quinta-feira, 16 de abril de 2026

JESUS E A CRUZ

 


JESUS E A CRUZ

TEXTO BIBLICO: “Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” (Is.53:4,5).

A história de Jesus e a cruz é um dos temas mais profundos da humanidade, carregando significados que atravessam a religião, a filosofia e a história da arte.

Aqui estão os pontos centrais para entender essa relação:

1. O Contexto Histórico: A Crueldade Romana

A crucificação era um método de execução utilizado pelo Império Romano para punir criminosos de baixo status, escravos e rebeldes políticos. O objetivo não era apenas matar, mas humilhar publicamente e servir de exemplo. Para os romanos, a cruz era um símbolo de derrota e vergonha extrema.

2. O Significado Teológico: Sacrifício e Redenção

Para o cristianismo, o que era um símbolo de morte tornou-se um símbolo de vida e esperança.

  • O Sacrifício: Jesus é visto como o "Cordeiro de Deus" que se oferece voluntariamente para assumir os erros (pecados) da humanidade.
  • A Ponte: A cruz é interpretada como uma ponte vertical (entre Deus e os homens) e horizontal (entre as pessoas), restaurando uma conexão que estava quebrada.
  • A Vitória sobre a Morte: A narrativa não termina na cruz; a ressurreição três dias depois transforma o instrumento de tortura em um emblema de vitória definitiva.

3. O Simbolismo Espiritual: O Caminho do Autoconhecimento

Muitas tradições veem a frase de Jesus — "Tome a sua cruz e siga-me" — como um convite metafórico.

  • Aceitação: Representa a aceitação das dificuldades e responsabilidades da vida.
  • Renúncia: Indica o processo de "morrer" para o ego e para desejos egoístas em favor de um propósito maior e do amor ao próximo.

4. A Cruz na Arte e Cultura

A imagem de Jesus na cruz (o crucifixo) é uma das representações mais icônicas do mundo.

  • Idade Média: Focava muito na dor e no sofrimento físico de Jesus (o Christus Patiens).
  • Renascimento: Passou a focar na perfeição do corpo humano e na serenidade divina, mesmo no momento da morte.

"A cruz é o paradoxo máximo: o lugar onde o pior da maldade humana encontrou o melhor do amor divino."

É interessante notar como um objeto de tortura se transformou no símbolo de fé mais reconhecido do planeta, representando hoje proteção, sacrifício e, acima de tudo, a ideia de que o sofrimento pode ter um propósito redentor.

A Cruz foi o gesto mais profundo do sacrifício de Cristo. Jesus Cristo deixou a glória, o trono, esvaziou-se, tornou-se homem, servo, foi perseguido, preso, açoitado, cuspido, pregado na cruz. Sendo Deus, se fez homem; sendo o Senhor, se fez servo; sendo Santo, se fez pecado; sendo Bendito, se fez maldição; sendo o Autor da vida, deu a Sua vida. Cristo veio para morrer; Ele foi morto desde a fundação do mundo; Ele nasceu para ser o nosso substituto, representante e fiador.

A Cruz, portanto, não foi um acidente na vida de Cristo, mas um apontamento de Deus desde a eternidade. Cristo não foi para a cruz pela trama dos judeus, pela traição de Judas, pela maldade de Anás e Caifás, pela covardia de Pilatos, pela gritaria insana dos judeus, pela crueldade dos soldados, não! Ele foi à cruz por um plano eterno do Pai; Ele sabia que estava indo para a cruz; Ele jamais recuou da cruz.

Quem levou Jesus à Cruz?  Isaias 53 responde prontamente esta pergunta.

-  Os nossos pecados levaram Jesus à cruz. O que matou Jesus não foram os açoites, nem os soldados, nem o suplício da cruz, fomos nós, os nossos pecados. Ele morreu pelos nossos pecados. Ele foi moído pelos nossos pecados. Na cruz Ele sorveu o cálice da ira de Deus sobre o pecado. Na cruz Ele foi feito pecado por nós. A espada da lei caiu sobre Ele, pois era o nosso substituto.

“Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” (Is.53:4,5).

- O Pai levou seu Filho à Cruz. Jesus não foi à cruz porque a multidão sanguissedenta gritou: “crucifica-o, crucifica-o”. Ele não foi à cruz porque os sacerdotes o entregaram, por inveja; Ele não foi à cruz porque Judas o traiu, por ganância; Ele não foi à cruz porque Pilatos o sentenciou por covardia e os soldados o pregaram na cruz por crueldade; Ele foi à cruz porque o Pai o entregou por amor.

 “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Is.53:6). “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Is.53:10)

- Jesus voluntariamente foi à Cruz. Jesus marchou à Cruz como um rei caminha para a coroação. Segundo o texto de Isaias, Jesus voluntariamente se entregou por nós à Cruz - “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si” (Is.53:4); “Quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado” (Is.53:10); “O seu servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is.53:11).

O Filho de Deus já havia se disposto a sacrificar-se pelo homem antes mesmo de toda Criação (Ap.13:8). E não foi uma decisão obrigada, mas voluntária, e havia assumido todas as consequências dessa decisão, inclusive a sua morte na cruz. Deus não teria criado o mundo, bem como o homem, se não tivesse incluído dentro do plano da criação, um plano de salvação. É nesse sentido que as Escrituras afirmam a existência de um plano salvador antes da fundação do mundo (Ef.1:4-11; 3:10; At.4:28; 2Tm.1:9; 1Pd.1:19). E este plano salvador se constituía em um mistério que seria revelado em tempo oportuno, e desde a eternidade estava oculto em Deus (Rm.16:25; Ef.3:9; Cl.1:26). Sempre foi do plano de Deus que o homem estivesse eternamente em comunhão com Ele. Dessa forma podemos dizer que a obra da Salvação já havia sido planejada de antemão e foi anunciada aos homens por meio da promessa da vinda do Messias Salvador, descrito nas Escrituras. Como prometido e planejado, Ele veio como o Unigênito do Pai.

- Jesus se entregou voluntariamente à Cruz e morreu sobre ela, mas venceu a morte. Ele tirou o aguilhão da morte, Ele matou a morte. A morte agora não tem a última palavra. Tragada foi a morte pela vitória.

- Jesus se entregou voluntariamente à Cruz, foi morto, mas ressuscitou. Ele está vivo. Ele venceu a morte. Ele rompeu os grilhões da morte. Ele conquistou para nós imortalidade. Portanto, a Cruz não é um sinal de derrota, e sim o maior sinal de vitória. Aleluia!

A Obra da Salvação, portanto, somente se consumou porque o Filho deu a Sua vida pela humanidade (João 10:15-18). A Salvação foi consumada na cruz do Calvário, quando Jesus morreu por nós (João 19:30; Cl.1:20; Ef.2:13,16). O homem não poderia, por si só, alcançar meios para restaurar a sua comunhão original com o seu Criador. Deus, pelo seu grande amor, providenciou um plano para trazer o homem de volta ao convívio com Ele. Este plano de Deus para a Salvação do homem, revelado à humanidade no momento mesmo da aplicação da penalidade pela prática do pecado, foi sendo executado desde então.

- O primeiro ato de Deus após a entrada do pecado no mundo foi imolar um animal, derramar seu sangue e com a pele providenciar vestes para o primeiro casal (Gn.3:21). Sangue fala do meio para a Redenção e vestes falam dos resultados, isto é, o usufruto da salvação (cf. Is.61:10; Jó 29:14; Ap.19:8; 3:18).

- O segundo ato deste plano foi a proibição de o homem ter acesso à árvore da vida por causa do pecado (Gn.3:22), acompanhado da expulsão do Éden (Gn.3:23). Como o salário do pecado é a morte (Rm.6:23), assim que o homem desobedeceu a Deus, morreu espiritualmente, ou seja, ficou sem comunhão com o Senhor, exatamente como Deus lhe havia falado (Gn.2:16,17). Estava, pois, arriscado a ficar eternamente separado de Deus, mas o Senhor, na sua infinita misericórdia, não o permitiu, impedindo que esta situação de morte adentrasse, de imediato, para o âmbito da eternidade (como ocorrera com os anjos rebeldes), impedindo o acesso do homem à árvore da vida e o expulsando do jardim do Éden.

Com estas medidas, Deus impediu que o homem, a exemplo dos anjos pecadores, vivesse numa dimensão eterna, condenado à inevitável e sempiterna separação de Deus, possibilitando ao homem que, mediante o arrependimento enquanto estivesse na dimensão terrena, pudesse desfrutar de uma eternidade com o Senhor. A partir de então, o Senhor iniciou a execução de seu plano que alcançou o seu ápice quando da própria encarnação do Deus Filho, momento que as Escrituras denominam de “a plenitude dos tempos” (Gl.4:4), instante em que Deus cumpre a sua promessa de providenciar, da semente da mulher, o único e suficiente Salvador, Jesus, o seu próprio Filho (Mt.1:21; Lc.2:11; Jo.3:16,17; At.4:12). Eis a razão pela qual a Bíblia, mais de uma vez, diz que Deus é o Deus da nossa salvação (1Cr.16:35; Sl.24:5; 51:14), bem como que a Salvação provém dele (Sl.3:8; 37:39; 62:1). Mas, precisamente porque a Salvação tem origem em Deus, podemos buscá-la e ter a certeza de que seus efeitos são permanentes e duradouros, pois, como qualquer outra obra do Senhor, a Salvação apresenta algumas características que demonstram a sua sublimidade e grandeza.

- A Salvação, por ter origem em Deus, é boa. Tudo quanto Deus fez é muito bom (Gn.1:31), e a Salvação não é exceção. A Salvação é boa porque demonstra a bondade e misericórdia de Deus para com o homem. Porque a salvação é boa, quando a conquistamos, somos separados do mal e passamos a fazer o bem (Mt.5:16; Rm.12:9-21; Gl.5:22; Ef.4:20-32).

- A Salvação, por ter origem em Deus, é eterna (Is.45:17; Hb.5:9). Deus é eterno e tudo quanto faz é, também, eterno e a Salvação não é exceção. A Salvação permite ao homem que, tendo seus pecados perdoados, passe a desfrutar de uma nova comunhão com Deus, uma comunhão que é eterna, e, por isso mesmo, é chamada pela Bíblia de “vida eterna” (João 3:16; 1João 2:25).

- A Salvação, por ter origem em Deus, é perfeita (Tg.1:17). A Salvação veio do alto, foi-nos dada por Deus e, por isso, é perfeita. A Salvação é tão perfeita que Jesus tirou o pecado do mundo (João 1:29), resolvendo, com o Seu sacrifício na Cruz, a questão que atormentava a humanidade desde a queda no jardim do Éden, de uma só vez, removendo os pecados e permitindo restabelecer a comunhão com Deus (Ef.2:13-16; Hb.9:26-28).

- A Salvação, por ter origem em Deus, é única (At.4:12). A Salvação é obra do único Deus, do Deus imutável, e, portanto, só pode haver uma forma de Salvação, um meio de Salvação, que é através de Jesus Cristo. Não existe outro modo de alcançarmos a Salvação a não ser pela fé em Cristo, pela aceitação do Seu único sacrifício.

- A Salvação, por ter origem em Deus, é um ato de amor (João 3:16). A Salvação é a maior demonstração do amor de Deus ao homem. Através da salvação, Deus revela o seu grande amor para com o homem, este amor incondicional e incompreensível, que se encontra muito além do nosso entendimento. Deus nos ama tanto que Se fez homem para pagar o preço dos nossos pecados e nos salvar, para que vivamos com Ele eternamente.

- A Salvação, por ter origem em Deus, é uma manifestação da graça de Deus (Tt.2:11). Deus, por intermédio da Salvação, mostra que oferece ao homem um “favor imerecido”, a “graça”. A Salvação não vem ao homem porque o homem a mereça (e reside aqui uma das grandes dificuldades dos homens em compreenderem a Salvação, pois sempre associam a Salvação a algum mérito, o que, evidentemente, está completamente fora dos padrões bíblicos e da revelação divina sobre o assunto), mas porque Deus quis favorecer o homem, por ser um Deus de graça, manifestada em Jesus Cristo (1Co.1:4).

- A Salvação, por ter origem em Deus, é um ato de justiça (Sl.65:5; 78:21,22; 98:2). Deus é justo (Ex.9:27) e, por isso, a Salvação é, também, a manifestação da Sua justiça. Por isso, a Salvação se fez mediante a morte de Cristo na cruz do Calvário, para pagar o preço da justiça divina, pois não há perdão sem derramamento de sangue (Hb.9:22) e o salário do pecado é a morte, de forma que se fazia necessário um sacrifício para o perdão de todos os pecados. Também, como a Salvação é um ato de justiça, não há como escapar da ira divina se não se atentar para esta tão grande Salvação (Hb.2:1-4). Só os que alcançarem a Salvação estarão livres da ira de Deus (Sl.85:4).

Há uma tendência atual de afirmar que, no final das contas, Deus, em sua graça, salvará a todos os perdidos, mesmo aqueles que jamais responderam (e mesmo rejeitaram) o sacrifício de Cristo. Essa perspectiva teológica, bastante cultivada atualmente, denomina-se de “universalismo”. Esse ensinamento é totalmente falso. O arrependimento sempre foi e continuará sendo uma prerrogativa àqueles que querem ser salvos. Veja os seguintes trechos bíblicos que comprovam tal fato:

Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc.16.16);

“Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (At.16.31);

“Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados” (At.2:38);

"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor” (At.3:19).

Uma outra abordagem teológica, muito citada nos arraiais teológicos, em relação à Salvação, é a de que Deus teria elegido apenas alguns poucos. Muitos homens de Deus têm se deixado levar por este ensino, que consideramos errado, à luz da Bíblia Sagrada. Baseados em versículos bíblicos isolados, alguns seguidores da predestinação, transformam a decisão humana, diante do chamado divino à Salvação, em mera ilusão. A revelação bíblica, no seu contexto geral, conclama o ser humano, constantemente, a responder ao chamado divino, deixando claro que o Senhor deseja que todos se arrependam. Veja alguns trechos bíblicos sobre isso:

Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (João 1:12,13).

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se” (2Pd.3:9).

A Salvação é pela graça, pois é um favor imerecido (Ef.2:8), mas exige de cada um a aceitação de Jesus como Senhor e Salvador, o que requer uma atenção constante, sem o que não haverá como escaparmos da condenação (Hb.2:3) “como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram”.

O Senhor escolheu salvar o homem, mesmo sabendo que ele haveria de pecar, e previamente determinou que todos aqueles que crerem em Cristo serão salvos e os que não o crerem serão condenados. A Salvação é para todos os homens (Is.55:1; Tt.2:11), sem qualquer distinção, tanto que o primeiro casal foi expulso do Éden e impedido de tomar da árvore da vida para que toda a humanidade tivesse a mesma oportunidade de Salvação, até porque Deus é imparcial e não faz acepção de pessoas (cf. Dt.10:17; At.10:34), mas, já antes mesmo da fundação do mundo, o Senhor estipulou condições para que tal Salvação se desse, mas nem por isso deixou de querer que todos os homens se salvem (1Tm.2:4).

A Salvação é condicional e, portanto, não tendo havido cumprimento da condição, haverá, sim, a condenação eterna. Quem somos nós, vasos de barro, verdadeiros cacos, para querer discutir ou dizer o que deve fazer o oleiro, ainda mais quando ele já nos disse o que fará? Portanto, amados irmãos, glorificando a Deus por nos ter dado esta oportunidade imerecida de salvação, cumpramos a nossa parte, aceitando a Cristo como Senhor e Salvador, renunciando a nós mesmos, tomando a nossa cruz e seguindo ao Senhor Jesus (Mt.16:24), para que alcancemos a glorificação, tornando, assim, realidade em nossas vidas, esta maravilhosa promessa.

Quando do Arrebatamento da Igreja, aqueles que dormiram no Senhor, ou seja, mantiveram-se em santidade até o instante de sua morte física, ressuscitarão primeiro e receberão um corpo glorioso. Os que estiverem vivos naquela oportunidade serão transformados e, assim, todos atingirão o estágio final da Salvação: a glorificação (1Co.15:51-57). Por isso as Escrituras nos dizem que Cristo é as primícias dos salvos (1Co.15:20), pois foi o primeiro a ressuscitar e a receber a glorificação que nós também receberemos naquele grande Dia (1Co.15:23). Entretanto, para alcançarmos a glorificação é mister que nos mantenhamos em santidade, que permaneçamos separados do pecado, que nos santifiquemos cada momento. O próprio apóstolo João, ao falar do que nos aguarda, foi incisivo ao dizer que quem tem esta esperança deve purificar-se a si mesmo (1João 3:3).


SIGNIFICADOS FIGURADOS DA CRUZ

1. Tomar a própria cruz.

CRISTO diz: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz [Lucas acrescenta, cada dia] e siga-me” (Mt 16.24; Mc 8.34; Lc 9.23). Eis aqui uma analogia clara de se carregar o patíbulo, citado acima. O Senhor JESUS CRISTO conclama os crentes a estar prontos para sacrificar os seus interesses egoístas e suportar diariamente reprovações, mal-entendidos e vergonha ao trabalhar para Ele, como Ele fez em sua vida e morte (Mt 10.38; 16.24-26; Mc 8.34-38; Lc 9.23-26).

2. A pregação da expiação substitutiva.

Este é o significado ligado à cruz em muitas passagens nas epístolas de Paulo (1 Co 1.18; Gl 6.14; Fp 3.18; Cl 1.20). Ela expressa todo o conceito da obra de CRISTO, de ter tomado sobre si mesmo todos os nossos pecados, doenças, enfermidades e maldiçoes, como nosso representante (Is 53.4; 2 Co 5.21; Gl 3.13; 1 Pe 2.24). Através da cruz, CRISTO reconciliou o pecador com DEUS, e fez a paz entre DEUS e o pecador (Cl 1.20), de maneira que DEUS agora está propício ou bem-disposto em relação ao pecador, e Paulo poderia, portanto, escrever. “Rogamos-vos, pois, da parte de CRISTO que vos reconcilieis com DEUS” (2 Co 5.20; cf Rm 5.10).

3. Um símbolo da união do crente com CRISTO, e o compartilhamento de uma nova vida Divina.

Na morte de CRISTO, o crente morreu, nele, para o pecado e para o sistema do mundo (Rm 6.4ss.; Gl 6.14), e agora deve viver como Paulo, que escreve: “Já estou crucificado com CRISTO; e vivo, não mais eu, mas CRISTO vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de DEUS, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20). Bibliografia. Johannes Schneider, 'Staurns etc” TDNT, VII, 572-584. R. A. K. e J.R.  - Dicionário Bíblico Wycliffe

PAIXÃO DE CRISTO - Sofrimento até a morte.

A expressão “paixão de CRISTO” tem a sua origem na tradução do infinitivo aorista do verbo pascho em Atos 1.3, onde Lucas diz que CRISTO “depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas”. O verbo aqui colocado no particípio significa “sofrer”, e é frequentemente usado para se referir aos sofrimentos e à morte de CRISTO (Mt 26.21; 17.12), e especificamente à morte de CRISTO em Lucas 22.15; 24.26. A expressão não deve ser confundida com as “paixões dos homens”, que se referem às emoções humanas (Act 14.15; Tg 5.17). O seu uso em relação a CRISTO personifica a ideia dos seus sofrimentos e da morte na cruz.


O cumprimento das profecias

A morte sacrificial de CRISTO foi antecipada no sistema de sacrifícios do Antigo Testamento, e também foi o assunto frequente das profecias do Antigo Testamento (Sl 22.69; Is 53; Zc 12.10; 13.7; cf. Ap 1.7). CRISTO predisse constantemente os seus próprios sofrimentos e a sua morte, ao longo do ministério da sua vida e especialmente à medida que se aproximava do seu final (Mt 16.21; 17.22,23; 20.17-19; 26.12,28,31; Mc 9.31; 14.8,24,27; Lc 9.22,44,45; 18.31-34; 22.20; Jo 2.19-21; 10.17,18; 12.7). Também houve uma antecipação no anúncio de João Batista (Jo 1.29), quando CRISTO foi apresentado como “o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo”, e especialmente no Evangelho de João em diversas passagens clássicas (3.14-16; 6.51; 10.11; 11.49-52; 12.24; 15.13).


A crucificação - uma morte atormentadora prescrita pela lei romana para aqueles que não eram cidadãos romanos - juntamente com o sepultamento de CRISTO, estão descritos nos quatro Evangelhos (Mt 27.31-56; Mc 15.20-41; Lc 23.26-49; Jo 19.16-37). A ordem dos acontecimentos nos Evangelhos inclui a tentativa de JESUS de carregar a cruz até o lugar da crucificação. Por Ele não ter conseguido fazer isso, Simão, de Cirene (uma cidade no norte da África), foi obrigado a carregar a cruz (Mt 27.32; Mc 15.21; Lc 23.26). Somente João não menciona Simão. O lugar da crucificação, descrito como Gólgota, é interpretado como “o lugar da Caveira” (Mt 27.33; Mc 15.22; Jo 19.17). Somente Lucas o chama de Calvário (Lc 23.33), o que dá no mesmo, já que este nome significa lugar da caveira e Gólgota significa caveira.


A ordem dos acontecimentos que se seguiram ao ato da crucificação é a seguinte:

(1) CRISTO recusando o vinagre com fel (Mt 27.34; Mc 15.23);

(2) a crucificação de CRISTO juntamente com dois ladrões (Mt 27.35-38; Mc 15.24-28; Lc 23.33-38; Jo 19.18-24);

(3) a sua primeira frase na cruzPai, perdoa-lhes” (Lc 23.34);

(4) os soldados lançando sortes sobre as suas vestes, como cumprimento da profecia (Sl 22.18; Mt 27,35; Mc 15.24; Lc 23.34; Jo 19.23,24);

(5) a zombaria dos judeus (Mt 27.39-44; Mc 15.29-32; Lc 23.35-37);

(6) a zombaria dos dois ladrões, embora mais tarde um deles viesse a crer (Mt 27.44; Mc 15.32; Lc 23.39-43);

(7) a segunda frase de CRISTOhoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.43);

(8) a terceira frase de CRISTOMulher, eis aí o teu filho” (Jo 19.26,27);

(9) as três horas de escuridão (Mt 27.45; Mc 15.33; Lc 23.44);

(10) a quarta frase de CRISTODEUS meu, DEUS meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46,47; Mc 15.34,35);

(11) a quinta frase de CRISTOTenho sede” (Jo 19.28);

(12) a sexta frase de CRISTOEstá consumado” (Jo 19.30);

(13) a sétima e última frase de CRISTOPai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46);

(14) CRISTO entregando o seu espírito (Mt 27.50; Mc 15.37; Lc 23.46; Jo 19.30);


Imediatamente após a sua morte, o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo, e os sepulcros se abriram (lembrando que não havia mais arca da Aliança e nem tábuas da lei e nem vaso contendo o Maná e nem a Vara de Arão no santo dos santos). Mais tarde, os soldados quebraram as pernas dos dois ladrões, mas como encontraram CRISTO morto, eles lhe perfuraram a lateral do corpo, como cumprimento das Escrituras, atingindo-lhe o coração do qual saiu sangue e água como testemunho de sua morte como homem já que nasceu com água da bolsa amniótica e sangue da placenta (Jo 19.31-37; cf. Zc 12.10; Ap 1.7) - Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade. 1 João 5:6 - Contudo, um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. João 19:34

O corpo de CRISTO foi solicitado por José de Arimatéia, que, juntamente com Nicodemos, preparou-o para o sepultamento e colocou-o num sepulcro novo, em um horto. Ao sepultamento de CRISTO seguiu-se a sua ressurreição no primeiro dia da semana. A Importância Teológica da Morte de CRISTO, o significado central da morte de CRISTO, está contido em três palavras importantes - redenção, propiciação e reconciliação. De acordo com Romanos 3.24, os que creem em CRISTO são “justificados gratuitamente por sua graça, pela redenção que há em CRISTO JESUS”. A ideia da redenção é a do resgate por meio do pagamento de um preço. A imagem envolve tanto a redenção pelo pagamento, como a libertação do objeto da redenção. CRISTO, em sua morte, também constituiu uma propiciação ou uma satisfação da justiça de DEUS (Is 53.11), como explicado pelo apóstolo Paulo em Romanos 3.25,26. Da mesma forma, em seu sacrifício, “DEUS estava em CRISTO reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados” (2 Co 5.19). Por meio da morte de CRISTO, o pecador desfruta uma transformação, tanto em sua situação como em sua natureza, recebe a vida eterna e consequentemente se reconcilia com DEUS e com os seus santos padrões.


As Diferentes Teorias Sobre a Expiação

Na história da igreja, foram apresentadas várias teorias sobre a expiação. A ortodoxia histórica apoiou o conceito de uma expiação substitutiva, também descrita como vicária ou penal. Isto se refere à morte de CRISTO, como basicamente dirigida a DEUS e à satisfação do seu caráter santo, e das suas justas exigências em relação aos pecadores (cf. Jo 1.29; 2 Co 5.21; Gl 3.13; Hb 9.20; 1 Pe 2.24). A expiação substitutiva é indicada por meio do uso das preposições peri, hyper e anti, usadas em relação ao sacrifício de CRISTO em benefício do pecador.


A teoria da confissão vicária baseia-se na ideia de que DEUS poderia perdoar, se o homem pudesse arrepender-se adequadamente, e confessasse os seus pecados. Como ele não poderia fazê-lo, CRISTO o fez em seu lugar.

As Escrituras apoiam o conceito substitutivo de que CRISTO realmente morreu no lugar no pecador, e que isso trouxe uma base de justiça para que DEUS perdoasse e salvasse os pecadores arrependidos (Is 53.11; Rm 3.25,26; 1 Pe 2.24). A morte de CRISTO é, portanto, essencial, não somente para a fé e para a salvação humana, mas para o programa divino de redenção, e constitui um fundamento da doutrina cristã. - Dicionário Bíblico Wycliffe

A Crucificação

Não é de admirar que os sacerdotes e rabinos hajam se reunido no palácio de Caifás, para planejar furtivamente a prisão e morte de JESUS, antes que o povo se amotinasse. Foi nessa ocasião que Judas fez um trato com eles para entregar-lhes o Senhor por trinta moedas de prata.
No Getsêmani, o Messias orava ajoelhado, enquanto os discípulos dormiam. Os inimigos chegaram em meio à oração. Guiados por Judas, entraram no horto com espadas e porretes. O traidor sabia que JESUS ia sempre orar no Getsêmani. A multidão estava decidida a levá-lo à força ao sumo sacerdote.

O Sinédrio foi convocado no palácio do sumo sacerdote. Não queriam deixar a reunião para o dia seguinte, temendo que o povo viesse a sabê-lo e exigisse a soltura de JESUS. Agora que as autoridades o tinham em seu poder, cuidariam para que nada os detivesse. O tribunal reuniu-se então à noite, e a sentença foi lida: "Morte ao Nazareno!"

Porém, segundo a lei romana, nenhum tribunal judaico tinha competência jurídica para aplicar a pena de morte. Por conseguinte, era necessário levar JESUS a Pilatos. No entanto, ao saber que JESUS era galileu, o governador romano, para livrar-se daquela responsabilidade, enviou-o a Herodes, representante de César em toda a Galileia. O rei Herodes, porém, mandou-o de volta a Pilatos que, procurando agradar os judeus, entregou-lhes o Senhor para que fosse crucificado. A execução se deu num monte chamado Calvário (ou Caveira), não muito longe dos muros da cidade.

Com a morte de JESUS, os sacerdotes e rabinos suspiraram aliviados. O problema estava finalmente resolvido. O povo não mais seria perturbado pelo falso CRISTO. Isso seria o fim do pequeno grupo que o seguia. Por sentirem-se desanimados e derrotados, seus discípulos retornaram à vida antiga mais mistificados que nunca; o coração pesava-lhes de tristeza pela forma como tudo terminara.


A RESSURREIÇÃO E A ASCENSÃO

No primeiro dia da semana, findo o sábado, o pequeno e abatido grupo ganhou vida com o maior milagre já ocorrido: JESUS saíra da sepultura e aparecera aos discípulos! Eles experimentaram então o sabor da vitória. Esta certeza jamais os abandonaria; levá-los-ia a preferir a morte a negar o que tinham visto com os próprios olhos.
Durante quarenta dias, o Salvador encontrou-se com os discípulos, provando-lhes a realidade de sua ressurreição, e fortalecendo-lhes a fé. Mas veio o dia em que Ele os deixou, pois tinha de retomar o seu lugar na glória do Pai. Diante deles, JESUS subiu aos céus até ser ocultado por uma nuvem.

Antes de deixá-los, porém, prometera-lhes que, em breve, receberiam o dom do ESPÍRITO SANTO que os habilitaria a pregar o Evangelho a partir de Jerusalém até alcançar os confins da terra.

 

 

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