PAULO TESTIFICA DE CRISTO EM ROMA
Texto Bíblico: Atos 27:1-44; 281:31
"E, na
noite seguinte, apresentando-se lhe o Senhor, disse: Paulo, tem bom ânimo!
Porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques
também em Roma" (At 23:11)
Paulo Testifica de Cristo em Roma: A Viagem e o Cumprimento da Promessa
A chegada do apóstolo Paulo a
Roma, registrada na reta final do livro de Atos (especificamente nos capítulos
27 e 28), marca o cumprimento solene da promessa feita pelo próprio Senhor
Jesus: "Paulo, tem bom ânimo! Porque, como
de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma"
(At 23:11).
Contudo, o caminho até a capital
do Império Romano foi marcado por provações extraordinárias, providência divina
e um testemunho inabalável que transformou prisioneiros, marinheiros e soldados
em testemunhas do poder de Deus.
1. A Viagem Perigosa e o
Naufrágio (Atos 27)
Como prisioneiro sob a custódia
do centurião Júlio (da coorte Augusta), Paulo embarca em um navio rumo a Roma.
- O Alerta Ignorado: Sabendo
que a viagem seria perigosa devido ao período desfavorável do ano (após o
Dia do Jejum), Paulo adverte os responsáveis, mas o piloto e o dono do
navio, apoiados pelo centurião, decidem prosseguir.
- A Tempestade (Euroaquilão): Um
vento tempestuoso atinge a embarcação, arrastando-os por dias a fio à
deriva no Mar Mediterrâneo. Diante do desespero generalizado e de dias sem
ver o sol ou as estrelas, a tripulação perde toda a esperança de
sobrevivência.
- A Liderança Espiritual de Paulo: Em
meio ao caos, Paulo levanta-se. Ele relata uma visão em que um anjo de
Deus lhe garantiu que nenhuma vida seria perdida, embora o navio
naufragasse. Paulo encoraja a todos a manterem a coragem, partindo o pão e
dando graças a Deus diante de 276 pessoas a bordo.
- O Naufrágio em Malta:
Conforme predito, o navio encalha e despedaça-se na ilha de Malta. Todos
os tripulantes alcançam a terra firme em segurança — alguns nadando,
outros em tábuas —, cumprindo integralmente a palavra de Deus revelada a
Paulo.
2. O Ministério na Ilha de Malta
(Atos 28:1-10)
Mesmo na condição de prisioneiro naufragado, Paulo continua exercendo seu ministério com autoridade espiritual:
- O Milagre da Víbora: Ao
ajudar a recolher gravetos para aquecer a fogueira dos náufragos, uma
víbora sai do calor e prende-se à mão de Paulo. Os nativos de Malta
concluem que ele era um homicida perseguido pela justiça divina. Contudo,
ao verem que Paulo sacode a fera no fogo e sofre dano algum, mudam de
ideia e passam a considerá-lo um deus.
- Curas e Acolhimento:
Paulo cura o pai de Públio (o homem principal da ilha) de febre e
disenteria, além de curar muitos outros enfermos da região. Como
resultado, os malteses honram os náufragos grandemente e suprem todas as
suas necessidades para a continuação da viagem.
3. A Chegada e o Testemunho em
Roma (Atos 28:11-31)
Mesas viradas pela providência,
Paulo finalmente chega a Roma. O desfecho do livro de Atos apresenta o apóstolo
no coração do mundo antigo:
- A Recepção dos Irmãos: Ao
se aproximarem da cidade, cristãos romanos caminham quilômetros para
encontrar Paulo nas praças do Mercado de Ápio e nas Três Vendas. Ao
vê-los, Paulo dá graças a Deus e cobra novo ânimo.
- Prisão domiciliar, mas sem impedimento: Em
Roma, é concedido a Paulo viver em uma casa própria, vigiado apenas por um
soldado romano. Logo nos primeiros dias, ele convoca os principais dos
judeus para explicar sua situação, afirmando que estava acorrentado "por
causa da esperança de Israel".
- A Obstinação e o Testemunho:
Embora alguns creiam nas palavras de Paulo, outros rejeitaram a mensagem.
Diante da divisão, Paulo aplica a profecia de Isaías sobre o endurecimento
espiritual do povo, declarando que a salvação de Deus havia sido
enviada aos gentios, e estes a ouviriam.
Conclusão: Um Final em Aberto
O livro de Atos encerra-se com
uma imagem marcante e inspiradora:
"E Paulo morou
dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara e recebia a todos os
que vinham a ele, prestando o Reino de Deus e ensinando as coisas que dizem ao
Senhor Jesus Cristo, com toda a liberdade, sem impedimento algum." (Atos 28:30-31)
A narrativa termina de forma
intencionalmente aberta para mostrar que, embora o apóstolo estivesse
fisicamente preso, a Palavra de Deus não estava algemada. De escravos a
oficiais da guarda pretoriana (conforme o próprio Paulo menciona em suas
epístolas escritas na prisão), o testemunho de Cristo penetrou nas estruturas
do próprio Império Romano, provando que os propósitos de Deus sempre se
cumprem, independentemente das tempestades e das prisões da vida.
INTRODUÇÃO
Neste Estudo falaremos a respeito
da viagem de Paulo a Roma. Veremos que essa não foi uma viagem fácil. Paulo
enfrentou grande perigo, todavia o Senhor o guardou e o levou em segurança até
o seu destino final; foi da vontade de Deus que Paulo se apresentasse em Roma (cf
At 23:11). Paulo proclamou com ousadia e destemor o evangelho de Cristo, tanto
durante a viagem como na cidade de Roma. Ele estava preso, mas não o Evangelho
de Cristo. Aliás, nenhuma criatura poderá obstar a mensagem da cruz.
I. VIAGEM DE PAULO A ROMA (At 27:1 – 28:10)
Ao chegar a Jerusalém, de sua terceira viagem missionária, após uma semana o apóstolo Paulo foi preso no Templo. Numa noite em que esteve preso, o Senhor lhe disse que ele seria testemunha em Roma, a capital do império. Paulo foi escoltado até Cesaréia, onde permaneceu sob custódia por dois anos. Foi ouvido por Félix, o governador romano da Judéia, e depois por Festo, sucessor de Félix no governo. Este sabia da inocência de Paulo, mas estava inclinado a entregá-lo aos judeus, e por esse motivo Paulo apelou para o imperador César, pois tinha esse direito como cidadão romano. A viagem de Paulo a Roma começou no outono do ano 60 de nossa era. O que parecia um simples traslado de preso haveria de ser registrado pela história como o início da maior expansão do Cristianismo que, conquistando toda a Europa Ocidental, não tardaria a chegar aos pontos mais ignorados do planeta.
1. De Cesaréia a Malta (27.1-44). A viagem começou em Cesaréia.
Paulo foi colocado sob a custódia de um oficial chamado Júlio. Esse centurião
fazia parte da Coorte Imperial, uma legião importante do exército romano. Como
todos os outros centuriões mencionados no Novo Testamento, Júlio era um homem
bondoso, justo, de excelente caráter, e que mostrava consideração por outros.
O navio levava outros prisioneiros que, como Paulo, seriam julgados em Roma.
Na lista de passageiros, também estavam os nomes de Aristarco e Lucas, dois
companheiros do apóstolo em viagens anteriores (ver 19:29; 20:4; Cl 4:10; Fm
24). Como diz o sábio rei de Israel, é na angústia que nasce o irmão (Pv 17:17;
18:24). O navio no qual embarcaram era de Adramítio, uma cidade da Mísia, na
extremidade noroeste da Ásia Menor.
O navio passou pela costa da Palestina e aportou em Sidom, a cento e doze
quilômetros de Cesaréia. Tratando de Paulo com humanidade, o centurião Júlio
permitiu que o apóstolo desembarcasse para ver os amigos e obter assistência.
Quando Deus nos envia, até os inimigos fazem-se amigos e os amigos tornam-se
irmãos.
De Sidom, o navio atravessou a extremidade nordeste do Mediterrâneo, passando
por Chipre. Apesar de serem contrários os ventos, o navio atravessou para a
costa sudeste da Ásia Menor e, de lá, rumou para oeste, passando a Cilícia e
Panfília, até chegar a MIRRA, uma cidade portuária na Lícia.
Lá, o centurião transferiu os prisioneiros para outro navio. A primeira
embarcação não poderia levá-los até a Itália, pois voltaria ao seu porto de
origem navegando pela costa oeste da Ásia Menor. O segundo navio era de
Alexandria, uma cidade na costa norte da África. Carregava duzentas e setenta e
seis pessoas, entre passageiros e tripulantes, e também levava uma carga de
trigo.
Durante muitos dias, a embarcação avançou vagarosamente devido aos ventos
contrários. Por fim, com dificuldade, a tripulação levou o navio até defronte
de CNIDO, um porto na extremidade sudoeste da Ásia Menor. Uma vez que o vento
estava contra eles, rumaram para o sul e navegaram ao longo da costa leste de
Creta, sob a proteção da ilha. Depois de contornar o cabo de Salmona, rumaram
para oeste e avançaram penosamente em meio a ventos fortes até chegar a BONS
PORTOS, na costa centro-sul de Creta (At 27:8).
A essa altura, haviam perdido muito tempo devido às condições desfavoráveis de
navegação, e, tendo em vista a aproximação do inverno, seria perigoso
prosseguir. Devia ser final de setembro ou início de outubro, pois o Dia do
jejum (Dia da Expiação) já havia passado. Paulo advertiu a tripulação sobre o
perigo de continuar navegando. Se seguissem viagem, corriam o risco de perder a
carga, o navio e até mesmo a vida (At 27:9-10). Contudo, o piloto e o mestre do
navio desejavam prosseguir. O centurião aceitou a decisão deles, e a maioria
dos tripulantes concordou. Imaginavam que o porto onde estava não era tão
próprio para invernar quanto Fenice, situada a sessenta e quatro quilômetros a
oeste de Bons Portos, na extremidade sudoeste de Creta.
Ao sentirem o vento sul soprar brandamente, os marinheiros pensaram que
poderiam chegar até FENICE. Levantaram âncora e rumaram para oeste, costeando
Creta de perto. Então, um tufão de vento, chamado Euroaquilão (At 27:14),
sobreveio dos penhascos ao longo da costa. Impossibilitada de pilotar a
embarcação dentro do curso desejado, a tripulação teve de deixá-la ser levada
pelo vendaval. O navio foi arrastado até uma ilhota chamada CAUDA (27:16),
situada de trinta a cinquenta quilômetros de Creta. Chegando ao lado protegido
da ilha, tiveram dificuldade em recolher o bote que estavam rebocando, mas, por
fim, conseguiram trazê-lo a bordo. Então, amarraram cordas em torno do casco do
navio para que não fosse danificado pelas fortes ondas. A maior preocupação era
que o navio fosse arrastado para o sul até Sirtes, um golfo na costa norte da África
(costa Líbia) conhecido por seus bancos de areia. A fim de evitar que isso
acontecesse, arriaram as velas e foram ao léu (27:17).
Depois de vários dias à mercê da tempestade, os tripulantes começaram a lançar
fora a carga. Ao terceiro dia a armação (isto é, os mastros e velas) do navio
foi lançada ao mar. Sem dúvida, uma grande quantidade de água havia entrado na
embarcação, e, portanto, era necessário aliviar a carga para evitar que
afundasse. Durante alguns dias, foram levados de um lado para o outro, sem
poder fazer nada, sem ver o sol nem estrelas e, portanto, sem ter como
determinar sua localização. Dissipou-se, afinal, toda a esperança de sobrevivência
(cf 27:18-20).
O desespero foi acentuado pela fome. Os homens haviam ficado vários dias sem
comer. Por certo, passaram grande parte do tempo trabalhando para salvar o
navio e baldeando água para fora da embarcação. Talvez não tivessem onde
cozinhar. Provavelmente, haviam perdido o apetite devido à náusea, ao medo e ao
desanimo. Não havia falta de comida, mas também não havia vontade de comer.
Então, Paulo, pondo-se em pé no meio deles, transmitiu uma mensagem de
esperança. Primeiro, lembrou-os com toda a delicadeza de que deveriam tê-lo
atendido e permanecido em Creta. Em seguida, garantiu-lhes que, apesar da
impossibilidade de salvar o navio, nenhuma vida se perderia. Como ele sabia
disso? Um anjo do Senhor lhe havia aparecido naquela noite e assegurado que ele
compareceria perante César em Roma. Deus havia concedido ao apostolo todos
quantos navegavam com ele (27:24). Em outras palavras, eles também seriam
preservados. Assim, deviam ter bom ânimo. Os tripulantes e passageiros
naufragariam numa ilha, mas Paulo estava certo de que tudo ocorreria bem.
Enquanto Deus tiver um lugar e um propósito na vida de alguém aqui na terra, e
tal pessoa buscar a Deus e seguir a direção do Espírito Santo (cf 23:11;24:16),
o Senhor o protegerá da morte.
Já se haviam passado quatorze dias desde a partida de Bons Portos. O navio
estava à deriva numa região do Mediterrâneo conhecida na antiguidade como mar Adriático
(chamado hoje de mar Jônico), entre a Grécia, a Itália e a áfrica. Por volta da
meia-noite, pressentiram os marinheiros, talvez por som de arrebentação na
praia, que se aproximava de alguma terra. Ao sondarem da primeira vez, acharam
vinte braças (trinta e sete metros). Pouco tempo depois, sondaram novamente e
acharam quinze braças (vinte e sete metros). Para evitar que o navio
encalhasse, os marinheiros lançaram da popa quatro âncoras e oraram para que amanhecesse
(cf 27:27-29).
Alguns dos marinheiros, amedrontados, tramaram deixar o navio usando o bote.
Com o pretexto de largar mais âncoras da proa, estavam descendo a embarcação
quando Paulo relatou a trama ao centurião. O apóstolo advertiu que, se aqueles
marinheiros não permanecessem a bordo, o restante dos homens não seria salvo.
Os soldados cortaram os cabos do bote e o deixaram afastar-se. Os marinheiros
foram obrigados a tentar salvar-se com os outros a bordo.
Pouco depois do amanhecer, Paulo rogou a todos que se alimentassem,
lembrando-os de que haviam passado duas semanas sem comer. Era chegada a hora
disso. O apostolo lhes garantiu que não se perderia nem mesmo um fio de cabelo
da cabeça de ninguém. Então, para dar exemplo, tomou um pão, deu graças a Deus
publicamente e começou a comer (27:35). Como é fácil ficarmos com vergonha de
orar na frente de outros! Muitas vezes, porém, essas orações falam mais alto
que nossa pregação. Todos recobraram o ânimo e se puseram também a comer. Havia
duzentas e setenta e seis pessoas a bordo do navio (At 27:35-37).
Depois de comer, aliviaram o navio, lançando o trigo ao mar. Avistaram terra
firme, mas não conseguiram reconhecê-la. Decidiram, por fim, encalhar ali o
navio, o mais perto possível da praia. Levantaram as âncoras e deixaram a
embarcação ir ao mar. Também desamarraram o leme que havia sido suspenso
anteriormente e baixaram-no de volta à sua posição normal. Alçaram a vela de
proa, dirigiram-se para a praia e encalharam o navio num lugar onde duas
correntes se encontravam, provavelmente um canal entre duas ilhas. A proa
encravou-se firmemente na areia, mas a popa logo começou a se romper devido à
violência do mar (At 27:38-41).
O parecer dos soldados era que matassem os presos, para que nenhum deles
fugisse; mas o centurião, querendo salvar a Paulo, impediu-os. Ordenou aos que
sabiam nadar que fossem para a praia. Os demais deviam boiar usando tábuas e
outras partes do navio. Desse modo, tripulação e passageiros se salvaram em terra
(cf 27:42-44). Assim que a tripulação e os passageiros chegaram à praia,
descobriram que estavam na ilha de MALTA (cf 28:1).
CONTRASTE ENTRE A EXPERIÊNCIA DE PAULO NA TEMPESTADE, DENTRO DA VONTADE DE DEUS, COM A DE JONAS, QUE ESTAVA EM DESOBEDIÊNCIA.
Comparando as duas experiências,
notamos: “Paulo viajava para cumprir sua sagrada
vocação. Jonas fugia da chamada que recebeu. Este se escondeu e dormiu durante
a tempestade. Aquele dirigia as operações e encorajava os passageiros. A
presença de Jonas no navio era a causa da tempestade. O navio em que Paulo
viajava seria preservado de todo dano se os tripulantes respeitassem seu aviso
(At 27.9,10). Jonas foi forçado a dar testemunho acerca de Deus (Jn 1.8,9).
Paulo, com boa vontade e coragem, falou acerca da sua visão e do seu Deus. A
presença de Jonas no navio ameaça a vida dos gentios. A presença de Paulo era
uma garantia para a vida dos seus companheiros de viagem. O navio em que Jonas
viajava recebeu alívio quando ele foi jogado no mar. A conversão de Paulo
salvou a tripulação do navio no qual era prisioneiro. Há muita diferença em
atravessar uma tempestade dentro e fora da vontade de Deus! Paulo, andando
segundo o querer de Deus, em comunhão com Ele tornou-se bênção para todos
quantos atravessavam o perigo com ele. Conforme Paulo anunciou, todos escaparam
ilesos para a terra. Ficaram na ilha durante o inverno, um período de três
meses. Mais uma vez foi manifestada a presença de Deus através de Paulo" (PEARLMAN,
Myer. Atos. 1. ed. RJ: CPAD, 1995, pp. 248-49).
2. Paulo na ilha de Malta (At 28.1-10). Forçados a desembarcar em Malta, todos são tratados com singular bondade pelos nativos. Alguns deles viram o naufrágio e acompanharam o esforço das vítimas para alcançar a terra. Num gesto de bondade, acenderam uma fogueira para os recém-chegados que estavam encharcados e com frio por causa da água do mar e da chuva que caía.
Enquanto ajudava a manter a fogueira acesa, Paulo foi picado por uma cobra
venenosa. Ao que parece, a cobra estava dormindo no meio dos gravetos. Quando
Paulo lançou-os na fogueira, a víbora despertou e prendeu-se à mão dele, não
apenas enrolando-se, mas cravando as presas. A princípio, o povo da ilha
imaginou que o apóstolo era um assassino. Havia escapado do mar, mas a Justiça
não o deixa viver. Em breve, começaria a inchar ou cairia morto de repente.
Contudo, como Paulo não apresentou nenhuma reação à picada, mudando de parecer,
chegaram à conclusão de que ele era um deus! Vemos aqui mais uma ilustração
clara da leviandade e inconstância da mente e do coração humanos (cf 28:3-6).
Na época, o homem principal de Malta era Públio. Tinha uma propriedade extensa
perto da praia aonde os náufragos chegaram. Esse oficial romano abastado
recebeu Paulo e seus amigos benignamente e hospedou-os por três dias, até que
se provessem alojamentos onde poderiam passar o inverno. A bondade desse gentio
foi recompensada. Quando seu pai se achou enfermo de disenteria e febre Paulo
foi visitá-lo e, orando, impôs-lhe as mãos, e o curou (cf 28:7,8). A notícia do
milagre de cura espalhou-se rapidamente por toda a ilha. Nos três meses subsequentes,
os demais enfermos foram levados ao apóstolo e curados. Dessa maneira, semeia
Paulo uma igreja que não tardaria a florescer.
Quando chegou a hora dos náufragos partirem, como prova de sua gratidão a Paulo
e Lucas, o povo de Malta lhes trouxe muito presentes que seriam de grande
proveito na viagem a Roma (cf 28:9,10).
3. Paulo chega a Roma (Mt 28.11-15). Passados os três meses de
inverno, quando era seguro voltar a navegar, o centurião e seus prisioneiros
embarcaram num navio de Alexandria, que invernara na ilha de Malta. A
embarcação tinha por insígnia “Castor e Pólux” [os “deuses gêmeos”, que na
mitologia greco-romana, eram os filhos de Júpiter (Zeus), considerados pelos
pagãos os deuses da navegação e os padroeiros dos navegadores].
De Malta, navegaram quase cento e trinta quilômetros até Siracusa, a capital da
Silícica. O navio aportou ali três dias antes de prosseguir para Régio, na
extremidade sudoeste da Itália. No dia seguinte, um vento favorável soprou do Sul,
permitindo aos viajantes percorrer duzentos e noventa quilômetros rumo ao
norte, junto à costa oeste da Itália, até Potéoli, no norte da baía de Nápoles.
Potéoli ficava a cerca de duzentos e quarenta quilômetros de Roma. Lá, o
apostolo encontrou alguns irmãos e recebeu permissão de permanecer com eles
sete dias, provavelmente enquanto Júlio aguardava as instruções finais em
relação aos prisioneiros. O Senhor jamais abandona os seus mensageiros. Mesmo
distantes da pátria querida, faz-nos Ele nos sentirmos em casa.
A quarta etapa da viagem de Paulo, de Malta até Roma, foi feita por terra, e
não por mar. Depois de poucos quilômetros eles devem ter encontrado a
famosa VIA ÁPIA, que apontava diretamente para Roma, considerada
por muitos como “a estrada romana mais antiga, mais reta e mais perfeita”. Os
cristãos de Roma souberam da chegada e mandaram uma delegação para encontrar
Paulo e seus companheiros no caminho. Alguns enfrentaram os cinquenta e poucos
quilômetros até “Três Vendas”, enquanto outros perseveraram por mais quinze
quilômetros até a cidade-mercado chamada “Praça de Ápio”. Deve ter sido uma
experiência emocionante para Paulo encontrar pessoalmente os primeiros
moradores da cidade de seus sonhos e os primeiros membros da igreja à qual ele
havia escrito o seu grande tratado teológico e ético. Não nos surpreende que
ele tenha dado “graças a Deus” sentindo-se “mais animado” ao vê-los (cf
28:15b).
Quando chegou, Lucas nos conta que Paulo recebeu custódia militar, o que
lhe permitirá viver em sua própria casa, embora permanecesse sob a vigilância
de um solado romano, a quem ficava acorrentado pelo seu pulso direito (cf At
28:16).
“Embora Paulo fosse fiel, Deus não proveu um caminho fácil e livre de
problemas. Nós, da mesma forma, podemos estar na vontade de Deus, ser
inteiramente fiéis a Ele, e mesmo assim sermos dirigidos por Ele através de
caminhos desagradáveis, com aflições. No meio de tudo isso, sabemos, porém, que
“todas as coisas contribuem juntamente para o bem
daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28)” (Bíblia Pentecostal).
II. O EVANGELHO É PROCLAMADO NA
CAPITAL DO IMPÉRIO (AT 28.16-31)
1. Prisão domiciliar (28.16). Uma vez em Roma, o apostolo recebeu permissão de morar numa residência particular, tendo em sua companhia um soldado que o guardava. Apesar de ser vigiado por um soldado, tinha liberdade de ler, escrever, receber visitas e, naturalmente, evangelizar. Paulo ficou dois anos vivendo em sua própria casa, que alugara, e ministrando aos visitantes que o procuravam com frequência. Provavelmente foi durante esse período que escreveu Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Mesmo sem liberdade, o Senhor deixa-nos livres para realizar a sua obra.
2. Apologia entre os judeus (28.17-22). Uma vez que
costumava testemunhar primeiro aos judeus, Paulo enviou um convite aos seus
líderes religiosos. Quando se reuniram na casa alugada do apóstolo, ele
explicou o seu caso. Disse-lhes que não havia feito coisa alguma contra o povo
judeu ou contra os seus costumes, mas, ainda assim, os judeus de Jerusalém o
haviam entregado nas mãos dos romanos para ser julgado. As autoridades gentias
não o consideraram culpado de nenhum crime e quiseram soltá-lo. Quando, porém,
os judeus acusaram-no mais uma vez, o apóstolo sentiu-se compelido a apelar
para César. Ao fazer esse apelo, o propósito de Paulo não era apresentar
acusações contra a nação judaica, mas se defender.
Era por isto, ou seja, para não ser culpado de nenhum crime contra o povo
judeu, que o apóstolo havia chamado os líderes judeus de Roma para se reunirem
com ele. Na verdade, estava preso com uma cadeia por causa da esperança de
Israel. A esperança de Israel é uma referência ao cumprimento das promessas
feitas aos patriarcas judeus, especialmente a promessa do Messias. Os líderes
judeus afirmaram não ter nenhuma informação sobre o apóstolo Paulo. Não haviam
recebido da Judéia nenhuma carta a respeito dele, e nenhum dos seus
compatriotas judeus havia falado mal dele. Estavam interessados, porém, em
ouvir mais acerca das experiências de Paulo, pois sabiam que a fé cristã à qual
ele estava associado era contestada por toda parte.
O apóstolo Paulo aproveita bem a oportunidade para anunciar que Jesus era, de
fato, o Messias de Israel. Alguns deixaram-se persuadir, outros preferiram
continuar na incredulidade. Entre os gentios, contudo, o evangelho expandiu-se
até mesmo na elite romana.
3. Progresso do evangelho em Roma (28.23-31). Algum tempo
depois, um grande número de judeus foi à residência de Paulo para ouvi-lo. O
apóstolo aproveitou a oportunidade para lhes dar testemunho acerca do Reino de
Deus e persuadi-los a respeito de Jesus. Para isso, usou tanto a lei de Moisés
quanto os profetas, e sua exposição estendeu-se desde a manhã até à noite.
Alguns creram em sua mensagem, enquanto outros continuaram incrédulos. Ao
perceber que, mais uma vez, a nação judaica estava desprezando o evangelho,
Paulo citou Isaias 6:9,10, em que o profeta recebeu a comissão de levar a
Palavra a um povo de “coração [...] endurecido, ouvidos surdos e olhos cegos”.
O apóstolo voltou a sentir o desgosto de pregar as boas-novas àqueles que não
desejavam ouvi-la. Diante dessa rejeição, Paulo anunciou que levaria o
evangelho aos gentios. E eles dariam ouvidos. Os judeus incrédulos partiram,
discutindo entre si.
Paulo tinha liberdade considerável de pregar o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo. Apesar das intempéries surgidas e de déspotas romanos contrários à fé cristã, o progresso do Evangelho de Jesus ultrapassou os limites da inflexibilidade e rumou para conquistar as nações de forma inabalável. E ele nos alcançou. Somos gratos à determinação, ousadia e destemor deste grande missionário de Jesus Cristo, Paulo.
CONCLUSÃO
“pregando o Reino de Deus e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum” (Atos28:31). Assim termina o livro de Atos. De modo repentino, sem nenhuma conclusão formal quanto ao que Deus realizou através do Espírito Santo e dos apóstolos. É preciso observar, porém, que o padrão esboçado logo no início havia se cumprido. O evangelho tinha sido pregado em Jerusalém, na Judéia, em Samaria e, por fim, no mundo gentio. Acredito que a intenção de Deus é que os Atos do Espírito Santo e a pregação do Evangelho continuem na vida do povo de Cristo até o fim dos tempos (At 2:17-21; Mt 28:18-20).
O Espírito Santo, através de Lucas, revelou o padrão daquilo que a igreja deve
ser e fazer. Ele registrou exemplos da fidelidade dos crentes, do triunfo do
evangelho em meio a oposição do inimigo e do poder do Espírito Santo operante
na igreja e entre os homens. Esse é o padrão de Deus para as igrejas atuais e
futuras, e devemos fielmente guardá-lo, proclamá-lo e vivê-lo (2Tm 1:14). Todas
as igrejas devem avaliar-se segundo o que o Espírito Santo disse e fez entre os
crentes dos primeiros tempos. Se o poder, a justiça, a alegria e a fé das
nossas igrejas atuais não são idênticas às que lemos nas igrejas em Atos,
devemos pedir a Deus, mais uma vez, uma renovação da nossa fé no Cristo
ressurreto, e um novo derramamento do seu Espírito

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