DEUS SE REVELA EM LUGARES DE
CRISE
TEXTO BÍBLICO: 1º Reis- 19 – 9 ,18
Elias no
monte de Horebe
8-Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força desse alimento caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.
9 Ali
entrou numa caverna, onde passou a noite. E eis que lhe veio a palavra do
Senhor, dizendo: Que fazes aqui, Elias?
10
Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque
os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e mataram
os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha vida para
má tirarem.
11 Ao que
Deus lhe disse: Vem cá fora, e põe-te no monte perante o Senhor: E eis que o
Senhor passou; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as
penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento
um terremoto, porém o Senhor não estava no terremoto;
12 e depois
do terremoto um fogo, porém o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo
uma voz mansa e delicada.
13 E ao
ouvi-la, Elias cobriu o rosto com a capa e, saindo, pôs-se à entrada da
caverna. E eis que lhe veio uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias?
14
Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque
os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e mataram
os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha vida para
má tirarem.
15 Então o
Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; quando
lá chegares, ungirás a Hazael para ser rei sobre a Síria.
16 E a Jeú,
filho de Ninsi, ungirás para ser rei sobre Israel; bem como a Eliseu, filho de
Safate de Abel-Meolá, ungirás para ser profeta em teu lugar.
17 E há de
ser que o que escapar da espada de Hazael, matá-lo-á Jeú; e o que escapar da
espada de Jeú, matá-lo-á Eliseu.
18 Todavia
deixarei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e
toda boca que não o beijou.
19 Partiu,
pois, Elias dali e achou Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze
juntas de bois adiante dele, estando ele com a duodécima; chegando-se Elias a
Eliseu, lançou a sua capa sobre ele.
O QUE FAZES AQUI ELIAS
Após vencer os profetas de Baal
no monte Carmelo, Elias recebeu ameaças de morte da Rainha Jezabel e fugiu para
o deserto, cansado, frustrado e emocionalmente abalado, se escondeu em uma caverna
no monte Horebe, foi ali que Deus se revelou e falou profundamente ao profeta.
A caverna simbolizava momento de
crise emocional, esgotamento espiritual e confronto interior, onde Deus
trabalha o coração do homem.
Pois até homens fortes
espiritualmente enfrentam momentos de Medo, solidão. Desanimo, porém Deus
transforma Cavernas em lugar de aprendizado e restauração.
Elias Descobriu que Deus fala no
Silencio.
Voz Suave de Deus
Intimidade
Espiritual para Ouvir
Sensibilidade
Pois Deus não falou no vento
forte, Terremoto ou Fogo, mas sua voz Mansa no secreto da Alma.
Elias Descobriu que não estava
só, pois havia a Companhia Divina, remanescente fiel e Esperança.
Havia 7 Mil que não haviam se
dobrado a Baal, e sua missão ainda não havia terminado, Deus mandou Elias
voltar e continuar sua missão profética.
Crises não anulam a missão de
Deus o chamado, Proposito, continuidade e missão continuam.
1. O Contexto da Crise: O
Esgotamento de Elias
Antes de ir para a caverna, Elias
tinha acabado de viver o seu maior triunfo: ele desafiou e derrotou os 450
profetas de Baal no Monte Carmelo. Porém, logo em seguida, a rainha Jezabel o
ameaçou de morte.
O impacto emocional foi imediato:
- Exaustão física e mental: O
medo e o cansaço acumulados fizeram Elias fugir para o deserto.
- Depressão e isolamento: Ele
se sentou debaixo de uma árvore e pediu para morrer, dizendo: "Já basta, ó Senhor; toma agora a minha
vida".
- A Caverna: A caverna em Horebe
(o monte de Deus) tornou-se o símbolo perfeito de seu estado interior — um
lugar de escuridão, isolamento, medo e autodefesa. Elias se escondeu do
mundo e, de certa forma, tentou se esconder de seu propósito.
2. A Revelação de Deus: Não no
Barulho, mas no Silêncio
Quando Elias estava na caverna,
Deus lhe disse para se colocar na entrada do monte, pois o Senhor passaria por
ali. O texto narra uma sequência de fenômenos impressionantes:
- Um vento forte e poderoso que
despedaçava os montes, mas o Senhor não estava no vento.
- Um terremoto que
abalou a terra, mas o Senhor não estava no terremoto.
- Um fogo devastador, mas o
Senhor não estava no fogo.
Depois de todo esse
barulho e destruição, veio o sopro de uma brisa leve (ou "uma voz
mansa e delicada"). Quando Elias ouviu a brisa, cobriu o rosto com o manto
e foi para a entrada da caverna.
A grande lição: Nós
costumamos procurar Deus nos grandes eventos, nos milagres estrondosos ou nas
reviravoltas dramáticas. Mas, na crise, Deus frequentemente escolhe se revelar
no silêncio, no sussurro que acalma a alma e fala diretamente ao coração
sussurrante de medo.
3. Deus se Revela em Lugares de
Crise
A experiência de Elias nos mostra
como Deus gerencia as nossas crises mais profundas:
Ele acolhe a humanidade antes de
dar uma ordem
Antes de confrontar o desânimo de
Elias, Deus enviou um anjo para alimentá-lo e deixá-lo descansar. Deus não
condena a nossa fraqueza física ou mental; Ele nos sustenta nela.
Ele faz as perguntas certas
Duas vezes Deus pergunta a Elias: "O que você está fazendo aqui, Elias?".
Não era porque Deus não sabia, mas porque Elias precisava verbalizar sua
dor. Deus nos dá espaço para desabafar na crise.
Ele redefine a nossa perspectiva
Elias achava que estava sozinho ("Só eu fiquei"). Deus, no sussurro, corrige sua visão distorcida
pela dor e mostra que ainda havia 7.000 pessoas que não tinham se dobrado a
Baal. A crise limita a nossa visão; a revelação de Deus a expande.
Ele dá um novo propósito
Deus não deixa Elias morando na
caverna. Ele o envia de volta com novas missões (ungir novos reis e estabelecer
Eliseu como seu sucessor). O sussurro de Deus na crise não serve apenas para
nos consolar, mas para nos reposicionar.
Conclusão
A caverna não é o fim da história
para quem serve a Deus; é o lugar do recomeço. Se você está hoje em um momento
de crise, sentindo-se isolado ou exausto em sua própria "caverna",
lembre-se de que Deus não precisa de barulho para agir. É no silêncio da sua
oração sincera e na quietude da sua alma que a voz mansa e delicada Dele se faz
ouvir, trazendo direção, cura e um novo recomeço.
O CHAMADO E A PREPARAÇÃO DE ELISEU - HUMILDADE NÃO SIGNIFICA DESEJAR POUCO DE DEUS
Eliseu, cujo nome significa “DEUS é salvação”, foi um extraordinário profeta do
povo de Israel, que substituiu o grande profeta Elias e foi líder dos filhos
dos profetas no reino de Israel por cerca de cinquenta anos, a partir do início
do reinado de Jeorão em 852 a.C. Como Elias, ele nada deixou escrito para a
posteridade, mas alguns dos seus feitos estão registrados para o nosso
conhecimento e ensino nos dois livros de Reis.
Há apenas uma referência a ele no Novo Testamento, mas foi feita pelo Senhor
JESUS CRISTO (Lucas 4:27), o que lhe dá plena autenticidade, se isso fosse
necessário.
"E muitos leprosos havia em Israel no tempo do
profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro". Lucas
4:27
O SEU CHAMADO
Do lugar do seu nascimento, da
sua linhagem, e da idade quando foi convocado para o serviço de DEUS nada
sabemos, o que nos lembra que DEUS escolhe os Seus servos sem levar em conta
esses e outros detalhes que às vezes julgamos tão importantes.
Mas temos informações suficientes para saber que ele era de uma família temente
a DEUS e trabalhava na fazenda do seu pai, Safate. DEUS mesmo o acompanhava e
tinha um plano sublime para a sua vida no meio de um povo que, naquele época,
estava em grande parte longe de DEUS, governado por uma sucessão de reis
idólatras e perversos.
Assim, quando o profeta Elias chegava no fim do seu ministério, desgastado com
a rebeldia do povo, e pediu ao SENHOR que o levasse (1 Reis 19:4), o SENHOR
ordenou que ele ungisse dois reis, um sobre a Síria e outro sobre Israel, e a
Eliseu como profeta em seu lugar. Segundo o relato bíblico, Elias se apressou
em nomear Eliseu no caminho entre Sinai e Damasco.
Elias encontrou o jovem e forte Eliseu lavrando com doze juntas de bois adiante
dele. Elias passou por ele e lançou o seu manto sobre ele. Era um gesto
simbólico, imediatamente compreendido por Eliseu: ele seria o sucessor de
Elias, que já havia passado adiante e seguia o seu caminho. Sua submissão foi
imediata: correu após Elias, sem discutir condições, pedindo apenas
oportunidade para despedir-se dos pais, o que Elias lhe concedeu.
Provou que sua decisão era definitiva, ao tomar e matar a junta de bois, usar
os aparelhos de aragem para cozer as suas carnes e alimentar o povo com elas.
Em seguida seguiu Elias, deixando o conforto do seu lar e tornando-se o seu
servo (1 Reis 19:21).
Isso pode nos lembrar daquele episódio em que alguém se prontificou a seguir ao
Senhor JESUS, mas pediu que Ele o deixasse primeiro despedir os que estavam na
casa dele (Lucas 9:61,62). Parece um pedido igual ao de Eliseu, no entanto há
uma diferença sutil, mas muito importante: a despedida de Eliseu foi curta,
consistindo apenas de um jantar, sem haver hesitação da parte dele pois
sacrificou os animais que usava em seu trabalho. No outro caso, o pedido
significava uma protelação em seguir o Senhor, pois quem pediu queria mais
tempo com a família. JESUS lhe disse: “Ninguém, que lança mão do arado e olha
para trás, é apto para o reino de DEUS.”
A SUA PREPARAÇÃO
Elias estava com pressa de deixar o cargo, mas Eliseu não estava preparado
ainda. Era necessário tempo para aprendizagem e durante sete ou oito anos
Eliseu foi assistente de Elias, prazo em que houve silêncio sobre os dois nas
crônicas bíblicas.
O seu relacionamento com Elias era de servo, descrito ao rei Jeosafá, depois
que Elias se fora, como “derramar água sobre as mãos de Elias”. A humildade,
apego e submissão de Eliseu ao seu mestre não podiam ser descritas de maneira
mais clara e abreviada, convencendo Jeosafá a ir procurá-lo para resolver um
problema sério, certo de que a palavra do SENHOR estava com ele (2 Reis
3:11,12).
Há alguns entre nós que costumam
desprezar, como desnecessário, um período de aprendizagem para os que são
chamados para o trabalho do Senhor. Mas um intervalo tomado em uma escola
bíblica, ou seminário evangélico, desde que bem orientado, pode ser de grande
importância para o obreiro inexperiente.
Não se trata de conseguir um diploma, ou profissionalização, mas esse tipo de
aprendizagem ensina a humildade e a submissão aos seus mestres, pode evitar
erros sérios no ministério e permite adquirir em pouco tempo conhecimentos e
experiências que serão de grande utilidade o seu ministério.
A partida de Elias (2 Reis
2:1-12)
A partida de Elias foi notável e
singular em toda a história. Se há uma lição importante para nós, é o apego de
Eliseu ao seu mestre, e a sua nobre ambição de ser dotado com o dobro da unção
do ESPÍRITO de Elias.
Elias nos dá a impressão de estar
testando Eliseu. Ambos sabiam que DEUS estava para tirar Elias para que Eliseu
o substituísse. Três vezes Elias disse a Eliseu que ficasse onde estava porque
o SENHOR queria que Elias fosse a outro lugar. Em todas essas vezes, Eliseu
insistiu em seguir junto com Elias, dizendo as mesmas palavras: “Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei”.
Eliseu aparentemente já era aceito como o eventual sucessor de Elias, e os
filhos dos profetas em Betel e Jericó sabiam que haveria a substituição naquele
dia. Elias já se dispunha a se afastar, mas Eliseu insistiu em acompanhá-lo até
ao fim - que caráter!
Há uma tendência entre os mais jovens de hoje de fazerem pouco caso dos anciãos
mais idosos em suas igrejas - ele já foi, dizem! Eliseu amava o seu mestre e
ficou com ele, submisso, até que DEUS o tomasse. Foi grandemente recompensado
por isso!
Após atravessarem o rio Jordão, simbolicamente terminando a missão de Elias ao
afastar-se de Israel e voltar à sua origem do outro lado do rio (1 Reis 17:1),
Elias perguntou a Eliseu o que ele gostaria de receber dele, e a resposta de
Eliseu foi decerto inesperada: queria que Elias lhe concedesse porção dobrada
do seu espírito! Uma dupla porção da herança cabia ao filho primogênito de um
israelita, e a herança de Elias seria de ordem espiritual.
Elias servira a DEUS de maneira sacrificial toda a sua vida, e DEUS lhe
concedera abundantes dons espirituais. Eliseu sabiamente queria o mesmo para
si, e de forma duplamente abundante. É curioso notar que a Bíblia nos relata
oito milagres feitos por Elias, mas dezesseis, o dobro, feitos por Eliseu.
Não era da competência de Elias
conceder o pedido de Eliseu, mas prometeu que Eliseu saberia que ele lhe tinha
sido concedido, se tivesse a oportunidade de ver a sua partida. Realmente
Eliseu viu Elias ser elevado ao céu num redemoinho, e assim teve a confirmação.
O ministério de Eliseu
Em seu ministério, Eliseu provou ser um homem de grande energia, ativo no
serviço a DEUS, falando com autoridade em nome do SENHOR, de uma integridade
incorruptível, confiante no poder de DEUS, fiel em seu ministério e de grande
visão espiritual. A sua influência se viu tanto na área pública quanto nas
vidas particulares daqueles que tiveram o privilégio de participar da sua
companhia. Foi sem dúvida, um exemplo a ser seguido por todo aquele que se
dedica ao serviço de DEUS. R David Jones
2 Reis 2:1-8 - Elias Despede-se de seus Amigos, Especialmente de Eliseu -
Comentário Bíblico Exaustivo - Antigo Testamento e Novo Testamento - Matthew
Henry
Os tempos de Elias, e os eventos referentes a ele, são tão pouco datados como
aqueles de qualquer grande homem na Escritura. Não somos informados de sua
idade, nem em que ano do reinado de Acabe ele apareceu pela primeira vez, nem
em que ano do reinado de Jorão desapareceu, e por essa razão, não se pode
conjeturar por quanto tempo ele atuou. Supõe-se que vinte anos ao todo. Aqui
somos informados de:
Que DEUS tinha determinado levá-lo ao céu em um redemoinho (v. 1). Ele faria
isso, e é provável que o fizesse saber de seu propósito algum tempo antes, que
Ele iria em breve levá-lo do mundo, não pela morte, mas pela passagem de seu
corpo e alma para o céu, como Enoque foi, só fazendo-o passar por uma mudança
necessária para qualificá-lo para ser um habitante do mundo dos espíritos, como
aqueles que serão encontrados vivos na volta de CRISTO deverão experimentar.
Não nos cabe dizer por que DEUS colocaria tal honra peculiar sob Elias, acima
de qualquer outro dos profetas. Ele foi um homem sujeito às mesmas paixões que
nós, conheceu o pecado, mas nunca provou da morte. Por que motivo ele foi assim
dignificado, assim diferenciado, como um homem a quem o Rei dos reis teve
prazer em honrar? Podemos supor que:
1. DEUS olhou para seus serviços passados, os quais foram eminentes e
extraordinários, e quis conceder-lhe uma recompensa por eles e um encorajamento
para os filhos dos profetas para andarem nos passos de seu zelo e fidelidade,
e, custasse o que custasse a eles, testemunharem contra as corrupções da era em
que viviam.
2. Ele olhou para baixo, para o presente estado de escuridão e degeneração da
igreja, e quis dar uma prova muito perceptível de outra vida após esta, e
direcionar os corações dos poucos fiéis para cima, em sua direção, e na daquela
outra vida. 3. Ele olhou adiante para a dispensação evangélica, e, no translado
de Elias, deu um tipo de figura da ascensão de CRISTO e da abertura do reino
dos céus para todos os crentes. Elias tinha, pela fé e pela oração, convivido
muito com os céus, e agora ele é levado para lá, para nos assegurar que, se
tivermos comunhão com os céus, enquanto estivermos aqui na Terra, em breve
estaremos lá, a alma (o ser humano) será feliz lá, e para sempre.
Que Eliseu tinha determinado,
enquanto continuasse na Terra, apegar-se a ele, e não o deixar. Elias parecia
querer livrar-se dele, o teria abandonado em Gilgal, em Betel, em Jericó (vv.
2,4,6). Alguns pensam em humildade. Ele sabia o que a glória de DEUS tinha
designado para ele, mas não parecia se orgulhar disso, nem desejava que isto
fosse visto pelos homens (os favoritos de DEUS não desejam ter proclamado
diante deles que eles são assim, como os favoritos dos príncipes terrestres
fazem), ou que ainda isto fosse para testá-lo, e fazer sua adesão constante a
ele a mais recomendável, como Noemi persuadindo Rute que voltasse. Em vão Elias
lhe pede para que permaneça aqui ou ali. Ele decide não ficar em lugar nenhum
abandonando o seu senhor, até ele ir para os céus, e abandoná-lo nesta Terra.
“Não importa o que aconteça, te não deixarei;” E por que isto? Não somente
porque ele o amava, mas:
1. Porque ele desejava ser edificado por sua convivência santa e divina por
todo o tempo em que ele permanecesse na terra. Isto tinha sido sempre
lucrativo, mas, nós podemos supor, que agora fosse mais do nunca. Nós devemos
fazer uns aos outros todo bem espiritual que pudermos, e conseguir
reciprocamente tudo o que pudermos, enquanto estivermos juntos, porque nós
estamos juntos apenas por um pouco de tempo.
2. Porque ele desejava ter certeza no que se referia à sua partida, e vê-lo
quando ele fosse levado, para que sua fé fosse confirmada e seu conhecimento do
mundo invisível aumentado. Ele tinha seguido Elias por muito tempo, e não o
deixaria agora quando esperava pela partida abençoada. Que aqueles que seguem a
CRISTO não fracassem pelo cansaço no final.
Que Elias, antes de sua partida, visitou as escolas dos profetas e despediu-se
deles. Parece que havia muitas escolas de profetas em muitas cidades de Israel,
provavelmente até mesmo na própria Samaria. Aqui nós encontramos filhos dos
profetas, e um considerável número deles, mesmo em Betel, onde um dos bezerros
foi erigido, e em Jericó, a qual foi mais tarde construída em desafio a uma
maldição divina. Em Jerusalém, e no reino de Judá, eles tinham sacerdotes e
levitas, e o serviço do templo, cuja falta, no reino de Israel, DEUS
graciosamente supriu com aquelas escolas, onde os homens eram treinados e
empregados na prática da religião e devoção, e às quais pessoas boas recorriam
para solenizar as festas previstas com oração e o ouvir, quando eles não tinham
locais próprios para sacrifícios ou incensos, e assim a religião era mantida
num tempo de apostasia geral. Havia muito de DEUS entre esses profetas, e mais
eram os filhos da desolada do que os filhos da mulher casada. Nenhum dos
grandes sacerdotes era comparável àqueles dois grandes homens, Elias e Eliseu,
os quais, até onde sabemos, nunca ministraram no templo de Jerusalém. Estes
seminários de religião e virtude, cuja fundação é provável que tenha ocorrido
por iniciativa de Elias, ele agora visita, antes de sua partida, para
instruí-los, encorajá-los e abençoá-los. Note: Aqueles que estão indo para os
céus devem se preocupar com aqueles que vão abandonar na Terra, e devem deixar
com eles suas experiências, testemunhos, conselhos e orações (2 Pe 1.15).
Quando CRISTO disse, com triunfo: Eu já não estou mais no mundo, ele
acrescentou, com ternura: Mas eles estão. Pai, guarda-os.
Que os filhos dos profetas tinham conhecimento (ou pelo próprio Elias, ou pelo
espírito da profecia em alguns de seu próprio convívio), ou suspeitaram pela
solenidade da despedida de Elias, que ele seria logo removido. E:
Eles contaram isso a Eliseu,
tanto em Betel (v. 3) quanto em Jericó (v. 5): Sabes que o Senhor, hoje, tomará
o teu senhor por de cima da tua cabeça? Isto eles disseram não o censurando
pela perda, ou esperando que quando seu mestre tivesse ido ele se colocasse no
mesmo nível que eles, mas para mostrar quão ocupados estavam com esse assunto e
ansiosos por esse evento, e para prevenir Eliseu que se preparasse para a
perda. Não sabemos que nossas mais próximas relações, e mais queridos amigos,
devem em breve ser levados de nós? O Senhor os tomará. Nós os perdemos quando
Ele, a quem pertencem, os chame, pois é aquele que tira e ninguém pode impedir.
Ele leva embora tanto os superiores a nós quanto os inferiores, e os que estão
no mesmo nível que nós. Por isso, cumpramos cuidadosamente o dever de cada
relacionamento, para que possamos refletir sobre ele com conforto quando vier a
ser dissolvido. Eliseu sabia disso muito bem, e o seu coração se encheu de
tristeza com esta notícia (como os discípulos em um caso similar, João 16.6), e
por essa razão ele não precisava ouvir falar disso, não estava interessado em
ouvir falar do assunto, e não seria interrompido em suas contemplações acerca
desta grande preocupação, nem seria levado a interromper o serviço que prestava
ao seu mestre: Também eu bem o sei; calai-vos. Ele não fala com raiva, ou com
desprezo aos filhos dos profetas, mas como alguém que estava bem e os queria
acalmar e tranquilizar, e que estava, com um silêncio terrível, esperando o
evento: Também eu bem o sei; calai-vos (Zc 2.13).
2. Eles próprios foram para serem testemunhas à distância, embora não pudessem
assistir de perto (v. 7): Cinquenta homens dos filhos dos profetas pararam de
longe, tentando satisfazer sua curiosidade, mas DEUS assim ordenou, que eles
deviam ser testemunhas oculares da honra que o céu concedeu àquele profeta, o
qual era desprezado e o mais indigno entre os homens. Os
trabalhos de DEUS são muito merecedores de nossa atenção, quando uma porta é
aberta no céu o chamado é: Sobe aqui, sobe e veja.
Que a abertura milagrosa do rio
Jordão foi o preâmbulo para a passagem de Elias para a Canaã celestial, como
tinha sido para a entrada de Israel na Canaã terrena (v. 8). Ele devia ir para
o outro lado do Jordão para ser transladado, porque lá era a sua terra natal e
porque ele devia estar próximo ao lugar em que Moisés morreu, e para que assim
a honra pudesse ser colocada na parte do país que era mais desprezada. Ele e
Eliseu podiam ter cruzado o Jordão em uma balsa, como outros faziam, mas DEUS
iria engrandecer Elias em sua saída como fez com Josué em sua entrada, pela
divisão deste rio (Js 3.7). Como Moisés dividiu o mar com a sua vara, assim
Elias dividiu o Jordão com seu manto, ambos, vara e manto, sendo os emblemas —
os distintivos de seu ofício. Estas águas que antes cederam à arca, agora
cederam ao manto do profeta, manto que, para aqueles que careciam da arca, era
um sinal equivalente da presença de DEUS. Quando DEUS levar os seus fiéis para
o céu, a morte é o Jordão que, imediatamente antes de sua passagem, eles
deverão atravessar, e eles encontrarão um caminho através dele, um caminho
seguro e confortável. A morte de CRISTO dividiu as águas para que os resgatados
de DEUS possam passar. Onde está, ó morte, o teu aguilhão, a tua ferida, o teu
terror?
2 Reis 2:9-12 - Elias É Arrebatado, e Eliseu Lamenta - Comentário Bíblico
Exaustivo - Antigo Testamento e Novo Testamento - Matthew Henry
Elias cumpre seu desejo, e deixa
Eliseu como seu herdeiro, agora o ungindo para que seja profeta em seu lugar,
mais do que quando lançou a sua capa sobre ele (1 Reis 19.19).
1. Elias, estando grandemente satisfeito com a constância da afeição e da
atenção de Eliseu, lhe fez uma pergunta sobre o que ele deveria realizar para
ele, que bênção deveria deixar para ele ao partir. Elias não diz (como o bispo
Hall observa): “Pede-me o que queres que te faça
quando eu tiver ido, no céu eu estarei mais apto a te favorecer”, mas: “Pede-me
antes que eu vá”. Podemos falar com nossos amigos na Terra, e eles podem nos
responder, mas não temos acesso a nenhum amigo que esteja no céu, a não ser
CRISTO, e DEUS nele. Abraão nós não conhecemos.
2. Eliseu, tendo esta justa oportunidade de se enriquecer com as melhores
riquezas, roga por uma porção dobrada de seu espírito. Ele não pede por
riquezas materiais, nem por honra, nem ausência de problemas, mas pede para
estar qualificado para o serviço de DEUS e de sua geração. Ele pede: (1) Pelo
ESPÍRITO, não que Elias tivesse capacidade de conceder os dons e as graças do
ESPÍRITO. Por essa razão ele não diz: “Dê-me o ESPÍRITO” (ele sabia muito bem
que isso era dom de DEUS), mas: “Peço-te que ele esteja sobre mim, intercede
junto a DEUS por mim nesse sentido”. CRISTO disse a seus discípulos que
pedissem o que quisessem, não alguma coisa, mas tudo, e prometeu enviar o
ESPÍRITO, com muito mais autoridade e certeza do que poderia Elias. (2) Por seu
espírito, porque ele deveria ser um profeta em seu lugar, continuar seu
trabalho, para gerar os filhos dos profetas e encarar os inimigos deles, porque
ele deveria encontrar as mesmas dificuldades e lidar com a mesma geração
perversa, de maneira que, se ele não tiver seu espírito, não terá força
suficiente para enfrentar a tarefa. (3) Por uma porção dobrada de seu ESPÍRITO.
Ele quer dizer o dobro do que tinha Elias. É uma ambição sagrada procurar com
zelo os melhores dons, e aqueles que nos tornarão mais úteis a DEUS e a nossos
irmãos. Note: Nós todos, tanto ministros quanto
povo, temos que colocar diante de nós os exemplos de nossos predecessores,
trabalhar a exemplo do espírito deles, e ser sérios com DEUS buscando a graça
que os conduziu em seu trabalho e os habilitou a cumpri-lo.
3. Elias prometeu-lhe o que ele pediu, mas sob duas condições (v. 10). (1)
Contanto que ele valorizasse e estimasse isto muito: isso ele o ensina a fazer
ao chamá-lo coisa dura, não tão difícil para DEUS realizar, mas muito grande
para ele esperar. Aqueles que estão mais preparados para as bênçãos espirituais
são aqueles mais sensíveis ao quanto elas valem e à sua própria indignidade
para recebê-las. (2) Contanto que ele se mantivesse próximo a seu senhor, até
ao final, e fosse o observasse: Se me vires quando for tomado de ti, assim se
te fará, do contrário, não. Uma atenção diligente às instruções de seu senhor,
e uma observação cuidadosa de seu exemplo, principalmente agora nesta última
cena, eram a condição e seriam um meio adequado de obter muito de seu espírito.
Observar cuidadosamente a maneira de sua ascensão seria também de grande
utilidade para ele. Os confortos dos santos que partiram, e suas experiências,
ajudarão poderosamente tanto a dourar nossos confortos quanto a fortalecer
nossas resoluções. Ou, talvez, isto fosse planejado apenas como um sinal: “Se
DEUS te favorecer tanto a ponto de fazer com que me vejas quando eu acender,
aceita isso como um sinal de que Ele fará isso para você, e confia nisso.” Os
discípulos de CRISTO o viram ascender e, por causa disso, tiveram certeza de
que, em pouco tempo, seriam preenchidos por seu ESPÍRITO (At 1.8). Podemos
supor que depois disso Eliseu orou seriamente: Senhor, mostra-me esse sinal
para bem.
Elias é levado ao céu num carro de fogo (v. 11). Como Enoque, ele foi
trasladado, para não ver a morte. E foi (como Cowley o expressa) o segundo
homem que saltou o fosso no qual todo o resto da humanidade caiu e ele não foi
para o céu descendo. Muitas perguntas curiosas poderiam ser feitas sobre este
assunto, mas não poderiam ser respondidas. Que nos baste a informação que temos
aqui sobre:
1. O que o seu Senhor, quando chegou, o encontrou fazendo. Ele estava
conversando com Eliseu, instruindo-o e encorajando-o, orientando-o em seu
trabalho, e estimulando-o, para o bem daqueles que ele abandonaria. Ele não
estava meditando ou orando, como alguém completamente enlevado pelo mundo para
o qual estava indo, mas como alguém dedicado à pregação, como alguém preocupado
com o reino de DEUS entre os homens. Nós nos enganamos se pensamos que nossa
preparação para os céus é feita apenas pela contemplação e os atos de devoção.
A utilidade que representamos para os outros nos será cobrada como qualquer
outra coisa. Pensar em coisas divinas é bom, mas falar delas (se isso vier do
coração) é melhor, porque é para a edificação (1 Co 14.4). CRISTO ascendeu ao
céu enquanto estava abençoando seus discípulos.
2. Que escolta seu Senhor lhe enviou — um carro de fogo, com cavalos de fogo, o
qual apareceu ou descendo sobre eles das nuvens ou (como pensa o bispo Patrick)
correndo na direção deles por sobre o chão: nesta forma os anjos apareceram. As
almas de todos os fiéis são carregadas por uma invisível guarda de anjos para
dentro do seio de Abraão. Mas, tendo Elias carregado seu corpo consigo, está
guarda celestial tornou-se visível, não numa forma humana, como de costume,
embora eles pudessem tê-lo carregado em seus braços, ou o levado como nas asas
de uma águia, mas isto seria carregá-lo como a uma criança, como a um cordeiro
(Is 40.11,31). Eles aparecem na forma de um carro e cavalos, para que ele
pudesse conduzir com pompa, para que pudesse conduzir em triunfo, como um
príncipe, como um vencedor, sim, mais do que vencedor. Os anjos são chamados na
Escritura de querubins e serafins, e a aparência deles aqui, embora possa
parecer estar abaixo de sua dignidade, corresponde a ambos os nomes. Pois (1)
Serafim significa flamejante, e diz que DEUS faz deles um fogo abrasador (Sl
104.4). (2) Querubim (na opinião de muitos) significa carruagens, e eles são
chamados de os carros de DEUS (Sl 68.17), e diz que Ele montou num querubim (Sl
18.10), aos quais talvez exista uma alusão na visão de Ezequiel de quatro seres
viventes, e rodas, como cavalos e carros. Na visão de Zacarias eles também são
representados assim (Zc 1.8; 6.1. Compare com Apocalipse 6.2ss.). Veja a
prontidão dos anjos para fazerem a vontade de DEUS, mesmo nos serviços mais
desprezíveis, para o bem daqueles que devem ser herdeiros da salvação. Elias
devia mudar-se para o mundo dos anjos, e por essa razão, para mostrar quão
desejosos eles estavam de sua companhia, alguns deles viriam buscá-lo. O carro
e os cavalos apareceram como fogo, não por queimar, mas pelo brilho, não para
torturá-lo ou consumi-lo, mas para tornar sua ascensão notável e ilustre aos
olhos daqueles que ficaram de longe para vê-la. Elias tinha queimado com zelo
santo por DEUS e por sua honra, e agora, com o fogo sagrado ele foi refinado e
trasladado.
3. Como ele foi separado de
Eliseu. Este carro os separou. Note: Os mais queridos amigos devem partir.
Eliseu tinha afirmado que não o deixaria, mas agora ele é abandonado por Elias.
4. Para onde ele foi carregado.
Ele subiu ao céu num redemoinho. O fogo tende a subir. O redemoinho ajudou a
carregá-lo através da atmosfera, para fora do alcance da força magnética da
terra, e então, quão suavemente ele acendeu através do puro éter para o mundo
dos espíritos sagrados e abençoados que nós não podemos conceber.
“Mas onde ele parou nunca se saberá,
Até que a Natureza Fênix, envelhecida,
Aspire tornar-se um ser melhor, Subindo-a,
como ele, para a eternidade em fogo.” .
Uma vez Elias, em aflição, tinha desejado morrer. Mas DEUS foi tão gracioso com
ele a ponto de não apenas não aceitar seu pedido na ocasião, mas de honrá-lo
com este privilégio singular, de que ele nunca veria a morte. E por este
exemplo, e por aquele de Enoque: (1) DEUS mostrou como os homens deveriam
deixar o mundo se não tivessem pecado, não pela morte, mas pela trasladação.
(2) Ele concedeu um vislumbre daquela vida e imortalidade que são trazidas à
luz pelo evangelho, da glória reservada para os corpos dos santos, e da
abertura do reino dos céus para todos os crentes, como então ocorreu para
Elias. Isso também foi uma figura da ascensão de CRISTO.
Eliseu comovido lamenta a perda do grande profeta, mas o assiste com um elogio
(v. 12).
1. Ele viu isto. Assim ele recebeu o sinal pelo qual lhe fora garantida a
concessão de seu pedido por uma dupla porção do espírito de Elias. Ele olhou
fixamente para o céu, de onde ele esperava receber aquele dom, como os
discípulos fizeram em Atos 1.10. Ele viu por um momento, mas a visão foi
prontamente tirada de sua vista. E nunca mais o viu.
2. Ele rasgou suas próprias
roupas, como sinal da noção que tinha de sua própria perda e da de todos.
Embora Elias tivesse ido triunfantemente para o céu, este mundo não podia
dar-se ao luxo da sua ausência, e por isso sua remoção devia ser muito lamentada
pelos sobreviventes. Sem dúvida, os corações daqueles cujos olhos estão secos
são duros, quando DEUS, ao levar embora homens úteis e leais, pede choro e
lamentação. Embora a partida de Elias tenha aberto o caminho para a eminência
de Eliseu, especialmente desde que ele estava agora seguro da dupla porção de
seu espírito, ele lamentou a perda de Elias, porque o amava, e poderia tê-lo
servido para sempre.
3. Ele falou de Elias de forma
muito honrável, mostrando o motivo de tanto lamentar sua ausência. (1) Ele
próprio tinha perdido o guia de sua mocidade: Meu pai, meu pai. Ele viu sua
própria condição como a da criança sem pai atirada ao mundo, e lamentou isto da
forma adequada. Quando CRISTO deixou seus discípulos, não os deixou órfãos (Jo
14.15), mas Elias teve que fazê-lo. (2) O público tinha perdido seu melhor
guardião. Ele era os carros de Israel, e os seus cavaleiros. Ele teria levado
todos para os céus, como nesse carro, se não fosse por culpa deles mesmos. Eles
não usavam carros e cavalos em suas guerras, mas Elias era para eles, por seus
conselhos, reprovações, e orações, melhor do que a mais poderosa força de
carros e cavalos, e evitou os julgamentos de DEUS. Sua partida foi como a
derrota de um exército, uma perda irreparável.
“Seria melhor ter perdido todos os nossos homens de guerra do que ter perdido
esse homem de DEUS.”



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