terça-feira, 14 de janeiro de 2025

NÃO TEMAS, EU SOU CONTIGO !!!!

 JEREMIAS E O CHAMADO DO JOVEM

 

Jeremias 1:8 Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR.

 

O Chamado de Jeremias 1:8: Uma Palavra de Consolo e Fortalecimento

Jeremias 1:8 é um versículo poderoso que oferece conforto e encorajamento em meio à adversidade. Nele, Deus, através do profeta Jeremias, transmite uma mensagem de esperança e segurança: "Não temas diante deles; porque estou contigo para te livrar, diz o Senhor."

O Contexto:

Jeremias foi chamado por Deus para ser profeta em um momento de grande turbulência em Judá. A nação estava prestes a enfrentar a destruição e o exílio babilônico. Diante de tal perspectiva, o chamado de Deus pode ter parecido assustador e até mesmo impossível. No entanto, Deus, conhecendo os medos e as dúvidas de Jeremias, o assegura de Seu amor, proteção e presença constante.

O Significado:

  • Não temas: Este comando direto de Deus é uma ordem para que Jeremias não se deixe dominar pelo medo. O medo é um sentimento natural, mas Deus nos chama a confiar Nele, mesmo quando as circunstâncias são desafiadoras.
  • Estou contigo: Deus promete Sua presença constante na vida de Jeremias. Essa promessa é um lembrete de que não estamos sozinhos, mesmo nos momentos mais difíceis. Deus está conosco, nos fortalecendo e guiando nossos passos.
  • Para te livrar: Deus garante a Jeremias que Ele o livrará. Essa promessa não significa necessariamente um livramento físico da adversidade, mas sim uma libertação espiritual e emocional. Deus nos livra do pecado, da culpa e do medo.

A Aplicação para Nossa Vida:

Este versículo é tão relevante hoje quanto o foi no tempo de Jeremias. Todos nós enfrentamos momentos de medo e incerteza. As palavras de Deus em Jeremias 1:8 nos convidam a:

  • Confiar em Deus: Independentemente da situação, podemos confiar em Deus. Ele é maior do que qualquer problema que possamos enfrentar.
  • Buscar a presença de Deus: A presença de Deus nos traz paz, força e direção. Através da oração, da leitura da Bíblia e do relacionamento com outros cristãos, podemos experimentar a presença de Deus em nossas vidas.
  • Viver com coragem: Deus nos chama a viver com coragem, mesmo diante da adversidade. Com a força de Deus, podemos superar qualquer obstáculo.

Em resumo, Jeremias 1:8 é uma declaração poderosa do amor e do cuidado de Deus por Seus filhos. Ao meditarmos neste versículo, somos lembrados de que não estamos sozinhos e que podemos enfrentar qualquer desafio com a ajuda de Deus.

 

Conforme vimos na última mensagem, Deus disse a Jeremias que o tinha criado, conhecido, consagrado e constituído profeta.

Hoje veremos a reação de Jeremias e a reação de Deus ao que Jeremias disse.

Vers.6: Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança

 

Duas observações aqui:   

1) Jeremias não questiona nada do que Deus disse quanto à sua formação e chamada. E muito menos sobre a doutrina da eleição e consagração.

E aqui já temos uma grande lição: não se discute com Deus.

Não se pede satisfação do que Ele faz. Nem se questiona do que Ele diz. Nem se duvida do que Ele promete.

Qualquer pessoa acharia chocante Jeremias ter dito: Senhor, não concordo com teres me escolhido antes de eu nascer e não ter feito a mesma coisa com o meu irmão.

Só que é tão chocante quanto alguém HOJE ler algo na Bíblia e dizer “Isso é injusto”, ou “Não concordo!” A Bíblia é o próprio Deus falando!

 

2) Jeremias se considera inadequado para a grande tarefa.

Podemos notar duas coisas aqui:

a) Uma certa HUMILDADE.

Em vez de ficar inchado de orgulho, achando-se o máximo, ele simplesmente acha que não teria condições porque era muito novo.

 

b) Uma certa COVARDIA ou TIMIDEZ para enfrentar a luta.

É mais fácil evitar fazer algo do que enfrentar o assunto com todas as dificuldades.

Seja como for, o fato é que Deus não gostou e nem se comoveu com a reação do jovem.

Vers.7aNão digas: Não passo de uma criança

É raro vermos na Bíblia Deus falando de modo tão direto a alguém: Não digas isso!

Não que Jeremias estivesse mentindo ou enganado: de fato ele era jovem.

Mas isso não era motivo para ele deixar de se tornar profeta e realizar bem a sua tarefa.

É como se Deus tivesse dito: Jeremias, o que você está dizendo não tem nada a ver com o que Eu estou lhe designando para fazer. Seria eu irresponsável ou inconsequente de lhe selecionar antes do seu nascimento para uma tarefa impossível?

 

Vers.7b:a todos a quem EU te enviar irás; e a tudo quanto EU te mandar falarás.

Toda a força dessa frase está no pronome pessoal EU (Deus).

A partir do momento em que o próprio Deus o estava convocando, o dado mais importante sobre Jeremias não era ser novo, mas ser um convocado do Deus Altíssimo.

O principal não era a pouca idade e inexperiência de Jeremias, mas o poder de Deus!

Temos o mesmo defeito de Jeremias: enfatizar as nossas fraquezas e jogar pouca luz sobre o PODER de Deus, que nos enviou.

Até que parece bonito agir assim. Tem até ares de humildade, já notou?

Com voz mansa, olha para o chão e diz meio tristonho: Ah, quem sou eu para um trabalho desse tamanho?

Mas para Deus não cola. Ele não aceita esse tipo de argumento.

Primeiro, porque O ofende, como se Ele estivesse fazendo uma convocação descabida.

Segundo, porque esse tipo de argumento despreza o poder dele.

Quanto a Jeremias, acho que ainda havia um motivo por trás do Não diga que é criança: a questão da obediência.

Jeremias, não retruque. Se eu estou dizendo que você vai, é porque vai, quer seja criança ou velho ou o que for.

Devemos ter cuidado para não embrulharmos uma tremenda desobediência com uma bonita embalagem de humildade.

Mais à frente Deus reforça a necessidade de obediência:

Vers.17... dize-lhes tudo o que eu te mandar

Não esconda nada Jeremias; não selecione, não cale nas condenações que vão causar reações fortes nos seus ouvintes.

Muitos não pregam o Evangelho porque não gostam de polemizar, de dizer coisas que sabe que os ouvintes discordam.

É bom que você evite discussões e bate-boca, mas isso absolutamente não lhe dispensa de falar o Evangelho em sua inteireza.

Inclusive aqueles conceitos tão “fora de moda” como Adão e Eva, pecado, eleição, e outros ensinos bíblicos.

Faça como se Deus estivesse dizendo no seu ouvido: Diga tudo o que eu lhe mandar!

Vers. 9Eis que ponho na tua boca as minhas palavras

Jeremias seria um porta-voz direto de Deus.

Deus oficializa o início do ministério de Jeremias, num gesto significativo de tocar na boca dele.

Deve ter sido uma visão ou um teofania (manifestação de Deus em forma humana).

Vers. 10: Jeremias não iria destruir nem edificar nada pessoalmente, mas através das palavras dele, Deus faria isso.

Era tão certo que Deus honraria o que Jeremias profetizasse que é como se o próprio Jeremias estivesse agindo.

Paulo tinha essa mesma sensação: EU...vos gerei em Cristo (veja 1Coríntios 4.15). Ora, a rigor, quem gera é o Espírito Santo!

Deus é tão bondoso conosco que nos deixa ter a gostosa sensação de estar fazendo algo que na realidade é ELE quem faz.

Puxa, tive o privilégio de levar meu pai a Cristo: na realidade quem leva a Cristo é o Espírito Santo, não você.

Mas, seja como for, é espetacular a sensação de participar dessas vitórias espirituais. Louvado seja Deus por isso!

Mas o Senhor ainda queria dizer algo mais a Jeremias.

O ministério de proferir condenações contra nações inteiras, inclusive contra o próprio Israel, iria produzir reações fortíssimas.

Vers.18- As palavras não deixam dúvida: o ministério do profeta seria altamente impopular.

O próprio Jeremias seria hostilizado por todos - desde o povo até reis.

Jeremias estava convocado e solenemente empossado como profeta de Deus.

Mas havia um problema: Jeremias era um homem como outro qualquer e, portanto, sujeito ao... MEDO!

Aliás, acho que àquelas alturas já estava morrendo de medo.

 

Todos nós sentimos medo. É um sentimento desagradável, sofrido e paralisante.

Deixamos de fazer muitas coisas úteis por causa do medo, inclusive serviço a Deus.

 Pois vejamos como Deus vai agir com Jeremias quanto a esse problema.

Vers.8 e 17 b

Quatro observações:

1) Deus não disse: Calma, Jeremias, você não precisa ter medo, nada vai lhe acontecer.

Ao contrário: ficou claro que haveria oposição pesada contra Jeremias.

Ao longo das pregações sobre Jeremias, veremos que ele foi preso várias vezes, espancado, amarrado em tronco, jogado numa cisterna de lama, exilado.

 

2) Em vez de criticá-lo ou humilhá-lo, Deus apoia e anima Jeremias: ... eu sou contigo...

No caso de Jeremias, conforme veremos, Deus estaria com ele para livrá-lo fisicamente.

Mas é extremamente importante notar uma coisa: numa hora de aperto, o fato de Deus se colocar ao nosso lado, não significa obrigatoriamente que Ele irá nos livrar.

Mas só a companhia dele já é espetacular e maravilhosa.

Temos promessas de companhia divina, mesmo não prometendo livramento de cada problema.

Companhia de Jesus:

Mateus 28.20: ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Companhia do Espírito Santo:

Lucas 12.12: Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer.

E somente essa garantia já deve nos deixar sem medo de situações difíceis.

3) Além da companhia, Deus promete PROTEÇÃO física a Jeremias.

É como se Deus dissesse: De fato tu és fraco e não é à toa que estás com medo. Mas não se preocupe, eu estarei contigo para te livrar.

É impressionante o livramento que Deus deu a Jeremias em cada situação.

A mais espetacular e quase inacreditável, foi quando o terrível Nabucodonosor veio matando e destruindo Jerusalém. O que fez com Jeremias? Veja:

Jeremias 39.11-12: Mas Nabucodonosor, rei da Babilônia, havia ordenado acerca de Jeremias, a Nebuzaradã, o chefe da guarda, dizendo: Toma-o, cuida dele e não lhe faças nenhum mal; mas faze-lhe como ele te disser.

 

DEUS CUMPRIU à risca a proteção que prometera.


Durante as suas angústias, preso e abandonado, deve ter sido muito útil para Jeremias lembrar-se das promessas de Deus.

Nos seus momentos angustiosos, em que parece que todos lhe deixaram só, em vez de reclamar, lembre-se das promessas de livramento e proteção que Deus lhe fez.

Se não livramento físico, mas proteção da sua alma, do seu coração, da sua paz.

Se Jeremias se deixasse dominar pelo medo, o próprio Deus lhe infundiria temor.

Parece uma ameaça estranha e dura, mas temos aqui um detalhe valioso, para vermos o que passa nos bastidores do coração de Deus.

É exatamente aquele ponto que já tocamos no início: Deus se sente muito ofendido quando um filho dele não O obedece porque está com medo de homens.

É como se houvesse desconfiança de que Deus não tem palavra, ou não tem poder, ou não tem vontade de ajudar. Seja o que for, é uma desconfiança e isso ofende!

Você já tinha imaginado que um grande medo que teve um dia, pode ter sido causado pelo próprio Deus? Você não lutou contra a timidez, deixou-se impressionar com as pessoas ao redor, alguma coisa fez você vacilar na fé e não confiou em Deus.

Depois veio um medo paralisante, você travou, foi um fracasso. Pois é, pode ter sido Deus quem terminou causando isso.

Quando precisar fazer um trabalho pelo reino de Cristo, honre a Deus deixando de temer as coisas e as pessoas. Confie Nele!

Quero encerrar com um detalhe interessante, que deixei para comentar no fim.

Vers.17: ... cinge os lombos, dispõe-te...

Como se Deus dissesse: Faz a tua parte Jeremias! Eu te chamei, te consagrei, estou te enviando, vou te proteger, agora vá, faz um bom trabalho, não meça esforço, mãos à obra, Jeremias.

Ora, é exatamente isso o que muitos precisam: DISPOSIÇÃO!

Gostam de adiar o trabalho para Cristo.

Fazem corpo mole, não sei se tenho condições, vou ver, chama o fulano...

Fico imaginando se Deus não tem vontade de bradar lá do céu: Pare com isso! Eu estou lhe chamando. Eu lhe protejo. Mas vá trabalhar, se disponha, dê o primeiro passo!

 

Fica o desafio, irmão: se disponha com todo o seu coração ao serviço de Cristo.

Não tenha medo da sua idade, da condição financeira, da pouca ou muita inteligência, da sua timidez, de nada.

Você tem obrigação de ir aonde Deus mandar. E confie que Ele estará com você para lhe livrar e honrará o seu trabalho fazendo por seu intermédio o que disse que faria.

 

Que Deus nos abençoe.

 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

NOVO CÉU E NOVA TERRA CELESTIAL

 


UM NOVO CÉU E A NOVA TERRA - CELESTIAL

Texto Bíblico: Apocalipse 21:9-14; 22:1-5

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp.3:20).

INTRODUÇÃO:

O Novo Céu em Apocalipse 21: Uma Nova Criação

O livro de Apocalipse, especialmente no capítulo 21, nos apresenta uma visão escatológica fascinante e cheia de simbolismo. Uma das imagens mais poderosas e inspiradoras é a do Novo Céu.

O que significa o Novo Céu?

Quando João, o apóstolo, descreve o Novo Céu, ele está nos convidando a imaginar uma nova realidade, uma nova ordem cósmica, livre das marcas do pecado e da morte. É uma visão de esperança, de restauração e de um futuro glorioso.

  • Fim da Criação Anterior: O Novo Céu surge após a passagem do "velho céu" e da "velha terra", que foram consumidos por cataclismos e juízos divinos. Isso simboliza o fim de uma era marcada pelo pecado e pela morte, e o início de uma nova era de perfeição.
  • Nova Ordem Cósmica: O Novo Céu representa uma nova ordem cósmica, onde a presença de Deus é plena e constante. É um lugar de paz, harmonia e beleza incomparáveis, onde não haverá mais sofrimento, lágrimas ou morte.
  • Realidade Espiritual: O Novo Céu não é apenas uma nova atmosfera física, mas também uma nova realidade espiritual. É o lugar onde os redimidos habitarão eternamente na presença de Deus, desfrutando de uma comunhão perfeita com Ele.

O que podemos aprender com a visão do Novo Céu?  


Esperança: A visão do Novo Céu nos dá uma esperança sólida para o futuro. Mesmo em meio às dificuldades e sofrimentos da vida, podemos olhar para o futuro com confiança, sabendo que um dia experimentaremos a plenitude de Deus.

  • Restauração: O Novo Céu nos mostra que Deus tem um plano de restauração para toda a criação. A natureza, marcada pelas consequências do pecado, será renovada e restaurada à sua perfeição original.
  • Transformação: A visão do Novo Céu nos desafia a buscar uma transformação pessoal. Ao contemplar a beleza e a perfeição do Novo Céu, somos motivados a viver uma vida santa e agradável a Deus.

Em resumo, o Novo Céu em Apocalipse 21 é uma imagem poderosa que nos convida a olhar além das limitações do mundo presente e a contemplar a glória futura que Deus tem reservado para seus filhos. É uma visão de esperança que nos motiva a perseverar em nossa fé e a buscar uma vida mais próxima de Deus.

Se tiver alguma pergunta específica, por favor, não hesite em perguntar.

Observação: As interpretações sobre o livro de Apocalipse são diversas e complexas. É importante abordar o tema com humildade e respeito pelas diferentes perspectivas.

A Nova Jerusalém: Uma Cidade Celestial

A Nova Jerusalém, descrita no livro de Apocalipse, é uma das imagens mais poderosas e inspiradoras da Bíblia. Ela representa a culminação da história da salvação e a realização final dos planos de Deus para a humanidade.

Uma cidade celestial:

  • Descendo do céu: A Nova Jerusalém não é construída pelos homens, mas desce diretamente do céu, preparada como uma noiva adornada para o seu casamento.
  • Perfeição e beleza: A cidade é descrita com materiais preciosos e luminosos, como ouro, pedras preciosas e cristal. Ela é um lugar de beleza e perfeição incomparáveis.
  • Presença de Deus: O próprio Deus habita na Nova Jerusalém. A cidade é o Seu trono e o Seu templo, e a Sua glória a ilumina.
  • Vida eterna: Os salvos habitarão na Nova Jerusalém para toda a eternidade, desfrutando de uma comunhão perfeita com Deus.

O que a Nova Jerusalém simboliza:

  • O Reino de Deus: A Nova Jerusalém representa o reino de Deus estabelecido na terra, um reino de justiça, paz e amor.
  • A comunidade dos salvos: A cidade é o lugar onde todos os redimidos se reunirão para viver em perfeita harmonia.
  • A nova criação: A Nova Jerusalém é o símbolo da nova criação, onde tudo será feito novo.
  • A esperança: A visão da Nova Jerusalém nos dá uma esperança sólida para o futuro, um futuro livre do sofrimento, da dor e da morte.

O que podemos aprender com a Nova Jerusalém:

  • A importância da esperança: A esperança na Nova Jerusalém nos motiva a perseverar em nossa fé, mesmo diante das dificuldades da vida.
  • A busca pela santidade: A beleza e a perfeição da Nova Jerusalém nos desafiam a buscar a santidade em nossas vidas.
  • A importância da comunidade: A Nova Jerusalém nos mostra a importância de viver em comunidade com outros cristãos.

Em resumo:

A Nova Jerusalém é uma imagem poderosa que nos convida a olhar além das limitações do mundo presente e a contemplar a glória futura que Deus tem reservado para seus filhos. Ela é um símbolo de esperança, de perfeição e de amor.

 

I. O PARAÍSO ETERNO                           


                   

1. O que é o Paraíso?

O conceito de Paraíso na Bíblia carrega diferentes significados em contextos variados. No entanto, há algumas características centrais que emergem ao se examinar as Escrituras Sagradas.

a)   Lugar da presença de Deus. Uma das definições mais proeminentes do Paraíso é: “a morada de Deus”. No Antigo Testamento, o Jardim do Éden é frequentemente considerado como um paraíso terreno onde Deus caminhava com Adão e Eva (Gênesis 2:8-15). No Novo Testamento, o termo é ampliado para incluir a presença de Deus no céu, como indicado por Jesus em Lucas 23:43, quando ele prometeu ao ladrão arrependido: "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso".

b)   Estado de bem-aventurança. O Paraíso é frequentemente associado a um estado de felicidade e bênção. Isso é evidente nas bem-aventuranças proclamadas por Jesus no Sermão da Montanha (Mateus 5:3-12). O Paraíso representa a realização plena da paz, justiça e comunhão com Deus.

c)   Recompensa dos salvos. O Paraíso é descrito como o destino final dos justos e dos salvos. Em Apocalipse 2:7, é mencionado que aqueles que vencem receberão o direito de comer da árvore da vida, que está no Paraíso de Deus.

d)   Lugar de restauração e renovação. O Paraíso também é associado à ideia de restauração e renovação. Em Apocalipse 21, vemos uma visão do novo céu e da nova terra, onde não haverá mais dor, pranto ou morte, e Deus habitará com seu povo. Esta visão do Paraíso é caracterizada pela completa restauração da criação e pela presença eterna de Deus.

e)   Lugar de “coisas tão maravilhosas que não podem ser expressas em palavras”. A passagem de 2Coríntios 12:2-4, descreve uma visão que o apóstolo Paulo teve do Paraíso: “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado ao terceiro céu. Se foi no corpo ou fora do corpo, não sei; só Deus o sabe. Sim, somente Deus sabe se foi no corpo ou fora do corpo. Mas eu sei que tal homem foi arrebatado ao paraíso e ouviu coisas tão maravilhosas que não podem ser expressas em palavras, coisas que a nenhum homem é permitido relatar” (2Coríntios 12:2-4).

Nesta passagem, Paulo descreve sua experiência de ser arrebatado ao Paraíso, onde ele ouviu coisas inefáveis. Embora Paulo não forneça muitos detalhes sobre o que ele viu ou ouviu no Paraíso, essa visão é frequentemente interpretada como uma experiência de comunhão direta com Deus e uma antecipação da glória futura reservada para os salvos no céu. Portanto, essa passagem reforça a ideia de que o Paraíso é de fato o lugar da presença de Deus e dos santos, como mencionado em sua definição.

Portanto, o Paraíso, à luz da Bíblia, é um lugar de profunda comunhão com Deus, uma realidade de bênção e felicidade para os salvos, e a expressão máxima da restauração e renovação de todas as coisas.

2. O que é a Cidade Eterna?

A Cidade Eterna, como descrita na Bíblia, refere-se à Nova Jerusalém, que é apresentada como o destino final dos santos e a morada eterna de Deus com seu povo. Esta cidade é mencionada especialmente no livro do Apocalipse, capítulos 21 e 22. Ela surgirá depois do Juízo Final, após o Milênio (Apocalipse 20), e da purificação da Terra por meio de fogo (2Pd.3:10).

A Nova Jerusalém é descrita como uma cidade celestial que descerá do Céu para a terra (Apocalipse 21:2). Ela é apresentada como uma cidade santa, preparada como noiva adornada para seu esposo (Apocalipse 21:2). Ela é descrita como tendo a glória de Deus, resplandecendo como uma joia preciosíssima, como cristal claro (Apocalipse 21:11). É também uma cidade santa, onde nada impuro pode entrar (Apocalipse 21:27).

Uma das características mais marcantes da Cidade Eterna é a presença contínua de Deus e do Cordeiro. O próprio Deus habitará com seu povo, e eles serão seu povo, e Deus mesmo estará com eles como seu Deus (Apocalipse 21:3).

Na Nova Jerusalém, não haverá mais morte, pranto, lamento ou dor, pois as coisas antigas terão passado (Apocalipse 21:4). Os habitantes da cidade desfrutarão de bênçãos eternas e viverão em paz e comunhão perfeitas com Deus.

A cidade tem doze portas, cada uma feita de uma única pérola, e cada porta é guardada por um anjo (Apocalipse 21:12). Isso simboliza que a cidade está aberta para todos os salvos de todas as nações, que entrarão nela e desfrutarão de sua glória.

Os habitantes da Cidade Eterna terão seus corpos transformados em um estado glorioso, livre da corrupção e da mortalidade (1Coríntios 15:54).

Em resumo, a Cidade Eterna, ou Nova Jerusalém, é a consumação do plano de Deus para a redenção da humanidade, um lugar de glória, santidade, presença divina e bênçãos eternas para os salvos. Sua descrição na Bíblia serve como uma esperança gloriosa para os crentes e uma promessa do cumprimento final da vontade de Deus.

3. Quando a eternidade começará?

De acordo com o estudo minucioso e acurado da Escatologia Bíblica, a eternidade começará após uma série de eventos descritos nas Escrituras. Veja a sequência desses eventos e as referências bíblicas pertinentes:

a)   Arrebatamento da Igreja. O primeiro evento significativo é o Arrebatamento da Igreja, no qual os crentes serão arrebatados para encontrar o Senhor nos ares (1Tessalonicenses 4:16,17). Este evento marcará o início de uma série de eventos proféticos que culminarão na eternidade.

b)   Grande Tribulação. Após o Arrebatamento, ocorrerá um período de tribulação conhecido como a Grande Tribulação, que durará sete anos, conforme mencionado em várias passagens, incluindo Daniel 9:27 e Apocalipse 7:14. Durante este tempo, haverá julgamentos divinos sobre a terra e grande sofrimento.

c)   Segunda Vinda de Cristo. Após a Grande Tribulação, Jesus Cristo retornará gloriosa e triunfantemente (Apocalipse 1:7) à terra para julgar as nações (Mateus 25:31-46), destruir os inimigos de Israel (Apocalipse 19:17-21), prender Satanás por mil anos (Apocalipse 20:1-3) e estabelecer, sem nenhum impedimento, o tão esperado seu Reino milenar (Mateus 24:29-31 e Apocalipse 19:11-16).

d)   Reino Milenar. Durante mil anos, Cristo reinará sobre a terra, conhecido como o Reino Milenar (Apocalipse 20:4). Durante esse período, Satanás estará preso e haverá um período de plena paz e justiça sob o governo de Cristo.

e)   Juízo Final e eternidade. Após o milênio, Satanás será solto e derrotado para sempre; será julgado e jogado no Inferno propriamente dito, que é o Lago de Fogo e Enxofre (Apocalipse 20:10). Após isso, ocorrerá a ressurreição de todos os ímpios, de todos aqueles que não fizeram parte da Primeira Ressurreição (Apocalipse 20:5;), e serão julgados perante o grande Trono Branco – é o grande Juízo Final (Apocalipse 20:11-15). Este será o momento em que a eternidade começará de fato. Após esse julgamento, os salvos habitarão no novo céu, na nova terra e na Nova Jerusalém, onde desfrutarão da presença eterna de Deus (Apocalipse 21:1-4).

Portanto, de acordo com a visão escatológica autenticamente cristã, a eternidade começará após o Juízo Final e a inauguração do novo céu, nova terra e Nova Jerusalém, onde os salvos desfrutarão da presença eterna de Deus em um estado de felicidade e comunhão perfeita.

II. O ESTADO ETERNO E PERFEITO                                 


1. O Estado Perfeito à luz da doutrina bíblica

Depois da abertura dos sete selos, conforme Apocalipse 6, em que predominarão a desordem, a tribulação, o julgamento das nações (Mt.25:31-46), o milênio, o julgamento definitivo de Satanás (Ap.20:10) e o Juízo do Grande Trono Branco (Ap.20:11-15), o quadro revelado na sequência é do “novo Céu e da nova Terra”, ou seja, o Estado Eterno e Perfeito (Ap.21:1).

Uma nova reforma cósmica radical sempre esteve nos planos de Deus. Deus transformará os céus e a Terra que hoje conhecemos, de tal forma, que corresponderá a uma nova criação. O apóstolo Pedro descreve isso com contundência: “esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2Pd.3:12,13).

O novo Céu e a nova Terra serão tão magníficos que tornarão os antigos céus e a Terra insignificantes. No capítulo final da profecia de Isaias, o Senhor promete que esse novo Céu e essa nova Terra perdurarão para sempre, juntamente com todos os santos de Deus - Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o SENHOR, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome” (Is.66:22). Observe que, em um novo universo, a Nova Jerusalém será o foco de todas as coisas (Ap.21:2).

O “novo céu e nova terra” é o destino dos salvos em Cristo; é um novo lar completamente redimido, sem qualquer semelhança com o mundo antigo, pois “eis que faço novas todas as coisas” (Ap.21:5).

Segundo o pr. Antônio Gilberto, no Estado Eterno haverá:

a)   Governo perfeito. O homem não tem sabido, nem podido governar bem a Terra. Todas as tentativas humanas nesse sentido fracassaram: dos gregos, através da cultura; dos romanos, através da força e da justiça; e dos governantes dos nossos tempos, através da ciência e da política. Mas Cristo exercerá um governo perfeito, no seu tempo. Nunca haverá desordem, insatisfação, injustiça.

b)   Habitantes perfeitos - "Nunca mais haverá qualquer maldição" (Ap.22:3). Não haverá mais pecado, o que resultará em santidade perfeita. Foi o pecado que trouxe toda sorte de maldição (ler Gn.3:17; Gl.3:13).

c)   Serviço perfeito - "Os seus servos o servirão" (Ap.22:3). O maior privilégio do homem é servir a Deus. O trabalho para Deus será perfeito; Culto perfeito; Atividades perfeitas. Quantas maravilhas não aguardam os salvos!

d)   Comunhão perfeita - “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles” (Ap.21:3). O novo céu e a nova Terra são a restauração da convivência completa e perfeita entre Deus e os homens, que havia antes que o pecado causasse o atual estado de divisão que existe entre Deus e a humanidade. Como povo de Deus, desfrutaremos comunhão mais próxima com Ele do que jamais imaginamos. Deus mesmo estará com todos os seus santos num relacionamento mais íntimo e afetuoso. Somente na Nova Jerusalém, esta comunhão será restabelecida por completo, ocorrendo aquilo que é dito pelo apóstolo João, de vermos Deus como Ele é (1João 3:2).

e)   Visão perfeita - "Contemplarão a sua face" (Ap.22:4). Somente com uma visão perfeita é possível contemplar a face de nosso Senhor. Nenhum homem neste mundo viu a face do Senhor. Nem mesmo Moisés que teve uma íntima comunhão com Deus. Para ele Deus disse: “Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (Êx.33:20). A esperança dos fiéis é de contemplar a face de Deus (Salmos 11:7; 17:15). Os vencedores terão este privilégio diante do trono de Deus e do Cordeiro - “Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face” (Ap.22:3,4).

f)    Identificação perfeita - "E nas suas frontes está o nome dele" (Ap.22:4). Nome na Bíblia fala de caráter; daquilo que a pessoa de fato é. Haverá então uma perfeita identificação entre Deus e os seus remidos. No Antigo Testamento o sumo sacerdote levava gravadas, numa lâmina de ouro puro, sobre a sua coroa sagrada, as palavras: "Santidade ao Senhor" (Êx.39:30). Mas no Estado Eterno, onde a santidade é perfeita, o próprio nome de Deus estará sobre a fronte dos seus filhos.

g)   Conhecimento PerfeitoHoje, conhecemos a Deus apenas em parte, mas no Novo Céu e na Nova Terra o nosso conhecimento será claro e perfeito dentro do plano humano, em glória (cf.1Co.13:12).

Enfim, o perfeito Estado Eterno é descrito na Bíblia como um lugar de santidade e perfeição, pois a antiga ordem, em que imperava a natureza do pecado, será abolida e dará lugar a um lugar santo, puro e perfeito.

2. O Estado Eterno e Perfeito à luz de Apocalipse 22:1-5

O Estado Eterno e Perfeito descrito em Apocalipse 22:1-5 apresenta uma visão vívida e gloriosa do destino final dos santos, onde a presença de Deus é central e todas as coisas serão restauradas à perfeição. O Livro do Apocalipse traz alguns símbolos que descrevem de maneira mais vívida o divino Estado Perfeito. São símbolos que comunicam a singularidade desse novo estado: a) um rio; b) a árvore; c) a ausência de males; d) a presença de Deus; e) interação Real.

a) A vida eterna descrita como um rio (Ap.22:1). A imagem do rio da vida em Apocalipse 22:1 é profundamente simbólica e rica em significado. Ela representa a vida eterna e a provisão contínua de Deus para seus filhos. Em Apocalipse 22:1 é descrito um rio da vida que flui do trono de Deus e do Cordeiro na Nova Jerusalém. Esse rio representa a fonte inesgotável da vida eterna que emana de Deus e do sacrifício redentor de Jesus Cristo. Ele simboliza a abundância e a vitalidade da vida eterna que será desfrutada pelos santos na presença de Deus.

Jesus frequentemente usava a metáfora da água para descrever a vida espiritual que Ele oferece. Em João 4:10, Jesus fala à mulher samaritana sobre a água viva que Ele dá, que se tornará na pessoa uma fonte de água que jorra para a vida eterna. Essa água da vida é um símbolo da salvação e da vida espiritual que é recebida através da fé em Cristo.

O Salmo 46:4 e a visão de Ezequiel sobre o rio que sai do templo (Ezequiel 47:1-12) também contribuem para a compreensão do simbolismo do rio da vida. No Salmo 46:4, o rio de Deus traz alegria à cidade de Deus e simboliza sua provisão e proteção. Em Ezequiel 47, o rio que flui do templo traz vida e cura por onde passa, representando a restauração e a renovação que Deus traz ao seu povo.

Portanto, a imagem do rio da vida em Apocalipse 22:1 está profundamente enraizada na tradição bíblica e simboliza a provisão divina de vida eterna e restauração completa para aqueles que estão em comunhão com Deus. É uma expressão da graça e do amor de Deus, que flui continuamente para seu povo, trazendo vida, cura e alegria eterna.

b) A vida eterna descrita como árvore (Ap.22:2). A referência à árvore da vida remete ao Jardim do Éden em Gênesis, onde essa árvore simbolizava a vida eterna e a comunhão com Deus (Gn.2:9; 3:22). No contexto de Apocalipse 22, a árvore da vida é mencionada como uma das características do Estado Eterno, fornecendo frutos e folhas para a cura das nações. Essa imagem retrata a restauração completa da vida e da saúde, livre de doenças e morte. Seus 12 frutos, de mês em mês, e suas folhas simbolizam a vida que triunfou sobre as enfermidades e a morte. Não haverá mais dores nem doenças, pois no divino Estado Eterno, a morte não existirá.

c) A vida eterna sem males (Ap.22:3). O texto afirma que não haverá mais maldição no Estado Eterno - Não haverá mais “maldição contra alguém” (Ap.22:3). O problema do coração do ser humano será para sempre resolvido, pois o mal será plenamente erradicado. Ali, o trono de Deus e do Cordeiro estarão centralizados no coração do ser humano.

d) A vida eterna na presença de Deus (Ap.22:4). A descrição da presença de Deus como luz e a promessa de que os santos verão sua face refletem a comunhão íntima e direta que os crentes terão com Deus no Estado Eterno. Essa é a culminação da redenção, onde os salvos desfrutarão da presença de Deus em sua plenitude, sem a barreira do pecado ou da separação.

Contemplaremos Deus face a face (1Co.13:12), e sua presença será a nossa luz para sempre (Ap.22:4). “Agora vemos de modo imperfeito, como um reflexo no espelho, mas então veremos tudo face a face. Tudo que sei agora é parcial e incompleto, mas conhecerei tudo plenamente, assim como Deus já me conhece plenamente” (1Coríntios 13:12). Que alegria indizível! Prestaremos culto olhando diretamente para Ele. Sua presença gloriosa fará com que não haja mais noite, não havendo mais qualquer escuridão, e para sempre reinaremos com Ele.

e) A vida eterna em sua interação Real (Ap.22:5) - "E reinarão pelos séculos dos séculos". No Estado Eterno, ou seja, no Novo Céu e na Nova Terra, todos juntos, harmonicamente, e para sempre, reinaremos com Deus. Isso jamais será conseguido aqui, mas no perfeito Estado Eterno, sim!

Em resumo, o Estado Eterno e Perfeito descrito em Apocalipse 22:1-5 é uma visão gloriosa da vida eterna em comunhão íntima com Deus, livre de todos os males e restaurada à perfeição original. Essa visão oferece esperança e consolo aos crentes, lembrando-os do destino final preparado por Deus para aqueles que o amam.

III. O ESTADO FINAL DE TODOS OS SANTOS

1. O que todo crente salvo deve esperar?

Desde os tempos antigos até os dias atuais, a visão dos santos de Deus sempre esteve além das fronteiras terrenas. Tanto os patriarcas do Antigo Testamento quanto os fiéis do Novo Testamento ansiavam por algo além deste mundo passageiro. Tanto Abraão, o patriarca da fé, como Moisés, líder do povo de Israel, e todos os santos do Antigo Testamento mantiveram uma perspectiva celestial. Abraão "esperava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador" (Hebreus 11:10). Moisés, mesmo diante das riquezas e glórias do Egito, optou por sofrer com o povo de Deus, "porque tinha os olhos postos na recompensa" (Hebreus 11:26). Esta busca pela morada celestial é um tema central na jornada de fé de todo crente salvo.

Assim como os patriarcas e os santos do passado, os crentes salvos hoje reconhecem que são peregrinos neste mundo. Conscientes de que sua verdadeira pátria é a celestial (Filipenses 3:20), vivem neste mundo como estrangeiros, aguardando a cidade que Deus preparou para eles (João 14:2,3). A esperança dos santos se concentra nessa Cidade Celestial, descrita nas Escrituras como um lugar de beleza indescritível, onde Deus habitará com Seu povo (Apocalipse 21:3). Essa cidade será o lar eterno dos salvos em Cristo, onde não haverá mais dor, sofrimento ou morte.

Inspirados pelos exemplos dos patriarcas e santos do passado, continuamos nossa jornada nesta terra como peregrinos, aguardando com expectativa a realização plena de nossa fé na Cidade Celestial. Que esta esperança nos fortaleça e nos encoraje enquanto caminhamos rumo ao nosso destino final em Deus.

2. Viveremos todos em unidade

A visão da Cidade Celestial descrita nas Escrituras revela não apenas uma gloriosa morada eterna, mas também a Assembleia de santos unida em perfeita harmonia. Ao examinarmos as referências bíblicas, especialmente aquelas que mencionam as tribos de Israel e os apóstolos, compreendemos que a unidade é um elemento central nesse cenário celestial.

Ao descrever as 12 portas da Cidade Celestial, onde estão inscritos os nomes das tribos de Israel, e os alicerces, que levam os nomes dos 12 apóstolos, o livro do Apocalipse indica a inclusão de pessoas de todas as eras na comunidade celestial (Ap.21:9-14). Essa simbologia representa a união entre o antigo Israel e a Igreja, formando um só Corpo de Cristo. Essa união entre as pessoas de Israel e da Igreja na Nova Jerusalém cumprirá plenamente o que foi anunciado em Gálatas 3:28: "nisto não há judeu nem grego". Nessa Nova Cidade, não haverá segregação, discriminação ou diferenças de classe. Todos serão um só povo em Cristo Jesus, desfrutando da comunhão perfeita e da igualdade diante de Deus.

A visão da unidade na Cidade Celestial reflete a realidade do Corpo de Cristo, onde cada membro tem sua importância e contribuição única. Nessa Assembleia celestial, todas as diferenças são reconciliadas e superadas pela graça redentora de Cristo, resultando em uma perfeita unidade na diversidade.

3. Finalmente em casa

Compreendemos que nossa morada final não se encontra neste mundo passageiro, tampouco na sepultura, pois somos chamados de peregrinos e estrangeiros nesta Terra (Hebreus 11:13). O apóstolo Paulo nos lembra de que nossa verdadeira cidade está nos Céus (Filipenses 3:20). Aqueles que mantêm uma comunhão íntima com Cristo e Sua Palavra nutrem em seus corações o desejo ardente de estar em casa, assim como expressou o apóstolo dos gentios (2Coríntios 5:8; Filipenses 1:21,23). Esta é a grande recompensa reservada para nós quando completarmos nossa jornada terrena. É a bendita esperança de todo cristão sincero que anseia habitar no Céu.

CONCLUSÃO

A Cidade Celestial, descrita nas Escrituras como um lugar de perfeita comunhão com Deus e entre os santos, é a promessa final da nossa fé. Como peregrinos e estrangeiros nesta Terra, aguardamos com expectativa o Dia em que seremos reunidos na presença do Senhor, habitando eternamente na Sua presença.

Que a visão da Cidade Celestial inspire em nós uma maior dedicação à comunhão com Cristo e ao serviço do Reino de Deus. Que nos lembremos sempre de que nossa verdadeira casa está além deste mundo passageiro, e que vivamos cada dia com a esperança da glória futura que nos espera na presença do nosso Salvador. Que a promessa da Cidade Celestial seja para nós um farol de esperança, orientando nossos passos enquanto caminhamos nesta jornada da fé. Que possamos viver em antecipação a esse glorioso Dia, onde finalmente estaremos em casa com nosso Senhor para sempre.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

A TENTAÇÃO DE JESUS


 

A TENTAÇÃO DE JESUS


 – A TENTAÇÃO DE JESUS

Texto Bíblico: Lucas 4:1-13

Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado(Hb 4:15).

INTRODUÇÃO

Quando estava prestes a iniciar seu ministério terreno, anunciando a chegada do Reino de Deus, Jesus é levado ao deserto e em quarenta dias de jejum e oração é confrontado por Satanás que lhe faz muitas propostas. A passagem é bem conhecida e recebe por título “A Tentação de Jesus” em todos os Evangelhos. Sempre que leio, penso em quanto esse momento foi decisivo para história da humanidade. Bastaria um sim de Jesus e todo o plano salvífico estaria fracassado. Bastaria um vacilo, um acenar de cabeça concordando com o diabo e tudo estaria consumado em desgraça e maldição para os homens. 

O diabo não tem sucesso em suas investidas e Jesus, de forma objetiva, sem longos discursos, pronunciando a Palavra de Deus, vence o mal e consuma na cruz do calvário a salvação que nos é dada. Na cruz, Ele resgata o que havia se perdido no Éden, quando Adão e Eva, dizem sim a serpente e acatam a sugestão diabólica de que “sereis como Deus, sabendo o bem e o mal e não morrereis”:

E vendo a mulher que aquela árvore era boa de se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela”. Gn 3: 6

No deserto da Judeia, lugar seco, sem pomares, o diabo aparece usando elementos naturais, típicos do ambiente, para tentar Jesus: “transforma essa pedra em pão e come, porque estás com fome” Lucas 4:3. A árvore proibida do jardim, aquela que Eva já havia visto e rodeado tantas vezes, foi nela que a serpente se enroscou. Porque o mal não chega de forma espantosa, nos assombrando com suas propostas. Ele aparece em nossa rotina, no dia a dia, assim como uma tênue linha no tempo separando abismo e paraíso. 

 

Na igreja, na família, no trabalho, em lugares de nosso convívio, o mal aparece disfarçado de bem, porque sua essência é a mentira e quando domina sua presa, se revela como angustiante e terrível, mostra suas garras com objetivo tão somente de roubar e destruir vidas: “porque não há verdade nele, e fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” João 8:44. Ele não falou a verdade para Eva, nem para Jesus, também não falará para mim e para você.

 

I. A REALIDADE DA TENTAÇÃO

1. Uma realidade humana. Tentação é o estímulo externo ou interno que impulsiona o ser humano à prática do pecado. É a investida do diabo contra os cristãos. Ela é inerente à carne – “Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana” (1Co 10:13a). Ela tem influência destrutiva, mas fiel é Deus que dá o escape para suportar a tentação. Quando a tentação é consumada, a consequência é o pecado (sua prática destitui o homem da comunhão com o Eterno) e a sua continuidade é punida com o castigo eterno. A tentação é comum a todos os servos, todos são tentados no dia a dia. É-nos garantido pelo Senhor, que todas elas são suportáveis; nenhuma tentação é superior às nossas forças (1Co 10:13).

2. A diferença entre Tentação e Provação.  


a) Tentação. Pode ser definida como aquele impulso inicial que a pessoa sente para cometer pecados (Rm 7:18,19). É procurar seduzir alguém para o pecado, persuadir a tomar um caminho errado. É de origem satânica e carnal (Mt 4:1, João 13:2, Tg 1:14). Seu objetivo é fazer o crente abandonar a vontade de Deus. Visa sempre o mal (tirar-nos da dependência de Deus - Mt 4:3-6,8,9).  Não é pecado em si, pois Jesus foi tentado em tudo (Hb 4:15).

b) Provação. Significa "por alguém à prova", submeter a um teste. É de origem divina. Veja o caso de Abraão (Gn 22:1). Visa fortalecer a pessoa e não derrubar (Leia 2Cr 32:31, Hb 11:17-19). Recompensa dos que são provados e aprovados: “Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg. 1:12).

3. A tentação em si não é pecado. A tentação em si não é pecado, mas quando o homem cede à tentação então ele peca. Deus nunca usa este instrumento chamado tentação, visto que o objetivo da tentação é levar o homem ao pecado. Por isto, diz a Palavra de Deus: “Ninguém, sendo tentado, diga: de Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tg 1:13). Quando uma tradução diz que Deus tentou alguém, na verdade trata-se de uma prova, e não uma tentação no sentido de induzir o homem ao pecado. Diz a Bíblia Sagrada: “Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência; então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1:14,15). E Deus não permite a Satanás tentar alguém acima de suas próprias forças e Ele sempre nos dá o escape – “...fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar” (1Co 10:13b).

4. O agente da tentação. Satanás é o agente principal da tentação. Esse é o seu principal trabalho desde a formação do homem e da mulher. O trabalho que mais o agrada é desviar o crente das disciplinas da vida cristã. A Bíblia diz: "Quem comete o pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo" (1Jo 3:8).

5. Vencendo a tentação. Ao voltar do Jordão onde foi batizado, Jesus foi guiado pelo Espírito Santo ao deserto, provavelmente o da Judéia, na costa ocidental do mar Morto. Ali Ele foi tentado durante quarenta dias pelo Diabo – dias nos quais o Senhor nada comeu. Ao fim desses dias surgiu a tentação tripla com que estamos mais familiarizados. As tentações ocorreram em três lugares diferentes: no deserto, numa montanha e no templo em Jerusalém. E Ele venceu todas.

Jesus, o homem perfeito, venceu a sedução do pecado com oração, com a Palavra e por andar no Espírito. Todos os que estão em Cristo podem sim, também, vencer a tentação (1Co 10:13).

A vitória de Jesus sobre a tentação é também a nossa vitória.

Alguns dizem que, como Deus, Jesus não poderia pecar, mas, como homem, poderia. Mas Ele continua sem Deus e Homem, e é inconcebível que Ele pudesse pecar hoje. O propósito da tentação não foi ver se Ele pecaria, mas provar que Ele não poderia pecar. Somente um Homem santo, sem pecado, poderia ser nosso Redentor.

 

II. A TENTAÇÃO DE SER SACIADO  


1. A sutileza do Diabo - "... e, naqueles dias, não comeu coisa alguma, e, terminados eles, teve fome. E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão” (Lc 4:2,3).

A verdadeira humanidade de Jesus é refletida pelas palavras “teve fome”. Esse foi o alvo da primeira tentação: a tentação de ser saciado. Satanás sugeriu que o Senhor deveria usar seu poder divino para satisfazer a fome física. A sutileza da tentação foi que o ato em si era perfeitamente legítimo. Mas o erro estaria em Jesus obedecer a Satanás.

O diabo é um mestre das coisas aparentemente lógicas. Jesus estava faminto; ele tinha poder para transformar as pedras em pão. O diabo simplesmente sugeriu que ele tirasse vantagem de seu privilégio especial para prover sua necessidade imediata.

Era verdade que Jesus necessitava de alimento para sobreviver. Mas a questão era como ele o obteria. Lembre-se de que foi Deus quem o conduziu a um deserto sem alimento. O diabo aconselhou Jesus a agir independentemente e encontrar seus próprios meios para suprir sua necessidade.

Confiará ele no Pai ou se alimentará a seu próprio modo? Há aqui, também, uma questão mais básica: Como Jesus usará suas aptidões? A tentação era ressaltar demais os privilégios de sua divindade e minimizar as responsabilidades de sua humanidade. E isto era crucial, porque o plano de Deus era que Jesus enfrentasse a tentação na área de sua humanidade, usando somente os recursos que todos nós temos à nossa disposição.

 2. A resposta de Jesus - "E Jesus lhe respondeu, dizendo: Escrito está que nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra de Deus” (Lc 4:4).

Mais importante que a satisfação do apetite físico é a obediência à Palavra de Deus.  Alguém disse que “o segredo total de força no conflito é o uso da palavra de Deus da maneira certa”.

Jesus usou um meio que nós também podemos empregar para superar a tentação: a Palavra de Deus. A passagem que ele citou foi a mais adequada naquela situação. No contexto, os israelitas tinham aprendido durante seus 40 anos no deserto que eles deveriam esperar e confiar no Senhor para conseguir alimento, e não tentar conceber seus próprios esquemas para se sustentarem.

 

a) O diabo ataca as nossas fraquezas. Ele não se acanha em provar nossas áreas mais vulneráveis. Depois de jejuar 40 dias, Jesus estava faminto. Daí, a tentação de fazer alimento de uma maneira não autorizada. Satanás escolhe justamente aquela tentação à qual somos mais vulneráveis no momento. De fato, as tentações são frequentemente ligadas a sofrimento ou desejos físicos.

b) Precisamos confiar em Deus. Depois de 40 dias de jejum total, indubitavelmente, Jesus precisava de alimento. Ele encontrava-se debilitado fisicamente. Todo o seu organismo exigia ser saciado de pão e água. Porém, mais do que isso, precisava fazer a vontade do Pai. É sempre certo fazer o certo e sempre errado fazer o errado. Deus proverá o que ele achar melhor; meu dever é obedecer-lhe. É melhor morrer de fome do que desagradar ao Senhor.

III. A TENTAÇÃO DE SER CELEBRADO

1. O príncipe deste mundo. “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe, num momento de tempo, todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu” (Lc 4:5-7).

Não levou muito tempo para Satanás mostrar tudo o que ele tem para oferecer. Não foi o mundo em si, mas os reinos deste mundo que ele ofereceu. Por causa do pecado do homem, Satanás se tornou “o príncipe” deste mundo (João 12:31; 14:30; 16:11), “o deus deste século” (2Co 4:4) e “o príncipe da potestade do ar” (Ef 2:2). Deus propôs que “o reino do mundo” um dia se tornará do “nosso Senhor e do seu Cristo” (Ap 11:15). Deus Pai prometeu o reinado ao Filho depois de seu sofrimento (Hb 2:8,9). Assim, Satanás estava oferecendo a Cristo o que certamente seria dele. O Diabo ofereceu um atalho: a coroa sem a cruz. Mas não poderia ter qualquer atalho ao trono. A cruz precisava vir primeiro. Nos conselhos de Deus, o Senhor Jesus tinha de sofrer antes que pudesse entrar na gloria. Ele não poderia conseguir um fim legítimo por um meio errado. Em nenhuma circunstância ele adoraria o Diabo fosse qual fosse o prêmio.

2. A resposta de Jesus - "E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás” (Lc 4:8). Aqui, o Senhor cita Deuteronômio 6:13 para mostrar que, como homem, ele deveria adorar e servir somente a Deus.

Como bem disse o pr. José Gonçalves, “o Diabo sabe que o desejo de ser celebrado, de ser chamado ‘senhor’, é algo que fascina os homens. Satanás sabia que derrubaria Adão se o convencesse de que ele poderia se tornar poderoso ao adquirir conhecimento. Adão acreditou que até mesmo poderia ser como Deus (Gn 3:5)”. Adão acreditou na tese do Diabo e caiu. “O Diabo por certo acreditava que o mesmo aconteceria com Jesus, o Filho do Homem. Mas Jesus não se dobrou diante de Satanás. Por certo muitos estão exercitando poder e domino neste mundo, mas provavelmente também estão se curvando diante de Satanás”, afirma Jose Gonçalves.

a) Satanás paga o que for necessário. O diabo ofereceu tudo para "comprar" Jesus. Se houver um preço pelo qual você desobedecerá a Deus, pode esperar que o diabo virá pagá-lo. Mas, a Palavra de Deus exorta: Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16:26).

b) O diabo oferece atalhos. Ele oferece o mais fácil, o mais decisivo caminho ao poder e à vitória. Jesus recusou o atalho. Ele ganharia os reinos pelo modo que o Pai tinha determinado. Hoje Satanás tenta as igrejas a usar atalhos para ganhar poder e converter pessoas. O caminho de Deus é converter ensinando o evangelho (Rm 1:16). Exatamente como ele tentou Jesus para corromper sua missão e ganhar poder através de meios carnais, assim ele tenta nestes últimos dias da Igreja.

IV. A TENTAÇÃO DE SER NOTADO

1. A artimanha do inimigo. A terceira tentação de Jesus está localizada em Jerusalém. Jesus é convidado a lançar-se do pináculo do templo – Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem e que te sustenham nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra” (Lc 4:9-11).

Jesus tinha replicado à tentação anterior dizendo que confiava em cada palavra do Senhor. Aqui Satanás está dizendo: "Bem, se confia tanto em Deus, então experimenta-o. Verifica o sistema e vê se ele realmente cuidará de ti". E ele confirmou a tentação com um trecho das Escrituras, o Salmo 91:11,12, para assegurar Jesus que Ele ficaria bastante seguro. Satanás, porém, empregou erroneamente a Bíblia. Ele torceu um texto para servir um propósito. Talvez Satanás estivesse tentando Jesus a apresentar-se como Messias ao fazer uma sensacional acrobacia. Malaquias predisse que o Messias viria de repente ao seu templo (Ml 3:1). Aqui, então, chegou a oportunidade para Jesus obter fama e notoriedade como o Libertador prometido sem ir ao Calvário. Jesus, porém, rejeita esta tentação, conforme fizera com as outras duas, ao apelar para o significado verdadeiro da Bíblia – “E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor, teu Deus” (Dt 6:16). Não cabe ao homem submeter Deus ao teste, nem sequer quando o homem é o próprio Filho de Deus encarnado.

a) O diabo cita a Escritura; ele põe como isca no seu anzol os versículos da Bíblia. Há muitas pessoas que frequentemente aceitam qualquer ensinamento bíblico fora do contexto. Mas cuidado! O mesmo diabo que pode disfarçar-se como um anjo celestial (2Co 11:13-15) pode, certamente, deturpar as Escrituras para seus próprios propósitos. O diabo fez três enganos:

- Primeiro, não utilizou todas as Escrituras. Jesus replicou com: "Também está escrito". A verdade é a soma de tudo o que Deus diz; por isso precisamos estudar todos os ensinamentos das Escrituras a respeito de um determinado assunto para conhecer verdadeiramente a vontade de Deus.

- Segundo, ele tomou a passagem fora do contexto. O Salmo 91, no contexto, conforta o homem que confia e depende do Senhor; ao homem que sente necessidade de testar o Senhor nada é prometido aqui.

- Terceiro, Satanás usou uma passagem figurada literalmente. No contexto, o ponto não era uma proteção física, mas uma proteção espiritual.

b) Satanás é versátil. Jesus venceu em uma área, então o diabo se mudou para outra. Temos que estar sempre em guarda – Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pedro 5:8).

V. ELEMENTOS IMPORTANTES PARA VENCERMOS A TENTAÇÃO

a) Vigiar e orar. A advertência é do próprio Cristo: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt 26:41).

A parte que se refere à vigilância é negligenciada por uma porcentagem elevada do povo de Deus.  O estar atento, nos resguarda de cairmos nas ciladas do maligno.

O apóstolo Paulo recomenda em 1Tessalonicences 5:17: "Orai sem cessar." Isso significa ter a mente ligada a Deus 24 horas. Consultá-lo sempre que precisar tomar uma decisão ou resolver alguma questão. Ter uma atitude de oração é perguntar a Deus o que Ele quer nos ensinar com tal circunstância; tentar imaginar o que Jesus diria a nós em determinada situação e pedir sempre a Deus que Ele seja a nossa força.

b) Não dar ouvidos a quem duvida da Palavra de Deus. Gênesis 3:1: "Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?".

A cena relata o encontro da serpente (Satanás) com Eva. O que interessa aqui, propriamente, não é o diálogo, mas a razão pela qual Eva estava dando ouvidos àquela serpente. Creio que talvez possa ter surgido uma dúvida no coração dela quanto ao que Deus havia ordenado. Talvez tenha duvidado da palavra de Deus. Talvez estivesse curiosa para saber se haveria algo por trás da ordem que Ele lhes dera. Eva abriu espaço para que houvesse uma conversa, mesmo após a serpente ter colocado em dúvida a ordem divina.

c) Esquecer o passado. Filipenses 3:13,14: "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim. Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus".

Paulo nos aconselha a esquecer o passado. Creio realmente que essa seja uma poderosa arma, pois se olharmos para trás, veremos o inimigo de Deus com dedo acusador pronto para nos fazer cair novamente. Esqueça o passado, aprenda com os erros, apegue-se às promessas de Deus e siga em frente, confiante que Ele será sua força contra qualquer tentação que atravessar seu caminho.

Satanás quer que nos desviemos do nosso alvo, que é a vida eterna ao lado de Jesus. Portanto, é extremamente importante que a nossa vida e comportamento esteja focada nas verdades bíblicas. Depositemos nas mãos de Deus todas as nossas esperanças. Se nós olharmos para trás, veremos Satanás nos acusando dos erros do passado e fazendo de tudo para nós cairmos novamente; mas, se olharmos para frente, veremos o Filho de Deus de braços abertos, pronto para nos receber como estamos.

d) Alimentar a mente com coisas boas. Filipenses 4:8: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.

A lição que podemos tirar aqui é em relação ao conteúdo com que temos preenchido nossa mente. Com quem estamos conversando? A quem você tem dado ouvidos? Que músicas você tem escutado? Que tipo de literatura tem tomado seu tempo? O que seus olhos têm assistido? Do que e com que você está alimentando sua mente? Essas são perguntas que você deve refletir em seu íntimo.

 CONCLUSÃO

A Tentação de Jesus: Um Confronto no Deserto

A história da tentação de Jesus, narrada nos evangelhos sinóticos (Mateus 4:1-11, Marcos 1:12-13 e Lucas 4:1-13), é um dos eventos mais significativos da vida de Cristo. Ocorrida logo após seu batismo e antes do início de seu ministério público, essa narrativa revela a humanidade de Jesus e sua profunda conexão com Deus.

O Contexto:

Após ser batizado por João Batista, Jesus foi levado pelo Espírito Santo ao deserto, onde jejuou por quarenta dias e quarenta noites. Nesse período de isolamento e privação, Satanás o tentou em três ocasiões distintas.

As Tentações:

  1. Transformar pedras em pão: A primeira tentação explorou a fraqueza física de Jesus, que estava com fome após um longo período de jejum. Satanás o instigou a usar seus poderes divinos para saciar sua fome, transformando pedras em pão.
  2. Pular do pináculo do templo: A segunda tentação desafiou a fé de Jesus, propondo que ele se atirasse do pináculo do templo para que os anjos o salvassem. Essa tentação visava levar Jesus a testar desnecessariamente a proteção divina.
  3. Adorar a Satanás em troca de todos os reinos do mundo: A terceira e mais tentadora proposta de Satanás envolvia a oferta de todos os reinos do mundo a Jesus, em troca de um ato de adoração. Essa tentação visava corromper a lealdade de Jesus a Deus.

O Significado:

  • A humanidade de Jesus: As tentações revelam que Jesus, apesar de ser o Filho de Deus, experimentou as mesmas fraquezas e tentações que todos os seres humanos.
  • A vitória sobre o pecado: Ao resistir a todas as tentações, Jesus demonstrou seu total domínio sobre o pecado e sua perfeita obediência à vontade do Pai.
  • A importância da Palavra de Deus: Em todas as suas respostas, Jesus citou as Escrituras, demonstrando que a Bíblia é a nossa maior arma contra as tentações.
  • Um modelo para nós: A história da tentação de Jesus serve como um exemplo para todos nós, mostrando que é possível vencer as tentações através da fé e da obediência a Deus.

Reflexões:

  • Quais são as tentações que enfrentamos em nossa vida?
  • Como podemos resistir às tentações e permanecer firmes em nossa fé?
  • Qual o papel da Bíblia em nossa vida espiritual?

A história da tentação de Jesus é um convite à reflexão sobre nossa própria caminhada espiritual. Ao compreendermos o significado desse episódio, podemos aprender a enfrentar as dificuldades da vida com mais fé e esperança.

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