ADÃO, O PRIMEIRO HOMEM
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa
semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre
o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn.1:26).
Gênesis
2:
1.Assim,
os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados.
2.E,
havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no
sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.
3.E
abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua
obra, que
Deus
criara e fizera.
4.Estas
são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o
SENHOR Deus fez a terra e os céus.
5.Toda
planta do campo ainda não estava na terra, e toda erva do campo ainda não
brotava; porque ainda o SENHOR Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não
havia homem para lavrar a terra.
6.Um
vapor, porém, subia da terra e regava toda a face da terra.
7.E
formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego
da vida; e o homem foi feito alma vivente.
8.E
plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem
que tinha formado.
INTRODUÇÃO
A
narrativa da criação do homem e a história de Adão no livro de Gênesis
representam um dos pilares fundamentais da literatura bíblica, estabelecendo as
bases para a compreensão da natureza humana, do propósito e da relação entre o
Criador e a criatura.
1.
A Criação do Homem (Gênesis 1 e 2)
O
texto bíblico oferece duas perspectivas complementares sobre a origem da
humanidade:
A
Perspectiva Teológica (Gênesis 1:26-27)
Neste
relato, a criação do homem é o ápice da obra divina. Diferente de outros seres,
o homem é criado conforme a "imagem e semelhança" de Deus.
- Domínio: Recebe a responsabilidade de governar
sobre a terra e os animais.
- Dualidade: Criados como "homem e
mulher", indicando que a imagem de Deus se reflete na humanidade como
um todo.
A
Perspectiva Antropológica (Gênesis 2:7)
Este
relato detalha o "como" da criação, focando na formação física e
espiritual:
- O Pó
da Terra: O nome Adão
(Adam) está intimamente ligado à palavra hebraica para solo (Adamah). Isso
enfatiza a fragilidade e a conexão do homem com a matéria.
- O
Fôlego de Vida: A
vida humana só se inicia quando Deus sopra em suas narinas o neshamah
(fôlego). O homem torna-se, então, uma "alma vivente", possuindo
uma centelha divina que o diferencia do restante da criação.
2.
O Jardim do Éden e a Responsabilidade
Adão
foi colocado no Éden não apenas para desfrutar, mas com propósitos específicos:
- Trabalho
e Cuidado: Ele
deveria "lavrar e guardar" o jardim, mostrando que o trabalho é
uma parte digna da existência humana original.
- Identidade: Ao dar nome aos animais, Adão exerce
sua autoridade e capacidade racional, percebendo que, entre todos os
seres, não havia um par que lhe fosse igual.
- Livre-arbítrio: A presença das duas árvores centrais
— a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal
— estabeleceu o cenário para o exercício da liberdade e da obediência.
3. A Criação de Eva
Gênesis
2 descreve que "não era bom que o homem estivesse só". A criação da
mulher a partir da costela de Adão simboliza:
- Igualdade
de Natureza: Ela não
foi feita da cabeça (para estar acima) nem dos pés (para ser pisada), mas
do lado, para ser uma "ajudadora idônea" (parceira equivalente).
- Instituição
da Família: O texto
conclui que o homem deixará pai e mãe para se unir à sua mulher,
tornando-se "uma só carne".
4. O Significado de Adão
Para
a teologia, Adão é a figura representativa da humanidade. Suas ações no Gênesis
carregam significados profundos:
- O
Primeiro Homem: O
ancestral comum de todos os povos.
- O
Arquétipo: Ele
representa a busca humana por autonomia e os desafios de viver em harmonia
com as leis naturais e divinas.
“Vede, isto tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas
ele buscou muitas invenções” (Ec.7:29).
I.
A DOUTRINA BÍBLICA DO HOMEM
Quem é o homem? De onde ele veio? Para onde ele vai? Estas são perguntas que inquietam aqueles
que se debruçam sobre a realidade à sua volta. Os filósofos, em sua maioria
absoluta, formada por materialistas, ateístas ou pretensos agnósticos,
respondem que o homem é apenas um “animal que pensa”, ou fruto da evolução
aleatória das espécies. Eles atribuem a existência do ser humano ao acaso, como
se fosse descendente de um animal irracional, que teria evoluído de um
microrganismo unicelular que povoara as águas dos mares. Todavia, a Bíblia
Sagrada é clara e contundente: o ser humano teve sua origem em Deus (Gn.1:26;
2:7). Num tempo que não podemos determinar, a Trindade Santa se reuniu e
decidiu formar o homem: “Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a
nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e
sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a
terra” (Gn.1:26).
1.
Doutrina Bíblia do Homem
A
Doutrina Bíblica do Homem é chamada de Antropologia, do grego antropos que
significa homem e logia, que significa estudo,
portanto, estudo do homem. A estudar essa doutrina, temos que refletir sobre a
origem do homem, sua constituição, sua finalidade, seu destino e como ele se
relaciona com outros homens e com Deus.
A
Antropologia humana exalta a teoria da evolução das espécies, por meio do acaso
e da chamada “seleção natural”. A Antropologia bíblica fundamenta-se na Palavra
de Deus, que afirmar categoricamente: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da
terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma
vivente” (Gn.1:26; 2:7). Esse é o ponto de partida, diante do qual o cristão,
que crê na revelação divina, jamais se renderá diante de teorias humanas,
evasivas, materialistas, contrárias às Escrituras Sagradas.
2.
Fundamento
O
principal fundamento da doutrina bíblica do homem encontra-se nas Escrituras
Sagradas, que é a fidedigna Constituição e infalível regra de fé e prática do
povo de Deus nesta Terra. Qualquer outro documento é considerado apenas um
tratado ordinário, passível de alteração ao longo do tempo, e que deve estar
estritamente balizado na Palavra de Deus.
-A
Criação do Homem difere das outras criações. Quando Deus criou os animas, os peixes as estrelas, o sol e
a lua, Deus utilizou o verbo, a palavra, para criar tudo no universo infinito e
na terra; exemplo: “E disse Deus haja luz. E disse Deus haja um firmamento no
meio das águas. E Disse Deus haja luminares no firmamento do céu (Gn.1:3,7,14);
mas, na criação do homem Deus utilizou de material já existente para fazer o
corpo físico – o pó da terra -, e, na parte espiritual, soprou em suas narinas,
e o homem tornou-se alma vivente (Gn.2:7).
-O
Homem foi criado superior aos outros seres vivos. Quando Deus criou o homem, ele já havia
criado todos os outros seres vivos, as plantas, os peixes, os animais, e por
isso Deus fez o homem superior a tudo o que existia até então, e os deu ao
homem, e disse: “dominai sobre os peixes do mar, sobre todas as aves do céu, e
sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Gn.1:28). O homem desde
a sua criação é superior a tudo na terra; entre o homem e as demais criaturas
existem uma grande diferença: o homem possui um nível muito elevado
intelectual, moral e espiritual (Gn.1:31, 2:19,20, Salmo 8:4-8).
3.
Objetivos
Por
que o estudo do homem é importante? Porque nos ajuda a entender como Deus
planejou se relacionar conosco e o que Ele espera de nós. Um outro fato
importante é o discernimento que essa doutrina nos dá quando a compreensão
bíblica do homem é confrontada pela opinião e exposição das outras ciências
afins como a psicologia e a sociologia.
A
Lição Bíblica do Mestre apresenta 04(quatro) objetivos, que exponho:
Responder às perguntas do ser humano: Quem sou eu? De onde vim? O que represento?
Qual a minha missão? E para onde vou?
Mostrar a dependência do homem em relação a Deus, o Criador e o Mantenedor de toda as
coisas.
Levar o homem a reatar a sua comunhão com Deus através de Jesus Cristo, o Homem Perfeito.
Consolar-nos quanto ao nosso destino eterno por meio do
sacrifício de Jesus no
Calvário – Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.
II.
A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA
A
criação dos Céus e da Terra é um fato histórico que aconteceu exatamente como
está escrito no Livro de Gênesis. Por que Deus criou tudo isto? Simplesmente
porque Ele é livre para criar, e seu propósito baseia-se no fato da eterna
bondade que Ele manifesta para sua criação. Ao criar o universo, não significa
que Deus precisasse de alguma coisa para si, já que Ele possui tudo (Salmos
24:1). Ele criou todas as coisas para manifestação da sua glória (Sl.19:1-5;
Is.6:3; 43:7). A criação da Terra foi aplaudida pelos anjos, os quais foram
criados antes da criação do mundo material, conforme Deus revelou a Jó: “Onde
estavas tu, quando eu fundava a terra? ... Quando as estrelas da alva juntas
alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?” (Jó 38:4,7).
1.
A criação dos Céus e dos anjos
“Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus; e todo o exército
deles, pelo espírito da sua boca” (Sl.33:6).
“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1).
a)
A criação dos Céus (Gn.1:1; Sl.33:6)
É
através dos céus que nós podemos entender a grandeza de Deus, ver o Seu grande
poder e como Ele é maravilhoso. Vemos que Deus fez os céus e o céu dos céus,
porque Ele é o único Criador, criou tudo para a Sua glória, e para mostrar a
todos os incrédulos e aos seus inimigos (Satanás e os seus demônios) que Ele é
o único, e que tudo foi feito por Ele e para Ele.
A
Palavra de Deus mostra que não existe apenas um céu; o texto sagrado fala em
“céus”, no plural:
“Eis que os céus e os céus dos céus são do SENHOR, teu Deus, a
terra e tudo o que nela há” (Dt.10:14).
“Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram
acabados” (Gn.1:1).
“Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus...” (Sl.33:6).
O
apóstolo Paulo narra uma experiência que teve em sua vida, em que ele foi
arrebatado até o terceiro Céu; isto nos faz entender que não existe apenas um
céu, mas sim três céus.
“Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e
revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos (se no
corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe), foi arrebatado até ao
terceiro céu” (2Co.12:1,2).
a.1)
O Primeiro Céu: o Firmamento.
É onde se encontram os planetas e as estrelas agrupadas em constelações, e
estas em galáxias (Gn.1:16,17). Segundo os estudiosos deste assunto, existem,
no mínimo, 2 trilhões de galáxias espalhados pelo universo observável, contendo
mais estrelas do que grão de areia no planeta Terra. Os planetas giram em torno
do sol, e junto com as demais estrelas, giram em torno de um ponto comum no
meio da galáxia. Todos os planetas e estrelas têm o seu percurso perfeitamente
traçado, onde se revolvem em perfeita simetria. Assim como os planetas, também,
as galáxias têm o seu percurso, onde giram em torno de um ponto central do
universo. Os cientistas não sabem o que é este centro do universo que mantém as
galáxias ligadas a ele por uma força imaginavelmente poderosa; contudo, a
Bíblia nos afirma que Deus é quem comanda todas estas estrelas, planetas e
galáxias, girando harmoniosamente em volta do Seu trono.
a.2)
O Segundo Céu: as Regiões Celestes (Ef.6:2) – “porque não temos que
lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as
potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes
espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.
Estas
regiões celestes ou celestiais não podem ser vistas com olhos carnais. É um céu
onde se encontram tudo o que é espiritual. É também onde os anjos de Deus
travam as batalhas espirituais com Satanás e seus demônios (Dn.10:1-13;
Ap.12:7). É o lugar onde se encontram os anjos e os demônios os quais não
podemos ver com olhos humanos. É onde Satanás e seus demônios planejam as suas
estratégias, para derrubar os crentes e destruir igrejas inteiras. Mas também é
o lugar onde os anjos de Deus estão a todo o momento preparado para nos
defender (Sl.34:7,8; Hb.1:14; 1Pd.5:8;).
“Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores,
enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb.1:14).
a.3)
O Terceiro Céu: A morada de Deus – O Céu dos céus (Dt.10:14). Este é o lugar que Deus escolheu para
estabelecer o seu Trono, a Sua habitação (Dt.26:15; Is.66:1; Is.63:15; Sl.47:8;
Sl.103:19). Embora a Bíblia diga que Deus é Onipresente, e Ele enche toda a
Terra, e está em todo lugar, o Céu dos Céus é o lugar de Sua habitação
(Dt.26:15).
“Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono... (Is.66:1).
“Olha desde a tua santa habitação, desde o céu, e abençoa o teu
povo...” (Dt.26:15).
“Deus reina sobre as nações; Deus se assenta sobre o trono da
sua santidade” (Sl.47:8).
“O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino
domina sobretudo”” (Sl.103:19).
Neste
lugar encontra-se o Paraiso (2Co.12:3,4). O apóstolo Paulo narra a experiência
que teve, quando foi arrebatado até este maravilhoso lugar (2Co.12:3,4); lugar
este onde estaremos brevemente a esperar a ressurreição por ocasião da vinda do
Senhor Jesus (1Ts.4:16,17):
“E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei;
Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras
inefáveis, de que ao homem não é lícito falar”.
Como
o relato deixa claro, o lugar visitado por Paulo é o mesmo para o qual o Senhor
Jesus levou o ladrão arrependido depois da morte deste último, ou seja, o lugar
onde Deus habita. Paulo ouviu a língua do Paraíso e entendeu as palavras, mas
foi proibido de repeti-las aqui na Terra. As palavras eram inefáveis no sentido
de que eram sagradas demais para serem proferidas e, portanto, não deviam ser
anunciadas.
Um Dia todos nós, os remidos pelo sangue de Jesus Cristo,
estaremos com o Senhor neste Terceiro Céu, onde bem de perto ouviremos e
participaremos destas palavras inefáveis, juntamente com todos os santos de
todos os tempos e com os anjos de Deus. Neste lugar estaremos livres do poder e
da presença do pecado; lá não sofreremos mais as acusações de Satanás; lá não
haverá mais dor, tristeza e morte, e juntos com os anjos e nossos irmãos em
Cristo, teremos felicidade plena e indelével, e glorificaremos o Senhor Jesus
Cristo e o nosso Deus Pai para sempre.
“E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais
morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são
passadas” (Ap.21:4).
b)
A criação dos anjos (Sl.33:6)
Após
criar os Céus, Deus criou os seres espirituais, os anjos. Os anjos são, assim
como os homens, criaturas de Deus. Gênesis 1:1 e Colossenses 1:16 são incisivos
ao mostrar que Deus foi o criador dos anjos, de forma que os anjos são
criaturas, ou seja, seres inferiores a Deus, embora sejam superiores aos
homens. Isto é muito importante, pois não temos como confundir os anjos com o
próprio Deus, nem podemos atribuir a anjos quaisquer atributos divinos, pois
Deus é o criador, enquanto os anjos são apenas criaturas.
Por
serem espirituais, ou seja, ao contrário do homem que é formado de uma parte
material (corpo) e de outra parte imaterial (alma e espírito), os anjos são
puro espírito. O escritor da carta aos hebreus diz que os anjos são “espíritos
ministradores enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a
salvação (Hb.1:14).
Por
serem espirituais, os anjos não estão sujeitos às leis da física, podendo
aparecer e desaparecer (Jz.6:21; Lc.1:11; 2:13), contrariar a lei da gravidade
(Jz.13:20), ter poder de ferir milhares de pessoas ao mesmo tempo
(2Sm.24:16,17; 2Rs.19:35; 1Cr.21:16; 2Cr.32:21; Is.37:36), fechar a boca de
leões famintos (Dn.6:22), remover grandes pedras (Mt.28:2), fazer emudecer
(Lc.1:20), entrar e sair de lugares que estavam e continuaram fechados
(At.5:19; 12:7-11), ferir uma pessoa em particular de modo fulminante e fatal
(At.12:23), entre outros poderes, a mostrar que as leis vigentes para o mundo
físico e material não atingem estes seres, já que são puramente imateriais.
Por
não possuírem limitações físicas, a "lei da gravidade" não exerce
qualquer influência sobre os anjos. Pela falta de gravidade de seus corpos
espirituais, os anjos podem locomover-se de um lugar para outro com extrema
rapidez.
Por
serem superiores à matéria, os anjos podem tomar formas humanas para se fazerem
perceptíveis aos sentidos físicos do homem, se houver necessidade. A Bíblia
registra várias aparições de anjos; exemplos: feitas a Abraão, Ló, Jacó, Josué,
Pedro, Paulo (Gn.18:1-10; 28:10-22; Js.5:13-15; Atos 12:7,8; 27:23).
Por
serem plenamente espirituais, os anjos também são assexuados, ou seja, não são
nem do sexo masculino, muito menos do sexo feminino. Assim, a sexualidade é uma
característica exclusiva da dimensão terrena, sendo algo que não tem
correspondência na dimensão celestial, como, a propósito, bem nos ensinou o
Senhor Jesus em Seu diálogo com os saduceus (Mt.22:29,30; 12:25). Não há, portanto, “anjos do sexo masculino” nem
tampouco “anjas”.
2.
A criação da Terra (Gn.1:1; Sl.33:6) - Deus a criou com inigualável sabedoria
“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1).
Observe
que a Bíblia não diz que no princípio começou Deus a criar a Terra, e que após
milhões, bilhões de anos, em sucessivas eras geológicas, a Terra ficou pronta
para ser habitada. Não. A Bíblia diz que “no princípio criou Deus os céus e a
Terra” (Gn.1:1). Deus não precisa de tempo para criar, para fazer, para
aperfeiçoar alguma obra Sua. Sendo um Deus perfeito e Todo Poderoso, num só ato
Ele cria ou faz uma obra perfeita, sem necessidade de acabamentos ou retoques.
A
Terra que Deus criou era acabada, perfeita e bela
A
Palavra de Deus afirma que Deus é perfeito e que não há imperfeição naquilo que
Ele faz.
“Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque
todos os seus caminhos juízo são. Deus é a verdade, e não há nele injustiça;
justo e reto é” (Dt.32:4).
Deus
jamais chamaria de “céus e terra” um número infinito de átomos isolados e que
se aglutinariam num tempo indeterminado, uma quantidade quase infinita de
poeira cósmica jogada no espaço de forma aleatória. Não. De maneira alguma isso
foi considerado “céus e terra” pelo Espírito Santo de Deus, no princípio. No
princípio, a Terra que Deus criou era uma Terra acabada, perfeita e bela.
Os
anjos foram os primeiros seres vivos a contemplarem a Terra tal como Deus a
criou. Certamente, o que eles viram não foi uma Terra “sem forma e vazia”,
coberta pelas águas (Gn.1:2). Na expressão do próprio Criador, os anjos,
chamados de “estrelas da alva” e “filhos de Deus”, ao contemplarem a Terra
recém-criada, rejubilaram e alegremente louvaram a Deus. Veja este depoimento
dado pelo próprio Deus, falando a Jó:
“Onde estavas tu, quando eu fundava a Terra? Faze-me saber, se
tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu
sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a
sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e
todos os filhos de Deus rejubilavam?” (Jó 38:4-7).
Deus
criou a Terra para ser habitada
Pela
informação que nos dá a Palavra de Deus e de forma clara narrada pelo profeta
Isaías, Deus criou a Terra para ser habitada.
“Porque assim diz o Senhor que tem criado os céus, o Deus
que formou a Terra, e a fez, ele a estabeleceu, não a criou vazia, mas a formou
para que fosse habitada. Eu sou o Senhor e não há outro” (Is.45:18).
-Num
primeiro momento, segundo
tudo indica, ao criar a Terra Deus entregou o seu governo a um Querubim ungido
(Ez.28:14). Esse Querubim falhou, pecou, e, em consequência, a Terra se tornou
“sem forma e vazia” (Gn.1:2).
-Num
segundo momento, Deus
restaurou a Terra, devolvendo-lhe suas características originais. E para cuidar
dela, Deus criou o homem, um ser diferente de todas as demais criaturas que já
havia criado. O homem permanece cuidando da Terra e o fará até que o Senhor
Jesus Cristo venha para implantar o Seu Reino milenar sobre ela.
No
princípio, Deus constituiu um Querubim para cuidar da Terra original
“Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no
monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas” (Ez.28:14).
A
Terra era como um Paraíso, reconhecida como sendo o Monte santo. É claro que
não se pode afirmar com verdade matemática, mas, por inferência de várias
passagens bíblicas, podemos entender que Deus entregou o governo da Terra
original a um Querubim ungido e a seus anjos. É claro que respeitamos as
opiniões contrárias. Esse “Querubim ungido” era como estrela radiante, ou
“estrela da manhã, filha da alva!” (Is.14:12), razão por que convencionou-se
chamá-lo de Lúcifer. Não há como determinar, nem mesmo imaginar, por quanto
tempo a Terra original permaneceu tal como fora feita pelas mãos de Deus.
A
Terra Original foi subvertida, transformada em caos, como consequência do
pecado de Lúcifer
“E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu, acima das
estrelas de Deus exaltarei o meu trono ... Subirei acima das mais altas nuvens,
e serei semelhante ao Altíssimo” (Is.14:13,14).
Em
consequência deste ato tresloucado de Lúcifer querendo destronar o Criador, o
juízo de Deus foi tão grande contra ele que alcançou também a própria Terra, a
qual passou a ser vista tal como descrita em Gênesis 1:2 - “E a terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre
a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”.
Neste estado, a Terra é conhecida como Terra caótica. A Terra que Deus criara,
perfeita e bela, foi transtornada.
A
Terra foi submersa pelas águas e envolta na escuridão. Porém, com muita
propriedade, a Palavra de Deus afirma que “o Espírito de Deus se movia sobre a
face da água”. Isto pode significar que a presença de Deus ali estava para
garantir o seu direito de propriedade sobre a Terra. Satanás nunca se tornou
senhor, ou proprietário dela. A Terra sempre foi propriedade exclusiva de Deus.
“Eis que os céus e os céus dos céus são do Senhor teu Deus, a
terra e tudo o que nela há” (Dt.10:14).
“Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que
nele habitam” (Sl.24:1).
Não
se pode quantificar em números – em séculos ou milênios, em milhões, talvez
bilhões de anos -, o tempo em que a Terra permaneceu neste estado caótico -
“sem forma e vazia”. Porém é certo que ela permaneceu o tempo suficiente para
cobrir todas as eras geológicas defendidas pela ciência. Afirma a maioria dos
comentaristas que a Terra original era povoada por animais, mas, não pelo
homem. Isto justificaria o encontro de fósseis com milhões ou bilhões de anos.
A
Terra foi restaurada em seis dias
Após
o estado caótico, Deus não criou céus e nem uma nova Terra. A expressão
“criar”, do verbo hebraico, “barah” - no sentido de trazer à
existência algo que antes não existia, ou trazer do nada, ou fazer existir
aquilo que não é material -, somente é usada três vezes no capítulo 1 de
Gênesis - versículos 1,21 e 27.
Em
relação à Terra, no terceiro dia, não há qualquer menção do verbo criar ou “barah”.
Isto significa que Deus não criou uma Terra, mas, restaurou aquela que ele
havia criado “no princípio”, e que tinha sido transtornada como consequência do
pecado de Lúcifer, sendo envolta em escuridão e coberta pelas águas. Em razão
disto, Deus ordenou:
“... ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção
seca. E assim foi” (Gn.1:9).
Portanto,
a Terra já existia, apenas estava encoberta pelas águas.
“E chamou Deus a porção seca Terra, e ao ajuntamento das águas
chamou Mares. E viu Deus que era muito bom” (Gn.1:10).
A
Terra foi coberta pelo verde da vegetação
Mais
uma vez, em Gênesis 1:11, não aparece o verbo criar, ou “barah”. Isto
significa que Deus não criou plantas, mas, que ordenou às sementes de todas as
plantas que antes existiam na Terra original, e que permaneceram em estado
latente para que germinassem.
“E disse Deus: produza a terra erva verde, erva
que dê semente, árvore frutífera segundo a sua espécie, cuja semente esteja
nela sobre a terra. E assim foi. E a terra produziu erva, erva
dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera cuja semente está
nela conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã o
dia terceiro” (Gn.1:11-13).
Assim,
a antiga Terra, criada por Deus, “no princípio”, após permanecer em estado
caótico por um tempo que só Deus conhece sua duração, está finalmente renovada
e pronta para ser habitada outra vez.
Após
tudo isto, ou seja, a restauração da Terra, Deus formou o homem para cuidar de
tudo aquilo que Deus criou e que estava sobre a Terra
“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra
e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”
(Gn.2:7).
III.
A CRIAÇÃO DE ADÃO, O PRIMEIRO SER HUMANO
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa
semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre
o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra”
(Gn.1:26).
“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou;
macho e fêmea os criou” (Gn.1:27).
“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus
narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).
Há
três palavras-chave para a atividade criadora de Deus nestes textos: criar,
fazer e formar. Esses três verbos definem o caráter da obra criadora de Deus,
que tanto criou do nada, como formou criaturas daquilo que criara
anteriormente.
É
bom enfatizar que o capítulo 2 não é um outro relato da criação nem uma
continuação do capítulo 1; não é independente, mas dependente do primeiro,
ampliando e explicando uma das atividades de Deus que apenas foi citada no
relato anterior. É como se o ator de Gênesis desse um zoom no versículo 27 do capítulo
1, usando o versículo 7 do capítulo 2:
“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus
narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).
Refletir
sobre a formação do homem requer um estudo de Genesis 2:7. Vamos começar com o
verbo que descreve a atividade de Deus: formar. A mesma palavra empregada para
o oleiro que molda o vaso (cf. Is.29:16; Jr.18:4-6). A palavra descreve a ação
de um Criador habilidoso que molda a coroa da Sua criação e sopra vida nela. O
material usado é o mesmo que o oleiro usa para formar o vaso: o pó da
superfície da terra que dá o barro, que pode ser moldado e mantém a forma do
molde. Essa figura é tão importante que é usada no restante do Antigo
Testamento ao mencionar aspectos específicos da natureza do homem e de seus
relacionamentos. Vamos ver algumas passagens bíblicas:
Deus
é o oleiro que forma Israel (Jr.18:6).
O
pó é a origem e o destino do homem (Gn.3:19).
O
homem é frágil por causa do material de que foi feito (Sl.103:14).
Se
pararmos para refletir, o homem (em hebraico adam) e terra (em
hebraico adamah) estão sempre em pares na sua história. Em Gênesis
2, o homem é formado da terra, depois recebe a ordem de cultivá-la, da terra
virá também o seu alimento, e por fim, a terra é a sua casa depois da morte
(Gn.3:19).
1.
O concílio da Divindade sobre a criação do homem
A
criação do ser humano foi uma decisão amorosa e soberana da Santistíssima
Trindade: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme
a nossa semelhança...” (Gn.1:26). O verbo “fazer”, na primeira pessoa do
imperativo, no plural, denota que o Criador não estava sozinho, na criação do
homem. A compreensão humana não alcança a grandeza daquele momento único e
singular, totalmente distinto de todo processo criador dos demais seres. Apesar
disso, pode-se entender que, num ponto do planeta, no Oriente, Deus (o Pai, o
Filho e o Espírito Santo) se reuniram solenemente para fazer surgir o novo ser:
o homem à imagem e semelhança de Deus, obra prima da criação, que haveria de
revolucionar toda a criação. O fato de que os membros da Trindade falaram entre
si indica que este foi um ato transcendental e a consumação da obra criadora.
“...o homem à nossa imagem...”. Que significa isto? Não se refere a aspecto físico, já que Deus
é espírito, e não tem corpo. A imagem de Deus no homem tem quatro aspectos: (a)
somente o homem recebeu o sopro de Deus, e, portanto, tem um espírito imortal,
por meio do qual pode ter comunhão com Deus; (b) é um ser moral, não obrigado a
obedecer a seus instintos, como os animais, porém possui livre-arbítrio e
consciência; (c) é um ser racional, com capacidade para pensar no abstrato e
formar ideias; (d) é um ser que tem domínio sobre a natureza e sobre os seres
vivos, à semelhança de Deus; é o representante de Deus, investido de autoridade
e domínio (Gn.1:26), como visível monarca e cabeça do mundo.
2.
A matéria prima do homem
O
corpo do homem foi formado do pó da terra, à semelhança do que se deu com os
animais (Gn.2:7,19), o que nos ensina que ele se relaciona com as outras
criaturas. Não obstante, não há elo biológico entre o homem e os animais.
A
ciência tem demonstrado que a substância do corpo humano contém os mesmos
elementos químicos do solo. Seu nome em hebraico "Adão" (homem), é
semelhante a "Adama" (solo). Usa-se a palavra "bara" (criar
algo sem precedentes) em Gn.1:27, que indica que sua criação foi algo especial.
Gênesis
2:7 diz: “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó
da terra…". A palavra "formou" dá, no original, a ideia de
"manipulação", trabalho com as mãos.
Que
o corpo do homem é feito do pó da terra não se pode negar, cientificamente. Eis
a sua constituição segundo os estudiosos deste assunto:
3.
O sopro divino (Gn.2:7)
“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou
em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”.
O fôlego de vida soprado
por Deus não é o ar que conhecemos, mas a própria vida dada ao homem, a própria
imagem e semelhança de Deus. O homem é imagem e semelhança de Deus exatamente
porque Deus lhe imprimiu algo de Sua essência, algo que veio diretamente dEle,
ao contrário do restante da criação, que foi feito a partir da vontade divina
expressa por Sua Palavra.
Este
texto narra a criação da parte imaterial do homem, que é constituída da alma e
do espírito. Deus soprou nos narizes do homem e ele foi feito "alma
vivente", ou seja, surgiu desse sopro uma alma e essa alma tinha
consciência de que vinha de Deus e estava ligada a Ele. Temos, então, as duas
instâncias do homem interior: a alma e o espírito. Este é o aspecto totalmente
diverso entre o homem e os demais seres vivos criados na Terra. Esta parte
imaterial coloca o homem acima da natureza e que lhe permite dominar sobre ela.
Esta parte imaterial, resultado do sopro de Deus, é o que Paulo denomina de
"homem interior", porque é a parte do homem que não aparece aos
nossos olhos, parte esta que as Escrituras identificam figurativamente como
"mente" (Rm.7:25) e "coração" (Pv.4:23; Ap.2:23).
Ao
se dizer que o homem foi feito "alma vivente”, está
sendo dito que o homem é uma alma que tem vida, ou seja, é uma alma que está em
comunhão com Deus, pois vida, aqui, não é uma mera existência, mas é uma
demonstração de existência de uma comunhão entre Deus e a Sua criatura.
-
A alma é a sede dos
pensamentos e dos sentimentos do homem; a sede da sua personalidade, da sua
individualidade; a parte do homem que tem consciência de si mesmo.
-
O espírito é a parte
do homem que faz a relação dele com Deus; é a sede da consciência, o
instrumento que nos permite discernir o certo do errado; é o elo entre Deus e o
homem, a instância em que tomamos consciência da existência e da soberania de
Deus.
Alguém
disse que o homem tem espírito para ter comunhão com Deus, vontade para
obedecê-lo e corpo para servi-lo.
IV.
A MISSÃO E A TAREFA DO HOMEM
Por
que Deus criou o homem? Não há apenas uma única resposta para esta pergunta.
Através da Escrituras Sagradas, podemos notar várias razões que levaram o
Senhor a criar o homem e mantê-lo no mundo criado como administrador de tudo.
Veja a seguir três motivos:
1.
Glorificar a Deus
Deus
não precisava criar o homem, mas criou-o para a sua própria glória. Deus não
precisa de nós nem do resto da criação para nada, porém, nós e o restante da
criação o glorificamos e lhe damos alegria. Como por toda a eternidade sempre
houve perfeito amor e comunhão entre os membros da Trindade (João 17:5,24),
Deus não nos criou porque estava só ou porque precisasse da comunhão de outras
pessoas – Deus não precisava de nós por motivo nenhum. No entanto, Deus nos
criou para a sua própria glória.
O
fato de Deus nos ter criado para a sua própria glória determina a resposta
correta à pergunta: Qual o nosso propósito na vida? Nosso propósito dever ser
sempre cumprir a meta para qual Deus nos criou: glorificá-lo.
A
humanidade sofreu com a Queda do primeiro homem criado, mas Deus se glorificou
providenciando Jesus Cristo que, através de Seu ministério e morte, redimiu os
filhos do Senhor. O profeta Isaías afirma que Deus criou o homem para o louvor
da Sua glória.
“Cantai alegres, vós, ó céus, porque o SENHOR fez isso; exultai
vós, as partes mais baixas da terra; vós, montes, retumbai com júbilo; também
vós, bosques e todas as árvores em vós; porque o SENHOR remiu a Jacó e
glorificou-se em Israel” (Is.44:23).
O
salmista, do Salmo 148, recomenda a toda ser humano a louvar ao Senhor:
11.reis da terra e todos os povos, príncipes e todos os juízes da
terra;
12.rapazes e donzelas, velhos e crianças.
13.Que louvem o nome do SENHOR, pois só o seu nome é exaltado; a
sua glória está sobre a terra e o céu.
14.Ele também exalta o poder do seu povo, o louvor de todos os
seus santos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado. Louvai ao SENHOR!
2.
Propagar a espécie
“E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e
multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do
mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra”
(Gn.1:28).
Quando
Deus criou o homem, Ele o preparou fisicamente para obedecer à Sua vontade,
tais como:
- Multiplicar-se.
- Povoar a
terra.
- Dominar
os peixes, aves e animais.
O
Perfeito Criador colocou no corpo humano tudo que seria necessário para cumprir
os ideais divinos, pois o homem para se multiplicar, necessita primeiro possuir
desejo sexual, e depois prazer sexual, e depois o esperma para fecundar o óvulo
da mulher, para que enfim possa gerar o filho; tudo isto foi previsto pela
Trindade santa, em nada o Criador falhou; não houve testes, não houve cobaia; o
primeiro homem já era dotado de tudo aquilo que Deus planejou para sua
existência e procriação.
3.
Governar e administrar o planeta
Após
decidir criar o homem à Sua imagem e semelhança, o Senhor anunciou que o homem
teria domínio sobre o restante da criação. Essa decisão de Deus a respeito do
homem foi tanto um privilégio como uma responsabilidade que o homem recebeu.
Está assim escrito:
“E disse Deus: [...] domine sobre os peixes do mar, e sobre as
aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se
move sobre a terra [...] dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos
céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn.1:26,28).
É
importante observar que o homem devia dominar a terra, mas não como se fosse o
dono dela, porque toda a terra pertence ao Senhor (Lv.25:23, Sl.24:1,
1Co.10:26). O homem é apenas o "mordomo de
Deus", com a função de tomar conta das obras das Suas mãos.
Conforme
bem explica o comentarista do Comentário Bíblico Beacon, esse direito dado por
Deus ao homem dominar sobretudo na Terra ressalta o fato de que Deus o equipou
com aptidão para agir como governante.
-Aptidão
para governar implica
em capacidade intelectual adequada para argumentar, organizar, planejar e
avaliar.
-Aptidão
para governar implica
em capacidade emocional adequada para desejar o mais alto bem-estar dos
súditos, apreciar e honrar o que é bom, verdadeiro e bonito, repugnar e
repudiar o que é cruel, falso e feio, ter profunda preocupação pelo bem-estar
de toda a natureza e amar a Deus que o criou.
-Aptidão
para governar implica
em capacidade volitiva adequada para escolher fazer a toda hora o que é certo,
obedecer ao mandamento de Deus indiscutivelmente e sem demora, entregar
alegremente todos os poderes a Deus em adoração jovial e participar em uma
comunhão saudável com a natureza e Deus.
-Aptidão
para governar ou exercer
domínio sobre a Criação não significa que o homem pudesse fazer o que
desejasse, que destruísse os animais (matança de forma indiscriminada) ou
poluísse a Terra. Como um ser criado por Deus, o homem deveria usar de
sabedoria na administração da Terra, usando-a para habitação, para seu prazer,
tendo boa alimentação a seu dispor, preservando as obras criadas, tratando-as
com equilíbrio. Sempre cônscio que a criação não pertence ao homem, mas ao
Criador (cf.Sl.24:1). Infelizmente, atualmente, temos negligenciado essa
responsabilidade quando ficamos passivos ante a destruição do mundo criado por
Deus, e até quando nós mesmos, com atitudes irresponsáveis, colaboramos com
essa devastação, quando, por exemplo: desperdiçamos água; quando colocamos lixo
nas praias, nos rios; quando devastamos a natureza.
CONCLUSÃO
Aprendemos
aqui neste estudo que o Primeiro homem, Adão, foi criado por Deus, por um ato
consensual da Santíssima Trindade (Gn.1:26,27); criado à imagem de Deus,
conforme à Sua semelhança; macho e fêmea foram criados por Deus (Mc.10:6), e
não formado no decurso de milhões de anos de processos macro evolucionários.



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