ORAÇÃO E A VONTADE DE DEUS
Leitura Bíblica: João 14.13-17;
15.7;1 João 5.14,15
“Se vós
estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que
quiserdes, e vos será feito” (João 15.7).
A relação entre a oração e a
vontade de Deus é um dos temas mais profundos, transformadores e, por
vezes, mal interpretados da vida cristã. O versículo de João 15.7 — "Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras
estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito" — não é um cheque em branco egoísta, mas a
descrição perfeita de uma comunhão alinhada com o Criador.
1. A Condição Prévia: A União com
a Videira
O texto começa com uma condição
fundamental: "Se vós estiverdes em mim...".
- Em João 15, Jesus usa a metáfora da videira
verdadeira e dos ramos. O ramo não produz fruto por esforço próprio, mas
por estar conectado à videira.
- A oração eficaz não é uma técnica para
convencer Deus a fazer a nossa vontade, mas o fluxo natural da vida de
Cristo em nós. Estar em Cristo significa que a nossa identidade, os
nossos desejos e a nossa visão de mundo estão sendo moldados por Ele.
2. A Palavra como Reguladora dos
Desejos
A segunda condição é: "...e
as minhas palavras estiverem em vós...".
- Quando a Palavra de Deus habita ricamente em
nosso interior (Colossenses 3.16), ela transforma a nossa mente (Romanos
12.2).
- O resultado dessa habitação é que o nosso
querer muda. Deixamos de pedir segundo as paixões carnais ou vaidades
passageiras e passamos a desejar o que Deus deseja. A Palavra alinha o
nosso coração ao coração dele.
3. "Pedireis tudo o que
quiserdes" — O Desejo Transformado
Muitos tropeçam nessa frase
isolada, mas ela é a consequência lógica das duas condições anteriores:
- Um coração que está profundamente unido a
Cristo e saturado pela Sua Palavra não deseja o que é contrário à
vontade de Deus.
- Os pedidos dessa pessoa já estão previamente
filtrados pela perspectiva divina. É por isso que o apóstolo João reforça
essa verdade em sua epístola: (1 João
5.14).
E esta é a
confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade,
ele nos ouve.
4. O Exemplo Máximo: Jesus no
Getsêmani
O maior exemplo de oração
alinhada à vontade de Deus é o próprio Cristo. Na noite anterior à sua
crucificação, Ele orou:
"Pai, se
queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a
tua" (Lucas 22.42).
Jesus expressou o seu desejo
humano de angústia diante do sofrimento, mas imediatamente submeteu esse desejo
à soberania e ao propósito maior do Pai. A verdadeira oração nunca manipula a
Deus; ela nos submete a Ele com confiança amorosa, sabendo que a Sua vontade é
sempre boa, perfeita e agradável (Romanos 12.2).
Resumo Prático
Orar segundo a vontade de Deus
não é anular os nossos desejos, mas permitir que o Espírito Santo purifique e leva-te
esses desejos. Quando vivemos em comunhão íntima com Jesus, a nossa vontade e a
vontade de Deus tornam-se uma só, e a oração deixa de ser um monólogo de
exigências para se tornar um diálogo de perfeita harmonia e resposta garantida.
INTRODUÇÃO
Por
isso, o Espírito Santo que em nós habita nos auxilia em nossas orações,
fazendo-nos pedir o que convém, capacitando-nos a rogar de acordo com a vontade
de Deus. Muitas vezes, estamos tão confusos diante das opções que temos, que
não sabemos nem mesmo como apresentar os nossos desejos e as nossas dúvidas
diante de Deus. Todavia, o Espírito Santo nos socorre. Ele ora a nosso favor
quando nós mesmos deveríamos ter orado, porém não sabíamos para que orar. Orar
como convém é orar segundo a vontade de Deus, colocando os nossos desejos em
harmonia com o santo propósito de Deus; isto só é possível pelo Espírito de
Deus que Se conhece perfeitamente (1Co 2.10-12). Assim, toda oração genuína é
sob a orientação e direção do Espírito (Ef 6:18; Jd 20).
I. A ORAÇÃO E A VONTADE DE DEUS
Quando
temos a certeza da vida eterna, é evidente que podemos colocar-nos diante de
Deus com a confiança que João descreve em 1João 5:14-15, que diz: “E esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos
alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve
em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos”.
Portanto, a oração não é um recurso conveniente para impormos a nossa vontade a
Deus, ou para dobrar a sua vontade à nossa, mas, sim, o meio prescrito de
subordinar a nossa vontade à de Deus. É pela oração que buscamos a vontade de
Deus, nos abraçamos e nos alinhamos a ela.
1. O caráter de Deus. Por caráter, Deus é amoroso, justo,
santo, sábio, bom, compassivo, misericordioso, amável, perdoador, paciente,
tardio para se irar, fiel e muito mais. Deus é soberano e tem o controle final
da história ao mesmo tempo em que leva em conta as decisões das pessoas. Deus é
tanto transcendente (fora da criação) como imanente (está presente e ativo na
criação e habita dentro do crente). Portanto, o conhecimento de tais atributos
divinos é imprescindível para orarmos a Deus com entendimento e sermos
respondidos em nossas súplicas. Quanto mais conhecermos a Deus, melhor
compreenderemos, aceitaremos e identificaremos a sua vontade para nós.
O homem natural não conhece a vontade de Deus. E, por que não pode
conhecê-la? Porque os caminhos e os pensamentos de Deus são mais altos do que
os do homem. Aqueles que creem n’Ele e O seguem, estão capacitados a conhecer a
vontade de Deus.
2. A vontade de Deus e as Sagradas Escrituras. Submissão à
vontade de Deus, e não imposição da nossa vontade a Deus, é o alicerce da nossa
confiança na oração. Hoje temos visto falsos mestres ensinando que a oração da
fé precisa determinar para Deus o que queremos. Este
falso ensino proclama que oração é a vontade do homem prevalecendo no céu em
vez da vontade de Deus prevalecendo na terra. A oração é um instrumento
poderoso, não para conseguir que a vontade do homem seja feita no céu, mas para
garantir que a vontade de Deus seja feita na Terra.
Aliás, devemos temer orar por qualquer coisa que não esteja de acordo com a
vontade de Deus. Tiago e João, por exemplo, insensatamente pediram algo a Jesus
Cristo em conflito com sua natureza e vontade, mas foram repreendidos pelo
Senhor (Lc 9.54-56). Talvez alguém pergunte: “Como
saber qual é a vontade de Deus?”. Podemos
responder em termos gerais que a vontade de Deus nos é revelada nas Escrituras
Sagradas. Devemos, portanto, estudá-las a fim de conhecer melhor a vontade de
Deus e aprender a orar com mais discernimento.
Portanto, para orar segundo a vontade de Deus, é preciso conhecê-la e concordar
com ela. Somente depois que estivermos convictos de que desejamos a vontade de
Deus mais do que nossa própria vontade, é que podemos orar a oração dominical,
com segurança: “Seja feita a Tua vontade, assim na
terra como no céu” (Mateus 6:10).
3. A vontade de Deus para cada indivíduo. Conhecer a vontade
de Deus é, às vezes, difícil. As pessoas querem que Deus, basicamente, diga a
elas o que fazer – onde trabalhar, onde morar, com quem se casar etc. Deus
raramente dá às pessoas informações assim tão diretas e específicas. Deus
permite que façamos escolhas em relação a estas coisas. A única decisão que
Deus não quer que tomemos é a decisão de pecar ou resistir à Sua vontade.
Deus quer que façamos escolhas que estejam em conformidade com sua vontade.
Mas, como podemos saber a vontade de Deus para nossa vida? Para descobri-la, é
necessário que o servo de Deus cultive uma vida de íntima comunhão com Deus. À
medida que conhecemos o Senhor, sua vontade vai se tornando mais evidente para
nós. Romanos 12:2 nos diz: “E não sede conformados
com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento,
para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”
Se buscarmos a Deus em favor de determinada causa precisamos saber se ela
está dentro da vontade de Deus. Apresentamos dois comandos para se conhecer
a vontade de Deus para uma dada causa:
a)
Certifique-se de que o que você está pedindo
ou pensando em fazer não é algo que a Bíblia proíbe.
b) Certifique-se
de que o que você está pedindo ou pensando em fazer irá glorificar a Deus e
ajudá-lo a crescer espiritualmente. Se estas duas coisas forem verdades e Deus,
ainda assim, não está dando o que você está pedindo, então provavelmente não é
da vontade de Deus que você tenha o que está pedindo. Ou, talvez, você somente
precise esperar um pouco mais por isso.
Se você estiver caminhando junto ao Senhor e verdadeiramente desejar a
vontade dEle para sua vida, Deus colocará Sua vontade em seu coração. A
chave é desejar a vontade de Deus, não a sua própria. “Deleita-te
também no SENHOR, e ele te concederá o que deseja o teu coração” (Salmos
37:4). Se a Bíblia não se coloca contra algo, e este algo pode verdadeiramente
beneficiá-lo espiritualmente, então a Bíblia dá a você a “permissão” de tomar
decisões e seguir seu coração.
Para saber a vontade de Deus para decisões mais específicas, por exemplo, com quem se casar, ou sobre a vida profissional, deveria considerar os seguintes:
a) Se existir uma falta da paz dentro de si, não vá em frente.
b) Fale com outros crentes mais maduros, e preste atenção aos seus
conselhos.
c) Pergunte a si próprio: "Será
que quero fazer a vontade de Deus com todo o meu coração?" Se a sua
resposta for "sim", é muito provável que saiba logo qual é a vontade
de Deus.
d) Pergunte a si próprio: "Será
que esta coisa me vai ajudar na minha vida espiritual?".
e) Quando uma porta abrir, não suponha automaticamente que Deus
esteja a abrir a porta. Às vezes o diabo tenta-nos com coisas atraentes que não
são de acordo com a vontade de Deus para nós. Peça a sabedoria de Deus e pela
Sua confirmação se aquela oportunidade à sua frente for a Sua vontade.
f) Não tome uma decisão rápida. Espere em Deus porque muitas vezes
com o passar do tempo nossos pensamentos e desejos mudam.
Enfim, o que faço é para a glória de Deus? "Portanto,
quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a
glória de Deus" (1Co 10:31). Deus deve não somente ser glorificado
nos templos, mas também fora deles; não somente na vida privada, mas também na
esfera pública. Não somente nas coisas referentes à sobriedade do
"ministério cristão", mas também nas coisas evidentes e simples do
nosso cotidiano como "comer e beber".
II. ORAÇÕES NÃO RESPONDIDAS POR DEUS
1. Orações egoístas (Tg 4.3). Há algo muito errado com o
crente que não sente necessidade e nem prazer em fazer a vontade de Deus. E
essa grave anomalia é evidenciada em orações egoístas. O escritor do livro de
Tiago disse: “Pedis e não recebeis, porque pedis
mal, para o gastardes em vossos deleites”. Aqui, o apóstolo Tiago afirma
que pedidos egoístas, que visam interesses próprios, não são respondidos pelo
Senhor – é a dura consequência. Deus não responde as orações dos que amam os
prazeres e que desejam honra, poder e riquezas. Todos devemos tomar consciência
disso, porque Deus não ouvirá as nossas orações se tivermos o coração cheio de
desejos egoístas. Nossas orações se tornarão poderosas quando permitirmos que
Deus mude nossos desejos para que correspondam perfeitamente à vontade dEle
para a nossa vida (1João 3:21,22).
Quantos estragos temos feito em nossa própria vida, por orações centralizadas
em nós mesmos?
E quantos benefícios a outras pessoas deixamos de proporcionar por nem
pensarmos neles em nossas orações? Após conhecer o Senhor mais profundamente,
Jó intercedeu por seus amigos (Jó 42.10). Experimente orar mais pelos outros do
que por si.
2. Orações por posição social (Mt 20.17-28). É um tremendo
erro orar por posição social tal como reconhecimento humano, honras, glórias,
poder, dinheiro, para satisfazer a natureza hedonista do ser humano. Esse tipo
de oração, considerada egoísta, certamente, Deus não atenderá. Vemos um exemplo
clássico na Bíblia com a Mãe de Tiago e João: “Então,
se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o e
fazendo-lhe um pedido. E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes
meus dois filhos se assentem um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu Reino”
(Mt 20:20,21). É claro que Jesus não acatou esse pedido, como bem denota
os versículos seguintes. Foi um pedido egoísta. É louvável da sua parte que ela
quisesse os filhos perto de Jesus, e que ela ainda esperasse seu futuro reino.
Mas ela não entendeu os princípios pelos quais as honras seriam conferidas no
reino. Jesus respondeu claramente que eles não entendiam o que estavam pedindo.
Eles queriam uma coroa sem uma cruz, um trono sem o altar de sacrifício, a
glória sem o sofrimento anterior. Então Ele lhes perguntou sem rodeios: “Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber?”. Ela
não tinha consciência de que não existe posição melhor do que ser um servo de
Deus, que foi transportado do reino das trevas para o Reino do Filho do seu
amor (Cl 1.13), e agora vive não mais para si mesmo, mas em e por Cristo (Gl
2.19,20).
Observe que a mãe de Tiago e João adorou a Jesus antes do seu
pedido. Ela adorou Jesus, mas seu objetivo principal era obter algo dEle. Isso
acontece muitas vezes em nossas igrejas e em nossa vida. Desempenhamos
atividades religiosas, esperando que Deus nos dê alguma coisa em troca.
Entretanto, a verdadeira adoração e louvor devem ser dados a Cristo por quem
Ele é, e por aquilo que Ele fez.
Diante daqueles que estão a pensar apenas nas coisas materiais, que se tornaram
materialistas, é imperioso que a Igreja mostre a sublimidade e a superioridade
das coisas espirituais. Neste particular, é necessário que a Igreja seja a
primeira a dar o seu testemunho de que as “coisas de cima” são melhores e
maiores que as coisas desta terra. Paulo é taxativo ao afirmar que “… se já ressuscitastes com Cristo, buscais as coisas que
são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que
são de cima, e não nas que são da terra, porque já estais mortos, e a vossa
vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3:1-3). Entretanto, como
podemos querer que o mundo se liberte do materialismo, se temos, enquanto
Igreja, igualmente dado prioridade às coisas da terra? Como podemos querer que
o mundo se liberte do materialismo, se nossas preocupações estão única e exclusivamente
nesta terra?
Como podemos denunciar o materialismo, se nossos púlpitos apenas falam de
“prosperidade material”, se os crentes querem apenas melhores salários,
empregos (os mais modestos, pois a maioria quer, mesmo, é se tornar grandes
empresários…) e bem-estar nesta vida? Como criticar a prática materialista dos
nossos dias, se, nas igrejas, o critério de crescimento no ministério é a
arrecadação econômico-financeira, se há uma preocupação em se formar grandes
impérios empresariais da fé? Como mostrar a necessidade de se desprender do
“ter” se alguns têm associado avivamento espiritual com o surgimento de megatemplos
que fazem os grandes estádios e ginásios do mundo parecer miniaturas?
Nossos dias são os dias da “igreja de Laodiceia”, a igreja que deu
valor ao materialismo e que, por isso, se achava suficiente e preparada só
porque era rica, tinha se enriquecido e de nada tinha falta (Ap 3:17), mal
sabendo, porém, que, espiritualmente falando, era praticamente um nada diante
de Deus. É preciso voltarmos ao tempo em que a igreja, embora não tivesse prata
nem ouro, tinha o poder de Deus para fazer a obra sobrenatural do Senhor (cf.
At 3:6). Só aqueles que assim fizerem poderão enfrentar o materialismo hodierno
e, mesmo que tenha pouca força, serão vitoriosos, pois são a “igreja de
Filadélfia”, a igreja que será arrebatada por Jesus.
3. Orações hipócritas (Mt 6.5,6). “E, quando orares, não
sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às
esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já
receberam o seu galardão” (v.5). Aqui, Jesus adverte os discípulos contra a
hipocrisia ao orar. Eles não deveriam se posicionar propositalmente em áreas
públicas de forma que os outros, vendo-os orar, ficassem impressionados por
suas devoções.
A hipocrisia foi condenada porque desvia o propósito da oração, que é a glória
de Deus, para a glória do ego, do eu. Alguns, especialmente os religiosos,
queriam ser vistos como santos, e a oração em público era um modo de chamarem a
atenção para isso. Porém Jesus enxergou a intenção deles de se promoverem e
ensinou que a essência da oração não é a justificação em público, mas a
comunicação particular com Deus. Como diz o pr. Eliezer de Lira: “É melhor ser sincero como um publicano, carente da
misericórdia de Deus, do que um fariseu, cheio de justiça própria, pois aquele
teve sua oração atendida e este não" (Lc 18.9-14).
Uma coisa é certa: A presunção, o fato de se considerar melhor que
os outros faz parte do jeito dos fariseus. Na parábola, do fariseu e do
publicano, o fariseu conhecia muito bem a maldade das outras pessoas,
especialmente do publicano. Mas se estivermos conscientes da nossa imperfeição quando
orarmos a Deus, então, como Jesus disse, voltaremos "justificados"
para nossa casa. "Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a
si mesmo se humilhar será exaltado"(Mt 23.12).
III. ORAÇÕES ATENDIDAS POR DEUS
Na
Bíblia temos muitos exemplos de orações respondidas, uma vez que estavam em
harmonia com a vontade de Deus. Nesta aula citaremos apenas três.
1. A oração do rei Salomão (2Cr 1.7-12). “Naquela mesma noite, Deus apareceu a Salomão e
disse-lhe: Pede o que quiseres que eu te dê. E Salomão disse a Deus: Tu usaste
de grande beneficência com Davi, meu pai, e a mim me fizeste rei em seu lugar.
Agora, pois, ó SENHOR Deus, confirme-se a tua palavra, dada a Davi, meu pai;
porque tu me fizeste rei sobre um povo numeroso como o pó da terra. Dá-me,
pois, agora, sabedoria e conhecimento, para que possa sair e entrar perante
este povo; por que quem poderia julgar a este teu tão grande povo? Então, Deus
disse a Salomão: Porquanto houve isso no teu coração, e não pediste riquezas,
fazenda ou honra, nem a morte dos que te aborrecem, nem tampouco pediste muitos
dias de vida, mas pediste para ti sabedoria e conhecimento, para poderes julgar
a meu povo, sobre o qual te pus rei, sabedoria e conhecimento te são dados; e
te darei riquezas, e fazenda, e honra, qual nenhum rei antes de ti teve, e
depois de ti tal não haverá”.
Eis aqui uma oração curta, porém sincera e sábia. Não há nenhuma
denotação egoística em suas palavras. Por isso, Deus atendeu a sua oração sem
demora. O pedido de Salomão provavelmente foi inspirado pela oração de que ele,
como novo rei, pudesse ter sabedoria e entendimento. A aparição do Senhor, em
visão, deu a ele a oportunidade de pedir o que quisesse, ou seja, ele tinha um
“cheque em branco” (v.7), no entanto, não teve desejos egoístas, pensou no
reino de Israel e no seu povo. Aqui está o princípio hebraico de que riquezas,
fazenda e honra (v.12) seguem aquele que faz a vontade de Deus. É claro que
isso não era sempre verdade naquela época, nem o é hoje em dia; mas o que era
verdade então, e continua hoje, é que o homem que obedece a Deus é sempre
melhor do que o que o ignora. Salomão tornou-se o homem mais sábio e rico do
mundo de sua época (1Rs 4.29-34).
2. A oração do profeta Elias (1Rs 18.36-39). A oração que
está dentro da vontade de Deus, ou seja, aquela que O glorifica e O exalta,
será respondida. Aqui, citamos como exemplo, a oração que Elias fez no monte
Carmelo diante dos profetas de Baal. Conforme se observa no versículo 37, o
único desejo de Elias era que o nome do Senhor fosse reconhecido e aclamado no
meio daquele povo.
Naquela época, Israel vivia uma verdadeira “apostasia nacional”, pois todo o
país estava se enveredando pelo culto a Baal. O próprio Deus diria a Elias,
pouco depois, que apenas sete mil pessoas não haviam dobrado seus joelhos a
Baal nem o haviam beijado, um número bem diminuto frente a uma população que
deveria ser bem maior (1Rs 19:18). Diante da apostasia reinante, Elias resolveu
fazer um desafio ao povo de Israel: o Deus verdadeiro deveria responder com
fogo a aceitação do sacrifício que Lhe fosse dado. No momento do desafio, os
profetas de Baal e de Azera, num total de oitocentos e cinquenta (1Rs.18:19),
tentaram, durante toda a manhã, resposta de seus deuses para o sacrifício, sem
resultado.
Elias, então, depois que havia deixado tempo suficiente para que
Baal respondesse ao sacrifício, oferece o seu diante de Deus. Como Deus não é
Deus de confusão (1Co 14:33), reparou o altar, que estava quebrado, bem como
pôs água abundante para que não houvesse qualquer dúvida de que era Deus quem
iria operar. Este cuidado do profeta é um exemplo a seguirmos na atualidade: a
operação de Deus é algo de que devemos ter certeza e convicção. Por isso, nada
deve ser feito sem a devida preparação espiritual, a devida santificação (o
reparo do altar), como também tudo deve ser feito às claras diante do povo, com
transparência, decência e ordem (1Co 14:40). Quantos altares desmantelados na
atualidade têm buscado o “fogo divino” e, como Deus não opera em lugares assim,
recorrem a subterfúgios, a astuciosos estratagemas para impressionar o povo.
Entretanto, não nos iludamos, Deus não é Deus de confusão.
Mas, além de ter reparado o altar e não deixado margem a qualquer dúvida,
Elias fez uma oração. Ele não “determinou” coisa alguma a Deus, pois sua
“determinação” é a disposição firme de servir a Deus, não qualquer exigência
que devesse ser feita, como muitos iludidos atrevem-se a fazer em os nossos
dias. Elias fez uma oração, um pedido a Deus, reconhecendo a Sua soberania, o
Seu senhorio. Relembrou ao povo, que o escutava, que Deus era o Deus do pacto
feito com os patriarcas, o Deus que havia formado a nação de Israel e que ele,
Elias, era tão somente um servo dEle. Mal acabou a oração, o Senhor consumiu
tudo com o fogo e o povo não teve mais dúvida alguma: só o Senhor é Deus! (1Rs
18:36-39).
3. A oração de Davi (Sl 51.1-17). O salmo 51 é uma súplica,
primeiramente, por perdão, com uma confissão humilde de atos pecaminosos
provenientes de uma natureza pecaminosa como sua raiz amarga; e, depois, por
renovação e santificação através do Espírito Santo. Neste salmo, Davi reconhece
a gravidade de seus erros e, principalmente, por ter pecado contra o seu Deus.
Em seguida, arrepende-se profundamente e busca com lágrimas o perdão e a
restauração divina. Davi tinha plena certeza que alcançaria a misericórdia e
benignidade de Deus se o buscasse com um coração sincero e contrito.
Davi sentiu uma culpa profunda por sua conivência, mentira,
adultério e, finalmente, assassinato. Por trás dessas transgressões ele
consegue enxergar a raiz e causa e ora para que o Senhor o lave completamente
da sua iniquidade e o purifique do seu pecado (51:2). Ele não procura encobrir
ou desculpar a profundidade da sua necessidade.
Todos que pecaram gravemente e que estão opressos por sentimento de culpa podem
obter o perdão, a purificação do pecado e a restauração diante de Deus, se O
buscarem conforme a natureza e a mensagem deste Salmo. A súplica de Davi, por
perdão e restauração, baseia-se na graça, misericórdia, benignidade e compaixão
de Deus (51:1), num coração verdadeiramente quebrantado e arrependido (51:17)
e, em sentido pleno, na morte vicária de Cristo pelos nossos pecados (1João
2:1,2).
Nenhum pecado é grande demais para Deus perdoar! Você sente que
nunca poderia aproximar-se do Senhor por ter feito algo terrível? Deus pode e
quer perdoá-lo. Embora Ele nos perdoe, nem sempre apaga as consequências de
nossos pecados. A vida e a família de Davi nunca mais foram as mesmas como
resultado do que ele fez (ver 2Samuel 12:1-23).
CONCLUSÃO
Quando oramos exercitamos a nossa confiança no
Deus da Providência, sabendo que nada nos faltará, porque Ele é o nosso Pai. A
oração tem sempre uma conotação de submissão confiante. Portanto, orar ao Pai,
significa sintonizar a nossa vontade com a dEle; sabendo que Ele é santo e a
Sua vontade também o é (Mt 6.9,10).



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