SE
O MEU POVO ORAR
TEXTO BIBLICO: 2 Crônicas 7:11-18
“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se
humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos,
então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2Cr 7.14).
Este é um dos trechos mais profundos e citados da Bíblia, pois revela o
"coração" de Deus em resposta à dedicação do Templo de Salomão. Mais
do que uma promessa de bênção, é um manual de restauração espiritual.
Aqui
está um estudo detalhado dividido por tópicos:
1.
O Contexto: A Resposta ao Sacrifício (vv. 11-12)
Salomão
havia terminado a construção do Templo e da sua própria casa. Ele havia orado
pedindo que Deus habitasse ali. A resposta de Deus não veio no barulho da
festa, mas na quietude da noite.
- A
iniciativa é de Deus:
Ele ouve a oração e escolhe o lugar.
- A
soberania de Deus:
Ele aceita o sacrifício, validando o esforço do Seu povo.
2.
A Condição: Quando a Crise Chega (v. 13)
Antes
da famosa promessa do verso 14, Deus estabelece uma realidade: Haverá tempos
difíceis. * Céus fechados (seca), gafanhotos (escassez) e peste
(doença).
- Deus
admite que Ele mesmo pode permitir essas situações para despertar o Seu
povo. A crise, na Bíblia, muitas vezes é um sinal de que a conexão com a
Fonte foi interrompida.
3.
A Receita da Restauração (v. 14)
Este
é o núcleo do estudo. Deus apresenta quatro atitudes humanas que geram três
respostas divinas.
As
4 Atitudes do Povo:
- Se o
meu povo se humilhar:
O orgulho é a barreira entre o homem e Deus. Humilhar-se é reconhecer a
total dependência d'Ele.
- E
orar: A oração aqui
não é apenas pedir coisas, mas buscar comunhão.
- E
buscar a minha face:
Significa priorizar a presença de Deus acima das Suas mãos (bênçãos). É
querer conhecer quem Ele é.
- E se
converter dos seus maus caminhos:
Este é o passo mais difícil. Arrependimento não é remorso; é mudança de
direção. É abandonar o que ofende a Deus.
As
3 Respostas de Deus:
- Eu
ouvirei dos céus: A
comunicação é restabelecida.
- Perdoarei
os seus pecados: A
barreira da culpa é removida.
- Sararei
a sua terra: A
restauração não é apenas espiritual, ela reflete na economia, na saúde e
no ambiente em que vivemos.
4.
A Promessa da Presença Contínua (vv. 15-18)
Deus
garante que Seus olhos e ouvidos estarão atentos àquele lugar. Ele faz uma
aliança com Salomão, prometendo que, se ele andasse em integridade, o trono de
Israel jamais ficaria vazio.
- A
Escolha de Deus: "Já escolhi e
santifiquei esta casa" (v.
16).
- A
Condicionalidade: A
permanência da bênção sobre a linhagem de Salomão dependia da obediência
(v. 17). Isso nos ensina que a graça de Deus nos alcança, mas a nossa
obediência nos mantém no centro da Sua vontade.
Aplicação
para Hoje
Embora
este texto tenha sido escrito para o Israel antigo, os princípios são eternos:
- Identidade: Deus nos
chama de "Meu povo". Temos um lugar de pertencimento.
- Responsabilidade: A
cura da "terra" (nossa família, nossa cidade, nosso país) começa
com a postura da Igreja, e não necessariamente com a mudança dos
"outros".
- Esperança: Não importa o quão seca esteja a terra ou quão grave seja a peste; há sempre um caminho de volta através do arrependimento.
O
Caminho para o Reavivamento
Texto
Base: 2 Crônicas 7:13-14
Introdução
Muitas
vezes clamamos para que Deus mude a nossa realidade, nossa família ou nossa
nação. No entanto, neste texto, Deus revela que a mudança da "terra"
(o exterior) é consequência de uma mudança no "povo" (o interior). O
reavivamento não começa no mundo; começa na Igreja.
I.
O Diagnóstico da Crise (v. 13)
- A
Realidade da Seca: "Se eu cerrar os
céus..." (Crise
espiritual e falta de fôlego).
- A
Realidade da Devoração:
"...ou se ordenar aos gafanhotos que
consumam a terra" (Crise financeira e perdas).
- A
Realidade da Enfermidade:
"...ou se enviar a peste entre o meu
povo" (Crise emocional e física).
- Ponto
Chave: Deus permite o
desconforto para que sintamos saudade do Confortador.
II.
O Protocolo da Mudança (v. 14a)
Deus
não pede algo impossível, Ele pede quatro atitudes:
- Humilhação (Quebra do Ego): Admitir que não temos as respostas.
- Oração
(Relacionamento):
Voltar a falar com o Pai, não apenas por ritual, mas por necessidade.
- Busca
da Face (Intimidade):
Parar de buscar apenas as "mãos" de
Deus (o que Ele dá) e buscar a Sua "face" (quem Ele é).
- Conversão (Mudança de Direção): O arrependimento é o abandono prático
do erro. Não basta chorar, é preciso mudar o caminho.
III.
A Promessa da Restauração (v. 14b)
Quando
o povo cumpre a sua parte, Deus se compromete com três ações:
- Audição
Divina: "Eu ouvirei dos céus" (O céu deixa
de ser de bronze).
- Libertação
Espiritual: "Perdoarei os seus pecados" (A
remoção do peso da culpa).
- Restauração
Física e Social: "Sararei a sua
terra" (A cura que
se torna visível aos olhos do mundo).
AS
PROMESSAS DE DEUS SÃO CONDICIONAIS - “SE O MEU POVO ORAR”
Na famosa oração de dedicação do Templo, Salomão pediu ao Senhor que atendesse
as súplicas do seu povo, quando ele pecasse e fosse exilado: “Ouve tu desde os céus, e perdoa os pecados de teu povo
de Israel, e faze-os tornar à terra que tens dado a eles e a seus pais” (2Cr
6:24,25). Claro que isto requereria arrependimento, uma mudança de coração,
pelo qual o rei orou fervorosamente (6:37-39).
Em seguida, o Senhor apareceu de noite a Salomão para conceder-lhe bênçãos
adicionais (2Cr 7:12-18) juntamente com uma advertência (2Cr 7: 19-22; cf 1Rs
9:1-9). As suas palavras a Salomão foram uma breve resposta aos pontos
principais da oração de consagração do rei. Deus assegurou-lhe que tinha ouvido
(1Rs 9:3; cf 8:28-30) e confirmou que o seu nome estava no Templo, que teria a
sua atenção contínua. O Senhor novamente declarou que a obediência era a
condição para a continuidade do trono de Davi (1Rs 4:5; cf 8:24-26). Aqui está
o severo aviso de que a desobediência irá certamente resultar em cativeiro em
uma terra estrangeira, e na destruição do Templo. Os próprios estranhos
entenderiam que a causa de tal ruína seria a deslealdade de Israel do seu Deus
(1R 9:6-9). Portanto, a obediência ou a santidade da vida é a chave para que
Israel cumpra o propósito que Deus tem para a nação, como um povo; a sua
desobediência não será tolerada de maneira alguma.
Portanto, obedecer aos mandamentos de Deus, amá-lo e agradá-lo são condições
prévias indispensáveis para termos resposta às orações. Tiago ao escrever que a
oração do justo é ouvida por Deus, refere-se tanto à pessoa que foi justificada
pela fé em Cristo, quanto à pessoa que está a viver uma vida reta, obediente e
temente a Deus (Tg 5:16-18; Sl 34:13,14).
O
Antigo Testamento acentua este mesmo ensino.
Deus tornou claro que as orações de Moisés pelos israelitas eram ouvidas por
causa do seu relacionamento obediente com o Senhor e da sua lealdade a Ele (ver
Êx 33:17). Por outro lado, o salmista declara que se abrigarmos o pecado em
nossa vida, o Senhor não atenderá as nossas orações – “Se eu atender à
iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá” (Sl 66:18). Eis a razão
principal porque o Senhor não atendia as orações dos israelitas idólatras e
ímpios – “Pelo que, quando estendeis as mãos,
escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as
ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue” (Is 1:15). Mas se o
povo de Deus arrepender-se e voltar-se dos seus caminhos ímpios, o Senhor
promete voltar a atendê-lo, perdoar seus pecados e sarar a sua terra – “e se o
meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha
face, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e
perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2Cr 7.14).
Vejamos a seguir uma análise sucinta destas promessas condicionais de Deus ao
seu povo Israel, que é aplicado a todos nós que fazemos parte da Igreja do
Senhor.
1.
O povo de Deus. “se o meu
povo, que se chama pelo meu nome”. Após a destruição da humanidade pelo
dilúvio, formou-se uma única nação por parte dos descendentes de Noé, mas esta
comunidade logo se revoltou contra Deus, que dividiu esta nação única através
da confusão das línguas (cf Gn 11:1-9), findando-se, assim, a chamada
dispensação do governo humano.
Em virtude deste juízo, Deus resolve formar um povo, a partir de Abraão, para
trazer a salvação à humanidade (Gn 12:1-3). Perceba-se
que a formação deste povo não significa, em absoluto, predileção ou acepção de
pessoas, mas visa criar um povo que pudesse ser a demonstração do amor de Deus
a todas as nações.
Israel falhou nesta iniciativa de testificar de Deus a todas as nações,
notadamente ao rejeitar o Messias (cf João 1:11), abrindo-se, então, uma
oportunidade aos gentios para que recebessem a Deus através de Jesus
Cristo(João 1:12,13; Rm 9:30-33,10:11-25).
Vive-se o momento da dispensação da Graça aos gentios, da oportunidade para que
todos aceitem a Cristo como Salvador(Mt 24:14; 28:19;Mc 16:15; Lc 24:47;At1:8;
Ap 5:9,10).
Mediante o perdão divino, passamos a pertencer ao povo de Deus,
independentemente de nossa vida anterior, do que tenhamos vindo a
fazer(Os.2:23). Não há qualquer maldição hereditária, qualquer reminiscência,
qualquer pecado que tenha perdurado, pois o sangue de Jesus nos purifica de
todo o pecado (1João 1:7).
a) “Se o meu povo”. A resposta do Senhor começa com uma
condicional: “Se”. Não é incomum Deus, em sua Palavra, trazer promessas
condicionais, que dependem de uma atitude por parte do homem. Deus estava
pronto para ouvir seu povo, mas este deveria estar pronto para dar o passo em
direção ao Senhor. O povo deveria buscar ao Senhor para que a resposta divina
chegasse a eles.
b) “Que se chama pelo meu nome”. O povo de Israel era chamado o
povo de Deus. Infelizmente, por diversas ocasiões, o povo se rebelou contra o
Senhor e esqueceu a quem pertencia, e essa atitude trouxe diversos julgamentos
da parte de Deus. Ser chamado pelo nome do Senhor exige grande responsabilidade,
pois requer ser um exemplo. Não bastava orar; era preciso ter compromisso com o
Deus que os tirou da escravidão.
2.
Condições para cumprimento das promessas de Deus. O castigo que Deus envia ao seu povo nos
tempos de declínio moral, indiferença espiritual e de parceria com o mundo é a
seca, a esterilidade e a peste (2Cr 7:13). A promessa de Deus, embora
originalmente feita a Israel, é de igual modo aplicável ao povo de Deus em
qualquer época, desde que este povo, uma vez sob castigo divino, satisfaça as
seguintes condições para um avivamento espiritual e restauração do santo
propósito e benção de Deus para seu povo (cf At 3:19):
a) “Humilhar-se”.
Deus aceita o coração quebrantado, que se vê na dependência dele para receber o
perdão de seus pecados e manter a comunhão. Pessoas com coração altivo não são
aceitas pelo Senhor. Quando se imaginava que bastava a pessoa apresentar-se ao
Senhor com animais para serem mortos, Deus usa o salmista e diz: “Os
sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e
contrito não desprezarás, ó Deus” (Sl 51:17). Portanto, o povo de Deus deve
reconhecer as suas faltas, manifestar tristeza pelo seu pecado e renovar seu
compromisso de fazer a vontade de Deus. Humilharmo-nos diante de Deus e da sua
Palavra, importa em reconhecer nossa pobreza espiritual (2Cr 11:16;
15:12,13,15; 34:15-19; Sl 51:17; Mt 5:3).
b) “Orar”. O povo de Deus deve clamar com fervor, pedindo-lhe
misericórdia. Deve depender totalmente dele e confiar nele para a sua
intervenção. A oração deve ser fervente e perseverante até Deus responder do Céu
(cf Lc 11:1-13; 18:1-8; Tg 5:17,18).
c) “Buscar a minha face”. Pode parecer redundante esta fala do
Senhor, mas lembremo-nos de que muitas pessoas não buscam o Senhor em oração.
Jesus contou a parábola do fariseu e do publicano, e nela mostrou a
possibilidade de uma pessoa orar, mas não buscando ao Senhor: “O fariseu,
estando em pé, orava consigo...” (Lc 18:11). O fariseu não estava orando a
Deus: ele orava de si para si mesmo. E esse é o tipo de oração hipócrita. Sua
oração não ia além do templo, não chegava à presença de Deus. Sabe por quê?
Porque se tratava de uma oração vazia, egoísta, vaidosa, hipócrita, cheia de
arrogância, exaltação e pedantismo religioso. Ora, nós sabemos que Deus não
ouve a oração feita com arrogância.
O publicano, pelo contrário, via muito bem a si mesmo e só tinha olhos para os
seus pecados. Não tinha nenhuma pretensão, mas apenas a convicção de que era
pecador. Esse homem humilde e convicto do seu estado de pecador estava
arrependido diante de Deus. Seu único pedido era por piedade, ou seja, por
perdão. E Deus ouviu o pecador arrependido e o perdoou. O publicano saiu do
templo perdoado e justificado.
O povo de Deus deve, portanto, com dedicação, humildade, temor e tremor buscar
a Deus de todo o coração e ansiar pelo seu perdão e pela sua presença.
d) “E se converter dos seus maus caminhos”. A oração exige de nós
que tornemos a fazer aquilo que agrada a Deus. O povo deve se arrepender com
sinceridade, abandonar pecados específicos e todas as formas de idolatria,
renunciar o mundanismo e chegar-se a Deus; pedindo misericórdia, perdão e purificação
(2Cr 29:6-11; 2Rs 17:13; Jr 25:5; Zc 1:4; Hb 4:16).
Orar é importante, como também ter um coração quebrantado e buscar a face do
Senhor, mas não podemos permanecer no pecado. É preciso ter uma atitude de
conversão, de mudar de caminho, de não cometer os erros que vimos fazendo.
3. Deus cumpre suas promessas. “Então, eu
ouvirei... perdoarei... Sararei”. Quando
são cumpridas as quatro condições acima da parte de Deus, para o avivamento e
renovação espiritual do seu povo, cumpre-se também a tríplice promessa divina
do avivamento:
a)
Deus ouvirá a oração do seu povo – “eu
ouvirei dos céus”. Deus desviará a sua ira do seu povo, ouvirá o seu
clamor angustiado e atenderá a sua oração (2Cr 7:15). Noutras palavras, a
primeira evidência de um reavivamento é Deus começar a ouvir, do Céu, a oração
e respondê-la, e a manifestar compaixão pelo seu povo (Sl 85:4-7; 102:1,2,13;
Jr 13:3; Jl 2:12,13,18,19).
b)
Deus perdoará o seu povo – “e
perdoarei os seus pecados”. Deus purificará o seu povo dos seus pecados
e restaurará entre eles o seu favor, presença, paz, verdade, justiça e poder
(cf Sl 85:9-13; Jr 33:7,8; Os 10:12; 2Co 6:14-18).
c) Deus sarará o seu povo e sua respectiva terra – “e sararei
a sua terra”. Deus promete restaurar a comunhão por meio do perdão dos
pecados, e na sequência, restaurar a ordem social e física na nação, derramando
novamente chuvas (isto é, favor e bênçãos físicas) e o Espírito Santo (isto é,
despertamento espiritual entre o seu povo e entre os perdidos, cf. Sl 51:12,13;
Os 5:14; 6:3,11; Jl 2:28-32).
Esse é o resultado de se buscar ao Senhor da forma que Ele deseja e aceita:
a garantia de que Deus estará inclinado às orações que forem feitas a Ele,
desde que cumpra as condições por Ele estabelecidas, como as que foram
mencionadas acima. Portanto, busquemos a presença do Senhor continuamente, a
fim de que o nosso Deus, segundo as suas riquezas, supra todas as nossas
necessidades em glória, por Cristo Jesus (Fp 4:19).
CONCLUSÃO
A oração de Salomão pelas
bênçãos de Deus tinha sido condicional. A resposta do Senhor foi dada nas
mesmas condições. Não importa quão profundo seja o problema trazido pelo
pecado; existe uma promessa segura de Deus: “se o meu povo, que se chama pelo
nome.... e sararei a sua terra (2Cr 7:14). Mas, o povo de Deus deve caminhar em
obediência às suas leis ou será rejeitado.


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