Texto Biblico:2Rs 6:1-7
“Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo
Jesus. E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens
fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2Tm 2:1,2).
"Escola
de Profetas" não apareça literalmente no texto bíblico, a Bíblia descreve
claramente grupos de homens conhecidos como "os filhos dos
profetas" ou "companhia de profetas". Esses grupos
funcionavam como comunidades de aprendizado e adoração sob a liderança de um
profeta mestre.
1.
Origem e Liderança
As
evidências bíblicas sugerem que essas comunidades surgiram para preservar a
fidelidade a Deus em tempos de apostasia (quando o povo se desviava para a
idolatria).
- Samuel: É amplamente considerado o fundador
desse movimento. Em 1 Samuel 19:20, vemos Samuel liderando um grupo
de profetas em Ramá.
- Elias
e Eliseu: Sob a
liderança desses dois profetas, as escolas atingiram seu auge. Eles eram
chamados de "pai" pelos alunos, que eram os "filhos"
(discípulos).
2.
Onde elas ficavam?
A
Bíblia menciona diversas localidades onde essas comunidades estavam
estabelecidas:
- Ramá: Onde Samuel vivia (1 Samuel
19:18-19).
- Betel: Um centro importante mencionado em 2
Reis 2:3.
- Jericó: Onde havia pelo menos 50 discípulos
(2 Reis 2:5-7).
- Gilgal: Onde Eliseu ensinava e realizou
milagres para sustentar os alunos (2 Reis 4:38).
3.
O que faziam?
Diferente
do que muitos pensam, o objetivo principal não era "aprender a prever o
futuro", mas sim cultivar uma vida de consagração e conhecimento da Lei.
- Estudo
da Palavra: Eles
estudavam os escritos de Moisés (especialmente o Deuteronômio) para
instruir o povo e os futuros líderes de Israel.
- Adoração
e Música: O louvor
era uma parte central. Em 1 Samuel 10:5, Saul encontra um grupo de
profetas descendo com instrumentos musicais (saltérios, tambores e
flautas).
- Vida
Comunitária: Eles
muitas vezes viviam juntos, comiam em mesas comuns e, às vezes, construíam
suas próprias habitações (2 Reis 6:1-2).
4.
O Chamado vs. A Formação
Um
ponto importante é que a Bíblia diferencia a formação na escola do chamado
direto de Deus.
- Amós, por exemplo, declarou: "Eu
não sou profeta, nem filho de profeta" (Amós 7:14), indicando que
ele não tinha passado por esse treinamento formal, mas fora chamado por
Deus diretamente enquanto cuidava de gado.
- Isso
mostra que, embora as escolas fossem valiosas para a instrução, a
autoridade profética final vinha sempre do Espírito Santo.
Os
milagres de Eliseu no contexto das "escolas de profetas" revelam
muito sobre a vida cotidiana desses homens. Eram comunidades pobres, que viviam
de forma simples e muitas vezes passavam por grandes dificuldades financeiras e
de sobrevivência.
Aqui
estão os três milagres mais significativos ocorridos dentro dessas comunidades:
1.
O Azeite da Viúva (2 Reis 4:1-7)
Este milagre envolve a família de um dos "filhos dos
profetas".
- O
Contexto: Um dos
alunos da escola morreu, deixando sua viúva com dívidas. O credor estava
vindo para levar os dois filhos dela como escravos para pagar o débito.
- O
Milagre: Eliseu
perguntou o que ela tinha em casa. Ela tinha apenas uma botija de azeite.
Eliseu ordenou que ela pedisse emprestadas todas as vasilhas vazias dos
vizinhos.
- A
Lição: O azeite
multiplicou-se sobrenaturalmente até encher todas as vasilhas. Ela vendeu
o azeite, pagou a dívida e viveu do restante. Isso mostra que Deus cuidava
da previdência e do sustento das famílias desses servos.
2.
A Morte na Panela (2 Reis 4:38-41)
Este
milagre aconteceu em Gilgal, durante um período de fome na terra.
- O
Contexto: Eliseu
estava ensinando os discípulos e pediu que fizessem um ensopado. Um dos
jovens, buscando ervas, colheu por engano "colocíntidas" (uma
planta silvestre tóxica) e as colocou na panela.
- O
Problema: Ao provarem a comida, os profetas gritaram: "Homem
de Deus, há morte na panela!".
- O
Milagre: Eliseu pediu
um pouco de farinha e jogou na panela. Milagrosamente, o veneno foi
neutralizado e todos puderam comer. A farinha em si não era o antídoto,
mas o símbolo da provisão de Deus que purifica o alimento.
3.
O Machado Flutuante (2 Reis 6:1-7)
Este
é um dos milagres mais específicos sobre o crescimento das escolas.
- O
Contexto: A escola de
profetas cresceu tanto que o lugar ficou pequeno. Eles decidiram ir ao Rio
Jordão para cortar madeira e construir uma nova sede.
- O
Incidente: Enquanto
um deles cortava uma árvore, a cabeça de ferro do machado caiu na água e
afundou. O homem ficou desesperado, pois o machado era emprestado.
- O
Milagre: Eliseu
cortou um pedaço de pau, jogou no lugar onde o ferro caiu, e o ferro
flutuou.
- O
Significado: Esse
milagre demonstra a preocupação de Deus com a integridade e a reputação de
Seus servos, além de mostrar que Ele apoiava a expansão física e
estrutural daquela escola.
Resumo
da Vida na Escola
|
Aspecto |
Descrição nos Milagres |
|
Economia |
Viviam
com recursos limitados (ferramentas emprestadas e dívidas). |
|
Alimentação |
Dependiam
da colheita e eram vulneráveis a crises agrícolas. |
|
Crescimento |
As
escolas eram dinâmicas e precisavam de expansão física. |
|
Liderança |
Eliseu
não era apenas um mestre espiritual, mas um provedor e conselheiro prático. |
1. Introdução
Nos
dias de Elias, a apostasia e a vergonhosa idolatria haviam se alastrado entre o
povo de Deus, impulsionadas pelos devaneios de Acabe e Jezabel. O povo de
Israel havia trocado a glória de seu Deus pela fútil veneração ao falso deus
Baal, considerado pelos desviados e apóstatas como o “senhor da chuva e das
tempestades”. Mas, o assombroso confronto no Monte Carmelo entre Elias e os
falsos profetas de Baal e Aserá bem como os fenomenais prodígios de Eliseu
começaram a reverter a triste situação. Aqueles que antes se escondiam pelo
temor de Jezabel passaram a manifestar publicamente a sua fé. O despertamento
foi tamanho que, por toda parte, surgiram “escolas teológicas” formando novos
mensageiros de Jeová. Havia grupos de estudantes em Ramá, Gibeá, Gilgal e
Jericó (2Rs 2:3,5,7,15; 4:1,38; 9:1,2). Por diversas vezes, em algumas
passagens nos livros dos Reis, vemos aparecer a expressão “filhos dos profetas”, mas pelo contexto destas
passagens percebe-se que tem a mesma significação que “escola
de profetas”. Ressalta-se que as “escolas de profetas” não tinham como
propósito ensinar a profetizar, isso é uma atribuição divina; era um testemunho
vivo de que o povo de Deus, em um passado distante do Antigo Testamento,
preocupava-se em passar às gerações mais novas sua experiência cultural e
espiritual.
2.
A instituição das “escolas de profetas”. Nem todos os profetas do passado tiveram uma formação
teológica convencional. Amós, por exemplo, saiu diretamente do agreste judaico
para as ruas de Samaria (capital de Israel – Reino do Norte), proclamando sua
mensagem profética da única maneira que sabia: “cantando”. Miquéias, à
semelhança de Amós, era homem do campo, e provinha de família humilde, mas
ergueu a voz para denunciar os pecados de Jerusalém e os esquemas de corrupção
no palácio, no poder judiciário e nos corredores do Templo. A maioria dos profetas,
no entanto, até mesmo aqueles que nos são desconhecidos, receberam uma formação
teológica mais “especializada”. Por serem uma escola - tipo um seminário -,
entende-se que possuía uma certa estrutura física e uma organização mínima para
funcionamento a contento, e estavam sob uma liderança que oferecia a devida
orientação adequada. No texto de 2Reis 6:1, verificamos que Eliseu era o líder
maior dos discípulos dos profetas, e era com ele que buscavam instrução. À
época do profeta Samuel essas escolas já existiam; tudo indica que ele tenha
sido o primeiro a tomar a iniciativa de organizar esse tipo de “ensino
teológico” (cf 1Sm 10:5,10; 19:23). Geralmente os estudantes moravam juntos em
uma casa ou em pequenas comunidades, onde o ensino era ministrado (2Rs 6:1,2).
Alguns “seminaristas” eram casados e mantinham seus próprios lares (2Rs 4:1).
3.
Objetivos das “escolas de profetas”: treinamento e encorajamento.
- Com
relação ao treinamento, além da teoria, a execução de determinadas tarefas,
sob permissão do instrutor, era permitida, como se observa no ocorrido de 2Reis
2:15-17: “Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que
estavam defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu.
E vieram-lhe ao encontro e se prostraram diante dele em terra. E disseram-lhe:
Eis que, com teus servos, há cinqüenta homens valentes; ora, deixa-os ir para
buscar teu senhor; pode ser que o elevasse o Espírito do Senhor e o lançasse em
algum dos montes ou em algum dos vales. Porém ele disse: Não os envieis. Mas
eles apertaram com ele, até se enfastiar; e disse-lhes: Enviai. E enviaram
cinqüenta homens, que o buscaram três dias, porém não o acharam”. Esse
processo interativo entre o líder e o liderado, entre o educador e o educando,
é vital para produção do conhecimento. Em outras situações observamos que os
filhos de profetas, quando já treinados, podiam agir por conta própria em
determinadas situações (1Rs 20:35).
- Com
relação ao encorajamento, os alunos eram encorajados a buscarem uma melhor
compreensão da Palavra de Deus. Não há objetivo maior para um educador do que
encorajar o educando a buscar a excelência no ensino.
4.
Currículo das “escolas de profetas”. A
formação acadêmica dos “discípulos de profetas” consistia no estudo das
Escrituras (os livros históricos e os poéticos) e das leis mosaicas. Havia
espaço ainda para a instrução na música sacra e na poesia (1Sm 10:5). O
“professor”, um profeta mais experiente, transmitia o ensino com seu exemplo de
vida e seu trabalho, e eram eles mesmos que consagravam os novos obreiros à
missão de reconduzir o rebanho desgarrado de Israel ao aprisco do Senhor, o
pastor de nossa alma (Sl 23).
5.
Aprendendo na provação. A
vida diária nas escolas de profetas não era nada cômoda. Os estudos eram
exaustivos, as acomodações eram precárias (2Rs 6:1), a falta de recursos era
uma constante (2Rs 4:1), o trabalho era árduo e, se não bastasse isso tudo, a
comida era escassa, geralmente produzida por eles mesmos, em hortas
comunitárias. As coisas ficaram ainda piores quando Deus enviou uma estiagem
que durou sete anos (cf. 2Rs 8:1). Se a nação toda padeceu, quanto mais aqueles
que deixaram tudo pelo ministério!
Foi
exatamente nesse contexto de crise que Eliseu, o
“homem de Deus”, chegou no seminário de Gilgal para uma “série de
conferências”. A receptividade foi calorosa, mas a despensa estava
vazia. Eliseu enviou um dos alunos ao campo para colher frutos e raízes
comestíveis, a fim de preparar um sopão para todos. Mas algo saiu errado: um
dos ingredientes estragou a sopa, tornando-a amarga e venenosa. A “colocíntida” (2Rs
4:39), uma espécie de pepino selvagem, em pequenas quantidades era usada para
fins medicinais, mas em grande quantidade tornava-se tóxica e extremamente
amarga.
Uma das coisas admiráveis neste texto é que, embora o gosto estivesse horrível, todos comeram sem reclamar. O único comentário que surgiu foi quando atinaram para o perigo de conter algo venenoso. Essa é uma boa lição de educação, respeito e ética. Interessante também é notar que Deus permitiu tal acontecimento para mostrar o Seu cuidado aos que a Ele se consagram. Deus usa o homem, e o homem usa o que tem à mão. Eliseu usou farinha, e esse ingrediente anulou o veneno. O milagre aconteceu, não por causa da farinha, mas pela fé de Eliseu. Ele poderia ter usado cevada, hortelã, pão ou qualquer outro ingrediente, e o resultado seria o mesmo.
Aprendemos
com esses seminaristas que: Deus cuida de Seus servos, geralmente usando o que
eles têm à mão aliado à quantidade de sua fé. A viúva do profeta (2Rs 4:1-7)
colocou perante Deus, o pouquinho que tinha, e no que é que deu? Da mesma
forma, se usarmos aquilo que temos, ainda que seja pouco, e usarmos com fé,
grandes coisas Deus fará por nós.
6.
Ensinando através do exemplo. Eliseu
demonstrou o poder de Deus com milagres realizados, mas também ensinou pelo seu
próprio exemplo. Citamos dois exemplos:
-
Primeiro exemplo: Certa
feita, um homem da cidade vizinha (Baal-Salisa) veio à “casa de profetas”
trazer uma oferta em mantimentos para o sustento de Eliseu, conforme prescrevia
a Lei de Moisés (Nm 18:13; Lv 23:10; Dt 18:4). A oferta era generosa para um só
homem “professor”, mas insuficientemente para cem alunos (2Rs 4:43). Era um
direito de Eliseu reter a oferta só para si, pois “digno é trabalhador do seu
salário” (Lc 10:7), contudo, preferiu repartir aquela bênção com os demais
colegas de ministério, e Deus abençoou a sua decisão: “todos
comeram e ainda sobrou” (2Rs 4:43). Eliseu demonstrou a principal virtude
de um homem de Deus: amor ao próximo. Este exemplo que Eliseu manifestou
certamente foi um grande ensino para aqueles discípulos. Ele demonstrou o
seguinte modo de viver: o que é meu também é teu. Aquele que reparte de bom
grado as suas dádivas sempre as terão em abundância – “Daí, e dar-se-vos-á; boa
medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com
a medida com que tiverdes medido vos medirão também “(Lc 6:38).
-
Segundo exemplo: Geazi
era seu aluno, e convivia com o profeta, vendo milagres. Não é exagero dizer
que Eliseu aprendeu muitas coisas com o convívio que teve com Elias, e Geazi
também observou os atos de Eliseu. Mas aqui cabe uma observação: Ao passo que
Eliseu aprendeu coisas com Elias e teve um ministério frutífero, Geazi optou
pelo caminho oposto. Na ocasião em que esteve com o capitão siro Naamã, Geazi
demonstrou que não estava apto para o ministério profético pois foi seduzido
pelos presentes que Naamã, já curado, ofereceu a Eliseu. Nessa ocasião, vendo
Geazi que Eliseu rejeitou os presentes de Naamã, cobiçou-os e foi atrás do
siro, contando-lhe uma história piedosa:
“E foi Geazi em alcance de Naamã; e Naamã, vendo que corria atrás dele, saltou do carro a encontrá-lo e disse-lhe: Vai tudo bem? E ele disse: Tudo vai bem; meu senhor, me mandou dizer: Eis que agora mesmo vieram a mim dois jovens dos filhos dos profetas da montanha de Efraim; dá-lhes, pois, um talento de prata e duas mudas de vestes. E disse Naamã: Sê servido tomar dois talentos. E instou com ele e amarrou dois talentos de prata em dois sacos, com duas mudas de vestes; e pô-las sobre dois dos seus moços, os quais os levaram diante dele. E, chegando ele à altura, tomou-os das suas mãos e os depositou na casa; e despediu aqueles homens, e foram-se” (2Rs 5:21-24).
Mas,
Deus julgou severamente o cobiçoso e materialista Geazi:
“Então, ele entrou e pôs-se diante de seu senhor. E disse-lhe Eliseu: De onde vens, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte. Porém ele lhe disse: Porventura, não foi contigo o meu coração, quando aquele homem voltou sobre o seu carro, a encontrar-te? Era isso ocasião para tomares prata e para tomares vestes, e olivais, e vinhas, e ovelhas, e bois, e servos, e servas? Portanto, a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua semente para sempre. Então, saiu de diante dele leproso, branco como a neve” (2Rs 5:25-27).
Porque
Deus julgou Geazi de forma tão severa? Primeiro,
porque ele foi um homem cobiçoso. Segundo, porque ficou indignado de ver Naamã
ser curado e não pagar nada pela cura que recebeu. Terceiro, porque mentiu para
obter os presentes que Naamã daria a Eliseu. Quarto, não podemos usar os dons
que Deus nos concede para lucrar de forma pessoal.
Que
essas observações nos sirvam de exemplo, para que não sejamos julgados por Deus
por conta de tais manifestações de infidelidade.
CONCLUSÃO
As Escolas de profetas na época de Elias e de Eliseu eram dedicadas ao ensino formal da Palavra de Deus e ao comportamento ético do futuro profeta. A preocupação com o aspecto espiritual do povo de Israel era sua principal bandeira esses líderes. Esses futuros profetas seriam mais tarde líderes que teriam de confrontar as falsas teologias e a idolatria que os maus reis obrigavam o povo a aceitar. Assim como era importante o estudo da Palavra de Deus naquela época, também o é atualmente. Infelizmente, os tempos mudaram e os seminários teológicos se “conformaram com o mundo” – procuram parecenças com as faculdades seculares e, por isso, buscam reconhecimento do MEC -, mas o prejuízo tem sido enorme, pois a teologia liberal tem predominado sobremaneira na maioria dos seminários com prejuízos incalculáveis à ortodoxia das Escrituras Sagradas.
Em qualquer época, sejam tempos de fartura ou tempos de escassez, de paz ou de guerra, de bonança ou de tempestade, a Igreja tem a responsabilidade de salvaguardar a verdadeira e original doutrina bíblica que se acha nas Escrituras Sagradas, e transmiti-las aos fiéis - “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus. E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2Tm 2:1,2).

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