CHORANDO AOS PÉS DO SENHOR
LEITURA BÍBLICA: Apocalipse 21:4:
"Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais
morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou."
INTRODUÇÃO
Neste Estudo o grande lamento de Jeremias e de outros grandes homens de Deus em
favor dos israelitas. Jeremias expressa a sua angústia por causa do povo
rebelde de Deus e da sua recusa em arrepender-se e assim escapar da destruição
que se aproxima. Queria chorar, mas sua dor era profunda demais para ele verter
lágrimas (9:1). Jeremias chora de dia e de noite por um povo de coração
extremamente endurecido para perceber a ruína que se avizinhava. O povo era
rebelde e contumaz, no entanto, isso não impediu que Jeremias intercedesse,
pois ele tinha compaixão por aquelas almas. Atualmente necessitamos de homens
de Deus que estejam dispostos a verterem suas lágrimas em favor da nossa nação.
Muitos choram por questões materiais, dinheiro, fama e poder, todavia, com que
frequência derramamos nossas lágrimas e quebrantamos nossos corações por
aqueles que em nossa nação estão perdidos e caminham para o inferno?
O
choro é um tema muito presente na Bíblia, sendo retratado não apenas como uma
expressão de dor, mas também como um caminho para o consolo e a restauração.
Aqui
estão alguns dos versículos mais significativos sobre o assunto, divididos por
contexto:
O
Choro e o Consolo de Deus
Estes
versículos lembram que o sofrimento é temporário e que Deus está atento às
nossas lágrimas.
- Salmos 30:5: "O
choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã."
- Salmos 126:5: "Os
que semeiam em lágrimas segarão com alegria."
- Mateus
5:4: "Bem-aventurados os que choram, porque eles
serão consolados."
- Apocalipse 21:4: "Ele
enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza,
nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou."
Deus
Valoriza as Nossas Lágrimas
A
Bíblia mostra que Deus não ignora o nosso sofrimento; Ele o acolhe.
- Salmos 56:8: "Registra,
tu mesmo, o meu lamento; recolhe as minhas lágrimas em teu odre; acaso não
estão anotadas em teu livro?"
- Salmos 34:18: "Perto
está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito
oprimido."
O
Exemplo de Jesus
Jesus,
sendo Deus, também chorou, validando a nossa humanidade e as nossas emoções.
- João
11:35: "Jesus
chorou." (O
versículo mais curto da Bíblia, que demonstra Sua profunda empatia).
- Hebreus 5:7: "Durante
os seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em
clamor e lágrimas, àquele que o podia livrar da morte..."
Empatia
com o Próximo
O
choro também é uma forma de conexão e amor entre irmãos.
- Romanos 12:15:
"Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram."
O choro, na perspectiva bíblica, muitas vezes é o prelúdio de uma intervenção divina ou de um amadurecimento espiritual.
I. O LAMENTO DE JEREMIAS
Humanamente falando há muitos motivos de lamentação: viúvas lamentam a sua sorte ao perderem seus maridos, crianças lamentam-se ao perderem seus pais; outras pessoas lamentam a sua situação, o custo de vida, os impostos etc. Lamentamos decisões erradas e escolhas equivocadas nossas e de pessoas que amamos. Esse foi o caso de Jeremias. Além de profeta, foi um homem que soube sentir a dor das escolhas erradas de seu povo. Ele diz que “choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo” (9:1).
A dor de Jeremias é expressa por duas coisas. A primeira coisa: as maldades do
povo de Deus; são demonstradas pelo Senhor: “Uma
flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de
paz com o seu companheiro, mas no seu interior arma-lhe ciladas. Porventura,
por estas coisas não os visitaria? diz o SENHOR; ou não se vingaria a minha
alma de gente tal como esta?”. A segunda coisa: o
julgamento de Deus; foi motivo de lamento para Jeremias porque o profeta
presenciou o que havia profetizado: a destruição de Jerusalém e o exílio de
seus habitantes.
1. O profeta das lágrimas. As lágrimas são normalmente associadas
à tristeza e à aflição. Aquilo que faz uma pessoa chorar diz muito a seu
respeito; pode indicar se ela é egoísta, egocêntrica, ou se tem o coração
voltado para Deus. Como um dos servos escolhidos de Deus, o profeta Jeremias
permaneceu só, imerso na profundidade de suas emoções, abatido por seu cuidado
pelo povo, seu amor pela nação e sua devoção a Deus.
A aflição de Jeremias foi profunda. Seu coração de Pastor se quebra sob o peso
do sofrimento, e o grito compassivo irrompe dos seus lábios: “Prouvera a Deus a minha cabeça se tornasse em
águas, e os meus olhos, em uma fonte de lágrimas! Então, choraria de dia e de
noite os mortos da filha do meu povo” (9:1). É esse tipo de
lamentação que rendeu a Jeremias o título de “o profeta chorão”, e suas
lágrimas brotaram de um coração partido. Como porta-voz de Deus, ele sabia o
que aguardava Judá, seu país, e Jerusalém, a capital e “cidade de Deus”. O
julgamento do Senhor e a destruição sobreviriam.
Suas lágrimas não foram derramadas por motivos egoístas; ele não se lamentou
por causa de uma perda ou sofrimento pessoal. Chorou porque o povo tinha
rejeitado o seu Senhor, o Deus que os tinha criado, amado e que repetidamente
tentava abençoar Judá. O coração de Jeremias estava partido, porque ele sabia
que o egoísmo e o pecado do povo acarretariam muito sofrimento e um exílio
prolongado. As lágrimas de Jeremias foram de empatia e simpatia por seu povo.
Seu coração estava ferido pelas mesmas atitudes que ferem o coração de Deus.
Qual
a causa de nossas lágrimas? Choramos
porque nosso orgulho egoísta tem sido ferido ou por que as pessoas à nossa
volta levam uma vida pecaminosa e rejeitam o Deus que as ama ternamente?
Choramos por ter perdido algo valioso ou porque todas as pessoas à nossa volta
sofrerão devido a pecaminosidade em que vivem? Nosso mundo está cheio de
injustiça, pobreza, guerra e rebelião contra Deus; todas estas coisas deveriam
fazer-nos chorar, mas também agir no sentido de pregar a salvação.
2. O profeta da solidão. O coração quebrantado do profeta
afogou-se em uma tristeza profunda e irreconciliável em relação ao destino do
seu povo. Ele também está angustiado com o seu isolamento crescente. Ninguém o
entende; ele é evitado por alguns e insultados por outros (11:21ss). Ele está
tão dominado pela dor que deseja retirar-se para longe, para uma estalagem de
caminhantes no deserto (9:2). Nesse retiro, não mais haveria de contemplar o
deplorável estado moral e espiritual de seus contemporâneos. Ele expressou o
sentimento de muitos profetas cansados de dias posteriores. O Senhor, porém,
queria que o profeta Jeremias estivesse em meio à sua gente, a fim de que todos
soubessem que Ele jamais se ausentara da vida de seu povo.
Às vezes nos sentimos assim! Desejamos isolar-nos do mundo! Mas esta não é a
vontade do Senhor. É tanto que o Senhor Jesus rogou ao Pai: "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres
do mal" (Jo 17.15).
Visto ser impossível ir embora, Jeremias expressa seu pesar em uma série de
lamentos. Esses lamentos, às vezes, parecem vingativos, mas isso é apenas
aparente, porque no fundo eles expressam a tristeza de um coração amoroso.
a) O lamento por causa da infidelidade do povo (9:2-8). O que Jeremias
vê o enche de grande tristeza. Toda nação tem caminhado na mesma direção: “todos eles são adúlteros, são um bando de aleivosos” (9:2).
b) O lamento por causa da assolação vindoura (9:9-11). Um outro motivo
para a aflição de Jeremias se origina na assolação que ele sabe que está vindo
sobre o país, especialmente sobre Jerusalém. Tudo está devastado: “Pelos montes levantarei choro e pranto e pelas pastagens
do deserto, lamentação; porque já estão queimadas, e ninguém passa por elas;
nem já se ouve mugido de gado; desde as aves dos céus até os animais, andaram
vagueando e fugiram” (9:10).” E farei de
Jerusalém montões de pedras, morada de dragões, e das cidades de Judá farei uma
assolação, de sorte que fiquem desabitadas” (9:11). Esta profecia
cumpriu-se em 586 a.C, quando a cidade foi transformada em um monturo.
d)
O lamento por causa da impiedosa colheita da morte (9:17-22). Deus fala novamente com o profeta, e
suas palavras são motivo para uma nova erupção de aflição. A mensagem é tão
importante que Jeremias sente-se impelido a chamar as pranteadoras
profissionais (as carpideiras). Elas são chamadas para que levantem os seus
lamentos a fim de encorajar o povo de Jerusalém a chorar pela cidade: que as
nossas pálpebras destilem águas (9:17-18).
Mas existe um motivo ainda maior para estar aflito do que a perda de
posses: a morte – “Porque a
morte subiu pelas nossas janelas e entrou em nossos palácios, para exterminar
das ruas as crianças e os jovens das praças” (9:21). A morte
apareceu de uma maneira súbita e inesperada, e não há nenhuma segurança contra
ela. Aqui está um motivo para realmente chorar. Os corpos dos homens jazerão no
campo como gavela(feixes) atrás do segador(ceifeiro); não há quem a recolha, isto
é, eles não terão um enterro próprio, mas seus cadáveres serão tratados como esterco
(9:22). A morte é personificada aqui como alguém que corta os moradores da
terra da forma como um ceifeiro corta o trigo.
3. O profeta solitário. Foi muito duro para Jeremias ser excluído de
tudo por causa da tarefa severa que ele possuía de anunciar a palavra do
castigo. Ninguém queria se associar com ele. Jeremias chegou ao ponto de
sentir-se muito solitário por causa da rejeição quase universal que passou.
"Todos me amaldiçoam"(15:10), Jeremias reclamou, e
afirmou que não tinha feito nada para merecer tal horror (15:10-11) - “Nunca me assentei no congresso dos zombadores, nem me
regozijei; por causa da tua mão, me assentei solitário, pois me encheste de
indignação" (15:17).
O isolamento e a solidão que Jeremias sofreu foi o preço que teve de pagar pela
lealdade a Deus e à sua justiça. Por isso, Jeremias voltou-se contra o Senhor e
disse: “Por que dura a minha dor continuamente, e a
minha ferida me dói, não admite cura? Serias tu para mim como ilusório ribeiro
e como águas inconstantes?" (15:18). Antes, Jeremias havia pregado
que Deus era "fonte de água viva" (2:13),
mas agora o chamou de riacho seco. Ele queixa-se de que Deus não lhe era tão
fiel como ele esperava. Houve, portanto, um deslize na vida espiritual de
Jeremias. Isso prova que até mesmo grandes homens de Deus caem.
O Senhor não aceitou a queixa de Jeremias e lhe disse que se arrependesse de
sua autocompaixão rebelde, e lhe fez uma promessa, renovando sua chamada (cf
15:19-21). Só assim ele seria o porta-voz do Senhor.
Jeremias estava muito triste por causa do seu isolamento e para piorar a
situação de solidão, no capítulo 16 versículo 2, Deus ordenou que ele não se
casasse e que não fosse nem para velórios nem para festas. Estes mandamentos
certamente teriam aumentado este sentimento de solidão que Jeremias passava,
mas Deus decretou-os mesmo assim.
Embora fosse solitário e rejeitado durante toda a sua vida, Jeremias não deixou
de ser um dos mais ousados e corajosos profetas. Apesar da grande oposição,
cumpriu fielmente sua chamada profética para advertir seus concidadãos de que o
juízo divino estava às portas.
Aplicando
a experiência de Jeremias à nossa carreira cristã, dizemos que somente pessoas com coragem e
determinação resoluta terão a força necessária para prosseguir neste caminho.
Cristo cria bons soldados não os mimando, mas deixando-os passar por grandes
dificuldades. A preparação militar, ou até mesmo o treino esportivo, é duro.
Nenhum general orienta suas tropas dando-lhes o máximo de conforto e descanso.
Nenhum técnico fortalece seus atletas sem dor e suor. Do mesmo jeito podemos
nos preparar para passar por momentos duros na vida cristã, porque o Senhor quer
que fiquemos fortes e firmes.
Não importa a dureza dos momentos aqui! Eles são leves e momentâneos em
comparação com a "glória eterna que pesa mais
do que todos eles" (2Co 4:17). Que aprendamos com Jeremias a
suportar sofrimentos sem queixa e sem autocompaixão!
II.GRANDES HOMENS DE DEUS EXPRESSARAM SUA DOR ATRAVÉS DO LAMENTO
Uma das coisas com as quais Deus nos adotou foi a capacidade de lamentar. A
Bíblia registra o lamento de homens de Deus que souberam sentir a dor das
escolhas erradas de seu povo. O contexto e motivos pelos quais estes servos de
Deus prantearam foram diferentes, porém o importante é que buscaram a Deus em
oração, derramando suas almas perante o Altíssimo em favor do próximo. Dentre
eles citamos:
1. O lamento de Moisés (Dt 31:27-29). “Porque
conheço a tua rebelião e a tua dura cerviz; eis que, vivendo eu ainda hoje
convosco, rebeldes fostes contra o Senhor; e quanto mais depois da minha morte.
Ajuntai perante mim todos os anciãos das vossas tribos e vossos oficiais, e aos
vossos ouvidos falarei estas palavras e contra eles por testemunhas tomarei os
céus e a terra. Porque eu sei que, depois da minha morte, certamente vos
corrompereis e vos desviareis do caminho que vos ordenei; então, este mal vos
alcançará nos últimos dias, quando fizerdes mal aos olhos do Senhor, para o
provocar à ira com a obra das vossas mãos”.
Moisés sabia que os israelitas, a despeito de todos os milagres que
testificaram, tinham um coração rebelde. Eles mereciam o castigo de Deus,
embora costumassem receber sua misericórdia. Nós também somos teimosos e
rebeldes por natureza. Passamos toda a nossa vida lutando com o pecado. O
arrependimento semanal ou mensal não é suficiente. Precisamos apresentar os
nossos pecados a Deus e pedir perdão constantemente, permitindo que Ele, por
sua misericórdia, nos salve. Atentemos para a exortação do apóstolo João –
1João 2:1.
2. O lamento do profeta Samuel (1Sm 8:1-8). O profeta Samuel
lamentou ao saber que seu povo, como os gentios, estava exigindo um soberano - “Porém essa palavra pareceu mal aos olhos de Samuel,
quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos julgue. E Samuel orou ao Senhor” (1Sm
8:6). Foi um momento difícil para o profeta Samuel. Ele tinha ensinado ao povo
de Israel que Deus era o seu Rei e Senhor. Mas, o povo foi claro e ousado em
sua reivindicação: e disseram-lhe: “Eis que já estás velho, e teus filhos não
andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para
que ele nos julgue, como o têm todas as nações” (1Sm 8:5).
Samuel
ainda quis ponderar a substituição do Senhor como rei de Israel por um rei humano
(1Sm 8:9-18). Porém o povo estava resoluto, prova de seu desprezo pelo Senhor
Deus dos Exércitos:” Porém o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram:
Não, mas haverá sobre nós um rei” (1Sm 8:19). Como poderia Israel cometer tão
grande ingratidão?
Se grande foi o lamento de Samuel, maior foi o de Deus:
"Ouve a voz do povo em tudo quanto te disser, pois não te tem rejeitado a
ti; antes, a mim me tem rejeitado, para eu não reinar sobre ele"
(1Sm 8.7).
Não estará Deus lamentando também por nós? Como estamos diante do Senhor Jesus?
Ele ainda é o nosso Rei? Ou já o trocamos por coisas de nenhum valor? Ainda lhe
aceitamos a soberania? Ou já coroamos o mundo como nosso amo e senhor?
3. O lamento de Davi. Davi era um homem que sabia celebrar como ninguém.
Saía para as guerras quando precisava; mas sabia chorar e lamentar em situações
que exigiam tal atitude. Uma destas ocasiões foi quando Davi, exilado no
território dos filisteus, e saindo junto com o povo para guerra, o exército o
mandou de volta para casa (em Ziclague – 1Samule 30). Em lá chegando, ele
percebeu que haviam sido atacados pelos amalequitas, e que as mulheres e filhos
e riquezas dele e de seu “bando” tinham sido roubados. O texto diz em 1Sm 30:4
que Davi e o povo “… choraram, até não
terem mais forças para chorar”. Este era Davi, chorava com os
que choravam, e se alegrava com os que se alegravam. A partir do versículo 7
Davi se levanta e, depois de consultar a Deus, resgata tudo que lhe tinha sido
roubado. Davi ainda se recuperava deste “incidente”, quando, ao terceiro dia,
recebe a notícia da morte de Saul e Jônatas. A Bíblia diz que Davi pranteou a
morte de seus “amigos” e levantou sobre eles um lamento (2Sm 1: 17-27). Davi
poderia neste momento alegrar-se com a morte de Saul, já que este o perseguia,
e era o motivo de seu exílio. Davi poderia dizer: “graças
a Deus morreu este aí…”. Mas Davi agiu de maneira
diferente, e neste lamento exclamou: “como caíram
os valentes!” (2Sm 1:19,27).
Existe o tempo de chorar e o tempo de rir, como disse Salomão (Ec 3:1). Não
adianta querermos “pular” estes momentos, ou mascará-los. Nós precisamos
aprender com Davi a não murmurar, a nos alegrarmos com os que se alegram (Rm
12:15). Mas precisamos também chorar com os que choram (Rm 12:15).
4.
O lamento de Oséias (Os 4:6,7). “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou
o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te
rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste
da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Como eles se
multiplicaram, assim contra mim pecaram; eu mudarei a sua honra em vergonha”.
À semelhança do profeta Jeremias, Oséias sofreu muito por causa das apostasias
das dez tribos. Foi através dele que o Senhor lançou um dos mais inexprimíveis
lamentos das Sagradas Escrituras: "O meu povo
foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento". A falta do
conhecimento de Deus levou Israel ao fracasso e tem sido a principal causa das
mazelas e injustiças no mundo. Quantos homens, mulheres e jovens não estão a
apostatar da fé justamente por faltar-lhes o ensino da Palavra de Deus?
Aquele povo que foi escolhido, chamado, preparado e que ouvira testemunhos maravilhosos de Deus, através de seus anciãos, agora seria humilhado por seus inimigos e expulso das terras que com tanto sofrimento e luta seus pais haviam adquirido com a ajuda e proteção do Deus todo poderoso. Qual era o motivo? Deixaram a palavra de Deus e se enredaram pela prostituição e adoração a falsos deuses, os mesmos deuses que no passado foram derrotados por Deus. Seus sacerdotes ao invés de ensinarem ao povo os retos caminhos do Senhor, também se entregaram à idolatria e modo promíscuo de viver dos Cananeus e povos vizinhos, talvez seduzidos pelas riquezas, pelo sexo fácil e a falta de compromisso. O verdadeiro Deus exige santidade, verdade, vida exemplar e compromisso com a Palavra de Deus.
Se não houver conhecimento de Deus, pereceremos como o Israel do Antigo
Testamento. Se queremos, de fato, um avivamento autêntico conscientizemo-nos de
que este somente virá através da Palavra de Deus.
5. O lamento do apóstolo Paulo (Gl 3:1). "Ó
insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós,
perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como
crucificado?". Dos lamentos enunciados por Paulo,
este é um dos mais eloqüentes.
As ações dos gálatas indicam falta de compreensão e raciocínio. Deixar a graça
e voltar à lei é estar fascinado, seduzido como por encantamento mágico,
aceitando de forma irrefletida a mentira pela verdade. Quando Paulo pergunta
“Quem vos fascinou?”, o “quem” é singular, e não plural, sugerindo talvez que
Satanás fosse o autor desse ensinamento falso. O próprio Paulo pregou Jesus
Cristo aos gálatas como crucificado, enfatizando que a cruz devia separá-los da
maldição e escravidão da lei para sempre. Como poderiam voltar à lei
menosprezando a cruz? Será que a verdade não se apoderou deles na prática?
Infelizmente, essa situação vem se reprisando. Igrejas são induzidas ao
erro por modismos e doutrinas de demônios, como se tais asneiras fossem a
última revelação de Deus. O lamento de Paulo é ouvido nas orações dos pastores
e obreiros que lutam por manter a sã doutrina e os bons costumes. Não haveremos
de nos conformar com as novidades que, em essência, é a repetição da velha
mentira do Éden. Atentemos a esta advertência de Paulo: "Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua
astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se
apartem da simplicidade que há em Cristo" (2 Co 11:3).
6. O lamento de Jesus Cristo (Lc 13:34,35).
“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são
enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta
os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? Eis que a vossa casa se vos
deixará deserta. E em verdade vos digo que não me vereis até que venha o tempo
em que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor!”.
O lamento de Cristo sobre Jerusalém, é um choro muito comovente de preocupação
misericordiosa, que vem dum coração cheio de amor sincero do Salvador.
Dificilmente há algum animal que se interessa tanto pelos seus pequeninos. Ela
troca sua voz natural e assume um chamado triste e lamentoso. Ela procura e
cisca na terra, e sempre que acha algo, não o come, mas o deixa para os seus
filhotes. Luta e alerta com toda a seriedade contra o gavião, e com muita boa
vontade estende suas asas, e permite que seus pintinhos se escondam sob ela ou
mesmo subam sobre ela. É um quadro belo e agradável.
O abrigo ilustra o mais alto grau da eterna condescendência de Deus para com os
homens. Uma árvore pode abrigar o viajante do calor do sol; um escudo pode
abrigar o soldado no dia da batalha; mas, só Cristo pode se interpor entre nós
e os perigos que nos cercam. Na figura descrita, Jesus se coloca entre a cidade
ameaçada e os seus inimigos. Isso indica que as “asas” da Onipotência Divina
estão constantemente estendidas em nossa defesa a fim de nos livrar dos perigos
que nos cercam (cf Sl 91:1-7). Cristo é o nosso refúgio, a nossa segurança.
CONCLUSÃO:
É hora de clamar e chorar
diante de Senhor Jesus. Aos seus pés devemos sempre nos render e confessarmos
os nossos pecados. A confissão deve ser acompanhada de tristeza profunda pelo
pecado - "Senti as vossas misérias, e
lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo, em
tristeza" (Tg 4.9). O momento em que Deus nos convence do pecado é
o momento de nos prostrarmos diante de Deus e lamentarmos nossa pecaminosidade,
impotência, frieza e aridez de vida. É o momento de nos humilhar-mos e
chorarmos por nosso materialismo, secularismo e formalismo e de manifestarmos
interior e exteriormente o fruto do genuíno arrependimento. Precisamos nos
humilhar na presença do Senhor. Se nos colocarmos sinceramente a seus pés, em
nosso devido lugar, no devido tempo, ele nos exaltará – “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará” (Tg 4:10).


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