A GRANDE BABILÔNIA
Texto Bíblico: Apocalipse 17:1-6
“E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande
Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra” (Ap.17:5).
O Contexto e a Visão de João
(Apocalipse 17:1-6)
O apóstolo João é levado pelo
Espírito ao deserto para ver a condenação da "grande meretriz que se acha
sentada sobre muitas águas". Essa figura está ricamente vestida de púrpura
e escarlate, adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas, segurando na mão um
cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição. O
texto destaca que os reis da terra se prostituíram com ela, e os habitantes da
Terra se embriagaram com o vinho da sua luxúria. Na sua testa, há um nome
misterioso que resume sua essência: "Mistério, a Grande Babilônia, a
Mãe das Prostituições e Abominações da Terra". João também se espanta
ao ver que a mulher está embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas
de Jesus.
Principais Interpretações
Teológicas
Ao longo da história da igreja,
estudiosos e teólogos formularam diferentes perspectivas sobre a identidade da
Grande Babilônia:
- O Império Romano: Muitos
eruditos históricos veem a Babilônia como uma referência velada ao Império
Romano do primeiro século. Roma era a superpotência da época, famosa por suas
idolatrias, opressão política, imoralidade desenfreada e perseguição
implacável aos cristãos (simbolizada pelo "sangue dos santos").
Chamar Roma de Babilônia era uma forma de associá-la à antiga inimiga de
Deus que destruiu o Templo de Jerusalém.
- O Sistema Mundial Apostatado e Secular: Uma
vertente ampla de interpretação enxerga a Babilônia não apenas como uma
cidade ou império específico, mas como o sistema global de poder político,
econômico e cultural que se apartou de Deus. É a rede mundial de comércio
egoísta, corrupção, idolatria e autossuficiência humana que governa a
civilização rebelde à soberania divina.
- A Apostasia Religiosa Global: Na
escatologia cristã, especialmente entre correntes protestantes e
futuristas, a Babilônia também representa uma falsa religião global ou uma
grande apostasia — um sistema religioso unificado que corrompeu a verdade
bíblica, misturando o paganismo com elementos cristãos e exercendo
influência sobre os governos terrenos.
O Simbolismo das Imagens
- A Montaria sobre a Besta (Ap 17:3): A
mulher montada em uma besta de sete cabeças e dez chifres indica a aliança
entre o poder político (a besta) e a sedução ideológica ou religiosa (a
meretriz). O sistema político sustenta e é influenciado pelo sistema
babilônico.
- As Muitas Águas (Ap 17:15): O
texto bíblico explica que as águas onde a prostituta se assenta "são
povos, e multidões, e nações, e línguas", indicando o alcance global
de sua influência corruptora.
- A Queda Inevitável: Em
Apocalipse 18, a queda da Grande Babilônia é anunciada com grande
estrondo. Ela cai não por um acidente histórico, mas pelo juízo divino,
deixando os reis e comerciantes da Terra em pranto porque o sistema
econômico e exploratório que sustentava o luxo mundial desmorona de uma só
vez.
INTRODUÇÃO
O Cristianismo bíblico, no
cenário atual, está passando por uma forte oposição por parte de instituições
governamentais, econômicas, políticas e culturais, instituições essas dominadas
por forças malignas.
Em todos os países não se pode
mais pregar livremente o Evangelho de Cristo. Falar contra o aborto, a
homossexualidade, a indissolubilidade da família, o casamento de pessoas do
mesmo sexo, pregar contra o satanismo, expulsar demônios etc., o pregador sofreará
fortes represálias e será julgado e preso por defender os princípios
doutrinários exarados nas Escrituras Sagradas. Em vários países como, por
exemplo, o Canadá as Bíblias estão sendo queimadas ou rasgadas publicamente.
Certamente, a oposição de Satanás
nunca foi tão forte e inibidora como nestes últimos dias da Igreja na Terra.
Sem dúvida, isto é um grande aviso a todos os verdadeiros cristãos que Cristo
estar prestes a voltar para Arrebatar a Sua Igreja e estabelecer o seu reino millenial.
A Igreja precisa estar alerta acerca dos aspectos gerais do “espírito da
Babilônia” presente no cenário global em que vivemos, e, com sabedoria e
prudência, resisti-lo, utilizando-se das armaduras que o Espírito Santo dispõe
a todos nós (Ef.6:11), “para que possamos resistir no dia mal e, depois de
termos vencido tudo, permanecermos inabaláveis” (Ef.6:13).
I. BABILÔNIA E SEUS SIGNIFICADOS
Segundo comentário na Bíblia de
Estudo Pentecostal, a Babilônia mencionada em Apocalipse 17:5 é símbolo para
todo o sistema mundial que tem sido dominado por Satanás ao longo da história,
aplicando seus planos perversos aos aspectos político, religioso, econômico e
comercial. A João foi revelada que essa Babilônia será completamente destruída
durante os últimos três anos e meio do período da Grande Tribulação pelos
juízos de Deus sobre a terra. Segundo entendimento do comentarista Stanley M.
Horton, embora a Babilônia venha identificada das mais diversas formas
(conforme veremos nesta lição), ela representa, na verdade, o presente sistema
mundial - o mundo que a Bíblia diz estar no maligno (1João 5:19).
1. A Grande Prostituta
(Ap.17:1,2)
1. E veio um dos
sete anjos que tinham as sete taças e falou comigo, dizendo-me: Vem,
mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas
águas,
2. com a qual se
prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o
vinho da sua prostituição.
Um dos anjos que tinham as sete
taças veio até o apóstolo Joao e mostrou a ele contra o que elas estavam
dirigidas. O anjo mostrou a João a condenação que virá sobre a “grande
prostituta”, a qual trata-se da Babilônia religiosa, e abrange todas as religiões
falsas, inclusive o cristianismo apóstata (Ap.17:5). Na Bíblia, os termos
prostituição e adultério, quando empregados figuradamente, normalmente denotam
apostasia religiosa e infidelidade a Deus (cf. Is.1:21; Jr.3:9; Ez.16:14-18;
Tg.4:4), e significam um povo que professa servir a Deus enquanto, na
realidade, adora e serve a outros deuses.
Para os primeiros cristãos, esta
“grande prostituta” representava o antigo império romano com os seus inúmeros
deuses e sua imoralidade que era bastante notória. A Roma antiga era a capital
do vasto e poderoso império romano, um império que se estendia desde a
Inglaterra até a Arábia. Na época de João, Roma era a maior cidade do mundo,
com uma população de aproximadamente um milhão de pessoas, segundo os
historiadores. Mas, com todo o seu poder, ela era extremamente imoral. Os
cristãos entravam em conflito com a sociedade ímpia e os perniciosos valores
romanos e, portanto, eram impiedosamente perseguidos. Com o histórico do
paganismo e da perseguição romana, não é de admirar que Roma fosse vista como
uma representação clara do mal. Ela tornou-se um símbolo do paganismo e da
oposição à Igreja do Senhor Jesus na Terra.
Mas a “prostituta” mencionada
representa muito mais do que simplesmente o império romano; ela simboliza
qualquer sistema econômico, político, cultural ou militar que seja hostil a
Deus, e é um sistema mundial futuro que irá abranger todas as nações e que será
imoral e completamente contrário a Deus. Nessa ocasião, irá ocorrer a grande
apostasia – muitos se afastarão de Deus e seguirão as bestas - o Anticristo e o
Falso Profeta.
A “prostituta” mencionada, que
“está assentada sobre muitas águas”, é descrita em 17:15 como “povos,
multidões, nações e línguas”. A “grande prostitua”, portanto, representa todas
as forças do final que se unirão em oposição a Deus. O “espírito da Babilônia”
já opera fortemente no mundo e domina completamente o sistema econômico,
político, religioso e cultural.
A “grande prostituta”, em lugar
de ser descrita como qualquer cidade em particular, de qualquer período, existe
onde há engano satânico e resistência a Deus. Isto era verdade em muitos reinos
antigos como Babilônia, Egito, Tiro, Nínive e Roma. Ela representa o poder de
sedução de qualquer sistema governamental, político, religioso, econômico e
cultural, que usa meios pervertidos para conseguir o seu próprio intento
contrário ao padrão moral de Deus. Não importa qual postura, lícita ou ilícita,
ética ou amoral, a ser utilizada para conseguir a sua própria prosperidade e as
suas próprias vantagens iniquas. Enfim, “a Babilônia” é identificada como uma
das facetas da imoralidade e dos falsos sistemas mencionados anteriormente
(Ap.14:8; 17:5).
2. A Mulher e a besta Escarlata
(Ap.17:3,4)
3. E levou-me em
espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor
escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez
chifres.
4. E a mulher
estava vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, e pedras
preciosas, e pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e
da imundícia da sua prostituição.
João foi levado “em espírito a um
deserto” (17:3) onde ele iria ver a “grande prostituta” (Ap.17:1), “uma mulher
assentada sobre uma besta de cor escarlate”. Muito provavelmente, essa “besta
de cor escarlate” é Satanás, pois ele é descrito em Ap.12:3 como um “grande
dragão vermelho”. Mas esta besta também é identificada com a “besta que saiu do
mar” (Ap.13:1). Todas elas têm a mesma origem – e todas são descritas como
tendo “sete cabeças e dez chifres” (como se observa em Ap.12:3 e 13:1). Estas
cabeças e estes chifres também são descritos por João em Ap.17:9-18, e eles
simbolizam os poderes do mundo e a sua força política (Ap.17.3c,10,12). A
“mulher” representa o sistema maligno do mundo; a “besta”, que é o Anticristo
controlado por Satanás, representa o poder que sustenta este sistema mundial;
ela é o inimigo supremo da Igreja e do povo de Deus. A “besta do
mar” também é descrita como tendo em cada cabeça nomes que blasfemavam contra
Deus. Os “nomes de blasfêmia” são provavelmente os nomes que a besta assume ao
chamar a si mesma de Deus.
A “mulher” estava segurando “um
cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição”
(Ap.17:4). De certa forma, este era o seu ser interior – ela era extremamente
imoral. Ela era uma prostituta – belamente vestida, mas obscena e impura. A sua
aparência não podia esconder o que havia no seu cálice. O pastor Douglas Baptista
afirma que “o cálice em sua mão diz respeito às abominações e as imundícias da
sua prostituição (Ap.17:4c), o que representa toda a forma obscena e impura de
contaminação do padrão moral e espiritual da sociedade.
A “besta” na qual a mulher está
montada é que saiu do mar (Ap.13:1), que será o Anticristo que, pelo poder de
Satanás, faz oposição aos seguidores de Jesus Cristo (2Ts.2.4,9,10). Ele
profere blasfêmias em consciente repulsa ao senhorio de Cristo (Ap.13.6;
17.3b).
3. Mistério: a Grande Babilônia
(Ap.17:5)
“E, na sua testa,
estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e
Abominações da Terra”.
Na sequência da revelação, o nome
da prostituta é desvendado: “Mistério, a Grande Babilônia”
(Ap.17:5a). O termo “mistério” indica que o nome “babilônia” não é meramente
geográfico, mas simbólico, e mostra que a verdadeira origem e natureza do mal
está sendo revelada.
Segundo o pastor Douglas, a
Babilônia é a mentora de toda a rebelião contra Deus e a consequente depravação
da sociedade. Ela sempre trabalhou, e se intensificará cada vez mais na Grande
Tribulação, para desconstruir a fé bíblica e impor sua religião apóstata com
uma cultura de oposição à fé cristã e a todos os seguidores de Cristo. Não se
trata apenas de uma cultura sem Deus, mas de uma cultura contra Deus.
O título “a Grande
Babilônia” descreve todo um sistema mundial que será a culminação de todo o
mal, afastando as pessoas de Deus.
A “mulher” referida em 17:4 é um
retrato da cidade antiga da Babilônia, que tinha levado o povo de Deus ao
cativeiro; ela também é um retrato da Roma antiga, com o seu luxo e a sua
decadência. Mas ela é muito mais do que simplesmente uma cidade ou um império
em particular na história; ela é, na verdade, a “mãe” de tudo isto, ela é a
origem de todo o mal, a origem de toda rebelião contra Deus ao longo da
história, da qual muitas nações participaram; ela é “a mãe das prostituições e
abominações da terra”.
Apesar de todos os seus adornos,
a Babilônia nada mais é do que uma “prostituta” que tem sempre se rebelado
contra Deus, com a manifestação de sua imoralidade, perversidade, injustiça e
inversão dos valores absolutos de Deus exarados nas Escrituras Sagradas.
Segundo William Hendriksen, a Babilônia simboliza a concentração do luxo, do
vício, e do encanto deste mundo; é o mundo visto como a personificação da
“concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e da soberba da vida”
(1João 2:16).
II. O ESPÍRITO DA BABILÔNIA
1. No sistema religioso
A “grande prostituta”, a
Babilônia, é conhecida pela sua sedução (Ap.17:2,4,5), principalmente no campo
espiritual. Neste aspecto, o “espírito da Babilônia” tem seduzido e inebriado
inúmeras pessoas pela “prostituição espiritual. As pessoas seduzidas são
contaminadas pelo orgulho e pelo ego, tornando-as amantes de si mesmas, amantes
do dinheiro e dos deleites da vida (2Tm.3:2-4).
A Bíblia usa repetidas vezes
expressões que indicam uma prostituição espiritual ao referir-se à corrupção do
amor ao Senhor. Esaú é um exemplo negativo disto nas Escrituras; ele tinha
direito à herança de Abraão e Isaque por nascimento, mas desprezou-a e ficou
conhecido como alguém que se prostituiu - “E
ninguém seja fornicador ou profano, como Esaú, que, por um manjar, vendeu o seu
direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois
herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda
que, com lágrimas, o buscou” (Hb.12:16,17 – ARC).
A Palavra de Deus emprega este
mesmo exemplo de prostituição com relação a Israel, que deixou de amar e seguir
ao Senhor: “A mim me veio a palavra do Senhor, dizendo: Vai e clama aos ouvidos
de Jerusalém: Assim diz o Senhor: Lembro-me de ti, da tua afeição quando eras
jovem, e do teu amor quando noiva, e de como me seguias no deserto, numa terra
em que se não semeia” (Jr.2:1,2).
Deus compara o Seu povo a uma
noiva e enfatiza que Ele se lembrava do amor do seu povo, antes que se
corrompesse. E Ele continua empregando exemplos de prostituição na mensagem
dada ao profeta: “A tua malícia te castigará, e as
tuas infidelidades te repreenderão; sabe, pois, e vê que mal e quão amargo é
deixares o Senhor, teu Deus, e não teres temor de mim, diz o Senhor, o Senhor
dos Exércitos. Ainda que há muito quebrasse eu o teu jugo e rompia as tuas
ataduras, dizias tu: Não quero servir-te. Pois, em todo outeiro alto e debaixo
de toda árvore frondosa, te deitavas e te prostituías” (Jr.2:19,20).
Novamente vemos os termos “infidelidade” e “prostituição” sendo usados. Quando
permitimos que o nosso amor se corrompa e nos afastamos do Senhor, estamos
praticando “adultério espiritual”.
A “grande prostituta”, dominada
por Satanás, tem dado de beber do vinho da sua devassidão a todos os habitantes
da terra, e o seu campo prioritário de sedução é o religioso. Ela tem atraído
multidões ao longo de sua história. Ela não impõe limites. As heresias, o
liberalismo, o ecumenismo doutrinário, o relativismo moral, o humanismo, a
liberdade sem responsabilidade e o sincretismo são expressões dessa “grande
prostituta” que seduz as pessoas a viverem na impiedade e na devassidão. Mas,
nas palavras do pr. Douglas Baptista, “o argumento de ‘liberdade’ estimula a
devassidão por meio do afrouxamento da moral (2Pd.2.19); o ecumenismo
doutrinário provoca a erosão da fé bíblica (Gl.1.6,8); o relativismo rejeita a
doutrina dos apóstolos e a autoridade bíblica (2Tm.4.3); o humanismo
reinterpreta e ressignifica os mandamentos divinos (2Pd.3.16); o sincretismo
mistura o sagrado e o profano (2Co.6.16,17). Assim, tudo passa a ser permitido
e a verdade é desconstruída (2Tm.3.7). Quando a Igreja verdadeira se impõe contra
esses comportamentos é brutalmente perseguida (Mt.24.9)”.
2. No sistema político e cultural
Outros campos de atuação do
“espírito da Babilônia”, é o sistema político e o sistema cultural. Todos os
sistemas políticos e governamentais têm sido inteiramente fomentados e
dominados pela “grande prostituta”. Não é à toa que João diz que o “Mundo inteiro
jaz no maligno” (1João 5:19).
Certa feita, Jesus explicando a
parábola do joio do campo disse: “O que semeia a boa semente é o Filho do
Homem; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os
filhos do maligno; o inimigo que o semeou é o diabo” (Mt.13:37-39). A influência
maligna nestes sistemas governamentais do mundo tem trazido forte oposição aos
absolutos de Deus exarados nas Escrituras Sagradas.
No sistema cultural, o “espírito
da Babilônia” tem também exercido forte influência e levado inúmeras pessoas a
se desviarem dos valores morais de Deus exarados nas Escrituras Sagradas. Os
valores morais absolutos estão ficando cada vez mais enfraquecidas e
relativizados. Cada vez mais, pautas progressistas de inversão de valores são
impostas em afronta à cultura judaico-cristã, tais como: apologia ao aborto,
ideologia de gênero, legalização das drogas, casamentos de pessoa do mesmo sexo
e da prostituição. Mas Deus exorta de forma contundente: “Ai dos que ao mal
chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade;
põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Is.5:20).
Nestes tempos de inversão de
valores, quem discordar do relativismo moral e defender os valores morais
descritos na Bíblia Sagrada é logo reprimido e estigmatizado como
“fundamentalista”, e levado ao “paredão” de julgamento. Os vigilantes da
cultura diabólica do erro que impera no mundo de hoje estão prontos para impor
censura contra quem defende os valores judaico-cristãos exarados na Bíblia
Sagrada.
Apesar dessa cultura decadente
que impera no mundo de hoje, é válido dizer que os valores morais absolutos
emanados de Deus são imutáveis e universais. Estes Valores morais estão consubstanciados
na Lei Moral de Deus; e a Lei Moral não foi estabelecida no Sinai, ela já
existia muito antes que Israel existisse, também muito antes que o primeiro
livro da Bíblia Sagrada fosse escrito. Ela foi incluída na Lei de Moisés e
continua em vigor em todo o mundo. Ela reflete o caráter de Deus e revela sua
vontade – assim, o que no princípio era imoral, era pecado, continua sendo
imoral e pecado. O caráter de Deus é imutável, conforme ele mesmo declarou:
“Porque eu, o Senhor, não mudo...” (Ml.1:17), e mais: “Jesus Cristo é o mesmo
ontem, e hoje e eternamente” (Hb.13:8). Portanto, Deus sendo eterno, sua
natureza moral, bem como sua vontade, não pode mudar.
Nas últimas décadas, várias
mudanças foram inseridas nas sociedades de todo o mundo, devido ao avanço
tecnológico de meios de comunicação de última geração: internet, satélites,
computadores, telefones celulares, smartphone, dentre outros, bem como a proliferação
das mídias e redes sociais em suas diversas facetas. Assistimos às
transformações na forma de agir e pensar, no estilo de vida, nos desejos, na
conduta e nas atitudes sociais, religiosas, políticas e econômicas. É a
realidade do universo on-line, onde tudo se movimenta com muita facilidade e
rapidez para as diversas direções.
O “espírito” da grande
prostituta, tem agido através da grande mídia, das artes, da literatura, das
escolas e universidades para promover o doutrinamento contrário à fé cristã.
A sociedade de hoje, submissa e
coagida pelo “politicamente correto”, tem assimilado e defendido a cultura
pervertida e danosa que impera no mundo de hoje. Em nome do politicamente
correto, inúmeras pessoas, religiosas ou não, evitam expressões políticas ou
ações que, na linguagem dos defensores da cultura pervertida, venham ofender,
excluir e/ou marginalizar grupos de pessoas que são vistos como desfavorecidos
ou discriminados, especialmente grupos definidos por gênero, comportamento
homossexual ou cor. Neste orbe do politicamente correto, inúmeros cristãos são
perseguidos e julgados impiedosamente (Lc.21:16,17); é uma demonstração clara
de que o mundo jaz no maligno (João 15:19).
3. No sistema econômico
Outro campo forte de atuação do
“espírito da Babilônia” é o sistema econômico. A João foi revelado o
enriquecimento dos mercadores por meio da exploração, da luxúria e da
licenciosidade do “espírito da Babilônia” (Ap.18:3). Mas o próprio João viu a
sua total destruição, e o motivo de sua queda é a corrupção total que praticou
com as nações e seus mercadores. Ela embriagou todas as nações com sua luxúria
desenfreada.
João afirma que “os reis da terra
se prostituíram com ela”, o que significa que eles cometeram pecados
vergonhosos – desistindo do que é mais importante em troca do que é mais
gratificante. Este adultério provavelmente se refere às alianças pecaminosas e
ao abandono total da moralidade absoluta de Deus. Além disso, “os mercadores da
terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias” (Ap.18:3); eles foram
seduzidos pelas grandes riquezas que podiam ser obtidas no seu relacionamento
com ela, isto é, com a Babilônia.
O texto de Isaias 47:8 descreve a
grande luxúria da Babilônia e o julgamento de Deus sobre ela. A sua luxúria
levou ao orgulho e à autossuficiência. Parte deste adultério estava em receber
a marca da besta, porque esses mercadores não podiam comprar ou vender nada sem
ela (Ap.13:17).
Sem dúvida, atualmente, o
“espírito da Babilônia” tem atuado fortemente nesta sociedade de cultura
degradante e separada de Deus. Hoje, vemos o comércio e o governo subornarem os
cidadãos por avareza, dinheiro e poder (Mq.2.1-3; Ap.18.12,13). As pessoas são
motivadas a levar vantagem financeira, de forma ilícita e imoral em prejuízo do
próximo (ler Pv.16.29; Mq.3.11). Vemos a sociedade sendo extorquida em troca da
satisfação dos prazeres pecaminosos e consumismo desenfreado (ler Is.55.2;
Lc.12.15). Nesse sentido, como bem afirma o Pr. Douglas Batista, o
materialismo, os deleites e a autossuficiência têm conduzido o ser humano a
confiar no dinheiro (1Tm.6.9,10, 17) e os que controlam a economia têm impostos
embargos, tributos e multas em desfavor do cidadão impotente (ler Tg.2.6,7;
Ap.13.16,17). Sem dúvida, é o “espírito da Babilônia” que impera neste mundo
decaído.
III. A POSIÇÃO DA IGREJA DIANTE
DO ESPÍRITO DA BABILÔNIA
1. Não negociar a ortodoxia
bíblica
Ortodoxia bíblica é o conjunto de
doutrinas provindas da Bíblia Sagrada, e tidas como verdadeiras de conformidade
com os credos, concílios e convenções da Igreja. Está escrito: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para
ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm.3:16).
Ela foi escrita com certas características que a levaram a ser considerada o
“Livro de Deus”:
-Ela é pura -"Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que
nele confiam" (Pv.30:5).
-Ela é a verdade – “As tuas palavras são em tudo verdade desde o
princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre” (Sl.119:160).
-Ela é eterna - "Para sempre, ó Senhor, está firmada a tua palavra
no céu" (Sl.119:89).
-Ela é imutável - "A palavra do Senhor, porém, permanece eternamente.
Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada"(1Pd.1:25).
-Ela é profética - "porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por
vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos
pelo Espírito Santo” (2Pd.1:21);
-Ela é perfeita e fiel - "A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o
testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples” (Sl.19:07).
-Ela é Lâmpada – “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e Luz para o meu
caminho” (Sl.119:105).
A Igreja de Cristo tem a Bíblia
Sagrada como a suprema e inquestionável árbitra em matéria de fé e prática.
Muitos, motivados pelo “espírito da Babilônia”, têm tentado, ao longo dos
séculos, levantar-se contra o divino Livro, mas todos têm fracassado em seu
intento de calá-la ou desacreditá-la, precisamente porque não se trata de uma
obra feita pela mente, vontade ou imaginação humana, mas tem sua origem, sua
concepção e o zelo pelo seu cumprimento diretamente em Deus.
Portanto, o crente verdadeiro não
pode desinteressar-se da ortodoxia bíblica, e precisa estar habilitado para
enfrentar o “espírito da Babilônia” e suas ideologias contrárias aos valores
absolutos da fé cristã, exarados nas Escrituras agradas. Disse o apóstolo
Pedro:
“...não se
preocupem e não tenham medo de ameaças. Em vez disso, consagrem a Cristo como o
Senhor de sua vida. E, se alguém lhes perguntar a respeito de sua esperança,
estejam sempre preparados para explicá-la. Façam-no, porém, de modo amável e
respeitoso. Mantenham sempre a consciência limpa. Então, se as pessoas falarem
mal de vocês, ficarão envergonhadas ao ver como vocês vivem corretamente em
Cristo” (1Pd.3:14-16 - NVT).
2. Formar o caráter de Cristo
Outro fator que não pode ser
negociado é a formação do caráter de Cristo no crente. A natureza do caráter do
cristão é a mesma de Cristo - aquela que o Apóstolo Paulo denomina de “Fruto do
Espírito”, exarado em Gl.5:22. O homem salvo por Jesus é uma nova criatura e,
por isso, seu caráter é completamente transformado pelo Espírito Santo,
restaurando a imagem e semelhança de Deus que foram deformados com o pecado.
O caráter do cristão é quem ele
é, de fato, não apenas quando está diante do seu líder espiritual, ou mesmo com
um grupo de amigos, no trabalho ou na escola, mas quando está sozinho, e
ninguém está observando-o; é a expressão mais exata da sua pessoa, sem
máscaras, sem fingimentos ou aparências: é o seu verdadeiro ser interior.
Muitos cristãos querem que as
pessoas pensem coisas boas a seu respeito e demonstram ser santos, por fora,
mas a alma está cheia de engano, mentira e pecado. Foi o que Jesus afirmou
sobre os líderes religiosos de sua época: “Ai de vós, escribas e fariseus,
hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora
realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e
de toda imundícia” (Mt.23.37).
Como afirmou certa feita um
pregador: “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é
aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é “(John
Wooden).
Um caráter moldado pela Bíblia é
a maior necessidade de um cristão nestes dias perturbados pelo “espírito da
Babilônia”. As pessoas podem até achar que você não tem grandes habilidades
administrativas, técnicas, ou pedagógicas, mas elas precisam ver que você é um
homem ou uma mulher temente a Deus. Jesus ensinou que é pelo fruto que se
conhece uma árvore (Mt.12:33).
O homem sem Deus, influenciado
pelo “espírito da Babilônia”, é dotado de uma natureza pecaminosa; outra coisa
não faz senão desobedecer ao Senhor e satisfazer os desejos da carne,
praticando atitudes e ações que revelam um sentimento de autossuficiência e de
egoísmo (são “amantes de si mesmos”, cfr. 2Tm.3:2); que levam a um caráter
altamente reprovável, despido de autodirecionamento (não segue a sua vontade,
mas o curso deste mundo – Rm.7:15; Ef.2:2); de auto cooperatividade (não leva
em conta o próximo, mas única e exclusivamente a si próprio, aos seus deleites
– Lc.8:14, 1Tm.5:16; Tg.4:1); e de autotranscedência (são cegos e não
reconhecem a Deus como o Senhor de todas as coisas – Mt.15:14; João 9:41;
Rm.2:17-29).
Concordo com as palavras do pr.
Douglas Batista: “a igreja que prima pelo estudo e aplicação da Palavra de Deus
produz crentes espiritualmente maduros, capazes de resistir o “espírito da
Babilônia” presente no cenário global (Rm.8:35,38,39)”.
3. Aguardar a volta de Cristo
A volta de Cristo é a mais
sublime esperança da Igreja. Viver com Cristo no Céu, eternamente, supera toda
e qualquer perseguição, tribulação, tentação, provação, que venhamos a sofrer
aqui; supera toda e qualquer riqueza material que a pessoa possa ter aqui.
Pensar na volta de Cristo nos traz alegria e uma paz plena e profunda na alma,
mesmo que estejamos passando por adversidades extremas.
Se Satanás oferecer todas as
riquezas da terra em troca da desistência de nossa fé e fidelidade a Cristo, o
crente deve rejeitar de imediato, pois não há comparabilidade, haja vista que
tudo aqui é passageiro, efêmero como a neblina que aparece por instante e logo
se dissipa” (Tg.4:14). A esperança de viver com Cristo no Céu é incomparável;
logo, jamais poderá ser negociado.
Observamos claramente os
acontecimentos tenebrosos que pregam com muita evidência que Cristo muito em
breve virá. A apostasia crescente, a inversão de valores, as perseguições
físicas e camufladas em países que há pouco tempo se consideravam cristãos, as
guerras e rumores de guerras, fomes, viroses mortais, pestes, terremotos etc.;
tudo isto, dantes vaticinados por Cristo e pelos apóstolos Mt.24:5-12,24;
1Tm.4:1; 2Tm.4:3), desperta-nos para a iminente volta de Jesus. Por isso, não
podemos viver despercebidos diante de todos estes acontecimentos que estão
ocorrendo no mundo; precisamos, como nunca, estar com a consciência e a
percepção aguçada, distante das paixões mundanas e vivendo uma vida de
santidade, de inteireza de coração, e em constante oração e vigilância,
mantendo-nos fiéis na ortodoxia bíblica, aperfeiçoando cada vez mais o caráter
de Cristo e cultivando a esperança pela vinda do Senhor. Vem, Senhor! A tua
Igreja, desejosa, te espera!
CONCLUSÃO
A humanidade é
influenciada fortemente pelo “espírito da Babilônia”, que tem dominado todos os
sistemas – religioso, político, cultural e econômico – preparando o cenário
para a implementação da doutrina do anticristo, que promoverá a idolatria
e a sensualidade. As práticas idolátricas do paganismo serão restabelecidas.
Nesta recuperação de práticas pagãs, certamente, ressurgirá a prostituição
cultual e todas as práticas sexuais que acompanhavam os rituais dos antigos
deuses da fertilidade, o que será considerado natural, já que, naqueles dias, a
doutrina do anticristo defenderá a libertinagem sexual e a promiscuidade, vez
que a moral das Escrituras Sagradas será considerada ultrapassada e negadora da
própria humanidade. Porventura, já não estamos vendo isto hoje em todo o mundo?
Enquanto Jesus não voltar, a Igreja deve oferecer resistência a este “espírito”
do mal (2Ts.2:6,7), dedicar-se continuamente ao estudo sistemático da Palavra
de Deus (Mt.28:20), formar o caráter dos seguidores de Jesus Cristo (Gl.4:19) e
santificar-se para a vinda do Senhor, pois sem santidade ninguém verá o Senhor
(Hb.12:14).

