sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

DANIEL - A INTEGRIDADE EM TEMPOS DIFICEIS

 Daniel: Um Profeta em Terra Estrangeira

Daniel é uma figura proeminente no Antigo Testamento, conhecido por sua profunda fé em Deus mesmo em meio a um ambiente pagão e poderoso como a Babilônia. Sua história é marcada por desafios, milagres e uma missão clara: permanecer fiel a Deus em todas as circunstâncias.

A Chegada à Babilônia

Daniel, junto com seus amigos Sadraque, Mesaque e Abednego, foi levado cativo para a Babilônia durante a invasão de Jerusalém. Lá, eles foram treinados para servir na corte do rei Nabucodonosor. Apesar de estarem em um ambiente estrangeiro e com pressões para se adaptarem aos costumes babilônicos, Daniel e seus amigos escolheram manter seus valores e crenças.

Uma Missão Divina

A missão de Daniel em Babilônia era multifacetada:

  • Ser um exemplo de fidelidade: Daniel se recusou a se contaminar com os alimentos e bebidas da corte, demonstrando sua devoção a Deus.
  • Interpretar sonhos e visões: Deus dotou Daniel com o dom de interpretar sonhos e visões, o que o levou a posições de destaque na corte babilônica. Através de suas interpretações, Daniel revelava a soberania de Deus sobre os reinos da terra.
  • Profetizar o futuro: Daniel profetizou eventos futuros, como a queda da Babilônia e o surgimento de outros impérios. Suas profecias são consideradas algumas das mais detalhadas e precisas da Bíblia.
  • Defender a fé: Daniel e seus amigos enfrentaram grandes desafios por causa de sua fé, como a ordem de adorar uma imagem de ouro. Eles permaneceram firmes em suas convicções, demonstrando o poder de Deus para salvar e proteger Seus fiéis.

Lições de Daniel

A história de Daniel nos ensina diversas lições importantes:

  • A importância da fidelidade: Mesmo em um mundo que tenta nos afastar de Deus, devemos permanecer firmes em nossas crenças.
  • O poder da oração: Daniel orava regularmente, buscando a orientação de Deus em todas as situações.
  • A soberania de Deus: Deus controla os destinos das nações e nada escapa ao Seu conhecimento.
  • A esperança no futuro: As profecias de Daniel nos dão esperança de um futuro onde o reino de Deus será estabelecido sobre toda a terra.

A história de Daniel é um testemunho poderoso da fé e da coragem. Ele nos inspira a viver vidas dedicadas a Deus, independentemente das circunstâncias.

DANIEL, UM HOMEM ÍNTEGRO QUE NÃO TRANSIGIU COM SUA FÉ EM DEUS Dn 6.10-16. Nenhuma trama política mudaria em Daniel o seu hábito devocional de oração (Dn 6.10).

“Daniel, três vezes no dia se punha de joelhos, e orava” (6.10). Nenhuma trama política mudaria seu hábito devocional de oração. Daniel soube do decreto do rei, mas não mudou seus hábitos cotidianos. De manhã, abria as janelas do seu quarto, voltadas para Jerusalém, e orava a DEUS e pedia pela restauração do seu povo à sua terra. Daniel desde jovem entendeu que sua vida dependia da sua relação com DEUS. A oração era o canal inteligente e racional pela qual ele seria guiado em suas decisões pessoais e políticas. A trama política visava neutralizar a voz de oração de Daniel. Em nossos dias, nossos políticos cristãos, comprometidos com o Senhor são desafiados a transigirem do conhecimento da Palavra de DEUS para apoiarem decisões contraditórias que ferem frontalmente os princípios morais, éticos e religiosos da fé recebida em CRISTO JESUS. Tão logo Daniel soube do edito real não mudou seu hábito de orar a DEUS três vezes por dia. Ele não transigiria com sua fé, mesmo que lhe custasse a vida.

“Três vezes por dia faz a sua oração” (6.11). Era tudo o que seus inimigos queriam: encontrar um modo para acusar Daniel diante do rei e roubar-lhe o lugar e a posição de destaque que Daniel tinha para com o Rei. Teria que ser algo que atingisse o rei. Com ousadia, Daniel, mesmo sabendo do decreto do rei, não alterou seus hábitos. Continuou a abrir as janelas do seu quarto de dormir e, três vezes por dia, orava e dava graças a DEUS. Não mudou sua postura de oração ao orar de joelhos. Daniel não escondeu nenhum dos seus hábitos.

 

A INTEGRIDADE EM TEMPOS DIFICEIS

TEXTO BÍBLICO: Dn 6:3-5,10,11,15,16,20

“Então, os príncipes e os presidentes procuravam achar ocasião contra Daniel a respeito do reino; mas não podiam achar ocasião ou culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum vício nem culpa” (Dn 6:4).

INTRODUÇÃO

Muitos fraquejam quando passam pelo teste da adversidade. A vida de Daniel, porém, prova que um homem pode ser íntegro tanto na adversidade como na prosperidade. Daniel foi íntegro quando chegou à Babilônia como escravo. Ele resolveu firmemente não se contaminar. Agora ele passa pelo teste da prosperidade - foi o primeiro-ministro da Babilônia e agora é um governador do reino medo-persa. Sua integridade é a mesma. Ele não se deixa seduzir pela fama nem pela riqueza. Ele é um homem absolutamente confiável.

 


I.  DANIEL, UM HOMEM ÍNTEGRO EM UM MEIO POLÍTICO CORRUPTO (Dn 6:1-6).

A Babilônia tinha caído, um novo império tinha se levantado, mas os homens que subiram ao poder continuavam corruptos. O absolutismo do rei no império babilônico mudou para a descentralização do poder no império medo-persa. O regime de governo mudou, mas não o coração dos homens. É um grande engano pensar que as coisas vão mudar para melhor em virtude das mirabolantes promessas dos políticos. Mudam-se os partidos; mudam-se as figuras, mas o espírito e a cultura do aproveitamento são os mesmos. (2)

1. Dario reorganiza o governo e delega autoridade administrativa (Dn 6:1-3). Na reorganização do governo, Dario dividiu a responsabilidade da administração. Ele constituiu 120 prefeitos e três governadores. Desses três governadores, Daniel se distinguiu. Dario encontrou nele “um espírito excelente” (Dn 6:3) e, apesar da idade avançada de Daniel, planejava estender sua autoridade sobre todo o reino. A corrupção estava instalada dentro do palácio, nas rodas mais altas do governo de Dario, porém o caráter de Daniel era impoluto e imutável. Ele não vendeu a sua consciência. As circunstâncias adversas não alteraram as convicções de Daniel.

Daniel manteve-se íntegro a despeito do ambiente. Ele não negociou os seus valores absolutos. Ele não se corrompeu. A base de sua integridade foi sua fidelidade a Deus. Sua fé foi a pedra de esquina de sua moralidade privada e pública.

A vida de Daniel nos mostra que é possível ser íntegro mesmo cercado por um mar de lama de corrupção.

2. Daniel se torna alvo de uma conspiração (Dn 6:4,5). Então, os príncipes e os presidentes procuravam achar ocasião contra Daniel a respeito do reino; mas não podiam achar ocasião ou culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum vício nem culpa. Então, estes homens disseram: Nunca acharemos ocasião alguma contra este Daniel, se não a procurarmos contra ele na lei do seu Deus”.

Os inimigos de Daniel queriam afastá-lo do caminho deles. Mas como? Nada encontraram para atacar em sua vida moral, assim, conspiraram contra ele por intermédio de sua fé no seu Deus. Daniel 6:4 nos informa que os conspiradores procuravam “achar ocasião" para acusar Daniel. Essa palavra (“ocasião”) significa, aqui, que eles buscavam um pretexto, um motivo.

Daniel, porém, era fiel a Deus e, também, era fiel ao seu senhor terreno. Ele realmente era diferente dos demais. E porque era diferente dos outros líderes foi perseguido, e conspiraram contra ele para matá-lo.

A vida de Daniel nos prova que um homem pode permanecer íntegro mesmo quando é vítima de conspiração.

3. O perigo das confabulações (tramas, conspirações) políticas. Ver Daniel prestes a uma promoção que o colocaria acima dos prefeitos e dos demais governadores era mais do que eles podiam tolerar. Eles precisavam destruir Daniel a qualquer custo, mas não encontrava nenhuma falha nele. O fracasso em encontrar falhas na administração de Daniel os fez buscar uma maneira de atacá-lo no seu ponto mais forte: sua religião e a lei do seu Deus (Dn 6:5). Eles sabiam que Daniel era um homem de oração, e era neste ponto que eles articularam a construção de uma arapuca. Eles agiram em surdina, maquinaram nos bastidores, tramaram na escuridão. Eles bajularam o rei e se tornaram hipócritas para alcançar o fim que desejavam: a morte de Daniel.

Eles bajularam o rei Dario elevando-o ao posto de divindade por um mês. O projeto trazia como isca a exaltação e a lealdade ao rei. Era bastante comum para os governadores dos medos e persas colocar-se no lugar de um dos seus deuses e requerer a adoração do povo. Dario sentiu-se lisonjeado em ser o centro da devoção religiosa por um mês, por isso, assinou o edito. Mas a intenção dos conspiradores era outra.

O rei tornou-se refém de seu próprio orgulho e, por conseguinte, de seu próprio decreto. Dario assina uma sentença irrevogável, pois a lei nesse império era maior do que o rei. Dario caiu na arapuca da lei e da ordem. E assim, sentenciaram à morte o homem de confiança do rei. Além da bajulação, usaram a mentira (Dn 6:7).

 

A integridade nem sempre nos ajuda a granjear amigos. Pessoa íntegra é uma ameaça ao sistema de corrupção. Por ser fiel, você pode ser perseguido com maior rigor. As trevas aborrecem a luz. Os que andam na verdade perturbam os que vivem no engano.

Não podemos permitir que qualquer ser humano ou qualquer outra coisa venha impedir de buscarmos a Deus em oração, de cultuá-lo, pois nada existe de mais importante do que o Senhor.

II. DANIEL, UM HOMEM ÍNTEGRO QUE NÃO TRANSIGIU COM SUA FÉ EM DEUS (Dn 6:10-16).

1. Nenhuma trama política mudaria em Daniel o seu hábito devocional de oração (Dn 6:10). “Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa (ora, havia no seu quarto janelas abertas da banda de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como também antes costumava fazer”.

Quando Daniel soube do decreto do rei a sua atitude foi inequívoca: Ele entrou em sua casa e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como também antes costumava fazer”. Daniel não muda sua agenda ao saber que estava sentenciado à morte. Alterar seus hábitos de devoção ou tornar secreta a sua relação com o seu Deus seria uma negação basilar de sua integridade espiritual.

Certamente, ele deve ter sido tentado a transigir ao se ajoelhar para orar: "Por que não facilitar as coisas? Veja a posição de privilégios de que goza. Pense na influência que continuará exercendo se transigir só nesse ponto. Assegure seu futuro. Não ore a Deus em público apenas durante este mês. Ore secretamente em seu coração, se quiser, mas por que fazê-lo como sempre fez? Certamente, você será notado e perderá tudo, inclusive a vida". Daniel não foge nem transige, mas continua orando ao Senhor como costumava fazer. Daniel aprendeu a ser íntegro na mocidade e jamais mudou sua rota. Mesmo ancião, prefere a morte a transigir com sua consciência. (3)

2. A momentânea vitória dos conspiradores. Então, aqueles homens foram juntos e acharam Daniel orando e suplicando diante do seu Deus(Dn 6:11).

Os inimigos de Daniel encontraram-no orando. Era tudo que eles precisavam para levar adiante o plano macabro. Assim como caçadores orgulhosamente exibem sua presa, os vis conspiradores chegaram ao rei Dario e exibiram o resultado do seu mau intento. Deram-lhe a informação de que tanto queriam – “Daniel, um dos exilados de Judá, não te dá ouvidos, ó rei, nem ao decreto que assinaste. Ele continua orando três vezes por dia” (Dn 6:13, NVI). E a informação estava cheia de veneno: (a) acentuava o preconceito, falando de Daniel como um exilado, mesmo depois de setenta anos de integridade como o homem mais importante do governo; (b) acrescentava uma informação falsa, afirmando que Daniel não fazia caso do rei.  Mas, a alegria dos conspiradores durou apenas uma noite. O juízo divino seria implacável contra eles.

3. Preservando a integridade (Dn 6:18-22). Uma pessoa íntegra procura agradar a Deus mais que aos homens. Ela não depende de elogios nem muda sua rota por causa das críticas. Uma pessoa íntegra cumpre com a palavra empenhada e seu aperto de mão vale mais que um contrato. Daniel sabia que sua integridade o tornava impopular diante dos outros líderes, mas sua consciência era cativa ao Senhor e comprometida com a verdade. Os opositores de Daniel odiaram-no não porque ele praticara o mal, mas porque ele praticara o bem. Eles bajularam e se tornaram hipócritas para alcançar o fim que desejavam, a morte de Daniel. Eles agiram em surdina, maquinaram nos bastidores, tramaram na escuridão. (4)

Por ser fiel, você pode ser perseguido com maior rigor. As trevas aborrecem a luz. Os que andam na verdade perturbam os que vivem no engano. O íntegro é uma ameaça aos corruptos.

III. DANIEL NA COVA DOS LEÕES (Dn 6:16,17)

A cova dos leões era a forma mais cruel de sentença de morte no reino medo-persa. Babilônia matava numa fornalha, o reino medo-persa na cova dos leões.

1. Daniel preferiu morrer a se dobrar diante de um edito maligno (Dn 6:16,17). Dario caiu na armadilha da bajulação e se tornou refém de seu próprio decreto. Daniel, seu homem de maior confiança, foi sentenciado à cova dos leões por causa de sua irretocável integridade. Daniel não discutiu, nem questionou sua condenação com o rei. Sua convicção era de que o seu Deus a livraria se assim o quisesse. Ele não deixou de orar e de manter seu hábito devocional. A sua fé em Deus proporcionava-lhe paz interior para enfrentar aquela circunstância adversa.

Daniel foi denunciado, preso e lançado na cova dos leões. Sua integridade não o livrou da maldade, da inveja e da perseguição dos seus inimigos do palácio. Mas Deus fechou a boca dos leões na cova da morte.

Como crentes em Cristo estaríamos dispostos a sacrificar nossa vida e até morrer pelo nome de Jesus? O próprio Jesus declarou que no final dos tempos os verdadeiros discípulos seriam odiados, atormentados e levados à morte. Mesmo que você morra por causa de sua integridade, você ainda é bem-aventurado porque felizes são aqueles que sofrem por causa da justiça!

 

2. Daniel foi protegido da morte pelo anjo de Deus (Dn 6:22,23). O meu Deus enviou o seu anjo (Dn 6:22).  

A Bíblia diz que "o anjo do Senhor se acampa ao redor dos que o temem, e os livra" (Sl 34:7). Daniel não escapou da cova dos leões, mas o anjo de Deus entrou com ele naquela cova e fechou a boca dos leões. A firmeza da fé de Daniel estava acima de qualquer trama diabólica, por isso, Deus enviou o seu anjo que fechou a boca dos leões, e assim não puderam devorá-lo. Sua comunhão com Deus era algovital e inalterável na relação entre ambos.

 Você não pode evitar que os homens maus tramem contra você, mas você pode orar, e Deus pode frustrar o propósito dos ímpios. Os perversos não contavam com a intervenção de Deus, com o livramento do anjo do Senhor. Os amigos de Daniel foram livres das chamas do fogo da fornalha, porque creram no seu Deus. Agora, Daniel foi livre de ser triturado pelos leões, porque, também, crera no seu Deus. O Anjo do Senhor que andou com Hananias, Misael e Azarias na fornalha de fogo, esse mesmo Anjo abençoou Daniel, ficando ao seu lado durante aquela noite, e demonstrou Sua autoridade sobre os leões ao restringir todos seus instintos naturais, a fim de não matarem brutalmente o servo do SenhorEstá escrito em 1João 5:4: “esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé”.

3. Deus mais uma vez foi glorificado através da vida de Daniel (Dn 6:25-27). Quando cuidamos de nossa integridade, o nome de Deus é exaltado (Dn 6:26,27). Mais do que o nome de Daniel, o nome de Deus foi proclamado e exaltado em todo o império medo-persa. Dario exaltou a Deus dizendo: Ele é o Deus vivo; Ele é o Deus eterno que vive para sempre; Seu reino jamais será destruído; Seu domínio jamais terá fim; Ele é o Deus que livra, salva e faz maravilhas; Ele é o Deus que livrou Daniel.

O fim último de nossa vida é glorificar a Deus. Devemos viver de tal maneira que os homens vejam nossas boas obras e glorifiquem ao nosso Pai que está nos céus (Mt 5:16).

CONCLUSÃO

Quando cuidamos de nossa integridade, Deus nos exalta (Dn 6:28). Ele foi promovido no governo de Dario, o medo, sob o reinado de Ciro, o persa. Deus honra aqueles que o honram. Dario tornou público um novo edito: “Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e para sempre permanente, e o seu reino não se pode destruir; o seu domínio é até ao fim (Dn 6:25). Esse foi o fruto da integridade de Daniel em todas as situações. E a maldição dos inimigos de Daniel caiu sobre a cabeça deles. Todos aqueles homens foram lançados na cova dos leões e estraçalhados, e não escapou nem mesmo suas famílias (Dn 6:24,25).

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

MALCO, UM SONHO QUASE PERDIDO, QUE JESUS RESTAUROU

 

Malco, uma lição de misericórdia e perdão

A história de Malco é um episódio marcante nos Evangelhos, um momento em que a misericórdia de Jesus brilhou intensamente em meio à escuridão da traição e da prisão. Malco, o servo do sumo sacerdote Caifás, teve sua orelha direita cortada por Pedro naquela noite no Getsêmani. Enquanto a história registra os eventos com clareza, os acontecimentos posteriores na vida de Malco permanece envolto em mistério.

Malco e a prisão de Jesus

Naquela noite, o cenário estava tenso. Jesus, consciente de seu destino iminente, buscou refúgio em oração no jardim do Getsêmani com seus discípulos. Os homens designados para capturá-lo eram guiados por Judas Iscariotes, o traidor, e consistiam em guardas do Templo e soldados romanos. No entanto, Malco não pertencia a nenhum desses grupos; ele era um servo pessoal do sumo sacerdote Caifás, o sumo sacerdote do Templo em Jerusalém.

O confronto se desenrolou quando os homens se aproximaram de Jesus. Malco, assim como os oficiais da guarda do Templo, parecia estar armado, pois Pedro, um dos discípulos, reagiu cortando a orelha direita de Malco. A espada de Pedro provavelmente era uma das duas espadas que os discípulos carregavam naquela noite (Mateus 26:47; Marcos 14:43-47; Lucas 22:47-53; João 18:2-11).

Pedro corta a orelha de Malco

Embora o incidente tenha sido registrado nos quatro Evangelhos, apenas João revela o nome do servo do sumo sacerdote como Malco. Além disso, João é o único a identificar Pedro como o autor do corte (João 18:10).

Após o ato impulsivo de Pedro, Jesus interveio, advertindo sobre a futilidade da violência. Ele disse que aqueles que empunham a espada perecerão pela espada e que poderia orar ao Pai para enviar legiões de anjos em seu auxílio. Jesus estava ciente de que era a vontade de Deus que Ele sofresse, conforme previsto nas Escrituras (Mateus 26:52-54).

Jesus cura a orelha de Malco

Em meio à tensão e ao caos, Jesus demonstrou seu amor e compaixão. Ele tocou a orelha ferida de Malco e a curou. Esse ato de misericórdia foi um dos últimos milagres de cura realizados por Jesus em seu ministério terreno, marcando seu compromisso com a restauração e a graça, mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras (Lucas 22:51).

O que aconteceu com Malco após o milagre de cura?

Depois desse episódio, a narrativa bíblica não oferece mais informações sobre a vida de Malco. Muitos se perguntam o que teria acontecido com ele após o milagre de cura. Teria ele experimentado um profundo arrependimento e uma transformação espiritual? Porém, a Bíblia não fornece respostas para essas perguntas.

Malco permanece como um exemplo vívido de como a misericórdia de Jesus pode tocar até mesmo aqueles que parecem ser seus mais ferrenhos opositores. Sua história destaca a importância da compaixão e da possibilidade de transformação, independentemente de nosso passado ou ações. Embora o destino de Malco permaneça um mistério, seu encontro e o toque curador em sua orelha servem como um lembrete duradouro da graça daquele que proclamou: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mateus 5:7).


TEMA: MALCO, UM SONHO QUASE PERDIDO.  Joa. 18.10

 TRANSIÇÃO: Apresentar o texto e contexto.

·        Jesus está no Getsêmani orando

·        Em uma noite fria e de angústia

·        De repente na madrugada surge o seu traidor, Judas e oficiais do sumo sacerdotes e fariseus.

·        Ele foram prender Jesus e de repente algo acontece.

·        Pedro corta a orelha do servo do sumo sacerdote, Malco.

1.     O QUE ERA O SERVO DE UM SUMO SACERDOTE:

 I.            Eram aqueles que almejavam um dia ser sacerdotes,

 II.          Dedicavam sua vida de 5 a 8, anos ao estudo da Toráh,

 III.        Se dedicavam ao trabalho no Templo (12 em 12 horas colocando lenha no altar para o fogo não apagar;

IV.         No fim de seu estágio, quando faltava 1 ano para ser consagrado ao Sacerdócio, se tornava SERVO DO SUMO-SACERDOTE.

Acompanhava o sumo-sacerdote o tempo inteiro, na condição não só de aprendiz (discípulo), mas de servo.

V.          Um grande equívoco que muitos cometem, é dize que Pedro cortou a orelha do soldado.

A Bíblia não diz que Malco era um Soldado; os quatro Evangelhos dizem que Malco era “SERVO DO SUMO-SACERDOTE” (Mt.26:51; Mc.14:47; Lc.22:50; Jo.18:10).

Etimologia: MALCO - Ou Malchus, é a forma helênica do hebraico Meleque, que significa “rei”. Na Bíblia ele é identificado por João como aquele servo do Sumo Sacerdote Caifás que lidera a legião de soldados romanos para prender Jesus.

VI.      O Sumo Sacerdote, tinha, em geral, quatro grupos de servos:

Os chamados de chefes dos sacerdotes. O Comandante do Templo, responsável pelo culto e pelo policiamento no santuário e que substitui o Sumo Sacerdote em caso de necessidade;

·        Os chefes das 24 secções semanais;

·        Os sete vigilantes do templo

·        E os três tesoureiros. 

VII.     O servo de um sumo sacerdote poderia substituí-lo quando necessário.

Para isso Ele era sabatinado pelo sinédrio lei.

VIII.     Ele precisava preencher os requisitos exigidos pela lei:

Entre esses requisitos estava o da perfeição no corpo.

Levítico 21:17 - Fala a Arão, dizendo: Ninguém da tua descendência, nas suas gerações, em que houver algum defeito, se chegará a oferecer o pão do seu Deus.

Levítico 21:21Nenhum homem da descendência de Arão, o sacerdote, em quem houver alguma deformidade, se chegará para oferecer as ofertas queimadas do SENHOR; defeito nele há; não se chegará para oferecer o pão do seu Deus. 

Não podia ter nada deformado em seu corpo, ou defeito físico.

IX.       Malco preparou-se a vida inteira para ser um dia um sumo sacerdote.

2.     QUEM ERA O SUMO SACERDOTE DA ÉPOCA:

I.          O Sumo Sacerdote da época de Jesus não era, como no Antigo Testamento, um homem escolhido por Deus.

II.         Nessa época, o Sumo Sacerdote era escolhido ou indicado por Herodes, a fim de que o mesmo atendesse aos interesses de Roma, sempre que se tornasse necessário.

 III.      O NOME DELE ERA CAIFAS.


3.     A DIREÇÃO EM QUE MALCO ESTAVA:

I.        Ainda que estivesse a serviço da maldade do sacerdócio;

II.       Ainda que sua motivação naquele momento fosse a pior possível;

 III.     Ainda que seu coração tivesse se corrompido levando-o a aceitar está baixa condição de executar missões reprováveis em nome do Sumo Sacerdote,

IV.       Malco, todavia acreditava estar a serviço da Obra de Deus.

V.        Ele havia dedicado toda à sua vida em função deste sonho, o de ser um sacerdote.

VI.      Na verdade, Malco era um homem que se achava na multidão errada, defendendo a causa errada, envolvendo-se com pessoas erradas.

4.     E QUANDO A ORELHA FOI CORTADA:

I.         Pedro puxa uma espada.

II.        Ele corta a orelha de Malco.

 III.     Malco perda uma das partes mais importantes nos requisitos para realizar o seu sonho “a orelha”

IV.        Ele precisava daquela orelha.

V.          A Bíblia faz questão de mencionar que a orelha era a DIREITA (Jo 18.10).

VI.       Nas Leis Cerimoniais estava expresso que todas as vezes que o sacrifício se iniciasse, era necessário que o sacerdote fosse ungido antes de se apresentar perante o altar do Senhor. As partes do corpo do sacerdote que deveriam ser ungidas eram:

· O dedo polegar da mão direita, indicando a positividade do sacerdote em cumprir toda a lei.

·  O dedo do polegar do pé direito, indicando que os pés deste sacerdote andariam apenas nos caminhos do Senhor.

· A ponta da orelha direita. indicando que o sacerdote ouviria apenas a voz do seu Deus.

Levítico 14:14 - E o sacerdote tomará do sangue da expiação da culpa, e o porá sobre a ponta da orelha direita daquele que tem de purificar-se e sobre o dedo polegar da sua mão direita, e no dedo polegar do seu pé direito.

VII.    Na consagração do sacerdote o sangue era passado na ponta da orelha direita, e dos polegares direitos dos pés e das mãos.

A importância da orelha direita, está em êxodo 29:20 “…e imolarás o carneiro, e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da orelha direita de Arão e sobre a ponta da orelha direita de seus filhos, como também sobre o dedo polegar da sua mão direita e sobre o dedo polegar do seu pé direito; e espargirás o sangue sobre o altar ao redor.”

VIII.    Malco vê naquele momento todos os seus sonhos caídos ao chão.

ORELHA DIREITA = Sacerdócio. Seria impossível exercer o sacerdócio sem a orelha direita.

Sacerdócio Universal do Crente: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus”. (Romanos 10:17)

QUEM CORTOU?  Pedro = andava com Jesus, mas ainda não havia se definido (Lc.22:32).
SALVAÇÃO SEM TRANSFORMAÇÃO, SEM NOVA FORMA DE VIDA = Simboliza a Religião

Pedro teve duas fazes distintas em sua vida:

- 1ª antes da morte e ressurreição de Jesus, onde ele ainda não havia se convertido.

- 2ª após a ressurreição de Jesus onde ele havia verdadeiramente se convertido.

5.     O ÚLTIMO MILAGRE DO MINISTÉRIO TERRENO DE JESUS.

I.            O último milagre foi restaurar um sonho.

II.          Enquanto o sangue escorrer e Malco abaixado passando a mão no chão cassando sua orelha.

·        No escuro da noite fria.

·        Ele estar desesperando com uma das mãos a cabeça e o sangue escorrendo.

·        A outra mão cassando a orelha no chão.

·        A dor terrível pelo corte.

·        Mas o que mais doía era o sonho que acabou.

·        E agora tudo que eu fiz e me preparei acabou.

·        Cerca de um ou três minutos de desespero.

III.    Jesus se abaixa pega a orelha e coloca no lugar.

“Não importa o tamanho do milagre, o que importa é o tamanho do impacto causado por ele”.

IV.     O sonho voltou, e Malco está maravilhado com esse homem.

Quem é esse homem que restaura sonhos.

O homem que levanta novamente o sonho de um ministério.

Malco nunca mais foi o mesmo, seus sonhos não acabaram ali.

CONCLUSÃO:  Jesus é o restaurador de sonhos. Quem sabe você perdeu a orelha (sonho) e você desistiu de lutar por eles. O nosso Deus é poderoso para fazer muito mais. Confie Nele e espera nele. Seja ministério ou qualquer área da tua vida, Jesus pode mudar todas as circunstâncias.

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

O CÂNTICO DE ANA


 

A CHAMADA PROFÉTICA DE SAMUEL


                                                A CHAMADA PROFÉTICA DE SAMUEL

TEXTO BÍBLICO  1Smauel 3:1-10

“Então, veio o SENHOR, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel. E disse Samuel: Fala, porque o teu servo ouve” (1Sm.3:10).

Principais acontecimentos na vida de Samuel

Aqui estão os principais acontecimentos na vida e no ministério do profeta Samuel:

  • Nascimento milagroso: Ana, sua mãe, era estéril e orou a Deus por um filho, prometendo dedicá-lo ao serviço divino.
  • Dedicação ao templo: Ainda criança, Samuel foi levado ao templo em Silo para servir sob a supervisão do sacerdote Eli.
  • Deus chama Samuel: Deus chamou Samuel ainda jovem, revelando a ele a futura punição da casa de Eli.
  • Profeta e juiz de Israel: Samuel se tornou líder espiritual e político de Israel, guiando o povo em tempos de crise.
  • Convocação ao arrependimento: Ele exortou os israelitas a se afastarem da idolatria e voltarem a adorar exclusivamente a Deus.
  • Unção de Saul como primeiro rei: A pedido do povo, Samuel escolheu Saul, ungindo como o primeiro rei de Israel, marcando o início da monarquia.
  • Rejeição de Saul: Após Saul desobedecer a Deus, Samuel o repreendeu e informou que seu reinado seria retirado.
  • Unção de Davi: Samuel foi enviado por Deus para ungir Davi como o novo rei de Israel, substituindo Saul.
  • Conselheiro e intercessor: Mesmo após a unção de Davi, Samuel continuou a aconselhar o povo e interceder por Israel.
  • Morte e sepultamento: Samuel morreu em Ramá e foi amplamente lamentado por todo o povo de Israel.

Esses eventos marcaram profundamente a história de Israel, especialmente a transição de uma teocracia para uma monarquia.

O que podemos aprender com a história do profeta Samuel

A vida de Samuel e o livro que leva seu nome na Bíblia trazem lições valiosas para nossa caminhada de fé. Samuel foi um profeta, juiz e líder espiritual em Israel, que viveu em um período de transição, quando o povo passou a ser governado por reis.

Desde o seu nascimento milagroso, vemos a importância da oração e da entrega total a Deus. Sua mãe, Ana, orou fervorosamente por um filho e, quando Deus lhe concedeu Samuel, ela cumpriu sua promessa de dedicá-lo ao Senhor, mostrando a importância de honrar nossos compromissos com Deus.

Um dos maiores ensinamentos de Samuel é sobre obediência. Ele ouviu e obedeceu à voz de Deus desde jovem. Isso nos lembra que, independentemente de nossa idade ou posição, devemos estar dispostos a ouvir o chamado de Deus e agir conforme Sua vontade. A vida de Samuel também nos ensina a importância de ser fiel em nossas responsabilidades, mesmo em momentos difíceis. Ele confrontou reis, como Saul, com coragem e verdade, mostrando que a obediência a Deus está acima da aprovação humana.

Além disso, o livro de 1 Samuel nos mostra o perigo da desobediência, através da vida de Saul. Quando Saul desobedeceu às instruções de Deus, ele foi rejeitado como rei. Isso reforça que Deus valoriza a obediência mais do que sacrifícios externos ou rituais.

Por outro lado, a unção de Davi nos ensina que Deus não vê como o homem vê – Ele olha para o coração. Davi, um jovem pastor, foi escolhido por Deus por causa de seu coração fiel. Isso nos mostra que, para Deus, o caráter e a devoção são mais importantes que a aparência.

Estudo bíblico sobre o profeta Samuel

O nascimento e a consagração de Samuel a Deus

O nascimento de Samuel foi resultado de um milagre de Deus, em resposta às orações de sua mãe, Ana. Ela era estéril, e, por muitos anos, sofreu por não conseguir ter filhos, especialmente porque sua rival, Penina, a provocava incessantemente (1 Samuel 1:6).

Em um ato de profunda fé e desespero, Ana foi ao templo em Siló e orou ao Senhor, derramando sua alma diante de Deus. Em sua oração, fez um voto, dizendo: "Senhor dos Exércitos, se de fato olhares para a aflição da tua serva e te lembrares de mim, e não te esqueceres da tua serva, mas lhe deres um filho homem, então eu o dedicarei ao Senhor por todos os dias da sua vida" (1 Samuel 1:11).

Deus ouviu a oração de Ana e concedeu-lhe um filho, a quem ela chamou de Samuel, que significa "pedido ao Senhor" (1 Samuel 1:20). Após o desmame de Samuel, Ana cumpriu sua promessa e o levou ao templo para ser dedicado ao serviço de Deus, entregando-o ao sacerdote Eli.

Esse acontecimento demonstra a fidelidade de Deus em ouvir as orações sinceras e a importância de cumprirmos os votos feitos ao Senhor. Ana mostrou obediência e confiança, deixando Samuel nas mãos de Deus desde o início de sua vida.

Deus chama Samuel

O chamado profético de Samuel ocorreu de forma especial enquanto ele ainda era uma criança. Servindo ao lado do sacerdote Eli no templo de Siló, Samuel não conhecia plenamente a voz de Deus, mas estava em um ambiente de serviço e dedicação (1 Samuel 3:1).

Uma noite, enquanto dormia, o Senhor chamou Samuel por seu nome. Pensando que era Eli quem o chamava, Samuel foi até o sacerdote três vezes, mas Eli lhe disse que não era ele quem o chamava. Somente na terceira vez, Eli percebeu que era o Senhor falando com o menino e instruiu Samuel a responder: "Fala, Senhor, porque o teu servo ouve" (1 Samuel 3:9).

Quando Deus chamou novamente, Samuel seguiu a orientação de Eli e respondeu ao Senhor. Naquela ocasião, Deus revelou a Samuel o julgamento que viria sobre a casa de Eli devido à desobediência de seus filhos e à falta de ação do sacerdote.

Esse evento marcou o início do ministério profético de Samuel. A Bíblia destaca que "o Senhor estava com Samuel, e não deixou nenhuma de suas palavras cair por terra" (1 Samuel 3:19). O chamado de Samuel nos ensina sobre a importância de estarmos prontos para ouvir a voz de Deus e responder com obediência e humildade, mesmo em tenra idade.

A unção de Saul como primeiro rei

A unção de Saul como o primeiro rei de Israel foi um momento marcante na história do povo de Deus. Até então, Israel era governado por juízes, e o próprio Deus era considerado o rei supremo. No entanto, o povo pediu a Samuel que lhes desse um rei, desejando ser como as outras nações. Embora Samuel tenha ficado descontente com o pedido, Deus instruiu o profeta a atender a demanda, deixando claro que o povo estava rejeitando o Senhor, e não Samuel (1 Samuel 8:7).

Saul, da tribo de Benjamim, foi escolhido por Deus para ser o primeiro rei. Era um homem de estatura impressionante e boa aparência, o que agradava aos olhos do povo. Samuel ungiu Saul em secreto, derramando óleo sobre sua cabeça e declarando-o rei (1 Samuel 10:1).

Posteriormente, Saul foi publicamente confirmado como rei diante de todo o povo em Mispa. Esse evento marcou o início da monarquia em Israel, mas com a advertência de que o novo rei e o povo deveriam sempre obedecer ao Senhor para que prosperassem.

A rejeição de Saul

A rejeição de Saul como rei foi um momento de grande impacto tanto para Saul quanto para o profeta Samuel. Saul havia sido ungido como o primeiro rei de Israel por Samuel, a pedido do povo, mas com a condição de que ele deveria obedecer rigorosamente às ordens de Deus. No entanto, Saul cometeu dois erros graves que levaram à sua rejeição.

Primeiro, ele ofereceu sacrifícios que apenas o sacerdote poderia realizar, desobedecendo a Deus por impaciência (1 Samuel 13:8-14). O segundo erro, e o mais grave, foi a desobediência explícita à ordem de Deus para destruir completamente os amalequitas e tudo o que lhes pertencia (1 Samuel 15:3). Em vez disso, Saul poupou o rei Agague e o melhor dos despojos, justificando sua desobediência com a intenção de oferecer sacrifícios ao Senhor.

Quando confrontado por Samuel, Saul tentou justificar suas ações, mas Samuel respondeu com uma das frases mais conhecidas das Escrituras: "Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício" (1 Samuel 15:22).

Por causa dessa desobediência, Samuel anunciou que Deus havia rejeitado Saul como rei, transferindo o reino a alguém "melhor" que ele – Davi. Esse episódio destaca a importância da obediência total a Deus e as graves consequências da desobediência, mesmo para um rei.

A unção de Davi

A unção de Davi como rei de Israel foi um momento decisivo no ministério de Samuel e na história do povo de Deus. Após a rejeição de Saul como rei, o Senhor instruiu Samuel a ir à casa de Jessé, em Belém, para ungir um dos seus filhos como o novo rei escolhido por Deus. Samuel, temendo a ira de Saul, obedeceu a Deus e foi até Jessé com um sacrifício, disfarçando sua verdadeira missão.

Quando chegou, Samuel viu os filhos mais velhos de Jessé e pensou que o primogênito, Eliabe, seria o escolhido por sua aparência imponente. No entanto, Deus corrigiu Samuel, dizendo: "Não atentes para sua aparência, nem para a sua altura, porque eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem vê. O homem vê o exterior, porém o Senhor vê o coração" (1 Samuel 16:7).

Davi, o filho mais novo, que cuidava das ovelhas, foi chamado. Embora jovem e sem a aparência de um guerreiro, Deus o escolheu por seu coração. Samuel ungiu Davi com óleo, e a partir daquele dia, "o Espírito do Senhor se apoderou de Davi" (1 Samuel 16:13).

Essa unção simboliza que Deus escolhe e capacita aqueles que são fiéis, independentemente de sua posição ou aparência exterior.

A morte do profeta Samuel

Samuel morreu em uma época de transição e grande agitação no reino de Israel (1 Samuel 25:1). Ele foi sepultado em sua cidade natal, Ramá, e amplamente lamentado por toda a nação. Sua morte marcou o fim de uma era, pois ele foi o último juiz de Israel e um dos profetas mais influentes.

A tristeza de Israel com sua morte mostra o impacto profundo que ele teve sobre o povo como líder. Sua vida nos ensina sobre a importância de permanecermos fiel até o fim, cumprindo o chamado de Deus com integridade, independentemente das circunstâncias.

Samuel: Profeta e juiz de Israel

Samuel se tornou um líder espiritual e político, servindo como o último juiz de Israel antes da monarquia (1 Samuel 7:15-17). Ele conduziu o povo em uma época de declínio moral e espiritual, guiando Israel a uma renovação espiritual. Como profeta e juiz, ele representava a voz de Deus para o povo, chamando-os ao arrependimento e à fidelidade a Deus.

Profeta Samuel

Este ponto nos ensina que líderes espirituais devem ser firmes em apontar o caminho de volta a Deus, mesmo em tempos de crise. Samuel também exemplifica a importância de combinar liderança espiritual com sabedoria e integridade.

Samuel convoca o povo ao arrependimento

Samuel convocou o povo de Israel a abandonar a idolatria e voltar-se para Deus de todo o coração (1 Samuel 7:3-6). Ele liderou o povo em uma renovação espiritual, culminando em uma grande vitória sobre os filisteus. Esta passagem nos lembra que a verdadeira vitória e segurança vêm quando o povo de Deus se arrepende e coloca sua confiança plenamente no Senhor.

Samuel demonstrou que o arrependimento genuíno exige ação concreta, como o abandono de ídolos e a restauração do culto verdadeiro. O arrependimento é o primeiro passo para a restauração da comunhão com Deus.

Samuel: Conselheiro e intercessor

Mesmo após a unção de Davi, Samuel permaneceu um conselheiro e intercessor fiel para Israel (1 Samuel 12:23). Ele ensinou o povo a importância de temer a Deus e servi-Lo fielmente, garantindo que continuassem a seguir o caminho certo.

Samuel nunca se afastou de seu dever, demonstrando que o papel de um líder espiritual vai além de eventos grandiosos, estendendo-se à oração e ao ensino contínuos. Sua vida de intercessão nos lembra da importância de orar pelo povo de Deus e buscar continuamente a orientação do Senhor para aqueles que estão sob nossa liderança.

I. DEFININDO O “PROFETA” EM ISRAEL

1. Definição de profeta

Profeta, palavra originária do grego que significa aquele que proclama; biblicamente, aquele que proclama a mensagem de Deus; é “aquele que anuncia”, e sua missão não é predizer, mas sim passar adiante a Palavra do Senhor; ou seja, o profeta é um porta-voz de Deus.

Nesse aspecto, o profeta seria mensageiro de Deus, cuja missão era levar o povo a obedecer à vontade do Todo-Poderoso. Quem ouvisse e obedecesse a esse porta-voz teria sucesso, pois o profeta comunica o que Deus lhe diz, fala o que o Senhor lhe falou. Os profetas bíblicos falavam principalmente dos males de sua época. Mas a profecia bíblica também descrevia o que aconteceria se as pessoas fizessem ou não fizessem determinadas coisas, e o que o profeta esperava para o futuro de seu povo.

Atualmente, temos visto pessoas sendo ungidas e reconhecidas como profetas pelo fato de serem usadas no dom da profecia. No Novo Testamento, o dom de profecia é para todos: "Todos podereis profetizar" (1Co.14:31). O ministério profético, não: "São todos os profetas?" (1Co.2:29).

No Antigo Testamento, o profeta era um pregador especial, com mensagem especial. Sua mensagem apelava à consciência da pessoa em relação a Deus, a si própria, ao pecado e à santidade. É só conferirmos as mensagens dos livros proféticos. 

O forte do profeta de Deus era expor os padrões da justiça divina para o povo. Ele era um arauto da santidade de Deus. Com autoridade e unção divinas, estava sempre a condenar o pecado (Is.58.1). Seu espírito fervia com isso e ele gemia por isso, pois para isso era chamado.

A Palavra de Deus saia da boca do profeta como flechas de fogo divino. João 5:35 diz assim de João Batista, o profeta: "Ele era a candeia que ardia". O profeta de Deus fazia o homem carnal estremecer, parar e considerar o seu mau caminho.

2. A menção de “profeta” no livro de Samuel

Antes de Samuel, o profeta era conhecido como “vidente” (1Sm.9:9), referindo-se ao fato da visão profética; sem dúvida, esse era o nome popular para os homens de Deus nos tempos antigos, antes de Samuel.

O profeta é aquele que “vê” com os olhos espirituais; ele tem referência particular à proclamação pública da vontade de Deus, conforme discernido através da visão profética, como se observa na primeira menção feita a um “profeta” no Livro de Samuel (1Sm.2:27-36).

“E veio um homem de Deus a Eli e disse-lhe [...] eu suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o meu coração e a minha alma, e eu lhe edificarei uma casa firme, e andará sempre diante do meu ungido” (1Sm.2:27,35).

“E veio um homem de Deus a Eli...”. Este texto é uma credencial de profeta. Aparentemente foi um homem de Deus, não identificado, que confrontou o sacerdote Eli.

Profeta se tornou um dos títulos de maior honraria a partir da época de Samuel. O registro de Atos 3:24 – “E todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também anunciaram estes dias” -, indica que Samuel foi o primeiro de uma nova ordem ou linha de profetas.

“E o jovem Samuel servia ao SENHOR perante Eli. E a palavra do SENHOR era de muita valia naqueles dias; não havia visão manifesta” (1Sm.3:1).

3. Samuel e os demais profetas


Segundo os estudiosos, foi com Samuel que teve início o movimento profético formal em Israel. O profeta era alguém que falava em nome do Senhor: "Serás como a minha boca" (Jr.15:19); “...Eis que ponho as minhas palavras na tua boca” (Jr.1:9).

Deus escolheu, preparou e inspirou seus servos, os profetas, para admoestar seu povo. Eles se utilizavam de métodos variados para ensinar (Os.12:10; Hb.1:1). Eram educadores ungidos pelo Senhor para ensinar ao povo a viver em santidade, tornando-lhe conhecida sua revelação e desvendando-lhe as coisas futuras (Nm.12:6; 1Rs.19:16; Jr.18:18).

Com Samuel deu-se o início à prática de os profetas ungirem reis. Segundo o texto bíblico, o próprio Samuel comunicou as palavras de Deus a Saul, de que este seria rei, e ungiu Davi para ser o sucessor de Saul (1Sm.cap.16).

Foi a partir do ministério de Samuel que surgiram os profetas da corte, ou seja, aqueles que atuavam junto aos reis. Alguns desses profetas não apenas aconselhavam os soberanos, mas também eram seus escrivães; por exemplo, Samuel, Natã e Gade fizeram alguns registros reais. Eles não hesitavam em enfrentar reis desobedientes, governadores, sacerdotes ou qualquer tipo de liderança que não seguisse a Palavra de Deus (1Sm.13:13,14; 1Rs.18:18).

Tinham, ainda, como missão: lutar contra a idolatria, zelar pela pureza religiosa, justiça social e fidelidade a Deus. Suas mensagens deveriam ser recebidas integralmente por toda a nação como Palavra de Deus (2Cr.20:20).

Além de instruir o povo de Israel, os profetas do Antigo Testamento, também, vaticinaram a vinda do Profeta por Excelência, Jesus Cristo, o Messias prometido. O apóstolo Pedro assim se expressou: “Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado: que o Cristo havia de padecer” (At.3:18).

A obra Redentora de Cristo Jesus pode ser encontrada, tipológica e profeticamente, na Lei de Moisés e nos Profetas.

"E todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também anunciaram estes dias"(Atos 3:24).

II. O DESENVOLVIMENTO DO MINISTÉRIO DE SAMUEL


1. O crescimento profético de Samuel

“...e o jovem Samuel crescia diante do SENHOR” (1Sm.2:21).

Quando Ana entregou Samuel a Eli, para que ele fosse educado na Casa do Senhor, Ana proferiu as seguintes palavras:

 “Por este menino orava eu; e o SENHOR me concedeu a minha petição que eu lhe tinha pedido. Pelo que também ao SENHOR eu o entreguei, por todos os dias que viver; pois ao SENHOR foi pedido. E ele adorou ali ao SENHOR” (1Sm.1:27,28).

Desde aquele momento, ele assistiu aos sacerdotes e ministrou diante do SENHOR. A última frase do versículo 28 – “E ele adorou ali ao SENHOR “- inclui Samuel. Apesar da pouca idade era um adorador, pois havia sido dedicado ao serviço do Senhor. Aqui mostra que Ana teve um cuidado especial que seu filho estivesse envolvido com a obra de Deus.

Os dois primeiros capítulos de 1Samuel alternam relatos desfavoráveis a respeito da casa de Eli (1Sm.2:12-17,22-25,27-36) com observações favoráveis e sucintas a respeito do relacionamento cada vez mais próximo de Samuel com o Senhor (1Sm.2:18-21,26).

Aos cuidados de Eli, Samuel crescia e se fortalecia em sabedoria e no conhecimento do Senhor, resultando num dos profetas mais importantes da história de Israel. Enquanto os filhos do sacerdote Eli praticavam pecados abomináveis, o jovem Samuel crescia com integridade diante de Deus e do povo.

E o jovem Samuel ia crescendo e fazia-se agradável, assim para com o SENHOR como também para com os homens” (1Sm.2:26).

2. A formação profética de Samuel

“E o jovem Samuel servia ao SENHOR perante Eli. E a palavra do SENHOR era de muita valia naqueles dias; não havia visão manifesta” (1Sm.3:1).

Desde cedo, Samuel foi preparado para assumir uma grande missão: profeta do povo de Deus. Enquanto não chegava o tempo, ele recebia o treinamento e o ensino necessário aos pés do sumo sacerdote Eli. Lendo 1Smuel 2:18-21 nota-se como estava sendo a formação profética de Samuel.

“Porém Samuel ministrava perante o SENHOR, sendo ainda jovem, vestido com um éfode de linho. E sua mãe lhe fazia uma túnica pequena e, de ano em ano, lhe trazia quando com seu marido subia a sacrificar o sacrifício anual. E Eli abençoava a Elcana e à sua mulher e dizia: O SENHOR te dê semente desta mulher, pela petição que fez ao SENHOR. E voltavam para o seu lugar. Visitou, pois, o SENHOR a Ana, e concebeu e teve três filhos e duas filhas; e o jovem Samuel crescia diante do SENHOR”.

O texto mostra o comprometimento de Samuel com as coisas de Deus. Enquanto os filhos de Eli estavam atolados no pecado, Samuel, sendo uma mera criança, não imitava seus procedimentos pecaminosos.

“Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Is.55:6).

3. A disciplina de Samuel

Desde sua tenra idade, Samuel aprendeu a ser disciplinado. A princípio, sua mãe teve um papel mui importante na formação do seu caráter. Desde cedo ele aprendeu a ouvir a voz do Senhor. Todos os líderes necessitam aprender a reconhecer a voz de Deus, mesmo quando ainda jovens como Samuel.

Certa noite, Samuel estava deitado no chão perto da Arca de Deus e o Senhor o chamou: “Samuel, Samuel!”. No começo, Samuel ouviu, mas não reconheceu a voz do Pai. Porém, continuou ouvindo e, depois, recebeu uma mensagem a respeito do juízo vindouro sobre o sacerdote Eli e a família deste.

Samuel teve uma longa noite de insônia, paralisado por medo, ao pensar que devia repetir o que o Senhor lhe havia contado. Mas, Eli convenceu Samuel que seria muito mais perigoso reter a verdade do que revelar o que Deus lhe tinha dito (1Sm.3:17). Assim, Samuel expôs a verdade, e, por causa da sua obediência e disciplina, Deus elevou o jovem a líder e a profeta entre o seu povo (1Sm.3:20).

“E todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado por profeta do SENHOR”.

Samuel estava confirmado como profeta do Senhor. Ele foi um grande exemplo bíblico de liderança correta. Isto demonstra que o homem ou a mulher, que está apto para liderar o povo de Deus, é pessoa que aprendeu a ouvir a voz do Senhor, é pessoa que aprendeu dar atenção às palavras dele e falar a verdade, sem importar-se com as consequências terrenas.

Deus nunca escolheu seus líderes com base no carisma ou na eloquência deles. Pelo contrário, Ele busca aqueles que têm a coragem de ouvir e falar exatamente o que Ele lhes diz.

IV. O Dom da Profecia


O Dom de Profecia é um dom de manifestação sobrenatural de mensagem verbal pelo Espírito, para a edificação, exortação e consolação da Igreja de Jesus Cristo (1Co.12:10; 1Co.14:3); ele é concedido não por mérito, mas é dado “a cada um para o que for útil” (1Co.12:7), e repartindo particularmente a cada um como o Espírito Santo quer (1Co.12:11).

O maior valor da profecia é que ela, uma vez proferida, sendo de Deus, edifica a coletividade e não unicamente o que profetiza, ao contrário das línguas estranhas (que edifica a própria pessoa).

A profecia é necessária para impedir a corrupção espiritual e moral do povo de Deus. Apresenta-se, assim, como uma verdadeira manifestação de alívio e de descanso ao crente que, revigorado pela profecia, tem alento para prosseguir na sua caminhada rumo ao céu.

Atualmente, o Dom de profecia não tem a mesma autoridade canônica das Escrituras (2Pd.1:20), que são infalíveis e não passíveis de correção. A profecia atual deve ser julgada e que o profeta deve obedecer ao ensino bíblico (1Co.14:29-33). Pode acontecer que a pessoa que é detentora do dom de profecia receba a revelação do Espírito Santo e, por fraqueza, imaturidade e falta de temor de Deus, fale além do que deve.

Portanto, quem profetiza deve ter o cuidado de falar apenas o que o Espírito Santo mandar, não alegando estar "fora de si" ou "descontrolado", pois "os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas" (1Co.14:32). 

Em nossos dias, temos visto que os termos” profecia “e” profetizar “têm sido mal utilizados; muitas pessoas falam de si mesmas palavras boas como se estas fossem verdadeiras profecias, e ainda motivam outras pessoas a fazerem o mesmo. Desejar uma bênção para o próximo ou ter palavras de vitória não é uma profecia; é um erro terrível pensar que isso seja profecia, pois os verdadeiros profetas falavam o que recebiam do Senhor.

“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2Pd.1:21).

Portanto, à luz da Bíblia, nem todas as pessoas são profetas, e a vontade do homem, por mais bondosa que seja, não pode originar uma profecia verdadeira.

CONCLUSÃO

O Ministério de Profeta foi um dos pilares da Igreja do primeiro século (Ef.2:20). O profeta era porta-voz de Deus, recebia revelações diretamente do Senhor e as transmitia à Igreja e aquilo que falava por meio do Espírito Santo era a Palavra de Deus.

Por meio dos profetas, a revelação salvífica foi dada, conforme registrada na Bíblia Sagrada. Findou-se com a formação do último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, não havendo mais qualquer revelação salvífica que devamos esperar para o plano redentivo, pois este está concluído na revelação bíblica.

 

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

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