A SINDROME DE DOEGUE
Doegue
(também conhecido como Doeg) foi um personagem bíblico do Antigo Testamento,
identificado como um edomita (descendente de Esaú) que servia ao rei
Saul. Ele é lembrado como uma das figuras mais cruéis da Bíblia devido ao
massacre que liderou contra os sacerdotes de Deus.
Aqui
estão os pontos principais da sua história, registrada principalmente em 1
Samuel 21 e 22:
1.
Cargo e Posição
Doegue
era o chefe dos pastores de Saul, uma posição de grande confiança, já
que os rebanhos representavam uma parte significativa da riqueza do rei. Ele
não era israelita, mas estava inserido na corte e até participava de rituais
religiosos no tabernáculo.
2.
O Encontro com Davi
Enquanto
Davi fugia da perseguição de Saul, ele parou na cidade de Nobe para
pedir ajuda ao sumo sacerdote Aimeleque. Davi, mentindo sobre estar em
uma missão secreta para o rei, recebeu pães sagrados e a espada de Golias.
Doegue estava presente no local "detido perante o Senhor" e
testemunhou toda a interação.
3.
A Traição e o Massacre
Quando
Saul reclamou que ninguém o ajudava a encontrar Davi, Doegue relatou o que
tinha visto em Nobe, mas de forma maliciosa, sugerindo que o sacerdote estava
conspirando com Davi contra o rei.
- A
Ordem de Saul:
Furioso, Saul convocou os sacerdotes e ordenou que seus guardas os
matassem.
- A
Recusa dos Guardas:
Os soldados israelitas de Saul se recusaram a levantar a mão contra os
sacerdotes do Senhor.
- A
Crueldade de Doegue:
Saul então deu a ordem a Doegue, que não hesitou. Ele matou pessoalmente 85
sacerdotes naquele dia.
- Destruição
de Nobe: Não
satisfeito, Doegue foi até a cidade de Nobe e exterminou homens, mulheres,
crianças e até os animais. Apenas um filho de Aimeleque, chamado Abiatar,
conseguiu escapar para contar a Davi o que havia acontecido.
4.
O Legado Espiritual (Salmo 52)
A
maldade de Doegue foi tão marcante que Davi escreveu o Salmo 52 como uma
resposta direta a esse evento. No cabeçalho do Salmo, lê-se: "Quando Doegue, o edomita, veio a Saul e lhe disse:
Davi foi à casa de Aimeleque".
No
Salmo, Davi descreve Doegue como alguém que:
- Se gloria
na maldade e ama o mal mais do que o bem.
- Usa a
língua como uma navalha afiada para destruir.
- Confia na
sua riqueza em vez de confiar em Deus.
O Salmo 52 é um contraste profundo entre a confiança no poder humano (representado por Doegue) e a confiança na misericórdia de Deus (representada por Davi). Ele serve como uma "sentença espiritual" para aqueles que usam sua influência para o mal.
Aqui
está a análise das consequências e do caráter de Doegue segundo este Salmo:
1.
O Caráter Destrutivo
Davi
começa questionando a arrogância de Doegue: "Por que te glorias na
maldade, ó homem poderoso?". Ele destaca que o pecado de Doegue não
foi apenas o assassinato físico, mas a calúnia:
- Língua
como navalha: O texto
diz que as palavras de Doegue eram planejadas para destruir, amando mais o
mal do que o bem e a mentira do que a verdade.
- Amor à
destruição: Ele é
descrito como alguém que se delicia em palavras devoradoras.
2.
A Sentença de Deus
Davi
profetiza que o sucesso de Doegue seria temporário e que o julgamento divino
seria severo e definitivo. O Salmo usa quatro verbos fortes para descrever a
queda do ímpio:
- Destruir: Deus o destruirá para sempre.
- Arrebatar: Ele será tirado de sua habitação (sua
posição de segurança).
- Arrancar: Como uma planta que é puxada pela
raiz.
- Extirpar: Ele será removido da "terra dos
viventes", ou seja, não deixará legado.
3.
A Reação dos Justos
Diferente
do que poderíamos pensar, Davi diz que os justos verão a queda de Doegue e temerão,
mas também se rirão (v. 6). Não é um riso de escárnio maldoso, mas um
riso de alívio ao ver que a justiça de Deus prevaleceu sobre a tirania. A lição
para os observadores seria:
"Eis aqui o homem que não pôs em Deus a sua fortaleza;
antes, confiou na abundância das suas riquezas e se fortaleceu na sua própria
maldade."
Tabela
Comparativa: Doegue vs. O Justo (Davi)
|
Característica |
Doegue (O Ímpio) |
O Justo (Davi) |
|
Confiança |
Na
abundância de suas riquezas |
Na
misericórdia de Deus |
|
Comunicação |
Língua
enganosa e destrutiva |
Louvor
constante a Deus |
|
Estabilidade |
Será
arrancado e extirpado |
Como
a "oliveira verde" na casa de Deus |
|
Destino Final |
Destruição
eterna |
Esperança
no nome do Senhor |
Conclusão: A Imagem da Oliveira
Enquanto
Doegue é comparado a algo que será arrancado, Davi se descreve como uma oliveira
florescente. Naquela região, a oliveira é uma das árvores mais resistentes
e longevas, simbolizando que quem confia em Deus permanece firme,
independentemente das conspirações ao seu redor.
O
EXÍLIO DE DAVI
TEXTO BÍBLICO: 1Samuel 22:1-5
"Então, Davi se retirou dali e se escapou para a caverna de Adulão; e ouviram-no seus irmãos e toda a casa de seu pai e desceram ali para ele. E ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens" (1Sm.22:1,2).
1Samuel
22:
1. Então, Davi se retirou dali e se escapou
para a caverna de Adulão; e ouviram-no seus irmãos e toda a casa de seu pai e
desceram ali para ele.
2. E ajuntou-se a ele todo homem que se
achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso,
e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens.
3. E foi-se Davi dali a Mispa dos moabitas e
disse ao rei dos moabitas: Deixa estar meu pai e minha mãe convosco, até que
saiba o que Deus há de fazer de mim.
4. E trouxe-os perante o rei dos moabitas, e
ficaram com ele todos os dias que Davi esteve no lugar forte.
5. Porém o profeta Gade disse a Davi: Não
fiques naquele lugar forte; vai e entra na terra de Judá. Então, Davi foi e
veio para o bosque de Herete.Parte inferior do formulário
INTRODUÇÃO
Davi,
o jovem que o Senhor ungiu para suceder a Saul ao trono de Israel; o valente
destemido que venceu o gigante Golias; aquele de quem as mulheres diziam: “Saul
feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares”(1Sm.18:7); aquele que
comia à mesa do rei; aquele que comandava um grupo de homens da elite do
exército de Saul, agora é atingido fortemente pelo medo de morrer e é obrigado
a viver no exílio, no ostracismo, no desterro, em cavernas, longe do convívio
social, num estado de completa humilhação.
Entretanto,
os livros de Samuel deixam transparecer que Deus trabalhava na vida de Davi a
fim de prepará-lo para reinar no lugar de Saul. Como bem diz o pr. Osiel Gomes,
“nem sempre as vivências marcadas por situações traumáticas podem ser vistas
como negativas. Por vezes, elas servem para tirar as cascas das aparências, a
infantilidade, o esquecimento de nós mesmos, a fim de levar-nos à essência real
da vida”. Temos a certeza de que, nos desertos de nossa vida, Deus caminha
conosco, nos conduzindo na direção certa e provendo para nós nos momentos de
aflição e necessidades. Devemos, pois, estar no centro da Sua vontade e esperar
o momento certo da divina providência, mesmo em tempos bastantes
desconfortáveis.
I.
AS CARACTERISTICAS DO EXÍLIO DE DAVI
O
exílio de Davi foi uma experiência pedagógica para ele, cujos estágios moldaram
o seu caráter, que o levaram à maturidade e crescimento na vida espiritual e
relacional, e que lhe promoveu à virtude da paciência – “pois a tribulação produz a paciência” (Rm.5:3) -, e que fariam
dele um homem resiliente diante das intempéries, vicissitudes, preparando-o
para uma missão especial de grande relevância: a liderança do povo de Deus,
Israel. Não sabia ele “que a prova
de nossa fé produz a paciência” (Tg.1:3).
É
certo que houve momentos em que a fé dele demonstrou arrefecimento, que é comum
ocorrer com qualquer crente diante de provas inclementes. Um exemplo disso,
dentre outros, é quando, numa situação de total desespero, Davi foge para
cidade Gate, território inimigo, onde buscou asilo com Áquis, rei filisteu de
Gate (1Sm.21:10), e ainda levava consigo a espada de Golias que Aimeleque tinha
dado a ele; é como se Davi tivesse se tornado Golias, armado com sua espada e
rumando para a cidade natal dele. Fica óbvio que Davi caminhava de acordo com o
que via, e não pela fé, e confiava em sua própria capacidade. Mas, cedo ou mais
tarde, se perceberia que viver de acordo com o que se vê terminaria em
fracasso; e Davi, que anteriormente havia mentido para Aimeleque, dominado pelo
medo, é obrigado a encenar outra mentira e fingir-se de louco para não ser
morto (1Sm.21:13). O respeito oriental em presença da loucura salvou-o da morte
praticamente certa. Davi, ao recorrer à fraude, deixou de entregar sua vida
incondicionalmente ao Senhor e à sua proteção. É um erro que não deve ser
imitado.
Quando
a fé vacila, pode acontecer de o indivíduo perder Deus de vista e agir de forma
contrária às suas crenças e às suas experiências pessoais. A despeito desse claro arrefecimento da fé diante das
provas, Davi não perdeu a esperança em Deus, ele ainda esperava na providência
divina – “até que saiba o que Deus há de fazer de mim” (1Sm.22:3).
As
diversas situações difíceis que o seguidor de Cristo passa na caminhada cristã
podem servir-lhe de amadurecimento e crescimento na vida espiritual. Em
quaisquer circunstâncias devemos esperar em Deus, pois no seu tempo (Kairol)
ele cumprirá as suas promessas.
Depois
de escapar de Gate, Davi refugiou-se na Caverna de Adulão (1Sm.22:1-5). Era
assim chamada devido a uma cidade nas suas proximidades. Vamos explorar esta
Caverna e extrair dela lições para a vida.
1.
A Caverna de Adulão
Adulão, que significa refúgio, era uma antiga cidade real dos cananeus (Gn.38:1), situada numa região montanhosa, próxima à fronteira filisteia, a vinte quilômetros a leste da cidade de Gate, na fronteira do território de Judá, aproximadamente 26 km de Jerusalém, e a uns vinte quilômetros de Belém, a cidade natal de Davi. Atualmente, Adulão é chamada de “Aid-el-Ma,
Para
ficar longe de Saul Davi teve que ir para o exilo à busca de refúgio, e um
desses refúgios foi a caverna de Adulão (1Sm.22:1), um sistema de corredores
sem fim e passagens transversais.
Davi,
o valente que derrotou o gigante Golias, o valente cantado pelas mulheres de
Israel em suas músicas - “Sul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez
milhares” (1Sm.18:7) -, agora estava fugindo em direção a uma caverna, tímido e
com medo de morrer pelas mãos de Saul.
Num
verdadeiro redemoinho de eventos, ele perdeu o emprego, a mulher, a casa, seu
conselheiro, seus melhores amigos e, finalmente, sua autoestima. À semelhança
de Jó, ele foi golpeado com tanta força que sua cabeça deve ter ficado girando
durante horas. Davi chegara ao fundo do poço.
Este
foi o pior momento na vida de Davi até então. Se você quiser saber como ele
realmente se sentia, leia o Salmo 142, de sua composição. Era assim que Davi se
sentia como habitante da caverna:
"Olhei para a minha direita e vi; mas não havia quem me
conhecesse; refúgio me faltou; ninguém cuidou da minha alma” (Sl.142:4).
Davi
não tinha segurança, alimento, alguém com quem conversar, promessa à qual
apegar-se e nem esperança de que as coisas viessem a modificar-se um dia.
Estava sozinho numa caverna escura, longe de tudo e de todos que amava. De
todos, exceto de Deus.
Podemos
sentir a solidão desse lugar tão desolado? A umidade dessa caverna? Podemos
sentir o desespero de Davi? As profundezas em que sua alma desceu? Não havia
meios de fugir. Nada restou, absolutamente nada!
Em
meio a tudo isso, Davi não perdeu Deus de vista. Ele clama ao Senhor para
livrá-lo. É aqui que podemos vislumbrar o coração desse jovem-homem, a essência
que só Deus vê, a qualidade invisível que Deus viu quando escolheu e ungiu o
jovem pastor de Belém.
Davi
foi levado a um ponto em que Deus pôde começar realmente a moldá-lo e fazer uso
dele. Quando o Deus soberano nos reduz a nada, é para redirecionar nossa vida e
não para extingui-la.
A
perspectiva humana diz: "Ah, você perdeu isto
e aquilo; você causou isto e aquilo; você destruiu isto e aquilo; por que não
acaba com a sua vida?". Mas Deus diz: "Não.
Você está na caverna, mas isso não significa que é o fim de tudo. Significa
tempo para redirecionar sua vida. Está na hora de um novo começo!". Foi
exatamente isso que Deus fez com Davi.
Apesar
dos séculos existentes entre nós e Davi, esse homem e suas experiências são
mais relevantes do que nunca em nossos dias. Às vezes, as provas inclementes,
as tribulações impiedosas, as tempestades da vida tremendamente ameaçadoras,
nos fazem perder de vista a verdade e nos levam ao fundo do poço. A única
solução? Buscar refúgio no único que nos pode socorrer: o Senhor Deus
Todo-Poderoso.
“A ti, ó SENHOR, clamei; eu disse: tu és o meu refúgio e a minha
porção na terra dos viventes. Atende ao meu clamor, porque estou muito abatido;
livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu. Tira a minha
alma da prisão, para que louve o teu nome; os justos me rodearão, pois me
fizeste bem" (Sl.142:4-7).
“O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso
refúgio” (Sl.46:11).
2.
Os proscritos da Caverna de Adulão
Davi estava sozinho na caverna, e veja quem foi juntar-se a ele: a sua família.
"Quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai,
desceram ali para ter com ele" (1Sm.22:1).
Já
fazia muito tempo que a família de Davi não lhe dava atenção. Seu pai quase
esquecera da sua existência quando Samuel fora procurar em sua casa um possível
candidato para reinar sobre Israel. Samuel teve de dizer: "Você só tem
esses filhos?". Jessé estalou os dedos e respondeu: "Oh, não, tenho um filho que cuida das
ovelhas". Mais tarde, quando foi para a guerra e estava pronto para
lutar com Golias, os irmãos o desprezaram, dizendo:
"Sabemos porque veio, só para mostrar-se". E agora, os mesmos
irmãos e o pai, juntamente com o resto da casa, procuram Davi para ficar com
ele, na caverna de Adulão.
Algumas vezes, quando estamos na “caverna”, não queremos ninguém
por perto; às vezes, não conseguimos suportar outras pessoas. Não admitimos
isso publicamente, claro, mas é verdade; só queremos ficar sozinhos. Na minha
concepção, naquele momento da sua vida, Davi não queria ninguém por perto. Em
vista de não valer nada para si mesmo, não conseguia ver o seu valor para quem
quer que fosse.
Davi
não queria seus parentes, mas eles chegaram. Ele não desejava a presença deles,
mas Deus os levou assim mesmo. Davi os levou para dentro da caverna em que ele
se escondia.
Mas,
não foi somente a família de Davi que se juntou a ele; outro grande grupo de
homens se juntou a ele. Ajuntaram-se a Davi todos os homens que se achavam em
aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito. Os
primeiros eram em sua maioria estrangeiros em dificuldades, homens rudes e
problemáticos, no entanto, Davi os recebeu,
acolheu-os,
ensinou-os e
preparou-os, e se fez
chefe deles.
"E ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto, e
todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso, e ele se fez chefe
deles; e eram com ele uns quatrocentos homens" (1Sm.22:2).
A princípio,
eram 400 homens "em aperto", mas logo o número chegou a 600 (1Sm.22:2; 25:13).
Esses eram os homens que Deus deu a Davi para liderar. E Davi o fez com
maestria. Ele fez com que esses homens tivessem um senso de companheirismo e
devoção a Deus. Logicamente,
Davi teve de treinar esses “perdedores”, se quisesse formar um exército
eficiente, e ele o fez.
Aquela
caverna não era mais o refúgio de Davi. A caverna malcheirosa, úmida, se
tornara um campo de treinamento para os primeiros soldados que formaram o
começo do exército que veio mais tarde a ser chamado de "Os valentes de Davi". É isso mesmo, aquele bando heterogêneo se
transformaria em seus poderosos homens de guerra, e mais tarde, quando Davi
subiu ao trono, eles viriam a ser os seus ministros de gabinete. Davi modificou
completamente a vida deles e incutiu-lhes ordem, disciplina, caráter e direção.
Davi
teve de descer derrotado até o fundo do poço, quando não havia outro meio senão
olhar para cima. Quando levantou os olhos, Deus estava lá, levando aquele grupo
de desconhecidos até ele, aos poucos, até que finalmente provaram ser os homens
mais corajosos de Israel.
Quem
podia imaginar que o próximo rei de Israel estava treinando suas tropas numa
caverna escura onde ninguém conseguia enxergar nada e ninguém se importava? Que
atitude pouco usual de Deus para preparar os líderes do seu povo! A pedagogia
do Senhor é impressionante!
Davi
atraiu homens semelhantes a ele, almas aflitas. Ele também reproduziu homens
como ele, guerreiros e conquistadores. Davi era um líder nato.
- Davi
atraiu esses homens sem procurá-los.
- Davi
extraiu profunda lealdade deles sem nunca tentar obtê-la.
- Davi
transformou esses homens proscritos sem desiludi-los quanto ao seu estado
inicial.
- Davi
lutou lado a lado com esses “perdedores” e transformou-os em vencedores.
- Davi teve
o controle de seus liderados. Manter sob controle um grupo de
pessoas de bem não é muito complicado; contamos com a boa vontade e o
respeito de todos para uma convivência cordial e amável. Mas, liderar um
grupo de pessoas atribuladas isso não é fácil. Junte em um ambiente
hostil, dentro de uma caverna, 400 homens desgostosos da vida, que fugiram
de sua terra por dívidas contraídas e não quitadas e outros assuntos não
resolvidos. Esses eram homens que não pensariam duas vezes em puxar uma
arma para se defender e matar alguém. Mas, Davi fez com que os seus
liderados tivessem um senso de companheirismo e devoção a Deus. Ele os
ensinou o que significa esperar o tempo de Deus (ler 1Sm.24:5-7).
3.
O simbolismo da Caverna de Adulão
O
que Deus quis ensinar a Davi e, também, a nós seguidores de Deus da Nova
Aliança? Qual o significado de tudo isso? A caverna de Adulão é a pedagogia de
Deus para nos ensinar a confiar sempre nele. Ali, somos desafiados a entender
que não somos os melhores, nem super-homens, mas, sim, que dependemos de Deus e
de pessoas dispostas, e bem disciplinadas, a lutar por aquilo que Deus propôs
para nós. E mais:
a)
Adulão nos ensina que em nossa vida podemos estar na planície, mas, de repente,
podemos estar numa caverna, em aflição
Como
diz o pr. Osiel Gomes, em nossa vida, especialmente quando estamos gozando de
boa posição, nome, título, fama, esquecemos quem somos e, por vezes, somos
levados a situações conflitantes, perseguições, contrariedades, crises, as
quais nos levam às cavernas do recôndito de nossa alma, para que reflitamos e
sejamos forjados outra vez para voltarmos ao caminho certo da vida. Na caverna,
somos confrontados com nós mesmos; lá somos desafiados a entender que não somos
os melhores, nem super-homens, mas, sim, que dependemos de Deus e de outros
para avançarmos.
b)
Adulão, lugar de sair da superficialidade e buscar profundidade insondável
Na
caverna de Adulão, existiam lugares profundos que ainda não tinham sido
sondados, lugares onde não se conseguia medir a profundidade. Mas, Davi
conhecia em profundidade ao Senhor; ele conhecia o Bom Pastor (Salmo 23),
aquele que o havia livrado do urso, do leão e do gigante Golias; aquele que
havia entregado o gigante e todos os filisteus em suas mãos. Davi conhecia ao
Senhor, e seu conhecimento não era superficial. Às vezes, precisamos entrar em
Adulão para conhecermos o Senhor com intimidade.
c)
Adulão, lugar de transformar a humilhação em honra
Os
homens que procuraram a Davi eram homens que se achavam em aperto, endividados,
amargurados de espíritos, humilhados (1Sm.22:2). Mas, na Caverna de Adulão eles
foram honrados. Quando o Senhor livrou Davi das mãos de Saul, muitos daqueles
endividados, daqueles apertados, amargurados de espírito se tornaram heróis em
Israel, porque o nosso Deus é um Deus que exalta o humilde e abate ao soberbo
(1Pd.5:5). Adulão é o lugar que aceita os perseguidos e injustiçados e os
redime, os transforma, e os torna pessoas honradas.
d)
Adulão, o lugar de encontro com o Davi Celestial
Que
tipo de pessoas vieram a Davi na caverna? Diz o texto sagrado:
"Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em
aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se
fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens" (1Sm.22:2).
Eram
pessoas miseráveis, amarguradas, angustiadas, deprimidas, pessoas carregadas de
culpa e com um coração atormentado. Mas, na caverna de Adulão, eles encontraram
refúgio, porque o rei ungido estava lá para aceitá-los como eles eram.
Em
Jesus Cristo, as pessoas em aperto, as pessoas endividadas, as pessoas
amarguradas de espírito, encontram refúgio. Diz Jesus, o Ungido de Deus:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e
eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso
e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu
jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt.11:28-30).
Em
lugar algum estamos mais abrigados e seguros do que em Jesus - "...porque
Ele (Jesus Cristo) é a nossa paz" (Ef.2:14). Toda vez que nos humilharmos
diante dEle em arrependimento sincero e confessarmos a Ele os nossos pecados
poderemos respirar aliviados. Mas será que tomamos tempo suficiente para
buscarmos o Ungido Rei na "caverna de Adulão", para termos comunhão
com o nosso Davi Celestial?
e)
Deus é o nosso Refúgio e Fortaleza na hora da angústia (Sl.46:1)
Para
onde voltamo-nos quando o nosso mundo desmorona? A quem procuramos refúgio na
hora da angústia? Para quem nos voltamos quando não há ninguém a quem contar as
dificuldades? Davi estava nessa situação e ele se voltou para o Deus vivo, e
descobriu nele um lugar para descansar e recuperar-se. Encurralado, ferido pela
adversidade, lutando contra o desânimo e o desespero, ele escreveu estas
palavras em seu diário de lamentos:
“O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu
libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a
força da minha salvação e o meu alto refúgio” (Sl.18:2).
Precisamos
de refúgio, um lugar onde se esconder e sarar. Precisamos de alguém disposto,
afetuoso, disponível; um confidente; um companheiro de “armas”. Você não está
conseguindo encontrar um? Por que não compartilhar do abrigo de Davi? Aquele
que ele chamou de "minha Força, minha Rocha, minha Fortaleza, meu
Baluarte, minha Torre Alta"? Nós o conhecemos hoje por outro nome: Jesus
Cristo, o Senhor; Ele está sempre disponível, até mesmo para moradores de
cavernas, pessoas solitárias que precisam de alguém que se interesse por elas.
“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na
angústia” (Sl.46:1).
“O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso
refúgio” (Sl.46:11).
II.
DAVI E O AMOR COM OS PAIS
Ao
longo das Escrituras, constatamos que a família desfruta de destaque especial
nos desígnios de Deus para a humanidade. Além do seu papel de coesão, inclusive
social, a família provê também apoio emocional e espiritual para seus membros.
Todos nós de alguma forma necessitamos também de nossa "caverna
de Adulão", isto é, um local de refúgio, inclusive familiar.
1.
Protegendo seus pais
Preocupados
com o bem-estar de seus pais, Davi viaja, de Adulão, para Mispa, em Moabe, e
pede proteção e abrigo ao rei para eles, enquanto ele estava escondido
(1Sm.22:3,4).
“E foi-se Davi dali a Mispa dos moabitas e disse ao rei dos
moabitas: Deixa estar meu pai e minha mãe convosco, até que saiba o que Deus há
de fazer de mim. E trouxe-os perante o rei dos moabitas, e ficaram com ele
todos os dias que Davi esteve no lugar forte” (1Sm.22:3,4).
Nesta
circunstância adversa, Davi teve o cuidado todo especial de proteger os seus
pais das brutalidades de Saul. É possível que o rei de Moabe tivesse alguma
lealdade para com Davi graças aos antepassados dele (por parte de pai, Davi é
descendente da moabita Rute). Quando Davi voltou, o profeta Gade o instruiu a
deixar Adulão, de modo que ele foi para o bosque de Herete, também em Judá
(1Sm.22:5).
“Porém o profeta Gade disse a Davi: Não fiques naquele lugar
forte; vai e entra na terra de Judá. Então, Davi foi e veio para o bosque de
Herete”.
Nesta
fortaleza, Davi encontra segurança, e espera para ver o que Deus faria com ele.
O texto não informa por que o profeta disse para Davi voltar a Judá, mas é
provável que o Senhor tenha considerado a partida de Davi contrária a seu
destino divinamente ordenado. Apesar de ser descendente de Rute, uma moabita
(Rt.4:17), foi errado Davi depositar sua confiança num rei que era inimigo do
povo de Deus. (Diz a tradição que, mais tarde, os moabitas mataram os pais de
Davi).
Um
dos deveres dos filhos para com os pais é honrá-los. Só que não podemos honrar
os pais sem os amar, e nem os amar sem honrá-los. O amor aos pais inclui todas
as responsabilidades que temos perante eles.
Na
Lei moral que Deus revelou a Moisés, conhecida como os Dez Mandamentos, vemos a
seguinte divisão: os quatro primeiros mandamentos se referem aos deveres para
com Deus; os seis seguintes, aos deveres do homem para com a humanidade. O
Primeiro Mandamento desta segunda divisão foi escrito para os filhos, e é o
único mandamento que tem uma condição ligada a uma promessa de bênção para os
que o observarem.
“Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus
dias na terra que o Senhor teu Deus te dá” (Ex.20.12).
Este
Mandamento é ratificado no Novo Testamento. Paulo escreveu aos
Efésios: “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com
promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Ef.6:2,3). Em
Mateus 15:3-9, Jesus pregou um sermão cujo tema é a honra
devida pelos filhos aos pais. Marcos 7:6-13 repete o fato com mais detalhes.
Este
mandamento abrange todos os devidos atos de bondade, ajuda material, respeito e
obediência aos pais (Ef.6:1-3; Cl.3:20). Abrange, também, não proferir palavras
maldosas e agressão física aos pais.
Em
Êxodo 21:15,17, Deus estabeleceu a pena de morte para quem ferisse ou
amaldiçoasse seu pai ou sua mãe. Assim fica demostrada a grande importância que
Deus atribuiu ao respeito pelos pais. Portanto, Davi agiu corretamente
engendrando esforços para proteger os seus pais da fúria do inimigo Saul.
Apesar que, aparentemente, a escolha do lugar do asilo seja questionável.
2.
A recompensa para os filhos obedientes
O
assunto da obediência tem sido um problema, desde que nossos primeiros pais
praticaram o ato da desobediência. Paulo descreveu os efeitos do pecado nos
filhos, em Romanos 1:30,31:
” ... desobedientes aos pais e às mães; néscios, infiéis
nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem
misericórdia”.
Muitas
famílias pagãs que se convertiam a Cristo nos dias do Novo Testamento eram
caracterizadas conforme esse descrito de Paulo.
Em
Efésios 6:1-4 e Colossenses 3:20,21 Paulo exorta os filhos concernente às suas
atitudes e ações que devem ter para com os seus pais.
” Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é
agradável ao Senhor” (Cl.3:20).
1.Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque
isto é justo.
2. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com
promessa,
3. para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
4.E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas
criai-os na doutrina e admoestação do Senhor (Ef.6:1-4).
· “Porque isto é justo” (Ef.6:1). É
um princípio básico da vida familiar que, os ainda imaturos, impulsivos e
inexperientes se submetam à autoridade do seus pais, que são mais velhos e mais
experientes.
· “Para que te vá bem” (Ef.6:3). O
bem-estar dos filhos depende da obediência prestada aos pais. Pense no que
aconteceria a um filho que nunca recebeu instrução ou correção dos seus pais.
Ele se tornaria insuportável pessoalmente e intolerável socialmente.
·
” Para que vivas muito tempo sobre a terra” (Ef.6:3). A obediência
promove uma vida plena. Nos dias do Antigo Testamento o filho que obedecia aos
pais desfrutava de uma vida longa. Hoje isso não é mais uma regra sem exceção.
De fato, obediência filial nem sempre traz longevidade. Um filho respeitoso pode
morrer jovem. Porém, de modo geral é verdade que a vida de disciplina e
obediência é mais segura, saudável e longa, enquanto a vida de rebelião de
imprudência muitas vezes termina em morte prematura.
Jesus foi um exemplo de obediência e
submissão aos Seus pais adotivos -” E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes
submisso” (Lc.2:51).
A
família de Recabe. A
Bíblia diz que todos os filhos de Recabe foram usados por Deus como exemplo
para a nação israelita, pelo fato de obedecerem a seu pai. Levados ao templo
pelo profeta Jeremias, foram convidados a tomar vinho. Não parecia ser nada de
mais, principalmente em se tratando de convite feito pelo profeta de Deus. Mas,
os recabitas responderam:” Não beberemos vinho;
porque Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, nos mandou, dizendo: Nunca jamais
bebereis vinho, nem vós nem vossos filhos” (Jr.35:1-6). Deus repreendeu
o povo de Israel, mostrando-lhe que aqueles filhos obedeciam a seu pai,
enquanto a nação era desobediente a seu Deus.
A
obediência dos filhos aos pais, portanto, é um dever sagrado. Deus não abre mão
em tempo algum dessa exigência. Ele exige isto a ponto de condicionar a
felicidade no viver ao seu cumprimento. Infelizmente, no mundo de hoje, onde a
maior parte das pessoas só faz o que acha certo aos seus próprios olhos, a
obediência não é algo popular.
III.
MORRENDO POR CAUSA DE DAVI
1.
A inconsistência de Saul
Segundo
o dicionário Aulete, inconsistência é a qualidade, caráter ou estado do que ou
de quem é inconsistente; é a falta de consistência, de estabilidade ou de
firmeza.
Esta
era uma característica do perfil da liderança de Saul. Embora ele tenha se
tornado rei, principalmente por causa de sua formidável aparência, ele nunca
venceu as suas lutas interiores. Externamente, era alto, bonito e de corpo bem
constituído (1Sm.9:2); mas, internamente, não passava de um anão. Observe esses
aspectos do caráter de Saul:
Quando chega o tempo de ser ungido, Saul se
esconde entre a bagagem (1Sm.10:22).
Quando
Samuel pede para Saul liderar, ele apresenta desculpas de incapacidade
(1Sm.9:21).
Quando
os soldados de Saul começam a se dispersar, ele entra em pânico e desobedece às
ordens divinas (1Sm.13:1-14).
Quando
confrontado com o seu pecado, Saul apresenta justificativas (1Sm.15:14-23).
Quando
Saul ataca os amalequitas, ele está com medo de confiar em Deus e destruir o
inimigo (1Sm.15:8).
Quando
Saul teme perder o apoio do povo, ele constrói uma estátua de si mesmo, a
estátua do orgulho (1Sm.15:12).
Quando
os filisteus enfrentam Israel, o medo impede Saul de negociar (1Sm.17:1-11)).
Quando
Davi ganha popularidade, a insegurança leva Saul a tentar homicídio
(1Sm.18:9-11).
2.
O preço de proteger Davi
Proteger
Davi, estando Saul ainda no comando da nação, significava pagar um preço alto,
e o preço era a morte do indivíduo ou de um grupo de indivíduos, ou até mesmo
de uma cidade inteira. Foi o que aconteceu com os sacerdotes e a cidade de Nobe
(1Sm.22:6-19). Foi um massacre cruento contra um povo inocente. A suspeita de
Saul veio do relato de Doegue, que flagrou Davi em uma conversa com Aimeleque,
o sumo sacerdote, e ainda receber comida e uma espada (1Sm.22:9,10).
Esta
atitude insana de Saul foi uma demonstração incontestável de que ele estava
possuído pelo poder demoníaco e tinha uma mente doentia. Ele não confiava em
nada e em ninguém, nem mesmo no próprio filho Jônatas - em duas ocasiões ele
procurou matar o próprio filho (1Sm.14:44;20:33); da segunda vez, em virtude da
lealdade de Jonatas a Davi.
Por
mais que Aimeleque explicasse sua inocência, no sentido de tramar contra o rei,
era impossível Saul confiar nas suas palavras, visto que ele estava dominado
por poderes demoníacos, de maneira que todos eram acusados de conspiração
(1Sm.22:11-23).
O
sentimento de ciúme, ódio e inveja que dominava o coração de Saul fez com que
de imediato ordenasse a morte de todos os sacerdotes do Senhor na cidade de
Nobe. Saul deu a ordem aos soldados para matarem os sacerdotes, mas eles não
quiseram de maneira alguma praticar tal massacre e não obedeceram à ordem do
rei. Então, entra em cena Doegue para cometer esse crime bárbaro. Oitenta e
cinco sacerdotes foram mortos e a cidade foi destruída com seus habitantes. A
atitude de Saul demonstrou sua instabilidade mental e emocional e seu
distanciamento de Deus.
Por
que Deus permitiu que 85 inocentes sacerdotes do Senhor fossem assassinados? Suas mortes serviram para mostrar à
nação de Israel como o rei Saul tornara-se um déspota. Onde estavam os
conselheiros de Saul? Onde estavam os anciãos de Israel? Às vezes Deus permite
que o mal ocorra a fim de nos ensinar que jamais devemos aceitar que os
sistemas malignos floresçam.
Servir
a Deus não é um ingresso para a riqueza, o sucesso ou a saúde. Servir a Deus
não é ser protegido numa redoma de vidro contra as intempéries e adversidades
da vida. Servir a Deus significa luta renhida e correr risco de vida.
O
Senhor não promete proteger as pessoas do mal deste mundo, mas garante que toda
a maldade será abolida um Dia. Os que permanecem fiéis nas suas provações
receberão grandes recompensas no porvir (Mt.5:11,12; Ap.21:1,7; 22:1-21).
“E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a
primeira terra passaram, e o mar já não existe. Quem vencer herdará todas as
coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho” (Ap.21:1,7).
“Eis que presto venho. Bem-aventurado aquele que guarda as
palavras da profecia deste livro” (Ap.22:7).
3.
A sina de Doegue
Quando
Davi chegou ao sacerdote Aimeleque, lá estava Doegue, edomita, chefe dos
pastores de Saul (1Sm.21:7). Alguns supõem que ele estivesse no tabernáculo
para pagar algum tipo de voto, um tipo de purificação, ou para fazer qualquer
outro sacrifício, deixando de lado a causa de ele estar ali. Sua presença o fez
testemunha do que Davi pediu ao sacerdote. Davi não podia mudar isso, nem
impedir a horrível vingança que a ira de Saul trouxe sobre o sumo sacerdote e
dezenas de outros sacerdotes, bem como mulheres, crianças e animais em Nobe
(1Sm.22:9-19).
Decidido
a aproveitar ao máximo a oportunidade de impressionar o rei, Doegue contou a
Saul que Aimeleque, sumo sacerdote em Nobe, havia ajudado Davi com provisões e
consultado o Senhor a favor dele. Saul convocou de imediato Aimeleque e sua
família e o acusou de traição. A ordem de Saul foi inapelável: “...matem os sacerdotes do Senhor...” (1Sm.22:17). Este texto retrata Saul como
inclinado a cometer homicídios.
As
próprias palavras de Saul o condenaram, pois ele reconheceu que os sacerdotes
eram os “sacerdotes do Senhor”. Ao ordenar a
execução deles, posicionou-se contra o próprio Senhor.
Mas,
os seus servos “se recusaram a levantar as mãos
para arremeter contra os sacerdotes do Senhor” (1Sm.22:17). Eles se
recusaram a cumprir a ordem do rei porque perceberam que seria uma atrocidade
matar os sacerdotes do Senhor. Mas, o desejo do endemoninhado rei não podia
deixar de ser realizado; alguém deveria realizar a chacina, e a sina caiu para Doegue
(1Sm.22:18).
“Então, disse o rei a Doegue: Vira-te tu e arremete contra
os sacerdotes. Então, se virou Doegue, o edomita, e arremeteu contra os
sacerdotes, e matou, naquele dia, oitenta e cinco homens que vestiam éfode de
linho”.
Para
Doegue, homem sem princípio, cometer aquele crime brutal contra os ungidos do
Senhor era algo normal, um simples ataque. No mais, seu objetivo era agradar e
satisfazer o ímpio rei Saul, que queria apenas manter seu poder. Esse homem
matou oitenta e cinco sacerdotes indefesos, desarmados, inocentes. Davi
escreveu o Salmo 52 para registrar a maldade de Doegue.
Só
escapou um sacerdote, de nome Abiatar, filho de Aimeleque. Davi instou com
Abiatar que ficasse com ele, porque confiava na orientação e na proteção de
Jeová (1Sm.22:22, 23).
Doegue
realizou o massacre, mas o sacerdote Abiatar, filho de Alimeleque, atribuiu o
crime corretamente a Saul, pois vieram dele as ordens para que se cometesse
essa atrocidade (cf.1Sm.22:18,19). Sem dúvida, Saul era totalmente incapaz de
reinar sobre o povo de Deus.
Pode
acontecer de um crente estar esperando o tempo de Deus e assim mesmo ocorrerem
problemas, fraquezas e dificuldades, como foi o caso ocorrido quando da visita
de Davi ao sacerdote Aimeleque (1Sm.21:1-9; 22:6-22). Às
vezes o inimigo da Obra de Deus se encontra dentro da própria Casa de Deus,
trazendo inúmeros prejuízos e perturbações ao povo de Deus e à sua liderança
fiel. Tenhamos cuidado com os “Doegue’s” infiltrados!
CONCLUSÃO
Em
todo o seu exílio Davi buscou refúgio, protegendo-se das artimanhas de Saul.
Quase sem forças, e como o espírito quebrantado, Davi implora por refúgio.
Todos nós, em nossa jornada da vida, precisamos de refúgio. Por que temos
necessidade de um refúgio? Primeiro, porque estamos aflitos e sofrendo;
segundo, porque somos pecadores e a culpa nos acusa; terceiro, porque estamos
cercados por adversários e as incompreensões nos atacam. Não há outro refúgio
melhor para nas horas de angústia: Jesus. Ele continua disponível até para os
“moradores de cavernas”, pessoas solitárias que precisam de alguém que se
interessa por elas. Deus é o refúgio do Seu povo na hora da angústia. O
salmista assim se expressou: “Deus é o
nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na
adversidade” (Salmo 46:1).



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