sexta-feira, 27 de março de 2026

LÁZARO, O AMIGO DE JESUS

A Familia de Lazaro

LÁZARO, O AMIGO DE JESUS

Falar sobre Lázaro, aqui vemos o lado mais humano de Jesus — sua dor, seu cansaço e seu amor profundo por uma família comum de Betânia.

1. O Atraso Proposital (O Tempo de Deus)

Quando as irmãs de Lázaro, Marta e Maria, enviaram o recado: "Senhor, aquele a quem amas está doente", Jesus não correu. Ele esperou dois dias.

  • A Lição: O atraso de Deus não é indiferença, é estratégia. Jesus queria que a situação saísse do campo da "cura" (algo que ele já fazia muito) para o campo da "ressurreição", para que a Glória de Deus fosse inquestionável.
  • O Versículo Chave: "Esta doença não é para morte, mas para a glória de Deus" (João 11:4).

2. A Humanidade e a Divindade de Jesus

O encontro de Jesus com as irmãs em luto nos revela o versículo mais curto e um dos mais profundos da Bíblia: "Jesus chorou" (João 11:35).

  • A Empatia: Ele sabia que ressuscitaria Lázaro em minutos, mas ainda assim chorou ao ver a dor de Maria. Isso mostra que Ele se importa com o nosso sofrimento presente, mesmo sabendo que o final será feliz.
  • A Autoridade: Logo após chorar como homem, Ele age como Deus. Ele não pede permissão à morte; Ele dá uma ordem.

3. O Milagre e a Participação Humana

Um detalhe fascinante na ressurreição de Lázaro é que Jesus pede para os homens fazerem o que estava ao alcance deles: "Tirai a pedra".

  • Remover a Pedra: Jesus poderia ter feito a pedra desaparecer, mas Ele exige participação. Para o milagre acontecer, precisamos remover os obstáculos humanos (incredulidade, medo, orgulho).
  • Desatai-o: Depois que Lázaro sai do túmulo, ele ainda está preso nas faixas de linho. Jesus ordena: "Desatai-o e deixai-o ir". Isso nos ensina que, após a "vida nova", precisamos de ajuda da comunidade para nos livrar dos velhos costumes da morte.

Resumo para Reflexão

Personagem

Reação/Papel

Lição Espiritual

Marta

Racional e Prática

Fé que precisa de entendimento.

Maria

Emocional e Devota

Fé que se expressa na adoração e entrega.

Lázaro

Passivo (O milagre)

Testemunho vivo de que a morte não tem a última palavra.

Jesus

O Ressurreitor

Ele é a solução, mesmo quando parece tarde demais.

Dica de Estudo: Leia também João 12:1-11. Lá vemos que, após ser ressuscitado, Lázaro se tornou um "problema" para os fariseus, porque muitos criam em Jesus por causa do seu testemunho. Sua vida recuperada falava mais que qualquer sermão.

Um amigo é alguém de quem gostamos e em quem confiamos e com quem compartilhamos alegrias e tristezas. Lázaro teve o privilégio de ser considerado por JESUS um amigo (Jo 11.11), o que significa que ele tinha qualidades e virtudes segundo os padrões do Mestre.

1.1. A história de Lázaro   


Não sabemos muita coisa sobre Lázaro, apenas que tinha duas irmãs, Marta e Maria, e experimentou o milagre de ter sido ressuscitado por JESUS após quatro dias de morto. Ele era de Betânia da Judeia, onde morava com suas irmãs. Seu nome é uma forma abreviada do nome hebraico Eleazar, que significa “aquele a quem DEUS ajudou”.

Novo Dicionário da Bíblia: “Os estudiosos do Novo Testamento conhecem bem as duas irmãs da casa de Betânia, onde JESUS era sempre bem recebido, mas nada em absoluto sabem sobre o caráter e o temperamento de Lázaro. […J Ele aparece na história evangélica não por causa de quaisquer qualidades excelentes em sua personalidade, nem por causa de qualquer grande realização, mas unicamente por causa do maravilhoso milagre que foi operado nele. Talvez fosse do tipo mais comum possível de homem, dificilmente conhecido além de um quilômetro de sua casa; e, no entanto, foi com ele que aconteceu esse fato maravilhoso’.

1.2. A melhor parte    

JESUS foi visitar seu amigo Lázaro, onde foi recebido por Marta. Ela, então, disse a JESUS que sua irmã, Maria, não queria ajudá-la a preparar as refeições nem servir as visitas, e ela estava cuidando de tudo sozinha (Lc 10.38-40). Maria, por sua vez, estava aos pés de JESUS, ouvindo a Sua Palavra. Diante do embate, JESUS ressaltou o excesso de zelo de Marta e explicou a ela que Maria escolheu a melhor parte: aprender Seus ensinamentos.

Pr. Valdir Oliveira, no livro Ouro Refinado, comenta: “JESUS visita Marta e Maria em Betânia, uma pequena aldeia na encosta oriental do Monte das Oliveiras, cerca de 3km de Jerusalém. Ele se depara com uma situação desconfortável entre as duas irmãs anfitriãs, uma reclamando da outra por assuntos domésticos. JESUS tem uma saída digna, sem ofender nenhuma delas”.

1.3. O perigo do excesso de atividades       

Às vezes, estamos tão atarefados com as coisas deste mundo que deixamos a vida espiritual de lado. Devemos ter a organização e o empenho de Marta no serviço ao Mestre, mas também cultivar um coração disponível como o de Maria. JESUS não condenou Marta, apenas ressaltou que a ansiedade estava roubando o lugar da Palavra, algo que Maria estava priorizando (Mt 6.33).

Pr. Valdir Oliveira em Ouro Refinado: “O que fazer para ter o coração de Maria nos dias de Marta? Não deixe que a vida sufoque você ao ponto de perder JESUS de vista; não dê mais valor às ocupações na igreja do que a sua vida de integridade e intimidade com DEUS; não fique prestando atenção no seu irmão, faça o que é certo e desempenhe o seu papel; escolha sempre que possível a melhor parte, a qual não lhe será tirada. Invista mais no espiritual, que a ferrugem não corrói nem o ladrão rouba’.

Estamos tão atarefados com as coisas deste mundo que, por vezes, deixamos a vida espiritual de lado.

2- QUEM CRER VERÁ A GLÓRIA DE DEUS


Ao ver a tristeza de Marta pela morte de Lázaro, que estava morto há quatro dias, JESUS lhe disse: “Se creres verás a glória de DEUS’; Jo 11.40. Ele, então, mandou remover a pedra do túmulo de Lázaro. Enquanto todos esperavam ver para crer, JESUS ensina o contrário: é preciso crer para ver.

2.1. Presença do Senhor   

As irmãs de Lázaro ficaram apreensivas com a demora de JESUS após ter sido avisado que Lázaro, Seu amigo, estava doente. Quando JESUS chegou, elas disseram que se Ele estivesse ali, Lázaro não teria morrido (Jo 11.21,32). Realmente, se JESUS estivesse presente, o irmão delas não teria morrido, mas a incredulidade permaneceria: “Eu não estava aqui por amor a vós, para que acrediteis’; Jo 11.15.

Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento: “Nisto, Marta, como também Maria (Jo 11.32), são muito parecidas com você e comigo. Nós estamos convencidos de que JESUS tem poder para realizar milagres. Estamos convencidos de que Ele pode fazer qualquer coisa. Sabemos e estamos convencidos de que Ele morreu e ressuscitou por nós e, quando retornar, JESUS conduzirá os crentes que morreram à vida eterna. Mas será que uma grande parte de nossa fé no poder que JESUS tem para atuar limita a Sua obra a um passado distante, ou a um futuro longínquo? Quanto da nossa fé se concentra no agora? Com que frequência esperamos que Ele trabalhe em nós e para nós em nosso hoje?”

 

2.2. JESUS chorou    


Na Bíblia, encontramos registros sobre o choro de JESUS em duas ocasiões: na entrada triunfal em Jerusalém, quando disse que dias viriam em que os inimigos os cercariam com trincheiras, os sitiariam e os apertariam de todos os lados, porque não aproveitaram a oportunidade que DEUS concedeu para salvá-los (Lc 19.28-44); e quando chegou ao túmulo de Lázaro e viu as pessoas chorando. Isso nos mostra que JESUS se importa com o sofrimento humano, seja como consequência de rebeldia ou atitudes impensadas, seja pelas contingências da vida.

Comentário na Bíblia de Estudo Pentecostal: “JESUS Chorou. Neste pequeno versículo da Bíblia, está revelado o profundo pesar de DEUS pelas tristezas do seu povo. O verbo “chorou” (gr. dakruo) indica que, a princípio, JESUS derramou lágrimas e a seguir pranteou em silêncio. Que esse fato seja um consolo para todos aqueles que sofrem. CRISTO sente por você o mesmo pesar que Ele sentiu pelos parentes de Lázaro. Ele ama você de igual modo. E note-se que este versículo faz parte do livro da Bíblia que mais ressalta a divindade de JESUS. Aqui vemos JESUS, o DEUS feito homem, i.e., o próprio DEUS chorando. DEUS realmente tem amor profundo, emotivo e compassivo por você e pelos outros (Lc 19.41)’.

2.3. JESUS manda remover a pedra     

JESUS manda remover a pedra, um tipo de tampa do sepulcro naqueles dias. Na cultura judaica, o corpo deveria ser sepultado o mais breve possível, de preferência no mesmo dia da morte. Àquela altura, com certeza, já estava em estado de decomposição (Jo 11.39). Para o Senhor JESUS, o estado do corpo não era impedimento; mas, sim, a incredulidade. E Ele disse a Marta: “Se creres verás a glória de DEUS?”: Jo 11.40.

Pr. Valdir Oliveira comenta: “Pedra dá uma conotação de coração endurecido (a) A pedra da incredulidade: Sei que vai ressuscitar no último dia (Jo 11.24); Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido (Jo 11.21); Vamos nós também para morrer com ele (Jo 11.16); (b) A pedra da murmuração: Não podia Ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também que este não morresse? (Jo 11.37); (c) A pedra da insensibilidade: A trama para matar JESUS quer eliminar o profeta (Jo 11.53), mas também Lázaro; eliminando o milagre (Jo 12.10)”.

Enquanto todos esperavam ver para crer, JESUS ensina o contrário: é preciso crer para ver.

3- JESUS TRAZ LÁZARO DE VOLTA À VIDA  

Quando soube que Lázaro adoeceu, JESUS estava no lado leste do rio Jordão (Jo 10.40), região que ficava cerca de um dia de viagem de Betânia. Como JESUS não partiu de imediato, quando chegou, Lázaro já estava sepultado há quatro dias. JESUS sabia do milagre que iria fazer ali, mas provou a fé daquelas pessoas antes de trazer Seu amigo à vida novamente.

3.1. JESUS é a ressurreição e a vida    

“Eu sou a ressurreição e a vida”: Jo 11.25; declarou JESUS para ensinar que somente nEle temos a Vida Eterna. Assim confortou Marta e ressaltou a necessidade de crer: “todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá”: Jo 11.26. Embora JESUS estivesse falando da Vida Eterna, Marta não compreendeu bem: “Eu sei que ele ressurgirá na ressureição, no último dia” (Jo 11.24). E Ele ressaltou que Lázaro ainda não estava partindo para a eternidade, mas seria ressuscitado.

Pr. Amador Carlos dos Santos (Revista Betel, Evangelho de João, 2002) comenta: “A ressureição do corpo é uma doutrina fundamental das Escrituras e refere-se ao ato de DEUS de ressuscitar dentre os mortos o corpo do salvo e reuni-lo à sua alma e espírito, dos quais esse corpo esteve separado entre a morte e a ressureição. Em termos gerais, o corpo ressurreto do crente será semelhante ao corpo ressurreto de CRISTO: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor JESUS CRISTO, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” (Fp 3.20-21)’.

3.2. Lázaro, venha para fora              

Após removerem a pedra do sepulcro, JESUS ordenou que Lázaro viesse para fora, e ele veio, ainda envolto em faixas e com o rosto envolto num pedaço de pano (Jo 11.43,44). Esse milagre rendeu duas coisas: (1) muitos finalmente creram em JESUS como o enviado de DEUS; (2) a notícia se espalhou e, daquela hora em diante, os líderes judaicos começaram a planejar a morte de JESUS e também de Lázaro (Jo 11.45-53).

Pr. Amador Carlos dos Santos (2002): “Diante de uma caverna aberta e cheirando mal, JESUS dirigiu-se a um defunto de quatro dias e disse: “Lázaro, vem para fora” (Jo 11.43). Imediatamente, o defunto saiu ligado com faixas e o rosto envolto num lenço (Jo 11.45). Isto tem um simbolismo glorioso com o que acontecerá na ressurreição dos salvos (Jo 5.28-29; 1Ts 4.16-17). JESUS chamou a Lázaro pelo nome, com a autoridade que o Pai lhe conferiu. Tão logo JESUS falou, Lázaro surgiu à porta do sepulcro. Foi, então, que o Senhor disse: `Desatai-o e deixai-o ir”‘.

3.3. O privilégio de ser amigo de JESUS    

JESUS disse que dar a vida pelos amigos é uma grande demonstração de amor e que Seus amigos são os que obedecem aos Seus Mandamentos: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando’; Jo 15.13,14.

Comentário no Novo Testamento Interpretado versículo por versículo: …Nosso amigo… “Aqui temos uma expressão de amor e amizade de todo o coração do que os discípulos também participavam e deviam participar[…] Observamos, igualmente, o tipo de condescendência com que nosso Senhor compartilhava de sua amizade pessoal com os discípulos, JESUS chamou de “amigos” aos seus apóstolos (ver João 15.14-15 e Lucas 12.4). […] Compare-se com isso a declaração neotestamentária de que Abraão era “amigo de DEUS” (Tg 2.23). […] Essa expressão, pois, relembrou aos discípulos de JESUS que Lázaro era amigo, e precisava de sua ajuda, a despeito dos perigos que haviam sido frisados, e que envolveriam a volta de JESUS à Judeia’.

JESUS provou a fé daquelas pessoas antes de trazer Lázaro à vida novamente.

Reflexão:

A amizade com Lázaro destaca a humanidade e o cuidado de JESUS, enquanto o milagre de ressuscitar Lázaro aponta para o poder de JESUS como o Filho de DEUS.

 

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