ROMPENDO
EM FÉ
"Rompendo em fé" significa uma fé ativa, determinada e disciplinada que busca superar obstáculos e impossibilidades, não por um esforço emocional vazio, mas pela confiança inabalável em Deus, agindo com coragem, persistência e a convicção de que o poder divino atua através da vida do crente para transformar realidades, mesmo diante de grandes desafios ou tempos difíceis, como uma luta espiritual que exige esforço e busca constante.
Em
essência, a expressão envolve:
- Ação e
Esforço:
Não
é passividade, mas uma fé que se manifesta em atitudes de luta, busca e
perseverança (Mateus 11:12).
- Confiança
Inabalável:
A
certeza de que Deus é fiel e capaz, mesmo contra toda esperança (Romanos
4:18-21).
- Superação
do Impossível:
A
fé que permite "andar sobre as águas" ou vencer gigantes, vivendo o
sobrenatural.
- Conquista
Espiritual:
Tomar
posse das promessas de Deus e permitir que Seu poder se manifeste.
Interpretações
Comuns:
- Músicas
Gospel:
Muitas
canções usam a frase para inspirar ousadia, força e a crença de que a fé move
montanhas e traz o poder de Deus para a vida.
- Metaforicamente:
Pense
em "rasgar" as barreiras, "saltar muralhas", ou
"empurrar" os limites humanos pela força da fé.
Perspectiva
Bíblica (e algumas ressalvas):
- Enquanto
a expressão popular enfatiza a força humana, a Bíblia (como em Hebreus)
aponta para a fidelidade constante e disciplinada como o verdadeiro
"romper em fé".
- O véu do
templo já foi rasgado por Jesus, dando-nos acesso livre a Deus, não
precisando "forçar a barra", mas se aproximar com certeza de fé
(Hebreus 10:19-22).
Portanto,
"romper em fé" é um chamado para viver uma fé dinâmica, que crê, age
e confia, mesmo quando as circunstâncias são contrárias, buscando o poder de
Deus para realizar o impossível, sempre dentro da Vontade de Deus.
SABEDORIA PARA ROMPER EM FÉ
Eu
não tenho dúvidas de que Deus é poderoso e que devemos orar e buscá-lo
confiando na vitória. A carta aos Hebreus deixa claro que temos agora essa
intrepidez e ousadia de entrar na própria presença de Deus, mas não diz para
fazermos isso forçando a barra, metendo o pé na porta ou "rompendo em
fé". Não precisamos romper nada, pois o véu que nos separava de Deus já
foi rompido.
"Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo
sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto
é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus,
aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração
purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Guardemos firme a
confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel... "Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça,
para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos
ajudados em tempo oportuno." (Hb
10:19-23; Hb
4:16).
Eu entendo por "tempo oportuno" o tempo de Deus,
você não entende assim? Não o que é de nossa vontade, mas o que é da vontade
dele e quando ele achar que seja apropriado. É assim que os pais tratam seus
filhos, não dando a eles uma moto de mil cilindradas no aniversário de dois
anos de idade — porque ele não teria capacidade para pilotá-la —, e nem
arranjando uma garota de programa para o menino em seu aniversário de quinze
anos — porque isso seria pecado diante de Deus e pode se configurar em crime.
Um dos versículos usados como argumento pelos autores que promovem o "romper
na fé" é "no teu livro
foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando
nem um deles havia ainda" (Sl
139:16). Aparentemente não entendem que cada um desses dias foi determinado
por Deus segundo a sua vontade, e não segundo a nossa. Como iria eu achar que
minha vontade é a vontade de Deus e assim "forçar
a barra" ou "romper
em fé" na tentativa de fazer acontecer? Poderia até ser da
vontade de Deus me ajudar nesse assunto em particular, mas poderia não ser
o "tempo oportuno".
Outro versículo é Isaías
43:2, "Quando passares pelas
águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando
passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti." O que esses autores não percebem é que no
versículo anterior está claro a quem foi endereçada essa promessa de proteção
de perigos terrenos: "Mas agora, assim
diz o Senhor, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó
Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és
meu." (Is
43:1).
Quem quiser se apropriar dessa promessa terá de incluir também o que é
prometido no versículo 3: "Dei o Egito
por teu resgate e a Etiópia e Sebá por ti". Acaso faria sentido isso para um cristão no
tempo presente? Você acha sinceramente que Deus deu o Egito, a Etiópia e Sebá
para resgatar você? Eu sempre tive comigo que fui resgatado pelo sangue de
Cristo, o qual foi entregue em meu lugar. O contexto todo do capítulo fala do
dia em que Deus irá libertar Israel de seus inimigos para introduzi-lo no reino
terrenal de Cristo.
Mas a audácia dos promotores desse "romper em fé" — ou como prefiro chamar "forçar a
barra" e "meter o pé na porta" —
vai além de se apropriar de passagens ditas a Israel e também se apodera de
passagens do que Deus disse a Ciro, rei da Pérsia (atual Irã). Deus usou aquele
grande rei como instrumento seu para decretar a volta a Jerusalém do
remanescente de judeus que estava no exílio em Babilônia (2 Crônicas 36).
Então, quando alguém usa para si a passagem, "Eu
irei adiante de ti, endireitarei os caminhos tortuosos, quebrarei as portas de
bronze e despedaçarei as trancas de ferro" (Is
45:2) está fazendo uma apropriação indevida dessa promessa. A não ser que o
tal se chame Ciro e seja rei da Pérsia, o que acho muito improvável.
No mesmo capítulo as promessas de Deus a Ciro continuam: "A riqueza do Egito, e as mercadorias da Etiópia, e
os sabeus, homens de grande estatura, passarão ao teu poder e serão teus;
seguir-te-ão, irão em grilhões, diante de ti se prostrarão e te farão as suas
súplicas, dizendo: Só contigo está Deus, e não há outro que seja Deus." (Is
45:14). Se você está achando que com o seu "romper em fé" Deus
lhe dará a "riqueza do Egito, e as mercadorias da Etiópia",
é bom começar a arranjar espaço em sua casa, pois no pacote vêm também "os
sabeus, homens de grande estatura, passarão ao teu poder e serão teus" (Is
45:14). Os vizinhos certamente irão estranhar todos aqueles homens altos que "seguir-te-ão, irão em grilhões, diante
de ti se prostrarão e te farão súplicas".
Esse "romper na fé" ou "forçar a
barra" pode não ser uma atitude muito sábia para um cristão que
tem temor de usar o nome de Deus em vão e de se considerar no direito de
determinar como e quando Deus deve agir. Ezequias fez isso ao pedir a Deus mais
quinze anos de vida, e tanto insistiu que Deus atendeu. Porém esses quinze anos
adicionais foram de vergonha e ruína para o rei e seu povo (2 Rs 20). Sabe aquele conselho que o empresário dá para a banda ou
para o atleta se aposentar quando está no auge? Pois é, Ezequias pelo jeito não
escutou seu empresário e decidiu "romper na fé".
Nesses quinze anos Ezequias cometeu muitos erros, mas o pior deles foi ter um
filho, Manassés, que tinha doze anos quando Ezequias morreu. Entronizado rei em
lugar de seu pai, Manassés reintroduziu no reino a idolatria que seu pai tanto
combatera, chegando até mesmo a queimar seu filho em sacrifício aos ídolos. Se
o que Ezequias fez foi "romper em fé" ao insistir
que Deus lhe desse mais tempo de vida, certamente ele depois se arrependeu de
ter "forçado a barra".
Dizer que devemos "forçar a barra" porque temos o
poder de mover o coração de Deus pela fé e por meio da oração é não entender a
lição ensinada por Jesus em Lucas
11:5-13. Ali o exemplo do amigo que importuna seu vizinho foi dado apenas
para mostrar que, se um vizinho importunado pela insistência para emprestar
"três pães", quanto mais o Pai é capaz de atender aquele que ora a
ele com fé.
Como todo exemplo manca, um bom entendedor verá que o exemplo só vai até aí,
porque Deus não irá considerar uma oração de um filho seu como importunação, e
nem dará de má vontade. Deus responde às nossas orações por amor, como um pai
que jamais daria uma pedra para atender a um pedido de pão, ou "em
lugar de peixe uma cobra, ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião".
O exemplo foi para mostrar que somos maus e que
Deus é bom, portanto podemos esperar dele o melhor, ainda que não entendamos
sua resposta às nossas orações, que pode ser "Sim", "Não" ou "Espere".
Quando o Senhor Jesus disse que "tudo
quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no
Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei" (Jo
14:13-14), será que esse tudo era tudo mesmo? Será que se eu pedir uma
Ferrari em nome de Jesus e, "Plim!", uma Ferrari
aparecerá em minha garagem? Obviamente não é bem assim, porque se fosse Deus
estaria criando filhos como crianças mimadas com suas vidas desperdiçadas por
concupiscências sem fim. Em João
15:7 ele explica
melhor: "Se permanecerdes em mim, e as minhas
palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será
feito", e em 1
João 5:14 tudo fica claro: "E esta é a confiança que
temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade,
ele nos ouve".
Pronto, agora você já sabe que não adianta "romper
em fé", sapatear, rolar pelo chão e chorar como criança mimada na
tentativa de fazer com que Deus caia na sua conversa e lhe dê "a
riqueza do Egito, e as mercadorias da Etiópia, e os sabeus, homens de grande
estatura" (Is
45:14). A condição dada na Palavra é permanecer em Cristo e pedir "segundo
a sua vontade". Ou seja, viver em comunhão com Deus para conhecer
a vontade de Deus e pedir nada mais do que aquilo que ele quer dar, mas tem
prazer em ver que você pede demonstrando dependência dele. Alguém já disse que se existe uma palavra mágica para se
conseguir as coisas ela não é "Shazam!", nem "Abracadabra!",
nem "Eu determino!", e sim "Por favor?".
Muitos cristãos que são educados o suficiente para pedir favores com cuidado e
respeito parecem perder toda a educação ao tratarem com Deus, como se ele fosse
um gênio da lâmpada a nosso serviço. Digo isto porque vejo alguns pentecostais
dando ordens a Deus, do tipo, "Eu determino", "Eu
declaro!", "Eu profetizo!". Se eu pedisse as
coisas dessa maneira a meu pai ou minha mãe quando era criança, aí sim poderia
esperar uma pedra em lugar de pão, um escorpião em lugar de ovo e uma cobra em
lugar de peixe. Além de umas boas palmadas.
A NATUREZA DA FÉ EM DEUS
TEXTO BÍBLICO - Hebreus – 11.1-6, 13, 39, 40
1- Ora, a fé é o firme fundamento das coisas
que se esperam e a prova das coisas que se não veem.
2- Porque, por ela, os antigos alcançaram
testemunho.
3- Pela fé, entendemos que os mundos, pela
palavra de DEUS, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito
do que é aparente. Pela fé, Abel ofereceu a DEUS maior sacrifício do que Caim,
pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando DEUS testemunho dos
4- Seus dons, e, por ela, depois de morto,
ainda fala.
5- Pela fé, Enoque foi trasladado para não
ver a morte e não foi achado, porque DEUS o trasladara, visto como, antes da
sua trasladação, alcançou testemunho de que agradara a DEUS.
6- Ora, sem fé é impossível agradar-lhe,
porque é necessário que aquele que se aproxima de DEUS creia que ele existe e
que é galardoador dos que o buscam.
13- Todos estes morreram na fé, sem terem
recebido as promessas, mas, vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as,
confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
39- E todos estes, tendo tido testemunho pela
fé, não alcançaram a promessa,
40- Provendo DEUS alguma coisa melhor a nosso
respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados
TEXTOS
BÍBLICOS
Hebreus
11.1-Ora, a fé é o firme
fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem.
Hebreus 11.1
Habacuque 2.1-4 O justo viverá da fé
Romanos
8.18-25 A fé espera o que
não vê
Mateus
21.18-22 A fé remove
montanhas
2
Timóteo 4.6,7 A fé deve
ser guardada
Romanos
10.16, 17 A fé é gerada
pela Palavra de DEUS
1
João 5.1-4 A fé é a
vitória que vence o mundo
COMENTÁRIO
- Palavra introdutória
Hebreus
11.1 é a única passagem da Bíblia que apresenta uma definição de fé. Outros
escritores bíblicos descrevem-na ou ilustram-na, mas o redator de Hebreus
propõe-se a conceituá-Ia. Os dois aspectos da fé -— certeza e expectativa ---
podem ser observados na vida dos homens e mulheres mencionados nesse capítulo.
O
escritor de Hebreus coloca a fé em destaque em sua epi tola, com o objetivo de
mostrar que seus antepassados (Pais, juízes e profetas) viveram e serviram a
DEUS e venceram pela fé, não por vista. Portanto, convinha que os hebreus
seguissem, tais exemplos e desvencilhassem-se de toda dependência visual
contida no cerimonial judaico.
O
escritor de Hebreus desejava:
-
Apresentar aos seus leitores um substancioso relato da história do povo de DEUS
ao longo dos séculos;
-
Mostrar-lhes diversos personagens que, pela fé — não por seus próprios méritos
- obtiveram vitórias marcantes, porque perseveraram firmes, mesmo quando
enfrentaram derrotas, perseguições e martírio;
-
Recomendar-lhes que permanecessem firmes na fé, seguindo o exemplo desses
heróis.
1- O QUE É A FÉ?
A
fé não é um salto no escuro, como podem pensar algumas pessoas; antes, ela é um
ato racional — embora a razão por si só não consiga explicar todas as coisas.
A
definição de fé (gr. pistes) abrange diversos aspectos e dimensões, conforme se
pode observar nos subtópicos seguintes:
-
A fé é o fundamento (gr. hypostasis) que traz a ideia de colocar por baixo,
como base;
-
A fé enxerga o invisível, no valor maior do que é espiritual e no DEUS que
prometeu que em CRISTO o invisível tornar-se-á visível e o espiritual,
concreto;
-
A fé é a certeza da existência de algo, antes mesmo que que esse algo venha a
ser chamado à existência;
-
A fé é a evidência do que não foi manifesto;
-
A fé está para além do que é aparente;
-
A fé não somente possibilita crer que para DEUS tudo é possível (Mt 19.26), mas
também vivenciar os milagres divinos;
-
A fé constitui-se em nossa grande vitória (1 Jo 5.4).
SUBSÍDIO
1
Fé
é uma certeza. Não há espaço para dúvidas. Fé é visionária. Quem perde
dinheiro, perde muito; quem perde a fé, perde tudo.
1-1- Os tipos de fé
Fé
natural — manifesta-se
naturalmente no ser humano, mesmo sem que este tenha nascido de novo em CRISTO.
Fé
sobrenatural é divina; vai
além das experiências humanas; está alicerçada no Senhor (Mc 11.22; 1 Co 12.9);
vê o que é impossível à razão (Hb 11.3); agrada a DEUS; contempla o invisível
(Hb 11.27); e conduz à salvação, que é oferecida pela graça divina, em CRISTO
(Ef 2.8).
1-2-
O firme fundamento
O
escritor define a fé em termos de esperança e certeza: se o que se espera foi
prometido pelo Senhor, certamente acontecerá.
A
esperança no que é eterno (a promessa de salvação oferecida por DEUS) é mais do
que um pensamento desejoso, é uma questão de certeza.
Trata-se,
portanto, de uma expectativa fundamentada na convicção de que o Senhor é fiel,
temos certeza da nossa salvação, porque, pela fé, acreditamos que aquele que a
prometeu é fiel para cumprir Suas promessas.
1-2-1-
Fé e obediência
Algumas
profecias divinas são absolutas e incondicionais, isto é, elas acontecerão de
qualquer forma, independente da ação humana. Outras, no entanto, vêm
acompanhadas de uma ordem ou de um mandamento, estando, portanto, condicionadas
à obediência.
Por
exemplo, a promessa de DEUS a Abraão estava ligada a uma ordem: Sai da tua
terra e da tua parentela (Gn 12.1). Sobre esta palavra, Abraão depositou sua
fé, acrescentando-lhe a obediência. O grande patriarca de Israel saiu sem saber
para onde iria e, por essa razão, o que ele esperava (Hb 11.1) aconteceu.
1-3- A prova do que não se vê
O
termo prova (Hb 11.1) não substitui o vocábulo evidência. Seu sentido, neste
verso, assemelha-se ao ato da escritura de uma propriedade. A fé, nesse
sentido, é o documento que nos garante receber a herança de vida conquistada
por CRISTO; ainda não é possível vê-lo plenamente, pois foi DEUS quem o
assinou, mas Ele é fiel para cumprir Sua Palavra (1 Sm 3.19).
SUBSÍDIO
2
Na
galeria dos heróis da fé (Hb 11), percebe-se
que
aqueles que creram, sofreram. Qual é, afinal, a vantagem de carregar a
promessa? Ambos os
testamentos
afirmam que o justo viverá pela fé (Hc
2,4;
Rm 1,17). Ela é, nesse sentido, a chave-mestra
que
pode abrir as portas de toda sorte de bênçãos: material, física e espiritual
(Lc 7.50; Tg 5.15).
2-
HERÓIS QUE VIRAM AS PROMESSAS DE LONGE
Se
há uma porção da Escritura que deve ser evitada pelos promotores da teologia da
prosperidade, esta é Hebreus 11.
As
heroínas e os heróis da fé — identificados como tais não por suas habilidades,
mas pelos propósitos eternos daquele — dificilmente declararam em quem
depositaram a sua fé e reivindicaram quaisquer promessas. Ao contrário, eles
sofreram apedrejamentos e morte ao fio da espada; andaram necessitados,
angustiados e maltratados (Hb 11.37,38). O capítulo termina enfocando as
futuras promessas de fé (Hb 11.39,40). O escritor sagrado chama a atenção para
a salvação final realizada pelo ministério sacerdotal de CRISTO.
2-1- Morreram na fé
Todos
os homens e mulheres identificados pelo escritor sagrado como aqueles que
morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe (Hb
11.13a), não morreram pela fé, mas na fé, crendo em DEUS até o seu último
respirar.
Assim
como Paulo, todos eles e elas combateram o bom combate, acabaram a carreira e
guardaram o seu dom mais precioso: a fé (2 Tm 4.7).
2-2- Viram as promessas de longe
Somos
filhos de DEUS e temos a promessa de uma recompensa futura. Como Abraão e
Moisés na Antiguidade, as decisões que tomarmos hoje determinarão as
recompensas de amanhã. Mais do que isso, nossas decisões devem ser motivadas
pela expectativa de receber as recompensas prometidas.
-
Abraão obedeceu a DEUS, porque aguardava a cidade (Hb 11.10);
-
Moisés renunciou aos tesouros e prazeres do Egito, porque contemplava o
galardão (Hb 11.26);
-
Os homens e mulheres de fé do passado (Hb 11.31,35) viveram no tempo futuro e,
desse modo, conseguiram vencer as tentações do mundo e da carne.
Caminhemos,
pois, nessa terra olhando para JESUS, autor e consumador da fé, o qual, pelo
gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e
assentou-se à destra do trono de DEUS (Hb 12.2).
2-3- Creram nas promessas, abraçando-as e confessando-as.
Todos
os justos do Antigo Testamento foram salvos pela fé nas promessas que DEUS lhes
havia revelado, não em razão dos seus sacrifícios ou obediência à Lei.
Todos
eles consideravam-se estrangeiros e peregrinos na terra (Hb 11.13b), pois
esperavam uma pátria melhor, definitiva, futura, na qual seriam aclamados por
DEUS, que já lhes havia preparado uma cidade (Hb 11.14-16).
3-
HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO
Os
heróis da fé de Hebreus 11 revelam que os cristãos não estão sozinhos em suas
aflições, mas unidos na fé e na esperança de todos aqueles que os antecederam.
3-1- Os heróis da fé lutadores
As
figuras heroicas de Israel, que venceram reinos, praticaram a justiça,
alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões (como Sansão, Davi e Daniel),
neutralizaram a força do fogo (como Ananias, Misael e Azarias) e escaparam do
fio da espada, como Elias (Hb 11.33,34), viveram pela fé, esperando as
promessas que foram realizadas em CRISTO.
Os
destinatários da carta aos Hebreus foram exortados a buscar sempre por JESUS;
isso tanto lhes daria sustento diante das tribulações da vida, como lhes
garantiria a perfeita recompensa na eternidade
—
A palavra final para os heróis da fé não é morte, mas ressurreição.
3-2- Os heróis da fé martirizados
O
escritor de Hebreus alude a homens e mulheres da história do povo de DEUS que
poderiam ter salvado suas vidas ao renunciar a sua fé. Estes, porém, preferiam
renunciar a suas próprias vidas para alcançar a ressurreição (Hb 11.35). Esta é
a marca suprema da fé autêntica: ela está mais preocupada com o que acontece do
outro lado da vida, do que com o que acontece deste lado de morte.
A
verdadeira fé atravessa toda barreira terrena. Sua força não está em provas
visíveis ou em libertações miraculosas — nesse sentido, ela transcende à
necessidade de qualquer auxílio sensorial (2 Co 5.7).
3-3- Exemplos marcantes de fé
3-3-1-
Enoque, aquele que andou com DEUS
Pela
fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte e não foi achado, porque DEUS o
trasladara (...) (Hb 11.5). Trasladado (gr. metetethe) significa, literalmente,
transposto — de um nível mais baixo para um mais alto (mesma palavra usada em
Hebreus 7.12).
A
afirmação de que Enoque não foi achado sugere que, por dias, sua família e
amigos procuraram por ele, em vão, porque DEUS o havia tomado para uma posição
celestial.
A
fé, em si mesma, não pode transladar ninguém para o céu; mas, o caminhar de fé
possibilitou que Enoque recebesse do Altíssimo a soberana recompensa de
trasladação.
3-3-2-
Abraão, aquele que soube esperar.
Abraão
esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é DEUS
(Hb 11.10). Ele obedeceu e confiou no Senhor, apesar da fome, do perigo e da
demora no cumprimento da promessa (Hb 11.8,9) e foi fortificado (Rm 420,21).
A
fé sabe esperar, porque vê os fatos por trás das circunstâncias. Abraão venceu
a dúvida em meio a todo o sofrimento emocional e à aparente contradição ante a
tudo o que se cria antes (Hb 11,17-19). Não havia limites para a fé de Abraão,
visto que ele creu que o Senhor podia, até mesmo, ressuscitar seu filho.
3-3-3- Moisés, aquele que viu o invisível
Moisés
preferiu ser maltratado com o povo da aliança, por um pouco de tempo, do que —
por conveniência — aproveitar-se do conforto e das benesses do palácio de
Faraó; ele preferiu ter, por maiores riquezas a injúria de CRISTO a ter os
tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa (Hb 11.25,26).
Hebreus
combina a firmeza da fé com sua recompensa invisível, quando diz de Moisés:
porque ficou firme, como vendo o invisível (Hb 11.27).
CONCLUSÃO
A
fé frequentemente requer a convicção de que DEUS pode realizar o que parece
impossível. A ênfase da epístola aos Hebreus é esta: Não vivam em função
daquilo que o mundo lhes promete hoje! Vivam para aquilo que DEUS lhes prometeu
para o futuro! Sejam estrangeiros e peregrinos nesta terra!
Caminhem pela fé, não segundo as aparências!
A
epístola aos Hebreus — talvez mais do que qualquer outro livro do Novo
Testamento — convida-nos a perseverar na fé e a percorrer a carreira com
firmeza. O escritor sagrado lembra-nos de que muitas pessoas insistiram, mesmo
quando as promessas de DEUS pareciam infinitamente distantes. Ele lembra-nos,
também, de que o próprio JESUS não era estranho ao sofrimento. Nós não estamos
sozinhos em nossas aflições; estamos rodeados de uma multidão de testemunhas
fiéis; e, por isso, também devemos continuar caminhando, com os olhos fixos em
CRISTO, nosso supremo sumo sacerdote, enquanto seguimos em direção ao reino
eterno de DEUS.

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