JESUS – A PROFECIA DO ANTIGO TESTAMENTO SE
CUMPRIU
TEXTO
BÍBLICO: Lucas 2- 24,44
"E disse-lhes: São estas as palavras que vos
disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim
estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos"(Lc
24:44).
“E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes
o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lc 24:27).
Este
é um dos temas mais fascinantes da teologia bíblica. A conexão entre o Antigo e
o Novo Testamento não é apenas literária, mas profética. O que foi prometido
sob a forma de sombras e tipos no Antigo Testamento, manifestou-se plenamente
na pessoa de Jesus Cristo.
Abaixo,
apresento um estudo organizado por categorias sobre como Jesus cumpriu as
profecias messiânicas.
1.
Profecias sobre a Origem e o Nascimento
O
Antigo Testamento detalhou a linhagem e o local exato onde o Messias deveria
aparecer, séculos antes de Jesus nascer.
|
Evento |
Profecia
(Antigo Testamento) |
Cumprimento
(Novo Testamento) |
|
A Semente da Mulher |
Gênesis
3:15 |
Gálatas
4:4 |
|
Descendente de Abraão |
Gênesis
22:18 |
Mateus
1:1 |
|
Tribo de Judá |
Gênesis
49:10 |
Lucas
3:33 |
|
Isaías
7:14 |
Mateus
1:22-23 |
|
|
Nascido em Belém |
Miqueias
5:2 |
Mateus
2:1 |
2.
O Ministério e a Natureza de Jesus
As
profecias não falavam apenas de onde Ele viria, mas de quem Ele
seria e o que faria.
O
Messias como Deus e Homem
Isaías
profetizou que o Messias seria chamado de "Deus Forte" e "Pai da
Eternidade" (Isaías 9:6). Jesus confirmou essa natureza divina ao
declarar: "Eu e o Pai somos um" (João 10:30).
Um
Ministério de Cura e Milagres
Isaías
35:5-6 descreveu que os olhos dos cegos seriam abertos e os ouvidos dos surdos
se abririam. Em Mateus 11:4-5, Jesus cita essa mesma passagem para confirmar a
João Batista que Ele era, de fato, aquele que deveria vir.
3.
A Paixão e o Sacrifício Vicário
A
precisão das profecias sobre a morte de Jesus é o que mais impressiona
estudiosos, especialmente considerando que muitos detalhes (como a
crucificação) nem eram métodos de execução comuns na época em que foram
escritos.
- A
Entrada Triunfal:
Zacarias 9:9 predisse o Rei montado em um jumentinho. (Mateus 21:5).
- Traído
por um Amigo: O Salmo
41:9 fala sobre o amigo próximo que levantou o calcanhar contra Ele. (João
13:18).
- O
Preço da Traição:
Zacarias 11:12 especificou as 30 moedas de prata. (Mateus 26:15).
- Sofrimento
Silencioso: Isaías
53:7 diz que Ele não abriu a boca diante dos seus opressores. (Mateus
27:12-14).
- Roupas
Sorteadas: O Salmo
22:18 descreve soldados lançando sortes sobre suas vestes. (João
19:23-24).
O
Servo Sofredor de Isaías 53:
Este capítulo, escrito cerca de 700 anos antes de Cristo, é considerado a
"biografia antecipada" de Jesus. Ele descreve que "pelas suas
pisaduras fomos sarados" (v. 5), apontando para a substituição: Ele tomou
o nosso lugar.
4.
A Ressurreição e a Vitória Eterna
A
profecia não terminava na morte. O Antigo Testamento já apontava para a vitória
sobre a sepultura.
- A
Ressurreição: No
Salmo 16:10, Davi profetiza: "Pois não
deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja
corrupção". Pedro
utiliza exatamente este texto em seu primeiro sermão no Pentecostes para
provar que a ressurreição de Jesus era o cumprimento desta promessa (Atos
2:27-31).
- Ascensão
ao Trono: O Salmo
110:1 diz: "Disse o Senhor ao meu
Senhor: Assenta-te à minha direita". Jesus aplicou esse verso a si mesmo, confirmando sua
autoridade celestial (Mateus 22:44).
Conclusão:
Por que isso é importante?
Isso
demonstra que a Bíblia possui uma unidade sobrenatural e que Jesus não foi
apenas um bom mestre ou um profeta, mas o plano central de Deus para a redenção
da humanidade, traçado desde o princípio dos tempos.
"O fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que
crê." (Romanos
10:4)
I. FIGURAS PROFÉTICAS
A profecia do Antigo Testamento fala por intermédio de prefigurações, tanto por
imagens quanto por linguagem profética.
1. As prefigurações. Entre todas as profecias do Antigo Testamento,
as que anunciavam a primeira vinda de Jesus estão entre as mais poderosas.
Citaremos dois exemplos ocorridos na vida de Cristo que foram prefigurados em
situações reais no Antigo Testamento:
a)
A Paixão de Cristo. A
paixão de Cristo foi prefigurada na instituição da Páscoa, no Egito (Êx
12.3-13). Nela, o cordeiro, uma vez sacrificado, deveria ser assado, inteiro,
sendo comido, então, à noite, com pães asmos e ervas amargas (Ex.12:8,9),
queimando-se tudo o que restasse naquele mesmo dia (Ex.12:10). Isto nos fala
que o sacrifício de Jesus era completo, não teria de ser repetido, nem restaria
algo a ser realizado depois de sua efetivação. O sacrifício se daria com
sofrimento (ervas amargas) e com sinceridade (os pães asmos), mas traria vida
ao povo de Deus. O fato de o cordeiro ser assado e, depois, retirado do forno
para ser consumido, também indicava a ressurreição de nosso Senhor. Esta festa
é a figura mais proeminente da morte de Jesus, tendo servido de seu prenúncio
desde então até o dia mesmo da prisão do Senhor, que se deu no dia anterior à
mesma (Lc.22:15).
Todo o sistema de sacrifícios instituído pela lei de Moisés apontava para a
necessidade de morte de uma vítima, de um substituto para o perdão dos pecados.
Com efeito, na lei de Moisés fica claro que não haveria como obter o perdão dos
pecados, a “expiação” (palavra que no hebraico
significa “cobertura”), sem que houvesse derramamento de sangue, sem que
houvesse a morte de alguém no lugar do pecador. Todos os sacrifícios figuravam
o sacrifício de Cristo por todos nós, o qual padeceu durante a comemoração da
Páscoa - "Cristo, nossa Páscoa, foi
sacrificado por nós" (1Co 5:7).
b) Os sofrimentos de Davi, descritos no Salmo 22. Este salmo
prefigura as injúrias e flagelos de Jesus. Ele foi recitado pelo Senhor na
cruz, como prova cabal de que ali se tinha o seu cumprimento. É o clamor de
desamparo do servo de Deus; “Deus Meu, Deus Meu,
por que Me desamparaste? Por que Te alongas das palavras do Meu bramido e não
me auxilias?”. Foram estas as palavras que o Senhor recitava na cruz, em
hebraico, quando o povo entendeu que estivesse a clamar por Elias, já que o
povo falava o aramaico (Mt.27:46,47; Mc.15:34,35). Neste salmo, há uma
descrição nítida da crucifixão de Jesus; a descrição dos sofrimentos mostra-nos
claramente a forma da morte, ou seja, a morte por crucifixão, pois é falado em
desconjuntar de ossos (Sl.22:14), ainda que nenhum deles tenha sido quebrado
(Sl.22:17); em secura da boca que fez com que a língua se prendesse ao paladar
(Sl.22:15), o traspassar dos pés e das mãos (Sl.22:16). O salmista, também,
fala acerca da repartição dos vestidos entre os seus algozes e o lançamento de
sortes sobre a sua túnica (Sl.22:18). O salmista é bem claro ao afirmar que
este sofredor é posto no pó da morte (Sl.22:15).
2.
A linguagem profética. Alguns
estudiosos informam que a maioria das profecias bíblicas foi escrita numa
linguagem denominada “linguagem profética”.
Essa linguagem seria cheia de simbolismos e figuras com encaixes históricos a
serem revelados, onde a própria Bíblia desvendaria tais símbolos e figuras.
Apesar dos profetas viverem, a maioria, em épocas diferentes, a linguagem
profética empregada é perfeitamente harmônica, o que vem a enfatizar a
inspiração por um único Espírito – o Espírito Santo de Deus.
Em Mateus 2:19-23 é descrito que José, Maria e Jesus se estabelecem em
Nazaré. E no versículo 23 é descrito o seguinte: "E chegou e
habitou numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito pelos
profetas: Ele será chamado Nazareno". Quando este
versículo diz que “Ele será chamado Nazareno”, significa que seria
tratado com desprezo. Mateus não menciona o nome de nenhum dos profetas, mas
diz que os profetas haviam predito que Jesus seria chamado Nazareno. Nenhum
versículo do Antigo Testamento diz isso diretamente. Muitos estudiosos sugerem
que Mateus está fazendo referências a Isaias 11:1: “Do tronco de Jessé sairá
um rebento, e das suas raízes, um renovo”. A palavra hebraica traduzido
“tronco” é netzer, mas a comparação parece remota. Uma
explicação mais provável é que “nazareno” é usado para
descrever qualquer pessoa que morou em Nazaré, cidade vista com desprezo pelo
resto do povo. Natanael expressa isso com sua pergunta proverbial: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” (João
1:46). Embora não achemos nenhuma profecia de que Jesus seria chamado nazareno,
podemos achar uma que diz que ele seria “desprezado
e o mais rejeitado entre os homens” (Is 53:3).
O ministério de Jesus seria anunciado por um predecessor. Vimos isto,
exaustivamente, na aula anterior. Este vaticínio está escrito em Malaquias 3:1
e Isaias 40:3, o que se cumpriu literalmente, conforme Mateus 3:1-3 e Lucas
1:17.
Jesus entraria em Jerusalém de forma pública e montado em um jumento. A
declaração profética sobre este acontecimento marcante foi proferida por Zacarias
(Zc 9:9) e cumprido em Mateus 21:1-9
Jesus seria apresentado no Templo. A declaração profética está exarada
em Ageu 2:7-9; e cumprido em Lucas 2:21-32. O filho Primogênito era apresentado
a Deus um mês após o nascimento. A cerimônia incluía o resgate da criança para
Deus por meio de uma oferta, conforme a Lei (Ex 13:2,11-16; Num 18:15,16).
Deste modo, os pais reconheciam que o filho pertencia a Deus, o único com poder
de dar a vida. Quando Jesus foi apresentado no Templo duas personagens O
acolhem: Simeão e Ana. Eles representavam o Israel fiel que esperava
ansiosamente a sua libertação e a restauração do reinado de Deus sobre o seu
povo. De Simeão diz-se que era um homem “justo e piedoso, que esperava a
consolação de Israel”.
Portanto, profecias cumpridas são uma forte evidência de que Deus é o autor da
Bíblia. Somente a Bíblia está repleta de profecias - tanto já realizadas, como
ainda por realizar. Ela nunca errou no passado, e não errará no futuro. Isto
sustenta a sua inspiração por Deus (2Tm 3:16). “Conforme o Dr. Roger Liebi, 330
profecias extremamente exatas e específicas referentes ao Messias sofredor se
cumpriram literalmente por ocasião da primeira vinda de Cristo” ((Norbert Lieth
- http://www.chamada.com.br).
II. INSTITUIÇÕES PROFÉTICAS
Neste tópico, analisaremos
Israel, o Tabernáculo e o Sacerdócio como instituições proféticas que
identificam o Messias nas profecias para o seu povo.
1. Israel. A Bíblia não apenas profetiza que Cristo nasceria em Belém,
mas também diz que Ele viria do Egito. No oitavo século antes de Cristo, o
profeta Oséias anunciava em Israel a respeito da vinda do Messias: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o
meu filho” (Os 11.1). Os comentaristas judeus aplicavam essa profecia a
Israel e ao Messias, o que se torna bem evidente conhecendo o contexto do Novo
Testamento.
ENTENDENDO MELHOR...
a) O propósito de Deus com Israel. “Quando Israel era menino, eu o
amei” (Os 11:1a). Aqui, o profeta Oséias usou o verbo hebraico ahebh, que
expressa o amor eletivo de Deus. Ele escolheu Israel para através dele revelar
ao mundo o seu poder e a sua glória, quando destruiu a Faraó no Egito (Rm
9.17); dar ao mundo as Escrituras (Rm 3.1,2) e o Messias (Jo 4.22). Israel foi
escolhido para ser um povo sacerdotal (Êx 19.5, 6). Deus não escolheu o Egito,
a nação mais poderosa da época; não escolheu os fenícios, principais navegantes
da antiguidade; não escolheu os gregos, povo da filosofia; não escolheu os
assírios, povo beligerante e perito em artes bélicas. No entanto, escolheu e
amou a Israel, pequeno povo de pastores nômades, quando este era ainda um
menino indefeso na terra do Egito. Todavia, Israel nunca correspondeu a esse amor.
b) A profecia se cumpriu em Jesus. “... do Egito chamei a meu
filho” (Os 11:1b). Qualquer judeu na época, ao ler essa passagem, viria
logo à mente a saída dos filhos de Israel do Egito. Mas este texto sagrado é
também uma profecia messiânica que se cumpriu quando Deus mandou que José e
Maria retornassem do Egito com o menino Jesus (Mt 2:15).
Mas como essa profecia se cumpriu, como foi que Jesus, ainda menino, veio do
Egito? A maioria de nós conhece a história da matança dos meninos judeus em
Belém ordenada pelo infanticida rei Herodes, que via seu trono ameaçado pelo
nascimento de Jesus. A Bíblia diz a esse respeito:
“Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e
disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até
que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar.
Dispondo-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito; e lá
ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo
Senhor, por intermédio do profeta [em Os 11.1]: Do Egito chamei o meu Filho” (Mt
2.13-15). Os planos cruéis, egoístas e assassinos de um político mundano
acabaram contribuindo para que a Palavra se cumprisse. Herodes pensava que
aniquilaria os planos divinos, mas sua maldade apenas contribuiu para que as
profecias se cumprissem literalmente.
2. O Tabernáculo. O Tabernáculo, que Deus mandou Moisés construir, era
um santuário (Ex 25:8,9), um lugar separado para o Senhor habitar entre o seu
povo e encontrar-se com os seus (Ex 25:25; 29:45,46; Nm 5:3; Ez 43:7,9). De dia
e de noite a glória do Senhor estava sobre o Tabernáculo. Quando a glória do
Senhor seguia adiante, Israel tinha que avançar junto. Deus guiou os israelitas
dessa maneira enquanto estiveram no deserto (Ex 40:36-38; Nm 9:15,16). Era no
Tabernáculo que Deus concedia o perdão dos pecados mediante um sacrifício vicário
(Ex 29:10-14). Esses sacrifícios tipificavam o perfeito sacrifício de Cristo na
cruz pelos pecados da raça humana (Hb 8:1,2; 9:11-14). O lugar mais importante
do Tabernáculo era o Lugar Santíssimo (Ex 26:34), pois nele continha a Arca (peça
em formato de baú, contendo os dez mandamentos, um vaso de maná e a vara
florescida de Arão – ler Heb 9:4), que representava o trono de Deus.
Cada peça e utensílio do tabernáculo, também, aponta para Cristo e sua obra
salvífica (Hb 9:8-10):
a) A arca da Aliança. Simboliza a justiça e o Trono de Deus (Ex
25:10-22; Hb 9:4). Diante dela o sumo sacerdote se colocava, uma vez por ano,
no dia da expiação, para aspergir sangue sobre o propiciatório, como expiação
pelos pecados involuntários do povo, cometidos durante o ano anterior.
b) O Altar do Holocausto. Simboliza a cruz
do Calvário, lugar onde Cristo foi crucificado (Hb 9:12-14;25-28;
10:10-14).
c) O Altar de Incenso. Representa a
intercessão de Cristo na glória (Hb 7:25).
d) O Candelabro. Representa Cristo como “a
Luz do mundo” (Mt 5:14-16; João 8:13).
e) A Mesa dos pães. Simboliza a Cristo “O
Pão da Vida” (João 6:35).
f) O Lavatório. Representa a purificação e o
início da santificação (Hb 10:19,22).
3.
O sacerdócio. O Ministério
Sacerdotal de Arão prefigurava a obra de Cristo; isso está muito claro na
epístola aos Hebreus (cf Hb 5:4,5). Dentre os sacerdotes se destacava a figura
do sumo sacerdote, descendente de Arão, o primeiro sumo sacerdote, cuja função
era, primordialmente, a de interceder a Deus por todo o povo, notadamente no
dia da expiação, quando ingressava no lugar santíssimo e ali, depois de ter
feito sacrifício antes por si mesmo, oferecia um sacrifício em nome de todo o
povo, ocasião em que Deus aplacava a sua ira e adiava, por mais um ano, a punição
pelos pecados cometidos. Mas, o ministério arônico, que era efêmero, teria que
ser substituído por um permanente e perfeito. O profeta Jeremias, inspirado
pelo Espírito Santo profetizou essa mudança no sistema sacerdotal (ler Jr
31.31-34 c/c Hb 8.8-12) e a substituição do sacerdócio arônico pela ordem
sacerdotal de Melquisedeque (Sl 110.4 c/c Hb 7.11,17).
Jesus, como bem explicou o escritor da carta aos hebreus, é o sumo sacerdote
por excelência, de uma ordem superior à dos sumo sacerdotes que descendiam de
Arão, porque estes apenas, depois de terem feito um sacrifício por si,
aplacavam, por um ano, a ira divina, cobrindo os pecados do povo (Sl.32:1), mas
Jesus, bem ao contrário, sacrificou-se a si mesmo, uma vez por todas, para
tirar o pecado do mundo, pecado que nunca mais será levado em conta por Deus. O
seu sacrifício proporcionou o retorno da comunhão entre Deus e os homens
(Hb.10:1-18). Em virtude deste sacrifício suficiente e que se fez propiciação
pelos pecados de todo o mundo (1Jo.2:2), Jesus assumiu o papel de mediador
entre Deus e os homens (1Tm.2:5; Hb.8:6; 9:15; 12:24), intercedendo atualmente,
à direita do Pai, pelos transgressores (Is.53:12; Rm.8:34). Jesus é o sumo
sacerdote, pois é a cabeça da Igreja (Ef.1:22; 5:23), que é composta de
sacerdotes (1Pe.2:5,9; Ap.1:6; 20:6).
III. PROFECIAS DIRETAS ACERCA DO NASCIMENTO DE JESUS
A encarnação é um dos maiores mistérios das Sagradas Escrituras, sem a qual
seria impossível a nossa redenção. A encarnação envolve dois fatores: o
esvaziamento do Senhor de sua glória e o seu nascimento como homem, que
completou o esvaziamento. Ele esvaziou-se de sua glória para assumir a forma
humana, viver entre os homens, derrotar Satanás e o pecado, e dar oportunidade
para que o homem se reconciliasse com Deus. Em sua encarnação, o Cristo
tornou-se em tudo semelhante a nós, exceto quanto à natureza pecaminosa e ao
pecado (Fp 2.7,8 - ARA).
1. A origem humana de Jesus. Imediatamente à queda do homem, no Éden,
Deus prometeu o Redentor, que viria da semente da mulher (Gn 3:15), ou seja,
seria um ser humano nascido de mulher (Gl 4:4), mas sem pecado (Mt 1:20; Hb
4:15). Jesus foi concebido por obra e graça do Espírito Santo no ventre de sua
mãe (Lc 1:31-35). Entretanto, Jesus não poderia ser concebido como o foram os
demais seres humanos a partir do primeiro casal, porque, em virtude do pecado,
os homens passaram a ser concebidos em pecado (Sl.51:5), ou seja, herdavam a
natureza pecaminosa de seus pais, tanto que, em vez de saírem à imagem e
semelhança de Deus, como havia sido o primeiro casal, saíam à imagem e
semelhança de seus pais (Gn.5:3). Por isso, Jesus não poderia ser fruto de uma
concepção resultante da relação sexual entre seus pais biológicos, visto que
não poderia ser senão a “semente da mulher”, o “último Adão” (1Co.15:45), e,
portanto, a exemplo do primeiro casal, criado por ação direta de Deus, sem
mediação humana. É por este motivo que, ao longo da revelação progressiva de
Deus, por meio da sua Palavra, o Senhor foi anunciando ao seu povo que o
Salvador, o Messias, chamado de “semente da mulher”, seria alguém que seria o
resultado da “concepção de uma virgem” (Is.7:14) e que a criança nascida, ao contrário
de todas as demais, ao adquirir a consciência não se inclinaria para o mal,
mas, sim, para o bem (Is.7:15,16).
2. O descendente dos patriarcas de Israel. A Bíblia diz que o Messias
seria:
a) Descendente de Abraão (Gn 12:7; 17:19; 22:18). O cumprimento em
Cristo: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade. Não diz:
E às posteridades, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua
posteridade, que é Cristo” (Gl 3:16).
b)
Descendente de Isaque (Gn
21:12). O cumprimento em Jesus: Lc 3:33, 34. Do verso 23 ao 34 vemos que a
genealogia de Jesus mostra que Ele é descendente do patriarca Isaque.
c)
Descendente de Jacó (Nm
24:17). O livro de Números foi escrito cerca de 13 séculos antes do nascimento
de Jesus. O mesmo versículo de Lucas que mostra ser Jesus descendente de
Isaque, revela que Ele é também descendente de Jacó (Lc 3:34).
d)
Da tribo de Judá (Gn
49:10). Entre as bênçãos proféticas do patriarca Jacó sobre seus doze filhos,
coube a Judá a seguinte promessa: “O cetro não se arredará de Judá, nem o
legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os
povos”. O cumprimento em Jesus: Mt 1:1; Lc 3:23, 33-34.
A bênção outorgada a Judá (Gn 49:8-12) indica que os direitos da primogenitura
lhe foram concedidos, e, portanto, as bênçãos prometidas a Abraão (Gn 12:1-3). A
suma dessa promessa é que todas as nações seriam abençoadas através de Judá
pela “semente” da mulher (Gn 3:15). A Judá foi dita que seus
descendentes governariam seus irmãos, “até que venha Silo”. “Silo” provavelmente
significa “aquele a quem pertence” (cf Ez
21:27) e, em sentido pleno, refere-se ao Messias vindouro, Jesus Cristo, que
veio através da tribo de Judá (Ap 5:5).
e) Seria um Renovo na Casa de Davi (Jr 23:5). O ministério do profeta
Jeremias iniciou-se em 625 a.C. e terminou por volta de 586 a.C. Portanto,
quase seis séculos antes do nascimento de Jesus, aquele profeta falou sobre um
Renovo que nasceria da descendência de Davi. O rei Davi também falou destas
promessas: Sl 132:11. O cumprimento em Jesus: Mt 1:1; 9:27; 15:22; At 13:22-23;
Ap 22:16
3. Nascido de uma virgem. “Eis que uma
virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel”
(Is 7:14; Mt 1:25-24; Lc 1:35). Esta profecia fora profetizada cerca de
setecentos anos antes do evento histórico. Maria concebeu, sem que conhecesse
varão, e deu à luz ao seu filho primogênito, que foi chamado de Jesus por ordem
divina. Seu nascimento ocorreu em Belém conforme o registro de Lc 2.3-12.
Maria, como as demais mulheres, sentiu as dores de parto ao dar à luz a Cristo;
e, Jesus, à nossa semelhança, deixou o ventre materno, natural e não
sobrenaturalmente, ao nascer em Belém de Judá. Jesus se fez carne e habitou
entre nós, sendo fruto da concepção de uma virgem. Observemos bem que Jesus foi
concebido em uma virgem, mas sua mãe não ficou virgem para sempre. A virgindade
de Maria cessou com o nascimento de Jesus, assim como também a sua abstinência
sexual em relação a seu marido, José. A Bíblia diz que José não a conheceu até
que Jesus nasceu (Mt.1:25), sendo certo, também, que José e Maria tiveram
filhos, como o dizem os moradores de Nazaré, a cidade onde Jesus foi criado
(Mt.13:55; Mc.6:3).
O nascimento virginal de Cristo é uma prova contundente de sua humanização.
Negar, portanto, a concepção virginal de Jesus é negar a sua condição de
Salvador, é procurar desacreditar a sua missão de salvação do homem. Jesus veio
para libertar o povo do pecado e, por isso, não poderia ser formado em pecado.
É interessante observar, portanto, que a vinda de Jesus por obra e graça do
Espírito Santo, em momento algum, pode ser usada como argumento para negar a
sua humanidade, porquanto sua concepção virginal teve o propósito de fazê-lo
entrar no mundo do mesmo modo que Adão, numa natureza sem pecado, ainda que
humana, a fim de que pudesse vencer o mundo e o pecado, e, por conseguinte,
garantir a salvação de toda aquele que nele crer (João 3:16).
4. O local de nascimento de Jesus. O local do nascimento de Jesus,
conforme a profecia de Miquéias (Mq 5:2), seria a “pequena” cidade de Belém de
Judá. Neste versículo, Miquéias profetiza que um governante surgiria de Belém
para cumprir as promessas de Deus ao seu povo. Certamente, ele está se
referindo a Jesus, o Messias (ver Mt 2:1,3-6), cuja origem é “desde os dias da eternidade” (cf João 1:1; Cl
1:17; Ap 1:8). Mas, como se daria este nascimento se José e Maria viviam em Nazaré?
(cf Lc 1:26,27). Segundo disse o pr. Ezequias Soares, Deus mobilizou o próprio
imperador romano, César Augusto, para que baixasse um decreto, obrigando cada
pessoa em Israel a alistar-se na cidade de seu nascimento. Sendo José belemita,
foi com Maria para Belém, ocasião em que ela deu à luz o Salvador (Lc 2.9-11).
5.
O massacre das crianças de Belém.
O profeta Jeremias profetizou o seguinte: “Assim diz o Senhor: Uma voz se ouviu
em Ramá, lamentação, choro amargo; Raquel chora seus filhos, sem admitir
consolação por eles, porque já não existem” (Jr 31:15). Ramá era o local de
concentração dos prisioneiros antes da deportação para Babilônia (cf Jr
40:1-3). Raquel era uma das esposas de Jacó e mãe de José e Benjamim. Aqui, ela
representa Israel chorando pelos deportados para o exílio. Deus declara que ela
não precisa chorar mais, porque o povo voltará (Jr 31:16-20). Mateus aplica
esta passagem profeticamente à ocasião do brutal assassinato das crianças da
região de Belém por ordem de Herodes, o Grande (Mt 2:16-18), após o nascimento
de Jesus.
IV. PROFECIAS SOBRE AS OBRAS DE JESUS
1. A visão messiânica em Moisés (Dt 18:17,18). A predição de Moises
em Dt 18:17,18: “Então o Senhor me disse: Bem
falaram naquilo que disseram. Eis que lhes suscitarei um profeta do meio de seus
irmãos, como tu...”, foi uma profecia a respeito de Jesus Cristo. O Novo
Testamento revela que o povo judeu aguardava a vinda do Messias, conforme disse
Filipe a Natanael: "havemos achado aquele de
quem Moisés escreveu na Lei" (João 1:45).
Pedro revelou que o profeta mencionado por Moisés em Dt 18:17,18 era Jesus
Cristo: “Pois Moisés disse: Suscitar-vos-á o Senhor
vosso Deus, dentre vossos irmãos, um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis
em tudo quanto vos disser” (At 3:22). O apóstolo quis mostrar às pessoas
que seu tão esperado Messias havia chegado! Pedro e todos os outros apóstolos
chamavam a atenção da nação judaica, a fim de que percebesse o que fizera a seu
Messias e houvesse arrependimento e fé.
De que maneira foi Jesus semelhante a Moisés?
a) Moisés foi ungido pelo Espírito (Nm 11:17); o Espírito do Senhor estava sobre
Jesus na pregação do evangelho (Lc 4:18,19);
b) Deus usou Moisés para introduzir a antiga aliança; Jesus introduziu a
nova aliança (1Co 11:23-25; Hb 8:8,9).
c) Moisés conduziu Israel, tirando-o do Egito para o Sinai, e estabeleceu o
pacto de seu relacionamento com Deus; Cristo redimiu seu povo do pecado e
da escravidão de Satanás, e estabeleceu um novo e vivo pacto com Deus, por meio
do qual seu povo pudesse entrar na sua própria presença.
d) Moisés, nas leis do AT, referiu-se ao sacrifício de cordeiros para prover
em figura a redenção; o próprio Cristo tornou-se o Cordeiro de Deus para
prover a salvação a todos quantos o aceitarem.
e) Moisés conduziu o povo à lei, mostrando-lhe a sua obrigação em cumprir
seus estatutos para ter a bênção divina; Cristo chamava o povo a si mesmo e
ao Espírito Santo, como a maneira de Deus cumprir a sua vontade, e dos fiéis
receberem a bênção divina e a vida eterna.
2. Sua vida e ministério. A Palavra profética diz que:
a) O Messias iniciaria seu Ministério na Galileia (Is 9:1). Falando
sobre o nascimento e o reino do Príncipe da Paz – Jesus, o Messias -, o profeta
Isaías revelou profeticamente (mais de sete séculos antes do fato acontecer)
onde o nosso Salvador iniciaria seu ministério. O cumprimento em Jesus: Mt 4:12-13,
17.
b) O Messias realizaria milagres (Is 32:3-4; 35:5,6). Esta foi outra
grande profecia messiânica de Isaías, ao falar sobre o reinado do justo Rei.
Não haveria dúvidas quanto aos seus milagres. O cumprimento em Jesus - Os
milagres realizados por Jesus Cristo durante o Seu ministério maravilharam todo
o povo: Mt 9:32-35; 11:1-5.
c) O Messias usaria parábolas nos Seus ensinos (Sl 78:2). O
cumprimento em Jesus: Mt 13:3-4.
d) Ele seria traído por um amigo (Sl 41:9; 55:12-14). Cerca de 1000
anos antes do nascimento de Jesus, o salmista Davi que o Messias seria traído.
Trata-se de uma profecia que teria o seu cumprimento na traição de Judas a
Jesus: Mt 10:4; João 13:21; cf Mt 26:47-50.
e) Seria vendido por 30 moedas de prata (Zc 11:12). Tendo
iniciado o seu ministério profético 520 anos antes do nascimento de Cristo, o
profeta Zacarias inspirado pelo Espírito Santo, profetizou que isso iria
acontecer com o Messias. Jesus foi vendido aos seus inimigos por Judas
Iscariotes pelo preço de 30 moedas de prata: Mt 26:15.
f) Com as 30 moedas de prata seria comprado o campo do oleiro (Zc
11:13). Devemos observar que, segundo o profeta Zacarias, as moedas foram
“lançadas ao oleiro”. Ora, segundo a concepção judaica, o oleiro era aquele
profissional que criava artigos de pouco valor. Jesus Cristo seria vendido por
um preço humilhante, e a desprezível quantia seria arrojada na Casa do Senhor,
aos pés de um oleiro. O cumprimento em Jesus - O dinheiro pelo qual Judas
vendeu Jesus, foi empregado em algo que tinha relação com um oleiro: Mt 26:6-7.
g) Jesus seria abandonado por seus discípulos (Zc 13:7b). A prisão
e morte de Jesus e sua imediata consequencia sobre o estado de ânimo dos
discípulos também foram profetizados por Zacarias. O cumprimento - Jesus sabia
que seria abandonado. Mateus e Marcos registraram o cumprimento dessa profecia:
Mt 26:31, 56; Mc 14:50.
3. Seu sofrimento, morte e ressurreição (At 3:18,26). O Antigo
Testamento anunciou com abundância de detalhes a paixão de Cristo,
principalmente o capítulo 53 de Isaías e o Salmo 22. Todavia, Deus prometeu
ressuscitá-lo da morte (Sl 16.10).
a) A morte vicária de Cristo. A morte de Cristo era necessária,
conforme explicou Jesus: “importava que o Filho de
Deus padecesse muito” (Mc 8:31 a). Deus, em sua santidade, exigia a
penalidade do pecado. Nos sacrifícios do Antigo Testamento era indispensável
uma vítima para ser oferecida pelo pecado, mas era uma oferta imperfeita, pois
só apenas cobria o pecado, não o extinguia; agora surge o sacrifício perfeito
do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João
1:29). O sacrifício no Antigo testamento era realizado em substituição ao
pecador, assim o Cordeiro de Deus, santo, imaculado, assumiu o nosso lugar. O
que seria o Evangelho sem a morte de Nosso Senhor? Nem Evangelho haveria; ela é
a garantia de nossa vida eterna.
b) A ressurreição de Jesus. A ressurreição de Cristo é a principal
doutrina do Novo Testamento. Ela foi testemunhada por muitas pessoas: “A este ressuscitou Deus ao terceiro dia e fez que se
manifestasse, não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus antes ordenara; a
nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou dos mortos” (At
10.41). Os apóstolos não deixavam de ensinar esse fato: “E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do
Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça” (At. 4.33).
CONCLUSÂO
Vimos, portanto, que Jesus é o começo e o fim do Antigo Testamento, cujos
livros concentram-se no Messias. Ele é o centro das Escrituras Sagradas. Sendo
assim, os 66 livros da Bíblia podem ser resumidos da seguinte forma: Todo o
Antigo Testamento trata da preparação do mundo para a vinda de Cristo; Os
Evangelhos tratam da manifestação de Cristo ao mundo, como o Rei e Redentor; Os
Atos dos apóstolos tratam da propagação de Cristo por meio da Igreja. As
Epístolas tratam da explanação de Cristo, dando os detalhes da doutrina; O
Apocalipse trata do casamento de Cristo e a Igreja e a consumação de todas as
coisas. Disse Jesus: “Examinais as Escrituras,
porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam”
(João 5:39).




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