quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

SIFRÁ e PUÁ - AS PARTEIRAS QUE DERAM VIDA A MOISÉS

 


Sifrá e Puá: As Parteiras que Defendiam a Vida

Êxodo 1:15-22 O rei do Egito deu uma ordem às parteiras ...

As parteiras Sifra e Puá são figuras bíblicas de grande relevância, especialmente no contexto da história do nascimento de Moisés.

Elas foram escolhidas para representar a coragem e a fé diante da opressão, desafiando as ordens de um faraó cruel e salvando inúmeras vidas inocentes.

O Contexto Histórico

A história de Sifrá e Puá se desenrola no antigo Egito, durante um período de intensa escravidão do povo hebreu. O faraó, temendo o crescimento da população hebraica, ordenou que todas as crianças do sexo masculino nascidas entre os hebreus fossem mortas no rio Nilo. Essa ordem cruel visava enfraquecer e controlar o povo de Deus.

A Atitude de Sifrá e Puá

Diante dessa ordem injusta e cruel, Sifra e Puá, que eram as parteiras responsáveis pelo parto das mulheres hebraicas, tomaram uma decisão corajosa: desobedeceram ao faraó e salvaram as vidas dos meninos. Motivadas pelo temor a Deus e pela compaixão, elas escolheram proteger a vida inocente, mesmo sabendo das consequências que poderiam enfrentar.

O Significado de Seus Atos

A atitude de Sifra e Puá revela:

  • Fé em Deus: Elas confiaram em Deus e em seus propósitos, mesmo diante de uma situação desafiadora e perigosa.
  • Compaixão: Sentiram compaixão pelas mães hebraicas e pelos bebês recém-nascidos, negando-se a tirar uma vida inocente.
  • Coragem: Desafiaram a autoridade do faraó, colocando suas próprias vidas em risco para proteger os outros.

 O Legado de Sifrá e Puá

A história de Sifra e Puá é um exemplo inspirador de fé, coragem e compaixão. Elas se tornaram símbolos da resistência contra a opressão e da defesa da vida. Seu legado continua a inspirar pessoas ao redor do mundo, mostrando que mesmo diante de grandes desafios, é possível fazer a diferença escolhendo o lado da justiça e da compaixão.

 A história de Sifra e Puá nos ensina que:

  • A vida é sagrada e deve ser protegida.
  • É possível resistir à injustiça, mesmo quando as dos parecem estar contra nós.
  • A fé em Deus nos dá força para enfrentarmos os desafios da vida.

“Sendo o menino grande, ela o trouxe à filha de Faraó, da qual passou ele a ser filho. Esta lhe chamou Moisés e disse: Porque das águas o tirei” (Êx 2.10).

“O rei do Egito ordenou às parteiras hebreias, das quais uma se chamava Sifrá, e outra, Puá, dizendo: Quando servirdes de parteira às hebreias, examinai: se for filho, matai-o; mas, se for filha, que viva” (Êx 1.15-16).

O objetivo principal do diabo é matar, eliminando vidas, projetos, sonhos, realizações e demais conquistas que alguém consiga obter. Qual ladrão, Jesus declarou que ele veio para “matar, roubar e destruir” (Jo 10.10).

“As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como lhes ordenara o rei do Egito; antes, deixaram viver os menino” (Êx 1.17).

A obediência não é absoluta, havendo limites para a mesma (At 5.29). Se o diabo sugerir a uma pessoa para assassinar alguém, Não deve ser obedecido; se disser para roubar, não deve ser obececido. Você não foi chamado para obedecer a satanás, mas a Deus. Portanto, qual o seu “deus”, aquele a quem tens prestado obediência?

Sifrá e Puá nos ensinam que há limites para a obediência, a qual não pode ser cega, mas sempre submissa à Deus e sua Palavra. Como ensinado no livro “Princípio de Autoridade”, a obediência deve seguir a seguinte escala hierárquica, registrada nas Escrituras:

A autoridade soberana de Deus

A autoridade constitucional de sua Palavra

A autoridade da consciência

As autoridades delegadas (familiares, eclesiásticas, governamentais, acadêmicas e profissionais)

1-A autoridade cultural

2-A autoridade funcional, e

3-A autoridade estatutária

Elas desobedeceram e assim cumpriram os Planos de Deus, os quais não Podem Ser Frustrados.

OS PLANOS DE DEUS NÃO PODEM SER FRUSTRADOS

“Então, o rei do Egito chamou as parteiras e lhes disse: 

Por que fizestes isso e deixastes viver os meninos?” (Êx 1.18).

 

Intimidação e medo são estratégias comuns que o diabo usa para desanimar e enfraquecer os que servem a Deus e querem fazer o que é correto.

 

Responderam as parteiras a Faraó: É que as mulheres hebreias não são como as egípcias; são vigorosas e, antes que lhes chegue a parteira, já deram à luz os seus filhos. E Deus fez bem às parteiras; e o povo aumentou e se tornou muito forte. E, porque as parteiras temeram a Deus, ele lhes constituiu família” (Êx 1.19-21).

 

Deus abençoa a vida daqueles que são fiéis aos seus princípios.

“Então, ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem aos hebreus lançareis no Nilo, mas a todas as filhas deixareis viver” (Êx 1.22).

Devemos entender que satanás é persistente. Mesmo depois de grande vitórias, a perseguição permanece implacável; mesmo depois de um grande livramento, o inimigo continua cercando as pessoas para matá-las e destruí- las.

Devemos dispensar, ignorar estas palavras, não as acolhendo em nossos corações, a fim de que não adoeçamos e paremos.

Foi-se um homem da casa de Levi e casou com uma descendente de LeviÊx 2.1

Levy significa “unido a...”.

Dois levitas se casaram, unindo-se e, assim, constituindo uma família, mesmo em meio à crise.

Crises podes destruir os planos de muitos, mas não àqueles que se apaixonam, que colocam seus sonhos no coração; estes atingem os seus propósitos. Em meio à perseguição e mortandade, Anrão e Joquebede se amavam e desejavam se casar, e nada os impediu disto.

Que ninguém ou nenhum contexto de crises, enfermidades e pandemias destrua os sonhos daqueles que são apaixonados por um projeto que Deus colocou em suas vidas.


“E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que era formoso, escondeu-o por três meses” (Êx 2.2).

Três meses”. O número três representa as três dimensões do tempo (passado, presente e futuro), e, assim, três momentos que se completam em um sentido.

Por exemplo: As três trasladações (Enoque, Elias e Jesus), as três aberturas do rio Jordão, as três multiplicações de pães e os três objetos que estavam dentro da Arca da Aliança (o maná, o o bordão de Aarão e as tábuas da Lei).

Não podendo, porém, escondê-lo por mais tempo, tomou um cesto de junco, calafetou-o com betume e piche e, pondo nele o menino, largou-o no carriçal à beira do rio” (Êx 2.3).

“Cesto”: não é um local apropriado para se colocarem bebês, mas, sim, pães ou frutas. Quando colocados em um cesto, aprendemos que somos livres de afundar neste mundo para que possamos distribuir a palavra saciadora do Pão da Vida (Jo 6), e produzirmos, em todo tempo, frutos para a glória de Deus.

“Betume”: é o produto que se colocava nas embarcações para que estas não afundassem, sendo aplicados somente após ganharem a forma pastosa através do aquecimento junto ao fogo. A presença do Espírito Santo em nós nos alerta e capacita a não afundarmos no mar da vida, nos mantendo acima da mesma.

“A irmã do menino ficou de longe, para observar o que lhe haveria de suceder” (Êx 2.4).

 

Aquela irmã atenta (Miriã) representa a igreja que intercede, estando alerta e preocupada com a saúde espiritual daqueles a quem Deus lhes coloca no caminho.

Trata-se do amoroso e sacrificial poder da intercessão.

Desceu a filha de Faraó para se banhar no rio, e as suas donzelas passeavam pela beira do rio; vendo ela o cesto no carriçal, enviou a sua criada e o tomou. Abrindo- o, viu a criança; e eis que o menino chorava. Teve compaixão dele e disse: Este é menino dos hebreus”Êx 2.5-6

Mesmo que a sua família, por alguma circunstância, não possa te livrar, Deus usa outras pessoas para te socorrerem e para te livrarem, mesmo que estejam fora do arraial da família da fé.

É importante ressaltar que aquela princesa notou que Moisés era hebreu (pela sua circuncisão, sinal do pacto com Deus). Todos devem nos reconhecer como servos de Deus, mesmo que não venhamos a dizer nada, tal como aquele bebê. O nosso pacto por Deus nos traz marcas, que devem ser visíveis a todos, pelo nosso comportamento e bom procedimento.

Então, disse sua irmã à filha de Faraó: Queres que eu vá chamar uma das hebreias que sirva de ama e te crie a criança? Respondeu-lhe a filha de Faraó: Vai. Saiu, pois, a moça e chamou a mãe do menino” (Êx 2.7-8).


Temos que agir com iniciativa, especialmente aproveitando as oportunidades que antecipem decisões que outras pessoas possam tomar.

A iniciativa de Miriã foi fundamental naquele momento.

Então, lhe disse a filha de Faraó: Leva este menino e cria-mo; pagar-te-ei o teu salário. A mulher tomou o menino e o criou” (Êx 2.9).

Moisés, apesar de afastado temporariamente de sua mãe, foi reconduzido aos braços da mesma e de maneira ainda melhor, pois agora estaria plenamente salvo por causa da influência da princesa egípcia.

Um detalhe importante: a própria mãe foi chamada a cuidar dele, e ainda foi paga por isto.

RESTITUIÇÃO: Deus usa meios diferentes para restituir aquilo que o diabo retirou.

OS PLANOS DE DEUS NÃO PODEM SER FRUSTRADOS

Sendo o menino grande, ela o trouxe à filha de Faraó, da qual passou ele a ser filho. Esta lhe chamou Moisés e disse: Porque das águas o tirei (Êx 2.10).

 

·                 Você, como Moisés, foi “tirado das águas” para ser cuidado por Deus, ensinado por Deus, enviado por Deus e usado por Deus, até que sejas, então, tomado por Deus.

 

O rei do Egito ordenou às parteiras hebréias, das quais uma se chamava Sifrá, e outra, Puá (Êx 1.15).

 ·                 Concluo este Estudo com o significado dos nomes das duas corajosas parteiras, que enfrentaram com inteligência e ousadia a ordem de faraó, e a aplicação dos mesmos quanto às nossas vidas, diante de Deus e diante da sociedade:

·       Sifrá: Seu nome significa "beleza" ou "ser justo".

·       Puá: Seu nome significa "esplendor" ou "moça".

 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

A VIDEIRA VERDADEIRA


 

A RAINHA DE SABÁ VISITA SALOMÃO


 A Rainha de Sabá e o Rei Salomão: Um Encontro Histórico e Mítico

A história da Rainha de Sabá e sua visita ao Rei Salomão é um dos contos mais fascinantes e enigmáticos da Bíblia. Embora a veracidade histórica de alguns detalhes seja debatida, a narrativa exerce um forte apelo popular e cultural há milênios.

Quem era a Rainha de Sabá?

A identidade exata da Rainha de Sabá permanece um mistério. Ela é mencionada em diversos textos religiosos, incluindo o Antigo Testamento e o Alcorão, como uma poderosa governante de um reino rico e avançado, localizado na região da Arábia do Sul. A tradição mais difundida a associa à Etiópia, mas outras teorias apontam para o Iêmen ou outras regiões da Península Arábica.

A Visita a Salomão

A narrativa bíblica (1 Reis 10 e 2 Crônicas 9) descreve a Rainha de Sabá como uma mulher sábia e curiosa que, tendo ouvido falar da fama e sabedoria de Salomão, decidiu empreender uma longa jornada até Jerusalém para testá-lo. Acompanhada de uma grande caravana carregada de ouro, incenso e outras riquezas, ela apresentou ao rei enigmas e questões complexas sobre sua sabedoria.

Impressionada com a inteligência e os conhecimentos de Salomão, a rainha reconheceu sua superioridade e ofereceu-lhe valiosos presentes. Em troca, Salomão presenteou-a com tudo o que ela desejava, além de conceder-lhe um banquete suntuoso.

O Legado da História

A história da Rainha de Sabá e Salomão possui um rico simbolismo e diversas interpretações ao longo dos séculos. Alguns dos principais aspectos a serem destacados são:

  • Intercâmbio cultural: A visita da rainha representa um encontro entre duas grandes civilizações da Antiguidade, com a troca de conhecimentos e riquezas.
  • Sabedoria e conhecimento: A figura de Salomão como um homem sábio e justo é exaltada, enquanto a Rainha de Sabá simboliza a busca incessante pelo conhecimento.
  • Riqueza e poder: A descrição dos presentes trocados entre os dois líderes ressalta a riqueza e o poder de seus respectivos reinos.
  • Relações internacionais: A história sugere a existência de relações diplomáticas e comerciais entre diferentes povos daquela época.

A Verdade Histórica

A veracidade histórica da narrativa da Rainha de Sabá é um tema complexo e debatido por estudiosos. Alguns aspectos da história podem ser baseados em fatos reais, como a existência de um reino poderoso na região da Arábia do Sul e as relações comerciais entre diferentes povos. No entanto, outros elementos podem ser fruto da imaginação popular ou de adaptações posteriores.

Em resumo, a história da Rainha de Sabá e Salomão é um conto fascinante que transcende as fronteiras do tempo e da religião. Ela continua a inspirar artistas, escritores e estudiosos, e a despertar a curiosidade de pessoas de todas as idades.

 

A RAINHA DE SABÁ VISITA SALOMÃO


Navegando num magnífico navio, a Rainha de Sabá estava a caminho da Terra de Israel, em visita ao Rei Salomão – o mais sábio de todos os homens.

De repente, ela prendeu a respiração, pois uma visão de insuperável esplendor atraiu seu olhar. Ao longe, viu uma estrela deslumbrante surgindo das espumas do mar. À medida que se aproximava, a estrela emergente parecia ir se transformando numa linda flor, faiscando com o brilho de muitos matizes e cores.

"Não pode ser outro senão o famoso Palácio de Cristal," exclamou a Rainha de Sabá. Ansiava por ver esta deslumbrante obra.

"Apressem-se!" ordenou, impaciente, aos remadores.

Finalmente o navio ancorou junto à praia de uma pequena ilha. Lá a Rainha de Sabá e seu séquito foram saudados por uma hoste de arautos e oficiais, que se postavam dos dois lados da alameda que levava ao palácio. Entre eles destacava-se um homem, cujas vestes reais, porte e maneira, superavam todos os outros em beleza e nobreza.

"Ora veja, descobri o Rei Salomão," pensou ela, enquanto se ajoelhava graciosamente diante do nobre varão.

"Por que te ajoelhas, Ó Rainha?" perguntou ele.

"Pois não és tu o grande Rei Salomão?"


"Não, Majestade; sou apenas um de seus oficiais aqui enviado para dar-te as boas-vindas às nossas pacíficas praias. E agora, sobe na carruagem real, minha Rainha e eu te levarei ao Rei.
"Oh," pensou a Rainha de Sabá, "se um simples servo de Salomão é tão nobre assim, o rei deve ser verdadeiramente divino!"

As portas da sala do trono foram escancaradas, na soleira permaneceu petrificada a Rainha de Sabá, totalmente maravilhada! Estava num palácio feito do mais puro cristal. A luz do sol se infiltrava nos transparentes paredes que a difundiam em mil brilhantes matizes. Cada joia na coroa, no trono e no cetro reais atraia a luz como um imã e a refletia em empolgante esplendor. Ao longe, podia-se vislumbrar o mar azul que, através das paredes translúcidas, dava a impressão de que o palácio estava construído sobre as suas ondas.

Finalmente a Rainha de Sabá encontrou palavras para expressar a sua admiração:

"Se eu não estivesse neste salão contigo, pensaria que teu trono se erguia sobre as próprias águas do mar."

Então ela avançou lentamente através da grande sala real para receber a saudação e a bênção do Rei Salomão. Após a troca de cumprimentos a Rainha tomou acento num lugar de honra junto ao trono e dirigiu as seguintes palavras ao Rei:

"Tu granjeaste amplo renome por tua sabedoria. Deixa que te proponha algumas adivinhações para ver se de fato és tão sábio como todo mundo afirma.

"Podes perguntar, minha Rainha," disse o Rei Salomão.

A Rainha de Sabá colocou o primeiro enigma:

"Dize-me, sábio Rei Salomão,
Que águas são essas, que não
Nascem da pedra, chão ou monte.
E embora venham da mesma fonte,
Ora amargas, ora doces são?"


O Rei Salomão ficou pensativo por um momento e então respondeu:

"As lágrimas não vêm do chão,
E é doce o pranto da emoção
Feliz. Amargo é o pranto,
Da dor, tristeza e desencanto."

A rainha sorriu diante da rápida resposta e logo lhe propôs outro:

"A minha mãe me deu um dia
Presentes dois – que alegria!
Um veio do alto mar infindo,
Guardado num estojo lindo.
O outro veio das entranhas
Escuras, fundas, das montanhas."


A resposta de Salomão veio quase sem qualquer hesitação:

"Finas pérolas, brilho irisado,
Ricos anéis, ouro lavrado.
Beleza pura e poder do ouro.

Rainha, adivinhei o teu tesouro?"


A pergunta era desnecessária, já que o Rei Salomão sabia que havia acertado a resposta do enigma. A Rainha de Sabá concordou sorridente e apresentou o terceiro:

"Rei, muito sábio, tu podes dizer:
Quem, sepultado vivo, no fundo
Da terra, longe do sol e do mundo
Morre – e no entanto, torna a viver?"

A sabedoria de Salomão não falhou também desta vez, quando respondeu:

"A sementinha sepulta no chão
Faz nascer a espiga, o dourado grão.
E aquele que ali a enterrou
Colheu boa safra e se regalou."

A Rainha de Sabá prosseguiu:

"O que é que gira alegre no ar:
Caindo do céu no chão, sua pureza
Se vai e morre toda a beleza?"

O Rei Salomão respondeu:

"A neve, caindo do céu distante,
Desce à terra, leve e dançante.
O homem pisa na sua brancura.
E acaba com a sua beleza pura."

A Rainha de Sabá não resistiu à vontade de fazer mais uma pergunta:

"Dize-me, Rei e responde-me logo:
Dádiva da natureza ao fogo,
Que rios ocultos sob terra e monte,
O homem bendiz; e bendiz sua fonte?"

O Rei então respondeu:

"Dum solo da mais rica natureza,
Brota, faiscante, da profundeza,
Óleo precioso, que então alimenta
O fogo que ao mundo ilumina e esquenta."

A Rainha de Sabá estava maravilhada com a sabedoria do Rei Salomão e as suas perspicazes respostas. Pensou bastante numa maneira de espantá-lo e finalmente disse aos seus servidores:
"Vamos pegar os meninos e meninas que trouxe comigo e os vestiremos com roupas exatamente iguais. Então veremos se o Rei será capaz de distingui-los uns dos outros."

Dito e feito. A Rainha trouxe um grande grupo de crianças diante do Rei Salomão. Estavam todas vestidas exatamente iguais. Era impossível distinguir os meninos das meninas só pelo olhar. O Rei Salomão deveria inventar uma maneira de separá-los.

Examinou pensativo as crianças paradas à sua frente. Súbito, chamou seus servos e mandou que trouxessem baldes com água e os colocassem diante de cada criança.
"Agora, queridas crianças, só o que precisam fazer é lavar suas mãos com a água que mandei colocar à sua frente."

Mas o Rei Salomão avisara seus servos para não fornecer toalhas a elas.

O Rei observava as crianças enquanto cumpriam sua ordem. Quando terminaram de lavar as mãos, olharam em volta, mas não viram as toalhas. Algumas crianças começaram a secar as mãos nos seus aventais.

O Rei Salomão pensou: "Essas são meninas, porque elas estão acostumadas a enxugar as mãos nos aventais; mas os outros, parados sem jeito, com a água pingando das mãos, certamente são os meninos!"

Então o Rei mandou todos os meninos ficarem de um lado do seu trono, e as meninas do outro lado e disse à Rainha de Sabá:

"Aqui à minha direita estão os meninos e à esquerda, as meninas."

A Rainha de Sabá não podia conter sua admiração pela sabedoria do Rei Salomão. Dirigindo-se aos seus astrólogos e conselheiros, exclamou:

"Estou tão feliz de ter feito esta longa viagem para ver o Rei Salomão, pois ele é na verdade o mais sábio de todos os homens!"

E então a Rainha de Sabá desceu de sua cadeira e curvou-se ajoelhada diante do trono do Rei.

"Tu és abençoado por Deus, pois nenhum mortal jamais andou sobre a terra com tal sabedoria como a tua," disse a Rainha reverentemente.

"Levanta-te, minha Rainha," disse o Rei. "Vamos à recepção que preparei em tua honra."

No suntuoso salão de banquetes estavam reunidos os ministros de Estado e os homens sábios do Sanhedrin que o Rei havia convidado para o festim.

Quando a rainha de Sabá entrou, viu o magnífico salão de refeições, as mesas faiscando de ouro e prata, carregadas de finos manjares, as vestes suntuosas que envergavam o Rei e seus cortezões e os nobres e veneráveis semblantes de todos os presentes, ficou cheia de espanto e admiração pelo esplendor da corte do Rei Salomão. Nos seus sonhos mais arrojados ela não imaginara nem metade do esplendor e da sabedoria que veio a conhecer.

"Bendito seja o Deus de Israel!" exclamou a Rainha de Sabá.

Rainha de Sabá: sua história e sua conexão com Salomão

A rainha de Sabá, também conhecida como Rainha do Sul, é uma figura bíblica mencionada no Antigo e Novo Testamento. Na história, é lembrada por sua busca por sabedoria, em relação ao nome do Senhor, na visita memorável que fez ao rei Salomão, filho de Davi.

A Bíblia não menciona o nome da rainha de Sabá. Apenas relata que ela se deslocou do seu reino distante, localizado em África, provavelmente onde hoje será a Etiópia ou Iêmen, para conhecer a sabedoria do reino de Israel, em Jerusalém.

Rainha de Sabá

A rainha de Sabá viajou vários quilômetros com uma grande comitiva, levando presentes valiosos como: ouro, especiarias e pedras preciosas. Seu objetivo era testar a sabedoria de Salomão com perguntas difíceis.

O rei Salomão respondeu a todas as perguntas com grande sabedoria, deixando a rainha de Sabá muito impressionada. Ela ficou como que fora de si, tanto com suas respostas quanto com a exuberância de seu palácio e a organização de seu reino.

A história termina com o reconhecimento da rainha de Sabá de que a sabedoria e a prosperidade de Salomão superavam muito, tudo o que ela havia ouvido. Ela louvou o Deus de Israel, pelo seu amor eterno pelo seu povo e por escolher Salomão como rei. Após a troca de presentes, ela retornou ao seu país.

No Novo Testamento, Jesus testemunha sobre a rainha de Sabá, contrastando com aquela geração de israelitas, que O desprezava. Jesus disse que a rainha de Sabá se levantará, no dia do juízo, contra os incrédulos, por sua descrença e falta de arrependimento.

Ele lembrou que a Rainha do Sul, veio de tão longe para conhecer a sabedoria de Salomão, pessoalmente. E, agora, aquelas pessoas, estavam ali perante o Messias, e mesmo assim, eram incapazes de crer na Sua Palavra.

Principais características da rainha de Sabá

A rainha de Sabá era uma mulher impressionante: arrojada, valorosa, possuidora dum espírito crítico e cheia de coragem. Veja outras características:

  1. Mulher sábia: A rainha propôs enigmas difíceis para testar o rei Salomão. Certamente ela tinha um nível elevado de inteligência, de raciocínio e conhecimentos gerais, ao ponto de comprovar, por meio de questões desafiadoras (filosóficas, lógicas e principalmente teológicas) a sabedoria do rei judeu.
  2. Rainha poderosa: Era uma governante rica e influente de um reino muito próspero. Isso nota-se no relato da quantidade de presentes que ela e sua comitiva levaram para o rei de Israel.
  3. Curiosidade aguçada: Apesar de não sabermos ao certo a localização de Sabá, ela terá viajado muitos quilômetros de distância desde o seu país (em África) até Jerusalém. Tudo isso motivada pela sua curiosidade e senso de investigação. A rainha de Sabá tinha um especial interesse em conhecer sobre o Deus de Israel.
  4. Possuía grande generosidade: Ela trouxe presentes valiosos como ouro, especiarias e pedras preciosas de muito longe para presentear o rei Salomão. No final, a visita diplomática da rainha também se expressou numa troca generosa de presentes entre as duas partes.
  5. Buscadora da verdade: Jesus a elogiou no Novo Testamento (Mateus 12:42 e Lucas 11:31) por sua atitude de buscar a verdade e a sabedoria de Deus.

A rainha de Sabá se casou com Salomão?

Segundo a história bíblica, nada indica que a Rainha de Sabá se casou com Salomão. O relato bíblico nos diz que, ao final da sua visita, a rainha de Sabá voltou para o seu país e para o seu reino, ficando claro que Salomão não terá se casado com ela, como fez com outras centenas de mulheres.

Outra observação importante é que as Escrituras destacam essa rainha importante pela sua busca por conhecimento. Elas não descrevem a rainha de Sabá como mais uma das muitas princesas que se relacionaram amorosamente com o rei Salomão (e perverteram seu coração).

Ao contrário, o relato nos mostra uma rainha sábia e investigativa, focada em descobrir se o que ouvira acerca da sabedoria do rei de Israel, com respeito ao nome do Senhor, era mesmo a verdade. Não há indícios de segundas intenções.

O que aprendemos com a história da Rainha de Sabá

A história da Rainha de Sabá oferece-nos profundas lições, veja algumas:

  • Somente Deus é a fonte da verdadeira sabedoria: A rainha de Sabá era uma mulher inteligente e sábia, mas ela mesmo testemunhou quão maravilhada ficou diante dos esclarecimentos que teve através de Salomão. Deus capacitou Salomão com grande sabedoria (1 Reis 4:29:34).
  • Disposição pessoal para conhecer a Deus e a sua sabedoria: A rainha de Sabá estava determinada a obter o conhecimento de Deus, através do sábio rei Salomão. Seu interesse genuíno fez com que ela ultrapassasse os limites da distância e da cultura e alcançasse o que buscava.
  • Ser criterioso na busca pela verdade: A rainha foi crítica na sua investigação. Ela pensou sobre o que ouviu, então, foi em busca de respostas. Determinada, analisou bem e ficou maravilhada com o que ouviu e viu com os próprios olhos. Devemos raciocinar sobre o que ouvimos, e questionar àqueles que se dizem sábios, para não ser enganados e iludidos com falsos ensinos.
  • Ter zelo na busca pelo conhecimento verdadeiro traz bons resultados: A rainha foi resiliente na sua busca por sabedoria. Certamente ela já tinha ouvido vários sábios do seu reino, mas não se deu por satisfeita. Ela alcançou o conhecimento verdadeiro, quando buscou a fonte certa.
  • Importância da generosidade e humildade na busca pela sabedoria divina - A rainha de Sabá valorizava o entendimento e sabedoria, por isso foi generosa ao retribuir pelo que recebeu. Mas Salomão, como representante do Deus de Israel, superou em tudo o que ela ouviu e até mesmo nos presentes que deu, ela recebeu muito mais.
  • Um bom testemunho pode impactar gerações: Ela reconheceu e testemunhou as maravilhas que viu e ouviu no reino de Salomão. O próprio Jesus falou acerca da rainha de Sabá como alguém que conheceu a sabedoria divina (Mateus 12:42).
  • Uma mulher que fez diferença na história: Embora muitos reis tenham visitado Salomão para ouvir a sabedoria que Deus lhe dera (2 Crônicas 9:23), a visita da Rainha de Sabá é detalhada de forma especial na Bíblia. Talvez porque ela tenha se convertido a Deus e alcançado a fonte da sabedoria e entendimento que fora buscar quilômetros de distância da sua terra.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

OBEDECER E CONFIAR EM DEUS


 

REI SALOMÃO E A SABEDORIA DIVINA

 


A SABEDORIA DIVINA DE SALOMÃO

Salomão: O Rei Sábio e o Templo de Jerusalém

Salomão, filho do rei Davi e de Bate-Seba, é uma das figuras mais intrigantes e complexas da Bíblia. Conhecido por sua sabedoria, riqueza e pelas grandiosas construções, seu reinado marcou um período de grande prosperidade e esplendor para o reino de Israel.

A Sabedoria de Salomão

Uma das características mais marcantes de Salomão foi a sua sabedoria. Em uma famosa história, ele pediu a Deus não riquezas nem poder, mas sim sabedoria para governar o povo de maneira justa e sábia. Deus atendeu ao seu pedido, e Salomão se tornou conhecido por sua capacidade de julgar com sabedoria e resolver disputas complexas.

Seus juízos, registrados nos livros de Reis, são exemplos de sua perspicácia e de sua capacidade de enxergar além das aparências. A história das duas mães que disputavam um bebê é um dos exemplos mais conhecidos de sua sabedoria.

O Templo de Jerusalém

O ponto alto do reinado de Salomão foi a construção do Templo de Jerusalém, um lugar sagrado para o culto a Deus. Este templo era considerado a casa de Deus na Terra e um símbolo da união entre Deus e o povo de Israel. A construção do templo foi um empreendimento grandioso, que envolveu a utilização de materiais nobres e a mão de obra de artesãos habilidosos.

A Prosperidade e a Decadência

Durante o reinado de Salomão, o reino de Israel viveu um período de grande prosperidade. O comércio floresceu, a riqueza aumentou e a influência de Israel se estendeu por toda a região. No entanto, essa prosperidade também trouxe consigo um lado negativo. Salomão acumulou grande riqueza pessoal e permitiu que a adoração a outros deuses se espalhasse por seu reino.

O Legado de Salomão

O legado de Salomão é complexo e ambíguo. Por um lado, ele é lembrado como um rei sábio e justo, que construiu o Templo de Jerusalém e uniu o povo de Israel. Por outro lado, é visto como um rei que se desviou dos mandamentos de Deus e permitiu que a adoração a outros deuses se espalhasse por seu reino.

A história de Salomão nos ensina sobre a importância da sabedoria, da justiça e da fidelidade a Deus. Também nos mostra que a prosperidade pode levar à corrupção e que o poder pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal.

Texto BÍBLICO: 1Rs 4:29-34

"Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem o conhecimento e o entendimento" Pv.2:6

INTRODUÇÃO

Nos últimos dias do reinado de Davi e a tumultuada escolha de seu sucessor. Como nessa vida tudo é passageiro, chegou o momento de o rei apresentar o seu sucessor; o “homem segundo o coração de Deus” devia passar o bastão da liderança do reino de Israel. Precisou da direção divina para tomar esta decisão. Foi um momento difícil, pois envolveu muitos interesses. O poder sempre fascinou o homem e não seria agora que este estigma da personalidade humana deixaria de manifestar-se naqueles que são obcecados pelo poder e o querem a qualquer custo. Salomão foi o sucessor de Davi no trono, à revelia de muitos, como, por exemplo, Adonias (o filho de Davi), Joabe (comandante do exército), Abiatar (um dos principais conselheiros de Davi) e vários outros. Era um tempo de forte crise na família de Davi, mas Deus abençoou o novo rei, concedendo-lhe sabedoria para reinar com justiça e equidade. Seu reino foi um dos mais prósperos e abençoados de Israel.

 

I. CRISE FAMILIAR NO REINO DAVÍDICO

1. A velhice do rei (1Rs.1:1-4). O rei Davi havia envelhecido, estava no fim da sua vida, e Israel ainda não sabia quem lhe sucederia no trono; essa demora gerou uma crise entre os filhos de Davi e no reino. Adonias, seu filho indisciplinado, considerava a si mesmo como o herdeiro legítimo do trono. Cheio de orgulho, dizia ao povo: “depois de meu pai, eu serei o rei”. Diante da fragilidade de Davi, Adonias intitulou-se rei (1Rs.1:5) antes mesmo do seu pai falecer, e à revelia de muitos.

Devido ao tumulto que Adonias causara, Davi designou seu filho Salomão como seu sucessor no trono. Não sei se essa era a vontade de Davi, mas teve que cumprir a vontade do Senhor. O reino de Israel pertencia ao Senhor, não a Davi ou a qualquer outro. Por essa razão, o rei de Israel era um representante de Deus, que tinha como tarefa realizar a sua vontade para com a nação. Deste modo, Deus pôde escolher a pessoa que Ele mesmo quis estabelecer como rei, sem seguir as linhas habituais de sucessão. Davi não era herdeiro de Saul, e Salomão não era o filho mais velho de Davi. Mas isso não importou para serem escolhidos por Deus. Portanto, Salomão não chegou ao trono por uma simples indicação de Davi, mas por uma escolha divina, e mesmo, antes de apresentá-lo ao povo, Davi já sabia dessa revelação divina.

2. Adonias e os valentes de Davi. A indicação de Salomão à sucessão do trono de Israel não se deu de forma amistosa e pacífica. Muitos interesses foram manifestados de forma vergonhosa e desrespeitosa. Os filhos mais velhos de Davi - Amnom e Absalão - haviam morrido, e Quileabe, provavelmente, também não era mais vivo. Adonias, vendo que seu pai demorava em indicar o seu sucessor, quis usurpar o trono, sabendo ele que era o imediato na linha sucessória. O problema é que Deus já havia escolhido Salomão, e já tinha orientado Davi a respeito da sucessão (1Cr.22:9,10). Contudo, Adonias seguiu o caminho do seu irmão, Absalão, e engendrou um golpe, através do qual passaria à frente de Salomão e reclamaria o trono para si. Aproveitando-se da enfermidade do pai, Adonias apoderou-se do trono pela violência, induzindo Joabe (comandante do exército) e Abiatar (um dos principais conselheiros de Davi) a conspirar contra a vontade do rei. Estes dois homens se renderam à busca por interesses próprios, após uma vida inteira de lealdade a Davi. De fato, o que observamos eram homens insubmissos, ávidos pelo poder e que desejavam sentar-se no trono a qualquer custo. Mas, o sacerdote Zadoque, o profeta Natã e os valentes de Davi não apoiaram a atitude de Adonias, pois ele estava desrespeitando o rei publicamente e usurpando o trono. Certamente, eles já sabiam quem seria o sucessor de Davi, pois este, em algum momento, já os tinha mencionado que Salomão lhe sucederia no trono de Israel. Era Deus quem estava no comando de Israel; Ele era e é o legítimo rei e dono dessa nação. Portanto, a competência para escolher o sucessor de Davi pertencia a Deus. Davi apenas indicou Salomão a Israel como seu sucessor, mas foi Deus quem o escolheu (1Cr.22:9).

3. A atitude de uma mãe em meio à crise. Diante do movimento subversivo iniciado por Adonias, o profeta Natã foi até a mãe de Salomão e contou-lhe o que estava acontecendo. Ciente disso, ela relata a Davi sobre as pretensões de Adonias. Ao ouvir as notícias, Davi ordenou todos os preparativos para a entronização de Salomão, e proclamou-o rei sobre todo o Israel. A tentativa de golpe de Adonias fracassou e os seus seguidores espalharam-se. Adonias teve que reconhecer que Salomão era o rei e ele deveria submeter-se ao seu reinado.

O primeiro erro de Adonias foi tentar antecipar um título que não lhe pertencia: “Então, Adonias, filho de Hagite, se levantou, dizendoEu reinarei. E preparou carros e cavalheiros e cinquenta homens que corressem adiante dele” (1Rs.1:5). O texto deixa bem claro o desejo de Adonias em usurpar o trono de seu pai, Davi. Ele seguiu os mesmos passos de Absalão, seu irmão. Mas Davi tomou ciência do fato e constituiu Salomão rei, acabando assim com a rebelião de Adonias. Desta forma, Davi cumpre a vontade de Deus, quando confirma Salomão no trono: “E, de todos os meus filhos (porque muitos filhos me deu o Senhor), escolheu Ele o meu filho Salomão para se assentar no trono do reino do Senhor sobre Israel. E me disse: Teu filho Salomão, ele edificará a minha casa e os meus átrios, porque o escolhi para filho e eu lhe serei por pai. E estabelecerei o seu reino para sempre, se perseverar em cumprir os meus mandamentos e os meus juízos, como até o dia de hoje (1Cr.28:5-7).

Salomão foi o escolhido de Deus para dar continuidade a linhagem davídica, de onde, séculos depois, viria o Senhor Jesus. Portanto, Salomão chegou ao trono por uma escolha divina, e esta escolha fora feita antes mesmo de Salomão nascer, e Davi era cônscio disso (1Cr.22:8,9).

Quando Salomão assumiu o trono, seu pai ainda estava vivo. Adonias, sentindo-se rejeitado e sem entender a direção de Deus, continuou a conspirar contra Salomão. Por causa da sua traição, ele poderia ser morto. Mas, apavorado com a possibilidade de morrer, correu para o Santuário e, chegando lá, "agarrou-se às pontas do altar", lugar dos sacrifícios a Deus. Era um lugar em que ninguém ousaria cometer uma violência. Por isso, Adonias "pegou das pontas do altar". A simbologia desse altar é a misericórdia e a justiça de Deus.

 

O altar, que tinha quatro pontas (ou chifres) e era feito com madeira de cetim e coberto com cobre, ficava no pátio onde eram feitos os sacrifícios. Foi nas pontas desse altar que Adonias, no desespero para não morrer, agarrou-se. O texto da Bíblia, na versão Almeida Revista e Corrigida, diz que Adonias foi "e pegou das pontas do altar" (1Rs.1:50) e assim sua vida foi salva da morte.

Adonias tornou-se reincidente na sua ambição pelo trono, mesmo tendo sido liberto da morte ao "agarrar-se nas pontas do altar". Logo em seguida, continuou conspirando contra Salomão e acabou sendo morto (1Rs.2:25,32).

Fazendo um paralelo entre essa experiência do reino de Israel e a situação do rei Davi, enfermo e enfraquecido no seu reino, com o contexto da igreja de Cristo hoje, ficaremos absortos diante do que acontece. Líderes que envelhecem e perdem a força de governo na igreja acabam criando situações de conflito para a sucessão pastoral. Nossos líderes, às vezes, perdem a noção do seu papel na Igreja, e pessoas com intenção egoísticas formam grupos que traem a confiança pastoral gerando mal-estar no seio da igreja. Que o Senhor nos guarde dessas atitudes e que nossos líderes saibam o tempo de passar o bastão para o seu legítimo sucessor.

Antes de morrer, Davi tomou duas providências que visavam o futuro tanto de seu filho, Salomão, como de toda a nação de Israel (1Rs.2:1-12):

Reuniu todo o povo e os homens do governo para entregar a seu filho a autoridade real e explicar ao povo o que estava acontecendo; e

 ·    Aconselhou Salomão a guardar a Lei de Moisés, andando nos caminhos de Deus, e livrar-se de todos aqueles que representavam algum tipo de ameaça à unidade e à integridade da nação de Israel. Certamente não queria que este cometesse os mesmos erros que ele cometeu. Depois de aconselhar Salomão, Davi partiu a estar com o Senhor, deixando um legado exemplar e basilar.

II. SALOMÃO BUSCA SABEDORIA PARA REINAR


1. O novo rei (1R.3:3,4). Morto Davi, Salomão tornou-se rei de Israel. Reinou entre 970 e 930 a.C. Ele começou seu reinado com fé no Senhor e amor a Ele. Procurou obedecer aos estatutos do Senhor e a lei de Moisés (1Rs.3:3). Como uma demonstração de gratidão e de seu caráter piedoso, ele foi a Gibeão para lá sacrificar ao Senhor, e sacrificou mil holocaustos (1Rs.3:4). Ele demonstrou não estar preocupado em obter poder, riquezas ou fama; ele buscou, antes de tudo, a presença de Deus. Procurou também adquirir sabedoria para governar o seu povo com equidade e justiça. Foi no reinado de Salomão que Israel chegou ao apogeu da sua glória. Sua época foi marcada por justiça, paz, prosperidade e prestígio internacional.

2. Salomão pede sabedoria a Deus (1Rs.3:5-14). Em Gibeão, apareceu-lhe o Senhor de noite, em sonho, e disse-lhe: "[...] Pede o que quiseres que te dê" (1Rs.3:5). Diante dessa oportunidade inigualável, Salomão proferiu uma das mais belas orações da Bíblia, uma oração que agradou a Deus. Ele orou pedindo sabedoria e um coração entendido, isto é, capacidade para tomar decisões coerentes com a verdade revelada na Lei de Moisés.

“E disse Salomão: De grande beneficência usaste tu com teu servo Davi, meu pai, como também ele andou contigo em verdade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a tua face; e guardaste-lhe esta grande beneficência e lhe deste um filho que se assentasse no seu trono, como se vê neste dia. Agora, pois, ó SENHOR, meu Deus, tu fizeste reinar teu servo em lugar de Davi, meu pai; e sou ainda menino pequeno, nem sei como sair, nem como entrar. E teu servo está no meio do teu povo que elegeste, povo grande, que nem se pode contar, nem numerar, pela sua multidão. A teu servo, pois, dá um coração entendido para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; por que quem poderia julgar a este teu tão grande povo?” (1Rs.3:6-9).

Com esse pedido, Salomão demonstrou reconhecer três verdades importantíssimas: (a) ele era humanamente incapaz de governar Israel; (b) seu sucesso dependia única e exclusivamente do favor de Deus e; (c) o povo de Israel não era propriedade sua, e sim do próprio Jeová, Deus de Israel.

Deus se agradou de seu pedido (1Rs.3:10) e atendeu sua oração (1Rs.3:11-14). Todavia, o dom da sabedoria que Deus deu a Salomão não era uma garantia de que ele sempre andaria em retidão. Por essa razão, Deus acentuou que a vida longa de Salomão dependeria de “andares nos meus caminhos” (1Rs.3:14). Posteriormente, a infidelidade de Salomão impediu a realização integral da vontade de Deus na sua vida (1Rs.11:1-8).

3. O desejo de construir um Templo para Deus (2Sm.7:1-3). Davi desejou construir o Templo - “E sucedeu que, estando o rei Davi em sua casa, e que o Senhor lhe tinha dado descanso de todos os seus inimigos em redor; disse o rei ao profeta Natã: ora, olha, eu moro em casa de cedros e a Arca de Deus mora dentro de cortinas...” (2Sm.7:1-2).

Porém, Deus não permitiu que Davi construísse o Templo - “Mas sucedeu, na mesma noite, que a palavra do Senhor veio a Natã, dizendo: vai e dize a Davi meu servo: Assim diz o Senhor: Tu me não edificarás uma casa para morar...” (1Cr.17:3-4).

Motivo: Davi havia matado muita gente em batalhas – “... Por isso você não construirá um templo em honra do meu nome, pois derramou muito sangue na terra, diante de mim” (1Cr.22:8).

Por decisão de Deus, Salomão construiria o Templo. Disse Deus a Davi - “E há de ser que, quando forem cumpridos os teus dias, para ires a teus pais, suscitarei a tua semente depois de ti, a qual será dos teus filhos, e confirmarei o seu reino. Este me edificará casa; e eu confirmarei o seu Reino” (1Cr.17:11). Coube, pois, a Salomão a bênção e o privilégio de construir o primeiro, o mais rico, e o mais belo dos Templos (cf.1Reis 5 a 8 e 2Cr.2 a 7). Construir um Templo era uma necessidade e iria contribuir para a união das famílias e o fortalecimento do reino de Israel.

 

III. SABEDORIA PARA EDIFICAR O TEMPLO


1. Salomão faz aliança com Hirão (1Rs.5:1-12). Salomão não quer saber de guerras, quer alianças; seu reino é de paz. Ele fez aliança com Hirão, o rei gentio de Tiro, que controlava as amplas reservas de madeira do Líbano. Hirão havia mantido um relacionamento amistoso com Davi, e desejava fazer o mesmo com Salomão. Prontificou-se, portanto, a fornecer madeira para Salomão edificar o Templo para o Senhor. Salomão enviaria trabalhadores ao norte do Líbano para ajudar a cortar as árvores. As toras seriam levadas ao mar Mediterrâneo e transportadas em jangadas até algum ponto próximo a cidade de Jope e, de lá, carregadas para Jerusalém. Como pagamento pela madeira, Salomão forneceria mantimentos à casa de Hirão de ano em ano.

2. A construção do Templo. A construção foi realizada em sete anos e meio - entre o quarto até o décimo primeiro ano do reinado de Salomão (1Rs.6:37,38). Davi passou para o seu filho as plantas do Templo, conforme o Senhor lhe dera (1Cr.28:11-19). Todo o material – como a prata, o ouro e as pedras preciosas -, o projeto, bem como toda a liturgia da vida religiosa foram providenciados por Davi e entregues a Salomão.

Quando o Templo ficou todo pronto, Salomão convocou todo o Israel para uma grande festa de dedicação. Ele convocou os principais líderes do povo e todo o povo, e ordenou o translado da Arca da Aliança para o Templo. No dia do cortejo, que foi feito com grande pompa, em que todos os sacerdotes e levitas cantavam salmos e o povo festejava, foi imolado um imenso número de ovelhas e bois em sacrifício.

Na nova Aliança, não há mais uma obrigatoriedade do templo para que haja a manifestação da presença de Deus, pois agora o corpo do salvo é o templo do Espírito Santo, conforme diz o apóstolo Paulo: “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co.6:19,20).

Sendo, portanto, o corpo do salvo, templo, é algo que é sagrado, algo que se encontra dedicado para o serviço de Deus. Nosso corpo é morada do Espírito Santo, é a Sua habitação. Sendo assim, devemos manter o nosso corpo em perfeita santidade, porque Deus é santo.

Não só não podemos usar nosso corpo como instrumento do pecado, porque isto é comportamento de quem não alcançou a salvação (Rm.6:12,13), como também devemos ter o corpo pronto para ser oferecido em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional (Rm.12:1).

Assim, quando Paulo nos afirma que o nosso corpo é templo do Espírito Santo, está nos dizendo que o corpo deve ser uma parte do homem que deve ser destinada a agradar ao Senhor. O corpo é um local onde devemos adorar a Deus, um lugar onde devemos demonstrar a pureza de nosso interior, um lugar que deve demonstrar o perdão dos nossos pecados, um lugar onde tudo o que façamos tenha por objetivo agradar a Deus. Muito ao contrário dos que defendem a falsa doutrina de que “Deus só quer o coração", o que a Bíblia nos ensina, através desta figura, é que o corpo é o lugar em que devemos adorar a Deus, ou seja, servi-lo. É através do corpo que comprovaremos se, realmente, fomos santificados, fomos perdoados, fomos purificados e se, realmente, estamos agradando a Deus.

3. A Arca da Aliança. 


A Arca da Aliança representava a presença de Deus entre o seu povo. Salomão trouxe-a do Tabernáculo antigo para o local onde ela haveria de ficar, no santuário do Templo, de forma definitiva (2Cr.5:2-7). Ela foi colocada no local chamado de Santo dos Santos, sendo que aí somente uma vez por ano era permitida a entrada do sumo sacerdote.

Depois que os sacerdotes saíram do santuário, uma nuvem encheu a Casa do Senhor (2Cr.5:11-14). Os sacerdotes não puderam ficar de pé, para ministrar, tamanha era a glória de Deus naquele lugar. “Então, disse Salomão: O SENHOR tem dito que habitaria nas trevas. E eu te tenho edificado uma casa para morada e um lugar para a tua eterna habitação. Então, o rei virou o rosto e abençoou a toda a congregação de Israel, e toda a congregação de Israel estava em pé” (2Cr.6:1-3). Depois de um breve discurso (2Cr.6:1-11), Salomão se dirigiu a Deus, com uma das mais belas orações da Bíblia (2Cr.6:14-42).

Depois da dedicação do Templo, o Senhor apareceu mais uma vez a Salomão e ordenou que ele obedecesse à Lei e conduzisse o povo à obediência, com a promessa de que, sob estas condições, os olhos do Senhor estariam sempre sobre aquele lugar, mas caso Israel desobedecesse, seria submetido à severa disciplina (1Rs.9:1-9; 2Cr.7:11-22). O Templo era muito grande e muito bonito, conforme contam as Sagradas Escrituras. Com o passar do tempo, ele se tornou o referencial maior para o povo de Israel. Infelizmente, o Templo de Salomão foi destruído no ano 586 a.C., pelos exércitos da Babilônia, quando, então, o Reino do Sul foi levado cativo.

CONCLUSÃO

A Bíblia não oferece respostas específicas para as inúmeras questões que surgem ao longo da vida; não resolve os problemas de forma explícita, mas nos fornece os princípios gerais. Precisamos de sabedoria para aplicá-los aos desafios da vida diária. Durante o reinado de Salomão, a riqueza e o poder de Israel foram incomparáveis. Os quarenta anos do seu reinado foram de glória crescente para Israel. Deus também deseja dar a todos nós sabedoria para vivermos uma vida santa e vencer as crises que surgirem em sua caminhada. “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada” (Tg.1:5). "Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem o conhecimento e o entendimento" (Pv.2:6)

Postagens

O CASAMENTO DE RUTE E BOAZ – A REMIÇÃO DA FAMÍLIA

  O CASAMENTO DE RUTE E BOAZ – A REMIÇÃO DA FAMÍLIA   TEXTO BÍBLICO: Rute 3:8-10; 4:11 “Agora, pois, minha filha, não temas; tudo quan...

Postagens Mais Visitadas