quarta-feira, 28 de maio de 2025

EFATÁ O MILAGRE (ABRE-TE )

 


EFATÁ: SIGNIFICADO BÍBLICO EXPLICADO (ABRE-TE)

A passagem de Marcos 7:37 é um dos milagres notáveis de Jesus, onde a palavra "Efatá" desempenha um papel central. Essa palavra aramaica, que significa "Abre-te!", é pronunciada por Jesus durante a cura de um homem surdo e com dificuldades na fala.

O Contexto da Passagem

A cena ocorre na região da Decápolis, uma área com predominância de gentios (não-judeus). Trouxeram a Jesus um homem que era surdo e mal podia falar. As pessoas que o trouxeram imploraram a Jesus que impusesse as mãos sobre ele.

Jesus, então, levou o homem para um lugar à parte, longe da multidão. Lá, ele realizou alguns gestos simbólicos: colocou os dedos nos ouvidos do homem, cuspiu e tocou a língua dele com a saliva. Em seguida, olhando para o céu, Jesus suspirou profundamente e proferiu a palavra "Efatá!".

O Milagre e Seu Significado

Imediatamente após a pronúncia de "Efatá!", os ouvidos do homem se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. A cura foi completa e instantânea.

O povo que testemunhou o milagre ficou maravilhado, dizendo: "Tudo ele tem feito bem. Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem!" (Marcos 7:37).

Além da cura física, essa passagem tem um profundo significado espiritual:

  • Abertura para a Palavra de Deus: A surdez e a mudez do homem podem ser interpretadas como uma representação da dificuldade humana em ouvir e proclamar a Palavra de Deus. A cura simboliza a abertura do coração e da mente para a mensagem de Jesus.
  • Comunicação e Testemunho: Uma vez curado, o homem pôde não apenas ouvir, mas também falar corretamente, o que pode ser visto como um convite para que, uma vez "abertos" à fé, sejamos capazes de testemunhar e anunciar as maravilhas de Deus.
  • A Universalidade da Salvação: O fato de o milagre ocorrer em território gentio reforça a ideia de que a salvação e o poder de Jesus são para todos, independentemente de sua origem.

"Efatá" no Batismo

A palavra "Efatá" também é utilizada em algumas tradições cristãs, especialmente no rito do batismo de crianças. Ali, ela é proferida simbolicamente para que os ouvidos da criança se abram para a Palavra de Deus e para que ela possa, um dia, proclamar a fé.

A passagem de Marcos 7:31-37, e especialmente a palavra "Efatá", nos lembra do poder transformador de Jesus e do chamado para que nos abramos à sua graça, permitindo que Ele cure nossas surdezes e mudezes, tanto físicas quanto espirituais.

"Efatá" é uma palavra de origem aramaica que aparece no Novo Testamento da Bíblia, mais precisamente na passagem de Marcos 7:31-37. Conforme o próprio versículo revela, a palavra "efatá" significa "abre-te".

Então voltou os olhos para o céu e, com um profundo suspiro, disse-lhe: "Efatá!", que significa "abra-se!" - Marcos 7:37

Nesta passagem, Jesus realiza a cura de um homem surdo e com dificuldades na fala. Quando o homem foi levado até Jesus, Ele o levou para um lugar isolado, colocou os dedos nos ouvidos do homem e, em seguida, cuspiu e tocou a língua dele. Então, olhando para o céu, Jesus pronunciou a palavra “efatá”.

No versículo seguinte, em Marcos 7:35, narra-se que os ouvidos do homem surdo foram curados, a sua língua foi solta e ele começou a falar corretamente. É importante destacar que nem a palavra “efatá” nem a saliva foram os fatores que curaram o homem, mas sim o poder de Cristo Jesus.

Tanto a palavra “efatá” quanto o cuspe utilizado por Jesus na cura do homem surdo tiveram um efeito simbólico no processo da cura. Podemos entender a saliva na boca como uma intervenção física, simbolizando a ação divina de purificação e cura. Já a palavra “efatá” representa a ordem divina a ser seguida pelo homem, que correspondeu com obediência, sendo curado.

A seguir Jesus saiu dos arredores de Tiro e atravessou Sidom, até o mar da Galiléia e a região de Decápolis. Ali algumas pessoas lhe trouxeram um homem que era surdo e mal podia falar, suplicando que lhe impusesse as mãos.

Depois de levá-lo à parte, longe da multidão, Jesus colocou os dedos nos ouvidos dele. Em seguida, cuspiu e tocou na língua do homem. Então voltou os olhos para o céu e, com um profundo suspiro, disse-lhe: “Efatá!”, que significa “abra-se!” Com isso, os ouvidos do homem se abriram, sua língua ficou livre e ele começou a falar corretamente.

Jesus ordenou-lhes que não o contassem a ninguém. Contudo, quanto mais ele os proibia, mais eles falavam. O povo ficava simplesmente maravilhado e dizia: “Ele faz tudo muito bem. Faz até o surdo ouvir e o mudo falar”. Marcos 7:31-37

Pensamento: Diferente do ministério de Jesus, hoje às vezes parece que os milagres só são realizados para milhões assistirem. A rosa ungida, o pano sagrado, a camisa em nó. De quantos desses amuletos Jesus precisou para curar o surdo-mudo? Quantas testemunhas ele queria para confirmar seu poder? Com uma só palavra e “longe da multidão” Jesus curou o homem.

Se as “curas” que assistimos na televisão são realmente pelo poder de Jesus, por que não fazem como Jesus e levam onde os doentes estão? Por que não vão para os corredores dos hospitais públicos superlotados, para a ala dos pacientes terminais no hospital do câncer? Será que lá não há fé o suficiente para curar? Vai dizer para a mãe assistindo seu filho de sete anos sendo consumido por leucemia que Deus não pode ajudar por causa da falta de fé dela? Jesus faz milagres hoje. Ele ainda cura. E aqueles que realmente creem nele são ouvidos, ainda que a cura às vezes não venha.

Surdo é aquele que pensa que o preço do amor de Deus é medido em ofertas ou manipulado por talismãs. Jesus está falando, mas poucos estão ouvindo. O volume das vozes dos “profetas modernos” é ensurdecedor. Olhe para Jesus. Leia o que os lábios dele estão dizendo. “Efatá!” Ele está dizendo “Eu te amo”. Ainda que você tenha que andar por todo o vale da sombra da morte, ele estará contigo. Ela vai junto. Ele já esteve lá. Ele foi por você.

Oração: Bendito Deus e Pai, obrigado por um Senhor que não cobra nada, que não precisa de nada de nós. Obrigado porque ele nos ama tanto, que deu sua vida, sabendo que poderíamos nunca acreditar nele, nem agradecer o seu sacrifício. Isso é amor, Pai! Ninguém tem maior amor por nós do que Jesus. Que possamos dar ouvidos a Ele todos os dias desta vida e confiar no amor dele. É só isso que precisamos e mais nada. Em nome de Jesus oramos e agradecemos. Amém.

O SENHOR JESUS CURA HOJE 


Texto Base: Isaias 53:4-6; Mateus 8:16,17

“Ele que perdoa todas as tuas iniquidades e sara todas as tuas enfermidades” (Salmos 103:3).

Isaias 53:

4.Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido.

5.Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados.

6.Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.

Mateus 8:

16.E, chegada à tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele, com a sua palavra, expulsou deles os espíritos e curou todos os que estavam enfermos,

17.para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da cura divina. O Senhor Jesus ainda cura hoje, pois isto está dentro do espectro de sua vontade, de sua soberania. Se quiser, Ele cura qualquer tipo de enfermidade, pois Ele é o Deus Todo-Poderoso. Tudo Ele pode. Porém, a intervenção divina se manifesta quando não há nenhuma possibilidade da intervenção humana. Jesus nunca condenou que os seus servos procurassem os médicos para obterem cura. O apóstolo Paulo tinha sempre por perto o médico amado Lucas, até mesmo nos instantes finais de seu ministério terreno. Quando tudo parece impossível o médico curar, como aconteceu com a mulher do fluxo de sangue (cf.Lc.8:43-48), aí Jesus entra em ação. Como curou no passado, Ele continua curando atualmente. Sua compaixão pelos que o buscam no momento de desespero, é visível, é crível. Inúmeros são os testemunhos!

I. A CURA DIVINA NA BÍBLIA

A promessa da cura divina descrita na Bíblia Sagrada é uma realidade para os nossos dias, mas precisamos crer que Jesus cura. Ela tem sido uma das marcas identificadoras da pregação pentecostal ao redor do mundo. É algo destinado aos que creem; é uma realidade atual e indispensável para que demonstremos a presença de Deus no meio da Igreja, para que o nome do Senhor seja glorificado; mas não devemos nos esquecer de que o propósito da cura divina não é a saúde física de alguém, mas, sim, a glorificação do nome do Senhor, a confirmação da palavra da pregação e a comprovação da presença de Deus no meio do seu povo. Por causa disso, nem sempre Jesus cura, pois a cura tem propósitos que não se confundem com a nossa vontade ou com os nossos caprichos. Por isso é importante sabermos por que alguém está doente, a fim de que compreendamos qual o propósito do Senhor nesta doença. Uma vez tendo compreendido isto, o que nem sempre será o enfermo que conseguirá entender sozinho, pois, muitas vezes, necessitará do auxílio dos servos de Deus neste discernimento, então deve-se clamar a Deus para que a sua vontade seja feita.

1. A saúde pública no Antigo Testamento

No Antigo Testamento, entre os israelitas, Deus prometeu saúde física ao seu povo; mas, o cumprimento dessa promessa era condicional, o povo deveria fazer a sua parte (cf. Êx.15:26) – “E disse: Se ouvires atento a voz do SENHOR, teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o SENHOR, que te sara”.

Deus prometeu que, se o povo lhe obedecesse, estaria salvo dos males que infligiam aos povos circunvizinhos. Mas eles sabiam que muitas leis morais recebidas de Deus também tinham o propósito de mantê-los a salvo das doenças. Por exemplo, obedecer à lei de Deus contra a prostituição os manteria livres das doenças venéreas. Com frequência as leis de Deus destinam-se a proteger o seu povo de males. Como seres complexos, as áreas física, sentimental e espiritual de nossa vida estão entrelaçadas. A medicina moderna está agora reconhecendo o significado dessas leis. Se desejamos que Deus cuide de nós, precisamos nos submeter à sua direção e controle.

2. A prevenção de doenças é bíblica

Vários trechos da Bíblia mostram o conceito de Deus sobre como devemos tratar nosso corpo. Por exemplo, a Bíblia condena excessos, incluindo a embriaguez e a gula (Pv.23:20). A Lei de Deus dada ao Israel antigo incluía medidas para controlar e, em alguns casos, até para prevenir doenças (cf.Lv.15).

As leis da nação de Israel refletiam conceitos médicos e de higiene que estavam muito à frente do seu tempo. Uns 35 séculos atrás, a nação de Israel estava para entrar na Terra Prometida. Naquela ocasião, Deus disse que os protegeria contra as “doenças terríveis” que eles haviam conhecido no Egito (Dt.7:15). Uma maneira de fazer isso foi dar àquela nação instruções detalhadas sobre controle de doenças e higiene. Por exemplo:

  • As leis da nação exigiam que os israelitas tomassem banho e lavassem as roupas (cf. Lv.15:4-27).
  • Sobre o excremento humano, Deus disse: “Deve-se determinar um lugar privativo fora do acampamento, e é para lá que você deve ir. Entre os seus equipamentos você deve ter uma estaca pequena; quando você se abaixar lá fora, deve cavar um buraco com ela e cobrir seu excremento” (Dt.23:12,13).
  • Quando havia a suspeita de que alguém tinha uma doença contagiosa, ele precisava ficar de quarentena, ou seja, tinha que ficar afastado de outros por um tempo. Antes de voltar para junto dos outros, aqueles que haviam se recuperado de uma doença precisavam lavar as roupas e tomar banho para serem considerados puros (cf. Lv.14:8,9).
  • Quem tocasse em um cadáver devia ficar de quarentena (cf. Lv.5:2,3; Nm.19:16).
  • A Lei também continha normas de segurança específicas para a prevenção de ferimentos (Dt.22:8).

Assim, fica claro que a Bíblia nos incentiva a cuidar do corpo e tomar medidas razoáveis para proteger nossa saúde física. No Antigo e no Novo Testamento, Deus permitia que existissem profissionais da área médica entre seus servos (Gn.38:28; Col.4:14); e nenhuma parte da Bíblia indica que Deus reprovou o uso de plantas medicinais, pomadas, prescrição de dietas e outros tratamentos de saúde. Vale lembrar que Jesus reconheceu que “as pessoas com saúde não precisam de médico, mas sim os enfermos” (Mt.9:12).

É bom afirmar que a melhor prevenção contra as doenças é o estilo de vida saudável, ou seja: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, controle de peso e de estresse, sono reparador e check-ups periódicos.

3. O Novo Testamento: as curas de Jesus

Jesus, quando pregava o Evangelho do Reino, curou inúmeras enfermidades. Os milagres que Cristo operava destinavam-se a chamar a atenção para o seu ministério, e provar que Ele era o Messias esperado (Mt.4:23-25). A vinda de Cristo havia sido predita pelos profetas, séculos antes. Os milagres que Ele operou eram evidências da sua divindade, e para ser acreditado como sendo o enviado de Deus. Após o homem pecar, Deus prometeu a vinda de Cristo ao mundo; Ele devia vir como Filho de Deus, com poder divino. Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores (1Tm1:5), no entanto, por causa da miséria humana, operou inúmeras curas, dentre outros milagres, prodígios e maravilhas. Sua compaixão era imensa, e ainda continua; Ele continua curando por meio da Igreja.

Algumas curas realizadas por Jesus:

·         Cura do filho do Oficial (João 4:46-54).

·         Cura do paralítico de Betesda (João 5:1-9).

·         Cura da sogra de Pedro (Mt.8:14,15; Marcos 1:29-31; Lucas 4:38,39).

·         Purificação do leproso (Mt.8:2-4; Marcos 1:40-45; Lucas 5:12-16).

·         Cura do paralítico (Mt.9:2-8; Marcos 2:3-12; Lucas 5:18-26).

·         Cura da mão ressequida (Mt.12:9-13; Marcos 3:1-5; Lucas 6:6-10).

·         Cura do criado do centurião (Mt.8:5-13; Lucas 7:1-10).

·         Ressurreição do filho da viúva de Naim (Lucas 7:11-15).

·         Cura de um endemoninhado mudo (Mt.12:22 e Lucas 11:14).

·         Cura da mulher enferma (Mt.9:20-22; Marcos 5:25-34; Lucas 8:43-48).

·         Ressurreição da filha de Jairo (Mt.9:18,23-26; Mc.5:22-24, 35-43; Lc.8:41,42,49-56).

·         Cura de dois cegos (Mt.9:27-31).

·         Cura da filha da Cananéia (Mt.15:21-28; Marcos 7:24-30).

·         Cura de um surdo e gago (Marcos 7:31-37).

·         Cura do cego de Betsaida (Marcos 8:22-26).

·         Cura de um cego (João 9:1-7).

·         Cura de uma mulher enferma (Lucas 13:10-17).

·         Cura de um hidrópico (Lucas 14:1-6).

·         Cura dos leprosos (Lucas 17:11-19).

·         Cura do cego Bartimeu (Mt.20:29-34; Marcos 10:46-52; Lucas 18:35-43).

·         Restauração da orelha de Malco (Lucas 22:49-51; João 18:10).

II. A CURA DIVINA COMO PARTE DA SALVAÇÃO


A Salvação e a cura divina caminham juntas, mas a cura divina não é atestado de salvação, nem de quem ora, nem de quem recebe a cura. Não é por outro motivo que Jesus, ao encontrar-se com o ex-paralítico que ficava junto ao tanque de Betesda aconselhou o homem para que não pecasse mais, a fim de que não lhe sucedesse algo pior (João 5:14), quando, então, soube ele que quem o curara havia sido Jesus. Pelo que se verifica desta passagem elucidativa, o homem havia sido curado, mas ainda não tinha consciência de que havia sido salvo. Sua fé, até aquele instante, havia sido apenas para cura, mas, posteriormente, foi confrontado com a salvação e a necessidade de uma vida de santidade, até para que a sua saúde perdurasse. Estava no templo, demonstrando, assim, ter tido desejo de passar a adorar a Deus, mas não tinha consciência do que isto significava. Assim como Jesus fez com que ele tivesse fé para ser curado, também o orientou para que alcançasse a salvação.

De igual modo, vemos no episódio do cego de nascença, quando ele, curado e salvo, já testificava de Jesus, sem sequer saber que Ele era o Filho de Deus. Ao ser confrontado pelo Senhor com esta verdade, de pronto creu em Jesus e O adorou (João 9:38), demonstrando, assim, claramente que não só havia sido curado, como também alcançara a salvação. E é neste episódio do cego de nascença que temos, de forma bem clara, o propósito da promessa da cura divina: a manifestação das obras de Deus na pessoa do enfermo (João 9:3). O propósito da cura divina é tão somente o de confirmar a palavra da pregação (Mc.16:20; 1Ts.1:5), o de promover a glória de Deus (At.4:21), o de provar a presença de Deus no meio do Seu povo (At.10:38; 1Co.2:4,5).

1. A Salvação

A Salvação é o restabelecimento da comunhão entre Deus e o homem, o retorno à condição originalmente prevista para o ser humano, demonstrando, desta maneira, tanto a fidelidade divina, quanto a Sua misericórdia.

A palavra “Salvação” significa, em primeiro lugar, ser tirado de um perigo, livrar-se, escapar. No Antigo Testamento, vemos diversas ações de Deus em favor do seu povo - livrando-o da escravidão, da fome, das guerras e das enfermidades.

A Bíblia também fala da salvação como libertação do perigo de uma vida sem Deus (At.26:18; Cl.1:13). Segundo o Pr. Antônio Gilberto, Salvação é uma milagrosa transformação espiritual, operada na alma e na vida – no caráter – de toda pessoa que, pela fé recebe Jesus Cristo como seu único Salvador pessoal (Ef.2:8,9; 2Co.5:17; João 1:12;3:5).

Pessoalmente - isto é, em relação à pessoa -, a Salvação que Cristo realiza abrange:

- A Regeneração da pessoa, aqui e agora (Tt.3:5; 2Co.3:18).

“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo”.

“Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”.

- A Redenção do corpo do crente, no futuro (Rm.8:23; 1Co.15:44).

“E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”.

“Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual”.

 - A glorificação integral do crente, também no futuro (Cl.3:4; Ef.5:27).

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória”.

“Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”.

O desejo de Deus é que todos os seres humanos sejam salvos, mas para isso cada pessoa precisa se arrepender dos seus pecados e se converter ao Senhor Jesus (At.17:30; 1Tm.2:4).

A Salvação não se trata apenas de livramento da condenação do Inferno; a Salvação abarca todos os atos e processos redentores, bem como transformadores da parte de Deus para com o ser humano e o mundo (isto é, a criação), através de Jesus Cristo, nesta vida e na outra (Rm.13:11; Hb.7:25; 2Co.3:18).

“E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé”.

“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”.

“Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”.

2. Cura Divina

A doença e a morte física não estavam projetadas para o homem, não faziam parte do propósito divino, mas que são resultado do pecado, consequências do pecado. Assim, quando Deus apresentou o Seu plano de salvação, esta teria, necessariamente, de propiciar um mecanismo de erradicação da doença e da morte física.

A saúde do homem, portanto, é um objetivo perseguido por Deus quando do estabelecimento do plano da salvação. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29), ao tirar o pecado, haveria, também, de tirar tudo aquilo que era consequência do pecado, ou seja, a morte física e o seu corolário, que é a doença. Não é por acaso que, durante Seu ministério terreno, Jesus tenha, por inúmeras vezes, curado enfermos, como comprovação de que Seu trabalho, sobre a face da Terra, era restaurar aquele estado anterior ao pecado, um estado onde a doença simplesmente inexistia (Mt.8:16; 12:15; 14:14; 19:2; 21:14; Mc.1:34; 6:5; Lc.7:21). Na sua feliz síntese do ministério de Cristo, o apóstolo Pedro não deixou de lembrar que Jesus “…andou fazendo bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele” (At.10:38b).

3. Salvação e cura

O plano de Deus para a Salvação do homem abrange a cura das enfermidades, a erradicação da doença, o restabelecimento da saúde. Como Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb.13:8), continua a ser Aquele que deu saúde ao criado do centurião romano (Mt.8:7), que deu saúde a Enéias (At.9:34). Por isso, dentre as tarefas que o Senhor deixou à Sua Igreja, está a de curar os enfermos (Mc.16:18).

No entanto, o fato de que a saúde faz parte do plano de Deus para a salvação não significa que a doença venha a ser erradicada da vida de todo aquele que aceita a Jesus Cristo como Senhor e Salvador da sua vida. Assim como o fato de ser salvo não nos livra da morte física, consequência praticamente inevitável do pecado, e que acomete tanto os salvos quanto os ímpios, assim também não estamos imunes à doença.

O corpo humano será redimido pela obra salvadora de Cristo Jesus, mas isto não é algo que já tenha acontecido, mas algo que ainda esperamos (Rm.8:23), algo que acontecerá somente com a glorificação, estágio final do processo da salvação (1Co.15:5056), que, para a Igreja, se dará quando do arrebatamento. A morte é o último inimigo a ser vencido (1Co.15:26), algo que se dará tão somente com a destruição do sistema mundano, como nos mostra, claramente o capítulo 25 do livro do profeta Isaías.

4. Isaias 53:3,4

"Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido; Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is.53.4,5).

Isaias 53 é a provisão de Deus em Cristo para cura física e espiritual. Essa provisão foi efetivada na Cruz. A Cruz de Cristo é a mais eloquente expressão do amor de Deus por nós. Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

Você é tão especial para Deus, que ele amou você de tal maneira que deu tudo, deu a Si mesmo, deu o seu único Filho. A cruz de Cristo não foi um acidente, mas uma agenda de Deus desde a eternidade. Cristo veio para morrer. Ele foi morto desde a fundação do mundo. Ele nasceu para ser o nosso substituto, representante e fiador.

A cruz sempre esteve incrustrada no coração de Deus, sempre esteve diante dos olhos de Cristo. Ele jamais recuou da cruz. Ele marchou em direção a ela como um rei caminha para a coroação. A cruz de Cristo foi o gesto mais profundo e significativo de sacrifício. Jesus Cristo deixou a glória, o trono, esvaziou-se, tornou-se homem, servo, foi perseguido, preso, açoitado, cuspido, pregado na cruz. Sendo Deus, se fez homem; sendo Senhor, se fez servo; sendo Santo, se fez pecado; sendo Bendito, se fez maldição; sendo o Autor da vida, deu a Sua vida.

Ao profeta Isaias foi revelado esse acontecimento 700 a.C. O registro detalhado, preciso e meticuloso, que Isaias faz acerca da morte de Cristo é tão grande que nos causa espanto. Boa parte dos verbos que compõem o texto de Isaias 53 está no passado, como se Isaias estivesse vendo um ato já ocorrido, já historicizado. É grande a precisão com que ele registra e relata o sacrifício de Cristo, que é o ponto nevrálgico do Cristianismo.

Você e eu não podemos desconsiderar a grandeza e a profundidade desta verdade, porque na mente de Deus, nos decretos de Deus, o Cordeiro de Deus foi morto desde a fundação do mundo. Ele nasceu para morrer. Ele nasceu para ser o nosso substituto. Ele nasceu para ser o nosso representante, o nosso fiador. Ele nasceu para nos dar a cura de nosso corpo físico e espiritual.

Portanto, a cruz de Cristo, além de ser um fato já planejado na eternidade, expressa para você e para mim o gesto do grande amor de Deus. Se você ainda tem dúvida do amor de Deus, entenda que não há possibilidade de nós expressarmos de forma mais eloquente e mais profunda o amor de Deus por nós do que a manifestação da Cruz. Ali aconteceu o maior de todos os sacrifícios, porque o Filho de Deus deixou a glória, deixou o céu, deixou a companhia dos anjos, deixou a glória do Pai, e veio e se humilhou, se fez Servo; foi perseguido, foi preso, foi insultado, foi cuspido, foi zombado, foi escarnecido, foi pregado na cruz.

Muitas perguntas têm sido feitas ao longo da história da Igreja: Por que Jesus foi para a cruz, o que levou Jesus a cruz? Eu digo que a morte de Cristo não foi determinada por fatores circunstanciais. Cristo não foi morto porque os sacerdotes o prenderam, porque o sinédrio o sentenciou, porque Pilatos o entregou, porque os judeus o acusaram, porque Judas o traiu, porque Pedro o negou, porque os soldados o pregaram na cruz. Não. Quem levou Jesus à cruz, então?

a) Os nossos pecados levaram Jesus à cruz

 “ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades” (Is.53:5).

 “por causa da transgressão do meu povo, foi ele ferido” (Is.53:8b).

 “levou sobre si o pecado de muitos” (Is.53:12).

 “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si” (Is.53:4).

Portanto, o que matou Jesus não foram os açoites, nem os soldados, nem o suplício da cruz; fomos nós, foram os nossos pecados. Ele morreu pelos nossos pecados. Ele foi moído pelos nossos pecados. Na cruz ele sorveu o cálice da ira de Deus sobre o pecado. Na cruz Ele foi feito pecado por nós. A espada da lei caiu sobre Ele, pois era o nosso substituto.

b) O Pai levou seu Filho Jesus à cruz

 “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Is.53:6).

 “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Is.53:10).

 “e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido” (Is.53:4b).

Jesus não foi à cruz porque a multidão sanguissedenta gritou: crucifica-o, crucifica-o. Ele não foi a cruz porque os sacerdotes o entregaram, por inveja; porque Judas o traiu, por ganância; porque Pilatos o sentenciou, por covardia; e porque os soldados o pregaram na cruz, por crueldade. Não. Ele foi à cruz porque o Pai o entregou por amor.

c) Jesus, voluntariamente, foi à cruz

 “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si” (Is.53:4).

“quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado” (Is.53:10).

“O seu servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is.53:11).

O apóstolo Paulo diz que o amor de Cristo nos constrange. Ele nos amou e a si mesmo se entregou por nós (2Co.5:14).

III. A CURA DIVINA E OS DESAFIOS ATUAIS

O Senhor Jesus ainda cura hoje, mas precisamos de discernimento para saber sobre a natureza da enfermidade, se o problema é físico ou espiritual, e sobre a vontade de Deus na operação da cura.

1. As doenças

A enfermidade física é um fato incontestável, e a Escritura afirma que o primeiro motivo deste terrível mal sobre a humanidade foi a queda de Adão e Eva. O pecado é a razão pela qual o mal natural impera sobra a humanidade, todavia, nem toda enfermidade é consequência do pecado pessoal. Há debilidades físicas que são o efeito do pecado, outras procedem de causas espirituais e naturais, e algumas ocorrem de acordo com o propósito divino. Veja a seguir os diversos motivos de enfermidades, segundo as Escrituras.

Motivos

Referências

Pecado

2Cr.26:16-19; João 5:14; 9:1,2

Possessão ou influência demoníaca

Lc.13:10-12; Mt.9:33,34; 17:18-21

Permissão divina

Jó 1:10-12; 1Co.12:7-10

Causas naturais, calamidade

Mt.8:2,3; 9:18-26

Glória de Deus

João 9:2; Êx.7:3-5 (pragas)

2. As enfermidades entre os crentes

Os salvos podem adoecer? Claro que sim. Vivemos no mundo sujeito às consequências do pecado, e a terra foi maldita por causa do pecado do homem (Ex.3:17). Portanto, enquanto estivermos aqui estaremos sujeitos às doenças e à morte, todavia, quando o nosso corpo for revestido da incorruptibilidade, aí sim, gozaremos, para sempre, uma vida de plena saúde.

Mas, há ainda aqueles que insinuam em dizer que os crentes não podem adoecer, como é o caso dos “teólogos” da teologia da prosperidade. Segundo esses "teólogos", quem fica doente não está reivindicando seus direitos como filho de Deus ou não tem fé. Que falácia! Tudo isso porque as suas mensagens visam agradar o ser humano e atendê-lo em suas necessidades restritas a essa vida, como saúde, prosperidade e bem-estar.  O ensino bíblico, porém, é claro ao ensinar que muitas são as aflições do justo (Sl.34:19). Muitos durante essa pandemia que assola o mundo afirmaram essa mesma tese, e milhares deles foram dizimados pelo Covid-19.

O ser humano se desgasta, pois, o seu corpo é corruptível (2Co.4:16). Por enquanto, embora Jesus tenha poder para nos curar, segundo a sua vontade (1João 5:14; Mt.6:9,10), estamos sujeitos às enfermidades. Um dia, os salvos se revestirão de incorruptibilidade (1Co.15:54).

Os pregadores da saúde perfeita sempre exigem a cura e dizem que o Senhor cura sempre, pois a saúde é um direito do crente. Por que, então, Eliseu morreu em decorrência de uma enfermidade (2Rs.13:14)? Por que Timóteo e Trófimo não foram curados (1Tm.5:23; 2Tm.4:20)? Se a saúde é um direito do crente, por que ele fica doente? Em Salmos 41:3, está escrito: “O Senhor o sustentará no leito de enfermidade; tu renovas a sua cama na doença”.

O fato de que a saúde faz parte do plano de Deus para a salvação não significa que a doença venha a ser erradicada da vida de todo aquele que aceita a Jesus Cristo como Senhor e Salvador da sua vida. Assim como o fato de ser salvo não nos livra da morte física, consequência praticamente inevitável do pecado e que acomete tanto os salvos quanto os ímpios, assim também não estamos imunes à doença.

3. Não confundir doença com possessão maligna

Nem todas as doenças provêm do maligno. A Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres de Deus que, apesar de terem uma vida de comunhão com o Senhor, adoeceram e, por vezes, até morreram doentes, sem que esta doença significasse qualquer desvio espiritual ou pecado por parte do servo do Senhor. A propósito, o profeta que maior número de milagres fez no Antigo Testamento, Eliseu, em que repousava porção dobrada do Espírito Santo que havia estado em Elias, diz-nos as Escrituras, morreu por causa de uma doença (2Rs.13:14).

O corpo ainda não está plenamente salvo. Na cruz, Jesus garantiu a salvação de nosso espírito, alma e corpo, dando-nos direito à vida eterna e à cura das enfermidades, em seu nome (Is.53.4,5; Mc.16.18). Entretanto, quanto ao corpo, o efeito da obra salvífica ainda não se manifestou plenamente; isso porque, enquanto o espírito e a alma (o homem interior - 2Co.4:16) são salvos no momento da conversão a Cristo, o corpo ainda aguarda a completa redenção (Rm.8.23; 1Co.15:42-45,53,54). Todavia, isto não significa que não podemos ter uma vida saudável.

Um dia não haverá mais doenças nem morte (Ap.21.4), porém, enquanto estamos aqui, devemos zelar pela nossa saúde física, mental e emocional. Precisamos lembrar que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, por isso, temos de cuidar de nossa saúde por meio de uma alimentação correta, repouso adequado, exercícios físicos, jejum e oração.

CONCLUSÃO

Conscientizem-nos de que a cura divina é atual e real; ela é uma promessa dada por Deus aos que creem no Seu poder, mas cujo propósito é a glorificação do nome do Senhor. Jesus cura os enfermos, e este é um sinal de que Ele venceu a morte e o inferno, de que é o Salvador do mundo.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

O CANTICO DE ANA


 

ANA, SUA AFLIÇÃO E A GRAÇA DIVINA

 


ANA, SUA AFLIÇÃO E A GRAÇA DIVINA

1 Samuel 16

1.5 O SENHOR LHE TINHA CERRADO A MADRE. A esterilidade de Ana é atribuída diretamente à ação divina. Deus não lhe permitirá ter filhos, a fim de prepará-la para o nascimento de Samuel. Da mesma maneira, Deus pode, às vezes, permitir que tenhamos decepções ou então conduzir-nos a situações em que nos sentimos inaptos ou inferiores, para que assim Ele possa continuar a realizar a sua vontade em nossa vida. Devemos então fazer conforme fez Ana levar diretamente ao Senhor as nossas circunstâncias e nossas mágoas, e esperar nele (vv. 10-19; ver Rm 8.28).

 

1.11 UM FILHO... AO SENHOR O DAREI. Ana demonstrou sua dedicação ao Senhor, pela sua disposição de dedicar seu filho à obra do Senhor. Os pais crentes de hoje também podem expressar sua dedicação a Deus e à sua obra, dedicando seus filhos e filhas ao ministério ou à obra missionária em outros países. Pais que apoiam, incentivam e oram por seus filhos desfrutarão grandemente do favor de Deus.

 

1.11 SOBRE A SUA CABEÇA NÃO PASSARÁ NAVALHA. Não cortar o cabelo fazia parte do voto de nazireado (ver Nm 6.5,14).

 

1.20 TEVE UM FILHO... SAMUEL. Embora este livro, na sua maior parte, trate da transição, na história de Israel, do período dos juízes para o da monarquia, seus oito primeiros caps. ocupam-se do nascimento, infância e liderança profética de Samuel, o último juiz de Israel. Esse profeta de Deus antecedeu a instituição do reino em Israel, cujo rei devia permanecer submisso à Palavra de Deus e ao seu Espírito, manifestos em Samuel (11.14-12.25). Através da Bíblia, o profeta, como representante de Deus em Israel, tinha precedência sobre o rei e todos os demais cargos (cf. Ml 4.5,6; Lc 7.24-28).

 

1.28 AO SENHOR EU O ENTREGUEI. Ana deve ser reconhecida como exemplo da mãe segundo a vontade de Deus. Desde o primeiro momento em que desejou ter um filho, ela, decididamente e em oração, o apresentava diante do Senhor (vv. 10-28). Ela considerava seu filho uma dádiva graciosa da parte de Deus, e expressou sua intenção de cumprir seu voto, entregando seu filho ao Senhor (vv. 11,24-28)

 

2.1 ENTÃO, OROU ANA. O cântico profético de Ana exalta o cuidado providencial de Deus para com os que lhe são fiéis (v. 9; cf. o cântico de Maria em Lc 1.46-55). Ana se regozijou, também, na salvação do Senhor e na sua santidade, e porque somente Ele é Deus (v. 2). Todos os crentes no Senhor Jesus Cristo devem Nele confiar quanto ao seu plano para nossa vida. Tudo quanto Ele permitir que ocorra em nossa vida, devemos pôr diante dele em oração, tendo plena confiança de que nada poderá nos separar do seu amor, e que, por fim, Ele fará resultar em bem tudo quanto ocorrer conosco (Rm 8.28,31-39).

 

 A ORAÇÃO DE ANA (PARTE I)

Ana mostra que pela oração é possível ter a solução para problemas ou necessidades que, aos nossos olhos, por nós mesmos, seria impossível alcançar. Quanto benefício podemos realizar quando nos aproximamos do Pai Celeste em intercessão! E quanto amor fluirá de nós, espalhando-se ao nosso derredor, se estivermos em maior comunhão com o Senhor de nossas vidas! “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e me buscar… então eu ouvirei dos céus… Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos, à oração que se fizer neste lugar” (II Crônicas 7.14-15). Oração, amor e boas obras devem caminhar juntos ao longo de nossa vida em CRISTO. Ana fez um voto de entregar a DEUS o filho que estava Lhe pedindo.

Ana, nome que significa “graça”, era esposa de Elcana, que pertencia à tribo sacerdotal de Levi, e que, dentro dessa tribo, era membro do clã dos coatitas (descendentes de Coate, homem a quem DEUS dera, nos dias da peregrinação no deserto, o especial encargo de, juntamente com sua família, de transportar a arca, móveis e utensílios do santuário do Tabernáculo nas ocasiões em que o povo se transferisse de um acampamento para outro (Números 3.29-31). Pelo motivo de Ana ser estéril, Elcana tomou uma segunda esposa, chamada Penina (“pérola”) – Notemos que Gênesis 2.24 mostra que DEUS, ao criar o homem, criou uma só mulher para formar com o homem a unidade do matrimônio. Mas, a lei Deuteronômica, vinda mais tarde pela mão dos sacerdotes, visando solucionar problemas presentes entre o povo, permitiu um segundo casamento, caso a primeira esposa fosse estéril. Lembremos que a procriação era vista em Israel como uma bênção especial de DEUS para a mulher; a falta de filhos era como uma maldição (Deuteronômio 21.15-17). Certamente foi esse o motivo que levou os sacerdotes a formularem esta possibilidade. Mas, nós, hoje, devemos lembrar a palavra de JESUS: “entretanto não foi assim desde o princípio” (Mateus 19.8).

Ana era frequentemente perturbada pela zombaria vinda da sua rival, que era fecunda. Assim, ela sofria esta situação de esterilidade. Embora tivesse o consolo do seu esposo, de quem sempre ouvia a expressão: “Não te sou melhor do que dez filhos?” (I Samuel 1.8). 
⁶ E a sua rival excessivamente a provocava, para a irritar; porque o Senhor lhe tinha cerrado a madre. ⁷ E assim fazia ele de ano em ano. Sempre que Ana subia à casa do Senhor, a outra a irritava; por isso chorava, e não comia.  1 Samuel 1:6,7


Ana sofria por não poder dar ao seu esposo um filho, pois na falta de um descendente o nome da família se perderia. Como toda a israelita piedosa, ela também sabia que, sendo estéril, perderia a oportunidade de ser a escolhida por DEUS para ser a mãe do esperado Messias. Mas Ana tinha seus olhos voltados para o Alto. Ela sabia que se pedisse ao Senhor isto lhe seria dado, se buscasse encontraria, se batesse lhe seria aberto. E amava o Senhor, que poderia fazer isso em seu favor. Confiava nele como o único que poderia socorrê-la e consolá-la.

Como uma família israelita, fiel às suas tradições religiosas, eles peregrinavam a Siló por ocasião das festas anuais. Nestas ocasiões, em especial, sua rixosa e provocadora rival desdenhava ainda mais de Ana. Em lugar de desesperar- se, Ana apressou-se em buscar socorro na presença do Senhor. Foi ao tabernáculo e “com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente” (I Samuel 1.10). Que imensa riqueza há em sabermos que, mesmo as circunstâncias externas desfavoráveis. a perseverança nos levará a alcançar o que buscamos!

Momentos com este em que Ana se encontrava são propícios para o ESPÍRITO de DEUS agir em nós. Como ele quer nos levar à maturidade espiritual! Ele usará estes momentos para trabalhar em nós. É a hora para limpar do nosso coração as amarguras e pesares; de colocar o ego fora do centro do nosso ser e em seu lugar entronizar o único que sempre deveria aí estar. É o momento de sermos levados pelo ESPÍRITO a lançar fora muitas coisas que precisam deixar de ocupar lugar em nossa mente; hora de fazer aflorar tudo que estava oculto, lá no íntimo, ferindo, agitando e machucando a alma, e então desfazermo-nos disso para sempre. É a hora em que DEUS trata com o nosso orgulho, leva-nos desistir de lutarmos por nossos direitos, fazendo com que nos rendamos inteiramente a ele. Assim estaremos prontos para, também, desfazermo-nos dos ressentimentos e deixarmos aflorar a disposição de perdoar os que nos magoaram e deixar-nos inundar com o amor daquele que é Amor.

Ana e tantos outros passaram por essa situação de “em agonia de alma” e souberam usar o recurso sempre presente da oração, encontrando guarida nos braços do bom Pai. Ana, agora, não amarra ainda mais as cargas em seus ombros; orando, as lança sobre aquele que pode tomá-las e levá-las para longe dali! Alguém disse que Ana suspirava por um filho assim como o poeta suspira por seus versos! Mas nesse suspiro ela é humilde, isto é demonstrado pela repetição que ela faz da palavra “serva”. Ela sabe colocar-se inteiramente submissa e dependente do Senhor.

Também Ana conhece a força do perseverar na oração. Aí está ela, prostrada, clamando ao Senhor, reconhecendo que só poderá colher o fruto que almeja através de uma vida inteiramente rendida. Em sua humildade, sabe que ela não é nada, mas que aquele a quem ora pode fazer muito mais do que aquilo que ela pede. Sabe que a oração autêntica é aquela que parte de um coração que fala diretamente ao coração do Pai.

 

A ORAÇÃO DE ANA (PARTE II)

Depois das muitas lágrimas e da fervente oração, ocorre a Ana fazer um ato extremamente ousado, um voto ao Senhor: “Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha” (I Samuel 1.11).

Usando um elemento importante a quem ora, foi específica: pede um filho varão! Assim deve ser toda petição, bem clara, bem definida. DEUS não é DEUS de generalidades, ele espera que o pedido feito seja exatamente aquilo que queremos alcançar. A estéril quer um filho! É exatamente isso que ela está pedindo! Ela quer ser contada com as mulheres abençoadas com a graça da maternidade.

Mas Ana vai mais além, pede um filho para dedicá-lo totalmente ao Senhor. E isso seria “por todo os dias de sua vida”. Por nascimento o menino seria um levita, mas pelo voto de Ana ele seria mais do que isso, seria um nazireu. (Nota: O voto de nazireu é uma especial consagração a DEUS que alguém faz espontaneamente. Isso lhe exigirá abstenção de vinho ou bebida alcoólica, não podia comer uva fresca ou seca; não cortaria o cabelo e se preservaria da contaminação cerimonial, como não tocar em um cadáver. Isso durante um período que determinasse, ou por toda a vida). Ana determinara: “por todos os dias de sua vida”. Segundo Números 30.10-12, Elcana, seu marido, poderia anular este voto. Mas ele não contrariou o que a sua esposa consagrara. Ele a amava e sabia o valor de decisões tomadas por uma pessoa inteiramente temente a DEUS.

Ana mostra-se perseverante: “demorando-se ela no orar perante o Senhor” (I Samuel 1.12). Esta também é uma advertência apostólica sobre a oração que devemos acatar: “não se interrompam as vossas orações” (I Pedro 3.7), “na oração, perseverantes” (Romanos 12.12). Se nós queremos receber o “amém” de DEUS à nossa súplica, é diante dele que devemos permanecer. Se DEUS tem tempo para nós, muito mais nós devemos ter tempo para ele. Lembremos da declaração de Lutero: “Se o meu trabalho se avoluma, redobro meu tempo de oração”!

Concluído o voto, tudo passa a ser calmo na alma de Ana. Sempre que o problema é deixado nas mãos do Senhor, segue-se a bonança do Espírito! “Porquanto Ana só no coração falava; seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma” (Samuel 1.13). A certeza de ser ouvida pelo Pai dispensa qualquer outra palavra! Assentado junto ao pilar do lugar dedicado ao culto ao Senhor, estava Eli, o sacerdote. Dali ele via Ana e observava a maneira estranha como ela orava. Imagina que ela está embriagada e, ao dirigir-se a ela, pergunta: “Até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti esse vinho”. Ah! Quantas ocasiões a embriaguez com o ESPÍRITO SANTO tem levado as pessoas a pensarem da forma como o sacerdote o fez. No dia de Pentecostes, em Jerusalém, alguns pensaram, também, dessa mesma forma. Interessante o que ocorreu com Ana: um pouco antes, seu esposo a advertiu para comer e beber, agora o sacerdote a repreende-a como se ela tivesse bebido até embriagar-se. O choro de quem quer um filho a qualquer preço não pode mesmo ser um choro qualquer. 

A resposta de Ana ao sacerdote é a mais significativa que encontramos nesta parte do texto: “venho derramando a minha alma perante o Senhor” (I Samuel 1.15). Quantas vezes temos feito isso? O salmista aconselha que assim façamos: “confiai nele em todo o tempo; derramai perante ele o vosso coração; DEUS é o nosso refúgio! (Salmo 62.8). A palavra do sacerdote dirigida a Ana:” Vai-te em paz”, soa-lhe como uma bênção, pois é pronunciada por aquele que é a sua autoridade espiritual. Ana se retira sabendo que a sua súplica foi ouvida. O texto assim atesta: “e o seu semblante já não era triste” (i Samuel 1.18).

A apropriação do fato que DEUS responderá à oração feita é um elemento importante, pois com ela declaramos nossa total confiança naquele a quem pedimos – “De fato, sem fé é impossível agradar a DEUS, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de DEUS creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11.6).

 

 O NASCIMENTO DE UM LÍDER PROFÉTICO EM ISRAEL -


TEXTO BÍBLICO:1Samuel 1:20-28

1Samuel 1:20-28

20-E sucedeu que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao SENHOR.

21-E subiu aquele homem Elcana, com toda a sua casa, a sacrificar ao SENHOR o sacrifício anual e a cumprir o seu voto.

22-Porém Ana não subiu, mas disse a seu marido: Quando o menino for desmamado, então, o levarei, para que apareça perante o SENHOR e lá fique para sempre.

23-E Elcana, seu marido, lhe disse: Faze o que bem te parecer a teus olhos; fica até que o desmames; tão-somente confirme o SENHOR a sua palavra. Assim, ficou a mulher e deu leite a seu filho, até que o desmamou.

24-E, havendo-o desmamado, o levou consigo, com três bezerros e um efa de farinha e um odre de vinho, e o trouxe à Casa do SENHOR, a Siló. E era o menino ainda muito criança.

25-E degolaram um bezerro e assim trouxeram o menino a Eli.

26-E disse ela: Ah! Meu senhor, viva a tua alma, meu senhor; eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, para orar ao SENHOR.

27-Por este menino orava eu; e o SENHOR me concedeu a minha petição que eu lhe tinha pedido.

28-Pelo que também ao SENHOR eu o entreguei, por todos os dias que viver; pois ao SENHOR foi pedido. E ele adorou ali ao SENHOR.

INTRODUÇÃO

Em 1Samuel, capítulo primeiro, é narrada a história do nascimento de Samuel, que contrariou a lógica humana, pois sua mãe era estéril; foi um grande marco na história de Israel. Samuel tornou-se um grande líder e foi um instrumento comprometido com Deus para fazer a vontade divina. Sua mãe chama-se Ana, uma mulher humilde e piedosa, que amava o Senhor, porém, era estéril. Ana é com certeza um exemplo de fé e perseverança; uma mulher que não se acostumou com a situação de esterilidade. Mesmo diante das dificuldades causadas por Penina, a outra esposa de Elcana, e a incompreensão do marido e do sacerdote Eli, Ana permaneceu crendo e esperando no agir de Deus. A fé de Ana é recompensada de maneira maravilhosa. Ela fez um voto ao Senhor Deus, e Ele atendeu o seu desejo: ela gerou um filho e o seu nome foi Samuel. No tempo determinado, Ana levou o menino ao Templo e o consagrou ao Senhor Deus, tal como havia prometido em seu voto. Antes de entregar Samuel ao sacerdote Eli, ela conta seu testemunho e os fundamentos do voto que fez. Juntamente com uma generosa oferta, ela entrega o menino ao Senhor, que fica aos cuidados do sumo sacerdote Eli. Tal como havia dito, Ana fez. Cumprir votos que fazemos ao Senhor é fundamental na nossa intimidade com Deus. Que sejamos fiéis naquilo que lhe prometemos.

I. O AMBIENTE FAMILIAR DE SAMUEL


1. O local de nascimento de Samuel

O texto sagrado é bem claro sobre a localidade do nascimento dos pais de Samuel, subentendendo que ele tenha nascido ali também.

“Houve um homem de Ramataim-Zofim, da montanha de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efrateu” (1Sm.1:1).

Portanto, Samuel nasceu num local chamado “Ramataim-Sofim”, que em hebraica significa “vigilante em dupla altura” ou “cumes gêmeos de Zofim”.

Por que dar ênfase à localização do nascimento de Samuel? Com bem diz o Pr. Oziel Gomes, situar, geograficamente, Samuel dentro de uma localidade, especificando a residência de seus pais, é evidenciar aos leitores do texto sagrado que esse homem não vai aparecer nas páginas da Bíblia como uma pessoa qualquer, mas que tem uma família, um local certo de nascimento.

Neste particular, vemos que Jesus, por diversas vezes, é apresentado como tendo uma residência (João 1:39). Paulo procurou com denodo esclarecer sua origem familiar, localidade de seu nascimento e formação, uma prova de que ele não era um intruso, alguém sem princípio, sem origem (At.22;3 - ARA).

Um detalhe importante pode ser dito sobre essa localidade: ela seria o lugar permanente de Samuel (1Sm.7:17); nela ele nasceu, morreu e foi sepultado (1Sm.25:1). Vale dizer que somente aqui, 1Sm.1:1, é que aparece a completude dessa localidade, sendo que em outras passagens bíblicas vem apenas o primeiro nome: Ramá. Assim, pode-se crer que Zofim vem primeiro para fazer distinção entre outras regiões que também eram denominadas de Ramá, que quer dizer cume.

Ramataim-Zofim estava situada na região montanhosa de Efraim, distando ao norte de Jerusalém aproximadamente 24 quilômetros. Para o escritor e historiador Flávio Josefo, esse lugar poderia ser também a cidade em que José de Arimateia nasceu (João 19:38).

Portanto, podemos dizer que Elcana era da tribo de Levi, descendente de coate, mas não da linhagem de Arão (1Cr.6:26,33), porém estava habitando na terra de Efraim. Talvez possa parecer um pouco estranho Elcana habitar em território efraimita, porém, isso não era algo anormal, incomum, porque os levitas não tinham as tribos locais definidas, de maneira que podiam habitar nas cidades que pertenciam às tribos, pois fora dito pelo Senhor que eles não teriam herança (Dt.18:1,2).

O texto sagrado afirma que as famílias descendentes de coate foram beneficiadas com algumas cidades, entre as quais localizadas geograficamente nos territórios da tribo de Efraim (ver Josué 21:5 e 1Crônicas 6:66). 

“E aos outros filhos de Coate caíram por sorte, das famílias da tribo de Efraim, e da tribo de Dã, e da meia tribo de Manassés, dez cidades” (Js.21:5).

“E, quanto ao mais das famílias dos filhos de Coate, as cidades do seu termo se lhes deram da tribo de Efraim” (1Cr.6:66).

Portanto, Elcana era um levita, mas efraimita somente por causa de sua residência, por autorização da própria Lei mosaica.

Samuel atuou como sacerdote porque era de origem levita também. Como bem diz o Pr. Oziel Gomes, Samuel não foi somente um profeta, sacerdote e juiz, mas alguém que teve origem, boa formação familiar e espiritual, que desde cedo aprendeu a estar na casa do Senhor, por incentivo de seus pais, e, sob a tutela de Eli, aprendeu a servir como servo de Deus.

Vale salientar que é fundamental um líder ter histórico e história, pois isso irá contribuir grandemente para sua formação pastoral. Grandes líderes não surgem em seminários de renome, em grandes universidades, como Harvard, Cambridge, que têm seus valores, mas num lar cristão e piedoso, e essa ideia é paulina (1Tm.3:4) “que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia”.

Um líder pode ter boa desenvoltura, retórica, uma erudição teológica grandiosa, mas não é um grande profeta de Deus para as nações quando não está presente nele uma boa formação espiritual oriunda de seus pais, do seu ambiente familiar, de sua Igreja Local.

Samuel teve grandes privilégios: uma mãe piedosa, que procurava criar em sua mente e coração o desejo de ser um instrumento nas mãos de Deus; um sacerdote para lhe ensinar como se dirigir perante Deus quando Ele chamar. Tudo isso esteve presente na sua vida, razão pela qual veio a ser tudo o que foi para Israel.

2. A Bigamia presente

O primeiro Livro de Samuel começa narrando que Elcana tinha duas mulheres - Ana (que significa graça) e Penina (que significa pérola) -, possivelmente por causa da esterilidade de Ana; mas, tal desculpa não convence, pois ele deveria ter entregado tudo ao Senhor, como fez Ana, e logo depois o problema estaria resolvido, como foi.

Como todo registro histórico fiel, a Bíblia relata a prática da poligamia, mas em nenhum momento a aprova. A exemplo de Lia e Raquel, uma esposa era fértil e a outra estéril. Havia rivalidade no lar, pois apesar de não ter filhos, seu marido a amava.

Sabemos com base na leitura dos relatos patriarcais em Gênesis que a poligamia dá origem a conflitos domésticos, especialmente quando uma das esposas é estéril. O mesmo aconteceu na casa de Elcana. O texto de 1Smauel 1:6 identifica Penina como rival de Ana, pois ela ridicularizava a condição de Ana a ponto de esta chorar e recusar-se a comer (1Sm.1:7).

“E a sua competidora excessivamente a irritava para a embravecer, porquanto o SENHOR lhe tinha cerrado a madre. E assim o fazia ele de ano em ano; quando ela subia à Casa do SENHOR, assim a outra a irritava; pelo que chorava e não comia” (1Sm.1:6,7).

De ano em ano, a família ia a Siló para celebrar as festas, e Ana recebia porção dupla do sacrifício pacífico (1Sm.1:3-5). Essa predileção fazia Penina provocá-la ainda mais para a irritar. Cada vez mais magoada e desesperada com a provocação de Penina, Ana apresentou o seu problema ao Senhor no Templo.

Inúmeros eram os problemas que surgiam num lar onde existia a poligamia, como se observa o ocorrido com as mulheres de Elcana. Pela poligamia, as mulheres tomadas não passavam simplesmente de amantes, o que é chamado de concubinato; elas serviam apenas como objeto para o sexo e a procriação.

Ter várias esposas era permitida pela Lei de Moisés (Dt.21:15), mas tanto a poligamia - um homem ter mais de uma mulher -, quanto a poliandria - uma mulher ter mais de um marido -, estão em desacordo com o ensino das Escrituras Sagradas para o casamento (cf. Dt.28:54,56; Sl.128:3; Pv.5:15-21; Ml.2:14).

Elcana seguiu um modelo que não era aprovado por Deus, nos quais andaram Jacó, Gideão, Saul, Davi, Salomão, Roboão, dentre outros; porém, essa prática foi condenada por Jesus e pelo apóstolo Paulo. Jesus, em Sua resposta aos fariseus, quando estes lhe interrogaram acerca do divórcio, foi clarividente que Deus criou o casamento monogâmico. Ele disse: “Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher...” (Mt.19:5). Ele não disse: “suas mulheres”, e sim, “sua mulher”. A resposta do Senhor remonta às origens do casamento e da própria criação (cf. Gn.2:24).

Paulo, ao mencionar as qualificações do presbítero, adverte: “É necessário, portanto, que o bispo seja (...) esposo de uma só mulher...” (1Tm.3:2). O diácono também deve ser “marido de uma só mulher” (1Tm 3:12). Portanto, a liderança eclesiástica deve ser o exemplo dos fiéis em tudo, e esse exemplo inclui o casamento bíblico (1Tm.4:12).

Lameque foi o primeiro a rejeitar o princípio do casamento monogâmico, ordenado por Deus (Gn.2:22-24) – “E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá” (Gn.4:19). A partir daí a depravação hereditária se alastrou progressivamente no lar e na família.

Deus tolerou a poligamia, mas nunca a aprovou, por ser prática estranha ao seu projeto para a constituição da família.

3. Uma família piedosa

Pessoa piedosa é aquela que tem uma vida santa, de oração e consagração. Só pode ser justo aquele que é piedoso. Por isto, não temos como ser justos e ímpios, ao mesmo tempo. Piedoso é alguém cuidadoso em relação a Deus. Piedoso é quem leva Deus a sério.

Portanto, ser piedoso é ser temente a Deus. Ser piedoso é estar atento às manifestações de Deus em nossas vidas. Só as pessoas piedosas veem os atos poderosos de Deus. Ser piedoso é ser íntimo de Deus.

Quando somos íntimos de Deus, os frutos de justiça brotam de nós naturalmente.

Quando somos íntimos de Deus, sua Palavra flui de nós sem que façamos força.

Quando somos íntimos de Deus, todos ao nosso redor veem a luz que nós projetamos.

Apesar da porfia e a inveja terem espaço suficientes para suscitar conflitos de relacionamentos, há um fator que merece destaque na família de Elcana: a sua família demonstrava ser piedosa, ou seja, cumpria com os compromissos espirituais a serem observadas, conforme os mandamentos veterotestamentários.

A piedade era vista nessa família através da oração e do sacrifício que prestava a Deus. O texto sagrado afirma que ele saía da sua cidade todos os anos a adorar e a sacrificar ao Senhor dos Exércitos, em Siló (1Sm.1:3). Com essa ação, eles faziam oposição ao sistema idolátrico que estava estabilizado naquela época. Nos dias de Eli, além dos pecados de seus filhos, muitos já não subiam a Siló para adorar ao Deus verdadeiro, mas adoravam e praticavam sacrifícios ao ídolo de Mica (Jz.12:17); porém, Elcana e sua casa continuavam servindo ao Senhor com verdade e sinceridade. A maneira de Ana se comportar no momento da oração, no Tabernáculo, pedindo um filho ao Senhor é uma prova cabal de que ela era uma mulher piedosa.

É bom ressaltar que nem toda pessoa radicalmente religiosa é considerada uma pessoa piedosa.

-Veja os exemplos dos filhos de Eli, Hofni e Finéias; eles eram considerados “os sacerdotes do SENHOR” (1Sm.1:3), que cumpriam os deveres litúrgicos, porém eram considerados filhos de Belial (1Sm.2:12); “eram sacerdotes do Senhor”, mas, “não conheciam ao Senhor”; eram pecadores explícitos (1Sm.2:22a) e faziam “transgredir todo o povo do Senhor” (1Sm.2:24). Diz o texto sagrado que eles “se deitavam com as mulheres que em bandos se ajuntavam à porta da tenda da congregação” (1Sm.2:22).

-Veja os filhos de Samuel, homem de Deus. Eles eram juízes sobre o povo de Deus, mas eram corruptos. Diz o texto sagrado: “seus filhos não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinaram à avareza, e tomaram presentes, e perverteram o juízo” 1Sm.8:3).

Religiosidade aparente não agrada a Deus, e sim um coração puro voltado a uma adoração por excelência ao Senhor. Quando há uma sincera adoração ao Senhor, a sua presença é real. Jesus disse: "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt.18:20).

“Estamos vivenciando um mundo cada vez mais comprometido com o pecado, famílias sendo atacadas pelos modismos e ensinos pós-modernos pouco edificantes. Todavia, aquelas que são verdadeiramente firmadas na aliança com o Senhor não serão abaladas e, ainda que tenham as imperfeições humanas, poderão fomentar o poder do Senhor dos exércitos nesta terra, pois, como falou Paulo, somos seus soldados, e nenhum soldado em combate se envolve com negócios desta vida (2Tm.2:4)” (Pr. Oziel Gomes).

II. SAMUEL: FRUTO DE ORAÇÃO- 


1. A Humildade de Ana

Ana era estéril, e ser estéril naquela época era motivo de zombaria e desprezo, era algo estarrecedor, uma vergonha (1Sm.1:5-7). Não era fácil para Ana, pois, não gerando filhos, dela não poderia haver um substituto para Elcana; através dela seu nome não seria perpetuado. Outro agravante é que, naquela época, uma mulher não ter filho era como se fosse amaldiçoada por Deus.

Além disso, Ana compartilhava seu marido com uma mulher que a ridicularizava (1Sm.1:7). 1Samuel 1:6 mostra a provocação de Penina contra ela, detratando-a negativamente por não ter filhos. Diante dessa situação, Ana tinha bons motivos para se sentir desencorajada e amargurada.

Seu excelente esposo não podia resolver seus problemas (1Sm1:8), e até o sumo sacerdote Eli confundiu seus motivos (1Sm.1:14). Mas, ao invés de retaliar ou perder as esperanças, Ana não deixava de ir à Siló festejar e adorar ao Senhor. Ainda que carregasse o estigma de estéril, ela estava ali.

Ao invés de revidar as provocações de Penina, Ana foi à Casa do Senhor orar; ali ela apresentou o seu problema diante de Deus e confiou nele. Apesar de toda essa situação, Ana jamais atacou sua rival, seu marido, ou até mesmo o sacerdote, e isso prova o quanto ela era humilde, pois procurou enclausurar-se naquele momento de dor indo direto aos pés do Senhor.

É difícil orar com fé quando nos sentimos tão ineficazes. Mas, como Ana descobriu, as orações abrem caminho para que Deus possa trabalhar (1Sm.1:19,20). Tiago e Pedro falaram da importância de nos humilharmos na presença do Senhor, para que, no tempo certo, sejamos exaltados (Tg.4:10; 1Pd.5:6).

2. Ana e sua amargura de alma (1Sm.1:10)

“Ela, pois, com amargura de alma, orou ao SENHOR e chorou abundantemente”.

Neste texto, o termo “amargura da alma” ou “angústia profunda” (ARA) indica depressão profunda e angústia emocional (Jó 3:20-22; 10:1; Pv.31:6,7; Ez.27:31). As palavras da própria Ana dão testemunho de seu sofrimento intenso. Ela fala de sua “miséria” (1Sm.1:11) e “grande angústia e aflição” (1Sm1:16); descreve a si mesma como “profundamente conturbada” (1Sm.1:15).

Caso alguém esteja dominado por este sentimento, e não seja logo tratado, pode representar um risco fatal, pois, quando alguém é dominado por ele, os resultados são desastrosos, já que passa a estar contaminado pelo sentimento de rancor, ódio; seu coração fica envenenado, de modo que não pode produzir nada de bom.

Como diz o Pr. Oziel Gomes, uma pessoa amargurada jamais olha para os outros com bons olhos, antes, na sua visão, nada presta, seu emocional é estressante, suas memórias são sempre pungentes. Em resumo, dizemos que uma pessoa amargurada não tem prazer com a vida e busca estragar a vida dos outros.

A Bíblia fala de duas noras que tornaram a vida de Isaque e Rebeca uma amargura; seus nomes: Judite e Basemate (Gn.26:34) - “E estas foram para Isaque e Rebeca uma amargura de espírito” (Gn.26:35). Elas tornaram a vida desse casal, sem brilho, sem vida, sem alegria, sem encanto, pois pessoas amarguradas são como vírus letais, que saem disseminando sua doença.

Paulo diz que devemos manter longe de nós toda amargura (Ef.4:31), inclusive afirma que os maridos não devem tratar suas esposas com amargura (Cl.3:19).

O escritor aos Hebreus adverte que em nós não deve existir raiz de amargura (Hb.12:15). Quando ele diz isto, possivelmente, ele tinha consciência do que esse mal pode causar, pois pessoas amarguradas são como viventes mortos, como soda cáustica; têm no seu interior feridas incuráveis, as quais resultaram de traumas da vida, de amor não correspondido, de tratamento ignorante, de abusos, de violência.

Ana estava profundamente amargurada, por causa de sua esterilidade e também por causa das provocações maldosas de sua rival, mas ela se comportou como uma serva de Deus e soube colocar seus ressentimentos, suas amarguras, no lugar certo: perante o Senhor. Ele não deixou que esse sentimento a corroesse por dentro. Ana sabia que tudo poderia ser resolvido através do Senhor, por isso o texto diz: “[...] orou ao Senhor e chorou abundantemente” (1Sm.1:10).

Diante de sua amargura de alma, Ana fez duas coisas importantes: demorou-se em sua oração e só movimentava os lábios, orando com o coração, razão pela qual Eli a teve como embriagada.

Eli era um homem experiente e, através do tempo de ministério, pôde contemplar todo tipo de pessoa fazendo oração no Tabernáculo. Como de praxe, alguns judeus oram em alta voz, mas aqui duas coisas o incomodavam: a oração silenciosa e sua demora no pedido. Não sabia ele que essa mulher estava clamando pela vinda do homem que iria fazer toda a diferença em Israel, o seu filho Samuel.

Ao enfatizar o sofrimento de Ana, o narrador prepara o cenário para a intervenção do Senhor. Ele proveu para Ana e lhe concedeu o que desejava o seu coração. O Senhor não é indiferente à dor e à opressão dos necessitados; atenta para eles e os levanta de sua aflição (1Sm.2:7,8).

“O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó e, desde o esterco, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo” (1Sm.2:7,8).

Concordo com o pr. Oziel Gomes quando diz que o endereço certo para derramarmos nossas lágrimas, nossos gemidos e gritos é aos pés de Deus, pois somente Ele entende o que é de fato a amargura de alma.

Todos nós podemos correr o risco de estar amargurados, mas não podemos deixar que isso nos domine, pois o que deve permear o nosso ser é o fruto do Espírito (Gl.5:22), a saber, amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, mansidão, temperança.

3. O pedido de Ana (1Sm.1:11)

 “E votou um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, mas à tua serva deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha”.

Ana em desespero por causa de sua esterilidade se volta ao Senhor em oração. Ela se dirige ao Senhor por meio do seguinte título: “Senhor dos Exércitos”, termo que ressalta a soberania de Deus. Ela imaginava o Senhor entronizado acima dos querubins da Arca da Aliança, o símbolo terreno de Seu trono celeste (1Sm.4:4; 2Sm.6:2). Faz sentido que tenha se dirigido ao Senhor dessa forma em Siló, pois “a Arca de Deus” estava nesse local (cf.1Sm.4:3).

O desejo prioritário de Ana era ser mãe, e ela foi bem específica no seu pedido – “Se....à tua serva deres um filho varão...”. Nada substituiria esse desejo, nem mesmo as maiores riquezas materiais. Para ela o seu maior patrimônio seriam filhos. Ana orou sincera, especifica e sacrificialmente. Não retrocedeu no seu pedido, mesmo quando repreendida pelo sacerdote incompreensivo.

Ana desejava tanto ter um filho que estava disposta a negociar com o Senhor. Deus levou a sério a sua promessa e atendeu a sua oração. Ao sair do Tabernáculo, ela creu que a sua oração tinha sido ouvida, por isso de imediato fez três coisas: seguiu o seu caminho; alimentou-se; e manifestou grande jubilo (1Sm.1:18). Essa nova postura de Ana declarou sua confiança plena em Deus e a certeza de que a bênção era certa, pois ela cria que Deus tinha ouvido suas orações.

O Senhor tirou a esterilidade de Ana e ela teve um filho. Samuel nasceu, e quando foi desmamado, Ana cumpriu o seu voto, por mais dolorosa que pudesse ser aquela atitude (1Sm.1:27,28). Ela poderia ter tido muitas desculpas para ser uma mãe possessiva, mas quando o Senhor respondeu sua oração, Ana cumpriu sua promessa de dedicar Samuel à obra de Deus. Ela estava ciente de que tudo o que temos e recebemos é um empréstimo de Deus.

Jamais devemos ter em mente que Ana estivesse barganhando com Deus, ou seja, o seu pedido não deve ser considerado uma troca, ou algo egoísta; antes, seu desejo era puro, verdadeiro e visava à glória de Deus. Ela queria ser mãe e pede um filho para o consagrar inteiramente à obra de Deus. O pedido de Ana estava dentro dos propósitos divinos, em momento algum ela pediu algo para contrapor com sua rival, para ter um menino apenas para ela, mas dedicaria a Deus.

Embora não estejamos em posição para negociar com Deus, Ele ainda responde uma oração de um coração contrito acompanhada de um voto. Ao orar, pergunte a si mesmo: “eu cumprirei o meu voto feito ao Senhor, caso Ele atenda ao meu pedido?”.

Precisamos ser cuidadosos com o que prometemos em oração porque Deus pode cobrar. É desonesto e perigoso ignorar uma promessa, um voto, especialmente feito a Deus. Ele cumpre a Sua palavra e espera que cumpramos o que prometemos a Ele.

III. A DEDICAÇÃO DE SAMUEL

1. O nascimento de Samuel (1Sm.1:20)

“E sucedeu que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao SENHOR”.

Após as festividades, Elcana e sua família retornaram à sua cidade, e coabitou com Ana, e nela foi gerada uma criança, cumprindo assim a vontade de Deus em atender ao pedido de Ana. Imagine o momento em que Ana percebeu que estava grávida! Deve ter sido uma alegria sem par.

Ao nascer o menino, Ana deu a ele o nome de Samuel, que significa “ouvido por Deus”. Como recebera o menino em resposta à sua oração, Ana procurou por um nome que revelasse o caráter divino.

O nascimento de Samuel foi humano, mas tudo se processou pela ação divina; assim, sendo a criança do sexo masculino, Ana queria dar a ela um nome que fizesse jus a todo o acontecimento, que apresentasse um menino que veio de Deus por meio da oração. Ela quis louvar a fidelidade de Deus ao atender a sua oração. Onde quer que Samuel fosse e o que ele fizesse, seu nome daria testemunho de uma grande e importante verdade sobre Deus: Sua fidelidade; Ele se importa com os seus filhos; Ele ouve a oração de seus filhos. Samuel seria um exemplo vivo de que quando o povo de Deus pede humildemente, o Senhor ouve e responde com misericórdia e graça.

Ao olharmos para o nascimento de Samuel, devemos nos conscientizar de que, quando alguém entrega a Deus os seus problemas, tendo ciência de que Ele é o Senhor dos exércitos, que ouve as orações, agirá primeiramente tratando com nós mesmos, como fez com Ana, fazendo com que seu semblante não fosse mais o mesmo e gerando a certeza de que todos quantos se entregam confiantemente nas mãos de Deus, milagres acontecem. Vale a pena nos submetermos em oração ao Senhor, agradar-lhe, e Ele concederá o que deseja o nosso coração. Afirma o salmista:

“Os olhos do SENHOR estão sobre os justos; e os seus ouvidos, atentos ao seu clamor. A face do SENHOR está contra os que fazem o mal, para desarraigar da terra a memória deles. Os justos clamam, e o SENHOR os ouve e os livra de todas as suas angústias. Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito” (Sl.34:15-18).

“Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração” (Sl.37:4).

2. O Cumprimento do Voto (1Sm.1:26-27)

“E disse ela: Ah! Meu senhor, viva a tua alma, meu senhor; eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, para orar ao SENHOR. Por este menino orava eu; e o SENHOR me concedeu a minha petição que eu lhe tinha pedido. Pelo que também ao SENHOR eu o entreguei, por todos os dias que viver; pois ao SENHOR foi pedido. E ele adorou ali ao SENHOR”.

Desde o primeiro momento em que Ana desejou ter um filho, ela, decididamente e em oração, o apresentava diante do Senhor (cf. 1Sm.1:10-28). Ela considerava seu filho uma dádiva graciosa da parte de Deus, e expressou sua intenção de cumprir seu voto, entregando seu primogênito ao Senhor.

Quando o menino foi desmamado, Ana o apresentou à Casa do Senhor e o devolveu a Deus num ato definitivo de consagração. Desde o início, ele assistiu aos sacerdotes e ministrou diante do Senhor.

No Antigo Testamento, o voto jamais assumiu a ideia de barganha que tinha entre os gentios idólatras, nem tampouco era algo que fosse considerado obrigatório na lei de Moisés. Entretanto, havendo a prática do voto, seu cumprimento era exigido, representando pecado o seu não pagamento, sendo, também, as Escrituras claras no sentido de que o próprio Deus requereria tal cumprimento.

No compêndio doutrinário da Igreja, o Novo Testamento, não há uma disciplina explícita com relação ao voto, porém, o mesmo não é desestimulado ou proibido; ou seja, se alguém quiser fazer voto pode fazê-lo. Não está proibido porque resulta do livre-arbítrio, mas a responsabilidade de quem vota é muito grande. Voto não confere santidade nem tampouco traz bênçãos; cria tão somente obrigações.

Em o Novo Testamento, por duas vezes, vemos Paulo envolvido em voto de raspar a cabeça (muito provavelmente o voto do nazireado). Uma vez, ele mesmo fez voto (At.18:18), na outra arcou com as despesas da raspagem da cabeça de quatro crentes judaizantes de Jerusalém que haviam feito voto (At.21:23,24,26,27). Todavia, tais episódios são insuficientes para gerar doutrina, ainda mais quando se trata de fatos que envolveram o apóstolo Paulo, que, em nenhuma de suas epístolas, tratou do assunto.

O cristão, ao votar, deve fazê-lo apenas por gratidão a Deus, seja por bênçãos alcançadas, seja pela confiança firme de que a bênção será alcançada, por um ato de fé, como fez Ana. Não deve agir como os gentios, procurando fazer uma “troca de favores” com Deus, pelo simples motivo de que nada temos a oferecer a Deus. Se dele é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam, como podemos dar algo a Deus que já é dele? O voto como barganha é algo abominável diante de Deus, algo que Ele jamais aceitará ou tolerará, pois é uma manifestação de arrogância e atrevimento ao Senhor.

3. Dedicação de Samuel

Ana demonstrou sua dedicação ao Senhor, pela sua disposição de dedicar seu filho à obra do Senhor. Ela disse: “um filho... ao Senhor o darei” (1Sm1:11). Na festa seguinte ao desmamar o menino Samuel, Ana o levou para Siló, onde estava o Tabernáculo, com ofertas que constituíam em três bezerros e um efa de farinha e um odre de vinho (1Sm1:24).

“E, havendo-o desmamado, o levou consigo, com três bezerros e um efa de farinha e um odre de vinho, e o trouxe à Casa do SENHOR, a Siló. E era o menino ainda muito criança”.

Um dos bezerros seria para a oferta queimada da dedicação de Samuel (1Sm.1:25); os outros dois seriam parte dos sacrifícios anuais da família, o chamado sacrifício pacífico; um efa seria um pouco maior do que um alqueire em termos de medias atuais; o odre de vinho era uma garrafa de couro ou pele de animal, ou ainda um jarro. Isso indicaria uma oferta muito generosa.

Quando Ana apresentou o menino Samuel ao sumo sacerdote Eli, juntamente com o animal do sacrifício, Ana fez questão de lembrar ao idoso sacerdote a sua oração: “Ao Senhor eu o entreguei” (1Sm,1:28) – a expressão melhor poderia ser assim: “Eu o devolvi ao Senhor”.

Ana relata o teor do seu voto e agora quer que Eli aceite a criança para cumprir o compromisso feito com Deus, isso porque não era permitido uma criança de três anos estar no Tabernáculo, a não ser que o sacerdote permitisse. Ela, então, esclarece que seu voto era o de dedicar aquela criança ao trabalho do Senhor por toda a vida. Seu voto era de nazireu.

Eli entendeu que Deus estava trabalhando e, por isso, prontamente aceita cuidar da criança. Ana entrega Samuel a Eli, que aparece na expressão bíblica “devolvido ao Senhor”. Ela tinha consciência de que Samuel tinha uma missão grandiosa a cumprir e, caso ficasse somente em casa, isso jamais iria acontecer.

Concordo com as palavras do pr. Oziel Gomes, quando diz: “como é bom quando os pais se dedicam as coisas de Deus e, consequentemente, mostram aos seus filhos, na prática, uma vida de devoção sincera. Ao chegarem ao templo, em reverência, oram a Deus; em casa, fazem o culto doméstico; primam por viver o Evangelho de Jesus Cristo. Os filhos que crescem, vendo tal dedicação sincera, naturalmente, são estimulados a temerem a Deus e a amá-lo de todo o coração”.

CONCLUSÃO

Samuel foi líder de líderes, conselheiro-chefe de reis e capitães militares de Israel. Quando ele falava, todos escutavam. Como profeta de Deus, Samuel ungia reis; como intérprete da Palavra de Deus, aconselhou e desafiou reis. Servindo como juiz nos dias imediatamente antes da monarquia de Saul, Samuel incorporou três grandes funções: profeta, sacerdote e juiz, como também o faria Jesus, mais tarde, sendo Rei, Sacerdote e Profeta.

 

 

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