A ARCA DA ALIANÇA E SEU SIGNIFICADO
A Arca da Aliança é um dos objetos mais sagrados e enigmáticos descritos na Bíblia. Ela não era apenas um móvel religioso, mas o símbolo máximo da presença de Deus entre o povo de Israel.
Aqui está um resumo sobre sua estrutura e o
que ela representa espiritualmente:
1. Construção e Aparência
De acordo com o livro de Êxodo, a Arca foi
construída sob instruções específicas dadas por Deus a Moisés no Monte Sinai:
- Material: Feita de madeira de acácia e
revestida de ouro puro por dentro e por fora.
- Dimensões: Aproximadamente 110 cm de comprimento
por 66 cm de largura e altura.
- O
Propiciatório (A
Tampa): Uma peça de ouro maciço com dois querubins de ouro voltados um
para o outro, cujas asas estendidas cobriam a tampa.
- Transporte: Tinha quatro argolas de ouro nos
cantos, por onde passavam varas de acácia banhadas a ouro, para que nunca
fosse tocada diretamente.
2. O Conteúdo da Arca
Dentro dela, foram colocados três itens
fundamentais que serviam como um "memorial" da jornada de Israel:
- As
Tábuas da Lei: Os Dez
Mandamentos, simbolizando a aliança e a santidade de Deus.
- O
Pote de Maná: Uma
lembrança da provisão milagrosa de Deus no deserto.
- A
Vara de Arão que Floresceu:
Símbolo da escolha e autoridade divina concedida ao sacerdócio.
3. Significado Bíblico e Espiritual
A Arca possuía camadas
profundas de significado teológico:
- A
Presença de Deus: O
espaço entre as asas dos querubins sobre o Propiciatório era chamado de
"o trono de Deus". Era ali que a glória de Deus (Shekinah)
se manifestava.
- O
Propiciatório (Lugar de Expiação): Uma vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kippur),
o Sumo Sacerdote aspergia o sangue dos sacrifícios sobre a tampa da Arca
para obter perdão pelos pecados do povo. Isso representava a misericórdia
de Deus cobrindo a transgressão da Lei (as tábuas que estavam dentro).
- A
Santidade e o Juízo:
A Arca era tão sagrada que o acesso a ela era restrito. Ela liderava o
povo em batalhas e na travessia do Jordão, mostrando que o sucesso de
Israel dependia da presença e obediência a Deus.
4. O Destino da Arca
Após a destruição do Primeiro Templo de
Jerusalém pelos babilônios em 586 a.C., a Arca desapareceu do registro bíblico
histórico. Não há menção dela no Segundo Templo.
No Novo Testamento, o significado da Arca é frequentemente
associado à figura de Jesus Cristo. Na teologia cristã, Jesus é visto como o
cumprimento da Arca: Ele é a Palavra viva (as Tábuas), o Pão da Vida (o Maná) e
o nosso Sumo Sacerdote que, através de seu próprio sangue, cumpriu o papel do
Propiciatório, removendo a separação entre Deus e a humanidade.
Texto Bíblico: Êxodo 25:10-22
“Pendurarás o véu debaixo dos colchetes e trarás para lá a arca
do Testemunho, para dentro do véu; o véu vos fará separação entre o Santo Lugar
e o Santo dos Santos” (Êx.26:33
- ARA).
Êxodo 25.10-22
10-Também
farão uma arca de madeira de cetim; o seu comprimento será de dois côvados e
meio, e a sua largura, de um côvado e meio, e de um côvado e meio, a sua
altura.
11-E
cobri-la-ás de ouro puro; por dentro e por fora a cobrirás; e farás sobre ela
uma coroa de ouro ao redor;
12-E
fundirás para ela quatro argolas de ouro e as porás nos quatro cantos dela:
duas argolas num lado dela e duas argolas no outro lado dela.
13-E
farás varas de madeira de cetim, e as cobrirás com ouro,
14-E
meterás as varas nas argolas, aos lados da arca, para se levar com elas a arca.
15-As
varas estarão nas argolas da arca, e não se tirarão dela.
16-Depois,
porás na arca o Testemunho, que eu te darei.
17-Também
farás um propiciatório de ouro puro; o seu comprimento será de dois côvados e
meio, e a sua largura, de um côvado e meio.
18-Farás
também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades
do propiciatório.
19-Farás
um querubim na extremidade de uma parte e o outro querubim na extremidade da
outra parte; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas
extremidades dele.
20-Os
querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com as suas asas o
propiciatório; as faces deles, uma defronte da outra; as faces dos querubins
estarão voltadas para o propiciatório.
21-E
porás o propiciatório em cima da arca, depois que houveres posto na arca o
Testemunho, que eu te darei.
22-E
ali virei a ti e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois
querubins (que estão sobre a arca do Testemunho), tudo o que eu te ordenar para
os filhos de Israel.
INTRODUÇÃO
A
Arca era o ponto central e o foco principal para todo Israel. Ela representava
o trono de Deus e a sua presença no meio do povo de Israel.
Uma
vez por ano, o sumo sacerdote se colocava diante da Arca para aspergir sangue
sobre o propiciatório (a tampa da Arca) para expiar o povo de Israel dos seus
pecados.
Na
Nova Aliança, o maior objetivo do crente é atingir a estatura de varão
perfeito. E isto se dará quando da nossa glorificação; se dará quando a Igreja
estiver livre, para sempre, do poder do pecado. Lá, na presença de Deus, a
Igreja entoará a mais bela doxologia: “a vitória é nossa pelo sangue do
Cordeiro de Deus!”.
I.
A DESCRIÇÃO DA ARCA DA ALIANÇA (Êx.25:10,11)
“Também farão uma arca de madeira de cetim; o seu comprimento
será de dois côvados e meio, e a sua largura, de um côvado e meio, e de um
côvado e meio, a sua altura. E cobri-la-ás de ouro puro; por dentro e por fora
a cobrirás; e farás sobre ela uma coroa de ouro ao redor”.
1.
Os nomes da Arca
Nas
Escrituras Sagradas, diferentes nomes identificam esse precioso objeto: Arca do
Concerto (Nm.10:33; 14:44); Arca do Testemunho (Êx.25:22; Nm.7:89); Arca de
Deus (1Sm.4:11); Arca do Senhor (Js.3:13); “Arca da Aliança”, na qual se
guardavam o Decálogo (Êx.31:18).
Era
o objeto mais sagrado e o mais valioso de Israel; ocupava o primeiro lugar na
vida do povo de Israel. Sua ausência no meio do povo de Israel trouxe profunda
tristeza e desgraça (1Sm.4:18-22). A ausência da presença de Deus no meio do
seu povo traz desgraça, insegurança e vulnerabilidade diante das tempestades da
vida.
2.
A construção da Arca (Êx.25:10,11)
A
Arca da Aliança foi construída de uma maneira especial. Ela tinha a forma de um
caixa de madeira de acácia de, aproximadamente, 1,25m de comprimento por 0,70cm
de largura e 0,75cm de altura, toda forrada de ouro por dentro e por fora, com
uma bordadura em volta também de ouro. Tinha quatro argolas e dois varais que
não poderiam ser retirados do lugar. Tudo era revestido de ouro.
Os
tipologistas bíblicos costumam dizer que a madeira da Arca simbolizava a
humanidade de Cristo e o seu ouro simbolizava a divindade de Cristo.
Sobre
a coberta da Arca estavam duas estátuas de querubins (figuras de seres
angelicais) diante um do outro, feitos de ouro, que com suas asas cobriam o
local conhecido como "Propiciatório". Isto enfatizava de forma clara
e visível que aquele objeto sagrado representava o trono de Deus e a sua
santidade.
O
caminho para o Lugar Santíssimo não estava aberto a todo o povo, era
estritamente limitado. Ninguém deveria se apresentar naquele recinto e nem
tocar na Arca sem o devido consentimento divino. Somente o sumo sacerdote podia
entrar nesse Lugar uma vez por ano.
Uma
grossa cortina separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo. Em Cristo, porém, o
caminho foi aberto a todos (Hb.10:19,20).
Quando
Jesus morreu na cruz do Calvário, a cortina do templo se rasgou de cima a baixo
(Mt.27:51; Mc.15:38). O fato de a cortina ter sido rasgada significa que a
separação entre Deus e o homem havia terminado. O tempo do acesso limitado
acabou para sempre. Aleluia!
3.
O simbolismo da Arca
Observando
a sua grande importância para o povo de Deus da Antiga Aliança, podemos
destacar, como base nas Escrituras Sagradas, cinco simbolismos da Arca.
a)
A Arca simbolizava a direção de Deus na vida do Seu povo (Nm.10:33-35). O povo de Israel tinha a Arca como
referencial da direção de Deus em sua vida. Era assim que se comportavam os
hebreus na peregrinação no deserto:
“Assim, partiram do monte do SENHOR caminho de três dias; e a
arca do concerto do SENHOR caminhou diante deles caminho de três dias, para
lhes buscar lugar de descanso. E a nuvem do SENHOR ia sobre eles de dia, quando
partiam do arraial. Era, pois, que, partindo a arca, Moisés dizia: Levanta-te,
SENHOR, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os
aborrecedores”.
b)
A Arca simbolizava o poder de Deus no meio do Seu povo (Js.3:6,15,16). Olhando para a experiência de Josué
às margens do rio Jordão podemos observar que a Arca era, também, um
referencial do poder de Deus no meio do Seu povo.
As
águas do Jordão transbordaram sobre suas ribanceiras quando Josué ordenou que a
Arca fosse conduzida pelo leito do rio Jordão. As águas foram represadas pelo
poder de Deus.
“E falou Josué aos sacerdotes, dizendo: Levantai a arca do
concerto e passai adiante deste povo. Levantaram, pois, a arca do concerto e
foram andando adiante do povo. E, quando os que levavam a arca chegaram até ao
Jordão, e os pés dos sacerdotes que levavam a arca se molharam na borda das
águas (porque o Jordão transbordava sobre todas as suas ribanceiras, todos os
dias da sega), pararam-se as águas que vinham de cima...”.
c)
A Arca da Aliança simbolizava a plenitude da presença de Deus entre o Seu povo
(Êx.25:22). Era no
Propiciatório que Deus manifestava a Sua “Shekinah”.
“E ali virei a ti e falarei contigo de cima do propiciatório, do
meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do Testemunho), tudo o que eu
te ordenar para os filhos de Israel” (Êx.25:22).
A
Arca apontava para uma verdade revelada no Novo Testamento acerca do nosso
Salvador: “porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”
(Cl.2:9). Ou seja, Cristo é o Emanuel, isto é, o “Deus conosco”, o Verbo que se
fez carne e habitou entre nós (Mt.1:23; Is.7:14; 9:6; João 1:14). Portanto, na
Nova Aliança a Arca é Jesus (Ef.2:22). Ele é a nossa Arca e a presença
constante de Deus em nós.
Jeremias
3:16 diz que nunca
mais se falaria da Arca. Deus iria habitar no ser humano de uma forma
diferente.
“E sucederá que, quando vos multiplicardes e frutificardes na
terra, naqueles dias, diz o SENHOR, nunca mais se dirá: A arca do concerto do
SENHOR! Nem lhes virá ao coração, nem dela se lembrarão, nem a visitarão; isso
não se fará mais”.
A
cada dia devemos valorizar mais e mais a presença de Deus em nossas vidas. Ele
prometeu que estaria conosco todos os dias (Mt.28:20).
d)
A Arca simbolizava pureza e santidade de Deus entre o Seu povo; não podia ser
tocada e nem carregada indevidamente.
A Arca era para a casa de Israel um referencial de pureza e santidade. Devido a
santidade e a glória de Deus manifestada na Arca, somente os levitas foram
designados carregá-la, e somente nos ombros; além disso, ninguém podia tocá-la,
a não ser os sacerdotes autorizados por Deus (Nm.4:15).
A
Arca passou muitos anos fora do santuário (1Sm.7:1,2). Davi, certa feita, ao
trazer a Arca do Senhor para Jerusalém, não atentou para um detalhe importante:
nada poderia ser modificado ou inovado em relação ao modo de lidar com aquele
objeto sagrado (2Sm.6:1-7). A despeito disso, a Arca foi colocada sobre um
carro de bois em vez de ser conduzida nos ombros dos sacerdotes; além disso,
foi tocada sem permissão divina. Veja o que diz o texto sagrado:
“E puseram a arca de Deus em um carro novo e a levaram da casa
de Abinadabe, que está em Geba; e Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o
carro novo. E, levando-o da casa de Abinadabe, que está em Geba, com a arca de
Deus, Aiô ia adiante da arca. E Davi e toda a casa de Israel alegravam-se
perante o SENHOR, com toda sorte de instrumentos de madeira de faia, com
harpas, e com saltérios, e com tamboris, e com pandeiros, e com címbalos. E,
chegando à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à arca de Deus e segurou-a, porque
os bois a deixavam pender. Então, a ira do SENHOR se acendeu contra Uzá, e Deus
o feriu ali por esta imprudência; e morreu ali junto à arca de Deus” (2Sm.6:3-7).
Por
que essa atitude, aparentemente normal, não teve a aprovação de Deus? Porque a
Arca fora conduzida de forma errada e indevidamente tocada.
De
acordo com a orientação divina, a Arca deveria ser transportada pelos levitas
(Êx.25:14; Dt.31:25; Js.3:3), e não por meio de carros puxados por bois. Aquele
carro de bois não deveria fazer parte do cortejo sagrado, e somente devia ser
tocada por pessoas autorizadas (Nm.4:15).
A
inobservância da Palavra de Deus provocou imediato juízo e a interrupção do
culto que se desenrolava ao longo do caminho para Jerusalém.
Deus
mostrou, assim, nitidamente que não Se agrada de inovações que vão contra o que
está estabelecido em Sua Palavra.
“O Senhor conhece os dias dos íntegros, e a herança deles
permanecerá para sempre” (Salmos
37:18).
e)
A Arca simbolizava a provisão de Deus a um lugar certo e de descanso
(Nm.10:33-36).
“Assim, partiram do monte do SENHOR caminho de três dias; e a
arca do concerto do SENHOR caminhou diante deles caminho de três dias, para
lhes buscar lugar de descanso” (Nm.10:33).
Quando
Israel viajava, a Arca teria de ir coberta para ser protegida dos olhares do
povo. Era carregada nos ombros dos levitas, mostrando o caminho a seguir.
Seguiam a nuvem durante o dia e a coluna de fogo à noite.
“E, no dia de levantar o tabernáculo, a nuvem cobriu o
tabernáculo sobre a tenda do Testemunho; e, à tarde, estava sobre o tabernáculo
como uma aparência de fogo até à manhã. Assim era de contínuo: a nuvem o
cobria, e, de noite, havia aparência de fogo. Mas, sempre que a nuvem se alçava
sobre a tenda, os filhos de Israel após ela partiam; e, no lugar onde a nuvem
parava, ali os filhos de Israel assentavam o seu arraial” (Nm.9:15-17).
De
novo, em Números 10:33 lemos:
"... e a arca do concerto do Senhor caminhou diante deles
caminho de três dias, p a r a lhes buscar lugar de descanso".
Onde
quer que estivessem os filhos de Israel, certos estavam de que o Senhor era com
eles. Para seguir adiante, tudo o que tinham a fazer era olhar para o alto e
ver a nuvem que pairava sobre a Arca. Desta maneira o Senhor sempre lhes provia
um lugar de descanso (Nm.10:33-36).
Assim
também hoje, quando viajamos nas jornadas da vida podemos ter descanso em
Jesus, a Arca da Nova Aliança, porque Ele vai adiante de nós.
II.
O PROPICIATÓRIO DA ARCA (Êx.25:17-21)
O Propiciatório era a tampa da Arca. Ali Deus manifestava a sua glória. Sobre o Propiciatório era realizado, uma vez por ano, o mais perfeito sacrifício.
“Também farás um propiciatório de ouro puro; o seu comprimento
será de dois côvados e meio, e a sua largura, de um côvado e meio” (Êx.25:17).
1.
A Tampa da Arca
Era
denominada, usualmente, de Propiciatório. Recebia este nome porque era o local
onde o mais perfeito ato de expiação era realizado, uma vez por ano, pelo sumo
sacerdote.
Era
adornada com a figura de dois querubins de ouro - um em frente do outro. Suas
asas permaneciam abertas e voltadas para o centro da Arca.
“Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás,
nas duas extremidades do propiciatório” (Êx.25:18).
Somente
o Sumo sacerdote podia entrar no Lugar Santíssimo e estar perto da Arca, e
somente uma vez por ano, no décimo dia do sétimo mês (Lv.23:27; Lv.16:1-10;
Hb.9:7) para aspergir sobre o Propiciatório o sangue que havia sido derramado
do sacrifício anual feito para expiação dos pecados de todo o povo
(Lv.16:14,15; 17:11).
“E tomará do sangue do novilho e, com o seu dedo, espargirá
sobre a face do propiciatório, para a banda do oriente; e perante o
propiciatório espargirá sete vezes do sangue com o seu dedo. Depois, degolará o
bode da oferta pela expiação, que será para o povo, e trará o seu sangue para
dentro do véu; e fará com o seu sangue como fez com o sangue do novilho, e o
espargirá sobre o propiciatório e perante a face do propiciatório” (Lv.16:14,15).
Hoje,
tal expiação não é mais necessária, porque Jesus, o nosso Sumo Sacerdote por
excelência, já entrou na presença do Pai oferecendo o seu próprio sangue como
propiciação definitiva pelos nossos pecados (Rm.3:24,25; Hb.9:11-15; 10:10,12),
de maneira que todos quantos o recebem como único e suficiente Salvador e
Senhor, aceitando seu sacrifício, têm livre acesso à presença de Deus
(Hb.10:19-23).
“Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um
maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta
criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou
uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.
Porque, se o sangue dos touros e bodes e a cinza de uma novilha,
esparzida sobre os imundos, os santificam, quanto à purificação da carne,
quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si
mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para
servirdes ao Deus vivo?
E, por isso, é Mediador de um novo testamento, para que,
intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do
primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna (HB.9:11-15).
2.
A simbologia da Tampa (Propiciatório) da Arca (Êx.25:17,21,22)
a)
Simbolizava a misericórdia de Deus para com o Seu povo. A Arca sem a sua Tampa não era um
"Propiciatório", mas um "trono de juízo". A
Arca descoberta condenaria a todos e os deixaria sem qualquer esperança, porque
a Bíblia diz que "a alma que pecar, essa morrerá" (Ez.18:4). Não
haveria misericórdia. Sem o Propiciatório não haveria a proteção contra o
integral cumprimento da Lei, quando alguém pecasse.
"Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem
misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas" (Hb.10:28).
"Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só
ponto se tornou culpado de todos" (Tg.2:10).
Com
o passar dos anos, os israelitas fizeram o uso errado da Arca. Eles passaram a
vê-la como uma espécie de amuleto, uma garantia incondicional do favor e do
poder de Deus. Então, o Senhor permitiu que a Arca fosse levada pelos filisteus
e colocada na casa do falso deus Dagom (1Sm.5:1,2); ela ficou na terra dos
filisteus durante sete meses (1Sm.6:1).
No
entanto, os filisteus decidiram devolver a Arca porque ela causou diversas
enfermidades entre eles (cf.1Sm.5:1-12). Puseram-na sobre uma carroça puxada
por duas vacas cujos bezerros deixaram presos no curral. As vacas se
encaminharam diretamente para Bete-Semes, povoado israelita.
Quando
os habitantes daquela cidade viram a Arca sendo devolvida, se alegraram e
usaram a madeira da carroça como lenha e sacrificaram as vacas ao Senhor em
holocausto (1Sm.6:13,14).
Na
alegria exacerbada do momento alguém destampou a Arca do Senhor e muitos
morreram por terem olhado para dentro dela; morreram porque a Arca sem sua
Tampa (Propiciatório) simbolizava juízo e não misericórdia.
“E feriu o SENHOR os homens de Bete-Semes, porquanto olharam
para dentro da arca do SENHOR, até ferir do povo cinquenta mil e setenta
homens; então, o povo se entristeceu, porquanto o SENHOR fizera tão grande
estrago entre o povo” (1Sm.6:19).
Tomados
de grande temor, os moradores de Bete-Semes clamaram:
"... Quem poderia estar em pé perante o Senhor, este
Deus santo? E quem subirá desde nós?" (1Sm.6:20).
“Então, vieram os homens de Quiriate-Jearim, e levaram a arca do
SENHOR, e a trouxeram à casa de Abinadabe, no outeiro; e consagraram Eleazar,
seu filho, para que guardasse a arca do SENHOR. E sucedeu que, desde aquele
dia, a arca ficou em Quiriate-Jearim, e tantos dias se passaram, que chegaram
até vinte anos; e lamentava toda a casa de Israel após o SENHOR” (1Sm.7:1,2).
b)
A Tampa remonta ao valor misericordioso do sangue da expiação oferecida pelo
nosso Senhor Jesus Cristo.
O Propiciatório era, sem dúvida alguma, uma peça messiânica, apontando para o
“Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Escreveu o apóstolo
Paulo:
“sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção
que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu
sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes
cometidos, sob a paciência de Deus”
(Rm.3:24,25).
O
apóstolo João diz que Jesus é a propiciação pelos nossos pecados.
“E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos
nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1João 2:2).
Nesta
passagem de João, a palavra “propiciação” significa satisfação. A ideia é
aplacar a ira de Deus. A ideia dessa passagem é que Jesus propicia a Deus com
relação a nossos pecados. Cristo morreu na cruz para propiciar a Deus.
Cristo
é o sacrifício, providenciado pelo próprio Deus, que satisfaz a justa ira de
Deus pelos nossos pecados, e desvia essa ira de sobre nós, apaziguando a Deus e
nos reconciliando com Ele (1João 4:10; Rm.3:25,26; 1Pd.2:24; 3:18).
Jesus
não é apenas o propiciador, ele é a Propiciação. Para defender-nos diante do
Tribunal de Deus era necessário que a Lei violada fosse cumprida e que a
justiça de Deus ultrajada fosse satisfeita.
Jesus
veio como nosso fiador e substituto. Ele tomou sobre si os nossos pecados. Ele
sofreu o duro golpe da lei em nosso lugar. Ele levou sobre si a nossa culpa.
Ele bebeu sozinho o cálice da ira de Deus contra o pecado. Ele se fez pecado
por nós. Ele foi humilhado, cuspido, espancado, moído. Ele morreu a nossa
morte.
A
cruz é a justificação de Deus. Pelo seu sacrifício, nossos pecados foram
cancelados. Agora estamos quites com a lei de Deus e com a justiça de Deus.
Agora estamos justificados. Jesus é a propiciação pelos nossos pecados.
Da
mesma maneira que os pecados eram cobertos pela aspersão do sangue no
Propiciatório, também Cristo, pelo derramamento do seu próprio sangue, expiou
para sempre os pecados de todos aqueles que recebem esse sacrifício vicário.
Aqueles,
porém, que pisarem o sangue de Jesus de forma deliberada e consciente, o juízo
de Deus será sem misericórdia. Está escrito:
“De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor
aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do testamento,
com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?" (Hb.10:29).
Pense
nas sérias consequências que advirão àquele que tomar de modo leviano estas
palavras sagradas do Senhor.
3.
A simbologia dos Querubins alados sobre o Propiciatório (Êx.25:18-20; Hb.9:5).
Os
Querubins, que com suas asas cobriam o “Propiciatório”, eram duas figuras que
representavam os seres angelicais que estão diante do trono com Deus (2Sm.6:2;
Is.37:16). Com as asas estendidas para cima, e o rosto de cada um voltado para
o rosto do outro, representavam reverência e culto a Deus.
“Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás,
nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubim na extremidade de uma
parte e o outro querubim na extremidade da outra parte; de uma só peça com o
propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele.
Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com as
suas asas o propiciatório; as faces deles, uma defronte da outra; as faces dos
querubins estarão voltadas para o propiciatório” (Êx.25:18-20).
Querubins
são anjos poderosos. Uma das funções dos Querubins é servir como guardiões.
Estes anjos guardaram o caminho para a árvore da vida (Gn.3:24), como também
para o Santo dos Santos (Êx.26:31-33).
“Depois, farás um véu de pano azul, e púrpura, e carmesim, e
linho fino torcido; com querubins de obra prima se fará.
“E o porás sobre quatro colunas de madeira de cetim cobertas de
ouro, sobre quatro bases de prata; seus colchetes serão de ouro.
“Pendurarás o véu debaixo dos colchetes e meterás a arca do
Testemunho ali dentro do véu; e este véu vos fará separação entre o santuário e
o lugar santíssimo”.
As
criaturas que carregavam o trono de Deus em Ezequiel, capítulo 1, podem ter
sido Querubins.
Com
suas asas abertas sobre a cobertura da Arca, também chamada de Propiciatório,
estas duas estátuas de ouro supostamente suportaram a presença invisível de
Deus. A glória da presença de Deus pairava sobre a Arca do Concerto (ver
Ex.40:34-36; Lv.16:2).
“Disse, pois, o SENHOR a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não
entre no santuário em todo o tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório
que está sobre a arca, para que não morra; porque eu apareço na nuvem sobre o
propiciatório” (Lv.16:2).
III.
OS ELEMENTOS SAGRADOS DENTRO DA ARCA
Dentro
da Arca havia três objetos emblemáticos: as duas Tábuas da Lei,
um Vaso de ouro com Maná, e mais tarde se incluiu
a Vara de Arão. Estavam ali como testemunho às futuras gerações.
Lembravam a Israel o concerto e o amor de Deus.
1. As Tábuas da Lei (Êx.25:16)
"Na Arca porás o documento da aliança que te darei".
As
Tábuas da Lei (o Decálogo) representavam a vontade de Deus para com o povo de
Israel; simbolizavam também a santidade de Deus e a pecaminosidade do homem.
Também
lembrava aos hebreus que não se pode adorar a Deus em verdade sem se dispor a
cumprir Sua vontade revelada.
Essas
Tábuas deveriam acompanhar os filhos de Deus pelos séculos dos séculos. Diz o
profeta Amós:
“Eis que vêm dias, diz o Senhor JEOVÁ, em que enviarei fome
sobre a terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do
SENHOR” (Amós 8:11).
2.
Vaso de ouro com Maná (Êx.16:32-34).
Moisés,
sob ordens divinas, ordenou que fosse colocado diante do Senhor um vaso de ouro
contendo um gômer (3,7 litros) cheio de maná.
Este
recipiente seria guardado para as gerações futuras. Trazia à memória do povo a
provisão de Deus em tempo de angústia.
“E disse Moisés: Esta é a palavra que o SENHOR tem mandado:
Encherás um gômer dele e o guardarás para as vossas gerações, para que vejam o
pão que vos tenho dado a comer neste deserto, quando eu vos tirei da terra do
Egito. Como o SENHOR tinha ordenado a Moisés, assim Arão o pôs diante do
Testemunho em guarda” (Êx.16:32,34).
O
fornecimento do maná era diário. A
lição de Deus para Israel, como também para o povo de Deus da Nova Aliança, é
que os crentes têm de depender de Deus dia após dia. O Maná tipifica Jesus, o
Pão da vida que desceu do Céu.
"Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele
que os vossos pais comeram, e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá
eternamente" (João
6.58).
"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao
vencedor dar-lhe-ei do maná escondido..." (Ap.2:17).
Jesus
deu ênfase ao pão da vida simbolizado no Maná do deserto:
“Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo que
Moisés não vos deu o pão do céu, mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu” (João 6:32).
Provavelmente,
este objeto sagrado pode ter sido perdido quando os filisteus capturaram a Arca
e a conservaram consigo durante algum tempo (veja 1Sm.4-6).
3.
A Vara de Arão que florescera (Nm.17:10)
A
Vara nos fala da autoridade conferida a alguém. A Bíblia diz que Deus fez com
que a Vara de Arão miraculosamente florescesse para confirmar diante do povo a
chamada de Arão e de seus descendentes para cuidar do sacerdócio (cf.
Nm.17:7-11; Hb.9:4).
Isso
serviria de uma memória ao povo de Israel quanto à escolha de Deus ao
ministério sacerdotal.
“Então, o SENHOR disse a Moisés: Torna a pôr a vara de Arão
perante o Testemunho, para que se guarde por sinal para os filhos rebeldes;
assim, farás acabar as suas murmurações contra mim, e não morrerão”.
Esse
milagre mostra, com clareza, que o Altíssimo é quem designa seus ministros para
uma grande obra. Ele é o dono de tudo e age segundo o seu maravilhoso propósito
(1Co.1:26,27).
“Porque vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os
sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são
chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as
sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir os fortes”.
Nossa
autoridade quando colocada diante de Deus brota, aparece para que todos vejam e
saibam que nosso ministério foi realmente dado a nós por Deus.
Outrossim,
a Vara de Arão simbolizava a ressurreição e a vida. Depois de morta, a “Vara”
veio a florescer (Nm.17:8). Disse Jesus: “Eu sou
a ressurreição e a vida” (João
11:25).
Assim
como o vaso com maná, provavelmente este objeto sagrado foi perdido durante o
controle da Arca pelos filisteus (veja 1Sm.4-6).
CONCLUSÃO
Concluímos
a nossa caminhada no Lugar Santíssimo. Percebemos que neste Lugar não havia
Castiçal para iluminar o aposento, nem havia tampouco janela ou qualquer outro
meio de transmitir luz. Ainda assim, esse Lugar não era escuro e triste. Ali
estava a mais gloriosa presença de Deus. Ele habitava entre os querubins e,
como Deus é luz, esse Lugar teria de ser sem sombras ou escuridão. A respeito
desse Lugar, disse Deus a Moisés: "E
ali virei a ti e falarei contigo de cima do propiciatório..." (Êx.25:22).
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