DAVI É UNGIDO REI
Texto Bíblico: 1Samuel 16:1-13
“Então, Samuel
tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia
em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi. Então, Samuel se levantou
e se tornou a Ramá” (1Sm.16:13).
1 Samuel 16:1-13
1-Então,
disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado,
para que não reine sobre Israel? Enche o teu vaso de azeite e vem; enviar-te-ei
a Jessé, o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.
2-Porém
disse Samuel: Como irei eu? Pois, ouvindo-o Saul, me matará. Então, disse o
SENHOR: Toma uma bezerra das vacas em tuas mãos e dize: Vim para sacrificar ao
SENHOR.
3-E
convidarás Jessé ao sacrifício; e eu te farei saber o que hás de fazer, e
ungir-me-ás a quem eu te disser.
4-Fez,
pois, Samuel o que dissera o SENHOR e veio a Belém. Então, os anciãos da cidade
saíram ao encontro, tremendo e disseram: De paz é a tua vinda?
5-E disse
ele: É de paz; vim sacrificar ao SENHOR. Santificai-vos e vinde comigo ao
sacrifício. E santificou ele a Jessé e os seus filhos e os convidou ao
sacrifício.
6- E
sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse: Certamente, está perante o
SENHOR o seu ungido.
7-Porém o
SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da
sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem.
Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o
coração.
8-Então,
chamou Jessé a Abinadabe e o fez passar diante de Samuel, o qual disse: Nem a
este tem escolhido o SENHOR.
9-Então,
Jessé fez passar a Samá, porém disse: Tampouco a este tem escolhido o SENHOR.
10-Assim,
fez passar Jessé os seus sete filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a
Jessé: O SENHOR não tem escolhido estes.
11-Disse
mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os jovens? E disse: Ainda falta o menor, e eis
que apascenta as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Envia e manda-o chamar,
porquanto não nos assentaremos em roda da mesa até que ele venha aqui.
12-Então,
mandou em busca dele e o trouxe (e era ruivo, e formoso de semblante, e de boa
presença). E disse o SENHOR: Levanta-te e unge-o, porque este mesmo é.
13-Então,
Samuel tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde
aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi. Então, Samuel
se levantou e se tornou a Ramá.
INTRODUÇÃO
A Unção de Davi: O Escolhido de
Deus
A narrativa da unção de Davi em 1
Samuel 16 é um dos episódios mais marcantes das Escrituras Sagradas. Ela marca
a transição de liderança em Israel e revela princípios profundos sobre como
Deus avalia, escolhe e capacita as pessoas, indo muito além das aparências
humanas.
1. O Contexto Histórico e a
Frustração de Saul
- A rejeição de Saul: O
rei Saul havia desobedecido a Deus de maneira recorrente (especialmente
nas ordens referentes aos amalequitas, relatadas em 1 Samuel 15). Por
causa disso, o Senhor o rejeitou como rei sobre Israel.
- A dor de Samuel: O
profeta Samuel amava profundamente a Saul e ficou de luto por sua queda.
No entanto, Deus o desperta de sua tristeza com uma pergunta cortante: "Até quando lamentarás a Saul, havendo-o eu
rejeitado?" (1Sm 16:1).
- Uma nova direção: Deus
ordena que Samuel encha seu chifre de azeite e vá à casa de Jessé, o
belemita, pois o Senhor havia providenciado para si um novo rei entre os
filhos dele.
2. O Erro Humano e o Critério
Divino
Ao chegar a Belém, Samuel vê o
filho mais velho de Jessé, Eliabe, e pensa imediatamente que ele é o escolhido,
impressionado por sua estatura e porte físico. É nesse momento que surge uma
das lições mais importantes da Bíblia:
"Porém o
SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da
sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem,
pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o
coração." (1 Samuel 16:7)
- Sete filhos rejeitados:
Jessé apresenta sete de seus filhos a Samuel. Um por um, o profeta
descarta todos, pois nenhum deles era o escolhido de Deus.
- O esquecido do campo: Quando
Samuel pergunta se os jovens acabaram, Jessé lembra do caçula, Davi, que
estava apascentando as ovelhas. Na cultura da época, o trabalho com o
rebanho era considerado menor, e Davi era tão jovem que nem havia sido
chamado para a cerimônia com o profeta.
3. A Unção e a Transformação
- A chegada de Davi: Quando Davi chega, a Bíblia o descreve como ruivo, de
belos olhos e de boa presença. Imediatamente, Deus ordena a Samuel: "Levanta-te,
e unge-o, porque este mesmo é".
- O símbolo do azeite: Samuel
toma o vaso de azeite e unge o jovem no meio de seus irmãos. O azeite na
Bíblia é o símbolo clássico da habitação, consagração e capacitação do
Espírito Santo.
- A capacitação divina: O
texto destaca que, "desde aquele dia
em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi". A unção não era apenas um título
honorífico; era revestimento de poder e autoridade espiritual para a
missão que viria pela frente.
Lições Práticas para os Nossos
Dias
- Deus vê o coração: Enquanto
a sociedade valoriza status, aparência, currículo ou conexões, Deus
examina a essência, a integridade e a sinceridade de quem O serve.
- Os planos de Deus não são frustrados:
Quando o homem erra ou falha (como Saul), Deus já tem uma providência
preparada.
- O preparo no oculto: Antes de reinar no palácio, Davi foi preparado no
campo, cuidando de ovelhas, enfrentando ursos e leões, e desenvolvendo sua
intimidade com Deus através dos salmos. O lugar da humilhação
e do serviço invisível é sempre a escola onde Deus forma os seus líderes.
I. DAVI: O REI UNGIDO
“Então, Samuel
tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia
em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi. Então, Samuel se levantou
e se tornou a Ramá” (1Sm.16:13).
A unção é o que dava legitimidade
e autoridade ao rei. Davi foi ungido por Samuel para ser rei em lugar de Saul
que havia abandonado os mandamentos do Senhor. A unção de Davi não se
tratou apenas de um simbolismo, mas da presença do Espírito Santo na vida de
Davi, capacitando-o para o reinado, enchendo-o de coragem nas batalhas e contra
o gigante Golias, guiando-o e inspirando-o. Mas é bom enfatizar que Davi só
assumiu o trono de Israel após a morte de Saul, 14 (quatorze) anos após a sua
unção, e nunca teve a ousadia de forçar a saída de Saul, mas manteve-se sob o
auspício de Deus, esperando o momento certo do que Deus faria dele – “até que saiba o que Deus há de fazer de mim” (1Sm.22:3).
1. Significado e propósito da
unção
Unção é a
capacitação especial que o Espírito Santo concede a uma pessoa, vocacionada por
Deus, para realizar a Sua obra. No Antigo Testamento, antes mesmo da monarquia
judaica, a unção já era usual. Na época dos juízes, estes eram separados e
ungidos para propósitos específicos (Jz.9:8-15). À época da lei judaica e da
monarquia, a prática da unção de reis e sacerdotes, acontecia para que
fossem separados para desempenhar sua missão conforme as normas divinas
(Êx.40:13-15; 1Sm 9:16; 10:1; 16:13). No caso do profeta, sua unção não era
feita por homem algum, mas vinha diretamente de Deus (1Rs.19:16).
No Novo Testamento, biblicamente
falando, não há unção na separação de pessoas para missões específicas ou para
o ministério eclesiástico. O procedimento é, simplesmente, efetivado com
imposição de mãos. Paulo e Barnabé estavam ministrando em Antióquia quando o
Espírito Santo os chamou para uma tarefa específica – “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito
Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os
despediram” (At.13:2,3).
No Antigo Testamento, objetos
sagrados eram separados e eram ungidos para o serviço de Deus (cf.Êx.30:26-28).
No Novo Testamento, porém, depois que Jesus veio e cumpriu a sua missão,
realizando-se, assim, aquilo que fora figurado na Antiga Aliança, não há mais
motivo algum para que se proceda à unção de objetos, pois um objeto não é
santificado ou consagrado pelo derramamento de azeite em si, mas, sim, nós,
como filhos de Deus, é que devemos ter a unção do Espírito Santo e, em função
da nossa santificação, utilizarmos dos nossos bens para que façamos boas obras
e, por meio destas obras, os homens glorifiquem ao nosso Pai que está nos céus
(Mt.5:16).
Os que defendem a unção de
objetos - tais como carro, casa, chave -, dizem que devemos ungi-los apenas
como um “reforço à fé”, uma “materialização” da fé, um “meio” para que a fé das
pessoas progrida, cresça, desenvolva-se. Este argumento, porém, não tem
cabimento algum; é o mesmo argumento utilizado pelos adeptos do catolicismo
romano para justificar o uso de imagens e pinturas em seus cultos, ou seja, é
um argumento idólatra, que, por isso mesmo, deve ser repudiado pelos sinceros e
verdadeiros servos do Senhor. A fé existe quando não precisamos “ver algo”. Ela
é a prova das coisas que não se veem (Hb.11:1). A fé não é por vista (2Co.5:7),
mas, pelo contrário, quem realmente crê é aquele que não vê (João 20:29).
A única unção que está autorizada
no compêndio neotestamentário da Igreja é a unção com óleo sobre os crentes
enfermos (Tg.5:14), a ninguém mais; e essa unção com óleo deve ser feita à moda
bíblica, ou seja, na cabeça, pois assim é a unção que se encontra nas
Escrituras (2Rs.9:3,6; Sl.133:2). Outrossim, não há qualquer base para se fazer
a unção nas partes enfermas, como tem sido feita em algumas igrejas, para não
dizer de unção de partes íntimas para “santificação”,
“purificação sexual” ou “libertação da prostituição”, como se veem nos
chamados “encontros” gedozistas.
Fora esta hipótese, não se deve
proceder a qualquer unção, pois a “necessidade de unção” em outras hipóteses,
mesmo sobre pessoas, é fruto de superstição, é resquício de animismo, e não tem
qualquer base bíblica.
2. O simbolismo da unção
No Antigo
Testamento, cada rei e sumo sacerdote de Israel eram ungidos com óleo, símbolo
do Espírito Santo; isto os comissionava como representantes de Deus para a
nação. Metaforicamente, o Espírito Santo é chamado de “óleo fresco” (Sl.92:10),
“óleo precioso” (Sl.133:2), “excelente óleo” (Amós 6:6), “óleo de alegria”
(Sl.45:7).
O óleo, portanto, tomado neste
sentido, simboliza o Espírito Santo como “unção especial” para os salvos em
Cristo, o qual quer dizer “ungido”. Jesus foi ungido para desempenhar com
eficiência a Obra de Deus (Is.61:1; Lc.4:18). Seu ministério foi marcado por
milagres, curas, maravilhas, pregação e ensino poderoso, porque, de fato,
estava ungido. Assim, Jesus era um servo ungido sob a dependência do Espírito
Santo para fazer a obra do Pai (At.10:38). Paulo descreveu essa mesma unção
sobre os cristãos (2Co.1:21,22).
No Antigo Testamento, quando uma
pessoa era ungida, declarava-se que ela estava sendo separada para um propósito
especial e que a partir de então estaria sobre essa pessoa a presença do
Espírito Santo de Deus, que a guiaria e orientaria para desempenhar com sucesso
a missão para a qual fora designada – “E o
Espírito do SENHOR se apoderará de ti, e profetizarás com eles e te mudarás em
outro homem” (1Sm.10:6).
Davi foi ungido em meio aos seus
irmãos e, a partir daí, o Espírito do Senhor se apoderou de Davi,
concedendo-lhe sabedoria, poder, orientação, para que pudesse cumprir os
propósitos divinos.
“Então, Samuel
tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia
em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi” (1Sm.16:13).
Com o Espírito Santo na vida, o
rei, o profeta e o sacerdote podiam desempenhar com coragem a obra de Deus.
Isto nos ensina que unção é revestimento de poder do Espírito Santo sobre a
vida daquela pessoa que foi ungida. O sucesso na obra de Deus só acontece se
estivermos debaixo da unção do Espírito Santo, razão pela qual Paulo fala de
sermos cheios dele. (Ef.5:18).
No Novo Testamento, portanto, a
unção passou a simbolizar o derramamento do Espírito do Senhor sobre os
cristãos, dotando-os de poder para testemunhar as verdades do Evangelho (Atos
1:8: 1João 2:20,27) e cumprir com eficácia a missão para a qual foram designados
(Rm.1:1).
3. A unção sobre Davi
A unção de Davi foi uma missão
arriscada, pois Saul ainda continuava sendo o monarca, apesar do Espírito de
Deus não está mais nele. Ele faria qualquer coisa para destruir algum empecilho
no seu caminho; e Samuel era cônscio do risco que corria, por isso perguntou ao
Senhor: “Como irei eu? Pois, ouvindo-o
Saul, me matará” (1Sm.16:2). Ele, então, foi orientado por Deus
a fazer um banquete e um sacrifício naquela região. Certamente, o sacrifício
foi realizado (cf.1Sm.16:5).
Davi foi ungido rei, mas em
segredo; nem o pai e nem os irmãos de Davi sabiam o propósito da unção naquele
instante, pois o real propósito não havia sido revelado; por isso, alguns
pensavam que tal unção era para que ele fosse discípulo de Samuel ou, quem
sabe, no futuro, um profeta. Somente muito mais tarde Davi foi apresentado
publicamente como sendo o rei escolhido por Deus (2Sm.2:4; 5:3).
A unção com óleo sobre a cabeça
de Davi significava separação. Essa cerimônia era utilizada para separar
pessoas ou objetos ao serviço de Deus. É bom ressaltar que, por ocasião daquela
cerimônia particular, Saul era legalmente o monarca, mas Deus preparava o filho
de Jessé para assumir responsabilidades futuras. Embora Deus rejeitasse a
monarquia de Saul e não permitisse que qualquer um de seus filhos se sentasse
no trono de Israel, ele permaneceu em sua função até falecer.
No contexto da efetivação da
unção de Davi por Samuel, dois detalhes importantes podem ser destacados:
a) A piedade de Samuel por Saul
(1Sm.16:1) – “Até quando terás dó de
Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche o teu vaso
de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque dentre os seus filhos
me tenho provido de um rei”.
A compunção de Samuel é profunda
e dolorosa, pois ele gostava muito de Saul; mas, o Senhor confronta Samuel e
ordena que ele siga adiante. Fica evidente que ele não faz parte de uma
conspiração contra Saul; por fim o rei perde o trono por desaprovação divina, e
não por traição humana. Devido a seus pecados, Saul não poderia continuar como
rei. Então Deus busca na casa de Jessé, o belemita, neto de Boaz e Rute, um de
seus filhos para reinar (Rt.4:17).
b) A eleição pela aparência
(1Sm.16:6). No cumprimento da ordenança divina para ungir o
próximo homem que assumiria o trono de Israel, Samuel usou os olhos físicos
para observar quem seria esse homem escolhido por Deus. Samuel,
provavelmente, tentava encontrar alguém que parecesse com Saul – alto, bonito e
impressionante - para ser o próximo rei de Israel, mas Deus o advertiu de que
não seria pela aparência que o homem de sua preferência seria escolhido
(1Sm.16:7).
A aparência não revela como a
pessoa é na verdade ou quais são os seus verdadeiros valores. Felizmente, Deus
julga pela fé e pelo caráter, não pela aparência. E porque só Deus pode ver o
interior, apenas Ele pode julgar com precisão.
A maioria das pessoas preocupa-se
muito com sua aparência externa; mas, elas deveriam fazer muito mais para
desenvolver seu caráter. Enquanto todos podem ver o seu rosto, apenas você e
Deus sabem como é realmente o seu coração. Que passos devemos dar para melhorar
a atitude do nosso coração?
4. Em que se baseou o Senhor para
escolher Davi
Certamente, o Senhor baseou a
escolha de Davi na qualidade do seu caráter. Quando Saul foi escolhido para ser
rei, a aparência física imponente dele contou muito; os israelitas consideravam
este aspecto muito pertinente, a exemplo das nações circunvizinhas (1Sm.8:5;
9:2; 10:23,24). O próprio Samuel mostrou esse modo superficial de pensar,
quando concluiu que, dos filhos de Jessé, Eliabe, rapaz bem apessoado
(1Sm.16:7), seria o rei escolhido por Deus (veja também suas palavras em
1Sm.10:24). Mas Deus disse, exortativamente, a Samuel:
“...Não atentes
para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho
rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está
diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração” (1Sm.16:7).
O coração é considerado a sede
das emoções (1Sm.1:8; 4:13; 17:32; 25:36; 28:5), da volição (1Sm.6:6; 7:3), das
motivações (1Sm.17:28), da razão (1Sm.21:12) e da consciência (1Sm.25:31;
2Sm.24:10). O “coração” ou a mente da pessoa é relativamente inacessível a
outros seres humanos, mas o Senhor é capaz de sondar até suas regiões mais
profundas e avaliar seu verdadeiro caráter (Jr.11:20; 20:12).
Os seres humanos têm a tendência
de observar a aparência exterior ao avaliarem a aptidão de alguém para realizar
uma tarefa, ao passo que Deus se preocupa mais com o que há em seu coração.
Deus se conformou aos desejos e critérios do povo quando escolheu Saul, mas
escolheu o substituto de Saul de acordo com seus próprios critérios.
“...já tem buscado
o SENHOR para si um homem segundo o seu coração e já lhe tem ordenado o SENHOR
que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te
ordenou” (1Sm.13:14).
Hoje, estamos vivendo a síndrome
de Samuel: escolher pela aparência, pelo Ter e não pelo Ser. Se os líderes do
povo de Deus fossem escolhidos sob a ótica dele., a Igreja não estaria passando
por tantas oscilações espirituais. O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito
Santo, deu as diretrizes corretas para escolher aqueles que liderarão o povo de
Deus; só precisa cumprir o que está escrito em 1Tm.3:1-13, e a Igreja terá
líderes segundo o coração de Deus.
II. DAVI: O REI QUE ERA SERVO
Conquanto tenha recebido a unção
de Deus através do profeta Samuel, Davi nunca se vangloriou ou quis sobrepor-se
aos demais que o cercavam. A unção não lhe tirou da posição que ele sempre quis
estar, a de servo. Jamais procurou demonstrar espírito de grandeza ou orgulho;
antes, continuou em sua simplicidade, desempenhando o trabalho de um servo.
Davi veio a ser o que foi porque soube muito bem conduzir-se desta maneira.
Mesmo ungido por Samuel, ele não criou nenhum tipo de rebelião contra Saul para
tomar posse do trono. O próprio Deus, que é presciente, deu testemunho disto:
“Achei a Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi” (Sl.89:20).
1. O ungido de Deus servindo com
humildade e sem alarde
Davi foi chamado para servir na
residência oficial do rei - “Davi, porém, ia a Saul
e voltava, para apascentar as ovelhas de seu pai, em Belém” (1Sm.17:15).
Mesmo servindo na corte real,
Davi jamais relatou a Saul a unção de Samuel sobre sua vida, ou seja, que seria
o rei de Israel. Na verdade, ele contentava-se com cada momento que lhe era
concedido por Deus, nunca ambicionando coisas altas demais, como mais tarde o
apostolo Paulo proferiu (Rm.12:16). Davi demonstrou ser um homem simples e
humilde, características estas de um autêntico servo de Deus.
A convivência de Davi com o rei
Saul em seu palácio(1Sm.18:2) foi uma experiência totalmente diferente para
ele. Acostumado à beleza do campo onde passava a maior parte do seu tempo,
cuidando de suas ovelhas, em contato direto com a natureza, ocasião em que
dedilhava a sua harpa e entoava belos hinos ao Senhor, como podemos perceber no
registro dos Salmos, certamente ele não se achou muito à vontade nos primeiros
dias naquele suntuoso lugar onde tudo era controlado e orientado. Mesmo ali,
naquele ambiente de luxo e de fartura, Davi preservou um coração simples e
temente a Deus. Não se envaideceu, não se precipitou e nem mesmo se achou
injustiçado por não ter sido levado ao trono e recebido a coroa real, mesmo
sabendo que Deus já havia rejeitado Saul. A Bíblia diz que há um tempo para
todas as coisas (Ec.3:1-8), e quem espera os acontecimentos no tempo certo, com
toda a certeza será bem-sucedido.
Quando Saul pediu a Davi que o
servisse, obviamente não sabia que aquele filho de Jessé fora ungido rei
secretamente (1Sm.16:12). O convite do monarca de Israel apresentou uma
excelente oportunidade para que o jovem e futuro rei obtivesse informações em primeira
mão sobre como liderar uma nação.
Às vezes nossos planos – mesmo os
que pensamos serem aprovados por Deus – não podem ser considerados definitivos.
Como Davi, podemos usar esta espera de forma proveitosa. Podemos aprender e
crescer espiritualmente em quaisquer circunstâncias da vida.
2. O Espírito do Senhor se
retirou de Saul (1Sm.16:14)
“E o Espírito do
SENHOR se retirou de Saul, e o assombrava um espírito mau, da parte do SENHOR”.
O fato de o Espírito do Senhor
ter saído de Saul indicava que ele não era mais o rei escolhido pelo Senhor e
que não tinha mais o poder do Senhor durante uma batalha (cf.1Sm.10:6,10;
11:6). Se o Espírito do Senhor saíra de Saul, então outro ocuparia o espaço;
foi o que ocorreu: um espírito maligno o assombrava. A chegada do “espírito
maligno” indicava que Saul era, agora, objeto de juízo divino e inimigo de Deus
(cf.1Sm.28:16-18). Segundo estudiosos, a palavra hebraica traduzida como
“maligno” pode referir-se a um desastre ou uma calamidade enviada por Deus como
castigo; neste caso, o espírito maligno foi enviado para solapar a eficácia de
Saul como líder e evidenciar sua rejeição pelo Senhor.
Devido à ausência do Espírito
Santo em Saul (1Sm.16:14), e o espírito maligno ter passado a atormentá-lo
(1Sm.16:15), então buscou-se alguém que soubesse tocar bem um instrumento e que
o acalmasse; e Davi foi eleito para cumprir essa missão, haja vista que sua fama
como bom tocador de harpa era notória (1Sm.16:18).
Davi podia multo bem ter dito:
“em hipótese nenhuma eu irei, pois fui ungido para ser rei e não para tocar
instrumento musical, e nem para ser exorcista”. Não, ele não disse nada disso,
e nem pensou nisso, pois tinha um coração de servo; era ungido, mas era servo.
Ele aceitou, sem reserva, a tarefa de servir ao rei como músico no afã de
expulsar o espírito maligno. Aliás, sem o efeito calmante da música de Davi,
Saul não conseguia fazer coisa alguma (1Sm.16:23). Ainda hoje, a música é uma
forma reconhecida de terapia, frequentemente prescrita para reverter estados de
perturbação mental.
“E sucedia que,
quando o espírito mau, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa
e a tocava com a sua mão; então, Saul sentia alívio e se achava melhor, e o
espírito mau se retirava dele” (1Sm.16:23).
Além de exímio músico, Davi
possuía outras qualidades: “...valente, e
animoso, e homem de guerra, e sisudo em palavras, e de gentil presença; o
SENHOR é com ele” (1Sm.16:18).
Está escrito aqui que Davi era “homem de guerra”. Ora, Davi nunca tinha ido a
uma guerra e não pertencia ao exército de Saul, como então podem dizer que ele
era homem de guerra? Certamente, o narrador quis dizer que Davi era visto como
homem e não como um adolescente incapaz e covarde. Ele mesmo, um dia, disse
para seu filho Salomão: esforça-te e sê homem (1Rs.2:2). Ser homem de guerra é
ser responsável e disposto a enfrentar os desafios e as lutas com destemor. Um
covarde nunca será homem de guerra. Ir à guerra é pôr a mão no arado e não
olhar para traz.
Por meio das palavras do servo de
Saul, o texto enfatiza as muitas qualidades de Davi, mas, talvez, a mais
importante era: “o Senhor é com ele”. Poderia haver algo
mais sublime do que essa constatação e testemunho a respeito de alguém?
Acredito eu, que esse último tópico do currículo de Davi apresentado por aquele
jovem servo de Saul, suplanta extraordinariamente todos os demais. Isso é
simplesmente a assinatura de tudo o que se disse antes, ou seja, o verdadeiro
motivo de todas as qualidades que Davi apresentava, era o fato de que o Senhor
era com Ele. Que o Senhor nos ajude a perseguir essas virtudes, de tal maneira
que nos apresentemos como cristãos verdadeiros, homens ou mulheres de Deus,
obreiros aprovados para toda boa obra.
Em outras passagens de Samuel é
narrado a presença de Deus na vida de Davi (cf. 1Sm.18:12,14,28; 2Sm.5:10;
7:3). Um servo de Deus é notado até mesmo pelas pessoas que não são do círculo íntimo;
o seu testemunho é vibrante e salta aos olhos do observador. Quando ele passa
alguém o observa e diz: “...este que passa sempre
por nós é um santo homem de Deus” (2Rs.4:9).
“A unção divina
torna-nos conscientes de que somos servos e separados para fazer a vontade
daquele que nos consagrou. Não é para termos pensamento de grandeza, de que
somos alguma coisa, de que a seleção divina aconteceu por sermos os mais
perfeitos, e sim porque fomos alcançados pela misericórdia e graça divinas. Por
isso, é sempre bom dizer como Paulo: “[...] pela graça de Deus, sou o que sou”
(1Co 15.10). É triste dizer isto, mas muitos hoje não querem ser servos,
desprezando, assim, o exemplo de Cristo, o qual diz que veio para servir, e não
para ser servido (Mc 10.45)” (Pr. Osiel Gomes. O governo divino em mãos
humanas).
3. Saul dá testemunho de Davi
(1Sm.16:22)
“Então, Saul mandou
dizer a Jessé: Deixa estar Davi perante mim, pois achou graça a meus olhos”.
“...achou graças a meus
olhos”. Em outras palavras: “estou satisfeito com ele”. Esta
expressão é usada em outras passagens em que uma pessoa desfruta da bondade de
outra ou é o alvo da bondade dela. Essa bondade é demonstrada voluntariamente,
sem implicar obrigação (Gn.19:19; 47:25; Rt.2:2), mas pode ser motivada pelo
caráter ou pelas ações de quem a recebe (Gn.6:8,9; 39:3,4; Rt.2:10-12), como é
o caso aqui (cf. 1Sm.16:21,23). O texto de 1Samuel 16:22 mostra que Saul
testemunhou acerca do caráter de Davi. Isso mostra que, desde o princípio, Davi
foi um servo fiel, que tentou ajudar o rei.
Na Nova Aliança, o serviço é uma
parte indissociável da vida do salvo; logo, todo salvo tem de servir a Deus,
tem de lhe prestar um serviço. Cada um na função que foi estabelecida pelo
Senhor, temos de servi-lo: pregando o Evangelho; integrando os salvos na igreja
local; aperfeiçoando os santos mediante o estudo da Palavra de Deus; adorando a
Deus; buscando influenciar o mundo para que ele viva de acordo com a vontade de
Deus; dando um bom testemunho para que os homens glorifiquem ao Senhor; lutando
pela preservação da sã doutrina e pela manutenção de uma vida avivada na igreja
local a que pertencemos. Temos feito isto que o Senhor nos determina? Temos
cumprido as tarefas cometidas pelo Senhor?
III. DAVI: O REI QUE ERA
GUERREIRO
Depois de ungido, Davi teve
diante de si um grande desafio, o qual foi temido por todo Israel: lutar contra
Golias. Davi enfrentou o gigante Golias e foi vitorioso; ele estava certo de
sua vitória não porque confiasse simplesmente na sua destreza, mas porque
acreditava que o filisteu havia desafiado o Exército do Deus vivo. A luta,
portanto, não era simplesmente entre ele o gigante, mas entre o gigante e o
Senhor que havia sido desafiado. Essa forma de enxergar as coisas diferenciava
Davi de um guerreiro presunçoso.
1. O gigante Golias
“Então, saiu do
arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, da
altura de seis côvados e um palmo” (1Sm.17:4).
Pelo texto, percebe-se que Golias
era enorme. Se levarmos em consideração a medida do côvado de 0,45m, e
considerando que 01(um) palmo correspondia 0,20m, podemos afirmar que a altura
de Golias era de, aproximadamente, dois metros e noventa centímetros de altura.
Presumindo que Golias tinha as proporções da maioria dos homens, ele deveria
pesar quase trezentos quilos. Eram trezentos quilos de músculo, não de gordura.
Golias era soldado desde a juventude (1Sm.17:33). Era um veterano experiente em
duelo. Devia ser assustador encarar um gigante como Golias. A diferença física
entre Davi e Golias era tão grande que, aos olhos do gigante, Davi era
desprezível -” E, olhando o filisteu e vendo a
Davi, o desprezou” (1Sm.17:42).
Davi respeitou a envergadura do
inimigo, mas não se acovardou; dispôs-se a enfrentá-lo e a vencê-lo. Ele não
tomou a possibilidade de luta contra Golias como um fato isolado, uma questão
sua, mas encarou a batalha como uma coisa de Deus, pois era o exército de
Israel, a tropa do Senhor, que estava sendo afrontado por Golias (1Sm.17:26).
Por isso Davi enfatizou: “...quem é, pois,
este incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?”.
Quem tem a unção do Espírito
Santo e confia no poder Deus não teme o inimigo, por mais feroz e hábil que
este se apresente, antes, entra na batalha confiante, sabendo que pode vencê-lo
(2Co.1:10; 2Tm.4:17,18).
Uma das justificativas de Davi
enfrentar o enorme oponente seria a de mostrar a todos o poder do seu Deus, e
não sua coragem ou sua perícia bélica. Ele disse: “... deste modo toda terra saberá que existe um Deus em
Israel” (1Sm.17:46). Imbuído dessa certeza de vitória, Davi foi
ao encalço do inimigo. Saul e os soldados estavam recuados com medo. A covardia
de Saul, o seu medo e a apatia dos soldados eram resultado da ausência do
Espírito Santo de Deus em suas vidas. Davi, entretanto, era cheio do Espírito
Santo, e quem é cheio do Espírito Santo vence gigantes e o nome de Deus é
exaltado.
Na hora do perigo, da
adversidade, existe um Deus Todo-poderoso em nossa vida, ao nosso lado. Desta
feita, não devemos temer os gigantes que se levantam contra nós, porque somos
de Deus e temos vencido o inimigo - “porque
maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (1João 4:4).
2. As armas de Davi para
enfrentar o gigante
Primeiramente, quais eram as
armas do gigante Golias? Ele era um guerreiro; um guerreiro enorme armado até
os dentes, com capacete, armadura, lança e espada; sua armadura pesava cerca de
sessenta e oito quilos, e a haste de sua lança era como um eixo de tecelão,
cuja ponta pesava cerca de nove quilos. Na verdade, Golias era um inimigo
temível. Diz assim o texto sagrado (1Sm.17:4-7):
“Então, saiu do
arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, que
tinha de altura seis côvados e um palmo. Trazia na cabeça um capacete de bronze
e vestia uma couraça de escamas; e era o peso da couraça de cinco mil siclos de
bronze. E trazia grevas de bronze por cima de seus pés e um escudo de bronze
entre os seus ombros. E a haste da sua lança era como eixo de tecelão, e o
ferro da sua lança, de seiscentos siclos de ferro; e diante dele ia o
escudeiro”.
E Davi, quais eram as suas armas? Um
jovem, pastor de ovelhas, armado “apenas” com uma funda (usada para espantar os
lobos que rondavam o rebanho) e cinco pedras. Com estas armas, era humanamente
impossível Davi derrotar o gigante Golias. Podemos dizer, então, que a
principal arma de Davi para enfrentar o gigante era a sua fé e confiança em
Deus. A Bíblia declara que “as armas da nossa
milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das
fortalezas” (2Co.10:4).
Os soldados de Israel estavam com
muito medo de Golias. Olhavam para ele e fugiam (1Sm.17:24); mas, Davi foi lá e
o abateu; ele lançou apenas uma pedra com sua funda, acertando o gigante, que
caiu atordoado. Prontamente, ele toma a espada do gigante e cota-lhe a cabeça.
Uma coisa a pensar: por que ele
pegou 5 pedras? Porque ele não era arrogante. Ele sabia que
poderia errar na primeira, segunda, terceira vez; ele sabia que ser eficiente,
necessariamente, não é acertar na primeira tentativa, nem acertar sempre.
Poderia ser que precisasse de todas as pedras. O importante era acertar o
gigante e derrotá-lo.
Davi obteve vitória porque
confiou, não no sistema, não na técnica, não nas suas aptidões, não nas suas
armas, não nas armas de Saul, mas confiou no poder do seu Deus. Golias confiava
na sua experiência e na sua força; Davi, porém, confiava na força do Senhor dos
Exércitos. Foi ele mesmo quem disse: “... Tu vens a
mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu vou a ti em nome do Senhor
dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado” (1Sm,17:45).
Todos nós temos gigantes em
nossas vidas - coisas que parecem grandes em nossas vidas e que temos de
encarar, problemas que temos de vencer se quisermos continuar vivendo. Pode ser
uma batalha judicial, um impasse com um empregador, um mau hábito, uma tentação
irresistível, uma mania incontrolável, uma busca para melhorar um
relacionamento difícil; pode envolver pessoas ou pressões; pode resultar em
preocupações e medos. Se você ainda não teve de encarar um gigante na vida,
garanto que em algum momento isso acontecerá.
Todos nós enfrentamos nossos
gigantes, desafios que tomam conta de nossos horizontes, problemas que fazem os
nossos joelhos se enfraquecerem. Mas, não importa o tamanho do gigante, ele vai
cair. Às vezes somos como os espias da terra prometida (com exceção de Josué e
Calebe) que disseram: “Somos como gafanhotos perto
daqueles gigantes”. Para vencer gigante não podemos nos sentir como gafanhoto.
Devemos dizer de forma confiante: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp.4:13);
“Em todas as coisas somos mais que vencedores em Cristo Jesus” (Rm.8:37).
Portanto, o cristão que deseja ser vitorioso contra as forças de Satanás
precisa se revestir da armadura de Deus (Ef.6:13-17).
3. O poder do Senhor é decisivo
na batalha e a fé nesse poder pode ser o catalizador para a vitória
A fé de Davi é exemplar. Diante
de um inimigo truculento e aparentemente invencível ele se recusou a se fixar
naquilo que via e ouvia no campo de batalha. Ele depositou sua fé no Deus vivo,
que, como ele sabia por experiência própria, era digno de confiança.
Como seres humanos frágeis,
facilmente influenciados pelo que nossos sentidos indicam, temos a tendência de
deixar que os desafios do presente século obscureçam aquilo que aprendemos no
passado e nos paralisem. A fé de Davi, porém, não permitiu que isso acontecesse.
Ele se lembrou de como Deus o livrou de predadores ferozes e tinha certeza de
que o passado se repetiria no presente.
Certamente, Davi tinha habilidade
com as armas de pastor, incluindo a funda, arma que pode ser mortal; no
entanto, não contou vantagem acerca dessa aptidão nem depositou confiança falsa
nela. Ele sabia que a capacitação para a batalha vem do Senhor, bem como a
coragem e a força para usar seu treinamento e suas armas com eficácia. Para
Davi, o Senhor é digno de plena confiança, pois é o Deus vivo e atuante, que
determina o resultado das batalhas e dá vitória e salvação a seu povo.
Viver em função do que vemos
restringe a fé e causa medo paralisante. Era o que estava ocorrendo com Saul e
o exército de Israel. Diante da ameaça do gigante, o que restava a Israel era
ficar parado, esperar e estremecer enquanto o filisteu os desafiava e,
indiretamente, desafiava o Deus deles. Quando o povo de Deus reage dessa forma,
envia uma mensagem equivocada ao mundo acerca de Deus, e de sua graça provedora
e protetora. Davi, com sua atitude de fé e confiança em Deus, desejou que todos
os observadores reconhecessem a soberania divina e o compromisso de Deus com o
seu povo.
CONCLUSÃO
Deus escolheu e ungiu Davi para
abençoar a nação de Israel, cujo descendente legítimo, Jesus Cristo, reinará
dessa nação toda a humanidade por mil anos (Ap.20:6), um reinado como nunca
houve até agora – de Justiça e Paz – “Bem-aventurado
e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem
poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com
ele mil anos”.



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