TRABALHO E PROSPERIDADE
Texto Bíblico: Provérbios 3:9,10;22:13;24:30-34
“A bênção do Senhor
é que enriquece, e ele não acrescenta dores” (Pv
10:22)
Visão Geral sobre Trabalho e Prosperidade na Bíblia
A Bíblia apresenta uma
perspectiva rica e equilibrada sobre o trabalho e a prosperidade, integrando a
diligência humana com a soberania e a graça de Deus. O versículo citado por
você, Provérbios 10:22, sintetiza o princípio fundamental de que a verdadeira
prosperidade provém de Deus, sendo uma dádiva que não traz o peso da aflição
destrutiva.
1. O Trabalho como Propósito e
Vocação
Diferente de visões antigas que
viam o trabalho manual como algo inferior ou apenas um castigo, as Escrituras
ensinam que o trabalho foi instituído por Deus antes mesmo da queda do homem
(Gênesis 2:15).
- Dignidade e Esforço: O labor diário é o meio
ordinário pelo qual o ser humano exerce sua criatividade, sustenta sua
família e serve à sociedade.
"Todo o
trabalho árduo traz proveito, mas a palestra fútil leva à pobreza." (Provérbios 14:23)
- Excelência e Integridade: O modo como o
trabalho é executado importa para Deus. A honestidade e a dedicação são
marcas de quem trabalha como se estivesse servindo ao próprio Criador.
- "Tudo o que fizerem,
façam-no de todo o coração, como para o Senhor, e não para os
homens" (Colossenses
3:23)
2. A Origem e o Sentido da
Prosperidade
A prosperidade bíblica não se
restringe unicamente ao acúmulo de bens materiais, abrangendo também a paz, a
sabedoria, a saúde espiritual e a provisão diária.
- A Graça Divina: Como
expressa o texto de Provérbios 10:22, os esforços humanos por si só não
garantem o sucesso duradouro se Deus não abençoar. A bênção divina
capacita o indivíduo a desfrutar do fruto do seu trabalho com
tranquilidade.
- Equilíbrio e Mordomia: Os
bens materiais são vistos como depósitos confiados por Deus aos cuidados
do homem. O próspero segundo a Bíblia é aquele que age com generosidade e
justiça.
- "Honra ao Senhor com os
teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão os teus
celeiros abundantemente" (Provérbios
3:9-10)
3. O Perigo da Ganância e a
Centralidade de Deus
As Escrituras advertem
constantemente contra os desvios de caráter associados à busca desmedida por
riquezas:
- O Amor ao Dinheiro: O
problema não é o dinheiro em si, mas a posição que ele ocupa no coração
humano.
- "Porque o amor ao
dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se
erraram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." (1 Timóteo 6:10)
- Contentamento: A verdadeira riqueza
espiritual caminha lado a lado com a gratidão e a moderação.
- "De fato, a piedade com
contentamento é grande lucro. Pois nada trouxemos para este mundo, e dele
nada podemos levar." (1
Timóteo 6:6-7)
Resumo dos Princípios Bíblicos
|
Dimensão |
Perspectiva Bíblica |
Referência Principal |
|
Origem |
O trabalho é dom de Deus e
dignifica o ser humano. |
Gênesis 2:15 |
|
Atitude |
Deve ser feito com diligência,
honestidade e excelência. |
Eclesiastes 9:10 |
|
Prosperidade |
É concedida por Deus ("a
bênção do Senhor é que enriquece"). |
Provérbios 10:22 |
|
Propósito |
Sustento próprio, apoio à
família e generosidade com o próximo. |
Efésios 4:28 |
INTRODUÇÃO
A necessidade de trabalhar faz
parte da natureza do homem. Esta afirmação é verdadeira pelo fato de o
homem ter sido criado “a imagem e conforme à
semelhança de Deus”. Assim, o homem não foi criado para ser inerte,
parado, sem vida. Trabalhar é estar em ação, em atividade. O trabalho feito com
prazer, especialmente por aqueles que têm consciência de que estão cumprindo a
vontade de Deus, não apenas dignifica o homem como também o vitaliza, pois,
conforme afirmou Salomão, “em todo o
trabalho há proveito...” (Pv
14:23).
Para o homem sem Deus, ou até
para aquele que se diz “crente”, mas não conhece a Palavra de
Deus, trabalhar se torna uma obrigação, um agente gerador de ansiedade.
Trabalham, mas, trabalham de mal com o trabalho, vendo na pessoa do patrão, um
agente escravizador. Isto não pode acontecer com aquele que conhece a Palavra
de Deus. Afirmo que o trabalho foi instituído por Deus, mesmo antes da queda do
homem. Trabalhar, portanto, significa cumprir a vontade de Deus. Para um filho
de Deus ter um trabalho e poder tirar dele sua subsistência deve ser considerada
como uma benção, não como um sacrifício. Você já agradeceu a Deus, hoje, pelo
seu emprego, ou pela sua profissão?
Neste estudo falaremos “algumas
das metáforas usadas pelo sábio para tratar da natureza do trabalho e sua
importância. Elas revelam que o labor é uma condição necessária à expressão
humana”. Para aqueles que ainda não sabem, metáfora é a
comparação de palavras em que um termo substitui outro. É uma comparação
abreviada em que o verbo não está expresso, mas subentendido. Por exemplo, ao
dizer que o irmão "está forte como um touro", certamente, não
significa que ele se pareça fisicamente com o animal, mas que ele está tão
forte que faz lembrar um touro, comparando a força entre o animal e o
indivíduo. Usando a metáfora da formiga: “vai
ter com a formiga, ó preguiçoso” (Pv 6:6). Isto quer dizer: mova-se,
tome uma atitude na vida, sai dessa preguiça, trabalhe com ousadia e
determinação! “Era dessa forma que os sábios da antiguidade ensinavam, pois
quando se entende tais metáforas, compreende-se melhor a natureza do trabalho”,
afirma o pr. José Gonçalves.
I. A METÁFORA DO CELEIRO E DO
LAGAR (Pv 3:9,10)
“Palavra que é usada
indiscriminadamente a respeito do instrumento no qual as uvas eram esmagadas,
ou a respeito do balde que aparava o suco daí resultante. Sua plenitude era
sinal de prosperidade, enquanto quando o lagar estava ‘seco’ havia a
representação simbólica de fome.
“É o vocábulo usado
metaforicamente em Is 63:3, e também em Jl 3:13, onde o lagar cheio e
transbordante indica a grandeza do morticínio de que o povo estava ameaçado.
Faz parte de uma notável símile, em Lm 1:15; e em Ap 14:28-20, forma parte da
linguagem apocalíptica que se segue à predição sobre a queda de Babilônia”
(Novo Dicionário da Bíblia – J.D. Douglas).
1. A dádiva que faz
prosperar. Dentre as muitas metáforas usadas por Salomão
para se referir ao trabalho, encontramos a metáfora do “celeiro” e do “lagar”.
O sábio aconselha: “Honra ao SENHOR com a tua
fazenda e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão os teus celeiros
abundantemente, e trasbordarão de mosto os teus lagares”. Aqui,
temos um apelo a favor do uso apropriado das posses materiais. No final das
contas, o homem é um mordomo, e tudo que ele tem pertence a Deus (Salmos
50:10-12 e 24:1). Quando ele honra a Deus com parte do seu progresso, ele vai
ser abençoado materialmente - “e se encherão os teus celeiros”. Temos
aqui um princípio de mordomia e não uma garantia de riquezas materiais. Podemos
confiar a Deus as nossas dádivas e que Ele garante a provisão das nossas
necessidades materiais (Mt 6:33). O mordomo cristão nunca precisa temer que vai
ser o perdedor ao dar a Deus (Ml 3:8-10). Ninguém perde porque crê ou porque
obedece. O homem de Deus não é um servo relutante, mas um mordomo feliz e
responsável.
É válido ressaltar que uma vida
próspera não é somente resultado do sucesso financeiro, mas, sim, da obediência
a Deus, da fidelidade e da santidade (Pv 3:3,4). Como cristãos, podemos afirmar
que nossas riquezas são e serão sempre intangíveis e nunca somente monetárias.
Atualmente, os crentes têm sido iludidos quando o assunto é prosperidade. Eles
tendem a relacionar o “ser próspero” ao dinheiro e bens materiais. Muitos estão
buscando desesperadamente os bens materiais. Querem ser ricos a todo o custo e
acabam desprezando a Deus, tropeçando e perdendo o bem precioso, a salvação.
Por isso Jesus adverte: “Pois que aproveita ao
homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em
recompensa da sua alma?” (Mt 16:26). “Mas Deus lhe disse: Louco! esta
noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc
12:20).
Não podemos ser influenciados
pela maneira de pensar deste mundo (Rm 12:2). Para alguns, o "TER"
passou a ser mais importante que o "SER". O materialismo estimula as
pessoas a viverem para TER. Porém, a ênfase do cristianismo bíblico está em
viver para SER. Somos desafiados a viver para sermos santos, luz do mundo e sal
da terra em meio a uma geração que vive para TER. É evidente que como seres
terrenos temos que trabalhar com ousadia, integridade e dedicação para
conquistar os recursos materiais necessários para nossa sobrevivência e
contribuir para o reino de Deus. Contudo, a Bíblia condiciona a prosperidade do
homem a uma vida de obediência ao Senhor. Não é possível ter-se felicidade,
bem-estar, alegria, sucesso e êxito se o indivíduo não cumprir a lei do Senhor,
não O buscar de todo o seu coração.
A Verdadeira prosperidade,
portanto, é o resultado da obediência, é fruto de um estado espiritual de
comunhão com Deus. Jesus encontrou pessoas materialistas, como o jovem rico,
que preferiu suas próprias riquezas em vez das riquezas do reino. Mas ele também
encontrou pessoas como Zaqueu, que foram capazes de trocar o materialismo pelos
valores do reino. Pertencer ao Reino de Deus é está diretamente ligado ao
"SER" - ser benigno, ético, compassivo etc.
2. A bênção que enriquece - “A bênção do
Senhor é que enriquece, e ele não acrescenta dores” (Pv
10:22). Não podemos negar e nem deixar de ser gratos por essa vida, pois, para
os crentes e demais homens, ela é um testemunho da bondade e misericórdia de
Deus. Os bens materiais, inclusive o dinheiro, são bênçãos que Deus nos concede
para usufruirmos dele e beneficiar o próximo e a obra de Deus. Seria hipocrisia
de nossa parte negar que o dinheiro é um bem apreciável, pois quanto mais
recursos financeiros uma pessoa possui, mais oportunidades ela tem para
oferecer uma educação melhor aos seus descendentes, investir em sua saúde,
adquirir bens que serão utilizados de forma razoável e confortável, e abençoar
a obra de Deus de forma generosa. Mas, precisamos entender também que o
dinheiro é um ótimo servo, mas um senhor impiedoso se o colocarmos nessa posição
também. Se não tivermos nossas vidas diante de Deus, perderemos o foco da
verdadeira prosperidade: um relacionamento com o Doador, e não com a dádiva.
Não foi à toa que Jesus falou contra Mamom e os perigos do relacionamento com
ele.
Fazer a vontade de Deus e manter
uma estreita comunhão com Ele é o segredo para se ter uma vida próspera.
Independentemente das circunstâncias que estejamos passando, temos a certeza de
que o bom Pastor e Bispo de nossas almas nunca nos desampara. Ele está conosco
em meio aos pastos verdejantes, e não nos abandona quando temos que enfrentar
os vales e os desertos da vida. Somente em Jesus temos a verdadeira
prosperidade. É somente quando a bênção de Deus estiver presente que o celeiro
e o lagar se encherão e transbordarão. “É a
bênção divina que faz a distinção entre ter posses e ser verdadeiramente
próspero, pois é possível ser rico, mas não ser feliz”.
II. A METÁFORA DA FORMIGA (Pv
6:6-11)
“Vai ter com a
formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos e sê sábio. A qual, não tendo
superior, nem oficial, nem dominador, prepara no verão o seu pão; na sega
ajunta o seu mantimento. Ò preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te
levantarás do teu sono? Um pouco de sono, um pouco tosquenejando, um pouco
encruzando as mãos, para estar deitado, assim te sobrevirá a tua pobreza como
um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado” (Pv
6:6-11).
1. As formigas sabem
poupar. Em Pv 6:6-11, o sábio nos adverte a aprender
com as formigas. Numa época em que as mudanças ocorrem numa rapidez que nos
atordoa, nossa única defesa é a tentativa de antecipar, como as formigas fazem,
o amanhã e nos prepararmos, desde já, para responder aos desafios que o futuro
nos apresentará. O segredo para ter mais segurança quanto ao futuro é fazermos
planos e trabalharmos baseados neles agora. A conhecida passagem de Tiago
4:13-16 nos diz para não fazer planos para o futuro, e sim para nos darmos
conta de que todos os planos para o crente são declarações de fé. É à nossa
maneira de dizermos: “Senhor, é isso o que acreditamos que quer que façamos, e
é isso que temos a intenção de fazer. Se quiseres nos dirigir para o outro
caminho, estamos abertos à tua orientação. Enquanto isso, prosseguimos adiante
pela fé”. Portanto, precisamos fazer planos e oferecê-los como declarações de
fé ao Senhor como nosso compromisso a Ele. Prepare-se, pois seu futuro depende,
em grande parte, do que você fizer hoje.
2. A Bíblia condena o
preguiçoso. Sobre a Preguiça, a Bíblia
diz: “A preguiça faz cair em profundo sono, e a alma enganadora padecerá fome”
(Pv 19:15); “Pela muita preguiça se enfraquece o teto, e pela frouxidão
das mãos goteja a casa” (Ec 10:18). Num mundo competitivo como o nosso, ninguém
pode se dar ao luxo da preguiça. Com acerto afirmou Elifaz a Jó: “Mas
o homem nasce para o trabalho, como as faíscas das brasas se levantam para voar”
(Jó 5:7). Isto corrobora a nossa afirmação de que o trabalho foi instituído por
Deus e que é uma exigência da natureza do homem. Em sendo assim, e assim é,
então queremos crer que não existe crente que conhece a Palavra e que seja
preguiçoso. Isto porque o crente, sendo nascido de novo, é filho de Deus; como
filho, ele é participante da natureza divina, conforme declara Pedro: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz
respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua
glória e virtude, pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas
promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina...”
(2Pedro 1:3-4). Assim, crente que é filho de Deus não pode ser preguiçoso,
pois, a inércia, a inatividade, e outros atributos que caracterizam a preguiça,
não fazem parte da natureza Divina. Lembre-se: o tempo é matéria-prima da vida.
Precisamos tomar consciência de sua importância e de como aproveitá-lo melhor.
III. A METÁFORA DO LEÃO (Pv
22:13; 26:13)
“Diz o preguiçoso:
Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas” (Pv 22:13). “Diz o
preguiçoso: Um leão está no caminho; um leão está nas ruas” (Pv 26:13).
Aqui nestas duas metáforas, vemos
as desculpas esfarrapadas do preguiçoso. Esse é o tipo de pessoa que sempre
acha boas razões para justificar a sua preguiça – “mais
sábio é o preguiçoso a seus olhos do que sete homens que bem respondem” (Pv
26:16). Note-se que o preguiçoso não é nenhum anormal. Frequentemente é um
homem comum que usou desculpas demais, recusas demais e adiamentos demais. Isso
explica, pelo menos em parte, por que a pobreza chega à casa dele. Ela surge
como um ladrão, e nada a pode impedir, porque é o fruto da indolência e da
procrastinação – “assim te sobrevirá a tua pobreza
como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado” (Pv 6:11).
Para superar a preguiça, devem
ser dados alguns pequenos passos em direção à mudança. É necessário estabelecer
uma meta concreta e realista, verificar quais são os passos necessários para
alcançá-la e segui-los. Deve-se orar, pedindo a Deus força e persistência. Para
que as desculpas não tornem alguém inútil, é necessário parar de dar desculpas
vãs. A preguiça é mais perigosa do que um leão.
IV. O TRABLHO E A METÁFORA DOS
ESPINHEIROS (Pv 24:30-34)
30. Passei pelo
campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento;
31e eis que toda
estava cheia de cardos, e a sua superfície, coberta de urtigas, e a sua parede
de pedra estava derribada.
32. O que tendo eu
visto, o considerei; e, vendo-o, recebi instrução.
33. Um pouco de
sono, adormecendo um pouco, encruzando as mãos outro pouco, para estar deitado,
34. assim sobrevirá
a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.
O preguiçoso só vê dificuldades. O
caminho do preguiçoso não é cercado de espinhos, mas é como se fosse. O
problema não existe, mas por causa de sua preguiça ele age como se existisse. O
preguiçoso vê dificuldade em tudo. Ele não procura trabalho porque parte do
pressuposto de que todas as portas da oportunidade lhe estarão fechadas. Ele
não se dedica aos estudos porque está convencido de que não vale a pena estudar
tanto para depois não ter recompensa. Ele só enxerga espinhos na estrada da
vida enquanto dorme o sono da indolência.
É diferente a vereda dos retos. Mesmo
que haja espinhos, o homem reto os enfrenta. Mesmo que a estrada seja sinuosa,
ele a endireita. Mesmo que haja vales, ele os aterra. Mesmo que haja montes,
ele os nivela. O homem reto é aquele que transforma dificuldades em
oportunidades, obstáculos em trampolins, desertos em pomares e vales em
mananciais. Ele não foca sua atenção nos problemas, mas investe toda a sua
energia na busca de soluções. (1)
1. Trabalho, prosperidade
e espiritualidade! Enquanto passeava pelo campo, o sábio
observou a vinha de um preguiçoso, e eis que tudo estava cheio de espinhos.
Havia mato e urtigas por todo lado, e o muro de pedra estava em ruínas. O sábio
extraiu uma lição desse episódio: o indivíduo que gosta de dormir muito e está
sempre em repouso será assaltado pela pobreza repentina como quem encontra um
ladrão armado. Se a preguiça nos afastar de nossas responsabilidades, a pobreza
poderá afastar-nos do legitimo descanso que deveríamos desfrutar.
Aqueles que sucumbem à preguiça
espiritual tem a vida (representada pela vinha) infestada de problemas
(espinhos e urtigas) e não produzem fruto para Deus. As defesas espirituais (o
muro de pedra) caem por terra, e Satanás expande sua área de atuação. Essa
situação de desinteresse e apostasia resulta em pobreza de alma.
2. Trabalho, ócio e lazer. Um
homem normal não pode viver sem trabalho. Não se trata de precisar ou não
trabalhar pela sobrevivência; trata-se de uma exigência da natureza humana, e
isto procede de Deus. Deus não criou o homem para viver em ociosidade. Quem,
decididamente, se entrega ao ócio, e se deixa dominar pela
preguiça, acaba doente. São estas pessoas as frequentadoras contumazes dos
divãs dos psicanalistas, e dos consultórios dos psicólogos.
O trabalho é uma das
demonstrações mais eloquentes da dignidade da pessoa humana. Ora, se Deus fez o
homem para servi-lo, para que executasse tarefas que exaltassem o nome do
Senhor, é praticamente intuitivo que todo e qualquer ser humano que se disponha
a se submeter ao senhorio de Deus seja alguém que tenha no trabalho uma de suas
principais marcas. Não é por outro motivo, aliás, que, ao longo da história
sagrada, não encontramos jamais alguém que tenha sido chamado por Deus que não
estivesse trabalhando. Deus jamais chamou e jamais chamará desocupados para a
sua obra, porquanto o ócio é algo que está em frontal
oposição ao que Deus é, ao que Deus representa.
Em sendo assim, temos que todo
povo chamado e constituído por Deus é um povo que tem no trabalho, no serviço,
um ponto característico. A Igreja, o povo de Deus da atual dispensação, não é
exceção. Muito pelo contrário, Jesus sempre deixou bem claro que os seus
discípulos deveriam ser pessoas que estivessem prontas e dispostas a servir, a
executar tarefas para a glória do nome do Senhor.
CONCLUSÃO
O trabalho além de dignificar o
homem, o faz prosperar. Diante do Senhor ninguém será considerado ‘mais crente’
por se ocupar somente de coisas espirituais e negligenciar as práticas
materiais. Em muitos casos, aqueles que alegam ‘trabalharem somente para
Jesus’, na verdade, estão dando trabalho para a igreja. Dizem que vivem da fé,
mas na verdade vivem da boa-fé dos outros. A esses, mais uma vez Salomão
aconselha: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso;
olha para os seus caminhos e sê sábio” (Pv 6:6). Os homens mais
espirituais da Bíblia viviam nos labores dos seus trabalhos (2).
Portanto, uma pessoa normal não
pode viver sem trabalhar, mesmo não precisando prover sua subsistência. É claro
que muitos, embora desejando trabalhar, são impedidos, quer por incapacidade
física, mental ou social. Estes, em sendo necessário, devem ser ajudados pelo
Serviço Social da Igreja, ou por algum “irmão”, em particular. Por isto Paulo
usou a expressão “... se alguém não
quiser trabalhar, não como também” (2Tes 3:10).


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