SAMUEL, O NASCIMENTO DE UM LÍDER PROFÉTICO EM ISRAEL
O nascimento de Samuel é uma das
narrativas mais emocionantes e significativas do Antigo Testamento. Mais do que
um relato biográfico, essa história marca uma transição crucial na história de
Israel: a mudança do período caótico dos Juízes para o início da monarquia.
O versículo que você citou resume
o ápice de uma jornada de dor, fé e entrega. Para entender a profundidade desse
nascimento, precisamos olhar para o cenário por trás dele.
A Dor e o Cenário Familiar
Ana vivia em um contexto familiar
doloroso. Ela era casada com Elcana, que também era marido de Penina. Naquela
época, a esterilidade era vista não apenas como uma questão de saúde, mas como
um sinal de desfavor divino e um forte estigma social.
Penina tinha filhos e usava isso
para provocar e humilhar Ana continuamente, ano após ano, especialmente quando
a família subia a Siló para adorar no Tabernáculo. O texto bíblico diz que Ana
chorava tanto que não conseguia comer.
O Voto Cativante em Siló
Em profunda amargura de alma, Ana
tomou uma decisão: ela derramou seu coração diante do Senhor no Tabernáculo.
Sua oração foi tão intensa, mas feita em silêncio (apenas movendo os lábios),
que o sumo sacerdote Eli chegou a pensar que ela estava bêbada.
Ali, Ana fez um voto audacioso:
se Deus lhe desse um filho homem, ela o devolveria ao Senhor por todos os dias
de sua vida, e ele seria dedicado como nazireu (consagrado exclusivamente a
Deus).
O Significado do Nome
"Samuel"
Quando o versículo diz que ela
chamou o menino de Samuel (Shemuel, no original em hebraico), há um jogo de
palavras muito bonito na língua original.
- O nome está intimamente
ligado à expressão "ouvido por Deus" ou "nome de
Deus".
- Ana justifica o nome dizendo: "Porque o
tenho pedido ao Senhor". A raiz da palavra para "pedido" (sha'al)
soa muito parecida com o nome Samuel.
Registrar essa história no nome
do filho era uma forma de Ana lembrar a si mesma, ao menino e a todo Israel de
que aquela criança era o resultado direto de uma oração respondida. Deus não
estava surdo ao clamor de Seu povo.
O Impacto Desse Nascimento para
Israel
O nascimento de Samuel não mudou
apenas a vida de uma mãe chorosa; mudou o destino de uma nação.
- O Fim de um Silêncio Espiritual: O
texto bíblico narra que, naquela época, "a palavra do Senhor era
rara; as visões não eram frequentes" (1Sm 3:1). O sacerdócio de Eli
estava corrompido pelos seus filhos. Samuel nasce para ser a nova voz de
Deus.
- O Último Juiz e o Primeiro Profeta:
Samuel cresceu no Tabernáculo após ser desmamado e se tornou o homem que
unificou Israel espiritualmente, liderou o povo contra os filisteus e,
mais tarde, ungiu os dois primeiros reis de Israel: Saul e Davi.
O nascimento de Samuel nos mostra
que, muitas vezes, as maiores respostas de Deus para crises coletivas começam
no silêncio e nas lágrimas de uma oração sincera.
Aconteceu de madrugada, antes que
a lâmpada de Deus no Tabernáculo se apagasse. Samuel estava deitado dormindo, e
Eli também descansava em seus aposentos.
O chamado se desdobrou em quatro
momentos específicos:
- A primeira voz: O Senhor chamou: "Samuel!". O
menino, achando que era o idoso Eli que precisava de ajuda, correu até ele
e disse: "Eis-me aqui, porque tu me chamaste". Eli,
confuso, respondeu: "Não te chamei eu, torna a deitar-te".
E ele foi.
- A segunda tentativa:
Deus chamou novamente: "Samuel!". Mais uma vez, o menino
se levantou, foi até Eli e repetiu que estava ali porque tinha sido
chamado. Eli insistiu que não o chamara e mandou o garoto voltar para a
cama.
- A terceira insistência: O
Senhor chamou Samuel pela terceira vez. O menino, com a mesma prontidão,
foi até Eli. O texto bíblico faz uma pausa importante aqui para explicar o
que estava acontecendo:
"Samuel ainda
não conhecia ao Senhor, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do
Senhor." (1Sm 3:7) — ou seja, ele conhecia
os rituais do Tabernáculo, mas ainda não tinha tido uma experiência auditiva e
profética direta com Deus.
A Percepção de Eli e a Orientação
Na terceira vez, o velho Eli
finalmente compreendeu o que estava acontecendo. Ele percebeu que era o Senhor
quem estava chamando o menino.
Eli, então, deu a Samuel a
instrução que mudaria sua vida:
"Vai deitar-te
e há de ser que, se te chamar, dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo
ouve." (1Sm 3:9)
Samuel voltou e se deitou. O
texto narra que, na quarta vez, o Senhor não apenas chamou, mas "veio,
e pôs-se ali", chamando como das outras vezes: "Samuel,
Samuel!". E o menino respondeu exatamente como foi instruído: "Fala,
porque o teu servo ouve".
A Mensagem e o Peso do Chamado
Diferente do que muitos imaginam
por ser uma criança, a mensagem que Deus entregou a Samuel não foi leve. Deus
revelou ao menino que iria julgar e punir a casa de Eli permanentemente, por
causa dos pecados e da irreverência dos filhos do sacerdote, os quais Eli não
havia repreendido como deveria.
Na manhã seguinte, Samuel teve
medo de contar a visão a Eli, mas o velho sacerdote o obrigou a falar toda a
verdade. Samuel demonstrou coragem e fidelidade ao relatar cada palavra.
A partir daquela noite, o
silêncio espiritual de Israel acabou. Samuel cresceu, o Senhor era com ele e
nenhuma de suas palavras caiu por terra, sendo reconhecido de Dã a Berseba (de
norte a sul do país) como um profeta confirmado do Senhor.
TEXTO BÍBLICO :1Samuel 1:20-28
"E sucedeu
que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome
Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao Senhor" (1Sm.1:20).
1Samuel 1:20-28
20-E sucedeu
que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome
Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao SENHOR.
21-E subiu
aquele homem Elcana, com toda a sua casa, a sacrificar ao SENHOR o sacrifício
anual e a cumprir o seu voto.
22-Porém Ana
não subiu, mas disse a seu marido: Quando o menino for desmamado, então, o
levarei, para que apareça perante o SENHOR e lá fique para sempre.
23-E Elcana,
seu marido, lhe disse: Faze o que bem te parecer a teus olhos; fica até que o
desmames; tão-somente confirme o SENHOR a sua palavra. Assim, ficou a mulher e
deu leite a seu filho, até que o desmamou.
24-E,
havendo-o desmamado, o levou consigo, com três bezerros e um efa de farinha e
um odre de vinho, e o trouxe à Casa do SENHOR, a Siló. E era o menino ainda
muito criança.
25-E
degolaram um bezerro e assim trouxeram o menino a Eli.
26-E disse
ela: Ah! Meu senhor, viva a tua alma, meu senhor; eu sou aquela mulher que aqui
esteve contigo, para orar ao SENHOR.
27-Por este
menino orava eu; e o SENHOR me concedeu a minha petição que eu lhe tinha
pedido.
28-Pelo que
também ao SENHOR eu o entreguei, por todos os dias que viver; pois ao SENHOR
foi pedido. E ele adorou ali ao SENHOR.
INTRODUÇÃO
Em 1Samuel, capítulo primeiro, é
narrada a história do nascimento de Samuel, que contrariou a lógica humana,
pois sua mãe era estéril; foi um grande marco na história de Israel. Samuel
tornou-se um grande líder e foi um instrumento comprometido com Deus para fazer
a vontade divina. Sua mãe chama-se Ana, uma mulher humilde e piedosa, que amava
o Senhor, porém, era estéril. Ana é com certeza um exemplo de fé e
perseverança; uma mulher que não se acostumou com a situação de esterilidade.
Mesmo diante das dificuldades causadas por Penina, a outra esposa de Elcana, e
a incompreensão do marido e do sacerdote Eli, Ana permaneceu crendo e esperando
no agir de Deus. A fé de Ana é recompensada de maneira maravilhosa. Ela fez um
voto ao Senhor Deus, e Ele atendeu o seu desejo: ela gerou um filho e o seu
nome foi Samuel. No tempo determinado, Ana levou o menino ao Templo e o
consagrou ao Senhor Deus, tal como havia prometido em seu voto. Antes de
entregar Samuel ao sacerdote Eli, ela conta seu testemunho e os fundamentos do
voto que fez. Juntamente com uma generosa oferta, ela entrega o menino ao
Senhor, que fica aos cuidados do sumo sacerdote Eli. Tal como havia dito, Ana
fez. Cumprir votos que fazemos ao Senhor é fundamental na nossa intimidade
com Deus. Que sejamos fiéis naquilo que lhe prometemos.
I. O AMBIENTE FAMILIAR DE SAMUEL
1. O local de nascimento de
Samuel
O texto sagrado é bem claro sobre
a localidade do nascimento dos pais de Samuel, subentendendo que ele tenha
nascido ali também.
“Houve um homem de
Ramataim-Zofim, da montanha de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão,
filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efrateu” (1Sm.1:1).
Portanto, Samuel nasceu num local
chamado “Ramataim-Sofim”, que em hebraica significa “vigilante em dupla altura”
ou “cumes gêmeos de Zofim”.
Por que dar ênfase à localização
do nascimento de Samuel? Com bem diz o Pr. Osiel Gomes, situar,
geograficamente, Samuel dentro de uma localidade, especificando a residência de
seus pais, é evidenciar aos leitores do texto sagrado que esse homem não vai aparecer
nas páginas da Bíblia como uma pessoa qualquer, mas que tem uma família, um
local certo de nascimento.
Neste particular, vemos que
Jesus, por diversas vezes, é apresentado como tendo uma residência (João 1:39).
Paulo procurou com denodo esclarecer sua origem familiar, localidade de seu
nascimento e formação, uma prova de que ele não era um intruso, alguém sem
princípio, sem origem (At.22;3 - ARA).
Um detalhe importante pode ser
dito sobre essa localidade: ela seria o lugar permanente de Samuel (1Sm.7:17);
nela ele nasceu, morreu e foi sepultado (1Sm.25:1). Vale dizer que somente
aqui, 1Sm.1:1, é que aparece a completude dessa localidade, sendo que em outras
passagens bíblicas vem apenas o primeiro nome: Ramá. Assim, pode-se crer que
Zofim vem primeiro para fazer distinção entre outras regiões que também eram
denominadas de Ramá, que quer dizer cume.
Ramataim-Zofim estava
situada na região montanhosa de Efraim, distando ao norte de Jerusalém
aproximadamente 24 quilômetros. Para o escritor e historiador Flávio Josefo,
esse lugar poderia ser também a cidade em que José de Arimateia nasceu (João
19:38).
Portanto, podemos dizer que
Elcana era da tribo de Levi, descendente de coate, mas não da linhagem de Arão
(1Cr.6:26,33), porém estava habitando na terra de Efraim. Talvez possa parecer
um pouco estranho Elcana habitar em território efraimita, porém, isso não era
algo anormal, incomum, porque os levitas não tinham as tribos locais definidas,
de maneira que podiam habitar nas cidades que pertenciam às tribos, pois fora
dito pelo Senhor que eles não teriam herança (Dt.18:1,2).
O texto sagrado afirma que as
famílias descendentes de Coate foram beneficiadas com algumas cidades, entre as
quais localizadas geograficamente nos territórios da tribo de Efraim (ver Josué
21:5 e 1Crônicas 6:66).
“E aos outros
filhos de Coate caíram por sorte, das famílias da tribo de Efraim, e da tribo
de Dã, e da meia tribo de Manassés, dez cidades” (Js.21:5).
“E, quanto ao mais
das famílias dos filhos de Coate, as cidades do seu termo se lhes deram da
tribo de Efraim” (1Cr.6:66).
Portanto, Elcana era um levita,
mas efraimita somente por causa de sua residência, por autorização da própria
Lei mosaica.
Samuel atuou como sacerdote
porque era de origem levita também. Como bem diz o Pr. Osiel Gomes,
Samuel não foi somente um profeta, sacerdote e juiz, mas alguém que teve
origem, boa formação familiar e espiritual, que desde cedo aprendeu a estar na
casa do Senhor, por incentivo de seus pais, e, sob a tutela de Eli, aprendeu a
servir como servo de Deus.
Vale salientar que é fundamental
um líder ter histórico e história, pois isso irá contribuir grandemente para
sua formação pastoral. Grandes líderes não surgem em seminários de renome, em
grandes universidades, como Harvard, Cambridge, que têm seus valores, mas num
lar cristão e piedoso, e essa ideia é paulina (1Tm.3:4) – “que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos
em sujeição, com toda a modéstia”.
Um líder pode ter boa
desenvoltura, retórica, uma erudição teológica grandiosa, mas não é um grande
profeta de Deus para as nações quando não está presente nele uma boa formação
espiritual oriunda de seus pais, do seu ambiente familiar, de sua Igreja Local.
Samuel teve grandes privilégios:
uma mãe piedosa, que procurava criar em sua mente e coração o desejo de ser um
instrumento nas mãos de Deus; um sacerdote para lhe ensinar como se dirigir
perante Deus quando Ele chamar. Tudo isso esteve presente na sua vida, razão
pela qual veio a ser tudo o que foi para Israel.
2. A Bigamia presente
O primeiro Livro de Samuel começa
narrando que Elcana tinha duas mulheres - Ana (que significa graça) e Penina
(que significa pérola) -, possivelmente por causa da esterilidade de Ana; mas,
tal desculpa não convence, pois ele deveria ter entregado tudo ao Senhor, como
fez Ana, e logo depois o problema estaria resolvido, como foi.
Como todo registro histórico
fiel, a Bíblia relata a prática da poligamia, mas em nenhum momento a aprova. A
exemplo de Lia e Raquel, uma esposa era fértil e a outra estéril. Havia
rivalidade no lar, pois apesar de não ter filhos, seu marido a amava.
Sabemos com base na leitura dos
relatos patriarcais em Gênesis que a poligamia dá origem a conflitos
domésticos, especialmente quando uma das esposas é estéril. O mesmo aconteceu
na casa de Elcana. O texto de 1Smauel 1:6 identifica Penina como rival de Ana,
pois ela ridicularizava a condição de Ana a ponto de esta chorar e recusar-se a
comer (1Sm.1:7).
“E a sua
competidora excessivamente a irritava para a embravecer, porquanto o SENHOR lhe
tinha cerrado a madre. E assim o fazia ele de ano em ano; quando ela subia à
Casa do SENHOR, assim a outra a irritava; pelo que chorava e não comia” (1Sm.1:6,7).
De ano em ano, a família ia a
Siló para celebrar as festas, e Ana recebia porção dupla do sacrifício pacífico
(1Sm.1:3-5). Essa predileção fazia Penina provocá-la ainda mais para a irritar.
Cada vez mais magoada e desesperada com a provocação de Penina, Ana apresentou
o seu problema ao Senhor no Templo.
Inúmeros eram os problemas que
surgiam num lar onde existia a poligamia, como se observa o ocorrido com as
mulheres de Elcana. Pela poligamia, as mulheres tomadas não passavam
simplesmente de amantes, o que é chamado de concubinato; elas serviam apenas como
objeto para o sexo e a procriação.
Ter várias esposas era permitida
pela Lei de Moisés (Dt.21:15), mas tanto a poligamia - um homem ter mais de uma
mulher -, quanto a poliandria - uma mulher ter mais de um marido -, estão em
desacordo com o ensino das Escrituras Sagradas para o casamento (cf.
Dt.28:54,56; Sl.128:3; Pv.5:15-21; Ml.2:14).
Elcana seguiu um modelo que não
era aprovado por Deus, nos quais andaram Jacó, Gideão, Saul, Davi, Salomão,
Roboão, dentre outros; porém, essa prática foi condenada por Jesus e pelo
apóstolo Paulo. Jesus, em Sua resposta aos fariseus, quando estes lhe interrogaram
acerca do divórcio, foi clarividente que Deus criou o casamento monogâmico. Ele
disse: “Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher...” (Mt.19:5).
Ele não disse: “suas mulheres”, e sim, “sua mulher”. A resposta do Senhor
remonta às origens do casamento e da própria criação (cf. Gn.2:24).
Paulo, ao mencionar as
qualificações do presbítero, adverte: “É necessário, portanto, que o bispo seja
(...) esposo de uma só mulher...” (1Tm.3:2). O diácono também deve ser “marido
de uma só mulher” (1Tm 3:12). Portanto, a liderança eclesiástica deve ser o
exemplo dos fiéis em tudo, e esse exemplo inclui o casamento bíblico
(1Tm.4:12).
Lameque foi o primeiro a rejeitar
o princípio do casamento monogâmico, ordenado por Deus (Gn.2:22-24) – “E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma
era Ada, e o nome da outra, Zilá” (Gn.4:19). A partir
daí a depravação hereditária se alastrou progressivamente no lar e na família.
Deus tolerou a poligamia, mas
nunca a aprovou, por ser prática estranha ao seu projeto para a constituição da
família.
3. Uma família piedosa
Pessoa piedosa é aquela que tem
uma vida santa, de oração e consagração. Só pode ser justo aquele que é
piedoso. Por isto, não temos como ser justos e ímpios, ao mesmo tempo. Piedoso
é alguém cuidadoso em relação a Deus. Piedoso é quem leva Deus a sério.
Portanto, ser piedoso é ser
temente a Deus. Ser piedoso é estar atento às manifestações de Deus em nossas
vidas. Só as pessoas piedosas veem os atos poderosos de Deus. Ser piedoso é ser
íntimo de Deus.
Quando somos
íntimos de Deus, os frutos de justiça brotam de nós naturalmente.
Quando somos
íntimos de Deus, sua Palavra flui de nós sem que façamos força.
Quando somos
íntimos de Deus, todos ao nosso redor veem a luz que nós projetamos.
Apesar da porfia e a inveja terem
espaço suficientes para suscitar conflitos de relacionamentos, há um fator que
merece destaque na família de Elcana: a sua família demonstrava ser piedosa, ou
seja, cumpria com os compromissos espirituais a serem observadas, conforme os
mandamentos veterotestamentários.
A piedade era vista nessa família
através da oração e do sacrifício que prestava a Deus. O texto sagrado afirma
que ele saía da sua cidade todos os anos a adorar e a sacrificar ao Senhor dos
Exércitos, em Siló (1Sm.1:3). Com essa ação, eles faziam oposição ao sistema
idolátrico que estava estabilizado naquela época. Nos dias de Eli, além dos
pecados de seus filhos, muitos já não subiam a Siló para adorar ao Deus
verdadeiro, mas adoravam e praticavam sacrifícios ao ídolo de Mica (Jz.12:17);
porém, Elcana e sua casa continuavam servindo ao Senhor com verdade e
sinceridade. A maneira de Ana se comportar no momento da oração, no
Tabernáculo, pedindo um filho ao Senhor é uma prova cabal de que ela era uma
mulher piedosa.
É bom ressaltar que nem toda
pessoa radicalmente religiosa é considerada uma pessoa piedosa.
-Veja os exemplos dos filhos de
Eli, Hofni e Finéias; eles eram considerados “os sacerdotes do SENHOR”
(1Sm.1:3), que cumpriam os deveres litúrgicos, porém eram considerados filhos
de Belial (1Sm.2:12); “eram sacerdotes do Senhor”,
mas, “não conheciam ao Senhor”; eram pecadores explícitos (1Sm.2:22a) e
faziam “transgredir todo o povo do Senhor” (1Sm.2:24).
Diz o texto sagrado que eles “se deitavam com as mulheres que em bandos se
ajuntavam à porta da tenda da congregação” (1Sm.2:22).
-Veja os filhos de Samuel, homem
de Deus. Eles eram juízes sobre o povo de Deus, mas eram corruptos. Diz o texto
sagrado: “seus filhos não andaram pelos
caminhos dele; antes, se inclinaram à avareza, e tomaram presentes, e
perverteram o juízo” 1Sm.8:3).
Religiosidade aparente não agrada
a Deus, e sim um coração puro voltado a uma adoração por excelência ao Senhor.
Quando há uma sincera adoração ao Senhor, a sua presença é real. Jesus disse:
"onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio
deles" (Mt.18:20).
“Estamos vivenciando um mundo
cada vez mais comprometido com o pecado, famílias sendo atacadas pelos modismos
e ensinos pós-modernos pouco edificantes. Todavia, aquelas que são
verdadeiramente firmadas na aliança com o Senhor não serão abaladas e, ainda que
tenham as imperfeições humanas, poderão fomentar o poder do Senhor dos
exércitos nesta terra, pois, como falou Paulo, somos seus soldados, e nenhum
soldado em combate se envolve com negócios desta vida (2Tm.2:4)” (Pr. Osiel
Gomes).
II. SAMUEL: FRUTO DE ORAÇÃO
1. A Humildade de Ana
Ana era estéril, e ser estéril
naquela época era motivo de zombaria e desprezo, era algo estarrecedor, uma
vergonha (1Sm.1:5-7). Não era fácil para Ana, pois, não gerando filhos, dela
não poderia haver um substituto para Elcana; através dela seu nome não seria
perpetuado. Outro agravante é que, naquela época, uma mulher não ter filho era
como se fosse amaldiçoada por Deus.
Além disso, Ana compartilhava seu
marido com uma mulher que a ridicularizava (1Sm.1:7). 1Samuel 1:6 mostra a
provocação de Penina contra ela, detratando-a negativamente por não ter filhos.
Diante dessa situação, Ana tinha bons motivos para se sentir desencorajada e
amargurada.
Seu excelente esposo não podia
resolver seus problemas (1Sm1:8), e até o sumo sacerdote Eli confundiu seus
motivos (1Sm.1:14). Mas, ao invés de retaliar ou perder as esperanças, Ana não
deixava de ir à Siló festejar e adorar ao Senhor. Ainda que carregasse o
estigma de estéril, ela estava ali.
Ao invés de revidar as
provocações de Penina, Ana foi à Casa do Senhor orar; ali ela apresentou o seu
problema diante de Deus e confiou nele. Apesar de toda essa situação, Ana
jamais atacou sua rival, seu marido, ou até mesmo o sacerdote, e isso prova o quanto
ela era humilde, pois procurou enclausurar-se naquele momento de dor indo
direto aos pés do Senhor.
É difícil orar com fé quando nos
sentimos tão ineficazes. Mas, como Ana descobriu, as orações abrem caminho para
que Deus possa trabalhar (1Sm.1:19,20). Tiago e Pedro falaram da importância de
nos humilharmos na presença do Senhor, para que, no tempo certo, sejamos
exaltados (Tg.4:10; 1Pd.5:6).
2. Ana e sua amargura de alma
(1Sm.1:10)
“Ela, pois, com
amargura de alma, orou ao SENHOR e chorou abundantemente”.
Neste texto, o termo “amargura da
alma” ou “angústia profunda” (ARA) indica depressão profunda e angústia
emocional (Jó 3:20-22; 10:1; Pv.31:6,7; Ez.27:31). As palavras da própria Ana
dão testemunho de seu sofrimento intenso. Ela fala de sua “miséria” (1Sm.1:11)
e “grande angústia e aflição” (1Sm1:16); descreve a si mesma como
“profundamente conturbada” (1Sm.1:15).
Caso alguém esteja dominado por
este sentimento, e não seja logo tratado, pode representar um risco fatal,
pois, quando alguém é dominado por ele, os resultados são desastrosos, já que
passa a estar contaminado pelo sentimento de rancor, ódio; seu coração fica
envenenado, de modo que não pode produzir nada de bom.
Como diz o Pr. Osiel Gomes, uma
pessoa amargurada jamais olha para os outros com bons olhos, antes, na sua
visão, nada presta, seu emocional é estressante, suas memórias são sempre
pungentes. Em resumo, dizemos que uma pessoa amargurada não tem prazer com a
vida e busca estragar a vida dos outros.
A Bíblia fala de duas noras que
tornaram a vida de Isaque e Rebeca uma amargura; seus nomes: Judite e
Basemate (Gn.26:34) - “E estas foram para Isaque e Rebeca uma
amargura de espírito” (Gn.26:35). Elas tornaram a vida desse casal, sem brilho,
sem vida, sem alegria, sem encanto, pois pessoas amarguradas são como vírus
letais, que saem disseminando sua doença.
Paulo diz que devemos manter
longe de nós toda amargura (Ef.4:31), inclusive afirma que os maridos não devem
tratar suas esposas com amargura (Cl.3:19).
O escritor aos Hebreus adverte
que em nós não deve existir raiz de amargura (Hb.12:15). Quando ele diz isto,
possivelmente, ele tinha consciência do que esse mal pode causar, pois pessoas
amarguradas são como viventes mortos, como soda cáustica; têm no seu interior
feridas incuráveis, as quais resultaram de traumas da vida, de amor não
correspondido, de tratamento ignorante, de abusos, de violência.
Ana estava profundamente
amargurada, por causa de sua esterilidade e por causa das provocações maldosas
de sua rival, mas ela se comportou como uma serva de Deus e soube colocar seus
ressentimentos, suas amarguras, no lugar certo: perante o Senhor. Ele não
deixou que esse sentimento a corroesse por dentro. Ana sabia que tudo poderia
ser resolvido através do Senhor, por isso o texto diz: “[...]
orou ao Senhor e chorou abundantemente” (1Sm.1:10).
Diante de sua amargura de alma,
Ana fez duas coisas importantes: demorou-se em sua oração e só movimentava os
lábios, orando com o coração, razão pela qual Eli a teve como embriagada.
Eli era um homem experiente e,
através do tempo de ministério, pôde contemplar todo tipo de pessoa fazendo
oração no Tabernáculo. Como de praxe, alguns judeus oram em alta voz, mas aqui
duas coisas o incomodavam: a oração silenciosa e sua demora no pedido. Não
sabia ele que essa mulher estava clamando pela vinda do homem que iria fazer
toda a diferença em Israel, o seu filho Samuel.
Ao enfatizar o sofrimento de Ana,
o narrador prepara o cenário para a intervenção do Senhor. Ele proveu para Ana
e lhe concedeu o que desejava o seu coração. O Senhor não é indiferente à dor e
à opressão dos necessitados; atenta para eles e os levanta de sua aflição
(1Sm.2:7,8).
“O SENHOR empobrece
e enriquece; abaixa e exalta. Levanta o pobre do pó e, desde o esterco, exalta
o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o
trono de glória; porque do SENHOR são os alicerces da terra, e assentou sobre
eles o mundo” (1Sm.2:7,8).
Concordo com o pr. Osiel Gomes
quando diz que o endereço certo para derramarmos nossas lágrimas, nossos
gemidos e gritos é aos pés de Deus, pois somente Ele entende o que é de fato a
amargura de alma.
Todos nós podemos correr o risco
de estar amargurados, mas não podemos deixar que isso nos domine, pois o que
deve permear o nosso ser é o fruto do Espírito (Gl.5:22), a saber, amor,
alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, mansidão, temperança.
3. O pedido de Ana (1Sm.1:11)
“E votou um
voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição
da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, mas à
tua serva deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua
vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha”.
Ana em desespero por causa de sua
esterilidade se volta ao Senhor em oração. Ela se dirige ao Senhor por meio do
seguinte título: “Senhor dos Exércitos”, termo que ressalta a soberania de
Deus. Ela imaginava o Senhor entronizado acima dos querubins da Arca da
Aliança, o símbolo terreno de Seu trono celeste (1Sm.4:4; 2Sm.6:2). Faz sentido
que tenha se dirigido ao Senhor dessa forma em Siló, pois “a Arca de Deus”
estava nesse local (cf.1Sm.4:3).
O desejo prioritário de Ana era
ser mãe, e ela foi bem específica no seu pedido – “Se....à tua serva deres
um filho varão...”. Nada substituiria esse desejo, nem mesmo as
maiores riquezas materiais. Para ela o seu maior patrimônio seriam filhos. Ana
orou sincera, especifica e sacrificialmente. Não retrocedeu no seu pedido,
mesmo quando repreendida pelo sacerdote incompreensivo.
Ana desejava tanto ter um filho
que estava disposta a negociar com o Senhor. Deus levou a sério a sua promessa
e atendeu a sua oração. Ao sair do Tabernáculo, ela creu que a sua oração tinha
sido ouvida, por isso de imediato fez três coisas: seguiu o seu caminho;
alimentou-se; e manifestou grande jubilo (1Sm.1:18). Essa nova postura de Ana
declarou sua confiança plena em Deus e a certeza de que a bênção era certa,
pois ela cria que Deus tinha ouvido suas orações.
O Senhor tirou a esterilidade de
Ana e ela teve um filho. Samuel nasceu, e quando foi desmamado, Ana cumpriu o
seu voto, por mais dolorosa que pudesse ser aquela atitude (1Sm.1:27,28). Ela
poderia ter tido muitas desculpas para ser uma mãe possessiva, mas quando o
Senhor respondeu sua oração, Ana cumpriu sua promessa de dedicar Samuel à obra
de Deus. Ela estava ciente de que tudo o que temos e recebemos é um empréstimo
de Deus.
Jamais devemos ter em mente que
Ana estivesse barganhando com Deus, ou seja, o seu pedido não deve ser
considerado uma troca, ou algo egoísta; antes, seu desejo era puro, verdadeiro
e visava à glória de Deus. Ela queria ser mãe e pede um filho para o consagrar
inteiramente à obra de Deus. O pedido de Ana estava dentro dos propósitos
divinos, em momento algum ela pediu algo para contrapor com sua rival, para ter
um menino apenas para ela, mas dedicaria a Deus.
Embora não estejamos em posição
para negociar com Deus, Ele ainda responde uma oração de um coração contrito
acompanhada de um voto. Ao orar, pergunte a si mesmo: “eu cumprirei o meu voto
feito ao Senhor, caso Ele atenda ao meu pedido?”.
Precisamos ser cuidadosos com o
que prometemos em oração porque Deus pode cobrar. É desonesto e perigoso
ignorar uma promessa, um voto, especialmente feito a Deus. Ele cumpre a Sua
palavra e espera que cumpramos o que prometemos a Ele.
III. A DEDICAÇÃO DE SAMUEL
1. O nascimento de Samuel
(1Sm.1:20)
“E sucedeu que,
passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Samuel,
porque, dizia ela, o tenho pedido ao SENHOR”.
Após as festividades, Elcana e
sua família retornaram à sua cidade, e coabitou com Ana, e nela foi gerada uma
criança, cumprindo assim a vontade de Deus em atender ao pedido de Ana. Imagine
o momento em que Ana percebeu que estava grávida! Deve ter sido uma alegria sem
par.
Ao nascer o menino, Ana deu a ele
o nome de Samuel, que significa “ouvido por Deus”. Como recebera o menino em
resposta à sua oração, Ana procurou por um nome que revelasse o caráter divino.
O nascimento de Samuel foi
humano, mas tudo se processou pela ação divina; assim, sendo a criança do sexo
masculino, Ana queria dar a ela um nome que fizesse jus a todo o acontecimento,
que apresentasse um menino que veio de Deus por meio da oração. Ela quis louvar
a fidelidade de Deus ao atender a sua oração. Aonde quer que Samuel fosse e o
que ele fizesse, seu nome daria testemunho de uma grande e importante verdade
sobre Deus: Sua fidelidade; Ele se importa com os seus filhos; Ele ouve a
oração de seus filhos. Samuel seria um exemplo vivo de que quando o povo de
Deus pede humildemente, o Senhor ouve e responde com misericórdia e graça.
Ao olharmos para o nascimento de
Samuel, devemos nos conscientizar de que, quando alguém entrega a Deus os seus
problemas, tendo ciência de que Ele é o Senhor dos exércitos, que ouve as
orações, agirá primeiramente tratando com nós mesmos, como fez com Ana, fazendo
com que seu semblante não fosse mais o mesmo e gerando a certeza de que todos
quantos se entregam confiantemente nas mãos de Deus, milagres acontecem. Vale a
pena nos submetermos em oração ao Senhor, agradar-lhe, e Ele concederá o que
deseja o nosso coração. Afirma o salmista:
“Os olhos do SENHOR
estão sobre os justos; e os seus ouvidos, atentos ao seu clamor. A face do
SENHOR está contra os que fazem o mal, para desarraigar da terra a memória
deles. Os justos clamam, e o SENHOR os ouve e os livra de todas as suas
angústias. Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os
contritos de espírito” (Sl.34:15-18).
“Agrada-te do SENHOR, e ele
satisfará os desejos do teu coração” (Sl.37:4).
2. O Cumprimento do Voto
(1Sm.1:26-27)
“E disse ela: Ah!
Meu senhor, viva a tua alma, meu senhor; eu sou aquela mulher que aqui esteve
contigo, para orar ao SENHOR. Por este menino orava eu; e o SENHOR me concedeu
a minha petição que eu lhe tinha pedido. Pelo que também ao SENHOR eu o entreguei,
por todos os dias que viver; pois ao SENHOR foi pedido. E ele adorou ali ao
SENHOR”.
Desde o primeiro momento em que
Ana desejou ter um filho, ela, decididamente e em oração, o apresentava diante
do Senhor (cf. 1Sm.1:10-28). Ela considerava seu filho uma dádiva graciosa da
parte de Deus, e expressou sua intenção de cumprir seu voto, entregando seu
primogênito ao Senhor.
Quando o menino foi desmamado,
Ana o apresentou à Casa do Senhor e o devolveu a Deus num ato definitivo de
consagração. Desde o início, ele assistiu aos sacerdotes e ministrou diante do
Senhor.
No Antigo Testamento, o voto
jamais assumiu a ideia de barganha que tinha entre os gentios idólatras, nem
tampouco era algo que fosse considerado obrigatório na lei de Moisés.
Entretanto, havendo a prática do voto, seu cumprimento era exigido, representando
pecado o seu não pagamento, sendo, também, as Escrituras claras no sentido de
que o próprio Deus requereria tal cumprimento.
No compêndio doutrinário da
Igreja, o Novo Testamento, não há uma disciplina explícita com relação ao voto,
porém, ele não é desestimulado ou proibido; ou seja, se alguém quiser fazer
voto pode fazê-lo. Não está proibido porque resulta do livre-arbítrio, mas a
responsabilidade de quem vota é muito grande. Voto não confere santidade nem
tampouco traz bênçãos; cria tão somente obrigações.
Em o Novo Testamento, por duas
vezes, vemos Paulo envolvido em voto de raspar a cabeça (muito provavelmente o
voto do nazireado). Uma vez, ele mesmo fez voto (At.18:18), na outra arcou com
as despesas da raspagem da cabeça de quatro crentes judaizantes de Jerusalém
que haviam feito voto (At.21:23,24,26,27). Todavia, tais episódios são
insuficientes para gerar doutrina, ainda mais quando se trata de fatos que
envolveram o apóstolo Paulo, que, em nenhuma de suas epístolas, tratou do
assunto.
O cristão, ao votar, deve fazê-lo
apenas por gratidão a Deus, seja por bênçãos alcançadas, seja pela confiança
firme de que a bênção será alcançada, por um ato de fé, como fez Ana. Não deve
agir como os gentios, procurando fazer uma “troca de favores” com Deus, pelo
simples motivo de que nada temos a oferecer a Deus. Se dele é a terra e a sua
plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam, como podemos dar algo a Deus que
já é dele? O voto como barganha é algo abominável diante de Deus, algo que Ele
jamais aceitará ou tolerará, pois é uma manifestação de arrogância e
atrevimento ao Senhor.
3. Dedicação de Samuel
Ana demonstrou sua dedicação ao
Senhor, pela sua disposição de dedicar seu filho à obra do Senhor. Ela disse: “um
filho... ao Senhor o darei” (1Sm1:11). Na festa seguinte ao desmamar o
menino Samuel, Ana o levou para Siló, onde estava o Tabernáculo, com ofertas
que constituíam em três bezerros e um efa de farinha e um odre de vinho
(1Sm1:24).
“E, havendo-o
desmamado, o levou consigo, com três bezerros e um efa de farinha e um odre de
vinho, e o trouxe à Casa do SENHOR, a Siló. E era o menino ainda muito
criança”.
Um dos bezerros seria
para a oferta queimada da dedicação de Samuel
(1Sm.1:25); os outros dois seriam parte dos sacrifícios anuais
da família, o chamado sacrifício pacífico; um efa seria um pouco
maior do que um alqueire em termos de medias atuais; o odre de vinho era uma
garrafa de couro ou pele de animal, ou ainda um jarro. Isso indicaria uma
oferta muito generosa.
Quando Ana apresentou o menino
Samuel ao sumo sacerdote Eli, juntamente com o animal do sacrifício, Ana fez
questão de lembrar ao idoso sacerdote a sua oração: “Ao Senhor eu o entreguei” (1Sm,1:28) – a expressão melhor poderia ser
assim: “Eu o devolvi ao Senhor”.
Ana relata o teor do seu voto e
agora quer que Eli aceite a criança para cumprir o compromisso feito com Deus,
isso porque não era permitido uma criança de três anos estar no Tabernáculo, a
não ser que o sacerdote permitisse. Ela, então, esclarece que seu voto era o de
dedicar aquela criança ao trabalho do Senhor por toda a vida. Seu voto era de
nazireu.
Eli entendeu que Deus estava
trabalhando e, por isso, prontamente aceita cuidar da criança. Ana entrega
Samuel a Eli, que aparece na expressão bíblica “devolvido ao Senhor”. Ela tinha
consciência de que Samuel tinha uma missão grandiosa a cumprir e, caso ficasse
somente em casa, isso jamais iria acontecer.
Concordo com as palavras do pr.
Osiel Gomes, quando diz: “como é bom quando os pais se dedicam as coisas de
Deus e, consequentemente, mostram aos seus filhos, na prática, uma vida de
devoção sincera. Ao chegarem ao templo, em reverência, oram a Deus; em casa,
fazem o culto doméstico; primam por viver o Evangelho de Jesus Cristo. Os
filhos que crescem, vendo tal dedicação sincera, naturalmente, são estimulados
a temerem a Deus e a amá-lo de todo o coração”.
CONCLUSÃO
Samuel foi líder de líderes,
conselheiro-chefe de reis e capitães militares de Israel. Quando ele falava,
todos escutavam. Como profeta de Deus, Samuel ungia reis; como intérprete da
Palavra de Deus, aconselhou e desafiou reis. Servindo como juiz nos dias
imediatamente antes da monarquia de Saul, Samuel incorporou três grandes
funções: profeta, sacerdote e juiz, como também o faria Jesus, mais tarde,
sendo Rei, Sacerdote e Profeta.



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