GOGUE
E MAGOGUE – UM DIA DE JUÍZO
Texto
Bíblico Ezequiel 38:1-6; 39:1-10
” E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos
da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar para as ajuntar em
batalha” (Ap.20:8).
Ezequiel
38:
1.Veio
mais a mim a palavra do SENHOR, dizendo:
2.Filho
do homem, dirige o rosto contra Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de
Meseque e de Tubal, e profetiza contra ele.
3.E
dize: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e
chefe de Meseque e de Tubal.
4.E
te farei voltar, e porei anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o
teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos bizarramente, congregação
grande, com escudo e rodela, manejando todos a espada;
5.persas,
etíopes e os de Pute com eles, todos com escudo e capacete;
6.Gomer
e todas as suas tropas; a casa de Togarma, da banda do Norte, e todas as suas
tropas, muitos povos contigo.
Ezequiel
39:
1.Tu,
pois, ó filho do homem, profetiza ainda contra Gogue e dize: Assim diz o Senhor
JEOVÁ: Eis que eu sou contra ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal.
2.E
te farei voltar, e te porei seis anzóis, e te farei subir das bandas do Norte,
e te trarei aos montes de Israel.
3.E
tirarei o teu arco da tua mão esquerda e farei cair as tuas flechas da tua mão
direita.
4.Nos
montes de Israel, cairás, tu, e todas as tuas tropas, e os povos que estão
contigo; e às aves de rapina, e às aves de toda a asa, e aos animais do campo,
te darei por pasto.
5.Sobre
a face do campo cairás, porque eu falei, diz o Senhor JEOVÁ.
6.E
enviarei um fogo sobre Magogue e entre os que habitam seguros nas ilhas; e
saberão que eu sou o SENHOR.
7.E
farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo de Israel e nunca mais
deixarei profanar o meu santo nome; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o
Santo em Israel.
8.Eis
que é vindo e se cumprirá, diz o Senhor JEOVÁ; este é o dia de que tenho
falado.
9.E
os habitantes das cidades de Israel sairão, e totalmente queimarão as armas, e
os escudos, e as rodelas, com os arcos, e com as flechas, e com os bastões de
isso por sete anos.
10.E
não trarão lenha do campo, nem a cortarão dos bosques, mas com as armas
acenderão fogo; e roubarão aos que os roubaram e despojarão aos que despojaram,
diz o Senhor JEOVÁ.
INTRODUÇÃO
As
passagens de Ezequiel 38 e 39 são alguns dos textos mais intrigantes e
estudados da literatura profética e apocalíptica bíblica. Elas descrevem uma
coalizão de nações que se levanta para atacar Israel, culminando em uma
intervenção divina dramática.
Aqui
está um resumo estruturado sobre o que esses capítulos abordam:
1. Quem são Gogue e Magogue?
A
identidade exata desses nomes é alvo de debates teológicos e históricos há
séculos:
- Gogue: É descrito como o "príncipe
maior" (ou príncipe de Rôs), o líder individual ou título do
comandante que lidera a invasão.
- Magogue: No livro de Gênesis (Tabela das
Nações), Magogue é um dos filhos de Jafé. Em Ezequiel, refere-se à terra
ou à região de onde Gogue se origina. Historicamente, muitos estudiosos
associam essa região aos povos ao norte de Israel, como os antigos citas.
- A
Coalizão: Gogue não
vem sozinho. Ele lidera uma confederação que inclui Persia (atual Irã),
Etiópia (Cuxe), Pute (Líbia), Gomer e Togarma (frequentemente associadas a
regiões da Turquia e Ásia Central).
2. O Cenário da Invasão (Capítulo 38)
O
texto descreve um tempo em que o povo de Israel estaria reunido de entre as
nações, habitando em "aldeias sem muros" e vivendo em relativa
segurança.
- A
Motivação: Gogue é
movido por um pensamento maligno de "subir contra a terra das aldeias
não muradas" para saquear e tomar despojo.
- O
Controle Divino: Um detalhe teológico importante no texto é que Deus
afirma: "Porei anzóis nos teus queixos
e te levarei" (Ez
38:4). Isso sugere que, embora a intenção de Gogue seja má, ele está sendo
atraído para um julgamento final planejado por Deus.
3. A Derrota e o Julgamento (Capítulo 39)
A
batalha não é vencida por exércitos humanos, mas por fenômenos naturais e
intervenção divina direta:
- Elementos
da Natureza: Deus
envia um grande terremoto, peste, chuva inundante, pedras de saraiva, fogo
e enxofre.
- A
Magnitude da Derrota:
A destruição é tão vasta que o texto menciona dois fatos impressionantes
para ilustrar o volume de baixas:
- Combustível
por 7 anos: Os instrumentos de guerra deixados para trás servirão de
lenha para os habitantes de Israel por sete anos.
- 7
meses de sepultamento:
Levará sete meses para enterrar todos os mortos e "limpar a
terra", em um local que será chamado de Vale de Hamon-Gogue.
4. O Propósito Teológico
O
objetivo final desta profecia, repetido várias vezes nos capítulos, é o
reconhecimento da soberania divina:
"Assim, eu me engrandecerei, e me santificarei, e me darei
a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o Senhor." (Ez 38:23)
Para
o povo de Israel, a mensagem serve como uma garantia de proteção futura,
reafirmando que, mesmo diante de uma ameaça global, a restauração prometida por
Deus não seria revogada.
5. Relação com o Apocalipse
É
comum confundir esta profecia com a menção de "Gogue e Magogue" no
livro de Apocalipse 20:8. Embora os nomes sejam os mesmos, muitos intérpretes
veem eventos distintos:
- Em
Ezequiel, a invasão
parece ocorrer em um contexto de restauração nacional.
- Em
Apocalipse, o termo é
usado de forma mais simbólica para representar a rebelião final das nações
contra o Reino de Deus ao fim do Milênio.
I. SOBRE A IDENTIDADE DOS POVOS INVASORES (PARTE 1)
1.
Os invasores (Ez.38:5,6; 39:2)
“persas, etíopes e os de Pute com eles, todos com escudo e
capacete; Gomer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, da banda do Norte, e
todas as suas tropas, muitos povos contigo. E te farei voltar, e te porei seis
anzóis, e te farei subir das bandas do Norte, e te trarei aos montes de
Israel”.
Ezequiel
38:5,6 e 39:2 mostram quem serão os invasores de Israel, liderados pelo
“príncipe de Rosh” (Ez.38:2). Para muitos estudiosos das profecias de Ezequiel
38 e 39, Gogue é o príncipe de Rosh, ou o presidente de Rosh, pelo
que, será provavelmente o presidente da Rússia, uma vez que Rosh era
um dos antigos nomes dados à Rússia moderna. É necessário, pois, identificar
esses povos no contexto em que vivia o profeta e procurar identificá-los nos
tempos atuais, quando possível; isso tornará a profecia compreensível e mais
vívida em nossos dias. Com a ajuda de alguns estudiosos e historiadores,
apontamos esses invasores da seguinte forma:
a)
Pérsia. Incluído
nesta aliança está o reino da Pérsia que, nos dias de Ezequiel, era um poder
menos conhecido ao leste da Babilônia. Hoje, a Pérsia é conhecida como Irã e
existe como uma das maiores ameaças à nação de Israel. Em nenhum outro momento
da história houve uma aliança em que a Pérsia e a Rússia se uniram contra a
terra de Israel. Hoje a Rússia é aliada do Irã, fornecendo tecnologia nuclear
ao país, ajudando-o a construir usinas nucleares e sistemas de centrifugação. O
Irã também contratou a Rússia para comprar sistemas sofisticados de defesa
antimísseis e aeronaves para protegê-lo das ameaças de Israel de destruir suas
ambições nucleares. Na guerra atual entre a Rússia e a Ucrânia, noticia-se que
Irã está fornecendo drones kamikazes para atacar a infraestrutura da Ucrânia.
Isto é um forte sinal de aliança inquebrável entre estas duas nações. A Pérsia (Irã), juntamente com outras nações do Norte,
atacará Israel nos “últimos dias”.
b) Etiópia. “Cush” é o nome
antigo da Etiópia, que inclui as nações ao sul do Egito. Embora a Etiópia seja
historicamente uma nação cristã, os muçulmanos fizeram grandes incursões para
ganhar poder não apenas na Etiópia, mas também no Sudão. Essas nações estão
unidas em seu ódio contra Israel.
c) Líbia (Pute). Este é
outro aliado da Rússia e outra nação islâmica com uma história de ser um
inimigo da nação de Israel. É uma nação antiga fundada por comerciantes
fenícios como uma colônia. O general Hannibal é um dos descendentes mais
famosos desta terra. Atualmente sua população é composta de 97% de muçulmanos
sunitas, desde 1966. Na época do ditador Muamar Al-Khadaffi, por muitos anos, a
Líbia foi um dos principais financiadores dos terroristas árabes, em especial
dos palestinos, tendo tido sempre alinhamento com a União Soviética.
A
profecia de Ezequiel diz que estes países - Irã, Etiópia e Líbia - estarão com
“escudo e capacete”, ou seja, a expressão bíblica indica que participarão da
operação militar desencadeada pela Rússia com soldados, pois escudo e capacete
são equipamentos utilizados pelos soldados, o que nos permite vislumbrar que se
tentará uma guerra convencional.
d) Gomer. Originalmente, é o
filho mais velho de Jafé, irmão de Magogue (Gn.10:2). O povo descendente de
Gomer fará parte da aliança contra Israel nos últimos dias. No capítulo 10 de
Gênesis, Jafé é listado como tendo sete filhos, sendo quatro deles incluídos na
lista de nações que virão contra a terra de Israel. Os judeus entendem que
Gomer representa a Alemanha; o nome Alemanha é pensado por ter vindo do termo
Gomerland. Além disso, os judeus da Alemanha são conhecidos como judeus
asquenazes, em homenagem a Ashkenaz, um dos filhos de Gomer. “Os filhos de Gomer são: Asquenaz, Rifate e Togarma “(Gn.10:3).
e)
Togarma. O quinto
país aliado mencionado pela profeta é Togarma. Este é outro filho de
Gomer, conhecido por trocar cavalos com os mercadores de Tiro (Ez.27:14). Este
país é identificado com a Armênia, que fica a leste do Mar Negro, conhecida por
sua criação e comércio de cavalos com a Pérsia e a Babilônia. Hoje a Armênia é
identificada como aliada da Rússia e da Pérsia.
f)
“muitas pessoas … com você” (Ez.38:6). A profecia mostra que a lista de nações não é abrangente, mas
inclui outros grupos de pessoas nesta aliança de nações que vêm contra Israel.
Essas nações poderiam invadir Israel com base em um mandato da ONU por causa da
política de Israel em relação a seus vizinhos árabes. Os possíveis motivos para
justificar um ataque a Israel podem ser os seguintes:
- Israel
pode atacar um Estado palestino declarado pelas Nações Unidas.
- Israel
pode rejeitar uma divisão mandatada pela ONU em Jerusalém.
- Israel
pode assumir o controle do Domo da Rocha em um esforço para começar a
construção do terceiro Templo.
- Israel
pode revidar algum ataque à sua soberania sobre as suas reservas de gás.
Contudo,
estas nações serão derrotadas pela intervenção divina. O capítulo 39 descreve a
derrocada de Gogue e os seus confederados (Ez.39:4-6). Como podemos, pois,
observar, os movimentos da política internacional continuam sinalizando para um
estado de aliança político-militar entre a Rússia e as nações que a profecia
bíblica indica serem aquelas que auxiliarão na frustrada invasão da Terra de
Israel, na guerra que será promovida por Gogue, príncipe de Tubal e de Meseque,
na terra de Magogue, contra o povo de Israel.
2.
Compreendendo a profecia
Ezequiel
descreve uma coalizão de nações que farão um ataque final contra Israel depois
da restauração de Israel à sua pátria, na tentativa de destruir a nação e
apossar-se da sua terra. A profecia de Ezequiel aponta para um período em que
Israel se restabelecerá novamente como nação, ou seja, quando Deus fizer
regressar o seu povo da diáspora vindo de todas as nações da terra (Ez.36:24).
Alguém tem dúvida que isto já aconteceu? Certamente, não há dúvida! Logo,
estamos no limiar desse impressionante acontecimento, que deixará a humanidade
bastante apreensiva.
O
profeta afirma que o líder dessas nações invasoras se chama Gogue (Ez.38:2-23).
As nações invasoras, porém, não terão êxito, serão derrotadas pelo próprio
Deus, que confundirá os exércitos invasores, de modo que algumas nações se
voltarão contra os seus aliados. Ele também derrotará diretamente os exércitos
por meio de terremotos, enfermidades e outros meios catastróficos
(cf.Ez.38:21,22). Os exércitos de Gogue se encherão de terror por causa da
peste e do sangue, chuva inundante, grandes pedras de saraiva, fogo e enxofre
que Deus enviará (Ez.38:17-23). A destruição dos inimigos do povo de Deus traz
à lembrança a promessa do Senhor em Isaias 54:17: “Toda
arma forjada contra ti não prosperará [...] esta é a herança dos servos do
Senhor”.
3.
Gogue (Ez.38:2a; 39:1a)
O
profeta descreve Gogue como “príncipe do Rôs, de Meseque e Tubal”, que, na
opinião de alguns, são os nomes antigos da Rússia, de Moscou e de Tobolsk.
Percebe-se, portanto, que este personagem, que a Bíblia denomina de Gogue, e
que é o príncipe de Meseque e de Tubal, terá a audácia de invadir a terra de
Israel, quando haverá uma relativa sensação de paz no meio do povo de Israel
(“o povo que se ajuntou entre as nações”), buscando dominar os recursos
naturais existentes na região. A primeira dificuldade que se tem é a
identificação de quem seja Gogue. A Bíblia diz que se trata de uma pessoa, de
uma autoridade, o príncipe de Meseque e de Tubal, lugares situados na terra de
Magogue. Para que tenhamos condição de saber a que lugar o texto sagrado está
se referindo, devemos verificar a relação de nações surgidas da confusão das
línguas em Babel, o chamado “índice das nações”, que se encontra no capítulo 10
do livro de Gênesis. Lá está dito que, entre os filhos de Jafé, um dos filhos
de Noé, estavam Magogue, Tubal e Meseque (Gn.10:2). Flávio Josefo, o grande
historiador judeu, ao comentar esta relação de nações, indica que Magogue foi o
pai dos citas, povo bárbaro que vivia, na época de Josefo (século I d.C.), na
região que hoje pertence à Rússia, enquanto Tubal teria dado origem aos iberos,
povo que habitou a região da Península Ibérica (Portugal e Espanha atuais) e
Meseque teria sido o pai dos capadócios, povo que habitou a Capadócia, região
que hoje pertence à Turquia (cf. Flávio JOSEFO. História dos hebreus).
O
texto bíblico diz que Gogue é o príncipe de Tubal e de Meseque, que se
encontram na terra de Magogue. Portanto, trata-se de uma autoridade que tem sua
base na região que foi ocupada pelos Citas na época de Josefo, ou seja, a
Rússia, que é o principal país que se situa ao norte de Israel, pois a profecia
bíblica de Ezequiel diz claramente que este invasor virá do Norte (Ez.39:2) e,
como foi muito bem demonstrado pelos estudiosos, em especial o pastor Abraão de
Almeida, se traçarmos uma linha reta de Jerusalém rumo ao norte, esta linha
passará por Moscou, a capital russa.
Mas
como dizer que Gogue é uma autoridade da Rússia, se, como vimos, Tubal seria a
nação dos iberos e Meseque, a nação dos capadócios, duas regiões bem distantes
da Rússia e que nem sequer se situam precisamente no norte de Israel (pelo
menos a Península Ibérica)? Muitos estudiosos, inclusive, ao analisarem o fato
de Gogue ser chamado de “príncipe de Tubal e de Meseque”, associam os nomes
bíblicos de Tubal e de Meseque, não aos filhos de Javé, ou seja, às nações
surgidas das descendências destes dois filhos de Javé, mas, sim, a nomes de
lugares, pois a referência à descendência, à nacionalidade, somente se dá na
expressão “terra de Magogue” e, portanto, Tubal e Meseque seriam apenas nomes
de locais. Assim, Tubal e Meseque, em Ez.38:2, não representariam as nações
surgidas de Tubal e de Meseque, mas cidades da terra de Magogue, cidades que,
edificadas por descendentes de Magogue, fazem menção, em seus nomes, a estes
irmãos de Magogue, a título de homenagem, como se vê, por exemplo, no caso de
Caim, que, ao edificar uma cidade, deu a ela o nome de seu filho Enoque
(Gn.4:17).
As
denominações proféticas destes locais, Tubal e Meseque, correspondem,
nitidamente, em mais das inúmeras demonstrações da infalibilidade das
Escrituras às localidades hoje conhecidas como Tobolsk e Moscou, que, não
coincidentemente, são duas das principais cidades da Rússia. Com efeito,
Tobolsk foi fundada pelos russos em 1587, quando eles começaram a ocupar a
Sibéria (nome que recebe a parte norte da Ásia e que se confunde com a própria
Rússia asiática), sendo, desde então, considerada a capital histórica da Rússia
asiática, o símbolo do domínio russo sobre esta parte da Ásia. Moscou, por sua
vez, capital do principado de Moscóvia, é a capital de toda a Rússia desde a
unificação dos vários principados da região, o que se deu em 1495 sob o reinado
de Ivã III. Antes, em 1453, logo após a queda de Constantinopla, Moscou fora
considerada a nova capital da cristandade pelos cristãos orientais, a “terceira
Roma”, o que demonstra como é antiga a pretensão dos russos de se arvorarem em
estandarte da Cristandade Oriental e, assim, terem direito sobre a Terra Santa.
Deste modo, percebemos, com clareza, que Gogue é o chefe da Rússia, ou seja, o
governante da Rússia que, nos últimos tempos, resolverá invadir Israel
juntamente com várias outras nações já definidas aqui.
II.
SOBRE A IDENTIDADE DOS POVOS INVASORES (PARTE 2)
1.
Magogue (Ez.38:2b; 39:1b, 6a)
Em
Gênesis 10:2 Magogue é um dos filhos de Jafé, que era filho de Noé. De acordo
com Ezequiel 38:2 é um povo cujo território será futuramente governado por
Gogue (talvez já esteja ocorrendo). Em Ez.38:2, lê-se literalmente: “Firma bem
a tua face contra Gogue, contra a terra de Magogue […]”. O historiador judeu
Flávio Josefo (37-103 d.C.), mundialmente respeitado e conhecido pela sua
obra "As Guerras dos Judeus", identifica Magogue com os Citas;
estes eram originários daquilo que é hoje o Sul do Irão; eram guerreiros que
montavam cavalos e que habitavam em muito do território que hoje compõe a
Geórgia, a Arménia, e parte das regiões do sul da Ucrânia e da Rússia por cerca
de 1300 anos, desde o 7º século a.C. até ao 4º século d.C. A costa Norte do Mar
Negro era completamente cita. Mas o que há de tão especial com os Citas?
Flávio Josefo tinha uma interessante teoria acerca deles e das terras onde
viveram. Segundo as suas conclusões, aquelas terras onde eles habitaram
eram Magogue, tal como lemos na Bíblia sobre Gogue e Magogue (Ez.38 e 39).
É essa agora, pois, a razão da efervescência recente entre os estudiosos dos
sinais apocalípticos, logo que os acontecimentos na Ucrânia começaram a
despertar a atenção mundial. Para muitos estudiosos, a expectativa de estarmos
a viver nos "últimos dias" é tão grande, que este é mais um grande
sinal do fim, talvez o princípio do fim. No Novo Testamento os Citas aparecem
juntamente com os bárbaros (Cl.3:11), e que, talvez, muitos deles tenham se
convertido a Cristo.
2.
Meseque e Tubal (Ez.38:2c; 39:1c)
Originalmente,
assim como Magogue, Meseque e Tubal eram filhos de Jafé, que era filho de Noé
(Gn.10:2). Como foi dito no item 3 do tópico I, Tubal e Meseque, em Ez.38:2,
são cidades da terra de Magogue, cidades que, edificadas por descendentes de
Magogue, fazem menção, em seus nomes a estes irmãos de Magogue, a título de
homenagem, como se vê, por exemplo, no caso de Caim, que, ao edificar uma
cidade, deu a ela o nome de seu filho Enoque (Gn.4:17). Estas denominações
proféticas destes locais, Tubal e Meseque, correspondem, nitidamente, em mais
das inúmeras demonstrações da infalibilidade das Escrituras, às localidades
hoje conhecidas como Tobolsk e Moscou, que, não coincidentemente, são duas das
principais cidades da Rússia.
3.
A coalização de Gogue (Ez.38:5)
Como
já foi dito no item 1 do tópico I, conforme a profecia de Ezequiel haverá uma
coalizão de nações que farão um ataque final contra Israel depois de sua
restauração como nação, na tentativa de destruí-la e apossar-se da sua terra.
Com vimos, o líder dessas nações chama-se Gogue. As nações invasoras, porém,
não terão êxito, serão derrotadas pelo próprio Deus. Por causa dessa invasão,
Deus castigará a terra de Magogue; Ele enviará uma saraiva de fogo na terra de
Magogue e nas áreas ao redor dela (Ez.39:6). Pela destruição dos exércitos das
nações perversas e invasoras, o Senhor manifestará a sua glória de tal maneira
que todos saberão que somente Ele é o Senhor (Ez.39:6).
“Far-te-ei
que te volvas” (Ez.38:4). Deus
está puxando essa aliança para Israel. O próprio Deus está envolvido nesta
próxima batalha. Gogue é retratado como um animal com ganchos nas mandíbulas
sendo puxados para o conflito; Deus coloca os ganchos nas mandíbulas de Gogue.
“Todo
o teu exército” (Ez.38:5). A profecia deixa claro que o exército que
virá atacar Israel é uma força imensa que exigirá o enterro dos mortos por sete
meses. Deus usará esses exércitos para se revelar às nações em seu conflito com
Israel. As armas descritas no texto são termos com os quais Ezequiel e sua
plateia estariam familiarizados - cavalos, cavaleiros, broquéis e espadachins.
Ele faz menção a todos os tipos de armaduras, incluindo armas modernas.
Pelos
últimos acontecimentos no mundo, principalmente na Ucrânia, essa coalizão
brevemente será formada e a invasão será concretizada. Todos somos sabedores
que Israel, hoje, é um país soberano, organizado política e economicamente, e
considerado um dos países mais desenvolvido do mundo, apesar de sua recente
independência, que se deu em 1948. E com a recente descoberta de gás, com uma
reserva bastante volumosa, isto nos alerta que muito breve esse acontecimento
se concretizará; já estamos vendo o movimento do tabuleiro no mundo político;
já estamos vendo as angústias das nações tomando posições para este momento
espetacular e ao mesmo tempo desastroso da história. Mas, não somente Israel
será afetado, também todos os países do mundo sofrerão as sequelas desse
conflito, haja vista que estamos vivendo num mundo globalizado, em que um país
afetado pelo outro terá reflexo aos demais. A Igreja, mais do que nunca, precisa
estar alerta e observando todos esses acontecimentos, pois a iminência da volta
do Senhor nunca foi tão vibrante e audível.
III.
SOBRE O CONTEXTO ESCATOLOGICO
1.
Gogue e Magogue
Como
já foi dito anteriormente, Gogue, da terra de Maogogue, será o líder político
que organizará uma aliança de nações contra Israel. Ezequiel o identifica como
o “príncipe de Rosh, Meseque e Tubal”. O historiador judeu Josefo identificou a
terra de Magogue como Cítia, a progenitora da Rússia, ao norte de Israel.
Também na tabela das nações, Gênesis capítulo 10, Magogue é identificado como
um dos filhos de Jafé. Portanto, na época de Ezequiel e no futuro, sua prole
seria uma nação importante. Gogue de Magogue liderará a aliança de nações
contra Israel, mas a profecia deixa claro que essas nações serão derrotadas
vergonhosamente (Ez.39:4), e o nome de Deus será glorificado entre seu povo e
entre as demais nações (Ez.39:7).
2.
Como a Rússia aparece nesse contexto?
Aparece
no contexto porque a profecia diz que a iniciativa da invasão é do “príncipe e
chefe de Meseque e Tubal” (Ez.38:2 - ARC). Na Almeida e Atualizada diz:
“príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal”. A palavra hebraica para chefe é “Ro’sh”,
de significado amplo - “cabeça, chefe, pico, monte, parte superior”. Algumas
traduções o traduzirão como príncipe principal em vez de príncipe de Rosh, com
base em suas opiniões. Independentemente disso, Gogue é identificado como um
líder do extremo norte, que é o chefe dos descendentes de Meseque e Tubal, na
terra de Magogue. Foi a semelhança de Sons e a localização geográfica que levou
muitos estudiosos a identificarem Rosh com a Rússia; Meseque, com Moscou, atual
capital da Rússia; e Tubal com Tobolsk, cidade russa.
3.
Origem da interpretação
“Esse
pensamento não veio dos pentecostais e nem se trata de uma ideia oriunda dos
dispensacionalistas, como equivocadamente dizem os críticos. Essa interpretação
vem de longe, desde Gesenius (1787-1842), famoso orientalista alemão. Em seu
léxico hebraico, o Roshe de Ezequiel 38.2 são os russos. Depois da
Guerra Fria, o assunto foi ficando no esquecimento. Mas com a guerra da Ucrânia
em 2022, a relação entre Rússia e o Ocidente está voltando ao cenário
mundial, o que era antes da Queda do Muro de Berlim em 1989” (LBM.CPAD).
“O importante em nosso estudo não é a identidade de Gogue e seus
confederados, isso são detalhes, mas mostrar ao mundo a veracidade da Palavra
de Deus. Os expositores céticos das Escrituras, aqueles que não acreditam em
milagres e nem na possibilidade de o Espírito anunciar as coisas futuras por
meio dos profetas, procuram explicar as profecias que já foram cumpridas como
se fossem extraídas do fato ocorrido. Eles chamam essa suposta” pia fraude” de
vaticinium ex eventu,” vaticínio-predição-oráculo a partir do evento fato”,
como se a profecia fosse escrita depois do acontecimento. Agora, com o
cumprimento de profecias bíblicas na atualidade, eles não têm argumento em
favor do vaticinium ex evento” (Esequias
Soares).
CONCLUSÃO
Aprendemos
neste estudo, conquanto superficialmente, sobre uma coalizão de nações,
liderada por um governante poderoso, que achamos que seja o governante da
Rússia, que pretenderá invadir a nação de Israel “no fim dos anos” (cf.
Ez.38:8), isto é, nos últimos dias (que todos sabemos que é o período histórico
que se inicia com o final da dispensação da graça e vai até o final da
história, no término do milênio). Aprendemos também que o conflito descrito no
livro do profeta Ezequiel não deve ser confundido com dois outros eventos que
também ocorrerão, a saber: a batalha do Armagedom, que é o conflito que haverá
entre os exércitos do Anticristo e Israel, que ocorrerá no final da Grande
Tribulação; e a rebelião final de Gogue e Magogue, ou seja, o conflito que
haverá entre os que se rebelarem contra o reino de Cristo, no final do milênio,
que é descrita em Ap.20:7-10.
Vimos
que Tubal e Meseque, na terra de Magogue, é a Rússia e, portanto, o que a
Bíblia nos diz é que o governante da Rússia invadirá Israel, querendo tomar-lhe
as riquezas. Para tanto, chefiará uma aliança de nações. A Bíblia diz que esta
decisão de Gogue se dará quando houver uma sensação de paz na região do Oriente
Médio. O texto sagrado afirma que Gogue, ao contemplar que os moradores de
Israel estão seguros, decidirá pelo ataque (Ez.38:11). Esta afirmativa bíblica
explica porque a União Soviética, em pleno capitalismo de estado, nunca poderia
ter sido a potência que invadiria Israel. Para que haja a invasão, a Bíblia diz
que deveria haver um sentimento de segurança em Israel e a política soviética à
época era, precisamente, a de causar intranquilidade no Oriente Médio, pois a
Guerra Fria nada mais era que uma sequência de atitudes de instabilidade que
tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética semeavam nos demais países, a
fim de favorecer ou enfraquecer os governos que lhes eram alinhados, ou não. Enquanto
perdurasse a Guerra Fria, jamais poderia haver clima favorável à paz no Oriente
Médio e isto é uma condição indispensável para que haja este conflito entre
Israel e Magogue. Vemos, portanto, claramente, que jamais a guerra predita em
Ez.38 e 39 poderia ser considerada a derrocada final do
comunismo, como foi alardeado, pois a existência da Guerra Fria impediria que
houvesse uma sensação de segurança e de paz na Palestina, que é predito como
sendo o ambiente a ser vivido por Israel quando ocorrer essa invasão. Estejamos, pois, preparados porque Jesus breve virá!
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