-13). Uma escolha sem a direção de Deus pode trazer prejuízos
irreparáveis para si e para outrem. Portanto, antes de tomar uma decisão e
fazer uma escolha devemos pedir a orientação de Deus. Não devemos agir sem
pensar e acima de tudo sem orar, pois somente Deus conhece todas as coisas.
Somente Ele sabe aquilo que é melhor para todos nós.
I. O CUIDADO COM AS ESCOLHAS
1. A prosperidade de
Abraão. Deus abençoou Abraão com bênçãos materiais
de forma abundante. Diz o texto sagrado que “...
a sua fazenda era muita...” (Gn.13:6). O
segredo do sucesso de Abraão: comunhão plena com Deus. Quanto mais Abrão
mantinha comunhão com Deus mais próspero materialmente ele ficava. A obediência
à Palavra de Deus era o combustível que o levava a uma vida abundante. O
Altar era um marco sempre presente na vida de Abraão, em todos os
caminhos de suas peregrinações (Gn.12:7,8; 13:4,18; 22:9). Era o local onde
Abraão adorava a DEUS. Era o lugar onde ofertava sacrifícios a DEUS. Ele
edificava seus altares em locais visíveis, diante dos povos pagãos que moravam
ao seu redor. Que testemunho! Os crentes, que de contínuo vivem diante do
Altar, dão testemunho de "terem estado com Jesus” (Atos 4:13).
Abraão viveu nas terras da
promessa como um estrangeiro, morando em tendas, pois
esperava a Cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é DEUS
(Hb.11:9,10). Abraão nunca se prendeu a nenhum lugar da terra de suas
peregrinações. Estava sempre em trânsito (Gn.12:8). Deixando um lugar, ficavam
apenas as marcas de seu acampamento. Também nós, como crentes, somos peregrinos
e forasteiros nesta Terra (1Pd.2:11). Não temos aqui cidade permanente, mas
buscamos a futura (Hb.13:14). Estamos no mundo, mas não somos do mundo (João
17:16,18). Devemos sempre estar prontos para partir.
Outra característica
marcante na vida de Abrão: conquanto fosse muito rico, não
punha seu coração nas riquezas daqui. Ele não ligava muito para isso. No dia
que retornou da guerra contra os quatro reis, o rei de Sodoma quis compensá-lo
com riquezas materiais, ele as rejeitou terminantemente (Gn.14:21-24). Para
Abraão, riquezas não dadas por Deus não tinha nenhum valor – “Levantei minha mão ao SENHOR, o Deus Altíssimo, o
Possuidor dos céus e da terra, e juro que, desde um fio até à correia dum
sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu
enriqueci a Abrão” (Gn.14:22,23). Muitos, hoje, dos que cristãos
dizem ser, ao contrário de Abraão, só pensam em bens materiais, querem
enriquecer com campanhas, sacrifícios, fogueiras santas etc. São pessoas que
vivem como os gentios, que têm as mesmas preocupações e propósitos que os
gentios e que, portanto, pertencem a este vasto grupo onde o amor está
esfriando pelo aumento da iniquidade e que, buscando a riqueza material, não vê
que se comporta como um pobre, desgraçado e nu (Ap.3:17). Vigiemos e não
entremos nesta onda, que nos levará para a perdição eterna!
2. Abraão fez a escolha
certa. Abrão teve um momento decisivo em sua vida. Quando ainda
morava em Ur, o Deus da glória lhe apareceu e lhe fez uma chamada que
compreendia três diferentes ordens: “sai da tua
terra", "sai da tua parentela”, e “dirige-te à terra que eu te
mostrar" (Atos 7:2,3). Abrão deveria decidir em obedecer e
desobedecer a Deus. Como já disse na Aula 03, embora Deus seja soberano e livre
para tomar as Suas decisões, como, por exemplo, o fato de ter escolhido Abrão e
não outra pessoa dos milhares que existiam no mundo, vemos que Ele respeita,
decididamente, a liberdade que deu ao homem, de forma que, embora tenha
escolhido Abrão, não o forçou a que obedecesse ao Seu chamado, tendo Abrão
decidido partir por sua livre e espontânea vontade. Esta é a grande diferença
entre o filho de Deus e o filho do diabo, pois o adversário escraviza o homem,
retira a sua liberdade, enquanto Deus sempre respeita o livre-arbítrio humano
que, afinal de contas, é resultado da própria criação divina. O homem foi feito
à imagem e semelhança de Deus e esta imagem e semelhança comporta a liberdade,
o poder de decisão, como se vê claramente em Gênesis 2:16,17.
Abraão foi desafiado a crer e
obedecer, embora não conhecesse todo o projeto que Deus tinha para sua vida e,
por conseguinte, para toda a humanidade. Abrão fez a escolha certa, resolveu
obedecer ao chamado de Deus. Embora não tivesse noção de para onde iria,
decidiu confiar em Deus. Em nossa jornada precisamos aprender a confiar em Deus
e nos colocar em sua total dependência. Só assim teremos escolhas decisivas que
podem nos proporcionar vida abundante.
3. Abraão desce ao Egito. A
fé tem sempre deslizes, até mesmo nos mais destacados homens de Deus. Por causa
de uma fome que atingiu a região, Abraão deixou o lugar que Deus lhe indicara e
desceu ao Egito, símbolo do mundo. Essa mudança trouxe problemas a Abrão. Ao
chegar no Egito foi acometido de um medo obsessivo de que Faraó o matasse,
capturando sua formosa esposa Sara, e a levasse para seu harém. Com isso em
mente, Abrão convenceu Sara a mentir e dizer que era sua irmã. É verdade que
Sara era meia-irmã de Abrão (Gn.20:12), mas ainda assim era uma mentira com
propósito de enganar. O artificio deu certo para Abrão (que foi recompensado
generosamente), mas não funcionou para Sara (que, no fim, teve de se juntar ao
harém de Faraó), nem mesmo para Faraó (ele e toda a sua casa sofreram grandes
pragas). Quando Faraó descobriu a fraude, deu uma bronca no patriarca, o
humilhou publicamente e o expulsou em desonra (Gn.12:19,20). Abraão voltou para
Canaã. Mas, juntamente com o retorno de Abrão do Egito [...] até Betel
(Gn.13:1-4), percebe-se a volta à comunhão com Deus. “Retornar a Betel” é o
desejo latente de todos aqueles que se apartaram de Deus.
II. LÓ É ATRAÍDO POR AQUILO QUE
VÊ
Ló, sobrinho de Abraão, é um exemplo bíblico de escolha precipitada. Ele foi atraído por aquilo que viu. Chamamos isso de concupiscência dos olhos. A concupiscência dos olhos diz respeito àquelas tentações que apelam para os desejos ambiciosos dos homens de obter e possuir. A concupiscência dos olhos nos leva a colocarmos as "coisas materiais" na frente do Senhor (Cl.3:15). Ao se separar de seu tio, ele escolheu um caminho que a seus olhos parecia ser o melhor. Ele não perguntou a vontade de Deus e não honrou Abraão, o chefe do clã, ao escolher primeiro as suas terras. Ló foi precipitado e seduzido pelo seu olhar. Pagou um preço muito alto pela sua atitude precipitada.
1. Briga entre os pastores
de Abraão e Ló. Ao chegar a Canaã os pastores de Ló e Abrão
brigaram por espaço para seus rebanhos. Apesar da deslealdade praticada por
Abrão no Egito, ainda assim o Senhor decidiu abençoá-lo naquele lugar; Abrão e
Ló prosperaram - possuindo servos, ovelhas e gado. A multiplicação dos rebanhos
de Abrão e Ló foi tão significativa que eles chegaram à conclusão de que era
impossível a coexistência nas mesmas terras de pastagens. A prosperidade gerou
uma crise entre família, entre Abrão e seu sobrinho Ló, pois não havia mais espaço
suficiente para ambos no local onde viviam. Faltava água e pastagem para tantos
animais, e em pouco tempo, os pastores de Abrão e Ló começaram a brigar. A
contenda estava instalada na família, e era preciso tomar uma decisão.
2. A decisão de Abraão. O
patriarca logo tentou resolver a situação conflituosa. Ele não adiou o
problema, mas chamou seu sobrinho para uma solução pacífica - “Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te
de mim...” (Gn.13:9). Às vezes, pessoas da mesma família devem
separar-se em prol da paz (ver Atos 15:39; 1Co.7:10-16). A partir daquele
instante cada um deveria escolher o próprio caminho - “e
escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei
para a esquerda” (Gn.13:9). Com cortesia, bondade e altruísmo,
Abraão ofereceu a Ló a oportunidade de escolher em toda a terra onde desejava
morar. Humilde, o patriarca considerava os outros superiores a si mesmo
(Fp.2:3).
Abrão renunciou à campina com o melhor pasto, mas Deus entregou toda a terra de Canaã a Abrão e seus descendentes para sempre. Além disso, o Senhor prometeu ao patriarca uma descendência incontável. Após se mudar para Hebron, Abrão levantou ali um altar ao Senhor; como de costume, construiu um altar para o Senhor, mas nunca uma casa para si.
3. A escolha precipitada
de Ló. Abraão, em um gesto de bondade e mansidão, fez a
seguinte proposta ao sobrinho: "Não está toda a terra diante de ti?
Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e,
se a direita escolheres, eu irei para a esquerda" (Gn.13:9). Ló
escolheu morar nas pastagens verdejantes da campina do Jordão, perto das
cidades perversas de Sodoma e Gomorra “E
levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem
regada, antes de o SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim
do SENHOR, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então, Ló escolheu
para si toda a campina do Jordão e p- partiu Ló para o Oriente; e
apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas
cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os varões
de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR” (Gn.13:10-13).
Ló foi seduzido pela aparência do
lugar. Escolhas precipitadas, feitas somente pela aparência, podem causar
muitos males. Apesar de crente verdadeiro (2Pd.2:7,8), Ló tinha um gostinho
pelas coisas do mundo. Conforme alguém comentou,
“Ló ficou com grama para seus rebanhos, enquanto Abrão ficou com graça para os
seus filhos” (Gn.13:15,16).
“Ora, eram maus os
varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR” (Gn.13:13). O fato de os homens de Sodoma e
Gomorra serem maus e grandes pecadores contra o Senhor não influenciou a
escolha de Ló. Foi uma sequência de decisões. Observe os passos que o levaram a
mergulhar no mundanismo: Ló (por meio de seus pastores) experimentou contenda
(Gn.13:7); depois viu (Gn.13:10) e escolheu (Gn.13:11); foi armando as suas
tendas até Sodoma (Gn.13:12); passou a morar longe do lugar onde residia o
sacerdote de Deus (Gn.14:12) e; sentava-se junto à entrada da cidade, lugar
onde os grandes disputavam o poder político (Gn.19:1). Aparentemente, na
cosmovisão humana, materialista e desviada de Deus, Ló tinha progredido na
vida: ele se tornou um oficial local em Sodoma. Mas, quando se olha com os
olhos de Deus, vemos que foi um péssimo negócio para Ló. De forma precipitada,
fez a sua escolha optando por aquilo que parecia ser melhor aos seus olhos
(Gn.13:10). Ele não buscou a Deus para tomar a decisão que seria a mais
importante para o seu futuro e da sua descendência.
A precipitação é um grande mal
que deve ser evitado sempre. Quando nos precipitamos não raciocinamos, não
prestamos atenção ao bom senso, não andamos por fé, mas apenas por vista. Quem
tem a mente de Cristo deve sempre manter os pés no chão, pedir orientação a
Deus e aguardar o calor dos acontecimentos passarem. Fácil?! Não, não é uma
tarefe fácil, mas sem dúvida trata-se de uma atitude responsável e madura que
leva em conta o fator global da circunstância e não somente parte dela, nem
prioriza o fator emocional do acontecimento.
III. LÓ, UM CASO DE PROSPERIDADE
E PERDAS
1. Ló e suas
riquezas. Não era só Abrão que era rico em rebanhos, vacas e
tendas. Seu sobrinho Ló também tinha rebanhos numerosos (Gn.13:5,6) - “E também Ló, que ia com Abraão, tinha rebanhos, gado
e tendas. [...] porque os seus bens eram muitos; de modo que não podiam habitar
juntos”. Mas, apesar da sua prosperidade, Ló andava por vista e não
por fé (Gn.13:7-13). No momento mais decisivo de sua vida não consultou o
Senhor para uma escolha correta.
- Ló fez uma decisão pelo que
viu, deixou-se levar pelas aparências. Foi ganancioso e
precipitado - “Então Ló levantou os olhos, e viu
toda a planície do Jordão, que era toda bem regada (antes de haver o Senhor
destruído Sodoma e Gomorra), e era como o jardim do Senhor, como a terra do
Egito, até chegar a Zoar. E Ló escolheu para si toda a planície do Jordão, e
partiu para o oriente; assim se apartaram um do outro. Habitou Abraão na terra
de Canaã, e Ló habitou nas cidades da planície, e foi armando as suas tendas
até chegar a Sodoma” (Gn.13:10-12). Foi um pecado em série – “foi armando as suas tendas até chegar a Sodoma”.
A ambição é sinônimo de cobiça, e
a cobiça é transgressão à Lei de Deus (vide Êx.20:17).
A Palavra de Deus nos diz que não devemos ambicionar “coisas altas” (Rm.12:16)
- “…não ambicioneis coisas altas, mas
acomodai-vos às humildes…”. A
ambição sufoca a Palavra no coração, tornando-a infrutífera (Mc.4:19) - “Mas
os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e a cobiça doutras coisas,
entrando, sufocam a palavra e ela fica infrutífera”.
- Ló foi egoísta. Em
nenhum momento ele pensou em seu tio. Só via a si mesmo. O egoísmo é a
exaltação do próprio eu, do ego. O apóstolo Paulo diz que o egoísmo é uma
característica dos homens dos últimos tempos - “Sabe,
porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens
serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos,
desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios” (2Tm.3:1,2).
- Ló não observou o lado negativo de
sua escolha (Gn.13:13) – “Ora, os
homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores”. A Palavra de Deus
nos alerta sobre os perigos de nosso envolvimento com o mundo - “Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é
inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo,
constitui-se inimigo de Deus” (Tg.4:4).
Não se deixe enganar pela beleza
das coisas desse mundo passageiro. Não renuncie àquilo que é eterno!
2. A guerra dos
reis. A terra que Ló havia escolhido era boa, mas seus
vizinhos não eram. Não demorou muito e Ló teve que enfrentar uma grande crise,
uma guerra. Diz o texto sagrado:
“1 - E aconteceu,
nos dias de Anrafel, rei de Sinar, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de
Elão, e Tidal, rei de Goim, 2 - que estes fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma,
a Birsa, rei de Gomorra, a Sinabe, rei de Admá, e a Semeber, rei de Zeboim, e
ao rei de Bela (esta é Zoar). 3 - Todos estes se ajuntaram no vale de Sidim
(que é o mar de Sal). 4 - Doze anos haviam servido a Quedorlaomer, mas, ao
décimo-terceiro ano, rebelaram-se. 11- E tomaram toda a fazenda de Sodoma e de
Gomorra e todo o seu mantimento e foram-se. 12 - Também tomaram a Ló, que
habitava em Sodoma, filho do irmão de Abrão, e a sua fazenda e foram-se. 13 -
Então, veio um que escapara e o contou a Abrão, o hebreu; ele habitava junto
dos carvalhais de Manre, o amorreu, irmão de Escol e irmão de Aner; eles eram
confederados de Abrão. 14 - Ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso,
armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os
perseguiu até Dã” (Gn.14:1-4;11-14).
No tempo de Abrão, a maioria das
cidades possuía seus próprios reis, e eram comuns as guerras e rivalidades
entre eles. Uma cidade conquistada pagava imposto ao rei vitorioso. Cinco
cidades, incluindo Sodoma, havia pago impostos a Quedorlaomer durante 12 anos
(Gn.14:4). Quando as cinco cidades fizeram uma aliança e se negaram a pagar os
impostos (Gn.14:4), Quedorlaomer reagiu rapidamente e reconquistou todas elas.
Ao derrotar Sodoma, foram capturados Ló, sua família e seus pertences. Ló foi
levado cativo e todos os seus bens e alimentos foram tomados como espólio de
guerra. Ele agora era um prisioneiro e todos os seus bens foram perdidos.
Decisões precipitadas podem nos fazer viver tempos conturbados.
3. Abraão socorre Ló. Ao
ser avisado do desastre militar que haviam sofrido as cidades do vale, Abraão
armou seus 318 servos, conseguiu a ajuda de seus aliados amorreus e perseguiu
os invasores. Abraão arrisca sua vida e fortuna para resgatar o seu sobrinho
Ló, o qual foi sequestrado, perdeu suas posses e estava enfrentando escravidão.
Abraão poderia ter se negado a ajudar Ló, pois ele mesmo tinha escolhido
aquelas terras, mas o amigo de Deus não tinha um coração rancoroso, vingativo.
Abraão recuperou os cativos e o despojo, mediante um ataque de surpresa à
noite. Tudo que pertencia a Ló foi recuperado (Gn.14:16). Não obstante, o
elemento mais importante foi a intervenção de Deus - “bendito seja o Deus
Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos” (Gn.14:20).
Nota-se que Abraão, o homem
separado do mundo, não era indiferente aos sofrimentos dos que se encontravam
ao seu derredor. Estava disposto a proteger seu indigno sobrinho e os de
Sodoma. Isto demonstra que os que mantêm uma vida separada da pecaminosidade
são os que atuam com mais prontidão e êxito em favor de outros no momento de
crise.
CONCLUSÃO
Devemos aprender com as
Escrituras que qualquer decisão importante que tomarmos não devemos fazê-la
debaixo de pressão ou precipitadamente. Não se esqueça de que o Deus eterno tem
todo o conhecimento e sabe o que é melhor para sua vida. Por isso, não faça
nada sem consultar o Senhor. Porém, só consultar o Senhor e não confiar nele é
inútil. Não confie nas suas próprias forças. O nosso fracasso decorre de
acharmos que podemos conseguir por nós mesmos. Por
isso, confie no Senhor e não nas suas forças e possibilidades. Não subestime os
inimigos. A nossa luta não é contra a carne e o sangue em todas as instâncias
da vida, mas contra os principados e potestades e dominadores do mal. Em toda a
estrutura da sociedade há um poder maligno que opera e você precisa estar
revestido da armadura de Deus para vencer (ver Efésios 6:10-18).
"O longânimo é
grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura" (Pv.14.29).

Nenhum comentário:
Postar um comentário