QUEM AMA CUMPRE A VONTADE DE DEUS
TEXTO BÍBLICO: Romanos 12:8-14
"A ninguém
devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque
quem ama aos outros cumpriu a lei" (Rm 13.8).
A reflexão sobre o amor e a
obediência à vontade divina encontra em Romanos 12:8-14 (e no paralelo
teológico fundamental de Romanos 13:8) uma das expressões mais profundas e
práticas de como a fé cristã deve ser vivida no cotidiano.
Embora o enunciado cite a
referência de Romanos 12, o versículo clássico que sintetiza essa verdade — "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com
que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei" — está em Romanos 13:8. Ambos os textos revelam
que o verdadeiro amor não é um sentimento abstrato, mas uma força ativa que
cumpre integralmente os propósitos de Deus.
1. O Amor como a Dívida Eterna
O apóstolo Paulo utiliza uma
linguagem financeira ("a ninguém devais
coisa alguma") para
introduzir uma paradoxal dívida perpétua: o amor ao próximo.
- Quitação da Lei:
Enquanto todas as obrigações humanas devem ser pagas e encerradas, a
dívida do amor nunca prescreve.
- O Cumprimento da Lei:
Paulo afirma que "quem ama aos outros
cumpriu a lei". Isso
ecoa o ensino de Jesus de que toda a Lei e os Profetas se resumem em amar
a Deus e ao próximo como a si mesmo (Mateus 22:37-40). Quem ama
genuinamente não rouba, não mata, não mente e não prejudica o irmão; logo,
a prática do amor torna obsoleta a transgressão moral.
2. A Expressão Prática do Amor
(Romanos 12:8-14)
No contexto imediato de Romanos
12, Paulo detalha como esse amor se manifesta na prática da comunidade de fé e
na vida diária:
- Diligência e Sinceridade (v.
8): O amor se manifesta no serviço dedicado. A exortação para que quem
repasse faça-o com simplicidade, quem governe com cuidado e quem exercite
a misericórdia com alegria mostra que o amor remove o egoísmo de nossas
ações.
- Falsidade Zero e Apego ao Bem (v.
9): "O amor seja não fingido.
Aborrecei o mal e achegai-vos ao bem." O amor cristão é autêntico; ele não
compactua com a injustiça, mas defende intransigentemente o que é reto
diante de Deus.
- Respeito e Fervor Espiritual (v.
10-11): "Amai-vos cordialmente uns aos
outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. No
cuidado não sejais vagarosos; sede fervorosos no espírito, servindo ao
Senhor." O amor honra o
próximo, valorizando-o mais do que a si mesmo, e afasta a apatia
espiritual.
- Resiliência na Tribulação (v.
12): "Alegrai-vos na esperança, sede
pacientes na tribulação, orai na perseverança." Amar também significa sustentar uns aos
outros através da oração e da esperança compartilhada quando as
dificuldades surgem.
- Solidariedade e Generosidade (v.
13): "Comunicai com as necessidades
dos santos; segui a hospitalidade." O amor cristão abre a casa e os recursos para suprir as
reais necessidades daqueles que passam por privações.
- Atitude diante da Oposição (v.
14): "Abençoai aos que vos perseguem,
abençoai e não amaldiçoeis." Este é o teste supremo do
amor ensinado por Cristo: responder à hostilidade com graça e intercessão,
refletindo o caráter perdoador do próprio Deus.
REFLEXÃO:
Cumprir a vontade de Deus não se
resume a um formalismo religioso ou ao mero cumprimento de rituais externos.
Para o apóstolo Paulo, o amor é a própria essência da obediência.
Quando amamos segundo o padrão de
Cristo, deixamos de olhar para a lei como um fardo de proibições e passamos a
vivenciá-la como uma oportunidade constante de abençoar o próximo. Afinal, quem
ama cumpre a vontade de Deus porque o próprio Deus é amor (1 João 4:8), e habitar no amor é habitar no próprio Deus.
INTRODUÇÃO
Neste estudo falaremos a respeito
do Amor como Fruto do Espírito. Sem esta virtude é impossível absorver as
demais virtudes do Fruto do Espírito exarados em Gálatas 5:22; todas as outras
virtudes dependem do Amor. É a suprema virtude do Fruto do Espírito, e a maior
verdade revelada por Deus aos homens é: Deus é amor (1João 4:8b). Apesar de ser
algo conhecido de todos, lamentavelmente não é uma realidade que se possa
atingir com o intelecto ou com a mente. Somente aqueles que se convertem e
recebem o Espírito Santo em suas vidas é que podem, efetivamente, ter o amor
divino e, assim, desenvolver as nove qualidades apontadas nas Escrituras como
sendo o Fruto do Espírito. Jesus deixou-nos muito claro ao dizer que seus
discípulos seriam reconhecidos pelo amor (João15: 12; 1João 2:10,11; 3:10,11).
Aliás, a maior marca de uma igreja não é sua teologia, seu templo, tradições,
mas sim o seu amor para com o Senhor Jesus e para com o próximo.
I. DEUS CRIOU O HOMEM DOTADO DE
CAPACIDADE PARA AMAR
1. Deus é amor (1João 4:8). O amor
faz parte da própria natureza de Deus. Ainda que Deus não quisesse amar, mesmo
assim ele continuaria amando, porque Deus é amor. Ao criar o homem, ele
inspirou-se em si mesmo – “E disse Deus: Façamos o
homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança... E criou Deus o homem à sua
imagem; à imagem de Deus o criou...” (Gn.1:26,27). Criado à imagem de
Deus, e sendo que Deus é amor, subentende-se que o amor se tornou parte da
própria natureza do homem. O homem foi criado com capacidade para amar. Assim,
se Adão não tivesse pecado, ele nunca teria conhecido o ódio, a inimizade, o
desejo de vingança, a cobiça, a inveja, e coisas semelhantes. As obras da carne
não seriam produzidas em seu corpo. Adão tinha sido criado para amar.
2. O Pecado afetou a
imagem de Deus existente no homem. O homem, ao pecar, perdeu
a capacidade plena de poder amar. Na medida em que se foi aprofundando no
lamaçal do pecado, o homem foi, proporcionalmente, perdendo a capacidade de
amar – de amar a Deus, de amar a si mesmo, de amar ao próximo. Todavia, o amor
nunca foi eliminado, de forma total e absoluta, da vida do homem, porque o amor
faz parte de sua própria natureza, visto ter sido ele criado à imagem de Deus, e “Deus é amor”.
Por mais primitivo que seja o
homem, por mais estúpido, por mais mau caráter, em todo homem existe uma
centelha de amor, por mais que alguns procurem escondê-la. Todo homem ama
alguém, ou alguma coisa. Daí o adágio que diz
que “os brutos também amam”.
O homem natural jamais poderá
viver a vida cristã como ela deve ser vivida. Não pode haver Cristianismo sem
amor, sem muito amor. A marca registrada do discípulo de Jesus é o amor,
conforme afirmou o próprio Jesus: “Nisto todos
conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João
13:35). O amor é, também, o distintivo do filho de Deus – “Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei o bem [...] e
será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo...”
(Lc.6:35).
Ser “evangélico”, especialmente
aqui no Brasil, não é difícil. Porém, em qualquer parte do mundo, ser discípulo
de Cristo, ser cristão, ser filho de Deus, é simplesmente impossível sem o Novo
Nascimento. O homem natural, dependendo do grau de envolvimento com o pecado,
ele perde a capacidade até de amar a si mesmo, de zelar pela sua autoestima.
Nesta condição, de forma alguma ele poderá viver tal como o Senhor Jesus
ensinou: “...Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o
teu coração, e toda a tua alma, e de todo o teu pensamento...Amarás o teu
próximo como a ti mesmo” (Mt.22:37,39). Na expressão “o teu próximo”, estão
incluídos, também, os inimigos, por isto o Senhor Jesus foi taxativo ao
declarar: “...amai a vossos inimigos...”.
Ser “evangélico” pode ser
fácil, mas, ser um crente salvo, é difícil, é impossível para o homem natural.
Talvez seja está uma das causas que muitas Denominações, ditas como
Evangélicas, preferem não ensinar, no seu todo, a Palavra de Deus. Preferem
esconder a Cruz e manter o povo em ritmo de festa, envolvendo-o mais e mais com
a busca das coisas da terra.
Ensinar sobre o negar-se a si
mesmo, amar os inimigos, fazer bem aos que nos aborrecem, bendizer os que nos
maldizem, orar pelos que nos caluniam, oferecer a outra face, entregar a capa e
também a túnica, caminhar a segunda milha – este ensino somente os que nasceram
de novo, somente os verdadeiros cristãos, somente os cidadãos do Céu, somente
os discípulos de Jesus, somente os filhos de Deus, podem aceitar. E, só podem
aceitar, porque, conforme afirmou Paulo, “porque o
amor de Cristo nos constrange...” (2Co.5:14).
3. O Espírito Santo
restaura, no homem, a imagem de Deus, devolvendo-lhe a capacidade plena de
Amar. “Mas o fruto do
Espírito é: amor...” (Gl.5:22). Biblicamente,
a vida cristã tem que começar com o Novo Nascimento, quando, segundo afirmou
Paulo, “assim que, se alguém está em Cristo, Nova
Criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co.5:17).
Neste novo homem o Espírito Santo pode habitar –
“...Porque vós sois o templo do Deus vivente...” (2Co.6:16). Assim, na
medida em que o homem vai dando lugar ao Espírito Santo, ele vai moldando,
nesse novo homem, a imagem de Deus. Na proporção em que a imagem de Deus vai
sendo restaurada, mais e mais a natureza de Deus vai sendo devolvida ao homem, e “Deus é amor”. É
assim, e tão somente assim, que o homem poderá chegar à capacidade plena de
amar. De amar a Deus, de amar a si mesmo, de amar os que o amam, e de amar,
também, os seus inimigos.
Deus não pede o que o homem não
tem para dar. Deus não exige o que o homem não pode fazer. Deus sabe que os
seus filhos têm amor para dar. Deus sabe que seus filhos podem amar, até mesmo
os seus inimigos. Você é filho de Deus?
II. A SINGULARIDADE DO AMOR ÁGAPE
O Amor mencionado
nas Escrituras como sendo a essência divina é o chamado amor "ágape",
assim
denominado pela palavra grega utilizada no Novo Testamento para esta espécie de
amor. Usado cerca de 250 vezes no Novo Testamento, “ágape” é a palavra
utilizada todas as vezes em que se menciona um amor que tem como origem o
próprio Deus, a começar do chamado "texto áureo da Bíblia" (cf. João
3:16). É um amor que não leva em consideração o valor do ente amado, que não se
importa em satisfação própria, mas que tem prazer tão somente no benefício do
ente amado. Envolve a inteligência, as emoções e a vontade (faculdades da
alma).
O amor proveniente de Deus é o
amor que leva em consideração o outro, não a si próprio. Deus não ama o homem
porque tenha ele algum valor diante de Deus, pois o homem e toda a sua justiça,
como descreveu o profeta, não passa de trapo de imundícia (Is.64:6). Diante do
Senhor, o homem é como um vapor é como a erva do campo (Tg.5:14; 1Pd.1:24).
Apesar disto tudo, Deus nos ama e nos quer bem a todo instante e, neste amor,
humanizou-se e se fez maldito para nos proporcionar o restabelecimento da
comunhão perdida por causa do pecado e, assim, tornar possível que voltemos a
viver eternamente na sua companhia. Isto é o amor ágape, tão bem descrito em
1Coríntios 13, cujas características são:
1. O amor é sofredor (1Co.13:4). Quem tem o verdadeiro amor proveniente de Deus não se importa com o sofrimento, com o padecer. Quem ama, sofre se este sofrimento representa o bem do ente amado. O amor divino é altruísta, ou seja, vê o benefício do outro e vive em função do outro, não de si mesmo.
2. O amor é benigno
(1Co.13:4). Quem tem o verdadeiro amor proveniente de Deus
não tem má-fé, não tem más intenções (ou, como se diz, "segundas
intenções"). Quem ama sempre é movido pela boa-fé, pela pureza de
propósitos, de intenções e de pensamentos.
3. O amor não é invejoso
(1Co.13:4). Quem tem o verdadeiro amor não cobiça o que
é do próximo, não se incomoda com o sucesso, o êxito e o bem-estar do seu
semelhante. A inveja, diz-nos a Escritura, é a podridão dos ossos (Pv.14:30b)
e, em razão dela, ocorreu o primeiro homicídio. Queiramos o progresso e o
sucesso do próximo, alegremo-nos com a alegria do outro, não cobicemos as suas
bênçãos, nem a sua posição. Jesus, sendo o próprio Deus, fez questão de
prometer e destinar aos seus servos maior êxito e maior sucesso ministerial do
que o dele próprio (João 14:12). Se não aguentamos o bem do próximo, o sucesso
do nosso vizinho, do nosso irmão, do nosso companheiro de trabalho, cuidado,
este é um sinal evidente de que nós não amamos e que, portanto, não é um
verdadeiro filho de Deus.
4. O amor não trata com
leviandade (1Co.13:4). O amor não busca a vanglória, não tem o
objetivo de alcançar a vaidade, o poder pelo poder, a satisfação pela
satisfação. Muito pelo contrário, o verdadeiro amor sempre tem uma finalidade:
o de obter a glorificação de Deus. Jesus tudo fez neste mundo para que o nome
do Senhor fosse glorificado (João 17:4) e deve ser este o comportamento de todo
verdadeiro cristão (Mt.5:16).
5. O amor não se
ensoberbece (1Co.13:4). O amor não gera orgulho. O amor proveniente
de Deus não cria uma autossuficiência no homem, não o faz sentir melhor do que
os outros, não faz nascer um senso de superioridade em quem ama. O orgulho só
aparece quando se acha iniquidade no ser orgulhoso, exatamente do mesmo modo
que ocorreu com o diabo (Is.14:12-14 c/c Ez.28:15).
6. O amor não se porta com indecência (1Co.13:4). Quem ama não é indecente, segue os bons costumes, demonstra pudor, compostura e respeito. Quem ama é puro, tem autoridade moral, sendo transparente e de excelente reputação. Será, sim, criticado, mas as críticas que lhes forem feitas apenas servirão para evidenciar o seu bom testemunho e o bom porte apresentado diante de Deus e dos homens (1Pd.2:12).
7. O amor não busca os
seus interesses (1Co.13:5). O amor proveniente de Deus é
altruísta, leva em conta o outro, não está interessado em si mesmo, nem em seu
próprio benefício, mas antes quer o benefício do outro.
8. O amor não se irrita
(1Co.13:5). O amor apresenta uma mansuetude, uma
tranquilidade, irradia uma paz que é diferente das promessas de paz oferecidas
pelo mundo. A paz daquele que ama é, precisamente, a paz de Cristo (João
16:33), a paz verdadeira. O amor não é irritante, não provoca contendas,
divisões, nem se envolve em competições e em tarefas de destruição do próximo.
O amor tudo suporta (1Co.13:7).
9. O amor não suspeita mal
(1Co.13:5). Quem ama não faz suposições maldosas contra o
próximo, não é preconceituoso, não julga precipitadamente pela aparência, não
se acha superior aos demais. Jesus determinou que não devemos julgar com base
na aparência, mas de acordo com a reta justiça (João 7:24). Jesus nunca
suspeitou mal os outros, a ponto de, mesmo sabendo que estava sendo traído, ter
chamado Judas de amigo (Mt.26:50).
10. O amor não folga com a
injustiça (1Co.13:6). O amor não compactua com a injustiça, nem a
admite ou tolera. Quem ama, não pratica a injustiça, pois o filho de Deus é um
praticante da justiça (1João 3:10). Jesus, a quem devemos imitar, é justo
(At.3:14). Somente quem pratica a justiça poderá habitar no tabernáculo do
Senhor (Sl.15:1,2).
11. O amor folga com a
verdade (1Co.13:6). O amor sempre opta pela verdade, jamais se
manifesta através ou por intermédio da mentira ou do engano. Por isso, Deus,
que é amor, também é verdade (Jr.10:10). Jesus, como Deus que é, também é a
verdade (João 14:6). A Palavra de Deus é a verdade (João 17:17) e, por isso,
quem ama tem prazer em obedecer aos mandamentos do Senhor.
Como podemos perceber, o amor
ágape, ou seja, o amor divino, não é uma teoria, não é um estado mental, mas é
um conjunto de ações concretas, de atitudes efetivas que devem ser praticadas
pelos servos de Deus, não apenas faladas, pensadas ou meditadas.
III. AMAR A DEUS, A SI MESMO E AO
PRÓXIMO
1. O amor a Deus – a
Dimensão vertical. O amor é uma característica indispensável para
quem diz ser filho de Deus, é como se fosse o próprio DNA espiritual do cristão
sincero e verdadeiro; este amor não é apenas a essência da comunhão entre Deus
e o homem, o próprio núcleo da vida espiritual, mas é, como afirma Paulo, o
primeiro “gomo” do fruto do Espírito (Gl.5:22); ou seja, necessariamente este
amor tem de se traduzir em atitudes, em ações, tem de se manifestar fora do
indivíduo. Não foi por outra razão que Deus, ao entregar a Moisés a lei, estabeleceu
que o resumo de todos os mandamentos fosse: “Amarás
o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu
poder” (Dt.6:5). Só assim poderia haver a guarda de todos os mandamentos
e, por conseguinte, temor a Deus (cf. Dt.6:1,2). Este mandamento foi endossado
por Cristo, quando indagado a respeito do que era mais importante na lei
(Mt.22:37). Portanto, amar a Deus significa submeter-se à vontade do Senhor,
fazer aquilo que Ele nos manda na sua Palavra; significa renunciar à vontade
própria, ao ego, à sua individualidade para fazer aquilo que o Senhor
determinou que fizéssemos. Não é possível amar a Deus sem observar a sua
Palavra.
A primeira prova que temos de que
alguém realmente se tornou um filho de Deus é o fato de que ele passou a amar a
Deus, e amar a Deus é simples de ser verificado:
“Vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando” (João 15:14); “Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, este é o
que Me ama” (João 14:21a).
2. O amor a si mesmo – a
Dimensão interior. O “amor a si mesmo” reflete o amor de Deus em nós.
Ao proferir o segundo grande mandamento, Cristo faz uma observação extremamente
importante: “amarás o próximo como a ti mesmo”. O amor divino,
implantado no coração do homem pelo Espírito Santo, após o arrependimento dos
pecados, não gera apenas uma fonte que jorra em direção a Deus, estabelecendo a
comunhão entre o salvo e o Senhor, nem somente em relação ao próximo, que é qualquer
outro ser humano, mas também estabelece um canal que gera amor no próprio
salvo.
O cristão é uma pessoa que se
ama, ou seja, alguém que se gosta, alguém que tem autoestima, alguém que não se
despreza, que não se acha inferior, que não é uma pessoa mal resolvida consigo
própria. Mas alguém poderá dizer: Jesus se amava? Ele não se entregou por nós?
Ele não deixou a sua glória? Como podemos dizer que Jesus se amava? Ora, esta
questão tem uma resposta afirmativa, pois Jesus jamais iria ensinar algo que
não tivesse feito (At.1:1). Nesta terra, Jesus foi a pessoa que mais se amou.
Como podemos afirmar isto? Pelo simples fato de que foi a única pessoa que não
pecou (Hb.4:15). A maior prova que damos de que amamos a nós mesmos é o fato de
não pecarmos, de não sermos atraídos pela nossa concupiscência e, deste modo,
garantirmos vida eterna para nós.
Entretanto, não podemos confundir
amar a si mesmo com “ser amante de si mesmo”, que é uma característica do ímpio
e não do salvo (cf.2Tm.3:2). Ser amante de si mesmo é colocar-se no lugar de
Deus, passar a querer tirar vantagem de tudo para si, é se relacionar com os
outros buscando tão somente o bem próprio, a satisfação própria, é idolatrar a
si mesmo. Quem, por exemplo, prática boas obras para “crescer”, “evoluir”
espiritualmente, está sendo amante de si mesmo, pois não visa o bem do outro,
mas o próprio bem. Usa o outro como meio para atingir o fim, que é o benefício
próprio. É a atitude popularmente conhecida como
“venha a nós, vosso reino nada”.
Portanto, amar-se é procurar o
melhor para si. Amar-se é buscar o que há de mais excelente para si. Amar-se é
criar condições para que haja o mais pleno desenvolvimento de seu ser, de sua
essência, e isto só é possível no ser humano quando eliminamos o fator que faz
com que a natureza humana decaia e seja distorcida: o pecado. Damos prova de
que nós amamos quando nos santificamos, quando buscamos a santidade, quando nos
separamos do pecado - “sabemos que todo aquele que
é nascido de Deus não peca, mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo” (1João
5:18a). Amar-se é, portanto, separar-se do pecado, conservar-se irrepreensível,
espírito, alma e corpo até a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (1Ts.5:23).
3. O amor ao próximo –
Dimensão horizontal. O amor divino que se encontra no salvo
não se limita apenas ao relacionamento entre Deus e o homem, mas também se
manifesta em direção às demais pessoas que estão à volta do salvo. Por isso,
Jesus, ao responder à indagação daquele doutor da lei, fez a devida
complementação, para mostrar que um bom relacionamento entre Deus e o salvo
redunda num bom relacionamento entre o salvo e os demais seres humanos. Quem
ama a Deus, ama o próximo (1João 4:21).
O amor a Deus é pressuposto para
que se tenha amor ao próximo. Não é possível amar o próximo sem que antes se
ame a Deus. Daí porque não podermos confundir o amor ao próximo com o mero
exercício de filantropia, com dó ou qualquer outro sentimento que tenha em
vista a ajuda circunstancial a outrem, como, aliás, defendem aqueles que acham
que as boas obras de alguém ocasionam a este alguém algum progresso espiritual.
Amar o próximo não
é dizer a alguém que o ama, mas um amor que se mostra por atitudes concretas,
por ações efetivas, por obras. Amor ao próximo não é amor de palavra nem de
língua, mas amor por obras e em verdade (1João 3:18).
Amar o próximo é
sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e,
assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele
é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O próximo é qualquer ser humano,
como bem nos explicitou Jesus na parábola do bom samaritano, e este amor supera
todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer
tradição.
Amar o próximo não
é apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar este
alguém a uma vida de comunhão com Deus, a um equilíbrio em todos os aspectos da
sua vida. Medidas emergenciais serão necessárias, como nos mostra a parábola do
bom samaritano, mas é extremamente necessário que levemos o próximo a entender
que deve, sobretudo, amar a Deus, para que também ame o próximo, como nós o
amamos.
O amor ao próximo é
determinado pelo Senhor, é seu mandamento (João 15:12), e tem como exemplo o
próprio amor que Cristo apresentou a nós, ou seja, o da completa renúncia para
que desfrutássemos da vida eterna. Jesus nos amou primeiro, fez o que não
podíamos fazer, mas nem por isso fez o que poderíamos e deveríamos fazer. Este
é o limite do amor ao próximo: fazer aquilo que ele não pode fazer, mas
ensinar-lhe a fazer o que pode e deve fazer.
Quando amamos o
próximo da forma determinada na Palavra de Deus, melhoramos sensivelmente o
ambiente em que vivemos.
IV. DOIS INIMIGOS QUE NÃO PODEM
SER AMADOS
“.... Amai a
vossos inimigos...” (Lc.6:27).
A estabilidade de todo reino
sempre se fundamentou na necessidade de enfraquecer, ou mesmo destruir os
inimigos do reino e do rei. Nunca houve reino sem prisões cheias de inimigos,
sem pena de morte para quem se levantasse contra o rei. Todavia, o Senhor Jesus
fundou o Seu Reino em bases nunca vistas antes. Em lugar de mandar prender,
espancar, matar seus inimigos e opositores de Seu Reino, ele ordenou aos seus
súditos, como um dever, dizendo-lhes: “amai a
vossos inimigos...”. Jesus é, pois, um Rei diferente de todos os demais
reis e seu Reino em nada se assemelha a qualquer outro reino. Ele também exige
que seus súditos não sejam como os súditos dos outros reinos. O amor é o
fundamento do Seu Reino.
Entretanto, existem dois inimigos
que o homem de Deus não pode amar, nem mesmo manter qualquer tipo de
relacionamento com eles - trata-se de Satanás e do Mundo.
1. Satanás, o maior inimigo do Cristão. A inimizade entre Satanás e o homem foi colocado pelo próprio Deus – “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente...” (Gn.3:15). Não podemos nos esquecer desta sentença bíblica: Satanás é inimigo do homem e o homem de Deus deve ser inimigo de Satanás. Esta inimizade foi posta por Deus e nunca será revogada. Não há na Bíblia qualquer passagem que possa levar o homem a anular, ou minimizar, essa inimizade. Somos inimigos e queremos continuar sendo inimigos.
Satanás é inimigo de Deus e Deus
é inimigo de Satanás. Satanás é inimigo dos filhos de Deus e os filhos de Deus
são inimigos de Satanás. Biblicamente, não há possibilidade de qualquer acordo,
ou qualquer convivência pacífica. Ele é chamado de nosso adversário, ou seja,
aquele que se opõe a nós, aquele que luta contra nós, conforme afirmou Pedro: “sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso
adversário, anda em derredor bramando como leão, buscando a quem possa tragar”
(1Pd.5:8).
Os que não conhecem a Palavra de
Deus, também não sabem quem é Satanás. Há quem procure conviver ou
relacionar-se com ele, até pensando poder receber dele alguma ajuda, ou favor.
Ignoram que sua natureza é má e que, por isto, ele não pode amar, e, por conseguinte,
não pode fazer o bem, conforme o Senhor Jesus afirmou, referindo-se a ele: “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a
destruir...” (João 10:10). Lamentavelmente, quer seja por ignorância da
Bíblia Sagrada, quer seja por desobediência voluntária a Deus, ou por pura
rebeldia, o Satanismo é uma das Seitas que mais está crescendo, hoje, em número
de adoradores de Satanás, especialmente nos Estados Unidos, aquele que já foi o
maior país evangélico do mundo e de onde vieram os nossos missionários.
Há, ainda, outras Seitas que se
dizem cristãs, que pregam sobre a necessidade de orar pela conversão de Satanás
e de seus anjos. Estes grupos não tratam Satanás como inimigo, e, se o adoram,
ou se oram e pedem oração por ele, é porque o amam. Talvez até procurem
justificarem-se usando a Palavra de Deus, pois, o Senhor Jesus, na verdade,
disse: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu
inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos
maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos
perseguem” (Mt.5:44). Esquecem, ou não sabem que a mesma Palavra de Deus,
instrui os filhos de Deus, no sentido de: resistir ao diabo -
“Ao qual resisti firmes na fé...” (1Pd.5:9),
“...resisti ao diabo, e ele fugirá de vós...” (Tg.4:7); não lhe
dar lugar - “Não deis lugar ao diabo” (Ef.4:27); estar firmes contra suas
ciladas - “Revesti-vos de toda armadura de
Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef.6:11).
Assim, a ordem bíblica, dada pelo
próprio Jesus, quando disse “amai, pois, a vossos
inimigos...”, certamente que não inclui Satanás. Ele é inimigo de Deus e
é nosso inimigo e, como tal, tem que ser tratado. Com ele o homem de Deus não
pode ter qualquer tipo de relacionamento. Foi por manter um relacionamento
amistoso com ele que Eva foi enganada e pecou. Satanás é um inimigo que não
pode ser amado pelos filhos de Deus. Pense nisso!
2. O Mundo – outro grande
inimigo que não pode ser amado pelos filhos de Deus.
Certamente, o mundo com o qual o filho de Deus não pode e não deve se
relacionar, é o mundo moral, o reino das trevas, do qual a Palavra de Deus diz,
que “... todo o mundo está no maligno”
(1João 5:19).
Este mundo é o agente de Satanás,
o seu reino aqui na Terra. Desta forma, se o mundo constitui o reino das
trevas, onde impera o pecado em toda sua amplitude, e, se nós somos filhos de
Deus, pertencemos ao Reino da Luz. Então Paulo pergunta: “... porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça?
E que comunhão tem a luz com as trevas? (2Co.6:14). O mundo é, pois,
inimigo de Deus, e, inimigo de Deus é nosso inimigo – “Se
vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do
mundo, por isso é que o mundo vos aborrece” (João 15:19).
Deus sempre quis que houvesse uma
separação entre o seu povo e o mundo. Simbolicamente, ele deixou isto bem
claro, quando, no deserto, ao mandar Moisés construir o Tabernáculo, determinou
que ele fosse fechado, em toda sua extensão, por uma espécie de muro, formado
por “cortinas de linho fino torcido”, bem fixado em colunas e bases de cobre,
distante uma da outra, cerca de, apenas, dois metros e meio. A altura era de
cinco côvados, cerca de mais de dois metros (Êx.27:9-19). O desejo de Deus era
que o Tabernáculo fosse um lugar fechado, separado, ou um lugar santo. Num
sentido individual, o Tabernáculo, hoje, sou eu e você; no sentido coletivo, o
Tabernáculo representa a Igreja. Fica claro, portanto, que Deus quer, eu,
você e sua igreja, separados do mundo.
Algumas Denominações e alguns
crentes que se dizem “evangélicos”, certamente por não conhecerem a Palavra de
Deus, parece que interpretam a ordem de Jesus sobre a necessidade de “Amai a
vossos inimigos”, como que incluindo o mundo entre os que devem ser amados. Não
sabem, ou, sabendo, procuram ignorar que relações de amizade, ou de amor com o
mundo, constitui infidelidade, ou traição a Deus, por cuja causa são chamados
de adúlteros, na expressão usada por Tiago:
“Adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra
Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de
Deus” (Tg.4:4).
O mundo é um inimigo que não pode
ser amado pelos filhos de Deus. Trata-se de um amor proibido, pela Bíblia - “não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama
o mundo, o amor do Pai não está nele” (1João 2:15).
“Amai, pois, a
vossos inimigos...”, foi o que o Senhor Jesus ordenou. Porém,
Satanás e o mundo, embora sendo nossos inimigos, não estão entre aqueles que
Jesus nos mandou amar. Considere isto!
CONCLUSÃO
Sem que haja o verdadeiro amor na
vida do crente, nenhuma das outras características poderá se manifestar na vida
do homem. O amor e o seu contínuo desenvolvimento é o que deve ser buscado pelo
cristão a cada dia, até o dia do arrebatamento da Igreja. Um amor que não é
meramente teórico, que não é somente um belo discurso ou um estado mental, mas,
sim, um amor prático, que faz boas obras e que faz os homens glorificarem a
Deus que está nos céus (Mt.5:16). Como nova criatura, você precisa amar e
evidenciar esse amor mediante suas atitudes e palavras.
Conta-se que durante as
atrocidades cometidas contra os armênios, um soldado turco perseguia uma moça e
seu irmão. Encurralado num beco sem saída, o moço foi espancado e morto pelo
soldado, diante dos olhos da irmã. Esta conseguiu saltar o muro e fugiu. Tempos
depois, ela, sendo enfermeira, trabalhava num hospital militar. Certo dia foi
levado para a enfermaria onde ela servia aquele soldado que maltratara seu
irmão. Ele estava à beira da morte e dependia de seus cuidados. Bastava
descuidar um pouco, e ele morreria. A enfermeira reconheceu o soldado. Era o
mesmo que matara seu irmão. Sua “velha natureza” gritava: vingue-se! Sua nova
natureza, porém, dizia: Ame-o! Aquele que disse “Amai, pois, a vossos
inimigos...”, venceu. Ela cuidou do soldado com um carinho especial, e ele
sobreviveu. O soldado também tinha reconhecido a moça. Certo dia, já fora de
perigo, ele perguntou-lhe por que ela não o tinha deixado morrer. Ela então lhe
respondeu: Porque sigo Aquele que disse: “amai os vossos inimigos”. O soldado
passou alguns minutos calado. Depois disse: “não
sabia que existia tal religião. Se esta é a sua religião, conta-me mais, porque
quero adotá-la”.
Que venhamos rogar ao Pai um coração amoroso, capaz de amar até mesmo aqueles que se declaram nossos inimigos - “Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei o bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus” (Lc.6:35).



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