quarta-feira, 5 de novembro de 2025

NEEMIAS ENFRENTANDO OS INIMIGOS

 


NEEMIAS ENFRENTANDO OS INIMIGOS

O texto bíblico de Neemias 4:1-9 narra um momento crucial na reconstrução dos muros de Jerusalém, onde Neemias e o povo judeu enfrentam uma intensa oposição e escárnio de seus inimigos.

O Cerne da Passagem

A narrativa se desenrola quando os inimigos — principalmente Sambalate (o horonita) e Tobias (o amonita) — percebem que a obra de reconstrução está avançando.

  • A Zombaria e o Escárnio (v. 1-3):
    • Sambalate fica furioso e zomba abertamente dos judeus e de sua capacidade, chamando-os de "judeus fracos" e questionando se eles conseguiriam acabar a obra com sacrifícios ou se "vivificariam das montanhas do pó as pedras que foram queimadas".
    • Tobias junta-se ao escárnio com uma provocação ainda mais cínica, dizendo que se "subir uma raposa, derrubará facilmente o seu muro de pedra". O objetivo era desmoralizar e intimidar os construtores.
  • A Oração de Neemias (v. 4-5):
    • Diante do escárnio, Neemias não revida com palavras ofensivas, mas sim se volta a Deus em oração.
    • Ele clama a Deus para que ouça o desprezo e a zombaria, e pede que o opróbrio (a desgraça/insulto) caia sobre a cabeça dos inimigos, pois eles estavam insultando os construtores na presença de Deus. Este é um exemplo de oração de juízo diante de uma injustiça e blasfêmia.
  • A Reação do Povo e o Avanço da Obra (v. 6):
    • Apesar da oposição, o povo não desanima. O versículo 6 registra: "Assim, edificamos o muro, e todo o muro se uniu até a metade da sua altura; porque o coração do povo se inclinava a trabalhar."
    • A motivação e o empenho do povo foram mais fortes que as palavras de intimidação.
  • A Intensificação da Ameaça (v. 7-9):
    • Quando os inimigos (Sambalate, Tobias, árabes, amonitas e asdoditas) souberam que a reconstrução estava progredindo e que as brechas estavam sendo fechadas, eles se iraram sobremaneira.
    • Eles, então, conspiraram para vir lutar contra Jerusalém e causar confusão.
    • A resposta de Neemias e do povo é um modelo de fé e ação: "Nós, porém, oramos ao nosso Deus e pusemos guarda contra eles, de dia e de noite, por causa deles."

Lições Centrais para a Vida

  1. A Oração como Primeira Resposta: Diante da oposição, a primeira reação de Neemias foi a oração, reconhecendo a soberania de Deus e clamando por justiça.
  2. O Trabalho Fiel Supera o Escárnio: O povo persistiu no trabalho. O compromisso e a dedicação ao propósito de Deus (reconstruir o muro) foram o melhor antídoto contra a zombaria.
  3. Fé e Vigilância Andam Juntas: O texto mostra a combinação essencial de (orar a Deus) e ação prática (pôr guarda). A confiança em Deus não anula a necessidade de vigilância, planejamento e precaução.

COMO ENFRENTAR A OPOSIÇÃO DOS INIMIGOS


TEXTO BÍBLICO:
Neemias 4:1-9

Porém nós oramos ao nosso Deus e pusemos uma guarda contra eles, de dia e de noite, por causa deles” (Ne 4:1-9).


INTRODUÇÃO
Durante todo o período de reconstrução, Neemias e o povo enfrentaram situações de oposição: quando Neemias teve permissão e recursos para voltar para Jerusalém, a oposição ficou profundamente perturbada (Ne 2:9,10); quando o povo declarou sua intenção de reconstruir os muros, a oposição zombou dele e o desprezou (2:18,19); quando o povo de fato começou a reconstruir os muros, a oposição “ardeu em ira, e se indignou muito, e escarneceu dos judeus” (4:1); quando o povo continuou a reconstruir os muros, a oposição ficou muito irada e conspirou atacá-lo e criar confusão (4:6-8); e, por fim, quando o povo concluiu a reconstrução dos muros, a oposição fingiu aceitar, mas queria prejudicá-lo (6:1-9). Satanás não dá trégua! Durante toda a Obra de Deus ele vai fazer oposição; destruir faz parte da essência do seu caráter (ler João 10:10). Isto nos remete à realidade de que a vida cristã é uma guerra contínua; é uma batalha sem trégua. É impossível realizar a Obra de Deus sem oposição. Vejamos nesta aula quão variados foram os métodos do inimigo para tentar paralisar a obra e como Neemias reagiu a cada investida.


I. OPOSIÇÃO FERRENHA


Sambalate
 (governador de Samaria), Tobias (da nobreza dos amonitas) e Gesém (o árabe – possível rei de Quedar, segundo descobertas arqueológicas), tentaram de todas as maneiras tirar Neemias do projeto que estava comprometido. Todos estavam engajados na oposição à obra de Deus. Também, os arábios (sul), os amonitas e os asdoditas (4:7) se uniram a estes para se oporem ao povo de Deus. Houve uma orquestração maligna contra o povo de Deus.

Além da pressão externa dos arábios, dos amonitas e dos asdonitas, houve momentos em que a imensidão da tarefa quase subjugou os judeus. Diante das enormes pilhas de escombros, a força e o entusiasmo do povo começaram a se esvaziar (4:10). Como não bastasse, os judeus que moravam fora de Jerusalém trouxeram notícias de um ataque iminente. Neemias rapidamente colocou o povo por detrás do muro e entregou armas aos trabalhadores, encorajando-os com as palavras: “lembrai-vos do Senhor[...] e pelejai” (ler Ne 4:7-14).


Ainda hoje, sempre que a Igreja de Deus se levanta para fazer a obra de Deus, o inferno se agita, o mundo se levanta e há uma conspiração contra ela de todas as forças aliadas. Diversas passagens bíblicas mostram que Satanás e seus demônios tentam impedir o avanço dos que são fiéis a Deus. Vamos citar apenas algumas:


* Zc 3:1: "Deus me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor e Satanás estava à mão direita dele, para se lhe opor".


* Dn 10:12-13: "Então me disse: Não temas Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e por causa das tuas palavras é que eu vim. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias (...)".


* 1Ts 2:18: "Por isto quisemos ir até vós (pelo menos eu Paulo, não somente uma vez, mas duas), contudo Satanás nos barrou o caminho".


Precisamos entender uma coisa: Satanás faz oposição à obra de Deus, mas seu poder para isto é limitado pelo próprio Senhor. Lembra-se da história de Jó? Deus permitia a ação do Diabo, mas sempre lhe determinava os limites.


1. A ira dos adversários - E sucedeu que, ouvindo Sambalate que edificávamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito...”(4:1). A restauração de Jerusalém provocou a ira dos adversários. Sambalate, o líder opositor, mobilizou seu exército e procurou incitar o povo contra os judeus (4:2; ler 4:7). Esses inimigos não queriam a restauração do povo de Deus. Enquanto Jerusalém estava debaixo de opróbrio, eles estavam calmos, mas bastou a disposição para a reforma e eles se agitaram e se levantaram com grandes insultos. Da mesma forma, hoje, os nossos inimigos não ficam sossegados quando alguém luta pela Igreja e se levanta para reconstruir a casa de Deus. Onde o povo de Deus busca restauração, avivamento, ocorre a fúria do inimigo.


2. A falsa acusação – “O que ouvindo Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, e Gesém, o arábio, zombaram de nós, e desprezaram-nos, e disseram: Que é isso que fazeis? Quereis rebelar-vos contra o rei?”(Ne 2:19). Sambalate e Tobias rotularam a reconstrução dos muros de Jerusalém como uma rebelião contra o rei Artaxerxes e não uma reforma, provavelmente ameaçando denunciar os construtores como traidores. Mas Neemias tinha uma resposta para eles que revelava não apenas a sua própria determinação de realizar o trabalho até à sua conclusão, porém mais significativamente a sua fé em Deus, que tinha o poder de ajudá-lo a executar o trabalho para o qual o próprio Senhor o havia chamado.
3. A resposta à insinuação caluniosa. Neemias confiou em Deus, e recusou dar ouvidos às falsas acusações dos inimigos. Sempre prudente e sábio, respondeu-lhes: O Deus dos céus é o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos...”(Ne 2:20).
A confiança em Deus é o maior incentivo à obra. Isso sugere poderosa proteção: "O Deus dos céus..." (2:20). Isso sugere também providencial vitória: "[...] é quem nos fará prosperar [nos dará êxito –ARA]" (2:20). Quem confia em Deus não teme os adversários, não se rende diante de suas ameaças e falsas acusações.


Sem a ajuda de Deus, o nosso trabalho é vão - "Se o Senhor não edificar a cidade, em vão trabalham os que a edificam" (Sl 127:1). A Obra de Deus é feita não por força nem por violência, mas pelo Espírito de Deus (Zc 4:6). Jesus disse: "Sem mim, nada podeis fazer" (João 15:5). Paulo pergunta: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8:31). "Maior é aquele que está em nós do que aquele que está no mundo” (1João 4:4).
A vitória vem de Deus, mas nós precisamos empunhar as ferramentas de trabalho e as armas de combate. É preciso se dispor e reedificar. A soberania de Deus não anula a responsabilidade humana. Neemias foi contundente diante da oposição: “... nos levantaremos e edificaremos...”.


Quando o muro de Jerusalém foi terminado em cinquenta e dois dias, até mesmo os inimigos dos judeus tiveram de reconhecer que essa obra fora concluída com a ajuda de Deus (cf Ne 6:15,16). Deus sempre cumpre a sua parte quando os fiéis cumprem a sua, com fé perseverante.
Aprendemos aqui que o verdadeiro líder não se deixa desencorajar por ataques pessoais injustos; o verdadeiro líder se preocupa com a causa em que está envolvido; o líder de Deus não se cansa enquanto não vê a obra das suas mãos concluída.


II. O ESCÁRNIO DOS ADVERSÁRIOS

Os inimigos usaram a ridicularização para tentar dissuadir o povo de realizar a obra de Deus. Usaram os meios mais diabólicos para causar desespero e desânimo no povo de Deus.
1) Eles usaram a arma do escárnio - E sucedeu que, ouvindo Sambalate que edificávamos o muro [...] escarneceu dos judeus (4:1). A obra de Deus sempre foi alvo de zombaria e escárnios. Constantemente, os féis de Deus enfrentam este tipo de agressão, pelo fato de, a cada dia, procurarem viver uma vida de retidão entre os que não conhecem a Deus. Podemos lembrar aqui alguns exemplos de escárnios e zombarias:


a) Escarneceram do próprio Senhor. Jesus estava iniciando sua dolorosa caminhada rumo à cruz. “E, despindo-o, o cobriram com uma capa de escarlate. E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, em sua mão direita, uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus! E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana e batiam-lhe com ela na cabeça. E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado” (Mt 27:28-31).


Satanás, usando pessoas, utiliza a zombaria para atacar o Senhor de maneira vil. O Senhor era de fato rei, porém seu reino não era terreno (João 18:36). Aproveitando a situação, o inimigo tentou humilhá-lo, através do escárnio e da violência! Contudo, o diabo não conseguiu afastá-lo de seu objetivo que foi a morte na cruz pelos nossos pecados. O "justo morreu pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1Pe 3:18).


b) Escarneceram da palavra de Paulo - “E, como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez” (
At 17:32).
Todos nós conhecemos o ardor missionário de Paulo. O contexto deste versículo nos mostra o apóstolo pregando no areópago, um centro de convenções na cidade de Atenas. Neste lugar, havia altares para os mais diversos deuses. Ali ele aproveitou o momento e, partir de um altar erigido ao "Deus desconhecido", mostrou-lhes o caminho da salvação. Porém quando fala sobre a questão da ressurreição dos mortos, o clima de curiosidade foi transformado num clima de zombaria! O desprezo tomou conta dos presentes, que não queriam mais ouvi-lo.


c) Pedro e Judas nos falam dos escarnecedores dos últimos dias:


2Pe 3:3:
 “sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências”.


Jd 18: “os quais vos diziam que, no último tempo, haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências”.


Como povo do Deus vivo, não podemos perder de vista o fato de que sempre houve e sempre haverá escarnecedores da obra de Deus. Todavia, tanto Pedro, como Judas nos alertam que esta artimanha diabólica tenderá a crescer nos últimos dias. Estes escarnecedores terão um estilo próprio e escorados em suas tendências carnais pecaminosas, investirão contra os servos de Deus e sua obra.


2) Eles tentaram diminuir a autoestima do povo de Deus, chamando-o de fraco – “...Que fazem estes fracos judeus?” (Ne 4:2). A força de um povo é constatada pelas suas atitudes que, na verdade, são reflexos da ação do seu líder, ou seja, a ação do líder determina a reação de um povo. Um líder fraco enfraquece a forte gente; um líder forte fortalece a fraca gente, e esta é uma realidade bíblica. Se Neemias tivesse demonstrado fraqueza naquele momento de escárnio e zombaria, o povo tinha recuado e a liderança de Neemias estaria arruinada.


Entre os pastores da Palestina contava-se uma história interessante e autodidática. Certo pastor de ovelhas, no seu pastoreio diário, cumpria uma rotina de caminhada e, nesta caminhada, no início da tarde, chegava com suas ovelhas ao pasto que considerava ele ser o melhor, um extenso gramado a beira de um raso e calmo rio.
Certo dia, ao analisar minuciosamente o comportamento do rebanho, percebeu que mesmo parecendo, ele não estava fazendo o melhor por suas ovelhas. Erguendo então os olhos, vislumbrou além do rio um pasto muito melhor e decidiu fazer as ovelhas atravessarem o rio a fim de alcançarem melhor pasto. Enfileirou-as e as instigava a atravessarem. Entretanto, a fila não andava, pois não havia ovelha que ousasse entrar nas correntes mansas e rasas do rio.

Então o pastor pensou e decidiu: “Vou colocar a mais robusta e saudável no início da fila. Assim, ao fazê-la atravessar, todas as outras a seguirão. Não adiantou, o rebanho não andou. Insistindo nisto várias vezes, sem êxito, se irritou e disse consigo mesmo: eu vou atravessar, e quem quiser o melhor me seguirá!”. As ovelhas o observaram atentamente.
O pastor empunhou o cajado com firmeza, olhou fixamente a outra margem e entrou nas rasas e mansas águas do rio e para sua surpresa, nenhuma das ovelhas deixou de atravessar. Até aquelas que ele julgava serem as mais fracas seguiram-no; e todas atravessaram e alcançaram o melhor pasto.


Moral da história: se o líder quer que o povo faça, basta-lhe apenas dar o exemplo, agindo corretamente, pois a ação do líder determina a reação do povo.


Quando lemos o livro de Josué e sua trajetória de virtuosa liderança nos capítulos 3 e 4, na travessia do rio Jordão, nós compreendemos que as ações de Josué são determinantes. Ele levantou de madrugada, foi com os sacerdotes o primeiro a pisar nas águas transbordantes do Jordão. Parou no meio do rio e, enquanto o povo a pés enxutos atravessava, Josué ordenou que dali de perto das plantas dos pés dos sacerdotes se tirassem doze pedras para com elas erigir um monumento para memorial (ver Js 4:3).


Em toda a história de Josué você não o encontra se lamentando, se lastimando, desanimado, cabisbaixo ou coisa parecida. Desde Êxodo 17, nós o vemos lutando e no final de sua carreira, o encontramos dizendo: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor!” (ler Js 24:15).
3) Eles tentaram atacar o culto a Deus – “...Permitir-se-lhes-á isso? Sacrificarão?” (Ne 4:2). Esta é uma tática corriqueira de Satanás. Quando ele vê que o povo de Deus está em comunhão, em consagração a Deus, fará de tudo para desfazer isso; por isso o povo de Deus precisa estar sob alerta e discernente com relação aos ardis de Satanás.
4) Eles tentaram desunir o povo de Deus. Percebendo Sambalate, o líder dos opositores, que o povo de Deus estava unido, indagou”Acabá-lo-ão num só dia? Vivificarão dos montões do pó as pedras que foram queimadas?”(Ne 4:2).


A desunião e a divisão entre o povo de Deus é uma das armas principais de satanás, talvez a mais usada contra a Igreja do Senhor. Atualmente, o adversário de nossas almas tem conseguido causar grande prejuízo à obra de Deus porque consegue criar, no meio do povo de Deus, o espírito de divisão, o ânimo da competição, gerando brigas, disputas e lutas entre quem deveria ser irmão. Este espírito faccioso tem origem diabólica (Tg 3:15,16), gerando tão somente perversão e animosidade. Fujamos, pois, de tal comportamento, buscando estar debaixo da mão potente de Deus, em comunhão com Ele e com o Príncipe da Paz, pois temos paz com Deus (Rm 5:1) e, enquanto depender de nós, devemos ter paz com todos os homens(Rm 2:13), o que significa termos, sempre, paz com os irmãos (1Ts 5:13).
5) Eles zombaram do povo de Deus, ridicularizando o valor e a consistência do seu trabalho – “... Ainda que edifiquem, vindo uma raposa, derrubará facilmente o seu muro de pedra(4:3). O mundo continuamente despreza os padrões morais do cristão e zomba da sua dedicação a Cristo.


O desprezo e a zombaria atacam nossas emoções e pode provocar reações das mais diversas, como ira, ódio, agressão etc. Porém, não podemos nos deixar levar por estes sentimentos, pois é isso que Satanás mais quer: o desequilíbrio. Nossa confiança e nossa resposta devem ser as mesmas de Neemias: “o Deus dos céus nos ajudará e por fim vindicará os justos” (Ne 2:20).


Apesar de todos esses ardis dos inimigos do povo de Deus, Neemias não vacilou; em vez de trocar insultos, se revestiu da maior arma: a oração (4:4,5). A oração é a coisa mais prática que podemos fazer nos momentos que os inimigos escarnecem de nós, zombam de nós, criticam-nos. Todavia, ela não é um substituto da ação. Neemias faz uma oração imprecatória por duas razões: Primeiro, porque os inimigos estavam provocando a própria ira de Deus. Segundo, porque os inimigos estavam desprezando o próprio povo de Deus. A oração nos capacita a dar vazão ao que sentimos e nos capacita a olhar o problema da perspectiva de Deus. Quando oramos, nossa ira e nossos ressentimentos se dissipam. Revestido desta arma, Neemias recobrou o ânimo para trabalhar (4:6): Assim, edificamos o muro, e todo o muro se cerrou até sua metade; porque o coração do povo se inclinava a trabalhar”.
Esse procedimento de Neemias nos traz duas belas lições: Primeiro, quando formos escarnecidos por causa de nossa fé ou criticados por fazermos o que sabemos ser correto, recusemo-nos a responder da mesma maneira ou a tornarmo-nos desencorajados; digamos a Deus como nos sentimos e lembremo-nos de que a promessa dele está conosco; isto nos dará encorajamento e força para continuarmos. Segundo, Não fomos chamados para contar os inimigos nem os temer; fomos chamados para fazer a obra de Deus apesar da oposição. Concentremo-nos, pois, em Deus e na sua obra e não teremos tempo para sermos distraídos pelas críticas do inimigo.


III. A GUERRA CONTRA OS EDIFICADORES


1. Os inimigos se uniram (Ne 4:7,8).
 Ao perceberem que a zombaria e o escárnio não surtiram quaisquer efeitos sobre Neemias e seus comandados, os inimigos ficaram tremendamente irados -"...iraram-se sobremodo..."(4:7). Então, formaram uma grande coligação e ensaiaram uma guerra contra o povo de Deus – "...coligaram-se todos, para virem guerrear contra Jerusalém e fazer confusão ali"(4:8). A confusão é tão perigosa quanto a violência do inimigo.


O inimigo tenta infiltrar-se para intimidar e desestabilizar o povo; seu objetivo é paralisar a obra. A confusão visava a distrair o povo e tirar os seus olhos do foco. Eles queriam não apenas causar confusão, mas matar os judeus (4:11), obtendo, assim, o seu verdadeiro objetivo: paralisar a obra (4:11).


Esta é uma tática diabólica que assusta, mete medo! Muitos desistem dos planos de restauração, quando a resistência atinge este nível ameaçador. Porém, olhando para o texto bíblico, podemos perceber como Neemias orientou seu povo a não se intimidar com as ameaças, mas preparou-se para um possível ataque. Ele usou duas armas infalíveis contra Satanás: a oração e a vigilância (Ne 4:9).


2. Oração e vigilância. “Porém nós oramos ao nosso Deus e pusemos uma guarda contra eles, de dia e de noite, por causa deles” (Ne 4:9). Estas foram as armas que Neemias enfrentou a pressão e o ataque dos inimigos.


a) A oração  “Porém nós oramos ao nosso Deus...”. Neemias era um homem prático, um administrador por excelência. Ele tinha a capacidade de fazer as perguntas certas, de contatar as pessoas certas, de mobilizar essas pessoas, levantar seu ânimo e desafiá-las para uma grande obra. Mas Neemias sabia que o sucesso da obra de Deus depende também e, sobretudo, de oração. Esse grande líder sabia que fé (oração) e obra (puseram guarda) andam juntas. A oração não é um substituto da ação. Não podemos enfrentar os inimigos sem o socorro de Deus, sem a ajuda do céu.


b) Vigilância – “...pusemos uma guarda contra eles, de dia e de noite, por causa deles”. Neemias era um sujeito prático. Ele não era uma dessas pessoas de quem algumas vezes dizemos que são tão religiosas que não têm qualquer utilidade terrena. Ele mantinha os seus pés no chão. Ele sabia como organizar e atuar. Mas ele decidiu que, enquanto orava e trabalhava, deveria haver uma sentinela que vigiasse dia e noite, e que cada seção do muro deveria ser guardada pela vigília de um homem atento ao inesperado ataque do inimigo.


Portanto, não basta orar, é preciso vigiar. É preciso manter os olhos abertos. É preciso existir estreita conexão entre o céu e a terra, confiança e boa organização, fé e obras. É preciso estar atentos aos ardis, laços e ciladas do inimigo. Muitos caem porque deixam de vigiar.
O crente vigilante é um crente que não só se precaver do mal e das astutas ciladas do diabo, como também anuncia a todos quantos estão à sua volta do perigo que estão a correr, que dá notícia da realidade, da verdadeira situação em que o mundo se encontra. Um cristão sincero e verdadeiro jamais se cala diante do momento delicado e importante que estamos vivendo, pois é consciente de que o servo de Deus, que é feito conhecedor do cumprimento das profecias bíblicas e da proximidade da vinda do Senhor bem assim de que estamos no final da dispensação da graça, não será tomado por inocente se se calar (ler Ez 33:1-11). Por isso, o Senhor tem levantado, no meio da Sua Igreja, homens e mulheres que, com intrepidez e eloquência, têm sacudido o mundo com a mensagem que ficou um tanto quanto abafada ao longo da história da Igreja: Jesus breve virá!


Enfim, o crente vigilante é aquele que não dorme. Dormir, como vemos na parábola das dez virgens, tem o significado de ter distraído a atenção para as coisas desta vida, descuidar da presença de Deus nas nossas vidas. As virgens loucas não tinham azeite em suas lâmpadas, ou seja, tiveram a sua atenção desviada para as coisas desta vida e se descuidaram de ter o Espírito Santo em seu interior, o que acontece quando nós O entristecemos (Ef 4:30). Portanto, não dormir significa não deixar faltar o azeite, o que acontece quando fazemos a vontade do Senhor, quando seguimos a sua direção, quando nos inclinamos para as coisas do Espírito (Rm 8:5-9).  Amém!!

CONCLUSÃO

Em cada época existem aqueles que odeiam o povo de Deus e tentam impedir a realização dos seus propósitos. Ao tentar realizar a obra de Deus, alguns se oporão e outros até mesmo desejarão que você não consiga realizá-la. Saber que Deus é o idealizador e o patrocinador de seu ministério é o melhor incentivo para prosseguir, mesmo diante da oposição. Deus é mais forte do que todos os seus adversários. Se confiarmos nele, teremos bom êxito no trabalho. “Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia” (1João 3:3).

 


terça-feira, 4 de novembro de 2025

APÓSTOLO JOÃO: O DISCÍPULO AMADO DE JESUS

 


APÓSTOLO JOÃO: O DISCÍPULO AMADO DE JESUS

TEXTO BIBLICO:

E eu, João, vi a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de DEUS descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. Apocalipse 21.2

Apóstolo João: O Discípulo Amado de Jesus

João, frequentemente chamado de "o discípulo a quem Jesus amava", foi um dos doze apóstolos e uma das figuras mais proeminentes e próximas de Jesus Cristo.

Identidade e Chamado

  • Família e Origem: Era filho de Zebedeu e Salomé, e irmão de Tiago Maior, que também era apóstolo. Antes de ser chamado, trabalhava como pescador na Galileia.
  • Boanerges: Jesus deu a João e a seu irmão Tiago o apelido de Boanerges, que significa "Filhos do Trovão", indicando uma natureza inicialmente mais zelosa, impetuosa e apaixonada.
  • O Círculo Íntimo: João fazia parte de um grupo mais restrito de discípulos, junto com Pedro e Tiago, que tiveram o privilégio de testemunhar momentos cruciais da vida de Jesus, como a Transfiguração e a agonia no Getsêmani.
  • O Discípulo Amado: O Evangelho de João refere-se a ele como "o discípulo que Jesus amava" (embora não o mencione diretamente pelo nome), destacando a íntima relação de confiança, carinho e proximidade que tinha com o Mestre. Ele reclinou-se no peito de Jesus durante a Última Ceia (João 13:23).

Autor dos Escritos

João é tradicionalmente considerado o autor de cinco livros do Novo Testamento, conhecidos por enfatizarem o tema do Amor de Deus:

  • Evangelho segundo João: Destaca a divindade de Jesus Cristo, apresentando-o como o Verbo (Palavra) que se fez carne.
  • 1, 2 e 3 João (Epístolas): Enfatizam o amor, a obediência e alertam contra falsos ensinamentos. A frase "Deus é amor" (1 João 4:8) é uma das suas contribuições mais célebres.
  • Apocalipse: O último livro da Bíblia, contendo visões proféticas que ele recebeu enquanto estava exilado na ilha de Patmos.

Momentos Marcantes

  • Ao Pé da Cruz: Foi o único apóstolo presente no momento da crucificação, ao lado de Maria, a mãe de Jesus. Jesus lhe confiou o cuidado de Maria, dizendo: "Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe" (João 19:26-27).
  • A Pós-Ressurreição: Corre com Pedro ao sepulcro vazio e é o primeiro a "ver e crer" (João 20:8).
  • Pilar da Igreja: Após a ascensão de Jesus, João se tornou uma das "colunas" da Igreja de Jerusalém, ministrando ativamente com Pedro.
  • Longevidade: A tradição afirma que João foi o apóstolo mais longevo, morrendo de causas naturais (com mais de 100 anos) em Éfeso, depois de ter retornado do exílio em Patmos.

João é lembrado por sua profunda espiritualidade e por transmitir uma mensagem de amor incondicional e devoção a Jesus, servindo como um modelo de comunhão com Cristo.

 

1. O DISCIPULO DA INTIMIDADE DE CRISTO 


João ocupa um lugar especial nos evangelhos, sendo alguém que experimentou uma proximidade singular com o Filho de DEUS. Este filho de Zebedeu se destaca não apenas por sua presença constante nos momentos mais íntimos e reveladores da vida de CRISTO, mas também por sua diligência, ao qual JESUS deu um propósito transformador. Além disso, João herdou o caráter devoto e firme de sua família, que também respondeu ao chamado de seguir o Messias. 
 

O apóstolo João foi um dos 12 discípulos de JESUS, também conhecido como "o discípulo amado" por seu relacionamento próximo com o Senhor, e também como "João Evangelista”. Ele foi o autor do Evangelho de João, de 3 cartas do Novo Testamento (1ª, 2ª e 3ª João), e do livro de Apocalipse. A vida e os escritos de João enfatizam temas fundamentais da fé cristã como o amor, a verdade e a revelação de JESUS CRISTO.

O evangelista João tinha uma amizade especial com CRISTO, presenciando momentos extraordinários da sua vida, como a transfiguração e a crucificação, onde recebeu a responsabilidade de cuidar de Maria, mãe de JESUS.

Apóstolo João

João era um jovem pescador que trabalhava com seu irmão Tiago e seu pai, Zebedeu nas margens do Mar da Galileia. Todos os dias, eles lançavam suas redes para pescar peixes para sustentar a família, mas tudo mudou quando esses dois irmãos conheceram JESUS.

Um dia, enquanto João e seu irmão estavam no barco, JESUS passou por ali e fez um chamado especial: "Venham comigo, e eu farei de vocês pescadores de homens." Isso significava que, em vez de pescar peixes, eles iriam ajudar JESUS a anunciar às pessoas sobre o amor de DEUS. Sem pensar duas vezes, João e Tiago deixaram tudo para seguir JESUS.

A partir desse momento, João se tornou um dos 12 discípulos de JESUS, os seguidores mais próximos, que aprendiam diretamente com Ele, e posteriormente foram chamados de "apóstolos", que significa enviados. Neste grupo especial, João era um dos 3 discípulos ainda mais próximos de JESUS, participaram de momentos cruciais junto do Senhor.

João esteve ao lado de JESUS em milagres maravilhosos, como na transfiguração, quando Ele foi visto glorificado, também por Pedro e Tiago. Ele também presenciou a ressurreição da filha de Lázaro. João também foi um dos poucos discípulos que ficou aos pés da cruz quando JESUS foi crucificado. Ali, JESUS pediu a João que cuidasse de Maria, Sua mãe, mostrando a grande estima que tinha por ele.

No início, João e seu irmão foram apelidados por JESUS de “Boanerges”, que significa “filhos do trovão”. Isso deve-se ao fato de eles serem, muitas vezes, enérgicos e impulsivos. Porém, a sua caminhada bem junto ao Senhor lhe ensinou o verdadeiro Caminho, para ser um homem transformado. Em toda a sua jornada ao lado do Mestre, João aprendeu sobre o amor, a verdade e o serviço a DEUS e ao próximo.

Após a ressurreição de JESUS, João continuou a pregar o evangelho, falando para as pessoas sobre o amor de DEUS e o sacrifício de JESUS. Como apóstolo, ele se tornou um importante evangelista e líder da Igreja primitiva, ensinando e edificando diversas igrejas. O evangelista João escreveu 5 livros da Bíblia: o Evangelho de João, onde contou sobre a vida e obra de JESUS. Também escreveu três cartas (1ª, 2ª e 3ª João) ensinando sobre o amor e a verdade, e o livro de Apocalipse, onde registrou visões sobre o futuro e o fim dos tempos.

João viveu até uma idade bastante avançada e, segundo a tradição, foi o único dos apóstolos que não morreu como mártir. Ele passou seus últimos dias na ilha de Patmos, onde teve a visão de JESUS acerca dos últimos tempos registrada em Apocalipse. A vida de João nos ensina a importância de estar perto de JESUS, confiar Nele em todos os momentos e compartilhar Seu amor com o mundo.

 

Aspectos marcantes da vida do apóstolo João

Aspecto

Descrição

Origem

João era um jovem pescador nas margens do Mar da Galileia, trabalhando com seu irmão Tiago e seu pai Zebedeu.

Chamado por JESUS

Quando foi convidado por JESUS para ser um "pescador de homens", João deixou tudo para seguir CRISTO.

Antes de sua conversão

João era um jovem enérgico, vingativo e ambicioso, mas ao caminhar com JESUS foi sendo transformado pelo Amor.

Relação com JESUS

O Evangelista João, também conhecido como o "discípulo amado", tinha uma relação especial de proximidade e confiança com CRISTO.

Momentos Marcantes

Presenciou eventos cruciais como a transfiguração de JESUS, a ressurreição da filha de Jairo, a crucificação e recebeu a tarefa de cuidar de Maria.

Apelido

Junto com Tiago, foi apelidado por JESUS de "Boanerges", que significa "filhos do trovão", devido ao seu temperamento inicialmente impetuoso. Atualmente é conhecido como "Evangelista João" ou "o Discípulo amado".

Transformação

Ao longo de seu tempo com JESUS, João aprendeu sobre o amor, a verdade e o serviço, transformando-se de impetuoso para um apóstolo centrado no amor.

Contribuições

Escreveu o Evangelho de João, as cartas: I, II e III João e o livro de Apocalipse, destacando temas como amor, verdade e a revelação divina.

Liderança na Igreja

Após a ressurreição de JESUS, tornou-se um líder influente na Igreja primitiva, principalmente na Judeia e região da Ásia, onde pregava o Evangelho incansavelmente.

Exílio e revelação

Exilado na ilha de Patmos, João recebeu as visões que registrou no livro de Apocalipse.

Morte

Apesar de sofrer grandes perseguições, João sobreviveu ao martírio, em que foi lançado num caldeirão com óleo fervente. Segundo a tradição cristã, ele viveu até uma idade avançada, morrendo de causas naturais.

 

Estudo sobre o apóstolo João

Porque João, era chamado "o discípulo Amado"

Este título aparece no Evangelho de João, onde ele é descrito como "o discípulo a quem JESUS amava" (João 13:23; 19:26). Esse codinome não sugere que JESUS amava João mais do que os outros discípulos, mas indica uma relação de profunda afeição e confiança entre CRISTO e o apóstolo. Além disso, mostra a extraordinária transformação que ocorreu no coração e no caráter de João ao longo da sua caminhada com JESUS.

A Bíblia destaca que João tinha um relacionamento especialmente próximo com JESUS, estando presente em ocasiões especiais como:

·        na transfiguração e noutros milagres particulares,

·        recostado ao peito de JESUS na última Ceia,

·        durante a crucificação, João foi o único dos apóstolos a permanecer aos pés da cruz,

·        JESUS confiou a João a tarefa de cuidar de Sua mãe, Maria, após Sua morte (João 19:26-27)

Essa nítida proximidade também reflete uma profunda transformação pessoal que João experimentou ao longo de sua caminhada com CRISTO. No início do ministério, João e seu irmão Tiago, eram conhecidos por seu temperamento enérgico e até impetuoso, a ponto de JESUS chamá-los de "Boanerges" - "filhos do trovão" (Marcos 3:17). Por exemplo, certa vez, eles quiseram pedir fogo do céu para destruir uma aldeia samaritana que não recebeu JESUS (Lucas 9:54).

Contudo, ao caminhar com CRISTO, João aprendeu o verdadeiro significado do amor e da misericórdia. JESUS ensinou o amor como maior mandamento e João, aprendeu, sendo moldado pela convivência amável com o Senhor. Por fim, João passou de um jovem impulsivo a um apóstolo que enfatizou o Amor como o centro da fé cristã, refletindo isso em seus escritos.

Essa transformação é o que fez de João "o discípulo amado" – não apenas por ser próximo de JESUS, mas por exemplificar pessoalmente o amor que aprendeu na escola de CRISTO. João claramente refletiu em sua vida e em sua obra a essência do amor divino.

A família de João

João era filho de Zebedeu e irmão de Tiago, ambos eram pescadores antes de serem chamados por JESUS. A Bíblia não menciona se ele era casado nem se teve filhos. Os evangelhos fazem menção que sua mãe (provavelmente Salomé) era uma das mulheres que serviam a JESUS e que também esteve aos pés da cruz durante a crucificação. Ela também fez um pedido inusitado e ambicioso a JESUS, pedindo para que João e Tiago se assentassem ao lado de JESUS, no Seu Reino. 

João foi jogado no caldeirão fervente

A Bíblia não descreve esse acontecimento, mas segundo a tradição cristã o Apóstolo João foi submetido a uma tentativa de martírio em Roma, onde foi lançado em um barril de óleo fervente. Tertuliano - um dos pais da Igreja, descreve que, antes de ser exilado na ilha de Patmos, os romanos tentaram matar João por pregar o Evangelho na Ásia. Porém, milagrosamente, João não morreu, o que impressionou tanto as pessoas que levou muitos à fé em CRISTO.

Incapazes de matá-lo, as autoridades romanas decidiram exilar João na ilha de Patmos, uma pequena e isolada ilha no Mar Egeu. Lá, banido das multidões e das pregações, João recebeu a visão de JESUS, revelando inúmeros acontecimentos futuros que compõem o livro de Apocalipse.

 

Apóstolo João, exilado na ilha de Patmos


O Apocalipse e a revelação do fim dos tempos

Durante seu exílio na ilha de Patmos, João recebeu as visões de JESUS CRISTO registradas no livro de Apocalipse. Escrito por volta do ano 95 d.C, o Apocalipse foi primeiramente destinada às 7 igrejas da Ásia Menor (Apocalipse 1:11), espalhando-se posteriormente para todas as igrejas cristãs, como obra inspirada pelo ESPÍRITO SANTO. A visão profética do Apocalipse revela, adverte e apela ao arrependimento, encoraja à fé, além de descrever eventos futuros e a vitória final de CRISTO sobre o mal.

Essa obra oferece esperança e consolo aos cristãos perseguidos e adverte a todos sobre a iminência do fim. Mesmo em exílio, DEUS usou o apóstolo João para escrever o Apocalipse, encerrando a revelação divina e inspirada deixada para a humanidade, no Novo Testamento.

 

Quantos anos tinha e como morreu o apóstolo João

A Bíblia não descreve como se deu a morte de João. Mas segundo a tradição cristã, ele terá morrido de causas naturais em idade avançada, ao contrário dos outros apóstolos, que foram martirizados. Estima-se que João tenha vivido até cerca de 90 a 100 anos, tonando-se o último dos apóstolos a falecer. Ele teria passado seus últimos anos em Éfeso, na atual Turquia, onde continuou a ensinar e a escrever até sua morte.

O que aprendemos com a vida de João

A história do apóstolo João nos ensina sobre o poder transformador do amor de CRISTO. Quando chamado por JESUS, João era um jovem impetuoso, mas foi transformado num apóstolo que realçou a centralidade do Amor de DEUS, através de JESUS CRISTO. João registrou que JESUS é o Caminho, a Verdade e a Vida, é o único que nos conduz a DEUS (João 14:6). É de João também um dos versículos mais conhecidos da Bíblia, talvez o que melhor resume a mensagem central do Evangelho e o propósito de DEUS para as pessoas:

"Porque DEUS amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna."  - João 3:16

A vida do apóstolo João também nos ensina a importância de um relacionamento próximo com JESUS, mantendo a perseverança na fé mesmo em meio às adversidades. Sua mensagem amorosa nos encoraja e adverte sobre a responsabilidade de compartilhar o Evangelho de CRISTO com o mundo. Seus escritos, apontam para a centralidade da fé em JESUS, realçam o amor de DEUS e a esperança futura, e até hoje, continuam a orientar e guiar os cristãos em todo o mundo.

 

João, um dos personagens mais queridos do Novo Testamento, é o autor do desafiador Livro de Apocalipse. Como testemunha ocular de muitos milagres de JESUS e presente em momentos cruciais de Seu ministério, inclusive na crucificação, João se destaca por sua fidelidade. Sua vida e testemunho fortalecem nossa fé no Todo-poderoso, aquele que é, e que era e que há de vir (Ap 1.8).  

1. O DISCIPULO DA INTIMIDADE DE CRISTO 

João ocupa um lugar especial nos evangelhos, sendo alguém que experimentou uma proximidade singular com o Filho de DEUS. Este filho de Zebedeu se destaca não apenas por sua presença constante nos momentos mais íntimos e reveladores da vida de CRISTO, mas também por sua diligência, ao qual JESUS deu um propósito transformador. Além disso, João herdou o caráter devoto e firme de sua família, que também respondeu ao chamado de seguir o Messias. 


SUBSÍDIO 1

A expressão "o discípulo a quem JESUS amava" é exclusiva do Evangelho de João. Essa autodefinição reflete a compreensão ímpar que o apóstolo tinha do amor de CRISTO (1 Jo 4.19; Jo 3.16).  

1.1. Identidade e legado de proximidade 

João, filho de Zebedeu e irmão de Tiago (Mt 4.21; Mc 1.19; 3.17; Lc 5.10), é reconhecido nos evangelhos como o discípulo a quem JESUS amava (Jo 13.23; 19.26; 20.2; 21.7). Ele faz referência a si mesmo de forma indireta, mas sua proximidade com CRISTO torna-se evidente em momentos-chave, como a Última Ceia (Lc 22.15-20) e os eventos após a Ressurreição (Jo 21.7).  

1.2. Origens e caráter marcantes 

O nome João, de origem semita, significa "DEUS é gracioso". JESUS deu a ele e a seu irmão Tiago o apelido de Boanerges, ou filhos do trovão (Mc 3.17), uma referência ao seu caráter zeloso e veemente (Mc 9.38; Lc 9.54). Como Pedro, João demonstrava impulsividade, mas essa energia era canalizada para o serviço no ministério.  

1.3. Herança familiar e valores de fé 

A família de João vivia próxima ao mar da Galileia, e seu pai, Zebedeu, era pescador (Mt 4.20-22). A Tradição costuma apontar Salomé como a possível mãe do apóstolo aquela que, juntamente com outras mulheres, visitou o sepulcro de JESUS para ungir Seu corpo (Mc 16.1, conf. Mt 27.56), revelando uma família que compartilhava do zelo pelo ministério do Messias (Mc 15.40; Mt 20.20).  

1.4. Chamado e vocação transformadora 

Antes de seguir JESUS, João era pescador, uma profissão comum e próspera na região da Galileia (Mc 1.19,20). O Messias escolheu trabalhadores simples para serem pescadores de homens (Lc 5.1-10), demonstrando simbolicamente que, assim como lançavam redes ao mar, eles trariam pessoas à vida eterna. 


1.5. Últimos dias e testemunho permanente 

Segundo a Tradição, João foi enviado para o exílio na ilha de Patmos por ordem de Domiciano, após sobreviver a uma tentativa de execução. Com a morte do imperador, ele regressou a Éfeso, onde permaneceu até o fim de sua vida, dedicando-se ao ministério durante o governo de Trajano (Ap 1.9). 

Alguns historiadores asseguram que João fundou várias igrejas na Ásia e morreu 68 anos após a assunção de JESUS, com mais de 90 anos de idade. De acordo com a maioria dos estudiosos, ele foi o mais longevo dos apóstolos e, provavelmente, teria sido o único dos Doze a não sofrer martírio. 

 

 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

AS BÊNÇÃOS DE ISRAEL E A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

 

AS BÊNÇÃOS DE ISRAEL E A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

TEXTO BÍBLICO: Deuteronômio 28:1-14; Êxodo 15:26

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Ef 1:3,4).

O estudo comparativo entre Deuteronômio 28:1-14 e a Teologia da Prosperidade é fundamental para entender o contexto bíblico original e as distorções que podem surgir em interpretações modernas.

Estudo Comparativo: Deuteronômio 28:1-14 vs. Teologia da Prosperidade

A passagem em Deuteronômio 28:1-14 descreve as bênçãos condicionais decorrentes da obediência à Aliança de Deus com Israel. A Teologia da Prosperidade, por sua vez, é um movimento contemporâneo que foca no bem-estar material e na saúde física como indicadores da bênção divina, muitas vezes ligando-os diretamente à "semeadura" financeira (dízimos e ofertas).

A seguir, um quadro comparativo com as principais diferenças e semelhanças:

Aspecto

Deuteronômio 28:1-14

Teologia da Prosperidade

Pacto/Aliança

Pacto Mosaico/Lei: As bênçãos são parte de um pacto nacional e condicional com a nação de Israel, focado na vida na Terra Prometida.

Novo Pacto (em tese): Aplica as promessas como se fossem um contrato individual no Novo Testamento, ignorando o contexto histórico-redentor.

Condição Principal

Obediência Diligente (v. 1): Ouvir e guardar TODOS os mandamentos de Deus.

"Fé"/Semeadura: A prosperidade é ativada por uma "fé" declarativa e, crucialmente, pela oferta/dízimo como investimento.

Natureza da Bênção

Prosperidade Agrária e Nacional: Fertilidade do ventre, da terra, dos animais, sucesso militar e proeminência entre as nações (v. 4, 7, 13).

Prosperidade Material Individual: Riqueza pessoal, carros, casas, saúde perfeita e ausência de problemas financeiros.

Propósito da Bênção

Testemunho e Consagração (v. 9-10): Israel seria estabelecido como povo santo de Deus, temido pelas outras nações, para glorificar a Deus.

Conforto Pessoal: A bênção serve primariamente para o usufruto e enriquecimento do indivíduo.

Soberania Divina

Deus é a Fonte (v. 8): É o Senhor quem manda a bênção, exalta e estabelece. A bênção é dada por Deus como recompensa pela fidelidade.

O Homem no Controle: O indivíduo tem o "poder" de determinar sua bênção através da fé/oferta. Deus é visto como um "servo" das leis espirituais.


Análise das Diferenças Chave

1. Contexto do Pacto

O texto em Deuteronômio faz parte do Pacto Mosaico, estabelecido entre Deus e a nação de Israel antes de entrarem na Terra Prometida. O objetivo das bênçãos e maldições (Dt 28:15-68) era regular a vida de Israel como nação teocrática na terra. As promessas eram essencialmente territoriais e coletivas.

A Teologia da Prosperidade comete uma leitura a-histórica, aplicando diretamente essas promessas nacionais e condicionais a crentes individuais na era da Igreja, que vive sob o Novo Pacto em Cristo.

2. O Papel da Obediência vs. Ação Humana

Em Deuteronômio, a prosperidade é uma consequência da obediência radical (Dt 28:1-2), que abrange toda a vida moral e espiritual.

Na Teologia da Prosperidade, o foco se desloca para o ato de "semear" (ofertar/dizimar), transformando a obediência num mecanismo de troca financeira. A oferta não é vista como um ato de adoração, mas como um investimento que obriga Deus a "retornar" à bênção material.

3. A Natureza da Bênção em Cristo

O Novo Testamento (o contexto do crente hoje) reinterpreta o conceito de "bênção" à luz da obra de Jesus Cristo.

  • Efésios 1:3 afirma que fomos "abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo". A maior bênção é a salvação, a adoção, o perdão dos pecados e a vida eterna.
  • Embora a provisão material seja real (Mateus 6:33), o Novo Testamento não promete a riqueza como um direito universal de todos os crentes. A vida cristã inclui o sofrimento (Romanos 5:3-5; 2 Timóteo 3:12) e a renúncia (Lucas 9:23-24), realidades que são frequentemente negadas pela Teologia da Prosperidade.

Síntese:

Deuteronômio 28:1-14 afirma o princípio bíblico de que a fidelidade a Deus resulta em bênçãos (em seu contexto, a prosperidade na terra). No entanto, a Teologia da Prosperidade distorce este texto ao:

  1. Individualizar e materializar uma promessa que era nacional e contextual.
  2. Transformar a obediência moral em transação financeira.
  3. Ignorar a teologia do sofrimento e da cruz central no Novo Testamento.

Portanto, o texto bíblico é mal utilizado pela Teologia da Prosperidade para apoiar uma visão de mundo que prioriza o enriquecimento pessoal, distanciando-se do propósito primário de Deus: a santidade e a glória do Seu Nome através da obediência em todas as áreas da vida.

INTRODUÇÃO

Na Palavra de Deus encontramos muitas preciosas e incondicionais promessas para toda a humanidade, como por exemplo, "sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite", enquanto a Terra durar e sem cessar (Gn 8:22). Todavia, algumas bênçãos e promessas são especificas para Israel e outras são para a Igreja. Entendemos que não é fácil distinguir que tipo de bênçãos foi destinado apenas para Israel, e quais bênçãos podem ser estendidas para a Igreja, hoje composta majoritariamente por gentios (não judeus). É um tema que precisa ser abordado com cuidado, pois, em nossos dias, é comum que algumas pessoas desavisadas tomem um verso bíblico em particular, e de forma bem isolada, e entendam que o conteúdo dele é para si. Falta equilíbrio de muitos pregadores que sobem nos púlpitos e despejam nos auditórios o resultado de interpretações equivocadas, dando um sentido às Escrituras Sagradas que o próprio Deus não tinha intenção de transmitir. Hoje, a maior bênção que uma pessoa pode experimentar é quando ela, pela fé, entrega a sua vida a Jesus e recebe o perdão dos seus pecados por intermédio do sangue do Cordeiro Imaculado.

I. PROMESSAS DE BÊNÇÃOS MATERIAIS PARA ISRAEL – Dt 28:8,11,12

1. Condição Especial: a obediência. O Senhor fez promessas de bênçãos materiais aos israelitas, para que eles pudessem se manter como nação independente das demais e com condições de levá-las a servir a Deus. Porém, nem tudo o que foi prometido por Deus a Israel era unilateral. Na verdade, a maioria das promessas dependia de uma obediência a Deus e temor para com Sua Palavra. Sem esses elementos, muitas das bênçãos não seriam derramadas. Eram bênçãos condicionadas, ou seja, dependiam de atitudes humanas para receberem a retribuição divina.


Em havendo obediência ao Senhor, Deus prometia a Israel a manutenção de seu sustento, as condições para que pudesse, do fruto da terra, obter a sua sobrevivência, para que, tendo com que comer, beber e vestir, pudesse exercer o seu papel de "reino sacerdotal e povo santo". Já no capítulo 11 do livro de Deuteronômio, vemos que o Senhor traz os benefícios da obediência, a começar pela chuva a seu tempo, a temporã e a serôdia, para que pudessem ser recolhidos o grão, o mosto e o azeite (Dt 11:14). Deus prometia chuvas no tempo certo não com o objetivo de que Israel tivesse "fartura desmedida" como pagamento de sua obediência, mas lhes dar condição para que, tendo com que comer, beber e vestir, não depender das demais nações e, assim, em independência, poder cumprir o propósito estabelecido para que servisse a Deus e fosse um veículo de aproximação entre Deus e os demais povos. Também, o Senhor prometeu erva no campo para que o gado pudesse se alimentar (Dt 11:15) e, desta maneira, servir não só de alimento para o povo, mas também para que os sacrifícios exigidos pela lei pudessem ser feitos.


Ao mesmo tempo em que o Senhor prometia bênçãos materiais para Israel, não deixou de alertar os israelitas para que seus corações não se deixassem enganar pela prosperidade material e, com isso, se desviassem dos caminhos do Senhor, pois, se isto acontecesse, se o povo deixasse de servir a Deus por causa das bênçãos dadas por Deus, tais bênçãos desapareceriam, com o fechamento dos céus, a falta de água e o consequente perecimento por falta de condições de sobrevivência (Dt 11:16,17).


2. Objetivo das bênçãos materiais para Israel:

a) Cumprir o propósito de Deus, que era o de Israel ser uma referência entre as nações para que elas se voltassem ao Senhor (Dt 28:1). A "exaltação sobre todas as nações da Terra" prometida pelo Senhor a Israel se obedecesse aos Seus mandamentos, não era o de fazer de Israel uma "potência político-econômica", um "império", mas, sim, de uma nação diferente das demais, com plenas condições de autossustento e que se distinguisse das outras pela sua maneira de viver, pela sua adoração a Deus.


É precisamente o que se requer da Igreja em nossos dias. Diante dos sistemas do mundo, ela deve ter uma maneira de viver distinta que faça com que os homens venham a nos perguntar a razão da esperança que há em nós (1Pe 3:15), algo que advém da nossa santidade, daquilo que somos, não daquilo que porventura tenhamos.


Os "teólogos da prosperidade", entretanto, desvirtuam esta realidade bíblica, defendendo uma "exaltação" que é antibíblica e satânica. O salvo por Cristo Jesus não precisa ser um "milionário" para mostrar ao mundo que serve a Cristo, que é salvo e que vai para o Céu. Não é através de uma "ostentação de riqueza" que iremos mostrar que servimos a Deus. Pelo contrário, a "ostentação de riquezas" nada mais é que a "soberba da vida", um dos elementos que caracteriza o mundo sem Deus e sem salvação (1Joao 2:16).


b) Dar condições para que o papel espiritual de Israel fosse cumprido. Os frutos materiais da obediência ao Senhor não visavam, em absoluto, uma vida regalada, uma vida voltada para os prazeres deste mundo, mas tão somente a criação de meios para que Israel se dedicasse a servir a Deus diante das demais nações.


A ganância desmedida estimulada pelos agentes da "teologia da prosperidade" não tem qualquer respaldo bíblico, nem mesmo no capítulo 28 do livro de Deuteronômio. Quem põe sua esperança e confiança no dinheiro, jamais se satisfará e tudo isto, diz Salomão, é vaidade (Ec 5:10). Fujamos, pois, desta pregação do deus Mamom, pois quem serve ao dinheiro, jamais servirá ao Senhor (Mt 6:24).


c) Criar condições para que Israel fosse "povo santo"(Dt 28:9). Através das bênçãos materiais (Dt 28:8,11,12), o Senhor tinha por propósito confirmar a Israel como "povo santo", para mostrar às demais nações que era "o povo chamado pelo nome do Senhor" (Dt 28:10) e, por este motivo, os povos teriam temor de Israel, expressão que não significava apenas "medo", mas, muito mais do que isto, respeito e consideração, atitudes que fariam com que os povos se interessassem em saber porque Israel era assim e, deste modo, pelo testemunho apresentado pelos israelitas, pudessem se aproximar do Senhor. Desta feita, os bens materiais jamais poderiam ser utilizados para a prática do pecado.


Os "teólogos da prosperidade" de nossos dias não explicam qual o objetivo com que Deus prometia abençoar Israel. Assim, sem tal explicação, acabam por incitar no povo incauto o desejo pela vaidade, o desejo pela acumulação de bens materiais, o desejo pelo enriquecimento etc. Já perceberam que os "testemunhos" apresentados por este tipo de gente só traz pessoas que dizem ter hoje uma "vida regalada?". Quantos já ouviram "testemunhos de prosperidade" em que a abundância supostamente recebida é utilizada para "confirmação da santidade", para a glória do nome do Senhor? Acredito que ninguém!


d) Emprestar a quem precisa (Dt 28:12b). A abundância patrimonial prometida a Israel seria aproveitada para que houvesse "empréstimos a muitas gentes", ou seja, o que sobrasse eventualmente do produzido, das riquezas auferidas, deveria ser "emprestada" a outros povos, empréstimos que não poderiam ser usurários, com propósito de exploração das outras nações, algo que era vedado pela lei, que mandava que o estrangeiro fosse bem tratado, visto que Israel havia sido povo estrangeiro no Egito (Ex 22:21; 23:9; Lv 19:33,34; Dt 10:19).


Portanto, o Senhor estava disposto, sim, a dar prosperidade material a Israel, mas como uma forma de permitir que os israelitas cumprissem o propósito maior de ser "reino sacerdotal e povo santo"(Ex 19:6), algo bem diferente do que se anda ensinando por aí pelos falsos pregadores da prosperidade.


De igual modo, a Igreja, para bem cumprir a sua missão de evangelizar o mundo, tem, também, da parte de Deus, promessas condicionadas à sua obediência, mas jamais para que tenha uma vida regalada aqui na Terra, e sim para que possa ser "luz do mundo" e "sal da terra". Temos consciência disto?


II. AS BÊNÇÃOS DE ISRAEL E O QUE CABE À IGREJA


1. AS BÊNÇÃOS DE ISRAEL.
 Estas bênçãos encontram-se, sobretudo, elencadas em conjunto nos primeiros quatorze versículos do capítulo 28 do livro de Deuteronômio, um dos textos prediletos dos "teólogos da prosperidade" que, retirando o texto do contexto, tomam esta passagem como uma das "demonstrações" do que o Senhor tem prometido ao Seu povo neotestamentário a prosperidade material. Isto é falso e deve ser prontamente refutado pelos servos do Senhor.


a) "Bendito serás tu na cidade e bendito serás no campo" (Dt 28:3). A primeira bênção, condicionada à obediência, diz respeito ao próprio ser do israelita. Ele mesmo seria uma bênção, seja na cidade, seja no campo. Isto está diretamente ligada ao propósito estatuído por Deus àquela nação: a de que seria uma bênção (Gn 12:2).


Deus promete que Seu povo seja uma bênção, isto é, ele será um motivo para que todos que estejam com ele sejam abençoados. Ele é um canal de bênçãos, pois ele é "bendito". Assim Jesus Se apresentou aos homens e assim foi aclamado quando adentrou em Jerusalém pela última vez em Seu ministério terreno – "... bendito o que vem em nome do Senhor..." (Mt 21:9; Mc 11:9). Jesus foi aclamado como "bendito", porque provou sê-lo ao andar fazendo bem e curando a todos os oprimidos do diabo (At 10:38). Nós, como Seus imitadores (1Co 11:1; 1Pe 2:21), também devemos nos comportar como Ele se comportou, andando a fazer bem e a curar a todos os oprimidos do diabo. Assim, provaremos que somos "benditos", que somos "luz do mundo e sal da terra".


Vemos, pois, que esta primeira bênção discrepa radicalmente do que é ensinado e estimulado pelos "teólogos da prosperidade", que não falam de "pessoas abençoadas" que "façam bem e curem todos os oprimidos do diabo", mas, sim, de pessoas que irão possuir muito para seu próprio deleite e regalo, sem se preocupar com o próximo e querendo sempre ganhar e ganhar cada vez mais. Tais "teólogos" estão a querer transformar os salvos em Cristo Jesus no rico da "história do rico e Lázaro" (Lc 16:19-31) e, que, como aquele rico, acabarão por passar para eternidade sem Deus e sem salvação, por ter amado as riquezas materiais em detrimento às riquezas espirituais (1Tm 6:9,10). Que Deus nos guarde!

b) "Bendito o fruto do ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais, e a criação das tuas vacas e das tuas ovelhas" (Dt 28:4). Aqui, o Senhor prometeu ao israelita fiel que abençoaria a sua descendência, algo necessário para a manutenção da existência da nação ao longo das gerações para que cumprisse o seu papel diante da humanidade, como também de todo o patrimônio, para que se tivesse o suficiente indispensável para a sobrevivência da nação.


Observemos que o Senhor não prometeu a multiplicação indiscriminada, a acumulação de riquezas em virtude da obediência a Deus. Prometeu que a descendência e o patrimônio seriam abençoados, ou seja, seriam tais que permitiriam a manutenção da existência da nação ao longo das gerações. Não temos aqui a promessa de um acúmulo desmedido, mas de que tudo contribuiria para o bem.


Não resta dúvida de que Deus quer abençoar a nossa família e o nosso patrimônio, mas o objetivo desta bênção é a da manutenção da nossa existência ao longo das gerações para que cumpramos o propósito divino de sermos "luz do mundo e sal da terra". Não há aqui qualquer promessa divina para que tenhamos uma "vida regalada", para que sejamos "milionários". Tudo isto não passa de distorção das Escrituras por parte dos ardilosos agentes da "teologia da prosperidade".


c) "Bendito o teu cesto e a amassadeira" (Dt 28:5). Deus prometia não só uma produção suficiente, mas que haveria condições para que aquela produção fosse aproveitada, devidamente armazenada e distribuída de maneira que todos pudessem ser satisfeitos em suas necessidades. Isto assume uma importância muito grande, pois sabemos que, na atualidade, muitos passam fome ao redor do mundo, mas não é por falta de produção. O Senhor dá o necessário para o sustento de toda a humanidade, algo que, inclusive, é potencializado pelo desenvolvimento tecnológico que tem aumentado a produtividade. Entretanto, toda esta produção não é distribuída corretamente, de sorte que muitos passam fome e muito alimento é desperdiçado no mundo.


d) "Bendito serás ao entrares, e bendito serás ao saíres" (Dt 28:6). A Nova Versão Internacional traduz esta benção como "a benção em tudo o que fizerem". Trata-se da promessa de sucesso e de bom êxito em todas as ações que forem realizadas pelo povo.
O Senhor Jesus ensinou-nos que nada podemos fazer sem Ele (João 15:5). Assim, quando o Senhor prometeu a Israel que ele seria bem-sucedido em tudo quanto fizesse, estava a prometer que estaria com o Seu povo em todos os momentos, em se mantendo a comunhão com Ele.


Israel, estando em comunhão com o Senhor, tudo faria para cumprir o seu papel diante das nações, ou seja, estaria a tomar atitudes sempre com o objetivo de glorificar e adorar ao Senhor, de fazer com que as nações se aproximassem de Deus. Eis a razão pela qual todas estas ações seriam bem-sucedidas, porque seriam do agrado do Senhor e teriam por finalidade a glória do Seu nome.


e) Posição superior aos demais povos – "ser cabeça e não cauda" (Dt 28:13). Aqui não se trata de uma posição de ostentação para que houvesse a opressão dos demais povos, mas uma posição de destaque, de uma demonstração de grandeza espiritual, que levassem os povos a servirem a Deus, a reconhecer que o Senhor estava com Israel e que era o único Senhor e Deus (Dt 6:4). Portanto, "ser cabeça e não cauda" nada tem a ver com ostentação, fama ou elevação de uma posição social invejável, como se diz por aí pelos "teólogos e pregadores da prosperidade", mas de estar "espiritualmente por cima", ou seja, de se manter em pé, em comunhão com o Senhor, cumprindo-se o que Deus quer de cada um de nós.

f) A bênção da saúde - "E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o Senhor que te sara" (Ex 15:26). Esta foi uma bênção dada pelo Senhor ao povo de Israel, sob condição de obediência, logo no início da jornada no deserto, em Mara. Ali, o Senhor disse a Israel que, se ele fosse obediente, não poria nenhuma das enfermidades que havia posto sobre o Egito, porquanto Ele era o "Senhor que sara" (Javé-Rafá).


A saúde aqui também está vinculada à missão que Israel deveria realizar para o Senhor diante das nações. Israel não seria atingido por juízo divino algum para que pudesse ser "reino sacerdotal e povo santo", para que pudesse levar as nações à comunhão com o Senhor.
É bom ressaltar que esta benção não era de "imunidade contra as doenças", de "saúde eterna", até porque nas próprias promessas dadas a Israel, estava a da bênção do fruto do ventre, para continuidade da existência biológica do povo, prova de que as pessoas haveriam de morrer, haja vista que estamos no mundo e a morte física é um juízo estatuído por Deus a toda a humanidade por causa do pecado.


Com base nesta promessa dada pelo Senhor a Israel, há aqueles que também defendem uma "imunidade contra doenças" por parte de Deus a todos quantos forem fiéis ao Senhor. A doença, dizem os defensores da "teologia da confissão positiva", seria um sinal de pecado. Isso é uma tremenda falsidade! Tanto assim é que um grande profeta levantado por Deus, Eliseu, morreu por causa de uma enfermidade (2Rs 13:14), doença esta que não era resultado de pecado algum, tanto que, mesmo depois de morto, ainda foi contabilizado um milagre a Eliseu, a ressurreição de um morto que tocou em seus ossos (2Rs 13:21).

2. O QUE CABE À IGREJA. No Novo Testamento, a primazia do povo de Deus não está voltada para os bens materiais, mas predominantemente aos espirituais. Portanto, as bênçãos do capítulo 28 de Deuteronômio, tão utilizadas pelos pregadores da "teologia da prosperidade" em nossos dias, foram direcionadas ao povo de Israel, como fica bem claro no introito da relação, em Dt 28:1, e tinha uma finalidade específica, a saber, a exaltação de Israel sobre todas as nações da Terra, como fruto da fidelidade à lei de Moisés, lei que, como bem sabemos, já não mais vigora na atual dispensação. Infelizmente, algumas heresias têm sido fomentadas nos arraiais evangélicos porque algumas dessas promessas são tomadas como se fossem também para a Igreja. Não há respaldo bíblico para se confirmar isso, sendo mais uma artimanha dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente a todos quantos não conhecem a doutrina (Ef 4:14).


Outrossim, as Bênçãos dadas individualmente aos vários personagens bíblicos, como Abraão, Isaque, Jacó, Noé, Salomão, Ana, Raabe, Ezequias (prorrogação de sua vida) e muitos outros, foram específicas e não podem ser tomadas como algo que deva acontecer da mesma forma hoje, ainda que o seu conteúdo espiritual permaneça válido. Foi o caso de Salomão (1Rs 3:11-13), que recebeu a prosperidade material não porque a tivesse pedido, mas, sim, porque quis, antes, sabedoria, a verdadeira prosperidade. Como isso agradou a Deus, Salomão recebeu, também, riquezas materiais (1Rs 3:5-10). Portanto, é um tremendo engano querer fazer as pessoas crerem que, assim como Salomão, de igual modo, Deus tem algum compromisso de enriquecer este ou aquele servo seu, pelo simples fato dele ser fiel ao Senhor.


No Novo Testamento, a prosperidade do povo de Deus é acumulada não na Terra, mas no Céu (Mt 6:19,20). Na carta aos Romanos 12:16, a Palavra do Senhor diz: "Não devemos ambicionar coisas altas, mas acomodar às humildes". Aliás, no Novo Testamento não há sequer um versículo de promessa de abundância material para os que esperam pela vinda de Cristo. Se observarmos com cuidado o Novo Testamento, no tocante à vida na Igreja, com suas práticas e desafios, veremos que há mais referências para que tomemos cuidados com as riquezas do que o incentivo à busca delas. Como estes: "Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína" (1Tm 6:9); "Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos" (1Tm 6:17); "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam"(Mt 6:19); "...vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres..."(Mc 10:21).


Não negamos que Jesus tenha bênçãos materiais para a Sua Igreja: "Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma" (3João 1:2 ARA); a ideia de uma vida abençoada não se restringe ao Antigo Testamento. Todavia, é preciso observar que o enfoque do Novo Testamento não é prosperidade material; definitivamente, não é para isto que a Igreja foi constituída e não é este o propósito estabelecido para ela pelo Senhor. Quando mudamos a agenda divina de salvação de almas e aperfeiçoamento dos santos pela agenda de busca de prosperidade, estamos nos encaminhando, perigosamente, para a apostasia. Não é à toa que a primeira expressão da igreja de Laodicéia, que é o retrato da igreja apóstata dos últimos dias, antes do arrebatamento, seja "rico sou e de nada tenho falta" (Ap 3:17), a mostrar que essa igreja tinha, em primeiro plano, a preocupação com as riquezas, com os bens materiais, comportamento que persiste nos nossos dias, onde, lamentavelmente, boa parte da igreja evangélica tem perdido a dimensão escatológica do Reino de Deus, ao privilegiar apenas seu aspecto externo, isto é, o "ter" e não seu lado atemporal ou eterno - o "ser"(ler 1Ts 4:17; 1Co 16:22). O apóstolo Paulo, escrevendo aos filipenses, afirmou: "Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Fp 3:20). É claro que o cristão não tem como evitar o lado "temporal" da vida, mas seu olhar deve fixar-se, prioritariamente, em sua redenção eterna.


CONCLUSÃO
Nós que amamos a vinda do Senhor, e temos como principal alvo a promessa da vida eterna (1João 2:25), devemos priorizar a comunhão com o Senhor e não a busca insana por riquezas materiais, pois "os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas que submergem os homens na perdição e ruína"(1Tm 6:9). "Vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos ímpios" (Sl 37:16). "Quem não se contenta com o que possui, priorizando a busca de riquezas e o amor ao dinheiro, é capaz de fazer qualquer coisa para ganhar mais e mais dinheiro, até mesmo mercadejar a Palavra de Deus (2Co 2: 17, ARA). A avareza é uma espécie de idolatria (Ef 5:5), e nenhum idólatra entrará no Reino de Deus (1Co 5:11; Ap 21:8)" (Pr. Ciro Sanches).

 

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